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Oficina nº 5 14/02/11

Formadora: Teresa França


 “Eu aprendi a gostar de música clássica muito antes de saber as notas:
minha mãe as tocava ao piano e elas ficaram gravadas na minha cabeça.
Somente depois, já fascinado pela música, fui aprender as notas – porque
queria tocar piano. (…)
Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança
fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são
as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a história. A aprendizagem da
leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança
escuta com prazer.”

 “(…)pelas delícias da leitura ouvida, a criança se volta para aqueles sinais


misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles
são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja
autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
pessoa que o está lendo.” Rubem Alves

 Ler é sempre uma forma de viajar.

 O passaporte exigido para essa viagem chama-se

aprender a ler
 Quando a criança percebe que o escrito
contém uma mensagem a que se pode aceder
via leitura, é natural que se queira tornar
leitor.
 A entrada na escola é sentida pela criança
como um passo mágico que lhe vai permitir
ler sozinha.
 O aprendiz de leitor espera poder entrar
numa floresta em que por encanto penetrará
num mundo de tesouros escondidos.
 Encontra um beco em que séries arrumadas de letras
lhe dão passagem a sílabas que, de forma espartilhada
se transformam em palavras isoladas.

Roupagem mecanicista do ensino da leitura

desmotivação desencanto desinteresse Pouco


estimulante
Como inverter este processo?

Centrar o ensino Na obtenção do


da leitura na sua significado do que
própria essência está escrito
No acesso ao
mundo imaginário

É importante que a leitura se processe num contexto


real de leitura, que se aprenda a ler, lendo.
 A chave para a entrada da criança no mundo
misterioso das letras e da descoberta de novos e
deslumbrantes caminhos do conhecimento é a


D E C I F R A Ç ÃO
 Mas o que é afinal Decifrar ?

decifrar = descodificar

Significa identificar as palavras escritas,


relacionando a sequência de letras com a
sequência dos sons na respectiva língua.
* alfabeto
 Devido à investigação, sabe-se mais hoje do que há 20 anos, como se
processa a aprendizagem da leitura .
 Nesta sessão vamos procurar responder a algumas questões:
 O que faz com que algumas crianças aprendam a decifrar com mais
facilidade do que outras?

 Será que a aprendizagem da decifração exige pré-requisitos especiais?

 Existe um método ideal para o ensino da decifração?

 Em que pilares deve assentar o ensino da decifração?


Ler numa língua de escrita
alfabética exige a conversão de
padrões visuais(letras/conjuntos de
letras) em padrões fonológicos
dessa língua(sons).

Tudo o que pode se


Tudo o que pode ser
escrito pode ser dito
dito pode ser escrito
O que faz com que algumas crianças aprendam a
decifrar com mais facilidade do que outras?

“A aprendizagem escolar nunca parte do


zero. Toda a aprendizagem da criança na
escola tem uma pré-história.”

(Vigotsky, 1977, citado por Martins e Niza, 1998)


 Quanto mais as crianças sabem sobre a leitura e escrita
antes de formalmente ensinadas a decifrar, maior será
o sucesso na aprendizagem posterior da Leitura.

 É sempre mais fácil aprender a ler na nossa língua


materna do que numa língua estrangeira:

escrita alfabética = escrita ideográfica / escrita silábica


Será que a aprendizagem da decifração
exige pré-requisitos especiais?
Coordenação Motora; •A criança descobre que a escrita
contém informação e que a leitura
Conhecimento do Esquema expressa essa informação
Corporal •O manuseamento pelas crianças
Estabilização da Dominância com registos escritos e a conversa
Lateral com o adulto sobre o material
escrito, leva a que as mesmas
Discriminação Visual e Auditiva
adquiram conhecimentos
•Interacção com falantes permite
Idade Mental. progredir no uso das estruturas
dessa língua
•Desenvolvimento da consciência
fonológica
 Em síntese, na fase que antecede o ensino formal da
decifração é fulcral promover os factores:

Desenvolvimento de Desenvolvimento da Desenvolvimento da


comportamentos linguagem oral na consciência
emergentes de língua de fonológica
leitura escolarização

Promover um contacto diário com a linguagem escrita


Estimular o convívio num ambiente de leitura
Provocar o diálogo sobre o que ouviu
Existe um método ideal para o ensino da decifração?

A velha “guerra dos métodos de ensino


da leitura” ( fónico ou global) é hoje
obsoleta e completamente ultrapassada.
Beijo

Clanhifrolim
Vias de acesso ao reconhecimento das palavras escritas:
clanhifrolim beijo
Palavra escrita

Conversão Automatização na
grafema/fonema conversão grafema/fonema

Formatação Busca no léxico


fonológica visual
Representação
ortográfica

Activação semântica

Identificação do significado
da palavra
 Leitura alfabética plena ( entrada no 1º ciclo) - ensino
formal da decifração

 Os alicerces da rapidez, eficácia e a automaticidade no


reconhecimento de palavras são estruturados nesta
etapa de aprendizagem.

 O sucesso na decifração é a pedra fulcral da leitura


 A escolha das metodologias de ensino da decifração espelha uma
opção pedagógica entre dar primazia a estratégias de
correspondência som/grafema, ou privilegiar estratégias de
reconhecimento global e automático da palavra

 A investigação veio mostrar que ambas as estratégias didácticas


são necessárias e importantes para que todas as crianças
aprendam a decifrar.

 A questão radica na forma como essas estratégias são


apresentadas ao aprendiz de leitor.
Em que pilares deve assentar o ensino da decifração?
 Proporcionar contextos propícios à leitura, de forma a
estimular a vontade de aprender a ler
 Estruturar as práticas de ensino a partir do que a
criança já conhece, partindo do princípio que nem
todas as crianças beneficiam da mesma exposição
precoce à linguagem escrita ( avaliação diagnóstica dos
conhecimentos emergentes da leitura)
 Desenvolver a consciência fonológica ( descoberta do
princípio alfabético)
 Ensinar a correspondência som-grafema (recodificação
fonológica)
 Ensinar a identificar padrões ortográficos (sequência de
grafemas que mediante uma regra ortográfica representam
graficamente sons . - ex: pa; br; ão, etc)
 Ensinar a reconhecer automaticamente palavras frequentes
( memorização da imagem global de palavras frequentes
permite aceder rapidamente ao significado)
 Associar práticas de expressão escrita às actividades de
decifração ( actividades de interactividade entre leitura e
escrita)
Materiais para trabalhar a Decifração