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Prática de Ensino e Orientação

de Estágio Supervisionado em
Língua Portuguesa
Material Teórico
Ouvir e falar a Língua Portuguesa

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Ms. Fátima Furlan

Revisão Textual:
Prof. Esp. Tiago Araújo Vieira
Ouvir e falar a Língua Portuguesa

·· Introdução
·· A habilidade de ouvir a Língua Portuguesa
·· O seminário

Refletir sobre processo ensino/aprendizagem das habilidades de ouvir e falar


a Língua Portuguesa.

Seja muito bem-vindo (a) à unidade da disciplina Prática de Ensino e Orientação de Estágio
Curricular Supervisionado em Língua Portuguesa.
Para atingir satisfatoriamente os objetivos, considere a importância da leitura do texto
principal e da realização, com empenho e dedicação, das atividades propostas.

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Unidade: Ouvir e falar a Língua Portuguesa

Contextualização

Antes de começarmos a nossa unidade leia e reflita sobre o conteúdo do texto abaixo:
Ensinar a falar é tão importante quanto ensinar a ler e a escrever
(Texto adaptado)

Crianças e jovens precisam aprender a falar em público e a defender ideias e


direitos. Essas habilidades não podem ficar de fora do ensino da língua

Roberta Bencini (novaescola@fvc.org.br)


Ao entrar na escola, os alunos já sabem se expressar oralmente na língua materna e podem se
comunicar sem grandes dificuldades nas diferentes situações do dia-a-dia. Mas é comum acreditar
que o desenvolvimento da capacidade de expressão oral seja atribuição da família. Afinal, as
primeiras palavras são ditas em casa, diferente das primeiras letras, que são traçadas, na maioria das
vezes, na escola. É necessário valorizar a fala, caso contrário reclamações sobre a incapacidade dos
jovens de se comunicar, sobre o abuso de gírias e a falta de vocabulário serão cada vez mais comuns,
afirma Maria José Nóbrega, consultora de Língua Portuguesa, de São Paulo.
Mesmo os alunos pequenos devem saber que procurar um emprego, defender direitos e
opiniões em público, realizar entrevistas, debates e seminários são ações que exigem uma
construção gramatical diferente da empregada no bate-papo com amigos.
Trabalhos de expressão oral são muito mais que leitura de textos em voz alta. Eles incluem
o incentivo à manifestação espontânea e frequente dos alunos em qualquer disciplina. As
atividades partem de situações simples, como a sua disposição para ouvir e permitir que
crianças e jovens exponham suas ideias. Depois é preciso criar ações didáticas que possibilitem
experiências significativas da comunicação pela fala.
Saber falar envolve saber ouvir e esperar o momento certo para argumentar. Essa
atividade é antes de tudo uma lição de respeito e educação, tão discutida principalmente
com as turmas de adolescentes.
Lembre-se de que o primeiro modelo da turma é você. Por isso, é importante falar corretamente,
não usar gírias e ouvir atentamente a sua classe. “O diálogo entre alunos e professores é uma
excelente oportunidade de aprendizado, pois permite a troca de informações e o confronto de
opiniões”, conclui Maria José.

Leia o texto na integra em:


http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/como-fala-bem-423740.shtml
Acesso em 16/10/2014
Ensinar a falar é tão importante quanto ensinar a ler e a escrever (Roberta Bencini)

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Introdução

Um dos grandes pecados da escola é desconsiderar tudo com que a


criança chega a ela. A escola decreta que antes dela não há nada.
- Paulo Freire

Vamos começar a nossa unidade refletindo sobre a epígrafe acima, na qual Paulo Freire
esclarece ser um erro desconsiderar o conhecimento prévio que as crianças levam para a escola.
Em se tratando do ensino da Língua Portuguesa é um erro gravíssimo, não? Nossos alunos já
chegam às escolas ouvindo e falando a língua portuguesa, não é mesmo?
Nesta unidade, iremos tratar justamente desse tema: ouvir e falar a língua portuguesa
aproveitando o conhecimento prévio do aluno e acrescentando o conhecimento formal que é
o oferecido pela escola.
A primeira habilidade do nosso idioma que é desenvolvida pelo homem é a escuta da
língua. Nasceu, chorou, pronto: começa a ouvir o português. Ouve durante um ano e depois
começa a falar algumas sílabas, palavras, frases e por aí vai. Só fala porque ouviu. Se não
tivesse ouvido não falaria nada, não é? O homem fala o que ouve, por isso é tão importante
ensiná-lo a ouvir bem.
E esse será o seu papel, futuro professor, ensinar a ouvir e a falar a língua portuguesa
aproveitando, é claro, tudo o que seus alunos já aprenderam informalmente.
Pronto para o desafio? Então, vamos lá. É hora de conversarmos sobre a habilidade de ouvir
o nosso idioma.

A habilidade de ouvir a Língua Portuguesa

O processamento auditivo é extremamente importante para o desenvolvimento, tanto da


linguagem oral, quanto da escrita, além de influenciar na socialização e aspectos emocionais.
Justifica-se assim a importância de dar uma atenção maior a essa habilidade.
A audição humana é um dos grandes privilégios da nossa raça. É um complexo
sistema situado numa região do cérebro, na parte lateral do crânio. Ao receber
as ondas sonoras do ambiente ao seu redor, o ouvido as converte em atividade
neural, que percorre um longo trajeto através do tronco encefálico até o córtex.
O sistema auditivo é estruturado para codificar as propriedades de frequência,
amplitude e complexidades do som, além de localizar o som no espaço. Mas
o mais importante no sistema humano é a capacidade de processamento de
sons para a linguagem e para a música, o que resultou no desenvolvimento de
regiões corticais especializadas. (Gomes, 2012, p.101 e 102)

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Unidade: Ouvir e falar a Língua Portuguesa

Vejamos agora a definição do verbo ouvir:


Ouvir significa entender, perceber pelo sentido do ouvido.
E o que significa entender?
Entender significa ter uma ideia clara de algo que foi falado; compreender, perceber.
E qual será o significado de escutar?
Escutar significa ficar atento para ouvir, prestar atenção para ouvir alguma coisa, aplicar o ouvido
com atenção para ouvir etc..
A partir das definições acima, percebemos que na escola, o papel do professor é desenvolver
estratégias para que o aluno escute, não é mesmo?

Gomes (2012) esclarece que a compreensão auditiva envolve uma parte anatômica, uma
psicológica e outra social. Mesmo que alguns autores optem por diferenciar ou não os verbos ouvir e
escutar, o que de fato importa é que a compreensão oral envolve sempre as três partes do processo.
Ainda segundo Gomes (2012), vários fatores dificultam a compreensão oral, tais quais:
··a rapidez do pensamento – muitas vezes a velocidade do pensamento é mais rápida que
a transmissão das palavras, provocando assim lacunas e falhas na compreensão;
··a audição seletiva – o que significa ouvir apenas o que nos interessa;
··os prejulgamentos – é a interpretação do que ouvimos de acordo com a nossa visão de
mundo, fato que pode nos conduzir a uma interpretação inadequada;
··influência do ambiente – são os ruídos, imagens, movimentos etc., que podem atrapalhar
a compreensão do que ouvimos.
Para exemplificar as falhas na compreensão oral, vou citar alguns exemplos:
Quantas vezes você cantou uma música e descobriu depois de um tempo, ao ler a letra, que
estava falando uma palavra errada? Muitas vezes, não? Você não é o único ou a única.
Já brincou de telefone sem fio? Lembra-se como a palavra ou frase era totalmente modificada?
Outro exemplo muito comum na nossa sociedade: o filho saiu ao pai, cuspido e escarrado.
Tenho certeza que você já ouviu ou falou essa frase. Você sabe o que significa? Pois bem, você
diz que significa ser igual ao pai, parecido com ele, não é? Então eu lhe pergunto, onde está a
semelhança em ser cuspido e escarrado? A resposta é: não tem semelhança nenhuma. Trata-se
de uma frase que não foi compreendida, percebida de maneira apropriada.
A frase original era: o filho saiu ao pai, esculpido em carrara. Quem ouviu não entendeu
o significado da palavra carrara. Diante da dificuldade procurou algo que fizesse sentido. Assim
nasceu a expressão “o filho saiu ao pai, cuspido e escarrado”.
Carrara é um tipo de mármore. O sentido agora é muito mais apropriado. Pense bem:
esculpido em mármore pode ser parecido com o pai, mas cuspido e escarrado, não.
Então é isso. Nosso ouvido é capaz de fazer muitas confusões, mas o professor de português
pode ensinar a arte de aprender a escutar. Ele pode orientar seus alunos a:

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··fugir das distrações e manter a concentração;
··esforçar-se para escutar quem está falando;
··não deixar que as emoções os atrapalhem;
··escutar para compreender;
··respeitar a vez do outro falar;
··desenvolver o respeito pela opinião do outro.
Se tais atitudes forem praticadas rotineiramente, a qualidade da comunicação oral será
muito melhor.
Vejamos agora algumas atividades que podem, além de colocar em prática as atitudes que
acabamos de destacar, ajudar os nossos alunos a pensar no sentido daquilo que estão ouvindo.

Atividades para desenvolver a habilidade de escutar a língua portuguesa:

1- Trabalhar com os ditados populares, explicando aos alunos a verdadeira versão de alguns
deles. Sugestão de site:
http://copicola.com/2010/03/23/a-verdadeira-versao-dos-ditos-populares-por-prof-pasquale/
2- Música é tudo de bom. Você pode escolher uma música que seja interessante aos alunos.
Imprima a letra, deixe algumas lacunas, toque a música várias vezes e peça para que preencham
os espaços com as palavras apropriadas.
3- Outra atividade com música seria a de pedir para que alguém ou a sala inteira continue a
cantar. Você coloca a música para tocar e decide o melhor momento para parar.
4- Telefone sem fio também é muito interessante. Desafie a sala a prestar muita atenção para
garantir que a versão original seja a mesma no final da brincadeira.
5- Bingos são ótimos. Passe aos alunos uma lista de 20 palavras. Peça que façam 4 cartelas
com 5 palavras em cada uma. Diga que as palavras devem ser escritas à caneta e não pode
haver rasuras. Sorteie as palavras para a cartela um, quem preencher primeiro as 5 palavras
grita “Bingo”. Repita o procedimento até que as quatro cartelas tenham sido jogadas. Você
também pode aumentar o número de palavras e cartelas. Tenho certeza que a sua turma irá
adorar a atividade e aprender muito. Tente!
6- Contar histórias é muito bom. Você pode contar uma história para a sala e no final fazer
algumas perguntas para verificar se houve compreensão de pontos gerais e específicos. Se você
não quiser contar a história, pode trazê-la gravada. Seria interessante contar a história com
bastante ênfase e emoção para sensibilizar a turma. Seus alunos também podem pesquisar
uma fábula ou um conto e contar aos colegas. Isso é claro, se eles se sentirem confortáveis para
isso. Nada de fazer a atividade por obrigação, combinado? Existem sites com histórias bem
interessantes. Vale a pena investir nesse tipo de atividade.
7- Ditado também é uma boa opção para treinar a audição. Neste momento, não valorize
a ortografia, mas sim o sentido das palavras e frases. Faça a correção na lousa e trabalhe o
significado das expressões.

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Unidade: Ouvir e falar a Língua Portuguesa

8- Ouça e desenhe. Você pode descrever um objeto com riqueza de detalhes e pedir aos alunos
para que façam o desenho. É claro que você irá escolher algo fácil de ser desenhado, porém com
vários detalhes que irão desafiar o sentido auditivo de seus alunos.
9- Você também pode descrever uma celebridade ou personagem muito famosa. Seus alunos
irão ouvir com atenção, anotar as principais características e tentar adivinhar o nome da celebridade.
Tenho certeza de que a turma irá gostar muito da atividade.
10- O trabalho com a entrevista pode ser bem interessante. Peça aos alunos que preparem
algumas perguntas. Alguns colegas da classe ou até mesmo o diretor ou o coordenador podem ser
entrevistados por eles.
Você pode tentar realizar algumas atividades aqui propostas em grupo. Por exemplo, forme duas
equipes, peça aos alunos para deem nomes a elas e também criem um grito de guerra. Durante um
bimestre ou semestre, você pode realizar as atividades e pontuar as equipes. No final do período,
você soma os pontos de cada uma, e se for possível, a equipe campeã pode ganhar um prêmio, e
é claro, a que perdeu também pode ser prestigiada. Veja na sua escola quais são as possibilidades.
É importante que os alunos estejam motivados para desenvolver a habilidade auditiva na língua
portuguesa. Observe durante o estágio quais práticas auditivas o professor realiza. Observe os alunos
e descreva como se comportam e respondem às propostas do docente.
Para saber um pouco mais sobre a prática da habilidade auditiva, recomendo a leitura do texto
Terapia do processamento auditivo, disponível no site indicado. Você pode adaptar todas as
sugestões às suas aulas, combinado?

Explore

Terapia de processamento auditivo, disponível em:


··http://goo.gl/9XVCQY. Acesso em 16/10/2014.

Partindo do pressuposto de que quem ouve bem, fala bem, vejamos agora de que maneira a
habilidade da fala pode ser realizada e desenvolvida nas aulas de português.

A habilidade de falar a Língua Portuguesa


Muitas pessoas acham que a comunicação falada deve ser sempre informal e que cada um fala
do jeito que quer, e a escrita, por sua vez, sempre formal, controlada e bem elaborada. Trata-se de
um mito, pois o cuidado com a fala deve ser tão preciso quanto com a escrita.
Segundo Marcuschi (2001), essa divisão tem o inconveniente de considerar a fala como o lugar
do erro e do caos gramatical, tomando a escrita como o lugar da norma e do bom uso da
língua. Seguramente, trata-se de uma visão a ser rejeitada.

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Na verdade, as duas podem ser tanto elaboradas quanto informais. O que vai determinar
o cuidado maior ou menor que devemos ter com a fala ou a escrita, é o momento que o
falante ou escritor está vivendo.
Embora o cuidado com a fala e a escrita seja igual, existem diferenças entre a comunicação
falada e a escrita.

Vejamos agora as características da fala:

1ª – A mensagem é transmitida de forma imediata;


2ª – O emissor e o receptor conhecem bem a situação e as circunstâncias que os rodeiam,
ou seja, os dois conhecem bem o momento que estão vivendo;
3ª – É repetitiva, pois muitas vezes repetimos palavras ou expressões com a intenção de
enfatizar uma ideia;
4ª – Empregam-se gestos e expressões faciais para maior clareza;
5ª – As construções gramaticais são mais simples, com ênfase para orações coordenadas
e a presença de frases incompletas.

Características da escrita:

1ª – A mensagem não é transmitida de forma imediata;


2ª – O leitor não conhece o momento que o escritor estava vivendo quando escreveu a mensagem;
3ª – A mensagem é mais longa do que na língua falada;
4ª – Utilizamos os sinais de pontuação para enfatizarmos as nossas ideias;
5ª – As construções gramaticais são mais elaboradas, com ênfase para orações
subordinadas, e a ordenação da mensagem é mais planejada.
As diferenças são bem significativas, não? Cada uma delas tem as suas particularidades
específicas e variam de acordo com a situação, região, grupo social e época.
Em se tratando da fala, no entanto, existem fatores que podem dificultar essa prática.
A timidez, baixa autoestima, vergonha, medo de se expor etc., podem abalar o emocional
do aluno. Diante disso é necessário saber quais são os limites de cada um e não tentar
ultrapassá-los. Recomendamos que o professor pise com cuidado nesse terreno, pois está
lidando com emoções.
O professor precisa criar um ambiente muito descontraído para que a maioria tenha vontade
de falar e também saiba como falar de acordo com as diferentes situações comunicativas.

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Unidade: Ouvir e falar a Língua Portuguesa

Sugerimos que o professor:

1 - seja modelo, pois os alunos absorvem muito a sua maneira de falar;


2 - escute os alunos, dando atenção a eles, atribuindo sentido ao que dizem;
3 - respeite e encoraje-os a falar;
4 - responda ou comente as colocações feitas por eles.
Trabalhar a habilidade de falar como conteúdo das aulas de língua portuguesa exige um bom
planejamento de forma a garantir atividades sistemáticas de fala, de escuta e reflexão sobre a língua.
Para começar, podemos pensar em formar grupos. Sempre haverá alguém no grupo que
gosta muito de falar, deixando assim os que se sentem inseguros, menos tensos durante a
realização da prática oral.

Para desenvolver a habilidade de falar durante as aulas de português, os alunos podem:


··pesquisar alguns ditados populares e explicar o significado para os demais colegas;
··contar histórias;
··dramatizar;
··cantar;
··jogar;
··contar uma notícia;
··contar piadas;
··descrever pessoas e coisas;
··praticar o trava-língua;
··participar de debates;
··simular a narração de um esporte;
··simular programas de rádio e televisão;
··simular discursos políticos
··simular entrevistas etc..

A partir do Fundamental II, os alunos já podem ser orientados para que apresentem
oralmente o resultado de uma pesquisa. Seriam os tão temidos seminários. Geralmente,
os procedimentos de se expor oralmente em público não são ensinados. No entanto, o
texto expositivo apresenta muitas dificuldades tanto para quem fala quanto para quem
ouve. Sendo assim, é de suma importância que tal prática seja ensinada em todas as séries,
mesmo correndo o risco de ser repetitivo.
Vamos conversar agora sobre o seminário!

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O seminário

Fonte: Thinkstock/Getty Images

O seminário é um recurso de aprendizagem extremamente importante, porém muitos alunos


acreditam que a sua apresentação seja um sacrifício para quem apresenta e um tédio para quem
assiste. Você sabe por que isso ocorre? Simplesmente, porque os alunos não compreendem o
seu verdadeiro significado.
Quase todos os estudantes conhecem a situação constrangedora que se cria
quando algum dos seus colegas tem que apresentar certo tema e não oferece
nada mais que um monólogo sem graça, além de sonolento. Isso ocorre
principalmente porque se prepara um texto por escrito sem relacioná-lo com
os ouvintes; na verdade os estudantes preparam um trabalho escrito e não
usam recursos diferentes, recursos próprios da linguagem falada, que poderiam
esclarecer e facilitar a compreensão. (Magro, 1979, p.177)

A apresentação oral exige que as ideias sejam desenvolvidas de forma que ouvinte acompanhe
as considerações feitas sobre o assunto. A melhor maneira de atingir esse objetivo é ensinar os
alunos a fazer um seminário. Para isso o trabalho de autoconhecimento é muito importante,
conforme relata Santos:
Nosso maior adversário no processo de comunicação em público, somos nós
mesmos. Comece por uma autoavaliação. Quais são seus principais medos?
Quais os motivos desses medos? O que fazer para eliminar? Quais os pontos
positivos que possui e que podem ser explorados? O que você sente quando
está diante de um público, uma câmera ou microfone? Que conhecimentos você
deve explorar mais? E quem disse que uma pessoa tímida e inibida não pode
ser um bom orador? Timidez não tem nada a ver com falta de conhecimento. Se
houve preparo quanto ao que se pretende expor, você já eliminou um obstáculo.
(SANTOS, 2008, p.28)
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Unidade: Ouvir e falar a Língua Portuguesa

Depois de conhecer os seus limites e potencialidades, os alunos também precisam encontrar


sentido no que estão fazendo, ou seja, precisam saber por que vão fazer a apresentação e quais
são os seus objetivos.

Vejamos então as orientações que o professor pode passar aos alunos sobre a
apresentação oral:
 Utilize recursos disponíveis como cartazes, lousa, banner, flipchart, data-show etc. para
dar suporte à apresentação;
 Prepare o material escrito e faça uma boa revisão para não deixar passar falhas;
 Se for escrever algo, verifique se o tamanho da letra está adequado. É importante que
todos consigam ler o que foi escrito;
 Acrescente imagens nítidas à apresentação. Use mais imagens e pouco texto;
 Treine a apresentação e verifique se o material escrito está bem formatado, legível e sem erros;
 Use roupas apropriadas;
 Fique atento à sua expressão corporal e aos gestos repetitivos, como mexer muito o corpo ou
o cabelo, coçar o nariz, colocar a mão no bolso, andar de um lado para o outro etc.;
 Não fique com o papel em mãos ou caneta na boca;
 Domine o assunto, pois esse domínio é ponto de partida para poder utilizar a linguagem
verbal em qualquer situação;
 Controle as emoções, é normal estar nervoso durante a exposição oral, mas dominar o
assunto e ter controle emocional pode ajudar bastante;
 Utilize um vocabulário adequado, evite gíria e as palavras né, tá, aí, esse negócio,
coisa, tipo etc.;
 Chame a atenção de todos para iniciar a apresentação;
 Faça uma introdução clara para que os colegas tenham interesse pelo assunto;
 Se possível utilize um pointer para sinalizar os pontos considerados importantes e quer
que todos observem;
 Não leia na integra o que está escrito, ignorando completamente o público, como se
estivesse lendo para si próprio. Quanto menos texto melhor. Não se fique na frente da tela
ou quadro durante a apresentação;
 Não fale nem muito alto ou muito baixo, encontre o equilíbrio. Se o aluno falar com uma
boa tonalidade de voz e com clareza, certamente terá mais atenção;
 Não fale rápido demais;
 Cuidado com a repetição de ideias;
 Olhe para todos, não só para um lado ou apenas para o que você está lendo. A apresentação
é para todos que estão na sala, não para si próprio. Portanto, preocupe-se com o ouvinte;
 Leia o mínimo possível durante a apresentação;
 Não faça o uso inadequado do gerúndio: Eu vou estar apresentando...

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Prefira: Apresentarei ou Vou apresentar;
 Respeite o tempo de apresentação;
 Estude muito para se apresentar. Grave sua apresentação, cronometre o tempo e faça
todos os ajustes necessários até ficar perfeito.
Não parece ser muito fácil, não é? Mas é tudo uma questão de prática! Se os alunos do
fundamental e médio forem bem orientados, com certeza, farão uma boa apresentação.
É importante que os alunos estejam motivados para desenvolver a habilidade de falar nas
aulas na língua portuguesa. Observe durante o estágio quais práticas o professor realiza para
desenvolver tal habilidade. Observe os alunos e descreva como se comportam e respondem às
propostas do docente.

Considerações finais
Chegamos ao final da nossa unidade e esperamos que você tenha observado que as
habilidades de ouvir e falar podem ser trabalhadas pela escola a partir de diferentes situações
comunicativas, respeito, motivação e contextualização.
Pense nisso assim que você entrar em uma sala de aula, combinado?

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Material Complementar

Se você quiser saber mais sobre o assunto tratado na Unidade, acesse o material indicado:

Assista aos vídeos no Youtube, nos quais Luiz Antônio Marcuschi apresenta brilhantemente a diferença
entre Fala e Escrita:
• https://www.youtube.com/watch?v=XOzoVHyiDew
• https://www.youtube.com/watch?v=6y9xK-9bbcw
• https://www.youtube.com/watch?v=UqSfGyR1ERA

Siga os links abaixo para saber mais sobre entrevistas:


• http://www.guiadacarreira.com.br/artigos/carreira/entrevista-emprego-exercicios-aumentar-confianca/
• http://www.roberthalf.com.br/dicas-de-entrevista

• http://www.administradores.com.br/producao-academica/re-crutamento-e-selecao/3120/
download/

Oralidade: a fala que se ensina

• http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/fala-se-ensina-423559.shtml

Quer saber mais sobre como falar em público?

Então, acesse os links a seguir:


• https://www.youtube.com/watch?v=qQdH-yLXfbg
• https://www.youtube.com/watch?v=HyVHgbl_9yw

Recomendo também a leitura na íntegra do livro:

• GOMES, Maria Lúcia de Castro. Metodologia do ensino de língua portuguesa. Curitiba:


InterSaberes, 2012. (E-book). O livro está disponível na biblioteca virtual da Instituição.

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Referências

BORDENAVE, J. D. e PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino-aprendizagem. Petrópolis:


Vozes, 26. ed., 2005.

GIL, Antonio Carlos. Metodologia de Ensino Superior. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1997.

GOMES, Maria Lúcia de Castro. Metodologia do ensino de língua portuguesa. Curitiba:


InterSaberes, 2012. (E-book)

MAGRO, Marina Celeste. Estudar também se aprende. São Paulo: EPU, 1979.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. (2001). Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 2.


ed. São Paulo: Cortez.

NEVES, Maria Helena de Moura. Ensino de língua e vivência de linguagem: temas em


confronto. São Paulo: Contexto, 2010. (E-Book)

PAULA, Anna Beatriz; SILVA, Rita do Carmo Polli da. Didática e avaliação em língua
portuguesa. Curitiba: InterSaberes, 2012. (Coleção Metodologia do Ensino de Língua
Portuguesa e Estrangeira; v.2) (E-Book)

PALOMANES, Roza; BRAVIN, Angela Marina (Org.). Práticas de ensino do português. São
Paulo: Contexto, 2012. (E-Book)

RUARO, Dirceu Antonio. Problematização da prática reflexiva de professores de língua


portuguesa na sala de aula. Curitiba: InterSaberes, 2013. (E-Book)

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Anotações

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