Você está na página 1de 111

Repertório das Essências Florais

Um Guia Abrangente das Essências Florais Norte-Americanas e Inglesas, para o Bem-estar Emocional e Espiritual

Patricia Kaminski e Richard Katz

Repertório das Essências Florais

Repertório das Essências Florais

Um Guia Abrangente das Essências Florais Norte-Americanas e Inglesas, para o Bem-estar Emocional e Espiritual

Patricia Kaminski e Richard Katz

tradução de Melania Scoss e Merle Scoss

Espiritual Patricia Kaminski e Richard Katz tradução de Melania Scoss e Merle Scoss 3. a edição

3. a edição São Paulo - 2003

Título original Flower Essence Repertory

Flower Essence Society © 1986, 1987, 1992, 1994, 1996 Primeira publicação desta edição revista e ampliada em 1994.

Direitos para a língua portuguesa reservados a TRIOM - Centro de Estudos Marina e Martin Harvey Editorial e Comercial Ltda. Rua Araçari, 208 01453-020 - São Paulo - SP - Brasil Tel/fax: 11 3168-8380

Tradução: Melania Scoss e Merle Scoss Revisão técnica: Ruth Toledo Revisão gráfica: Adriana C. L. da Cunha Cintra Foto da capa da Califórnia Poppy e fotos da contra-capa da Indian Paintbrush e das flores da primavera nas encostas: Wayne Green Outras fotos: Richard Katz Diagramação e fotolitos: Casa de Tipos Bureau e Editora Ltda.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, São Paulo, SP)

Kaminski, Patrícia Repertório das essências florais: um guia abrangente das essências florais norte-americanas e inglesas para o bem-estar emocional e espiritual / Patrícia Kaminski e Richard Katz; tradução de Melania Scoss e Merle Scoss. — Ed. rev. e ampl. — São Paulo: TRIOM, 1997.

Título original: Flower essence repertory. ISBN 85-85464-15-1

1. Essências e óleos essenciais - Catálogos

2. Essências e óleos essenciais - Uso terapêutico

3. Flores 4. Sistemas terapêuticos I. Katz, Richard.

II. Título.

97-5082

CDD-615.850216

Índices para catálogo sistemático:

1. Essências florais: Terapias alternativas: Repertórios 615.850216

Agradecimentos

Ao Dr. Edward Bach, por suas indicações originais sobre os 39 remédios ingleses que estão
Ao Dr. Edward Bach, por suas indicações originais sobre os
39 remédios ingleses que estão incluídos neste Repertório; e
pelos insights de muitos terapeutas, especialmente os inspira-
dos escritos de Julian e Martine Barnard (The Healing Herbs
of Edward Bach), Mech-thild Scheffer (Bach Flower Therapy)
e Phillip M. Chancellor (Handbook of the Bach Flower
Remedies).
A Matthew Wood, companheiro de longa data e membro
da Flower Essence Society, por seus insights sobre as proprie-
dades de sete importantes remédios florais contidos neste Re-
pertório (Seven Herbs, Plants as Teachers).
Aos incontáveis terapeutas de todo o mundo, cujos nomes
seriam por demais numerosos para listá-los aqui, mas que ge-
nerosamente apoiaram os esforços de pesquisa da Flower
Essence Society. Através de seus inúmeros relatos de casos,
cartas, conversas, entre-vistas telefônicas e comentários de
casos, tornou-se possível para nós continuamente aprofundar
e refinar nossa compreensão das flores e de seus benefícios
terapêuticos.
Finalmente, nossa gratidão às próprias flores, pois elas são
as preciosas expressões da alma Daquela que é chamada de
Natureza ou Gaia. Somos gratos às muitas hierarquias da Cri-
ação que protegem e guiam a generosidade da Terra, e espe-
cialmente a Cristo, o Espírito Solar que uniu Sua mais íntima
essência com o ser Terra. Possam a mente e o coração huma-
nos buscarem sempre estar conscientes da identidade da Na-
tureza como alma e espírito, e possa Sua essência curadora
sempre nos renovar e inspirar.
Saint John’s Wort
Shasta Daisy
Shasta Daisy

Chrysanthemum maximum

Quando não sabes mais como ir adiante, deixa que as plantas te digam, as plantas que deixas de- sabrochar, crescer, florescer e frutificar dentro de ti. Aprende a linguagem das flores.

Todos os habitantes da Terra são capazes de en- tender a linguagem das flores, pois seu mestre é o Espírito Solar que fala a cada coração humano. As plantas apontam o caminho do túmulo à ressurrei- ção, através de todas as fendas e abismos, sobre todas as pastagens e todos os cumes a que o cami- nho possa levar: baga do sabugueiro, rosa-canina, crisântemo, áster — são os degraus da transforma- ção, da purificação e da cura dos erros e infelicida- des do mundo.

Albert Steffen, Journeys Here and Yonder

Índice

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

0V

Prefácio

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

X I

Parte I

 

Visão Geral da Teoria e Prática das Essências Florais

 

01

Introdução: O que são as Essências Florais?

 

03

Capítulo 1: O que é a Terapia Floral?

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

05

A

Natureza da Saúde

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

05

Os Paradigmas Médicos da

 

06

O

Relacionamento Corpo-Mente

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

08

A

Contribuição do Dr. Edward Bach

 

11

A

Visão Holística do Ser Humano

 

12

A

Terapia Floral como Cura da Alma

 

16

O

Papel Singular da Terapia Floral nos Cuidados com a Saúde .

23

Capítulo 2: Podemos verificar as propriedades das essências florais?

 

.030

A

Necessidade de Pesquisas sobre as Essências Florais

 

30

Rumo a uma Ciência Viva da Natureza

 

34

O

Estudo das Plantas usadas nas Essências Florais

 

39

Estudos Clínicos das Essências Florais

 

52

A

Pesquisa sobre os Fenômenos da Energia Sutil

 

54

Programa de Pesquisas da Flower Essence Society

 

58

Capítulo 3: Como são selecionadas as essências florais? . 59

Identificando as Questões Principais

 

59

Selecionando as Essências Apropriadas

 

60

. Trabalhando com as Essências em Diferentes Níveis

Combinando as Essências Florais

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

62

64

Situações Especiais de Seleção

 

65

Uso Doméstico e Profissional

67

Seleção através de Técnicas Vibracionais

68

Como Usar o Repertório das Essências

70

IX

Capítulo 4: Como são usadas as essências florais?

76

Orientações Práticas para a Administração das Essências Florais 77

Acentuando o Efeito das Essências Florais

 

80

A Terapia Floral e outras Modalidades de Tratamento de Saúde

81

Os Resultados da Terapia Floral

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

84

Referências Bibliográficas e Sugestões de Leituras

 

92

Flower Essence Society

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

100

Parte II Questões da Alma: Categorias e Temas

 

102

Lista das Categorias e Temas

 

103

Descrição das Essências, organizadas por Categorias e Temas

108

Parte III Qualidades e Perfis das Essências Florais

 

275

Índice das Essências

 

.277

Qualidades e Perfis das Essências

 

279

Origem das Essências Florais do Repertório

367

X

Prefácio

O Repertório das Essências Florais é um guia de seleção para o uso profissional e doméstico das essências florais. Foi escrito com a compreensão de que uma apreciação plena desta modalidade terapêutica requer um estudo cuidadoso bem como uma abertura do coração; e com o reconhecimento de que aqui- lo que foi escrito neste livro é apenas um passo no processo contínuo de pesquisas e descobertas neste assunto multifacetado.

Este Repertório é publicado pela “Flower Essence Society” (FES), uma organização de âmbito mundial composta por pro- fissionais de saúde e leigos interessados no assunto, que se de- dicam ao desenvolvimento da terapia floral. Embora tenha sido escrito por Patricia Kaminski e Richard Katz, co-diretores da FES, este trabalho reflete a pesquisa e os insights de inúmeros praticantes da terapia floral em todo o mundo, que, ao longo dos últimos dezesseis anos, contribuíram com seus estudos de caso e outros dados clínicos.

As indicações apresentadas no Repertório não pretendem substituir os cuidados profissionais, médico ou psicoterapêutico, quando estes são apropriados. Ao contrário, o uso das essênci- as florais descrito aqui tem a intenção de complementar e am- pliar os programas de saúde bem-equilibrados, tanto na prática clínica como nos cuidados no lar.

O Repertório é composto de três grandes seções. A Parte I oferece uma visão geral da teoria e prática da terapia floral. Cada um dos temas tratados merece uma maior elaboração, e é nossa intenção desenvolvê-los em futuras publicações. Nosso objetivo, nestes textos, é apresentar aos iniciantes bem como aos praticantes experientes um contexto filosófico, cultural e prático para a terapia floral. A Parte II contém uma relação abrangente das indicações das essências, organizadas por cate- gorias. A Parte III compõe-se de um perfil profundo e detalha- do de cada essência, uma apresentação resumida de suas qua-

XI

lidades positivas e seus padrões de desequilíbrio, e referências cruzadas para as categorias da Parte II.

O Repertório das Essências Florais foi elaborado com a intenção de ser facilmente acessado por aqueles que desejam traba- lhar com ele de variadas maneiras. Embora, ao longo do Repertó- rio, sejam feitas referências a vários conceitos filosóficos e metafísicos, não é uma precondição que o leitor acredite num determinado ensinamento cultural ou espiritual para obter benefício das essências florais. O mais importante é que cada pessoa considere os méritos desta modalidade terapêutica e aplique as crenças ou conceitos que vivem dentro de seu coração e sua mente. Independentemente da visão filosófica de uma pessoa, o Repertório pode sempre ser usado de um modo muito básico e direto, se ela simplesmente tornar-se sensível à vida dos sentimentos da alma humana e apren- der as qualidades das flores que refletem as condições da alma. Esperamos sinceramente que o Repertório venha a ser uma ferramenta para a verdadeira cura da alma e para buscas e desco- bertas adicionais por parte do leitor.

Apesar dos nossos constantes esforços ao longo dos últimos dezesseis anos para expandir e aprofundar nossa pesquisa, estamos claramente conscientes de sua natureza pioneira. Será muito bem recebida a participação ativa dos nossos leitores no desenvolvimento dos conhecimentos sobre a terapia floral, atra- vés de suas contribuições ao programa de pesquisa da Flower Essence Society. Também serão muito bem recebidos os seus comentários sobre as formas de aprimorar o Repertório em futuras edições. Acima de tudo, oramos para que as flores pos- sam ser sempre uma fonte de inspiração e de cura. Se este Repertório ajudar, mesmo que em pequena escala, a alcançar esse objetivo, nossos esforços não terão sido em vão.

Patricia Kaminski e Richard Katz Nevada City, Califórnia Maio de 1994

XII

Parte I

Visão Geral da Teoria e Prática das Essências Florais

Repertório das Essências Florais

O que é a Terapia Floral?

Introdução:

O que são as Essências Florais?

As essências florais são extratos líquidos sutis, geralmente ingeridos por via oral, usados para tratar profundas questões do bem-estar emocional, do desenvolvimento da alma e da saúde do corpo-mente. Embora o uso de flores para a cura tenha muitos precedentes desde a antigüidade, a aplicação precisa das essências florais em emo- ções e atitudes específicas foi desenvolvida pela primeira vez por um médico inglês, o Dr. Edward Bach, na década de 1930. Hoje, as essências florais estão ganhando reconhecimento profissional no mundo todo por sua significativa contribuição para a saúde holística e para os programas de bem-estar.

Em geral, as essências florais são preparadas a partir de uma infusão solar de flores silvestres ou flores intatas de jardim em um recipiente com água, que é posteriormen- te diluída, potencializada e conservada em conhaque. A preparação com qualidade requer uma cuidadosa atenção à pureza do ambiente, à vibração e potência das flores,

às condições celestes e meteorológicas, e um estudo sensível das propriedades físicas

e energéticas da planta ao longo dos seus ciclos de crescimento.

Embora as essências florais se assemelhem a outros medicamentos apresentados em frascos com conta-gotas, elas não agem devido à composição química do líquido

e sim por causa das energias vitais provenientes da planta e contidas na matriz à base

de água. Como os remédios homeopáticos, as essências florais têm uma natureza vibracional. Elas são altamente diluídas, sob um ponto de vista físico, porém contêm um poder sutil enquanto substâncias potencializadas, pois incorporam os padrões energéticos específicos de cada flor. Seu impacto não é o resultado de alguma interação bioquímica direta na fisiologia do corpo. Pelo contrário, as essências florais atuam através dos vários campos de energia humanos, os quais por sua vez influenciam o bem-estar mental, emocional e físico.

A ação das essências florais pode ser comparada aos efeitos que experimentamos ao ouvir uma peça musical particularmente emocionante ou ao contemplar uma inspi- rada obra de arte. As ondas luminosas ou sonoras que chegam aos nossos sentidos podem evocar sentimentos profundos em nossa alma, os quais indiretamente afetam nossa respiração, ritmo da pulsação e outros estados físicos. Esses padrões não nos causam impacto pela intervenção física ou química direta em nosso corpo. Ao contrá- rio, é o contorno e o arranjo da luz ou do som que despertam em nossa alma uma experiência semelhante àquela que nasceu dentro da alma do criador da forma musi- cal ou artística. Esse é o fenômeno da ressonância, tal como acontece quando uma corda de guitarra soa ao ser entoada uma nota correspondente. De modo similar, a estrutura e a forma específicas das forças vitais transmitidas por cada essência floral fazem ressoar, e despertam, qualidades particulares na alma humana.

Outro exemplo que pode ser útil para entendermos a ressonância vibracional das essências florais provém da holografia. Uma fotografia holográfica consiste em pa- drões de interferência de ondas luminosas, e qualquer parte deles contém informa- ções sobre o todo e pode ser usada para recriar a imagem tridimensional original.

3

Repertório das Essências Florais

Assim, podemos descrever a água que contém as flores como sendo a receptora de uma espécie de impressão holográfica das qualidades essenciais da planta. Cada gota dessa água contém a configuração completa do arquétipo da planta. Ao diluirmos a essência floral, atenuamos a substância física da infusão de modo que ela deixa de ser bioquimicamente significativa. Entretanto, toda a “mensagem” etérica da essência da planta permanece nas poucas gotas, altamente diluídas, que introduzimos em nosso corpo.

O trabalho com as essências florais requer que estendamos nosso pensamento para além da premissa materialista de que “quanto mais, melhor”. As essências flo- rais, como outros remédios vibracionais, ilustram o princípio de que “o pequeno é belo”. Elas são parte de um campo emergente de terapias sutis, não invasoras e estimulantes da vida, o qual promete dar uma importante contribuição aos cuidados com a saúde nos anos vindouros.

e estimulantes da vida, o qual promete dar uma importante contribuição aos cuidados com a saúde

4

O que é a Terapia Floral?

Um

O que é a Terapia Floral?

A terapia floral envolve a aplicação de essências florais no contexto de um programa

global de estimulação da saúde, seja na prática profissional ou nos cuidados no lar. Embora a palavra “terapia” seja tipicamente usada para indicar o tratamento e a cura da doença, a raiz grega therapeía tem o sentido mais amplo e anímico-espiritual de “serviço” e está relacionada ao verbo therapeuein, “cuidar de”. É nesse sentido de serviço e cuidado que falamos da terapia floral; ela é uma maneira de nutrirmos e sustentarmos a saúde com as forças benéficas da Natureza, no contexto de uma sábia

e amorosa atenção humana.

Para entender os usos terapêuticos das essências florais, é importante fazer algumas perguntas básicas sobre a natureza da saúde e da doença. Qual o objetivo do cuidado com a saúde? O que causa a doença? Qual a relação entre a mente e o corpo? Quais são nossas premissas sobre a natureza humana? Nossas respostas a essas perguntas genéricas irão determinar se temos ou não a compreensão e o discernimento para usar as essências florais em sua plena capacidade de catalisadores da saúde do corpo- mente.

A Natureza da Saúde

A liberdade para experimentar a vida

Saúde é a capacidade de participar plenamente dos ritmos da vida, sentindo a glória do raiar do dia, celebrando o ciclo anual das estações e percebendo a pulsação vital da Natureza bater dentro de nós. A verdadeira saúde é mais do que apenas “ir levando”. Significa mergulhar por inteiro na vida, significa o envolvimento pleno do corpo e da mente em tudo o que fazemos — no trabalho, na vida familiar e social, na expressão criativa e na contemplação interior.

Não existe nenhum modelo fixo do que significa ser uma pessoa saudável. Sermos saudáveis é sermos completamente nós mesmos — não a identidade definida pelo condicionamento social, nem a persona que adotamos para atender as expectativas dos outros. Pelo contrário, é o Eu que expressa singularmente tudo o que podemos ser. Ele será diferente para cada pessoa e, portanto, pressupõe o desenvolvimento do autoconhecimento e da compreensão de si mesmo.

Saúde é a aceitação da vida, com todas as suas imperfeições e contradições. É uma expansibilidade do ser, o qual se fortalece ao abraçar todas as experiências, ao invés de tentar suprimir a limitação, a dor ou o sofrimento. Na verdade, o sofrimento tem o potencial de nos levar a uma apreciação mais profunda da vida e a um despertar para

o nosso próprio potencial maior. A doença pode ser vista não como um tormento a

ser erradicado, mas sim como um mestre que nos mostra as fontes de desequilíbrio

5

Repertório das Essências Florais

em nossa vida ou os aspectos do nosso ser que temos ignorado. Os desafios com que nos defrontamos podem evocar virtudes interiores e nos motivar a fazer as mudanças necessárias. Em seu nível mais profundo, a doença pode ser uma experiência iniciática, sentida não como uma simples perda, mas também como uma oportunidade para um novo começo.

A saúde pressupõe liberdade interior. A responsabilidade é o processo que leva à

verdadeira liberdade, a capacidade de responder. Quando somos um simples recipi- ente passivo da doença ou do tratamento médico, meramente reagindo ou nos sentin- do influenciados, tornamo-nos um objeto a ser manipulado em vez de um participante ativo no cuidado com nossa saúde. A verdadeira saúde requer uma ativa autopercepção consciente, na qual cada um de nós assume a responsabilidade pelos desafios e pelas lições da vida.

Os Paradigmas Médicos da Cura

A saúde é comumente definida na nossa cultura como a ausência de sintomas, ou a

eliminação ou controle da doença. Já que falta a essa definição uma imagem positiva do que é bem-estar, o nosso sistema médico está preocupado em tratar a doença e não em criar a saúde. Compreender os limites dessa abordagem sintomática da saúde é fundamental para todos os que usam as essências florais. Sem essa percepção consci- ente, é fácil abordar as essências florais como meros remédios para solucionar os sintomas emocionais, em vez de catalisadores da percepção consciente e da transfor- mação.

O modelo mecanicista do ser humano

A abordagem sintomática da saúde está baseada no paradigma da prática médica

que tem uma visão mecanicista do ser humano. Suas raízes filosóficas remontam à cosmovisão do século 17, exemplificada por René Descartes, que postulava a dualidade

de mente e corpo, e por Isaac Newton, cujas teorias levaram a um modelo mecânico, semelhante a um relógio, do Universo. À medida que esse paradigma científico se desenvolvia nos séculos seguintes, a Revolução Industrial abastecia nosso mundo com máquinas cada vez mais sofisticadas e o corpo humano passava a ser visto como a mais admiravelmente complexa de todas as máquinas. Esse modelo mecanicista con- sidera a cura como uma questão de consertar o maquinário quebrado, similar à regulagem de um motor ou à substituição de uma peça defeituosa.

Com a proliferação dos computadores nas décadas mais recentes, o paradigma mecanicista tem se propagado como um modelo cibernético de vida. Os seres huma- nos, e os seres vivos em geral, são atualmente considerados como sendo supercomputadores, feitos de “chips” biológicos e genéticos. Através da engenharia genética, a moderna tecnologia médica está agora tentando redesenhar a própria estrutura dos organismos vivos.

Ao mesmo tempo em que o reducionismo mecanicista interpreta a vida como sendo composta por “blocos de construção” físicos (tais como células, moléculas, átomos e partículas subatômicas), a cibernética reduz toda inteligência a informações

6

O que é a Terapia Floral?

digitais, isto é, à sucessão de bits binários ligados/desligados que forma a base do computador moderno. A “inteligência artificial” de um computador é um poderoso instrumento, mas será a mesma coisa que a vida? Consideremos a imagem de uma rosa, impressa em meio-tom. As séries de pontos coloridos e espaços brancos na página impressa pode assemelhar-se à imagem de uma rosa, mas nós sabemos que uma rosa viva é infinitamente mais complexa e está preenchida de sentido e significa- do muito mais profundos.

A medicina contemporânea, admite-se, desenvolveu um extraordinário conheci-

mento sobre o funcionamento dos vários sistemas e estruturas do corpo físico. Isso gerou uma tecnologia sofisticada para, através de cirurgias, restaurar o corpo das devastações causadas por doenças e acidentes e, através da medicina química, alterar as funções fisiológicas do corpo.

Embora essa complexa tecnologia médica proporcione alguns benefícios admirá- veis, ela é exorbitantemente cara. Além disso, há também outros custos, menos tan- gíveis. Hoje em dia poucos médicos visitam os pacientes em casa ou dedicam, na consulta, o tempo suficiente para obter um quadro completo da vida do paciente, incluindo o ambiente doméstico, a dinâmica familiar ou a vivência do trabalho. A ascensão do especialista, que é um conhecedor de uma parte da “máquina” humana, significa que atualmente dedica-se menos atenção à pessoa como um todo do que nos tempos do médico da família.

Além disso, quando somos tratados como simples máquinas a serem manipuladas ou computadores a serem programados, nossas imensas capacidades inatas de cura são ignoradas, fazendo-nos cada vez mais dependentes das custosas intervenções médicas. A crise contemporânea em relação aos cuidados com a saúde é mais do que um problema financeiro ou político; é um sintoma cultural da nossa falta de conexão com as fontes profundas de onde brota a saúde.

A teoria do germe

A premissa que norteia a medicina convencional é a de que a cura resulta do lutar

contra a doença, em vez do promover a saúde. Com efeito, é impressionante o quanto de sua linguagem é tomado de empréstimo às imagens da guerra. Tentamos “derrotar a doença”, “combater a infecção” com “cápsulas mágicas” e travar uma “batalha contra o câncer”.

O ímpeto desse retrato da medicina como uma campanha militar tem sua origem

na teoria do germe da doença, que culminou no século 19 com o trabalho de Louis Pasteur, o fundador da microbiologia. Pasteur estabeleceu não só as bases científicas como também as bases filosóficas para as modernas técnicas de combate às doenças, tais como a imunização e os antibióticos. Do ponto de vista da teoria do germe, a doença é causada por agentes externos invasores, como bactérias ou vírus, contra os quais precisamos lutar. A medicina moderna reuniu um poderoso arsenal de armas que têm vencido muitas batalhas contra as doenças infecciosas que antes devastavam a humanidade.

Os modelos mecanicista-cibernéticos do ser humano e a teoria do germe da doen- ça contêm algumas verdades e levaram a uma melhora da saúde humana. Contudo, a incapacidade da medicina contemporânea de reduzir significativamente muitos males crônicos como o câncer, a artrite ou a doença cardiovascular, aponta para a necessi- dade de uma visão mais ampla da saúde e da cura.

7

Repertório das Essências Florais

A resistência à doença

Foi um contemporâneo de Pasteur, outro cientista e médico francês chamado Claude Bernard, quem discordou da idéia de que os microorganismos invasores eram a causa da doença. Bernard enfatizava a importância do “ambiente interior” da pessoa e seu grau de receptividade à doença, em vez de enfatizar o “germe”, que seria apenas o mecanismo pelo qual a doença ocorria. Falava do “solo” onde o bem-estar humano podia crescer. Ele sabia, como o saberia qualquer jardineiro, que sem um solo saudável não conseguimos fazer crescer plantas robustas e resistentes a doenças, por mais que combatamos as pragas invasoras.

Os insights de Bernard introduziram o conceito de resistência à doença, o qual reconhece que microorganismos patogênicos estão disseminados por toda a popula- ção, mas apenas certas pessoas em momentos específicos sucumbem de fato às doen- ças “causadas” por esses germes. Essa compreensão é a base do cuidado verdadeira- mente preventivo com a saúde; cuidado este que enfatiza que a dieta, os exercícios, o controle do stress, o bem-estar emocional e os fatores ambientais são componentes importantes de um estilo de vida vibrante e resistente à doença. Embora esses fatores que promovem um estilo de vida saudável já tivessem sido articulados há muito tempo, no século 5 a.C. pelo médico grego Hipócrates, eles estão cada vez mais sendo reco- nhecidos como meios que permitem ao indivíduo assumir a responsabilidade e influ- enciar seu estado de saúde.

É verdade que nem todas as doenças podem ser prevenidas e muitos fatores cau-

sadores de doença podem até estar além do controle individual. No entanto, podemos influenciar a maneira como respondemos aos desafios que a vida nos apresenta. A moderna compreensão do sistema imunológico, seu papel na prevenção da doença e na recuperação, e sua íntima ligação com nossas emoções e hábitos diários, ensina- nos que o modo como vivemos — nossos hábitos físicos, emocionais e mentais — exerce uma influência profunda sobre a nossa capacidade de resistir às doenças e criar mais saúde e bem-estar.

É nesse contexto de uma estimulação geral da saúde que podemos entender a

admirável contribuição das essências florais. Elas não são substitutas das drogas miraculosas ou dos milagres altamente tecnológicos da medicina moderna. Pelo con- trário, seu propósito é preparar a terra onde cresce a boa saúde, enriquecer o solo profundo da nossa vida, para que os hábitos e as atitudes afirmadores da vida, que nutrem o nosso bem-estar, possam criar raízes e florescer.

O Relacionamento Corpo-Mente

Medicina psicossomática, stress e personalidade

Embora a corrente dominante da medicina tenha sido progressivamente influencia- da no século passado pelos modelos de cura mecanicistas e bélicos, um forte contramovimento, que reconhece o papel da mente e das emoções, também fez avan- ços significativos.

A medicina homeopática, desenvolvida pelo médico alemão Samuel Hahnemann há mais de duzentos anos, tornou-se uma importante força na prática médica do

8

O que é a Terapia Floral?

século 19. Ela enfatiza o tratamento da pessoa, e não o da doença, e seus praticantes levam em consideração os fatores mentais e emocionais juntamente com os sintomas físicos. Embora tenha sido amplamente rejeitada pela medicina convencional como “não-científica”, alguns aspectos da filosofia homeopática penetraram a corrente do- minante da medicina. Por exemplo, no final do século 19, o famoso médico canaden- se Sir William Osler descreveu a importância que as emoções e atitudes de seus paci- entes tinham na doença e na recuperação. Diz-se que foi Osler quem afirmou: “É melhor conhecer o paciente que tem a doença do que a doença que o paciente tem.”

A ascensão da psiquiatria e o uso clínico do hipnotismo trouxeram o reconheci-

mento da extraordinária influência dos processos mentais inconscientes sobre o fun- cionamento do corpo. Essa compreensão foi reforçada pela ocorrência da Primeira Guerra Mundial, quando muitos soldados voltaram das trincheiras sofrendo de “neu- rose de guerra” devido ao extremo stress dos combates. Foi nessa mesma época que

o Dr. Edward Bach desenvolveu seus insights quanto ao papel das emoções e atitudes na doença, o que o conduziria ao seu sistema das essências florais nos anos 30.

A década de 30 desencadeou os terríveis traumas sociais da Grande Depressão e

os primórdios da Segunda Guerra Mundial. Com tais desafios diante da psique huma- na, não causa surpresa que essa década também trouxesse uma maior investigação das relações corpo-mente. O conceito de “medicina psicossomática” foi desenvolvido nessa época pelo psiquiatra Dr. Franz Alexander e outros. Reconheceu-se que inúme- ras doenças — tais como verrugas e outras afecções cutâneas, asma, úlceras estoma- cais e colite — tinham causas emocionais ao invés de físicas, embora seus efeitos fossem decididamente físicos. Foi também nos anos 30 que o Dr. Hans Seyle iniciou seu trabalho pioneiro sobre o stress, um conceito que atualmente já se firmou na cultura popular. Seyle mostrou que as reações de “fuga ou luta” do sistema nervoso simpático, que são apropriadas para situações de emergência e perigo físico imediato, podem tornar-se debilitantes quando repetidamente acionadas por atitudes emocio- nais habituais ou por reações do stress crônico.

Após a Segunda Guerra Mundial, a pesquisa do corpo-mente começou a identifi- car traços específicos de personalidade que têm correspondência com a suscetibilidade

a certas doenças. (Essa idéia tem raízes muito antigas; já no século 2, o ilustre médico grego Galeno opinava que a pessoa melancólica era mais suscetível ao câncer.) Um dos mais famosos estudos modernos a associar personalidade e doença foi conduzido nos anos 50 pelos Drs. Meyer Friedman e Raymond Rosenman. Eles cunharam o termo Comportamento Tipo A para designar a atitude impaciente e hostil que pare- cia ligada a um maior risco de doença cardíaca, em comparação com o mais despre- ocupado Comportamento Tipo B.

O Dr. Dean Ornish, que vem recebendo crescente reconhecimento por seu pro-

grama de reversão da doença cardíaca através de mudanças na dieta, estilo de vida e psicologia do paciente, conduz uma das mais significativas pesquisas contemporâneas sobre as condições cardíacas. Ele descobriu que por trás da tendência compulsiva de muitos pacientes cardíacos está o esforço de criar um falso eu que seja capaz de ganhar a aprovação e o amor dos outros, preenchendo assim o “vácuo” sentido no fundo do coração. Para essas pessoas, Ornish prescreve uma “cirurgia do coração a nível emocional” para ajudar a derrubar suas defesas. Sua pesquisa mostra que o enri- quecimento da vida dos sentimentos, junto com mudanças relacionadas ao estilo de

vida, contribui para uma taxa muito maior de cura a longo prazo do que a cirurgia convencional do coração.

9

Repertório das Essências Florais

Uma pesquisa recente da psicóloga Lydia Temoshok sugere aquilo que ela chama de Personalidade Tipo C, caracterizada pela não-expressão da raiva, desesperança e depressão, e que parece ter correspondência com uma maior suscetibilidade ao cân- cer. Num marcante estudo controlado que durou dez anos, o Dr. David Spiegel, psi- quiatra da Universidade de Stanford, descobriu que mulheres com câncer de mama que recebiam psicoterapia de grupo viviam duas vezes mais do que mulheres com a mesma condição e mesmo tratamento físico, porém sem receber a psicoterapia.

Uma pesquisa adicional em Stanford, com pacientes artríticos num programa de auto-ajuda, mostrou a importância do desenvolvimento de um senso de auto-respon- sabilidade e proficiência, descrito pelo psicólogo Albert Bandura como “auto-eficá- cia”. Os pacientes desse programa que superaram os sentimentos de desamparo e opressão experimentaram uma redução da dor e uma mobilidade crescente.

Embora muitos estudos ainda restem por ser feitos para que seja estabelecida a relação precisa entre traços de personalidade e doenças específicas, as pesquisas em curso demonstram claramente que as emoções e atitudes são os principais fatores que contribuem para nossa capacidade de resistir à doença e criar a saúde.

O efeito placebo

Ironicamente, alguns dos argumentos mais convincentes para o papel das atitudes

e das crenças na saúde humana provêm de dados que costumam ser descartados nas pesquisas. Quando se fazem estudos controlados, o grupo de controle recebe um

placebo, algo que parece um medicamento ou tratamento, mas é fisicamente inerte.

A

idéia é a de que o tratamento ou o medicamento é eficaz se as pessoas que recebem

o

tratamento “verdadeiro” obtêm resultados significativamente melhores do que aque-

las que recebem o placebo.

Contudo, muitas das pessoas que recebem o placebo se recuperam de fato, muitas vezes em taxas bem maiores do que seria de esperar em quem não está recebendo

tratamento algum. Esse “efeito placebo” tornou-se bastante constatado nas pesquisas

e é explicado como o efeito da crença do paciente de estar recebendo algum tipo de

tratamento útil, crença esta reforçada pela atenção cuidadosa do médico ou pesquisa- dor.

Os pesquisadores geralmente são pagos para medir o efeito físico do remédio ou do procedimento nos pacientes que recebem “a coisa autêntica”. Porém, parece igual- mente significativo estudar as respostas dos grupos placebo, que não recebem ne- nhum tratamento médico, mas muitas vezes experimentam mudanças demonstráveis baseadas simplesmente na crença de que estão recebendo trata- mento.

O efeito placebo é uma evidência convincente de que as atitudes e crenças causam impacto no corpo humano de maneiras tão observáveis e reais como as dos agentes físicos ativos. Ao invés de descartar essa parte do método experimental, deveríamos examiná-la com mais atenção. Essa demonstração da influência corpo-mente nos desafia a desenvolver terapias que se dirijam diretamente às atitudes e às crenças. A terapia floral é uma dessas modalidades.

A psiconeuroimunologia

Nos anos 80, a ciência médica começou a levar a sério a conexão corpo-mente, à medida que as pesquisas começaram a mapear alguns dos mecanismos bioquímicos

10

O que é a Terapia Floral?

envolvidos. Com a publicação do livro de Robert Ader, Psychoneuroimmunology, em 1981, esse termo entrou no vocabulário médico e popular. A psiconeuroimunologia (PNI) refere-se à capacidade da mente de, agindo através do sistema nervoso, alterar

a fisiologia do sistema imunológico humano, que é responsável pela resistência à doen- ça. Estudos mostram as conexões diretas do sistema nervoso com a glândula timo, a produtora das células T, as quais são básicas para a função imunológica. Inúmeros “mensageiros bioquímicos” têm sido estudados, incluindo os hormônios que transmi- tem as respostas emocionais das glândulas para o corpo e vice-versa, e vários neuropeptídios tais como as endorfinas, que têm efeitos analgésicos e euforizantes.

É de extrema importância que compreendamos acuradamente o significado da PNI

e de outras pesquisas do corpo-mente. Elas não explicam a mente como um fenôme-

no puramente fisiológico, nem provam que a mente pode ser controlada por meios químicos. Tal interpretação estaria confundindo o cérebro, que é uma parte do corpo físico, com a mente ou a alma, que são aspectos do Eu situados além do corpo físico. A mente age através do cérebro e de outras partes do corpo, e desse modo afeta seus funcionamentos. Da mesma maneira, a atividade da mente é obstruída ou intensificada

pela condição do cérebro e do corpo. Essa é uma relação recíproca, bem mais comple- xa e dinâmica do que a afirmação simplista de que a mente nada mais é que mecanis- mos bioquímicos.

Se a pesquisa da PNI for interpretada de uma maneira reducionista, ela se torna apenas mais uma elaboração do ser humano como máquina complexa ou

biocomputador. A verdadeira significância da pesquisa da PNI é que podemos medir os efeitos físicos das nossas crenças, atitudes e sentimentos, que, de outro modo, não são diretamente mensuráveis. É uma situação análoga à dos físicos, que estudam as invisíveis partículas subatômicas olhando seus rastros nas câmaras de bolhas. Os ca- minhos bioquímicos mapeados pela pesquisa da PNI são evidências da existência de qualidades anímicas mais elevadas que têm suas origens num plano além do corpo físico. Assim entendida, essa pesquisa dá apoio a uma compreensão mais ampla do ser humano, a de que o corpo físico é diretamente afetado por aquilo que pensamos

e sentimos.

Em suma, podemos ver que a moderna terapia floral é parte de uma busca maior, dentro das profissões voltadas aos cuidados com a saúde, por uma visão mais holística do ser humano e especialmente pela importância dos sentimentos, atitudes e crenças sobre a nossa saúde geral e sobre a nossa capacidade de resistir à doença.

A Contribuição do Dr. Edward Bach

É nesse contexto histórico da medicina do corpo-mente que podemos apreciar o

gênio do Dr. Edward Bach, criador da terapia floral, e compreender porque seu traba-

lho fala tão fortemente aos nossos tempos.

O Dr. Bach foi um pioneiro na compreensão do relacionamento das emoções com

a saúde do corpo e da psique. Ele percebeu que, para a saúde ser gerada, os nossos

aspectos emocionais e espirituais precisam ser tratados. A má saúde ocorre quando nos falta uma percepção consciente da nossa identidade como alma-espírito, e quan-

do nos alienamos dos outros ou perdemos a conexão com nosso propósito na vida.

11

Repertório das Essências Florais

Como Bach explicou em sua marcante obra Heal Thyself (Cura-te a ti mesmo), a doença é uma mensagem para mudarmos, uma oportunidade para tomarmos consci- ência das nossas imperfeições e para aprendermos as lições da vida, de modo a podermos cumprir melhor nosso verdadeiro destino.

Bach recebeu treinamento médico convencional em Londres e praticou durante muitos anos como bacteriologista. Sua abordagem, contudo, era pouco convencional, na medida em que ele baseava seu tratamento mais nas emoções e atitudes de seus pacientes do que num diagnóstico puramente físico. Mais tarde, ele se voltou para a medicina homeopática, pois apreciou essa abordagem da saúde da pessoa como um todo e a aplicação de remédios que energizavam os poderes de cura do corpo. Na realidade, uma série de nosódios intestinais desenvolvidos por Bach ainda são usados pelos homeopatas hoje em dia.

Em 1930, o Dr. Bach deixou sua clínica homeopática em Londres e se transferiu para a zona rural a fim de desenvolver um novo sistema de remédios naturais, feitos com flores silvestres. Através de sua sensível observação tanto da Natureza como do sofrimento humano, ele foi capaz de correlacionar cada remédio floral com um espe- cífico estado mental humano.

Antes de sua morte em 1936, aos 50 anos, Bach desenvolveu uma série de essên- cias florais que demonstravam um admirável insight na natureza humana. Numa épo- ca em que o mundo estava preocupado com o sofrimento físico, a convulsão política, a devastação econômica e a ascensão do nazismo e do fascismo, Bach percebeu a escuridão interior da alma humana. Reconheceu a importância de emoções destrutivas tais como a depressão, o ódio e o medo. Junto com outros pioneiros da medicina psicossomática, ele percebeu o tributo devastador que as emoções e atitudes desequi- libradas cobram do corpo humano. Bach foi mais longe, contudo, no sentido de saber que a verdadeira saúde está baseada na conexão de nossa vida e destino com um propósito maior. Além disso, ele compreendeu que poderíamos encontrar na própria Natureza as substâncias capazes de trazer profunda mudança à alma e ao corpo hu- manos.

A Visão Holística do Ser Humano

Energia vital e saúde

Se partirmos do princípio de que o ser humano é algo mais que uma máquina a ser consertada quando se quebra ou um complexo biocomputador que precisa ser reprogramado, podemos então desenvolver uma visão expandida da natureza huma- na, uma perspectiva mais “holística”. O primeiro passo é reconhecer o ser humano como um sistema de forças energéticas assim como de estruturas físicas e atividade bioquímica. Os antigos conceitos orientais de chi e prana, ou o da força vital na tradição ocidental, descrevem uma energia vital que anima a matéria física no interior dos seres vivos. Uma deficiência ou distúrbio nessas energias vitais podem levar ao stress no corpo físico, reduzindo desse modo a resistência à doença.

Ao olhar apenas para os sistemas físicos do ser humano, a medicina convencional ignora a influência dos campos transfísicos de energia. É mais ou menos como tentar

12

O que é a Terapia Floral?

entender as imagens da televisão analisando as partes do aparelho de TV, sem reco- nhecer o campo de energia eletromagnética circundante que transporta o sinal trans- mitido. A estrutura física é fundamental, mas a premissa reducionista de que não existe nada mais além dessa estrutura ignora as forças que animam as formas físicas.

O corpo etérico

Os campos eletromagnéticos, com os quais estamos tão familiarizados nesta nossa era eletrônica, proporcionam uma analogia muito útil para compreendermos os cam-

pos de energia dos seres vivos. No entanto, seria um erro tentar explicar a vida em função das energias físicas da eletricidade e do magnetismo. As energias vitais, co- nhecidas como as forças etéricas formativas, têm suas próprias e distintas qualidades

e características, e mesmo sua própria geometria. Por exemplo, as forças físicas se

irradiam de um ponto de origem para a periferia, enquanto as forças etéricas se concentram a partir da periferia para um centro vital. George Adams e Olive Whicher,

em seu livro The Plant Between Sun and Earth (A Planta entre o Sol e a Terra), descrevem como o estudo da geometria projetiva fornece uma base matemática para compreendermos a polaridade das forças físicas e etéricas em organismos vivos, tais como as plantas.

Essas forças vitais etéricas envolvem o corpo físico e pode-se dizer que constituem

o corpo etérico. Uma surpreendente demonstração da existência desse corpo é o

“efeito da dor fantasma”, no qual a pessoa conserva a sensação dolorosa de um membro amputado. O membro físico foi perdido, mas o membro etérico permanece. Esse fenômeno também é ilustrado pelo “efeito da folha fantasma”, visível na fotogra- fia kirlian de uma folha cortada que mostra claramente a imagem do campo de ener- gia da folha completa, sem o corte. Pesquisadores russos chamaram esse campo da aura de “bioplasma” de um ser vivo, que podemos considerar como um outro nome para o corpo etérico. (Ver pág. 56 para maiores informações sobre a fotografia kirlian).

O corpo etérico também engendra hábitos vitais construtivos e padrões rítmicos de

comportamento. Um conceito similar tem sido proposto por Rupert Sheldrake, um

pioneiro biólogo inglês e autor de A New Science of Life (Uma Nova Ciência da Vida).

A teoria da causação formativa de Sheldrake descreve os campos morfogênicos, os

quais dão forma e direção aos organismos vivos e são moldados pelos padrões da experiência passada. Essas são as forças etéricas formativas, comuns a todos os orga- nismos vivos e responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento das formas orgânicas.

É o corpo etérico que diferencia o vivo do não-vivo. Sua presença estabelece a

diferença entre um organismo vital, florescente e uma porção de matéria sem vida. Quando o corpo etérico se retira do corpo físico, ocorre a morte e a dissolução.

Quando o corpo etérico é forte e vitalizado, o organismo físico é cheio de vida.

A homeopatia e a acupuntura como medicinas de energia

Duas modalidades de tratamento de saúde que estão bem estabelecidas no mundo de hoje — a homeopatia e a acupuntura — reconhecem e tratam os campos da energia etérica humana. A diferença entre os remédios homeopáticos e os medica- mentos convencionais é que os primeiros são tão diluídos fisicamente que qualquer influência bioquímica é atenuada ou eliminada, ao mesmo tempo em que suas forças energéticas são amplificadas através de um processo de dinamização ou potencialização, produzido pela sucussão rítmica que acompanha cada estágio de

13

Repertório das Essências Florais

diluição. Esses remédios produzem então um efeito nos campos energéticos humanos através da Lei dos Semelhantes. Esse princípio sustenta que uma substância causado- ra de um conjunto específico de sintomas quando ministrada em grandes doses, irá, em doses homeopáticas, estimular o corpo a curar esse mesmo conjunto de sintomas. Assim, a homeopatia age como um catalisador, reunificando as forças vitais do ser humano para que elas se envolvam no processo de cura.

A acupuntura é uma antiga ciência médica oriental na qual minúsculas agulhas são

inseridas ao longo dos meridianos, que são os caminhos da energia vital humana. Usados para tudo, desde o alívio da dor até a cura de doenças crônicas, os tratamen- tos com acupuntura agem sobre os sistemas fisiológicos ao regular e tonificar o corpo energético humano.

A homeopatia é uma profissão amplamente praticada e altamente respeitada na

Europa, Índia, América do Sul e Austrália. Após um século de repressão, ela está passando por um renascimento na América do Norte. A acupuntura, praticada há milhares de anos na China e no Japão, tornou-se cada vez mais difundida no Ociden- te nas últimas décadas. Essas duas modalidades de tratamento de saúde podem com- provar milhares de casos em que clientes obtiveram uma cura para a qual a ciência médica convencional não tem explicação. Receitar doses infinitesimais de substâncias ou inserir agulhas em meridianos de energia não faz sentido se o ser humano for apenas um mecanismo bioquímico. O sucesso dessas terapias etéricas é uma podero- sa evidência de que o ser humano é mais do que uma máquina e de que os campos

energéticos humanos são reais.

O sistema dos campos energéticos humanos

Reconhecer a existência do corpo etérico como um campo de energia vital é o primeiro passo para se alcançar uma compreensão da anatomia sutil humana, ou seja, a estrutura e funcionamento dos “corpos superiores” ou campos de energia que se estendem além da dimensão física. Embora haja muitos sistemas de anatomia sutil, neste Repertório referimo-nos a uma fundamental divisão quádrupla do ser humano, que tem origem em várias tradições da sabedoria e da cura metafísicas, e que é resu- mida sucintamente nos escritos do moderno cientista espiritual, Dr. Rudolf Steiner.

Essa classificação quádrupla refere-se a: 1) o corpo físico — a estrutura bioquímica e mecânica do corpo; 2) o corpo etérico — o envoltório vital que circunda imediata- mente o corpo físico e que está intimamente conectado com as forças vitais da Natu- reza; 3) o corpo astral — a sede da alma e o repositório dos desejos, emoções e sentimentos humanos, especialmente correlacionado com o mundo dos astros e ou- tras influências cósmicas; e 4) o Self ou Eu Espiritual — a essência ou identidade espiritual verdadeira de cada ser humano. Esses quatro corpos também podem ser vistos como se estivessem contidos em duas polaridades fundamentais do ser huma- no: o pólo da vida (o físico-etérico) e o pólo da consciência (o anímico-espiritual). Já analisamos os corpos físico e etérico; passamos agora ao pólo da consciência do ser humano.

O corpo astral

A consciência nasce no corpo astral, criando um espaço interior no qual o mundo

exterior pode ser vivenciado. Se compararmos a qualidade bidimensional e espalhada da folha de uma planta com o fechado espaço interior de um órgão humano ou animal, teremos uma imagem da diferença que existe entre os corpos etérico e astral.

14

O que é a Terapia Floral?

A presença do corpo astral nos animais é evidenciada pelos seus movimentos e sons característicos, que são as expressões exteriorizadas de suas experiências interiores. Nos seres humanos, o corpo astral é a morada da alma e dos nossos sentimentos, desejos e sensibilidade aos outros e ao ambiente. Ele contém tanto a nossa experiên- cia do mundo que nos rodeia quanto do nosso mundo interior. O corpo astral é, sem dúvida, um lugar de polaridades, onde somos lacerados entre o gostar e não gostar, atração e repulsão, extroversão e introversão. Embora seja o corpo etérico que conce- de vitalidade, é o corpo astral que dá cor e profundidade à nossa vida.

Embora, em seu crescimento e desenvolvimento, a planta seja basicamente uma expressão das forças etéricas, percebemos a influência de qualidades astrais no apare- cimento da flor, com suas cores, formas e fragrâncias ímpares. O formato de taça de muitas flores sugere um espaço interior, embora de um modo mais parcial que os órgãos humanos e animais. Podemos, por esse motivo, compreender porque as es- sências florais são preparadas especificamente da parte florida da planta. Quando a planta verde brota em floração, uma forma puríssima e extraordinária de astralidade toca brevemente sua dimensão etérica. Os remédios que são preparados nesse mo- mento do florescimento são singularmente capazes de tratar as experiências emocio- nais do corpo astral humano, harmonizando-as com o corpo etérico.

Um dos antigos ensinamentos sobre o corpo astral é o de que ele contém sete importantes centros de energia, ou “chakras”. Há muita literatura disponível sobre o sistema dos chakras, sua relação com as emoções e suas correspondências com o sistema endócrino dos corpos físico e etérico. As essências florais produzem clara- mente um forte efeito sobre os chakras humanos. Entretanto, achamos que uma compreensão do sistema dos chakras e sua relação com as essências florais deveria basear-se na evidência empírica bem como na filosofia metafísica. Neste Repertório, somente algumas das principais relações com os chakras são mencionadas naquelas essências em que tais relações são particularmente significativas. É nossa intenção providenciar um exame mais completo do relacionamento entre as essências florais e os chakras, em futuros seminários e publicações, à medida que se desenvolverem nossas pesquisas.

O Eu Espiritual

O aspecto supremo do ser humano no sistema quádruplo é o ego espiritual ou

Self, também conhecido como a presença do Eu ou a centelha de divindade que habita no indivíduo. É essa percepção consciente interior do ego espiritual, essa pos- sibilidade de individuação, que leva o ser humano à liberdade de dar forma ao seu destino e desenvolver as forças morais da consciência assim como a consciência de si. Esse Eu, ou presença auto-reflexiva, distingue os seres humanos dos três outros reinos da Natureza — os animais, as plantas e os minerais.

O Eu Espiritual é aquele aspecto divino do nosso ser que age através da matriz do

corpo e da alma, buscando a encarnação na matéria a fim de evoluir. Ele representa uma identidade individual que não pode ser plenamente definida por fatores demográficos ou hereditários, mas que se manifesta em nosso caráter e destino pes- soal. Assim como é única a estrutura cristalina de cada floco de neve que cai do céu sobre a Terra, também a diamantina divindade que pertence a cada alma humana é uma expressão sublime de espiritualidade individual.

É também o Eu Espiritual que proporciona um foco central para a integração dos diversos elementos do nosso ser. O egotismo ou o egoísmo ocorrem quando nos

15

Repertório das Essências Florais

identificamos com papéis, auto-imagens, emoções ou anseios limitadores em vez de nos identificarmos com a plenitude do Eu Espiritual. Às vezes essas expressões do “eu inferior” estão ocultas da plena visão da nossa consciência, mas mesmo assim exer- cem poderosas influências enquanto “sombra” ou “duplo” psicológico. Se soubermos transferir a nossa identidade para o Eu Espiritual, desenvolveremos uma capacidade de observador, um centro sereno para a prática da autopercepção consciente e do honesto exame de nossos atos e pensamentos.

Não nos é possível superar o egoísmo através da negação do eu. A repressão não- saudável da individualidade não traz uma verdadeira realização do ego espiritual. Sem

um forte senso do eu e de propósito na vida, ficamos sujeitos às influências aleatórias das circunstâncias mutáveis ou ao controle e orientações dos outros; somos arrasta- dos pela vida como um barco sem leme no mar. O genuíno não-eu nasce da liberdade

e da força, quando servir e entregar-se a um propósito mais elevado são a escolha consciente de um Eu forte e radiante.

A expressão física do Eu é o sistema imunológico. Sua função é estabelecer a diferença entre aquilo que serve à totalidade do nosso ser e aqueles processos doenti- os que egoisticamente servem seus próprios propósitos às custas do todo. Não é coincidência que numa época em que a verdadeira identidade espiritual está perturba- da ou distorcida de mil maneiras, a nossa cultura como um todo também experimente um rápido aumento das doenças relacionadas com a função imunológica. A mensa- gem mais profunda dessas doenças físicas é a de que precisamos desenvolver um relacionamento integral com o Eu Espiritual.

Assim, um senso forte, porém equilibrado, do Eu é vital para a saúde tanto do corpo como da alma. Quando despertamos nossa percepção consciente para o fato de que o Eu é a parte sagrada e mais íntima do nosso ser, sua radiância solar pode iluminar nosso caminho através da vida.

Em suma, é através da compreensão da natureza multidimensional do ser humano que podemos perceber o pleno potencial da terapia floral como agente facilitador da saúde e do bem-estar. É um processo que envolve todos os quatro níveis do nosso

ser; o Eu Espiritual, as nossas experiências interiores, as nossas forças vitais e também

a nossa natureza física. Somos desafiados a fazer a escolha consciente de mudar, de

assumir a responsabilidade pela nossa saúde e destino na vida, utilizando a força plena do nosso Eu espiritual. Precisamos tratar as emoções e atitudes que constituem o corpo astral, desenvolvendo equilíbrio e clareza interiores. Além disso, precisamos

nutrir o corpo etérico, despertando as forças vitais que, por sua vez, irão energizar e fortalecer o corpo físico. Assim entendida, a terapia floral torna-se verdadeiramente holística, relacionando-se com cada dimensão da vida.

A Terapia Floral como Cura da Alma

A alma humana

Embora as essências florais sejam capazes de tocar todos os aspectos da experiên- cia humana, elas o fazem por meio da alma humana. Mas, o quê exatamente se entende por alma? Essa é uma questão que tem preocupado os pensadores ao longo

16

O que é a Terapia Floral?

dos séculos, e assim é pouco provável que possamos oferecer aqui uma descrição definitiva. Como disse o filósofo norte-americano Ralph Waldo Emerson, “A filosofia de seis mil anos não inspecionou as câmaras e depósitos da alma.” De todo modo, esperamos nesta rápida visão geral compartilhar uma percepção do que é a vida anímica e como as essências florais enriquecem a alma.

Nas discussões teológicas dos filósofos, bem como em muitos ensinamentos religi- osos e metafísicos contemporâneos, a “alma” é o aspecto imortal do ser humano, destinada à condenação eterna ou à redenção, ou a encarnar uma vida após a outra. Nas palavras do poeta inglês William Wordsworth, “A alma que conosco se ergue, nossa Estrela da Vida / teve alhures seu ocaso / e de muito longe vem.” A partir dessa perspectiva, a alma é uma entidade espiritual.

Do ponto de vista da moderna ciência materialista, aquilo a que chamamos alma é uma entidade totalmente física, nada além de um subproduto das reações químicas no cérebro. Podemos seguir a pista desse conceito até o filósofo francês do século 17, René Descartes, que localizou a alma na glândula pineal.

Já a visão clássica era a de que a alma não seria nem puro espírito nem puro corpo, mas sim uma qualidade viva do corpo. O filósofo grego Aristóteles definia a alma como “a realidade inicial de um corpo natural imbuído com a capacidade para a vida”. O romano Plotino declarou: “É a alma que empresta movimento a todas as coisas”, fazendo eco ao que Cícero dissera vários séculos antes, “Pois tudo que é posto em movimento por forças externas é sem vida, mas tudo aquilo que possui vida é movido por um impulso interior e inerente. E esse impulso é a própria essência e poder da alma.” A religiosa medieval Hildegard de Bingen descrevia a alma como “um sopro do espírito vivo que, com sublime sensibilidade, permeia todo o corpo para dar- lhe vida.”

A partir dessas descrições temos a impressão de que a alma é aquilo que move, ou

anima, um corpo vivo. Com efeito, anima e animus são as palavras latinas que designam os aspectos feminino e masculino da alma. Enquanto humanos, comparti- lhamos essa qualidade animada da alma com aquelas criaturas que são nossas compa- nheiras na Terra, os animais, dos quais cada espécie expressa uma qualidade anímica única em seus sons e movimentos.

A alma é aquilo que nos move; é paixão, desejo, luta por algo que está além do

nosso alcance. A alma é também as profundezas da experiência. É a incursão na dor, na vulnerabilidade, na mortalidade, na entrega. Como a flor na planta, a alma huma- na expressa a riqueza da experiência; ela dá cor, textura e sentimento. É um cálice para receber a vida, um espaço interior no qual vivenciar o mundo exterior. A alma vive através do contato com a pulsação da vida. Experimentamos tal alma na soul music ou na poesia que eleva a alma.

A alma está assim fortemente conectada ao corpo astral, morada das nossas emo-

ções, do nosso gostar e não gostar, das nossas experiências. Contudo, seria uma simplificação exagerada dizer que a alma é o corpo astral, pois ela também busca um

relacionamento com o mundo físico, com a Natureza e com a sociedade humana.

Como pode a alma nascer do mundo espiritual e, ainda assim, expressar-se através do corpo físico? Qual o mistério contido nesse paradoxo? Onde exatamente podemos achar a alma? O poeta alemão Novalis disse, “A sede da alma é ali onde o mundo interior e o mundo exterior se encontram. Onde eles se sobrepõem; a alma está em

17

Repertório das Essências Florais

cada um dos pontos da sobreposição.” A palavra grega psyche significa tanto “alma” como “borboleta”. Essa imagem sugere que a alma é capaz de transmutação, ou metamorfose, desde a lagarta presa à terra, passando pela crisálida encasulada, até chegar finalmente às asas celestiais libertas. A alma é assim um intermediário entre o interior e o exterior; entre o corpo (encarnação na matéria) e o espírito (expansão ilimitada do Eu); entre a vida e a consciência.

Essa natureza dinâmica e fluida da alma é essencial. Se confundimos alma e espí- rito, como fizeram muitos teólogos do passado, então a alma torna-se uma abstração desincorporada, separada da pulsação da vida. Se reduzimos a alma a um mecanismo físico, como faz a ciência materialista moderna, então negamos seus atributos trans- cendentes e misteriosos e promovemos a macabra visão de um mundo sem cor habi- tado apenas por criaturas mecânicas.

Há muitas descrições e perspectivas relacionadas à alma. Tal como na famosa parábola indiana dos cegos e do elefante, cada percepção é um vislumbre de uma totalidade maior que está além da nossa visão. No entanto, com cada novo ponto de vista, chegamos mais perto da verdade. Agora que a “alma” escapou da obscuridade das dissertações teológicas e cruzou as fronteiras dos idiomas étnicos para ocupar seu lugar nos grandes êxitos de livraria, temos a oportunidade de nos unir à cultura como um todo para pesquisar o significado da alma. Podemos hoje falar das essências flo- rais como uma terapia da alma, com uma certa expectativa de que estaremos fazendo vibrar um acorde já conhecido.

Psicologia, psicoterapia e cura da alma

Psicologia, em suas raízes etimológicas, é o “conhecimento da alma” (o logos da psique). Isso pode ser difícil de reconhecer numa cultura em que alguns psicólogos fazem pesquisas em ratos para entender o comportamento humano ou usam a inse- gurança sexual e outras emoções para vender bens de consumo ou manipular a opi- nião pública. Essas práticas ilustram uma abordagem que trata a alma como um mero mecanismo que pode ser previsivelmente programado. Na medida em que as pessoas agem de modo mecânico e impensado, tais métodos behavioristas tornam-se pressu- posições que acabam por se realizar.

Algumas escolas de psicologia e psiquiatria têm se voltado cada vez mais para a psicofarmacologia, envolvendo o uso de tranqüilizantes, antidepressivos ou drogas psicotrópicas para tratar as lutas da alma. Embora seja verdade que a manipulação química do cérebro pode alterar dramaticamente o comportamento e a experiência, a alma é mais do que a química do cérebro.

Apesar de várias tentativas para reduzir a psicologia a uma programação mecanicista,

a psicoterapia (“tratamento da alma”) está basicamente interessada na estimulação da autopercepção consciente e na qualidade da vida da alma. No desenvolvimento inicial da psicoterapia, foi a psicanálise de Sigmund Freud que reconheceu que a psique tinha dimensões ocultas ou inconscientes, as quais, contudo, exerciam poderosas influências sobre nossos pensamentos, sentimentos e ações. No entanto, a psicologia

e a psicoterapia não ganharam sua merecida fama até que os traumas sociais da

primeira metade do século 20 — as duas Guerras Mundiais, a Depressão, o Holocausto — deram um forte impulso para que fossem acesas as luzes da compreensão nos escuros recessos da psique humana. À medida que amadurecia a geração nascida

após a Segunda Guerra Mundial, a psicoterapia foi se tornando parte integrante da nossa vida cultural.

18

O que é a Terapia Floral?

Carl Jung e sua terapia da alma

O psiquiatra suíço Dr. Carl Jung desenvolveu, em especial, a dimensão anímica da psicoterapia. Jung foi originalmente discípulo de Freud, mas discordou de sua estreita ênfase na sexualidade como causa da neurose e como base principal das aspirações anímico-espirituais da humanidade. Jung reconheceu que nas profundezas da experi- ência do indivíduo — contatadas através de sonhos, meditação, terapia profunda, e presentes nas imagens mitológicas de culturas tradicionais — há certos arquétipos transpessoais. Esses temas recorrentes são expressos com muitas variações, de acor- do com as circunstâncias individuais. No entanto, emanam de uma fonte comum, a que Jung deu o nome de inconsciente coletivo, ou o que também poderia ser chama- do de base do ser ou mente universal, um conceito articulado pelo filósofo grego Platão. Jung afirmava que o trabalho interior consciente poderia ajudar a pessoa a compreender como esses arquétipos desempenham um papel no desenrolar do desti- no individual. Ele ensinava que, através de um processo de individuação, a alma humana pode harmonizar seus vários aspectos e encontrar sua expressão singular na vida. Particularmente importante é o encontro com a sombra, ou seja, as emoções e atitudes não reconhecidas que com freqüência opõem-se às nossas intenções consci- entes. Uma vez que esses elementos rejeitados da psique sejam reconhecidos, eles poderão ser gradualmente resgatados e integrados ao Eu consciente. Jung chamava esse processo de União dos Opostos, pedindo emprestado uma imagem da tradição alquímica.

Na verdade, uma das principais contribuições de Jung foi reviver o interesse mo- derno pela alquimia como uma linguagem da alma. Jung contestava a visão convenci- onal de que a alquimia era uma tentativa de magicamente converter metais comuns em ouro. Em vez disso, ele via a alquimia como uma série de processos simbólicos direcionados para o trabalho interior e a transmutação da alma. Jung encontrou cor- relações entre as imagens transformativas que surgiam espontaneamente nos sonhos de seus pacientes e as formas arquetípicas usadas na alquimia. Isso o levou a concluir que os processos alquímicos que envolviam as substâncias da Natureza eram basica- mente projeções da psique humana, uma espécie de sonho desperto repleto de sím- bolos da vida interior, mas sem qualquer realidade independente.

Infelizmente, Jung estava certo apenas pela metade em sua avaliação da alquimia. Seus insights levaram a uma nova sabedoria sobre a vida da alma humana, mas sem uma conexão direta com a alma da Natureza. O mundo natural está cheio de arquéti- pos vivos, tão reais quanto aqueles que habitam a psique humana. Como trataremos a seguir, a sabedoria alquímica não é simplesmente a projeção de um mundo interior sobre uma tela em branco; ela trabalha com as correspondências entre a alma huma- na e a alma da Natureza. É exatamente essa compreensão que forma o alicerce da terapia floral.

Desenvolvimentos recentes na psicoterapia

No período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, um dos mais significativos pioneiros da psicologia foi Abraham Maslow, fundador da psicologia humanista. Maslow discordou da ênfase mal colocada pela psiquiatria e pela psicologia behaviorista, que era a de ajudar um indivíduo disfuncional a tornar-se “bem ajustado” em seus papéis profissionais e familiares. Maslow postulou uma hierarquia de necessidades, que incluía a capacidade básica de funcionar no mundo e atender as necessidades da vida. Contudo, além dessas necessidades da sobrevivência física, está o empenho pela

19

Repertório das Essências Florais

auto-realização, ou pleno desenvolvimento do potencial humano, para que sejam encontrados o significado e a realização mais profundos na vida. Esse reconhecimen- to tornou-se a base da psicologia humanista e daquilo que é chamado de movimento do potencial humano, o qual gerou uma grande variedade de terapias destinadas a ajudar a alma a encontrar a realização na vida.

A psicologia transpessoal é um desenvolvimento ulterior; há nela o reconheci-

mento de uma dimensão transcendente ou espiritual da vida, que daria um contexto mais amplo ao desenvolvimento individual da nossa alma. Um dos pioneiros desse trabalho foi Roberto Assagioli, promovedor da psicossíntese. Através de tal processo, um senso essencial do Eu Espiritual é desenvolvido, tornando-se um centro em volta do qual constelam os vários sub-eus, ou subpersonalidades.

À medida que nos aproximamos do final do século 20, erguem-se vozes que ques-

tionam se a psicoterapia, tal como é praticada, não estaria frustrando a vida da alma ao invés de estimulá-la. James Hillman, psicólogo de arquétipos, criticou o narcisismo daqueles que, pela própria abordagem do autodesenvolvimento, são levados à introversão e ao não-envolvimento social e político. Ele nos exorta a ver a conexão entre a neurose individual e as doenças sociais, e a nos envolver nas questões do nosso tempo. Theodore Roszak sugere que grande parte da angústia da alma contem- porânea tem suas origens na desconexão da sociedade em relação à Terra. Perceben- do que a auto-realização do movimento do potencial humano é inadequada, ele pede uma nova ecopsicologia, na qual a cura de nós mesmos é inseparável da cura da Terra. Robert Sardello exorta-nos a trazer sentido e beleza às nossas vidas não só como uma realidade interior, mas como uma experiência ativa e dinâmica no mundo social e natural. Thomas Moore escreve sobre a necessidade dos “cuidados da alma” como uma atividade diária, em vez de apenas uma experiência levada a efeito na sala do terapeuta. Ele sugere que abandonemos nossa obsessão em nos fixar nos proble- mas psicológicos e, em vez disso, prestemos atenção à sabedoria da vivência singular da nossa alma.

Em seus questionamentos, por vezes polêmicos, mas sempre incisivos, da psicoterapia contemporânea, essas vozes nos desafiam a desenvolver um novo paradigma psicológico. A psique não deveria ser vista como um objeto isolado para reflexão interior, mas como um participante plenamente envolvido com a Terra e com a cultura humana. A alma humana individual é um membro da alma do mundo (anima mundi). Está intimamente relacionada com Gaia, o ser vivo Terra, e com todos os seres que nela existem. Assim imaginada, a psicoterapia torna-se uma genuína cura da alma, fiel à definição de Novalis, “ali onde o mundo interior e o mundo exterior se encontram.”

As essências florais e a alma do mundo

A terapia floral incorpora essa visão mais ampla dos cuidados com a alma. Seu

princípio fundamental é o de que nosso bem-estar pessoal e nosso sentido de inteireza

dependem muitíssimo do bem-estar geral do mundo em que vivemos. Todavia, este não é simplesmente um conceito abstrato ou um ideal teórico. O processo mais pro- fundo — o próprio cerne do significado da terapia floral – é que um diálogo ou relacionamento é gerado entre a alma humana e a alma da Natureza.

Basicamente, podemos enxergar a terapia floral como uma forma extraordinária de comunhão, na qual recebemos não só a nutrição física das substâncias da Terra, mas também permitimos a nós mesmos absorver conscientemente as qualidades

20

O que é a Terapia Floral?

anímicas do ser vivo Terra. Tal terapia nos concede a oportunidade não apenas de sermos “curados” num sentido pessoal, mas de podermos realmente vivenciar e apren- der com a Natureza, unir a percepção consciente microcósmica e macrocósmica.

Compreendendo a partir dessa perspectiva, podemos apreciar o valor mais profun- do dos dois remédios policrestos (multiuso) do sistema de Bach. As essências Wild Oat e Holly sintetizam a combinação do interno e do externo na terapia floral. O Dr. Bach pretendia que eles fossem amplamente usados, para ajudar a orientar a alma do modo mais básico ao longo de sua jornada de cura. Wild Oat dirige-se à nossa capacidade de encontrar significado no mundo e desenvolver compromisso e foco interiores, que irão fortalecer e direcionar a alma na descoberta de sua vocação ou chamado para servir os outros e contribuir na cultura mundial. Por outro lado, Holly dirige-se àqueles senti- mentos mais íntimos da alma que nos separam dos outros, tais como a hostilidade, o ciúme e a inveja. Com efeito, o próprio nome dessa planta admirável remete à idéia de inteireza ou santidade; (1) Holly conduz a alma para um sentimento de unidade, inclu- são e confiança nos relacionamentos com os outros.

À medida que consideramos cada uma das essências listadas no Repertório, vemos

que elas sempre se dirigem para o perfeito equilíbrio da alma: buscar a força e o significado interiores, mas também construir uma sensibilidade compassiva pelos ou- tros; ampliar a consciência, mas também focá-la na atividade prática e enraizada; estar consciente dos mundos mais elevados e mais sutis, mas também estar presente no mundo físico e no corpo físico. Embora ainda seja um esforço pioneiro, a terapia floral tem o potencial de trazer uma contribuição real e significativa ao nosso entendimento da cura da alma. Ela promove um relacionamento verdadeiramente dinâmico entre o interior e o exterior, o pessoal e o social, o mundo humano e o mundo natural, a

percepção consciente pessoal e a consciência transcendente.

A dividida tradição alquímica

O processo de relacionar a alma individual com a alma mundial e a alma da Natu-

reza tem antigas raízes na tradição alquímica. Embora a cultura contemporânea a considere uma mera precursora primitiva da química moderna e Jung acredite que ela tem um caráter estritamente psíquico ou simbólico, a alquimia é na verdade um siste- ma profundo de atividade filosófica e científica que reconhece a interconexão entre Humanidade, Natureza e Cosmos. O grande mestre egípcio Thot (conhecido pelos

gregos como Hermes Trismegisto) é visto como o fundador da tradição alquímica e considerado o criador do axioma, “Assim na Terra como no Cosmos”.

A sabedoria alquímica afirmava que a ordem do Universo se expressa no mundo

da Natureza e também no ser humano, que pode ser considerado um microcosmo do cosmos maior. Um dos mais notáveis representantes desse ensinamento foi Paracelso, alquimista suíço da Idade Média. Paracelso retratou a Natureza como se ela fosse um livro narrado numa escrita cósmica, cujas formas e processos revelavam o funciona- mento de leis mais elevadas. Sua Doutrina das Assinaturas descrevia como as corres- pondências entre as formas vegetais e as humanas indicavam a ação curativa específi- ca dos remédios à base de plantas. Isso se fundamentava na compreensão de que as estruturas e processos físicos das plantas expressam os mesmos princípios universais que se manifestam nas formas e processos do ser humano. Paracelso relacionou as

1 Wholeness (inteireza, totalidade) e holiness (santidade), palavras com a mesma raiz semântica, numa alusão fonética a holly (azevinho) (N.T.)

21

Repertório das Essências Florais

influências dos planetas e estrelas sobre as plantas e os metais, uma compreensão que também podemos encontrar nos compêndios de grandes herboristas como Hildegard de Bingen, Gerard e Culpeper.

De acordo com Paracelso, o trabalho do alquimista era extrair as substâncias da Natureza e torná-las mais refinadas e sutis, aumentando assim seus poderes de trans- formar o ser humano. Ele escreveu, “A quinta essentia consiste naquilo que é extra-

a inerência de

uma coisa, sua natureza, poder, virtude e eficácia curativa.” Desse modo, para Paracelso,

um remédio curador era a refinada quintessência de uma substância natural.

A escola esotérica rosa-cruz foi uma parte importante da tradição alquímica, devo-

tada à percepção do mundo natural como uma rica biblioteca de arquétipos espirituais

e processos transformativos. Suas práticas espirituais não se destinavam a deixar para

trás o corpo físico, nem abandonar o corpo maior da Natureza ou as necessidades da comunidade humana na qual viviam. Pelo contrário, cada conquista ao longo do cami- nho rosa-cruz exigia uma maior maestria nos mundos físico e social, e uma consciên- cia cada vez mais profunda das leis espirituais que moldam esses mundos. Ativos durante o final da Idade Média e no início da Renascença, os alquimistas rosa-cruzes viviam de uma maneira prática no mundo, dando contribuições substantivas às profis- sões médicas, acadêmicas e científicas de seu tempo.

Como sabemos, a ciência abandonou suas raízes metafísicas e desenvolveu um paradigma mecanicista no qual a matéria deixou de ter qualquer conexão com o ser ou com as forças etéricas da Natureza. A alquimia se transformou na química, que, junto com a biologia reducionista, forma a base da atual ciência médica materialista. Os ensinamentos alquímicos foram descartados como mera superstição primitiva ou charlatanismo. Certamente muitos erros e distorções se infiltraram nos ensinamentos alquímicos ao longo dos tempos, mas esses ensinamentos estão permeados por uma sabedoria muito profunda que uma época materialista não consegue compreender.

Assim, a tradição da alquimia, baseada no relacionamento entre o mundo exterior das substâncias da Natureza e o mundo interior da alma humana, tornou-se dividida em nosso tempo. Por um lado, temos um estudo sem alma de um mundo mecânico; por outro, temos um desincorporado sistema de símbolos que existe apenas no mun- do interior da psique. A psicologia contemporânea reflete essa cisão alquímica. Os psiquiatras que seguem o modelo médico utilizam substâncias e processos físicos, mas não cuidam da vida interior da alma humana. Os psicólogos da tradição junguiana são mestres na vida interior da alma, mas (com poucas e notáveis exceções, como o Dr. Edward Whitmont) geralmente carecem de um relacionamento com a alma da Nature- za e não trabalham com um conhecimento preciso das substâncias reais da Natureza.

A terapia floral como uma nova alquimia da alma

Como a terapia floral se dirige ao relacionamento entre a alma humana e a alma da Natureza, ela reúne as duas polaridades da tradição alquímica. É a mensageira de uma nova alquimia da alma, que incorpora a antiga sabedoria com uma moderna percepção consciente da psique humana e da Natureza.

A essência proveniente de uma planta em floração cria uma quinta essentia

alquímica, facilitando um diálogo anímico entre os arquétipos da Natureza e os arqué-

tipos no interior da alma humana. Isso não está baseado numa projeção sentimental

e romântica, nem na nostalgia por uma mítica idade de ouro. Ao contrário, é uma

ído de uma substância — de todas as plantas e de tudo que tenha vida

22

O que é a Terapia Floral?

compreensão muito precisa de que os pensamentos, os sentimentos e as vivências da psique humana são reflexos das mesmas leis cósmicas inerentes aos padrões de cres- cimento, formas, cores, fragrâncias e energias vitais da Natureza, que se expressam na planta florida. Esse é o significado do ensinamento alquímico, “Assim na Terra como no Cosmos.” A vida anímica que alcançamos à medida que fazemos nossa jorna- da interior corresponde à própria anima mundi da Natureza.

O Papel Singular da Terapia Floral nos Cuidados com a Saúde

As essências florais não são drogas

Como as essências florais são substâncias que introduzimos no corpo, é fácil con- fundi-las com as drogas usadas para tratar as doenças físicas e emocionais. As essên- cias florais não são drogas. Antes de mais nada, as essências florais, por causa de sua natureza vibracional, não causam impacto direto sobre a bioquímica do corpo, tal como as drogas farmacêuticas e psicoativas. Tranqüilizantes, antidepressivos, analgé- sicos, euforizantes e drogas que “expandem a mente” afetam os estados emocionais, mas o fazem mudando a química do cérebro e, desse modo, alteram o veículo bioló- gico através do qual a alma humana se expressa.

Essa manipulação bioquímica pode ser importante em casos de doenças graves, tais como tendências suicidas extremas. Mas, além do perigo dos efeitos colaterais, precisamos também levantar questões profundas sobre o uso de drogas que alteram o ânimo com a finalidade de controlar ou eliminar emoções tão tipicamente humanas como a depressão, o medo, a ansiedade e a timidez. Qual o efeito que exercem sobre a alma esses transformadores da personalidade quimicamente induzidos? Será que algo não se perde quando a alma escapa à necessidade de lidar arduamente com a dor do abuso na infância ou com a raiva diante das injustiças do mundo? Como poderá a alma aprender as lições da vida se não tiver a liberdade de vivenciar a dor e a transfor- mação? A sociedade seria melhor se os grandes poetas tivessem tratado sua introversão com estimulantes do ânimo ou se os críticos sociais tivessem curado sua alienação com antidepressivos?

As essências florais, ao contrário, deixam a alma em liberdade. Elas encorajam a mudança ao invés de forçá-la, agindo através da ressonância vibracional e não da intervenção bioquímica. Seu efeito é evocativo, muito semelhante ao efeito de uma conversa com um amigo sensato e prestativo. As essências estimulam um diálogo interior com os aspectos ocultos do nosso Eu, despertando profundos arquétipos psicológicos e dando-nos acesso às suas mensagens. Como resultado dessa “conver- sa” com nossa alma, ocorrem profundas mudanças emocionais e mentais que pode- rão produzir também alterações fisiológicas. Mas essas mudanças não são impostas do exterior; elas ocorrem dentro de nós mesmos, através da nossa própria experiên- cia e esforço.

As essências florais são catalisadores que estimulam e energizam o processo de transformação interior, ao mesmo tempo em que nos deixam livres para desenvolver-

23

Repertório das Essências Florais

mos as nossas capacidades inatas. O melhor uso das essências é dentro de um contex- to de desenvolvimento interior, através da auto-observação, do diálogo e do aconselhamento. Por essa razão, elas não são utilizadas para tratar doenças específi- cas. Mais exatamente, as essências florais nos ajudam a aprender as lições de toda enfermidade, enfrentar os desafios apresentados à nossa alma pela dor e sofrimento emocionais e físicos, e, dessa maneira, transformar nossa vida. Essa metamorfose incentiva a saúde e pode eliminar diversos sintomas físicos dolorosos, porém o objeti- vo supremo continua a ser a evolução da alma. Ao contrário das drogas analgésicas ou supressoras de sintomas, que podem criar dependência a longo prazo quando usadas para controlar condições crônicas, as essências florais estimulam mudanças duradouras na consciência, que continuarão a fazer parte da nossa vida mesmo de- pois que pararmos de tomar essas essências.

As essências florais não são remédios fitoterápicos convencionais

As essências florais têm muito em comum com os remédios fitoterápicos. Eles compartilham a tradição de usar ingredientes puros diretamente da Natureza e a filo- sofia de trabalhar junto com o processo de cura, em vez de reprimi-lo. Com efeito, depois que o Dr. Bach deixou sua clínica homeopática e descobriu as essências florais, ele se referia a si mesmo como herborista e caracterizava suas essências como remé- dios à base de ervas.

No entanto, as essências florais são uma forma muito especializada de preparação fitoterápica, que deveria ser distinguida dos remédios fitoterápicos convencionais. Os produtos fitoterápicos são preparados a partir de diversas partes da planta, incluindo raiz, caule, folhas, frutos, sementes, bem como flores; são preparados através de uma variedade de métodos, incluindo infusão, decocção e tintura.

As essências florais diferem quanto ao método de preparação, pois geralmente são preparadas por infusão, utilizando apenas as flores frescas da planta e no contexto de uma matriz ambiental específica. Ao descrever a preparação da essência floral, o Dr. Bach comentou: “Observemos que os quatro elementos estão envolvidos: a terra para

nutrir a planta; o ar do qual ela se alimenta; o sol ou fogo para permitir-lhe comunicar

para ser enriquecida com sua benéfica cura magnética.” Acres-

seu poder; e a água

centaríamos ainda a existência do quinto elemento alquímico, o elemento quintessencial, que é o estado de consciência sensível do preparador da essência floral. Desse modo, as essências florais são mais do que simples extratos fitoterápicos; são quintessências alquímicas que levam em si os arquétipos vivos da planta inteira,

capturados no momento supremo do desabrochar das flores.

Os remédios fitoterápicos geralmente são selecionados com base nos sintomas físicos e são usados devido a seus constituintes físicos de ocorrência natural. As essên- cias florais, por outro lado, têm uma natureza vibracional e são selecionadas de acor- do com seus efeitos sobre as qualidades da alma. Entretanto, nas tradições fitoterápicas e xamânicas de muitas culturas existe o reconhecimento de que as plantas têm signi- ficados mais profundos e estão associadas às forças e processos espirituais. Esse lega- do de uma fitoterapia mais sutil pode ser visto como uma das fontes para a compreen- são das qualidades das essências florais.

As propriedades fitoterápicas das plantas mantêm uma relação com seus usos como essências florais, mas não são idênticas a estes. Muitas vezes, o efeito da essên- cia floral sobre a alma é como uma “oitava superior” dos efeitos físicos da planta, embora isso deva ser considerado no contexto de um estudo completo da planta,

24

O que é a Terapia Floral?

conforme o exame que se inicia à página 43. Por exemplo, o aneto Dill é usado como

erva culinária para estimular a digestão e neutralizar a flatulência causada pelo comer excessivo ou demasiado rápido. Já a essência floral Dill dirige-se à “indigestão psíqui- ca”, que ocorre quando a alma é sobrecarregada por impressões sensoriais excessivas ou muito rápidas; Dill atua refinando e clarificando nossa experiência do mundo sen- sorial. Muitos herboristas modernos usam as essências florais juntamente com os me- dicamentos fitoterápicos tradicionais. Eles relatam, contudo, que as essências tratam

as questões da psique de modo muito mais direto e preciso do que os remédios fitoterápicos convencionais.

As essências florais diferem das fragrâncias e óleos essenciais

As essências florais não devem ser confundidas com as fragrâncias nem com os óleos essenciais puros usados na aromaterapia, embora o termo “essências florais” seja algumas vezes equivocadamente aplicado a esses óleos. As essências florais não têm qualquer aroma específico, exceto pelo conhaque que é usado como conservante natural. Isso ocorre porque a substância física da flor contida na essência está alta- mente atenuada, para que suas qualidades vibracionais possam ser acentuadas.

As fragrâncias geralmente são preparações sintéticas elaboradas em vista de seu

aroma e usadas em perfumaria. Os óleos essenciais puros são o produto, altamente concentrado, da destilação natural dos óleos aromáticos de substâncias vegetais e constituem, portanto, um tipo especializado de remédio fitoterápico. Os óleos essen- ciais podem ter forte efeito sobre o corpo e a alma, mas seu caminho é através dos sentidos e do corpo físico, em vez dos campos vibracionais usados pelas essências florais. A aromaterapia e as essências florais funcionam bem em parceria, mas não devem ser confundidas. Elas são terapias complementares — do corpo para a alma, e

da alma para o corpo.

Uma comparação entre as essências florais e a homeopatia

As essências florais também diferem dos remédios homeopáticos, embora essas duas modalidades de cura tenham muito em comum em termos históricos, filosóficos

e práticos. Ambos os tipos de remédios têm uma natureza vibracional e, portanto, são

fisicamente diluídos. Cada um deles age como um catalisador do processo de cura da pessoa, em vez de suprimir ou controlar os sintomas. Ambas as modalidades tratam a

pessoa e não a doença, e procuram aliar o remédio à situação específica do indivíduo.

O Dr. Bach trabalhou como médico homeopata antes de desenvolver suas essências

florais e hoje os homeopatas estão entre os que mais prontamente reconhecem a eficácia da terapia floral.

Há, contudo, significativas diferenças entre as essências florais e os remédios ho- meopáticos. Bach descreveu claramente o desenvolvimento das essências florais como um rompimento com a homeopatia, afirmando que as essências não seguem a Lei dos Semelhantes, a qual é a própria definição da medicina homeopática.

De acordo com o princípio dos semelhantes, os remédios homeopáticos são de- senvolvidos por experimentos, em que grandes doses de uma substância são dadas a um grupo de indivíduos saudáveis e os sintomas por eles desenvolvidos tornam-se as indicações para a condição à qual se dirige o remédio. Se Bach tivesse usado o méto- do homeopático, ele teria dado a um grupo-teste de pessoas grandes doses de Holly

e descoberto que elas se tornaram ciumentas, invejosas e cheias de ódio, ou então

descobriria que Clematis, em grandes doses, produzia um estado sonhador e desfocado

25

Repertório das Essências Florais

no seu grupo-teste.

É um fato histórico que Bach jamais usou experimentos ao desenvolver seus remé- dios florais, nem que experimentos homeopáticos tenham sido usados para testar outras essências florais. Ao contrário, Bach descobriu que a essência floral Holly produzia um sentimento de união e amor na alma perturbada pela inveja, ciúme ou ódio, e que a essência Clematis intensificava a qualidade da presença em pessoas sonhadoras e desincorporadas.

Se as essências florais não seguem a Lei dos Semelhantes da homeopatia, pode- ríamos então dizer que elas são uma expressão da Lei dos Contrários, que é a base da medicina alopática e supressora de sintomas? Bach aparentemente acreditava que os remédios florais agiam através dos contrários no interior da alma, dizendo que eles “inundam nossa natureza com a virtude particular de que necessitamos, e lavam de nós a falha que está causando o dano.” Contudo, nossas próprias pesquisas ao longo dos últimos 16 anos indicam que isso seria uma simplificação excessiva. Ao invés de agir por semelhantes ou por contrários, a ação transformativa das essências florais é uma expressão da integração das polaridades no interior da nossa psique, tal como entendido pela alquimia e pela psicologia junguiana.

Por exemplo, a essência floral Mimulus dirige-se aos medos da vida cotidiana; ela não cria o medo quando dada em grandes doses a um indivíduo saudável que não tem esses medos, como seria de esperar se ela seguisse a Lei dos Semelhantes da homeopatia. E Mimulus tampouco elimina o medo, como faria uma droga tranqüili- zante que operasse pela Lei dos Contrários da alopatia. Uma pessoa que toma a essência floral Mimulus pode tornar-se mais agudamente consciente da existência de um estado de medo, talvez antes oculto de sua percepção consciente. Ao mesmo tempo, Mimulus encoraja tal pessoa a enfrentar esses medos, despertando nela a força anímica necessária para ir ao encontro de tais desafios. Portanto, podemos dizer que Mimulus trabalha com a polaridade medo e coragem, habilitando a alma a alcançar um nível mais elevado de integração. Ao invés de eliminar o medo, Mimulus nos ajuda a ter a coragem de enfrentar o medo. Entendida deste modo, a terapia floral aplica a lei alquímica da União dos Opostos, pela qual os pólos opostos são integrados numa síntese mais elevada.

Além disso, as essências florais e os remédios homeopáticos são preparados de maneira diferente. Enquanto os remédios homeopáticos têm sido feitos de quase todas as substâncias e de qualquer parte da planta, as essências florais são feitas exclusivamente com a flor. Por essa razão, as essências florais também devem ser distinguidas dos diversos remédios vibracionais preparados com outras partes da plan- ta ou com substâncias animais ou minerais, tais como as essências marinhas e os elixires minerais. É a flor, especificamente, que se utiliza no preparo das essências florais, pois é no processo de floração que as qualidades anímicas da Natureza juntam- se à forma e substância da planta. Assim, a essência floral torna-se um veículo de comunicação entre a alma da Natureza e a alma humana.

Mesmo quando os remédios homeopáticos são feitos de flores, sua preparação é diferente daquela das essências florais. A substância-mãe homeopática consiste numa tintura ou extração alcoólica da planta macerada, que é então diluída e dinamizada, em geral inúmeras vezes, para produzir o remédio. As essências florais são prepara- das através da infusão da flor inteira em água, processo no qual o preparador trabalha em conjunto com as condições ambientais e meteorológicas circundantes de modo

26

O que é a Terapia Floral?

muito consciente. Por essa razão, dizemos que as essências florais são feitas no “labo- ratório da Natureza”, no hábitat natural da flor silvestre ou num jardim onde as flores podem florescer sob condições ideais.

As essências florais são usadas somente em primeira ou segunda diluições, e no entanto atingem diretamente a mente e as emoções. Elas causam efeito na psique de uma maneira suave, deixando, no geral, a consciência escolher livremente como res- ponder à sua influência. Os remédios homeopáticos usualmente precisam ser eleva- dos até uma potência muito mais alta para afetarem os estados mentais e emocionais. Muitos terapeutas acreditam que tais potências atuam sobre a psique de uma maneira mais persuasiva do que o fazem as essências florais. Desse modo, os remédios home- opáticos de alta potência têm algumas similaridades com as drogas farmacêuticas, devendo sempre ser usados com extrema cautela e por terapeutas muito habilidosos. Os remédios homeopáticos de baixa potência, por outro lado, trabalham mais direta- mente com o aspecto físico-etérico do ser humano e são, portanto, mais similares aos remédios fitoterápicos. As essências florais combinam a segurança dos remédios ho- meopáticos de baixa potência com a capacidade de estimular a consciência dos remé- dios de potência mais alta. As essências florais criam um diálogo com a alma, em vez de lhe ditar ordens.

Também no modo de uso as essências florais diferem dos remédios homeopáticos. Um caso homeopático envolve extensa catalogação de sintomas, geralmente com grande ênfase nas condições e hábitos físicos, que formam um quadro do corpo etérico ou vital da pessoa. O terapeuta procura então encontrar a melhor combinação entre a lista de sintomas apresentados pelo paciente e a lista de indicações dos remé- dios.

Por outro lado, a terapia floral correlaciona um “arquétipo” ou “mensagem” de uma planta com uma qualidade específica da alma ou psique humana. Embora os sintomas físicos e outros sintomas ofereçam pistas quanto aos problemas interiores, escolher uma essência floral é mais do que comparar uma lista de sintomas com uma lista de indicações. Mais exatamente, a ênfase é dada na identificação dos problemas e lições subjacentes, como meio de pintar um “retrato da alma” do indivíduo. Esse retrato é então correlacionado com uma ou mais essências florais cujas configurações vibracionais incorporam aquelas qualidades e processos.

Desse modo, fica claro que as essências florais não são remédios homeopáticos, embora ambos pertençam à categoria mais ampla de remédios energéticos ou vibracionais. Pode haver confusão neste ponto porque algumas marcas de essências florais são rotuladas como drogas homeopáticas para fins de regulamentação ou im- portação. Tal rotulagem é infeliz e incorreta, mas de modo algum invalida as diferen- ças filosóficas e práticas entre essas duas modalidades de cura.

O trabalho com aparelhos vibracionais

A terapia floral também difere dos sistemas de testes vibracionais e das práticas que empregam máquinas ou aparelhos para medir ou ajustar os campos energéticos humanos de acordo com diversas escalas quantitativas. Essas modalidades são freqüentemente empregadas para auxiliar na seleção de remédios homeopáticos, nutricionais e fitoterápicos, bem como para “sintonizar” os sistemas fisiológicos atra- vés da ação dos “equivalentes” vibracionais dos remédios. Até o ponto em que traba- lham com uma mensuração quantitativa, tais aparelhos podem dar informações úteis, particularmente quanto à força relativa ou ao grau de vitalidade dos sistemas fisiológi-

27

Repertório das Essências Florais

cos e energéticos humanos, e como estes são afetados pelas várias substâncias. Con-

tudo, essas mensurações não são um substituto para o trabalho com as qualidades das essências florais e as questões anímicas por elas tratadas. A terapia floral nos envolve numa série de relacionamentos conscientes; ela ocasiona um diálogo interior

e uma reflexão sobre os sentimentos e as atitudes, uma conversa sensível com um

amigo ou terapeuta, e uma escuta receptiva da linguagem curadora da Natureza.

Além disso, o uso de aparelhos vibracionais ou eletrônicos como substitutos das essên- cias florais verdadeiras cria um campo sutil sem uma âncora físico-etérica. O indivíduo materialista ignora a alma da Natureza ao reduzir a substância à mera química e mecânica; porém, existem sérios problemas com o impulso oposto, que utiliza mecanismos pura- mente vibracionais que dissociam nossa alma das substâncias físicas da Natureza.

Assim, no melhor dos casos, os aparelhos vibracionais podem desempenhar um

papel suplementar na terapia floral. Todavia, não há o que substitua o desenvolvimen-

to de uma relação consciente com a alma humana e com a alma da Natureza, se é que

realmente desejamos participar dos dons que as essências nos oferecem.

As essências florais e a busca da cura

No início desta seção, definimos saúde como a capacidade de vivenciarmos a vida de maneira completa, de nos tornarmos plenamente nós mesmos. Ao despertarem as capacidades inatas da nossa alma, as essências florais estimulam a saúde em todos os níveis: físico, emocional e espiritual. Elas não o fazem suprimindo sintomas nem alte- rando nossa bioquímica, mas sim agindo como catalisadores que fortalecem nossa jornada consciente de cura.

Essa jornada é uma busca de totalidade, de inteireza, baseada no reconhecimento de que a doença é um sinal de alerta da nossa alma, pedindo para descobrirmos a nós mesmos e sermos sensíveis para com os outros e o mundo à nossa volta. Acima de tudo, ela requer que mudemos nossas atitudes interiores, nossas crenças e percep- ções. É neste ponto que as essências florais podem oferecer sua contribuição ímpar, não importa quais outras terapias estejamos usando.

É típico do ser humano temer e resistir à mudança, especialmente quando não está consciente do propósito ou da necessidade dessa mudança. Ao despertar nossa per- cepção consciente, mesmo que às vezes isso seja doloroso, as essências proporcio- nam um estímulo adicional e nos ajudam a deixar para trás nossa negação e resistên- cia. Nas palavras do poeta alemão Goethe, “A menos que estejas constantemente morrendo e te transformando, nada mais és que um hóspede sombrio numa Terra obscurecida.” Isso é verdadeiro para todos nós, mas a doença torna essa verdade mais urgente.

Vemos assim que, embora as essências florais combinem com muitas outras moda- lidades de cura e lhes dêem apoio, elas têm sua própria e singular mensagem para compartilhar conosco. Como verdadeiras amigas, elas nos estimulam rumo à autopercepção consciente e à mudança, mas basicamente deixam para nós mesmos a escolha de aproveitar a oportunidade e prestar atenção ao chamado para a metamor- fose da alma.

28

O que é a Terapia Floral?

O que é a Terapia Floral? California Wild Rose Rosa Canina Je älter ich werde, je

California Wild Rose Rosa Canina

Je älter ich werde, je mehr vertrau ich auf das Gesetz, wonach die Rose und die Lilie blüht.

Quanto mais envelheço, mais acredito na lei pela qual

florescem o lírio e a rosa.

Johann Wolfgang von Goethe

Tiger Lily Lilium Humboldtii

29

mais acredito na lei pela qual florescem o lírio e a rosa. Johann Wolfgang von Goethe

Repertório das Essências Florais

Dois

Podemos verificar as propriedades das essências florais?

A Necessidade de Pesquisas sobre as Essências Florais

Como podemos saber se as essências florais causam os efeitos que lhes são atribu- ídos neste Repertório ou em outras obras especializadas?

Diante das recentes evidências científicas, parece indiscutível que as emoções e as atitudes exercem um profundo efeito sobre a saúde. Contudo, é um desafio ao nosso modo vigente de pensar dizer que uma infusão altamente diluída de flores, sem qual- quer mecanismo bioquímico discernível, possa afetar a maneira como pensamos e sentimos. Além do mais, mesmo aceitando-se que as essências florais possam afetar os estados de espírito do ser humano, como podemos estar certos de que a essência de uma planta terá aquele efeito específico que é mencionado? Estas são perguntas cruciais para todos os que procuram compreender e empregar as essências florais nos cuidados com a saúde. É por essa razão que a Flower Essence Society dedica-se a um multifacetado programa de pesquisas.

O legado do Dr. Bach

O trabalho pioneiro do Dr. Bach nos anos 30 é um ponto de partida para as nossas indagações, mas mesmo assim restam muitas perguntas sem resposta. Embo- ra Bach tenha passado apenas oito dos seus 50 anos de vida pesquisando os remédios florais, ele realizou um notável estudo dos tipos psicológicos humanos durante os anos em que trabalhou como bacteriologista e homeopata. Ele depois desenvolveu esses insights em precisas tipologias da alma que correspondiam aos seus remédios florais, primeiramente como um sistema de 12 tipos, depois 19 e por fim 38. Através dos raros escritos e palestras de Bach, e da biografia escrita por sua assistente, Nora Weeks, temos alguns vislumbres de quão extraordinariamente perceptivo era ele em relação à vida anímica de seus pacientes. Observando cuidadosamente o modo como os pacientes entravam no consultório, Bach com freqüência intuía de quais remédios eles necessitavam.

Embora ele fosse altamente crítico em relação à ciência médica, fica bastante claro que o treinamento médico profissional auxiliou-o em sua pesquisa das essências flo- rais, pois o habilitou a aplicar a disciplina científica da observação acurada e do estudo sistemático na compreensão da alma humana. Podemos assumir que Bach emprega- va uma abordagem semelhante em seus estudos da Natureza. Ele parece ter tido alguma ligação com a tradição alquímica, e refere-se aos ensinamentos de Paracelso em seus escritos. Sabemos também que Bach originalmente preparava as essências florais colhendo nas pétalas das flores as gotas de orvalho dinamizadas pelo sol, um método apreciado pelos alquimistas.

30

O que é a Terapia Floral?

Mas não temos informações sobre as percepções de Bach a respeito das plantas que utilizou em suas essências florais. Nora Weeks relata, na biografia The Medical Discoveries of Edward Bach (As descobertas Médicas de Edward Bach), que ele viaja- va extensamente por toda a zona rural procurando plantas para uso em remédios florais ou fitoterápicos, e passava muito tempo observando a forma, os padrões de crescimento e o hábitat dessas plantas. Mas, à parte o relato de Weeks sobre a extra- ordinária sensibilidade dele às energias das plantas, o método exato usado por Bach para pesquisar as plantas permanece envolto em mistério.

O próprio Bach é um pouco responsável por essa situação, já que deliberadamente

destruiu suas notas de pesquisa e muitos de seus escritos. Na introdução a The Twelve Healers and Other Remedies (Os Doze Curadores e Outros Remédios), Bach escre- veu: “Nenhuma ciência, nenhum conhecimento é necessário, além dos métodos sim- ples aqui descritos; e quem obterá o maior benefício desta Dádiva enviada por Deus serão aqueles que a mantiverem pura tal como ela é; livre de ciência, livre de teorias, pois tudo na Natureza é simples.” Reagindo, evidentemente, contra os excessos de uma ciência por demais materialista e reducionista, que pouco espaço dava à alma humana ou à alma da Natureza, Bach privou as gerações futuras de seus insights quanto aos processos dinâmicos que permitem que as energias das plantas participem da metamorfose da consciência humana. Podemos também especular que sua atitude talvez fosse devida à tradição do segredo, própria do conhecimento esotérico da Loja Maçônica, da qual Bach era membro; ou talvez o próprio Bach não estivesse plena- mente consciente de como alcançava sua compreensão intuitiva das plantas.

Julian Barnard, notável pesquisador e professor, que escreveu sobre a vida e a obra do Dr. Bach, faz os seguintes comentários em seu livro Patterns of Life Force (Pa- drões de Energia Vital):

“ Num certo momento, a pesquisa de Bach deu um salto e é difícil para nós ver onde e como. Em 1928, ele está caminhando em uma das mar-

gem de um rio, ainda trabalhando como bacteriologista, mas já procu-

rando os equivalentes vegetais para suas vacinas, e então

outra margem, com uma ‘delicada vasilha de vidro’, dinamizando certas flores que conterão um novo poder de cura.

“Bem, temos duas opções. Podemos decidir deixá-lo de lado e dizer que ele teve insights e inspirações que estão além do nosso alcance, ou pode- mos optar por construir uma ponte que nos conduzirá a uma compreen- são mais profunda do como e do por quê de seu trabalho. Quem preferir a primeira alternativa, terá nas mãos o seu sistema de cura e poderá exultar com os frutos de seu trabalho. A explicação seria a de que ele foi um homem extraordinariamente sensível, que vagueou e foi conduzido, que encontrou seus remédios através do sofrimento e da aflição pessoal:

ele surge na

uma descoberta cega e dolorosa. Mas o trabalho de Bach, seus escritos e seus remédios florais convidam-nos a uma outra visão, que, embora mais exigente, é mais gratificante.”

É exatamente essa procura de uma ponte para a compreensão — descobrir como

a linguagem arquetípica das flores corresponde à linguagem da alma humana — que levou à fundação da Flower Essence Society e à sua ênfase na pesquisa de plantas e

no estudo de casos da terapia floral.

31

Repertório das Essências Florais

A alma e a ciência como pólos opostos

Precisamos da pesquisa sobre as essências florais não só para satisfazer nossa sede de compreensão filosófica. Há também uma necessidade prática e moral de encontrar normas e princípios para a compreensão das essências florais, necessidade esta que se tornou mais urgente nas seis décadas que se passaram desde a época do Dr. Bach. Em particular nos últimos dez anos, centenas de novas essências florais estão sendo rapidamente postas à disposição do público por dezenas de grupos em todo o mundo. Muitas vezes, diferentes pessoas em diferentes lugares preparando essências de uma mesma flor irão atribuir-lhe qualidades bastante diversas. São divulgadas, com fre- qüência, essências que passaram por poucas, ou mesmo nenhuma norma de pesqui- sa. Quais critérios podemos usar para saber qual interpretação das propriedades de uma essência está correta, se é que alguma o está? Será que podemos aprender a diferenciar o verdadeiro insight dos sentimentos subjetivos momentâneos e das proje- ções psíquicas ou sentimentais? Será que podemos desenvolver uma metodologia para investigar a exatidão das nossas percepções intuitivas?

À medida que buscamos as respostas para essas perguntas, defrontamo-nos com um dilema. Na nossa cultura atual, é a ciência que proporciona as normas objetivas através das quais verificamos a validade das nossas premissas e convicções. Contudo, a ciência mostra-se fria, insensível, desumanizadora e sem relação com aquilo que é mais sagrado à alma. Além disso, a pesquisa científica geralmente ignora a destruição ecológica e cultural para parece acompanhar seu progresso.

Embora o pensamento científico domine nossa cultura, uma importante contracorrente se desenvolveu, reagindo contra o materialismo da ciência convencio- nal. Esse conflito representa uma profunda fenda em nossa cultura, que já vimos anteriormente ao discutir a cisão da alquimia em trabalho anímico e em ciência exata. Essa divisão pode ser descrita de várias maneiras — como uma divisão entre humani- dades e ciência, entre alma e tecnologia, entre psique e substância, entre interior e exterior. Também a encontramos em nosso sistema educacional (particularmente na América do Norte), no qual a maioria dos cientistas, engenheiros e técnicos têm pouco treinamento em história, psicologia, filosofia ou artes, e por isso costumam ser cegos às conseqüências humanas e morais do desenvolvimento científico. Por outro lado, há uma imensa parcela da população que não está familiarizada com os concei- tos básicos da ciência. Isso resulta não apenas em uma ignorância da complexa tecnologia atual como também mutila a aptidão para o pensamento rigoroso. Sem um conhecimento do método científico, fica difícil para uma pessoa observar e investigar sistematicamente o mundo natural, ou pensar e avaliar de maneira independente as evidências que surgem em sua busca da verdade. Assim, a separação dos nossos mundos interior e exterior em pólos opostos levou a desequilíbrios tanto em nossa vida anímica como em nossa compreensão da Natureza.

Os problemas do conhecimento subjetivo

No passado, nossa vida espiritual e anímica era mais intensamente regulada pelas estruturas culturais e religiosas. Hoje, experimentamos uma liberdade maior, mas tam- bém uma crescente confusão. Algumas pessoas gravitam em torno de convicções fundamentalistas a fim de se sentirem seguras. Outras, rejeitando a necessidade da investigação científica e do pensamento intelectual sistemático, preferem confiar nos sentimentos, na intuição vaga e na experiência mística para guiá-las até a verdade.

Percebe-se fortemente esta última tendência dentro do movimento “Nova Era” e

32

O que é a Terapia Floral?

entre muitas pessoas que utilizam as essências florais, resultando numa rápida expan- são de experiências intuitivas e psíquicas. Por exemplo, muitas qualidades de essênci- as florais têm sido deduzidas a partir de impressões psíquicas e canalizações, mensa- gens interiores e orientações espirituais, leituras de energias sutis, ou variados siste- mas de teste vibracional tais como a cinesiologia (teste muscular) e a radiestesia (pên- dulo). Muitas vezes essas experiências não estão de modo algum ancoradas na obser- vação sistemática dos efeitos reais das essências sobre as pessoas ou num cuidadoso estudo das plantas que dão origem às essências.

Confiar apenas nos sentimentos pessoais, na intuição ou numa efêmera experiên- cia psíquica está no extremo da parte interior da polaridade que descrevemos na seção acima, um local de total subjetividade. É uma posição desequilibrada, pois cor- remos o risco de viver apenas na nossa própria realidade, sem relação com os outros ou com o mundo no qual vivemos. A alma individual torna-se isolada do alma mundial e da alma da Natureza.

Imaginemos, por exemplo, a situação difícil que seria gerada se cada praticante tivesse uma definição totalmente diferente para cada essência floral ou remédio ho- meopático. Nessas circunstâncias, criaríamos uma verdadeira “Torre de Babel”, onde seria impossível o trabalho conjunto porque não conseguiríamos compartilhar um linguagem comum ou uma mesma percepção da realidade.

Em seu cerne, a ciência é uma busca da verdade, a busca de uma realidade que possa ser compartilhada coletivamente, pois ela reflete uma compreensão acurada da Natureza e não uma projeção egoística da experiência pessoal. A ciência é um corre- tivo para a confusão que pode resultar da subjetividade excessiva. Apesar do escopo limitado sob o qual a ciência convencional é praticada, é o método científico que nos oferece um meio de perceber acuradamente o mundo e definir seus princípios subjacentes. Através da investigação científica, encontramos o mundo natural e os outros seres humanos e nos ligamos a uma realidade maior. Portanto, apesar de tudo aquilo que a ciência atual tem de alienante, precisamos desesperadamente do espírito da ciência — a procura das normas da verdade no estudo da Natureza — nas nossas pesquisas sobre as essências florais e em campos de investigação a elas relacionados.

Os desequilíbrios existentes no método científico

Embora precisemos da objetividade que a ciência oferece, enfrentamos problemas bastante reais com o método científico atual.

A palavra “ciência” provém do latim scire, que significa “conhecer”, mas também “discernir”, no sentido de separar ou seccionar. Essa capacidade da mente analítica de dividir os fenômenos em suas partes componentes, bem como a de separar o obser- vador do objeto observado, habilitou a humanidade a aprender muito sobre o mundo natural. Como afirmou Aristóteles há muitos séculos, precisamos de alguma distância para poder ver claramente as coisas. A humanidade precisava retroceder um passo em relação à Natureza a fim de observá-la e meditar sobre seu significado. Além de nos dar o conhecimento, nosso intelecto concedeu-nos um poderoso sentido de liber- dade e individualidade que era impossível quando a realidade estava ainda oculta sob dogmas sociais ou religiosos.

Contudo, esse mesmo desenvolvimento da objetividade distanciada — ou consci- ência do observador — também nos alienou da Natureza, do mundo espiritual e, por fim, de nós mesmos. A completa objetividade só pode ser alcançada ao reduzirmos o

33

Repertório das Essências Florais

mundo a uma coleção de objetos a serem observados. No entanto, existe aqui um paradoxo. Se os seres humanos nada mais são que uma das muitas classes de objetos, então quem está observando esse mundo de objetos? Se a mente é apenas um produ- to bioquímico do mecanismo do cérebro, então onde está a consciência que chegou a essa conclusão? O físico alemão Max Planck, o primeiro a desenvolver a teoria quântica, assim se expressou a esse respeito: “A ciência não pode resolver o derradeiro mistério da Natureza. Porque, em última análise, somos parte do mistério que tentamos resol- ver.” Apesar das desconcertantes perguntas levantadas pela física quântica e pela teoria da relatividade no início deste século, e por novas perspectivas de agora, tais como a teoria do caos, a ciência convencional tem praticamente ignorado essas ques- tões epistemológicas fundamentais.

O estudo científico surgiu a partir de um impulso do ser humano de abandonar os

claustros da Idade Média e aventurar-se com independência no reino da Natureza, a fim de observá-la e conhecer suas leis. Entretanto, ao contar com instrumentos com- plexos como meio de mensurar a realidade, o pesquisador científico de hoje está muitas vezes desligado da experiência direta dos fenômenos da Natureza, daquela experiência feita através da percepção dos sentidos humanos. É irônico ver até que ponto o cientista criou seu laboratório à semelhança de um claustro moderno, um ambiente artificial distanciado da Natureza e da sociedade.

A ciência moderna tornou-se, assim, cada vez mais divorciada da plena

dimensionalidade do processo da vida. Em seu empenho por objetividade racional, o

método científico estreitou seu campo de visão para aquilo que é fisicamente mensurável

e quantificável, desconsiderando a experiência qualitativa das dimensões etéricas e anímicas da vida. Por não perceber a inteireza das formas vivas nem reconhecer os

seres vivos que habitam essas formas, a ciência moderna desconectou-se da Natureza

e da alma humana e, por isso, tornou-se incapaz de compreender as forças sutis ou as qualidades de alma associadas à terapia floral e a outros paradigmas holísticos.

Precisamos encontrar novas formas de pesquisa científica que sejam apropriadas ao plano sutil das essências florais, mas que, ainda assim, conservem o rigor e a busca objetiva da verdade que fizeram da indagação científica um degrau tão importante na evolução da cultura humana. Desse modo, somos desafiados por dois lados. Nossas pesquisas sobre os remédios vibracionais necessitam da busca disciplinada da verdade, que é a essência da ciência. Mas nossa abordagem da ciência deve também englobar

a profunda e multidimensional relação da humanidade com o mundo da Natureza,

relação essa que tanta falta faz na pesquisa científica contemporânea. A terapia floral

requer o desenvolvimento de uma nova e viva ciência da Natureza.

Rumo a uma Ciência Viva da Natureza

Que tipo de ciência é capaz de compreender o mistério das essências florais? Tal ciência requer a observação disciplinada do pensamento sistemático que caracteriza o método científico, mas precisa ser ampla o suficiente para englobar a realidade da alma humana e da alma do mundo. Ela percebe a Natureza não como uma coleção de objetos mecânicos, mas como uma comunidade de seres. É uma ciência holística (em vez de uma ciência reducionista) que não apenas separa a realidade física em suas

34

O que é a Terapia Floral?

partes componentes, mas reconhece que cada parte é uma expressão de um todo maior. Essa ciência também reconhece que, embora sejamos os observadores da vida, somos também participantes ativos da vida e que a polaridade objetividade/subjetivi- dade precisa encontrar uma nova síntese.

A ciência goethiana

A abordagem científica que postulamos tem suas fontes na vertente alquimia/rosa-

cruz, antes de sua cisão final entre o simbolismo psíquico da psicologia contemporâ- nea e a substância sem alma da medicina química. A alquimia reconhecia a correspon- dência entre o macrocosmo da Natureza e o microcosmo da experiência humana. Os alquimistas rosa-cruzes compreendiam que o caminho do desenvolvimento espiritual humano precisava unir-se com o mundo, para que fosse encontrado o funcionamento das leis espirituais nas formas e processos da Natureza.

Esse caminho da ciência natural com alma seria mais tarde desenvolvido pelo po- eta e cientista natural alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). Durante

sua vida, Goethe testemunhou o rápido desenvolvimento do materialismo científico, que logo levaria à Revolução Industrial. Mas, tal como os alquimistas rosa-cruzes, ele

acreditava que “

e não só é uma evidência dele, como na verdade é sua representação.” Enquanto poeta, o destino de Goethe foi o de dar início a uma ciência que reconhecia a alma da Natureza, mas permanecendo fiel à objetividade do método científico.

O temperamento artístico de Goethe permitiu-lhe ver a relação da parte com o

todo, perceber uma unidade subjacente dentro da diversidade dos fenômenos natu-

rais. Seus primeiros trabalhos científicos foram devotados à geologia. Ele se conven- ceu de que, ocultas nos estratos geológicos das montanhas que estudava, estavam as histórias profundas que a Natureza tinha para contar. Goethe escreveu em Wilhelm

Meister

de decifrá-las, transformá-las em palavras e aprender a lê-las

Todo o gênio científico de Goethe se revela em seus estudos da Natureza viva, particularmente das plantas. Era um perspicaz observador da miríade de detalhes da vida vegetal, não tanto com o objetivo de descrever e classificar, e sim com o de

descobrir os princípios unificadores. Comentando o clássico sistema botânico de Lineu

(Carl von Linné), Goethe escreveu “

Linné e seus sucessores procederam como legisladores, menos preocupados com o

que era do que com o que deveria ser

problema de saber como tantos seres inerentemente independentes uns dos outros puderam vir a existir, lado a lado, com algum grau de harmonia.”

Ao invés de apenas considerar suas partes, Goethe olhava para a totalidade da planta, seu desenvolvimento ao longo do tempo e suas relações dinâmicas com as outras formas e processos vegetais. Goethe concebia as múltiplas expressões da vida vegetal como variações de um tema universal, ao qual chamou de Urpflanze (planta arquetípica). Goethe via as plantas não como formas estáticas, mas como uma expres- são dos processos dinâmicos de mudança contínua, existindo tanto no tempo quanto no espaço. Ele foi capaz de perceber a fluidez das formas dos seres vivos como uma expressão de padrões etéricos e leis cósmicas subjacentes. Referia-se a essas formas e processos como os gestos das plantas ou animais. Essa concepção é similar à Doutrina das Assinaturas de Paracelso, uma compreensão de que há uma correspondência en- tre as formas físicas externas e as qualidades interiores que elas expressam.

mas sem dúvida decididos a resolver o difícil

sinto-me, portanto, justificado em concluir que

eu usava aquelas figuras e fendas como as letras de um alfabeto, eu tinha ”

o perceptível aos sentidos corresponde inteiramente ao espiritual,

35

Repertório das Essências Florais

O trabalho pioneiro de Goethe oferece uma base para uma compreensão viva da

linguagem da Natureza. É uma ciência qualitativa da Natureza, que contrasta com a abordagem estritamente quantitativa da predominante visão reducionista e mecanicista da Natureza. Em vez de simplesmente mensurar os constituintes químicos de uma planta, Goethe estudava como a forma da folha evoluía da planta jovem à madura, surgia sob nova forma nas pétalas da flor e novamente nos estames e pistilos. Em vez de ver o florescimento e a frutificação de uma planta como mero mecanismo de propagação, Goethe os via como o apogeu de uma dança de expansão e contração, expressa de uma nova maneira em cada estágio do crescimento da planta. A partir desse entendimento, ele desenvolveu seu conhecido conceito da metamorfose das plantas.

Na abordagem goethiana da ciência, a consciência humana torna-se na verdade um instrumento de pesquisa. O próprio pensamento torna-se metamórfico, desenvol-

vendo a mesma mobilidade e flexibilidade dos fenômenos que encontra. Isso envolve

a recriação de uma imagem interior daquilo que percebemos no mundo exterior atra-

vés dos nossos sentidos. Essa capacidade é uma extensão da imaginação artística;

mas difere daquilo que geralmente entendemos por imaginação, na medida em que é uma resposta precisa aos fenômenos reais da Natureza.

Através desse processo que Goethe chamou de “imaginação exata”, começamos a experimentar não só os fenômenos da Natureza, mas também seu efeito sobre nosso próprio ser à medida que os experimentamos interiormente. Desse modo podemos perceber não só os objetos e eventos da Natureza, mas também as forças e qualidades que os permeiam. Somos, assim, capazes de apreender os arquétipos que vivem na Natureza não como abstrações intelectuais e sim como percepções diretas do nosso pensamento vivo.

A observação está casada com o pensamento, permitindo que a percepção cresça

e se torne um conceito vivo. O método científico goethiano, desse modo, traz ao

processo de pesquisa uma reconciliação da dicotomia interior e exterior, participante

e observador, objetividade e subjetividade.

Na ciência goethiana, o observador se torna um participante consciente do pro- cesso de pesquisa. Isso é diferente da “consciência do observador” convencional, em que o pesquisador finge ser um espectador distanciado, sem conjeturas nem envolvimentos. No método científico convencional, qualquer participação subjetiva no projeto de pesquisa é vista como uma interferência a ser evitada. Já que está na natureza da observação científica o fato de que o observador afeta aquilo que é obser- vado (o “Princípio da Incerteza” de Heisenberg), essa participação não reconhecida se torna inconsciente, freqüentemente levando a premissas e conjeturas ocultas. Por outro lado, o cientista goethiano cultiva ativamente a clareza de sua própria consciên- cia e assume a responsabilidade por ela enquanto instrumento científico.

Contudo, o método goethiano também é diferente da abordagem totalmente sub- jetiva, na qual nosso mundo interior é ingenuamente projetado sobre o mundo exte- rior, de um modo autocentrado que nega a diversidade daquilo que está fora de nós.

E tampouco é como a jornada psíquica ou induzida por drogas, que nos tira do corpo

físico e leva-nos a outras realidades, ou nos põe em contato astral com seres desencarnados.

O método goethiano é um encontro com um mundo natural bastante tangível e

que tem suas próprias leis e verdades. Nossa compreensão desse mundo precisa base-

36

O que é a Terapia Floral?

ar-se naquilo que realmente existe nele, descobrindo a correspondência entre a expe- riência interior e os fenômenos externos. É uma aptidão que exige tempo e paciência até se desenvolver numa verdadeira técnica de pesquisa científica que possa discernir entre a verdade e o erro.

A ciência espiritual

Os estudos científicos de Goethe tornaram-se uma pequena contracorrente subter- rânea dentro da corrente dominante do pensamento científico. Ele ficou muito mais conhecido por sua obra literária, em especial por sua obra-prima dramática, o Fausto. Há cerca de cem anos, o filósofo e mentor espiritual austríaco Rudolf Steiner (1861- 1925) publicou os trabalhos científicos de Goethe, chamando para eles a atenção do mundo moderno e expondo pela primeira vez a real significância da epistemologia científica de Goethe. Steiner reconhecia em Goethe um rigoroso fenomenismo, no qual o pensamento permanece fiel às percepções diretas da Natureza. Não é que Goethe se esquivasse de pensar, mas sim que seu pensamento era moldado por sua percepção. Desse modo, ele evitou o erro da ciência convencional, que aplica ao mundo metamórfico dos seres vivos as leis mecanicistas apropriadas aos objetos ina- nimados.

Steiner não era contrário à ciência natural moderna. Ele reconhecia que a humani- dade, na tentativa de explicar o mundo natural, desenvolvera a importante faculdade do pensamento independente. Em vez de descartar o método científico, ele queria

ampliá-lo, desenvolver uma ciência espiritual, à qual deu o nome de antroposofia, que significa “sabedoria da humanidade”. Em sua série de palestras, The Boundaries of Natural Science (As Fronteiras da Ciência Natural), Steiner disse, “Precisamos co-

meçar adquirindo a disciplina que a ciência moderna pode nos ensinar (

e assim estender essa

) Não

consegue alcançar o verdadeiro conhecimento do espírito quem não adquiriu disciplina científica, quem não aprendeu nos laboratórios a investigar e pensar de acordo com o moderno método científico.”

A ciência espiritual de Steiner está construída sobre a ciência goethiana, mas ado- tou uma abordagem complementar. Enquanto Goethe começava com o objeto perce- bido e se dirigia para o conceito, Steiner partia do pensamento puro e então desenvol- via a percepção. A ciência goethiana é um estudo da Natureza, mas Steiner desejava utilizar a disciplina científica na investigação da própria consciência.

Em seu livro The Philosophy of Freedom (A Filosofia da Liberdade), também co- nhecido como The Philosophy of Spiritual Activity (A Filosofia da Atividade Espiritu- al), Steiner sustentava que a faculdade do pensamento humano pode ser elevada a um nível em que se torna atividade espiritual. Enquanto tal, ela tem mais afinidade com a meditação consciente do que com uma experiência mística de fusão com o divino. Em sua essência, essa atividade espiritual do pensamento é totalmente “livre dos sentidos” e, contudo, pode ser experimentada diretamente e sua verdade validada. Steiner ofere- cia a matemática pura como um exemplo de pensamento livre-dos-sentidos, devido à sua rigorosa coerência lógica e sua capacidade de ser verificável. É através do desen- volvimento do pensamento superior, afirmava Steiner, que temos a possibilidade de conquistar a verdadeira liberdade, de crescer até a maturidade espiritual assumindo a responsabilidade pela aptidão do nosso Eu Espiritual de apreender as verdades mais elevadas.

) e transcendê-

la, para que possamos usar a mesma abordagem rigorosa (

metodologia também para a investigação de reinos inteiramente diferentes (

)

37

Repertório das Essências Florais

A ciência goethiana e o pensamento livre-dos-sentidos, explicava Steiner, formam os dois lados de uma polaridade, matéria e consciência; ambas precisam ser encontra- das e harmonizadas para que seja desenvolvida a verdadeira ciência espiritual. Ele comparava esse processo à antiga ioga da respiração praticada no Oriente, a qual trabalhava com o ciclo de inalação e exalação. Nessa nova ioga da era moderna, nós “inspiramos” nossas percepções sensoriais do mundo e “expiramos” nossos pensa- mentos. Como Steiner descreveu em Boundaries of Natural Science (As Fronteiras da Ciência Natural), “inalação e exalação são experiências físicas: quando elas estão harmonizadas, a pessoa experimenta conscientemente o eterno. Na vida cotidiana, experimentamos o pensamento e a percepção. Ao trazermos mobilidade à vida da alma, experimentamos o pêndulo, o ritmo, a contínua vibração da percepção e do pensamento interpenetrando-se”.

Ao unir percepção e pensamento dentro da nossa experiência anímica, temperados com a disciplina científica, a ciência espiritual é capaz de evitar os problemas do conhe- cimento subjetivo bem como os desequilíbrios, já discutidos antes, dos métodos científi- cos convencionais. A pesquisa científico-espiritual exige que nos libertemos da projeção psíquica, da propensão emocional e da auto-ilusão, a fim de nos tornarmos precisos instrumentos de percepção e insight. Contudo, para alcançar a objetividade, nem nos tornaremos um observador independente apartado da Natureza e divorciado de qual- quer experiência interior, nem dependeremos de abstratos instrumentos técnicos de mensuração. Ao contrário, a verdadeira objetividade consiste em uma capacidade disci- plinada e sistemática de observar e compreender aquilo que está sendo observado. A essência do método científico — observação objetiva e documentação dos fenômenos — precisa ser integrada com a essência da abordagem espiritual — o reverente reco- nhecimento dos estados transpessoais e transfísicos da realidade e do ser.

Através da ciência espiritual, a alma humana pode encontrar o reino arquetípico da Natureza e os reinos mais elevados do espírito, com a mesma clareza e disciplina interior que são postas em prática nas ciências físicas. Assim como o cientista botâni- co, por exemplo, pode desenvolver a capacidade perceptiva de distinguir claramente a estrutura de uma flor, também o cientista espiritual pode aprender a empregar a visão interior para “ver” as forças que formam a flor e a “idéia” viva ou arquétipo dos reinos mais elevados que trazem a planta à vida.

Essa nova ciência da Natureza requer uma intensificada elevação das capacidades da alma humana voltadas à imaginação (clara vidência), à inspiração (clara audiência) e à intuição (clara senciência ou clareza de sentimentos e sensações). Todos esses métodos de trabalhar com os fenômenos da Natureza precisam ser fortalecidos e amplificados por uma comunidade de pesquisadores que estejam trabalhando de mo- dos similares, a fim de que os insights individuais possam ser corroborados e refinados através de um pool de conhecimentos coletivos.

As abordagens científico-espirituais de Goethe e Steiner têm sido retomadas e elaboradas por muitos pesquisadores contemporâneos que trabalham nos campos da botânica, biologia animal, agricultura biodinâmica, medicina antroposófica, física, química e matemática. Nas nossas pesquisas de essências florais, enfrentamos um desafio semelhante. Será que podemos aplicar o espírito da ciência às qualidades interiores encontradas na planta, integrando a clareza do método científico com sufi- ciente sensibilidade de alma?

38

O que é a Terapia Floral?

O Estudo das Plantas usadas nas Essências Florais

A pesquisa das essências florais é basicamente um processo dual: envolve o estudo das plantas usadas no preparo das essências, e o estudo das experiências das pessoas que utilizam as essências. Ambas as áreas são de vital importância, mas o estudo das plantas representa talvez o maior desafio, exigindo a abertura de um novo terreno.

Tanto o desenvolvimento dos remédios florais pelo Dr. Bach como a tradição homeopática de Hahnemann, da qual surgiu o trabalho de Bach, enfatizam o uso clínico dos remédios e oferecem poucas diretrizes para o estudo, diretamente na Na- tureza, das fontes desses remédios. Até certo ponto, os nossos estudos das plantas usadas nas essências florais podem recorrer às tradições fitoterápicas de muitas cultu- ras, ricas em informações e conhecimentos sobre as plantas úteis. Contudo, grande parte do conhecimento fitoterápico é vago ou fragmentário, geralmente representan- do remanescentes incompletos de culturas do passado. A fitoterapia de hoje, muito à semelhança da medicina convencional, com freqüência enfatiza as propriedades e efeitos físicos das plantas, sem relacioná-los com suas qualidades anímicas ou influên- cias sutis. Nos ensinamentos alquímicos de Paracelso e outros, encontramos uma abordagem rudimentar ao estudo das plantas que integra os mundos interior e exteri- or. Porém, quando olhamos para o moderno desenvolvimento dos estudos alquímicos, predomina a abordagem puramente simbólica da psicologia junguiana, a qual não está relacionada com as substâncias reais da Natureza.

Nossa tarefa, portanto, é criar uma alquimia moderna, uma nova ciência da Natu- reza que possa nos ajudar a compreender as plantas que usamos nas essências florais. Ao longo desse caminho, os estudos naturais de Goethe e a filosofia científico-espiri- tual de Steiner podem ser um farol orientador. Mas Goethe e Steiner nunca aplicaram seus métodos ao estudo da linguagem anímica das essências florais, e as descobertas de Bach sobre as essências florais nunca se desenvolveram em direção a uma ciência sistemática das plantas. Assim, embora tenhamos muito a aprender com aqueles que vieram antes de nós — personalidades como Paracelso, Hahnemann, Goethe, Steiner, Jung, Bach, e tradições como a fitoterapia, o xamanismo e a medicina popular — precisamos fazer novas perguntas e buscar novas respostas. Encontrar nosso cami- nho rumo a uma ciência espiritual da terapia floral é uma jornada verdadeiramente pioneira, da qual mal demos os primeiros passos.

A importância da observação física das plantas

As pessoas que preparam essências florais (e outros remédios naturais) para o público têm como responsabilidade fundamental compreender as plantas que usam. Para os terapeutas e para aqueles que usam as essências florais no lar, os métodos de pesquisa descritos abaixo constituem uma importante base de conhecimentos que lhes permite apreciar o complexo esforço exigido na descoberta e na meticulosa pes- quisa das propriedades das essências. Mesmo para aqueles que não estão diretamente envolvidos na pesquisa das plantas, é importante compreender as muitas considera- ções da pesquisa que envolve o estudo de campo das essências florais.

No programa de pesquisas da Flower Essence Society, iniciamos o estudo das qualidades de uma essência floral com a observação da própria planta e sua relação com o ambiente. Nas palavras de Paracelso, “se queres conhecer o Livro da Natureza,

39

Repertório das Essências Florais

deves trilhar suas páginas com teus pés”.

Antes de interpretar as qualidades anímicas das plantas, é importante cultivar a disciplina de verdadeiramente perceber a planta, observar sua cor, forma, hábitat, padrões de crescimento e ciclos sazonais. Todos esses detalhes físicos oferecem um alicerce sobre o qual construiremos insights bem fundados das qualidades sutis da planta. Após termos, com sensibilidade, nos aproximado da planta como um ser físico, registrando nossas diversas observações num diário e caderno de esboços, podemos gradualmente criar uma imagem interior da planta e começar a entender sua natureza essencial.

Este processo é semelhante à observação atenta que fazemos da postura, das expressões faciais e dos movimentos de uma pessoa quando queremos compreender algo do seu caráter interior. Precisamos primeiro discernir nas formas e movimentos físicos das plantas aquilo que Paracelso chamou de assinatura e Goethe, de gesto, antes de podermos conhecer as qualidades de alma que elas representam.

Adquirir tais insights profundos envolve uma observação paciente e contínua, e um profundo amor e senso de maravilhamento pelo mundo das plantas. Assim como não podemos dizer que conhecemos realmente bem uma pessoa após um ou dois breves

encontros, também é necessário desenvolvermos um relacionamento ao longo do tempo com qualquer planta que desejemos conhecer. Além disso, assim como neces- sitamos saber algo sobre as ligações de uma pessoa com sua família e sua comunidade

a fim de formarmos um quadro mais completo de quem ela é, também deveríamos

considerar a relação da planta com seu hábitat, com as outras plantas, o mundo animal, os ciclos sazonais da Natureza e as mudanças ambientais.

É importante lembrar que a planta é um ser no tempo. Não conhecemos uma planta vendo-a apenas em floração. A flor é o auge de um processo que começa com

uma semente, desenvolve-se em raiz e brotos, abre-se em folhas, cresce através de estágios de novos ramos e folhas, concentra suas energias nos botões e finalmente irrompe em floração. O processo continua com a fertilização e queda das flores e com

o amadurecimento dos frutos e sementes, através das quais o ciclo recomeça.

Conseqüentemente, para preparar essências florais precisamos conhecer mais do que apenas a flor no momento da floração. O nosso estudo abrange a planta toda à medida que ela se estende no tempo e no espaço. Pois a essência floral não é simples- mente um extrato da substância da flor; é uma destilação de todo o ser da planta. É no momento da floração que a mais elevada expressão anímico-espiritual da planta se manifesta; mas, somente se estivermos dispostos a seguir a planta em sua jornada completa, é que poderemos realmente apreciar o mistério da flor.

Esse profundo conhecimento da essência das plantas é muito importante, não só para que elas possam ser usadas com sabedoria, mas também porque as plantas são seres vivos, pedindo que nós apresentemos sua essência ao mundo com todo o res- peito, precisão e fidelidade possíveis. Assim como é fácil interpretarmos mal uma pessoa porque projetamos sobre ela nossas conjeturas subjetivas ou porque não dedi-

camos o tempo suficiente para realmente aprender com ela e escutar sua história de vida, também é muito fácil distorcermos nossa relação com as plantas. Se não estamos familiarizados com a observação das plantas, podemos ter dificuldade em estabelecer

a diferença entre o que é realmente significativo a respeito de uma determinada planta

e o que é uma propriedade comum a muitas plantas. É fácil simplificar em demasia o processo de descoberta dos gestos das plantas. Precisamos estar preparados para

40

O que é a Terapia Floral?

observar e experimentar muitas plantas, durante anos e anos, até sermos capazes de realmente compreender o gesto arquetípico e a correspondente essência anímica de uma determinada planta.

Conhecendo a planta: um estudo de campo do Yarrow/milefólio

Primeiramente travamos conhecimento com uma planta como um ser que tem sua forma particular, suas cores e aromas específicos, e um relacionamento com seu hábitat. Estamos interessados em compreender como cada parte dessa planta se relaciona com o todo, e como ela é em comparação com as outras plantas. Ao longo do tempo, observamos a relação que existe entre os ciclos da Natureza e a planta e seus padrões de crescimento.

Para dar uma dimensão prática ao esboço da nossa pesquisa sobre as plantas,

oferecemos algumas indicações gerais para o estudo da Achillea millefolium, o milefólio

ou Yarrow, em inglês. A partir dessa conhecida erva silvestre é preparada uma das mais proeminentes e eficazes essências florais incluídas neste Repertório.

Encontramos o milefólio florescendo em áreas abertas e ensolaradas, e particular- mente magnífico no hábitat das campinas de montanhas. No início da primavera,

vemos apenas um tapete de folhas verde-escuras e cobertas de lanugem, bem junto ao chão. Esfregando as folhas entre os dedos, deparamo-nos com um aroma forte e penetrante. Se es- cavarmos um pouco, veremos as raízes rizo-matosas espalhando-se sob a terra. Quando a primavera está mais adiantada, um forte cau- le central ergue-se da matriz enfolhada, alcançando uma altura de 30 cm a um metro. Arranjadas alternadamente ao longo do cau- le, coberto de pêlos finos, surgem mais folhas penugentas, de até 13

cm de comprimento.

No calor e na luz presentes por volta da época do solstício de ve-

rão, o milefólio desabrocha suas flores num brilhante dossel bran- co sobre a folhagem verde, pare- cendo reluzir com sua radiância quase incandescente. Olhando mais de perto, vemos que o caule ramificou-se muitas vezes para for- mar a umbela, a inflorescência em forma de guarda-chuva. A copa da umbela é um agrupamento extre- mamente compacto de muitas flo-

res (cada uma delas com cinco rai-

os brancos semelhantes a pétalas) e de florinhas centrais com peque-

semelhantes a pétalas) e de florinhas centrais com peque- Yarrow Achillea millefolium O milefólio se distingue

Yarrow Achillea millefolium

O milefólio se distingue por suas folhas penugentas, pelo caule forte e reto, e pela umbela de radiantes flores brancas compostas.

41

Repertório das Essências Florais

nos pontos amarelos, onde as anteras vão primeiramente surgir nos estames. O admi- rável é que à medida que o verão vai se transformando em outono, o milefólio perma- nece em plena floração, só gradualmente secando conforme se aproxima o inverno, porém ainda retendo sua forma característica.

O milefólio é encontrado em todas as zonas temperadas dos Hemisférios Norte e

Sul. É uma erva perene, com um robusto caule lenhoso e um forte sistema de raízes espalhando-se vigorosamente a partir de estolhos subterrâneos. O nome “milefólio” e o nome da espécie, millefolium, significam “mil folhas”, referindo-se às folhas finamente divididas e altamente definidas. Ao contrário de muitas plantas que têm largas folhas carnudas, ou daquelas plantas com folhas estreitas ou divididas somente na sua parte superior, mesmo as folhas mais baixas do milefólio são cobertas por uma lanugem. A planta toda é altamente aromática, enchendo o ar com um perfume muito pungente, especialmente quando ao calor do sol.

Além do milefólio-branco, duas outras variedades foram incluídas neste Repertó- rio. O Pink Yarrow/milefólio-cor-de-rosa é, em aparência, quase idêntico ao milefólio- branco comum, exceto pelas flores que vão do rosa-escuro ao rosa-avermelhado. É freqüentemente cultivado como variedade hortícola, mas muitos deles, em tons mais claros de rosa, ocorrem naturalmente. O Golden Yarrow/milefólio-dourado é uma planta maior e mais robusta, nativa da Ásia Menor. Suas flores amarelo-douradas perdem os raios em forma de pétala, mantendo apenas os centros amarelos firme- mente agrupados. Suas folhas são maiores, e mais semelhantes às da samambaia do que penugentas.

As forças elementais e alquímicas presentes na planta

À medida que vamos refinando a nossa observação da planta, somos capazes de, a

partir da estrutura física, chegar a uma percepção de como as forças vitais agem atra- vés da planta. Uma das maneiras mais básicas de ver a planta é através dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo; um sistema proeminente na tradição alquímica e que pode ser rastreado até Aristóteles. Não devemos confundir esses quatro elemen- tos com os cerca de 100 elementos químicos da tabela periódica da ciência moderna. Os quatro elementos alquímicos representam processos e qualidades da Natureza, não “blocos de construção” físicos. A terra representa a qualidade de solidez e vigor; a água, a qualidade de liquidez e vida; o ar, a qualidade de expansão e receptividade à luz; e o fogo é o princípio da radiância, do calor e da transformação. Na alma huma- na, cada elemento expressa um dos quatro temperamentos humanos, tais como eram conhecidos no pensamento clássico. A pessoa presa à terra é melancólica; a pessoa da água, fleumática; a pessoa aérea, sanguínea; e a pessoa ígnea, colérica.

Cada planta contém em si a ação de todos os quatro processos elementais. No entanto, podemos observar que alguns dos elementos são mais pronunciados que os outros. No milefólio, vemos uma forte relação com o ar nas folhas penugentas e nas flores, uma qualidade ígnea nos óleos aromáticos, uma qualidade aquática nas raízes rizomatosas que se espalham rapidamente, e uma qualidade terrena na forte estrutura do seu caule lenhoso. Em comparação com outras plantas, as forças elementais são excepcionalmente bem equilibradas no milefólio, sendo talvez a qualidade aquática um pouco menos desenvolvida.

As forças que agem através do mundo vegetal englobam mais coisas do que essas qua- tro qualidades elementais. Cada um dos constituintes químicos ou nutritivos de uma planta pode ser entendido como um processo vivo, e também como uma substância química.

42

O que é a Terapia Floral?

Por exemplo, a presença de uma alta porcentagem de sais de potássio (potassa) nas cinzas do milefólio expressa aquilo que os alquimistas chamam de sal, um processo salino terreno e criador da forma, que fica evidenciado no caule e raízes fortemente estruturados. Sabemos, pela agricultura química, que o potássio físico é usado para fortalecer os caules e prolongar a vida das folhas. A extraordinária capacidade do milefólio de construir uma estrutura bem ordenada, e mantê-la após ter atingido o estágio de floração, é testemunha dos poderes formativos do potássio. Ele cria uma espécie de “fronteira” para as forças ígneas, mais cósmicas, que operam na planta, tal como expresso nos óleos aromáticos, nas folhas penugentas e na inflorescência bri- lhante e cheia de luz. Assim, o milefólio é capaz de equilibrar a polaridade existente entre os processos cósmico e terreno, florescendo no calor e na luz do sol de verão, enquanto mantém fortemente intacta sua forma terrena.

Essa compreensão das forças que atuam através da planta tem sido aplicada de modo bastante prático na agricultura biodinâmica, uma forma de agricultura orgânica iniciada por Rudolf Steiner em 1924. O milefólio é um dos elementos dos preparados biodinâmicos empregados no composto que vai dar vida ao solo. De acordo com Steiner, o milefólio incorpora um equilíbrio tão admirável de forças terrenas e cósmi- cas que é capaz de tornar a terra sensível ao recebimento das influências vivificadoras do cosmos e de chamar as influências astrais à Terra de uma maneira harmoniosa. Este é um reflexo do efeito do milefólio sobre o ser humano, que utiliza a essência floral Yarrow para trazer vigor às fraquezas de seu corpo astral.

Nosso objetivo na pesquisa das essências florais é nos conscientizarmos dessas forças dinâmicas que agem através da planta, de modo a podermos entender melhor como essas forças se relacionam com as propriedades sutis da alma humana.

A tradição fitoterápica e o uso medicinal das plantas

Além do estudo direto da própria planta, podemos aprender muito com o conheci- mento que o ser humano acumulou sobre as plantas, o modo como elas eram usadas na alimentação e na medicina, e as qualidades que lhes eram atribuídas. Da rica heran- ça sobre o uso das plantas que existe em todas as culturas tradicionais ligadas à terra, apenas uma pequena parte sobreviveu em textos e relatos de povos primitivos acerca das ervas. Essa sabedoria não representa só uma longa história de experiências práti- cas, mas também o que resta das percepções de uma época anterior da história, quan- do a humanidade, através de sua unidade inconsciente com a alma da Natureza, tinha uma experiência clarividente das plantas. Grande parte desse conhecimento oral se perdeu ou nunca foi registrado na forma escrita. Entretanto, por ser produto de uma percepção consciente pré-científica, há muita projeção e inexatidão misturadas com o verdadeiro insight. Desse modo, embora a tradição fitoterápica nos ofereça muitas pistas, ela nunca poderá substituir a investigação científico-espiritual meticulosa e origi- nal sobre as essências florais.

Algumas tradições fitoterápicas sobre as propriedades físicas das plantas têm sido cientificamente verificadas; na verdade, a farmacopéia médica do início deste século incluía muitos remédios feitos à base de ervas. Essas propriedades medicinais das plantas são pistas importantes para a compreensão das essências florais. Como des- crevemos anteriormente, as qualidades de uma essência floral expressam a “oitava” superior das propriedades físicas; são uma expressão paralela, no corpo astral ou etérico, daquilo que a erva física está fazendo no corpo físico.

O milefólio é um exemplo de erva com uma extensa história de usos e tradições

43

Repertório das Essências Florais

medicinais. Um dos nomes folclóricos do milefólio era sobrancelha-de-vênus, e essa erva foi tradicionalmente associada ao planeta Vênus, tal como relatado por antigos herboristas, entre eles Culpeper. As qualidades de alma associadas às ervas “venusianas” incluem a sensibilidade, a intuição e a compaixão.

Todavia, muitas plantas mantêm relações bipolares e isso certamente é verdadeiro quanto ao milefólio. Além de sua natureza venusiana, também discernimos nele as qualidades “marcianas” da força e da proteção. O planeta Marte está associado às artes marciais e o milefólio era levado pelos soldados ao campo de batalha como um talismã protetor. O milefólio foi conhecido por nomes tais como “erva-para-ferimento-de-solda- do”, “milefólio-do-cavaleiro” e “erva-militar”. Diz-se que seu gênero botânico, Achillea, refere-se ao guerreiro grego Aquiles, que usava essa erva para curar os ferimentos de seus soldados, embora ele próprio padecesse com seu vulnerável calcanhar.

A erva milefólio possui a propriedade física de tratar os ferimentos estancando o

sangue, seja em lesões externas, hemorragia interna ou fluxo menstrual excessivo. Acreditava-se também que proporcionava proteção espiritual contra os inimigos pes- soais. O chá de milefólio, preparado com toda a planta florescida exceto as raízes, é tradicionalmente usado para induzir a sudação durante resfriados ou febres, para ca- sos de indigestão e inflamação gástrica, como expectorante e para reduzir o sangramento interno.

A moderna análise química também produz informações sobre as propriedades do

milefólio que confirmam muitos dos seus usos tradicionais. A erva contém uma subs- tância amarga, a aquineína, que ajuda a estimular a digestão, além de taninos e resinas com o poder de curar feridas. Seu óleo essencial — encontrado na planta toda, mas particularmente nas flores — é verde-azulado e, como o óleo de camomila, contém azuleno (um princípio amargo e adstringente) e cineol (com atributos anti- sépticos, expectorantes e estomacais).

À medida que revemos as tradições e os usos fitoterápicos do milefólio, surgem

diversos temas. Embora suas propriedades expectorantes e diaforéticas (indutoras da sudação) tenham qualidades de liberação, a ação mais forte do milefólio parece ser sua capacidade de criar e sustentar a forma. Isso é expresso no seu poder de curar feridas e estancar hemorragias, nas suas qualidades adstringentes e em sua ação antiinflamatória. Ele também revigora os processos metabólicos da digestão, ligados ao elemento fogo, demonstrando que seu poder formativo não é estático, mas sim capaz de entrar numa relação dinâmica com as sempre mutáveis forças ígneas da vida. Mais uma vez vemos o milefólio como uma planta excepcionalmente equilibrada, com uma notável capacidade de integrar as forças terrenas e as cósmicas; ele harmo- niza a sensibilidade de Vênus com o vigor e a proteção de Marte.

Relações botânicas

Também podemos aprender muito sobre uma planta examinando sua classificação botânica e sua relação botânica com outras plantas. A tradição alquímica nos ensina a abordar a Natureza como um livro escrito numa linguagem cujo significado somos capazes de aprender a decifrar. Com esse pano de fundo, podemos então usar a disciplina científica da classificação botânica como um guia enciclopédico para as formas vivas que desejamos compreender.

Desenvolvido há mais de dois séculos por Lineu, nosso moderno sistema botânico estabeleceu uma nomenclatura universalmente aceita para a miríade de espécies de vida na Terra. Contudo, há mais coisas nas famílias, gêneros e espécies do sistema de

44

Lineu do que um método conveniente de manter a ordem, tal como o arranjo de livros numa biblioteca. A classificação botânica representa milhares de observa- ções meticulosas das formas de vida da Natureza, registrando quais característi- cas são similares e quais diferenciam uma planta de outra. Embora poucos botâni- cos estejam cientes da tradição alquímica ou mesmo das pesquisas de Goethe, as estruturas e formas que eles tão cuidado- samente estudam expressam os proces- sos vivos que atuam nas plantas e ofere- cem pistas para o entendimento de suas qualidades essenciais. A pesquisa de es- sências florais pode assim fazer uso de sistemas científicos existentes (tais como a classificação botânica) e então impregná- los com uma compreensão sensível das mensagens da alma que falam através das formas e processos da vida física.

Em nossa pesquisa, descobrimos que as plantas que estão relacionadas botani- camente em geral exibem afinidades nas qualidades de suas essências florais. As famílias vegetais, em particular, expres- sam amplas propriedades arquetípicas, com os membros de cada família repre- sentando variações sobre um mesmo tema.

Por exemplo, as plantas da família das liliáceas, tais como os lírios, possuem bul- bos aquosos e minimamente enraizados. Por isso, estão apenas frouxamente conectadas à terra, sustentando suas for- ças a partir de um útero de água vital. Por outro lado, suas típicas flores hexagonais em forma de estrela refletem a pura har- monia das esferas celestiais. As essências florais preparadas de plantas da família das liliáceas, tais como Star Tulip, Mari- posa Lily, Easter Lily e Alpine Lily, ge- ralmente trabalham os aspectos femini- nos e receptivos da alma humana, que têm mais afinidade com a harmonia do mundo espiritual. Porém, com essas es- sências a pessoa também aprende a en- frentar os desafios da vida terrena.

O que é a Terapia Floral?

os desafios da vida terrena. O que é a Terapia Floral? Mariposa Lily Calochortus leichtlinii Esta

Mariposa Lily Calochortus leichtlinii

Esta delicada flor silvestre branca e malva é encon- trada nas montanhas do oeste norte-americano. Seu minúsculo bulbo cresce em fendas rochosas, mal e mal preso à terra. Membro da família das liliáceas, possui três pétalas em forma de concha, separadas por três sépalas menores.

em forma de concha, separadas por três sépalas menores. Star of Bethlehem Ornithogalum umbellatum Nativa da

Star of Bethlehem Ornithogalum umbellatum

Nativa da Europa e norte da África, é uma das cinco flores da fórmula de emergência do Dr. Bach. Seu bulbo redondo e sua flor, que forma uma perfeita estrela de seis pontas, são típicos das plantas da fa- mília das liliáceas, as quais estão relacionadas com a cebola (às vezes classificada separadamente como sendo da família das amarilidáceas).

45

Repertório das Essências Florais

As plantas da família das rosáceas, em

contraste, são fortemente enraizadas e possuem flores e frutos com uma geome- tria pentagonal, representando a perfei- ção da forma humana (como no desenho de Leonardo de Vinci que mostra um homem com a cabeça, braços e pernas formando uma estrela de cinco pontas).

O Blackberry, o Quince/marmeleiro e a

Rose/roseira, em particular, têm longas raízes profundamente ancoradas no solo, troncos cobertos de espinhos e ramos que crescem vigorosamente. As essências pre- paradas com essas plantas trabalham os temas associados à encarnação, ajudan- do a pessoa a prender-se fortemente à vida na Terra e trazer as forças do amor, da compaixão e do compromisso.

O milefólio é um membro da família

das compostas, das flores semelhantes a Daisies/margaridas, entre elas o Sun- flower/girassol, cujas essências geralmen-

te lidam com os princípios de síntese ou

integração do Eu. Cada flor composta é como um campo de flores, pois contém muitas florinhas no disco central, bem como florinhas semelhantes a pétalas no raio que circunda o disco. A flor do milefólio leva esse princípio de integração um passo além — a copa da flor é um feixe compacta- mente organizado de muitas flo- res compostas, cada uma das quais se compõem de florinhas no raio

e no disco.

uma das quais se compõem de florinhas no raio e no disco. Blackberry Rubus ursinus O

Blackberry Rubus ursinus

O blackberry silvestre tem flores de cinco pétalas

com numerosos estames, características das plantas

da família das rosáceas. Seus ramos prolíficos e co-

bertos de espinhos, seus frutos negros e suas raízes tenazes estão entre as mais fortes expressões dessa família vegetal.

entre as mais fortes expressões dessa família vegetal. California Wild Rose Rosa californica As delicadas e

California Wild Rose Rosa californica

As delicadas e docemente perfumadas flores cor-de-rosa desta rosa silvestre são encontradas sobre um vigoroso arbusto

com espinhos aguçados e um sistema de raízes forte e pro- fundo. Ao contrário da maior elaboração encontrada nas rosas cultivadas, esta rosa mantém a simplicidade da forma de cinco pétalas.

Embora as plantas da família

das compostas compartilhem uma estrutura floral característica, as espécies vegetais individuais exi- bem uma ampla gama de formas

e gestos. Realmente, cada família

vegetal representa um amplo es- pectro de qualidades ou variações sobre um mesmo tema. Temos o Sunflower/girassol — com suas

folhas largas e redondas, e sua alta

e radiante cabeça — em contraste

com o Star Thistle — com suas folhas estreitas grudadas ao cau-

46

le, espinhos muito pontiagudos

e pequenos agrupamentos de

florinhas tubulares. Também den- tro dessa família vegetal temos

as contraídas flores do Tansy/ tanaceto, às vezes chamadas de “botões” porque contêm somen-

te as florinhas do disco (como se

fosse o centro amarelo da mar- garida), contrastando com o

Dandelion/dente-de-leão e a Chicory/chicória, que contêm somente as florinhas do raio.

O milefólio é um membro particularmente notável da famí- lia das compostas, pois também

se assemelha de muitas manei- ras às plantas da família das umbelíferas, entre as quais está

a salsa. Com sua umbela, a

inflorescência em forma de guar- da-chuva, e suas folhas finamente divididas e aromáticas, atravessa- das pela luz e pelo ar, o milefólio compartilha as qualidades de abertura e sensibilidade de umbelíferas tais como a Angeli- ca/angélica, o Dill/aneto e a Queen Anne’s Lace/cenoura. Eles têm qualidades similares de ramificações múltiplas nas folhas finamente divididas e nas copas da flor, de caules centrais forte- mente estruturados, e de quali- dades aromáticas que penetram nas folhas e nos caules. Contu- do, embora essas plantas tenham complexas umbelas como o milefólio, as flores individuais são bastante simples, ao contrário das flores compostas do milefólio. Assim, vemos que con- quanto a classificação botânica seja um guia importante para compreendermos os gestos e assinaturas das plantas, também precisamos considerar aquelas relações entre as formas que cru- zam as fronteiras botânicas.

O que é a Terapia Floral?

Tansy Tanacetum vulgare Esta flor composta tem somente as florinhas do disco central e por

Tansy Tanacetum vulgare

Esta flor composta tem somente as florinhas do disco central

e por isso se assemelha ao centro de uma margarida, sem qual- quer florinha do raio. A copa da flor, densamente estruturada, dá uma impressão de compactação e contenção.

dá uma impressão de compactação e contenção. Dandelion Taraxacum officinale Irrompendo em florações

Dandelion Taraxacum officinale

Irrompendo em florações amarelo-brilhantes no início da pri- mavera, esta flor composta tem somente florinhas do raio. Os estames formam a estrutura central; não há florinhas do dis- co. A qualidade expansiva do dente-de-leão é vista não só nas flores do raio, mas também na cabeça de sementes que se dis- persa facilmente ao vento.

47

Repertório das Essências Florais

Repertório das Essências Florais Queen Anne’s Lace Daucus carota Este membro da família das umbelíferas possui

Queen Anne’s Lace Daucus carota

Este membro da família das umbelíferas possui um dossel de flores brancas, e suas folhas são rendilhadas, tal como o milefólio. Porém, as flores individuais são simples e com cinco pétalas, o que o distingue do milefólio, com suas florinhas compostas tanto no disco como no raio.

Dentro do vasto tema da família botânica, as plantas que compartilham o mesmo gênero têm, em sua forma, uma relação ainda mais íntima. Por exemplo, o Yarrow/ milefólio-branco (Achillea millefolium), o Pink Yarrow/milefólio-cor-de-rosa (Achillea millefolium var. rubra) e o Golden Yarrow/milefólio-dourado (Achillea filipendulina) são, todos três, membros do gênero Achillea. Neste Repertório, algumas essências florais preparadas a partir de outros grupos de plantas que compartilham o mesmo gênero são: Aesculus (Chestnut Bud, Red Chestnut, White Chestnut); Artemisia (Mugwort, Sagebrush); Calochortus (Fairy Lantern, Mariposa Lily, Star Tulip, Yellow Star Tulip); Dicentra (Bleeding Heart, Golden Ear Drops); Lilium (Alpine Lily, Easter Lily, Tiger Lily); Mimulus (Mimulus, Pink Monkeyflower, Purple Monkeyflower, Scarlet Monkeyflower, Sticky Monkeyflower); Penstemon (Mountain Pride, Penstemon); e Rosa (California Wild Rose, Wild Rose). Convidamos o leitor a examinar as descrições dessas essências na Parte III do Repertório, estudando como as relações botânicas das plantas são expressas nas qualidades das essências florais.

Dentro da família das compostas, que é grande o suficiente para englobar 10% de todas as plantas que florescem, existem também agrupamentos intermediários de plantas, conhecidos como “tribos”. Por exemplo, os gêneros Cichorium (Chicory/ chicória) e Taraxacum (Dandelion/dente-de-leão), com somente flores de raio, per- tencem à tribo das Cichorieae. O gênero Achillea (Yarrow/milefólio) pertence à tribo das Anthemideae, que também inclui os gêneros Artemisia (Mugwort e Sagebrush/ artemísias), Anthemis e Matricaria (Chamomile/camomila), Tanacetum (Tancy/aneto) e Chrysanthemum (Chrysanthemum/crisântemo, Shasta Daisy/margarida). Pode-

48

O que é a Terapia Floral?

mos ver a relação do milefólio com as plantas de sua tribo. Ele tem folhas finamente divididas como as da camomila e possui fortes óleos aromáticos como as artemísias Mugwort e Sagebrush. O milefólio-dourado, em particular, assemelha-se fortemente ao Tansy/aneto, com suas flores compactas, amarelas e somente de disco, e as folhas largas e parecidas com as da samambaia.

Ao colher todas essas relações e formas vegetais a partir de nossos estudos botâ- nicos, o que fizemos na verdade foi agrupar as várias letras do alfabeto das plantas e começar a arranjá-las em palavras. O nosso próximo passo é descobrir as relações dinâmicas entre essas palavras, de modo a poder construir frases significativas que irão formar uma “linguagem das flores”.

A sintonia com a planta

Todas as observações e estudos que fazemos das plantas são importantes contri- buições para a nossa compreensão das propriedades de uma planta, porém o todo é ainda maior do que a soma de suas partes. À medida que começamos a vivenciar a planta nos muitos e diferentes níveis que discutimos, desenvolve-se entre ela e nós uma relação mais elevada, construída a partir da nossa compreensão sensorial e men- tal; e gradualmente essa compreensão se refina, tornando-se uma percepção consci- ente extra-sensorial e meditativa. Desse modo, podemos começar a perceber os campos de energia sutil da planta, ouvir sua mensagem interior ou essência, e final- mente vivenciar a planta ao nível profundo do seu ser. Tal caminho envolve mais do que uma breve transmissão mística ou psíquica; é, em vez disso, uma relação ancora- da e muito prática com a planta, que começa na dimensão física e só gradualmente se torna metafísica.

Por ser esse processo de sintonia com a planta o resultado de uma longa e pacien- te jornada de descobrimento, só nos é possível aqui, na verdade, oferecer algumas indicações, em vez de uma descrição completa ou “receita”. Para ser precisa e exata, a sintonia com a planta tem de ser construída sobre o alicerce da observação física, junto com a contemplação e estudo atentos que já esboçamos acima. A seguir, vem o estágio da imaginação, no qual é formada uma imagem interior daquilo que é obser- vado, mas permitindo-se que essa imagem se metamorfoseie à medida que a planta se desenvolve no tempo (p.ex., o movimento de semente a rebento, raiz, folha, botão, flor e fruto) ou em suas relações com outras formas vegetais. O estágio seguinte é o da inspiração, no qual há uma escuta interior das qualidades que se expressaram no processo anterior. E por fim vem o estágio da verdadeira intuição, que é uma fusão direta com a planta, no qual as qualidades dessa planta são experimentadas como uma realidade interior.

Essa sintonia tem de ser repetida muitas e muitas vezes, até que a pessoa desenvol- va a sensibilidade e clareza para compreender a mensagem da alma da planta. E tal estudo deve tornar-se tão flexível e fluido como o próprio processo de crescimento da planta. É somente através de uma atividade metamórfica interior desse tipo que po- deremos compreender as relações dinâmicas entre forma e significado que estão subjacentes aos fenômenos da vida.

Para ilustrar esse processo, vamos retomar o Yarrow/milefólio, no qual observa- mos a qualidade sensível das folhas e flores finamente divididas, o caule e raízes forte- mente estruturados, os óleos aromáticos e a umbela de radiantes flores compostas brancas. Lembremos o seu forte princípio construtor da forma, seu caule robusto, a bem estruturada copa da flor e a capacidade de conservar sua forma durante a luz e

49

Repertório das Essências Florais

calor do verão. Também podemos pensar no uso do milefólio como talismã protetor

e erva para os ferimentos, bem como em outras qualidades que nosso estudo nos

levou a considerar. À medida que vamos recriando o milefólio em nossa imaginação, talvez vejamos asas cobertas de lanugem flutuando sensivelmente no ar, com um forte

eixo central de apoio, enquanto um dossel de luz branca nos envolve com as qualida- des da clareza, da força interior e da abertura.

Quando liberamos essa imagem e nos aquietamos internamente, talvez venhamos a ouvir ou sentir a compaixão e a vulnerabilidade, equilibradas por sentimentos de força e proteção. Conforme encontramos o milefólio interiormente, as polaridades sensibilida- de/força vão buscando integrar-se dentro de nossa alma. Começa então a surgir dentro de nossa mente uma imagem de como o milefólio poderia atuar na alma humana.

Essas impressões construídas através do estudo do milefólio têm sido desenvolvi- das e refinadas ao longo dos anos, e checadas com os resultados empíricos fornecidos pelas pessoas que tomaram a essência floral Yarrow. Dessa pesquisa, evoluiu um claro perfil da essência Yarrow. (Uma descrição da pesquisa empírica é apresentada na próxima seção.)

A essência floral Yarrow ajuda aqueles que se sentem “vulneráveis” (literalmente:

“capazes de ser feridos”) às influências dos outros e do ambiente. Ela “recostura” a aura demasiado porosa — a aura é o envoltório de energia vital que cerca e protege o corpo. A essência floral Yarrow promove o equilíbrio entre as qualidades venusianas do corpo astral, que são demasiado sensíveis, e os bem ancorados vigor e estabilidade marcianos das forças físicas e etéricas. Encoraja um saudável senso do Eu, conceden- do o vigor, a integridade e a clareza de consciência que são típicos dos membros da

família das compostas.

A essência Yarrow é particularmente útil para terapeutas, curadores e aconselha-

dores cuja compreensão e compaixão naturais podem fazê-los “absorver” as tensões

e problemas de seus clientes. Essa essência também é largamente indicada para pes-

soas afligidas por variadas formas de sofrimento psíquico, hipersensibilidade, reações

alérgicas pronunciadas e persistentes distúrbios do sistema imunológico. Yarrow faci- lita a integridade e o vigor próprios de uma saudável estrutura do ego, ao mesmo tempo em que capacita a alma a conservar sua sensibilidade e receptividade inatas. É uma essência extremamente importante para a nossa épo- ca, devido ao ritmo veloz da abertura espiritual e psíquica que ocorre ao mesmo tempo em que as forças ambientais e sociais ameaçam sobrecarregar, endurecer ou aniquilar as capacidades sensí- veis da alma humana.

Uma questão que surge com freqüên- cia é se a assinatura de uma planta ex- pressa o “problema” ao qual ela se diri- ge, ou a qualidade que é a “solução” do problema. Isso nos faz recordar nossa discussão

do problema. Isso nos faz recordar nossa discussão anterior acerca dos semelhantes, dos contrários e cias

anterior acerca dos semelhantes, dos contrários

e

cias florais incorporam uma polaridade de opostos, tor-

da União dos Opostos. Relembrando que as essên-

na-se compreensível que a forma física da planta possa expressar um lado ou o outro — ou ambos — da polarida-

50

O que é a Terapia Floral?

de. No milefólio, experimentamos a sensibilidade de alma na abertura da planta à luz e ao ar através de suas folhas finamente divididas e de seus óleos voláteis; mas também sentimos a força e estabilidade de sua forma, a sensação de proteção de sua umbela branca e a integridade do Eu que caracteriza a família das compostas. Assim, o milefólio integra em sua forma ambos os lados dessa polaridade.

Nossos testes com as essências Pink Yarrow e Golden Yarrow, em comparação com a Yarrow, também confirmaram que as variações na cor e na forma se exprimem nas qualidades das essências florais dessas plantas botanicamente aparentadas. O Pink Yarrow/milefólio-cor-de-rosa é a Achillea millefolium var. rubra, uma varieda- de do Yarrow/milefólio comum, a Achillea millefolium. Relembramos que ele é semelhante na forma ao milefólio-branco, mas suas características flores de um pro- fundo rosa-magenta sugerem uma qualidade mais emocional do que o branco puro das flores do milefólio comum. A essência Pink Yarrow é usada em situações de sensibilidade emocional excessiva, quando absorvemos as emoções dos outros ou permitimos que a astralidade de nossa alma “sangre” e se funda com os outros.

Já o Golden Yarrow/milefólio-dourado é uma espécie diferente dentro do gênero Achillea, a Achillea filipendulina. Em comparação com os outros milefólios, ele é maior, com folhas mais fortes e semelhantes às da samambaia. Sua copa de flores douradas é mais firmemente unida, e as flores enfatizam as florinhas do disco central, parecendo o Tansy/tanaceto. Contudo, ao contrário do tanaceto que cai por terra logo após florescer, o milefólio-dourado tem a característica qualidade dos milefólios de sustentar a forma, e é menos pungente.

Podemos agora desenvolver uma imagem das polaridades com as quais trabalha o milefólio-dourado. A compacta estrutura floral e a estabilidade da forma expressam um gesto para dentro; enquanto a estrutura aberta das folhas e a brilhante cor amare- lo-ouro das flores sugerem uma qualidade que se irradia para fora. A essência floral Golden Yarrow integra as polaridades de introversão e extroversão, bem como as da sensibilidade e força protetora. É freqüentemente indicada para atores e artistas performáticos cuja sensibilidade criativa torna-os demasiado vulneráveis em suas re- presentações públicas.

Há ainda uma outra essência de milefólio no Repertório, a Yarrow Special For- mula, que se distingue não pela espécie da planta usada mas pelo método de prepa- ração. Essa fórmula foi especialmente desenvolvida a pedido de terapeutas europeus após o desastre na usina nuclear de Chernobyl em 1986, para neutralizar os efeitos da radiação no corpo etérico humano. A radioatividade, que é a destruição da estrutu- ra física da matéria a nível dos átomos, representa a própria antítese das forças formativas etéricas, que são as forças construtoras das estruturas vivas. O milefólio contém sais de potássio que o ajudam a manter a integridade de sua própria estrutura. Para aumentar esse forte processo salino de intensificação da forma, a Yarrow Special Formula é especialmente dinamizada por flores da Achillea millefolium numa base de água salgada do mar. Desse modo, a Yarrow Special Formula fortalece e mantém as forças formativas etéricas que dão vigor e integridade à aura humana. Embora não substitua os cuidados médicos, ela é capaz de neutralizar os efeitos desintegradores da radiação sobre os campos energéticos humanos, quer essa radiação venha por preci- pitação radioativa, raios x, televisores, monitores de computadores, campos eletro- magnéticos ou outros perigos ambientais da vida contemporânea.

Não nos é possível, nesta visão geral do assunto, apresentar perfis completos de

51

Repertório das Essências Florais

todas as plantas usadas no preparo das essências do Repertório; oferecemos, porém, esses poucos exemplos dos métodos que utilizamos em nossos estudos das plantas. Nós o fazemos não só para abrir ao leitor uma pequena janela sobre o nosso trabalho de campo com as plantas, mas também com a esperança de que mais pessoas sejam inspiradas a unir-se ao trabalho, ainda embrionário, de desenvolvimento de uma ciên- cia viva que possa compreender as formas e processos da Natureza como uma lingua- gem que fala à alma humana.

Tal pesquisa das essências florais requer uma investigação realmente interdisciplinar. Ela envolve elementos de inúmeros campos de estudo, incluindo agricultura, astrolo- gia, astronomia, biologia, botânica, ecologia, filosofia, física, fitoterapia, geologia, geomancia, matemática (especialmente a geometria), medicina, meteorologia, nutri- ção, psicologia, química, sociologia, e expressões artísticas tais como a poesia, a pintura e a música. Além desses estudos “externos”, o autoconhecimento e o desen- volvimento interior são necessários para o estudo das essências florais. Só um amplo esforço cooperativo que transponha as fronteiras tradicionais entre os vários ramos especializados do conhecimento será capaz de abranger o pleno significado da pesqui- sa sobre as essências florais.

Estudos Clínicos das Essências Florais

Estudos de casos

Como podemos ter certeza de que nossos estudos das plantas produzem descri- ções precisas das qualidades das essências florais? Não importa quão sinceramente nos esforcemos por obter clareza e deixar de lado as idéias preconcebidas e as pro- pensões, permanece o fato de que os seres humanos são falíveis. As possibilidades de erro ou distorção são grandes, particularmente numa disciplina tão pioneira quanto a pesquisa das mensagens anímicas das flores. Se queremos aplicar o espírito da ciência em nosso trabalho, precisamos desenvolver um processo de verificação sistemática dos insights que recebemos a partir dos nossos estudos das plantas.

O meio mais básico para a verificação das qualidades das essências florais é a compilação dos relatos de casos fornecidos pelos terapeutas e usuários de essências florais que documentam suas experiências. Embora possam ser descartadas pela ciên- cia rigorosa, tais “evidências biográficas” servem como valiosas fontes de informa- ções. Na verdade, essa abordagem empírica (ou seja, baseada na experiência) não somente é a forma mais comum de pesquisa das essências florais, como também é a única base pela qual a medicina homeopática tem sido verificada ao longo dos dois últimos séculos.

Assim como o preparador de essências florais necessita tornar-se um cientista de campo (fazendo uma cuidadosa observação das plantas usadas nas essências florais e vendo como as partes individuais da planta formam uma expressão do todo), também o praticante de terapia floral precisa aprimorar suas habilidades enquanto observador científico, começando com as observações básicas das características físicas do clien- te, tais como entonação de voz, linguagem corporal, expressão facial e sintomas físicos. Um quadro vivo da pessoa em evolução pode ser então criado, incluindo sua história de vida, suas aspirações e desafios, bem como seus pensamentos e sentimen-

52

O que é a Terapia Floral?

tos. Tal como a planta, que é constantemente observada nos seus vários estágios de crescimento, a alma também caminha através do tempo e seu progresso precisa de revisão periódica. Desse modo, os estudos de caso mais bem-sucedidos são os longi- tudinais, que se estendem por numerosos meses e incorporam diversas combinações de essências florais e diversos ciclos de crescimento da alma.

Todos os terapeutas podem observar e documentar os efeitos das essências florais em seus clientes, cultivando gradualmente a disciplina da observação científica. Esta é uma habilidade fundamental e necessária para a pessoa se tornar perita na seleção de essências florais e na avaliação dos resultados de suas escolhas. É indispensável que o terapeuta perceba e registre os efeitos das essências a fim de apoiar e orientar o desenvolvimento do cliente. Com freqüência, entre uma visita e outra os clientes es- quecem uma questão perturbadora ou uma situação dolorosa que deixou de pressioná- los. Boas anotações de caso permitem ao terapeuta lembrar ao cliente o progresso que tem sido alcançado, ou reexaminar questões que ainda constituem desafios.

A hábil observação e a manutenção de registros também são fundamentais para a

coleta dos dados empíricos, os quais constroem o corpo estabelecido da pesquisa floral e reportam ou verificam os novos insights sobre as qualidades e efeitos das essências. Se tomarmos um caso isolado, ele pode parecer insignificante ou não con- clusivo, já que os relatos de caso são necessariamente filtrados através das capacida- des perceptivas tanto do terapeuta como do cliente. Porém, com muito cuidado e um conjunto de dados suficientemente grande, podemos gradualmente discernir um pa- drão sob o qual uma essência específica age.

A pesquisa empírica é extraordinariamente amplificada quando se pode comparti-

lhar os casos e se fazer referências cruzadas a partir de muitas fontes. Para esse propósito, a Flower Essence Society desenvolveu formulários de estudo de caso que cobrem os aspectos mais significativos da terapia floral. Esses estudos de caso são organizados e inseridos em nosso banco de dados computadorizado, passando depois por indexações cruzadas dentro de uma ampla variedade de fenômenos terapêuticos. Alguns dos mais significativos estudos de caso têm sido submetidos ao FES Practitioner Certification Program (Programa de Certificação de Terapeutas), que se segue ao FES Practitioner Training Program (Programa de Treinamento de Terapeutas). Os candidatos ao certificado, qualificados através do programa de treinamento, precisam completar pelo menos três casos profundos e detalhados e um ensaio correlato, que demonstrem sua manutenção de registros e suas habilidades de observação. O peso cumulativo desses casos e de outros casos que nos foram submetidos por inúmeros terapeutas do mundo todo, juntamente com entrevistas profundas e detalhadas e outros levantamentos, formam a espinha dorsal da nossa compreensão empírica das qualidades das essências florais. Esses dados também podem vir a ser a base para se projetar outros estudos que satisfaçam os parâmetros profissionais do rigor científico.

Estudos clínicos controlados

O parâmetro convencional para a verificação científica da eficácia dos remédios

envolve estudos com placebos e procedimentos de duplo-cego. Como descrevemos antes, em tais estudos dois ou mais grupos são testados, um deles pelo menos com um placebo inerte e um ou mais com as substâncias a serem testadas. O procedimen- to é “duplo cego” porque nem as pessoas testadas nem aquelas que administram os

testes sabem qual grupo usa o placebo e qual grupo usa o remédio em teste.

Rigorosos estudos duplos-cegos com as essências florais ainda estão por ser reali-

53

Repertório das Essências Florais

zados, em parte devido à falta de verbas e interesse na comunidade científica, mas também devido a certos problemas que surgem quanto aos procedimentos. Na maio- ria dos testes controlados é administrado um remédio padrão ou uma combinação padrão de remédios a cada pessoa do grupo de teste. Essas pessoas são geralmente selecionadas porque sofrem de uma mesma doença ou conjunto de sintomas. No entanto, é da natureza da terapia floral que as essências sejam selecionadas especifica- mente para cada indivíduo, como resultado de uma entrevista com o terapeuta. Pesso- as com os mesmos sintomas físicos ou emocionais podem precisar de essências muito diferentes; por exemplo, há várias essências para os diversos tipos de depressão. Assim, uma combinação floral específica talvez não seja benéfica para a maioria dos indivíduos do grupo de teste, não porque as essências em si sejam ineficazes, mas porque aquela combinação não continha as essências mais apropriadas e eficazes para cada pessoa. Por isso, permanece o desafio de provar a validade das essências florais para um grupo aleatório, como geralmente é exigido para os testes duplos- cegos.

Um outro dilema é o desenvolvimento de procedimentos e questionários para testes e avaliações que satisfaçam os parâmetros profissionais e, ainda assim, sejam também apropriados às mudanças emocionais e psico-espirituais típicas do uso das essências florais. Muitos testes psicológicos são elaborados tendo em vista as altera- ções sintomáticas, e talvez não detectem um crescimento anímico mais sutil e de longo prazo. Existe uma tensão inerente entre a exigência da metodologia científica convencional por resultados que sejam quantitativamente mensuráveis, e a necessi- dade de uma hábil avaliação das experiências qualitativas que caracterizam o uso das essências florais. A Flower Essence Society está pronta para auxiliar todos os poten- ciais pesquisadores e organizações a projetar rigorosos estudos científicos que ve- nham a atender com sucesso os critérios necessários para a aceitação profissional, mas que ao mesmo tempo permaneçam apropriados à natureza dos fenômenos rela- cionados às essências florais.

Os estudos controlados podem ser importantes para difundir o valor e a validade das essências florais aos profissionais e às autoridades reguladoras, e podem dar uma real contribuição para o conhecimento dos fenômenos ligados às essências florais. Contudo, tais métodos de verificação talvez sejam limitados quanto a sua capacidade de realmente acessar e mensurar as mudanças profundas nos sentimentos e na cons- ciência humana. Portanto, o caminho da pesquisa científico-espiritual no que se refe- re à terapia floral pode e deve sempre depender das habilidades treinadas de percep- ção do terapeuta que trabalha ativamente com os seres humanos ou outros seres vivos num ambiente terapêutico.

A Pesquisa sobre os Fenômenos da Energia Sutil

O desafio de estudar os remédios vibracionais

Além dos estudos controlados, o outro método convencional para validar os remé- dios naturais é estudar seus constituintes e seu modo de operação no organismo humano. Este é o grande desafio no caso das essências florais, pois elas têm uma natureza vibracional. Se a pessoa realiza um estudo das substâncias reais das essên-

54

O que é a Terapia Floral?

cias florais, verá que a análise bioquímica não produz resultados significativos. Os in- gredientes físicos das essências — água, álcool e uma infusão extremamente diluída de flores — não conseguem explicar seus efeitos benéficos. Sua ação reside em forças sutis não diretamente perceptíveis aos sentidos físicos e, portanto, não mensuráveis por qualquer aparelhagem física.

Em conseqüência, a autenticidade dos remédios sutis não pode ser determinada pelos estudos científicos típicos, baseados em paradigmas mecanicistas que ignoram a existência de campos de força além da dimensão física. Essa limitação tem implica- ções filosóficas e médicas, e conseqüências legais e sociais bastante concretas. Os remédios vibracionais, tais como essências florais e remédios homeopáticos, talvez sejam rejeitados pelos órgãos profissionais e reguladores não por lhes faltar eficácia, mas porque é impossível testar essas substâncias através de metodologias que foram criadas para testar os remédios baseados na bioquímica. Assim, para que a terapia floral ganhe maior aceitação e os terapeutas tenham sólidos conhecimentos dos re- médios sutis preparados a partir de plantas, é fundamental desenvolver novos méto- dos de perceber e testar as qualidades dessas plantas.

Precisamos descobrir métodos que possam transpor o abismo existente entre a experimentação científica convencional, cujas premissas materialistas excluem os fe- nômenos da energia sutil, e os métodos de pesquisa puramente espirituais, que de- pendem tão-somente da consciência do investigador. Tais métodos intermediários não irão substituir o aprimoramento das nossas habilidades de observação e percep- ção do mundo físico e das outras dimensões. Contudo, essas técnicas de pesquisa são potencialmente importantes não só como uma forma de demonstração para aqueles que questionam a realidade das essências florais, como também um meio de verificar e clarificar os insights provenientes da pesquisa espiritual direta.

Detectando as energias sutis

Um trabalho preliminar vem sendo feito com várias técnicas de pesquisa que inves- tigam diversos fenômenos físicos quantificáveis, indicando a presença de campos energéticos sutis. Tal como rastrear uma pessoa invisível através da neve seguindo as suas pegadas, esses métodos são um meio de perceber os efeitos de forças invisíveis sobre fenômenos perceptíveis aos sentidos. Esses efeitos podem ser então observa- dos, mensurados e interpretados de acordo com os parâmetros científicos convencio- nais. Estudar os efeitos físicos do invisível é exatamente o procedimento usado na física subatômica para estudar os fenômenos que estão ocultos tanto aos sentidos humanos como aos instrumentos científicos.

Cristalizações sensíveis

A cristalização sensível é um método de testar a energia sutil, no qual várias subs- tâncias orgânicas são adicionadas a uma solução de cloreto de cobre com a finalidade de produzir padrões distintos de cristalização, de acordo com a natureza da substân- cia. Esse método teve como pioneiro o cientista Dr. Ehrenfried Pfeiffer, já falecido, aluno de Rudolf Steiner e um dos que desenvolveram a agricultura biodinâmica na América do Norte. Pfeiffer conseguiu usar o método de cristalizações sensíveis para investigar a seiva e os sucos vegetais, como uma indicação da vitalidade da planta. Também trabalhou com amostras de fluidos humanos tais como o sangue, e foi capaz de utilizar as cristalizações sensíveis na detecção precoce de várias doenças. Isso tor- nou-se possível porque os padrões de cristalização foram aparentemente influencia- dos não só pela estrutura física da substância adicionada à solução, mas também por

55

Repertório das Essências Florais

suas forças etéricas, o campo de energia vital que indica um estado de saúde ou doença antes que este se manifeste no corpo físico.

A capacidade de Pfeiffer de interpretar o significado dos padrões de cristalização do

cloreto de cobre estava baseada em muitos anos de pesquisas exatas, nas quais ele examinou centenas de testes de extratos vegetais e sangue humano. Foi então capaz de desenvolver uma linguagem da forma que podia indicar com confiabilidade algo sobre a substância em teste. Infelizmente, o método de Pfeiffer não parece ser sensí- vel o suficiente para registrar os remédios vibracionais.

Porém, um pesquisador na Europa está desenvolvendo, um novo método, mais sensível, que parece ser capaz de diferenciar os vários remédios homeopáticos e as essências florais. Mas, em comparação com o trabalho de Pfeiffer, essa pesquisa está ainda num estágio muito preliminar. Até este momento, ainda não se completaram testes suficientes para confirmar se as variações nos padrões de cristalização se devem às propriedades dos próprios remédios ou a uma infinidade de outras variáveis, tais como influências ambientais ou procedimentos laboratoriais.

Se futuros testes puderem estabelecer que cada essência floral produz um padrão distinto e reconhecível, talvez tenhamos então importantes evidências de que cada essência floral carrega em si um padrão energético específico, fato este que não pode ser demonstrado pela análise química convencional. Mas, mesmo que isso seja feito, ainda teremos muitas pesquisas pela frente até sermos capazes de usar as cristaliza- ções sensíveis para produzir alguma informação significativa sobre as propriedades das essências florais. Precisaremos antes criar uma quantidade suficiente de dados a fim de que os padrões de cristalização possam ser correlacionados com as qualidades das essências florais. Até que esse trabalho paciente e metódico seja feito, não tere- mos nenhuma base para interpretar a “linguagem” dos padrões de cristalização.

Fotografia kirlian

Um outro método de demonstrar os campos de energia é o da fotografia kirlian, assim chamada por causa de seus criadores, os pesquisadores russos Semyon e Valentina Kirlian. Eles usaram cargas elétricas de alta voltagem para tornar visíveis em imagens fotográficas os campos energéticos de plantas e seres humanos. Embora as forças etéricas não sejam iguais às forças elétricas ou magnéticas, as energias etéricas pare- cem realmente ser capazes de influenciar os campos eletromagnéticos. Esta é uma outra situação em que as energias sutis deixam suas “pegadas” no mundo físico.

A fotografia kirlian foi popularizada na década de 1970 por dois livros: Psychic

Discoveries Behind the Iron Curtain (Descobertas Psíquicas por trás da Cortina de Ferro), de Sheila Ostrander e Lynn Schroeder, e The Kirlian Aura (A Aura Kirlian), organizado por Stanley Krippner e Daniel Rubin, que apresentava na capa o famoso “fantasma” de uma folha cortada. Devido às dificuldades em obter resultados verificáveis e repetíveis, o interesse por essa metodologia declinou nos anos recentes. De todo modo, alguns promis- sores resultados preliminares têm sido obtidos por pesquisadores que tiraram fotos kirlian de frascos de essências florais, bem como das pontas dos dedos de pessoas que tomaram diferentes essências. Embora esses experimentos aparentemente revelem padrões fotográ- ficos distintos para cada essência, alertamos que muitos testes ainda serão necessários para confirmar essas descobertas e tornar possível uma interpretação daquilo que os padrões

indicam acerca das propriedades das essências florais.

Assim como Pfeiffer precisou repetir seus experimentos muitas vezes a fim de esta-

56

O que é a Terapia Floral?

belecer as correlações exatas entre os padrões de cristalização e suas indicações, tam- bém a pesquisa de essências florais, usando técnicas tais como as mencionadas acima, irá requerer resultados que possam ser duplicados de modo independente por diferen- tes laboratórios e correlacionados definitivamente com essências específicas. A Flower Essence Society encoraja os pesquisadores a continuarem a desenvolver as cristaliza- ções sensíveis e a fotografia kirlian como ferramentas para a pesquisa de essências florais.

Há também muitas outras técnicas que utilizam mensurações físicas dos efeitos das energias sutis e se mostram promissoras para a pesquisa de essências florais. Algumas delas estão sucintamente descritas abaixo, com a esperança de que pesquisadores em potencial se sintam inspirados a investigar essas áreas.

Geometria das plantas e padrões celestes

Lawrence Edwards, matemático escocês, estudou a relação geométrica das formas das plantas com as forças que moldam o crescimento delas. As pesquisas iniciais nesta área indicaram a correlação dessas forças com os movimentos orbitais da Lua e dos planetas. Uma maior documentação dessas correspondências talvez ajude a verificar as associações folclóricas das plantas com as influências planetárias e com suas pro- priedades correlatas.

Efeitos no crescimento das plantas

Alguns remédios homeopáticos foram testados através da mensuração de seus efei- tos no crescimento das plantas. Este método poderia ser aplicado às essências florais, mas sabendo-se de antemão que tal estudo estaria limitado a demonstrar apenas os efeitos das essências florais sobre a vitalidade física e etérica. Pois tais testes não abor- dam o impacto das essências florais sobre a vida mental e emocional do ser humano.

Aparelhos de testes

Alguns terapeutas usam aparelhos de diagnóstico que mensuram o distúrbio relati- vo dos diversos meridianos e sistemas orgânicos. Outros terapeutas usam métodos diretos, tais como o diagnóstico de pulso. A experiência clínica demonstra que as essências florais irão equilibrar certos distúrbios. As pesquisas talvez sejam capazes de estabelecer padrões consistentes, tal como verificado por esses procedimentos de diagnóstico. Embora tais mensurações possam não indicar as plenas dimensões da transformação anímica a longo prazo, a qual é possível com a terapia floral, poderão ao menos confirmar que alguma mudança real de curto prazo ocorreu nos campos energéticos da pessoa.

Dinamólise capilar

O método da dinamólise capilar, também conhecido como cromatografia, foi ins- pirado por Rudolf Steiner e desenvolvido por Lilly e Eugen Kolisko no início deste século. O método Kolisko consiste em combinar um extrato vegetal com um sal metá- lico, tal como o nitrato de prata, e deixá-lo subir verticalmente num cilindro de papel- filtro. Forma-se um padrão ou imagem, que é uma indicação das forças em ação no extrato. Extratos vegetais têm sido testados para verificar a vitalidade de plantas medi- cinais e alimentares; fluidos humanos têm sido testados para detectar estados de do- ença. É possível que esta técnica, até agora usada com extratos físicos, possa ser adaptada de modo a indicar algumas propriedades de remédios potencializados, tais como as essências florais.

57

Repertório das Essências Florais

A técnica da gota d’água

A técnica da gota d’água, desenvolvida por Theodor Schwenk, é outra maneira de tornar visíveis as forças etéricas. Ela tem sido usada para testar a vitalidade da água potável, ou de outros líquidos, através da observação dos padrões ondulatórios que se produzem à medida que uma série de gotas de água cai na superfície de um líquido. Talvez pudesse ser desenvolvido um método similar, que indicasse as mudanças vibracionais que ocorrem na água como resultado de ela ter sido potencializada com uma essência floral.

As técnicas descritas acima talvez precisem de um maior aperfeiçoamento e orga- nização, de modo a detectarem toda a amplitude dos efeitos produzidos pelas essên- cias florais. A Flower Essence Society está altamente interessada em promover e encorajar pesquisas com métodos de verificação que detectem a presença de campos energéticos sutis nas essências florais. Já demos alguns passos iniciais em tais pesqui- sas, e acolhemos entusiasticamente a participação de outros praticantes e pesquisado- res ou suas sugestões.

Programa de Pesquisas da Flower Essence Society

Está claro que, na nossa cultura, a investigação científica é ainda a forma predomi- nante de verificar a verdade e, portanto, é um pré-requisito para a aceitação da realida- de das essências florais pelo público em geral bem como pelos profissionais e autorida- des governamentais. Mas, mesmo entre aqueles que estão convencidos da eficácia das essências florais através de sua própria experiência, a pesquisa científica das essências é igualmente importante para clarificar seus conhecimentos sobre as qualidades das essências e princípios pelos quais elas atuam.

Embora muito tenha sido feito, consideramos que nossos dezesseis anos de esfor- ços na pesquisa de essências florais são apenas um modesto começo. Estimulamos os leitores a considerarem a possibilidade de participar do Programa de Pesquisas da FES através de qualquer uma dentre as várias opções, incluindo:

1. Ampla e detalhada documentação do uso das essências florais com clientes ou

no lar. Este é o alicerce de todo o conhecimento sobre as essências florais; encoraja-

mos todos os terapeutas e usuários de essências florais a envolver-se neste nível de pesquisa. A pedido, a FES fornecerá formulários para estudos de caso.

2. Compartilhar os insights e observações sobre as diversas essências que você

tenha usado ou indicado para os outros. Isso pressupõe manter anotações gerais e buscar as tendências e padrões gerais em seu uso das essências florais.

3. Desenvolver estudos clínicos controlados das essências florais.

4. Estudos das propriedades sutis das plantas, com base nos princípios da ciência

espiritual.

5. Desenvolver pesquisas para detectar, analisar e interpretar a presença de forças

sutis nas essências florais.

Para ajudá-lo a participar do Programa de Pesquisas da FES, nós o convidamos a preencher e enviar-nos o formulário de relato encontrado junto à terceira-capa. Se seu exemplar do Repertório não tiver o formulário, teremos o maior prazer em lhe forne- cer cópias.

58

Três

O que é a Terapia Floral?

Como são selecionadas as essências florais?

Quando começamos a nos relacionar com as essências florais, é comum nos sentir-

mos assoberbados pelo fato de haver tantas possibilidades. Como podemos escolher

as essências mais apropriadas para nós mesmos, nossos amigos ou clientes? Seja nos cuidados com a saúde em casa ou na clínica, os elementos-chave são os mesmos. Precisamos conhecer a nós mesmos ou aqueles a quem estamos ajudando, e precisa- mos conhecer a linguagem de alma das essências florais.

Identificando as Questões Principais

Criar um diálogo

O primeiro passo num processo de seleção é identificar as questões-chave da alma.

O melhor meio de fazê-lo é através do diálogo — uma conversa com o outro ou um

exame interior que nos ajuda a entrar em contato com nossos sentimentos mais profundos. Em ambos os casos, o sucesso na escolha das essências florais apropria- das depende da nossa capacidade de sermos honestos e abertos a respeito de nós mesmos.

Às vezes, as questões da alma com as quais precisamos lidar são facilmente visí- veis. Contudo, o mais freqüente é que a identificação dessas questões exija uma certa investigação. É possível que percebamos de início uma sensação geral de mal-estar, mas sem sermos capazes de distinguir problemas específicos. Ou talvez estejamos mais conscientes do mal físico e precisemos perceber a mensagem interior dos nossos sintomas. Ou podemos sentir frustração ou sobrecarga, mas nos faltar insight nas causas subjacentes.

O desenvolvimento da percepção consciente dentro do processo de auto-reflexão

ou aconselhamento pode ser auxiliado por um processo de interrogação. Algumas boas perguntas iniciais são: “Qual é meu propósito na vida, e como esse propósito se reflete no meu trabalho diário? Qual é meu próximo passo na vida? Como eu me sinto a respeito do meu relacionamento com os outros? Quais lições eu estou aprendendo neste exato momento?” O próprio processo de interrogação contribui para uma atitu- de interior meditativa, de modo que a pessoa pode começar a observar mais eficaz- mente a vida de sua alma e escolher prioridades de desenvolvimento.

A importância de fazer perguntas é ilustrada pela história de Percival e sua busca

do Santo Graal. Quando chega ao castelo de um rei enfermo, Percival esquece de perguntar-lhe, “Irmão, o que te aflige?”, e assim perde a oportunidade de ser um agente de cura. Aquele rei possuía o Graal, mas não poderia usufruir de seu poder até

59

Repertório das Essências Florais

que a pergunta fosse feita. A capacidade de ouvir, observar e interrogar é fundamental em todo processo de seleção de essências florais.

Questões da alma — passado, presente e futuro

É útil que o desenvolvimento das questões da alma seja considerado à luz das expe-

riências passadas, em relação às circunstâncias atuais e em termos de sua influência sobre o futuro. As experiências emocionais da infância ou qualquer episódio significa- tivo ocorrido em fases passadas da vida podem ser chaves para a compreensão dos nossos sentimentos e reações atuais. Ao trazer para a luz da consciência essas partes freqüentemente reprimidas da nossa história pessoal, é possível identificar as atitudes e padrões emocionais que estão por trás dos desafios da vida presente. Tais questões podem envolver experiências de abandono, negligência ou abuso; podem incluir nossa resposta às expectativas dos pais ou da sociedade, ou profundos sentimentos de raiva, desespero ou pesar que a alma carrega desde os primeiros momentos de sua encarnação.

É igualmente importante rever a vida da alma no momento presente, particular-

mente para examinar as áreas cruciais do trabalho e dos relacionamentos pessoais. Se fizermos um inventário honesto dessas duas áreas-chave da nossa vida, é muito pro- vável que venhamos a descobrir uma grande quantidade de questões anímicas que

merecem atenção.

Além de avaliar os problemas e desafios do passado e do presente, é vital conside- rarmos os objetivos futuros. Podemos fazer perguntas tais como, “Como eu gostaria que fosse minha vida daqui a cinco (ou dez) anos? Quais potenciais interiores eu gostaria de trazer à tona e desenvolver na minha vida? Quais obstáculos se interpõem no caminho da realização dos meus objetivos?” Tais perguntas nos permitem identifi- car aquelas questões que podem levar avante o desenvolvimento da alma, rumo ao seu destino maior.

A biografia de cada pessoa narra uma jornada singular da alma. Através da escuta sensível podemos discernir não só as enfermidades ou problemas específicos do mo- mento mas também intuir toda a correnteza do nosso destino, à medida que ele vai jorrando do passado, fluindo através do momento presente e correndo em direção às suas possibilidades futuras.

Selecionando as Essências Apropriadas

Aprender sobre as essências florais

Uma vez determinadas as principais questões da alma, o próximo passo é selecio- nar as essências florais que melhor se aplicam àquelas questões. Embora a quantidade de essências florais possa parecer desencorajadora, é possível nos familiarizarmos gradualmente com suas qualidades, começando com aquelas essências que mais nos atraem. Podemos ler os perfis psicológicos associados às essências florais e meditar sobre essas descrições em função daquilo que sabemos a respeito de nós mesmos e dos outros.

Além disso, pode ser bastante útil aprendermos algo sobre as próprias plantas, pois elas são a fonte das essências florais. Contemplar uma foto da flor, cultivá-la no

60

O que é a Terapia Floral?

jardim ou procurá-la na natureza, são coisas que podem aprofundar imensamente nos- sa relação com a mensagem anímica de uma planta. Como ajuda ao processo de seleção, também é muito benéfico usar imagens das plantas que deram origem às essências. Com freqüência, as plantas que nos atraem têm um significado especial. Além de um conhecimento das plantas específicas, a nossa vontade genérica de vivenciar o mundo natural, e especialmente a maravilha e o mistério da vida vegetal, pode criar em nossa alma um receptáculo para receber as mensagens curadoras das flores.

A natureza bipolar das essências florais

À medida que nos familiarizamos com as propriedades das várias essências florais,

descobrimos que elas abarcam uma ampla gama de qualidades humanas, muitas das quais parecem contraditórias. Por exemplo, existem essências tais como Manzanita ou California Wild Rose