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APOSTILA DE INTRODUÇÃO A SEGURANÇA DO TRABALHO.pdf

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APOSTILA DE INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO PROFESSOR: DIEGO CARVALHO DE ARAÚJO (ESPECIALISTA –ENG.

DE SEGURANÇA DO TRABALHO) 1 1 – HISTÓRICO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO Não obstante o trabalho ter surgido na Terra juntamente com o primeiro homem, as relações entre as atividades laborativas e a doença permaneceram praticamente ignoradas até cerca de 250 anos atrás. No século XVI, algumas observações esparsas surgiram, evidenciando a possibilidade de o trabalho ser o causador de doenças. Assim, como refere Hunter, em 1556, George Bauer, mais conhecido pelo seu nome latino de Georgius Agrícola, publicava o livro “De Re Metallica” (A Doença dos Mineiros), onde eram estudados os diversos problemas relacionados à extração de minerais argentíferos e auríferos, e à fundição da prata e do ouro. O último capítulo dessa obra discute os acidentes do trabalho e as doenças mais comuns entre os mineiros, sendo destacada, em especial, a chamada “asma dos mineiros”, provocada por poeiras que Agrícola denominava de “corrosivas”; a descrição dos sintomas e a rápida evolução da doença demonstram, sem sombra de dúvida, tratar-se de casos de silicose. É ainda Hunter que se refere, onze anos após a publicação do livro de Agrícola, ao aparecimento da primeira monografia sobre as relações entre trabalho e doença, de autoria de Aureolus Theophastus Bombastus vom Hohenheim, o famoso Paracelso: “Von der Bergsucht und anderen Bergkrankheiten” (Das Minas nas Montanhas e das Doenças dos Mineiros). Seu autor nasceu e viveu durante muitos anos, em um centro mineiro da Boêmia, e são numerosas as suas observações relacionando métodos de trabalho ou substâncias manuseadas, com doenças, sendo de destacar-se, por exemplo, que, em relação à intoxicação pelo mercúrio, os principais sintomas dessa doença profissional ali se encontram assinalados. A despeito da sua importância, estes trabalhos pioneiros permaneceram praticamente ignorados por mais de um século, e não tiveram qualquer influência sobre a proteção à saúde do trabalhador. 2 Em 1700, era publicado pela primeira vez, na Itália, um livro que iria ter notável repercussão em todo o mundo: tratava-se da obra “De Morbis Artificum Diatriba” (As Doenças dos Trabalhadores), escrito pelo médico Bernardino Ramazzini (1633-1714), que por este motivo é cognonimado de “O Pai da Medicina do Trabalho”. Para o historiador da Medicina Henry Sigerist, “este livro de Ramazzini significa para a história das doenças do trabalho o que o livro de Versalius significa para a Anatomia, ou o de Harvey para a Fisiologia, ou o de Morgani para a Patologia. A versão desta obra em português deve-se ao excelente trabalho do médico Raimundo Estrela que em 1971, publicou a primeira edição através da Liga Brasileira Contra os Acidentes do Trabalho. Os direitos foram posteriormente cedidos a Fundacentro que publicou a segunda edição. Nesse famoso tratado, o autor descreve, com extraordinária perfeição, uma série de doenças relacionadas à cerca de 50 profissões diversas e, às perguntas hipocráticas, imperativas na anamnese da época, Ramazzini acrescenta uma nova, cujo valor pode ser bem avaliado: “ Qual é a sua profissão?” Entretanto, a importância do trabalho de Ramazzini não pôde ser devidamente avaliada na época. Realmente, ainda predominavam as corporações de ofício com número de trabalhadores relativamente pequeno, e um sistema de trabalho muito peculiar; os casos de doenças profissionais eram poucos numerosos; assim não obstante as corporações não raro disporem de médicos que deviam atender seus membros, tais profissionais praticamente ignoraram o trabalho de Ramazzini, cuja importância só seria reconhecida quase um século mais tarde. Entre 1760 e 1830, ocorreu na Inglaterra um movimento destinado a mudar profundamente toda a história da humanidade: foi a Revolução Industrial, marco inicial da moderna industrialização, que teve a sua origem com o aparecimento da primeira máquina de fiar. Até então, a fiação e tecelagem de tecidos tinham constituído uma atividade doméstica tradicional, com uma produção apenas o suficiente para atender às necessidades do próprio lar, e com um pequeno excesso, que era vendido, a preço elevado, em regiões onde as atividades não eram desenvolvidas; o advento das máquinas, que fiavam em ritmo muitíssimo superior ao do mais hábil artíficie, tornou possível uma produção de tecidos em níveis, até então, não imaginados.

3 Até o advento das primeiras máquinas de fiação e tecelagem, o artesão fora dono dos seus meios de produção. O custo relativamente elevado das máquinas, porém, não mais permitiu ao próprio artífice possuí-las, pelo que capitalistas, antevendo as possibilidades econômicas dos altos níveis de produção, decidiram adquiri-las e empregar pessoas para faze-las funcionar; surgiram, assim, as primeiras fábricas de tecidos e, com elas, o Capital e o Trabalho. As primitivas máquinas de fiação e tecelagem necessitavam de força motriz para acioná-las, e esta foi encontrada na energia hidráulica; assim, as primeiras fábricas foram instaladas em antigos moinhos; daí o nome de “Mill” pelo qual, até hoje, são conhecidas as fabricas de fiação e tecelagem nos países de língua inglesa. A localização não permitia uma expansão adequada da nascente indústria, que era obrigada a instalar-se apenas junto a cursos d’água. A invenção da máquina a vapor, porém, veio permitir a instalação de fábricas em quaisquer lugares e, muito naturalmente, as grandes cidades, onde era abundante a mão-de-obra, foram escolhidas como locais favoritos para o funcionamento industrial. Assim, galpões, estábulos, velhos armazéns, eram rapidamente transformados em fábricas, colocando-se, no seu interior, o maior número possível de máquinas de fiação e tecelagem. Nas grandes cidades inglesas, o baixo nível de vida e as famílias com numerosos filhos, garantiam um suprimento fácil de mão-de-obra, sendo aceitos, como trabalhadores, não só homens, mas também mulheres e mesmo crianças, sem quaisquer restrições quanto ao estado de saúde, desenvolvimento físico, etc. Intermediários inescrupulosos percorriam as grandes cidades inglesas, arrebanhando crianças, que lhes eram vendidas por pais miseráveis, e revendidas a 05 (cinco) Libras esterlinas por cabeça, aos empregadores que, ansiosos por obter um suprimento inesgotável de mão-de-obra barata, se comprometiam a aceitar uma criança débil mental para cada 12 crianças sadias. 4 A improvisação das fábricas e a mão-de-obra constituída principalmente por crianças e mulheres resultaram em problemas ocupacionais extremamente sérios. Os acidentes do trabalho eram numerosos, provocados por máquinas sem qualquer proteção, movidos por correias expostas, e as mortes, principalmente de crianças, eram freqüentes. Inexistindo limites de horas de trabalho, homens, mulheres e crianças iniciavam suas atividades pela madrugada, abandonando-as somente ao cair da noite; em muitos casos, o trabalho continuava mesmo durante à noite, em fábricas parcamente iluminadas por bicos de gás. As atividades profissionais eram executadas em ambientes fechados, onde a ventilação era precaríssima. O ruído provocado pelas máquinas primitivas atingia limites altíssimos, tornando impossível até mesmo a audição de ordens, o que muito contribuía para aumentar o número de acidentes. Não é, pois, de estranhar-se que doenças de toda a ordem grassassem entre os trabalhadores, especialmente entre as crianças, doenças tanto de origem não ocupacional (principalmente as infecto–contagiosas, como o tifo europeu, que era chamado de “febre das fábricas”, cuja disseminação era facilitada pelas más condições do ambiente e pela grande concentração e promiscuidade dos trabalhadores), quanto de origem ocupacional, cujo número aumentava à medida que novas fábricas se abriam, e novas atividades industriais eram iniciadas. Tal dramática situação dos trabalhadores não poderia deixar indiferente a opinião pública, e por essa razão criou-se, no Parlamento britânico, sob a direção de Sir Robert Peel, uma comissão de inquérito que, após longa e tenaz luta, conseguiu que em 1802 fosse aprovada a primeira lei de proteção aos trabalhadores: a “Lei da Saúde e Moral dos Aprendizes”, que estabelecia o limite de 12 horas de trabalho por dia, proibia o trabalho noturno, obrigava os empregadores a lavar as paredes das fábricas duas vezes ao ano, e tornava obrigatória a ventilação destas. Tal lei – marco importante na história da humanidade - não resolvia senão parcela mínima do problema, e assim foi seguida de leis complementares surgidas em 1819, em geral pouco eficientes devido à forte oposição dos empregadores. Em 1830, quando as condições de trabalho das crianças ainda se mostravam péssimas, a despeito dos diversos documentos legais, o proprietário de uma fábrica inglesa, que se sentia perturbado diante das péssimas condições de trabalho dos seus pequenos trabalhadores, procurou Robert Baker, famoso 5 médico inglês, pedindo-lhe conselhos sobre a melhor forma de proteger a saúde dos mesmos. Baker vinha já há bastante tempo interessando-se pelo problema da saúde dos trabalhadores; conhecedor da obra de Ramazzini, Baker dedicava grande parte do seu tempo a visitar fábricas e tomar conhecimento das relações entre o trabalho e doença, o que levou o governo britânico, quatro anos mais tarde, a nomeá-lo Inspetor Médico de fábricas; assim, diante do pedido do empregador inglês, aconselhou-o a contratar um médico da localidade em que funcionava a fábrica, para visitar diariamente o local de trabalho e estudar a sua possível influência sobre a saúde dos pequenos operários, que deveriam ser afastados de suas atividades profissionais, tão logo fosse notada que estas atividades estivessem a prejudicar a sua saúde. Surgia, assim, o primeiro serviço médico industrial em todo o mundo.

A iniciativa do progressista empregador inglês veio mostrar a necessidade urgente de medidas de proteção aos trabalhadores, pelo que, em 1831, uma comissão parlamentar de inquérito, sob a chefia de Michael Saddler, elaborou um cuidadoso relatório, que concluía da seguinte maneira: “Diante desta Comissão desfilou longa procissão de trabalhadores – homens, mulheres, meninos e meninas. Abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade humana. Cada um deles era clara evidência de uma vida arruinada, um quadro vivo da crueldade do homem para com o homem, uma impiedosa condenação daqueles legisladores, que, quando em suas mãos detinham poder imenso, abandonaram os fracos à capacidade dos fortes”. O impacto deste relatório sobre a opinião pública foi tremendo, e assim, em 1822, foi baixado o “Factory Act, 1833” (Lei das Fábricas), que deve ser considerada como a primeira legislação realmente eficiente no campo da proteção ao trabalhador. Aplicava-se a todas as empresas têxteis onde se usasse força hidráulica ou a vapor; proibia o trabalho noturno aos menores de 18 anos e restringia as horas de trabalho destes a 12 por dia e 69 por semana; as fábricas precisavam ter escolas, que deviam ser freqüentadas por todos os trabalhadores menores de 13 anos; a idade mínima para o trabalho era de nove anos, e um médico devia atestar que o desenvolvimento físico da criança correspondia à sua idade cronológica. 6 A promulgação do Factory Act – Leis das Fábricas- e a opinião pública, decididamente contra os empregadores britânicos, levaram os industriais a seguirem o conselho de Baker, e em 1842, na Escócia, James Smith, diretorgerente de uma indústria têxtil em Deanston (Pertshire), contratou um médico que deveria submeter os menores trabalhadores a exames médicos antes de sua admissão ao serviço, examiná-los periodicamente, orientálos em relação a problemas de saúde, e, tanto quanto possível, fazer a prevenção de doenças, tanto ocupacionais quanto não ocupacionais. Surgiram então, as funções do médico de fábrica. O grande desenvolvimento industrial da Grã-Bretanha levou ao estabelecimento de uma série de medidas legislativas, sendo de destacar-se a criação do “Factory Inspectorate” (órgão do Ministério do Trabalho Inglês) cuja função é proceder ao exame médico préadmissional, ao exame médico periódico, ao estudo de casos de doenças causadas por agentes químicos potencialmente perigosos, e à notificação e investigação de doenças profissionais, especialmente em fábricas pequenas, que não dispõem de serviço médico próprio. A expansão da Revolução Industrial, no resto da Europa, resultou, também, no aparecimento progressivo dos serviços médicos de empresa industrial em diversos países, sendo que em alguns deles, foi dada a importância a esses serviços médicos que sua existência deixou de ser voluntária, como na Grã-Bretanha, para tornar-se obrigatória. Na França, a Lei de 11 de outubro de 1946, e o Decreto de aplicação de 26 de novembro de 1946, substituído pelo Decreto de 27 de novembro de 1952 e Circular Ministerial de 18 de dezembro de 1952, tornam obrigatória a existência de serviço médico em estabelecimentos, tanto industriais como comerciais, de qualquer tamanho (inclusive naqueles onde trabalham no mínimo 10 pessoas), sendo o seu funcionamento regulado por uma série de disposições, bem resumidas por Simonin. Mais recentemente, mesmo em países, onde a industrialização ainda é incipiente, como por exemplo, a Espanha, exigências legais (Ordem de 22 de dezembro de 1956, substituída pelo Decreto nº 1.036, de 18 de junho de 1959), também tornam obrigatória a existência de serviços médicos em empresas que tenham, pelo menos 500 trabalhadores, o mesmo ocorrendo com Portugal recentemente. 7 Nos Estados Unidos, a despeito de a industrialização ter-se desenvolvido de forma acentuada, a partir da segunda metade do século XIX, os serviços médicos de empresas permaneceram praticamente desconhecidos, não dando os empregadores nenhuma atenção especial aos problemas de saúde dos seus trabalhadores. No entanto, o aparecimento, no início do século XX, da legislação sobre indenização em casos de acidentes do trabalho, levou os empregadores a estabelecerem os primeiros serviços médicos de empresa industrial naquele país, com o objetivo de básico de reduzir o custo das indenizações, através do cuidado adequado dos casos de acidentes e doenças profissionais. Nos últimos 30-40 anos do século passado, no entanto, tal programa foi ampliado; assim passaram a ser atendidos, pelo serviço médico, problemas mórbidos nãoocupacionais de menor importância, que ocorram durante as horas de trabalho; por outro lado, esses serviços médicos passaram a existir não somente nas indústrias, onde o risco ocupacional é grande, mas também nas indústrias onde o tal risco seja mínimo. O princípio da manutenção da saúde, ou de prevenção das doenças de qualquer natureza, foi incorporado aos objetivos da grande maioria dos serviços médicos industriais americanos, com excelentes resultados. A exemplo da Grã-Bretanha, os serviços médicos industriais americanos continuaram a ser voluntariamente instalados nas fábricas, pelos empregadores. Isso levou a American Medical Association, por intermédio do seu Council of Industrial Health, a

estabelecer, em 1954, os princípios básicos que devem guiar o funcionamento desses serviços médicos, princípios estes revistos em 1960, pelo Council on Occupational Health daquela Associação. A grande importância da proteção à saúde dos trabalhadores não podia deixar de interessar duas grandes organizações de âmbito internacional: a Organização Internacional do Trabalho e a Organização Mundial de Saúde. Em 1950, a Comissão Conjunta OIT - OMS sobre Saúde Ocupacional estabeleceu, de forma muito ampla, os objetivos da Saúde Ocupacional. Em junho de 1953, a Conferência Internacional do Trabalho adotou princípios, elaborando a Recomendação nº 97, sobre a Proteção à Saúde dos Trabalhadores em Locais de Trabalho, e insistiu com os paísesmembros, no sentido de que os mesmos incrementassem a criação de serviços médicos em locais de trabalho; ao mesmo tempo, essa Comissão fez sentir à Diretoria da OIT a conveniência de o assunto ser colocado na agenda da futura Conferência, o que ocorreu e foi aprovado. 8 A OIT definiu, então, o serviço de saúde ocupacional como um serviço médico instalado em um estabelecimento de trabalho, ou em suas proximidades, com os seguintes objetivos: 1.Proteger os trabalhadores contra qualquer risco à sua saúde, que possa decorrer do seu trabalho ou das condições em que este é realizado. 2.Contribuir para o ajustamento físico e mental do trabalhador, obtido especialmente pela adaptação do trabalho aos trabalhadores, e pela colocação destes em atividades profissionais para as quais tenham aptidões. 3.Contribuir para o estabelecimento e a manutenção do mais alto grau possível de bem-estar físico e mental dos trabalhadores. No Brasil, os serviços médicos de empresa são de existência relativamente recente, e foram criados por livre iniciativa dos empregadores, que, recebendo trabalhadores do campo com condições geralmente pouco satisfatórias de saúde, procurava oferecer-lhes uma assistência médica gratuita no interior da própria fábrica; tinha, pois, tais serviços médicos um sentido eminentemente curativo e assistencial, e não o caráter preventivo recomendado pela OIT. Desta forma, estes serviços médicos não faziam a devida proteção dos trabalhadores contra os agravos do trabalho, mas sim serviços médicos de natureza meramente assistencial no que respeita às doenças e os acidentes do trabalho. Posteriormente, foi incluído na CLT dispositivos sobre Segurança e Higiene do Trabalho e, no Capitulo V - Título II, dispositivos sobre Segurança e Medicina do Trabalho, complementadas pelas Normas Regulamentadoras – NR’s as quais trazem exigências de cumprimento obrigatório por parte das empresas. Referida Legislação será objeto de estudo em nosso curso. 9 – HISTORIA DA SEGURANÇA DO TRABALHO BRASIL No Brasil, embora existam alguns fatores anteriores, como a publicação do Código Sanitário do Estado de São Paulo, de 1918, na prática, considera-se a primeira legislação a âmbito nacional sobre acidentes do trabalho, de 1919, com o inicio de alguma preocupação dos poderes públicos, com relação aos problemas de segurança e saúde do trabalhador. No começo deste século, naqueles estados onde se iniciativa a industrialização – São Paulo e Rio de Janeiro – a situação dos ambientes de trabalho era péssima, ocorrendo acidentes e doenças profissionais de toda ordem, W. Dean, em seu livro “A industrialização de São Paulo 1880 – 1945” afirmava que “as condições de trabalho eram duríssimas; muitas estruturas que abrigavam as máquinas não haviam sido originalmente destinadas a essa finalidade – além da mal iluminadas e mal ventiladas, não dispunham de instalações sanitárias. As maquinas se amontoavam, ao lado umas das outras, e suas correias e engrenagens giravam sem proteção alguma. Os acidentes eram freqüentes, porque os trabalhadores, cansados, que trabalhavam aos domingos, eram multados por indolência ou pelos erros cometidos, se fossem adultos; ou separados, se fossem crianças”. Em 1923, criava-se a Inspetoria de Higiene Industrial e Profissional junto ao Departamento Nacional de Saúde, no Ministério do Interior e Justiça. Em 1934, introduz-se a Inspetoria de Higiene e Segurança do Trabalho, no Departamento Nacional do Trabalho, do Ministério do Trabalho, Industria e Comercio. Nesse mesmo ano, o governo de Getulio Vargas promulga a segunda Lei de Acidentes do Trabalho e, dez anos depois, ainda no governo Vargas, aparece a terceira Lei. Um ano antes, a legislação trabalhista se consagra na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), com todo o Capitulo V dedicado a Higiene e Segurança do Trabalho. Não obstante o Brasil ser signatário da OIT, somente pela Portaria 3227 de 1972 é que veio a obedecer á Recomendação 112, de 1959, daquela Organização. Tomou-se, então, obrigatória à existência de Serviços de Segurança e Medicina do Trabalho nas empresas, de acordo com o número de empregados e o grau de risco em que se enquadram. Ainda assim, em tomo 85% dos trabalhadores ficaram excluídos destes serviços obrigatórios. As micros, pequenas e medias empresas não estão enquadradas nesta legislação e, atualmente a grande empregadora são estas empresas. Um outro fato alarmante é que os riscos e as condições insalubres a que estão expostos estes trabalhadores são muito maiores que as empresa de porte superior. Nas empresas de maior porte, as condições financeiras e econômicas permitem um maior investimento em máquinas modernas e processes

com 10 certa garantia de segurança e higiene do trabalho, não ocorrendo nas pequenas empresas. Alguns estudos realizados apontam que o risco nas pequenas empresas industriais (até 100 empregados) é 3,77 vezes maior que o das grandes empresas (mais de 500 empregados) ou 1,96 vezes o das médias empresas (101 a 500 empregados). As industrias do ramo da mecânica, material elétrico e eletro-técnico são responsáveis pelos índices mais elevados de acidentes graves, seguidos pelas industrias ligadas ao ramo dos produtos alimentícios. A nível nacional, a industria da construção civil responde por 25% dos acidentes, inclusive os mais graves e letais. Com relação às estatísticas de acidentes do trabalho, os dados brasileiros são poucos confiáveis, por diversos motivos, a seguir enumeramos alguns fatores que prejudicam uma analise mais aprofundada nas estatísticas de acidentes: a) Enorme quantidade de acidentes não registrados ou ocorrência de sub registros b) Grande quantidade de trabalhadores que não tem carteira de trabalho assinada. c) Sistema de estatística oficial não é confiável devido, dentro de outros fatores, a burocracia. Em 1972, foi criada o PVNT – Plano Nacional de Valorização do Trabalho, em função da situação alarmante do número de acidentes registrados no país. A legislação em vigor foi publicada em 22 de dezembro de 1977 e recebeu o número 6514. Ela altera o capitulo V, do titulo II, da consolidação das Leis do Trabalho. Decorrentes dessa lei, foram baixadas 28 Normas Regulamentadoras, Portaria 3214, de 8 de junho de 1978, pelo então Ministro Arnaldo Pietro. 2 – DEFINIÇÕES DE ACIDENTE DE TRABALHO O que é um acidente? Todos devem compreender claramente o que é um acidente. Antigamente, considerávamos que um acidente era um erro que resultava em ferimento, mas essa definição, na verdade, era incompleta. Alguns acidentes realmente causam ferimentos, mas os acidentes também danificam ferramentas, máquinas, 11 matéria prima, edifícios, etc..., e certos acidentes têm pouca ou nenhuma conseqüência óbvia. De acordo com a definição legal (Lei número 6367 de 19/10/1976): Acidente de trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda, ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Vamos analisar o significado da definição em partes: Exercício do Trabalho a Serviço da Empresa Para que uma moléstia ou lesão seja considerada como acidente de trabalho é necessário que haja uma ligação entre o resultado final e o trabalho, ou seja, que o resultado (no caso a lesão ou moléstia) tenha origem no trabalho realizado e em função do serviço realizado Por exemplo, se você assistir uma partida de futebol e sofrer algum tipo de acidente dentro do estádio, não pode considerar que tenha sido acidente do trabalho. Porém se você trabalhar no estádio e sofrer o mesmo tipo de acidente, aí sim será um acidente de trabalho e você estará coberto pelas leis trabalhistas vigentes no país. Lesão Corporal Lesão Corporal deve ser entendida como qualquer tipo de dano anatômico no organismo, por exemplo, quebra de uma perna, corte na mão, perda de um membro, etc... Perturbação Funcional Devemos entender como Perturbação Funcional ao prejuízo de funcionamento de qualquer órgão ou sentido do ser humano, como por exemplo, uma perturbação mental devido a uma forte pancada no crânio, mau funcionamento de algum órgão (pulmão, etc...), pela aspiração ou ingestão de um elemento nocivo a saúde usando no ambiente de trabalho. Doenças Profissionais As doenças profissionais foram igualadas ao acidente de trabalho, quer sejam doenças típicas ou atípicas quando elas ocasionem incapacidade ao trabalho. Doenças de Trabalho Típicas As Doenças do Trabalho Típicas ou Doenças Profissionais são causadas por agentes físicos, químicos, ou biológicos pertencentes a certas funções, desde que estejam relacionadas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social (artigo 2º, # 1º, I, da Lei 6367). Exemplos: Saturnismo (intoxicação de chumbo), Silicose (trabalhadores de sílica). 12 Doenças do Trabalho Atípicas Doenças do Trabalho Atípicas são aquelas que, não constando da relação elaborada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, resultam das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente. Do ponto de vista prevencionista, podemos definir, de uma maneira mais ampla e geral, o acidente de trabalho como sendo “toda a ocorrência não programada que cause danos físicos aos empregados ou danos materiais a equipamentos ou máquinas”. Com uma visão mais moderna, poderíamos definir acidente de trabalho, do ponto de vista Prevencionista, como: Acidente é um evento não planejado e indesejado que poderia resultar em ferimento, dano à saúde, avaria do produto, equipamento ou instalações, ou outras perdas financeiras para a companhia. Talvez você note, nesta definição, algumas mudanças em relação às definições anteriores. Por exemplo, no passado, definíamos acidente de pessoal como uma ocorrência inesperada – geralmente envolvendo contato entre um funcionário e um objeto, substâncias ou condição de exposição – que

interrompesse o trabalho. O esforço de segurança e saúde hoje deve ser muito mais amplo. Por exemplo, acidentes nem sempre são inesperados. Se tivermos consciência de que existe um acidente potencial e não o tratamos, não podemos ficar surpresos se o acidente acontecer, o acidente poderia ser evitado. Contudo, acidentes nem sempre envolvem “contato” entre uma pessoa e um objeto; e acidentes nem sempre paralisam o trabalho. Muitas exposições a doenças ocupacionais só são conhecidas pela vítima mais tarde. Muitos acidentes potencialmente graves são acidentes frustrados, sem a menor conseqüência em termos de avarias ou ferimento pessoal. 13 3 – CAUSAS DO ACIDENTE DE TRABALHO Durante anos, os profissionais da área de segurança basearam seus esforços num axioma duplo, afirmando que: (1) acidentes são causados; e (2) acidentes podem ser prevenidos pela diminuição dessas causas. A partir da década de 60, quando as empresas começaram a introduzir algum tipo de programa de segurança, esses dois conceitos forneceram grande parte da base para os esforços de prevenção de acidentes. Antigamente, os programas de segurança baseavam-se numa definição aberta sobre causas de acidentes incluindo tudo e qualquer coisa relacionada com o funcionário ou seu ambiente que contribuísse para um acidente. Essas causas podiam incluir as ações dos funcionários e colegas ou inércia dos supervisores ou da gerência. Embora tais idéias ainda forneçam um ponto básico de partida para a segurança, a natureza do local de trabalho industrial mudou profundamente, nos últimos anos. Máquinas sofisticadas substituíram a força muscular, computadores eliminaram a papelada, lasers e outros equipamentos automáticos e mudaram a natureza do trabalho. Novos produtos e novas técnicas de processamento introduziram novas preocupações sobre radiação, produtos químico tóxicos, ruído e outras condições de risco. A ergonomia, estudo de como o local de trabalho pode ser projetado para se ajustar às necessidades físicas e de segurança do empregado, foi reconhecida. Introduziram-se novas técnicas de análise de segurança de sistemas para identificar riscos no local de trabalho, nas etapas de instalação de equipamentos, na construção de edifícios e de sistemas sofisticados com antecedência. Hoje, vemos o ambiente de trabalho em termos cada vez mais amplos. Por ambiente queremos dizer não só o ambiente físico, mas também os mecanismos que utilizamos para monitorar as condições de segurança e saúde. Isso inclue o sistema de gerência que indica quem é responsável e quem tem a obrigação de que ações, que procedimentos estão funcionando para descobrir e corrigir riscos, e que treinamento é necessário para ter certeza de que cada funcionário saiba fazer o trabalho que lhe foi atribuído em condições seguras. O ambiente atual também inclue o clima ou cultura da organização; se a gerência e supervisores convenceram ou não os subordinados de que a segurança é uma alta prioridade; se os funcionários acreditam ou não que a gerência está realmente comprometida com segurança; se a gerência e os funcionários percebem corretamente as necessidades recíprocas de segurança e saúde; se os funcionários recebem ou não comunicações regulares sobre 14 segurança; se os supervisores recebem ou não uma avaliação sobre seus respectivos desempenhos em segurança e saúde; ou se existem outros mecanismos para demonstrar o compromisso da companhia com a segurança e saúde ocupacional. 4- ACIDENTES E INCIDENTES O conceito de acidente do trabalho tem sido expresso com diferentes enunciados, em geral dizendo a mesma coisa com palavras diversas, com mais tendência para um ou outro aspecto específico e conhecido do acidente. Entre estes conceitos citamos: "Acidente do trabalho é toda ocorrência estranha ao andamento normal do trabalho e não programada, da qual podem resultar danos físicos, funcionais ou a morte do trabalhador e / ou danos materiais e econômicos à empresa". Observamos que a expressão acidente do trabalho vincula-se hoje às ocorrências estranhas que causam algum dano à integridade física do trabalhador ou algum dano ao patrimônio da empresa. Às outras ocorrências que tiverem potencial para causar algum dano a alguém ou alguma coisa, mas que nenhum dano visível ou mensurável ocasionou, é dada outra designação: é o chamado Incidente ou Quase Acidente. Para distinguir entre os dois tipos de ocorrências, cujas características próprias demandam certos cuidados, estudos e medidas preventivas diferentes, daremos alguns exemplos a seguir: 15 SITUAÇÃO 1: 1º Caso: Suponhamos que um eletricista estava sobre uma escada para colocar uma lâmpada fluorescente numa calha suspensa na estrutura do prédio. Num dado momento, a lâmpada escapou de sua mão, caiu e foi despedaçar-se no piso. Foi um acidente. A queda da lâmpada foi um acidente e a sua quebra foi a completa caracterização desse acidente. Foi um dano material visível e mensurável. Se tivesse atingido alguém, teria havido também algum dano humano.

2 º Caso: Suponhamos que semelhantemente ao anterior, um eletricista substituía uma lâmpada fluorescente do prédio usando um cavalete. Num dado momento a lâmpada escapou de sua mão, mas num gesto rápido o eletricista conseguiu evitar que a mesma caísse ao solo, permanecendo intacta. Foi um Incidente (um quase-acidente). Na verdade a lâmpada quase caiu. SITUAÇÃO 2: 1º Caso: Um trabalhador habilitado, dirigindo uma empilhadeira, ao dobrar uma esquina, num corredor atropelou um outro trabalhador que estava atravessando naquele momento. Foi um acidente: uma pessoa foi atropelada e sofreu vários ferimentos. 16 2º Caso: Um trabalhador operador da empilhadeira, ao dobrar uma esquina, num corredor freou o veículo a tempo de evitar o atropelamento de outro trabalhador que atravessava naquele momento: os garfos da empilhadeira ficaram a centímetros da pessoa. Foi um Incidente (um quase-acidente); trabalhador quase foi atropelado pela empilhadeira. As situações acima representam na realidade situações de alerta para os prevencionistas, denotando que providências precisam ser tomadas para que efetivamente sejam evitadas as ocorrências indesejáveis (Acidentes). QUANDO APLICAR AS MEDIDAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO? Sob o aspecto técnico em relação à segurança do trabalho para responder a este questionamento, é necessário observarmos as seguintes oportunidades para a adoção das medidas, a fim de que sejam corrigidas ou mesmo que não se criem condições que levem às ocorrências de acidentes. Essas oportunidades, na ordem de preferência são: • • • • Nos projetos e instalações; Na fase operacional; Em razão de incidentes;... e Depois da ocorrência de acidentes. 17 Apreciaremos, a seguir, cada ponto indicado. Na fase de projetos e instalações da fábrica o ideal é utilizar da antecipação dos riscos, isto é, prever os aspectos de segurança do trabalho já nos projetos e instalações das fábricas, oficinas, armazéns, etc. Grande número de futuros problemas pode ser prevenido na prancheta do projetista e, outros mais, durante as instalações, desde que sejam aplicados pelos menos os princípios fundamentais da segurança do trabalho, nessas oportunidades. Isto reflete também como fator econômico, pois muitos acidentes, que viriam no futuro a onerar o custo operacional, deixarão de ocorrer. Além de tudo, é sempre mais barato aplicar os dispositivos e meios de segurança no projeto original do que aplicá-los no futuro, às vezes em caráter de urgência, o que, sem dúvida, causará maior despesa, possivelmente com menor rendimento e eficácia. Apesar de todos os cuidados observados nos projetos e nas instalações de fábricas, maquinaria, ferramentas, etc. ainda podem aparecer riscos fora de controle, na fase operacional. Esta é outra oportunidade para aplicação de medidas, no caso corretivas, de segurança, antes que um acidente venha a indicar a existência do perigo. Na fase operacional, os perigos devem ser levantados por meio de inspeções de segurança ou de análise de riscos operacionais. Na fase de observações de Incidentes, verificamos que estes são excelentes indicadores da necessidade de aplicação de medidas adicionais de segurança, antes que algum acidente venha a ocorrer. Depois da ocorrência de acidentes é uma oportunidade para a aplicação de medidas de segurança, embora tudo deva ser feito no sentido de se controlar os riscos antes desse acontecimento. Neste momento, a finalidade da aplicação das medidas de segurança é para se evitar a repetição de acidente do mesmo tipo. 18 ACIDENTE - TIPO

Batida contra... Prensagem entre... 19 Queda de pessoa... Contato com ELETRICIDADE... 20 Contatos com produtos químicos... AGENTE DA LESÃO É AQUILO QUE, EM CONTATO COM A PESSOA, DETERMINA A LESÃO OU UMA DOENÇA OCUPACIONAL, QUANDO SE TRATA DE PRODUTOS QUE AFETAM ÓRGÃOS INTERNOS ASPIRADOS OU ABSORVIDOS PELA EPIDERME. É A SUBSTÂNCIA, ENERGIA, OU MOVIMENTO DO CORPO QUE DIRETAMENTE PROVOCOU A LESÃO. PODE SER UM DOS MUITOS MATERIAIS COM CARACTERÍSTICAS AGRESSIVAS, UMA FERRAMENTA, A PARTE DE UMA MÁQUINA, ETC. EXEMPLOS: PRODUTOS ÁCIDOS ... MATERIAIS INCANDESCENTES.... MATERIAIS EXCESSIVAMENTE QUENTES... A CORRENTE ELÉTRICA... 21 AS RADIAÇÕES QUE LESAM OU CAUSAM DOENÇAS PELA SIMPLES EXPOSIÇÃO... PRODUTOS TÓXICOS, MICROORGANISMOS... , ETC... ... POIS BASTA UM LEVE CONTATO PARA OCORRER A LESÃO. PREVENÇÃO DE ACIDENTES CONCEITOS FUNDAMENTAIS A SEGURANÇA DO TRABALHO É REPRESENTADA PELO CONJUNTO DE RECURSOS (MEDIDAS E AÇÕES) EMPREGADOS PARA PREVENIR ACIDENTES NAS ATIVIDADES DAS EMPRESAS; CARACTERIZA-SE, PRINCIPALMENTE, PELO CUMPRIMENTO DAS NORMAS REGULAMENTADORAS; PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO : REPRESENTAM TODOS OS PROCEDIMENTOS E COMPORTAMENTOS ADOTADOS COM A FINALIDADE DE SE EVITAR A OCORRÊNCIA DE ACIDENTES DO TRABALHO . CIÊNCIAS CORRELATAS: Engenharia de Segurança do Trabalho, com atuação na prevenção de acidentes do trabalho; Higiene do Trabalho, com atuação na prevenção técnica das doenças profissionais; Medicina do Trabalho, com atuação no indivíduo através de ações predominantemente preventivas. 22 CONDIÇÕES DE TRABALHO São as circunstâncias postas à disposição dos trabalhadores para a realização de suas atividades laborais representadas pelo Ambiente existente, as Máquinas e Equipamentos, os Processos Produtivos desenvolvidos bem como os Treinamentos específicos recebidos. PROTEÇÃO CONTRA OS RISCOS OCUPACIONAIS REPRESENTAM TODAS AS MEDIDAS E DISPOSITIVOS EMPREGADOS COM A FINALIDADE DE SE EVITAR A OCORRÊNCIA DE ACIDENTES OU DE DOENÇAS NOS TRABALHADORES, OU MINIMIZAR OS SEUS EFEITOS; PODE SER REPRESENTADA POR: MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVAS; EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVAS - EPC; EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI; MEDIDAS RELATIVAS AO AMBIENTE “MEDIDA DE ENGENHARIA“ • DEVE SER ENTENDIDA COMO UMA ALTERAÇÃO PERMANENTE NO AMBIENTE DE TRABALHO (INCLUINDO MAQUINÁRIA E EQUIPAMENTO)QUE DISPENSA A NECESSIDADE DE UMA OPÇÃO OU DECISÃO DE CONTROLAR O RISCO, POR PARTE DO TRABALHADOR OU DE QUALQUER OUTRA PESSOA POTENCIALMENTE EXPOSTA. 23

• MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA: GENERICAMENTE, SÃO AQUELAS ADOTADAS COM A FINALIDADE DE BUSCAR SUPRIMIR O AGENTE DO RISCO, DE CONFINÁ-LO OU AINDA REDUZÍ-LO A NÍVEIS TOLERÁVEIS NO AMBIENTE DE TRABALHO. PREVENÇÃO DE ACIDENTES DEVE SER ENFATIZADO QUE: ANTES DE RECOMENDAR O USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL, TODAS AS POSSIBILIDADES DE CONTROLE NO AMBIENTE DE TRABALHO, OU SEJA, MÉTODOS DE PROTEÇÃO COLETIVA DEVEM SER EXPLORADOS. MEDIDAS RELATIVAS AO TRABALHADOR AS MEDIDAS RELATIVAS AO TRABALHADOR SÃO TAMBÉM PARTE DA ESTRATÉGIA DE CONTROLE E A MAIORIA REQUER “ CONTROLE ADMINISTRATIVO “PARA A SUA EXECUÇÃO . A PROTEÇÃO CONTRA OS RISCOS OCUPACIONAIS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA EPC`S : SÃO DISPOSITIVOS UTILIZADOS NO AMBIENTE LABORAL DESTINADOS A PROTEÇÃO DE GRUPOS DE TRABALHADORES CONTRA A OCORRÊNCIA DE ACIDENTES DO TRABALHO OU DOENÇAS OCUPACIONAIS, PODENDO SER REPRESENTADOS POR PROTEÇÕES DAS MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS BARREIRAS E SINALIZADORES, DETECTORES DE GASES E FUMAÇAS, CONES DE ADVERTÊNCIA, ETC. 24 – LEGISLAÇÃO EM SEGURANÇA DO TRABALHO NO BRASIL REVOLUÇÃO INDUSTRIAL A ascensão de uma economia industrial que, para a maioria dos autores, tem seu período marcante entre 1760 e 1850. O trabalho artesanal, onde o homem era detentor de todo o processo, dá lugar a um processo industrial com profundas modificações sociais. A preocupação com a força de trabalho, com as perdas econômicas suscitou a intervenção dos governos dentro das fábricas O trabalho artesanal, onde o homem era detentor de todo o processo, dá lugar a um processo industrial com profundas modificações sociais. A preocupação com a força de trabalho, com as perdas econômicas suscitou a intervenção dos governos dentro das fábricas. MEDICINA DO TRABALHO Início do século XIX Surgem os médicos em fábricas As primeiras leis de saúde pública que marcadamente abordavam a questão saúde dos trabalhadores (Act Factory, 1833) A Medicina do Trabalho tinha aí seu marco inicial. 25 Início do século XX O movimento sindical emergente começou a expressar o controle social que a força de trabalho necessitava. As novas tecnologias, ao incorporaram novos processos de trabalho, geravam riscos que culminavam em acidentes de trabalho e doenças profissionais. A expansão e consolidação do modelo iniciado com a revolução industrial e com a transnacionalização da economia, faz surgir a necessidade de medidas e parâmetros comuns, como regulamentação e organização do processo de trabalho, que uniformizassem os países produtores de bens industrializados. Em 1919 foi criada a Organização Internacional do Trabalho, que já reconhecia, em suas primeiras reuniões, a existência de doenças profissionais. Surgiu a organização científica do trabalho, o taylorismo e o fordismo, convertendo o trabalhador de sujeito em objeto. Desenvolviam-se os primeiros conceitos de Higiene Industrial, de Ergonomia e fortalecia-se a Engenharia de Segurança do Trabalho. Saúde Ocupacional Tudo isto veio configurar um novo modelo baseado na interdisciplinaridade e na multiprofissionalidade, a Saúde Ocupacional, que nasceu sob a égide da Saúde Pública com uma visão bem mais ampla que o modelo original de Medicina do Trabalho. Ressalte-se que esta não desapareceu, e sim ampliou-se somando-se o acervo de seus conhecimentos ao saber incorporado de outras disciplinas e de outras profissões. 26 CIPA CONCEITO E OBJETIVOS 1921 - A CIPA SURGIU ATRAVÉS DE UMA RECOMENDAÇÃO DO OIT; 1944 - A CIPA TRANSFORMOUSE EM DETERMINAÇÃO LEGAL NO BRASIL ATRAVÉS DO DECRETO-LEI 7.036 DE 10/11/1944. 1978 - A PORTARIA 3214 DE 08/06/1978 - REGULAMENTA A NR 5 - CIPA 1999 - A PORTARIA 8 DE 23/02/1999 ALTERA A NR 5 À PARTIR DE 24/05/1999.

Constituição de 1988 Artigo 7°: "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais além de outros que visem à melhoria de sua condição social a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança“ No Brasil, as leis que começaram a abordar a questão da segurança no trabalho só surgiram no início dos anos 40. Segundo LIMA JR. (1995), o qual fez um levantamento desta evolução, o assunto só foi melhor discutido em 1943 a partir do Capítulo V do Título II da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A primeira grande reformulação deste assunto no país só ocorreu em 1967, quando se destacou a necessidade de organização das empresas com a criação do SESMT (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho). 27 O grande salto qualitativo da legislação brasileira em segurança do trabalho ocorreu em 1978 com a introdução das vinte e oito Normas Regulamentadoras (NR). Portaria Nº. 3.214 de 08 de Junho de 1978 do Ministério do Trabalho. A Legislação atual de Segurança do Trabalho no Brasil compõe-se de Normas Regulamentadoras, leis complementares, como portarias e decretos e também as Convenções Internacionais da OIT - Organização Internacional do Trabalho, ratificadas pelo Brasil. O PROFISSIONAL DA ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO O quadro de Segurança do Trabalho de uma empresa pode-se constituir, em sua forma mais ampla, por uma equipe multidisciplinar composta por Técnico de Segurança do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Médico do Trabalho e Enfermeiro do Trabalho. Estes profissionais formam o que denomina-se SESMT - Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. A especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho habilita o profissional de qualquer modalidade da engenharia, arquitetos e agrônomos a exercerem nas empresas a função de Engenheiro de Segurança do Trabalho (EST). Esta habilitação é concedida pelo sistema CONFEA/CREA’s por meio de apostilamento na carteira profissional das novas habilitações que são acrescentadas às obtidas no curso de graduação. O profissional de Segurança do Trabalho tem uma área de atuação bastante ampla, se fazendo presente em todas as esferas da sociedade onde houver trabalhadores. Em geral, atuam em fábricas de alimentos, construção civil, hospitais, empresas comerciais e industriais, grandes empresas estatais, mineradoras e de extração. 28 Também pode atuar na área rural em empresas agro-industriais. Desta forma, o cotidiano de um EST nas organizações exige conhecimentos multidisciplinares nas áreas da engenharia, direito, medicina do trabalho, psicologia, administração e outras matérias técnicas ou humanísticas. Segundo a legislação vigente, cabe ao EST atuar nas empresas junto ao serviço de segurança e medicina do trabalho com o objetivo de prevenir e controlar a ocorrência de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. Nos próximos subitens, faz-se o conhecimento das atribuições desses profissionais. RESOLUÇÃO CONFEA Nº 359 DE 31 DE JULHO DE 1991 Segundo esta resolução, as atividades dos Agrônomos, Engenheiros de qualquer modalidade profissional e Arquitetos que tenha cursado a especialização, em nível de pós-graduação, em Engenharia de Segurança do Trabalho são: Supervisionar, coordenar e orientar tecnicamente os serviços de Engenharia de Segurança do Trabalho; Estudar as condições de segurança dos locais de trabalho e das instalações e equipamentos, com vistas especialmente aos problemas de controle de risco, controle de poluição, higiene do trabalho, ergonomia, proteção contra incêndio e saneamento; Planejar e desenvolver a implantação de técnicas relativas a gerenciamento e controle de riscos; Vistoriar, avaliar, realizar perícias, arbitrar, emitir parecer, laudos técnicos e indicar medidas de controle sobre grau de exposição a agentes agressivos de riscos físicos, químicos e biológicos, tais como poluentes atmosféricos, ruídos, calor, radiação em geral e pressões anormais, caracterizando as atividades, operações e locais insalubres e perigosos;

29 Analisar riscos, acidentes e falhas, investigando causas, propondo medidas preventivas e corretivas e orientando trabalhos estatísticos, inclusive com respeito a custo; Propor políticas, programas, normas e regulamentos de Segurança do Trabalho, zelando pela sua observância; Elaborar projetos de sistemas de segurança e assessorar a elaboração de projetos de obras, instalação e equipamentos, opinando do ponto de vista da Engenharia de Segurança; Estudar instalações, máquinas e equipamentos, identificando seus pontos de risco e projetando dispositivos de segurança; Projetar sistemas de proteção contra incêndios, coordenar atividades de combate a incêndio e de salvamento e elaborar planos para emergência e catástrofes; Inspecionar locais de trabalho no que se relaciona com a segurança do Trabalho, delimitando áreas de periculosidade; Especificar, controlar e fiscalizar sistemas de proteção coletiva e equipamentos de segurança, inclusive os de proteção individual e os de proteção contra incêndio, assegurando-se de sua qualidade e eficiência; Opinar e participar da especificação para aquisição de substâncias e equipamentos cuja manipulação, armazenamento, transporte ou funcionamento possam apresentar riscos, acompanhando o controle do recebimento e da expedição; Elaborar planos destinados a criar e desenvolver a prevenção de acidentes, promovendo a instalação de comissões e assessorando-lhes o funcionamento; 30 Orientar o treinamento específico de Segurança do Trabalho e assessorar a elaboração de programas de treinamento geral, no que diz respeito à Segurança do Trabalho; Acompanhar a execução de obras e serviços decorrentes da adoção de medidas de segurança, quando a complexidade dos trabalhos a executar assim o exigir; Colaborar na fixação de requisitos de aptidão para o exercício de funções, apontando os riscos decorrentes desses exercícios; Propor medidas preventivas no campo da Segurança do Trabalho, em face do conhecimento da natureza e gravidade das lesões provenientes do acidente de trabalho, incluídas as doenças do trabalho; Informar aos trabalhadores e à comunidade, diretamente ou por meio de seus representantes, as condições que possam trazer danos a sua integridade e as medidas que eliminam ou atenuam estes riscos e que deverão ser tomadas. DA PROFISSÃO DE TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO PORTARIA N.º 3.275, DE 21 DE SETEMBRO DE 1989 A MINISTRA DE ESTADO DO TRABALHO, no uso de suas atribuições, considerando o disposto no art. 6º do Decreto 92.530, de 09.04.86, que delega competência ao Ministério do Trabalho para definir as atividades do Técnico de Segurança do Trabalho, RESOLVE: Art. 1º - As atividades do Técnico de Segurança do Trabalho são os seguintes: I – Informar o empregador, através de parecer técnico, sobre os riscos existentes no ambiente de trabalho, bem como orientá-lo sobre as medidas de eliminação e neutralização; II – Informar os trabalhadores sobre os riscos da sua atividade, bem como as medidas de eliminação e neutralização; 31

III – Analisar os métodos e os processos de trabalho e identificar os fatores de risco de acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho e a presença de agentes ambientais agressivos ao trabalhador, propondo sua eliminação ou seu controle; IV – Executar os procedimentos de segurança e higiene do trabalho e avaliar os resultados alcançados, adequando-os as estratégias utilizadas de maneira a integrar o processo prevencionista em sua planificação, beneficiando o trabalhador; V – Executar os programas de prevenção de acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho nos ambientes de trabalho com a participação dos trabalhadores, acompanhando e avaliando seus resultados, bem como sugerindo constante atualização dos mesmos e estabelecendo procedimentos a serem seguidos; VI – Promover debates, encontros, campanhas, seminários, palestras, reuniões, treinamento e utilizar outros recursos de ordem didática e pedagógica com o objetivo de divulgar as normas de segurança e higiene do trabalho, assuntos técnicos, administrativos e prevencionistas, visando evitar acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho; VII – Executar as normas de segurança referentes a projetos de construção, ampliação, reforma, arranjos físicos e de fluxo, com vistas à observância das medidas de segurança e higiene do trabalho, inclusive por terceiros; VIII – Encaminhar aos setores e áreas competentes normas, regulamentos, documentação, dados estatísticos, resultados de análises e avaliações, materiais de apoio técnico, educacional e outros de divulgação para conhecimento e auto-desenvolvimento do trabalhador; Art. 1º As atividades do Técnico de Segurança... IX – indicar, solicitar e inspecionar equipamentos de proteção contra incêndio, recursos audiovisuais e didáticos e outros materiais considerados indispensáveis, de acordo com a legislação vigente, dentro das qualidades e especificações técnicas recomendadas, avaliando seu desempenho; X – cooperar com as atividades do meio ambiente, orientando quanto ao tratamento e destinação dos resíduos industriais, incentivando e conscientizando o trabalhador da sua importância para a vida; 32 XI – orientar as atividades desenvolvidas por empresas contratadas, quanto aos procedimentos de segurança e higiene do trabalho previstos na legislação ou constantes em contratos de prestação de serviço; XII – executar as atividades ligadas à segurança e higiene do trabalho utilizando métodos e técnicas científicas, observando dispositivos legais e institucionais que objetivem a eliminação, controle ou redução permanente dos riscos de acidentes do trabalho e a melhoria das condições do ambiente, para preservar a integridade física e mental dos trabalhadores; XIII – levantar e estudar os dados estatísticos de acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho, calcular a freqüência e a gravidade destes para ajustes das ações prevencionistas, normas, regulamentos e outros dispositivos de ordem técnica, que permitam a proteção coletiva e individual; XIV – articular-se e colaborar com os setores responsáveis pelos recursos humanos, fornecendo-lhes resultados de levantamentos técnicos de riscos das áreas e atividades para subsidiar a adoção de medidas de prevenção a nível de pessoal; XV – informar os trabalhadores e o empregador sobre as atividades insalubres, perigosas e penosas existentes na empresa, seus riscos específicos, bem como as medidas e alternativas de eliminação ou neutralização dos mesmos; XVI – avaliar as condições ambientais de trabalho e emitir parecer técnico que subsidie o planejamento e a organização do trabalho de forma segura para o trabalhador; XVII – articular-se e colaborar com os órgãos e entidades ligados à prevenção de acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho. XVIII – participar de seminários, treinamentos, congressos e cursos visando o intercâmbio e o aperfeiçoamento profissional. Art. 2º As dúvidas suscitadas e os casos omissos serão dirimidos pela Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. 33 ATIVIDADE EM DESTAQUE DOS PROFISSIONAIS EM SEGURANAÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR 1. LTCAT - Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho 2. PCMSO - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional 3. PPP – Perfil Profissiográfico Previdenciário 4. PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais 5. INSPEÇÕES EM CALDEIRAS E VASOS DE PRESSÃO (ENG. MECÂNICO)

6. CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes 7. PCMAT – Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção 8. MAPEAMENTO DE RISCOS 34 LAUDO TÉCNICO DE CONDIÇÕES AMBIENTAIS DO TRABALHO - LTCAT A partir das avaliações realizadas, posterior análise baseado nas NR´s e com base em inspeções dos locais de trabalho, realiza-se o levantamento dos agentes agressivos presentes nos ambientes, as medidas preventivas adotadas definindo a caracterização das funções que são insalubres ou perigosas. Este levantamento fornece subsídios para adoção de medidas que minimizam e ou neutralizam os agentes agressivos que possam ser considerados insalubre e ou periculosos. Essas medidas evitam pagamentos desnecessários e/ou reclamações trabalhistas, adequando-as também para a defesa de processos já em curso. Os LTCAT’S, poderão ser feitos somente pelos Engenheiros de Segurança do Trabalho e pelos Médicos de Segurança do Trabalho. 35 A importância de conhecer os riscos Avaliação de riscos Formas de avaliar os riscos Os locais de trabalho, pela própria natureza da atividade desenvolvida e pelas características de organização, relações interpessoais, manipulação ou exposição a agentes físicos, químicos, biológicos, situações de deficiência ergonômica ou riscos de acidentes, podem comprometer a do trabalhador em curto, médio e longo prazo, provocando lesões imediatas, doenças ou a morte, além de prejuízos de ordem legal e patrimonial para a empresa. É importante salientar que a presença de produtos ou agentes nocivos nos locais de trabalho não quer dizer que, obrigatoriamente, existe perigo para a saúde. Isso vai depender da combinação ou inter-relação de diversos fatores, como a concentração e a forma do contaminante no ambiente de trabalho, o nível de toxicidade e o tempo de exposição da pessoa. Entretanto, na visão da prevenção, não existem micro ou pequenos riscos, o que existem são micro ou pequenas empresas.Desta forma, em qualquer tipo de atividade laboral, tornase imprescindível a necessidade de investigar o ambiente de trabalho para conhecer os riscos a que estão expostos os trabalhadores. É o processo de estimar a magnitude dos riscos existentes no ambiente e decidir se um risco é ou não tolerável. Para investigar os locais de trabalho na busca de eliminar ou neutralizar os riscos ambientais, existem duas modalidades básicas de avaliação. A avaliação qualitativa, conhecida como preliminar, e a avaliação quantitativa, para medir, comparar e estabelecer medidas de eliminação, neutralização ou controle dos riscos. saúde e a segurança DICAS DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES E DOENÇAS NO TRABALHO. A mais simples forma de avaliação ambiental é a qualitativa. Na avaliação qualitativa, utiliza-se apenas a sensibilidade do avaliador para identificar o risco existente no local de trabalho. Na avaliação quantitativa, são necessários o uso de um método científico e a utilização de instrumentos e equipamentos destinados à quantificação do risco. Exemplo Para avaliar o calor produzido num forno utilizam-se termômetros específicos; para avaliar o nível d+e ruído de uma máquina, utilizam-se medidores de pressão sonora. 36 Exemplo Ocorrendo o vazamento em um botijão de gás de cozinha, o sentido do olfato imediatamente nos auxilia na identificação do risco. CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS: A maioria dos processos pelos quais o homem modifica os materiais extraídos da natureza para transformá-los em produtos úteis, segundo as necessidades tecnológicas atuais, são capazes de dispersar no ambiente de trabalho substâncias que ao entrarem em contato com o organismo dos trabalhadores poderão ocasionar danos à sua saúde e integridade física, podendo até, em certas condições, contaminar o ambiente externo colocando em risco a própria sociedade. Para tanto, é necessário saber e reconhecer quais são os riscos ambientais existentes no ambiente com potencial de causar danos tanto humanos quanto materiais. Os riscos ambientais segundo a higiene do trabalho são classificados em três grupos: • Riscos Químicos; Riscos Físicos; Riscos Biológicos. 37

• • Temos ainda outros dois grupos que completam os anteriores: •• Riscos Ergonômicos. Riscos mecânicos ou de acidentes; As indústrias, em seus mais diferentes segmentos, podem apresentar particularidades distintas uma das outras mesmo quando atuam no mesmo ramo de atividade, pois os riscos podem ser os mesmos mas o ambiente, como uma das peças chave dentro do conjunto de fatores de risco, se diferem, propiciam e favorecem a ocorrência de doenças e acidentes. Portanto, o profissional do SESMT deve se atentar a essas características de segurança e medicina do trabalho que afligem os colaboradores dentro da empresa para então estudar as soluções de atenuação ou eliminação afim de preservar o ambiente de trabalho, o homem, a sociedade e o meio ambiente saudáveis 38 Tabela 3: Riscos ambientais NR -9 (Brasil, 1994). RISCOS AMBIENTAIS GRUPO I Agentes Químicos Poeira Fumos GRUPO II Agentes Físicos Ruído Vibração Radiação ionizante e não Pressões anormais GRUPO III Agentes Biológicos Vírus Bactéria GRUPO IV Agentes Ergonômicos Trabalho físico pesado Posturas incorretas GRUPO V Agentes Mecânicos Arranjo físico Máquinas e equipamentos Ferramentas manuais defeituosas, inadequadas ou inexistentes Eletricidade/Sinalização Névoas Treinamento Protozoários inadequado/ inexistente Trabalho em turnos e noturnos Vapores Fungos Gases Produtos químicos em geral Neblina Temperaturas Bacilos extremas Atenção e Perigo de incêndio ou responsabilidade explosão Transporte de materiais, Iluminação deficiente Umidade Parasitas Monotonia Outros outros Edificações Ritmo excessivo Armazenamento inadequado Outros AMARELO Insetos, cobras, aranhas, etc. AZUL Outros VERMELHO Outros VERDE Outros MARROM

39 NORMAS REGULAMENTADORAS (NR) APROVADA PELA PORTARIA Nº 3.214,DE 08 DE JULHO DE 1978 NR 1 - DISPOSIÇÕES GERAIS A Norma Regulamentadora relativa à segurança e medicina do trabalho, são de observância, obrigatória pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos poderes legislativo e judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho-CLT. NR 2 - INSPEÇÃO PRÉVIA Todo estabelecimento novo, antes de iniciar suas atividades, deverá solicitar aprovação de suas instalações ao Órgão Regional do MTE. NR 3 - EMBARGO OU INTERDIÇÃO O Delegado Regional do Trabalho, conforme o caso, à vista de laudo técnico do serviço competente que demonstre grave e iminente risco para o trabalhador, poderá interditar estabelecimento, setor de serviço, máquina ou equipamento, ou embargar obra, indicando na decisão tomada, com a brevidade que a ocorrência exigir, as providências que deverão ser adotadas para prevenção de acidentes do trabalho e doenças profissionais. 40 NR 4 - SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA MEDICNA DO TRABALHO -SESMT DE SEGURANÇA E EM As empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho-CLT manterão, obrigatoriamente, Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. NR 5 - COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES – CIPA As empresas privadas e públicas e os órgãos governamentais que possuam empregados regidos pela ConsoIidação das Leis do Trabalho - CLT ficam obrigados a organizar e manter em funcionamento, por estabelecimento, uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes-CIPA. NR 6 - EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL Para os fins de aplicação desta Norma Regulamentadora - NR, considera-se Equipamento de Proteção Individual - EPI todo dispositivo de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção contra um ou mais riscos NR 7 - PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL Esta Norma Regulamentadora estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional-PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. 41 NR 8 - EDIFICAÇÕES Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece requisitos técnicos mínimos que devem ser observados nas edificações, para garantir segurança e conforto aos que nelas trabalhem. NR 9 - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS –PPRA Esta Norma Regulamentadora estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA, visando a preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. NR 10 - SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE Esta Norma Regulamentadora fixa as condições mínimas exigíveis para garantir a segurança dos empregados que trabalham em instalações elétricas, em suas diversas etapas, incluindo projeto, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação e,

ainda, a segurança de usuários e terceiros. NR 11 - TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃ0, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS Normas de Segurança para operação de Elevadores, Guindastes, Transportadores Industriais e Máquinas Transportadoras 42 NR 12 - MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Instalações e Áreas de Trabalho NR 13 - CALDEIRAS E VASOS DE PRESSÃO Caldeiras a vapor são equipamentos destinados a produzir e acumular vapor sob pressão superior a atmosférica, utilizando qualquer fonte de energia, excetuando-se os refervedores e equipamentos similares utilizados em unidades de processo. NR 14 – FORNOS Os fornos, para qualquer utilização, devem ser construídos solidamente, revestidos com material refratário, de forma que o calor radiante não ultrapasse os limites de tolerância estabelecidos pela Norma Regulamentadora - NR-15. NR 15 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES São consideradas atividades ou operações insalubres as que se desenvolvem acima dos limites de tolerância. NR 16 - ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS O exercício de trabalho em condições de periculosidade assegura ao trabalhador a percepção de adicional de 30% (trinta por cento), incidente sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. 43 NR 17 – ERGONOMIA Esta Norma Regulamentadora visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psico-fisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. NR 18 - CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO Esta Norma Regulamentadora- NR estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização, que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção. NR - 19 EXPLOSIVOS Depósito, Manuseio e Armazenagem de explosivos. NR 20 - LÍQUIDOS COMBUSTÍVEIS E INFLAMÁVEIS Para efeitos desta Norma Regulamentadora fica definido "líquido combustível" como todo aquele que possua ponto de fulgor igual ou superior a 70oC (setenta graus centígrados) e inferior a 93,3oC (noventa e três graus e três décimos de graus centígrados) e "Líquido inflamável" como todo aquele que possua ponto de fulgor inferior a 70oC (setenta graus celsius) e pressão de vapor que não exceda 2,8 kgf/cm2 absoluta a 37,7oC. 44 NR 21 - TRABALHO A CÉU ABERTO Nos trabalhos realizados a céu aberto, é obrigatória a existência de abrigos, ainda que rústicos, capazes de proteger os trabalhadores contra intempéries. NR 22 – SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO Esta Normas Regulamentadora tem por objetivo disciplinar os preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento da atividade mineira com a busca permanente da segurança e saúde dos trabalhadores. NR 23 - PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS Todas as empresas deverão possuir: Proteção contra incêndio, Saídas suficientes para a rápida retirada do pessoal em serviço, em caso de incêndio, Equipamento suficiente para combater o fogo em seu início e Pessoas adestradas no uso correto desses equipamentos.

NR 24 - CONDIÇÕES SANITÁRIAS E DE CONFORTO NOS LOCAIS DE TRABALHO Denomina-se, para fins de aplicação da presente NR, a expressão Aparelho sanitário: o equipamento ou as peças destinadas ao uso de água para fins higiênicos ou a receber águas servidas(banheira, mictório,bebedouro e outros). Gabinete sanitário: denominado de latrina, privada, WC, o local destinado a fins higiênicos e dejeções; Banheiro: o conjunto de peças ou equipamentos que compõem determinada unidade e destinado ao asseio corporal. 45 NR 25 - RESÍDUOS INDUSTRIAIS Os resíduos gasosos deverão ser eliminados dos locais de trabalho através de métodos, equipamentos ou medidas adequadas, sendo proibido o lançamento ou a liberação nos ambientes de trabalho de quaisquer contaminantes gasosos sob a forma de matéria ou energia, direta ou indiretamente, de forma a serem ultrapassados os limites de tolerância estabelecidos pela Norma Regulamentadora (NR-15). Os resíduos líquidos e sólidos produzidos por processos e operações industriais deverão ser convenientemente tratados e/ou dispostos e/ou retirados dos limites da indústria, de forma a evitar riscos a saúde e a segurança dos trabalhadores. NR 26 - SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA Cor na segurança do trabalho. Esta norma tem por objetivo fixar as cores que devem ser usadas nos locais de trabalho para prevenção de acidentes, identificando os equipamentos de segurança, delimitando áreas, identificando as canalizações empregadas nas indústrias para a condução de líquidos e gases, e advertindo contra riscos. NR 27 - REGISTRO PROFISSIONAL DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO NO MINISTÉRIO DO TRABALHO NR 28 - FISCALIZAÇÃO E PENALIDADES 46 NR 29 – SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO PORTUÁRIO Objetivo Regular a proteção obrigatória contra acidentes e doenças profissionais, facilita os primeiros socorros a acidentados e alcançar as melhores condições possíveis de segurança e saúde aos trabalhadores portuários. As disposições contidas nesta NR aplicamse aos trabalhadores portuários em operações tanto a bordo como em terra, assim como aos demais trabalhadores que exerçam atividades nos portos organizados e instalações portuárias de uso privativo e retroportuárias, situadas dentro ou fora de área do porto organizado NR 30 – SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO AQUAVIÁRIO Esta norma aplica-se aos trabalhadores das embarcações comerciais, de bandeira nacional, bem como às de bandeiras estrangeiras, no limite do disposto na Convenção da OITnº147 – Normas Mínimas para Marinha Mercante, utilizados no transporte de mercadorias ou de passageiros, inclusive naquelas utilizadas na prestação de serviços, seja na navegação marítima de longo curso, na de cabotagem, na navegação interior, de apoio marítimo e portuário, bem como em plataformas marítimas e fluviais, quando em deslocamento. 47 NR 31 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA AGRICULTURA, PECUARIA, SILVICULTURA, EXPLORAÇÃO FLORESTAL E AQÜICULTUTA Objetivo Esta Norma Regulamentadora tem por objetivo estabelecer os preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aqüicultura com a segurança e saúde e meio ambiente do trabalho. NR 32 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM SERVIÇO DE SAÚDE Do objetivo e campo de aplicação Esta Norma Regulamentadora – NR tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. NR 33- SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS Objetivo e Definição Esta Norma tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos para identificação de espaços confinados e o reconhecimento, avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores que interagem direta ou indiretamente nestes espaços. Espaço Confinado é

qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio. 48

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