UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

FORMAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA ENTRE CURRÍCULOS MILITARNAVAL E CIVIL.

Hercules Guimarães Honorato

Orientadora Prof Maria da Conceição Maggioni Poppe
a

Rio de Janeiro 2009

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

FORMAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA ENTRE CURRÍCULOS MILITARNAVAL E CIVIL.

Apresentação Candido

de

monografia como

à

Universidade parcial para

Mendes

requisito

obtenção do grau de especialista em Docência do Ensino Superior. Por: . Hercules Guimarães Honorato

AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha família pela compreensão das minhas ausências para realizar este trabalho e pelo apoio em superar os momentos mais difíceis. Agradeço em especial ao meu irmão Hermes Honorato pela boa vontade em que sempre atendeu os meus telefonemas ou e-mails solicitando ajuda. A minha amiga Profa Marília Soares pelos conselhos, ensinamentos e boa vontade com que sempre me assistiu por ocasião das minhas dúvidas teóricas. Agradeço a minha orientadora, Profa Maria Poppe, pelas orientações seguras, paciência, educação e gentileza com que sempre me atendeu. A todos, muito obrigado!

..DEDICATÓRIA . .........a minha mãe Maria José por me ensinar o caminho dos livros e do crescimento pessoal pelo trabalho..

RESUMO O mundo globalizado atual está vivenciando uma frenética e contínua mudança. Palavras-chave: Currículos. Foram subsidiados pontos julgados importantes para continuação de futuras investigações sobre o tema. por meio de análise de conteúdo das respostas as percepções recorrentes como as mais divergentes vinculadas às questões de estudo. Fato contínuo. . Ao término da pesquisa foram sugeridas possibilidades exeqüíveis de alterações do currículo da EN. Educação a Distância. Na abordagem qualitativa. Os dados foram analisados à luz de conceitos do referencial teórico estudado e experiência do pesquisador. Escola Naval. a queda de fronteiras alfandegárias impostas pelas super-rodovias de informação. a profissão do Administrador também ganhou traços mais acadêmicos e atuais na busca da melhor preparação do profissional para ser o gestor completo da sua organização. A globalização. procurou-se identificar. O objetivo geral desta pesquisa foi o de analisar e identificar as diferenças das matrizes curriculares e propor alterações para o aperfeiçoamento da formação acadêmica do Oficial Intendente da Marinha do Brasil. A natureza dessas indagações demandou duas dimensões à pesquisa: uma quantitativa e outra qualitativa. Graduação Superior em Administração. a saber: questionários semi-estruturados e entrevistas com os coordenadores dos cursos superiores de Administração de diversas IES. esta pesquisa não se fecha em si mesma. as novas Tecnologias de Informações e Comunicações (NTIC’S). Foram realizados estudos derivados das respostas aos instrumentos de coleta. Na dimensão quantitativa. Porém. é a era do conhecimento presente nos dias atuais. buscou-se estabelecer relações e comparações entre as disciplinas das IES e a Escola Naval (EN) pelo estudo das matrizes curriculares.

objetivando seu amplo e detalhado conhecimento (GIL. ou descritivos) ou quantidade de casos (caso único – holístico ou incorporado ou casos múltiplos – também categorizados em holístico ou incorporados). quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto em que ele se insere não são claramente definidos (YIN. com habilitação em Intendência da Aeronáutica. que tem a formação dos seus oficiais intendentes em bacharéis em ciências da Administração. Para a pesquisa subjacente a este trabalho.METODOLOGIA O estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto real de vida. 2002). escolhemos a metodologia de estudo de caso. verificamos certa semelhança na formação da Escola Naval de Portugal. Gil (2002:55) esclarece que a finalidade de um estudo de caso seria “proporcionar uma visão global do problema ou identificar possíveis fatores que o identificam ou são por ele influenciados”. Trata-se de uma análise aprofundada de um ou mais objetos (casos). sugestão de hipóteses e questões ou desenvolvimento de teoria. 2005). visando ao estímulo da compreensão. utilizando-se de análises curriculares em diferentes Instituições de Ensino de Administração. Avaliamos o currículo acadêmico da Academia da Força Aérea – AFA. seja na esfera pública ou privada. civil ou militar. contribuindo para o . Sua finalidade é aprofundar o conhecimento acerca de um problema não suficientemente definido. Os estudos de casos podem ser classificados segundo Yin (2005) de acordo com seu conteúdo e objetivo final (exploratórios. as pesquisas exploratórias visam a proporcionar maior familiaridade com o problema. Analogamente. Segundo Gil (2002: 41). explanatórios. que outorga aos seus oficiais a formação superior em licenciatura de Administração Naval.

na maioria dos casos. . internet. além de outras pesquisas acadêmicas que procuram esclarecer e debater o assunto. Este estudo se revestiu de uma incessante pesquisa bibliográfica acerca do tema. Uma vez realizadas as entrevistas.aprimoramento das idéias ou a descoberta de intuições. utilizando-se de livros. assumem a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso (GIL. efetuamos análise do material coletado. Escola Naval do Brasil e de Portugal e Academia da Força Aérea. Em seguida. além de possuir flexibilidade suficiente para facilitar a compreensão dos variados aspectos relativos ao fato estudado. As pesquisas exploratórias. 2002). procedeu-se a preparação de um roteiro de entrevistas semi-estruturada direcionada aos responsáveis pelo Curso de Graduação em Administração de Universidades Públicas e Privadas. confrontando-os com uma tabela elaborada com base nas respostas obtidas e fundamentada nas teorias interpretadas e a experiência do pesquisador. Instituições de Ensino Superior. documentos disponíveis em instituições de ensino.

O currículo e a formação superior em Administração no Brasil 11 CAPÍTULO II .A Educação a Distância (EaD) 40 CAPÍTULO III – Matrizes curriculares 58 CONCLUSÃO 89 BIBLIOGRAFIA 92 ANEXOS 101 ÍNDICE 113 FOLHA DE AVALIAÇÃO 116 .SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I .

as organizações. e com certeza rápida. constante e frenética.doc. no Japão. Acesso em: 10mar09 . revolução dos meios de tecnologia e comunicações. quer nos Estados Unidos. criando novas propostas de valor para não perder o que conquistaram no mercado.8 INTRODUÇÃO Felizes os Educadores que aprendem a fazer da ação de cada dia a semente da nova sociedade. passamos e continuamos a encarar uma crise econômica mundial. adaptando-se. por novas vantagens competitivas que marcarão e manterão seu crescimento lucrativo. na Alemanha. ou mesmo no nosso país. (As Bem-aventuranças do 1 Educador de José Ivan Pimenta Teófilo ) Estamos em evolução. para sobreviver. Infelizes os Educadores que não sonham porque não terão a coragem de se comprometer na luta criadora de uma nova sociedade a partir de sua prática educativa. a partir do final do século XX. está começando a sentir os seus reflexos. veio a reboque o crescimento pedagógico 1 Disponível em: www. Fato em paralelo. a norte-americana. saindo do aspecto técnico para a busca da melhor preparação do profissional para ser o gestor completo da sua organização. ocasionada pela má gestão administrativa e financeira que ocorreu na maior economia do mundo.com. em rápidas e constantes evoluções que não têm mais caminho de volta. Nessa mesma evolução profissional. A maioria das pessoas. O mundo globalizado atual está vivenciando uma frenética e contínua. em qualquer área do seu nicho de mercado. ou mesmo na busca. Milhões de frentes de trabalho estão desaparecendo. sem data e hora para acabar. a profissão do Administrador também ganhou traços mais acadêmicos. Continuando nesse caminho da evolução humana mais acelerada.br/bem. das mais simples às mais abastardas financeiramente. Na mesma seqüência da evolução do mundo.celsovasconcellos. A crise é atual e globalizada. também estão se transformando.

mecânica. A evolução se deu desde os currículos mínimos até as atuais diretrizes curriculares. com o escopo de capacitá-los para o pleno exercício de atividades operativas e funções técnico-administrativas.9 daquilo que pode ser transferido para conhecimentos dos aprendizes. sendo integrante da primeira turma da formação diversificada2 com habilitação em administração. pela melhor preparação profissional e vivenciando a necessidade de uma compatibilização o mais próxima possível do meio acadêmico e do reconhecimento lato sensu de sua formação superior. visa a formar oficiais da Marinha habilitados em eletrônica. Logicamente. Esta pesquisa poderá ser relevante para a melhor formação do Oficial Intendente oriundo da EN por intermédio da apresentação em sua vida acadêmica e pós-acadêmica de disciplinas. do Brasil e do Mundo. Como objetivo geral desta pesquisa procuraremos analisar e identificar as diferenças das matrizes curriculares e propor alterações para o aperfeiçoamento da formação acadêmica do Oficial Intendente egresso da Escola Naval. verificou que certas disciplinas obrigatórias não acrescentaram nada de relevante para o seu dia a dia a bordo. inerentes aos primeiros postos da carreira naval. em 1983. . da evolução da educação online com a possibilidade de disciplinas ou mesmo toda a formação superior a distância Quando este pesquisador se formou na Escola Naval. 2 Formação Diversificada – iniciada em 1980 na Escola Naval. seja a bordo. sistemas de armas e administração. como se estivesse começando do zero escolar. em terra ou em unidades de tropa. houve um distanciamento acadêmico por parte das Universidades Públicas e Privadas. Nessa busca por conhecimentos atualizados. o pesquisador se viu compelido a buscar subsídios no meio acadêmico civil que ratificassem a sua escolha pela formação na mais antiga e tradicional instituição de ensino superior. não se poderá perder o foco nos problemas atuais da Marinha. por fidelização à origem do pesquisador. a Escola Naval (EN). com suas respectivas cargas horárias e atualizadas de acordo com o que se espera do perfil de um formando em administração do século XXI. Ao mesmo tempo.

O último capítulo fará uma ligação entre os dois capítulos anteriores. com sugestões e ações. Ao final. serão apresentadas possibilidades e limitações. O primeiro trata do currículo. por intermédio da avaliação das respostas ao questionário encaminhado aos Coordenadores do curso de Graduação Superior em Administração. São apresentados três capítulos. que podem ser introduzidas na formação do administrador naval. . da legislação pertinente e traçando o perfil do que se deseja para o egresso da graduação. e das comparações entre as ementas e matrizes das IES do Brasil e Escola Naval de Portugal com a da EN. a Educação a Distância (EaD) como alternativa para complementação da formação escolar presencial. e os subsídios que se fizerem necessários para a elaboração de novas investigações sobre o assunto.10 Os seguintes objetivos específicos foram estudados: como proporcionar o instrumental de base e de conhecimentos fundamentais relativos à área profissional desejada. fazendo uma ligação com a sociedade atual. a matriz curricular da EN e as possíveis reformulações. a formação superior do Administrador. O capítulo segundo aborda a EaD e suas possibilidades atuais.

Vivemos em uma grande rede global. p. com distintos interesses econômicos e políticos. segundo Goodson (1995. Em seguida. principalmente sob os aspectos da chamada “Diretrizes Curriculares”.11 CAPÍTULO I – O CURRÍCULO E A FORMAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL A escola é uma das instituições capazes de contribuir para que a realidade do mundo contemporâneo seja refletida.1.1 – As origens do currículo no mundo As primeiras referências. cuja característica marcante é a incerteza com o presente e a instabilidade com o futuro. conscientizada e melhorada e o currículo é um dos instrumentos para isso. pontuar historicamente. onde analisaremos o currículo específico do administrador. p.535) Neste capítulo são apresentados o currículo.1 – Breve história do currículo 1. que se tem do vocábulo currículo são ligadas aos programas seqüenciais de estudo que refletiam diversos sentimentos de mobilidade ascendente da Renascença e da . Estamos vivendo em um mundo social e cultural cada vez mais complexo e plural. fazendo uma ligação com a sociedade atual. Finalizaremos com uma conexão entre os dois tópicos anteriores. a formação superior do Administrador no Brasil não poderia ser apartada de todo o processo visualizado relacionado ao aspecto desta pesquisa: o seu currículo. (OLIVEIRA. 1. 2008. sua história resumida e conceituações. vamos entrar na formação superior do Administrador.33). a legislação pertinente e traçar o perfil do que se deseja para o egresso da graduação. Quando as identidades e as diferenças se tornam aspectos centrais de busca de reconhecimento e valorização dentro das sociedades.

30) em seus estudos sobre o tema à época. “O modelo de currículo e epistemologia associada à escolarização estatal foi aos poucos ocupando todo o ambiente educacional. políticas e também culturais procuravam moldar objetivos e formas educacionais segundo diferentes visões. foi nos Estados Unidos. 1996. geometria. astronomia e música) e era dada nos colégios religiosos” (CUNHA. Nos países calvinistas. oriundo da Administração clássica da produção em série industrial de Taylor/Ford. que ele aparece pela primeira vez como objeto específico a ser analisado. eram agraciados com a perspectiva da escolarização avançada. em meados da década de 1920. 2008. que era uma sociedade estruturada por leis e códigos. ou seja.12 Reforma. Após a revolução francesa. Obra essa escrita em um momento especial da educação dos Estados Unidos. p. essas idéias encontravam sua expressão na doutrina da predestinação. que intensificaram a massificação da escolarização. 16). Goodson expõe que o Estado desempenhou papel cada vez mais importante no ato de organizar a escolarização e o currículo. o que se poderia afirmar era a utilização do . educacionalmente. em relação íntima com o processo de industrialização e os movimentos migratórios. 1995. como a Escócia.42). apenas religioso. que escreveu o livro the curriculum (1918). enquanto os demais (predominantemente da classe rural e pobres) eram enquadrados num currículo mais conservador. após a revolução industrial. O primeiro teórico foi Franklin Bobbit. buscando responder quais seriam as metas da educação escolarizada. apenas uma minoria (os escolhidos ou eleitos) podiam obter a salvação e. em que diversas forças econômicas. “a divisão dos “currículos” obedecia ao trivium (lógica. Continuando pela história do tema currículo. p. gramática e retórica) e ao quadrivium (aritmética. de modo que já pelo fim do século XIX havia se estabelecido como padrão dominante” (GOODSON. p. Ele propôs que o ensino escolar fosse realizado sob a mesma lógica do gerenciamento científico. Como afirma Barry Franklin (apud Moreira. Na Roma antiga.

propõe um ensino que valorize a auto-educação. pelo próprio esforço. também denominada sociedade de classes”. Segundo este autor. homogeneidade e solidariedade. “tais sugestões constituíram. Na pedagogia tradicional.13 currículo como controle social. p. difundida pelos pioneiros da educação nova. Luckesi (1994. em nosso país. 84). p. de cultura geral. consenso.2 – As origens do currículo no Brasil Em relação ao Brasil. supostamente características da comunidade rural que desaparecia com rapidez. apesar da influência de elementos tecnicistas particularmente no final do período” (Ibid. 54) afirma que o termo inicial liberal “surgiu como justificação do sistema capitalista. no qual o aluno é educado para atingir. p. o primeiro esforço de sistematização do processo curricular” (Moreira. 84). 80). em Minas Gerais e no antigo Distrito Federal. a origem propriamente dita iniciou-se nas reformas efetuadas pelos que ele chamou de pioneiros. sua plena realização como pessoa. Continuando. promovendo nessa nova ordem pós-industrial. com os pioneiros da Escola Nova que buscaram superar as limitações da antiga tradição pedagógica jesuítica e da tradição enciclopédica. 2008. a tradição curricular adveio da transferência americana nos anos vinte e trinta. o discurso curricular dos pioneiros “era predominantemente baseado nos princípios da tendência progressivista e em um interesse em compreensão. que teve origem com a influência francesa na educação brasileira (MOREIRA. p. como progressivista ou tecnicistas citadas por Moreira no parágrafo anterior.1. 2008. sob os aspectos das finalidades sociais da escola. sendo o . que estabeleceu forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção. A tendência progressivista. ocorridas na década de vinte na Bahia. este mesmo autor explica que é dada ênfase ao ensino humanístico. É a predominância da palavra do professor. 1. Vamos somar também a definição da pedagogia tradicional. Cabe aqui um parênteses para definirmos a tendência pedagógica liberal.

a educação treina cientificamente nos alunos os comportamentos de ajustamento a essas metas” (LUCKESI. emocional e físico (Moreira. passamos pela era Vargas. que exigiram a expansão do sistema educacional. mais provocada por mudanças nas relações do Brasil com os países industrializados que propriamente com a guerra. os analfabetos não podiam votar. p. 88). Com a força das idéias dos pioneiros da Escola Nova diminuindo durante o Estado Novo.14 aluno o sujeito do conhecimento. à época. 2008. promovida por Anísio Teixeira. mão-de-obra para a indústria: “a sociedade industrial e tecnológica estabelece cientificamente as metas econômicas. 1994). disciplinas escolares foram consideradas instrumentos para o alcance de determinados fins. p. quando uma incipiente indústria é organizada. 85). Segundo Ianni (apud Moreira. cerca de 85% da população brasileira ser composta por analfabetos. Continuando a tecer sobre o desenvolvimento do currículo no Brasil. começa-se a achar necessário alfabetizar os trabalhadores. Pela primeira vez. Soma-se também o fato de. O caráter elitista do ensino e do currículo é questionado após a Primeira Guerra. a burguesia industrial emergente viu na alfabetização das massas um instrumento para mudar o poder político vigente e derrotar as oligarquias rurais. mas também em seu desenvolvimento social. ao invés de fins em si mesmas. tendo como função a preparação de recursos humanos. 2008. A tecnicista. sociais e políticas. ou seja. quando em 1938 foi criado o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Novas perspectivas em relação ao currículo eram evidentes na reorganização da instrução pública na Bahia. Continuando com Moreira (2008). sendo-lhes atribuído o objetivo de capacitar os indivíduos a viver em sociedade. foi dada ênfase para o ensino profissional e uma postura mais conservadora voltou a dominar o . A partir daí. Tal concepção implicou a ênfase não só no crescimento intelectual do aluno. subordina à educação a sociedade. por sua vez. moral.

o Centro Brasileiro de Estudos Pedagógicos (CBPE). do que com os professores (ibid. em 1944. em 1955. 3 Reforma Capanema foi o nome dado às transformações projetadas no sistema educacional brasileiro em 1942.100). O livro fornecia um estudo histórico do currículo da escola elementar e uma análise das reformas curriculares propostas em nosso país. Gustavo Capanema. 2008. Foi criado. 98). Moreira propõe três princípios diretores: 1) atendimento às possibilidades psico-biológica da criança. a do ensino secundário e o grande projeto da reforma universitária. com sua localização no Rio de Janeiro. problemas e atividades sociais do meio. foi associado mais com supervisores. em 1955. por exemplo. que ficou conhecido pelas grandes reformas que promoveu. dentre elas. do artigo intitulado Programa Mínimo. Quanto à organização de currículos. desde seu início. UFRJ . Evidenciando-se com isso que. o do currículo. ou seja. Recife. p. além dos aspectos administrativos. os especialistas. Esse programa defendia. Acesso em: 11 dez. liderada pelo então Ministro da Educação e Saúde.unb. e centros regionais em São Paulo. p. Salvador e Belo Horizonte. de autoria de João Roberto Moreira. o campo do conhecimento que estava se iniciando.br/il/let/helb/linhadotempo/index. 2) adequação do currículo aos interesses. 2008. patrocinada pelo INEP. incluindo a disciplina “currículo e supervisão”. Porto Alegre. de Lourenço Filho (primeiro diretor do Instituto). O primeiro livro-texto de currículo publicado no Brasil foi Introdução ao Estudo da Escola Primária. . e 3) tratamento das matérias escolares como instrumento de ação e não como fins em si mesmas (ibid. O Centro de São Paulo. promoveu cursos para especialistas latino-americanos. na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Fato relevante ocorrido foi a publicação. com a Reforma Capanema3 todos os níveis educacionais foram reorganizados para os quais foram prescritos currículos enciclopédicos (MOREIRA. hoje. as necessidades sociais e as capacidades individuais.php?option=com_content&task=view&id=65&Ite mid=28 . que resultou na criação da Universidade do Brasil. p. Disponível em: http://www.15 cenário. 102). durante a Era Vargas.

Segundo ainda este autor. dentre as quais a educação. com ênfase tanto no desenvolvimento individual como no bem-estar coletivo. o enfoque de currículo do PABAEE é apresentado no livro de Marina Couto. p. Este programa visava à: (a) treinar supervisores de ensino primário e professores de escolas normais e de cursos de aperfeiçoamento de professores. que permitiu e incentivou a entrada maciça de capital estrangeiro na economia brasileira. . nos anos setenta. Em 1962. Com o advento do governo de Juscelino Kubitschek. o que concluímos sobre a teoria curricular era que a mesma era fundamentada. a fim de enviá-los aos Estados Unidos da América do Norte para treinamento em Educação Elementar (Revista brasileira de estudos pedagógicos. culminando com a criação de um escritório técnico e os programas de ajuda americana abrangendo diversas áreas. a influência americana aumentou significativamente. conteúdo programático. publicado em 1996. 1964. atividades e avaliação. ainda hoje utilizada quando se fala em plano de ensino de uma disciplina. 2008. 56 apud Moreira. (b) produzir. surgiram os primeiros mestrados em currículo. O programa de Assistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar (PABAEE) “foi o responsável pela introdução de modelos e idéias tecnicistas nas escolas brasileiras e também difundiu o way of life americano pelo país” (MOREIRA. adaptar e distribuir materiais didáticos a serem usados no treinamento de professores. 93. XLI. 110). Como elaborar um currículo. e (c) selecionar professores competentes. em idéias progressivistas. com tendência também tecnicista. que apresenta programas para cada uma das áreas. a disciplina de “currículos e programas” foi introduzida no curso de pedagogia. nos quais obedece à tradicional seqüência: objetivos. Pouco depois. principalmente. n. 2008. mesmo como disciplina eletiva. p.16 Nesse período da nossa história. p. vol. 112).

Disponível em: http://educacao. Surgiu a tendência curricular crítica por intermédio dos autores da pedagogia crítico-social dos conteúdos.17 Após a revolução de 1964. A ausência de autores americanos é clara.uol. porém. co-fundador do Partido Comunista Italiano. em geral.158). A influência de Marx e Gramsci5. segundo Moreira (ibid p. 5 Antonio Gramsci foi uma das referências essenciais do pensamento de esquerda no século 20. apesar dos princípios liberais que ainda continuavam a permear o discurso. Acesso em: 12 dez. Esta preconizava a reorganização do curso de pedagogia. e no campo do currículo. Segundo Luckesi (1996. com a difusão pela escola de conteúdos não abstratos. que pôs fim ao liberalismo e à exaustão dos governos populistas. Seus principais autores são Demerval Saviano. econômicas e ideológicas. concretos e. e dá outras providências. p. contribuíram para a adoção e a predominância da tendência tecnicista. tarefa que ficou a cargo do Conselho Federal de Educação (CFE). 2008. Lei 5540 de 28 de novembro de 1968 . Carlos Roberto Cury. segundo Moreira (2008. de fato. A partir de 1979 com a censura abolida. p. “Na prática pedagógica. consolidando-se. mas vivos. o pensamento pedagógico desenvolveu-se e alcançou acentuada autonomia.jhtm. 69). aumentou consideravelmente. culminando com a reforma universitária de 19684. Pelo aumento verificado da influência americana na área da educação. 4 . o tecnicismo acabou por tornar-se dominante no pensamento educacional brasileiro. o campo do currículo e o estabelecimento dos currículos mínimos dos cursos de graduação. Suas noções de pedagogia crítica e instrução popular foram teorizadas e praticadas décadas mais tarde por Paulo Freire no Brasil. somado ao intenso treinamento de educadores brasileiros nos Estados Unidos. “é dar um passo a frente no papel transformador da escola. mas a partir das condições existentes”. o retorno ao regime democrático e dos educadores exilados.130). indissociáveis das realidades sociais. persistindo a predominância de características tradicionais”. as transformações políticas. José Carlos Libâneo e Guimar Namo de Mello.Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média. em particular. portanto.com. os efeitos não foram tão intensos.br/biografias/ult1789u379.

2008. parte de um curso literário.. . significando 6 7 Disponível em: http://michaelis. os primeiros a aparecer o termo curriculum. Partindo agora para os dicionários Barclays Universal Dictionary e Webster.. elaborada por teóricos brasileiros. Schmidt (2003) pondera que não existe uma definição certa ou totalmente exata. XXI. está-se definindo por uma determinada concepção. 175). o pesquisador concluirá com uma definição própria. a mais atual..18 Autores ligados à pedagogia dos conteúdos defendem claramente o currículo por disciplinas a um interesse em controle. Disponível em: http://www. na atual conjuntura do séc.] evidencia o cuidado em interpretá-lo em função de nossa realidade sócio-cultural (Moreira. a palavra é de origem latina. p.priberam.. Quando se escolhe um pensador ou teorizador do currículo. e que não reflete a influência dos especialistas em currículos americanos ou ingleses contemporâneos [. podemos listar até 50 definições que são apresentadas pela literatura. políticos e ideológicos.uol. 1. Neste trabalho serão apresentadas as definições que se encaixam no perfil da pesquisa em questão.br/moderno. e que no Brasil é parte de um curso de literatura e uma série de acontecimentos que marcam cultural e profissionalmente a carreira de um indivíduo. Ao final. conjunto de matérias de um curso escolar. 2008. um curso. Continuando nesta linha de busca do significado através do dicionário. currículo é um substantivo masculino definido pela ação de correr. pequena carreira. 2008. que inclui compromissos sociais. Acesso em: 30 nov.com. atalho. agora por intermédio do dicionário eletrônico português Priberam7. e sim.2 – Conceituações de currículo Em relação a conceituação de currículo. que atenda ao que se está procurando em relação ao currículo da graduação superior de Administração. Acesso em: 30 nov. Segundo o dicionário eletrônico Michaelis6. curricullu. [.pt. em 1856. o que nos dá uma idéia do quanto as concepções são variáveis e diferentes quanto ao seu significado e funções.] A pedagogia dos conteúdos é uma corrente marcadamente voltada para o contexto brasileiro.

2008. e transforma-se num legado tecnológico e eficientista”. usado especialmente para referir-se a estudos universitários” (MARTINS apud OLIVEIRA.. 537) Segundo Goodson (p. 2005. Continuando ainda com Gimeno (apud Pacheco. o currículo pode ser definido como: Não em termos de conteúdo ou materiais (uma pista a ser corrida). 2005.. investigação. 25) realça que “o currículo define um território prático sobre o qual se pode discutir. a definição advinda dos dicionários e do seu significado. mais especificamente. 32) define da seguinte forma: É todo o leque de experiências.. mas.] indica o que deve ser ensinado e não como o deve ser”.] esta visão inclui tanto o conteúdo quando o processo. um curso em geral.. p.31) “um curso a ser seguido. um processo de desenvolvimento.. uma carreta de corrida. diálogo. 2005. Para Doll (apud Pacheco. p. ou. apresentado”.] uma pista de corrida. que visam o desdobramento das capacidades do indivíduo. com o conteúdo inserido no processo. decorrentes do tradicionalismo académico das disciplinas que constituem a alma curricular. O currículo prescreve (ou pelo menos antecipa) os resultados do ensino [. 2005. 21) “é uma série estruturada de resultados pretendidos de aprendizagem. . Pacheco referenciando-se a Bobbit (2005. um lugar para correr.19 “[. Gimeno (apud Pacheco.. investigar. primeiro de tudo. fazendo parte dele. p. o currículo “exprime o sentido de uma súmula de exigências académicas.127). no qual é preciso intervir”. p. transformação [. 31). ou é a série de experiências instrutivas conscientemente dirigidas que as escolas usam para completar e aperfeiçoar o desdobramento. A definição de Johnson (apud Pacheco. mas em termos de processo. p. sejam estas dirigidas ou não. p.

qualificação do pessoal.] como uma filosofia de vida em ação.] Nenhum trabalho pedagógico está desprovido de um referencial de valores que. 2) definiu o currículo como sendo “a soma de todo o tipo de aprendizagens e de ausências que os alunos obtêm como conseqüência de estarem sendo escolarizados”. 539). p. 2003. p.. viabilizando o processo de ensino e aprendizagem” (SCHMIDT.org. Cuchiaro e Carízio (2006) dentro mais do enfoque desta pesquisa. representa a visão que o educador tem do mundo. Fernandes (2007. Yamamoto e Romeu (apud Schmidt. 1977. Segundo Oliveira (2008. [. colocam a definição de Moreira e Silva. das pessoas e de si mesmo”. “O currículo é o próprio fundamento de qualquer sistema de ensino. “como sendo o percurso que leva à aquisição de conhecimentos que possam fazer do indivíduo submetido a ele A visão holística de uma empresa equivale a se ter uma "imagem única". informações. 68) adotaram como noção de currículo “[. 3). p. “numa visão mais holística8. em última análise. 8 . cultura organizacional. Acesso em 12 dez. Currículo é visto como parte de um processo educativo que dura por toda a vida” (TEIXEIRA apud MOREIRA. p. recursos e organização (estrutura da empresa.20 Uma interessante colocação do período histórico da formação quando não se chegava a um consenso sobre o que vinha a ser e o que se desejava e esperava do currículo. assim como suas interrelações).numa. podemos citar: “O produto amorfo de gerações de remendões” (TABA apud KELLY.. sintética de todos os elementos da empresa. consciente ou não. 2008. Anísio Teixeira define currículo como “o conjunto de atividades nas quais as crianças se engajarão em sua vida escolar. 2003. que normalmente podem ser relacionados a visões parciais abrangendo suas estratégias.. p. atividades. 93). 60). Disponível em: http://www. p.br/conhecimentos/conhecimentos_port/pag_conhec/visao_holistica.. 2008.html. tem-se que o currículo é um conjunto de ações que cooperam para a formação humana em suas múltiplas dimensões constitutivas”. ele é o elemento nuclear do projeto pedagógico da escola.

escola.1 – O currículo e os desafios da sociedade É notório que as escolas e o currículo sofrem influências poderosas.21 um profissional que domina sua área e está apto a exercer funções na mesma” (CUCHIARO. No caso específico desta pesquisa. As professoras Nice Hornburg e Rubia da Silva (2007. podemos concluir a existência de um vocabulário confuso e impreciso.. CARÍZIO. p.. positivas ou negativas. Devido à existência de uma variedade de conceitos para currículo. outros no aspecto de avaliação.” 1. procedimentos e métodos para obtenção de resultados que podem ser medidos”.2. assim como o de seus alunos”.] como sendo a soma total das experiências dos alunos e que são planejadas pela escola como instituição. recebendo constantes desafios da sociedade. p.. professores e alunos. 2008. que vê currículo como “[. de todas as modificações do mundo em que vivemos. outros para o papel da escola. historicamente situado. 2). 2006. alguns levando para o ensino/aprendizagem.] um plano de estudos que o professor a organizar e dirigir o seu trabalho. outros colocando. o nosso conceito de currículo pode ser definido como sendo: “Um processo contínuo e dinâmico. oriundo de uma construção multicultural de uma sociedade que procura organizar as decisões educativo-pedagógicas planejadas para todos os seus entes participantes. p. e outra concepção que o enfoca “[. como centro das atenções curriculares. tecnologicamente atual..61) conceituam currículo como “uma especificação precisa de objetos. Martins (apud Oliveira. ora o professor ora o aluno. da . como sociedade. envolvendo tanto os alunos como os professores e processos de ensino e de trabalho”. 538) comenta que há duas concepções básicas de currículo: a tradicional.

alunos e demais componentes educacionais. uma de suas componentes principais. Segundo Oliveira (2008. Conforme Mota. O currículo não é neutro como na teoria de Ralph Tyler. “à homogeneização ou diferenciação da escola. Acesso em: 01 nov. Veloso e Barbosa (apud Oliveira. Para esses autores. desvinculados e descomprometidos da vida e da comunidade. seria desviar nossos olhos da realidade que nos importa atingir.wikipedia.22 comunidade onde está inserida. do seu ambiente externo e interno. chamava a atenção para que nós. posterior a Marx. voltássemos para a sociedade. os educadores. porquanto a elas é que nos cumpre atender. e por isso os educadores precisam estar alertas às suas implicações sociológicas e culturais quando de sua estruturação” (OLIVEIRA. 2008) perceberam o currículo como uma ferramenta imprescindível “para se compreender os interesses que atuam e estão em permanente jogo na escola e na sociedade”. devendo temas sociais contemporâneos ser entendidos como partes do currículo e não apenas como conteúdos colocados de forma assistemática ou eventual.é considerado um dos pais da sociologia moderna. ao redor de nós e nós próprios com ele (Durkheim apud Oliveira. Émile Durkheim (1858-1917) . ele se liga ao poder. Ele é intencionalmente pensado ou deveria ser a partir da definição de pessoa que se quer formar. são as suas necessidades que devemos conhecer. e isso nos colocaria na impossibilidade de nada compreender do movimento que arrasta o mundo. pois.org. dos professores. 2008. Este mesmo autor realçava que: É a sociedade. que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica. 2008. hoje em dia aceleradas. Foi o fundador da escola francesa de sociologia. 545). p. p.542). p. Émile Durkheim9 em sua obra Éducation et Sociologie. Limitar-nos a olhar para dentro de nós mesmos. Disponível em: http://pt. 2008. 542). É reconhecido amplamente como um dos melhores teóricos do conceito da coesão social. que devemos interrogar. esta que experimenta transformações profundas. de sociedade e de ser humano. já em 1922. 9 . e que leva consigo a educação. discutir currículo é debater uma perspectiva de mundo.

numa sociedade tecnológica em constante mutação.2. preparando-os para poder enfrentar os novos desafios do séc. o conhecimento transmitese por três sistemas fundamentais de mensagem: currículo. p. à demanda de trabalho.23 relacionando aos perfis de demanda social e. Não é tarefa fácil estabelecer o que a sociedade atual exige da educação. essencialmente. e a realidade do mundo contemporâneo seja refletida e conscientizada pelos alunos. qual sua forma de transmissão. 1. 19). Ao mesmo tempo pretende-se que as implicações sociais. muito desconexa e. e que seja recebido. intencionalmente enganosa”. p. XXI. “O currículo vai dizer qual o conhecimento é válido. Esta é coisa muito sem vida. deveremos entender como ele se encaixa no que se deseja ao final do processo educacional. a pedagogia. qual a realização adequada do conhecimento”. A conclusão não é fácil. aproximando-os da sociedade e da comunidade onde estão inseridos. que conhecimento se deseja transmitir. muito despersonificada. 1996. Continuando por este caminho. Goodson interpretou Rudolph (1995. às vezes. quando pretendemos elaborar um currículo (no nosso caso específico de graduação do ensino superior). que deva estar sintonizado com o tempo em que estamos vivendo. ao afirmar que “a melhor maneira de se ler erradamente e erradamente interpretar um currículo é fazê-lo tomando como base um catálogo. 107). em que as repercussões da técnica e a ciência impõem novos desafios à educação. e vice-versa. que trata especificamente da necessidade de termos um currículo flexível e contextualizado. este autor enfatiza que não são os conteúdos ou as informações que carregam as .2 – Flexibilidade e contextualização do currículo Ao começarmos a analisar este tópico. e a avaliação. talvez a aplicação seja ainda mais difícil. Para Bernstein (apud Cunha. pedagogia ou metodologias de ensino e avaliação. em específico. percebido e entendido pelo aluno.

ou seja. O primeiro é o que vemos hoje em dia em todos os níveis de ensino. o currículo tem que ser contínuo e dinâmico oriundo de uma construção multicultural de uma sociedade. 545). 2008. que está em construção. sem que haja um entrosamento entre as mesmas. portanto. p. estratégias prática pedagógica contextualizada que se faz e deve ser transformadora. A forma de conceber o currículo com disciplinas. por isso. sem integrarem (OLIVEIRA. “as fronteiras entre as disciplinas e os conteúdos são tênues”. Uma interessante construção dicotimizada sobre as formas de transmissão do conhecimento de Bernstein é a separação entre o currículo estruturado de coleção e de integração. tornou-se. Social e cultural e.20). com a organização do conhecimento compartimentada e as disciplinas fechadas em si mesmo. definindo uma estrutura centralizadora. ou forma autoritária de trabalhar a educação. contemporaneamente. . o currículo em profundidade vertical em que a especialização vai aumentando à medida que o aluno avança na escolarização. alvo de atenção e de reformas educacionais. Como tentamos definir para a nossa pesquisa. É notória a importância do currículo no contexto escolar. central.. Na estrutura de currículo integração. mas a forma de transmissão. sendo que os vários conteúdos estão subordinados a uma idéia mestre. 1996. “o conhecimento torna-se sagrado. o conhecimento a ser transmitido é compartilhado interdisciplinarmente. p.24 relações sociais que geram a reprodução social ou cultural. devendo. reflete uma fragmentação do saber e perde-se a visão de conjunto. dado o seu valor estratégico em se tratando da conservação e da conformação dos indivíduos e da sociedade [.] o currículo não pode continuar com uma visão monocultural.. e ser ações um de instrumento uma agregador de conhecimentos. inflexível. somente acessível a alguns” (BERNSTEIN apud CUNHA. que conhecemos como coleção. que pode ser inclusive a da formação profissional.

Acesso em: 30 nov. em maio de 2000.org/wiki/Portal:Administracao. administrar é gerir negócios. O que se configurou nas considerações finais do referido Fórum foi a verificação de que os currículos ainda são norteados pela forma linear de organização do conhecimento acadêmico. trouxe como tema do evento “o currículo como expressão do projeto pedagógico: um processo flexível”. ministrar. sendo realmente uma ativa via transmissora de conhecimento.pt. o currículo deve ser construído na dinâmica de sua implementação. arbitragens e laudos. Rio de Janeiro. conferir. fazendo-as funcionar11. 2008.wikipedia. reger.25 O Fórum de Pró-reitores de Graduação das Universidades brasileiras. Acesso em: 30 nov.14). ou seja. que foi realizado em Niterói. objeto final do processo avaliativo. pautado no intercâmbio e comunicação. em que é exigida a aplicação de conhecimentos inerentes às técnicas de Administração. governar. 1. resultando em um aprendizado memorístico” (p. o saber fazer e o saber conviver. relatórios. do geral para o particular. .3 . abraçando o multiculturalismo e as diversidades como elementos na sua formulação e na sua prática.A formação superior em Administração no Brasil Segundo os dicionários. ou ainda dirigir uma organização utilizando técnicas de gestão para que esta alcance seus objetivos de forma eficiente.priberam. envolve a elaboração de planos. eficaz e com responsabilidade social e ambiental. 10 11 Disponível em: http://www. Disponível em: http://pt. pareceres. Em suma. a partir de redes de significados. de saberes flexível e coerente com as demandas sociais. no diálogo entre as várias disciplinas. fazendo com que “a prática pedagógica se sustente na idéia de que primeiro o aluno precisa dominar a teoria para depois entender a prática e a realidade. Peter Drucker diz que administrar é manter as organizações coesas. do ciclo básico para o profissionalizante. intencionalmente planejado. projetos. do teórico para a prático. o saber ser. 2008. o saber. aplicar10.

A idéia é procurar localizar no tempo e espaço como se estabeleceu o ensino de Administração em nosso país. A industrialização começou tardiamente em nosso país. Esse órgão foi criado com o objetivo de: Aprofundar a reforma administrativa destinada a organizar e a racionalizar o serviço público no país. XXI. o Estado brasileiro se viu compelido a alavancar os primeiros cursos superiores na área de administração. ano que se iniciava o ensino de Administração no nosso país. os EUA já formavam em torno de 50 mil bacharéis. requerida pela nova situação. principalmente se fizermos uma comparação com os Estados Unidos (EUA). do Departamento de Administração do Serviço Público (DASP) em 1938. 4 (quatro) mil mestres e cem doutores por ano. no Governo de Getúlio Vargas. com a criação da Wharton School. em 1881. esse processo foi retardado por motivos inerentes a nossa formação social e econômica.1 – Breve história A história do ensino de Administração no Brasil é bem recente. além de procurarmos o perfil do profissional que se pretende formar nas IES para laborarem no mercado de trabalho do séc. o DASP via uma incompatibilidade entre a 'racionalidade' da administração e a 'irracionalidade' da política. Coerente com os princípios do Estado Novo. onde os primeiros cursos se iniciaram no final do século XIX. não entraremos em detalhes sobre a formação na área militar. com a adoção do modelo econômico denominado “capitalismo autônomo”. e só depois da revolução de 1930. No Brasil. sua regulamentação profissional e curricular. Segundo o Conselho Federal de Administração (CFA). iniciada anos antes por Getúlio Vargas. Pretendia assim estabelecer uma maior .26 Procuraremos neste tópico abordar apenas a formação superior em Administração no meio acadêmico. em 1952. que foram destinados a formar mão-de-obra especializada. O ensino de Administração teve seu início com a criação.3. sua história. que será vista no capítulo 3. 1.

instituição dedicada ao estudo e ao ensino dos problemas de Administração foi criada em 1944. “coração e cérebro da iniciativa privada”. A FGV representa a primeira e mais importante instituição que desenvolveu o ensino de Administração.cpdoc. ANO IES Matrículas Concluinte s Em 1946 é criada a Faculdade de Economia. vinculado ao mundo empresarial. Assim como a FGV.fgv. 12 . quando surgiram empresas movimentando altos capitais. Fruto das relações entre a Fundação e o ensino universitário americano. Disponível em: http://www. que ministrava cursos de Ciências Econômicas e Contábeis. em 1954. 4). técnicas altamente especializadas” (UNB. isto é. O fator que veio repercutir na criação desta Faculdade foi.htm. A Fundação Getúlio Vargas (FGV). 2008. “o grande surto de industrialização.27 integração entre os diversos setores da administração pública e promover a seleção e aperfeiçoamento do pessoal administrativo por meio da adoção do sistema de mérito. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA/USP. foi criado em 1952 a Escola Brasileira de Administração Pública (EBAP). Acesso em: 02 dez. Os primeiros Administradores se formaram na FEA somente em 1964. para sua direção. Importante ressaltar que a escolha dessa cidade pela FGV foi motivada pela mesma ser considerada a capital econômica do país. Com a preocupação de criar uma escola destinada especificamente à preparação de Administradores de Empresa. p. principalmente. o único capaz de diminuir as injunções dos interesses privados e político-partidários na ocupação 12 dos empregos públicos. quando um núcleo de economistas liderado por Eugênio Gudin passou a discutir e a propor novos estudos sobre os problemas econômicos brasileiros. da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP). as quais exigiram. através da EBAP e da EAESP também a FEA/USP foi criada com um objetivo prático e bem definido. soma-se também a criação. Sua atuação na área de economia iniciou-se em 1946.br/nav_historia/htm/anos37-45/ev_poladm_dasp. onde eram apresentadas algumas matérias ligadas à Administração.

uma vez que se caracterizou como um dos cursos que mais cresceu na ocasião (Pizzinatto. cerca de 140%. TABELA 1 – Evolução dos cursos de Administração Décadas Antes de 1960 1960 1970 1980 1990 2001 2002 2003 2004 2005 2006 N. o EBAP e o EAESP. mas às Faculdades Isoladas que proliferaram no bojo do processo de expansão privatizada na sociedade brasileira”. 1999). fato ocasionado pela . a evolução dos Cursos de Administração ocorreria. Outro ponto a ressaltar da tabela acima é o incremento vertiginoso do número de cursos de 2001 até 2006. p. A tabela a seguir ilustra a evolução do número de cursos de administração em um intervalo de 46 anos. sendo o de Administração destaque nesse processo. (UNB. Já na década de 1970. observou-se a expansão dos cursos do ensino superior. de cursos 2 31 247 305 823 1177 1363 1532 1721 2041 2836 Fonte: MEC – dados compilados pelo CFA (2007). através da preparação de recursos humanos. considerando que só contávamos com dois cursos em 1954. as demandas oriundas do acelerado crescimento econômico. não mais vinculada a Instituições Universitárias. 4) Segundo o CFA (2007) “no final dos anos 60. alcançando uma dimensão significativa na sociedade brasileira.28 atender.

XXI. que se encontra diante de um ambiente empresarial marcado pela incerteza e pela grande velocidade das mudanças. cerca de 769 mil estavam matriculados nos cursos de Administração. no final de 2005 haviam sido graduados em Administração pelas IES de todo o país aproximadamente 1.3% do universo de alunos matriculados nesse nível de ensino no Brasil (um crescimento de 2% face ao Censo de 2003). não é objetivo desta monografia tentar explicar como se chegou ao . existiam cerca de 4.693 alunos matriculados.000 profissionais.29 autorização pelo MEC da graduação Superior em Administração pelo Ensino a Distância (EAD). caracterizados pela velocidade das informações e a busca incessante por novos nichos de mercado. do profissional a ser formado nas IES em Administração? Que competências são importantes ao egresso do meio acadêmico na atualidade? Qual o seu perfil? Este tópico foi baseado em três documentos básicos que tratam exclusivamente da montagem do perfil do Administrador para o séc. Dados do INEP/MEC indicam que existiam 2. 1. No mesmo compasso. realizado pelo MEC em 2006. que tiveram que se adequarem para manter a sua competitividade no mercado mundial.836 cursos em 2006. surge a era da informação e do conhecimento. sendo que desse total. das organizações.3. De acordo com o Censo do Ensino Superior. Segundo o CFA (2006). O que se espera. porém. O Administrador é um ator importante no cenário das organizações. representando 16. 768.7 milhões de alunos matriculados em cursos de graduação presencial no país. portanto. em 2006. sem volta.500. o último censo daquele órgão registra. com a habilitação de diversas IES. fato que será desenvolvido no próximo capítulo.2 – O perfil do administrador na atualidade A globalização desencadeou um processo de transformação. Quanto ao número de alunos matriculados.

atingiu 32. Em 12 anos.60%. é egresso de universidades particulares. e ocupa cargos de gerência (CFA.30 perfil esperado do profissional em questão. seu percentual apurado em relação aos homens foi de 21%. o percentual de indivíduos do sexo feminino teve um acréscimo de 57% (CFA. São os documentos utilizados: 1) Pesquisa Nacional realizada pelo CFA sobre o Perfil. que trata da Proposta de um perfil de Administrador para a Era da Informação e do Conhecimento. portanto. de 2006. atuação e oportunidades de trabalho do Administrador. na pesquisa de 2003. 2006). elementos responsáveis pelo embasamento de tal relatório. em 1998. como se tem verificado em outras profissões. agora. do Empregador e do Professor do Curso de Administração. Identidade do Administrador Profissional e a Visão PósIndustrial de Competência: uma análise baseada na Pesquisa Nacional sobre o perfil do Administrador Coordenada pelo Conselho Federal de Administração. Formação. p.98%. 2006. Em relação ao profissional de Administração. Villela. para isso a pesquisa realizada pelo CFA em 2006 atende em profundidade todos os questionamentos que por ventura possam existir em relação à visão do Administrador. o que se verifica é que é do sexo masculino em sua maioria. atua nas áreas de Administração Geral e Finanças. está na faixa etária de até 30 anos. da indústria e em órgãos públicos. de 25%. . possui especialização em alguma área de Administração. 14). em 2006. o número de mulheres vêm aumentando em relação aos dos homens. trabalha nos setores de serviços. concluiu o curso de Administração entre 2000 e 2005. Em 1994. A pesquisa revelou que o número de mulheres Administradoras vem crescendo nos últimos anos. de 29. casado e sem dependentes. Uma interessante constatação da pesquisa foi em relação ao gênero do administrador. 2) Artigo publicado na Revista Eletrônica da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD) de Adonai José Lacruz e Lamounier E. e 3) Artigo de 2000 de Anielson Barbosa da Silva.

componentes pesquisa Administradores. pelos Abaixo foram da listados os principais do CFA aspectos (2006). profunda e articulada do conjunto das áreas de conhecimento. ratificam o perfil do Administrador também verificada na pesquisa do CFA. XXI. a formulação e implantação de soluções. como importantes para a modelagem do perfil ou identidade do Administrador do séc. como: “Ser um agente de mudanças. São eles: Conhecimentos Específicos . Os Professores avaliam que o conhecimento que mais está sendo oferecido pelas IES é a visão ampla. Algumas frases retiradas da pesquisa de Silva (2000) com alunos do curso de Graduação de Administração de uma Universidade localizada no Nordeste e Executivos de empresas industriais do setor de transformação. Competências .Os Administradores entendem que administrar pessoas e equipes é o principal conhecimento para suas atividades.O comportamento ético é a atitude que os Administradores escolheram como a que mais tem preponderado no seu aprendizado. Habilidades . habilidades reconhecidos e valores.Os Administradores dizem que a adquiriram e os Professores informaram que seus cursos proporcionam a visão do todo. Deve antecipar-se aos fatos. estando sempre a frente para prever conflitos. . Esta última foi a escolhida pelos Empregadores como a principal habilidade que avaliam em seus Administradores. Atitudes .31 Para o presente trabalho. relacionados com conhecimentos. com criatividade e visão do todo. Os Professores disseram que seus cursos procuram dotar seus alunos de uma atitude empreendedora. O Empregador confirma essa percepção. informando que é o que vêem prioritariamente nos Administradores que trabalham em suas organizações. os professores acreditam que é a competência mais trabalhada pelas IES e os Empregadores confirmam que reconhecem no desempenho dos que trabalham em suas organizações a identificação de problemas. Empregadores e Professores. seguida pelo relacionamento interpessoal. os Empregadores disseram que vêem em seus Administradores o profissionalismo como principal atitude. E. estando sempre aberto às informações e conhecimentos”.Os Administradores entendem que a adquiriram no seu curso de graduação. o perfil do Administrador é definido como um conjunto de qualidades ou atributos.

coordenando ações para atingir metas”.3. estar disposto a correr risco. ainda hoje. habilidades e atitudes. o Administrador do futuro continua sendo. “O papel do administrador deixou de ser o de apenas exercer as atividades de planejar. XXI como sendo um articulador dentro da organização. 1. para o desenvolvimento sistemático de competências. criando sinergia entre pessoas e recursos disponíveis e gerando processos eficazes. prescritivo é substituído por um trabalho de arbitragem em que é preciso diagnosticar. de rápidas mudanças e em crescente integração. Atualmente. ele precisa ser flexível. decidir e interferir em relação à uma dada situação concreta de trabalho. Relembra-se que não existe uma receita preparada para colocar protótipos prontos de profissionais gestores egressos do ensino superior. antecipar. boa visão sistêmica da empresa”.32 “Deve ser um empreendedor. conduzindo a empresa com tranqüilidade e segurança. prevenir. Podemos resumir o perfil do Administrador do séc. dirigir e controlar. reconhecidamente de visão ampla. um inventor e implementador de mudanças. formado e treinado para ocupar todos os espaços na área administrativa e nos cargos de gerência das organizações. Esse é o diferencial do Administrador. um importante ator social. A formação profissional passou de simples adestramento. com tendências factuais de conglomeração de empresas. A natureza deste tipo de trabalho reveste-se da imprevisibilidade das . Como argumenta Tatto (2001) O trabalho repetitivo. principalmente por procurar para si novas competências profissionais para fazer frente às incertezas e desafios de um mercado globalizado. definido idealmente como um profissional com visão sistêmica da organização para promover ações internas. perspicaz.3 – Os novos desafios Como vimos anteriormente. organizar.

ampliando-se as operações mentais e cognitivas envolvidas nas suas atividades (TATTO. A perspectiva desafiante da formação do Administrador é ele ter uma multiqualificação e polivalência. 2006) Segundo Tatto (2001). além da necessidade de se enfrentar situações de constantes mudanças.” E a formação dos futuros Administradores não deverá ficar a parte disso. “seguramente. 6). “O administrador deve ser um generalista e não um especialista” (CFA. p. p. Para ilustrar a relação evolutiva. segundo Demo. haja vista os trabalhos a serem desempenhados nas organizações exigirem maior aptidão intelectual do que manual. têm que fazer escolhas e opções todo o tempo. Gimenez e Mendes (2000.1). centrada em especializações funcionais. também se exige a intervenção no processo de trabalho. Na contramão da história contemporânea. assistiremos o fim da forma organizacional de hoje (burocrática) e veremos o surgimento de novos sistemas mais adequados às demandas pós-industrialização. Por outro lado. 2001. são listados a seguir os novos desafios a serem enfrentados pelos Administradores consubstanciando os paradigmas das novas organizações. segundo os autores Crubellate. . ainda vigoram na formação profissional do Administrador. cujas práticas condicionam as organizações econômicas (o protótipo da sociedade moderna. não é isso que se está acontecendo. inspirada e inspirando mentes compartimentalizadas e utilitárias. a capacidade de articulação. nós próximos anos. sem prejudicar o trabalho em equipe e sem perder a visão ampla e estratégica da empresa. uma “proposta fayolista de Administração. a auto-organização. 1995)”.33 situações nas quais o Administrador ou o coletivo de Administrador.

1. prerrogativas e deveres foram especificados por intermédio da Lei . 2.000:689 Tecnologia Processo de trabalho Equipes de trabalho interfuncionais Heterogênea e diversificada Inspiradora Força de trabalho Liderança O maior desafio para o Administrador.34 QUADRO 1 – Evolução dos desafios dos Administradores Protótipo do Século XXI Rede de parcerias com valor agregado Modelo do Século XX Divisão de trabalho e cadeia escalar de hierarquia Desenvolver a maneira atual de fazer negócios Domésticos regionais Custo ou Aspectos Organização Missão Criar mudanças com valor agregado Mercados Vantagem competitiva Globais Tempo Ferramenta desenvolver colaboração para Ferramenta para desenvolver a mente Cargos funcionais e separados Homogênea e padronizada Autocrática Fonte: Chiavenato.O currículo da Graduação de Administração Como verificamos. como um instrumento de constante renovação. I. além de ter que ser um agente de mudanças. é contribuir para a construção e manutenção de uma organização competitiva e rentável.4 . O perfil do profissional. bem como a definição legal dos seus direitos. a profissão de Administrador e a sua formação são bem recentes.

Psicologia Aplicada à Administração. que necessitavam de pessoal qualificado para gerenciá-las. com uma carga horária de 720 h/a. Teoria Econômica. Contabilidade. Administração de Sistemas de Informação. e Organização. 10% do curso. o que correspondia a 24% do curso. 307/66. A fixação do primeiro currículo mínimo de curso de graduação em Administração pelo Conselho Federal de Educação (CFE) ocorreu mediante a resolução n. que estabeleceu a profissão de Técnico de Administração. Sociologia Aplicada à Administração. Psicologia. do desenvolvimento econômico calcado pelas grandes empresas.35 4769 de setembro de 1965. Administração de Recursos Humanos. 2. . que em seu art. Tendo presente as considerações resultantes dos vários encontros promovidos pela ANGRAD e pelo CFA. Sistemas e Métodos. chegou-se ao novo currículo mínimo do Curso de Administração. que foi fruto da expansão. Filosofia. Economia Brasileira. a partir de 1964. de 04 de outubro de 1993. com um total 960 h/a correspondendo a 32%. A Resolução n. c) as DISCIPLINAS ELETIVAS E COMPLEMENTARES. b) na FORMAÇÃO PROFISSIONAL: Teorias da Administração. "Fixa os mínimos de conteúdos e duração do curso de Graduação em Administração”. Legislação Tributária. ou seja. Matemática. Contabilidade. Administração da Produção. d) o ESTÁGIO SUPERVISIONADO de 300 h/a. 34% do curso. Administração de Pessoal e Administração de Material. Instituições de Direito Público e Privado (incluindo Noções de Ética Administrativa). Administração Financeira e Orçamento. tendo sido constituído pelas seguintes disciplinas: Matemática. com um total de 1. Administração Mercadológica. Administração Financeira e Orçamentária. Legislação Social. Estatística.020 h/a. Estatística. Informática. 1 listava as seguintes disciplinas: a) na FORMAÇÃO BÁSICA E INSTRUMENTAL: Economia. Direito. Administração de Materiais e Patrimoniais. Teoria Geral da Administração. Sociologia.

de 20 de dezembro de 1996. da contextualização e da flexibilidade. Uma crítica verificada sobre o currículo mínimo determinado para as IES. de certa forma. com a finalidade de atender às diferenças e expectativas existentes em cada IES. e que procurava aumentar a flexibilidade curricular. diversidade e autonomia. tornando uma proposta pedagógica empobrecida pela falta de criatividade. p. Em seu Art. 25). da interdisciplinaridade. assegurando o exercício de sua autonomia. o currículo corresponde não somente às necessidades do mercado de trabalho. Entre elas podemos citar os incisos I e II. Com a entrada em vigor da Lei 9. e fixar os currículos dos seus cursos e programas. as IES devem respeitar os princípios pedagógicos da identidade. sem prejuízo de outras. quando for o caso. 2000. estava-se criando uma norma inibidora e limitativa. principalmente. . mas também para “mudar o enfoque de solucionador de problemas. com algumas atribuições. A LDB reconheceu “implicitamente em seus artigos. acompanhamento das necessidades do mercado de trabalho globalizado. em sua sede. a nova Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB). É importante citar que na construção do currículo. a nova LDB tenta prestigiar as universidades. que a autorizam a: Criar. que a atual estrutura dos cursos é burocrática e dificulta o acompanhamento das tendências de mercado” (MORAES. 53º. reprodutor das forças produtivas e das relações sociais para promotor de novas relações produtivas e sociais”.394. observadas as diretrizes gerais pertinentes. do respectivo sistema de ensino. organizar e extinguir. metodologia e. posterior em três anos a entrada da resolução do currículo mínimo na formação superior do Administrador. obedecendo às normas gerais da União e.36 No caso específico da Administração e segundo Moraes (2000). cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei.

as diretrizes curriculares para os cursos de Administração contemplam algumas recomendações. que trata das Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação de Administração. os cursos de Administração não podem depender de um currículo “engessado”. por muito tempo. Para que essa liberdade se concretize em diretrizes eficientes. a fim de que os cursos de graduação em Administração reflitam sua adaptabilidade às constantes mudanças que caracterizam a alta competitividade do mundo em que vivemos. 2003. engessaram os currículos dos cursos de graduação de Administração” (Andrade e Amboni. 134 do Conselho Nacional de Educação (CNE). aprovado em 2003. que incentivava a implementação de currículos fechados. Com isso pode-se extinguir “os currículos mínimos que. Segundo ainda esses autores. Em especial pode-se citar a maior autonomia às IES na definição dos seus currículos. Essas Diretrizes devem ser entendidas como parâmetros norteadores para elaboração e revisão do projeto pedagógico (PP) e não como instrumento para inibir a iniciativa e a criatividade dos gestores e segmentos envolvidos no processo. O resultado final do trabalho desenvolvido contribuiu para o surgimento do parecer n. p. preparando um profissional desatualizado nessa era do conhecimento e da informação (Andrade e Amboni.37 A Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (ANGRAD) e o CFA promoveram diversas reuniões regionais para discussão do currículo mínimo na formação do Administrador. por intermédio de um modelo pedagógico capaz de adaptar-se à dinâmica das . Assim sendo. e do desenvolvimento sustentável. do meio ambiente. p. o sistêmico/ecológico.10). portanto. com o término dos currículos mínimos. 2003. o paradigma cartesiano/linear. como questões de formação do cidadão. quebrou-se.10). da qualidade de vida. a partir da explicação das competências e das habilidades que se deseja desenvolver. da responsabilidade social. inflexíveis e mecanicistas. eficazes e efetivas é necessário que se discuta este assunto com profundidade e responsabilidade. passando para um outro paradigma contemporâneo. Assim.

a substituição dos currículos mínimos pelas Diretrizes Curriculares é a tentativa de se libertar. na formação superior do Administrador. “todos os cursos. g) acompanhamento e avaliações. do engessamento dos currículos. pelo Parecer CES/CNE n. Outro ponto importante foi a contemplação para otimizar a estrutura modular dos cursos com vistas a permitir um melhor aproveitamento dos conteúdos ministrados. os cursos poderiam optar por linhas de formação específicas para contemplar as particularidades regionais e a vocação do curso. 2003. entre outras deliberações. a formação ética e o exercício da cidadania. p. inflexíveis e . em que a graduação passa a constituir-se uma etapa de formação inicial no processo contínuo da educação permanente (ANDRADE e AMBONI. Porém. f) estágios e atividades complementares. Ainda diante deste parecer. Em resumo. c) habilitações e ênfase. As Diretrizes Curriculares. Foi determinada. tendo como orientações gerais que eles devem respeitar os princípios de valor. a formação de valores. o projeto pedagógico deverá orientar o currículo para um perfil profissional desejado. são de Administração e conferem ao concluinte do curso o grau de Bacharel em Administração” (ANDRADE e AMBONI. 134/2003 a revisão dos PP dos cursos de graduação de Administração para atender as Diretrizes Curriculares. como fortalecimento dos laços de solidariedade e de tolerância recíproca. d) conteúdos curriculares. b) competências/habilidades/atitudes.26). segundo o Parecer 583/2001 do CNE apud Andrade e Amboni (2003). 2003). e) organização do curso. devem contemplar: a) perfil do formado/egresso/profissional conforme o curso. que eram fechados. independente da linha de formação escolhida.38 demandas da sociedade. o aprimoramento como pessoa humana.

escolar.39 mecanicistas. pessoal e laboral. . com a flexibilidade e a rapidez na resolução de problemas inerentes ao século de incertezas que estamos vivendo e presenciando. cria-se uma perspectiva positiva de capacitar indivíduos para que tenham condições de disponibilizar. os atributos adquiridos na vida social. ao mesmo tempo em que se cumpre o preconizado na atual LDB em relação à autonomia universitária. durante seu desempenho profissional. Desta forma. preparando-os para lidar com a incerteza.

Na perspectiva em se constituir em um instrumento de suma importância na formação superior. O que será discutido nos tópicos inerentes a este capítulo é a importância que a EaD tem na atualidade. estudaremos a legislação atual que a ampara no Brasil. onde se buscou as informações acerca do que se está fazendo e se doutrinando no Sistema de Ensino Naval (SEN).0. principalmente com o advento das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (N-TIC) em uma sociedade globalizada. busca a possibilidade de complementar a formação do aluno da graduação superior habilidade em Administração na Escola Naval. ao se utilizar do compartilhamento e interação com o mundo real através da web 2. uma relação temporal no mundo e no Brasil. principalmente em função das novas tecnologias (em especial a internet). sendo que só serão avaliados os instrumentos legais que amparam a EAD na graduação superior. foco principal desta pesquisa. o nosso caso de estudo. Com o novo conceito de educação online. 2003) Esta pesquisa não entrará no estudo pormenorizado da Educação a Distância (EaD). localizando a sua situação. Foi realizada uma entrevista com o Chefe de Departamento do Ensino a Distância da Marinha do Brasil (MB). não é o seu foco principal. O capitulo será concluído com o que existe atualmente em relação aos cursos autorizados pelo MEC para a EaD e sua relação com a formação superior de Administração. .40 CAPÍTULO II – A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EaD) Aprender é construir significados e ensinar é oportunizar essa construção (MORETTO. Nos tópicos a seguir serão vistos a EaD e sua perspectiva conceitual.

no qual professores e alunos estão separados. também é conhecida como Ensino a Distância. como a Internet.1 .. 6) é “uma modalidade de educação em que os professores e alunos estão separados. Entrando mais sobre o enfoque do ensino e da aprendizagem. eles podem estar conectados. mediado por tecnologias. o rádio. à primeira vista. ou mesmo Educação online. este mesmo autor (2000) define EaD como: [. a saber: . Segundo Maia (2007. um conceito mais restrito da EaD. a videoconferência e a teleconferência”. que é uma forma utilizada para expressar a EaD fora do país. e já há muitas pessoas e organizações no Brasil que só aplicam a expressão em inglês. Historicamente tem-se em Guttemberg (1442) o propulsor tecnológico com a invenção da imprensa. planejada por instituições e que utiliza diversas tecnologias de comunicação. o fax e tecnologias semelhantes. Conforme Maia (2007. como a internet. no Brasil.41) é o “conjunto de ações de ensino-aprendizagem desenvolvidas por meio de meios telemáticos. a televisão. p. principalmente as telemáticas.A perspectiva Conceitual da EaD A definição da Educação a Distância parece. que segundo Moran (2008. pois. Apesar de não estarem juntos.] é o processo de ensino-aprendizagem. o CD-ROM. Tem-se também a expressão e-learning. Mas podem ser utilizados o correio. Treinamento a Distância. p. até então. era restrito às classes mais abastardas. de maneira presencial.. interligados por tecnologias.” Educação a Distância (EaD). p. ser bem simples.41 2. o vídeo. a EaD teve diferentes estágios ou gerações.21-22) comenta. A EaD é uma prática educativa que já está consolidada no mundo ocidental há quase um século. que proporcionou que o conhecimento fosse compartilhado e transmitido a um maior número de pessoas. ou temporalmente.

d) aprendizagem independente . Segundo Gutierrez (apud Marinha. 1-2): a) separação professor-aluno . satélite e TV a cabo.é imprescindível a existência da tutoria nos cursos a distância para dar apoio necessário ao aluno. 2a Geração: analógica (novas mídias e universidades abertas) – de 1970 até 1990.permite aumentar o grau de proximidade em função da interação (tutor x aluno). a oportunidade em milhões de estudantes realizarem cursos a distância apresenta-se como uma possibilidade real em todos os níveis de ensino. No caso específico desta pesquisa. enviados pelo correio. 2005). com interação por telefone. b) utilização dos meios de comunicação . estudo por correspondência. recursos de conferências e multimídia. A EAD hoje é caracterizada por inúmeras instituições que oferecem cursos a distância. é baseada em redes de computadores. São características principais da Educação a Distância segundo Garcia Aretio (apud Marinha. podemos realçar a aprendizagem independente em que o aluno é que faz o seu estudo a tempo e a hora desejada.esse grau de separação vai depender da proposta pedagógica do curso.42 1a Geração: textual (cursos por correspondências) – de 1876 a 1970. adequando a sua aprendizagem às suas capacidades para auto-formação. desde disciplinas isoladas até programas completos de graduação e pós-graduação. que poderá em alguns casos ser híbrido. p. 2005. parte a distância e parte presencial.o aluno aprende a aprender no seu ritmo de forma flexível. cujo meio de comunicação era o material impresso. por motivo das grandes . rádio. tendo o primeiro o papel de estimular um constante diálogo com o aluno. não atrapalhando os seus compromissos profissionais e acadêmicos diários. e 3ª Geração: digital (EaD online) – a partir de 1990.o avanço da tecnologia tem permitido um maior acesso à informação. fitas de áudio e vídeo. e) comunicação bidirecional . onde são introduzidas as transmissões por televisão aberta. c) apoio de tutoria .

por alguns autores. para pessoas com uma maior experiência de vida. melhoria da expressão pessoal. a um maior número de estudantes. da sua organização do pensamento. visto que a EaD é mais bem conduzida. os quais podem se adaptar às necessidades educativas das variadas instituições de ensino” (ibdem. que ratifica o nosso posicionamento acima. que teremos quantidade sem diminuição da qualidade. significa que. segundo este mesmo autor. atendendo a uma demanda sem que os materiais educativos percam a sua qualidade. Outra vantagem importante para a nossa pesquisa é o menor custo por estudante. Um fato colocado como vantagem por Gutierrez apud Marinha (2005) é a autodisciplina de estudo. "é possível atender. p. na educação a distância não existem limitações geográficas. a fórmula capaz de resolver o problema da democratização do ensino" (ibdem. Questão para discussão. Podemos ainda comentar. Outra desvantagem é relacionada ao perfil do aluno e aos problemas como a maturidade. esta situação tem que ser bem avaliada. com um menor custo. com um menor custo. p.43 vantagens que oferece. Além da massividade espacial. Algumas desvantagens da EaD podem ser citadas: em primeiro lugar. “é mais adequado para a educação de adultos. a “face-a-face”. Porém. especialmente críticos quando se trata de alunos mais jovens. ou seja. “é possível atender a um número maior de alunos. Segundo Moran (2008. digamos assim. para um maior número de estudantes constitui-se.2).2). . típica de uma sala de aula. principalmente para aqueles que já têm experiência consolidada de aprendizagem individual e de pesquisa. da auto-aprendizagem. Alunos que estão em localidades diferentes podem participar do mesmo curso. Moran (2000) acrescenta. p. 47). a autodisciplina e o isolamento. como acontece no ensino de pós-graduação e também no de graduação”.1. que a mesma não proporciona uma relação pessoal e direta aluno/professor. a princípio. fazendo a promoção no aluno da autodisciplina. Uma atenção mais eficaz. e tudo o que conduz à autovalorização e segurança de si mesmo.1.

tem como base a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB). Mais relevante é a possibilidade de “cooperação e integração” entre esses . indispensáveis para os processos de aprendizagem. organizada com abertura e regime especiais. a EAD é citada diretamente em apenas quatro artigos desta Lei. sem ônus para o Poder Público. é o único inteiramente dedicado ao tema. principalmente quando deixa para os respectivos “sistemas de ensino” a autorização para implementação da EaD. A educação a distância.44 Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana.custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens. As normas para produção. Em seu texto completo. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância. produção e pode sentir dificuldade em acompanhar o ritmo do curso.o 9. III .394 de 20 de dezembro de 1996. O aluno desorganizado vai deixando passar o tempo adequado para cada atividade. § 2º. discussão.concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas. pelos concessionários de canais comerciais. caberão aos respectivos sistemas de ensino. A educação a distância gozará de tratamento diferenciado. 2. § 3º. o parágrafo terceiro (grifo nosso) é interessante de ser comentado. II . a Lei n. o art. a seguir transcrito.1 – Legislação da Educação a Distância A Educação a Distância no Brasil. § 4º. 80o.1. podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. em todos os níveis e modalidades de ensino. controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação. ficam muito difíceis a autonomia e a organização pessoal. Na pesquisa em questão. e de educação continuada. A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. que incluirá: I . Art. § 1º. 80º. em seu formato atual. Porém. que pela primeira vez se falou no incentivo ao desenvolvimento e verificação de programas de EaD. será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União.reserva de tempo mínimo.

6o trata dos convênios e dos acordos de cooperação celebrados para fins de oferta de cursos ou programas a distância entre instituições de ensino brasileiras. 5o. 8o § 2o.45 diferentes sistemas. 22o e 23o. ou seja: [. mencionada em diversos artigos do referido instrumento legal. A Lei n. portanto. o ensino militar do ensino civil. Continuando pelo artigo 16o. 16o. entre eles o 3o.. que deverão ser previamente submetidos à análise e homologação pelo órgão normativo do respectivo sistema de ensino. devidamente credenciadas. cabe uma explicação em relação aos sistemas de ensino que interessam a pesquisa. deixa claro que os sistemas de ensino terão liberdade de se organizarem. que chamaremos de “civil” ou “militar”. 1o a definição da EaD. concluímos pelo artigo 83º das disposições gerais. com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada. que regulamenta o art. . o art. que o ensino militar é regulado em lei específica. para que os diplomas e certificados emitidos tenham validade nacional.. Seguindo ainda por esse mesmo caminho legal. admitida a equivalência de estudos. Neste momento. Separando. e os órgãos federais de educação.o 11.] a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação.279 de 9 de fevereiro de 2006 é a que dispõe sobre o ensino na Marinha. de 19 de dezembro de 2005.622. e suas similares estrangeiras. que corrobora o que já foi anteriormente explicado. O art. tem em seu art. Na Lei em questão. O Decreto no 5. 80 da LDB. de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. Um aspecto marcante neste decreto é a garantia de equivalência entre o ensino presencial e a distância. que define a composição do sistema federal de ensino com as instituições de ensino mantidas pela União. no caso federal.

O art. Algumas disciplinas estão sendo oferecidas total ou parcialmente a distância. Algumas universidades integram aulas presenciais com aulas e atividades virtuais.059. Sobre este mesmo ponto da flexibilização curricular. a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade “semipresencial”. p. uma definição da EaD. O resultado importante deste dispositivo é que podemos ter disciplinas quase inteiramente aplicadas a distância. A base legal regulada é o artigo 81 da LDB. de 10 de dezembro de 2004 (DOU de 13/12/2004.46 Outro instrumento legal importante para esta pesquisa é a Portaria nº 4. 34) do Ministério da Educação que regulamenta a oferta de carga horária a distância em disciplinas presenciais. O parágrafo 2o abre a possibilidade de introduzir disciplinas a distância em cursos presenciais. O currículo pode ser flexibilizado. outras com diferentes percentuais de atividades não presenciais e outras ainda serem ministradas de forma totalmente presencial. no . na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos. 1o autoriza as IES a introduzir. p. flexibilizando tempos e espaços e ampliando os esforços de ensinoaprendizagem até agora praticamente confinados à sala de aula. proporcionando flexibilidade na confecção da grade curricular. Ou seja. 42) comenta: A educação online também está começando a trazer contribuições significativas para a educação presencial. integral ou parcialmente. Moran (2008. módulos ou unidades de ensino-aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota. desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso”. o § 1o desta mesma portaria. A conclusão que podemos obter do que foi estudado é a grande vantagem existente no equilíbrio entre o ensino presencial e a distância. se desejarem. Seção 1. caracteriza a modalidade “semipresencial” como quaisquer atividades didáticas. Continuando. como transcrito: “poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput.

html>. O mesmo respondeu que a média da carga horária gira em torno de 40 horas-aula.1.mar. em nível de oficiais.2 – A EaD na Marinha do Brasil (MB) Para a elaboração deste tópico. Chefe do Departamento de Ensino a Distância (DEAD) da Diretoria de Ensino da Marinha (DEnsM13).ensino. 2009. . porque poderemos obter grandes resultados a um custo menor de deslocamentos sem perda de tempo e com maior flexibilização do gerenciamento da aprendizagem. existentes e que são ministrados na MB e suas cargas horárias.br/index1. o que corresponderia. O CMG Biagiotti disponibilizou a relação dos cursos realizados em 2008 no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW) e que está listada no quadro a seguir: QUADRO 2 – Relação dos cursos realizados em 2008 Nº 01 02 CURSO (Sigla) (C-EXP-AVG-EAD) (C-EXP-LIC-EAD) DENOMINAÇÃO Avaliação de Gestão Licitação 13 Diretoria de Ensino da Marinha (DEnsM) que cabe desempenhar as atribuições de Órgão Central do Sistema de Ensino Naval (SEN). Acesso em 05 jan. foi realizada uma entrevista no dia 18 de dezembro com o Capitão-de-Mar-e-Guerra (CMG) Luiz Cláudio Biagiotti. Disponível em:< https://www.mil.47 nosso caso online. por exemplo. a uma disciplina de graduação. 2. nos termos da legislação pertinente. Foi informado ainda que a Escola Naval (EN) realiza um curso de Inglês Instrumental com o convênio da Cultura Inglesa e que também possui um curso online de redação para alunos que se encontram com dificuldades e por voluntariado. que respondeu as perguntas formuladas que serão resumidas a partir de agora. Foi perguntado ao referido oficial quais os cursos de extensão ou especiais na EaD.

a priori.48 Nº 03 04 05 06 07 08 09 10 11 CURSO (Sigla) (C-ESP-GESTOMPS-OF) (C-EXP-O&M) (C-EXP-AB) (C-EXP-GECON) (C-EXP-PRE-OF-EAD) (C-ESP-ADIR) (C-Exp-AMP-OF-EAD) (C-EXP-AVG-OF-EAD) (C-ESP-PLE-OF-EAD) DENOMINAÇÃO Gestão de OMPS14 Organização e Métodos Abastecimento Gestão Contemporânea Capacitação de Pregoeiros Atualização de Diretores Análise e Melhoria de Processos Avaliação de Gestão Planejamento Estratégico EXP = Curso Expedito C-ESP = Curso Especial Fonte: DEnsM (2008) Podemos verificar. Cabe registrar que esta iniciativa da Marinha do Brasil ocorreu apenas dois meses depois da criação do Instituto Monitor de São Paulo. 5ª rev. o de Avaliação de Gestão e de Organização e Métodos. que os cursos ministrados on-line pela MB têm uma relação direta com a melhoria de gestão.). a organizações extra-MB nas seguintes áreas: industrial. e que poderiam ser disciplinas ministradas a distância que fariam parte do currículo da Escola Naval. são considerados como marco inicial da EaD no Brasil. de abastecimento e de serviços especiais. Brasília: Secretaria Geral da Marinha. Ele comentou também que a MB já realiza a EaD desde 22 de novembro de 1939. Volume IV. de pesquisa e desenvolvimento em ciências e tecnologia. efetuando a cobrança pelos serviços prestados. 14 . eventualmente. com o objetivo de preparar oficiais para a matrícula no Curso de Comando.Organizações Militares Prestadoras de Serviços são organizações que prestam diferentes serviços a outras OM e. que em suma trazem uma ligação com a formação Superior em Administração. que junto com o Instituto Universal Brasileiro. 2004. Como exemplos concretos: o Curso Especial de Planejamento Estratégico. a partir dos custos e despesas por ela incorridos (Normas de Administração Financeira e Contabilidade (SGM-301). hospitalar. OMPS . quando a Escola de Guerra Naval (EGN) criou um curso por correspondência. de 1941. o de Gestão Contemporânea.

a DEnsM iniciou estudos para a implementação do EaD via web. principalmente.é um ambiente para a criação. a 15 DEnsM optou pelo AVA TelEduc da Universidade de Campinas (UNICAMP). no desenvolvimento de material didático a ser utilizado em cursos a distância via web (DEnsM-5001. após a realização de estudos. com o objetivo de orientar Oficiais. criando o Núcleo de Ensino a Distância (NEAD). de 12 de setembro de 2005.br/>. Ele foi concebido tendo como alvo o processo de formação de professores para informática educativa. atualmente Departamento de Ensino a Distância (DEAD). bem como. TelEduc . o CMG Biagiotti comentou que o primeiro curso online foi o de Organizações e Métodos em 2000. pela falta de recursos orçamentários para o encaminhamento para os cursos no Rio de Janeiro do pessoal fora de sede. Em 2003. a fim de viabilizar a implantação do EaD na Marinha: A DEnsM utilizou. que irão atuar no EAD para o exercício de autores e tutores de EAD. Acesso em: 29 dez 2008. responsável pelo planejamento. ou mesmo para o envio de professores e instrutores para ministrarem esses cursos.49 São os seguintes documentos normativos que regem a EaD na Marinha e que foram fornecidos pelo CMG Biagiotti: a Portaria 167/DEnsM. participação e administração de cursos na Web. além do próprio Manual técnico da EaD. 15 .org. p 1-5). Fato que foi impulsionado. Em 2001. Nesse ano. o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) E-Proinfo do MEC. baseado na metodologia de formação contextualizada desenvolvida por pesquisadores do Nied (Núcleo de Informática Aplicada à Educação) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Praças e Civis assemelhados. inicialmente. Segundo o Manual para elaboração de Cursos a Distância e aproveitando o relato histórico da EaD na MB do nosso entrevistado. criou o curso Expedito de Capacitação de Autores e Tutores de EAD (C-EXP-CATEAD). documento DEnsM-5001. que aprova as Normas para a Condução dos Cursos a Distância do Sistema de Ensino Naval. coordenação e controle das atividades de EaD nas Organizações Militares (OM) do Sistema de Ensino Naval (SEN). Disponível em: < http://www.teleduc. Continuando com a entrevista.

é um dos grandes desafios que estamos enfrentando atualmente na educação no mundo inteiro. a educação online ocupará um espaço central na pedagogia nos próximos anos”. Ele respondeu que seria um caso interessante a estudar. a informação pode se dar cada vez mais de forma instantânea e rápida. foi comentada sobre a imaturidade do aluno da graduação. sem limites de tempo ou espaço. A primeira seria garantir que todos tenham o mesmo acesso aos meios tecnológicos. 2. A afirmação é de Moran (2008. por exemplo. (José Manuel Moran) Ao iniciarmos a nossa pesquisa. teria duas preocupações principais. foi perguntado ao CMG Biagiotti o que ele achava da utilização do ensino online para complementar.Educação a distância versus Educação presencial Aprender a ensinar e a aprender. a internet. .50 Utilizando-se da sua experiência na MB com a EaD. a rapidez de comunicação por redes e a facilidade próxima de ver-nos e interagir a distância. esbarrando por vezes e ainda que parcialmente em questões culturais e/ou de idioma. e fez desaparecer qualquer outro tipo de demarcação territorial. quando estudamos o currículo como fonte de construção histórica do conhecimento de uma determinada área a ser descoberta no capítulo 1. foi mencionado que nessa sociedade globalizada em que vivemos no século XXI. 42) com quem concordamos integralmente.2 . por exemplo. a banda larga. algumas disciplinas da graduação da EN. A outra preocupação seria que “a garotada não está preparada para a EAD”. p. integrando ambientes presenciais e virtuais. Um fato marcante a ser considerado é a “grande teia”. que popularizou as comunicações de tal forma que ratificou a abolição das fronteiras físicas entre os Estados. “Com o avanço da telemática. porém.

a educação a distância é uma modalidade de ensino aprendizagem planejada na qual os participantes não precisam estar fisicamente próximos. o que podemos verificar é que não existe uma diferença acentuada entre educação presencial e a distância.51 Segundo Maia (2007. No entanto. de maneira diferente. gerando novas práticas de ensino e de aprendizagem. A primeira é a sala de aula. mesclados à produção individual. o uso de uma tecnologia inovadora não pode ser considerada uma estratégia. A educação. para que possam efetivamente apoiar o processo de construção de novas competências. Nestas comunidades somos co-responsáveis pelo processo individual e do grupo: alunos. se privilegiarmos o uso de ambientes coletivos. Como Moran nos deixa claro que “desde sempre aprender está associado a ir a uma sala de aula. são metodologias pedagógicas que podem se utilizar de ferramentas de transmissão e recepção. e lá concentrarmos os esforços dos últimos . hoje. p. 84) “o essencial. recebe os impactos das tecnologias sobre seus métodos de ensino e formas de aprendizagem. Seus textos e demais interações estão registrados no ambiente e. Como já definido. Existem dificuldades sérias na aceitação da EaD. tutores e professores. mas consideramos que a principal diferença entre as duas é o potencial colaborativo da EaD. Por isso mesmo. mas sim a capacidade de pesquisar e avaliar fontes de informação. podemos construir uma comunidade de aprendizagem colaborativa. não é se encher de conhecimentos. A educação presencial e a EaD tem seus valores e singularidades. ensino aprendizagem. como um todo. A intenção do seu uso como ferramenta de apoio ao ensino precisa estar relacionado à definição de estratégias pedagógicas. mas mediados por tecnologias e contam com disposições organizacionais e administrativas especiais. As pessoas na EaD se expõem muito mais porque precisam interagir para se fazer presente. transformando-as em conhecimentos”.

acontece e acontecerá em virtude da interação de seres humanos. este sim um elemento ativo e participativo e foco principal do processo pedagógico. QUADRO 3 – Relação Educação Tradicional e Educação on-line Na educação tradicional O professor O aluno A ênfase educacional A avaliação O método de ensino O acesso ao conhecimento Fonte: CACIQUE (2000. p.1). a qualquer momento e lugar. 2000. Com a nova tecnologia Um facilitador Um colaborador ativo Pensamento crítico Da interpretação Interação Sem limites Um especialista Um receptor passivo Memorização dos fatos Do que foi retido Repetição Limitado ao conteúdo Continuando pela linha de raciocínio que não existem grandes diferenças entre a educação presencial e a distância. p. Este autor cita o início da história da humanidade. Maia (2007). .46) No quadro a seguir é contextualizado a mudança do paradigma e o impacto da educação online nas salas de aula. Assim. inicialmente nas salas de aula. passando a ser e atuar como um elemento incentivador de descobertas e auxiliar no processo de aprendizagem do aluno. no caso específico da educação on-line (internet). afirmando que educação sempre será um processo que aconteceu. e agora. 47) o que pode ser notado em primeiro lugar é que o professor deixou simplesmente de ser transmissor e detentor do conhecimento e foco principal da educação tradicional. 2008. p. onde era familiar a transferência da experiência e da vivência dos mais velhos para os mais novos.52 séculos para o gerenciamento da relação entre ensinar e aprender” (MORAN. entra no tema do uso que vem sendo acentuado das N-TIC’s. Segundo Garcia e Cortalazzo (apud Cacique.

não há distinção. antes de tudo. Porém.53 A Educação online é. uma grande diferença possível. não existe uma diferença legal entre a formação a distância e a presencial. Em reportagem publicada no Jornal O Globo. Constantino Cavalheiro. p. 2. seria em relação ao mercado de trabalho do egresso de uma ou de outra formação. Mas em educação online tecnologia é isto mesmo: um meio e não um fim [. a modalidade a distância ajuda a ampliar e democratizar o acesso à educação superior em conjunto com outras ações e programas do Ministério da Educação em curso. a preocupação das empresas é com as instituições em que o estudante se formou. se entretendo e aprendendo em rede (Wilson Azevedo apud Maia. educação.18) Como já verificado e visto. Sr. Essa Interação pode ser intermediada por tecnologia. o Ministro da Educação..A graduação Superior a distância no Brasil Em entrevista ao Jornal O Globo de 30 de novembro de 2008. que acontece na e pela interação de seres humanos. Fernando Haddad.] mais do que uma rede de computadores. que poderia ser colocada.3 .. e não com a modalidade. versão online de 12 de dezembro de 2008. como o Programa . Este mesmo consultor esclarece: “Não conheço nenhum critério de seleção que dá preferência a um candidato porque ele fez um curso presencial. O mais importante é a pessoa conseguir aplicar os conhecimentos no trabalho”. Segundo ele. A educação é um processo humano e social. tranquiliza o diretor da consultoria Catho Online. e simboliza como sendo uma nova fronteira na educação superior. 2007. O aproveitamento dos formandos de cursos online pelo mercado de trabalho costuma ser bom. Para Haddad (2008). logo “precisa de paradigmas sólidos para não comprometer a ampliação do acesso ao próprio ensino superior”. o diploma não faz esta separação. as empresas não fazem distinção entre cursos não presenciais e os tradicionais. declarou que a educação a distância está em construção no Brasil. estamos diante de pessoas se relacionando.

por isso precisamos estar no pé (Bielschowsky. são um fenômeno relativamente novo na educação brasileira. com um choque de qualidade. disse. ele comenta: Este governo incentiva o ensino a distância.657 245.204 2006 de 575. Mas crescer sem qualidade não nos interessa. Sr.] Crescer sem qualidade não nos interessa. “estamos dando um freio nessa expansão.54 Universidade Para Todos (ProUni) e o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (ReUni).749 778.826 + 356% + 62. O foco principal desta e de outras reportagens foi a desativação pelo MEC de 1. "Num próximo PNE. como já comentado anteriormente. Carlos Bielschowsky. A tabela abaixo mostra claramente que ocorreu um boom na demanda por graduação e também da pós-graduação online entre 2004 e 2007. poderemos fixar a meta de atender 50% da juventude". ratificando as palavras do Secretário de Educação a Distância do MEC acima transcritas.366 150.957 300. Temos universidades privadas que em três anos saíram de zero para 100 mil alunos. [. "Vamos cumprir a meta de alcançar a taxa de 30% de matrícula bruta na educação superior entre 18 e 24 anos". crescendo 356%. Essa expansão acaba comprometendo um pouco a qualidade.378 504. 2008) Os cursos à distância..826 203.. com duração de dez anos.709 202. que entrou em vigor em 2000. que segundo o Secretário de Educação a Distância do MEC.571 309. em referência à meta estabelecida no Plano Nacional de Educação (PNE). previu o Ministro.337 centros de ensino a distância no país. TABELA 2 – Evolução do número de alunos nos cursos EaD 2004 Nível de credenciamento Federal Estadual Total Geral Fonte: AbraEAD/2008 2005 Número 159.8% + 213% Evolução no período .” Continuando ainda com o secretário sobre o tema de qualidade do ensino a distância.458 2007 alunos 727.169 972. faz investimentos financeiros para que ele cresça.

de interação corporal (dança. sendo que apenas 12 controlam mais de 70% da oferta de cursos. não nos cabe avaliar. Durante o desenvolvimento das disciplinas de maior presença física. Mas. também há elevados custos a serem absorvidos pelas instituições de ensino. “o objetivo do sistema é levar ensino superior público de qualidade aos municípios brasileiros que não possuem cursos de formação superior ou nos quais essa oferta não é suficiente para atender a demanda”. em 108 instituições credenciadas pelo MEC (a maioria privadas). no equilíbrio entre o individual . pilar da educação. Segundo Bielschowsky. fato que conta com amplo apoio do Governo Federal através dos seus órgãos ligados à educação. como as que utilização laboratórios.3. assim. pela possibilidade de maiores lucros”. segundo Moran (2008. rede que reúne 70 universidades públicas. o importante é que sejam focados na construção do conhecimento. O que podemos concluir é que a formação superior está em franco desenvolvimento no Brasil por intermédio da educação a distância. e segundo Ferrato e Andrade (200?) “o maior número de vagas é oferecido pelas IES privadas. etc.). Na rede pública. é o elevado investimento inicial para sua montagem. Como estamos no início do processo da construção da EaD. e na interação. 47). a oferta de cursos superiores à distância está centralizada na Universidade Aberta do Brasil (UAB). em cursos com baixos investimentos em infra-estrutura e recursos materiais e.1 – A graduação superior a distância em Administração Um dos grandes óbices verificados para a implantação de um curso de graduação a distância. 2. entre elas UERJ. atualmente existem cerca de 750 mil alunos fazendo graduações à distância. p.55 Segundo ainda esta mesma reportagem. UFRJ e UFF. teatro. Quanto aos lucros auferidos. no primeiro momento.

bacharelado. TABELA 3 – Total de cursos da EaD por região Total de IES (*) 38 54 17 8 10 127 Percentual Somente Cursos de Graduação 25 36 15 7 10 93 73 % Somente Cursos Administração 8 19 9 4 9 49 53 % Região Sul Sudeste Nordeste Norte Centro-Oeste Total (*) Total de IES com pelo menos uma formação do tipo: Licenciatura. Tal fato foi assinalado pelo Ministro da Educação. Na edição do Guia de Educação a Distância (ano 6. esses cursos são pagos pelas próprias empresas que encaminham seus profissionais para atualização”. Dos números apresentados. porque os mesmos não têm uma fiscalização direta do MEC. pós-graduação. já em andamento ou com previsão de novas turmas. Existe uma tendência ao aumento dos cursos de MBA e pósgraduação lato sensu. n.. em entrevista ao Jornal O Globo. . Pós graduação. 6. podemos concluir que a graduação (licenciatura.. MBA e/ou tecnólogo.56 e o grupal. Ele argumenta que a fiscalização da qualidade do curso é realizada pelo próprio mercado de trabalho. bacharelado e tecnólogo) é mais de 70% dos demais cursos a distância. A listagem era por região do país e dividida em graduação.] na maioria das vezes. estavam com inscrições abertas. MBA e tecnólogo. um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso. licenciatura. 2008) foram listados os cursos que. A tabela a seguir faz um resumo das IES citadas na reportagem. em 30 de novembro de 2008: “não é feita avaliação do MEC dos cursos de pós-graduação lato sensu [. durante o período da pesquisa realizada pela revista. entre o conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa).

O curso é dirigido aos portadores de diploma dos cursos de formação de oficiais daquela academia. foi verificado que a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) tem um curso de graduação a distância de Administração. pretende-se obter resultados mais expressivos a um custo menor de deslocamento e. cujo objetivo expresso na página principal daquela IES é o de ser “um curso inovador. Durante o desenvolvimento da pesquisa. criado para atender as expectativas dos oficiais dos cursos de formação de oficiais da AMAN Academia Militar das Agulhas Negras. . Se compararmos com a totalidade dos cursos existentes.57 Outro número estatístico interessante é que mais de cinquenta por cento dos cursos de graduação superior são de Administração. principalmente. uma flexibilização curricular que permita o melhor gerenciamento da construção do conhecimento e da aprendizagem pelo aluno. um número bastante significativo. com a possibilidade bem atual do equilíbrio entre esta modalidade de ensino e a presencial. atingimos cerca de 39%. em convênio com a Academia Militar das Agulhas Negras. Assim. e é corroborado por diversos autores. em busca pela internet. visando à obtenção do grau de Bacharel em Administração”. bacharelado. O que se pode inferir do que foi desenvolvido neste capítulo é que existe. a relevância da EaD (no nosso caso o online).

Também foi realizada uma comparação da matriz curricular da instituição militar de ensino portuguesa com a Escola Naval brasileira. sobressalentes e géneros alimentares. procurando responder a pergunta de como a formação superior em Administração de uma Instituição militar-naval. foi encaminhado um questionário estruturado para a superintendência de Ensino daquela academia. cuja relação das instituições se encontra no ANEXO 1. dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. tais como material. Para tal. . o qual foi respondido e se encontra no ANEXO 2 desta pesquisa. 16 (GMAR Lopes Ribeiro .58 CAPÍTULO III – MATRIZES CURRICULARES A bordo deste navio sou responsável por toda a logística. o que será comparado nos dois primeiros tópicos deste 16 GMAR – abreviatura de Guarda-Marinha em Portugal. Continuando nesse enfoque e com o escopo de se apresentar uma amplitude maior da relação das IES com a formação superior em Administração em órgãos similares de formação. situa-se em relação à formação acadêmica civil. Como Chefe de Serviço lidero directamente 13 pessoas. Em suma. Sou também responsável pela área financeira e pelos registos contabilísticos. tendo que garantir o abastecimento completo e oportuno nas mais diversas áreas.Chefe do Serviço de Abastecimento do Navio "João Coutinho") Este capítulo será a união dos pontos principais que foi apresentado nos capítulos I e II em relação ao tema proposto. A primeira parte será trabalhada em função da pesquisa realizada em matrizes curriculares de 43 IES. do ensino tradicional ou mesmo da educação a distância. técnicos nas diversas áreas atrás referidas. no caso específico da Escola Naval. particulares ou públicas. será apresentada uma relação comparativa com a Escola Naval de Portugal.

8). Assim. não levando. em consideração se eram públicas ou privadas. A referência bibliográfica constante e imprescindível a este capítulo foi o livro “Diretrizes Curriculares para o Curso de Graduação em Administração: como entendê-las e aplicá-las na elaboração e revisão do projeto pedagógico” dos professores Rui Otávio B. pretende-se que os elementos curriculares poderão ser propostos para complementar a formação atual do administrador militar-naval. é bom reafirmar que.Avaliação comparativa entre as matrizes curriculares O trabalho de pesquisa deste capítulo foi iniciado com uma busca pela internet de IES que tem a graduação de Administração. segundo Andrade e Amboni (2003. Nesse primeiro momento não houve também a preocupação se a Instituição já estava sobre o novo enfoque das diretrizes curriculares ou se mantinha a antiga estrutura dos currículos mínimos. 3. Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e a Escola Naval de Portugal (ENP) em relação à Escola Naval do Brasil (EN). que . A pesquisa continua através do envio de 81 questionários semiestruturados para diversas IES de todo o território nacional. cujo resultado esperado. foi a relação das IES com a EaD. p. a decisão dos currículos mínimos veio depois de uma ampla discussão entre os representantes de mais de 400 IES de todas as regiões do país que propuseram uma retificação no projeto de diretrizes curriculares. de Andrade e Nério Amboni (2003). Neste último caso.1 . a priori. Academia da Força Aérea (AFA). Outro ponto importante para a nossa pesquisa. desenvolvido no questionário. as suas cargas horárias e fluxo de disciplinas entre as universidades públicas e privadas. será em relação ao que se procurou definir sobre habilidades e competências comuns e específicas aos perfis do administrador civil e do administrador militar-naval na atualidade. ou mesmo se pedagogicamente era da educação tradicional ou a distância. que se encontra disponível no ANEXO 3. em síntese.59 capítulo será importante para considerarmos os conteúdos das ementas.

foram juntadas matérias segundo aspectos atuais. aquela que possuíam o mesmo nome ou similar. previstos em um enfoque das diretrizes curriculares. Na criação dessas disciplinas-mãe foram observados dois enfoques principais. daremos início às diversas comparações que envolvem esta fase da pesquisa. através da organização de um modelo pedagógico capaz de adaptar-se à dinâmica das demandas da sociedade atual. realizou-se um estudo comparativo. a profissão era de Técnico em Administração). como já comentado no capítulo II. 3. Em um momento posterior. Como já visto no item 1. Isto posto como introdução ao capítulo.1 – Entre as IES do Brasil na graduação de Administração Como já comentado no início deste capítulo. a partir do desenvolvimento das competências e das habilidades que se deseja desenvolver. 2003. conferir uma maior autonomia às instituições de ensino superior na definição dos currículos de seus cursos.1. Para tal. visto que foi verificado que diversas instituições ainda mantêm o modelo pedagógico antigo. O primeiro foi baseado nos currículos mínimos e suas disciplinas obrigatórias. foram selecionados aleatoriamente pela internet 43 Instituições de Ensino Superior e baseado em suas matrizes curriculares e cargas horárias despendidas com cada disciplina. o que se procurou com as diretrizes curriculares nacionais foi permitir uma flexibilização e priorização de áreas de conhecimento na construção dos currículos plenos. ou mesmo aquelas que a ementa disponível significasse algo fundamental em relação às disciplinas-mãe. 21). foram criadas as “disciplinasmãe”. que caiu com a promulgação da LDB em 1996. Segundo estes mesmos autores. que seriam a síntese das diversas disciplinas afins. ou seja. p. . em que a graduação passa a constituir-se uma etapa de formação inicial no processo contínuo da educação permanente (ANDRADE E AMBONI.4.60 substituiu os currículos mínimos iniciais da formação puramente técnica do Administrador (no início.

Administração de Recursos Humanos. Administração da Produção. Economia. mantendo-se os aspectos intrínsecos de suas ementas de caráter amplo. eram em sua maioria disciplinas pertencentes a uma linha específica de formação. por instituição. além do que foi citado no parágrafo anterior. Percentual considerado satisfatório por este pesquisador. Psicologia/Sociologia/Filosofia e Língua Estrangeira e Português Teoria da Administração. é que aquelas que não foram encaixadas diretamente nas disciplinas-mãe. Matemática Financeira e Estatística. Como exemplo. o espectro de disciplinas que foram enquadradas nas disciplinas-mãe. Administração Financeira e Orçamentária. Administração Mercadológica.61 Foram criadas tabelas com as disciplinas-mãe e suas correspondentes. Podemos listar as seguintes disciplinas-mãe enquadradas nos respectivos conteúdos pedagógicos de sua formação: QUADRO 4 – Relação das Disciplinas-mãe por formação Formação Básica Disciplinas-mãe Direito e Política. a linha de formação em Administração Industrial da CEFET-RJ privilegia diversas disciplinas que não fizeram parte de nenhuma disciplina- . que perfazem uma média de 78% das mesmas em relação à totalidade das disciplinas constantes das matrizes curriculares das IES. e Organização. recorrentes em quase todas as IES. como as ligadas à contabilidade. visto que algumas disciplinas. Administração de Materiais e Patrimoniais. Empreendedorismo e Estágio Supervisionado Profissional De estudos quantitativos e suas tecnologias De formação complementar A tabela constante do ANEXO 1 retrata. não foram consideradas para efeito desta pesquisa. Sistemas e Métodos. O que se verificou. Administração Estratégica. à gestão ambiental e as específicas de cada linha de formação. Jogos de Empresa. que seriam constituintes dos projetos pedagógicos da formação superior em Administração. Administração de Sistemas de Informação.

Como exemplos temos as “atividades complementares”. Foi verificado na amostra de IES em questão que em sua grande maioria tal determinação é cumprida. 2003. ou mesmo os “seminários integradores”. o projeto pedagógico para o curso de Administração e Negócios terá “por base a carga horária de 3000 horas-aula. não houve uma diferença percebida entre as diversas matrizes curriculares. que no final das contas. entre outras. ainda guardam entre si relação quase que direta com os antigos currículos mínimos. Por isso mesmo. Porém. Em relação às IES do ensino tradicional e da educação a distância. ou ainda na busca de uma . mas nada a ser considerado de relevante. Em resumo. pois as mesmas eram nominadas genericamente e suas ementas variadas. tendo em sua maioria as disciplinas presentes nas disciplinas-mãe com bastante similaridade. ou os “tópicos especiais”. a grande maioria das IES avaliadas cumpre o que está preconizado nos pareceres do MEC.62 mãe. Segundo Andrade e Ambosi (2003) e como previsto no parecer do CNE/CSE n 134/2003. p. a percentagem de disciplinas iguais desse Centro ficou em 71% em relação à totalidade de sua grade escolar. O que se verificou foi a grande diversidade de nomenclatura das disciplinas. “normalização”. Este fato em nada prejudicou a essência dessas disciplinas que é preparar o jovem graduado para o mercado de trabalho e para uma possível continuidade de sua aprendizagem através do ensino continuado. “contabilidade industrial”. incluída as 300 horas-aula destinadas para o estágio supervisionado em Administração (10%) e as pertinentes para as atividades Complementares em até 20% da carga horária do Curso” (ANDRADE e AMBOSI. Em algumas instituições ficou difícil o enquadramento de determinadas matérias. Acredita-se com isso que a instituição associe a prática e a teoria em um maior grau para os seus alunos. A diferença principal que podemos citar é que em alguns casos a carga horária está a mais para uma ou a menos para outra. em algumas o estágio supervisionado chega a mais de 10% da carga horária total do seu curso (vide ANEXO 1). 42). ou ainda “práticas administrativas”. como “segurança industrial”.

] deverá ser capaz de acompanhar a evolução do mundo contemporâneo e do Brasil. 3. ele desenvolve um período de um ano de estágio supervisionado em organizações militares (OM) da MB e outras disciplinas específicas. CMG (RM1-IM) – sigla de Capitão-de-Mar-e-Guerra da Reserva Remunerada do Corpo de Intendentes da Marinha..63 linha de formação que mais se adéqüe ao perfil esperado do egresso da graduação superior de Administração. e o Ciclo Pós-Escolar (CPE). Ao término dos dois ciclos.. no seu contexto.. A formação do aspirante da EN é dividida em dois ciclos principais. que forneceu os sumários específicos de 2007 da formação diversificada da Escola Naval com a habilitação em Administração. 17 .] bem como o conhecimento dos principais processos e respectivos fluxos de informação e habilidade no manuseio das principais ferramentas de administração econômico-financeira e dos sistemas corporativos para apoio às OM (organizações militares) na área da Intendência [. agora enfocando uma relação comparativa entre as matrizes curriculares das IES avaliadas anteriormente e a EN. sua capacidade de perseguir o contínuo aperfeiçoamento profissional [. dados estatísticos e todo o material consultivo para a continuação deste trabalho. Após a sua formatura e promoção ao posto de Guarda-Marinha (GM).. o Ciclo Escolar (CE) que vai do primeiro ao quarto ano de formação universitária.1. ao longo da carreira. o jovem oficial deverá estar preparado para exercer as atividades técnico-operacionais e de liderança a bordo dos navios e das OM de terra: Deverá ter uma sólida formação acadêmica que assegure. foi realizada uma entrevista semiestruturada com o CMG (RM1-IM17) Cícero Pimenteira. tensões e tendências de ordem política. sabendo interpretar as crises. coordenador do curso da EN. que culmina com uma viagem de Instrução a bordo do Navio Escola Brasil por cerca de cinco meses para diversos países dos demais continentes.2 – Entre as IES do Brasil e a Escola Naval Para esta parte da pesquisa.

O primeiro ponto a se comentar sobre a matriz curricular da EN é que a mesma é de ciclo anual. criatividade e capacidade de comunicação” (ANDRADE e AMBOSI. são as seguintes competências a serem desenvolvidas no profissional de Administração que são similares ao exposto acima pela EN: “capacidade de se relacionar. p. preparando-o também para lidar com a incerteza. ideológica. formadora normalmente do ciclo básico. capacitando os indivíduos para que tenham condições de disponibilizar durante seu desempenho profissional os atributos adquiridos na vida social. em Sistemas de Armas e em Administração. pessoal e laboral. esta o foco do nosso estudo. de liderança. Segundo Andrade e Ambosi (2003). escolar. com a flexibilidade e a rapidez na resolução de problemas. sendo um participante ativo de uma vida em sociedade. iniciativa e postura pró-ativa. e que agregam ou acrescentam muito pouco para o futuro oficial gestor da MB. Não é finalidade desta pesquisa fazer criticas ao currículo atualmente existente para a formação superior do Oficial Intendente habilitado em Administração. 2003. social e militar. sem a escolha pelos mesmos do tipo de linha de formação existente na Instituição. busca do conhecimento. p. que são: habilitação em Mecânica. sendo que nos dois primeiros anos da graduação o ensino é básico e igual para todos os alunos. Serão postadas agora as principais diferenças e similaridades entre o currículo da EN na habilitação superior em Administração e o estudo realizado . este pesquisador passou pelos bancos escolares daquela instituição no início da década de 1980. (Cursos de Graduação de Oficiais da Escola Naval.64 econômica. 6) O que se verifica do perfil profissional que se deseja do Oficial habilitado na EN em Administração não está muito distante do desenvolvimento de competências estipulado pelo MEC/CFA. e pôde verificar que persistem algumas disciplinas. flexibilidade. sendo componente da primeira turma formada com essa habilitação. 37-38). em Elétrica. e que serão comentadas a seguir em maiores detalhes.

sem considerarmos nenhuma linha de formação específica. Principais similaridades entre as matrizes curriculares estão listadas no quadro abaixo: QUADRO 5 – Relação das Disciplinas-mãe da EN e das IES Escola Naval Português e Expressão Oral e Escrita Inglês Direito e Relações Políticas do Mundo Contemporâneo Economia. ofertando-lhe a formação superior em Administração de Empresas. Cálculo Métodos Quantitativos Contabilidade IES (disciplinas-mãe) Português Inglês Direito e Política Economia Administração de Sistemas de Informação Administração Financeira e Orçamentária Teorias da Administração Administração de Materiais e Patrimoniais Administração da Produção Administração estratégica Administração de RH Matemática Estatística Contabilidade Em relação às cargas horárias das disciplinas que são similares. como exemplo principal.65 nas matrizes curriculares de 43 IES de todo o Brasil que preparam o profissional para o mercado de trabalho civil. Princípios de Economia Brasileira e Formação Econômica Brasileira. . Administração de Sistemas de Informações e Gerência de Sistemas de Intendência Administração Financeira Administração para Intendentes e Administração Administração de Materiais e Gerência de Suprimentos Gestão Operacional Gestão Estratégica Liderança Cálculo Numérico. Fundamentos de Informática. diversos pontos discordantes são apresentados.

66 temos a quantidade de 420 horas aula (ha) do ensino de Inglês na EN. entre outras. 2 . segundo este pesquisador. estar incluída no ensino profissional.O que mais chama atenção é a disciplina Fundamentos de Armamento. por requisito atual de carreira. Mecânica Geral (90 ha). Desenho (60 ha). Assunto que não tem relação direta nem indireta com a habilitação em Administração e muito menos com a formação do oficial intendente de Marinha que. porém são de ajustes mais fáceis ou menos traumáticos de serem executados. não precisa mais embarcar em navios de guerra. Eletricidade (120 ha). com 30 ha. apenas três (7% do total) tinham como disciplina o Inglês Instrumental. que precisa ter uma proposta de valor profissional diferenciada. cabem as seguintes observações sobre as diferenças: 1 – Algumas disciplinas do ciclo básico da EN que. Nas demais disciplinas similares. Caso no futuro retorne a obrigatoriedade do embarque para o jovem oficial. pois estará vivendo em um mercado de trabalho de rápidas mudanças e constantes incertezas. . 3 – Não existem disciplinas ligadas à administração mercadológica nem ao empreendedorismo. o ensino tinha o foco voltado para a área das ciências exatas. quer civil ou militar. quarto ano escolar. a disciplina em questão poderia ser ministrada na viagem de instrução. O propósito da disciplina é “descrever os princípios da Direção de Tiro e suas aplicações nos Sistemas de Armas”. Como exemplos: Físicas 1 e 2 ( 240 ha). por exemplo. como foi na época deste pesquisador. com uma média de carga horária de 60 ha. Em relação às demais disciplinas componentes da matriz curricular da EN. as diferenças existem. o que não ocorre mais desde o início da década de 1980. Uma possibilidade que levantamos da continuação dessas disciplinas no currículo da EN é a tradição da própria MB que antes do início da formação diversificada (habilitações). enquanto que foi verificado que das 43 IES. Estas disciplinas são consideradas importantes na formação do futuro gestor. que também é coordenada pela EN. não agregam conhecimentos formador do gestor/administrador ao futuro oficial intendente e que permanecem desde o início da criação da formação diversificada daquela instituição.

eventualmente. hospitalar.planalto. em quatro anos no mínimo. em relação a esta disciplina em questão. sem contar o CPE. a Distribuição Física com 10 ha e a Gestão Eficaz de Operações e Logística com 15 ha. este pesquisador pode concluir. a partir dos custos e despesas por ela incorridos (Disponível em: http://www. como na disciplina Administração de Material com 90 ha.gov. deixando livre no ciclo de formação 210 ha para outras disciplinas inerentes à formação do administrador generalista. Acesso em: 08mar09) . o Sistema de Pagamento de Pessoal. efetuando a cobrança pelos serviços prestados. o Sistema de Controle Interno na MB. Nos mais de 25 anos de serviço ativo e efetivo à MB. verificamos que existem diversas similaridades entre a formação civil e a militar. de pesquisa e desenvolvimento em ciências e tecnologia. a princípio e salvo melhor juízo. quando o GM intendente ficará vivenciando os problemas do dia-a-dia das OM.são organizações que prestam diferentes serviços a outras OM e. as demais unidades que completam essa disciplina não são ligadas à Logística em si. a Gerência de Suprimento e a Gestão da Sistemática de OMPS18.htm. a Gestão Administrativa Financeira. quando o egresso tem a disciplina de Gerência de Sistemas de Intendência. que tem a Logística e Operações com 20 ha. de abastecimento e de serviços especiais. O MEC prevê uma carga horária mínima de 3000 ha para o curso de Administração e Negócios.67 4 – A disciplina de Logística está disponível na maioria das IES pesquisadas. que a mesma pode ser ministrada no CPE. Neste ponto da pesquisa. No caso da EN. neste caso da Marinha. o que vai ser habilitado em Administração. a organizações extra-MB nas seguintes áreas: industrial. São vistos no estágio a Gerência de Sistemas de Intendência. 18 OMPS – Organização Militar Prestadora de Serviços . Tal fato também ocorre no ciclo pós-escolar com uma carga horária de 165 ha.br/ccivil_03/LEIS/L9724. o ciclo escolar do aluno intendente. o aluno também tem esta mesma disciplina no terceiro e quarto ano. é de 4085 ha. é que teríamos espaço de tempo para mudanças possíveis e para ajustes entre cargas horárias e disciplinas. O que se verifica. 5 – O estágio supervisionado é de 360 ha no ciclo pós-escolar. No CE. sendo que na EN ela é diluída em unidades de ensino.

dirigir. No Brasil.. Como importantes verificações encontradas. Se partirmos da premissa que um crédito corresponde a 20 ha como média no Brasil. em todo o curso da ENP teríamos 140 ha. inspecção e execução das actividades relativas ao abastecimento da Marinha e das actividades relativas às tecnologias da informação. com diversas disciplinas inerentes à formação militar-naval. 2 – O ciclo básico é todo realizado no primeiro ano. o ensino em questão permanece em todos os quatro anos de formação do aspirante. podemos citar: 1 – Em todos os quatro anos de formação na ENP do aluno intendente existe a disciplina de inglês como no Brasil. porém.pt/Marinha. foi constatada que a Marinha de Portugal. junto de representações diplomáticas ou junto de organizações criadas ou a criar no âmbito de acordos internacionais. participar na direcção. análise ocupacional e investigação operacional. nos coloca com diversos pontos de similaridade e de discordância com a formação do oficial brasileiro habilidado em Administração.1. por intermédio de sua instituição de ensino superior e de formação de oficiais. cujo objetivo é que os mesmos estejam preparados para: [. Acesso em 14fev2009) O plano de estudos a que tivemos acesso pelo sítio da instituição na internet. (Disponível em: http://www. licenciava os seus oficiais intendentes em Administração Naval. em missões militares.. na organização e racionalização do trabalho.] chefiar o serviço de abastecimento dos navios. enquanto na EN temos 420 ha. .68 3.3 – Entre a Escola Naval e a Escola Naval de Portugal Aproveitando a oportunidade verificada durante a pesquisa inicial realizada na internet. também. inspeccionar e executar actividades no âmbito da organização e gestão dos recursos financeiros. Na Escola Naval podem ministrar cadeiras da sua área de formação. Têm acesso. a cursos de pósgraduação noutras áreas de interesse para a Marinha. a carga horária de aula se reduz a apenas um crédito.marinha. a Escola Naval Portuguesa (ENP). Podem ainda participar em actividades de natureza diplomática de Portugal no estrangeiro.

O aproveitamento do currículo nos cursos superiores civis é regulado pelo Conselho Federal de Educação do Ministério da Educação. embora não tenham similares no sistema civil. também forma oficiais especializados em Administração com linha de formação aeronáutica. se Aviador. 4 – Existem disciplinas de formação e capacitação em logística. apenas unidades de ensino diluídas em disciplinas. Diferente da MB. como na EN. 3.69 3 – Não existem. Infantaria ou Intendência.1. Organização e Planejamento Logístico. No subitem 3. Gestão Logística. (disponível em: <http://www.4 – Entre a Escola Naval e a Academia da Força Aérea Nesta linha comparativa em que se encontra a pesquisa. disciplinas ligadas à área do desenvolvimento do homem e de suas relações. 5 – As demais disciplinas verificadas na formação do oficial português atendem também a formação curricular que se deseja para o administrador tanto para o meio acadêmico como para o civil no Brasil.mil. já comentada anteriormente. Sociologia e Filosofia. Conforme definido no sítio da FAB: Os cursos de formação da AFA são equivalentes a cursos de graduação plena. a Academia da Força Aérea (AFA).2 entraremos em maiores detalhes com as respostas ao questionário encaminhado especificamente para a ENP sobre diversos pontos que complementarão esta pesquisa comparativa de currículos. Acesso em: 06mar09) .afa.br>. foi verificado que o órgão de formação de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB). como Psicologia. Abastecimento Naval. assemelham-se às áreas de Engenharia e de Administração. Enquanto no Brasil não existem créditos específicos para a formação Logística do aspirante intendente. como Logística Naval. quando o jovem presta concurso para a AFA ele já define o que deseja ser profissionalmente em sua carreira. os quais.aer.

A Portaria MEC 3. o oficial intendente sai da EN bacharel em Ciências Navais. Art. no caso da MB.70 No caso específico do intendente. 18 da Lei no 11.279/2006 que dispõe sobre o ensino na Marinha. nesse ínterim. conferirá a seus diplomados a graduação de Bacharel em Ciências da Administração. 25 no Projeto de Lei (PL) que dispõe sobre o ensino na Aeronáutica. O Curso de Formação de Oficiais Intendentes. a sua formação superior se realiza em seis anos. Nos mesmos moldes das avaliações comparativas anteriores. (PL em tramitação que dispõe sobre Ensino na Aeronáutica. transcrito abaixo. Na MB. tanto em similaridade quanto em diferenças. Uma colocação importante que está descrito claramente no art. desde que observadas às diretrizes curriculares estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação para cada curso. de 1996. com uma linha de formação em Intendência Aeronáutica. grifo nosso) Em sentido oposto ao definido para a diplomação na FAB para o oficial intendente. sendo quatro nos ciclos básico e profissional e dois complementando a sua formação continuada. sendo-lhe auferido no final do curso um título de mestre em Aeronáutica Militar. serão realçadas as mais importantes. serão declarados equivalentes aos cursos superiores de graduação do Sistema Federal de Ensino de que trata o art.672/2004 ratifica que os cursos superiores do ensino militar. da Aeronáutica. as disciplinas são de caráter básico e de formação militar e doutrinária em sua maioria. é que o oficial intendente formado pela AFA sai com o título de Bacharel em Ciências da Administração. habilitação em Administração. 16 da Lei nº 9. 25. Fuzileiro e Intendente (habilitação em Administração) no final do segundo ano escolar. o aluno só escolhe entre ser do corpo da Armada. com habilitação em Intendência da Aeronáutica. ministrado pela AFA. na especialidade de Administração Aeronáutica.394. segundo o § 2o do art. . ministrados no âmbito federal.

Fiscalidade. podemos citar a existência da unidade de ensino Socialização e Processo de Percepção no CE da EN com apenas seis ha. como: Análise de Dados. Porém. como já comentado anteriormente. 3 – existência de disciplinas ligadas à Administração mercadológica na Aeronáutica como Marketing Operacional e Marketing Estratégico. Sociologia do Trabalho e da Empresa e Psicossociologia das Organizações. Não existe a disciplina específica de Logística na formação da EN que trata da logística. 2 – existência na formação do cadete intendente da AFA de disciplinas como: Psicologia Militar. apenas unidades de ensino. 5 – existência da disciplina Logística Militar. 4 – diversas disciplinas atuais de preparação do jovem oficial egresso da AFA para o convívio no mercado de trabalho. Sociologia Militar.71 1 – um pouco similar à formação do aspirante da MB. porém com menor ênfase. no segundo semestre do segundo ano. enquanto na EN é de 420 ha. principalmente com a educação . o mesmo acontecendo com a Psicologia. o ensino de inglês ocupa os três primeiros anos da formação do aluno da AFA. Investimentos e Mercado Financeiro e Fusões e Aquisições e Reestruturação de Empresas. dentro da disciplina Expressão Oral e Psicologia para a Liderança que tem em seu total 60 horas-aula. O que se verificou nas demais disciplinas componentes da matriz curricular da AFA é que se atende aos requisitos da formação mais completa do administrador pontuada pelo MEC/CFA no que se deseja do futuro profissional graduado em Administração. Análise de Investimentos. não existem disciplinas da área mercadológica na formação do aspirante da EN. portanto. não existindo uma disciplina de Sociologia específica. existem disciplinas ou unidades de ensino que são ligadas a ciências sociais. no ciclo básico. Na formação do aluno da EN. a sua carga horária é de 288 ha. Como exemplo. com 80 ha. Como já verificado quando da comparação com as IES particulares e públicas do Brasil.

vigilância e reconhecimento.br>. não entrando disciplinas específicas da formação do oficial intendente. fortificação em campanha. técnicas especiais. observação e orientação. Formar o Aspirante-a-Oficial das Armas. graduar o bacharel em ciências militares. por conseguinte. como: Emprego Tático. entre muitas outras disciplinas. no primeiro e segundo anos. Acesso em: 06mar09) Fizemos contato e trocamos e-mail com o Capitão Intendente (Cap Int) Luiz Cláudio Alves da Silva. instruções especiais. instituição de Ensino superior do Exército Brasileiro (EB) que tem por missão. o Cadete estuda a legislação e as normas da AMAN e do Exército. habilitando-o para os cargos de tenente a capitão não aperfeiçoado. além de tiro. poderíamos chamar disciplinas-mãe também. Oficial de Operações do Curso de intendência da AMAN.5 – Entre a Escola Naval e a Academia Militar das Agulhas Negras Fato contínuo ao trabalho de pesquisa até então desenvolvido. Organização e Preparo e Emprego da Força Terrestre (OPEFT). comunicações. que atendeu o nosso pedido e encaminhou-nos toda a matriz da formação do Aspirante a Oficial Intendente do EB. higiene e primeiros socorros em combate. do terceiro e quarto ano escolar.1. 3. preparando-os para lidar com as incertezas atuais e com a solução de problemas.aman. A AMAN.eb. No ciclo básico. Estágio . ou seja. e iniciar a formação do chefe militar (Disponível em:<http://www. do Serviço de Intendência e do Quadro de Material Bélico.ensino. a exemplo da EN e AFA.72 continuada e a formação e o desenvolvimento de competências. técnicas de progressão em campanha. que são de caráter genérico e amplo. foi o contato efetuado com a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). para os anos de formação profissional (terceiro e quarto anos de formação) utiliza-se atividades.

Não sendo o escopo principal deste trabalho. visto o caráter de escola militar de tempo integral. sendo interessante que as mesmas podem ser ministradas diurnamente ou até noturnas. mas detendo-se um pouco no plano de disciplina da atividade “Técnicas Militares”.1.Análise e resultados dos questionários encaminhados aos Coordenadores do curso de Administração O objetivo desta parte é apresentar o resultado desta pesquisa que analisou a prática administrativa vivenciada por IES do Brasil e pela Escola Naval de Portugal. porém quase que exclusivamente ligadas à formação e doutrinamento do oficial do EB.3.2 . Como exemplo. ressaltando-se sempre o viés utilizado para a compreensão em primeiro lugar do que é a Força Terrestre e as ações que deverão ser executadas pelos jovens oficiais intendentes durante o início de sua carreira. no caso em questão. Essas atividades são compostas por diversas disciplinas com cargas horárias distintas. Tiro e Treinamento Físico Militar. Técnicas Militares. verificamos diversas correlações com as matérias ensinadas na EN. Reiterando o que foi dito no subitem 2. Para tal. foram elaborados dois questionários semiestruturados.73 Prático Supervisionado. reproduzidos nos anexos 2 e 3. para melhor esclarecer esta observação é que na unidade didática Gestão do Material. a AMAN tem um convênio com a UNISUL que proporciona a possibilidade de o seu formando. complementando as disciplinas que não foram assistidas durante o período de quatro anos escolares. por intermédio da EaD. que foram analisados à luz do . bem específico do EB. se formar em Bacharel em Administração de Empresas em três anos. é descrito em sua ementa a contabilidade do material como o processo de compatibilização dos registros das unidades administrativas com o registro no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) e Sistema de Material do Exército (SIMATEX). 3. com 48 horas-aula diurnas.

que passaremos a chamá-los de “coordenadores”. O questionário 3 foi dirigido especificamente aos coordenadores dos cursos de Administração das IES do Brasil. perfazendo uma percentagem de retorno da ordem de 14%. instituição que guarda similaridades com a EN do nosso país. bem como os nomes dos coordenadores. onze coordenadores. por meio de busca na Internet. ou ainda pelo sistema de “contato” disponível nos sítios das instituições. Assim. Ficou acordado que as IES respondentes não seriam identificadas. Foram trocadas mensagens de esclarecimento dos propósitos da pesquisa e de solicitação de participação daqueles professores coordenadores no fornecimento de informações relativas as suas respectivas IES. As informações apresentadas foram consideradas relevantes por serem recorrentes nas respostas ou por expressarem comentários significativos na avaliação das perguntas. Como resultado da negociação iniciada em janeiro deste ano. foco principal deste estudo). incluindo-se a EN. representado por meio de . militar ou civil. e o questionário 2 especialmente à ENP (esta tem em sua missão a formação de oficiais para a Marinha daquele país. 3.2. foi atribuído a cada respondente um nome genérico e aleatório. incluindo-se a EN. O anexo 4 apresenta a lista dessas instituições. foi estabelecido contato por correio eletrônico (email) com representantes daquelas instituições ou diretamente com os coordenadores. com o foco voltado na pedagogia do ensino presencial. Durante a fase inicial. Uma pesquisa preliminar aleatória. direcionadas as perguntas constantes do questionário. retornaram os seus questionários respondidos dos 81 enviados.1 – das Instituições de Ensino Superior do Brasil Os sujeitos da pesquisa são coordenadores do curso de Administração das IES do Brasil. independentes se instituições públicas ou privadas.74 referencial teórico desenvolvido nos capítulos anteriores e na experiência do pesquisador. identificou e foram encaminhados 81 questionários a IES dos 26 estados e do Distrito Federal.

formação eclética com a visão do todo.75 uma letra do alfabeto (de “A” a “K”).2 se deve repetir que foi também comentado pelo coordenador “J”.1. ser criativo. cultural e tecnológico. quer militar ou de formação civil: “pensar no todo. informações. Uma discussão apresentada no subitem 3. Na visão deste pesquisador.org. e de administrar conflitos e correr riscos”. do próprio coordenador do curso de Administração das IES. econômico. político. (Disponível em: <http://www. atividades. que normalmente podem ser relacionados a visões parciais abrangendo suas estratégias. agir focado olhando o global” e “capacidade de liderança. visão holística19 do meio social. Acesso em: 06mar09) 19 . ou por terem sido julgadas por este pesquisador como as mais relevantes. no perfil do egresso sólidos conhecimentos acadêmicos. a partir da qual puderam ser elaboradas conclusões consistentes. habilidade de negociação. Serão apresentadas as principais respostas na seqüência das perguntas de uma maneira geral. flexível e espírito empreendedor. somam-se. que o profissional administrador A visão holística de uma empresa equivale a se ter uma "imagem única". relacionamento interpessoal. desenvolver a aprendizagem continuamente. o que se deseja do futuro profissional gestor. Na pergunta de número um procurou-se verificar como deveria ser o perfil do administrador que se deseja para este século. Foi também acertado com as instituições participantes que os seus questionários não seriam publicados individualmente. inovação. ou seja. habilidade de planejamento e capacidade de mobilizar pessoas em equipes. e que características ele teria na visão do profissional formador dos mesmos. ou mesmo por apresentarem uma coerência maior entre as IES respondentes.html> . também.numa. Na avaliação deste pesquisador. ao ver deste pesquisador.br/conhecimentos/conhecimentos_port/pag_conhec/visao_holistica. os onze questionários constituem uma amostra suficiente. A maioria dos respondentes incluiu as seguintes características: proativo como a principal. sintética de todos os elementos da empresa. comunicação. Duas frases interessantes que se somam e que foram colocadas pelos coordenadores “H” e “I” retratam e resumem. recursos e organização.

o formando “esteja preparado para assumir cargos nos mais variados tipos de empreendimentos. transformando as ameaças impostas pelo mercado globalizado em oportunidades de negócios. que estejam habilitados a compreender o meio social. cultural e tecnológico em que estão inseridos. com apenas 7% tendo o inglês instrumental como disciplina do seu ciclo básico. antecipando-se e adaptando-se ao ambiente e suas mudanças. industrial ou de serviços”. seria: Estabelecer e gerir relacionamentos entre pessoas e áreas de conhecimento. criativa e flexível. Uma questão recorrente em relação às 420 ha obrigatórias do aspirante da EN do Brasil. é que poderemos também levar para a formação regular do jovem oficial intendente da Marinha. em 100% desejam que os seus formandos na área de Administração possam atuar profissionalmente e que sejam capazes de executar as funções em suas organizações. sendo verificado que as IES que participaram desta pesquisa. político.76 deve dominar pelo menos uma língua estrangeira. quer seja comercial. tornando-se tomadores de decisão proativos. Excetuando- . Fato que não foi verificado na formação superior de administração na maioria das IES estudadas nesta pesquisa em relação as suas matrizes curriculares. e planejar ações de modo estruturado e com foco na qualidade e nos resultados. A pergunta seguinte. por exemplo. trabalhando com equipes na busca de resultados organizacionais. Um ponto bem descrito pelo coordenador “G” que permeia o nosso estudo e foco do mesmo. A questão três procurou verificar se existe uma avaliação ou mesmo atualização da matriz curricular das IES pesquisadas. econômico. que procura responder ao que se deseja do aluno egresso ao final do curso de graduação. enfatiza que ao final do seu curso. interpretar cenários de forma a atuar de maneira pró-ativa. com visão humanística e global. tomar decisões éticas e socialmente justas. considerando a necessidade de aprender continuamente como forma de permanecer contribuindo com as organizações e com seu desenvolvimento pessoal. principalmente em função das novas demandas exigidas pelo mercado de trabalho. O coordenador “C”.

ao ver deste pesquisador. após o término do curso de aperfeiçoamento que dura um ano. se mudaram de emprego. eles participaram que não existem dificuldades verificadas. Na questão quatro.77 se uma IES. com envio de questionários aos egressos após 6 (seis) meses da formatura. O teor fundamental desta pergunta foi poder avaliar o quanto de profissionais são disponibilizados no mercado e se a sua formação superior atende ao início de sua carreira. com isso. onde o profissional. as demais respostas foram afirmativamente. em um segundo momento antes do curso de aperfeiçoamento. principalmente porque estamos vivenciando um mundo em constantes e rápidas mudanças. em quanto a sua formação tem ajudado na construção de carreira. cargas horárias e normas gerais pelos órgãos competentes e de classe são atendidas sem problemas. Ele comentou que a sua Instituição tem um programa de acompanhamento. mais ou menos quatro anos de formado (uma reciclagem e preparação para novas funções). se foram promovidos. entre outros aspectos. Em 100% das respostas. deve estar bem preparado e atualizado para o mercado de trabalho e para o convívio em sociedade. independente se militar ou civil. é de vital importância na avaliação do currículo do período de formação e ao perfil profissiográfico proposto pela instituição. e por último. Apenas o coordenador “C” respondeu afirmativamente. verificando como estão posicionados no mercado. foi questionado se existe algum tipo de avaliação pós-formatura do seu corpo discente. A situação de se avaliar o discente. Demonstra. Na EN a avaliação do seu egresso é realizada num primeiro momento após oito meses de formado. principalmente também em função das diretrizes curriculares do MEC. com exclusão da EN da amostra em questão. A questão cinco procurou avaliar a opinião dos coordenadores respondentes em relação às dificuldades verificadas quanto ao enquadramento da sua matriz curricular com as resoluções do MEC/CFA. que o que se disponibiliza para as IES em relação às disciplinas. qual curso de especialização fazem ou pretendem fazer. .

e intensificadas aquelas voltadas para a atuação direta do administrador. isso deve ser feito com cautela. os seus coordenadores afirmaram que não existe a necessidade de retirar ou mesmo de incluir disciplinas. em quatro anos. O coordenador “D” sugere que em sua matriz curricular fosse diminuída a carga horária das disciplinas de Filosofia. e isso. os seus coordenadores comentaram da possibilidade de inclusão de disciplinas ligadas ao meio ambiente. Em duas IES. tem-se pouco tempo para práticas dos negócios”. Entretanto. como dito pelo coordenador “A”: Que a EaD é uma preciosa ferramenta que pode ser utilizada nos melhores cursos de Administração do mundo. pois teria que começar a formação profissional desde o início do curso. o seu coordenador comentou que não comporta modificações substanciais em sua matriz curricular. porque não acredito em um curso totalmente á distância.78 A questão seis trata do assunto da supressão ou inclusão de disciplinas nas suas respectivas IES que trariam benefícios para uma melhor formação do administrador. Foi perguntado aos coordenadores qual o seu posicionamento em relação a EaD como um todo e sobre a formação plena do Administrador por intermédio da mesma. o que poderia ser resumido por nós como associar a teoria à prática. já que os seus currículos estão atuais e foram revistos a pouco tempo. pois o mesmo sugere que se deve “trabalhar mais o aspecto do empreendedorismo onde. e todas as extensões conhecidas da Administração. Sociologia. a um dos objetivos específicos desta pesquisa que é “estudar a Educação a Distância (EaD) como alternativa para complementação da formação da graduação de Administração da Escola Naval”. A solução apresentada pelo coordenador “F” é significativa para este estudo. Em metade dos respondentes eles foram contra a EaD na formação do Administrador. suprimiria Português Instrumental. Chegamos. na questão sete. cidadania ou gestão sócio-ambiental. por exemplo. sem prejuízo do conteúdo a ser oferecido. mesmo com . a alta administração da instituição não quer. O coordenador “E” foi ainda mais radical. Em metade das IES respondentes. Na instituição “K”. em um grau justo e necessário para que a primeira seja complementada positivamente pela segunda. como Administração de Recursos Humanos II. Legislação Previdenciária.

” Por outro lado. Ou mesmo o coordenador “F” que salientou: “embora seja uma realidade. pois entendo que para uma formação sólida se faz necessário a relação professor-aluno em sala de aula e a própria socialização do conhecimento em discussões e troca de idéias com professores e colegas de sala. Continuando por essa linha de raciocínio. não podemos fechar os olhos para a EAD.79 encontros presenciais esporádicos. por exemplo. ou . outros coordenadores foram favoráveis a EaD como processo pedagógico que poderia ser aplicado. o coordenador “C” foi ainda mais enfático: Entendo a importância da EAD. e logo as pressões dos tempos modernos farão com que esta modalidade seja mais comum”. assegurar a complementação de uma qualificação. como uma das modalidades de aprendizado e na interação entre professor-aluno. Ainda acredito no conhecimento que circula entre os alunos. como vimos em uma amostra de onze coordenadores de cursos de graduação em Administração. manter uma rede de network. O que podemos concluir sobre o tema da EaD na graduação superior é que existem prós e contras. como já o é. na formação do profissional da área de Administração. não podemos fechar os olhos para esta ferramenta pedagógica atual e importante para. Porém. mas significativa. e “com seriedade pode-se formar um profissional administrador com as mesmas competências que um formado na modalidade presencial”. mas como uma ferramenta de apoio ao ensino-aprendizagem e não como instrumento de formação acadêmica. que disse: “é o futuro do ensino. Outro parecer favorável foi o do coordenador “G”. No entanto acho impossível trabalhar os conteúdos práticos. Em uma frase simples. fazer amizades produtivas se não ocorrerem encontros presencias. Como disse o coordenador “H” que é favorável e crê que se trata de uma modalidade que virá a atender a uma população que tenha dificuldades de acesso ou tempo para a realização de um curso superior. o coordenador “K” afirmou: “é um avanço para facilitar a formação dos alunos”.

com adaptações relacionadas à linha de formação requerida. como já comentado no capítulo anterior. as IES respondentes se basearam nas diretrizes curriculares do MEC. para ampliar o horizonte e socializar a educação daqueles que não têm o tempo necessário para ficar assistindo aulas de corpo presente. A nona pergunta teve um aspecto de se verificar como foi elaborado o projeto pedagógico pelas IES do seu curso de graduação superior em Administração. Em sua totalidade. os profissionais formados. em sua totalidade eletivas. a pergunta oito procurou verificar nas IES respondentes se as mesmas possuem em sua matriz curricular disciplinas que são oferecidas a distância como possibilidade prevista nos 20% da formação presencial como visto no subitem 2. principalmente. Psicologia e Novas Técnicas de Aprendizagem. uma flexibilização curricular que permita o melhor gerenciamento da construção do conhecimento e da aprendizagem pelo aluno. Das onze IES respondentes.1. Estatística Básica. dentro das IES respondentes. a qualquer tempo e hora. A Educação a Distância é antes de tudo Educação. o seu corpo docente e a sociedade representativa. egressos do curso e do próprio corpo docente. O coordenador “E” ainda se utilizou de “resultado de pesquisas junto a empresários. apenas três possuem disciplinas oferecidas a distância.80 mesmo. por exemplo. sem se esquecerem de consultar o mercado. uma união entre o ensino e a aprendizagem. O que podemos verificar que existe uma preocupação das IES em cumprir as diretrizes curriculares do MEC. Pelo que se pode inferir com as respostas. ou seja. . é que não existe ainda a cultura. Continuando neste enfoque da EaD. com destaque para a participação de discentes e seus órgãos de representação”. como Metodologia Científica. a realidade regional e o mercado de trabalho local.1. porém. como a obtenção de resultados mais expressivos a um custo menor de deslocamento e. de se introduzir disciplinas a distância em sua matriz curricular. como motivos poderíamos citar: decisão administrativa da instituição por intermédio do responsável ou mesmo pelo desconhecimento das vantagens que a EaD possa auferir a instituição. uma “ensinagem” assíncrona.

. outros cursos da pósgraduação (lato ou stricto sensu). atuam sem atender as exigências do MEC e mesmo assim permanecem de portas abertas. além de ser . O coordenador “C” comentou que: [. pois instituições tradicionais como a UPGF que atua a 50 anos na região norte do estado do RGS. Um comentário relevante para esta pesquisa e que resume todo o esforço no questionamento de pessoas do mais alto nível e responsáveis pela formação e coordenação dos cursos superiores de Administração. prejudica a qualidade dos mesmos. se vê obrigada a reduzir mensalidades para fazer frente a uma concorrência predatória. Não há como “prender” um aluno numa grade curricular de administração por cinco anos. onde sabemos que várias pequenas instituições ou instituição ligadas ao mercado de capitais. fora do escopo desta pesquisa.] é de fundamental importância que os gestores/coordenadores dos cursos de Administração estejam sempre abertos ao que o mercado deseja. pois são elas que nos dão o verdadeiro feedback do trabalho nas instituições de ensino. Ou ainda o desabafo. acolhendo os acadêmicos e egressos e avaliando a performance de cada um deles. para que os mesmos fizessem algum comentário ou mesmo acrescentassem algo que pudesse enriquecer com subsídios para o desenvolvimento desta pesquisa. Ou mesmo o coordenador “E” que disse: Concordo plenamente com a possível sugestão de que os cursos de graduação em administração não ultrapassem o período de quatro anos. até porque o egresso de um curso de graduação irá demandar. quando o conhecimento muda com bastante rapidez. dentro do enfoque de educação continuada. enquanto profissionais e graduados em Administração. as expectativas dos acadêmicos e uma relação estreita com as empresas da região.81 A última pergunta teve a intenção de aproveitar-se da experiência dos coordenadores participantes.. mas que vale a pena comentar do coordenado “F” que argumentou: A proliferação de cursos de administração em todo Brasil.

ficando o mesmo disponível para consultas. Gestão. Como tal. A equivalência com o meio académico civil é conferida entre Ministério da Defesa e Ministério da Educação (em última instância a palavra final cabe ao Ministério da . A formação do oficial administrador da ENP é composta de duas fases.1. fato bem segregado no Brasil. Econometria. O questionário respondido consta do anexo 2 deste relatório. não sendo exploradas pergunta por pergunta. Administração Financeira.2 – Da Escola Naval de Portugal Como já comentado no subitem 3.82 o elo entre a alta administração das IES. Logística. que nos indicou o Professor Antonio de Oliveira Silva como pessoa de ligação entre a nossa pesquisa e os nossos questionamentos e àquela instituição de além-mar. Tal só acontece no final do 5º e com a atribuição do grau de mestre. Auditoria. Finanças. existe um reconhecimento do grau atribuido no final do curso. de um ano de duração. mas serão feitos relacionamentos cabíveis e correspondentes a formação do aspirante intendente na EN. incluindo os de Administração Naval. com algumas especificidades próprias para o ensino superior militar.2. Todos os alunos da Escola Naval. O referido professor respondeu prontamente ao questionário semi-estruturado direcionado à aquela instituição. que contém doze perguntas com diversos enfoques. Direito. do mercado de trabalho e da boa formação do discente. Foi perguntado sobre a equivalência de o ensino militar com o civil. foi do coordenador “D” que apenas enfatizou “a importância do curso de administração para a formação de gestores capazes de melhorar cada vez mais o nosso país”. 3.3 deste capítulo. uma de caráter geral. ao fim de 3 anos são considerados licenciados (reconhecimento para efeitos de equivalência com o civil) embora ainda não possam ser oficiais da Marinha. A partir de agora faremos comentários de caráter geral. No caso específico dos administradores navais é dada ênfase as seguintes áreas do conhecimento: Economia. e outra de três anos ligada a formação profissional. Contabilidade. o respondente enfatizou que: A Escola Naval está enquadrada no sistema de ensino superior. foi realizado contato por e-mail com a ENP.

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Educação). [...] Reconhecimento académico: Os diplomas de licenciatura (conferido no final dos 3 primeiros anos) e do mestrado no final do 5º ano são reconhecidos para fins acadêmicos (CONFORME ANEXO 2).

Como verificado no relato do Professor Oliveira Silva, a equivalência é reconhecida pelo meio acadêmico como licenciatura em Administração Naval. Continuando por essa linha de raciocínio, foi perguntado se existe uma correlação entre o curso da ENP, no caso da graduação em tela, com os similares das universidades públicas e/ou privadas. Segundo Oliveira Silva e no caso do curso de Administração Naval:

[...] a Escola Naval tem um convénio com a Universidade Católica (cerca de 2/3 dos professores são dessa Universidade) pelo que muitas das matérias são equivalentes às de um curso de gestão dessa universidade. [...] Com a reforma curricular em vigor, em respeito pelo paradigma de Bolonha, tal é uma obrigatoriedade. Assim, ao fim dos 3 anos de licenciatura é possivel a um aluno da Escola Naval candidatar-se a um curso de pós-gradução e mestrado em qualquer universidade do país ou do estrangeiro (CONFORME ANEXO 2).

Uma pergunta foi ligada à especialização do oficial administrador egresso da ENP. Porém, diferentemente do que ocorre no Brasil com os Guardas-Marinha, os oficiais de Administração Naval não têm especializações formais. Ainda segundo Oliveira Silva, “alguns oficiais fazem formação especializada fora da Marinha noutros estabelecimentos de ensino superior”. Um fato de similaridade com os cursos dos oficiais na MB, é que na Marinha de Portugal existem cursos de carreira para acesso ao nível de oficial superior e de oficial general, mas que são comuns para todos os oficiais,

independentemente da sua formação acadêmica de base e igualmente comuns com os oficiais das outras Forças (Exército e Força Aérea). A EaD foi enfocada na nona pergunta. Foi questionado se existem na ENP, especificamente na formação do Oficial Administrador, disciplinas à distância. O professor Oliveira Silva disse que não, exceto um módulo ligado à

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área logística da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), do qual o seu país é signatário. No Brasil, apenas a disciplina Português Instrumental (Redação) é disponibilizada online para o aluno da EN que desejar fazê-la, não sendo obrigatória. Um viés interessante do trato do questionário foi a pergunta sobre a colocação da existência ou não do reconhecimento do diploma dos egressos licenciados administradores pelo Conselho de Classe, no nosso caso o CFA. A resposta foi a seguinte:

Reconhecimento por ordens profissionais: Neste momento ainda não. Mas com a reforma curricular ocorrida temos as condições para que o curso possa ser admitido junto da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (ordem profissional da área da Contabilidade) e, eventualmente, talvez seja possível o reconhecimento junto da ordem dos economistas. O assunto encontra-se em estudo tendo sido os passos necessários para tal (CONFORME ANEXO 2).

A última pergunta foi relacionada à experiência do respondente, se o mesmo teria mais algum comentário ou acrescentaria algo que pudesse auxiliar ou mesmo enriquecer o desenvolvimento dessa pesquisa. O professor Oliveira Silva comentou que existe, no contexto da comunidade européia, uma preocupação para que seja possível no futuro a formação de oficiais de Marinha entre as instituições militares que não a do país do futuro oficial, pelo menos para uma parcela do curso (um semestre ou um ano letivo). “Tal fato já acontece no meio académico civil (o termo é ERASMUS20), mas a sua aplicação ao universo do ensino superior militar apresenta algumas dificuldades” (CONFORME ANEXO 2). O que podemos concluir deste tópico é que existem diversas possibilidades que se formam em relação à melhor formação do oficial intendente egresso da nossa EN, principalmente quando constatamos
O Erasmus é da Comunidade Européia. Emblemático programa educativo para alunos do Ensino Superior, professores e instituições. Ele foi introduzido com o objetivo de aumentar a mobilidade dos estudantes dentro da Europa. Ele faz parte do programa eLearning da União Europeia (2007-2013). Disponível em: <http: www.britishcouncil.org/erasmus>. Acesso em: 05mar2009.
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experiências de sucesso como a da ENP, que está em busca de uma ligação tênue com o meio acadêmico, sem perder a sua linha de formação principal, a militar. No Brasil, como exemplo do parágrafo anterior, já existe um intercâmbio de alunos das IES públicas e privadas com instituições conveniadas em outros países. No caso do militar, quando da viagem de formatura dos GM, a MB convida Marinhas amigas para participar da mesma, e vice-versa. Tal situação só é válida para poucos GM, no máximo sete por turma de 100 formandos.

3.3 - Possibilidades e limitações
Este subtítulo não tem a finalidade de entrar em detalhes do projeto pedagógico da EN, tampouco ponderar sobre erros e acertos, principalmente porque não existe o contato diário com aquela instituição, somente foi realizada uma entrevista com o coordenador do curso, que não detalhou sobre as reuniões do conselho de classe para introduzir ou retirar disciplinas, ou mesmo questionou como são realizados sobre as cargas horárias de aula. Neste momento do relatório, procuramos realizar uma filtragem na matriz curricular da EN, dos CE e CPE, procurando verificar as sugestões possíveis sobre disciplinas e carga horária, para propormos alterações para o aperfeiçoamento da formação acadêmica do Oficial Intendente habilitado em Administração egresso daquela instituição. 1 - Um dos pontos verificados foi que existem quatro seqüências da disciplina Gerência de Sistemas de Intendência, a partir do terceiro ano do CE e mais duas no CPE. Nota-se que existem unidades de ensino que são repetidas, como exemplo Caixa de Economias, também ligada na unidade Gestorias. O que deve acontecer, por inferência, é a aplicação da teoria à prática. Em um primeiro momento da instrução, é desenvolvida a teoria da Caixa de Economias e, fato contínuo, vem a prática realizada no Estágio Supervisionado e na viagem de instrução. Há alguns anos, esta gestoria em

Em suma. e outras. Não havendo necessidade de presença em sala de aula. o que não ocorria no passado. são bastante utilizados recursos de tecnologia de informações e comunicações.1. a teoria estaria junto com a prática.2). Deixando o próprio egresso trabalhando nos sistemas informatizados existentes. ou até por intermédio do CIAW. com a introdução dos dados pelo computador e. diretamente no CPE. que tem essa disciplina como curso (vide tabela constante do subitem 2. passou a ser toda desenvolvida no Sistema Informatizado Quaestor. Para tal. atenderia ao requisito de qualificação para o trabalho. O que acontece é que a maioria dos novos oficiais não recebe imediatamente no início da carreira funções ligadas às compras das organizações. poderia ser deslocada para o CPE ou mesmo para os primeiros anos de segundo-tenente no serviço normal. ou do CPE. poderíamos pensar nesta unidade de ensino. No curso de aperfeiçoamento. O que se vê atualmente é diferente de dez anos atrás em relação as comprovações dos gastos da administração pública. 2 – a disciplina Licitações com 72 ha. em que tudo era escrito e com o encaminhamento de toda a comprovação para a Diretoria de Contas da Marinha. Caso isso aconteça. todos os relatórios são impressos e o envio da comprovação é on line. que é ministrada no quarto ano do CE. seriam disponibilizados 72 ha que poderiam ser utilizados para outras disciplinas .86 questão. A transparência está na ordem do dia. indo direto à prática no estágio supervisionado. um curso no próprio CIAW de pregão. também contamos com a disciplina Licitações e Contratos. não havendo necessidade de grandes volumes de documentos impressos. com as notas fiscais e extratos bancários embutidos na mesma. a modalidade mais aplicada para pequenas compras. ao final do mês. quarto ano de oficial mais ou menos. ou mesmo no período do CE. seria toda assíncrona em qualquer hora e local. Com isso. de quatro dias. Outro ponto que poderíamos colocar é que esta disciplina poderia ser desenvolvida toda à distância. como a gestoria do Municiamento.

nos três primeiros anos da formação. até 20% da carga horária total para disciplinas a distância. que poderiam melhor qualificar o futuro gestor da MB. inclusive no CE. podemos verificar que algumas disciplinas componentes do CE e do CPE poderiam ser ministradas à distância. integralmente ou parcialmente. como o que possibilita o parágrafo 2o da Portaria 4. 288 ha. Por que não poderíamos nos utilizar do curso expedito de O&M a distância. inclusive se utilizando dos cursos que são realizados pelo CIAW (vide tabela constante do subitem 2. a MB tem convênios. Seriam disponibilizados em carga de horas-aula presenciais 132 ha. existe na primeira fase do CPE a disciplina Organização e Métodos. da AFA. quando oferta. 5 – A exemplo da AMAN que tem um convênio com a UNISUL para que o seu egresso possa se formar em bacharel em Administração na modalidade a distância. que é coordenado pelo próprio Centro de Instrução? Uma possibilidade real seria a utilização de disciplinas a distância na formação do aspirante intendente que se habilita em Administração. órgão ligado ao Serviço de Assistência Social da Marinha. Como exemplo. Para a complementação da disciplina em questão do último ano do CE e no CPE.1. o mundo .87 inerentes à formação do administrador. 4 – outra possibilidade seria a diminuição da carga horária da disciplina inglês para os níveis. com diversas IES. como Marketing Operacional ou Marketing Estratégico.2). com 35 ha. 3 – Continuando pela EaD. poderíamos utilizar o convênio existente com a Cultura Inglesa para o ensino a distância. por intermédio do Abrigo do Marinheiro. não existindo o vínculo pedagógico. que é realizada no próprio CIAW. com a avaliação do currículo da EN de habilitação também em Administração para atualizar e qualificar academicamente os conceitos desenvolvidos na formação do oficial intendente com o mercado. Uma possibilidade seria a utilização de convênio com IES que ofertasse a formação plena por intermédio da EaD do bacharel em Administração. apenas para redução de mensalidade.059 do MEC. por exemplo. que poderiam ser utilizadas para outras disciplinas.

. No projeto de lei do ensino na Aeronáutica. a possibilidade do aspirante intendente formando ser diplomado em Bacharel em Ciências da Administração. para melhor definir. na paz e na guerra. como logística. bem como ratificar que as Forças Armadas. finanças. No caso específico da formação do oficial. deixa claro que o Sistema de Ensino Naval (SEN) está destinado a capacitar o pessoal militar e civil para o desempenho. Como já existem as linhas de formação no meio acadêmico. é atuante. a exemplo da FAB. etc. independente de corpo (armada. está inserida. o oficial será Bacharel em Ciências da Administração. fuzileiro naval e Intendência). que trata do ensino na Marinha e. no nosso caso a MB.279/2006. com a linha de formação Intendência da Marinha. ele será diplomado em Ciências Navais. nos termos desta Lei. 6 – limitações inerentes a Lei 11.88 globalizado e com as novas formas de administrar as incertezas oriundas do século XXI. em rápidas informações. e faz parte da nossa sociedade organizada. linha de formação Intendência Aeronáutica. dos cargos e funções previstos em sua organização. independentemente de ser uma alteração de colocação de palavras. seria interessante uma proposta de avaliação da Lei do ensino na MB. RH.

um administrador proativo. além da determinação de que o formando obtenha o título de bacharel em Administração. dando-lhe todo o ferramental necessário para se tornar o mais próximo possível do perfil que o mercado de trabalho e a sociedade assim desejam e esperam. com habilidade de planejamento e capacidade de mobilizar pessoas em equipes. pelas novas Tecnologias de Informações e Comunicações (NTIC’S). a profissão do Administrador também ganhou traços mais acadêmicos. Nesse mesmo compasso. com habilidade de negociação. com novas competências. Não fugindo desse caminho. ou seja. pela queda de fronteiras alfandegárias impostas pelas super-rodovias de informação. com sua linha de formação específica. competências e habilidades já citadas durante o desenvolvimento deste relatório. as IES não podem se omitir de buscar uma melhor qualificação para o seu formando. É a era do conhecimento presente nos dias atuais. com uma formação eclética que contemple a visão do todo. A MB. como entidade participativa e componente ativa dessa sociedade do conhecimento. principalmente quando há a procura pela melhor formação do seu pessoal. novos saberes e novas habilidades. É um novo administrador. um gestor mais completo. os alicerces e fundamentos que podem ser transferidos para os aprendizes.89 CONCLUSÃO No início deste trabalho realçamos o ritmo frenético das mudanças impostas aos mercados pela rápida evolução humana. inovador. até as atuais diretrizes curriculares. E nesse contexto de mudanças ganhou destaque o crescimento pedagógico. não pode e não deve ficar à margem das ações e decisões que são necessárias e atuais. e que podem ser ilustradas pela globalização. saindo do aspecto técnico e passando a exigir desse profissional uma melhor preparação. entre outras capacidades. A evolução se deu desde os currículos mínimos engessantes do início da organização. .

foram colocações acompanhadas de muita reflexão e experiência profissional. Análise e Melhoria de Processos. afirma ser a mais antiga IES no Brasil.utilizar os cursos a distância do CIAW em substituição a algumas disciplinas. Abaixo listamos algumas sugestões: .inclusão de disciplinas da área mercadológica. remete-nos a sugerir uma reavaliação inicial do currículo atual por parte dos responsáveis na EN pela coordenação da formação diversificada com habilitação em Administração.90 A EN.diminuir a carga horária da disciplina de inglês para os dois últimos. com a possibilidade de introdução de uma disciplina a distância (Inglês Instrumental) dentro do convênio que existe com a Cultura Inglesa. A tradição é válida. visto estar hoje na reserva depois de completado 32 anos de serviço ativo. como Marketing Empresarial. que poderia ser ministrada a distância no CIAW (capacitação de pregoeiros).deslocar a disciplina Licitações do último ano do CE para o CPE. em comparação com diversas IES do Brasil. . ou mesmo Operacional. mas a evolução acadêmica tem que continuar. através de seu marketing institucional. precisamos formar o oficial intendente no estado da arte do que o mercado necessita e com o perfil idealizado. entre outros. como Organização e Métodos. Diversas inserções que foram colocadas são pontos de vista deste pesquisador. . As análises realizadas na matriz curricular da Escola Naval do Brasil. Planejamento Estratégico. com outras academias militares formadoras de oficiais e com a Escola Naval de Portugal. vindo com a família real para o Brasil em 1808. ou Estratégico. que passou a sua vida acadêmica e profissional vivendo e vivenciando a MB em toda a sua plenitude. por exemplo. . . portanto. Ela não deve ficar parada em fatos e ações curriculares e pedagógicos do passado. Como componente importante que somos da sociedade brasileira.

por isso mesmo. a exemplo da AFA. como Caixa de Economias e Municiamento.sugere-se que as disciplinas ligadas às gestorias administrativas da MB.91 - estudar a possibilidade de um convênio com IES para complementação das disciplinas necessárias e julgadas válidas suprir a carência de disciplinas ligadas ao mercado. a idéia principal foi a de sugerir ações possíveis e exeqüíveis.substituir as disciplinas aplicadas no ciclo básico. e como sugestão de realização durante a viagem de formatura no NE Brasil. que poderão tornar a formação do Oficial Intendente ampla em relação à formação superior em Administração.introduzir a disciplina Sociologia Militar. Esta pesquisa não fecha em si mesma. . terão um contato maior com as atividades logísticas. Os futuros oficiais. como Física e Mecânica. visto serem eminentemente sistemas. Reitera-se que este pesquisador não está vivenciado a situação do dia acadêmico da Escola Naval. por exemplo. . . por outras ligadas aos fundamentos da Logística. Foram subsidiados pontos julgados importantes para continuação de futuras investigações sobre o tema. no início de suas carreiras. As disciplinas em questão e outras poderiam ser remanejadas para o ciclo profissional das demais formações das outras habilitações (Mecânica Eletrônica e Sistemas). e . com a possibilidade da educação continuada. . sejam realizadas no Estágio Supervisionado.transferir a disciplina Armamento para o CPE.

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101 Índice de Anexos Anexo 1 – Relação das IES pesquisadas. Anexo 3 – Questionário semi-estruturado para Coordenadores dos Cursos de Graduação Superior em Administração. e Anexo 4 – Relação das IES que foram enviados os questionários . Anexo 2 – Questionário para a Escola Naval de Portugal.

UNIVALE Fundação Getúlio Vargas .UNC Universidade Atlântico Sul – Rio Grande Universidade do Estado de Santa Catarina .UNIP Universidade Tiradentes .NOVAFAPI Faculdade de Natal .UFAL Instituto Cenecista Fayal de Ensino Superior – IFES .UNICEUMA Fac. 82% 78% 85% 75% 78% 83% 84% 73% 75% 83% 77% 63% 90% 79% 77% 92% 80% 83% 68% 74% 75% 70% 74% . Ciências Humanas e Tecnologia .UNIT Centro Universitário de Vargem Grande .UEM Universidade Católica de Salvador .UDESC Universidade Paulista .UNICEUB Universidade Federal de Alagoas .UNIVERCIDADE Universidade de Taubaté .UNIDERP Centro Universitário de Brasília .102 ANEXO 1 RELAÇÃO DAS IES PESQUISADAS No 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Instituição de Ensino Superior Escola Superior de Criciúma .UCSAL Centro Universitário da Cidade . p/desenvolvimento do Est. e da Região do Pantanal .FGV Universidade do Contestado .UNITAU Faculdade de Goiás .Itajaí EST SC PR BA RJ SP GO PR RJ SC RS SC SP SE MT MA PI RN ES PE MS DF AL SC Part/Pub Part Pub Part Part Part Part Part Part Part Part Pub Part Part Part Part Part Part Part Part Part Part Pub Part Trad/EAD Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad Trad HA 3306 3034 3220 3000 NI 3060 3440 3195 2580 3170 3600 3000 3312 3070 3030 3620 2982 3000 3239 3480 3075 3150 3040 Perc. de Saúde.FAL Faculdade de Tecnologia FAESA – Vitória Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP – Caruaru Univ.FAGO Faculdades Integradas do Vale do Ivaí .UNIVAG Centro Universitário do Maranhão .ESUCRI Universidade Estadual de Maringá .

Celso Suckow da Fonseca .UFSM Universidade do Sul de SC – UNISUL . de Cachoeiro de Itapimirin -FACCACI Universidade do Sul de SC .ITES IES militares Escola Naval . e Adm.UFRN Universidade Federal de Rondônia .AFA Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN IES de Portugal Escola Naval de Portugal EST ES SC RS RN RO RR RS SC RS PR PR PR AM AP TO RJ PA RJ RJ SP RJ SP RJ PT Part/Pub Part Part Part Pub Pub Pub Pub Part Part Part Part Part Pub Part Pub Pub Part Pub Pub Part Pub Pub Pub Pub Trad/EAD Trad Trad Trad EAD Trad Trad Trad EAD Trad Trad Trad Trad Trad Trad EAD Trad Trad Trad Trad trad Trad Trad Trad Trad HA 3120 NI 3256 3000 3080 3048 3000 NI 3024 3600 3040 3000 NI 3000 3060 3285 3380 3315 NI 3500 Perc.UNITINS Universidade Federal Fluminense – UFF – Niterói Faculdade de Itaituba – FAI Universidade do Estado do RJ – UERJ Centro Federal de Ed.EN Academia da Força Aérea . 78% 70% 79% 71% 70% 73% 84% 80% 74% 92% 79% 77% 84% 77% 80% 77% 83% 85% 71% 77% .UFRO Universidade Federal de Roraima . Cont.UEA Faculdade do Amapá – FAMAP Fundação Universidade do Tocantins .UNISUL Universidade do vale dos Sinos – UNISINOS Universidade Federal do Rio Grande do Norte .UFRR Universidade Federal de Santa Maria .RJ Instituto Taquaritinga de Ensino Superior . Tec.AMAN Faculdade Don Bosco – Porto Alegre Faculdade Don Bosco – Curitiba Faculdade Don Bosco – Goioerê Faculdade Don Bosco – Cornélio Procópio Universidade do Estado do Amazonas .103 No 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 Instituição de Ensino Superior Faculdade de C.CEFET .

Tal só acontece no final do 5º e com a atribuição do grau de mestre. com algumas especificidades próprias para o ensino superior militar. . Como tal. incluindo os de Administração Naval. professor de Contabilidade de Gestão. contabilidade. Contabilidade Pública. administração financeira. existe um reconhecimento do grau atribuido no final do curso. algebra linear e programação. Informática de Gestão e Administração Financeira e Planeamento Logistico Perguntas: 1 – Como é a formação do Aluno (Aspirante) que será graduado em licenciatura de Administração Naval? O Sr. ao fim de 3 anos são considerados licenciados (reconhecimento para efeitos de equivalência com o civil) embora ainda não possam ser oficiais da Marinha. o curso de Administração Naval está organizado da seguinte forma: 1º ano (comum a todas as classes) – as disciplinas são sobretudo de base ciêntifica. 3º ano e 4º ano – são anos de formação especifica. auditoria. A Escola Naval está enquadrada no sistema de ensino superior. 2 – Em Portugal existe uma diferenciação ou equivalência entre a graduação superior realizada na Escola Naval (militar) e no acadêmico civil? No Brasil é o reconhecimento do diploma pelo Ministério da Cultura. 2º ano. Todos os alunos da Escola Naval. No caso do curso de administração naval as áreas do saber abrangidas são: o Economia.104 ANEXO 2 QUESTIONÁRIO PARA A ESCOLA NAVAL DE PORTUGAL Universidade/Instituição Superior: Escola Naval (EN) de Portugal Nome do respondente: António Rogério Silva Cargo ou Função: CFR. econometria Nota: O conjunto dos programas é muito pesado para enviar. É igualmente dada no 1º ano uma cadeira base de navegação. No entanto. se tal necessário posso tentar enviar. Poderia anexar o programa das disciplinas? A ementa já consegui pela internet no sítio da EN. finanças. com grande pendor nas matemáticas. direito. logistica. Como o Senhor Comandante poderá ver pela ementa. gestão.

ao fim dos 3 anos de licenciatura é possivel a um aluno da Escola Naval candidatar-se a um curso de pós-gradução e mestrado em qualquer universidade do país ou do estrangeiro. 5 – Existe uma correlação entre o curso da EN. atualmente essa escolha é no final do segundo ano. 6 – Quando é escolhido pelo candidato ou aluno o curso de formação que irá seguir? Por exemplo. aquando do concurso de admissão à Escola Naval. no caso da graduação em tela.105 A equivalência com o meio académico civil é conferida entre Ministério da Defesa e Ministério da Educação (em última instância a palavra final cabe ao Ministério da Educação). 4 – Que tipo de perfil de aluno é habilitado a cursar a Administração Naval?? Todos os individuos que completado o 12º ano tenham tido Matemática como disciplina. mediante requerimento do interessado e só após autorização do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada. Na Escola Naval. pelo que saiem da Escola Naval) é possivel ingressar no inicio do 2º ano. existindo vagas especificas. É analisado para aprovação ao nivel do conselho ciêntifico (este conselho é presidido pelo ALM CTE da Escola Naval e nele têm assento todos os professores definitivos da Escola Naval – para ser professor efectivo é necessário que o Conselho Ciêntifico o aceite ) para posteriormente ser levado ao Ministério da Defesa e Ministério da Educação. No entanto. O mesmo se passa com todos os currículos dos restantes cursos da Escola Naval. No caso do curso de Administração Naval a Escola Naval tem um convénio com a Universiddae Católica (cerca de 2/3 dos professores são dessa Universidade) pelo que muitas das matérias são equivalentes às de um curso de gestão dessa universidade. . como no 1º ano todas as disciplinas são iguais para todas as áreas (e porque existem sempre alunos que não conseguem sucesso académico. 3 – Como é aprovado o currículo do curso de Administração naval? O currículo é proposto pelo Departamento de Formação de Administração Naval (cada departamento tem um coordenador). e na Academia da Força Aérea é no exame de seleção. em respeito pelo paradigma de Bolonha. normalmente tal ocorre no inicio do 1º ano. O curriculo só se torna em vigor após aprovação ministerial e publicação em Diário da República. sob proposta do Almirante Comandante da Escola Naval. na minha época na EN era no final do primeiro ano escolar. O mesmo se passa com as áreas da engenharia em que existem convénios com algumas das melhores universidades do país. tal é uma obrigatoriedade. Assim. Com a reforma curricular em vigor. com os similares das universidades públicas e/ou privadas? Alguma equivalência existe.

10 – Como é baseado o projeto pedagógico do seu curso de graduação superior em Administração Naval? O processo pedagógico em vigor segue as orientações e o paradigma da reforma de Bolonha. 8 – Como se processa a especialização do Oficial (Guarda-Marinha) que cursou Administração Naval? Os oficiais de Administração Naval não têm especializações formais. Alguns oficiais fazem formação especializada fora da Marinha noutros estabelecimentos de ensino superior. O curso é composto por cadeiras da área do direito. visa dar sólidos conhecimentos em diferentes áreas do saber consideradas fundamentais para o desempenho profissional. talvez seja possível o reconhecimento junto da ordem dos economistas. Mas com a reforma curricular ocorrida temos as condições para que o curso possa ser admitido junto da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (ordem profissional da área da Contabilidade) e.106 7 – Existe uma avaliação da formação do Oficial pós-ciclo acadêmico? A avaliação resulta do feed-back recebido da Marinha. Ou seja. 9 – Existe alguma disciplina em sua grade curricular que é oferecida na modalidade à distância? Caso afirmativo. Ao longo do curso os alunos fazem uma avaliação das disciplinas e dos professores. Apenas existe um módulo NATO na área da Logistica. Reconhecimento académico: Os diplomas de licenciatura (conferido no final dos 3 primeiros anos) e do mestrado no final do 5º ano são reconhecidos para fins académicos. marinharia e comportamento organizacional. 11 – O diploma de licenciatura em Administração Naval é reconhecido pelo meio acadêmico civil? E pelo órgão de classe dos administradores? (no Brasil seria o Conselho Federal de Administração). . eventualmente. quais as disciplinas? São eletivas ou obrigatórias? Não. Não existe uma especialização na Escola Naval. da gestão. O assunto encontra-se em estudo tendo sido os passos necessários para tal. logistica além das matérias de matemática. contabilidade. Na Marinha existem contudo cursos de carreira para acesso ao nível de oficial superior e de oficial general (mas que são comuns para todos os oficiais independentemente da sua formação académica de base e igualmente comuns com os oficiais dos outros ramos (exército e força aérea). Por isso o modelo é o apresentado na questão 2 e na questão 5. Reconhecimento por ordens profissionais: Neste momento ainda não. navegação. nomeadamente da área operacional.

Tal já acontece no meio académico civil (o termo é ERASMUS). . pelo menos para uma parte do curso (um semestre ou um ano lectivo). mas a sua aplicação ao universo do ensino superior militar apresenta algumas dificuldades.107 12 . o Sr (a) teria mais algum comentário ou acrescentaria algo que pudesse auxiliar/enriquecer o desenvolvimento dessa pesquisa? Existe no contexto europeu uma preocupação para que no futuro seja possivel a formação de oficiais de marinha seja possivel ocorrer noutra escola naval que não a do país do futuro oficial.Em função de sua experiência.

XXI? Que características ele teria que ter? 2 – O que se deseja ao aluno egresso de sua Universidade/Instituição ao final do curso da graduação Superior de Administração? 3 – É feita uma avaliação/atualização curricular periódica em função das novas demandas exigidas pelo mercado para os profissionais recém-formados? 4 – Existe pela Instituição algum tipo de avaliação pós-formatura do seu corpo discente? . que fará parte da minha monografia de encerramento do Curso Pós-Graduação “lato sensu” de Docência do Ensino Superior do Instituto A Vez do Mestre da Universidade Cândido Mendes. Academia da Força Aérea e a Escola Naval de Portugal. com análise apenas de conteúdo. Trata-se de parte de um projeto de pesquisa que analisará e identificará as diferenças e similaridades das grades curriculares.. e propor alterações para o aperfeiçoamento da formação acadêmica do Oficial Intendente egresso da Escola Naval. considerando os conteúdos das ementas.(a). Agradeço desde já a sua atenção. atenciosamente. Igualmente. Titulo da Monografia: FORMAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO: UMA ABORDAGEM COMPARATIVA ENTRE CURRÍCULOS MILITAR-NAVAL E CIVIL. e que será resumida as respostas de acordo com as categorias de respostas recorrentes encontradas. participo ainda que constará do relatório da monografia como apêndice um questionário em branco como informativo. Hercules Guimarães Honorato Universidade/Instituição Superior: Nome do respondente: Cargo ou Função Perguntas: 1 – Como seria para o Sr (a) o perfil do administrador do séc. confiabilidade da fonte. cargas horárias e fluxo de disciplinas entre as Universidades Públicas e Privadas.108 ANEXO 3 QUESTIONÁRIO SEMI-ESTRUTURADO PARA COORDENADORES DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO SUPERIOR EM ADMINISTRAÇÃO Prezado Sr. Solicito o favor de dedicar não mais que quinze minutos do seu tempo para responder este breve questionário. Participo a VSa que não será identificada a Universidade/ Instituição que responder o questionário.

com . em sua opinião. Solicito encaminhar vossa resposta através do e-mail: hghhhma@gmail. o Sr (a) teria mais algum comentário ou acrescentaria algo que pudesse auxiliar/enriquecer o desenvolvimento dessa pesquisa? Muito obrigado pela atenção de VSª.109 5 – Quais.Na formação em quatro anos. quais disciplinas em sua opinião poderiam ser suprimidas ou incluídas para uma melhor preparação do jovem administrador? 7 – Como o Sr (a) se posiciona sobre a Educação a Distância? E sobre o curso superior de Administração à distância? 8 – Existe alguma disciplina em sua grade curricular que é oferecida na modalidade à distância? Caso afirmativo. quais as disciplinas? São eletivas ou obrigatórias? 9 – Como é baseado o projeto pedagógico do seu curso de graduação superior em Administração? 10 – Em função de sua experiência. são as dificuldades verificadas quanto ao enquadramento da sua grade curricular com as resoluções do MEC/CFA? 6 .

br fibia@unama.UNIVALI Universidade Cândido Mendes Centro Universitário do Estado do Pará Universidade do Amazonas .br praticiasatino@fal.edu.br hercílio@fa7.br christianne.br coord.com.br lucia@ceuma.ceciesa@univali.110 ANEXO 4 RELAÇÃO DAS IES QUE FORAM ENVIADOS OS QUESTIONÁRIOS No 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Instituições de Ensino Superior Escola Superior de Criciúma Fundação Getúlio Vargas .br Est SC RJ SC RJ PA AM TO PE RN CE CE CE CE PI MA PE MA AL AL SE BA BA BA DF .com.br adm.br eliene@facimp.com.br epessoa@candidomendes.com. e Negócios de Sergipe Universidade Católica de Salvador Centro Universitário Jorge Amado Universidade de Salvador Centro Universitário de Brasília Endereço Eletrônico cristiane@esucri.br yoletedomado@ceut.br noblat@fir.br p97@uol.br cicerohumberto@fic.br francisco@cesupa.UNAMA Universidade Federal do Tocantins Universidade Católica de Pernambuco Faculdade Câmara Cascudo Universidade de Fortaleza Faculdade Integrada do Ceará Faculdade 7 de Setembro – Fortaleza Faculdade Nordeste – FANOR Centro de Ensino Unificado de Teresina Centro Universitário do Maranhão Faculdade Integrada do Recife Faculdade Imperatriz – FACIMP Centro de Estudos Superiores de Maceió Faculdade de Alagoas Faculdade de Adm.br administração@unifor.edu.leopoldino@fanor.br salesvidal@unicap.edu.edu.adm@unijorge.br administracao@fejal.com adminpresas@unifacs.br elainet@fgv.EBAPE Universidade do Vale do Itajaí .br eac@ucsal.br jassiopereira@fcamaracascudo.com.edu.br admpalmas@uft.br albericoferreira@fanese.edu.

br administracao@uniabc.br prof.br administracao@fmu.br adriano@falnatal.br coordenador@ibirapuera.tortato@pucpr.br adm@univag.edu.br ubirata.com.perez@unisanta.rogel@unopar.com.adm@unisantos.br asi@facex.br mvaleria@uvv.edu.br enise@brazcubas.br coord.br Est GO MS MS MT MT MT PR PR PR PR RS RS SC RS RN CE RN MG ES RJ SP RS SP SP SP SP SP SP .br admin@ucdb.be adriano@cesumar.br mabertol@ucs.br mkoche@unigran.balm@unoesc.com.br cursoadm@fchristus.com.br dagmar@unisinos.br marco.br face@pucrs.br marcelo.addedadm@usjt.br jose.111 No 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 Instituições de Ensino Superior Universidade Católica de Goiás Universidade Católica Dom Bosco Centro Universitário da Grande Dourados Centro Universitário de Várzea Grande Centro Universitário Cândido Rondon Centro de Ensino Superior de Rondonópolis PUC do Paraná Universidade do Norte do Paraná Centro Universitário de Maringá Universidade Positivo Universidade de Caxias do Sul PUC Rio Grande do SUL Universidade do Oeste de Santa Catarina UNISINOS FACEX – Natal Faculdade Christus Faculdade de Natal Universidade de Uberaba Universidade de Vila Velha Universidade Veiga de Almeida Faculdades Metropolitanas Unidas ULBRA Universidade Bráz Cubas Universidade do ABC Universidade Ibirapuera – UNIB Universidade Católica de Santos Universidade São Judas Tadeu Universidade Santa Cecília Endereço Eletrônico administracao@uniceub.nogueira@uniube.br wanderlan@cesur.br jairo.br secadministracao@ulbra.br admempresas@up.br laugusto@uva.br infoadm@unirondon.

br ana.br jseixas@baraodemaua.br graduação@tupa.com.br administracao@unitri.br administracao@sinergia.br joaokuster@uniplac.iesa@bol.br administracao@utp.br marilia@ifes.br laudemiro@ufc.Canoas Universidade Estadual de Montes Claros Universidade Positivo Universidade do Oeste Paulista Universidade Católica de Goiás Centro Universitário UNIRG Escola Naval Endereço Eletrônico bortolon@upf.edu.br dptoadm@furb.ribeiro@saofrancisco.br mariluciadalla@faesa.br admempresas@up.com.br mauricioboavista@novafapi.unesp.br administracao@unit.IFES Universidade de Riberão Preto FAESA – Vitória Universidade Cruzeiro do Sul Universidade Tiradentes Universidade do Planalto Catarinense Universidade de Taubaté UNISUL Universidade Tuiuti Faculdade Alagoana de Administração Universidade São Francisco Universidade Federal do Ceará IBMEC-RJ Centro Universitário Barão de Mauá Centro Universitário FIEO Centro Universitário do Triângulo Univ.edu.br mcrittner@unifieo.br rdoneja@unaerp.br jose.net eca@unitau. Estadual Paulista Júlio de Mesquita Fo UNIRITTER .br faa.edu.112 No 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 Instituições de Ensino Superior Universidade de Passo Fundo Faculdade NOVAFAPI – Teresina Sistema Sinergia de Ensino – Navegantes Universidade Regional de Blumenau Instituto Cinecista de Itajaí .edu.pacheco@unisul.edu.edu.br administracao@unimontes.lima@cruzeirodosul.com Cmte Cícero Pimenteira Est RS PI SC SC SC SP ES SP PI SC SP SC PR AL SP CE RJ SP SP MG SP RS MG PR SP GO TO RJ .br nancy@noeste.br irineu@ucg.br douglas.br luzinetteall@hotmail.br peterm@uniritter.com.br aduarte@ibmecrj.

113

ÍNDICE

FOLHA DE ROSTO AGRADECIMENTO DEDICATÓRIA RESUMO METODOLOGIA SUMÁRIO INTRODUÇÃO

1 2 3 4 5 7 8

CAPÍTULO I O currículo e a formação superior em Administração no Brasil 1.1 – Breve história do currículo 1.1.1 – As origens do currículo no mundo 1.1.2 – As origens do currículo no Brasil 1.2 – Conceituações de currículo 1.2.1 – O currículo e os desafios da sociedade 1.2.2 – Flexibilidade e contextualização do currículo 1.3 – A formação superior no Brasil 1.3.1 – Breve história 1.3.2 – O perfil do administrador na atualidade 1.3.3 – Os novos desafios 1.4 – O currículo de graduação superior em Administração 11 11 11 13 18 21 23 25 26 29 32 34

CAPÍTULO ll A educação a Distância (EaD) 2.1 – A perspectiva conceitual da EaD 2.1.1 – Legislação 2.1.2 – A EaD na Marinha do Brasil (MB) 2.2 – Educação a Distância versus Educação presencial 2.3 – A graduação superior a distância no Brasil 40 41 44 47 50 53

114

2.3.1 – A graduação superior a distância em Administração

55

CAPÍTULO lll Matrizes curriculares 3.1 – Avaliação comparativa entre matrizes curriculares 3.1.1 – Entre as IES do Brasil no curso de Administração 3.1.2 – Entre as IES do Brasil e a Escola Naval 3.1.3 - Entre a Escola Naval e a Escola Naval de Portugal 3.1.4 – Entre a Escola Naval e a Academia da Força Aérea 3.1.5 – Entre a Escola Naval e a Academia Militar das Agulhas Negras 3.2 – Análise e resultados dos questionários encaminhados aos coordenadores do curso de Administração 3.2.1 - Das Instituições de Ensino Superior do Brasil 3.2.2 – Da Escola Naval de Portugal 3.3 – Possibilidades e limitações 73 74 82 85 72 58 59 60 63 68 69

CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA ANEXOS ÍNDICE

89 92 101 113

115

FOLHA DE AVALIAÇÃO

Nome da Instituição:

Título da Monografia:

Autor:

Data da entrega:

Avaliado por:

Conceito:

116 ATIVIDADES CULTURAIS .

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