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Iniciacao a Patinagem-1

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OS PROBLEMAS DA PATINAGEM E SUAS SOLUÇÕES

(retirado do livro “Iniciação à Patinagem” de Paulo Batista)

a) Quando se pode dizer que um praticante de Patinagem sabe PATINAR?
Qualquer patinador em qualquer fase de desenvolvimento tem sempre a possibilidade de efectuar determinados movimentos e habilidades e não consegue realizar outros. Existe sempre a possibilidade de criar habilidades/exercícios/esquemas que sejam difíceis de realizar por qualquer patinador; assim nunca ninguém pode afirmar que domina completamente esta modalidade, em todas as suas variantes e possibilidades. Por outro lado é frequente ouvir a questão: Então já sabes patinar?, ou a afirmação: Muito bem, já sabes patinar! Quem produz estas afirmações, ou coloca as questões, considera que saber patinar é conseguir equilibrar-se e fazer apenas algumas passadas, deslocar-se alguns metros, sem cair. Outros, ao ser-lhes feita esta questão respondem indicando que para saber patinar é necessário efectuar todas as acções/habilidades com patins que conhecem, ou consideram básicas. Poderiam ainda ser tecidos muitos outros comentários, mas como conclusão considero que "saber patinar" é: Realizar de forma correcta/nível elevado, o acto motor PATINAR RECTILÍNEO para a frente com nível elevado!! (segundo a definição de ACTO MOTOR PATINAR na sua fase mais desenvolvida, a apresentar mais à frente).

b) "Os patins e a Patinagem têm sido um tabu em Portugal!", de que forma poderemos comentar esta afirmação?
Mesmo apesar dos inúmeros títulos alcançados pelo Hóquei em Patins, "a Patinagem é uma modalidade estranha e desconhecida, praticada com elementos esquisitos... sabe-se lá compostos por quê e com que consequências negativas para os pisos" ... isto na opinião de algumas pessoas. Se por um lado a divulgação da Patinagem e o contacto com esta modalidade é reduzido, em consequência duma dificuldade de divulgação por parte da F. R P. e dos seus órgãos (Associações e Clubes), por outro os “mass-media” não apostam nesta modalidade de forma contínua e dinamizadora/motivadora. Assim as disciplinas da Patinagem têm um tratamento que aponta para aspectos gerais - mas nunca para a especificidade dos patins. Além disto, ninguém conseguiu até hoje explicar claramente ao grande público que é necessário uma Iniciação a esta modalidade, onde se deve tomar contacto com o Patim, com os seus elementos, para só depois perceber as técnicas e tácticas das disciplinas competitivas. Logo a patinagem não se tornou uma modalidade popular e de massas, levantando nalgumas pessoas desconfiança e confusão. Exemplo desta situação é a falta de recintos para a Patinagem, a pouca difusão competitiva nalgumas regiões do país, a falta de corredores de circulação nas estradas para patins e bicicletas (como existem noutros países da Europa), assim como a reacção dos condutores aos utilizadores de patins para deslocação CASA-ESCOLA-EMPREGO. Além de tudo isto, os pisos desportivos escolares exteriores são construídos em asfalto, o que é inadequado de todos os pontos de vista, segurança (uma queda tem consequências complicadas em virtude da abrasividade do piso), durabilidade/preço (piso que se desgasta ao fim de 3-4 anos, de forma muito acelerada), pedagógico-psicológico (a cor e a abrasividade provoca insegurança e medo no aluno). Daqui resulta, também, a dificuldade de utilização deste piso para a Patinagem, sobretudo para os patins de Iniciação (rodas menos flexíveis) e após algum desgaste. Os pisos escolares, das zonas exteriores, deveriam ser em cimento, de cor sugestiva e agradável, mais duradouros portanto mais económicos... então porque não enveredar definitivamente por eles??! Mas não ficam por aqui os problemas inicialmente, em termos de história, as rodas utilizadas nos patins eram essencialmente de ferro/metal ou ainda de madeira e só há relativamente pouco tempo se vulgarizaram a borracha, poliuretano e outras fibras ou compostos similares para fabricação da roda. Aquela situação e possivelmente o facto da patinagem mais veiculada na televisão ser a Patinagem no Gelo (onde as lâminas contactam o gelo e "rasgam--no"), criou inúmeros problemas de locais para patinar (há cerca de 140 anos alguns rinques foram encerrados por desgastes do piso), existindo ainda alguns que julgando estar a viver no tempo da roda de ferro ou madeira, ou não tendo conhecimento sobre patins e que ocupam cargos de gestão de instalações desportivas, recusam aceitar a presença dos patins em qualquer piso (desde o cimento ao asfalto, passando pela madeira e sintético... para eles tudo se estraga com a presença da Patinagem). Segundo estes "velhos do Restelo" "Os patins/rodas riscam os pisos, estragando-os;" O patim/travões deixam marcas difíceis de tirar e inestéticas; "As tabelas dos rinques com dimensões de 40 X 20 m coincidem com as linhas laterais e finais do Andebol, o que mesmo em rinques maiores constitui problema para um atleta após remate em suspensão;" O piso de madeira (mais duro, não flexível) é causador de lesões musculares, articulares e tendinosas; Em virtude de se considerar que os pisos flexíveis, com "caixa de ar" evitam lesões, os pavilhões escolares normalmente possuem esta estrutura, que segundo alguns não permitem a patinagem (na sua opinião o piso com caixa de ar aguenta os "gigantes" do Basquetebol com 120 Kg, mas não um jovem patinador com 40 Kg de peso corporal?!). Todas as modalidades de Pavilhão começaram, de alguns anos a esta parte, a recorrer a pisos sintéticos (emborrachados) que dificultam muito ou quase totalmente o deslize dos patins (sendo muito utilizados em Pavilhões escolares, mesmo sendo a Patinagem uma modalidade escolar, obrigatória/nuclear até ao 3° ciclo);

c) "O Patim é um perigo, um causador de quedas e acidentes?"
O acto de patinar é para qualquer pessoa que o experimente um desafio, uma sensação de prazer e de emoção bastante notória e cativante. Sobretudo entre os jovens é difícil encon-trar algumas crianças que não gostem desta modalidade. Por aqui a Patinagem deveria ser uma das modalidades mais forte em Portugal e quiçá no Mundo... mas não é. Existem muitas razões para tal facto, mas a explicação mais simples, e aquela que explica uma grande parte a fuga à modalidade é a associação da Patinagem à queda, ao perigo, etc.

São inúmeros os indivíduos, de diferentes idades, que ao caírem numa das primeiras vezes que patinam, recusam-se a voltar a calçar os patins. Ou seja, o medo da queda superio-riza-se ao gosto pela actividade e torna-se num dos principais inimigos da Patinagem.

d) O Ciclo vicioso da Divulgação/Massificaçâo/Evolução
A política desportiva em Portugal aponta, segundo as grandes directrizes governamentais, grosso modo, para um maior apoio às modalidades Olímpicas e/ou às modalidades com um maior número de praticantes. Esta situação gera uma bipolarização enorme em relação às condições dadas para o desenvolvimento das diversas modalidades - aquelas que não são Olímpicas são menos apoiadas (O C.0.1. tenta condicionar a entrada de novas modalidades, tendo já "fechado a porta" ao Hóquei em Patins em Barcelona 92). Assim as mais apoiadas podem efectuar campanhas de divulgação/massificação e promoção, decorrente do facto de possuírem maiores capacidades financeiras e afins. O aumento do número de praticantes leva também a um maior apoio e este àquele. Aquelas modalidades que não recebem esses apoios não podem - por esta via - evoluir, tendo pois que enveredar por outros caminhos, ou terão tendência para involuir e provavelmente desaparecer ou estagnar. Em termos televisivos, actualmente, o Hóquei em Patins é uma das modalidades desportivas com mais impacto no público, confirmado pelo nível das audiências das transmissões de jogos. No entanto poderiam investir mais em reportagens sobre os clubes na sua área de formação e nas outras modalidades competitivas da Patinagem - Artística e Corridas (nesta modalidade um Campeonato da Europa realizado em Lisboa em 1998, não teve acompanhamento televisivo!). A Comunicação Social (especialmente a TV) é o meio mais forte de divulgação e de angariação de adeptos e de praticantes para as diferentes modalidades. Todos estes factores contribuíram para o esquecimento e desconhecimento da Patinagem no nosso país, tornando o patim um tabu, que por um lado suscita medo e por outro receio e desconfiança. No entanto hoje em dia e graças à R.T.R e a outros canais privados, a Patinagem começa a ter maior exposição, invertendo um pouco este estado de coisas, como são exemplos: -o acréscimo de audiências aquando das transmissões dos jogos de Hóquei em Patins (sobretudo, os das Selecções Nacionais, no decorrer dos campeonatos Europeus e Mundiais); - o associar da Patinagem em Linha aos desportos radicais (tendo esta modalidade ganho algum ânimo devido à popularidade que os desportos radicais desfrutam em termos de cobertura televisiva); - e a integração da patinagem em eventos desportivos (como por exemplo as provas de patinagem em linha integradas na Maratona de Lisboa e 20 Km de Almeirim).

e) Decréscimo de recrutamento para as disciplinas tradicionais
A comercialização dos patins em linha por todo o mundo e especialmente na Europa, levou ao aparecimento de várias vertentes/disciplinas da Patinagem. Tal facto gerou um factor positivo - alargamento do número de praticantes (massificação da Patinagem), mais tempo de Patinagem na TV e baixa de preços do material, assim com maior facilidades na aquisição (podem comprar-se patins em qualquer hipermercado a preços bastante atractivos). Além disso, o patim em linha pelas suas características, devido à maior facilidade nos primeiros contactos, redução do perigo de queda, tornam-se mais apetecidos, relacionando este facto com a facilidade de compra, o preço, o conforto, a generalização da actividade patinar a variadíssimos locais, a imagem atractiva, a promoção televisiva e o estar na "moda", além de fazer parte das modalidades radicais e JOVENS. Assim houve uma redução (em termos percentuais) do número de aderentes aos patins de rodas paralelas e um grande aumento dos praticantes em linha, mas objectivamente a Patinagem ficou a ganhar pois agora tem mais adeptos e praticantes, é necessário agora integrá-los totalmente na Federação Portuguesa de Patinagem, usufruindo estes patinadores dos benefícios desta situação (ser um patinador federado). A juntar a isto as experiências de integração dos patins em linha nas actividades e disciplinas competitivas oficiais da Patinagem, não teve sucesso. No hóquei, as regras, o funcionamento, tipo de características da modalidade tornam difícil a afirmação dos patins em linha. No entanto, na América e na Oceânia, desde há muito que existe um desporto próprio, com regulamentação, material e espaço/recinto próprio, bem como o Campeonato Mundial específico. Assim os patinadores/hoquistas no gelo, quando estão sem actividade optam pelo Hóquei em Linha, que até já tem circuito profissional e patrocinadores, que permitem a existência de profissionais, dando também os seus primeiros passos na Itália. Esta situação retira espaço e importância ao Hóquei em Patins (jogado com rodas paralelas). Tal facto criou alguma animosidade e distanciamento entre os praticantes defensores da Patinagem de rodas paralelas e os patinadores em linha. Até ao nível da Federação Portuguesa de Patinagem é difícil congregar as diversas variantes dos patins em linha e enquadrá-las (com excepção das Corridas em Patins praticadas exclusivamente com patins em linha). Na Patinagem Artística existem estudos para a introdução dos patins em linha (o francês Philip Candaloro apareceu em revistas com patins em linha, os quais utiliza no Verão para manter a forma, ele que foi Campeão Mundial desta disciplina no gelo), no entanto em termos oficiais não se regista o seu aparecimento. Associado a tudo isto importa ainda referir que os patinadores praticantes de desportos radicais, caracterizam-se por muita autonomia, poucos hábitos ou métodos de treino, de forma oposta aos desportos mais evoluídos, optando (a todos os níveis, a começar pelo equipamento) por posturas espectaculares (anárquicas e criativas), mas pouco científicas, colocando-se quase como um extremo de um conflito de gerações. Assim existem diversas actividades competitivas na Patinagem (sobretudo em linha) que estão fora do âmbito (prático, que não legal) da F. R Patinagem e que causa confusão e falta de enquadramento, o que prejudica o desenvolvimento da modalidade em termos genéricos. Caso este enquadramento não se efectue de forma alargada, teremos, como resultado no futuro, falta de referências históricas e culturais, quebra na base de recrutamento para o Hóquei em Patins e a redução do número de praticantes, sobretudo ao nível das disciplinas mais tradicionais em Portugal.

REGRAS BÁSICAS E SOLUÇÕES PARA OS PROBLEMAS DA PATINAGEM
1 - Caracterização/Definição
A Patinagem é uma modalidade desportiva assente num acto motor NÃO Natural - PATINAR -que se divide em várias disciplinas, sendo as mais conhecidas as Corridas em Patins, a Patinagem Artística e o Hóquei em Patins. PATINAR - É uma acção motora cíclica de propulsão, realizada sobre rodas (que se encontram apensas a estruturas - calhas ou chassis que estão presas aos pés, por meio de botas ou correias), à base do trem inferior, onde se podem detectar duas fases de execução, uma dinâmica e outra transitória. • Para a prática da Patinagem existe apenas a necessidade de possuir um Par de Patins e um piso onde os patins possam deslizar. • O piso para patinar deverá ser liso e sem ou com pouca rugosidade. Mas esta actividade poderá acontecer num piso mais rugoso (estrada/asfalto, cimento, madeira, lajes/mosaicos, sintéticos duros, etc.). A existência de água (chuva ou piso molhado) ou piso encerado não impossibilita a prática, mas dificulta-a. • Pisos impossíveis serão areia ou relva. No entanto, os restantes deverão ser limpos, e afastados os objectos perigosos, mantendo a zona de prática livre e isenta de perigos. • O espaço para patinar depende do tipo de tarefas a realizar, não será necessário grande área para os primeiros passos, mas sêlo-á para alunos mais evoluídos. Mesmo uma sala de aula poderá ser um local (afastando as cadeiras), para a iniciação à Patinagem. • Qualquer aluno que inicie a prática da Patinagem deve ser motivado para a modalidade, recebendo a indicação que existem diversas fases e degraus a ultrapassar, numa busca constante de melhoria e enriquecimento individual (sem competição com os outros) nas capacidades técnicas. Deverá pois o professor indicar e, se possível mostrar, patinadores de nível superior para que o aluno se motive a evoluir e atingir outros níveis mais elevados. • No início da actividade o aluno deve tomar conhecimento com a modalidade, deve ser informado do seu universo, das suas possibilidades e das suas disciplinas. Deve também ser informado acerca do material - patins, da forma de os desmontar e lubrificar, dos nomes das peças e da sua substituição. • Devemos tentar a desmistificação do patim (de acordo com o que atrás foi dito), a popularização da Patinagem e explicar à Opinião Pública como esta modalidade é compatível com diversos pisos/locais e modalidades, sem problemas. Assim, deve ser tornado claro que as rodas dos patins não são de ferro, não estragam nem riscam, nem tão pouco deixam marcas definitivas no piso. Existem rodas específicas para cada piso, em termos de competição, patinar com rodas não apropriadas estraga as rodas, dificulta o patinar, mas não afecta o piso. • Qualquer estrutura criada num local, onde não existam outras, ou que sirva uma grande comunidade desportiva, deve permitir a prática de todos os desportos e não inviabilizar a prática de uma ou outra modalidade. Assim, apenas em locais onde as modalidades estejam completamente servidas (em relação a locais de treino e competição), se poderão fazer construções elitistas. O mesmo acontece em relação a Pavilhões escolares e recintos desportivos exteriores, que devem ser construídos tomando em linha de conta todas as modalidades, sobretudo as curriculares, e aí entra a Patinagem. • É incorrecto construir pavilhões com pisos com "caixa de ar", baseado no pressuposto da necessidade de evitar lesões tendinosas ou ligamentares, pois não é com duas ou três vezes por semana de actividade que surgem este tipo de lesões, estas acontecem em função do excesso de treino ou formas de trabalho incorrectas. Mas nestes pisos, ao contrário do que muitos afirmam, também é possível praticar Patinagem, facto por mim já observado em diversas situações. • No caso das marcas de borracha deixadas no piso por acção das rodas ou dos travões, são idênticas às deixadas pelas "sapatilhas", apenas requerem limpeza. Os travões de cor cinzenta ou branca e as rodas claras reduzem o impacto visual da borracha no piso, mas acima de tudo devem ser referidos dois factores: nas travagens o material da roda fica agarrado ao piso, o que quer dizer que apenas aquela se desgasta; por outro lado os pavilhões são locais de prática desportiva e não museus ou salas de exibição, devem pois ser abertos às diversas modalidades. • Os pisos escolares exteriores (desportivos ou não) deverão ser construídos com piso em cimento liso (blocos), de cor sugestiva, mais duradouro e com mais possibilidades desportivas e menor perigo (que o asfalto). • As nossas estradas deverão ter corredores de circulação para bicicletas e patins, como acontece noutros países da Europa, possibilitando a utilização dos patins como meio de transporte saudável e do ponto de vista do ambiente, correcto. • Em relação às tabelas, a solução para este problema passa pela ocupação do maior espaço regulamentar, 44x22 metros a nível do Hóquei em Patins, deixando assim uma margem de 2 metros, nas linhas de fundo e na lateral, o que minora o problema (choque dos atletas de Andebol contra a tabela). No entanto, a solução poderá ser contemplada com o retirar das tabelas de fundo para os jogos de Andebol. • Em relação às quedas deve ser salvaguardado o seguinte: o É um problema motivacional/afectivo e psicológico; o Cair deve ser considerada uma situação normal, não devem pois existir alarmes, nem situações de protecção excessiva ou incoerentes. o Professor/Monitor deve conhecer as principais lesões que acontecem na Patinagem, formas de socorro imediato e cuidados a ter com a prática, em termos de segurança (relacionada com o tipo de material utilizado e ao piso estar ou não escorregadio, para a actividade a propor); o Tomar precauções em relação à forma de ensinar ao patinador a interagir com as quedas: 1) Um dos primeiros elementos a ensinar é o sentar e levantar, devendo esta situação ser executada sem colocar as mãos no solo. 2) Quando o patinador for a cair deve descontrair o corpo e deixá-lo rebolar no chão e nunca colocar as mãos, cotovelos ou joelhos (em posição passível de entrar primeiramente) em contacto com o solo. 3) Do atrás referido conclui-se que não há necessidade de utilizar joelheiras, cotoveleiras, luvas ou capacete. Uma queda mesmo com estes elementos pode provocar lesões ósseas ou ligamentares (as mais perigosas), apenas evitando feridas e queimaduras superficiais, algo que é menos importante e melindroso. Aliás um jovem patinador com protecções sente-se super protegido, não tendo precauções, nem evitando, nem se defendendo perante o perigo das quedas. A nível da cabeça é raríssimo, na Iniciação à Patinagem, existir uma queda que provoque traumatismos violentos, pois é invulgar o contacto entre a cabeça e o solo, dado que o ser humano tem um reflexo que evita esse contacto. Logo quando por vezes acontece é acompanhado de reduzido impacto. Assim, além de 1) e 2), é muito importante o trabalho psicológico para aumentar a confiança de evitar e interagir com a queda.

Em relação aos conteúdos programáticos devemos tentar junto de todos os agentes ligados ao ensino concretizar e tornar exequível os mesmos, através de criação de acções de for-mação/sensibilização e de condições físicas e materiais, além da forte motivação que terá de existir.

Em conclusão é importante continuar a concretizar esforços e congregar os meios humanos, desbravando o caminho, através de um trabalho de equipa, no sentido da F.R Patinagem poder, em termos práticos e funcionais, enquadrar toda a Patinagem em Portugal (o mesmo devendo acontecer em termos internacionais), no sentido duma evolução exponencial desta modalidade.

RESUMO
• • • Na Patinagem existem, como na generalidade das modalidades desportivas, alguns equívocos e situações que tornam difícil a generalização da prática e o entendimento positivo da população em geral. Neste capítulo procurei desmistificar e contribuir para o ultrapassar de alguns desses problemas. Patinar é um Acto Motor ( como o são o "Andar", o "Correr" ou o "Agarrar"...), assim poderemos afirmar que um patinador sabe patinar se conseguir realizar este acto motor com um nível Avançado/ Elevado. O desconhecimento que muitas pessoas (algumas das quais estão em órgãos de decisão), têm sobre a Patinagem e os seus constituintes - os patins - levam-nas a levantar entraves à entrada da modalidade nalguns recintos... Importa referir com muita clareza que é possível compatibilizar a Patinagem com as outras modalidades de interior, os Pavilhões para esta modalidade não são especiais ou específicos... mas sempre adaptados/adaptáveis para outras actividades. O Patim é um elemento muito atractivo mas, para quem o calça pela primeira vez, é algo de anormal, daí uma sensação de insegurança ( associada à dificuldade de controlo inicial)... Tal situação leva à necessidade de alguns cuidados de segurança e respeito por regras... que ao serem cumpridas facilitam a aprendizagem e reduzem os riscos. É pois necessário que os familiares mais velhos e receosos não coloquem entraves à partida, mas sim possam dar aos principiantes uma confiança e segurança psicológica acrescida. Daqui resulta a importância da formação de técnicos e o recurso aos clubes, desta modalidade, também para os primeiros passos. Existe um carinho muito grande por parte da população portuguesa pelo Hóquei em Patins e dos mais jovens pela modalidade da patinagem... por tudo o que até aqui foi conseguido merecia esta modalidade mais apoio da comunicação Social, devendo também os órgãos de gestão da mesma, bem assim como os seus diversos agentes (técnicos, dirigentes, atletas e juízes) continuar a encetar campanhas de divulgação/massificação no sentido de generalizar a prática e oferecer possibilidades da vertente competitiva em todo o país. Para além de tudo isto é forçoso que estejamos todos em condições para acompanhar a evolução das áreas de expressão física e movimento, associadas às novas tecnologias e interesses que vão surgindo (e que os patins em linha disso são exemplo, nas suas várias vertentes e possibilidades)... aproveitando-as e não bloqueando ou fazendo "guerras" em que todos sairão derrotados.

B - A IMPORTÂNCIA DA PATINAGEM NO ENSINO
1 - ENQUADRAMENTO DA PATINAGEM NA ACTIVIDADE MOTORA
Depois do exposto no capítulo anterior podemos dizer que a Patinagem é uma modalidade desportiva de extrema riqueza para a evolução psicomotora do Ser Humano. Vejamos uma hipótese de colocação da patinagem, nas suas várias vertentes, num

A acção motora PATINAR deve ter um posicionamento na estrutura da Evolução da Psicomotricidade Humana, devendo pois ser caracterizado enquanto Acto Motor. Sem dúvida trata-se duma actividade "Não Natural", ao contrário do "Andar", "Correr" ou "Saltar", dado não ter qualquer referência genético-cultural, nem acentar em qualquer pré-determinação reflexiva e natural, sendo pois uma criação artificial/humana. No entanto, podemos afirmar que este acto motor está relacionado com o Andar (têm muitas características comuns, sendo a Marcha/Andar uma das progressões para o Acto Motor Patinar Rectilíneo). Assim e após a leitura e interpretação do quadro da Evolução Psicomotora do ser Humano, podemos afirmar que a idade aconselhável para calçar os patins, será na altura em que a criança tiver o Acto Motor Andar (que serve de base ao Patinar) consolidado, nível avançado/elevado. Vamos então analisar e caracterizar o ACTO MOTOR - PATINAR -, em recta:

2 - ANÁLISE DO ACTO MOTOR PATINAR
l) Definição
Acção Motora Cíclica de Propulsão, à base do trem inferior, onde se podem detectar duas fases: a) DINÂMICA: - Deslizamento - Impulso - Recuperação b) TRANSITÓRIA: - Aterragem/recepção - Saída

II) Características Corporais do Patinar:
a) ACÇÃO DO MEMBRO INFERIOR (posição média de ligeira flexão)
• Perna da frente descreve sensivelmente um quarto de círculo, ligeiramente para o exterior, onde é ultrapassada (Deslizamento). • Efectua a extensão (Impulso) e após a saída entra na fase aérea (Recuperaçào)já em semi-flexão. Depois é colocada novamente em contacto com o solo, movimentando-se à frente (novamente). • Movimenta-se em oposição ao membro superior.

b) ACÇÃO DO MEMBRO SUPERIOR
• Movimento pendular. • Movimenta-se no plano sagital. • Movimenta-se em oposição ao membro inferior.

c) TRONCO E CABEÇA
• Ligeiramente inclinados à frente. Traçando uma perpendicular a partir da cabeça, esta situa-se à frente do patim mais adiantado (reduzindo assim o desequilíbrio para trás). • Devem ser mantidas as curvaturas normais da coluna, apenas na zona lombar existe alteração, pois é essa a zona de flexão do tronco à frente. • Olhar é dirigido para a frente, sem necessidade de olhar para os patins. • Ligeira flexão do tronco, com acompanhamento constante da cabeça.

Mas para compreendermos melhor o Acto Motor Patinar na sua globalidade é preciso juntar atempadamente a movimentação tronco/cabeça, membros inferiores e superiores. Assim, o tronco e a cabeça têm acções essencialmente posturais, apenas devemos considerar que acompanham a perna/pé que desliza à frente, com ligeira inclinação antero-lateral. O tronco inclinar-se-á ligeiramente ao lado direito e à frente, aquando da passada da perna direita e ao lado esquerdo, aquando da passada da perna esquerda. Quanto aos braços(membros superiores), tendo um ângulo superior a 90 graus (entre o braço e antebraço), mantêm-no movimentando-se pelo ombro e, menos mas também, pelo cotovelo. Têm como particularidade a movimentação em contralateralidade em relação às pernas, assim quando a perna direita vai à frente o braço esquerdo avança também, ficando o braço direito e a perna esquerda atrás. Esta posições dos membros são ciclicamente invertidas, sempre com a coordenação b.esq./p.dt13 e b.dt°/p.esq. Poderemos analisar o nível de execução deste Acto Motor através do quadro/ficha que se segue:

3 - ASPECTOS TÉCNICOS GERAIS/DESEQUILÍBRIOS COMUNS
a) Posição Base:
Comum a ambos os patins, de rodas paralelas e em linha, com os Pontos l, 2 e 4 alinhados. Perpendicular a partir da cabeça "cai" à frente das biqueiras dos patins. Pontos de Referência - São pontos do corpo que devem alinhar-se para obter correctas posturas e execuções fundamentais. Em todos os exercícios propedêuticos para a aquisição das técnicas, dever-se-á fazer referência aos seguintes pontos:

b) Superfícies de contacto/segurança
Em todas as modalidades nas quais é utilizado um elemento mecânico não corporal, a estrutura mecânica do mesmo deve ser estável e condiciona as várias técnicas a executar. Neste caso, comparando os patins de rodas paralelas com os patins em linha, notamos substanciais diferenças, até porque as técnicas a executar são algo diversas. Vamos fazer uma análise sumária dos componentes e da mecânica do patim (elemento mecânico não corporal), por outro lado debruçar-nos-emos sobre os aspectos técnicos individuais e fundamentais. Experimentemos esquematizar a superfície de contacto de um patim de rodas paralelas e em linha, hipoteticamente vistos sobre uma superfície superior transparente.

Confrontando as duas figuras, é evidente que a superfície de contacto ocupada pelas rodas é muito diferente. Ambas formam um rectângulo, mas a segunda figura poder-se-á definir mais como uma linha, considerando que o lado mais curto medirá lateralmente 2/3 mm, segundo o tipo de rodas. Dando atenção ao sapato, na fig. l as extremidades ponta e tacão, são externas à superfície de apoio, enquanto na fig. 2 são internas. Primeira Observação:

Permanecer em equilíbrio sobre uma superfície mais larga é mais fácil, logo o patim de rodas paralelas deveria ajudar á manutenção do equilíbrio. Segunda Observação: No patim em linha existe uma base de apoio mais longa e estreita, ficando isso a dever-se à distribuição do peso, sobre a estrutura não corporal que está para lá da bota. As dificuldades do patinador em manter-se em equilíbrio sobre o plano sagital serão por isso reduzidas, em relação aos patins de rodas paralelas, mas aumentam sobre o plano frontal. O patim em linha, com a sua estrutura específica limita consideravelmente a possibilidade de escorregamento sobre o plano sagital, sendo este o escorregamento/desequilíbrio mais perigoso (sobretudo atrás) e que causa mais insegurança, em virtude não existirem referências visuais do espaço anterior. Poderemos comparar a calha ou a lâmina vertical das rodas em contacto com o solo do patim em linha com um Sky. De facto, também neste caso a superfície de apoio é amplamente externa em relação à biqueira e ao calcanhar da bota. Durante a perda de equilíbrio as pequenas quedas à frente e atrás, dificilmente se verificam, todavia permanecem ainda frequentes os desequilíbrios e as quedas laterais. Sobre os patins em linha, o equilíbrio será influenciado também a nível da capacidade proprioceptiva, mais ou menos desenvolvida a nível do tornozelo (articulação tibio-társica), dependendo por isso da estrutura da bota. Com uma bota plástica (muito parecida com as botas de Sky, mas com maior circulação de ar no pé), eliminam-se quase todos os problemas de estabilidade e equilíbrio. Na aprendizagem inicial, teremos alguns problemas acrescidos caso se utilize bota/sapato de competição de Corridas em patins ( fundo em carbono ou fibra de vidro e cobertura externa e interna em pele/couro), porque a parte rígida em carbono não cobre completamente a zona dos maléolos, deixando mais livre a articulação do tornozelo. Este elemento necessário para a actividade competitiva, resulta em desvantagem para os primeiros contactos ao nível dos jovens e adultos.

c) Desequilíbrios mais comuns
Pela configuração do patim de rodas paralelas, não existem desequilíbrios laterais, apenas antero-posteriores. Assim: a) Desequilíbrios para trás (quando a cabeça e o tronco estão pouco flectidos, ou são movimentados para trás rapidamente); b) Desequilíbrios para a frente (consequência do escorregar dos patins para trás e/ou da excessiva inclinação para a frente). Nos patins em linha, pela sua configuração/desenho os desequilíbrios existentes são essencialmente laterais e nunca antero-posteriores Assim: a) Lateral/lado esquerdo (por excesso de inclinação dos patins ou do tronco para esse lado); b) Lateral/lado direito (idêntico, mas inverso ao anterior).

d) Erros mais comuns nesta forma de locomoção
Os desequilíbrios e características atrás indicados, associados a um início tardio ou desacompanhado/desenquadrado na modalidade, poderão levar ao aparecimento de alguns erros (que caso não sejam urgentemente ultrapassados, poderão tornar-se num hábito e consequentemente fazer perigar toda a futura evolução técnica do patinador). De seguida são apresentados os erros mais comuns e as correcções adequadas perante os mesmos: 1 - Não ciclicidade da passada. Aluno dá dois ou três impulsos (passadas) e deixa os patins deslizarem (são feitas repetições contínuas desta situação). •Devem conseguir dar mais impulsos de seguida sem interrupção. 2 - Não existem amplitudes e acções idênticas/simétricas entre ambos os membros inferiores (ex. a perna dta desloca-se com maior amplitude que a esquerda) - "PATINAR COXO" •Colocar riscos no solo, com giz, com igual amplitude e lateralização, para que os patins por lá passem, deslizando correctamente em termos de espaço e tempo. 3 - Patins deslizam sem controlo para trás no plano sagital, provocando queda para a frente (mais comum acontecer com patins de rodas paralelas). •Aluno deve conseguir "fixar os patins" não os deixando escorregar para trás, tentando lateralizar mais a passada à frente. 4 - Utilização excessiva dos filós internos, desalinhando os joelhos (postura vago; os joelhos para dentro) em relação às biqueiras (em desacordo com a posição base). • Insistir na utilização do filo/lâmina vertical (vide "meios mecânicos e acessórios"). •Apertar bem os patins, sobretudo em cima. •Verificar o estado das rodas, se necessário substituir ou trocar a sua posição. 5 - Aluno impulsiona constantemente com o travão ou o suporte do travão (patins com travão à frente), este serve de aquisição de equilíbrio em situações difíceis (hábito que pode ser difícil de extinguir).

• Devem ser retirados os travões dos patins (até o aluno atingir o nível avançado do acto motor "Patinar Rectilíneo") e chamar a atenção para que o aluno corrija esta situação. 6 - Levantamento, extensão do tronco, cabeça ou olhar para os lados, para cima ou para trás (o que provoca quedas para trás). • Insistir na flexão do tronco e cabeça e flexão ligeira das pernas. 7 - Curvatura demasiado acentuada ao nível da coluna vertebral (hipercifose), no sentido de manter o equilíbrio. •Colocar o aluno a patinar em frente do espelho ou colocá-lo na posição base antes de iniciar o impulso para o "Patinar Rectilíneo" 8 - Movimentação de braços homo-lateral em relação às pernas (assim, quando avança a perna direita, avança o braço do mesmo lado), ou balanceamento dos braços no plano horizontal e não sagital. •Aluno deve fazer exercícios simples (sem deslocação) e decompor o movimento, passada a passada, até sincronizar acções de braços e pernas. 9 - Andamento com extensão permanente de pernas (provocando passadas curtas, hipertensão muscular e desequilíbrios constantes) -" PATINAR COM PERNAS DE PAU". •Execução de exercícios de flexão/extensão de pernas, deslize de cócoras, etc.. 10 -Não colocação do peso do corpo sobre o patim mais avançado e em apoio (originando entradas em desequilíbrio e possíveis quedas ou compensações). •Levar o tronco na direcção do patim que entra em deslize. 11 -Executar o apoio/aterragem do patim muito lateralmente (longe do patim que já lá estava em deslize), - "PATINAR DE PERNA ABERTA". •Solicitar o apoio/recepção/aterragem o mais perto possível do patim que está no solo, em deslize e treinar o movimento sem deslocamento. 12 -Erros relacionados com a manutenção da Posição Base em deslize: a) Deslize com um dos patins mais avançado que o outro; b) Pernas esticadas, pouca flexão dos membros inferiores; c) Não alinhamento dos pontos fundamentais - Ombro/Joelho/Biqueira: •Execução da posição base parado e empurrado para deslizar mantendo a posição inicialmente definida.

e) Aplicações da Patinagem
A Patinagem é uma modalidade desportiva, que acenta a sua riqueza na capacidade de desenvolvimento do equilíbrio dinâmico, mas pode ter várias aplicações. a) Por um lado serve de base às diversas extensões que esta modalidade oferece, quer seja em termos recreativos, quer em termos competitivos. Excursões/Marchas/Passeios, Fitness, Hóquei em Patins, Passeio/Recreação, Música, Aeróbica, Patinagem Artística, Rampa, Manutenção, Corridas em Patins, Descidas (Down Hill), Street Hóquei, Saltos ou Hóquei em linha. b) Além disto pode servir como forma de locomoção (tal como a bicicleta), para pequenos percursos na rua ou na escola (percurso casa/escola, idas às compras), etc.. c) Ao nível do Ensino, como um elemento de um conjunto de actividades e um meio de enriquecer a disponibilidade motora e Esquema Corporal do aluno. A este nível - ENSINO - apresenta grandes vantagens e atributos, a saber: • Forma de desenvolvimento das Capacidades Coordenativas (segundo a Scuola Italiana de Pattinagio Corsa da F.I.H.R, in "Lactivitá Giovanile, 1992): a) Aprendizagem Motora b) Controlo executivo c) Diferenciação d) Combinação e emparelhamento e) Bilateralização f) Orientação espaço-temporal g) Reacção h) Ritmo i) Equilíbrio dinâmico (a principal capacidade na Patinagem) j) Equilíbrio estático, e

l) Antecipação e Transformação • Muito abrangente e rica em situações inovadoras (função pedagógico-criativa); • Muito motivante e actual; • Excelente ao nível da interdisciplinaridade. Pode ser relacionada com outras modalidades, ex. Futebol, Andebol, Basquetebol, jogos diversos (efectuados com patins). Assim como noutras aquisições em áreas que não a Educação Física, como a Matemática (sistema métrico, universos e conjuntos, números negativos, etc.), mas também nas Actividades Rítmicas Expressivas, Língua Portuguesa e outras. Sempre dependente da capacidade imaginativa e relacional do professor. • Permite tempos efectivos de aprendizagem muito próximos dos tempos potenciais (pois cada aluno está, assim que calçar os patins, em actividade que pode não ter, praticamente, tempos mortos). Por todos estes aspectos e ainda tendo em conta que o Hóquei em Patins é a modalidade desportiva em Portugal, com maior número de títulos Mundiais (tendo sido nas décadas de 40/50/60 um grande factor de harmonia social), esta é uma actividade física que deverá ter na escola grande utilização e incremento. A nível competitivo: Actualmente, pese embora as tentativas, os desentendimentos e a confusão organizativa que se vive nos patins em linha, estes não estão integrados a cem por cento e em termos prático-funcionais na F.RR (excepto ao nível das Corridas em Patins e Hóquei em Linha), mas estão em termos oficial e regulamentar, dado que as actividades radicais (rampas, halfpipes e afins) não têm federação ou associações próprias e reconhecidas pelo estado. Assim o Hóquei em patins, após algumas experiências negativas de integração dos patins em linha (participação de países com tradições no Hóquei no Gelo, em Campeonatos do Mundo e da Europa de Hóquei em Patins) - onde se notou: Reduzida capacidade de travar e curvar - em termos de tempo e espaço - dos patins em linha, por comparação com os de rodas paralelas. Causas: - Melhor estrutura do travão e maior possibilidade mecânica/técnica e regulamentar de utilização do mesmo, assim como a nível dos arranques e do menor eixo de rotação (nos patins de rodas paralelas) - Regras do Hóquei em Patins, não permitem o contacto físico, não favorecendo pois os possuidores de patins em linha (que utilizam o contacto, até para parar e interceptar o portador da bola). O Hóquei com patins em linha (que se pratica com equipamento e regulamentação muito similar ao Hóquei no gelo), é uma realidade (inclusive tem Campeonatos Mundiais), mesmo em Portugal vai dando os primeiros passos. Pode assumir a variante de Street Hockey (praticado na rua, com ou sem tabelas), ainda pouco visto no nosso país. A nível da Patinagem Artística , existem países que estudam a possibilidade de criação de um patim em linha para esta disciplina (a sua variante no gelo é bem mais capaz, do ponto de vista técnico e de espectacularidade), sem que até agora se tenham conhecimento dos resultados. No entanto alguns patinadores do gelo (caso do campeão do Mundo Philip Candaloro) patinam e treinam no Verão com patins de rodas em linha. A nível das Corridas em Patins, no Mundial de Roma/92 as possibilidades dos patins em linha foram tão marcantes, que todos os atletas fizeram rapidamente a transição, dos patins de rodas paralelas para os patins em linha, com o derrubar, a partir daquela data, de inúmeros recordes mundiais. Estas três disciplinas são aquelas que estão em prática competitiva regular sobre a égide da F. P. Patinagem. Ao nível dos Patins em Linha e sem actividade competitiva reconhecida /legal existem em Portugal: Vert (Rampa e half-pipes); Street {fun-box, corrimões, escadas e outros); Down-hill.

RESUMO
Patinar é um ACTO MOTOR que pode ser integrado no Quadro de Evolução Psicomotora do ser humano e pode ser caracterizada como tal. As suas maiores vantagens e aplicações são: • É uma forma de locomoção. • Enriquece/desenvolve o Esquema Corporal (nas suas várias áreas) e a Disponibilidade Motora. • E muito motivante e actual (anteriormente com os patins de rodas paralelas, agora também com os patins em linha). • Contribui para a integração Sócio-Afectiva dos alunos auto-marginalizados e para melhorar a autoconfiança (de grande importância em alunos inseguros e introvertidos). • Tem diversas aplicações a nível escolar: - Forma de desenvolver as Capacidades Coordenativas - sobretudo o Equilíbrio Dinâmico - Interdisciplinaridade na área da Educação Física e noutras. - Elevado Tempo Efectivo de Aprendizagem. • Tem várias divisões e extensões a nível do Divertimento, Cultura Física, Desporto e Actividades Radicais.

MEIOS MECÂNICOS E ACESSORIOS
Onde se pode Patinar? Praticamente é possível patinar em todos os pisos, excepções serão areia e relva É certo que para conseguir este desiderato é preciso escolher/ter, os patins adequados para cada piso sendo isto mais verdadeiro e aplicável, quanto mais evoluída e competitiva é a actividade. No entanto existem imensas obstruções à Patinagem que têm basicamente quatro origens: 1- Falta de locais para patinar, específicos para o efeito. 2- Falta de técnicos e docentes com formação específica. 3- Falta ou inadequação de material. 4- Dificuldades de manutenção, a que se juntam as razões de ordem psicológica, des-conhecimento, preconceito e medo. A Patinagem sendo uma modalidade tradicional no nosso País - sobretudo devido aos imensos títulos Mundiais e Europeus do Hóquei em Patins - não é conhecida no que diz respeito às suas divisões, organização e sobretudo material utilizado. Tal facto é acentuado pelo grande número e diversidade de patins existentes no mercado e pela reduzida e estereotipada informação veiculada nos mass-média. Daqui resulta que na análise da viabilidade da prática da Patinagem em determinados recintos, exista uma grande confusão e desconhecimento sobre os constituintes dos patins. Por outro lado a memória visual e auditiva do grande público aponta para certos dados que vêm: a) Do gelo - Lâminas que rasgam/cortam o piso. b) Dos patins antigos (rodas de madeira ou metal). c) Da estrutura do patim (nalguns casos com calha metálica). d) Do barulho causado pelo patim num pavilhão (em consequência do eco, do deslize permanente, da ressonância da caixa de ar e por vezes das folgas no material - rodas rolamentos e outros). e) Das marcas de borracha deixadas pêlos travões (sobretudo quando estes são de cor preta - inestético, mas que podem ser de cor branca), idêntico, no entanto às deixados pelas sapatilhas. Como se tudo isto não fosse suficiente para a grande dificuldade de algumas pessoas aceitarem os patins nos vários pisos, por vezes acontece que as más experiências (quedas, aquando das primeiras tentativas de patinar), deixam traumatizados e desconfiados alguns indivíduos, acerca deste "objecto estranho" - O Patim. Um estudo efectuado em Setembro/96 permite concluir: a) As Forças aplicadas pêlos patins sobre o piso, resultantes do estudo no que diz respeito a: 1 - Relação Patim/piso - a nível de temperatura, velocidade e deslocação do ar, peso, trepidação e contacto; 2 - Elementos constituintes do patim - cruzeta, calha, bota/sapato, roda, rolamentos, cordões/correias; 3 - Biomecânica na Patinagem - Aplicação das forças; 4 - Técnicas utilizadas na Iniciação à Patinagem e análise dos efeitos no piso São inferiores àquelas existentes em actividades sem patins. Esta conclusão resulta de: I. Existência, nos patins, de elementos amortecedores das vibrações (eixos, rodas, rolamentos e amortecedores); II. Componentes horizontal, transversal e longitudinal das forças reduzem a incidência no piso; III. Variedade na distribuição do peso corporal sobre os membros inferiores; IV. Incapacidade para utilizar, por parte do patinador, a totalidade da força muscular sobre o piso (devido à insegurança criada pêlos patins, à técnica e às características deste acto motor). b) Os elementos do patim que contactam o piso são: Regularmente: - Rodas. Semi-regularmente: - Travões. Esporadicamente: - Bota/Sapato, correias, fivelas, eixos e estrutura do travão/calha. As rodas e travões não têm qualquer efeito nefasto sobre o piso (dado serem de borracha ou derivados de plástico, poliuretano, apresentando alguma flexibilidade, desgastando-se no contacto com o piso sem o afectar). Fivelas, eixos e calhas, se eventualmente entrarem em contacto com o piso (o que não é comum) e se simultaneamente, forem em metal (o que nem sempre acontece) poderão trazer problemas de conservação do bom estado do piso e da madeira, deixando-a com pequenos riscos na camada de verniz e/ou madeira. Assim essas zonas deverão ser protegidas (evitando a possibilidade de contacto no piso de madeira - pois nos outros não existe qualquer problema) ou não serem utilizados nos pisos de madeira.

c) A forte motivação que existe nos jovens e até adultos em relação à Patinagem, a grande variedade de capacidades coordenativas que esta modalidade desenvolve (a sua riqueza em termos psicomotores e no Esquema Corporal), assim como a sua característica de modalidade obrigatória nos programas escolares dos 1°, 2° e 3° Ciclos, permite-nos concluir: Todos os pisos desportivos - asfalto, cimento, madeira (com ou sem caixa de ar), mosaico, sintético, etc. - podem e devem ser locais de prática da Patinagem, mediante algumas restrições (para o caso dos pisos de madeira), a saber: • Estruturas metálicas do patim devem ser impedidas de contactar o piso. Daí o eixo não deve sobressair da roda, não deve ser mais largo que a roda (nos casos de pisos de madeira). • Nos pisos de madeira Rodas e Pisos, devem estar limpos aquando da utilização, evitando partículas rígidas, tipo pequenas pedras (que são também um risco para o patinador pois provocam quedas). Poder-se-á ainda afirmar: • Uma sala de aula, afastadas que sejam as cadeiras é um bom local para patinar. • Devem ser evitados os pisos com águas, sujos com areia, encerados ou húmidos, pois põem em risco a integridade física do patinador. • Em pisos muito moles, sintético mole (que em termos de construções escolares deveriam ser substituídos para sintético rijo/duro), o deslize é bastante diminuído - sendo aconselhável apenas para a fase dos "Primeiros Passos". Como o piso é mais mole que a roda, a sua utilização regular poderá levar a um desgaste mais acelerado do piso (pouco substancial). • Os pisos exteriores das escolas e passeios nas ruas, devem ser sempre construídos em cimento não escorregadio, ou derivados não abrasivos, nem rugosos, reduzindo o perigo das consequências dos acidentes e permitindo e generalizando a Patinagem como meio de deslocação e fora das actividades formais. • Não existe um piso ideal para a Patinagem, esta costuma adaptar-se à grande maioria dos pisos, apenas a nível de competição se pode dizer que existem pisos ideais. Utilização dos Patins de Rodas Paralelas versus Patins em Linha nos diversos pisos: • Devido à menor superfície de contacto e à (normalmente) maior elasticidade e menor dureza das rodas dos patins em linha, estes são utilizados em maior número de pisos e em mais diversificados locais. • Bons pisos para ambos os patins: Madeira (ripas envernizadas, com e sem caixa de ar, tacos ou rectângulos); cimento liso; mosaico; passeio de calçada afagada/polida. • Bons pisos só para patins em linha: Cimento rugoso. • Pisos Médios (possível de utilizar mas dificultando um pouco a Patinagem) para ambos os patins: Sintético duro/emborrachado rijo. • Pisos médios para Patins de Rodas Paralelas: Asfalto liso (bom apenas com rodas especiais). • Pisos médios para Patins em Linha: Asfalto rugoso. • Pisos praticáveis (mas que dificultam muito o Patinar): Asfalto rugoso (patins de rodas paralelas com rodas especiais); rua, passeio, escada (patins em linha); terra batida (patins em linha e com patins e rodas especiais); relva (patins em linha, patim e rodas especiais); sintético/emborrachado mole (ambos os patins, mas apenas em fase ini-cial de aprendizagem, pois o piso prende o deslize dos patins). • Pisos/superfícies impraticáveis: Empedrado, calçada (patins de rodas paralelas); terra batida (patins de rodas paralelas); areia (ambos os patins). 5 - QUE PATINS COMPRAR? A primeira opção será sobre qual o tipo de patins a adquirir: em linha ou de rodas paralelas? De iniciação ou de nível médio, ou ainda de competição? Julgo que é necessário atender aos locais de prática e objectivos do comprador... Numa escola, deverão ser comprados patins baratos, com possibilidades de substituição de peças e funcionais, que permitam com facilidade a realização das sessões, sem grandes perdas de tempo. Para um comprador individual, deverá começar pêlos patins de Iniciação, mas poderá investir um pouco mais, até porque é ele próprio que fará a manutenção e utilizará o patim. A escolha entre o patim em linha e o patim de rodas paralelas dependerá do objectivo, continuidade na modalidade, em virtude do preço ou local a utilizar...

Aqueles patins que, à data de realização deste livro aconselho, sobretudo para as escolas, são: 1 - Patim em Linha " Number One " (bota exterior azul, interior amarela), rodas transparentes/acinzentadas e emborrachadas (com boa elasticidade) Preços ± 15/20 € Inconvenientes: - confundem-se com outros da mesma marca , mas com rodas muito duras e não aconselháveis, trazem, (em números até ao 40) rodas muito pequenas, com grande dificuldade de substituição. 2 - Patim de Rodas Paralelas, sem bota, extensível de correias - "Skatino e Mini-Skatino- TVD" - boa estrutura de calha e jogo elástico, facilidade em adaptar uma bota (p.ex. Sapatilha velha) Preços ± 25 a 35 € Inconvenientes: - Preço; - não possuir bota; - eixo sobressaía da roda (em caso de queda tocava no chão e é metálico - o fabricante ultrapassou este problema, com a redução do tamanho do eixo). No caso de escolas/clubes ou patinadores que possuam patins destes antigos, deverão, antes de os utilizarem em pisos de madeira, colocar uma anilha em cada eixo, junto à cruzeta, evitando assim que aquele sobressaia); - rodas pouco elásticas, não permitindo patinar em asfalto (piso exterior existente na maioria das escolas).

3 - Patim de Rodas paralelas, com bota - "Skate World" - bota minimamente confortável, rodas moles e adaptáveis a pisos pouco rugosos (no entanto este patim também é comercializado com rodas rijas, e apenas com uma película, muito fina, que se desgasta, facilmente após algumas utilizações - não aconselháveis) Preços ± 25 € Inconvenientes: - Rodas poderão não ser muito aconselháveis (é necessário muita atenção na compra), podem ser muito duras ou demasiado moles; - Bota pode separar-se do tacão devido à humidade, ou grandes tensões; - não se encontram muitas botas pretas (quase todas são brancas, o que não é muito do agrado dos rapazes); - rolamentos de fraca qualidade. Existem muitos outros tipos de patins, por vezes um pouco mais caros, mas também adequados, devendo o comprador auscultar várias pessoas/empresas para escolher o melhor patim na relação preço/qualidade de acordo com os seus objectivos e interesses. Atenção ainda às promoções e novos lançamentos, a preços bem mais apropriados. Neste documento não são indicados os locais de compra, devido sobretudo à grande probabilidade de desactualização dessa informação.

REGRAS DE SEGURANÇA
2 - FACTORES QUE INFLUENCIAM A SEGURANÇA AO NÍVEL DA PATINAGEM: • Equipamento Técnico; • Equipamento de protecção; • Ambiente (temperatura e humidade); • Condição Física; • Superfície da Patinagem; • Condição Psicológica; • Acções específicas ao nível da modalidade para evitar lesões específicas; • Utilizar superfícies adequadas: - Lisas (não muito deslizantes na fase dos primeiros passos); - Planas - Sem arestas perigosas, se possível longe de paredes ou objectos que possam causar traumatismos - Não abrasivas • Patins: - Não muito largos, nem apertados; - Pés bem ajustados, seguros e confortáveis nos patins; - Tentar que cada aluno ande sempre com os mesmos patins; - Calçá-los em plano elevado/superior (ex.: sentado) e na zona da patinagem. • Estado do Piso (limpá-lo antes da aula): - Evitar pisos com buracos, sujidades (poeiras, pó e areia); - Evitar água/óleo ou outros; • Vestuário: - Utilizar vestuário desportivo próprio; - Caso use protecções, não se julgar "intocável" (pensando que não se pode aleijar) e não se servir abusivamente do equipamento (é para protecções não para experimentações). • Aspectos Psicológicos: - Professor/Monitor deve enquadrar o aluno com actividade e com o material (patins), descontraí-lo e apoiá-lo, dando-lhe segurança. • Regras Gerais (devem ser comunicadas aos alunos na primeira aula e estarem sempre presentes): - Não se agarrar a nada nem a ninguém (salvo indicação do Professor/Monitor); - Não rir dos colegas (não intimidar); • Ao desequilibrar, agachar-se (grande flexão dos membros inferiores) para recuperar o equilíbrio; • Ao cair deixar o corpo "mole/descontraído e não colocar nenhuma parte do corpo (para parar a queda) à frente da queda (caso seja possível, rebolar) - Nunca colocar as mãos no chão se for a cair; - Não executar exercícios/movimentos/manobras não indicadas pelo Professor/Monitor 3 - ACÇÕES ESPECÍFICAS A DESENVOLVER EM RELAÇÃO À PLANIFICAÇÃO DE CONTEÚDOS, PARA PROPORCIONAR MAIS SEGURANÇA E MENOS RISCO: • Seleccionar actividades que evitem riscos (evitar alunos muito perto uns dos outros, elevadas velocidades, situações inadequadas para o espaço e nível dos alunos); • Advertir com regularidade sobre as Regras Gerais; • Solicitar com grande regularidade, numa fase inicial de aprendizagem, situações de Sentar e Levantar sem colocar as mãos, como preparação para as quedas; • Os melhores patinadores devem circular com inteligência e precaução, evitando os outros, não os assustando, mas sim, ajudando-os; • Os patinadores com menos experiência, em caso de rotas de colisão, devem esperar que os outros se desviem ou resolvam as situações complicadas; • Não chamar os alunos, ou dirigir-lhes a palavra quando estão de costas para o Professor/Monitor; • Utilizar material pedagógico de apoio à aula maleável, deformável, sem pontas bicudas ou partes rígidas (p. ex. metálicas);

• Na planificação da aula, analisar a colocação dos alunos, tempos mortos, material disponível, formação de grupos (e relacionamentos) de forma a evitar confusões e possíveis acidentes; • Dar apoio especial a alunos com dificuldades (com aluno de confiança ou o próprio Professor/Monitor, caso os outros alunos estejam em actividade devidamente orientada); • Dar apoio especial a exercícios e situações novas, que possam envolver algum risco. 4 - DEFINIR NORMAS DE CIRCULAÇÃO: 1) Patinar com inteligência - atenção ao equipamento e à sua manutenção. 2) Patinar com atenção: 2.1 - Controlando a velocidade; 2.2 - Tomando atenção aos perigos existentes no espaço utilizado; 2.3 - Evitando água, óleo, sujidades (areias, poeiras); 2.4 - Evitando confusões (locais com muitos patinadores). 3) Patinar segundo as regras: 3.1 Respeitando as normas de circulação; 3.2 Patinar pela direita (ou vice-versa conforme a indicação do Professor/Monitor) e ultrapassar pela esquerda (quando em actividades em círculo ou tempos mortos); 3.3 Patinador deve avisar da sua presença; 3.4 Ceder a passagem aos peões (quando patinar na rua, estrada ou passeio); 3.5 Não executar manobras/movimentos bruscos, sem aviso nem preparação prévia. 5 - TIPOS DE PATINS E INCIDÊNCIA TRAUMATOLÓGICA a) Fisiologicamente, Muscularmente e biomecânicamente Os patins em linha apresentam maior incidência nos grupos musculares da coxa e articulação do joelho, por contraste com os patins de rodas paralelas. Nestes a incidência articular acontece ao nível do tornozelo e joelho, a nível muscular na coxa e perna. b) Lesões ao nível competitivo, comparação Patins de Rodas paralelas e em Linha Numa fase inicial os patins de rodas podem proporcionar traumatismos a nível dos pulsos, cóccix e tornozelo. Numa fase posterior a incidência traumática aponta para joelhos e "virilhas". Nos patins em linha os joelhos e pulsos são inicialmente solicitados e vítimas de traumatismos, numa fase posterior associam-se àqueles as estruturas musculares de coxas e "virilhas". Em virtude das variantes competitivas, os patins em linha assumem um maior risco traumático, pois estão associados às actividades radicais, portanto com maior probabilidade de acidentes. Logo nestas situações específicas/competitivas é útil a prevenção através de equipamento de protecção. RESUMO A prevenção de acidentes e a desinibição dos jovens e sobretudo dos pais/familiares, em relação à Patinagem é um dos factores mais importantes desta modalidade. Assim é importante definir um plano de acção do professor/monitor para prevenir e desmistificar os acidentes e as quedas, primeiro assumindo as prevenções genéricas ao nível de todas as modalidades desportivas, com: - Exame médico anual; - Hábitos de vida e treino (ao nível da saúde e higiene geral). De seguida identificando os factores que influenciam a segurança ao nível da Patinagem: - Equipamento (cuidados na aquisição/manutenção e substituição quando necessário); - Ambiente (local de treino, temperatura, humidade e condições dos pisos específicos utilizados); - Condições Psico-Fisiológicas do aluno (colaborando na criação desses pré-requisitos para o sucesso da função ensino/aprendizagem). Por fim no que diz respeito às actividades seleccionadas e à forma prática de ensino/aprendizagem ao nível da Patinagem, definindo concretamente as "normas de circulação".

C - MÉTODO DE ENSINO DOS PRIMEIROS PASSOS
Ao contrário do "correr", "andar", ou mesmo do "nadar", o acto motor patinar é um acto inatural (não natural), com uma componente de insegurança e instabilidade muito elevada. Tal facto origina que a primeira abordagem à Patinagem (a primeira vez que calçamos os patins) deva ser feita com alguns cuidados e normas de segurança, ao nível de: a) Atitude relacional; b) Local; c) Equipamento; d) Ajudas/Apoios e) Actividades a desenvolver. Estes cuidados e normas de segurança poderão, a curto/médio prazo fazer com que o patinador (em qualquer idade), ultrapasse o "medo", receio e insegurança e os transforme em motivação, alegria e em desafio para se superar a si próprio. ASPECTOS A LEVAR EM CONTA NA PRIMEIRA ABORDAGEM À PATINAGEM a) Atitude Relacional • Cada patinador apenas se deve preocupar consigo próprio, com a sua evolução, com as suas capacidades - cada um tem o seu próprio ritmo de evolução. • Cumprir e respeitar regras e orientações dadas pelo Professor/Monitor. • Informações Prévias: - Nunca rir/gozar dos colegas, apenas apoiá-los sempre que possível; - Nunca se agarrar a nada nem a ninguém (excepto por ordem do Professor/Monitor); - Qualquer desequilíbrio que o patinador sinta deve levá-lo a baixar rapidamente o Centro de Gravidade (através da flexão acentuada dos membros inferiores e tronco). • Quando for a cair fazer o corpo descontraído, "mole"... E nunca (mas mesmo nunca!) colocar as mãos, joelhos, cotovelos, cabeça ou outra extremidade corporal à frente da queda (suportando todo o peso do corpo). Deve sim tentar rebolar e "deixar a queda durar muito tempo". Quem tentar parar logo a queda, poderá lesionar-se com mais facilidade. b) Local a utilizar Na primeira fase (primeiro contacto com os patins e primeiros passos) é muito importante o local utilizado para esta aprendizagem. Assim é aconselhável um local coberto (longe de olhares curiosos), com um bom ambiente, limpo (sem humidade/água, pedras/areia ou outro) e de preferência, deverá ser um piso que não permita um grande deslize dos patins (pois maior deslize, implica mais dificuldade na aquisição da segurança e "à vontade sobre os patins"), e ainda um piso que em caso de queda não origine lesões graves (pouco abrasivo). O ideal será por isso um ginásio coberto com piso sintético ("emborrachado"). No entanto, se tal não for possível, dever-se-á utilizar o recinto disponível, preparando-o o melhor possível, retirandolhe ou reduzindo os factores de risco (que lá existam), como sejam: materiais perigosos extra-patinagem, sujidade, exposição visual, abrasividade e deslize que permite. c) Equipamento Patins - com bota ou correias, o patim deve estar bem fixo ao pé, seguro e permitindo conforto. Os patins devem ser limpos e receber cuidados de manutenção regulares (p. ex. anualmente nas escolas) e serem vistos/analisados antes de cada utilização. Mas o mais importante é que rodas e rolamentos não permitam grande deslize, resultado de serem macias e de fraca qualidade (mas não escorregadias no contacto com o solo). Quanto mais novo é o praticante, mais importante se torna esta situação. As características frenadoras das rodas, rolamentos, assim como o piso e outros, devem a pouco e pouco ser retiradas. O patinador após os primeiros contactos deverá passar gradualmente a utilizar pisos, rodas e rolamentos de melhor qualidade, que permitam cada vez mais deslize, na ordem directa do seu aumento de segurança e "êxito-confiança" (tudo isto de acordo com as possibilidades da escola/clube e patinador). d) Apoio/Ajudas A actividade dirigida e orientada correctamente está destinada ao sucesso, é pois importante que o Professor/Monitor dê apoio aos seus instruendos de forma a transmitir-lhes segurança. Esse apoio é dado a nível psicológico, com estímulos positivos e feed-backs informativos, reforçando os critérios de êxito e realçando as capacidades e potencialidades do aluno. A nível de ajudas/pegas, estas devem ser aplicadas aos alunos com mais dificuldades e numa fase inicial, ou ainda sempre que sejam executados exercícios com elevado grau de dificuldade.

Tipos de Ajudas: 1 - Pegas do Professor/Monitor ou colega (neste caso dependente do nível etário e do tipo de comportamento dos alunos): - Mãos dadas (Professor/Monitor de frente para o aluno, deslocando-se de costas).

- Mão dada + braço por baixo do ombro (sempre ou só quando houver desequilíbrio). - Mãos por baixo dos ombros (Professor/Monitor por trás, pega só em caso de desequilíbrio, ou não). - Professor/Monitor abraça lateralmente o patinador (utilizada em situações desequilíbrio). - Com uma mão segura calções ou calças por trás (em situação de queda aplicação da pega gradualmente). - Pisando uma roda do patim (não permitindo o deslize). - Aluno e Professor/Monitor seguram o mesmo objecto (bastão, arco ou outro - em níveis mais evoluídos). - Patinador com cinto de segurança de Escalada e com corda presa que é segura pelo Professor/Monitor (em níveis mais evoluídos e situações específicas, ex. curvas com cruzamento). 2 - Apoios a utensílios fixos ou semi-móveis, exteriores ao patinador, andarilhos, tripés com rodas pouco deslizantes, cadeira de rodas (desaconselhados os apoios às tabelas e parede por serem unilaterais e arriscados/"falsos") 3 - Acções sobre o patim/piso - com redução ou eliminação do deslize (superfícies frenado-ras: sacos de plástico, colchões, carpetes, tapetes; travar rodas por aperto, rolamentos sem esferas, rodas excessivamente moles...).

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