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UNIVERSIDADE FEEVALE

UNIVERSIDADE FEEVALE INSTITUDO DE CIÊNCIAS HUMANAS LETRAS E ARTES (ICHLA) CURSO DE PSICOLOGIA FABIANA MÜLLER RESENHA

INSTITUDO DE CIÊNCIAS HUMANAS LETRAS E ARTES (ICHLA)

CURSO DE PSICOLOGIA

FABIANA MÜLLER

RESENHA CRÍTIDA DO FILME:

VEM DANÇAR (Take the Lead)

NOVO HAMBURGO

2014

RESENHA

O filme Vem Dançar, roteirizado por Dianne Houston e dirigido por Liz Friedlander, é uma produção norte-americana de 2006. A trama foi baseada na história de vida do dançarino norte-americano Pierre Dulaine, que decidiu dar aulas de dança de salão, voluntariamente, para alunos do centro de detenção de uma escola pública de Nova Iorque. A história central de inicia quando o professor Pierre Dulaine, interpretado pelo ator Antonio Banderas, depara-se com um rapaz negro destruindo um carro em uma rua da cidade. Após identificar a dona do veículo através de um crachá, o professor decide procurar a mulher na escola onde trabalha. Após se deparar com a situação da escola e a maneira como as pessoas, principalmente os alunos, são tratados, Dulaine acaba por se oferecer para dar aulas de dança de salão na escola em questão. Ao duvidar de sua permanência e não acreditar que os alunos teriam interesse, a diretora decide por alocar o professor na detenction class, onde ficam somente os alunos problemáticos com problemas de indisciplina. Ao mostrar os alunos que ficam nessa classe especial, nos deparamos com a cena de diversos alunos sem qualquer ocupação, apenas jogadosem uma sala sem qualquer estrutura e professor. A escolha dessa classe para este professor soou como um desafio de quem desacreditava no trabalho deste e na possibilidade desses alunos se interessarem pelas aulas e/ou pela dança de salão. Dulaine se apresentou em sala de aula e foi hostilizado pelos alunos que resistiram a qualquer forma de aprendizado, principalmente em função do estilo de música. Mas, quando seus modos clássicos batem de frente com os instintos do hip-hop incutido nos alunos, ele se junta a eles para criar um novo estilo de dança e se tornar o mentor dos alunos durante o processo. É possível focar a discussão apenas na escola e nos seus métodos, porém é imprescindível levar o olhar à realidade social desses alunos. Ao longo do filme, situações pessoais desses alunos são expostas ao espectador, como na cena inicial mencionada anteriormente, que o rapaz é desafiado por seus amigosa destruir o carro da diretora da escola em função de ter sido expulso de uma festa e ameaçado de ser expulso da escola também, por já possui famade ser um rapaz de mau comportamento. Essas questões sociais vêm à tona em diversas cenas do filme, vários alunos possuem problemas com pais alcoolistas, que se prostituem, com situações em que não há o que comer em casa, com empregos

degradantes e com baixo salário. Além disso, na escola a realidade não é diferente, pois são rotulados como alunos problemas e são tratados de forma a não possuírem capacidade para se tornarem cidadãos e aprenderem novas coisas, à adquirirem novos conhecimentos e se desenvolverem enquanto pessoas e cidadãos. Isso é muito claro ao longo do filme, principalmente por parte de professores e da diretora, que ao mesmo tempo parece se esforçar para não pensar de tal forma. Em muitos casos os alunos buscam na escola, apesar de seus problemas, um refúgio de forma a fugir do meio social, da sua realidade humilhante e desesperançosa. A escola por sua vez não se coloca nesse papel de formação de cidadania e humanização de seus alunos, pois muitos casos acreditam que esse é papel da família, da sociedade. Esse papel é concentrado em passar conhecimentos para fins de aprovação em exames escolares (provas, vestibulares, etc.) sem que o aluno seja visto como um todo. O papel do professor Dulaine nessa escola foi de desmistificar o conceito errôneo que a escola possuía dos seus alunos, e demonstrar que a escola possui um papel fundamental na formação do sujeito como um ser social, sem desconsiderar sua cultura e o meio onde vive. Essa indiferença por parte dos professores, vivenciada também pelo antropólogo e educador Tião Rocha, ficou exposta de forma clara do filme, se fizermos a comparação do professor de matemática que se detinha em passar o conhecimento e o professor de dança, que juntou as a cultura hip hop com a dança de salão, para mostrar outra realidade aos seus alunos e trazê-los de forma real, e não apenas física, para a realidade escolar. Segundo Pulo Freire:

O fechamento ao mundo e aos outros se torna transgressão ao impulso natural da incomplitude. O sujeito que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como inconclusão em permanente movimento na História.(FREIRE, 1996).

A junção das culturas fez com que esse diálogo horizontal fosse fundamental para o sucesso de Dulaine como professor desses alunos, pois reconstruiu a dança de salão juntamente com os alunos e não somente passou seu vasto conhecimento para eles. Interessante pensar no filme através dos diferentes conteúdos que foram apresentados aos alunos exigem esforços de aprendizagem, além de ajuda mútua entres os próprios alunos. Pudemos perceber que as pessoas aprendem em sua especificidade e que a ajuda e o incentivo entre alunos faz toda a diferença no processo de aprendizado, além de que esse processo poderá ser levado para a sociedade, como construção de um sujeito solidário. Com isso, há muito o que se discutir em relação ao papel da escola como facilitador na construção do sujeito como ser social, contribuindo para a transformação deste, que é muitas

vezes negligenciado pela família e pela sociedade como um todo. Através dessa construção de ajuda mútua entre escola e sociedade é que se poderá mudar a realidade de muitos alunos.

REFERÊNCIAS

BYDLOWSKI, Cynthia Rachid; LEFEVRE, Ana Maria Cavalcanti and PEREIRA, Isabel Maria Teixeira Bicudo. Promoção da saúde e a formação cidadã: a percepção do professor

sobre cidadania. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2011, vol.16, n.3, pp. 1771-1780. ISSN

1413-8123.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.