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TV DESTINO: Traçando entretenimento em sua vida.

NADA F OF A

Criação:
Alexandre Machado e Fernanda Young
Escrito por:
Leandro Fazolli
Supervisão:
Daniel César

Atenção
“Este texto é de propriedade intelectual exclusiva da TV DESTINO LTDA e por
conter informações confidenciais, não poderá ser copiado, cedido, vendido ou
divulgado de qualquer forma e por qualquer meio, sem o prévio e expresso
consentimento da mesma. No caso de violação do sigilo, a parte infratora

estará sujeita às penalidades previstas em lei e/ou contrato.”

CENA 01. APART. DE NÁDIA. SALA. INT NOITE.

TV DESTINO: Traçando entretenimento em sua vida.


CÂMERA PASSEIA PELA CASA, MOSTRA UMA SALA TODA
PINTADA DE AZUL BEBÊ, DOIS SOFÁS BRANCOS, CLOSE EM
NÁDIA DEITADA NO TAPETE, ESCORADA NUM PUFF ROSA E
NA BARRIGA UMA TIJELA DE PIPOCA. ELA ESTÁ
ASSISTINO A UM FILME DE TERROR.

NÁDIA - (assustada) Ah, isso ai é catchup!


Eu não vou ficar gastando o meu
tempo, assistindo um filme onde a
mocinha jorra catchup. Fala sério.

UM PINTO GIGANTE E ROSA APARECE ATRÁS DO SOFÁ.

PINTONILDO - (cantando) Seja legal, seja


legal...

NÁDIA OLHA PARA TRÁS E PINTONILDO SE ESCONDE.

PINTONILDO - (rindo) É melhor do que ser mal,


todos vão te achar o tal...

NÁDIA OLHA OUTRA VEZ. PINTONILDO SE ESCONDE.

PINTONILDO - Nada é mais legal que ser legal.

NÁDIA OLHA E VÊ O PERSONAGEM. LEVA UM SUSTO.

NÁDIA - (Surpresa) Você de novo? Não acredito!


ABERTURA.

LEGENDA: Nada Fofa: “Seja legal, é melhor do


que ser mal”

CENA 02. APART. DE NÁDIA. BANHEIRO. INT NOITE.

NÁDIA ESTÁ TIRANDO A ROUPA. COLOCA A TOALHA SOBRE


O CORPO E OLHA NO ESPELHO. AO FUNDO ESTÁ
PINTONILDO.

NÁDIA - Eu sei que você é apenas uma piração da


minha cabeça. Mas isso logo vai
passar. Todo mundo tem o direito
de dar uma pirada de vez em
quando. Isso são horas de você
aparecer? Preciso me relaxar,
tenho uma audiência logo pela
manhã.

PINTONILDO - Eu sei, por isso que pintei aqui.


Ta dando pinta.

NÁDIA - (confusa) Hã?

PINTONILDO - É, você não engana ninguém


bancando a malvada e a durona.

NÁDIA - Mas quem disse que estou bancando a


durona?
PINTONILDO - Ninguém, eu sei. Você precisa ser
mais legal, e viver a vida feliz.

NÁDIA - Era só o que me faltava, ficar ouvindo


conselhos de um pinto rosa, como
você?

PINTONILDO - É, seja legal com as pessoas e coisas


legais vão aparecer na sua vida.

NÁDIA COM UM POUCO DE RECEIO TOCA EM PINTONILDO,


ELE SENTE CÓCEGAS E RI EXCESSIVAMENTE.

CENA 03. APART. DE NÁDIA. SALA. INT DIA.

NÁDIA ESTÁ TODA PRODUZIDA, COM UMA BLUSINHA VERDE


E UMA CALÇA PRETA, COM UM CASAQUINHO CINZA. COM
UMA PASTA NA MÃO SE PREPARA PARA SAIR. TELEFONE
TOCA.

NÁDIA - Mamãe?(T) Se eu gostei do puff rosa?


Odiei, mamãe não tinha uma outra
cor menos chamativa? Um preto, um
bege, sei lá. (T) Eu insensível?
(T) Me poupe mamãe, estou
atrasada para uma audição e você
quer me dar dicas de moda? Fala
sério.

DESLIGA O TELEFONE E SAI.


CENA 04. RIO DE JANEIRO. RUA. EXT DIA.

NÁDIA ESTÁ DIRIGINDO. ATENTA AO TRÂNSITO.

NÁDIA - Esses trânsitos, só servem para


nos deixar descabelada. Essa
demora me mata.

PINTONILDO APARECE NO BANCO DE TRÁS. NÁDIA PERCEBE


E OLHA.

NÁDIA - Calma Nádia, calma. Isso é só uma


alucinação passageira.

PINTONILDO - Traseira. Passageira seria se você


tivesse sentado no banco do
passageiro.

NÁDIA OLHA DE NOVO.

NÁDIA - Ah, não. Desse jeito eu terei uma


taquicardia. Pintonildo, o que
você está fazendo aqui de novo.

PINTONILDO - Ué Naná, vou te acompanhar no


tribunal. Vai que você precisa de
mim.

NÁDIA – Pare de me chamar de Naná, só quem me


chamava assim era meu pai. Isso
ainda quando era pequena.
PINTONILDO - Pequena você ainda é. (risos)

NÁDIA - Até que enfim essa fila resolveu andar.

PINTONILDO - Quem anda não é a fila, é os carros.

NÁDIA - Vamos fazer assim então, passa aqui para a


frente e você vai comigo até o
tribunal me dando umas dicas.

PINTONILDO - Eba!!!!

PINTONILDO SAI DO CARRO, E NÁDIA SAI EM DISPARADA.

PINTONILDO - (gritando) Naná, Naná.

CENA 05. RIO DE JANEIRO. TRIBUNAL. INT DIA.

NÁDIA CHEGA ATRASADA, TODA DESCABELADA. O JUIZ A


ENCARA.

NÁDIA - Ai, me desculpe reverendíssimo juiz. Tive


um pequeno imprevisto...

PINTONILDO SURGE.

NÁDIA - ... rosa no caminho.


JUIZ - Como?

NÁDIA - Nada não seu juiz. (para Pintonildo)


Porque você tem que aparecer
agora? Saia daqui estou
trabalhando, não posso perder
essa causa de jeito nenhum.

PINTONILDO - Calma Naná, eu só vou ajudar.

PINTONILDO SE ESCONDE DEBAIXO DO BALCÃO DE NÁDIA.

JUIZ - Vamos dar início a audiência. Senhora


Dalila, a senhora afirma ser
assediada por esse senhor aqui.
Como foi o ocorrido?

Dalila - Foi assim “nem”, eu “estarra” na minha


sala e ele chegou passando a mão
por mim e disse que eu teria que
ser dele por uma noite. Aí, ele
me agarrou e começou a me beijar
à força.

JUIZ - E o senhor, seu Nicolau. O que diz sobre


essa afirmação?

NICOLAU - Isso nunca aconteceu, eu nunca


assediei essa moça, não sei nem
quem ela é. Isso tudo não passa
de uma calúnia.

JUIZ - Nádia Wolf como advogada de defesa do réu,


o que tem a dizer?

PINTONILDO CUTUCA NÁDIA, E ELA SE ABAIXA NO BALCÃO


PARA VER PINTONILDO.

PINTONILDO - Naná, ela ta com um bilhetinho no


sutiã. Vai lá e pega.

NÁDIA - Ha ha! Nunca que vou fazer isso. (pra si)


Nadia, você está escutando um
pinto rosa que nem existe.

JUIZ - Então senhorita Nádia, o que tem a nos


dizer?

NÁDIA SE LEVANTA, VAI ATÉ O MEIO DO TRIBUNAL EM


FRENTE AO JUIZ.

NÁDIA - Reverendíssimo juiz, essa senhorita está


escondendo algo no sutiã.

NÁDIA VAI ATÉ DALILA, E PUXA DE SEU SUTIÃ UM


PAPEL.
NÁDIA - (Surpresa) Aham! Aqui está a prova do
crime. (olhando o papel) Deixe me
ver, o que fala esse papel.
(lendo) “Senhorita Dalila, em
todos os momentos se faça de
idiota, tente fingir ao máximo
para tentarmos conseguir alguma
grana desse velho, assinado
Rogério”.

NICOLAU - Mas esse é meu sócio.

NÁDIA - Então senhorita Dalila, o que me diz.

DALILA SAI CORRENDO DO TRIBUNAL. SEGURANÇAS A


SEGURAM.

JUIZ - Senhorita Dalila terá que pagar uma multa


de 7oo mil reais pela tentativa
de acusação em vão. Considero
esse caso encerrado. Parabéns
Nádia Wolf.

NÁDIA PULA DE ALEGRIA, COMO UMA CRIANÇA.

PINTONILDO - Naná, vai lá seja legal com ele,


dê um beijo nele.

NÁDIA LEVADA PELO ENTUSIASMO VAI ATÉ O JUIZ E O


BEIJA NA BOCA.
JUIZ - Senhorita Nádia Wolf!

CENA 06. APART. DE NÁDIA. SALA. INT. NOITE.

NÁDIA ESTÁ COM UMA COMPRESSA DE GELO NA CABEÇA.


DEITADA NO SOFÁ. PINTONILDO SURGE.

PINTONILDO - Viu, você conseguiu algumas folgas


extras. Agora você pode treinar
como ser legal com as pessoas.

NÁDIA - Pinto de uma figa, desaparece da minha


frente. Eu sou capaz de trucidá-
lo se ficar aqui. Você arruinou
minha vida profissional, agora
quer arruinar minha vida pessoal?

PINTONILDO - Naná, porque nesse momento relax da


sua vida você não abre um espaço
para uns namoricos? Desde que
você virou advogada que sua vida
amorosa ficou igual tobogã sempre
escorregando.

NÁDIA - Você ficou me monitorando desde a época da


faculdade? Só me faltava essa,
receber conselhos amorosos de um
pinto falante que ainda por cima
é rosa. Me poupe.

PINTONILDO - Ahhh! Você vai acabar ficando pra


titia. (risos).
NÁDIA - (pensativa) (T) Mas como faço isso?

CENA 07. APART DE NADIA. SALA. INT. NOITE.

A SALA ESTÁ TODA ENFEITADA, COM BALÕES COLORIDOS,


NAS MESAS DOCINHOS E SALGADINHOS. E UMA MUSICA DE
FUNDO.

NÁDIA - (Num canto da sala) E ai Pi, o que eu


tenho que fazer?

PINTONILDO - Naná, você tem que ser legal com


quem você gosta. Tente elogiar o
paquerinha.

NÁDIA VAI ATÉ O CENTRO DA SALA, ONDE PESSOAS


DANÇAM E SE SERVEM. SE APROXIMA DE UM RAPAZ.

NÁDIA – (Com uma taça de vinho).

PINTONILDO EMPURRA NÁDIA PRA CIMA DO RAPAZ, O


VINHO ENTORNA TODO NO RAPAZ QUE FIXA UM OLHAR EM
NADIA.

NÁDIA - (sorriso envergonhado) Desculpe!

RAPAZ - Imagina! Só preciso que você me seque.


(sorriso)
NÁDIA - Tenho um ventilador que é muito bom, você
quer se secar?

RAPAZ - (decepcionado) Ah não, deixa pra lá.

PINTONILDO APARECE ATRÁS DE NÁDIA.

PINTONILDO - Não, você fez tudo errado Naná,


ele queria que você secasse ele,
mas você perdeu o paquera. Essa
vai me dar trabalho.

CENA 08. APART. DE NÁDIA. QUARTO. INT. DIA.

NÁDIA PASSA BATOM SE OLHANDO NO ESPELHO.


PINTONILDO SURGE.

NÁDIA - Estou de mal de você seu pintinho mal


educado. Acabou com meu emprego,
acabou com minha moral e ainda
tem coragem de aparecer?

PINTONILDO - Naná, deixe de ser durona, seja


mais legal. Sua vida irá ser bem
melhor se você ser mais legal.

NÁDIA - Eu não vou mais ouvir nenhum conselho seu.


Tudo isso aconteceu por causa de
eu não ter o seu boneco quando
criança. Agora depois de adulta
você vem me assombrar. Vê se me
erra.

PINTONILDO - Naná, daqui a pouco você vai ter um


enfarto, se continuar
estressadinha.

NÁDIA - Agora vai embora que eu preciso me arrumar


para sair.

PINTONILDO - Aha! Já sei. Quando você passar


pela portaria diga “Bom dia,
porteiro.” Seja legal com as
pessoas. E cante aquela
musiquinha que você adorava
quando era criança. “seja legal,
seja legal, é melhor do que ser
mal, todos vão te achar o tal,
nada é mais legal que ser legal.”

PINTONILDO DESAPARECE.

CENA 09. APART. DE NÁDIA. PORTARIA. INT. DIA.

O PORTEIRO ESTA CONFERINDO ALGUNS PAPÉIS, SENTADO


A UMA MESA DE MADEIRA. NADIA SAI DO ELEVADOR.

NÁDIA - Olá seu Adamastor.


NÁDIA SAI DO PRÉDIO E PARA NA CALÇADA. FICA
PENSATIVA, E VOLTA À PORTARIA.

NÁDIA - Bom dia seu Adamastor, eu sou legal, sou


legal. É melhor do que ser mal.

NÁDIA DANÇA, E PUXA O PORTEIRO PRA DANÇAR COM ELA.


COMO UMA CRIANÇA.

CENA 10. CARRO. INT. DIA. RJ.

NÁDIA ESTÁ DIRIGINDO OUVINDO UMA MÚSICA. ESTÁ TODA


EMPOLGADA. PINTONILDO SURGE.

PINTONILDO - Isso aí Naná, você conseguiu ser


mais legal, com as pessoas. Assim
mesmo, seja legal e coisas legais
vão acontecer pra você.

O CELULAR DE NÁDIA TOCA. ELA ENCOSTA O CARRO E


ATENDE.

NÁDIA - Alô! Reverendíssimo Juiz?(T) O que? (T) O


meu emprego de volta? Sério? (T)
Já posso voltar do afastamento?
(T) Uhul!

NÁDIA BEIJA PINTONILDO E AUMENTA A MÚSICA


DANÇANDO.
Fi m.