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EXAME 2018 1º

GRUPO IV

1. Leia o texto seguinte. Quantas vezes me acontece que, durante o repouso noturno, me
deixo persuadir de coisas tão habituais como que estou aqui, com o roupão vestido, sentado à
lareira, quando, todavia, estou estendido na cama e despido! Mas, agora, observo este papel
seguramente com os olhos abertos, esta cabeça que movo não está a dormir, voluntária e
conscientemente estendo esta mão e sinto-a: o que acontece quando se dorme não parece
tão distinto. Como se não me recordasse já de ter sido enganado por pensamentos
semelhantes! R. Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Coimbra, Livraria Almedina,
1985, p. 108.

São apresentadas no texto as premissas do argumento do sonho. A que conclusão chegou


Descartes a partir delas?

2. Leia os textos seguintes, um de Hume e outro de Descartes.

A geometria ajuda-nos a aplicar leis do movimento, oferecendo-nos as dimensões


corretas de todas as partes e grandezas que podem participar em qualquer espécie de
máquina, mas apesar disso a descoberta das próprias leis continua a dever-se simplesmente à
experiência […]. Quando raciocinamos a priori, considerando um objeto ou causa apenas tal
como aparece à mente, independentemente de qualquer observação, ele jamais poderá
sugerir-nos a ideia de qualquer objeto distinto, tal como o seu efeito, e muito menos mostrar-
nos a conexão inseparável e inviolável que existe entre eles.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN-CM, 2002, pp. 46-47
(texto adaptado).

As coisas corpóreas podem não existir de um modo que corresponda exatamente ao


que delas percebo pelos sentidos, porque, em muitos casos, a perceção dos sentidos é muito
obscura e confusa; mas, pelo menos, existem nelas todas as propriedades que entendo clara e
distintamente, isto é, todas aquelas que, vistas em termos gerais, estão compreendidas no
objeto da matemática pura.

R. Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Coimbra, Livraria Almedina, 1985,


p. 210 (texto adaptado).

Haverá conhecimento a priori do mundo? Confronte as respostas de Hume e de Descartes a


esta questão. Na sua resposta, integre adequadamente a informação dos textos.

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EXAME 2018 2º

8. Imagine que Descartes era forçado a concluir que, afinal, Deus pode ser enganador; nesse
caso, para ser coerente, ele teria de aceitar que

(A) apenas as sensações corporais podem ser falsas.

(B) as ideias claras e distintas podem ser falsas.

(C) é falsa a ideia de que ele próprio existe enquanto pensa.

(D) os sentidos são mais importantes do que a razão.

GRUPO IV

1. Leia o texto seguinte. Da primeira vez que um homem viu a comunicação de movimento
por impulso, ou pelo choque de duas bolas de bilhar, ele não poderia afirmar que um evento
estava conectado, mas apenas que estava conjugado com o outro. Depois de ter observado
vários casos desta natureza, passa a declarar que eles estão conectados.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN–CM, 2002, p. 89.

Como é que Hume explica que tenhamos a ideia de conexão necessária entre acontecimentos?
Na sua resposta, integre adequadamente a informação do texto

EXAME 2017 2º

7. A principal finalidade do método proposto por Descartes é

(A) descobrir quais são as ideias claras e distintas.

(B) estabelecer os fundamentos do conhecimento.

(C) provar que os sentidos nos enganam.

(D) mostrar que existe um ser perfeito.

GRUPO IV

2. Leia o texto seguinte.

O senhor Hume tem defendido que só temos esta noção de causa: algo que é anterior ao
efeito e que, de acordo com a experiência, foi seguido constantemente pelo efeito. [...] Seguir-
se-ia desta definição de causa que a noite é a causa do dia e o dia a causa da noite. Pois, desde
o começo do mundo, não houve coisas que se tenham sucedido mais constantemente. [...]
Seguir-se-ia [também] desta definição que tudo o que seja singular na sua natureza, ou que

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seja a primeira coisa do seu género, não pode ter uma causa. T. Reid, Essays on the Active
Powers of Man, Edinburgh University Press, 2010, pp. 249-250

2.1. Neste texto, apresenta-se e critica-se a noção de causa considerada por Hume. Explique as
falhas apontadas no texto a essa noção de causa.

2.2. De acordo com Hume, a observação de conjunções constantes de acontecimentos não


justifica racionalmente a crença de que há relações causais na natureza. Porquê?

EXAME 2017 EPOCA ESPECIAL

GRUPO III

1. Leia o texto seguinte.

Devo tomar todo o cuidado em não me enganar nos juízos. Ora, o erro principal e mais
frequente que se pode descobrir neles consiste em eu afirmar que as ideias que estão em mim
são semelhantes ou conformes a certas coisas que estão fora de mim. […] Assim, por exemplo,
descubro em mim duas ideias diversas do Sol. Uma, como que tirada dos sentidos, […] deixa
que o Sol me apareça muito pequeno; porém, a outra é tirada dos raciocínios da Astronomia
[…] e por ela o Sol mostra-se um certo número de vezes maior do que a Terra. Ambas não
podem, certamente, ser semelhantes ao […] Sol existente fora de mim, e a razão persuade-me
de que a ideia que parece emanar mais diretamente do próprio Sol não tem qualquer
semelhança com ele. R. Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Coimbra, Livraria
Almedina, 1985, pp. 140-144 (adaptado)

Explicite o modo como, no texto anterior, o empirismo é posto em causa.

2. De acordo com Hume, é possível ter conhecimento a priori de questões de facto? Justifique.

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EXAME 2016 1º

8. Hume considera que

(A) as impressões são cópias das ideias.

(B) as ideias são cópias das impressões.

(C) não há distinção entre impressões e ideias.

(D) não há relação entre impressões e ideias.

GRUPO IV

1. Leia o texto.

Desde há muito notara eu que, no tocante aos costumes, é necessário às vezes seguir, como se
fossem indubitáveis, opiniões que sabemos serem muito incertas […]. Mas, porque agora
desejava dedicar-me apenas à procura da verdade, pensei que era forçoso que eu fizesse
exatamente ao contrário e rejeitasse, como absolutamente falso, tudo aquilo em que pudesse
imaginar a menor dúvida [...]. R. Descartes, Discurso do Método, Lisboa, Edições 70, 2000, p.
73 (adaptado)

Descartes decide rejeitar «tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida». Partindo do
texto, exponha as razões que justificam esta decisão.

EXAME 2016 2º

GRUPO IV

2. Leia o texto.

Quando pensamos numa montanha de ouro, estamos apenas a juntar duas ideias
consistentes, a de ouro e a de montanha, as quais já conhecíamos anteriormente. Podemos
conceber um cavalo virtuoso porque, a partir dos nossos próprios sentimentos, podemos
conceber a virtude, e podemos uni-la à forma e à figura de um cavalo, animal que nos é
familiar. […] A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondoso,
deriva da reflexão sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem limites
aquelas qualidades de bondade e sabedoria.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN-CM, 2002, p. 35 (adaptado)

Hume dá uma explicação empirista da origem de todas as ideias.

Partindo do texto, justifique a afirmação anterior.

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EXAME 2016 EPOCA ESPECIAL

9. Imagine que decide submeter as suas ideias ao teste da dúvida proposto por Descartes.
Qual das ideias seguintes seria a mais resistente à dúvida?

(A) Ao longe, uma ave cruza o céu.

(B) Toco com as mãos numa folha.

(C) Não estou a flutuar no espaço.

(D) O quadrado tem quatro lados.

10. De acordo com Hume, as ideias acerca da natureza só estão adequadamente justificadas
quando se apoiam

(A) no princípio da uniformidade da natureza.

(B) na razão.

(C) na experiência.

(D) em argumentos indutivos fortes.

GRUPO IV

1. Leia o texto. Agora, vou considerar com mais exatidão se não encontrarei em mim outros
conhecimentos de que porventura não me tenha apercebido. Estou certo de que sou uma
coisa que pensa. Mas não saberei também o que se requer para que eu tenha a certeza de
alguma coisa? Neste primeiro conhecimento [sou uma coisa que pensa] nada mais se encontra
além de uma perceção clara e distinta daquilo que conheço; a qual seguramente não seria
suficiente para me dar a certeza da verdade dessa coisa, se pudesse alguma vez revelar-se
falsa uma coisa que eu compreendesse assim tão clara e distintamente. E, por consequência,
parece-me que já posso estabelecer, como regra geral, que é verdadeiro tudo aquilo que
compreendemos tão claramente e tão distintamente. R. Descartes, Meditações sobre a
Filosofia Primeira, Coimbra, Almedina, 1985, p.136 (adaptado)

Reconstitua o argumento de Descartes apresentado no texto.

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EXAME 2015 1º

9. Identifique o par de termos que permite completar adequadamente a afirmação seguinte. A


dúvida cartesiana é _______; por isso, Descartes não é um filósofo _______.

(A) metódica … cético

(B) cética … empirista

(C) metódica … racionalista

(D) hiperbólica … empirista

GRUPO IV

1. Leia o texto.

Todos os objetos da razão ou da investigação humanas podem ser naturalmente divididos em


dois tipos, a saber, as relações de ideias e as questões de facto. [...] O contrário de toda e
qualquer questão de facto continua a ser possível, porque não pode jamais implicar
contradição, e a mente concebe-o com a mesma facilidade e nitidez, como se fosse
perfeitamente conforme à realidade. Que o Sol não vai nascer amanhã não é uma proposição
menos inteligível nem implica maior contradição do que a afirmação de que ele vai nascer. D.
Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN-CM, 2002, pp. 41-42
(adaptado)

1.1. Distinga as questões de facto das relações de ideias.

1.2. Tendo em conta que «o Sol não vai nascer amanhã não é uma proposição menos
inteligível nem implica maior contradição do que a afirmação de que ele vai nascer», como
explica Hume que estejamos convencidos de que o Sol vai nascer amanhã?

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EXAME 2015 2º

GRUPO III

1. Leia o texto.

Existe uma espécie de ceticismo, anterior a qualquer estudo ou filosofia, muito recomendado
por Descartes e outros como sendo a soberana salvaguarda contra os erros e os juízos
precipitados. Este ceticismo recomenda uma dúvida universal, não apenas quanto aos nossos
princípios e opiniões anteriores, mas também quanto às nossas próprias faculdades, de cuja
veracidade, diz ele, nos devemos assegurar por meio de uma cadeia argumentativa deduzida
de algum princípio original que seja totalmente impossível tornar-se enganador ou falacioso.
Mas nem existe qualquer princípio original como esse, […] nem, se existisse, poderíamos
avançar um passo além dele, a não ser pelo uso daquelas mesmas faculdades das quais se
supõe que já suspeitamos.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, IN-CM, 2002, pp. 161-162

1.1. Explicite a crítica de Hume, apresentada no texto, ao ceticismo «recomendado por


Descartes».

1.2. Distinga, no que respeita à fundamentação do conhecimento, a perspetiva racionalista de


Descartes da perspetiva empirista de Hume.

EXAME 2015 EPOCA ESPECIAL

GRUPO IV

1. Leia o texto. Os empiristas aceitam que algumas verdades podem ser conhecidas a priori,
mas essas verdades são consideradas […] não-instrutivas […]. Ao tomarmos conhecimento de
que os solteiros são homens não-casados, não aprendemos nada de substancial acerca do
mundo […]. D. O’Brien, Introdução à Teoria do Conhecimento, Lisboa, Gradiva, 2013, p. 62

Compare as posições de Descartes e de Hume acerca da importância do conhecimento a priori.


Na sua resposta, integre a informação do texto.

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EXAME 2014 1º

GRUPO IV

1. Leia o texto seguinte.

Em suma, todos os materiais do pensamento são derivados do nosso sentimento externo e


interno. Apenas a mistura e a composição destes materiais competem à mente e à vontade.
Ou, para me expressar em linguagem filosófica, todas as nossas ideias ou perceções mais
fracas são cópias das nossas impressões, ou perceções mais vívidas. [...] Se acontecer, devido a
algum defeito orgânico, que uma pessoa seja incapaz de experimentar alguma espécie de
sensação, verificamos sempre que ela é igualmente incapaz de conceber as ideias
correspondentes. Um cego não pode ter a noção das cores, nem um surdo dos sons. Restitua-
se a qualquer um deles aquele sentido em que é deficiente e, ao abrir-se essa nova entrada
para as suas sensações, abrir-se-á também uma entrada para as ideias, e ele deixará de ter
qualquer dificuldade em conceber esses objetos.

D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da


Moeda, 2002, pp. 35-36 (adaptado)

1.1. Explicite as razões usadas no texto para defender que a origem de todas as nossas ideias
reside nas impressões dos sentidos.

1.2. Concordaria Descartes com a tese segundo a qual «todas as nossas ideias […] são cópias
das nossas impressões»? Justifique a sua resposta.

EXAME 2014 2º

09. Hume defendeu que todas as nossas ideias têm origem em

(A) impressões.

(B) pensamentos.

(C) sentimentos.

(D) hábitos.

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GRUPO IV

1. Leia o texto seguinte.

Se perguntar a mim próprio «Estou a beber?» ou «Está ele a pensar?», a resposta pode ser
«Sim», «Não» ou «Talvez». Mas se perguntar a mim próprio «Estou a pensar?», a resposta
apenas pode ser «Sim». Fazer essa pergunta a mim próprio é o mesmo que eu pensar. Seria
autorrefutante perguntar a mim próprio «Estou a pensar?» e responder «Não».

T. Chappell, The Inescapable Self – An introduction to Western philosophy, London,


Weidenfeld & Nicolson, 2005, pp. 28-29 (adaptado)

1.1. Justifique, a partir do texto, que o cogito é uma certeza irrefutável.

1.2Explique o argumento de Descartes para duvidar dos seus raciocínios matemáticos mais
evidentes.

EXAME 2014 EPOCA ESPECIAL

10. Considere as afirmações seguintes.

1. Todo o conhecimento acerca de questões de facto é adquirido por meio da experiência. 2.


Há conhecimento acerca de questões de facto adquirido apenas por meio do pensamento. 3.
Todo o conhecimento acerca de relações de ideias é adquirido apenas por meio do
pensamento.

De acordo com Hume, as afirmações

(A) 1 e 3 são falsas e 2 é verdadeira.

(B) 1, 2 e 3 são verdadeiras.

(C) 1 e 3 são verdadeiras e 2 é falsa.

(D) 1, 2 e 3 são falsas.

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GRUPO IV

3. Leia o texto seguinte.

Voltando a examinar a ideia que eu tinha de um ser perfeito, descobria que a existência estava
nela contida, do mesmo modo, ou mais evidentemente ainda, que na de um triângulo está
compreendido que os seus três ângulos são iguais a dois retos […]; e que, por conseguinte, é
pelo menos tão certo como o pode ser qualquer demonstração de geometria que Deus, que é
o ser perfeito, é ou existe.

R. Descartes, Discurso do Método, Lisboa, Edições 70, 1993, pp. 78-79

No texto, Descartes apresenta um argumento a favor da existência de Deus. Considera-o um


bom argumento?

Na sua resposta, deve:

−− explicar o argumento de Descartes;

−− apresentar inequivocamente a sua posição pessoal;

−− argumentar a favor da sua posição.

EXAME 2013 1º

6. Considere os seguintes enunciados relativos ao estatuto do cogito, no sistema de Descartes.

O cogito é

1. o primeiro princípio do sistema do conhecimento.

2. uma verdade que se deduz de outras verdades.

3. uma verdade descoberta com o apoio dos sentidos.

4. uma verdade puramente racional.

Deve afirmar-se que

(A) 2 é correto; 1, 3 e 4 são incorretos.

(B) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos.

(C) 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto.

(D) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos

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8. Considere os seguintes enunciados relativos à comparação entre as teorias do
conhecimento de Descartes e de David Hume.

1. Para o primeiro, todas as ideias são inatas; para o segundo, nenhuma ideia é inata.

2. Os dois autores defendem que há ideias que têm origem na experiência.

3. Para o primeiro, o conhecimento tem de ser indubitável; para o segundo, pode não ser
indubitável.

4. Os dois autores defendem que não há conhecimento sem experiência.

Deve afirmar-se que

(A) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.

(B) 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto.

(C) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos.

(D) 1, 3 e 4 são corretos; 2 é incorreto.

GRUPO IV

1. Leia o texto seguinte.

1 Todas as ideias são copiadas de impressões ou de sentimentos precedentes e, onde não


pudermos encontrar impressão alguma, podemos ter a certeza de que não há qualquer ideia.
Em todos os exemplos singulares das operações de corpos ou mentes, não há nada que
produza qualquer impressão e, consequentemente, nada que possa sugerir qualquer ideia de
poder ou conexão necessária. Mas quando aparecem muitos casos uniformes, e o mesmo
objeto é sempre seguido pelo mesmo evento, começamos a ter a noção de causa e de
conexão.

David Hume, Tratados Filosóficos I, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa,


Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2002 (texto adaptado)

A partir do texto, exponha a tese empirista de Hume sobre a origem da ideia de conexão
causal. Na sua resposta, integre, de forma pertinente, informação do texto.

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EXAME 2013 2º

7. Considere os seguintes enunciados relativos à posição de David Hume sobre a indução.

1. As nossas crenças acerca do mundo dependem, em grande parte, da indução.

2. A crença no valor da indução é justificada pela razão.

3. As inferências indutivas decorrem do hábito ou costume.

4. A indução é o método que permite descobrir a verdade.

Deve afirmar-se que

(A) 1 e 3 são corretos; 2 e 4 são incorretos.

(B) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos.

(C) 2 é correto; 1, 3 e 4 são incorretos.

(D) 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto.

GRUPO IV

1. Leia o texto seguinte.

Dado que nascemos crianças e que formulámos vários juízos acerca das coisas sensíveis antes
que tivéssemos o completo uso da nossa razão, somos desviados do conhecimento da verdade
por muitos preconceitos, dos quais parece não podermos libertar-nos a não ser que, uma vez
na vida, nos esforcemos por duvidar de todos aqueles em que encontremos a mínima suspeita
de incerteza. Será mesmo útil considerar também como falsas aquelas coisas de que
duvidamos, para que assim encontremos mais claramente o que é certíssimo e facílimo de
conhecer.

Descartes, Princípios da Filosofia, Lisboa, Editorial Presença, 1995

A partir do texto, esclareça o papel da dúvida cartesiana no «conhecimento da verdade»


(linhas 2 e 3). Na sua resposta, integre, de forma pertinente, informação do texto.

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EXAME 2012 1º

GRUPO IV

1. Leia o texto seguinte.

Texto E

[…] Quando analisamos os nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos ou sublimes
que possam ser, sempre constatamos que eles se decompõem em ideias simples copiadas de
alguma sensação ou sentimento precedente. Mesmo quanto àquelas ideias que, à primeira
vista, parecem mais distantes dessa origem, constata-se, após um exame mais apurado, que
dela são derivadas. A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e
bondoso, deriva da reflexão sobre as operações da nossa própria mente e de aumentar sem
limites aquelas qualidades de bondade e de sabedoria. David Hume, «Investigação sobre o
Entendimento Humano», in Tratados Filosóficos I, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda,
2002

1.1. Nomeie os tipos de perceção da mente, segundo Hume.

1.2. Explicite, a partir do texto, a origem da ideia de Deus na filosofia de Hume.

2. Confronte as ideias expressas no texto de Hume com o racionalismo de Descartes.


Na sua resposta, deve abordar, pela ordem que entender, os seguintes aspetos:
−− inatismo;
−− valor da ideia de Deus.

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EXAME 2012 2º

GRUPO IV

1. Leia o texto seguinte.

Texto D

Assim, rejeitando todas aquelas coisas de que podemos duvidar de algum modo, e até mesmo
imaginando que são falsas, facilmente supomos que não existe nenhum Deus, nenhum céu,
nenhuns corpos; e que nós mesmos não temos mãos, nem pés, nem de resto corpo algum;
mas não assim que nada somos, nós que tais coisas pensamos: pois repugna que se admita
que aquele que pensa, no próprio momento em que pensa, não exista.

René Descartes, Princípios da Filosofia, Lisboa, Editorial Presença,1995

1.1. Indique o primeiro princípio indubitável aceite por Descartes.

1.2. Explicite, a partir do texto, duas das características da dúvida cartesiana.

2. Confronte o inatismo cartesiano com a filosofia empirista de Hume. Na sua resposta, deve
abordar, pela ordem que entender, os seguintes aspetos:
−− origem das ideias;
−− limites do conhecimento.

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EXAME 2012 EPOCA ESPECIAL
GRUPO IV
1. Leia o texto seguinte.
Texto E
[…] Embora vejamos o Sol muito claramente, não devemos por isso julgar que ele só tem a
grandeza que vemos; e podemos à vontade imaginar distintamente uma cabeça de leão
unida ao corpo de uma cabra, sem que tenhamos de concluir que no mundo existem
quimeras: porque a razão não garante que seja verdadeiro o que assim vemos ou
imaginamos. Mas sugere-se que todas as nossas ideias ou noções devem ter algum
fundamento de verdade; porque não seria possível que Deus, que é inteiramente perfeito
e completamente verdadeiro, as tivesse posto em nós sem isso.
René Descartes, Discurso do Método, Lisboa, Edições 70, 2000
1.1. Identifique os três tipos de ideias segundo Descartes, presentes no texto.

1.2. Explique a origem das ideias que conduzem ao conhecimento, segundo a filosofia de
Descartes e segundo a filosofia de Hume.

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