HISTÓRIA DA SEGURANÇA DO TRABALHO NO MUNDO A informação mais antiga sobre a preocupação com a segurança do trabalho está registrada num

documento egípcio. O papiro Anastacius V fala da preservação da saúde e da vida do trabalhador e descreve as condições de trabalho de um pedreiro. Também no Egito, no ano 2360 a.C., uma insurreição geral dos trabalhadores, deflagrada nas minas de cobre, evidenciou ao faraó a necessidade de melhorar as condições de vida dos escravos. O Império Romano aprofundou o estudo da proteção médico-legal dos trabalhadores e elaborou leis para sua garantia. Os pioneiros do estabelecimento de medidas de prevenção de acidentes foram Plínio e Rotário, que pela primeira vez recomendaram o uso de máscaras para evitar que os trabalhadores respirassem poeiras metálicas. As primeiras ordenações aos fabricantes para a adoção de medidas de higiene do trabalho datam da Idade Média. Os levantamentos das doenças profissionais, promovidos pelas associações de trabalhadores medievais, tiveram grande influência sobre a segurança do trabalho no Renascimento. Nesse período, destacaram-se Samuel Stockausen como pioneiro da inspeção médica no trabalho e Bernardino Ramazzini como sistematizador de todos os conhecimentos acumulados sobre segurança, que os transmitiu aos responsáveis pelo bem-estar social dos trabalhadores

A sistematização dos procedimentos preventivos ocorreu primeiro nos Estados Unidos. já com o conceito do risco profissional. destacamos: 1. em 1919. Em 1779. Em Milão.da época na obra intitulada De morbis artificum (1760. Traçando um pequeno histórico da legislação trabalhista brasileira. Na África. HISTÓRIA DO PREVENCIONISMO NO BRASIL A industrialização do Brasil é lenta e a passagem do artesanato à indústria é demorada. Esta mesma Lei é alterada em 5 de março do mesmo ano pelo . a primeira sociedade filantrópica.Em 15 de janeiro de 1919 é promulgada a primeira Lei nº 3724 sobre Acidente de trabalho. Ásia. Sobre as doenças dos trabalhadores). visando ao bem-estar do trabalhador. Austrália e América Latina os comitês de segurança e higiene nasceram logo após a fundação da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A revolução industrial criou a necessidade de preservar o potencial humano como forma de garantir a produção. no mesmo ano. Pietro Verri fundou. no início do século XX. a Academia de Medicina da França já fazia constar em seus anais um trabalho sobre as causas e prevenção de acidentes.

4. . 3.Em 01 de Maio de 1943 houve a publicação do Decreto Lei 5.452 que aprovou a CLT. é revogada pelo Decreto Lei 7.237 determina obrigatoriedade do serviço Especializado de Segurança do Trabalho. 8. 6. 5.60 regulamenta a uso dos EPI´s.12.º 293. pelo Decreto 24.637.A Lei 5.136 – Lei de Acidente de Trabalho – surge em 14 de Setembro de 1967. Em 10 de novembro de 1944. Consolidação das Leis do Trabalho.036 que dá às autoridades do Ministério do Trabalho a incumbência de Fiscalizar a Lei dos Acidentes do Trabalho. cujo capítulo V refere-se a Segurança e Medicina do Trabalho.Em 1968 a Portaria 32 fixa as condições para organização e funcionamento das CIPA´s nas Empresas.Em 1972 a Portaria 3.Em 28 de Fevereiro de 1967 o Decreto Lei 7036 foi revogado pelo Decreto Lei n.A Portaria 319 de 30.Decreto 13. 2. 7.493 e em 10 de julho de 1934.Em 1953 a Portaria 155 regulamenta e organiza as CIPA´s e estabelece normas para seu funcionamento.

9. garante aos membros da CIPA a garantia do emprego.140 – dispõe sobre a Especialização de Engenheiros e Arquitetos em Engenheiro de Segurança.889 e Portaria 3.Em 22 de Dezembro de 1977 é aprovada a Lei 6.067 de 12 de Abril de 1988 aprovam as Normas Regulamentadoras Rurais relativas à Segurança do Trabalho.Em 08 de Junho de 1978 a Lei 6. 10 item II.Em 1973 a Lei 5. . 13.Em 27 de Novembro de 1985 a Lei 7. 12.Em 17 de Março de 1985 a Portaria 05 constitui a Comissão Nacional de Representantes de Trabalhadores para Assuntos de Segurança do Trabalho. 10. 11.214.514 é regulamentada pela Portaria 3. 14.Em 05 de Outubro de 1988 a Constituição do Brasil nas Disposições Transitórias Art.514 que modifica o Capítulo V da CLT.

Essa visão também privilegiava a compensação financeira ou monetização dos riscos. Para os técnicos dessa visão. os trabalhadores seriam meros e passivos coadjuvantes. ora indo aos exames e respondendo perguntas aos médicos. nem sempre com fornecimento e treinamento adequados. seriam os únicos “detentores” do conhecimento para analisarem os riscos nos locais de trabalho e proporem soluções. ou mesmo sendo acusados como responsáveis pelos acidentes. Nessa visão. a gerência das empresas e outros técnicos especializados. médicos do trabalho. que é perverso e cientificamente errado. ou seja. através da concessão dos adicionais de insalubridade e periculosidade. Essa visão atrasada de segurança e saúde ocupacional acabava trabalhando somente no final da linha. e possuía uma atuação preventiva extremamente limitada. após a ocorrência de eventos como acidentes e doenças. e no controle dos próprios trabalhadores. a prevenção se restringia às normas de segurança e aos equipamentos de proteção individual.Introdução Durante muito tempo foi vendida a idéia de que o problema dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho era um tema só para certos especialistas: engenheiros de segurança. Deixava-se de lado as causas mais profundas que geram os . ora fornecendo informações aos especialistas. através do conceito de ato inseguro.

embora ainda hoje esteja presente em muitas empresas e instituições no Brasil. e tem mais a ver com as relações de poder na sociedade e nas empresas do que com o mundo restrito da ciência e da técnica. possuem um papel fundamental na identificação. que tentam inculcar esta ideologia nos próprios trabalhadores. Obviamente. como os projetos de tecnologias. os riscos nos locais de trabalho não são um problema somente técnico: é também de natureza ética e política. Os riscos decorrentes de processos produtivos e tecnologias que ignoram ou desprezam as necessidades de seres humanos e do meio ambiente não são . eliminação e controle dos riscos. através da poluição crônica ou dos acidentes ambientais. a organização do trabalho e as características da própria sociedade.acidentes e doenças nos locais de trabalho. como a legislação e a atuação dos trabalhadores e as instituições. os processos produtivos afetam a vida da população em geral e o meio ambiente. sendo um tema a ser debatido pelo conjunto da sociedade. já que eles realizam o trabalho cotidiano e sofrem seus efeitos e. esta visão não é verdadeira e nem interessa aos trabalhadores. portanto. A análise dos riscos nos locais de trabalho deve necessariamente incorporar a vivência. Por isso. Além disso. como os que ocorrem em fábricas químicas e nucleares. o conhecimento e a participação dos trabalhadores.

Pela sua capacidade de . Também a organização do trabalho e as práticas gerenciais passaram a ser reconhecidas como importante foco de análise.em condições ótimas de saúde. e não após a ocorrência de acidentes e doenças. As atividades laborativas nasceram com o homem.enfrentados só tecnicamente por especialistas e cientistas. principalmente nos países da Europa e na América do Norte. mas pela atuação organizada dos trabalhadores e dos cidadãos em geral na luta pela defesa da vida e da democracia. seja como causadoras de acidentes. ou como integrantes fundamentais das políticas de segurança e saúde nas empresas. atuar no controle e eliminação dos riscos na fonte. tem havido uma mudança substancial no enfoque dos profissionais que trabalham com os riscos nos locais de trabalho. ou seja. busca-se enfatizar mais o aspecto preventivo. Em vez de sistemas compensatórios e de fim de linha. Nas últimas décadas. no Brasil e no Mundo O êxito de qualquer atividade empresarial é diretamente proporcional ao fato de se manter a sua peça fundamental . doenças e sofrimento. Histórico da Saúde e Segurança no Trabalho.o trabalhador .

uma prática que nós encontramos em muitos trabalhos dos nossos dias. publicava o livro "De Re Metallica".raciocínio e pelo seu instinto gregário. através da história. criar uma tecnologia que possibilitou sua existência no planeta. que viveu no século II. descreveu diversas moléstias do pulmão entre mineiros e envenenamento advindo do manuseio de compostos de enxofre e zinco. fez várias referências a moléstias profissionais entre trabalhadores das ilhas do mediterrâneo. onde foram estudados diversos problemas . • Plínio. em 1556. que viveu antes do advento da era Cristã. Uma revisão dos documentos históricos relacionados à Segurança do Trabalho permitirá observar muitas referências a riscos do tipo profissional mesclados aos propósitos do homem de lograr a sua subsistência. fez menção à existência de moléstias entre mineiros e metalúrgicos. o homem conseguiu. • Georgius Agrícola. Galeno. Na antigüidade a quase totalidade dos trabalhos eram desenvolvidos manualmente . • Agrícola e Paracelso investigaram doenças ocupacionais nos séculos XV e XVI. • Hipócrates em seus escritos que datam de quatro séculos antes de Cristo. O Velho.

Esta obra discute os acidentes do trabalho e as doenças mais comuns entre os mineiros.Destaca-se que em relação à intoxicação pelo mercúrio. os principais sintomas dessa doença profissional foram por ele assinalados. dando destaque à chamada "asma dos mineiros". são descritas cerca de 100 profissões diversas e os riscos específicos de cada uma. Tratava-se da obra "De Morbis Artificum Diatriba" de autoria do médico Bernardino Ramazzini que.relacionados à extração de minerais argentíferos e auríferos. verdadeiro monumento da saúde ocupacional. por esse motivo é cognominado o "Pai da Medicina do Trabalho". e à fundição da prata e do ouro. • Em 1697 surge a primeira monografia sobre as relações entre trabalho e doença de autoria de Paracelso: "Von Der Birgsucht Und Anderen Heiten". um livro que iria ter notável repercussão em todo o mundo. . • Em 1700 era publicado na Itália. São numerosas as citações relacionando métodos de trabalho e substâncias manuseadas com doenças. tratarem de silicose. Um fato importante é que muitas dessas descrições são baseadas nas próprias observações clínicas do autor o qual nunca esquecia de perguntar ao seu paciente: "Qual a sua ocupação?". A descrição dos sintomas e a rápida evolução da doença parece indicar sem sombra de dúvida. Nessa importante obra.

Surgiram assim. descendente do troglodita. marco inicial da moderna industrialização que teve a sua origem com o aparecimento da primeira máquina de fiar. para aceitar o risco de ser apanhado pelas garras de uma máquina. Somente com a revolução industrial. ocorreram na Inglaterra a Revolução Industrial. antevendo as possibilidades econômicas dos altos níveis de produção. Até o advento das primeiras máquinas de fiação e tecelagem.Devido a escassez de mão-de-obra qualificada para a produção artesanal. o artesão fora dono dos seus meios de produção. é que o aldeão. mudou integralmente o quadro industrial. decidiram adquiri-las e empregar pessoas para faze-las funcionar. A introdução da máquina a vapor. Deixou o risco de ser apanhado pelas garras de uma fera. sem sombra de dúvida. O custo elevado das máquinas não mais permitiu ao próprio artífice possuí-las. evoluiu para a agricultura e pastoreio. começou a agrupar-se nas cidades. o Capital e o Trabalho. com elas. alcançou a fase do artesanato e atingiu a era industrial. as primeiras fábricas de tecidos e. Partindo da atividade predatória. A indústria que não mais . Desta maneira os capitalistas. o gênio inventivo do ser humano encontrou na mecanização a solução do problema. Entre 1760 e 1830.

o parque industrial da Inglaterra passou por uma série de transformações as quais. causaram problemas ocupacionais bastante sérios. exigindo um mínimo de condições humanas para o trabalho. sem quaisquer restrições quanto ao estado de saúde.dependia de cursos d'água. Nos últimos momentos do século XVIII. ventilação e umidade eram encontradas. a inexistência de limites de horas de trabalho. se de um lado proporcionaram melhoria salarial dos trabalhadores. As máquinas primitivas ofereciam toda a sorte de riscos. mas também de mulheres e crianças. o trabalho executado em ambientes fechados onde a ventilação era precária e o ruído atingia limites altíssimos. pois as "modernas" fábricas nada mais eram que galpões improvisados. inclusive de órgãos governamentais. a as conseqüências tornaram-se tão críticas que começou a haver clamores. desenvolvimento físico passaram a ser uma constante. A improvisação das fábricas e a mão de obra constituída não só de homens. veio para as grandes cidades. de outro lado. Condições totalmente inóspitas de calor. . O trabalho em máquinas sem proteção. onde era abundante a mão-de-obra. trouxeram como conseqüência elevados índices de acidentes e de moléstias profissionais.

gases. a legislação foi se modificando até chegar à teoria do risco social: o acidente do trabalho é um risco inerente à atividade profissional exercida em benefício de toda a comunidade. por conseguinte. também. França e Alemanha a Revolução Industrial causou um verdadeiro massacre a inocentes e os que sobreviveram foram tirados da cama e arrastados para um mundo de calor. em menor escala. embora tivéssemos já a experiência de outros países. Pouco a pouco. atravessamos os mesmos . objetivando um produto final mais perfeito e em maior quantidade.Na Inglaterra. A sofisticação das máquinas. procurava a todo custo condenar o tratamento impróprio que as crianças recebiam nas indústrias britânicas. Esses fatos logo se colocaram em evidência pelos altos índices de mortalidade entre os trabalhadores e especialmente entre as crianças. ocasionou o crescimento das taxas de acidentes e. da gravidade desses acidentes. devendo esta. Nessa época. No Brasil. amparar a vítima do acidente. poeiras e outras condições adversas nas fábricas e minas. podemos fixar por volta de 1930 a nossa revolução industrial e. é bem verdade. a causa prevencionista ganhou um grande adepto: Charles Dickens. Esse notável romancista inglês. através de críticas violentas.

956. técnicos e governo.504.869.672 1.389 28.692.796.750 1. o que fez com que se falasse.796 1976 14.395 38.632.743.024 1975 12.335 1.307 48.996.273 44.562.489 1977 16.551.614.394 48.022 1971 7. lamentável a situação que enfrentávamos.780 48.934 de trajeto 14. que só foi possível pelo esforço conjunto de toda nação: trabalhadores.472 1972 8. pudemos vislumbrar um futuro mais promissor.605 1978 16.956 1974 11. de fato. o quadro estatístico abaixo nos dá idéia de que era.589.723 1.799 ano massa típicos 1.553.percalços.461 total de óbitos 2232 2587 2854 3173 3833 4001 3900 4445 4342 . Embora o assunto fosse pintado com cores muito sombrias.825 1.284. em 1970.220111 1330.833 1.916.602.148.187 1.945.502 18. Número de acidentes do trabalho ocorridos no período de 1970 a 2005 segurada 1970 7.649 1.696 1.517 1.756.957 1.318 1.138 23. empresários.479.537.689 1.308. Ao mesmo tempo.497.523 1.511 doenças total 5937 4050 2016 1784 1839 2191 2598 3013 5016 1.987 1973 10.199. que o Brasil era o campeão mundial de acidentes do trabalho.761 1.638.

696 37.054 63.861 1.456 3823 3713 3204 2766 3016 3233 4006 6014 6382 5029 4838 5217 6281 8299 15417 15270 20646 34.629 2001 27.110 901.722 57.284 58.129.683.355 1981 19.293 388.163.709 22.465 1.077 465.265 2000 26.858 30.536 1982 19.207.238 1.188.560 490.194 30.881 49.514 412.700 491.151.617.661.428 1998 24.963 282.830.279 55.700 325.065.824 28.213 36.820 363.513 39.843 1993 23.915 1985 21.270.010.152 1.165.137.903 19.916 374.012 587.198.967 51.520 532.787 1988 23.388.264 1992 22.544.539 1.637.312 1997 24.081 632.1979 17.404 304.693 64.215.178.476.211 1.299 22.464.579 1989 24.304 424.874 56.241 1995 23.642 60.605 18.424 56.343 693.576 2005 33.553 1990 23.515 72.272.656 1991 23.614 2002 28.335 67.889 36.251 393.711 4673 4824 4808 4496 4214 4508 4384 4578 5738 4616 4554 5355 4464 3634 3110 3129 3967 4488 3469 3793 3896 3094 2753 2968 2674 2839 2708 FONTE: MPAS .912 927.117.334 1.210 374.071 399.577 375.870 347.104.114 37.927 2004 31.127 1980 18.340 1.832 943.003.993.115 961.482 347.799 46.791 34.686.755.171 393.407.667.531 1.489 23.868 340.124 992.424 825.648 30.027 1994 23.827 1987 22.989 57.525 1.444.487 22.673.830 60.486.362 1983 19.137 395.404.994 1986 22.572 640.228.341 387.311 23.738 326.238.737 888.189.472 1.736 1996 23.167 350.455 421.300 38.128 1984 19.859 1.617 1.921 52.343 46.635 1999 24.671.491.679 33.965 323.913 2003 29.077.525 1.343 414.004.879 325.627 1.

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