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Direito Civil - Responsabilidade Civil

Direito Civil - Responsabilidade Civil

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Breve resumo para estudo acerca da responsabilidade civil.
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RESPONSABILIDADE CIVIL

Responsabilidade contratual e extracontratual
Há responsabilidade civil contratual quando antes do surgimento da obrigação indenizatória já havia contrato celebrado entre as partes; se, no entanto, o vínculo entre as partes só vem a surgir em decorrência do ilícito, a responsabilidade é extracontratual. Na responsabilidade extracontratual, o ônus da prova da culpa cabe sempre ao autor da ação de indenização. Já na responsabilidade contratual o ônus da prova varia de acordo com a natureza do contrato; se este era de meio, o ônus da prova cabe ao autor, mas se era de resultado presume-se a culpa do réu, cabendo a ele provar sua inocência. Neste caso, há responsabilidade objetiva impura ou imprópria do réu, que só se desobriga provando culpa exclusiva da vítima, caso fortuito ou força maior, ou ausência de culpa, motivo pelo qual a nomenclatura de tal categoria é criticada – na responsabilidade objetiva própria ou pura, a questão da culpa é irrelevante. Na responsabilidade extracontratual existe sempre a

obrigação de indenizar, ainda que a culpa do causador do dano tenha sido levíssima. Na responsabilidade contratual, o mesmo se aplica aos contratos onerosos; nos contratos gratuitos, o autor da liberalidade só indeniza os danos que causar por culpa grave ou dolo.

Capacidade e responsabilidade civil
O incapaz tem responsabilidade civil? Na responsabilidade contratual, havendo contrato válido (isto é, em que o incapaz foi representado ou assistido), a responsabilidade é do incapaz e não de seu representante. Se o contrato é inválido, em regra não haverá responsabilidade civil; há exceção no art. 180 CC, que prevê a

responsabilização direta do menor púbere que dolosamente omite sua incapacidade ou se declara maior de idade. Já na responsabilidade extracontratual, o incapaz tem responsabilidade subsidiária à de seu representante ou assistente, só respondendo quando este não tiver a obrigação de fazê-lo (como p. ex. o pai que não tem guarda) ou não tiver condições econômicos para indenizar. Ressalta-se que a responsabilidade extracontratual do incapaz é mitigada, não podendo privá-lo dos meios de subsistência.

Diferenças entre responsabilidade civil e penal
Em regra, a apuração da responsabilidade penal é obrigatória, enquanto a apuração da responsabilidade civil é sempre facultativa. A responsabilidade penal é também intransmissível, enquanto que a civil não tem caráter personalíssimo. É possível se mover simultaneamente ação civil e penal com o mesmo fundamento, podendo tanto o juiz cível quanto o criminal suspender seu andamento até o julgamento da outra ação (Art. 92 a 94 CPP). Embora a prescrição para ação de indenização em razão de crime só comece a correr com o trânsito em julgado da sentença penal, nada obsta que a ação de indenização seja proposta antes. De acordo com o art. 475-N II CPC, a sentença penal condenatória é título executivo no cível – essa sentença gera o an debeatur, ou seja, declara a existência do débito. Por esse motivo, transitando em julgado a sentença penal condenatória a ação civil que ainda tramite será extinta por perda do objeto, uma vez que só resta a discutir o quantum debeatur, ou seja, o valor da indenização. Neste caso, deve-se propor a ação de liquidação por artigos; de posse das duas sentenças, poder-se-á prosseguir à execução.

A sentença penal pode fixar o valor mínimo da indenização, cabendo liquidação quanto ao restante do valor. O réu deve indenizar a vítima ainda que seja absolvido, a menos que a sentença declare a inexistência do fato, negue sua autoria ou exclua a antijuridicidade de sua conduta – na legítima defesa putativa a obrigação indenizatória persiste. Já na abberatio ictus há dever de indenização, mas também direito de regresso. Excepcionalmente, quem pratica ato lícito poderá ter responsabilidade civil; é o caso do estado de necessidade agressivo, p. ex.

Requisitos da responsabilidade civil
• • • • Ação ou omissão do agente; Dolo ou culpa, excetuada a responsabilidade objetiva; Dano material ou moral; Nexo causal entre a conduta e o dano;

Responsabilidade civil direta ou própria
Ocorre quando o agente é obrigado a indenizar dano que ele mesmo causou, como p. ex. o art. 939 CC, que estabelece a responsabilidade do credor que demanda antecipadamente o devedor.

Responsabilidade civil complexa ou indireta
Trata-se de rol de situações em que se responsabiliza o agente por danos causados por terceiros, animais ou coisas; não se admite interpretação extensiva desse rol, que está inteiramente contido no art. 932 CC. Há solidariedade entre o agente e o causador do dano, bem como entre todos aqueles que participaram do ilícito, cf. art. 942, parágrafo único CC. Os pais, o tutor e o curador respondem pelos atos dos filhos menores, tutelados e pupilos, respectivamente, desde que tenham sua

guarda, e nesse caso sua responsabilidade é objetiva. Ressalta-se que, apesar de sua responsabilidade ser objetiva, só responderão quando houver culpa do filho, tutelado ou pupilo; ausente esta, não há responsabilidade nenhuma. Pais divorciados dividem a responsabilidade objetiva quando tiverem sua guarda compartilhada ou quando estiverem presentes e juntos no momento do ilícito. Os pais continuam responsáveis pelos atos do menor emancipado quando a emancipação tenha se dado por ato deles. O hospital é detentor da guarda sobre os doentes mentais que nele estiverem internados, tendo assim responsabilidade objetiva quanto a seus atos. Para configuração da responsabilidade objetiva do

empregador se exige que o ato danoso faça parte das atribuições do trabalho do empregado e que exista entre eles uma relação de subordinação, ainda que gratuita e transitória. O trabalhador autônomo responsabiliza aquele que o contratou, mas de forma subjetiva. O médico integrante do corpo clínico responsabiliza o hospital onde trabalha, de forma objetiva. Ressalta-se que o empregador terá direito de regresso contra o empregado a menos que o tenha instruído mal ou agido com culpa. A escola se responsabiliza objetivamente pelos atos do aluno apenas quando este for menor de idade e seu ensino seja remunerado, cf. art. 932 IV CC. Se o aluno for maior, a responsabilidade da escola será subjetiva. No entanto, a responsabilidade da escola por danos causados ao aluno é objetiva, aplicando-se o CDC. Similarmente, tal responsabilidade o será hotel, objetiva pensão quando ou a hospedagem hospedagem se for

responsabiliza objetivamente pelos danos causados por seus hóspedes; remunerada, de acordo com o art. 932, IV CC. Mais uma vez, a responsabilidade do hotel pelos danos causados aos hóspedes é objetiva, aplicando-se o CDC. A hospedagem tem responsabilidade

subjetiva pelos danos causados por terceiros aos seus hóspedes, aplicando-se o art. 186 – assim, o hotel não tem responsabilidade por danos causados por tempestade ou desabamento, mas responde pelo furto de bens por ter culpa in vigilando.

Direito de regresso
Trata-se de instituto previsto no art. 934 CC – basicamente, quem se responsabiliza por danos causados por terceiro pode deste terceiro cobrar o que pagou. Não existe direito de regresso contra descendente absoluta ou relativamente incapaz. Tal exceção não se aplica ao tutor ou curador. Há quem entenda que as indenizações feitas pelos pais em virtude de ilícitos cometidos pelo filho devam ser trazidas à colação (Art. 2010 CC) e descontadas do valor da herança.

Casos especiais
Os empresários respondem objetivamente por danos causados por produtos que puserem em circulação, em virtude do art. 931. Respondem também objetivamente nos contratos celebrados com consumidores, em virtude do CDC. O dono de imóvel responde objetivamente pelos danos causados pela ruína do mesmo em virtude de falta de reparos manifestamente necessários, em virtude do art. 937 CC; os inquilinos e demais possuidores do imóvel só tem responsabilidade subjetiva. Assim, o proprietário só se desobriga provando caso fortuito, força maior, culpa exclusiva da vítima e falta de evidência ou notoriedade da falta de reparo (constituindo essa última hipótese um raro caso em que se aceita que a ausência de culpa extingue a responsabilidade objetiva). É a chamada teoria da guarda.

O art. 938 prevê que aquele que habita prédio ou parte dele se responsabiliza objetivamente pelos danos causados pela queda ou lançamento de sólidos ou líquidos de local indevido (os chamados effusis e dejectis). Também conhecida como responsabilidade por defenestramento. A responsabilidade é objetiva: o possuidor responderá pelos danos ainda que o lançamento seja feito por terceiro ou a mando de outrem, restando-lhe o direito de regresso. Ressaltese que a responsabilidade objetiva é do possuidor, e não do proprietário. Se o objeto cai do prédio mas não se identifica a unidade ou apartamento responsável, o entendimento majoritário é no sentido de que se responsabiliza o condomínio, que terá direito de regresso contra o habitante do local de onde houve a queda ou lançamento. O dono do objeto tem responsabilidade subjetiva pelos danos causados pelo ladrão que lhe subtrai um bem; a jurisprudência entende que se, p. ex., um ladrão furta um carro e atropela alguém, o dono do veículo indenizará a vítima se tiver culpa. O dono do veículo tem responsabilidade objetiva pelos danos causados culposamente por terceiro em sua direção. Trata-se de entendimento (bastante questionável, diga-se de passagem) do STF, aplicando-se por analogia a teoria da guarda prevista no art. 336 CC. O vendedor de veículo não responde pelos danos causados pelo comprador que não o transfere para seu nome – isso porque a propriedade dos bens móveis se transfere com a tradição, e não com o registro; é o entendimento da súmula 132 STJ. Pode haver responsabilidade civil contratual nessa hipótese, no entanto; a súmula 489 STF diz que a compra e venda de automóvel não prevalece contra terceiro se tal contrato não for transcrito no Cartório de Títulos e Documentos. A empresa locadora de veículos responde objetiva e

solidariamente pelos danos que o locatário causar culposamente a

terceiros na direção; é o disposto na súmula 492 STF. Por aplicação do CDC, os danos causados pelo veículo ao locatário são de responsabilidade objetiva da empresa. Obs. no leasing, a arrendadora do veículo tem responsabilidade objetiva; no entanto, a jurisprudência entende tratar-se de equívoco a aplicação de tal regra em virtude da dissociação entre a arrendadora e a conduta do arrendatário. O art. 936 dispõe sobre a responsabilidade civil por danos causados por animal; dispõe a lei que o dono ou detentor do animal se responsabiliza objetivamente pelos atos do animal, aplicando-se mais uma vez a Teoria da Guarda. Nesse caso específico, o agente só se desonera da obrigação provando caso fortuito, força maior, ou culpa exclusiva da vítima. O animal que causa acidente em rodovia gera para seu dono responsabilidade objetiva; além disso, a concessionária responsável pelo trecho terá responsabilidade solidária, em virtude do art. 14 CDC e do art. 37 §6° CF. O art. 939 estabelece que o credor que demandar o devedor antes de vencida a dívida sem permissão legal será objetivamente responsabilizado, devendo, além disso, esperar o prazo determinado, descontar eventuais juros ainda que previstos, e pagar em dobro as custas processuais. O art. 940 dispõe que aquele que cobrar dívida já paga no todo ou em parte ficará obrigado objetivamente a pagar ao devedor o dobro do valor (na primeira hipótese) ou a mesma quantia que dele exigia, ressalvada a prescrição. Não se aplicarão as penalidades previstas nos dois artigos acima se o autor desistir da ação antes da contestação, mas continuará ele obrigado a indenizar danos que o devedor prove ter sofrido.

Dano moral
Previsto no art. 5°, V e IX CF, no art. 186 CC e no art. 6°, VI CDC, dano moral é aquele que atinge a pessoa na esfera de sua

personalidade, causando-lhe dor, sofrimento e outras sensações negativas. É dano psicológico, que não causa prejuízo econômico, e em regra decorre da lesão de direito extrapatrimonial, formando o chamado dano moral direto; no entanto, é possível que a lesão a direito patrimonial configure dano moral, neste caso chamado de dano moral indireto. Ressalte-se que a lesão de direito extrapatrimonial pode igualmente gerar dano patrimonial – é o caso da morte de um familiar, p. ex. Em virtude dessas especificidades, a súmula 37 STJ admite a cumulação de dano material e moral em decorrência do mesmo fato, e a súmula 387 STJ diz serem cumuláveis o dano moral e o estético, não se confundindo. Como se apura o dano moral? Por influência do Código Civil português, só se indeniza o dano moral grave, não admitindo a indenização por meros dissabores ou aborrecimentos. Há diversos sistemas de apuração do dano moral: o sistema tarifado, em que a lei fixa o teto máximo de indenização, se entende inconstitucional, vez que o art. 5°, V CF diz dever ser proporcional ao dano a indenização; por outro lado, há o sistema aberto, mais comum, em que o juiz fixa a indenização por convencimento próprio, sem restrições legais; já a teoria do desestímulo propõe que o valor seja fixado em parte para compensar a vítima, atenuando seu sofrimento, e em parte para punir o lesante. Na fixação do valor se levam em conta a repercussão do fato, a situação econômica das partes e até o grau de culpa do agente (coisa que não acontece no dano material); o STF já decidiu que o ponto de partida é a base econômica do fato multiplicada à proporção adequada aos fins punitivos e pedagógicos do dos danos morais – um exemplo do próprio STF é o caso de arquiteto ofendido por mudanças feitas ao seu projeto, em que o valor fixado foi de três vezes o que constava no contrato entre o arquiteto e seus clientes.

Estando morta a vítima, qualquer pessoa que com ela tivesse laços afetivos pode mover, em nome próprio, ação por indenização pelos danos morais por ela sofridos. Parte da doutrina entende intransmissíveis os danos morais em caso de morte da vítima, por sua natureza pessoal; no entanto, outra parte sustenta serem transmissíveis aos herdeiros em virtude do art. 943 CC, que dispõe sobre a transmissibilidade do direito de exigir e prestar reparação por herança – neste caso, poderia o herdeiro do morto mover duas ações por danos morais, uma em nome próprio e uma em nome do de cujus. A corrente dominante entende que a inicial deve conter o valor pedido pelo autor, vedando-se o pedido genérico. Se o autor pede determinado valor e o juiz lhe concede valor menor, a súmula 326 STJ dispõe que não haverá sucumbência recíproca, cabendo ao réu derrotado a totalidade das custas. Uma corrente entende que a ação de indenização por danos morais seria imprescritível, uma vez se tratar de direitos da personalidade; a mesma corrente defende a diminuição gradual do valor da indenização com o tempo. Já outra corrente entende haver prazo prescricional de 3 anos, por ser a ação de reparação de dano, seguindo o disposto no art. 206, §3°, V. A jurisprudência entende presumir-se juris tantum o dano moral sofrido por cônjuges, companheiro, irmão, ascendente ou descendente da vítima do dano; para outras pessoas, não há tal presunção, devendo ser provado o sofrimento. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral quando atingida em sua honra objetiva, cf. súmula 227 STJ; isso porque o Código Civil determina, em seu artigo 52, que se apliquem às pessoas jurídicas os direitos da personalidade. Compete à pessoa jurídica provar o dano.

Não são cabíveis Recurso Especial ou Extraordinário para discussão do valor da indenização, por não ser esta uma matéria de direito e sim exclusivamente fática.

Culpa
Culpa, em sentido lato ou amplo, abrange também o dolo, direto ou eventual; em seu sentido estrito, no entanto, refere-se apenas à imprudência, à negligência, e à imperícia. Negligência é a omissão de cautela, formada por dois requisitos: o dever jurídico de realizar ação, sendo essa ação capaz de evitar ou diminuir o dano. Assim, o sujeito que omite socorro à vítima de acidente de trânsito não tem culpa quando prova que ainda que tivesse prestado socorro à vítima ela não teria sobrevivido. Imprudência é a ação perigosa, que arrisca causar dano por sua própria natureza. Imperícia é a falta de aptidão para o exercício de arte, profissão ou ofício, exigindo a autorização ou habilitação para exercer tal atividade e a violação de normas técnicas desconhecidas do agente. Assim, o falso médico não é imperito, e o agente que viola regras que conhece por desleixo ou descuido é imprudente ou negligente de acordo com o caso. São três os graus de culpa: grave, caracterizada pelo comportamento que qualquer pessoa, ainda que abaixo da média, evitaria; leve, caracterizada pelo comportamento que o homem médio tem condições de evitar; e levíssima, caracterizada pela conduta que apenas pessoas excepcionalmente qualificadas ou atentas poderiam evitar.

Em regra, o valor da indenização não se adapta ao grau de culpabilidade do agente – o juiz só pode reduzir o valor da indenização em três hipóteses excepcionais, a saber: a) quando houver desproporção excessiva entre a gravidade do dano e a culpa (cf. art. 944 parágrafo único); b) quando o agente for incapaz, podendo o juiz reduzir o valor da indenização por equidade ou até suprimí-la se puser em risco sua sobrevivência (cf. art. 928, parágrafo único); e quando a vítima também for culpável pelo dano, reduzindo-se o valor da indenização pela metade se igualmente culpável e proporcionalmente à sua culpabilidade se desigualmente culpável.

Nexo causal
Definido de forma simples, o nexo causal é o fato de a conduta ter concorrido para o dano; a grande questão é a extensão desse nexo no que tange à indenização dos danos. A teoria da conditio sine qua non ou da equivalência dos antecedentes causais diz que a conduta é causa do dano quando, eliminando-a mentalmente, o resultado danoso não teria ocorrido como ocorreu – é a teoria subscrita por Maria Helena Diniz, que tem por conseqüência a responsabilização do agente por todos os danos, diretos ou indiretos, que sua conduta venha a causar. A teoria da causalidade adequada entende que só é causa a conduta que, por si só, tenha força para gerar o resultado danoso, e não os causados por forças externas. Por fim, a teoria da interrupção do nexo causal ou dos danos diretos ou imediatos diz só deverem ser indenizados os resultados diretos da conduta do agente, ainda que para eles contribuam fatores externos, com base em interpretação polêmica do art. 403 CC. Por exemplo: se A desfere golpe contra B e este, em virtude de sua hemofilia, a primeira e a terceira teoria entendem ser

responsável A pela morte de B, devendo indenizá-la; a segunda não, pois a conduta de A não seria suficiente para por si só causar a morte de B.

Causas de exclusão da responsabilidade civil
Legítima defesa real, estado de necessidade agressivo, exercício regular de direito, estrito cumprimento do dever legal, culpa exclusiva da vítima, caso fortuito ou força maior são todas causa de exclusão da responsabilidade civil; não há necessidade de explicar tais institutos. A anuência da vítima à lesão de direito próprio exclui a obrigação de indenizar? De acordo com a teoria da imputação objetiva, não haverá necessidade de indenização quando o risco for socialmente aceitável e autorizado em direito – é o caso, p. ex., de doente terminal que aceita se submeter a tratamento experimental e vem a falecer em decorrência dele, não cabendo indenização. Há, no entanto, situações em que o direito não permite à vítima dispor do bem lesado. A cláusula de irresponsabilidade é cláusula contratual que exclui a obrigação de indenizar eventuais danos. É sempre nula nos contratos do CDC; por outro lado, permite-se cláusula que limite o valor de eventual indenização, mas apenas quando o consumidor for pessoa jurídica e houver justa causa. Nos contratos do Código Civil, a cláusula de irresponsabilidade é válida desde que presentes os seguintes requisitos: que seja fixada por acordo e não unilateralmente; que não viole normas de ordem pública e bons costumes (é vedado, por exemplo, instituir cláusula de não responsabilidade por dolo ou para danos à integridade física); que não se trate de contrato de adesão ou de transporte (cf. súmula 163 STF e art. 734 CC); e por fim, que não seja instituída para afastar obrigações inerentes ao contrato.

Dano material
É o prejuízo econômico. De acordo com o art. 402 CC, as perdas e danos abrangem o dano emergente, que é o prejuízo efetivamente sofrido, e o lucro cessante, que é o prejuízo potencial. Não se indeniza dano hipotético ou incerto, apenas aquele cuja existência é certa e determinada. O dano potencial ou futuro é indenizável, desde que se trate de conseqüência certa, com comprovada probabilidade de ocorrência – se, p. ex., uma criança perde o braço, obviamente sofrerá redução de sua capacidade para o trabalho. A perda da chance é a frustração da possibilidade de se obter vantagem – ocorre, p. ex., com o candidato que perde concurso por atraso do ônibus que contratou; ressalta-se que a indenização não terá valor igual ao da vantagem pretendida, e sim a uma fração dela. A perda da chance gera dano moral e material, sendo que este só é indenizável se havia grande possibilidade de concretização da vantagem. Dano em ricochete ou em reflexo ocorre quando se lesa bem de uma pessoa e essa lesão vem a atingir o bem de um terceiro – p. ex., incapacitar para o trabalho um pai de família gera prejuízos aos seus dependentes. Trata-se, portanto, de hipótese de indenização.

Indenização integral
Ainda que a culpa seja levíssima, a indenização deve abranger toda a extensão do dano, corrigida monetariamente, com aplicação de juros e o pagamento de honorários advocatícios. A correção monetária é a mera atualização do valor da moeda. Na obrigação indenizatória, incide a partir do ato ilícito (cf. a súmula 43 STJ) excetuado o caso de adoção, pelo juiz, de orçamento

juntado aos autos – caso em que incidirá a correção a partir da data de realização do orçamento. No direito de regresso, a correção monetária incidirá a partir da data do pagamento da dívida alheia. O art. 7°, IV CF proíbe a utilização do valor do salário mínimo para correção de valores, com exceção da obrigação alimentar (segundo a súmula 490 STF). É possível a condenação de alimentos ressarcitórios ou indenizatórios em caso de homicídio doloso ou culposo ou lesão corporal que reduz ou retira a capacidade para o trabalho. Nas obrigações extracontratuais, os juros incidem a partir do ato danoso, cf. a súmula 545 STJ e o art. 398 CC. Nas obrigações contratuais, os juros incidem a partir da citação, se ilíquida a obrigação; e a partir do vencimento, se líquida a obrigação. Os juros são sempre simples, vedado o anatocismo ou juros compostos, e incidem sobre o capital. Os honorários advocatícios devem ser fixados em no mínimo 10 e no máximo 20% do valor da condenação, abrangendo as obrigações vencidas e o capital que se constitui para o pagamento das vincendas. Se improcedente a ação, os honorários incidem sobre o valor da causa (súmula 14 STJ).

Indenização por homicídio
Em caso de homicídio, o dano material deve abranger despesas médicas e funerárias e pensão alimentícia para os dependentes econômicos do morto, sendo presumida a dependência de cônjuge, companheiro e filho menor. O valor dos alimentos será de 2/3 de todos os rendimentos do falecido, incluindo-se FGTS, férias, horas extras e demais vantagens percebidas, atualizando-se com o salário mínimo como índice. Os alimentos serão pagos até a data em que o morto atingiria a taxa de sobrevida média do brasileiro, medida pelo IBGE, que atualmente é de 77 anos para mulheres e 76 para homens. Se o de

cujus já tinha essa idade quando faleceu, os alimentos serão pagos pelos cinco anos seguintes. Se o morto não trabalhava, exercendo apenas as atividades do lar, os alimentos terão o valor de um salário mínimo, e cessarão com o casamento ou união estável do sobrevivente. Se o morto era filho menor que não trabalhava, a jurisprudência costuma fixar o valor da pensão em 1/3 do salário mínimo, e os pais receberão tal valor no período correspondente ao espaço entre 14 e 25 anos da vítima; então, segundo o STF, a obrigação será extinta; já segundo o STJ, o valor se reduz até a metade e continua sendo pago até os 60 anos da vítima. Para garantir esses pagamentos, o juiz poderá constituir pecúlio, bem inalienável e outras medidas. Os alimentos ressarcitórios são passíveis de ação revisional, desde que fundada em fato novo. O Código é omisso quanto à sua exoneração, mas entende-se cabível.

Indenização por lesão corporal da qual resulta incapacidade para o trabalho
O dano material abrange as despesas médicas e uma pensão alimentícia ressarcitória, que a vítima pode exigir em uma só parcela (cf. art. 550, parágrafo único CC). Se a incapacidade for total, a pensão corresponderá ao valor que a vítima recebia por seu trabalho; se parcial, o valor será a diferença entre os rendimentos anteriores da vítima e seus rendimentos atuais. Se a vítima for menor de idade, fará jus à essa pensão, que será calculada de acordo com sua condição social e a de seus pais.

Garantias legais da indenização
São duas: a hipoteca legal e o seguro obrigatório. Aquela, prevista no art. 1489, III CC só é cabível em ações de indenização ex crimen, incidindo sobre imóveis que pertençam ao criminoso; para que tenha efeito erga omnes, é preciso realizar a especialização,

procedimento judicial por meio do qual se indica o imóvel a ser hipotecado. Já o seguro obrigatório ocorre em duas hipóteses: acidentes de trabalho, em que o empregador é obrigado a ter seguro com o INSS, sendo que o valor pago pelo INSS não será descontado da indenização; e para acidentes automobilísticos (DPVAT), sendo que o causador do dano pode descontar da indenização o valor que a vítima tenha recebido.

Indenização por ofensa à liberdade
Cabível em caso de prisão ilegal do sujeito, trata-se de ação de indenização por erro judicial baseada no art. 5°, LXXV CF, movida contra o Estado (que retém direito de regresso contra a autoridade responsável desde que esta tenha agido com dolo ou culpa). No caso de revisão criminal, é possível pedir a indenização de forma genérica nela mesma (art. 630 CPP) – assim, o acórdão que absolver o réu ainda condenará o Estado a lhe indenizar. É o único caso de acórdão absolutório que é título executivo no Cível. O §1° do art. 630 CPP diz não ser possível tal indenização se o erro ocorreu por culpa do réu ou se a ação foi privada. Nada obsta que se intente a indenização por ação autônoma.

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