2008

A Dança do Ventre

Simone Martinelli
Al Jawhara
4/6/2008

Atenção: A apostila foi feita com base em pesquisas específicas para cada assunto,
várias fontes e textos foram adicionados na integra e os nomes de seus autores
divulgados na apostila.

1* Código de Ética
O Código de Ética da Dança do Ventre foi elaborado a partir da iniciativa do Jornal
Oriente Encanto e Magia, objetivando a organização e valorização de todos os
segmentos envolvidos com a Dança do Ventre no Brasil. Este é o fruto de um esforço
conjunto e democrático que, durante 10 meses de trabalho, contou com a
participação de 439 praticantes amadoras e profissionais.
A dança do ventre é uma expressão artística e, como tal, deve ser difundida. Cabe às
profissionais da área zelar pelo seu conceito, mantendo assim os padrões de elegância
que a envolvem e não permitindo sua vulgarização.
Para exercer suas funções com dignidade, as profissionais da área devem receber
remuneração justa pelos serviços artísticos ou didáticos prestados.
É considerada prática antiética a concorrência desleal com outras profissionais da área
(bailarinas ou professoras).
Professoras
A professora tem a função de ensinar e orientar pacientemente, sempre zelando, em
primeiro lugar, pela saúde e bem-estar de suas alunas e respeitando as limitações de
cada uma.
A todas as professoras é dada orientação que seus currículos estejam a disposição das
alunas.
É importante que a professora realize anualmente avaliações opcionais com suas
alunas, as quais terão à disposição informações preciosas para a evolução de seu
aprendizado.
A dedicação ao ensino deve ser direcionada para o conhecimento de suas alunas, e
não como instrumento de vaidade pessoal para a promoção da professora.
A professora deve exercer seu trabalho livre de toda e qualquer discriminação,
motivando e respeitando suas alunas, independentemente de características físicas ou
faixa etária, lembrando que esta é uma atividade que deve ser direcionada visando
bem-estar e equilíbrio físico, mental e emocional. Portanto, não podem ser exigidos
padrões estéticos que diferenciem ou discriminem qualquer uma delas.
Para aptidão ao magistério da dança do ventre considera-se satisfatório um período
mínimo de 4 anos de estudos na área, com aperfeiçoamento em didática e
conhecimentos de anatomia, cinesiologia e biomecânica que possibilitem segurança
na realização de um trabalho corporal consciente. O tempo de estudo pode ser
reconsiderado a partir de cursos realizados anteriormente, como Balé Clássico,
Educação Física ou Faculdade de Dança.
A professora de dança do ventre deve buscar aprimoramento e atualização
constantemente.
A professora deve cumprir a programação e o cronograma de cursos oferecidos ou
divulgados a suas alunas.
Todas as alunas merecem igual atenção de sua professora, a qual não deve jamais
fazer qualquer distinção entre elas.
A professora deve ser especialmente honesta quanto aos seus conhecimentos,
buscando respostas corretas para esclarecimento de suas alunas. Todas as informações
pertinentes ao curso que se dispõe a ministrar devem ser transmitidas com clareza e
honestidade, visando ao efetivo aprendizado de suas alunas.

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Como a dança do ventre tem origens muito remotas e informações de difícil acesso,
esta questão deve ser sempre esclarecida a priori, para se evitar a divulgação de
histórias fictícias que resultem em prejuízo à sua imagem e evolução.
A professora não deve estimular competitividade negativa entre suas alunas ou com
outros grupos.
A professora deve ter respeito e consideração com as demais profissionais da área,
preservando um ambiente de relacionamento sadio que possa acrescentar ao
desenvolvimento de todo o segmento. A sala de aula não deve ser utilizada como
espaço para demonstrar rivalidade pessoal ou denegrir a imagem dos demais
profissionais da área em favor de sua promoção.
É considerada conduta antiética entre professoras
Apresentar coreografias de outras profissionais sem prévia autorização, bem como omitir
o nome da responsável por sua criação.
Coibir a participação de alunas em workshops e cursos que possam acrescentar
elementos ao desenvolvimento e aprendizado.
Apresentar currículos com informações fictícias referentes ao aprendizado e
experiência. Recomenda-se que, em se tratando de cursos e workshops, sempre se
solicite certificado de participação.
Bailarinas
No Brasil, até a presente data, são consideradas bailarinas de dança do ventre todas
aquelas que, possuindo o conhecimento e experiência necessária, prestem serviços
artísticos profissionais (shows) mediante oneração.
Cabe à bailarina profissional cumprir todas as cláusulas acertadas em contrato para
prestação de serviços artísticos junto ao seu contratante.
A bailarina profissional de dança do ventre deve zelar pela imagem moral da categoria
que representa: a) mantendo relacionamento de respeito e elegância junto ao seu
público e contratante; b) trajando-se de forma adequada aos padrões da categoria
durante suas apresentações.
É considerada conduta ética entre bailarinas e profissionais quando assistir à
apresentação de outras bailarinas ou alunas, dedicar o devido respeito e atenção.
Quando estiver realizando apresentação em conjunto, ser solidária e direcionar o
trabalho com espírito de equipe e união.
Ter consciência de que cada profissional possui um estilo próprio que a diferencia e,
assim, saber apreciar e admirar, com a devida humildade, todas as variadas formas de
se expressar a mesma arte.
Respeitar o local de trabalho de outras profissionais.
É considerada conduta antiética entre bailarinas
Estando ciente do fato, atravessar ou interferir em contrato de trabalho de outra
profissional.
Distribuir material de propaganda pessoal durante serviços contratados por outra
bailarina.
Criticar o desempenho ou denegrir a imagem de outra profissional junto ao público,
contratantes ou colegas da área.

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Transformar uma apresentação coletiva em disputa pessoal de vaidade, interferindo na
qualidade do trabalho apresentado.
Recomendações
A forma como uma professora e bailarina se referem à sua(s) mestra(s) é um exemplo
que será depois seguido por suas alunas. Quem não respeita seu mestre, não valoriza a
arte.
Como em qualquer atividade física, recomenda-se realizar avaliação médica antes do
início das atividades artísticas.
As responsáveis pela elaboração do Código de Ética esperam que a união, a
humildade, a seriedade, o respeito e o amor sincero à arte estejam sempre acima de
qualquer diferença pessoal. Que estes laços que nos aproximaram até aqui em favor do
objetivo único de valorizar e organizar nossa arte se fortifique a cada dia, alcançando
todas as praticantes da dança do ventre no Brasil.
Fonte: Jornal Oriente Encanto e Magia, março/abril de 2002.
2*História da cultura e dança árabe

A Cultura OS ÁRABES USOS E COSTUMES

Texto de Ale Ahmed Ghazzaoui

A estabilidade das instituições dos árabes, a resignação deles perante os fatos
consumados ou quanto aos sucessos que não podem impedir, e a fraternidade
existente entre todas as classes formam um contraste surpreendente, comparado com
as revoluções contínuas, a existência agitada e febril e as rivalidades sociais dos povos
de outras raças. Uma grande urbanidade e doçura, uma grande tolerância com os
homens e as coisas, a calma e a dignidade em todas as situações e circunstâncias e
uma notável moderação de necessidades, tais são os traços característicos dos árabes.
Sua conformação moral com a vida tal como ela se apresenta, dotou-os de uma
serenidade muito semelhante a virtude. Toda a conformação mental que produz a
felicidade do homem deve ser estimada mesmo no caso de nem sempre ser favorável
ao progresso da civilização. O estudo da civilização árabe, combinado com as antigas
crônicas, facilmente nos permite representar esta sociedade na época em que florescia
a civilização no início do Islamismo.
A descrição dos árabes nas diferentes terras que conquistaram, demonstrou que as
Qualidades de urbanidade e tolerância que acabamos de mencionar eram igualmente
gerais na época de sua civilização. Descrevemos seus costumes cavalheirescos que
outras civilizações ainda bárbaras os imitou.
HABITAÇÕES – As mais belas residências de estilo árabe encontram-se em todas as
capitais do Mundo Árabe, entra-se sempre nessas casas por um saguão abobadado e
estreito onde estão os criados, e em cujo extremo se desemboca num grande pátio, ou
melhor, num verdadeiro jardim calçado de mármore, em meio ao qual rompe um
esguicho, rodeado de salgueiro, chorões, laranjeiras, limoeiros, romãzeiras e plantas
odoríferas que enchem a casa com o perfume de suas flores e frutos. Em torno do pátio
correm os diversos pavilhões que servem de habitações, e cujo interior é de uma
opulência maravilhosa. Nenhuma descrição nos daria uma ideia fiel daqueles tetos de
virotes salientes e forros trabalhados, onde verdadeiros artistas esculpiram em cedro e
sicômoros os mais surpreendentes arabescos, dos vidros com desenhos caprichados, das
paredes cobertas de esculturas e dos adornos em forma de estalactites que enlaçam
paredes e teto.
A peça principal, que tem a altura de uma casa de dois andares, é geralmente dividida
em três partes, dispostas ao redor de uma superfície lajeada, em cujo centro se ergue

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uma fonte octogonal de mármore esculpido cujo repuxo lança para o ar um fio
contínuo de água fresca e cristalina. O mobiliário compõe-se principalmente de um
grande divã forrado de seda, bordado de prata e ouro, que dá volta a toda a sala e os
restantes móveis reduzem-se a lâmpadas veladas e tamboretes com incrustações de
nácar. Nichos abertos nas paredes, forrados de mármore, com marchetarias, ladrilhos e
azulejos persas, contém porcelanas da China, vasilhas de prata e taças de café em
pequenos braseiros de filigrana, narguilés, per fumadores, etc.
As casas árabes da Argélia e de Marrocos são edificadas sob um plano típico algo
diferente do da Península Arábica, pois sendo o terreno mais limitado tornou-se
necessário frequentemente substituir o jardim pelo pátio, e os diversos corpos do edifício
tiveram de circunscrever-se a um só, construído em torno do pátio.
BAZARES – Uma das partes mais interessantes das cidades árabes é aquela onde se
encontram instalados os bazares. Cada cidade importante inclui uma série de
construções que formam um bairro exclusivamente destinado aos comerciantes, e cujo
conjunto é o que se chama bazar, constando de maior ou menor número de galerias,
onde estão as barracas agrupadas segundo os artigos que nelas se vendem. O bazar
do Oriente é o local de encontro favorito dos transeuntes, e não raro o único ponto da
cidade onde se pode gozar de algum lazer. Sentado gravemente diante da sua tenda
o mercador aguarda com paciência o comprador, sem perseguir jamais o transeunte.
CAFÉS - Os cafés são também muito concorridos. O uso do café entre os árabes data,
relativamente, de tempos remotos. Em troca, a bebida que nele se serve e tão perfeita,
que um dos maiores desgostos do europeu ao voltar do Oriente e Ter de habituar-se de
novo à detestável maceração que com o mesmo nome se toma em seu país. Enquanto
se toma café costuma-se também fumar o delicioso tabaco louro e perfumado que em
árabe chama-se tambac. Introduzido em narguilés de longos tubos, do qual existem
diferentes modelos, embora todos construídos de tal modo que o fumo passa por um
recipiente de água antes de chegar à boca do fumante, com o resultado de tirar-lhe
todos os principais tóxicos.
Para carregar o narguilé molha-se o tabaco, que é em seguida exprimido num pano e
depois colocado no fornilho ou recipiente superior; em cima coloca um pouco de
brasas, que se conserva em combustão chupando levemente pelo outro extremo do
tubo. Além do narguilé também se fuma o cigarro, não sendo o charuto muito popular
por ali.
JOGOS – Os jogos do árabe pouco diferem dos outros povos, pois o árabe está
familiarizado com o xadrez, as damas, o baralho, também se usam muito o tiro ao alvo,
a pelota, a esgrima de sabre. Os nômades exercitam-se no jogo do dardo, que é uma
espécie de torneio a cavalo, e, além disso, em diversas modalidades esportivas. Os
espetáculos constituem um dos passatempos favoritos no Oriente Médio, os árabes são
muito afeiçoados à música ao canto e a declamação de poesias, sendo raro entrar
num café onde logo se não ouçam as notas agudas da flauta e do violino,
acompanhadas do tamborim.

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A Dança do Ventre (a origem popular)

– A origem baseada em estudos ler:

Dissertação.

O nome correto dessa dança é Raks Sharki, que quer dizer dança oriental ou dança do
oriente. Para a América, o nome danças oriental pode significar dança japonesa,
chinesa, tailandesa, etc. Por isso, nos EUA foi chamada de Belly Dance, e no Brasil,
Dança do Ventre.
Essa denominação deve-se aos movimentos, que são predominantes no ventre e quadril
feminino. A dança do ventre é a mais feminina e sensual de todas as danças. A mulher,
através da música árabe, une seus movimentos, sua expressão e sua sedução,
transformando-os, no palco, em sentimentos, que compartilha com seu público.
A origem da Dança do Ventre remonta tempos muito antigos, sobre os quais existe
muito pouca ou nenhuma documentação. Muitas histórias foram criadas na tentativa
de ilustrar o seu surgimento, e por isto é necessário um cuidadoso trabalho de pesquisa e
muito bom senso no momento de identificar se uma informação é falsa ou verdadeira.
Uma das explicações mostra que a Dança do Ventre teria suas origens nos rituais
religiosos do Antigo Egito, onde a dança era praticada como forma de homenagear as
divindades femininas associadas à fertilidade. Mas hoje não existe qualquer ligação da
dança com a religião e a bailarina é considerada uma artista.
A Dança do Ventre teria sido mais tarde incorporada às festas palacianas, e por fim
conquistado também as classes mais inferiores. Outra versão atribui o seu surgimento aos
rituais Sumérios, a mais antiga civilização reconhecida historicamente. Estes habitavam,
junto com os semitas, a Mesopotâmia (região asiática delimitada pelos vales férteis dos
rios Tigre e Eufrates, atual sul da Turquia, Síria e Iraque). Também há indícios históricos da
existência de uma dança com características semelhantes à Dança do Ventre em
países como Grécia, Turquia, Marrocos e norte da África.
Atualmente, no Egito, é comum haver apresentações de Dança do Ventre em
cerimônias de casamento. Por vezes, os noivos desenham as suas mãos no ventre da
dançarina. Isto seria uma referência ao relacionamento da dança aos cultos de
fertilidade.
As mulheres do Mundo Árabe dançam umas para as outras, e para elas mesmas. Elas
formam um grupo, uma por vez, levantam-se e desenvolvem a sua performance, para
suas irmãs e amigas, sem a presença de homens. Celebram assim a espiritualidade e a
força femininas, e transmitem beleza e liberdade por meio da sua expressão particular.
A dança expandiu-se pelo mundo inteiro com a ajuda dos viajantes, mercadores e
povos nômades (como os ciganos e beduínos), juntamente com outras características
da cultura Árabe, tais como a culinária, a literatura e a tapeçaria. Em sua expansão
pelo mundo, ela sofreu ao longo dos tempos diversas influências, acumulando em cada
região diferentes interpretações e significados.
Atualmente, ela ainda se encontra em um contínuo processo de desenvolvimento,
recebendo influências diversas, como por exemplo, da Dança Contemporânea e do
Flamenco. Independente das diversas influências, não é difícil identificar o seu estilo por
meio de determinadas características.
Em cada região, a Dança do Ventre recebeu um nome: no Egito é chamada de Raqs El
Sharq ou Raqs Sharqy, que significa "Dança do Oriente" ou "Dança do Leste"; na Grécia
é chamada de Chiftitelli; na Turquia de Rakkase; na França de Dance du Ventre e no
mundo ocidental é mais conhecida como Belly Dance ou Dança do Ventre. A Dança
do Ventre chegou definitivamente ao ocidente no século XIX, e é considerada uma das

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danças mais antigas da história da civilização. Atualmente existem inúmeras dançarinas
de ótimo nível em praticamente todos os países do mundo, inclusive no Brasil.
Seu poder hipnótico é devido à mágica combinação de elementos religiosos e
profunda sensualidade. Seus movimentos não são numerosos, mas permitem uma
grande diversidade de variações. Apesar da variedade de estilos, uma característica
permanece: os movimentos de quadril, alternadamente ondulatórios e vigorosos. Sua
mensagem alegre e positiva vêm conquistando gerações, que buscam preservar e
difundir as suas características: sensualidade, leveza, beleza, alegria, vitalidade e
expressão.
Num show, além da Dança do Ventre tradicional, acompanhada ou não de véus e
Snujs (pequenos címbalos metálicos que são tocados com os dedos), é comum serem
apresentados números com elementos, como a Espada, o Punhal, o Candelabro (Raqs
El Shammadan), a Bengala (Raqs El Assaya), o Jarro, o Lenço, as Flores e o Pandeiro. As
danças com a espada, o punhal e com o candelabro são inovações introduzidas
recentemente. Tradicionalmente existem apenas as danças folclóricas da bengala, do
jarro e do lenço. Algumas destas danças com elementos, tal como a dança da
bengala, podem ser acompanhadas pelos homens, com movimentos masculinos.
Algumas dançarinas chegam a apresentar-se com serpentes, como forma de resgatar
os misteriosos cultos ancestrais. A serpente é um complexo símbolo que representa os
princípios masculino e feminino, e também a imortalidade (tal como na imagem
arquetípica em que a serpente engole a própria cauda). Os espectadores costumam
demonstrar a sua admiração jogando notas e moedas sobre a dançarina e, por vezes,
colocando o dinheiro em suas vestes. É interessante notar que não existe notícia de
nenhuma outra dança com esta característica.
Tradicionalmente, a dançarina apresenta-se descalça. Porém, desde o surgimento dos
grandes espetáculos de Dança do Ventre, sobretudo no Egito e no Líbano, as
dançarinas apresentam-se usando sapatos de saltos altos, talvez como uma forma de
demonstrar a ascensão social desta prática oriunda do povo. Muitas dançarinas ainda
preferem dançar sem os sapatos, como forma de estabelecer um contato direto com a
energia da Mãe Terra. Apesar de ser uma dança folclórica, do povo, a Dança do
Ventre tem envolvido desde o início do século XX grandes profissionais - dançarinos,
coreógrafos, figurinistas, etc., passando a fazer parte de eventos cada vez mais
sofisticados e luxuosos. Com isto, sua característica original (de prática não codificada e
de improvisação) transformou-se num elaborado trabalho de produção, fruto de
exaustivo treinamento e numerosos ensaios. Nos grandes festivais realizados no Egito, no
Líbano e na Turquia, as mais famosas dançarinas apresentam-se acompanhadas de
grandes orquestras.
A Dança do Ventre designa-se unicamente ao corpo feminino, enfatizando os músculos
abdominais e os movimentos de quadris e tórax. Ela é praticada com os pés descalços
firmados no solo, e caracteriza-se pelos movimentos suaves, fluidos, complexos e
sensuais do tronco, alternados com movimentos de batida e tremido. As dançarinas
orientais são consideradas diferentes, pois realizam uma "dança dos músculos" ao
contrário das "danças de passos", praticadas no ocidente.
Tradicionalmente, o joelho da dançarina de Dança do Ventre nunca se eleva acima do
quadril. Talvez pelo fato desta dança possuir movimentos de pulsação e ondulação do
ventre, tenha sido batizada de "Dança do Ventre", embora ela possua diversos outros
movimentos. Há autores que associam os movimentos rápidos da dança à
demonstração da alegria de viver, enquanto que os movimentos lentos estariam
associados às danças religiosas nas quais se buscava imitar os movimentos do trabalho

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de parto e do parto em si, como expressão de agradecimento às mulheres, enquanto
agentes da perpetuação da espécie humana.

A origem primitiva
Houve uma época que as mulheres eram consideradas representantes terrenas das
deusas e mensageiras que carregavam o mistério da vida dentro de ventre. Vivendo em
comunhão com a natureza, elas possuíam compreensão atenta em particular das
mudanças em seus corpos.
Sabiam exatamente quando ovulavam e reconheciam os sinais que antecediam suas
fases reprodutivas, além de possuírem umas especiais sensibilidades, próxima da
clarividência, que acompanhava este ciclo. Em todos os aspectos suas vidas eram
norteadas pela sensação de conexão como universo, pela composição natural que as
cercavam; céu, terra, água e ar, estações do ano e o respeito ao ritmo divino. Tudo isso
porque era uma cultura em que a conexão entre sexualidade, menstruação e
nascimento era parte do conhecimento diário.
Nesse tempo, as mulheres se reuniam uma vez ao mês em rituais de fertilidade que
aconteciam, principalmente, durante a noite e com exclusão dos homens. Os locais
escolhidos usualmente eram colinas ou terrenos elevados, pois simbolizam o feminino,
visto que, emergem da terra, assim como o ventre se mostra no relevo do corpo.
As antigas religiões femininas declinaram por volta de 3000 a.c e em muitas culturas o
matriarcado foi substituído pelo patriarcado. As deusas lunares foram relegadas
completamente para a zona da escuridão e da magia e a era da mitologia solar
começou e, com ela, a dominação da consciência masculina.
Com o passar dos séculos quase tudo foi esquecido, a parceria entre homem e mulher
se tornou distorcida, assim como, a ligação feminina com a natureza. As habilidades
femininas foram consideradas profanas e perigosas para o homem. Com o passar do
tempo, tudo mudou e assim também a dança das mulheres. A sensualidade, a
sexualidade, conectadas a terra, expressada pelas mulheres em sua dança não mais
servia a elas e ao mistério do ser, mas em lugar disto, servia para entreter e estimular os
espectadores. Dessa forma, a dança do ventre das mulheres morreu em muitas partes
do mundo. E, em alguns lugares, o ritual da dança sagrada sobreviveu, transformandose no que hoje conhecemos como entretenimento.

Divulgação da dança
As frequentes invasões ao Egito terminaram por difundir a dança do ventre entre
romanos, gregos, hititas, turcos, marroquinos e povos árabes que a praticava como
entretenimento para Sultões e em rituais de casamento. Foram os árabes, como
viajantes, os maiores divulgadores da Dança do Ventre no Ocidente. E dos países
ocidentais, os franceses foram os primeiros a descobriram a dança oriental, e
chamaram-na de "danse du ventre" ou dança do estômago. Porém a dança oriental só
ficou conhecida, e de maneira desastrosa, em 1893 na famosa Feira Mundial de
Chicago, nos Estados Unidos, quando foram trazidas dançarinas do Extremo Oriente
para se apresentarem.

Naquele tempo em que a mulher se cobria dos pés à cabeça, culturas étnicas de outros
povos, eram consideradas "primitivas" e "não civilizadas". Imaginem o que foi, ver
dançarinas orientais no palco com roupas coloridas e esvoaçastes, ondulando o corpo
de forma lânguida e vibrando o quadril ao som de tambores, movimentos naturais para
elas. Os americanos puritanos, chocados, acharam a dança espalhafatosa e lasciva.
Um verdadeiro escândalo! O nome Dança do Ventre viria a surgir mais tarde quando o
nome foi traduzido do francês para o inglês Belly Dance. Passou a ser divulgada, de
maneira distorcida, na década de 20 através do cinema americano em filmes
fantasiosos sobre sheiks e haréns. Atualmente, está presente nas festas, casamento,
casas noturnas sendo executada profissionalmente ou informalmente por mulheres.

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Declínio
Com o declínio do prestígio espiritual feminino as mulheres pararam de executar os ritos
religiosos. A mãe não era mais o eixo da família; o pai se tornou o centro de tudo. Em
Romano, família significa as terras de um homem, propriedade, dinheiro e escravos,
tudo que passava em herança para seus filhos. As mulheres se tornaram parte da família
masculina, e, portanto, sua propriedade. A poligamia foi estabelecida como parte
importante do sistema econômico no qual um homem precisava de muitas mãos para
manter sua subsistência.
A história de Adão e Eva aparece no Judaísmo como demonstração de que a mulher é
pecadora e seu pecado é o sexo. A história afirma a separação do corpo e da alma, a
qual o Cristianismo abraçou e exagerou por representar Cristo como um homem
sagrado, nascido de uma mulher que havia concebido assexuadamente. Cristo era tão
casto que foi desprovido das mulheres e da expressão sexual.
Esta pedra fundamental da crença Judaico-Cristã separou os seres humanos deles
mesmos, opondo-se a convicção humanitária da bondade essencial do corpo,
herdada das antigas religiões egípcia e greco-romana, uma crença em que a
realidade física do aqui e agora era para ser desprezada em prol dos sonhos de outro
mundo de infinita e sutil espiritualidade.
No século XIII Tomás de Aquino e Alberto Magno haviam promulgado sua crença de
que mulheres eram capazes de travar relações com satã. Nessas bases, a Inquisição
identificou a condenou certas mulheres a serem queimadas vivas. A submissão espiritual
feminina foi então consumada e era agora completa.
Homens, por outro lado, permitiram a si mesmos completa liberdade sexual sob o
sistema patriarcal. A prostituição cresceu rapidamente, e grande parte da renda da
Igreja Católica vinda dos bordéis; a reforma de Martinho Lutero foi de certa forma uma
tentativa de acabar com esta hipocrisia.

O retorno
Toda a essência da mulher foi literalmente deletada e as “fantasias” e necessidades do
homem cada vez mais exaltadas.
A dança do ventre é uma das formas de recuperar o rito feminino de consagração com
o corpo, alma e espírito; encontrando a sua Deusa interior as mulheres encontram a si
mesmas e esse autoconhecimento nos leva de encontro com a nossas raízes, com nossa
sensualidade e sexualidade trazendo de volta o “direito” da mulher em ser sensual e
sexual.
O tantra da sensualidade, da dança está no mistério que a envolve, os movimentos
sinuosos, as roupas, os véus, a maquiagem, a música, as velas, o queimar do incenso, o
movimentos dos quadris, o olhar, gestos delicados e sensuais trazem uma explosão de
sensações. Tudo isso mexe com a libido das mulheres e dos homens.

História dos Haréns - Origens, Significado e Poligamia.
SIGNIFICADO: A palavra Harém deriva do árabe "haram", significando ilegal, protegido
ou proibido. A área sagrada em volta de Meca e Medina é proibida, fechada para
todos, menos para os fiéis.
Em seu uso secular harém refere-se ao que é separado, parte protegida de uma
residência onde mulheres, crianças e empregados vivem no máximo isolamento e
privacidade. Harém também refere-se à mulheres e pode aludir à esposa. Finalmente,
harém é "Casa da Felicidade" a quase religiosa aceitação dos direitos exclusivos do
senhor da casa na procura sexual, um lugar onde mulheres são separadas e

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enclausuradas, sacrossantas de todos, menos do homem que regra suas vidas. É um
lugar numa rica e nobre casa, guardado por escravos eunucos, onde o senhor da
mansão mantém suas esposas e concubinas.
ORIGENS: Harém, um mundo de mulheres isoladas, é o resultado combinado de muitas
tradições. Ele sugere a clara ideia de separação entre as coisas, a sublime dualidade do
sagrado e do profano, onde a realidade é dividida dentro de exclusivas categorias
controlada por rígidas regras conhecidas pelo nome de tabus. Abaixo de tal sistema,
homens e mulheres estão entre os primeiros a serem divididos.
Mulheres simbolizam a paixão, homens a razão. Eva era a mulher sedutora, e todos os
sistemas patriarcais através das eras tem se inclinado a tomar todas as mulheres como
tal.
Na Sagrada Escritura, não obstante, havia um mundo antes do tempo de Adão e Eva em alguns lugares, um mundo pré patriarcal. Na civilização sumeriana, egípcia e grega,
por exemplo, mulheres ocupavam altas posições de poder espiritual e ascendiam ao
trono dos deuses. Sob esses sistemas, que eram essencialmente matriarcais, ambas as
deidades, masculinas e femininas controlavam os destinos dos seres humanos e dos
animais. Eles eram igualmente poderosos.
A Deusa branca do nascimento, amor e morte é a mais antiga deidade conhecida. Ela
era personificada como a lua, cheia, nova e minguante e era cultuada com infinitos
nomes, como Isis, Ishtar, Artemis e outros. Ela era a grande Deusa em suas variadas
formas.
Na aurora da civilização, clãs migraram continuamente a procura de comida e jogos,
cada um contribuindo com um ato tribal. Nesta fundação, as formas de subsistência
não permitiam excessos e os conceitos de posse privada, distinção de classes, senhores
e escravos não existiam.
Assim que a agricultura começou a prover um estoque mais confiável de comida do
que caçar e acumular, a infinita migração tornou-se menos essencial para a
sobrevivência. Tribos enraizaram-se, reclamando terras e território. No início,
encarnações da conexão entre sementes e o crescer das coisas, as mulheres subiram
para uma posição privilegiada nas sociedades antigas. Assim também as deidades
femininas.
Deméter a deusa grega da fertilidade, protegia as colheitas; não tivesse ela sido
obrigada a dividir sua filha Perséfone com o masculino mundo subterrâneo, teria sido
perpétua - melhor do que meramente sazonal - a abundância.
Eventualmente, o conhecimento agrícola criou um excesso de comida para alguns, e
isto tornou possível, explorar outros que não tinham os meios para assegurar sua própria
subsistência. A posse da propriedade privada, especialmente, modificou a contribuição
e divisão comum, abrindo ama divisão na sociedade, e trazendo a existência recémnascida dos proprietários de terras e vários graus de escravos.
Este desenvolvimento foi coexistente com o declínio do prestígio espiritual feminino; elas
pararam de executar os ritos religiosos. A mãe não era mais o eixo da família; o pai se
tornou o centro de tudo. Em Romano, família significa as terras de um homem,
propriedade, dinheiro e escravos, tudo que passava em herança para seus filhos. As
mulheres se tornaram parte da família masculina, e, portanto, sua propriedade. A
poligamia foi estabelecida como parte importante do sistema econômico no qual um
homem precisava de muitas mãos para manter sua subsistência.
A história de Adão e Eva aparece no Judaísmo como demonstração de que a mulher é
pecadora e seu pecado é o sexo. A história afirma a separação do corpo e da alma, a

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qual o Cristianismo abraçou e exagerou por representar Cristo como um homem
sagrado, nascido de uma mulher que havia concebido assexuadamente. Cristo era tão
casto que foi desprovido das mulheres e da expressão sexual.
Esta pedra fundamental da crença Judaico-Cristã separou os seres humanos deles
mesmos, opondo-se a convicção humanitária da bondade essencial do corpo,
herdada das antigas religiões egípcia e greco-romana, uma crença em que a
realidade física do aqui e agora era para ser desprezada em prol dos sonhos de outro
mundo de infinita e sutil espiritualidade.
Deus havia criado o homem de acordo com sua própria imagem e semelhança. Deus
era espírito. Mas mulheres eram carne ou corpo, e o corpo era um animal dominado por
paixão, sexualidade e desejo. Homens personificavam os céus, e uma mulher nunca
seria inteira antes de se casar com um homem.
No século XIII Tomás de Aquino e Alberto Magno haviam promulgado sua crença de
que mulheres eram capazes de travar relações com satã. Nessas bases, a Inquisição
identificou a condenou certas mulheres a serem queimadas vivas. A submissão espiritual
feminina foi então consumada e era agora completa.
Homens, por outro lado, permitiram a si mesmos completa liberdade sexual sob o
sistema patriarcal. A prostituição cresceu rapidamente, e grande parte da renda da
Igreja Católica vinda dos bordéis; a reforma de Martinho Lutero foi de certa forma uma
tentativa de acabar com esta hipocrisia.
Para o mundo muçulmano, isto impôs segregação e o véu sob as mulheres, a alegação
de que não eram dignas de confiança e deveriam ser mantidas a certa distância dos
homens, aos quais não poderiam ajudar, mas apenas seduzir. A necessidade de um
lugar especial, separado para residência das mulheres se tornou prioridade, não para
proteger seus corpos e honra, mas sim para preservar a moral dos homens.
POLIGAMIA
Poligamia é a prática de ter mais de uma esposa. Em uso comum, isto significa ter mais
do que uma mulher. Edificada na necessidade agrária, poligamia é parte de muitas
religiões.
O mundo muçulmano manteve as mulheres com baixa autoestima, considerando-as
intelectualmente obtusas, espiritualmente fracas, valiam apenas para satisfazer os
desejos de seus senhores e prover a eles herdeiros homens. “Mulher é um campo, um
tipo de propriedade que o marido utilizar da forma que considerar adequado" diz o
Alcorão, permitindo quatro kadins (esposas), se o homem é apto a mantê-las todas com
uma mesma qualidade de vida e souber distribuir igualmente seu afeto entre todas.
Mohamed teve intenções altruístas quando sancionou a poligamia. Tendo-a como
solução para a prática pré-islâmica do infanticídio feminino, tal como, forma prática de
distribuir melhor o excesso de população feminina. Era principalmente uma medida
econômica, tendo muito pouco a ver com os estereótipos românticos ocidentais.
Em árabe a primeira esposa é chamada "hatun" - a grande dama - e a segunda durrah
(parror). Se um marido quiser livrar-se de uma de suas esposas ele pode se divorciar dela
de forma relativamente simples, basta estar em frente à um juiz (kadi) e dizer "Eu me
divorcio dela" três vezes.

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A mulher não pode solicitar o divórcio, pois não possui esse direito. O Alcorão também
permite aos homens possuir quantas odaliscas (escravas) ele desejar.
Ter múltiplas esposas é caro, não apenas para manter, mas também porque havia o
costume de construir um "dote" para cada esposa. Homens pobres raramente podiam
se permitir uma esposa, - apesar de, as vezes, terem duas de qualquer forma separando-as em sua pobre casa, apenas por uma cortina. Homens ricos por vezes
excediam as quatro permitidas pelo Alcorão e faziam de mostruário suas esposas como
um símbolo de "status". De qualquer forma, mostrar demais atraiu os coletores de taxas e
outros indesejáveis.

BENEFÍCIOS DA DANÇA DO VENTRE
Seus benefícios, tanto físicos como psicológicos, são comprovados. Ativa a circulação
sanguínea, melhora o funcionamento do aparelho digestivo, dos rins e dos órgãos
sexuais. Proporciona a redescoberta do feminino, com todo o sensualismo que lhe é
peculiar. A movimentação específica valoriza o corpo feminino e desenvolve muito a
coordenação motora.
Com isso a mulher adquire maior consciência corporal e desenvolve a sensibilidade
para observar que seu corpo pode lhe proporcionar mais prazer.
Físicos
A dança do ventre torna o corpo mais solto e maleável, torneia os músculos das pernas
e braços, afina a linha da cintura, trabalha a musculatura abdominal, solta a região do
quadril e todas as articulações. Além disso, previne a chegada de artrites e artroses,
com já dito, melhora a coordenação motora, a respiração, a prisão de ventre e o
desempenho dos partos naturais. As mulheres adquirem ritmo e maior consciência dos
movimentos de cada parte do corpo.
Terapêuticos
A dança do ventre é uma excelente terapia. A mulher passa por um processo de
descobrimento ou de resgate da sua feminilidade e sensualidade melhorando a sua
autoestima. Todo e qualquer movimento, antes não percebido, passa a ser revelado. É
um processo de autoconhecimento.

Bailarinas do mundo Árabe
Fifi Abdo é uma das maiores bailarinas árabes. Quando dança, contrata orquestras
com até 60 músicos. Sua carreira se estende (para nossa sorte) por mais de 30 anos,
com shows memoráveis.
Mona Said - mestra da dança egípcia desenvolveu técnicas de quadril inigualáveis. É
uma das mais importantes bailarinas e mais estudadas por todas as admiradoras da
dança Oriental.
Hanan é uma bailarina especial, têm um jeito extremamente feminino de dançar, com
interpretações exatas dos ritmos árabes, a graça e beleza típica das egípcias.
Lucy, grande dama da dança egípcia, tem sua própria casa de shows -"Parisiana, "na
Rua das Pirâmides, no Cairo- Egito. Seu estilo de dançar demonstra sua classe e
elegância.

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Souhair Zaki é sem dúvida uma criadora de passos da dança do Ventre que se
estabeleceram para sempre. Souhair é egípcia, e apesar de já não dançar, porque se
casou com um príncipe muito tradicionalista, deixou-nos um legado de coreografias
memoráveis,técnica de quadril e postura absolutamente perfeitas, que merecem ser
estudadas.
Najua Fuad, egípcia, estudou ballet desde a infância que se nota imediatamente ao
observarmos sua dança aonde a postura, braços e deslocamentos são perfeitos. Najua
diz não entrar no palco sem a ajuda de um coreógrafo, e tem entre seus objetivos,
montar a primeira escola de Dança do Ventre oficial no Cairo.
Haiatim é uma grande bailarina egípcia, vale a pena estudar seus movimentos, porque
apesar de ter um corpo fora do padrão ocidental, ser mais "cheinha", dança com uma
interpretação muito especial, aonde se nota grande sensualidade e força.
Dinah egípcia, uma das bailarinas mais famosa do Egito, sua dança é uma expressão de
movimentos pequenos, bem definidos e cheios de vida.
Raqia Hassan, há muito tempo membro muito valioso da famosa troupe (grupo) de
Mahmoud Redá. Raqia Hassan devotou sua vida ao ensino da arte da dança egípcia.
Tendo estabelecido uma extraordinária reputação no Cairo treinando profissionais (Aza
Sharif, Mona Said) e estudantes promissoras, ela agora é solicitada em uma escala
mundial como uma treinadora e instrutora de bailarinas querida e respeitada. Uma
artista completa, ela comunica sua técnica pessoal e valores estéticos com entusiasmo
e visão.
Tahia Carioca se tornou uma das lendas da dança oriental. Muhammad Karim- seu pai
deu a ela dois prazeres. Seu amor pela arte e em segundo lugar muitos casamentos.
Badia Masabni Considerada a avó da dança oriental, esta dançarina nasceu no Líbano
quando este era ainda parte da Síria. Se mudou para o Egito onde construiu sua carreira
como atriz e dançarina. Alguns anos mais tarde no Cairo- que era o centro de
entretenimento do Oriente Médio como ainda é hoje em dia- abrindo a primeira casa
de espetáculos do Egito em 1926.
Saída bailarina argentina com um talento diferenciado. Sua dança é uma mistura
interessante de jazz, contemporâneo e dança do ventre.

A dança e os chacras
Chacras são os pontos de manifestação da energia divina no indivíduo. São os
condutores de energia entre os corpos físico e etéreo. Assim como o corpo se alimenta
de comida, os chacras se alimentam de vibrações energéticas. Essas vibrações podem
ser tanto de ordem emocional (amor, paixão, compaixão, etc.) quanto de ordem
mental (pensamentos, criações, etc.). São afetados também pela ordem espiritual já
que são etéreos e, portanto, suscetíveis às influências astrais.
Existem sete chacras principais que correspondem aos sete raios. Dentre estes, os três
superiores (coroa, visão e garganta) são de polaridade masculina e os três inferiores (do
coração, do plexo e umbilical) são de polaridade feminina, existindo ainda o Kundhalini
(na base da coluna). O Kundhalini é interligado com o chacra Coronário, do alto da
cabeça, por onde o fluxo da energia divina invade o indivíduo, descendo pela coluna e
indo diretamente para o chacra da base. O mau funcionamento ou o mau
aproveitamento do Kundhalini, da energia nele concentrada, compromete o trabalho
de todos os chacras e, consequentemente, todos os órgãos do corpo; a dança do
ventre ajuda a “ativar” esse chacra, fazendo com que essa.

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Energia flua.
E como esse chacra também é responsável pelo estímulo sexual, de
polaridade feminina e de cor vermelho alaranjada, a dança irá ajudar a você soltar
essa energia.
Existem mais cinco chacras secundários que correspondem aos cinco raios secretos.
Existem também os localizados nas palmas das mãos, dos pés, nas articulações, nas
pontas dos dedos, entre outros, num total de 144 centros de luz no corpo do ser
humano.

Kundalini kundalini

é o poder do desejo puro dentro de nós, é a energia de nossa
alma, de nossa consciência. Kundalini é a nossa emanação do infinito, a energia do
cosmos dentro de cada um de nós. Como nossa energia criativa, ela pode ser
imaginada como uma serpente enroscada adormecida na base de nossa coluna. Uma
energia adormecida dentro de nós que se desperta, expande nossa consciência.
Kundalini é a potencialidade de que todos nós somos capazes.
E quando nós despertamos a nossa Kundalini, nós nos tornamos cônscios de nossas
capacidades criativas, de nossa finitude diante do infinito. A kundalini torna possível a
nós, seres humanos com identidades finitas, relacionarmos com nossas identidades
infinitas. E nós tornamos isto possível quando o nosso sistema glandular é ativado e nosso
sistema nervoso forte e estes são combinados para se criar um movimento ou fluxo no
fluído espinhal e uma sensitividade nas terminações nervosas. Nestas condições, o
cérebro recebe os sinais e os integra.
Como resultado, toda nossa percepção se expande numa tremenda claridade.
Percebemos os efeitos e os impactos de uma ação antes dela acontecer. Adquirimos o
poder da escolha de agir ou não. A consciência nos dá esta escolha e a escolha nos dá
liberdade. Quando conseguimos um fluxo constante da Kundalini, é como se
estivéssemos nos despertando de um longo cochilo, deixamos de viver numa realidade
imaginária e nos tornamos compromissados com os nossos propósitos e metas
aproveitando muito mais os prazeres da vida.
O nosso sistema foi construído para sustentar o despertar da energia Kundalini, restamos
saber se estamos usando-a em toda extensão desta potencialidade. O fluxo da
Kundalini é liberado a partir do Chakra do umbigo e sobe até o chakra corôa acima do
topo da cabeça; aí a energia começa a descer passando pelos chakras até a base de
nossa coluna. Depois de alcançar o chakra raíz, ela volta para o centro do umbigo.
A ascensão da energia é o caminho para a liberação. É chegar à percepção de que a
realidade de Deus está dentro de cada um de nós. A ascensão da Kundalini é o
desenroscar da consciência Deus, o testemunho da realidade do poder ilimitado que é
a essência de nossas almas.
A descida da kundalini é o caminho da manifestação. Os chakras se abrem nesta
descida. E assim que os chakras se abrem, a nossa essência é consolidada em nosso
caráter, nossos dons são integrados em nossos comportamentos e ações. Nossos
talentos se tornam uma parte prática em nossas vidas. O que nos referimos como
manifestação aqui são as "vibrações" que é uma tradução aproximada do termo
sânscrito Chaitanya. Chaitanya (vibrações) é a força integrada de nosso ser fisiológico,
mental, emocional e religioso." Portanto a descida da energia Kundalini simboliza esse
despertar de nosso potencial e nos traz a consciência de Deus para todas as nossas
atividades cotidianas.
A iluminação, ou auto realização é conquistada quando o ciclo de ascensão e
descida, se completa. Auto realização é o nosso primeiro encontro com a Realidade. O
despertar da Grande Mãe dentro de nós, que a partir de então, irá cuidar de nós, nos
dando toda proteção que precisamos. A kundalini nos cura, nos melhora e nos confere

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todas as bençãos. Ela varre para fora de nossa realidade todas as nossas preocupações
dos níveis mais grotescos. A dança do ventre vai ativar a energia da nossa kundalini.

OS CHAKRAS ESTÃO LIGADOS COM A DANÇA DO VENTRE
Chakra = Palavra Sânscrita (antiga língua clássica da Índia)que significa roda
(movimento circular de energia).Pontos de fluxo de energia do corpo humano
relacionados aosistema endócrino e energético. São sete os chakras principais, e cada
um deles se associa a uma cor, glândulas e cristais diferentes:

1º CHAKRA: BASE OU BÁSICO Localizado no centro do cóccix Elemento: TERRA Cor:
Vermelha Parte do corpo: glândulas suprarrenais, ossos, aparelho genital e urinário,
bacia, coxas, pernas e pés Cristal: granada Essências: Laranja e sândalo (acalmam)
Mantra: RAM O que faz: responsável pela ligação com o mundo físico e promove
estabilidade e força interior Movimentos da dança: todos os pélvicos, especialmente os
shimies e batidas
2º CHAKRA: SACRO OU SEXUAL Localizado no púbis Elemento: ÁGUA Cor: laranja Parte
do Corpo: ovários, aparelho urinário e fluidos corporais Cristal: cornalina, ágata laranja,
quartzo laranja Essências: erva-doce e alecrim Mantra: VAM O que faz: potencializa a
sexualidade e o prazer Movimentos da dança: Oitos, ondulações e redondos
3º CHAKRA: SOLAR OU UMBILICAL Localizado de 4 a 6 cm acima do umbigo Elemento:
FOGO Cor: amarelo e dourado Parte do Corpo: pâncreas e aparelho digestivo Cristal:
citrino amarelo Essências: laranja ou tangerina Mantra: RAM O que faz: relaciona-se a
vontade e à ação Movimentos da dança: Camelo, cambres, shimie de ventre,
ondulações de ventre, batidas de ventre
4º CHAKRA: CARDÍACO Elemento: AR Cor: verde, rosa ou dourado Parte do Corpo: Timo
(glândula próxima ao coração), aparelho circulatório Cristal: quartzo rosa e verde
Essências: rosas e gerânios Mantra: YAM O que faz: relaciona-se aos sentimentos, ao
emocional e ao aumento da capacidade de compreender Movimentos da dança:
movimentos de busto, braços, mãos, movimentos de tronco e véus
5º CHAKRA: LARÍNGEO OU CENTRO DA COMUNICAÇÃO Elemento: ÉTER Cor: azul Parte
do Corpo: tireoide, aparelho respiratório e estruturas responsáveis pela voz Cristal:
topázio azul, safira Essências: eucalipto e bergamota Mantra: OM e HAM O que faz:
expressa a comunicação e a criatividade Movimentos da dança: pescoço, cabeça,
cabelos, ombros, sorriso.
6º CHAKRA: FRONTAL OU CARIÓTIDO Elemento: ÉTER Cor: violeta, índigo ou branco. Parte
do Corpo: hipófise e sistema endócrino, olhos, nariz Cristal: lápis-lazúli Essências: limão e
camomila Mantra: AUM (é o mantra do 3º olho) O que faz: governa o espírito, a intuição
e a memória Movimentos da dança: a expressão principalmente dos olhos
7º CHAKRA: CORONÁRIO REUNIÃO DE TODOS ELEMENTOS Cor: branco transparente,
violeta e dourado Parte do Corpo: glândula pineal (fica no cérebro), funcionamento
geral do sistema nervoso Cristal: quartzo transparente e ametista Essências: lavanda,
rosa âmbar Mantra: OM O que faz: controla o pensamento, a consciência e o
funcionamento global do organismo Movimentos da dança: a própria expressão
completa da dança. A junção de várias partes do corpo em movimentos cadenciados.
O amor e a expressão artística da Dança do Ventre.

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Deusas e Dv
Não podemos começar a discutir a Deusa e a dança do ventre sem antes rever o
passado.
Nas antigas religiões o culto da deusa era praticado pela maioria dos povos. A Dança
fazia parte desses cultos. Alguns movimentos eram muitos parecidos com os da dança
do ventre, Segundo lucy pena a criação desses movimentos e dançando os seres se
identificavam com a eterna roda da vida, aprendiam a compreender como foi feito o
universo e podiam constatar no seu centro o a chama criadora que move em cada um.
A dança era um instrumento para “alcançar” os deuses, deusas, a luz, a consciência.
Com o passar dos tempos e com o fim da religião antiga a dança foi adaptada para ser
executada como simples forma de divertimento, todo o conceito da prática religiosa foi
sendo esquecida e sofreu um enorme preconceito, um exemplo disso é o relato na
bíblia de Salomé.
A sua relação com a deusa e a deusa em si foi sendo substituída por conceitos impostos
por aqueles que comandavam os novos tempos. Sua banalização foi sendo enraizada.
Porém a tentativa dessa marginalização não se teve por completa, alguns povos ou até
mesmo algumas pessoas continuaram a acreditar nos ensinamentos do passado e de
uns tempos para cá a relação com a deusa vem sendo revivida e através da dança do
ventre ela vendo sendo explorada e divulgada, mas será que essa exploração está
sendo positiva? O que diriam as sacerdotisas do templo? Essa é realmente a antiga
dança das deusas?
Essas perguntas cabem a cada uma de nós respondermos. A ultima pergunta eu diria
que não, essa não é a antiga dança dos cultos a deusas, é sim, influenciada por ela.
A dança do ventre faz com que nos tornemos deusas e com isso chegar mais perto da
matriz, da mãe, é um mergulho em nós mesmas, é um encontro com nossa feminilidade.
Segundo estudo de patrícia bencardini, os estados de consciência que podemos atingir
da deusa através da dança do ventre são:
 Dança porque sou a deusa
 Dança porque represento a deusa
 Dança porque sou uma parte da deusa
 Dança porque estou mergulhada na deusa
Cada mulher, bailarina precisa saber manifestar a deusa de sua própria maneira e
consciência; “A jornada do herói trata de viver o próprio destino e não aquele que a
sociedade define.”.
Vivenciar a Deusa é o reencontrar a verdadeira essência da mulher, a serpente tem
uma simbologia muito interessante, ela vive trocando de pele, quando está se movendo
está continuamente mudando sua forma e a cada ondulação ela troca sua imagem;
uma cobra é um animal com mil formas e ainda assim é uma cobra, isso é vivenciar a
deusa.
Temos que estar sempre criando, mantendo e destruindo nossos pensamentos, nossos
movimentos, nossa energia feminina, a energia da grande mãe e com isso
transformando nossa dança do ventre em dança da deusa-mulher, do amor, da terra,
da vida. Texto: Simone Martinelli

O treino das Odaliscas
Antes de admitir as escravas dentro do harém, eunucos especialmente preparados
examinavam-nas cuidadosamente procurando quaisquer defeitos físicos ou
imperfeições. Se uma menina era considerada satisfatória o chefe eunuco a
apresentava para a mãe do sultão que seria a responsável pela aprovação final. Uma
vez confinada ao harém seu nome cristão era trocado por um nome persa que
enaltecesse suas qualidades individuais. Se por exemplo, uma jovem possuísse

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bochechas rosadas dariam a ela o nome de "Rosa Primaveril". Sendo agora uma
odalisca era imediatamente convertida ao islamismo e iniciava um árduo treino,
versando sobre as etiquetas palacianas e a cultura islâmica.
A palavra "Odalisca" vem de oda(sala) e significa literalmente "mulher de sala"
insinuando o status de criada. Odaliscas de extraordinária beleza e talento eram
preparadas para se tornar concubinas aprendendo a dançar, recitar poesias, tocar
instrumentos musicais e controlar as artes eróticas. Onze das mais atraentes odaliscas
eram selecionadas como "gedikli"- empregadas em espera - exclusivamente para o
sultão eram responsáveis para vesti-lo e banhá-lo, cuidavam de suas roupas e serviamlhe a comida e o café. Consta que essas meninas também aprendiam a ler, escrever e
a desenvolver outras habilidades tais como: costurar, bordar, tocar harpa e cantar.
Sendo do agrado do sultão permaneciam a serviço do mesmo ou em última instância
poderiam ser oferecidas como presente a alguém se ele assim o desejasse.
Uma das maiores honras que o sultão poderia conceder a um de seus pashás era
presenteá-lo com uma odalisca que tivesse adornado seu palácio mas que não tivesse
ainda se tornado sua concubina. De acordo com os preceitos vigentes o pashá tinha
que libertar a menina e fazer dela sua esposa. Seus nobres encantos, tanto quanto suas
importantes conexões dentro do harém faziam destas mulheres uma joia a ser almejada.
Outras odaliscas eram colocadas para servir a mãe do sultão, ou as "kadins” (esposas) e
ainda os eunucos. Meninas abençoadas por físico forte se tornavam criadas ou
administradoras. Cada noviça era designada para um departamento do harém. Estes
"gabinetes ministeriais" incluíam a senhora dos mantos, a guardiã dos banhos, guardiã
das joias, leitora do alcorão, senhora dos alimentos etc. Era possível para uma odalisca
crescer hierarquicamente dentro do harém imperial, mas se de qualquer forma, faltasse
a ela talento ou manifestasse em algum momento qualidades indesejáveis, ela também
corria o risco de ser banida do palácio e revendida no mercado de escravas. Texto Lulu
sabongi

Estrutura na dança do ventre
Trabalha principalmente o primeiro triângulo, o chacka básico.
Os braços são fixos e se alternam quando a bailarina muda o passo.
A valorização do ritmo é bem maior que a melodia.
Os movimentos são secos, marcados e mais amplos, você consegue observar a divisão
do corpo. Os braços podem ser mais relaxados e até abaixados. Não temos aqui a
preocupação com o eixo. Os movimentos podem ser em blocos.
Não existe uma preocupação com a expressão facial, geralmente o sorriso é suficiente.

Os véus e a Dança do Ventre
Precisamos fazer a distinção entre a história antiga da dança com os véus e a história
contemporânea. Pensemos sobre os últimos 100 anos. Ambas são importantes mas não
parecem correlacionadas. Não há menção sobre qualquer dança com véus depois dos
períodos Grego e Romano no Norte da África. A utilização dos véus parece ter vindo
novamente a tona apenas no final do Século XIX.
É difícil pesquisar esse assunto, pois mulheres dançando com véus são um tema muito
popular. Esse tema já foi explorado, usufruído e pesquisado por oportunistas e artistas
desde a antiguidade até o presente. Dançar com véus tem invocado alternadamente
a imagem de modéstia genuína assim como o erotismo acentuado pela nudez. As
antigas divindades ascendiam aos céus, desciam até o mundo subterrâneo e por vezes
voavam. Esse movimento é descrito na arte por véus flutuantes e algumas divindades
também dançavam.
O maior obstáculo para nosso entendimento da história da dança com os véus vem das

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versões distorcidas da dança, apresentação inapropriada das dançarinas e
informações imperfeitas fornecidas por historiadores. Um exemplo excelente disso foi a
dançarina Zourna; seu pai era um árabe tunisiano e a mãe francesa. Ela passou sua
infância na Tunísia, onde aprendeu a dançar. Quando seu marido morreu e sua família
perdeu todo o dinheiro, ela se transformou em bailarina profissional para sobreviver. Ela
estudou ballet e coreografou peças de "fusão", misturando dança tunisiana com ballet.
Ela recebeu imerecidamente o título de "autêntica", pois o que ela apresentava
dificilmente poderia ser classificado como oriental. Ela ficou famosa, e muitas de suas
"interpretações" criaram mitos acerca da Dança Oriental.
No final do Século XIX e começo do Século XX, apareceram diversas fotografias tiradas
de mulheres dançando com o que pareceram ser lenços ou xales, muitas dessas
imagens eram fotos posadas o que nos deixa em dúvida acerca de sua autenticidade;
mais um exemplo do gosto do fotografo do que propriamente um documento fidedigno
da arte daquela época. Ingleses e europeus eram ávidos compradores dessas
provocativas fotografias.
Havia dinheiro para ser ganho. Os fotógrafos descreviam o racismo dos Orientalistas, a
fantasia machista de como deveriam ser as mulheres dos Haréns. Estas mulheres eram
claramente exploradas. Parece que pertenciam a famílias simples, mulheres muito
pobres, prostitutas, dançarinas e escravas. As famílias de mulheres respeitáveis nunca
permitiriam que estas fossem fotografadas. Então podemos supor que essas pessoas,
presentes nas fotografias não eram de fato representativas da maioria da população.
Houve realmente numa determinada época danças com "véus" no Norte da África e
elas podiam ser divididas em duas categorias: 1) dança dos lenços; 2) dança do xale.
Ambas similares em sua natureza mas com movimentos diferentes de acordo com sua
proposta.
A dança dos lenços utilizava um ou ocasionalmente dois lenços. Um lenço era mantido
por cada uma das mãos ou ambas compartilhavam apenas um lenço. O lenço ou
echarpe era agitado no ar, rodado, enrolado ou trançado. A movimentação era
rápida. Há algumas destas danças que são apresentadas até hoje na Algéria, Marrocos
e Tunísia. Havia outras danças apresentadas no Oriente Médio, que usavam véus
também. No Azerbaijão, mulheres usam em sua dança, lenços, echarpes e véus para
acentuar sua beleza . Durante a dança revelam delicadamente os olhos, o nariz, a face
e o tronco ricamente adornado. Ë além de tudo é uma forma diferente de usar o véu,
pois essas mulheres geralmente o trazem atado a um chapéu ou a sua cabeça. As
dançarinas da Turquia eram em sua maioria ciganas e conhecidas como "cengis". Elas,
às vezes, dançavam com a ponta de seu véu - que estava presa a cabeça - dentro da
boca e seguro pelos dentes. Outra dança "cengi" utilizava echarpes propondo uma
mímica sobre as relações amorosas. Segurando as duas pontas de um sedoso véu por
entre os dedos, fingiam ser uma tímida virgem ou uma cortesã no exercício da sedução,
ou usavam esse lenço como uma delicada barreira a cobrir o rosto, por vezes podiam
enrolar um xale de seda colorido em volta da cabeça ou do pescoço. Diversas
manifestações utilizando o que para nós hoje é o véu. Na Rússia, danças ciganas
também utilizavam xales assim como na Espanha, as dançarinas de flamenco usam seus
"mantons".
A dança com véus como hoje a conhecemos, não entrou para as apresentações
teatrais de dança oriental até 1940. A historiadora Morocco diz que, ao perguntar para
as famosas dançarinas egípcias Samia Gamal e Tahia Carioca o porque de não ter
danças com véus, durante suas viagens ao Norte da África e Egito, receberam a
seguinte resposta: "Não sabíamos da existência de uma dança que utilizasse véus até
bem pouco tempo atrás, nem havíamos ouvido falar em algo desse gênero. O que
tivemos de concreto, foi na época do Rei Farouk, uma coreógrafa russa chamada
Ivanova por volta de 1940 foi convidada para a corte egípcia para ministrar aulas para

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as filhas do rei, ela ensinou Samia Gamal algo sobre o trabalho com véus, entradas em
cena e enriquecimento da elaboração do movimento dos braços. Ivanova, por sua vez,
parece ter aprendido através de uma dança caucasiana do Marrocos. Ela ensinou
outras dançarinas famosas como as Gêmeas Jamal. Samia Gamal tornou o véu popular
nos teatros egípcios e o apresentou nos EUA num filme intitulado "Ali Babá e os 40
Ladrões" que foi então exportado para outros países. O véu então se popularizou e foi
incorporado por outras dançarinas orientais em seu repertório".
O Ballet Russo adicionou o véu para suas coreografias, talvez emprestando essa ideia do
Caucasos ou então da Salomé de "Oscar Wilde".
A dança com véus foi popularizada nos EUA e tem suas raízes antigas na "Dança dos
Sete Véus" de Oscar Wilde. Através das famosas dançarinas Kate Vaughan e Lole Fulller
e nas visões holliwodianas do Antigo Oriente. É bem possível que Hollywood tenha sido
influenciada pelos cartões postais da virada do século, que mostravam as mulheres
seminuas, posando como bailarinas de harém. É fácil compreender porque a dança
com véus se popularizou tão facilmente. Era colorida e sensual.
Em 1950 havia pouquíssimas dançarinas orientais nos EUA. Podiam ser encontradas
apenas em casas noturnas étnicas. Se elas executavam sua dança com véus, era mais
o resultado das influências de Hollywood ou a influência que Samia Gamal teve na
dança Oriental, do que propriamente um costume trazido de seu país de origem
"Marrocos". Pessoas do Norte da África e do Oriente Médio não compreendem a dança
com véus de hoje em dia. Elas não conseguem transcender sua primeira impressão
disto: que é um strip-tease. Por essa razão, dançarinas orientais usam por pouquíssimo
tempo os véus ao entrar em cena e logo os abandonam. "Elas não gastam tempo em
sua dança utilizando-os já que seu público não aprecia. (Morocco).De qualquer forma,
essa dança é muito difícil, de ser rastreada, nem por isso é menos interessante e
encantadora. Há uma perda de continuidade histórica na historia da dança dos véus.
Ela aparece, desaparece e aparece novamente. Se tornou fora de moda no Egito.
Pode ser encontrada na Turquia. Mas para ter os mais interessantes e elaborados usos
do véus na dança, precisamos observar as dançarinas dos EUA, Inglaterra ou Europa.
Magia, viagem e a sensibilidade de uma bela dança utilizando os véus pode nos
proporcionar uma experiência deliciosa e um banquete para os sentidos....
Texto traduzido do Manuscrito "The Illusive Veil" by Elizabeth Artemis Mourat

As fases da Dança do Ventre (na carreira de uma bailarina)
por Jorge Sabongi
Sabemos que a dança do ventre é uma jornada para o resto da vida de todas as
mulheres que se predisponham a levá-la a sério e tê-la consigo como balizamento
emocional, e elemento estruturador da autoestima. Em se tratando de aprendizado
com intuito profissional, existem algumas fases que devem ser conhecidas:
1) Sede de aprendizado - Tudo começa quando uma mulher tem o primeiro contato
com a dança e vislumbra a possibilidade de vir a aprendê-la. Nesse instante, quer saber
tudo o que a professora sabe, e acredita que em um mês estará totalmente desenvolta
a fim de se apresentar para quem mais gosta.
2) Desânimo ao achar que nunca vai aprender (primeiros 6 meses) - Aparece nas
primeiras dificuldades com movimentos mais elaborados e que necessitam
coordenação específica.

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3) Confiança em acreditar que pode fazer (1 ano) - Após superar o desânimo e
continuar com perseverança seus estudos de dança, percebe que, com treino,
consegue fazer alguns dos movimentos já suficientes para cumprir os objetivos para os
quais se determinou.
4) A primeira dança para o público - É o momento mais importante. Aqui fica definida
qual a estrada que vai trilhar. Se as palmas e os elogios acontecem, provavelmente
inicia-se um processo de euforia e a crença de que poderá ir além.
5) Início de danças para o público com mais freqüência (2 anos) - Início de uma fase
difícil de lidar. A bailarina acredita que domina seu público e que "já sabe tudo"e "pode
ensinar muito". Ouve pouco e fala demais. Inicia uma fase de autoconfiança
semelhante a uma bolha, que pode esvaziar a qualquer momento. Ela mesma desenha
para si uma promessa de sucesso; sua preocupação principal: o cachê. O ego começa
a contrastar.
6) Desequilíbrio com o ego e dificuldades em lidar com a humildade - Lida com elogios
de forma desequilibrada, podendo perder os traços de humildade. É a tendência para
criticar e o desconforto extremo quando vira para si o alvo da crítica. Nesse momento,
geralmente, começa a dar aulas, despreparada e sem a generosidade necessária.
Assim, não oferece a suas alunas o que de fato deveria.
7) Estrelismo (3 anos) - A pior de todas as fases. O momento negro na carreira da
bailarina de dança do ventre profissional. Acredita que ninguém sabe mais do que ela:
"todos precisam aprender". É a senhora das palavras, das opiniões e das verdades.
Modéstia passa a ser uma palavra desconhecida e o convívio social é permeado pelo
interesse profissional. Por vezes, ao ser questionada sobre seu tempo de estudos em
dança do ventre adiciona todos os cursos de balé que já fez na vida e diz "já estou
trabalhando nessa área há dez anos", quando na verdade só começou a estudar a
dança oriental há dois. A inflação no tempo de experiência pode ser estendida para a
lista de apresentações profissionais e até mesmo a dança no clube do bairro está lá
presente no currículo.
8) O sucesso não chegou como previsto - É o momento da dúvida: afinal, o que saiu
errado? A cartilha dizia que era esse o caminho; em que ponto do mapa fica o sucesso
tão almejado? O mapa, na verdade, não existe, e a bailarina percebe que precisará
escrever seu próprio mapa, se desejar continuar.
9) Desânimo com o que já sabe - Acontece ao perceber que faz sempre as mesmas
coisas, os mesmos movimentos, e dança sempre com as mesmas músicas. Surge a
sensação de que parou no tempo. Já não se contenta mais com o pouco que
desenvolveu e entra em depressão com a dança. Em muitos casos, acaba realizando
suas apresentações meramente para angariar recursos financeiros; é uma fase perigosa,
pois a tendência aqui é "criar" formas de chamar a atenção para a dança, coisas que
ninguém nunca fez e que, eventualmente, podem ser um grande chamariz para atrair
as pessoas ou a mídia. Um desrespeito à cultura e à arte. É uma fase de procurar
atalhos.
10) Estacionar com o aprendizado (4 anos) - Além do tédio de ter que se apresentar
sempre com as mesmas músicas, as mesmas roupas (pois o ânimo e a criatividade
parecem que foram embora para sempre), agora parece que já não existem fontes
confiáveis e conhecimentos para adquirir, e o jeito será manter a dança como fonte de
renda financeira, por mais pesado que pareça este fardo; e aparece a preocupação
"tenho que aumentar meu cachê... afinal já estou há quatro anos trabalhando como
profissional!".

20

11) Indecisão sobre a dança e seus propósitos pessoais - A dúvida começa a pairar. Foi
realmente um acerto ter escolhido esta estrada? Acredita que já aprendeu tudo o que
podia. E mesmo assim o questionamento "ser uma estrela" ou "ser uma farsa" tem um
grande impacto emocional.
12) Decisão de procurar novas fontes (5 anos) - Se conseguir superar a fase anterior,
inicia-se um novo horizonte, com ideias, fluxos de criatividade e vibrações de
possibilidades que antes pareciam obscuras.
13) Necessidade de reconhecimento - Começa a acreditar que ninguém, neste período
todo de carreira, reconheceu seu valor e tudo o que aprendeu durante anos. O mundo
não a compreendeu e não reconhece o talento visível que é.
14) Amadurecimento e respeito pela arte (10 anos) - É o momento em que se atinge o
primeiro platô de sabedoria. Percebe que ainda não aprendeu absolutamente nada
do que existe neste manancial de cultura e começa a respeitar mais seu corpo e seu
aprendizado. Percebe que a estrada é mais longa do que imaginava e agora a
incorpora para sempre. Já faz parte do seu sangue conviver com o aprendizado da
dança. A humildade começa a aparecer e fica difícil a convivência com as iniciantes
que se encontram na fase do desequilíbrio com o ego.
15) Procura incessante por novas fontes e maneiras de dançar - O prazer agora, mais do
que nunca, está na descoberta do que durante tantos anos esteve oculto: o
conhecimento. Encontra as respostas para muitas atitudes de antes e com tudo que
toma contato percebe um sentido melhor, pois já teve oportunidade de sentir e
compartilhar pessoalmente no passado.
16) Equilíbrio artístico e definição de métodos de ensino - Já não faz tanta diferença
como os outros pensam ou como o mercado reage às suas investidas. Desenvolve seu
trabalho procurando sempre ferramentas para aprimorar seus métodos para ensinar,
passar a frente tudo o que aprendeu. O aprendizado e o aperfeiçoamento agora
importam demais para si.
17) Especialização de danças e investimento na imagem (15 anos) - Começam a fazer
parte do currículo danças folclóricas dos países árabes, mediterrâneo, sempre
embasadas em um amplo conhecimento em cada assunto. Seu nome começa a
ganhar destaque no mercado da dança. Cresce a credibilidade e desenvolve um
trabalho sério. Surgem os workshops.
18) Ensino do que aprendeu na carreira - Agora o mais importante é a alavancagem de
maior conhecimento possível. Esta passa a ser a fonte de seu prazer. Sua dança só
enriquece se descobre novas fontes de conhecimento; e delas sempre se utiliza para o
aperfeiçoamento de movimentos e o ensino.
19) Plenitude na dança e fonte de pesquisas (20 anos) - O prazer artístico está
alicerçado em conhecimento e saber; realiza com o corpo o que desejar e, graças aos
anos de pesquisas empreendidas durante a existência, tudo tem coerência e os pontos
de estudo parecem alinhavados.
20) Dúvidas sobre quando parar de dançar - É um momento delicado na carreira de
toda bailarina e de qualquer artista. Relutância em acreditar que suas apresentações
iniciam uma fase descendente em se tratando de tempo; supervalorização do
momento presente. O tempo passa para todos.
21) Nostalgia e respeito público (mais de 25 anos) - Seu nome acaba sendo respeitado e
admirado por todas aquelas que fazem parte do meio. As lembranças pessoais

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parecem recentes... Se conseguiu construir uma carreira íntegra, acaba tornando-se
uma "lenda viva" na arte. Torna-se fonte de consultas permanente e admira-se com os
novos talentos que despontam. No fundo, lamenta que todas tenham que passar por
cada uma dessas fases, se quiserem chegar onde chegou. Umas se perderão no
caminho, outras florescerão. Afinal, a vida sempre foi um turbilhão de desafios.
Evidentemente, o tempo de dança varia de mulher para mulher e da mesma forma as
fases podem ter períodos de continuidade diferentes. Um fator interessante e também
muito importante é que tendo conhecimento de que essas fases existem pode-se
diminuir sua longevidade e atenuar muitos dos aspectos negativos, principalmente das
fases iniciais.
Faz parte da carreira de toda bailarina conviver com essas fases: elas determinam seu
desenvolvimento e crescimento. Nada fácil por sinal.
Esta é minha visão do mundo da dança do ventre no Brasil, depois de conviver desde
1983, diariamente com essa arte.
Jorge Sabongi - Agosto 2000(esta matéria foi escrita e publicada na Revista Khan el
Khalili No. 2)

3*Anatomia humana e do movimento
Humana
"Ao te curvares com a rígida lâmina de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido,
lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas, cresceu embalado pela fé
e pela esperança daquela que em seu seio o agasalhou. Sorriu e sonhou os mesmos
sonhos das crianças e dos jovens. Por certo amou e foi amado, esperou e acalentou um
amanhã feliz e sentiu saudades dos outros que partiram. Agora jaz na fria lousa, sem
que por ele se tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece.
Seu nome, só Deus sabe. Mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de
servir à humanidade. A humanidade que por ele passou indiferente" (Rokitansky, 1876)
O sistema nervoso e o hormonal
O sistema nervoso e o hormonal são responsáveis por comandar o corpo. De modo
geral podemos dizer que o sistema nervoso está ligado a situações que exigem mais
rapidez e um estímulo pequeno, como fazer a perna andar ou o diafragma do pulmão
se contrair e relaxar. Já o sistema hormonal, possui uma eficiência menor quanto à
velocidade, mas compensa isso pelo seu tempo de ação. Hormônios podem ser
secretados no sangue e permanecer um bom tempo agindo e realizando sua função,
como por exemplo, falar pros rins não liberarem tanta água na urina, porque o corpo
está com falta de água.
Abdome
Situado na parte inferior do tronco, abaixo do tórax e acima da pélvis, o abdome é a
maior cavidade do corpo humano. Nele estão contidos a maior parte do aparelho
digestivo, o fígado, o baço, o pâncreas, os rins e as glândulas suprarrenais.
O limite superior do abdome é o diafragma, músculo que o separa da cavidade
torácica; o inferior são os ossos ilíacos. No plano vertical, localiza-se entre a coluna
vertebral e os músculos abdominais. A cavidade abdominal é revestida pelo peritônio,
membrana que cobre sua parede interna (peritônio parietal) e também cada órgão ou
estrutura contida em seu interior (peritônio visceral). O espaço entre o peritônio parietal
e o visceral, a cavidade peritoneal, contém uma pequena quantidade de líquido
seroso, o que permite a livre contração das vísceras.
O peritônio faz a ligação entre as partes viscerais e parietais do abdome e contribui
para a fixação dos órgãos em seu interior. Suas diversas porções dividem o abdome em

22

compartimentos. Algumas vísceras, como o pâncreas, se prendem às paredes
abdominais por meio de grandes porções do peritônio. Outras, como o fígado, fixam-se
por dobras do peritônio e por ligamentos, estes geralmente pouco vascularizados.
Os ligamentos peritoneais são dobras muito resistentes cuja função é unir as vísceras
entre si ou à parede abdominal. Sua nomenclatura deriva das estruturas por eles unidas
(ligamento gastrocólico, que une o estômago ao cólon; ligamento esplenocólico, que
conecta o baço ao cólon), ou de sua forma (ligamento circular e ligamento triangular).
Os mesentérios são outro tipo de dobras do peritônio, ligadas à parede do abdome e às
vísceras anexas. São ricos em vasos sanguíneos que irrigam os órgãos envolvidos. Os
mesentérios mais importantes são: o do intestino delgado; o mesocólon transverso, que
liga a parte transversal do cólon à parede posterior do abdome; e o mesosigmóide, que
envolve a porção sigmoidal do cólon.
Os epíploos são outro tipo de dobras do peritônio, cuja função é recobrir os nervos,
vasos sangüíneos, canais linfáticos e tecidos conjuntivo e adiposo. O maior dos dois
epíploos pende como um avental do intestino delgado e o outro, de menor tamanho,
se estende do estômago ao fígado.
Pelve
1 - Glúteo Máximo (Maior): Inserção Medial: 1/5 posterior da crista ilíaca, asa ilíaca (atrás
da linha glútea posterior), crista sacral mediana, cóccix e tubérculos sacrais posteriores
Inserção Lateral: Tuberosidade glútea e trato iliotibial
Inervação: Nervo Glúteo Inferior (L5, S1 e S2)
Ação: Extensão do quadril, rotação lateral da coxa e auxilia na adução da coxa. Pode
realizar retroversão da pelve (contração bilateral)
2 - Glúteo Médio (Mediano): Inserção Superior: 4/5 anterior da crista ilíaca, asa ilíaca
entre a linhas glúteas anterior e posterior e espinha ilíaca anterô-superior
Inserção Inferior: Superfície lateral do trocânter maior
Inervação: Nervo Glúteo Superior (L4, L5 e S1)
Ação: Abdução. As fibras anteriores realizam rotação medial e flexão da coxa. A fibras
posteriores realizam rotação lateral e extensão da coxa. O Glúteo médio é o principal
estabilizador do quadril.
3 - Glúteo Mínimo (Menor): Inserção Superior: Crista ilíaca, asa ilíaca (entre as linhas
glúteas anterior e inferior) e espinha iliaca ântero-superior
Inserção Inferior: Superfície anterior do trocânter maior
Inervação: Nervo Glúteo Superior (L4, L5 e S1)
Ação: Abdução, rotação medial e flexão da coxa
4 - Piramidal (Piriforme): Inserção Superior (Medial): Face anterior do sacro
Inserção Inferior (Lateral): Bordo superior do trocânter maior
Inervação: Nervo do Piramidal (S1 e S2)
Ação: Abdução e rotação lateral da coxa
5 - Gêmeo Superior: Inserção Medial: Superfície externa da espinha isquiática
Inserção Lateral: Trocânter maior
Inervação: Nervo Obturatório Interno (L5, S1 e S2)
Ação: Abdução e rotação lateral da coxa

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6 - Obturatório Interno: Inserção Medial: Face interna da membrana obturatória (forame
obturatório)
Inserção Lateral: Trocânter maior
Inervação: Nervo Obturatório Interno (L5, S1 e S2)
Ação: Abdução e rotação lateral da coxa
7 - Gêmeo Inferior: Inserção Medial: Parte superior da tuberosidade isquiática
Inserção Lateral: Trocânter maior
Inervação: Nervo Quadrado Femoral (L4, L5 e S1)
Ação: Abdução e rotação lateral da coxa
8 - Obturatório Externo: Inserção Medial: Face posterior do púbis e ísquio e superfície
externa da mambrana obturatória
Inserção Lateral: Trocânter maior (posteriormente)
Inervação: Nervo Obturatório (L3 e L4)
Ação: Rotação lateral da coxa
9 - Quadrado Femural: Inserção Medial: Porção proximal do bordo externo da
tuberosidade isquiática
Inserção Lateral: Trocânter maior e crista intertrocantérica
Inervação: Nervo Quadrado Femoral (L4, L5 e S1)
Ação: Rotação lateral da coxa
FIGURAS
Músculos da Pelve - Dissecação Superficial

Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
Músculos da Pelve -

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Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
Movimento
Durante muito tempo, os anatomistas tiveram como única preocupação a descrição, a
mais precisa possível, da estruturas, e era lógico aplicar ao aparelho locomotor a
mesma regra utilizada para as vísceras: ou se ignorava o seu funcionamento, ou este era
descrito independentemente da anatomia.
Todavia, no início do século XX, pouco a pouco as descrições anatômicas que se
referiam ao aparelho locomotor foram se completando com a ação dos músculos e o
funcionamento das articulações; permanecia-se ainda, no campo da fisiologia analítica
elementar. Mais recentemente, os biomecânicos voltaram-se para o funcionamento
interno das estruturas, (elasticidade, tensão etc.) preocupando-se pouco com a função.
Texto Dr. Jacques Samuel
A “posição anatômica”
O estudo da anatomia para a compreensão do movimento envolve principalmente três
sistemas:
-os ossos, elementos do esqueleto,
- unidos pelas articulações,
- e mobilizados pelos músculos.
Definir os movimentos é geralmente muito complexo, uma vez que podem ser realizados
em numerosas direções e somam frequentemente os movimentos de várias
articulações.
Por isso, algumas convenções foram adotadas:
- o estudo se reduz (pelos menos no começo) aos componentes de cada articulação;
-para cada uma delas, os movimentos são observados somente nos três planos;
-os movimentos são descritos tomando como base uma posição de referência
chamada “posição anatômicas” = corpo ereto, pés juntos e paralelos, braços
pendentes ao longo do corpo e palmas das mãos voltadas para frente.

25

4*Conhecendo o corpo feminino.
Desvendando sua geografia íntima
Tereza Cândida
Ao longo dos séculos o corpo feminino foi visto como algo odioso. Na Idade Média, a
Igreja Católica exercia pavor sobre as mulheres associando suas formas ao pecado e
culpando-as, no papel de Eva, pelas mazelas mundiais. Elas eram o segundo sexo e até
os hábitos de higiene eram recriminados, quase pecaminosos. Afinal, o segundo sexo
era impuro demais para ser tocado, que dirá limpo. Desse contexto repressor aos dias
atuais, onde dicas de masturbação estampam capas de revista, muitas águas rolaram.
Na transição dos anos 60 para os 70, feministas radicais, mulheres emancipadas
proclamavam sua independência sexual e acusavam os homens de desconhecerem o
corpo e a sexualidade femininos e de estarem preocupados apenas com a própria
satisfação. Três décadas depois, trazemos de volta essa questão, mas partindo de uma
outra perspectiva: antes de cobrar que os homens conheçam o magnífico clitóris e
periféricos e se preocupem com o prazer das parceiras, será que as mulheres, elas
próprias, conhecem seu corpo?
Mas a realização sexual é só um dos aspectos positivos do autoconhecimento. Ainda no
campo físico, conhecer o próprio corpo ajuda a cuidar melhor da higiene pessoal,
prevenir-se de doenças e reconhecer anormalidades. Tudo isso contando pontos para a
saúde da mulher.
E, por último, mas não menos importante, a mulher que se conhece, se admira, se gosta
mais, aprimora a autoestima. Longe do culto às formas perfeitas e próximo às formas
femininas, ao apego ao traço curvilíneo que desenha um corpo de mulher.
Entenda como funciona o ciclo menstrual
Hugo Joaquim
A menstruação é o final de uma série de eventos produzidos por hormônios
dependentes uns dos outros e estimulados pelo hipotálamo, hipófise e ovário . Esses
eventos determinam uma série de modificações fisiológicas no organismo que visam
prepará-lo para o coito e a gravidez. O conjunto dessas modificações que se repetem
periódica e temporariamente, inclusive a menstruação, é chamado de ciclo menstrual.
O hipotálamo, região do sistema nervoso central, que sofre ação de estímulos externos,
realiza uma secreção intermitente de um hormônio chamado GnRH, o qual estimula a
hipófise, glândula mestra do organismo, a produzir os hormônios LH e FSH, que por sua
vez estimulam os ovários a fazerem o crescimento folicular e produzir os hormônios
femininos, estrogênios e progesterona. Esses agem sobre todo o sistema genital,
causando, por exemplo, o crescimento do endométrio, camada de glândulas que
reveste o útero. É isso o que a mulher menstrua aproximadamente a cada 30 dias.
Dentro deste ciclo menstrual, o período fértil - ou período de ovulação - com maior
possibilidade de gestação, ocorre 14 dias antes da data da próxima menstruação, com
uma variação de três dias para mais e para menos. Exemplificando: se a próxima
menstruação de uma mulher é prevista para o dia 31 de dezembro, e ela tem ciclos
normalmente com intervalo de 30 dias, o período fértil está compreendido entre os dias
14 de dezembro e 20 de dezembro (três dias antes e três após 17 de dezembro).
As cólicas menstruais, quando ocorrem, geralmente se iniciam na segunda fase do ciclo
menstrual, ou seja, após a ovulação. As alterações físicas e de humor, presentes na
famosa TPM - Tensão Pré-Menstrual ¿ também ocorrem nesse período. Normalmente

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decorrentes de alterações hormonais - como com a produção de progesterona pelo
ovário e maior retenção de líquido pelo organismo - são tratadas com o uso de
diuréticos, calmantes e medicamentos contra a cólica. Pacientes que fazem uso de
anticoncepcionais tem uma tendência a não terem cólicas menstruais numa
intensidade tão forte, pela falta da ovulação (efeito do anticoncepcional).
OS OVÁRIOS Nelson Soucasaux
Os ovários são os centros endócrinos e germinativos da mulher. Tanto o trofismo quanto
a função de todos os órgãos e tecidos que, no corpo da mulher, a caracterizam como
tal, dependem dos ovários. A ciclicidade da função ovariana é que determina o típico
caráter cíclico da natureza e da fisiologia feminina. Todas as ações cíclicas estrogênicas
e/ou estrogênico-progesterônicas geram inúmeras transformações também cíclicas nos
órgãos sexuais da mulher ( genitália e mamas ), em sua fisiologia e em outros setores do
seu corpo.
O funcionamento das gônadas femininas está sob o controle do sistema hipotálamohipofisário ( com o qual elas interagem em regime de "feedback" ) e também de fatores
intra-ovarianos específicos. Estes últimos, entre outras ações, modulam a responsividade
dos ovários às gonadotrofinas hipofisárias, que são o FSH ( hormônio folículo estimulante )
e o LH ( hormônio luteinizante ). Resumidamente, podemos dizer que a fisiologia das
gônadas femininas depende das ações das gonadotrofinas hipofisárias, dos próprios
hormônios sexuais por elas produzidos e de fatores reguladores intra-ovarianos ainda mal
conhecidos.
A trajetória biológica de tudo o que no corpo da mulher é caracteristicamente feminino
é determinada pela trajetória biológica dos ovários ao longo da vida, uma vez que eles
são a fonte básica dos estrogênios - os principais hormônios da feminilidade ao nível
somático. Assim, é inegável que, durante a maior parte da vida da mulher, as suas
gônadas são muito mais importantes como produtoras de estrogênios ( e também de
progesterona ) do que de óvulos. Anteriormente já sugeri que, em um nível metafísico,
os ovários podem ser considerados como a manifestação ao nível gonádico do
princípio feminino, e os estrogênios por eles produzidos como a principal manifestação
ao nível endócrino deste mesmo princípio. A outra manifestação endócrina do princípio
feminino é a progesterona.
A maior parte do volume dos ovários se deve à camada cortical, que é a camada
funcional propriamente dita. É nela que, em meio a um estroma conjuntivo também
dotado de certa capacidade endócrina, se encontram os folículos ovarianos, que são
as unidades funcionais básicas das gônadas femininas. Nestes folículos as funções
endócrina e germinativa ovarianas estão vinculadas histológica e funcionalmente, pois
são as células granulosas e tecais que envolvem os ovócitos as principais responsáveis
pela síntese estrogênica. Como na esteroidogênese os hormônios femininos ( estrogênios
) são produzidos tendo os hormônios masculinos ( androgênios ) como precursores,
estabelece-se uma divisão funcional entre os elementos celulares que constituem a
granulosa e a teca. As células tecais, estimuladas pelo LH, produzem os androgênios,
que são então transferidos para as células granulosas. Estas, sob o estímulo do FSH,
transformam os androgênios em estrogênios.
Quando o amadurecimento de um folículo prossegue normalmente ( o que apenas se
dá com uma minoria deles ), a multiplicação sobretudo das células da granulosa faz
com que a sua produção estrogênica se torne cada vez maior. Após a ovulação,
também em decorrência do pico ovulatório de LH, as células granulosas e tecais
passam por acentuadas modificações morfológicas e funcionais, dando origem ao
corpo lúteo. As primeiras transformam-se nas células grânulo-luteínicas, e as segundas
nas teco-luteínicas. No corpo lúteo, as células grânulo-luteínicas produzem

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principalmente progesterona e um pouco de estrogênios, enquanto as teco-luteínicas
produzem sobretudo estrogênios.
Pouquíssimos são os folículos que atingem o pleno desenvolvimento, conseguindo
produzir altos níveis de estrogênios, ovular e luteinizar-se. A imensa maioria deles está
condenada à regressão e ao desaparecimento através do processo da atresia ou
morte folicular antes mesmo de completarem os primeiros estágios do seu crescimento *.
As principais causas da atresia ou morte folicular são: 1) a insuficiente conversão de
androgênios em estrogênios pelas células granulosas, levando a um acúmulo
androgênico em torno do folículo; 2) a diminuição da sensibilidade das células
granulosas ao FSH.
Como a formação de novos folículos é impossível ao longo da vida da mulher, o
fenômeno da atresia folicular vai gradualmente levando ao esgotamento das gônadas
femininas - esgotamento este que se completa em torno dos 50 anos, culminando com
a menopausa. Assim, os órgãos que são os centros endócrinos e germinativos da mulher
estão paradoxalmente condenados ao esgotamento e envelhecimento precoce. Em
decorrência da privação estrogênica pós-menopáusica, todos os órgãos e tecidos
estrogênio-dependentes do corpo da mulher entram em atrofia.
Sob o ponto de vista arquetípico, podemos dizer que os ovários, através dos seus
hormônios, espelham tanto os dois lados da natureza feminina ( o afrodisíaco e o
maternal ), quanto o componente masculino desta natureza. Os estrogênios podem ser
vistos como a principal manifestação endócrina do lado afrodisíaco da mulher, uma vez
que são eles os responsáveis pela maturação sexual da mesma e pelo trofismo e boa
forma de tudo o que no seu corpo é tipicamente feminino. A progesterona, à parte a
sua fundamental importância na fisiologia ginecológica e no equilíbrio endócrino
feminino, de certa forma pode ser vista como mais relacionada ao lado maternal da
mulher. Já os androgênios ( que, como vimos, paradoxalmente são os precursores
bioquímicos dos estrogênios ) podem ser relacionados ao obscuro componente
masculino da mulher.
*Atresia folicular - processo fisiológico através do qual a maioria dos folículos ovarianos
entram em regressão, morrem e desaparecem ao longo dos vários estágios do seu
crescimento.
Como funcionam os hormônios femininos
Hormônios são compostos químicos produzidos em pequenos órgãos chamados de
glândulas. Os hormônios circulam pelo corpo, normalmente usando a corrente
sangüínea, e alteram ou regulam o funcionamento de outros órgãos e estruturas. Na
verdade, a liberação de hormônios é uma das maneiras usadas pelas diferentes partes
do corpo para se comunicar. Os hormônios importantes para nós hoje são o estrógeno,
a progesterona e a testosterona. Eles são fabricados nos ovários da mulher, as glândulas
sexuais em forma de amêndoa localizadas na pélvis e que também produzem os óvulos.

Essas glândulas sexuais ficam ativas durante o desenvolvimento do feto, mas
permanecem relativamente inativas durante a infância. Então, na puberdade, as
glândulas sexuais entram realmente em ação para produzir o desenvolvimento e o
desejo sexual, além das variações de humor que todos associamos a essa fase. Depois
disso, a maioria das mulheres entra em um padrão mais ou menos regular de ovulação.
Hormônios como o estrógeno regulam e controlam várias funções
do corpo humano, incluindo o ciclo menstrual

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Os ovários produzem estrógeno e progesterona, assim como vários outros hormônios, de
maneira cíclica, e os níveis desses hormônios sobem e descem com a ovulação. Para a
maioria das mulheres, esse ciclo é mensal, interrompido de vez em quando pela
gravidez ou por situações de estresse.
Sendo considerado o principal hormônio feminino, o estrógeno forma o revestimento do
útero, estimula o tecido do seio e deixa a parede vaginal mais espessa. Além disso,
também afeta todos os outros órgãos do corpo. O estrógeno tem um papel essencial na
composição óssea e acredita-se que tenha efeitos protetores importantes no sistema
cardiovascular.
A progesterona, que é produzida somente durante a segunda metade do ciclo
menstrual, prepara o revestimento do útero para que um óvulo possa ser implantado,
mas esse hormônio também produz outros efeitos importantes em vários dos tecidos
sensíveis ao estrógeno. Já a testosterona, também produzida nos ovários, desempenha
um papel no estímulo do desejo sexual, na geração de energia e no desenvolvimento
da massa muscular.
O equilíbrio dos hormônios em seu corpo é afetado por vários fatores. A glândula
pituitária, na base do crânio, e seus ovários se comunicam constantemente através de
seus respectivos hormônios, controlando alterações nos níveis hormonais do ciclo mensal
e a produção de óvulos. A pituitária produz o hormônio folículo estimulante (FSH) e
outros hormônios. Estresse, peso corporal, horário do dia, período do mês e quaisquer
medicamentos que você esteja tomando podem causar alterações temporárias em
seus níveis hormonais.
A menopausa traz mudanças permanentes e importantes para os níveis de hormônio e
para o equilíbrio hormonal de seu corpo. Os ovários interrompem a produção de óvulos
e a produção de seus hormônios. Mas isso tudo não acontece de uma vez só. Quando
se aproximam dos 40, muitas mulheres produzem menos progesterona, o que pode levar
a menstruações mais fortes e frequentes no início do processo de "perimenopausa".
Então, a produção de estrógeno dos ovários diminui gradativamente. A flutuação na
produção de estrógeno e, posteriormente, a falta de estrógeno são as principais
responsáveis pelos desconfortos e preocupações com a saúde associadas à
menopausa.
Níveis de estrógeno que flutuam e caem confundem seu termostato interno, causando
instabilidade vaso motora, o nome científico do processo que causa as ondas de calor.
O que também é afetado pela redução drástica dos níveis de estrógeno são o ciclo de
sono e uma parte do tônus muscular, principalmente na área pélvica. Na próxima
seção, vamos explorar esse processo tão controverso.
Estas informações são apenas para fins ilustrativos. ELAS NÃO DEVEM SER CONSIDERADAS
CONSELHOS MÉDICOS. Nem os editores do Consumer Guide (R), Publications
International, Ltd., o autor ou a editora assumem responsabilidade por quaisquer
conseqüências de qualquer tratamento, procedimento, exercícios, alteração de dieta,
ação ou aplicação de medicamentos utilizados decorrentes da leitura ou instruções
contidas neste artigo. A publicação dessas informações não constitui prática da
medicina e elas não substituem o conselho de seu médico ou outro profissional da área
da saúde. Antes de se submeter a qualquer tratamento, o leitor deve procurar o
aconselhamento de seu médico ou outro profissional da área de saúde.

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OS CUIDADOS DA MULHER DOS 20 AOS 70 ANOS
Desde que a mulher nasce ela passa por profundas transformações, físicas e
emocionais. Cada fase passa por necessidades específicas. Por isso, aprender a ouvir o
próprio corpo e adotar hábitos comportamentais saudáveis é que farão a grande
diferença para um viver mais e melhor.
Cuidados aos 20 anos – Este é um excelente período para adquirir hábitos saudáveis
para a vida inteira. Aprenda há dividir o tempo para conciliar estudo, diversão e
atividade profissional. Assim você evita o stress e fica mais satisfeita com os resultados.
Nessa etapa, procure um ginecologista de confiança, marque uma consulta para
escolher o anticoncepcional que mais se adapte a você para prevenir uma gravidez
indesejada. Esta é a época em que a produção hormonal é intensa, o que aumenta os
riscos. Não deixe sintomas genitais sem tratamento. As estatísticas mostram que, aos 24
anos, uma em cada três pessoas com vida sexual ativa tem alguma doença
sexualmente transmissível. Vacine-se contra a hepatite B, sexualmente transmissível. É
nessa época também que o organismo responde rápido a dietas e exercícios. Boa hora
para perder peso e entrar em forma, definir a musculatura e praticar uma atividade
física com regularidade. Aprenda a fazer uma refeição balanceada para prevenir a
obesidade e suas consequências. Nunca durma sem limpar, hidratar e tonificar a pele.
Isso conserva a elasticidade por mais tempo, além de proporcionar uma boa
lubrificação e maciez. Comece a fazer o autoexame das mamas dois a três dias depois
do final da menstruação. Nessa idade, a tendência é sentar de qualquer jeito ou se
esparramar no sofá para estudar, trabalhar ou ver TV. Isso cria hábitos errados e de
postura que acabam comprometendo a coluna. Poupe-a desde cedo, mantendo as
costas retas e bem apoiadas.
Cuidados aos 30 anos – Nessa faixa de idade, a mulher precisa de muita energia e de
alternativas para descarregar as pressões do dia-a-dia. É a época de batalhar pela
ascensão profissional, de se dividir mais intensamente entre os cuidados com a família e
o trabalho. A prática de exercícios pode dar chance à mulher nessa faixa etária de não
desenvolver doenças relacionadas com os fatores hereditários, como diabetes, pressão
e colesterol altos. É também a época de já começar a prevenir a osteoporose,
tomando, pelo menos, 10 minutos de sol por dia, para fixar e ativar a vitamina D,
responsável pela absorção do cálcio. A partir dos 30 anos a mulher deve começar a
medir com mais assiduidade, os seus níveis de colesterol, triglicérides, hormônios e
glicose, principalmente, se há diabéticos entre os familiares mais próximos. A visita anual
ao ginecologista é indispensável. Mais atenção às mamas. Exija de seu médico um
exame completo.
Cuidados aos 40 anos – Costuma ser a fase em que a mulher está mais estabilizada
profissional e emocionalmente. Mas pode ocorrer o contrário, se o climatério começar a
se manifestar através das irregularidades menstruais. É a época em que o processo de
envelhecimento se anuncia com mais nitidez. Mantenha-se com o peso saudável para
reduzir chances de diabetes e doenças cardiovasculares. É hora de saber tudo sobre a
Terapia de Reposição Hormonal. A tendência é engordar, quase sempre de maneira
desigual. É a época dos “pneus” da cintura e quadris, típicos da mulher que entrou na
menopausa. Não se descuide. Caminhe, pedale, faça exercícios para diminuir depósitos
de gordura nas regiões mais críticas como: tronco, quadris e coxas. Beba muito líquido
para facilitar a drenagem das toxinas que fatalmente, irão se transformar na indesejável
e difícil celulite. Como em qualquer idade, evite ao máximo comidas gordurosas. Prefira
as formas light ou diet. Redobre os cuidados com os ossos, ingerindo iogurte e alimentos
ricos em ferro, para prevenir, respectivamente, a osteoporose e a anemia. Reduza
também o consumo de refrigerantes e bebidas alcoólicas. Acostume-se a sair de casa
com filtro solar. Dê preferência aos cremes que tenham ácidos glicólicos, hialurônico,
colágeno, elastina e vitamina C em sua fórmula. O teste ergométrico deve fazer parte

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de sua rotina anual. Ele é que revelará se o seu coração está bem ou se há necessidade
de outros exames complementares, como o eletrocardiograma de esforço, para
diagnosticar arritmias cardíacas e obstruções nas artérias. É tempo de densitometria
óssea para detectar a osteoporose. Um bom médico não deixará de pedir a
mamografia, principalmente às que já fazem reposição hormonal.
Cuidados aos 50 anos – Tempo de ficar preocupada com os efeitos do tempo sobre
corpo e mente. Mas não faça dessas preocupações um cavalo de batalha nem se
entregue à depressão. A medicina avançou muito. O importante é não descuidar da
aparência e aproveitar todas as oportunidades que surgem para desfazer velhos
paradigmas e rejuvenescer por dentro e por fora. Os óculos já fazem parte de sua vida,
portanto, que sejam de boa qualidade e bonitos. De qualquer forma, não deixe de ir ao
oftalmologista anualmente, até para prevenir o glaucoma, principalmente se tiver casos
na família. Mais do que nunca é hora de investir numa dieta saudável, com pouca
gordura saturada e o mínimo de carne vermelha. Dê preferência à carne branca e ao
peixe. Mantenha o consumo regular de alimentos ricos em fibras, ferro e cálcio.
Combata e perda de elasticidade da pele e as consequentes marcas de expressão,
redobrando os cuidados com o sol. Vá ao dermatologista anualmente para avaliação
das manchas que começam a surgir e de eventuais lesões permanentes. Mantenha a
rotina anual dos seus exames de sangue, que devem incluir testes de glicemia, tireoide e
hormonal. A cada cinco anos, a retosigmoidoscopia avalia o cólon ascendente e o
reto. A cada dez anos, colonoscopia para ver o intestino todo. Filhos criados é tempo de
investir mais em você. Recicle seus conhecimentos, faça cursos de atualização naquilo
que mais gosta, aprenda novos idiomas, se já domina algum, junte-se a grupos que
possam acrescentar algo de bom à sua vida.
Cuidados aos 60 anos – Muitas mulheres já se aposentaram. Mas nem por isso devem
passar a maior parte do tempo em casa, vendo TV. Fique atenta aos sinais da
depressão, que costumam ser comum nessa idade, principalmente se a mulher está
sozinha. Mantenha o controle de sua vida, aumentando seu círculo de amizades,
divertindo-se. Converse com os jovens. Renove-se com eles e fique antenada com o
mundo, através da leitura de jornais e de bons livros. Hora de reavaliar os medicamentos
até então em uso. Aumentam as possibilidades de catarata e glaucoma, portanto,
reforce os cuidados com a visão através de consultas periódicas ao oftalmologista. Sob
sol forte, não sai na rua sem óculos escuros. Os exercícios, indispensáveis para a
manutenção da capacidade motora, cardiovascular e respiratória em qualquer idade,
agora são mais importantes para manter a musculatura ativa e a flexibilidade. Se optar
pelas caminhadas, prefira lugares planos e sem muito trânsito. Evite calçadas
acidentadas, a fim de evitar quedas ou torções que possam comprometer sua ossatura
e ligamentos. Prefira os alimentos ricos em cálcio, desnatados, menos gordurosos. A pele
merece os mesmos cuidados para as mulheres de qualquer idade: limpeza, tonificação,
hidratação e nutrição, filtro solar com fator FSP alto, insistindo no pescoço e braços,
minimizando as manchas solares que costumam aparecer nas costas das mãos e no
pescoço, áreas mais vulneráveis por estarem permanentemente descobertas. Mais do
que nunca, autoexame mensal das mamas, mamografia anual (ou semestral, conforme
orientação médica) e preventivo de seis em seis meses. Se já passou dos 65, vacine-se
anualmente contra a gripe e, se houver necessidade e assim o médico prescrever,
contra a pneumonia. Previna quedas, fraturas e manchas roxas mantendo, á noite, uma
luz fraca acesa. Tire tapetes e móveis do seu caminho. Após os 65 anos, a tendência é
dormimos menos à noite. Se já estiver aposentada, procure compensar dormindo um
pouco à tarde. Mantenha-se alerta a qualquer sintoma de disposição fora do normal.
Cuidados aos 70 anos – Se você chegou até aqui, as chances de ir mais além são
muitas, principalmente com todos os avanços da medicina no campo da estética e da
saúde. Continue mantendo os cuidados pessoais, evite situações que possam levá-las
ao estresse e á depressão. Curta-se. Engaje-se em programas culturais e sociais,

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mantendo sua mente ocupada com coisas agradáveis e novas. Converse com seu
médico sobre a continuação da TRH, beba muita água para manter o corpo hidratado,
use e abuse dos cremes hidratantes. Continue com a ginástica moderada, as
caminhadas e os alongamentos. As frutas cítricas devem ser consumidas com mais
moderação. Insista nas fibras. Protetor solar mais do que nunca, não saia de casa sem
ele. Fique de olho nas pintas que mudam de cor ou que aparecem, inesperadamente,
de forma saliente. Não durma sem limpar, tonificar a pele do rosto, o mesmo cuidado
com mãos, que tende a ressecar-se com mais facilidade. Use e abuse dos hidratantes
corporais. Medida da pressão arterial mensal ou sempre que necessário, fique atenta
aos possíveis sinais de demência, depressão, incontinência urinária, déficits de
percepção (audição, visão). Vacine-se contra gripe todo ano e, a cada cinco anos,
contra a pneumonia. Dr. José Alexandre Portinho

5*Metodologia para o ensino da Dança do Ventre
Ser professora é ter autoconhecimento, disciplina, responsabilidade, respeito, paciência,
amar aquilo que ensina... ser humilde para aceitar, ser seguro para entender, Ser
professora é... Renunciar um pouco de si a cada dia. Não só ensinar, mas também
aprender...
Oração do professor
Dai-me, Senhor, o dom de ensinar,
Dai-me esta graça que vem do amor.
Mas, antes do ensinar, Senhor,
Dai-me o dom de aprender.
Aprender a ensinar
Aprender o amor de ensinar.
Que o meu ensinar seja simples, humano e alegre, como o amor.
De aprender sempre.
Que eu persevere mais no aprender do que no ensinar.
Que minha sabedoria ilumine e não apenas brilhe
Que o meu saber não domine ninguém, mas leve à verdade.
Que meus conhecimentos não produzam orgulho,
Mas cresçam e se abasteçam da humildade.
Que minhas palavras não firam e nem sejam dissimuladas,
Mas animem as faces de quem procura a luz.
Que a minha voz nunca assuste,
Mas seja a pregação da esperança.
Que eu aprenda que quem não me entende
Precisa ainda mais de mim,
E que nunca lhe destine a presunção de ser melhor.
Dai-me, Senhor, também a sabedoria do desaprender,
Para que eu possa trazer o novo, a esperança,
E não ser um perpetuador das desilusões.
Dai-me, Senhor, a sabedoria do aprender
Deixai-me ensinar para distribuir a sabedoria do amor.
Antonio Pedro Schlindwein

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A arte de ensinar a dança do ventre
Primeiramente comece a análise estrutura do corpo, perceba as dificuldades e
facilidades da aluna; introduza movimentos que facilitem o aprendizado especifico de
cada aluna; sempre fale da história da dança, de onde ela surgiu, para onde ela te
leva...
 Lembre-se cada mulher é única e terá uma dança única e especifica.
Todo professora de dança é responsável pelas atitudes de suas alunas, pela maneira
que irá desenvolver a dança, por isso temos sempre que estar atentas e temos sempre
que estudar sobre os seguintes assuntos: A história da dança, a cultura árabe, o
feminino, o mito das deusas, sobre a estrutura corporal, bailarinas, outros estilos de
dança, meditação e principalmente sobre nós mesmas.
Esquema da aula:
Planeje sua aula, porém não fique presa, pois pode acontecer da aluna não estar com
a mesma energia que você. Sempre antes de começar a aula faça uma breve
meditação, ou fique em silêncio, pois assim você irá ficar mais aberta para captar as
energias e a intenção de cada aluna.
Nunca elogia uma aluna sem também elogiar o resto da turma, tente sempre distribuir
sua atenção igualmente a todas as alunas, não fiquei insegura, afinal foi também está
ali para aprender!
Comece a aula com alongamento, separe sempre a aula em três grupos: movimentos
ondulatórios, deslocamentos e movimentos de batidas e shimies. Dentro desse grupo
separe os movimentos de cada aula no final faça uma pequena coreografia com os
movimentos dados em aula. Ao final pergunte se todas entenderem os movimentos, e
repita se for necessário.
Separe pelo menos 15 minutos finais das aulas: 10 minutos para os exercícios “místicos” e
5 minutos ou mais para o relaxamento. Lembre-se de que você como professora deve
ouvir mais do que falar.
Curta a sua aula, descubra o melhor jeito de você dar aula, nunca pense em como
conquistar mais alunas sendo aquilo que você acredita que elas procuram, seja
verdadeira, deixe a sua essência trabalhar e nunca te faltará alunas!!!! Divirta-se!
"Você não é um ser humano que está passando por uma experiência espiritual. Você é
um ser espiritual que está vivenciando uma experiência humana". (Wayne W. Dyer)
Aulas especiais para crianças, gestantes e 3º idade
Crianças:
A dança sempre traz benefícios para o corpo e para a mente. Quando praticada
desde a infância são maiores as vantagens. A criança que dança desenvolve melhor
sua coordenação motora é mais ágil e flexível nas suas atividades físicas.
Em se tratando então de meninas que fazem a Dança do Ventre podemos acrescentar
graça e beleza aos benéficos já citados.

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A Dança do Ventre, para as crianças ajuda a criar disciplina, melhorar o
relacionamento interpessoal e canaliza as energias em prol do autoconhecimento e
despertar a sensibilidade.
Elas ficam mais comunicativas, confiantes e com as apresentações resolvem o
problema da timidez se o tiverem. Em geral a partir dos 6 ou 7 anos já e possível iniciar os
estudos dessa arte.
Na criança o objetivo da dança é desenvolver ritmo, suavidade, inocência, criatividade
e delicadeza, incentivando sempre a espontaneidade. A dança do ventre pode ser
praticada por crianças, mas as aulas para as meninas são bem diferentes das aulas
para as adolescentes e adultas, em respeito às questões anatômicas e funcionais
próprias de cada fase do desenvolvimento.
Para as mais jovens, saindo da adolescência, a dança do ventre tem se mostrado uma
verdadeira descoberta para o desenvolvimento da autoestima e da desenvoltura.
Metodologia
Os exercícios de vem ser separados, (braços, quadril, cabeça. e etc.) Trabalhar o lado
lúdico com contos árabes, pintar desenhos orientais, trabalhar com bolar para
desenvolver os braços arredondados, bambolês para soltar o quadril.
Nunca forçar a criança, se ela cansar, a aula tem que acabar ou a professora pode
passar um desenho para a aluna pintar, ou começar o alongamento como em forma
de brincadeira.
É considerada aula para crianças até os 10 anos depois disso a aluna já começa na
mesma didática das alunas mais velhas.
Aula 3º Idade
A prática regular de exercícios beneficia a saúde, melhora os sistemas cardiovasculares
e respiratórios, fortalece os músculos, aumenta a flexibilidade, ajuda na coordenação
motora e traz ao sono mais qualidade, tornando-o mais tranquilo.
A dança do ventre pode ser praticada desde a adolescência até a "melhor" idade. Nós
mulheres passamos por muitas fases, mas as principais delas são: a fase jovem, mulher e
anciã, a Deusa tríplice. Hoje em dia, apesar de já ter mudado bastante, a fase anciã
ainda é "escondida" deixamos de viver o sentir do corpo, esquecemos do ventre, da
importância de nosso contato com nós mesmas.
A dança nessa fase da vida é essencial para entramos em contato com nossa
bagagem interior e colocar para fora todo o nosso aprendizado, todo o nosso
conhecimento. É a consagração espiritual, mental e corporal da vida, o reencontro
com a sua autoconfiança, o melhoramento do funcionamento e o desempenho de seu
sistema respiratório, cardiovascular, endócrino e neuromotor, a quebra de padrões e de
barreiras de pensamentos e de ações, a ativação da criatividade e da vontade de ser
feliz; são os principais motivos por que devemos praticar a dança do ventre na melhor
idade!
Metodologia
A partir dos 60 anos começa a menopausa, a velhice e a queda hormonal.
A dança ajuda a trabalhar o feminino.

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Priorizar movimentos pélvicos, trabalhar o músculo abdominal e a força muscular.
Priorizar também os movimentos lentos, ondulações de mão e corporal, equilíbrio e
braços.
Não forçar shimies e muito menos cambrees.
Trabalhar aspecto lúdico da dança com exercício e estudos que elevem a autoestima.
Gestante
Muitos estudos têm mostrado que uma mulher que se exercita com regularidade pode
ter um parto mais fácil, saudável, rápido e feliz.
A Dança do Ventre exercita o corpo, principalmente os músculos abdominais, as
ondulações ajudam à mulher entrar em contato com os movimentos ancestrais e
proporcionam ao bebê um balanço gostoso, fazendo com que se sinta confortável e
protegido.
Nas civilizações antigas, muitas mulheres utilizavam movimentos da dança do ventre no
início do trabalho de parto, permanecendo a princípio de pé e posteriormente
acocorando-se durante o parto, com o intuito de diminuir as dores das contrações e
facilitar a passagem do bebê pelo canal de parto.
Seus benefícios são tantos físicos como terapêuticos:
Físicos:
.- Menor ganho de peso e adiposidade materna;
.- Diminuição do risco de diabetes e efeitos benéficos no controle da glicose na
gestante com diabetes;
.- Melhora no condicionamento cardiovascular;
.- Diminuição de complicações obstétricas;
..- Menor risco de parto prematuro;
.- Menor duração da fase ativa do parto;
.- Menor tempo hospitalização;
.- Diminuição na incidência de cesárea;
.- Melhora na capacidade física;
- Redução do risco de pré-eclampsia.
Terapêuticos:
- Melhora autoimagem;
.- Melhora da autoestima;
.- Melhora da sensação de bem estar;
.- Diminuição da sensação de isolamento social;
.- Diminuição da ansiedade;
..- Diminuição do stress;
.- Diminuição do risco de depressão.
Metodologia
Grávida não faz alongamentos
Trabalhar força da barriga com o todo.

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A perna da gestante é um pouco mais aberta que a normal e joelhos também mais
fletidos.
Usar mais os joelhos do que a contração no períneo
Trabalhar movimentos lentos.
È proibido shimies de tensão é proibido tremer!!!!!
Trabalhar a força nos glúteos e pernas.

6*Técnicas de Alongamento
*Alongamento
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.

Alongar os braços;
Alongar pulso com movimentos giratórios;
Passar para o quadril, pernas abertas quadril para um lado e para o outro;
Parar o mov. e ir descendo devagar colocando as mãos no chão;
Ficar nessa posição por 30 segundos;
Segurar na perna direita 30 segundos e perna esquerda 30 segundos;
Voltar ao meio e fechar as penar;
Flexionar a perna direita e esticar a esquerda, trocar o lado;
Feito isso, flexionar as duas pernas e subir desenrolando;
10.
Girar o pé direito para um lado e depois para o outro e fazer o mesmo com o
esquerdo.
*Relaxamento

1.
2.
3.
4.
5.
6.

Pegar colchonetes;
Deitar e abraças as pernas por 30 segundos;
Abrir os braços e deixar as pernas cair para a direita e depois esquerda;
Virar na posição de “criança” (como na Ioga) 30 segundos;
Apoiar os pés e ir subindo devagarzinho;
Relaxar os ombros, a cabeça, os braços.

7*Roteiro de aulas
Programa de aula de dança do ventre para o ano
Fevereiro:
½ semanas – Relembrar passos: Básicos, shimis, tremidos, andadas, camelo, ondulação,
Twist, oito maia, oito egípcio, braços, redondos, arabesque, giros, batida frente e trás,
encaixe e desencaixe, véus, meio bolinha, cambrets, soldadinho, improvisos, entradas e
saídas e coreografia. – Cartas e trabalho com chakas.
¾ semanas - Aprender passos: tremido com redondo, shimi xixi, cambret lateral, oito
para frente soltando a perna com o braço. – Leitura corporal do ritmo, meditação. Dança de enceramento do mês.
Março:

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½ semanas - Aprender: fazer entradas com música clássica, shimi surrer, meio xixi,
tremido com pêndulo. – Cartas e trabalho com chakas.
¾ semanas - Treinar sequências. – Coreografia e dança de final de mês.
Abril:
½ semanas –Aprender: Cambret para trás, tremido com oito para frente, arabesque
com camelo. – Cartas ou mandalas e trabalho com chakas.
¾ semanas –treinar sequências.
oferenda às deusas.

– Dança do enceramento de mês ou dança de

Maio:
½ semanas – Aprender: Cambret com camelo, tremido com maia e redondo com
cabelo. – Cartas e meditação.
¾ semanas - Treinar sequências. –Coreografia e dança de enceramento de mês.
Junho:
½ semanas – Aprender: Cambret lateral descendo até o chão, twist frente e trás,
Pandeiro. – Cartas ou mandalas.
¾ semanas – treinar Sequências. Coreografia e apresentação de meio de ano;
apresentando a coreografia que vocês já conhecem.
Julho – Férias
Agosto:
½ semanas – Relembrar o que foi aprendido no primeiro semestre.
meditação.

– Cartas e

¾ semanas –Aprender: Oito torcido com tranquinho no meio, derbak. – Dança de
enceramento de mês.
Setembro:
½ semanas Treinar sequências. – cartas ou mandalas.
¾ semanas – Aprender: meio shimi surrer, cont. derbak. - Dança de enceramento de
mês ou dança de oferenda às deusas.
Outubro:
½ semanas – Treinar sequências. – Cartas e Meditação.
¾ semanas – Aprender: Estudar música cantada e criar uma coreografia. – Dança de
enceramento.
Novembro:
½ semanas - Treinar música cantada. – cartas ou mandalas.

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¾ semanas – Apresentar coreografia criada por vocês.
Dezembro:
½ semanas – treinar coreografia. – cartas e meditação.
3 semanas – Festa de final de ano, apresentação das coreografias oficialmente!
8*Psicologia feminina.
“Durante a vida, algumas vezes é preciso entrar simbolicamente no ventre e sair como
um novo ser.” Lucy Penna
Os males da nossa alma
Jornada tripla de trabalho, padrões de beleza inatingíveis e outras cobranças tornam as
mulheres mais vulneráveis a doenças como depressão, ansiedade e stress. Os poetas
costumam afirmar que não há nada mais misterioso do que a alma feminina. Um pouco
de exagero talvez. Mas é verdade que a alma da mulher tem meandros às vezes
incompreensíveis aos olhos do mundo e aos seus próprios. É a tristeza que surge
aparentemente sem motivo, é a impaciência que beira o insuportável às vésperas da
menstruação, é o choro que vem fácil diante de mais uma tarefa que parece impossível
no trabalho. Ainda há quem chame isso de fragilidade. Pura bobagem. Motivos não
faltam para que a mulher viva nessa montanha-russa emocional. A começar pelo sobee-desce dos hormônios, que a acompanha todo mês, interferindo nos seus humores.
Somadas a essa característica inexorável, há a pressão pelo desempenho impecável na
empresa, a cobrança pelo corpo perfeito, pela mãe presente, pela mulher imbatível na
cama. Esse redemoinho de alterações e cobranças torna a mulher mais vulnerável às
chamadas doenças da alma - depressão, ansiedade, stress, anorexia e bulimia. Estimase que a incidência da depressão seja duas vezes maior em mulheres do que em
homens. Um estudo feito pelo instituto de pesquisa americano Roper Starch Worldwide
mostrou que há 20% mais mulheres estressadas do que homens. E anorexia e bulimia,
distúrbios de alimentação causados pela obsessiva meta de perder peso, predominam
entre as mulheres. Apesar de sombrio, é importante saber que esse quadro pode mudar.
Conhecer melhor esses males é o primeiro passo.
Stress
Lembrar-se de que até Deus precisou descansar no sétimo dia é uma dica para quem
quer evitar ou sair do stress, problema caracterizado pelo excesso de adrenalina,
hormônio cuja função é preparar o organismo para se defender. Quando a quantidade
é moderada, os especialistas chamam de fase de alerta. "Ela acontece quando, por
exemplo, acaba o combustível do carro e você está sozinha procurando um posto de
gasolina. De repente, você encontra uma pessoa estranha. Automaticamente seus
músculos se preparam para correr", explica a psicóloga Marilda Lipp, diretora do Centro
Psicológico de Controle do Stress. "O que é prejudicial à saúde é se esse estado de
alerta se prolonga. A pessoa entra na segunda fase, a de resistência", diz.
Acordar cansado e ter lapsos de memória imediata são pontos de identificação desse
estágio. Nas mulheres, ocorrem também hipersensibilidade emotiva, corrimentos e
interrupção do fluxo menstrual. Como tratamento, há a terapia, que ensina a lidar e se
adaptar às situações. Remédios para as doenças causadas pelo stress também são
receitados - antidepressivos, no caso de depressão, por exemplo. Mas nada disso fará

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efeito se não houver mudanças de hábito: deitar cedo, dançar, praticar esportes, ir ao
cinema. Aprender técnicas de relaxamento e fazer massagens, ioga e tai chi chuan
também são aconselhados.

O QUE É: Estado caracterizado por excesso de adrenalina (hormônio que prepara o
corpo para se defender). Quando prolongado, pode levar a outras patologias, como
úlceras ou depressão.
CAUSAS: Problemas financeiros, profissionais, doenças, uso de álcool, agitação,
insegurança.
SINTOMAS: Músculos enrijecidos (normalmente os ombros se elevam), aceleração dos
batimentos cardíacos, insônia, falta de apetite, irritabilidade.
GRUPOS DE RISCO: Pessoas muito competitivas, perfeccionistas, viciadas em trabalho,
com tendência ao isolamento, quem não sabe dizer não, quem tem contato direto com
o público ou grande responsabilidade e pouca autonomia para decidir.
TRATAMENTOS: Psicoterapia, massagens, técnicas de relaxamento e remédios quando
necessário.
Anorexia e bulimia
Controlar a alimentação para não ganhar peso é saudável, mas ficar abaixo do peso
recomendado para altura e idade e ainda por cima preocupada em não ganhar um
grama é doença. Esse é o problema de muitas jovens e adolescentes que sofrem dos
transtornos alimentares (bulimia e anorexia). As vítimas da bulimia normalmente têm de
20 a 30 anos. Primeiro, elas comem muito de uma vez só e depois provocam vômitos ou
se exercitam até a exaustão para emagrecer. O problema atinge nove mulheres para
cada homem e cerca de 4% da população feminina. Já a anorexia pode começar
como uma inocente dieta e terminar em completa ausência de apetite. A doença
afeta de 0,5% a 1% da população e 95% dos pacientes são adolescentes. "Um dos
fatores que levam a mulher a ser a principal vítima desses transtornos está relacionado à
criminosa cultura das dietas e o conceito de que apenas as magras são belas e bemsucedidas", afirma Táki Cordás, coordenador geral do Ambulatório de Bulimia e
Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo
(Ambulim). Não existe prevenção para esses transtornos e o ideal é que as famílias
prestem atenção ao comportamento das jovens. Segundo Cordás, cerca de 60% das
pacientes de bulimia se curam. No caso da anorexia, os índices de recuperação são
menos otimistas: cerca de um terço se cura, um terço melhora e um terço torna-se
doente crônico.
BULIMIA:
O QUE É: Depois de ingerir muita comida, a mulher provoca vômitos
SINTOMAS: Dor de estômago, cansaço, desmaios, náuseas, diarreia, irregularidade
menstrual, depressão (é importante lembrar que os episódios devem acontecer duas
vezes por semana durante três meses seguidos).
ANOREXIA:
O QUE É: A jovem se nega a manter o peso ideal para sua idade e altura e usa recursos
para emagrecer cada vez mais.

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SINTOMAS: Pele seca, queda de cabelo, olhos fundos, pressão baixa, depressão,
irritabilidade, obsessão por exercícios físicos, perda excessiva de peso em períodos
curtos.
CAUSAS DOS DOIS DISTÚRBIOS: Obsessão em se enquadrar dentro do padrão de beleza,
predisposição genética e psicológica e influência familiar.
GRUPOS DE RISCO: Adolescentes de 12 a 20 anos (anorexia), jovens de 20 a 30 anos
(bulimia), jóqueis, estudantes de Nutrição e de Educação Física, atletas, bailarinas,
modelos, quem já sofreu transtornos alimentares.
TRATAMENTO PARA OS DOIS DISTÚRBIOS: Deve ser feito por equipe multidisciplinar
(psicólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional, clínico geral). Não há medicação
específica para anorexia. No caso da bulimia, antidepressivos ajudam. Paciente e
família devem fazer terapia.
Depressão
É natural ficar triste com a morte de um parente querido. Mas isso não deve impedir que
a vida continue, certo? Nem sempre. Em alguns casos, a pessoa não consegue sair do
estado de tristeza. "A vida perde a graça e o deprimido se isola", resume o
neuropsiquiatra Rubens Pitliuk, de São Paulo. O tratamento muitas vezes requer
medicação, que dependerá do tipo de depressão, da personalidade e do histórico
familiar. Segundo Pitliuk, o importante é levar o tratamento até o fim para evitar recaída.
Quando ela acontece, a chance de apresentar nova crise é de 70%.
O QUE É: Estado melancólico que dura, no mínimo, duas semanas e pode se estender
por muitos anos.

CAUSAS: Desequilíbrio na quantidade de substâncias que fazem a comunicação entre
os neurônios, em especial a serotonina e a noradrenalina, predisposição genética ou de
personalidade, incapacidade de lidar com situações difíceis, traumáticas ou frustrantes
e parto.
SINTOMAS: Incapacidade de sentir alegria, desânimo, apatia, dificuldade de
concentração, perda do apetite sexual, movimentos lentos ao falar e andar, dificuldade
de tomar decisões, pensamento recorrente sobre morte e tentativas de suicídio,
distúrbios do sono, interpretação negativa da realidade.
GRUPOS DE RISCO: Mulheres de 30 a 50 anos, filhos de mães (10% de chance) e pais
depressivos (30% de risco), perfeccionistas, usuários de drogas para emagrecer,
anoréxicas, portadores de transtorno obsessivo compulsivo, síndrome do pânico ou
timidez
TRATAMENTO: Antidepressivos e terapia
DEPRESSÃO PÓS-PARTO: Depois do nascimento do bebê, muitas mulheres sofrem do
blues puerperal, uma tristeza profunda que afeta entre 50% e 80% das mulheres entre o
terceiro e o décimo dia pós-parto. Os principais sintomas são: tristeza, explosões de
choro sem motivo, sensação de incapacidade de cuidar do bebê, sentimento de
culpa. Em geral, desaparece naturalmente. Cerca de 15% das mulheres, no entanto,
sofrem de depressão pós-parto. Elas perdem o interesse e o prazer de viver, têm
alteração do sono e de apetite e muitas vezes rejeitam o bebê. Se os sintomas durarem
mais de duas semanas, é importante procurar ajuda, segundo a psiquiatra Márcia Britto,
do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. O tratamento é feito
com terapia e medicamentos.

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Ansiedade
A ansiedade pode ser doença quando a preocupação é desproporcional aos fatos,
incontrolável e vem acompanhada de sintomas físicos como taquicardia, insônia,
sudorese, boca seca e náusea. Entre os distúrbios graves de ansiedade, estão:
transtorno de pânico e o transtorno obsessivo compulsivo (TOC). De acordo com Márcio
Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital
das Clínicas de São Paulo, as pessoas cujo perfil se enquadra nos grupos de risco devem
ficar bastante atentas aos principais sinais do problema. As formas de tratamento
variam. Geralmente são usados antidepressivos, tranquilizantes e psicoterapia. "A
medicação é indicada até o desaparecimento dos sintomas, com manutenção por
mais de um ano", explica. Após a suspensão dos remédios, 80% dos pacientes que
sofrem de transtorno de pânico podem voltar a apresentar os sintomas.
TRANSTORNO DE PÂNICO:
O QUE É: Caracterizado por crises de pânico que se repetem de maneira inesperada,
com sensação de mal-estar e perigo ou de morte iminente.

SINTOMAS: Falta de ar, tontura, mãos geladas, taquicardia, formigamento. Os sintomas
duram alguns minutos e a crise passa em até 40 minutos. A maior parte das vítimas são
mulheres dos 22 aos 44 anos.

CAUSAS: As crises podem ser desencadeadas pelo uso de estimulantes (cocaína,
remédios para emagrecer), variações hormonais da fase pré-menstrual e stress.

GRUPOS DE RISCO: Estressadas, mulheres a partir da adolescência até os 35 anos
(principalmente no pré-menstrual e pós-parto), hereditariedade e dependentes de
álcool.
TRATAMENTO: Antidepressivos e terapia comportamental.
A Depressão tem cara de Mulher
Muitas são as queixas em consultórios médicos sobre desânimo, falta de apetite sexual,
irritabilidade, etc...Muitas mulheres têm a percepção desse quadro acreditando ser
algum tipo de doença física. Mas afinal, que doença é essa? O que é isso, "de ficar
triste"?
A depressão é uma doença com uma incidência maior nas mulheres. É caracterizada
por vários tipos de sintomas que resumidamente descrevemos como:
- Sentimentos persistentes de tristeza
- Falta de interesse em geral (profissional, atividades preferidas)
- Perda de energia e sentimentos de pessimismo
- Ansiedade e desespero sem causa aparente, com sentimentos de culpa
- Crises de choro
- Irritabilidade e distúrbios do sono (excesso ou insônia)

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- Dificuldade de concentração e de relacionamentos, com tendência ao isolamento
A causa da depressão ainda não foi estabelecida, mas acredita-se que fatores
hereditários e genéticos estão envolvidos. Circunstâncias relativas à vida também tem o
seu peso como fatores coadjuvantes, como por exemplo: menopausa, pós parto,
período pré menstrual, situações de perda ou estresse.
O primeiro passo para o tratamento é reconhecer e admitir que se está doente, ou pelo
menos que não se está bem. Feito isso deve-se procurar um profissional especializado: o
psiquiatra ou neurologista, que são os mais indicados para se fazer o diagnóstico preciso
do quadro depressivo e caracterizá-lo, pois existem vários tipos de depressão.
Estabelecido o diagnóstico deve-se iniciar o tratamento, que varia de acordo com o
caso e pode incluir psicoterapia, medicações e tratamentos alternativos (como
acupuntura, florais, etc.)
É muito importante seguir o tratamento correto e não se deve ter a ideia de que com o
tratamento medicamentoso existe dependência. Essa é uma ideia errada e antiga, que
pode atrapalhar sua cura e que deve ser discutida com seu médico. A depressão, se
não tratada, entre outros sintomas ruins, pode levar à morte.
Depressão na mulher
Prof. Dr. Mario R. Louzã
Tristeza por longos períodos de tempo, falta de ânimo, energia e vontade, irritabilidade,
angústia, apatia, perda da capacidade de sentir prazer e alegria na vida, baixa
autoestima, sensação de medo ou insegurança, dificuldade de concentração,
alterações de sono e apetite são alguns dos sintomas mais comuns da depressão.
Em casos mais graves, ocorrem pensamentos negativos, de fracasso, de incapacidade,
de culpa, chegando até a ideias de suicídio.
Depressão, tristeza e mau-humor
A depressão é diferente da tristeza comum, pois costuma ter duração maior e inunda a
vida da pessoa como um todo. A tristeza passageira está quase sempre associada a
algum evento adverso da vida e costuma desaparecer em pouco tempo, na medida
em que ele é superado. O "mau humor", caracterizado pela irritabilidade, nervosismo,
negativismo, pessimismo, pode ocorrer de modo passageiro ou estar associado à
depressão leve, caracterizando a distimia. Particularmente na mulher esse quadro é
confundido com "xilique, frescura" e ela, em vez de procurar auxílio adequado, se fecha
ainda mais, "envergonhada" por essa "fraqueza". É fundamental vencer preconceitos
nessa hora e ir em busca do médico, para que ele possa avaliar o caso e encaminhar o
tratamento.
Adolescência, pré-mênstruo, ciclo gestacional e menopausa
A depressão é mais frequente na mulher do que no homem, atingindo cerca de 20%
delas em algum momento ao longo da vida. Quadros depressivos aparecem mais
frequentemente pela primeira vez no fim da adolescência e início da idade adulta, no
entanto, podem ocorrer em todas as idades, da infância à terceira idade. A mulher é
particularmente vulnerável à depressão nos períodos de oscilações hormonais intensas:
período pré-menstrual, gravidez e puerpério, e menopausa.

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No período pré-menstrual, a famosa TPM (tensão pré-menstrual), além das queixas físicas
bem conhecidas de aumento e dor nas mamas, inchaço no corpo, etc., ocorrem, em
cerca de 8% das mulheres, labilidade emocional, tristeza, irritabilidade, falta de energia,
mudanças de apetite e do sono.
Esses sintomas tipicamente diminuem ou desaparecem após a menstruação, voltando
no período pré-menstrual seguinte. Durante a gestação e especialmente no pós-parto,
ocorre frequentemente o chamado blue (referência ao gênero musical americano, que
se identifica por conter canções tristes), caracterizado por uma depressão leve, em
geral de curta duração. Em cerca de 10 a 20% das mulheres, instala-se um quadro
depressivo mais grave e duradouro. Socialmente, gestação, parto e a chegada do
"príncipe" ou da "princesa" são vistos como períodos de alegria e regozijo e há uma
"cobrança" para que a mulher esteja exuberante. Coloca-se aqui um peso ainda maior
para a puérpera (a mulher que deu a luz), que se sente culpada por estar deprimida e
não corresponder às expectativas de todos.
Já no período da menopausa, além das mudanças hormonais, o impacto psicológico
do "fim da menstruação", das alterações físicas e da perda de papéis sociais (p. ex.,
filhos que se casam, a chamada "síndrome do ninho vazio") podem contribuir para o
desencadeamento da depressão.
Tratamento
Um episódio de depressão pode durar alguns meses, se não for tratado; em cerca de
metade das pessoas, ocorre apenas um episódio ao longo da vida, na outra metade os
episódios se repetem, caracterizando a depressão recorrente. Em muitas circunstâncias,
principalmente se não for tratada, a depressão pode se tornar crônica, perdurando por
anos, sem períodos de melhora total.
As causas da depressão vêm sendo muito pesquisadas. Sabe-se que a predisposição
hereditária é importante em alguns casos e a ela se associam fatores precipitantes, em
geral ligados a situações de estresse (perdas significativas, conflitos familiares e
conjugais). Alterações hormonais, especialmente da glândula tireoide, também se
relacionam à depressão na mulher. De modo geral a depressão é resultado da
somatória de todos esses fatores – biológicos, psicológicos e sociais – daí a importância
de que o tratamento leve em consideração todos eles.
Estudos mostram que na depressão ocorrem alterações químicas no cérebro,
envolvendo substâncias que fazem a comunicação entre as células nervosas
(neurônios). Essas substâncias são chamadas de neurotransmissores; os principais deles
que se encontram alterados na depressão, são a noradrenalina e a serotonina. Os
medicamentos usados no tratamento da depressão corrigem as alterações desses
neurotransmissores, promovendo o reequilíbrio químico no cérebro.
O diagnóstico da depressão requer avaliação especializada e é feito a partir do relato
minucioso das queixas da paciente. Se necessário, o(a) médico(a) pedirá exames
laboratoriais para complementar a avaliação. Tais exames ajudam a identificar se a
depressão está sendo provocada por alguma doença física (p. ex., hipotireoidismo).
O tratamento da depressão é feito com medicamentos chamados antidepressivos. Há,
no mercado brasileiro, vários antidepressivos disponíveis, com diferentes modos de ação
(alguns agem mais sobre a serotonina, outros na noradrenalina, outros em ambos os
neurotransmissores). Tais medicamentos devem ser utilizados por tempo prolongado,
pois demora algumas semanas para começarem a fazer efeito. A melhora da
depressão vai ocorrendo gradualmente: em geral a pessoa volta a se sentir "normal"
somente após cerca de 3 a 4 meses de tratamento. Mesmo após esse período, é

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importante manter o tratamento por mais alguns meses, para evitar que haja uma
recaída da depressão. Nos casos mais graves de depressão, quando a pessoa
manifesta ideias de suicídio, é fundamental um acompanhamento intensivo no período
inicial do tratamento com os antidepressivos, pois os vários sintomas da depressão não
melhoram com a mesma rapidez: ânimo e vontade melhoram mais depressa, tristeza e
ideias de suicídio são as últimas a melhorar, daí o risco de que a pessoa no início do
tratamento venha a reunir forças para tentar o suicídio. Além do tratamento
medicamentoso, o apoio psicoterápico é importante para ajudar a pessoa a lidar
melhor com as dificuldades pessoais, que podem ser precipitantes de depressão. Nos
casos em que os fatores psicológicos e sociais têm um peso importante na origem da
depressão, a psicoterapia é fundamental, pois ajudará a mulher a elaborar as
dificuldades trazidas pelo período da vida em que ela se encontra.
Depressão é uma doença frequente para a qual dispomos de recursos terapêuticos
muito eficazes. Por ser uma doença relativamente fácil de tratar é importante vencer
preconceitos e buscar tratamento tão logo os sintomas sejam percebidos. O resultado
certamente será uma melhora significativa da qualidade de vida.
O caminho do meio
Aristóteles e a moderação das paixões como caminho da felicidade
Enquanto Platão sonha com uma sociedade ideal na qual não praticar o bem torna-se
uma impossibilidade tal a extensão das instituições que eliminam a vida privada,
Aristóteles propõe o que, de certa forma, pode ser compreendido como um caminho
contrário. Para ele a Lei deve ser capaz de compreender as limitações do ser humano,
aproveitar-se das suas paixões e instintos, e produzir instituições que promovam o bem e
reprimam o mal.
Assim se para Platão a Lei deve moldar o real, para Aristóteles o real deve moldar a Lei,
única forma de seu cumprimento ser possível a todos. A exposição destes conceitos na
Ética de Aristóteles parece estar diretamente dirigida contra a Utopia platônica que, na
visão de Aristóteles, está condenada ao fracasso porque não respeita os impulsos do
homem, seus apetites e paixões.
Mas esta visão não pode ser entendida como uma ausência de princípios éticos fortes
ou a abstenção de promover o Bem – que Aristóteles entende também como uma
aspiração do ser humano capaz de conciliar o interesse individual e o comunitário. Pelo
contrário, ele propõe um controle estrito sobre as paixões, com a diferença que ele
deriva delas tanto as virtudes quanto os vícios, ao contrário de seus mestres
predecessores.
A essência da virtude seria, então, a moderação entre os extremos de cada paixão, a
Regra Dourada do caminho do meio entre a indulgência absoluta e a privação
absoluta. Assim a verdadeira definição de coragem estaria entre a covardia e a
bravata itimorata, a amizade entre a subserviência e a insolência. É evidente o vínculo
com os múltiplos questionamentos de Sócrates sobre as essências dos valores morais,
bem como com a noção das Ideias Gerais de Platão.
Mas se há uma continuidade há igualmente uma ruptura nesta nova noção. A mais
significativa dela é a existência de uma resposta objetiva àquilo que Sócrates recusouse a responder e Platão respondeu de forma abstrata e filosófica. Aristóteles está
preocupado em termos de Ética – como no restante da sua filosofia – em encontrar
regras claras que possam ser conhecidas, rotuladas, catalogadas.
Ele também não está preocupado em uma utopia mirabolante, mas em construir uma
sociedade com os homens que estão disponíveis, não com super-homens idealizados,

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assim tenta construir uma visão de ética que seja capaz de atender à maioria. A
despeito disto traça uma visão aristocrática da sociedade na qual os méritos de forma
alguma equivalem e no qual os homens estão classificados segundo níveis bastante
objetivos – do ponto de vista dele – que faz com que alguns sejam senhores e outros
escravos.
A justificativa deste sistema que racionaliza a escravidão e imagina um continuum do
mineral ao homem – cujo tipo mais elevado seria o filósofo – seria o pressuposto de que
todos os seres foram criados com uma finalidade em um projeto bem definido de
universo ao qual os teólogos cristãos medievais designarão de Summus Boni – O Bem
Supremo.
A atribuição do homem, para ele, seria o pensamento racional, característica que o
distinguiria do animal. Assim se tem um homem ideal que é puro pensamento
especulativo e racional e portanto se concretiza no filósofo. Os gregos, dentre todos os
povos, teriam mais consciência desta importância da racionalidade e portanto se
justifica a escravidão dos bárbaros cujo nível está mais próximo dos animais irracionais.
Só através da concretização desta "finalidade racional", crê Aristóteles, o homem
poderia atingir a Eudaimonia, a felicidade da harmonia interior. Há nesta consideração
uma ruptura radical com os predecessores já que para o macedônio a finalidade da
Ética já não será mais o Bem por si mesmo, mas o Bem enquanto elemento que leva à
Felicidade, objetivo principal do homem.
Aristóteles distingue entre dois tipos de Bem, entre o que é Instrumental e o que é
Intrínseco. Os primeiros são bons porque levam à Bondade, enquanto os segundos são
bons por si mesmos. Assim o conhecimento também é dividido entre o conhecimento
prático e teórico, o primeiro sendo o conhecimento de como agir corretamente e o
segundo o conhecimento do que é bom por si mesmo.
Regras para ser humano
Chérie Carter-Scott
Quando você nasceu, não veio com manual do proprietário. Essas dicas fazem a vida
funcionar melhor:
1. Você vai receber um corpo. Pode amá-lo ou detestá-lo, mas é a única coisa que você
com certeza possuirá até o fim da sua vida.
2. Você vai aprender lições. Ao nascermos, somos imediatamente inscritos numa escola
informal chamada "Vida no Planeta Terra". Todas as pessoas e acontecimentos são
"professores universais".
3. Não existem erros, apenas lições. Crescimento é um processo de experimentação, no
qual as "falhas" são tão parte do processo quanto os "sucessos".
4. Uma lição é repetida até que seja aprendida. Será apresentada a você em várias
formas, até que você enfim entenda. Poderá, então, passar para a próxima lição.
5. Se não aprender as lições fáceis, elas se tornam difíceis. Problemas externos são o
preciso reflexo do seu estado interior. Quando você limpa obstruções, seu mundo
exterior muda. A dor é o jeito do universo chamar a sua atenção.
6. Você saberá quando aprendeu uma lição quando suas ações mudarem. Sabedoria é
prática. Um pouco de alguma coisa é melhor do que muito de nada.
7. "Lá" não é melhor do que "aqui". Quando "lá" se torna "aqui", você vai simplesmente
arranjar outro "lá", que de novo parecerá melhor que "aqui".
8. Os outros são meros espelhos de você. Você não pode amar ou odiar alguma coisa
sobre o outro a menos que reflita algo que você ama ou odeia em você mesmo.
9. Sua vida, só você decide. A vida dá a tela, você faz a pintura. Escolha as cores e pegue
os pincéis. Tome para você o comando de sua vida ou alguém o fará.

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10. Você sempre consegue o que quer. Seu subconsciente determina quais energias,
experiências e pessoas você atrai. Assim, o único jeito certeiro de saber o que você quer
é ver o que você tem. Não existem vítimas, apenas estudantes.
11. Não existe certo ou errado, mas existem consequências. Dar lição de moral não ajuda.
Julgar também não. Apenas faça o melhor que puder.
12. Suas respostas estão dentro de você. Crianças precisam de direção dos outros. Quando
amadurecemos, confiamos em nossos corações, onde as leis universais estão escritas.
Você sabe mais do que ouviu ou aprendeu. Tudo que você precisa é olhar, prestar
atenção, e confiar.
13. Você vai esquecer tudo isso.
14. Mas pode lembrar sempre que quiser.
do livro "If Life is a Game, These are the Rules" de Cherie Carter-Scott
INIMIGOS OCULTOS
Sofre de reumatismo, Quem percorre os caminhos tortuosos; Quem se destina aos
escombros da tristeza;
Quem vive tropeçando no egoísmo.
Sofre de artrite, Quem jamais abre mão; Quem sempre aponta os defeitos dos outros;
Quem nunca oferece uma rosa.
Sofre de bursite, Quem não oferta seu ombro amigo; Quem retesa, permanentemente,
os músculos.
Quem cuida, excessivamente, das questões alheias.
Sofre da coluna, Quem nunca se curva diante da vida; Quem carrega o mundo nas
costas;
Quem não anda com retidão.
Sofre dos rins, Quem tem medo de enfrentar problemas; Quem não filtra seus ideais;
Quem não separa o joio do trigo.
Sofre de gastrite, Quem vive de paixões avassaladoras; Quem costuma agir na emoção;
Quem reage somente com impulsos; Quem sempre chora o leite derramado.
Sofre de prisão de ventre, Quem aprisiona seus sentidos; Quem detém suas mágoas;
Quem endurece em demasia.
Sofre dos pulmões, Quem
permanentemente, os outros;

se

intoxica de

raiva e de

ódio;

Quem

sufoca,

Quem não respira aliviado pelo dever cumprido; Quem não muda de ares; Quem não
expele os maus fluidos.
Sofre do coração, Quem guarda ressentimentos; Quem vive do passado; Quem não
segue as batidas do tempo; Quem não se ama e, portanto, não tem coração para
amar alguém.
Sofre da garganta; Quem fala mal dos outros; Quem vocifera; Quem não solta o verbo
Quem repudia;
Quem omite; Quem usa sua espada afiada para ferir outrem; Quem subjuga; Quem
reclama o tempo todo; Quem não fala com Deus.

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Sofre do ouvido, Quem prejulga os atos dos outros; Quem não se escuta; Quem costuma
escutar a conversa dos outros; Quem ensurdece ao chamado divino.
Sofre dos olhos, Quem não se enxerga; Quem distorce os fatos; Quem não amplia sua
visão; Quem vê tudo em duplo sentido; Quem não quer ver.
Sofre de distúrbios da mente, Quem mente para si mesmo; Quem não tem o mínimo de
lucidez;
Quem preza a inconsciência; Quem menospreza a intuição; Quem não vigia seus
pensamentos; Quem embota seu canal com a Criação; Quem não se volta para o
Universo; Quem vive no mundo da lua;
Quem não pensa na vida; Quem vive sonhando; Quem se ilude; Quem alimenta a ilusão
dos outros; Quem mascara a realidade; Quem não areja a cabeça; Quem tem cabeça
de vento.
Causa e efeito. Ação e reação. Tudo está intrinsecamente ligado. Tudo se conecta o
tempo todo. E assim ,sucessivamente, passam os anos sem que o ser humano conheça
a si mesmo. Somos, certamente, o maior amor das nossas vidas! Assim como o nosso
maior inimigo é aquele que está oculto e que habita, inexoravelmente, no interior de
nós mesmos. - MAURICIO SANTINI -

POR QUE MEDITAR? INTRODUÇÃO À MEDITAÇÃO
Uma visão da meditação budista através dos textos
Este é um trabalho de seleção e ordenação de textos
de vários autores e mestres budistas por Karma Tenpa Darghye.
Os homens são afligidos por sofrimentos, angústias e medos inumeráveis que são
incapazes de evitar. A meditação tem por função eliminar esses sofrimentos e essas
angústias. Pensamos, geralmente, que felicidades e sofrimentos surgem de
circunstancias exteriores. Sempre atarefados, de uma ou de outra maneira, a
reorganizar o mundo, tentamos afastar um pouco de sofrimento aqui, acrescentar um
pouco de felicidade ali, sem jamais alcançar o resultado desejado. O ponto de vista
budista, que também é o ponto de vista da meditação, considera, ao contrario, que
felicidades e sofrimentos não dependem fundamentalmente das circunstâncias
exteriores, mas da própria mente. Uma atitude de mente positiva engendra a felicidade,
uma atitude negativa produz o sofrimento. Como compreender esse engano que nos
faz procurar fora aquilo que podemos encontrar dentro? Uma pessoa de rosto limpo e
nítido ao se olhar em um espelho vê um rosto limpo e nítido. Aquele cujo rosto e sujo e
maculado de lama vê no espelho um rosto sujo e maculado. Em verdade, o reflexo não
tem existência; só o rosto existe. Esquecendo o rosto, tomamos seu reflexo por real. A
natureza positiva ou negativa de nossa mente se reflete nas aparências exteriores que
nossa própria imagem nos envia. A manifestação exterior é uma resposta a qualidade
de nosso mundo interior.
A felicidade que desejamos não virá da reestruturação do mundo que nos cerca, mas
da reforma de nosso mundo interior. 0 indesejável sofrimento só cessará na medida em
que não embotarmos nossa mente com todos os tipos de negatividades. Enquanto não
reconhecermos que felicidades e sofrimentos tem sua origem em nossa própria mente,
enquanto não soubermos distinguir o que, por nossa mente, é proveitoso ou nocivo, e
que a deixamos a sua insalubridade ordinária, permanecemos impotentes para
estabelecer um estado de felicidade autêntica, impotentes para evitar as contínuas
ressurgências do sofrimento. Qualquer que seja nossa esperança, ela é sempre
decepcionada. Se, ao descobrirmos no espelho a sujidade de nosso rosto, decidíssemos

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lavar o espelho, mesmo que esfregássemos fortemente durante anos com sabão e
água em abundância, nada aconteceria, nem a mínima sujeira, nem a mínima mancha
desapareceria do reflexo. Por falta de orientarmos nossos esforços para o objeto justo,
eles permanecem perfeitamente vãos. Eis por que o budismo e a meditação tem por
primordial
compreender
que
felicidades
e
sofrimentos
não
dependem
fundamentalmente do mundo exterior, mas de nossa própria mente. Na falta dessa
compreensão, nunca nos voltaríamos para o interior e continuaríamos a investir nossa
energia e nossas esperanças numa vã busca exterior. Uma vez adquirida essa
compreensão, podemos lavar nosso rosto: o reflexo surgiria limpo no espelho. [...]
OS FRUTOS DA MEDITAÇÃO
Num primeiro momento, nossa mente não poderá permanecer estável e em repouso
por muito tempo. A perseverança e a regularidade levam, no entanto, a desenvolver
progressivamente a calma e a estabilidade. Sentimo-nos também mais a vontade física
e interiormente. Por outro lado, o império das circunstâncias exteriores, felizes ou difíceis,
atualmente muito forte sobre nós, diminui e ficamos menos submetidos a elas. O
aprofundamento de nossa experiência da verdadeira natureza da mente tem por efeito
o fato de que o mundo exterior perde sua influência sobre nós e torna-se incapaz de
prejudicar-nos. O fruto ultimo da meditação é a obtenção do Perfeito Despertar, o
Estado de Buddha. Estamos, então, totalmente libertos do ciclo das existências
condicionadas assim como dos sofrimentos que formam seu tecido, ao mesmo tempo
que possuímos o poder de ajudar efetivamente o próximo. O caminho da meditação
comporta duas fases: a primeira, dita shine (sct: samatha) (pacificação mental),
acalmando gradualmente nossa agitação interior; a segunda, dita lhaktong (sct:
vipassana) (a visão superior), levando a desenraizar o apego egocêntrico, fundamento
do ciclo das existências. A via interior, e só ela, conduz ao Despertar; nenhuma
substância, nenhuma invenção exterior possui esse poder.
CONCLUSÃO
Engajar-se na via da meditação implica o conhecimento de sua finalidade, os meios
utilizados, e os resultados obtidos: Reconhecer que a fonte de todo sofrimento e de toda
felicidade é a própria mente e, por consequência, só um trabalho sobre a mente
permite eliminar o primeiro e estabelecer a segunda de maneira autêntica e definitiva;
Conhecer as condições auxiliares necessárias: o desejo de meditar, um instrutor
qualificado, um local retirado; saber colocar sua mente em meditação: sem seguir os
pensamentos do passado ou do futuro, estabelecer no presente sua mente, aberta,
calma, lúcida, e fixá-la sobre o objeto de concentração escolhido; Saber quais são os
frutos temporários e últimos da meditação: a serenidade, a liberdade em face das
circunstâncias, e, enfim, o Estado de Buddha. [...]

TRÊS MÉTODOS DE MEDITAÇÃO
O Buddha ensinou 84.000 diferentes maneiras para domar e pacificar as emoções
negativas, e no budismo há incontáveis métodos de meditação. Encontrei três técnicas
de meditação que são particularmente eficazes no mundo moderno, e que todos
podem usar e se beneficiar. São elas: "observar" a respiração, usar um objeto e recitar
um mantra.
1. Observar a respiração
O primeiro método é muito antigo e o encontramos em todas as escolas do budismo.
Trata-se de pousar sua atenção, leve e atentamente, na respiração. (...)

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Assim, quando você for meditar, respire naturalmente, como sempre faz. Ponha sua
atenção de leve na respiração. Quando põe o ar para fora, flua com sua expiração.
Cada vez que expira, está soltando e se libertando da sua avidez. Imagine sua
respiração se dissolvendo na vastidão da verdade, vastidão que tudo abrange. A cada
vez que expira o ar e antes de inspirá-lo de novo, perceberá um intervalo natural, à
medida que a avidez se dissolve.
Descanse nesse intervalo, nesse espaço aberto. E quando naturalmente inspirar, não se
fixe no ar que entra, mas siga repousando sua mente no intervalo que se abriu ali.
Quando você está praticando, é importante não se deixar envolver em comentários
mentais, em análises ou no falatório interno. Não tome os rápidos comentários de sua
própria mente ("estou inspirando, e agora estou expirando") como sendo sua verdadeira
atenção. O importante é a pura presença. (...)
Algumas pessoas, no entanto, não relaxam e não se sentem à vontade com a
observação da respiração; acham isso quase claustrofóbico. Para elas a próxima
técnica pode ser mais proveitosa.
2. Usando um objeto
Um segundo método que muita gente pode achar útil consiste em delicadamente
descansar a mente num objeto. Você pode usar um objeto de beleza natural que lhe
traga alguma inspiração especial, como uma flor ou alguma coisa de cristal. Mas algo
que personifique a verdade, como uma imagem do Buddha, de Cristo ou
particularmente do seu mestre, é mais poderoso. Seu mestre é seu elo vivo com a
verdade; e devido à sua conexão pessoal com ele, só olhar seu rosto já liga você à
inspiração e à verdade de sua própria natureza. (...)
3.Recitação de um mantra
Uma terceira técnica, muito usada no budismo tibetano (e também no sufismo, no
cristianismo ortodoxo e no hinduísmo) é unir a mente com o som de um mantra. A
definição de mantra é "aquilo que protege a mente". Aquilo que protege a mente da
negatividade, ou que protege você de sua própria mente, chama-se mantra.
Quando você está nervoso, desorientado ou emocionalmente frágil, cantar ou recitar
um mantra de forma inspirada pode mudar por completo o estado de sua mente,
transformando sua energia e atmosfera. Como isso é possível? O mantra é a essência do
som, a materialização da verdade na forma de som. Cada sílaba está imbuída de força
espiritual, condensa uma verdade espiritual e vibra com a bênção da fala dos Buddhas.
Diz-se também que a mente cavalga na energia sutil da respiração, o prana, que se
move pelos canais sutis do corpo e os purifica. Assim, quando você canta um mantra,
recarrega a sua respiração e energia com a energia desse mantra, trabalhando assim
diretamente sobre sua mente e seu corpo sutil.
O mantra que recomendo aos meus estudantes é OM AH HUM VAJRA GURU PADMA
SIDDHI HUM (ou como dizem os tibetanos: OM AH HUM BENZA GURU PEMA SIDDHI
HUNG), que é o mantra de Padmasambhava, o mantra de todos os buddhas, mestres e
seres realizados e por isso único em seu poder para a paz, a cura, a transformação e a
proteção nesta época violenta e caótica. Recite-o com tranqüilidade, com profunda
atenção, e deixe sua respiração, o mantra e sua consciência lentamente tornarem-se
um. Ou cante-o de modo inspirado, e descanse no silêncio profundo que às vezes se
segue à ele.

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Os signos e a dança:
ÁRIES-CANDELABRO
Energia e dinamismo são as principais características deste signo, perfeitamente
compatíveis com seu elemento regente: o fogo. Arianas têm predileção especial pelo
desafio. Dançar com chamas sobre a cabeça, e preferencialmente com sapatos
altíssimos, é um atrativo perfeito. Neste caso prefira velas vermelhas.
TOURO-PÉTALAS
Signo extremamente feminino. Obstinado e regido por Vênus, deusa do amor. A taurina
encanta a todos exteriorizando a emoção necessária para essa doce apresentação.
Prefira pétalas cor de rosa, representando amor e romance, que devem ser ajeitadas
numa bela cesta enfeitada com fitas em tons pastéis.
GÊMEOS-DERBAK
Signo da comunicação. Além de muito carismática, a geminiana não se adapta à
rotina. Em um solo de derbak pode abusar do que mais aprecia: a improvisação.
Gêmeos possuem grande dose de energia e muito “gás pra gastar”. Impressiona pela
disposição. O ideal é roupa leve evidenciando os movimentos.
CÂNCER-SNUJS
Sensibilidade talvez seja a melhor palavra para definir a canceriana. Muito intuitiva e
sentimental, tem facilidade em desenvolver belíssimos toques durante a dança. Músicas
cadenciadas que permitem variação de toques são as mais adequadas. Prefira snujs
prateados em homenagem à Lua, seu planeta regente.
LEÃO-ESPADA
Nenhuma outra dança pode expressar tão bem as características predominantes neste
signo: valentia e determinação. A técnica necessária nessa dança ainda evidencia a
perícia da bailarina enaltecendo a vaidade leonina. A espada representa força e
poder. Roupas extravagantes são ideais para diferenciá-la.
VIRGEM-ICENSÁRIO
Difícil encontra outro signo tão organizado. Traçam objetivos com cuidado e os cumpre.
A virginiana sabe calcular prioridades. O incensário era sabidamente empregado por
sacerdotisas iniciando rituais em templos sagrados. Símbolo de limpeza astral é perfeito
quando unido à intuição virginiana.
LIBRA-7 VÉUS
Suavidade: palavra que define bem, não apenas essa dança, mas a essência libriana. A
delicadeza e sensualidade das nascidas sobre a influência de Vênus equilibram-se
perfeitamente com a leveza dos véus, contribuindo para uma performance harmoniosa
em que a bailarina e os véus fundem-se em apenas um elemento: ar.
ESCORPIÃO-SERPENTE
Independente, a nativa deste signo é conhecida pelo olhar penetrante e magnetismo
pessoal. Símbolo da sensualidade adequasse perfeitamente à dança, realizada por
movimentos lentos, sinuosos e hipnóticos, os quais ativam a energia khundalini.
Macacões colados ou saias justas, compatíveis com o signo e a dança.
SAGITARIO-PANDEIRO
Vitalidade e energia são as melhores definições para as sagitarianas, que parecem
celebrar diariamente a vida. Essa é a dança do agradecimento pelas dádivas

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recebidas da natureza e dos deuses. Roupas simples, pois o mais importante é o
sentimento exteriorizado na dança. Amarre fitas coloridas no pandeiro.
CAPRICÓRNIO-BASTÃO
Responsabilidade e confiança são qualidades da capricorniana, sinônimo de
dedicação ao trabalho, como as antigas pastoras que só dançavam a noite usando
seus cajados. Os movimentos destacam batidas firmes no solo, ressaltando a terra, seu
elemento regente, representando “os pés no chão”. Vestidos elegantes são perfeitos
para ela.
AQUÁRIO-PUNHAL
Quem mais pode representar os ideais de liberdade? Aquário luta por igualdade e um
mundo melhor. Nessa dança, especialmente sensual, o punhal se faz presente para
lembrar a força e a astúcia feminina. Avançada, aquariana fica bem usando
bombachas, provando que nem sempre a saia é necessária para mostrar sensualidade.
PEIXES-JARRO
Dança que exprime a importância da mulher e da água: símbolos da vida. A história
contada durante essa apresentação é como a pisciana: romântica e doce.
Movimentos de aguadeira do deserto são carinhosos e alegres porque ela sabe da
importância do seu trabalho. Use purpurina prata ou azul dentro do jarro.

9*Aperfeiçoamento da bailarina
Ritmos
É fundamental a bailarina conhecer os ritmos árabes e os diferentes tipos danças, que
poderão estar sendo utilizados com os ritmos.
Se for usado um ritmo de dança Saaidi, por exemplo, a bailarina deve demonstrar sua
desenvoltura com passos específicos deste folclore.
Instrumentos:

Já foi dito que os ritmos árabes são em número acima de 600, mas os mais usados, os
mais comuns de serem encontrados em uma música árabe são os apresentados
abaixo.Vamos ver alguns ritmos:
1) Baladi
Baladi – Significa “minha terra" ou “meu país”. É um ritmo 4/4 bastante comum. Possui
muitas variações, e algumas, nomenclaturas diferentes, é sem dúvida o mais conhecido
e mais utilizado ritmo para a dança do ventre.
Este é um ritmo inserido no grupo dos derivados do Maksoum. Maksoum simples é à base
de muitos ritmos e especialmente importante na música egípcia. Se você escuta música
oriental com acompanhamento de percussão, certamente reconhece o tradicional DTTD-D do Maksoum.
O Baladi é uma versão folclórica do significado da terra, do campo e envolve no Egito
um pouco de regionalismo Maksoum, caracterizado pelos familiares dois dums que
lideram a frase. A palavra Baladi significa meu povo, pode representar a terra natal e
tudo o que tenha origem popular. Este ritmo é muito típico e o mais executado pelos
músicos e cantores pop, principalmente no Egito, já que possui forte apelo comercial.

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Sempre seus acentos devem ser muito bem representados durante a dança. O Dum
duplo tende a submergir quando há acompanhamento melódico por isso, às vezes,
pode não ser ouvido de imediato, então utiliza-se como base, uma versão simples de
Maksoum.
Existem inúmeras variações do Baladi; e algumas possuem seu próprio nome, como por
exemplo o Masmoudi Saghir (Masmoudi "pela metade"). Alguns músicos afirmam que o
Baladi é, na verdade, uma versão folclórica do Maksoum.
DUM DUM ESS TAC DUM ESS TAC ESS
2) Wahd Wo Noss
Significa em português 1 e ½ (um e meio). O ritmo recebe este nome por possuir um
acento e meio no começo da frase. Entre suas marcações, entre as batidas, há espaço
para preenchimento. No meio e ao final, que é utilizado pelo músico de forma criativa e
inusitada.
Compasso 8/4, a metade dele é muito usada nas músicas clássicas também, sendo
denominado de "Wahd". Wahd serve para quebrar uma evolução, dando uma
sensação de queda de andamento. O Wahd, como é a metade do Wahd Wo Noss,
contém 4 tempos por compasso.
Wahda significa "um" e corresponde ao primeiro Dum do compasso. Tem sua origem na
Líbia. Ele lembra o caminhar de um camelo no deserto.
Popularizado como o ritmo para a dança da serpente, onde a bailarina deve mover seu
corpo como se fosse uma cobra. Os braços são a prioridade de movimento neste ritmo
lento e cadenciado, de origem antiga.
Wahd Wo Noss é usado não só em músicas clássicas, como também em taqsims
(improvisações melódicas). Aparece com frequência no início de um solo de derbake
proporcionando um começo lento e envolvente para o que vem a seguir.
Os acentos fortes estão nos tempos um, cinco, seis e sete do compasso, sendo que o
tempo três é uma pausa. Deve-se evitar seguir somente os acentos do ritmo para não
apagar o solo do instrumento melódico. Ele sim que deve ser seguido e evidenciado. O
ritmo turco e grego Tschifftitilli, corresponde ao Wahd Wo Noss egípcio, mas possui certa
variação.
DTKKTDKKTKK
3) Tschifftitilli
Ritmo 8/4, que é executado lentamente (comparando-o ao Baladi, por exemplo).
Em essência, também como outros é similar ao Maksoum. Originou-se provavelmente na
Grécia ou na Turquia. Além de ser utilizado na Raks Sharky, também é comum na
Turquia e nos países árabes como dança de casais.Alguns consideram como o Wahd
Wo Noss, usualmente é tocado de forma lenta e moderada preferencialmente
mantendo espaços entre as batidas.Os derbakistas apreciam completá-lo com
improvisações inesperadas e criativas.
É usado para acompanhar o Taqsim, improvisação melódica de um instrumento solo.
DUM ESS ESS ESS TAC ESS TAC ESS DUM ESS ESS ESS TAC ESS ESS ESS
4) Zaffe
Ritmo 4/4 egípcio é específico para casamento. Em especial, é a despedida da noiva
da casa dos pais e a entrada dela numa vida nova.
É tocado não só pelo derbake, mas também pelo daff e principalmente pelo mazhar.
Quando a noiva se despede da casa dos pais, na noite do casamento (apenas nesta
noite, não no noivado, não no pedido, não em outra ocasião), ela vai passar pela casa
da mãe e os amigos vão juntos.
Existe uma música que se chama "Do'u El Mazhar", a tradução seria "Que toquem os
Mazhars", porque diversas pessoas vão a pé, caminhando junto com a noiva e passam

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pela casa dela porque ela vai entrar numa vida nova.Este ritual significa que ela possa
deixar para trás na noite do casamento qualquer sentimento que possa incomodar, os
maus-olhados; é como se fosse um ritual de boa-sorte.
É costume também apenas no Egito, que a noiva e o noivo na noite anterior ao
casamento, tenham as mãos e os pés tatuados com henna, como se eles fossem entrar
nessa vida nova com as mãos e os pés novos. Como se fossem dividir alma numa nova
vida.Essa procissão, essa passagem tem que ser feita a pé.Vale a pena dar uma olhada
no vídeo da Fifi Abdo, onde há uma representação do Zaffe.
DSSSS D SS TK
5) Fallahi
Típico para folclore.
Se traduzirmos para o português, significa "caipira". A palavra Fallahi representa algo
criado por um Fallahin - camponeses egípcios, que utilizavam este ritmo 2/4 nas suas
canções de celebração que estão particularmente conectadas às épocas da colheita.
Geralmente é tocado duas vezes mais rápido que o Maksoum.
No Egito os homens dançavam o "Saaid", um ritmo especial para eles e as mulheres
tinham o "Fallahi".
Esse ritmo vem do interior do Egito e antigamente, e até hoje, em algumas regiões as
mulheres vinham buscar água com um jarro sobre as cabeças e em grupo. Trabalhar,
buscar água longe, trazer ou lavar roupas na beira do rio. E para passar o tempo, para
se cansar menos, elas tinham canções e dançavam ao ritmo fallahi.
É comum encontrarmos este ritmo na dança do jarro, na dança "Ghawazzi", que é a
dança Cigana Egípcia e em todas as danças típicas do interior, danças caipiras do
Egito.
Ele é um ritmo onde podemos encaixar passos que tenham duas partes só, porque ele é
constante e muito acelerado. É necessário que a bailarina desenvolva precisão e
agilidade sem colocar força nos movimentos.
DKTKDKSK
6) Karachi
Ritmo 2/4, significa "rolar". É um ritmo rápido, amplamente utilizado no Egito e no norte
da África, apesar de não ser um ritmo egípcio. É fácil perceber que ele não pertence à
música egípcia, porque o início de seu compasso não é marcado por Dum (uma batida
grave), mas por Tack (uma batida aguda). Este não é um ritmo comum.
Bom para deslocamentos. Mais comum em entradas e saídas de palco. É curto e
constante.
TAC ESS TAC DUM
7) Malfouf
Ritmo 2/4 egípcio bastante utilizado na Dança do Ventre, sobretudo nas entradas e
saídas do palco, porque fornece uma conexão com os fluxos dos movimentos.
O ritmo Malfouf também é chamado de "Laff" no Egito e significa "algo embrulhado,
enrolado".
Seus acentos nos Tácks dão um sabor especial. É muito similar ao nosso baião. Usado
também em alguns folclores árabes e danças específicas, como por exemplo, o "MeleaLaff", a dança do lenço enrolado, típica egípcia e também "Raks El Shamadã", a dança
do candelabro.
Na primeira dança citada ele é mais acelerado e na segunda ele é mais calmo.
Malfouf é comum também no acompanhamento nas danças de grupo e coreografias
modernas ou tradicionais. Durante espetáculos de dança do ventre é utilizado como
"ponte" de movimento, ou seja, faz a passagem de uma situação cênica para outra.
Para o estudo você pode desenvolver uma versatilidade de deslocamentos com a

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utilização do Malfouf.
DUM ESS TAC ESS TAC
8) Maksoum
Compasso 4/4, é um ritmo muito forte, no que se refere ao sentimento de animação.
É considerado uma forma mais acelerada do ritmo baladi. Maksoum significa "cortado
ao meio", alguma coisa que foi partida pela metade, isto deve-se provavelmente ao
seu acento forte no contratempo entre o tempo um e dois.
Sua diferença em relação ao ritmo Baladi é que o Maksoum principia-se com um Dum
enquanto o Baladi, com dois Duns. É amplamente utilizado na música moderna egípcia.
Possui duas variações, uma rápida (normal) e uma lenta. Se tocado da forma mais
lenta, torna-se uma variação de Masmoudi.
O Baladi e o Maksoum são os ritmos básicos da música árabe.
DUM TAC ESS TAC DUM ESS TAC ESS
9) Masmoudi
Ritmo 8/4, teve sua origem na Andaluzia. Significa "algo que está suportado por um pilar,
como uma estátua ou algo semelhante". É muito usado em músicas clássicas, para
trazer à tona diferentes nuances.
O Masmoudi é muito similar ao Baladi, só que realizado diminuindo o andamento do
compasso, transformando o tempo de quatro, para oito.
Possui duas partes, cada uma com 4 tempos. Às vezes a primeira frase tem duas batidas
condutoras. Esta versão com dois Duns iniciais chama-se Masmoudi Kebir (Kebir = o
grande) é também chamado "Masmoudi Guerreando", devido à sua cadência
agressiva, supõe-se que ela soa como um homem e uma mulher discutindo. Ele se
distingue do Masmoudi Saghir, que é outra versão com três duns. É usualmente
chamada "Masmoudi Caminhando". Esta é muito comum na música para dança e é
usada para intensificar a percussão criando um momento especial na apresentação,
enriquecendo a mesma.
DUM DUM ESS TAC ESS TAC DUM ESS TAC ESS TAC ESS
10) Saaid
Traduzido diretamente para o português significa feliz, é um ritmo árabe bastante
popular executado em ocasiões festivas.
Na essência, Saaid é um Maksoum com sabor diferente. Muito popular no alto Egito, é o
reverso do Baladi. Os dois Duns que iniciam o Baladi, aqui são encontrados no centro do
compasso. Usualmente tocado de forma acelerada, possui acentos fortes, com
sobreposições de graves por todo o compasso.
Algumas vezes, o Saaid é tocado com uma antecipação do primeiro tempo, o que lhe
dá uma característica mais quebrada e rica.
Ritmo 4/4, originário de El Saaid, no Alto Egito, era chamada originalmente Raks Al
Assaya ou Dança da Bengala, dançada por mulheres e é uma versão suave e muito
mais delicada que a dos homens.
Tradicionalmente usado para "Tahtib", uma dança marcial masculina, na qual os
homens simulam lutar com longos bastões que fazem às vezes de uma arma. Seus
movimentos são fortes, ágeis, marcados por saltos, giros e batidas de bastões.
DUM TAC ESS DUM DUM ESS TAC ESS
11) Samaai
É um ritmo muito complexo.
Vem da estrutura antiga de música árabe. A palavra "Samaai" significa "escutar". É uma
música montada em cima de uma métrica poética específica, com um ritmo específico

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e feita para o deleite. Uma música para ser apreciada e não necessariamente
dançada. Ritmo amplamente utilizado na música clássica egípcia e na música sufi
turca. Possui uma sequência de três partes: uma com 3 tempos, uma com 4 tempos e
uma com 3 tempos. Juntas, compõem um ritmo 10/8 utilizado nas composições
chamadas Samaaiat.
Pode aparecer dentro de uma música para dança, mas ela não é tão comum assim. Se
essa música for feita para ser apreciada, ela exige de certa forma, todo um respeito e
uma contemplação.
Se esse ritmo aparecer numa música para dança, é esperado da bailarina que ela
possa reproduzir no próprio corpo a suavidade e a delicadeza que este ritmo imprime. E
de certa forma, só mesmo acostumando nossos ouvidos escutando as peças mais
antigas, poderíamos estar sintonizando melhor este significado. É o ritmo típico do
"Moash'ras" ou andalucia, que é a música que nasceu no sul da Espanha, na época em
que os árabes migraram para lá e ficaram por um tempo. Uma música rica, delicada e
encantadora.
DTKTKTK STKTKDKDKSTKTKTK
12) Soudi
Aadany ou Soudi, significa "aquilo que é da Arábia Saudita" ou "que vem do Golfo" e é
um ritmo 2/4.
Especial para dança conhecida como "Raks El Nash'at" ou dança Khalige. Essa é uma
dança tradicional originária do Golfo Pérsico, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes.
Os movimentos desta dança são marcados nos contratempos, feitos pelo "Merwas"
(pandeiro do Yemen). A Tabla ou Derbake, quando tocada sem esse
acompanhamento resulta em algo empobrecido e até mesmo descaracterizando a
intenção "para cima", que se sente ao ouvir os acentos fora do pulso do compasso.Em
festas femininas e casamentos é comum que as mulheres coloquem o tradicional
vestido khalige por cima de sua roupa de festa e dancem sempre. São festas fechadas
e familiares.
Os países onde este ritmo é mais conhecido são: Kuwait, Katar, Arábia Saudita e
Emirados Árabes. No oriente, é chamada dança dos desertos, já que os nômades são os
dançarinos tradicionais. As mulheres vestidas com suas longas túnicas de corte
geométrico e ricamente bordadas, dançam de forma bastante sensual movendo a
cabeça, mexendo os cabelos e marcando o ritmo com os pés.
Nos shows tradicionais fora de seu país de origem, às vezes a bailarina para
homenagear alguém da plateia que provém de um destes países, insere uma pequena
demonstração de khalige em sua apresentação, o que faz a alegria dos turistas.
DUM ESS DUM ESS TAC ESS
13) Taqsim
É uma improvisação que não possui ritmo ou estrutura definidos. Pode representar o solo
de um determinado instrumentista dentro de uma composição, ou mesmo constituir a
própria composição.
É tocado sem instrumentos de percussão e frequentemente por um só instrumento que
pode ser a flauta, o alaúde ou o acordeão. Tradicionalmente, é utilizado para fazer a
parte lenta de uma música. O músico está livre para fazer o que quiser, favorecendo um
momento especial de expressão pessoal.
14) Ayubi
É um ritmo 2/4 simples e rápido, usado para acelerar (ou "aquecer") uma performance.
Ele se encaixa bem com outros ritmos e geralmente é utilizado para "acentuar" outro
ritmo. Não é executado durante tempos muito longos, pois torna-se monótono. É bem
parecido com o ritmo Soudi.

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Comum e claro, é tocado no oriente desde a Turquia até o Egito. Lento para a dança
tribal do norte da África, chamada "Zaar", que é realizada para afastar maus espíritos.
São feitas oferendas de caças, carneiros, cabras, novilhos ou camelos jovens, num tipo
de ritual.
No Marrocos, numa versão mais acelerada, é presente no folclore e é tocado num
compasso de 6 tempos. O som dele, dizem alguns, ilustra em forma de música o andar
dos cavalos no deserto.
Existe uma dança típica beduína que pode ser apreciada no Egito, onde um homem
monta sem cela um cavalo árabe e comanda os movimentos do animal com seus pés.
A música tem como base rítmica o Ayubi e a melodia desenhada por mizmar (flauta).
Tudo permeado de improviso.
Quando tocado com dois Duns, chama-se "Bayou".
Na dança, Ayubi aparece em momentos de transição na música e você necessita usar
de criatividade, pois ele por si só é linear e não provoca inspiração gratuita.
Atualmente este ritmo é executado dentro de espetáculos de dança, mas sem o
objetivo ritualístico.
DUM ESS DUM TAC
15) Vals
Ritmo 3/4 utilizado na música oriental e também na música ocidental, conectado à
própria valsa. Transmite uma influência, mas de certa forma interrompida por sua
contagem de tempo em número ímpar. Encontrado especialmente nas músicas
clássicas egípcias. O acento principal encontra-se no primeiro tempo do compasso. É
uma das maiores provas do povo árabe, mas não veio do árabe. É um ritmo ocidental.
D TKTK D
16) Hatcha É um ritmo mais lento e que não veio do Egito. É originário da Síria e Líbano. É
muito envolvente.
TK T T TK T D TK T T TK T D
17) Fox
É essencialmente uma marcha, provavelmente criada por influências de músicas
ocidentais.
Usada em composições modernas no Egito. Não é um ritmo tradicional. É constante e
acelerado. O deslocamento se mantém.
DSDSDSDS
18) Jabalee
Basicamente folclórico, os jabalees são pessoas muito simples, que moram nas
montanhas do Líbano.
Dança de roda usado muito nos países árabes, para comemorar um casamento ou
algum acontecimento de muita alegria.
DDDTD
19) Aksak
Compasso 16/4, este ritmo foi documentado no Touma's - a música dos árabes. É
assimétrico e dá um sentimento de parada ou vacilação. O termo Aksak, foi usado pelos
músicos turcos, para descrever a grande variedade de ritmos registrados nos grupos dois
e três. Usado na música grega com pausas longas e curtas.
DDDTKTD SSDTKT D TK DDDTKTDSSDTKT DTK

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20) Bamby
Ritmo 4/4, tem um sentido de "chamada" ou preparação para algo que está por vir,
devido aos seus três Duns pausados iniciais.
DDDTKTKT
21) Konga
Compasso 4/4, é um ritmo bastante envolvente, por ter um breque deslocado após o
terceiro tempo.
Por esta razão é muito empregado nas músicas árabes quando busca-se dar na
composição um teor forte e marcante.
DTKSTKD STKT
22) Hagallah ou Hajallah
Compasso 4/4, este ritmo é a metade do Masmoudi Kebir. A letra "g" é empregada no
Egito e o "j" no Líbano e Síria, é como um sotaque. O Hagallah também designa uma
sequência composta por Setrak (um percussionista muito famoso no Oriente). Este seu
solo foi copiado por diferentes tablistas e é usado até hoje. Consiste numa introdução
com Malfouf ou Laff, em três compassos, como uma pergunta e no quarto compasso há
uma resposta de Dum Dum Tack. Em seguida, entra o próprio Hagallah, três compassos
novamente e a resposta Dum Dum Tack no quarto compasso.
Posteriormente é feito um ritmo mais lento, similar ao Wahd de 4 tempos, ainda com as
respostas no quarto compasso já mencionadas.
Esta sequência, é uma excelente introdução para solo de tabla, pois o diálogo dos
ritmos com perguntas e respostas é rapidamente capitado pela dançarina.
23) Samba
Compasso 4/4, é um ritmo usado especialmente nos solos de derbake. O Samba tem
justamente uma pitada do nosso ritmo, fornecendo alegria e brasilidade, através das
marcações no contratempo entre o tempo um e o dois.
T T T T T TT
24) Rumba
Seu estilo nos remete à Espanha. É um ritmo 4/4 e pode fornecer uma impressão de que
seja um compasso de 3/4.Há um outro ritmo denominado Bolero, que é uma versão
mais lenta da Rumba, utilizado em músicas como "Mirselu" e "Erev Sehl Schoshanim". A
Rumba, inicia-se pelo quarto tempo do compasso e isto é responsável por sua
graciosidade.
DTKTKTK D
25) Karsilama
Compasso 9/8, significa "frente a frente" em turco.
Sua formação é de três compassos de dois tempos e um de três.
D K T K T K KDKT KT K T
26) Rush
Floreado utilizado pelo percussionista, que cria um grande impacto na audiência.
Não possui acento pré-determinado nem contagem. Os dedos passeiam com rapidez
assombrosa no derbake, criando a sensação de vibração sonora.
As flutuações de aceleração são totalmente improvisadas; a bailarina e o músico
devem estar perfeitamente entrosados.
Para o expectador, o instrumento leva a música para dentro de seus ouvidos e o corpo

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da bailarina deverá ser a tradução exata das impressões sonoras recebidas.
Fontes
* Libanoshow - O seu portal da Cultura Árabe
* Dança do Ventre - Ciência e Arte - Patrícia Bencardini
* Dança do Ventre - Dança do Coração - Merit Aton
* A Arte da Dança do Ventre - Ritmos 1 e 2 - Lulu Sabongi
* Percussionista árabe Marco Hajjar

Dança Folclórica/ Dança Popular
Cada povo desenvolve sua dança baseada nas suas rotinas diárias ou em suas raízes
ancestrais. Essas danças são contempladas em festas populares, para que assim seu
povo possa reverenciar e agradecer aos "deuses" ou simplesmente comemorar
acontecimentos gerais, como casamentos, aniversário, etc. Conhecer e estudar essas
danças típicas é essencial para o desenvolvimento e aprimoramento da bailarina de
dança oriental, até bailarinas de dança tribal tem que ter em seu currículo o estudos
das dança folclóricas árabes.
Dança Folclórica
É uma forma de dança social que se desenvolveu como parte dos costumes e tradições
de um povo e são transmitidas de geração em geração. Muitas danças exigem pares,
outras são executadas em roda, às vezes se colocam em fileiras. Embora as danças
folclóricas sejam preservadas pela repetição, vão mudando com o tempo, mas os
passos básicos e a música assemelhem-se ao estilo original. Todos os países têm algum
tipo de dança folclórica e a maioria pertence apenas a sua nação, como por exemplo:
a tarantela, italiana, o drmes, croata ou o krakowiak, polonês e o frevo brasileiro.
Algumas são executadas em ocasiões especiais, como a polca de Natal sueca, a
hayivka, dança da Páscoa ucraniana, a hochzeitstanz, dança austríaca de casamento
e o reisado brasileiro, que festeja a véspera do dia de Reis.
É fundamental entender e reconhecer as características dos diversos estilos e ritmos da
música árabe, para acompanhar as suas constantes alternâncias, e poder aplicá-los
aos movimentos e números específicos. Algumas dançarinas apresentam-se ao som de
músicas de ritmos contemporâneos, com alguma influência rítmica da dança oriental,
criando performances inovadoras.
Andaluz
Conhecida também como dança dos palácios. Surgiu na província de Kadiz, Andaluzia
(Espanha), dando origem ao flamenco.
Nessa dança são utilizados alguns elementos do ballet clássico. Sendo que o ritmo e a
vestimenta são específicos para dança.
Khaleege
Dança típica da região do Golfo Pérsico. Tem um ritmo específico chamado “soudi”. A
roupa típica para esta dança é o vestido khaleege (vestido todo bordado). Rica em
símbolos, os quais poucas pessoas têm acesso.
Dança Núbia
Antigamente os núbios (habitantes da Núbia) dançavam danças guerreiras usando
lanças e punhais. Normalmente dançam em filas ou em pares; quando em fila, os
homens se separam das mulheres e ao final os dois grupos se juntam formando um só
grupo.
Os instrumentos utilizados na música Nubia tradicional são a tambura, o bendir e as
palmas, que possuem um papel importantíssimo.

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Guedra
É uma dança típica do Nilo Azul, originária no Marrocos que se estende pelo Egito.
Nesta dança sinos são tocados por mulheres cobertas por um véu negro. O ritmo é
mantido por uma guedra ou pote como um pequeno tambor. Os espectadores entoam
cânticos como lamentos e dançarina despe-se dos véus e desfalece como se estivesse
em transe. É uma dança de agradecimentos as colheitas.
Dabke
1
É executada por homens mulheres e crianças. É muito popular entre os árabes. Dabke
quer dizer: bater no chão com o pé. Era o que acontecia na época dos fenícios, que
para confeccionar telhados, os trabalhadores batiam com os pés na argila para
amassá-la, acompanhados de tambores. Dessa forma, construíam os telhados de sua
aldeia ao som forte dos tambores. Por ser o dabke uma dança muito alegre e
contagiante, é possível dançá-la seguidamente por horas sem sentir qualquer cansaço.
Dança da Bengala
De origem egípcia, dançada nas dinastias de poder por sacerdotisas. Representavam o
poder dos deuses, executando posições sagradas. As músicas desta dança seguem
uma linha egípcia, alegre e com batidas específicas (ritmo saaidi).
Dança do Bastão
Tem sua origem em aldeias, quando os pastores dançavam com alegria depois do
trabalho. Aos poucos, o bastão que simbolizava virilidade, foi se tornando parte do
repertório feminino, simbolizando o papel da mulher dentro da sociedade.
Esta dança transmite força, beleza, domínio e sensualidade. As músicas são específicas
folclóricas.
Dança das Flores
Era realizada pelos fazendeiros egípcios, na época da primavera.
Quando os camponeses iam para o trabalho árduo, para amenizá-lo cantavam e
dançavam ao mesmo tempo em que colhiam as flores.
Dança do Jarro
É também conhecida como dança do Rio Nilo.
As bailarinas, quando a executam, representam e interpretam a rotina das beduínas,
que caminhavam de sua tenda até o oásis, onde descansavam, conversavam com as
outras mulheres da tribo, refrescavam-se com a água do rio, pegavam um pouco da
água em seus jarros e retornavam a sua tenda.
A vestimenta nesta dança mostra apenas os olhos, o corpo todo é coberto e é
colocado um véu preso ao rosto (assim como as beduínas). É necessário habilidade,
equilíbrio e boa expressão facial.
O Zaar
É uma dança de êxtase, praticada no norte da África e no Oriente Médio, não aceita
pelo Islamismo. Ele é melhor descrito como sendo uma "cerimônia de cura", na qual
utiliza-se percussão e dança. Funciona também como uma forma de compartilhar
conhecimento e solidariedade entre as mulheres destas culturas patriarcais. No Zaar, a
maior parte dos líderes e dos participantes são mulheres. Muitos estudiosos têm notado
que, embora a maioria dos espíritos transmissores sejam masculinos, as "receptoras"
geralmente são mulheres. Isto não significa que os homens não participem das
cerimônias Zaar; ele podem ajudar na percussão, no sacrifício de animais, ou fazer as
oferendas. De fato, em algumas culturas praticantes do Zaar, são observadas
tendências em se inserir uma participação masculina maior, nas quais ele, mais do que

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cooperador, busca tornar-se o líder. Atualmente ocorre uma proliferação de grupos de
culto no Sudão, além de uma diversificação nos tipos de Zaar.
Dança da serpente
Por ser um animal considerado sagrado e símbolo da sabedoria, antigamente as
sacerdotisas dançavam com uma serpente de metal (muitas vezes de ouro).
Atualmente vê-se algumas bailarinas dançando com cobra de verdade, mas isto deve
ser visto apenas como um show de variedades, já que nem nos primórdios da dança o
animal era utilizado.
Justamente por ser considerada sagrada, a serpente era apenas representada por
adornos utilizados pelas bailarinas e pelo movimento de seu corpo.
Dança com snujs
Pequenos címbalos de metal, os snujs eram usados pelas sacerdotisas para energizar,
trazer vibrações positivas e retirar os maus fluidos do ambiente, além de servir para
acompanhar o ritmo da música.
Dança do punhal
A dança do punhal tem sua origem a Turquia, mas precisamente os ciganos.
Em 1700 e 1800, as mulheres russas e italianas eram raptadas pelos ciganos por serem
mulheres muito vistosas e bonitas, e por isso eram disputadas pelos homens para que
posteriormente fossem desposadas pelos mesmos. E depois de cada disputa o punhal
era enterrado na terra para descarregar as energias negativas de quem o empunhasse.
As ciganas usavam esse ritual para disputar os seus pretendentes, o punhal indicava a
disponibilidade da dançarina perante o homem desejado. Cada gesto usado com o
punhal tem uma simbologia própria.
Esta dança trabalha o espírito da luta pessoal e a aceitação dos desafios que a vida
nos oferece. Quase nada se sabe sobre sua origem, mas alguns acreditam que, para os
egípcios, era uma homenagem à Deusa Selkis, que simbolizava a morte e a
transformação.
Numa outra versão, essa dança era realizada pela odalisca predileta dos Sultão. Para
mostrar seu poder às outras mulheres do Harém, ela tomava do Sultão seu punhal e
dançava diante de todos. Com isso, ficava provado que ele tinha total confiança nela,
entretanto, não há comprovação histórica da veracidade dos fatos acima citados.
Coreografia
Em se tratando da versão mais antiga, das mulheres da Turquia, a coreografia deve ser
fiel ao contexto que se seguia...mulheres aprisionadas, vendidas, sequestradas. Você
terá que se sentir naquela época, lutando por sua liberdade, sua integridade física,
pede assim uma coreografia forte, mas sem deixar de ser feminina.
Já na versão mais contemporânea, a coreografia somente obedece ao sentimento da
bailarina, a sua interpretação, o Punhal como acessório, contundente, ao que ela quer
demonstrar. Se colocar o Punhal na cintura demonstra sedução, na Boca demonstra
desafio... e por assim vai se desenrolando a coreografia. Se você optar por sua música
cantada, traduza-a, sinta sua mensagem e coreografe-a, dance-a com seu punhal
tentando mostrar ao público a tradução daquela música...sem palavras...só pela
emoção de sua dança.

60

O ritmo pode ser lento como uma despedida que corta e apunhala o coração(Punhal
Moderno), ou ser uma música Yallabina pra se executar em dupla um desafio, ou uma
música com Derbake com a intenção de sedução nesse caso, seu Punhal entra no
Quadril.
A vestimenta da versão Turca consiste em um vestido de pano cru, ou de pano simples,
branco, cores neutras em geral, na cintura um pano vermelho acentuando a cintura,
pode ser uma faixa tingida de vermelho, trabalhada de rendas vermelhas, ou só um
cetim vermelho. Cabelos soltos com um lenço amarrando estrategicamente suas
cabeças, ou cabelos em tranças longas, muito longas. Já a segunda versão mais
contemporânea, a roupa pode ser a convencional de dança do ventre, ou vestidos de
Said, ou Vestidos estilizados(eu prefiro), com cabelos soltos, também, um véu, e seu
punhal
Essa dança era uma reverência à deusa Selkis, a rainha dos escorpiões e representa a
morte, a transformação e o sexo.
Dança do candelabro, do fogo e da vela.
Este tipo de dança existe há muitos anos e fazia parte das celebrações de casamento e
nascimento de crianças. É tradicionalmente apresentada na maioria dos casamentos
egípcios, aonde a dançarina conduz o cortejo do casamento levando um candelabro
na cabeça. Desta maneira, ela procura iluminar o caminho do casal de noivos, como
uma forma de trazer felicidade para eles.
Dança das taças
A dançarina exterioriza sua deusa interior, fazendo do seu corpo um veículo sagrado e
ofertado. Utilizando o fogo das velas, que representam a vida.
Meleah laff: A Dança do Véu Enrolado (Meleah Laff) tem sua origem
no Egito- Cairo. Até o ano de 1950 ainda era possível ver muitas das
mulheres passeando no mercado central do Cairo. Hoje em dia, já
não as encontramos mais. É uma dança muito simples, na qual a
bailarina possui um tecido preto grande, o Melaya ou Meleah (véu)
Laff ou Leaf (enrolado), por isso o nome da dança. É dançada por
várias mulheres ao mesmo tempo
e elas vão enrolando e
desenrolando o véu como uma brincadeira. Utilizam vestidos curtos e
tamancos, e tem um ar irreverente, podem rir, mascar chicletes e
cantar. Faz parte da tradição folclórica egípcia, sendo considerada
uma dança folclórica.
Brevíssima história do Meleah Laff por Samya-Ju
Lá vem ela . . . Fifi Abdo, a ma'alema (1) aparece (que escândalo)
fumando a tradicional shisha. Entra no palco sem pedir licença
enrolada num lenço preto que de vez em quando é aberto e deixanos vislumbrar o fascinante movimento que seus quadris provocam no vestido brilhante
e tremeluzente. No vídeo antigo de um de seus mais famosos shows televisionados
(aquele em que ela faz uma aparição a deus ex-machina), vi pela primeira vez o que
soube mais tarde ser o chamado Meleah Laff (2).
Soraia Zaied trouxe ao Brasil em meados de 98 a primeira definição, ainda grosseira aos
olhos nacionais, do que é tão comum para o povo egípcio. Desde então eu, curiosa
demais, procuro o que for possível encontrar para entender um pouco a personalidade

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dessa gente amável e alegre. Edward Said ajudou-me. Intelectual de origem palestina,
criado no Egito e hoje professor em Harvard ofereceu-me um presente.
No ensaio intitulado Cairo e Alexandria (3) ele se desculpa pela definição
reconhecidamente radical e confessa que divide as pessoas em do Cairo ou de
Alexandria. São as duas principais cidades do Egito em termos de difusão cultural; Cairo
- dominada pelo rio e pelo deserto, porta de entrada dos viajantes europeus - abrigaria
o árabe, islâmico, sério, internacional e intelectual e Alexandria – dominada pelo vento
e pelo mar, capital de verão – o apreciador levantino, cosmopolita, sinuoso e volúvel.
Essa observação à primeira vista inútil, porém de alto valor didático aos interessados,
ajuda-nos a entender a influência de fatores geográficos e culturais, tornando possível a
identificação de dois estilos distintos de manifestação popular na dança.
Na década de 40 a cidade de Alexandria era a capital de veraneio do Egito. Turistas
eram atraídos pelas praias e balneários elegantes. Nessa época o meleah (lenço preto)
estava na moda e compunha o vestuário das mulheres. O clima quente obrigava-as a
usarem vestidos leves e o lenço preto deveria protegê-las de olhares maliciosos. Ao
dançar elas o utilizavam como um instrumento de sedução, alternando o “esconde e
mostra”. Isso é bastante universal, fácil de entender: em todo o mundo os homens são
fascinados pela maneira como a mulher se veste para sair às ruas. Quando a moça
passa por um grupo de rapazes, mesmo discretamente, recebe olhares curiosos por
muitos motivos.
A dança com o meleah, transportada para o palco obedece à realidade do cotidiano
e afirma-se: Meleah Laff do Cairo, Meleah Laff da Alexandria.
Ahmed Fekry (4), coreógrafo egípcio e professor extraordinário explicou em aula a
importância da personalidade das mulheres destas cidades no momento de montar um
número de Meleah Laff. Em sua exposição afirmou que as moças de Alexandria são
conhecidas e admiradas em todo o país pela beleza, charme e força. Independentes,
costumam “andar” sozinhas devido à ausência prolongada dos homens locais (por
motivos de trabalho, é claro), portanto devem se defender dos turistas que invadem
suas praias em busca de diversão. Segundo esse relato é comum o homem atrevido
receber golpes de tamanco da bela, caso a moça se ofenda com um gracejo
masculino inconveniente.
Por isso o Meleah da Alexandria é mais discreto e o lenço trabalhado cuidadosamente.
As músicas apresentam um momento especial para a dança masculina de Port Said
(espécie de disputa com punhais afim de demonstrar virilidade e habilidade marcial) e
as letras falam do mar, construindo assim um retrato da vida dessas pessoas. Colocada
no palco pela primeira vez pelo coreógrafo Mahmmoud Reda na década de 60 ,
apresentava essa fórmula: a interação das pessoas com o mar (representado
fisicamente por um longo véu) e o flerte sutil dos grupos masculinos e femininos. As
bailarinas deixavam o palco para soltar o meleah retornando rapidamente enquanto os
moços exibiam suas armas.
Agora, vamos ao Cairo de Said e Fekry: moderna, agitada, das mulheres mais liberais
que frequentam o mercado de Khan el Khalili. Salvo qualquer anacronismo, entenda-se:
estamos lidando com adaptações para o showbiz.
Fekry define essa dança como engraçada e fanfarrona; a mulher é debochada. A
música é um hit parade, os sucessos que fervem nos nightclubs e nas ruas. O pop baladi,
se podemos chamá-lo assim, nas vozes de Hakim, Ihab Tawfick, Amro Diab.
É comum as bailarinas girarem o meleah no ar, rodar as pontas alternadamente,
amarrá-lo no quadril como as mulheres locais e até mesmo jogá-lo de lado, afinal não

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há preocupação em exibir o corpo nesse contexto. Por isso ao assistirmos a um tablot de
Meleah no Cairo identificamos esses elementos. Costuma fazer parte da routine de
bailarinas de dança oriental e faz a alegria da plateia.
Somando os dados oferecidos até agora (do que chegou ao Brasil) talvez seja mais fácil
“entrar no espírito” do Meleah, uma dança que obedece à linguagem delicada do
flerte e códigos mais que especiais.
Hagallah: Originária de Marsa Matruh, na fronteira com o deserto líbio.
Hagalla, forma de dança pesquisada por Mahmud Reda por volta de 1966, na região
conhecida como Marsa Matruh. Sempre acompanhado por alguns dançarinos de seu
grupo, essas viagens de pesquisa tinham por objetivo conhecer a dança em sua origem,
para poder posteriormente, recriá-la no palco, com a peculiaridade que permitiria a um
expectador, proveniente da mesma região, reconhecer sua terra e os elementos
genuínos trazidos ao palco. Ele considerava que o contato direto com as pessoas, no
processo de documentação e pesquisa, compartilhando sua arte e as reações
advindas da interação, sempre traziam novas perspectivas ao processo de criação e
portanto era muito valioso. Enquanto permaneciam numa certa região,
experimentavam os movimentos, e tomavam parte nos eventos que aconteciam,
sempre que possível. As danças nativas do Egito não são ensinadas formalmente. As
pessoas aprendem a dançar através da observação e imitação. O processo de
aprendizagem teve que nascer da participação dos membros do grupo, dentro dos
eventos, e enquanto participantes, através da imitação, mais tarde traduzindo em
anotações os detalhes mais importantes, que não poderiam ser esquecidos. Este foi o
método usado em Marsa Matruh. Depois de documentar um evento Al Haggalah, era
necessário investigar mais a fundo, as oscilações de quadril da Haggala (dançarina que
representava a dança).
Mais tarde para usar os movimentos vistos nestes eventos Farida Fahmy teve que
aprender através da imitação e participação, para posteriormente, decodificar os
principais movimentos, com o objetivo de ensinar as outras bailarinas do grupo o básico
do Haggalah. Quando não era possível para todos os integrantes do grupo assistir as
celebrações limitadas por costumes locais, por exemplo, em áreas rurais...as mulheres do
grupo iam sozinhas para as casas, e assistiam as comemorações. Em outras ocasiões o
grupo visitava a escola local, e conversava com as crianças. Pediam as meninas que
trouxessem os trajes de suas mães, assistiam as pequenas dançando, e naturalmente,
elas dançavam como suas genitoras.
Em Haggalah há um aspecto competitivo onde diferentes grupos batem palmas
chamando a solista, e aquele grupo mais forte ou carismático ganha a presença da
solista perto dele. Essas palmas sofrem flutuações de dinâmica e velocidade, o que
pode alterar a construção da dança.
Além de Marsa Matruh, essa forma de dança também é encontrada no oásis de Siwa e
ao leste da Líbia.
Uma mulher ou uma dupla de mulheres, dançam movidas pelas palmas de grupos de
homens, que competem entre si, para ganhar a atenção das mesmas.
Geralmente acontecem para celebrar casamentos ou as vésperas de um enlace.
Também são apresentadas em festas para honrar visitantes ou selar um compromisso.
O passo típico desta dança é o "shimmy" conhecido pelo mesmo nome Haggalah, uma
versão maior e mais relaxada do movimento em L dos quadris.

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A música praticamente é toda improvisada, baseada na voz dos participantes e nas
palmas que acompanham todo o tempo a performance. Mais tarde criaram-se versões
especiais para que esta dança pudesse ser apresentada no palco.
Farida Fahmy usando um traje Haggalah
As informações contidas neste texto provêm do livro escrito por Madame Farida Fahmy
em seu trabalho de conclusão do curso para Mestrado em Artes e Dança da
Universidade da Califórnia. A tese teve por objeto de estudo a formação do Grupo
Reda, seus caminhos estéticos e formas de pesquisa, dentro de um aspecto inovador e
perene, que transformaria seu criador, Mahmoud Reda no pai do folclore Egípcio.
DANÇA DOS 7 VÉUS
Simbolismo: A Dança dos 7 Véus é muito antiga e sagrada. O véu, na verdade,
“desvenda” a sabedoria. Espiritualmente, os 7 véus estão ligados aos 7 chakras em
equilíbrio. A retirada e o cair dos véus, significam o “cair da venda”, a consciência
espiritual.
A dança dos sete véus é um dos mais famosos, belos e misteriosos ritos primitivos. Embora
muita gente acredite que se trata da mais antiga versão do strip-tease, a dança não
tinha um caráter exclusivamente erótico. Não era praticada em ritos de fecundação,
mas pelas sacerdotisas dentro dos templos da deusa egípcia Ísis. A sacerdotisa oferecia
a dança para a deusa Isis, que existe dentro dela, e lhe dá beleza e força. Realizada em
homenagem aos mortos pelas sacerdotisas, em seus templos, que retiravam não só os
véus, mas todos os adereços sobre o seu corpo, para simbolizar a sua entrada ao
mundo dos mortos sem apego a bens materiais.
A dança dos sete véus pode ser realizada, também, em homenagem à deusa
babilônica Ishtar, deusa da vida e da morte, do amor e da fertilidade. Segundo os
babilônios, Ishtar descia ao mundo subterrâneo passando sete vezes por sete portais,
deixando em cada um deles um de seus sete atributos: beleza, amor, saúde, fertilidade,
poder, magia e o domínio sobre as estações do ano, representados pelos véus. Os véus
nesta dança significam a decida da mulher ao seu mundo interior. São os sete mistérios
da deusa Ísis (a mulher busca os mistérios para se espiritualizar). Através da dança do
ventre a mulher entra em contato com a sua Deusa Interior, localizada no útero. O
desvendar dos véus, significa a descoberta dos seus chakras.
Cada cor de véu corresponde a uma energia de um chakra. Os sete véus representam
os sete graus de iniciação, os sete chakras corporais, as sete cores do arco-íris e os sete
planetas. A retirada e o cair dos véus significa o cair da venda, despertando a
consciência. É a evolução espiritual. Realizada em homenagem aos mortos pelas
sacerdotisas, em seus templos, que retiravam não só os véus, mas todos os adereços
sobre o seu corpo, para simbolizar a sua entrada ao mundo dos mortos sem apego a
bens materiais.
Na dança, a bailarina inicia com os sete véus amarrados no corpo, cada um de uma
cor, correspondendo aos sete chakras. À medida que a bailarina dança, os véus vão
sendo desamarrados um a um representando a abertura de cada chakra, a começar
pelo chakra básico ou sexual e terminando no chakra coronário.
Os véus podem ser das seguintes cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, lilás,
branco. A vestimenta da dança do ventre , embaixo dos sete véus, è preferencialmente
de cor clara, suave. Originalmente a dança dos Sete Véus, por ser ritual, era dançada
vestindo-se apenas os véus. Porém atualmente se usa por baixo uma roupa comum de
dança do ventre, de preferência branca ou lilás, simbolizando a transmutação.

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1º Véu: VERMELHO - O véu vermelho está associado a Marte e ao chakra base, sua
retirada significa a vitória do amor cósmico e da confiança sobre a agressividade e a
paixão. Entra-se com o véu vermelho, com movimentos fortes de véu e quadris, como
batidas e shimies. Normalmente o véu vermelho mede 3 metros.
2º Véu: LARANJA- O véu laranja representa Júpiter e o chakra sexual, que dissolve o
impulso dominador e dá vazão ao sentimento de proteção e ajuda ao próximo. O véu
fica preso no quadril. Executa-se movimentos de shimies, oitos, redondos, o véu
acompanha com movimentos na altura do chakra.
3º Véu: AMARELO - O véu amarelo representa o Sol e o chakra plexo solar , que elimina
o orgulho e a vaidade excessiva, trazendo confiança, esperança e alegria. O véu
amarelo fica cobrindo a barriga. O véu coordena com os movimentos de ondulações,
oitos laterais, oitos com ondulações, redondo interno e redondo grande.
4º Véu : VERDE - O véu verde corresponde a Mercúrio e ao chakra cardíaco, que mostra
a divisão e a indecisão sendo vencidas pelo equilíbrio entre os opostos. O véu pode ficar
no bustie ou em um dos braços. Executa-se movimentos de busto e braços.
5º Véu: AZUL - Vênus e o chakra laríngeo é o véu azul, a qual revela que a dificuldade
de expressão foi superada, em prol do bom relacionamento com os entes queridos. O
véu pode ficar no pescoço ou no outro braço preso ao bracelete. Usa-se os véus verde
e azul juntos com movimentos de cabeça.
6º Véu: LILÁS- O véu lilás, que representa Saturno e o chakra frontal, mostra a dissolução
do excesso de rigor e seriedade, a conquista da consciência plena e o desenvolvimento
da percepção sutil. O véu cobre o rosto como chador. Usa-se expressão de olhos,
cabeça, tira o chador .
7º Véu : BRANCO - Finalmente a Lua e o chakra coronário estão associados à cor
branca ou ao prateado ( a união de todas as cores). A queda do último véu mostra a
imaginação transformada em pensamento criativo e pureza interior. O véu branco fica
na cabeça como véu beduíno. A bailarina retira o véu e o utiliza com movimentos de
giros, casulo.
Os véus são retirados lentamente durante a execução dos movimentos, alguns deles a
bailarina somente retira, enquanto outros realiza movimentos mais elaborados. A música
deverá ter duração média de 7 minutos. E deverá proporcionar as diferentes variações
de movimentos.
A bailarina deve assumir uma personagem: a sacerdotisa em busca da sua verdade. O
despertar de sua consciência, de sua força e poder, dentro do mais perfeito equilíbrio.
Dicas:
1 - Procure não repetir os movimentos. Cada véu deve ter o seu movimento específico.
2 - Coreografar sua dança de forma que termine a música coincidindo com a queda
do último véu.
DANÇA DOS 9 VÉUS:
Os egípcios acreditavam que o homem possuía nove corpos ou nove partes. Assim,
cada véu utilizado representava uma delas:
1- Corpo físico
2- Corpo astral

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3- Corpo espiritual (ou alma)
4- A própria sombra
5- O coração
6- O espírito imortal
7- A energia vital
l
8- A consciência espiritual
9- A individualidade conferida pelo nome.
Apêndice
A bailarina também pode utilizar a dança do véus como cromoterapia. Os diferentes
modelos de véus, limpeza e energização
DANÇA COM VÉUS ARMÊNIOS
Os véus armênios são utilizados para se dançar em festas folclóricas judaicas árabes,
como pôr exemplo em casamentos, festas particulares e públicas, e como o nome já diz
sua origem é da Armênia. Se usa os dois véus entre os dois dedos, indicador e dedo
médio ( em tesoura), geralmente dançado em músicas bem festivas, com ritmos
acelerados e com bastante trabalho de pulsos, mãos e braços, quando mais se
trabalha esses membros, mais bonita fica a coreografia, não se deve esquecer que, pôr
ser dançado com músicas alegres , os quadris devem ater - se também ao ritmo, sem
jamais esquecer a graciosidade e leveza das mãos que sustentam os véuzinhos.
DANÇA RITUALÍSTICA
Do antigo Egito, a arte da Dança do Ventre fazia-se sentir dentro dos templos pelas
sacerdotisas sagradas, que dançavam em louvor e graça à Deusa- mãe.
Uma dessas danças nos é trazida até hoje como uma reverência e gratidão por todos os
elementos que nos cercam :ar, água, terra, fogo e éter.
A dança dos cinco elementos evoca os elementais do ar com os movimentos do
pássaro, A água, pelo ondular da sereia, A terra , pelo crescimento e enraizamento das
plantas e árvores, O fogo, pela sinuosidade da serpente, O Éter, pelo andar cadenciado
do camelo, que também sobrevive longo tempo com sua própria energia.
Gawazee - raízes e significados
Leyla bint ish-Shamaal é a pessoa que escreveu o artigo a seguir. Eu apenas traduzi para
que todas que ainda não podem ler em Inglês também possam aproveitar as
informações abaixo.
As ghawazee são as dançarinas públicas existentes no Egito. Hoje em dia se usa o termo
ghawazee pra qualquer dançarina que se apresente em eventos ao ar livre, como
casamentos de pessoas simples ou festivais religiosos. Durante algum tempo, mesmo no
ápice do período islâmico clássico, de 800 ac até 1300 ac, o termo ghawazee, que
pode ser traduzido como " invasores do coração", provavelmente se referia as
dançarinas livres que se apresentavam publicamente e aos cantores, pertencentes ao
Nawar, descendentes dos ciganos Romanis, que migraram para o sul do Egito, na área
rural durante a Idade Média. Instrumentos musicais antigos como Mijwiz e o Rebab,
representados nas paredes de tumbas egípcias, são ainda hoje utililizados pelos músicos
nawar. Os movimentos das ghawazee assim como sua música tradicional não parecem

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ter se modificado com o tempo. É como se pouco ou nada tivesse sido tocado pela
modernidade.
Nos últimos 20 anos, uma família de músicos e dançarinas do sul do Egito se tornou
famosa. As Banaat Maazin, literalmente , filhas de Maazin, tem sido dançarinas por
gerações, e são muito conhecidas por seu estilo peculiar nas apresentações. Elas
aprenderam a dança de suas mães e avós. O patriarca , Yusef Maazin, morreu há
muitos anos atrás, e agora apenas Khairecya, a mais nova das filhas de Maazin, ainda
se apresenta. Suas irmãs e primas se casaram, o que geralmente encerra a carreira de
uma dançarina, ou se aposentou por outra série de razões, incluindo a falta de trabalho
em função da pressão exercida pelo ressurgimento dos grupos fundamentalistas
muçulmanos. Yusef não tinha filhos para se tornarem músicos ou gerenciarem as
dançarinas perpetuando os negócios da família. Como a história da família se perdeu, a
tradição oral deste estilo de dança também pode desaparecer porque as filhas se
recusam a aceitar que suas crianças cresçam na mesma profissão familiar.
Em sua forma típica de dança folclórica Egípcia, a sequência ghawazee não é
coreografada, em lugar disso, as dançarinas, usualmente tocando sagat, e músicos
seguem um programa musical familiar que não tem uma estrutura fixa, com
configurações típicas de dança, intercaladas com esquemas de entretenimento, como
por exemplo ter um Rabeb colocado sobre o peito da bailarina enquanto está sendo
tocado. As dançarinas frequentemente imitam as danças tradicionais masculinas, como
o tahteeb ou danças de luta, ou mesmo a dança dos cavalos, brincando durante sua
dança com um bastão ou bengala. Em casamentos e festivais, as ghawazee muitas
vezes dançam em grupo, formado por pessoas da sua própria família. Quando existe a
possibilidade, dançam sobre pequenos palcos e até mesmo nas mesas. As vezes se
revezam dançando sozinhas ou em pares, ou em pequenos grupos que se modificam
em sua formação durante o decorrer da dança. Apesar da dança ser ao vivo, os
movimentos são muito relaxados e ambos, músicos e dançarinas se mesclam muito
bem. As apresentações em casamentos podem durar de seis a oito horas, e os artistas
descansam muito pouco durante todo o tempo.
Tenho sido uma estudante de dança oriental desde 1988, estudei dança tradicional do
oriente Médio e também danças folclóricas do norte da África com inúmeros
professores conhecidos nacionalmente por terem viajado para o Egito e visto as danças
em sua forma autêntica em casamentos ou festivais religiosos - mawalid - Estes instrutores
incluem, Barbara Siegel ( Habiba). Sandra Shore( Cassandra) e Zahara Zuhair. Sou
também muito sortuda por ter tido a oportunidade de ter visto a dança ao vivo. Numa
viagem a Turquia e Egito em 1996, enquanto estava em Luxor, eu assisti a uma aula de
dança seguida de uma apresentação com Khairecya Maazin.
Khairecya contratou um grupo de 4 músicos para aquele dia, tivemos dois
percussionistas tocando tabla e tabla baladi, e dois rebabs. Provavelmente o melhor
exemplo de musica do interior do alto Egito é disponível em fita cassete e cd, pelo
famoso músico saidi Metqal Kanawe e sua banda. Instrumentos típicos da região
incluem o que conhecemos pelo nome de derbak, Tabl baladi, mizmar, snujs e Rebab.
Ela acompanhava os músicos enquanto dançava com seus snujs, tocando acentos
simples, ou triplos, e combinações múltiplas em qualquer sequência que ela quisesse.
Entre as ghawazee os snujs são tocados improvisadamente, para dar base as frases de
ritmo, muito raramente são utilizados para iluminar ou tornar mais claros a melodia. Snujs
são instrumentos de percussão, geralmente utilizados para auto acompanhar a própria
bailarina e nunca deveriam ser usados por propósitos visuais. Ghawazze que não é
fluente com o instrumento simplesmente não o utiliza.
Khaireeya não ensinava os passos quebrando em pedaços didaticamente como as
professoras ocidentais, mas simplesmente ia através deles com a música. Pela maior
parte do tempo ela costumava manter o shimmie vibrando, parada ou em movimento

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enquanto sobrepunha os mesmos a um outro movimento de quadril. Ocasionalmente
adicionava outros passos como shimmies com os ombros, ou deslizamentos de cabeça
ou até mesmo pisava o chão para enfatizar os acentos da música. Pisotear também
poderia ser a forma utilizada em casamentos populares para quebras a mesa onde as
dançarinas se apresentavam. A quebra da mesa e outros truques simples circenses ,tais
como balançar uma cadeira pelos dentes, são vistos como ultrajantes e raramente
presenciados por plateia ocidental, mesmo hoje em dia.
Khaireeya frequentemente trocava seus passos meio largos para seguir mudanças no
ritmo, e parecia confusa quanto solicitada a repetir os mesmos. Assim como suas
colegas, não existia para ela o conceito de coreografia- ela apenas dança. Isto é muito
típico de outras ghawazee também e esta característica oferece um vívido contraste
com as dançarinas profissionais e professores no Cairo, muitos dos quais com
conhecimento em dança clássica. A maioria destes profissionais, como Mahmoud Reda
- fundador e diretor do Grupo Reda no Cairo- e Madame Daulet Ibrahim - no passado
membro do grupo folclórico nacional do Egito e coreógrafa da bailarina Nagua Fouad.
Esses nomes acabaram se tornando famosos no Ocidente como instrutores em
workshops, dentro dos Estados Unidos e Europa, assim como responsáveis pela
preparação e direção das estrelas em ascensão, que se apresentam nos hotéis cinco
estrelas e night clubs do Cairo, Alexandria, Casablanca e Tanger. Apesar destes
professores serem fluentes e muito bem formados no estilo regional e folclórico da
dança, eles criaram shows com uma abertura inusitada para a modernidade, talvez em
função de ter um público mais sofisticado, acabaram por oferecer uma abordagem
mais elaborada, e porque não dizer ocidentalizada em suas criações.
Historicamente, apesar de muitas ghawazee serem famosas e muito solicitadas como
artistas, sua raiz cigana era e continuou a ser um motivo para deixá-las a margem da
sociedade. Isto se deve aparentemente a duas razões. Em muitas áreas do Oriente
Médio, incluindo o Egito, o caráter moral das dançarinas e músicos que se apresentam
publicamente para plateias mistas de homens e mulheres, é altamente suspeita. Muitas
das dançarinas eram e ainda podemos encontrar hoje outras que são, prostitutas, e, em
diversas épocas a palavra ghazeeya foi usada como sinônimo com a palavra
"prostituta" no Egito. No século dezesseis durante o reinado Otomano, dançarinas eram
categorizadas junto aos grêmios e grupos comerciais de cortesãs para propósitos de
taxação de impostos. Também por serem ciganos eram vistos como estrangeiros ou
forasteiros na comunidade em que viviam, e portanto insatisfatórios como fazendo parte
do dia a dia da comunidade. Isto é ilustrado claramente por um sério insulto , que pode
ser escutado até hoje na parte sulista do Egito, " yabn al-ghazeeya" literalmente
traduzindo, "filho da ghazeeya". Isto acaba contribuindo para o isolamento cultural e a
resultante natureza estática da sociedade Nawar, a qual isola suas tradições- incluindo
as apresentações, e o estilo ghawazee, das modernas e ocidentais influências, e ajuda
a preservá-las.
O artigo de vestuário conhecido como casaco ghawazee, é talvez o mais famoso traje
usado por artistas de rua no Egito, graças a artistas europeus como Gerome. Derivado
de um traje que é no final das contas, persa em sua origem, este casaco ou colete, teria
sido introduzido na parte norte ou baixo Egito com a expansão do Império Otomano no
século XVI. Outrossim, a maioria das descrições do casaco ghawazee, mostrando o
mesmo enrolado ou cortado logo abaixo do busto, são do século XVIII ou depois desta
época, o que permitiu pintores ocidentais ter sua própria versão deste traje, eternizado
em telas que contavam as impressões sobre esta parte do mundo. Enquanto ensinava,
Khaireeya usava um vestido de corte similar ao que é chamado de "l'ancient tunic" por
antropologistas, muitas vezes referido como vestido baladi por dançarinas. O colete e a
saia usada para apresentações, favorecida pelas ghawazee durante a maior parte do
século vinte - o qual evoluiu do colete turco do séc. dezoito e foi supostamente criado
por ancestrais de Banaat Maazin- foi substituído por vestidos com bordados e franjas e

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cintos similares aos usados como trajes folclóricos no placo, e hoje em dia utilizados por
bailarinas profissionais no Cairo. Por outro lado, os mesmos trajes hoje usados no Cairo
derivam dos vestidos folclóricos cobertos por fileiras e fileiras de franjas de canutilho e
contas, que as ghawazee criaram para os shows turísticos nos anos cinquenta.
Por último, seria bom enfatizar o quanto este estilo de dança tem se perdido. A contínua
ameaça de violência em festas de casamento por fundamentalistas religiosos tem
destruído a tradição de contratar dançarinas para as cerimônias de bodas em algumas
áreas do Egito. Em algumas ocasiões, as casas das famílias que contrataram uma
bailarina, foram literalmente postas abaixo por grupos enfurecidos. Consequentemente,
autoridades locais permitem a dança de forma legalizada mediante uma concessão, o
que ocorre é que para ter a autorização oficial, os requerimentos e impostos pagos são
altamente proibitivos. Nesta atmosfera, a genuína dança das ghawazee pode
desaparecer completamente, e apenas aquelas que tenham se esforçado para
aprender delas e reproduzir de forma verdadeira aquilo que viram, poderão manter este
estilo vivo em algum outro lugar.
Para aquelas que desejam recriar uma forma tradicional de dança como a dança de
Banaat Maazin, tome muito cuidado para manter a precisão tanto quanto for possível.
Em troca, seu cuidado servirá para prolongar a existência dessa forma histórica de
dança, e mantê-las etnicamente e tecnicamente distintas do gênero conhecido como
forma geral pelo nome de Dança Oriental.
Glossário:
almah, awalem (pl.) Artistas egípcias preparadas ou eruditas
bint, banaat (pl.) filha menina.
ghazeeya, ghawazee (pl.) dançarina, "invasora do coração"
jawhari Cortesãs turcas e escravas, literalmente joias.
rebab instrumento de cordas folclórico tocado com um arco, poderíamos dizer que
seria o avô do violino.
mijwiz flauta com palheta dupla, com possibilidades para som grave.
mulid, mawalid (pl.) Festival religioso muçulmano, que data do século doze antes de
Cristo.
tabla Tambor em forma de taça, tocado com as mãos, muitas vezes chamado de
derbak
tabl beledi Tambor dupla face tocado com varas.
sagat jogo de quatro címbalos de dedo feito de bronze, usados no polegar e no dedo
do meio de cada mão.
A Guedra
Teríamos que falar por longo tempo para poder explicar o significado desta dança do
Sul do Marrocos, na qual as atitudes e movimentos têm sua origem num simbolismo
muito antigo. Na realidade, esta dança representa uma cerimônia ritual cuja origem se
perdeu nas névoas do tempo. As mulheres tocavam sinos e eram completamente
cobertas por um véu negro. O ritmo constante como a batida do coração trás para fora
as mãos que descrevem vividas, e expressivos movimentos. A cabeça é desvelada, com
olhos fechados, balançando suavemente como um pêndulo. O ritmo é sustentado por
uma guedra ou pote perto da terra, como um pequeno tambor de cerâmica coberto
por pele. A pulsação se mantém através do ritmo e da misteriosa linguagem das que

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dançam. O canto dos espectadores se modifica passando por respirações e um choro
gutural. A bailarina gradualmente se despe de seus véus e finalmente desfalece, cai
sobre si mesma.
Uma Dança do Marrocos
O Marrocos é um país com folclore diversificado, costumes e tradições que sobrevivem
até os dias de hoje. Dentro das muitas manifestações expressivas das tribos, uma que
chama a atenção por sua peculiaridade é a Guedra. Este é um ritual dançado, com
raízes ancestrais, a música leva ao transe durante sua execução. Suas origens são tema
de especulação.
A Guedra é associada com a Aldeia de Goulimine, no sudeste do deserto marroquino.
O nômades desta região são conhecidos como o Povo Azul ou Tuaregues. São
chamados desta forma pois usam como vestimenta um manto de cor azul profundo, a
tintura usada para dar cor ao tecido solta resíduos na pele o que faz com que a cor azul
esteja presente não apenas em suas roupas mas também em seu corpo. Eles parecem
azuis!
O nome Guedra pode ter vindo do tambor que é tocado para manter o ritmo
específico para este ritual. A palavra Guedra significa pote, vaso ou panela em árabe.
O tambor é confeccionado com um recipiente parecido com um pote de cozinha, que
tem o topo ou abertura coberto por pele de cabra , esticada e presa em toda a borda.
Este instrumento é o responsável único pela parte sonora desta dança. Nenhum outro
instrumento é tocado. A dança acontece de acordo com as batidas deste tambor
acompanhadas pelas palmas do público. O ritmo não tem enfeites ou ornamentos, é
hipnótico e estável.
O propósito da dança é servir como benção para amigos ou um casal no dia de seu
enlace. A própria comunidade pode ser a razão do encontro. Outras vezes, o ritual
pode ser simbolicamente a manifestação da submissão do ser na presença de Deus. Isto
é muito diferente do ritual usado para apaziguar os maus espíritos ou do exorcismo
encontrado na dança chamada Zar.
Alguns dizem que Guedra tem o poder de atrair uma alma distante, atraída pelo místico
ritmo da percussão. O papel desta dança é tido como esotérico na medida em que
carrega diversos significados e simbolismos. Ele começa com uma mulher que parece
uma massa negra e sem forma, representando a noite, o caos, o lago do entendimento
ou energia cósmica. A massa se move de acordo com o ritmo, se tornando turbulenta,
representando a exaltação de um universo que se organiza aos poucos. Os movimentos
das mãos falam da paixão, drama, beleza , prazer e sofrimento, uma escala completa
de emoções. Então um silêncio repentino restaura a energia para o seu estado
essencial, antes da criação.
Geralmente uma mulher dança circundada por pessoas. A dançarina de joelhos com
um véu negro que a cobre completamente chamado, Haik. Suas mãos emergem desta
noite escura, na luz do fogo seus dedos e mãos se movem, sapecando, vibrando,
mandando pequenas gotas de energia pelo ar. Os movimentos são feitos com este
propósito, para as quatro direções cardinais, e para os elementos , terra, ar, fogo e
água. Representando o tempo, passado, presente e futuro. O dedo indicador é
separado dos outros dedos pois acredita-se que a essência da alma pode ser emanada
por este dedo.
. O clímax da dança é construído pouco a pouco, a dançarina move seu corpo de um
lado para o outro de forma acentuada e penetrante. Ao mesmo tempo é delicada e
leve. Suas tranças oscilam, ela pode caminhar ou se arrastar de joelhos, mas mantém o

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movimento acontecendo na parte superior de seu corpo. Ela ondula, faz rotações, deita
para trás,
movement in the upper body. She undulates, rotates, leans forward, se equilibra e
inclina-se para trás até que sua cabeça toca o chão O véu negro cai e a dançarina é
descoberta e tem seus olhos fechados. O ritmo acelera. Todos os expectadores estão
em delírio e gritam encorajando-a . A dançarina então joga toda a sua energia num
movimento alegre. Apenas quando o ritmo avança num crescendo, há um silêncio
abrupto e a dançarina desmorona no chão como num desmaio. Ela é então substituída
por outra que toma o seu lugar. Apresentar esta dança pode induzir a um estado
hipnótico ainda que esta não seja a meta real da mesma.
A roupa tradicional é essencial para a dança. Esta dança nunca deve ser executada
usando a versão mais comum de traje que temos sutiã e cinturão acompanhados de
saia e véu. Isto é absolutamente impraticável. O véu negro que cobre a cabeça e todo
o corpo da bailarina no início da dança é uma peça única de tecido bem largo. Ele
fica preso na frente da roupa por dois alfinetes, que tem uma longa corrente
guarnecida entre eles. A touca na cabeça é decorada com conchas, e tranças
artificiais pendem dele. A dançarina entrelaça seu cabelo com as tranças falsas para
manter este adereço de cabeça no lugar, ele é decorado e tem sua estrutura feita de
um arame fino. O adereço deixa um espaço de ventilação acima da cabeça o que é
bastante prático para alguém que mora no deserto, ao mesmo tempo o espaço
permite que as tranças se movimentem e libera os meneios de cabeça. As mãos são
decoradas com desenhos feitos de henna, e ficam enfatizadas dentro do contexto
geral, enquanto a maior parte do corpo está totalmente coberta. A riqueza do folclore
Marroquino pode facilmente ser apreciada em sua forma mais superficial, mas
dificilmente compreendida em seus mistérios mais profundos. Uma sequência filmada
preciosa está presente no vídeo, " Rare Glimpses" produzido por Ibrahim Farah. Neste
vídeo, pode-se ver um momento real de Guedra gravado por volta de 1952.
Se você tem interesse e gostaria de aprender mais sobre esta dança, Morroco , que vive
em Nova Iorque poderia lhe ajudar. Ela é uma excelente instrutora, escritora e
pesquisadora das danças do Norte da África e todo o Oriente Médio. Você descobrirá
que dançar Guedra é divertido, estimulante e profundamente emocionante. artigo
escrito por Jasmim Jahal
Dança da espada
Existem várias lendas para a origem da dança da espada. Uma delas diz que é uma
dança em homenagem à deusa Neit, uma deusa guerreira. Ela simbolizava a destruição
dos inimigos e a abertura dos caminhos. Outra, diz que na Antiguidade as mulheres
roubavam as espadas dos guardiões do rei para dançar, com o intuito de mostrar que a
espada era muito mais útil na dança do que parada em suas cinturas ou fazendo
mortos e feridos. Dançar com a espada permite equilíbrio e domínio interior das forças
densas e agressivas. Uma terceira lenda conta que na época, quando um rei achava
que tinha muitos escravos, dava a cada um uma espada para equilibrar na cabeça e
dançar com ela. Assim, deveriam provar que tinham muitas habilidades. Do contrário, o
rei mandaria matá-lo. O certo é que, nesta dança, a bailarina deve saber equilibrar
com graça a espada na cabeça, no peito, na cintura, na mão e na perna. É importante
também escolher a música certa, que deve transmitir um certo mistério. Jamais se
dançaria um solo de Derbak com a espada.
Há outra versão interessante que filhas de mercadores faziam também suas acrobacias
nas
feiras livres, no intuito de vender belíssimas espadas, através de sua beleza e toda
habilidade e equilíbrio que possuíam com ela, e também uma forma de atraírem bons
compradores e futuros pretendentes.

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Sua outra versão se deu nos Estados Unidos, onde uma bailarina foi presenteada com
uma belíssima espada de ouro por um árabe. Sua apresentação levantou suspiros e
aplausos; deste então ela se tornou um sucesso entre o mundo árabe e bailarina
americanas.
Visão da pesquisadora
Desde a Antiguidade os beduínos da Arábia Saudita trabalhavam com metais e eram
peritos em fazer "espadas".
Como território de passagem da Rota comercial das caravanas entre o Oriente e o
Oriente Médio eram nas paradas de descanso que se vendiam os artefatos.
Para demonstrar aos compradores interessados a excepcional qualidade de suas
espadas e torná-las bem desejáveis, escolhiam suas filhas para mostrá-las. Elas se
enfeitavam e desfilavam, bem como aproveitavam a oportunidade para exibir sua
beleza demonstrando o quanto eram saudáveis e atraentes, vislumbrando um possível
casamento.
Este costume desenvolveu a dança com a espada que é formada por dois momentos:
1 - Demonstração da espada
2 - Apresentação da filha que está pronta para iniciar sua vida "como mulher."
Também sabemos que as dançarinas egípcias, as Almées, altamente respeitadas e
estimadas por todos, tinham como "privilégio", a permissão para dançar com a espada,
objeto exclusivo dos homens, símbolo de sua força, coragem e virilidade.
As Almées dançavam com uma ou duas espadas, equilibrando-as em diferentes partes
do corpo, mostrando uma dança poderosa e impressionante com significado simbólico.
Este aspecto da "espada" na dança revela um privilégio único que a dançarina Almée
possuía: Usar um objeto do mundo masculino em sua dança.
Uma terceira raiz encontramos na antiga tradição de algumas tribos do Oriente Médio,
onde, no ato do casamento, o noivo entregava sua espada à noiva.
Ela então exibia virtuosamente a espada em defesa da honra e proteção de sua futura
família: com feminilidade e doçura, porém firme e altiva.
O noivo a carregava para dentro da futura casa, colocando a espada nos ombros
dela, mostrando simbolicamente que lhe confiava o poder de liderar o lar e honrar a
família.
Devido a esta poderosa simbologia , a dança com a espada não se desenvolveu como
dança de palco no Oriente Médio.
Foram às dançarinas da Europa e especialmente as americanas que lhe deram
atenção e a desenvolveram com dramaticidade e acrobacia, transmitindo um ar de
perigo e poder.
Por Christina Shafer(Pesquisadora da Dança Oriental Árabe)
Minha Visão
A dança da Espada exige da bailarina um domínio muito grande de suas emoções e
pensamentos.
Para podemos manter o equilíbrio necessário para dança com a espada na cabeça,
ou em qualquer outra para de corpo, precisamos primeiro “aquietar a mente”, deixá-la
vazia. Depois, precisamos ter a consciência de a espada simboliza uma “força”
atuante, dentre outros símbolos, todos aqueles que assistem uma apresentação, ficam”
enfeitiçados”, ela tem uma poder muito grande. Não se deixe enganar pelas
aparências, pode ter certeza que a espada brilha mais que você, por isso respeite-a e a
use com sabedoria! Lembre-se : “ Você dança para a espada.”
DANÇA DÂBKE Entre os povos árabes, dançar é um hábito. Sempre encontram motivos
para suas músicas alegres e festivas: casamento, batizados, festas familiares e
acontecimentos sociais em geral. O dâbke é uma dança folclórica de celebração,
tradicional entre os povos árabes. Executada em grupo por uma longa cadeia de
dançarinos homens e mulheres que se dão às mãos e se movem em círculo aberto, ou

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ao longo de extensa linha. Os passos cadenciados rígidos e a forte marcação com os
pés indicam o papel primordial do homem nesta dança, cuja história está na cadência
de seu passo decisivo ao amassar o barro para a construção da sua casa. Com o
descobrimento das Américas, os colonizadores trouxeram para as novas terras suas
músicas e danças. Estes, com o passar do tempo, exerceram, considerável influência no
Novo Mundo.
A Dança do Vilarejo Libanês
Imagine-se andando numa Vila cheia de pessegueiros, macieiras e plantações de Uva,
e sentindo o aroma da colheita de meio de Setembro. Isso, meus amigos, é um vilarejo
encontrado no Líbano seguindo as tradições que seus ancestrais deixaram.
Vilarejos Libaneses são famosos por muitas de suas tradições ancestrais e com honra as
carregam de geração para geração. Muito disso consiste da cooperação da família e
neste caso toda a Vila se torna uma FAMILIA.
No meio de Setembro, famílias se encontram nos seus campos, para celebrar a
temporada de colheita do Vinho. As uvas colhidas das Parreiras foram separadas,
algumas para fazer Arak, algumas para Vinho, outras para Vinagre e o resto para fazer
doces de Uvas. O ar está tomado pelo delicioso aroma do suco de Uva que está sendo
aquecido ao fogo. Algumas mulheres recheiam suas belas travessas com tabouleh,
hummus, babaghanouj, folhas de uva e uma coleção de petiscos, frutas, e pães. Outras
andando balançam seus jarros de água sobre as cabeças com elegância. Os jovens
rapazes e moças, vestindo roupas festivas, vão com suas mães conhecer os membros
mais velhos de sua família nos campos. As jovens mulheres estão vestidas em
esvoaçantes calças e camisas e longas vestimentas; véus e lenços com bela decoração
e adornos nas cabeças. Os homens estão vestindo seus sherwals e labbadeh (calças
largas e chapéus típicos) com vestimentas coloridas sobre suas camisas e botas. Um
homem idoso entra em cena carregando um derbake (um pequeno tambor feito de
um cilindro de madeira e pele de carneiro esticada), seguido de uma turma de outros
com seus nay e mijwiz (o nay é uma flauta de bambu simples longo e o mijwiz é uma
flauta dupla mais curta).
A musica começa a tocar, e a brisa fresca da tarde de Setembro está em todo lugar.
Alguns homens e mulheres seguram as mãos e começam a dançar para a entonação
Dalunah, a base de todos os Dabkes (para bater no chão com um dos pés), enquanto
outros batem palmas criando o ritmo apropriado. Então se abre caminho para o canto
improvisado; uma mulher entra em cena com um jarro balançando sobre sua cabeça e
é seguida por outras, como que competindo. Então os homens tomam parte com suas
espadas, fazendo a dança da espada para o ritmo do mijwiz. Conforme o tempo vai
passando, os mais velhos vêm participar também, segurando as mãos com os mais
jovens formando uma linha unitiva e fazendo o mesmo passo. O homem e mulher nas
extremidades opostas da linha fazem passos diferentes para mostrarem quão
competentes, ágeis e graciosos eles são. O resto da turma bate palma e canta para
revelar sua felicidade. Um homem idoso chama e anuncia que o suco de Uva já
esquentou e já esfriou, eles podem bebê-lo. Aqui a atmosfera está recheada com
ululação para os homens responsáveis pelo suco e para as mulheres que preparam a
comida. E conforme a ululação continua o tempo do Dabke aumenta.
Felizmente, de todas as tradições libanesas essa cena não morreu, especialmente nos
Vilarejos. O Dabke é uma dança nacional Libanesa que é levada em todo Clube,
restaurante, ou festa.

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Sua História
Em tempos antigos, antes de forros estáveis serem instalados nos lares Libaneses. Seus
forros planos eram feitos de galhos de árvores que eram tapados com barro. Quando
vinha a mudança de estação, especialmente o inverno, o barro iria rachar e iriam
começar as goteiras e era necessário um conserto. O dono da casa iria chamar seus
vizinhos para ajuda- Al-Awneh- e os vizinhos iriam subir no forro. Eles seguravam as mãos,
formavam uma linha e começavam a bater os pés enquanto caminhavam sobre o forro
com a finalidade de ajustar o barro.
Depois de um tempo, Al-Awneh, ficou conhecido como Dalunah, uma forma
improvisada de Dabke cantado e dançado. Um derbake, nay e um mijwiz foram
adicionados para manter os homens trabalhando no tempo frio (isso estimulava maior
energia pela pressão sanguínea). Conforme o tempo emergiu, a dança Dabke se
tornou uma das tradições Libanesas mais famosas. Hoje o Dabke é performance em
toda casa Libanesa. O Dabke anima a vida, quando amigos e parentes se juntam em
volta do mezze Libanês com arak ou vinho e começam a praticar a dança.
Raks el Shemadan - Dança do Candelabro Zouba el Kloubatiyya primeira mulher a
utilizar um " klob"( candelabro) equilibrado em sua cabeça durante a Zeffa, tradicional
procissão que acontece nos casamentos egípcios Shafia el Koptia, a cóptica cristã,
para não se sentir passada para trás usou também o candelabro. Shafia ensinou a avó
de Nadia Hamdi e sua tia. Nesla el Adel, uma contemporânea dos tempos de Shafia,
ainda era viva quando este artigo foi escrito e ocasionalmente se apresentava até
mesmo ensinando. Perto de seus noventa anos ainda trazia a energia e satisfação de
dançar. Nadia Hamdi é no Egito a diva do "Shemadan" e a única dançarina que foi
ensinada dentro da linha tradicional das bailarinas egípcias de candelabro. Nadia foi
ensinada desde criança por Zouba e mais tarde formalmente treinada por sua avó. A
dança do candelabro como parte da Zeffa egícia pertence ao início do séc. XX. Antes
desta época, a zeffa era liderada por dançarinas e músicos mas a iluminação era
fornecida apenas por velas especialmente produzidas para tanto, mediam 3 pés e eram
especialmente decoradas para a festa. Outras pessoas participantes da ZEFFA
carregavam pequenas lanternas com velas dentro que complementavam a iluminação
da procissão. As velas especiais para casamento permanecem como parte da
cerimônia até os dias de hoje.
Tradicionalmente a Zeffa acontece de noite, mudando de direção através das ruas da
vizinhança da casa dos pais da noiva até a casa de seu noivo que passará a ser sua
nova casa. Esta é a mudança oficial da noiva e é liderada por uma dançarina, músicos
e cantores, seguidos logo após pela festa de casamento, pelos amigos e a família.
Existem músicas especiais para estas ocasiões com um ritmo específico conhecido
informalmente como batida Zeffa. Esta seria sempre a música apropriada para usar
durante a procissão de casamento.
Desde os anos setenta, em função das festas de casamento no Egito terem se tornado
mais urbanas e modernizadas, a Zeffa se mudou junto com a festa para os ambientes
hoteleiros. No hotel , a Zeffa vai acontecer na escadaria central do hotel indo para o
hall da sala de recepção onde as festividades terão lugar. Dentro deste salão a
procissão circunda todo o ambiente e deposita os noivos em tronos especiais
ornamentados com flores num dos cantos da grande sala. Depois da Zeffa terminada, a
dançarina ainda fará uso de mais música que pode ser típica para a ocasião ou não,
para fazer a noiva se levantar e dançar, depois o noivo, e finalmente o casal é
convidado a dançar juntos. A dançarina pode ainda apresentar um solo de candelabro

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que pode incluir até mesmo uma descida ao chão. Esta é a parte teatral da
apresentação usada apenas para entreter os convidados, separada da parte
tradicional da Zeffa.Como alternativa, os noivos podem escolher celebrar sua festa de
casamento no nightclub do hotel. O casal seria então reconhecido dentro do público e
trazidos pela dançarina para o palco, onde aconteceria a Zeffa. Ela faria com que
dançassem juntos, então prosseguiria para sua própria apresentação incluindo o solo de
candelabro e o trabalho de chão. A cerimônia conhecida como Zeffa é
tradicionalmente egípcia mas outros casais do Oriente Médio adotaram a mesma como
parte de sua celebração de casamento, incorporando-a juntamente com seus rituais. O
candelabro é também parte da apresentação teatral e folclórica, representando as
antigas tradições representadas em palco. Pode-se ver esta dança representada por
Mahmoud Reda e sua troupe que percorreu o mundo mostrando sua arte e a dança
egípcia por anos. Texto escrito por Lucy Smith
Dança tribal
Não é dança do ventre, nem tampouco pode ser considerado folclore. Também não é
etnicamente tradicional. O Estilo Tribal divide gostos e opiniões, e deixa uma dúvida: o
que é afinal esta dança?
Para quem ainda não conhece, Estilo Tribal é uma modalidade de dança que, tendo
como base a dança do ventre, funde arquétipos, conceitos e movimentos de danças
étnicas das mais variadas regiões, como o Flamenco, a Dança Indiana e danças
folclóricas de diversas partes do Oriente, desde as tradicionais manifestações folclóricas
já bem conhecidas pelas bailarinas de dança do ventre às danças tribais da África
Central, chegando até mesmo às longínquas tradições das populações islâmicas do
Tajiquistão.
Para usar uma terminologia apropriada que não cause dúvida, espanto ou revolta nas
defensoras da tradição, chamamos esta modalidade de Estilo Tribal Folclórico
Interpretativo. Este estilo surgiu nos EUA, nos idos dos anos 70, quando a bailarina Jamila
Salimpour, ao fazer uma viagem ao Oriente, se encantou com os costumes dos povos
tribais daquela região. De volta à América, Jamila resolveu inovar e mesclar à dança do
ventre as demais manifestações culturais que havia conhecido em sua viagem.
Com sua trupe Bal Anat, Jamila passou a desenvolver coreografias que aliavam
acessórios das danças folclóricas aos passos característicos da dança do ventre,
baseando-se em lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dançateatro, acrescentando à isso um figurino mais condizente com o vestuário tradicional
das verdadeiras mulheres orientais, abandonando então as lantejoulas e miçangas
características dos trajes bedleh.
Um exemplo que temos desta nova forma de dança é a tão popular Dança da
Cimitarra. Segundo Jamila, a primeira bailarina que comprovadamente apresentou esta
dança, várias lendas sobre o uso da espada pelas mulheres do Oriente, em forma de
dança, existem, mas nenhuma delas pode ser tida como real, já que o próprio povo
daquela região não aceita esta dança como parte de suas lembranças culturais.
Uma forte característica trazida para o Estilo Tribal das danças tribais é a coletividade.
Não há performances solos no Estilo Tribal. As bailarinas, como numa tribo, celebram a
vida e a dança em grupo. Dentre as várias disposições cênicas do Estilo Tribal estão a
roda e a meia lua. No grande círculo, as bailarinas têm a oportunidade de se
comunicarem visualmente, de dançarem umas para as outras, de manterem o vínculo
que as une como trupe. Da meia lua, surgem duetos, trios, quartetos, pequenos grupos
que se destacam para levar até o público esta interatividade.

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Nos anos 80, novas trupes já haviam se espalhado pelos EUA. Masha Archer, discípula de
Jamila, ensina a sua aluna Carolena Nericcio as técnicas do Estilo Tribal, criadas por
Jamila pra obter um melhor desempenho de suas bailarinas. Esta técnica baseia-se nos
trabalhos de repetição e condicionamento muscular (e mental) do Ballet Clássico,
adaptados aos movimentos das danças étnicas. Incentivada pelas diferenciações do
novo estilo, Carolena forma sua própria trupe, que dará novos contornos à história do
Estilo Tribal.
O figurino utilizado por Jamila e sua trupe cobria o torso da bailarina, sendo composto
(ainda hoje mantido por esta trupe) basicamente por batas do tipo djellaba ou
galabias. Isso tirava, segundo Carolena, um pouco da intenção e visualização do
movimento. Surge então um novo visual ao Estilo, que até os dias de hoje continua
predominando no cenário Tribal: saia longa e larga, sem abertura nas laterais ou calça
pantalona ou salwar (bombacha indiana), choli (blusa curta de manga longa ou semi,
que é tradicionalmente utilizada pelas mulheres indianas embaixo do sari), sutiã por
cima da choli, xales, cintos, adereços, moedas, borlas, para incrementar o traje, dar
maior visualização aos giros e tremidos etc.
Além deste novo figurino, Carolena e sua trupe Fat Chance Belly Dance trouxeram ao
Estilo Tribal a complementação com movimentos oriundos da Dança Indiana e
Flamenca, e a característica mais forte atualmente no Estilo Tribal: a improvisação
coordenada. Esta improvisação parece uma brincadeira de "siga o líder", e baseia-se
numa série de códigos e sinais corporais que as bailarinas aprendem, trupe a trupe, que
indicam qual será o próximo movimento a realizar, quando haverá transições, trocas de
liderança etc. Para a audiência, ficará a impressão de que aquela trupe está
desenvolvendo uma coreografia diversas vezes ensaiada, mas ao contrário, elas estão
improvisando todas as sequências na hora, sem que com isso percam o sincronismo e a
simetria em cena.
Véu wings – Sua adaptação para a dança do ventre, pode ter surgido a partir das
imagens e rituas para a Deusa Ísis. É uma técnica originalmente americana, que utiliza
um véu em formato de asa; seus movimentos são bem marcados e a postura da
bailarina tem de estar perfeita. Esse estilo, não é considerado folclórico, em alguns
países ele nem é ensinado.
O Estilo Árabe Moderno (Libanês)
Na Dança do ventre, há uma clara distinção entre o Estilo Egípcio e o Estilo Libanês.
Geralmente as primeiras têm uma dança mais contida, movimentos menores de
quadris, enquanto as outras executam uma dança mais forte e agressiva. No Brasil, o
estilo mais difundido é, sem dúvida, o egípcio. Por isso as bailarinas libanesas foram
quase descartadas do estudo feito pelas bailarinas nacionais. Porém, há muito o que
aprender com as libanesas. Podemos – e devemos – atentar para aquelas que não
abrem mão da qualidade de sua dança e, ainda assim, colocam nela elementos que
enriquecem-na e caracterizam-na como libanesa. Nos países árabes é muito clara a
preferência por esse estilo. Por terem sido as libanesas as primeiras a serem contratadas
para trabalharem fora de seu país, ficou marcada a dança como tal. Além disso, os
árabes gostam desse tipo de dança forte, que chama atenção não só pela riqueza de
passos, mas também pelas “surpresas” que esse estilo permite fazer. Interpretação
musical, comunicação corporal, soltura de quadril, giros e deslocamentos, chão e
cambrées, são itens característicos e indispensáveis ao Estilo Libanês, que serão
estudados e aprofundados nestas aulas.

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*Ser uma grande estrela é questão de sorte?
O que determina se você está vivendo um sonho ou uma realidade? É o fato de achar,
que um, é o outro. A capacidade de uma bailarina fazer isso em minutos com seu
público vai de seu preparo, ao longo de anos, principalmente sabendo que, por mais
que tenha caminhado, nunca aprendeu o suficiente; se você assistir a seu show dentro
de cinco anos, vai se achar medíocre, verá seus movimentos necessitando polimento,
sentirá a falta de uma cena mais delicada que deveria ser colocada aqui e ali, aquela
tradicional sutileza que sempre falta.
É porque a evolução na dança, depois de um certo tempo, acontece tão lentamente,
de forma quase que imperceptível, fazendo com que esqueçamos como éramos a
cinco anos atrás, ou mesmo, tirando sua noção se está aprendendo ou estacionada.
Fazendo uma analogia, é como construir uma casa. Levantar as paredes e cobrir com
o telhado é fácil e você vê o resultado quase que imediatamente. Já quando entra na
fase do assentamento de azulejos e colocação de metais, é lenta e não enche a vista
como a visão de uma casa crescendo todos os dias. O acabamento final é quase que
imperceptível. Você tem que procurar dentro da casa para ver, onde é que ele está
acontecendo. Aqui o resultado final só se percebe depois de concluída a obra. Depois
disso, vem à sintonia fina: móveis, o que combina com o quê, decoração e as
pequenas sutilezas que vão dar a cor e a característica de sua personalidade. Assim
funciona com seu aprendizado.
Acostume-se desde cedo a estudar e querer sempre saber mais. Não deixe que seu
aprendizado seja permeado pela superficialidade. Se assistir sua dança de cinco anos
atrás e achar que ela ainda está ótima, com certeza, significa que você não evoluiu
muito de lá para cá. Parou no tempo. É preciso ter um senso crítico apurado e quebrar
o espelho narcisista para perceber isso. É simples... ao terminar a faculdade, você olha
para trás e vê a mesma pessoa de quando passou no vestibular? Em dança oriental, a
cada 5 anos, você faz uma faculdade.
Por cinco minutos, vi Souhair Zaki dançando em uma aula para quase uma centena de
alunas no Cairo. A emoção daquele momento, percebi em meus olhos. Ao escrever
estas linhas senti arrepios só de teclar, me lembrando da emoção daqueles instantes.
Voltou como se eu estivesse lá, assistindo àquela cena... Era impressionante a questão
da expressão, tanto do corpo como de seu rosto, e, do que ela podia transmitir
naqueles instantes.
Após 20 anos assistindo dezenas de apresentações todos os dias, eu estava totalmente
enlevado, tomado de emoção ou hipnotizado, como queira você pensar. Conseguir
transmitir este sonho é uma arte que poucas dominam. Trata-se de um trabalho que
requer anos e anos de estudo; Mas só isso não é o bastante. A dança envolve emoção
e a teatralização artística; não se aprende isso de um momento para o outro. Querer
aprender não é o suficiente. É necessário fazer germinar o movimento e a expressão.
A introspecção musical. Uma incorporação que envolve sentimento; um doar-se ao
público. Se não sentir a música, as pessoas, o ambiente, dificilmente desenvolverá seu
talento ao longo dos anos. Será sempre aquela mesmice decorada, inexpressiva, sem
encantamento. O que quero dizer, é que não adianta você dizer que estuda a "x" anos,
dá aulas para "y" alunas, e nas horas vagas, faz shows em lugares de destaque: o que
está dentro de você e o que angaria para sua expressão como bailarina é que pontua
sua qualificação. Seu processo evolutivo não pode parar. E isso vai acontecer, sem
sombra de dúvidas, se deixar sua fonte secar.

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Como querer ensinar, sem aprender primeiro? É necessário definir onde você quer
chegar com seu aprendizado de dança oriental:
(1) um simples hobby ou terapia;
2) somente básica e superficial, para se apresentar em qualquer lugar que aparecer
(sem compromisso com qualidade); NÃO RECOMENDADO!
3) um complemento na sua forma de ser mulher;
4) tornar-se uma grande profissional
(digo "grande", porque aqui não existe meio-termo; ou opta-se por ser "grande" ou não
será uma profissional, ao longo dos anos - vide item 2);
5) um ser sublime, digna de tornar-se uma lenda ao longo das décadas;
(neste caso, trata-se de uma "escolha de vida").
Definido isso, você começa a pensar quais os próximos passos a seguir.
No caso de ser uma escolha para o profissionalismo, muitos fatores devem ser
observados. Lembre-se que isso envolve você "viver da dança". Então como querer
colher algo que você não planta? É insano querer viver do resultado financeiro de
shows e aulas, sem investir grande parte dele. Você estará se autoconsumindo (o que
ganha gasta tudo, ou paga contas). Se você vive essa situação, necessita mudar o
sentido e a atitude com relação à dança.
Se sua fonte é a dança, você precisa cuidar para que sua água esteja sempre potável
e haja fartura e abundância. Entra-se em cena pensando quanto vai ganhar ao final,
escolheu o caminho errado. Quando você dispõe sua arte, num lugar que não lhe
oferece o mínimo de respeito, sem iluminação apropriada para dança, com garçons
circulando e servindo bebidas durante o show, sem lugar para aguardar sua entrada ou
se trocar, literalmente jogada as traças...como enxergar seu posicionamento em
relação a esta dança?
Quando o cachê é seu único motivo, e nada mais importa, o que você oferece deixa
de ser arte. Que nome poderíamos dar a esta atividade? Não sei como colocar de
forma delicada essa comercialização além dos limites.
Por vezes sinto que penso através das mulheres que conheço dentro da dança, e aí,
tomo por exemplo, aquela que tenho comigo há muitos anos. Sei que a Lulu até pode
se apresentar sem remuneração se a causa for algo maior, mas tenho absoluta certeza
de que ela respeita o que faz suficientemente para exigir o mínimo, quando alguém lhe
contrata para mostrar seu trabalho.
A dança devolve a cada bailarina exatamente o que esta oferece à dança. Respeito
se paga com respeito, amor com amor, mediocridade, só casa com mediocridade.
Pense cuidadosamente a respeito de suas expectativas e peça aquilo que realmente
deseja, pois seja lá o que for, isto virá às suas mãos.
Quando digo para uma bailarina, que ela deve investir em si TODOS OS DIAS, muitos
nem sequer sabem ou imaginam a abrangência disso.
Existe um longo trabalho, se você fez a opção de tornar-se uma grande bailarina.
Desde seu preparo visual (roupas finas, adereços elegantes, seu manto (abay) para

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quando não estiver em cena, maquiagem de boa qualidade, ...), imagem (construção
de seu personagem - postura, gestos, elegância-, fotos - sempre melhorando e
atenuando as falhas da sessão anterior -, propaganda pessoal - delicada e sem
exageros...), ferramentas de trabalho (desde sua mala, objetos cênicos, CDs - de todos
os gêneros e o mais variado possível -, vídeos para estudos, DVDs, livros e apostilas,
impressões por Internet de pesquisas realizadas, tudo catalogado para facilitar a busca
quando necessário...), conduta profissional (manter-se sempre cristalina; ser uma grande
observadora das demais condutas, filtrando o que não é compatível ou não demonstra
nível a altura de seu profissionalismo). Tudo isso, nunca é o suficiente pois você estará
sempre em mutação.
Conheço bailarinas que possuem uma década de dança ou mais, e que só fizeram
uma única seção de fotos profissionais até hoje. No máximo duas. Como é possível isso,
se seu rosto muda a cada 6 meses na dança? Teoricamente, a cada ano, você precisa
fazer novas fotos profissionais. Se é caro? Não é este o caso. A questão é que "fotos
funcionam". Elas divulgam você. São um termômetro de sua evolução visual.
Como pode uma boa bailarina, ter uma pasta com apenas 50 unidades de CDs? Esta é
sua ferramenta mais preciosa. Ao longo de anos, precisam haver centenas. A
possibilidade de opções e o domínio de uma miscelânea musical a tornam consistente,
confiante. Se mesmo assim, você diz, é caro... me desculpe!
Você pode ter algumas predileções musicais, mas deve conhecer um pouco de cada
estilo. Negligenciar o estudo de alguns estilos por "não gostar", é inaceitável do ponto
de vista artístico. Fará falta em algum momento de sua carreira, pode ter certeza.
Dance de tudo e varie sempre seu repertório; novidades sempre aparecem: esteja
pronta para adquirir quando elas surgirem a sua frente.
Ninguém aprende sozinho. Achar que isso vai acontecer com você é infantil e uma
viagem astral sem precedentes. Como alguém pode ensinar-se a si mesma, sem ter
parâmetros para delimitar seu crescimento ou evolução? A resposta é que ninguém
evolui só. Já viu alguém crescer sozinho em uma ilha deserta? É imaturo dizer que
aprende só, da mesma forma que sua dança provavelmente será imatura, pois
ninguém poderá corrigir seus erros. Será sempre a mesma coisa, anos e anos.
Não é suficiente dizer: "É, mas eu fiz os Workshops da Fulana, Beltrana e Cicrana...". Isso
por si só e isoladamente, não trás os resultados que você procura. É preciso muito mais...
"Em quanto tempo vou me tornar uma boa bailarina?" Só você poderá dizer isso. Seu
senso crítico vai dar a resposta a cada apresentação. E isso, pode ter certeza, se
conseguir manter sua humildade, vai acirrar muito em você.
Copiar, todas copiam. O problema é quando copiam mal. De forma grosseira. Sem
talento. Aquela atitude de colar um trabalho completo, como se via na escola. Nem
uma única palavra pessoal. Igual como encontrou num livro escrito por alguém. Onde
está seu toque pessoal?
Já parou para pensar quão extenso é seu repertório de movimentos?
Se ele for suficiente para preencher, no máximo, cinco minutos de uma música
moderna, um solo de percussão, e aquelas danças mais comuns, significa que a estrada
está só começando. Dançar de forma coreografada idem.
Experimente dançar em casa, uma música clássica elaborada e completa de 10/12
minutos, e veja como pode criar o melhor de seus movimentos. Agora tente outra

79

música clássica, com mais ou menos o mesmo tempo, e procure não repetir as mesmas
seqüências de movimentos.
Como ficou?
Se você acordou do sonho e tomou um susto, é um bom sinal. Existe muito o que
caminhar e agora não é momento de pensar no que foi, mas no que vem.
O maior erro incorrido por todas as bailarinas é serem superficiais no aprendizado e
acharem que mesmo assim, vão chegar a grandes estrelas (dignas até de empinar o
nariz!). O que adianta dizer que tem 10 anos de dança, se em suas apresentações, o
que se vê em seu personagem, é aquela mesmice de sempre. Sem evoluções ou
criatividade. Aquele show sem aura. Uma coisa comercial, que não tem alma ou
nunca teve.
Uma dança homogênea é aquela previsível, que nos primeiros 60 segundos, sabe-se o
que vem até o final da apresentação. Fica apenas naquilo. Não tem picos, momentos
especiais, efeitos surpresa, expressão, emoção, carisma. Finalização fraca, enfim...
carente de correções.
Duro seria perceber que talvez tudo isso que você sempre pensou que tivesse atingido,
sequer não passou da superfície e sua dança é a mesma das salas de aula 1,2,3,4 para
cá, 1,2,3,4 para lá, básico egípcio e básica como sempre. Se você foi além e sua
dança atingiu uma característica própria, o quanto ela evoluiu e passou por fases ao
longo dos anos? Ou permaneceu a mesma dos cinco primeiros?
Não que isso não ocorra dentro da Khan el Khalili. É que lá, cada vez que acontece,
procuramos na medida do possível, falar diretamente a cada uma, mesmo que este
tipo de crítica construtiva não seja bem vinda por muitas. O tempo e a distância,
mostram a cada uma, que isso tem sentido ao longo dos anos.
Ninguém é autodidata em dança oriental... todas aprendem e precisam, umas das
outras, só que a humildade de cada uma, faz com que reconheça, com orgulho, a
maternidade de seus movimentos e também de conhecimentos. É uma questão de
maturidade profissional.
Quando se é menino, tem aquele negócio de "o meu é maior que o seu". Quando se é
bailarina isso é revivido em todas as fases: "eu danço melhor que ela (minha dança é
maior que a dela)". Mas todas podem brilhar, cada uma à sua maneira. As
características da dança, para cada uma, são infinitas. É uma questão de assimilar o
máximo de facetas possível. De estar sempre evoluindo.
Quando me perguntam: "Quem, para você, é a melhor bailarina?" Sempre respondo:
"Existem muitas boas, cada uma com seu brilho especial, sua forma e características
ímpares; só que poucas são melhor preparadas, em função do estudo que
empreendem diariamente! O resultado retorna na medida do seu investimento em si
mesma, e também... na medida de seu merecimento! (é aqui que entra a questão da
conduta profissional, do doar-se, do personagem cristalino, sem duas faces)" Temos
muitas grandes profissionais. Lendas na dança no Brasil, posso dizer que, por enquanto,
ainda preenchem somente alguns dedos de uma única mão. E espaço para isso, tem!
Seu sucesso como bailarina, está em fazer as escolhas certas! Ao contrário do que se
pensa, o aprendizado não para. Nunca se está preparada. Quem não estuda e não
procura novas fontes, fica estagnada no tempo: fossilizada. É um erro achar que o que
você aprendeu nos últimos 10 anos de dança, valem para sempre. O que funcionava
há 10 anos atrás, hoje é apenas o superficial, a primeira camada, só a ponta de um

80

grande iceberg.Não é a sorte que determina se você vai ser ou não uma grande
bailarina. É sua "atitude" de todos os dias! O que você pretende para seu futuro
profissional? Ser uma estrela ou um engodo? Sua decisão de agora, será o resultado de
seu amanhã. Dependendo de sua escolha... ESTUDE MUITO, E SEMPRE! Jorge Sabongi Julho 2002

* Desenvolvimento do improviso
Dança Clássica Oriental
 Quadril: segue a percussão, o derback, ritmo cíclico; precisa ser encaixado;
 Tronco, braços e mão: Melodia, o contar história;
 Cabeça: pode alternar entre a melodia e o derback.
SIMBOLOGIA X MOVIMENTOS
Podemos pensar em movimentos como forma de símbolos,
A Cabeça: desloca-se como uma serpente;
Os braços: asas de um pássaro voando, serpente se movimentando; segue a melodia;
As mãos: representam as flores, os peixes, o ar, a água, o fogo. É onde se expressa a
graciosidade da bailarina;
O Busto: é onde está a sensualidade, mas também o amor maternal.
Os ombros: dão ritmo mágico à dança
O ventre: pulsa, vibra, ondula, mostrando a magia de gerar uma vida; segue a
percussão.
A sinuosidade (quadris e tronco): desperta o inconsciente, revela emoções reprimidas e
libera a energia vital da mulher.
Os pés desenham no solo os símbolos sagrados
Os olhos: mostram a força magnética da conquista
Camelo: correr das águas
Shimies: fogo, o despertar da kundaline (nossa serpente de fogo adormecida na base
da coluna).
Redondo Grande: força da Mãe Terra. E assim por diante...





Exercício (auto- observação)
Treinar poses ( paradas na música)
Treinar o lado esquerdo e depois o direito
Treinar em cima e baixo.
Treinar meia ponta alta e pé no chão.
Treinar contagem a música.
Você é o observador e o observado.

81

Teoria da dança clássica
Escola Persa os movimentos acontecem em torno da coluna
vertebral. 3 Blocos: Cabeça, tronco, quadril. (Figura do triangulo.).
Estrutura clássica. (tema melodia)
1.
2.
3.
4.
5.
6.

Introdução
abertura do tema
desenvolver o tema
improviso sobre o tema
volta ao tema
encerramento

Na dança clássica trabalhos todos os triângulos juntos.
Exercício 1
. Durante 15 dias escolher uma música por dia em alto observação
e anotar dia-a-dia o que acho de novo, de dificuldade,
movimentos novos e sentimentos que apareceram.
2. Criar uma coreografia com movimentos diferentes do que está acostumada.
3.
Acrescentar padrões diferentes de movimentos e notar as observações. Quebrar
padrões. Na dança clássica trabalhos todos os triângulos juntos.
Estrutura



1.
2.
3.
4.
5.

Ritmo é marcado pelos quadris, tema+contratempo( quadril)
Melodia é seguida com mov. de braços/mãos/tronco e rosto,
Voz humana é mais usada hj em dia, mas não é da estrutura clássica
Escolha do momento, escolher momentos especial e fazer mov. diferenciados.
A dança do ventre clássica exige que o corpo todo acompanhe os ritmos da música.
Exercicio 2
Fazer um pequeno resumo sobre: Característica de bailarina.
Escolher 4 bailarinas de diferentes ritmos e fazer a seguinte análise”
Estilo musical,
figures relacionadas
cores
imagens que aparecem na mente ao assistir a bailarina
Observa o corpo e movimentos da bailarina e descrever: Olhar, boca, braços, pernas e
tipo de mov.

Exercicio 3
1. Olhar para dentro de seu próprio olho e com os 2 pés fixos no chão, fazer mov. seguindo
a música.
2. Fechar os olhos e continuar a olhar ( mentalmente) para dentro do seus olhos.
3. Olhos abertos, imaginar vc olhando para seus olhos como uma imagem refletida e
dançar livremente.
4.Exercício para percepção dos movimentos da bailarina em cena.
1.Observa pra onde ela executa os movimentos:
* Direita – esquerda
* Céu – terra

82

* Frente – trás
* Diagonais
2.Observar os mesmo pontos nos movimentos circulares.
3. Para cada item verificar:
*Equilíbrio
* Olhar a qualidade do mov. em sua lateralidade.
* Proporção
* Repetições
* Quantidade ( Numero de vezes que ela desenha o mesmo mov.)
* Forma como executa os mov.
* Variedade (criatividade)
Primeiramente observar uma bailarina e depois fazer a auto-observação.

*Aperfeiçoamento da técnica
Teoria das Mandalas
Mandala é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da
dinâmica relação entre o homem e o cosmo. De fato, toda mandala é a exposição
plástica e visual do retorno à unidade pela delimitação de um espaço sagrado e
atualização de um tempo divino
Nosso dia- a- dia é pleno de mandalas que enfeitam cerâmicas e aprecem nas flores,
nas rodas e em outros objetos circulares. A natureza é sem dúvida a fonte de inspiração,
uma vez que conchas, seres marítimos, fungos e outras formas de vida apresentam
belíssimas configurações circulares. Elas sugerem contração e expansão e agem no
sentindo unificado do ego, motivo pelo qual foram utilizadas por Carl Gustav Yung no
tratamento de esquizofrênicos.
Na dança, iremos usar as mandalas, assim como as formas geométricas triângulo,
estrela, cruz e X, para desenvolver e executar o deslocamento. Dentro de uma dança é
importante a ocupação do espaço, sem ele, os movimento não ganham
dimensionalidade e sua apresentação fica “ pobre” sem alma.
Na pintura de Di Vinci, podemos perceber que esse conceito é muito antigo e
verdadeiro, todo ser humano possui um tridimensalidade.
Temos que explorar toda nossa dimensão, ocupando o espaço, movimentando o corpo
e braços, mas principalmente explorando nossas extremidades.

*Orientação para Estudos em Dança Oriental
Entrada
1. Entrada, qualidade de entrada, calma e eixo
2. trabalho com véus, desenvolvimento e habilidades previamente estruturados
3. momento da entrada apropriado ou não. Toda música clássica tem o momento
adequado de entrada, portanto a escolha da bailarina exemplifica sua preparação e
conhecimento.

83

Música clássica
1.

deslocamentos, respeitando a dinâmica e solicitação sonora.

2.

expressão facial e capacidade dramática

3.

Aproveitamento espacial

4.

Base dos pés e linha das pernas. Elegância e qualidade durante o movimento.

5.

Diferença entre contagem de tempo e interpretação musical

6. noção das mudanças de humor na música e respeito às frases melódicas. Como
aproveitar da melhor maneira o arranjo orquestral, e os solos presentes na peça musical.
7.

qualidade da meia ponta – Linha postural

8.

Definição e limpeza na execução dos passos

9. Os braços como moldura de seu corpo – Harmonia e delicadeza. Concepção da
movimentação dos mesmos e dinâmicos dentro da dança.
10. Qualidade da emenda entre os passos – quebra ou fluidez
11. Giros
12. Diversidade no repertório de passos
13. Leitura poética da melodia – redondos oitos e ondulações
14. Decomposição de passos e criatividade
Construção da finalização.
Variações na qualidade de execução:
Efeitos que podem ser acoplados aos passos dependendo da forma como a técnica é
utilizada:

Diferença entre o forte e o fraco

Intenso e delicado

Grande e pequeno

Acentos secos ou com reverberação

Movimentos longos ou curtos

O tamanho do som deve ser o tamanho do movimento

Em outras palavras, o movimento deve ser igual em intensidade, intenção, e duração
ao som que o provoca. A procura da harmonia perfeita entre som e movimento. Seu
corpo é a música em cena!
Música moderna

84

1.

informalidade

2.

expressão com o público

3.

capacidade criativa mesmo quando a música é linear

Solo de percussão
1.

grau de dificuldade dos passos escolhidos

2.

elemento surpresa

3.
4.

variações na qualidade da execução
relaxamento ao estar dançando

5.

presença de palco

Folclore
1.

Compreensão do estilo escolhido

2.

traje

3.

variação de passos

4.

capacidade criativa

Lulu Sabongi

* Leitura dos ritmos como forma de expressão
O melhor meio de adquirir e desenvolver a capacidade de usar
o movimento e o ritmo como meio de expressão é executar
movimentos simples e a partir daí acrescentar o sentimento e o
olhar.
Ritmos
É fundamental a bailarina conhecer os ritmos árabes e os
diferentes tipos danças, que poderão estar sendo utilizados
com os ritmos.
Se for usado um ritmo de dança Saaidi, por exemplo, a bailarina
deve demonstrar sua desenvoltura com passos específicos
deste folclore.
Possuindo uma noção rítmica, haverá maior possibilidade de se entender a melodia e
assim variar os movimentos, interpretando os instrumentos e a voz em diferentes
momentos.
Expressão na Dança
Quantas vezes vemos bailarinas dançando inexpressivamente, independente de como
se desenvolvem os ritmos, as paradas e retomadas, aberturas e grand finales. Sua

85

técnica pode ser desenvolvida, mas não cativa seu público e seu espetáculo mais
parece pura demonstração de agilidade corporal.
A música é, antes de tudo, uma manifestação de sentimento. O artista é o expert em
expressar sentimentos, crenças e sensações. Quem dança tem que saber interpretar, à
seu modo essa manifestação. Só que o movimento, sem a expressão facial condizente,
denota amadorismo, tensão e insegurança para incorporar a música.
A bailarina pode ser ótima tecnicamente, mas se seu rosto não traduz emoção, sua
dança fica comprometida. O público divaga e o espetáculo perde a força.
Esqueça os aplausos por enquanto. Seja realista e deixe de lado as fantasias acerca de
seu conhecimento e experiência. O público vai apreciar isso ou não com o tempo.
Tenha em mente a ideia de que somos eternas aprendizes.
Sua expressão deverá alterar-se ao longo do tempo, sempre buscando o equilíbrio.
Imagine uma dança onde você vai observar somente a expressão facial .A harmonia
visual da bailarina profissional é fator tão importante quanto a dança em sí.

*Exercício para diferentes expressões
Escolha uma música clássica, escute-a uma vez de olhos abertos e outra de olhos
fechados ficando atenta somente para as mudanças de ritmos. Depois disso, dance a
mesma música e a cada ritmo mude completamente sua dança, imaginando que em
cada ritmo vc é diferentes “personalidades”; por exemplo, quando a música está na
parte lenta, vc pode imaginar a figura de uma mulher romântica, ou a figura de uma
mãe, o importante é vc criar suas próprias “ personalidades”.Com esse exercícios vc irá
trabalhar além da mudança de movimentos, a mudança de expressão. Depois de
dançar, faça uma colagem com os diversos tipos de personalidades que vc imaginou.

*Criatividade na dança
"Todos nós nascemos originais e morremos cópias." - Carl J. Jung
carl J. Jung era mesmo um sabio em analisar seres humano, quer frase mais verdadeira
que esta? Estamos vivendo a era das cópias, copiamos, músicas da internet, roupas de
bailarinas, movimentos de outras dançarinas... queremos mesmo é ser igual a aquela
fulana de tal que está na moda, dançar copiando até os tregeitos e manias! Que
beleza de arte , sem expressão menhuma.... cade a calma que faz alma? Cade a alma
que faz a dança? Cade a dança que faz a diferença? Amigas, sou a favor de observar
e admirar diferentes danças e de até imitar certo movimentos, mas nunca deixar de
lado a minha alma, a minha originalidade!
Criatividade
Existem várias definições diferentes para criatividade. Para Ghiselin (1952), "é o processo
de mudança, de desenvolvimento, de evolução na organização da vida subjetiva".
Segundo Flieger (1978), "manipulamos símbolos ou objetos externos para produzir um
evento incomum para nós ou para nosso meio". Outras definições:

86



"o termo pensamento criativo tem duas características fundamentais, a saber: é
autônomo e é dirigido para a produção de uma nova forma" (Suchman, 1981)
"criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil,
e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo"
(Stein, 1974)
"criatividade representa a emergência de algo único e original" (Anderson, 1965)
"criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no
conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando
hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente,
comunicar os resultados" (Torrance, 1965)
"um produto ou resposta serão julgados como criativos na extensão em que a) são
novos e apropriados, úteis ou de valor para uma tarefa e b) a tarefa é heurística e não
algorística" (Amabile, 1983)
Todo ser humano possui criatividade em diferentes habilidades. Acredita-se que a
habilidade criativa das pessoas estejam de certa forma ligadas a seus talentos.
Tipos
Pode-se classificá-la segundo o lugar de origem e a forma como se manifesta. Um
exemplo de classificação por lugar de origem é a seguinte:


Criatividade individual: é a forma criativa expressa por um indivíduo
Criatividade coletiva ou de grupo: é a forma criativa expressa por uma organização,
equipe ou grupo. Ela surge geralmente da interação de um grupo com o seu exterior ou
de interações dentro do próprio grupo.
Potencial criativo
potencial criativo humano tenha início na infância. Quando as crianças têm suas
iniciativas criativas elogiadas e incentivadas pelos pais, tendem a ser adultos ousados,
propensos a agir de forma inovadora. O inverso também parece ser verdadeiro.
Quando as pessoas sabem que suas ações serão valorizadas, parecem tender a criar
mais. O medo do novo, o apego aos paradigmas são formas de consolidar o status quo.
Quando sentem que não estão sob ameaça (de perder o emprego ou de cair no
ridículo, por exemplo), as pessoas perdem o medo de inovar e revelam suas habilidades
criativas.
Algumas pessoas acreditam que ver a criatividade como habilidade passível de
desenvolvimento é um grande passo para o desenvolvimento humano, enquanto outras
têm a visão de que a criatividade é uma habilidade inata, ligada a fatores
genético/hereditários e, portanto, determinista.
Certas pessoas também admitem que a criatividade não tem necessariamente ligação
com o quociente de inteligência (QI), que ela tem mais afinidade com motivação do
que com inteligência. Outras pessoas, por outro lado, confirmam uma forte correlação
entre QI e potencial criativo, especialmente para QIs abaixo de 120 e com uma
correlação positiva leve acima de QI 120.
Processo criativo
Durante o processo criativo, frequentemente distinguem-se os seguintes estágios:

Percepção do problema. É o primeiro passo no processo criativo e envolve o "sentir" do
problema ou desafio.

87


Teorização do problema. Depois da observação do problema, o próximo passo é
convertê-lo em um modelo teórico ou mental.
Considerar/ver a solução. Este passo caracteriza-se geralmente pelo súbito insight da
solução; é o impacto do tipo "eureka!". Muitos destes momentos surgem após o estudo
exaustivo do problema.
Produzir a solução. A última fase é converter a idéia mental em idéia prática. É
considerada a parte mais difícil, no estilo "1% de inspiração e 99% de transpiração".
Forma de expressão

Arte e cultura. O mundo da arte e da cultura é preeminentemente um mundo da
criatividade, porque o artista não está diretamente ligado às convenções, dogmas e
instituições da sociedade. O artista tem uma expressão criativa que é resultado direto
de sua liberdade.

Pesquisa e desenvolvimento. Para produtos resultantes de atividades de pesquisa e
desenvolvimento tecnológico, o critério criativo é a patente deste produto. São
geralmente três os pré-requisitos de uma patente: a) novidade; b) inventividade e c)
aplicação prática.

Humor (comédia)
Medição
Foram propostas várias tentativas de desenvolver um quociente de criatividade de uma
forma análoga ao quociente de inteligência. Porém, a maior parte dos critérios de
medição da criatividade depende do julgamento pessoal do examinador e por isso é
difícil estabelecer um padrão de medição.
Na Dança do ventre:
Temos 3 maneiras de sermos criativas: a 1° treinar o mesmo passo várias vezes e a partir
daí "bolar" algo novo; 2° misturar outros estilos de dança ( indiana, jazz, cigana, celta...)
e a 3° e ultima é dançar sem " preconceito, simplesmente colocar uma música e deixar
o corpo fluir sem se preocupar com os movimentos , passo e etc..
*Há duas causas fundamentais que obstruem a criatividade, a timidez e autocrítica em
excesso.
“Dentro cada mulher existe uma deusa diferente, é isso que as torna tão indecifrável.
A dança do ventre proporciona a mulher o reencontro com sua deusa interior
resgatando o seu poder feminino.” Simone Martinelli
*Técnicas para coreografar
Antes de qualquer coisa para coreografar é preciso estar inspirada, não tente montar
uma coreografia se você estiver sem paciência e cansada.
Leitura Corporal Do Ritmo
1 Fazer a leitura do ritmo
2 Prestar a atenção nos detalhes do ritmo
3 Escolher o que acentuar e variar durante a musica.

Técnicas:
Escolha a música,

88







Feche os olhos e escute a música e sinta o que ela “ simboliza”, qual é o seu tema,
Imagine um cenário e o tipo de figurino,
Decida que tipo de apresentação você irá fazer ( véu, espada, bastão, taça, etc)
Crie a entrada e a partir dela desenvolva a música,
Crie momentos especiais,
Equilibre a coreografia entre movimentos parados, lentos e deslocamentos,
Desenvolva um final marcante e expressivo.
Exercício

1.
2.
3.
4.

Parte 1
Ouvir 3x uma música clássica,
contra o tempo musical, se atentar para o ritmo,
Prestar atenção na melodia,
fechar o olhos e deixar a mente livre. Anotar as imagens que surgirem.
Parte 2
Montar uma coreografia utilizando as informações anteriores e trabalhando todos os
triângulos na seguinte proporção: movimentos
Primeiro triangulo –8
Segundo ,e Terceiro triangulo – 4
quarto triangulo – 1
Ou seja ,para 4 mov. com o quadril, pensar em 2 com o braço;
Para cada 4 com braço fazer 1 com a cabeça;
A cada 8 mov. com o quadril utilizar uma vez a cabeça, pescoço ou olhos.
Construindo sua coreo
Um dos exercícios mais importantes no aprendizado da dança do ventre é a construção
de uma coreografia. Ao procurar encaixar os passos e movimentos aprendidos em uma
música, não apenas se exercita a técnica; aprende-se a ouvir a música
coreograficamente. Ou seja, ouvir pensando no corpo e na linguagem de dança
aprendida.
Para apoiar minhas alunas na tarefa de construção coreográfica, reuni aqui algumas
dicas que, espero, também podem ajudar outras colegas. Essa, no entanto, é a minha
maneira de criar coreografia; há vários outros modos.

I - Defina qual música você vai coreografar
1. Se é sua primeira experiência em coreografia, opte por uma música simples. Deixe as
mais elaboradas para um segundo momento. É sempre mais interessante começar pelo
mais fácil, para evitar frustrações. Defino como simples as músicas com o padrão estrofe
1, refrão, estrofe 2, estrofe 3, refrão. Música pop, "moderna" costuma ser assim;
2. Do mesmo modo, escolha uma música curta. As muito longas dão mais trabalho,
exigem mais imaginação para evitar repetições. Chamo de curta a música com
duração inferior a sete minutos.
3. Coreografe uma música de que você goste muito. A vontade de dançar ajuda
bastante no trabalho criativo.
4. Ouça muitas vezes a música. Procure ouvir com fone de ouvido, para captar sutilezas.
Ouça concentrada, prestando atenção. É muito diferente de quando ouvimos uma
música enquanto dirigimos, por exemplo.

89

II - Comece a definir a coreografia
5. Procure ouvir a música novamente, imaginando uma bailarina dançando. Gosto de
visualizar uma bailarina imaginária. Geralmente, se me coloco no lugar dessa bailarina,
minha imaginação dá uma travadinha nos meus pontos fracos. Deixe-se imaginar algo
realmente maravilhoso, ainda que você duvide que consiga executar os movimentos.
Se fizer bastante esse exercício verá que a prática melhora bastante. Para mim, pelo
menos, funciona.
6. Dê uma dançadinha, cheque se o imaginado se adapta de fato à música, ou seja, se
é viável fazer o que se imaginou. Provavelmente vai precisar fazer alguns acertos
pequenos, principalmente no tocante à finalização e emenda dos passos. Se você quer
muito, muito, muito colocar um passinho que ainda não está saindo legal, aproveite
para estudá-lo. Se ele está bem guardado na memória, certamente não custará a
passar para o corpo.

III - Defina os movimentos a serem utilizados
7. Observe os pontos altos, explosões e momentos menos excitantes da música. Toda
música tem as partes bem marcadas, fáceis, e uma parte que convida à
"embromation". Fique tranquila e identifique os momentos fáceis e os momentos que
vão exigir mais de você.
8. Identifique os momentos da música. Na música clássica funciona mais ou menos
assim: introdução (não dançada), entrada, tema principal, taksim, desenvolvimento,
retorno ao tema principal, finalização. Na música moderna, é tudo mais simples:
entrada, primeira estrofe, segunda estrofe, refrão, segunda estrofe, variação simples da
primeira, refrão, fim.
9. Lembre-se que as entradas e as saídas são muito importantes. São a primeira e a
última impressão de sua dança. Escolha uma entrada com menos agitação de quadris,
desfile, mostre sua roupa, seus lindos cabelos e, principalmente, seus dentes. Não corra
demais, seja calma, não fique suando loucamente. Você terá tempo para mostrar
técnica ao longo da música. Na saída, energia nunca é demais. Pode botar pra
quebrar.
10. Evite repetições em um mesmo trecho da música. Dezesseis tempos de básico
egípcio fica entediante. Lembre das variações sobre o mesmo passo, se o desespero
apertar. Não há problema algum, no entanto, em repetir passos dentro da coreografia.
Devem, no entanto, ter ênfases diferentes, porque a música está variando o tempo
todo, pedindo para que você dê ao movimento a energia dada às frases musicais.
11. Enriqueça a coreografia explorando bem o espaço. Pontue frente, fundo, direita,
esquerda, diagonais. Alternar movimentos altos e baixos também é importante para
quebrar a monotonia. Se você já esteve há um tempo "no alto", opte por fechar com
um movimento "baixo" - em uma sequência de básico egípcio e deslocamento com
camelo, por exemplo, conclua com um redondo grande.

12. Alterne sequências estanques com sequências dinâmicas. Ou seja, não fique apenas
parada nem só deslocando. É também importante discernir os momentos em que é
melhor ficar parada e os momentos em que a música pede um deslocamento.
Geralmente, taksim pede para ficarmos mais quietas, mais introspectivas; quando a

90

orquestra inteira está envolvida, geralmente chama a bailarina para um deslocamento.
Assista a vídeos de boas bailarinas observando suas escolhas de movimento ou
quietude.··.

IV - Anote a coreo

13. Crie um código para os movimentos usados na dança. Isso vai ajudar na anotação
da coreografia. Como sabemos, na dança do ventre não há normatização dos passos,
como ocorre com o ballet. O resultado disso é que muita gente dá nomes aleatórios
para os passos e ninguém entende ninguém. Há o "patinho", o "ovinho", o "soldadinho", o
"sapinho"... E há também nomes que muita gente compartilha, como oitos, redondos,
básico egípcio, camelo... Ou seja, não se preocupe com nomes. Se preferir, reúna
amigas e procure combinar um padrão entre vocês. Por exemplo, o movimento de
rotação de quadril com encaixe ao centro (conhecido por muitas como "gotinha")
pode receber um nome próprio, dado por você. Associe o movimento a uma imagem.
Deixe a imaginação fluir.
Prontinho! À medida que for pegando prática, vai sentir que é divertidíssimo criar
coreografia. É gostoso ir ouvindo a música e imaginando que movimento você
colocaria aqui e ali. Sem falar que ao dançar uma coreografia própria é bem mais fácil
colocar a expressão apropriada.
* Montagem de shows e figurino









A montagem de show vai depender do seu repertório, um show básico tem duração de
no máximo 40 minutos e no mínimo 20 .
Abertura : Taçinhas;
Desenvolvimento: música moderna ;
Deixando sua marca: música clássica curta, ou aquela que vc mais se identifica;
Interagindo com o público: música cantada bem alegre na qual você irá chamar as
pessoas para dançar. Fim do show , se caso for festa de aniversário é recomendado que
a bailarina faça mais uma apresentação com a versão árabe do parabéns.
Para um show mais completo ou casamento, recomendo o seguinte:
Duração de 30 á 50 minutos de shows
Abertura: candelabro;
Desenvolvimento: clássica curta;
Agitando: Moderna;
Complementando: folclore ( bastão, pandeiro, snjus, derback);
Interagindo: cantada;
Finalizando: Dabcke.
Dicas de figurino:
Sempre pense na roupa certa de cada tipo de música, em um show sozinha você
dificilmente terá tempo para se trocar então as roupas terão de combinar entre si. O
vestido usado para dançar com as taçinhas tem que combinar com a roupa que está
por baixo, assim ao acabar a música vc só o retira e está pronta para a próxima. Apesar
de hoje em dia as roupas serem bem diferentes e modernas, a maioria do público
“leigo” ainda não aprecia muito esse estilo, é aconselhável usar um traje tradicional em
públicos mais velhos.
Se for casamento evite o branco, festa de 15 anos abuse dos trajes modernos,
aniversário depende da análise do público, festa árabe roupas tradicionais mas com um
toque diferenciado.

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Dicas de maquiagem
Para você poder fazer o olhar de Jade em casa, nós conversamos com o maquiador
Pedro Corvello, da agência Molinos & Trein.
A primeira coisa é fazer uma maquiagem básica com pó translúcido e corretivo. "O
aspecto da pele deve ser seco", diz Pedro. Em segundo lugar, você tem que aplicar
uma sombra escura para marcar a sobrancelha alongando um pouquinho o fim dela.
O próximo passo é aplicar uma sombra clara, como branco ou creme, na pálpebra
superior com cintilância para a noite. "Então, a menina deve riscar com delineador um
traço não muito grosso rente ao cílio superior que quase toque o risco da sobrancelha",
explica Pedro.
Na parte inferior do olho, rente aos cílios, você deve fazer um traço fino de delineador.
"O risco vai do começo da parte interna do olho até quase encontrar o risco de cima."
Então, com um cotonete para maquiagem – que é mais fininho do que os comuns –
aplicar uma sombra clara preenchendo o espaço entre os riscos do delineador. "Isso vai
iluminar o olhar", diz Pedro.
Para a maquiagem não diminuir o tamanho dos olhos, Pedro indica uma sombra leve,
em tons de terra, para acentuar o côncavo (a parte redonda do olho). "Ela deve fazer
um esfumaçado alongando o risco até o fim para dar profundidade no olhar", explica
Pedro.
O toque final é um pouquinho de blush bege, marrom ou damasco, muito rímel e um
gloss ou batom claro ou incolor. Pronto! Você está perfeita para curtir sua noite no
melhor estilo oriental e – quem sabe – tentar até uma dança do ventre para seu
gatinho! Profissional consultado: Pedro Corvello
Dicas de aparência e etiqueta
por: Lulu Sabongi
Pequenos detalhes e cuidados que podem enriquecer e dar o devido respeito ao seu
personagem.
As dicas abaixo são referências de anos de convivência com o público, todos os dias.
Portanto, vale pensar e fazê-las parte de seu cotidiano, como bailarina. Atente que
modismos, muitas vezes, não encaixam-se, e surtem efeito contrário.
Cabelos:
É um dos pontos que mais importantes em se tratando de visual. Os cabelos bem
tratados suscitam comentários positivos e despertam a atenção de todos os presentes.
Para dança árabe, existe uma preferência de cabelos longos. Tinturas passadas da
hora, ou aparecendo a raiz do cabelo (duas cores), denotam descuido e prejudicam a
sua imagem.
Roupas:
Se quer causar um grande impacto, use uma roupa bem acabada e de qualidade.
Artigos carnavalescos e simplórios, denotam aquelas roupas que aluga-se em lojas,
sempre com lantejoulas faltando, e pano de segunda categoria. Felizmente, já existem
ateliers que podem lhe proporcionar a comodidade de comprar algo bem adequado
ao seu estilo ou seu corpo. Lembre-se sempre de combinar as cores da roupa com os
acessórios. A abertura da saia deve ter sutileza, nada que agrida ao olhar. Desfilar
pernas antes do show criará um clima pesado no público durante sua dança. Não utilize
meia-calça.
Capa (abay):

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Deve ter cor discreta, um palmo abaixo dos joelhos e sempre passada. A primeira
impressão é a que fica. Ao chegar, sua capa dará sua ficha para o público presente.
Sapatos:
Apresentações com sapatos não são bem aceitas pelo público brasileiro. De a
preferência para utilizá-los na chegada e também quando deixar o evento. Lembre-se
também que sapatos usados, o público percebe que são usados... E fala! Plataformas
são abomináveis!
Mala:
Tenha sempre uma mala de rodinhas elegante. Lojas de produtos de couro têm diversos
modelos. Não compre a mais econômica. Sacolas, bolsas ou mochilas não combinam
com uma bailarina. Em grandes eventos, convém ter sempre uma frasqueira à mão
também.
Maquiagem:
Procure estar com a maquiagem correta para cada evento (veja nas dicas das outras
páginas). Cuidado sempre com os exageros. Deve ter classe, independente do local
que você vá. A maquiagem bem feita, é uma propaganda sua. Nunca chegue à um
local sem ela. O ideal é chegar pronta. Eventos grandes, onde existem bastidores e a
entrada em cena vai demorar, não há problema em maquiar-se no local.
Sorriso:
O sorriso deve ser discreto. Bailarina não dá “gargalhada” ou ri alto. Evite participar de
rodinhas de piadas e comentários antes e depois do show.
Entonação de voz:
Falar com moderação e equilíbrio também é uma arte. Também deve ser estudada.
Vozes estridentes ou que alternam o volume podem alterar o conceito que fazem de
você numa festa. Fale sempre com calma, moderação, e de preferência, pouco.
Atente para a modulação de sua voz. Não faça comentários venenosos ou picantes.
Mãos e pés:
Manter sempre as unhas das mãos e pés feitos. Se não for possível, deverão estar
impecavelmente limpas.
Olhar:
É pelo seu olhar que muitos dos presentes formam uma impressão do seu personagem.
Portanto, assuma uma condição de "anjo" (não tenha sexo). Aqui o bom senso deve
imperar. Evite fixar o olhar em determinada pessoa, e não tenha altivez. O seu
personagem deve ser "inofensivo" em qualquer evento. As crianças devem simpatizar e
não ter medo dele; o mesmo vale para as mulheres com seus respectivos parceiros. Não
se trata de fingir, mas sim de equilibrar soberania, simplicidade e simpatia (muito difícil,
por sinal...).
Adornos de cabelos:
Cuidado para não cair para o exagero. Excessos de objetos pendurados nos cabelos
também poluem o seu visual. Um adorno simples, mas que combine com seu formato
de rosto, irá causar um grande impacto e dar um efeito favorável. Existem muitos
modelos. Experimente diversos, na medida do possível, antes de comprar. Algo que
aparenta estar belíssimo num momento de euforia, poderá ser considerado fora dos
padrões por você mesma algumas horas depois. Contenha o impulso de comprar.
Acessórios:
Uma aparência exótica não deixa de ser interessante. É importante ter uma harmonia

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na combinação dos acessórios. Brincos pesados, podem enganchar num giro com véu
ou ferir a orelha. Alguns dos objetos, após o uso, oxidam (ficam escuros em função do
suor ou contato com o ar) e precisam ser imediatamente polidos ou, na pior das
hipóteses, aposentados. Não queira dar uma chance de uma apresentação "a mais"
para eles, pois o público não dará uma segunda chance antes da falar do seu
descuido.
Acessórios de dança:
É estranho uma bailarina chegar à um evento com um pandeiro (dâff) nas mãos, ou
uma espada, um bastão ou uma bengala. Traga-os sempre embalados (capas de
tecido).
Cinto:
O ajuste deve ser perfeito, sem aquela "lapela" de abertura que costuma ficar por causa
dos alfinetes mal colocados ou alargamento após uso prolongado. Seu cinto sempre
deve estar passando por reformas. Aparentou que é usado, aposente-o. Aprenda a não
economizar no seu visual. É a sua imagem.
Véu:
Alguns tecidos sintéticos amassam e perdem o glamour que poderiam dar. Passe
sempre antes de cada show. Deixe-o arejar quando chegar em casa. Deve sempre
estar levemente borrifado com seu perfume... Mas lembre-se.... leeevemente !
Perfume:
Aqui chegamos num ponto muito importante. É um trabalho de pesquisa e paciência,
encontrar o perfume que mais se aproxima, ou seja, adequado ao seu cheiro de corpo.
Lembre-se que um perfume que fica bem em alguém, em você pode não surtir o
mesmo efeito. Portanto, busque sempre, para encontrar diversas vezes. Evite perfumes
da moda. Se conhecer um perfumista que possa desenvolver um específico para você,
ótimo. Perfumes doces não agradam a preferência nacional. Opte por algum que
atenda à maioria: cítrico, amadeirado, ou floral e extremamente suave. O que deve
ficar de você no ar é uma bruma...
Postura:
O caminhar deve ser elegante e tranqüilo. Se houver um sofá para aguardar, por
exemplo, jamais fique "esparramada". Tudo com moderação. Em uma festa, não fique
procurando o que comer. Dance e retire-se. Coma e beba só o necessário. Sem
exageros. Você está numa condição de "vidraça muito fina" quando chega à um
evento. Ao menor deslize, ela estilhaça.
Tatuagens & Piercings:
É bom deixar claro que tatuagens não fazem parte do contexto, quando se trata de
dança árabe. É atualmente um modismo, da mesma forma que os piercings. Nos países
árabes, principalmente onde predomina a religião muçulmana, mulheres com
tatuagens não são bem vistas. Portanto, cuidado. O fato de ter visto alguma bailarina
com tatuagem, não quer dizer a "totalidade". Principalmente, se você já tem uma, deve
ter a precaução e o bom senso de saber se ela não agride à todos os tipos de público.
Pessoas de idade, principalmente senhoras, também não vêm com bons olhos.
Modismos que agradam à jovens, podem não agradar à um público executivo e/ou
extremamente fino. Lembre-se sempre que você não vê pessoas em altos cargos de
grandes empresas (bancos, multinacionais, ...) com tatuagens. Existe um estigma, que
nem todas atentam para isso. Policiais e seguranças não respeitam e tem opinião
formada sobre isso também. Defina que quantidade de público você quer ter antes de
optar por uma definitiva. Tatuagens de henna, pequenas e delicadas, podem ser feitas
nas mãos e pés, mas não são uma condição visual.

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Pele do rosto e corpo:
Sempre deve estar bem cuidada. Nada de cravos, espinhas ou manchas (evite frituras,
chocolates e produtos altamente calóricos). Dica: limpe-a, tonifique-a e hidrate-a.
Manchas na perna, principalmente no lado da abertura da saia, devem ser atenuadas
com maquiagem e ocultadas, de preferência. Se desejar, utilize um pouco de gliter
para dar um pequeno brilho (mas um pouco só....quase nada). Marcas do último verão
por sobre a roupa de dança (cintos ou sutiãs), não tem nada a ver e ficam horríveis.
Não são tão elegantes ou sensuais assim.
Dentes e hálito:
O hábito de escovar os dentes sempre após as refeições, tira muito as possibilidades de
você ter um hálito forte ou desagradável. Procure antes de sair para um show, comer
umas duas bolachas salgadas, para independente do tempo que tiver que aguardar,
seu estômago não fique vazio. A cada duas horas, uma bolacha. Balinha de hortelão
ao sair de casa não faz mal à ninguém. Chicletes em público, nem pensar. Procure
beber água da forma correta, à cada duas horas, e você elimina e muito, algo que
poderia ser um pesadelo para você.
Odor de roupa:
Sempre após um show, ao chegar em casa, coloque sua roupa para arejar. Tire da
mala, por mais cansada que chegue, e tome as providências, já pensando "na próxima
vez". Não existe nada mais desagradável que dançar com uma roupa que tem odor de
suor do show anterior. Cuide para não acontecer com você.
Autógrafos:
O autógrafo deve ser algo pessoal. Sempre pergunte o nome da pessoa e escreva algo
para ela. É uma questão de respeito por quem te admira. Seja lúcida e entregue-se ao
momento. Lembre-se: um dia você pensou que seria muito interessante dar seu
autógrafo à alguém. Isso te enchia de orgulho. Mantenha pelo decorrer dos anos... e
nunca perca isso !
Evidente que estas regras de etiqueta para dança do ventre são importantes. Não quer
dizer que você deva ficar reparando os deslizes de companheiras. Preocupe-se sempre
com o seu personagem e sua parte estará feita.
*O que Deve Conter um Bom Show
Eu realmente sou muito exigente como público e garanto que sou muito mais exigente
comigo mesma. Estou aberta a novas experiências quando me proponho a assistir a um
show de dança do ventre, pois o que busco é algo bom, independente das referências.
A arte não pode ter limites. Por isso e por algumas dúvidas que surgem nas minhas aulas
e na minha caixa de e-mails, resolvi escrever sobre o que acho que um bom show deva
conter.
1. Personalidade.
Tudo está enlatado. As mesmas roupas, as mesmas músicas e a mesma dança. Isso não
é uma apologia ao modernismo, é apenas um pedido de autenticidade! Precisamos
parar de imitar umas as outras. Quero encontrar bailarinas que dancem com seus
movimentos, sua personalidade, e roupas e músicas que tenham a sua cara e não a
cara da moda.
Em danças étnicas como a Dança do Ventre, é mais difícil ser autêntico, pois temos
limitações culturais. A música ‘tem’ que ser árabe, o traje ‘tem’ que ser de duas peças e

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a dança ‘tem’ uma movimentação própria, qualquer coisa que fuja disso é queimada
na fogueira. Mas isso não pode podar nosso processo de maturação artística. Busco
apresentações que sejam únicas. Bailarinas que me proporcionem uma experiência que
apenas ela pode me dar e não qualquer outra bailarina do país.
2. Técnica
Como já sabemos é muito fácil se dizer profissional, então muitas bailarinas passam a se
preocupar mais com uma super produção visual, do que com a qualidade da sua
dança. Vou colocar algumas das coisas básicas que me fazem torcer o nariz e que
selecionei como mais importantes:
• Coluna lombar desencaixada, ombros caídos, e abdome relaxado;
• O tórax excessivamente impostado ou excessivamente recolhido;
• Joelhos dobrados, principalmente quando se usa salto alto;
• Movimentos de quadril bruscos e sem limpeza, sem domínio;
• Braços estáticos, duros e sempre esticados. Usados apenas como adorno;
• Falta de repertório. As mesmas construções durante toda a dança;
• Procuram movimentos ousados e esquecem a beleza dos básicos;
• Mau uso espacial, a bailarina parece estar perdida no palco;
• Falta de sentimento e riqueza nas expressões faciais;
3. Musicalidade.
A leitura musical é o que mais observo no desempenho de uma bailarina, pois pra mim,
se ela não lê a música corretamente, não dança, apenas se move. Musicalidade
envolve muitas coisas, mas o básico é o conhecimento sobre ritmos e instrumentos.
Estudando a fundo esses dois pontos paramos de ‘matar’ a música. Sem esses dois itens,
é impossível dançar direito.
4. Estética
Ou a bailarina está desleixada, ou está arrumada demais. Como já disse no polêmico ‘A
velha história da bailarina em forma...’ acho que o cuidado com o corpo é essencial,
mas tudo tem que estar em harmonia. O cabelo deve estar produzido e não com cara
de quem acabou de acordar. A roupa e os acessórios dizem muito sobre a bailarina.
Montes de maquiagem e brilhos me mostram uma bailarina desesperada para
aparecer, ao mesmo tempo em que um visual simples demais demonstra
despreocupação em relação ao público.
Já disse acima o que penso a respeito das roupas, precisam de mais originalidade.
Quanto à maquiagem, precisa ser mais sofisticada e menos caricata. Não precisamos
subir ao palco parecendo pinturas egípcias. Isso é over demais. A maquiagem pra
palco é forte mesmo, porém sem excesso de tematização (delineadores tipo Jade que
puxam o ‘rabinho’ até a orelha), e a maquiagem para quem está dançando próxima
ao público é mais simples, na mesma intensidade de quando você vai à um casamento.
5. Profissionalismo
A bailarina deve ser profissional e cobrar profissionalismo de quem a contrata. Não
trabalhe com quem desrespeita sua arte, isso um dia vai te custar muito caro. Esse
assunto é extenso e delicado, aqui vão apenas algumas dicas:
• Não aceite camarins onde você se produz em meio a entulhos, sujeira, má ventilação
e iluminação. Se o contratante quer um show, deve ter infra - estrutura para receber
seus artistas.
• Não dance de graça, isso NÃO existe! Se a pessoa quer conhecer seu trabalho, envie
seus vídeos, currículos e fotos. E negocie seu cachê, não aceita ninharias. O correto é

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que o contratante pergunte ao artista quanto custa o seu trabalho.
• Receba seu cachê antes do show, com discrição e não na frente dos outros.
Elegância é tudo.
• Não chegue atrasada e não aceite atrasos. Um de seus tópicos na hora de acordar o
show, é que você tolera um atraso de no máximo ‘X’ minutos. Esse é um dos motivos
pelos quais você deve receber antes do show. Não somos funcionárias obrigadas a
esperar. Atraso é falta de respeito.
• Não fofoque, por mais que sua língua coce. Sempre que bailarinas dividem o
camarim, surgem comentários a respeito de terceiros. Lembre-se sempre que isso pode
virar contra você. Quem fala mal de outros na sua frente, falará de você. Seja neutra
sempre e resista ás tentações.
• Respeite o público e mantenha a distância que as pessoas mostram querer. Não insista
quando alguém não aceitar seu convite para levantar e dançar. Seja simpática e
busque empatia.
• Chegue e saia com classe e de preferência sem ser vista. Não quebre o encanto do
show aparecendo como uma pessoa normal jantando junto com seu público. É muito
importante que o artista mantenha a magia. A não ser que você participe de um
espetáculo onde os artistas ao final, recebem o público, tudo é uma questão de
contexto.
* Análise de público para diferentes shows.
Para cada show é aconselhável a bailarina fazer as seguintes pergunta para o
contratante:




Que tipo de evento estarei dançando?
Se for aniversário quem é o aniversariante, quantos anos está fazendo.
À que horas?
Para quantas pessoas? Faixa etária do público.
São árabes?
A partir dessas informações é que você irá montar seu show e seu figurino.
Público árabe:
É espero o dabcke então ele não pode faltar. As músicas clássicas, porém editadas são
essenciais e musicas cantada, porém não tão modernas.
Público jovem
Abuse das músicas mixadas com outros ritmos, principalmente com ritmos da moda.
Evite músicas longas ou clássicas antigas.
Público só de mulheres
Evite músicas longas, prefira cantadas e chame elas para dançar com vc.
Público da terceira idade
Prefira música mais “Calminhas” e movimentos mais lentos. Evite derback e músicas
modernas.
Público só de homens
Nem se apresente!

*Valores sugeridos
 Valor de show básico com 4 músicas de 30 minutos R$ 120,00 por bailarina.
 * Valor de show intermediário com 5 músicas de 40 minutos com acessórios valor R$
145,00 por bailarina

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 * Valor de show avançado com músicas especiais, em horário especial, 6 músicas com
60 minutos R$ 150,00 por bailarina
 * Atraso na apresentação em eventos: é permitido 30 minutos de atraso, após será
cobrado R$ 20,00 por cada meia hora.
 * valor de shows fora da capital e em bairros afastados R$130,00
*Contrato de show artístico de dança do ventre
Pelo presente instrumento particular (doravante designado “contrato”):
I-Contratante:
Nome:
CPF/MF:
Endereço:
Representada na forma de seus atos constitutivos, doravante designada
“CONTRATANTE”; e.
II – Contratada:
Denominação: xxxxx
CNPJ/MF:xxxxxxx
Endereço: xxxxxx
Representada na forma de seus atos constitutivos, doravante designada “Contratada”.
Têm entre si justo e contratado firmar o presente contrato, de acordo com as seguintes
condições:
1. O objetivo do presente contrato é a prestação de um show artístico de dança do ventre
com duração de quarenta minutos, com duas bailarinas tipicamente vestidas.
2. Preço e forma de pagamento:
O contratante pagará ás contratadas o valor de R $ xxx no total sendo R$ xxxx para
cada bailarina.
O pagamento dos serviços ora contratados estará condicionado á sua aceitação pelo
contratante, com base no que foi estipulado neste contrato, e deverá ocorrer da
seguinte forma: no prazo de sete dias antes do dia do evento, o depositante deverá
depositar em conta a metade do valor do contrato.
No dia estipulado após o show o contratante deverá pagar a outra metade do valor do
cachê.
E por estarem assim, justas e contratadas, firmam as partes o presente contrato de 2
(duas) vias de igual teor e forma.
Contratante:
Contratada:

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* Trabalho de conclusão de curso de bailarina:
Você está contratada para fazer um show à noite em um aniversário de casamento. Os
aniversariantes não são árabes e não conhecem a cultura. A única coisa que pediram
foi uma dança especial para fechar a pequena cerimônia que será realizada antes de
seu show.
1.
2.
3.
4.

Fazer uma analise do seu público.
Montagem de show e figurino ( colocar “ desenho” do figurino e o nome das músicas).
Tempo de apresentação e qual será a dança especial realizada e por que.
O contrato quais serão suas clausulas.

* Trabalho de conclusão de curso de professora:
Questionamentos
 Que é dança do ventre?
 Na natureza existem 2 tipos de relação: um é simbiótica e a outra é parasitária. Baseada
nesta afirmação discuta a relação professora /aluna.
 O que é preciso para dançar?
 O que é emoção na dança?
 Por que a dança do ventre sobreviveu e continua até hj?
 Quem diz o que é certo e o que é errado na dança?
 Qual a relação da dança com a sexualidade feminina?
 Com a dança do ventre vc acha que sua intuição melhorou? E por quê?
 Por que a arte é um atributo do espírito?
Indicação de Filmes e livros
Filmes:
 As brumas de Avalon
 A feira das vaidades
 Sob o sol da toscana
 Pão e tulipas
 Mata Hari
 Colcha de retalhos
 O último samurai
 Memórias de uma Geicha
 A princesinha
 Adeus Lênin
 Chocolate
 Violino Vermelho
 Corra lola, corra
 Lúcia e o sexo

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 O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
 Noites com Sol
 Sem notícia de Deus
 Tudo Sobre Minha Mãe
 Filho da noiva
 As Mil e uma Noites
 Kismet
 E as chuvas chegaram
 Intervenção Divina
 Osama
 Kung fu panda
 O voto é secreto
 Um casamento a indiana
 Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera
 A Menina Afegã ( documentário)
 O poder do mito ( documentário)

Livros:
Patricia Bencardini, Dança do ventre Ciência e arte. TextoNovo
Jennifer Barker Woolger, Roger J. Woolger. A Deusa interior. Cultrik.
Claudio Crow Quintino. A religião da grande Deusa. Gaia
Bri. Maya Tiwari. O caminho da prática, a cura feminina pela alimentação, pela
respiração e pelo som. Rocco.
Catherine Clément, Julia Kristeve. O feminino e o sagrado. Rocco.
Lucy Penna. Dance e recrie o mundo, A força criativa do ventre. Summus
André Van Lysebeth. Tantra, o culto da feminilidade. Summus.
peter Demant. O mundo muçulmanos, editora contexto
Blandine Calais-Germain, Anatomia para o movimento, Manole
W.Khale/h.Leonhardt/W.Platzer, Atals da anatomia humana/ Aparelho de movimento 1,
Atheneu
Rudolf Laban, Domínio do movimento, Summus
Dionísia Nanni, Dança educação, Sprint
Victor N.Davich, O melhor guia de meditação, pensamento
Sylvia B. Perera, caminho para a iniciação, paulus
Stanley Keleman, Mito e corpo uma conversa com Joseph Campbell, summus
Martha Robles, Mulheres, mitos e mistérios o feminino através dos tempos, Aleph
Hajo Banzhaf, A tarô e a viagem do herói, pensamento

Sites e blogs a serem visitados:
http://ventreemebulicao.blogspot.com/
http://www.femininoplural.com.br/
http://www.shira.net/index.html
http://www.centraldancadoventre.com.br
http://www.shimmyblog.org/

Professora Simone Martinelli
Contato: ssmartinelli@gmail.com
Skype: ssmartinelli

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