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A origem da dança do ventre

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Dissertação sobre a origem da dança do ventre

A polêmica que envolve a dança do ventre não está presente somente nos seus movimentos, mas também em sua origem. Afinal quem foram às primeiras mulheres a praticá-la? E por que? Baseada em pesquisas, cheguei a uma teoria que responde estas perguntas.

Nassih Sari 3/29/2011

Dissertação sobre a origem da dança do ventre

A polêmica que envolve a dança do ventre não está presente somente nos seus movimentos, mas também em sua origem. Afinal quem foram às primeiras mulheres a praticá-la? E por que? Baseada em pesquisas, cheguei a uma teoria que responde estas perguntas.

Nassih Sari 3/29/2011

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2011

Dissertação sobre a origem da dança do ventre

Simone Martinelli
A polêmica que envolve a dança do ventre não está presente somente nos seus movimentos, mas também em sua origem. Afinal quem foram às primeiras mulheres a praticá-la? E por quê? Baseado em pesquisas, cheguei a uma teoria que responde estas perguntas.

Conta-se que no Antigo Egito, Cleópatra a Rainha do Nilo, depois de esgotar todas suas artimanhas de conquista, dançou para seduzir Marco Antônio, sendo então a primeira a desvirtuar a dança de seu caráter estritamente religioso. Ator desconhecido - Será?

1- Pré-História
O homem pré-histórico vivia para sobreviver, em sua mente dominava a busca pela comida, abrigo e proteção. Sua rotina apesar de parecer simples, a luta pela sobrevivência era intensa e nem sempre vencedora. Nessa época, as tribos se comunicavam através de sons, desenhos em paredes e gestos corporais, Lucy1 (a primata) quando se movimentava pulava e gritava, esses podem ser os primeiros passos de dança. Foram milhares de anos sobrevivendo da caça e buscando abrigos, teríamos continuado a sobreviver assim, porém a natureza desejou mudança. Com a chegada da era glacial, nossa sobrevivência foi totalmente ameaçava, o homem préhistórico foi forçado a adaptar. É nesse momento, em que o homem não consegue mais caçar que a raça humana começar a usar o cérebro como arma de sobrevivência. Dois fatores contribuíram e muito para a sobrevivência do homem: A postura ereta que deixou as mãos do homem livre e a linguagem que permitiu a troca e a difusão do conhecimento e aprendizado. A era glacial, como veremos no capítulo 4 modificou a vida na terra seus sobreviventes deram início à civilização humana.

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Lucy é um fóssil de 3,2 milhões de anos descoberto em 1974 pelo professor Donald Johanson e pelo estudante Tom

Gray em Hadar, no deserto de Afar (Etiópia) quando uma equipe de arqueólogos fazia escavações. Chama-se Lucy por causa da canção " Lucy in the Sky with Diamonds " da banda britânica 'The Beatles', e por terem definido-a como uma fêmea.
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2-A Deusa é paleolítica
O homem pré-histórico, caçador (coletor nômade) se viu obrigado a desenvolver objetos que garantiriam a sobrevivência. Espalhados pela terra em grupos, ou melhor, em tribos, cada membro tinha uma tarefa, uma obrigação que deveria ser executada diariamente, caso contrário todos correriam risco de extinção. O homem solitário não conseguiria sobreviver, o surgimento de tribos exigiu a comunicação. Sem a troca de palavras, dificilmente o homo Sapiens viveria em comunidade. A vida em comunidade contribuiu para a expansão da consciência gerando no homem a sementinha da reflexão e uns poucos param pensar na nossa existência. Questionando nossa origem, a única resposta que estes poucos homens obtiveram foi à maternidade. A mulher detinha o segredo da vida, sem ter a noção da sua participação na concepção, o homem paleolítico atribuiu à mulher a magia da vida. A observação do ciclo menstrual, sua pausa na gravidez e a relação dos dois com os ciclos da lua, criaram a primeira teoria da origem de deus. Deus era a mulher, ela não só gerava vida a partir do “nada” como também era capaz de alimentá-lo. O culto ao feminino tem seu início, as mulheres se tornam representantes terrenas das Deusas, o homem passa a venerar sua imagem.

A arqueologia registra que no Paleolítico houve uma religião primitiva baseada no culto à mulher, ao feminino, e a associação desta ao poder de dar a vida. Foram descobertas, no abrigo de rochas Cro-Magnon em Les Eyzies, conchas cauris, descritas como "o portal por onde uma criança vem ao mundo"; Eram cobertas por um pigmento de cor vermelho ocre, que simbolizava o sangue, e estavam intimamente ligadas ao ritual de adoração às estatuetas femininas. Escavações atestaram que estas estatuetas eram encontradas muitas vezes numa posição central, em oposição aos símbolos masculinos, localizados em posições periféricas ou ladeando as estatuetas femininas. Wikipédia

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3- Os primeiros rituais
A mulher-deusa já não é mais uma simples mulher, ela, ou melhor, elas passaram de meras “ajudantes” á grandes sacerdotisas, a partir desse momento, nossas necessidades e nossa saúde se tornaram vitais para sociedade. Com a observação e o cuidado antes ignorado, as mulheres começam a desenvolver técnicas que ajudariam no momento mais importante da rotina de uma Deusa, geração de uma nova vida. Ao observar a natureza, as mulheres foram aos poucos descobrindo a movimentação pélvica e sua preciosa ajuda na hora do parto. Começam nesse momento os rituais baseados na movimentação pélvica (milhares e milhares de anos mais tarde, essa

movimentação passa por enormes transformações e é chamada de dança do ventre).
A imagem da Mulher-Deusa é esculpida em pedras e cavernas se tornam santuários, o som da batida do coração, misturada ao som de fortes trovões e o barulho das chuvas, são as bases sonoras dos rituais. A mulher entra em conexão com a natureza.

Figura 3 Goddess of Laussel; 22,000 -18,000 BC Dordogne, França

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4- Antiguidade
A mudança climática contribui para o desaparecimento dos animais de grande porte, modificou a vegetação e fez surgir novos rios, o homem se vê obrigado a passar de caçador a agricultor, nem alternativas saem de suas cavernas rumo a melhores condições para o plantio e é aí que começam a formar as primeiras civilizações. O homem começa a busca por lugares mais habitáveis, afinal a terra já não era um lugar totalmente habitável, a paisagem havia mudado. Essa busca separou os homens em dois grandes grupos: enquanto uma tribo criou ferramentas para a caça e continuou a sobreviver dessa prática, outra desenvolveu ferramentas para agricultura e evolui. 10.000 anos depois com o fim da revolução agrícola e o surgimento da escrita, o homem neolítico e a pré-história “deixam” de existir e as necessidades dos homens mudam de figura. As duas primeiras regiões onde houve assentamento humano, (supõe-se que esse processo pode ter ocorrido há cerca de dez mil anos atrás), foram no oriente médio chamado Crescente Fértil. Esses assentamentos mais tarde se tornaram civilizações urbanas. Os primeiro registros escritos foram encontrados na Sumeriana, ao sul da região da mesopotâmia e a no Egito. Mapa Crescente Fértil - Antiguidade / Mapa Crescente Fértil – Atual

Figura 2 - Referência

Figura 1 – Referência

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Essas duas civilizações não tinham lá muitas escolhas a não ser buscar caminhos para uma produção agrícola, já que sua geografia era basicamente árida, o que salvava eram os rios Nilo no Egito e o Tigre e Eufrates na Mesopotâmia. – “Este país, admito, não é lá bem essas coisas.

Mas há água, há peixes e tâmaras à vontade, e haja visita a experiência do trigo (alguém, que
não se sabe porque inspiração, lançou uma mancheia de cevada ou trigo na areia e para surpresa de todos a semente deu frutos) , se todos nós nos aplicássemos a regular, com grande

terraplenos e barragens o curso dos rios, se cavamos canais para trazer água aos campos, secar os pântanos e adubar o deserto, esta terra poderia torna-se um dia habitável, quem sabe até mesmo rica.” 2
A partir desse período, o homem deixa de ser nômade e passar a viver em comunidade organizada, tendo em seu início um sistema cooperativo dividido em duas classes: Homens e mulheres.

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Techo do livro: Dos Sumérios a babel, Federico A. Arborio Mella – Citação de um autoritário chefe da tribo
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5-

A Religião da antiguidade

A busca por respostas aos acontecimentos do cotidiano que influenciavam e regiam as vidas de nossos ancestrais, como as chuvas intensas que causavam inundações, os ventos fortes que destruíam plantações, o calor que secava rios, o nascer do sol, a presença lua, a morte, levaram o homem e ainda levavam, ao encontro da religiosidade. O homem precisava descobrir o que dominava todas essas coisas para quem sabe conseguir dominá-las também. Obviamente nada de concreto foi decifrado, a única explicação estaria nos céus, ou melhor, além dele. Um homem qualquer, quem sabe depois de um sonho, ou quem sabe depois de observar a grandeza do sol, a força magnífica dos ventos, a luz da lua, as chuvas que surgiam do nada, chegou a conclusão que nada daquilo poderia ter sido feito por um homem e teve um insight:

Quem comanda a terra são os Deuses. Assim nasce a religião, a partir daquele momento, a vida
cotidiana e seus acontecimentos, deixaram de simplesmente acontecer, para tudo existia uma explicação, um Deus, e para que conseguissem viver em paz, era preciso cultuá-los. Os Sumerianos foram os primeiros a acreditar em algo sobrenatural e como não é de se estranhar, os espíritos malignos dominavam sua crença. Para tudo de ruim existia um espírito por de trás, os mais temidos eram os torvelinhos de areia que acometiam os campos e devastavam tudo, depois os das febres e doenças, Pusasu, o “Aferrador” raptava as crianças, fora esses, ainda existiam os espíritos isolados e sem residência fixa, como por exemplo, um afogado, uma mulher que morresse virgem ou de parto, um homem solteiro, ou qualquer mal defunto. É incrível como a mentalidade humana funciona, é muito provável que os primeiros rituais tenham surgido a partir do medo. O medo de espíritos malignos, o medo da ira dos céus, o medo de uma praga destruir plantações, o medo de não chover, o medo de morrer de parto, o medo de cair doente. Todos esses medos geraram rituais e oferendas aos Deuses e como suas vidas dependiam do afastamento de tais medos, ninguém sequer duvidou da necessidade de agradá-los. A partir daí, grandes templos foram construídos, o sacerdote virou a figura mais importante da tribo e o homem abriu diálogo com os Deuses. A religião da mulher-deusa e seus rituais também passam por transformações, o homem entende sua participação na concepção, o poder não é mais só da mulher, o Deus- pai chega à sociedade e trás junto um ramo de outros Deuses, um para cada manifestação da natureza; Deus- sol, Deus-raio, Deusa- lua, Deus- ventos, Deuses- animais, Deusa- estrelas.
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Os Egípcios foram os primeiros a acreditar em algo sobrenatural e relacionar o homem como seu filho-representante. Seus deuses mais famosos são: Rá – Deus Sol Ísis- Deusa da magia e cura Anubis- Deus das almas Bastet – Deusa da fertilidade Nut – Deusa mãe Sekhmet- Deusa da Guerra Set – Deus do caos Geb- Deus da terra Os rituais egípcios baseavam-se em práticas e encantamentos mágicos, canto e recitação de orações, poções especiais e preparação do corpo após a morte. Sacerdote e sacerdotisa eram os tradutores e o canal de comunicação com os deuses. O homem, filho de Deus surgiu nessa época; Os animais e a natureza eram “os deuses”. Muitos garantem que a dança do ventre nasceu nessa época, nos rituais de Ísis, Bastet, Nut. O que vou dizer pode chocar, mas essa é a minha teoria: a dança do ventre não tem raízes no antigo Egito. Explico o porquê, os rituais egípcios dançantes eram baseados na movimentação do tronco e dos pés, em nenhum hieróglifo observamos a movimentação pélvica, raro são os casos em que o ritual é composto por uma dança em que os joelhos estariam flexionados e não existe qualquer indício da dança ritualística egípcia ter movimentos pélvicos.

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O culto as Deusas, Ìsis, Nut, Hathor, Nut era extremamente importante, práticas mágicas, rezas, oferendas, eram realizadas nos templos, a deusa era cultuada, porém não podemos concluir que em seus rituais, a dança com movimentação pélvica fazia parte do contexto, a dança fazia parte e como fazia, mas não como achávamos. Então qual a raiz da dança?

Sumeriana.

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6-Graças aos Sumerianos
Os sumerianos estabeleceram-se ao norte do golfo Pérsico, na embocadura do Tigre e do Eufrates 4000 anos A.C. Acredita-se que pertencessem a uma etnia vizinha da dos egípcios. Suas crenças eram totalmente diferentes das crenças egípcias, enquanto os egípcios acreditavam em Deus-Homem, Deusas da cura, Deus pai, os sumerianos baseavam suas crenças em espíritos malignos. E não era de se estranhar que os espíritos malignos dominavam sua crença, sua visão do mundo não era tão gloriosa quanto à dos egípcios. Para tudo de ruim existia um espírito por de trás, os mais temidos eram os torvelinhos de areia que acometiam os campos e devastavam tudo, depois os das febres e doenças, Pusasu, o “Aferrador” raptava as crianças, fora esses, ainda existiam os espíritos isolados e sem residência fixa, como por exemplo, um afogado, uma mulher que morresse virgem ou de parto, um homem solteiro, ou qualquer mal defunto. É muito provável que os primeiros rituais sumerianos, tenham surgido a partir do medo. O medo de espíritos malignos, o medo da ira dos céus, o medo de uma praga destruir plantações, o medo de não chover, o medo de morrer de parto, o medo de cair doente. Todos esses medos geraram rituais e oferendas aos Deuses, como suas vidas dependiam do afastamento de tais medos, ninguém sequer duvidou da necessidade de agradá-los. A partir daí, grandes templos foram construídos, o sacerdote virou a figura mais importante da tribo, da comunidade e o homem abriu diálogo com os Deuses. Como já citei, a mentalidade do povo sumeriano era diferente da mentalidade dos egípcios, enquanto um criou o calendário com 365 dias, desenvolveu contas matemáticas para calcular as vazantes e colheitas, mapeou o céu, o outro apesar de desenvolver técnicas para armazenar e transportar água, formas de escrita cuneiforme, e fundar grandes cidades, seu foco principal era a “fuga das pragas” enviadas pelos maus espíritos. Podemos dividi-lo, baseado nos estudos místicos indiano, em dois grupos, um, o egípcio podemos relacionar com o sétimo chakra (Sahasrara), o outro, o sumério com o básico (Muladhara).

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Alguns Deuses Sumerianos: Anu – Deus do céu Babbar – deus do sol Quettu- Justiça Mecharu - Direito Enlil – senhor do vento impetuoso Enqui – senhor do território Apsu- deus da ciência Mãe Bau – água primordial Ninaghacuddu – grande esposa da morada das águas Nanche e Nisaba- deusas dos canais, rios e da colheita. Amar Dugga – o bom filho, que serve de intermediário entre seu pai e os míseros mortais. Inanna – tem dois aspectos distintos: matutino e vespertino. Matutino: deusa dos heróis, da guerra; Vespertino: deusa da fecundidade, do amor, do prazer. È no ritual de Inanna que está à chave desse mistério. “A deusa da vida era considerada a Grande Mãe sumeriana e exercia poder sobre o amor, a guerra, a fertilidade e outros inúmeros atributos. Também era considerada a deusa da reprodução, da fecundidade, portadora das leis sagradas, doando-as ao povo. Sempre foi muito reverenciada por sua extrema força, mas talvez sua verdadeira origem esteja relacionada ao crescimento dos grãos e aos ciclos de plantio e colheita. Sua união com Dumuzi fez com que a terra fosse fertilizada. Inanna também é a senhora das prostitutas sagradas. No tempo em que eram cultuadas, as prostitutas sagradas eram suas sacerdotisas, já que havia uma conotação mística e mágica no papel delas. As sacerdotisas de Inanna eram mulheres devidamente preparadas para representar a união do sagrado feminino com o masculino para que a fertilidade da terra continuasse.” Trecho do livro de Claudiney Prieto, Todas as deusas do

mundo.

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Como você pode ver, Inanna era uma deusa extremamente feminina, como deusa da fertilidade, seus cultos e rituais baseavam-se na movimentação pélvica, na sexualidade e no ventre, por tanto chego à conclusão que a dança sagrada ritualística de Inanna era torneada pela movimentação da pélvis. Então resumindo: as raízes, a origem da dança do ventre, está no período paleolítico, e teve seu ápice na antiguidade com o culto a deusa Inanna, cujo nome acádico (assírio-babilônico) é “Ištar”. Pois é minha gente, os egípcios não tiveram nada a ver com a origem da dança do ventre, aí você me pergunta, então por que agora lá é a capital mundial da dança? Como a dança foi parar no domínio dos árabes? Tudo começou com a força energética de um povo conectado com do tal chakra básico, a necessidade de somar matérias, de conquistar terras. As primeiras guerras e consequentemente os primeiros impérios foram os fatores que difundiram o culto a deusa e dança pélvica ritualística. Destaco cinco grandes impérios que participaram ativamente na divulgação e expansão dos rituais da dança pélvica império sumeriano, Assírio, Persa, o império de Alexandre o grande e o Otomano.

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7- Os Impérios e a expansão do culto e ritos a Deusa

Sumeriano - “Entre os sumérios há registro de um rei da idade de Bronze chamado
Sargão da Acádia, cujo reinado teria ocorrido entre 2200 e 2300 A.C. Esse rei teria travado nada menos que 34 batalhas para criar o império sumério, que mais tarde, controlaria a mesopotâmia”. Almanaque das guerras, Sérgio Pereira Couto

Como podemos ver no mapa acima, o vasto império de Sargão teria se estendido de Elam ao mar Mediterrâneo, incluindo toda a Mesopotâmia, partes dos atuais Irã e Síria, e possivelmente partes da Anatólia e da península Arábica.

“As antigas instituições religiosas da Suméria, já bem conhecidas e emuladas pelos semitas, foram respeitadas. O sumério continuou a ser majoritariamente a língua da religião, e Sargão e seus sucessores foram patronos dos cultos sumérios. Enheduana, autora de diversos hinos acadianos, identificada como filha de Sargão, tornou-se sacerdotisa de Nanna, a deusa da lua de Ur. O próprio Sargão se intitulou "sacerdote ungido de Anu" e "grande ensi de Enlil" Ver, e.g., Van der Mieroop, History 67–68.
Para vocês terem a noção do quão Sargão seguia a religião e o culto as deusas, um texto neoassírio do século VII A.C., que alega ser de sua própria autoria, afirma que o grande rei seria o filho ilegítimo de uma sacerdotisa. No relato neo-assírio o nascimento e a infância de Sargão são descritos:

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Minha mãe foi uma alta sacerdotisa, meu pai eu não conheci. Os irmãos de meus pais amavam as montanhas. Minha cidade é Azupiranu, que se situa às margens do Eufrates. Minha mãe, alta sacerdotisa, me concebeu, em segredo me pariu. Colocou-me numa cesta de juncos, e selou-o com betúmen. Colocou-me no rio, que se elevou sobre mim, e me carregou a Akki, o carregador de água. Akki, o carregador de água, me aceitou como seu filho e me criou. Akki, o carregador de água, me nomeou como seu jardineiro. Enquanto eu era um jardineiro, Ishtar me concedeu seu amor, e por quatro e [...] anos eu exerci o reinado. King 1907: 87–96

Pouco tempo após dominar a Suméria, Sargão embarcou numa série de campanhas militares que visavam subjugar todo o Crescente Fértil, porém a fome e as exaustivas guerras ameaçaram o império, com o povo cansado eclodiram diversas revoltas por toda a região durante os últimos anos de seu reinado. A maioria das rebeliões teria sido atribuída a atos de sacrilégios cometidos pelo rei. Apesar da não confirmação da veracidade de tais fatos, podemos afirmá-los, (já que os desastres eram virtualmente sempre atribuídos a sacrilégios), inspirados na ira divina frequentemente mencionada na literatura mesopotâmica antiga. Sargão reinou por 56 anos, de 2270 a 2215 A.C, a cultura de seu povo foi difundida entre as colônias, com isso a dança pélvica ganhou mais adeptas. Sargão morreu, por volta de 2215 A.C, ele foi visto como um modelo para os reis da Mesopotâmia por cerca de dois milênios depois de sua morte; Os reis assírios e babilônios se viam como herdeiros do seu império. Curiosidade- Os sumérios apresentaram uma das mais ricas e variadas tradições artísticas do mundo antigo, a base sobre a qual se desenvolveu a arte dos assírios e babilônios. Grande parte do que conhecemos da arte suméria procede das escavações das cidades de Ur e Erech.

Assírio- A raça dos assírios resulta da mestiçagem entre as tribos de semitas (O termo
semita tem como principal designação o conjunto linguístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais.)

chegadas da Samaria (região da Palestina) e os povos do norte do rio Tigre, por volta de 1000 A.C. O grande Império Assírio vem logo após o enfraquecimento do antigo império da Babilônia. Vindos do Norte, conquistaram toda a região da Mesopotâmia por volta do século XII A.C.

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O Novo Império Assírio, de 1000 A.C. a 600 A.C., representou o auge das suas conquistas. O império ia da ponta do Golfo Pérsico, passando ao redor do Crescente Fértil por Damasco, Fenícia, Palestina, e entrava no Egito até Tebas. Sua fronteira ao norte eram os montes Tauro da atual Turquia. Assim, como na maioria dos estados que se desenvolveram no Crescente Fértil, os reis assírios exerciam um poder autocrático, sendo considerados inclusive intermediários entre os deuses e o povo. A religião seguia as bases dos cultos realizados pelos sumérios. Cada cidade era devota de um deus específico (ao qual se associava a sua criação e proteção), os deuses mais importantes do panteão assírio dependiam do grau de influência de suas cidades na política interna. Assur era o principal deus assírio. Os zigurates (Zigurate é uma forma de templo, construída na forma de pirâmides terraplanadas desenvolvidas pelos sumérios) permaneceram como o centro cultural, religioso e político das cidades assírias. Os Assírios deram continuidade aos rituais e cultos a deusas, as sacerdotisas de Inanna continuam a realizar a dança ritualística pélvicas, a diversidade cultural dos povos conquistados talvez já tenha contribuído com algumas modificações ou alterações nos movimentos da dança. Nesse momento o Egito “entra” na história, seus rituais são misturados, ou melhor, são assimilados aos rituais sumerianos, porém a dança ritualística no Egito ainda não sofre modificações, os egípcios não somam ao seu panteão as deusas sumerianas. Enquanto outros povos identificavam-se com a religião sumeriana, os egípcios permanecem fieis a seus deuses. O império Assírio, apesar de seu forte exército, não resistiram à pressão de um levante em Elam, juntamente com um na Babilônia, dando a oportunidade para os egípcios recuperarem
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sua liberdade. À independência do Egito, seguiram-se de rebeliões na Fenícia, na Babilônia e no Elam.

Curiosidade - As primeiras inscrições de soberanos assírios surgem depois de 2000 a.C.. A
Assíria consistia então de diversas cidades-Estado e pequenos reinos semíticos. A fundação da monarquia assíria é creditada tradicionalmente a Zulilu, que teria vivido depois de Bel-kapkapu (Bel-kapkapi ou Belkabi, c. 1900 a.C.), ancestral de Shalmaneser I.

Pérsia- Em 626 A.C. o controle dos assírios, que parecia que iria durar uma eternidade,
foi derrubado pelas revoltas. Os babilônios começaram a rebelião e logo obtiveram o apoio dos medos e dos citas. Em 612 A.C. Nínive foi capturada e destruída. Apesar de toda essa revolução, os babilônicos, medos e citas não foram páreo para os persas, que logo após a queda do império assírio dominou a região, e começou um novo império. Com Ciro I, os persas conquistaram o Egito e a Ásia menor e em seguida a Trácia e a Macedônia.
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No reinado de Ciro II da Pérsia, mais conhecido como Ciro o Grande foram anexados ao império os territórios que hoje equivalem à Turquia, Israel, e Armênia, a oeste de Cazaquistão, Quirguistão, e para o rio Indo, a leste. Pérsia se tornou o maior império do mundo.

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Os medos foram uma das tribos de origem ariana que migraram da Ásia Central para o planalto Iraniano,

posteriormente conhecida como Média, e, no final do século VII a.C., fundaram um reino centrado na cidade de Ecbátana, que corresponde à atual cidade de Hamadã, situada a 400 km a sudoeste de Teerã, no Irã.
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“Cidade excessivamente grande", como é chamada no Livro de Jonas, jazia na margem oriental do rio Tigres na antiga
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Assíria, através do rio da importante cidade moderna de Mosul, no estado de Ninawa do Iraque. 16

Durante o reinado de Dario, o império persa ganhou e perdeu forças, sendo derrotado pelos gregos. Apesar de Xerxes ter continuado a lutar e defender os persas, seu fim estava próximo. Os persas adotaram o zoroastrismo5 como religião oficial do império, mas foram tolerantes em relação às religiões dos povos que nele viviam assim o culto as deusas não desapareceu.

Importante: Os persas foram os primeiros a desvirtuar a dança de seu caráter estritamente
religioso. Curiosidade - O principal historiador que deixou registros sobre os persas foi ninguém menos

que Heródoto (485-420 A.C) o pai da história. Sérgio Pereira Couto

Alexandre, o Grande – o grande império Grego-Macedônio não teria tido
sucesso sem as ideias e estratégias de guerra de Filipe II, pai de Alexandre. Alexandre e sua genialidade militar conquistaram do Egito até o rio Indo, com sua morte precipitada, seu império foi dividido em três reinos independentes. O crescente poder bélico da cidade fundada por Rômulo e Remo, ameaçava a soberania de Alexandre.

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As doutrinas do zoroastrismo são encontradas em um livro sagrado conhecido como Zend Avesta. Entre outros

pontos, essa obra ensina a negação de qualquer tipo de prática mágica, refutava a adoração de várias divindades e a realização de sacrifícios envolvendo o uso de sangue. Além disso, pregava que cada indivíduo poderia seguir um dos dois caminhos oferecidos por Mazda e Arimã. O compromisso com a verdade e o amor ao próximo garantiriam uma vida eterna no Paraíso. De acordo com os historiadores da religião, algumas das suas concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

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Alexandre conquistou grande parte das civilizações que cultuavam as deusas. Mente aberta, cultuava os deuses e deusas gregas, não impediu, nem tentou converter seus súditos. Nesse período, apesar de alguns povos continuarem os cultos e rituais da deusa, a dança do ventre não ritualística ganhou espaço espalhando-se pelo império. Reza a lenda que Alexandre teria se apaixonado por Roxana, sua primeira esposa, após vê-la dançar. Curiosidade - A cultura do Antigo Egito impressionou Alexandre desde os primeiros dias de sua estadia naquele país. Os grandes vestígios que ele via por toda parte lhe cativaram até o ponto que ele quis "faraonizar-se" como aqueles reis quase míticos. A História da Arte nos tem deixado testemunhos destes feitos e apetências. Em Karnak existe um relevo onde se vê Alexandre fazendo as oferendas ao deus Amon. Alexandre pode ter sido o primeiro imperador a sugerir integração racial entre gregos e persas. O próximo império contribuiu para a divulgação da dança do ventre como vimos hoje, sem a conotação religiosa. Que império foi este?

O Romano.

Na verdade, foi graças a sua queda que o império Otomano pode emergir e perpetuar a dança do ventre não ritualística nas mãos dos árabes. Vou resumir como chegamos a esse momento. Por volta do sec. III, o império Romano passava por uma crise econômica e política, a corrupção dentro do governo e os gastos com o as batalhas, enfraqueceram os cofres romanos. Os militares insatisfeitos, abandonaram seus postos deixando as defesas desprotegidas. Os bárbaros, que há tempos tentavam invadir o norte, obtiveram sucesso. Ao do sul do império, os bizantinos tomaram posse. Com elementos que combinaram influências de diversos cultos ao longo de sua história, os antigos romanos eram politeístas. Desse modo, em sua origem, crenças etruscas, gregas e orientais foram sendo incorporadas aos costumes tradicionais adaptando-os às necessidades da população. Diferente de Alexandre, o império proibia e condenada qual outra religião, os cristãos, por exemplo, foram perseguidos e assassinados em várias províncias do império romano.

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O ritual da Deusa voltou a ser praticando com intensidade, os romanos adaptaram e deram continuidade a dança pélvica sacerdotal. No entanto, durante o reinado de Constantino I, o cristianismo foi implantado em toda Roma, mudando completamente o cenário religioso dessa região. Com a queda do império Romano, chega ao fim à antiguidade e inicia-se a idade das trevas, a idade média. A Europa vira sucursal do inferno, o conhecimento no ocidente fica resguardado nos mosteiros até mais ou menos 800 anos. Durante o império bizantino, as antigas religiões foram brutamente perseguidas e intensamente marginalizadas. A inquisição instalou o medo, a dança pélvica, o culto á deusas eram associados a orgias e a cultos satânicos, milhares de mulheres foram queimadas como bruxas nas fogueiras, a deusa pouco a pouco foi sendo “escondida”. Os povos que faziam parte do império excluíram a dança ritualística e intensificaram a dança profana, a dança comercial.

Figura 3 Figura 4 As quatro bruxas de Albrecht Dürer (1497)

Ano a ano, década a década enquanto o império bizantino (capital Constantinopla – atual Istambul) cai na degradação e a Europa vira terra de ninguém, o islã florescia e os Otomanos ganhavam forças. O império bizantino sobreviveu durante oito séculos até a sua queda em 1453 frente aos árabes.
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Império Otomano - Em 1300, as forças de Otomanas obtiveram sucessivas
vitórias contra os bizantinos. As tropas do Império Otomano conquistaram os centros urbanos de Bursa, Nicéia e Nicomédia. Em sua jornada, empreendeu uma sequencia de vitórias militares que fizeram o Império Otomano próximo dos domínios da Europa Ocidental. Fundado por Osman I (em árabe Uthmān, de onde deriva o nome "otomano"), nos séculos XVI e XVII o império constava entre as principais potências políticas da Europa e vários países europeus temiam os avanços otomanos nos Balcãs. No seu auge, no século XVII, o território otomano compreendia uma área de 5.000.000 km² e estendia-se desde o estreito de Gibraltar, a oeste, até o mar Cáspio e o golfo Pérsico, a leste, e desde a fronteira com as atuais Áustria e Eslovênia, no norte, até os atuais Sudão e Iêmen, no sul.

O Império Otomano foi uma grande potência muçulmana, uma das únicas a desafiar o crescente poderio da Europa Ocidental entre os séculos XV e XIX. Seu declinou começou século XIX e terminou por ser dissolvido após sua derrota na Primeira Guerra Mundial.

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Isso explica e concluiu a trajetória da dança ritualística pélvica e sua transformação para a dança do ventre como vimos atualmente sem nenhum contexto religioso. Mas antes da conclusão, vamos ver como o islã surgiu. No século VII certo condutor de camelos analfabeto recebe a visita de um anjo e tem o vislumbre do poder de Deus. “A história de Ahmed, filho de Abdala e Amina, geralmente conhecido como Maomé (PBUH), dizem ter sofrido de epilepsia, sonhou e ouviu a voz do anjo Gabriel, cujas palavras foram descritas num livro chamado Alcorão. O trabalho de caravaneiro fez com que Maomé viajasse por toda Arábia e se encontrasse constantemente com mercadores judeus e comerciantes cristãos; percebeu assim que a adoração de um único Deus era uma coisa muito boa. Seu povo, o povo árabe, ainda venerava estranhas pedras e pedaços de pau, como seus ancestrais haviam feito milhares de anos antes. Meca, cidade sagrada dos árabes, havia um pequeno edifício quadrado, a Caaba, cheio de ídolos e estranhos objetos de culto e adoração. Maomé (PBUH) decidiu ser o Moisés do povo árabe.” Hendrik Willem, a história da humanidade. Curiosidades - Os árabes resgataram muito da sabedoria e cultura dos antigos povos, o Califa Abu ordenou que seus emissários fossem aos quatros cantos do mundo e trouxessem o maior tesouro da humanidade: Livros.

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8 - A conclusão:
Maomé(PBHU) fechou o ciclo, a dança ritualística chegou ao fim. A grande Deusa sumeriana, as suas associações assírias, a sua primeira queda com o império persa e o zoastrismo, a curiosidade de Alexandre e seu breve retorno, o seu grande retorno no império Romano, sua drástica queda durante o império bizantino e seu fim com o império otomano. Essa trajetória definiu o destino do culto as Deusas e consequentemente o destino da dança ritualística. O grande império Otomano, “eliminou” as deusas e modificou os olhos do homem em relação às mulheres. A dança passou a ser explorada como objeto sexual masculino. Alguns países que componham o império, como o Egito , a Síria, a Turquia e até mesmo a Grécia e Espanha, tomaram posse e usaram a dança como ferramenta política e sinônimo de poder através dos hárens, apesar da origem dos hárens ainda ser obscura, foi durante o império Otomano que os hárens ganharam fama e poder e o mundo conheceu seus mistérios. Pais vendiam filhas, mulheres dançavam para conquistar xeiques, xeiques mediam seu poder pelo tamanho e quantidade de mulheres em seus hárens, mulheres dançavam em tabernas, a origem ritualística da dança é completamente esquecida. Da proibição a dança ritualística nasce à dança do ventre e a exploração do que anos mais tarde chamaremos de arte. Uma ressalva, os países árabes do golfo pérsico (Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar), também receberam influência da dança ritualística, podemos observar várias assimilações de movimentos pélvicos em nas suas danças folclóricas7, porém a dança do ventre não teve a mesma importância e a mesma divulgação quanto nos países colônias otomanas.
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È esse momento da história que inicia o processo do Egito ser hoje a capital da dança. A dança folclórica árabe não tem sua origem na dança ritualística, ela é a representação artística de um povo, dança
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folclórica é uma coisa dança do ventre é outra. Não entendeu? Em outra dissertação explico! 22

Bibliografia
               The myth of the goddess evolution of an image, Anne Baring e Jules Cashford editora Penguim As religiões que o mundo esqueceu, editora Contexto A história da humanidade, Hendrik Willem Van Loon, editora Martins Fontes Dos Sumérios a Babel, Federico A. Arborio Mella, editora Hemus A Bíblia da Humanidade, Michelet, editora Prestígio Caminho das civilizações, José Geraldo V. de Morais, editora Atual O livro de ouro dos Deuses e Deusa, Elizabeth Hallam, editora Ediouro Fogo Persa, Tom Holland, Editora Record Todas as Deusas do Mundo, Claudiney Prieto, editora Gaia Almanaque das Guerras, Sérgio Pereira Couto, editora Ideia&Ação Divindades Femininas, Shahrukh Husain, editora Evergreen Dance e Recrie o Mundo, Lucy Penna, Summus editorial O livro de ouro da História do Mundo, J.M. Roberts, editora Ediouro A Criação, Core Vidal, editora Nova Fronteira Caminho para a iniciação Feminina, Sylvia B. Perera, editora Paulus

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