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DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR - IAVM (2008) monografia

DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR - IAVM (2008) monografia

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

FORMAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA ENTRE CURRÍCULOS MILITARNAVAL E CIVIL.

Hercules Guimarães Honorato

Orientadora Prof Maria da Conceição Maggioni Poppe
a

Rio de Janeiro 2009

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

FORMAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA ENTRE CURRÍCULOS MILITARNAVAL E CIVIL.

Apresentação Candido

de

monografia como

à

Universidade parcial para

Mendes

requisito

obtenção do grau de especialista em Docência do Ensino Superior. Por: . Hercules Guimarães Honorato

AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha família pela compreensão das minhas ausências para realizar este trabalho e pelo apoio em superar os momentos mais difíceis. Agradeço em especial ao meu irmão Hermes Honorato pela boa vontade em que sempre atendeu os meus telefonemas ou e-mails solicitando ajuda. A minha amiga Profa Marília Soares pelos conselhos, ensinamentos e boa vontade com que sempre me assistiu por ocasião das minhas dúvidas teóricas. Agradeço a minha orientadora, Profa Maria Poppe, pelas orientações seguras, paciência, educação e gentileza com que sempre me atendeu. A todos, muito obrigado!

.... .DEDICATÓRIA ...a minha mãe Maria José por me ensinar o caminho dos livros e do crescimento pessoal pelo trabalho......

é a era do conhecimento presente nos dias atuais.RESUMO O mundo globalizado atual está vivenciando uma frenética e contínua mudança. a profissão do Administrador também ganhou traços mais acadêmicos e atuais na busca da melhor preparação do profissional para ser o gestor completo da sua organização. Fato contínuo. Educação a Distância. esta pesquisa não se fecha em si mesma. Foram realizados estudos derivados das respostas aos instrumentos de coleta. A globalização. . Ao término da pesquisa foram sugeridas possibilidades exeqüíveis de alterações do currículo da EN. buscou-se estabelecer relações e comparações entre as disciplinas das IES e a Escola Naval (EN) pelo estudo das matrizes curriculares. Porém. O objetivo geral desta pesquisa foi o de analisar e identificar as diferenças das matrizes curriculares e propor alterações para o aperfeiçoamento da formação acadêmica do Oficial Intendente da Marinha do Brasil. Os dados foram analisados à luz de conceitos do referencial teórico estudado e experiência do pesquisador. Na dimensão quantitativa. Palavras-chave: Currículos. Escola Naval. procurou-se identificar. Graduação Superior em Administração. a queda de fronteiras alfandegárias impostas pelas super-rodovias de informação. as novas Tecnologias de Informações e Comunicações (NTIC’S). Foram subsidiados pontos julgados importantes para continuação de futuras investigações sobre o tema. a saber: questionários semi-estruturados e entrevistas com os coordenadores dos cursos superiores de Administração de diversas IES. A natureza dessas indagações demandou duas dimensões à pesquisa: uma quantitativa e outra qualitativa. Na abordagem qualitativa. por meio de análise de conteúdo das respostas as percepções recorrentes como as mais divergentes vinculadas às questões de estudo.

as pesquisas exploratórias visam a proporcionar maior familiaridade com o problema. objetivando seu amplo e detalhado conhecimento (GIL. Avaliamos o currículo acadêmico da Academia da Força Aérea – AFA. visando ao estímulo da compreensão. 2002). Os estudos de casos podem ser classificados segundo Yin (2005) de acordo com seu conteúdo e objetivo final (exploratórios. civil ou militar. Analogamente. contribuindo para o . com habilitação em Intendência da Aeronáutica. sugestão de hipóteses e questões ou desenvolvimento de teoria. 2005). Segundo Gil (2002: 41). verificamos certa semelhança na formação da Escola Naval de Portugal. Trata-se de uma análise aprofundada de um ou mais objetos (casos). que tem a formação dos seus oficiais intendentes em bacharéis em ciências da Administração. Gil (2002:55) esclarece que a finalidade de um estudo de caso seria “proporcionar uma visão global do problema ou identificar possíveis fatores que o identificam ou são por ele influenciados”. ou descritivos) ou quantidade de casos (caso único – holístico ou incorporado ou casos múltiplos – também categorizados em holístico ou incorporados). Para a pesquisa subjacente a este trabalho. seja na esfera pública ou privada. explanatórios. quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto em que ele se insere não são claramente definidos (YIN. escolhemos a metodologia de estudo de caso. Sua finalidade é aprofundar o conhecimento acerca de um problema não suficientemente definido. utilizando-se de análises curriculares em diferentes Instituições de Ensino de Administração.METODOLOGIA O estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto real de vida. que outorga aos seus oficiais a formação superior em licenciatura de Administração Naval.

efetuamos análise do material coletado. Instituições de Ensino Superior. procedeu-se a preparação de um roteiro de entrevistas semi-estruturada direcionada aos responsáveis pelo Curso de Graduação em Administração de Universidades Públicas e Privadas. . além de outras pesquisas acadêmicas que procuram esclarecer e debater o assunto. 2002). confrontando-os com uma tabela elaborada com base nas respostas obtidas e fundamentada nas teorias interpretadas e a experiência do pesquisador. além de possuir flexibilidade suficiente para facilitar a compreensão dos variados aspectos relativos ao fato estudado. na maioria dos casos.aprimoramento das idéias ou a descoberta de intuições. documentos disponíveis em instituições de ensino. Escola Naval do Brasil e de Portugal e Academia da Força Aérea. As pesquisas exploratórias. utilizando-se de livros. Este estudo se revestiu de uma incessante pesquisa bibliográfica acerca do tema. assumem a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso (GIL. Uma vez realizadas as entrevistas. internet. Em seguida.

A Educação a Distância (EaD) 40 CAPÍTULO III – Matrizes curriculares 58 CONCLUSÃO 89 BIBLIOGRAFIA 92 ANEXOS 101 ÍNDICE 113 FOLHA DE AVALIAÇÃO 116 .SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I .O currículo e a formação superior em Administração no Brasil 11 CAPÍTULO II .

8 INTRODUÇÃO Felizes os Educadores que aprendem a fazer da ação de cada dia a semente da nova sociedade. para sobreviver. sem data e hora para acabar. O mundo globalizado atual está vivenciando uma frenética e contínua. na Alemanha. ou mesmo no nosso país. também estão se transformando.celsovasconcellos. a profissão do Administrador também ganhou traços mais acadêmicos. saindo do aspecto técnico para a busca da melhor preparação do profissional para ser o gestor completo da sua organização. (As Bem-aventuranças do 1 Educador de José Ivan Pimenta Teófilo ) Estamos em evolução. Fato em paralelo. a partir do final do século XX. constante e frenética. Milhões de frentes de trabalho estão desaparecendo. Nessa mesma evolução profissional. no Japão. está começando a sentir os seus reflexos. quer nos Estados Unidos.doc. em rápidas e constantes evoluções que não têm mais caminho de volta. a norte-americana.com. Continuando nesse caminho da evolução humana mais acelerada. Infelizes os Educadores que não sonham porque não terão a coragem de se comprometer na luta criadora de uma nova sociedade a partir de sua prática educativa. as organizações. Na mesma seqüência da evolução do mundo. A maioria das pessoas. A crise é atual e globalizada.br/bem. Acesso em: 10mar09 . passamos e continuamos a encarar uma crise econômica mundial. adaptando-se. e com certeza rápida. por novas vantagens competitivas que marcarão e manterão seu crescimento lucrativo. criando novas propostas de valor para não perder o que conquistaram no mercado. veio a reboque o crescimento pedagógico 1 Disponível em: www. ou mesmo na busca. das mais simples às mais abastardas financeiramente. em qualquer área do seu nicho de mercado. revolução dos meios de tecnologia e comunicações. ocasionada pela má gestão administrativa e financeira que ocorreu na maior economia do mundo.

não se poderá perder o foco nos problemas atuais da Marinha. como se estivesse começando do zero escolar. do Brasil e do Mundo. o pesquisador se viu compelido a buscar subsídios no meio acadêmico civil que ratificassem a sua escolha pela formação na mais antiga e tradicional instituição de ensino superior. inerentes aos primeiros postos da carreira naval. em 1983. . Como objetivo geral desta pesquisa procuraremos analisar e identificar as diferenças das matrizes curriculares e propor alterações para o aperfeiçoamento da formação acadêmica do Oficial Intendente egresso da Escola Naval. Logicamente. 2 Formação Diversificada – iniciada em 1980 na Escola Naval. a Escola Naval (EN). Nessa busca por conhecimentos atualizados. pela melhor preparação profissional e vivenciando a necessidade de uma compatibilização o mais próxima possível do meio acadêmico e do reconhecimento lato sensu de sua formação superior. com o escopo de capacitá-los para o pleno exercício de atividades operativas e funções técnico-administrativas. sistemas de armas e administração. sendo integrante da primeira turma da formação diversificada2 com habilitação em administração. por fidelização à origem do pesquisador. da evolução da educação online com a possibilidade de disciplinas ou mesmo toda a formação superior a distância Quando este pesquisador se formou na Escola Naval. houve um distanciamento acadêmico por parte das Universidades Públicas e Privadas. com suas respectivas cargas horárias e atualizadas de acordo com o que se espera do perfil de um formando em administração do século XXI. Ao mesmo tempo. verificou que certas disciplinas obrigatórias não acrescentaram nada de relevante para o seu dia a dia a bordo. em terra ou em unidades de tropa. mecânica. visa a formar oficiais da Marinha habilitados em eletrônica.9 daquilo que pode ser transferido para conhecimentos dos aprendizes. A evolução se deu desde os currículos mínimos até as atuais diretrizes curriculares. seja a bordo. Esta pesquisa poderá ser relevante para a melhor formação do Oficial Intendente oriundo da EN por intermédio da apresentação em sua vida acadêmica e pós-acadêmica de disciplinas.

da legislação pertinente e traçando o perfil do que se deseja para o egresso da graduação. São apresentados três capítulos. com sugestões e ações. a formação superior do Administrador. por intermédio da avaliação das respostas ao questionário encaminhado aos Coordenadores do curso de Graduação Superior em Administração. que podem ser introduzidas na formação do administrador naval. Ao final. O primeiro trata do currículo. e das comparações entre as ementas e matrizes das IES do Brasil e Escola Naval de Portugal com a da EN. O capítulo segundo aborda a EaD e suas possibilidades atuais. serão apresentadas possibilidades e limitações. fazendo uma ligação com a sociedade atual. a Educação a Distância (EaD) como alternativa para complementação da formação escolar presencial.10 Os seguintes objetivos específicos foram estudados: como proporcionar o instrumental de base e de conhecimentos fundamentais relativos à área profissional desejada. e os subsídios que se fizerem necessários para a elaboração de novas investigações sobre o assunto. . a matriz curricular da EN e as possíveis reformulações. O último capítulo fará uma ligação entre os dois capítulos anteriores.

cuja característica marcante é a incerteza com o presente e a instabilidade com o futuro. conscientizada e melhorada e o currículo é um dos instrumentos para isso. segundo Goodson (1995. que se tem do vocábulo currículo são ligadas aos programas seqüenciais de estudo que refletiam diversos sentimentos de mobilidade ascendente da Renascença e da . principalmente sob os aspectos da chamada “Diretrizes Curriculares”.11 CAPÍTULO I – O CURRÍCULO E A FORMAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL A escola é uma das instituições capazes de contribuir para que a realidade do mundo contemporâneo seja refletida. 1. Vivemos em uma grande rede global. sua história resumida e conceituações. Finalizaremos com uma conexão entre os dois tópicos anteriores. vamos entrar na formação superior do Administrador.1 – As origens do currículo no mundo As primeiras referências. p. Em seguida.535) Neste capítulo são apresentados o currículo.33).1. Estamos vivendo em um mundo social e cultural cada vez mais complexo e plural. pontuar historicamente. onde analisaremos o currículo específico do administrador. 2008. p. Quando as identidades e as diferenças se tornam aspectos centrais de busca de reconhecimento e valorização dentro das sociedades. (OLIVEIRA. fazendo uma ligação com a sociedade atual.1 – Breve história do currículo 1. com distintos interesses econômicos e políticos. a legislação pertinente e traçar o perfil do que se deseja para o egresso da graduação. a formação superior do Administrador no Brasil não poderia ser apartada de todo o processo visualizado relacionado ao aspecto desta pesquisa: o seu currículo.

Como afirma Barry Franklin (apud Moreira. “a divisão dos “currículos” obedecia ao trivium (lógica. que escreveu o livro the curriculum (1918). 1995. essas idéias encontravam sua expressão na doutrina da predestinação. que era uma sociedade estruturada por leis e códigos. “O modelo de currículo e epistemologia associada à escolarização estatal foi aos poucos ocupando todo o ambiente educacional. 2008. Goodson expõe que o Estado desempenhou papel cada vez mais importante no ato de organizar a escolarização e o currículo. p. enquanto os demais (predominantemente da classe rural e pobres) eram enquadrados num currículo mais conservador. que intensificaram a massificação da escolarização. políticas e também culturais procuravam moldar objetivos e formas educacionais segundo diferentes visões. em relação íntima com o processo de industrialização e os movimentos migratórios. em meados da década de 1920.12 Reforma.42). buscando responder quais seriam as metas da educação escolarizada. apenas uma minoria (os escolhidos ou eleitos) podiam obter a salvação e.30) em seus estudos sobre o tema à época. eram agraciados com a perspectiva da escolarização avançada. Obra essa escrita em um momento especial da educação dos Estados Unidos. ou seja. Continuando pela história do tema currículo. geometria. em que diversas forças econômicas. após a revolução industrial. gramática e retórica) e ao quadrivium (aritmética. oriundo da Administração clássica da produção em série industrial de Taylor/Ford. p. Após a revolução francesa. o que se poderia afirmar era a utilização do . 1996. apenas religioso. p. astronomia e música) e era dada nos colégios religiosos” (CUNHA. que ele aparece pela primeira vez como objeto específico a ser analisado. 16). educacionalmente. de modo que já pelo fim do século XIX havia se estabelecido como padrão dominante” (GOODSON. Na Roma antiga. Ele propôs que o ensino escolar fosse realizado sob a mesma lógica do gerenciamento científico. foi nos Estados Unidos. como a Escócia. O primeiro teórico foi Franklin Bobbit. Nos países calvinistas.

também denominada sociedade de classes”. A tendência progressivista. Segundo este autor. em Minas Gerais e no antigo Distrito Federal. homogeneidade e solidariedade.1. p. o primeiro esforço de sistematização do processo curricular” (Moreira. apesar da influência de elementos tecnicistas particularmente no final do período” (Ibid. propõe um ensino que valorize a auto-educação.13 currículo como controle social. promovendo nessa nova ordem pós-industrial. a origem propriamente dita iniciou-se nas reformas efetuadas pelos que ele chamou de pioneiros. p. 84). em nosso país. 2008. sua plena realização como pessoa. a tradição curricular adveio da transferência americana nos anos vinte e trinta. 2008.2 – As origens do currículo no Brasil Em relação ao Brasil. sendo o . que estabeleceu forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção. Luckesi (1994. de cultura geral. Vamos somar também a definição da pedagogia tradicional. Cabe aqui um parênteses para definirmos a tendência pedagógica liberal. este mesmo autor explica que é dada ênfase ao ensino humanístico. como progressivista ou tecnicistas citadas por Moreira no parágrafo anterior. ocorridas na década de vinte na Bahia. É a predominância da palavra do professor. no qual o aluno é educado para atingir. com os pioneiros da Escola Nova que buscaram superar as limitações da antiga tradição pedagógica jesuítica e da tradição enciclopédica. “tais sugestões constituíram. Continuando. p. 80). supostamente características da comunidade rural que desaparecia com rapidez. pelo próprio esforço. consenso. 1. que teve origem com a influência francesa na educação brasileira (MOREIRA. 54) afirma que o termo inicial liberal “surgiu como justificação do sistema capitalista. Na pedagogia tradicional. o discurso curricular dos pioneiros “era predominantemente baseado nos princípios da tendência progressivista e em um interesse em compreensão. p. 84). difundida pelos pioneiros da educação nova. sob os aspectos das finalidades sociais da escola.

que exigiram a expansão do sistema educacional. Continuando com Moreira (2008). sendo-lhes atribuído o objetivo de capacitar os indivíduos a viver em sociedade. Novas perspectivas em relação ao currículo eram evidentes na reorganização da instrução pública na Bahia. disciplinas escolares foram consideradas instrumentos para o alcance de determinados fins. Com a força das idéias dos pioneiros da Escola Nova diminuindo durante o Estado Novo. moral. Continuando a tecer sobre o desenvolvimento do currículo no Brasil. mais provocada por mudanças nas relações do Brasil com os países industrializados que propriamente com a guerra. 1994). ao invés de fins em si mesmas. 2008. por sua vez. mão-de-obra para a indústria: “a sociedade industrial e tecnológica estabelece cientificamente as metas econômicas. começa-se a achar necessário alfabetizar os trabalhadores. sociais e políticas. os analfabetos não podiam votar. p. foi dada ênfase para o ensino profissional e uma postura mais conservadora voltou a dominar o . subordina à educação a sociedade. 88). promovida por Anísio Teixeira. a educação treina cientificamente nos alunos os comportamentos de ajustamento a essas metas” (LUCKESI. à época. A tecnicista. passamos pela era Vargas. quando uma incipiente indústria é organizada. a burguesia industrial emergente viu na alfabetização das massas um instrumento para mudar o poder político vigente e derrotar as oligarquias rurais. Soma-se também o fato de. Tal concepção implicou a ênfase não só no crescimento intelectual do aluno. emocional e físico (Moreira. cerca de 85% da população brasileira ser composta por analfabetos. ou seja. 2008. 85). Pela primeira vez. quando em 1938 foi criado o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). tendo como função a preparação de recursos humanos. p. mas também em seu desenvolvimento social.14 aluno o sujeito do conhecimento. A partir daí. Segundo Ianni (apud Moreira. O caráter elitista do ensino e do currículo é questionado após a Primeira Guerra.

p. 2008. hoje. ou seja. Salvador e Belo Horizonte. Recife. incluindo a disciplina “currículo e supervisão”. 2008. em 1955. 102). as necessidades sociais e as capacidades individuais. em 1944. Esse programa defendia. e 3) tratamento das matérias escolares como instrumento de ação e não como fins em si mesmas (ibid. Disponível em: http://www. 3 Reforma Capanema foi o nome dado às transformações projetadas no sistema educacional brasileiro em 1942. na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Acesso em: 11 dez.php?option=com_content&task=view&id=65&Ite mid=28 . o Centro Brasileiro de Estudos Pedagógicos (CBPE). o do currículo. do artigo intitulado Programa Mínimo. 98). desde seu início. Foi criado. foi associado mais com supervisores. problemas e atividades sociais do meio. que resultou na criação da Universidade do Brasil. O Centro de São Paulo. Gustavo Capanema.unb. Moreira propõe três princípios diretores: 1) atendimento às possibilidades psico-biológica da criança. durante a Era Vargas. UFRJ . com sua localização no Rio de Janeiro. Fato relevante ocorrido foi a publicação. por exemplo. com a Reforma Capanema3 todos os níveis educacionais foram reorganizados para os quais foram prescritos currículos enciclopédicos (MOREIRA. promoveu cursos para especialistas latino-americanos. Quanto à organização de currículos. que ficou conhecido pelas grandes reformas que promoveu.100). p. 2) adequação do currículo aos interesses. além dos aspectos administrativos. em 1955. . Evidenciando-se com isso que. O primeiro livro-texto de currículo publicado no Brasil foi Introdução ao Estudo da Escola Primária. O livro fornecia um estudo histórico do currículo da escola elementar e uma análise das reformas curriculares propostas em nosso país. do que com os professores (ibid. p. os especialistas.15 cenário.br/il/let/helb/linhadotempo/index. e centros regionais em São Paulo. o campo do conhecimento que estava se iniciando. de autoria de João Roberto Moreira. patrocinada pelo INEP. de Lourenço Filho (primeiro diretor do Instituto). dentre elas. liderada pelo então Ministro da Educação e Saúde. Porto Alegre. a do ensino secundário e o grande projeto da reforma universitária.

adaptar e distribuir materiais didáticos a serem usados no treinamento de professores. XLI. a influência americana aumentou significativamente. (b) produzir. n. 93. principalmente. dentre as quais a educação. Este programa visava à: (a) treinar supervisores de ensino primário e professores de escolas normais e de cursos de aperfeiçoamento de professores. ainda hoje utilizada quando se fala em plano de ensino de uma disciplina. Como elaborar um currículo. culminando com a criação de um escritório técnico e os programas de ajuda americana abrangendo diversas áreas. . com tendência também tecnicista. publicado em 1996. O programa de Assistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar (PABAEE) “foi o responsável pela introdução de modelos e idéias tecnicistas nas escolas brasileiras e também difundiu o way of life americano pelo país” (MOREIRA. 2008. vol. atividades e avaliação. nos anos setenta. p. em idéias progressivistas. 110). 1964. p. p. que permitiu e incentivou a entrada maciça de capital estrangeiro na economia brasileira. 112). Em 1962. 56 apud Moreira. Segundo ainda este autor. o que concluímos sobre a teoria curricular era que a mesma era fundamentada. a disciplina de “currículos e programas” foi introduzida no curso de pedagogia. mesmo como disciplina eletiva. com ênfase tanto no desenvolvimento individual como no bem-estar coletivo. Pouco depois. Com o advento do governo de Juscelino Kubitschek. nos quais obedece à tradicional seqüência: objetivos. o enfoque de currículo do PABAEE é apresentado no livro de Marina Couto. e (c) selecionar professores competentes. a fim de enviá-los aos Estados Unidos da América do Norte para treinamento em Educação Elementar (Revista brasileira de estudos pedagógicos. que apresenta programas para cada uma das áreas. surgiram os primeiros mestrados em currículo. conteúdo programático. 2008.16 Nesse período da nossa história.

consolidando-se. aumentou consideravelmente.br/biografias/ult1789u379. que pôs fim ao liberalismo e à exaustão dos governos populistas. A influência de Marx e Gramsci5. em geral. de fato. culminando com a reforma universitária de 19684. Esta preconizava a reorganização do curso de pedagogia. o tecnicismo acabou por tornar-se dominante no pensamento educacional brasileiro. econômicas e ideológicas. Seus principais autores são Demerval Saviano. as transformações políticas.158). Surgiu a tendência curricular crítica por intermédio dos autores da pedagogia crítico-social dos conteúdos. Pelo aumento verificado da influência americana na área da educação. persistindo a predominância de características tradicionais”. e no campo do currículo. “Na prática pedagógica. co-fundador do Partido Comunista Italiano. p. com a difusão pela escola de conteúdos não abstratos.jhtm.Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média. indissociáveis das realidades sociais. Carlos Roberto Cury. Disponível em: http://educacao. o campo do currículo e o estabelecimento dos currículos mínimos dos cursos de graduação. porém. 5 Antonio Gramsci foi uma das referências essenciais do pensamento de esquerda no século 20. portanto.130). em particular. mas a partir das condições existentes”. segundo Moreira (ibid p. apesar dos princípios liberais que ainda continuavam a permear o discurso. mas vivos. e dá outras providências. “é dar um passo a frente no papel transformador da escola. os efeitos não foram tão intensos. p. contribuíram para a adoção e a predominância da tendência tecnicista. Lei 5540 de 28 de novembro de 1968 . concretos e. somado ao intenso treinamento de educadores brasileiros nos Estados Unidos. o retorno ao regime democrático e dos educadores exilados. Acesso em: 12 dez. Suas noções de pedagogia crítica e instrução popular foram teorizadas e praticadas décadas mais tarde por Paulo Freire no Brasil. 69). o pensamento pedagógico desenvolveu-se e alcançou acentuada autonomia. A ausência de autores americanos é clara.uol. 4 . Segundo Luckesi (1996. A partir de 1979 com a censura abolida. segundo Moreira (2008. 2008.com. tarefa que ficou a cargo do Conselho Federal de Educação (CFE). José Carlos Libâneo e Guimar Namo de Mello.17 Após a revolução de 1964.

a mais atual. Ao final.. significando 6 7 Disponível em: http://michaelis.priberam. Acesso em: 30 nov. 175). está-se definindo por uma determinada concepção. em 1856. e sim. 2008. e que não reflete a influência dos especialistas em currículos americanos ou ingleses contemporâneos [.uol.2 – Conceituações de currículo Em relação a conceituação de currículo. Quando se escolhe um pensador ou teorizador do currículo. 2008.com. que atenda ao que se está procurando em relação ao currículo da graduação superior de Administração. podemos listar até 50 definições que são apresentadas pela literatura. p.. Disponível em: http://www. 1. Schmidt (2003) pondera que não existe uma definição certa ou totalmente exata.] A pedagogia dos conteúdos é uma corrente marcadamente voltada para o contexto brasileiro.] evidencia o cuidado em interpretá-lo em função de nossa realidade sócio-cultural (Moreira. na atual conjuntura do séc. Segundo o dicionário eletrônico Michaelis6.pt. os primeiros a aparecer o termo curriculum. e que no Brasil é parte de um curso de literatura e uma série de acontecimentos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de um indivíduo. a palavra é de origem latina. políticos e ideológicos.. parte de um curso literário. . curricullu. Partindo agora para os dicionários Barclays Universal Dictionary e Webster. Neste trabalho serão apresentadas as definições que se encaixam no perfil da pesquisa em questão. o que nos dá uma idéia do quanto as concepções são variáveis e diferentes quanto ao seu significado e funções. que inclui compromissos sociais. currículo é um substantivo masculino definido pela ação de correr. o pesquisador concluirá com uma definição própria. Acesso em: 30 nov.18 Autores ligados à pedagogia dos conteúdos defendem claramente o currículo por disciplinas a um interesse em controle. 2008. elaborada por teóricos brasileiros. [.br/moderno. conjunto de matérias de um curso escolar. atalho. um curso. Continuando nesta linha de busca do significado através do dicionário. pequena carreira. agora por intermédio do dicionário eletrônico português Priberam7. XXI..

. mas em termos de processo. ou é a série de experiências instrutivas conscientemente dirigidas que as escolas usam para completar e aperfeiçoar o desdobramento. 25) realça que “o currículo define um território prático sobre o qual se pode discutir.31) “um curso a ser seguido. p. ou. apresentado”. p. 2005. uma carreta de corrida. o currículo “exprime o sentido de uma súmula de exigências académicas. sejam estas dirigidas ou não.. 32) define da seguinte forma: É todo o leque de experiências. que visam o desdobramento das capacidades do indivíduo.. Para Doll (apud Pacheco. primeiro de tudo. diálogo. 537) Segundo Goodson (p. e transforma-se num legado tecnológico e eficientista”. p..] esta visão inclui tanto o conteúdo quando o processo. com o conteúdo inserido no processo. p. fazendo parte dele. investigar. 2005. Continuando ainda com Gimeno (apud Pacheco. investigação. no qual é preciso intervir”. um processo de desenvolvimento. um curso em geral. O currículo prescreve (ou pelo menos antecipa) os resultados do ensino [. p. 2005. usado especialmente para referir-se a estudos universitários” (MARTINS apud OLIVEIRA. o currículo pode ser definido como: Não em termos de conteúdo ou materiais (uma pista a ser corrida). Pacheco referenciando-se a Bobbit (2005. A definição de Johnson (apud Pacheco. a definição advinda dos dicionários e do seu significado. decorrentes do tradicionalismo académico das disciplinas que constituem a alma curricular. 21) “é uma série estruturada de resultados pretendidos de aprendizagem. um lugar para correr.. 2008. mais especificamente. transformação [. p.127). 31).19 “[.] indica o que deve ser ensinado e não como o deve ser”. 2005.. . Gimeno (apud Pacheco.] uma pista de corrida. mas.

68) adotaram como noção de currículo “[. Anísio Teixeira define currículo como “o conjunto de atividades nas quais as crianças se engajarão em sua vida escolar. tem-se que o currículo é um conjunto de ações que cooperam para a formação humana em suas múltiplas dimensões constitutivas”. “como sendo o percurso que leva à aquisição de conhecimentos que possam fazer do indivíduo submetido a ele A visão holística de uma empresa equivale a se ter uma "imagem única". 2) definiu o currículo como sendo “a soma de todo o tipo de aprendizagens e de ausências que os alunos obtêm como conseqüência de estarem sendo escolarizados”. 93).. 2008. qualificação do pessoal. podemos citar: “O produto amorfo de gerações de remendões” (TABA apud KELLY. 1977. p. Yamamoto e Romeu (apud Schmidt. que normalmente podem ser relacionados a visões parciais abrangendo suas estratégias. informações. 3). assim como suas interrelações).. p. Currículo é visto como parte de um processo educativo que dura por toda a vida” (TEIXEIRA apud MOREIRA. em última análise. viabilizando o processo de ensino e aprendizagem” (SCHMIDT. 2008. 2003. 2003. colocam a definição de Moreira e Silva.20 Uma interessante colocação do período histórico da formação quando não se chegava a um consenso sobre o que vinha a ser e o que se desejava e esperava do currículo. das pessoas e de si mesmo”. Cuchiaro e Carízio (2006) dentro mais do enfoque desta pesquisa. Disponível em: http://www.numa. p. Fernandes (2007. 60).] como uma filosofia de vida em ação. [. cultura organizacional. Segundo Oliveira (2008. p. p. ele é o elemento nuclear do projeto pedagógico da escola. 8 . “O currículo é o próprio fundamento de qualquer sistema de ensino.br/conhecimentos/conhecimentos_port/pag_conhec/visao_holistica..] Nenhum trabalho pedagógico está desprovido de um referencial de valores que. recursos e organização (estrutura da empresa. sintética de todos os elementos da empresa.. consciente ou não. 539). p. atividades.org. representa a visão que o educador tem do mundo. Acesso em 12 dez. “numa visão mais holística8.html.

CARÍZIO.1 – O currículo e os desafios da sociedade É notório que as escolas e o currículo sofrem influências poderosas. 2). de todas as modificações do mundo em que vivemos. p. p. As professoras Nice Hornburg e Rubia da Silva (2007. que vê currículo como “[.61) conceituam currículo como “uma especificação precisa de objetos.] um plano de estudos que o professor a organizar e dirigir o seu trabalho. historicamente situado. tecnologicamente atual. como sociedade. ora o professor ora o aluno. 538) comenta que há duas concepções básicas de currículo: a tradicional. podemos concluir a existência de um vocabulário confuso e impreciso. outros para o papel da escola. assim como o de seus alunos”.21 um profissional que domina sua área e está apto a exercer funções na mesma” (CUCHIARO. como centro das atenções curriculares. escola. p. 2006..] como sendo a soma total das experiências dos alunos e que são planejadas pela escola como instituição. 2008. recebendo constantes desafios da sociedade.” 1. Devido à existência de uma variedade de conceitos para currículo.2. o nosso conceito de currículo pode ser definido como sendo: “Um processo contínuo e dinâmico. da . outros colocando. positivas ou negativas. professores e alunos.. procedimentos e métodos para obtenção de resultados que podem ser medidos”. e outra concepção que o enfoca “[. Martins (apud Oliveira. alguns levando para o ensino/aprendizagem.. No caso específico desta pesquisa.. envolvendo tanto os alunos como os professores e processos de ensino e de trabalho”. oriundo de uma construção multicultural de uma sociedade que procura organizar as decisões educativo-pedagógicas planejadas para todos os seus entes participantes. outros no aspecto de avaliação.

uma de suas componentes principais. esta que experimenta transformações profundas.542). Émile Durkheim9 em sua obra Éducation et Sociologie. ao redor de nós e nós próprios com ele (Durkheim apud Oliveira. Veloso e Barbosa (apud Oliveira. p. 545). pois. Émile Durkheim (1858-1917) . 9 . Limitar-nos a olhar para dentro de nós mesmos. Para esses autores. desvinculados e descomprometidos da vida e da comunidade.wikipedia. É reconhecido amplamente como um dos melhores teóricos do conceito da coesão social. discutir currículo é debater uma perspectiva de mundo. e que leva consigo a educação. são as suas necessidades que devemos conhecer.org. Acesso em: 01 nov. hoje em dia aceleradas. e isso nos colocaria na impossibilidade de nada compreender do movimento que arrasta o mundo.22 comunidade onde está inserida. voltássemos para a sociedade.é considerado um dos pais da sociologia moderna. Ele é intencionalmente pensado ou deveria ser a partir da definição de pessoa que se quer formar. O currículo não é neutro como na teoria de Ralph Tyler. 2008. e por isso os educadores precisam estar alertas às suas implicações sociológicas e culturais quando de sua estruturação” (OLIVEIRA. dos professores. p. Foi o fundador da escola francesa de sociologia. que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica. 542). seria desviar nossos olhos da realidade que nos importa atingir. Este mesmo autor realçava que: É a sociedade. alunos e demais componentes educacionais. Disponível em: http://pt. de sociedade e de ser humano. os educadores. chamava a atenção para que nós. posterior a Marx. 2008) perceberam o currículo como uma ferramenta imprescindível “para se compreender os interesses que atuam e estão em permanente jogo na escola e na sociedade”. do seu ambiente externo e interno. Segundo Oliveira (2008. p. Conforme Mota. devendo temas sociais contemporâneos ser entendidos como partes do currículo e não apenas como conteúdos colocados de forma assistemática ou eventual. ele se liga ao poder. porquanto a elas é que nos cumpre atender. “à homogeneização ou diferenciação da escola. 2008. já em 1922. 2008. que devemos interrogar.

quando pretendemos elaborar um currículo (no nosso caso específico de graduação do ensino superior). em que as repercussões da técnica e a ciência impõem novos desafios à educação. Goodson interpretou Rudolph (1995. A conclusão não é fácil. a pedagogia. essencialmente. 19). muito despersonificada. em específico. 1996.2 – Flexibilidade e contextualização do currículo Ao começarmos a analisar este tópico. Esta é coisa muito sem vida. que deva estar sintonizado com o tempo em que estamos vivendo. 107). numa sociedade tecnológica em constante mutação. Para Bernstein (apud Cunha. p. e a realidade do mundo contemporâneo seja refletida e conscientizada pelos alunos. “O currículo vai dizer qual o conhecimento é válido. ao afirmar que “a melhor maneira de se ler erradamente e erradamente interpretar um currículo é fazê-lo tomando como base um catálogo. às vezes. Continuando por este caminho. e vice-versa. aproximando-os da sociedade e da comunidade onde estão inseridos. 1. que conhecimento se deseja transmitir. pedagogia ou metodologias de ensino e avaliação. talvez a aplicação seja ainda mais difícil. o conhecimento transmitese por três sistemas fundamentais de mensagem: currículo.23 relacionando aos perfis de demanda social e. deveremos entender como ele se encaixa no que se deseja ao final do processo educacional. e a avaliação. p. preparando-os para poder enfrentar os novos desafios do séc. muito desconexa e. e que seja recebido. qual a realização adequada do conhecimento”. Não é tarefa fácil estabelecer o que a sociedade atual exige da educação. Ao mesmo tempo pretende-se que as implicações sociais. XXI. intencionalmente enganosa”. este autor enfatiza que não são os conteúdos ou as informações que carregam as . qual sua forma de transmissão.2. à demanda de trabalho. percebido e entendido pelo aluno. que trata especificamente da necessidade de termos um currículo flexível e contextualizado.

. Como tentamos definir para a nossa pesquisa. alvo de atenção e de reformas educacionais. Social e cultural e. e ser ações um de instrumento uma agregador de conhecimentos. p. somente acessível a alguns” (BERNSTEIN apud CUNHA.20). ou seja. que pode ser inclusive a da formação profissional. que conhecemos como coleção. contemporaneamente. o currículo em profundidade vertical em que a especialização vai aumentando à medida que o aluno avança na escolarização.24 relações sociais que geram a reprodução social ou cultural. 545). com a organização do conhecimento compartimentada e as disciplinas fechadas em si mesmo. 2008. reflete uma fragmentação do saber e perde-se a visão de conjunto. tornou-se. A forma de conceber o currículo com disciplinas. portanto. dado o seu valor estratégico em se tratando da conservação e da conformação dos indivíduos e da sociedade [. ou forma autoritária de trabalhar a educação. “as fronteiras entre as disciplinas e os conteúdos são tênues”. mas a forma de transmissão. 1996. sem que haja um entrosamento entre as mesmas. inflexível. o currículo tem que ser contínuo e dinâmico oriundo de uma construção multicultural de uma sociedade. devendo. É notória a importância do currículo no contexto escolar. estratégias prática pedagógica contextualizada que se faz e deve ser transformadora. sendo que os vários conteúdos estão subordinados a uma idéia mestre. O primeiro é o que vemos hoje em dia em todos os níveis de ensino. definindo uma estrutura centralizadora. p.. “o conhecimento torna-se sagrado. Na estrutura de currículo integração. central.] o currículo não pode continuar com uma visão monocultural. Uma interessante construção dicotimizada sobre as formas de transmissão do conhecimento de Bernstein é a separação entre o currículo estruturado de coleção e de integração. o conhecimento a ser transmitido é compartilhado interdisciplinarmente. sem integrarem (OLIVEIRA. que está em construção. . por isso.

Peter Drucker diz que administrar é manter as organizações coesas. reger. Rio de Janeiro. ou seja. Em suma.25 O Fórum de Pró-reitores de Graduação das Universidades brasileiras. resultando em um aprendizado memorístico” (p. do ciclo básico para o profissionalizante. 2008. de saberes flexível e coerente com as demandas sociais. sendo realmente uma ativa via transmissora de conhecimento. a partir de redes de significados. arbitragens e laudos. envolve a elaboração de planos. abraçando o multiculturalismo e as diversidades como elementos na sua formulação e na sua prática. governar. o currículo deve ser construído na dinâmica de sua implementação. conferir. Acesso em: 30 nov. eficaz e com responsabilidade social e ambiental. o saber ser.wikipedia.pt. relatórios. Acesso em: 30 nov. que foi realizado em Niterói. intencionalmente planejado.priberam. o saber. pautado no intercâmbio e comunicação. trouxe como tema do evento “o currículo como expressão do projeto pedagógico: um processo flexível”.A formação superior em Administração no Brasil Segundo os dicionários. administrar é gerir negócios. 10 11 Disponível em: http://www. aplicar10. projetos. 1. 2008. . ou ainda dirigir uma organização utilizando técnicas de gestão para que esta alcance seus objetivos de forma eficiente. Disponível em: http://pt. pareceres.14). em que é exigida a aplicação de conhecimentos inerentes às técnicas de Administração. o saber fazer e o saber conviver. O que se configurou nas considerações finais do referido Fórum foi a verificação de que os currículos ainda são norteados pela forma linear de organização do conhecimento acadêmico. no diálogo entre as várias disciplinas.org/wiki/Portal:Administracao.3 . do geral para o particular. ministrar. em maio de 2000. fazendo-as funcionar11. objeto final do processo avaliativo. fazendo com que “a prática pedagógica se sustente na idéia de que primeiro o aluno precisa dominar a teoria para depois entender a prática e a realidade. do teórico para a prático.

principalmente se fizermos uma comparação com os Estados Unidos (EUA). além de procurarmos o perfil do profissional que se pretende formar nas IES para laborarem no mercado de trabalho do séc. No Brasil. 1. com a criação da Wharton School. do Departamento de Administração do Serviço Público (DASP) em 1938. A idéia é procurar localizar no tempo e espaço como se estabeleceu o ensino de Administração em nosso país. esse processo foi retardado por motivos inerentes a nossa formação social e econômica. Esse órgão foi criado com o objetivo de: Aprofundar a reforma administrativa destinada a organizar e a racionalizar o serviço público no país. o Estado brasileiro se viu compelido a alavancar os primeiros cursos superiores na área de administração. A industrialização começou tardiamente em nosso país. 4 (quatro) mil mestres e cem doutores por ano.26 Procuraremos neste tópico abordar apenas a formação superior em Administração no meio acadêmico. em 1952. ano que se iniciava o ensino de Administração no nosso país. iniciada anos antes por Getúlio Vargas. XXI. Segundo o Conselho Federal de Administração (CFA). o DASP via uma incompatibilidade entre a 'racionalidade' da administração e a 'irracionalidade' da política. requerida pela nova situação. e só depois da revolução de 1930.1 – Breve história A história do ensino de Administração no Brasil é bem recente. sua regulamentação profissional e curricular. O ensino de Administração teve seu início com a criação. sua história. os EUA já formavam em torno de 50 mil bacharéis. não entraremos em detalhes sobre a formação na área militar. que foram destinados a formar mão-de-obra especializada.3. no Governo de Getúlio Vargas. em 1881. Coerente com os princípios do Estado Novo. Pretendia assim estabelecer uma maior . que será vista no capítulo 3. onde os primeiros cursos se iniciaram no final do século XIX. com a adoção do modelo econômico denominado “capitalismo autônomo”.

principalmente. ANO IES Matrículas Concluinte s Em 1946 é criada a Faculdade de Economia. 2008. foi criado em 1952 a Escola Brasileira de Administração Pública (EBAP). através da EBAP e da EAESP também a FEA/USP foi criada com um objetivo prático e bem definido.br/nav_historia/htm/anos37-45/ev_poladm_dasp. 4). o único capaz de diminuir as injunções dos interesses privados e político-partidários na ocupação 12 dos empregos públicos. “coração e cérebro da iniciativa privada”. as quais exigiram. Importante ressaltar que a escolha dessa cidade pela FGV foi motivada pela mesma ser considerada a capital econômica do país. isto é. que ministrava cursos de Ciências Econômicas e Contábeis. técnicas altamente especializadas” (UNB. Fruto das relações entre a Fundação e o ensino universitário americano. quando um núcleo de economistas liderado por Eugênio Gudin passou a discutir e a propor novos estudos sobre os problemas econômicos brasileiros. 12 . Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA/USP. para sua direção. quando surgiram empresas movimentando altos capitais. p. A Fundação Getúlio Vargas (FGV). Disponível em: http://www. da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP). Assim como a FGV. em 1954. Os primeiros Administradores se formaram na FEA somente em 1964. instituição dedicada ao estudo e ao ensino dos problemas de Administração foi criada em 1944. Com a preocupação de criar uma escola destinada especificamente à preparação de Administradores de Empresa. O fator que veio repercutir na criação desta Faculdade foi. onde eram apresentadas algumas matérias ligadas à Administração. A FGV representa a primeira e mais importante instituição que desenvolveu o ensino de Administração.cpdoc. Acesso em: 02 dez. vinculado ao mundo empresarial. soma-se também a criação. “o grande surto de industrialização.htm.27 integração entre os diversos setores da administração pública e promover a seleção e aperfeiçoamento do pessoal administrativo por meio da adoção do sistema de mérito. Sua atuação na área de economia iniciou-se em 1946.fgv.

a evolução dos Cursos de Administração ocorreria. alcançando uma dimensão significativa na sociedade brasileira. cerca de 140%. A tabela a seguir ilustra a evolução do número de cursos de administração em um intervalo de 46 anos. observou-se a expansão dos cursos do ensino superior. 1999). mas às Faculdades Isoladas que proliferaram no bojo do processo de expansão privatizada na sociedade brasileira”. sendo o de Administração destaque nesse processo. o EBAP e o EAESP. p. (UNB.28 atender. TABELA 1 – Evolução dos cursos de Administração Décadas Antes de 1960 1960 1970 1980 1990 2001 2002 2003 2004 2005 2006 N. não mais vinculada a Instituições Universitárias. considerando que só contávamos com dois cursos em 1954. uma vez que se caracterizou como um dos cursos que mais cresceu na ocasião (Pizzinatto. fato ocasionado pela . Outro ponto a ressaltar da tabela acima é o incremento vertiginoso do número de cursos de 2001 até 2006. Já na década de 1970. de cursos 2 31 247 305 823 1177 1363 1532 1721 2041 2836 Fonte: MEC – dados compilados pelo CFA (2007). através da preparação de recursos humanos. 4) Segundo o CFA (2007) “no final dos anos 60. as demandas oriundas do acelerado crescimento econômico.

1.836 cursos em 2006. porém. 768. caracterizados pela velocidade das informações e a busca incessante por novos nichos de mercado. De acordo com o Censo do Ensino Superior. não é objetivo desta monografia tentar explicar como se chegou ao .7 milhões de alunos matriculados em cursos de graduação presencial no país. das organizações. do profissional a ser formado nas IES em Administração? Que competências são importantes ao egresso do meio acadêmico na atualidade? Qual o seu perfil? Este tópico foi baseado em três documentos básicos que tratam exclusivamente da montagem do perfil do Administrador para o séc. Segundo o CFA (2006). com a habilitação de diversas IES.693 alunos matriculados.29 autorização pelo MEC da graduação Superior em Administração pelo Ensino a Distância (EAD). existiam cerca de 4.3% do universo de alunos matriculados nesse nível de ensino no Brasil (um crescimento de 2% face ao Censo de 2003). que tiveram que se adequarem para manter a sua competitividade no mercado mundial. O Administrador é um ator importante no cenário das organizações. que se encontra diante de um ambiente empresarial marcado pela incerteza e pela grande velocidade das mudanças. Quanto ao número de alunos matriculados. surge a era da informação e do conhecimento. O que se espera. sem volta.000 profissionais. representando 16.500. XXI.3. realizado pelo MEC em 2006. No mesmo compasso. no final de 2005 haviam sido graduados em Administração pelas IES de todo o país aproximadamente 1. em 2006. sendo que desse total. portanto. cerca de 769 mil estavam matriculados nos cursos de Administração. Dados do INEP/MEC indicam que existiam 2.2 – O perfil do administrador na atualidade A globalização desencadeou um processo de transformação. fato que será desenvolvido no próximo capítulo. o último censo daquele órgão registra.

atua nas áreas de Administração Geral e Finanças. portanto. de 29. é egresso de universidades particulares. o número de mulheres vêm aumentando em relação aos dos homens. do Empregador e do Professor do Curso de Administração. atingiu 32. para isso a pesquisa realizada pelo CFA em 2006 atende em profundidade todos os questionamentos que por ventura possam existir em relação à visão do Administrador.30 perfil esperado do profissional em questão. São os documentos utilizados: 1) Pesquisa Nacional realizada pelo CFA sobre o Perfil. possui especialização em alguma área de Administração. como se tem verificado em outras profissões. Em 1994. 2006. trabalha nos setores de serviços. está na faixa etária de até 30 anos. atuação e oportunidades de trabalho do Administrador. da indústria e em órgãos públicos. A pesquisa revelou que o número de mulheres Administradoras vem crescendo nos últimos anos.98%. em 1998. elementos responsáveis pelo embasamento de tal relatório. Formação. 14). que trata da Proposta de um perfil de Administrador para a Era da Informação e do Conhecimento. casado e sem dependentes. e ocupa cargos de gerência (CFA. 2) Artigo publicado na Revista Eletrônica da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD) de Adonai José Lacruz e Lamounier E. concluiu o curso de Administração entre 2000 e 2005. agora. 2006). de 25%. p. .60%. e 3) Artigo de 2000 de Anielson Barbosa da Silva. de 2006. Identidade do Administrador Profissional e a Visão PósIndustrial de Competência: uma análise baseada na Pesquisa Nacional sobre o perfil do Administrador Coordenada pelo Conselho Federal de Administração. Em relação ao profissional de Administração. o que se verifica é que é do sexo masculino em sua maioria. na pesquisa de 2003. o percentual de indivíduos do sexo feminino teve um acréscimo de 57% (CFA. Em 12 anos. seu percentual apurado em relação aos homens foi de 21%. Uma interessante constatação da pesquisa foi em relação ao gênero do administrador. Villela. em 2006.

ratificam o perfil do Administrador também verificada na pesquisa do CFA. profunda e articulada do conjunto das áreas de conhecimento. Habilidades .31 Para o presente trabalho. estando sempre a frente para prever conflitos. Os Professores disseram que seus cursos procuram dotar seus alunos de uma atitude empreendedora. como: “Ser um agente de mudanças. a formulação e implantação de soluções. seguida pelo relacionamento interpessoal. Os Professores avaliam que o conhecimento que mais está sendo oferecido pelas IES é a visão ampla. o perfil do Administrador é definido como um conjunto de qualidades ou atributos. Esta última foi a escolhida pelos Empregadores como a principal habilidade que avaliam em seus Administradores. os Empregadores disseram que vêem em seus Administradores o profissionalismo como principal atitude.Os Administradores entendem que administrar pessoas e equipes é o principal conhecimento para suas atividades. informando que é o que vêem prioritariamente nos Administradores que trabalham em suas organizações. Atitudes . Competências .Os Administradores entendem que a adquiriram no seu curso de graduação. com criatividade e visão do todo. como importantes para a modelagem do perfil ou identidade do Administrador do séc.O comportamento ético é a atitude que os Administradores escolheram como a que mais tem preponderado no seu aprendizado. relacionados com conhecimentos. O Empregador confirma essa percepção. Deve antecipar-se aos fatos. XXI. pelos Abaixo foram da listados os principais do CFA aspectos (2006). habilidades reconhecidos e valores. São eles: Conhecimentos Específicos . Empregadores e Professores. .Os Administradores dizem que a adquiriram e os Professores informaram que seus cursos proporcionam a visão do todo. E. os professores acreditam que é a competência mais trabalhada pelas IES e os Empregadores confirmam que reconhecem no desempenho dos que trabalham em suas organizações a identificação de problemas. Algumas frases retiradas da pesquisa de Silva (2000) com alunos do curso de Graduação de Administração de uma Universidade localizada no Nordeste e Executivos de empresas industriais do setor de transformação. componentes pesquisa Administradores. estando sempre aberto às informações e conhecimentos”.

habilidades e atitudes. coordenando ações para atingir metas”. XXI como sendo um articulador dentro da organização.3 – Os novos desafios Como vimos anteriormente. de rápidas mudanças e em crescente integração. perspicaz. Esse é o diferencial do Administrador. com tendências factuais de conglomeração de empresas. 1. Podemos resumir o perfil do Administrador do séc. A formação profissional passou de simples adestramento. A natureza deste tipo de trabalho reveste-se da imprevisibilidade das . principalmente por procurar para si novas competências profissionais para fazer frente às incertezas e desafios de um mercado globalizado. Relembra-se que não existe uma receita preparada para colocar protótipos prontos de profissionais gestores egressos do ensino superior. decidir e interferir em relação à uma dada situação concreta de trabalho.3. prevenir. antecipar. formado e treinado para ocupar todos os espaços na área administrativa e nos cargos de gerência das organizações. um inventor e implementador de mudanças. boa visão sistêmica da empresa”. o Administrador do futuro continua sendo. criando sinergia entre pessoas e recursos disponíveis e gerando processos eficazes. reconhecidamente de visão ampla. definido idealmente como um profissional com visão sistêmica da organização para promover ações internas. dirigir e controlar. Como argumenta Tatto (2001) O trabalho repetitivo. ainda hoje. ele precisa ser flexível. para o desenvolvimento sistemático de competências. conduzindo a empresa com tranqüilidade e segurança. estar disposto a correr risco. um importante ator social.32 “Deve ser um empreendedor. “O papel do administrador deixou de ser o de apenas exercer as atividades de planejar. prescritivo é substituído por um trabalho de arbitragem em que é preciso diagnosticar. organizar. Atualmente.

a auto-organização. Gimenez e Mendes (2000. Na contramão da história contemporânea. 6). haja vista os trabalhos a serem desempenhados nas organizações exigirem maior aptidão intelectual do que manual. segundo Demo. Para ilustrar a relação evolutiva. têm que fazer escolhas e opções todo o tempo. nós próximos anos. ainda vigoram na formação profissional do Administrador. p.33 situações nas quais o Administrador ou o coletivo de Administrador. p.1). “O administrador deve ser um generalista e não um especialista” (CFA. 2006) Segundo Tatto (2001). . a capacidade de articulação. 1995)”. Por outro lado. ampliando-se as operações mentais e cognitivas envolvidas nas suas atividades (TATTO. segundo os autores Crubellate. não é isso que se está acontecendo. centrada em especializações funcionais. também se exige a intervenção no processo de trabalho. “seguramente.” E a formação dos futuros Administradores não deverá ficar a parte disso. uma “proposta fayolista de Administração. são listados a seguir os novos desafios a serem enfrentados pelos Administradores consubstanciando os paradigmas das novas organizações. inspirada e inspirando mentes compartimentalizadas e utilitárias. cujas práticas condicionam as organizações econômicas (o protótipo da sociedade moderna. assistiremos o fim da forma organizacional de hoje (burocrática) e veremos o surgimento de novos sistemas mais adequados às demandas pós-industrialização. 2001. além da necessidade de se enfrentar situações de constantes mudanças. A perspectiva desafiante da formação do Administrador é ele ter uma multiqualificação e polivalência. sem prejudicar o trabalho em equipe e sem perder a visão ampla e estratégica da empresa.

1. como um instrumento de constante renovação. O perfil do profissional. bem como a definição legal dos seus direitos. além de ter que ser um agente de mudanças. a profissão de Administrador e a sua formação são bem recentes.000:689 Tecnologia Processo de trabalho Equipes de trabalho interfuncionais Heterogênea e diversificada Inspiradora Força de trabalho Liderança O maior desafio para o Administrador. é contribuir para a construção e manutenção de uma organização competitiva e rentável. prerrogativas e deveres foram especificados por intermédio da Lei . I.O currículo da Graduação de Administração Como verificamos. 2.4 .34 QUADRO 1 – Evolução dos desafios dos Administradores Protótipo do Século XXI Rede de parcerias com valor agregado Modelo do Século XX Divisão de trabalho e cadeia escalar de hierarquia Desenvolver a maneira atual de fazer negócios Domésticos regionais Custo ou Aspectos Organização Missão Criar mudanças com valor agregado Mercados Vantagem competitiva Globais Tempo Ferramenta desenvolver colaboração para Ferramenta para desenvolver a mente Cargos funcionais e separados Homogênea e padronizada Autocrática Fonte: Chiavenato.

1 listava as seguintes disciplinas: a) na FORMAÇÃO BÁSICA E INSTRUMENTAL: Economia. Administração Financeira e Orçamento. Sistemas e Métodos. de 04 de outubro de 1993. d) o ESTÁGIO SUPERVISIONADO de 300 h/a. Legislação Tributária. Informática. 2. Administração Mercadológica. Matemática. Teoria Econômica. Administração de Recursos Humanos. Sociologia Aplicada à Administração. que estabeleceu a profissão de Técnico de Administração. Estatística. com uma carga horária de 720 h/a. Legislação Social. c) as DISCIPLINAS ELETIVAS E COMPLEMENTARES. Administração Financeira e Orçamentária. Filosofia. com um total de 1. Administração de Materiais e Patrimoniais. do desenvolvimento econômico calcado pelas grandes empresas. Economia Brasileira. 34% do curso. tendo sido constituído pelas seguintes disciplinas: Matemática. chegou-se ao novo currículo mínimo do Curso de Administração.020 h/a. Sociologia. o que correspondia a 24% do curso. e Organização. b) na FORMAÇÃO PROFISSIONAL: Teorias da Administração. Administração de Pessoal e Administração de Material. ou seja. Contabilidade. 10% do curso. Estatística. Psicologia. Teoria Geral da Administração. A fixação do primeiro currículo mínimo de curso de graduação em Administração pelo Conselho Federal de Educação (CFE) ocorreu mediante a resolução n. Psicologia Aplicada à Administração. que necessitavam de pessoal qualificado para gerenciá-las. Administração de Sistemas de Informação.35 4769 de setembro de 1965. Contabilidade. Administração da Produção. . "Fixa os mínimos de conteúdos e duração do curso de Graduação em Administração”. que foi fruto da expansão. Tendo presente as considerações resultantes dos vários encontros promovidos pela ANGRAD e pelo CFA. A Resolução n. Direito. 307/66. Instituições de Direito Público e Privado (incluindo Noções de Ética Administrativa). que em seu art. com um total 960 h/a correspondendo a 32%. a partir de 1964.

A LDB reconheceu “implicitamente em seus artigos. p. que a autorizam a: Criar. as IES devem respeitar os princípios pedagógicos da identidade. do respectivo sistema de ensino. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei. Com a entrada em vigor da Lei 9.394. estava-se criando uma norma inibidora e limitativa. mas também para “mudar o enfoque de solucionador de problemas. tornando uma proposta pedagógica empobrecida pela falta de criatividade. 2000. 53º. com a finalidade de atender às diferenças e expectativas existentes em cada IES. posterior em três anos a entrada da resolução do currículo mínimo na formação superior do Administrador. acompanhamento das necessidades do mercado de trabalho globalizado. diversidade e autonomia. que a atual estrutura dos cursos é burocrática e dificulta o acompanhamento das tendências de mercado” (MORAES. . 25). a nova LDB tenta prestigiar as universidades. É importante citar que na construção do currículo. com algumas atribuições. e fixar os currículos dos seus cursos e programas. organizar e extinguir. de certa forma. quando for o caso. e que procurava aumentar a flexibilidade curricular. da contextualização e da flexibilidade. a nova Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB). assegurando o exercício de sua autonomia. Uma crítica verificada sobre o currículo mínimo determinado para as IES. principalmente. da interdisciplinaridade. observadas as diretrizes gerais pertinentes. metodologia e. sem prejuízo de outras. obedecendo às normas gerais da União e. o currículo corresponde não somente às necessidades do mercado de trabalho. em sua sede. Entre elas podemos citar os incisos I e II. de 20 de dezembro de 1996. reprodutor das forças produtivas e das relações sociais para promotor de novas relações produtivas e sociais”. Em seu Art.36 No caso específico da Administração e segundo Moraes (2000).

portanto. por intermédio de um modelo pedagógico capaz de adaptar-se à dinâmica das . 2003. O resultado final do trabalho desenvolvido contribuiu para o surgimento do parecer n. e do desenvolvimento sustentável.10). por muito tempo. que trata das Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação de Administração. Essas Diretrizes devem ser entendidas como parâmetros norteadores para elaboração e revisão do projeto pedagógico (PP) e não como instrumento para inibir a iniciativa e a criatividade dos gestores e segmentos envolvidos no processo. eficazes e efetivas é necessário que se discuta este assunto com profundidade e responsabilidade. Em especial pode-se citar a maior autonomia às IES na definição dos seus currículos. como questões de formação do cidadão. Segundo ainda esses autores. que incentivava a implementação de currículos fechados.10). a partir da explicação das competências e das habilidades que se deseja desenvolver. os cursos de Administração não podem depender de um currículo “engessado”. 134 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Assim sendo. da qualidade de vida. as diretrizes curriculares para os cursos de Administração contemplam algumas recomendações. do meio ambiente. preparando um profissional desatualizado nessa era do conhecimento e da informação (Andrade e Amboni. 2003. com o término dos currículos mínimos. Para que essa liberdade se concretize em diretrizes eficientes. p. quebrou-se. engessaram os currículos dos cursos de graduação de Administração” (Andrade e Amboni. o sistêmico/ecológico. passando para um outro paradigma contemporâneo.37 A Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (ANGRAD) e o CFA promoveram diversas reuniões regionais para discussão do currículo mínimo na formação do Administrador. aprovado em 2003. Assim. Com isso pode-se extinguir “os currículos mínimos que. da responsabilidade social. p. a fim de que os cursos de graduação em Administração reflitam sua adaptabilidade às constantes mudanças que caracterizam a alta competitividade do mundo em que vivemos. inflexíveis e mecanicistas. o paradigma cartesiano/linear.

como fortalecimento dos laços de solidariedade e de tolerância recíproca. Porém. As Diretrizes Curriculares. os cursos poderiam optar por linhas de formação específicas para contemplar as particularidades regionais e a vocação do curso. a formação ética e o exercício da cidadania. p. que eram fechados. c) habilitações e ênfase. Foi determinada. 134/2003 a revisão dos PP dos cursos de graduação de Administração para atender as Diretrizes Curriculares. do engessamento dos currículos. na formação superior do Administrador. pelo Parecer CES/CNE n.26). são de Administração e conferem ao concluinte do curso o grau de Bacharel em Administração” (ANDRADE e AMBONI. o projeto pedagógico deverá orientar o currículo para um perfil profissional desejado. inflexíveis e . Outro ponto importante foi a contemplação para otimizar a estrutura modular dos cursos com vistas a permitir um melhor aproveitamento dos conteúdos ministrados. em que a graduação passa a constituir-se uma etapa de formação inicial no processo contínuo da educação permanente (ANDRADE e AMBONI. entre outras deliberações. Em resumo. tendo como orientações gerais que eles devem respeitar os princípios de valor. 2003). b) competências/habilidades/atitudes. Ainda diante deste parecer. independente da linha de formação escolhida. a substituição dos currículos mínimos pelas Diretrizes Curriculares é a tentativa de se libertar. o aprimoramento como pessoa humana. a formação de valores. segundo o Parecer 583/2001 do CNE apud Andrade e Amboni (2003). “todos os cursos. d) conteúdos curriculares.38 demandas da sociedade. devem contemplar: a) perfil do formado/egresso/profissional conforme o curso. g) acompanhamento e avaliações. 2003. e) organização do curso. f) estágios e atividades complementares.

durante seu desempenho profissional. com a flexibilidade e a rapidez na resolução de problemas inerentes ao século de incertezas que estamos vivendo e presenciando. cria-se uma perspectiva positiva de capacitar indivíduos para que tenham condições de disponibilizar. pessoal e laboral. . ao mesmo tempo em que se cumpre o preconizado na atual LDB em relação à autonomia universitária. escolar.39 mecanicistas. Desta forma. os atributos adquiridos na vida social. preparando-os para lidar com a incerteza.

uma relação temporal no mundo e no Brasil.40 CAPÍTULO II – A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EaD) Aprender é construir significados e ensinar é oportunizar essa construção (MORETTO. busca a possibilidade de complementar a formação do aluno da graduação superior habilidade em Administração na Escola Naval.0. não é o seu foco principal. Foi realizada uma entrevista com o Chefe de Departamento do Ensino a Distância da Marinha do Brasil (MB). . Com o novo conceito de educação online. localizando a sua situação. ao se utilizar do compartilhamento e interação com o mundo real através da web 2. foco principal desta pesquisa. estudaremos a legislação atual que a ampara no Brasil. o nosso caso de estudo. onde se buscou as informações acerca do que se está fazendo e se doutrinando no Sistema de Ensino Naval (SEN). O que será discutido nos tópicos inerentes a este capítulo é a importância que a EaD tem na atualidade. Nos tópicos a seguir serão vistos a EaD e sua perspectiva conceitual. sendo que só serão avaliados os instrumentos legais que amparam a EAD na graduação superior. 2003) Esta pesquisa não entrará no estudo pormenorizado da Educação a Distância (EaD). Na perspectiva em se constituir em um instrumento de suma importância na formação superior. O capitulo será concluído com o que existe atualmente em relação aos cursos autorizados pelo MEC para a EaD e sua relação com a formação superior de Administração. principalmente com o advento das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (N-TIC) em uma sociedade globalizada. principalmente em função das novas tecnologias (em especial a internet).

à primeira vista. a videoconferência e a teleconferência”. planejada por instituições e que utiliza diversas tecnologias de comunicação. Historicamente tem-se em Guttemberg (1442) o propulsor tecnológico com a invenção da imprensa. ou mesmo Educação online. como a internet. ou temporalmente. Segundo Maia (2007.A perspectiva Conceitual da EaD A definição da Educação a Distância parece. que é uma forma utilizada para expressar a EaD fora do país. eles podem estar conectados. que segundo Moran (2008. pois.21-22) comenta. até então.” Educação a Distância (EaD).. p. de maneira presencial. ser bem simples. que proporcionou que o conhecimento fosse compartilhado e transmitido a um maior número de pessoas. Conforme Maia (2007. a saber: . Entrando mais sobre o enfoque do ensino e da aprendizagem. 6) é “uma modalidade de educação em que os professores e alunos estão separados. a EaD teve diferentes estágios ou gerações. Apesar de não estarem juntos. este mesmo autor (2000) define EaD como: [.1 . como a Internet. a televisão. o vídeo. principalmente as telemáticas. p. e já há muitas pessoas e organizações no Brasil que só aplicam a expressão em inglês. o fax e tecnologias semelhantes. no Brasil. p. Treinamento a Distância.41 2. era restrito às classes mais abastardas. A EaD é uma prática educativa que já está consolidada no mundo ocidental há quase um século. um conceito mais restrito da EaD. Tem-se também a expressão e-learning. no qual professores e alunos estão separados. interligados por tecnologias. Mas podem ser utilizados o correio. mediado por tecnologias.41) é o “conjunto de ações de ensino-aprendizagem desenvolvidas por meio de meios telemáticos. também é conhecida como Ensino a Distância.] é o processo de ensino-aprendizagem.. o rádio. o CD-ROM.

que poderá em alguns casos ser híbrido. 2a Geração: analógica (novas mídias e universidades abertas) – de 1970 até 1990. estudo por correspondência. rádio. No caso específico desta pesquisa. com interação por telefone. e) comunicação bidirecional .é imprescindível a existência da tutoria nos cursos a distância para dar apoio necessário ao aluno. não atrapalhando os seus compromissos profissionais e acadêmicos diários.o aluno aprende a aprender no seu ritmo de forma flexível. p. cujo meio de comunicação era o material impresso. a oportunidade em milhões de estudantes realizarem cursos a distância apresenta-se como uma possibilidade real em todos os níveis de ensino.esse grau de separação vai depender da proposta pedagógica do curso. d) aprendizagem independente . desde disciplinas isoladas até programas completos de graduação e pós-graduação. tendo o primeiro o papel de estimular um constante diálogo com o aluno. Segundo Gutierrez (apud Marinha. é baseada em redes de computadores. por motivo das grandes . satélite e TV a cabo. 1-2): a) separação professor-aluno . podemos realçar a aprendizagem independente em que o aluno é que faz o seu estudo a tempo e a hora desejada.42 1a Geração: textual (cursos por correspondências) – de 1876 a 1970. fitas de áudio e vídeo. recursos de conferências e multimídia.permite aumentar o grau de proximidade em função da interação (tutor x aluno). 2005). onde são introduzidas as transmissões por televisão aberta. parte a distância e parte presencial. b) utilização dos meios de comunicação . e 3ª Geração: digital (EaD online) – a partir de 1990. São características principais da Educação a Distância segundo Garcia Aretio (apud Marinha. c) apoio de tutoria . A EAD hoje é caracterizada por inúmeras instituições que oferecem cursos a distância. 2005. enviados pelo correio. adequando a sua aprendizagem às suas capacidades para auto-formação.o avanço da tecnologia tem permitido um maior acesso à informação.

que teremos quantidade sem diminuição da qualidade. Algumas desvantagens da EaD podem ser citadas: em primeiro lugar. com um menor custo.2). melhoria da expressão pessoal. a princípio. p. esta situação tem que ser bem avaliada. e tudo o que conduz à autovalorização e segurança de si mesmo. Além da massividade espacial. “é possível atender a um número maior de alunos. típica de uma sala de aula. visto que a EaD é mais bem conduzida. Alunos que estão em localidades diferentes podem participar do mesmo curso. para pessoas com uma maior experiência de vida. Outra vantagem importante para a nossa pesquisa é o menor custo por estudante. . por alguns autores. a autodisciplina e o isolamento. a um maior número de estudantes.43 vantagens que oferece. ou seja. Moran (2000) acrescenta. p. Podemos ainda comentar. que ratifica o nosso posicionamento acima. segundo este mesmo autor. especialmente críticos quando se trata de alunos mais jovens. Questão para discussão. p. da auto-aprendizagem. que a mesma não proporciona uma relação pessoal e direta aluno/professor. principalmente para aqueles que já têm experiência consolidada de aprendizagem individual e de pesquisa. Segundo Moran (2008. atendendo a uma demanda sem que os materiais educativos percam a sua qualidade.2). os quais podem se adaptar às necessidades educativas das variadas instituições de ensino” (ibdem. Porém. 47). “é mais adequado para a educação de adultos. como acontece no ensino de pós-graduação e também no de graduação”. fazendo a promoção no aluno da autodisciplina. da sua organização do pensamento.1.1. na educação a distância não existem limitações geográficas. a fórmula capaz de resolver o problema da democratização do ensino" (ibdem. digamos assim. Outra desvantagem é relacionada ao perfil do aluno e aos problemas como a maturidade. Um fato colocado como vantagem por Gutierrez apud Marinha (2005) é a autodisciplina de estudo. "é possível atender. Uma atenção mais eficaz. a “face-a-face”. significa que. para um maior número de estudantes constitui-se. com um menor custo.

§ 4º.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens. indispensáveis para os processos de aprendizagem.44 Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. O aluno desorganizado vai deixando passar o tempo adequado para cada atividade.1. e de educação continuada. produção e pode sentir dificuldade em acompanhar o ritmo do curso. Porém. § 1º.reserva de tempo mínimo. § 2º. II . a EAD é citada diretamente em apenas quatro artigos desta Lei. discussão. 80º. III . organizada com abertura e regime especiais.o 9. 2. ficam muito difíceis a autonomia e a organização pessoal. o parágrafo terceiro (grifo nosso) é interessante de ser comentado. que incluirá: I . pelos concessionários de canais comerciais. Art. A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. tem como base a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB). caberão aos respectivos sistemas de ensino. que pela primeira vez se falou no incentivo ao desenvolvimento e verificação de programas de EaD. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. Em seu texto completo. Mais relevante é a possibilidade de “cooperação e integração” entre esses . o art. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. A educação a distância. As normas para produção. em seu formato atual.1 – Legislação da Educação a Distância A Educação a Distância no Brasil. § 3º.394 de 20 de dezembro de 1996. Na pesquisa em questão. é o único inteiramente dedicado ao tema. 80o. principalmente quando deixa para os respectivos “sistemas de ensino” a autorização para implementação da EaD.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. sem ônus para o Poder Público. em todos os níveis e modalidades de ensino. a Lei n. A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. a seguir transcrito.

A Lei n. portanto. 8o § 2o. o art. e os órgãos federais de educação. que define a composição do sistema federal de ensino com as instituições de ensino mantidas pela União. Separando. O Decreto no 5. Um aspecto marcante neste decreto é a garantia de equivalência entre o ensino presencial e a distância. 16o.622. que o ensino militar é regulado em lei específica. que corrobora o que já foi anteriormente explicado. no caso federal. 80 da LDB. ou seja: [. Neste momento. tem em seu art. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. O art.. concluímos pelo artigo 83º das disposições gerais. admitida a equivalência de estudos. 1o a definição da EaD. que chamaremos de “civil” ou “militar”.45 diferentes sistemas. o ensino militar do ensino civil. Seguindo ainda por esse mesmo caminho legal. 5o. as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada.] a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. Continuando pelo artigo 16o.o 11. devidamente credenciadas. . para que os diplomas e certificados emitidos tenham validade nacional. 22o e 23o.. entre eles o 3o. Na Lei em questão. com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. e suas similares estrangeiras. 6o trata dos convênios e dos acordos de cooperação celebrados para fins de oferta de cursos ou programas a distância entre instituições de ensino brasileiras. cabe uma explicação em relação aos sistemas de ensino que interessam a pesquisa. mencionada em diversos artigos do referido instrumento legal. que regulamenta o art. de 19 de dezembro de 2005. deixa claro que os sistemas de ensino terão liberdade de se organizarem.279 de 9 de fevereiro de 2006 é a que dispõe sobre o ensino na Marinha. que deverão ser previamente submetidos à análise e homologação pelo órgão normativo do respectivo sistema de ensino.

Continuando. A conclusão que podemos obter do que foi estudado é a grande vantagem existente no equilíbrio entre o ensino presencial e a distância. na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos. Seção 1. Moran (2008.059. integral ou parcialmente.46 Outro instrumento legal importante para esta pesquisa é a Portaria nº 4. p. O currículo pode ser flexibilizado. como transcrito: “poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput. Ou seja. no . 1o autoriza as IES a introduzir. se desejarem. O resultado importante deste dispositivo é que podemos ter disciplinas quase inteiramente aplicadas a distância. desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso”. de 10 de dezembro de 2004 (DOU de 13/12/2004. Algumas universidades integram aulas presenciais com aulas e atividades virtuais. flexibilizando tempos e espaços e ampliando os esforços de ensinoaprendizagem até agora praticamente confinados à sala de aula. o § 1o desta mesma portaria. O art. A base legal regulada é o artigo 81 da LDB. Algumas disciplinas estão sendo oferecidas total ou parcialmente a distância. Sobre este mesmo ponto da flexibilização curricular. 34) do Ministério da Educação que regulamenta a oferta de carga horária a distância em disciplinas presenciais. outras com diferentes percentuais de atividades não presenciais e outras ainda serem ministradas de forma totalmente presencial. a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade “semipresencial”. p. 42) comenta: A educação online também está começando a trazer contribuições significativas para a educação presencial. uma definição da EaD. caracteriza a modalidade “semipresencial” como quaisquer atividades didáticas. módulos ou unidades de ensino-aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota. O parágrafo 2o abre a possibilidade de introduzir disciplinas a distância em cursos presenciais. proporcionando flexibilidade na confecção da grade curricular.

2 – A EaD na Marinha do Brasil (MB) Para a elaboração deste tópico.ensino.1. a uma disciplina de graduação. que respondeu as perguntas formuladas que serão resumidas a partir de agora.html>. nos termos da legislação pertinente.mil. em nível de oficiais. por exemplo. 2. Disponível em:< https://www. O mesmo respondeu que a média da carga horária gira em torno de 40 horas-aula. Acesso em 05 jan. Foi perguntado ao referido oficial quais os cursos de extensão ou especiais na EaD. . foi realizada uma entrevista no dia 18 de dezembro com o Capitão-de-Mar-e-Guerra (CMG) Luiz Cláudio Biagiotti.br/index1. Foi informado ainda que a Escola Naval (EN) realiza um curso de Inglês Instrumental com o convênio da Cultura Inglesa e que também possui um curso online de redação para alunos que se encontram com dificuldades e por voluntariado. existentes e que são ministrados na MB e suas cargas horárias.47 nosso caso online. O CMG Biagiotti disponibilizou a relação dos cursos realizados em 2008 no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW) e que está listada no quadro a seguir: QUADRO 2 – Relação dos cursos realizados em 2008 Nº 01 02 CURSO (Sigla) (C-EXP-AVG-EAD) (C-EXP-LIC-EAD) DENOMINAÇÃO Avaliação de Gestão Licitação 13 Diretoria de Ensino da Marinha (DEnsM) que cabe desempenhar as atribuições de Órgão Central do Sistema de Ensino Naval (SEN).mar. porque poderemos obter grandes resultados a um custo menor de deslocamentos sem perda de tempo e com maior flexibilização do gerenciamento da aprendizagem. 2009. o que corresponderia. Chefe do Departamento de Ensino a Distância (DEAD) da Diretoria de Ensino da Marinha (DEnsM13).

OMPS . o de Gestão Contemporânea. hospitalar. que os cursos ministrados on-line pela MB têm uma relação direta com a melhoria de gestão. quando a Escola de Guerra Naval (EGN) criou um curso por correspondência.Organizações Militares Prestadoras de Serviços são organizações que prestam diferentes serviços a outras OM e. a partir dos custos e despesas por ela incorridos (Normas de Administração Financeira e Contabilidade (SGM-301). eventualmente. que em suma trazem uma ligação com a formação Superior em Administração. Ele comentou também que a MB já realiza a EaD desde 22 de novembro de 1939. 2004. de 1941. com o objetivo de preparar oficiais para a matrícula no Curso de Comando.48 Nº 03 04 05 06 07 08 09 10 11 CURSO (Sigla) (C-ESP-GESTOMPS-OF) (C-EXP-O&M) (C-EXP-AB) (C-EXP-GECON) (C-EXP-PRE-OF-EAD) (C-ESP-ADIR) (C-Exp-AMP-OF-EAD) (C-EXP-AVG-OF-EAD) (C-ESP-PLE-OF-EAD) DENOMINAÇÃO Gestão de OMPS14 Organização e Métodos Abastecimento Gestão Contemporânea Capacitação de Pregoeiros Atualização de Diretores Análise e Melhoria de Processos Avaliação de Gestão Planejamento Estratégico EXP = Curso Expedito C-ESP = Curso Especial Fonte: DEnsM (2008) Podemos verificar. de pesquisa e desenvolvimento em ciências e tecnologia. de abastecimento e de serviços especiais. e que poderiam ser disciplinas ministradas a distância que fariam parte do currículo da Escola Naval.). que junto com o Instituto Universal Brasileiro. a organizações extra-MB nas seguintes áreas: industrial. Cabe registrar que esta iniciativa da Marinha do Brasil ocorreu apenas dois meses depois da criação do Instituto Monitor de São Paulo. 14 . Como exemplos concretos: o Curso Especial de Planejamento Estratégico. Volume IV. 5ª rev. são considerados como marco inicial da EaD no Brasil. Brasília: Secretaria Geral da Marinha. a priori. efetuando a cobrança pelos serviços prestados. o de Avaliação de Gestão e de Organização e Métodos.

o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) E-Proinfo do MEC. atualmente Departamento de Ensino a Distância (DEAD). principalmente.br/>. Segundo o Manual para elaboração de Cursos a Distância e aproveitando o relato histórico da EaD na MB do nosso entrevistado. Em 2001. de 12 de setembro de 2005. p 1-5).é um ambiente para a criação. Disponível em: < http://www. responsável pelo planejamento. o CMG Biagiotti comentou que o primeiro curso online foi o de Organizações e Métodos em 2000. Praças e Civis assemelhados. criou o curso Expedito de Capacitação de Autores e Tutores de EAD (C-EXP-CATEAD). baseado na metodologia de formação contextualizada desenvolvida por pesquisadores do Nied (Núcleo de Informática Aplicada à Educação) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). a DEnsM iniciou estudos para a implementação do EaD via web. Fato que foi impulsionado. Continuando com a entrevista. Ele foi concebido tendo como alvo o processo de formação de professores para informática educativa. 15 . ou mesmo para o envio de professores e instrutores para ministrarem esses cursos. coordenação e controle das atividades de EaD nas Organizações Militares (OM) do Sistema de Ensino Naval (SEN). no desenvolvimento de material didático a ser utilizado em cursos a distância via web (DEnsM-5001. criando o Núcleo de Ensino a Distância (NEAD).teleduc. inicialmente. além do próprio Manual técnico da EaD. que irão atuar no EAD para o exercício de autores e tutores de EAD. após a realização de estudos. com o objetivo de orientar Oficiais.org. a fim de viabilizar a implantação do EaD na Marinha: A DEnsM utilizou. Nesse ano. Em 2003. participação e administração de cursos na Web. que aprova as Normas para a Condução dos Cursos a Distância do Sistema de Ensino Naval. pela falta de recursos orçamentários para o encaminhamento para os cursos no Rio de Janeiro do pessoal fora de sede. Acesso em: 29 dez 2008. bem como.49 São os seguintes documentos normativos que regem a EaD na Marinha e que foram fornecidos pelo CMG Biagiotti: a Portaria 167/DEnsM. TelEduc . a 15 DEnsM optou pelo AVA TelEduc da Universidade de Campinas (UNICAMP). documento DEnsM-5001.

sem limites de tempo ou espaço.Educação a distância versus Educação presencial Aprender a ensinar e a aprender. porém. A primeira seria garantir que todos tenham o mesmo acesso aos meios tecnológicos. integrando ambientes presenciais e virtuais. quando estudamos o currículo como fonte de construção histórica do conhecimento de uma determinada área a ser descoberta no capítulo 1. a banda larga. e fez desaparecer qualquer outro tipo de demarcação territorial. a internet. Um fato marcante a ser considerado é a “grande teia”. . por exemplo. a educação online ocupará um espaço central na pedagogia nos próximos anos”. Ele respondeu que seria um caso interessante a estudar. A afirmação é de Moran (2008. foi perguntado ao CMG Biagiotti o que ele achava da utilização do ensino online para complementar. A outra preocupação seria que “a garotada não está preparada para a EAD”. (José Manuel Moran) Ao iniciarmos a nossa pesquisa. a rapidez de comunicação por redes e a facilidade próxima de ver-nos e interagir a distância. 2. é um dos grandes desafios que estamos enfrentando atualmente na educação no mundo inteiro. teria duas preocupações principais.50 Utilizando-se da sua experiência na MB com a EaD. p. algumas disciplinas da graduação da EN. foi comentada sobre a imaturidade do aluno da graduação. que popularizou as comunicações de tal forma que ratificou a abolição das fronteiras físicas entre os Estados. foi mencionado que nessa sociedade globalizada em que vivemos no século XXI. esbarrando por vezes e ainda que parcialmente em questões culturais e/ou de idioma. por exemplo.2 . a informação pode se dar cada vez mais de forma instantânea e rápida. 42) com quem concordamos integralmente. “Com o avanço da telemática.

podemos construir uma comunidade de aprendizagem colaborativa. 84) “o essencial. o uso de uma tecnologia inovadora não pode ser considerada uma estratégia. como um todo. transformando-as em conhecimentos”. ensino aprendizagem. são metodologias pedagógicas que podem se utilizar de ferramentas de transmissão e recepção. A primeira é a sala de aula. Como Moran nos deixa claro que “desde sempre aprender está associado a ir a uma sala de aula. No entanto. p. Como já definido. se privilegiarmos o uso de ambientes coletivos. não é se encher de conhecimentos. gerando novas práticas de ensino e de aprendizagem. tutores e professores. Seus textos e demais interações estão registrados no ambiente e. Por isso mesmo. Nestas comunidades somos co-responsáveis pelo processo individual e do grupo: alunos. A educação presencial e a EaD tem seus valores e singularidades. recebe os impactos das tecnologias sobre seus métodos de ensino e formas de aprendizagem. As pessoas na EaD se expõem muito mais porque precisam interagir para se fazer presente. mesclados à produção individual. e lá concentrarmos os esforços dos últimos . A intenção do seu uso como ferramenta de apoio ao ensino precisa estar relacionado à definição de estratégias pedagógicas. mas sim a capacidade de pesquisar e avaliar fontes de informação. mas mediados por tecnologias e contam com disposições organizacionais e administrativas especiais. o que podemos verificar é que não existe uma diferença acentuada entre educação presencial e a distância. A educação.51 Segundo Maia (2007. hoje. para que possam efetivamente apoiar o processo de construção de novas competências. Existem dificuldades sérias na aceitação da EaD. mas consideramos que a principal diferença entre as duas é o potencial colaborativo da EaD. de maneira diferente. a educação a distância é uma modalidade de ensino aprendizagem planejada na qual os participantes não precisam estar fisicamente próximos.

47) o que pode ser notado em primeiro lugar é que o professor deixou simplesmente de ser transmissor e detentor do conhecimento e foco principal da educação tradicional. p. este sim um elemento ativo e participativo e foco principal do processo pedagógico. a qualquer momento e lugar. Com a nova tecnologia Um facilitador Um colaborador ativo Pensamento crítico Da interpretação Interação Sem limites Um especialista Um receptor passivo Memorização dos fatos Do que foi retido Repetição Limitado ao conteúdo Continuando pela linha de raciocínio que não existem grandes diferenças entre a educação presencial e a distância. 2008. Segundo Garcia e Cortalazzo (apud Cacique. inicialmente nas salas de aula.46) No quadro a seguir é contextualizado a mudança do paradigma e o impacto da educação online nas salas de aula. 2000. . Maia (2007). onde era familiar a transferência da experiência e da vivência dos mais velhos para os mais novos. QUADRO 3 – Relação Educação Tradicional e Educação on-line Na educação tradicional O professor O aluno A ênfase educacional A avaliação O método de ensino O acesso ao conhecimento Fonte: CACIQUE (2000. p. Este autor cita o início da história da humanidade. acontece e acontecerá em virtude da interação de seres humanos. p. entra no tema do uso que vem sendo acentuado das N-TIC’s. afirmando que educação sempre será um processo que aconteceu. e agora. no caso específico da educação on-line (internet).1). Assim.52 séculos para o gerenciamento da relação entre ensinar e aprender” (MORAN. passando a ser e atuar como um elemento incentivador de descobertas e auxiliar no processo de aprendizagem do aluno.

Fernando Haddad. não há distinção.] mais do que uma rede de computadores. Essa Interação pode ser intermediada por tecnologia. 2007. que poderia ser colocada. seria em relação ao mercado de trabalho do egresso de uma ou de outra formação. educação. como o Programa . a modalidade a distância ajuda a ampliar e democratizar o acesso à educação superior em conjunto com outras ações e programas do Ministério da Educação em curso. se entretendo e aprendendo em rede (Wilson Azevedo apud Maia. não existe uma diferença legal entre a formação a distância e a presencial..53 A Educação online é. Porém. Mas em educação online tecnologia é isto mesmo: um meio e não um fim [. Este mesmo consultor esclarece: “Não conheço nenhum critério de seleção que dá preferência a um candidato porque ele fez um curso presencial.A graduação Superior a distância no Brasil Em entrevista ao Jornal O Globo de 30 de novembro de 2008.. declarou que a educação a distância está em construção no Brasil. Em reportagem publicada no Jornal O Globo. e simboliza como sendo uma nova fronteira na educação superior. logo “precisa de paradigmas sólidos para não comprometer a ampliação do acesso ao próprio ensino superior”. 2. versão online de 12 de dezembro de 2008. Para Haddad (2008). p. que acontece na e pela interação de seres humanos.18) Como já verificado e visto. a preocupação das empresas é com as instituições em que o estudante se formou. O aproveitamento dos formandos de cursos online pelo mercado de trabalho costuma ser bom. O mais importante é a pessoa conseguir aplicar os conhecimentos no trabalho”.3 . as empresas não fazem distinção entre cursos não presenciais e os tradicionais. estamos diante de pessoas se relacionando. o Ministro da Educação. tranquiliza o diretor da consultoria Catho Online. A educação é um processo humano e social. Sr. Segundo ele. e não com a modalidade. uma grande diferença possível. Constantino Cavalheiro. antes de tudo. o diploma não faz esta separação.

em referência à meta estabelecida no Plano Nacional de Educação (PNE).366 150.571 309. que entrou em vigor em 2000. 2008) Os cursos à distância.” Continuando ainda com o secretário sobre o tema de qualidade do ensino a distância.169 972.54 Universidade Para Todos (ProUni) e o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (ReUni). O foco principal desta e de outras reportagens foi a desativação pelo MEC de 1.8% + 213% Evolução no período . crescendo 356%. ele comenta: Este governo incentiva o ensino a distância. são um fenômeno relativamente novo na educação brasileira..826 + 356% + 62. [.204 2006 de 575. poderemos fixar a meta de atender 50% da juventude". faz investimentos financeiros para que ele cresça. TABELA 2 – Evolução do número de alunos nos cursos EaD 2004 Nível de credenciamento Federal Estadual Total Geral Fonte: AbraEAD/2008 2005 Número 159. "Num próximo PNE.957 300.337 centros de ensino a distância no país. “estamos dando um freio nessa expansão. Temos universidades privadas que em três anos saíram de zero para 100 mil alunos.. como já comentado anteriormente. por isso precisamos estar no pé (Bielschowsky.378 504. Mas crescer sem qualidade não nos interessa. com um choque de qualidade. Sr.] Crescer sem qualidade não nos interessa.458 2007 alunos 727. Essa expansão acaba comprometendo um pouco a qualidade. A tabela abaixo mostra claramente que ocorreu um boom na demanda por graduação e também da pós-graduação online entre 2004 e 2007.709 202. disse.657 245.749 778. ratificando as palavras do Secretário de Educação a Distância do MEC acima transcritas. Carlos Bielschowsky. que segundo o Secretário de Educação a Distância do MEC. "Vamos cumprir a meta de alcançar a taxa de 30% de matrícula bruta na educação superior entre 18 e 24 anos".826 203. previu o Ministro. com duração de dez anos.

p. etc. pilar da educação. Quanto aos lucros auferidos. teatro.1 – A graduação superior a distância em Administração Um dos grandes óbices verificados para a implantação de um curso de graduação a distância. em 108 instituições credenciadas pelo MEC (a maioria privadas). Mas. Segundo Bielschowsky. entre elas UERJ. é o elevado investimento inicial para sua montagem. UFRJ e UFF. 2. Na rede pública. o importante é que sejam focados na construção do conhecimento. rede que reúne 70 universidades públicas. não nos cabe avaliar. no primeiro momento. a oferta de cursos superiores à distância está centralizada na Universidade Aberta do Brasil (UAB). como as que utilização laboratórios. assim. sendo que apenas 12 controlam mais de 70% da oferta de cursos. 47). Como estamos no início do processo da construção da EaD. pela possibilidade de maiores lucros”. “o objetivo do sistema é levar ensino superior público de qualidade aos municípios brasileiros que não possuem cursos de formação superior ou nos quais essa oferta não é suficiente para atender a demanda”. O que podemos concluir é que a formação superior está em franco desenvolvimento no Brasil por intermédio da educação a distância. em cursos com baixos investimentos em infra-estrutura e recursos materiais e. fato que conta com amplo apoio do Governo Federal através dos seus órgãos ligados à educação. no equilíbrio entre o individual . e segundo Ferrato e Andrade (200?) “o maior número de vagas é oferecido pelas IES privadas.3.). Durante o desenvolvimento das disciplinas de maior presença física. e na interação. segundo Moran (2008. de interação corporal (dança. atualmente existem cerca de 750 mil alunos fazendo graduações à distância.55 Segundo ainda esta mesma reportagem. também há elevados custos a serem absorvidos pelas instituições de ensino.

licenciatura. 6. um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso. em 30 de novembro de 2008: “não é feita avaliação do MEC dos cursos de pós-graduação lato sensu [. A listagem era por região do país e dividida em graduação. . Dos números apresentados. porque os mesmos não têm uma fiscalização direta do MEC. pós-graduação. Tal fato foi assinalado pelo Ministro da Educação. Existe uma tendência ao aumento dos cursos de MBA e pósgraduação lato sensu. Na edição do Guia de Educação a Distância (ano 6. TABELA 3 – Total de cursos da EaD por região Total de IES (*) 38 54 17 8 10 127 Percentual Somente Cursos de Graduação 25 36 15 7 10 93 73 % Somente Cursos Administração 8 19 9 4 9 49 53 % Região Sul Sudeste Nordeste Norte Centro-Oeste Total (*) Total de IES com pelo menos uma formação do tipo: Licenciatura.] na maioria das vezes. podemos concluir que a graduação (licenciatura. já em andamento ou com previsão de novas turmas. em entrevista ao Jornal O Globo. A tabela a seguir faz um resumo das IES citadas na reportagem. entre o conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa).56 e o grupal. MBA e tecnólogo. bacharelado. 2008) foram listados os cursos que. estavam com inscrições abertas. n. durante o período da pesquisa realizada pela revista. MBA e/ou tecnólogo. Pós graduação... bacharelado e tecnólogo) é mais de 70% dos demais cursos a distância. esses cursos são pagos pelas próprias empresas que encaminham seus profissionais para atualização”. Ele argumenta que a fiscalização da qualidade do curso é realizada pelo próprio mercado de trabalho.

pretende-se obter resultados mais expressivos a um custo menor de deslocamento e. O que se pode inferir do que foi desenvolvido neste capítulo é que existe. uma flexibilização curricular que permita o melhor gerenciamento da construção do conhecimento e da aprendizagem pelo aluno. em busca pela internet. atingimos cerca de 39%. bacharelado. um número bastante significativo. e é corroborado por diversos autores. principalmente. com a possibilidade bem atual do equilíbrio entre esta modalidade de ensino e a presencial. a relevância da EaD (no nosso caso o online). visando à obtenção do grau de Bacharel em Administração”. O curso é dirigido aos portadores de diploma dos cursos de formação de oficiais daquela academia. foi verificado que a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) tem um curso de graduação a distância de Administração. Durante o desenvolvimento da pesquisa. em convênio com a Academia Militar das Agulhas Negras.57 Outro número estatístico interessante é que mais de cinquenta por cento dos cursos de graduação superior são de Administração. criado para atender as expectativas dos oficiais dos cursos de formação de oficiais da AMAN Academia Militar das Agulhas Negras. cujo objetivo expresso na página principal daquela IES é o de ser “um curso inovador. . Assim. Se compararmos com a totalidade dos cursos existentes.

procurando responder a pergunta de como a formação superior em Administração de uma Instituição militar-naval. Sou também responsável pela área financeira e pelos registos contabilísticos. particulares ou públicas. A primeira parte será trabalhada em função da pesquisa realizada em matrizes curriculares de 43 IES. será apresentada uma relação comparativa com a Escola Naval de Portugal. o qual foi respondido e se encontra no ANEXO 2 desta pesquisa. tendo que garantir o abastecimento completo e oportuno nas mais diversas áreas. Em suma. tais como material. sobressalentes e géneros alimentares. Como Chefe de Serviço lidero directamente 13 pessoas. Também foi realizada uma comparação da matriz curricular da instituição militar de ensino portuguesa com a Escola Naval brasileira.58 CAPÍTULO III – MATRIZES CURRICULARES A bordo deste navio sou responsável por toda a logística.Chefe do Serviço de Abastecimento do Navio "João Coutinho") Este capítulo será a união dos pontos principais que foi apresentado nos capítulos I e II em relação ao tema proposto. cuja relação das instituições se encontra no ANEXO 1. situa-se em relação à formação acadêmica civil. técnicos nas diversas áreas atrás referidas. Para tal. 16 (GMAR Lopes Ribeiro . dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. do ensino tradicional ou mesmo da educação a distância. no caso específico da Escola Naval. . Continuando nesse enfoque e com o escopo de se apresentar uma amplitude maior da relação das IES com a formação superior em Administração em órgãos similares de formação. foi encaminhado um questionário estruturado para a superintendência de Ensino daquela academia. o que será comparado nos dois primeiros tópicos deste 16 GMAR – abreviatura de Guarda-Marinha em Portugal.

em síntese. pretende-se que os elementos curriculares poderão ser propostos para complementar a formação atual do administrador militar-naval. de Andrade e Nério Amboni (2003). A referência bibliográfica constante e imprescindível a este capítulo foi o livro “Diretrizes Curriculares para o Curso de Graduação em Administração: como entendê-las e aplicá-las na elaboração e revisão do projeto pedagógico” dos professores Rui Otávio B. Outro ponto importante para a nossa pesquisa. será em relação ao que se procurou definir sobre habilidades e competências comuns e específicas aos perfis do administrador civil e do administrador militar-naval na atualidade. a decisão dos currículos mínimos veio depois de uma ampla discussão entre os representantes de mais de 400 IES de todas as regiões do país que propuseram uma retificação no projeto de diretrizes curriculares. cujo resultado esperado. Neste último caso. foi a relação das IES com a EaD. não levando. a priori. em consideração se eram públicas ou privadas.1 . p.Avaliação comparativa entre as matrizes curriculares O trabalho de pesquisa deste capítulo foi iniciado com uma busca pela internet de IES que tem a graduação de Administração. A pesquisa continua através do envio de 81 questionários semiestruturados para diversas IES de todo o território nacional. que se encontra disponível no ANEXO 3. segundo Andrade e Amboni (2003. ou mesmo se pedagogicamente era da educação tradicional ou a distância. desenvolvido no questionário. Nesse primeiro momento não houve também a preocupação se a Instituição já estava sobre o novo enfoque das diretrizes curriculares ou se mantinha a antiga estrutura dos currículos mínimos. 3.59 capítulo será importante para considerarmos os conteúdos das ementas. que . Academia da Força Aérea (AFA). as suas cargas horárias e fluxo de disciplinas entre as universidades públicas e privadas.8). Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e a Escola Naval de Portugal (ENP) em relação à Escola Naval do Brasil (EN). é bom reafirmar que. Assim.

conferir uma maior autonomia às instituições de ensino superior na definição dos currículos de seus cursos. Isto posto como introdução ao capítulo. Como já visto no item 1. ou seja. através da organização de um modelo pedagógico capaz de adaptar-se à dinâmica das demandas da sociedade atual. previstos em um enfoque das diretrizes curriculares. como já comentado no capítulo II. Segundo estes mesmos autores. Na criação dessas disciplinas-mãe foram observados dois enfoques principais. daremos início às diversas comparações que envolvem esta fase da pesquisa.1 – Entre as IES do Brasil na graduação de Administração Como já comentado no início deste capítulo.1. foram selecionados aleatoriamente pela internet 43 Instituições de Ensino Superior e baseado em suas matrizes curriculares e cargas horárias despendidas com cada disciplina. visto que foi verificado que diversas instituições ainda mantêm o modelo pedagógico antigo. a partir do desenvolvimento das competências e das habilidades que se deseja desenvolver. em que a graduação passa a constituir-se uma etapa de formação inicial no processo contínuo da educação permanente (ANDRADE E AMBONI. 3. que caiu com a promulgação da LDB em 1996. foram juntadas matérias segundo aspectos atuais. . Em um momento posterior. a profissão era de Técnico em Administração).60 substituiu os currículos mínimos iniciais da formação puramente técnica do Administrador (no início. aquela que possuíam o mesmo nome ou similar. foram criadas as “disciplinasmãe”. p. 2003. ou mesmo aquelas que a ementa disponível significasse algo fundamental em relação às disciplinas-mãe. que seriam a síntese das diversas disciplinas afins. o que se procurou com as diretrizes curriculares nacionais foi permitir uma flexibilização e priorização de áreas de conhecimento na construção dos currículos plenos.4. Para tal. O primeiro foi baseado nos currículos mínimos e suas disciplinas obrigatórias. 21). realizou-se um estudo comparativo.

Administração de Materiais e Patrimoniais. como as ligadas à contabilidade. eram em sua maioria disciplinas pertencentes a uma linha específica de formação. que seriam constituintes dos projetos pedagógicos da formação superior em Administração. Sistemas e Métodos. Podemos listar as seguintes disciplinas-mãe enquadradas nos respectivos conteúdos pedagógicos de sua formação: QUADRO 4 – Relação das Disciplinas-mãe por formação Formação Básica Disciplinas-mãe Direito e Política. Jogos de Empresa. Psicologia/Sociologia/Filosofia e Língua Estrangeira e Português Teoria da Administração. Administração Financeira e Orçamentária. visto que algumas disciplinas. que perfazem uma média de 78% das mesmas em relação à totalidade das disciplinas constantes das matrizes curriculares das IES. Matemática Financeira e Estatística. Administração Estratégica. por instituição. Administração da Produção.61 Foram criadas tabelas com as disciplinas-mãe e suas correspondentes. além do que foi citado no parágrafo anterior. à gestão ambiental e as específicas de cada linha de formação. Administração de Sistemas de Informação. Administração de Recursos Humanos. não foram consideradas para efeito desta pesquisa. é que aquelas que não foram encaixadas diretamente nas disciplinas-mãe. a linha de formação em Administração Industrial da CEFET-RJ privilegia diversas disciplinas que não fizeram parte de nenhuma disciplina- . Empreendedorismo e Estágio Supervisionado Profissional De estudos quantitativos e suas tecnologias De formação complementar A tabela constante do ANEXO 1 retrata. e Organização. Como exemplo. Administração Mercadológica. mantendo-se os aspectos intrínsecos de suas ementas de caráter amplo. Economia. Percentual considerado satisfatório por este pesquisador. recorrentes em quase todas as IES. O que se verificou. o espectro de disciplinas que foram enquadradas nas disciplinas-mãe.

mas nada a ser considerado de relevante. Porém. ou ainda “práticas administrativas”. “normalização”. ou mesmo os “seminários integradores”. “contabilidade industrial”. ou ainda na busca de uma . 42). como “segurança industrial”. tendo em sua maioria as disciplinas presentes nas disciplinas-mãe com bastante similaridade. que no final das contas. o projeto pedagógico para o curso de Administração e Negócios terá “por base a carga horária de 3000 horas-aula. Em resumo. p. a grande maioria das IES avaliadas cumpre o que está preconizado nos pareceres do MEC. entre outras. Foi verificado na amostra de IES em questão que em sua grande maioria tal determinação é cumprida. ainda guardam entre si relação quase que direta com os antigos currículos mínimos. Em relação às IES do ensino tradicional e da educação a distância. Segundo Andrade e Ambosi (2003) e como previsto no parecer do CNE/CSE n 134/2003. Este fato em nada prejudicou a essência dessas disciplinas que é preparar o jovem graduado para o mercado de trabalho e para uma possível continuidade de sua aprendizagem através do ensino continuado. Acredita-se com isso que a instituição associe a prática e a teoria em um maior grau para os seus alunos. 2003. pois as mesmas eram nominadas genericamente e suas ementas variadas. incluída as 300 horas-aula destinadas para o estágio supervisionado em Administração (10%) e as pertinentes para as atividades Complementares em até 20% da carga horária do Curso” (ANDRADE e AMBOSI. ou os “tópicos especiais”. não houve uma diferença percebida entre as diversas matrizes curriculares. em algumas o estágio supervisionado chega a mais de 10% da carga horária total do seu curso (vide ANEXO 1). a percentagem de disciplinas iguais desse Centro ficou em 71% em relação à totalidade de sua grade escolar. Como exemplos temos as “atividades complementares”. A diferença principal que podemos citar é que em alguns casos a carga horária está a mais para uma ou a menos para outra. Por isso mesmo.62 mãe. Em algumas instituições ficou difícil o enquadramento de determinadas matérias. O que se verificou foi a grande diversidade de nomenclatura das disciplinas.

] deverá ser capaz de acompanhar a evolução do mundo contemporâneo e do Brasil.1. sua capacidade de perseguir o contínuo aperfeiçoamento profissional [. que forneceu os sumários específicos de 2007 da formação diversificada da Escola Naval com a habilitação em Administração. ao longo da carreira. CMG (RM1-IM) – sigla de Capitão-de-Mar-e-Guerra da Reserva Remunerada do Corpo de Intendentes da Marinha..63 linha de formação que mais se adéqüe ao perfil esperado do egresso da graduação superior de Administração. Após a sua formatura e promoção ao posto de Guarda-Marinha (GM).. coordenador do curso da EN.. que culmina com uma viagem de Instrução a bordo do Navio Escola Brasil por cerca de cinco meses para diversos países dos demais continentes. dados estatísticos e todo o material consultivo para a continuação deste trabalho. tensões e tendências de ordem política. ele desenvolve um período de um ano de estágio supervisionado em organizações militares (OM) da MB e outras disciplinas específicas. 17 . o jovem oficial deverá estar preparado para exercer as atividades técnico-operacionais e de liderança a bordo dos navios e das OM de terra: Deverá ter uma sólida formação acadêmica que assegure. no seu contexto. 3. o Ciclo Escolar (CE) que vai do primeiro ao quarto ano de formação universitária. e o Ciclo Pós-Escolar (CPE). Ao término dos dois ciclos.2 – Entre as IES do Brasil e a Escola Naval Para esta parte da pesquisa.. A formação do aspirante da EN é dividida em dois ciclos principais. agora enfocando uma relação comparativa entre as matrizes curriculares das IES avaliadas anteriormente e a EN.] bem como o conhecimento dos principais processos e respectivos fluxos de informação e habilidade no manuseio das principais ferramentas de administração econômico-financeira e dos sistemas corporativos para apoio às OM (organizações militares) na área da Intendência [. foi realizada uma entrevista semiestruturada com o CMG (RM1-IM17) Cícero Pimenteira. sabendo interpretar as crises.

p. Serão postadas agora as principais diferenças e similaridades entre o currículo da EN na habilitação superior em Administração e o estudo realizado . flexibilidade. e que serão comentadas a seguir em maiores detalhes. este pesquisador passou pelos bancos escolares daquela instituição no início da década de 1980. 6) O que se verifica do perfil profissional que se deseja do Oficial habilitado na EN em Administração não está muito distante do desenvolvimento de competências estipulado pelo MEC/CFA. formadora normalmente do ciclo básico. p. e que agregam ou acrescentam muito pouco para o futuro oficial gestor da MB.64 econômica. esta o foco do nosso estudo. busca do conhecimento. criatividade e capacidade de comunicação” (ANDRADE e AMBOSI. escolar. (Cursos de Graduação de Oficiais da Escola Naval. e pôde verificar que persistem algumas disciplinas. Segundo Andrade e Ambosi (2003). com a flexibilidade e a rapidez na resolução de problemas. sem a escolha pelos mesmos do tipo de linha de formação existente na Instituição. são as seguintes competências a serem desenvolvidas no profissional de Administração que são similares ao exposto acima pela EN: “capacidade de se relacionar. Não é finalidade desta pesquisa fazer criticas ao currículo atualmente existente para a formação superior do Oficial Intendente habilitado em Administração. sendo que nos dois primeiros anos da graduação o ensino é básico e igual para todos os alunos. sendo um participante ativo de uma vida em sociedade. 2003. 37-38). de liderança. capacitando os indivíduos para que tenham condições de disponibilizar durante seu desempenho profissional os atributos adquiridos na vida social. O primeiro ponto a se comentar sobre a matriz curricular da EN é que a mesma é de ciclo anual. sendo componente da primeira turma formada com essa habilitação. em Elétrica. preparando-o também para lidar com a incerteza. iniciativa e postura pró-ativa. pessoal e laboral. que são: habilitação em Mecânica. em Sistemas de Armas e em Administração. ideológica. social e militar.

como exemplo principal.65 nas matrizes curriculares de 43 IES de todo o Brasil que preparam o profissional para o mercado de trabalho civil. diversos pontos discordantes são apresentados. Fundamentos de Informática. sem considerarmos nenhuma linha de formação específica. ofertando-lhe a formação superior em Administração de Empresas. Princípios de Economia Brasileira e Formação Econômica Brasileira. . Principais similaridades entre as matrizes curriculares estão listadas no quadro abaixo: QUADRO 5 – Relação das Disciplinas-mãe da EN e das IES Escola Naval Português e Expressão Oral e Escrita Inglês Direito e Relações Políticas do Mundo Contemporâneo Economia. Cálculo Métodos Quantitativos Contabilidade IES (disciplinas-mãe) Português Inglês Direito e Política Economia Administração de Sistemas de Informação Administração Financeira e Orçamentária Teorias da Administração Administração de Materiais e Patrimoniais Administração da Produção Administração estratégica Administração de RH Matemática Estatística Contabilidade Em relação às cargas horárias das disciplinas que são similares. Administração de Sistemas de Informações e Gerência de Sistemas de Intendência Administração Financeira Administração para Intendentes e Administração Administração de Materiais e Gerência de Suprimentos Gestão Operacional Gestão Estratégica Liderança Cálculo Numérico.

Mecânica Geral (90 ha). com uma média de carga horária de 60 ha. não agregam conhecimentos formador do gestor/administrador ao futuro oficial intendente e que permanecem desde o início da criação da formação diversificada daquela instituição. não precisa mais embarcar em navios de guerra. quer civil ou militar. a disciplina em questão poderia ser ministrada na viagem de instrução. Assunto que não tem relação direta nem indireta com a habilitação em Administração e muito menos com a formação do oficial intendente de Marinha que. enquanto que foi verificado que das 43 IES. Em relação às demais disciplinas componentes da matriz curricular da EN. porém são de ajustes mais fáceis ou menos traumáticos de serem executados. por requisito atual de carreira. Estas disciplinas são consideradas importantes na formação do futuro gestor. apenas três (7% do total) tinham como disciplina o Inglês Instrumental. quarto ano escolar. com 30 ha. entre outras.66 temos a quantidade de 420 horas aula (ha) do ensino de Inglês na EN. como foi na época deste pesquisador.O que mais chama atenção é a disciplina Fundamentos de Armamento. . Caso no futuro retorne a obrigatoriedade do embarque para o jovem oficial. O propósito da disciplina é “descrever os princípios da Direção de Tiro e suas aplicações nos Sistemas de Armas”. Nas demais disciplinas similares. o ensino tinha o foco voltado para a área das ciências exatas. por exemplo. pois estará vivendo em um mercado de trabalho de rápidas mudanças e constantes incertezas. estar incluída no ensino profissional. Eletricidade (120 ha). Como exemplos: Físicas 1 e 2 ( 240 ha). que precisa ter uma proposta de valor profissional diferenciada. as diferenças existem. 2 . Uma possibilidade que levantamos da continuação dessas disciplinas no currículo da EN é a tradição da própria MB que antes do início da formação diversificada (habilitações). o que não ocorre mais desde o início da década de 1980. Desenho (60 ha). cabem as seguintes observações sobre as diferenças: 1 – Algumas disciplinas do ciclo básico da EN que. 3 – Não existem disciplinas ligadas à administração mercadológica nem ao empreendedorismo. que também é coordenada pela EN. segundo este pesquisador.

o aluno também tem esta mesma disciplina no terceiro e quarto ano. quando o GM intendente ficará vivenciando os problemas do dia-a-dia das OM.br/ccivil_03/LEIS/L9724. hospitalar.planalto. que a mesma pode ser ministrada no CPE. o Sistema de Controle Interno na MB. deixando livre no ciclo de formação 210 ha para outras disciplinas inerentes à formação do administrador generalista. Nos mais de 25 anos de serviço ativo e efetivo à MB. 18 OMPS – Organização Militar Prestadora de Serviços . de abastecimento e de serviços especiais. é de 4085 ha. No CE. Tal fato também ocorre no ciclo pós-escolar com uma carga horária de 165 ha. as demais unidades que completam essa disciplina não são ligadas à Logística em si. de pesquisa e desenvolvimento em ciências e tecnologia. eventualmente. quando o egresso tem a disciplina de Gerência de Sistemas de Intendência. Neste ponto da pesquisa. este pesquisador pode concluir. O que se verifica. Acesso em: 08mar09) . a Gerência de Suprimento e a Gestão da Sistemática de OMPS18. a partir dos custos e despesas por ela incorridos (Disponível em: http://www. é que teríamos espaço de tempo para mudanças possíveis e para ajustes entre cargas horárias e disciplinas.são organizações que prestam diferentes serviços a outras OM e. neste caso da Marinha. em quatro anos no mínimo. o Sistema de Pagamento de Pessoal. verificamos que existem diversas similaridades entre a formação civil e a militar. a Distribuição Física com 10 ha e a Gestão Eficaz de Operações e Logística com 15 ha. efetuando a cobrança pelos serviços prestados. a Gestão Administrativa Financeira.gov. que tem a Logística e Operações com 20 ha. O MEC prevê uma carga horária mínima de 3000 ha para o curso de Administração e Negócios. a organizações extra-MB nas seguintes áreas: industrial. São vistos no estágio a Gerência de Sistemas de Intendência. em relação a esta disciplina em questão.67 4 – A disciplina de Logística está disponível na maioria das IES pesquisadas. No caso da EN. a princípio e salvo melhor juízo. 5 – O estágio supervisionado é de 360 ha no ciclo pós-escolar. sem contar o CPE. o que vai ser habilitado em Administração.htm. como na disciplina Administração de Material com 90 ha. o ciclo escolar do aluno intendente. sendo que na EN ela é diluída em unidades de ensino.

. a cursos de pósgraduação noutras áreas de interesse para a Marinha. No Brasil.1. Na Escola Naval podem ministrar cadeiras da sua área de formação. (Disponível em: http://www. licenciava os seus oficiais intendentes em Administração Naval. Têm acesso. Se partirmos da premissa que um crédito corresponde a 20 ha como média no Brasil. Acesso em 14fev2009) O plano de estudos a que tivemos acesso pelo sítio da instituição na internet.] chefiar o serviço de abastecimento dos navios.3 – Entre a Escola Naval e a Escola Naval de Portugal Aproveitando a oportunidade verificada durante a pesquisa inicial realizada na internet. por intermédio de sua instituição de ensino superior e de formação de oficiais. 2 – O ciclo básico é todo realizado no primeiro ano. inspeccionar e executar actividades no âmbito da organização e gestão dos recursos financeiros. também.. o ensino em questão permanece em todos os quatro anos de formação do aspirante. Como importantes verificações encontradas.marinha. análise ocupacional e investigação operacional. cujo objetivo é que os mesmos estejam preparados para: [. em todo o curso da ENP teríamos 140 ha. participar na direcção. . podemos citar: 1 – Em todos os quatro anos de formação na ENP do aluno intendente existe a disciplina de inglês como no Brasil. em missões militares. inspecção e execução das actividades relativas ao abastecimento da Marinha e das actividades relativas às tecnologias da informação. na organização e racionalização do trabalho. nos coloca com diversos pontos de similaridade e de discordância com a formação do oficial brasileiro habilidado em Administração. a carga horária de aula se reduz a apenas um crédito. junto de representações diplomáticas ou junto de organizações criadas ou a criar no âmbito de acordos internacionais. com diversas disciplinas inerentes à formação militar-naval. a Escola Naval Portuguesa (ENP). Podem ainda participar em actividades de natureza diplomática de Portugal no estrangeiro. dirigir.68 3. foi constatada que a Marinha de Portugal. enquanto na EN temos 420 ha.pt/Marinha. porém.

2 entraremos em maiores detalhes com as respostas ao questionário encaminhado especificamente para a ENP sobre diversos pontos que complementarão esta pesquisa comparativa de currículos. como na EN. os quais.4 – Entre a Escola Naval e a Academia da Força Aérea Nesta linha comparativa em que se encontra a pesquisa. Acesso em: 06mar09) .mil. foi verificado que o órgão de formação de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB). Sociologia e Filosofia. se Aviador. 5 – As demais disciplinas verificadas na formação do oficial português atendem também a formação curricular que se deseja para o administrador tanto para o meio acadêmico como para o civil no Brasil. Conforme definido no sítio da FAB: Os cursos de formação da AFA são equivalentes a cursos de graduação plena. assemelham-se às áreas de Engenharia e de Administração. como Psicologia. Diferente da MB. também forma oficiais especializados em Administração com linha de formação aeronáutica. O aproveitamento do currículo nos cursos superiores civis é regulado pelo Conselho Federal de Educação do Ministério da Educação. embora não tenham similares no sistema civil. 3. a Academia da Força Aérea (AFA).br>. já comentada anteriormente. quando o jovem presta concurso para a AFA ele já define o que deseja ser profissionalmente em sua carreira. Infantaria ou Intendência. No subitem 3.afa. Abastecimento Naval.aer. 4 – Existem disciplinas de formação e capacitação em logística. como Logística Naval. Gestão Logística. Enquanto no Brasil não existem créditos específicos para a formação Logística do aspirante intendente.69 3 – Não existem. disciplinas ligadas à área do desenvolvimento do homem e de suas relações. (disponível em: <http://www.1. Organização e Planejamento Logístico. apenas unidades de ensino diluídas em disciplinas.

70 No caso específico do intendente. 18 da Lei no 11. Nos mesmos moldes das avaliações comparativas anteriores. com uma linha de formação em Intendência Aeronáutica. com habilitação em Intendência da Aeronáutica. transcrito abaixo. 25 no Projeto de Lei (PL) que dispõe sobre o ensino na Aeronáutica. nesse ínterim. sendo quatro nos ciclos básico e profissional e dois complementando a sua formação continuada.394. tanto em similaridade quanto em diferenças. segundo o § 2o do art. é que o oficial intendente formado pela AFA sai com o título de Bacharel em Ciências da Administração. Na MB. (PL em tramitação que dispõe sobre Ensino na Aeronáutica. O Curso de Formação de Oficiais Intendentes. Art. A Portaria MEC 3.279/2006 que dispõe sobre o ensino na Marinha. habilitação em Administração. conferirá a seus diplomados a graduação de Bacharel em Ciências da Administração. ministrados no âmbito federal. as disciplinas são de caráter básico e de formação militar e doutrinária em sua maioria. desde que observadas às diretrizes curriculares estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação para cada curso. Fuzileiro e Intendente (habilitação em Administração) no final do segundo ano escolar. na especialidade de Administração Aeronáutica. Uma colocação importante que está descrito claramente no art. grifo nosso) Em sentido oposto ao definido para a diplomação na FAB para o oficial intendente. 16 da Lei nº 9. de 1996. o aluno só escolhe entre ser do corpo da Armada. a sua formação superior se realiza em seis anos. serão declarados equivalentes aos cursos superiores de graduação do Sistema Federal de Ensino de que trata o art. . sendo-lhe auferido no final do curso um título de mestre em Aeronáutica Militar. ministrado pela AFA. no caso da MB. serão realçadas as mais importantes. o oficial intendente sai da EN bacharel em Ciências Navais. 25.672/2004 ratifica que os cursos superiores do ensino militar. da Aeronáutica.

71 1 – um pouco similar à formação do aspirante da MB. Não existe a disciplina específica de Logística na formação da EN que trata da logística. portanto. no ciclo básico. como: Análise de Dados. o mesmo acontecendo com a Psicologia. podemos citar a existência da unidade de ensino Socialização e Processo de Percepção no CE da EN com apenas seis ha. Como já verificado quando da comparação com as IES particulares e públicas do Brasil. Análise de Investimentos. 5 – existência da disciplina Logística Militar. principalmente com a educação . com 80 ha. porém com menor ênfase. o ensino de inglês ocupa os três primeiros anos da formação do aluno da AFA. Investimentos e Mercado Financeiro e Fusões e Aquisições e Reestruturação de Empresas. 2 – existência na formação do cadete intendente da AFA de disciplinas como: Psicologia Militar. Sociologia Militar. Porém. a sua carga horária é de 288 ha. no segundo semestre do segundo ano. dentro da disciplina Expressão Oral e Psicologia para a Liderança que tem em seu total 60 horas-aula. como já comentado anteriormente. apenas unidades de ensino. Sociologia do Trabalho e da Empresa e Psicossociologia das Organizações. 3 – existência de disciplinas ligadas à Administração mercadológica na Aeronáutica como Marketing Operacional e Marketing Estratégico. Na formação do aluno da EN. não existindo uma disciplina de Sociologia específica. existem disciplinas ou unidades de ensino que são ligadas a ciências sociais. O que se verificou nas demais disciplinas componentes da matriz curricular da AFA é que se atende aos requisitos da formação mais completa do administrador pontuada pelo MEC/CFA no que se deseja do futuro profissional graduado em Administração. Fiscalidade. Como exemplo. não existem disciplinas da área mercadológica na formação do aspirante da EN. enquanto na EN é de 420 ha. 4 – diversas disciplinas atuais de preparação do jovem oficial egresso da AFA para o convívio no mercado de trabalho.

que são de caráter genérico e amplo. não entrando disciplinas específicas da formação do oficial intendente. Formar o Aspirante-a-Oficial das Armas. graduar o bacharel em ciências militares. a exemplo da EN e AFA. Acesso em: 06mar09) Fizemos contato e trocamos e-mail com o Capitão Intendente (Cap Int) Luiz Cláudio Alves da Silva. 3.br>. entre muitas outras disciplinas. Organização e Preparo e Emprego da Força Terrestre (OPEFT). higiene e primeiros socorros em combate. preparando-os para lidar com as incertezas atuais e com a solução de problemas. no primeiro e segundo anos.ensino.eb. o Cadete estuda a legislação e as normas da AMAN e do Exército. No ciclo básico. vigilância e reconhecimento. habilitando-o para os cargos de tenente a capitão não aperfeiçoado. A AMAN. instituição de Ensino superior do Exército Brasileiro (EB) que tem por missão. para os anos de formação profissional (terceiro e quarto anos de formação) utiliza-se atividades. fortificação em campanha. observação e orientação. Estágio . comunicações. poderíamos chamar disciplinas-mãe também. técnicas especiais. instruções especiais. como: Emprego Tático. que atendeu o nosso pedido e encaminhou-nos toda a matriz da formação do Aspirante a Oficial Intendente do EB. foi o contato efetuado com a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). do Serviço de Intendência e do Quadro de Material Bélico. técnicas de progressão em campanha. do terceiro e quarto ano escolar. Oficial de Operações do Curso de intendência da AMAN.aman.1. e iniciar a formação do chefe militar (Disponível em:<http://www.72 continuada e a formação e o desenvolvimento de competências.5 – Entre a Escola Naval e a Academia Militar das Agulhas Negras Fato contínuo ao trabalho de pesquisa até então desenvolvido. ou seja. por conseguinte. além de tiro.

porém quase que exclusivamente ligadas à formação e doutrinamento do oficial do EB. que foram analisados à luz do . a AMAN tem um convênio com a UNISUL que proporciona a possibilidade de o seu formando. sendo interessante que as mesmas podem ser ministradas diurnamente ou até noturnas.73 Prático Supervisionado. ressaltando-se sempre o viés utilizado para a compreensão em primeiro lugar do que é a Força Terrestre e as ações que deverão ser executadas pelos jovens oficiais intendentes durante o início de sua carreira. para melhor esclarecer esta observação é que na unidade didática Gestão do Material. mas detendo-se um pouco no plano de disciplina da atividade “Técnicas Militares”. Reiterando o que foi dito no subitem 2.2 . por intermédio da EaD. reproduzidos nos anexos 2 e 3. bem específico do EB. Essas atividades são compostas por diversas disciplinas com cargas horárias distintas.1.3. com 48 horas-aula diurnas. no caso em questão. Tiro e Treinamento Físico Militar.Análise e resultados dos questionários encaminhados aos Coordenadores do curso de Administração O objetivo desta parte é apresentar o resultado desta pesquisa que analisou a prática administrativa vivenciada por IES do Brasil e pela Escola Naval de Portugal. Como exemplo. é descrito em sua ementa a contabilidade do material como o processo de compatibilização dos registros das unidades administrativas com o registro no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) e Sistema de Material do Exército (SIMATEX). 3. Técnicas Militares. verificamos diversas correlações com as matérias ensinadas na EN. Não sendo o escopo principal deste trabalho. Para tal. foram elaborados dois questionários semiestruturados. visto o caráter de escola militar de tempo integral. complementando as disciplinas que não foram assistidas durante o período de quatro anos escolares. se formar em Bacharel em Administração de Empresas em três anos.

direcionadas as perguntas constantes do questionário.1 – das Instituições de Ensino Superior do Brasil Os sujeitos da pesquisa são coordenadores do curso de Administração das IES do Brasil. representado por meio de . incluindo-se a EN. Como resultado da negociação iniciada em janeiro deste ano.2. independentes se instituições públicas ou privadas. retornaram os seus questionários respondidos dos 81 enviados. ou ainda pelo sistema de “contato” disponível nos sítios das instituições. foi atribuído a cada respondente um nome genérico e aleatório. foi estabelecido contato por correio eletrônico (email) com representantes daquelas instituições ou diretamente com os coordenadores. identificou e foram encaminhados 81 questionários a IES dos 26 estados e do Distrito Federal. foco principal deste estudo). instituição que guarda similaridades com a EN do nosso país. militar ou civil. com o foco voltado na pedagogia do ensino presencial. Assim. Ficou acordado que as IES respondentes não seriam identificadas. onze coordenadores. por meio de busca na Internet. bem como os nomes dos coordenadores. O questionário 3 foi dirigido especificamente aos coordenadores dos cursos de Administração das IES do Brasil. 3. perfazendo uma percentagem de retorno da ordem de 14%. que passaremos a chamá-los de “coordenadores”.74 referencial teórico desenvolvido nos capítulos anteriores e na experiência do pesquisador. e o questionário 2 especialmente à ENP (esta tem em sua missão a formação de oficiais para a Marinha daquele país. Uma pesquisa preliminar aleatória. incluindo-se a EN. Durante a fase inicial. As informações apresentadas foram consideradas relevantes por serem recorrentes nas respostas ou por expressarem comentários significativos na avaliação das perguntas. Foram trocadas mensagens de esclarecimento dos propósitos da pesquisa e de solicitação de participação daqueles professores coordenadores no fornecimento de informações relativas as suas respectivas IES. O anexo 4 apresenta a lista dessas instituições.

Duas frases interessantes que se somam e que foram colocadas pelos coordenadores “H” e “I” retratam e resumem. político. desenvolver a aprendizagem continuamente. os onze questionários constituem uma amostra suficiente. Foi também acertado com as instituições participantes que os seus questionários não seriam publicados individualmente. Acesso em: 06mar09) 19 . no perfil do egresso sólidos conhecimentos acadêmicos. o que se deseja do futuro profissional gestor.org. também. informações. econômico. atividades. inovação.1. Na pergunta de número um procurou-se verificar como deveria ser o perfil do administrador que se deseja para este século. ou mesmo por apresentarem uma coerência maior entre as IES respondentes. habilidade de negociação. recursos e organização. que normalmente podem ser relacionados a visões parciais abrangendo suas estratégias. Na avaliação deste pesquisador. somam-se. do próprio coordenador do curso de Administração das IES. ser criativo.2 se deve repetir que foi também comentado pelo coordenador “J”.html> .numa. a partir da qual puderam ser elaboradas conclusões consistentes. sintética de todos os elementos da empresa.75 uma letra do alfabeto (de “A” a “K”). visão holística19 do meio social. flexível e espírito empreendedor. Serão apresentadas as principais respostas na seqüência das perguntas de uma maneira geral. A maioria dos respondentes incluiu as seguintes características: proativo como a principal. ou seja. ao ver deste pesquisador. (Disponível em: <http://www. agir focado olhando o global” e “capacidade de liderança. e de administrar conflitos e correr riscos”. comunicação. cultural e tecnológico. Na visão deste pesquisador.br/conhecimentos/conhecimentos_port/pag_conhec/visao_holistica. Uma discussão apresentada no subitem 3. relacionamento interpessoal. quer militar ou de formação civil: “pensar no todo. habilidade de planejamento e capacidade de mobilizar pessoas em equipes. ou por terem sido julgadas por este pesquisador como as mais relevantes. e que características ele teria na visão do profissional formador dos mesmos. que o profissional administrador A visão holística de uma empresa equivale a se ter uma "imagem única". formação eclética com a visão do todo.

trabalhando com equipes na busca de resultados organizacionais. sendo verificado que as IES que participaram desta pesquisa. A pergunta seguinte. Um ponto bem descrito pelo coordenador “G” que permeia o nosso estudo e foco do mesmo. seria: Estabelecer e gerir relacionamentos entre pessoas e áreas de conhecimento. Excetuando- . interpretar cenários de forma a atuar de maneira pró-ativa. Fato que não foi verificado na formação superior de administração na maioria das IES estudadas nesta pesquisa em relação as suas matrizes curriculares. com apenas 7% tendo o inglês instrumental como disciplina do seu ciclo básico. cultural e tecnológico em que estão inseridos. com visão humanística e global. que procura responder ao que se deseja do aluno egresso ao final do curso de graduação. tornando-se tomadores de decisão proativos. antecipando-se e adaptando-se ao ambiente e suas mudanças. industrial ou de serviços”. que estejam habilitados a compreender o meio social. quer seja comercial. por exemplo. Uma questão recorrente em relação às 420 ha obrigatórias do aspirante da EN do Brasil. político. econômico. o formando “esteja preparado para assumir cargos nos mais variados tipos de empreendimentos. é que poderemos também levar para a formação regular do jovem oficial intendente da Marinha. transformando as ameaças impostas pelo mercado globalizado em oportunidades de negócios. principalmente em função das novas demandas exigidas pelo mercado de trabalho.76 deve dominar pelo menos uma língua estrangeira. A questão três procurou verificar se existe uma avaliação ou mesmo atualização da matriz curricular das IES pesquisadas. considerando a necessidade de aprender continuamente como forma de permanecer contribuindo com as organizações e com seu desenvolvimento pessoal. em 100% desejam que os seus formandos na área de Administração possam atuar profissionalmente e que sejam capazes de executar as funções em suas organizações. criativa e flexível. O coordenador “C”. tomar decisões éticas e socialmente justas. e planejar ações de modo estruturado e com foco na qualidade e nos resultados. enfatiza que ao final do seu curso.

A situação de se avaliar o discente. foi questionado se existe algum tipo de avaliação pós-formatura do seu corpo discente. O teor fundamental desta pergunta foi poder avaliar o quanto de profissionais são disponibilizados no mercado e se a sua formação superior atende ao início de sua carreira. Ele comentou que a sua Instituição tem um programa de acompanhamento. mais ou menos quatro anos de formado (uma reciclagem e preparação para novas funções). com envio de questionários aos egressos após 6 (seis) meses da formatura. em quanto a sua formação tem ajudado na construção de carreira. as demais respostas foram afirmativamente. é de vital importância na avaliação do currículo do período de formação e ao perfil profissiográfico proposto pela instituição. Demonstra. principalmente porque estamos vivenciando um mundo em constantes e rápidas mudanças. independente se militar ou civil. com exclusão da EN da amostra em questão. se foram promovidos. cargas horárias e normas gerais pelos órgãos competentes e de classe são atendidas sem problemas.77 se uma IES. Na questão quatro. onde o profissional. que o que se disponibiliza para as IES em relação às disciplinas. qual curso de especialização fazem ou pretendem fazer. em um segundo momento antes do curso de aperfeiçoamento. A questão cinco procurou avaliar a opinião dos coordenadores respondentes em relação às dificuldades verificadas quanto ao enquadramento da sua matriz curricular com as resoluções do MEC/CFA. Apenas o coordenador “C” respondeu afirmativamente. Em 100% das respostas. e por último. deve estar bem preparado e atualizado para o mercado de trabalho e para o convívio em sociedade. com isso. principalmente também em função das diretrizes curriculares do MEC. . entre outros aspectos. Na EN a avaliação do seu egresso é realizada num primeiro momento após oito meses de formado. verificando como estão posicionados no mercado. eles participaram que não existem dificuldades verificadas. ao ver deste pesquisador. se mudaram de emprego. após o término do curso de aperfeiçoamento que dura um ano.

Em duas IES. Em metade dos respondentes eles foram contra a EaD na formação do Administrador. os seus coordenadores afirmaram que não existe a necessidade de retirar ou mesmo de incluir disciplinas. pois o mesmo sugere que se deve “trabalhar mais o aspecto do empreendedorismo onde. Em metade das IES respondentes. como dito pelo coordenador “A”: Que a EaD é uma preciosa ferramenta que pode ser utilizada nos melhores cursos de Administração do mundo. suprimiria Português Instrumental. porque não acredito em um curso totalmente á distância. A solução apresentada pelo coordenador “F” é significativa para este estudo. sem prejuízo do conteúdo a ser oferecido. Na instituição “K”. cidadania ou gestão sócio-ambiental. na questão sete. O coordenador “E” foi ainda mais radical. em quatro anos. tem-se pouco tempo para práticas dos negócios”. os seus coordenadores comentaram da possibilidade de inclusão de disciplinas ligadas ao meio ambiente. Foi perguntado aos coordenadores qual o seu posicionamento em relação a EaD como um todo e sobre a formação plena do Administrador por intermédio da mesma. em um grau justo e necessário para que a primeira seja complementada positivamente pela segunda. pois teria que começar a formação profissional desde o início do curso. Chegamos. já que os seus currículos estão atuais e foram revistos a pouco tempo. a alta administração da instituição não quer. como Administração de Recursos Humanos II.78 A questão seis trata do assunto da supressão ou inclusão de disciplinas nas suas respectivas IES que trariam benefícios para uma melhor formação do administrador. O coordenador “D” sugere que em sua matriz curricular fosse diminuída a carga horária das disciplinas de Filosofia. a um dos objetivos específicos desta pesquisa que é “estudar a Educação a Distância (EaD) como alternativa para complementação da formação da graduação de Administração da Escola Naval”. Legislação Previdenciária. por exemplo. mesmo com . o que poderia ser resumido por nós como associar a teoria à prática. e intensificadas aquelas voltadas para a atuação direta do administrador. e isso. Entretanto. o seu coordenador comentou que não comporta modificações substanciais em sua matriz curricular. isso deve ser feito com cautela. e todas as extensões conhecidas da Administração. Sociologia.

por exemplo. o coordenador “C” foi ainda mais enfático: Entendo a importância da EAD. Em uma frase simples. não podemos fechar os olhos para esta ferramenta pedagógica atual e importante para. como vimos em uma amostra de onze coordenadores de cursos de graduação em Administração.79 encontros presenciais esporádicos. que disse: “é o futuro do ensino. fazer amizades produtivas se não ocorrerem encontros presencias. e logo as pressões dos tempos modernos farão com que esta modalidade seja mais comum”. assegurar a complementação de uma qualificação. como uma das modalidades de aprendizado e na interação entre professor-aluno. não podemos fechar os olhos para a EAD. manter uma rede de network. outros coordenadores foram favoráveis a EaD como processo pedagógico que poderia ser aplicado. mas como uma ferramenta de apoio ao ensino-aprendizagem e não como instrumento de formação acadêmica. No entanto acho impossível trabalhar os conteúdos práticos. ou . como já o é. na formação do profissional da área de Administração. o coordenador “K” afirmou: “é um avanço para facilitar a formação dos alunos”. e “com seriedade pode-se formar um profissional administrador com as mesmas competências que um formado na modalidade presencial”. Continuando por essa linha de raciocínio.” Por outro lado. pois entendo que para uma formação sólida se faz necessário a relação professor-aluno em sala de aula e a própria socialização do conhecimento em discussões e troca de idéias com professores e colegas de sala. O que podemos concluir sobre o tema da EaD na graduação superior é que existem prós e contras. Outro parecer favorável foi o do coordenador “G”. mas significativa. Porém. Ainda acredito no conhecimento que circula entre os alunos. Ou mesmo o coordenador “F” que salientou: “embora seja uma realidade. Como disse o coordenador “H” que é favorável e crê que se trata de uma modalidade que virá a atender a uma população que tenha dificuldades de acesso ou tempo para a realização de um curso superior.

de se introduzir disciplinas a distância em sua matriz curricular. O coordenador “E” ainda se utilizou de “resultado de pesquisas junto a empresários. apenas três possuem disciplinas oferecidas a distância. o seu corpo docente e a sociedade representativa. uma flexibilização curricular que permita o melhor gerenciamento da construção do conhecimento e da aprendizagem pelo aluno. Psicologia e Novas Técnicas de Aprendizagem. uma união entre o ensino e a aprendizagem. . como Metodologia Científica. em sua totalidade eletivas. sem se esquecerem de consultar o mercado. por exemplo. com adaptações relacionadas à linha de formação requerida. O que podemos verificar que existe uma preocupação das IES em cumprir as diretrizes curriculares do MEC.1. Das onze IES respondentes. as IES respondentes se basearam nas diretrizes curriculares do MEC.1. a qualquer tempo e hora.80 mesmo. A Educação a Distância é antes de tudo Educação. como a obtenção de resultados mais expressivos a um custo menor de deslocamento e. uma “ensinagem” assíncrona. principalmente. para ampliar o horizonte e socializar a educação daqueles que não têm o tempo necessário para ficar assistindo aulas de corpo presente. é que não existe ainda a cultura. A nona pergunta teve um aspecto de se verificar como foi elaborado o projeto pedagógico pelas IES do seu curso de graduação superior em Administração. com destaque para a participação de discentes e seus órgãos de representação”. os profissionais formados. dentro das IES respondentes. Estatística Básica. Pelo que se pode inferir com as respostas. ou seja. como motivos poderíamos citar: decisão administrativa da instituição por intermédio do responsável ou mesmo pelo desconhecimento das vantagens que a EaD possa auferir a instituição. como já comentado no capítulo anterior. a realidade regional e o mercado de trabalho local. a pergunta oito procurou verificar nas IES respondentes se as mesmas possuem em sua matriz curricular disciplinas que são oferecidas a distância como possibilidade prevista nos 20% da formação presencial como visto no subitem 2. Continuando neste enfoque da EaD. egressos do curso e do próprio corpo docente. porém. Em sua totalidade.

pois instituições tradicionais como a UPGF que atua a 50 anos na região norte do estado do RGS.81 A última pergunta teve a intenção de aproveitar-se da experiência dos coordenadores participantes. Ou ainda o desabafo. pois são elas que nos dão o verdadeiro feedback do trabalho nas instituições de ensino.] é de fundamental importância que os gestores/coordenadores dos cursos de Administração estejam sempre abertos ao que o mercado deseja. dentro do enfoque de educação continuada. atuam sem atender as exigências do MEC e mesmo assim permanecem de portas abertas. fora do escopo desta pesquisa. Um comentário relevante para esta pesquisa e que resume todo o esforço no questionamento de pessoas do mais alto nível e responsáveis pela formação e coordenação dos cursos superiores de Administração. O coordenador “C” comentou que: [. as expectativas dos acadêmicos e uma relação estreita com as empresas da região.. onde sabemos que várias pequenas instituições ou instituição ligadas ao mercado de capitais.. mas que vale a pena comentar do coordenado “F” que argumentou: A proliferação de cursos de administração em todo Brasil. quando o conhecimento muda com bastante rapidez. Não há como “prender” um aluno numa grade curricular de administração por cinco anos. além de ser . para que os mesmos fizessem algum comentário ou mesmo acrescentassem algo que pudesse enriquecer com subsídios para o desenvolvimento desta pesquisa. prejudica a qualidade dos mesmos. acolhendo os acadêmicos e egressos e avaliando a performance de cada um deles. até porque o egresso de um curso de graduação irá demandar. enquanto profissionais e graduados em Administração. Ou mesmo o coordenador “E” que disse: Concordo plenamente com a possível sugestão de que os cursos de graduação em administração não ultrapassem o período de quatro anos. se vê obrigada a reduzir mensalidades para fazer frente a uma concorrência predatória. outros cursos da pósgraduação (lato ou stricto sensu).

O questionário respondido consta do anexo 2 deste relatório. Finanças. 3. Gestão.2. O referido professor respondeu prontamente ao questionário semi-estruturado direcionado à aquela instituição. Foi perguntado sobre a equivalência de o ensino militar com o civil. Administração Financeira. ficando o mesmo disponível para consultas. Auditoria. foi do coordenador “D” que apenas enfatizou “a importância do curso de administração para a formação de gestores capazes de melhorar cada vez mais o nosso país”. o respondente enfatizou que: A Escola Naval está enquadrada no sistema de ensino superior. e outra de três anos ligada a formação profissional.2 – Da Escola Naval de Portugal Como já comentado no subitem 3. fato bem segregado no Brasil. Logística. ao fim de 3 anos são considerados licenciados (reconhecimento para efeitos de equivalência com o civil) embora ainda não possam ser oficiais da Marinha.82 o elo entre a alta administração das IES. não sendo exploradas pergunta por pergunta. foi realizado contato por e-mail com a ENP. que contém doze perguntas com diversos enfoques. existe um reconhecimento do grau atribuido no final do curso. No caso específico dos administradores navais é dada ênfase as seguintes áreas do conhecimento: Economia. com algumas especificidades próprias para o ensino superior militar.1. mas serão feitos relacionamentos cabíveis e correspondentes a formação do aspirante intendente na EN. Contabilidade. Todos os alunos da Escola Naval.3 deste capítulo. de um ano de duração. Tal só acontece no final do 5º e com a atribuição do grau de mestre. Direito. que nos indicou o Professor Antonio de Oliveira Silva como pessoa de ligação entre a nossa pesquisa e os nossos questionamentos e àquela instituição de além-mar. Econometria. incluindo os de Administração Naval. A partir de agora faremos comentários de caráter geral. A equivalência com o meio académico civil é conferida entre Ministério da Defesa e Ministério da Educação (em última instância a palavra final cabe ao Ministério da . A formação do oficial administrador da ENP é composta de duas fases. do mercado de trabalho e da boa formação do discente. uma de caráter geral. Como tal.

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Educação). [...] Reconhecimento académico: Os diplomas de licenciatura (conferido no final dos 3 primeiros anos) e do mestrado no final do 5º ano são reconhecidos para fins acadêmicos (CONFORME ANEXO 2).

Como verificado no relato do Professor Oliveira Silva, a equivalência é reconhecida pelo meio acadêmico como licenciatura em Administração Naval. Continuando por essa linha de raciocínio, foi perguntado se existe uma correlação entre o curso da ENP, no caso da graduação em tela, com os similares das universidades públicas e/ou privadas. Segundo Oliveira Silva e no caso do curso de Administração Naval:

[...] a Escola Naval tem um convénio com a Universidade Católica (cerca de 2/3 dos professores são dessa Universidade) pelo que muitas das matérias são equivalentes às de um curso de gestão dessa universidade. [...] Com a reforma curricular em vigor, em respeito pelo paradigma de Bolonha, tal é uma obrigatoriedade. Assim, ao fim dos 3 anos de licenciatura é possivel a um aluno da Escola Naval candidatar-se a um curso de pós-gradução e mestrado em qualquer universidade do país ou do estrangeiro (CONFORME ANEXO 2).

Uma pergunta foi ligada à especialização do oficial administrador egresso da ENP. Porém, diferentemente do que ocorre no Brasil com os Guardas-Marinha, os oficiais de Administração Naval não têm especializações formais. Ainda segundo Oliveira Silva, “alguns oficiais fazem formação especializada fora da Marinha noutros estabelecimentos de ensino superior”. Um fato de similaridade com os cursos dos oficiais na MB, é que na Marinha de Portugal existem cursos de carreira para acesso ao nível de oficial superior e de oficial general, mas que são comuns para todos os oficiais,

independentemente da sua formação acadêmica de base e igualmente comuns com os oficiais das outras Forças (Exército e Força Aérea). A EaD foi enfocada na nona pergunta. Foi questionado se existem na ENP, especificamente na formação do Oficial Administrador, disciplinas à distância. O professor Oliveira Silva disse que não, exceto um módulo ligado à

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área logística da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), do qual o seu país é signatário. No Brasil, apenas a disciplina Português Instrumental (Redação) é disponibilizada online para o aluno da EN que desejar fazê-la, não sendo obrigatória. Um viés interessante do trato do questionário foi a pergunta sobre a colocação da existência ou não do reconhecimento do diploma dos egressos licenciados administradores pelo Conselho de Classe, no nosso caso o CFA. A resposta foi a seguinte:

Reconhecimento por ordens profissionais: Neste momento ainda não. Mas com a reforma curricular ocorrida temos as condições para que o curso possa ser admitido junto da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (ordem profissional da área da Contabilidade) e, eventualmente, talvez seja possível o reconhecimento junto da ordem dos economistas. O assunto encontra-se em estudo tendo sido os passos necessários para tal (CONFORME ANEXO 2).

A última pergunta foi relacionada à experiência do respondente, se o mesmo teria mais algum comentário ou acrescentaria algo que pudesse auxiliar ou mesmo enriquecer o desenvolvimento dessa pesquisa. O professor Oliveira Silva comentou que existe, no contexto da comunidade européia, uma preocupação para que seja possível no futuro a formação de oficiais de Marinha entre as instituições militares que não a do país do futuro oficial, pelo menos para uma parcela do curso (um semestre ou um ano letivo). “Tal fato já acontece no meio académico civil (o termo é ERASMUS20), mas a sua aplicação ao universo do ensino superior militar apresenta algumas dificuldades” (CONFORME ANEXO 2). O que podemos concluir deste tópico é que existem diversas possibilidades que se formam em relação à melhor formação do oficial intendente egresso da nossa EN, principalmente quando constatamos
O Erasmus é da Comunidade Européia. Emblemático programa educativo para alunos do Ensino Superior, professores e instituições. Ele foi introduzido com o objetivo de aumentar a mobilidade dos estudantes dentro da Europa. Ele faz parte do programa eLearning da União Europeia (2007-2013). Disponível em: <http: www.britishcouncil.org/erasmus>. Acesso em: 05mar2009.
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experiências de sucesso como a da ENP, que está em busca de uma ligação tênue com o meio acadêmico, sem perder a sua linha de formação principal, a militar. No Brasil, como exemplo do parágrafo anterior, já existe um intercâmbio de alunos das IES públicas e privadas com instituições conveniadas em outros países. No caso do militar, quando da viagem de formatura dos GM, a MB convida Marinhas amigas para participar da mesma, e vice-versa. Tal situação só é válida para poucos GM, no máximo sete por turma de 100 formandos.

3.3 - Possibilidades e limitações
Este subtítulo não tem a finalidade de entrar em detalhes do projeto pedagógico da EN, tampouco ponderar sobre erros e acertos, principalmente porque não existe o contato diário com aquela instituição, somente foi realizada uma entrevista com o coordenador do curso, que não detalhou sobre as reuniões do conselho de classe para introduzir ou retirar disciplinas, ou mesmo questionou como são realizados sobre as cargas horárias de aula. Neste momento do relatório, procuramos realizar uma filtragem na matriz curricular da EN, dos CE e CPE, procurando verificar as sugestões possíveis sobre disciplinas e carga horária, para propormos alterações para o aperfeiçoamento da formação acadêmica do Oficial Intendente habilitado em Administração egresso daquela instituição. 1 - Um dos pontos verificados foi que existem quatro seqüências da disciplina Gerência de Sistemas de Intendência, a partir do terceiro ano do CE e mais duas no CPE. Nota-se que existem unidades de ensino que são repetidas, como exemplo Caixa de Economias, também ligada na unidade Gestorias. O que deve acontecer, por inferência, é a aplicação da teoria à prática. Em um primeiro momento da instrução, é desenvolvida a teoria da Caixa de Economias e, fato contínuo, vem a prática realizada no Estágio Supervisionado e na viagem de instrução. Há alguns anos, esta gestoria em

Com isso. também contamos com a disciplina Licitações e Contratos. seria toda assíncrona em qualquer hora e local. atenderia ao requisito de qualificação para o trabalho. todos os relatórios são impressos e o envio da comprovação é on line. Não havendo necessidade de presença em sala de aula. a modalidade mais aplicada para pequenas compras. como a gestoria do Municiamento.86 questão. passou a ser toda desenvolvida no Sistema Informatizado Quaestor. não havendo necessidade de grandes volumes de documentos impressos. indo direto à prática no estágio supervisionado. No curso de aperfeiçoamento. que tem essa disciplina como curso (vide tabela constante do subitem 2. que é ministrada no quarto ano do CE. Deixando o próprio egresso trabalhando nos sistemas informatizados existentes. ou até por intermédio do CIAW. Outro ponto que poderíamos colocar é que esta disciplina poderia ser desenvolvida toda à distância. diretamente no CPE. de quatro dias. ao final do mês. em que tudo era escrito e com o encaminhamento de toda a comprovação para a Diretoria de Contas da Marinha. A transparência está na ordem do dia. 2 – a disciplina Licitações com 72 ha. Caso isso aconteça. com as notas fiscais e extratos bancários embutidos na mesma.2). O que se vê atualmente é diferente de dez anos atrás em relação as comprovações dos gastos da administração pública. seriam disponibilizados 72 ha que poderiam ser utilizados para outras disciplinas . são bastante utilizados recursos de tecnologia de informações e comunicações. poderíamos pensar nesta unidade de ensino. ou mesmo no período do CE. poderia ser deslocada para o CPE ou mesmo para os primeiros anos de segundo-tenente no serviço normal. quarto ano de oficial mais ou menos. Para tal. um curso no próprio CIAW de pregão. Em suma.1. a teoria estaria junto com a prática. ou do CPE. e outras. O que acontece é que a maioria dos novos oficiais não recebe imediatamente no início da carreira funções ligadas às compras das organizações. o que não ocorria no passado. com a introdução dos dados pelo computador e.

órgão ligado ao Serviço de Assistência Social da Marinha. Para a complementação da disciplina em questão do último ano do CE e no CPE. por intermédio do Abrigo do Marinheiro. inclusive no CE. como o que possibilita o parágrafo 2o da Portaria 4. Uma possibilidade seria a utilização de convênio com IES que ofertasse a formação plena por intermédio da EaD do bacharel em Administração.1. que poderiam melhor qualificar o futuro gestor da MB. da AFA. existe na primeira fase do CPE a disciplina Organização e Métodos.059 do MEC. poderíamos utilizar o convênio existente com a Cultura Inglesa para o ensino a distância. com diversas IES. inclusive se utilizando dos cursos que são realizados pelo CIAW (vide tabela constante do subitem 2. até 20% da carga horária total para disciplinas a distância. 3 – Continuando pela EaD. como Marketing Operacional ou Marketing Estratégico. não existindo o vínculo pedagógico. podemos verificar que algumas disciplinas componentes do CE e do CPE poderiam ser ministradas à distância. integralmente ou parcialmente. por exemplo.87 inerentes à formação do administrador. 5 – A exemplo da AMAN que tem um convênio com a UNISUL para que o seu egresso possa se formar em bacharel em Administração na modalidade a distância. nos três primeiros anos da formação. com a avaliação do currículo da EN de habilitação também em Administração para atualizar e qualificar academicamente os conceitos desenvolvidos na formação do oficial intendente com o mercado.2). que é realizada no próprio CIAW. quando oferta. apenas para redução de mensalidade. a MB tem convênios. 288 ha. Como exemplo. o mundo . que é coordenado pelo próprio Centro de Instrução? Uma possibilidade real seria a utilização de disciplinas a distância na formação do aspirante intendente que se habilita em Administração. Seriam disponibilizados em carga de horas-aula presenciais 132 ha. com 35 ha. Por que não poderíamos nos utilizar do curso expedito de O&M a distância. que poderiam ser utilizadas para outras disciplinas. 4 – outra possibilidade seria a diminuição da carga horária da disciplina inglês para os níveis.

que trata do ensino na Marinha e. linha de formação Intendência Aeronáutica. 6 – limitações inerentes a Lei 11. o oficial será Bacharel em Ciências da Administração. a exemplo da FAB. seria interessante uma proposta de avaliação da Lei do ensino na MB. no nosso caso a MB. e faz parte da nossa sociedade organizada. Como já existem as linhas de formação no meio acadêmico. nos termos desta Lei. é atuante. RH. a possibilidade do aspirante intendente formando ser diplomado em Bacharel em Ciências da Administração. fuzileiro naval e Intendência). está inserida. ele será diplomado em Ciências Navais. independente de corpo (armada. na paz e na guerra. para melhor definir. como logística. independentemente de ser uma alteração de colocação de palavras. finanças. em rápidas informações. . bem como ratificar que as Forças Armadas.88 globalizado e com as novas formas de administrar as incertezas oriundas do século XXI. No projeto de lei do ensino na Aeronáutica. No caso específico da formação do oficial. etc. com a linha de formação Intendência da Marinha. deixa claro que o Sistema de Ensino Naval (SEN) está destinado a capacitar o pessoal militar e civil para o desempenho. dos cargos e funções previstos em sua organização.279/2006.

como entidade participativa e componente ativa dessa sociedade do conhecimento. saindo do aspecto técnico e passando a exigir desse profissional uma melhor preparação. inovador. E nesse contexto de mudanças ganhou destaque o crescimento pedagógico. É a era do conhecimento presente nos dias atuais. com novas competências. entre outras capacidades. até as atuais diretrizes curriculares. É um novo administrador. novos saberes e novas habilidades. as IES não podem se omitir de buscar uma melhor qualificação para o seu formando. A MB. dando-lhe todo o ferramental necessário para se tornar o mais próximo possível do perfil que o mercado de trabalho e a sociedade assim desejam e esperam. ou seja. um administrador proativo. com habilidade de negociação. pelas novas Tecnologias de Informações e Comunicações (NTIC’S). além da determinação de que o formando obtenha o título de bacharel em Administração. . competências e habilidades já citadas durante o desenvolvimento deste relatório. com uma formação eclética que contemple a visão do todo. não pode e não deve ficar à margem das ações e decisões que são necessárias e atuais. Nesse mesmo compasso. principalmente quando há a procura pela melhor formação do seu pessoal. com habilidade de planejamento e capacidade de mobilizar pessoas em equipes. os alicerces e fundamentos que podem ser transferidos para os aprendizes. um gestor mais completo. com sua linha de formação específica. e que podem ser ilustradas pela globalização. pela queda de fronteiras alfandegárias impostas pelas super-rodovias de informação. A evolução se deu desde os currículos mínimos engessantes do início da organização. a profissão do Administrador também ganhou traços mais acadêmicos.89 CONCLUSÃO No início deste trabalho realçamos o ritmo frenético das mudanças impostas aos mercados pela rápida evolução humana. Não fugindo desse caminho.

através de seu marketing institucional. As análises realizadas na matriz curricular da Escola Naval do Brasil. remete-nos a sugerir uma reavaliação inicial do currículo atual por parte dos responsáveis na EN pela coordenação da formação diversificada com habilitação em Administração. Abaixo listamos algumas sugestões: . Planejamento Estratégico. Como componente importante que somos da sociedade brasileira. entre outros. foram colocações acompanhadas de muita reflexão e experiência profissional.deslocar a disciplina Licitações do último ano do CE para o CPE. que passou a sua vida acadêmica e profissional vivendo e vivenciando a MB em toda a sua plenitude. mas a evolução acadêmica tem que continuar. como Marketing Empresarial. vindo com a família real para o Brasil em 1808.90 A EN. em comparação com diversas IES do Brasil. ou Estratégico. afirma ser a mais antiga IES no Brasil.diminuir a carga horária da disciplina de inglês para os dois últimos. . que poderia ser ministrada a distância no CIAW (capacitação de pregoeiros). por exemplo. Análise e Melhoria de Processos. A tradição é válida. . portanto. Ela não deve ficar parada em fatos e ações curriculares e pedagógicos do passado. .inclusão de disciplinas da área mercadológica. ou mesmo Operacional. precisamos formar o oficial intendente no estado da arte do que o mercado necessita e com o perfil idealizado. . Diversas inserções que foram colocadas são pontos de vista deste pesquisador. visto estar hoje na reserva depois de completado 32 anos de serviço ativo.utilizar os cursos a distância do CIAW em substituição a algumas disciplinas. como Organização e Métodos. com outras academias militares formadoras de oficiais e com a Escola Naval de Portugal. com a possibilidade de introdução de uma disciplina a distância (Inglês Instrumental) dentro do convênio que existe com a Cultura Inglesa.

Reitera-se que este pesquisador não está vivenciado a situação do dia acadêmico da Escola Naval. visto serem eminentemente sistemas. por isso mesmo. como Caixa de Economias e Municiamento. a idéia principal foi a de sugerir ações possíveis e exeqüíveis. . Os futuros oficiais. por outras ligadas aos fundamentos da Logística. no início de suas carreiras. por exemplo. que poderão tornar a formação do Oficial Intendente ampla em relação à formação superior em Administração.introduzir a disciplina Sociologia Militar. .sugere-se que as disciplinas ligadas às gestorias administrativas da MB. sejam realizadas no Estágio Supervisionado. . e .transferir a disciplina Armamento para o CPE.substituir as disciplinas aplicadas no ciclo básico. e como sugestão de realização durante a viagem de formatura no NE Brasil. Esta pesquisa não fecha em si mesma. terão um contato maior com as atividades logísticas. . como Física e Mecânica. com a possibilidade da educação continuada. As disciplinas em questão e outras poderiam ser remanejadas para o ciclo profissional das demais formações das outras habilitações (Mecânica Eletrônica e Sistemas). a exemplo da AFA.91 - estudar a possibilidade de um convênio com IES para complementação das disciplinas necessárias e julgadas válidas suprir a carência de disciplinas ligadas ao mercado. Foram subsidiados pontos julgados importantes para continuação de futuras investigações sobre o tema.

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Anexo 3 – Questionário semi-estruturado para Coordenadores dos Cursos de Graduação Superior em Administração.101 Índice de Anexos Anexo 1 – Relação das IES pesquisadas. Anexo 2 – Questionário para a Escola Naval de Portugal. e Anexo 4 – Relação das IES que foram enviados os questionários .

Itajaí EST SC PR BA RJ SP GO PR RJ SC RS SC SP SE MT MA PI RN ES PE MS DF AL SC Part/Pub Part Pub Part Part Part Part Part Part Part Part Pub Part Part Part Part Part Part Part Part Part Part Pub Part Trad/EAD Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad HA 3306 3034 3220 3000 NI 3060 3440 3195 2580 3170 3600 3000 3312 3070 3030 3620 2982 3000 3239 3480 3075 3150 3040 Perc.UFAL Instituto Cenecista Fayal de Ensino Superior – IFES . Ciências Humanas e Tecnologia . de Saúde.FAGO Faculdades Integradas do Vale do Ivaí .NOVAFAPI Faculdade de Natal .UCSAL Centro Universitário da Cidade .UDESC Universidade Paulista .FAL Faculdade de Tecnologia FAESA – Vitória Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP – Caruaru Univ.FGV Universidade do Contestado .UNIP Universidade Tiradentes .UNIT Centro Universitário de Vargem Grande .UNC Universidade Atlântico Sul – Rio Grande Universidade do Estado de Santa Catarina .UEM Universidade Católica de Salvador .102 ANEXO 1 RELAÇÃO DAS IES PESQUISADAS No 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Instituição de Ensino Superior Escola Superior de Criciúma .UNICEUMA Fac.UNICEUB Universidade Federal de Alagoas .UNIVAG Centro Universitário do Maranhão .UNITAU Faculdade de Goiás . 82% 78% 85% 75% 78% 83% 84% 73% 75% 83% 77% 63% 90% 79% 77% 92% 80% 83% 68% 74% 75% 70% 74% . p/desenvolvimento do Est. e da Região do Pantanal .ESUCRI Universidade Estadual de Maringá .UNIDERP Centro Universitário de Brasília .UNIVALE Fundação Getúlio Vargas .UNIVERCIDADE Universidade de Taubaté .

UFRO Universidade Federal de Roraima . Cont.RJ Instituto Taquaritinga de Ensino Superior . e Adm. Celso Suckow da Fonseca .UFSM Universidade do Sul de SC – UNISUL .103 No 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 Instituição de Ensino Superior Faculdade de C.UFRR Universidade Federal de Santa Maria .UFRN Universidade Federal de Rondônia .CEFET . de Cachoeiro de Itapimirin -FACCACI Universidade do Sul de SC .EN Academia da Força Aérea .ITES IES militares Escola Naval .UNITINS Universidade Federal Fluminense – UFF – Niterói Faculdade de Itaituba – FAI Universidade do Estado do RJ – UERJ Centro Federal de Ed.AFA Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN IES de Portugal Escola Naval de Portugal EST ES SC RS RN RO RR RS SC RS PR PR PR AM AP TO RJ PA RJ RJ SP RJ SP RJ PT Part/Pub Part Part Part Pub Pub Pub Pub Part Part Part Part Part Pub Part Pub Pub Part Pub Pub Part Pub Pub Pub Pub Trad/EAD Trad Trad Trad EAD Trad Trad Trad EAD Trad Trad Trad Trad Trad Trad EAD Trad Trad Trad Trad trad Trad Trad Trad Trad HA 3120 NI 3256 3000 3080 3048 3000 NI 3024 3600 3040 3000 NI 3000 3060 3285 3380 3315 NI 3500 Perc. Tec. 78% 70% 79% 71% 70% 73% 84% 80% 74% 92% 79% 77% 84% 77% 80% 77% 83% 85% 71% 77% .AMAN Faculdade Don Bosco – Porto Alegre Faculdade Don Bosco – Curitiba Faculdade Don Bosco – Goioerê Faculdade Don Bosco – Cornélio Procópio Universidade do Estado do Amazonas .UNISUL Universidade do vale dos Sinos – UNISINOS Universidade Federal do Rio Grande do Norte .UEA Faculdade do Amapá – FAMAP Fundação Universidade do Tocantins .

finanças. Todos os alunos da Escola Naval. professor de Contabilidade de Gestão. Como tal. Contabilidade Pública. 3º ano e 4º ano – são anos de formação especifica. com algumas especificidades próprias para o ensino superior militar.104 ANEXO 2 QUESTIONÁRIO PARA A ESCOLA NAVAL DE PORTUGAL Universidade/Instituição Superior: Escola Naval (EN) de Portugal Nome do respondente: António Rogério Silva Cargo ou Função: CFR. administração financeira. Poderia anexar o programa das disciplinas? A ementa já consegui pela internet no sítio da EN. Como o Senhor Comandante poderá ver pela ementa. econometria Nota: O conjunto dos programas é muito pesado para enviar. direito. Tal só acontece no final do 5º e com a atribuição do grau de mestre. gestão. Informática de Gestão e Administração Financeira e Planeamento Logistico Perguntas: 1 – Como é a formação do Aluno (Aspirante) que será graduado em licenciatura de Administração Naval? O Sr. auditoria. ao fim de 3 anos são considerados licenciados (reconhecimento para efeitos de equivalência com o civil) embora ainda não possam ser oficiais da Marinha. algebra linear e programação. se tal necessário posso tentar enviar. No entanto. contabilidade. . 2 – Em Portugal existe uma diferenciação ou equivalência entre a graduação superior realizada na Escola Naval (militar) e no acadêmico civil? No Brasil é o reconhecimento do diploma pelo Ministério da Cultura. o curso de Administração Naval está organizado da seguinte forma: 1º ano (comum a todas as classes) – as disciplinas são sobretudo de base ciêntifica. 2º ano. existe um reconhecimento do grau atribuido no final do curso. No caso do curso de administração naval as áreas do saber abrangidas são: o Economia. incluindo os de Administração Naval. A Escola Naval está enquadrada no sistema de ensino superior. É igualmente dada no 1º ano uma cadeira base de navegação. com grande pendor nas matemáticas. logistica.

No caso do curso de Administração Naval a Escola Naval tem um convénio com a Universiddae Católica (cerca de 2/3 dos professores são dessa Universidade) pelo que muitas das matérias são equivalentes às de um curso de gestão dessa universidade. aquando do concurso de admissão à Escola Naval. 6 – Quando é escolhido pelo candidato ou aluno o curso de formação que irá seguir? Por exemplo. atualmente essa escolha é no final do segundo ano. tal é uma obrigatoriedade. No entanto. com os similares das universidades públicas e/ou privadas? Alguma equivalência existe. e na Academia da Força Aérea é no exame de seleção. em respeito pelo paradigma de Bolonha. 4 – Que tipo de perfil de aluno é habilitado a cursar a Administração Naval?? Todos os individuos que completado o 12º ano tenham tido Matemática como disciplina. . Na Escola Naval. no caso da graduação em tela. ao fim dos 3 anos de licenciatura é possivel a um aluno da Escola Naval candidatar-se a um curso de pós-gradução e mestrado em qualquer universidade do país ou do estrangeiro. O mesmo se passa com todos os currículos dos restantes cursos da Escola Naval. É analisado para aprovação ao nivel do conselho ciêntifico (este conselho é presidido pelo ALM CTE da Escola Naval e nele têm assento todos os professores definitivos da Escola Naval – para ser professor efectivo é necessário que o Conselho Ciêntifico o aceite ) para posteriormente ser levado ao Ministério da Defesa e Ministério da Educação. normalmente tal ocorre no inicio do 1º ano. como no 1º ano todas as disciplinas são iguais para todas as áreas (e porque existem sempre alunos que não conseguem sucesso académico. 3 – Como é aprovado o currículo do curso de Administração naval? O currículo é proposto pelo Departamento de Formação de Administração Naval (cada departamento tem um coordenador). sob proposta do Almirante Comandante da Escola Naval. existindo vagas especificas. Assim. 5 – Existe uma correlação entre o curso da EN. O mesmo se passa com as áreas da engenharia em que existem convénios com algumas das melhores universidades do país. pelo que saiem da Escola Naval) é possivel ingressar no inicio do 2º ano.105 A equivalência com o meio académico civil é conferida entre Ministério da Defesa e Ministério da Educação (em última instância a palavra final cabe ao Ministério da Educação). mediante requerimento do interessado e só após autorização do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada. na minha época na EN era no final do primeiro ano escolar. O curriculo só se torna em vigor após aprovação ministerial e publicação em Diário da República. Com a reforma curricular em vigor.

Reconhecimento académico: Os diplomas de licenciatura (conferido no final dos 3 primeiros anos) e do mestrado no final do 5º ano são reconhecidos para fins académicos. . 9 – Existe alguma disciplina em sua grade curricular que é oferecida na modalidade à distância? Caso afirmativo. Apenas existe um módulo NATO na área da Logistica. da gestão. 11 – O diploma de licenciatura em Administração Naval é reconhecido pelo meio acadêmico civil? E pelo órgão de classe dos administradores? (no Brasil seria o Conselho Federal de Administração). O assunto encontra-se em estudo tendo sido os passos necessários para tal. Reconhecimento por ordens profissionais: Neste momento ainda não. Mas com a reforma curricular ocorrida temos as condições para que o curso possa ser admitido junto da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (ordem profissional da área da Contabilidade) e. navegação. visa dar sólidos conhecimentos em diferentes áreas do saber consideradas fundamentais para o desempenho profissional. Na Marinha existem contudo cursos de carreira para acesso ao nível de oficial superior e de oficial general (mas que são comuns para todos os oficiais independentemente da sua formação académica de base e igualmente comuns com os oficiais dos outros ramos (exército e força aérea). 10 – Como é baseado o projeto pedagógico do seu curso de graduação superior em Administração Naval? O processo pedagógico em vigor segue as orientações e o paradigma da reforma de Bolonha. contabilidade. marinharia e comportamento organizacional. Alguns oficiais fazem formação especializada fora da Marinha noutros estabelecimentos de ensino superior. 8 – Como se processa a especialização do Oficial (Guarda-Marinha) que cursou Administração Naval? Os oficiais de Administração Naval não têm especializações formais. Ou seja. Por isso o modelo é o apresentado na questão 2 e na questão 5. Não existe uma especialização na Escola Naval. O curso é composto por cadeiras da área do direito. talvez seja possível o reconhecimento junto da ordem dos economistas. logistica além das matérias de matemática. quais as disciplinas? São eletivas ou obrigatórias? Não. nomeadamente da área operacional.106 7 – Existe uma avaliação da formação do Oficial pós-ciclo acadêmico? A avaliação resulta do feed-back recebido da Marinha. eventualmente. Ao longo do curso os alunos fazem uma avaliação das disciplinas e dos professores.

o Sr (a) teria mais algum comentário ou acrescentaria algo que pudesse auxiliar/enriquecer o desenvolvimento dessa pesquisa? Existe no contexto europeu uma preocupação para que no futuro seja possivel a formação de oficiais de marinha seja possivel ocorrer noutra escola naval que não a do país do futuro oficial. pelo menos para uma parte do curso (um semestre ou um ano lectivo). .107 12 . Tal já acontece no meio académico civil (o termo é ERASMUS). mas a sua aplicação ao universo do ensino superior militar apresenta algumas dificuldades.Em função de sua experiência.

cargas horárias e fluxo de disciplinas entre as Universidades Públicas e Privadas. que fará parte da minha monografia de encerramento do Curso Pós-Graduação “lato sensu” de Docência do Ensino Superior do Instituto A Vez do Mestre da Universidade Cândido Mendes. Igualmente. Solicito o favor de dedicar não mais que quinze minutos do seu tempo para responder este breve questionário. Academia da Força Aérea e a Escola Naval de Portugal.. Trata-se de parte de um projeto de pesquisa que analisará e identificará as diferenças e similaridades das grades curriculares. participo ainda que constará do relatório da monografia como apêndice um questionário em branco como informativo. considerando os conteúdos das ementas. XXI? Que características ele teria que ter? 2 – O que se deseja ao aluno egresso de sua Universidade/Instituição ao final do curso da graduação Superior de Administração? 3 – É feita uma avaliação/atualização curricular periódica em função das novas demandas exigidas pelo mercado para os profissionais recém-formados? 4 – Existe pela Instituição algum tipo de avaliação pós-formatura do seu corpo discente? . Participo a VSa que não será identificada a Universidade/ Instituição que responder o questionário. e propor alterações para o aperfeiçoamento da formação acadêmica do Oficial Intendente egresso da Escola Naval. e que será resumida as respostas de acordo com as categorias de respostas recorrentes encontradas.108 ANEXO 3 QUESTIONÁRIO SEMI-ESTRUTURADO PARA COORDENADORES DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO Prezado Sr. Titulo da Monografia: FORMAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA ENTRE CURRÍCULOS MILITAR-NAVAL E CIVIL. atenciosamente. com análise apenas de conteúdo. Hercules Guimarães Honorato Universidade/Instituição Superior: Nome do respondente: Cargo ou Função Perguntas: 1 – Como seria para o Sr (a) o perfil do administrador do séc.(a). confiabilidade da fonte. Agradeço desde já a sua atenção.

o Sr (a) teria mais algum comentário ou acrescentaria algo que pudesse auxiliar/enriquecer o desenvolvimento dessa pesquisa? Muito obrigado pela atenção de VSª.109 5 – Quais. são as dificuldades verificadas quanto ao enquadramento da sua grade curricular com as resoluções do MEC/CFA? 6 . quais disciplinas em sua opinião poderiam ser suprimidas ou incluídas para uma melhor preparação do jovem administrador? 7 – Como o Sr (a) se posiciona sobre a Educação a Distância? E sobre o curso superior de Administração à distância? 8 – Existe alguma disciplina em sua grade curricular que é oferecida na modalidade à distância? Caso afirmativo.Na formação em quatro anos. em sua opinião. quais as disciplinas? São eletivas ou obrigatórias? 9 – Como é baseado o projeto pedagógico do seu curso de graduação superior em Administração? 10 – Em função de sua experiência.com . Solicito encaminhar vossa resposta através do e-mail: hghhhma@gmail.

br fibia@unama.br eac@ucsal.UNIVALI Universidade Cândido Mendes Centro Universitário do Estado do Pará Universidade do Amazonas .br cicerohumberto@fic.br noblat@fir.br administração@unifor.br administracao@fejal.ceciesa@univali.edu.com.com.com.br elainet@fgv.br salesvidal@unicap.br christianne.br admpalmas@uft.br jassiopereira@fcamaracascudo. e Negócios de Sergipe Universidade Católica de Salvador Centro Universitário Jorge Amado Universidade de Salvador Centro Universitário de Brasília Endereço Eletrônico cristiane@esucri.br p97@uol.EBAPE Universidade do Vale do Itajaí .br hercílio@fa7.edu.leopoldino@fanor.edu.edu.com adminpresas@unifacs.edu.com.br coord.br lucia@ceuma.br adm.br albericoferreira@fanese.110 ANEXO 4 RELAÇÃO DAS IES QUE FORAM ENVIADOS OS QUESTIONÁRIOS No 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Instituições de Ensino Superior Escola Superior de Criciúma Fundação Getúlio Vargas .br eliene@facimp.br yoletedomado@ceut.com.br francisco@cesupa.UNAMA Universidade Federal do Tocantins Universidade Católica de Pernambuco Faculdade Câmara Cascudo Universidade de Fortaleza Faculdade Integrada do Ceará Faculdade 7 de Setembro – Fortaleza Faculdade Nordeste – FANOR Centro de Ensino Unificado de Teresina Centro Universitário do Maranhão Faculdade Integrada do Recife Faculdade Imperatriz – FACIMP Centro de Estudos Superiores de Maceió Faculdade de Alagoas Faculdade de Adm.br Est SC RJ SC RJ PA AM TO PE RN CE CE CE CE PI MA PE MA AL AL SE BA BA BA DF .edu.adm@unijorge.br epessoa@candidomendes.br praticiasatino@fal.

balm@unoesc.br ubirata.br laugusto@uva.com.edu.com.br adriano@falnatal.br marco.br administracao@fmu.adm@unisantos.br administracao@uniabc.br coord.addedadm@usjt.br admempresas@up.be adriano@cesumar.br adm@univag.br coordenador@ibirapuera.br jose.br enise@brazcubas.br secadministracao@ulbra.br mvaleria@uvv.perez@unisanta.edu.br jairo.br cursoadm@fchristus.br dagmar@unisinos.br mabertol@ucs.br wanderlan@cesur.rogel@unopar.br asi@facex.br infoadm@unirondon.br face@pucrs.com.nogueira@uniube.br prof.111 No 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 Instituições de Ensino Superior Universidade Católica de Goiás Universidade Católica Dom Bosco Centro Universitário da Grande Dourados Centro Universitário de Várzea Grande Centro Universitário Cândido Rondon Centro de Ensino Superior de Rondonópolis PUC do Paraná Universidade do Norte do Paraná Centro Universitário de Maringá Universidade Positivo Universidade de Caxias do Sul PUC Rio Grande do SUL Universidade do Oeste de Santa Catarina UNISINOS FACEX – Natal Faculdade Christus Faculdade de Natal Universidade de Uberaba Universidade de Vila Velha Universidade Veiga de Almeida Faculdades Metropolitanas Unidas ULBRA Universidade Bráz Cubas Universidade do ABC Universidade Ibirapuera – UNIB Universidade Católica de Santos Universidade São Judas Tadeu Universidade Santa Cecília Endereço Eletrônico administracao@uniceub.br marcelo.br mkoche@unigran.tortato@pucpr.com.br Est GO MS MS MT MT MT PR PR PR PR RS RS SC RS RN CE RN MG ES RJ SP RS SP SP SP SP SP SP .br admin@ucdb.

com.br aduarte@ibmecrj.br laudemiro@ufc.pacheco@unisul.br jose.br joaokuster@uniplac.IFES Universidade de Riberão Preto FAESA – Vitória Universidade Cruzeiro do Sul Universidade Tiradentes Universidade do Planalto Catarinense Universidade de Taubaté UNISUL Universidade Tuiuti Faculdade Alagoana de Administração Universidade São Francisco Universidade Federal do Ceará IBMEC-RJ Centro Universitário Barão de Mauá Centro Universitário FIEO Centro Universitário do Triângulo Univ.br jseixas@baraodemaua.br mariluciadalla@faesa.br administracao@utp.com.br administracao@unimontes.br irineu@ucg.com.com Cmte Cícero Pimenteira Est RS PI SC SC SC SP ES SP PI SC SP SC PR AL SP CE RJ SP SP MG SP RS MG PR SP GO TO RJ .br rdoneja@unaerp.br douglas.br nancy@noeste.br administracao@sinergia.br dptoadm@furb.br graduação@tupa.unesp.lima@cruzeirodosul.br mauricioboavista@novafapi.edu.br administracao@unit.br peterm@uniritter.iesa@bol.br administracao@unitri.br faa.edu.ribeiro@saofrancisco.edu.edu.br marilia@ifes.br luzinetteall@hotmail.br mcrittner@unifieo.edu.net eca@unitau.Canoas Universidade Estadual de Montes Claros Universidade Positivo Universidade do Oeste Paulista Universidade Católica de Goiás Centro Universitário UNIRG Escola Naval Endereço Eletrônico bortolon@upf. Estadual Paulista Júlio de Mesquita Fo UNIRITTER .112 No 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 Instituições de Ensino Superior Universidade de Passo Fundo Faculdade NOVAFAPI – Teresina Sistema Sinergia de Ensino – Navegantes Universidade Regional de Blumenau Instituto Cinecista de Itajaí .edu.br ana.br admempresas@up.

113

ÍNDICE

FOLHA DE ROSTO AGRADECIMENTO DEDICATÓRIA RESUMO METODOLOGIA SUMÁRIO INTRODUÇÃO

1 2 3 4 5 7 8

CAPÍTULO I O currículo e a formação superior em Administração no Brasil 1.1 – Breve história do currículo 1.1.1 – As origens do currículo no mundo 1.1.2 – As origens do currículo no Brasil 1.2 – Conceituações de currículo 1.2.1 – O currículo e os desafios da sociedade 1.2.2 – Flexibilidade e contextualização do currículo 1.3 – A formação superior no Brasil 1.3.1 – Breve história 1.3.2 – O perfil do administrador na atualidade 1.3.3 – Os novos desafios 1.4 – O currículo de graduação superior em Administração 11 11 11 13 18 21 23 25 26 29 32 34

CAPÍTULO ll A educação a Distância (EaD) 2.1 – A perspectiva conceitual da EaD 2.1.1 – Legislação 2.1.2 – A EaD na Marinha do Brasil (MB) 2.2 – Educação a Distância versus Educação presencial 2.3 – A graduação superior a distância no Brasil 40 41 44 47 50 53

114

2.3.1 – A graduação superior a distância em Administração

55

CAPÍTULO lll Matrizes curriculares 3.1 – Avaliação comparativa entre matrizes curriculares 3.1.1 – Entre as IES do Brasil no curso de Administração 3.1.2 – Entre as IES do Brasil e a Escola Naval 3.1.3 - Entre a Escola Naval e a Escola Naval de Portugal 3.1.4 – Entre a Escola Naval e a Academia da Força Aérea 3.1.5 – Entre a Escola Naval e a Academia Militar das Agulhas Negras 3.2 – Análise e resultados dos questionários encaminhados aos coordenadores do curso de Administração 3.2.1 - Das Instituições de Ensino Superior do Brasil 3.2.2 – Da Escola Naval de Portugal 3.3 – Possibilidades e limitações 73 74 82 85 72 58 59 60 63 68 69

CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA ANEXOS ÍNDICE

89 92 101 113

115

FOLHA DE AVALIAÇÃO

Nome da Instituição:

Título da Monografia:

Autor:

Data da entrega:

Avaliado por:

Conceito:

116 ATIVIDADES CULTURAIS .

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