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apostila ensaios mecânicos

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA DISCIPLINA: MMA – GEM23 PROFESSOR: Sônia Goulart

de Oliveira

Trabalho 1 – Ensaios Mecânicos de Metais

Nomes: Antônio Ricardo Zaiden Bruno Alexandre Roque Guilherme Augusto de Oliveira Luis Paulo Pettersen

Uberlândia, 22 de Abril de 2010

Sumário Resumo 1. Introdução 2. Desenvolvimento Teórico 2.1. Ensaio de Tração 2.1.1. Diagrama Tensão-Deformação 2.1.2. Materiais Dúcteis e Frágeis 2.1.3. Corpos de prova utilizados para o ensaio de tração 2.1.4. Medição da Deformação Total - Alongamento 2.1.5. Equipamento para o ensaio de tração 2.1.6. Fontes de erro na geração da curva tensão-deformação 2.1.7. Fixação do Corpo de Prova 2.1.8. Outras Propriedades obtidas no Ensaio de Tração 2.2. Ensaio de Compressão 2.3. Ensaio de Torção 2.4. Ensaios de Dureza 2.4.1. Dureza Brinell 2.4.2. Dureza Rockwell 2.4.3. Dureza Vickers 2.5. Ensaio de Impacto 2.5.1. Ensaio Charpy 2.5.2 Ensaio Izod 2.6. Ensaio de Tenacidade à Fratura 2.7. Ensaio de Fadiga 2.7.1. Características do Ensaio de Fadiga 2.8. Ensaio de Fluência 2.8.1. Tipos de Ensaios de Fluência 3. Conclusão Bibliografia

Página 02 03 03 04 05 10 12 15 16 18 20 21 23 27 30 30 34 37 39 40 41 42 46 47 49 51 52 53

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Resumo Com uma indústria moderna cada vez mais competitiva, o conhecimento das matérias primas tornou-se um fator de grande relevância para os projetos mecânicos. Usar o material adequado para a fabricação de um componente, garante não apenas que o mesmo estará dimensionado e não falhará, mas também que o projeto poderá ser realizado utilizando-se um material que proporciona reduções de custos para a fabricação, tornando o item mais competitivo no mercado. Este trabalho propõe um estudo dos principais ensaios mecânicos, (Tração, Compressão, Torção, Dureza, Impacto, Fadiga, Fluência e Tenacidade à fratura). Para cada um destes ensaios, explicitaram-se os objetivos, normas, aparelhos e formas de execução de cada ensaio. O uso de figuras, sobretudo tiradas do portal (http://www.cimm.com.br), das apostilas do Telecurso 2000, facilitaram muito no entendimento e demonstração dos parâmetros envolvidos em cada experimento.

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1.

Introdução

Em um projeto de engenharia, seja ele de grande ou pequeno porte, é de suma importância o conhecimento do comportamento do material empregado no projeto, isto é, suas propriedades mecânicas, em diversas condições de uso. Estas condições de uso envolvem uma gama de variáveis, tais como a temperatura, tipo de carga aplicada e sua freqüência de aplicação, desgaste, deformabilidade, atmosfera corrosiva, entre outros. Para que o engenheiro projetista possa ter êxito em seu trabalho, é imprescindível que o mesmo tenha em mãos os parâmetros de comportamento dos materiais empregados no projeto. Tais parâmetros podem ser obtidos pelos ensaios mecânicos. Apesar de existirem tabelas com os valores de propriedades dos materiais utilizados na engenharia, é importante que os engenheiros tenham conhecimento da metodologia da execução dos ensaios, bem como o que significa cada parâmetro. Portanto, devem-se conhecer os fundamentos básicos relativos a cada ensaio mecânico. Com este objetivo, serão descritos nessa seção, os ensaios mecânicos mais relevantes para os materiais empregados na engenharia mecânica, são os ensaios de: Tração, Compressão, Torção, Dureza, Impacto, Fadiga, Fluência e Tenacidade à fratura.

2.

Desenvolvimento Teórico

Será feita uma breve discussão acerca da classificação dos tipos de ensaios mecânicos. Os ensaios mecânicos podem ser agrupados em dois blocos: • • Ensaios Destrutivos; Ensaios Mecânicos Não-Destrutivos

Os ensaios destrutivos são entendidos como aqueles que deixam algum sinal na peça ou no corpo de prova submetido ao mesmo, ainda que estes não fiquem inutilizados. Pode-se citar como ensaios destrutivos os seguintes:

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• • • • • • • • • • •

Ensaio de tração Ensaio de compressão Ensaio de cisalhamento Ensaio de dobramento Ensaio de flexão Ensaio de embutimento Ensaio de torção Ensaio de dureza Ensaio de fluência Ensaio de fadiga Ensaio de impacto

Os ensaios não destrutivos são entendidos como aqueles que após serem realizados, ao contrário dos destrutivos, não deixam nenhuma marca ou sinal na peça ou corpo de trabalho, portanto não inutilizando-os. Por este fato, estes ensaios são utilizados para a detecção de falhas em produtos acabados e semi acabados. São exemplos de ensaios não destrutivos os seguintes ensaios listados abaixo: • • • • • Ensaio visual Ensaio de líquido penetrante Ensaio de partículas magnéticas Ensaio de ultra-som Ensaio de radiografia industrial

A seguir, serão descritos os ensaios de: Tração, Compressão, Torção, Dureza, Impacto, Fadiga, Fluência e Tenacidade à fratura, descrevendo quais são os objetivos principais de cada ensaio, como são executados, as principais normas e propriedades fornecidas por cada um, bem como as normas mais usadas na execução de cada um. 2.1. O texto a Ensaio de Tração seguir foi elaborado através da consulta do portal eletrônico

www.cimm.com.br e apostilas do Telecurso 2000, sobre ensaios mecânicos. No ensaio de tração, submete-se a um corpo de prova, um esforço, que tende a alongá-lo, ou até mesmo esticá-lo até a sua ruptura. Os esforços ou cargas aplicadas ao mesmo são medidas na própria máquina de ensaio. Geralmente, este ensaio é realizado utilizando-se um corpo de prova de formas e dimensões padronizadas, para que os resultados que forem obtidos possam ser

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ou seja. Os ensaios de tração permitem conhecer como os materiais reagem aos esforços de tração. durante o ensaio de tração. A deformação plástica envolve a quebra de um número limitado de ligações atômicas pelo movimento de discordâncias. Depois de removidos os esforços. Logo. etc. dependendo da finalidade do ensaio. Como já citou-se anteriormente. Para avaliar a deformação em função da tensão aplicada ao corpo de prova.1. Os dois tipos de deformação podem ser explicados pelos movimentos atômicos na estrutura cristalina do material. os metais deformam-se. permanecendo constante o parâmetro de rede. A deformação plástica é resultante do mecanismo de formação de defeitos cristalinos (discordâncias e maclas). sendo seu núcleo atraído pelas eletrosferas dos átomos vizinhos e repelido pelos núcleos dos mesmos. os átomos tendem a se deslocar de sua posição de equilíbrio. A intensidade e o tipo de deformação sofrido pelo metal são funções da resistência mecânica do metal. ele volta a sua forma original Deformação plástica – é aquela em que removidos os esforços. Mas o objetivo principal do ensaio é a relação entre a tensão e a deformação do material.1. 6 . do caminho da deformação.comparados. quando são submetidos a campos de forças e/ou momentos. 2. que mostra as relações entre a força aplicada e as deformações ocorridas durante o desenvolvimento do ensaio. tais informações podem ser usadas tecnicamente. não há recuperação da forma original. ou. Diagrama Tensão-Deformação Como já foi citado anteriormente. levanta-se a curva denominada diagrama tensão-deformação. a deformação plástica ocorre com o volume constante. característica do tipo de rede cristalina do metal. Cada átomo do cristal vibra em torno de uma posição de equilíbrio. continua a existir um deslocamento diferenciado de uma parte do corpo em relação a outra. o corpo não recupera sua forma original. a máquina de ensaio fornece um gráfico. da intensidade das forças e momentos aplicados. Sob a ação de esforços externos. As deformações resultantes dos campos de força podem ser classificadas em dois tipos: • • Deformação elástica – é aquela em que removidos os esforços atuando sobre o corpo. como se estivessem em um poço de energia. quais os limites de tração que suportam e a partir de que momento se rompe.

denominada F. Cap. representa o limite elástico. Figura 1 – Diagrama tensão-deformação para um material com fase plástica (Telecurso 2000. 7 . no final da reta. Ensaio de Materiais.A tensão é dada pela razão entra força aplicada. denominada S. Como a seção é variável com a deformação do corpo de prova. o ponto A. 03. No diagrama abaixo. e a área da seção do corpo de prova. pág. convencionou-se que a área da seção utilizada para os cálculos é a área da seção inicial do corpo de prova.3) A seguir. serão mostrados alguns limites de resistência que podem ser obtidos pelo ensaio de tração. denominada So. A curva obtida neste ensaio apresenta certas características que são comuns a vários tipos de materiais com aplicação na engenharia mecânica.

denominado módulo de elasticidade E. durante a fase elástica. em qualquer ponto. denominado limite de proporcionalidade. como se fosse um “elástico de borracha”. considera-se que o limite de proporcionalidade coincide com o limite de elasticidade. Muitas vezes. Cap. sendo mais rígido o material. a partir do qual a deformação deixa de ser proporcional à carga aplicada. Na fase elástica. menores serão as deformações elásticas resultantes da aplicação de carga. desta forma. que é o ponto representado no gráfico a seguir por A’. é um valor constante.4) Caso o ensaio for interrompido antes do ponto elástico e a força de tração for retirada do corpo de prova. a divisão da tensão pela deformação. proporcional á tensão aplicada T. no século XVII. tem-se a seguinte relação: K = T/ ε (1) Fazendo a analogia da lei de Hooke para o ensaio de tração. desenvolvendo-se desta forma a constante da mola. todos os metais seguem a lei de Hooke. O módulo de elasticidade é dado pela seguinte relação matemática: E = T/ ε (2) Limite de Proporcionalidade A lei de Hooke só vale até um determinado valor de tensão. 8 . pág. Hooke observou que uma mola tem sempre uma deformação.Figura 2 – Representação do limite elástico (Telecurso 2000. o mesmo volta a sua forma original. Tal lei fora formulada por Robert Hooke. 03. O módulo de elasticidade mensura a rigidez do material à tração. designada ε. Quanto maior for o valor de E. designada K. sendo a variação tensão-deformação linear. Ensaio de Materiais. numa analogia simples.

Ensaio de Materiais. Cap. Ensaio de Materiais. Figura 4 . Durante o escoamento. No início da fase plástica. pág. onde ocorrem deformações permanentes do material. mesmo havendo a retirada da força de tração. mas ocorre um aumento da velocidade de deformação.Figura 3 – Limite de Proporcionalidade (Telecurso 2000. 03. pág.5) Limite de Resistência 9 . os valores de carga oscilam muito próximos uns dos outros. Cap. ocorre o fenômeno denominado escoamento.4) Escoamento Nos metais dúcteis. Tal fenômeno é caracterizado por uma deformação permanente do material sem que haja incremento da carga. 03.Limite de escoamento (Telecurso 2000. terminada a fase elástica. inicia-se a fase plástica.

cada vez maior para haver fase.Após o escoamento que é um endurecimento dos grãos que compõem o deformados a frio. Um fato importante a ser observado é que a tensã no tensão 10 . Cap 03.6 ) Limite de Ruptura Continuando a aplicação da tração. que ocorre no ponto chega-se denominado limite de ruptura (C). causado material pela quebra quando aumento da resistência exigindo a uma tensão Nessa deformação. chega se à ruptura do material. Há um do metal à tração externa. Figura 5 – Limite de Resistência (Telecurso 2000. pág. usamatemática: Lr = Fmax/Ao se a seguinte relação (3) Cap. Ensaio de Materiais. deformação subir. máximo. até chegar a um denominado limite de cálculo do valor do limite de resistência. Para o ocorre o encruamento. a tensão recomeça a valor resistência (B).

03. após ser atingida a carga máxima. pode-se ver o diagrama completo com todos os limites de resistência: 11 .limite de ruptura é menor que no limite de resistência. Cap. Ensaio de Materiais. devido à diminuição de área que ocorre no corpo de prova. Fig ura 6– Limite de Ruptura (Telecurso 2000.6) A seguir. pág.

Materiais Dúcteis e Frágeis Um material dúctil é aquele que pode ser alongado. A deformação plástica em geral é acompanhada de encruamento. Para estes materiais o domínio plástico é praticamente inexistente. pág.1. O ponto de escoamento determina a transição entre as fases elástica e plástica (com ou sem patamar na curva). após a deformação elástica. ainda na fase elástica. flexionado ou torcido. Na curva tensão deformação. Abaixo. 03. Um material frágil rompe-se facilmente. Ele admite deformação plástica permanente. Ensaio de Materiais. constam curvas tensão-deformação para diferentes materiais: 12 . sem se romper. Cap. não havendo fase plástica identificável. indicando sua pouca capacidade de absorver deformações permanentes.Figura 7 – Diagrama com os limites de resistência (Telecurso 2000. a ruptura se situa na fase elástica ou imediatamente ao fim desta.6) 2.2.

2. a seção transversal do corpo de prova pode ser circular ou retangular. No Brasil.com.Figura 8 – Diagrama tensão-deformação para diferentes materiais (http://www. A estricção determina a ductilidade do material.cimm.1.3. Corpos de prova utilizados para o ensaio de tração Os corpos de prova utilizados no ensaio de tração devem seguir padrões de forma e dimensões para que os resultados obtidos nos testes possam ser utilizados. a norma que padroniza os corpos de prova é a MB-4 da ABNT.br/portal/noticia/material_didatico/6537) Outra definição importante usada em ensaios de tração é a estricção. o desenho esquemático mostra as partes de um corpo de prova circular usado em ensaios de tração: 13 . mais dúctil será o material. Quanto maior for a porcentagem de estricção. Segundo a norma. que é a redução percentual da área da seção transversal do corpo de prova na região onde vai se localizar a ruptura. dependendo da forma e das dimensões do produto de onde for extraído. A seguir. garantindo formatos e dimensões para cada tipo de teste.

com.Calibração do sistema de medição da força NBRNM-ISO7500-1 03/2004 • • • • Materiais metálicos .Calibração de extensômetros usados em ensaios uniaxiais NBR14480 03/2000 Materiais metálicos .Parte 1: Máquinas de ensaio de tração/compressão .Determinação das propriedades mecânicas à tração NBR6673 MB856 07/1981 Produtos tubulares de aço . Como os corpos de prova são de geometria circular ou plana. cuja função é permitir a fixação do corpo de prova na máquina de ensaio.Determinação das propriedades mecânicas à tração NBR7433 MB736 07/1982 14 . A análise das propriedades mecânicas de um metal depende da precisão com que os corpos de prova são usinados.Ensaio de tração à temperatura ambiente NBRISO6892 11/2002 Materiais metálicos . Dimensões a acabamento superficial devem estar de acordo com a norma brasileira.br/portal/noticia/material_didatico/6543) Parte útil: é a porção efetivamente utilizada para medição do alongamento.cimm.Calibração de máquinas de ensaio estático uniaxial . uma usinagem adequada é essencial para um programa de testes de qualidade.Figura 9 – Partes de um corpo de prova de seção circular (http://www. Cabeça: são as extremidades.Calibração de instrumentos de medição de força utilizados na calibração de máquinas de ensaios uniaxiais NBR6674 MB1488 07/1999 Produtos planos de aço .Ensaio de tração a temperatura elevada NM-ISO783 1996 Materiais metálicos . Algumas normas pertinentes são listadas abaixo: • • • Materiais metálicos .

Entretanto o comprimento final Lf.Alongamento O alongamento do corpo de prova pode ser medido em qualquer etapa do ensaio de tração. tomando-se o mesmo número de divisões à esquerda e á direita da seção de ruptura. compensando-se a diferença do lado oposto para completar o comprimento de referência.Ensaio de tração dos produtos dúcteis e fundidos NBR7549 MB1714 12/2001 2. juntando-se a seguir as partes Mede-se a distância correspondente ao comprimento final.4. toma-se o número máximo de divisões do citado lado. 15 . seguem-se os seguintes passos: • • Marcam-se n divisões iguais sobre a parte útil do corpo de prova antes do início do ensaio. É recomendável que o comprimento total das n divisões seja bem superior ao comprimento L0 • • Traciona-se o corpo até a ruptura.Determinação da resistência à tração NBR8548 MB1804 08/1984 • Alumínio e suas ligas . A deformação total é a soma das deformações: • • • • Deformação elástica (recuperada após a ruptura) Deformação durante o escoamento Deformação plástica Deformação depois de atingida a carga máxima A soma da deformação no escoamento com a deformação plástica é a chamada deformação uniforme. é necessário para o cálculo da deformação total.1. Um comprimento de referência L0 deve ser escolhido neste estágio.• Barras de aço destinadas a armaduras para concreto armado com emenda mecânica ou por solda . quando possível. Medição da Deformação Total . Para efetuar a medição do comprimento final. Quando a ruptura for próxima ao final da parte útil do corpo de prova. no momento da ruptura.

com. O fenômeno da estricção é ilustrado na figura abaixo.br/portal/noticia/material_didatico/6543) Medição da redução de Área A estricção ocorre depois de atingida à carga máxima. ou seja.cimm. quanto maior a estricção. para um corpo de prova de seção transversal circular. mais dúctil é o material.com.Procedimento para a medição da deformação do corpo de prova (http://www. A deformação é maior nesta região enfraquecida. Figura 11 – Ilustração da medição da redução da área da seção do CP.cimm.O procedimento é ilustrado na figura abaixo: Figura 10 . (http://www.br/portal/noticia/material_didatico/6544) 16 . A estricção é usada como medida da ductilidade.

cimm. Apesar do seu caráter mais qualitativo. Então a deformação após a carga máxima não é sempre a mesma. por sua vez.Redução da área para Cp de seção retangular (http://www.Vale ressaltar que a estricção não pode ser considerada uma propriedade específica do material.com.br/portal/noticia/material_didatico/6544) Figura 14 . a estricção é mencionada e usualmente especificada para diversos materiais.cimm. a fratura depende não só do estado de tensões e deformações. As medidas de estricção podem ser tomadas tanto para corpos de seção circular como corpos de seção retangular. mas de como se desenvolveu. Figura 12 – Redução da área para CP de seção circular (http://www. As medidas e os valores são mostrados nas figuras abaixo.br/portal/noticia/material_didatico/6544) 17 . mas somente uma característica do seu comportamento.com. Isto se justifica porque o estado de tensões depende da forma da seção transversal.

4) A função básica destas máquinas é criar um diagrama de carga x deslocamento. pode-se calcular a tensão de escoamento manualmente com recurso geométrico de lápis e régua. 04. Uma vez gerado o diagrama. são também calculados o módulo de Elasticidade E. 18 . Abaixo. Quanto ao tipo de operação. pág. ou via um algoritmo computacional acoplado. e seus componentes: Figura 15 – Desenho esquemático de uma máquina universal (Telecurso 2000. a tensão limite de ruptura e o alongamento total. Neste caso. Ensaio de Materiais. as máquinas de ensaio podem ser eletromecânicas ou hidráulicas. Em qualquer caso a referência é para máquinas de carregamento estático ou quase-estático. Cap. Equipamento para o Ensaio de Tração O ensaio de tração pode ser realizado por uma máquina universal. que também executa ensaios de compressão e flexão.5. A diferença entre elas é a forma como a carga é aplicada.1. consta um desenho esquemático da máquina universal.2.

o corpo de prova chega à fratura: Figura 17 – Tração do corpo de prova até a sua ruptura (http://www. e com isso.cimm.com.cimm. enfatizando a parte da máquina onde o corpo de prova é tracionado: Figura 16 – Fixação na máquina do corpo de prova (http://www. consta um desenho esquemático da máquina.Abaixo.br/portal/noticia/material_didatico/6520) Ocorre a movimentação do cabeçote.com.br/portal/noticia/material_didatico/6520) 19 .

na maioria das máquinas para teste estático existe um pistão de ação simples.1. Entretanto. ou utilizam-se sistemas de medição sem contato. em relação a deformação do corpo de prova pode ser grande o suficiente para gerar significativas discrepâncias. que aciona o cabeçote para cima e para baixo. Em geral as máquinas eletro-mecânicas permitem uma gama maior de velocidades e maiores deslocamentos do cabeçote. Num servo sistema hidráulico de ciclo fechado. o operador ajusta o orifício de uma válvula de agulha com compensação de pressão para controlar a taxa de alimentação. As velocidades do cabeçote podem ser alteradas pela velocidade do motor. 20 . a válvula de agulha é substituída por uma servo-válvula operada eletronicamente para um controle preciso. um sistema de engrenagens de redução e um ou vários parafusos que movimentam o cabeçote na direção vertical. Estes movimentos para cima e para baixo permitem executar testes de tração e compressão respectivamente. o comprimento de medição. composto pelas colunas da máquina. Um extensômetro é caracterizado por um mecanismo de fixação. Por isso. cabeçote e mesa. os erros mais comuns são ocasionados no extensômetro. por outro lado as máquinas hidráulicas permitem gerar maiores forças de carregamento. Durante o ensaio. Numa máquina de operação manual.6. 2. Um servo-sistema pode ser adaptado para controlar mais precisamente a velocidade do cabeçote. Máquinas Hidráulicas Máquinas hidráulicas para testes são baseadas no movimento de um pistão de atuação simples ou dual.Máquinas eletromecânicas Tem seu funcionamento baseado em motor elétrico de velocidade variável. Fontes de erro na geração da curva tensão-deformação No ensaio de tração. a deflexão do quadro de cargo. o movimento percentual e a sua precisão. liga-se o extensômetro no corpo de prova. o extensômetro deverá medir apenas e deformação do corpo de prova. Na maioria das vezes. as pontas em faca.

21 . Com o intuito de evitar tais inconvenientes.br/portal/noticia/material_didatico/6547) Caso o ajuste do mecanismo de fixação estiver desgastado ou com pontas.com.br/portal/noticia/material_didatico/6547) Figura 19 . poderão ocorrer erros na confecção do diagrama. Comprimentos de medição padrão para extensômetros são em geral 1” 2” e 8”. para que sejam substituídas pontas desgastadas e as molas que não estejam pressionando adequadamente o corpo de prova.cimm.com. deve-se adotar um programa de manutenção na máquina de ensaios. O escorregamento é uma fonte de erros muito comum em ensaio de metais.Representação do escorregamento durante o ensaio de tração (http://www.Figura 18 – Pontas em faca e o escorregamento (http://www.cimm.

pois alguns materiais podem apresentar um significativo aumento da resistência à tração quando as velocidades de carregamento são aumentadas. A forma e a magnitude da curva levantada pelo ensaio podem ser afetadas pela velocidade do carregamento. Para extensômetros com cursos grandes. Com a introdução dos sistemas de teste com micro-processamento. pois se a superfície da mesma estiver suja ou desgastada. as cargas podem inadvertidamente ser zeradas. Fixação do Corpo de prova Para a maioria dos ensaios mecânicos. zerar a carga. o corpo de prova deve concentrar as tensões dentro da região de medida. deve-se assegurar que os equipamentos de medição usados para a tomada de dimensões. Deve ser tomado cuidado para fixar o comprimento de medição na hora de fixar o extensômetro. sendo usado um corpo de prova especial para o ajuste. Com o aumento da carga axial. Já com cursos pequenos. pode ocorrer o escorregamento do corpo de prova. poderá não ser possível a medição completa de alguns parâmetros. Algumas máquinas de teste necessitam do uso de contra porcas. sendo assim. o que causa erros no levantamento do diagrama. 2. Caso o mesmo não tenha sido bem fabricado. Pode haver o ajuste manual das garras. Outro detalhe de suma importância é o alinhamento do corpo de prova com as garras durante a montagem do teste. resultando em leituras reduzidas para as tensões. O ajustamento adequado e a operação das paradas mecânicas eliminam os erros de comprimento de medição.1. para que se mantenham as morsas em posição adequada. as cargas atuam aumentando a pressão de aperto sobre o corpo de prova. poderá até mesmo quebrar fora da região de medida. e finalmente fixar a extremidade inferior. Além disso. acarretando assim erros na deformação. não é recomendando o ajuste manual. As garras devem estar limpas e novas. As garras de fixação da máquina de ensaio em “v” são as mais usadas em testes de metais.O comprimento de medição necessário depende do tamanho do corpo de prova e do método de teste. pois tais desvios podem provocar o surgimento de tensões de flexão e diminuição dos valores lidos da tensão de tração. bem como o ajuste hidráulico e pneumático. 22 . estejam devidamente calibrados.7. Caso o numero de testes for grande. pode ser difícil determinar o E com precisão. Estas porcas devem ser apertadas com a máquina carregada na sua capacidade máxima de carga. Deve haver a compatibilidade entre o curso total do movimento do extensômetro e o alongamento total do corpo de prova. Para evitar este erro recomenda-se fixar o corpo de prova na morsa superior. o teste exige um formato especifico de CP.

depois retorna a forma original. que verga-se até um certo limite sem deformar. Tenacidade e Efeito da taxa de deformação. o ensaio de tração pode ainda determinar as seguintes propriedades mecânicas: Resiliência. Outras Propriedades obtidas no Ensaio de Tração Além das propriedades que já foram citadas anteriormente. É dada pela seguinte relação matemática: 1 2 ² (3) 23 .cimm.1. fenômeno similar com um elástico.Figura 20 – Fixação do CP na máquina de ensaio (http://www. A resiliência refere-se à propriedade que possuem alguns materiais de acumular energia quando exigidos ou submetidos à tensão sem fraturarem. Após tal tensão ser cessada. Um percentual de 0% revela que o material sofre apenas deformações plásticas. Esta propriedade é medida em percentual da energia devolvida após a deformação. Ductilidade. poderá haver ou não uma deformação residual causada pela histerese do material. dissipando a energia acumulada.br/portal/noticia/material_didatico/6547) 2.com. enquanto 100% deformações elásticas apenas.8.

dada pela equação: q = (Ao-Af)/Ao (5) Coeficiente de encruamento: a equação de Hollomon indica que o coeficiente n é também uma medida da ductilidade. Isto é bastante comum no caso dos aços. dada pela relação: a = (lf-lo)/lo (4) Redução de área na fratura (q).Onde: • • • = limite de escoamento. Outra forma usual de avaliá-la é através do ensaio de Impacto. As medidas convencionais da ductilidade são: Alongamento total (a): é a deformação de engenharia na fratura. Sua dependência em relação ao tamanho de grão da matriz (d). 24 . é função da microestrutura. É que ele pode obedecer a uma certa equação do tipo Hollomon em determinado trecho da curva s x e e. uma vez que ele indica a deformação verdadeira para a qual inicia-se a estricção do metal. há a necessidade de determinar-se mais que um valor de n para um mesmo material. A ductilidade é uma propriedade qualitativa que mede a capacidade do material ser deformado plasticamente sem que ocorra a ruptura ou a estricção localizada. É medida pela área sob a curva tensão deformação. É adimensional e independe do tamanho inicial do CP analisado. 0 E = módulo de elasticidade ou de Young. A tenacidade é a capacidade do material absorver energia na região plástica. sendo sensível ao tamanho de grão da matriz e da quantidade de impurezas contidas na mesma. w = módulo de resiliência. para aços baixo C. é dada por (com d em mm): N = 5/(10+d^-1/2) (6) Às vezes. em outro trecho desta curva pode ser que outra equação do tipo Hollomon se adapte melhor.

sobretudo para materiais como concreto.cimm. Para que a flambagem não ocorra. cerâmica. Instituto de Física da Universidade Federal de Uberlândia. Pag. a partir do qual é construído o diagrama Tensão x Deformação convencional (σ x ε). correspondente às forças aplicadas. O corpo de prova geralmente é colocado dentro de uma gaiola de proteção.2.com. a altura da amostra não deve ser maior do que três vezes o valor do seu diâmetro. “Apostila de Resistência dos Materiais experimental”. e é de suma importância para a engenharia. Ensaio de compressão O ensaio de compressão consiste numa aplicação lenta e crescente de uma força de compressão uniaxial. que será submetido à ação das forças aplicadas por uma máquina de ensaio universal. que segue as normas determinadas por órgãos competentes. ferro fundido. Esta padronização. tem como objetivo evitar a falha do material pelo processo de flambagem. até a sua ruptura1. Uma das exigências da realização do ensaio é a padronização do corpo de prova. Este ensaio é muito usado para a obtenção de propriedades mecânicas (como por exemplo. que oferecem boa resistência à compressão. limite de ruptura à compressão) de materiais frágeis. 14 1 25 .Ilustração de um Corpo de prova para ensaios de compressão (http://www. em uma amostra padronizada.2. para que fragmentos do mesmo não escapem para as adjacências do local de ensaio. A figura abaixo ilustra um exemplo de um corpo de prova utilizado num ensaio de compressão: Figura 21. Durante o ensaio podem ser anotados os alongamentos sofridos pela amostra. etc.br/portal/noticia/material_didatico/6548) Algumas máquinas de ensaio fornecem o diagrama Carga x Alongamento (P x ∆l).

4. na fase elástica. são os mesmos para tração e compressão. 35 26 . 2.org/wiki/Ficheiro:Stress_v_strain_A36_2. 5.png) 1. Assim. e. UFJF. Figura 22 – Diagrama tensão-deformação convencional de um dúctil submetido à compressão (http://pt.wikipedia.Para os materiais dúcteis sob compressão. obtém-se o mesmo valor para o limite de escoamento2. Admite-se que o módulo de elasticidade E o coeficiente de Poisson υ—. 3. 2 Flávio de Sousa Barbosa. os materiais dúcteis ensaiados à compressão apresentam um diagrama σ x ε semelhante ao diagrama do mesmo material ensaiado à tração. Apostila de Resistência dos materiais. Pag. até o valor da tensão de escoamento os valores das deformações são semelhantes aos obtidos num ensaio de tração. obtidos experimentalmente. Tensão máxima Tensão limite de escoamento Limite de ruptura Região de Encruamento Região de "Estricção".

no caso de materiais dúcteis. o diagrama σ x ε cresce indefinidamente até a ruptura. 27 . ao fato da tensão de cisalhamento atingir seu valor máximo neste plano. ao contrário do que mostra o diagrama convencional. Da equação 2. 2 2⋅E [ N ⋅ mm ] mm 3 (9) É importante ressaltar que.A tensão na fase elástica pode ser calculada pela seguinte expressão: σ= P [MPa] A0 (7) Onde P é a carga aplicada em Newtons ( N ) e Ao é área de seção transversal inicial do corpo de prova em ( mm ). Para todos os materiais frágeis. a ruptura se dá num plano orientado a aproximadamente 45º em relação à direção de aplicação da carga. devido. No caso de materiais frágeis. através das seguintes equações: σ Ruptura = PRuptura A0 [MPa] (8) U compressão = σ comp. A tensão de ruptura e o módulo de resiliência são também calculados pelas equações (8) e (9). o limite de resistência à compressão é maior do que o limite de resistência à tração. principalmente.1 é possível calcular a tensão de ruptura 2 σ Ruptura e a energia U absorvida pelo corpo de prova na fase elástica.

org/wiki/Ficheiro:Stress_v_strain_brittle_2. Figura 23 .wikipedia. de diferentes materiais. é mostrada a forma pela qual os corpos de prova. Ruptura.1. Tensão máxima de tração 2.br/portal/noticia/material_didatico/6551) 28 .png) A seguir.Ruptura de material frágil sob compressão (http://pt. se apresentam após a execução do ensaio: Figura 24 – Deformações dos corpos de prova no ensaio de compressão (http://www.com.cimm.

19/04/2010 29 . Este ensaio pode ser utilizado para analisar o comportamento de eixos de transmissão.br/fabricacao. são utilizados corpos de prova3. Ensaio de Torção Outro tipo de ensaio muito importante para o conhecimento das propriedades mecânicas dos materiais é o ensaio de torção. o comprimento útil. É recomendável que o comprimento útil esteja centrado em relação ao centro geométrico do corpo de prova. necessita-se que o teste ocorra sem atrito. para aços e titânio. Figura 25 .Corpo de prova cilíndrico para ensaios de torção (Telecurso 2000. Cap.laboratorios. pág. usinam-se sulcos rasos nas faces do corpo de prova. Para temperaturas elevadas. deve estar afastado das superfícies de contato com a máquina de ensaio em pelo menos um valor do diâmetro do corpo de prova. barras de torção e outros componentes submetidos a esforços de torção. Neste ensaio ideal.ufrj. e o corpo deformando iria manter sua forma original. Em alguns casos.10.Para evitar erros durante a execução do ensaio. recomenda-se o grafite dissolvido em óleo (ligas de alumínio) e vidro moído. sobre os quais se fazem as medições.2) 3 www.3. 2. Este abaulamento pode ser minimizado através do uso de lubrificantes na superfície de contato. Quando é necessária a verificação do comportamento de materiais.mecanica. Para que haja a retenção do lubrificante. haveria no corpo de prova apenas a tensão de compressão. recomenda-se o uso de teflon ou óleos de alta viscosidade. Para evitar danos na superfície das placas da máquina de ensaio é indicada a colocação de chapas finas de aço entre as placas e o corpo de prova. Em testes a temperatura ambiente. ensaiam-se os próprios componentes. Nesses casos. Tal estado é conhecido como estado uniforme de tensões.

Mischke. Pa. porém equipamentos mais simples podem ser utilizados. 7ª ed. As equações utilizadas neste ensaio são obtidas na teoria da resistência dos materiais. O ensaio é realizado aplicando-se um momento torsor T (ou torque) em um corpo de prova cilíndrico e maciço. Cap.36 5 Joseph E. τmáx. e quando o ensaio é realizado até a ruptura da amostra. conforme figura abaixo: Figura 26 – Diagrama Momento Torsor (Mt) pela distorção (θ) (Telecurso 2000..10. podemos obter a máxima tensão de cisalhamento. onde é possível a identificação de uma região elástica linear e uma região plástica.. De posse dos dois diagramas. sendo zero no centro da amostra e máxima no raio externo5. as dimensões do corpo de prova devem ser tais que possibilitem a medição precisa do ângulo de torção e a facilidade de engastamento nas garras da máquina. este é relacionado com a deformação que é produzida na seção transversal da amostra4. Porém.. A partir do crescimento do valor do torque. a energia elástica de deformação na torção. “Apostila de Resistência dos Materiais experimental”. Projeto de Engenharia Mecânica. obtém um gráfico semelhante àquele obtido no ensaio de tração.As dimensões podem ou não ser padronizadas.88 4 30 . A máquina usada é uma máquina de torção. Budynas. pois normalmente este tipo de ensaio não é escolhido como critério de qualidade de um material. e o torque de ruptura a partir das equações Instituto de Física da Universidade Federal de Uberlândia.4) As tensões de cisalhamento na amostra são lineares quanto à localização radial. Shigley. Esta deformação é o ângulo de torção ϕ. Richard G. The McGrawHill Companies. pág. Pa. Chares R.

G é o módulo de elasticidade transversal do material (MPa).τ máx = γ máx ⋅ G [MPa] (10) U= 2 ⋅ τ esc ⋅ γ MPa [ ] π ⋅ d 2 ⋅ l mm 3 (11) TRuptura = τ Rup. e têm a mesma importância. ⋅ J r [N ⋅ mm ] (12) Onde J= π ⋅r4 2 é o momento polar de inércia da seção transversal do corpo de prova ( mm ). 4 r é o raio da seção (mm). pág.Ruptura de material frágil submetido a esforços de torção (Telecurso 2000. é necessário levar em conta que o máximo torque que deve ser aplicado a um eixo tem de ser inferior ao momento torsor no limite de escoamento. apesar de serem relativas a esforços de torção. na seleção dos materiais que serão submetidos a esforços de torção. l o comprimento do corpo de prova (mm) e escoamento (MPa). d é diâmetro (mm) da seção. As propriedades mecânicas no ensaio de torção são determinadas de maneira análoga às do ensaio de tração. Isso significa que.4) 31 . a uma tensão normal de tração que ocorre à 45º. Cap.10. τ esc a tensão de Figura 27 . Nos materiais frágeis sob torção. devido. a ruptura ocorre por separação de partículas. principalmente.

com.eng. Por isso os ensaios de dureza são considerados um importante meio de controle da qualidade do produto.cimm. principais informações e propriedades fornecidas por cada um desses ensaios. Ensaios de Dureza Dureza pode ser definida como a resistência que um material oferece à penetração de outro em sua superfície. numa escala. deixando apenas uma pequena marca. o valor do momento aplicado ao corpo de prova 2. 2. A outra está ligada a um pêndulo que indica. Além disso.Exemplo de uma máquina de ensaio de torção (Telecurso 2000.4. às vezes quase imperceptível.br e www.10. Vickers e Rockwell. Uma das cabeças é giratória e aplica ao corpo de prova o momento de torção. Os ensaios de durezas mais comuns e mais usados são Brinell. modo de execução.O ensaio de torção é realizado em equipamento específico: a máquina de torção. pág. Cap. Dureza Brinell O texto abaixo foi confeccionado baseado em informações contidas nos portais eletrônicos www. por um engenheiro sueco chamado Johan August Brinell.mspc. Este ensaio é utilizado principalmente nos materiais metálicos e por isso é amplamente utilizado na engenharia e metalurgia. 32 .1. A seguir serão mostrados os objetivos. Figura 28 .6) Esta máquina possui duas cabeças às quais o corpo de prova é fixado.br O ensaio de dureza Brinell foi proposto em 1900. foi o primeiro ensaio normatizado.4. O ensaio de dureza pode ser feito em peças acabadas.

produzindo uma calota esférica de diâmetro d uma d.25 a 0.eng.br/ciemat/ensaio120. polida e limpa de um metal.000 kgf e esfera de 10 mm de diâmetro. aplicando uma carga F. para isso devem-se seguir algumas normas: A carga que será aplicada é determinada de forma que se o diâmetro de impressão d fique no int intervalo de 0.O ensaio consiste em comprimir lentamente um penetrador de formato esférico com comprimir diâmetro D. Para isso.) P = Valor da carga aplicada (em kgf D = Diâmetro do penetrador (mm) d = Diâmetro da impressão resultante (mm) ro Figura 29 – Ilustração do penetrador avançando contra a superfície da peça (http://www. A dureza Brinell é representada pelas letras HB (Hardness Brinell) O número Brinell de dureza (HB) é função da carga aplicada e do diâm diâmetro da impressão resultante e pode ser obtido através da seguinte relação: (13) Onde: alor kgf. entanto quando se usa cargas e esferas diferentes é possível chegar ao mesmo resultado.mspc. mantida constante por um período entre 10 e 30 segundos. de aço temperado. sobre uma superfície plana. No e kgf.mspc. feito de aço temperado. 33 .5 do diâmetro da esfera D.eng. a carga é icada kgf. o ensaio padronizado é realizado com carga de 3. durante um tempo t. Normalmente a carga aplicada varia entre 500 e 3000 kgf e.shtml http://www. durante o teste.br/ciemat/ensaio120.shtml) Para execução do ensaio são seguidas algumas normas.

pdf) O ensaio Brinell possui algumas desvantagens.br/admin/downloads/2104/Dureza%20Brinell. A espessura mínima é indicada em normas técnicas de método de ensaio.cefetmg.pdf) Para se determinar o diâmetro da esfera.cefetmg. Com isto a dureza medida no teste abrange uma porção maior de material. pois durezas maiores danificariam a esfera.br/admin/downloads/2104/Dureza%20Brinell. foram fixados valores de fatores de carga de acordo com a faixa de dureza e o tipo de material. a espessura mínima do material ensaiado deve ser 17 vezes a profundidade da calota. No quadro a baixo será mostrado os diâmetros de esferas mais utilizados e seus respectivos valores de carga. tendo em conta possíveis estruturas policristalinas e 34 . uma delas é que o uso deste ensaio é limitado pela esfera utilizada. pois neste ensaio usam-se esferas de aço temperado e com isso só é possível medir dureza até 500 HB.deve-se manter constante a relação entre a carga (F) e o diâmetro ao quadrado da esfera do penetrador (D2). Na norma brasileira. deve-se conhecer a espessura do corpo de prova que se deseja realizar o ensaio. Figura 31 – Diâmetros da esfera e valores de carga (http://academicos. esta relação é chamada de fator de carga. resultando numa média de medição mais precisa. a esfera do teste Brinell provoca a endentação mais profunda e mais larga. Para que o ensaio focasse padronizado. Comparada a outros métodos. Como podem ser observados no quadro a seguir: Figura 30 – Parâmetros do ensaio Brinell padronizados (http://academicos.

de acordo com uma escala predeterminada. Dureza Rockwell É sem dúvida o método mais utilizado no mundo inteiro. especialmente para materiais com estruturas heterogêneas. Este método é o melhor para a medição da dureza macrodureza de um material.com.br/portal/noticia/material_didatico/6558) 2. para garantir um contato firme entre o penetrador e o material ensaiado. devido à facilidade e rapidez de execução do ensaio. Para se realizar o ensaio. É um método que foi proposto em 1922 por Rockwell o qual utiliza um sistema de pré-carga.2. adequada à faixa de dureza do material.cimm. A leitura do grau de dureza é feita diretamente em um mostrador acoplado à máquina de ensaio. 35 . então somente depois da pré-carga que se aplica a carga real do ensaio. e divide-se em: Parte 1: Medição da dureza Brinell Parte 2: Calibração de máquinas de medir dureza Brinell Parte 3: Calibração de blocos padrão a serem usados na calibração de máquinas de medir dureza Brinell Figura 32 – Endentação provocada na peça pelo penetrador do ensaio Brinell (http://www.4. A dimensão da dureza Brinell é MPa e a uma das normas que a rege é ASTM E10 (Standard Test Method for Brinell Hardness of Metallic Materials). primeiramente se aplica uma pré-carga.heterogeneidades do material.A ABNT define a norma NBRNM187 (05/1999) para o ensaio de dureza Brinell de materiais metálicos.

Para os ensaios de dureza Rockwell normal utiliza-se uma pré-carga de 10 kgf. Depois de feita a leitura. uma escala preta e outra vermelha.Figura 33 – Medidor de dureza do material do ensaio Rockwell (http://www. e a carga maior pode ser de 60. No mostrador existem duas escalas diferentes.a leitura do resultado é feita na escala externa do mostrador. Não se pode comparar a dureza de materiais submetidos a ensaio de dureza Rockwell utilizando escalas diferentes. Para ensaios de dureza Rockwell superficial a pré-carga é de 3 kgf. 100 ou 150 kgf. Para medir a dureza Rockwell superficial utiliza-se a máquina mais precisa.scribd. a qual é indicada para determinar a dureza de folhas finas ou lâminas.com/doc/3969877/Aula-12-Dureza-Rockwell) Para realizar o ensaio podem-se usar dois tipos de penetradores os do tipo esférico compostos por uma esfera de aço temperado. No quadro abaixo podem-se observar as escalas mais utilizadas nos processos industriais. subtraída da recuperação elástica do material a pós a retirada da carga maior. a qual corresponde à profundidade alcançada pelo penetrador. Ao se usar o penetrador esférico. Para medir a dureza Rockwell normal utiliza-se a máquina padrão. já esta determinada o valor da dureza Rockwell. O ensaio de dureza Rockwell pode ser realizado em dois tipos de máquinas. 36 . que apenas são diferentes pela precisão de seus componentes. elas existem pois quando se utiliza o penetrador cônico de diamante. a leitura do resultado é feita na escala vermelha. e a carga maior pode ser de 15. de cor preta. a qual é indicada para determinar a dureza em geral. ou o penetrador cônico que é composto por um cone de diamante com 120 ° de conicidade. 30 ou 45 kgf.

Como. Este resultado implica que 50 é o valor de dureza Rockwell superficial na escala 15N.scribd. pois o corpo de prova deve possuir a espessura mínima de 17 vezes a profundidade atingida pelo penetrador. No entanto não há meios de determinar a profundidade exata atingida pelo penetrador no ensaio de dureza Rockwell.com/doc/3969877/Aula-12-Dureza-Rockwell) A dureza Rockwell é representada pelas letras HR. Um fator importante antes da realização do ensaio é determinar a profundidade que o penetrador vai atingir durante o ensaio. 37 . o resultado 50HR15N. com um sufixo que indique a escala utilizada.Figura 34 – Relação das escalas mais usadas para o ensaio Rockwell na indústria (http://www. por exemplo.

conhecido como ensaio de dureza Vickers.001 x (100-HR) (15) Uma limitação importante do ensaio Rockwell é que ele não tem relação com o valor da resistência à tração como acontece no ensaio Brinell. a partir do valor de dureza estimado para aquele material. Dureza Vickers Em 1925 foi desenvolvido outro método de ensaio de dureza por Coube a Smith e Sandland. A norma brasileira mais usada é a NBR-6671 e a norma americana mais usada é a ASTM E18-94 2. Pode-se citar como vantagens do teste Rockwell a medição direta do valor da dureza e a rapidez do teste. A dureza Vickers é determinada a partir da resistência que o material oferece à penetração de uma pirâmide de diamante de base quadrada e ângulo entre faces de 136°. em geral a peça pode ser utilizada depois de medida.4. o teste é não destrutivo. A grande mudança neste método é que nele é levado em conta a relação ideal entre o diâmetro da esfera do penetrador Brinell e o diâmetro da calota esférica obtida. no entanto utiliza outro tipo de penetrador.002 x (130-HR) HR superficial: P = 0. Além disto.002 x (100-HR) HR superficial: P = 0. A dureza Vickers é representada pelas letras (HV) e é o quociente da carga aplicada (F) pela área de impressão (A) deixada no corpo ensaiado.001 x(100-HR) (14) Penetrador esférico: HR normal: P = 0.3. 38 . sob uma carga determinada. isto é. desde os materiais mais duros até os mais moles . o qual possibilita medir qualquer valor de dureza . as peças do material testado devem estar limpas e a área da região do ponto de medida deve ser lisa. Durante o ensaio. utilizando as fórmulas a seguir: Penetrador de diamante: HR normal: P = 0.Entretanto determina-se uma profundidade média aproximada (P).

com. a figura representa as diagonais impressas na peça: Figura 35 – Impressão causada pelo penetrador do ensaio Vickers na peça (vista superior) (http://www.Após a penetração deve-se observar em um microscópio acoplado à maquina o valor das diagonais (d1 e d2) formadas pelos vértices opostos da base da pirâmide . Depois de determinar as medidas das diagonais é possível calcular a área da pirâmide de base quadrada (A) utilizando a fórmula: (16) Para calcular a dureza (HV) substitui o valor de (A) pela fórmula acima: (17) E considerar o valor de d como á diagonal média encontrada pelos valores de d1 e d2 medidos. (18) Abaixo.cimm.br/portal/noticia/material_didatico/6559) 39 .

Os resultados apresentados são obtidos na forma de energia absorvida pelo corpo de prova durante o impacto em função da temperatura. São utilizados dois métodos de ensaio de impacto o ensaio Charpy e o Izod. e manuscritos das aulas de laboratório da disciplina de Princípio de Ciência dos Materiais. as cargas recomendadas são: 1. na maioria dos casos. 2.A dureza Vickers é representada pelo valor encontrado da dureza. do quarto período do curso de graduação em engenharia mecânica da UFU. No entanto. pois qualquer erro na velocidade da aplicação da carga pode trazer grandes erros. outro problema no ensaio Vickers é que a máquina utilizada requer aferição constante. quer dizer que a dureza Vickers possui o valor de 108 e que foi encontrada após aplicada uma força de 5 kgf. 4. após o rompimento do corpo de prova. podem ocorrer erros de medidas ou de aplicação de carga que podem de alguma forma alterar os valores reais de dureza. 40. A Norma Brasileira mais usada para dureza Vickers é a NBR6672. 100. por 10 segundos. 40 . No ensaio de impacto. Ensaios de Impacto Os textos abaixo foram baseados nos endereços eletrônicos informados abaixo das figuras. numa escala relacionada com a unidade de medida de energia adotada. o valor 108 HV 5 . Por uma questão de padronização. A existência de trincas no material. a baixa temperatura e a alta velocidade de carregamento constituem os fatores básicos para que ocorra uma fratura do tipo frágil nos materiais metálicos dúcteis. a massa do martelo e a aceleração da gravidade são conhecidas. Os ensaios de impacto são realizados da seguinte forma: Corpos de prova entalhados são submetidos ao impacto de um dado peso sob temperaturas conhecidas em uma máquina pendular. 3. 60. 10. O mostrador da máquina simplesmente registra a diferença entre a altura inicial e a altura final. A única variável desconhecida é a altura final. seguido do símbolo HV. que é obtida pelo ensaio. 80. 30. 20. Também se pode dizer que pelo falto do penetrador ser de diamante.5. No ensaio Vickers pode ser encontrado várias vantagens e várias desvantagens. 120 kgf. Outra vantagem é que as impressões são extremamente pequenas e. 2. Uma das vantagens é que no ensaio Vickers é fornecido uma escala contínua de dureza. A altura inicial também é conhecida. Por exemplo. é praticamente indeformável e este ensaio pode ser usado para medir durezas superficiais. medindo todas as gamas de valores de dureza numa única escala. e depois do símbolo o valor da carga aplicada. não inutilizam as peças. 5.

.exatec. Ensaio Charpy Este tipo de ensaio tem sido usado por mais de um século como um teste no qual avalia a tenacidade ao impacto de um material.5./Aula_15) 41 .br/..unisinos.1./Aula_15) 2..unisinos.Figura 36 – Ilustração do equipamento utilizado para a realização do ensaio (www. Figura 37 .exatec.br/.Ilustração do corpo de prova utilizado no ensaio Charpy (www..

com/Aula-16-Ensaio-de-impacto/d/3969907) Estes diferentes tipos de forma de entalhe existem para garantir que ocorra a ruptura dos corpos de provas mesmo nos materiais mais dúcteis.scribd. E quando a queda do martelo não provoca a ruptura do corpo de prova . Os três tipos de corpos de prova e dos respectivos entalhes podem ser observados abaixo: Figura 38 – Representação dos corpos de prova utilizados no ensaio Charpy (http://www.Parte 1: Ensaio de impacto por pêndulo Charpy NBR NM281-2 (11/2003) Materiais metálicos . NBR6157 (12/1988) Materiais metálicos . As normas utilizadas para o ensaio Charpy são: • • • NBRNM 281-1 (11/2003) Materiais metálicos .Determinação da resistência ao impacto em corpos-de-prova entalhados simplesmente apoiados 42 . fazendo com que a ruptura ocorra. de acordo com a forma do entalhe. o ensaio deve ser repetido com outro tipo de corpo de prova . B e C). só que com um entalhe mais severo .Os corpos de prova Charpy compreendem três subtipos (A.Parte 2: Calibração de máquinas de ensaios de impacto por pêndulo Charpy.

Figura 39 – Representação do impacto do martelo no CP do ensaio Izod (http://www. O ensaio Izod difere do Charpy também na aplicação do impacto.2. Ensaio Izod Possui os corpos de prova da mesma forma que o Charpy tipo A. no ensaio Izod o impacto do martelo é aplicado na mesmo lado do entalhe . só que com o entalhe não centralizado no corpo de prova. utilizam-se corpos de provas sem entalhe. Quando for realizar teste em corpos de prova de ferro fundido e ligas não ferrosas fundidas sob pressão. especificamente a baixa temperatura. é um fator de extrema importância no comportamento frágil dos metais. os resultados obtidos com vários corpos de prova de um mesmo metal são bastante diversos. (2005) ( cobre Charpy e Izod) 43 . já que o corpo de prova é engastado e não apoiado na máquina.Determinação da resistência ao impacto Izod D256-05a Standard Test Methods for Determining the IZOD Pendulum Impact Resistance of Plastics E23-05 Standard Test Methods for Notched Bar Impact Testing of Metallic Materials.5. As normas usadas para o ensaio Izod são: • • • NBR8425 MB1694 . A temperatura.com/Aula-16-Ensaio-de-impacto/d/3969907) Com o ensaio a energia medida é apenas um valor relativo e serve apenas para comparar resultados obtidos nas mesmas condições de ensaio. Por isso é aconselhado que para se chegar a alguma conclusão de algum material o ensaio deve ser realizado pelo menos três vezes. mesmo tomando-se todos os cuidados para controlar a realização do ensaio. Plásticos rígidos . Nos ensaios de impacto. Possui maior comprimento.scribd.2.

(B2).br/document/?code=vtls000391788) Pela curva mostrada anteriormente. ASTM E 1820-01 e a ASTM BS 7448 Parte 1. 1996). o que diminui sensivelmente a tenacidade do material. e o material apresenta elevados níveis do fator de concentração de tensão. ou tenacidade à fratura em deformação plana. Kic atinge um valor mínimo mesmo aumentando-se progressivamente a espessura do material. 1991.unicamp. Este valor de tenacidade á fratura em deformação plana (Kic). não possui relação proporcional de acordo com a espessura do material. e no formato da zona plástica. Unicamp. se determinado o valor de Kic experimentalmente para uma espessura B2. Kc. 2006. Ensaio de Tenacidade à Fratura O texto abaixo foi elaborado segundo informações contidas na dissertação de mestrado de Loffredo. predomina a condição de tensão plana. sendo que nesta condição tem-se Kic. ou seja. Maria de Castro – Resistência Mecânica e Tenacidade à Fratura do Osso Cortical Bovino. tem-se a condição de deformação plana na ponta da trinca. o mesmo material com espessura ainda maior que esta terá a mesma tenacidade à fratura (HERTZBERG.2. Já quando a espessura é maior. Nos materiais usados na engenharia.6. A determinação de Kic pode seguir as normas ASTM E399-97. como evidencia a figura a seguir: Figura 40 – Relação entre a espessura do material e tenacidade de fratura (http://libdigi. a espessura do mesmo tem grande influência no estado de tensão formado na ponta de uma trinca. Para se determinar uma espessura mínima da peça e comprimento mínima da trinca dada pela equação abaixo: 44 . quando há espessura é pequena (B1). Assim.

A carga Pq. Para assegurar que o valor de Kic determinado em um ensaio seja válido. Três medidas fundamentais são necessárias para calcular o valor de Kic. B é a espessura do material. b)Corpo de prova de tração compacto (http://libdigi. em mm. defasada de 5% de inclinação da parte linear elástica da curva obtida pelo ensaio. que para o ensaio de flexão em três pontos é dada pela equação (20).unicamp. que são a espessura do material. a é o comprimento da trinca. A carga é medida pela célula de carga da própria máquina de ensaio e o deslocamento é medido com auxílio de um “clip-on-gage”. Uma pré-trinca de fadiga deve ser introduzida na ponta do entalhe usinado para induzir ao estado de triaxialidade de tensões. calcular um resultado condicional Kq. traça-se uma reta secante na origem da curva obtida pelo ensaio. é valida se a carga presente em todos os pontos da curva que precede P5 for menor que P5. a)Corpo de prova de flexão em três pontos. O ensaio de tenacidade à fratura consiste na solicitação de um corpo-deprova específico e de dimensões padronizadas. e. se houver uma carga maior que preceda P5.(20) Onde. Nesta ocasião. e altura da peça. verificar se esse resultado tem relação com a espessura da peça e o comprimento da trinca.m^(1/2)) e σe é o limite de escoamento do material. Se esta relação for válida. adaptado na boca do entalhe. W. conforme esquematizado na figura abaixo. B. em MPa. o comprimento da trinca. Pq é igual a P5 (tipo 1). em mm. Porém. primeiramente. A figura a seguir mostra os dois tipos de corpos de prova mais utilizados nos ensaios de tenacidade à fratura: Figura 41 – Corpos de prova mais utilizados nos ensaios de tenacidade à fratura. em seguida. 45 . com um entalhe usinado. Kic é a tenacidade à fratura em deformação plana (Mpa. então a carga máxima é Pq (Tipos 2 e 3). é preciso.br/document/?code=vtls000391788) Os resultados obtidos no ensaio são representados por uma curva com as variáveis cargas deslocamento. a.

Pq é a carga determinada.br/document/?code=vtls000391788) A carga definida será usada para Kic.unicamp. B é a espessura da peça. por meio da equação a seguir: (21) Onde: Kq é a tenacidade à fratura em deformação-plana Kic.Figura 42 – Tipos principais de curvas carga-deslocamento para o ensaio de tenacidade à fratura (ASTM E399-97) (http://libdigi. em peças de flexão em três pontos. W é a altura da peça e “a” é o comprimento da trinca. A equação a seguir mostra a relação matemática de f(a/w) para corpos de prova de flexão em três pontos: (22) 46 . S é a distância entre os dispositivos.

os valores de f(a/w) são determinados pela norma E399-97. mostrados no quadro a seguir: Figura 43 – Valores de f(a/w) para corpos de prova de flexão em três pontos (http://libdigi./5-%20fratura_fadiga-fluencia.em. A tenacidade é avaliada comparando-se as curvas para diferentes materiais com diferentes comprimentos de trincas.pucrs.unicamp.br/document/?code=vtls000391788) Como já foi dito anteriormente. A figura a seguir mostra as trincas provocadas pelo ensaio: Figura 44 – Peça solicitada e depois fraturada no ensaio de tenacidade á fratura(www.ppt) 47 .Para viabilizar os cálculos de Kq. para valores específicos de a/w em espécimes de flexão em três pontos..br/~eleani/..

entre as ligas metálicas e a musculatura do corpo humano. a Figura 45. não é suficiente levar em consideração todas as naturezas de esforços aos qual este está solicitado estaticamente. 2 Edição. fez uma analogia. Ensaio de Fadiga O texto abaixo foi desenvolvido através de informações obtidas do livro Norton R. bem como as apostilas do Telecurso 2000 que tratam de ensaios mecânicos O termo “fadiga” foi utilizado pela primeira vez por um matemático francês Jean-Victor Poncelet em 1839. quando este ainda desconhecendo completamente a falha de material por esforços cíclicos repetitivos. integrada”).7. (Tabela retirada do livro “Projeto de maquinas – uma abordagem Quando se pretende fazer o dimensionamento de um componente mecânico..Bookman. 2004. 48 . visto que a fratura por fadiga pode ocorrer a tensões inferiores ao limite de resistência da peça ao escoamento.L.Projeto de Máquinas-Uma Abordagem Integrada. pois como sabemos hoje.2. erroneamente. e não por um suposto “cansaço”. tais ligas sofrem fraturas pela alternância entre esforços de tração e compressão. Abaixo esta disposta uma tabela na qual seqüência em ordem cronológica da evolução dos estudos referente á fadiga.

e então um motor a submete a uma rotação constante. uma vez que os primeiros pesquisadores e cientistas que fizeram testes referentes as assunto foi há aproximadamente 150 anos.7. as fibras superiores estarão sendo comprimidas. enquanto as inferiores estão tracionadas. flexão e flexão rotativa. Givanildo A. uma mesma fibra que estava numa região de tração máxima. (Figura retirada de um trabalho elaborado pelo Prof. sendo o último o mais usual. a cada meia volta (180°). Ao longo destes anos percebeu-se que a fratura por fadiga é dividida em três estágios.) 49 . tração /compressão. Características do ensaio de fadiga O ensaio de fadiga é realizado por uma máquina que permite rotacionar a peça estando esta submetida aos mais variados tipos de esforços. e por fim da ruptura do material.A fadiga é um fenômeno ainda pouco explorado. A execução deste ensaio consiste em carregar o corpo de prova como se fosse uma viga submetida a flexão pura. enquanto o terceiro e último. Figura 46 – Desenho esquemático de uma maquina que executa o ensaio de fadiga. passa à região de compressão máxima. torção. Como se sabe da teoria de resistência dos materiais. dos Santos – IFSP. sendo eles. quando uma viga esta solicitada por um carregamento. Devido ao fato do corpo de prova esta sendo rotacionado. Os dois primeiros estágios são possivelmente notáveis. da formação da trinca. da sua disseminação ao longo da peça. 2. ocorre instantaneamente.1.

por isso a importância da padronização do corpo de prova. confiabilidade e modificação por efeitos variados) que foram inseridos nos cálculos para determinação do limite de fadiga. pesquisadores identificaram estes fatores (modificação de condição de superfície. Figura 48 – Corpo de prova para ensaio de flexão rotativa. (Figura retirada da apostila Telecurso 2000. este possui ótimo acabamento superficial. Por fim o ensaio em construir o gráfico S x N para os diversos tipos de materiais. modificação de tamanho. dentre outros fatores. modificação de carga. através dele é possível determinar se determinado componente está projetado para trabalhar com baixas. São realizados diversos testes até o rompimento do corpo de prova. 50 .) As características dos corpos de provas são impossíveis de se conseguir em todos componentes mecânicos. (Figura retirada do livro “Projeto de máquinas – uma abordagem integrada”. uma vez que estes resultados serão utilizados em projeto de engenharia.Figura 47 – Gráfico tensão x tempo (tração/compressão). não possui tensões residuais ou concentração de tensões. ensaios mecânicos. Para transportar os dados obtidos em laboratório para a vida prática. Conhecendo estes dois parâmetros torna-se possível a confecção de um gráfico tensão x ciclos (S x N). Analisando o gráfico. modificação de temperatura. médias ou altas ciclagens.) O ensaio de fadiga visa a determinação de números de ciclos suportados pelo corpo de prova para um respectivo carregamento. nota-se que para a quantidade de ciclos unitária (N=1) o valor do limite de resistência a fadiga equivale ao limite de resistência do material para dimensionamento estático.

De acordo com o livro “Projeto de maquinas – uma abordagem integrada” tem-se que para materiais ferrosos a taxa de fluência aumenta à medida que se atinja uma faixa entre 30 a 60% da temperatura de fusão do material. Portanto materiais com baixas temperaturas de fusão podem exibir fluências significativas na temperatura ambiente. 51 . e são intensificadas com o aumento da temperatura. (Figura retirada do livro “Projeto de maquinas – uma abordagem integrada”. Em estudos sobre fluência percebe-se que materiais submetidos a esforços inferiores a tensão de escoamento podem adquirir deformações de natureza plástica. podem ser projetados para uma vida infinita. resistência a fadiga versus numero de ciclos. Figura 49 – Diagrama S x N.8. sendo que os dois regimes são separados pelo ponto de escoamento do material. Ensaio de Fluência Ao estudar a teoria da resistência dos materiais aprende-se que materiais dúcteis atravessam dois regimes antes da ruptura. permitindo que os mesmos voltem ao seu tamanho inicial sem nenhuma deformação permanente. quando o componente mecânico estiver sendo solicitado com uma determinada tensão. Quando se ultrapassa o ponto de escoamento. No primeiro regime as deformações não são permanentes. elástico e plástico. sendo esta inferior a resistência ultima da peça. ela poderá ser submetida a infinitas rotações que não se romperá por fadiga.) 2. ou seja. A fluência somente ocorre devido às falhas existente nas estruturas cristalinas dos materiais. como aços e algumas ligas de titânio. A temperatura também afeta a velocidade com que a fluência ocorrerá. onde as deformações não podem ser revertidas como no primeiro caso. atinge-se o regime plástico. Já para outros materiais. a curva continua descendente.Alguns metais.

submete-o a um esforço de tração através da utilização de uma maquina que aplica uma carga de tração constante no corpo de prova. radiação ou indução./mm² durante 1000 horas á temperatura de 500°C. Figura 50 – Equipamento utilizado na execução dos ensaios de fluência. estando este alojado no interior de um forno elétrico.04%. devido ao custo e tempo necessários na execução destes ensaios. sendo as mais variadas as fontes de calor. Os dados de fluência para materiais de engenharia são bastante escassos. existem outros dois tipos. Por isso seu uso se restringe a atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos materiais ou ligas metálicas.) 52 . enquanto ao manter o mesmo ensaio. Além do ensaio usual de fluência. resultando numa deformação de 0.Um exemplo disso é notado em um ensaio retirado da apostila do Telecurso 2000 em que se utiliza o aço carbono e o submete a um ensaio de fluência a uma tensão de 3. ensaio de ruptura por fluência e ensaio de relaxação. de temperatura constante e controlável. Para avaliação da fluência de um material. porém a temperatura de 540°C obteve-se uma deformação de cem vezes superior.5 kgf. Junto ao equipamento utiliza-se uma célula de carga que permita medir a deformação do corpo de prova. resistência elétrica. (Figura retirada da apostila de ensaios mecânicos do Telecurso 2000. Para a realização do ensaio o corpo de prova deve ser pré-aquecido.

Para otimizar o tempo gasto nos ensaios.1. é feito uma quantidade mínima de ensaios. e a partir destes é feito uma projeção de como seriam caso o tempo continuasse aumentando. (Figura retirada da apostila de ensaios mecânicos do Telecurso 2000. Tipos de ensaios de fluência A intenção da execução do ensaio de fluência usual é de determinar as tensões necessárias para produzir deformações entre 0.) Já para os ensaios de ruptura por fluência. uma vez que os corpos de provas são submetidos a tensões superiores. são realizados em intervalos de tempo inferiores. Para isso aplica-se uma determinada carga a uma respectiva temperatura (ambos os parâmetros são mantidos constantes) num corpo de prova e avalia-se a deformação gerada no espécime durante a realização do ensaio. Figura 51 – Gráfico de deformação versus tempo. O gráfico neste ensaio relaciona as tensões que os corpos de provas são solicitados com o tempo de ruptur Figura 52– Gráfico de tensão versus tempo. que são relativamente altos (superiores a 1000 horas). sendo possível determinar a vida útil e as condições extremas de uso do material. atingindo a ruptura. Devido a este fato as deformações encontradas neste ensaio podem atingir grandezas 50 vezes superiores ao primeiro.8.5 e 2%.) 53 .2. (Figura retirada da apostila de ensaios mecânicos do Telecurso 2000. obtendo um gráfico da seguinte forma. apesar se semelhantes ao ensaio anterior.

54 . que permita medir as variações de carga ao longo do tempo. com a utilização de apenas um corpo de prova. tais resultado são bastante importante na determinação das faixas de segurança que as peças podem operar. Apesar destes ensaios serem executados apenas para desenvolvimento de novas ligas. e sua execução é de relativa facilidade comparada com outros ensaios discutidos neste trabalho. o grupo concluiu que é de suma importância conhecer como se realizam os ensaios. e também como evitar possíveis erros de medição e execução do ensaio.O ensaio de relaxação é mais simples que os dois anteriores. que tipos de equipamentos são usados na realização dos ensaios. A grande desvantagem deste ensaio se da pelas exigências da maquina de operação. a qual necessita de um sistema de medição de força com elevada resolução. Percebe-se que. Conclusão Após a pesquisa dos ensaios mais relevantes e usados na engenharia. 3. o ensaio mecânico de tração é o mais usado. quais características do material podem ser obtidas com cada experimento. pois através dele pode-se obter uma quantidade de dados sobre velocidade de fluência em relação a tensão relativamente superior. pois fornece muitas características da peça testada.

e Budynas.pucrs.http://www.cefetmg.ppt [15] .htm [9] .br/login/?redirect=http%3A//www. 2 Edição.Bibliografia [1] .ebah.com/Aula-16-Ensaio-de-impacto/d/3969907 [13] .html [10] .7ªed.Norton R.http://www..ebah.br/admin/downloads/2104/Dureza%20Brinell.em.Apostila “ensaios mecânicos”.http://academicos.Projeto de Máquinas-Uma Abordagem Integrada.http://pt.br/document/?code=vtls000391788 [14] ..http://java.com.com.cimm.http://www. a [2] .scribd.wikipedia./5-%20fratura_fadiga-fluencia.com/tecnologia-artigos/ensaio-de-impacto-1006632.. C.Shigley.br/~eleani/.Michke.org/wiki/Dureza_Brinell [8] .L.br/ciemat/ensaio120.: Os links acima foram acessados entre os dias 17 e 21 de Abril de 2010..br/cimm/construtordepaginas/htm/3_24_7428.R.htm [11] . Telecurso 2000 [4] .cimm.org/wiki/Ensaio_de_tra%C3%A7%C3%A3o Obs.unicamp.http://www. – Projeto de Engenharia Mecânica.br/propp/dir_proj/Industria/Industr09a.br/portal/noticia/material_didatico/6519 [16] .http://www.br/dureza-vickerspdf-a23644.wikipedia.http://pt.2005.http://libdigi.com.artigonal.scribd. 55 .http://www. 2004 [3] .com/doc/3969877/Aula-12-Dureza-Rockwell [6] .Bookman.. bem como os endereços eletrônicos contidos nas legendas das figuras utilizadas neste trabalho.G. J.eng.unesp.R.http://www.com.E.mspc.Bookman.html [12] .www.shtml [5] .pdf [7] .

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