POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO CENTRO DE APERFEIÇOAMENTO E ESTUDOS SUPERIORES CAES “CEL PM NELSON FREIRE TERRA” CURSO

DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS – CAO – II/ 09

Cap QAOPM Ricardo Robson da Silva IMOBILIZAÇÕES CORPORAIS – INDIVIDUAL E EM GRUPO NO USO DEFENSIVO DA FORÇA FÍSICA: PROPOSTA DE MANUAL DE TREINAMENTO POLICIAL

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São Paulo 2009 POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO CENTRO DE APERFEIÇOAMENTO E ESTUDOS SUPERIORES “CEL PM NELSON FREIRE TERRA” CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS – CAO – II/ 2009

Cap QAOPM Ricardo Robson da Silva IMOBILIZAÇÕES CORPORAIS – INDIVIDUAL E EM GRUPO NO USO DEFENSIVO DA FORÇA FÍSICA: PROPOSTA DE MANUAL DE TREINAMENTO POLICIAL

Monografia apresentada ao Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores, como parte dos requisitos para a aprovação no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais.

Maj PM Raul Santo de Oliveira – Orientador

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São Paulo 2009 POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO CENTRO DE APERFEIÇOAMENTO E ESTUDOS SUPERIORES “CEL PM NELSON FREIRE TERRA” CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS – CAO – II/ 2009

Cap QAOPM Ricardo Robson da Silva IMOBILIZAÇÕES CORPORAIS – INDIVIDUAL E EM GRUPO NO USO DEFENSIVO DA FORÇA FÍSICA: PROPOSTA DE MANUAL DE TREINAMENTO POLICIAL

Monografia apresentada ao Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores, como parte dos requisitos para a aprovação no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais. ( ) Recomendamos disponibilizar para pesquisa ( ) Não recomendamos disponibilizar para pesquisa ( ) Recomendamos a publicação ( ) Não recomendamos a publicação São Paulo, ____ de ______________________ de 2009.

Ten Cel Res PM Luiz Carlos Martins

Ten Cel Ex Israel Yehuda Carmi

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Maj PM Raul Santo de Oliveira – Orientador Este trabalho é dedicado a: Minha esposa, Rafaela e filhas Viviane e Verônica pelo amor, compreensão e apoio dedicados no transcorrer da elaboração deste trabalho. Aos meus antepassados, pela origem familiar e formação educacional nos pressupostos da humildade e da honestidade no curso das gerações. Ao Sensei Jooji Sato (in memorian) pela legítima iniciação nos fundamentos da filosofia da Arte Marcial do Judô no Caminho do Guerreiro - o Bushido. Ao Sensei Miguel Suganuma pelos inestimáveis ensinamentos

complementares e prática da Arte Marcial do Judô e o aperfeiçoamento nas Técnicas do Desporto de Combate e Defesa Pessoal Policial. À Polícia Militar do Estado de São Paulo, Instituição que considero como minha segunda casa, bem como aos companheiros de caserna a minha segunda família.

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AGRADECIMENTO

Ao Maj PM Raul Santo de Oliveira, pela dedicação e sabedoria por ocasião das reuniões de orientação nos momentos de dúvidas e divagações. Ao Ten Cel Res PM Luiz Carlos Martins, eterno Comandante da “Velha Escola”, pelo relacionamento profissional, de companheirismo e amizade estabelecido no serviço ativo que perdura mesmo na sua reserva do Oficialato. Ao Ten Cel PM Wandereley Mascarenhas de Souza, Comandante do Centro de Capacitação Física e Operacional – Escola de Educação Física, pelo incentivo e colaboração ao permitir o acesso e processamento das pesquisas junto aos Policiais Militares dos diversos Cursos e Estágios desenvolvidos no OAE. Ao Subtenente PM Antenil Pereira Ramos, Mestre de Kung Fu e Treinador de Defesa Pessoal, pela colaboração e apoio inestimável à elaboração do presente trabalho. Ao 1.º Sgt PM Eriquinilson dos Santos, Mestre de Judô e Treinador de Defesa Pessoal. A todos os Oficiais, Praças e Funcionários Civis do CCFOEEF, em breve EEFTP, extensivo a todos os demais Policiais Militares e Civis que contribuíram de forma direta ou indireta para a confecção desta Monografia. Ao Comando do CAES, Instrutores e Professores e demais integrantes desta digna e renomada Unidade Escola Militar, pelos conhecimentos ministrados que serão de grande valia na busca da minha realização profissional.

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“O homem de mente destemperada que não controla os seus apetites e as suas paixões, forja suas próprias algemas e grilhões. Pois quanto menos houver dentro de nós, mais deverá haver fora de nós uma força de controle tal que nos permita viver em sociedade.” Sir Edmund Burke

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RESUMO

O treinamento é importante para atividade policial-militar, com relevância na área prática onde a realização dos procedimentos de padronização das técnicas permitirá maior eficiência e qualidade na prestação dos serviços pela Instituição Policial Militar. A disciplina de Defesa Pessoal na Instituição está entre as fundamentais na instrução do policial militar, quer seja na formação, na especialização ou treinamento contínuo da Praça ou do Oficial de Polícia Militar. Outro fator de destaque é firmar a compreensão de que o uso da força é um instrumento de trabalho da polícia e de seu funcionário, o policial. Conhecer as leis que balizam o seu uso seja no âmbito nacional ou internacional, bem como as várias circunstâncias e intensidades disponíveis do uso da força, é uma necessidade. A divulgação dos princípios de uso progressivo da força com a adoção das melhores técnicas e práticas pela polícia é uma forma de orientar os policiais a respeito dos vários fatores de influência da sua utilização ou não, do tipo de força e das possíveis reações do policial em relação às atitudes do suspeito encontradas no dia a dia operacional. Portanto, é certo que o exercício da profissão está ligado diretamente ao contexto do Uso Legal da Força, situação que impõe a necessidade emergente de dar suporte e embasamento para a capacitação teórica e prática aos componentes dos órgãos de segurança pública, possibilitando uma abordagem mais específica em torno do seu conteúdo. A presente proposta de um Manual de Imobilizações Corporais – Individual e em Grupo no Uso Defensivo da Força Física, que pode ser entendido como um complemento ao atual Manual de Defesa Pessoal (M-3-PM) é resultado de uma coletânea de conteúdos que vem dar subsídios técnicos e táticos (normas, processos, técnicas e atitudes), capazes de proporcionar o aprofundamento da

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metodologia específica aplicada à disciplina com o atendimento dos aspectos legais, voltado, sobretudo, à atividade fim. A idéia central da proposta de criação de Manual, isto partindo do contexto atual no que tange a detectar problemas para o seu desenvolvimento satisfatório, principalmente quanto à aplicação de metodologias desfalcadas com a realidade, ou ainda a quebra de velhos paradigmas enraizados numa formação já superada, e que não atende mais à nova realidade para atual política de segurança pública em vigor no país, é que se possa utilizar este manual para uma melhor eficácia do trabalho do policial.

Palavras-chave: Polícia Militar. Treinamento. Defesa Pessoal. Uso Defensivo da Força Física. Uso Progressivo da Força Legal. Padronização de técnicas.

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ABSTRACT Training is very important for military police activity, mainly in the practice area where the execution of techniques standardization procedures will allow greater efficiency and quality in Military Police Institution services. The Self Protection discipline is a fundamental one in the institution for a policeman instruction for his education, expertise and continuous training to the policeman or to the officer. Another highlight point is confirm that force is a police and policeman work device. Knowing the laws that guide its use at national or international capacity, as well as the various circumstances and intensities available to use the force, is a necessity. The divulgation of progressive force usage foundation with adoption of best practices and technics by police, is a way to guide the policeman about the several facts of influence in its usage or not, about type of force and all the policeman reactions about the suspect behavior found in day by day. Therefore, it is certain that the professional tasks are straight linked to the context of Legal Force Usage, which imposes the forthcoming necessity of support to theorical and real practice for the policemen enabling a more specific approach to the matter. This proposal of a Bodily Immobilization Manual – Individual or Group, that could be understood as an addition to the current Self Defense Manual (M-3-PM) is the summary of tactical and technical content (rules, process, technics and attitudes), able to strengthen the specific methodology applied to the discipline while complying to the legal aspects. The main idea in this propose, based on detecting problems to its satisfactory development, specially concerning the old methodologies application and the breaking of old rules that no longer support the current public security policies in the country, is that this manual could be used to improve the police officer job.

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Word-key: Military police. Training. Personal defense. I use Defensive of the Physical Force. I use Progressive of the Legal Force. Standardization of techniques.

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Escala de Proporcionalidade no Uso da Força ....................................... 42 Tabela 2 – Situação e Resposta no Uso da Força Legal ......................................... 42 Tabela 3 – Efeitos nos Sistemas Simpáticos e Parassimpáticos ............................. 66 Tabela 4 – Distribuição da Carga Horária no CFO/APMBB ..................................... 98 Tabela 5 – Distribuição da Carga Horária no CFS/CFAP.... ......................................98 Tabela 6 – Distribuição da Carga Horária no CFSd/CFSD - Pirituba........................ 98 Tabela 7 – Dez Regras para um Bom Nível de Eficiência em Defesa Pessoal ...... 101 Tabela 8 – Quadro Comparativo de Sistemas de luta e Principais Técnicas ......... 102 Tabela 9 – Quadro do Atendimento de Ocorrências Consolidadas na área do 8.º BPM/M no período de 02/09/09 a 03/09/09 ............................................................ 126 Tabela 10 – Quadro de denúncias registradas pela Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo referentes ao relatório do 1.º Semestre/2009 .................................. 129 Tabela 11 – Quadro de Ocorrências com real possibilidade do Uso Defensivo da Força Física .............................................................................................................130

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Círculo da Sobrevivência.......................................................................... 55 Figura 2 – Programa 190 ........................................................................................ 122 Figura 3 – Policiamento Rodoviário ........................................................................ 122 Figura 4 – Policiamento Ambiental ......................................................................... 122 Figura 5 – Mapa 1 - Localização Continental e Insular de Santa Catarina ............. 131 Figura 6 – Mapa 2 - da Região de Santa Catarina ................................................ 131 Figura 7 – Brasão de Armas do Estado de Santa Catarina ................................... 131 Figura 8 – Brasão da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina ......................... 132 Figura 9 – Reunião de CONSEG na Cidade de Florianópolis/SC .......................... 134 Figura 10 – Viaturas de Policiamento Comunitário PMSC ..................................... 134 Figura 11 – Base Comunitária de Segurança ......................................................... 134 Figura 12 – Identificação do BOPE/PMSC ............................................................. 135 Figura 13 – Esquema do Uso Defensivo da Força Física ...................................... 138

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Participação da Amostragem do CIEF/08 .............................................103 Gráfico 2 – Participação da Amostragem do CMEF/08 ...........................................104 Gráfico 3 – Aglutinação das Amostragens do CIEF/08 e CMEF/08 ........................104 Gráfico 4 – Opinião Pessoal dos Integrantes do CIEF/08 e CMEF/08, sobre a capacitação Técnica em Defesa Pessoal.................................................................105 Gráfico 5 – Demonstrativo do Tempo sem Treinamento de Defesa Pessoal dos Integrantes do CIEF/08 e CMEF/08..........................................................................105 Gráfico 6 – Opinião Pessoal dos Integrantes do CIEF/08 e CMEF/08, na Capacidade Técnica em Imobilizar Agressor ...............................................................................106 Gráfico 7 – Opinião Pessoal dos Integrantes do CIEF/08 e CMEF/08, sobre a necessidade do Treinamento Contínuo ...................................................................107 Gráfico 8 – Opinião Pessoal dos Integrantes do CIEF/08 e CMEF/08, sobre a Eficácia do Treinamento das Técnicas de Imobilizações Corporais ........................108 Gráfico 9 – Opinião Valorativa dos Integrantes do CIEF/08 e CMEF/08, sobre a Edição do Manual de Imobilizações Corporais .......................................................109 Gráfico 10 – Opinião Pessoal dos Integrantes do CEP do CCFOEEF, sobre a Capacitação Técnica em Defesa Pessoal ...............................................................110

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Gráfico 11 – Demonstrativo do Tempo sem Treinamento de Defesa Pessoal dos Integrantes do CEP do CCFOEEF...........................................................................111 Gráfico 12 – Opinião Pessoal dos Integrantes do CEP do CCFOEEF, na Capacidade Técnica em Imobilizar Agressor .............................................................................. 112

Gráfico 13 – Opinião Pessoal dos Integrantes do CEP do CCFOEEF, sobre a necessidade do Treinamento Contínuo ...................................................................112 Gráfico 14 – Opinião Pessoal dos Integrantes do CEP do CCFOEEF, sobre a Eficácia do Treinamento das Técnicas de Imobilizações Corporais ....................... 113 Gráfico 15 – Valorativa dos Integrantes do CEP do CCFOEEF, sobre a Edição do Manual de Imobilizações Corporais ....................................................................... 114 Gráfico 16 – Participação de Amostragem do Efetivo da 2.ª Cia/PM do 51.º BPM/M ........................................................................................................................... ...... 115 Gráfico 17 – Participação do Efetivo da Cia de Força Tática do 51.º BPM/PM .......115 Gráfico 18 – Aglutinação das Amostragens dos Efetivos do 51.º BPM/M .............. 116 Gráfico 19 – Opinião Pessoal dos Integrantes do 51.º BPM/M, sobre a capacitação Técnica em Defesa Pessoal.................................................................................... 116 Gráfico 20 – Demonstrativo do Tempo sem Treinamento de Defesa Pessoal dos Integrantes da Amostragem do Efetivo do 51.º BPM/M ........................................ 117 Gráfico 21 - Opinião Pessoal dos Integrantes da Amostragem do 51.º BPM/M, na Capacidade Técnica em Imobilizar Agressor ......................................................... 118 Gráfico 22 – Opinião Pessoal dos Integrantes da Amostragem do 51.º BPM/M, sobre a necessidade do Treinamento Contínuo ............................................................... 119

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Gráfico 23 – Opinião Pessoal dos Integrantes do 51.º BPM/M, sobre a Eficácia do Treinamento das Técnicas de Imobilizações Corporais.......................................... 120 Gráfico 24 – Opinião Valorativa dos Integrantes do 51.º BPM/M, sobre a Edição do Manual de Imobilizações Corporais ....................................................................... 121 Gráfico 25 – Formas de Contato com a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo – 1.º Semestre de 2009 ...........................................................................................129

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

APMBB – Academia de Polícia Militar do Barro Branco BOPE – Batalhão de Operações Especiais Bol G PM – Boletim Geral da Polícia Militar CAES – Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores CAO – Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais CCEAL – Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei CCFO – Centro de Capacitação Física e Operacional CEP – Curso de Especialização de Praças CF/88 – Constituição da República Federativa do Brasil CFAP – Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças CFO – Curso de Formação de Oficiais CFS – Curso de Formação de Sargentos CFSD – Centro de Formação de Soldados – Pirituba

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CFSd – Curso de Formação de Soldados CIEF – Curso de Instrutor de Educação Física CMEF – Curso de Monitor de Educação Física CONSEG – Conselho de Segurança Comunitário COPOM – Centro de Operações da Polícia Militar CSP – Curso Superior de Polícia EAP – Estágio de Atualização Profissional GRT – Grupos de Resposta Tática H1 – Hipótese número um H2 – Hipótese número dois H3 – Hipótese número três I – 22 – PM – Instruções para o Sistema Integrado de Treinamento Policial Militar M – 3 – PM – Manual de Defesa Pessoal da Polícia Militar do Estado de São Paulo M – 14 – PM – Manual Básico de Policiamento Ostensivo da Polícia Militar NORSOP – Normas para o Sistema Operacional de Policiamento PM ONU – Organização das Nações Unidas PBUFAF – Princípios Básicos sobre o Uso de Força e Armas de Fogo PM – Polícia Militar PMESP – Polícia Militar do Estado de São Paulo PMSC – Polícia Militar do Estado de Santa Catarina PPT – Pelotões de Patrulhamento Tático

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TASER – “Thomas A. Swift’s Eletric Rifle” – Arma de contenção. 2.ª Cia/PM – Segunda Companhia de Policiamento Policial Militar 51.º BPM/M – Quinquagésimo Primeiro Batalhão de Polícia Militar Metropolitano 8.º BPM/M – Oitavo Batalhão de Polícia Militar Metropolitano

Sumário

Introdução ............................................................................................................... 21 Capítulo 1. A Polícia Militar e a Lei ........................................................................ 25 1. 1. A Constituição Federal e Princípios Constitucionais ........................................ 25 1.2. Legislação Infraconstitucional ............................................................................ 26 1.3. Constituição do Estado de São Paulo ............................................................... 26 Capítulo 2. Aspectos Legais e Éticos do Uso da Força ...................................... 29 2.1. Abordagem Policial ............................................................................................ 29 2.1.1 Polícia e a Preservação da Ordem Pública na busca da harmonia e paz social .............................................................................................................................. ......29 2.1.2. Abordagem Policial – Aspectos da Relação Interpessoal com o Cidadão...... 29 Capítulo 3. Obrigações das Autoridades pelo Uso da Força ............................. 31 3.1. Legalidade e Legitimidade do Uso da Força e Controle da Atividade Policial ...31 3.2 Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo .............................. 32 3.3. Atuação da Polícia no Uso da Força Legal ........................................................ 32 3.4. Código de Conduta Policial ................................................................................ 34

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3.5. Tipos de Uso de Força ....................................................................................... 38 3.6. Níveis do Uso da Força Legal ............................................................................ 40 3.7. Os Elementos do Uso da Força Legal ............................................................... 42 3.8. Medidas de Força .............................................................................................. 44 3.9. Fases Dinâmicas do Encontro ........................................................................... 45 Capítulo 4. Dimensões do Perfil Policial .............................................................. 47 4.1. Perfil Exigido ...................................................................................................... 47 4.2. Fatores de Contra Indicação .............................................................................. 51 Capítulo 5. O Círculo da Sobrevivência ................................................................ 53 5.1. Preparação Mental ............................................................................................ 54 5.2. Preparação Física .............................................................................................. 56 5.3. Preparação Tática .............................................................................................. 57 5.4. Equipamento ...................................................................................................... 58 5.5. Habilidade no Tiro .............................................................................................. 58 Capítulo 6. O Medo da Morte – Coragem X Temeridade ..................................... 60 6.1. Efeitos Psicofísicos nos Encontros de Combate ............................................... 61 6.2. Efeitos Psicomotores no Organismo .................................................................. 62 6.2.1. Sistema Límbico ............................................................................................. 63 6.2.2. No Sistema Nervoso Autônomo ...................................................................... 63 Capítulo 7. Percepção e Realidade ....................................................................... 67 7.1. Sensopercepção ................................................................................................ 67 7.2. Sensação ........................................................................................................... 68 7.3. Unidade dos Sentidos ........................................................................................ 69 7.4. Percepção .......................................................................................................... 70

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7.5. Alterações da Sensopercepção ......................................................................... 73 7.6. Alterações na Intensidade das Sensações ........................................................ 74 7.7. Alterações na Síntese Perceptiva – Agnosias ................................................... 75 7.8. Reações Fisiológicas em Confronto .................................................................. 76 Capítulo 8. Do Processo Educacional e Treinamento.......................................... 83 8.1. Conceito de Educação ....................................................................................... 85 8.2. Taxionomia dos Objetivos Educacionais ........................................................... 87 8.3. Níveis do Domínio Cognitivo .............................................................................. 88 8.3.1. Domínio Cognitivo ........................................................................................... 88 8.3.2. Domínio Afetivo ............................................................................................... 90 8.3.3. Níveis do Domínio Psicomotor ........................................................................ 91 8.4. Oficina de Treinamento ...................................................................................... 91 8.5. Comunicação e Treinamento ............................................................................. 92 8.6. A Importância do Treinamento Policial Militar .................................................... 93 8.7. Treinamento como início de uma mudança profissional .................................... 94 8.8. Os Objetivos do Treinamento Policial Militar ..................................................... 96 8.9. O Treinamento de Defesa Pessoal na Polícia Militar do Estado de São Paulo . 96 Capítulo 9. Análise Comparativa das Diversas Artes Marciais e Desportos de Combate e sua Utilidade para a Defesa Pessoal ................................................ 99 9.1. O que é Defesa Pessoal ? ................................................................................. 99 9.2. Comparação dos Principais Sistemas de Luta ................................................ 100 Capítulo 10. Análise Contextual da Pesquisa de campo sobre a Perspectiva do Treinamento de Defesa Pessoal e das Imobilizações Corporais na PMESP .. 102

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10.1. Da coleta de dados, processamento e resultados da pesquisa de opinião e outros dados relevantes junto a amostragem Não - probabilística intencional ....... 102 10.2. Da coleta de dados, processamento e resultados da pesquisa de opinião e outros dados relevantes junto 1.ª amostragem Não - probabilística acidental ....... 108 10.3. Da coleta de dados, processamento e resultados da pesquisa de opinião e outros dados relevantes junto a 2.ª amostragem Não - probabilística acidental .... 114 Capítulo 11. Contexto da Realidade Policial na Cidade de São Paulo ............ 121 11.1. Um dia de da rotina de atendimento área territorial do 8.º BPM/M ............... 122 11.2. Apuração de Resultados junto a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo .............................................................................................................................. ... 125 Capítulo 12. Viagem de Estudos da “II Jornada de Polícia Comparada” – Estado de Santa Catarina .................................................................................................. 130 12.1. Síntese Histórica da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina ................. 130 12.2. Entrevista tendo por Tema a Defesa Pessoal e o Uso Defensivo da Força Física ...................................................................................................................... 133 Conclusão .............................................................................................................. 138 Referências Bibliográficas ................................................................................... 140 Apêndice: Minuta de Proposta do Manual Técnico de Imobilizações Corporais – Individual em Grupo no Uso Defensivo da Força Física ................................... 149

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Introdução

A Polícia Militar do Estado de São Paulo possui aproximadamente cem mil homens e mulheres em seu efetivo, dispostos diuturnamente, em todo o Estado de São Paulo, para atender a premissa constitucional de manter e preservar a ordem e segurança públicas de toda a Sociedade e das Instituições, por meio do policiamento ostensivo fardado e preventivo, com respeito à dignidade e aos direitos da pessoa humana mesmo com o sacrifício da própria vida. Não se trata de poesia ou slogan institucional, mas de uma realidade que afeta o profissional Militar do Estado em seu dia a dia. O estudo teve por objetivo geral analisar a importância do treinamento, ou seja, o processo de atualização e aperfeiçoamento dos conhecimentos referentes às práticas policiais, na definição de novos padrões de resposta por parte dos policiais nas atividades de policiamento. As situações em que os policiais se envolvem dão origem a opiniões e interpretações dos atos policiais. Essas opiniões e interpretações da comunidade podem ser positivas ou negativas para a organização policial e para o policial alvo da observação. Entre os objetivos específicos busca-se analisar o uso da

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força quando da realização de uma abordagem policial, a técnica utilizada, bem como o treinamento policial como fator de mudança no serviço prestado. Em toda abordagem policial o uso da força será utilizado podendo ser com comandos verbais, ou até mesmo com o uso de força letal em casos de ameaça letal ao policial ou a terceiros (outros cidadãos). Os níveis de força apresentam seis alternativas adequadas ao uso da força legal. Cada situação enfrentada pelo policial é única. O bom julgamento e as circunstâncias de cada uma delas ditará o nível de força que o policial utilizará. As circunstâncias são percebidas pelos policiais de acordo com o ambiente e a ação do suspeito abordado. É um trabalho que se justifica pela importância da discussão sobre o uso da força não letal e as garantias legais para a execução de uma abordagem policial, para que durante o policiamento ostensivo respeite os direitos do cidadão abordado. Mostrando a importância do treinamento aos policiais como forma de reduzir o emprego abusivo de força nos encontros da polícia com o público, melhorando a qualidade do trabalho policial, aumentando a proteção do policial e do abordado. Este trabalho observa como problema o fato de que o policial militar desempenha suas atividades operacionais, na maior parte do tempo sem supervisão direta, ou seja, o acompanhamento mais frequente por parte do supervisor, Tenente ou Subtenente ou Sargento, em razão da própria estrutura do policiamento ostensivo motorizado. Nesses casos policiais que adotem condutas impróprias, do ponto de vista procedimental, que quando não corrigidas tendem a serem incorporadas no comportamento e naturalizadas. Dessa forma o policial adota posturas erradas com a crença que está agindo corretamente. Essa conduta expõe o policial ao risco e em consequência expõe ao risco o cidadão. A hipótese central do trabalho estabelece que o treinamento constante tem um papel expressivo como um fator capaz de reduzir o uso abusivo da força nos encontros do policial com o cidadão e de melhorar a qualidade do serviço prestado pelo policial de uma maneira geral, aumentando o grau de segurança, tanto ao policial quanto ao cidadão, e diminuindo a exposição de ambos ao risco.

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No estudo serão testadas as seguintes hipóteses (H): H1: As garantias legais para o exercício das atividades de polícia ostensiva são suficientes para proporcionar segurança e correção na execução de uma abordagem policial? H2: O treinamento policial permanente diminui a possibilidade de o policial usar a força de maneira excessiva, contra pessoas submetidas a abordagem policial, o que gera uma redução dos casos de abuso policial? H3: O treinamento policial permanente aumenta a capacidade do policial em oferecer proteção ao público e em aumentar sua própria segurança durante as abordagens policiais, o que gera diminuição da exposição de ambos ao risco? A pesquisa utiliza o método hipotético-dedutivo, ou seja, a partir das hipóteses formuladas deduz a solução do problema. Quanto aos objetivos é uma pesquisa bibliográfica, para a elaboração do embasamento teórico, e quanto aos procedimentos é uma pesquisa do tipo documental, para a coleta de dados, aliandose a pesquisa de campo com o aperfeiçoamento e mesmo elaboração de novas formas de Técnicas de Imobilizações Corporais no Uso Defensivo da Força Física (UDFF) Com relação à primeira hipótese (H1) as técnicas e fontes utilizadas foram levantamentos bibliográficos, principalmente nas fontes relacionadas com normas do direito brasileiro e normas da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), observação de normas referentes ao uso da força e treinamento policial. E, na segunda (H2) e na terceira (H3) hipóteses foi utilizada pesquisa documental, com acesso a fontes primárias, e análise discricionária do banco de dados estatísticos publicado no site da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo através do Relatório do 1.º Semestre/2009. Desse relatório é possível analisar os desvios de conduta, principalmente os de uso excessivo da força quando do contato do policial com o cidadão no Estado de São Paulo. São Paulo possui vários órgãos que atuam, principal ou acessoriamente, no controle da atividade policial, são eles: Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de SP, Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da

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Câmara Municipal de São Paulo, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos em São Paulo, e Ministério Público Estadual/ Promotoria de Direitos Humanos. O presente trabalho está dividido em 12 capítulos. No primeiro se faz referência à legislação pátria que fundamenta a existência da Instituição Policial Militar. O capítulo segundo descreve a abordagem policial, fato primordial no desenvolvimento das atividades operacionais das instituições policiais, podendo ser considerado o momento culminante da ação do profissional de Polícia. No terceiro disserta-se sobre o uso da força, estudo das normas legais sobre abordagem policial que o policial militar necessita conhecer para realizar com segurança uma abordagem. O quarto capítulo trata sinteticamente do perfil profissiográfico exigido para o exercício da função Policial, bem como as suas contra-indicações. No quinto capítulo se faz menção ao Círculo da Sobrevivência, que traz os fundamentos da preparação do homem e da infraestrutura adequada à proficiência na atividade policial. O sexto capítulo trata sumariamente dos efeitos psicomotores no organismo humano quando submetido ao estresse do confronto. Já no sétimo capítulo tratamos dos aspectos relacionados às sensações e percepções humanas diante dos diversos contextos de exercício da atividade policial. O oitavo capítulo versa sobre a origem do processo educacional e a sua aplicação ao treinamento. No capítulo nove buscase conceituar o termo Defesa Pessoal, e se faz uma breve análise comparativa entre os principais sistemas de lutas e técnicas de artes marciais, demonstrando a sua ligação histórica com as técnicas de autodefesa. O capítulo dez expõe uma análise contextual da pesquisa de campo sobre a perspectiva do treinamento de Defesa Pessoal e das Imobilizações Corporais na PMESP. O capítulo onze apresenta o contexto da realidade policial na Cidade de São Paulo em um único dia de atendimento de ocorrências na área de um Batalhão Policial Militar. Na seqüência trata de dados coletados do relatório do 1.º Semestre de 2009. O Relatório permite fazer uma análise discricionária dos principais desvios de comportamento policial denunciados pela sociedade paulista no 1.º Semestre de 2009. No capítulo doze relata-se a Viagem de Estudos da “II Jornada de Polícia Comparada” – Estado de Santa Catarina, onde foram realizadas visitas aos diversos órgãos de segurança pública (PM, CB), sendo dada ênfase na presente pesquisa aos arquivos da Diretoria

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de Instrução e Ensino e ao BOPE onde foi realizada importante entrevista acostada a esta monografia. Por fim, apresentação das considerações finais do trabalho monográfico.

1. A Polícia Militar e a Lei 1. 1. A Constituição Federal e Princípios Constitucionais A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988 (CF/88), determinou um novo Estado para toda a nação brasileira, um Estado Democrático de Direito, onde, in tese, o poder, delimitado nesta Lei Maior, é fruto da vontade popular.
Art. 1º. (...) Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

A primeira das leis, na qual a Polícia Militar encontra-se incluída, é a Constituição Federal da República Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988.1 No Título V “ Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas, no Capítulo III “Da Segurança Pública”, encontramos o seguinte texto:
(...)
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Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988.

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Artigo144 – A segurança pública, dever do Estado, direito e

responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: (...) V – polícias militares e corpos de bombeiros militares. Parágrafo 5.º - Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas, em lei, a execução de atividades de defesa civil.

No parágrafo 5.º o legislador salienta a função primordial da Polícia Militar por lei, o policiamento ostensivo, fardado, de preservação da ordem pública.
Parágrafo 6.º - As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e Territórios.

No parágrafo 6.º salienta-se a subordinação da Polícia militar, juntamente com as Polícias Civis, aos Governos Estaduais e a situação de ser força auxiliar e reserva do Exército, significando que pode ser convocada por esta força a qualquer momento em situação necessária, principalmente as que se referem a graves perturbações da ordem pública. Além deste aspecto, a Constituição Federal também trata sobre os servidores públicos militares, no Título III “Da Organização do Estado”, Capítulo VII “Da Administração Pública”, Seção III “Dos Servidores Públicos Militares”. Diz o texto:
Artigo 42 – São servidores militares federais os integrantes das Forças Armadas e servidores militares dos Estados, Territórios e Distrito Federal, os integrantes de suas polícias militares e de seus corpos de bombeiros militares.

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1.2. Legislação Infraconstitucional Após a Constituição Federal, a lei mais importante que trata da definição, competência, finalidade e organização da PMESP é o Decreto Lei 667, de 02 de julho de 1969. 1.3. Constituição do Estado de São Paulo Constituição do Estado de São Paulo, promulgada em 05 de outubro de 1989, na qual encontramos matéria que dispõe sobre a Segurança Pública, a Polícia Militar e os integrantes da Corporação, com destaque para o seguinte:
Título III, “Da Organização do Estado”, Capítulo II ”Dos Servidores Públicos do Estado”, Seção II “Dos Servidores Públicos Militares”: Art. 138 – São servidores públicos militares estaduais os integrantes da polícia Militar do Estado. § 1.º - Aplica-se, no que couber, aos servidores a que se refere este artigo, o disposto no art. 42 da Constituição Federal. § 2.º - Naquilo que não colidir com a legislação específica, aplica-se aos servidores mencionados neste artigo o disposto na seção anterior. No seu Capítulo III “Da Segurança Pública”, Seção I “Disposições Gerais”: Art. 139 – A Segurança Pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e incolumidade das pessoas e patrimônio. § 1.º - O Estado manterá a segurança pública por meio de sua polícia, subordinada ao Governador do Estado. § 2.º - A Polícia do Estado será integrada pela Polícia civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. § 3.º - A Polícia Militar, integrada pelo Corpo de Bombeiros, é força auxiliar, reserva do Exército.

28 Ainda na sua Seção II, “Da Polícia Militar”: Art. 141 – À Polícia Militar, órgão permanente, incumbe, além das atribuições definidas em lei, a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública.

Na Polícia Militar do Estado de São Paulo, registramos as definições e conceitos contidas no MANUAL BÁSICO DE POLICIAMENTO OSTENSIVO DA POLÍCIA MILITAR (M-14-PM) publicado no Bol G PM 213/932, que estabelece um verdadeiro glossário do vocabulário jurídico e técnico policial. Acompanhando a dinâmica evolutiva da Sociedade, foram publicadas as NORMAS PARA O SISTEMA OPERACIONAL DE POLICIAMENTO PM (NORSOP), através da DIRETRIZ Nº PM3-008/02/06, de 01AGO063, estabelecendo normas e mesmo revalidando conceitos e definições para as competências e atribuições legais da Milícia Bandeirante. Destarte, A polícia ostensiva é uma das faces mais visíveis do estado e sua atuação é fundamental na determinação do grau de segurança subjetiva da população, além de empregar uma imagem de ordem às relações cotidianas das pessoas. A polícia comunitária implica a tentativa de certa reorganização operacional da polícia brasileira, uma vez que institucionaliza uma maior preocupação com a qualidade da interação entre agentes policiais e a população.

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M-14-PM – Manual Básico de Policiamento Ostensivo- Setor Gráfico do CSM/M Int 1.993-2ª Edição Tiragem: Publicado no Bol G PM 213/93.
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NORMAS PARA O SISTEMA OPERACIONAL DE POLICIAMENTO PM (NORSOP), através da DIRETRIZ Nº PM3-008/02/06, de 01AGO06

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2. Aspectos Legais e Éticos do Uso da Força. Pelo conceito moderno, adotado pelo direito, o poder de polícia é a atividade do Estado consistente em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público, tem por atributos a discricionariedade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade, além do fato de corresponder a uma atividade negativa. No direito brasileiro, encontra-se o conceito legal de poder de polícia no Código Tributário Nacional:
Art. 78 – Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando o direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais e coletivos.

2.1. Abordagem Policial 2.1.1. Polícia e a Preservação da Ordem Pública na busca da harmonia e paz social

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A paz, a estabilidade e a segurança numa cidade, num Estado ou mesmo num país, em grande medida, dependem da capacidade de suas organizações de aplicação da lei em fazer cumprir a legislação nacional garantindo os direitos e exigindo o cumprimento dos deveres da população. No cumprimento de sua missão constitucional as polícias militares realizam várias operações preventivas como: policiamento ostensivo, blitz (bloqueios), buscas pessoais, dentre outras, com o intuito de evitar a prática de delitos e garantir a ordem pública. 2.1.2. Abordagem Policial – Aspectos da Relação Interpessoal com o Cidadão A abordagem policial envolve invasão da intimidade e da privacidade das pessoas, podendo, dependendo da pessoa e da situação, produzir ações constrangedoras e muitas vezes reações emocionais e agressivas. É preciso que o policial esteja preparado para essas situações e equipado conceitualmente com critérios de ações que incorporem o respeito à dignidade humana das pessoas que estarão submetidas ao seu poder.

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3. Obrigações das Autoridades pelo Uso da Força Portanto, sintetizando o enunciado acima, é certo que ao policial cabe agir de ofício para preservar e manter a ordem pública, estando legitimado a fazer o uso da força dentro da legalidade, isto de forma técnica, assunto que abordaremos mais amiúde ao seu tempo neste trabalho, sendo apesar da primeira afirmação de que a profissão policial não se guia por padrões imutáveis, uma ocorrência e sempre diferente da outra, porém é crível que existem similitudes das ações humanas no teatro social, e que é possível o treinamento de técnicas para fazer face aos fatos e atos humanos agressivos à sociedade, pois é certo que a prática e experiência de situações análogas é o grande laboratório de criação e aperfeiçoamento das técnicas policiais. 3.1. Legalidade e Legitimidade do Uso da Força e Controle da Atividade Policial No “encontro entre polícia e população”, o policial, no cumprimento de sua missão constitucional, pode para conter o suspeito utilizar da força para quebrar a resistência do infrator dentro dos princípios legais. Conforme afirma LIMA4:
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LIMA, João Cavalim de. Atividade Policial e Confronto Armado – 1ª ed. – Juruá – Curitiba – 2007. p. 18.

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“A polícia não constitui uma profissão em que se possa utilizar soluções padronizadas para problemas padronizados que ocorrem em intervalos regulares. Trata-se mais da capacidade de compreender o espírito e a forma da lei, assim como as circunstâncias únicas de um problema particular a ser resolvido. Espera-se que os agentes da lei tenham a uma única norma legal e necessitam de soluções diferentes.” a capacidade de distinguir entre inúmeras situações que se adaptam apenas

As palavras-chave na aplicação das leis são: - Negociação; - mediação; - persuasão; - resolução de conflitos. Comunicação é o caminho preferível para alcançar os objetivos da aplicação da lei. Contudo, se os objetivos da aplicação da lei não podem sempre ser atingidos pelos meios de comunicação, permanecendo basicamente duas escolhas. Ou a situação é deixada como está e o objetivo da aplicação não será atingido, ou os encarregados da aplicação da lei decidem usar a força para alcançar o objetivo. Os legisladores concedem a suas organizações policiais autoridade legal para usarem a força, se necessário, para servirem aos propósitos legais da aplicação da lei. Isto significa que as forças policiais têm o dever de usar a força se, em dada situação, o objetivo não puder ser alcançado de outro modo. Apenas em situações em que o uso da força seria considerado inapropriado de acordo com as circunstâncias, isto é, dada a importância do objetivo a ser alcançado e a quantidade de força requerida para realmente atingi-lo, a força não deveria ser usada. 3.2 Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo Os Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo (PBUFAF) foram adotados no Oitavo Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção do Crime e o Tratamento dos Infratores, realizado em Havana, Cuba, de 27 de agosto a 07 de setembro de 1990. Apesar de não ser um tratado, o instrumento tem como objetivo

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proporcionar normas orientadoras aos Estados-Membros, na tarefa de assegurar e promover o papel adequado dos encarregados da aplicação da lei. 3.3. Atuação da Polícia no Uso da Força Legal A constituição da República Federativa do Brasil subordina o Estado, e seus agentes (os policiais entre eles), ao respeito à legalidade e a dignidade humana. Nas relações entre Estado e cidadãos, os poderes de coerção e os meios de constrição que a autoridade está legitimamente autorizada a exercer e utilizar só se justificam se voltados para a garantia da paz social e do exercício dos direitos e garantias fundamentais. O exercício do poder está limitado pela Constituição e pela lei e não deve violar ou agredir ou negar a dignidade humana. O policial tem de estar apto a cumprir seu dever de aplicação da lei e de prestação de assistência em situações em que seja necessário. Poder e autoridade estão relacionados, entre outros, à detenção e ao uso da força e da arma de fogo. O policial, autoridade legal para empregar a força, incluindo o uso letal de arma de fogo em situações em que se torna necessário e inevitável para os propósitos legais da aplicação da lei, cria, em toda ação policial, uma situação na qual policiais e membros da comunidade se encontram em lados opostos. Esse relacionamento será ainda mais prejudicado no caso de uso de força ilegal, isto é, desnecessária e desproporcional. Anos de boas práticas de policiamento e de confiança da comunidade podem ser comprometidos por único ato de uso excessivo de força ou menos pela percepção de seu cometimento. Assim, todo policial deve conhecer os princípios e pressupostos essenciais para o uso da força: Legalidade, Necessidade, Proporcionalidade e Conveniência. Legalidade, o policial deve amparar legalmente sua ação atendendo os seguintes pressupostos: Necessidade, ação utilizada pelo policial é a menos danosa para se atingir o objetivo desejado.

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Proporcionalidade, a ação policial está conforme a resistência do suspeito/agressor. Conveniência, mesmo sendo legal, necessária e proporcional há de se observar a conveniência da ação, ou seja, a ação não pode trazer danos a pessoas externas a abordagem. Legal, Necessário, Proporcional, Conveniente, Estes princípios exigem, respectivamente, que a força somente seja usada pela polícia quando estritamente necessária para fazer cumprir a lei e manter a ordem pública, e que a aplicação da força seja proporcional, isto é, só seja aplicada na medida exigida pelos legítimos fins do cumprimento da lei e da manutenção da ordem pública, e que essa força não atinja a terceiros. O uso arbitrário da força é uma violação aos direitos humanos e, consequentemente, do direito penal. O policial, antes, responsável por manter e preservar direitos, acaba por se tornar um violador de normas, um infrator. Na atividade policial o uso arbitrário da força, ou uso da violência é considerado um impulso arbitrário, um ato ilegal, ilegítimo, amador. Enquanto que o uso da força é um ato discricionário, legítimo, legal, profissional. 3.4. Código de Conduta Policial Todas as Instituições Policiais possuem o seu próprio código de conduta, o qual de forma explícita ou implícita regula o comportamento dos agentes da lei no Uso da Força. Porém existem normas internacionais que servem de parâmetro, como o Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei (CCEAL). Este código busca criar padrões para práticas de aplicação da lei que estejam de acordo com as disposições básicas dos direitos e liberdades humanos. Por meio da criação de uma estrutura que apresente diretrizes de alta qualidade ética e legal, procura influenciar atitude e o comportamento prático dos encarregados da aplicação da lei. O código reconhece que o mero conhecimento dos Direitos Humanos, por si só, não é suficiente para dar corpo à noção de manutenção e sustentação dos Direitos Humanos. A experiência do público e sua percepção de qualidade, com os

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direitos e liberdade básicos, é formulada nos contatos dos agentes do Estado, como, por exemplo, os encarregados da aplicação da lei. É esta a razão pela qual o ensino dos Direitos Humanos aos encarregados da aplicação da lei não pode ser visto separadamente de sua implementação e aplicação na realidade diária. No artigo 3.º do CCEAL está estipulado que:
“Os encarregados da aplicação da lei só podem empregar a força quando estritamente dever.” necessária e na medida exigida ao cumprimento do seu

As disposições do código de conduta enfatizam que o uso da força pelas agências e forças policiais deve ser excepcional e nunca ultrapassar o nível do razoavelmente necessário para se atingir os objetivos legítimos de aplicação da lei. O uso da arma de fogo deve ser visto como medida extrema. O policial deve ter sempre em mente, ao executar uma abordagem, que para cada grau de risco ou ameaça corresponde a um nível de resposta da organização policial. O policial disciplinado e profissional reconhece a importância do seu trabalho, alinhando sua conduta a questões de natureza ética com o uso da força. A ação de cada policial tem forte relação com a imagem e a percepção da organização policial. Numa abordagem o policial desconhece a reação do suspeito quando da presença dos policiais, sendo necessário que reconheça qual situação está presente no momento da abordagem. E, dentro dessa situação, saiba qual nível de força deva ser empregada com o intuito de evitar excessos ou abusos. Dentro dessa afirmação o Manual de Prática Policial5 da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais é elucidativo (2002, p. 78): Basicamente os suspeitos com que você lida se enquadram em uma das seguintes situações: a) Normalidade

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MINAS GERAIS. Polícia Militar. Abordagem, Busca e Identificação. Manual de Prática Policial Nº 1.

Belo Horizonte, 1981.

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É a situação rotineira do patrulhamento em que não há a necessidade de intervenção da força policial. b) Cooperativo O suspeito é positivo e submisso às determinações dos policiais. Não oferece resistência e pode ser abordado, revistado e algemado facilmente, caso seja necessário prendê-lo. c) Resistente passivo Em algumas intervenções, o indivíduo pode oferecer um nível preliminar de insubmissão. A resistência do sujeito é primordialmente passiva, com ele não oferecendo resistência física aos procedimentos dos policiais, contudo não acatando as determinações, ficando simplesmente parado. Ele resiste, mas sem reagir, sem agredir. d) Resistente ativo A resistência do individuo tornou-se mais ativa, tanto na amplitude quanto em intensidade. A indiferença ao controle aumentou a um nível de forte desafio físico. Como exemplo, podemos citar o suspeito que tenta fugir empurrando o policial ou vítimas. e) Agressão não letal A tentativa do policial de obter uma submissão à lei chocou-se com a resistência ativa e hostil, culminando com um ataque físico do suspeito ao policial ou a pessoas envolvidas na intervenção. f) Agressão letal Representa a menos encontrada, porém mais séria ameaça à vida do público e do policial. O policial pode razoavelmente concluir que uma vida está em perigo ou existe a probabilidade de grande dano físico as pessoas envolvidas na intervenção, como resultado da agressão.

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Para conter o suspeito durante uma abordagem policial é necessário o uso da força para quebrar a resistência. Os níveis de força apresentam seis alternativas adequadas ao uso da força legal. O Manual de Prática Policial descreve que cada situação enfrentada pelo policial é única. O bom julgamento e as circunstâncias de cada uma delas ditará o nível de força que o policial utilizará. As circunstâncias são percebidas pelos policiais de acordo com o ambiente e a ação do suspeito abordado. Já na sua obra, Lima6 aponta que no encontro de um ou mais policiais com civil(s) propõe a identificação de três níveis de respostas e respectivos subníveis, como segue: 1) Encontro cooperativo – o cidadão é extremamente cooperativo com as ordens emanadas pela autoridade policial. 2) Encontro resistente – o cidadão é revel à ordem policial, porém não emite ações agressivas que exijam o uso de resposta de defesa por parte do policial, sendo que essa resistência se classifica em três subtipos, ou seja: (1) Resistente passivo – ele não tenta fugir, mas também não segue a orientação do policial como, por exemplo, fica estático, agarra-se a um poste, etc. (2) Resistente ativo – quando o civil resiste à ação sem, contudo agredir o policial, opondo forte resistência física a sua atuação, como espernear-se, debaterse, resistir à entrada da viatura, gritos desesperados, etc. (3) Agressivo – o cidadão agressivo constitui-se naquele que imediatamente à aproximação policial e logo após a abordagem, reage violentamente, sendo que este tipo de resposta divide-se em quatro subtipos: (a) Primeiro nível – O movimento do civil contra o policial envolve tentativa de contato físico, e provavelmente essa ação não causará danos físicos significantes no policial, a não ser exigir um esforço físico.

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LIMA, João Cavalim de. Atividade Policial e Confronto Armado – 1ª ed. – Juruá – Curitiba – 2007. p. 29/30.

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(b) Segundo nível – Envolve provavelmente contato físico na tentativa de agressão contra o policial, exigindo o emprego de técnicas de defesa pessoal ou emprego de outro meio não letal para defesa. Geralmente os resultados envolvem o uso de força física, lesões corporais, etc. (c) Terceiro nível – Envolve ações que provavelmente provocarão danos físicos ou ameaça à vida de policiais ou civis inocentes. O modo de ação envolve armas brancas, veículos, objetos contundentes, armas de fogo ou grupo de agressores em número maior que as forças policiais. (d) Quarto nível – Refere-se especificamente à recepção do policial pelo cidadão através de confrontos armados, sem possibilidade de abordagem verbal ou outros meios. A forma de avaliar o emprego de força contra agressores da lei e da ordem, da sociedade de uma forma geral, deve ser objetiva, podendo essas fases ocorrerem individualmente ou progressivamente e a ação do policial ser adequada a cada uma das fases e seu preparo psicológico para entender essas fases é essencial para que não acabe provocando evolução de uma fase para outra. 3.5. Tipos de Uso de Força O uso da força pela Instituição Policial não se restringe apenas ao uso da arma de fogo, a mais divulgada pela mídia e mais temida por todos, mas também existem outros tipos de emprego do uso da força, intencional ou não, que aparentemente não são letais e podem ser usados e que incluem: - perseguição (acompanhamento) em altas velocidades; - técnicas de defesa pessoal como a “asfixia”; - ataques com cães policiais; - aparelho de choque; - agentes químicos; - emprego de equipamentos como o bastão.

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Para auxílio na compreensão do tema, LIMA7 , afirma “não há nenhum consenso do que se constitui ‘Força Mortal Policial’, pois que eles sempre têm uma gama de opções de qual escolher uma situação de confrontação (tático). Estes níveis são descritos frequentemente, condições do uso necessário da força.” Neste entendimento cita Desmedt e Pântano (1990) que definiram os níveis seguintes de resposta policial quanto ao uso contínuo da força mortal: 1) Controle Social: Constitui-se no uso da imagem e da presença do policial para gerenciar a situação de risco. A presença física do policial na cena pode impedir uma situação violenta, porém, se o policial não estiver preparado psicologicamente para gerenciar situações de risco ou de alta tensão, sua presença pode induzir ao pânico ou ao aumento da agressividade no local. 2) Controle verbal: O emprego de uma linguagem verbal adequada pode proporcionar uma obediência ou uma resposta agressiva por parte do civil abordado. O emprego da terminologia certa para o momento, com a intensidade e tonalidade necessárias pode solucionar uma ocorrência ou terminar de forma trágica, sendo necessário bastante treinamento, por parte do policial, na sua execução. 3) Técnica de Neutralização: As técnicas de neutralização provocam um aturdimento temporário, eliminando a resistência, sem causar danos físicos permanentes (em geral). O uso dessas técnicas subjuga temporariamente e provoca desorientação no oponente em curto prazo. Golpes em pontos vitais: o impacto de golpes fulminantes em pontos vitais, seja nos músculos, esqueleto ou pontos sensíveis do oponente, pode provocar lesões corporais, porém é uma técnica não letal de enorme valia no controle do agressor. 4) Imobilização: Técnica empregada no contato corpo a corpo, com o uso do bastão, bastante eficiente, podendo provocar sérias lesões corporais. 5) Dispositivos de choque: Arma de descarga de choques elétricos, não letal, tendo como desvantagem a dificuldade de imobilização e possíveis consequências colaterais para pessoas com determinados históricos de doenças,
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LIMA, João Cavalim de. Atividade Policial e Confronto Armado – 1ª ed. – Juruá – Curitiba – 2007. p. 18.

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como, por exemplo, as que usam marcapasso, não sendo assim aceitas como instrumento de defesa policial. 6) Agentes químicos: Essa classe de opção de controle de oponente tem uma variedade de substâncias químicas e com efeitos diversos, conforme sua composição e a reação das pessoas. Estas podem provocar os seguintes problemas: a) incapacidade imediata, não garantida; b) efeitos imprevisíveis no oponente, variando da neutralização para a reação violenta. 7) Armas de Fogo: Instrumento policial de emprego extremo, devendo ser usado apenas para a proteção à vida. São diversas as armas que podem ser empregadas pelo agente policial, sempre adequadas à situação específica. 3.6. Níveis do Uso da Força Legal A força utilizada deve ser calcada na situação imediata que o policial enfrenta. A força utilizada tardiamente caracteriza punição ao indivíduo, não sendo competência do policial julgá-lo, proferir e executar a sentença. O objetivo é utilizar a força para neutralizar o indivíduo em sua ação que caracterize desrespeito às lei, ou que possa causar mal à sociedade em que esse indivíduo convive. É importante definir que o agressor é quem comete a ação e o policial apenas reage, gerando uma resposta defensiva. O nível de ameaça que o agressor representa é proporcional à força que será utilizada para contê-lo. A avaliação da situação deve ser a somatória de vários fatores relacionados ao policial e ao agressor, como, por exemplo, a idade, o sexo, tamanho, porte, preparo físico, nível de habilidade e relação numérica, bem como circunstâncias especiais, como a proximidade do oponente a uma arma de impacto ou de fogo, o conhecimento de informações relevantes sobre a periculosidade do oponente, o fato de o agente de segurança estar ferido ou exausto ou em posição vulnerável, etc. Um policial sozinho pode utilizar um nível de força maior contra vários oponentes, mas, se o oponente for muito mais fraco, representando um risco menor,

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é recomendado não escalar no uso da força. A percepção da totalidade da situação deve proporcionar a escolha e dosagem do nível de força que será utilizado para conter o agressor. Em casos onde o agressor está nervoso é recomendado negociar, tentando diminuir a tensão, como, por exemplo, se a situação envolve reféns, um bom negociador pode fazer o marginal se entregar preservando tanto a vida do próprio marginal quanto a dos reféns. Numa situação, com presença de um familiar nervoso ou um agente de segurança em público, devemos optar por técnicas que não causem constrangimento, ao mesmo tempo em que se preserva a integridade física do agressor. Nesses casos é altamente recomendado o uso de técnicas de imobilização. (grifei) Em alguns casos, por não termos o treinamento necessário par aplicar uma técnica de controle ou para restringirmos os movimentos, o uso de armas não letais intimida o agressor e inibe a escalada da violência. É mais difícil para o agressor avançar contra um policial que exibe seu bastão ou que usa um agente químico. A última opção é o uso de armas letais, e se justifica em situações de legítima defesa, especificadas na lei. São importantes o bom senso, prudência e responsabilidade, além, é claro, do treinamento adequado. É importante ressaltar que podemos pular etapas no gradiente de força, no caso de uma pessoa estar apenas agredindo verbalmente o policial, e tentarmos negociar, este escala na violência e tira um revólver repentinamente. Podemos, então, fazer uso de meios letais para nos defender. As circunstâncias do momento é que irão determinar a melhor resposta. Existem subníveis, em cada nível de força, que devem ser constantemente treinados para que em uma situação de risco possa o policial decidir rapidamente qual a resposta adequada para cada situação. Escala de Proporcionalidade do Uso da Força TIPO SITUAÇÃO AÇÃO NÍVEIS

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Posicionamento; Presença Postura; PREVENTIVO Ameaça verbal; Ordem; Aviso Resistência Uso do corpo; passiva Resistência Chave de braço; ativa Ponto de pressão; Agressão não Armas não letais; letal Golpes contundentes Armas Força letal

Menos força. Negociação; Voz do policial. Controle contato. Controle físico. Força não-letal. Força letal. de

REATIVO

Tabela 1 – Escala de Proporcionalidade do Uso da Força

Situação e Resposta no Uso da Força Legal RISCO Agressão letal Agressão não-letal Resistência ativa Resistência passiva RESPOSTA Força letal Força não-letal Controle físico Controle de contato

Tabela 2 – Situação e Resposta no Uso da Força Legal

3.7. Os Elementos do Uso da Força Legal Os estudiosos em polícia enfatizam a necessidade de se medir a quantia de força usada por agentes policiais e por suspeitos. A tarefa de medir a quantia de força requer o conhecimento dos comportamentos específicos dos atos do que se constitui a “força” e a quantidade de força empregada em cada situação. Estudos do Instituto Nacional de Justiça do Departamento de Justiça dos Estados Unidos identificam cinco elementos de força: armas, táticas de defesa pessoal, restrições, movimento e voz. 1) Armas – Há consenso geral de que o uso de uma arma constitui uso de força e que o uso de certos tipos de arma, por exemplo: carabinas e rifles, envolvem mais força que outras armas como bastões e armas de gás (tipo spray de pimenta). O que não é muito claro é o significado “uso”. Por exemplo, uma arma de fogo tem que ser descarregada para ser usada? Também não é clara a de aceitação pacífica

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por especialistas, se a posse, ameaça de uso, ou exibição de uma arma constitui uso de força por policiais ou por suspeitos.
2)

Táticas de defesa – Os policiais utilizam e são treinados para usar

uma variedade de táticas de defesa, desde técnicas de asfixia, até segurar o suspeito ou detido pelo braço. Cada uma destas táticas envolve contato físico entre o policial e o suspeito e não envolve uso de objetos específicos para aplicar o uso da força.
3)

Restrições – Um elemento de força que os policiais adotam bastante é

o uso de restrições. São listados três possíveis tipos de restrições: algemas, revista e chave de braço. O uso de restrições é frequente, mas não universal. Algemar é tipicamente percebido como emprego de força, apesar de ser uma defesa do policial contra o agressor. Esta técnica está sujeita a sérias restrições legais, mas que, em nossa compreensão de força, poderia incluir no uso de restrições mais severas, por exemplo, os casos de controle com o suspeito ajoelhado ou deitado no chão.
4)

Movimento – Um aspecto de encontros de polícia-público em

situações de confronto é a fuga de suspeitos e perseguição policial ou tecnicamente chamada de acompanhamento tático. Embora a maioria das pesquisas e discussões de política no uso de força fale de fuga ou perseguição, incluímo-los como elementos potenciais de força.
5)

Voz – É um elemento potencial de força, que a polícia emprega para

controle dos suspeitos. As pesquisas policiais listaram quatro categorias de voz ou comando policial: sociável, comandos, gritando e ameaças verbais. Embora o principal do que se entende como típico uso de força não envolva o que é dito, mas o que é determinado, a natureza da comunicação verbal, especialmente se envolver ameaças, enquanto gritando, pode ser um elemento de força e precisa ser incorporado em como nós entendemos, como limite de força. 3.8. Medidas de Força O uso da força tem limite ou medidas, e estudos classificaram-na, para efeito de análise, em força física, ameaça de vantagem de força física, quantidade contínua de força e força máxima. Cada uma dessas medidas é um resumo de comportamentos derivados, combinando ações específicas dos agentes policiais e suspeitos em diferentes modos. É reconhecida a probabilidade de que nenhuma

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medida capture bem todos os enfoques diferentes do uso de força. Assim, as pesquisas usam medidas múltiplas de força para incorporar, mais precisamente os vários modos nos quais a força e conceptualizada pela polícia, o público e investigadores. 1) Força Física – A primeira medida é uma dicotomia conceitual tradicional das preocupações dos especialistas, estudiosos e principalmente organizações de defesa dos direitos humanos: quando a força física pode ou não ser usada? Para a concepção policial é preciso definir o uso da força física de policiais e para suspeitos de forma paralela, mas de maneira ligeiramente diferente. Para as demais instituições não policiais, a definição de força física inclui qualquer abordagem na qual qualquer arma ou tática de defesa pessoal são usadas. Para a polícia e para suspeitos, o emprego de força física na abordagem policial é quando os mesmos usam restrições mais severas, como agressão, algema, chaves de braço, etc., porém dentro de uma técnica ou procedimento padrão aprendido no curso do treinamento policial. 2) Ameaça de vantagem de força física – A segunda medida inclui todos os elementos de força física mais a soma do uso de ameaças e exibições de armas. Esta medida combina força física atual com ameaças de força. Além de ser esta combinação imprópria para alguns propósitos, são comuns as reclamações de civis do uso de ameaças por parte de policiais que, apesar do uniforme, armas e força física, ainda se socorrem do uso de ameaças de sua condição para intimidar o oponente. 3) Quantidade contínua de força – A terceira medida, estabelece as posições de força geralmente usadas através das instituições policiais para indicar níveis distintos de resistência civil e níveis de resposta policial. A quantidade contínua de medidas de força tem uma posição natural de categorias do menos forte para o mais forte, considerando a diferença entre presença do policial, as ordens emanadas e o uso da arma letal. Ela envolve sequencialmente a resistência à ação policial ou o uso da força e quando esses fatores não forem suficientes para o controle do civil, o agente policial, no cumprimento de sua missão, aumenta a intensidade de seu repertório de respostas.

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4) Força máxima – A concepção de uso da força máxima compreende o exercício máximo do poder de polícia para restabelecer uma ordem violada e à resistência do civil à ordem policial, obrigando-o a utilizar-se sequencialmente das medidas de força para cumprimento de sua missão. Em algumas situações as medidas de forças não são sequenciadas, podendo o policial partir para a última medida, como o uso direto da força letal, para poder sobreviver.

3.9. Fases Dinâmicas do Encontro Na falta de obras ou artigos específicos na área de Defesa Pessoal, especificamente no combate corpo-a-corpo, será utilizada descrição da Dinâmica de Encontro Mortal, elaborada por Salomon (1990), citado por LIMA8, que descreveu cinco fases dentro de uma dinâmica de encontro mortal em potencial que pode ser enfrentado por um policial. Essas fases são extremamente flexíveis, podendo o policial pular as fases instantaneamente, como da fase 01 para a fase 05. O tempo para cada fase depende da dinâmica do evento, assim como a velocidade de reação para cada fase depende da capacidade individual de cada policial. Essas fases são: 1) Primeira fase – Preocupação – O policial tem elementos para se preocupar com uma situação aparentemente normal, mas que pode ter potencial em transformar-se numa situação problemática.
2) Segunda fase – Alerta de vulnerabilidade – O policial pode acreditar que

está ficando vulnerável a uma ameaça pessoal ou pode perder o controle imediato de uma situação.
3) Terceira fase – Mudança de foco – Ocorre uma mudança cognitiva da

fase de foco interno de vulnerabildade percebida para estratégias de ação.

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Apud LIMA, João Cavalim de. Atividade Policial e Confronto Armado – 1ª ed. – Curitiba – Juruá – 2007. p. 30.

46 4) Quarta fase – Sobrevivência – A possibilidade de ameaça à vida do

policial pelo agressor contínua e a percepção se estreita para focalizar-se apenas na ameaça e nesse momento são elaboradas estratégias de ação.
5) Quinta fase – Luta ou vôo – O policial ocupa-se de estratégias de

sobrevivência como única opção viável à ameaça percebida à sua vida. Na mesma obra Scharl e Agudo (1983) elaboraram outras concepções para análise de fases identificáveis de encontros de altos riscos, assim descritas: 1) Fase da antecipação – Essa fase envolve o período no qual o policial toma conhecimento da necessidade de uma intervenção (ocorrência) até a chegada ao local do evento.
2) Fase da entrada na cena – É a fase em que o policial entra em cena

fisicamente e faz contato inicial com o cidadão. Elaboram-se decisões táticas sobre a cobertura e as melhores técnicas de ação no evento percebido.
3) Diálogo e informação (fase de definição) – É a fase na qual o policial faz

avaliação da situação, estabelece prioridades, ordem na situação ou tenta do problema, possíveis soluções ou ambas, visando solucionar a ocorrência.
4) Fase das táticas e de controle não-letais – O policial analisa e considera

qual é a tática de controles não-letais poderá utilizar efetivamente para solucionar ou não a ocorrência.
5) Fase de decisão final – Nesse ponto crítico, o policial tem que tomar a

decisão sobre se utiliza ou não sua arma de fogo.
6) Fase do resultado – São consequências pós-evento, seja institucional,

administrativo ou jurídico relacionado ao encontro. Autores policiais acreditam que a elaboração de tais pensamentos ocorre de modo semelhante ao agressor. O medo das consequências é contagioso. Se o policial tem medo das consequências, também é provável que o agressor o tenha. A capacidade que uma pessoa tem para responder a uma situação estressante envolve uma relação complexa entre estimulação e percepção do fato e a capacidade de responder eficazmente e efetivamente ao fato.

47

4. Dimensões do Perfil Policial O trabalho policial, assim como todas as profissões, exige de seus integrantes um perfil específico adequado às dimensões do trabalho que irá enfrentar. A avaliação psicológica assume, nessa fase, uma importância vital, pois qualquer erro praticado pelo agente da lei vai, por conseguinte, refletir no seu desempenho futuro e na própria instituição, visto que esse erro assume quatro dimensões distintas: 1) Afeta diretamente o cidadão, vítima do despreparo ou erro policial; 2) Afeta a imagem da instituição à qual pertence, maculando sua imagem e a confiabilidade pública; 3) Afeta genericamente a sociedade que deve ser protegida pelo aparelho de segurança; 4) Afeta o próprio policial que tem prejuízos funcionais com o seu desempenho. 4.1. Perfil Exigido Segundo Lima (2007, p.35/38), foram identificados diversos perfis, que são necessários na execução das atividades policiais, ou seja, perfil exigido conforme estudos elaborados por especialistas em análise ocupacional e perfis profissiográficos ideais para o policial, requerendo os seguintes itens:

48 1)

Autoridade – É necessário que o agente da lei concorde e internalize

que é membro de uma instituição onde deve aderir prontamente às ordens, acatar as políticas institucionais, aceitar e respeitar os regulamentos, procedimentos operacionais, orientações de seus superiores tanto na área administrativa como nas atividades operacionais ou de campo.
2)

Atenção aos detalhes – Muitas tarefas atribuídas aos policiais são Atuando em conflitos civis, difíceis como local de morte, incêndios,

bastante complexas, saindo do modelo de tarefas rotineiras. ocorrências

acompanhamentos táticos, confrontos armados, etc., requerem do agente da lei atenção aos detalhes, elementos essenciais para o sucesso de sua atividade.
3)

Controle emocional – Rotineiramente, os policiais atuam em situações

de alto risco ou simplesmente pequenas ocorrências nas quais são submetidos a pressões psicológicas, confrontados moral e psicologicamente por cidadãos que usam de agressões verbais e ofensas. Todavia, o policial deve manter o controle emocional e o autocontrole para poder executar sua missão de maneira adequada.
4)

Resistência – A necessidade de atuar eficaz e eficientemente às

mesmas tarefas por longo período de tempo ou continuar a executá-las eficazmente , quando desgastado física e mentalmente, requer do agente da lei uma resistência acima do normal. A característica específica da atividade policial, tanto pelos aspectos da emoção como pela rotina de poucas atividades, em determinados turnos, jornadas ou horários pode criar fadiga, e não obstante esses fatores, o policial deve superar-se e desempenhar a missão com eficiência.
5)

Inteligência – Potencial individual para aprender, planejar e analisar.

Capacidade para resolver problemas e encontrar soluções para situações novas de qualquer espécie.
6)

Adaptabilidade – Capacidade em se adequar às condições do Segurança – Confiança que o indivíduo tem em si mesmo que lhe

ambiente, demonstrando flexibilidade e receptividade às mudanças e inovações.
7)

possibilita formar conceitos e opiniões, atuar e tomar decisões com firmeza. A segurança está intimamente ligada ao conhecimento, experiência e capacidade de resolução de problemas.
8)

Assertividade – Caracteriza forma de atuação firme, que conduza à

obtenção de resultados desejados, pois a profissão de policial não admite erros.

49 9)

Sociabilidade

Revela

a

capacidade

para

se

estabelecer

relacionamentos interpessoais de forma cortês, criando um clima de confiança, cordialidade e respeito mútuo.
10)

Tônus vital – caracteriza a energia interna do indivíduo empregada Ambição – Desejo de crescimento, de se superar. Controle da agressividade – Capacidade de manter sob controle os

para atingir metas e superar obstáculos.
11) 12)

impulsos heteroagressivos, evitando que sejam descarregados de forma inadequada em si próprio e no ambiente.
13)

Iniciativa – A maioria das ocorrências policiais exige

processos

decisórios por parte das autoridades policiais, de forma que é necessário o exercício de decisões rápidas, corretas e eficientes e sempre adequadas às leis, normas e procedimentos policiais e com decisões que adaptem ao problema em tela.
14)

Integridade – Capacidade que o policial possui para manter seus

valores éticos, morais e comportamentais, estado ou qualidade de íntegro, de inteireza moral, honestidade e retidão; imparcialidade. A adesão a esses valores pelos policiais é elemento essencial para o bom desempenho profissional, pois a sociedade exige dos agentes da lei um padrão moral e social elevado e exemplar. Ao policial é dado acesso a informações confidenciais e a arquivos pessoais importantes, além de ser sua missão aplicar a lei a todos.
15)

Sensibilidade interpessoal - A natureza da atividade policial envolve

essencialmente o público, por isso o trabalho requer dos policiais qualidades humanas especiais, pois, com frequência, ele faz o papel de orientador, assistente social, conselheiro, psicólogo, requerendo-se dele grande capacidade de empatia e consideração com os sentimentos do próximo.
16)

Capacidade de observação – Envolve a observação eficaz,

requerendo os cinco sentidos, pois na atividade de patrulhamento, em qualquer modalidade, deve o policial estar sempre alerta para poder detectar atos irregulares e ilegais, assim como tomar as providências adequadas no local de ocorrência, exercitando todos os seus sentidos.
17)

Capacidade de comunicação oral – A comunicação entre o policial,

seus superiores e membros da comunidade é sempre oral. Os tipos de comunicação envolvem a capacidade de escutar e expressar-se adequadamente em qualquer situação para solucionar as ocorrências ou demandas do serviço, dando ênfase ao

50

processo de fazer perguntas, recolher informações e, acima de tudo, para convencer o civil no desempenho de sua função.
18)

Impacto pessoal – Criar uma boa impressão inicial é essencial para

aumentar o respeito, a atenção, a autoconfiança do policial e do cidadão. Como o contato do policial com o cidadão é geralmente breve e freqüentemente insuficiente para apreciar as suas qualidades mais importantes, deve o policial cuidar para que essa impressão seja boa; inclui a forma de falar, clara e objetiva, calma e educadamente sem gírias ou terminologias inapropriadas, boa higiene pessoal, uniforme e sapatos limpos, pontualidade e cortesia. O policial deve sempre evidenciar segurança e confiança em sua capacidade de atuação
19)

Confrontação com problemas – A atividade policial envolve a

participação permanente em incidentes críticos e confrontações com problemas geralmente desagradáveis ou perigosos os quais o policial não pode evitar ou deles fugir. Quando confrontado com esses problemas, deve o policial tentar resolvê-los e tratar com bastante responsabilidade e efetividade sem, contudo, internalizá-los ou perder o controle sobre a situação.
20)

Capacidade de recuperação – Estresse, cansaço físico, decepções

com o serviço, com resultados e os fatos da vida real enfrentados levam o policial a perder seu entusiasmo, vibração e auto-estima, interferindo no desempenho profissional e na vida pessoal. A capacidade de suportar essas dificuldades e tensões e recuperar-se rapidamente são essenciais para a melhoria, ou pelo menos, a manutenção da qualidade do serviço do policial.
21)

Tolerância a tensões – A manutenção da compostura e desempenho

do policial sob tensão são essenciais para o resultado do trabalho, pois a natureza do serviço é expressa em permanente tensão, principalmente em incidentes críticos, devendo o agente da lei ter a capacidade de suportá-los sem permitir que afetem o seu desempenho.
22)

Vigilância – Capacidade de permanecer permanentemente alerta,

sempre atento em todos os momentos, principalmente depois de determinado tempo de serviço, quando a capacidade de vigilância decai por efeitos fisiológicos normais. É de vital importância a manutenção da vigilância para a própria segurança do policial.

51

As características de personalidade que integram o perfil foram estabelecidas por serem o mínimo essencial do que se pode esperar de um indivíduo, cujo desenvolvimento lhe permita uma relação de equilíbrio com o ambiente e consigo mesmo. É esperado que o ser humano usufrua da inteligência, adapte-se ao seu meio, seja seguro e assertivo em suas ações, relacione-se de forma satisfatória com outros, acate as limitações que as normas e convenções sociais lhe impõem, apresente equilíbrio e moderação na relação “eu-ambiente”, sendo capaz de controlar seus impulsos e agressões.

4.2. Fatores de Contra Indicação O mesmo autor indica os fatores de contra indicação para o exercício da atividade policial, os quais seguem abaixo relacionados: - defensabilidade exagerada (a pessoa não consegue se mostrar como é, dificultando avaliação); - não identificação com a vida policial ou militar (a pessoa visa somente a um meio de obter ganho para si próprio, sem oferecer nada em troca); - inteligência com classificação inferior à média; - desequilíbrio emocional (instabilidade de humor, descontrole da ansiedade); - fragilidade emocional (a pessoa se sente impotente e sem condições de reagir diante das mais variadas situações); - manejo inadequado da agressividade (pessoa com tendência a explosões e ao descontrole agressivo); - rigidez afetiva; - impulsividade (tendência a tomar atitudes precipitadas sem o devido controle, o que consequentemente causa prejuízos para o indivíduo e para outros);

52

- imaturidade emocional (não se refere à idade cronológica do candidato, mas à forma como lida com as situações de vida, ou seja, mesmo sendo adolescente com a imaturidade inerente a essa fase, não pode portar-se em situações de inadaptação geral); - Tiques; - apatia; - submissão; - sugestionabilidade; - grave dependência (dificuldade de tomar decisões sozinho); - pensamento concreto (a pessoa não consegue abstrair e com isto entender questões mais complexas); - distúrbios de linguagem (disartria – dificuldade na pronúncia e articulação das palavras e desvalia – dificuldade em articular palavras); - Dificuldade de relacionamento interpessoal, inibição; - rigidez excessiva com estereotipia de postura e linguagem; - Oposicionismo (dificuldade para acatar e aceitar figuras que representam a autoridade); - ansiedade muito elevada (ocasionando bloqueio e consequentemente, a incapacidade para reagir adequadamente sob tensão); - confusão mental; - desonestidade.

53

5. O Círculo da Sobrevivência Em representação gráfica indicada por LIMA9, no desempenho da atividade policial, o agente da lei deve obrigatoriamente conhecer todas as técnicas de sobrevivência e, entre as metodologias existentes, foi desenvolvido por pesquisadores policiais um conjunto de técnicas, com cinco componentes, denominado “Círculo da Sobrevivência”. O desenvolvimento e o uso das técnicas não garantem que o policial possa matar ou sofrer acidente mortal, porém aumentam consideravelmente o seu grau de sobrevivência. Durante muito tempo os especialistas em polícia ensinaram nos cursos de sobrevivência policial técnicas denominadas “triângulo da sobrevivência”. Essas técnicas defendem três fatores para a ação policial, ou seja, a sobrevivência mental ou psicológica, a sobrevivência física e a sobrevivência legal. Porém essa metodologia com três fatores não permitem ao policial todos os elementos para a sobrevivência. Em algumas organizações policiais ou academias de polícia os especialistas usam o termo “pentágono da sobrevivência”, ou seja, uma estrela de cinco pontas, onde se interligam todos os elementos. Apesar da representação gráfica não alterar o conteúdo metodológico, o termo círculo aqui está empregado, pois representa a integralidade onde todos os
9

LIMA, João Cavalim de. Atividade Policial e Confronto Armado – 1ª ed. – Juruá – Curitiba – 2007. p. 42.

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pontos se encontram, é uma representação dinâmica que simboliza o todo. O círculo da sobrevivência ao representá-lo no sentido amplo e completo, tem cinco componentes de igual valor ou quase iguais no peso. Os cinco componentes são como áreas que todos os policiais devem desenvolver para assegurar uma maior condição de sobrevivência, todavia o círculo é de responsabilidade individual, e são elementos básicos de sobrevivência que devem ser adotados para treinamento e emprego na atividade operacional. Os elementos essenciais são:

Preparação mental

Círculo

Preparação Física

Da sobrevivência

Táticas

Equipamentos

Habilidade em tiros

Figura 1 – Círculo da Sobrevivência

5.1. Preparação Mental Quando observa o círculo da sobrevivência, o policial depara-se de imediato com o elemento preparação mental, essencial no processo de sobrevivência do policial, em especial, quando faz uso da força ou depara-se com um encontro mortal, onde em segundo ou milésimos de segundo ele precisa elaborar mentalmente estratégias de sobrevivência. A preparação mental deve ser motivo de treino contínuo, não só nas instruções ou treinamentos normais, mas também no dia a dia, quando o agente da lei deve imaginar continuamente em quais ocorrências pode envolver-se e o que vai fazer para atuar corretamente. Ter planejada uma resposta para eventos diversos é vital, mesmo diante de pouca possibilidade de o mesmo

55

acontecer, porém esses planejamentos mentais sempre são apropriados para uso múltiplo em outras ocorrências. A infinidade de tipos de ocorrência, multiplicada por fatores diversos como tempo, horário, local e número de participantes do evento, tipo de armas utilizadas, estado e ânimo dos participantes, cria um amplo espectro bastante prismático para o policial, sendo por isso necessário um mínimo de preparação mental, tão logo tome conhecimento dos dados básicos da ocorrência ou quando chegar ao local. O policial por vezes trabalha sozinho sem a presença de um companheiro ou equipe, não tendo com quem discutir as táticas, deve, por conseguinte elaborar muito mais rapidamente o enredo de sua atuação, até que possa contar com ajuda de outras equipes, devendo na preparação mental adotar alguns critérios, entre os quais: 1) Critério da necessidade – Em toda e qualquer decisão tomada pelo policial, o critério da necessidade é indispensável e deve-se em sua elaboração mental, envolver as seguintes perguntas: - A decisão é realmente necessária? - É a única decisão viável? - Quais as consequências de minha decisão? 2) Critério da validade do risco – Na elaboração mental deve ser avaliada se a decisão a ser tomada reduz a possibilidade de risco para o policial e terceiros. O risco assumido deve ser compensado pelos resultados e para isso é muito útil uma técnica adotada por policiais de vários países, denominadas “códigos de cor”, apropriados para os policiais envolverem-se mentalmente em uma ocorrência ou simplesmente em patrulhamento, estipulando um processo inicial de sobrevivência, os quais são: a) Circunstância branca – é uma condição leve quando nenhuma ameaça atual ou real se apresenta na ocorrência, podendo o policial atuar sem extrema tensão.

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b) Circunstância amarela – é a condição na qual o policial deve assumir o serviço, cônscio de que seu ambiente de trabalho é perigoso e sempre há um criminoso disposto a agredí-lo, ele não pode deixar isto acontecer. c) Circunstância laranja – é uma condição de identificação de uma ameaça específica. d) Circunstância vermelha – é uma condição de confronto e requer uma lista de verificação das condições ambientais, de suposições do que deve ser feito na cena da ocorrência e a adoção de uma postura básica para confronto de forças mortais. e) Circunstância preta – o policial não tem nenhuma escolha, é uma agressão em desenvolvimento. Se o policial não está preparado mentalmente, entra em pânico. Tem que ir da circunstância branca (totalmente desavisado) para a preta (atirar) em uma fração de segundo. Se o policial não seguiu o treinamento mental crucial de sempre, se antecipar a um ataque, estará em situação de grave risco à sua vida. É essencial para a sobrevivência, a sua própria atitude de estar preparado quando um evento mais crítico e mortal se torna realidade. 3) Critério da legalidade – Na elaboração mental o policial deve planejar sua ação sempre amparada pelos princípios legais, não devendo em qualquer hipótese tergiversar dessa linha. A vontade de trabalhar e resolver o problema para o qual foi acionado ou atendeu, o desejo de sucesso, aliado ao mito do herói bastante internalizado nos agentes da lei, invariavelmente levam-no a ultrapassar a tênue linha que separa o ato legal do ato ilegal, colocando a sobrevivência profissional do policial em alto risco. 5.2. Preparação física Quando o sistema do triângulo da sobrevivência era utilizado pelos especialistas como instrumento de sobrevivência do policial, a preparação física era combinada com a preparação mental, pois corpo e mente eram considerados um. No círculo da sobrevivência a preparação física é dividida em três subtipos, ou seja: aptidão física, técnicas defensivas e técnicas de apreensão.

57

1) Aptidão física – É um dever pessoal e absoluto do policial, pois é comum ter que usar a força física para enfrentar uma resistência a uma ordem ou cumprimento da ordem legal. Se o policial estiver em condições, pode anular essa resistência e ganhar esse confronto. A aptidão física pode ainda ser dividida em três modelos: a) Condicionamento aeróbico – é uma atividade que envolve o condicionamento e a preparação do sistema cardiovascular para realçar a resistência do policial. Essa atividade deve ser executada após uma avaliação médica, e orientada por um profissional de educação física, e essa atividade inclui andar de bicicleta, nadar, andar, andar rápido, patinar, etc. b) Treinamento de força – é de importância vital para o policial desenvolver sua resistência e força, para suportar as exigências das atividades profissionais e objetiva desenvolver os músculos e a força física, não sendo necessário desenvolver grandes atletas musculosos e sim, dar condições ao policial de adquirir uma boa forma física. c) Treinamento de flexibilidade – a natureza do serviço policial exige de seus integrantes que fiquem muito tempo sentados nas viaturas e obriguem a saídas rápidas e em velocidades ultrapassando barreiras com cercas, muros, etc., exigindo portanto, bastante flexibilidade. Essa flexibilidade deve ser adquirida e mantida através de rigorosos treinamentos, de forma que o policial possa sair de uma posição de inércia para movimentos rápidos e ágeis. 2) Técnicas defensivas – É vital a importância a manutenção das táticas defensivas, visto que as habilidades psicomotoras são perecíveis e se não forem treinadas continuamente são esquecidas pelo policial. Essas técnicas envolvem habilidades motoras simples, resultado de técnicas normais que se tornam instintivas pelo rigor nas repetições; habilidades avançadas que envolvem movimentos complexos e que requerem treinamento intensivo e as habilidades complexas que envolvem as técnicas simples e as complexas e que, devido à natureza do evento, exigem soluções envolvendo técnicas associadas com uma estratégia cognitiva que envolve solução original para o fato.

58

3) Técnicas de apreensão – São as técnicas de defesa pessoal de como algemar ou controlar um detido pela polícia. A aplicação correta das técnicas de controle e de algemas é uma área importante na sobrevivência do policial. A parte que cabe para cada policial durante um processo de abordagem e revista de suspeitos deve ser praticada exaustivamente pelo policial e sua equipe. 5.3. Preparação Tática Preparação tática são ferramentas mental e física para realizar ou atingir uma meta. As táticas envolvem o modo, como negociamos, pois cada tarefa ou contato é inigualável e requer flexibilidade no uso e seleção das táticas específicas. Os policiais que estabelecem os primeiros contatos em qualquer situação deveriam ter um grande ou maior conhecimento tático que qualquer outro policial. Todas as táticas têm um tempo e um lugar, e todo o policial não deveria deixar de lado treinamentos táticos porque nunca enfrentou ocorrências nessa circunstância. Treinar as diversas situações que poderá enfrentar pode ser a melhor tática possível, pois o policial deve ser especialista em “ler” as circunstâncias em todas as situações operacionais em que se vê envolvido. Há dois tipos de ameaças que Bruce Siddle (LIMA op. cit.) identificou que o policial pode enfrentar. 1) Ameaça espontânea – São situações em que um policial não tem nenhum conhecimento anterior do evento e acaba se envolvendo, necessitando de avaliações e decisões de momento. Ex.: o policial está em patrulhamento e em circunstância amarela, quando se defronta com um cidadão armado que acaba de efetuar um assalto. 2) Ameaça não espontânea – São tipos de situações nos qual o policial tem informações suficientes para saber que há uma ameaça e que o tipo de resposta pode dar. Ex.: Está em patrulhamento quando é avisado pela central de uma ocorrência tipo “briga doméstica”, na qual há discussões, agressões e inclusive tiros. 5.4. Equipamento O equipamento disponível ao policial deve ser o melhor possível, e o mais importante é que ele saiba usá-lo. Esses equipamentos incluem uniformes, coletes balísticos, calçados, seleção da arma, munição, carregadores de velocidade,

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lanternas, etc. Toda técnica do uso desses meios deve ser devidamente dominada e utilizada inclusive nos treinamentos, em todas as posições possíveis, circunstâncias em que o policial deve ser submetido na atividade diária. 5.5. Habilidade no Tiro O limite de uma ocorrência envolve o risco de morte do agente da lei em confrontos mortais, quando o desviante enfrenta o policial com instrumento letal. Para poder sobreviver e proteger seus colegas de trabalho é necessário que o policial esteja devidamente treinado e habilitado na técnica do uso de arma de fogo, em qualquer circunstância. O treinamento básico, executado na academia de polícia, é importante, porém só será eficiente se a habilidade do policial for mantida através do treinamento continuo. Um policial tem que praticar e participar de todos os exercícios possíveis, em todas as condições conhecidas; aprender a atirar com precisão e agir sob forte tensão é de vital importância para a sobrevivência do policial.

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6. O Medo da Morte – Coragem X Temeridade Para LIMA (2005 – p. 65/66) o medo da morte está presente por trás de todo nosso funcionamento normal, a fim de que o organismo esteja armado para a auto conservação. Mas o temor da morte não pode estar presente constantemente na vida de uma pessoa, pois, ao contrário, o organismo não funciona. Se este medo estivesse sempre consciente, seríamos incapazes de agir normalmente. Ele tem que ser adequadamente recalcado para nos permitir viver com um pouco de conforto. Recalcar significa mais do que pôr de lado e esquecer o que se coloca de lado e o lugar onde o colocamos. Significa igualmente fazer um esforço psicológico constantemente para manter os olhos vendados e nunca relaxar a vigilância. Assim, podemos entender o paradoxo: o onipresente medo da morte no funcionamento biológico normal de nosso instinto de autoconservação; assim temos em nossa vida consciente. Por isso em tempos normais, agimos sem acreditar em nossa própria morte, como se acreditássemos em nossa própria imortalidade. Tencionamos dominar a morte. Esse aparente domínio, esse desaparecimento passa, essencialmente, pela repressão, que cuida do colapso do símbolo da morte para a maior parte das pessoas, porém o desaparecimento não significa que o medo nunca esteve presente. O medo da morte sempre é essencial para a sobrevivência do policial. Isso é um contexto de homeostase no qual esse medo não reprime sua capacidade de

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atuação e eficiência, inserido ou não em uma couraça psicológica, leva a riscos desnecessários e fatais. Disto podemos concluir que o treinamento é um processo cognitivo que influencia psicologicamente na tomada de decisões, uma vez que possibilita controlar o medo que leva ao pânico ou paralisia momentânea. Quanto melhor o policial estiver capacitado, mais seguro estará na tomada de decisão no momento que precisar fazer uso da força durante uma abordagem policial. Existem técnicas de treinamento que ensinam como saber usá-las e desenvolver melhor a percepção sobre a situação.

6.1. Efeitos Psicofísicos nos Encontros de Combate Todas as profissões possuem características específicas em sua atuação que as diferencia das demais atividades. A carreira policial envolve contato direto com o público, pois, quando se é vítima de um ilícito , quando se avista alguém em atitude suspeita, quando se encontra um estranho nas proximidades, quando se sofre um acidente, nessas e em semelhantes situações aflitivas é que o usuário aciona a polícia, que possui um ordenamento doutrinário próprio, embasamento jurídico, condições peculiares de atuação e emprego, dificuldades materiais, de pessoal, e ainda as demais dificuldades comuns a todos. Nas ocorrências o policial reveste-se de múltiplas faces, ora agindo como psicólogo, ora, como enfermeiro, ora, como parteiro, ora, como juiz, ora usando a força que o Estado lhe dá para vencer resistências e impor o cumprimento da lei. A hierarquia e a disciplina se lhe impõe sobre a vontade, e o dever está acima de tudo. O policial é um homem como qualquer outro, vem da mesma sociedade, e dele se exige coragem, altruísmo e lealdade. Um dia, um instante, num relance a ocorrência envolve o confronto armado, o companheiro é morto, o policial é ferido, o marginal ou os marginais são mortos ou feridos. O homem é o único animal que sabe que vai morrer, e o estresse o acompanha em toda a vida profissional. Estudos revelam que a profissão policial é das mais estressantes do mundo. Ocorrendo o encontro mortal é necessário

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acompanhamento específico para se evitar as consequências do trauma, o que exige um tratamento especializado, pois o homem não consegue superar seus traumas sozinho, e a exigência de um apoio psicológico pode fazer com que o policial continue a prestar um bom serviço à comunidade, podendo salvar-lhe a sanidade mental. Os policiais dedicam toda a sua carreira preparando-se para os piores cenários possíveis. A consequência desses treinamentos aliados à rotina e aos eventos diários ou eventuais leva os policiais a um condicionamento que pode se tornar uma obsessão com a adição dos treinamentos e a realidade. LIMA (op. cit.) referencia Solursh (1989) que definiu dois fatores que parecem exacerbar e ampliar os fatores de adição quando ocorrem encontros mortais. O primeiro é a “existência de uma série de reforços mútuos de estado de excitação que começam com a experiência múltipla de confronto e as recordações emocionantes de tal experiência”. A segunda são as alterações psicofísicas decorrentes dessa excitação. Para LIMA (op. cit.), citando Gilmartin (1986), “uma hipótese interessante afirma que a ativação da adrenalina nos policiais pode ser resultado de um comportamento aprendido como hábito”. O autor sugere que o trabalho das polícias cria um jogo perceptual instruído que faz com que os policiais se alterem, de maneira que interajam com o ambiente. Sugere ainda que o treinamento e condicionamento elevam automaticamente os sistemas fisiológicos, diferentes das demais profissões, de forma que o policial interage com seu organismo, permitindo com ele permanecer em permanente hipervigilância, fazendo varredura do meio ambiente à procura de ameaças; ao transformar esse jogo de hipervigilância de percepção em ocorrência diária, o policial altera seu sistema fisiológico diário sem ser exposto a qualquer evento ameaçador. Assim, o policial pode estar continuamente com um estado fisiológico avançado sem ser necessária a estimulação. 6.2. Efeitos Psicomotores no Organismo No córtex cerebral, um local responsável pela tomada de consciência das emoções que sentimos e, simultaneamente com a consciência dessas emoções, nosso organismo manifesta alterações orgânicas compatíveis. São respostas do

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sistema nervoso autônomo (SNA) ou vegetativo, por isso, chamadas respostas autonômicas (do SNA), sejam elas endócrinas vegetativas (palpitação, sudorese, etc.) ou motoras, há necessidade de um comando neurológico. Para tal quem entra em ação são as porções subcorticais (abaixo do córtex) do sistema nervoso, tais como a amídala, o hipotálamo e o tronco cerebral. Essas respostas são importantes, pois preparam o organismo para a ação necessária e comunica nossos estados emocionais ao ambiente e às outras pessoas. Entende-se que o córtex cria uma resposta cognitiva (consciente) à informação periférica (dos sentidos), resposta compatível com as expectativas do indivíduo e de seu contexto social. Essas estruturas subcorticais assim envolvidas na emoção foram denominadas de sistema límbico. 6.2.1. Sistema Límbico É no sistema límbico que tem início a função psíquica de avaliação da situação, dos fatos e eventos da vida. Essa avaliação independe sempre de vários elementos, tais como a personalidade prévia, a experiência de vida, as circunstâncias atuais e as normas culturais. Acontecem também, a partir do sistema límbico, as diversas interações entre sistemas nervoso, endócrino e imunológico, promovendo as interações córtico-cerebrais com o hipotálamo. O estresse de encontros mortais compreende um conjunto de reações fisiológicas, as quais, dependendo da intensidade e da duração, acabam por causar desequilíbrio no organismo, frequentemente com efeitos danosos, afetando a interação entre os sistemas. 6.2.2. No Sistema Nervoso Autônomo Corresponde à porção do sistema nervoso que se ocupa da inervação das estruturas involuntárias, tais como o músculo cardíaco, músculo liso, glândulas, etc. Regula as funções respiratórias, circulatórias, secreções, etc. Compõem-se de centros em nível do talo encefálico, da medula e dos gânglios; dispondo-se em sua maioria aos costados da coluna vertebral. Segundo a origem e a função das fibras nervosas, divide-se em: Sistema Nervoso Simpático e Parassimpático.

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1) Sistema nervoso simpático – Origina-se na medula torácica e na lombar. Um pouco fora dos corpos vertebrais está situada uma cadeia de gânglios conectados por fibras. As cadeias (são duas, uma de cada lado da coluna) se chamam cadeias simpáticas, e seus gânglios são conhecidos como paravertebrais. Preparam o organismo para uma emergência, para a luta ou para a fuga. Exemplo: um confronto armado produz uma grande quantidade de impulsos simpáticos eferentes. As pupilas se dilatam, a pele fica arrepiada, o coração bate mais rapidamente, os vasos sanguíneos periféricos contraem-se, elevando a pressão arterial. Distribui-se o sangue de maneira que se dirija ao coração, ao cérebro e ao músculo esquelético. Aumentam as respirações, isto é, o corpo inteiro está em alerta. Ao mesmo tempo, as funções corporais que não são de ajuda, são suprimidas. A digestão se retarda, a musculatura da parede vesical fica comparativamente relaxada, e as funções dos órgãos sexuais são inibidas. As anormalidades psicossomáticas que ocorrem nos casos de estresse intenso, como enfrentamentos mortais, provocam hiperatividade do sistema simpático e apresentam os sinais entre os quais estão: - aumento ou diminuição da frequência cardíaca; - aumento da pressão arterial; - constipação; - aumento do índice metabólico. 2) Sistema nervoso parassimpático – os corpos do primeiro neurônio se encontram em duas zonas bem separadas, uma é o talo encefálico, e a outra, a porção sacra da medula espinal. Os gânglios parassimpáticos se encontram afastados da coluna vertebral e perto dos órgãos efetores. Intervêm nos processos de recuperação, se encarregam de restituir a energia, reduzem frequências cardíacas e se relacionam principalmente com as atividades funcionais que ocorrem quando tudo está tranquilo e silencioso. As normalidades psicossomáticas que ocorrem nos casos de estresse intenso, como enfrentamentos mortais, provocam hiperatividade do sistema parassimpático. Os sinais do sistema parassimpático tendem a ser mais focais, isto é, atuam de forma específica em determinadas áreas

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do organismo, como, por exemplo, o estímulo em áreas específicas dos músculos motores e que podem provocar: - aumento ou diminuição da frequência cardíaca; - aumento da acidez gástrica; - espasmos do esôfago. 3) Estimulação dos Sistemas Simpático e Parassimpático nos órgãos específicos como: (1) Olhos – como o primeiro e principal contato direto do policial com um evento se faz através do contato visual, nas situações de extrema tensão, os efeitos psicossomáticos podem provocar sérios danos na capacidade de focar corretamente o evento, pois as funções oculares são controladas pelo sistema nervoso autônomo e são divididas em duas funções: a) Abertura pupilar – a estimulação simpática contrai as fibras meridionais da íris e, portanto, dilata a pupila, enquanto a estimulação parassimpática contrai o músculo circular da íris, provocando contração pupilar. O parassimpático que controla a pupila é estimulado reflexamente quando penetra excesso de luz nos olhos. Este reflexo reduz a abertura pupilar e diminui a quantidade de luz que chega à retina. O simpático é estimulado durante períodos de excitação e aumenta a abertura pupilar nesses períodos. b) Foco cristalino – o foco cristalino é quase totalmente controlado pelo sistema nervoso parassimpático. O cristalino normalmente se encontra aplainado pela tensão dos seus ligamentos radiais. A excitação parassimpática contrai o músculo ciliar, o qual diminui esta tensão e permite que cristalino se torne mais convexo. Em consequência o olho focaliza os objetos mais próximos. (2) Coração – Em geral, a estimulação simpática aumenta globalmente a atividade cardíaca. Isto é obtido pelo aumento da freqüência e força dos batimentos. A estimulação parassimpática causa sobretudo efeitos opostos, diminuindo a atividade global do coração.

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(3) Pressão arterial – A pressão arterial é causada pela propulsão do sangue e pela resistência ao fluxo de sangue através dos vasos. Em geral, a estimulação simpática aumenta tanto a propulsão pelo coração quanto a resistência ao fluxo, o que pode conduzir a um grande aumento de pressão. Já a estimulação parassimpática diminui o bombeamento pelo coração, o que reduz a pressão, até certo grau. Quadro dos Efeitos nos Sistemas Simpáticos e Parassimpáticos ÓRGÃO Pupila Músculo ciliar Glândulas nasais Glândulas lacrimais Glândulas parótidas Glândulas submandibulares Glândulas sudoríparas Coração: Músculo ESTIMULAÇÃO SIMPÁTICA Dilatada Ligeiro relaxamento Vasoconstrição e secreção Vasoconstrição secreção Vasoconstrição secreção Vasoconstrição secreção Vasoconstrição e e e e ESTIMULAÇÃO PARASSIMPÁTICA Contraída Contraída ligeira Estimulação de secreção alta ligeira Estimulação de secreção alta ligeira Estimulação de secreção alta ligeira Estimulação de secreção alta ligeira Nenhum Nenhum de Contraídos

secreção Aumento da freqüência Aumento da força

Brônquios

contração do Dilatados

pulmão Vasos Sangüíneos Esfíncter Fígado Vesícula biliares Rins Pênis Pele Sangue:coagulaçã o e

Levemente contraídos Dilatados Tônus aumentado Relaxados (muitas vezes) (geralmente) Glicose liberada Pequena glicogênio Contraídos síntese de

vias Relaxados

Redução do débito e secreção Nenhum de renina Ejaculação Contraídas Aumentada Ereção Nenhum Nenhum

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Sangue:glicose Aumentada Metabolismo basal Aumentada Secreção da Aumentada medula supra-renal Atividade mental Músculos esqueléticos Aumentada Gliconólise aumentada Força aumentada

Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum

Tabela 3 – Efeitos dos Sistemas Simpáticos e Parassimpáticos

7. Percepção e Realidade A percepção humana não identifica o mundo exterior como ele é na realidade, e sim, como as transformações efetuadas pelos nossos órgãos dos sentidos nos permitem reconhecê-lo. Assim é que transformamos fótons em imagens, vibrações em sons e ruídos, e reações químicas em cheiros e gostos específicos. Na verdade, o universo é incolor, inodoro, insípido e silencioso, excluindo-se a possibilidade que temos de percebê-lo de outra forma. Para a moderna neurociência, o real conceito de percepção começou a brotar quando Weber e Fechner descobriram que o sistema sensorial extrai atributos básicos de um estímulo: modalidade, intensidade, tempo e localização. 7.1. Sensopercepção Hoje não mais se admite como acontecia no passado, que o nosso universo perceptivo resulte do encontro entre um cérebro simples e as propriedades físicas de um estímulo. Na verdade, as percepções diferem qualitativamente, das características físicas do estímulo porque o cérebro extrai informações e as interpreta em função de experiências anteriores com as quais ele associe. Nós experimentamos ondas eletromagnéticas não como ondas, mas como cores e as identificamos pautados em experiências anteriores. Experimentamos vibrações como sons; substâncias químicas dissolvidas em ar ou água como cheiros e gostos específicos. Cores tons, cheiros e gostos são construções da mente, a partir de experiências sensoriais. Eles não existem como tais, fora do nosso cérebro. Assim já se pode responder a uma das questões tradicionais dos filósofos: Há som quando uma árvore cai numa floresta, se não houver alguém para ouvir? Não, a

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queda da árvore gera vibrações, e o som só ocorre se elas forem percebidas por um ser vivo capaz de identificar tais vibrações como estímulos sonoros. A peculiaridade da resposta de cada órgão sensorial é devida à área neurológica onde terminam as vias aferentes provindas do receptor periférico. O sistema sensorial começa a operar quando um estímulo, via de regra, ambiental, é detectado por um neurônio sensitivo, o primeiro receptor sensorial. Este converte a expressão física do estímulo (luz, som, calor, pressão, paladar, cheiro) em potenciais de ação que o transformam em sinais elétricos. Daí ele é conduzido a uma área de processamento primário, onde se elaboram as características iniciais da informação: cor, forma, distância, tonalidade, etc., de acordo com a natureza do estímulo original. Em seguida, a informação, já elaborada, é transmitida aos centros de processamento secundário do tálamo. Se a informação é originada por estímulos olfativos, ela vai se processada no bulbo olfatório e depois segue para a parte média do lobo temporal. Nos centros talâmicos, a informação se incorpora a outras, de origem límbica ou cortical, relacionadas com experiências passadas similares. Finalmente, já bastante modificada, esta informação é enviada ao seu centro cortical específico. A esse nível, a natureza e a importância do que foi detectado são determinados por um processo de identificação consciente a que denominamos percepção. Na realidade, perguntas distintas podem ser feitas sobre essa questão: o que percebemos e o que sentimos? Para percebermos o mundo ao redor, teremos de nos valer de nossos sistemas sensoriais. Cada sistema é nomeado de acordo com o tipo da informação: visão, audição, tato, paladar, olfato e gravidade. Esta última, ligada à sensação de equilíbrio. Portanto, vamos falar antes da sensação e depois da percepção. 7.2. Sensação Resulta da ação de estímulos externos sobre nossos órgãos dos sentidos. Entre o estado psicológico atual e o estímulo exterior, há um fator causal e determinante ao qual designamos sensação, portanto, deve haver uma concordância entre as sensações e os estímulos que as produzem.

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As sensações podem ser classificadas em três grupos principais: externas, internas e especiais. 1) Sensações externas – São aquelas que refletem as propriedades e aspectos de tudo, humanamente perceptível, que se encontrar no mundo exterior. Para tal nos valemos dos órgãos dos sentidos; sensações visuais, auditivas, gustativas, olfativas e táteis. A resposta específica (sensação) de cada órgão dos sentidos aos estímulos que agem sobre eles é consequência da adaptação desse órgão a esse tipo determinado de estímulo.
2) Sensações internas – Refletem os movimentos de partes isoladas do

nosso corpo e o estado dos órgãos internos. Ao conjunto dessas sensações se denomina sensibilidade geral. Discretos receptores sensitivos captam estímulos proprioceptivos, que indicam a porção do corpo e de suas partes, enquanto outros, que recebem estímulos denominados sinestésico. São responsáveis pela monitorização dos movimentos, auxiliando-nos a realizar outras atividades cinéticas, segura e coordenamente. Os receptores dessas sensações se acham localizados nos músculos, nos tendões e na superfície dos diferentes órgãos internos. Portanto, esse grupo engloba três tipos de sensações motoras, de equilíbrio e orgânicas. As sensações motoras orientam sobre os movimentos dos membros e do nosso corpo. As sensações de equilíbrio provêm da parte interna do ouvido e indicam a posição do corpo e da cabeça. As sensações orgânicas são, de fato, proprioceptivas e se originam nos órgãos internos: estômago, intestinos, pulmões, etc. Seus receptores estão localizados na face interna desses órgãos. Outros sensores sutis são capazes de captar informações mais refinadas, tais como temperatura, excitação sexual e volume sanguíneo.
3) Sensação especial – Manifesta-se sob a forma de sensibilidade para a

fome, sede, fadiga, de mal-estar ou bem-estar. Essas sensações internas e vagas e indiferenciadas que nos dão sensibilidade de bem-estar e mal-estar, etc., têm o nome de cenestesia. No processo do conhecimento e autoconhecimento objetivo, as sensações ocupam o primeiro grau. São as sensações que nos relacionam com o nosso próprio organismo, com o mundo exterior e com as coisas que nos rodeiam. O conhecimento do mundo exterior resulta das sensações dele captadas e quanto mais

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desenvolvidos forem os órgãos dos sentidos e o sistema nervoso do animal, mais delicadas e mais variadas serão as suas sensações. 7.3. Unidade dos Sentidos Para maior eficiência dos sentidos, os vários órgãos devem funcionar integralmente. A percepção do mundo não depende exclusivamente do aparelho sensorial específico, através do qual os objetos são apreendidos, isto é não depende exclusivamente do sentido da visão, ou da audição, ou do tato, etc. Geralmente não é apenas um sentido que atua na percepção dos objetos; além disso, os sentidos funcionam juntos e se completam. O gosto de uma comida depende muito do funcionamento conjunto dos receptores, do sabor e do aroma. É por isso que a comida parece insípida quando nosso nariz está entupido. Uma determinada qualidade perceptual, por exemplo, a grandeza, pode ser a mesma em vários sentidos. Dessa forma, um objeto pode ser visto grande, soar grande, dar a impressão de grande ao tato e talvez, até cheirar grande. Os estímulos devem ser localizados de maneira idêntica, através dos olhos, dos ouvidos e das mãos, os objetos podem ser vistos, ouvidos e sentidos em movimento, simultaneamente. A tendência de integração, cooperação e concordância dos vários sentidos é tanta que, às vezes, apesar das discrepâncias na situação física real, nosso sistema sensorial “dá um jeito” para que a situação se acomode. Quando vemos uma fita de cinema, por exemplo, ouvimos as vozes vindas diretamente dos lábios e movimentos dos atores, embora, na realidade, o som provenha dos alto-falantes colocados em lugares inteiramente diferentes. Basicamente, é através da cooperativa dos sentidos que conseguimos um quadro consistente, útil e realista do ambiente físico que nos cerca. As impressões dos vários sentidos são, de certa maneira, combinadas ou organizadas para apresentar um quadro mais ou menos estável da realidade a nossa volta. 7.4. Percepção Ainda que dois seres humanos dividam a mesma arquitetura biológica e genética, talvez aquilo que um deles percebe como uma cor ou cheiro, não seja exatamente igual à cor e cheiro que o outro percebe. Nós damos o mesmo nome a

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esta percepção, mas, com certeza, não sabemos se elas se relacionam à realidade do mundo externo exatamente da mesma maneira que a realidade percebida por nosso semelhante. Talvez nunca saibamos. O termo percepção designa o ato pelo qual tomamos conhecimento de um objeto do meio exterior. A maior parte das nossas percepções conscientes, distorcida, provêm do meio externo, pois as sensações dos órgãos internos não são conscientes na maioria das vezes e desempenham papel limitado na elaboração do conhecimento do mundo. Trata a percepção, da apreensão de uma situação objetiva baseada nas sensações, acompanhada de representações e frequentemente juízos. A percepção, ao contrário da sensação, não é uma fotografia dos objetos do mundo determinada exclusivamente pelas qualidades objetivas do estímulo. Na percepção, acrescentamos aos estímulos elementos da memória, do raciocínio, do juízo e do afeto, portanto, acoplamos às qualidades objetivas dos sentidos outros elementos subjetivos e próprios de cada indivíduo. A sensação visual de um objeto arredondado, vermelho e com parte de seu corpo enegrecido, somente será percebida como uma maçã podre se a pessoa souber, antecipadamente, o que é uma maçã, e, dentro deste conhecimento, souber ainda que maçãs apodrecem, adquirem certas características perfeitamente compatíveis com o estímulo sentido. Resumindo, podemos considerar que as sensações seriam determinadas por fatores exclusivamente neurofisiológicos, enquanto as percepções seriam determinadas por fatores psicológicos. Entretanto, nem isso pode-se dizer. Ocorre que, em determinados estados emocionais, até as sensações podem estar comprometidas. É o que acontece, por exemplo, nos estados híero-ansiosos com profundas alterações nas sensações corpóreas: anestesias (diminuição ou ausência de parte ou de todos os sentidos), parestesia (desordem nervosa caracterizada por sensações anormais e alucinações sensoriais) e hipoestesia (a diminuição da sensibilidade), etc. Desta forma o mais correto seria considerar que as sensações, nas pessoas normais, envolvem predominantemente elementos neurofisiológicos, e as percepções, envolvem predominantemente elementos psicológicos.

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A percepção consiste na apreensão de uma totalidade, e sua organização consciente não é uma simples adição de estímulos locais e temporais captados pelos órgãos dos sentidos. Nossa experiência (consciência) do mundo revela que não temos apenas sensações isoladas dele; ao contrário, o que chega à consciência são configurações globais, dinâmicas e perfeitamente integradas de sensações. Embora as sensações não nos ofereçam, em si mesmas, o conhecimento do mundo, elas representam os elementos necessários ao conhecimento sem os quais não existiriam percepções. A percepção se relaciona diretamente com a forma da realidade apreendida, enquanto a sensação se relacionaria aos fragmentos esparsos dessa mesma realidade. Ao ouvirmos notas musicais, por exemplo, estaríamos captando fragmentos, mas a partir do momento em que captamos uma sucessão e sequência dessas notas ao longo de uma melodia, estaríamos captando a forma musical. Há na verdade três tipos de percepções: 1) Percepção anterior à realidade consciente – É a percepção despojada de toda e qualquer subjetividade, é a objetividade pura. Ela é anterior a toda e qualquer interpretação, anterior a toda e qualquer compreensão e anterior a toda e qualquer significação. A percepção anterior à realidade permite a experiência da própria percepção em estado puro. Ela é radicalmente exterior ao sujeito, é percepção do mundo exterior objetivo por excelência. É uma sensação vazia de subjetividade. 2) Percepção que se transforma na realidade consciente – É a percepção cuja objetividade já remete a uma subjetividade ou a uma subjetividade ou a um significado consciente real. Ela não se permite circunscrever apenas ao mundo exterior e passa a pertencer ao mundo interior do sujeito. Trata-se da ponte que une o objeto ao sujeito (o mundo objectual ao sujeito), tal como uma porta que introduz o mundo exterior para dentro da subjetividade. Entretanto, esta percepção que se transforma na realidade consciente é somente uma porta de entrada, e é sempre ao mesmo tempo uma passagem do objeto ao sujeito, é tanto a porta, quanto o trânsito através dela, e sempre no sentido que conduz da percepção à subjetividade.

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3) A percepção posterior à realidade consciente – É a percepção que não contém propriamente uma nova subjetividade, mas toca nela a partir de estímulos atuais. Ela reforça a subjetividade preexistente e dela constrói novos elementos subjetivos. Enquanto a sensação oferece à pessoa o fundamental da realidade, na percepção esse fundamental se organiza de acordo com estruturas específicas, conferindo originalidade pessoal à realidade apreendida. Da percepção que se transforma na realidade consciente, o sujeito passa a oferecer às suas sensações um determinado fundo pessoal sobre a qual se assentam as demais futuras sensações. Dessa forma, o objeto sensível está sempre se relacionando com esse fundo perceptivo individual, e existirá sempre uma apreciável diferença subjetiva entre o objeto em si e o fundo pessoal sobre o qual ele se faz representar. As formações psíquicas advindas do ato perceptivo compõem as

configurações conscientes da realidade, que contém mais do que a simples soma do fundamental sentido. A percepção proporciona dados sobre o fisicamente sentido, porém esses dados variam de acordo com as condições do fundo pessoal, e a forma percebida passa a transcender o objeto simplesmente sentido. A percepção transcendente, ou seja, a forma da realidade apreendida pode ser modificada em consequência de condições pessoais momentâneas. Dependendo da fadiga, da ansiedade ou do afeto, por exemplo, os estímulos externos podem ser captados como sensações agradáveis ou desagradáveis, assim como também se alteram pela ação de determinadas substâncias químicas ou em determinadas doenças orgânicas. Em toda percepção existe um componente afetivo que contribui para a imagem representada. Algumas impressões podem ser captadas mais intensamente que outras, dependendo da atenção (interesse afetivo), dependendo da atitude pensada, do estado de ânimo e da situação emocional de quem percebe. A seleção das impressões sensoriais apreendidas depende de uma série de processos ativos que transforma a percepção numa função anímica por excelência. No ato perceptivo se distinguem dois componentes fundamentais: a captação sensorial e a integração significativa, a qual nos permite o conhecimento consciente

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do objeto captado. Portanto, as percepções serão subjetivas por existirem na nossa consciência, e objetivas pelo conteúdo que estimula a sensação. 7.5. Alterações da Sensopercepção. A capacidade de a pessoa perceber a realidade a sua volta e que se faz através dos cinco sentidos pode sofrer alterações, sobre duas fases distintas; uma de base estritamente orgânica, referente à integridade do sistema sensorial e cujas vias pertencem à neurofisiologia, e uma base psíquica compreendida pelos elementos emocionais envolvidos na consciência da realidade. Há autores que preferem considerar verdadeiros distúrbios da sensopercepção somente aqueles possuidores de base orgânica. De fato, para a integridade da sensação há necessidade de três elementos: - receptores periféricos suficientemente íntegros para receber os estímulos provenientes do ambiente; - integridade dos nervos periféricos aferentes que conduzem os estímulos periféricos ao SNC, e; - integridade dos centros corticais no sistema nervoso central que recebem estes estímulos procedentes do exterior e processem-nos em linguagem cognitiva. Portanto, em termos de percepção da realidade, deve ser evidente o envolvimento das estruturas neurológicas necessárias, primeiramente à sensação e, em seguida, à integração e organização destas impressões apreendidas da realidade objetiva. Isso tudo se faz no sentido de favorecer a construção do conhecimento do mundo e do próprio indivíduo. Entretanto, essa função totalizadora e integradora das sensações que formam e constroem a percepção individual da realidade, envolve mecanismos subjetivos muito além da objetividade neurofisiológica da sensação. 7.6. Alterações na Intensidade das Sensações As alterações na intensidade das sensações referem-se ao aumento e à diminuição do número e da intensidade dos estímulos procedentes dos diversos campos da sensibilidade.

75 1)

Hiperestasia sensorial – É o aumento da intensidade das

sensações. A hiperestasia se acompanha, em geral, de exaltação dos reflexos tendinosos, maior excitabilidade da sensibilidade fisiológica e aceleração do ritmo dos processos psíquicos. Nos estados de grande ansiedade, de fadiga ou esgotamento, por exemplo, onde a capacidade adaptativa está comprometida, a audição e o tato podem estar aumentados. Nas situações de incidente crítico, em especial de confrontos armados, é comum ocorrer uma profunda hiperestesia sensorial, com alteração geral dos sentidos do policial e com conseguintes efeitos diversos em sua sensopercepção. Ela ocorre de forma diversa em cada indivíduo, por isso é observado uma grande variedade de comportamentos nos policiais após um incidente.
2)

Hipoestesia sensorial – É a diminuição da sensibilidade. Na

maioria dos estados de depressão pode ser observada diminuição da sensibilidade aos estímulos sensoriais, embora a propriocepção possa estar aumentada. Nesses casos há diminuição dos reflexos tendinosos, elevação da sensibilidade fisiológica e lentidão dos processos psíquicos. Pode haver diminuição da sensibilidade sensorial em função de fatores emocionais, como no caso das depressões, também em situações neurológicas, como o estupor, nas síndromes que se acompanham de obscurecimento da consciência, ou seja, uma alteração da consciência que se caracteriza pela diminuição da sensopercepção, lentidão da compreensão e da elaboração das impressões sensoriais em períodos pós-trauma.
3)

Anestesia – constitui-se na abolição de todas as formas de Na psiquiatria das observam-se alterações, anestesias não locais em pacientes

sensibilidade. topografia e

conversivos. Nesses casos, as alterações de sensibilidade, tomando por base sua qualidade obedecem aos dermátomos neurofisiológicos nem às vias normais da sensibilidade. 7.7. Alterações na Síntese Perceptiva – Agnosias A síntese das sensações de forma a constituir percepções conscientes dá-se nas zonas corticais do sistema nervoso central. A anestesia, a surdez ou cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical do sistema nervoso central onde se projetam essas sensações determinando o desaparecimento delas.

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Nos casos onde estão conservadas as integridades das vias nervosas aferentes e existem lesões corticais na vizinhança da área de projeção, nas chamadas áreas para-sensoriais, mantém-se a integridade das sensações elementares, porém há alteração do ato perceptivo. Nesses casos fala-se em agnosia. Assim sendo, agnosia não é uma alteração exclusiva das sensações nem exclusiva da capacidade central de perceber objetos externos, mas uma alteração intermediária entre as sensações e a percepção. Em alguns casos observa-se a perda da intensidade e da extensão das sensações, permanecendo inalteradas as sensações elementares em outros, há integridade e extensão, mas perda da capacidade de reconhecimento de objetos.
1)

Agnosia visual – Refere-se à incapacidade de ver nos objetos

corretamente suas formas, cor e espaço. Nos dois primeiros casos o policial se mostra incapacitado para identificar o objeto ou a forma deste, em virtude de se encontrar alterada a integração das sensações elementares. A sensação óptica, nesses casos, constitui-se muito mais em contornos, superfícies e cores, luzes e sombras, do que na individualização do objeto em si. Com frequência não se destacam bem entre si, carecem de definição clara e patente e de relação nítida com o que se acha próximo a eles no espaço óptico.
2)

Agnosia tátil – Refere-se à incapacidade para reconhecer objetos

mediante o sentido do tato, apesar de a sensibilidade se encontrar conservada no fundamental. O transtorno recai sobre as qualidades dos objetos. O policial perde a possibilidade de discriminar as diferenças de intensidade e extensão das sensações táteis.
3)

Agnosia auditiva – Ocorre quando o indivíduo ouve sons e ruídos,

porém não consegue identificá-los, não os compreende. 7.8. Reações Fisiológicas em Confronto A descrição das sequelas emocionais de um confronto armado requer uma análise especial, pois suas reações soam profundas. Toda a situação de confronto submete o policial a determinadas distorções, e os traumas subsequentes podem

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variar de uma simples tensão até os níveis mais complexos de estresse póstraumático. Essas distorções são: 1) Distorção de tempo – Este termo origina do grego “tachypsychia” e literalmente significa velocidade da mente. É um fenômeno caracterizado pela distorção de tempo percebido. Em ocorrências policiais de confrontos armados, o fenômeno não ocorre simplesmente para o policial, também acontecerá com a pessoa do outro lado, ou seja, o oponente. O Reflexo de Luta ou Fuga (flight or Reflex) se inicia, e a mente diz que o organismo está em perigo, e este tem que sobreviver. Os recursos humanos que nunca se experimentou serão imediatamente chamados à ação, e os poderes mentais que normalmente não são aplicados vêm à tona. Em encontros mortais, segundo estudos realizados por especialistas da polícia americana, quatro em cada cinco policiais enfrentam distorções de tempo e que se processam das seguintes maneiras: a) Ilusão de detalhes – o Reflexo de Luta ou Fuga vem à tona, como se estivesse olhando o mundo através de uma máquina fotográfica ou ainda sobre as rodas de uma carruagem de filmes do velho oeste, e quanto mais a carruagem se desloca, mais se tem a impressão de que as rodas estão indo para trás. É uma ilusão: o que está ocorrendo neste momento, é que a pessoa está percebendo as coisas ao seu redor com mais detalhes. O tempo aparenta ficar lento, e os acontecimentos parecem ocorrer em câmara lenta. b) Ilusão de velocidade – em alguns casos a percepção de tempo poderá ocorrer ao contrário, isto é, as imagens ficarão mais rápidas. Quanto mais alerta se estiver para o perigo iminente, geralmente se vivenciará mais “tachypsychia”. Tudo isto faz parte da reação de alarme do corpo. Quando o cérebro percebe que o organismo encontra-se em perigo, desencadeia o reflexo de sobrevivência. Esta reação de alarme do corpo se inicia com imediata taquicardia, aumento da pressão arterial, hiperventilação, com secreção súbita de hormônios, tais como: adrenalina, noradrenalina, cortisol e outros. O corpo secretará os próprios analgésicos, como endorfina, chamados matadores da dor, com uma supercarga instantânea que durará por um período significativo de tempo. Essas alterações súbitas provocarão um grande aumento de

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força muscular e insensibilidade à dor, consequentemente a pessoa estará muito mais rápida que em toda sua vida. O tempo aparenta ficar acelerado, e o acontecimento passa muito rápido. 2) Distorção auditiva – É uma alteração momentânea da percepção auditiva provocada pelo feito fisiológico e aguçamento ou alteração de todos os sentidos. Esses tipos de distorções são experimentados por dois em cada três policiais envolvidos em confrontos armados e apresentam as seguintes formas: a) Diminuição dos sons – para a maioria dos envolvidos em confrontos mortais os sons dos disparos e até outros sons diminuem, e eles podem ouvir todos os disparos realizados ou não podem perceber quantos disparos foram feitos. É comum o policial disparar todos os seus tiros, e não perceber que realizou tal feito, inclusive ficando desconcertado ao término de sua munição. b) Ampliação de sons – para outros policiais, o efeito da tensão e os resultados fisiológicos fazem com que experimentem um som intensificado, os disparos soam como um tiro de canhão. c) Exclusão auditiva – para alguns, não existem, ou não escutam nenhum som durante o confronto, pois a perda momentânea da percepção auditiva. Configura-se no exemplo de encontro mortal, quando alguém que está próximo grita: “Não atire” e os disparos prosseguem. Mais tarde, perguntando-se à pessoa que efetuou os disparos se alguém lhe disse para não atirar, ela responderá que não. 3) Distorção Visual – É a alteração temporária da visão, distorção típica de um incidente crítico, portanto diferente de uma cegueira ocasionada por problemas orgânicos como o diabete. Esses tipos de distorções são experimentados por dois terços dos policiais envolvidos em confrontos armados e se apresentam das seguintes formas: a) Perda temporária da visão – constitui-se em bloqueio psicofísico da capacidade visual e ocorre com freqüência em policiais despreparados, inexperientes ou com sobrecarga tensional. A perda temporária de visão é de origem psicossomática e não orgânica, sendo seu efeito rápido, com retorno quase imediato da visão, sem sequelas orgânicas.

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b) Efeito de embranquecimento – é a sensação de que tudo fica branco, como um televisor em preto e branco antigo que, ao ser desligado, a imagem desaparece aos poucos. c) Efeito dos detalhes – experimenta uma sensação completa dos detalhes que envolvem o evento que se apresenta, desde o movimento dos braços, movimento dos olhos, etc. Ocorre porque os sentidos, por efeitos psicofísicos, são direcionados ao foco do evento. A percepção torna-se apurada, o policial consegue direcionar sua percepção para parte do evento com uma intensidade maior que a normal, conseguindo captar detalhes de vital importância para sua sobrevivência. 4) Distorção da percepção espacial - Em casos de enfrentamento mortal ou extremo perigo, os objetos em foco “arma, pessoa, etc.”, poderão parecer maiores e mais próximos do que na verdade se encontram, deixando o policial de perceber os detalhes ao redor do evento, estando sua atenção voltada totalmente para a ameaça em potencial, é chamada também de túnel de visão. Exemplo: Quando se assiste ao programa de televisão e aparece a imagem de um homem num todo, preenchendo totalmente a tela do monitor, neste caso se terá a ilusão de ótica de que ele é mais alto do que em seguida o mesmo homem aparecesse em outra imagem, só que mais ao fundo, cobrindo parcialmente a tela. Na realidade, o homem nas duas imagens é o mesmo, dando-se a impressão de que ele está mais perto e mais alto na primeira imagem, distorcendo, portanto, a percepção espacial. 5) Distorção cognitiva – Em muitos eventos, mesmo as pessoas altamente treinadas podem cometer erros grotescos em virtude do extremo estresse, apesar de terem incessantemente automatizado os movimentos em sequência lógica. A dissonância cognitiva, portanto, refere-se à “Confusão” de procedimentos. As teorias cognitivas apresentam alguns axiomas cujo contraponto são as distorções conforme seguem: a) Axiomas da teoria cognitiva (1) O principal caminho do funcionamento ou da adaptação psicológica consiste de estruturas de cognição com significado, denominadas esquemas. “Significado” refere-se à interpretação da pessoa sobre um determinado contexto e da relação daquele contexto com o inconsciente. Se o policial apresenta distorções

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em sua capacidade de percepção de determinado contexto, por conseguinte, a sua interpretação sobre um determinado contexto ou significado sofrerá distorções. (2) A função da atribuição de significado (tanto em nível automático como deliberativo) é controlar vários sistemas psicológicos (p. ex., comportamental, emocional, atenção e memória). Portanto, o significado ativa estratégias para adaptação do indivíduo com o seu ambiente. A distorção do significado em relação à realidade provocará interpretação distorcida dos sistemas psicológicos, portanto com respostas, ou seja, estratégias de adaptação inadequadas. (3) As influências entre sistemas cognitivos e outros sistemas são interativas. A ativação dos demais sistemas, como o psicológico ou fisiológico, influencia o sistema cognitivo, induzindo-o a pensamentos distorcidos e, por conseguinte, a reações não condizentes com o evento. Por exemplo: o policial durante a noite recebe o alerta de roubo com arma, ao deslocar-se para a ocorrência sofre influência do sistema psicológico (comportamento operante para o confronto), sistema fisiológico (mecanismo de fuga/vôo). Essas interações alteram o cognitivo para encarar uma situação de alto risco e, se, ao chegar ao local de evento, houver qualquer tentativa de resistência ativa ou passiva (não eram criminosos e não possuíam armas), há grande probabilidade de o policial fazer uso de sua arma de fogo por imaginar um risco que não existe, porque seu sistema cognitivo estava preparado para tal evento. (4) Cada categoria de significado tem implicações que são traduzidas em padrões específicos de emoção, atenção, memória e comportamento. Isto é denominado especificidade do conteúdo cognitivo. Para cada significado existem também padrões de dissonância correspondentes. (5) Embora os significados sejam construídos pela pessoa, em vez de serem componentes preexistentes da realidade, eles são corretos ou incorretos em relação a um determinado contexto ou objetivo. Quando ocorre a distorção cognitiva, os significados são disfuncionais ou inadaptados (em termos de ativação dos sistemas). As distorções cognitivas incluem erros no conteúdo cognitivo (significado), no processamento cognitivo (elaboração do significado), ou ambos. (6) Há dois níveis de significados:

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(a) O significado público ou objetivo de um evento – Pode ter poucas implicações significativas para um indivíduo, porém para a realização ou efetivação da atividade policial é essencial que haja uma conexão desse significado com os valores institucionais internalizados no policial, salientando que, quanto mais fortes os valores internalizados, mais intensos serão os significados. (b) O significado pessoal ou privado – o significado pessoal, ao contrário do significado público, inclui implicações, significação, ou generalizações extraídas da ocorrência do evento. O nível de significado pessoal corresponde ao conceito de “domínio pessoal”, e a interpretação do evento fica sujeita ao “script” de vida ou possíveis traumas do homem policial. Na dissonância cognitiva os dois níveis de significados são importantes, o primeiro pelo efeito social, e o segundo pelos danos na psique do homem policial. b) Níveis de dissonância cognitiva – A dissonância cognitiva pode ser dividida em três níveis distintos, ou seja: (1) Quanto ao nível de resposta: (a) Personalização – Leva as ações para o lado pessoal, geralmente internalizando os fatos como um desafio e ofensa a sua pessoa, deixando de ser racional para assumir uma postura pulsional, confundindo a missão institucional com um desafio particular. (b) Abstração seletiva - O agente da lei começa a entender coisas fora de contexto e, por conseguinte, sua conduta é correspondente à sua abstração. (c) Interferência arbitrária – O agente da lei tira conclusões apressadas dos fatos decorrentes do evento. (2) Quanto ao nível de processamento do pensamento: (a) Nível automático – Também denominado o pré-consciente, não intencional ou automático (pensamentos automáticos), descreve estruturas e processos mentais que ocorrem fora da consciência fenomenal, contudo determinam experiência consciente, pensamento e ação. São atitudes típicas da ação policial que ocorrem automaticamente, fruto de intenso treinamento ou condicionamento

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operante. Não há um processo cognitivo completo e interativo, as respostas são elaboradas conforme determinado estímulo. (b) Nível consciente – Descrevem estruturas e processos mentais que operam dentro da consciência fenomenal, determinando a experiência consciente, pensamento e ação. Os processos cognitivos deveriam operar dentro dos níveis normais de percepção, porém no nível de resposta, extrapolam o nível de consciência, atuando o policial de forma não aceitável pela lógica.

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8. Do Processo Educacional e Treinamento Segundo CHIAVENATO (1989, p.24) “a educação profissional é a educação institucionalizada ou não, que visa o preparo do homem para a vida profissional, onde a educação, propriamente dita, compreende três etapas: formação profissional, desenvolvimento e treinamento”. Portanto, o treinamento compreende uma educação profissional voltada para melhorar a performance dos treinados dentro da empresa em que trabalham. Segundo SANTOS (1978, P.128): "(...) a Formação Profissional ou Educação Técnica é um sistema intencional voltado para criar habilitações, tanto quanto possível permanentes, para os papéis que a sociedade exige na produção de bens e serviços. Coloca o indivíduo em um panorama completo, integrando-o como ente produtor de alguma coisa, mas, também, como ser social que julga e dirige seus atos de trabalho". Em razão disto, acredita-se que a formação profissional proporciona ferramentas para criar habilitações. Contudo, cabe a cada colaborador decidir qual tipo de formação ele almeja para si, pois este é o responsável interinamente pelos seus atos no ambiente de trabalho. CARVALHO (1994, p.172) relata que o processo de desenvolvimento prepara o indivíduo para posições mais complexas em termos de carreira profissional, ou seja, amplia as potencialidades do indivíduo, capacitando-o a ocupar cargos que envolvem mais responsabilidade e poder. Contudo, este desenvolvimento deve ser pautado na ética profissional de cada profissão. O treinamento é a educação, institucionalizada ou não, que visa adaptar a pessoa para o exercício de determinada função ou para a execução de tarefa específica, em determinada empresa. Consiste na aplicação de um somatório de

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atividades técnicas provenientes da pedagogia e psicologia, objetivando à aprendizagem de novas respostas a situações específicas.

Vários autores definem o treinamento de diversas formas: Segundo FERREIRA (1979, p.219): “Treinamento dentro de uma empresa poderá objetivar tanto a preparação do elemento humano para o desenvolvimento de atividades que virá a executar, como desenvolvimento de suas potencialidades para o melhor desempenho das que já executa”. CHIAVENATO (1985, p.288): “Treinamento é o processo educacional, aplicado de maneira sistêmica, através do qual as pessoas aprendem conhecimentos, atitudes e habilidades em função de objetivos definidos” TOLEDO (1986, p.88): “Treinamento na Empresa é ação de formação e capacitação de mão-de-obra, desenvolvida pela própria empresa, com vistas a suprir suas necessidades”. HAMBLIN (1978, p.15): “Treinamento abrange qualquer tipo de experiência destinada a facilitar um ensino que será útil no desempenho de um cargo atual ou futuro” Em virtude da definição de cada autor acima citado, pode-se concluir que o treinamento é um processo de educação profissional, desenvolvido pela empresa, com objetivo de capacitar a mão-de-obra para suprir suas necessidades. Chiavenato (2000, p. 508) comenta que: ”O levantamento de necessidade de treinamento deve fornecer as seguintes informações para que possa traçar a programação de treinamento”. O que deve ser ensinado? Quem deve aprender? Quando deve ser ensinado? Onde deve ser ensinado?

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Como se deve ensinar? Quem deve ensinar? Entende-se que a organização deve priorizar as suas necessidades para avaliar o treinamento a ser realizado. Essas necessidades serão descobertas de acordo com a atividade da empresa. 8.1. Conceito de Educação e.du.ca.ção s. f. 1. Desenvolvimento das faculdades físicas, morais e intelectuais do ser humano. 2. Civilidade. 3. Arte de ensinar e adestrar animais. 4. Arte de cultivar plantas. 5. Nível ou tipo de ensino. (GN) O conceito vulgar e o etimológico da educação não satisfizeram aos estudiosos que, desde a Antiguidade, procuram melhor conceituá-la. Assim, encontramos uma série de conceitos para o termo em questão, alguns dos quais seguem transcritos: “A educação tem por fim evitar o erro e descobrir a verdade.” (Sócrates) “Educação consiste em dar ao corpo e à alma toda perfeição e que são capazes.” (Platão) “O verdadeiro escopo da educação é a obtenção da felicidade por meio da virtude perfeita.” (Aristóteles) “Educar é instruir a juventude e formar almas virtuosas.” (Cícero) “Educar é saber dirigir e conter todos os movimentos da alma, de modo a realizar somente atos dignos de um ser racional.” (Marco Aurélio) “A educação tem por finalidade unir um espírito sadio a um corpo sadio. A tarefa da educação não é aperfeiçoar os jovens nas ciências, mas prepará-los

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mentalmente de modo a serem capazes de abordar qualquer uma delas quando se aplicarem no seu estudo.” (Locke) “Educar é a arte de formar homens”. (Rousseau) “O fim da educação é a formação do homem integral, habilitado nas artes e indústrias.” (Rabelais) “Educação é a arte de formar homens e não especialistas”. (Montaigne) “A finalidade da educação é proporcionar serviços mais efetivos ao Estado e à Igreja”. (Lutero) “Educação é o desenvolvimento integral do homem. É o domínio de todas as coisas”. (Comenius) “Educar significa o desenvolvimento natural, progressivo e sistemático de todas as forças”. (Pestalozi) “Educar é desenvolver proporcional e regularmente todas as disposições do ser humano.” (Kant) “O objeto da educação é realizar a vida confiante, pura, inviolável e sagrada.” (Fröebel) “A educação e a arte de construir, de edificar e de dar as forças necessárias.” (Herbart) “Preparar-nos para uma vida completa é a função que deve desempenhar a educação”. (Spencer) Os conceitos de educação lançados até agora são ora descritivos, ora normativos. Os descritivos referem-se ao processo educacional e os normativos aos fins a serem atingidos.

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FARIA Jr.10 cita William F. Cunningham, chega a um conceito plenamente satisfatório quando o faz baseado em três grupos de transformações que intervêm no processo educativo: habilidades, conhecimentos e ideais. O homem ao contrário dos animais necessita de um longo período de aprendizagem em substituição aos instintos existentes nos irracionais. Instintos significam “hábitos fixos de reação”, não havendo, por conseguinte, progresso na vida animal. O homem maduro não possui hábitos de comportamento hereditários não modificados pela aprendizagem. Possui, isto sim, um sem-número de habilidades que inicialmente nada mais eram que capacidades. Um segundo grupo de transformações no processo educacional é o do crescimento em conhecimentos. O nascituro ignora toda a herança social, ao passo que o adulto tem conhecimento dela. O terceiro e último grupo de transformações é a passagem dos impulsos aos ideais. Por ideais compreendem-se os controles racionais da conduta humana sobre os instintos. Dessa forma, propõe seu conceito de educação como “o processo de crescimento e desenvolvimento pelo qual o indivíduo assimila um corpo de conhecimentos, demarca os seus ideais e aprimora sua habilidade no trato dos conhecimentos para a consecução daqueles ideais”. 8.2. Taxionomia dos Objetivos Educacionais Para melhor entendimento convém a definições do Dicionário Michaelis, como segue: ta.xi.o.no.mi.a (cs), s. f. 1. Ciência da classificação dos seres vivos. 2. Biol. Ciência que se ocupa das classificações dos seres vivos; sistemática. 3. Gram. Parte que trata da classificação das palavras. (GN) Os educadores utilizam a palavra “taxionomia” para classificar os objetivos do sistema educacional.

10

FARIA Jr., Alfredo Gomes de, INTRODUCAO A DIDÁTICA DE EDUCACAO FÍSICA. 2. ed. Rio de Janeiro – Fórum – 1974. p. 12.

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ob.je.ti.vo adj. 1. Que diz respeito ao objeto. 2. Que se refere ao mundo exterior. 3. Filos. Diz-se da idéia ou de tudo o que se refere aos objetos exteriores ao espírito; que proveio do objeto; que provém das sensações (opõe-se a subjetivo). 4. Que expõe, investiga ou critica as coisas sem procurar relacioná-las com os seus sentimentos pessoais. 5. Gram. Designativo do objeto direto. S. m. Meta ou alvo que se quer atingir. (GN) A palavra “objetivo” vem do latim “objectus”, quer dizer “lançado adiante”, o que está à frente. Objetivo, assim refere-se ao que se deseja fazer, em termos de futuro. Com referência ao ensino, objetivo refere-se às modificações de

comportamento que se almeja do educando. Havendo consciência do que realmente se deseja, a realização terá maiores probabilidades de êxito, porque o professor poderá agir mais criativamente para conduzir o educando ao ponto almejado. Em síntese, objetivo em sentido educacional visa à mudança de

comportamento. Somente sendo possível falar em educação em face da possibilidade de modificar o comportamento humano. A principal finalidade da elaboração de uma taxionomia de objetivos educacionais é facilitar a comunicação. Ela se destina a ser uma classificação dos comportamentos do aluno que representam pretendidos resultados do processo educacional. Entretanto, ela diferencia da classificação normal porque hierarquiza os fenômenos. 8.3. Níveis do Domínio Cognitivo Segundo Bloom11, considera-se a elaboração dos objetivos em três domínios: 8.3.1. Domínio Cognitivo

11

Apud, VILARINHO, Lúcio Regino Goulart. Didática, p.10

89

Seu princípio integrador é a complexidade ou hierarquização dos objetivos em ordem crescente de complexidade e abstração. Indica as mudanças comportamentais esperadas do aluno no plano mental, isto é, no plano da cognição: a) Conhecimento: é o nível mais baixo do domínio cognitivo, consiste em recordar a informação (decorar) Conhece termos comuns, conceitos básicos, princípios de recordação, memorização, evocação do material aprendido. b) Compreensão: consiste em aprender o significativo de um material. Pode ser demonstrado pela transformação de um material em outro (palavra, números), pela interpretação do material (explicando ou resumindo). Esses materiais vão um passo além da simples recordação. Compreende fatos e princípios, interpreta cartas e gráficos. c) Aplicação: utilização do material aprendido em situações novas e concretas. Aplicação de regras e métodos, princípios, conceitos , leis, em situações práticas. d) Análise: refere-se à capacidade de dividir um material em suas partes componentes, de tal forma que sua estrutura organizacional passa a ser entendida. Isso pode implicar: - Identificar partes; - Analisar relações entre as partes; - Reconhecer os princípios organizacionais envolvidos. e) Síntese: capacidade de combinar as partes para formar um todo. Aqui acentuam os:

90

- Comportamentos criativos; - Formulação de novos padrões ou estruturas; - Escreve um conto criativamente; - Faz uma palestra bem organizada. - Propõe um plano experimental. f) Avaliação: Capacidade de julgar o valor de um material. Julga a consistência lógica de um material. Os resultados neste nível são os mais elevados na hierarquia cognitiva porque contêm elementos de todas as outras categorias. 8.3.2. Domínio Afetivo Mudanças esperadas em interesses, atividades, valores e apreciação. Enfatizam uma tonalidade de sentimentos, uma emoção, ou um grau de aceitação ou rejeição. Os autores consideram que os objetivos afetivos são um meio para as metas cognitivas. 8.3.2.1. Níveis do Domínio Afetivo: a) Receptividade: é a sensibilidade para a existência de certo fenômeno ou estilo. Há aí uma espontaneidade para recebê-los ou prestar atenção. b) Reação: O comportamento vai além de simplesmente prestar atenção. Implica atenção ativa fazendo algo com ou sobre o fenômeno, não meramente percebendo. c) Valorização: vai além de fazer algo com ou sobre certo fenômeno. Implica percebê-lo como tendo valor, revelando consistência no comportamento relativo a este fenômeno. d) Organização: conceitua os valores percebidos e emprega estes conceitos para determinar a inter-relação entre os valores.

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e) Caracterização: é a organização de valores, crenças, idéias e atitudes num sistema internamente consistente, vai além da determinação de inter-relações entre valores. Domínio Psicomotor: Indica mudanças comportamentais que se deseja no plano motor. Escrever, pular, nadar, costurar e etc. São exemplos de ações dos objetivos desta área. No entanto, toda ação está impregnada de aspectos afetivos, mesmo quando os alunos treinam uma habilidade motora, reagem emocionalmente. 8.3.3. Níveis do Domínio Psicomotor: a) Percepção: é o processo de tomar conhecimento e objetivos, qualidades, ou relações, por meio dos sentidos. É o primeiro passo da ação motora. b) Predisposição: é a preparação, ou seja, estar pronto para um tipo particular de ação. Envolve três aspectos: mental, físico e emocional. c) Resposta orientada: é o passo inicial para o desenvolvimento da habilidade. É a ação comportamental de um indivíduo sob a orientação do instrutor. d) Resposta mecânica: a resposta aprendida torna-se hábito. Aqui o aluno já adquiriu certa confiança em um grau de habilidade na execução do ato. e) Resposta complexa e evidente: o indivíduo pode desempenhar um ato motor que é considerado complexo em razão do padrão de movimentos requeridos. Ao atingir este nível, um alto grau de habilidade foi adquirido. A ação pode ser executada eficiente e regularmente, isto é, com um gasto mínimo de tempo e energia. 8.4. Oficina de Treinamento a) Demonstração: Percepção: uso dos sentidos, satisfação da curiosidade leiga, atração.

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1) Apresentação: características suscintas, funções práticas e aplicação de equipamentos e procedimentos. 2) Explicação operacional: demonstração propriamente dita. b) Demonstração individualizada: Fracionamento do grupo ou pelotão em grupos menores para nova explicação operacional por parte do Instrutor visando ao binômio transmissão-captação de detalhes. c) Resposta orientada: Treinamento propriamente dito, exercício, execução de um procedimento ou utilização de equipamentos sob orientação do Instrutor. d) Resposta mecânica: Apresentação do comportamento esperado. Resposta certa, simples e orientação do Instrutor. e) Resposta complexa evidente: A apresentação de comportamento acima do esperado. Fruto de um exercício ou prática intensiva, ou ainda de uma adequação individual especial. Aprimoramento técnico individual. A aula de Oficina permite ao instruendo conhecer a si próprio, seu potencial, bem como o potencial dos equipamentos de que dispõe. Evita com isto que respostas (ações) errôneas sejam emitidas no exercício da atividade profissional, com reais prejuízos individuais, institucionais e sociais. No entanto, a aula de Oficina demanda uma ação individualizada de ensino, docentes de alto grau de especialização e equipamentos (simulacros e reais). Caso não seja combinada com aulas expositivas de efetiva fundamentação teórica poderá ocorrer a limitação do conhecimento do instruendo ao “como”, afastando-o do “porque”.

93

8.5. Comunicação e Treinamento “Treinar não é apenas comunicar. Treinar é fazer pensar. A grande maioria confunde treinamento com comunicação e aula com revisão e, no entanto, na prática são coisas completamente diferentes. Uma coisa é você dizer a alguém que isto se faz de determinada maneira, e outra muito diversa é você ensinar esse alguém a fazer essa coisa.” Exemplificando: em sala de aula, ensinamos a importância da defesa pessoal, suas técnicas, pontos sensíveis e vitais, e outras coisas, mas não conseguimos fazer com que os instruendos adquiram os conhecimentos práticos disto. Por quê? Porque a defesa pessoal se aprende executando e não ouvindo; como dirigir, também não se aprende lendo manuais de instrução ou ouvindo o instrutor, mas, dirigindo. Em síntese é uma prática de ensino. A prática é o treinamento porque ela obriga a pensar; a aula, o manual e o instrutor são apenas informações. Não adianta absolutamente nada falar e/ou mostrar, é preciso muito mais. É absolutamente indispensável que o aprendiz pratique. 8.6. A Importância do Treinamento Policial-Militar O aumento da criminalidade nas últimas décadas é um fenômeno alimentado pela ampla circulação de armas de fogo, inclusive as de uso restrito das forças armadas, além do aumento do tráfico de entorpecentes em nossa sociedade. Hoje, apesar do Estatuto do Desarmamento, Lei n.º 10.826/03, existem muitas armas em circulação na sociedade. Pessoas que se utilizam de uma arma para roubar, matar desafetos, ou mesmos por brigas no trânsito, começaram a ser mostrados com mais frequência pela mídia. E, surgem questionamentos sobre a atuação das polícias brasileiras, principalmente sobre seu treinamento. E, sempre quando aparece casos de violência policial, ou mau uso da força, ou mesmo despreparo na ação do policial, surgem questionamentos sobre a formação e treinamento da força policial no Brasil. Muitas pessoas têm buscado o Judiciário como forma de responsabilizar o Estado pelos erros de seus servidores.

94

O uso da força, em seu último nível, ou seja, o uso da força letal é raro na ação policial durante a rotina diária de trabalho, porém com esse aumento da criminalidade aumenta expectativa do policial para situações em que deva fazer o uso da força letal, ou de se deparar com situações de alto risco para a vida de terceiros ou do próprio policial. Daí a importância de o policial estar constantemente atualizado e reciclado com os procedimentos operacionais e legais para o uso da força considerando na situação fática o seu uso escalonado sem prejuízo de sua segurança pessoal e de terceiros inocentes. O treinamento policial é um processo de assimilação de conhecimentos culturais e técnicos em curto prazo, que objetiva repassar ou reciclar conhecimentos, habilidades ou atitudes relacionados diretamente a procedimentos operacionais relacionados com o uso da força. O importante é evitar erros, e consequentemente, no caso policial, evitar lesões a terceiros ou mesmo evitar vítimas fatais quando numa abordagem policial. O treinamento policial deve conter aspectos relacionados aos fatos ocorridos no cotidiano policial, aspectos que servem como exemplos quando da realização do serviço operacional, facilitando aos policiais a atuação quando em intervenções em ocorrências de natureza semelhante. O treinamento tem por finalidade dar conhecimento, habilidade e atitude ao policial para trabalhar obedecendo aos preceitos legais, respeitando os direitos dos cidadãos, evitando crimes e salvando vidas. O policial deve saber que quando de uma abordagem policial existe a responsabilidade de agir corretamente e respeitando a sua segurança, a segurança de terceiros (cidadãos que passam pelo local da abordagem) e a segurança do abordado. E, que se houver reação por parte desse abordado deve agir com os meios necessários e proporcionais aos utilizados pelo agressor (abordado). É importante lembrar que no treinamento deve destacar as questões de natureza ética juntamente com os princípios de direitos humanos, uso proporcional da força, bem como alternativas para o uso da força como solução pacífica de conflitos, compreensão do comportamento de multidões, negociação e métodos de persuasão, que podem reduzir consideravelmente a possibilidade de confronto.

95

8.7. Treinamento como início de uma mudança profissional Para a Polícia Militar o treinamento policial-militar desenvolve-se através das atividades dos Cursos e Estágios de Atualização Profissional (EAP), do Condicionamento Físico Profissional, do Treinamento do Tiro Defensivo e do Programa de Videotreinamento e atualmente das Instruções Continuadas do Comando (ICC) que consiste no repasse de orientações e recomendações de assuntos operacionais e administrativos, em consonância com a atividade exercida pelo militar. Conforme preceitua o artigo 17 das I-22-PM:

Art. 17 - O treinamento policial militar, realizado através do Programa de Requalificação Profissional (PRP) através das seguintes atividades: 1) Estágio de Atualização Profissional; 2) Condicionamento Físico Individual; 3) Treinamento de Tiro Defensivo; e 4) Programa Vídeo Treinamento. desenvolver-se-á

O objetivo deve ser incentivar ao policial militar a se desenvolver, a buscar o aprimoramento a cada dia. O profissional de treinamento por sua vez, deverá conscientizar os policiais da importância do auto-desenvolvimento e da busca constante do aprendizado contínuo. Conceito de Treinamento Policial-Militar Conforme afirma SILVA12:
“A PM adotou o conceito único de treinamento para atender a todos os segmentos de ensino, não mais utilizando designações
12

SILVA, Reynaldo Pinheiro, Proposta para Criação do Centro de Capacitação Física e Técnicas Policiais – CSP-I/98. p.16.

96 diferenciadas para cada atividade, como instrução, adestramento,

aprestamento.” 8.8. Os Objetivos do Treinamento Policial-Militar O policial treinado auxilia a Organização policial a alcançar os seus objetivos institucionais. O treinamento produz um estado de mudança no policial, modificando a bagagem particular de cada um proporcionando oportunidade aos funcionários de todos os níveis para obterem conhecimentos, habilidades o atitudes. E, que as eventuais diferenças existentes devem ser corrigidas por meio do treinamento. A instituição deve conscientizar a cada policial que como membro da Corporação ocupa uma posição dentro da estrutura organizacional com as devidas responsabilidades. Quanto melhor o policial estiver capacitado, mais seguro estará na tomada de decisão quando do uso da força. Um policial deve ser capaz de identificar uma agressão, posicionar o corpo no espaço, raciocinar rápido para decidir qual escala de força irá usar numa abordagem policial. O treinamento é uma responsabilidade gerencial, e o gerente deve se preocupar com a capacitação de sua equipe cuidando para que ela seja treinada e qualificada para atingir os objetivos organizacionais.
8.9. O Treinamento de Defesa Pessoal na Polícia Militar do Estado de São

Paulo. Em artigo veiculado no informativo “A CHAMA”, periódico mensal publicado pelo CCFOEEF, com o título “Defesa Pessoal: Uma necessidade mal compreendida”, da autoria do Cap PM Alexandre Luiz Alves, verifica-se o levantamento da atual situação do treinamento de Defesa pessoal na Instituição, cujo conteúdo segue reproduzido em face da sua assertividade e importância para reflexão sobre o tema:
“Há muito a Polícia Militar demonstra através de políticas e pela adoção de providências de cunho prático que o treinamento e a melhor qualificação profissional de seu contingente, ou seja, o investimento direto no patrimônio humano, é o meio mais eficaz para

97 se atingir a qualidade e excelência desejadas interna e

externamente à Corporação”. “Prova disto, em relação a nossa proposta de abordagem nessas mal traçadas linhas, é que em todas as escolas de formação da Corporação temos a disciplina Defesa Pessoal, com as cargas horárias distribuídas conforme segue”:

APMBB Ano 1º 2º 3º 4º TOTAL Carga Horária Carga Horária Percentual Matéria da em

Relação ao Curso 30 1.394 2,15 % 30 1.610 1,86 % 30 1.536 1,95 % 30 2.058 1,45 % 120 6.598 1,85 % Tabela 4 – Distribuição de Carga Horária no CFO – APMBB

Defesa Pessoal

Total do Curso

CFAP – NO CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS Carga Horária Carga Horária Percentual Matéria da em

Defesa Pessoal

Relação ao Curso 31 1.374 2,25 % Tabela 5 – Distribuição de Carga Horária no CFS - CFAP CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS Etapa Carga Horária Carga Horária Percentual Matéria da em

Total do Curso

Relação ao Curso Módulo Básico 45 1.319 3,41 % Módulo Específico 45 601 7,48 % TOTAL 90 1.920 5,44 % Tabela 6 – Distribuição de Carga Horária no CFSd – CFSD/Pirituba
“Estas cargas horárias prestam-se a desenvolver no aluno, dentre outras coisas, a habilidade necessária para que o Policial Militar conheça técnicas de defesa pessoal com e sem a utilização de equipamentos outros além de sua arma de fogo, visando a despertar

Defesa Pessoal

Total do Curso

98 naqueles a consciência de que toda atuação policial deve perseguir um itinerário de escalonamento do uso da “força” que tem por extremos, de um lado a atuação preventiva pela presença e de outro a utilização da arma de fogo, como meio proporcional de defesa pessoal ou de terceiros a uma injusta agressão atual ou iminente, estando o uso de outros meios relativamente não-letais entre tais polaridades.”. Podemos notar que as cargas horárias dos diversos Cursos destinam um número razoável de tempo, e a idéia da falta de eficiência na capacitação individual nas técnicas de Defesa Pessoal pode estar ligada à falta de doutrina e de sistematização durante o período de formação e mesmo após por ocasião do treinamento de reciclagem, fato comprovado pela não previsão de tal disciplina na grade horária do EAP – Estágio de Atualização Profissional anual.

9. Análise Comparativa das Diversas Artes Marciais e Desportos de Combate e sua Utilidade para a Defesa Pessoal

99

Em sua grande maioria as artes marciais e alguns desportos de combate adotam as chaves de braço e estrangulamentos na linha do pescoço como técnicas de imobilizações. 9.1. O que é Defesa Pessoal ? De forma genérica pode ser entendida como uma situação de risco, a vítima normalmente é tomada pelo elemento surpresa, não apresentando uma resposta imediata. O objetivo é diminuir o tempo entre pensar e agir, através do treinamento repetitivo e sistemático dos mais diversos movimentos, englobando o combate desarmado - em pé ou no solo, utilizando técnicas de impacto, projeções, torções, imobilizações, estrangulamentos e o combate armado - com armas brancas, de fogo ou armas improvisadas. Quanto mais completo for o método, maiores serão os recursos que o lutador poderá empregar no combate. Um dos requisitos mais importantes de qualquer método de defesa pessoal é a filosofia preventiva. Estudamos os riscos, evitamos a rotina, elaborando normas e procedimentos que equilibrem o conforto com a segurança pessoal e nos preparamos para reagir se necessário. Deve-se conhecer a si mesmo, dominando suas emoções. As técnicas devem ser simples, rápidas e efetivas. Estudamos a situação para saber o momento correto para reagir. A defesa pessoal estuda situações e oferece respostas. Se conseguir dar com um objeto na cabeça do agressor, fá-lo parar na sua intenção de atacá-lo, mas ficará de certeza com um problema para resolver com as autoridades? Defesa Pessoal deve ser encarada como o uso de técnicas de defensivas para responder a uma agressão momentânea sem premeditação. Utilizar todos os meios ao nosso alcance para nos defendermos de uma agressão, mas utilizando somente o necessário para parar o agressor e de acordo com a prudência e a lei.

100

Já para o Agente da lei, o termo mais adequado seria Uso Defensivo da Força Física, pois que toda ação do policial é voltada à defesa dos bens tutelados pelo Estado e tão caros à Sociedade: vida, liberdade, patrimônio, etc. DEZ REGRAS PARA UM BOM NÍVEL DE EFICIÊNCIA EM DEFESA PESSOAL 1.ª 2.ª 3ª 4.ª 5.ª 6.ª 7.ª 8.ª - Que as técnicas não podem ser exatamente as das Artes Marciais e dos Desportos de Combate sem ajustes devidos. - Que a forma de treino não pode ser igual a qualquer uma usada nas Artes Marciais e dos Desportos de Combate. - Que os exercícios terão de ser necessariamente outros direcionados à Defesa Pessoal. - Que o ensino deve ser predisposto para evolução da mente e não do físico. - Que a disciplina e ética devem estar bem patentes na prática. - Que o aquecimento não tem de ter exaustivos exercícios de flexibilidade. - Que o condicionamento físico não é propriamente como para um combate. - Que a preparação física não pode ser pesada todo o ano.(att: à

recuperação) 9.ª - Que o treino deve adaptar-se ao individual pelas suas condicionantes. 10.ª - Que se aprenda Defesa Pessoal de forma orientada especificamente e individualizada, cientificamente nas suas aplicações (física, mecânica, anatomia e biomecânica) e em vista do objetivo a que se propõe e não porque é tradição ou ritual ou ainda porque foi assim que ensinaram e assim se manterá. Tabela 7 – Dez Regras para um Bom Nível de Eficiência em Defesa Pessoal 9.2. Comparação dos Principais Sistemas de Luta Embora existam muitos nomes para diferentes estilos de sistemas de luta, há um grupo relativamente pequeno de técnicas básicas usadas em todos. Não importa, como seja chamado, um método de luta corpo-a-corpo inevitavelmente empregará uma ou mais das técnicas básicas apresentadas adiante. Quadro Comparativo de Sistemas de Luta e Principais Técnicas

101

JIU-JITSU

KUNG-FU

BOXE

CARATÊ

SAVATE

Golpes com punhos, bloqueios & paradas Golpes com a mão aberta & braço Chutes altos Chutes baixos Pegas, chaves & agarramentos Arremessos Quedas Ênfase em centros nervosos e pontos de pressão Treinamento flexíveis ao predeterminadas enfatiza invés de reações ações

Tabela 8 - Quadro Comparativo de Sistemas de Luta e Principais Técnicas

10.

Análise Contextual da Pesquisa de campo sobre a Perspectiva do

Treinamento de Defesa Pessoal e das Imobilizações Corporais na PMESP.

LUTA-LIVRE

AIKIDÔ

JUDÔ

102

Conforme estabelecido no cronograma foi realizada a pesquisa de campo com a distribuição dos questionários as amostragem indicadas, seguida da coleta e processamento das respostas que culminaram com os resultados que seguem abaixo enumerados: 10.1. Da coleta de dados, processamento e resultados da pesquisa de opinião e outros dados relevantes junto a amostragem Não probabilística intencional. Foram distribuídos os questionários individuais para 28 (vinte e oito) Oficiais Alunos do CIEF/08 e 22 (vinte e dois) Sargentos Alunos do CMEF/08, atualmente adidos ao CCFOEEF, cursando o 2.º Ciclo dos respectivos Cursos de Especialização em Educação Física. É certo que os questionários, que informavam do voluntariado para o seu preenchimento, foram respondidos pela maioria dos integrantes dos grupos que foram alvo da presente pesquisa, apresentando os seguintes resultados: a) Da participação voluntária de 22 (vinte e dois) Oficiais Alunos do CIEF/08, equivalente a 78,57%, e verificada a abstenção de 06 (seis) Oficiais Alunos, correspondendo a 21,43% da aludida amostragem:

25 20 15 10 5 0 Gráfico 1 Participação do CIE F/08 R esponderam N R ão esponderam

b) Da participação voluntária de 17 (dezessete) Sargentos Alunos do CMEF/08, equivalente a 77,27%, e verificada a abstenção de 07 (sete) Sargentos Alunos, correspondendo a 22,73% da aludida amostragem:

103

20 15 10 5 0 Gráfico 2 Participação do CME F/08 R esponderam N R ão esponderam

c) Do agrupamento dos 02 (dois) Públicos – Alvo:

50 40 30 20 10 0 Gráfico 3 - Participação do Público - Alvo CIE F/08 e CME F/08 R esponderam N R ão esponderam

Comentário: Da amostragem pesquisada de 50 (cinquenta) Policiais Militares ficou demonstrada a participação voluntária de 39 Policiais Militares, o equivalente a 78,0% deste público-alvo. Portanto, esta amostragem é extremamente significativa no universo pesquisado, razão pela qual seguem os demais resultados pertinentes a pesquisa em curso, será adotada a aglutinação de grupos para o processamento das respostas. 1.ª Questão: 1. Durante o seu Curso de Formação na prática da instrução/treinamento de Defesa Pessoal como avalia a sua capacitação nesta área de conhecimento técnicoprofissional para o exercício da função operacional: ( ) Insuficiente ( ) Suficiente

104

30 25 20 15 10 5 0 G ráfico 4 - O pinião Pessoal da Capacitação Técnica em D efesa Pessoal dos Oficiais Alunos do CIE F/08

Insuficiente Suficiente

Comentário: Deste gráfico inferimos que 27 (vinte e sete) integrantes da amostragem, que corresponde a 69,23%, avaliam como insuficiente o seu conhecimento técnico profissional na área de Defesa Pessoal, porcentagem esta relevante que revela dado extremamente preocupante, uma vez considerada a essencialidade desta capacidade técnica – operacional para o exercício da função policial militar. 2.ª Questão 2. Após a conclusão do seu Curso de Formação, qual o período estimado em que não participou de qualquer instrução/treinamento de Defesa Pessoal: ( ) 01 ano ou menos ( ) entre 01 e 02 anos ( ) entre 02 e 03 anos ( ) mais de 03 anos

25 20 15 10 5 0 Gráfico 5 D emonstrativo do tempo sem Treinamento de D efesa Pessoal

< 1 Ano >1 < 2 Anos > 2 < 3 Anos > 3 Anos

Comentário: Na figura gráfica acima se verifica do total de participantes que 56,41% não participa de qualquer instrução ou treinamento de Defesa Pessoal a

105

mais de 3 anos. Resultado que confirma a incipiência da prática desta disciplina técnica-profissional e mesmo a irrelevância que lhe é dada no contexto atual do treinamento policial na Instituição. Outra constatação é a de que os outros 43,59% se distribuem quase na igualdade, sendo certo que os que registram participação no prazo menor a 1 ano, correspondente a 15,38% do total, são praticantes de alguma modalidade de Arte Marcial e de forma consciente e abnegada treinam as técnicas de Defesa Pessoal correlatas ao seu estilo. 3.ª Questão 3. Considerando sua aptidão e capacitação técnica atual nas técnicas de Defesa Pessoal, tanto na autodefesa, quanto no controle físico de indivíduo agressivo, como avalia o seu grau de confiança no sentido de imobilizar tal pessoa: ( ) Não sei responder ( ) Não tenho confiança ( ) Tenho plena confiança

25 20 15 10 5 0 Gráfico 6 Opinião Pessoal na Capacidade Técnica em Imobilizar Agressor

N Sei R ão esponder N Tenho Confiança ão Tenho Plena Confiança

Comentário: Constata-se que 20 (vinte) integrantes do grupo de amostragem, que corresponde a 51,28%, do total não tem a mínima confiança para o emprego de técnicas de Defesa Pessoal em uma ação operacional, soma-se o resultado de 9 (nove) integrantes que não sabem responder, correspondente a 23,8% da mesma amostragem, teremos 29 integrantes, correspondentes a aproximadamente 74,36% da amostragem que por certo têm e terão sérias dificuldades para a resolução de conflitos em que seria possível observar o escalonamento do uso da força legal, por certo lançariam mão do emprego de meios e instrumentos de maior poder de defesa

106

com grandes possibilidades do cometimento de excesso, seja a título de culpa ou mesmo dolo, sujeitando-se às suas consequências e embaraços legais e administrativos decorrentes. 4.ª Questão 4. Na sua concepção entende ser necessário e fundamental o treinamento contínuo de técnicas de Defesa Pessoal complementadas com as técnicas de imobilizações corporais, seja na ação individual ou em grupo para o aprimoramento do Policial Militar para o exercício da sua função: ( ) Sim ( ) Não

40 30 20 10 0 G ráfico 7 - Opinião Pessoal sobre a necessidade do Treinamento Contínuo Sim N ão

Comentário: Os resultados indicados por esta figura gráfica leva ao raciocínio lógico de que é imprescindível o treinamento contínuo das técnicas de Defesa Pessoal por parte dos policiais militares, também indica que existe a plena consciência da sua necessidade para o aprimoramento, qualificação e capacitação para o exercício da função policial militar. 5.ª Questão 5. No seu entendimento considera que o domínio das técnicas de imobilizações corporais (individual/grupo) é uma capacitação necessária para o controle físico de indivíduo resistente passivo ou resistente agressivo por ocasião da abordagem policial, possibilitando evitar ou minimizar os resultados lesivos no emprego do uso da força legal?

107

( ) Sim ( ) Não

35 30 25 20 15 10 5 0 Gráfico 8 - Opinião sobre a E ficácia do Treinamento das Imobilizações Corporais

Sim N ão

Comentário: Aqui fica demonstrado mais um resultado de entendimento óbvio, pois a própria pergunta fornece a resposta não permitindo ambiguidades, tanto é que 100% da amostragem consideram como necessariamente essenciais o aprendizado e treinamento das técnicas de imobilizações corporais (individual/grupo) e a resultante capacitação para o pleno exercício da função policial-militar. 6.ª Questão 6. Qual a sua avaliação qualitativa para a validade da edição de um Manual de Treinamento Policial sobre as Imobilizações Corporais: Individual e em Grupo na forma de infográfico, possibilitando a memorização e prática dos gestos motores de forma eficiente: ( ) Excelente ( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Péssima

108

16 14 12 10 8 6 4 2 0 Gráfico 9 Opinião Valorativa s obre a Edição do Manual de Imobilizações

Excelente Ótima Boa Regular Pés ima s

Comentário: Tal figura gráfica se presta a aferir os conceitos valorativos por parte da amostragem estudada, tentando fazer uma correspondência entre as questões antecedentes e a motivação no sentido da elaboração de um Manual Técnico Policial Militar sobre o assunto tratado, ficando demonstrado que o determinismo lógico leva a considerar tal intento entre as valorações Excelente e Ótima por 71,79% da amostragem, enquanto os outros 28,21% se distribuem entre as valorações Boa e Regular, e 0% para a valoração Péssima. Disto é possível deduzir que existe motivação para o treinamento de tais técnicas e que há policiais militares interessados no aprimoramento e na sua disseminação. 10.2. Da coleta de dados, processamento e resultados da pesquisa de opinião e outros dados relevantes junto 1.ª amostragem Não probabilística acidental. O público – Alvo foram os Policiais Militares que frequentaram os Cursos e Estágios de Especialização no CCFOEEF no período previsto no Cronograma. Foram distribuídos os questionários individuais para 18 (dezoito) Policiais Militares do CEP – Técnicas Básicas do Uso de Equipamentos Não Letais e Defesa Pessoal e para 26 (vinte e seis) Policiais Militares do CEP – Trânsito Urbano, totalizando 44 (quarenta e quatro) indivíduos. É certo que os questionários, que informavam do voluntariado para o seu preenchimento, foram respondidos por todos os integrantes dos grupos, totalizando 100% de respostas, que ao final aglutinados apresentaram os seguintes resultados quanto aos quesitos formulados:

109

1.ª Questão: 1. Durante o seu Curso de Formação na prática da instrução/treinamento de Defesa Pessoal como avalia a sua capacitação nesta área de conhecimento técnicoprofissional para o exercício da função operacional: ( ) Insuficiente ( ) Suficiente

40 30 20 10 0 Gráfico 10 - Opinião Pessoal da Capacitação Técnica em D efesa Pessoal dos E fetivos dos CE CCFOE F P E Insuficiente Suficiente

Comentário: Deste gráfico inferimos que 37 (trinta e sete) integrantes da amostragem, que corresponde a 84,10%, avaliam como insuficiente o seu conhecimento técnico profissional na área de Defesa Pessoal, porcentagem esta relevante que também revela dado por demais preocupante, uma vez considerada a essencialidade desta capacidade técnica – operacional para o exercício da função policial militar. Em relação ao outro grupo de amostragem apresenta uma diferença para mais da ordem de 14,87%, aumento esperado em face das características e peculiaridades de cada grupo, aquele primeiro com policiais militares, Oficiais e Sargentos, nos Cursos de Educação Física com comprovada aptidão para as práticas de ensino no domínio psicomotor, já esta segunda amostragem é formada por Praças oriundos do serviço operacional, quer das OPM especializadas, quer das OPM de policiamento territorial, com as dificuldades inerentes ao horário e condições para treinamento contínuo. 2.ª Questão 2. Após a conclusão do seu Curso de Formação, qual o período estimado em que não participou de qualquer instrução/treinamento de Defesa Pessoal: ( ) 01 ano ou menos

110

( ) entre 01 e 02 anos ( ) entre 02 e 03 anos ( ) mais de 03 anos

20 15 10 5 0 Gráfico 11 D emonstrativo do tempo sem Treinamento de D efesa Pessoal

< 1 Ano >1 < 2 Anos > 2 < 3 Anos > 3 Anos

Comentário: Na figura gráfica acima se verifica do total de participantes que 50,0% não participa de qualquer instrução ou treinamento de Defesa Pessoal na faixa de 2 a 3 anos e a mais de 3 anos. Resultado que também confirma a incipiência da prática desta disciplina técnica-profissional e mesmo a irrelevância que lhe é dada no contexto atual do treinamento policial na Instituição. Outra constatação é que os outros 50,0% se distribuem equitativamente entre as faixas de menos de 1 ano e entre 1 e 2 anos, que verificou-se que eram policiais militares que freqüentaram o Curso de Formação de Soldados neste período, bem como uma minoria que é praticante de Artes Marciais e desenvolvem treinamento de Defesa Pessoal dentro dos respectivos estilos. 3.ª Questão 3. Considerando sua aptidão e capacitação técnica atual nas técnicas de Defesa Pessoal, tanto na autodefesa, quanto no controle físico de indivíduo agressivo, como avalia o seu grau de confiança no sentido de imobilizar tal pessoa: ( ) Não sei responder ( ) Não tenho confiança ( ) Tenho plena confiança

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30 25 20 15 10 5 0 Gráfico 12 Opinião Pessoal na Capacidade Técnica em Imobilizar Agressor

N Sei R ão esponder N Tenho Confiança ão Tenho Plena Confiança

Comentário: Constata-se que 25 (vinte) integrantes do grupo de amostragem, que corresponde a 56,81%, do total não têm a mínima confiança para o emprego de técnicas de Defesa Pessoal em uma ação operacional, soma-se o resultado de 14 (quatorze) integrantes que não sabem responder, correspondente a 31,81% da mesma amostragem, teremos 39 integrantes, correspondentes a aproximadamente 88,63% da amostragem que por certo também tem e terão sérias dificuldades para a resolução de conflitos em que seria possível observar o escalonamento do uso da força legal. Situação análoga ao grupo de amostragem anteriormente estudado. 4.ª Questão 4. Na sua concepção entende ser necessário e fundamental o treinamento contínuo de técnicas de Defesa Pessoal complementadas com as técnicas de imobilizações corporais, seja na ação individual ou em grupo para o aprimoramento do Policial Militar para o exercício da sua função: ( ) Sim ( ) Não

50 40 30 20 10 0 Gráfico 13 - Opinião Pessoal sobre a necessidade do Treinamento Contínuo Sim N ão

112

Comentário: Os resultados indicados por esta figura gráfica também leva ao raciocínio lógico de que é imprescindível o treinamento contínuo das técnicas de Defesa Pessoal por parte dos policiais militares, também indica que existe a plena consciência da sua necessidade para o aprimoramento, qualificação e capacitação para o exercício da função policial-militar. 5.ª Questão 5. No seu entendimento considera que o domínio das técnicas de imobilizações corporais (individual/grupo) é uma capacitação necessária para o controle físico de indivíduo resistente passivo ou resistente agressivo por ocasião da abordagem policial, possibilitando evitar ou minimizar os resultados lesivos no emprego do uso da força legal? ( ) Sim ( ) Não

50 40 30 20 10 0 Gráfico 14 - O pinião sobre a E ficácia do Treinamento das Imobilizações Corporais Sim N ão

Comentário: Aqui também fica demonstrado mais um resultado de entendimento óbvio, como já foi dito a própria pergunta fornece a resposta não permitindo ambigüidades, tanto é que 100% da amostragem consideram como necessariamente essenciais o aprendizado e treinamento das técnicas de imobilizações corporais (individual/grupo) e a resultante capacitação para o pleno exercício da função policial militar. 6.ª Questão 6. Qual a sua avaliação qualitativa para a validade da edição de um Manual de Treinamento Policial sobre as Imobilizações Corporais: Individual e em Grupo na

113

forma de infográfico, possibilitando a memorização e prática dos gestos motores de forma eficiente: ( ) Excelente ( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Péssima

25 20 15 10 5 0 G ráfico 15 - Opinião Valorativa sobre a E dição do Manual de Imobilizações Corporais

E xcelente Ó tima B oa R egular Péssima

Comentário: Tal figura gráfica se presta a aferir os conceitos valorativos por parte da amostragem estudada, tentando fazer uma correspondência entre as questões antecedentes e a motivação no sentido da elaboração de um manual Técnico Policial Militar sobre o assunto tratado, ficando demonstrado que o determinismo lógico leva a considerar tal intento entre os conceitos valorativos de Excelente, Ótima e Boa, por 81,80% da amostragem, enquanto os outros 13,63% vai para a valoração Regular, restando somente 4,54% para o conceito de valoração Péssima, que aqui deve ser desprezado em face da sua insignificância e contradição com as respostas e valorações precedentes. Portanto, é possível deduzir que aqui também existe motivação para o treinamento de tais técnicas, bem como que há policiais militares interessados na sua disseminação.

114

10.3. Da coleta de dados, processamento e resultados da pesquisa de opinião e outros dados relevantes junto a 2.ª amostragem Não probabilística acidental. Foram distribuídos os questionários individuais para 50 (cinquenta) Policiais Militares do efetivo operacional da 2.ª Cia do 51.º BPM/M. É certo que os questionários, que informavam do voluntariado para o seu preenchimento, foram respondidos pela maioria dos integrantes dos grupos que foram alvo da presente pesquisa, apresentando os seguintes resultados: a) Da participação voluntária de 42 (quarenta e dois) Policiais Militares, equivalente a 84,0%, e verificada a abstenção de 08 (oito) Policiais Militares, correspondendo a 16,0%, da aludida amostragem:

50 40 30 20 10 0 G ráfico 16 Participação do E fetivo da 2.ª Cia do 51.º B PM/M

R esponderam N R ão esponderam

Foram distribuídos os questionários individuais para 40 (quarenta) Policiais Militares do efetivo operacional da Cia de Força Tática do 51.º BPM/M. É certo que os questionários, que informavam do voluntariado para o seu preenchimento, foram respondidos pela maioria dos integrantes dos grupos que foram alvo da presente pesquisa, apresentando os seguintes resultados: a) Da participação voluntária de 35 (trinta e cinco) Policiais Militares, equivalente a 87,5%, e verificada a abstenção de 05 (cinco) Policiais Militares, correspondendo a 12,5%, da aludida amostragem:

115

40 35 30 25 20 15 10 5 0 G ráfico 17 Participação do E fetivo da F orça Tática do 51.º BPM/M

R esponderam N Responderam ão

a) Do

agrupamento dos 02 (dois) Públicos – Alvo, Policiais Militares

pertencentes ao efetivo do 51.º BPM/M sendo 42 PM da 2.ª Cia e 35 PM da Força Tática, totalizando 72 (setenta) Policiais Militares:

80 60 40 20 0 Gráfico 18 - Participação da Amostragem do 51.º B PM/M R esponderam N R ão esponderam

Comentário: Da amostragem pesquisada de 90 (noventa) Policiais Militares ficou demonstrada a participação voluntária de 72 (setenta e dois) Policiais Militares, equivalente a 80,0%, bem como abstenção de 18 (dezoito) Policiais Militares, correspondente 20,0% deste público-alvo. Portanto, esta amostragem é extremamente significativa no universo pesquisado, razão pela qual segue os demais resultados pertinentes a pesquisa em curso, será adotada a aglutinação de grupos para o processamento das respostas. 1.ª Questão: 1. Durante o seu Curso de Formação na prática da instrução/treinamento de Defesa Pessoal como avalia a sua capacitação nesta área de conhecimento técnicoprofissional para o exercício da função operacional: ( ) Insuficiente ( ) Suficiente

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50 40 30 20 10 0 Gráfico 19 - O pinião Pessoal da Capacitação Técnica em D efesa Pessoal do E fetivo 51.º B PM/M Insuficiente Suficiente

Comentário: Deste gráfico inferimos que 42 (quarenta e dois) integrantes da amostragem, que corresponde a 58,33%, avaliam como insuficiente o seu conhecimento técnico profissional na área de Defesa Pessoal, porcentagem esta relevante que indica dado extremamente preocupante, uma vez considerada a essencialidade desta capacidade técnica-operacional para o exercício da função policial-militar. 2.ª Questão 2. Após a conclusão do seu Curso de Formação, qual o período estimado em que não participou de qualquer instrução/treinamento de Defesa Pessoal: ( ) 01 ano ou menos ( ) entre 01 e 02 anos ( ) entre 02 e 03 anos ( ) mais de 03 anos

35 30 25 20 15 10 5 0 G ráfico 20 D emonstrativo do tempo sem Treinamento de Defesa Pessoal

< 1 Ano >1 < 2 Anos > 2 < 3 Anos > 3 Anos

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Comentário: Na figura gráfica acima se verifica do total de participantes que 44,44% não participa de qualquer instrução ou treinamento de Defesa Pessoal a mais de 3 anos com tendência a aumentar este indicador em razão dos outros grupos situados entre 1 e 2 anos e 3 e 3 anos, que totalizam 25 PM, equivalente a 34,72%, pois caso não ocorra uma mudança estratégica na condução do treinamento policial militar na sua fase de reciclagem e requalificação, via de regra através do EAP (Estágio de Atualização Profissional) realizado anualmente ao efetivo pronto. Resultado que confirma a incipiência da prática desta disciplina técnica-profissional e mesmo a irrelevância que lhe é dada no contexto atual do treinamento policial na Instituição. Outra constatação é que os outros 20,24% registram participação no prazo menor a 1 ano, são praticantes de alguma modalidade de Arte Marcial e de forma consciente e abnegada treinam as técnicas de Defesa Pessoal correlatas ao seu estilo. 3.ª Questão 3. Considerando sua aptidão e capacitação técnica atual nas técnicas de Defesa Pessoal, tanto na autodefesa, quanto no controle físico de indivíduo agressivo, como avalia o seu grau de confiança no sentido de imobilizar tal pessoa: ( ) Não sei responder ( ) Não tenho confiança ( ) Tenho plena confiança

35 30 25 20 15 10 5 0 Gráfico 21 Opinião Pes oal na s Capacidade Técnica em Imobilizar

Não Sei Res ponder Não Tenho Confiança Tenho Plena Confiança

Comentário:

Constata-se

que

30

(trinta)

integrantes

do

grupo

de

118

amostragem, que corresponde a 41,66%, do total não têm a mínima confiança para o emprego de técnicas de Defesa Pessoal em uma ação operacional, soma-se o resultado de 27 (vinte e sete) integrantes que não sabem responder, correspondente a 37,5% da mesma amostragem, teremos 57 (cinquenta e sete) integrantes, correspondentes a aproximadamente 79,16% da amostragem, a exceção dos 20.84% (15 PM) que teriam uma melhor atuação em face da confiança na sua capacidade técnica, aqueles outros por certo tem e terão sérias dificuldades para a resolução de conflitos em que seria possível observar o uso escalonado da força legal, por meio das técnicas de defesa pessoal, incluindo o controle físico e as imobilizações corporais, existe grande perspectiva de que lançariam mão do emprego de meios e instrumentos de maior poder de defesa com grandes possibilidades do cometimento de excesso, seja a título de culpa ou mesmo dolo, sujeitando-se às suas consequências e embaraços legais e administrativos decorrentes, carreando os indesejáveis prejuízos à imagem da Instituição. 4.ª Questão 4. Na sua concepção entende ser necessário e fundamental o treinamento contínuo de técnicas de Defesa Pessoal complementadas com as técnicas de imobilizações corporais, seja na ação individual ou em grupo para o aprimoramento do Policial Militar para o exercício da sua função: ( ) Sim ( ) Não

70 60 50 40 30 20 10 0 Gráfico 22 - O pinião Pessoal sobre a necessidade do Treinamento Contínuo Sim N ão

Comentário: O resultado indicado por esta figura gráfica, indica que a resposta de 88,88% (64 PM) da amostragem, leva ao raciocínio lógico de que existe

119

a consciência de que é imprescindível o treinamento contínuo das técnicas de Defesa Pessoal por parte dos policiais militares, para fins de capacitação e aprimoramento, buscando a eficácia no exercício da função policial-militar. 5.ª Questão 5. No seu entendimento considera que o domínio das técnicas de imobilizações corporais (individual/grupo) é uma capacitação necessária para o controle físico de indivíduo resistente passivo ou resistente agressivo por ocasião da abordagem policial, possibilitando evitar ou minimizar os resultados lesivos no emprego do uso da força legal?
( ) Sim ( ) Não

70 60 50 40 30 20 10 0 G ráfico 23 - Opinião sobre a E ficácia do Treinamento das Imobilizações Corporais Sim N ão

Comentário: Aqui fica demonstrado mais um resultado de entendimento óbvio, pois a própria pergunta fornece a resposta não permitindo ambiguidades, tanto é que 81,94% (59 PM) da amostragem consideram como necessariamente essenciais o aprendizado e treinamento das técnicas de imobilizações corporais (individual/grupo) e a resultante capacitação para o pleno exercício da função policial militar, já ou outros 18,06% (13 PM) fica dividido entre as contradições intrínsecas a personalidade de alguns Policiais Militares que participaram da amostragem, dando azo a ilações sobre as suas capacidades de entendimento e autodeterminação da complexidade no exercício da profissão, bem como pode estar atrelado a sérios problemas de autoestima, que não é objeto da presente pesquisa.

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6.ª Questão 6. Qual a sua avaliação qualitativa para a validade da edição de um Manual de Treinamento Policial sobre as Imobilizações Corporais: Individual e em Grupo na forma de infográfico, possibilitando a memorização e prática dos gestos motores de forma eficiente: ( ) Excelente ( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Péssima

35 30 25 20 15 10 5 0 G ráfico 24 - Opinião Valorativa sobre a E dição do Manual de Imobilizações C orporais

E xcelente Ótima Boa Regular Péssima

Comentário: Tal figura gráfica se presta a aferir os conceitos valorativos por parte da amostragem estudada, tentando fazer uma correspondência entre as questões antecedentes e a motivação no sentido da elaboração de um Manual Técnico Policial Militar sobre o assunto tratado, ficando demonstrado que o determinismo lógico leva a considerar tal intento entre as valorações Excelente, Ótima e Boa por 75,0% da amostragem, enquanto os outros 25,0% se distribuem entre as valorações Regular 20,83% (15 PM) e Péssima 4,17% (3 PM). Disto é possível deduzir que existe motivação para o treinamento de tais técnicas e que há policiais militares interessados no seu aprimoramento e disseminação.

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11. Contexto da Realidade Policial na Cidade de São Paulo

Figura 2 – Programa 190 Figura 3 – Pol Rodoviário Fonte: www.políciamilitar.sp.gov.br

Figura 4 – Pol Ambiental

Polícia Ostensiva13 é a polícia uniformizada, fardada e identificada, tanto para coibir o crime pela simples ação de presença, bem como reprimi-lo tão logo ele aconteça na atividade de policiamento. Há que se saber que “Polícia” é a denominação das corporações governamentais incumbidas da aplicação de determinadas leis destinadas a garantir a segurança de uma coletividade, a ordem pública e a prevenção e elucidação de crimes O termo provém do vocábulo grego ("politeia"), donde derivou para o latim ("politia"), ambos com o mesmo significado: governo de uma cidade, administração, forma de governo.
Presente em todos os países, com funções de prevenção e repressão ao

crime e manutenção da ordem pública, através do uso legítimo da força se necessário, fazendo respeitar e cumprir as leis. Policiamento ostensivo é a modalidade de exercício da atividade policial desenvolvida intencionalmente à mostra, visível — em contraposição ao policiamento velado, secreto. Caracteriza-se pela evidência do trabalho da polícia à população, pelo uso de viaturas caracterizadas, uniformes, ou até mesmo distintivos capazes de tornar os agentes policiais identificáveis por todos. A atividade de policiar consiste resumidamente em fiscalizar comportamentos e atividades, regular, ou manter a ordem pública, reprimindo crimes, contravenções, infrações de trânsito etc., zelando pelo respeito à legislação pelos indivíduos.
13

< http://www.polmil.sp.gov.br/inicial.asp > Acesso em 06/09/09.

122

Tal modalidade de policiamento tem por objetivo principal atingir visibilidade à população, proporcionando o desestímulo de infrações à lei e a sensação de segurança (prevenção contra infrações legais e profilaxia criminal), por demonstrar a força e a presença estatal, além de dar segurança aos próprios agentes em diligências (repressão) O policiamento ostensivo tem várias modalidades, por exemplo: a pé, motorizado (veículos 2 ou 4 rodas), de bicicleta, com cães, metropolitano ou em áreas rurais, lacustre, marítimo, aéreo, turístico. Em nível estadual e distrital, cabe às polícias militares desempenharem a função de polícia ostensiva, juntamente com a de preservação da ordem pública. Tal competência define caráter híbrido de policiamento preventivo-repressivo. A atribuição legal de polícia ostensiva às Polícias Militares estaduais encontra fulcro na Constituição brasileira, em seu artigo 144, parágrafo 5º, do Capítulo III – Da Segurança Pública: “às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; (...)”. 11.1. Um dia da rotina de atendimento área territorial do 8.º BPM/M É de extrema valia o conhecimento da demanda diária de atendimento do programa 190, num único dia na área territorial de um Batalhão PM, a simples leitura dos números indicam a extrema relevância da Instituição para a preservação e manutenção da paz e harmonia social, pois é certo que somente a Polícia Militar se faz representar diuturnamente no exercício do Poder Estatal, senão vejamos: Quadro Diário do Atendimento de Ocorrências Área Territorial: 8.º BPM/M Situação: Ocorrências Consolidadas Período: 02/09/09 – 00h00min até 03/09/09 – 23h59min Fonte: COPOM – SIOPM CÓDIGO NATUREZA HOMICÍDIO DOLOSO A02 HOMICÍDIO TENTATIVA A03 QUANT 1 2 % 0.014 0.029 RISCO

123

A05 A07 A08 A09 A10 A11 A12 A13 A14 A20 A21 A22 A23 A30 B01 B02 B03 B04 B05 B06 B07 B08 B09 B10 B12 C01 C02 C03 C04 C05 D01 D02 D03 D05 D06 D09 D10 E07 E09 E10 E13 F01 G01 H01 H03 H05 H06 I01

LESÃO CORPORAL/AGRESSÃO DOLOSA PERICLITAÇÃO DE VIDA ABANDONO DE INCAPAZ OMISSÃO DE SOCORRO AMEAÇA SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO MAUS TRATOS RIXA PEDIDO DE SOCORRO ENCONTRO DE CADÁVER SUICÍDIO SUICÍDIO TENTATIVA LESÃO CORPORAL/AGRESSÃO CULPOSA FURTO FURTO TENTATIVA ROUBO TENTATIVA ROUBO EXTORSÃO POSSE E INVASÃO DE PROPRIEDADE DANO/DEPREDAÇÃO APROPRIAÇÃO INDÉBITA ESTELIONATO FRAUDE RECEPTAÇÃO ALARME DISPARADO DESORDEM/PERTURBAÇÃO DO SOSSEGO PÚBLICO CONDUTA INCONVENIENTE EMBRIAGUEZ DESINTELIGÊNCIA AVERIGUAÇÃO DE ATITUDE SUSPEITA ESTUPRO ESTUPRO TENTATIVA ATO OBSCENO ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR CORRUPÇÃO DE MENORES JOGO DE AZAR VADIAGEM APOIO DESACATO CONTRABANDO/DESCAMINHO RESISTÊNCIA OCORRÊNCIA COM ENTORPECENTES OCORRÊNCIAS COM PRESO GREVE TUMULTO SAQUE/ARRASTÃO MANIFESTAÇÃO PÚBLICA INFRAÇÃO AMBIENTAL

186 5 3 2 48 8 39 9 2 16 1 1 9 1 282 27 72 645 7 26 49 1 5 1 498 481 3 22 1327 914 3 6 26 1 3 92 1 364 3 2 1 323 19 1 12 1 10 11

0.263 0.073 0,044 0.029 0.702 0,117 0.570 0.131 0.029 0.234 0.014 0.014 0.131 0.014 4.125 0.395 1.053 9.436 0.102 0.380 0.716 0.014 0.073 0.014 7.286 7.037 0.044 0.321 19.414 13.372 0.044 0.087 0.380 0.014 0.044 1.346 0.014 5.325 0.044 0.029 0.014 4.725 0.277 0.014 0.175 0.014 0.146 0.160

124

J03 JO5 J09 J10 J12 L01 L02 L03 L04 L05 L06 M01 M02 M04 N01 N02 N04 N08 N09 N12 N13 N15 Z99

DETENÇÃO DE SUSPEITO CRIME CONTRA A ECONOMIA POPULAR ARMA DE FOGO FALSIFICAÇÃO SOLTURA DE BALÕES/FOGOS VEÍCULO ACIDENTE DE TRÃNSITO DIREÇÃO DE VEÍCULO CONGESTIONAMENTO INFRAÇÃO DE TRÂNSITO INTERDIÇÃO DE VIA PÚBLICA OCORRÊNCIA COM PESSOA CHOQUE ELÉTRICO OCORRÊNCIA COM INSETO INCÊNDIO EXPLOSÃO VAZAMENTO ACIDENTE PRES RUPTURA, EXPLOSÃO, SUPERAQUECIMENTO, DIVERSOS OCORRÊNCIA COM ANIMAL OCORRÊNCIA COM OBJETO QUEDA OCORRÊNCIA NÃO CADASTRADA TROTE TOTALIZAÇÃO

15 1 45 2 6 278 241 91 1 52 3 296 1 1 38 1 1 2 1 32 10 27 100 19 6835

0.219 0.014 0.658 0.029 0.087 4.067 3.525 1.331 0.014 0.760 0.044 4.330 0.014 0.014 0.555 0.014 0.014 0.029 0.014 0.468 0.146 0.395 1.463 0.270 100

Tabela 9 – Atendimento de Ocorrências Consolidadas na área do 8.º BPM/M no período de 02/09/09 a 03/09/09. Fonte: COPOM/SIOPM.

Comentário: Do universo de ocorrências atendidas e consolidadas no período acima analisado, compulsadas suas naturezas é possível inferir que em 5.401 ocorrências existia a real possibilidade de confronto físico, ou seja aquelas em que a perspectiva do uso defensivo da força física se faria necessário para a resolução do conflito, quer seja pelo mero controle físico, quer pelas imobilizações corporais ou mesmo pela demais técnicas de defesa pessoal antecedendo o eventual emprego de equipamentos não letais ou mesmo a força letal. São aquelas ocorrências que efetivamente apresentam o elemento subjetivo do dolo por parte do agressor e que via de regra demandam seu desforço físico na execução, p. ex. Tentativa de Homicídio, Lesão Corporal Dolosa, Desinteligência, e outras, neste diapasão intuímos que aproximadamente 80,0% dos atendimentos neste período poderiam levar à real necessidade do Uso Defensivo da Força Física. Destarte, fica cabalmente demonstrada a necessidade da prontidão e eficiência das

125

técnicas de defesa pessoal aprimoradas pelas técnicas das imobilizações corporais por parte do Policial Militar de forma a exercer com a máxima proficiência, confiança e segurança a relevante função de preservação e manutenção da ordem pública. 11.2. Apuração de Resultados junto a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo Foram totalizadas, no 1º semestre de 2009, 1846 manifestações, cerca de 0,5% inferior ao total registrado no 1º semestre de 2008, descontados os 32 casos de homicídios de autoria desconhecida registrados no órgão, no mesmo período. A "má qualidade no atendimento" liderou o ranking de manifestações nesse período (305 reclamações, 16,5% do total e 2,7% a mais do que no 1º semestre de 2008), seguido por "infração disciplinar" (257 denúncias, 13,9% do total e 7,5% a mais do que no 1º semestre de 2008), "solicitação de policiamento" (172 pedidos, 9,3% do total e 39,8% a mais do que no 1º semestre de 2008), "homicídio" (152 denúncias, 8,2% do total e 3,4% a mais do que no 1º semestre de 2008), "reclamação contra superior hierárquico" (126 reclamações, 6,8% do total e 11,5% a mais do que no 1º semestre de 2008) e "prevaricação" (88 denúncias, 4,7% do total e 125,6% a mais do que no 1º semestre de 2008). No período, foram registradas 89 manifestações de elogio, 50 das quais formuladas a policiais militares e 39 a policiais civis. Dentre as diversas formas de contato disponibilizadas pela Ouvidoria da Polícia, o atendimento pelo telefone 0800-177070 (que funciona de segunda a sexta, das 9hs às 17hs) foi o meio mais utilizado pela população (46,1% do total), seguido por correio eletrônico (e-mail: ouv-policia@ouvidoria-policia.sp.gov.br, com 20,8% do total), formulário eletrônico (disponibilizado em nosso site: www.ouvidoriapolicia.ssp.gov.br, com 11,3% do total), ocorrências retransmitidas à Ouvidoria (denominadas no respectivo gráfico como "telex", com 5,9% do total), além de procedimentos motivados por matérias jornalísticas (5,8% do total), por cartas endereçadas para a nossa sede, localizada na Rua Japurá nº 42, São Paulo, Capital, CEP 01319-030 (5,4% do total), atendimento pessoal em nossa sede (no endereço mencionado acima, de segunda a sexta, no horários das 9hs à 15hs, com 2,2% do total) e envio de fax para o fone 11 3291-6033 (1,19% do total).
Relatório 1º Semestre 2009

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Denúncias recebidas na Ouvidoria – Polícia Civil e Policia Militar - 1° Semestre 2009 Naturezas
MÁ QUALIDADE NO ATENDIMENTO INFRAÇÃO DISCIPLINAR SOLICITAÇÃO DE POLICIAMENTO HOMICÍDIO RECLAMAÇÃO CONTRA SUPERIOR HIERÁRQUICO PREVARICAÇÃO COMUNICAÇÃO DE CRIME CORRUPÇÃO PASSIVA SOLIC. DE INTERV. EM PONTO DE DROGAS MOROSIDADE NO ANDAMENTO DE POLÍCIA JUDICIÁRIA ABUSO DE AUTORIDADE (agressão) ABUSO DE AUTORIDADE (outros) NEGLIGENCIA TRÁFICO DE DROGAS C/ envolvimento de policiais ABUSO (constrangimento ilegal) AMEAÇA ABORDAGEM COM EXCESSO CONCUSSÃO FALTA DE RECURSOS MATERIAIS FAVORECIMENTO INDEVIDO DE POLICIAMENTO PREVENTIVO ABUSO (invasão de domicílio) PECULATO – desvio ABUSO (prisão) FALTA DE RECURSOS HUMANOS ROUBO/FURTO LESÃO CORPORAL PRIVILÉGIO (benefício indevido em escala) TORTURA ASSÉDIO MORAL PECULATO – furto TENTATIVA DE HOMICÍDIO PECULATO – apropriação MAUS TRATOS A PRESOS PECULATO – estelionato DISCRIMINAÇÃO FALSIDADE IDEOLÓGICA MAUS TRATOS PECULATO TOTAL

PC
199 65 6 14 5 41 55 33 33 57 8 10 17 14 9 6 1 17 6 0 3 4 4 4 3 2 1 4 0 3 2 2 2 0 0 0 1 1 632

PM
101 186 153 137 121 42 26 30 16 3 47 40 15 19 22 27 27 10 19 20 13 11 7 8 9 6 7 3 6 2 3 2 1 2 1 1 0 0 1143

PM/PC
5 6 13 1 0 5 6 5 13 0 3 0 5 2 3 0 1 2 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 71

Total
305 257 172 152 126 88 87 68 62 60 58 50 37 35 34 33 29 29 25 20 16 15 12 12 12 8 8 7 6 5 5 4 3 2 1 1 1 1 1846

%Total
16,52 13,92 9,32 8,23 6,83 4,77 4,71 3,68 3,36 3,25 3,14 2,71 2,00 1,90 1,84 1,79 1,57 1,57 1,35 1,08 0,87 0,81 0,65 0,65 0,65 0,43 0,43 0,38 0,33 0,27 0,27 0,22 0,16 0,11 0,05 0,05 0,05 0,05 100,00

HOMICÍDIO - (autoria desconhecida)

32

Tabela 10 – Denúncias feitas junto à Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo – Relatório do 1.º Semestre de 2009. Fonte: www.ouvidoriapolicia.sp.gov.br

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Elogios Polícia Militar Polícia Civil TOTAL 50 39 89

Gráfico 25 – Formas de Contato com a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo – 1.º Semestre/2009 – Fonte: www.ouvidoriapolicia.sp.gov.br

Comentário: Do conjunto de denúncias registradas contra a PMESP (1.143) no período sob análise destacamos o quadro abaixo em face das suas naturezas estarem intrinsecamente ligadas ao possível uso inadequado da força por parte dos
Policiais Militares

NATUREZA HOMICÍDIO COMUNICAÇÃO DE CRIME ABUSO DE AUTORIDADE (AGRESSÃO) ABUSO DE AUTORIDADE (OUTROS) ABUSO/CONSTRANGIMENTO ILEGAL AMEAÇA ABORDAGEM COM EXCESSO ABUSO/PRISÃO LESÃO CORPORAL TORTURA TENTATIVA DE HOMICÍDIO

QUANT 137 26 47 40 22 27 27 7 6 3 2

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MAUS TRATOS À PRESO TOTAL

1 345

Tabela 11 – Ocorrências com real possibilidade do Uso Defensivo da Força Física.

Comentário: Portanto do total das 1.143 denúncias imputadas a PMESP no período do 1.º Semestre de 2009, o subtotal de 345 denúncias em que intuímos que pode ter havido o uso excessivo da força física nos seus diversos graus, desde a “vis absoluta” pelo emprego da força física até mesmo pela “vis relativa” pela simples ameaça da perspectiva do emprego de força, número que corresponde a 30,18%, dado estatístico que reforça a idéia de que o exercício da função policial exige o máximo profissionalismo, permeado pelo profissionalismo elevado lastreado na tecnicidade e principalmente no equilíbrio emocional do Policial Militar. Por certo, a máxima eficiência no exercício da profissão não irá inibir totalmente a demanda de queixas por parte da população atendida, mas é certo que teremos sensível redução, e mesmo após a apuração restará uma minoria não contemplada a sua atuação com os princípios e pressupostos essenciais para o Uso Defensivo da Força Física, os quais são a legalidade, a necessidade, a proporcionalidade e a conveniência. A “contrário sensu” o uso arbitrário da força é ilegal, ilegítimo e amador, enquanto o outro é um ato discricionário, legítimo, legal e profissional.(grifei)

12. Viagem de Estudos da “II Jornada de Polícia Comparada” – Estado de Santa Catarina

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O atual grupo do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais – II/09 (CAO-II/09) foi contemplado com uma viagem de estudos para diversas Unidades da Federação com o objetivo de observar as boas práticas das Instituições Co-irmãs. O grupo de estudos ao qual fui designado teve o privilégio de seguir para o Estado de Santa Catarina, conhecida como a Europa brasileira, pelas suas paisagens, pela aparência de suas cidades e de seu povo e pela neve, Santa Catarina apresenta ótimos índices em setores que afetam diretamente a sua vida social, como infraestrutura, qualidade de vida, segurança, saúde, educação, formação profissional, atendimento, serviços, etc.

Figura 5 Mapa 1 Fonte : www.wikipédia.com.br

Figura 6 Mapa 2

Figura 7 Brasão de Armas de SC.

12.1. Síntese Histórica da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina

Figura 8 Brasão da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina – Fonte: www.pm.sc.gov.br

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A Polícia Militar14 de Santa Catarina foi criada quando o Brasil tinha apenas 13 anos de idade como nação independente e a população de Nossa Senhora do Desterro - hoje Florianópolis - em sua maioria ainda andava descalça ou, no máximo, usava tamancos. A Força Policial, como se chamava então, embora nascendo numa província muito atrasada em relação a outras do País teve, desde o início, uma importância maior. Afinal, a costa catarinense - principalmente a Ilha de Santa Catarina - era considerada ponto estratégico militar, quando todas as nações tinham interesses dirigidos para a América do Sul. Essa era, portanto, a situação da Vila de Nossa Senhora do Desterro, quando Feliciano Nunes Pires, presidente da província, criou a Força Policial, em maio de 1835. A Corporação enfrentou sérias dificuldades já durante os seus primeiros anos. Além do pequeno efetivo e da falta de verbas, a Corporação era obrigada, também, a defender as comunidades próximas dos constantes ataques dos índios e a preservar a segurança do patrimônio dos cidadãos. A eclosão da Revolução Farroupilha, em Laguna e Lages, exigiu o aumento do contingente, diante da possibilidade muito séria de também a Capital ser invadida pelas tropas gaúchas dos Farrapos. Era o episódio heróico de Anita e Giuseppe Garibaldi visto pelo outro lado - o monarquista. Em 1860, os relatórios chamavam a atenção para a inexistência de um Quartel para a Força Pública, que tinha a sua apertada sede numa das salas térreas do Palácio do Governo, na praça principal do povoado. Cinco anos depois, o Brasil estava no auge da guerra contra o Paraguai e como aconteceu em todas as províncias - a de Santa Catarina também forneceu homens para lutar ao lado dos exércitos argentino e uruguaio. Corria o ano de 1888, quando a Força Policial se viu obrigada a mudar a sua sede. O local escolhido foi o chamado Mato Grosso, no prédio onde funcionou o
14

< http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia_Militar_do_Estado_de_Santa_Catarina > Acesso em 07/09/09

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Liceu Normal Literário e onde está até hoje. Isso, apesar dos gritos da imprensa e dos deputados provínciais, pelo fato da Força Policial estar deixando o centro do povoado e mudando-se para os arrabaldes. Ao longo de todo esse tempo, a Polícia Militar atravessou vários períodos marcantes, desde a Proclamação da República. Durante as revoluções de 1924 e 1930 - numa tentativa de dificultar a invasão da ilha onde se encontra a capital pelas tropas lideradas por Getúlio Vargas - retirou todas as tábuas do piso da Ponte Hercílio Luz, que liga a ilha ao continente. Hoje, 171 anos depois, a Polícia Militar é presença em todo o território catarinense, contribuindo, efetivamente, não só para a segurança, como para a preservação da cultura e das tradições de Santa Catarina. É considerada uma corporação modelo, modernizando-se nas ações de prevenção, segurança e proteção à comunidade catarinense. Santa Catarina é segura. Sua taxa de homicídios dolosos por 100 mil habitantes é de 4,67, bem inferior à média brasileira de 23,52. A capital, Florianópolis, apresenta o terceiro menor índice de mortes violentas entre as capitais do país, de acordo com levantamento da Secretaria Nacional de Segurança Pública. Durante 2003, as Polícias Civil e Militar foram integradas, somando efetivos e equipamentos e ganhando eficiência e agilidade no combate à criminalidade. Apenas em 2003, o setor recebeu R$ 20 milhões em investimentos. A integração permitiu, ainda, a criação do Gabinete de Combate ao Crime Organizado, que passou a utilizar núcleos de inteligência das polícias como instrumento de trabalho investigativo. Na capital, Florianópolis, foi implantada a Delegacia do Turista, com atendimento especializado. Outra arma contra a criminalidade é a criação dos Consegs – Conselhos Comunitários de Segurança. Desde o início de 2003, cerca de 750 Conselhos foram formados.

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Figuras 9 – 10 e 11. Atividades do Policiamento Comunitário. Fonte: www.pm.sc.gov.br

À violência do mundo moderno, contrapõe com a implantação de uma filosofia envolvente, onde a cidadania é o lema, e a qualidade de vida do povo catarinense a grande meta. 12.2. Entrevista tendo por Tema a Defesa Pessoal e o Uso Defensivo da Força Física. Local: Batalhão de Operações Especiais – BOPE Entrevistado: Cap PMSC Santana Data: 17AGO09.

Figura 12 – Identificação do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar de Santa Catarina. Fonte: www.bopesc.com.br

Contato BOPE Rua Matias Kabuchi, 234 - Barreiros - São José - SC - CEP 88.117-450 Telefones: (48) 3346-0193 e 3246-9315 1. Quais as atividades desenvolvidas pelo BOPE de PMSC?

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R.

É um Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) que

juntamente com os Pelotões de Patrulhamento Tático (PPT) - atual denominação aos antigos Grupos de Resposta Tática (GRT), têm como missão de desenvolver ações e operações táticas para o recobrimento nas situações emergentes no campo da segurança pública. Ao BOPE está subordinada a Companhia de Operações Especiais (COE), força de manobra do Comando Geral para emprego em todo Estado. Está permanentemente em condições de atuar preventivamente e/ou repressivamente. Atua após ter esgotado todos os meios disponíveis para solução do fato delituoso, obedecendo a escalada de força, em ocorrências que exijam homem e equipamento técnico especializado.
1. Cap Santana o que V.sª. Entende por procedimentos na área de defesa

pessoal? R. A aplicação das técnicas de defesa pessoal pressupõe algo mais do que os simples gestos biomecânicos , no meu entender assim de primeiro plano temos pelo menos 4 (quatro) níveis ou itens básicos a serem observados, vejamos: I – Avaliação de Risco (T.O.) - Técnicas de Observação: - (O.O.D.A.) – Observar – Ouvir – Decidir – Agir - (I.D.A.) – Identificar – Decidir – Agir II – Verbalizacão III – Contato Físico Moderado, que se desdobra em: - Aproximação - Técnica - Contato - Imobilização

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- Projeção - Golpe de Impacto - Reação IV – Equipamentos Não Letais 2. Se pudermos entender a Defesa Pessoal como uma disciplina de estudo, talvez uma ciência, então temos que pensar que existem princípios básicos ou específicos que possam dar fundamentação as formas técnicas existentes e outras que porventura venham a ser criadas ou adaptadas? R. Na minha concepção vamos encontrar os princípios gerais e os princípios específicos dentro do estudo da Defesa Pessoal Policial, vejamos: - Princípios Gerais: - Na prática final o Policial deverá estar sempre completamente equipado “Equipado Full” - O Policial deverá estar treinado nas técnicas não letais - Princípios Específicos: - Não Engajamento (luta de colagem) - Imobilização completa - Menor Exposição a risco. 3. Qual seria em linhas gerais o conteúdo programático mínimo a ser ministrado ao Policial para creditar um mínimo de proficiência em Defesa Pessoal Policial? R. 1. O mínimo conhecimento anatômico de pontos sensíveis e vitais do corpo humano.

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2. Técnicas Rolamentos e Quedas (lateral – frontal – costas) 3. Técnicas de Imobilizacão ( e remocão) (Retenção e Condução) 4, Técnicas de Estrangulamento (Aplicar e Defender – frente e Costas) 5. Técnicas de Projeção (Golpes Simples – O Soto Gari – Seoi Otoshi) 6. Técnicas de Impactos (MMSS – Mãos, Braços , Cotovelos; MMII – pernas joelhos, calcanhar) 7.Técnicas de Desarme (Objetos Contundentes, Arma fria, Arma de fogo 8. Técnicas de uso de Equipamentos Não letais (Tonfa, Gás, Taser), 4. Explique melhor! R. Objetivos – Cumprimento do Dever Legal
1. Obter a submissão 2. Defesa – Autodefesa - Terceiros Inocentes

3. . Prender 4 Transversalidade -> Direitos Humanos

“Proteção da vida, da integridade física e da dignidade das pessoas”

Técnicas Não Letais USO DEFENSIVO DA FORCA FÍSICA

Controle Físico

TASER

Bastão Tonfa

Agente Químico Gás

Figura 13 – Esquema de Uso Defensivo da Força Física, compilado no curso da entrevista com o Cap PMSC Santana do BOPE.

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4. Finalizada esta entrevista, antemão agradeço a relevante colaboração, apresento congratulações a V.S.ª pelo alto conhecimento da matéria em estudo, sendo certo que o conteúdo das respostas terá grande influência nos resultados desta pesquisa monográfica, muito obrigado, e desde colocamo-nos à disposição na PMESP.

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Conclusão Doutrinariamente toda a instrução de Defesa Pessoal ministrada na Polícia Militar do Estado de São Paulo tem como base o Manual de Defesa Pessoal (M-3PM), publicado no Boletim Geral n.º 134, de 17 de julho de 1992, obra técnica que está entre os melhores manuais técnicos em vigência nas Organizações Militares, Forças Armadas (FA) e Policiais Militares (PM). Portanto, é certo que tal compêndio completa 16 anos, carecendo de atualização. No seu bojo ilustra uma série de agressões possíveis contra o agente da lei, com os respectivos contragolpes por parte do PM, via de regra em atitude reativa, sempre finalizando com uma técnica de imobilização corporal, porém nesta última ação não aprofunda o tema de forma a lhe dar a devida relevância no contexto da sequência do Uso Defensivo da Força Física (UDFF), que também tem seu ciclo, ou seja: Conhecer/Processar (elaborar Plano Mental) – Verbalizar – Esquivar e/ou Bloquear – Imobilizar e/ou Projetar/Imobilizar – Conduzir. (Ação Concreta) Destarte, podemos enfatizar a real necessidade da criação do Manual de Imobilizações Corporais – Individual e em Grupo, com a prevalência do respeito aos pressupostos da moderação e proporcionalidade no uso da força legal, na conformidade da situação de risco atual ou iminente enfrentada pelo Policial Militar, quer na sua autodefesa, quer de terceiros, uma vez considerado que qualquer técnica de golpe corporal desferido (soco, cotovelada, joelhada, chute) ou aplicado (chaves: de luxação, estrangulamento ou asfixia) podem ser letais, caso não se tenha pleno domínio (cognitivo e motor) na sua aplicação, isto observando-se criteriosamente o escalonamento do uso da força legal no limite necessário para conter a agressão e vencer a resistência da pessoa agressiva. Há que se considerar neste contexto as disposições contidas nas INSTRUÇÕES DO SISTEMA INTEGRADO DE TREINAMENTO POLICIAL MILITAR, I-22-PM, Publicado Bol G PM 33/01, de 15Fev01, que em síntese dispõe que no Processo de Gestão pela Qualidade, o Treinamento Policial Militar visa consolidar valores sociais, morais e éticos, atualizar conhecimentos técnico-profissionais e conservar o vigor físico, agilidade e destreza necessárias ao desempenho da função,

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bem como proporcionar condições efetivas para a padronização de procedimentos e unidade de doutrina. Nesse diapasão, a pesquisa aponta para a real necessidade por ocasião da formação do policial militar nas Técnicas Básicas do Uso Defensivo da Força Física (UDFF), bem como o seu aprimoramento constante através do Treinamento Contínuo nos Cursos e Estágios de Especialização ou mesmo pela sua implementação no Estágio de Atualização Profissional (EAP). Outra conclusão importante é a de que este campo de atividade demanda pesquisa constante, razão pela qual fica a sugestão de criar Grupo Permanente de Estudos Técnicos para o acompanhamento da evolução tecnológica e doutrinária da matéria, tendo por objetivo manter atualizado todo o conhecimento pertinente a esta importante área de atuação, bem como criar e propor processos de procedimentos que satisfaçam as dinâmicas didático-pedagógicas do treinamento nas melhores técnicas do processo ensino-aprendizagem, tendo por resultado esperado a melhor prestação serviços à população primando pelos objetivos estratégicos quais sejam: a prevalência dos Direitos Humanos, a Gestão pela Qualidade e o pleno exercício da Polícia Comunitária.

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