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CURSOS ON-LINE – DIREITO ADMINISTRATIVO EM EXERCÍCIOS

PROFESSOR GUSTAVO BARCHET

AULA 6: LEI 8.112/90

Nosso objetivo hoje é tratar das questões da ESAF envolvendo o regime jurídico dos
servidores públicos federais, que tem por base a Lei 8.112/90. Ao final,
apresentaremos duas questões formuladas pela ESAF sobre a Lei 9.962/2000, que
disciplina os empregados públicos da Administração federal direta autárquica e
fundacional.

Questão 01
(AFPS/2002 - Administração Tributária Previdenciária) - Todos os ocupantes de
cargos públicos federais são regidos pelo mesmo regime jurídico (chamado de
“único”) da Lei nº 8.112/90, inclusive quanto a direitos, vantagens e condições de
aposentadoria.
a) Correta a assertiva.
b) Incorreta a assertiva, porque embora sujeitos àquele regime jurídico único, os
direitos e as vantagens dos magistrados são objeto de disciplinamento especial e
diferenciado.
c) Incorreta a assertiva, porque embora regidos por aquele regime jurídico único, os
magistrados dispõem de condições especiais para aposentadoria.
d) Incorreta a assertiva, porque aquele regime jurídico único só se aplica aos
servidores efetivos e comissionados da União.
e) Incorreta a assertiva, porque aquele regime jurídico único se restringe,
especificamente, a servidores ocupantes de cargos efetivos e em parte aos
comissionados, não se aplicando a ocupantes de determinados cargos vitalícios, de
mandato e outros de membros do poder.

Gabarito: E.

Comentários:
Na sua redação original, o art. 39 da Constituição exigia que cada ente federado
instituísse um regime jurídico único para seus servidores da Administração direta,
autárquica ou fundacional. Havia certa liberdade para que cada ente federado optar
pelo regime que considerasse o mais adequado para seus servidores, desde que o
mesmo fosse único, nos termos acima explicitados.
Dez anos após a promulgação da Constituição, a EC 19 veio alterar o art. 39 da CF,
fazendo cessar a exigência de adoção do regime jurídico único. A partir de então,
cada ente federado pode estabelecer regimes diversos para o pessoal de sua
administração direta, autárquica e fundacional.
A Lei 8.112 foi editada em 1990, quando vigorava a redação original do art. 39 da
CF. Como ainda se exigia, portanto, o regime jurídico único, a Lei 8.112/90, logo de
início, declara ser o regime jurídico único dos servidores da União, suas autarquias e
fundações públicas. Na verdade, com a abolição, em 1998, da obrigatoriedade de
adoção do regime jurídico único, a União editou, em 2.000, a Lei 9.962, que

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disciplina o regime de emprego público para a União, suas autarquias e fundações
públicas.
Desse modo, apesar de ainda ser comum designar-se a Lei 8.112/90 como o “regime
jurídico único” dos servidores públicos federais ela não ostenta mais tal
exclusividade, em face do regime de emprego público disciplinado na Lei
9.962/2000. Atualmente uma autarquia federal, por exemplo, poderá compor seu
quadro tanto com servidores como com empregados; logo, não há mais um regime
jurídico único. Tecnicamente correto, atualmente, é designar-se a Lei 8.112/90 como
o Estatuto dos servidores públicos federais, alcançando os Três Poderes da
República.
Todavia, a Lei não se aplica com a mesma amplitude a todos os servidores federais.
Repisando, servidor é o agente administrativo estatutário e, portanto, titular de um
cargo público, cargo este que pode ser de provimento efetivo ou em comissão, o
primeiro pressupondo para sua investidura aprovação em concurso público e dando
direito, satisfeitos os pressupostos legais, à estabilidade; o segundo declarado em lei
como de livre nomeação e exoneração pela autoridade competente.
Apesar de inúmeros dispositivos da lei aplicarem-se aos titulares dos dois tipos de
cargo (por exemplo, os que tratam do regime disciplinar), boa parte de suas normas
são válidas apenas para os ocupantes de cargos efetivos. Basta uma rápida leitura
da lei para nos darmos conta disto: a reintegração é direito do servidor estável, a
recondução é direito do servidor estável, a licença para tratar de interesses
particulares não pode ser solicitada por servidor que esteja ainda em estágio
probatório, e assim por diante. Estabilidade, estágio probatório, entre outros, são
institutos aplicáveis apenas aos servidores ocupantes de cargos efetivos, logo, o
servidor ocupante de cargo em comissão não tem direito à reintegração, à
recondução e à licença para o trato de interesses particulares. Isso comprova o que
acima afirmamos: a Lei 8.112/90 tem dispositivos aplicáveis aos titulares de ambos
os cargos, efetivo e em comissão, mas boa parte deles é válida exclusivamente para
os ocupantes de cargo efetivo. Correta, portanto, a posição da ESAF na questão, ao
considerar que o Estatuto aplica-se parcialmente aos ocupantes de cargo em
comissão.
Também não são disciplinados pela Lei 8.112 os empregados públicos. No caso da
Administração direta, autárquica e fundacional federal, estes agentes são regidos
pela Lei 9.962/2000 e pela CLT, no caso das empresas públicas e sociedades de
economia mista federais, exclusivamente pela CLT.
Também estão fora de seu universo os agentes políticos em geral, a exemplo dos
magistrados, os membros do Ministério Público e os parlamentares, os quais, pela
especial relevância das funções que desempenham, são regidos por estatutos
próprios.

Síntese do Comentário:
1) a Lei 8.112/90 aplica-se integralmente aos servidores da União, suas autarquias e
fundações públicas que sejam titulares de cargos efetivos, e parcialmente aos
servidores que ocuparem cargos em comissão;
2) ademais, o Estatuto não é aplicável aos empregados públicos e aos agentes
políticos em geral (detentores de mandatos eletivos no Legislativo e no Executivo,
magistrados, membros do MP etc).

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Questão 02
(Analista de Finanças e Controle - AFC/CGU - 2003/2004) - O nome que a Lei nº
8.112/90 dá ao instituto jurídico, pelo qual o servidor público, estável, retorna ao
seu cargo anteriormente ocupado, por ter sido inabilitado no estágio probatório,
relativo a outro efetivo exercido, também, na área federal, é
a) aproveitamento
b) readaptação
c) readmissão
d) reversão
e) recondução

Gabarito: E.

Comentários:

Inicialmente, é necessário trazermos uma classificação das formas de provimento de


cargo público. Enquanto gênero, provimento é o ato pelo qual um cargo público
é preenchido, com a designação de seu titular. Este provimento pode ser de
duas espécies: originário e derivado.
O provimento originário ocorre quando a ocupação do cargo não decorre de
qualquer vínculo anterior entre o servidor e a administração. Pela nova disciplina
constitucional, a única forma de provimento originário atualmente admitida, é a
nomeação, a qual exige, ressalvados os cargos em comissão, a realização de
concurso público. O provimento de um cargo por servidor que ingressa no serviço
público pela primeira vez, ou por aquele que, apesar de já ser servidor, é aprovado
mediante concurso para outro cargo, são exemplos de provimento originário dos
cargos públicos.
Já o provimento derivado é aquele que pressupõe vínculo anterior do servidor
com a Administração. Segundo o Estatuto, são formas de provimento derivado de
cargo: aproveitamento, promoção, readaptação, reintegração, recondução e
reversão (como se nota, a readmissão, citada na alternativa c, não tem previsão na
Lei 8.112/90).
O instituto a que se refere o enunciado é a recondução, forma de provimento
tratada no art. 29 da Lei.8.112/90, a qual pode ser definida como o instituto pelo
qual o servidor estável retorna ao cargo anteriormente ocupado, nas hipóteses de
(1) reprovação em estágio probatório relativo a outro cargo ou (2) reintegração do
anterior ocupante.
Exemplo da primeira hipótese seria o caso de um servidor estável no cargo de
papiloscopista da Polícia Federal que lograsse aprovação para o cargo de perito da
Polícia Federal. Uma vez tendo tomado posse e entrado em exercício, ao final de seu
segundo ano no desempenho das funções do novo cargo, este servidor é considerado
inapto no estágio probatório. Neste caso, tem ele direito a ser reconduzido ao seu
cargo anterior, de papiloscopista (se o servidor não fosse estável do cargo de
papiloscopista não teria direito ao retorno, sendo então simplesmente exonerado do
cargo de perito).

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Aproveitando a mesma situação, podemos exemplificar a segunda hipótese de
recondução. Imaginemos que o servidor está desempenhando a contento as funções
de perito. Ocorre que o anterior ocupante do cargo, que havia sido demitido,
consegue anular sua demissão. Neste caso, terá o anterior ocupante direito a
retornar ao seu cargo, e o servidor que até então estava ocupando-o retornará, sem
direito a qualquer indenização, ao cargo de papiloscopista.
Vamos aproveitar a oportunidade e falar de outra forma de provimento citada na
questão, o aproveitamento, instituto intimamente relacionado com outro, a
disponibilidade. São dois institutos de simples assimilação, aplicados nas mesmas
situações: (1) cargo ocupado, nas mesmas hipóteses de recondução e (2) extinção
ou declaração de desnecessidade do cargo.
A primeira hipótese se dá quando o servidor devia ser reconduzido ao seu cargo
anterior, seja por reintegração do anterior ocupante, seja pelo fato de o servidor ter
sido reprovado no estágio probatório em relação a outro cargo. Ocorre que o cargo
em questão encontra-se ocupado por outro servidor. Neste caso, aquele que deveria
ter sido reconduzido não o será, pois não há cargo vago. Nesta situação será
tentado, em primeiro lugar, seu aproveitamento em outro cargo, “de atribuições e
vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado” (Lei 8.112/90, art. 30).
Pode ser que não exista, à época, um cargo que preencha estes requisitos. Neste
caso, o servidor ficará em disponibilidade, temporariamente inativo, recebendo
remuneração proporcional ao seu tempo de serviço público, até que surja cargo vago
no qual possa ser aproveitado.
Na segunda hipótese o cargo até então ocupado pelo servidor é extinto ou declarado
desnecessário. A sistemática é a mesma. O servidor que foi atingido será
aproveitado em outro cargo, de atribuições e vencimentos compatíveis com a
anterior. Se não houver cargo vago que preencha estes requisitos o servidor ficará
em disponibilidade até seu aproveitamento.
Por fim, é necessário frisarmos que o aproveitamento é obrigatório para o servidor. A
Administração, em havendo cargo vago, ou em surgindo posteriormente um cargo
vago, deve dar ao servidor um prazo para ele passar a desempenhá-lo. Se o servidor
não retorna à ativa neste prazo, seu aproveitamento é tornado sem efeito e sua
disponibilidade é cassada, salvo doença comprovada por junta médica oficial (Lei
8.112/90, art. 32), e a cassação da disponibilidade é penalidade equiparada à
demissão. Ou seja, o servidor, se não atender ao prazo conferido da Administração,
perderá seu cargo, tendo tal medida caráter punitivo.
Trataremos da reversão e da readaptação nos comentários da próxima questão.

Síntese do comentário:
1) provimento é o ato pelo qual um cargo público é preenchido, com a designação de
seu titular. Há duas modalidades de provimento, o originário, que não pressupõe
vínculo anterior com a Administração (atualmente apenas a nomeação se enquadra
nesta modalidade de provimento); e o derivado, que pressupõe vínculo anterior (são
formas de provimento derivado previstas no Estatuto: aproveitamento, promoção,
readaptação, reintegração, recondução e reversão);
2) recondução e forma de provimento pela qual o servidor, se estável, tem direito a
retornar ao cargo anteriormente ocupado pelo fato de (1) haver sido reprovado em
estágio probatório referente a outro cargo, ou (2) ter havido a reintegração do
anterior ocupante no cargo em que ele se encontra;

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3) já o aproveitamento (que é forma de provimento) e a disponibilidade são
institutos aplicáveis nas mesmas hipóteses: (1) cargo ocupado, nas mesmas
hipóteses de recondução e (2) extinção ou declaração de desnecessidade do cargo;
Se o servidor não pode ser reconduzido ao seu cargo anterior, pelo fato de ele estar
ocupado, é tentado seu aproveitamento em cargo de atribuições e vencimentos
compatíveis. Se não houver vago que preencha essas condições, o servidor fica em
disponibilidade, aguardando o surgimento de vaga. No caso de extinção ou
declaração de desnecessidade a lógica é a mesma: é tentado primeiramente o
aproveitamento do servidor, não sendo isto possível, é ele posto em disponibilidade;
4) uma vez tendo a Administração determinado o aproveitamento, é este de
acatamento obrigatório para o servidor. Se ele não voltar à ativa no prazo conferido
pela Administração, seu aproveitamento é tornado sem efeito e sua disponibilidade é
cassada, sendo que esta medida, a cassação da disponibilidade, é uma punição
equivalente à demissão: o servidor é punido com a perda do cargo.

Questão 03
(Oficial de Chancelaria – MRE/2002) – De acordo com o conceituado na Lei nº
8.112/90, que dispõe sobre o regime jurídico único dos servidores públicos civis da
União, a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, quando
invalidada a sua demissão, chama-se de
a) readmissão
b) recondução
c) readaptação
d) reversão
e) reintegração

Gabarito: E.

Comentários:
A resposta correta ao enunciado encontra-se na última alternativa: reintegração.
A Reintegração vem prevista no art. 41, § 2º, da CF e no art. 28 da Lei 8.112/90,
e, com base nesses dispositivos, pode ser definida como a reinvestidura do
servidor estável que fora demitido ao cargo anteriormente ocupado ou naquele
resultante de sua transformação, em virtude da anulação de sua demissão por
decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.
Deste modo, o servidor, desde que tenha já adquirido a estabilidade, uma vez que
tenha sido anulada sua demissão, em processo administrativo ou judicial, tem direito
a retornar ao cargo que antes ocupava e, ainda, a ser indenizado por todas as
vantagens que deixou de receber durante o período de afastamento ilegal. Todo e
qualquer valor que o servidor deveria ter recebido se não fora sua demissão ilegal
deve ser-lhe ressarcido, a exemplo das remunerações que deixou de receber no
período, devidamente atualizadas.
Neste retorno do servidor ao seu cargo ou naquele resultante de sua transformação,
pode o mesmo estar vago, ter sido extinto ou estar provido. No caso de vacância,

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o servidor simplesmente retorna ao exercício regular de suas funções; no caso de
extinção do cargo o servidor fica em disponibilidade remunerada; no caso de o
cargo estar provido, ocupado por outro servidor, o servidor reintegrado também tem
direito de a ele retornar, e o seu anterior ocupante, se for estável, será
reconduzido ao seu cargo de origem, sem qualquer indenização, aproveitado em
outro ou posto em disponibilidade (se não for estável será simplesmente exonerado).
Esta é a disciplina do art. 28 do Estatuto.
Vamos aproveitar a questão para falarmos de outras duas outras formas de
provimento nela mencionadas: a readaptação e a reversão.
A readaptação vem prevista no art. 24 da Lei 8.112/90. Consiste ela na forma de
provimento mediante a qual o servidor, em virtude de limitação física ou mental
que tenha sofrido, é investido em cargo diverso do até então ocupado, desde que o
cargo tenha atribuições semelhantes e haja equivalência de vencimentos entre um e
outro, observada, sempre a habilitação e o nível de escolaridade exigidos (se o cargo
anterior exigia diploma de segundo grau, o servidor só poderá ser readaptado em
cargo que exija o mesmo nível de escolaridade)
A readaptação ocorre, portanto, quando o servidor tem diminuída sua capacidade
física ou mental, em virtude de algum acidente ou doença que contraiu. Esta
limitação lhe impede de continuar exercendo as atribuições de seu cargo, mas, como
é relativa (se for absoluta o servidor deve ser aposentado por invalidez), não
impede que ele passe a exercer as atribuições de outro, respeitados os requisitos
legais.
Seria o caso, por exemplo, de um servidor que ocupa o cargo de auxiliar
administrativo, que tem como função principal efetuar trabalhos de digitação, e sofre
um derrame, ficando com sua coordenação motora prejudicada. Não terá como
continuar exercendo adequadamente as funções do cargo de auxiliar administrativo,
mas poderá ser readaptado no cargo de técnico administrativo, desde que as
atribuições sejam semelhantes (digamos que ambos os cargos tenham, em termos
genéricos, a função de apoio administrativo), o valor dos vencimentos seja o mesmo
(digamos que os vencimentos em ambos os cargos seja de R$ 2.000,00) e que a
habilitação ou o nível de escolaridade necessário seja idêntico (digamos que os dois
cargos exijam diploma de nível médio).
Preenchidas todas as condições, o servidor é readaptado no novo cargo. Pode ser
que, à época da readaptação, não exista cargo vago de técnico administrativo. Neste
caso o servidor atuará como excedente, ou seja, desempenhará as funções do
cargo, embora não tenha sido ainda nele investido, em virtude da inexistência de
vaga. Permanecerá nesta situação até que surja uma vaga em aberto, quando então
será o servidor a preencherá, investindo-se no cargo.
Vista a readaptação, passemos à reversão, instituto previsto nos art. 25 a 27 da Lei
8.112/90.
A reversão é o retorno à ativa do servidor aposentado, no mesmo cargo ou naquele
resultante de sua transformação (por exemplo, o cargo de Técnico do Tesouro
Nacional, que foi transformado no cargo de Técnico da Receita Federal). O instituto
tem como limite a idade de 70 anos, quando incide a aposentadoria compulsória.
Temos duas modalidades de reversão, a reversão de ofício e a reversão a pedido,
esta acrescido à Lei 8.112/90 pela MP 2.225-45/2001 (ainda em vigor).
A reversão de ofício é o retorno à ativa do servidor que havia sido aposentado por
invalidez, quando os motivos que justificaram a aposentadoria não existem mais,
conforme parecer de junta médica oficial. Isto ocorre quando o servidor, ao tempo

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da aposentadoria e em função disto, era portador de uma das moléstias graves que
autorizam a concessão da aposentadoria por invalidez. Após o deferimento do
benefício, o servidor, para continuar a receber os proventos, tem que se submeter
periodicamente a inspeção por junta médica oficial. Pode ser que, em uma destas
oportunidades, a junta constate que os motivos para a manutenção da aposentadoria
não mais subsistem (a doença regrediu, ou naturalmente ou em virtude de
tratamento), devendo o servidor voltar à ativa.
Uma vez exarado o parecer da junta médica, reconhecendo a insubsistência dos
motivos, a Administração atua vinculadamente, determinando o retorno do
servidor. Pode ser que o cargo anteriormente ocupado encontre-se provido, caso em
que, da mesma forma que o readaptado, o revertido exercerá suas funções como
excedente, até a ocorrência de vaga. Na reversão de ofício e na readaptação,
portanto, não cabe se falar em disponibilidade, pois, não havendo cargo vago, o
servidor desempenha as funções do cargo como excedente, até o surgimento de
vaga.
A reversão a pedido também consiste no retorno à ativa do servidor aposentado.
Só que neste caso, o retorno se dá a pedido do próprio servidor, e a Administração
decide acerca dele com discricionariedade.
São requisitos para esta modalidade de reversão:
1) o pedido de retorno formulado pelo servidor;
2) que sua aposentadoria tenha sido voluntária (se foi por invalidez, é caso de
reversão de ofício; se foi a compulsória, é vedado o retorno), e tenha ocorrido nos
05 anos anteriores ao pedido;
3) que o servidor seja estável; e
4) que exista cargo vago (não há que se falar aqui, portanto, em exercício de
atribuições como excedente, pois a inexistência de cargo vago obsta a reversão a
pedido).
O servidor, se tiver deferida sua solicitação, retorna ao seu cargo anterior, passando
a receber sua antiga remuneração, inclusive vantagens pessoais que eventualmente
percebia na ativa e que não estava recebendo como aposentado. Ademais, conta
este tempo de retorno para nova aposentadoria, mas, isso é importante, desde que
permaneça pelo menos 05 anos na ativa após a reversão.
Pode parecer estranho que alguém peça para retornar ao serviço público, mas a
reversão a pedido foi criada com o fito de possibilitar o retorno dos servidores
federais que afobadamente se aposentaram com proventos proporcionais em 1998,
por temor de que a EC 19/98 lhes trouxesse grandes prejuízos. Todavia, em face das
novas regras da EC 41/2003, e pelo fato de que o tempo após o retorno só é
computado para nova aposentadoria se for superior a 05 anos, sejam menores as
hipóteses em que o servidor pode, atualmente, ter algum benefício com a reversão a
pedido.

Síntese do Comentário:
1) a reintegração, forma de provimento de cargo público, é o retorno servidor
estável que fora demitido ao cargo anteriormente ocupado ou naquele resultante de
sua transformação, em virtude da anulação de sua demissão por decisão
administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens. Se o cargo
tiver sido extinto o servidor permanece em disponibilidade, até o surgimento de
vaga; se estiver provido o reintegrado tem direito, ainda assim, de novamente

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ocupá-lo, e seu atual ocupante, se estável, será reconduzido ao seu cargo de origem,
sem qualquer indenização, aproveitado em outro ou posto em disponibilidade;
2) readaptação é a forma de provimento pela qual o servidor, em virtude de redução
que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, é investido em outro cargo,
cujas funções sejam compatíveis com a limitação ocorrida. Só se admite a
readaptação se o novo cargo tiver atribuições semelhantes às do anterior, forem
equivalentes os vencimentos e for respeitada a habilitação ou o nível de escolaridade
exigido;
3) A reversão é o retorno à ativa do servidor aposentado, no mesmo cargo ou
naquele resultante de sua transformação. Há duas modalidades de reversão, a
reversão de ofício e a reversão a pedido;
4) A reversão de ofício é o retorno à ativa do servidor aposentado por invalidez,
quando não mais existirem os motivos que justificaram a concessão da
aposentadoria, conforme parecer de junta médica oficial. Se não houver cargo vago
o servidor exerce as funções do cargo como excedente;
5) A reversão a pedido, consiste, como o próprio nome indica, no retorno à ativa do
servidor por sua própria vontade. Enquanto na reversão de ofício a Administração
atua vinculamente, na reversão a pedido a Administração decide com
discricionariedade;
6) São requisitos para reversão a pedido: 1) o pedido do servidor; 2) que a
aposentadoria tenha sido voluntária; 3) que o servidor seja estável; e 4) que exista
cargo vago. O servidor que tem seu retorno autorizado passa a receber novamente
sua remuneração, inclusive vantagens pessoais que eventualmente não estava
recebendo como aposentado. Além disso, seu tempo de retorno vale para nova
aposentadoria (já que o servidor estará novamente contribuindo como ativo), se o
servidor permanecer no cargo por 05 anos após a reversão.

Questão 04
(Auditor-Fiscal do Trabalho - MTE- 2003) - O retorno do servidor estável ao cargo
anteriormente ocupado, decorrente de inabilitação em estágio probatório relativo a
outro cargo, denomina-se:
a) reversão
b) recondução
c) reintegração
d) readaptação
e) aproveitamento

Gabarito: B.

Comentários:

Com base nos comentários à segunda questão, podemos concluir que o instituto que
se amolda à descrição do enunciado é a recondução.

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Questão 05
(Técnico da Receita Federal/2003) - A forma de prover cargo público da União,
prevista na Lei nº 8.112/90, originariamente, mas que se considera inconstitucional,
pela preterição de concurso público, é a
a) promoção
b) recondução
c) reversão
d) reintegração
e) redistribuição

Gabarito: E.

Comentários:

Não há nenhuma possibilidade de se entender o que pensou a ESAF nesta questão. A


promoção, a recondução, a reversão e a reintegração são formas de provimento
previstas no art. 8º da Lei 8.112/90, e nenhuma delas padece de qualquer vício de
constitucionalidade.
Já a redistribuição, considerada pela ESAF como modalidade inconstitucional de
provimento, simplesmente não é forma de provimento.
O instituto é previsto no art. 37 do Estatuto, nos seguintes termos:
“Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento
efetivo, ocupado ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para
outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação do
órgão central do SIPEC, observados os seguintes preceitos:
I – interesse da Administração;
II – equivalência de vencimentos;
III – manutenção da essência das atribuições do cargo;
IV – vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das
atividades;
V – mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação
profissional;
VI – compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades
institucionais do órgão ou entidade.
(...)”.
Vejam bem: provimento é o ato pelo qual é preenchido determinado cargo
público, com a designação de seu titular. O que é a redistribuição? É o
deslocamento de um cargo. Ora, o cargo está sendo deslocado, de um órgão ou
entidade de um Poder para outro órgão ou entidade do mesmo Poder. Não há
preenchimento de cargo (provimento), mas deslocamento.

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Por exemplo, se João das Graças é nomeado para um cargo de técnico
administrativo do Ministério da Fazenda, estamos perante uma hipótese de
provimento. O cargo em questão está sendo preenchido por uma pessoa, João.
Agora, se o cargo de técnico administrativo está sendo deslocado (redistribuído) do
Ministério da Fazenda para o Ministério da Justiça, ele não estará sendo preenchido,
não estará sendo designado seu titular. Logo, não estamos perante uma hipótese de
provimento, e, deste modo, não há como se entender o que a ESAF entendeu neste
entendimento.
A única chance que tinha o candidato para alcançar a resposta tida por correta era
perceber que as demais alternativas da questão trazem formas de provimento
constitucionais. Mas, mesmo assim, o candidato ficaria na dúvida, se soubesse que a
redistribuição não é forma de provimento. É uma questão sem solução.
Bola pra frente.

Síntese do comentário:
1) transcrição parcial do caput do art. 37 da Lei 8.112/90: Redistribuição é o
deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do
quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder;
2) redistribuição não é forma de provimento, mas a ESAF, nesta questão, não só
entendeu que ela é forma de provimento, como uma forma de provimento
inconstitucional (e esta é uma questão do TRF/2003).

Questão 06
(Técnico MPU/2004 – Área Administrativa) - A respeito da remoção do servidor
público, pode se dizer que
a) condiciona à comprovação por junta médica oficial, quando requerida por motivo
de saúde.
b) independe do interesse da Administração, quando para o quadro de outro Poder.
c) não implica deslocamento do servidor.
d) é direito exclusivo do servidor estável.
e) somente ocorre a pedido.

Gabarito: A.

Comentários:

Antes de tudo, cabe enfatizar que remoção não é forma de provimento, mas
instituto por meio do qual se dá o deslocamento do servidor, estável ou não, para
outra unidade do mesmo quadro de pessoal, com ou sem mudança da
localidade de exercício. Seria o caso, por exemplo, de um TRF sediado na
Delegacia da Receita Federal em Recife ser deslocado em caráter permanente para a
Delegacia da Receita Federal em Fortaleza.

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O instituto é disciplinado no art. 36 do Estatuto.
Segundo este dispositivo, há três modalidades de remoção:
1) de ofício, no interesse da Administração: aqui se trata de ato impositivo da
Administração, que desloca o servidor por necessidade de serviço. O servidor, se
regular a remoção, é obrigado a se deslocar;
2) a pedido, a critério da Administração: esta expressão a critério da
Administração indica que o servidor, interessado no deslocamento, faz o pedido para
a Administração, mas esta tem discricionariedade para decidir se autoriza ou não
a remoção. Esta modalidade de remoção, bem como a primeira, não implica
necessariamente mudança de sede, de localidade (ou seja, poderá o servidor ser
deslocado dentro do mesmo Município). Enquadram-se nesta modalidade tanto a
remoção de um TRF lotado na Delegacia da Receita Federal em Recife para a
Delegacia da Receita Federal de Fortaleza, como a remoção deste servidor para a
Inspetoria da Receita Federal em Recife (outra unidade do órgão no mesmo
Município);
3) a pedido, para outra localidade, independentemente de interesse da
Administração: as peculiaridades desta modalidade é que ela implica
necessariamente alteração de domicílio e, uma vez, solicitada pelo servidor, a
Administração atua vinculadamente, não podendo negar a remoção se preenchidos
seus pressupostos legais. Em três hipóteses o servidor faz jus a esta remoção:
- para acompanhar cônjuge ou companheiro, servidor público ou militar, de qualquer
Poder da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi removido
de ofício;
- por motivo de saúde do próprio servidor, seu cônjuge, companheiro ou dependente
econômico que conste de seu assentamento funcional, desde que comprovada a
existência do motivo por junta médica oficial;
- em função de processo seletivo promovido pelo órgão ou entidade, quando o
número de interessados em se remover para certa localidade é superior ao número
de vagas nela existente (é o concurso interno de remoção).
Por último, não podemos confundir este instituo com a transferência. A
transferência era forma de provimento, prevista originalmente no RJU, pela qual se
permitia ao servidor ocupar cargo de igual denominação ao seu, mas em quadro de
pessoal diverso (ao passo que a remoção se dá sempre no mesmo quadro de
pessoal). O STF declarou inconstitucional esta forma de provimento. Em virtude
disso, a Lei 9.527/97 revogou a transferência do RJU.
Apresentada a matéria, tratemos das alternativas da questão:
a) condiciona à comprovação por junta médica oficial, quando requerida por motivo
de saúde: é a alternativa correta, pelo que foi apresentado;
b) independe do interesse da Administração, quando para o quadro de outro Poder:
a remoção sempre se dá dentro do mesmo quadro de pessoal, logo, não pode ser
feita para outro Poder;
c) não implica deslocamento do servidor: a remoção sempre implica deslocamento
do servidor (de uma unidade do órgão ou entidade para outra). O que pode implicar
ou não, conforme a modalidade de que se trate, é alteração de domicílio (de sede,
nos termos da Lei);
d) é direito exclusivo do servidor estável: nenhuma das modalidades de remoção
tem como pressuposto a estabilidade;

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e) somente ocorre a pedido: a primeira modalidade de remoção é a de ofício, no
interesse do serviço.

Síntese do Comentário:
1) remoção é o instituto mediante o qual ocorre o deslocamento do servidor, estável
ou não, para outra unidade do mesmo quadro de pessoal, com ou sem mudança da
localidade de exercício;
2) existem três modalidades de remoção: (a) de ofício, no interesse da
administração; (b) a pedido, a critério da Administração; (c) a pedido, para outra
localidade, independentemente de interesse da Administração;
3) a terceira modalidade de remoção tem lugar nas seguintes hipóteses: (a) para
acompanhar cônjuge ou companheiro, servidor público ou militar, de qualquer Poder
ou esfera de Governo, que foi removido no interesse do serviço; (b) por motivo de
saúde do servidor, seu cônjuge, companheiro ou dependente econômico que conste
de seu assentamento funcional, mediante parecer de junta médica oficial; (c) em
virtude de processo seletivo realizado pelo órgão ou entidade, quando o número de
interessados no deslocamento para uma dada localidade ultrapassa o número de
vagas nela existentes;
4) a remoção não se confunde com a transferência, modalidade de provimento
prevista originalmente no Estatuto que foi declarada inconstitucional pelo STF.

Questão 07
(Analista MPU/2004 – Área Documentação – Especialidade Biblioteconomia) - Nos
termos da Lei nº 8.112/90, assinale a assertiva correta a respeito da
responsabilidade do servidor.
a) O servidor só responde civil e administrativamente pelo exercício irregular de suas
atribuições.
b) Tratando-se de dano causado à Administração, responderá o servidor perante a
Fazenda Pública em ação regressiva.
c) A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será
executada, até o limite do valor da herança recebida.
d) As sanções civis, penais e administrativas não poderão cumular-se, sendo
independentes entre si.
e) A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição
criminal por falta de provas.

Gabarito: C

Comentários:

Os comentários a seguir explanados têm por base legal os art. 121 a 126 da Lei
8.112/90.

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a) O servidor só responde civil e administrativamente pelo exercício irregular de suas
atribuições (errada).
Pelo exercício irregular de suas funções o servidor público está sujeito à
responsabilização nas esferas penal, civil e administrativa
A responsabilidade penal se configura quando o servidor, nesta qualidade, pratica
um comportamento que caracteriza crime ou contravenção; a civil quando o
servidor, por ação ou omissão, dolosa ou culposa, causa dano, material ou moral, à
Administração ou a terceiros; e a administrativa quando o servidor, também por dolo
ou culpa, ação ou omissão, pratica um comportamento previsto em lei como ilícito
administrativo.
Por exemplo, se um servidor, para praticar um ato enquadrado dentro de suas
atribuições, exige determinada quantia em dinheiro de um particular, e este se
submete à exigência ilegal, o servidor responderá na esfera penal pelo cometimento
do crime de peculato, responderá na esfera civil pelo dano causado ao particular (o
valor que ele indevidamente entregou, por coação do servidor), e estará, ainda,
sujeito a penalidade administrativa de demissão.
Desse modo, a afirmação está errada, pois o servidor público também pode ser
responsabilizado na esfera penal.

b) Tratando-se de dano causado à Administração, responderá o servidor perante a


Fazenda Pública em ação regressiva (errada).
Ao desempenhar inadequadamente suas funções, o servidor pode causar dano a um
particular ou diretamente à Administração. Por exemplo, se um policial em serviço
danifica sem justo motivo um veículo de particular, a responsabilidade é direta
perante este; se ele, por dirigir em excesso de velocidade, colide a viatura policial
contra uma árvore, a responsabilidade é direta perante a Administração.
Quando o prejudicado é um particular, este, regra geral, volta-se contra a Fazenda
Pública, a qual, uma vez tendo indenizado o particular, move uma ação regressiva
contra o servidor, a fim de se ressarcir do valor anteriormente pago (estudaremos a
matéria com mais profundidade quando trabalharmos as questões de
responsabilidade extracontratual do Estado).
A ação regressiva, da Fazenda contra o servidor, só tem lugar, portanto, quando o
servidor causa dano diretamente a um particular (o policial que danifica o veículo
de um administrado). Neste caso a Fazenda Pública, após haver pago a indenização
a ele, regressivamente se volta contra o agente, buscando a recomposição do
patrimônio público.
Quando o ato ilícito do servidor causa dano diretamente à própria Administração
(o policial que danifica a viatura), não há que se falar em ação regressiva, pois a
responsabilidade é, tal como o dano, direta, do servidor perante a Administração
(não há ninguém a ser indenizado pelo poder Publico, para só então ser
responsabilizado o servidor).
Portanto, alternativa errada.

c) A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será


executada, até o limite do valor da herança recebida (certa).

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É previsão expressa de lei. Segundo o parágrafo terceiro do art. 122 do Estatuto, a
obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores do servidor, sedo deles
exigida até o limite do valor recebido na herança.
Este limite é individual. Por exemplo, se um servidor, com um débito de R$
100.000,00 perante a Fazenda, falece e deixa de herança R$ 50.000,00 para cada
um de seus filhos, em número de dois, a Fazenda poderá exigir de cada um deles
somente R$ 50.000,00, o valor do patrimônio transmitido.

d) As sanções civis, penais e administrativas não poderão cumular-se, sendo


independentes entre si (errada).
Mais uma vez, trata-se de matéria expressamente prevista no Estatuto (só que
agora a alternativa está errada). Reza seu art. 125 que as sanções civis, penais e
administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si.
Nada mais lógico. Se há três esferas de responsabilização, uma vez reconhecida em
todas a conduta ilícita do servidor, em cada uma delas lhe será imputada uma
sanção.

e) A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição


criminal por falta de provas (errada).
Em duas hipóteses a decisão na esfera penal vincula as demais: quando na decisão
penal é o servidor declarado (1) culpado ou (2) absolvido por negativa do fato ou de
autoria.
A primeira hipótese de vinculação não é prevista na Lei 8.112/90, e baseia-se no
fato de que a condenação na esfera penal exige certeza jurídica. São oferecidas
diversas oportunidades de defesa ao réu no processo, é obrigatória sua defesa
técnica por advogado, há recursos previstos exclusivamente para a defesa etc. Tudo
isto demonstra que, se for considerado o servidor culpado de certo crime ou
contravenção, tal decisão foi proferida após terem sido propiciadas as mais amplas
oportunidades de ele provar sua inocência. Essa decisão, uma vez transitada em
julgado, vincula as demais instâncias, civil e administrativa, nas quais não se poderá
mais discutir acerca da ocorrência do fato ilícito e de quem é seu autor, mas
somente estabelecer a sanção a ser imputada.
Também vincula as esferas civil e administrativa a decisão penal definitiva que
absolva o servidor pela negativa do fato (o fato pelo qual o servidor é acusado
não ocorreu) ou de sua autoria (o fato ocorreu, mas não foi o servidor o seu autor).
A absolvição penal por qualquer outro motivo não influi as instâncias civil e
administrativa.

Síntese do Comentário:
1) pelo desempenho irregular de suas funções o servidor pode ser responsabilizado
nas instâncias penal, civil e administrativa. A primeira forma de responsabilidade
surge quando o servidor, nesta qualidade, pratica crime ou contravenção; a segunda
quando o servidor, por ação ou omissão, dolosa ou culposa, causa dano material ou
moral à Administração ou a terceiros; e a terceira quando o servidor, por ação ou
omissão, dolosa ou culposa, comete ato que caracteriza ilícito administrativo;
2) o servidor pode causar dano diretamente a um particular, caso em que
responderá perante a Fazenda em ação regressiva; poderá também causar um dano

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diretamente à Administração, caso em que não cabe se falar em responsabilidade
regressiva, mas em responsabilidade direta perante a Fazenda;
3) obrigação de reparar o dano causado pelo servidor estende-se aos seus
sucessores, até o limite do valor da herança recebida;
4) por um mesmo ato o servidor poderá ser punido penal, civil e
administrativamente, ou seja, as sanções civis, penais e administrativas poderão ser
aplicadas cumulativamente, sendo independentes entre si;
5) em duas hipóteses a esfera penal vincula a civil e a administrativa: (1) em caso
de condenação transitada em julgado, e (2) quando a decisão penal definitiva
inocenta o servidor por negativa de fato ou de autoria.

Questão 08
(Auditor-Fiscal do Trabalho - MTE- 2003) - Relativamente à responsabilidade do
servidor público, assinale a afirmativa falsa.
a) A responsabilidade penal abrange exclusivamente os crimes imputados ao
servidor, nessa qualidade.
b) As sanções penais, civis e administrativas poderão cumular-se, sendo
independentes entre si.
c) A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores do servidor, até o limite
do valor da herança recebida.
d) A responsabilidade administrativa não pode subsistir quando houver absolvição
criminal que negue a existência do fato.
e) A responsabilidade civil-administrativa pode resultar de ato comissivo ou
omissivo.

Gabarito: A.

Comentário:

a) A responsabilidade penal abrange exclusivamente os crimes imputados ao


servidor, nessa qualidade (errada).
A alternativa exigia acurada atenção na leitura da Lei 8.112/90. Segundo seu art.
123, “a responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputados ao
servidor, nessa qualidade”. Alternativa errada.
A expressão nessa qualidade significa que o servidor só é responsabilizado
penalmente, enquanto servidor, quando praticar um crime ou contravenção no
exercício de suas funções ou valendo-se das prerrogativas inerentes ao cargo.

b) As sanções penais, civis e administrativas poderão cumular-se, sendo


independentes entre si (certa).
A alternativa é transcrição literal do art. 125 do Estatuto.

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c) A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores do servidor, até o limite
do valor da herança recebida (certa).
Mais uma vez, é matéria expressa na Lei 8.112/90, no art. 122, parágrafo terceiro.

d) A responsabilidade administrativa não pode subsistir quando houver absolvição


criminal que negue a existência do fato (certa).
Se na esfera criminal for taxativamente declarado que o fato não ocorreu
(simplesmente não houve crime ou contravenção), esta decisão vincula as esferas
administrativa e civil, nas quais não poderá mais ser condenado o servidor, réu no
processo penal onde for prolatada a decisão.

e) A responsabilidade civil-administrativa pode resultar de ato comissivo ou omissivo


(certa).
Segundo o art. 124 do Estatuto, “a responsabilidade civil-administrativa resulta de
ato omissivo ou comissivo praticado no desempenho do cargo ou função”. Apesar da
expressão civil-administrativa, o dispositivo em questão está disciplinando a
responsabilidade civil do servidor.
Como reza a norma, ela pode surgir tanto de um ato comissivo, quando o servidor
materialmente pratica um ato danoso (invade propriedade particular, se apossa de
bens de terceiros, colide com o veículo oficial etc); como de um ato omissivo, que
se configura quando o servidor, em certa situação, tinha o dever de agir e não o fez,
e com sua inércia possibilitou a ocorrência de um dano (um policial que vê um
assalto ocorrer à sua frente e nada faz para impedi-lo, um agente que esquece de
guardar um objeto de valor, e este vem a ser furtado etc).

Síntese do Comentário (apenas pontos não comentados):


1) um ato praticado pelo servidor nessa qualidade é um ato que ele praticou na
condição de servidor, ou seja, no exercício de suas funções ou valendo-se de alguma
das prerrogativas de seu cargo;
2) diz-se que um ato é comissivo quando há alguma ação, alguma atividade
(derrubar uma cerca, assinar um documento, preencher um cheque etc); ao
contrário, diz-se que um ato é omissivo quando na verdade nenhum ato foi praticado
quando deveria ter sido (um vigia de um órgão público que presencia um
arrombamento no seu local de trabalho e nada faz para impedi-lo, um fiscal que
permanece passivo perante uma operação de contrabando que se desenrola à sua
frente). O servidor poderá ser responsabilizado civilmente tanto por comissivos como
por atos omissivos.

Questão 09
(Analista de Finanças e Controle - AFC/CGU - 2003/2004) - A destituição de cargo
em comissão é prevista na Lei nº 8.112/90, especificamente, para quando o servidor
a) perde o fator confiança.
b) comete falta grave, no seu cargo efetivo.
c) comete falta grave, mas não detém cargo efetivo.

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d) for demitido do seu cargo efetivo.
e) renuncia ao exercício do seu comissionamento.

Gabarito: C.

Comentários:

A Lei 8.112/90, no inc. V do art. 127, prevê como penalidade autônoma a


destituição de cargo em comissão (que é penalidade de mesma natureza que a
demissão, dispensa por cometimento de falta grave). Cargos em comissão são
aqueles declarados em lei como de livre nomeação e exoneração pela autoridade
competente. Segundo o art. 37, V, da CF, tais cargos só podem ser criados para
funções de direção, chefia e assessoramento, e deverão ser preenchidos por
servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos a serem
estabelecidos em lei.
A partir desses apontamentos, podemos concluir que o ocupante de certo cargo em
comissão poderá ser um servidor titular de cargo efetivo ou não. Os cargos de
Delegado da Receita Federal, por exemplo, são cargos em comissão. Desse modo,
poderão ser preenchidos por alguém sem qualquer vínculo com a SRF, nomeado pela
autoridade competente, ou por um auditor-fiscal da Receita Federal (AFRF),
ocupante de cargo efetivo na SRF.
Pois bem, se o servidor que titularizar o cargo de Delegado da RF não for um AFRF,
quando cometer falta grave será destituído do cargo em comissão e neste caso,
efetivamente, não terá um cargo efetivo. Aqui até pode se aceitar o entendimento da
ESAF na questão.
Ocorre que o Delegado pode ser um AFRF e, neste caso, se cometer falta grave no
cargo em comissão, sem dúvida será também dele destituído, e, neste caso ele é
titular de cargo efetivo. Aqui já não há como aceitar a posição da ESAF.
O que acontece é que, regra geral, um servidor que ocupa um cargo efetivo, ao ser
nomeado para um cargo em comissão, antes de começar a exercê-lo se afasta do
exercício daquele. Assim, se cometer falta grave, será no cargo em comissão. Deve
então, ser destituído deste cargo, mas não demitido do seu cargo efetivo (pois
quando cometeu a falta grave não estava exercendo as funções deste cargo, e sua
nomeação para o cargo em comissão não decorreu do fato de ser dele titular).
O correto, portanto, é considerarmos que a destituição de cargo em comissão,
quando este está preenchido por servidor titular de cargo efetivo, não pressupõe
falta grave cometida no cargo efetivo (primeiro, porque a principio o servidor nem
está exercendo as funções deste cargo; segundo, por que se a falta fosse no cargo
efetivo ele seria demitido deste cargo, e não do cargo em comissão). Não significa,
como deu a entender a ESAF nesta questão, que a penalidade não possa ser aplicada
a quem possui cargo efetivo, significa que simplesmente não tem vinculação com
este cargo.
Deixando de lado a alternativa c, já trabalhada, vamos demonstrar porque as demais
alternativas estão erradas:
a) perde o fator confiança: se o servidor perde a confiança da autoridade é caso de
exoneração (não houve qualquer falta), não de destituição;

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b) comete falta grave, no seu cargo efetivo: se o servidor comete falta grave no
cargo efetivo, na hipótese de acumular o exercício dos dois cargos, o efetivo e o em
comissão, deve ser demitido do seu cargo efetivo, não destituído do cargo em
comissão.
d) for demitido do seu cargo efetivo: mesma situação que a alternativa anterior;
e) renuncia ao exercício do seu comissionamento: aqui é a hipótese em que o
servidor pede exoneração do cargo em comissão.

Síntese do Comentário:
1) para fins de punição administrativa não há vinculação entre faltas cometidas em
cargo em comissão e faltas cometidas em cargo efetivo. O servidor que exerce
cumulativamente os dois tipos de cargos, se cometer falta grave no exercício das
funções do cargo em comissão, deverá ser dele destituído (mas não demitido do
cargo efetivo), se cometer falta grave no desempenho das funções do cargo efetivo,
deve ser dele demitido (mas não será necessariamente destituído do cargo em
comissão). Os dois provimentos são autônomos, originários, de modo que
autônomas serão as punições;
2) se o servidor é titular apenas de cargo em comissão, logicamente, no caso de
cometimento de falta grave, só cabe se falar em destituição do cargo em comissão.

Questão 10
(Técnico Judiciário - TRT - 7ª Região – 2003) - A penalidade de suspensão, prevista
na Lei nº 8.112/90, pode ser aplicada ao servidor público federal, no caso de
a) improbidade administrativa
b) inassiduidade habitual
c) reincidência de falta punível com advertência
d) prática de usura
e) insubordinação grave em serviço

Gabarito: C.

Comentários:

A questão, em si, é simples. Segundo o 130, caput, da Lei 8.112/90, ao servidor que
reincidir em falta punível com advertência deverá ser aplicada a pena de
suspensão, por até 90 dias. A disciplina da lei é clara. Se o servidor praticar um ato
que caracterize falta punível com advertência (por exemplo, opor resistência
injustificada ao andamento de um processo administrativo), e após isto praticar ato
diverso, que caracterize outra falta punível com advertência (por exemplo, recusar fé
a documentos públicos), deverá ser punido com duas advertências, e não com
uma advertência e uma suspensão. A reincidência que dá ensejo á aplicação da pena
de suspensão é a reincidência específica, a qual se configura quando o servidor
praticar uma falta punível com advertência (por exemplo, ausentar-se do serviço

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durante o expediente sem anuência de seu chefe imediato) e, posteriormente,
incorrer na mesma falha (sair para um novo passeio no horário de trabalho sem
novamente avisar seu chefe imediato).
Aproveitaremos a deixa da questão para apresentarmos um quadro das penalidades
previstas na Lei 8.112/90 para o servidor federal e das hipóteses em que cada uma
delas deve ser aplicada.
Segundo o art. 130 do Estatuto, são penalidades disciplinares:
1) advertência;
2) suspensão;
3) demissão;
4) cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
5) destituição de cargo em comissão;
6) destituição de função de confiança.
A advertência será aplicada quando o servidor (art. 117, I a VIII e XIX, art. 129):
- ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia anuência do chefe
imediato;
- retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou
objeto da repartição;
- recusar fé a documentos públicos;
- opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução
de serviço;
- promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
- cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o
desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
- coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou
sindical, ou a partido político;
- manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge,
companheiro ou parente até o segundo grau civil;
- recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado;
- inobservar dever funcional previsto em lei, regulamento ou norma interna que não
justifique a imposição de penalidade mais grave.
A suspensão será aplicada quando o servidor (art. 117, XVII e XVIII):
- cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em
situações de emergência e transitórias;
- exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou
função e com o horário de trabalho;
- reincidir em faltas punidas anteriormente com advertência.
A demissão, a cassação de aposentadoria ou disponibilidade, a destituição
de cargo em comissão e a destituição de função de confiança serão aplicadas
quando o servidor (art. 117, IX a XVI):
- valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da
dignidade da função púbica;

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- participar de gerência ou administração de empresa privada, sociedade civil, salvo
a participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas públicas ou
entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital
social, sendo-lhe vedado exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista,
cotista ou comanditário;
- atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo
quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o
segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
- receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão
de suas atribuições;
- aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
- praticar usura sob qualquer de suas formas;
- proceder de forma desidiosa;
- utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades
particulares.
A demissão, a cassação de aposentadoria ou disponibilidade, a destituição
de cargo em comissão e a destituição de função de confiança também serão
aplicadas nos seguintes casos:
- crime contra a administração pública;
- abandono de cargo;
- inassiduidade habitual;
- improbidade administrativa;
- incontinência pública ou escandalosa, na repartição;
- insubordinação grave em serviço;
- ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa
própria ou de outrem;
- aplicação irregular de dinheiros públicos;
- revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
- lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
- corrupção;
- acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas.
Com base neste elenco, podemos concluir que não existe a multa como
penalidade disciplinar autônoma na Lei 8.112/90. A teor do art. 130, em seu
parágrafo segundo, o que poderá ocorrer, por decisão discricionária da
Administração, será a conversão da penalidade de suspensão em multa, à razão de
50% por dia de vencimento ou remuneração do servidor, o qual fica obrigado,
com este medida, a cumprir normalmente sua jornada de trabalho.
Por exemplo, uma suspensão de 30 dias poderá ser convertida em uma multa de
50% da remuneração ou do vencimento do servidor durante este período. O que é
importante notarmos é que se a multa resulta da conversão da penalidade de
suspensão, como dispõe a lei, é porque a pena imposta é a de suspensão, a qual,
posteriormente, pode ser convertida em multa por decisão discricionária da
Administração.

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Por fim, o caput do art. 135 traz também uma regra importante. Segundo a norma,
a penalidade de destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de
cargo efetivo será aplicada nas hipóteses de infração sujeitas à penalidade de
suspensão e demissão. Temos que diferenciar, portanto: o servidor que, além de
exercer cargo em comissão, também é titular de cargo efetivo, está sujeito a
penalidades disciplinares nos termos acima expostos (poderá ser suspenso de seu
cargo em comissão, bem como do efetivo, nas três hipóteses que transcrevemos
acima).
Já o ocupante de cargo em comissão que não é detentor de cargo efetivo está sujeito
à pena de destituição do cargo em comissão nas hipóteses de demissão e suspensão
acima listadas. Portanto, além de serem maiores as hipóteses em que este servidor
poderá ser destituído de seu cargo em comissão (três a mais do que aquele que
também é titular de cargo efetivo), este servidor jamais poderá ser apenado com
suspensão (quando praticar ato punível com suspensão, nos termos do art. 130,
deverá ser destituído de seu cargo em comissão).

Síntese do Comentário:
1) consoante o art. 130 da Lei 8.112/90, são penalidades disciplinares que podem
ser impostas ao servidor público federal: advertência; suspensão; demissão;
cassação de aposentadoria ou disponibilidade; destituição de cargo em comissão;
destituição de função de confiança.
2) a advertência será imposta quando o servidor :
- ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia anuência do chefe
imediato;
- retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou
objeto da repartição;
- recusar fé a documentos públicos;
- opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução
de serviço;
- promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
- cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o
desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
- coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou
sindical, ou a partido político;
- manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge,
companheiro ou parente até o segundo grau civil;
- recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado;
- inobservar dever funcional previsto em lei, regulamento ou norma interna que não
justifique a imposição de penalidade mais grave.
3) a suspensão será imposta quando o servidor:
- cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em
situações de emergência e transitórias;
- exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou
função e com o horário de trabalho;
- reincidir em faltas punidas anteriormente com advertência.

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4) a demissão, a cassação de aposentadoria ou disponibilidade, a destituição
de cargo em comissão e a destituição de função de confiança serão impostas
quando o servidor:
- valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da
dignidade da função púbica;
- participar de gerência ou administração de empresa privada, sociedade civil, salvo
a participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas públicas ou
entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital
social, sendo-lhe vedado exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista,
cotista ou comanditário;
- atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo
quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o
segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
- receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão
de suas atribuições;
- aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
- praticar usura sob qualquer de suas formas;
- proceder de forma desidiosa;
- utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades
particulares.
5) a demissão, a cassação de aposentadoria ou disponibilidade, a destituição
de cargo em comissão e a destituição de função de confiança também serão
aplicadas nos seguintes casos:
- crime contra a administração pública;
- abandono de cargo;
- inassiduidade habitual;
- improbidade administrativa;
- incontinência pública ou escandalosa, na repartição;
- insubordinação grave em serviço;
- ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa
própria ou de outrem;
- aplicação irregular de dinheiros públicos;
- revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
- lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
- corrupção;
- acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas.
6) o servidor ocupante de cargo em comissão que não for titular de cargo efetivo
será destituído de seu cargo em comissão quando praticar ato que caracterize,
segundo as regras acima, falta sujeita a demissão e suspensão;
7) não existe multa como penalidade autônoma na Lei 8.112/90. O que pode
ocorrer, quando conveniente para o serviço, é a conversão da penalidade de
suspensão em multa, à razão de 50% da remuneração ou do vencimento diário do

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servidor, durante o período de aplicação da penalidade, caso em que o servidor fica
obrigado a permanecer em serviço e desempenhar regularmente suas atribuições;
8) a reincidência que dá ensejo à pena de suspensão é a reincidência específica, que
ocorre quando o servidor, após praticar uma falta punível com advertência,
posteriormente pratica novamente a mesma falta.

Questão 11
(Procurador da Fazenda Nacional/2002) – O contrato de trabalho por prazo
indeterminado celebrado pela Administração Pública Federal não pode ser rescindido,
unilateralmente, em virtude de:
a) necessidade de redução de pessoal, por excesso de despesa.
b) prática de falta grave, nos termos da CLT.
c) acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções.
d) insuficiência de desempenho, observadas as cautelas legais.
e) extinção de órgão público de lotação do empregado público.

Gabarito: E.

Comentários:

Apesar de o enunciado não ter especificado, a questão refere-se às disposições da


Lei 9.962/2000, que estabelece regras para contratação de pessoal por prazo
indeterminado na Administração direta, autárquica e fundacional federal (e
não em toda a Administração Pública Federal, como consta no enunciado).
Em outros termos, esta lei estabelece algumas normas acerca do regime de
emprego público na Administração direta, autárquica e fundacional da União, tendo
sido editada em virtude da extinção da obrigatoriedade da adoção do regime jurídico
único nesta esfera de Administração, como enfatizamos no primeiro comentário
desta aula.
A lei não exaure o regramento deste regime na esfera federal. Ao contrário, seu
artigo 1° é claro ao estatuir que, ressalvadas as disposições da lei, o restante da
matéria segue as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Enfim, a Lei
9.962 traz algumas normas específicas para o regime de emprego público na União,
suas autarquias e fundações públicas. No mais, este regime segue as normas da
CLT.
A lei, ainda segundo seu art. 1°, aplica-se somente aos empregos permanentes na
Administração direta, autárquica e fundacional da União, estando excluídos de seu
âmbito os cargos em comissão.
Em continuação, o art. 1° autoriza não só a criação de empregos públicos, mediante
lei, como seria lógico, mas também a transformação de cargos em empregos
públicos, desde que aqueles estejam vagos. Assim, se há 100 cargos vagos em
uma autarquia federal, tais cargos, mediante lei, poderão ser transformados em
empregos públicos.

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A disciplina legal deixa claro, portanto, que os cargos, enquanto ocupados por um
servidor, não poderão ser transformados em empregos, a partir do que podemos
concluir com certeza que os atuais servidores estatutários federais, regidos pela Lei
8.112/90, não estão e nem estarão sujeitos à Lei 9.962/2000. Enquanto estiverem
ocupando seus cargos eles não poderão ser transformados em empregos, e,
portanto, tais agentes permanecerão na condição de estatutários, disciplinados pela
Lei 8.112/90.
O art. 2° da lei, a fim de afastar quaisquer dúvidas, condiciona a contratação por
tempo indeterminado à aprovação em concurso público. Mesmo silente a lei a
respeito deste ponto, a exigência de concurso público para a ocupação de empregos
públicos decorre diretamente de previsão constitucional, a saber, o art. 37, II.
O art. 3º é talvez o mais importante dispositivo da lei (e é ele o objeto da questão),
pois regula as hipóteses em que o contrato de trabalho por prazo indeterminado
poderá ser rescindido por ato unilateral da Administração.
Abaixo, segue a transcrição do artigo:
“Art. 3º: O contrato de trabalho por prazo indeterminado somente poderá ser
rescindido por ato unilateral da Administração Pública nas seguintes hipóteses:
I – prática de falta grave, dentre as enumeradas no art. 482 da Consolidação das
Leis do Trabalho – CLT;
II – acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
III – necessidade de redução de quadro de pessoal, por excesso de despesa, nos
termos da lei complementar a que se refere o art. 169 da Constituição Federal;
IV – insuficiência de desempenho, apurada em procedimento no qual se assegurem
pelo menos um recurso hierárquico dotado de efeito suspensivo, que será apreciado
em trinta dias, e o prévio conhecimento dos padrões mínimos exigidos para a
continuidade da relação de emprego, obrigatoriamente estabelecidos de acordo com
as peculiaridades das atividades exercidas.
Parágrafo único. Excluem-se da obrigatoriedade dos procedimentos previstos no
caput as contratações de pessoal decorrentes da autonomia de gestão de que trata o
§ 8° do art. 37 da Constituição Federal.”
Esse dispositivo é sobremaneira interessante. Ele, ao estabelecer as hipóteses de
rescisão do contrato por ato unilateral da Administração, deixa claro que é vedada a
dispensa imotivada do empregado. Ou este cometeu falta grave, nos termos da
CLT, ou está em situação de acumulação ilegal, ou foi reprovado em avaliação de
desempenho ou, por fim, é necessária a redução do quadro em que está lotado por
excesso de despesa com pessoal. Do contrário, o empregado não poderá ter seu
contrato rescindido unilateralmente. A lei, como se nota, criou uma espécie de
estabilidade relativa para o empregado da União, suas autarquias e fundações
públicas, com regras semelhantes (mas não idênticas) à estabilidade dos servidores
públicos.
Só em uma situação excepciona-se esta estabilidade relativa: quando o órgão ou
entidade na qual trabalha o empregado público celebra um contrato de gestão,
caso que poderão ser dispensados seus empregados mesmo que não fique
caracterizada nenhuma das hipóteses do art. 3°.
Apresentada assim a matéria, podemos concluir que, dentre as alternativas da
questão, a única que traz hipótese na qual a lei não admite a dispensa unilateral do
empregado público é a e: no caso de extinção de órgão público de lotação do

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empregado público (a lei só prevê a rescisão unilateral por motivo de redução de
quadro de pessoal).
É uma situação interessante. Como os empregados públicos não têm direito á
disponibilidade, direito exclusivo do servidor estável, não poderão ficar em
inatividade remunerada (não existe esta figura para o empregado). Logo, no caso de
extinção do órgão ou entidade de sua lotação, não vemos outra solução a não ser a
redistribuição do emprego para outro órgão ou entidade da administração direta,
autárquica ou fundacional da União.

Síntese do Comentário:
1) a Lei 9.962/2000 estabelece regras para a contratação de pessoal por prazo
indeterminado na Administração direta, autárquica e fundacional federal, ou seja,
regula o regime de emprego público nesta esfera de administração;
2) a lei, contudo, não disciplina integralmente este regime. Apenas estabelece
algumas regras específicas, sendo o restante da matéria regulado pelas normas da
CLT;
3) a lei aplica-se apenas a empregos permanentes na administração direta,
autárquica e fundacional da União, estando forma de seu âmbito os cargos em
comissão;
4) a lei, no art. 1°, autoriza a transformação de cargos, desde que vagos, em
empregos públicos. Desse modo, os atuais servidores públicos federais, já que estão
ocupando seus cargos, não poderão ter os mesmos transformados em empregos
públicos. Continuarão como estatutários, regidos pela Lei 8.112/90;
5) O art. 2° exige aprovação em concurso para a celebração do contrato de trabalho
por prazo indeterminado;
6) o art. 3º disciplina as hipóteses em que o contrato de trabalho por prazo
indeterminado poderá ser rescindido por ato unilateral da Administração. São elas
(transcrevemos parcialmente o artigo):
– prática de falta grave, dentre as enumeradas no art. 482 da Consolidação das Leis
do Trabalho – CLT;
– acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
– necessidade de redução de quadro de pessoal, por excesso de despesa, nos termos
da lei complementar a que se refere o art. 169 da Constituição Federal (não se aplica
a norma no caso de extinção do órgão ou entidade);
– insuficiência de desempenho, apurada em procedimento no qual se assegurem
pelo menos um recurso hierárquico dotado de efeito suspensivo, que será apreciado
em trinta dias, e o prévio conhecimento dos padrões mínimos exigidos para a
continuidade da relação de emprego, obrigatoriamente estabelecidos de acordo com
as peculiaridades das atividades exercidas;
7) o art. 3º criou como que uma estabilidade relativa para o empregado da União,
suas autarquias e fundações públicas, ao vedar a dispensa imotivada. Só admite a
dispensa fora das hipóteses previstas nos inc. I a IV quando o órgão ou entidade
tenha celebrado contrato de gestão.

Questão 12

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(Procurador BACEN/2001) – Pela nova legislação federal, poderão ser admitidos
servidores regidos pela legislação trabalhista no serviço público, como empregados
públicos.
Assinale, entre as hipóteses abaixo, quando o contrato de trabalho por prazo
indeterminado não pode ser rescindido unilateralmente pela Administração.
a) Se o empregado cometer falta grave, nos termos da CLT.
b) Se ocorrer necessidade de redução do quadro de pessoal, por excesso de
despesa.
c) Por insuficiência de desempenho do empregado, apurada em procedimento que
lhe garanta o contraditório.
d) Em caso de acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas.
e) Por reprovação do empregado no estágio probatório.

Gabarito: E.

Comentários:

Com base nos comentários da questão anterior, nenhuma dificuldade há em se


determinar a alternativa que satisfaz o enunciado, a última.
Na verdade, mesmo sem o conhecimento da Lei 9.962/2000 poderíamos chegar à
alternativa correta. Bastaria que nos lembrássemos que o estágio probatório é um
dos requisitos para a aquisição da estabilidade. Como a estabilidade é direito
exclusivo do servidor público titular de cargo efetivo, o estágio probatório é
instituto inaplicável aos empregados públicos (inclusive, obviamente, os empregados
das sociedades de economia mista e empresas públicas).

Até sexta, pessoal.

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