Você está na página 1de 7

3

FICHA DE AVALIAÇÃO FORMATIVA 1
NOME: ___________________________________________________ N.O: _____ TURMA: _____ DATA:
_______________

GRUPO I
PARTE A
Leia o excerto da Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, que se apresenta de seguida((correspondente aos
versos170 A 251 do texto original). Em caso de necessidade, consulte as notas.
Lianor Vaz:

5

Mãe:
(1) leixemos:
deixemos.

10

Lianor Vaz:

(2) exemplo:
provérbio.
(3) aquenta: aquece.
(1) leixemos:
(4)
pera: para.
deixemos.
(5)
é ela
(2)nam
exemplo:
embaraçada:
não
provérbio.
está comprometida.
(3) aquenta: aquece.
(6) praz: apraz,
(4) pera: para.
agrada.
(5) nam é ela
(7) senam com
embaraçada: não
homem avisado:
está comprometida.
senão com homem
(6) praz: apraz,
conveniente,
agrada.
ajuizado.
(7)pelado:
senam sem
com
(8)
homem avisado:
dinheiro.
senão com homem
(9) discreto:
conveniente,
inteligente, sensato.
ajuizado.
(10) em camisa:
(8) pelado: sem
sem roupa (sem
dinheiro.
dote).
(9) discreto:
(11) veredes: vereis.
inteligente, sensato.
(12) discrição:
(10) em camisa:
inteligência,
sem roupa (sem
sensatez.
dote).
(13) alfaqui:
sacerdote ou legista,
entre os
muçulmanos.

Inês Pereira:
Lianor Vaz:
15

Inês Pereira:

20

Lianor Vaz:

Inês Pereira:

25

Lianor Vaz:

30

Inês Pereira:
Lianor Vaz:
Mãe:

Leixemos1isto, eu venho
com grande amor que vos tenho
porque diz oexemplo2antigo
queamiga e bom amigo
maisaquenta3que o bom lenho.
Inêsestá concertada
pera4casar com alguém?
Até ‘gora com ninguém
namé elaembaraçada.5
Em nome do anjo bento
eu vos trago um casamento
filhanamsei se vospraz.6
E quandoLianor Vaz?
Já vos trago aviamento.
Porémnamhei de casar
senamcom homem avisado7
indaque pobre epelado8
sejadiscreto9em falar
queassio tenho assentado.
Eu vos trago um bom marido
rico, honrado, conhecido.
Diz que em camisa10 vos quer.
Primeiro eu hei de saber
se é parvo se é sabido.
Nesta carta que aqui vem
peravós filha d’amores
veredes11vós minhasflores
adiscrição12que ele tem.
Mostrai-ma cá quero ver.
Tomai. E sabeis vós ler?
Ui e ela sabe latim
egramátecaealfaqui13
e sabe quanto ela quer.

ENTRE NÓS E AS PALAVRAS • Português • 10.o ano • © Santillana

1

LêInês Pereiraa carta. porventura. (15) voda: boda. 70 Lianor Vaz: que casemos na boa hora. TornaInês Pereiraa prosseguir com a carta: Nem cantar presentemi poisDeossabe arebentinha16 que me fizestes então. ENTRE NÓS E AS PALAVRAS • Português • 10. a qual dizassi: Senhora amigaInês Pereira: Pero Marquesvosso amigo que ora estou na nossaaldea mesmo na vossamercea14 me encomendo e mais digo: digo que benza-vosDeos que vos fez detambom jeito bom prazer e bom proveito veja vossa mãe de vós. 35 40 45 Inês Pereira: 50 Lianor Vaz: E demitambémassi ainda que eu vos vi estoutro dia de folgar enamquisestes bailar nem cantar presentemi. fúria. (17) concrusão: conclusão. OraInêsque hajais benção de vosso pai e a minha que venha isto aconcrusão. (18) samicas: talvez.o ano • © Santillana 2 .17 55 E rogo-vos como amiga quesamicas18vós sereis que de parte me faleis antes que outrem vo-lo diga. Navoda15de seu avô ou donde me viu ora ele? Lianor Vazeste é ele? Lede a carta sem dó queindaeusamcontente dele. Namqueiras sertamsenhora casa filha que te preste nampercas a ocasião. E senamfiais demi esteja vossa mãe aí eLianor Vazde presente. (19) dês: desde. Dês19que nasci até agora namvi tal vilão com’este nem tanto fora de mão. Inês Pereira: (16) rebentinha: raiva. Veremos se sois contente 60 65 (14) mercea: mercê.

. PARTE B Leia o excerto da Farsa de Inês Pereira. 80 (21) mister: necessidade.. 2. Explique o motivo que traz Lianor Vaz até à casa de Inês Pereira e mostre qual é a função que aquela personagem tem na farsa.. [. 3. Que fala e com’ora fala estrogirá2esta sala e tange e com’ora tange alcança quanto abrange e se preza bem da gala. A carta de Pero Marques mostra bem o objetivo do pretendente.] ENTRE NÓS E AS PALAVRAS • Português • 10.. Inês Pereira: Vidal: 5 Inês Pereira: Vidal: 10 15 Enfim que novas trazeis? O marido que quereis de viola e dessa sorte namno hásenamna corte que cá não no achareis. Descubra as estratégias persuasivas que as falas de Lianor Vaz apresentam e relacione-as com a intenção da personagem. 75 (20) pês: custe. Apresente. Soubemos dum escudeiro de feição deatafoneiro1 que virá logo essora. as suas respostas aos itens que se seguem.Queres casar a prazer no tempo d’agoraInês? Antes casa em que tepês20 que não é tempo d’escolher. aguardai ora. Esperai. de Gil Vicente. Explicite os elogios que são apresentados à destinatária da missiva. Inês não reage de forma positiva à carta que leu.o ano • © Santillana 3 . 492-501 e 660-702 do texto original). [. Sempre eu ouvi dizer: ou seja sapo ou sapinho ou marido ou maridinho tenha o que houvermister21 este é o certo caminho. 1. desagrade. Justifique a sua resposta com três citações do texto. 4. Descreva o modelo de marido ideal que Inês Pereira apresenta a Lianor Vaz. que se apresenta de seguida(correspondente aos versos 479-483.] Tudo é nada enfim. de forma clara e bem estruturada.

Inêsguar-te de rascão escudeiro queres tu? Jesunome deJesu quamfora sois de feição. Houvestes por vaidade casar à vossa vontade eu quero casar à minha. Vidal: Mãe: (4) afoitado: ousado. (6) descancarrado: descarado. 25 30 Mãe: 35 40 Latão: (1) atafoneiro: moleiro. (9) tolher: impedir (10) quam sois fora de feição: Que tolice! Filha Inêsassivivais que tomeis esse senhor escudeiro cantador e caçador de pardais sabedor.carrapatento. brigão. ENTRE NÓS E AS PALAVRAS • Português • 10. desavergonhado. Casa filha muitoembora. 50 Inês Pereira: (7) carrapatento: embusteiro. 45 (3) rebolvedor: valente. Não te émilhormal por mal Inêsum bom oficial que te ganhe nessa praça que é um escravo de graça e casarás com teu igual? Senhora perdei cuidado.rebolvedor3 falador.10 Já minha mãeadevinha. gracejador afoitado4pela mão e sabe de gavião. Dai-me essa mão senhora.Vidal: 20 Podeistopar5um rabugento desmazalado. (8) aosadas: sem dúvida. O que há de ser há de ser eninguém podetolher9 o que está determinado. atroará. (5) topar: encontrar. 55 Mãe: Escudeiro: Inês Pereira: Quero rir com toda a mágoa destes teus casamenteiros nunca vi judeus ferreiros aturartambem a frágua. Assidiz rabiZarão. baboso descancarrado. Nele tendesboasfadas. (2) estrogirá: fará estrondo. Tomai-o por meu amor.6brigoso medroso.o ano • © Santillana 4 . Senhor demuiboa mente.7 Este escudeiroaosadas8 onde se derem pancadas ele as há de levar boassenamapanhar.

Não é ela que atrai as suas «vítimas». sem seus pontos básicos. [Afirmam-se]. GRUPO II Leia atentamente o texto que se segue. de forma clara e bem estruturada. em seus Autos e Farsas. Alfa — Revista de Linguística. por parte dos enamorados.. NELLY COELHO NOVAES. são tão lúcidas e hábeis que. que parece ser a base de seu teatro. ENTRE NÓS E AS PALAVRAS • Português • 10. etc. e dela decorre. realiza genialmente o Mestre da Balança. suas consequências. Qual teria sido a intenção de Gil Vicente ao introduzir em seu teatro a representação de tão desonrosa atividade? A primeira ideia que nos ocorre é a da intenção moralizante. Ao tentarmos analisar-lhes a personagem (que. a pedra básica da estrutura psicológica da alcoviteira. É outra característica comum a todas elas. E isso. se repete nas demais). Uma espécie de saber que poderíamos chamar de sabedoria prática. assim. dona de uma astuta sabedoria prática.Apresente. tendo em conta o momento da farsa em que surgem. Neste excerto surgem duas personagens curiosas: os judeus Vidal e Latão. a cobrança de seus favores. como são favores para alma. 4. os contornos dessa singular personalidade que é a alcoviteira: mulher madura. as suas respostas aos itens que se seguem. experimentada. inconvenientes e castigos. nos dá ele uma esplêndida visão da sua época. com o «à vontade» com que vai jogando com as suas personagens e pequeninas intrigas.o ano • © Santillana 5 . da justiça. por pura generosidade que assim agem as alcoviteiras. a intenção de mostrar o MAL. no fundo. contudo. que. Comente o papel destas personagens e o tipo de linguagem que utilizam. são estas que regem a vida. do amor. Vemo-la agir sempre tranquilamente. Não é. Aliás. a ambição de ganho é dos defeitos de que mais são acusadas pelos seus «beneficiados». não escapou Gil Vicente de retratar. se às vezes são repelidas pela nossa moral. para o coração. Mostre que existe uma oposição entre o discurso da Mãe de Inês e dos judeus. uma das figuras sociais mais atraentes e combatidas desde os mais remotos tempos: a Alcoviteira. E daí…a continuidade da função básica da alcoviteira: satisfazer as paixões ou caprichos amorosos dos homens que solicitam seus serviços ou procurar enamorados para as mulheres que os desejam e não os podem encontrar diretamente. As alcoviteiras vicentinas não demonstram em absoluto a avidez pelo dinheiro como. Suas reflexões acerca dos homens. «As alcoviteiras vicentinas». pois. no encalço de seus objetivos: vencer a resistência da mulher cobiçada para agradar ao homem apaixonado.1 2. preparando habilmente o terreno para os negócios e só falando em preço no fim das conversações: o que não deixa de ser um traço de elegância de atitude. conhecedora profunda de todos os desvãos das paixões humanas e convicta de que. cuja força (sabe-o ela bem) uma vez desencadeada nada consegue deter. as manhas e as artes que caracterizam o seu ofício. pois. As alcoviteiras vicentinas 5 10 15 20 25 30 35 Criticando lucidamente o mundo que o rodeou. Desse conhecimento do coração humano lhe vêm. definitivamente. não têm preço limitado. Cooperam para a felicidade de seus clientes. por exemplo. com a segurança moral que lhe deve vir dessa crença no valor positivo e quase sagrado das paixões. v. dificilmente a nossa lógica as rejeita. mas cobram bem pelos seus serviços. Isto é. 1. o faz o judeu. mas sim estas é que a solicitam ardorosamente. 1. Outra das características marcantes da alcoviteira é a sua sagacidade. Acreditamos que é a crença na legitimidade dos fins a que se devota em seu ofício. verificamos que a primeira linha a firmar seus contornos é a da procura de que a alcoviteira é objeto. sem dúvida alguma. O que se nos torna patente quando as analisamos por esse prisma é que elas agem como justos e honestos negociantes. a falta de censura moral com que ela age. de uma maneira geral.

5. (C) a figura das alcoviteiras vicentinas é um exemplo de crítica de carácter. (D) claramente. (C) manifesta uma dúvida da autora em relação às personagens que Gil Vicente caracteriza. (C) na procura de que são alvo. (D) enumerar as características negativas da personalidade das alcoviteiras vicentinas. (D) a figura das alcoviteiras vicentinas é um dos alvos da crítica de costumes. (D) anuncia a continuação da análise ao carácter das alcoviteiras vicentinas que a autora desenvolve.5 A interrogação das linhas 32 e 33 (A) separa a análise do carácter das alcoviteiras vicentinas da apresentação da posição do dramaturgo face às mesmas. a) praz (verso 12)  apraz b) mercea (verso 37)  mercê 2.1 O excerto apresentado centra-se na noção de que (A) a figura das alcoviteiras vicentinas é um dos alvos da crítica às mulheres. (B) a figura das alcoviteiras vicentinas da Farsa de Inês Pereira não inclui os judeus. 1963 (com adaptações). de 1. a autora pretende (A) demonstrar que a presença da alcoviteira nas peças de Gil Vicente tem uma intenção moralizante. na folha de respostas. Para responder a cada um dos itens. (B) na intensa solicitação de que são alvo. Escreva. o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida. 1. 1.1 a 1. na imoralidade que as guia e na orientação para o lucro. (B) apresentar os contornos do carácter desta personagem-tipo nas obras de Gil Vicente.4 De acordo com o texto. na sabedoria que possuem e na sua orientação para o lucro.o ano • © Santillana 6 . 1. (B) sagazmente. selecione a opção correta. (C) mostrar que as alcoviteiras vicentinas regem a sua atuação por avareza e ambição. (D) na solicitação de que são alvo. (B) introduz uma mudança radical no tratamento do tópico apresentado.3 Classifique as orações subordinadas presentes na frase que se segue: «[…] verificamos que a primeira linha a firmar os seus contornos é a da procura de que a alcoviteira é objeto […]» (linha 17) GRUPO III ENTRE NÓS E AS PALAVRAS • Português • 10.2 Na expressão «Criticando lucidamente o mundo que o rodeou» (linha 1) o advérbio destacado é sinónimo de (A) rigorosamente. 2. na lucidez com que agem e na sua avidez pelo lucro. identifique os processos fonológicos envolvidos na evolução dos vocábulos. FCLA — UNESP.1 Tendo em conta o texto A do Grupo I.2 Classifique as funções sintáticas presentes na seguinte expressão: «Outra das características marcantes da alcoviteira é a sua sagacidade» (linha 20) 2. 1. na imoralidade que as orienta e no requinte com que exigem o pagamento. as principais características das alcoviteiras vicentinas consistem (A) na atração dos clientes.3 Nos dois primeiros parágrafos do texto. Responda aos itens apresentados. 2. mostrando que a interrogação é uma estratégia discursiva. requerido apenas quando cumprida a missão. 1. 1. (C) evidentemente.São Paulo.

entre cento e setenta (170)e cento e noventa (190)palavras. construa uma síntese bem estruturada do mesmo. ENTRE NÓS E AS PALAVRAS • Português • 10.A partir do texto de Nelly Coelho Novaes.o ano • © Santillana 7 . «As alcoviteiras vicentinas». apresentado no Grupo II.