MANUAL BÁSICO DE RELIGIÃO

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Uma verdade inquestionável e inconveniente para todo o crente:

Sua religião é apenas mais uma.

Sua religião é tão verdadeira ou tão falsa quanto todas as outras. E sua fé não tem o poder de mudar esta verdade, apenas a opção de fechar os olhos a ela. (JL)

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Sumário

PARTE 1 – RELIGIÃO .................................................................................... 10 Examinando a Religião ................................................................................. 10 A necessidade de uma crença ...................................................................... 15 Típicas Justificativas Religiosas ................................................................... 19 1ª Justificativa: EXTRAPOLAÇÕES ............................................................. 19 2ª Justificativa: ARGUMENTOS DE CONVENIÊNCIA ................................... 19 3ª Justificativa: TENTATIVA DE ALEGAR UM CONHECIMENTO SUPERIOR SOBRE A BÍBLIA SEM DEMONSTRAR NADA QUE JUSTIFIQUE ISSO ........... 20 4ª Justificativa: DESESPERO ..................................................................... 20 5ª Justificativa: TÁTICA DE DISTRAÇÃO .................................................... 20 6ª Justificativa: CRIAR EXPLICAÇÕES ABSURDAS ..................................... 21 7ª Justificativa: FUGIR DA DISCUSSÃO ALEGANDO SER PARTE DO ANTIGO TESTAMENTO ............................................................................................ 21 8ª Justificativa: ASSOCIAR LONGEVIDADE COM VERDADE ........................ 21 9ª Justificativa: FALEI UMA COISA TÃO IDIOTA QUE NINGUÉM SE DEU AO TRABALHO DE REFUTAR, ENTÃO GANHEI O DEBATE ................................. 22 10ª Justificativa: FRASES PRONTAS .......................................................... 22 11ª Justificativa: SOBRE DEUS, NÃO SOBRE A BÍBLIA .............................. 23 12ª Justificativa: REFERÊNCIAS ALEATÓRIAS DA BÍBLIA.......................... 23 13ª Justificativa: SE FAZER DE VÍTIMA CRISTÃ......................................... 23 14ª Justificativa: SE TEM DEFEITO ENTÃO É VERDADE .............................. 24 15ª Justificativa: É QUESTÃO DE ÉPOCA .................................................... 25 16ª Justificativa: PREGAR O AMOR DE DEUS E, APÓS DERROTA, AFIRMAR QUE O CONTESTADOR IRÁ AO INFERNO .................................................... 25 17ª Justificativa: ERRO DE COPISTA ......................................................... 25 18ª Justificativa: PIEGUICE....................................................................... 26 19ª Justificativa: NÃO RESPONDER ........................................................... 27 20ª Justificativa: SE FAZER DE SURDO ...................................................... 28 21ª Justificativa: PRECISA DE FÉ PARA ENTENDER A BÍBLIA .................... 28 22ª Justificativa: O FIM ESTÁ PRÓXIMO .................................................... 28 23ª Justificativa: VOCÊ DEVE TER PROBLEMAS ......................................... 29 24ª Justificativa: SÓ A BÍBLIA INTEIRA .................................................... 30 25ª Justificativa: PORQUE CRISTO TE INCOMODA? ................................... 30 26ª Justificativa: CREIO PELA FÉ .............................................................. 31 27ª Justificativa: A BÍBLIA É POLÊMICA ................................................... 31 28ª Justificativa: REFERÊNCIAS FURADAS ................................................ 31 3

29ª Justificativa: FALOU “MEU DEUS” NA HORA DE APURO ....................... 32 30ª Justificativa: HISTORINHAS DA CAROCHINHA .................................... 32 31ª Justificativa: TU ÉS ARROGANTE......................................................... 33 32ª Justificativa: BLEFAR .......................................................................... 33 33ª Justificativa: TU ÉS DO MUNDO .......................................................... 34 34ª Justificativa: METÁFORA ..................................................................... 34 35ª Justificativa: EU ERA COMO VOCÊ ....................................................... 36 36ª Justificativa: NA DÚVIDA, VALEM OS DOIS ......................................... 36 37ª Justificativa: FOI ESCRITA POR VÁRIAS PESSOAS .............................. 37 38ª Justificativa: FOCO NO MENOS RELEVANTE ........................................ 37 39ª Justificativa: SÓ DEUS SABE ............................................................... 38 40ª Justificativa: NÃO É UM LIVRO CIENTÍFICO ........................................ 38 41ª Justificativa: VOCÊ TEM CURIOSIDADE DE DEUS ................................ 39 42ª Justificativa: ALUCINAÇÕES ............................................................... 39 43ª Justificativa: AGE COMO EU, MAS DIFERENTE ..................................... 40 44ª Justificativa: SEM PALAVRA FEIA E DEUS JUNTOS .............................. 41 45ª Justificativa: COM DEUS VALE SEM ELE NÃO ....................................... 41 46ª Justificativa: LIVRE ARBÍTRIO............................................................ 42 47ª Justificativa: ERROS DE TRADUÇÃO .................................................... 43 48ª Justificativa: VOCÊ VAI PARA O INFERNO........................................... 44 49ª Justificativa: AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIA NÃO É EVIDÊNCIA DE AUSÊNCIA ................................................................................................. 44 50ª Justificativa: NA DÚVIDA, PREFIRO A LENDA ..................................... 45 51ª Justificativa: PARA DEUS TUDO É POSSÍVEL ....................................... 45 52ª Justificativa: O TESTEMUNHO DRAMALHÃO ........................................ 46 53ª Justificativa: NÃO ELABORAR O QUE DISSE ........................................ 47 54ª Justificativa: CONCORDO MAS DISCORDO .......................................... 48 55ª Justificativa: OFENDER SUA INTELIGÊNCIA ........................................ 48 56ª Justificativa: JÁ RESPONDI ANTES ..................................................... 49 ISSO É UMA MENTIRA!!! ............................................................................ 49 57ª Justificativa: CRITÉRIOS ALEATÓRIOS ............................................... 49 58ª Justificativa: JAMAIS ADMITIR HOMOFOBIA ...................................... 50 59ª Justificativa: O QUE É VOCÊ SEM DEUS? ............................................. 52 60ª Justificativa: LIVRO COM MAIS CÓPIAS NO MUNDO ........................... 52 61ª Justificativa: NINGUÉM É FELIZ SEM JESUS ........................................ 53 62ª Justificativa: EU DIGO AS BESTEIRAS, VOCÊ PROCURA AS FONTES .... 54 4

63ª Justificativa: REFLITAM SOBRE ISSO .................................................. 54 64ª Justificativa: VAMOS RESPEITAR AS LENDAS DOS OUTROS? .............. 55 66ª Justificativa: ESQUIZOFRENIA CRÔNICA ............................................ 56 67ª Justificativa: OLHA A TRAVE NO SEU OLHO......................................... 56 68ª Justificativa: VOCÊS FOGEM DA VERDADE .......................................... 57 69ª Justificativa: QUEM ÉS PARA COMPREENDER DEUS? ........................... 57 70ª Justificativa: POR QUE DEUS NÃO SE MANIFESTA? ............................. 58 71ª Justificativa: POR QUE OS ATEUS PENSAM TANTO EM DEUS? ............. 58 72ª Justificativa: DEUS É IMATERIAL? ...................................................... 58 73ª Justificativa: CONCILIAR AMBIGÜIDADES .......................................... 59 74ª Justificativa: A MORAL OBJETIVA É DEUS ........................................... 59 75ª Justificativa: DEUS MANDA E DESMANDA, AFINAL CRIOU TUDO......... 60 76ª Justificativa: USAR A FRASE PRONTA “NÃO DÊ PEROLAS AOS PORCOS” ................................................................................................................. 60 77ª Justificativa: CAI NA PERDIÇÃO ......................................................... 61 78ª Justificativa: A IGNORÂNCIA VENCE CONHECIMENTO ........................ 61 79ª Justificativa: A NASA PROVOU! ........................................................... 62 80ª Justificativa: JESUS DIVIDIU O CALENDÁRIO ..................................... 63 Três deuses, um funeral............................................................................... 63 Três deuses, um funeral (parte 1) ............................................................. 63 Três deuses, um funeral (parte 2) ............................................................. 65 Três deuses, um funeral (parte 3) ............................................................. 67 Três deuses, um funeral (parte 4) ............................................................. 68 Três deuses, um funeral (parte 5) ............................................................. 70 Três deuses, um funeral (parte 6) ............................................................. 72 Três deuses, um funeral (parte 7) ............................................................. 73 Três deuses, um funeral (parte 8) ............................................................. 76 Três deuses, um funeral (parte 9) ............................................................. 78 Três deuses, um funeral (parte 10) ........................................................... 79 Três deuses, um funeral (fim) ................................................................... 81 Jesus, a maior invenção da indústria da fé................................................... 83 A falta de evidência Histórica para Jesus .................................................. 95 Jesus Cristo nunca existiu ....................................................................... 108 As provas e contra provas ..................................................................................................... 110 As falsificações............................................................................................................................. 123 O doloroso silêncio histórico................................................................................................ 125 5

Um Jesus Cristo não histórico ................................................................. 126 Jesus e o tempo ........................................................................................................................... 131 Jesus Cristo nos Evangelhos ................................................................................................ 133 Jesus Cristo é um milagre ..................................................................................................... 134 Jesus Cristo, um mito bíblico ............................................................................................... 136 As contradições sobre Jesus Cristo ......................................................... 139 As contradições evangélicas ................................................................................................ 141 Algumas fontes do cristianismo .............................................................. 142 Jesus Cristo, uma cópia religiosa ...................................................................................... 145 Os deuses redentores .............................................................................................................. 147 Jesus Cristo é um mito solar ................................................................................................ 148 Outras fontes do cristianismo ................................................................. 149 Judaísmo e cristianismo ......................................................................................................... 151 O cristianismo sem Jesus Cristo .............................................................. 153 1 - Nem só Jesus Cristo tinha poder ........................................................ 155 2 - O Messias Desmascarado ................................................................... 157 3 - Revelada a origem da construção do mito de Jesus ........................... 166 4 - As mil faces de Jesus: O mau-caratismo religioso .............................. 168 5 - Jesus Cristo e Super-Homem: A necessidade do herói mítico ............. 185 6 – Jesus não voltará .............................................................................. 194 Doze provas da inexistência de Deus ......................................................... 197 Primeira série de argumentos: contra o Deus criador ............................. 200 1º argumento: O gesto criador é inadmissível......................................... 200 2º argumento: O “puro espírito” não podia determinar o Universo ......... 201 3º argumento: O perfeito não pode produzir o imperfeito ....................... 202 4º argumento: O ser eterno, ativo, necessário, não pode, em nenhum momento, ter estado inativo ou ter estado inútil .................................... 203 5º argumento: O ser imutável não criou ................................................. 204 6º argumento: Deus não criou sem motivo; mas é impossível encontrar um único motivo que o levasse a criar .......................................................... 205 Segunda série de argumentos: Contra o Deus-governador...................... 210 7º argumento: O governador nega o criador ........................................... 210 8º argumento: A multiplicidade dos deuses prova que não existe nenhum deles ....................................................................................................... 211 9º argumento: Deus não é infinitamente bom: é o inferno que o prova .. 212 10º argumento: O problema do mal ........................................................ 213 6

Terceira serie de argumentos: Contra o Deus justiceiro .......................... 215 11º argumento: Irresponsável, o homem não pode ser castigado nem recompensado......................................................................................... 215 12º argumento: Deus viola as regras fundamentais de equidade ............ 216 Onisciência versus Livre Arbítrio................................................................ 219 Grandes Mentiras Religiosas ...................................................................... 223 Útimas palavras de ateus e “ateus” ........................................................ 223 O último testemunho de Darwin .............................................................. 233 Deus punindo quem blasfema ................................................................. 237 Nasa, Josué e o Sol que parou ................................................................. 244 Deus e o Diabo na terra da Internet ........................................................ 247 Astros de Rock são satanistas? ............................................................... 271 O Fim do Mundo em 2012 ........................................................................ 281 O Milagre de Lanciano Desmascarado ..................................................... 292 A Escadaria de Loretto Desmascarada..................................................... 295 A “Riqueza” das Nações Protestantes ..................................................... 298 Hitler era Ateu ? ...................................................................................... 307 Evangelismo: a maior mentira da História ................................................. 326 Introdução .............................................................................................. 326 O início da trama ..................................................................................... 327 Sargão..................................................................................................... 327 Moisés ..................................................................................................... 328 O grande “mestre iniciado” e incompreendido ........................................ 329 Deuteronômio 17:3-5 .............................................................................. 330 Discípulos envergonhando seu Mestre e sua doutrina ............................. 332 Notas e referências ................................................................................. 335 Cisma do Oriente ....................................................................................... 335 A falsificação do Sudário de Turim ............................................................. 340 Santíssima Trindade desmascarada ........................................................... 346 A improbabilidade de Deus ........................................................................ 353 A verdadeira História da Páscoa ................................................................ 357 A verdadeira história do natal .................................................................... 360 Deus feito em casa ..................................................................................... 362 Esquecendo Deus ....................................................................................... 366 Inferno Desmascarado ............................................................................... 368 SHEOL ..................................................................................................... 368 7

HADES ..................................................................................................... 371 GEENA ..................................................................................................... 372 TÁRTARO................................................................................................. 375 Hesíodo – Teogonia ................................................................................. 376 AS ORIGENS DO INFERNO ....................................................................... 378 DOUTRINAS INFERNAIS .......................................................................... 381 Noite de São Bartolomeu: O massacre dos huguenotes ............................. 383 O Dilúvio desmascarado ............................................................................. 389 O Protestantismo visto pelos católicos....................................................... 394 Os Anjos: Para que servem? ...................................................................... 401 Os Evangelistas eram historiadores confiáveis? ......................................... 409 PARTE 2 – CETICISMO ............................................................................... 410 Lógica & Falácias ....................................................................................... 410 Introdução .............................................................................................. 412 O que a lógica não é ................................................................................ 412 Argumentos ............................................................................................ 413 Proposições............................................................................................. 413 Premissas ............................................................................................... 413 Inferência ............................................................................................... 414 Conclusão................................................................................................ 414 A implicação em detalhes ........................................................................ 414 Exemplo de argumento ........................................................................... 415 Reconhecendo argumentos ..................................................................... 416 Leitura complementar ............................................................................. 416 Falácias ................................................................................................... 417 Acentuação / Ênfase ............................................................................... 417 Ad Hoc..................................................................................................... 417 Afirmação do Conseqüente...................................................................... 418 Anfibolia.................................................................................................. 418 Evidência Anedótica ................................................................................ 418 Argumentum ad Antiquitatem ................................................................. 418 Argumentum ad Baculum / Apelo à Força ............................................... 418 Argumentum ad Crumenam .................................................................... 419 Argumentum ad Hominem ...................................................................... 419 Argumentum ad Ignorantiam .................................................................. 419 Argumentum ad Lazarum ........................................................................ 420 8

Argumentum ad Logicam ........................................................................ 420 Argumentum ad Misericordiam ............................................................... 421 Argumentum ad Nauseam ....................................................................... 421 Argumentum ad Novitatem ..................................................................... 421 Argumentum ad Numerum ...................................................................... 421 Argumentum ad Populum........................................................................ 421 Argumentum ad Verecundiam ................................................................. 421 Audiatur et Altera Pars............................................................................ 422 Bifurcação ............................................................................................... 422 Circulus in Demonstrando ....................................................................... 422 Questão Complexa / Falácia de Interrogação / Falácia da Pressuposição 423 Falácias de Composição .......................................................................... 423 Acidente Invertido / Generalização Grosseira ......................................... 423 Convertendo uma Condicional ................................................................. 423 Cum Hoc Ergo Propter Hoc ...................................................................... 423 Negação do Antecedente ......................................................................... 424 Falácia do Acidente / Generalização Absoluta / Dicto Simpliciter ........... 424 Falácia da Divisão ................................................................................... 424 Equivocação / Falácia de Quatro Termos ................................................ 424 Analogia Estendida.................................................................................. 425 Ignorantio Elenchi / Conclusão Irrelevante ............................................ 425 Falácia da Lei Natural / Apelo à Natureza ............................................... 425 Falácia “Nenhum Escocês de Verdade…”................................................. 425 Non Causa Pro Causa .............................................................................. 426 Non Sequitur ........................................................................................... 426 Pretitio Principii / Implorando a Pergunta .............................................. 426 Plurium Interrogationum / Muitas Questões ........................................... 426 Post Hoc Ergo Proter Hoc ........................................................................ 426 Falácia “Olha o Avião” ............................................................................. 427 Reificação ............................................................................................... 427 Mudando o Ônus da Prova ....................................................................... 427 Declive Escorregadio ............................................................................... 427 Espantalho .............................................................................................. 427 Tu Quoque............................................................................................... 427 Nota 1 ..................................................................................................... 428 Nota 2 ..................................................................................................... 428 9

Uma Introdução ao Ateísmo ...................................................................... 429 O que é Ateísmo? .................................................................................... 429 O que é Agnosticismo? ............................................................................ 430 Considerações sobre o Espiritismo ............................................................. 442 Veganismo Desmascarado ......................................................................... 448 Sobre a preocupação com os animais ...................................................... 454 Agora, vamos acabar com as falácias vegans. ......................................... 456 Experimento com animais ....................................................................... 460 Hipocrisia, teu nome é veganismo! ......................................................... 463 Homeopatia desmascarada ........................................................................ 463 Introdução .............................................................................................. 463 Os princípios da homeopatia ................................................................... 463 O ponto de vista bioquímico .................................................................... 464 Pesquisa científica .................................................................................. 465 A aparente eficácia.................................................................................. 467 Conclusões .............................................................................................. 467 Informação e Conhecimento ...................................................................... 468

PARTE 1 – RELIGIÃO

Examinando a Religião

Por Voltaire Extraído do Dicionário Filosófico Voltaire, é considerado como o melhor representante do intelectualismo do século XVIII. Em seu Dicionário Filosófico, Voltaire ataca as mazelas da França de sua época e os absurdos do fanatismo religioso. Neste verbete, o autor – cujo verdadeiro nome era François-Marie Arouet – analisa filosoficamente a religião, mediante sua óptica e seu intelecto. Primeira questão O bispo de Glocester, Warburton, autor de uma das mais sábias obras que já se escreveram assim se exprime, página 8, tomo 1o.: ―Uma religião, uma sociedade que não está fundada sobre a crença numa outra vida deve ser sustida por uma providência extraordinária. O judaísmo não está fundado sobre a crença numa outra vida; portanto o judaísmo foi sustido por uma providência extraordinária‖.

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Vários teólogos se ergueram contra ele; e como se retorquem todos os argumentos, retorquiram o seu; disseram-lhe: ―Toda religião que não estiver baseada sobre o dogma da imortalidade da alma e sobre as penas e recompensas eternas é necessariamente falsa; ora, o judaísmo não conheceu esses dogmas; portanto o judaísmo, longe de ser sustido pela Providência, era, segundo vossos princípios, uma religião falsa e bárbara que atacava a Providência‖. Esse bispo teve alguns adversários que lhe afirmaram que a imortalidade da alma era conhecida entre os judeus, nos próprios tempos de Moisés; ele lhes provou porém mui evidentemente que nem o Decálogo, nem o Levítico, nem o Deuteronômio tinham uma única palavra a respeito dessa crença, e que é ridículo pretender turvar e corromper algumas passagens dos outros livros para concluir daí uma verdade que não está absolutamente anunciada no livro da lei. O senhor bispo, tendo escrito quatro volumes para demonstrar que a lei judaica não propunha nem penas nem recompensas depois da morte, jamais pôde responder a seus adversários de maneira satisfatória. Estes lhe diziam: ―Ou Moisés conhecia esse dogma e então enganou os judeus não o manifestando; ou ignoravao, e nesse caso não tinha conhecimentos suficientes para formar uma boa religião. Com efeito, se a religião fosse boa, por que teria sido abolida? Uma religião verdadeira deve ser para todos os tempos e todos os lugares; ela deverá ser como a luz do Sol que ilumina todos os povos e todas as gerações‖. Esse prelado, por esclarecido que fosse, teve muito trabalho em se livrar de todas essas difíceis proposições; porém qual o sistema é isento de dificuldades! Segunda questão Outro sábio muito mais filosófico, que é um dos mais profundos de nossos dias, apresenta fortes razões para provar que o politeísmo foi a primeira religião dos homens, e que se começou por crer em vários deuses antes que a razão fosse suficientemente esclarecida para não reconhecer senão um Ente Supremo. Ouso crer, ao contrário, que se principiou por reconhecer um único Deus, e que em seguida a fraqueza humana adotou vários deles; e eis como concebo a coisa: É indubitável haverem existido burgos antes que se construíssem grandes cidades, e que todos os homens foram divididos em repúblicas antes de ser reunidos em grandes impérios. É bem natural que um burgo atemorizado pelo trovão, afligido pela perda de suas colheitas, maltratado pelo burgo vizinho, sentindo todos os dias a própria fraqueza, pressentindo por toda parte um poder invisível, tenha terminado por dizer: ―Existe algum ser acima de nós que nos causa bens e males‖. Parece-me impossível que tenha dito: ―Há dois poderes‖. Por que vários? Principia-se sempre pelo simples, em seguida vem o composto e amiúde, enfim, volta-se ao simples mercê de luzes superiores. Tal é a marcha do espírito humano. Qual é esse ente que se teria invocado a princípio? Seria o Sol? Seria a Lua? Não creio. Examinemos o que se passa entre as crianças; representam mais ou menos o que são os homens ignorantes. Não percebem a beleza nenhuma utilidade do astro que anima a natureza, nem os socorros que a Lua nos presta, nem as variações regulares do seu curso; não o pensam, estão muito acostumadas a todas essas coisas. Não se adora, não se crê senão aquilo que se teme; todas as crianças olham para o céu com indiferença; mas estruja o trovão e elas tremerão, irão se esconder.

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Sem dúvida, os primeiros homens agiram de forma idêntica. Apenas umas espécies de filósofos que assinalaram o curso dos astros ensinaram também a admiração e adoração; os cultivadores simples e sem luz alguma não conheciam o bastante para perfilhar tão nobre erro. Portanto, uma aldeia ter-se-á limitado a dizer: Há uma potência que troveja, que atira neve sobre nós, que faz morrer nossos filhos: acalmemo-la; mas como? Vemos que acalmamos com pequenos presentes a cólera das pessoas irritadas: façamos, pois pequenos presentes a essa potência. É também preciso dar-lhe um nome. O primeiro que se oferece é o de Chefe, Dono, Senhor; essa potência é, pois chamada Senhor. É provavelmente a razão pela qual os primeiros egípcios chamaram ao seu deus Knef; os sírios, Adonai; os povos vizinhos, Baal ou Bel, ou Melch, ou Moloch; os citas, Papeu: palavras que significam Senhor, Mestre. Foi assim que se encontrou quase toda a América dividida numa multidão de pequenas populações, tendo todas o seu deus protetor. Os próprios mexicanos, os peruvianos, que eram grandes nações, tinham apenas um deus: uns adoravam Manco Capaque, outros o deus da guerra. Os mexicanos davam ao seu deus guerreiro o nome de Vitzlipufzli, assim como os hebreus haviam cognominado o seu senhor de Sabaoth. Não é por uma razão superior e cultivada que todos os povos começaram a reconhecer uma única divindade. Se tivessem sido filósofos, teriam adorado o deus de toda a natureza, e não o deus de uma aldeia; teriam examinado essas relações infinitas de todos os seres, que provam um ente criador e conservador; porém eles não examinaram nada, eles sentiram. Aí está o progresso de nosso frágil entendimento; cada burgo sentiu sua fraqueza e a necessidade de um forte protetor. Imaginou esse ser tutelar e terrível residindo na floresta vizinha, ou na montanha, ou numa nuvem. Apenas imaginou um só deus, pois o burgo não tinha senão um chefe na guerra. Imaginou-o corporal, porque era impossível figurá-lo de outra forma. Não podia crer que o burgo vizinho não tivesse também o seu deus. Eis por que Jefté disse aos habitantes de Moabe: ―Possuís legitimamente o que vosso deus Camos vos fez conquistar; deveis deixar-nos gozar dos bens que nosso Deus nos concedeu por suas vitórias‖. Tais palavras ditas por um estrangeiro a outros estrangeiros são notáveis. Os judeus e os moabitas tinham desapossado os naturais do país; uns e outros apenas tinham o direito da força, e uns disseram aos outros: - ―Vosso Deus vos protegeu em vossa usurpação, tolerai agora que nosso Deus nos proteja na nossa‖. Jeremias e Amos perguntaram um ao outro ―que razão teve o deus Melcom para se apoderar do país de Gade‖. Parece evidente, por essas passagens, que a antiguidade atribuía a cada país um Deus protetor. Encontram-se ainda hoje vestígios dessa teologia em Homero. É bem natural que se havendo aquecido a imaginação dos homens e tendo seu espírito adquirido conhecimentos confusos, tenham eles multiplicado seus deuses, e estipulado protetores para os elementos, mares, florestas, fontes, campos. Quanto mais examinaram os astros, mais foram feridos pela admiração. Poder-se-á não adorar o Sol, quando se adora a divindade de um ribeiro? Desde que o primeiro passo foi dado, a terra em breve foi coberta de deuses; e enfim desce-se dos astros aos gatos e às cebolas. Entretanto é preciso que a razão se aperfeiçoe; o tempo forma, enfim, os filósofos que percebem que nem as cebolas, nem os gatos, nem mesmo os astros concertaram a ordem da natureza. Todos esses filósofos babilônicos, persas, egípcios, citas, gregos e romanos admitem um Deus supremo remunerador e vingador. Eles não o dizem a princípio ao povo: pois quem falasse mal das cebolas e dos gatos diante das velhas e dos padres teria sido lapidado; quem quer que reprovasse aos egípcios o fato de comerem os seus deuses, acabaria sendo ele próprio devorado, como, de feito, Juvenal nos relata que um egípcio foi morto e comido completamente cru numa disputa de controvérsia. Mas que se fez? Orfeu e outros estabeleceram mistérios, que os iniciados prometeram

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mediante juramentos execráveis nunca revelar, e o principal desses mistérios é a adoração de um único Deus. Essa grande verdade penetra metade da terra; o número dos iniciados tornase imenso. É verdade que a antiga religião sempre subsistiu; mas, como não é contrária ao dogma da unidade de Deus, deixa-se que subsista. E por que aboli-la? Os romanos reconhecem o Deus optimus maximus; os gregos têm o seu Zeus, seu Deus supremo. Todas as outras divindades são apenas intermediárias: imperadores e reis são instalados no posto de deuses, isto é, de bem-aventurados; é, porém certo que Cláudio, Otávio, Tibério e Calígula não são considerados como criadores do céu e da terra. Numa palavra, parece provado que, no tempo de Augusto, todos os que tivessem uma religião reconheciam um Deus superior, eterno, e várias ordens de deuses secundários, cujo culto foi chamado mais tarde idolatria. Os judeus jamais foram idólatras: porque, não obstante terem admitido alguns malakhim, anjos, seres celestes de uma categoria inferior, sua lei não ordenava de forma alguma que tais divindades secundárias tivessem culto entre eles. Adoravam os anjos, é verdade, isto é, prostravam-se diante deles quando bem entendiam; mas, como isto não sucedia com frequência, não havia cerimonial nem culto estabelecido para eles. Os querubins da arca não recebiam homenagem alguma. Era costume adorarem os judeus abertamente um único Deus, assim como a multidão inumerável dos iniciados o adoravam secretamente em seus mistérios. Terceira questão Foi ao tempo em que o culto de um Deus supremo estava universalmente estabelecido na opinião de todos os sábios, na Ásia, na Europa e na África, que a religião cristã nasceu e se desenvolveu. O platonismo auxiliou bastante a compreensão de tais dogmas. O Logos, que para Platão significava a sapiência, a razão do Ser Supremo, tornou-se em nossos tempos o Verbo e uma segunda pessoa de Deus. Uma metafísica profunda e acima da inteligência humana foi um santuário inacessível no qual se desenvolveu a religião. Não procuremos repetir aqui como Maria foi declarada mãe de Deus, como se estabeleceu a consubstancialidade do Pai e do Verbo e a processão do Pneuma, órgão divino do divino Logos, duas naturezas e duas vontades resultantes da hipóstase, e enfim a manducação superior, a alma nutrida tal como o corpo dos membros e do sangue do Homem-Deus adorado e comido sob a forma do pão, presente aos olhos, sensível ao paladar, e, contudo anulado. Todos os mistérios foram sublimes. Começou-se, desde o segundo século, por esconjurar os demônios em nome de Jesus; depois se expulsavam em nome de Jeová ou Ihaho: pois conta S. Mateus que tendo os inimigos de Jesus dito que ele esconjurava os demônios em nome do príncipe dos demônios, ele lhes respondeu: ―Se é por Belzebu que eu esconjuro os demônios, em nome de quem o fazem vossos filhos?‖ Não se sabe em que tempo os judeus reconheceram por príncipe dos demônios a Belzebu, que era um Deus estrangeiro; sabe-se porém (e é José quem diz) que havia em Jerusalém exorcistas especiais para esconjurar os demônios dos corpos dos possessos, isto é, dos homens atacados de doenças singulares, as quais se atribuíam então em grande parte da terra a gênios malfeitores. Esconjuravam-se, pois os demônios com a verdadeira pronunciação de Jeová hoje perdida, e com outras cerimônias esquecidas hoje em dia. Esse exorcismo por Jeová ou outros nomes de Deus estava ainda em uso nos primeiros séculos da igreja. Orígenes, disputando contra Celso, diz-lhe, no. 262: ―Se, invocando Deus ou jurando em seu nome, chamam-no o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, alguma coisa há de haver nesses nomes, cuja natureza e força são tais que os demônios se submetem a quem os pronuncia; mas se o chamamos com outro qualquer nome, como Deus do mar ardente, suplantador, esses nomes não terão virtude. O nome de Israel traduzido

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em grego nada operará; pronunciai-o porém em hebreu, com os outros termos necessários, e imediatamente operareis a conjuração‖. O próprio Orígenes, no número 19, diz estas palavras notáveis: ―Há nomes que têm uma virtude natural, como os que empregam os sábios entre os egípcios, os magos da Pérsia, os brâmanes da Índia. O que chamamos magia não é uma arte vã e quimérica, tais como o pretendem os estoicos e os epicuristas: nem o nome de Sabaot nem o de Adonai foram feitos para seres criados; mas pertencem a uma teologia misteriosa que se liga ao Criador; de lá vem a virtude desses nomes quando coordenados e pronunciados segundo as regras, etc.‖. Assim falando Orígenes não apresenta seu sentimento particular: exprime a opinião universal. Todas as religiões então conhecidas admitiam uma espécie de magia; distinguia-se a magia celeste e a magia infernal, a necromancia e a teurgia: tudo aí era prodígio, adivinhação, oráculo. Os persas não negavam os milagres dos egípcios, nem os egípcios os dos persas; Deus permitiu que os primeiros cristãos fossem persuadidos dos oráculos atribuídos às sibilas, e lhes deixou ainda alguns erros pouco importantes, que não corrompiam o fundamento da religião. Coisa grandemente notável é que os cristãos dos dois primeiros séculos votavam o maior horror aos templos, aos altares e às imagens. É o que diz Orígenes, no. 374. Tudo mudou depois com a disciplina, quando a igreja recebeu uma forma constante. Quarta questão Desde que uma religião é legalmente estabelecida num estado, todos os tribunais se ocupam imediatamente de impedir que se modifiquem a maioria dos atos praticados nessa religião antes de ter sido publicamente acatada. Os fundadores reuniam-se secretamente apesar dos magistrados; hoje não se permitem as assembleias públicas senão sob os olhos da lei, e todas as associações que se afastarem dela são proibidas. A antiga máxima era que é melhor obedecer a Deus do que seguir as leis do estado. Apenas se ouvia falar em obsessões e possessões, o diabo andava à solta na terra: já hoje o diabo não sai de sua morada. Os prodígios, as profecias eram necessárias então: já hoje não se admitem. Um homem que profetizasse calamidades nas praças públicas seria metido num manicômio. Os fundadores recebiam secretamente dinheiro dos fiéis; um homem que recolhesse hoje dinheiro para dele dispor sem ser autorizado pela lei teria que responder perante a justiça. Assim, estão completamente fora de uso todos os caibros que serviram para construir o edifício. Quinta questão Depois da nossa santa religião, que sem dúvida alguma é a única boa, qual será a menos má? Não seria a mais simples? Não seria aquela que ensinasse muita moral e pouquíssimos dogmas? a que tendesse a tornar os homens justos sem os tornar absurdos? a que não ordenasse absolutamente crer em coisas impossíveis, contraditórias, injuriosas à Deidade e perniciosas ao gênero humano, e que não ousasse ameaçar com as penas eternas os que tivessem o senso comum? Não seria aquela que não sustentasse sua crença por intermédio de tribunais nem inundasse a terra de sangue por causa de sofismas ininteligíveis? aquela que de um equívoco, um jogo de palavras e duas ou três cartas sobrepostas não fizesse um soberano, e um Deus de um padre frequentemente incestuoso, homicida e envenenador? A que não submetesse os reis a esse padre? A que não ensinasse senão a adoração de um Deus, a justiça, a tolerância e a humanidade? Sexta questão Diz-se que a religião dos gentios era absurda em muitos pontos, contraditória, perniciosa; mas não se lhe teriam imputado maiores males do que na realidade praticou, e mais tolices do que pregou? ―Pois em ver Júpiter mudado em touro, - serpente, mono ou outra coisa qualquer, nada de belo encontro - nem me admirará se suceder‖. (Prólogo de Anfítrion).

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Sem dúvida isto é muito impertinente; mostrem-me, porém, em toda a antiguidade um templo dedicado a Leda deitando com um mono ou com um touro. Houve em Atenas ou Roma algum sermão para encorajar as moças a fazer crianças com os macacos do seu pátio? As fábulas recolhidas e ornadas por Ovídio constituem a religião? Não se parecem elas à nossa Lenda Dourada, à nossa Flor dos Santos? Se algum brâmane ou dervis nos viesse objetar a história de Santa Maria egípcia, a qual, não tendo com que pagar aos marinheiros que a conduziram ao Egito, deu a cada um deles o que chamamos favores, à guisa de dinheiro, diríamos ao brâmane: ―Meu reverendo padre, estais enganado, nossa religião não é a Lenda Dourada‖. Reprovamos aos antigos seus oráculos, seus prodígios: se eles voltassem ao mundo e pudéssemos contar os milagres de Nossa Senhora de Loreto e os de Nossa Senhora de Éfeso, para que lado penderia a balança? Os sacrifícios humanos foram estabelecidos em quase todos os povos, mas muito raramente postos em uso. Apenas temos a filha de Jefté e o rei Agague imolados entre os judeus, porque Isaque e Jônatas jamais o foram. A história de Ifigênia não é muito acreditada entre os gregos; os sacrifícios humanos são muito raros entre os antigos romanos. Numa palavra, a religião pagã fez derramar pouquíssimo sangue, enquanto a nossa alagou a terra. A nossa é sem dúvida a única boa, a única verdadeira; mas fizemos tanto mal por seu intermédio que quando falamos das outras devemos ser modestos. Sétima questão Se um homem quiser persuadir de sua religião a estrangeiros ou compatriotas não deverá empregar a doçura mais insinuante e a mais acareante moderação? Se começar por dizer que o que ele anuncia está demonstrado, encontrará uma multidão de incrédulos; se ousar dizerlhes que eles não rejeitam a sua doutrina senão porque ela condena as suas paixões, que o seu coração corrompeu o seu espírito, que eles apenas têm uma razão falsa e orgulhosa, ele os revolta, anima-os contra si, arruína ele próprio o que quer edificar. Se a religião que anuncia é verdadeira, torná-la-ão a insolência e o arrebatamento mais verdadeira? Ficais encolerizados quando dizeis que é preciso ser dócil, paciente, benfeitor, justo, preencher todos os deveres da sociedade? Não, porque todo mundo é do vosso parecer. Por que, pois, dizeis injúrias ao vosso irmão quando lhe pregais uma metafísica misteriosa? É que o seu bom senso irrita o vosso amor próprio. Tendes o orgulho de exigir que vosso irmão submeta a sua inteligência à vossa; o orgulho humilhado conduz à cólera, nem é outra a sua origem. O homem ferido por vinte balas numa batalha não fica encolerizado; mas um doutor ferido pela recusa de um sufrágio torna-se furioso e implacável. A necessidade de uma crença Muitas vezes pensamos por que as pessoas acreditam em coisas sem nexo. Ficamos estarrecidos com a capacidade crédula de acreditar nas coisas mais estapafúrdias que tem por aí religiões, correntes, superstições, mandingas, petições online, SPAM, boatos diversos, shows de mágica, promessas de políticos e que a namorada (ou namorado, dependendo das preferências de cada um) não mentirá na próxima vez. Afinal, por causa de que as pessoas acreditam nessas sandices todas? Por que elas ainda remetem textos ridículos de ameaças de um fantasma de uma menina de 14 anos (bem, ela teria essa idade se estivesse viva)? O fantasma fica acompanhando os e-mails e comunidades do Orkut? O que fazem então? Repassam o lixo, com um adendo ―vou repassar por via das dúvidas‖. Via das dúvidas? Não, meu caro. Você repassou porque se cagou de medo da mensagem. E isso vale para as outras crendices. Mas, afinal, por que as pessoas têm essas crenças? Resposta: Não tem resposta!

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Sim, eu sei que depois de ter lido os dois primeiros parágrafos, você deve estar querendo me matar por causa de uma resposta tão escrota. Lamento, mas essa é a verdade. Não temos uma resposta definitiva. As pessoas são esquisitas, mesmo. Pode parecer que desde sempre as pessoas tiveram a necessidade de acreditar em algo. Tenho pra mim que não, não é bem assim. Tudo bem que as pessoas sempre tiveram muitas dúvidas a respeito de tudo. Mas, uma crença não nasce do nada. Ela normalmente é passada de pessoa a pessoa. Assim, alguém teve a ―brilhante‖ ideia, por exemplo, de dizer que as trovoadas eram causadas por São Pedro estar arrastando os móveis. De repente, falaram isso só de brincadeira. E teve gente que acreditou! Logo, a crença veio na tentativa de dar uma explicação a um fato. Alguém estava arrastando os móveis em casa e viu a barulheira que fazia (na época, não existia Casa Bahia e os móveis eram bons e pesados). No dia da trovoada, perceberam a barulheira. De onde vem? Do céu? Quem está no céu? São Pedro. 2 + 3 =… 9! (Barulho de móvel + Barulho no céu = São Pedro!). Havia outro motivo também, mas disso falaremos mais a seguir. A crença surge também de uma necessidade. A pessoa tá doente e aceita qualquer coisa que lhe deem. Até mesmo figas, galhos de arruda, imagem de Santo Onofre, ferraduras, fitinha do Senhor do Bonfim e até o escudo do Flamengo. Claro que essa pessoa vai no médico e faz um tratamento com remédios etc. A pessoa fica curada no tempo em que algum vuduzeiro estava fazendo um ―tratamento‖ passando bosta de vaca no corpo todo. Aí, o que acontece? A idiota pessoa acha que foi a bosta de vaca que a curou. O médico? Ah, aquele charlatão só estava enchendo de remédios… Como eu disse antes, tudo começa com alguém impondo sua opinião (muita das vezes, são opiniões idiotas, proferidas por leigos imbecis) e fazendo de tudo para que a outra pessoa faça o mesmo procedimento e execute a besteira. O pior que as besteiras até tem certo fundamento, mas podem ser danosas. Como exemplo, posso citar os efeitos colaterais de alguns antidepressivos, como perda de peso. Isso acontece muito com mulheres. É triste, mas é verdade. Uma mulher encontra outra e pergunta como ela está, vê que ela perdeu peso (apesar de estar amarela, esquálida e pra lá de desanimada, mas pessoas egoístas não prestam atenção nisso). A outra mulher responde que não está muito bem, que até está sobre o efeito de remédios antidepressivos. Uma pessoa boa e conscienciosa perguntaria se a outra estava precisando de um ombro amigo, se necessita de algo ou mesmo não fica só nas perguntas e procura melhorar o ânimo da outra pessoa, mostrando que é amigo e que se importa. Como eu disse, egoístas não pensam nisso. Uma mulher egoísta (não estou querendo dizer que todas as mulheres o sejam, mas me atire uma pedra quem nunca ouviu uma história semelhante) vai falar logo: ―Caramba, deixa eu ver este remédio!‖ Aí, vê que na bula consta que realmente o remédio acarreta perda de peso. Sabemos que a sociedade tem grande influência nos indivíduos (principalmente nos que possuem fraqueza de caráter). Logo, a dita egoísta terá a idéia ―fabulosa‖ de se encher de anti-depressivo e vai encher o saco da amiga para que consiga uma receita. A amiga – que realmente está precisando de um amigo, mas só conseguiu ―aquilo‖ – vai fazer de tudo para conseguir. A ―amiga‖ vai espalhar aos 4 ventos que tem uma receita ótima para emagrecer. Outras idiotas como ela farão de tudo para conseguirem receitas (até mesmo subornar médicos do SUS, que ganham uma merreca e precisam alimentar os filhos) e assim a coisa se propaga.

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Algumas até tem a coragem de pedir a químicos (!) para que estes possam arrumar o tal medicamento. Óbvio que uma simples carteira do Conselho Regional de Química não é o suficiente para uma farmácia decente vender um medicamento controlado. O químico que tem responsabilidade se recusa e ainda dá um esporro. A pessoa que acha que precisa emagrecer fica irritada com o gesto e rompe os pseudolaços de amizade interesseira. Eu sei bem como é isso. Já perdi 2 ―amigas‖ por causa disso e podem estar certos: pessoas assim não me fazem falta. As pessoas acabam se tornando viciadas em suas crenças. Como exemplo, eu citei no artigo da Campanha Diga NÃO ao Boato, onde relatei a história de um spam maluco em que eu mandei a refutação com links, visando esclarecer a pessoa. Assim como acontece com um toxicômano (aquele que é viciado em drogas, pô), a pessoa se recusa a sair do vício. Acho que deveria haver clínicas de desintoxicação de besteiras. Mas, não daria certo. Nenhuma clínica suportaria mais de 150 milhões de pessoas… As pessoas, em fato, acreditam nas coisas porque QUEREM acreditar. Alguns acham que aquela gostosa da loja de conveniência realmente tá dando mole, que tomar os coscarques da vida realmente a isentaram de almoçar, que tomar gotinhas diluídas mais de 100 vezes superam em qualidade qualquer remédio, que a conjunção astral define os rumos de sua vida ou que jogar em roleta o fará rico sem trabalhar. E é aqui que realmente chegamos ao ponto do porque as pessoas acreditam nessas coisas: elas têm medo. Exatamente, M-E-D-O !! Todas elas têm medo de algo. Seja de morrer, seja de ficar pobre pro resto da vida, não conseguir um trabalho decente, ficar virgem pra sempre e medo de sentir medo. Ao contrário do que se pode sugerir sentir medo não é tão ruim. O medo nos faz um grande favor: ele nos mantém vivo. Se não fosse o medo de altura, a gente chegaria perto de qualquer precipício ou treparíamos (ops) no parapeito de um prédio no 30º andar sem segurança. O medo de não passar num exame nos faz estudar e prepararmo-nos mais para as provas etc. Sentir medo é natural. Claro que muitas das vezes, o medo simples se torna uma fobia, como ter medo de subir numa escada de 3 degraus. Aí, é caso para tratar disso. Lembro-me de um filme já meio antigo: Remo, Desarmado e Perigoso. Nele, o velho chinês (ops, desculpe, Chiun: COREANO!) ensina que sentimos fome, sentimos frio, sentimos medo. O medo não pode nos fazer mal. Para isso, devemos ter cuidado. Temos medo de sermos atropelados numa via movimentada. Só o medo não fará com que um caminhão suba a calçada e nos pegue (o motorista estar tonto de sono ou completamente bêbado, sim). Se tivermos cuidado, esperando o sinal fechar e prestando atenção que os carros realmente parem, poderemos atravessar tranqüilos. Na direção também. Se formos cuidadosos, não precisaremos de fitinha de São Cristóvão. Porque nem São Cristóvão dá jeito se algum maluco avançar o sinal de der uma porrada no meio do seu carro. A dor, o medo e o egoísmo armam o palco para os enganadores. Enganadores que se vestem bem, andam barbeados e com cara de amiguinho. Lembra-se do caso da explicação das trovoadas? Lembra-se do caso da ―amiga‖ interesseira? Lembra-se do caso de estar necessitado? Lembra-se do caso do medo? Pois bem, pessoal. Junte tudo isso, mais com um bando de espertinhos e o que você tem? Resposta: RELIGIÃO! Pense: A religião é um vício em que as pessoas acreditam firmemente em fatos estapafúrdios, como cobras falantes. Até brigam e falam mal (reparem nos comentários de nossos artigos). A

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religião explica coisas do modo mais estranho, absurdo e sem sentido; porém, de uma forma ―convincente‖. A religião abafa o medo do desconhecido. Morte? Para que se preocupar? Você andará por tijolos de ouro, que nem na historinha do Mágico de Oz. Seu parente faleceu? Que pena… Mas, você poderá conversar com ele através de nossos médiuns. Você quer ganhar um emprego novo? Quer trocar de carro? Não tem problema! O que você der para a nossa igreja, Jesus te dará em dobro! É como no caso do ―conto do paco‖. Chega um espertinho e oferece uma bolada de dinheiro pra sua vítima, dizendo que tem que viajar, sair, ir pro hospital etc. Pede que ela lhe dê algum dinheiro e em troca a pessoa poderá ficar com o pacote de dinheiro, cheques etc. A vítima, de olho grande na bolada, pensa que poderá lucrar em cima de quem ela julga que é um verdadeiro mané. É sempre assim. As pessoas gritam e esbravejam que têm fé, que acreditam em seu Jesus, mas por quê? Porque no seu livrinho mágico está escrito que se eles não crerem, eles vão pro inferno e passarão o resto da eternidade lá. MEDO! As Ovelhinhas do Senhor correm em tudo que é canto, enchendo o saco para que outros passem a crer nas mesmas sandices que elas. Por quê? Porque no seu livro diz que eles têm que evangelizar, senão vão pras profundas. Interesse egoísta. Usam de apelo sentimentalóide ―por que você não acredita em meu deus, ele é bonzinho e oferece muito‖ (como no caso do ―conto do paco‖). Assim como no caso do spam, eles têm que manter viva a crença, caso contrário, cairão em si que são um bando de estúpidos (o que de fato são, mas eles não querem que saibam). Sempre terminam com algo como ―arrependam-se‖ e ―estarei orando por vocês‖. Mentira! Eles querem impor medo. O mesmo medo que sentem. Assim como uma mãe diz pra uma criança: não ande de costas porque faz mal. Faz mesmo? Se você não souber andar, realmente vai cair. Aliás, do jeito que as ruas andam esburacadas, faz mal você andar até normalmente. Faz mal andar de noite por causa dos assaltos. Muitas coisas fazem mal. E daí? Assim como o medo não te faz mal, as crenças não ajudam. Muitos hospitais estão cheios de padres, pastores, irmãs, macumbeiros, satanistas, ateus, agnósticos etc. Crer ou não crer não fará sua situação mudar. Eu não creio em médicos. Eu sei que um tratamento vai curar se for aplicado adequadamente. Eu não creio que o médico vai me curar, porque médico não cura ninguém. O que cura são os seus conhecimentos, sua experiência de ter visto ter lido e relido e trabalhado nas mesmas condições. O que cura é o vem acumulando ao longo dos séculos, e não apenas uma besteira falou séculos atrás que um verdadeiro devoto poderá tomar veneno e o mesmo caso antes, de saber que a humanidade de acreditar que alguém não acontecerá nada.

Muitos dizem que em sua igreja XYZ, houve milagres, que uma perna nasceu do nada, que mudo aprendeu a falar e que papagaio criou dente. Mentira! Tudo isso é baseado numa reles crença de que alguém disse que viu (e na verdade também não viu) alguém ser curado. Vá atrás, peça os exames. Onde estão? Até hoje, já ouvi esta lorota centenas de vezes. Centenas de vezes pedi os exames e laudos. Ganha um doce se adivinharem quantos me mostram a documentação. Cada um pode crer no que quiser não me importo. Mas, quando a história que um antidepressivo é usado como milagre dietético, quando uma crendice faz uma pessoa abandonar médicos para seguir um pseudotratamento que acabará em morte, quando uma quadrilha usa a crença do povo para extorquir seu último centavo em troca de uma promessa vazia e ridícula e vemos pessoas agindo feito zumbis acreditando que o mundo só tem 6 mil anos que o homem veio de um punhado de barro que um deus tribal criado por um bando de pastores da Idade do Bronze largou por aí, então é hora de começarmos a mostrar que o mundo não é esquisito, as pessoas é que são crédulas, burras, interesseiras e medrosas.

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São fatos. Ninguém gosta de ter que encarar o reflexo de sua personalidade em linhas escritas, mas essa é a verdade. Creia no que quiser, mas guarde para si. Tenha responsabilidade de não causar mal a ninguém. Acha que tomar cianureto vai melhorar sua garganta? Beleza. Tome 2g de manhã, à tarde e… bem, talvez não precise tomar à noite. De qualquer forma, você nunca mais terá dor de garganta. Mas, tome SÓ VOCÊ. Deixe as pessoas se consultarem com médicos de verdade. Médicos cometem erros. E daí? Você se acha especial? Pule de uma ponte com uma capa e saia voando, só assim acreditarei. No mais, acredite no que quiser. O mundo não deixará de ser mundo em função da crença dessa ou daquela pessoa. Típicas Justificativas Religiosas Em qualquer tipo de debate, é mais do que necessário manter a sobriedade nas afirmativas. Cair em falácias é muito fácil, mas nem por isso devemos nos apegar a elas para sustentar o que temos a dizer. Objetividade é a regra e deve-se ter em mente que qualquer proposição deve ter conteúdo lógico e não um amontoado de palavras absurdas. E são absurdos o que mais vemos em debates quando o assunto é religião. Por vezes, as postagens dos religiosos são repetitivas e irritantes. Sempre acaba caindo nas mesmas falácias e desvios de assuntos, o que é irritante em certos casos. Para facilitar os debatedores, fiz uma relação das (pseudo) justificativas mais usadas pelos religiosos (as quais não justificam nada). Apertem os cintos e vamos lá!!! Divirtam-se 1ª Justificativa: EXTRAPOLAÇÕES Apenas apontando isso que de uma forma geral os religiosos buscam justificar suas crenças, apesar de todas as provas em contrário está em extrapolar o que está escrito na Bíblia, buscando criar justificações que a própria Bíblia nunca alegou em momento algum. Como por exemplo: • Justificar Adão não ter morrido ao comer a maçã como ―morte espiritual‖. Nada no texto indica isso; • Justificar as contradições sobre relatos da morte de Judas como ―primeiro ele se enforcou depois Deus o matou‖. Nada na Bíblia indica essa ordem; • Deus criou o mundo em 7 dias explicado como ―um dia de Deus equivale a mil anos do homem‖. Nada no texto original justifica isso sobre a criação.

2ª Justificativa: ARGUMENTOS DE CONVENIÊNCIA Essa entra em ―quando um argumento justifica a proposição, usa-se; quando não justifica, estranhamente é esquecido‖. Por exemplo: • Um dia para Deus é mil anos para o homem é utilizado para descrever a criação do mundo em 7 dias, a vinda do Apocalipse contudo esse ―dia longo dia de Deus‖ nunca é citado para justificar profecias divinas que foram cumpridas imediatamente como a destruição de Sodoma e Gomorra, o Dilúvio ou quaisquer outras profecias em que deus haveria afirmado aconteceria ―em breve‖ e, segundo a Bíblia, aconteceram;

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• ―Não julgueis para não ser julgado‖ é uma linha que aparece e desaparece da Bíblia de forma extremamente conveniente e muito estranha vinda da pessoa que ―estaria vindo julgar toda a Terra no Apocalipse‖ ou de um Deus que constantemente rogava pragas, caos e destruição quando contrariado no antigo testamento;

3ª Justificativa: TENTATIVA DE ALEGAR UM CONHECIMENTO SUPERIOR SOBRE A BÍBLIA SEM DEMONSTRAR NADA QUE JUSTIFIQUE ISSO Está basicamente na linha ―vocês não compreendem a Bíblia‖, quando o religioso se encontra derrotado em termos de argumento racional. É uma forma de evitar engolir o próprio orgulho, se admitir errado e tentar sair por cima. É parte do orgulho religioso de ―se eu vou na igreja, devo ser superior não importa prova em contrário. Eu sei mais sobre o assunto que esses ateus/agnósticos e estou certo‖. Contudo esse comportamento de negação em geral vem após: • O religioso não ter demonstrado um conhecimento realmente aprofundado sobre a Bíblia ou capacidade de refutar os argumentos sem utilizar as duas técnicas descritas acima; • Incapacidade de contra argumentar com bases puramente lógicas os erros e contradições apontados.

4ª Justificativa: DESESPERO Muito comum também. Esse entra no religioso que apenas começa a citar orações e linhas aleatórias da Bíblia sem parar, e busca jogar táticas de amedrontar quem o contesta, ameaçando com Inferno ou algo do gênero, como mortes agonizantes e sofrimentos intensos. Claro que esses argumentos não refutam em nenhum momento o que foi alegado contra a Bíblia, mas religiosos parecem acreditar que sim.

5ª Justificativa: TÁTICA DE DISTRAÇÃO Também conhecida como falácia do ―Olha o avião‖. Isso ocorre quando os religiosos inventam histórias sobre as várias falhas (que só existem nas cabeças deles) do Evolucionismo, como se isso de alguma forma tornasse o Criacionismo uma teoria menos furada. Se quiserem defender o Criaburricionismo deveriam buscar provas válidas que o justificassem, mas não poucas vezes eles insistem num constante ataque que não valida a crença deles como melhor de forma alguma. Insistem nas besteiras, vindas de fontes vagas e duvidosas, como ―definir a idade de fósseis por radiação não é confiável‖. Em que isso torna o Criancionismo algo mais válido? Fossem tentar provar tal besteirol estariam utilizando as mesmas técnicas. Não raramente essa técnica de distração se compõe de pegar um detalhe mínimo da discussão que o ateu/agnóstico alegou e buscar aumentá-lo fora de proporção para evitar retornar à discussão maior que realmente não tem como refutar.

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6ª Justificativa: CRIAR EXPLICAÇÕES ABSURDAS Isso vem junto com o fato que para alguém acreditar no que está escrito na Bíblia como fatos históricos exige uma mente que aceita acreditar em fatos sem sentido. Numa discussão sobre a famigerada Arca de Noé, quando se faz perguntinhas simples como: ―Como Noé conseguiria o número de árvores suficientes para construir uma arca de madeira gigante no meio do deserto?‖ ou então ―Como Noé e sua família limpariam o esterco de todos os animais da face da Terra na Arca diariamente?‖. As respostas costumam ser hilárias, tais como: – Deus criou árvores no deserto (extrapolação, nada na Bíblia diz isso). – O esterco dos animais não fedia, porque eles comiam capim (alguém já viu esterco de um boi ou vaca não feder?). Entre outras (ver os comentários do artigo Dilúvio Desmascarado).

7ª Justificativa: FUGIR DA DISCUSSÃO ALEGANDO SER PARTE DO ANTIGO TESTAMENTO Aparentemente religiosos acreditam que, embora a Bíblia seja um livro perfeito sem erros ou contradições (segundo a opinião deles), ela não tem necessidade de manter coerência entre o Antigo e o Novo Testamento. A desculpa clássica está em ―após Jesus, tudo mudou‘‖. Mas, se é assim então de que valem os dez mandamentos, por exemplo? Ou alegar que o homem paga pelo pecado original se Jesus nos salvou? Mais uma vez a conveniência pois em outras partes o antigo testamento seria usado para comprovar algo mas negado para contrariar alguma afirmação. E o fato de estar escrito que Jesus (supostamente) ter dito que não veio para abolir as leis dos profetas parece ser ignorado nessa hora.

8ª Justificativa: ASSOCIAR LONGEVIDADE COM VERDADE Isso entra no argumento característico de ―se a Bíblia está por aí a tanto tempo como ela não seria verdade?‖. É um argumento falso, obviamente, pois quantos livros estão por aí a tantos mil anos? Todos os livros religiosos estão como os de Confúcio, o Mahabarata, Ramayana, Zed Avesta, Corão etc. Isso sem nem entrar em crenças africanas, sincretismo religioso, e alegar um seria verdadeiro por sua idade defenderia todos os outros como verdade ao mesmo tempo. As falhas principais neste pseudoargumento são: • Isso é um ponto de vista ocidental, para começo de conversa, a Bíblia não teve tanta relevância no oriente (ou os chineses, japoneses, vietnamitas, mongóis, árabes, persas etc. a têm como livro religioso?); • Se você alega que um livro se torna real por causa de sua longevidade, você pode usar esse argumento para qualquer religião, indiferente dos valores que ela defenda. Quantas religiões defendem valores sexistas, xenófobos, homofóbicos e racistas (além da Bíblia, é claro)?

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Alguém deveria segui-los sem questionar? É o argumento do namoro abusivo: sabe que faz mal, mas não conseguiria imaginar a vida sem a pessoa. Patético! • A Bíblia FOI comprovada errada inúmeras vezes por diferentes pensadores nas mais diferentes situações possíveis. A questão nunca foi prová-la errada, mas conseguir que essa informação atingisse a maioria da população. Não raramente os meios de comunicação evitam difundir informações ateístas por medo de perder uma audiência, que prefere ouvir ―verdades‖ simplistas que não conduzam ao raciocínio. Enfim, para os meios de comunicação, religiões significam mais dinheiro que ateísmo de uma forma geral. Contudo, isso não altera a veracidade dos argumentos contra a Bíblia.

9ª Justificativa: FALEI UMA COISA TÃO IDIOTA QUE NINGUÉM SE DEU AO TRABALHO DE REFUTAR, ENTÃO GANHEI O DEBATE Esse é o mais divertido! Também conhecido por ARGUMENTO DO CANSAÇO, porque enche tanto o saco que o debatedor desiste do debate. Aí o religioso fica com o peito estufado e diz aos quatro ventos: ―Você não rebateu meus argumentos (tolos), logo ganhei o debate‖. Parece até que aqueles que presenciaram o debate realmente acreditam naquilo. Enfim…

10ª Justificativa: FRASES PRONTAS Esse costuma ser repetidamente usado por ser o mais mentalmente preguiçoso. Consiste no religioso ter frases que ele vai apresentar para qualquer situação, indiferente a fazerem sentido com o que está sendo dito ou não. Os exemplos mais notórios costumam ser: • ―Texto sem contexto é pretexto‖: ironicamente essa frase sempre é utilizada fora do contexto da discussão. O religioso também assume que, após ter dito essa frase, ela terminaria a discussão por si própria e ele não precisaria explicar qual o contexto ele acreditaria adequado à referência; • ―Vocês não possuem a compreensão espiritual‖: o interessante é que esse contexto que eles alegam possuir não os fornece com argumentos convincentes. De uma forma geral, essa frase não significa coisa alguma na verdade, porque o religioso após tê-la dito no máximo vai apelar para alguma forma de parágrafo sobre a grandiosidade de deus (qualquer um que seja) e quão minúsculo é o ser humano ou coisa do gênero que, de novo, não teria relação alguma com a discussão; • ―O texto da Bíblia é loucura para os que não creem‖: e é tão difícil assim de imaginar o porquê? Isso é referência a uma linha da Bíblia e também nunca auxilia um debate de forma alguma, nem contra nem a favor de nada, serve exclusivamente para lembrar que você está lidando com uma pessoa brega. A lista de frases prontas deve beirar os milhares. Contudo, todas acabam nessa definição final: Uma pessoa que realmente raciocinasse sobre o que está falando não as utilizaria. Teria

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raciocinado com suas próprias ideias e as formularia a partir de seu próprio vocabulário coloquial. Uma piadinha ilustra bem isso: ―Como meu avô dizia, quem fica citando repetidamente os outros é idiota‖.

11ª Justificativa: SOBRE DEUS, NÃO SOBRE A BÍBLIA Confusão extremamente comum. O fato de alguém não acreditar na Bíblia não significa de forma alguma que a referida pessoa não acredita em um determinado deus. Ela não consegue ver como um deus utilizaria um livro com contradições tão gritantes com distância de poucas linhas, erros óbvios e cópias decalcadas de outras mitologias. Ou como um deus não enviaria um livro com uma mensagem coerente e coesa, em que alguém visse um sentido que unisse todas as histórias, ao invés de uma colcha de retalhos de contos que pregam morais completamente opostas, quando não demonstra pura crueldade gratuita, homofobia, sexismo e absurdos em níveis astronômicos. Como livro divino a Bíblia simplesmente não seria o portfólio que demonstrasse o melhor lado dele como ―deus do amor e da misericórdia‖. Normalmente a forma como religioso vai responder quando se aponta isso cai na justificativa típica número 3 (tentativa de alegar um conhecimento superior).

12ª Justificativa: REFERÊNCIAS ALEATÓRIAS DA BÍBLIA É difícil compreender 100% a motivação, mas às vezes no meio de uma discussão, ao invés do religioso responder ao que você está falando, ele apresenta uma linha qualquer da Bíblia sem relação nenhuma com o assunto. Aparentemente eles acreditam que a pessoa irá ―se deslumbrar com a beleza da escrita‖ e cessar os argumentos, ou alguma outra estupidez desse gênero. Claro que talvez isso funcionasse se a Bíblia tivesse algum trecho realmente bem escrito; mas, ainda que tivesse, não teria refutado o argumento apresentado. O nome disso é Transtorno de Déficit de Atenção. Isso implica na incapacidade de seguir argumentos mais longos, acarretando que o dito religioso se perca no assunto e busque reagir por reflexo através de uma linha qualquer da Bíblia. Não passa de outro sintoma de desespero.

13ª Justificativa: SE FAZER DE VÍTIMA CRISTÃ Quando não conseguem vencer os argumentos, então caem no ―estou sendo perseguido como Cristo e os primeiros cristãos foram‖. Entre outros blá blá blá.

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É a tentativa do apelo e chantagem emocional estilo ―se vocês continuarem falando isso, eu vou chorar‖. Falácia do apelo à misericórdia, seguida do apelo à multidão. Normalmente, isso vêm quando a pessoa tem de encarar as falhas de seus argumentos (se é que se podem se chamar as palavras sem nexo de ―argumentos‖) e/ou têm de enfrentar que não possui uma base tão elaborada assim como acreditava anteriormente. Algo chocante, não é mesmo? Dependendo do nível de argumentação, a pessoa vai apelar para isso no começo, meio ou fim da discussão (ou nos 3 tempos, o que é mais provável), dizendo para si própria ―estou sofrendo como Cristo sofreu pelo que acredito‖. Complexo de martírio cristão. Mas, como todas as outras justificativas anteriores também não invalida as falhas que existem no próprio texto da Bíblia. A verdade é que nada disso invalidará as falhas apontadas, porque elas simplesmente existem e estão lá. Choradeira com certeza não fará com que deixem de existir. Trata-se de um modo do religioso convencer mais a si mesmo que tem razão, do que o cético que o pegou pelo pé em cada tentativa de argumentação religiosa. A melhor resposta para esse tipo de choradeira (no melhor estilo: mãe, ó o cético feio, ó!) é o famoso: Solo de Violinos, que mostra que o religioso apenas está atuando num melodrama água-com-açúcar, mas não está comovendo ninguém (a não ser outro religioso metido a mártir).

14ª Justificativa: SE TEM DEFEITO ENTÃO É VERDADE Os religiosos costumam muitas vezes alegar uma hipótese ridícula, dizendo que se a Bíblia se contradiz, então ela não foi forjada. Na verdade é mais uma tentativa de criar explicações quando o erro no texto é inegável. Uma explicação que, no fim das contas, não explica nada. No caso seria uma tentativa de incorporar um fato que faz sentido – como sustentar mediante provas que a Bíblia possui contradições, muitas vezes por ter tido histórias inseridas de várias mitologias locais – com um que não faz o menor sentido, como por exemplo: ―‗por causa disso o que ela está escrito é real‖. O religioso entra, assim, com muitas outras tentativas de alterar o significado literal de palavras ou juntar pensamentos que se opões apenas para forçar uma conclusão favorável à Bíblia de alguma forma. A questão é que só se chega a conclusões reais quando você segue a ordem: pergunta, pesquisa e conclusão. E, nesse caso, a ordem seria pervertida para “a conclusão tem de ser que a Bíblia é perfeita”, “não pergunte sobre a hipótese dela não ser” e “pesquise e aceite apenas as fontes favoráveis a essa conclusão” . Para quem leu a obra 1984 de George Orwell, esse tipo de pensamento cai na definição de Novilíngua, onde infere que se deve conciliar ideias opostas como ―guerra é paz‖, ―liberdade é escravidão‖ e ―amor é ódio‖. Em termos mais recentes, foi desenvolvido como base nos anos 70 para desenvolver a ideia do Intelligent Design através do que a mídia americana denominou ―conhecimento seletivo‖; conhecimento que ignora quaisquer provas ao contrário consequentemente contrário aos princípios básicos da pesquisa científica.

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15ª Justificativa: É QUESTÃO DE ÉPOCA Argumento usado principalmente quando é mencionada as crueldades de Jeová no Antigo Testamento. Aí entra em cena o lenga-lenga de ―é porque naquela época eles eram isso ou aquilo, faziam isso ou aquilo‖. Muito conveniente. A pessoa que diz isso não se toca que só porque uma atitude era comum naquela época, não significa que era correta. Ou seja, era comum ter escravos, então Jeová (também conhecido como o Senhor dos Anéis Bíblico) permitia a escravidão. Era comum matar bebês de colo e rasgar barrigas de mulheres grávidas, então Jeová mandava fazer isso. Era comum vender mulheres como se fossem objetos, então Jeová permitia vender mulheres. E por aí vai. Quem defende tal argumento não percebe o absurdo que está dizendo. Deus nesse caso não tem voz ativa. Quem escolhe o que é certo e o que é errado são os homens, através do seu ―costume de época‖. Se Deus simplesmente permite tais absurdos, ele jamais pode ser um Deus de amor, que se importa com os seres humanos. Deus está permitindo, colaborando, aprovando e ordenando atitudes repugnantes, que jamais deveriam ser aceitas por um ―Deus de amor‖. Se ele não perpetrou a ação, pelo menos foi conivente abstendo-se.

16ª Justificativa: PREGAR O AMOR DE DEUS E, APÓS DERROTA, AFIRMAR QUE O CONTESTADOR IRÁ AO INFERNO Um híbrido da 4ª justificativa (desespero) com a 11ª justificativa (sobre Deus e não sobre a Bíblia). Após tentar convencer que Deus nos ama e sentir-se frustrado com o fracasso o religioso começa a lançar maldições e a tentar convencer que o mesmo Deus de amor é capaz de condená-lo ao inferno. Pena que ateus e agnósticos não acreditam em inferno, e essa baboseira toda só serve para causar diversão destes últimos.

17ª Justificativa: ERRO DE COPISTA Esse argumento é muito pouco usado, e somente por cristãos mais sensatos, que admitem que a contradição é irrefutável, mas que não passa de um ―mero erro de copista‖. Isto é, o tradutor se confundiu e escreveu besteiras, mas que isso não invalida a ―beleza‖ do texto. Com isso, eles dão a entender que um errinho de cópia não é nada grave, que não interfere em nada na sua fé, e que não interessa se Acazias tinha 22 ou 42 anos quando começou a reinar, ou se ele começou a reinar no ano 12º ou 11º de Jorão. Bem, esse é um raciocínio que vale tanto quanto os outros, ou seja, NADA!!

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Primeiro, porque não existem mais os originais para se comparar se realmente foi apenas um erro de copista. Eles dizem isso para si mesmos, apenas para se convencerem (como tantas vezes) de que não foi Deus quem errou, e sim o homem. Porém não há evidências disso. Quem me garante que no original também não estava o erro? Se é que houve um original e não foi tudo invenção desde o início. Segundo, esse tipo de contradição foi evidenciada somente porque ela aparece em passagens diferentes que deveriam contar a mesma história. Porém, quantas passagens da Bíblia não podem ser comparadas? Se for permitido o copista errar, então quem me garante que ele não errou em vários outros lugares, e sequer podemos descobrir? Terceiro quem garante que os copistas erraram apenas em números e datas? Por que não em fatos importantes do cristianismo? Está claro que Deus não impediu que eles errassem para pequenas coisas, por que não para grandes? Quarto erros de copista são ainda mais evidentes se analisados os manuscritos que ainda existem. Manuscritos esses que sequer concordam entre si. Que dependendo da região que eles provêm, por exemplo, Alexandria ou Esparta, diferem muito entre si. Ou então, da data em que foram escritos. Repare nas notas de rodapé das Bíblias modernas, e veja que há muitos erros de copistas, bem mais do que imaginam. Qual é o certo? Por exemplo, um manuscrito antigo, porém rasurado, ou um sem tantas rasuras, porém mais novo? Erros de cópia abalam sim (e muito!) a credibilidade da Bíblia.

18ª Justificativa: PIEGUICE Essa é uma das táticas que me causaria mais pena sobre quem a utiliza, se eu fosse capaz de ter piedade por idiotas. Quando a pessoa não consegue te convencer intelectualmente eles buscam te convencer emocionalmente, utilizando o que eles consideram ―frases bonitas e conceitos que apenas quem é religioso compreenderia‖. Tudo fajuto: a frase não é nada bonita, mas uma extensão ou derivado de alguma música sertaneja ou novela sobre amor e a ideia que só religiosos compreenderiam, no máximo alguma referência a algo que o pastor falou durante a missa, que nem era tão profundo e muito menos impressionante. Se eles apresentam uma ideia que tenha mais um nível de compreensão para eles é um feito de iluminação divina e a coisa mais bonita que existe. A piedade que se sente, de certa forma, é a de que eles estão buscando descrever algo profundo utilizando a cultura de alguém que só faz ir em missas (ou outros cultos semelhantes), lê a Bíblia de qualquer jeito, aceitando aquilo como uma verdade incontestável e consumir ―culturalmente‖ novelas e músicas que só falam sobre amor de corno. Isso nunca fez (nem nunca fará) ninguém capaz de escrever algo como: Eu, ansioso pelo Sol, buscava Sacar daqueles livros que estudava Repouso (em vão!) à dor esmagadora Destas saudades imortais

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Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora, E que ninguém chamará mais. E o rumor triste, vago, brando Das cortinas ia acordando Dentro em meu coração um rumor não sabido, Nunca por ele padecido. (O Corvo - Edgar Allan Poe - tradução: Machado de Assis)

19ª Justificativa: NÃO RESPONDER Essa deve ser, com certeza absoluta, a mais irritante. Quando ao invés de contra argumentar de alguma forma sobre o erro apontado, o religioso apenas alega ―Jesus te ama‖, ―porque você não aceita Deus‖ ou variações do gênero. Basicamente, é algo tão sem sentido, que mal compensa se direcionar muitas vezes e difícil compreender se você e o religioso estão falando sobre a mesma coisa. É o equivalente a alguém estar perguntando pelo almoço de domingo e a pessoa responde sobre a invasão do Iraque. O fato de alguém acreditar ou não em um deus qualquer (ou de ―aceitar‖ ou não a Cristo) não significa de forma alguma que a pessoa não deveria ler a Bíblia sob um ponto de vista crítico, inclusive para compreender melhor o texto. Consequentemente, se alguém observa uma contradição e a traz para discussão, por diferentes motivos, deveria muito mais reafirmar seu interesse sobre o livro que ela apenas aceitasse qualquer coisa escrita sem questionamento. Ao menos, em princípio a pessoa estaria questionando e estudando para aprofundar sua compreensão do texto. Religiosos, contudo, aparentam considerar que qualquer interpretação que não termine dizendo ―a Bíblia é um livro maravilhoso e sem erros de nenhuma espécie‖ significa que a pessoa deve odiar a deus, Jesus, o Espírito Santo, todas as igrejas e que vai queimar no inferno por toda a eternidade, junto com os homossexuais, drogados, assassinos, pedófilos e outros párias. Sempre acabam ―fazendo um favor‖ terminando com uma dessas frases estípidas depois de um texto sem nexo: – Vou orar por você! Ou: Estou orando por você! (como coisa que isso signifique algo a quem não se interessa por isso) – Jesus te ama! (para quem acredita cegamente que ele existiu, vale muito. Já para os que não crêem…) – Como você pode odiar a Bíblia e Deus? (O que tem uma coisa a ver com outra? Será que precisa-se acreditar na Bíblia para se crer em deus? Então judeus, muçulmanos, hindus etc. são ateus, né?) – Eu acredito na Bíblia e sou feliz. E você? (Para ser feliz é preciso acreditar nas baboseiras da Bíblia? Isso que eu chamo de fé…)

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– A Bíblia fez muitos milagres na minha vida. Conheço um caso (normalmente fictício) de alguém que se curou depois que acreditou na Bíblia. (Tão tolo que sequer merece comentários. Mostrar os laudos médicos que é bom, nem pensar)

20ª Justificativa: SE FAZER DE SURDO Também conhecido como Tautologia, insistência em argumentos comprovadamente errados, e uma tentativa do religioso de enlouquecer a pessoa com quem ele conversa. Configura quando você já provou de todas as formas possíveis que tais argumentos são furados, sem sentido, contraditórios, pouco inteligentes e sem sentido nenhum e, mesmo assim, o religioso insiste em repetir as mesmas linhas do começo do diálogo. É o equivalente ao comportamento Homer Simpson de ―não importa o que você argumente de todas as formas ele vai insistir nos mesmos pontos já amplamente demonstrados errôneos‖. Cai num conflito básico com a mentalidade de fé cega, que aparenta não precisar de uma base inteligente para suas afirmações e recusa-se ouvir ou debater num nível realmente embasado. No caso de se perder durante a discussão ou não conseguir refutar ele apenas retorna ao argumento inicial achando que isso daria reset e invalidaria tudo que foi dito.

21ª Justificativa: PRECISA DE FÉ PARA ENTENDER A BÍBLIA Esse é mais um caso particular da 3ª justificativa (tentativa de alegar um conhecimento superior). Um dos mais irritantes de todos, pois eles se julgam dotados de uma espécie de ―conhecimento divino‖, e que Deus lhes deu iluminação para conseguir entender coisas que nós, descrentes, achamos absurdas. Para eles, se somos incapazes de entender é porque não temos fé. Isso não faz nenhum sentido, pois Deus supostamente não deveria fazer acepção de pessoas (como a própria Bíblia diz), e todos deveriam ser capazes de entender a Bíblia completamente, e aí sim serem capazes de tomar a melhor decisão para a vida delas. Se só os que têm fé podem entender a Bíblia, então ela se torna inútil para a salvação das pessoas, pois ela não é capaz de ―dar fé‖ a ninguém. Os religiosos muitas vezes recaem em uma lógica circular: ―Você precisa entendê-la para ter fé, mas precisa de fé para entendê-la‖. Além do mais, é fácil ver porque os que tem fé, dizem que entendem a Bíblia. É fácil ver que se Deus mandou matar bebês de colo, um religioso vai simplesmente dizer: ―Eu tenho fé que Deus tomou a melhor decisão‖. Pronto, a questão está respondida, na opinião do religioso, e quem não tem fé é incapaz de ver dessa forma. Isso acarreta numa irresponsabilidade. Jogase tudo nas costas de Deus e fim.

22ª Justificativa: O FIM ESTÁ PRÓXIMO

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Esse também faz parte da justificativa nº 4 (desespero), contudo nem sempre utilizada de forma afobada, vez por outra inclusive acreditando de forma arrogante como ―vocês vão se ferrar por causa disso e eu vou me dar bem. Buahahuahaahahaa‖. Como todas as outras justificativas, evita se dirigir diretamente ao problema apresentado com uma resposta objetiva e busca desviar para um tática de medo. Inclui-se nessa justificativa alegar fatos aleatórios de desastres que estariam descritos nas escrituras. Como nunca houve consenso algum sobre quais desastres específicos seriam esses usando o mesmo argumento, um religioso vai alegar que a bomba de Hiroshima, a invenção do telefone, a guerra do Iraque, o Tsunami, o Lula ter sido eleito, o divórcio da Britney Spears, os cartões de crédito estarem inserindo o número da besta nas testas das pessoas entre outras besteiras, como provas definitivas de que o fim está próximo e quem insistir em apontar erros evidentes e óbvios no texto bíblico vai pagar o preço por não aceitar mentir como todo o resto dos religiosos que a Bíblia é inerrante.

23ª Justificativa: VOCÊ DEVE TER PROBLEMAS Mais um no estilo: ―Ao invés de responder diretamente ao que você demonstrou, vou tentar usar de apelo/chantagem emocional‖. Isso acontece quando o religioso simplesmente recusa-se completamente em se dirigir à questão apresentada e passa a buscar ―suas motivações emocionais‖. Estupidez galopante sem sombra de dúvidas, uma pessoa poderia ter acabado de ganhar o prêmio Nobel da literatura ou internado num asilo mas, indiferente a qual das opções se encontrasse, ela dissesse ―não caberia todos os animais do mundo na Arca de Noé‖ os animais simplesmente não caberiam, pois é fato. Em geral o religioso vai tentar usar frases do gênero ―pode nos falar qual é o seu problema?‖, ―por que você não aceita a deus?‖ ou algo idiota do gênero, enquanto busca fazer suas melhores expressões de sobrancelhas caídas para os cantos e olhares de ―pode falar‖. Claro que uma pessoa lúcida e inteligente apenas sentirá vontade de falar ―estou conversando com um asno‖. Isso entra na mitologia religiosa que ―as pessoas apenas se sentem felizes se estiverem indo na igreja como eu‖. A necessidade religioso de autoafirmação, se convencendo de estar fazendo a única coisa que poderia fazer uma pessoa feliz: não se aprofundar intelectualmente sobre nada e fugir de responder intelectualmente quando alguma falha é apontada. Claro que essa necessidade de autoafirmação também traz outras coisas, como a semiconsciência de não estar se aprofundando racionalmente em lidar com problemas não costuma levar as pessoas muito longe, a infantilidade intelectual de buscar compreender todo as as diferenças de ideias em outras pessoas como consequência de crises emocionais, evitar lidar com a questão ―mas eu sou realmente tão mais feliz assim?‖ A realidade é que felicidade de verdade tem mais a ver com suprir necessidades emocionais através de autoconhecimento e NÃO de evitar confrontá-las, jogando-as para algum ponto do fundo de seu inconsciente, como uma faxineira relapsa varrendo o lixo pra debaixo do tapete. Pouco importa! Podem acreditar no que quiserem sobre a vida pessoal da pessoa, mas as contradições estarão na Bíblia de qualquer forma. Queiram ou não.

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24ª Justificativa: SÓ A BÍBLIA INTEIRA É comum escutarmos essa asneira, ao criticarmos qualquer coisa na Bíblia. A resposta típica é: ―Por acaso você já leu a Bíblia inteira para saber do que se trata?‖ Essa desculpa furada é, no mínimo, irônica, já que a maioria das pessoas que a proferem jamais leram a Bíblia inteira. Ou seja, partem do pressuposto que para elogiar a Bíblia, basta ler um versículo só que seja, mas para criticá-la, tem que lê-la toda. Além do mais, qualquer um que realmente leu a Bíblia toda, nunca vai dizer tal coisa, pois sabe que não é necessário ler a Bíblia toda para comentar alguma passagem, basta usar uma simples Bíblia com referências e pronto. Em suma: Para não acreditar na Bíblia, basta lê-la inteirinha.

25ª Justificativa: PORQUE CRISTO TE INCOMODA? E lá vamos nós de novo. Mais uma justificativa que não se dirige às contradições apontadas buscando desviar para alguma pieguice emocional, essa ainda mais pobremente miserável: a ideia que a pessoa não está apresentando as falhas da Bíblia por elas simplesmente existirem mas por ―estar resistindo à presença de Cristo‖. Esse pseudoargumento (assim como a justificativa nº 23) tende a tirar proveito se a pessoa realmente possuir algum problema emocional que não consiga resolver por si própria. É baseado em ―nós sabemos que as contradições existem, mas vamos negar, você vai estar aí sozinho falando essa verdade mas você vai estar sozinho. Mas se você passar a mentir e negar como nós estamos fazendo você terá um grupo de suporte ao seu problema‖. Isso acaba gerando a famosa conversão de ―perdidos para fanáticos religiosos‖. Em linhas gerais é uma forma de comprar a colaboração da pessoa baseada em suas fragilidades emocionais, uma vez dentro e apegada à esse grupo de suporte a pessoa vai defender qualquer fanatismo possível relacionado. As igrejas se baseiam excessivamente em explorar esse tipo de fiel como ―exemplar‖. Contudo isso gera duas coisas: • Primeira que os erros e as contradições da Bíblia continuam lá, não mudou nada nesse sentido; • Segundo que os problemas emocionais com que a pessoa lidava também continuam lá. Ela apenas partiu para uma forma radical de fugir deles se escondendo no meio de um grupo de suporte e o mais que esses problemas o incomodarem o mais fanática a pessoa se torna. Nisso entra os religiosos com tendência gay que se tornam homofóbicos, temor da sexualidade feminina levando à buscar reduzir direitos da mulher, e qualquer busca por extensão de exercer o controle em outras pessoas para nunca precisar ver o que sente medo em si mesmo incluindo o fato de que algumas pessoas não apenas não se ―incomodam com Cristo‖ como não sentem necessidade nenhuma dele. Obviamente, com pessoas mentalmente equilibradas, este artifício não resulta em nada.

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26ª Justificativa: CREIO PELA FÉ Confusão amplamente espalhada e explorada entre comunidades religiosas. A idéia que se alguém aponta erros no texto da Bíblia, essa pessoa estará recusando a Deus. Diante desse conceito, pessoas que se tornem emocionalmente dependente do grupo religioso para convivência social, suporte ou família são supostas a não aceitarem/admitirem ou assumirem erros no texto da Bíblia não importa quão óbvio eles sejam. A linha normalmente utilizada nesse sentido é ―creio pela fé‖, a qual simplesmente tem qualidade nula como resposta a uma pergunta como ―como as plantas poderiam sobreviver se foram criadas antes do Sol, segundo Gênesis?‖ Isso em geral seria melhor descrito como ―se dizer que não creio, vou perder status―, porque na verdade a pergunta não tem relação qualquer com crença. É apenas uma pergunta pertinente ao tema. Uma crença aprofundada não negaria raciocínio e questionamentos mas os estimularia; mas, ao invés disso temos uma cultura da necessidade de negação onde qualquer pessoa que apontar uma opinião divergente, será ―alguém que não acredita‖ e estará fadada a ir pro Inferno. Em geral esse argumento tende ao religioso justificar sua fé através dos benefícios sociais que a comunidade religiosa lhe ofereceu, contudo não responde à questão apresentada. Afinal de contas :―Não me importa se antes você bebia sem parar, usava drogas, se prostituía em bar gay, teve pai com câncer ou o que seja. Apenas responda como plantas iam sobreviver se o Sol foi criado no dia seguinte!‖

27ª Justificativa: A BÍBLIA É POLÊMICA No caso de não haver como refutar argumentos contrários a tentativa de salvar a Bíblia de parecer meramente mal escrita está em dizer ―ela ser polêmica‖. Polêmica eles tentam alegar como ―provoca questões que nos fazem pensar‖, para evitar assumir ―só eu acho que ela diz algo relevante‖. Algo seria polêmico se causasse choque, a Bíblia não causa isso, causa apenas indignação e irritabilidade em ver pessoas negando de toda forma assumir erros evidentes e contradições ululantes.

28ª Justificativa: REFERÊNCIAS FURADAS Extremamente comum. Isso se configura quando durante tal discussão o religioso vai apresentar suas referências para embasar seus argumentos e demonstra fontes, para dizer o mínimo, questionáveis e amplamente tendenciosas. Normalmente isso acontece muito durante debates sobre a Arca de Noé e o dilúvio com fontes como ―cristoévida.com‖, ―livro a santíssima trindade de acordo com as irmãs carmelitas‖ ou alguma outra fonte risível do texto. Raramente alguém vai encontrar uma referência de uma fonte internacionalmente reconhecida e imparcial favorável a algum absurdo bíblico, pois atentaria contra a seriedade da própria

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instituição; ainda mais comum quando algum religioso encontra alguma referência de alguma instituição mais reconhecida, ele extrapola o que foi alegado em prol de seu argumento. Um exemplo típico está em discussões sobre a possibilidade do dilúvio mencionado na Bíblia, Gilgamesh e outras lendas locais fossem referentes a um possível Dilúvio que teria criado o mar negro. O religioso vai tentar descrever isso como ―prova que o dilúvio aconteceu como descrito na Bíblia e foi global‖ (dependendo do grau de sanidade do defensor), evitando tocar no assunto de que nada no texto alegaria ter sido causado por uma chuva de 40 dias ou ser mundial. Ou que as lendas sobre o dilúvio são gritantemente diferentes. Não raro são citados quaiquer livros de quaisquer autores que seja, conhecidos ou não, sério ou piada da comunidade científica, contanto que ele suporte o que a Bíblia diz e buscar reduzir a relevância de escritores muito mais sérios e proeminentes sobre o assunto, como Darwin ou Stephen Jay Gould, por exemplo. Inventar livros imaginários e autores que sequer existem, como o tal Russel Norman Champlin, de quem nem a editora dele no Brasil (Hagnos) conhece, é muito comum também. Vale tudo para impor uma opinião. Até mesmo o mau-caratismo intelectual. Mas, quando usamos a própria Bíblia deles para mostrar que alguns de seus próprios dogmas são insustentáveis pelo próprio livro que eles têm como ―sagrado‖ (ver Santíssima Trindade Desmascarada), os religiosos também não aceitam. Logo, não é questão de se usar uma fonte religiosa ou não. É questão da conveniência de usar o que sustenta as proposições deles, por mais absurdas que possam parecer.

29ª Justificativa: FALOU “MEU DEUS” NA HORA DE APURO O típico argumento tão obviamente falso quanto comum entre religiosos. Existe essa lenda entre religiosos que se uma pessoa utilizar a expressão ―meu deus‖ em alguma situação, essa pessoa necessariamente estaria admitindo alguma crença teísta, inclusive apesar do número quase infinito de crenças teístas pelo mundo afora, essa expressão estaria sendo utilizada exclusivamente em relação ao deus cristão. E se alguém falasse ―puta merda‖ ou ―fodeu‖ isso seria confissão de adorar um monte de esterco ou um ato sexual santificado? E se a pessoa dissesse ―diabo!‖ então ele seria satanista, embora houvesse praticado cristianismo sua vida inteira? Isso sem falar no uso das diversas expressões referentes aos órgãos sexuais. A questão é que essas são simplesmente expressões cotidianas utilizadas inconscientemente e, para tristeza dos religiosos que odeiam admitir isso, o que uma pessoa realmente acredita é demonstrado em seu comportamento cotidiano e na direção que dá à sua vida, e não a uma expressão genérica qualquer, utilizada em alguma situação extrema. Caso fosse essa expressão o que definisse a crença então as outras expressões estariam igualmente validadas como provas de crença teísta em esterco, atos sexuais, satanismo, parto de prostitutas, esfíncter, bastardos, virgindade, negação, etc.

30ª Justificativa: HISTORINHAS DA CAROCHINHA

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Vez por outra você vai ouvir isso de algum religioso. No meio de um debate ele vai interromper tudo para aparecer com uma história genérica do estilo: Um ateu estava numa palestra e um cara humilde comeu metade de uma laranja e perguntou para o ateu se ele sabia se a outra metade estava boa. O ateu respondeu ―não sei‖ e o religioso disse ―e como você vai saber sobre o que você não experimentou então?‖ No meio religioso esse tipo de coisa é inexplicavelmente visto como sabedoria ou profundidade; sabe-se lá porque. Deve-se por falta de algo inteligente a dizer. A verdade é que, em geral, todas essas historinhas são tão furadas que poderiam facilmente ser invertidas contra o próprio religioso. Usando a mesma história um ateu poderia alegar ―e você nunca experimentou não acreditar em deus‖. Dificilmente alguma dessas histórias não seria facilmente reversível para qualquer coisa que a pessoa que a utilizando escolhesse. Por isso que essas histórias são designadas genéricas e não servem como base real de argumento nenhum.

31ª Justificativa: TU ÉS ARROGANTE Fatalmente se o religioso ver que não vai conseguir te converter de forma alguma, ele vai partir a lhe imputar alguma forma caricata de defeito pessoal que te ―impede de ver a glória do senhor‖. O mais normal costuma ser qualificar a pessoa como arrogante e sem ―a qualidade cristã da humildade‖. Convém apontar que a qualidade cristã da humildade inclui tentar converter todo mundo à sua crença, como quem pensasse diferente estivesse errado ou perdido. A questão é que o fato de uma pessoa ter uma opinião diferente não a qualifica como arrogante; e se ela tiver um conhecimento mais embasado sobre o que acredita realmente, não vai existir motivo algum para ela mudar de opinião se não forem apresentados argumentos à mesma altura e com o mesmo nível de profundidade. Isso não é arrogância é apenas ser seguro de si, não implica a pessoa desrespeitar crenças diferentes ou ser incapaz de se importar com outros seres humanos. Qual sentido teria uma pessoa que estuda a vida toda mudar de idéia baseado em um argumento falho? Existe uma beleza e poesia na simplicidade, verdade, contudo essa simplicidade necessita ter profundidade não ser simples pelo mero fato de pobreza de idéias. Em geral isso acaba consolidando um conflito cultural entre pessoas cultas e pessoas desinformadas, e como cada um vai ter de definir um ao outro através de suas perspectivas pessoais para justificar a si próprios seus estilos de vida diferentes. Talvez ambos estivessem vivendo no mesmo ambiente cultural seriam bons amigos, mas nessa situação a comunicação mútua se torna completamente truncada e incompreendida.

32ª Justificativa: BLEFAR Esse se baseia quando religioso responde com termos vagos, tentando reduzir as alegações sem apresentar nenhum argumento efetivo. Normalmente envolve frases como ―não vou nem responder sobre isso‖, ―ah, você acredita em qualquer coisa que te dizem‖ (o fato deles acreditarem unicamente porque o pastor disse é esquecido nesse momento), ―existem provas

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irrefutáveis sobre o assunto‖ (sem apresentar as provas, como sempre), ―se você duvida, procure ver se minhas afirmações são corretas‖ (inversão do ônus da prova) e quaisquer outras linhas nesse estilo que buscam apenas reduzir a relevância do que foi apresentado sem apresentar nenhuma prova efetiva que o refute. A razão dessa tática é simples: ele não tem provas que refutem. Logo ele vai tentar fazer o que foi dito não ser tomado como sério o que qualifica tal tática como blefe e ―jogar sujo‖. A melhor forma de resposta à isso é pressionar para que o religioso apresente as provas relativas ao que alega, o mais que ele se mantiver nesse jogo buscando se esquivar o mais evidente se torna que ele não tem argumento contrário nenhum. Fatalmente o argumento apresentado vence o blefe do religioso por falta de ter sido realmente refutado com evidências. O único resultado disso é ver o religioso passar vergonha por ficar fugindo desabadamente; o que é deveras engraçado.

33ª Justificativa: TU ÉS DO MUNDO Semelhante às justificativas anteriores sobre ―necessita ser fiel para compreender a Bíblia‖, essa contudo parte de uma premissa mais separatista e radical. A de que assume religiosos e infiéis não fazem parte do mesmo grupo de forma alguma e deveriam ser mantidos separados. Talvez esse conceito funcionasse se eles todos se isolassem para viver numa ilha e não fôssemos obrigados a conviver uns com os outros, votar em políticos, decidir juntos quem vai ser o presidente do país, enfim não houvesse as questões comuns à sociedade que devem ser discutidas entre todas as pessoas em termos de igualdade e busca de interesses comuns. E dar dinheiro público para igreja não vai ser nenhum interesse comum. Tal conceito também seria ainda mais funcional se eles não seguissem uma cultura de ―vamos converter e espalhar a palavra de Cristo, mesmo contra a vontade‖, ainda que as outras pessoas não tenham interesse nenhum sobre o assunto. Então baseado no ―se você queimar minha casa eu queimo a sua‖ eles buscarem invadir fóruns de discussão e blogs para pregar, berrarem frases da Bíblia no meio das ruas, fazerem movimentos em prol da censura, moral e bons costumes ou qualquer outra tentativa de invadir e impor sua visão sobre a vida de pessoas de crenças diferentes. Eles não estão cumprindo sua proposta divisiva. Fatalmente o tanto que eles invadem para pregar a palavra abre margem para pessoas com interesses contrários fazerem o mesmo. Só que eles não aceitam. E acabam partindo para os xingamentos e ameaças logo de saída. Se religiosos querem acreditar que as pessoas fora de sua igreja são completamente diferentes e perdidos, porque então eles não os deixam em paz? Deveriam esquecer que existem e viver sua vida na igrejas sem incomodar ninguém. Afinal, a bem dizer essas ―pessoas do mundo‖ também acham que eles estão desperdiçando suas vidas com castidade excessiva, falta de experiência sexual, arrogância moralista, ignorância cavalar, preconceitos generalizados contra ―drogados e gays‖, homofobia e tantas outras coisas e não estão pagando para uma parada de gogo girls invada sua igreja dançando seminuas enquanto bandas tocam trash metal.

34ª Justificativa: METÁFORA

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Uma desculpa clássica e extremamente utilizada. Para uma definição de verdade sobre o que é metáfora, podemos encontrar AQUI A justificativa preferida dos religiosos, a que pode solucionar todas as perguntas e resolver todos os problemas sem responder absolutamente nada. • • • • • Se algo for literalmente ridículo a resposta seria: metáfora; Se for absurdo: metáfora; Sem sentido: metáfora; Idiota, tolo e esquisito: metáfora; Se for literal: metáfora também, só por via das dúvidas.

O termo é utilizado de forma tão amplamente abusiva e mecânica como estivessem apenas apertando o botão ―resposta para que eu não precise pensar sobre o assunto‖. A primeira coisa a ser notada: Alegar algo como sendo ―metáfora‖ per se não é uma resposta. Se alguém alega tal pseudoresposta se coloca na posição de ter de esclarecer em que sentido isso seria uma metáfora e seu significado invés de literal, ainda mais se o texto não indicar isso de forma alguma. Ironicamente a maioria das pessoas que usam esse termo mal tem noção do que ele realmente se trata e não seriam capaz de fornecer tal especificação; O principal ponto nesse tipo de argumento é nunca estabelecer de forma clara e objetiva o que e porque seria metáfora ou literal para o religioso poder sempre caminhar por uma linha turva de argumentos que nunca se definem concretamente, assim ele pode alegar algo ser metafórico ou literal de acordo com sua conveniência. Dificilmente se conseguirá que o religioso que usa essa muleta de argumento defina como se reconhece algo ser metafórico ou literal; Se alegar algo ser metafórico, nunca define o que a metáfora significa e parta para termos ainda mais vagos como ―não se compreende a sabedoria divina‖, ―isso é muito profundo‖, ―os desígnios de Deus são misteriosos‖; mas nunca esclareça. Normalmente, quando indagados, o ―manual religioso de fugas‖ ensina o seguinte: ―Se alguém lhe apontar a definição de metáfora alegue que você OBVIAMENTE sabe o que é metáfora e nunca utilizaria o termo sem conhecê-lo. Se pedirem que dê exemplos literários de metáforas para compreender sua definição fuja do assunto.‖ Bom, se um religioso alega algo ser puramente metafórico, ao mesmo tempo ele está definindo sua interpretação literal como errônea, algo muito esquecido. Por isso, uma frase como ―a criação do mundo em Gênesis é metafórica‖ nunca fará sentido nenhum quando dita por um criacionista. A principal forma de derrubar esse argumento é apontar isso, pois força o religioso a definir sua posição sobre o texto, não poucas vezes, como no exemplo de criacionistas, ele vai ter de encarar entre escolher uma coisa e negar outra em prol do argumento. E escolher uma definição é o que ele evitou desde o começo e o motivo de ter usado essa desculpa furada.

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Os religiosos se esquecem de que, a partir do momento em que você abandona aquilo que está escrito, preto no branco, e partem para outras explicações, eles próprios acabam se tornando parte da ―inspiração divina‖. Isso lhes dá o direito de adivinhar o que Deus pensa, o que Deus quis dizer, e o que Deus quer. Logo, surgem inúmeras interpretações diferentes para um mesmo texto. E qualquer justificativa é válida, desde que não seja a mais simples, aquilo que está escrito ali, no papel. Por quê? Simplesmente porque se for aceitar aquilo como está escrito, literalmente, a crença irá por água abaixo.

35ª Justificativa: EU ERA COMO VOCÊ Vez por outra nós vamos acabar nos deparando com as vítimas de casos como os descritos na justificativa nº 25 (perdidos que se salvaram) que partirão de frases como essa. Isso é uma completa presunção, pois enquanto crenças institucionalizadas como as cristãs pregam uma forma de cultura e pensamento comum (contra camisinha, contra sexo antes do casamento, contra gays, etc), ateus e agnósticos não possuem uma instituição-núcleo que direcione seus modos de pensar. Ateus e agnósticos são em grande maioria movidos por pensamento independente. Não têm largas reuniões toda semana discutindo a inexistência desse ou daquele deus. Em boa parte que eu me lembre os agnósticos e ateus estão mais preocupados em cuidar de suas próprias vidas que se preocupar com o que um deus que poderia existir ou não pensaria sobre o assunto. E ainda assim isso não é algo que poderia ser aplicado a todos, porque a diversidade de ideias se torna muito maior quando as pessoas acreditam em algo baseados em suas experiências pessoais, ao contrário de igrejas que apelam ao apego emocional generalizado. Enfim, não se sabe porque tal religioso era ateu e deixou de ser, só se sabe que ateus e agnósticos não têm nada a ver com isso. Se alguém era ateu apenas porque teve problema de mulher que o deixou e ficou com ―raivinha de deus‖ até que a raiva passou (típico ―ateu de fim-de-semana‖), isso seria completamente diferente da perspectiva de um ateu convicto, além de ser arrogante e presunçoso esperar que alguém que você nunca viu na vida, e nem sabe nada sobre, seria ateu ou agnóstico pelos mesmo motivos que você foi um dia. E, pelo argumento inverso, que religiosos adoram esquecer, um ateu poderia igualmente dizer ―eu já fui religioso um dia como você‖. E daí? Ele deveria assumir que o religioso um dia vai ver a sabedoria e voltar à luz da razão do ateísmo?

36ª Justificativa: NA DÚVIDA, VALEM OS DOIS Muito usada em conjunto com a justificativa nº 34 (metáfora), essa desculpa é mais usada em contradições, de forma a se acreditar que ambas as passagens são verdade. Por exemplo, Judas se enforcou ou se atirou de um precipício? Resposta: Os dois. Ele se enforcou em uma árvore na beira de um precipício galho quebrou e ele caiu. Foi Judas ou os sacerdotes que compraram o campo do oleiro? Os dois. O dinheiro era de Judas, mas os sacerdotes compraram.

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Essa justificativa pode chegar a absurdos imensos, a ponto de requerer um grande esforço mental para compreender como passagens diferentes podem significar a mesma coisa. Foi Deus ou Satanás quem tentou Davi a numerar o povo? Os dois. Satanás o tentou, e Deus o permitiu. Ou seja, usa a tática da negação para ―justificar‖ (apenas na mente do religioso, é claro) qualquer contradição. Admitem na cabeça deles que não há contradição nenhuma, apenas uma história mal contada. Só que não explicam por que a palavra de Deus tem tantas histórias mal contadas. Não explicam como é possível tantas pessoas divergirem tanto sobre assuntos tão simples. Pois se ambas as hipóteses ocorreram, o que impediria de ambos os autores contarem a mesma coisa? Ainda mais com ―inspiração divina‖? Isso mais parece uma daquelas mentiras mal contadas, e quando a pessoa é pega em um deslize, contradizendo-se, nega a todo custo que tudo era mentira, e tenta ―remendar‖ a história para parecer verídica. É exatamente esse o caso com a Bíblia.

37ª Justificativa: FOI ESCRITA POR VÁRIAS PESSOAS Semelhante à justificativa nº 15 (questão de época), porém invés de embasada na desculpa de costumes está baseada em pessoas diferentes. Esse argumento poderia justificar algo se não alegassem a Bíblia ser um livro perfeito inspirado por Deus. Para justificar essa afirmação então não pode ter desculpas como essa: o livro TEM que ser perfeito ou a afirmação está invalidada. O principal problema desse argumento é que admite a contradição mas não a Bíblia ser inerrante, também assume um ponto secundário: A Bíblia não ser coerente em si por ter sido escrita por pessoas sem relação alguma de cultura, época, costumes e compreensão. Esse argumento inconscientemente admite a Bíblia como uma colcha de retalhos de várias histórias colocadas juntas sem muita relação além de uma frase geral sobre um único deus. Então teremos os trechos sobre esse deus ser bondoso, ou ele exigir sacrifícios, ou destruir a terra porque de repente se decepcionou, pregar leis e mandar desobedecê-las em seguida e por aí vai. Inevitavelmente, sob um ponto de vista coerente, esse argumento funciona mais contra a Bíblia ser um livro perfeito que a favor.

38ª Justificativa: FOCO NO MENOS RELEVANTE Isso é comum, não apenas em discussões com religiosos, mas em discussões com qualquer pessoa que não consegue compreender o tema geral que está sendo discutido (resumindo: idiotas), e busca se apegar aos detalhes que apreende dentro de seu campo de compreensão. Em geral os menos relevantes; é o paralelo a uma pessoa que não compreende nada de ciência ouvindo alguém explicar sobre física quântica e se o cientista citar a palavra ―galinha‖ no meio do debate a pessoa começa a tentar falar sobre a granja que visitou.

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Com religiosos funciona da seguinte forma: Você apresenta um monte de argumentos que apontam para fatos inquestionáveis de erros da Bíblia, de repente eles vão focar em algum exemplo mínimo que você disse, sem refutar o argumento principal. Por exemplo ―como você pode falar tal coisa se você foi numa festa de natal?‖ Normalmente costuma ser um argumento facilmente rebatido pois já é baseado no religioso não ter compreendido completamente o que foi dito, mas se eles tiverem a oportunidade, eles estenderiam toda a discussão a um tema paralelo completamente irrelevante e fugiria da contradição apontada.

39ª Justificativa: SÓ DEUS SABE Essa desculpa é usada quando eles não fazem a mínima ideia do porque Deus tomou certas atitudes. Só que ao invés de admitir isso, eles respondem que só Deus sabe, e que Deus é faz o que é melhor para todos, e que seus caminhos são misteriosos. E por mais ridícula, ou cruel, ou injusta seja a atitude de Deus, ele continua sábio e bom, porque ―ele sabe tudo‖. Curiosamente, os religiosos ―esquecem‖ as passagens em que Deus pergunta onde Adão estava, da surpresa de Deus por ver que o Homem se tornara mau, tendo que mandar o dilúvio e sequer imaginava que era o Capetão que o fora visitar na estorinha de Jô. Também é negação, porque eles se negam a aceitar a realidade, porém é aliada a uma grande quantidade de cegueira, que os impossibilitam de ver o quão antagônicas são as atitudes desse suposto Deus.

40ª Justificativa: NÃO É UM LIVRO CIENTÍFICO Extremamente comum sempre que se apontam falhas grotescas e absurdos científicos no texto. Muito difícil qualificar isso como um argumento sério quando essa frase é utilizada de forma tão contraditória. A Bíblia não é um livro para ser interpretado de forma literal, direta e científica quando, alega que insetos têm 4 patas. CONTUDO, ela pode ser literal quando (por mero acaso) alegar algo vago e ambíguo, que anos mais tarde seria comprovado cientificamente; então ela pode ser vista de forma científica. Cai na constante ideia de ―se fala algo a favor é válido, não importa quão confiável seja a fonte, se falar contra ainda que seja definitivamente comprovado não deveria ser válido‖. De forma geral esse argumento sempre aparece quando o absurdo alegado é inquestionavelmente estúpido como por exemplo: serpentes comem pó (Gênesis 3:14), ouro enferruja (Tiago 5:2) ou a Terra é sustentada por colunas ( I Samuel 2:8). Ao ouvir essas provas, o religioso vai apresentar seu sorriso de canto de lábio como ―já sei a resposta para isso: a Bíblia não é um livro científico‖. Cai em parte na crença de ―para o Senhor tudo é possível, não importa quão sem sentido ou sem provas seja‖. Também no fato de uma interpretação errônea sobre o estudo científico, o qual não se esforça em provar que a

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Bíblia está certa ou errada, mas em meramente raciocinar sobre o conhecimento apreendido por observação através de pesquisa e estudos. Como alguém poderia compreender gravidade se evitasse raciocinar de forma racional sobre o assunto ou ver que ―as coisas costumam cair para baixo e não para cima‖. Esses estudos nunca visaram denegrir a Bíblia mas a observação da natureza apenas demonstrou que muitas coisas ditas nela estavam erradas o que não deveria ser surpresa para ninguém, pois boa parte dos princípios conhecidos hoje provieram de mais de mil anos após o texto da Bíblia ter sido escrito. Afinal de contas temos de convir que – ―ainda que para Deus tudo fosse possível‖ – se fôssemos seguir as sábias palavras do texto bíblico sobre o assunto, quando enviamos astronautas para a Lua teríamos de ter tido cuidado com o céu, já que ele é como um espelho fundido (Jó 37:18), sinal que a nave poderia bater nele; nos preocupar-nos com estrelas, não cometas ou meteoritos, que pudessem de repente cair na Terra (Mateus 24:29, Marcos 13:25, Apocalipse 06:13 e Apocalipse 12:04); estar seguro que a Terra não se move (Crônicas 16:30, Salmos 93:01, 96:10 e 104:05), logo a nave poderia fazer o retorno em linha reta sem se preocupar em sair do Texas e cair no Moçambique e tomar cuidado no caminho de volta para não bater por acidente em alguma das colunas que sustentam a Terra e derrubar o planeta inteiro (I Samuel 02:08). Ainda que para Deus tudo fosse possível, acho que seria mais fácil para ele se simplesmente mantivesse as coisas como são do que alterar tudo que existe, apenas para bater com algo que foi escrito errado na Bíblia.

41ª Justificativa: VOCÊ TEM CURIOSIDADE DE DEUS Mais um no nível do nonsense irritante! Após ter esclarecido erros e bobagens diversas da Bíblia na forma mais clara, objetiva e sucinta o religioso, ao invés de admiti-los, alega ―você questiona por ter curiosidade de Deus‖. Isso parte no fato que o religioso provavelmente não entendeu (ou sequer ouviu) uma linha do que você disse e apenas se manteve na posição defensiva, alegando para si mesmo ―ele fala tudo isso por estar resistindo e ter curiosidade ao senhor‖, o que já parte de buscar encontrar interpretações que não existem no que você está dizendo, sem prestar atenção nas palavras que estão saindo da sua boca. Mas, se fossem prestar atenção no que você diz, eles acabariam tendo de admitir ao menos uma parte como verdade. Para fugir disso, criam-se essas explicações decoradas e sem embasamento nenhum (e que não explicam nada), pois afinal: nem sempre quem desdenha quer comprar.

42ª Justificativa: ALUCINAÇÕES Semelhante à justificativa nº 22 (o fim está próximo), essa configura quando o religioso busca criar associações fictícias de fatos do mundo real com provas definitivas da existência de Deus.

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Eis os casos mais notórios: • Alegar que o final dos Beatles e John Lennon ter recebido 5 tiros de Mark Chapman foi devido à sua alegação que ―os Beatles eram mais populares que Cristo‖ (e pior que eram mesmo). Talvez alguns fãs religiosos não gostassem de ouvir tal comentário e parassem de seguir os Beatles. Contudo, seria melhor acreditar que se John Lennon sofreu alguma punição divina, seu nome seria Yoko Ono, a qual esteve muito mais relacionada aos motivos reais do fim da banda. Sobre Mark Chapman… Porque ninguém alega que quando João Paulo II levou um tiro também seria punição divina? Curioso, não é mesmo? • Outra interessante é aquela em que o finado Cazuza teria (supostamente) puxado um baseadão num show, soltado a fumaça e ter dito: ―Aí, Jesus! Essa é pra você‖. E, por causa disso, contraiu AIDS e… bem, o resto é história. Totalmente ficcional. Nunca se apresentou ninguém que estava lá, mas tem muita gente que conhece ―alguém‖ que esteve lá e presenciou. De qualquer forma, tem um bocado de gente que acredita em Deus que contraiu doenças graves. Serão todos eles maconheiros e ateus? Em geral, isso se configura no religioso buscar associar qualquer tragédia relacionada à uma personalidade popular às suas crenças ateístas ou agnósticas. Ao mesmo tempo, se a celebridade em questão for à missa todo domingo e algo horrível acontecer será descrito como tragédia horrível, e que todos orem por seu bem estar e houver um culpado para isso ele deveria estar aliado ao diabo ou prestes a pagar um preço terrível da ira divina. Não passam de alucinações; tentativas desesperadas de encontrar ―pelo em ovo‖ e assustar as pessoas sobre a censura divina e sua punição quando desobedecida. E como em todos os outros casos de lendas urbanas como essas cada pessoa vai descrever a história de formas completamente diferentes, sem nunca atingir um consenso sobre a versão definitiva do assunto. Logo, o final dos Beatles seria por que John Lennon disse isso, talvez o tiro de Mark Chapman ou ele parecer tão ridículo naquelas fotos pelado com Yoko Ono… tudo, nesse tipo de delírio, consequência dele ter expressado livremente sua opinião sincera sobre o assunto.

43ª Justificativa: AGE COMO EU, MAS DIFERENTE Isso vem quando o religioso assume que ateísmo seria alguma forma de religião ou culto e que os ateus estariam seguindo alguma forma de pastor. Na verdade isso configura uma forma do religioso descrever a situação na única forma que ele compreende: sem que as pessoas desenvolvam ideias próprias. Aparentemente a idéia de uma pessoa chegar a conclusões por si própria, sem estar seguindo algum pastor ou líder, aparenta ser alienígena à sua noção de mundo e, consequentemente, o religioso vai tentar associar a perspectiva agnóstica/ateia num paralelo à sua própria: ―Se eles acreditam em ateísmo, eles devem ter um pregador e devem todos pensar semelhante‖. O principal erro disso está em: • Ateísmo e agnosticismo não possuem uma ordem institucionalizada. O que cria a uniformidade de pensamento está em quando um número muito grande de pessoas está seguindo uma única pessoa como ―guia espiritual‖ ou relativo do gênero. Isso gera um

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pensamento institucionalizado que busca reduzir as diferenças de ideias entre as pessoas em prol de controle. Não muito diferente de qualquer outra instituição movida por dinheiro e interesses como corporações, as religiões institucionalizadas contam na ausência de discórdia dentro de seu grupo representativo e na difamação do grupo concorrente. Isso não se aplica ao ateísmo, por não apresentar uma forma de ―Vaticano‖, um grande líder ateu que fala pelas massas ou equivalente. • O pensamento (tanto do ateu quanto do agnóstico) é anarquista e descentralizado, o que o torna mais rico em diversidade de ideias. E, enfim, porque alguém deveria ter alguma forma de líder falando como as pessoas deveriam pensar sobre esse ou aquele assunto? Principalmente sobre conceitos espirituais tão abstratos, subjetivos e pessoais? Conceitos que os ateus e agnósticos repudiam. Houve algum caso na história da humanidade em que isso não terminou representando uma pessoa manipulando a ingenuidade de um grande grupo de pessoas que tinham preguiça de formar ideias por si próprias?

44ª Justificativa: SEM PALAVRA FEIA E DEUS JUNTOS Isso vem de quando o religioso não pode admitir uma palavra feia e o deus dele na mesma frase. Em geral, chegando a contrariar o que ele próprio acabou de alegar. Por exemplo: – Deus envia ao inferno quem não segue as leis divinas!! – Se ele pune com tormento eterno então ele é cruel e ditador. – NÃO, ELE NÃO É!!! A questão é que esse tipo de comportamento não tem nenhuma motivação e/ou argumentos, além de pura teimosia infantil e tentativa de dar voltas de retórica. Honestamente, no exemplo seria o lógico alegar que por quaisquer fossem os motivos, o tormento eterno seria uma punição no mínimo cruel para pecados que poderiam ser tão irrelevantes como ―não fez jejum‖. Contudo assumir a ideia de deus e uma palavra de conotação negativa juntos deve ser eliminada não importa quão impossível seja logicamente. Qualquer afirmação que se faz sobre qualquer coisa sempre vai possuir alguma conotação negativa sobre algum aspecto. ―O dia está lindo‖ também traria consigo ―para saber que o dia está lindo você precisa ter conhecido dias horríveis‖. Se Deus é bom, você precisa saber quando Deus é cruel igualmente para ter como avaliar suas ações e dar sentido ao que você alega.

45ª Justificativa: COM DEUS VALE SEM ELE NÃO Esse tipo de argumento tendencioso sempre se baseia em ―aceito se é a meu favor mas se for contra mim não aceito‖. Basicamente está em aceitar alguma técnica absurda em prol do cristianismo como ―doutrinar desde a infância para seguir o que acredito‖, mas alegar que o mesmo seria errado se fosse ―doutrinar desde a infância para seguir algo que não acredito‖.

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• Seria correto educar crianças ao cristianismo, mas errado educá-las ao ateísmo ou agnosticismo; • Correto tentar converter homossexuais ao heterossexualismo, mas errado homossexuais fazerem o inverso; O princípio básico desse pensamento tendencioso é que por mais absurdo e insensível seja o que defendem sempre será alegado ―superior‖ sobre algo, que poderia inclusive utilizar técnicas mais razoáveis, caso dirigisse à outra direção. Enquanto argumento racional é igualmente duvidoso e injusto, pois parte de um princípio unilateral do ―eu posso e você não‖, o que exclui a igualdade de credo. Enfim, esse argumento exclui a qualidade dos meios utilizados defendendo os fins se favoráveis ao cristianismo.

46ª Justificativa: LIVRE ARBÍTRIO Extremamente usado. Essa sempre é usada para responder à pergunta ―mas como deus deixou acontecer algo tão horrível e não fez nada?‖ • Inclui alegar que ―tal pessoa escolheu tal caminho para o mal‖. Ou seja, infere a culpa na própria pessoa/vítima, isentando o deus bonzinho de qualquer culpa por inação ou consciência premeditada (a qual ele teria, devido à sua onisciência). A principal falha desse argumento (óbvia para qualquer outra pessoa, exceto o fiel que a defende) é que respeitar livre arbítrio impõe que se aceite receber um ―não‖, sem punir a pessoa por isso (afinal, devido à onisciência, Deus já sabia qual seria a resposta). E então, esse deus diz que se você não seguir o que ele diz, recebe punição e tortura eternas. Tão medieval e atrasado é esse comportamento, que se tornou característico de ditaduras, seja obviamente fascistas cristãos tentando dizer que ―não, isso é demonstrar amor divino‖. Em geral me lembra como o finado Saddam Hussein ameaçava com uma arma quem dissesse que ele não era um grande presidente. • Outra falha desse argumento são passagens da Bíblia em que é claramente alegado que Deus teria predestinado os escolhidos ao Céus. Logo, ―predestinado significa as pessoas não teriam escolha de qualquer forma‖. Algumas das passagens notórias nesse sentido: Efésios 01:05 – E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade. II Tessalonicenses 02:13 – Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do SENHOR, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade. Marcos 13:20 – E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias. Onde a primeira desculpa tenta defender através da ―culpa da vítima‖, nessa segunda a culpa nem seria dela, mas do deus que a predestinou a tomar tais atitudes. Experimentem jogar

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essas referências para um religioso e veja alguém ter uma ataque de histeria e argumentos furados. O que não deixa de ser engraçado. Acontece principalmente quando percebem que o argumento que acreditavam inquestionável não funcionou, mas tentam tenazmente sustentá-lo até o fim dos tempos. Mesmo sendo insustentável.

47ª Justificativa: ERROS DE TRADUÇÃO Essa conta com achar alguma versão da Bíblia (dessas revisadas e atualizadas) que busca esconder a contradição da versão anterior omitindo e alterando o texto para algo mais conveniente. Um exemplo típico: Efésios 01:05 – Nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade. (versão João Ferreira de Almeida Atualizada) Mas devido à óbvia contradição com trechos que defendem o livre arbítrio e os homens escolherem seguir a deus invés de descerem ao inferno uma dessas versões ‗atualizadas‘ alterou para: Efésios 01:05 – Deus já havia resolvido que nos tornaria seus filhos, por meio de Jesus Cristo, pois este era seu prazer e vontade. (versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje – NTLH) O que é apenas uma enrolação, porque o significado continua o mesmo. Afinal, o tradutor não pode alterar o sentido do texto. A principal falha desse tipo de argumento e contar especificamente com uma versão traduzida para o português de acordo com a audiência brasileira mas se você checar um site como Bible Gateway, onde você encontra 50 versões da Bíblia em 35 línguas diferentes você encontra: King James (inglês) Ephesians 1 5 Having predestinated us Louis Segond (francês) Éphésiens 1 5 nous ayant prédestinés Reina Valeria - 1995 (espanhol) Efesios 1 5 Por su amor, nos predestinó La Nuova Diodatti (italiano) Efesini 1 5 avendoci predestinati

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Vulgata latina 1:5 qui praedestinavit Grego original 1:5 ????????? ???? ??? ????????? ??? ????? ??????? ??? ????? ???? ??? ???????? ??? ????????? ????? 1:5 proorisas hmas eis uioqesian dia ihsou cristou eis auton kata thn eudokian tou qelhmatos autou ????????? = proorizo = Having predestinated = tendo predestinado Traduções convenientes são apenas mentirosas e muito mais comuns entre traduções brasileiras pelo visto.

48ª Justificativa: VOCÊ VAI PARA O INFERNO A utilização desse argumento é proporcional à falta de cultura do religioso e é uma extensão da justificativa nº 4 (desespero). Inquestionavelmente, um argumento utilizado por uma pessoa sem argumentos favoráveis à Bíblia na discussão. Em primeiro lugar, porque isso não responde nada quando você aponta alguma das várias contradições e erros óbvios da Bíblia (se Noé era santo como ele encheu a cara e sai andando pelado? Gênesis 9:21), e apenas busca assustar quem fez a pergunta e distrair. Mas de uma forma tola e ingênua, porque uma pessoa cética que não acredita em céu e muito menos em inferno. Como, então, isso poderia funcionar? A segunda contradição é ser um argumento de vingança. Algo no estilo: ―você vai ver, Deus te pega lá fora‖. Atenta contra a (suposta) ―compaixão cristã e amor ao inimigo‖, quando eles querem mais é ver o inimigo se ferrando no inferno (embora neguem). Enfim de todos, é o argumento mais bobo, risível e difícil de levar a sério. E se um religioso ler isso vai apenas repetir que iremos para o inferno mesmo…

49ª Justificativa: AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIA NÃO É EVIDÊNCIA DE AUSÊNCIA Quem nunca escutou essa? Geralmente usada quando a existência de Cristo é contestada. É um caso particular da justificativa nº 10 (frases prontas). Ou seja, a pessoa fala essa frase, e acha que a discussão acaba aí. Não passa de uma forma de convencer mais a si mesmo do que ao cético à sua frente. Significa basicamente que, só porque não existem evidências que tal fato ocorreu, não quer dizer que não ocorreu. Essa falácia camuflada de lógica pode até enganar os mais incautos, pois à primeira vista ela até faz um certo sentido. Porém, apenas no mundo da religião as coisas funcionam nessa maneira. Na Ciência, a ausência de evidência não significa nada, logo, tal fenômeno não existe. Na paleontologia, química, física, biologia, botânica etc., a ausência de evidência não leva à

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conclusão de que tal espécie existe. Na criminologia, a ausência de evidência não leva ninguém à cadeia. É por isso que existem as paródias religiosas do Monstro Espaguete Voador, Unicórnio Rosa Invisível, o Grande Coelho Atrasado entre muitas outras. Porque não existem evidências de que elas não existem. Logo, pode-se inventar qualquer coisa. Como elas usam o mesmo argumento falacioso da ausência de evidência, elas são tão válidas quanto Jesus Cristo. Talvez até mais verossímeis.

50ª Justificativa: NA DÚVIDA, PREFIRO A LENDA Muitas vezes o religioso diz: ―Se você está certo, então morremos e não perdemos nada. Mas, se eu estou certo, então eu ganho uma recompensa no céu, e você não. Logo, prefiro arriscar na segunda possibilidade‖ (ver A Aposta de Pascal). Os anais da psicologia explicam isso. Nesse caso, os religiosos admitem que acreditam em algo mais por medo, do que por qualquer outra coisa. Medo da morte, do inferno, ou de perder a recompensa divina. Albert Einstein já dizia: ―Se somos bons apenas por medo de uma punição ou por uma recompensa, então de fato somos mesmo um grupo bem desprezível‖. E ele era teísta. Os religiosos apenas esquecem dos critérios para escolher em que acreditar. Pois vai que judaísmo é o correto. Ou então o islamismo. Ou o hinduísmo. Eles escolheram o cristianismo apenas por ser mais popular ou imposição da família ou ainda qualquer outro motivo inócuo, mas nada garante que ele seja mesmo a verdade que tanto procuram. Então, eles preferem viver na ilusão, na fantasia, na sua zona de conforto. Uma vez na zona de conforto, é muito difícil tirá-los de lá, porque é algo doloroso para eles. Ironicamente, nesses momentos em que admitem ter medo, é quando há as maiores chances de atingirem a razão, e se libertarem da fantasia. Como os terapeutas dizem, admitir o problema é o primeiro passo a cura. O medo faz coisas incríveis com o ser humano. Infelizmente, a maioria das pessoas preferem evitar a dor, do que buscar o prazer. Se apenas não deixassem o medo dominá-los, seria o primeiro passo para a razão.

51ª Justificativa: PARA DEUS TUDO É POSSÍVEL Essa é usada quando o religioso realmente não quer pensar sobre o assunto e apela para a resposta mais intelectualmente preguiçosa: ―Não vou considerar os dados contrários ao que estou defendendo vou apenas assumir que Deus pode fazer qualquer coisa porque tenho fé e fé exige aceitar o poder infinito de Deus‖. Isso é bem preguiçoso, não é mesmo? Ao invés de considerar os argumentos contrários e pesar o quanto de embasamento eles trazem apenas os ignora. É no estilo ―papai sabe tudo‖,

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não existe limites para o que ele pode fazer ainda que tudo mais indique que existem. Numa discussão sobre outro assunto esse argumento funcionaria da seguinte forma: – Seu pai tem uma renda de um salário mínimo e está empilhado de contas para pagar, ele não pode te comprar e criar um pônei só porque você quer ou ele vai falir. – Sim, ele pode tudo, nada é impossível para ele. Você que não acredita. Digamos que tal pai acaba-se comprando um pônei, apenas para satisfazer tal peste e falisse como a primeira pessoa alegou. Bom, esse tipo de argumento funciona da mesma forma. Muito usado em discussões sempre que algo completamente absurdo é alegado na Bíblia, como Deus parar o Sol no meio do céu (apesar de ser a Terra quem se move), inundar o mundo inteiro por motivos pífios e tantos outros atos entre o nonsense, o ridículo e o infame. A pessoa vai defender que Deus alteraria TODAS as leis da física (que supostamente ele teria criado), todos os dados históricos sobre o assunto, tudo que poderia comprovar que aquilo nunca aconteceu ou seria possível, pelo mero motivo de mostrar que pode – por mais inconveniente e desnecessário que tal coisa fosse. Por esse argumento, Deus seria um mero exibicionista para os profetas, ele iria parar o Sol no meio do céu indiferente a todas as consequências para o resto da Via Láctea e catástrofes naturais que pudesse causar, apenas para fazer o profeta ver uma sombrinha parada. Não seria muito mais fácil ele ter mandado uma carta? Não parece que um ser onisciente e superpoderoso teria coisas mais importantes com que se preocupar, além de se exibir para profetas de meia tigela?

52ª Justificativa: O TESTEMUNHO DRAMALHÃO Em geral, algo aparentado ter saído de uma novela mexicana, que deveria ser acompanhado com alguma trilha sonora brega ao fundo, o testemunho dramalhão compõe-se pelo religioso simplesmente do nada, sem ter nenhuma relação com o que foi dito ou está sendo discutido, começa a contar alguma experiência pessoal a qual ele acredita ser uma prova definitiva para ele que Deus existe. Em princípio apontar algumas da inúmeras falhas da Bíblia não significa que a pessoa necessariamente não acredita que deus existe (há muitas religiões que não crêem na Bíblia, mas nem por isso deixam de acreditar no deus delas), apenas que não concorda com a visão cristã sobre ou está simplesmente admitindo erros óbvios, contudo nem todos conseguem ter o refinamento de perceber esse nuance. Acreditam que se convencer que Deus existe, a contradição vai deixar de existir e apelam para o que acreditam ser ―a prova definitiva‖. Algumas pessoas normais poderiam contar isso de forma natural, mas não esse estilo de religioso. Nesse estilo a atuação dramática, o exagero aos detalhes ridículos e a ênfase orgástica do momento em que se convencem é essencial. A intensidade emocional denuncia perturbadoramente um caráter sexual mal resolvido nessa ―relação com Deus‖, que não aparenta de forma alguma com um revelação espiritual ou insight; na verdade, o comportamento desvairado mais denuncia a pessoa ter se tornado perturbada pela experiência que mais resolvida e iluminada.

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Enfim, em geral a historinha começa com um descrição da ―época em que eu não tinha fé‖, normalmente relacionada com uma época em que a pessoa possuía alguma forma de problema afetivo/financeiro/tragédia ou desgraça do gênero (e para completar o quadro, andava com a cabeça cheia de laquê e com 300kg de maquiagem, como as vilãs mexicanas). Segue para o momento da ―prova‖ e finalmente (trilha sonora do Superman) o momento da ênfase orgástica (na internet normalmente esse momento sempre é descrito com letras maiúsculas como berreiro de gata no cio). Essas histórias em geral são loooooooongas, praticamente intermináveis e totalmente inócuas. No final dessa novela repleta de baboseiras, o tal ―depoente‖ espera ter convencido alguém de alguma coisa. Mas, em geral, ele convenceu de: ―Este religioso tem problemas emocionais mal resolvidos e decidiu fugir deles usando a religião‖. Essa história, de um ponto de vista mais lúcido, poderia ser visto de forma um pouco menos exagerada e desesperada como: ―Essa pessoa estava desesperada por alguma forma de suporte emocional e se apegou a alguma história da própria cabeça, interpretou algum fato que aconteceu como queria (ou fora induzida a isso) e agora sente a necessidade de repetir constantemente, não para convencer os outros da existência de Deus, como ela alega, mas para convencer a si própria‖. Uma pessoa segura do que acredita não precisa convencer os outros ou se sentir ameaçada por crenças diferentes. Ela pouco se importa com isso. Muito menos necessita se apegar tanto a uma história que poderia ser facilmente discutida como ―mas e se você interpretou errado o que aconteceu ou apenas viu o que você quis ver, não necessariamente o que aconteceu?‖ No meio religioso tais histórias são vistas como ―exemplos de fé‖ por suas características novelísticas que alimentam as necessidades sexuais/emocionais que conduzem alguns a irem a igreja. Assim como alguns assistem novela das oito, religiosos trocam esses testemunhos entre si, e tanto novelas quanto esses testemunhos furados, não trazem crescimento espiritual ou intelectual pra ninguém, só espetáculos de entretenimento mesmo. Tanto uma coisa quanto outra (novelas e testemunhos-dramalhões) são vistos por pessoas sensatas com um risinho no canto da boca e um sentimento de pena.

53ª Justificativa: NÃO ELABORAR O QUE DISSE Isso caracteriza um comportamento geral do religioso médio. Após alegar alguma dessas justificativas expostas aqui, ele não elabora o que quis dizer. Acredita que apenas por falar tal coisa a discussão sobre o assunto acabou. Geralmente após algumas das frases típicas, como por exemplo: – Tal frase é metáfora (estranhamente, nunca diz metáfora do que ou o que significa); – Texto sem contexto é pretexto (não explica qual acreditaria ser o contexto correto, se é que efetivamente o sabe); – Livre arbítrio (não explica porque Deus permitiu que tal coisa acontecesse, mas puniu Sodoma e Gomorra, inundou o mundo e tantas outras partes da Bíblia que alega Deus ter agido diretamente);

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– A Bíblia não é livro científico (mas não explica então que forma de lógica a Bíblia segue ou porque a ciência não deveria ser aplicada ao trecho em discussão). De uma forma geral, isso apenas denuncia seriamente que o religioso não tem profundidade real ou argumento mais elaborado sobre o que acredita. Ele apenas acredita que dizendo tais frases a discussão termina e demonstra, na verdade, não saber mais nada sobre o assunto além das frases decoradas que não envolveram nenhum raciocínio pessoal sobre o assunto. O denuncia como uma pessoa que está apenas repetindo frases de forma mecânica sem compreender o que elas significariam ou implicam.

54ª Justificativa: CONCORDO MAS DISCORDO Não passa de pura embromação. Esse se configura quando no meio de uma discussão, de repente o religioso utiliza argumentos semelhantes (para não dizer os mesmos) que você está usando mas tentando alegar que eles fazem a Bíblia inerrante. Como parece que a maioria dos religiosos não conhecem muitas partes da Bíblia além da Criação, o Dilúvio e os Evangelhos. Elas costumam ser muito usadas nesses 3. No caso do Dilúvio você pode argumentar a possibilidade de ter havido um dilúvio regional. O religioso vai afirmar que isso comprova que a Bíblia ―falou a verdade‖. Mas ela não disse isso, ela disse ser um dilúvio no mundo todo que cobriu até as montanhas mais altas, ainda na possibilidade de um dilúvio local seria uma situação extremamente diferente da descrita na Bíblia. Logo, de qualquer forma, a Bíblia teria mentido, exagerado, distorcido o fato e não seria inerrante (ver os comentários no Dilúvio Desmascarado). Ao apontar isso, ao invés de admitir, o religioso vai desencavar mais provas da possibilidade de um dilúvio local em vez de responder sobre a diferença entre o descrito e o possível. Normalmente esse tipo de discussão irritantemente se conduz a duas pessoas falando exatamente a mesma coisa mas o religioso buscando negar as conclusões óbvias (a Bíblia não descreveu isso) com os fatos que provam ele estar errado. Demonstra uma forma de bloqueio em não se permitir chegar às conclusões que as provas indicam, como descobrir o assassino mas não querer admitir isso para si próprio. A solução acaba sendo essa negação de ter todas as pistas mas não querer ver a respostas que sabota o processo de raciocínio lógico do próprio religioso.

55ª Justificativa: OFENDER SUA INTELIGÊNCIA Esse realmente se encontra entre um comportamento comum e irritante. Por mais que você demonstre quão furados são os argumentos do religioso, ele tentar falar como ―você não compreendeu o que eu disse‖ com um ar de superioridade, embora na verdade ele não tenha evidentemente provado coisa nenhuma. Para alguém de fora, poderia inclusive ser bem óbvio que ele perdeu a discussão contudo ele nunca poderia admitir isso, e insiste e insiste e insiste. E não parará de te encher até você cometer um homicídio. Essa é a característica arrogância cristã: ―eu estou certo, perdoa-os, Pai, pois não sabem o que fazem‖.

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Na verdade é uma forma de mau-caratismo intelectual (ou mentira da grossa mesmo) e demonstra a clara barreira entre a pessoa e a realidade, pois ainda que perca ela não pode admitir por um misto de arrogância, orgulho e aberta ignorância (além de estupidez) para com o que esteja além de sua estreita visão de mundo. Normalmente, tal religioso pode até saber que perdeu o debate e não provou nada, mas ainda tentará fazer a pose que saiu por cima para manter aparências. É mais ou menos como os políticos corruptos costumam fazer. Conta que não será denunciada a falsidade de sua postura e que poderá sair pela tangente. Em geral a tática de ataque direto costuma ser a mais efetiva apontando todos os pontos que a pessoa não defendeu, exigindo respostas objetivas sobre o assunto sem desvios ou ataques pessoais.

56ª Justificativa: JÁ RESPONDI ANTES Esse é um misto de embromação e mentira descarada. Ao entrar numa discussão, o religioso alega que ―já respondeu antes‖, sem nunca demonstrar quando fora esse ―antes‖ que continha a resposta. A pseudoargumentação que o religioso tenta fazer é que a resposta estaria incluída em algum comentário anterior como ―tal passagem da Bíblia que citei fala sobre isso‖, mas ele nunca vai demonstrar especificamente porque estaria incluída, se nada indica isso. Dependendo do religioso, ele vai alegar uma coisa qualquer que ele citou como ―tal link‖, ―tal trecho‖ etc. Mas, ao ler, uma pessoa normal não consegue ver relação nenhuma entre aquilo e o que está sendo discutido por mais que o religioso insista na relação. Uma tática interessante, já que ele espera que você não vá verificar. Interessante, mas idiota. Pois fatalmente um cético COM CERTEZA irá verificar. Na verdade se houvesse uma relação, o religioso não diria apenas ―está lá. Você que vá procurar‖, ele demonstraria como a pergunta foi respondida. Se ele realmente acredita haver alguma resposta, deveria utilizá-la como argumento, mas ele nunca efetivamente responde apenas diz: ―está lá, vá checar você‖. Inversão do ônus da prova. Falácia clássica. Isso quando alegam estar em algum lugar, não apenas dizem ter respondido sem ter dito quando, onde, como ou porquê. ISSO É UMA MENTIRA!!! Uma pessoa que possui argumentos bem construídos e embasados pode expressá-los claramente, e não vai ficar jogando linhas vagas como essa. Linhas vagas é coisa de quem não sabe do que está falando.

57ª Justificativa: CRITÉRIOS ALEATÓRIOS Inconscientemente muito comum entre religiosos. Demonstra uma ingenuidade (e muitas vezes completa ignorância) literária por parte de muitos religiosos, de não conseguirem fazer uma visão geral sobre a Bíblia e criar um critério definido para julgá-la em geral.

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Ao invés disso, tratam cada trecho como não fossem parte de uma única obra coerente – ―plano de Deus‖ – como alegam, buscando validar alguns trechos úteis e reduzir a relevância de outros conforme sua conveniência. Isso demonstra uma pessoa que não tem um ponto de vista geral sobre o livro na verdade, pois não consegue apreender todas as informações que retira dele numa forma uníssona. Necessita alterar seus critérios de julgamento para cada parte assim poderá utilizar os trechos que importam como ―inspirados por deus‖ e outros que não como ―não tão significantes‖. Contudo a própria Bíblia em nenhum momento disse ela própria que tal trecho era menos importante que o outro. O exemplo mais típico disso são os trechos utilizados para disseminar homofobia como Romanos 1:26-28 – Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; Porém o critério de dizer esse trecho ser tão relevante também deveria ser aplicado a outros trechos, como por exemplo, os trechos da Bíblia que suportam escravidão. Mateus 24:50-51 – Virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe, e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a sua parte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes. ―Não há nada na Bíblia proibindo a escravidão, apenas a organizando. Podemos concluir que ela não é imoral‖ – Rev. Alexander Campbell. Fosse ser honesto, o religioso deveria assumir que se homossexualismo é errado, segundo a Bíblia, ao mesmo tempo ela não alega escravidão o ser, logo assume-se como algo certo; e como o ―dono‖ teria o direito de puni-lo. Honestidade intelectual e um critério uniforme sobre o livro inteiro exigiria isso. Contudo, o religioso tenta alterar e inventar histórias para evitar cair na arapuca que o próprio texto da Bíblia o coloca tratando como fossem partes de livros completamente diferentes. Por acidente, eles estão admitindo a falta de coerência da Bíblia ao se verem forçados a alterar seus critérios de acordo com sua conveniência. Na verdade, eles só estariam usando trechos da Bíblia que convém para justificar seus próprios preconceitos pessoais, e isso fica mais do que claro nas argumentações religiosas.

58ª Justificativa: JAMAIS ADMITIR HOMOFOBIA Homofobia costuma ser algo extremamente comum entre cristãos, isso inclui entre piadas, comentários perniciosos sobre, negar direitos iguais aos de casais heterossexuais, buscar ―convertê-los ao heterossexualidade‖, através de um processo doentio de tortura mental por culpa e repressão e promover encontros para ―curar‖ do que os religiosos consideram uma doença.

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Em forma geral homossexuais costumam ser vistos como alguma forma de perversão sexual. Obviamente uma visão asquerosa sobre outro ser humano, principalmente por partir de discursos tão abertamente preconceituosos. Negar os direitos civis de casais homossexuais é tratado como ―fosse algo óbvio que eles não devem ter‖. Inclusive ao ponto de não se poder citar o termo homossexualidade sem ouvir looongos e tediantes discursos preconceituosos sobre o assunto, porque alguns se sentem realmente incomodados sobre isso (tendência homossexual reprimida talvez?). Ainda com todos essas gritantes atitudes homofóbicas, o religioso típico nunca vai admiti-las como homofóbicas. A desculpa mais típica é: ―tenho amigo gay‖. Se for seu amigo, porque então nega ele ter os mesmos direitos civis de qualquer outro casal? Neste tipo de diálogo, em geral, o religioso vai buscar usar a Bíblia inteira se puder para alegar ―não ser natural‖, inventar diálogos surreais sobre biologia sem base nenhuma etc. Para isso, a ciência serve muito bem. Mas, quando se fala do comportamento homossexual de muitas espécies selvagens, o discurso muda de novo. O motivo na verdade é bem simples de entender: Uma pessoa só se torna homofóbica quando não é sexualmente resolvida. Estamos falando de uma instituição que descobriu muito cedo que deveria expandir seu número de fiéis através do conceito de ―família cristã‖. Pai, mãe e filhos, filhos estes que crescem, formam outra família (cristã, é claro) e mais religiosos para o mundo. Mais preconceituosos. E maior dominação das igrejas. Enfim, para a igreja, a homossexualidade representa um risco a seus propósitos de proliferação de fiéis para adquirir mais poder através de ―famílias cristãs‖. Para os religiosos homossexualismo representa uma liberdade que eles não pode ser permitida; pois se contrariassem a vontade da igreja, os religiosos estariam diante de um ―efeito dominó‖, que todas as outras repressões sexuais da igreja cairiam juntas como: • Sexo somente depois do casamento • Nada de divórcio e nem pensar em segundo casamento (tido agora como uma ―praga‖ por Bento XVI). • Sem masturbação. • Sexo anal? Piorou!!! Entre muitas outras coisas. O que sinceramente deveriam cair mesmo porque, por mais que a igreja e religiosos gostem ou deixem de gostar, sempre vai existir toda a listinha acima descrita, e as tentativa de traçar linhas sobre como deveria ser o comportamento sexual das pessoas nunca funcionou em nenhum outro lugar além do papel mesmo. E a tentativa de reprimi-las SEMPRE gerou crueldades, injustiça, intolerância e nunca nada de bom à história da humanidade. Não que alguma vez a religião mostrou-se justa, tolerante, benevolente e extremamente bondosa.

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Afinal de contas, o que está aí para cristãos serem contra homossexuais? Cristo (caso tenha existido) não negava sexo com mulheres, andava com 12 homens e foi entregue por um beijo de um de seus apóstolos. Pelo menos, não há nada no Novo Testamento relatando o contrário.

59ª Justificativa: O QUE É VOCÊ SEM DEUS? Frase típica entre os religiosos que acreditam significar muita coisa: ―Deus sem você ainda é deus e você sem deus o que você é?‖ LIVRE! Um ateu/agnóstico vai formar suas ideias baseadas em sua percepção e experiências pessoais sobre a realidade que vive, não buscar encaixar a realidade a histórias mitológicas, que na verdade nem foram feitas para a realidade contemporânea que vivemos. eles pensarão sem se preocupar com limites e coisas que não deveria pensar sobre ou restringir sua visão de mundo. Um ateu não acredita em nenhuma divindade. Logo, ele não sente necessidade de crer nisso para conduzir sua vida. Ele apenas vive a vida e dá um ―que se dane‖ às divindades nas quais ele não acredita. Um agnóstico não vê necessidade de refletir como sua vida será melhor ou pior se um deus qualquer existir. Sua filosofia implica que ele não conseguirá entender toda a essência de uma divindade (seja ela qual for). No máximo, é um observador do comportamento humano no que tange às religiões. Tanto para um, quanto pro outro, seria perda de tempo dedicar-se a reflexões sobre sua própria existência perante a crença num ser tido como superior que, mediante as pregações, só sabe perseguir, matar, escravizar, chacinar e esmagar qualquer um que não o aceite. Se um ateu/agnóstico fizer algo bom, será porque se importa com o seu semelhante e não por medo de ―queimar no inferno‖ (algo sem sentido para os dois). Eles não irão se obrigar a converter outros a acreditarem no mesmo que eles, para nunca ter de admitir as falhas do que acreditam. Eles aceitam que outros tenham crenças diferentes das suas, baseados em suas experiências de vida, mas não que essa crença alheia lhe seja imposta. É a regra do viva e deixe viver. No fim das contas, sem a ideia de um deus te olhando para cada coisa que você faz, você se torna mais responsável por seus próprios atos, ao invés de atribuí-lo a ―entidades‖ como deuses, demônios ou coisas do gênero, para nunca desenvolver sua autocrítica. Deus sem você é nada, você sem ele é você mesmo.

60ª Justificativa: LIVRO COM MAIS CÓPIAS NO MUNDO Argumento barato usado aleatoriamente em discussões ainda que não tenha nada a ver com o tema do debate (como sempre).

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Assim como a justificativa nº 8 (associar longevidade com verdade), essa se baseia em buscar associar qualidades à Bíblia que não validam de forma alguma o que ela alega. Uma extensão de ―quantidade vale mais que qualidade‖. As falhas desse argumento: • Não existem contagens de quantas cópias da Bíblia foram impressas desde a época de Gutemberg até hoje, porque nunca houve contagem. Existe uma estimativa de 1816 até 1975 seria entre 3 a 6 bilhões de cópias pela Bible Society. Outros livros de destaque entre mais impressos do mundo são o Corão, quotações de Mao Tsé tung (dito estar nas mãos de todo chinês adulto entre 66 a 71), Guinness Book of Records entre outros. Mas esses citados pessoalmente não teriam um milímetro de valor acima de algum livro de poesias do Drummond ou de contos do Borges os quais com certeza teriam números muito menos impressionantes de cópias. Isso sem falar em Shakespeare, Camões, Homero, Maquiavel, Voltaire e por aí afora. • As versões mudam conforme os interesses. As ―Novas Traduções da Linguagem de Hoje‖ acabam diferindo muito. A Bíblia usada pelos protestantes é diferente da Bíblia usada pela Igreja Católica. Logo, teriam que ser computadas em separado, o que reduziria essa quantidade alegada. A não ser que possamos contar num único grupo todos os livros de culinária do mundo e eleger a ―Dona Benta‖ a maior porta-voz das ―Verdades Celestes Alimentícias‖… • Muitas coisas são consumidas em massa, indiferente à ser algo bem ou mal escrito. De forma geral trabalhos mais elaborados literariamente que exigem uma bagagem cultural mais rica se tornam naturalmente elitistas, pois boa parte da população não tem ―refinamento literário‖ como uma prioridade em suas vidas. Nada de errado com não terem, trabalham, tem mais o que fazer, mas é apenas um fato que pode tornar o julgamento da qualidade questionável quando baseada exclusivamente no número de vendas. Afinal vamos ver quantas bombas fizeram sucesso nos últimos anos: filmes do Rambo, bandas de pagode, Britney Spears, Paris Hilton, Sílvio Santos, Gugu, Lair Ribeiro, Xuxa, Faustão, Dan Brown, novelas da Globo etc, etc e etc. Todos no topo da lista de sucessos. Alegar que um livro está correto por ser o que mais vende implica o critério de algo ser bom ou mau a partir do seu sucesso. Por consequência implica que a Bíblia é tão correta quanto o vídeo pornô da Paris Hilton que também tem cópias pelo mundo todo.

61ª Justificativa: NINGUÉM É FELIZ SEM JESUS Boa parte da necessidade de autoafirmação do religioso baseia-se em ―eu sou mais feliz que alguém que não crê‖. Na realidade, por extensão essa crença os conduz a tentar justificar um monte de formas de censura como ―os jornais não deveriam mostrar tanta desgraça‖ (ainda que seja realidade), ―não se deveria falar palavrão na TV‖ (não conheço ninguém que reze um terço depois de dar uma topada com um dedão tendo unha encravada), ―cenas de sexo são um absurdo‖ (mas, quando elas aparecem, todos eles ficam grudados na tela babando) e todas as outras formas

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de expressão que poderiam potencialmente retirar o religioso de uma visão positivista do mundo. Para se acreditar ―ser mais feliz‖ é renegada a informação negativa, conduzindo à ignorância e imaturidade. O principal problema disso é que não justifica a crença em si, não vai esconder as contradições, erros e esquisitices da Bíblia, que simplesmente sempre vão existir indiferente à crença. Na verdade, suborna os fiéis com a promessa de não questione para ser feliz, ao mesmo tempo que busca amedrontar os fiéis que ―você deixará de ser feliz se questionar‖. Se uma promessa vã não funciona, partem para a ameaça. Entretanto, ninguém precisa da Bíblia para ser feliz, ou qualquer crença religiosa na verdade, pois a felicidade está muito mais para algo que se conquista através de esforço e dedicação que simplesmente buscar negar que existem coisas erradas sem nunca resolvê-las. Lutar por felicidade pessoal é mais importante que fé, pois uma pessoa feliz causa menos danos que alguém fugindo da realidade.

62ª Justificativa: EU DIGO AS BESTEIRAS, VOCÊ PROCURA AS FONTES Esse argumento é usado por religiosos como maneira de se esquivar quando falam alguma bobagem pseudo-científica. Por exemplo: Religioso: Ora, já foi provado que o dilúvio existiu e existem milhares de provas documentais. Saiu na National Geographic, no Canal Discovery, e no History Channel. Cético: Engraçado. Sou assinante desses serviços e nunca vi. Mostre-me uma prova sobre o que você está falando. Religioso: Ah, não. Se você está interessado em ver, procura que você acha. Ou seja, é um misto de preguiça com deslealdade, na esperança de desobrigá-lo a admitir que falou uma bobagem. Uma falácia chamada ―inversão do ônus da prova‖. Cabe aos debatedores insistirem para ele colocar as fontes.

63ª Justificativa: REFLITAM SOBRE ISSO Uma introdução ou término para alguma asneira colossal. Nesse tipo de início de frase, a ideia do religioso é ―quebrar o padrão do que está sendo discutido, trazendo uma nova visão mais profunda sobre o assunto‖. Naturalmente, tal visão deveria ser apresentada, elaborada e talvez convencer os outros ou não. Mas com a tática do ―reflitam sobre isso‖, o religioso já está querendo dizer que o que foi, ou está para ser, dito é profundo de alguma forma e merecia mais atenção. Não importa quão irrelevante ou óbvio o que foi dito pareça aos outros.

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Como se assume algo antes de ver a reação dos outros, caracteriza arrogância porque em geral o que segue é bem ridículo e medíocre. Costuma ser algo como alegar uma forma de visão que foge completamente do tema discutido para falar de alguma outra coisa, como ―tal exemplo de milagre‖, ―a bela visão de passagem tal‖, ―a profundidade do sei-lá-o-que‖ etc. Sempre fugindo do tema ou tenta superestimar a qualidade do argumento apresentado. Afinal, ninguém aqui está procurando guru, só ouvir outros pontos de vista sobre o assunto. Quando alguém disser ―reflita sobre‖ se prepare que lá vem asneira.

64ª Justificativa: VAMOS RESPEITAR AS LENDAS DOS OUTROS? Vez por outra aparece um religioso pedindo ―respeito a Deus‖, que com ―Deus não se brinca‖, e ficam indignados quando dizemos que Deus é um sádico, manipulador, cruel, omisso, conivente, etc. Porém se esquecem que estamos falando de uma abstração, uma ideia. Qual o problema de se ofender uma ideia? Se dissermos que a ideia da Terra Oca é ridícula, ela ficaria ofendida? Deveríamos respeitar um produto da imaginação de alguém? Vamos respeitar os vampiros, os lobisomens, os duendes, os sacis etc. porque, você sabe, com eles não se brinca… Essa desculpa é logo seguida por várias outras, como se fazer de vítima, desespero, etc. É infundada, pois não está se ofendendo uma pessoa. Não é um ad hominem. E se Deus ficou ofendido, ele que se manifeste e diga por si próprio. Como ele não se manifesta, assume-se que ou ele não existe, ou ele não ficou ofendido.

65ª JUSTIFICATIVA: MILAGRES Muitas vezes o religioso abandona o tema do debate e usa essa (e as outras desculpas) como falácia do espantalho e do apelo à ignorância. Ou seja, no desespero de querer convencer alguém, parte para os misteriosos milagres que ninguém explica. Em primeiro lugar, só porque não há uma explicação ainda, não significa que foi obra divina. Isso é básico no guia de falácias. Mesmo assim, os tais milagres são facilmente explicados quando se leva em conta o ―efeito placebo‖. Antes de um medicamento novo ser lançado no mercado, é obrigatório por lei a estudar o efeito placebo. Ou seja, o remédio é dado para metade dos voluntários, e a outra metade recebe pílulas de farinha. O que acontece é que algumas pessoas têm tanta fé, no que quer que seja, em Deus, em Jesus, em Buda, em algum santo, em si mesmas, enfim, em qualquer coisa, que elas, achando que estão tomando o remédio verdadeiro, se curam com as pílulas de farinha! Elas até apresentam sintomas dos efeitos colaterais, como náuseas, tonturas, inclusive irritações na pele e alergias! Ou seja, uma sugestão mental proporcionou uma ―cura

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milagrosa‖. E não são doenças banais não. Há casos documentados de tumores que regrediram com os placebos. Enfim, o que a igreja representa nesses milagres é justamente isso, o mecanismo de defesa é ativado no cérebro, que pode causar uma cura milagrosa, por causa da vontade de viver do paciente. Existem outras explicações perfeitamente possíveis. Por exemplo, um milagre muitas vezes é esquecido depois de um tempo, e os sintomas acabam voltando. Mas a história do ―milagre‖ permanece. Outra, os milagres atuais dificilmente passam de dores de estômago, gastrites, dores de cabeça, etc, que podem muito bem ser curadas pelo efeito placebo. Agora, fazer cegos enxergarem, aleijados caminhares, e surdos ouvirem, isso ninguém faz… Para finalizar, existem pessoas que rezam em hospitais. Se eventualmente uma pessoa ou outra se curar, não invalida o fato de que várias outras morreram, mesmo recebendo as mesmas orações.

66ª Justificativa: ESQUIZOFRENIA CRÔNICA Incrível como os religiosos esperam convencer alguém assim. Eles alegam que são capazes de conversar com Deus. E o pior: Deus responde! Interessante, não é? Seria curioso investigar mais a fundo esses casos, perguntando qual é o timbre da voz de Deus, ou se é voz de homem ou de mulher, etc. Mas muito cuidado, pois pessoas que ouvem vozes podem ficar violentas quando contrariadas. A não ser, é claro, que seja charlatanismo puro e simples. Ouvir vozes é obviamente inválido como argumento, pois se trata de uma experiência pessoal, portanto passível del ser falseada. Gostaria apenas de saber qual o motivo de o fez ser um ―escolhido‖ de Deus, para escutar a sua voz, enquanto 99,99999% da população não teve tanta sorte. Mesmo os líderes religiosos. E ainda dizem que Deus não faz acepção de pessoas…

67ª Justificativa: OLHA A TRAVE NO SEU OLHO Essa justificativa é usada quando o religioso se sente encurralado com seus argumentos, e resolve apontar os erros nas religiões dos outros, e até na Ciência, de forma a tentar minimizar os erros da Bíblia (nem que ele tenha que inventar esses erros). Por exemplo: – A Bíblia é machista sim, mas o islamismo é muito mais machista – É claro que o criacionismo é verdadeiro. A ciência não é capaz de responder de onde viemos. – A Bíblia é cruel sim, mas Hitler fez muito pior e ele era ateu (apesar de ter recebido ajuda de Pio XI).

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Por incrível que pareça, esses exemplos acima foram tirados de discussões reais. Fica claro que eles sequer sabem do que estão falando. E mesmo que fosse verdade, isso não diminui de maneira nenhuma os erros da Bíblia e do cristianismo. Um erro jamais justificará outro. A não ser na visão bíblica, é claro.

68ª Justificativa: VOCÊS FOGEM DA VERDADE Numa crise de auto-justificação, quando o religioso perde alguma forma de debate, ou é evidente e esmagadoramente refutado, ele acaba alegando isso, como se fosse uma verdade definitiva. Curiosamente, como em muitas outras coisas ditas por religiosos, ele nunca esclarece qual ―verdade‖ seria essa. A bem dizer essa ―verdade‖ parece significar que você deveria ir a uma igreja repetir frases com um grupo todo domingo de forma mecânica, sem raciocinar sobre seus significados, assumir que a Bíblia possui uma mensagem extremamente relevante, embora não exista motivo para ela ser algo mais relevante à sociedade contemporânea que pensadores muito mais recentes e de pensamento muito mais elaborado etc. Enfim, assume que qualquer pessoa com um ponto de vista diferente de ser um religioso ―não está ouvindo a verdade‖. É um argumento tão auto-propagandístico – e sem nenhuma base de suporte – que fica difícil de levar a sério. Evidentemente a palavra ―verdade‖ está sendo usada aleatoriamente quando a pessoa não foi capaz de justificá-la através de argumentos sólidos. Desse modo, qualquer um pode dizer ―você está fugindo da verdade‖ quando alguém discorda da sua opinião. Agora, a forma como você prova sua opinião ser mais próxima de ―verdade‖ quando apresenta motivos, evidências e razões pelos quais ela seria. Senão, nós temos alguém defendendo peixes voarem no sertão e quando você diz ser absurdo, ela sai te olhando torto ―você foge da verdade‖. A alienação não conhece fronteiras. O conceito de verdade, embora subjetivo e amplamente discutido em filosofia, no contexto dessa justificativa está sendo utilizado apenas como uma palavra aleatória, e não um conceito real e embasado.

69ª Justificativa: QUEM ÉS PARA COMPREENDER DEUS? Nessa justificativa o religioso apela para reduzir a raça humana inteira como fosse incapaz de compreender os panos de alguém superior com conhecimento ilimitado e acima de todos nós juntos… Bom, todo esse glamour do poder divino, sua onipotência e tudo o mais pode parecer muito bonito no papel, mas esse argumento tem um efeito colateral bem nocivo ao que o religioso está buscando te convencer: ―Se ele é tanto que eu nunca vou conseguir compreender, porque eu deveria me importar então?‖ A descrição de um deus completamente fora dos padrões de vida humana que conhecemos o torna inválido, pois julgamos a existência a partir de nossa perspectiva de vida e do que temos

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como importante e valioso. Isso é o que a raça humana tem para analisar e compreender a vida, consequentemente e, principalmente, nesse caso os valores não deveriam ser alterados por motivos que não são explicados de forma alguma. Ou seja, se alguém ordena o extermínio de pessoas do mundo inteiro, como no dilúvio e apocalipse, isso ainda caracteriza um ato de crueldade imperdoável para o que damos valor. Se existem ―motivos que não somos capazes de compreender‖, bom, eles não nos importam nada se o que compreendemos é ver uma pilha de cadáveres de conhecidos, amigos e família, além de termos de contar e enterrar corpos depois da ―TPM divina‖. Nós podemos não compreender deus, segundo os religiosos fazem crer, mas compreendemos o que é certo ou errado. Compreendemos que crueldades como essas são extremamente desnecessárias e se um deus as exige, então nós não precisamos desse deus. Esse argumento torna Deus, não só inútil, mas perverso e digno de desprezo para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso.

70ª Justificativa: POR QUE DEUS NÃO SE MANIFESTA? Religiosos: Ora Deus não se manifesta porque Moisés viu. Quando ele viu as costas de Deus, ficou todo maluco… Ou então: Porque se virmos Deus, todos nós seremos esmagados… Ou ainda: Não preciso vê-lo. Eu acredito que ele existe e isso me basta. Para terminar: Você é um incrédulo e vai arder no Inferno, amém!

71ª Justificativa: POR QUE OS ATEUS PENSAM TANTO EM DEUS? Quando já acabaram os argumentos, toca menosprezar os ateus (para eles, qualquer um que não siga a fé deles, é ateu. Mesmo agnósticos membros de outras religiões etc). Na verdade é um apelo à misericórdia. Fazem-se de coitadinhos e pretendem com isso desviar o assunto. Pena que é um subterfúgio tolo e ridículo. Ninguém precisa se interessar por genocídios para estudar e compreender a mente de psicopatas.

72ª Justificativa: DEUS É IMATERIAL? Os religiosos quando questionados sobre como é possível que Deus se autocriou ou que ele esteja em todos os lugares, ou que ele seja ―omni-tudo‖ (só nos cabe usar essa expressão para designar as coisas que deus é, mediante os religiosos), os religiosos dizem que Deus é imaterial, por isso não respeitas as leis físicas… Engraçado né? Ele não é material mas faz

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―coisas‖ materiais..sem nexo nenhum. Ou ainda: cria leis que ele mesmo viola, no melhor estilo ―faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço‖. E disso, está repleto na Bíblia. O mais engraçado é que os religiosos refutam a Evolução (sem argumentos, como sempre) porque dizem que é impossível alguma coisa ter surgido do nada, afinal tudo tem que ter um começo… Ainda assim, dizem de peito cheio que Deus veio do nada. Ou para os mais ―distraídos‖ dizem que Deus sempre existiu, mas se esquecem que tinham dito que tudo tem que ter um começo. Eitcha paradoxo…

73ª Justificativa: CONCILIAR AMBIGÜIDADES Esse consiste na base do pensamento cristão, e que sustenta alguém seguir a Bíblia: ―Conciliar ambiguidades opostas‖. Buscar conciliar a ideia de um deus bondoso contra a lista de crimes contra humanidade que ele comete durante a Bíblia, que vai desde dilúvio e extermínio de toda a raça humana por Noé, até o extermínio de milhões, conforme descrito no Apocalipse. Em qualquer outra situação qualquer pessoa, inclusive cristãos, alegaria tais crimes como imperdoáveis. Contudo quando aplicados a Deus‖ toda forma de argumento para defendê-lo aparece. Como, digamos, um advogado dos nazistas no julgamento de Nuremberg faria. As tentativas de defesa (que nunca passam da tentativa) normalmente se evitar que as pessoas tenham um visão completa da cena descrita (pois crianças mortas, dificilmente imagina uma pessoa boa por trás disso) para detalhes históricos irrelevantes, desculpas esfarrapadas ou qualquer outra leitor de assumir o óbvio: Isso não apenas é cruel como imperdoável. Exemplos claros de atrocidades ordenadas por deus na Bíblia temos: I Samuel 15:2-3 – Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.‖ Números 31 e Oséias 13 também não são contos de fadas com final feliz. Fariam até mesmo Hannibal Lecter ter pesadelos. Este deus eles defendem como ―bondoso‖. baseiam em buscar se alguém imagina prender o leitor em coisa que distraia o

74ª Justificativa: A MORAL OBJETIVA É DEUS Deus serve para nos manter na linha, mas é através do medo! Se errar, vai para o Inferno e se portarem bem (tradução: se escravizarem-se moralmente) vão para o Céu… Mais interesseiro por parte dos religiosos impossível! E depois são os ateus e agnósticos que responsáveis por essas desgraças que vemos diariamente Afinal, ateus/agnósticos, com sua falta de fé, insultam Deus e este se vinga em todo mundo.

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Mas, convenientemente, ―esquecem‖ que as maiores atrocidades foram feitas em nome de Deus, basta ler os livros de história. Entre uma moral objetiva que é estranha (mata e faz vida segundo a Bíblia, como quer e bem entende) é preferível a moral subjetiva dos homens que não se diz infalível, mas tenta ser…

75ª Justificativa: DEUS MANDA E DESMANDA, AFINAL CRIOU TUDO É muito comum os religiosos aparecerem com desculpas toscas como esta: Deus elegeu de antemão algumas pessoas, as quais irá efetivamente salvar, ao longo da história. Os demais foram (igualmente de antemão) destinados à condenação eterna. Isso é justo porque: 1) Ele é o criador do Universo e também dos seres humanos. Assim pode fazer o que quiser. 2) Ele detém uma lei moral a partir da qual tudo é justificado como certo ou errado, justo ou injusto. É um completo equívoco e disparate supor que o homem possa questionar qualquer ação divina, partindo do seu código pessoal de ética subjetivo (e pervertido pelo pecado). Então, Deus criou tudo e pode fazer o que lhe apetecer, quer matar? Mata! Quer criar? Cria! Para depois matar de novo, óbvio. E não deve nada a ninguém, afinal ele é Deus e nós não somos nada. Isso é mentalidade de um Deus (um ser que alegam ser onisciente)? Para os religiosos sim. E ainda dizem que é justo. Mas analisando isso, teremos um sério probleminha nas mãos dos religiosos. Afinal, isso contraria o livre arbítrio. Mas um religioso em média não pensa, e associam o livre arbítrio com a seleção que Deus já fez antes de nascermos. Isso é possível? Na mente de um religioso sim. Também quem lê a Bíblia e viaja com as histórias de Adão e Eva, Arca de Noé, Criação do mundo em seis dias. Bem, é só mais uma bobagem a mais e não fará diferença no final das contas.

76ª Justificativa: USAR A FRASE PRONTA “NÃO DÊ PEROLAS AOS PORCOS” Quando o religioso em uma discussão disser isso, pode ter certeza que na verdade ele quer dizer: Eu não tenho argumentos bons para poder te refutar, e seu eu tentar refuta-lo com a Bíblia não conseguirei respostas e verei que a Bíblia tem falhas, mas o meu orgulho me impede dar o braço a torcer, se eu fizer isso e admitir a minha derrota serei taxado como incompetente perante os membros da minha igreja, e estarei dando a vitória para Satanás (que na verdade é o argumentador). Isso é muito comum nas comunidades religiosos pois não aguentam a humilhação causada por pessoas que pensam e sabem que a ciência desmente a Bíblia totalmente.

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77ª Justificativa: CAI NA PERDIÇÃO Característico de inseguranças pessoais do próprio religioso. Esse é extremamente repetido, mas o que significa é o seguinte: ―Se eu sair da igreja é o que EU faria‖. Admite ter interesse nessa ―perdição‖ de cair em festa, drogas e bebida, mas precisa de uma trava para se segurar. Só se pode julgar a partir de experiência pessoal, se uma pessoa acredita que a igreja é a única forma de manter autocontrole eles não estão defendendo existência de um deus qualquer, mas uma imposição de comportamento, a base da propaganda fascista. Bem, a realidade é que nem todo mundo precisa dessa trava, isso não tem relação com crenças mas ser pessoalmente responsável. Ser religioso, ateu, agnóstico é irrelevante pois existem casos extremos em todos os lados. Essa justificativa se baseia em chantagem emocional e buscar afetar o senso de segurança da pessoa (ver justificativa nº 25: Porque Cristo te incomoda?). Na realidade, se você precisa de religião para não fazer besteira é porque você QUER fazer e eventualmente vai fazer na primeira oportunidade (e depois alegar que estava sob domínio do demônio). Irá buscar reter algo por tanto tempo, que o acúmulo torna a explosão muito mais intensa do que fosse feito aos poucos casualmente e de forma relativamente equilibrada. É um motivo que pode levar a uma tentativa de justificar comportamentos doentios como pedofilia, pastores usando drogas e os casos característicos de igrejas que se baseiam no princípio de ―quero fazer, mas não vou deixar que saibam‖. A mentira mútua em que tantas igrejas se baseiam. Existe tanto uso de drogas, homossexualismo e perversão sexual na comunidade religiosa, como em qualquer outra. Não se altera a natureza humana. Eles apenas negam e escondem com hipocrisia. Outras comunidades assumem e lidam com as questões envolvidas de forma mais racional, razoável e equilibrada sem o senso de culpa desnecessário. Afinal, quem acha que um religioso berrando nas ruas que ―deus o livrou das drogas‖ parece algo muito equilibrado?

78ª Justificativa: A IGNORÂNCIA VENCE CONHECIMENTO Um conflito característico de discussões com religiosos está em que boa parte dos casos, quando eles tentam refutar dados científicos, eles demonstram total desconhecimento sobre Ciência. Isso em linhas gerais, claro que existem cientistas cristãos. Ciência não exclui religião nenhuma (apesar do que tentam propagar); ela apenas apresenta fatos que inviabilizam esta ou aquela historinha sem pé nem cabeça. Isso significa que uma religião acabaria? Deus precisa de fatos absurdos para poder existir?

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O consenso no meio de igrejas é que o conhecimento contrário às alegações bíblicas não é ―o verdadeiro‖. Qual a base para alegar que tal conhecimento é mesmo válido dentro dos parâmetros e bases do que foi alegado? Em geral nenhuma. Se visto em profundidade, os argumentos contrários à afirmações como ―a Bíblia não foi copiada de outras mitologias‖ tem muita pouca base real no que alega ou, para não dizer 100% dos casos, uma base muito menos pesquisada e/ou intelectualmente honesta sobre o assunto. Ainda assim, tais argumentos sem base são tratados como devessem ter a mesma validade e peso. Como o trabalho do primeiro grau devesse ficar ao lado da tese de mestrado. Essa falta de senso crítico demonstra mais uma defesa da própria ignorância sobre o assunto que busca aprender realmente sobre o que se está falando. A ausência de assumir os diferentes níveis de argumentos entre mais ou menos embasados busca tornar todos supérfluos e esconder o que faz mais sentido. Dessa forma, um ignorante não precisa se admitir errado (coitadinho dele, vamos seguir essa bobagem que ele está defendendo e abandonar todo o conhecimento contra isso que a humanidade desenvolveu nos últimos dez mil anos). Ao invés de elevar quem está no nível básico, busca rebaixar quem está no nível mais adiantado. Isso soa a buscar evoluir de alguma forma?

79ª Justificativa: A NASA PROVOU! Religiosos formam uma raça engraçada. Nunca aceitam nada do que a Ciência diz, mas quando é pra tentar refutar alguma coisa, aparecem logo com ―A NASA provou!‖. Isso é de uma estupidez sem limites, pois a NASA (National Aeronautics and Space Administration) cuida apenas do que seu nome refere: Aeronáutica e Espaço.     A NASA provou a história fake de Josué, através de um dia perdido Cientistas da NASA provaram que o Sudário de Turim é verdadeiro A NASA contatou as aparições da Virgem Maria A NASA mostrou que Jesus existiu, conforme os Evangelho…

NASA isso… NASA aquilo… A NASA comprou que o Universo expande. Isso os idiotas religiosos falam? Não! A NASA estuda como as estrelas surgem e sobre a datação do Sistema Solar em muito, mas muito mais que os aproximados 5700 anos que os religiosos instem que a Terra possui. Os religiosos dizem isso? Não, né? A NASA é uma grande entidade científica e já refutou muitas bobagens que os tolos religiosos insistem em pregar nos cultos. Ela acabou se tornando um modo deles fazerem valer suas crendices, mostrando total ignorância científica sobre a natureza da instituição. Claro que de ignorantes não se pode esperar muita coisa.

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80ª Justificativa: JESUS DIVIDIU O CALENDÁRIO Uma das desculpas mais estúpidas. Pra princípio de conversa, Jesus não fez nada porque não existiu. E mesmo que tivesse existido, não faria diferença. O calendário gregoriano (que é utilizado na maior parte do mundo e em todos os países ocidentais) foi promulgado pelo Papa Gregório XIII a 24 de Fevereiro do ano 1582 para substituir o calendário Juliano. A determinação do ano corrente se dá teoricamente quando Jesus Jóquei de Jegue teria nascido. Este ano foi calculado por um camarada chamado Dionísio Pequeno em 525 E.C. (Era Comum) e instituído pelo Papa João I. O mais curioso é que se for tomar as narrativas bíblicas como base, Jesus teria nascido 6 anos antes do ano I da E.C. hehehe Ou seja, Jesus (caso tivesse existido) não seria provado pelo calendário, já que erraram brutalmente quando ele nasceu (será que ele nasceu antes dele aparecer no mundo?) e, de qualquer forma, pouco importa. Foi uma determinação papal em 1582 e usado até hoje em países cristãos. Ora, e o Calendário Chinês? E o Muçulmano? E o Hebraico? Calendário é o que não falta. Cada um com sua forma de contagem. Calendários não provam nada. Se provam, então TODOS os cristãos terão que aceitar os santos da Igreja Católica, ora bolas.

Três deuses, um funeral

Três deuses, um funeral (parte 1) Publicado em 25/05/2010 por Barros

Sumário Três deuses, um funeral (parte 1) ............................................................................ 63 Três deuses, um funeral (parte 2) ......................................................................... 65 Três deuses, um funeral (parte 3) ......................................................................... 67 Três deuses, um funeral (parte 4) ......................................................................... 68 Três deuses, um funeral (parte 5) ......................................................................... 70 Três deuses, um funeral (parte 6) ......................................................................... 72 Três deuses, um funeral (parte 7) ......................................................................... 73 Três deuses, um funeral (parte 8) ......................................................................... 76 Três deuses, um funeral (parte 9) ......................................................................... 78 Três deuses, um funeral (parte 10) ....................................................................... 79 Três deuses, um funeral (fim) ............................................................................... 81

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Isaías; 1:3 O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Essa ―fala‖, comparando o povo de Israel a um boi e a um jumento, é de Deus, um tanto quanto estressado com o seu ―povo escolhido‖, que, como sempre, não estava puxando adequadamente o seu saco. Um Deus um pouco mais inteligente, teria percebido, de cara, que nenhum povo, por mais primitivo ou humilde que fosse, iria nunca gostar de se sentir possuído por alguém, muito menos da forma como um animal é possuído por seu dono. Mas é assim que Deus vê sua obra-prima, de acordo com o livro sagrado que ele usa para ser revelado ao mundo. E sorte deles por isso, porque nem toda a obra-prima de Deus teria a mesma sorte: 45:1 ASSIM diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. É. Existiram nações, no plural, que deveriam ser abatidas pelo ―povo escolhido‖. Aí vem a pergunta inevitável: ―Quem teve mais sorte nesse universo: os que nasceram fazendo parte da nação que é tratada como um animal, ou todo o resto que não teve a honra de ser escolhido pelo Criador de todas as coisas e foi predestinado a sucumbir pelo fio da espada dos seus apadrinhados?‖ Ou seja, é estar entre o cabresto e a espada. 45:7 Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

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A Bíblia está repleta de coisas desse tipo (ou pior que isso) que depõem fortemente contra a ideia de um Deus, ao mesmo tempo, todo-poderoso e, adivinhem, bonzinho. Um Deus de amor. Um crente que venha até você com essa ladainha de que o Deus dele é um Deus de amor, ou é um grande hipócrita, ou um grande imbecil, ou um analfabeto, coitado, que só conhece da Bíblia o que o padre ou pastor leem para ele aos domingos. Eu toleraria os dois últimos, porque não se escolhe ser analfabeto, ou imbecil. Mas ai de vós hipócritas! Que, por fora, são como os túmulos caiados de branco, mas, por dentro, estão cheios de imundícies! Vosso Deus foi nascido da hipocrisia da palavra e pela palavra é mantido vivo e perfazendo todos os tipos de barbárie ao longo dos séculos. Assim sendo, também pela palavra eu destruirei vossa hipocrisia e vos entregarei de volta o vosso Deus. Morto. Três deuses, um funeral (parte 2) Publicado em 26/05/2010 por Barros Vamos com calma, que o caminho é longo. É que há hipocrisia demais e Deus de menos. No primeiro texto dessa série eu fiz uma coisa totalmente vetada a um ateu: usar versículos da Bíblia de forma isolada, para defender um argumento. Apesar de ser esse o ―modus operandi‖ das quadrilhas que enriquecem à custa da ―palavra‖, o ateu não tem a mesma prerrogativa e, invariavelmente, vai ouvir de algum religioso que é preciso ―ler o contexto‖. É assim que funciona: quando a ―palavra‖ é absurda demais e dói nas vistas, o crente recorre ao contexto, como se ele, o contexto, tivesse o poder de mostrar que Deus estava querendo dizer outra coisa. Quando não é o caso, o contexto é dispensado e fica valendo o que está escrito, tal e qual como está no versículo, não sujeito a interpretações, uma vez que é a ―palavra‖ sagrada, eterna e imutável de Deus. Mas só quando convém. E esse é o segredo para se continuar vivendo com a hipocrisia de se estar convencido a ponto de querer impor ao mundo o absurdo de que há, entre nós, uma coleção de livros inteira escrita pelo criador do universo. Aí você poderia esperar tudo de livros assim, menos que fossem tão absurdamente humanos e tão intimamente vinculados à época em que foram escritos. Supõe-se que Deus deveria, pelo menos, ser um tanto divino e atemporal. E quando o crente descobre que não é, aí é preciso recorrer ao contexto: ―Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.‖ – (1 João; 4:8) Deus é amor… Depois de amaldiçoar toda a humanidade pelo erro de apenas duas pessoas (Gênesis 3:1419); Depois de afogar quase toda a vida inutilmente, pois o mal continuou (Gênesis 6-7, Gênesis 8:21);

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Depois de criar leis cruéis, intolerantes, absurdas, supersticiosas e preconceituosas (Levítico 15:19, Êxodo 21:20-21, Deuteronômio 22:21, Levitico 21.18-20, Deuteronômio 25:11,12, etc); Depois de matar pessoas e animais inocentes que nada tinham a ver com as decisões do faraó (Êxodo 12:29, Êxodo 9:3-6); Depois de matar muitos do seu próprio povo escolhido apenas por estarem insatisfeitos (Números 14:27-29); Depois de provocar o genocídio de vários povos (Deuteronômio 7:1); Depois de matar um homem apenas por não querer engravidar a mulher do próprio irmão (Gênesis, 38:08-10); Depois de matar um homem apenas por ter catado lenha no sábado (Números 15 32-36); Depois de matar duas pessoas apenas por terem mentido sobre a venda de um terreno (Atos 05:1-10); Depois de ameaçar com castigos eternos os que nele não cressem (João 3:18, Lucas 10:1016, João 3:18, Apocalipse 21:8); Depois de matar uma mulher apenas por ter olhado para trás (Gênesis 19:26); Depois de matar dezenas de jovens apenas por terem zombado da careca de um profeta (2 Reis 2:24); Depois de dizer que ele mesmo criou o mal, o surdo, o mudo e o cego (Isaías 45:7, Êxodo 4:11); Depois de dizer que no seu julgamento final haverá os piores horrores (Lucas 21:23, Apocalipse 6:8, Apocalipse 9:6); Depois de queimar vivas várias pessoas (2 Reis 10-13, Números 11:1); Depois de exigir que matassem as mulheres casadas e guardassem as virgens (Números 31:17-18); Depois de impedir que um homem fosse ao velório do seu pai (Mateus 8:21-22); Depois de humilhar uma mulher que buscava a cura para a filha (Mateus 15:22-27); Depois de assegurar que não veio trazer a paz, mas a espada e a desavença (Mateus 10:34,37); Depois de matar uma criança inocente pelo erro do rei que ele mesmo escolheu (2 Samuel 12:14,15); Depois de castigar com pragas terríveis seus desafetos (Números 16:41-50, Números 25:9, 2Samuel 5:6, 2 Samuel 24:15, etc)

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Depois de sadicamente enganar seu povo escolhido (Números 11:18-20 e Números 18:31,32); Depois de ordenar o massacre de crianças, idosos e mulheres grávidas (Deuteronômio 32:25, Ezequiel 9:6, Deuteronômio 2:33,34); Depois de muitos outros incontáveis atos violentos, cruéis, intolerantes e sangrentos cometidos diretamente ou incentivados por ele… Deus é amor. Vá cristão. Vá correndo ler o contexto. Se é que você lê a Bíblia…

―Se mais cristãos lessem a Bíblia, haveria menos cristãos‖, Derek W. Clayton. Três deuses, um funeral (parte 3) Publicado em 28/05/2010 por Barros Sabe qual é o maior problema com Deus? Não é nem o fato de ele ser preconceituoso: Em Levítico 21:20, ninguém pode se aproximar do altar de Deus se tiver alguma doença ou defeito, se for cego, coxo, corcunda ou anão. Não é nem o fato de Deus ser sexista e machista: Em Levítico 15:19-24, diz-se que a mulher no período da menstruação fica imunda e que tudo o que ela tocar fica sujo, inclusive o marido. Na 1 Coríntios, 14:34, lê-se que ―As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei.‖ E em Efésios 5:24, ―Assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos.‖ Em Levítico 12:02 e 12:05, dar à luz torna uma mulher imunda, e duas vezes mais imunda se nascer uma menina. Não é nem o fato de Deus ser violento e escravocrata: Em Êxodo 21:7-8, por exemplo, ensina-se como vender a própria filha como escrava. Em Levítico 25:44, que os escravos devem ser comprados nas nações vizinhas. O maior problema com Deus Pai Todo-Poderoso é, na verdade, o fato incontestável de que ele, de repente, deixou de lado grande parte desses detestáveis atributos humanos e passou para o lado Zen da Força. Na maior parte das vezes, o Deus Jesus Cristo de Nazaré ou fica em cima do muro no que diz respeito a tudo o que já havia sido e feito no Antigo Testamento, ou quer posar pra foto de bonzinho, de Jesus-Sangue-Bom. Será que ninguém se lembra de que o Deus Jesus Cristo de Nazaré era o mesmo Deus Pai Todo-Poderoso maníaco-depressivo do Antigo Testamento, que tinha todas aquelas ―qualidades‖ execráveis que nós mesmos condenaríamos em outro ser humano?

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Daí eu só posso concluir que uma dessas 3 coisas deve ter acontecido com o Deus Pai TodoPoderoso. 1. Antes de embarcar para a Terra num corpo material ele fez um tratamento psiquiátrico intensivo no céu e, enquanto Deus Jesus Cristo de Nazaré, tomava, às escondidas, dois tipos diferentes de calmantes tarja preta. 2. Depois de ter sentido os prazeres mais simples da condição humana, como a liberdade bucólica de dar uma cagada no mato [e isso causou um rebuliço na Igreja Católica, quando aquele mesmo grupo de velhos brochas que queriam proibir o sexo que não fosse para reprodução pretenderam argumentar que Cristo não defecava, que era um tipo de Robocop, cujo organismo aproveitava toda a comida ingerida, sem necessidade de excreção]; depois de brincar de papai-e-mamãe com a Maria Madalena; depois de experimentar prazeres humanos reais, de uma perspectiva humana real, eles se deu conta de que estava sendo rigoroso demais e de que não havia motivo para tanto estresse, afinal, ele era ―o cara‖. 3. O Deus Pai Todo-Poderoso do Antigo Testamento tinha todas aquelas más qualidades porque o povo que o imaginou também as tinha. O Deus Jesus Cristo de Nazaré se livrou da maioria delas porque o povo que o concebeu, um par de milênios depois, já era mais evoluído, e uma prova disso foi que não havia seguido à risca as regras do Deus antigo, caso contrário, não teria sobrado ninguém vivo para ter criado o novo: Jesus Cristo de Nazaré, o DeusSangue-Bom.

Três deuses, um funeral (parte 4) Publicado em 01/06/2010 por Barros

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Para o leitor crente no Deus Jesus Cristo do Espírito Santo: O que há de concreto que diz para você, ―em primeira instância‖, que Deus existe? Não me refiro a revelações, a sentimentos da mais alta confiabilidade para aqueles que os experimentam; não me refiro a convicções pessoais, a certezas inerentes à condição humana, nem a nada que precise do intelecto para ser ―manuseado‖. Estou falando de aglomerados de átomos, de coisas que você poderia, eventualmente, pintar de roxo. O que você tem? Cruzes? Igrejas? Estátuas? Livros? O planeta inteiro e tudo o que existe? Só que nada disso lhe ocorre ―em primeira instância‖. Quando você nasceu, começou a usar seus pulmões para respirar, mas ainda não considerava tudo o que existe como sendo obra de Deus. Esse seu pensamento deriva, obrigatoriamente, da resposta que deve ser dada à minha pergunta; da coisa material que é a fonte de tudo o que te faz pensar que há um Deus: a Bíblia. A Bíblia é o que há de concreto no mundo em que você vive que, em primeira instância, diz para você que Deus existe. Todo o resto é sua consequência: sua religião, sua fé em Deus (em oposição a fé que você não tem, digamos, em Hórus), seu doutrinamento infantil, seus terços, suas orações, as cruzes, as igrejas, as imagens, tudo. Fora a Bíblia; mais nada. Dizer que os átomos por si já servem como ―prova‖, que o universo não poderia ter criado a si próprio, etc., é dizer que você esqueceu que pensa assim por causa da Bíblia, que foi onde você leu (ou de onde ouviu dizer) que Deus é o criador de todas as coisas materiais, e não um outro deus como Lord Brahma, da ―Trindade‖ Brahma-Vishnu-Shiva, ou Osíris, da ―Trindade‖ Osíris-Hórus-Ísis, que, por sinal, são bem mais antigas do que a sua Deus-Jesus-Espírito Santo.

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Mas, de novo, essa sua ―convicção‖ é de segunda instância: é uma consequência da Bíblia. Argumentar o contrário é desconsiderar o fato de que muita gente não concorda com você, justamente por não ter a Bíblia como seu livro sagrado. Mas o que seria uma prova material de ―primeira instância‖? Huuuumm… que tal uma fogueira? Em 1Reis, cap. 18, versículos 21 a 40, o profeta Elias faz um tipo de ―concurso de deuses‖. Ele propôs aos sacerdotes do deus Baal a fazerem um sacrifício ao seu deus, enquanto ele, Elias, faria a mesma coisa para o deus Deus, com a condição de que o deus de cada um acendesse a sua respectiva fogueira. Assim foi feito e os sacerdotes de Baal clamaram quase o dia todo para que o seu deus mandasse o fogo necessário para que eles ganhassem a aposta. Adivinha: não mandou. Daí que, quando chegou a vez de Elias… 18:36 Sucedeu que, no momento de ser oferecido o sacrifício da tarde, o profeta Elias se aproximou, e disse: Ó SENHOR Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme à tua palavra fiz todas estas coisas. 18:37 Responde-me, SENHOR, responde-me, para que este povo conheça que tu és o SENHOR Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração. 18:38 Então caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego. 18:39 O que vendo todo o povo, caíram sobre os seus rostos, e disseram: Só o SENHOR é Deus! Só o SENHOR é Deus! 18:40 E Elias lhes disse: Lançai mão dos profetas de Baal, que nenhum deles escape. E lançaram mão deles; e Elias os fez descer ao ribeiro de Quisom, e ali os matou. Três deuses, um funeral (parte 5) Publicado em 04/06/2010 por Barros

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Eu tenho certeza de que o meu leitor cristão não só entendeu o meu argumento até aqui, como também concorda com ele: é a Bíblia que lhe diz, em primeira instância, que existiu um criador para o universo — eterno, onipotente, onipresente, onisciente, etc. — , que é o seu gerente supremo, e que o seu nome é Deus. Tudo e qualquer coisa em que você pensar sobre a sua fé tem uma relação direta e inequívoca com a Bíblia. O grande problema que deriva disso é que o seu livro sagrado precisa ser o que você ―acha‖ que ele é — a ―palavra‖ escrita do seu Deus para você — , senão, tudo o mais em que você acredita irá desmoronar. Ou a Bíblia é a palavra de Deus e há um Deus, ou não é e não há. Não existe um meio-termo. E é aí que a coisa toda desanda; quando a ideia de Deus implora para não ser examinada tão de perto. Do contrário, você correrá o risco de ver aqueles textos como apenas uma coleção de estórias, a mitologia de um povo, e não uma suposta revelação de um ser superior, todopoderoso e perfeito, porque não há nada na Bíblia que não seja absolutamente e absurdamente humano. Um ser que tivesse os poderes atribuídos ao Deus cristão, um que pudesse fazer galáxias inteiras a partir de átomos, que pudesse fabricar os próprios átomos, um que fosse capaz de conceber criaturas vivas dotadas de consciência e inteligência, um que pudesse criar mundos materiais e espirituais, um Deus que tivesse o poder de ler pensamentos, de fazer milagres e de atender a preces, não teria nenhuma dificuldade em deixar um registro escrito que o apresentasse ao mundo, que o definisse e o revelasse, e que deixasse fixadas as suas vontades e as suas regras. Para um Deus que existisse, a Bíblia seria uma obra que ele poderia realizar enquanto escovasse os dentes. E seria perfeita. Sob todos os aspectos. E cada livro bem que poderia sempre começar assim: ―1 Eu, fulano de tal, 2 estou escrevendo essas palavras através da inspiração de Deus, 3 e todo o mérito do texto que se segue deve ser atribuído a Ele, não a mim. 4 No princípio, criou Deus os céus e a terra;―

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E, a partir daí, meu irmão, minha irmã, a ―palavra de Deus‖ seria lida como ―a palavra de Deus‖, compartilhando de todas as suas qualidades: poderosa, perfeita, imutável, justa, boa… E ninguém jamais poderia atribuir nada nesses textos ao simples e insignificante mortal que Deus houvesse usado para segurar a pena, porque seria um contrassenso absurdo pensar que o mesmo Deus que foi capaz de projetar e construir todo o universo, que foi capaz de conceber a própria mágica da vida, não estaria em condições de (ou não teria a competência para) manda alguém escrever um livro. Mas então, mesmo que você releve o fato do autor de Gênesis, por exemplo, não dizer, no início de sua narrativa, que está psicografando uma mensagem divina, mesmo que releve o fato de que a Bíblia tenha precisado, ainda, de uma intervenção humana (talvez nem tão divinamente inspirada) que apontasse quais relatos deveriam fazer parte dela e quais não deveriam, a ―palavra de Deus‖, mesmo assim, revela-se como um amontoado de textos que, ao contrário do que se poderia esperar, depõem fortemente contra a existência de uma entidade cósmica toda-poderosa, perfeita, eterna, imutável, justa e boa. A Bíblia Sagrada é, também, o que há de mais concreto no mundo que prova, em primeira instância, que Deus não existe. Três deuses, um funeral (parte 6) Publicado em 08/06/2010 por Barros

A Bíblia não aparenta, nem de longe, ter sido escrita, ou inspirada, por um ―ser superior‖. Muito ao contrário, ela só sugere ter sido obra de pessoas muito menos desenvolvidas que nós — em todos os aspectos. Uma Bíblia que fosse a palavra de um Deus perfeito, onipotente e onisciente, não teria tantos erros, tantas contradições e aberrações; não seria um livro assim tão facilmente sujeito a interpretações e tão suscetível a despertar nas mentes mais atentas a impressão de que tudo parece não passar mesmo de um embuste mal feito. A Bíblia foi escrita por humanos humanamente inspirados. Se você tivesse vivido há quatro mil anos e soubesse ler e escrever, já poderia se considerar uma pessoa muito culta. E se fosse um erudito, se tivesse lido textos de várias outras culturas que dessem conta de responder às questões de sua época, talvez você ficasse tentado a deixar registrada a sua própria versão entre o seu próprio povo. E essa sua versão, obrigatoriamente, seria a visão de alguém a

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quem faltassem todos os conhecimentos que viriam, então, nos próximos quatro milênios. Para os que tivessem acesso ao seu texto, hoje, não haveria como lê-lo sem fazer as devidas comparações com a nossa atual visão de mundo, e as correções, de acordo com o nosso grau de conhecimento adquirido até aqui. Esse tipo de coisa, essa discrepância, não teria cabimento se o autor do texto fosse, realmente, um ser ―superior‖. E quando esse texto sugere, por exemplo, que o tempo em que vagamos sobre a Terra gira em torno de seis mil anos, enquanto nós temos evidências de que tal estimativa está absurdamente longe da verdade, não fica nada confortável admitir que ele veio desse autor especial. Como escreveu Gleason Archer, ―se os registros bíblicos se mostram falhos quanto aos fatos que podem ser verificados, então dificilmente serão confiáveis quanto aos fatos que não podem‖. Para uma mente pensante, o raciocínio que depende da Bíblia para revelar Deus não encontra terreno onde germinar. Uma grande prova disso é que muitos ―pensadores‖ religiosos abandonaram quase que completamente o livro sagrado cristão como ferramenta na justificativa, para si mesmos e para os outros, de que Deus existe, e passaram, então, a usar a lógica. Ou quase isso, porque, quando a coisa toda é examinada bem de perto, mais parece um jogo de palavras, uma brincadeira de criança. É o que se passou a chamar de Argumentos Cosmológicos. O argumento cosmológico é uma família de argumentos que procuram demonstrar a existência de uma Razão Suficiente ou uma Causa Primeira para a existência do cosmos. Uma versão do argumento, defendida por Leibniz, por exemplo, é o argumento da contingência. 1. Tudo o que existe tem uma explicação de sua existência, ou na necessidade de sua própria natureza ou numa causa externa. 2. Se o universo tem uma explicação de sua existência, essa explicação é Deus. 3. O universo existe. 4. Logo, a explicação para a existência do universo é Deus.‖* Se você é um hindu, por exemplo, e substitui a palavra ―Deus‖ em 2 e em 4 por ―Lord Brahma‖, o argumento continua de pé e, aí, tudo começa a ficar mais divertido, porque essa ―lógica‖ permite que qualquer deus tenha sido o criador do universo. Eu não disse que era um tipo de brincadeira de criança? * THE FUTURE OF ATHEISM, Alister McGrath & Daniel Dennett in Dialogue. Robert B. Stewart (editor). Fortress Press: Minneapolis. 2010. p.68. [Minha tradução]. Três deuses, um funeral (parte 7) Publicado em 08/06/2010 por Barros

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Se você não entendeu o que eu quis dizer com ―brincadeira de criança‖ quando mencionei os argumentos cosmológicos, aqui vão mais alguns exemplos. O argumento axiológico: 1. Se Deus não existe, valores morais e deveres objetivos não existem. 2. Valores morais e deveres objetivos existem. 3. Logo, Deus existe. * O criador desse argumento acredita que, sem Deus para servir de parâmetro, não seria possível saber o que é maldade ou bondade, certo ou errado, justo ou injusto, etc. Deus servindo como parâmetro… Ops! Aquele que mandava apedrejar, sacrificar, matar? Aquele que aceitava sacrifícios humanos, que era a favor da escravatura, que torturou uma criança, até à morte, por 7 dias? Aquele que era a favor da submissão da mulher ao homem, que mandava pragas, que era um exímio exterminador de civilizações? Aquele que pune infinitamente um erro finito? É esse o seu parâmetro? Em matéria de bondade, justiça e amor, por exemplo, se você usar Deus como parâmetro, atribuindo 10 a ele nesses quesitos, e se for me julgar na mesma escala, vai ser obrigado a me dar, por baixo, algo em torno de duzentos e oitenta e cinco! Qualquer presidiário seria um parâmetro melhor de moral do que o Deus cristão. Uma grande parte deles, pelo menos, está presa por conta de um único crime. O argumento teleológico:

1. O universo finamente ajustado é o resultado ou de uma necessidade física, ou do acaso, ou de um projeto. 2. Não é devido à necessidade física nem ao acaso.

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3. Logo, é devido ao projeto. O que se chama de universo ―finamente ajustado‖? Bom, na Física existe o que se chama de constantes universais, como, por exemplo, a constante da gravitação universal, a velocidade da luz e a carga do elétron. São valores fixos que entram nas equações matemáticas. Pelo pensamento teísta, se o universo surgiu ao acaso, a carga do elétron, por exemplo, poderia ter assumido qualquer valor, certo? Qualquer valor mesmo! Mas só uma gama estreitíssima de valores permitiria que um elétron ficasse bonitinho e comportadinho dentro de um átomo. Ou seja, dentre todos os valores infinitos que a carga do elétron poderia ter assumido, por que diabos ela foi se enquadrar justamente dentro daquela faixa infinitesimal de valores que possibilitaria a formação de átomos e, consequentemente, tudo o mais que há? Resposta: foi Deus, o projetista, que, no ato da criação, ―ajustou‖ a carga para aquele valor específico. Foi Deus que fez o ―ajuste fino‖. É como se você se chamasse Ana e, tendo nascido no dia 8 de agosto de 1992, ganhasse de presente de aniversário de 18 anos um carro zero quilômetro cuja placa fosse ANA 8892. E você pensaria: ―Carácules! Dentre todas as combinações possíveis para a placa do meu carro, calhou de ser justamente esta! É muita coincidência! Alguém deve ter mexido uns pauzinhos para me agradar!! Papai, foi o Senhor???‖ É, Ana, pode ter sido seu pai. Mas quanto ao universo, pode ser apenas que o conceito de ―finamente ajustado‖ seja fruto da nossa mania de grandeza, pois, como escreveu Hugh J. McCann, ―Leis científicas são proposições (…). Elas existem em nossas cabeças e nas páginas dos nossos livros, e mais em nenhum outro lugar. E elas não governam nada. Em vez disso, são apenas descrições que fazemos sobre o jeito que as coisas são‖. ** Eu, por mim, só digo que um Criador Todo-Poderoso poderia ter criado o universo independentemente da ―permissão‖ das constantes universais da Física. Já pensou a cara de espanto dos nossos físicos? ‖ — Cara, pelos meus cálculos, esse elétron não poderia estar aí!…‖ O argumento ontológico: 1. É possível que um ser supremo exista. 2. Se é possível que um ser supremo exista, então um ser supremo existe em algum mundo possível. 3. Se um ser supremo existe em algum mundo possível, então ele existe em cada mundo possível. 4. Se um ser supremo existe em cada mundo possível, então ele existe ―neste‖ mundo. 5. Se um ser supremo existe ―neste‖ mundo, então um ser supremo ―existe‖.

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Entendeu agora o que são e para que servem os argumentos cosmológicos? Eu entendi: é apenas o estrebuchamento intelectual da mente religiosa pensante que, ao se dar conta de que a Bíblia é uma prova cabal de que Deus é uma autêntica invenção humana, começou a entrar em desespero… (*) Todos os argumentos cosmológicos deste post são traduções que fiz do livro The Future of Atheism. (**) Mesma fonte acima. Três deuses, um funeral (parte 8) Publicado em 23/06/2010 por Barros

Touro: Seja cauteloso com as finanças; evite gastar mais do que possa pagar. Cor: azul. Número da sorte: 14.‖ Inúmeras pessoas ao redor do mundo se viciaram em abrir o jornal todos os dias pela manhã, ou um site específico, e ir direto ler o horóscopo. Não seria um absurdo pensar que elas fazem isso porque acreditam realmente que astrologia seja algo confiável, uma coisa que faça parte do mundo real, assim como a gravidade. Mas, apesar dessa crença mundialmente difundida, apesar da sua longevidade e do número de pessoas que não saem de casa sem ler sua ―previsão astrológica‖, astrologia é um embuste, uma fraude. Qualquer ser humano poderia facilmente chegar a essa conclusão, desde que se dispusesse a fazer alguns poucos questionamentos a si mesmo, em vez de simplesmente aceitar que sua vida é ―regida‖ pela posição de determinados corpos celestes. O crente em astrologia poderia se perguntar: 1. Seria aceitável dizer que ‗seja cauteloso nas finanças; evite gastar mais do que possa pagar‘ é uma previsão?

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2. São realmente os planetas que estão me dizendo que eu vou me enrolar feio com as contas do mês se a fatura do meu cartão de crédito for o dobro do meu salário? 3. Seria minimamente concebível que a posição no firmamento de corpos celestes gigantescos, a milhões de quilômetros de distância, sugiram que eu deva usar azul em vez de vermelho, por exemplo, e que meu ―número da sorte‖ seja 14 e não 15? (E o que diabos eu deveria fazer com esse número isolado? Se os astros estão influenciando minha vida e preocupados com minha sorte, só iriam ajudar se gerassem grupos de 6 ―números da sorte‖ por dia.) 4. Quando eu leio o horóscopo em vários jornais, revistas e sites, por que eles não são exatamente iguais? Um astrólogo ―leu‖ nos astros que eu deveria ficar de olho nas minhas finanças e outro que eu deveria cuidar mais da minha alimentação? Um decodificou a mensagem que diz que eu devo ser menos perfeccionista no trabalho e outro que o momento é propício para investir num novo relacionamento? Por que eles não leem a ―previsão‖ completa e fazem um horóscopo apenas? 5. Por que o horóscopo sempre traz ―previsões‖ tão frouxas como ―Hoje você poderá precisar da ajuda de um amigo―? Ora: ―poderá precisar‖ não é lá uma ―previsão‖, pois eu e qualquer um ―poderá‖ precisar de ajuda todos os dias da vida. E, caso venha mesmo a precisar, não seria muito inteligente de minha parte esperar que a ajuda viesse de um ―inimigo‖. 6. Por que uma ―previsão astrológica‖ nunca é algo direto e totalmente verificável como ―Você será atropelado‖, ou ―Você descobrirá que foi vítima de traição amorosa‖? Os astrólogos conseguem me dizer que cor usar, mas não que vou sofrer um acidente, ou que vou perder a namorada? 7. E se eu for atropelado no dia em que o meu horóscopo tiver ―previsto‖ que isso iria acontecer, eu devo esperar que todas as outras pessoas na Terra do mesmo signo que eu também sejam atropeladas? Ou devo concluir que o posicionamento dos astros naquele dia originaram uma previsão exclusiva para mim, deixando toda uma décima segunda parte da população mundial sem nada? Perguntas simples de se fazer, e a resposta é ainda mais simples: astrologia é uma superstição tola. Mas, talvez, uma grande parte das pessoas que chegassem a essa conclusão nem notassem o benefício que essa constatação lhes traria, pois iriam se concentrar apenas na perda do prazer de ler seu horóscopo todas as manhãs. Se já é difícil livrar o viciado do vício, quando o próprio quer se ver livre dele, mais difícil se torna quando ele não está disposto a se desfazer de seu oásis de prazeres! Se eu desenrolo esse argumento para um crente em astrologia, muito provavelmente ele terá um alarme soando na sua cabeça tentando despertá-lo para a realidade; mas, muito provavelmente, também, vai ter uma outra parte do seu cérebro dizendo que eu sou um idiota a quem ele não deveria dar ouvidos. Com o crente em Deus ocorre praticamente a mesma coisa, e as pessoas de fé, invariavelmente, reagem ou com violência (verbal/física), ou com o nariz empinado de quem ―não precisa provar nada‖, quando diante de indagações que lhes inspiram a visão desesperadora do sepultamento da sua divindade.

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Não é à toa que ateus incomodam tanto os religiosos. Cada um de nós carrega uma pá. Três deuses, um funeral (parte 9) Publicado em 29/06/2010 por Barros

Do mesmo modo que qualquer crente em astrologia poderia chegar sozinho à conclusão de que seu horóscopo é apenas um amontoado de frases tolas, escritas por alguém que está ―ganhando a vida‖ graças à crença de muitos de que essas frases tolas são ―previsões do futuro lidas nas estrelas…‖, o crente em Deus, ou qualquer outro deus, também poderia chegar à conclusão de que sua religião é apenas um clube cujos membros conhecem e veneram uma coletânea de crendices que mantêm todo um sistema ―rodando‖ graças ao jogo de faz de conta chamado fé. Exatamente como no caso da astrologia, a ideia de Deus também sucumbiria na mente do religioso que se dispusesse a fazer algumas poucas perguntas a si mesmo. 1. Por que eu acredito em Deus e não em Lord Brahma, por exemplo? 2. Por que eu insisto em dizer que é Deus que me protege de todo mal, se, na verdade, sou eu que tomo todas as precauções possíveis para evitar situações de risco, claramente não confiando na exclusiva proteção divina? 3. Por que Deus atende a certos pedidos que faço em oração, mas não a todos? [―Deus sabe o que é melhor para mim? Uai! Me livrar desse câncer no cérebro não seria melhor para mim?‖] 4. Por que ninguém que eu conheço foi curado de paralisia, cegueira, ou de uma outra deficiência física, ou de uma doença grave, enquanto o pastor da minha igreja cura 4 paralíticos, 6 cegos e 16 tipos diferentes de câncer a cada culto? 5. Por que eu nunca li a Bíblia, se acredito que ela é a palavra escrita do meu Deus? [Faça a seguinte pergunta aos religiosos que você conhece: ―Você já leu toda a Bíblia?‖. As respostas são as mais diversas e engraçadas, mas querem dizer sempre a mesma coisa: ―não‖.] 6. Por que eu agradeço a Deus quando coisas boas acontecem e não agradeço a Deus quando coisas ruins acontecem? Deus pode interferir no mundo de modo que eu consiga um emprego, mas não pode interferir no mundo de modo a evitar que minha filha de 5 anos seja estuprada e morta por espancamento?

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7. Por que eu faço tantos pedidos a Deus que, se atendidos, irão interferir drasticamente na minha vida, se eu acredito que Deus já tem um plano traçado para minha existência? 8. Por que eu não sigo exatamente, fielmente, e constantemente os mandamentos divinos e todos os ensinamentos de Jesus Cristo, dentre eles, largar tudo o que eu tenho e sair por aí pregando o Evangelho? 9. Por que todos os crentes em Deus não estão aí pelo mundo bem vestidos, alimentados e com uma vida relativamente decente, visto que eles certamente teriam pedido isso ao Pai Celeste, que alimenta os pássaros, que não semeiam nem armazenam em celeiros, e veste os lírios, que não tecem e nem fiam? 10. Por que um religioso que é acometido de uma doença grave não se conforma com ―os desígnios do Deus que escreve certo por linhas tortas‖, e, em vez disso, procura na medicina um modo de adiar a morte, que o levaria para perto do seu Criador, contrariando certamente a vontade Dele, que, ao que parece, queria vê-lo o mais breve possível? Para um ateu, que já está de fora desse sistema pernicioso chamado religião, é relativamente fácil achar que qualquer crente poderia chegar sozinho à conclusão de que está sendo enganado e, então, abandonar sua crença, mas isso seria um equívoco. Como todo viciado, o religioso não tem condições de dominar o vício, e é dominado por ele. Enquanto ele não se fizer esse tipo de questionamento, ou, pelo menos, enquanto ele não abandonar a hipocrisia que não o deixa dar respostas honestas a essas perguntas, os prazeres que o seu vício lhe propicia estarão garantidos; e é exatamente isso o que ele quer. O crente em Deus é, antes de tudo, um hipócrita. Três deuses, um funeral (parte 10) Publicado em 13/07/2010 por Barros E ele lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.‖ (Lucas 16:15) Deve ser mesmo abominação para Deus o fato de nós, homens, hoje tratarmos as mulheres como iguais; deve ser abominação para Deus não nos importarmos com o uso que as pessoas fazem de suas cavidades corporais; deve ser abominação para Deus não sairmos por aí apedrejando qualquer um que não cumpra os seus mandamentos ridículos. A Bíblia diz (não é assim que eles sempre começam?) que Deus conhece os nossos corações. E diz também que Deus precisou testar Abraão e Jó para saber justamente o que ia nos corações deles. Eu, se fosse cristão, iria me sentir mais confortável na minha crença se meu livro sagrado não estivesse repleto de contradições como essa. É por isso que o crente nunca tem argumentos convincentes que sustentem sua discussão com alguém de fora do seu clubezinho de orações. Tudo o que ele tem para fundamentar sua crença é sua Bíblia e um monte de fé, que bem medido e bem pesado é o mesmo que nada. Mas ele não pensa assim… Porque ele é um hipócrita.

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Certamente não um hipócrita consciente, porque todo o mecanismo que sustenta suas ilusões foi desenvolvido para incrustar-se no seu cérebro e operar de forma autônoma e silenciosa; um autoexecutável, como os vírus que infestam nossos computadores. Mas um hipócrita não é menos hipócrita por conta disso. O crente é hipócrita porque respalda sua fé no livro sagrado que ele sequer conhece; e, se conhece, é hipócrita porque não aceita enxergar o que esse livro realmente é: uma coleção de textos de vários autores, sobre vários assuntos, compilados dentre muitos por um homem igual a mim, que teve seus motivos, ou suas ordens, para escolher uns e rejeitar outros. O crente é hipócrita porque, apesar de apregoar aos quatro ventos o contrário — na esperança de iludir e de iludir-se — , não confia exclusivamente no seu Deus para sua proteção pessoal ou para lhe restituir a saúde, por exemplo, e porque justifica tal comportamento com desculpas esfarrapadas, completamente inúteis num universo em que Deus existisse. O crente é hipócrita porque atribui à sua divindade os favores que supostamente recebe em resposta às suas preces, e porque a desculpa por outros pedidos que, embora mais necessários à sua própria felicidade e bem-estar, nunca são atendidos. O crente é hipócrita porque descaradamente atribui o alastramento de denominações religiosas a uma suposta recrudescência da fé, e não ao tino comercial de um sem-número de xamãsmultimídia e à proliferação incontrolável de profetas de fundo de quintal, feiticeiros de paletó e gravata que aprenderam a multiplicar dinheiro em altares erigidos sobre mesas de plástico. O crente é hipócrita porque cultua, pratica, defende e professa uma religião que não conhece; e é hipócrita porque fecha os olhos para os erros, descabimentos e contradições que essa religião encerra, e a toda sorte de perniciosidade que ela absolve, produz ou incentiva. O crente é hipócrita porque diz amar sua divindade, sendo que o que ele sente por ela não tem absolutamente nada a ver com amor — e, em Deus existindo, a recíproca seria verdadeira. O crente é hipócrita porque alega ter conhecimentos que não tem, por venerar valores e princípios que não segue, e por contrair votos que não cumpre. O crente aceita convicções alheias que foram disseminadas através de gerações de forma impositiva sem se dar ao trabalho de questionar nem entender, e chama a isso de fé, quando, na verdade, é apenas hipocrisia.

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Três deuses, um funeral (fim) Publicado em 20/07/2010 por Barros Impeça o religioso de ser hipócrita no modo como vive a sua crença e ele será obrigado a acompanhar a morte do seu deus. No caso do cristianismo, dos seus deuses: Deus, Jesus e o Espírito Santo. Sem a hipocrisia, tudo o que sobra ao crente é a sua fé. E fé, segundo Mark Twain, ―é acreditar em algo que você sabe que não é verdade‖. Fé é apenas a vontade manifesta que as pessoas têm de que as coisas sejam do jeito que elas gostariam que fossem. Só que o mundo não funciona assim. O mundo funciona de um jeito que nos mostra, a cada momento, que toda religião é uma farsa altamente prejudicial à humanidade como um todo e a cada indivíduo em particular. Alguns, entretanto, um dia se dão conta da imbecilidade em que estão metidos e da inutilidade da veneração a um mito. A partir daí, o caminho é um só: às vezes com mais sofrimento, às vezes com menos — ou sem nenhum, como foi no meu caso — , o ex-devoto vela seu Deus morto por uns poucos instantes, avalia todo o tempo que perdeu chafurdando naquele lamaçal de tolices e recomeça uma nova vida num mundo que ele, até então, desconhecia. O que eu mesmo perdi quando sepultei esses três deuses? Perdi o direito de acesso a um clube gigantesco e onipresente repleto de atrações e com infinitas possibilidades de conhecer moças bonitas a todo instante. E só.

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Mas o que eu ganhei valeu muito a pena. Eu ganhei imunidade contra toda e qualquer entidade malévola, às quais me ensinaram a culpar pelas coisas ruins que me aconteciam; ganhei a consciência de que eu sou uma pessoa boa, honesta e decente graças a meus pais, e não ao medo de ser punido pela minha divindade mentalmente perturbada, ou ao desejo de ser por ela recompensado; ganhei autonomia ao adquirir o hábito de contar apenas com meus próprios recursos e competência para obter o que desejo ou preciso, parabenizando-me quando obtenho êxito, e me conformando quando fracasso; ganhei o direito de não precisar ser hipócrita durante todas as horas do dia em que passo acordado. Eu ganhei a oportunidade de tentar, dentro das minhas possibilidades e limitações, aproveitar ao máximo a única vida que terei. Eu sepultei três deuses num mesmo dia e lhes providenciei um funeral rápido e sem lágrimas. Poderia me definir, hoje, simplesmente como sendo um ateu. Mas eu sou bem mais do que isso. Assim como todos os outros que já enterraram os seus próprios deuses, eu represento o mais recente salto evolutivo da nossa espécie. Depois do Homo habilis, do Homo erectus e do Homo sapiens, enfim, o Homo conscius: mortal, filho do carbono e do amoníaco; mas completamente desperto! Nós, ateus, somos a aurora de uma nova raça humana.

Jesus Cristo A maior invenção da indústria da fé http://ceticismo.net/religiao/a-maior-farsa-de-todos-os-tempos/

Sumário Jesus, a maior invenção da indústria da fé ............................................................... 83 A falta de evidência Histórica para Jesus ............................................................... 95

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Jesus Cristo nunca existiu ................................................................................... 108 As provas e contra provas ................................................................................. 110 As falsificações .................................................................................................. 123 O doloroso silêncio histórico ............................................................................. 125 Um Jesus Cristo não histórico.............................................................................. 126 Jesus e o tempo................................................................................................. 131 Jesus Cristo nos Evangelhos .............................................................................. 133 Jesus Cristo é um milagre ................................................................................. 134 Jesus Cristo, um mito bíblico ............................................................................. 136 As contradições sobre Jesus Cristo ...................................................................... 139 As contradições evangélicas .............................................................................. 141 Algumas fontes do cristianismo ........................................................................... 142 Jesus Cristo, uma cópia religiosa ....................................................................... 145 Os deuses redentores ........................................................................................ 147 Jesus Cristo é um mito solar .............................................................................. 148 Outras fontes do cristianismo .............................................................................. 149 Judaísmo e cristianismo .................................................................................... 151 O cristianismo sem Jesus Cristo .......................................................................... 153 1 - Nem só Jesus Cristo tinha poder .................................................................... 155 2 - O Messias Desmascarado ............................................................................... 157 3 - Revelada a origem da construção do mito de Jesus ....................................... 166 4 - As mil faces de Jesus: O mau-caratismo religioso .......................................... 168 5 - Jesus Cristo e Super-Homem: A necessidade do herói mítico ......................... 185

Jesus, a maior invenção da indústria da fé Quando confrontados com um defensor do cristianismo, imediatamente aponte que a existência de Jesus não foi provada. Quando os defensores cristãos argumentam, usualmente apelam mais para as emoções do que para a razão, e tentarão te deixar embaraçado ao negar a historicidade de Jesus. A resposta habitual é qualquer coisa do gênero de ―Negar a existência de Jesus não é tão tolo como negar a existência de Júlio César ou da Rainha Isabel?‖. Uma variação popular desta resposta, usada especialmente contra os Judeus é ―Negar a existência de Jesus não é como negar o Holocausto?‖. Então aponte que há amplas fontes históricas que confirmam a existência de Júlio César, da Rainha Isabel ou de qualquer outro que for nomeado, enquanto que não existe evidência correspondente para Jesus. Para ser perfeitamente direto, arranje um tempo para fazer alguma investigação sobre as personagens históricas mencionadas pelos defensores do cristianismo e apresente fortes evidências da sua existência. Ao mesmo tempo desafie os defensores cristãos a mostrar evidência similar da existência de Jesus. Aponte que embora a existência de Júlio César ou da Rainha Isabel, etc. seja universalmente aceita, o mesmo já não acontece com Jesus.

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No Extremo Oriente, onde as maiores religiões são o Budismo, o Xintoísmo, o Taoísmo e o Confucionismo, Jesus é considerado como mais uma personagem da mitologia religiosa ocidental, junto com Thor, Zeus e Osíris. A maioria dos Hindus não acredita em Jesus, mas os que acreditam consideram que ele é uma das muitas encarnações do deus hindu Vishnu. Os muçulmanos certamente acreditam em Jesus, mas rejeitam a história do Novo Testamento e consideram que ele foi um profeta que anunciou a vinda de Maomé. Eles negam explicitamente que ele tenha sido crucificado. Em resumo, não há uma história de Jesus que seja uniformemente aceite pelo mundo inteiro. É este fato que põe Jesus num nível diferente para personalidades históricas estabelecidas. Se os defensores do cristianismo usarem o ―argumento do Holocausto‖, aponte que o Holocausto está bem documentado e que existem numerosos relatos de testemunhas oculares. Aponte que a maior parte das pessoas que negam o Holocausto eram semeadores de ódio antissemítico com credenciais fraudulentas. Por outro lado, milhões de pessoas honestas na Ásia, que fazem a maioria da população mundial, não conseguiram ser convencidos pela história cristã de Jesus na medida em que não há nenhuma evidência constrangedora da sua autenticidade. Os defensores do cristianismo insistirão que a história de Jesus é um fato bem estabelecido e irão argumentar que existe ―muitas evidências que comprovam isso‖. Insista em ver essas evidências e se recuse a ouvir enquanto eles não apresentarem. Se Jesus não foi um personagem histórico, de onde veio toda a história do Novo Testamento em primeiro lugar? O nome Hebreu para os Cristãos sempre foi Notzrim. Este nome é derivado da palavra hebraica neitzer, que significa broto ou rebento – um claro símbolo Messiânico. Já havia pessoas chamadas Notzrim no tempo do Rabbi Yehoshua ben Perachyah (100 A.E.C.). Apesar de os modernos Cristãos afirmarem que o Cristianismo só começou no primeiro século depois de Cristo, é claro que os Cristãos do primeiro século em Israel se consideravam como sendo a continuação do movimento Notzri, que existia à cerca de 150 anos. Um dos mais notáveis Notzrim foi Yeishu ben Pandeira, também conhecido como Yeishu ha-Notzri. Os estudiosos do Talmude sempre mantiveram que a história de Jesus começou com Yeishu. O nome Hebreu para Jesus sempre foi Yeishu, e o Hebreu para ―Jesus de Nazaré‖ sempre foi ―Yeishu ha-Notzri‖ (o nome Yeishu é um diminutivo do nome Yeishua, e não de Yehoshua.) É importante notar que Yeishu ha-Notzri não é um Jesus histórico, uma vez que o Cristianismo moderno nega alguma conexão entre Jesus e Yeishu e, além do mais, partes do mito de Jesus são baseadas em outras personagens históricas além de Yeishu. Sabemos pouco sobre Yeishu ha-Notzri. Todos os trabalhos modernos que o mencionam são baseados em informação retirada do Tosefta e do Baraitas – escritos feitos ao mesmo tempo do Mishna, mas não contidos neste. Porque a informação histórica sobre Yeishu é tão danosa para o Cristianismo, muitos autores Cristãos (e também muitos Judeus) tentaram desacreditar esta informação e inventaram muitos argumentos engenhosos para a explicarem. Muitos dos seus argumentos são baseados em mal entendidos e citações errôneas do Baraitas, e para se ter uma imagem exata de Yeishu devem-se ignorar os autores cristãos e examinar o Baraitas diretamente. A insuficiente informação contida no Baraitas é a seguinte: o Rabi Yehoshua ben Perachyah, num dado momento, repeliu Yeishu. As pessoas pensavam que Yeishu era um feiticeiro, considerando que ele tinha levado os Judeus a desencaminharem-se. Como resultado de acusações feitas contra ele (os detalhes das quais não são conhecidos, mas provavelmente envolveriam alta traição), Yeishu foi apedrejado e o seu corpo foi pendurado na véspera da

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Passagem. Antes disto, ele foi exibido durante 40 dias com um arauto que ia à sua frente anunciando que ele iria ser apedrejado e chamando por gente para avançar e o defenderem. Todavia, nada foi trazido em seu favor. Yeishu tinha cinco discípulos: Mattai, Naqai, Neitzer, Buni e Todah. No Tosefta e no Baraitas, o nome do pai de Yeishu é Pandeira ou Panteiri. Estes são formas Hebreu-Aramaicas de um nome Grego. Em Hebreu, a terceira consoante do nome é escrito com um dalet ou com um tet. Comparando com outras palavras Gregas transliteradas para Hebreu mostra que o original Grego devia ter tido um delta como sua terceira consoante, e assim a única possibilidade para o nome Grego do pai é Panderos. Como os nomes Gregos eram comuns entre os Judeus durante a época dos Macabeus, não é necessário assumir que ele era Grego, como alguns autores fizeram. A relação entre Yeishu e Jesus é corroborada pelo fato de que Mattai e Todah, os nomes de dois dos discípulos de Yeishu, serem as formas originais hebraicas de Mateus e Tadeu, nomes de dois dos discípulos de Jesus na mitologia cristã. Os primeiros cristãos estavam também cientes do nome ―ben Pandeira‖ para Jesus. O filósofo pagão Celso, que foi famoso pelos seus argumentos contra o Cristianismo, reivindicou em 178 D.E.C. que tinha ouvido a um Judeu que a mãe de Jesus, Maria, se tinha divorciado do seu marido, um carpinteiro, depois de se ter provado que ela era uma adúltera. Ela vagueou em vergonha e deu à luz Jesus em segredo. O seu verdadeiro pai era um soldado chamado Pantheras. De acordo com o escritor Cristão Epifânio (c. 315 – 403 D.E.C.), o apologista Cristão Orígenes (c. 185 – 254 D.E.C.) tinha afirmado que ―Panther‖ era o apelido de Jacob, o pai de José, o padrasto de Jesus. É de notar que a afirmação de Orígenes não é baseada em nenhuma informação histórica. É puramente uma conjectura cujo objetivo era explicar a história de Pantheras de Celso. Essa história é também não histórica. A reivindicação de que o nome da mãe de Jesus era Maria e a pretensão de que o seu marido era um carpinteiro é tirada diretamente das crenças Cristãs. A afirmação de que o pai verdadeiro de Jesus se chamava Pantheras é baseada numa tentativa incorreta de reconstruir a forma original de Pandeira. Esta reconstrução incorreta foi provavelmente influenciada pelo fato de o nome Pantheras ser encontrado entre os soldados Romanos. Porque é que as pessoas acreditavam que a mãe de Jesus se chamava Maria e o seu marido se chamava José? Porque é que os não cristãos acusavam Maria de ser uma adúltera enquanto que os cristãos acreditavam que ela era virgem? Para responder a essas questões teremos que examinar algumas das lendas sobre Yeishu. Não se pode esperar obter a verdade absoluta sobre as origens do mito de Jesus, mas podemos mostrar que existem alternativas razoáveis para a aceitação cega do Novo Testamento. O nome José para o nome do padrasto de Jesus é fácil de explicar. O movimento Notzri era particularmente popular entre os Judeus Samaritanos. Enquanto que os Fariseus estavam à espera de um Messias que seria um descendente de David, os Samaritanos queriam um Messias que viesse restaurar o reino nortenho de Israel. Os Samaritanos enfatizavam a sua descendência parcial das tribos de Efraim e Manassés, que descendiam do José da Tora. Os Samaritanos consideravam-se como sendo ―Bnei Yoseph‖, ou seja, ―filhos de José‖, e como acreditavam que Jesus tinha sido o seu Messias, teriam assumido que era um ―filho de José‖. A população de língua Grega, que tinha pouco conhecimento de Hebreu e das verdadeiras tradições Judaicas, poderia facilmente ter mal entendido este termo e presumir que José era o

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nome verdadeiro do pai de Jesus. Esta conjectura é fortalecida pelo fato que de acordo com o Evangelho segundo S. Mateus, o pai de José se chama Jacob, tal como o do José da Tora. Mais tarde, outros Cristãos que seguiam a ideia de que o Messias seria um descendente de David, tentaram seguir o curso de José até David. Chegaram a duas genealogias contraditórias para ele, uma registrada no Evangelho segundo S. Mateus e a outra no Evangelho segundo S. Lucas. Quando a ideia de que Maria era virgem desenvolveu, o mítico José foi relegado para a posição de ser simplesmente o seu marido e o padrasto de Jesus. Para se perceber de onde a história de Maria veio, teremos que nos virar para outra personagem histórica que contribuiu para o mito de Jesus, e que é ben Stada. Toda a informação que temos sobre ben Stada advém novamente do Tosefta e do Baraitas. Há ainda menos informação sobre ele do que sobre Yeishu. Algumas pessoas acreditavam que ele tinha trazido encantamentos do Egito num corte da sua carne, outros pensavam que ele era um louco. Ele era um trapaceiro e foi apanhado pelo método da testemunha escondida, sendo apedrejado em Lod. No Tosefta, ben Stada é chamado ben Sotera ou ben Sitera. Sotera parece ser a forma Hebreu-Aramaica do nome Grego Soteros. As formas ―Sitera‖ e ―Stada‖ parecem ter surgido como más interpretações e erros de soletração (yod substituindo vav e dalet substituindo reish.) Como havia tão pouca informação acerca de ben Stada, muitas hípoteses surgiram sobre quem ele era. É conhecido da Gemara que ele era confundido com Yeishu. Isto provavelmente resultou do fato de que ambos foram executados por ensinamentos traidores e estarem associados à feitiçaria. As pessoas que confundiam ben Stada com Yeishu tiveram que explicar o porquê dele também ser chamado ben Pandeira. Como o nome ―Stada‖ se parece com a expressão aramaica ―stat da‖, que significa ―ela se desencaminhou‖, pensou-se que ―Stada‖ se referia à mãe de Yeishu e que ela era uma adúltera. Consequentemente, as pessoas começaram a pensar que Yeishu era o filho ilegítimo de Pandeira. Estas ideias são de fato mencionadas na Gemara e são provavelmente mais antigas. Como ben Stada viveu nos tempos Romanos e o nome Pandeira se assemelhava com o nome Pantheras encontrado entre os soldados Romanos, assumiu-se que Pandeira tinha sido um soldado Romano estacionado em Israel. Isto certamente explica a história mencionada por Celso. O Tosefta menciona um caso famoso de uma mulher chamada Miriam bat Bilgah que casou com um soldado Romano. A ideia de que Yeishu tinha nascido de uma mulher judia que tinha tido um caso com um soldado Romano provavelmente resultou da confusão entre a mãe de Yeishu e esta Míriam. O nome ―Míriam‖ é, claro, a forma original do nome ―Maria‖. É de fato conhecido através do Gemara que algumas das pessoas que confundiam Yeishu com ben Stada acreditavam que a mãe de Yeishu era ―Míriam, a cabeleireira de mulheres‖. A história de que Maria (Míriam), mãe de Jesus, era uma adúltera, era certamente não aceitável para os primeiros Cristãos. A história da virgem que deu à luz foi provavelmente inventada para limpar o nome de Maria. Os primeiros Cristãos não inventaram isto do nada. Histórias de virgens que davam à luz eram comuns nos mitos pagãos. As seguintes personagens mitológicas eram tidas como nascidas de virgens fecundadas divinamente: Rómulo e Remo, Perseu, Zoroastro, Mitra, Osíris-Aion, Agdistis, Attis, Tammuz, Adónis, Korybas, Dioniso.

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As crenças pagãs em uniões entre deuses e mulheres, não considerando se elas eram virgens ou não, é ainda mais comum. Acreditava-se que muitas personagens da mitologia pagã eram filhas de pais divinos e mães humanas. A crença Cristã de que Jesus era o filho de Deus nascido de uma virgem é típica de uma superstição Greco-Romana. O filósofo Judeu Phílon de Alexandria (c. 25 A.E.C. – 50 D.E.C.), avisou contra a superstição bastante espalhada da crença de uniões entre homens deuses e mulheres humanas que retornavam a mulher a um estado de virgindade. O deus Tammuz, adorado pelos pagãos no norte de Israel, era dado como nascido da virgem Myrrha. O nome Myrrha assemelha-se superficialmente a ―Maria/Míriam‖, e é possível que esta particular história de uma virgem que deu à luz tenha influenciado a história de Maria mais que as outras. Tal como Jesus, Tammuz foi sempre chamado Adon, que significa ―Senhor‖ (A personagem Adonis da mitologia Grega é baseada em Tammuz.) Como veremos mais tarde, a relação entre Jesus e Tammuz vai mais longe que isto. A ideia de que Maria tinha sido uma adúltera nunca desapareceu completamente na mitologia Cristã. Em vez disso, a personagem de Maria foi dividida em duas: Maria, a mãe de Jesus, que se acreditava ser uma virgem, e Maria Magdalena, que se acreditava ser uma mulher de má fama. A ideia de que a personagem de Maria Madalena é também derivada de Míriam, a mítica mãe de Yeishu, é corroborada pelo fato de o estranho nome ―Magdalena‖ se assemelhar claramente ao termo aramaico ―mgadala nshaya‖, que significa ―cabeleireira de mulheres‖. Como se mencionou anteriormente acreditava-se que a mãe de Yeishu era ―Míriam, a cabeleireira de mulheres‖. Porque os Cristãos não sabiam o que o nome ―Magdalena‖ significava, mais tarde conjecturaram que isso significava que ela tinha vindo de um lugar chamado Magdala, a oeste do lago Kinneret. A idéia das duas Marias assentava bem na forma pagã de pensamento. A imagem de Jesus sendo seguido pelas duas Marias lembra bastante Dioniso sendo seguido por Deméter e Perséfone. A Gemara contém uma lenda interessante acerca de Yeishu, que tenta ilucidar o Beraitas, que diz que o Rabi Yehoshua ben Perachyah repeliu Yeishu. A lenda afirma que quando o rei Asmoneu Alexandre Janeus estava matando os Fariseus, então o Rabi Yehoshua e Yeishu fugiram para o Egito. Quando voltaram, chegaram a uma estalagem. A palavra aramaica ―aksanya‖ tanto significa ―estalagem‖ como ―estalajadeiro (a)‖. O Rabi Yehoshua observou o quão belo a ―arksanya‖ era (referindo-se à estalagem) Yeishu (referindo-se à estalajadeira) replicou que os olhos dela eram muito estreitos. O Rabi Yehoshua zangou-se bastante com Yeishu e excomungou-o. Yeishu pediu que o perdoasse muitas vezes, mas o Rabi Yehoshua não o perdoava. Uma vez, quando o Rabi Yehoshua estava a recitar a Shema, Yeihsu veio falar com ele. O Rabi fez-lhe um sinal de que devia esperar. Yeishu não entendeu e pensou que estava a ser rejeitado novamente. Ele zombou do Rabi Yehoshua fazendo um tijolo e o adorando. O Rabi Yehoshua disse-lhe para ele se arrepender, mas ele recusou, dizendo que tinha aprendido com ele que a alguém que peca e leva muitos a pecar não é dada a oportunidade de se arrepender. Esta história, que começa com os eventos da estalagem, é bastante semelhante com outra lenda em que o protagonista não é o Rabi Yehoshua, mas o seu discípulo Yehuda ben Tabbai. Nesta lenda, Yeishu não é nomeado. Pode-se então questionar se Yeishu foi realmente ao Egito ou não. É possível que Yeishu tenha sido confundido com algum outro discípulo do Rabi Yehoshua ou do Rabi Yehuda. A confusão pode ter resultado de Yeishu ser confundido com ben Stada, que tinha regressado do Egito. Por outro lado, Yeishu poderia ter mesmo fugido para o

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Egito e regressado, e isto, por seu turno, poderia ter contribuído para a confusão entre Yeishu e ben Stada. Qualquer que seja o caso, a crença que Yeishu tenha fugido para o Egito para escapar à matança de um rei cruel parece ser a origem da crença Cristã de que Jesus e a sua família fugiram para o Egito para escapar ao Rei Herodes. Como os primeiros Cristãos acreditavam que Jesus tinha vivido nos tempos Romanos é natural que tenham confundido o rei cruel que tinha querido matar Jesus com Herodes, pois não havia outros reis cruéis adequados durante o período Romano. Yeishu era adulto no tempo em que os Rabis fugiram de Alexandre Janeus; porque é que os Cristãos acreditavam que Jesus e a sua família tinham fugido para o Egito quando Jesus era criança? Porque é que os Cristãos acreditavam que o rei Herodes tinha ordenado que todos os bebês nascidos em Belém fossem mortos, quando não há evidência histórica disso? Para responder a estas questões temos novamente que recorrer à mitologia pagã. O tema de uma criança divina ou semidivina que é temida por um rei cruel é muito comum na mitologia pagã. A história usual é que o rei cruel recebe uma profecia de que certa criança vai nascer e vai usurpar o trono. Em algumas histórias a criança é nascida de uma virgem e usualmente é filho de um deus. A mãe da criança tenta escondê-lo. O rei normalmente ordena a matança de todos os bebês que possam ser o profetizado rei. Exemplos de mitos que seguem este enredo são as histórias de nascimento de Rómulo e Remo, Perseu, Krishna, Zeus e Édipo. Apesar de os literalistas da Tora não gostarem de admiti-lo, a história do nascimento de Moisés também se assemelha à destes mitos (alguns dos quais afirmam que a mãe pôs a criança num cesto e o colocou num rio). Existiam provavelmente várias histórias destas circulando no Levante que se perderam. O mito Cristão da matança dos inocentes por Herodes é simplesmente uma versão Cristã deste tema. O enredo era tão conhecido que um sábio Midrashic não resistiu a usá-lo para um relato apócrifo do nascimento de Abraão. Os primeiros cristãos acreditavam que o Messias iria nascer em Belém. Esta crença é baseada numa má interpretação de Miquéias 5, 2, que simplesmente nomeia Belém como a cidade onde a linhagem Davidiana começou. Como os primeiros cristãos acreditavam que Jesus era o Messias, eles automaticamente acreditaram que ele tinha nascido em Belém. Mas porque é que os Cristãos acreditavam que ele tinha vivido em Nazaré? A resposta é bem simples. Os primeiros cristãos de língua grega não sabiam o que a palavra ―Nazareno‖ significava. A forma primitiva Grega desta palavra é ―Nazoraios‖, que deriva de ―Natzoriya‖, o equivalente aramaico do Hebreu ―Notzri‖ (lembre-se que ―Yeishu ha-Notzri‖ é o original Hebreu para ―Jesus, o Nazareno‖.) Os primeiros Cristãos pensaram que ―Nazareno‖ significava uma pessoa de Nazaré, e assim assumiu-se que Jesus tinha vivido em Nazaré. Ainda hoje, os cristãos alegremente confundem as palavras hebraicas ―Notzri‖ (Nazareno, Cristão), ―Natzrati‖ (Nazareno, natural de Nazaré) e ―nazir‖ (nazarite), todas as quais têm significados completamente diferentes. A informação no Talmude (que contém o Baraitas e o Gemara) acerca de Yeishu e ben Stada é tão danosa para o Cristianismo que os Cristãos sempre tomaram medidas drásticas contra ela. Quando os Cristãos descobriram a informação, tentaram imediatamente apagá-la censurando o Talmude. A edição de Basileia do Talmude (c. 1578 – 1580) tinha todas as passagens relacionadas com Yeishu e ben Stada apagadas pelos Cristãos. Ainda hoje, as edições do Talmude usadas pelos educadores Cristãos não têm estas passagens! Durante as primeiras décadas deste século, ferozes batalhas académicas irromperam violentamente entre educadores Cristãos e Ateus acerca das verdadeiras origens do

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Cristianismo. Os Cristãos foram forçados a enfrentarem a evidência Talmudica. Não podiam mais ignorar isso e assim, em vez disso, decidiram atacá-lo. Afirmaram que o Yeishu Talmudico era uma distorção do ―Jesus histórico‖. Afirmaram que o nome ―Pandeira‖ era simplesmente uma tentativa hebraica para pronunciar a palavra Grega para virgem – ―parthenos‖. Apesar de haver uma parecença superficial entre as palavras, temos de notar que para ―Pandeira‖ derivar de ―parthenos‖, o ―n‖ e o ―r‖ têm de trocar de posições. No entanto, os Judeus não sofriam de nenhum impedimento linguístico que causasse isto! A resposta Cristã é que possivelmente os Judeus alteram propositadamente a palavra ―parthenos‖ para os nomes ―Pantheras‖ (encontrado na história de Celso) ou para ―pantheros‖, que significa pantera, e ―Pandeira‖ é derivado da palavra deliberadamente alterada. Este argumento também é falho, pois a terceira consoante da palavra ―parthenos‖ alterada e inalterada é theta. Esta letra é sempre transliterada pela letra hebraica taw, cuja pronuncia durante os tempos clássicos muito se assemelhava a essa letra Grega. Contudo, o nome ―Pandeira‖ nunca é soletrado com um taw, mas com um dalet ou um tet, o que mostra que a forma original Grega tinha um delta como sua terceira consoante, e não um theta. O argumento Cristão pode-se também voltar contra si: talvez os Cristãos deliberadamente alterassem ―Pantheras‖ para ―parthenos‖ quando inventaram a história da virgem que deu à luz. Também é de notar que a semelhança entre ―Pantheras‖ (ou ―pantheros‖) é muito menor quando escrita em Grego, pois na formação original Grega as suas segundas vogais são completamente diferentes. Os Cristãos também não aceitaram que Maria Magdalena estivesse ligada a Miriam, a alegada mãe de Yeishu no Talmude. Eles argumentaram que o nome ―Magdalena‖ significa uma pessoa de Magdala e que os Judeus inventaram ―Miriam, a cabeleireira de mulheres‖ (mgdala nshaya) para zombar dos Cristãos ou porque eles próprios se equivocaram quanto ao nome ―Magdalena‖. Este argumento também é falso. Primeiramente, ignora a gramática Grega: o Grego correto para ―de Magdala‖ é ―Magdales‖, e o Grego correto para uma pessoa de Magdala é ―Magdalaios‖. A raiz Grega original para ―Magdalena‖ é ―Magdalen-‖, com um ―n‖ distinto mostrando que a palavra não tem nada a ver com Magdala. Em segundo lugar, Magdala só obteve o seu nome após os Evangelhos terem sido escritos. Antes disso era chamada Magadan ou Dalmanutha (apesar de ―Magadan‖ ter um ―n‖, falta-lhe o ―l‖, e, portanto não pode ser a derivação de ―Magdalena‖.) De fato, a comunidade Cristã alterou o nome para Magdala às ruínas desta área porque acreditavam que Maria Magdalena tinha vindo de lá. Os Cristãos também afirmam que a palavra ―Notzri‖ significa uma pessoa de Nazaré. Isto, claro, é falso, pois a palavra hebraica para Nazaré é ―Natzrat‖ e uma pessoa de Nazaré é uma ―Natzrati‖. O nome ―Notzri‖ não tem a letra taw de ―Natzrat‖, e assim não pode derivar daí. Os Cristãos argumentam que talvez o nome aramaico para Nazaré fosse ―Natzarah‖ ou ―Natzirah‖ (como o moderno nome árabe), o que explica o taw que falta em ―Notzri‖. Isto também não tem senso pois a palavra aramaica para alguém da Nazaré seria ―Natzaratiya‖ ou ―Natziratyia‖ (com um taw, pois a terminação feminina ―-ah‖ vira ―-at-‖ quando o sufixo ―-yia‖ é adicionado), e além do mais, a forma aramaica não seria usada em Hebreu. Os Cristãos também apareceram com outros argumentos variados que podem ser desmascarados uma vez que eles confundem as palavras hebraicas ―Notzri‖ e ―nazir‖, ou ignoram o fato de que ―Notzri‖ é a primitiva forma da palavra ―Nazareno‖.

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Para resumir, todos os argumentos Cristãos foram baseados em mudanças fonéticas e formas gramaticais impossíveis, e foram, consequentemente, desmistificadas. Além do mais, apesar das lendas na Gemara não possam ser tidas como fatos, a evidência no Baraitas e no Tosefta sobre a Yeishu pode nos levar de volta até Yehoshua ben Perachyah, Shimon ben Shetach e Yehuda ben Tabbai, enquanto que a evidência no Baraitas e no Tosefta sobre a ben Stada no leva até o Rabi Eliezer ben Hyrcanus e seus discípulos, que foram contemporâneos de ben Stada. Consequentemente, esta evidência pode ser encarada como historicamente certa. Por isso os Cristãos modernos não mais atacam o Talmude, mas em vez disso negam qualquer relação entre Jesus e Yeishu ou ben Stada. Eles desmistificam as similaridades como puras coincidências. No entanto, ainda temos que estar atentos aos falsos ataques contra o Talmude pois muitos livros Cristãos ainda os mencionam e podem ressurgir de tempos em tempos. Muitas partes da história de Jesus não são baseadas em Yeishu ou ben Stada. A maior parte das denominações Cristãs afirma que Jesus nasceu a 25 de Dezembro. Originalmente, os Cristãos orientais acreditavam que ele tinha nascido a 6 de Janeiro. Os Cristãos armênios ainda seguem esta primitiva crença enquanto que muitos Cristãos consideram que essa é a data da visita dos Magos. Como já foi apontado anteriormente, Jesus foi provavelmente confundido com Tammuz, nascido da virgem Myrrha. Sabe-se que nos tempos Romanos os deuses Tammuz, Aion e Osíris eram comuns. Dizia-se que Osíris-Aion tinha nascido da virgem Geb em 6 de Janeiro, e isto explica a data primitiva para o Natal. Geb era, às vezes, representada como uma vaca sagrada e o seu templo era um estábulo, que é provavelmente a origem da crença Cristã de que Jesus nasceu num estábulo. Embora alguns possam pensar que esta afirmação é forçada, é tido como um fato que algumas facções Cristãs primitivas consideravam Jesus e Osíris nos seus escritos. A data de 25 de Dezembro para o Natal era originalmente a data pagã do aniversário do deus sol, cujo dia da semana é ainda conhecido como Sun-day (inglês). O halo de luz que é usualmente mostrado à volta da face de Jesus e dos santos Cristãos é outro conceito tirado do deus sol. O tema da tentação por uma criatura diabólica também é encontrado na mitologia pagã. A história da tentação de Jesus por Satã, em particular, parece-se com a tentação de Osíris pelo deus diabólico Set na mitologia egípcia. Já tínhamos sugerido que havia uma relação entre Jesus e o deus pagão Dioniso. Como Dioniso, o menino Jesus foi posto com fraldas numa manjedoura; como Dioniso, Jesus podia tornar água em vinho; como Dioniso, Jesus viajou de burro e deu de comer a uma multidão num ermo; como Dioniso, Jesus sofreu e foi objeto de escárnio. Alguns primitivos Cristãos afirmavam que Jesus tinha de fato nascido, não num estábulo, mas numa caverna – como Dioniso. De onde é que a história de que Jesus foi crucificado veio? Parece ter resultado de várias origens. Em primeiro lugar, houve três personagens históricas durante o período Romano que as pessoas pensavam ser o Messias e que foram crucificadas pelos Romanos, a saber, Yehuda da Galileia (6 D.E.C.), Theudas (44 D.E.C.) e Benjamim, o Egípcio (60 D.E.C.). Dado que se pensava que estas três pessoas eram o Messias, elas foram naturalmente confundidas com Yeishu e ben Stada. Yehuda da Galileia tinha pregado na Galileia e tinha arranjado muitos seguidores antes de ser crucificado pelos Romanos. A história do ministério

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de Jesus na Galileia parece ter sido baseada na vida de Yehuda da Galileia. Esta história e a crença de que Jesus viveu em Nazaré na Galileia se reforçaram mutuamente. A crença de que alguns dos discípulos de Jesus foram mortos em 44 D.E.C. por Agripa parece ser baseado no destino dos discípulos de Theuda. Dado que ben Stada tinha vindo do Egito é natural que ele tenha sido confundido com Benjamim, o Egípcio. Eles foram também, provavelmente, contemporâneos. Alguns escritores modernos até sugeriram que eles foram a mesma pessoa, apesar disso não ser possível, pois as histórias das suas mortes são completamente diferentes. Nos Atos dos Apóstolos do Novo Testamento, que usa o livro de Flávio Josefo ―Antiguidades Judaicas‖ (93 – 94 D.E.C.) como referência, é deixado claro que o autor considerou Jesus, Yehuda da Galileia, Theudas e Benjamim, o Egípcio como quatro pessoas diferentes. No entanto, naquela altura já era muito tarde para anular as confusões que já tinham acontecido antes do Novo Testamento ter sido escrito, e a ideia da crucificação de Jesus tinha-se tornado uma parte integral do mito. Em segundo lugar, surgiu a ideia de que Jesus tinha sido executado na véspera da Passagem. Esta crença é aparentemente baseada na execução de Yeishu. A Passagem ocorre no Equinócio da Primavera, um evento considerado importante pelos astrólogos durante o Império Romano. Os astrólogos pensavam nesta época como a época do cruzamento de dois círculos celestes astrológicos, e este evento era simbolizado por uma cruz. Deste modo, acreditava-se que Jesus tinha morrido ―na cruz‖. O mau entendimento deste termo por aqueles que não eram iniciados nos cultos astrológicos foi outro fator que contribuiu para a crença de que Jesus tenha sido crucificado. Num dos primeiros documentos Cristãos (os ―Ensinamento dos Doze Apóstolos‖), não há menção de Jesus ter sido crucificado, e o sinal de uma cruz no céu é usado para representar a chegada de Jesus. É de notar que o centro da superstição astrológica no Império Romano foi a cidade de Tarso na Ásia Menor – o lugar de onde o lendário missionário S. Paulo veio. A idéia de que uma estrela especial tenha anunciado o nascimento de Jesus e que um eclipse solar tenha ocorrido na sua morte é típica da superstição astrológica Tarsiana. O terceiro fator que contribuiu para a história da crucificação é, outra vez, a mitologia pagã. O tema de uma divindade ou semi-divindade sendo sacrificada contra uma árvore, poste ou cruz, e depois ressuscitando, é muito comum na mitologia pagã. Foi encontrado nas mitologias de todas as civilizações ocidentais, estendendo-se desde um extremo oeste como a Irlanda até um extremo leste como a Índia. Em particular, é encontrado nas mitologias de Osíris e Attis, ambos os quais eram muitas vezes identificados com Tammuz. Osíris acabou com os seus braços esticados numa árvore tal como Jesus na cruz. Esta árvore era, às vezes, mostrada como um poste com dois braços esticados – o mesmo aspecto da cruz Cristã. Na adoração de Serapis (uma composição de Osíris e Apis), a cruz era um símbolo religioso. De fato, o símbolo da ―cruz Latina‖ Cristã parece ser baseado diretamente no símbolo da cruz de Osíris e Serapis. Os Romanos nunca usaram esta cruz tradicional Cristã para as crucificações, eles usavam cruzes com a forma de um X ou de um T. O hieróglifo de uma cruz numa colina era associado a Osíris. Este hieróglifo representava o ―Good One‖ (inglês), em Grego ―Chrestos‖, um nome aplicado a Osíris e outros deuses pagãos. A confusão deste nome com ―Christos‖ (= Messias, Cristo) reforçou a confusão entre Jesus e os deuses pagãos. No equinócio da Primavera, os pagãos do norte de Israel celebravam a morte e ressurreição de Tammuz-Osíris, nascido de uma virgem. Na Ásia Menor (onde as primeiras igrejas Cristãs se estabeleceram), uma celebração similar era feita para Attis, também nascido de uma virgem. Attis era mostrado como morrendo contra uma árvore, sendo enterrado numa gruta e depois

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ressuscitando ao terceiro dia. Agora se vê de onde a história da ressurreição de Jesus veio. Na adoração de Baal, acreditava-se que Baal tinha enganado Mavet (o deus da morte) no equinócio da Primavera. Ele se fez de morto e depois apareceu vivo. Ele teve sucesso neste ardil dando o seu único filho como sacrifício. A ocorrência da Passagem na mesma época do ano que as ―Páscoas‖ pagãs não é coincidência. Muitos dos costumes da Pessach foram designados como alternativas Judaicas aos costumes pagãos. Os pagãos acreditavam que quando o seu deus da natureza (como Tammuz, Osíris ou Attis) morria e ressuscitava, a sua vida ia para as plantas usadas pelo homem como comida. O matza feito da colheita da Primavera era o seu novo corpo e o vinho das uvas era o seu novo sangue. No Judaísmo, o matza não era usado para representar o corpo de um deus, mas o pão de homem pobre que os Judeus comeram antes de saírem do Egito. Os pagãos usavam o sacrifício pascal para representar o sacrifício de um deus ou do seu filho único, mas o Judaísmo usou-o para representar a refeição comida antes de saírem do Egito. Em vez de contarem histórias de Baal a sacrificar o seu filho varão a Mavet, os Judeus contavam como o mal‘ach ha-mavet (o anjo da morte) matou os filhos varões dos Egípcios. Os pagãos comiam ovos para representar a ressurreição e renascimento do seu deus natureza, mas o ovo no seder representa o renascimento do povo Judeu ao escapar cativeiro no Egito. Quando os primeiros Cristãos se deram conta das similaridades entre costumes da Pessach e os costumes pagãos, eles deram a volta completa e converteram costumes da Pessach de volta às suas velhas interpretações pagãs. da do os os

A seder tornou-se a última ceia de Jesus, similar à última ceia de Osíris, comemorada no equinócio da Primavera. O matza e o vinho tornaram-se novamente no corpo e sangue de um falso deus, desta vez Jesus. Os ovos da Páscoa são novamente comidos para comemorar a ressurreição de um ―deus‖ e também o ―renascimento‖ obtido pela aceitação do seu sacrifício na cruz. O mito da última ceia é particularmente interessante. Como foi mencionada, a ideia básica da última ceia ocorrer no equinócio de inverno vem da história da última ceia de Osíris. Na história Cristã, Jesus está presente com doze apóstolos. De onde é que a história dos doze apóstolos veio? Parece que na primeira versão a história era entendida como uma alegoria. A primeira vez que doze apóstolos são mencionados é no documento conhecido como ―Ensinamentos dos Doze Apóstolos‖. Este documento aparentemente teve origem num documento sectário Judeu escrito no primeiro século D.E.C., mas foi adotado pelos Cristãos, que o alteraram substancialmente e adicionaram-lhe ideias Cristãs. Nas primeiras versões é claro que os ―doze apóstolos‖ são os doze filhos de Jacob representando as doze tribos de Israel. Os Cristãos, mais tarde, consideraram os ―doze apóstolos‖ como sendo alegóricos discípulos de Jesus. Na mitologia egípcia, Osíris foi traído na sua última ceia pelo deus diabólico Set, que os Gregos identificavam como Typhon. Esta parece ser a origem da ideia de que o traidor de Jesus estava presente na sua última ceia. A ideia de que este traidor se chamava ―Judas‖ vem do tempo em que os doze apóstolos eram ainda entendidos como sendo os filhos de Jacob. A ideia de Judas (= Judah, Yehuda) traindo Jesus (o ―filho‖ de José) é uma forte reminiscência da história do José da Tora sendo traído pelos seus irmãos com Yehuda como líder da traição. Esta alegoria consideravam seria particularmente apelativa para os Samaritanos Notzrim, que se filhos de José, traídos pelos Judeus ortodoxos (representados por

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Judas/Yehuda). No entanto, a história dos doze apóstolos perdeu a sua interpretação alegórica original, e os Cristãos começaram a pensar que os ―doze apóstolos‖ eram doze pessoas reais que seguiram Jesus. Os Cristãos tentaram encontrar nomes para estes doze apóstolos. Mateus e Tadeu foram baseados em Mattai e Todah, dois dos discípulos de Yeishu. Um ou os dois apóstolos chamados Jacobus (Tiago) é possivelmente baseado no Jacob de Kfar Sekanya, um primitivo Cristão conhecido do rabi Eliezer ben Hyrcanus, mas isto é apenas uma suposição. Como já vimos, a personagem de Judas é majoritariamente baseado no Judah da Tora, mas poderá haver também uma ligação com um contemporâneo de Yeishu, Yehuda ben Tabbai, o discípulo do Rabi Yehoshua ben Perachyah. Como já foi mencionada, a ideia do traidor na última ceia é derivada da mitologia de Osíris, que foi traído por Set-Typhon. SetTyphon tinha cabelo ruivo, e esta é provavelmente a origem da afirmação de que Judas tinha o cabelo ruivo. Esta ideia levou ao retrato estereotipo Cristão de que os Judeus têm cabelo ruivo, não obstante o fato de que, na realidade, o cabelo ruivo é de longe mais comum entre Arianos do que entre Judeus. O apelido ―Iscariotes‖ é muitas vezes atribuído a Judas. Em algumas partes onde os Novos Testamentos Ingleses têm ―Iscariotes‖, o texto Grego realmente tem ―apo Kariotou‖, que significa ―de Karyot‖. Karyot era o nome de uma cidade em Israel, provavelmente o moderno lugar conhecido em árabe como Karyatein. Portanto, vê-se que o nome Iscariotes é derivado do Hebreu ―ish Karyot‖, que significa ―homem de Karyot‖. Esta é a compreensão do nome aceita hoje em dia pelos Cristãos. No entanto, no passado, os Cristãos entendiam mal este nome, e nasceram lendas de que Judas era da cidade de Sychar, que ele era um membro do partido extremista conhecido como Sicarii, e que ele era da tribo de Issacar. O mais interessante mal entendimento do nome é a sua primitiva confusão com a palavra scortea, que significa ―bolsa de couro‖. Isto levou ao mito do Novo Testamento de que Judas carregava uma bolsa, o que por sua vez levou à crença de que ele era o tesoureiro dos apóstolos. O apóstolo Pedro parece ser uma personagem largamente ficcional. De acordo com a mitologia Cristã, Jesus escolheu-o para ser o ―guardião das chaves do reino dos céus‖. Isto é claramente baseado na divindade pagã egípcia Petra, que era o porteiro do céu e da vida após a morte, governados por Osíris. Temos também de duvidar da história de Lucas ―o médico‖, que era suposto ser amigo de Paulo. O original Grego para Lucas é Lycos, que era outro nome para Apolo, o deus da cura. João Batista é largamente baseado numa personagem histórica que praticava imersão ritual na água como um símbolo físico de arrependimento. Ele não realizava batismos sacramentais ao estilo Cristão para purificar as almas das pessoas – tal ideia era totalmente estranha ao Judaísmo. Ele foi condenado à morte por Herodes Antipas, que temeu que ele estivesse prestes a começar uma rebelião. O nome de João em Grego era ―Ioannes‖, e em latim ―Johannes‖. Apesar de estes nomes serem usualmente usados para o nome Hebreu Yochanan, é improvável que este tenha sido o verdadeiro nome Hebreu de João. ―Ioannes‖ assemelha-se a ―Oannes‖, o nome Grego para o deus pagão Ea. Oannes era o ―Deus da Casa de Água‖. Batismos sacramentais para purificação mágica das almas era uma prática que aparentemente originou a adoração de Oannes. A mais provável explicação do nome de João e a sua relação com Oannes é a de que João provavelmente ostentou o apelido ―Oannes‖, dado que ele praticava o batismo, que tinha adaptado do culto de Oannes. O nome ―Oannes‖ foi mais tarde

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confundido com ―Ioannes‖ (de fato, a lenda do Novo Testamento que diz respeito a João providencia uma pista de que o seu verdadeiro nome talvez tenha sido Zacarias.) É sabido, dos escritos de Flávio Josefo, que o João histórico rejeitou a interpretação pagã do batismo como ―purificação de almas‖. Os Cristãos, no entanto, voltaram a esta interpretação pagã original. O deus Oannes era associado com a constelação do Capricórnio. Tanto Oannes como a constelação do Capricórnio eram associados com a água (a constelação é suposto representar uma mítica criatura marítima com o corpo de peixe e as partes dianteiras de um bode). Já vimos que a Jesus é dado a mesma data de nascimento do deus sol (25 de Dezembro), quando o sol está na constelação de Capricórnio. Os pagãos pensavam neste período como onde o deus Sol imerge nas águas de Oannes e emerge renascido (o Solstício de Inverno, quando os dias começam a ficarem maiores, ocorre perto de 25 de Dezembro.) Este mito astrológico é aparentemente a origem da história de que Jesus foi batizado por João. Provavelmente começou como uma história astrológica alegórica, mas parece que o deus Oannes mais tarde foi confundido com a personagem histórica de apelido Oannes (João.) A crença de que Jesus tinha conhecido João contribuiu para a crença de que a pregação e crucificação de Jesus tenham ocorrido quando Pôncio Pilatos era procurador da Judeia. É de notar que muitas das datas para Jesus citadas pelos Cristãos são completamente absurdas. Jesus foi em parte baseado em Yeishu e ben Stada, que provavelmente viveram com mais de um século de diferença. Ele foi também baseado nos três falsos Messias Yehuda, Theudas e Benjamim, que foram crucificados pelos Romanos em várias épocas diferentes. Outro fato que contribuiu para a datação confusa de Jesus foi que Jacob de Kfar Sekanya e provavelmente também outros Notzrim usavam expressões como ―assim fui ensinado por Yeishu ha-Notzri‖, apesar dele não ter sido ensinado por Yeishu em pessoa. Sabemos da Gemara que o testemunho de Jacob levou o Rabi Eliezer ben Hyrcanus a incorretamente concluir que Jacob era um discípulo de Yeishu. Isto sugere que havia rabis que não sabiam que Yeishu tinha vivido nos tempos Asmoneus. Mesmo depois dos Cristãos situarem Jesus no primeiro século D.E.C., a confusão continuou entre os não-Cristãos. Houve um contemporâneo do Rabi Akiva chamado Pappus ben Yehuda que costumava trancar a sua esposa infiel. Sabemos da Gemara que algumas pessoas que confundiam Yeishu e ben Stada também confundiam a mulher de Pappus com Míriam, a infiel esposa de Yeishu. Isto iria situar Yeishu mais de dois séculos depois do que ele atualmente viveu! A história do Novo Testamento confunde tantos períodos históricos que não há maneira de reconciliá-la com a História. O ano tradicional do nascimento de Jesus é 1 D.E.C. Era suposto Jesus não ter mais de dois anos de idade quando Herodes ordenou a matança dos inocentes. No entanto, Herodes morreu antes de 12 de Abril do ano 4 A.E.C.. Isto levou alguns Cristãos a redatarem o nascimento de Jesus entre 6 – 4 A.E.C.. No entanto, Jesus era também suposto ter nascido durante o censo de Quirinius. Este censo teve lugar depois de Arquelau ter sido deposto em 6 D.E.C., dez anos depois da morte de Herodes. Era suposto Jesus ter sido batizado por João logo depois de João ter começado a batizar e a pregar, no décimo quinto ano do reinado de Tibério, i.e., 28 – 29 D.E.C., quando Pôncio Pilatos foi governador da Judeia, i.e., 26 – 36 D.E.C. De acordo com o Novo Testamento, isto também aconteceu quando Lysanias foi tetrarca de Abilene e Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. Mas Lysanias governou Abilene de c. 40 A.E.C. até ser executado em 36 A.E.C. por Marco

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António, cerca de 60 anos antes da data para Tibério, e cerca de 30 anos antes do suposto nascimento de Jesus! Além do mais, nunca houve dois sumos sacerdotes juntos, em particular, Anás não foi sumo sacerdote juntamente com Caifás. Anás foi retirado do ofício de sumo sacerdote em 15 D.E.C., depois de ficar no ofício por nove anos. Caifás só se tornou sumo sacerdote em 18 D.E.C., cerca de três anos depois de Anás (ele ficou no ofício durante cerca de 18 anos, e assim as suas datas são consistentes com Tibério e Pôncio Pilatos, mas não com Anás ou Lysanias.) Apesar dos Atos dos Apóstolos apresentarem Yehuda da Galileia, Theudas e Jesus como três pessoas diferentes, situa incorretamente Theudas (crucificado no ano 44 D.E.C.) antes de Yehuda, que menciona corretamente como tendo sido crucificado durante o censo (6 D.E.C.) Muitos destes absurdos cronológicos parecem ser baseados em leituras mal interpretadas e mal entendimentos do livro de Flávio Josefo ―Antiguidades Judaicas‖, que foi usado como referência pelo autor do Evangelho segundo S. Lucas e dos Atos dos Apóstolos. A história do julgamento de Jesus é também altamente suspeita. Tenta claramente aplacar os Romanos enquanto difama os Judeus. O Pôncio Pilatos histórico era arrogante e déspota. Ele odiava os Judeus e nunca delegou nenhuma autoridade a eles. No entanto, na mitologia Cristã, ele é retratado como um governante preocupado que se distancia das acusações contra Jesus e que foi forçado a obedecer às pretensões dos Judeus. De acordo com a mitologia Cristã, em cada Passagem os Judeus pediam a Pilatos para libertar um criminoso qualquer que eles escolhessem. Isto é, claro, uma mentira espalhafatosa. Os Judeus nunca tiveram o costume de libertar criminosos culpados na Passagem ou em qualquer outra época do ano. De acordo com o mito, Pilatos deu aos Judeus a chance de libertar Jesus, o Cristo, ou um assassino chamado Jesus Barrabás. Os Judeus supostamente escolhem Jesus Barrabás. A falta de evidência Histórica para Jesus A resposta Cristã habitual para os que questionam a historicidade de Jesus é manusear vários documentos como ―evidência histórica‖ para a existência de Jesus. Eles normalmente começam com os evangelhos canônicos, ou seja, O Evangelho segundo S. Mateus, O Evangelho segundo S. Marcos, O Evangelho segundo S. Lucas e O Evangelho segundo S. João. A afirmação habitual é a de que estes são ―registros de testemunhas oculares sobre a vida de Jesus feitos pelos seus discípulos‖. A resposta a este argumento pode ser resumido numa palavra – pseudepigráfico. Este termo refere-se a trabalhos de escrita cujos autores ocultam as suas verdadeiras identidades atrás de nomes de personagens lendárias do passado. A escrita pseudepigráfica era particularmente popular entre os Judeus durante os períodos Asmoneu e Romano, e este estilo de escrita foi adotado pelos primeiros Cristãos. Os evangelhos canônicos não são os únicos evangelhos. Por exemplo, há também evangelhos de Maria, Pedro, Tomé e Filipe. Estes quatro evangelhos são reconhecidos como sendo pseudepigráficos tanto por escolares Cristãos como não Cristãos. Eles providenciam uma informação histórica ilegítima dado que foram baseados em rumores e crenças. A existência destes óbvios evangelhos pseudepigráficos faz com que seja bastante racional suspeitar que os evangelhos canônicos poderão também ser pseudepigráficos. O fato de que os primeiros Cristãos escreviam evangelhos pseudepigráficos sugere que isto era de fato a norma. Deste modo, é quando os missionários afirmam que os evangelhos canônicos não são pseudepigráficos que requer provas.

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O Evangelho segundo S. Marcos é escrito no nome de S. Marcos, o discípulo do mítico S. Pedro (S. Pedro é majoritariamente baseado no deus pagão Petra, que era o porteiro do céu e da vida depois da morte na religião egípcia.) Até na mitologia Cristã S. Marcos não era discípulo de Jesus, mas um amigo de S. Paulo e S. Lucas. O Evangelho segundo S. Marcos foi escrito antes do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas (c. de 100 D.E.C.), mas depois da destruição do Templo em 70 D.E.C., que menciona. Muitos Cristãos acreditam que foi escrito em c. 75 D.E.C. Esta data não é baseada em História, mas na crença de que um histórico S. Marcos escreveu o evangelho na sua velhice. Isto não é possível, dado que o estilo de linguagem usada em S. Marcos mostra que foi escrita (provavelmente em Roma) por um Romano convertido ao Cristianismo, cuja primeira língua era Latim e não Grego, Hebreu ou Aramaico. De fato, como todos os outros evangelhos são escritos em nome de personagens lendárias do passado, o Evangelho segundo S. Marcos foi provavelmente escrito muito depois de algum Marcos histórico (se houve um) ter morrido. O conteúdo do Evangelho segundo S. Marcos é uma coleção de mitos e lendas que foram juntos de forma a formar uma narrativa contínua. Não há provas de que tenha sido baseado em qualquer fonte histórica de confiança. O Evangelho segundo S. Marcos foi alterado e editado muitas vezes, e a versão moderna provavelmente data de cerca de 150 D.E.C. Clemente de Alexandria (c. de 150 D.E.C. – c. de 215 D.E.C.) queixou-se acerca das versões alternativas deste evangelho, que ainda circulavam no seu tempo (os Carpocratianos, uma primeira facção Cristã, considerava a pederastia como sendo uma virtude, e Clemente queixou-se da sua versão do Evangelho segundo S. Marcos, que contava as explorações homossexuais de Jesus com rapazes novos!). O Evangelho segundo S. Mateus certamente não foi escrito pelo apóstolo S. Mateus. A personagem de S. Mateus é baseada na personagem histórica chamada Mattai, que era um discípulo de Yeishu ben Pandeira (Yeishu, que viveu nos tempos Asmoneus, foi uma das várias pessoas históricas em quem a personagem de Jesus foi baseada.) O Evangelho segundo S. Mateus foi originalmente anônimo e só foi lhe foi imputado o nome de S. Mateus depois, durante a primeira metade do segundo século D.E.C. A forma primitiva foi provavelmente escrita mais ou menos ao mesmo tempo do Evangelho de S. Lucas (c. de 100 D.E.C.), pois nenhum dos dois parece saber do outro. Foi alterado e editado até cerca de 150 D.E.C. Os primeiros dois capítulos, que tratam da virgem dando a luz, não estavam na versão original, e os Cristãos de Israel com descendência Judaica preferiram esta primeira versão. Para suas fontes, usou o Evangelho segundo S. Marcos e uma coleção de ensinamentos referidos como a Segunda Fonte (ou o Documento Q.) A Segunda Fonte não sobreviveu como um documento isolado, mas todos os seus conteúdos são encontrados no Evangelho segundo S. Marcos e no Evangelho segundo S. Lucas. Todos os ensinamentos aí contidos podem ser encontrados no Judaísmo. Os ensinamentos mais razoáveis podem ser encontrados no Judaísmo ortodoxo, enquanto que os menos razoáveis podem ser encontrados no Judaísmo sectário. Não há nada nele que requeira a nossa suposição da existência de um Jesus histórico real. Apesar do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas atribuírem os ensinamentos neles contidos a Jesus, a Epístola de S. Tiago atribui-os a S. Tiago. Como foi visto, o Evangelho segundo S. Mateus não providencia nenhuma evidência histórica para Jesus. O Evangelho de S. Lucas e o livro dos Atos dos Apóstolos (que eram duas partes de um mesmo trabalho) foram escritos em nome da personagem mitológica Cristã de S. Lucas, o médico (que provavelmente não foi uma personagem histórica mas uma adaptação Cristã do deus Grego da cura Lycos.) Até na mitologia Cristã S. Lucas não foi um discípulo de Jesus, mas

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um amigo de S. Paulo. O Evangelho segundo S. Lucas e os Atos dos Apóstolos usam o livro de Flávio Josefo, ―Antiguidades Judaicas‖, como referência, e assim não podiam ter sido escritos antes de 93 D.E.C. Nesta altura, qualquer amigo de S. Paulo estaria ou morto ou bem senil. De fato, tanto estudiosos Cristãos como não Cristãos estão de acordo de que as primeiras versões dos dois livros foram escritas por um Cristão anônimo em c. 100 D.E.C., e foram alterados e editados até c. 150 – 175 D.E.C. Além do livro de Flávio Josefo, o Evangelho segundo S. Lucas e os Atos dos Apóstolos também usam o Evangelho de S. Marcos e a Segunda Fonte como referências. Apesar de Flávio Josefo ser considerado mais ou menos de confiança, o autor anônimo muitas vezes lê ou entende mal Flávio Josefo, e, além disso, nenhuma das informações acerca de Jesus no Evangelho segundo S. Lucas e nos Atos dos Apóstolos vem de Flávio Josefo. Como se vê, o Evangelho segundo S. Lucas e os Atos dos Apóstolos não têm valor histórico. O Evangelho segundo S. João foi escrito em nome do apóstolo S. João, o irmão de S. Tiago, filho de Zebedeu. O autor do Evangelho segundo S. Lucas usou tantas fontes quantas pode obter, mas ele não tinha conhecimento do Evangelho segundo S. João. Assim, o Evangelho segundo S. João não podia ter sido escrito antes do Evangelho segundo S. Lucas (c. 100 D.E.C.) Conseqüentemente, o Evangelho segundo S. João não podia ter sido escrito pela semimítica personagem de S. João, o apóstolo, que era suposto ter sido morto por Herodes Agripa pouco antes da sua própria morte em 44 D.E.C. (S. João, o apóstolo, é aparentemente baseado num histórico discípulo do falso Messias, Theudas, que foi crucificado pelos Romanos em 44 D.E.C., e cujos discípulos foram assassinados). O autor real do Evangelho segundo S. João foi, de fato, um anônimo Cristão de Éfeso, na Ásia Menor. O fragmento mais velho sobrevivente do Evangelho segundo S. João data de c. 125 D.E.C., e assim podemos datar o Evangelho de c. 100 – 125 D.E.C. Baseados em considerações estilísticas, muitos escolares diminuem a data para c. 100 – 120 D.E.C. A primeira versão do Evangelho segundo S. João não contém o último capítulo, que trata da aparição de Jesus aos seus discípulos. Tal como os outros Evangelhos, o Evangelho segundo S. João provavelmente só chegou a presente forma por volta de 150 – 175 D.E.C. O autor do Evangelho segundo S. João usou o Evangelho segundo S. Marcos frugalmente, e assim pode-se suspeitar que não confiasse nele. Ele ou não tinha lido o Evangelho segundo S. Mateus e o Evangelho segundo S. Lucas ou não confiava neles, pois ele não usa nenhuma informação deles que não tenha sido encontrada no Evangelho segundo S. Marcos. Grande parte do Evangelho segundo S. João consiste em lendas com óbvias interpretações fundamentais alegóricas, e pode-se suspeitar que o autor nunca tencionou que fossem História. O Evangelho segundo S. João não contém nenhuma informação de fontes históricas de confiança. Os Cristãos afirmarão que próprio Evangelho segundo S. João declara que é um documento histórico escrito por S. João. Esta pretensão é baseada nos versos João 19, 34 – 35 e João 21, 20 – 24. João 19, 34 – 35 não afirma que o Evangelho foi escrito por S. João. Afirma que os eventos descritos nos versos imediatamente precedentes foram reportados corretamente por uma testemunha. A passagem é ambígua e não é claro se a testemunha é suposta ser a mesma pessoa que o autor. Muitos estudiosos são da opinião de que a ambiguidade é deliberada e que o autor do Evangelho segundo S. João está a tentar arreliar os seus leitores nesta passagem, bem como nas passagens em que conta histórias miraculosas com interpretações alegóricas.

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João 21, 20 – 24 também não afirma que o autor é S. João. Afirma que o discípulo mencionado na passagem é alguém que testemunhou os eventos descritos. É mais uma vez notavelmente ambíguo no que refere à questão do discípulo ser a mesma pessoa que o autor. É de notar que esta última passagem é no último capítulo do Evangelho segundo S. João, que não fazia parte do Evangelho original, mas que foi adicionado como um epílogo por um redator anônimo. Deve-se ficar consciente para o fato de que muitas traduções ―fáceis de entender‖ do Novo Testamento distorcem as passagens mencionadas para remover a ambiguidade encontrada no original Grego (idealmente, uma pessoa precisa estar familiarizada com o texto original Grego do Novo Testamento de maneira a evitar traduções preconceituosas e corrompidas usadas por fundamentalistas e defensores Cristãos.) De maneira a fazer recuar as suas pretensões de que o Evangelho segundo S. Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus foram escritos pelos ―reais‖ apóstolos S. Marcos e S. Mateus, e que Jesus é uma personagem histórica, os defensores cristãos muitas vezes chamam a atenção para o assim chamado ―testemunho de Papias‖. Papias foi o bispo de Hierápolis (perto de Éfeso) em meados do segundo século D.E.C. Nenhum dos seus escritos sobreviveu, mas o historiador Cristão Eusébio (c. 260 – 339 D.E.C.), no seu livro História Eclesiástica (escrito c. 311 – 324 D.E.C.) parafraseou certas passagens do livro de Papias ―Expondo os Oráculos do Senhor‖ (escrito c. 140 – 160 D.E.C.) Nestas passagens, Papias afirma que tinha conhecido as filhas do apóstolo S. Filipe, e também reportou várias histórias que afirmou terem vindo de pessoas chamadas Aristion e João, o Ancião, que ainda estariam vivos durante a sua própria vida. Eusébio parece ter pensado que Aristion e João, o Ancião eram discípulos de Jesus. Papias afirmava que João, o Ancião tinha dito que S. Marcos tinha sido o intérprete de S. Pedro e tinha escrito exatamente tudo o que S. Pedro tinha escrito sobre Jesus. Papias também afirmou que S. Mateus tinha compilado todos os ―oráculos‖ em Hebreu, e todos os tinham interpretado o melhor que podiam. Nada disto, no entanto, providencia uma evidência histórica legítima de Jesus nem suporta a crença de que o Evangelho segundo S. Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus foram realmente escritos por apóstolos ostentando aqueles nomes. Papias foi um bravateiro e não é de nenhuma maneira certo de que ele tenha sido honesto quando afirmou ter conhecido as filhas de S. Filipe. Mesmo que tivesse, isto iria, no máximo, provar que o apóstolo S. Filipe da mitologia Cristã tinha sido baseado numa personagem histórica. Papias nunca afirmou explicitamente que tinha conhecido Aristion e João, o Ancião. Além do mais, só porque Eusébio no século IV acreditou que tinham sido discípulos de Jesus não quer dizer que tenham sido. Nada é conhecido sobre quem realmente seria Aristion. Ele não é certamente um dos discípulos na usual tradição Cristã. Já vi livros em que certos fundamentalistas Cristãos afirmam que João, o Ancião era o apóstolo S. João, o filho de Zebedeu, e que ele ainda estaria vivo quando Papias era jovem. Eles também afirmam que Papias viveu entre c. 60 – 130 D.E.C., e que ele escreveu o seu livro em c. 120 D.E.C. Estas datas não são baseadas em nenhuma legítima evidência e são um completo disparate: Papias foi bispo de Hierápolis em c. 150 D.E.C. e como foi já mencionado o seu livro foi escrito depois, no período c. 140 – 160 D.E.C. Puxando a data para Papias para 60 D.E.C., ainda não o coloca durante o tempo de vida do apóstolo S. João, que, de acordo com as lendas Cristãs normais, foi morto em 44 D.E.C.

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Além disso, é improvável que João, o Ancião tenha tido alguma coisa a ver com S. João, o apóstolo. De acordo com Epifâneo (c. 320 – 403), um primitivo Cristão chamado João, o Ancião morreu em 117 D.E.C. Tenho mais a dizer sobre ele quando discutirmos as três epístolas atribuídas a S. João. Qualquer que seja o caso, as histórias que Papias colecionou eram contadas pelo menos uma década depois que os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos foram escritos, e refletem rumores e superstições infundadas sobre as origens destes livros. Em particular, a história sobre S. Marcos obtida de João, o Ancião, não é mais que uma elaboração superficial da lenda de S. Marcos encontrada nos Atos dos Apóstolos, e assim não diz nada sobre as verdadeiras origens do Evangelho segundo S. Marcos. A história sobre S. Mateus ter escrito os ―oráculos‖ é simplesmente um rumor e, além disso, não tem nada a ver com o Evangelho segundo S. Mateus. O termo ―oráculos‖ pode ser entendido como uma referência à coleção de escritos conhecidos como ―Oráculos do Senhor‖, que é referido no título do livro de Papias, e que provavelmente é o mesmo que a Segunda Fonte, mas não o Evangelho segundo S. Mateus. Além dos Evangelhos canônicos e dos Atos dos Apóstolos, os defensores do cristianismo também tentam usar as várias epístolas Cristãs como prova da história de Jesus. Eles afirmam que as epístolas são cartas escritas por discípulos e seguidores de Jesus. No entanto, epístolas (do Grego epistole, significando mensagem ou ordem) são livros, escritos sob a forma de cartas (usualmente de personagens lendárias do passado), que expõem doutrinas e instruções religiosas. Esta forma de escrita religiosa foi usada pelos Judeus nos tempos Greco-Romanos (a mais famosa epístola Judaica é a Epístola de Jeremias, que é uma prolongada condenação à idolatria, escrita durante o período Helênico na forma de carta pelo profeta Jeremias à população de Jerusalém mesmo antes deles terem sido exilados para a Babilónia.) Como no caso dos Evangelhos, há epístolas Cristãs que não estão contidas no Novo testamento, que educadores tanto Cristãos como não-Cristãos concordam serem epístolas pseudoepigráficas e de nenhum valor histórico, pois expõem crenças e não História. A existência de epístolas pseudoepigráficas, e verdadeiramente todo o conceito de uma epístola, sugere que as epístolas eram normalmente pseudoepigráficas. Ainda assim, os defensores do cristianismo e os Cristãos fundamentalistas afirmam que as epístolas canônicas são cartas genuínas que requerem provas. A Epístola de S. Judas é escrita em nome de Jude (Judas), o irmão de S. Tiago. De acordo com o Evangelho segundo S. Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus, Jesus tinha irmãos chamados Judas e Tiago. Comparando com outros escritos mostra que a Epístola de S. Judas foi escrita em c. 130 D.E.C., e assim é obviamente pseudoepigráfica. No entanto, não há nenhuma evidência que o seu autor usou alguma fonte histórica legítima no que se refere a Jesus. Duas das epístolas canônicas são escritas em nome de S. Pedro. Dado que S. Pedro é uma adaptação da divindade pagã egípcia Petra, estas epístolas certamente não foram escritas por ele. O estilo e o caráter da Primeira Epístola de S. Pedro sozinhos mostram que não pode ter sido escrita antes de 80 D.E.C. Até de acordo com a lenda Cristã, S. Pedro supostamente morreu no decurso das perseguições instigadas por Nero em c. 64 D.E.C. e, portanto ele não poderia ter escrito a epístola. O autor do Evangelho segundo S. Lucas e dos Atos dos Apóstolos usou todas as fontes escritas que conseguiu obter e tendia a usá-las indiscriminadamente, no entanto ele não menciona

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quaisquer epístolas de S. Pedro. Isto mostra que a Primeira Epístola de S. Pedro foi provavelmente escrita depois do Evangelho segundo S. Lucas e dos Atos dos Apóstolos (c. 100 D.E.C.) Nenhuma das referências a Jesus na Primeira Epístola de S. Pedro é tirada de fontes históricas, mas em vez disso reflete crenças e superstições. A Segunda Epístola de S. Pedro é uma declaração contra os Marcionistas, e, portanto deve ter sido escrita em c. 150 D.E.C. Como se vê, é claramente pseudoepigráfico. A Segunda Epístola de S. Pedro usa como fontes: a história da transfiguração de Jesus encontrada no Evangelho segundo S. Marcos, Evangelho segundo S. Mateus e Evangelho segundo S. Lucas, o Apocalipse de S. Pedro e a Epístola de S. Judas. O não canônico Apocalipse de S. Pedro (escrito provavelmente no primeiro quarto do segundo século D.E.C.) é reconhecido como sendo nãohistórico até pelos fundamentalistas Cristãos. Assim, a Segunda Epístola de S. Pedro também não usa qualquer fonte histórica legítima. Agora voltamo-nos para as epístolas supostamente escritas por S. Paulo. A Primeira Epístola de S. Paulo a Timóteo avisa contra o trabalho Marcionista conhecido como Antithesis. Marcion foi expulso da Igreja de Roma em c. 144 D.E.C. e a Primeira Epístola de S. Paulo a Timóteo foi escrita pouco depois. Como se vê, temos novamente um caso claro de pseudoepigrafia. A Segunda Epístola de S. Paulo a Timóteo e a Epístola de S. Paulo a Tito foram escritas pelo mesmo autor e datam do mesmo período. Estas três epístolas são conhecidas como as ―epístolas pastorais‖. As 10 restantes epístolas ―não pastorais‖ escritas no nome de S. Paulo eram conhecidas por Marcion em c. 140 D.E.C. Algumas delas não foram escritas somente no nome de S. Paulo, mas estão na forma de cartas escritas por S. Paulo em colaboração com vários amigos como Sosthenes, Timóteo e Silas. O autor do Evangelho segundo S. Lucas e dos Atos dos Apóstolos usou todas as vias para obter todas as fontes disponíveis e tendeu a usá-las indiscriminadamente, mas ele não usou nada das epístolas Paulinas. Podemos então concluir que as epístolas não-pastorais foram escritas depois do Evangelho segundo S. Lucas e dos Atos dos Apóstolos no período c. 100 140 D.E.C. A não-canônica Primeira Epístola de Clemente aos Coríntios (escrita c. 125 D.E.C.) usa a Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios como fonte, e portanto podemos reduzir a data para essa epístola para 100 - 125 D.E.C. No entanto, ficamos com a conclusão de que todas as epístolas Paulinas são pseudoepigráficas (o semi-mítico S. Paulo supostamente morreu durante as perseguições instigadas por Nero em c. 64 D.E.C.) Algumas das epístolas Paulinas aparentam terem sido alteradas e revistas numerosas vezes antes de terem chegado às suas formas modernas. Como fontes usam-se mutuamente, e ainda os Atos dos Apóstolos, o Evangelho segundo S. Marcos, o Evangelho segundo S. Mateus, o Evangelho segundo S. Lucas e a Primeira Epístola de S. Pedro. Podemos então concluir que não providenciam nenhuma evidência histórica de Jesus. A Epístola aos Hebreus é uma epístola particularmente interessante, dado que não é pseudoepigráfica mas completamente anônima. O seu autor nem revela o seu próprio nome nem escreve em nome de uma personagem mitológica Cristã. Os Cristãos fundamentalistas clamam ser outra epístola de S. Paulo e de fato chamam-lhe Epístola de S. Paulo aos Hebreus. Esta idéia, aparentemente datando do final do quarto século D.E.C., não é, entretanto aceita por todos os Cristãos. Como fonte para a sua informação sobre Jesus usa material comum ao Evangelho segundo S. Marcos, ao Evangelho segundo S. Mateus e ao Evangelho segundo S. Lucas, mas não fontes legítimas. O autor da Primeira Epístola de São Clemente usou-o como

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fonte, e, portanto deve ter sido escrita antes dessa epístola (c. 125 D.E.C.) mas depois de, pelo menos, o Evangelho segundo S. Marcos (c. 75 - 100 D.E.C.) A Epístola de S. Tiago é escrita no nome de um servo de Jesus chamado Tiago (ou Jacobus).No entanto, na mitologia Cristã havia dois apóstolos chamados Tiago e Jesus também tinha um irmão chamado Tiago. Não é claro qual dos Tiagos é o pretendido, e não há entendimento entre os próprios Cristãos. Cita declarações da Segunda Fonte, mas ao contrário do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas não atribui estas declarações a Jesus, mas apresenta-as como sendo de S. Tiago. Contém um importante argumento contra a doutrina da ―salvação através da fé‖ exposta na Epístola de S. Paulo aos Romanos. Podemos então concluir que foi escrita durante a primeira metade do segundo século D.E.C., depois da Epístola aos Romanos mas antes do tempo em que o Evangelho segundo S. Mateus e o Evangelho segundo S. Lucas foi aceito por todos os Cristãos. Assim, indiferentemente de qual seja o S. Tiago pretendido, a Epístola de S. Tiago é pseudoepigráfica. Não diz quase nada de Jesus e não há evidência de que o autor tinha quaisquer fontes históricas para ele. Há três epístolas com o nome do apóstolo S. João. Nenhuma delas é, de fato, escrita no nome de S. João, e provavelmente só lhes foram atribuídas algum tempo depois de terem sido escritas. A Primeira Epístola de S. João, tal como a Epístola aos Hebreus, é completamente anônima. A ideia de que foi escrita por S. João vem do fato de que usa o Evangelho segundo S. João como fonte. As outras duas epístolas com o nome de S. João foram escritas por um único autor que em vez de escrever em nome de um apóstolo, escolheu simplesmente chamar-se ―o Ancião‖. A ideia de que estas duas epístolas foram escritas por S. João nasceu das crenças de que ―o Ancião‖ se referia a João, o Ancião, e que ele era a mesma pessoa que o apóstolo S. João. No caso da Segunda Epístola de S. João, esta crença foi reforçada pelo fato de que essa epístola também usa o Evangelho segundo S. João como fonte. Podemos então concluir que as primeiras duas epístolas atribuídas a S. João foram escritas depois do Evangelho segundo S. João (c. 110 120 D.E.C.) Consequentemente, nenhuma das três epístolas poderia ter sido escrita pelo apóstolo S. João. Deve-se apontar que é bastante provável que o pseudônimo ―o Ancião‖ se refira à pessoa chamada João, o Ancião, mas se tal assim é, ela certamente não é o apóstolo S. João. As primeiras duas epístolas de S. João apenas usam o Evangelho segundo S. João como fonte para Jesus; elas não usam nenhuma fonte legítima. A Terceira Epístola de S. João menciona ―Cristo‖ escassamente e não há evidências de que tenha usado quaisquer fontes históricas para ele. Além das epístolas com o nome de S. João, o Novo Testamento também contém um livro conhecido como Apocalipse do Apóstolo S. João. Este livro combina duas formas de escrita religiosa, a da epístola e a do apocalipse (apocalipses são trabalhos religiosos que são escritos na forma de revelação acerca do futuro por uma personagem famosa do passado. Estas revelações geralmente descrevem eventos infelizes que ocorrem no tempo em que foram escritas, e também oferecem alguma esperança ao leitor de que as coisas irão melhorar.) Não se sabe por quantas revisões passou o Apocalipse do Apóstolo S. João, e assim é difícil datá-la precisamente. Dado que menciona as perseguições instigadas por Nero, podemos dizer com certeza que não foi escrita antes de 64 D.E.C. Assim sendo, não poderia ter sido escrita pelo ―verdadeiro S. João‖.

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Os primeiros versos formam uma introdução que é claramente entendida como não sendo de S. João, e que providencia uma vaga admissão de que o livro é pseudoepigráfico, apesar do autor sentir que a sua mensagem é inspirada por Deus. O estilo de escrita e as referências à prática de kriobolium (batismo em sangue de ovelha) sugerem que o autor era dessas pessoas de descendência Judaica que misturavam o Judaísmo com práticas pagãs. Havia muitos destes ―Judeus pagãos‖ durante os tempos Romanos, e foram estas pessoas que se tornaram nos primeiros convertidos aos Cristianismo, estabeleceram as primeiras igrejas, e que foram provavelmente responsáveis pela introdução de mitos pagãos na história de Jesus (eles são também lembrados pela sua crença ridícula de que ―Adonai Tzevaot‖ era o mesmo que o deus pagão ―Sebazios‖.) As referências a Jesus no livro são poucas e não há evidências de que são baseadas em nada mais que crença. Além das epístolas aceitas no Novo Testamento, e além das epístolas que são unanimemente reconhecidas como não tendo qualquer valor (como a Epístola de Barnabas), existem também várias epístolas que embora não aceites no Novo Testamento são consideradas de valor por alguns Cristãos. Primeiramente, há as epístolas com o nome de Clemente. Na lenda Cristã, S. Clemente foi o terceiro na sucessão a S. Pedro como bispo de Roma. A Primeira Epístola de S. Clemente aos Coríntios não é, de fato, escrita em nome de Clemente, mas no nome da ―Igreja de Deus que estadia em Roma‖. Refere-se a uma perseguição que é geralmente pensada como tendo ocorrido em 95 D.E.C., no reinado de Domiciano, e refere-se à exoneração dos anciãos da Igreja de Corinto em c. 96 D.E.C. Os Cristãos acreditam que S. Clemente foi bispo de Roma durante esta altura, e esta é aparentemente a razão pela qual a epístola lhe foi mais tarde atribuída. Os Cristãos fundamentalistas acreditam que a epístola foi de fato escrita em 96 D.E.C. Esta data não é possível dado que a epístola se refere a bispos e a padres como grupos separados, uma divisão que não tinha ainda tomado lugar. Considerações estilísticas mostram que foi escrita em c. 125 D.E.C. Como referências, usa a Epístola aos Hebreus e a Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios, mas nenhuma legítima fonte histórica. A Segunda Epístola de S. Clemente é de um autor diferente do primeiro e foi escrita mais tarde. Podemos então concluir que também não foi escrita por S. Clemente (não há evidências de que qualquer uma destas epístolas tenha sido atribuída a S. Clemente antes da sua incorporação na coleção de livros conhecida como o Codex Alexandrinus, no século quinto D.E.C.) Como fontes para Jesus, a Segunda Epístola de S. Clemente usa o Evangelho dos Egípcios, um documento que é rejeitado até pelos mais fundamentalistas Cristãos, e também os livros do Novo Testamento que mostrei não ter valor algum. Assim, e uma vez mais, não temos nenhuma legítima evidência de Jesus. A seguir, temos as epístolas escritas no nome de Inácio. De acordo com a lenda, St. Inácio era o bispo de Antioquia que foi morto durante o reinado de Trajano c. 110 D.E.C. (apesar de ele ser provavelmente baseado numa personagem histórica real, as lendas sobre o seu martírio são largamente ficcionais.) Existem quinze epístolas escritas no seu nome. Destas, oito são unanimemente reconhecidas como sendo pseudoepigráficas e de nenhum valor no que se refere a Jesus. As restantes sete têm cada uma duas formas, uma maior e outra menor. As formas maiores são claramente

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edições alteradas e revistas das formas menores. Os fundamentalistas Cristãos clamam que as formas menores são as cartas genuínas escritas por St. Inácio. A Epístola de St. Inácio aos Esmirnenses menciona a tripla ordenação de bispos, padres e diáconos, que ainda não tinha tido lugar quando da morte de St. Inácio, que ocorreu o mais tardar em 117 D.E.C.,. e que provavelmente aconteceu c. 110 D.E.C. Todas as sete pequenas epístolas atacam várias crenças Cristãs, hoje consideradas heréticas, que só se tornou prevalecente c. 140 – 150 D.E.C. A Epístola de St. Inácio aos Romanos menor contém uma citação dos escritos de St. Ireneu, escrito depois de 170 D.E.C. e publicada c. 185 D.E.C. Podemos então concluir que as sete epístolas menores são também pseudoepigráficas. A Epístola de St. Inácio aos Romanos menor foi certamente escrita depois de 170 D.E.C. (de fato, se não foi escrita por St. Ireneu então foi provavelmente escrita depois de c. 185 D.E.C.) e as outras seis foram escritas não antes do período c. 140 – 150 D.E.C., se não mais tarde. Não há fontes para Jesus nas epístolas de St. Inácio que não sejam os livros do Novo Testamento e os escritos de St. Ireneu, que apenas usa o Novo Testamento. Portanto, elas contêm nenhuma evidência legítima para Jesus. Há também mais duas epístolas que os Cristãos afirmam serem cartas genuínas, a saber, a Epístola de S. Policarpo e o Martírio de S. Policarpo. As epístolas de St. Inácio e as epístolas que dizem respeito a S. Policarpo foram sempre estreitamente associadas. É provável que tenham todas sido escritas pelo escritor Cristão St. Ireneu e seus discípulos. Houve certamente uma primitiva personagem histórica real Cristã chamada Policarpo. Ele foi bispo de Esmirna e foi morto pelos Romanos provavelmente no período de 155 – 165 D.E.C. Quando St. Ireneu era um rapaz, conheceu S. Policarpo. Fundamentalistas Cristãos afirmam que S. Policarpo era o discípulo do apóstolo S. João. No entanto, mesmo que aceitemos a lenda de que S. Policarpo tenha vivido até à idade de 86 anos, ele não poderia ter nascido antes de 67 D.E.C., e portanto não poderia ter sido discípulo de S. João (é possível que tenha sido discípulo do enigmático João, o Ancião.) Como St. Ireneu tinha conhecido S. Policarpo, também assumiram que St. Ireneu era de fato seu discípulo, uma pretensão para a qual não há evidências. A Epístola de S. Policarpo usa a maior parte dos livros do Novo Testamento e as epístolas de St. Inácio como referências, mas não usa fontes legítimas para Jesus. Os Cristãos que rejeitam as epístolas de St. Inácio mas que acreditam ser a Epístola de S. Policarpo uma carta genuína afirmam que as referências às epístolas de Inácio são uma inserção tardia. Esta ideia é baseada em inclinações pessoais, e não em nenhuma evidência genuína. Baseada numa crença cega que a epístola é uma carta genuína, alguns Cristãos datam-na de meados do segundo século D.E.C., pouco antes da morte de S. Policarpo. No entanto, as referências às epístolas de St. Inácio sugere que foi de fato escrita pelo menos durante as últimas décadas do segundo século D.E.C., pelo menos cerca de uma década depois da morte de Policarpo, se não mais tarde. O Martírio de S. Policarpo é escrito em nome da ―Igreja de Deus que estadia em Esmirna‖. Começa na forma de carta, mas o seu corpo principal é escrito na forma de uma história vulgar. Fala-nos do conto do martírio de S. Policarpo. Tal como a Epístola de S. Policarpo foi escrita durante as últimas décadas do segundo século D.E.C. Infelizmente, não existe evidência de que tenha usado quaisquer fontes de confiança para a sua história, apenas

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rumores e boatos. De fato, a história parece ser altamente ficcional. As referências a Jesus não são tiradas de qualquer fonte de confiança. Assim, vimos que as epístolas usadas pelos missionários como ―evidências‖ são tão ilegítimas como os evangelhos. Ainda assim, o leitor deve ter em atenção as traduções fáceis de entender do Novo Testamento, dado que elas chamam ás epístolas ―cartas‖, e portanto implicando incorretamente que elas são na verdade cartas escritas pelas pessoas das quais levaram o nome. Agora, além dos livros do Novo Testamento, e além das epístolas relativas a S. Clemente, St. Inácio e S. Policarpo, há ainda mais um trabalho religioso Cristão que os Cristãos afirmam ser uma evidência histórica de Jesus, a saber, os Ensinamentos dos Doze Apóstolos, também conhecido como o Didache. Todos os outros trabalhos religiosos Cristãos primitivos ou são totalmente rejeitados pelos Cristãos modernos ou pelo menos reconhecidos como não sendo fontes primárias no que respeita a Jesus. O Didache começou como documento sectário Judeu, provavelmente escrito durante o período de tumulto em c. 70 D.E.C. A sua forma primitiva consistia em ensinamentos morais e predições da destruição da corrente ordem mundial. Esta primeira versão, que obviamente não mencionava Jesus, foi tomada pelos Cristãos, que o reviram e alteraram bastante, adicionando uma história de Jesus e regras de culto para as primeiras comunidades Cristãs. Os estudiosos estimam que a primeira versão Cristã do Didache não poderia ter sido escrita muito depois de 95 D.E.C. Provavelmente só chegou à sua forma final por volta c. 120 D.E.C. Parece ter servido uma comunidade Cristã isolada na Síria como uma ―Ordem da Igreja‖ durante o período c. 100 – 130 D.E.C. No entanto, não há evidências de que a sua história de Jesus tenha sido baseada em qualquer fonte de confiança, e como havemos mencionado, a primitiva versão Judaica não tinha nada a haver com Jesus. De fato, este documento providencia informação de que o mito de Jesus cresceu gradualmente. Tal como o Evangelho segundo S. Marcos e as primeiras versões do Evangelho segundo S. Mateus, a história de Jesus no Didache não faz menção de um nascimento de uma virgem. Não faz menção dos fantásticos milagres que foram mais tarde atribuídos a Jesus. Apesar de Jesus ser referido como ―filho‖ de Deus, parece que este termo é usado simbolicamente. A evidência que temos em relação à origem do mito da crucificação sugere que uma das coisas que levou a este mito era o fato da cruz ser o símbolo astrológico do Equinócio Vernal, que ocorre perto da Passagem, quando se acredita que Jesus tenha sido morto. Assim, não é de surpreender que a história no Didache não mencione Jesus sendo crucificado, apesar de mencionar uma cruz no céu como símbolo de Jesus. Os doze apóstolos mencionados no título do Didache não aparecem como doze reais discípulos de Jesus, e o termo refere-se claramente aos doze filhos de Jacob que representam as doze tribos de Israel. Assim, o Didache providencia pistas vitais no que respeita ao crescimento do mito de Jesus, mas certamente não providencia qualquer evidência de um Jesus histórico. Dado que nenhum dos textos religiosos Cristãos providencia nenhuma evidência aceitável de Jesus, os defensores do cristianismo voltam-se a seguir para textos não-Cristãos. Os Cristãos afirmam que vários historiadores de confiança registraram informação acerca de Jesus. Apesar

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de alguns destes historiadores serem mais ou menos aceites, veremos que não eles não providenciam qualquer informação acerca de Jesus. Primeiramente, os Cristãos afirmam que o historiador Judeu Flávio Josefo registrou informações acerca de Jesus no seu livro Antiguidades Judaicas (publicado c. 93 – 94 D.E.C.) É verdade que este livro contém informações sobre os três falsos Messias, Yehuda da Galileia, Theudas e Benjamim, o Egípcio, e é verdade que a personagem de Jesus parece ser baseada em todos eles, mas nenhum deles pode ser considerado como o Jesus histórico. Além do mais, no livro dos Atos dos Apóstolos, estas pessoas são mencionadas como sendo pessoas diferentes de Jesus, e assim o Cristianismo moderno rejeita alguma relação entre eles e Jesus. Nas edições Cristãs revistas das Antiguidades Judaicas, há duas passagens que se referem a Jesus como está retratado nos trabalhos religiosos Cristãos. Nenhuma destas passagens é encontrada na versão original das Antiguidades Judaicas, que foi preservada pelos Judeus. A primeira passagem (XVII,3,3) foi citada pela escrita de Eusebius em c. 320 D.E.C., e portanto podemos concluir que foi adicionada provavelmente entre o tempo em que os Cristãos detiveram as Antiguidades Judaicas e c. 320 D.E.C. Não é conhecido quando a outra passagem (XX,9,1) foi adicionada. Nenhuma das passagens é baseada em qualquer fonte de confiança. É fraudulento afirmar que estas passagens foram escritas por Flávio Josefo, e que elas providenciam evidências para Jesus. Elas foram escritas por redatores Cristãos e são baseadas puramente na crença Cristã. A seguir, os Cristãos apontarão para os Anais de Tácito. Nos Anais XV, 44, Tácito descreve como Nero culpou os Cristãos pelo incêndio de Roma em 64 D.E.C. Ele menciona que o nome ―Cristão‖ era originário de uma pessoa chamada Christus, que tinha sido executada por Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério. É certamente verdade que o nome ―Cristão‖ é derivado de Cristo ou Christus (= Messias), mas a afirmação de Tácito de que ele foi executado por Pilatos durante o reinado de Tibério é baseado puramente nas afirmações feitas pelos próprios Cristãos e que apareciam nos Evangelho segundo S. Marcos, Evangelho segundo S. Mateus e Evangelho segundo S. Lucas, que já tinham tido extensa circulação quando os Anais estavam a ser escritos (os Anais foram publicados depois de 115 D.E.C. e certamente não antes de 110 D.E.C.) Portanto, embora os Anais contenham uma frase na qual se fala de ―Christus‖ como uma verdadeira pessoa, esta frase foi puramente baseada em afirmações e crenças Cristãs, que não têm nenhum valor histórico. É bastante irônico que os modernos Cristãos usem Tácito para suportarem as suas crenças dado que ele era o menos exato de todos os historiadores Romanos. Ele justifica o ódio aos Cristãos dizendo que eles cometiam abominações. Além de ―Christus‖, ele também fala de outros deuses pagãos como se eles realmente existissem. O seu sumário da História do Médio Oriente no seu livro Histórias é tão distorcido que é ridículo. Podemos concluir que a sua única menção de Christus não pode ser tida como uma evidência de confiança de um Jesus histórico. Uma vez que Tácito pode ser rejeitado, os Cristãos afirmarão que uma das cartas de Plínio, o Jovem ao imperador Trajano providencia evidências de um Jesus histórico (Cartas X,96.) Isto é um disparate. A carta em questão simplesmente menciona que certos Cristãos tinham amaldiçoado ―Cristo‖ para evitarem serem castigados. Não afirma que este Cristo realmente tenha existido.

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A carta em questão foi escrita antes da morte de Plínio em c. 114 D.E.C., mas depois de ele ser mandado para Bitínia em 111 D.E.C., provavelmente no ano 112 D.E.C. Assim, ela providencia nada mais que uma confirmação do fato trivial de que à volta do começo da décima segunda década D.E.C. os Cristãos normalmente não amaldiçoavam algo chamado ―Cristo‖ apesar de alguns o terem feito para evitarem o castigo. Não providencia nenhuma evidência de um Jesus histórico. Os Cristãos irão também afirmar que Suetônio registrou evidências de Jesus no seu livro As Vidas dos Imperadores (também conhecido como Os doze Césares.) A passagem em questão é Cláudio 25, onde menciona que o imperador Cláudio expulsou os Judeus de Roma (aparentemente em 49 D.E.C.) porque eles causavam distúrbios contínuos instigados por um certo Chrestus. Se assumirmos cegamente que ―Chrestus‖ se refere a Jesus, então esta passagem contradiz a história Cristã de Jesus dado que Jesus foi supostamente crucificado quando Pôncio Pilatos era procurador (26 – 46 D.E.C.) durante o reinado de Tibério, e além do mais, ele nunca foi suposto que ele tenha ido à Roma! Suetônio viveu durante o período c. 75 – 150 D.E.C., e o seu livro, As Vidas dos Imperadores, foi publicado durante o período 119 – 120 D.E.C., tendo sido escrito algum tempo depois da morte de Domiciano em 96 D.E.C. Assim sendo, o evento que ele descreve ocorreu pelo menos 45 anos antes de ele ter escrito sobre isso, e assim não podemos ter a certeza da sua exatidão. O nome Chrestus é derivado do Grego Chrestos, que significa ―o bom‖ e não é o mesmo que Christ ou Christus que são derivados do Grego Christos, que significa ―o ungido/Messias‖. Se tomarmos a passagem pelo seu valor nominal ela refere-se a uma pessoa chamada Chrestus que estava em Roma e que não tinha nada a ver com Jesus ou com qualquer outro ―Cristo‖. O termo Chrestos era muito aplicado para os deuses pagãos e muitas das pessoas em Roma chamadas ―Judias‖ eram na verdade pessoas que misturavam crenças Judaicas com crenças pagãs e que não eram necessariamente de descendência Judaica. Assim, é também possível que a passagem se refira a conflitos envolvendo estes ―Judeus‖ pagãos que adoravam um deus pagão (como Sebazios) de título Chrestos. Nas edições Cristãs revistas das Antiguidades Judaicas, há duas passagens que se referem a Jesus como está retratado nos trabalhos religiosos Cristãos. Nenhuma destas passagens é encontrada na versão original das Antiguidades Judaicas, que foi preservada pelos Judeus. A primeira passagem (XVII,3,3) foi citada pela escrita de Eusebius em c. 320 D.E.C., e portanto podemos concluir que foi adicionada provavelmente entre o tempo em que os Cristãos detiveram as Antiguidades Judaicas e c. 320 D.E.C. Não é conhecido quando a outra passagem (XX,9,1) foi adicionada. Nenhuma das passagens é baseada em qualquer fonte de confiança. É fraudulento afirmar que estas passagens foram escritas por Flávio Josefo, e que elas providenciam evidências para Jesus. Elas foram escritas por redatores Cristãos e são baseadas puramente na crença Cristã. A seguir, os Cristãos apontarão para os Anais de Tácito. Nos Anais XV, 44, Tácito descreve como Nero culpou os Cristãos pelo incêndio de Roma em 64 D.E.C. Ele menciona que o nome ―Cristão‖ era originário de uma pessoa chamada Christus, que tinha sido executada por Pôncio Pilatos durante o reinado de Tibério. É certamente verdade que o nome ―Cristão‖ é derivado de Cristo ou Christus (= Messias), mas a afirmação de Tácito de que ele foi executado por Pilatos durante o reinado de Tibério é baseado puramente nas afirmações feitas pelos próprios Cristãos e que apareciam nos Evangelho segundo S. Marcos, Evangelho segundo S. Mateus e Evangelho segundo S. Lucas, que já tinham tido extensa circulação quando os Anais estavam a

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ser escritos (os Anais foram publicados depois de 115 D.E.C. e certamente não antes de 110 D.E.C.) Portanto, embora os Anais contenham uma frase na qual se fala de ―Christus‖ como uma verdadeira pessoa, esta frase foi puramente baseada em afirmações e crenças Cristãs, que não têm nenhum valor histórico. É bastante irônico que os modernos Cristãos usem Tácito para suportarem as suas crenças dado que ele era o menos exato de todos os historiadores Romanos. Ele justifica o ódio aos Cristãos dizendo que eles cometiam abominações. Além de ―Christus‖, ele também fala de outros deuses pagãos como se eles realmente existissem. O seu sumário da História do Médio Oriente no seu livro Histórias é tão distorcido que é ridículo. Podemos concluir que a sua única menção de Christus não pode ser tida como uma evidência de confiança de um Jesus histórico. Uma vez que Tácito pode ser rejeitado, os Cristãos afirmarão que uma das cartas de Plínio, o Jovem ao imperador Trajano providencia evidências de um Jesus histórico (Cartas X,96.) Isto é um disparate. A carta em questão simplesmente menciona que certos Cristãos tinham amaldiçoado ―Cristo‖ para evitarem serem castigados. Não afirma que este Cristo realmente tenha existido. A carta em questão foi escrita antes da morte de Plínio em c. 114 D.E.C., mas depois de ele ser mandado para Bitínia em 111 D.E.C., provavelmente no ano 112 D.E.C. Assim, ela providencia nada mais que uma confirmação do fato trivial de que à volta do começo da décima segunda década D.E.C. os Cristãos normalmente não amaldiçoavam algo chamado ―Cristo‖ apesar de alguns o terem feito para evitarem o castigo. Não providencia nenhuma evidência de um Jesus histórico. Os Cristãos irão também afirmar que Suetônio registrou evidências de Jesus no seu livro As Vidas dos Imperadores (também conhecido como Os doze Césares.) A passagem em questão é Cláudio 25, onde menciona que o imperador Cláudio expulsou os Judeus de Roma (aparentemente em 49 D.E.C.) porque eles causavam distúrbios contínuos instigados por um certo Chrestus. Se assumirmos cegamente que ―Chrestus‖ se refere a Jesus, então esta passagem contradiz a história Cristã de Jesus dado que Jesus foi supostamente crucificado quando Pôncio Pilatos era procurador (26 – 46 D.E.C.) durante o reinado de Tibério, e além do mais, ele nunca foi suposto que ele tenha ido à Roma! Suetônio viveu durante o período c. 75 – 150 D.E.C., e o seu livro, As Vidas dos Imperadores, foi publicado durante o período 119 – 120 D.E.C., tendo sido escrito algum tempo depois da morte de Domiciano em 96 D.E.C. Assim sendo, o evento que ele descreve ocorreu pelo menos 45 anos antes de ele ter escrito sobre isso, e assim não podemos ter a certeza da sua exatidão. O nome Chrestus é derivado do Grego Chrestos, que significa ―o bom‖ e não é o mesmo que Christ ou Christus que são derivados do Grego Christos, que significa ―o ungido/Messias‖. Se tomarmos a passagem pelo seu valor nominal ela refere-se a uma pessoa chamada Chrestus que estava em Roma e que não tinha nada a ver com Jesus ou com qualquer outro ―Cristo‖. O termo Chrestos era muito aplicado para os deuses pagãos e muitas das pessoas em Roma chamadas ―Judias‖ eram na verdade pessoas que misturavam crenças Judaicas com crenças pagãs e que não eram necessariamente de descendência Judaica. Assim, é também possível que a passagem se refira a conflitos envolvendo estes ―Judeus‖ pagãos que adoravam um deus pagão (como Sebazios) de título Chrestos.

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Jesus Cristo nunca existiu Os pesquisadores que se dedicaram ao estudo das origens do cristianismo sabem que desde o segundo século de nossa era tem sido posta em dúvida a existência de Cristo. Muitos até mesmo entre os cristãos procuram provas históricas e materiais para fundamentar sua crença. Infelizmente, para eles e sua fé, tal fundamento jamais foi conseguido, e a história cientificamente elaborada denota que a existência de Jesus é real apenas nos escritos e testemunhas daqueles que tiveram interesse religioso e material em prová-la. Desse modo a existência, a vida e a obra de Jesus carecem de provas indiscutíveis. Nem mesmo os Evangelhos constituem documento confiável. As bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de autores que teriam sido contemporâneos de Jesus e que não fazem qualquer referência ao mesmo. Por outro lado, a ciência histórica tem se recusado a dar crédito aos documentos oferecidos pela Igreja, com intenção de provar a existência física desta figura. Ocorre que tais documentos, originariamente, não mencionavam sequer o nome de Jesus; todavia, foram falsificados, rasurados e adulterados visando suprir a ausência de documentação verdadeira. Por outro lado, muito do que foi escrito para provar a inexistência de Jesus Cristo foi destruído pela Igreja, defensivamente. Assim é que, por falta de documentos verdadeiros e indiscutíveis, a existência de Jesus tem sido posta em dúvida desde os primeiros séculos desta era, apesar de ter a Igreja tentado destruir a tudo e a todos os que ousaram contestar os seus pontos de vista, os seus dogmas. Por tudo isso é que o Papa Pio XII, em 1955, falando para um Congresso Internacional de História em Roma, disse: ―Para os cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé, e não à história‖. Emílio Bossi, em seu livro intitulado ―Jesus Cristo Nunca Existiu‖, compara Jesus Cristo a Sócrates, que igualmente nada deixou escrito. No entanto, faz ver que Sócrates só ensinou o que é natural e racional, ao passo que Jesus teria se preocupado apenas com o sobrenatural. Sócrates teve como discípulos pessoas naturais, de existência comprovada, cujos escritos, produção cultural e filosófica passaram à história como Platão, Xenófanes, Euclides, Esquino, Fédon. Enquanto isso, Jesus teria por discípulos alguns homens analfabetos como ele próprio teria sido, os quais apenas repetiriam os velhos conceitos e preconceitos talmúdicos. Sócrates, que viveu cinco séculos antes de Cristo e nada escreveu, jamais teve sua existência posta em dúvida. Jesus Cristo, que teria vivido tanto tempo depois, mesmo nada tendo escrito, poderia apesar disso ter deixado provas de sua existência. Todavia, nada tem sido encontrado que mereça fé. Seus discípulos nada escreveram. Os historiadores não lhe fizeram qualquer alusão. Além disso, sabemos que, desde o Século II, os judeus ortodoxos e muitos homens cultos começaram a contestar a veracidade de existência de tal ser, sob qualquer aspecto, humano ou divino. Estavam, assim, os homens divididos em duas posições: a dos que, afirmando a realidade de sua existência, divindade e propósitos de salvação, perseguiam e matavam impiedosamente aos partidários da posição contrária, ou seja, àqueles cultos e audaciosos que tiveram a coragem de contestá-los. O imenso poder do Vaticano tornou a libertação do homem da tutela religiosa difícil e lenta. O liberalismo que surgiu nos últimos séculos contribuiu para que homens cultos e desejosos de esclarecer a verdade tentassem, com bastante êxito, mostrar a mistificação que tem sido a base de todas as religiões, inclusive do cristianismo. Surgiram também alguns escritos elucidativos, que por sorte haviam escapado à caça e à queima em praça pública. Fatos e descobertas desta natureza contribuíram decisivamente para que o mundo de hoje tenha uma concepção científica e prática de tudo que o rodeia, bem como de si próprio, de sua vida, direitos e obrigações.

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A sociedade atualmente pode estabelecer os seus padrões de vida e moral, e os seus membros podem observá-los e respeitá-los por si mesmos, pelo respeito ao próximo e não pelo temor que lhes incute a religião. Contudo, é lamentavelmente certo que muitos ainda se conservam subjugados pelo espírito de religiosidade, presos a tabus caducos e inaceitáveis. Jesus Cristo foi apenas uma entidade ideal, criada para fazer cumprir as escrituras, visando dar sequência ao judaísmo em face da diáspora, destruição do templo e de Jerusalém. Teria sido um arranjo feito em defesa do judaísmo que então morria, surgindo uma nova crença. Ultimamente, têmse evidenciado as adulterações e falsificações documentárias praticadas pela Igreja, com o intuito de provar a existência real de Cristo. Modernos métodos como, por exemplo, o método comparativo de Hegel, a grafotécnica e muitos outros, denunciaram a má fé dos que implantaram o cristianismo sobre falsas bases com uma doutrina tomada por empréstimos de outros mais vivos e inteligentes do que eles, assim como denunciaram os meios fraudulentos de que se valeram para provar a existência do inexistente. É de se supor que, após a fuga da Ásia Central, com o tempo os judeus foram abandonando o velho espírito semita, para irem-se adaptando às crenças religiosas dos diversos povos que já viviam na Ásia Menor. Após haverem passado por longo período de cativeiro no Egito, e, posteriormente, por duas vezes na Babilônia, não estranhamos que tenham introduzido no seu judaísmo primitivo as bases das crenças dos povos com os quais conviveram. Sendo um dos povos mais atrasados de então, e na qualidade de cativos, por onde passaram, salvo exceções, sua convivência e ligações seria sempre com a gente inculta, primária e humilde. Assim é que, em vez de aprenderem ciências como astronomia, matemática, sua impressionante legislação, aprenderam as superstições do homem inculto e vulgar. Quando cativos na Babilônia, os sacerdotes judeus que constituíram a nata do seu meio social, nas horas vagas, iriam copiando o folclore e tudo o que achassem de mais interessante em matéria de costumes e crenças religiosas, do que resultaria mais tarde compendiarem tudo em um só livro, o qual recebeu o nome de Talmud, o livro do saber, do conhecimento, da aprendizagem. Por uma série de circunstâncias, o judeu foi deixando, aos poucos, a atividade de pastor, agricultor e mesmo de artífice, passando a dedicar-se ao comércio. A atividade comercial do judeu teve início quando levados cativos para a Babilônia, por Nabucodonosor, e intensificou-se com o decorrer do tempo, e ainda mais com a perseguição que lhe moveria o próprio cristianismo, a partir do século IV. Daí em diante, a preocupação principal do povo judeu foi extinguir de seu meio o analfabetismo, visando com isso o êxito de seus negócios. Deve-se a este fato ter sido o judeu o primeiro povo no meio do qual não haveria nenhum analfabeto. Assim, chegando a Roma e a Alexandria, encontrariam ali apenas a prática de uma religião de tradição oral, portanto, terreno propício para a introdução de novas superstições religiosas. Dessa conjuntura é que nasceu o cristianismo, o máximo de mistificação religiosa de que se mostrou capaz a mente humana. O judeu da diáspora conseguiu o seu objetivo. Com sua grande habilidade, em pouco tempo o cristianismo caiu no gosto popular, penetrando na casa do escravo e de seu senhor, invadindo inclusive os palácios imperiais. Crestus, o Messias dos essênios, pelo qual parece terem optado os judeus para a criação do cristianismo, daria origem ao nome de Cristo, cristão e cristianismo. Os essênios haviam se estabelecido numa instituição comunal, em que os bens pessoais eram repartidos igualmente para todos e as necessidades de cada um tornavam-se responsabilidade de todos. Tal ideal de vida conquistaria, como realmente aconteceu, ao escravo, a plebe, enfim, a gente humilde. Daí, a expansão do cristianismo que, nada tendo de concreto, positivo

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e provável, assumiu as proporções de que todos temos conhecimento. Não tendo ficado restrita à classe inculta e pobre, como seria de se pensar, começou a ganhar adeptos entre os aristocratas e bem-nascidos. De tudo o que dissemos, depreende-se que o cristianismo foi uma religião criada pelos judeus, antes de tudo como meio de sobrevivência e enriquecimento. Tudo foi feito e organizado de modo a que o homem se tornasse um instrumento dócil e fácil de manejar, pelas mãos hábeis daqueles aos quais aproveita a religião como fonte de rendimentos. Métodos modernos como, por exemplo, o método comparativo de Hegel, a grafotécnica, o uso dos isótopos radioativos e radio carbônicos, denunciaram a má fé daqueles que implantaram o cristianismo, falsificando escritos e documentos na vã tentativa de provar o que lhe era proveitoso. Por meios escusos tais como os citados, a Igreja tornou-se a potência financeira em que hoje se constitui. Finalmente, desde o momento em que surgiu a religião, com ela veio o sacerdote que é uma constante em todos os cultos, ainda que recebam nomes diversos. A figura do sacerdote encarregado do culto divino tem tido sempre a preocupação primordial de aterrorizar o espírito dos povos, apresentando-lhes um Deus onipotente, onipresente e, sobretudo, vingativo, que a uns premia com o Paraíso e a outros castiga com o Inferno de fogo eterno, conforme sejam boas ou más suas ações. No cristianismo, encontraremos sempre o sacerdote afirmando ter o homem uma alma imortal, a qual responderá após a morte do corpo, diante de Deus, pelas ações praticadas em vida. Como se tudo não bastasse, o Paraíso e o Inferno, há ainda que considerar a admissão do pecado original, segundo o qual todos os homens ao nascer, o traz consigo. Ora, ninguém jamais foi consultado a respeito de seu desejo ou não de nascer. Assim sendo, como atribuir culpa de qualquer natureza a quem não teve a oportunidade de manifestar vontade própria. Quanta injustiça! Condenar inocentes por antecipação. O próprio Deus e o próprio Cristo certamente se revoltariam diante de tão injusta legislação, se ao menos existissem. As provas e contra provas A Igreja serviu-se de farta documentação, conforme já mencionamos anteriormente, com intenção de provar a existência de Cristo. No entanto, a história ignora-o completamente. Quanto aos autores profanos que pretensamente teriam escrito a seu respeito, foram nesta parte falsificados. Por outro lado, documentos históricos demonstram sua inexistência. As provas históricas merecem nosso crédito, porque pertencem à categoria dos fatos certos e positivos, e constituem testemunhos concretos e válidos de escritores de determinadas escolas. A interpretação da Bíblia e da mitologia comparada não resiste a uma confrontação com a história. Flávio Josefo, Justo de Tiberíades, Filon de Alexandria, Tácito, Suetônio e Plínio, o Jovem, teriam feito em seus escritos, referências a Jesus Cristo. Todavia, tais escritos após serem submetidos a exames grafotécnicos, revelaram-se adulterados no todo ou em parte, para não se falar dos que foram totalmente destruídos. Além disso, as referências feitas a Crestus, Cristo ou Jesus, não são feitas exatamente a respeito do Cristo dos Cristãos. Seria mesmo difícil estabelecer qual o Cristo seguido pelos cristãos, visto que esse era um nome comum na Galileia e Judéia. Segundo Tácito, judeus e egípcios foram expulsos de Roma por formarem uma só e mística superstição cristã. As expulsões ocorreram duas vezes no tempo de Augusto e a terceira vez no governo de Tibério, no ano 19 desta era. Tais expulsões desmentem a existência de Jesus, porquanto, ocorreram quando ainda o nome de cristão aplicava-se a superstição judaico-egípcia, a qual se confundiu com o cristianismo.

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Filon de Alexandria, apesar de ter contribuído poderosamente para a formação do cristianismo, seu testemunho é totalmente contrário à existência de Cristo. Filon havia escrito um tratado sobre o Bom Deus ―Serapis‖, tratado este que foi destruído. Os evangelhos cristãos se assemelham muito a ele, e os falsificadores não hesitaram em atribuir as referências como sendo feitas a Cristo. Os historiadores mostram que essa religião nasceu em Alexandria, e não em Roma ou Jerusalém. Fazem ver que ela nasceu das ideias de Filon que, platonizando e helenizando o judaísmo, escreveu boa parte do Apocalipse. A mesma transformação que o cristianismo dera ao judaísmo ao introduzir-lhe o paganismo e a idolatria, Filon imprimira nessa crença, até então apenas terapeuta, dando-lhe feição grega, de cunho platônico. Embora tenha sido de certo modo o precursor do cristianismo, não deixou a menor prova de ter tomado conhecimento da existência de Jesus Cristo, o mago rabi, e isto é lógico porque o cristianismo só iria ser elaborado muito depois de sua morte. Bastaria o silêncio de Filon para provar estarmos diante de uma nova criação mitológica, de cunho metafísico. Entretanto, escrevendo como cristão, os lançadores do cristianismo louvaram-se nas suas idéias e escritos. Tivesse Jesus realmente existido, jamais Filon deixaria de falar em seu nome, descreveria certamente sua vida miraculosa. Filon relata os principais acontecimentos de seu tempo, do judaísmo e de outras crenças, não mencionando, porém, nada sobre Jesus. Cita Pôncio Pilatos e sua atuação como Procurador da Judéia, mas não se refere ao julgamento de Jesus a que ele teria presidido. Fala igualmente dos essênios e de sua doutrina comuna dizendo tratar-se de uma seita judia, com mosteiro à margem do Jordão, perto de Jerusalém. Quando no reinado de Calígula esteve em Roma defendendo os judeus, relata diversos acontecimentos da Palestina, mas não menciona nada a respeito de Jesus, seus feitos ou sua sorte e destino. Filon, que foi um dos judeus mais ilustres de seu tempo, e sempre esteve em dia com os acontecimentos, jamais omitiria qualquer notícia acerca de Jesus, cuja existência, se fosse verdadeira, teria abalado o mundo de então. Impossível admitir-se tal hipótese, portanto. Por isso é que M. Dide fez ver que, diante do silêncio de homens extraordinários como Filon, os acontecimentos narrados pelos evangelistas não passam de pura fantasia religiosa. Seu silêncio é a sentença de morte da existência de Jesus. O mesmo silêncio se estende aos apóstolos, assinala Emílio Bossi. Evidencia que tudo quanto está contido nos Evangelhos refere-se a personalidades irreais, ideais, sobrenaturais de inexistentes taumaturgos. O silêncio de Filon e de outros se estende não apenas a Jesus, mas também aos seus pretensos apóstolos, a José, a Maria, seus filhos e toda a sua família. Flávio Josefo, tendo nascido no ano 37, e escrevendo até 93 sobre judaísmo, cristianismo terapeuta, messias e Cristos, nada disse a respeito de Jesus Cristo. Justo de Tiberíades, igualmente não fala em Jesus Cristo, conquanto houvesse escrito uma história dos judeus, indo de Moisés ao ano 50. Ernest Renan, em sua obra ―Vie de Jesus‖, apesar de ter tentado biografar Jesus, reconhece o pesado silêncio que fizeram cair sobre o pretenso herói do cristianismo. Os Gregos, os romanos e os hindus dos séculos I e II jamais ouviram falar na existência física de Jesus Cristo. Nenhum dos historiadores ou escritores, judeus ou romanos, os quais viveram ao tempo em que pretensamente teria vivido Jesus, ocupou-se dele expressamente. Nenhum dedicou-lhe atenção. Todos foram omissos quanto a qualquer movimento religioso ocorrido na Judéia, chefiado por Jesus. A história não só contesta a tudo o que vem nos Evangelhos, como prova que os documentos em que a Igreja se baseou para formar o cristianismo foram todos inventados ou falsificados no todo ou parte, para esse fim.

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A Igreja sempre dispôs de uma equipe de falsários, os quais dedicaram-se afanosamente a adulterar e falsificar os documentos antigos com o fim de pô-los de acordo com os seus cânones. O piedoso e culto bispo de Cesareia, Eusébio, como muitos outros tonsurados, receberam ordens papais para realizar modificações em importantes papéis da época, adulterando-os e emendando-os segundo suas conveniências. Graças a esses criminosos arranjos, a Igreja terminaria autenticando impunemente sua novela religiosa sobre Jesus Cristo, sua família, seus discípulos e o seu tempo. Conan Doyle imortalizou o seu personagem, Sherlock Holmes, assim como Goethe ao seu Werther. Deram-lhes vida e movimento como se fossem pessoas reais, de carne e ossos. Muitos outros escritores imortalizaram-se também através de suas obras, contudo, sempre ficou patente serem elas pura ficção, sem qualquer elo que as ligue com a vida real. Produzem um trabalho honesto e honrado aqueles que assim procedem, ao contrário daqueles que deturpam os trabalhos assinados por eminentes escritores, com o objetivo premeditado de iludir a boa fé do próximo. E procedimento que, além de criminoso, revela a incapacidade intelectual daqueles que precisam se valer de tais meios para alcançar seus escusos objetivos. Berson, citado por Jean Guitton em ―Jesus‖, disse que a inigualável humildade de Jesus dispensaria a historicidade; entretanto, erigiu os Evangelhos como documento indiscutível como prova, o que a ciência histórica de hoje rejeita. Só depois de muitos anos é que se tornaria indiferente para com a pirracenta crença religiosa dos seus antepassados, como aconteceu com mentes excepcionalmente cultas, tornadas ilustres pelo saber e pelo conhecimento e não apenas pelo dinheiro. Diante da história, do conhecimento racional e científico que presidem aos atos da vida humana, muitos já se convenceram da primária e irreal origem do cristianismo, o qual nada mais é do que uma síntese do judaísmo com o paganismo e a idolatria greco-romana do século I. Graças ao trabalho de notáveis mestres de Filosofia e Teologia da Escola de Tübíngen, na Alemanha, ficou provado que os Evangelhos e mesmo toda a Bíblia não possuem valor histórico, pondo-se em dúvida consequentemente tudo quanto a Igreja impôs como verdade sobre Jesus Cristo. Tudo o que consta dos Evangelhos e do Novo Testamento são apenas arranjos, adaptações e ficções, como o próprio Jesus Cristo o foi. Através da pesquisa histórica e de exames grafotécnicos ficou evidenciado que os escritos acima referidos são apócrifos. De sorte que, não servindo como documentos autênticos, devem ser rejeitados pela ciência. Jean Guitton diz que o problema de Jesus varia e acordo com o ângulo sob o qual seja examinado: histórico, filosófico ou teológico. A história exige provas reais, segundo as quais se evidenciem os movimentos da pessoa ou do herói no palco da vida humana, praticando todos os atos a ela concernentes, em todos os seus altos e baixos. Pierre Couchoud, igualmente citado por Guitton, sendo médico e filósofo, considerou Jesus como tendo sido ―a maior existência que já houve, o maior habitante da terra‖, entretanto, acrescentou: ―não existiu no sentido histórico da palavra: não nasceu. Não sofreu sob Pôncio Pilatos, sendo tudo uma fabulação mítica‖. A passagem de Jesus pela terra seria o milagre dos milagres: ―o continente, embora fosse o menor, contivera o conteúdo, que era o maior!‖ A Filosofia quer fatos para examinar e explicar à luz da razão, generalizando-o. No que se refere à existência de Jesus, é patente a impossibilidade de generalização, porquanto, na qualidade de mito, como os milhares que o antecederam, sua personalidade é apenas fictícia, por conseguinte, nenhum material pode oferecer à Filosofia para ser sistematizado, aprofundado ou explicado. No tocante à Teologia, cabe-lhe apenas a parte doutrinária acerca das coisas divinas. A ela, interessa apenas incutir nas mentes os seus princípios sem, contudo, procurar neles o que possa existir de concreto, o que inclusive seria contrário aos interesses materiais, daqueles aos quais aproveita a religião.

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Os Enciclopedistas mostraram como eram tolos e irracionais os dogmas da Igreja, lembrando ainda que ela era um dos mais fortes pilares do feudalismo escravocrata. Voltaire mostrou as coincidências entre o Evangelho de João e os escritos de Filon, lembrando ter sido ele um filósofo grego de ascendência judia, cujo pai, outro judeu culto, teria sido contemporâneo de Jesus, se ele tivesse realmente existido. A filosofia religiosa de Filon era a mesma do cristianismo, tanto que inicialmente foi cogitada sua inclusão entre os fundadores da nova crença. Contudo, após exame rigoroso de sua obra, foram encontradas ideias opostas aos interesses materiais dos lideres cristãos da época. Devemos aos Enciclopedistas, bem como a Voltaire, o incentivo para que muitos pensadores futuros pudessem desenvolver um trabalho livre, na pesquisa da verdade. As convicções de Voltaire são o fruto de profundo estudo das obras de Filon. Os racionalistas, posteriormente, servindo-se de seus escritos, concluíram que a Igreja criou seus dogmas de acordo com a lenda e o mito, impondo-os a ferro e fogo. Bauer, aplicando os princípios hegelianos na Universidade de Tübingen, concluiu que os Evangelhos haviam sido escritos sob a influência judia, de acordo com seu gosto. Posteriormente, interesses materiais e políticos motivaram alterações nos mesmos. Em vista de tais interesses é que Pedro, o pregador do cristianismo nascente, que era pró-judeu, teve de ser substituído por Paulo, favorável aos romanos. E Marcião teria sido o autor dos escritos atribuídos ao inexistente Paulo. O mérito da Escola de Tübingen consiste em haver provado que os Evangelhos são apócrifos, e assim não servem como documento aceitável pela história. Levando ao conhecimento do mundo livre que os fundamentos do cristianismo são mistificações puras, os mestres da referida Escola abalaram os alicerces de uma empresa, que há séculos explora a humanidade crente, vendendo o nome de Deus a grosso e a varejo. Tudo leva a crer que, no futuro, o conhecimento científico exigirá bases sólidas para todas as coisas, quando então as religiões não mais prevalecerão, porquanto, não poderão contribuir para a ciência ou para a história, com qualquer argumento sólido e fiel. Ademais, não parece lógico que o homem atual, o qual já atingiu um tão elevado nível de desenvolvimento, o que se verifica em todos os setores do conhecimento, tais como científico, tecnológico e filosófico, permaneça preso a crenças em deuses inexistentes, em mitos e tabus. Diz-se que a Bíblia, o livro sagrado dos cristãos, do qual se valem eles para provar a existência de seu Deus e Jesus Cristo, seu filho unigênito, foi escrito sob a inspiração divina. O Próprio Deus teria escrito, através de homens inspirados por ele, claro. A doutrina cristã ensina que Deus, além de onipotente, é onipresente e onisciente. Sendo dotado de tais atributos ―onisciência e onipresença‖, seria de se esperar que Deus, ao ditar aos homens inspirados o que deveriam escrever não se restringisse apenas ao relato das coisas, fatos ou lugares então conhecidos pelos homens. Sendo onipresente, deveria estar no universo inteiro. Conhecê-lo e levá-lo ao conhecimento dos homens, e não apenas limitar-se a falar dos povos ou lugares que todos conheciam ou sabiam existir. Sendo onisciente, deveria saber de todas as coisas de modo certo, correto, exato, e assim inspirar ou ensinar. Todavia, aconteceu justamente o contrário. A Bíblia, escrita por homens inspirados por Deus onipresente e onisciente, está repleta de erros, os mais vulgares e incoerentes, revelando total ignorância acerca da verdade e de tudo mais. Vejamos apenas um exemplo. Diz a Bíblia que o sol, a lua e as estrelas foram criadas em função da terra: para iluminá-la. Seria o centro do universo, então, o que é totalmente falso. Hoje, ou melhor, há muito tempo, todos sabemos que a terra é apenas um grão de areia perdido na imensidão do universo, sendo mesmo uma das menores porções que o compõe,

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inclusive dentro do sistema solar de que faz parte. Como teria Josué feito parar o sol, a fim de prolongar o dia e ganhar sua batalha contra os canamitas, sem acarretar uma catástrofe? Decididamente, quem escreveu tais absurdos, sendo homem, sujeito a falhas e erros, é perdoável. Entretanto, sendo um Deus onipresente e onisciente, ou por sua inspiração, é inconcebível. E mais inconcebível ainda é que o homem moderno permaneça escravo desta ou de qualquer outra religião. Dispondo de modernos meios de difusão e divulgação da cultura, o homem não pode ignorar o quanto é falsa a doutrina cristã, além de absurda, o mesmo estendendo-se a qualquer outra forma de culto ou religião. Como entender que sendo Deus onipresente e onisciente, não saberia que todos os corpos do universo possuem movimento, e que este os mantém dentro de sua órbita, sem atropelos ou colisões? Quando Jeová resolveu disciplinar o comportamento dos hebreus, marcou encontro com Moisés, no Monte Sinai, para lhe entregar as tábuas da lei. Fato idêntico acontecera muito antes, quando Hamurabi teria recebido das mãos do deus Schamash a legislação dos babilônios no século XVII a.C.. A mesma foi encontrada em Susa, uma das grandes metrópoles do então poderoso império babilônio, encontrando-se atualmente guardada no Museu do Louvre, em Paris. No que concerne aos Evangelhos, foram escritos em número de 315, copiando-se sempre uns aos outros. No Concílio de Nicéia, tal número foi reduzido para 40, e destes foram sorteados os 4 que até hoje estão vigorando. A. Laterre, entre outros escritores, assinala ter sido o Evangelho de Marcos o mais antigo, e haver servido de paradigma para os outros, os quais não guardaram sequer fidelidade ao original, dando margem a choques e entrechoques de doutrina. Após o Evangelho de Marcos, começaram a surgir os demais que, alcançando elevado número, foram reduzidos. A escolha não visou os melhores, o que seria lógico, mas baseou-se tão-somente no prestigio político dos bispos das regiões onde haviam sido compostos. A. Laterre patenteou igualmente, em ―Jesus e sua doutrina‖, que a lenda composta pelos fundadores do cristianismo, para ser admitida pelos homens como verdade, fora copiada de fontes mitológicas muito anteriores ao próprio judaísmo, remontando aos antigos deuses hindus, persas ou chineses. No século II, quando começou a aparecer a biografia de Jesus, havia apenas o interesse político e material em se manter a sua santa personalidade idealizada. Constantino, no século IV, tendo verificado que suas legiões haviam-se tornado reticentes no cumprimento de suas ordens contra os cristãos, resolveu mudar de tática e aderir ao cristianismo. Percebendo que os bispos de Alexandria, Jerusalém, Edessa e Roma tinham a força necessária para fazer-lhe oposição, sentiu-se na contingência de ceder politicamente, com o objetivo de conseguir obediência total e unificar o império. De sorte que sua adesão ou conversão ao cristianismo não se baseou em uma convicção intima, espiritual, porém, resultou de conveniências políticas. Embora não crendo na religião cristã, percebeu que a cruz lhe daria a força que faltava para tornar-se o imperador único e obedecido cegamente. Daí a história do sonho que tivera antes de uma batalha, segundo o qual vira a cruz desenhada no céu e estas palavras escritas abaixo: ―in hoc signo vincis‖, com este sinal, vencerás. Não era cristão verdadeiro, apenas fingia sê-lo para conseguir os seus objetivos. Dujardin conta-nos que o cristianismo só surgiu a partir do ano 30, graças a um rito em que se via a morte e a ressurreição de Jesus, o qual seria uma divindade pré-cristã. Nesta seita, os seus adeptos denominavam-se apóstolos,

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significando missionários, os que traziam uma mensagem nova. Os apóstolos desse Jesus juravam o terem visto, após sua morte, ressuscitar e ascender ao céu. Entretanto, não era este o Jesus dos cristãos. O Padre Aífred Loisy, diante do enorme descrédito que o mito do cristianismo vinha sofrendo nos meios cultos de Paris, resolveu pesquisar-lhe as origens, visando assim desfazer as objeções apresentadas de modo seguro e bem fundamentado. Buscava a verdade para mostrá-la aos demais. Entretanto, ao fazer seus estudos, o Padre Loisy constatou que realmente a crítica havia se baseado em fatos incontestáveis. Por uma questão de honra, não poderia ocultar o resultado de suas pesquisas, publicando-o logo em seguida. Sendo tal resultado contrário fundamentalmente aos cânones da Igreja, foi expulso de sua cátedra de Filosofia, na Universidade de Paris, e excomungado pelo Papa, em 1908. O Pe. Loisy havia concluído que os documentos nos quais a Igreja se firmara para organizar sua doutrina provieram do ritual essênio. Jesus Cristo não tivera vida física. Era apenas o reaproveitamento da lenda essênia do Crestus, o seu Messias. Verificou-se também que as Paulinianas, de origem insegura, haviam sido refundidas em vários pontos fundamentais e por diversas vezes, antes de serem incluídas definitivamente nos Evangelhos. Do mesmo modo chegou à conclusão de que os Evangelhos não poderiam servir de base para a história, nem para provar a vida de Jesus, dada a sua inautenticidade. Por sorte sua, já não mais existia a Santa Inquisição; do contrário, o sábio Padre Loisy teria sido queimado vivo. Os documentos relativos ao governo de Pilatos, na Judéia, nada relatam a respeito de alguém que, se intitulando de Jesus Cristo, o Messias ou o enviado de Deus, tenha sido preso, condenado e crucificado com assentimento ou mesmo contra sua vontade, conforme narram os evangelhos. Não tomou conhecimento jamais de que um homem excepcional praticasse coisas maravilhosas e sobrenaturais, ressuscitando mortos e curando doentes ao simples toque de suas mãos, ou com uma palavra, apenas. Se Pôncio Pilatos, cuja existência é real e historicamente comprovável, que estava no centro dos acontecimentos da época como governador da Judéia, ignorou completamente a existência tumultuada de Jesus, é que de fato ele não existiu. Alguém que, pelos atos que lhe são atribuídos, chega mesmo ao cúmulo de ser aclamado ―Rei dos Judeus‖ por uma multidão exaltada, como ele o foi, não poderia passar despercebido pelo governador da região. O imperador Tibério, inclusive, jamais soube de tais ocorrências na Judéia. Estranho que ninguém o informasse de que um povo, que estava sob o seu domínio, aclamava um novo rei. Ilógico. A ele, Tibério, é que caberia nomear um rei, governador ou procurador. Prosper Alfaric, em L‘Ecole de la Raison, assinala as invencíveis dificuldades do cristianismo em conciliar a fé com a razão. Por isso, a nova crença teve de apoderar-se das lendas e crenças dos deuses solares, tais como Osíris, Mitra, Ísis, Átis e Hórus, quando da elaboração de sua doutrina. Expôs, igualmente, que os documentos descobertos em Coumrã, em 1947, eram o elo que faltava para patentear que Cristo é o Crestus dos essênios, uma outra seita judia. O cristianismo nada mais é, então, do que o sincretismo das diversas seitas judias, misturadas às crenças e religiões dos deuses solares, por serem as religiões que vinham predominando há séculos. A palavra ―evangelho‖ em grego significa ―boa nova‖, já figura na Odisseia de Homero, Século XII, a.C.. Foi depois encontrada também numa inscrição em Priene, na Jônia, numa frase comemorativa e de endeusamento de Augusto, no seu aniversário, significando a ―boa nova‖ no trono. E isto ocorreu muito antes de idealizarem Jesus Cristo.

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Conforme já mencionamos anteriormente, no inicio do cristianismo, os evangelhos eram em número de 315, sendo posteriormente reduzidos para 4, no Concílio de Nicéia. Tal número indica perfeitamente as várias formas de interpretação local das crenças religiosas da orla mediterrânea acerca da ideia messiânica lançada pelos sacerdotes judeus. Sem dúvida, este fato deve ter levado Irineu a escrever o seguinte: ―Há apenas 4 Evangelhos, nem mais um, nem menos um, e que só pessoas de espírito leviano, os ignorantes e os insolentes é que andam falseando a verdade‖. A verdade da Igreja, devo acrescentar. Havia, então, os Evangelhos dos naziazenos, dos judeus, dos egípcios, dos ebionistas, o de Pedro, o de Barnabé, entre outros, os quais foram queimados, restando apenas os 4 sorteados e oficializados no Concílio de Nicéia. Celso, erudito romano, contemporâneo de Irineu, entre os anos 170 e 180, disse: ―Certos fiéis modificaram o primeiro texto dos Evangelhos, três, quatro e mais vezes, para poder assim subtrai-los às refutações‖. Foi necessária uma cuidadosa triagem de todos eles, visando retirar as divergências mais acentuadas, sendo adotada a de Hesíquies, de Alexandria; e de Pânfilo, de Cesareia e a de Luciano, de Antióquia. Mesmo assim, só na de Luciano existem 3500 passagens redigidas diferentemente. Disso resulta que, mesmo para os Padres da Igreja, os Evangelhos não são fonte segura e original. Os Evangelhos que trazem a palavra ―segundo‖, que em grego é ―cata‖, não vieram diretamente dos pretensos evangelistas. A discutível origem dos Evangelhos explica porque os documentos mais antigos não fazem referência à vida terrena de Jesus. Nos Evangelhos, as contradições são encontradas com muita frequência. Em Marcos, por exemplo, em 1:1-17:―a linhagem de Jesus vem de Abraão, em 42 gerações‖; ao passo que em Lucas 2:23-28 lê-se que proviera diretamente de Adão e Eva, sendo que de Abraão a Jesus teriam havido 43 gerações. Eusébio, comentando o assunto e não sabendo como dirimir a questão, disse: ―Seja lá o que for, só o Evangelho anuncia a verdade‖.(?) Tais divergências, entretanto, parecem indicar que os Evangelhos não se destinavam inicialmente à posteridade, visando tão-somente a catequese imediata de povos isolados uns dos outros. Os escritos destinados a um povo dificilmente seriam conhecidos dos outros. O Evangelho de Mateus teria sido destinado aos judeus, arranjado para agradá-los. Por isso, não fala nos vaticínios nem no Messias. Por isso ainda é que puseram na boca de Jesus as palavras seguintes: ―Não vim para abolir as leis dos profetas, mas sim para cumpri-las‖. Tudo indica ter sido feito em Alexandria, porquanto, o original em hebraico jamais existiu. Baur provou, entretanto, que as Epístolas são anteriores aos Evangelhos e o Apocalipse, o mais antigo de todos, do ano 68. Todos os escritos do cristianismo desse tempo falam apenas no Logos, o Cordeiro Pascoal, imolado desde o princípio dos tempos, referindo-se à personalidade ideal de Jesus Cristo. Justino, filósofo e apologista cristão, escrevendo em torno do ano 150, não emprega a palavra Evangelho nem uma vez. Isto mostra que ele, ainda nessa época, ignorava-a, não tendo conhecimento de sua existência. Justino ignorava igualmente as paulinas, Paulo e os Atos dos apóstolos, o que prova que foram inventados posteriormente. Marcião, no ano de 140, trouxe as Epístolas a Roma, as quais não foram inicialmente consideradas merecedoras de fé. Sofreu rigorosa triagem, sendo cortada muita coisa que não convinha à Igreja. Marcião fora contemporâneo de Justino. As Epístolas trazidas por ele eram endereçadas aos Romanos, aos Gálatas e aos Coríntios. Apresentavam Jesus como um Deus encarnado. Teria nascido de uma mulher e sofrera o martírio para resgatar os pecados da humanidade, isto é,

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dos ocidentais, porque os orientais não tomaram conhecimento da personalidade de Jesus, seus milagres e sua pregação e do seu romance religioso. Engels constatou que as Epístolas são 60 anos mais novas do que o Apocalipse. E, ainda, os cristãos contrários ao bispo de Roma rejeitaram-nas durante séculos. Foi o que se deu com os ebionitas e os severianos, conforme Eusébio escreveu e Justino confirmou. O Apocalipse fala em um cordeiro com sete cornos e sete olhos, o qual foi imolado desde a fundação do mundo (13-8). O Apocalipse foi composto apenas em 68, sendo o mais antigo de todos os escritos cristãos. Lutero e Swinglio disseram que o Apocalipse foi incluído nos Evangelhos por engano, tendo a Igreja de inventar, por isso, a ordem cronológica dos seus livros. Hoje se pode provar que o Apocalipse surgiu entre os anos 68 e 70; os Evangelhos, no século II, e os Atos dos Apóstolos são os mais recentes de todos. Eusébio em sua ―História Eclesiástica‖, 4-23, diz: ―Compus as Epistolas conforme a vontade do irmão: mas os ‗apóstolos do diabo‘ taxaram-nas de inverídicas cortando-lhes certas coisas e acrescentando outras‖. Irineu, ao mesmo tempo, ordenava ao copista: ―Confronta toda cópia com este original utilizado por ti, e corrige-a cuidadosamente‖. Não te esqueças de reproduzir em tua cópia o pedido que te faço. Essas citações servem para medirmos que tipo de santidade havia entre os bispos e seus calígrafos, na arte eusebiana de eméritos falsificadores de documentos importantes. Com isto, deram autenticidade a todas as invencionices do cristianismo e legitimaram sua liderança na posse material do que pertencia aos outros. Irineu ainda registrou o seguinte: ―Ouvi dizer que não acreditam que isto esteja nos Evangelhos, se não encontrarem nos arquivos‖. Ao que Eusébio respondera: ―É preciso demonstrá-lo‖. Uma excelente prova da existência de Jesus seria uma comunicação feita por Pilatos a seu respeito. Entretanto, tal documento não existe. Justino, a pedido dos falsificadores, referiu-se a Jesus, contudo, dada a sua honradez pessoal, no caso do seu escrito ser autêntico, fê-lo de modo inseguro e hesitante. Tertuliano, que é mais seguro do que ele, afirmou que esse valioso documento deverá ser encontrado nos arquivos imperiais. Contudo, a Igreja apesar de haver se apoderado de Roma a partir do século IV, não teve a coragem de apresentar essa indispensável jóia documentária, a qual de certo seria refutada pela ciência e pelo conhecimento. Mesmo assim, a partir do século IV, essa prova espúria foi produzida; contudo, a Igreja não teve a petulância de submetê-la à grafotécnica. Daniel Rops, embora fosse um apaixonado cristão, reconheceu a veracidade dessa falsificação dizendo que: ―a que arranjaram era uma carta enviada a Cláudio, que reinou de 41 a 44, e não a Tibério, sob cujo governo Pilatos fora Procurador da Judéia‖. No Apocalipse João, escreveu: ―Se alguém acrescentar alguma coisa nisto, Deus castigará com as penas descritas neste livro; se alguém cortar qualquer coisa, Deus cortará sua parte na árvore da vida e na cidade santa descrita neste livro‖. Ai está mais uma prova de como as falsificações eram usuais na fase da Igreja nascente. O mais interessante é essa gente falar em Deus, como se fosse coisa cuja existência já tivesse sido provada, não se justificando mais que o conhecimento e a razão estudassem as bases dessa existência. Os padres mostravam-se estar de tal modo familiarizados com Deus e sua vontade que por isso achavam certo e justo julgar e queimar vivos todos que discordassem deles. Entretanto, embora dessem a impressão de estar em contato com Deus, usavam de processos criminosos, dos quais todos os ociosos usam para sacar contra o seu meio social. Assim é que hoje se

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pode provar que o cristianismo foi construído sobre um terreno atapetado de mentiras, falsificações e mistificações. O Novo Testamento atualmente oficializado é cópia de um texto grego do século IV. É exatamente o sinótico descoberto em 1859, em um convento do Monte Sinai, onde vem informada a origem grega. Os originais do mesmo estão guardados nos museus do Vaticano e de Londres. Foram publicados com as devidas correções, feitas por Hesíquios, de Alexandria. Um papiro encontrado no Egito, em 1931, apresenta-nos uma ordem cronológica totalmente diferente da oficializada pela Igreja. Atualmente, as fontes prováveis aceitáveis são as do século II em diante, provindas de Justino, Taciano, Atenágoras, Irineu e outros, os quais são considerados os verdadeiros criadores do cristianismo. Taciano foi o ―bem amado‖ discípulo de Justino. Ele, entretanto, omite a genealogia de Jesus, dizendo apenas que ele descendia de reis judeus, de modo muito vago, divergindo assim da orientação oficializada. Irineu foi quem sistematizou o cristianismo. Foi ele a fonte em que Eusébio inspirou-se. Por isso é que daí em diante seria obrigatória a confrontação entre os dois textos. O bispo de Cesareia fora encarregado pelo todo poderoso bispo de Roma de falsificar tudo quanto prejudicasse os interesses materiais da Igreja de então. De modo que, por onde passou a mão de Eusébio, foi tudo alterado criminosamente contra a verdade. Eusébio foi realmente um bispo que acreditava apaixonadamente na divindade de Jesus Cristo, contudo, já conhecia o poder que possuía o bispo de Roma. Graças a Eusébio e outros iguais a ele, tornou-se uma temeridade descrer-se na verdade oficializada pela Igreja. Após tantas falsificações, todos ficaram realmente inseguros quanto à verdadeira origem do cristianismo, tal a tumultuação impressa por Eusébio. Tertuliano e Clemente de Alexandria lutaram um pouco para sanar essas fontes, anulando boa parte do que restara das criminosas unhas de Eusébio. Jacob Buckhardt, examinando essa documentação, concluiu que o Novo Testamento merece confiança. Em Coumrã, em 1947, como á vimos, foram encontrados documentos com escrita em hebraico e não em grego, falando em Crestus não em Cristo. Ali, Habacuc refere-se à perseguição sofrida por essa seita judia, assim como a morte de Crestus, igualmente traído por Judas, um sacerdote dissidente. A Igreja, ao ter conhecimento da existência de tais documentos, pretendeu informar que Crestus era o Cristo de sua criação, contudo, verificou-se que eles datavam de pelo menos um século antes do lançamento do romance do Gólgota. Além disso, continham revelações contrárias aos interesses da Igreja. Eles relatam as lutas de morte em que viviam as diversas seitas do judaísmo. A Didaquê não pôde entrar nos Evangelhos, devendo silenciar completamente a respeito da pretensa passagem de Jesus pela terra. De qualquer forma, a lenda que existia em torno no nome de Crestus foi aproveitada na época porque, sendo uma seita comunista, suas pregações iriam servir para atrair ao cristianismo a atenção dos escravos, em luta contra os seus senhores, a eterna luta do pobre contra o rico. Escavações feitas em Jerusalém desenterraram velhos cemitérios, onde foram encontradas muitas cruzes do século I e mesmo anteriores. Todavia, apesar de já ser usada nessa época, só a partir do século IV é que a Igreja iria oficializá-la como seu emblema. Levantamentos arqueológicos posteriores provariam que a cruz já era um piedoso emblema usado desde há milênios.

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Orígenes, polemizando contra Celso, um dos mais cultos escritores romanos de seu tempo, e que mais combateram as bases falsas da Igreja e de Jesus Cristo, acusa Flávio Josefo por não haver admitido a existência de Jesus. Flávio não poderia referir-se a Jesus nem ao cristianismo porque ambos foram arranjados depois de sua morte. Assim, os livros de Flávio que falam de Jesus foram compostos, ou melhor, falsificados muito tempo após sua morte, no decorrer do século III, conforme as conclusões alcançadas pelos mestres da Escola de Tübingen. Sêneca, que foi preceptor de Nero, cometendo suicídio e para não ser assassinado por ele, já pensava mais ou menos como os cristãos. Do que se conclui que as idéias de que se serviu o cristianismo para se fundamentar são emprestadas das lendas que giravam em torno de outros Cristos Messias, assim como de outros cultos. Nada tendo, portanto, de original. Sêneca acreditava em um Deus único e imaterializável. Por tudo isso, vemos que os líderes do cristianismo nada mais fizeram do que se apropriar das ideias já existentes. Apenas tiveram o cuidado de promover as modificações necessárias, com vistas a melhor consecução dos seus objetivos materiais. Sêneca, embora não fazendo em seus escritos qualquer alusão à existência de Jesus Cristo, teve muitos de seus escritos aproveitados pelo cristianismo nascente. Em Tácito, escritor do século II, encontram-se referências a respeito de Jesus e seus adeptos. Contudo, exames grafotécnicos demonstraram que tais referências são falsas, e resultam de visível adulteração dos seus escritos. Suetônio, que existiu quando Jesus teria vivido, escreveu a ―História dos Doze Césares‖, relatando os fatos de seu tempo. Referindo-se aos judeus e sua religião, apenas falou em ―distúrbios de judeus exaltados em torno de Crestus‖. Por aí se vê que ele não se referia aos cristãos, porquanto, eles sempre se mostraram humildes e obedientes à ordem constituída, evidentemente a fim de passar, tanto quanto possível, despercebidos. Desse modo, iriam solapando o poder imperial, manhosamente, como realmente aconteceu. Suetônio escreveu ainda que haviam supliciado alguns cristãos que eram gente que se dedicava demasiado a tolas superstições, orientadas por uma idéia errada. Disse ainda que Nero tivera de mandar expulsar os judeus de Roma, porque eles estavam sempre se revoltando, instigados por Crestus. Os cristãos estavam sempre organizados de modo a atrair os escravos, sem, contudo, desagradar às autoridades. Assim sendo, jamais provocariam tumultos. Os cristãos aos quais Suetônio refere-se poderiam ser os zilotas, os essênios ou os terapeutas, mas nunca os cristãos de Jesus Cristo, porquanto, conforme já dissemos acima, os cristãos eram ensinados a não provocar desordens. Plínio, o Jovem, viveu entre os anos 62 e 113, tendo sido subpretor da Bitínia. Na carta enviada ao imperador, perguntava como agir em relação aos cristãos, ao que Trajano teria respondido que agisse apenas contra os que não renegassem à nova fé. Entretanto, não ficou evidenciado a quais cristãos, exatamente, eram feitas as referências: se aos crestãos ou aos cristãos. De qualquer forma, a carta em questão, após ser submetida a exames grafotécnicos e métodos rádio-carbônicos, revelou haver sido falsificada. Justiniano, Imperador romano, mandou queimar os escritos de Porfírio, através de um edito, em 448, alegando que: ―impelido pela loucura, escrevera contra a santa fé cristã‖. Vespasiano, ao morrer, disse: ―Que desgraça! Acreditei que me havia tornado um deus imortal!‖. Suas palavras justificam-se pela credulidade supersticiosa.

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Partindo do preceito ensinado pelos judeus, aliás, um falso preceito, de que Cristo havia subido ao céu com corpo e alma, não seria de estranhar que os imperadores pretendessem tornaremse deuses, a fim de escapar ao inapelável destino dos que nascem: a morte. Calígula, por isso, fizera-se coroar como Deus-Sol, o Sol Invictus, o Helius. Nessa época o Império romano, embora em declínio, ainda dominava uma porção de províncias afastadas de Roma. O homem espoliado pela força bruta, unificada em torno das regiões, sentindo não ser possível contar com a justiça humana, passa a esperar pela justiça dos deuses. Mas, mesmo assim, teriam de apelar para os deuses dos pobres e não dos ricos, privilegiados e poderosos. Conta a lenda que Osíris, o deus solar dos egípcios, foi morto por seu irmão Seth, o qual dividiu o corpo em 14 pedaços e os espalhou pelo mundo afora. Ísis, sua esposa e irmã, saiu em busca dos pedaços, levando seu filho Hórus ao colo. Todos os anos o povo fazia a festa de Ísis, relembrando o acontecimento. Havendo conseguido juntar todas a partes do corpo, Osíris ressuscitou, passando a ser incensado como o deus da morte e da sombra. Fora uma ressurreição conseguida pelo amor da esposa. Ísis separou a terra do céu, traçou a órbita dos astros, criou a navegação e destruiu todos os tiranos. Comandava os rios, as vagas e os ventos. Seu culto assemelhava-se muito ao de Astartê, de Adônis e de Átis, religiões muito aparentadas entre si, dominando toda a orla do Mediterrâneo. Seu culto era uma reminiscência do culto de Tamus, um deus babilônio, cuja doutrina ensinava que os deuses nasciam e renasciam, ressuscitando-se. O judaísmo e, mais tarde, o cristianismo, beberam dessas fontes grande parte da sua liturgia. No cristianismo, encontramos Ísis representada pela Virgem Maria e Hórus transformado em Jesus Cristo. Maria e Jesus, fugindo de Herodes e indo para o Egito, é a mesma lenda de Ísis e Hórus, fugindo de Seth. O Deus-Homem que morria e ressuscitava já era uma velha ―crença religiosa‖ naqueles tempos. O cristianismo apenas deu novos nomes e novas roupagens aos deuses de velhas crenças. A revelação de Deus aos homens é outra lenda cuja origem perde-se na noite dos tempos. Muitos séculos antes do surgimento do judaísmo, Zoroastro ou Zaratrusta havia criado uma religião, segundo a qual havia uma eterna luta entre o bem e o mal. Aura Mazzda ou Ormuzd, o deus do fogo e da luz, representava o bem em luta contra Angra Maniú ou Iarina, o deus das trevas. Nessa luta, Ormuzd foi auxiliado por seu filho Mitra, o espírito do bem e da justiça, mediador entre Ormuzd e os homens. Ormuzd mandou seu filho à terra, o qual nasceu de uma virgem pura e bela, que o concebeu através de um raio de sol. Morreu e ressuscitou em seguida. Essa religião foi levada para Sicília pelos marinheiros persas, nos últimos séculos da era passada. Inventando o cristianismo, os judeus nada mais fizeram do que sincretizar o judaísmo ortodoxo com a religião de Mitra, sem esquecer-se de Osíris e Átis, cujas religiões eram também muito aceitas em Roma e Alexandria. Vestígios do mitraísmo foram encontrados em escavações recentes, feitas em Óstia, os quais datam do século I. O mitraísmo era praticado em catacumbas, em grutas e em subterrâneos. O cristianismo copiou-lhe a prática. Daí porque disseram ter Jesus nascido em uma gruta e, nos primeiros tempos, o cristianismo foi praticado em catacumbas. Assim sendo, os cristãos foram para as catacumbas, não fugindo das autoridades imperiais, mas tão-somente para observar o ritual mitraico. Os mitraicos também davam seus banquetes subterrâneos, eram os banquetes pessoais, comuns nos ritos solares e no judaísmo. Em ambos, havia o rito do pão e do vinho.

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Mitra, o Sol Invictos, era festejada em dezembro, como Jesus. Outras aproximações entre o culto de Mitra e o de Jesus, no cristianismo: o uso da cruz do Sol Radiante, a cruz do Sol Invictus a qual expandia raios; o uso da pia batismal com a água benta, as refeições comunais, a destinação do domingo para o descanso em homenagem ao Senhor; a águia e o touro do ritual mitraico foram tomados para símbolos dos evangelistas Marcos e Lucas. Antigos quadros e painéis trazem a figura dos evangelistas com a cabeça desses animais. Do judaísmo, copiaram a crença da imortalidade da alma, a vida no além, o Inferno, o diabo, a ressurreição, o dia do juízo; práticas e crenças igualmente existentes no mitraísmo. Graças a esses espertos arranjos, durante muito tempo, o crente frequentou indiferentemente o templo cristão, de Mitra ou de Ísis, crendo estar na Igreja antiga, onde iam consultar o oráculo. Por isso, Teofilo, em Alexandria, mandou construir um templo cristão ao lado de um templo de Ísis, onde se anunciava o oráculo quando as profecias vinham de uma revelação astral, mediante a camuflagem das vozes de antigos bispos ali enterrados. Uma das coisas que favoreceram o cristianismo foi a abolição do sacrifício sangrento. Muitos correram a abraçar a nova crença para escapar da morte em um desses atos propiciatórios. Spinoza e Hobbes, no século XVIII, mostraram que o Pentateuco foi composto no século II a.C. graças ao que o sacerdote judeu havia aprendido no cativeiro babilônio, fato que aconteceu no século IV a.C. Em seguida, mostraram uma série de contradições quanto à cronologia. Em uma das fontes, apresentam Adão e Eva como tendo sido criados ao mesmo tempo, enquanto em outra informam que ela havia sido feita de uma costela de Adão. Em uma, o homem aparece antes dos outros animais, na outra os animais surgem primeiro. Levantamentos arqueológicos do começo do século XX, levados a efeito nos subsolos da Babilônia, provaram que o Deuteronômio resultou, em grande parte, do que os sacerdotes judeus haviam copiado da legislação religiosa, civil e criminal de Hamurabi, a qual por sua vez resultara do que se sabia da civilização acádia, e que naqueles tempos já era vetusta. Isaías, ao profetizar acerca de diversos reis de várias épocas, mostra que seu nome foi inventado séculos depois dos fatos haverem ocorrido. Um desses reis foi Dano, rei persa que governou em 538 A.C., quando libertou os judeus do cativeiro. Herodes morreu no ano IV A.C., foi responsabilizado pela matança dos inocentes, para compor o controvertido romance da fuga para o Egito. Tudo o que até agora temos relatado constitui provas evidentes de que a Bíblia não tem a antiguidade nem a veracidade que lhe pretendem imprimir. Os zilotas que seguiam a linha comunista dos essênios combatiam tanto os judeus ricos como a ocupação romana. Os essênios, ao professar, faziam votos de pobreza, quando juravam nada contar da seita para os estranhos e nada ocultar dos companheiros. Era um dos ramos do judaísmo em que não mais se oferecia sacrifício sangrento, o que foi copiado pelo cristianismo. Os Evangelhos foram compostos para enquadrar Jesus no que está previsto no versículo 17 do salmo 22. De modo que Jesus não passou de um ator arranjado para representar o drama do Gólgota. Cumpriu as Escritas como ator e não como sujeito de uma vida real. Reimarus, filósofo alemão que morreu em 1768, estudou a fundo a história de Jesus. Chegou a conclusões irrefutáveis, que assombraram a Igreja muito mais do que Copérnico ou Darwin. Disse que, se Jesus tivesse mesmo existido, seria, quando muito, um político ambicioso que fracassara completamente em suas conspirações contra o governo. Emmanuel Kant foi o primeiro filósofo que conseguiu racional e inteligentemente expulsar Jesus da história humana, através de uma impressionante e profunda exegese do herói do cristianismo. Volney, em ―As Rumas de Palmira‖, após regressar de uma longa viagem de pesquisas sobre Antiguidade

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clássica pelo Oriente Médio, elaborou o trabalho acima referido, no qual nega a existência física de Jesus Cristo. Arthur Drews igualmente viveu muitos anos na Palestina dedicando-se ao estudo de sua história antiga; concluiu que Jesus Cristo jamais foi um acontecimento palestino. Examinou todos os lugares pelos quais os evangelistas pretenderam tivesse Jesus passado. Constatou, então, que o cristianismo foi totalmente estruturado em mitos; entretanto, organizado de modo a assumir o aspecto de verdade incontestável, a ser imposta pela Igreja. Todavia, para sorte nossa homens estudiosos e inteligentes contestam as falsas verdades elaboradas pelo cristianismo, com argumentos irretorquíveis. Dupuis disse que, aqueles que fizeram de Jesus um homem, conseguiram enganar tanto quanto os que o transformaram em um deus. Em suas observações, deixa certo que o romance de Jesus nada mais é do que a repetição das velhas lendas dos deuses solares. Vejamos suas palavras: ―Quando tivermos feito ver que a pretensa história de um deus que nasceu de uma virgem, no solstício do inverno, depois de haver descido aos infernos, de um deus que arrasta consigo um cortejo de doze apóstolos, ‗os doze signos solares‘ cujo chefe tem todos os atributos de Jano, um deus vencedor do deus das trevas, que faz transitar o homem império da luz e que repara os males da natureza, não passa de uma fábula solar… ser-lhe-á pouco menos indiferente examinar se houve algum príncipe chamado Hércules, visto haver-se provado que o ser consagrado por um culto, sob o nome de Jesus Cristo, é o Sol, e que o maravilhoso da lenda ou do poema tem por objeto este astro, então parecerá que os cristãos tem a mesma religião que os índios do Peru, a quem os primeiros fizeram degolar‖. Albert Kalthoft diz que Jesus personifica o movimento socioeconômico que no século I fazia revoltar o escravo, o pobre e o proletário. O seu messianismo foi espertamente aproveitado pelos líderes dos judeus da diáspora, aqueles que exploravam a desgraça do judeu pobre em benefício próprio. Acrescenta que a divergência que existe entre os quatro evangelistas resulta das várias tendências daquele movimento social revolucionário nascido em Roma, do qual a versão palestina é apenas o reflexo. Salonmon Reinach, em ―Orheus‖, salienta o completo silêncio dos autores contemporâneos de Jesus Cristo acerca de sua pretensa existência. Tal silêncio verifica-se tanto entre os escritores judeus como entre os não judeus. Examina em profundidade as ―Acta Pilati‖ e constata que os acontecimentos que o cristianismo situou em seu governo não foram do que ressuscitou no equinócio da primavera, de seu conhecimento, e assim sendo Pilatos jamais soube qualquer coisa a respeito de Jesus Cristo. Pierre Louis Couchoud afirma que a existência real de Jesus é indemonstrável, do ponto de vista histórico. E acrescenta que as referências feitas por Flávio Josefo a Jesus não passam de falsificação de textos, sobejamente provada hoje pelos peritos da crítica histórica. Os maiores movimentos históricos tiveram como origem os mitos, cujo papel social é dar forma aos anseios inconscientes do povo. Compara, inclusive, a lenda de Jesus com a de Guilherme Tell, na Suíça. Todos sabem tratar-se de uma lenda nacional, todavia, Guilherme Tell é ali reverenciado como herói verdadeiro e real. Seu nome promove a união política dos cantões, embora falem línguas diferentes. É possível que o mesmo aconteça em relação a Jesus e o cristianismo. Estando em jogo interesses de ordem social, política e, sobretudo, econômica, os líderes cristãos preferem deixar o mito de pé, pois enquanto houver cristãos, sua profissão estará garantida e os lucros continuarão sendo por eles convertidos. O que se faz necessário é que o povo seja esclarecido acerca dos assuntos de crenças e religiões nos termos da verdade, da

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razão e da lógica, a fim de que, se libertando dos velhos preconceitos e tabus, possa enfim ver o mundo e as coisas em sua realidade objetiva. E não ignoramos qual a realidade objetiva que predomina no cristianismo: é a exploração dos menos abastados intelectual e economicamente. Quem mais contribui para as campanhas da Igreja são aqueles que menos possuem, cuja mente encontra-se obstruída pelas ideias e crenças religiosas. Sua pobreza material alia-se à pobreza intelectual. Uma boa dose de conhecimentos científicos certamente é a melhor maneira de remover os obstáculos para a libertação do homem, criados pelos lideres religiosos, em suas pregações. Entretanto, sabemos que nem sempre é possível a aquisição de tais conhecimentos. Muitos são os fatores que se interpõem entre o homem pobre, o operário, o trabalhador, e a cultura. Um desses fatores, por sinal, muito ponderável, é o econômico-financeiro. Como fazer para ir à escola, comprar livros, etc, se tem que trabalhar duro pela vida, e o que ganha mal dá para sobreviver? Bem poucos são os que conseguem reunir os conhecimentos necessários que lhe permitam enxergar mais longe e romper as invisíveis cadeias que os prendem aos dogmas e preconceitos ultrapassados pela razão e pela ciência. O mais cômodo para aqueles deserdados será esperar a recompensa das agruras da vida no céu, após a morte. Afinal de contas, os padres e os pastores estão aí para isto: vender Deus e o céu a grosso e no varejo. Tobias Barreto escreveu estes versos memoráveis: ―Se é sempre o mesmo engodo; Se o homem chora e continua escravo; De que foi que Jesus veio nos salvar?‖ Poderá alguém responder a tal interrogação satisfatoriamente? Provavelmente não. É possível que, movido pela mesma razão, Proudhon tenha escrito: ―Os que me falam em religião querem o meu dinheiro ou a minha liberdade‖. Desta forma, em poucas palavras, ficou bem claro o sentido e o objetivo da religião: subtrair ao indivíduo a sua liberdade de pensamento e de ação, e, com ela, o seu dinheiro. As falsificações Os únicos autores que poderiam ter escrito a respeito de Jesus Cristo, e como tal foram apresentados pela Igreja, foram Flávio Josefo, Tácito Suetonio e Plínio. Invocando o testamento de tais escritores, a Igreja pretendeu provar que Jesus Cristo teve existência física, e incutir como verdade na mente dos povos todo o romance que gira em torno da personalidade fictícia de Jesus. Contudo, a ciência histórica, através de métodos modernos de pesquisa, demonstra hoje que os autores em questão foram falsificados em seus escritos. Estão evidenciadas súbitas mudanças de assunto para intercalações feitas posteriormente por terceiros. Após a prática da fraude, o regresso ao assunto originalmente abordado pelo autor. Tomemos, primeiramente, Flávio Josefo como exemplo. Ele escreveu a história dos acontecimentos judeus na época em que pretensamente Jesus teria existido. Os falsificadores aproveitaram-se então de seus escritos e acrescentaram: ―Naquele tempo nasceu Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos. Era o Cristo. Sendo acusado por nossos chefes do nosso país ante Pilatos, este o fez sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram nem mesmo após sua morte. Vivo e ressuscitado, reapareceu ao terceiro dia após sua morte, como o haviam predito os santos profetas, quando realiza outras mil coisas milagrosas. A sociedade cristã, que ainda hoje subsiste, tomou dele o nome que usa.‖

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Depois deste trecho, passa a expor um assunto bem diferente no qual se refere a castigos militares infligidos ao povoado de Jerusalém. Mais adiante, fala de alguém que conseguira seus intentos junto a certa dama fazendo-se passar como sendo a humanização do deus Anubis, graças aos ardis dos sacerdotes de Ísis. As palavras a Flávio atribuídas são as de um apaixonado cristão. Flávio jamais escreveria tais palavras, porquanto, além de ser um judeu convicto, era um homem culto e dotado de uma inteligência excepcional. O próprio Padre Gillet reconheceu em seus escritos ter havido falsificações nos textos de Flávio, afirmando ser inacreditável que ele seja o autor das citações que lhe foram imputadas. Além disso, as polêmicas de Justino, Tertuliano, Orígenes e Cipriano contra os judeus e os pagãos demonstram que Flávio não escreveu nem uma só palavra a respeito de Jesus. Estranhando o seu silêncio, classificaram-no de partidário e faccioso. No entanto, um escritor com o seu mérito escreveria livros inteiros acerca de Jesus, e não apenas um trecho. Bastaria, para isto, que o fato realmente tivesse acontecido. Seu silêncio, no caso, é mais eloquente do que as próprias palavras. Exibindo os escritos de Flávio, Fócio afirmava que nenhum judeu contemporâneo de Jesus ocupara-se dele. A luta de Fócio, que viveu entre os anos de 820 a 895, e foi patriarca de Constantinopla, teve início justamente por achar desnecessário a Igreja lançar mãos de meios escusos para provar a existência de Jesus. Disse que bastaria um exemplar autêntico não adulterado pela Igreja e fora do seu alcance para por em evidência as fraudes praticadas com o objetivo de dominar de qualquer forma. Embora crendo em Jesus Cristo, combateu vivamente os meios sub-reptícios empregados pelos Papas, razão porque foi destituído do patriarcado bizantino e excomungado. De suas 280 obra apenas restou o ―Myriobiblion‖, tendo o resto sido consumido, provavelmente por ordem do Papa. Tácito escreveu: ―Nero, sem armar grande ruído, submeteu a processos e a penas extraordinárias aos que o vulgo chamava de cristãos, por causa do ódio que sentiam por suas atrapalhadas. O autor fora Cristo, a quem, no reinado de Tibério, Pôncio Pilatos supliciara. Apenas reprimida essa perniciosa superstição, fez novamente das suas, não só na Judéia, de onde proviera todo o mal, senão na própria Roma, para onde de confluíram de todos os pontos os sectários, fazendo coisas as mais audazes e vergonhosas. Pela confissão dos presos e pelo juízo popular, viu-se tratar-se de incendiários professando um ódio mortal ao Gênero humano‖. Conhecendo muito bem o grego e o latim, Tácito não confundiria referências feitas aos seguidores de Cristo com os de Crestus. As incoerências observadas nessa intercalação demonstram não se tratar dos cristãos de Cristo, nem a ele se referir. Lendo-se o livro em questão, percebe-se perfeitamente o momento da interpelação. Afirmar que fora Cristo o instigador dos arruaceiros é uma calúnia contra o próprio Cristo. E conforme já referimos anteriormente, os cristãos seguidores de Cristo eram muito pacatos e não procuravam despertar atenção das autoridades para si. Como dizer em um dado momento que eles eram retraídos e, em seguida, envolvê-los em brigas e coisas piores? É apenas mais uma das contradições de que está repleta a história da Igreja. Ganeval afirma que foram expulsos de Roma os hebreus e os egípcios, por seguirem a mesma superstição. Deduz-se então que não se referia aos cristãos, seguidores de Jesus Cristo. Referiam-se aos Essênios, seguidores de Crestus, vindos de Alexandria. A Igreja não conseguiu por as mãos nos livros de Ganeval, o que contribuiu ponderavelmente para lançar uma luz sobre a verdade. Por intermédio de seus escritos, surgiu a possibilidade de se provar a quais cristãos, exatamente, referia-se Tácito. Suetônio teria sido mais breve em

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seu comentário a respeito do assunto. Escreveu que ―Roma expulsou os judeus instigados por Crestus, porque promoviam tumultos‖. É evidente, também, a falsificação praticada em uma carta de Plínio a Trajano, quando perguntava o que fazer sobre os cristãos, assunto já abordado anteriormente. O referido texto, após competente exame grafotécnico, revelou-se adulterado. É como se Plínio quisesse demonstrar, não apenas a existência histórica de Jesus, mas sua divindade, simbolizando a adoração dos cristãos. É o quanto basta para evidenciar a fraude. Se Jesus Cristo realmente tivesse existido, a Igreja não teria necessidade de falsificar os escritos desses escritores e historiadores. Haveria, certamente, farta e autêntica documentação a seu respeito, detalhando sua vida, suas obras, seus ensinamentos e sua morte. Aqueles que o omitiram, se tivesse de fato existido, teriam falado dele abundantemente. Os mínimos detalhes de sua maravilhosa vida seriam objeto de vasta explanação. Entretanto, em documentos históricos não se encontram referências dignas de crédito, autênticas e aceitáveis pela história. Em tais documentos, tudo o que fala de Jesus e sua vida é produto da má-fé, da burla, de adulterações e intercalações determinadas pelos líderes cristãos. Tudo foi feito de modo a ocultar a verdade. Quando a verdade esta ausente ou oculta, a mentira prevalece. E há um provérbio popular que diz: ―A mentira tem pernas curtas‖. Significa que ela não vai muito longe, sem que não seja apanhada. Em relação ao cristianismo, isto já aconteceu. Um número crescente de pessoas vai, a cada dia que passa, tomando conhecimento da verdade. E, assim, restam baldados os esforços da Igreja, no que concerne aos ardis empregados na camuflagem da verdade, visando alcançar escusos objetivos. O doloroso silêncio histórico A existência de Jesus Cristo é um fato que jamais foi registrado pela história. Os documentos históricos que o mencionam foram falsificados por ordem da Igreja, num esforço para provar sua pretensa existência, apesar de possuir provas de que Jesus é um mito. E assim agiu, movida pelo desejo de resguardar interesses materiais. Ganeval apontou a semelhança entre o culto de Jesus Cristo e o de Serapis. Ambos são uma reencarnação do deus ―Phalus‖, que, por sua vez, era uma das formas de representação do deus Sol. Irineu chegou a afirmar que o deus dos cristãos não era homem nem mulher. Papias cita trechos dos Evangelhos, mostrando que se referiam ao Cristo egípcio. Referindo-se ao ―logos‖, que seria Jesus Cristo, disse ter sido ele apenas uma emanação de Deus, produzida à semelhança do Sol. É bom lembrar que essas opiniões divergentes entre si são de três teólogos do cristianismo. Essas opiniões foram emitidas quando estava acesa a luta de desmentidos recíprocos da Igreja contra os seus numerosos opositores, ou seja, os que desmentiam a existência física de Jesus. Então, criaram uma filosofia abstrata, baseando-se nos escritos de Filon. Ganeval, baseando-se em Fócio, disse que Eudosino, Agápio, Carino, Eulógio e outros teólogos do cristianismo primitivo não tiveram um conceito real nem físico de Jesus Cristo. Disse mais, que Epifânio, falando sobre as seitas heréticas dos marcionítas, valentinianos, saturninos, simonianos e outros, falava que o redentor dos cristãos era Horus, o filho de Ísis, um dos três deuses da trindade egípcia, que mais tarde viria a ser Serapis. Ganeval afirmou ainda que os docetistas negavam a realidade de Jesus e, para refutar a negação, o IV Evangelho põe em relevo a lança que fez sair água e sangue do corpo de Jesus,

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com o intuito de provar sua existência física. Segundo Jerônimo, esses docetistas teriam sido contemporâneos dos apóstolos. Lembra ainda que o imperador Adriano, viajando em 131 para Alexandria, declara que ―o deus dos cristãos era Serapis, e que os devotos de Serapis eram os mesmos que se chamavam os bispos de cristãos‖. Adriano, decerto, estava com a verdade. Documentos daquela época informam que existiam os atuais Evangelhos, assim como Tácito informa que os hebreus e os egípcios formavam uma só superstição. Os escritos de Filon não se referem a Jesus Cristo, conforme pretenderam fazer crer os falsificadores, mas a Serapis. Quando havia referências aos cristãos terapeutas, afirmavam que se falava dos cristãos de Jesus. Por sua vez, Clemente de Alexandria e Orígenes escreveram negando Jesus e falando em Cristo, o qual seria Crestus. No entender de Fócio, tudo isso não passava de fabulação mítica, não tendo existido Jesus nem Cristo, de que a Igreja criou o seu Jesus Cristo. Duquis e Volney, fazendo o estudo da mitologia comparada, mostram de onde retiraram Jesus Cristo: do próprio mito. Filon, escrevendo a respeito dos cristãos terapeutas, disse que o seu teor de vida era semelhante ao dos cristãos e essênios. Abandonavam bens e família para seguir apaixonadamente aos sacerdotes. Epifânio escreveu que os cristãos terapeutas viviam junto do lago Mareótides, tendo os seus Evangelhos e os seus apóstolos. É sobre esses cristãos que Filon escreveu. Se os cristãos seguidores de Jesus Cristo já existissem, Filon não poderia deixar de falar deles. Sobre o pretenso nascimento de Cristo, Filon contava apenas 25 anos de idade. Os Evangelhos, tendo surgido muito tempo após a morte de Filon e de Jesus, não poderiam ser os do cristianismo por ele referido. Clemente de Alexandria e Orígenes não criam na encarnação nem na reencarnação, motivo porque não creram na encarnação de Jesus Cristo, embora fossem padres da Igreja. Orígenes morreu em 254. Fócio escreveu sobre ―Disputas‖ de Clemente e afirmou que ele negara a doutrina do ―Logos‖, dizendo que o ―Verbo‖ jamais se encarnou, afirmação igualmente feita por Ganeval. Analisando os quatro volumes de ―Principia‖, de Orígenes, percebe-se que o ―Logos‖ ou o ―Verbo‖ era o mesmo sopro de Jeová, referido por Moisés. Fócio, tendo-se escandalizado com isso, disse que Orígenes era um blasfemo. Apenas analisando como se referia ao Verbo, a Crestus e ao Salvador, é que se pode excluir a possibilidade da existência física de Jesus. O tratariam de modo bem diferente, se tivesse realmente existido. Um Jesus Cristo não histórico A História, conforme mencionado, não tem registro da existência de Jesus Cristo. Os autores considerados confiáveis e que seriam seus contemporâneos omitiram-se completamente. Os documentos históricos que o mencionam, o fazem esporadicamente, e mesmo assim revelamse rasurados e falsificados, motivo pelo qual de nada adiantam, neste sentido, para a História. É óbvio, portanto, que a História não poderia registrar um evento que não aconteceu. Tomando conta da História, o cristianismo a deixou na contingência de referir o nome de Jesus Cristo como sendo um deus antropomorfizado, mas nunca uma pessoa de carne e ossos que tenha realmente vivido. Ao fazê-lo, principia por um estudo filológico e etimológico dos termos ―Jesus‖ e ―Cristo‖, e termina mostrando que os dois nomes foram reunidos em um só, para ser dado posteriormente a um indivíduo. O termo ―Jesus‖ significa salvador, enquanto que ―Cristo‖ é o ungido do Senhor, o ―oint‖ dos judeus, o Messias esperado doe judeus. Neste estudo, a História mostra que a crença messiânica havia tomado a costa do Mediterrâneo a partir do século II antes de nossa era. O norte da África, o sul da Europa, a

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Ásia Menor, estavam todos repletos de Messias e Cristos, e de milhares de pessoas que os seguiam e neles criam. Ao referir-se aos pretensos Messias, o Talmud deu esse nome até mesmo a diversos reis pagãos, como no caso de Ciro, conforme está em Isaias 44:1, ou ao rei de Tiro, como está em Ezequiel 28:14 e nos Salmos, quando se verifica que os nomes de Jesus e de Cristo já vinham sendo atribuídos a diversos líderes religiosos da Antiguidade. As fontes pesquisadas pela História mostraram que Jesus Cristo, ao ser estudado como fato histórico, só pode ser encarado como sendo o ―ungido do Senhor‖, uma personalidade de existência abstrata apenas, não tendo possuído contextura física pelo que deixou de ser histórico. É apenas uma figura simbólica, através da qual a humanidade tem sido enganada há muitos séculos. Cumprindo seu dever de informar, a História põe diante dos olhos do crente e do estudioso as provas de que foi a luta dos líderes cristãos a partir do século II para que o mito Jesus Cristo adquirisse a consistência sólida que levou a crença religiosa dos europeus da Idade Média sob o manto do criminoso absolutismo dos reis e dos Papas de então. Este estudo demonstra que Jesus Cristo foi concebido no século II para cumprir um programa messiânico elaborado pelos profetas e pelos compiladores do Velho Testamento e das lendas, sob o seu pretenso nome. Vê-se, então, que os passos de Jesus pela terra aconteceram conforme o Talmud, para que se cumprissem as profecias que o judaísmo havia inventado. Jesus Cristo pode ser considerado o ator no palco. Representou o drama do Gólgota e retirouse da cena ao fim da peça. Mateus 1:2 descreve-nos um Jesus Cristo que nasce milagrosamente, apenas para que se cumprissem as escrituras. Em 2:5 diz que nasceu em Belém, porque foi ali que os profetas previram que nasceria. Em 2:14 deixa-o fugir para o Egito, para justificar estas palavras: ―Meu filho será chamado do Egito‖. Em 2:23 faz José regressar a Nazaré porque Jesus deveria ser nazareno. Em 3:3 promove o encontro de Jesus com João Batista, porque Isaías predissera-o. Em 4:4 Jesus foi tentado pelo diabo, porque as escrituras afirmaram que tal aconteceria e que ele resistiria. Em 4:14 leva Jesus para Carfanaum para conferir outra predição de Isaías. Em 4:12 Jesus diz que não se deve fazer aos outros senão aquilo que gostaríamos que a nós fosse feito, porque isto também estava na lei dos profetas. Em 7:17 Jesus cura os endemoniados, conforme predissera Isaías. Em 11:1014 Jesus palestra com João Batista porque assim predissera Elias. Em 12:17 Jesus cura as multidões, quando pede que não propalem isso, igualmente dando cumprimento às palavras de Isaías. Em 12:40 permanece sepultado durante três dias porque os deuses do paganismo, os deuses solares ou redentores, também estiveram; como Jonas, que foi engolido por uma baleia, a qual depois de três dias jogou para fora, intacto como se nada tivesse acontecido. E tudo isto aconteceu em um mar onde não há possibilidade de vida para esse cetáceo, portanto, só poderia acontecer graças aos milagres bíblicos. Em 13:14 diz que Jesus falava por meio de parábolas, como Buda também o fez. Assim também falavam os antigos taumaturgos, para que apenas os sacerdotes entendessem; assim só eles seriam capazes de interpretar para os incautos e crédulos religiosos, e, afinal, porque Isaías assim o previa. Em 21:14 Jesus entra em Jerusalém montado em um burrico, conforme as profecias. Em 26:54 Jesus diz que não foi preso pelo povo quando junto dele se assentou no templo para ensinar, porque também estava previsto. Em 27:9 Judas trai a Jesus, vendendo-o por trinta dinheiros e recebendo à vista o preço da traição.

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Em 27:15 os soldados repartem entre si as roupas do crucificado. Apenas o cumprimento desta profecia choca-se frontalmente com a História. E, de acordo com ela, nessa época não havia legionários romanos na Palestina. Lucas 23:27 diz que Jesus mandou comprar espadas, para que assim fosse confundido com os malfeitores comuns, porque assim estava previsto. Em seguida, diz que Jesus, ao ensinar aos seus apóstolos, afirmava que tudo o que lhe acontecesse, era para que estivesse de acordo com o que escreveram Moisés e os profetas, e como estava descrito nos salmos. Em 24:44-46 diz que Jesus afirmou ―Como era necessário que Cristo padecesse e ressuscitasse ao terceiro dia, dentre os mortos‖. Para ficar de acordo com as previsões testamentárias, João 19:27 diz que Jesus teve sede e pediu água. Em 19:30, ao beber a água, disse que era vinagre e exclamou: ―Tudo se cumpriu‖. Em 19:32-37 diz que não lhe quebraram nenhum osso, apenas o feriram com a lança para verificar se havia expirado. E isto também estava predito. Por ai, percebe-se que tudo ali é puro simbolismo, e que Jesus foi idealizado apenas para cumprir as escrituras. Está ai uma prova de que a existência de Jesus nada mais é do que uma fabulação evangélica. Do mesmo modo que inventaram as profecias, inventaram alguém para cumpri-las. Tanto é verdade, que os judeus que ainda hoje acreditam em profecias, não aceitaram Jesus como tendo sido o Messias prometido pelo Talmud. Além disso, os seus escritores esgotaram todos os argumentos possíveis com o fim de provar que Jesus não foi um acontecimento palestino, e que não passou de um romance escrito pelos judeus dispersos e dos que se aproveitaram do messianismo judeu para criar uma empresa comercial, como tem sido o Vaticano. O messianismo não foi uma lenda que tenha atingido a todas as classes sociais judias. Essa lenda foi criada pelos sacerdotes judeus visando com isso ajudar ao povo da rua a suportar melhor as agruras da pobreza e não reagir contra as classes privilegiadas. Essas promessas são cumpridas pelos sacerdotes, a seu modo, a fim de que o pobre viva de esperanças e não sinta que o rico continua metendo as mãos em seus bolsos, impunemente. O homem do povo raramente compreende a finalidade desse tipo de engodo. O Talmud traz uma porção de profecias, e ao mesmo tempo critica aos que lhes dão crédito. A crítica representa uma evolução do pensamento das lideranças judias. Um estudo comparado do judaísmo e do cristianismo mostra a enorme quantidade de crendices dessas religiões forjadas pelos seus líderes e afastadas pela evolução do conhecimento. Em nossos dias, o conhecimento atingiu um ponto em que a própria Igreja começou a relegar para um canto os seus ídolos de aspecto humano. O conhecimento humano terminara por vencer definitivamente, provando que todos os deuses e ídolos têm os pés de barro. Nossos antepassados viram muitos ídolos cair. Certas práticas e crenças religiosas ainda permanecem válidas porque os sacerdotes, como bons psicólogos que são, observam o desenvolvimento mental do povo e sabem que uns encontram a verdade, enquanto outros, jamais conseguiram alcançá-la. Idealizando um Jesus Cristo adaptado às profecias talmúdicas, criaram um personagem incoerente e inseguro, o que nos dá a medida exata do quilate mental dos seus criadores. Podiam ser espertos, mas nunca inteligentes ou cultos. Não deve ter sido tarefa das mais fáceis adaptar um Cristo vindo para cumprir as profecias no fanatismo das populações ignorantes. Foi um trabalho de titãs não acorrentados à verdade, nem à sinceridade que o homem deve ao seu semelhante. Nunca foi fácil transformar uma fantasia em realidade. Por isso, o cristianismo teve de valer-se da espada de Constantino e das

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armas de seus legionários para impor dogmaticamente o que a razão e o conhecimento jamais aceitariam passivamente. Nos dois primeiros séculos do cristianismo, cada qual queria ser o primeiro e mandar mais e, se possível, ficar sozinho. Tivemos muitos reis e Papas analfabetos, atestando o primarismo dos judeus dispersos, como dos lideres europeus da época do lançamento do cristianismo. Tentando racionar a teologia do judaísmo e do cristianismo, fizeram de Jeová um deus absurdo e de Jesus um ser irreal, ambos incoerentes, o que se tornou a essência do Talmud e dos Evangelhos. Através de Jesus Cristo, valorizaram as profecias do pretenso profeta Isaías, revitalizando assim o judaísmo e dando seriedade ao Talmud, fazendo dos Evangelhos um amontoado de mentiras e de impossibilidades humanas. Assim é que criaram um relato inconsistente, que desmorona completamente confrontado com uma análise mais profunda. Scherer escreveu que Jesus não foi um filósofo nem fundador de uma religião. Foi apenas Messias. O sentido da vida de Jesus era apenas dar cumprimento às profecias messiânicas, e tal ideia é o centro dos fatos evangélicos, a razão de ser Jesus. Tendo vindo ao mundo somente para cumprir as profecias, deixou de ser humano e tornou-se um fantasma, ou um símbolo do que nunca teve existência real. A vida de Jesus e de seus apóstolos desenrola-se apenas como uma peça teatral, na qual Jesus acumula os papéis de deus e de homem. Um dia o público há de convencer-se de que esteve diante de um ser bíblico, sem uma realidade histórica. Segundo Arthur Weigal, o único testemunho escrito por quem teria convivido com Jesus teria sido a epístola atribuída a Pedro. Teria surgido quando começaram as pretensas perseguições aos cristãos, na qual ele os animava. Entretanto, como a existência de Pedro é igualmente lendária, a epístola em questão não merece fé, tendo sido composta por qualquer cristão, menos pelo mitológico Pedro. Os escritos de Tácito, dadas as adulterações sofridas, carecem de valor histórico. Dai não se poder admitir como verdade que Nero, entre os anos 54 e 68, tenha realmente perseguido aos seguidores de Jesus Cristo. Tertuliano, entretanto, afirma que Pedro foi martirizado no governo de Nero. Contudo, vários pesquisadores, entre os quais Holmann e Weizsacker, demonstraram que essas perseguições somente começaram a partir do século II. Irineu, no ano 180, achava que a epístola de Pedro fora escrita em 83, mas não por Pedro. Nesta epístola, Pedro dizia que ―Jesus sofreu por nós, deixando-nos um exemplo‖. Acrescentara ter sido testemunha pessoal dos seus sofrimentos, após os quais subiu ao céu, de onde voltaria em breve. No entanto, sua volta não ocorreu até hoje, apesar de terem se passado dois mil anos. A falta de cumprimento dessa promessa invalida todas as suas afirmações. Disse Pedro, ainda, que Jesus mandou que se amassem uns aos outros, pagando o mal com o bem, retribuindo a injúria com a bênção. Recomendou a caridade, a hospitalidade e a humildade; o dever de evitar o mal, fazer o bem e buscar a paz, assim como a abstinência da ambição da carne, evitar o rancor, a inveja e a maledicência; a submissão às autoridades, crer em Deus e honrar o rei. As epístolas de Paulo viriam em segundo lugar, como importância histórica. Pedro teria aprendido a doutrina cristã na convivência direta com Jesus. Suas epístolas seriam consideradas autênticas por terem sido escritas 20 ou 30 anos após a crucificação. Pedro e Paulo afirmaram que Jesus voltaria em breve para julgar a humanidade. Contudo, ambos estavam enganados e enganaram aos outros. Paulo teria conhecido pessoalmente a

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Pedro e a Jaques, um dos irmãos de Jesus Cristo, assim como referia-se a outras pessoas que teriam convivido com Jesus. A crucificação e a ressurreição teriam sido fatos indiscutíveis para Pedro e Paulo, cujos escritos estariam muito próximos dos acontecimentos. Paulo, em I Coríntios 11:1, diz: ―Imitam-me como se fosse Jesus‖. Teria pregado o amor, a paz, a temperança, a caridade, a alegria, a paciência, a doçura, a confiança e a boa vontade. A lei divina deveria ser interpretada segundo o espírito e não conforme a letra. ―Amarás ao próximo como a ti mesmo‖, seria um amor paciente, caridoso e humilde. As epístolas procuraram estabelecer a historicidade de Jesus, assim como revelar muitos pontos do seu caráter. Jesus teria vivido apenas para redimir a humanidade, não teria pecado, sendo, sem dúvida alguma, o filho de Deus. Papias, em 140, escreveu que Mateus havia colecionado as máximas de Jesus, e Marcos recolhera muitas notas para o Evangelho. Assim, os Evangelhos seriam o espelho de Jesus, contado pelos apóstolos, espalhando entre os homens o ideal de perfeição moral e mental. As curas, milagres e pregações de Jesus, em pouco tempo, haviam espalhado o seu nome, galvanizando as multidões, todos sentiam que havia surgido o Messias. Assumiu o papel de Messias e com isso entusiasmou a multidão, pelo que entrou em Jerusalém cercado da emoção e do respeito do povo. Ao anoitecer abandonou a cidade, e, no dia seguinte, ao regressar, encontra muita agitação. As autoridades haviam tomado medidas contra ele. Dois dias antes da páscoa, tomou sua última refeição com os companheiros e ali permaneceu a espera dos acontecimentos, sabendo que o seu reino não era deste mundo. À noite foi preso e, no dia seguinte, julgado. O povo quis que o sacrificassem em lugar de Bar Abbas. Seria o sacrifício pascal, rito multimilenar que iria mais uma vez acontecer. Após a morte, sai do sepulcro, ressuscitado, e vai ao encontro dos apóstolos, pede comida, e depois de permanecer algum tempo com eles, ascende ao céu prometendo voltar em breve. Foi este o retrato feito de Jesus Cristo pelo cristianismo, e que ainda hoje milhões de pessoas adoram. Entre nós, são bem poucos os que põem em dúvida a veracidade desse romance contado pelos judeus da diáspora e aproveitado por seus seguidores latinos. No entanto, a razão e o conhecimento estão se encarregando de destruir a pretensa veracidade desse conto. Muitas coisas consideradas como milagres são hoje conseguidas naturalmente através da ciência, da tecnologia moderna, da medicina, do conhecimento científico em todas as suas modalidades, e mesmo através de hipnose. Diante das conquistas que o homem tem feito, é possível que ele abra os olhos para a verdade e perceba então que Deus jamais se preocupou com sua sorte e com o mundo. A História desmente peremptoriamente que Deus tenha comparecido ao mundo nos momentos de festa ou de dor. O homem foi abandonado à própria sorte e tem lutado muito para sobreviver através dos tempos, e tem obtido sucesso porque está sempre acumulando conhecimentos, os quais emprega em situações futuras. Diante de tudo o que foi exposto, só nos resta dizer que a História, em dois mil anos, não encontrou uma única prova ou documento que mereça crédito no que diz respeito à vida de Jesus. Sua existência é fictícia e só encontra agasalho no seio da mitologia. Seu nascimento, sua vida, sua morte, sua família, seus discípulos, tudo, enfim, que lhe diz respeito, tem analogia com as crenças, ritos e lendas dos deuses solares, adorados sob diversos nomes e modalidades e por povos diversos, também. Dele, a História nada sabe.

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Jesus e o tempo O mítico dia do nascimento de Jesus Cristo foi oficializado por Dionísio, o Pequeno, no século VI, que marcou no ano 1 do século I, correspondendo ao ano 753 da fundação de Roma, com um erro de previsão calculado em seis anos. Para chegar a essa artificiosa fixação, serviu-se de diversos sistemas de cálculo. Calvísio e Moestrin contaram até 132 sistemas e Fabrício arredondou para 200. Para uns, teria sido entre 6 e 10 de janeiro, para outros, 19 ou 20 de abril, enquanto outros ainda situavam entre 20 e 25 de março. Os cristãos orientais determinaram a data entre 1 e 8 de janeiro, enquanto os ocidentais escolheram a 6 de janeiro. Em 375, São João Crisóstomo escreveu que a data de 25 de dezembro foi introduzida pelos orientais. Entretanto, antes do ano 354, Roma já o havia fixado para esta mesma data, segundo o calendário de Bucer. Essas diferenças foram o resultado da preocupação da Igreja em fazer com que o nascimento de Jesus coincidisse e se confundisse com os dos deuses solares, os deuses salvadores, e especialmente com o Deus Invictus, que era Mitra. E era justamente ao mitraismo que a religião cristã pretendia absorver. No dia 25 de dezembro todas as cidades do império romano estavam iluminadas e enfeitadas para festejar o nascimento de Mitra. A preocupação de ligar o nascimento de Jesus ao de Mitra denota o artificialismo que fundamentou o cristianismo. Foi a divinização do deus dos cristãos às custas da luz do Sol dos pagãos. Foi um dos grandes trabalhos de mistificação da Igreja a convergência dos dois nascimentos para a mesma data. Assim, o nascimento do novo deus apagava da memória do povo a lembrança de Mitra, no fim do inverno. A tradição religiosa, desde milênios, fizera com que todos os deuses redentores nascessem em 25 de dezembro. Quanto ao lugar de nascimento de Jesus, disseram ter sido em Belém, para combinar com as previsões messiânicas que, fazendo de Jesus um descendente de David, teria a adesão dos judeus incautos. O II e o IV Evangelhos não mencionam o assunto, enquanto o I e o III aludem ao caso, mas se contradizem. Uns dizem que os pais de Jesus moravam em Belém, enquanto outros afirmam que eles ali estavam de passagem. Essa insegurança deve-se ao fato de pretenderem ligar a vida de Jesus à de David, conforme as profecias. Todavia, isto confundia as tendências históricas ligadas ao nascimento dos deuses solares. A preocupação apologética, contudo, invalidou a pretensão histórica. De tudo isto resultou que a História pode hoje provar que tudo aquilo que se refere a Jesus é puro convencionalismo, e sua existência é apenas ideal e não real. De modo que a morte dos inocentes nada mais é do que a repetição da matança das criancinhas egípcias, contada no Êxodo. A estrela só pôde ser inventada porque naquele tempo o homem ainda não sabia o que era uma estrela; tanto assim que a Bíblia afirma que Josué fez parar o sol com um aceno de sua mão apenas. Assim, a estrela que guiou os magos é coisa realmente absurda. Antes de tudo, ninguém soube realmente de onde vieram esses reis e onde eram os seus países. Outros fenômenos relatados como terremotos, trevas e trovões, assinalados pelo Bíblia, não o são pela História dos judeus nem dos romanos. Só os interessados no mito puderam ver tais acontecimentos. Os escritores que relataram fatos ocorridos na Palestina e no Império Romano não transmitiram estes fatos que teriam ocorrido na morte de Jesus à posteridade. Muita coisa pode ter acontecido naqueles tempos, menos as que estão nos Evangelhos. Pilatos, por exemplo, morreu ignorando a existência de Jesus. Os legionários romanos jamais receberam ordens para prendê-lo. Nenhum movimento social, político ou religioso contrário às normas da ocupação surgiu na Judéia, para justificar a condenação de seu líder por Pilatos. Entretanto,

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Jesus teria sido julgado e condenado pelos sacerdotes judeus, pois Pilatos deixara o caso praticamente em suas mãos e do povo, lavando as suas próprias. Nem Pilatos, nem Caiaz, nem Hannã deixaram qualquer referência acerca desse processo. Nenhum deles poderia dizer qual a aparência física de Jesus. Tertuliano, baseando-se em Isaías, disse que ele era feio, ao passo que Agostinho afirmou que ele era bonito. Uns afirmaram que ele não tinha barba, outros que tinha. Sua cabeleira espessa e barba fechada resultaram de uma convenção realizada no século XII. O Santo Sudário retrata um Jesus Barbudo. Nada do que se refere a Jesus pode ser considerado ponto pacífico. Tudo é discrepante e contraditório. Ora, se aqueles que tinham e os que ainda têm interesse em defender a veracidade da existência de Jesus não conseguiram chegar a um acordo no que lhe diz respeito, isso não é bom sinal. Moy escreveu: ―Desde que se queira tocar em qualquer coisa real na vida de Jesus, esbarra-se logo na contradição e incoerência‖. Por isso, até o aspecto físico de Jesus tornou-se discutível, o que ajuda a provar que ele nunca existiu. De acordo com a História, não se pode aceitar o que está escrito nos evangelhos como prova de sua existência. Também a Igreja não dispõe de argumentos válidos, nesse sentido. A arqueologia, por outro lado, nada encontrou até aqui capaz de elucidar a questão. De tudo isto concluímos que a existência física de Jesus jamais poderá ser provada de modo irrefutável e, como consequência, é muito difícil de ser acatada por homens cultos e amantes da verdade. O romance, as lendas, os contos, a ficção, interessam como cultura, como expressão do pensamento de um povo, e desse modo são perfeitamente aceitos. Entretanto, a apresentação de tais modalidades de cultura como fatos reais, consumados e verdadeiros e como tal serem impostos ao povo, é condenável. A atitude do cristianismo tem sido, através dos tempos, justamente a que nós acabamos de condenar: a imposição das lendas, do romance e da novela como realidade palpável, como fato verdadeiro e incontestável. Em sua ―Vida de Jesus‖, Strauss diz: ―Poucas coisas são certas, nas quais os ortodoxos se apoiam de preferência ‗as milagrosas e as sobre-humanas‘, as quais jamais aconteceram. A pretensão de que a salvação humana depende da fé em coisas das quais uma parte é certamente fictícia, outra sendo incerta, é um absurdo, que em nossos dias nem sequer devemos nos preocupar, refutando-o‖. Ernest Havet, comparando Jesus com Sócrates, diz que Sócrates é um personagem real, enquanto Jesus é apenas ideal. Homens como Platão e Xenófanes, os quais conviveram com Sócrates, deixaram o seu testemunho a respeito do mesmo. Em seus escritos relatam tudo sobre Sócrates: a vida, o pensamento, os ensinamentos e a morte. E nada do que lhe diz respeito foi adulterado, e, portanto, é autêntico, verdadeiro e indiscutível. Quanto a Jesus, não teve existência real, e aqueles aos quais se atribui escritos e referências em relação a ele, uns foram adulterados em seus escritos, outros não existiram. Pilatos, que teria autorizado seu sacrifício, omite o fato quando relata os principais acontecimentos de seu governo. Por acaso mandaria matar um deus e não saberia? Assim, quem descreveu Jesus apenas imaginou o que ele teria sido, não foi sua testemunha. Renan disse em sua ―Vida de Jesus‖: ―Nossa admiração por Jesus não desapareceria nem mesmo quando a ciência nada pudesse decidir de certo, e chegasse forçosamente às negações‖. Termina dizendo que o divino encontrado pelos cristãos em Jesus é o mesmo que a beleza de Beatriz, que apenas resultou do pensamento de Dante ou de seu gênio literário. Da mesma forma, as belezas de Cristina residem nos sonhos religiosos dos hindus.

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As maravilhas de Jesus e a beleza de Maria são produtos do gênio inventivo da liderança oradora dos mitos Jesus e Maria. Se de ambos apenas se diz o bem, há sinal que eles não tiveram existência real. Jesus Cristo é uma criação do homem, o qual esteve em cena apenas para realizar as profecias dos primários profetas judeus. Esta é também a opinião de Didon, exposta em seu livro ―Vida de Jesus‖. Diz ele que é suspeita a sonegação de quase trinta anos da vida de Jesus à história evangélica. ―Nós apenas sabemos um nada da vida de Jesus‖, escreveu Miron. Os redatores dos Evangelhos e os primeiros autores eclesiásticos, recolhendo as tradições correntes na comunidade cristã, podem ter adquirido alguns fragmentos da verdade; mas como assegurar que, entre tantos elementos mitológicos e legendários, haja algo de verdade? Assim, a vida de Jesus em si é impossível. Acontece com Cristo o mesmo que acontece com todos os entes legendários: quanto mais os buscamos, menos os encontramos. A tentativa feita até aqui de colar na História, de arrebatar às trevas da teologia, um personagem que até a idade de trinta anos é absolutamente desconhecido, e que depois da referida idade aparece fazendo ―os milagres‖ humanos impossíveis é absurda e ridícula. Labanca, em ―Jesus Cristo‖, impugna a possibilidade de uma biografia científica de Jesus, baseando-se na inautenticidade dos Evangelhos, uma vez que os mesmos não tiveram finalidade histórica, mas somente religiosa e propagandista. Jesus não está nos Evangelhos por causa de sua esquisita divindade, mas porque isso convém aos seus propagadores e aos que ainda hoje vivem do seu nome, como lucrativo meio de vida. Jesus Cristo nos Evangelhos Assim como a história não tomou conhecimento da existência de Jesus, os Evangelhos igualmente o desconhecem como homem, introduzindo-o apenas como um deus. Maurice Vernés mostrou com rara maestria que o Velho Testamento não passa de um livro profético de origem apenas sacerdotal, fazendo ver que tudo que ai está contido não é histórico, sendo apenas simbólico e teológico. O mesmo acontece com o Novo Testamento e os Evangelhos. Tudo na Bíblia é duvidoso, incerto e sobrenatural. Tratando dos Evangelhos, mostra que sua origem foi mantida anônima, talvez de propósito, não se podendo saber realmente quem os escreveu. Por isso, eles começam com a palavra ―segundo‖; Evangelho segundo Mateus; segundo Marcos. Daí se deduz que não foram eles os autores desses Evangelhos, foram, no máximo, os divulgadores. Igualmente deixaram em dúvida a época em que foram escritos. A referência mais antiga aos Evangelhos é a de Papias, bispo de Yerápoles, o qual foi martirizado por Marco Aurélio entre 161 e 180. Seu livro faz parte da biblioteca do Vaticano. Irineu e Eusébio foram os primeiros a atribuir a Marcos e a Mateus a autoria dos Evangelhos, mas ambos permanecem desconhecidos da história, como o próprio Jesus Cristo. Além do mais, pouco ou nenhum valor têm os Evangelhos como testemunha dos acontecimentos. Se só foram compostos no século III ou IV, ninguém pode garantir se os originais teriam realmente existido. Os primitivos cristãos quase não escreveram, e os raros escritos desapareceram. Por outro lado, no Concílio de Nicéia foram destruídos todos os Evangelhos. Esse Concílio foi convocado por Constantino, que era pagão. Daí devem ter sido compostos outros Evangelhos para serem aprovados por ele ou pelo Concílio. Com isto, perderam sua autenticidade, deixando de serem impostos pela fé para o serem pela espada.

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Celso, no século II, combateu o cristianismo argumentando somente com as incoerências dos Evangelhos. Irineu diz que foram escolhidos os quatro Evangelhos, não porque fossem os melhores ou verdadeiros, mas apenas porque esses provieram de fontes defendidas por forças políticas muito poderosas da época. Os bispos que os apoiaram tinham muito poder político. Informam ainda que antes do Concílio de Nicéia os bispos serviam-se indiferentemente de todos os Evangelhos então existentes, os quais alcançaram o número de 315. Até então eles se equivaliam para os arranjos da Igreja. Mesmo assim, os quatro Evangelhos adotados conservaram muitas das lendas contidas nos demais que foram recusados. De qualquer forma, era e continuam sendo todos anônimos, inseguros e inautênticos. Os adotados foram sorteados, e não escolhidos de acordo com fatores qualificativos. Mesmo estes adotados desde o Concílio de Nicéia sofreram a ação dos falsificadores que neles introduziram o que mais convinha à época, ou apenas a sua opinião pessoal. Esta é a história dos Evangelhos que, através dos tempos, vêm sofrendo a ação das conveniências políticas e econômicas. Embora a Igreja houvesse se tornado a senhora da Europa, nem por isso preocupou-se em tornar os Evangelhos menos incoerentes. Sentiu-se tão firme que julgou que sua firmeza seria eterna. Os argumentos mais poderosos contra a autenticidade dos Evangelhos residem em suas contradições, incoerências, discordâncias e erros quanto a datas e lugares, e na imoralidade de pretender dar cunho de verdade a velhos e pueris arranjos dos profetas judeus. Essa puerilidade acumula-se à medida que a crítica verifica o esforço evangélico em tornar realidade os sonhos infantis de uma população ignorante. Para justificar sua ignorância, se dizem inspirados pelo Espírito Santo, o qual também é uma ficção religiosa, resultante da velha lenda judia segundo a qual o mundo era dominado por dois espíritos opositores entre si: o espírito do bem e o do mal. Adquiriram essa crença no convívio com os persas, os egípcios e os hindus. Os egípcios tiveram também os seus sacerdotes, os quais escreveram os livros religiosos como o ―Livro dos Mortos‖, sob a inspiração do deus Anubis. Hamurabi impôs suas leis como tendo sido oriundas do deus Schamash. Moisés, descendo do Monte Sinai, trouxe as tábuas da lei como tendo sido ditadas a ele por Jeová. Maomé, igualmente, foi ouvir do anjo Gabriel, em um morro perto de Meca, boa parte do Alcorão. Alá teria mandado suas ordens por Gabriel. O conhecimento mostra que as religiões, para se firmarem, têm-se valido muito mais da força física do que da fé. Quanto à verdade, esta não existe em suas proposições básicas. De modo que, Anubis, Schamash, Alá e Jeová nada mais são do que o Espírito Santo sob outros nomes. Stefanoni demonstrou que todos esses escritos não representam o Espírito Santo, mas o espírito dominante em cada época ou lugar. Assim surgiram os Evangelhos, os quais, como Jesus Cristo, foram inventados para atender a certos fins materiais, nem sempre confessáveis. ―Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja‖. São palavras de Santo Agostinho. Com sua cultura e inteligência, poderia hoje estar no rol dos que não crêem. Jesus Cristo é um milagre No que diz respeito a Jesus Cristo, a teologia toma em consideração, sobretudo, o aspecto sobrenatural e os seus milagres. João Evangelista foi trazido para a cena a fim de criar o Logos, o Jesus metafísico, destruindo, assim, o Jesus-Homem. As contradições surgidas em torno de um Jesus saído da mente de pessoas primárias e ignorantes o deixaram muito

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vulnerável à crítica dos mais bem dotados em conhecimento. Então vem João e substitui o humano pelo divino, por ser o mais seguro. O mesmo iria fazer a Igreja no século XV, quando, para abafar, grita contra os que haviam queimado miseravelmente uma heroína nacional dos franceses, tiraram o uniforme do corpo carbonizado de Joana D‘Arc e vestiram a túnica dos santos. O mesmo aconteceu com Jesus: teve de deixar queimar a pele humana que lhe haviam dado, para revestir-se com a pele divina. A Igreja, na impossibilidade de provar a existência de Jesus-Homem, inventou o Jesus-Deus. Assim atende melhor à ignorância pública e fecha a boca dos incrédulos. Do que relatei conclui-se que, no caso de Joana D‘Arc, a igreja obteve os resultados esperados. Contudo, continua com as mesmas dificuldades para provar que Jesus Cristo, como homem ou como deus, tenha vivido fisicamente. E não é só. Ela não tem conseguido provar nada do que tem ensinado e imposto como verdade. Faltam-lhe argumentos sérios e convincentes para confrontar com o conhecimento científico e com a história sem que sejam refutados. A Igreja tudo fez para tornar Jesus Cristo a base e a razão de ser do cristianismo. E isto satisfez plenamente a seus interesses materiais nestes dois milênios de vida. Da mesma forma, os portugueses, os espanhóis e os ingleses, de Bíblia na mão e cruz no peito, foram à longínqua África para arrastar o negro como escravo, para garantir a infraestrutura econômica do continente americano. Jamais se preocuparam em saber se o pobre coitado queria separarse de seus entes queridos, nem o que estes iriam sofrer com a separação. A Igreja está realmente atravessando uma crise. Acontece que os processos tecnológicos e científicos descortinam para o homem novos horizontes, e então ele percebe que foi iludido miseravelmente. Sua fé, sua crença e seu deus morrem porque não têm mais razão de ser. Jesus Cristo foi inicialmente um deus tribal, que teria vindo ao mundo por causa das desgraças dos judeus. Eles sonhavam ser donos do mundo, mas, mesmo assim, foram expulsos até mesmo de sua própria terra. Contudo, o cristianismo ganhou a Europa, com a adesão dos reis e imperadores. Renan, não conseguindo encontrar o Jesus-Divino, tentou ressuscitar o Jesus-Homem. Mas o que conseguiu foi apenas descrever uma esquisita tragédia humana, cujo epílogo ocorreu no Céu. Jesus teria sido um altruísta mandado à Terra para que se tornasse uma chave capaz de abrir o Céu. Teria sido o homem ideal com que o religioso sonha desde seus primórdios. Existindo o homem ideal, cuja idealidade ficasse comprovada, o histórico seria dispensável. Mas, ao tentar evidenciar um desses dois aspectos, Renan perdeu ambos. Mostrou então que, para provar o lado divino de Jesus, compuseram os Evangelhos. Seu objetivo: relatar exclusivamente a vida de um homem milagroso e não de um homem natural. Elaborando os Evangelhos, cometeram tantos erros e contradições, que acabaram por destruir, de vez, a Jesus. A exegese da vida de Jesus, baseada no conhecimento e na lógica, separando-se o ideal do real, eles destroem-se mutuamente. Quem descreve o Jesus real, não poderá tocar o ideal, e vice-versa, porque um desmente o outro. Em suma, os Evangelhos não satisfazem aos estudiosos da verdade livre de preconceitos, destruindo o material e o ideal postos na personalidade mítica de Jesus. A fabulação tanto recobre o humano como o divino. Verificamos, então, estarmos em presença de mais um deus redentor ou solar. Jesus, através dos Evangelhos, pode ser Brama, Buda, Krishna, Mitra, Horus, Júpiter, Serapis, Apolo ou Zeus. Apenas deram-lhe novas roupas. O Cristo descrito por João Evangelista aproxima-se mais desses deuses redentores do que o dos outros

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evangelistas. É um novo deus oriental, lutando para prevalecer no ocidente como antes tinha lutado para impor-se no oriente. É um novo subproduto do dogmatismo religioso dos orientais, em sua irracional e absurda metafísica. Por isso, criaram um Jesus divino, não por causa dos seus pretensos milagres, mas por ser o Logos, o Verbo feito carne. Essa essência divina é que possibilitou os milagres. É um deus antropomorfizado, feito conforme o multimilenar figurino idealizado pelo clero oriental. Jesus não fez milagres, ele é o próprio milagre. Nasceu de um milagre, viveu de milagres e foi para o Céu milagrosamente, de corpo e alma, realizando assim mais uma das velhas pretensões dos criadores de religiões: a imortalidade da alma humana. Sendo Jesus essencialmente o milagre, não poderá ser histórico, visto não ter sido um homem normal, comum, passando pela vida sem se prender às necessidades básicas da vida humana. Jesus foi idealizado exclusivamente para dar cumprimento às profecias do judaísmo, é o que se verifica através dos Evangelhos. Tudo que ele fez já estava predito, muito antes do seu nascimento. Jesus surgiu no cenário do mundo, não como autor do seu romance, mas somente como ator para representar a peça escrita, não se sabe bem onde, em Roma ou, talvez, Alexandria. O judaísmo forneceu o enredo, o Vaticano ficou com a bilheteria. E, para garantir o êxito total da peça, a Igreja estabeleceu um rigoroso policiamento da plateia, através da confissão auricular. Nem o marido escapava à delação da esposa ou do próprio filho. O pensamento livre foi transformado em crime de morte. Os direitos da pessoa humana, calcados aos pés. Nunca a mentira foi imposta de modo tão selvagem como aconteceu durante séculos com as mentiras elaboradas pelo cristianismo. À menor suspeita, a polícia religiosa invadia o recinto e arrastava o petulante para um escuro e nauseabundo calabouço onde as mais infames torturas eram infligidas ao acusado. Depois, arrastavam-no à praça pública para ser queimado vivo, o que, decerto, causava muito prazer ao populacho cristão. Desse modo, a Igreja tornou-se um carrasco desumano, exercendo o seu poder de modo impiedoso e implacável, ao mesmo tempo em que escrevia uma das mais terríveis páginas da história da humanidade. Durante muito tempo o sentimento de humanidade esteve ausente da Europa, e a mentira triunfava sobre a verdade. Milhares de infelizes foram sacrificados porque ousaram dizer a verdade. O poder público apoiava a farsa religiosa, e era praticamente controlado pela Igreja. Aquele que ousasse apontar as inverdades, as incoerências e o irracionalismo básicos do catolicismo, seria eliminado. Tudo foi feito para evitar que o cristianismo fracassasse, devido à fragilidade de seus fundamentos. O que a Igreja jura de mãos juntas ser a verdade, é desmentido pelo conhecimento, pela ciência e pela razão. Jesus Cristo, um mito bíblico Folheando as páginas da história humana, e não encontrando aí qualquer referência à passagem de Jesus pela terra, nós, estudiosos do assunto, nos convencemos de que ele nada mais é do que um mito bíblico. Pesquisando os Evangelhos na esperança de encontrar algo de positivo, nos deparamos mais uma vez com o simbolismo e a mitologia. A história que o envolve desde o nascimento até a morte é a mesma do surgimento de inúmeros deuses solares ou redentores. É notável o cuidado que tiveram os compiladores dos Evangelhos para não permitir que Jesus praticasse senão o que estava estabelecido pelas profecias do judaísmo. Assim, a vida de Jesus nada mais é do que as profecias postas em prática.

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O cristianismo e os Evangelhos são um modo de reavivamento da chama do judaísmo, ante a destruição do templo de Jerusalém. É uma transformação do judaísmo, de modo a existir dentro dos muros de Roma, de onde, posteriormente, ultrapassou os limites, alcançando boa parte do mundo. O sofrimento que o judaísmo infligiu ao povo pobre deveria ser o suficiente para que se acabasse definitivamente. Acreditamos que a ambição de Constantino é que deu lugar ao alastramento do cristianismo, ou melhor, dizendo, do judaísmo sob novas roupagens e novo enredo. Não fosse por isso, a falta de cumprimento das pretensas promessas de Abraão, de Moisés e do próprio Jesus Cristo já teria feito com que o judaísmo e o cristianismo fossem varridos da memória do homem. Há muito o homem já estaria convencido da falsidade que é a base da religião. Idealizaram o cristianismo que, baseado no primarismo da maioria, deu novo alento ao judaísmo, criando assim, o capitalismo e a espoliação internacional. O liberalismo que surgiu graças ao monumental trabalho dos enciclopedistas é que possibilitou ao homem uma nova perspectiva de vida. A partir do enciclopedismo, os judeus e o judaísmo deixaram de ser perseguidos por algum tempo, e com isto, quase perdeu sua razão de ser. Ao surgir Hitler e seu irracional nazismo, encontrou quase a totalidade dos judeus alemães integrada de corpo e alma na pátria alemã. O Führer deu então um novo alento ao judaísmo, ao persegui-lo de modo desumano. Graças à perseguição de que foram vítimas os judeus de toda a Europa durante a guerra de 1940, surgiu a justificativa internacional para que se criasse o Estado de Israel. Talvez o Estado de Israel, revivendo sua velha megalomania racial, invalide em sangue a tendência natural para a socialização do mundo e universalização do conhecimento. A socialização do mundo acabaria com a irracional e absurda ideia de ser o judeu um bi-pátria. Nasça onde nascer, não se integra no meio em que nasce e vive. Daí a perseguição. Os judeus ricos de todo o mundo carreiam para Israel todo o seu dinheiro e, com ele, a tecnologia e o conhecimento alugados. Graças a isto, poderá embasar ali os seus mísseis teleguiados, tudo quanto houver de mais avançado na química, física e eletrônica. Assim, terão meios de garantir a manutenção da socioeconômica estruturada no capitalismo. Esta é uma situação realmente grave, a qual poderá tornar-se dramática no futuro. O poder econômico concentrado em poucas mãos é uma ameaça contra o homem e sua liberdade. Apesar de o cristianismo liderar o movimento que faz do homem e do seu destino o centro das preocupações das altas lideranças sociais, a grande maioria dos homens está marginalizada, porque o poder econômico do mundo acumula-se em poucas mãos. E, se permanecemos crendo em tudo quanto criaram os judeus de dois milênios atrás, isso é sinal de que não evoluímos o bastante para justificar o decurso de tanto tempo. Se o progresso científico e a tecnologia avançada não conseguirem nos libertar dos mitos, estará patente mais uma vez o estado pueril em que ainda se encontra o desenvolvimento mental do homem. O homem não será totalmente livre enquanto permanecer preso às convenções religiosas, as quais possuem como único fundamento o mito e a lenda. Se assim falamos, não é que estejamos sendo movidos por um antissemitismo ou um anticlericalismo doentio; de modo algum isto é verdadeiro. O que nos motiva à colocar em pauta o assunto é o desejo de ver um crescente número de pessoas partilhar conosco do conhecimento da verdade. Temos dito repetidas vezes que tudo aquilo em que se fundamenta o cristianismo é apenas uma compilação de velhas lendas dos deuses adorados por diversos povos.

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Strauss diz que saiu do Velho Testamento a pretensão de que Jesus encarnar-se-ia em Maria, através do Espírito Santo. Em números, 24:17 estava previsto que uma estrela guiaria os reis magos. Cantu lembra que, juntando-se os livros do Velho Testamento com os do Novo, teremos 72 livros, o mesmo número de anciãos teria Moisés escolhido para subir com ele ao Monte Sinai. O Velho Testamento previa que o povo seguiria a Jesus, mesmo sem conhecê-lo. Seriam os peixes retirados da água pelos apóstolos, e os mesmos da pescaria de São Jerônimo. Moisés teria feito da pedra o símbolo da força de Jeová, por isto, Jesus devia dar a Pedro as chaves do céu. Oséias 11:1 e Jeremias 31:15-16-4-10-28 profetizam que o Messias seria chamado por Jeová, do Egito, ligado ao pranto de Raquel pelo assassinato dos filhos. Então arranjaram a terrível matança dos inocentes, a qual consta apenas em dois evangelhos, sendo silenciado o assunto pelos outros dois e pelos relatos enviados a Roma. Strauss lembra também que a discussão de Jesus com doutores do templo, assim como a passagem de Ana e Semeão, bem como a circuncisão, estava tudo previsto no Velho Testamento. Diz ainda que ele teria ido para Nazaré após o regresso do Egito apenas para que os Evangelhos pudessem lhe atribuir o apelido de nazareno. Entretanto, Nazaré não existia, pelo menos naquela época; era uma cidade fantasma, só passando a existir nas páginas dos Evangelhos. Assim, Jesus foi nazareno, não por ter nascido em Nazaré, visto que não poderia nascer em dois lugares, como também não poderia nascer em uma cidade que não existia. Ele foi nazareno por ter sido um comunista essênio. A anunciação e o nascimento de João Batista foram copiados do Talmud. As tentações de Jesus pelo demônio, no deserto, segundo Emilio Bossi, foram copiadas das Escrituras. Os quarenta dias passados no deserto são oriundos do cabalismo de Roma e da crença dos babilônios, os quais atribuíam a esse número força cabalística. Por isso, tal número repete-se várias vezes no decorrer das dissertações bíblicas: o dilúvio descrito na Bíblia durou quarenta dias; Moisés esteve quarenta anos na corte do Faraó; passou quarenta anos no deserto, e os ninivitas jejuaram quarenta dias. Ezequiel teria sido conduzido por um espírito de um lugar para outro, através do espaço. Abraão teria sido tentado pelo demônio; os mesmos episódios passaram ao Novo Testamento, tendo Jesus como protagonista. Perguntamos nós: por que tais coisas não se repetem mais? A resposta só pode ser esta: elas jamais aconteceram. Tudo isto não passa de lendas ou sonhos, os quais foram impostos como fatos reais. O Talmud diz: ―Então se abrirão os olhos aos cegos e os ouvidos aos surdos‖. Jesus teria de dizer: ―Então o coxo pulará como o cervo e a língua dos mudos se soltará‖. Em Lucas 4:27 Jesus cura Naamã, reproduzindo uma cura efetuada por Eliseu, de um outro leproso. Elias e Eliseu ressuscitaram mortos, por seu lado, Jesus ressuscitaria a Lázaro. Os discípulos de Jesus, não sabendo como curar os endemoniados, recorrem ao Mestre. Passagem semelhante está em Eliseu, cujo servo teria recorrido a ele para curar o filho da sunamita. A multiplicação dos pães e dos peixes é a repetição de Moisés no deserto, fazendo cair maná e cordonizes. Moisés transformou as águas do rio em sangue e Jesus transforma a água em vinho. Em Jeremias 7:11 e Isaías 56:7 está escrito que o templo não deve se converter em um covil de ladrões, o que leva os evangelistas a dizer que Jesus expulsou os mercadores do templo. A transfiguração de Jesus é a mesma coisa que aconteceu a Moisés, ao subir ao Monte Sinai, quando encontrou com Jeová. Aliás, Moisés havia prometido que viria um profeta semelhante a ele.

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A traição de Judas repete o mesmo acontecimento em relação a Crestus. A prisão de Jesus foi descrita de modo igual no Talmud. A fuga dos apóstolos estava prevista por Isaías. Jesus foi crucificado na Páscoa, representando o cordeiro pascal. Essas comparações patenteiam a existência do cristianismo muito antes de Filon. De onde se deduz que Jesus foi inventado de acordo com as Escrituras, sem esquecer-se de anexar as ideias de Filon ao relato de sua pretensa vida. Fócio demonstrou que os Evangelhos foram copiados de Filon. São Clemente e Orígenes, embora fossem padres da Igreja, orientaram-se por Filon e não pelo bispo de Roma. Estas citações seriam suficientes para se provar que Jesus jamais existiu. É apenas um produto da mente clerical, a qual o compôs baseada em mitos e lendas. As contradições sobre Jesus Cristo Como tudo o mais que se refere à existência de Jesus na terra, também a sua ascendência é objeto de controvérsias. Segundo Mateus e Lucas, Jesus descende ao mesmo tempo de David e do Espírito Santo. Entretanto, como filho do Espírito Santo, não poderá descender de José, consequentemente deixa de ser descendente de David e o Messias esperado pelos judeus. Assim, Jesus ficará sendo apenas Filho de Deus, ou Deus, visto ser uma das três pessoas da trindade divina. Em ambos os evangelhos acima citados há referências quanto a data de nascimento de Jesus, mas tais referências são contraditórias — o Jesus descrito por Mateus teria onze anos quando nasceu o de Lucas. Mateus diz que José e Maria fugiram apressadamente de Belém, sem passar por Jerusalém, indo direto para o Egito, após a adoração dos Reis Magos. Herodes iria mandar matar as criancinhas. Todavia, Lucas diz que o casal estivera em Jerusalém e acrescenta a narração da cena de que participaram Ana e Semeão. De modo que um evangelista desmente o outro. Lucas não alude à matança das criancinhas, nem à fuga para o Egito. Por outro lado, Marcos e João não se reportam à infância de Jesus, passando a narrar os acontecimentos de sua vida a partir do seu batismo por João Batista. Mateus que conta o regresso de Jesus, vindo do Egito e indo para Nazaré, o deixa no esquecimento, voltando a ocupar-se dele somente depois dos seus trinta anos, quando ele procura João Batista. Diz ainda que João já o conhecia e, por isto, não o queria batizar, por ser um espírito superior ao seu. Lucas narra a discussão de Jesus com os doutores da lei, aos doze anos de idade. Sendo perguntado pela mãe sobre o que estava ali fazendo, teria respondido que se ocupava com os assuntos do pai. Emilio Bossi, referindo-se a esta passagem, estranha a atividade da mãe. Se o filho nascera milagrosamente, e ela não o ignora, só poderia esperar dele uma sequência de atos milagrosos. Mesmo a sua presença no templo, entre os doutores, não deveria causar preocupação à sua mãe, visto saber ela que o filho não era uma criança qualquer, e sim um Deus. Lucas diz que os samaritanos não deram boa acolhida a Jesus, o que muito irritara a João. Contudo, João, o Evangelista, diz que os samaritanos deram-lhe ótima acolhida e, inclusive, chamaram-no de salvador do mundo. Os evangelistas divergem também quanto ao relato da instituição da eucaristia. Três deles afirmam que Jesus a instituiu no dia da Páscoa, enquanto João afirma que foi antes. Enquanto os três descrevem como aconteceu, João silencia. Na última noite Jesus estava muito triste, como, aliás, permaneceria até a morte. Pondo o rosto em terra, orou durante muito tempo.

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Segundo os evangelistas, ele estava de tal modo triste e conturbado que teria suado sangue, coisa, aliás, muito estranha, nunca verificada cientificamente. Enquanto isto, seus companheiros dormiam despreocupadamente, não se incomodando com os sofrimentos do Mestre. Entretanto João não fala sobre esse estado de alma do Mestre. Pelo contrário, diz que Jesus passara a noite conversando, quando se mostrava entusiasta de sua causa e completamente tranquilo. Lucas, Mateus e Marcos afirmam que o beijo de Judas o denunciara aos que vieram prendê-lo. Todavia, João diz que foi o próprio Jesus quem se dirigiu aos soldados dizendo-lhes tranquilamente: ―Sou eu‖. Lucas é o único que fala no episódio da ida de Jesus de Pilatos para Herodes Antipas. Os outros caem em contradição quanto à hora do julgamento pelo Conselho dos Sacerdotes em presença do povo. João não fala a respeito do depoimento de Cireneu, nem na beberagem que teriam dado a Jesus. Omitem-se ainda quanto à discussão dos dois ladrões, crucificados com Jesus, e quanto à inscrição posta sobre a cruz. De forma que seu relato é bastante diferente daquilo que os outros contaram. E as divergências continuam ainda no que concerne ao quebramento das pernas, ao embalsamamento, à natureza do sepulcro e ao tempo exato em que ele esteve enterrado. Quanto ao embalsamamento, por exemplo, há muita coisa que não foi dita. Teriam retirado seu cérebro e intestinos como se procede normalmente nesses casos? Se a resposta for positiva, como explicar o fato de Jesus, após a ressurreição, pedir comida? Como se vê, as verdades bíblicas são além de controvertidas, incompreensíveis. Lucas diz que Jesus referiu-se aos que sofrem de fome e sede, enquanto Mateus diz que ele se referia aos que têm fome e sede de justiça, aos pobres de espírito. Uns afirmam que Jesus tratara os publicanos com desprezo e ódio, outros dizem que ele se mostrou amigável em relação a eles. Para uns, Jesus teria dito que publicassem as boas obras, para outros, que nada dissessem a respeito. Uma hora Jesus aconselha o uso da força física e da resistência, mandando até que comprassem espada; noutra, ameaça os que pretendem usar a força. Marcos, Mateus e Lucas dizem que Jesus recomendara o sacrifício. Entretanto, não tomou parte em nenhum deles. Mateus diz que Jesus afirmou não ter vindo para abolir a lei nem os profetas, enquanto Lucas diz que ele afirmara que isso já estava no passado, já tivera o seu tempo. Os três afirmam ainda que Jesus apenas pregara na Galileia, tendo ido raramente a Jerusalém, onde era praticamente desconhecido. Todavia, João diz que ele ia constantemente a Jerusalém, onde realizara os principais atos de sua vida. As coisas ficam de modo que não se sabe quem disse a verdade, ou, melhor dizendo, não sabemos quem mais mentiu. Ora, se Jesus tivesse realmente praticado os principais atos de sua vida em Jerusalém, seria conhecido suficientemente e, então, não teriam que pagar a Judas 30 dinheiros para entregar o Mestre. João, que teria sido o precursor do Messias, não se fez cristão, não seguiu a Jesus, pregando apenas o judaísmo no aspecto próprio. Entretanto, depois de preso, enviou um mensageiro a Jesus, indagando-lhe: ―És tu que hás de vir, ou teremos de esperar outro?‖, ao que Jesus teria respondido: ―Você é o profeta Elias‖. Talvez houvesse esquecido que o próprio João antes já declarara isso mesmo. Contam os Evangelhos que, desde a hora sexta até Jesus exalar o último suspiro, a terra cobriu-se de trevas. Contudo, nenhum escritor da época comenta tal acontecimento. Marcos 25:25 diz que Jesus foi sacrificado às 9 horas.

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João diz que ao meio dia ele ainda não havia sido condenado à morte, e acrescenta que, a esta hora, Pilatos o teria apresentado ao povo exclamando: ―Eis aqui o vosso rei‖! Emilio Bossi assinala detalhadamente todas estas contradições, e as que se deram após a pretensa ressurreição, dizendo que nada do que vem nos Evangelhos deve ser levado a sério. O sobrenatural é o clima em que se encontra a Bíblia, e esta é apenas o resultado da combinação de crenças e superstições religiosas dos judeus com as de outros povos com os quais conviveram. As contradições evangélicas Mateus e Marcos afirmam enfaticamente que os discípulos de Jesus abandonaram tudo para segui-lo, sem sequer perguntar antes quem ele era. Em Mateus, lê-se que Jesus teria afirmado que não viera para abolir as leis de Moisés. Contudo, esta seria uma afirmativa sem sentido algum, visto que hoje sabemos que os livros atribuídos a Moisés são apócrifos. Segundo João, quando Jesus falou ao povo, foi por este acatado e proclamado rei de Israel aos gritos de ―Hosanna‖. Mas, um pouco adiante, ele se contradiz, afirmando que o povo não acreditou em Jesus, e praguejando contra ele, o ameaçava a ponto de ele ter procurado se esconder. Mateus diz que Jesus entrou em Jerusalém vitoriosamente quando a multidão o teria recebido de modo festivo, e marchando com ele, cobria o chão com folhas, flores e com os próprios mantos, gritando: ―Hosanna ao Filho de David! Bendito seja o que vem em nome do Senhor!‖ Aos que perguntava quem era, respondiam ―Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia‖. No entanto, outros evangelistas afirmam que ele era um desconhecido em Jerusalém. Disseram que Pilatos estava convencido da inocência de Jesus, razão pela qual teria tentado salvá-lo, o abandonando logo em seguida, indefeso e moralmente arrasado. João faz supor que Pilatos teria deixado que matassem Jesus, temendo que denunciassem sua parcialidade ao imperador. Se ele não castigasse a um insurreto que se intitulava rei dos judeus, estaria traindo a César. No entanto, tal atitude por parte de Pilatos não combina com o seu retrato moral, pintado por Filon. Era um homem duro e tão desumano quanto Tibério. A vida de mais um ou menos um judeu, para ambos, era coisa da pouca importância. Filon faz de Pilatos um carrasco e mostra que ele, em Jerusalém, agia com carta branca. Além disso, as reações de Pilatos com Tibério eram quase fraternais e ele era um delegado de absoluta confiança do imperador. Mas como os Evangelhos foram compostos dentro dos muros de Roma, teriam de ser de modo a não desagradar às autoridades Imperiais. Pilatos foi posto nisso apenas porque os bens e a vida dos judeus estavam sob sua custódia. Entretanto, como a ocupação romana foi feita em defesa dos judeus ricos, contra os judeus pobres e os renegados do deserto, as autoridades romanas temiam muito mais ao povo do que a Roma. Além disso, muitas eram as razões para não gostarem de Pilatos nem de Herodes Antipas. Eles eram antipáticos aos judeus pobres, por isso teriam temido a ira popular. Esta é a razão apresentada pelos historiadores que levam a sério os Evangelhos, justificando assim o perdão do criminoso Bar Abbas e a condenação do inocente Jesus. Entretanto, se as legiões romanas realmente ali estivessem naquela época, nem Pilatos nem Herodes tomariam em consideração a opinião do povo, porque se sentiriam garantidos nos seus postos. Além disso, a opinião popular é fator ainda bem novo na técnica de formação dos governos. Tudo o que sabemos é o que está nos Evangelhos. Jesus era um homem do povo e um dos que temiam o governo. Por isso é que em Marcos 16:7 encontraremos Jesus aconselhando os discípulos a fugirem. Em Lucas 10:4 Jesus está aconselhando aos discípulos a não falarem com ninguém em suas viagens. Em Mateus 35:23 encontraremos Jesus reprovando os judeus que haviam

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assassinado Zacarias, filho de Baraquias, entre o adro do templo e o altar. A história, no entanto, afirma ser esse episódio imaginário. Flávio Josefo relata um acontecimento semelhante, registrado no ano 67, 34 anos após a pretensa morte de Jesus, referindo-se no caso a um homem chamado Baruch. Isto evidencia o descuido dos compiladores dos Evangelhos, que os compuseram sem levar em conta que, no futuro, as contradições neles encontradas seriam a prova da inautenticidade dos fatos relatados. Nicodemos, que teria sido um fariseu rico, membro de Senedrin, homem de costumes moderados e de boa fé, não se fez cristão, apesar de ter agido em defesa de Jesus contra os próprios judeus. Por certo ele, como João Batista, não se convenceram da pretensa divindade de Jesus Cristo, nem mesmo se entusiasmaram com suas pregações. Outra ficção evangélica é debitada a Paulo, o qual inventou um Apolo, que não figura entre os apóstolos e em nenhum outro relato. Em Atos dos Apóstolos 18, lê-se: ―Veio de Éfeso um judeu de nome Apolo, de Alexandria, homem eloquente e muito instruído nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor, falando com fervor de espírito, ensinando com diligência o que era de Jesus, e somente conhecia João Batista. Com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando-lhes pelas Escrituras que Jesus era o Cristo‖. Seria um judeu fiel ao judaísmo que, segundo Paulo, procurava levar seus próprios patrícios para o Cristo? Na epístola I aos Coríntios, diz que: ―Apolo era igual a Jesus‖. Paulo, já no fim do seu apostolado, afirma que o imperador Agripa era um fariseu convicto, e que sua religião era a melhor que então existia. Era, assim, um divulgador do cristianismo afirmando a excelência do farisaísmo. Falando de Jesus, Paulo descreve apenas um personagem teológico e não histórico. Não se refere ao pai nem à mãe de Jesus, sendo um ser fantástico, uma encarnação da divindade que viera cumprir um sacrifício expiatório, mas não fala do modo como teria sido possível a encarnação. Não diz sequer a data em que Jesus teria nascido. Não relata como nem quando foi crucificado. No entanto, estes dados têm muita importância para definir Jesus como homem ou como um ser sobrenatural. Está patente, desse modo, que Paulo é uma figura tão mitológica quanto o próprio Jesus. Em Atos dos Apóstolos 28:15 e 45 Paulo diz que quando chegou a Pozzuoli, ele e os seus companheiros foram ali bem recebidos, havendo muita gente à beira da estrada os esperando. Entretanto, chegando a Roma, teve de defender-se das acusações de haver ofendido em Jerusalém ao povo e aos ritos romanos. Na Epístola aos Romanos 1:8, Paulo diz que a fé dos cristãos de Roma alcançara todo o mundo, razão pela qual encerraria sua missão tão logo regressasse da Espanha, onde saudaria um grande número de fiéis. Mas, se fosse assim, por que Paulo teve de se defender perante os cristãos de Roma contra o seu próprio judaísmo? Com pouco tempo Paulo já pensava encerrar sua missão porque o cristianismo já havia se universalizado. Entretanto, ele continuava considerando como melhor religião o farisaísmo. O cristianismo a que Paulo se referia deveria ser anterior a Jesus Cristo, que era o seguido pelos cristãos de Roma, e não pelos cristãos dos lugares por onde Paulo havia passado pregando. Eusébio disse que o cristianismo de Paulo era o terapeuta do Egito, e Tácito disse que os hebreus e os egípcios formavam uma só superstição. Algumas fontes do cristianismo O passado religioso do homem está repleto de deuses solares e redentores. Na Índia, temos Vishnu, um deus que se reencarnou nove vezes para sofrer pelos pecados dos homens. No oitavo avatar foi Krishna e, no nono, Buda.

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Krishna foi igualmente um deus redentor, nascido de uma virgem pura e bela, chamada Devanaguy. Sua vinda messiânica foi predita com muita antecedência, conforme se vê no Atharva, no Vedangas e no Vedanta. O deus Vishnu teria aparecido a Lacmy, mãe da virgem Devanaguy, informando que a filha iria ter um filho-deus e qual o nome que deveria lhe dar. Mandou que não deixasse a filha se casar, para que se cumprissem os desígnios de deus. Isso teria acontecido 3.500 anos A.E.C. no Palácio de Madura. O filho de Devanaguy destronaria seu tio. Para evitar que acontecesse o que estava anunciado, Devanaguy teria sido encerrada em uma torre, com guardas na porta. Mas, apesar de tudo, a profecia de Poulastrya se cumpriu, ―O espírito divino de Vishnu atravessou o muro e se uniu à sua amada‖. Certa noite ouviu-se uma música celestial e uma luz iluminou a prisão, quando Vishnu apareceu em toda a sua majestade e esplendor. O espírito e a luz de deus ofuscaram a virgem, encarnando-se. E ela concebeu. Uma forte ventania rompeu a muralha da prisão quando Krishna nasceu. A virgem foi arrebatada para Nanda, onde Krishna foi criado, lugar este ignorado do rajá. Os pastores teriam recebido um aviso celeste do nascimento de Krishna, e então teriam ido adorá-lo, levando-lhe presentes. Então o rajá mandou matar todas as criancinhas recémnascidas, mas Krishna conseguiu escapar. Aos 16 anos Krishna abandonou a família e saiu pela Índia pregando sua doutrina, ressuscitando os mortos e curando os doentes. Todo o mundo corria para vê-lo e ouvi-lo. E todos diziam: ―Este é o redentor prometido a nossos pais‖. Cercou-se de discípulos, aos quais falava por meio de parábolas, para que assim só eles pudessem continuar pregando suas ideias. Certo dia os soldados quiseram matar Krishna, quando seus discípulos amedrontados fugiram. O Mestre repreendendo-os, e chamou-os de homens de pouca fé, com o que reagiram e expulsaram os soldados. Crendo que Krishna fosse uma das muitas transmigrações divinas, chamaram-no ―Jazeu‖, o nascido da fé. As mulheres do povo perfumavam-no e incensavamno, o adorando. Chegando sua hora, Krishna foi para as margens do rio Ganges, entrando na água. De uma árvore, atiraram uma flecha que o matou. O assassino teria sido condenado a vagar pelo mundo. Quando os discípulos procuraram recolher o corpo, não o encontraram mais porque, então, já teria subido para o céu. Depois Vishnu o teria mandado novamente à Terra pela nona vez, receberia o nome de Buda. O nascimento de Buda teria sido igualmente revelado em sonhos à sua mãe. Nasceu em um palácio, sendo filho de um príncipe hindu. Ao nascer, uma luz maravilhosa teria iluminado o mundo. Os cegos enxergaram, os surdos ouviram, os mudos falaram, os paralíticos andaram, os presos foram soltos e uma brisa agradável correu pelo mundo. A terra deu mais frutos, as flores ganharam mais cores e fragrância, levando ao céu um inebriante perfume. Espíritos protetores vigiaram o palácio, para que nada de mal acontecesse à mãe. Buda, logo ao nascer, pôs-se de pé maravilhando os presentes. Uma estrela brilhante teria surgido no céu no dia do seu nascimento. Nasceu também, nesse mesmo dia, a árvore de Bó, em cuja sombra o menino deus descansaria. Entre os que foram ver Buda estava um velho que, como Semeão, recebeu o dom da profecia. Sua tristeza seria não poder assistir à glória de Buda por ser muito velho. Buda teria maravilhado os doutores da lei com a sua sabedoria. Com poucos anos de idade, teria começado sua pregação. Teria ficado durante 49 dias sob árvore de Bó, e sido tentado várias vezes pelo demônio. Pregando em Benares, convertera muita gente.

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O mais célebre de seus discursos recebeu o nome de ―Sermão da Montanha‖. Após sua morte apareceria também aos seus discípulos, trazendo a cabeça aureolada. Davadatta o trairia do mesmo modo que Judas a Jesus. Nada tendo escrito, os seus discípulos recolheriam os seus ensinamentos orais. Buda também tivera os seus discípulos prediletos, e seria um revoltado contra o poder abusivo dos sacerdotes bramânicos. Mais tarde, o budismo ficaria dividido em muitas seitas, como o cristianismo. Quando missionários cristãos estiveram na índia, ficaram impressionados e começaram a perceber como nasceu o romance da vida de Jesus. O Papa do budismo, o Dalai-Lama, também se diz ser infalível. Mitra, um deus redentor dos persas, foi o traço de união entre o cristianismo e o budismo. Cristo foi um novo avatar, destinado aos ocidentais. Mitra era o intermediário entre Ormuzd e o homem. Era chamado de Senhor e nasceu em uma gruta, no dia 25 de dezembro. Sua mãe também era virgem antes e depois do parto. Uma estrela teria surgido no Oriente, anunciando seu nascimento. Vieram os magos com presentes de incenso, ouro e mirra, e adoraram-no. Teria vivido e morrido como Jesus. Após a morte, a ressurreição em seguida. Fírmico descreveu como era a cerimônia dos sacerdotes persas, carregando a imagem de Mitra em um andor pelas ruas, externando profunda dor por sua morte. Por outro lado, festejavam alegremente a ressurreição, acendendo os círios pascais e ungindo a imagem com perfumes. O Sumo Sacerdote gritava para os crentes que Mitra ressuscitara, indo para o céu para proteger a humanidade. Os rituais do budismo, do mitraísmo e do cristianismo são muito semelhantes. Horus foi o deus solar e redentor dos egípcios. Horus, como os deuses já citados, também nasceria de uma virgem. O nascimento de Horus era festejado a 25 de dezembro. Amenófis III criou um mito religioso que depois foi adaptado ao cristianismo. Trata-se da anunciação, concepção, nascimento e adoração de Iath. Nas paredes do templo, em Luxor, encontram-se os referidos mistérios. Baco, o deus do vinho, foi também um deus salvador. Teria feito muitos milagres, inclusive a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes. Em criança, também quiseram matá-lo. Adonis era festejado durante oito dias, sendo quatro de dor e quatro de alegria; as mulheres faziam as lamentações, como carpideiras. O rito do Santo Sepulcro foi copiado do de Adonis. Apagavam todos os círios, ficando apenas um aceso, o qual representava a esperança da ressurreição. O círio aceso ficava semiescondido, só reaparecendo totalmente no momento da ressurreição, quando então o pranto das mulheres era substituído por uma grande alegria. Também os fenícios, muitos milênios antes, já tinham o rito da paixão, do qual copiaram o rito da paixão de Cristo. Todos os deuses redentores passaram pelo inferno durante os três dias entre a morte e a ressurreição. Isto é o que teria acontecido com Baco, Osiris, Krishna, Mitra e Adonis. Nestes três dias, os crentes visitavam os seus defuntos, segundo Dupuis, em ―Lè Origine des tous les cultes‖. Todos os deuses redentores eram também deuses-sol, como Átis, na Frígia; Balenho, entre os celtas; Joel, entre os germanos; Fo, entre os chineses. Assim, antes de Jesus Cristo, o mundo já tivera inúmeros redentores. Com este ligeiro apanhado da mitologia dos deuses, deixo patente a origem do romance do Gólgota. Acredito ter esclarecido quais as fontes onde os criadores do cristianismo foram buscar inspiração.

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Jesus Cristo, uma cópia religiosa Os artigos anteriores nos permitem constatar que, nas diversas épocas da história, as religiões transformam-se variando em razão da complexidade cada vez maior das sociedades em que elas existem. Vimos que a crença em um deus redentor é muito anterior ao judaísmo, sempre ligada à ânsia da necessidade de redenção das tremendas aflições do povo. Quanto ao Jesus Cristo, este resultou de uma série de mitos que os hebreus copiaram dos babilônicos, dos egípcios e de outros povos, visando com isto dar consistência ao judaísmo. Estudos filológicos forneceram as bases para o estabelecimento de um traço de união entre as crenças dos deuses orientais e o judaísmo. Vejamos, por exemplo, as palavras Ahoura-Mazzda e Jeová, que significam ―O que é‖. Partindo de velhas lendas orientais, e baseando-se na origem comum da palavra, foi compilado o Gênese, numa tentativa de explicar a criação do mundo. Segundo o Zend-Avesta, o Ser Eterno criou o céu e a Terra, o Sol a Lua, as estrelas, tudo em seis períodos, aparecendo o homem por último. O descanso foi posto no sétimo dia. Manu havia ensinado, muito antes, que no começo tudo era trevas, quando Bhrama dispersou-as, criou e movimentou a água, em seguida produziu os deuses secundários, os anjos dirigidos por Mossura, os quais posteriormente se rebelariam contra Deus. Veio então Shiva, e os prendeu no inferno. Shiva tornou-se a terceira pessoa da Santíssima Trindade Bhramânica em consequência das sucessivas invasões bárbaras sofridas pela Índia. Os bárbaros, crendo em Shiva, o deus da lascívia e da sensualidade, impuseram sua inclusão, surgindo assim a trindade divina de Bhrama. Manu ensinara igualmente que Deus criara o homem e a mulher, fazendo-os apenas inferior a Devas, isto é, Deus. O primeiro homem recebera o nome de Adima ou Adam, e a primeira mulher, Heva, significando o complemento da vida. Foram postos no paraíso celeste e receberam ordem de procriar. Deveriam adorar a Deus, não podendo sair do paraíso. Mas, um dia, indo ver o que havia fora dali, desapareceram. Bhrama perdoou-os, mas expulsou-os, condenando-os a trabalhar para viver. E disse que, por haverem desobedecido, a Terra se tornaria má, porque o espírito do mal dela se apoderara. Entretanto, mandaria seu filho Vishnu que, se encarnando em uma virgem, redimiria a humanidade, libertando-a definitivamente do pecado da desobediência. Ormuzd teria prometido ao primeiro casal humano que, se fossem bons, seriam felizes na terra. Mas Arimã mandou que um demônio em forma de serpente aconselhasse a desobedecerem a deus. Comeram os frutos que Arimã lhes deu, acabou a felicidade humana, e todos os que nascessem daí em diante seriam infelizes. Sendo levados cativos para a Babilônia, os judeus ali encontraram tal lenda. Libertos, voltando à Judéia, trouxeram essa crendice, como também a crença da imortalidade da alma e da vida futura, dos espíritos bons e espíritos maus, surgindo daí os anjos Gabriel, Miguel e Rafael, os querubins e serafins. Nasceu daí o mito do diabo, o anjo rebelado. A palavra paraíso é o termo persa que significa jardim. Os persas, os hindus, os egípcios e os gregos acreditavam no paraíso. Da mesma forma, todos eles acreditavam no inferno. Entretanto, as crenças antigas desconheciam os castigos eternos, que foram criados pelo cristianismo, aliás, uma das poucas coisas originárias dessa crença. Também o purgatório, naturalmente, é outra novidade do cristianismo, sendo desconhecido do judaísmo. A ideia do purgatório vem de Platão, que havia dividido as almas em puras, curáveis e incuráveis.

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Os filhos de Adima e Heva haviam se tornado numerosos e maus. Por isso, Deus mandou o dilúvio para matá-los. Mas deu ordem a Vadasuata para construir um barco e nele entrar com a família, devido ao fato de ser um homem virtuoso. Deveria levar consigo, além da família, um casal de cada espécie de animal existente: esta é a história do dilúvio relatada nos Vedas, e que foi incluída na Bíblia dos cristãos. As origens do cristianismo repousam, incontestavelmente, nas lendas e crenças dos deuses mitológicos, não apenas dos judeus, mas também de outros povos. Os caldeus e os fenícios, como os judeus, haviam se especializado no comércio, e por dever de ofício, se alfabetizaram. Assim, sabendo ler e escrever, puderam copiar as lendas e o folclore dos povos com os quais comerciavam e conviviam, os quais puderam adquirir longevidade e se fixar melhor na memória humana. Sendo comerciantes por excelência, os judeus perceberam que a religião poderia se tornar uma boa mercadoria, através da qual adviria o domínio de muitos povos e vontades. Desta forma, tendo compilado o que julgaram mais interessante ou mais proveitoso em relação aos seus propósitos, passaram a difundir pelo mundo as suas ideias religiosas. Com isto, o conhecimento e a razão foram substituídos pelas crendices e superstições religiosas. Desde há muito a religião tem servido para moderar os impulsos humanos, sobretudo daqueles que pertencem a uma classe social menos favorecida. Saliento o prejuízo que o mundo tem sofrido com o rebaixamento mental imposto com as crenças e superstições religiosas, com o que o conhecimento sofre uma estagnação sensível. No entanto, o homem tem se deixado levar pelas crenças e práticas religiosas sem que nenhum benefício lhe seja dado em retribuição. O homem tem feito tudo para si mesmo, apesar de sua religiosidade. A única classe beneficiada realmente com a religião é a dos sacerdotes. Bom, vamos retomar o assunto em pauta, após essa rápida digressão. A Bíblia cita dez patriarcas que teriam morrido em idade avançada, antes do dilúvio. Contudo, essa lenda provém da tradição caldeia, segundo a qual dez reis governaram durante 432 anos. Da mesma forma, as lendas hindus, egípcias, árabes, chinesas ou germânicas fazem referência a homens que tiveram uma longa vida, como a do Matusalém da Bíblia. Igualmente, a lenda de Abraão, que deveria sacrificar o seu filho Isaac, procede de lendas anteriores ao judaísmo. O livro das profecias hindus relata uma história igual. Ramatsariar conta que Adgitata, protegido de Bhrama por ser um homem de bem, teve um filho que nasceu tão milagrosamente como Jesus. Entretanto Bhrama, para experimentá-lo, lhe ordena que sacrificasse o filho. Ele obedece, mas Bhrama impede-o no momento exato. Seu filho seria o pai de uma virgem a qual, por sua vez, seria a mãe do deus-homem. José e a mulher de Putifar foi a cópia de uma velha lenda egípcia, conforme documentos recentemente traduzidos. Era uma história intitulada ―Os dois irmãos‖. Emílio Bossi, relatando o achado, dá a palavra a Jacolliot: ―Um homem da Índia fez leis políticas e religiosas; chamava-se Manu. Esse mesmo Manu foi o legislador egípcio, Manas. Um cretense vai ao Egito estudar as instituições que pretende dar ao seu país, e a história confirma isto dizendo que esse cretense foi Minos. Enfim, o libertador dos escravos judeus chamava-se Moisés, que teria recebido as leis das mãos do próprio Jeová. Temos, então, Manu, Manes, Minos e Moisés, os quatro nomes que predominaram no mundo antigo.

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Aparecem na hitória de quatro povos diferentes para representar o mesmo papel, rodeados da mesma auréola misteriosa, os quatro são legisladores, grandes sacerdotes e fundadores das sociedades teocráticas e sacerdotais. Esses quatro nomes têm a mesma raiz sânscrita. O hinduismo deu origem ao judaísmo. Por isso, de Jeseu Krishna fizeram Jesus Cristo‖. Documentos recentemente estudados mostram terem sido os hindus os prováveis colonizadores do Egito. A documentação demonstra que o conhecimento nasceu do saber hindu. A assiriologia mostra que a lenda de Moisés foi copiada da de Sargão I, rei acádio, que igualmente teria sido salvo em um cesto deixado no rio, à deriva. A lenda de Sansão é outro exemplo. Sansão representa o Sol. O poder que lhe foi atribuído é o mesmo dos deuses solares. E assim, examinando os escritos de antigas civilizações, chegamos ao conhecimento das origens de tudo o que a Bíblia narra como fatos reais. Concluímos então que Jesus Cristo nada mais representa que uma cópia das lendas e mitos dos deuses adorados por povos os mais remotos e variados. Os deuses redentores Percebendo a importância da luz do Sol sobre a Terra, o homem imaginou que essa luz seria uma emanação protetora de Deus. Da idéia de que existia um único Sol surgiu o monoteísmo, isto é, a crença em um só Deus. Das palavras Devv e Divv, que em sânscrito significam Sol e luminoso, originou-se a palavra deus. Daí, em grego, a palavra Zeus; em latim, deo; para os irlandeses, dias; em italiano dio, etc. A parte do tempo em que a Terra recebe a luz do Sol recebeu o nome dia em oposição ao período de trevas, a noite. O dia teria sido um presente divino, graças à luz solar. Conseguindo produzir o fogo, aumentou a crença humana no deus Sol. Graças ao fogo, o homem pôde libertar-se de um dos seus maiores inimigos, que era o frio, assim como passou a cozinhar os seus alimentos. Devendo cada vez mais a vida ao calor, a gratidão do homem para com o Sol cresceu ainda mais. Foi assim que nasceu o mito solar, do qual Jesus Cristo é o último rebento. Por uma série de deduções, chegaram igualmente à concepção do significado místico da cruz. Dos raios solares foi criada uma cruz, espargindo raios por todos os lados. Da mesma forma foi a ideia do Espírito Santo, um espírito caridoso que irradia a bondade divina. Depois a sequência mística do Sol, o fogo e o vento, dando origem a Salvitri, Agni e Vayu, do mito védico. O rito védico celebra o nascimento de Salvitri, o deus-sol, em 25 de dezembro, no solstício, quando aparecem as refulgentes estrelas. As estrelas trazem a boa nova, a perspectiva de boas colheitas. Daí os sacrifícios e os ritos propiciatórios oferecidos ao deus-sol. Assim os cristãos encontraram o seu Jesus Cristo. A vida dos deuses redentores é a vida do Sol. Por isso, todos eles tiveram suas datas de nascimento fixadas em 25 de dezembro: Mitra, Horus e Jesus Cristo. Também é simbólica a ressurreição na primavera, tempo da germinação e das folhas novas. Baseando-se nisto, Aristóteles e Platão admitiram certa racionalidade dos que adoravam o Sol.

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Heródoto e Estrabão diziam que Mitra era o deus-sol, tendo por emblema um sol radiante. Plutarco conta que o culto de Mitra veio para a Sicília trazido pelos piratas do mar. Em escavações feitas no solo italiano, foram encontradas placas de barro solidificados ao sol trazendo esta inscrição: ―Deo Soli Invicto Mitrae‖, lembrando o deus dos persas. Niceto escreveu que certos povos adoraram a Mitra como o deus do fogo, outros como sendo o deus-sol. Júlio Fírmino Materno disse que Mitra era a personificação do deus fogo, enquanto Aquelau considerava-o o deus-sol. São Paulino descreveu os mistérios de Mitra como sendo os de um deus solar e redentor. Karneki, rei hindo-escita, no começo de nossa era, mandou cunhar moedas em que se vê a efígie de Mitra dentro de um sol radiante. Mitra ainda era representado com um disco solar na cabeça, segurando um globo com a mão esquerda. Do mesmo modo os cristãos representam Jesus Cristo. Era o Senhor. Ao surgir o cristianismo, os cristãos primitivos ainda chamavam o Sol de ―Dominus‖, com o que, lentamente, foi absorvendo o ritual mitráico. No Egito, o Sol era o ―Pai Celestial‖. Um obelisco trazido para o Circo Máximo de Roma trazia esta inscrição: ―O grande Deus, o justo Deus, o todo esplendente‖, tendo um sol espargindo seus raios para todos os lados. Da mesma forma, todos os deuses dos índios americanos pertenciam ao rito solar, assim como os deuses dos hindus, dos chineses e japoneses. Os caldeus, adorando o Sol como seu deus, dedicaram-lhe a cidade de Sípara, onde ardia o fogo sagrado, eternamente, em sua honra. Em Edessa e em Palmira foram encontrados templos dedicados ao deus-sol. Orfeu considerava o sol como sendo o deus maior. Agamenon disse que o sol era o deus que tudo via e de que tudo provinha. Os judeus e os líderes do cristianismo, para a formação deste, só tiveram que adaptar as crenças e rituais antigos a uma nova personagem: Jesus Cristo. Toda a roupagem necessária para vestir o novo deus pré-existia. Apenas era necessário moldá-la um pouco. Jesus Cristo é um mito solar Tendo em vista o completo silêncio histórico a respeito de Jesus Cristo, bem como as evidentes ligações deste com o mito dos deuses-solares, Dupuis escreveu o seguinte: ―Um deus nascido de uma virgem no solstício do inverno, que ressuscita na Páscoa, no equinócio da primavera, depois de haver descido ao inferno; um deus que leva atrás de si doze apóstolos, correspondentes às doze constelações; que põe o homem sob o império da luz, não pode ser mais que um deus solar, copiado de tantos outros deuses heliosísticos em que abundavam as religiões orientais. No céu da esfera armilar dos magos e dos caldeus via-se um menino colocado entre os braços de uma virgem celestial, a que Eratóstenes dá como Ísis, mãe de Horus. Seu nascimento foi a 25 de dezembro. Era a virgem das constelações zodiacais. Graças aos raios solares, a virgem pôde ser mãe sem deixar de ser virgem… Via-se uma jovem ‗Seclanidas de Darzana‘, que em árabe é ‗Adrenadefa‘, e significa virgem pura, casta, imaculada e bela… Está assentada e dá de mamar a um filho que alguns chamam de Jesus e, nós, de Cristo.‖ Já mostrei que Jesus repete todos os mistérios dos deuses solares e redentores, pelo que Heródoto, Plutarco, Lactâncio e Firmico puderam afirmar que esse deus redentor é o Sol. De modo que Jesus é apenas mais um deus solar. Ainda hoje, grande parte do rito cristão é de origem solar. Na Bíblia, encontramos estas palavras: ―Deus estabeleceu sua tenda no Sol‖, e ainda: ―Sobre vós que temeis o meu nome, levantar-se-á o Sol da justiça e vossa vida estará em seus raios‖. João diz que ―o verbo é a lei,

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a luz e a vida, a luz que ilumina a vista de todos os mortais, a luz do mundo‖. E ainda chama a Jesus de o ―cordeiro‖, o ―Agnus Dei qui tollit peccata mundi‖. Com isto, o Apocalipse fez de Jesus o ―cordeiro pascal‖, e a Igreja o adorou sob a forma de um cordeiro até o ano de 680. Era o Cristo o Áries zodiacal, vindo de Agnus, com a representação de fogo, o Sol condensado. Orígenes justificava a adoração do Sol tendo em vista a sua luz sensível e também pelo aspecto espiritual. Tertuliano reconheceu que o dogma da ressurreição tem sua origem na religião persa de Mitra. Para S. Crisóstomo, Jesus era o Sol da justiça, para Sinésio, o Sol intelectual. Fírmico Materno descreveu Jesus baixando ao inferno, esplendente como o Sol. O domingo, o dia do Senhor, o dia do descanso, procede de Dominus, o deus-sol, o Senhor. Segundo Teodoro e Cirilo, para o maniqueus Cristo era o Sol. Os Saturnianos acreditavam que a alma tinha substância solar, deixando o corpo e voltando para o Sol, de onde proviera, após a morte. O antigo rito do batismo determinava que o catecúmeno voltasse o rosto em primeiro lugar para o ocidente, para retirar de si Satanás, símbolo das trevas. Igualmente, as festas do sábado santo são reminiscências do mito da luta do Sol contra as trevas, na Páscoa. As orações desse ofício são cópia dos hinos védicos. A palavra aleluia, que era o grito de alegria dos persas, adoradores do Sol, quando na Páscoa festejavam a sua volta, significa: elevado e brilhante. Foram necessários muitos séculos para que a igreja pudesse alienar um pouco do que lembrava que o seu culto era de um deus solar. Entretanto, a história escrita é inflexível e demonstra que todos os deuses redentores ou solares foram tão adorados quanto o mitológico Jesus Cristo. E embora tenha havido longas fases em que foram impostos a ferro e fogo, nem por isto deixaram de cair, nada mais sendo hoje do que o pó do passado religioso do homem. O certo é que Jesus Cristo é mitológico de origem, natureza e significado. O seu surgimento ocorreu para atender à tendência religiosa e mística da maioria, que ainda hoje teme as realidades da vida e, portanto, procura, para se orientar, algo fora da esfera humana, na esperança de assim conseguir superar a si mesmo e aos obstáculos que surgem diariamente. O cristianismo é produto de tendências naturais de uma época, aproveitadas espertamente pelos líderes do cristianismo. O judeu pobre e oprimido, não tendo para quem apelar, passou a esperar de Deus aquilo que o seu semelhante lhe negava. O sacerdote, valendo-se do deplorável estado de espírito de uma população faminta e, sobretudo, desesperançada, ressuscitou um dentre os velhos deuses para restaurar a esperança do povo judeu. E assim, surgiu mais um mito solar, mais um deus com todos os atributos divinos, tal como os que antecederam. O novo deus solar em questão é Jesus Cristo. Outras fontes do cristianismo Conforme disse várias vezes, o cristianismo tomou por empréstimo tudo quanto se fez necessário à sua formação. Assim, todos os ensinamentos atribuídos a Cristo foram copiados dos povos com os quais os judeus tiveram convivência. A sua moral, a moral que Cristo teria ensinado, aprendeu-a com os filósofos que o antecederam em muitos séculos. De modo que não há inovações em nenhum setor ou aspecto do cristianismo. Antigos povos, milênios antes, adoraram seus deuses semelhantemente.

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Dentre as máximas adotadas pelo cristianismo, comento a seguinte: ―Não faças aos outros o que não queres que a ti seja feito‖. Este ensinamento não teria partido de Jesus, conforme pretendem os cristãos, não sendo sequer uma máxima cristã, originariamente. Encontraremola em Confúcio, e ainda no bramanismo, no budismo e no mazdeismo, fundado por Zoroastro. Era uma orientação filosófica e religiosa, adotada pelos hindus. A originalidade do cristianismo consistiu apenas em criar as penas eternas, um absurdo desumano e irracional. Enquanto isso, o mazdeismo cria a possibilidade de regeneração do pior bandido, admitindo mesmo a sua plena reintegração no seio da sociedade. O perdão aos inimigos foi, muito antes de Jesus, aconselhado por Pitágoras. Os egípcios religiosos praticavam uma moral muito elevada. No ―Livro dos Mortos‖ encontramos a confissão negativa, de acordo com a qual a alma do morto comparecia ante o tribunal de Osiris e proferia em alta voz as suas más ações. O sentimento de igualdade e fraternidade para com os homens foi ensinado por Filon. O cristianismo adotou os seus ensinamentos, atribuindo-os a Jesus. São de Filon as seguintes palavras: ―Os que exaltam as grandezas do mundo como sendo um bem, devem ser reprimidos.‖; ―A distinção humana está na inteligência e na justiça, embora partam do nosso escravo, comprado com o nosso dinheiro.‖; ―Porque hás de ser sempre orgulhoso e te achares superior aos outros?‖; ―Quem te trouxe ao mundo? Nu vieste, nu morrerás, não recebendo de Deus senão o tempo entre o nascimento e a morte, para que o apliques na concórdia e na justiça, repudiando todos os vícios e todas as qualidades que tornam o homem um animal‖; ―A boa vontade e o amor entre os homens são a fonte de todos os bens que podem existir‖. Como vemos, não há nada de novo no cristianismo. Platão salientou a felicidade que existe na prática da virtude. Ensinou a tolerância à injúria e aos maus tratos, e condenou o suicídio. Recomendou o humanismo, a castidade e o pudor, e condenou a volúpia, a vingança e o apego demasiado aos bens. Sua moral baseou-se na exaltação da alma, no desprezo dos sentidos e na vida contemplativa. O Padre Nosso foi copiado de Platão. Quem conhece bem a obra de Platão percebe os traços comuns entre a mesma e o cristianismo. Filon inspirou-se em Platão e, a Igreja, na obra de Filon, que helenizou o judaísmo. Aristóteles afirmou que a comunidade repousa no amor e na justiça. Admitia a escravatura, mas libertou os seus escravos. Poderiam existir escravos, mas não a seu serviço. A comunidade deveria instruir a todos, independentemente da classe social, com o que ensinou o evangelho aos Evangelhos. A abolição do sacrifício sangrento não foi introduzida pelo cristianismo. Não lhe cabe tal mérito. Gélon, da Sicília, firmando a paz com os cartagineses, estipulou como condição a supressão do sacrifício de vidas animais aos seus deuses. Sêneca aconselhava o domínio das paixões, a insensibilidade à dor e ao prazer. Recomendava igualmente a indulgência para com os escravos, dizendo que todos os homens são iguais. Referia-se ao céu como fazem os cristãos, afirmando que todos são filhos de um mesmo pai. Concebia como pátria o Universo. Os homens deveriam se ajudar e se amar mutuamente. Enquanto isso, o humanismo cristão limitou-se apenas aos irmãos de fé. O bem visa somente a salvação da alma, o que é egoísmo, nunca humanismo. Sêneca manifestou-se contrário à pena de morte; o cristianismo, ao contrario, é responsável por inúmeras execuções. Admitia a tolerância mesmo em face da culpa. Em vez de perseguir e punir, por que não persuadir, ensinar e converter?

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Epíteto e Marco Aurélio foram bons professores dos cristãos. Os filósofos greco-romanos foram grandes mestres da moral cristã e da consolação, sem que para isto criassem empresas, negócios ou castas. O cristianismo existente antes de Jesus Cristo já pregava a moral anterior ao martírio do Gólgota. A moral cristã não veio de Jesus Cristo nem dos Evangelhos, mas nasceu da tendência natural para o aperfeiçoamento do homem. Não fosse a destruição sistemática de antigas bibliotecas, determinada pelo clero no intuito de preservar os seus escusos interesses, hoje seria possível patentear com documentos à mão que a moral anterior à cristã era bem melhor do que esta, tendo-lhe servido de modelo. Assim, se vê que a moral jamais foi patrimônio de castas ou de indivíduos, sendo uma lenta conquista da humanidade, com ou sem religião, e mesmo contra ela. Por isso é que o mundo racionalizase continuamente, e avança sempre no sentido do seu aperfeiçoamento. A bondade humana independe da ideia religiosa. A razão nos ensina o que devemos ao nosso meio social, independentemente da fé e da religião. Para justificar o aparecimento de Jesus, se fez necessário recorrer a uma moral que, no entanto, já era um patrimônio da humanidade. Jesus nada mais foi do que a materialização de qualidades que já existiam. Por isso, mesmo em moral, Jesus foi ator, não autor. O cristianismo apenas sistematizou e industrializou essa velha moral, estabelecendo-a como um rendoso comércio. A Igreja é responsável pela deturpação dessa moral. Havia a moral pela moral, que foi substituída pela moral bíblica, em que só se é bom para ganhar o céu. Superpondo-se um grupo empresarialmente forte, extinguiu-se a moral individual. Judaísmo e cristianismo Pesquisas e estudos comparados têm demonstrado que a mitologia judaico-cristã é bem anterior ao próprio judaísmo, quando se percebe que dogmas como o da imortalidade da alma, da ressurreição e do Verbo encarnado são muito anteriores ao cristianismo. A imortalidade da alma já tinha milênios quando os judeus foram levados cativos para a Babilônia. Zoroastro ensinara, muito antes, ser a alma imortal, e que essa imortalidade seria produto de uma opção humana. O livre arbítrio levaria o homem a escolher uma vida que o levaria ou não à imortalidade. O erro e o mal produziriam a morte definitiva, a prática do bem, a imortalidade. Do mesmo modo, na Ciropédia, bem anterior a Zoroastro, se lê que Ciro, moribundo, disse: ―Não creio que a alma que vive em um corpo mortal se extinga desde que saia dele, e que a capacidade de pensar desapareça apenas porque deixou o corpo que não tem como pensar por si mesmo‖. Por outro lado Einstein, pouco antes de morrer, declarou não crer que algo sobrasse do ser vivo após a morte. Os egípcios, os hindus, os sumérios, os hititas e os fenícios criam na imortalidade da alma. A ressurreição foi um dos fundamentos do Zend-Avesta. Zoroastro também ensinou que o fim do mundo seria precedido por um grande acontecimento, a ser predito por profetas. Os persas tiveram os seus profetas, que foram Ascedermani e Ascerdemat, os quais passaram à Bíblia sob os novos nomes de Enock e Elias, entidades míticas, como se vê. Desses mitos surgiram o Talmud e os Evangelhos, o que mostra que, em religião, a idéia original pertence à noite dos tempos. A doutrina do Verbo já era antiquíssima no Egito. Deus teria gerado Kneph ―a palavra, o Verbo‖, que é igual ao pai. Da união de Deus com o Verbo nasceu o fogo, a vida, Fta, a vida de todos os seres. O monoteísmo e a Santíssima Trindade eram crenças muito antigas na Índia.

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Os deuses únicos e os deuses secundários são uma velha doutrina oriental. A religião grecoromana já possuía o seu Apolo e Zeus, rodeados por uma porção de deuses secundários. Essas velhas lendas deram origem ao Deus do cristianismo, com toda sua corte de santos e anjos. O politeísmo há muito vinha caminhando para o monoteísmo. Os gregos já haviam concebido a ideia de um intermediário entre os homens e Júpiter, que era Apolo, tendo encarnado para redimir os homens. Porfírio citou o seguinte oráculo de Serapis: ―Deus é antes e depois e ao mesmo tempo, é o Verbo e o Espírito, como um e outro‖. O mundo antigo cria em um Deus único, pai de todas as coisas, afirmou Máximo de Tiro. O povo então já dizia: Deus o sabe! Deus o quer! Deus o abençoe! Os oráculos só se referiam a Deus e não aos deuses. Os apologistas do cristianismo, tais como Eusébio, Agostinho, Lactâncio, Justino, Atanásio e muitos outros, ensinavam que unidade de Deus era conhecida desde a mais remota antiguidade. Os órficos, inclusive, a admitiam. Na Bíblia, ao ser traduzido para o grego e para o latim, o nome de Deus passou a ser muitas vezes Senhor, Dominus, para ficar conforme o nome do Deus-sol do mitraísmo. O amor a Deus foi a base de todas as religiões copiadas pelo judaísmo. Isaías falava de Deus como Pai Celestial. Ezequiel dizia que Deus não queria a morte do pecador, preferindo antes a sua conversão. O justo viverá eternamente pela fé. São palavras de Habacuc, repetidas por Paulo em Gálatas 3:2. Como vimos a doutrina do Verbo vem de Platão, tendo sido este o intermediário entre os metafísicos e os cristãos. Foi ele quem concebeu a ideia da separação do corpo e da alma e pôs aquele na dependência desta. Na sua opinião, a Terra era o desterro da alma. Foi o criador do sistema filosófico da decadência moral do homem, fazendo dos sentidos uma ameaça, do mundo um mal e da eternidade o delírio, o sonho. Cícero e Sêneca tinham ideias cristãs, mas não conheceram a Jesus Cristo nem ao cristianismo. Agostinho leu as obras de Cícero e trocou o maniqueísmo pelo cristianismo. A Igreja procurou destruir as principais obras de Cícero e de Sêneca para que a posteridade não percebesse que eles não tinham sido cristãos seguidores de Cristo, mas apenas que as suas ideias coincidiam com as que o cristianismo esposou. O cristianismo nasceu da helenização do judaísmo. Os cristãos terapeutas abandonaram o judaísmo ortodoxo porque este tinha posto de lado o culto nacional do templo e o sacrifício Pascal, retirando-se para uma vida contemplativa nos montes, longe dos homens e dos negócios. Estabeleceram uma sociedade comunal, considerando o casamento um apego à carne, um empecilho à salvação da alma. Baniram os principais prazeres da vida, exaltando o celibato e a pobreza, como os essênios, além de aconselhar a caridade. Eusébio chamou aos terapeutas de cristãos sem Cristo. Para ele, um terapeuta era um autêntico cristão. Isto levou Strauss a escrever: ―Os terapeutas, os essênios e os cristãos dão sempre muito o que pensar‖. A doutrina dos essênios, a moral dos terapeutas, a encarnação do Verbo, vinda do judaísmo helenizado, é o cristianismo de Filon. Desse modo, Filon foi criador do cristianismo, sem saber. Ele se refere ao Verbo nos termos da mitologia egípcia sem, contudo, mencionar a crença em Jesus Cristo. Salomão fez da sabedoria divina a criação. O Livro da Sabedoria define a natureza desse principio intermediário, transformando o pensamento vago do rei judeu sobre a sabedoria da doutrina do Verbo. Sirac, em ―Eclesiástico‖, faz a doutrina do Verbo ser mais precisa: ―A sabedoria vem de Deus, estando sempre com ele. Foi criada antes de todas as coisas. A voz da inteligência existe

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desde o principio. O Verbo de Deus, no mais alto do céu, é a fonte da sabedoria‖! Filon disse que o Verbo se fizera humano. Segundo ele, Deus era infalível e inacessível à inteligência humana, não nos alcançando senão pela graça divina. Para ele, ainda, o Verbo não era apenas a palavra, mas a imagem visível de Deus. O Verbo seria o Ungido do Senhor, o ideal da natureza — o Adão Celeste é a doutrina da encarnação do Verbo — tomando a forma humana. O Verbo é o intermediário entre Deus e os homens. Diz ainda que o Verbo é o pão da vida. Por ai vemos que não foi o Cristo o criador do cristianismo, mas este é que o criou. Clemente de Alexandria, Orígenes ou Paulo, assim como os primeiros padres do cristianismo, jamais se referiram a Jesus Cristo como tendo sido um homem que tivesse caminhado do Horto ao Gólgota, mas o tiveram apenas como o Verbo, conforme a doutrina de Platão e de Filon. O cristianismo sem Jesus Cristo Está patente a existência do cristianismo sem Cristo. A existência do clero, por outro lado, foi uma exigência bramânica. Pregando por meio de parábolas, os sacerdotes se faziam necessários para esclarecer o sentido das mesmas. Assim se justificava o pagamento com as esmolas dos crentes. Ensinavam a religião e se apoderavam do dinheiro. Suas terras e os templos já eram isentos dos impostos. O sumo-sacerdote não se casava e era venerado como um deus. No budismo, tanto os bonzos como os mosteiros são mantidos pela comunidade e os monges, igualmente, não se casam. O Dalai-Lama é o Vigário de Deus, o sucessor de Fó, sendo Infalível como o Papa se diz ser. Nos mosteiros todos se chamam de irmãos. O clero persa era dividido em ordens hierárquicas, e tinha o direito a um décimo da renda da comunidade. Os magos persas, como os profetas judeus, eram puros e não trabalhavam. No Egito, a classe mais alta era a dos sacerdotes. Elegiam o rei e limitavam a sua ação. O povo arrendava as terras do templo. Só o clero ensinava a religião e presidia aos sacrifícios. O regime era teocrata e todos tinham de submeter-se às regras eclesiásticas. O sacerdote era o adivinho, fazia os oráculos, as profecias, os sortilégios e os exorcismos. Afirmava ter força sobre a natureza, para o bem da humanidade. Os brâmanes procuravam afugentar os malefícios e as maldições. Para isto, cultivam certas plantas, como o lótus e o cânhamo, das quais faziam licores como o ―amrita‖, que possuía virtudes milagrosas. Tinham as mesmas modalidades de expiação ainda hoje adotadas pelo cristianismo. As mortificações hindus são as mesmas praticadas pelos cristãos medievais. Certos crentes carregaram durante toda a vida enormes colares de ferro, outros, pesadas correntes de ferro. Alguns se marcavam com o ferro em brasa, avivando a ferida todos os dias. Muitos vão rolando deitados até Benares, pagar ali suas promessas. Também usam sandálias cravadas de finos pregos, os quais entram pelas solas dos pés. No Egito, os sacerdotes de Ísis açoitavam-se em sua honra, expiando, com isso, suas próprias culpas e as do povo. Entre os gregos havia a água lustral para as expiações e para as propiciações.

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Os sacerdotes de Dodona feriam-se e os de Diana praticavam tais coisas em seus corpos, que às vezes punham em perigo a própria vida. Os romanos procuravam livrar-se das calamidades públicas oferecendo aos seus deuses sacrifícios humanos. Os Indostânicos tornavam-se celibatários, pediam esmolas, jejuavam e se isolavam do convívio com outras Pessoas. No budismo, as crianças eram ensinadas a fazer votos de castidade. O governo concedia honras especiais ao que chegavam aos 40 anos castos. No Egito, existiam mosteiros apropriados para os que faziam votos de castidade. Também os sacerdotes de Baco, na Grécia, faziam tais votos. Os sacerdotes de Cibele eram castos e castrados. Em Roma, as Vestais viviam em mosteiros, indo para eles até aos seis anos de idade, e juravam não deixar extinguir-se o fogo sagrado e manterem-se virgens. A que faltasse ao juramento seria enterrada viva e, o amante, condenado à morte. Os budistas consagravam o pão e o vinho, representando o corpo e o sangue de Agni, quando os bonzos aspergiam os crentes. Enquanto aspergem água lustral, cantam hinos ao sol e ao Fogo, o ―Kirie Eleison‖ que os católicos copiaram e cantam ou recitam durante a missa. Inicialmente o sacrifício constava da imolação de uma pessoa, a qual posteriormente foi substituída pela hóstia. Tal como o padre católico, o sacerdote budista também lava as mãos antes das libações. A cerimônia budista é em tudo semelhante à missa da Igreja Católica. Os persas tinham, em seus ritos religiosos, a eucaristia, ou seja, a mesma oferenda do pão e do vinho que também consta do ritual da missa, bem como o Pater Noster, o Credo e o Confiteor. Na Grécia, rezava-se pela manhã e à noite. Os etruscos juntavam as mãos quando oravam. Também a confissão lá era praticada pelos persas. O ritual do catolicismo tem muito do ritual mitraico, assim como a vestimenta dos sacerdotes católicos foi copiada do figurino dos sacerdotes de Mitra. Muitas das religiões pré-cristãs já festejavam a Páscoa e a Natividade. Os persas inclusive dedicaram um dia aos mortos. E, no dia em que o filho começava a receber instrução religiosa, havia festa na casa dos pais. Entre os gregos, cada dia da semana era dedicado a um deus. Os Hindus viviam peregrinando de um templo para outro. Criam na existência de dias bons e dias maus, como também em sortilégios e malefícios. Cada pessoa era dedicada a um anjo que a protegia desde o nascimento. Benziam as vacas, os instrumentos agrícolas e animais domésticos. A história do passado religioso do homem está repleta de virgens puras e belas, que são as mães dos deuses. Maria, mãe de Jesus Cristo, é apenas mais uma dentre tantas outras. Igualmente, as procissões constituem práticas multimilenares. É antiquíssima tal modalidade de culto. Juno e Diana passearam em caminhadas durante muitos séculos. As cidades sempre se enfeitaram à passagem dos santos e dos deuses. Por aí vemos que nem Jesus nem o cristianismo têm nada de original. A veneração das imagens já era muito anterior ao cristianismo. Por outro lado, o judaísmo, que as baniu, não foi, entretanto, o primeiro a tomar tal atitude. Plutarco disse que os tebanos não as usavam, assim como Numa Pompílio proibiu os romanos de as usarem, durante o seu governo.

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O batismo era uma cerimônia praticada pelos antigos muito antes de se cogitar, sequer, do nome de cristão. Os hindus lavam o recém-nascido em água lustral, dando-lhe um nome de um gênio protetor. Aos oito anos, a criança aprende a recitar os hinos ao Deus-Sol. A extremaunção também, desde muito antes do cristianismo, era praticada pelos hindus. Copiando detalhes dos ritos e cultos de uma grande variedade de seitas, o cristianismo constituiu o seu próprio ritual, tudo girando em torno do Deus-Sol, no qual, por fim, vestiram a roupa de Jesus Cristo. O cristianismo deve ser examinado com isenção de ânimo, ainda quando visto como uma das melhores religiões. Ele propõe ter sido Jesus um messias. O termo é tomado do hebraico messiá que quer dizer ungido. Da versão para o grego resultou Kristós. No caso, messias assume o contexto, como quando se diz ritualmente ungido salvador, ou como em ungido rei. Por influência grega a nova religião em vez de se chamar messianismo, passou a ser cristianismo. Não obstante algumas diferenças semânticas, os termos se equivalem. Jesus nasceu pelo ano quatro, antes de nossa era, ―ao tempo do Rei Herodes‖ (Mateus 2;1), a quem o Evangelista ainda atribuiu a decisão de o matar. Para lograr seu objetivo ―mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo‖ (Mateus 2;16). Sabe-se também que Herodes morreu no ano 4 a.C. Se esta narrativa, redigida 50 ou 80 anos depois, for verdadeira, deve-se admitir coerentemente que Jesus já era nascido pelo ano 4 antes da era atual. No inicio da Idade Média o monge Dionísio, O Pequeno (ou o Exíguo) criou a cronologia cristã, tendo errado por pelo menos 4 anos a data do nascimento de Jesus. Não há escritos contemporâneos de Jesus que mencionavam sua existência e doutrina. Esta fato oferece muitas dificuldades. O que se escreveu depois, e ainda em outra língua, em grego, cujos conceitos mentais são mais evoluídos e poderão ter alterados nuances de conteúdo. Pelos anos 60 ou após redigiram-se os 4 evangelhos, escritos respectivamente por Mateus e Marcos, Lucas e João. O novo Testemunho compõe-se destes escritos, e mais os Atos dos Apóstolos (de Lucas), Epistola (de vários Apóstolos e Apocalipse de João). Como foi que surgiu o cristianismo? Na interpretação histórico-crítica o processo de surgimento do cristianismo se desenvolveu num espaço relativamente curto. No inicio do ano 28 passou Jesus a pregar, sendo levado à morte no ano 30. Morto Jesus, se processou uma institucionalização do grupo, com influências novas vindas do helenismo, fato este que provocou uma separação mais profunda ao qual entretanto ficou ligado umbilicalmente. Dali resulta a necessidade de examinar o cristianismo inicial sob duas perspectivas. Numa primeira importa examina-lo frente às seitas judias. Numa segunda perspectiva, quais foram suas fases de desenvolvimento, pelo qual se foi diferenciando, até tomar feição mais ou menos própria. 1 - Nem só Jesus Cristo tinha poder Ele nasceu do útero de uma virgem e seu nascimento foi anunciado por um anjo. Reuniu ao seu redor um grupo de leais seguidores a quem transmitiu uma avançada mensagem de igualdade e fraternidade. Foi um agitador das massas e suas palavras tanto desagradaram aos romanos que acabaram por matá-lo. Em vida fazia inúmeros milagres: curava inválidos, anulava pragas, expulsava o demônio das pessoas e certa vez até ressuscitou uma menina.

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Mas o maior dos seus feitos foi sua própria ressurreição, é claro. Uma vez completada sua missão, tomou seu lugar ao lado do Pai, do Espírito Santo e de sua própria mãe, também alçada aos céus, deixando aos seus seguidores em terra a dura tarefa de explicar como tinha tanta gente no céu se Deus era para ser único. Ah sim, esqueci-me de dizer que não estou falando de Jesus Cristo. Estou falando de Apolônio de Tiana. Filósofo neo-aristotélico nascido na Capadócia no século I, um dos muitos profetas de seu tempo que, apesar das semelhanças no currículo, não teve a sorte de se tornar tão popular quanto seu colega de messianato. Apolônio era basicamente um Cristo com maiores e melhores poderes. Além de fazer enxergar os cegos e andar os mancos, transmutar água em vinho e outros milagres usuais, Apolônio podia estar em dois lugares ao mesmo tempo, era capaz de ler pensamentos e falava línguas que nunca tinha aprendido. Certa vez, aprisionado pelo imperador romano, que o acusou de traição, escapou, milagrosamente é claro. Mas não só de poderes mágicos se constrói um Messias. Um autêntico Messias precisa de um plano de salvação espiritual, de uma mensagem revolucionária de paz e amor. Apolônio tinha isso também. Como Jesus, Apolônio permaneceu celibatário e deu tudo o que tinha aos pobres, que não era pouco, pois seus pais lhe deixaram uma polpuda herança ao morrer. Como J.C., Apolônio se opunha às danças, aos prazeres carnais e aos violentos espetáculos dos gladiadores (acho que Jesus não fez uma menção específica a isso nos testamentos, mas suponho que ele teria algo a dizer sobre o assunto se alguém tivesse perguntado). Contrariamente a Jesus, no entanto, Apolônio era vegetariano e condenava os sacríficos animais, tão frequentes em seu tempo (o que teria garantido pontos extras se eu estivesse considerando abraçar o cristianismo). Apolônio orava, mas considerava desprezível a ideia de que Deus pudesse ser demovido de Seu supremo propósito para atender as súplicas mundanas. Seres com que se podiam fazer pactos pregava Apolônio, não eram deuses, eram menos do que homens. Começo a entender porque a audiência de Apolônio tornou-se tão menor que a do Jesus… quem ia querer saber de um deus que não atende pedidos em plena Copa do Mundo?! Diz-se que Apolônio era sempre sereno e nunca se zangava, ou seja, não era do tipo que armaria o maior barraco por causa de camelôs vendendo quinquilharias em pleno templo. Nisso eu defendo o Jesus. Queria ver Apolônio manter a serenidade diante de uma banca de adesivos ―Deus é Fiel‖ e camisetas camufladas escritas ―Exército de Deus, Aliste-se Agora―. Apolônio, como Jesus, tinha um jeito com as palavras; quando, dias antes de ser morto, avisou aos seus apóstolos onde estaria depois de ressuscitar, um deles lhe perguntou: ―você estará vivo ou o quê?‖ ao que Apolônio respondeu: ―Do meu ponto de vista estarei vivo, do de vocês estarei revivido‖. Como convém aos verdadeiros profetas, como Jesus, o Oráculo de Matrix, o Mestre dos Magos e tantos outros, Apolônio sempre dava um jeito de falar por enigmas. Se ele soubesse a confusão que isso poderia causar alguns milhares de anos depois entre seus seguidores, teria sido mais objetivo. Apolônio era popular em seu tempo; foi saudado por centenas ao adentrar os portões da cidade grega de Alexandria, assim como Jesus o foi ao chegar a Jerusalém. Sua partida para o reino dos céus parece ter sido mais teatral, entretanto. Depois de entrar em um templo grego, Apolônio simplesmente desapareceu, enquanto um coro de virgens entoava cânticos em sua homenagem.

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O que a Igreja Católica diz sobre Apolônio? O argumento mais frequente é que a história de Apolônio Cristo não foi escrita por testemunhas oculares. Bem, até aí nada, já que a de Jesus Cristo também não foi. Aliás, se há uma coisa sobre a qual concordam todos os historiadores modernos é que nenhum dos evangelhos do novo testamento foi escrito por alguém que tenha pessoalmente conhecido Jesus (sobre isso recomendo duas fontes sérias: ―Jesus e Javé‖ de Harold Bloom, um renomado intelectual judeu (que leio no momento) e ―A História do Cristianismo‖ de Paul Johnson um dos maiores historiadores vivos, do qual li até hoje somente os três primeiros capítulos). Pelo contrário: é geralmente aceito que os evangelhos foram escritos baseados em tradições orais quase meio século depois da morte de Jesus. Já de Apolônio quase tudo o que se sabe foi escrito pelo filósofo ateniense Flavius Philostratus entre os anos de 205 a 245 D.C baseada nos escritos de um dos discípulos contemporâneos de Apolônio: Damis de Nineveh. Philostratus foi instruído a escrever a biografia de Apolônio por Domna Julia, esposa do imperador Septimius Severus, uma amante da filosofia que tinha em seu templo particular estátuas de alguns grandes homens sábios, como Orpheus, Jesus e o próprio Apolônio. Da biografia escrita por Philostratus nasceu o culto Apolônico, que durou muitos séculos, mas, como se sabe, nunca foi tão bem sucedido quanto aquele outro. Em um jogo de ―Super-Trunfo‖ que trouxesse profetas em vez de carros ou tanques, a carta de Apolônio certamente perderia no quesito ―popularidade‖ e ―flagelo‖ mas ganharia fácil em ―santidade‖ . Afinal, enquanto Jesus era visto com prostitutas, tinha uma história mal contada com Maria Madalena (aquela história da lavagem dos pés não te lembra do diálogo sobre pés e massagem em Pulp Fiction?) e regalava-se com vinho e carne, Apolônio era abstêmio, não comia nada que não viesse da terra e era visto como um homem santo já em vida. Digamos que Dan Brown teria mais dificuldade em fazer intrigas com a vida sexual de Apolônio do que teve com Jesus (o que nos teria rendido um best-seller mal escrito a menos se a história tivesse sido diferente). Sendo assim o velho jogo do ―meu messias é melhor que o seu‖ começou logo cedo e continua até hoje. Os primeiros historiadores cristãos, como Eusébio de Cesáreia, no século III, até reconheciam os milagres e a santidade de Apolônio, mas diziam que, enquanto os milagres de Jesus eram manifestações de Deus, os de Apolônio era coisa do diabo (o original grego usa a palavra ―daemon―, que significa tão somente um ser espiritual, mas a conotação negativa foi a empregada pelos sucessivos teólogos cristãos). Mais tarde a tática para desacreditar Apolônio passou a ser acusar Philostratus de plagiar os evangelhos cristãos, algo que Eusébio, que estava na época e no lugar certo para saber disso, nunca fez. Hoje se discute se não foram os escribas cristãos que se inspiraram na biografia de Apolônio. A história de Apolônio me fascina. Primeiramente porque mostra como as histórias de milagres na antiguidade e de homens santos que voltaram da morte não são únicas nem tão especiais quanto os cristãos imaginam. Em segundo lugar porquê como admirador das minorias alternativas e geralmente fracassadas, como PDAs Newton, fitas Sony Betamax e Ceticismo Brasileiro, é bom saber que tenho uma alternativa para o dia em que pensar em me converter; só preciso aceitar Apolônio no meu coração. 2 - O Messias Desmascarado Os judeus estão aguardando, pois eles são pacientes. Uma das coisas que eles mais aguardam (e, para eles, a mais importante) é o advento do Messias. Segundo a crença judaica, esse cara viria pra detonar geral e colocar tudo na sua devida ordem, desfazendo tudo que há de errado no mundo e trará paz e prosperidade (para eles,

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claro; eles que inventaram a crença). Só que atualmente, não são só os judeus que esperam o Messias. Tem muita gente aguardando o cara. E o pior é que já vieram muitos. Quem é (ou quem deveria ser) o Messias? De onde surgiu essa crença e como entender o significado disso tudo? Herói ou profeta? General ou milagreiro? Homem justo ou um maníaco homicida que terminou por praticar suicídio coletivo? Aqui não usaremos de azeite, ungiremos a todos com a verdade. Para início de conversa, vamos ao estudo etimológico e histórico da palavra ―Messias‖. Messias (do hebreu ‫ , מש׳ח‬Mashíach ou HaMashiach – Ungido ou Consagrado) e se refere a como os antigos judeus se referiam aos seus reis. Podemos ter uma boa noção disso, lendo um trecho do livro de Samuel. 1 Samuel 10:1 - Samuel tomou um pequeno frasco de óleo e derramou-o na cabeça de Saul; beijou-o e disse: O Senhor te confere esta unção para que sejas chefe da sua herança. Conforme vocês podem ler, Samuca faz a cerimônia de coroação do rei Saul, ungindo sua cabeça com azeite. Mas, não é só isso. O Mashiach, com o tempo, adquiriu outras importâncias, sendo um líder político e militar descendente do Rei David, que irá reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo desta forma a paz ao mundo. Os cristãos consideram que Jesus Cristo é o Messias, bem como o Filho de Deus e blábláblá, cujo conceito foi estipulado no Concílio de Niceia de 325 E.C. A palavra ―Cristo‖ (em grego Χριζηός, Christós, ―O Ungido‖ ou ―O Consagrado‖) é uma tradução para o grego do termo hebraico ―mashiach‖. No Velho Testamento, a palavra específica Messias aparece apenas duas vezes: em Daniel 9:25 e 26, quando um anjo anuncia ao profeta Daniel que o Messias surgiria e seria morto 62 semanas proféticas após a reedificação de Jerusalém, antes da cidade e do templo serem novamente destruídos. No Novo Testamento, a palavra grega Μεζζιας (Messias) está registrada também apenas duas vezes: em João 1:41, quando o André (não, não fui eu) contou a seu irmão Pedro que recém haviam encontrado o Messias (que traduzido é o Cristo), e em João 4:25, onde uma mulher samaritana comenta com Jesus que sabia que o Messias (que se chamava Cristo) estava vindo, e que quando viesse, nos anunciaria tudo, ao que Jesus prontamente lhe respondeu: ―Eu o sou, eu que falo contigo‖. Muito conveniente. Vejamos as características que o Messias Judaico deve ter. a) Descendente do Rei David através de Salomão – O Messias será um descendente biológico do Rei David através de seu filho Salomão que foi sucessor ao trono, o qual construiu o Templo Sagrado em Jerusalém. 1 Reis cap. 8 15. E disse: Bendito seja o SENHOR Deus de Israel, que falou pela sua boca a Davi, meu pai, e pela sua mão o cumpriu, dizendo:

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16. Desde o dia em que eu tirei o meu povo Israel do Egito, não escolhi cidade alguma de todas as tribos de Israel, para edificar alguma casa para ali estabelecer o meu nome; porém escolhi a Davi, para que presidisse sobre o meu povo Israel. 17. Também Davi, meu pai, propusera em seu coração o edificar casa ao nome do SENHOR Deus de Israel. 18. Porém o SENHOR disse a Davi, meu pai: Porquanto propuseste no teu coração o edificar casa ao meu nome bem fizeste em o propor no teu coração. 19. Todavia tu não edificarás esta casa; porém teu filho, que sair de teus lombos, edificará esta casa ao meu nome. 20. Assim confirmou o SENHOR a sua palavra que falou; porque me levantei em lugar de Davi, meu pai, e me assentei no trono de Israel, como tem falado o SENHOR; e edifiquei uma casa ao nome do SENHOR Deus de Israel. 1 Crônicas cap. 17 11. E há de ser que, quando forem cumpridos os teus dias, para ires a teus pais, suscitarei a tua descendência depois de ti, um dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino. 12. Este me edificará casa; e eu confirmarei o seu trono para sempre. 13. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e a minha benignidade não retirarei dele, como a tirei daquele, que foi antes de ti. 14. Mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e o seu trono será firme para sempre. 15. Conforme todas estas palavras, e conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi. (veja mais em I Cron 22:9-10 e 28:3-7). Bem, Jesus não era descendente de David. Ele era filho do Espermatozóide Santo com a vagaba da Maria (já vou falar da ―virgindade‖ dela). Só que as heranças eram patrilineares. Isso significa que nãoi se herda nada de mulher na tradição judaica. Daí, a crentalhada inventa que Maria era descendente de David. Nah Nah, só homens! Daí, inventam que José, o ―Anfitrião‖ Carpinteiro é que era descendente de David, mas que como adotara Jesus, a profecia esta cumprida. A cara de pau dessa gente me assombra! b) Líder Espiritual e Político/Militar em Israel – O Messias terá um profundo conhecimento da Torah, será uma autoridade que influenciará todo Israel para seguir a palavra do Omni tripla Ação, num ambiente criado por sua liderança espiritual. Também derrotará e conquistará os inimigos de Israel (mas sem nenhum sabre de luz). Ele será um ser humano normal de carne e osso, habitante de um mundo cheio de exigências militares e alinhamentos políticos, terá que lidar com essas realidades e sairá vitorioso, sua liderança política será reconhecida em todo mundo. (veja Isaías 2:3, 11:2, Daniel 7:14) Só tem um pequeno detalhe: Jesus de Escrituras e briga de galo não entendia nada.

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Diz os evangelhos que Jesus aos 12 anos discutia sobre a lei com os sacerdotes, pois ele era super conhecedor das leis da torá. Isso o qualifica pra ser messias, não é? NÃO! Imaginem a cena: Os fariseus repreenderam Jesus porque ele e seus amigos fofos estavam fazendo coisas ilícitas no sábado. Daí Jesus ―super ciente‖ das escrituras soltou a pérola: Marcos 2:25-26 – Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não são lícitos comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele? Uma porrada e tanto nos caras, né? Humilhou geral, certo? Errado de novo. 1 Samuel 21:1 – Então, veio Davi a Nobe, ao sacerdote Aimeleque; Aimeleque, tremendo, saiu ao encontro de Davi e disse-lhe: Por que vens só, e ninguém, contigo? 1 Samuel 21:2 – Respondeu Davi ao sacerdote Aimeleque: O rei deu-me uma ordem e me disse: Ninguém saiba por que te envio e de que te incumbo; quanto aos meus homens, combinei que me encontrassem em tal e tal lugar 1 Samuel 21:3 – Agora, que tens à mão? Dá-me cinco pães ou o que se achar. 1 Samuel 21:4 – Respondendo o sacerdote a Davi, disse-lhe: Não tenho pão comum à mão; há, porém, pão sagrado, se ao menos os teus homens se abstiveram das mulheres. 1 Samuel 21:5 – Respondeu Davi ao sacerdote e lhe disse: Sim, como sempre, quando saio à campanha, foram-nos vedadas as mulheres, e os corpos dos homens não estão imundos. Se tal se dá em viagem comum, quanto mais serão puros hoje! 1 Samuel 21:6 – Deu-lhe, pois, o sacerdote o pão sagrado, porquanto não havia ali outro, senão os pães da proposição, que se tiraram de diante do SENHOR, quando trocados, no devido dia, por pão quente. Conseguiram perceber o erro? Primeiro, o sacerdote do texto de Davi é Aimaleque, mas Jesus citou Abiatar. Segundo, Abiatar nunca ia ser Sumo Sacerdote pq ele foi expluso por Salomão, pois ajudou Adonias a Tentar usurpar o trono (1 Reis 1:5-7 ; 18-19). Terceiro, no texto de Davi o sacerdote veio ao encontro dele,saindo do lugar onde estava e não que Davi entrou. Mesmo que Jesus tenha existido (e não há provas a respeito), ele era um péssimo judeu, pois só falou besteira quando citou isso. Os fariseus eram homens doutos, cultos, profundos conhecedores das Escrituras. Tava na cara que nunca iriam acreditar no lengalenga de ser filho de Deus. Em Lucas, ele até tenta inventar uma profecia que não existe: Lucas 24:46 - E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos. Escrito ONDE? Hein? Quero saber que foi o profeta que teve esta vidência. Mãe Dinah? Resultado? Não só não era messias coisa nenhuma, como tascaram ele no pau pra deixar de ser mané. Bem feito!

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c) Será casado e terá filhos – Embora não sejam declarados o casamento e os filhos como pré-requisitos para o Messias, há uma clara indicação de que o Príncipe que é o Rei Messias (veja em Ezeq. 34:23-24, 37:24), durante a era messiânica terá filhos (por matrimonio), onde receberão uma porção na herança. (Ezeq. 46:16-17). Preciso falar? O pessoal de Constantino resolveu que JayCee tinha que ser virgem e pronto. Lamento, pessoal, mais um cravo no caixão messiânico do Jóquei de Jegue. Eu poderia continuar citando mais qualificações que o Messias deveria trazer. Bem, só os 3 aí em cima já detona qualquer pretensão que o Hippie da Palestina tenha sobre ser o Mashiach. APOLÔNIO DE TIANA Nascido na cidade de Tiana (da atual Turquia), 2 séculos antes da era cristã - então integrante do Império romano - Apolônio foi educado na cidade vizinha de Tarso, na Cilícia, e no templo de Esculápio em Aegae, onde além da medicina se dedicou às doutrinas de Pitágoras, vindo a adotar o ascetismo como hábito de vida em seu sentido pleno. A principal fonte sobre Apolônio é a obra Vida de Apolônio, de Flávio Filóstrato, na qual alguns estudiosos identificam uma tentativa de construir uma figura rival à de Jesus Cristo. Apolônio também é citado nas obras A Vida de Pitágoras, de Porfírio, e A Vida Pitagórica, de Jâmblico. Acredita-se ainda que ele seja o personagem Apolo, citado na Bíblia em Atos dos Apóstolos e I Coríntios. Atos 18:24-25 – Entrementes, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e muito versado nas Escrituras, chegou a Éfeso. Era instruído no caminho do Senhor, falava com fervor de espírito e ensinava com precisão a respeito de Jesus, embora conhecesse somente o batismo de João. Bom, aqui já começam os problemas. O camarada nasceu no século II A.E.C. e é relatado nos Atos pregando sobre Jesus? Tem algo cheirando mal aqui. Típica forçação de barra para sustentar que Apolônio era seguidor de Jesus. Mais um exemplo? Ora, ele é descrito como tendo vindo de Alexandria, mas Alexandria ficava bem distante de Tiana. Oh, tudo bem que nosso amigo Alexandre Magno criou muitas cidades com o nome de Alexandria, mas os indícios é que a referida Alexandria era mesmo a que ficava localizada no Egito. Bem, vejamos o que o Coríntios diz: 1 Coríntios 3:4-6 - Quando, entre vós, um diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é isto modo de pensar totalmente humano? Pois que é Apolo? E que é Paulo? Simples servos, por cujo intermédio abraçastes a fé, e isto conforme a medida que o Senhor repartiu a cada um deles: eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. Também nada muito esclarecedor. Ou seja, os crentes adoram dizer que ateus (na visão deles qualquer um que não siga a vertente deles é ateu, incluindo agnósticos, muçulmanos, judeus etc) vivem usando texto fora de contexto sobre pretexto (oh, que frase inteligente. Bleargh!). Mas, tb vivem forçando a barra para adequar outros escritos à sua própria visão. ―Você pode ter a opinião que quiser, desde que concorde comigo‖ Diz-se que Apolônio era um bom orador, eletrizante e convincente, logo depois se transformou num tribuno (o magistrado que atuava junto ao Senado Romano em defesa dos direitos e

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interesses da plebe), ao mesmo tempo em que sua fama se popularizava, caminhando pelo resto do mundo dando um exemplo justo, bom e perfeito. Curando doentes, fazendo milagres, ressuscitando mortos e pregando a não violência Tá se lembrando de alguém? Exatamente! Agia que nem Buda… Ué, você imaginou alguém mais? Há relatos que Apolônio ressuscitou a filha de um senador romano, oito dias depois que ela estava morta. Alguém aqui imagina como ela devia estar cheirosa? Pois é, né? Apolônio foi um espontâneo defensor dos injustiçados, capaz de praticar os mais arrojados e difíceis atos de bravura. Sua firmeza e energia de propósitos, mesmo diante do perigo, causavam a todos uma coragem estoica. ―Ele fora um Deus em forma de Homem!‖. E não, ele não era Chuck Norris. Ele viajou muito no tempo em que esteve na Terra, desde o Egito até a Mongólia, sempre sendo ―iniciado‖ (ui!) nas Ordens que encontrava (um cara muito metido). Da Grécia à Índia, absorveu o misticismo oriental de magos, brâmanes, sacerdotes e embusteiros em geral. Coisa muito comum naquela época e mais ainda nos dias de hoje. Bem, durante esta viagem, e subsequente retorno, ele atraiu um escriba e discípulo, Damis, que registrou os acontecimentos da vida do sujeito. Estas notas além de cobrirem a vida de Apolônio, compreendem acontecimentos relacionando a uma série de imperadores, já que (supostamente) viveu 100 anos. Eventualmente essas notas chegaram às mãos da imperatriz Julia Domna, esposa de Septímio Severo, que encarregou Filóstrato de usá-las para elaborar uma biografia do sábio. Apolônio, segundo dizem, era um cara cheio de si. Pediu para ser iniciado numa ordem lá de maneira bem simplista: ―Bem sabes por que não queres iniciar-me. Se o dizes, revelá-lo-ei: o meu crime é justamente conhecer bem melhor do que tu o rito da iniciação. Vim pedir-te por um ato de modéstia, submissão e simplicidade, a fim de que passasses por mais sábio do que eu. Apenas isto!‖. Como sempre, há pouca autenticidade nas publicações que foram feitas sobre os ensinamentos atribuídos a Apolônio. Do seu evangelho existe uma pequena parte que já foi publicado, ou mais apenas algumas poucas doutrinas ―iniciáticas‖ possuem e mesmo assim somente tem acesso a eles iniciados de grau elevado. Fico imaginando porque nunca temos relatos seguros e isentos de e sobre todos esses profetas. Paixão por hermetismo ou fraude descarada? Você decide.

SIMÃO MAGUS Simão Magus era outro bom candidato a Messias. Ele nasceu em Samária e viajou do Egito a Roma pregando as ―boas novas‖. Deviam ser numerosas, por sinal. Com tanta gente contando, elas ficariam velhas rapidinho. (tá, o trocadilho é infame, mas não abro mão dele )

O ―magus‖ do nome de nosso herói pode significar ―mago‖ ou ―sábio‖, dependendo de qual contexto você quer usar. E ele se achou em disputa com J. Cristo Mega Star. Simão costumava

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dizer: ―Jesus é a personificação da Eternidade Sagrada. E eu a personificação do Espírito Sagrado‖. A humildade desses mashiachs me comove profundamente… Bom, pelo sim, pelo não, nosso glorioso Simão Copperfield, digo, Simão Magus andou incomodando a galera de Jay Cee. Ele é mencionado nos Atos dos Apóstolos: Atos 8:9-13 – Ora, havia ali um homem, por nome Simão, que exercia magia na cidade, maravilhando o povo de Samária, e fazia-se passar por um grande personagem. Todos lhe davam ouvidos, do menor até o maior, comentando: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande. Eles o atendiam, porque por muito tempo os havia deslumbrado com as suas artes mágicas (notem a mudança de tom). Mas, depois que acreditaram em Filipe, que lhes anunciava o Reino de Deus e o nome de Jesus Cristo, homens e mulheres pediam o batismo. Simão também acreditou e foi batizado. Ele não abandonava Filipe, admirando, estupefato, os grandes milagres e prodígios que eram feitos. Pelo texto, Simão M. passou a acreditar em Filipe e se tornou seu seguidor. E como a nossa querida e amada Bíblia é cheia de contradições, vejam uma coisinha: É dito que certa vez, Simão Magus estava entre seus seguidores e observa Pedro pregando concedendo o Espírito Santo às pessoas. Eles ficam espantados vendo a posição das mãos ao ―conceder‖ o Espírito Santo. O Novo Testamento descreve a cena em Atos 8:17-21: Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo. Quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: Dai-me também este poder, para que todo aquele a quem impuser as mãos receba o Espírito Santo. Pedro respondeu: Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro! Não terás direito nem parte alguma neste ministério, já que o teu coração não é puro diante de Deus. Contraditório. Se ele passou a ser lambe-botas de Filipe, batizado inclusive, por que ele ―compraria‖ a graça? A melhor interpretação que se pode fazer, então, é que ele testou Pedro a mandar o Espírito de porco Santo. Mas, Pedro arregou. Qualquer semelhança com o Desafio de Randi é mera coincidência… Nisso, Pedro denuncia Simão por querer comprar uma benção, e daí vem o termo ―Simonia‖. O pecado de tentar comprar bênçãos espirituais. Mas, isso é coisa do passado. Vocês nunca viram isso acontecer. (não é mesmo, Lutero?) Agora a coisa começa a ficar interessante. Iniciou-se uma disputa de milagres. No canto vermelho: Pedrão, a Pedra! No canto azul: Simão, o Grande! Dom King esfregando as mãos e a galera animada com a pancadaria. O ser humano não muda… Bem, a briga foi intensamente relatada no livro apócrifo Atos de Pedro, escrito no século II E.C. Pelo livro, Simão e Pedro competem em disputas para saber quem faz mais milagres. E em todas elas, adivinhem, Pedro é sempre o vencedor. Imagino se eu for na sede do Vasco da

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Gama e na do Flamengo, perguntando qual é o clube de futebol mais querido, faço bem uma noção do que me responderiam. Numa dessas disputas, Simão diz que se o Messias pode curar, ele tb podia. E que ele seria levado ao paraíso. Com isso, ele começa a levitar. Atos de Pedro 3:32 Pedro ergue as mãos e chama Jesus para que venha humilhar seu adversário. Simão Magus cai e é zombado por todos. Muito conveniente né Pedrão? Podemos intuir que os cristãos estavam bem incomodados com o sujeito, pela ampla antipropaganda com o cara. Os especialistas afirmam isso com base numa premissa simples: você não combate aquilo que não lhe atrapalha. Simão devia ser uma pedra na sandália e tanto. O mais inusitado, são as pregações de Simão Magus. Para ele há 2 encarnações de Deus. Segundo Irineu, o primeiro estudioso do cristianismo, ele teria dito que era o ―Poder de Deus‖ (messias masculino), enquanto que o ―Pensamento de Deus‖ (messias feminino) é uma mulher chamada Helena, encontrada numa casa de prostituição. Lembrou-se de alguém? Claro, afinal isso representa a capacidade de arrependimento dos pecados e redenção. Nada de novo sob o Sol. Entretanto, isso vai de encontro com a única expressão de Deus sobre a Terra. Claro que os misóginos de plantão não aprovaram isso. Os seguidores de Simão aumentam da Samária até Roma. Ele mantém seguidores até o século IV E.C. na Síria, Egito e Roma. Imperador Romano Claudius ergueu uma estátua com a inscrição: Para Simão, o deus sagrado. Isso até Constantino chegar e fazer com que as igrejas de Simão começassem a desaparecer.

Simão Bar-Kohba Em 132 E.C., O entra em cena o judeu Simão Bar-Kohba. Muitos achavam que ele ocupa melhor o posto de Messias, já que ele também era descendente da família real de Davi, um líder carismático. Ele fala contra Roma, mas ele efetivamente luta contra Roma. A coisa toda começa quando o imperador Adriano constrói um templo para Júpiter no lugar do grande templo de Jerusalém. Para os judeus isso foi uma blasfêmia e o estopim da guerra de Bar-Kohba, que dá ares de guerrilha em cerca de 125. Os homens de Bar-Kohba se escondiam em túneis onde armazenavam armas e provisões e atacavam os legionários repentinamente. Típico do Comando Delta. Bom, o Rambo da Palestina consegue expulsar temporariamente os Romanos de lá, as pessoas passam a vê-lo com dons messiânicos. Simão passa a chamar-se Nasiy’ Yisra’el (Príncipe de Israel). As moedas cunhadas na época auferiram a Bar-Kohba o título de salvador e redentor. Afinal, o Mashiach seria um líder militar que libertaria Israel (conforme Isaías 2:4) e não apenas um carpinteiro jóquei de jegue

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Os rebeldes ocupam Jerusalém e algumas fortalezas espalhadas pelo território judaico. Depois de muita luta, um enviado especial de Adriano, Júlio Severo, consegue dominar a revolta, vendendo, em seguida, os rebeldes como escravos. É o ano 135 D.C. Após isso, as legiões romanas se espalham por todo o mundo conhecido. Com isso, há uma mescla das crenças dos soldados com as crenças de cada lugar pelo qual eles passam. Assim, surge um deus cultuado pelos soldados: Mitra. Segundo as lendas, Mitra nasceu de uma virgem em 25 de dezembro. Dividiu uma última refeição antes de ser chamado ao paraíso e voltou à Terra como filho de Deus. Em cerca de 200 E.C., o mitraísmo começa a superar, em número de seguidores, o Cristianismo. Mesmo porque, era muito popular entre os soldados romanos, bem como os oficiais. Escavações acharam muitos tempos em honra do deus Mitra pelo Império Romano. Os iniciados ao culto participam de uma refeição sacramental, composta de pão e vinho, para invocar o sangue e o corpo sacrifical de Mitra e do touro que ele matou, conforme as lendas. Talvez o problema principal do mitraísmo tenha sido por ser uma seita secreta, composta apenas por homens. Entretanto, na mesma época havia um culto a uma deusa-mãe, conhecida por Rainha dos Céus (em latim, Regina Coelli), cuja imagem retratava uma mulher com um bebê-deus no colo. Seu nome? Isis (mãe de Hórus). Um culto que Roma absorveu dos egípcios. Ela era reverenciada em grandes procissões e os sacerdotes e sacerdotisas (diferente do mitraísmo, era uma religião inclusiva a ambos os sexos) usavam roupas de linho branco, simbolizando sua pureza. O problema principal era que as devotas a Ísis dedicava certas épocas do ano em sua honra, ou seja, elas guardavam-se em castidade e nada de sexo. Claro que os marmanjos não gostaram nem um pouco. A partir do ano 500 D.C., o culto em louvor a Ísis passa a ser banido, e os templos são convertidos em igrejas que cultuam a Virgem Maria (a partir do Concílio de Éfeso, a maternidade divina de Maria é doutrina constante e unânime na Igreja). E no ano 350 E.C., um escritor cristão relata a discussão entre duas pessoas. Uma delas era seguidora de João Batista, e este diz: ―João é o Cristo e não Jesus‖ - Reconhecimentos de Clemente cap.1:60 Os seguidores de João Batista, no séc. 2, vão parar no norte do Iraque. São conhecidos como Mandeus. Eles não aceitam Jesus, mas sim João Batista como Messias. Assim, como podemos ver, há uma zona dos infernos na determinação de quem deve ser o messias. Constantino, que de bobo não tinha nada, aproveitou e fez um milk-shake com o compacto dos melhores momentos desses personagens e declarou Jesus Cristo como sendo ―Pop Star da Palestina‖. Ele adapta um monte de crendices, estórias e mitos e constrói o seu próprio herói. Nada a ver com as profecias ditadas no Velho Testamento. Por isso, os judeus ainda aguardam aquele que vai libertá-los (do que mesmo?). O que as pessoas crêem? Pouco importa. A verdade é uma só. Os fatos acima descritos têm mais embasamento histórico que mortos dançando Thriller pela cidade, pães aparecendo do nada etc. Outros fizeram milagres? Também nada pode ser provado. Não passam de lendas.

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O Cristianismo? Mais uma delas. 3 - Revelada a origem da construção do mito de Jesus Por Israel Knohl Traduzido por: Charles Coffer Júnior A primeira menção do ―Messias morto‖ chamou-se Mashiah ben Yosef (Messias Filho de José) é do Talmud (Sukkah 52a). No meu livro ―O Messias Antes de Jesus‖ (University of California Press, 2000), considero que a história desse Messias morto é baseada em um fato histórico. Penso que está ligada à revolta judaica na Terra de Israel na sequência da morte do Rei Herodes, em 4 a.C. Esta insurreição judaica foi brutalmente reprimida pelos exércitos de Herodes e do imperador romano Augusto, e os líderes da revolta messiânica foram mortos. Estes eventos definem a tradição do Messias morto Filho de Joseph em movimento e abriu o caminho para a emergência do conceito de ―messianismo catastrófico‖. Interpretações do texto bíblico ajudaram a moldar a convicção de que a morte do messias era um elemento necessário e indivisível de salvação. A minha conclusão, baseada em escritos apocalípticos datados deste período, foi de que certos grupos acreditavam o Messias iria morrer, ser ressuscitada em três dias, e subir ao céu (ver ―O Messias Antes de Jesus‖, 27-42). Ada Yardeni e Binyamin Elitzur recentemente publicaram o texto de um fascinante texto que eles chamam de ―Hazon Gabriel‖ ou o Apocalipse Gabriel (Cathedra magazine, vol. 123). Este texto, gravado em pedra, veicula a visão apocalíptica do Arcanjo Gabriel. Yardeni e Elitzur datam-no pelos seus recursos lingüísticos e as formas das letras para o final do primeiro século a.C. Nas linhas 16-17 do texto, Deus aborda Davi da seguinte forma: ―Avdi David bakesh min lifnei Efraim‖ (‖O meu servo David, Efraim pergunta―). Na Bíblia, Efraim é o filho de Joseph. Este prevê a criação de uma equivalência entre David e Efraim e os Talmudicos ―Mashiah ben David ‖ e ―Messias Filho de Joseph‖, e confirma a minha teoria de que o Messias Filho de Joseph já era uma figura conhecida no final do primeiro século a.C. Embora Yardeni e Elitzur ofereçam uma excelente leitura do texto, na minha opinião, uma das mais importantes palavras não foi devidamente decifrado. Linha 80 começa com a frase ―Leshloshet Yamin‖ (‖Em três dias―), seguida por outra palavra que os editores não podiam ler. Em seguida vem a frase ―Ani Gavriel‖ ( Eu, Gabriel‖). Creio que este ―ilegível‖ palavra é realmente legível. É a palavra ―hayeh‖ (viva), e que o Arcanjo Gabriel está dando ordens a alguém: ―Leshloshet Yamin hayeh‖ ( ―Em três dias, você deve viver―). Em outras palavras, em três dias, você deve retornar à vida (compare ―bedamaiyikh ha‘ee‖ - traduzido como ―viver no teu sangue‖ - em Ezekiel 16:6). A palavra ―haye‖ (viver) está escrito aqui com alef. Ortografia semelhante aparece nos Rolos do Mar Morto, por exemplo, no rolo de Isaías, onde a palavra ―yakeh‖ (30:31) é escrito com um alef após o Yod. Esta é seguida por dois traços de duas outras palavras. As letras não são fáceis de fazer, mas a primeira palavra que parece começar com uma gimmel e vav. A próxima palavra não é clara. A letra lamed é perfeitamente legível, e a letra antes dele parece ser um ayin. Creio que a frase pode ser reconstruída da seguinte redação: ―Leshloshet Yamin hayeh, ani Gavriel, gozer alekha‖ (‖Em três dias, volte à vida, eu, Gabriel, comando a você‖). O arcanjo está ordenando a ressurreição dos mortos dentro de três dias. Para quem ele está falando?

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O que é o “príncipe dos príncipes”? A resposta aparece na linha seguinte, Linha 81: ―Sar hasarin‖ (‖príncipe dos Príncipes‖). A frase seguinte: ―Leshloshet Yamin khayeh, ani Gavriel, gozer alekha, sar hasarin‖ (Em três dias, eu, Gabriel, comando a você, príncipe dos príncipes. ―Quem é o‖ príncipe dos príncipes ―? A principal fonte bíblica para a Revelação de Gabriel é a narrativa do Livro de Daniel (8:1526), em que o Arcanjo Gabriel revela-se a Daniel pela primeira vez. Gabriel descreve um ―rei da feroz semblante‖. Este rei ―está destruindo os poderosos e o povo dos santos … ele deve também se erguer contra o príncipe dos príncipes ―(Daniel 8:24-25). O autor do Apocalipse Gabriel parece estar a interpretar a narrativa bíblica da seguinte forma: Um rei mal se levanta e praticamente destrói o povo judeu, o ―povo dos santos.‖ Ele ainda consegue superar e matar seu líder, o ―príncipe dos príncipes‖. Este é o líder que será ressuscitado, em três dias. Foi o príncipe dos príncipes uma figura histórica? Creio que ele era. A chave para identificar ele está na frase ―arubot tzurim‖, o que vem depois da referência ao príncipe dos Príncipes. Na Bíblia eo Talmud, a palavra ―aruba‖ significa uma abertura estreita ou fenda. ―Tzurim‖ são rochas (a palavra aparece aqui em uma forma subvocalizada, sem a letra vav). ―Arubot tzurim‖ seria, assim, uma fenda. A morte do príncipe dos príncipes é de alguma forma associada com uma abertura rochosa. O Apocalipse de Gabriel, como já dissemos, foi datado, com base em lingüística e ortografia, no final do primeiro século A.C. (antes de Cristo). As circunstâncias que envolveram a descoberta da inscrição são desconhecidas. Tudo que somos informados pelos editores é que ele pode ter sido descoberto na Transjordânia. Isto nos leva a Transjordânia ainda no final do primeiro século A.C. Não sabemos de nenhum líder judeu ou rei que foi morto na Antiguidade e cuja morte tenha algum tipo de conexão a um desfiladeiro rochoso? A revolta em 4 a.C. consistiu-se numa ânsia de liberdade. Os rebeldes tentaram vencer o jugo da monarquia Herodiana, que gozava do apoio dos Romanos. A insurreição, que começou em Jerusalém, e espalhada por todo o país, teve vários líderes. Um estudo de ambas as fontes judaicas e romanas mostra que o mais destacado deles foi Simon, que operava a partir de Transjordânia. Simon declarou-se rei, usava uma coroa, e foi percebido como rei pelos seus seguidores, o que pendia sobre ele a esperança messiânica. Esta é a forma como historiador do primeiro século judeu Josephus (Flávio Josefo) descreve a morte de Simon em combate: ―O próprio Simon, esforçando-se para escapar de uma ravina íngreme, foi interceptado pela Gratus [um comandante do exército de Herodes], que atingiu o fugitivo de lado com um golpe no pescoço, que cortada a cabeça de seu corpo‖. Com a sua referência a uma fenda rochosa e o príncipe dos príncipes, o texto parece estar aludindo à morte de Simon, o líder rebelde que foi coroado rei, em um estreito desfiladeiro em Transjordânia. Carruagem para o céu Mas o Gabriel de Apocalipse menciona também outras mortes. Na linha 57, encontramos a frase ―barragem tvuhey yerushalayim‖ (‖o sangue dos mortos de Jerusalém‖). A linha 67 diz: ―Ei Baser al barragem zu hamerkava shelahen‖ ( ―Diga-lhe sobre o sangue. Esta é a sua Merkava [celeste carruagem]―). A mensagem a ser transmitida é a de que o sangue das pessoas que foram mortas tornar-se-á sua ―carruagem‖ para o céu.

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Pairando no fundo, é claro, está a história de Elias da ascensão ao céu: ―Eis, parecia existir uma carruagem de fogo, e cavalos de fogo … e Elias subiu ao céu em um redemoinho‖ (II Reis 2:11 ). Simon, o príncipe dos príncipes, foi o líder messiânico de um grupo ativo na Transjordânia. O Apocalipse de Gabriel aparece, portanto, ter sido escrito por seus seguidores, e reflete uma tentativa de lidar com o fracasso da revolta e da morte do seu líder, lembrando os versículos do Livro de Daniel que incorporam as palavras do arcanjo. O ―rei da feroz semblante‖ é identificado como o imperador romano Augusto, cujo exército brutalmente reprimia a revolta. Simon, o líder rebelde consagrado rei, é identificado como o príncipe dos príncipes. O assassinato de Simon por partidários do rei do mal é interpretado como um cumprimento da visão de Gabriel. Afinal de contas, Gabriel profetizou que o rei de feroz semblante iria contra o príncipe dos príncipes. ―Mas ele deve ser quebrado sem mão alguma―, o versículo continua. A implicação é que com a morte do líder messiânico, os seus problemas estão para chegar ao fim: A queda do inimigo e salvação estão próximos. ―Leshloshet Yamin tayda ki-nishbar hara melifnay hatzedek‖ (‖Em três dias você vai saber que o mal será derrotado pela justiça‖), lemos em linhas 19-21. Se o Apocalipse Gabriel data para o final do primeiro século a.C., como já foi afirmado, em seguida, durante este período, que foi próximo ao tempo do nascimento de Jesus, havia pessoas que acreditavam que a morte do messias foi uma parte integrante do processo de salvação. Tornou-se um artigo de fé que o líder messiânico morto seria ressuscitada no prazo de três dias, e subir ao céu em uma carruagem. O Apocalipse de Gabriel confirma assim a minha tese de que a crença em um salin e messias ressuscitado existiam antes da atividade messiânica de Jesus. A publicação deste texto é extremamente importante. Trata-se de uma descoberta que apela a uma reavaliação completa de todos os anteriores estudos acadêmicos sobre o tema do messianismo, tanto judaico como cristão. Israel Knohl é Yehezkel Kaufmann professor de Estudos Bíblicos na Universidade Hebraica de Jerusalém e um investigador sênior no Instituto Shalom Hartman.

Texto retirado do blog A CRUZ DE CLIO - As Raízes Históricas do Cristianismo em debate Traduzido por: Charles Coffer Júnior do original em http://www.haaretz.com/hasen/spages/850657.html 4 - As mil faces de Jesus: O mau-caratismo religioso Você sabe como Jesus é, certo? Cabelos levemente cacheados, barbudo, alto e com cara de quem nasceu na Palestina, não é mesmo? Mas, aí somos obrigados a perguntar: Tem certeza? De onde você tirou esta idéia? Você sabe como era a aparência do X-Man Palestino ou sabe apenas a descrição que lhe disseram? Para ser sincero, eu acho que você deveria rever os seus conceitos.

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Tomemos a única fonte confiável (eu disse ―confiável‖ ?) da existência de Jesus: A Bíblia. Dê uma procurada lá pela descrição do Jóquei de Jegue. Pode ir, eu espero. Achou? Hummmm, procura de novo. E então? Não achou nada, certo? É exatamente isso que examinaremos, pois vamos analisar de onde veio a representação do David Copperfield Bíblico e como podemos descobrir fraudes documentais através disso. Siga-me, Watson, e veja como é elementar. Para princípio de conversa, não há NENHUMA descrição física de Jesus no Novo Testamento. Ainda assim, apareceram milhares de ícones, pinturas, moedas, estátuas, desenhos, rabiscos e pichações de todo tipo ilustrando-o. Interessante, não é? Mais interessante ainda é saber que boa parte dessas representações muitas vezes não concorda entre si. A referência iconográfica direta a Jesus começa no século IV, aproximadamente. Daí em diante, todas as demais são apenas cópias dos estilos anteriores. Estas cópias geraram mais cópias (com alguma ―liberdade expressiva‖ por parte dos artistas) e assim sucessivamente. Claro que ninguém é maluco (ou não deveria ser, pelo menos) de desenhar algo sem o menor vestígio ou indicação. Pois, é. E as Ovelhinhas do Senhor bradarão alto, insistindo que se há representações artísticas, é porque aconteceu uma dessas duas coisas (ou as duas simultaneamente): 1) Deus os inspirou divinamente 2) Os artistas tiveram em mãos documentos descritivos sobre o X-Man Palestino. Isso é evidência de muita coisa, não é? Afinal, Deus em sua omnipotência, omnisciência e outros ―omni‖ é capaz de fazer com que todos enxerguem a verdade como ela é. Isso somado aos documentos e relatos históricos pode-se construir uma imagem do sujeito que alegam ter ressuscitado mortos e bancado o serviço de buffet durante uma festança, certo? ERRADO! Vamos detonar de vez aquela babaquice falaciosa que os cristãos insistem em jogar aos quatro ventos. Eles estão sempre enchendo o saco com as citações de Flávio Josefo, Cornélio Tácito, Publius Lentullus, Pôncio Pilatos etc. O mau-caratismo é imenso e só perde para a burrice de repetirem, que nem papagaio, o que uma determinada fonte (completamente falaciosa, ridícula e estúpida) traz, usando isso como se fosse a verdade definitiva. Aqui estudaremos as mais comuns citações sobre G-zuis, inclusive os textos de:      Flávio Josefo Cornélio Tácito Públio Lêntulo Pôncio Pilatos Volume Archko entre outros.

Na página a seguir, veremos a principal fraude que alegam ser uma das mais irrefutáveis provas que Jesus existiu: Flávio Josefo. Flávio Josefo, o Cristão?

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Um dos alvos preferidos dos religiosos, tentando provar seu mito, é fazer uso de um dos mais renomados historiadores judeus que já existiu: Flávio Josefo. O problema reside justamente aí e se olharmos atentamente, veremos grandes discrepâncias e incongruências no relato de Josefo. Entretanto, convém saber primeiro quem foi Flávio Josefo, afinal de contas. Yosef Ben-Matityahu nasceu aproximadamente em 37 E.C. e faleceu entre o ano 100 e 103 da Era Comum. Todas as informações disponíveis sobre Flávio Josefo são oriundas de sua autobiografia. De acordo com esta, ele teria nascido em Jerusalém, tendo recebido uma educação sólida na Torá. Depois disso, juntou-se aos saduceus para continuar seus estudos, assim como aos fariseus e os essênios, optando por aderir ao farisaísmo. No ano 64, seguiu numa embaixada a Roma onde defenderia com êxito a causa de alguns sacerdotes hebreus condenados pelo procônsul romano Félix. Josefo sempre preferiu dissuadir os revoltosos judeus a não se rebelarem contra Roma. Por causa disso, ele foi várias vezes chamado de traidor. Mesmo assim, os judeus continuaram sua oposição, fazendo com que Vespasiano tomasse Jotápa na Galiléia na mão grande com toda a sua tropa. Ao se entregar Josefo prediz que Vespasiano iria se tornar imperador, que por sinal acaba acontecendo. Isso faz com que Vespasiano liberte Josefo. Josefo assume o nome romano de seu protetor Flávio Vespasiano e ganha de presente cidadania romana, uma pensão em Roma, assim como o livre acesso à corte de Tito e de Domiciano. Nada mal, hein? Daí vem seu nome romano, pelo qual é mais conhecido: Flavivs Iosefvs (aportuguesando: Flávio Josefo). Devido à sua adesão aos romanos, até os dias de hoje Flávio Josefo é considerado traidor do povo judeu, como foi dito. De minha parte, ele apenas seguiu um antigo provérbio chinês ―Se não pode vencer o inimigo, una-se a ele‖. Não que eu esteja dizendo que Josefo viu algum chinês pela frente, mas imagino que vocês tenham entendido o que eu falei. Bem, Josefo escreveu um relato da Grande Revolta Judaica, dirigida à comunidade judaica da Mesopotâmia, em aramaico. Mais tarde, ele escreveu (em grego) outra obra de vertente histórica, que englobava o período que vai dos Macabeus até à queda de Jerusalém. Este livro, a ―Guerra Judaica‖, foi publicado no ano 79 E.C. A maior parte do livro é diretamente inspirada na sua própria vida e experiência militar e administativa. As Antiguidades Judaicas – escritas aproximadamente em 94 E.C. e em grego – é a história dos Judeus desde a criação do Gênesis até à irrupção da guerra da década de 60. Neste livro encontra-se o famoso Testimonivm Flavianvm, uma das referências mais antigas à Jesus mas evidentemente se mostra uma fraude, levando em conta o estilo de Josefo, e considerado uma grossa interpolação posterior por grande parte dos acadêmicos. A última obra dele é sua Autobiografia. Que nos revela o nome do adversário (Justo, filho de Pistos, de Tiberíades), ao qual essa obra vem responder e as censuras que lhe faz Josefo. Essa obra é cheia de lacunas, confusa e hipertrofiada. E ela traz sobre a vida de Josefo informações preciosas, que não encontramos em nenhum outro historiador da antiguidade. O Projeto Gutemberg dispõe das obras digitalizadas de Josefo, as quais você pode ter acesso aqui. Vamos nos concentrar nas ―Antiguidades Judaicas‖ (mais precisamente no livro XVIII, capítulo 2, seção 3), que diz:

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Agora havia sobre este tempo Jesus, um homem sábio, se for legal chamá-lo um homem; porque ele era um feitor de trabalhos maravilhosos, professor de tais homens que recebem a verdade com prazer. Ele atraiu para si ambos, muitos judeus e muitos Gentios. Ele era o Cristo. E quando Pilatos, à sugestão dos principais homens entre nós, o tinha condenado à cruz, esses que o amaram primeiramente não o abandonaram; pois ele lhes apareceu vivo novamente no terceiro dia, como os profetas divinos tinham predito estas e dez mil outras coisas maravilhosas relativas a ele. E a tribo de cristãos, assim denominada por ele, não está extinta neste dia. Os grifos são meus e vocês podem ler a referida citação de Josefo no grego, basta acessar aqui. Interessante passagem. E o que tem de interessante, tem de falsa. Ora, vejamos, Josefo (supostamente) fala com um tom de admiração e respeito. De um modo passional, até. Esse estilo de narrativa não aparece em mais nenhum trecho das obras de Josefo, considerado um homem meticuloso, culto e possuidor de escrita elaborada, precisa e desapaixonada. No referido texto, fica evidenciado a reverência a uma entidade que ele mesmo induz a pensar que possui um dom divino principalmente na frase ―se é que se pode se chamar de homem‖. Bom, todo mundo tem o direito de mudar de opinião e de fé. E Josefo não seria melhor nem pior se o fizesse. Só que isso não ocorreu. Nenhum dos biógrafos dele inferiu que ele tenha se convertido ao cristianismo, pelo contrário. Ele sempre foi um judeu fariseu e manteve esta postura até os seus últimos dias. A frase ―Era o Cristo‖ é totalmente impensável para um judeu fariseu como Josefo. Pra princípio de conversa, ―Cristo‖ não foi usado por Josefo, mesmo tendo escrito em grego. Sendo um profundo conhecedor da Tanakh, Josefo não poderia ter usado esta expressão pelo simples fato de conhecer muito bem as previsões messiânicas ao ponto de saber que Jesus não poderia ser considerado como o Messias, posto que não cumpriu nenhuma das previsões. Josefo, sendo um judeu fariseu, jamais – JAMAIS! – cometeria uma atrocidade religiosa dessa, posto que não há uma só falha nesse sentido em nenhum de seus escritos. Sua escrita é fluida e centrada. Mas, no referido texto ele fala com o amor de um devoto cristão. E nem mesmo Justo de Tiberíades o acusou disso. E ainda tem o fato de Jesus, segundo a citação falsa atribuída a Josefo, era seguido por gregos. Interessante, ainda mais levando em conta que os gregos só tiveram conhecimento da existência dele após as pregações de Saulo de Tarso. Antes do misógino vindo de Tarso ir lá encher o saco dos pobres coitados, ninguém até então tinha ouvido falar sobre ele. Curioso, não? Josefo foi capaz de saber que ocorreu um eclipse da Lua próximo à morte de Herodes Magno (conforme descrito em ―Antiguidades Judaicas‖, mais precisamente no livro XVII 06:04), mas o pessoal devia estar meio cegueta durante a crucificação e morte de Jesus, posto que não conseguiram ver uma escuridão de três horas (!), um terremoto que fendeu pedras e rasgou o véu do templo e de santos mortos ressuscitando, invadindo a cidade e dançando Thriller! O melhor de tudo (ou pior, dependendo do ângulo que se veja) é que isso ocorreu na Páscoa.

Ninguém mais viu tais eventos. Só Mateus.

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Há ainda o fato de dizer que quem amou o X-Man palestino não o abandonou. Pelo visto, o autor daquele parágrafo fraudulento esqueceu-se da passagem que o apóstolo Pedro negou Jesus 3 vezes. Fazer o quê? Ninguém é perfeito, não é mesmo? Desse modo, aquele parágrafo ridículo e fora do contexto em que foi inserido (após este trecho, o Josefo começa a falar sobre assunto bem diferente no qual se refere a castigos militares impingidos ao povo de Jerusalém) só pode ser considerado como notoriamente falso! Só tendo muita fé para acreditar que tal trecho realmente pertence a Josefo. E fé não passa de uma crença cega, independente de validações. Resumindo a história, a pseudocitação de Josefo nos remete a uma descrição bem definida de Jesus. Homem sábio, era o Cristo (não é uma descrição, propriamente dita, mas um título), era seguido por gregos, ressuscitou e fez coisas maravilhosas. Tomem nota disso, crianças, pois ainda temos muita coisa para estudarmos. Agora, crianças, façam o favor de virar a página de seus cadernos, pois agora estudaremos Cornélio Tácito. E nada de gracinhas a respeito do nome dele, por gentileza. Cornélio Tácito era analfabeto? Públio Caio Cornélio Tácito nasceu no ano 55 E.C. e morreu em 120 E.C. Foi historiador romano, questor, pretor, cônsul e procônsul da Ásia, além de um grande orador. Ufa! O cara foi tudo. Se dessem oportunidade, ele teria sido até mesmo imperador. Tácito é considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade. Suas obras principais foram ―Anais‖ e ―Histórias‖, que tinham por tema, respectivamente, a história do Império Romano no primeiro século, desde a chegada ao poder do imperador Tibério até à morte de Nero e da morte de Nero à de Domiciano. A obra de Tácito passou por altos e baixos. Considerando que o declínio da literatura latina no final do século II causou certo ―esquecimento‖ a respeito de Tácito e sua obra, o autor acaba sendo redescoberto apenas na Antiguidade Tardia, quando o grego Amiano Marcelino inspirouse nele para escrever uma história da sua própria época, no idioma latino. No começo da Idade Média (lembram-se? A chamada Idade das Trevas), sua obra voltou a cair no esquecimento, para só readquirir notoriedade durante a Renascença, que marcou o fim dessa Era. Assim, em consequência destas idas e vindas, os textos maiores de Tácito chegaram muito fragmentados, de forma tal que os ―Anais‖, tais como podemos lê-los hoje, contém apenas a descrição de parte do reinado de Tibério – a descrição do reinado de Calígula estando totalmente perdida – parte do de Cláudio, e a maior parte do de Nero – estando também perdida a conclusão da obra. Quanto às ―Histórias‖, seu texto preservado contém basicamente a narrativa da guerra civil do ano 69, que levou à ascensão do amiguinho de Josefo, Vespasiano, ao trono imperial. Não se pode precisar se o que restou é relato fidedigno, mediante o texto original de Tácito. E não precisa ter carteirinha de cético para duvidar da autenticidade total dos relatos que sobreviveram até os dias de hoje.

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Nos ―Anais‖, há outra passagem curta que fala de ―Christus‖ como sendo o fundador de um partido chamado ―os cristãos‖ – um grupo de pessoas ―que foram anatemizadas por seus crimes‖. (Leia aqui). Estas palavras aparecem no relato de Tácito sobre o Incêndio de Roma. A evidência para esta passagem não é muito mais forte que para as passagem de Josefo. Não foi citado por qualquer escritor antes do décimo quinto século; e quando foi citado, havia só uma cópia dos ―Anais‖ no mundo; e era suposto que aquela cópia tinha sido feita no oitavo século – seiscentos anos depois da morte de Tácito! Os ―Anais‖ foram publicados entre 115 e 117 E.C., quase um século depois do tempo de Jesus – assim a passagem, mesmo que fosse genuína, não provaria nada de nada sobre Jesus. ―Nero, sem armar grande ruído, submeteu a processos e a penas extraordinárias aos que o vulgo chamava de cristãos, por causa do ódio que sentiam por suas atrapalhadas. O autor fora Cristo, a quem, no reinado de Tibério, Pôncio Pilatos supliciara. Apenas reprimida essa perniciosa superstição, fez novamente das suas, não só na Judéia, de onde proviera todo o mal, senão na própria Roma, para onde de confluíram de todos os pontos os sectários, fazendo coisas as mais audazes e vergonhosas. Pela confissão dos presos e pelo juízo popular, viu-se tratar-se de incendiários professando um ódio mortal ao gênero humano‖. Como podem observar, Tácito não afirma que houve um Jesus Milagreiro na Palestina. Ele fala de um arrastão de seguidores de Cristo (esse ―Cristo‖ não é um nome próprio e sim um título). Desse modo, nosso amigo Cornélio afirma a existência de cristãos, membros seguidores do que ele chama literalmente de ―perniciosa superstição‖. Logo, mesmo que Tácito tenha se referido ao Jóquei de Jegue, ele não acreditou que o talzinho era filho de deus nenhum. Superstição é superstição, e não passa de algo semelhante ao culto a um trevo de quatro folhas ou dar sete pulinhos sobre as ondas na virada do ano. Sem falar que Tácito concluiu que eles não passaram de terroristas que odiavam Roma. Um argumento bem semelhante ao que se fala dos Palestinos nos dias de hoje. Tanto a ―verdade‖ na qual os Palestinos se baseiam, quanto à ―verdade‖ dos arruaceiros descritos por Tácito não são muito diferentes dos contos da carochinha. Assim, o que Tácito falou sobre Jesus? Nada! Descrição? Nenhuma! Reconhecimento como filho de Deus? Fala sério! Tácito não disse nada de conclusivo sobre a existência dele e ponto final. E se querem aceitar o que o Cornélio disse, então temos que levar todo o trecho em consideração. Inclusive a parte de ser única e simplesmente uma superstição. Tendo em mente o que os escritos de Tácito falam (e do caráter duvidoso de seus escritos), só podemos deixar isso de lado e passar para outro mito inventado pelos cristãos: Públio Lêntulo. Públio Lêntulo: Fato ou ficção? É atribuído a Publivs Lentvllvs (aportuguesando: Públio Lêntulo) uma carta dirigida ao Senado Romano, em que é feita uma descrição concisa de Jesus com alguns detalhes do X-Man Palestino. Alega-se, também, que este manuscrito foi copiado algumas vezes e uma dessas cópias está presente na biblioteca de tal de Lord Kelly. Mas, quem diabos é este Lord Kelly? O máximo que se acha na internet é sobre um compositor do século XIX, mas isso é pouco pra atestar que este compositor é o dono da tal biblioteca, e possuidor da referida cópia.

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E mesmo que fosse, o que isso prova? Para qualquer um que possua algo mais que meio neurônio, não prova absolutamente nada! Eu tenho livros de ficção em casa. Daqui a 200 anos, poder-se-á considerá-los como livros históricos? Só se possuir muita desonestidade intelectual. Antes de prosseguirmos, vejamos o que essa carta diz: Apareceu nestes nossos dias um homem, da nação Judia, de grande virtude, chamado Yeshua, que ainda vive entre nós, que pelos Gentios é aceito como um profeta de verdade, mas os seus próprios discípulos chamam-lhe o Filho de Deus – Ele ressuscita o morto e cura toda a sorte de doenças. Um homem de estatura um pouco alta, e gracioso, com semblante muito reverente, e os que o vêem podem amá-lo e temê-lo; seu cabelo é castanho, cheio, liso até as orelhas, ondulado até os ombros onde é mais claro. No meio da cabeça os cabelos são divididos, conforme o costume dos Nazarenos. A testa é lisa e delicada; a face sem manchas ou rugas, e avermelhada; o nariz e a boca não podem ser repreendidos; a barba é espessa, da cor dos cabelos, não muito longa, mas bifurcada; a aparência é inocente e madura; seus olhos são acinzentados, claros, e espertos – reprovando a hipocrisia, ele é terrível; admoestando, é cortês e justo; conversando é agradável, com seriedade. Não se pode lembrar de alguém tê-lo visto rir, mas muitos o viram lamentar. A proporção do corpo é mais que excelente; suas mãos e braços são delicados ao ver. Falando, é muito temperado, modesto, e sábio. Um homem, pela sua beleza singular, ultrapassa os filhos dos homens. Olha, sei não. Se isso é a descrição de um judeu do século I, esse Públio Lêntulo devia ter grandes problemas de visão. Ou então, os secretários dele – que levaram a informação até seus ouvidos – eram bastante incompetentes, pois seguiram o cara errado. Claro que há a terceira hipótese: Fraude! Pra princípio de conversa, não havia governadores na Judéia na referida época. Haviam Procuradores (também chamados de Procônsules ou, como é mais aceito hoje, Prefeitos). Em segundo lugar nunca houve ninguém chamado Públio Lêntulo que tenha governado a província palestina onde o Jóquei de Jegue supostamente tenha passado. E para detonar de vez esta fonte mais falsa que nota de três reais, aqui vai o tiro de misericórdia: Publius Lentulus é um personagem ficcional, que dizem ter sido governador da Judéia antes de Pôncio Pilatos(…) Dobschutz (―Christusbilder‖, Leipzig, 1899) enumera os manuscritos e dá um ―aparato crítico‖. A carta foi primeiramente impressa na ―Vida de Cristo‖ por Ludolph, o Cartusiano (Colônia, 1474), e na ―Introdução para os trabalhos de Santo Anselmo‖ (Nuremberg, 1491). Mas este não é nem o trabalho de Santo Anselmo nem o de Ludolph. De acordo com o manuscrito de Jena, certo Giacomo Colonna achou a carta em 1421 em um documento romano antigo enviado de Constantinopla para Roma. Deve ser de origem grega, e traduzida para o latim durante o décimo terceiro ou décimo quarto século, entretanto recebeu sua forma presente às mãos dos humanistas do décimo quinto ou décimo sexto século. A descrição concorda com o quadro de Abgar denominado de nosso Deus; também concorda com o retrato de Jesus Cristo puxado por Niceforo, São João Damasceno, e o Livro de Pintores (de Mt. Athos). Munter (―Morra und de Sinnbilder que Kunstvorstellungen der alten Batizam‖, Altona 1825, pág. 9) acredita ele pode localizar a carta até o tempo de Diocleciano; mas isto geralmente não é

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admitido. A carta de Lêntulo é certamente apócrifa: nunca houve um Governador de Jerusalém; nenhum Procurador de Judéia é conhecido para ter sido chamado Lêntulo, um governador romano não teria endereçado o Senado, mas ao Imperador, um escritor romano não teria empregado as expressões, ―profeta de verdade‖, ―filhos de homens‖ ou ―Jesus Cristo‖. Os dois anteriores são expressões pertencentes ao hebraico, o terceiro é extraído do Novo Testamento. Então, a carta nos mostra uma descrição de nosso Deus como a devoção Cristã o concebeu. Imagino que as Ovelhinhas do Senhor estão imaginando que este texto veio de algum site ateísta e não merece crédito. Para infelicidade deles, tal citação é do site católico New Advent. E se nem a Enciclopédia Católica leva em consideração esta bobagem (afinal, ela teria grandes motivos para atestar sua autenticidade), por que eu a levaria em consideração? Não, aquilo não existiu e é mais uma fraude de cristãos pessimamente intencionados. Entretanto, eu gosto de me divertir. Um fraco meu, é verdade. Por isso, vamos examinar cuidadosamente o texto. Apareceu nestes nossos dias um homem, da nação Judia, de grande virtude, chamado Yeshua, que ainda vive entre nós (…) Como assim ―ainda vive entre nós‖ ? Jay Cee só apareceu lá pelo ano 30 E.C. Pôncio Pilatos foi Procurador da província romana da Judéia entre os anos 26 e 36. Tem algo errado aí, já que entre os 12 e os 30 anos de vida, os Evangelhos não dizem nada a respeito. Se ele tivesse feito tudo o que consta na carta fake de Públio, os Evangelistas mencionariam. Ademais, o procurador que mandava no pedaço antes de Pôncio Pilatos foi Valerius Gratus, cujo governo foi do ano 15 ao ano 26 da Era Comum. Até pode-se encontrar moedas do tempo dele. Veja aqui. Outra coisa: Yeshua? Que Yeshua? Desde quando existe esta palavra em latim? No máximo seria Iesu, cuja transliteração para o hebraico seria Yeshu. E uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. É forçar muito a barra querer que as duas palavras fossem iguais. E mesmo que sejam não importa. Um romano não iria usar uma palavra em hebraico numa carta oficial. (…) que pelos Gentios é aceito como um profeta de verdade, mas os seus próprios discípulos chamam-lhe o Filho de Deus – Ele ressuscita o morto e cura toda a sorte de doenças. Gentios? Gentios era a expressão que os judeus usavam para designar os gregos. Só que não há evidência disso nos Evangelhos. Os gregos só conheceram (?). Jesus através das pregações de Saulo de Tarso. Por isso, Saulo é chamado ―Apóstolo dos Gentios‖. Nos Evangelhos fica claro que Jesus veio para o povo judeu. E mesmo que não viesse, isso só tira dele a condição de Messias, já que as previsões messiânicas inferem num enviado de Deus para libertar o povo judeu e levá-lo de volta para Israel. E como ele ressuscitou mortos (prestem atenção a isso) e curou doenças num período anterior ao descrito nos Evangelhos e sequer há menção disso neles? Estranho. Muito estranho, mesmo.

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Um homem de estatura um pouco alta, e gracioso, com semblante muito reverente, e os que o veem podem amá-lo e temê-lo; seu cabelo é castanho, cheio, liso até as orelhas, ondulado até os ombros onde é mais claro. No meio da cabeça os cabelos são divididos, conforme o costume dos Nazarenos. Olha, um judeu do século I com essa descrição? Só se for porque Maria fora incubada com um Espermatozóide Santo muito especial (ou andou pulando a cerca descaradamente mesmo). Qualquer um que estude um pouquinho sabe que isso não se encaixa com o tipo étnico de qualquer tribo semita da região na referida época. E é muito engraçado ele dizer que Jay Cee era um nazareno, inferindo que ele fazia parte da seita dos nazireus. De início, ele não poderia ser dessa seita, pois ela impede que se chegue próximo a pessoas mortas. E como ele ressuscitou as pessoas? Por telegrama? E-mail? Ou aparecia na TV e dizia ―Liegue Djá!‖ ? O voto de nazireu é descrito em Números, capítulo 9. 2. Quando um homem ou uma mulher fizer o voto de nazireu, separando-se para se consagrar ao Senhor, 3. Abster-se-á de vinho e de bebida inebriante: não beberá vinagre de vinho, nem vinagre de outra bebida inebriante; não beberá suco de uva, não comerá nem uvas frescas, nem uvas secas. 4. Durante todo o tempo de seu nazireato não comerá produto algum da vinha, desde as sementes até as cascas de uva. 5. Durante todo o tempo de seu voto de nazireato, a navalha não passará pela sua cabeça, até que se completem os dias, em que vive separado em honra do Senhor. Será santo, e deixará crescer livremente os cabelos de sua cabeça. 6. Durante todo o tempo em que ele viver separado para o Senhor, não tocará em nenhum cadáver: 7. Nem mesmo por seu pai, sua mãe, seu irmão ou sua irmã, que tiverem morrido, se contaminará, porque leva sobre sua cabeça o sinal de sua consagração ao seu Deus. 8. Durante todo o tempo de seu nazireato ele é consagrado ao Senhor. E não me venham com história que ele ressuscitou à distância. O fato dele ter ressuscitado Lázaro, por exemplo, não faz com que Javé tenha esquecido que Lázaro fora um defunto antes. Nada no texto canônico faz esta exceção. Examinando Mateus, o que encontramos? Mateus 2:23 – E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno. Que profetas? Não há NENHUMA previsão a respeito!

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Tal profecia não é encontrada em nenhum lugar nas escrituras. E se tomarmos o texto em grego, o que nos aparece? θαὶ ἐιζὼλ θαηῴθεζελ εἰς πόλιν λεγομένην Ναζαρέη, ὅπφς πιερφζῇ ηὸ ῥεζὲλ δηὰ ηῶλ προθεηῶλ ὅηη Ναδφραῖος θιεζήζεηαη. A parte destacada ―eis pólis legomenem Nazaret‖ significa ―na cidade chamada Nazaré‖. Só isso e nada mais. Nada a ver com nazireato. Nazireu não tem nada a ver com Nazaré, já que é um voto em honra ao Senhor dos Anéis Bíblico. Não se refere a ―rebento‖ como alguns alegam também. A passagem de Mateus se refere a Nazaré e fim de papo. Mas, o fake Lêntulo disse que o Jóquei de Jegue era um nazareno. Para finalizar o “besteirol Lentuliano” A testa é lisa e delicada; a face sem manchas ou rugas, e avermelhada; o nariz e a boca não podem ser repreendidos; a barba é espessa, da cor dos cabelos, não muito longa, mas bifurcada; a aparência é inocente e madura; seus olhos são acinzentados, claros, e espertos. Na boa: se isso não é uma descrição ocidental (germânica até), eu não sei o que é. Olhos claros e cinzas? Face delicada? Ora, façam-me o favor… Nem com uma grande fé dá pra acreditar nisso. A menos que digam: ―Sim, Maria era uma devassa, colocou um par de chifres em José e veio com essa que era filho de Deus‖. Afinal de contas, no Norte e Nordeste do Brasil é comum o folclore do Boto Tarado, que vem à terra para dar uns pegas nas garotas e as deixarem grávidas. Fim de Lêntulo. Fraude demonstrada e devidamente aniquilada. Tá na hora de partirmos pro próximo alvo: Pôncio Pilatos. Pôncio Pilatos, o bonzinho Pontivs Pilatvs (aportuguesadamente: Pôncio Pilatos) foi Procurador da província romana da Judéia entre os anos 26 e 36 da Era Comum. Segundo o mito neotestamentário, ele foi o juiz que, após ter lavado as mãos, condenou Jesus a ser pregado na cruz, mesmo sem ter visto culpa nenhuma no Grão Cavaleiro do Burrico. Detalhes biográficos de Pilatos não são conhecidos, e o que ele fez antes de ser Procurador da Judéia também é desconhecido. Eusébio de Cesareia, em sua obra ―Historia Eclesiástica‖ (obra que conta os primeiros anos da Cristandade), afirma que Pilatos caiu em desgraça junto a Tibério e cometeu suicídio por volta do ano 37 E.C. Mas, há poucas informações a respeito. Religiosos costumam usar como ―evidência‖ que Jay Cee tenha existido dada a uma suposta carta de Pilatos enviada a Tibério, alegando-se que existe um reimpresso descrevendo a aparência física do Jóquei de Jegue e que as cópias estão na Biblioteca do Congresso dos EU.A. As alegações sugerem que tal carta tenha sido escrita nos dias que antecederam a execução de Jesus. Será mesmo? Antes de qualquer coisa, vamos examinar esta carta. PARA TIBÉRIO CÉSAR:

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Um jovem homem apareceu na Galileia que prega com humilde unção, uma nova lei no nome do Deus que o teria enviado. No princípio estava temendo que seu desígnio fosse incitar as pessoas contra os romanos, mas meus temores foram logo dispersados. Jesus de Nazaré falava mais como um amigo dos romanos do que dos judeus. Um dia observava no meio de um grupo um homem jovem que estava encostado numa árvore, para onde calmamente se dirigia a multidão. Me falaram que era Jesus. Este eu pude facilmente ter identificado tão grande era a diferença entre ele e os que estavam lhe escutando. Os seus cabelos e barba de cor dourada davam a sua aparência um aspecto celestial. Ele aparentava aproximadamente 30 anos de idade. Nunca havia visto um semblante mais doce ou mais sereno. Que contraste entre ele e seus portadores com as barbas pretas e cútis morenas! Pouco disposto a lhe interromper com a minha presença, continuei meu passeio mas fiz sinal ao meu secretário para se juntar ao grupo e escutar. Depois, meu secretário informou nunca ter visto nos trabalhos de todos os filósofos qualquer coisa comparada aos ensinos de Jesus. Ele me contou que Jesus não era nem sedicioso nem rebelde, assim nós lhe estendemos a nossa proteção. Ele era livre para agir, falar, ajuntar e enviar as pessoas. Esta liberdade ilimitada irritou os judeus, não o pobre mas o rico e poderoso. Depois, escrevi a Jesus lhe pedindo uma entrevista no Praetorium. Ele veio. Quando o Nazareno apareceu eu estava em meu passeio matutino e ao deparar com ele meus pés pareciam estar presos com uma mão de ferro no pavimento de mármore e tremi em cada membro como um réu culpado, entretanto ele estava tranquilo. Durante algum tempo permaneci admirando este homem extraordinário. Não havia nada nele que fosse rejeitável, nem no seu caráter, contudo eu sentia temor na sua presença. Eu lhe falei que havia uma simplicidade magnética sobre si e que a sua personalidade o elevava bem acima dos filósofos e professores dos seus dias. Agora, ó nobre soberano, estes são os fatos relativos a Jesus de Nazaré e eu levei tempo para lhe escrever em detalhes estes assuntos. Eu digo que tal homem que podia converter água em vinho, transformar morte em vida, doença em saúde; tranquilizar os mares tempestuosos, não é culpado de qualquer ofensa criminal e como outros têm dito, nós temos que concordar – verdadeiramente este é o filho de Deus. Seu criado mais obediente, Pôncio Pilatos Eu, sinceramente, estou em dúvida sobre qual carta é a mais estúpida: a do Lêntulo ou do Pilatos. O estilo amável e gentil, digno de um verdadeiro cristão, que ama Jesus verdadeiramente, e o tem no lado esquerdo do peito, perto do coração, não combina muito com o camarada arrogante, metido e prepotente como Pilatos é descrito em algumas obras. É de se estranhar este modo ―Paz e Amor‖ dele. Mas, vamos examinar as partes grifadas por mim. Um jovem homem apareceu na Galileia O besteirol de ―jovem‖ de novo? Desde quando um sujeito com 30 anos na cara é jovem? Nem perderei meu tempo com isso. Ah, vamos para o próximo, ainda mais naquele tempo em que a maioria das pessoas mal chegava aos 30 anos de idade. Jesus de Nazaré falava mais como um amigo dos romanos do que dos judeus

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Aqui temos uma contradição. Os religiosos querem usar a carta de Lêntulo, na qual fala de um Jesus Nazareno (da seita dos nazireus). Aqui, Pilatos fala que Jesus era da cidade de Nazaré. Qual dos dois está certo? NENHUM DELES! Eu já demonstrei que Jay Cee não poderia ser nazireu (ou nazareno). E ele não pode ser de Nazaré, pois isso vai de encontro aos evangelhos. Não é dito que ele nasceu em Nazaré. E alegar que ele era conhecido assim porque passou férias lá, depois de ter fugido pro Egito, não convence muito. Alguém aí faz ideia da distância? Pois, é. O uso de tais cartas contradiz os Evangelhos. Ou ele era nazareno, ou nasceu em Nazaré ou nenhum dos dois (o que é mais provável). Ademais, dizer que Jesus era um amigo dos romanos e ia de encontro aos judeus? Então, temos um grande problema, já que o Messias não viria para romano nenhum. Mas, a pseudoargumentação religiosa dirá que ele veio para os verdadeiros e puros de coração. Pura extrapolação! Em nenhuma parte é dita que ele veio pra ser amigo dos romanos e fim! Os seus cabelos e barba de cor dourada davam a sua aparência um aspecto celestial. Essa é pra rir! Um palestino do século I loiro? Aspecto celestial? De repente, Júpiter apareceu para Pilatos e disse que era Jesus só pra tirar onda com a cara dele. Para terminar, deve-se mencionar a frase final de Pilatos: ―verdadeiramente este é o filho de Deus‖. Os imperadores romanos sempre se puseram como sendo enviados divinos. Eles se consideravam verdadeiros deuses, com direito a templos, oferendas e tudo o mais que todo Deus que se preza tem. Desse modo, escrever para um César, dizendo que um determinado camarada era filho de Deus era, no mínimo, uma burrice sem tamanho, já que ninguém seria tonto o suficiente de despertar a ira de um Imperador, ainda mais quando você está gozando de um posto privilegiado. Se bem, que perder o posto seria o de menos. O suplício e execução por causa de uma afronta a um imperador romano seria algo muito mais preocupante. E de idiota, Pilatos não tinha nada. Mais um mito detonado. Hora de vermos o Volume Archko. O Volume Archko: WTF ? Caso não saibam, o chamado Volume Archko é tão somente uma publicação de 1887, escrito por um… reverendo cristão. O reverendo W. D. Mahan alega que os textos desse volume se baseiam nos registros oficiais do julgamento do Jóquei de Jegue, e que tais documentos estão guardados nos Arquivos Secretos do Vaticano.

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O problema com os arquivos secretos reside no seu próprio nome: São secretos, ora bolas! Não estão disponíveis para qualquer um chegar lá e ficar fuçando à vontade. Assim, como o ―reverendíssimo‖ reverendo Mahan conseguiu copiar os tais documentos? Indo falar pessoalmente com o Papa? Este Volume não é reconhecido por muitos religiosos. O site Bibleprobe.com faz uma ressalva com relação a este pseudodocumento: Keep in mind - these are: Non-canon documents Christians should keep in mind that only Holy Scripture is deemed to be inspired by God. http://bibleprobe.com/archko.htm Se este site (um site religioso e que defende a vertente cristã) diz para que os cristãos só considerem textos bíblicos, inferindo que este documento não é confiável, por que alguns religiosos insistem em vir com esta besteira? O acadêmico Edgar J. Goodspeed escreveu um livro de nome Modern Apocrypha, Famous “Biblical” Hoaxes (Apócrifos Modernos: Famosos Boatos ―Bíblicos‖). Nesta obra, Goodspeed ataca o besteirol de Mahan. Sugiro uma leitura da obra de Goodspeed Strange New Gospels. Don Stewart, do site Blueletterbible.org responde sobre este mesmo Volume Archko e deixa claro que se trata de um boato. O Volume Archko Um dos mais famosos boatos escritos é o ―Volume Archko‖. O trabalho é também conhecido como ―Relatório de Pilatos‖ ou ―A Biblioteca Archko‖. O conteúdo deste trabalho é uma alegada transcrição do julgamento e morte de Jesus, feito por Pôncio Pilatos ao Imperador Tibério. A existência deste trabalho pode ser rastreada até certo reverendo W. D. Mahan de Boonville, Missouri. Em 1879 ele publicou um panfleto de 32 páginas entitulado, ―Uma Correta Transcrição da Côrte de Pilatos‖. http://www.blueletterbible.org/faq/nbi/1224.html O site ainda completa: Estas entrevistas [de José e Maria feita por Gamaliel, bem como de alguns pastores que supostamente viram o nascimento de Jesus] estão cheias de erros históricos. Por exemplo, ele [Mahan] dá um número de referências ao livro de Josefo, Gerra Judaica, que simplesmente não existem. Somado a isso, existe uma falsa passagem nas Antigüidades Judaicas (também de Josefo) que se refere a Jesus em mais de 50 lugares. A entrevista diz que Tácito escreveu a biografia de Agricola, seu sogro, no ano de 56 E.C. Isto é impossível, já que Tácito nasceu no ano 55 E.C. Ademais, não

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existe nenhuma biografia de Agricola até o século XIX. (mesmo link acima)

Obviamente, eu não me furtaria de esmiuçar os detalhes deste pseudodocumento com relação à aparência física do X-Man da Palestina, pois é disso que este artigo trata. Eu lhe pedi que descrevesse esta pessoa para mim, de forma que pudesse reconhece-lo caso o encontrasse. Ele disse: ‗Se você o encontrar [Yeshua] você o reconhecerá. Enquanto ele for nada mais que um homem, há algo sobre ele que o distingue de qualquer outro homem. Ele é a ―cara da sua mãe‖, só não tem a face lisa e redonda. O seu cabelo é um pouco mais dourado que o seu, entretanto é mais queimado de sol do que qualquer outra coisa. Ele é alto, e os ombros são um pouco inclinados; o semblante é magro e de uma aparência morena, por causa da exposição ao sol. Os olhos são grandes e suavemente azuis, e bastante lerdos e concentrados….‘. Este judeu [Nazareno] está convencido ser o messias do mundo. […] esta é a mesma pessoa que nasceu da virgem em Belém há uns vinte e seis anos atrás… O que diabos o sujeito quis dizer com ―a cara de sua mãe‖? Bom, ele diz em seguida que não tem a face lisa e redonda. Mas, o que a carta fake de Pilatos disse? Não falou nada de rugas. Este besteirol Archko é tão ridiculamente falso que insiste em dizer que o Jóquei de Jegue tinha cabelos dourados (mas queimados pelo sol), tinha pele morena porque andou pegando um bronze e tinha olhos AZUIS!! Diz que ele era da seita dos nazireus e que nasceu em Belém. Isso tudo já foi rebatido antes. Então, não preciso mais falar a respeito. E ainda diz que ele nasceu há 26 anos! Muito curioso, já que ele aparece nos Evangelhos tendo 30 anos. Será que examinaram a carteira de identidade dele? É cada um que aparece… Ainda há outras pseudo-referências a Jay Cee. Mas, isso fica pra próxima página. Outras fontes: Será que Jesus aparecerá? Especialistas concordam que que Fílon de Alexandria (também chamado de Philo Judaeus, ou Filo o Judeu) foi um grande estudioso da religiosidade do seu tempo, sendo contemporâneo de Flávio Josefo. Ele nasceu no ano 20 A.E.C. e faleceu em cerca de 50 E.C.). Através dos seus relatos (veja aqui) sabemos que ele tinha conhecimento sobre o que se passava na Galiléia. Ele relatou sobre a Jerusalém da sua época várias vezes, os essênios e o governo cruel de Pilatos. Lembra-se de Pilatos? Aquele cara ―emocionado‖ com a presença de Jesus. De acordo com Fílon, ele não era tão bonzinho assim. Pode-se dizer que Fílon era um fofoqueiro, mas é muito curioso que ele não menciona nada do que ocorreu com o Jóquei de Jegue. Amnésia? Talvez. Mas, por que deveríamos esperar que ele escrevesse sobre Jesus? Ora, bolas! Simplesmente porque, segundo os evangelhos, ele foi a pessoa mais extraordinária que já existiu! Engraçado, não?

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Já nosso amigo Justo Tiberíades escreveu até Agripa II (c. 50 E.C). É bem conhecido que Justo era o rival de Flávio Josefo. Suas obras não sobreviveram, pois tinham sido destruídas; e por que destruiriam suas obras? Tais obras deveriam ser bem incômodas.Contudo, através de Fotius (leia aqui), patriarca de Constantinopla, sabe-se que Justus não fez a mínima menção a Jesus. Opa! Assim, por que os mais prolixos escritores judeus que não deram bola para a maravilhosa sabedoria, os milagres e os prodígios do famosíssimo X-Man Palestino? Era para apresentarem relatos que demonstrassem o que foi dito nos evangelhos. Por que será?

Plínio, o Jovem, nos traz o seguinte relato: ―…os cristãos estavam habituados a se reunir em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus‖. (Epístolas, I.X 96) Se isso não é a descrição de uma adoração pagã, o que mais seria? De qualquer forma, o que isso prova? Que havia pessoas que entoavam cânticos a um tal de Cristo. Poderiam estar rezando pra Shiva ou até mesmo arriando um despacho na encruzilhada. Se isso é prova que Jesus existiu, então todo deus que receber uma veneração qualquer também existe. Mas, Deus não é um só?

Suetônio, outro historiador romano, no ano 120 da Era Comum, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (Vita Claudii, XXV), afirma que este ―expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestus (Chrestus e não Cristo. Uma coisa é uma coisa. outra coisa é…), se haviam tornado causa freqüente de tumultos‖. Iudaeos impulsore Chresto assidue tumultuantis Roma expulit. Germanorum legatis in orchestra sedere permisit, simplicitate eorum et fiducia commotus, quod in popularia deducti, cum animadvertissent Parthos et Armenios sedentis in senatu, ad eadem loca sponte transierant, nihilo deteriorem virtutem aut condicionem suam. Leia aqui. O mau-caratismo religioso é tão grande, que este trecho foi usado em Atos dos Apóstolos 18:2, e modelaram da seguinte forma: Encontrou ali um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, e sua mulher Priscila. Eles pouco antes haviam chegado da Itália, por Cláudio ter decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo uniu-se a eles. Notem que ele não disse porque foram expulsos. Talvez porque este não poderiam encaixar Jesus ali, posto que nenhum evangelho ao menos sugere que ele tinha ido a Roma. Quem é esse Crestus então?

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Tudo isso é muito curioso. Ainda tem muito mais! Muitos escritores do século I não escreveram nada, nadinha, neca de pitibiriba sobre o Jóquei de Jegue. Entre eles, vamos citar:                                         Apiano Apiano de Alexandria Apolônio Arriano Aulo Gélio Columella Dâmis Díon Crisóstomo Díon Pruseus Eptectus Favorino Fedro Filon de Alexandria Flávio Josefo Flegon Floro Lúcio Hermógenes Sílio Itálico Justus de Tiberíades Juvenal Lísias Lucanus Luciano Marcial Paterculus Pausânias Pérsio Petrônio Plínio, o Moço Plínio, o Velho Plutarco Pompônio Mela Ptolomeu Quintiliano Quinto Cúrcio Statius Suetônio Tácito Teão de Smyrna Valério Flaco Valério Máximo

Dessa lista aí, excluindo os documentos adulterados, forjados e intencionadamente mal interpretadas (conforme tenho analisado durante este artigo), não há uma fonte confiável que ateste a veracidade da existência de um Carpinteiro Mágico que foi aclamado por todos os doutores, considerado o mais sábio, aquele que fez inúmeros milagres, ressuscitou mortos etc.

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Na próxima e última página, veremos muitas imagens iconográficas. Algumas de Jay Cee, outras não. Você não desistirá aqui, não é? Vamos, lá, Watson. Representações iconográficas A tabela abaixo mostra várias representações iconográficas. E se você não sabe o que é iconografia, veio ao lugar certo. Pois nosso blog é altamente informativo e não apresentamos ―verdades‖ porque é assim e pronto! Isso deixamos as religiões fazerem. Segundo Erwin Panofsky, a iconografia é um ramo da história da arte, cujo objeto de estudo é o tema e significado das obras de arte em contraposição a sua forma. Assim, as iconografias de Jesus mostram o significado de cada imagem, escultura, desenho, pichação etc. Bem, deixando o lero-lero de lado, vamos às imagens. Para vê-las em tamanho maior, basta clicar na miniatura. Este baixo-relevo (chamado Alexamanos Graffito) data do ano 200 E.C. ou anterior a isso. O desenho mostra alguém com cabeça de asno crucificado. O texto em grego significa: ”Alexamenos adora o seu Deus”. Desenho da imagem acima para facilitar a visualização.

Jesus sendo representado como o deus Apolo. Aprox. 350 E.C.

Jesus sendo representado como o bom pastor. Aprox. 450 E.C.

Jesus novamente sendo representado como o bom pastor. Século IV.

Jesus sendo representado como Orfeu (note a lira). Aprox. 450 E.C.

Jesus ensinando a Pedro e Paulo. Aprox. 360 E.C.

Jesus como guerreiro. Século V.

Mosaico de Jesus. Século IV. Jesus Pantocrator (palavra de origem grega que significa etimologicamente “todo-poderoso” ou “onipotente”). Aprox. 1090 E.C. Jesus como visto pelos turcos. Imagem extraída de um texto islâmico.S/ data.

Jesus em uma representação dos mórmons. 1992 E.C.

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Mais representações iconográficas poderão ser http://www.religionfacts.com/jesus/image_gallery.htm

acessadas

no

site:

Muita diferença não é mesmo? Algumas imagens com barba, outras sem, como e fosse um romano. Umas com cabelos crespos, outras com cabelos lisos e dourados. Curioso! Mas, será que ele seria assim mesmo? A meu ver, não. Não seria. Alguns cientistas também discordam disso. Assim, entra em cena a antropologia forense. Cientistas forenses britânicos aliados a arqueólogos israelenses conseguiram reconstituir a possível aparência de Jesus, caso ele tivesse existido. Para isso, foi chamado um ―médico artista‖, chamado Richard Neave, professor aposentado da Universidade de Manchester, que foi responsável por reconstituir a provável aparência de Felipe II da Macedônia e o Rei Midas de Frígia. Assim, senhoras e senhores, termino este artigo com a mais provável aparência que Jesus, filho de José, nascido em Belém, morador de Nazaré, suposto filho de Deus, fazedor de milagres e macumbeiro palestino:

Como os bons chineses dizem: Uma imagem vale mais que mil palavras. 5 - Jesus Cristo e Super-Homem: A necessidade do herói mítico Com colaboração de Rafael Zeitouni & Fátima Tardelli Todos os povos primitivos desenharam para si um herói. Alguém que trouxesse todas as virtudes: forte em todos os sentidos, honesto e de grande moral. Servindo como baluarte entre o povo em questão e a completa destruição (tanto física, quanto moral) do referido povo. Muitos são os heróis da Antigüidade: Perseu, Beowulf, Héracles (também chamado de Hércules), Sigfried, Cuchulain, Tristão, Orfeu etc. E esta ―tradição‖, digamos assim, perdura até hoje, quando vamos aos cinemas pra ver filmes do Rambo, Chuck Norris, 007 entre outros. Entretanto, a maior expressão folclórica de heróis com superpoderes, numa eterna luta do Bem contra o Mal, está presente sob a forma de Histórias em Quadrinhos (HQ‘s); sendo o Super-Homem o primeiro, mais famoso e mais poderoso dentre eles. Há muito tempo, discute-se sobre as várias semelhanças entre o Super-Homem e outra figura mítica: Jesus Cristo – o qual, até que provem o contrário, também não passa de mais um mito. Essas semelhanças são tão grandes que paramos para pensar se foram por acaso ou fruto de uma clara ligação entre estas duas personagens.

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Examinando as personagens O mito do Jesus Bíblico é do conhecimento de muita gente. Críticas sobre sua existência real são discutidas na série A maior farsa de todos os tempos; portanto, seria apenas superlotamento de espaço aqui se retomarmos o tema. Entretanto, a referida série é recomendada para estudo. Muito bem, o Super-Homem é uma criação de dois amigos de origem judia, desenhistas de quadrinhos, Joe Shuster e Jerry Siegel em 1938, aparecendo no primeiro número da revista Action Comics. Siegel e Shuster criaram um herói em sua tradição clássica, que lutava para corrigir os erros daqueles tempos, combatendo a tirania e a injustiça social em prol da verdade, justiça e moral da América. Depois, por causa de uma – digamos assim – ―globalização‖, os criadores fizeram o favor de estender a benevolência do Super-Homem a todo o mundo e, depois, para o Universo. Os criadores presentearam seu herói com uma roupa e tanto! Um colant azul e vermelho bem chamativos, cinto dourado e uma capa esvoaçante, além da famosa ―cueca sobre a calça‖ (que, por sinal, virou peça comum em qualquer uniforme de um Super-Herói que se preze). Da mesma forma, como todo herói moderno, ele exibe o seu símbolo sobre o peito (por favor, atentem para este detalhe, pois voltarei a isso mais tarde). Além dos seus poderes sobre-humanos – como super-audição, velocidade quase infinita, força imensa, visão telescópica, visão de raio X, visão de calor entre outras coisas – o que mais caracteriza o Super-Homem é sua bondade extrema e caráter inigualável. Somando-se a isso, ainda tem o fato dele ficar de guarda em órbita da Terra, usar um disfarce de repórter – a fim de saber o que se passa no mundo –, ter a capacidade de ver tudo e todos (mesmo atrás de paredes, exceto se forem de chumbo) e for capaz de ouvir até mesmo sussurros. Isso nos permite afirmar com certeza que o Super-Homem é onisciente. Sua força incrível o faz onipotente e sua velocidade permite que seja praticamente onipresente. Interessante, não é mesmo? Nada disso seria espetacular, mediante o conceito humano de qualquer entidade superpoderosa. Muitos heróis são fortes, rápidos, inteligentes etc. Mas, somente deuses possuem mais de uma, ou mesmo todas essas características. O Jesus tal como descrito na Bíblia não foge a essa regra, já que ele foi capaz de caminhar sobre as águas (vôo?), ter força pra expulsar demônios, mostrar-se ciente de tudo o que o cercava e saber de antemão o que o destino lhe reservava, entre outras coisas. Na página a seguir, estudaremos as semelhanças entre o mito da Palestina e o herói de Krypton. Semelhanças entre Jesus e o Super-Homem Observando a tabela abaixo (observem também as ilustrações), podemos analisar bem as semelhanças entre os dois. ORIGENS Super-Homem Jesus

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Kal-El apareceu na Terra, vindo de Kripton. As pessoas viram um clarão que riscou o céu. Uma nave espacial que parecia ser uma estrela que se movia rápido e chegou a um casal humilde que morava nos arredores de Smallville no Estado de Kansas.

Jesus apareceu no mundo de modo misterioso. Algumas pessoas viram um clarão no céu. Uma estrela que se movia rápido e que apontava até um casal pobre e humilde.

Este casal percebeu que aquela criança era especial. Um presente que veio do espaço, para um casal que não conseguia ter filhos. Decidiram não contar a ninguém sobre quem era aquela criança e aproveitaram o inverno que estava chegando, e o adotaram como se fosse deles, dando-lhe o nome de Clark Kent. Com o passar dos anos, esta criança se mostra muito mais especial do que o casal imaginava. Entre um susto e outro, com a revelação de seus poderes sobre-humanos, conseguem criar o garoto. Ele se mostrou mais forte, mais esperto, mais inteligente, e parecia estar destinado a uma vida heróica e surpreendente. Seus pais não tinham duvidas de que o mundo inteiro o conheceria e o reverenciaria. VIDA PÚBLICA Ao chegar na idade adulta, sentiu que o destino o chamava. Então se muda para uma das maiores metrópoles do planeta, e de lá, se revela como Super-Homem, se mostrando como o herói que defende os fracos, oprimidos, combatendo a injustiça e o mal. Pode voar para todos os cantos do planeta para fazer o que fosse necessário para manter o mundo a salvo, coisas que ninguém mais podia fazer sem medo de represálias. Super-Homem inspira toda uma nova geração de heróis, como Batman, Superboy, Aço, Lanterna Verde, Aquaman, Ajax, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde, Liga da Justiça etc. que seguem seus passos, que irão surgindo em diversas cidades do mundo, combatendo o mal.

Este casal notou que aquela criança era especial. Um presente vindo dos céus. Decidiram não contar a ninguém sobre quem era aquela criança e o adotaram como se fosse deles.

Com o passar dos anos, esta criança se mostra muito mais especial que o pobre casal pensava. Entre um sufoco financeiro e outro, conseguiram criar o garoto. Ele se mostrou inteligente, forte e destinado a uma história grandiosa. Seus pais não tinham dúvidas que o mundo inteiro o conheceria.

Ao chegar na fase adulta, o pai adotivo morre, sobrando apenas sua mãe. Mas, o destino o chamava. Então, aos 30 anos, Jesus se mostra como aquele que veio combater o mal e a injustiça. Ele vai a todo canto e faz proezas que nenhum outro ser humano seria capaz de fazer.

Jesus encontra homens que o seguem. Vai de casa em casa e ajuda pessoas. Faz tudo de bom em busca de verdade e justiça, além de proteger os oprimidos de pessoas ruins e maquiavélicas.

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Clark conhece uma mulher em sua vida, a Lois Lane, e os dois vivem uma historia de amor. Um amor capaz de mudar a vida de ambos. Mas Lois sabe que terá de dividir seu amor com o mundo, porem esta disposta a pagar o preço, sendo muitas vezes vitima de preocupações, angústias, ameaças e ataques. Mas Super-Homem sempre a protegeu em todos os momentos em que ela precisou. Porém, nem todos estavam satisfeitos com a presença do Super-Homem no mundo. Pessoas como Lex Luthor, interessado em dominar tudo e a todos, decide que e hora de barrá-lo e até eliminá-lo da Terra. Diversos vilões, como Zod, Metallo, Brainiac, Darkseid, Intergangue, etc tentam dar um fim no Super-Homem.

Jesus encontra uma moça em seu caminho, Maria Madalena, e esta se queda de amores por ele. Grande, forte e capaz de mudar o mundo, ela sabe que terá que dividir seu amor com o mundo, mas está disposta a pagar o preço, sendo muitas vezes xingada e ameaçada. Mas, Jesus sempre a defendeu de ataques infames.

Entretanto, nem todo mundo estava satisfeito com ele. Pessoas interesseiras em dominar a tudo e a todos decidem que é hora de parar com isso. Eles combinam com homens poderosos para dar um fim no filho de Deus.

Fazem tudo para que caia em desgraça, Fazem ele cair no descrédito, arrumam para derrotá-lo por todos os meios possíveis, traíele ser traído e cair uma emboscada. lo, enganá-lo, fazê-lo cair em armadilhas. MORTE Ao se defrontar com Doomsday (Apocalypse, na edição brasileira), os dois lutam brava e furiosamente, se ensanguentam, num ato de Jesus resiste bravamente, mas apanha muito. autodestruição. O sangue de Super-Homem Seu sangue corre pela Terra. Ele tenta se corre pela Terra, ele tenta escapar vivo da salvar, mas não consegue. Ele morre. luta titânica, mas não consegue. Após derrotar o monstro. Ele morre.

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As pessoas acreditam que Super-Homem se fora, que não estaria mais no mundo para protegê-las do mal, aquela esperança se fora. As pessoas acham que seu herói, seu O desespero recai sobre a Terra, e os heróis salvador, fora morto. O desespero recai sobre tentam preencher o vazio que fora deixado a Terra enquanto o mal se alastra. por ele, enquanto o mal se alastra pelo mundo. Mas enquanto o mundo chora pela morte, a Lois Lane sofre por ele, Super-Homem desce a uma dimensão pós-vida, enfrenta diversos demônios que tentam fazê-lo se esquecer de sua heraça humana, se encontra diante de uma encruzilhada entre a luz e as trevas, e acaba por fim vencendo. RETORNO O Super-Homem retorna, de forma triunfal, sendo visto pela primeira vez por Lois Lane que vai ao seu encontro. Se apresenta triunfalmente a todos, salvando o mundo de um grande perigo, com poder e gloria, prometendo nunca mais abandonar as pessoas. Ele retorna, grande e iluminado. É visto primeiramente por mulheres. Ele se apresenta triunfalmente para seus amigos e se eleva aos céus com grande fulgor e poder, prometendo estar com as pessoas até o fim dos tempos.

Mas, enquanto as mulheres choram, a população se desespera, Jesus desce aos mais profundos abismos, vai ao inferno, enfrenta demônios inferiores. E vence!

Seus inimigos foram derrotados, Super- Seus inimigos fogem, a terra treme, tudo Homem está de volta para jamais abandonar desaba: Ele está de volta e promete jamais a Humanidade, e resguardá-la de todo o mal. abandonar as pessoas novamente. A próxima página estudará os pormenores sobre Jesus e o Super-Homem e como eles se enquadram num exame teológico.

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A teologia de Jesus e o Super-Homem Muito representativo, não? Ainda mais se levarmos em conta as expressões iconográficas, como as imagens que retratam o aparecimento de ambos, bem como suas mortes. A bem da verdade, ainda tem muito mais similaridades do que essas. Foram apontadas apenas as principais, e só estas já nos chamam a atenção para as personagens. Tudo bem que o Super-Homem não nasceu de uma virgem, ele veio em estado embrionário de seu planeta natal e aterrissou aqui já como bebê. Isso é fácil de explicar por causa da Relatividade de Einstein. Quanto mais rápido um corpo viaja, mais lentamente o tempo passa para este corpo. Assim, o jovem Kal-El viajou por milhares de anos, mas para ele foi só um aninho (ou meses, as HQ‘s não disseram claramente e nem isso é importante de fato). Não obstante, num mundo que não sabia o que era inseminação artificial e muito menos DNA, tal desenvolvimento embrionário fora de um corpo vivo era totalmente estranho à época. Miraculoso, até. Algo semelhante a uma ―imaculada concepção‖, já que não houve ato sexual e, portanto, livrando o jovem kryptoniano de um possível caso de ―pecado original‖. De qualquer forma, os Evangelhos não esclarecem (e nem poderiam) a natureza genética de Jesus. Ele foi gerado no ventre de Maria, isso está bem claro. Mas, não informa se o Espírito Santo a fecundou com alguma espécie de ―Espermatozóide Santo‖ ou se Deus implantou o embrião já formado no ventre dela, criando a primeira barriga de aluguel da história. Trocando em miúdos, os Evangelhos não conseguem informar se Jesus tinha características genéticas de Maria ou exclusivamente do ―Espermatozóide Santo‖. Isso pode até parecer que não tem importância, mas tem; e muita! O Monofisismo era uma doutrina do século V, elaborada por Eutiques e admitia que Jesus possuía uma só natureza: a divina. Esta doutrina foi considerada herética pelo Concílio de Calcedônia em 451 E.C. (Era Comum) e isso gera um sério problema que mistura Ciência, História e Teologia. Se Jesus tinha a carga genética de Maria, então era meio humano e meio divino. Só que ela (Maria) não é vista como ―santa‖ fora do círculo católico. A própria ―Ascensão de Maria‖ só passou a figurar como dogma católico em meados do século XX. Assim, esta metade humana de Jesus não pode ser levada em conta. Entretanto, se Jesus fosse gerado apenas (e somente apenas) por um Santo DNA, ele seria unicamente divino, como os Monofisistas afirmavam. Só que tal proposição é rechaçada pela maioria das vertentes cristãs atualmente, e algumas nem sabem informar ao certo. Os mitos de hoje são mais bem elaborados que os de antigamente… Saindo do âmbito genético e indo para a filologia, o nome de ambos são, de certa forma, similares. Kal-El, segundo seus criadores, seria um nome que, em kryptoniano, teria o significado de ―filho das estrelas‖, já que ele veio na forma embrionária conforme foi dito. No entanto, o mais curioso é que em hebraico o nome Kal El tem o significado ―amigo de Deus‖.

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Religiosos costumam relacionar Isaías e Mateus para demonstrar que Jesus receberia o nome de Emanuel. Isaías 7:14 – Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. (versão João Ferreira de Almeida) Isaiah 7:14 – Therefore the Lord himself shall give you a sign; Behold, a virgin shall conceive, and bear a son, and shall call his name Immanuel. (versão King James) Mateus cap. 1 20. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. 21. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. 22. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: 23. Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa: Deus conosco. É claro que isso não é mais aventado e só se pode sugerir que foi uma forçada de barra pelo redator de Mateus. Ainda sim, é curioso ver que um dado amigo de Deus teria, em tese, Deus próximo a si. Logo, que estivesse com o amigo de Deus, também estaria perto deste. Em suma, Deus estaria com quem permanecesse próximo ao amigo de Deus. As próprias representações gráficas do Super-Homem e de Jesus mostram incríveis similaridades. Desde a representação do nascimento de ambos, até suas mortes, conforme visto acima na tabela. É famoso o gesto do Super-Homem de abrir repentinamente a camisa, mostrando o grande S que é seu símbolo; da mesma forma, Jesus é muitas vezes retratado apontando para o próprio peito, mostrando o ―Sagrado Coração‖.

Examinando diversos heróis legendários, isso não surpreende muito. A maioria deles carrega um amuleto, símbolo, desenho ou algo similar sobre o peito, de forma que possa ser bem reconhecido. Desde a armadura dourada de Alexandre Magno, passando pelos romanos, a armadura de Perseu, o escudo em formato de concha de Aquiles, os amuletos celtas etc. Todos os heróis, seja em termos de ficção, como os reais (no caso, os brasões de cavaleiros, ordens militares etc.) são ostentados logo no peito, para estarem bem evidentes e mostrar ao opositor ―com quem eles estão falando‖. A representação iconográfica de Jesus não foge a esta norma, já que fica patente que ele ―deseja‖ que você olhe bem de onde vem o ―poder‖ dele.

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Na próxima página, estudaremos os contextos políticos durante a criação dos mitos Jesus e Super-Homem. Análise do contexto político quando da criação O Super-Homem foi criado num período conturbado, às vésperas da II Grande Guerra. Os E.U.A. tinham passado por uma grande crise econômica e a moral do povo não estava em melhor condição. Tal como na Palestina do século I, eles estavam em dúvida de sua própria identidade, já que a chegada de muitos estrangeiros (italianos, irlandeses entre outros) estava mesclando diferentes culturas com as da América do Norte. A ação de criminosos, mafiosos, políticos corruptos estavam causando não só um enorme caos político como social também. A chegada de uma figura messiânica acabou se tornando, portanto, uma necessidade. Não é certo que Siegel e Shuster tenham criado o Super-Homem baseado nas escrituras judaicas e nas promessas de um Messias. Afinal, o conceito de Messias refere-se a um líder militar e tal como Jesus, o Super-Homem estava muito longe disso. Entretanto, o plano de salvação da humanidade do caos absoluto sempre foi algo presente em todas as religiões e no imaginário dos povos. Com isso, as pessoas sempre olhavam pra cima, esperando a chegada de alguém vindo dos Céus, disposto a ajudá-las e se sacrificar em prol delas, caso fosse necessário. Um dia olharam e viram algo que se parecia com um pássaro… não, um avião… ou será…? Os americanos sempre se julgaram uma Nação de Deus (o próprio George Bush usou esta expressão), assim como os judeus se auto-proclamam o ―povo eleito‖. Podemos levar isso em conta que o Super-Homem seja uma expressão do inconsciente coletivo e da cultura norteamericana com raízes judaicas. O messianismo judaico em nada se diferencia desse conceito, e dele apareceu o mito Cristão afim de dar às pessoas o que elas precisavam: alguém que elas pudessem acreditar que seria o salvador delas. Não importa se o criador e disseminador desse mito fosse o próprio Império Romano em decadência. Pode-se inclusive afirmar que foi a substituição de um império secular por um espiritual, mas que ainda sim se mantinha forte, usando as esperanças de um povo como arma de dominação e influência política. Alguns apologetas de péssima índole veem nisso como uma confirmação das Escrituras, o que é estúpido. Afinal, porque o próprio Jesus não confirmou previsão nenhuma (como foi dito, o Messias seria um líder militar). Então, ver que a história do Super-Homem é semelhante à de Jesus, evidenciando a Promessa Divina é para, no mínimo, cair na gargalhada, pois evidencia um total desconhecimento sobre as figuras heróicas e como elas se relacionam entre si; ou também pode ser prova de uma manifestação de péssimo caráter, criando ligações que não existem, unicamente para reforçar uma opinião própria e que não tem embasamento intelectual nenhum. Na próxima página estudaremos isso, mediante a Escala de Heróis de Lord Raglan. Escala e Heróis de Raglan

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FitzRoy Richard Somerset, o 4º Barão de Raglan foi um mitologista e acadêmico, cuja principal obra é The Hero: A study in Tradition, Myth and Dreams. Nesta obra ele discute sobre o conceito de herói no decorrer da história e como ele se aplica nos diversos mitos existentes. Nessa obra, o autor introduz a famosa ―Escala de Raglan‖, a qual mostra uma espécie de ―ranking‖ de diversos heróis mitológicos (ou não, como veremos adiante). Para tanto, deve-se fazer umas perguntinhas básicas e ver a pontuação do referido herói. As perguntas são: 1. 2. 3. 4. 5. 6. A mãe do Herói é uma virgem de sangue real; Seu pai é um rei e Frequentemente parente próximo da sua mãe, mas As circunstâncias da Sua concepção são pouco usuais e Ele tem a reputação de ser filho de um deus. À nascença é feito um atentado à sua vida, geralmente pelo pai ou avô maternal, mas 7. Ele é misteriosamente levado e 8. Criado por pais adotivos num país distante. 9. Não sabemos nada da sua infância, mas 10. Ao atingir a idade adulta ele regressa ou vai para o seu futuro reino. 11. Após uma vitória sobre o rei e/ou um gigante, dragão ou animal selvagem, 12. Casa-se com uma princesa, muitas vezes filha do seu predecessor e 13. Torna-se rei. 14. Durante algum tempo, o seu reinado é pacífico e 15. Ele faz leis, mas 16. mais tarde perde a aceitação dos deuses e/ou do seus súbditos e 17. É afastado do trono e expulso da cidade, após o que 18. enfrenta uma morte misteriosa, 19. frequentemente no topo de um monte, 20. Os Seus filhos, se sequer os há, não lhe sucedem. 21. O Seu corpo não é enterrado, mas ainda assim 22. Ele tem um ou mais santos sepulcros. Você conhece quantos heróis, semideuses ou mesmo deuses que se encaixam nessa descrição? Aqui vai uma listinha, com a pontuação ao lado. 1. Krishna – 21 2. Moisés – 20 3. Rômulo – 19 4. Rei Arthur – 19 5. Perseu – 18 6. Jesus – 18 7. Watu Gunung (da ilha de Java) – 18 8. Hércules – 17 9. Maomé – 17 10. Super-Homem – 16 11. Beowulf – 15 12. Buda – 15 13. Zeus – 14 14. Czar Nicolau II – 14 15. Nyikang (um herói da tribo Shiluk, do Alto Nilo) – 14

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16. Sansão – 13 17. Sunjata (o Rei-Leão dos antigos Mali) – 11 18. Aquiles – 10 19. Odisseu (também chamado de Ulisses) – 8 20. Harry Potter – 8 Como vocês podem ver, Krishna, o deus hindu, possui mais atributos ―heróicos‖ do que Jesus. Não obstante, nem por isso ele é aceito como sendo um deus fora do hinduísmo. Maomé é tido como uma figura histórica, apesar do ceticismo que abrange seus contatos e inspirações divinas (ou seja, ele pode ter existido, mas não da forma como os muçulmanos o vêem). De qualquer forma, também não é aceito fora do islamismo. E o mesmo acontece com os demais heróis e deuses. O Super-Homem marca 16 pontos na escala Raglan e é um número alto. No entanto é curioso notar que o Czar Nicolau II, uma figura histórica e bem documentada, marca 14 pontos. Em face dessa escala ele estaria acima de muitos e quase chegou perto de Jesus. Como é fácil notar, podemos usar esta escala com qualquer personagem e veremos que muitas criações do imaginário humano marcam altos pontos. Por que, então, deveríamos crer em uma personagem sem documentos claros, sem evidências históricas e nem arqueológicas? A única ―prova‖ que o Jesus Milagreiro realmente existiu é a Bíblia, e esta é cheia de contradições. O primeiro evangelho a aparecer foi o Evangelho Segundo Marcos. E este apareceu 80 anos depois da suposta existência de Jesus. Ele narra a destruição do Templo em Jerusalém, mas isso só aconteceu na década de 70 do século I. Isso evidencia que não fora o próprio Marcos que o escreveu, pois obviamente ele não é nenhum highlander para viver tanto. Os demais evangelhos são vistos pelos especialistas como tendo sido baseados no de Marcos; mas, se examinarmos algumas passagens, veremos que elas são muitas vezes contraditórias (como no caso do julgamento e da ressurreição). Assim, dizer que a Bíblia atesta a veracidade de uma personagem que não aparece em nenhuma parte de documentos históricos (e os que aparecem são claramente forjados) é subestimar a inteligência alheia. Há uma piadinha ateísta que diz: Se a Bíblia é prova cabal para atestar a existência de Jesus, então os quadrinhos também podem servir de prova que o Super-Homem existe. As pessoas sempre precisaram, precisam e ainda precisarão de heróis. Sejam bombeiros resgatando pessoas de um incêndio, policiais da Divisão Anti-Seqüestro, civis comuns que esquecem sua própria segurança em prol do próximo ou de figuras a quem se recorre quando nada mais resta. É aí que entram as religiões para vender os seus planos de salvação. É aí que a venda de HQ‘s obtem seu faturamento. Ambas são baseadas em uma necessidade de escapar da realidade e viver num mundo de ficção, já que por vezes o mundo real é intragável. Sempre haverá pessoas que irão se ajoelhar e implorar por um ente querido ou ligar seu relógio-sinal e esperar que a ajuda venha rápido como uma bala, forte como uma locomotiva e que lute em prol dos necessitados… 6 – Jesus não voltará

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A grande promessa para os cristãos é a de que Jesus, o Pop Star da Palestina voltaria, depois de ter sido executado como um criminosinho ridículo e comum (estamos somente imaginando que ele existiu, coisa que sabemos não ser o caso). Examinado a Bíblia, essa promessa é ratificada várias e várias e várias vezes. O retorno do Jóquei de Jegue deveria ocorrer de imediato. Ou não? Já se passaram quase 2000 anos, desde que ele foi pregado no pau e posto pra secar que nem roupa velha. Vamos examinar o isso. Aproveitamos para agradecer aos verdadeiros autores das diversas passagens deste artigo, a maioria tirada de comunidades do Orkut. Quer se tornar ateu? Leia a Bíblia! Parafraseando um amigo nosso: Quem estuda, sabe. Quem não estuda, acredita! Senhoras e senhores, nos acompanhe para mais uma mentira descarada da Bíblia! 1. JESUS ESTABELECE O PRAZO PARA SUA VOLTA: Mateus 24:34 — ―Em verdade vos digo que NÃO PASSARÁ esta GERAÇÃO sem que TODAS essas coisas se cumpram.‖ (Também em Marcos 13:30 e Lucas 21:32) Mateus 24:34 — ―Eu afirmo a vocês que isto é verdade: essas coisas vão acontecer ANTES DE MORREREM TODOS OS QUE AGORA ESTÃO VIVOS.‖ Isto mostra que a palavra ―geração‖ na passagem tem seu sentido usual, que naturalmente ocorre ao leitor em uma primeira leitura do texto: o conjunto das pessoas cujos tempos de vida de sobrepõem em uma determinada época, confirmando o prazo de meados do século II para a volta de Jesus Mateus 10:23 — ―Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que NÃO ACABAREIS DE PERCORRER AS CIDADES DE ISRAEL SEM QUE VENHA O FILHO DO HOMEM.‖ Embora esta passagem não cite o prazo de uma geração, é perfeitamente condizente com ela. UMA GERAÇÃO seria tempo suficiente para que a ―boa nova‖ de Jesus fosse anunciada em MENOS DA TOTALIDADE das cidades de Israel. É até inconcebível que TODAS as cidades de Israel já não tenham ATÉ HOJE sido visitadas por cristãos pregando o evangelho! 2. O PRAZO É CONFIRMADO: Mateus 16:27–28 — ―Porque o Filho do homem há de VIR NA GLÓRIA de seu Pai, com os seus anjos; E ENTÃO RETRIBUIRÁ a cada um segundo as suas obras. Em verdade vos digo, alguns DOS QUE AQUI ESTÃO NÃO PROVARÃO A MORTE ATÉ QUE VEJAM VIR O FILHO DO HOMEM no seu REINO.‖ (Também em Marcos 8:38–9:1 e Lucas 9:26–27) 3. TAMBÉM CAIFÁS DEVERIA PRESENCIAR A VINDA DE JESUS: Mateus 26:64 — Repondeu-lhe Jesus: ―É como disseste; contudo vos digo que VEREIS EM BREVE o Filho do homem assentado à direita do Poder, e VINDO SOBRE AS NUVENS do céu.‖ (Também em Marcos 14:62) Nada disso aconteceu. Aconteceu? 4. PRIMEIROS CRISTÃOS ACREDITAVAM QUE PRESENCIARIAM O ADVENTO:

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1 Coríntios 15:51–52 — ―Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, NEM TODOS DORMIREMOS, MAS TODOS SEREMOS TRANSFORMADOS, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e OS MORTOS RESSUSCITARÃO incorruptíveis, e nós seremos transformados.‖ Paulo se inclui entre os que irão testemunhar a vinda de Jesus. Note o seu uso do pronome ―nós‖: 1 Tessalonicenses 4:14–15 — Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que NÓS, OS QUE FICARMOS VIVOS para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. [...] 5. OS ROMANOS QUE MATARAM JESUS PRESENCIARIAM SUA VOLTA: Apocalipse 1:7 — Eis que vem com as nuvens, e TODO O OLHO O VERÁ, ATÉ OS MESMOS QUE O TRASPASSARAM; [...] 6. PRIMEIROS CRISTÃOS ACREDITAVAM QUE JÁ VIVIAM OS “ULTIMOS TEMPOS”: 1 Coríntios 10:11 — Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso NOSSO, PARA QUEM JÁ SÃO CHEGADOS OS FINS DOS SÉCULOS. Hebreus 9:26 — [...] MAS AGORA NA CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. Hebreus 10:25 — Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto VEDES QUE SE VAI APROXIMANDO AQUELE DIA. Atos 02:15–17 — Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E NOS ÚLTIMOS DIAS acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos. 2 Pedro 3:3–4 — [...] NOS ÚLTIMOS DIAS virão escarnecedores com zombaria andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: ―Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.‖ 7. OUTRAS DECLARAÇÕES QUE MOSTRAM A IMINÊNCIA DA VOLTA DE JESUS: João 5:25 — ―Vem a hora, E AGORA É, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus.‖ Romanos 16:20 — E o Deus de paz esmagará EM BREVE Satanás debaixo dos vossos pés. Paulo até mesmo sugeriu que não se fizessem planos para o futuro: 1 Coríntios 7:29–31 — Isto, porém, vos digo, irmãos, que O TEMPO SE ABREVIA; pelo que, doravante, os que têm mulher sejam como se não a tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que folgam, como se não folgassem; os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não usassem em absoluto, porque a aparência deste mundo passa.

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Hebreus 10:37 — Pois ainda em BEM POUCO TEMPO, aquele que há de vir, virá, e NÃO TARDARÁ. Tiago 5:7–8 — Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque A VINDA DO SENHOR ESTÁ PRÓXIMA. 1 Pedro 4:7 — Mas já ESTÁ PRÓXIMO O FIM DE TODAS AS COISAS, por tanto sede sóbrios e vigiai em oração O Apocalipse, por ser justamente uma profecia simbólica da volta triunfante de Jesus, abunda em avisos sobre sua iminência. Apocalipse 1:1 — Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que BREVEMENTE devem acontecer; Apocalipse 1:3 — Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o TEMPO ESTÁ PRÓXIMO. Apocalipse 3:11 — ―Venho SEM DEMORA―. Apocalipse 22:12 — ―Eis que CEDO venho‖. Apocalipse 22:20 — Aquele que testifica essas coisas diz: ―Certamente CEDO venho.‖ Apocalipse 27:7 — ―Eis que CEDO venho‖. Como podemos perceber, o texto realmente quis dar a entender que O SEU RETORNO ERA IMINENTE E ACONTECERIA AINDA NO TEMPO DE VIDA DE ALGUNS DOS SEUS DISCÍPULOS. Isso aconteceu? Cristianismo é tão real quanto a lenda da Fada do Dente ou as fantasias mirabolantes de uma mente louca. Quer continuar esperando? Problema seu! Seu deus inventado não virá. O que você prefere: Saber ou acreditar? Aqui tem uma pílula vermelha e uma azul. Faça a sua escolha.

Doze provas da inexistência de Deus Por Sebastien Faure Há duas maneiras de estudar e procurar resolver o problema da existência de Deus. A primeiro consiste em eliminar a hipótese Deus do campo das conjecturas plausíveis ou necessárias, por meio de uma explicação clara e precisa, isto é, por meio de uma exposição de um sistema positivo do Universo, das suas origens, dos seus desenvolvimentos sucessivos, dos seus fins. Esta exposição inutilizaria a ideia de Deus e destruiria antecipadamente a base metafísica em que se apoiam os teólogos e os filósofos espiritualistas. A existência em Deus implica necessariamente a escravidão de tudo abaixo dele. Assim se Deus existisse, só haveria um meio de servir a liberdade humana: seria o de deixar de existir.‖

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Mikhail Bakunin Dado, porém, o estado atual dos conhecimentos humanos, em tudo o que tem sido demonstrado ou passa a demonstrar-se, verificado ou verificável, somos forçados a concluir que nos falta esta exposição e que não existe um sistema positivo do Cosmos. Existem, é certo, várias hipóteses engenhosas que não se chocam com o razão; sistemas mais ou menos aceitáveis que se apóiam numa série de investigações, que se baseiam na multiplicidade de observações contínuas e que dão um caráter de probabilidade impressionante. Também se pode afirmar, sem receio de ser desmentido, que esses sistemas, essas hipóteses, suportam vantajosamente as asserções deístas. Mas a falar a verdade, não há, sobre este posto, senão teses que não possuem ainda o valor da exatidão cientifica; – cada um, no fim das contas, tem a liberdade de preferir tal ou qual sistema a um outro que lhes é oposto; e a solução do problema assim apresentado afigura-nos, pelo menos na atualidade, cheio de reservas. Os adeptos de todas as religiões aproveitam assim as vantagens que lhes oferece o estudo deste problema, bem árduo e bem complexo, não para o resolver por meio de afirmações concretas ou de raciocínios admissíveis, mas tão-somente para perpetuar a dúvida no espírito de seus correligionários, que é, para eles, o ponto de capital importância. E nesta luta titânica entre o materialismo e o deísmo, luta em que as duas teses opostas se empenham e se reforçam para conseguir o triunfo, os deístas recebem rudes golpes; e, conquanto se encontrem numa postura de vencidos, ainda tem a petulância de se apresentar à multidão ignara como dignos cantores da vitória! Uma prova concludente do seu procedimento baixíssimo encontramo-la na maneira como se exprimem nos jornais da sua devoção; e é com essa comédia que procuram manter, com cajado de pastor, a imensa maioria do rebanho. Também é isto que desejam ardentemente esses maus pastores. Apresentação do Problema em Termos Precisos Todavia, há uma segunda maneira de estudar e de tentar a resolução da inexistência de Deus: consiste em examinar a existência de Deus que as religiões apresentam à adoração dos crentes. Suponhamos que se nos depara um indivíduo sensato e refletido, que admite a existência de Deus – um Deus que não está envolto em nenhum mistério, um Deus que não se ignora nenhuma particularidade, um Deus que lhe confiou todo o seu pensamento e lhe transmitiu todas as suas confidências, e que nos diz: – Ele fez isto e aquilo, e ainda isto e aquilo. Ele tem precedido e falado com tal fim e com tal razão. Ele quer tal coisa, mas também quer tal outra coisa. Ele recompensará tais ações, mas punirá tais outras. Ele fez isto e quer aquilo, porque é infinitamente sábio, infinitamente justo, infinitamente poderoso, infinitamente bom! Ah! Que felicidade! Ora aqui está um Deus que se faz conhecer. Abandona o império do inacessível, dissipa as nuvens que o rodeiam, desce das alturas, conversa com os mortais, expõe-lhes o seu pensamento, revela-lhes a sua vontade e confia a alguns privilegiados a missão de espalharem a sua Doutrina, de propagarem a sua Lei, de a representarem enfim, cá em baixo, com plenos poderes para mandarem no Céu e na Terra. Este Deus não é, com certeza, o Deus Força, Inteligência, Vontade, Energia, que, como tudo o que é Energia, Vontade, Inteligência, Força, pode ser alternadamente, segundo as

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circunstancias e, por consequência, indiferentemente, bom ou mau, útil ou inútil, justo ou iníquo, misericordioso ou cruel. Este Deus é o Deus em que tudo é perfeição e cuja existência não é nem pode ser compatível – visto que ele é perfeitamente sábio, justo, bom, misericordioso – senão com um estado de coisas criado por ele e no qual se afirmariam a sua infinita justiça, a sua infinita sabedoria, o seu infinito poder, a sua infinita bondade e a sua infinita misericórdia. Este Deus é o Deus que, por meio de catecismo, nos insuflam no cérebro quando somos crianças; é o Deus vivo e pessoal, em honra do qual se erguem templos, a quem se rezam orações em borda, por quem se fazem sacrifícios estéreis e a quem pretendem representar, na Terra, todos os clérigos, todas as castas sacerdotais. Este Deus não é o ―desconhecido‖, essa força enigmática, essa potência impenetrável, essa inteligência incompreensível, essa energia incognoscível, esse princípio misterioso: hipótese, enfim, que no meio da impotência para explicar o ―como‖ e o ―porquê‖ das coisas, o espírito do homem aceita complacente. Este Deus também não é o Deus especulativo dos metafísicos: é o Deus que os seus representantes nos tem descrito abundantemente e luminosamente detalhado. É o Deus das religiões, e como estamos na França, é o Deus dessa religião que a quinze séculos domina o nossa história: a religião católica ou cristã. É o Deus que nego e que vou discutir. É o Deus que estudaremos, se quisermos obter, desta exposição filosófica, algum proveito e algum resultado prático. Quem é Deus? Visto que os encarregados de seus negócios no Terno tiveram a amabilidade de no-lo descrever com toda a pompa e luzimento, aproveitemos a fineza e examinemo-lo de perto, detidamente: para discutir uma coisa, é preciso, igualmente, conhecê-la bem. Com um gesto potente e fecundo, este Deus fez todas as coisas do nada: o ser do não-ser. E, por sua própria vontade, substituiu o movimento pela inércia, a vida universal pela morte universal. É um Deus Criador! Este Deus é o Deus que, terminada a obra da criação, em vez de volver à inatividade secular, ficando indiferente à coisa criada, ocupa-se de sua obra, interessando-se por ela, intervém nela quando o julga necessário, rege-a, administra-a, governa-a: é um Deus Governador ou Providência. Este Deus é o Deus arvorado em Tribunal Supremo, obriga, depois da morte, a comparecer à sua presença todos os indivíduos. Uma vez aí, julga-as segundo os atos de suas vidas; pesa, na balança, as suas boas e más ações e pronuncia, em último extremo – sem apelo nem agravo – a sentença que fará do réu, pelos séculos dos séculos, o mais feliz ou o mais desgraçado dos seres: É um Deus Justiceiro ou Magistrado. Logo, este Deus possui todos os atributos; e não é somente bom: é a Bondade Infinita; não é somente misericordioso: é o Misericórdia Infinita; não é somente poderoso: é o Poder Infinito; não é somente sábio: é a Sabedoria Infinita. Em conclusão: tal é o Deus que eu nego e que por doze provas diferentes (em rigor bastaria uma só), vou demonstrar a inexistência. Divisão do Problema

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Dividi os meus argumentos em três séries: a primeira trataria particularmente do Deus-Criador e compor-se-á de seis argumentos; o segundo ocupar-se-á do Deus-Governador ou Providência, e contém quatro argumentos; a terceira apresentará o Deus-Justiceiro ou Magistrado, em dois argumentos. Em suma, seis argumentos contra o Deus-Criador, quatro contra o Deus-Governador e dois argumentos contra o Deus-Justiceiro. Estes doze argumentos constituem doze provas da inexistência de Deus. Com este plano das minhas demonstrações será mais fácil seguir o curso do meu trabalho. Primeira série de argumentos: contra o Deus criador

1º argumento: O gesto criador é inadmissível Que se entende por criar? É tomar materiais diferentes, separados, mas que existem, e, valendo-se de princípios experimentados e aplicando-lhes certas regras conhecidas, aproximá-los, agrupá-los, associálos, ajustá-los, para fazer qualquer coisa deles? Não! Isso não é criar. Exemplos: podemos dizer que uma casa foi criada? Não, foi construída; podemos dizer que um móvel foi criado? Não, foi fabricado; podemos dizer que um livro foi criado? Não, foi composto e depois impresso. Assim, pegar materiais que já existem e fazer qualquer coisa com eles não é criar. Que é, pois, criar? Criar… com franqueza, encontro-me indeciso para poder explicar o inexplicável, definir o indefinível. Procurei, contudo, fazer-me compreender. Criar é tirar qualquer coisa do nada; é, com nada, fazer qualquer coisa do todo; é formar o existente do não existente. Ora, eu imagino que é impossível encontrar-se uma única pessoa dotada de razão que conceba e admita que do nada se possa tirar e fazer qualquer coisa. Suponhamos um matemático. Procurai o calculador mais autorizado; colocai-o diante de uma lousa e pedi-lhe que escreva zero sobre zeros. Terminada a operação, solicitai-lhe que os multiplique da forma que entender que os divida até se cansar, que faça enfim toda a sorte de operações matemáticas, e haveis de ver como ele não extrairá, desta acumulação de zeros, uma única unidade. Com nada, nada se pode fazer; de nada, nada se obtém. É por isso que o famoso aforismo de Lucrécio ex nihilo nihil é de uma certeza e de uma evidência manifesta. O gesto criador é um gesto impossível de admitir, é um absurdo. Criar é, pois, uma expressão místico-religiosa, que pode ter algum valor aos olhos das pessoas a que agrada crer naquilo que não compreendem e a quem a fé que se impõe tanto mais quanto menos o percebem. Mas devemos convir que a palavra criar é uma expressão vazia de sentido para todos os homens cultos e sensatos, para quem uma palavra só tem valor quando representa uma realidade ou uma possibilidade.

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Consequentemente, a hipótese de um ser verdadeiramente criador é uma hipótese que a razão repudia. O ser criador não existe, não pode existir. 2º argumento: O “puro espírito” não podia determinar o Universo Aos crentes que, a despeito de todo o raciocínio, se obstinam em admitir a possibilidade da criação, direi que, em todo o caso, é impossível atribuir esta criação ao seu Deus. O Deus deles é puro espírito. Portanto, é inteiramente impossível sustentar-se que o puro espírito, o imaterial, tenha podido determinar o Universo, o Material. Eis o porquê: O puro espírito não está separado do universo por uma diferença de grau, de quantidade, mas sim por uma diferença de natureza, de qualidade. De maneira que o puro espírito não é, nem pode ser, uma ampliação do Universo, assim como o Universo não é, nem pode ser, uma redução do puro espírito. Aqui a diferença não é somente uma distinção; é uma oposição: oposição de natureza – essencial, fundamental, irredutível, absoluta. Entre o puro espírito e o Universo não há somente um fosso mais ou menos largo e profundo, fosso que possa, a rigor, encher-se ou franquear-se. Não. Entre o puro espírito e o Universo há um verdadeiro abismo, duma profundidade e de uma extensão tão imensos, que por colossais que sejam os esforços que se empreguem, não há nada nem ninguém que consiga enchê-lo ou franqueá-lo. Reportando-me ao meu raciocínio, desafio o filósofo mais sutil, bem como o matemático mais consumado, a estabelecer uma relação, qualquer que ela seja (e, com a mais forte razão, uma relação tão direta quanto estreita, como a que liga a causa ao efeito) entre o puro espírito e o universo. O puro espírito não suporta nenhuma aliança material. O puro espírito não tem forma nem corpo, nem linha, nem matéria, nem proporções, nem extensão, nem dureza, nem profundidade, nem superfície, nem volume, nem cor, nem som, nem densidade. Ora, no Universo, tudo é forma, corpo, linho, matéria, proporção, extensão, dureza, profundidade, superfície, volume, cor, som, densidade. Como admitir que isto tenha sido determinado por aquilo? Impossível. Chegando a este ponto da minha demonstração, a conclusão seguinte: Vimos que a hipótese de um Deus verdadeiramente criador é inadmissível; que persistindo mesmo na crença desse poder, não pode admitir-se que o Universo, essencialmente material, tenha sido determinado por um puro espírito, essencialmente imaterial. Mas se os crentes se obstinam em afirmar que foi o seu Deus o criador do Universo, nos impõe-se o dever de lhes fazer esta pergunta: segundo a hipótese Deus, onde se encontrava a Matéria, na sua origem, no seu princípio? De duas, uma: ou a matéria estava fora de Deus, ou era o próprio Deus (a não ser que lhe queiram dar um terceiro lugar). No primeiro caso, se a matéria estava fora de Deus, Deus não

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teve necessidade de criá-la, visto que ela já existia; e, se ela coexistia com Deus, estava concomitantemente com ele, do que se depreende que Deus não é o criador. No segundo caso, se a matéria não estava fora de Deus, encontrava-se no próprio Deus. E, daqui, tiro a conclusão seguinte: 1º Que Deus não era puro espírito, porque encerrava em si uma partícula de matéria – e que partícula! A totalidade dos mundos materiais! 2º Que Deus, encerrando em si próprio a matéria, não teve a necessidade de criá-la, porque ela já existia. Assim, existindo a matéria, Deus não fez mais do que retirá-la de onde estava; e, neste caso, a criação deixa de ser um ato de verdadeira criação para se reduzir a um ato de exteriorização. Nos dois casos não existe, pois, criação. 3º argumento: O perfeito não pode produzir o imperfeito Estou plenamente convencido de que se eu fizer a um religioso a pergunta: ―Pode o imperfeito produzir o perfeito?‖, ele responderia sem vacilar: – Não, o imperfeito não pode produzir o perfeito! Pelas mesmas razões, e com a mesma força de exatidão, eu posso afirmar – O perfeito não pode produzir o imperfeito! Mais: entre o perfeito e o imperfeito não há somente uma diferença de grau, de quantidade, mas uma diferença de qualidade, de natureza, uma oposição essencial, fundamental, irredutível, absoluta. E mais ainda: entre o perfeito e o imperfeito não há somente um fosso, mais ou menos largo e profundo, mas um abismo tão vasto e tão estonteante, que ninguém o pode franquear ou entulhar. O perfeito é o absoluto, o imperfeito o relativo. Em presença do perfeito que é tudo, o relativo, o contingente não é nada; em presença do perfeito, o relativo não tem valor, não existe. E nem o talento de um matemático e nem o gênio de um filósofo serão capazes de estabelecer uma relação entre o relativo e o absoluto: a fortiori sustentamos a impossibilidade de evidenciar, neste caso, a rigorosa concomitância que deve necessariamente unir a Causa ao Efeito. É, portanto, impossível que o perfeito haja determinando o imperfeito. Além disso, há uma relação direta, fatal e até matemática entre uma obra e seu autor: tanto vale a obra quanto vale o autor, tanto vale o autor quanto vale a obra. E pela obra que se conhece o autor, como é pelo fruto que se conhece a árvore. Se eu examino um texto mal redigido, em que se abundam os erros de ortografa e as frases são mal construídas, o estilo é pobre e frouxo, as ideias raras e banais, e os conhecimentos inexatos, eu sou incapaz de atribuir este péssimo escrito a um burilador de frases, a um dos mestres da literatura. Se observo um desenho malfeito, em que as linhas estão mal traçadas, violadas as regras do perspectiva e da proporção, jamais me acudirá o pensamento de atribuir este esboço

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rudimentar a um professor, a um grande mestre, a um grande artista. Bem à menor hesitação direi: isto é obra de um aprendiz, de uma criança, certo de que pela obra se conhece o artista. Ora, a natureza é bela, o Universo é grandioso. E eu admiro apaixonadamente – tanto o que mais admiro – os esplendores e as magnificências que nos oferecem estes espetáculos incessantes. Mas, por muito entusiasmado que eu seja das belezas naturais, e por grande que seja a homenagem que eu lhes tribute, não me atrevo o afirmar que o Universo é uma obra sem defeitos, irrepreensível, perfeita. E não acredito que haja alguém que me desminta. Sim, o Universo é uma obra imperfeita. Consequentemente, digo: há sempre, entre uma obra e seu autor, uma relação rigorosa, íntima, matemática. Ora, se o Universo é uma obra imperfeita, o autor desta obra não pode ser senão imperfeito. Esse silogismo leva-me a admitir a imperfeição de Deus, e por consequência a negá-lo. Mas eu posso ainda raciocinar assim: ou não é Deus o autor do Universo (exprimo desta forma a minha convicção), ou o é, na suposição dos religiosos. Neste caso, sendo o universo uma obra imperfeita, vosso Deus, ó crente, é também imperfeito. Silogismo ou dilema, a conclusão do raciocínio é esta: o perfeito não pode determinar o imperfeito. 4º argumento: O ser eterno, ativo, necessário, não pode, em nenhum momento, ter estado inativo ou ter estado inútil Se Deus existe é eterno, ativo e necessário. Eterno? – É-o por definição. É a sua razão de ser. Não se pode conceber que ele esteja enclausurado nos limites do tempo. Não se pode imaginar como tendo tido começo e venha a ter fim. Não pode haver aparição e desaparição. É de sempre. Ativo? – É, e não pode deixar de ser. Segundo os religiosos, foi sua atividade que engendrou tudo quanto existe, como foi a sua atividade que se afirmou pelo gesto mais colossal e majestoso que imaginar se pode: a criação dos mundos. Necessário? – É-o e não pode deixar de ser, visto que sem a sua vontade, nada existiria: ele é o autor de todas as coisas, o ponto inicial de onde saiu tudo, a fonte única e primeira de onde tudo emanou. Bastando-se a si próprio, dependeu de sua vontade que tudo fosse tudo ou que fosse nada. Ele é, portanto: eterno, ativo e necessário. Mas eu pretendo e vou demonstrar que se Deus é eterno, ativo e necessário, também deve ser eternamente ativo, e eternamente necessário. E que, por consequência, ele não pôde, em nenhum momento, ter sido inativo ou inútil, e que enfim, ele jamais criou. Negar que Deus seja eternamente ativo equivale o dizer que nem sempre o foi, que chegou a sê-lo, que começou a ser ativo, que antes de o ser não o era. Dizer que foi pela criação que ele manifestou a sua atividade é admitir, ao mesmo tempo, que por milhares e milhares de séculos que antecederam a ação criadora, Deus esteve inativo.

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Negar que Deus seja eternamente necessário equivale a admitir que ele nem sempre o foi, que chegou a sê-lo, que começou o ser necessário e que antes de o ser não o era. Dizer que a criação proclama e testemunha a necessidade de Deus equivale a admitir, ao mesmo tempo, que, durante milhares e milhares de séculos, que seguramente precedeu a ação criadora, Deus era inútil. Deus ocioso e preguiçoso! Deus inútil e supérfluo! Que triste postura para um ser essencialmente necessário. É preciso, pois, confessar que Deus é de todo o tempo ativo e de todo o tempo necessário. Mas então Deus não pôde criar, porque a ideia de criação implica, de maneira absoluta, a ideia de começo, de origem. Uma coisa que começou é porque nem sempre existiu. Existiu necessariamente num tempo em que, antes de o ser, não o era. E, curto ou longo, este tempo foi que precedeu a coisa criada; é impossível suprimi-lo, visto que, de todos os modos, ele existe. Assim, temos de concluir: a) Ou Deus foi eternamente ativo e eternamente necessário, e só chegou a sê-lo por causa da criação (e, se é assim, antes da criação faltavam a este Deus dois atributos: a atividade e a necessidade; este Deus era um Deus incompleto; era só um pedaço de Deus e mais nada, que teve necessidade de criar para chegar a ser ativo e necessário, e completar-se). b) Ou Deus é eternamente ativo e eternamente necessário, e neste caso tem criado eternamente. A criação é eterna, e o Universo jamais começou – existiu em todos os tempos, é eterno como Deus, é o próprio Deus, com o qual se confunde. E, sendo assim, o Universo não teve princípio – não foi criado. Em conclusão: No primeiro caso, Deus antes da criação não era ativo nem era necessário: era um Deus incompleto, quer dizer, imperfeito, e, portanto, não existia. No segundo caso, sendo Deus eternamente ativo e eternamente necessário, não pôde chegar a sê-lo, como não pôde criar. É impossível sair daqui. 5º argumento: O ser imutável não criou Se Deus existe, é imutável, não se desfigura e nem se pode desfigurar. Enquanto que, na natureza, tudo se modifica, se metamorfoseia, se transforma; que nada é definitivo, mas que chega a sê-lo Deus, ponto fixo, imóvel no tempo e no espaço, não está sujeito a nenhuma modificação, não se transforma, nem pode transformar-se. É hoje o que era ontem, será amanhã o que é hoje. E tanto faz procurá-lo nos séculos passados, como nos séculos futuros: ele é, e será constantemente idêntico em si. Deus é imutável. No entanto, eu sustento que, se ele criou, não é imutável, porque, neste caso, transmudou-se duas vezes. Determinar-se a querer é mudar de posição. Ora, é evidente que há mudança entre o ser que quer uma coisa e o que, querendo-a, a põe em execução.

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Se eu desejo e quero o que eu não desejava e nem queria a quarenta e oito horas, é porque se produziu em mim, ou a minha volta, uma ou várias circunstâncias que me levaram a querêlo. Este novo desejo ou querer constitui uma modificação que não se pode por em dúvida, que é indiscutível. Paralelamente: agir, ou determinar-se a agir, é modificar-se. Esta dupla modificação – querer e agir – é tanto mais considerável e saliente quando é certo que se trata de uma resolução grave, de uma ação importante. Deus criou, dizeis vós, crentes. Então modificou-se duas vezes: a primeiro, quando se determinou a criar; a segunda, quando resolveu por em prática sua determinação, completando o gesto criador. Se ele se modificou duas vezes, não é imutável. E, se não é imutável, não é Deus – não existe. O ser imutável não criou. 6º argumento: Deus não criou sem motivo; mas é impossível encontrar um único motivo que o levasse a criar De qualquer forma que se pretende examiná-la, a criação é inexplicável, enigmática, falha de sentido. Há uma coisa que salta à vista de todos: se Deus criou, como vós dizeis, não pôde ter realizado este ato grandioso – cujas consequências deviam ser, fatalmente, proporcionais ao próprio ato, e por conseguinte incalculáveis – sem que fossem determinado por uma razão de primeiro ordem. Pois muito bem. Qual foi esta razão? Porque motivo tomou Deus a resolução de criar? Que móbil o impulsionaria a isto? Que desejo germinaria em seu cérebro? Qual seria o seu intuito? Que ideia o perseguiria? Que fim perseguiria ele? Multiplicais, nesta ordem de ideias, as perguntas; gravito, conforme quiserdes, em torno deste problema; examinai-o em todos os seus aspectos e em todos os sentidos, e eu desafio seja quem for a que o resolve em outro sentido que não seja o das incoerências. Por exemplo: Eis uma criança educada na religião cristã. O seu catecismo afirmou-lhe, e os seus mestres confirmam, que foi Deus que a criou e a colocou no mundo. Suponhamos que a criança faz a si própria a pergunta: porque é que Deus me criou e me lançou no mundo?, e que quer obter uma resposta judiciosa, racional. Nunca obterá. Suponhamos ainda que a criança, confiando na experiência e no saber de seus educadores, persuadida do caráter sagrado de que eles – padres ou pastores – estão revestidos, possuindo luzes especiais e graças particulares; convencido de que, pela sua santidade, estão mais próximos de Deus e, portanto, melhores iniciados que elas nas verdades reveladas; suponhamos que esta criança tem a curiosidade de perguntar aos seus mestres por que e para que Deus a criou e a pôs no mundo, e eu afirmo que os mestres são incapazes de contestar a essa simples interrogação com uma resposta plausível, sensata. Não lhe poderão dar, porque, em verdade, ela não existe.

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Mas, rodeemos bem a questão e aprofundemos o problema. Com o pensamento, examinaremos Deus antes da criação. Tomemo-lo mesmo no seu sentido absoluto. Está completamente só; bastando-se a si próprio. E perfeitamente sábio, perfeitamente feliz, perfeitamente poderoso. Ninguém lhe pode acrescentar sabedoria, ninguém lhe pode aumentar a felicidade, ninguém lhe pode fortificar o poderio. Este Deus não experimenta nenhum desejo, visto que a sua felicidade é infinita. Não pode perseguir nenhum fim, visto que nada falta à sua perfeição. Não pode ter nenhum intuito, visto que nada falta ao seu poder. Não pode determinar-se a fazer seja o que for, visto que não tem nenhuma necessidade. Eia! Filósofos profundos, pensadores sutis, teólogos prestigiosos, respondei a esta criança que vos interroga e dizei-lhe por que é que Deus a criou e lançou no mundo! Eu estou tranquilo. Vós não lhe podeis responder, a não ser que lhe digais: ―Os mistérios de Deus são impenetráveis‖! – e aceitais esta resposta como suficiente. E fareis bem, abstendovos de lhes dar outra resposta, porque esta outra resposta – previno-vos caritativamente – cava a ruína de vosso sistema e o derribamento de vosso Deus. A conclusão impõe-se, lógica, impiedosa: Deus, se criou, criou sem motivos, sem saber por que, sem ideal. Sabeis onde nos conduzem as consequências de tal conclusão? Vamos vê-las. O que diferencia os atos de um homem dotado de razão dos atos de um louco, o que determina que um seja responsável e o outro irresponsável, é que um homem dotado de razão sabe sempre – ou pode chegar o sabê-lo – quando procede, quais são os móbiles que o impulsionam, quais são os motivos que o levam a praticar aquilo que pensava. Quando se trata de uma ação importante, cujas consequências podem hipotecar gravemente as suas responsabilidades, é preciso que o homem entre na posse de sua razão, se concentre, se entregue a um sério exame de consciência, persistente e imparcial, exame que, pelas suas recordações, reconstitua o quadro dos acontecimentos de que ele foi agente. Em resumo, é preciso que ele procure reviver as horas passadas para que possa discernir quais foram as causas e o mecanismo dos movimentos que o determinaram a obrar. Frequentemente, não pode vangloriar-se das causas que o impulsionaram, e que, amiúde, o levam a corar de vergonha. Mas, quaisquer que sejam os motivos, nobres ou vis, generosos ou grosseiros, ele chega sempre o descobri-los. Um louco, pelo contrário, precede sem saber por que; e, uma vez realizado o ato, por grandes que sejam as responsabilidades que dele possam deriva-se, interrogai-o, encerrai-o, se quiserdes, numa prisão, e apertai-o com perguntas: o pobre demente não vos balbuciará senão coisas vagas, verdadeiras incoerências. Portanto, o que diferencia os atos de um homem sensato de um homem insensato, é que os atos dos primeiros podem explicar-se, tem uma razão de ser, distinguem-se neles a causa e o efeito, a origem e o fim, enquanto que os atos do segundo não se podem explicar, porque um louco é incapaz de discernir a causa e o que o levam a realizá-los. Pois bem! Se Deus criou sem motivo, sem fim, procedeu como um louco. E, neste caso, a criação aparece-nos como um ato de demência. Duas objeções capitais Para terminar com o Deus da criação, parece-me indispensável examinar duas objeções.

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Os leitores sabem muito bem, sobre este assunto, abundam objeções. Por isso quando falo em duas objeções, refiro-me a duas objeções capitais clássicas. Estas duas objeções têm tanto mais importância quanto é certo que, com a beldade da discussão, se podem englobar todas as outras nestas duas. 1ª objeção: “Deus escapa-vos!” Dizem-me: ―O senhor não tem o direito de falar de Deus segundo a forma que o faz. O senhor não nos apresenta senão um Deus caricaturado, sistematicamente reduzido a proporções que seu cérebro abarca. Esse Deus não é nosso Deus. O nosso Deus não o pode o senhor concebê-lo, visto que lhe é superior, escapando por isso à suas faculdades intelectuais. Fique sabendo que o que é fabuloso, gigantesco para o homem mais forte e mais inteligente, é para Deus um simples jogo de crianças. Não se esqueça que a Humanidade não pode mover-se no mesmo plano que a Divindade. Não perca de vista que é tão impossível ao homem compreender a maneira como Deus procede, como os minerais imaginar como vivem os vegetais, como os vegetais conceber o desenvolvimento dos animais, e como os animais saber como vivem e operam os homens. Deus paira a umas alturas que o senhor é incapaz de atingir ocupa montanhas inacessíveis ao senhor. Qualquer que seja o grau de desenvolvimento de uma inteligência humana; por muito importante que seja o esforço realizado por essa inteligência; seja qual for a persistência deste esforço, jamais poderá elevar-se até Deus. Lembre-se, enfim, que, por muito vasto que seja o cérebro do homem, ele é finito, não podendo, por consequência, conceber Deus, que é infinito. Tenha, pois a lealdade e a modéstia de confessar que não lhe é possível compreender nem explicar, não o cabe o direito de negar‖. Eu respondo aos deístas: Dais-me conselhos de humildade que estou disposto a aceitar. Fazeis me lembrar que sou um simples mortal, o que legitimamente reconheço e não procuro olvidar-me. Dizeis-me que Deus me ultrapassa e que o desconheço. Seja. Consinto em reconhecê-lo; afirmo mesmo que o finito não pode compreender o infinito, porque é uma verdade tão certa e tão evidente, que não está em meu ânimo fazer-lhe qualquer oposição. Vede, pois, até aqui estamos de acordo, com o que espero, ficareis muito contentes. Somente, senhores deístas, permiti que, por meu turno, eu vos dê os mesmos conselhos de humildade, para terdes a franqueza de me responder estas perguntas: Vós não sois homens como a mim? A vós, Deus não se depara como para a mim? Esse Deus não vos escapa como a mim? Tereis vós a pretensão de moverdes no mesmo plano da divindade? Tereis igualmente a mania de pensar e a loucura de crer que, de um voo, podereis chegar às alturas que Deus ocupa? Sereis presunçosos ao extremo de afirmar que o vosso cérebro, o vosso pensamento que é finito, possa compreender o infinito? Não vos faço a injuria, senhores deístas, de acreditar que sustentais uma extravagância venal. Assim, pois, tende a modéstia e a lealdade de confessar que, se me é impossível compreender e explicar Deus, vós tropeçais no mesmo obstáculo. Tende, enfim, a probidade de reconhecer que, se eu não posso conceber nem explicar Deus, não o podendo, portanto, negar, a vós,

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como a mim, não vos é permitido concebê-lo e não tendes, por consequência, o direito de afirmá-lo. Não julgueis, no entanto, que, por causa disto, ficamos na mesma situação que antes. Foste vós que, primeiramente, afirmastes a existência de Deus; deveis, pois, ser os primeiros a pôr de parte vossas afirmações. Sonharia eu, alguma vez, com negar a existência de Deus, se vós não tivésseis começado a afirmá-la? E se, quando eu era criança, não me tivessem imposto a necessidade de acreditar nele? E se, quando adulto, não tivesse ouvido afirmações nesse sentido? E se, quando homem, os meus olhos não tivessem constantemente contemplado os templos elevados a esse Deus? Foram as vossas afirmações que provocaram as minhas negações. Cessai de afirmar que eu cessarei de negar. 2ª objeção: “Não há efeito sem causa” A segunda objeção parece-nos mais invulnerável. Muitos indivíduos consideram-na ainda sem réplica. Esta objeção provém dos filósofos espiritualistas: Não há efeito sem causa. Ora, o Universo é um efeito; e, como não há efeito sem causa, esta causa é Deus. O argumento é bem apresentado; parece, mesmo, bem construído e bem carpintejado. O que resto saber é se tudo quanto ele encerra é verdadeiro. Em boa lógica, este raciocínio chama-se silogismo. Um silogismo é um argumento composto por três proposições: a maior, a menor e a consequência, e compreende duas partes: as premissas, constituídas pelas duas primeiras proposições e a conclusão, representada pela terceira. Para que um silogismo seja inatacável, é preciso: 1º que a maior e a menor sejam exatas; 2º que a terceira proposição dimane logicamente as duas primeiras. Se o silogismo dos filósofos espiritualistas reúne estas duas condições, é irrefutável e nada mais me resta senão aceitá-lo; mas, se lhe falta uma só dessas condições, então o silogismo é nulo, sem valor, e o argumento destrói-se por si mesmo. A fim de conhecer o seu valor, examinemos as três proposições que o compõe. 1ª proposição (maior): ―Não há efeito sem causa‖. Filósofos, tendes razão. Não há efeito sem causa: nada mais exato. Não há, não pode haver, efeito sem causa. O efeito não é mais do que a continuação, o prolongamento, o limite da causa. Quem diz efeito diz causa. A ideia de efeito provoca, necessariamente e imediatamente a ideia de causa. Se, ao contrário, se concebe um efeito sem causa, isto seria o efeito do nada, o que equivaleria a crer no absurdo. Sobre esta primeira proposição, estamos, pois, de acordo. 2ª proposição (menor): ―Ora, o Universo é um efeito‖. Antes de continuar, peço explicações:

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Sobre o que se apoia esta afirmação tão franca e tão categórica? Qual o fenômeno, ou conjunto de fenômenos, na qual a verificação, ou conjunto de verificações, que permitem uma afirmação tão rotunda? Em primeiro lugar, comecemos suficientemente o Universo? Temo-lo estudado profundamente, temo-lo examinado, investigado, compreendido, para que nos seja permitido fazer afirmações desta natureza? Temos penetrado nas suas entranhas e explorado os seus espaços incomensuráveis? Já descemos a profundeza do oceano? Conhecemos todos os domínios do Universo? O Universo já nos declarou todos os seus segredos? Já lhe arrancamos todos os véus, penetramos todos os seus mistérios, descobrimos todos os seus enigmas? Já vimos tudo, apalpamos tudo, sentimos tudo, entendemos tudo, observamos tudo, afrontamos tudo? Não temos nada mais que aprender? Não nos resta nada mais que descobrir? Em resumo, estamos em condições de fazer uma apreciação formal do Universo? Supomos que ninguém ousará responder afirmativamente a todas estas questões; e seria digno de lástima todo aquele que tivesse a tenebridade e a insensatez de afirmar que conhece o Universo. O Universo! – quer dizer não somente este ínfimo planeta que habitamos e sobre o qual se arrastam as nossas carcaças; não somente os milhões de astros que conhecemos e que fazem parte do nosso sistema solar, ou que descobrimos com o decorrer dos tempos, mas ainda, esses mundos, aos quais, com conjectura, conhecemos a existência, mas cuja distancia e o número restam incalculáveis! Se eu dissesse ―o universo é uma causa‖, tenho a certeza que desencadeariam imediatamente contra mim as vaias e os protestos de todos os religiosos; e, todavia, a minha afirmação não era mais descabelada que a deles. Eis tudo. Se me inclino sobre o Universo, se o observo quanto me permitir o homem contemporâneo, os conhecimentos adquiridos, verificarei que é um conjunto inacreditavelmente complexo e denso, uma confusão impenetrável e colossal de causas e de efeitos que se determinam, se encadeiam, se sucedem, se repetem e se interpenetram. Observarei que o todo leva uma cadeia sem fim, cujos elos estão indissoluvelmente ligados. Certificar-me-ei de que cada um destes elos é, por sua vez, causa e efeito: efeito da causa que o determinou, causa do efeito que se lhe segue. Quem poderá dizer: ―Eis aqui o primeiro elo – o elo causa‖? Quem poderá afirmar: ―Eis o último elo – elo efeito‖? E quem poderá ainda dizer: ―Há necessariamente uma causa número um e um efeito número… último‖? À segunda proposição, ―ora, o Universo é um efeito‖, falta-lhe uma condição indispensável: a exatidão. Por consequência, o famoso silogismo não vale nada. Acrescento mesmo que, no caso em que esta segunda proposição fosse exata, faltaria estabelecer, para que a conclusão fosse aceitável, se o Universo é o próprio efeito de uma Causa única, de uma Causa primeira, da Causa das Causas, de uma Causa sem Causa, da Causa eterna. Espero, sem me inquietar, esta demonstração, porque é uma demonstração que se tem desejado muitas vezes, sem que ninguém no-la desse; é também uma demonstração, da qual

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se pode afirmar, sem receio de desmentido, que jamais poderá se estabelecer de uma forma séria, positiva e científica. Por último: admitindo que o silogismo fosse irrepreensível, ele poderia voltar-se facilmente contra a tese do Deus-Criador, colocando-se a favor da minha demonstração. Expliquemos: ―não há efeito sem causa!‖ – Seja! – ―o Universo é um efeito!‖ – De acordo! – ―Logo este efeito tem uma causa e é esta causa que chamamos Deus! – Pois seja! Mas não vos entusiasmeis, deístas; escutai-me, porque ainda não triunfastes. Se é evidente que não há efeito sem causa, é também rigorosamente exato que não há causa sem efeito. Não há, não pode haver, causa sem efeito. Que diz causa, diz efeito. A ideia de causa implica necessariamente e chama a ideia de efeito. Porque uma causa sem efeito seria uma causa do nada, o que seria tão absurdo quanto o efeito do nada. Que fique, pois, bem entendido: não há causa sem efeito. Vós, deístas, afirmais, enfim, que o Deus-Causa é eterno. Desta afirmação concluo que o Universo-Efeito é igualmente eterno, visto que a uma causa eterna, corresponde, indubitavelmente, a um efeito eterno. Se pudesse ser de outro modo, quer dizer, se o Universo tivesse começado, durante os milhares e milhares de séculos que, talvez, precederam a criação do Universo, Deus teria sido uma causa sem efeito, o que é impossível; uma causa de nada, o que seria absurdo. Em conclusão: se Deus é eterno, o Universo também o é: e, se o Universo também é eterno, é porque ele nunca principiou, é que jamais foi criado. É clara a demonstração? Segunda série de argumentos: Contra o Deus-governador

7º argumento: O governador nega o criador São muitíssimos – formam legiões – os indivíduos que, apesar de tudo, se obstinam em crer. Concebo que, a rigor, se possa crer na existência de um criador perfeito, como também concebo que se possa crer na existência de um governador necessário. Mas, o que me parece impossível é que, ao mesmo tempo, se possa crer racionalmente num e noutro, porque estes dois seres perfeitos se excluem categoricamente: afirmar um é negar o outro; proclamar a perfeição do primeiro é confessar a inutilidade do segundo; sustentar a necessidade do segundo é negar a perfeição do primeiro. Por outras palavras: pode-se crer na perfeição ou na necessidade do outro; mas o que não tem a menor sombra de lógica é crer na perfeição dos dois. É preciso, pois, escolher qualquer deles. Se o Universo criado por Deus tivesse sido uma obra perfeita; se, no seu conjunto, como nos seus pormenores, esta obra não apresentasse nenhum defeito; se o mecanismo desta criação gigantesca fosse irrepreensível; se a sua perfeição fosse de modo que a ninguém despertasse a menor suspeita de qualquer desarranjo ou de qualquer avaria; se, enfim, a obra fosse digna

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deste operário genial, deste artista incomparável, desse construtor fantástico a que chamam Deus, a necessidade de um governador nunca se teria sentido. É que é lógico supor que, uma vez a formidável máquina fosse posta em movimento, nada mais haveria a fazer do que abandoná-la a si própria, visto que os acidentes seriam impossíveis. Não seria preciso este engenheiro, este mecânico, para vigiar a máquina, para a dirigir, para a reparar, para a afinar, enfim. Não, este engenheiro seria inútil, este mecânico não teria razão de ser. E, neste caso, o Deus-Governador era também inútil. Se o Governador existe, é porque a sua intervenção, a sua vigilância são indispensáveis. A necessidade do Governador é como que um insulto, como um desafio lançado ao Criador; a sua intervenção corrobora o desconhecimento, a incapacidade, a impotência desse criador. O Deus-Governador nega a perfeição do Deus-Criador. 8º argumento: A multiplicidade dos deuses prova que não existe nenhum deles O Deus-Governador é, e não pode deixar de ser, poderoso e justo, infinitamente poderoso e infinitamente justo. Ora, eu afirmo que a multiplicidade das religiões atesta que falta a este Deus poder ou justiça, se não, ambas as coisas. Não falemos dos deuses mortos, dos cultos abolidos, das religiões esquecidas, que se contam por milhares e milhares. Falemos somente das religiões de nossos dias. Segundo os cálculos mais bem fundados, há, presentemente, oitocentas religiões, que se disputam o império das mil e seiscentas milhões de consciências que povoam o nosso planeta. Ninguém pode duvidar que cada uma destas religiões reclama para si privilégio de que só o seu Deus é que é o verdadeiro, autêntico, o indiscutível, o único, e que todos os outros Deuses são Deuses risíveis, Deuses falsos, Deuses de contrabando e de pacotilha, e que, portanto, é uma obra piedosa combatê-los e pulverizá-los. A isto, ajunta: Se em vez de oitocentas religiões, não houvesse senão cem ou dez, ou duas, o meu argumento teria o mesmo valor. Pois bem, afirmo novamente que a multiplicidade destes Deuses atesta que não existe nenhum, certificando, ao mesmo tempo, que Deus não é todo-poderoso nem sumamente justo. Se fosse poderoso teria podido falar a todos os indivíduos com a mesma facilidade com que falou isoladamente a alguns. Ter-se-ia mostrado, ter-se-ia revelado a todos sem empregar mais esforços do que o que empregou para se apresentar a poucos. Um homem – qualquer que seja – não pode mostrar-se nem falar senão a um número reduzido de indivíduos: os seus órgãos vocais têm uma persistência que não pode exceder certos limites. Mas Deus… Deus pode falar a todos os indivíduos – por muito grande que seja o número – com a mesma facilidade que falaria a uns poucos. Quando se eleva, a voz de Deus pode e deve perpetuar-se nos quatro pontos cardeais! O verbo divino não conhece distâncias nem obstáculos. Atravessa os oceanos, escala as alturas, franqueia os espaços, sem a menor dificuldade.

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E visto que ele quis – é a religião que o afirma – falar com os homens, revelar-se-lhes, confiarlhes os seus desejos, indicar-lhes a sua vontade, fazer-lhes conhecer a sua lei, bem teria podido fazê-lo a todos e não a um punhado de privilegiados. Mas Deus não fez assim, visto que uns o negam, outros o ignoram, e outros, enfim, opõe tal Deus a tal outro Deus dos seus concorrentes. Nestas condições não será mais sensato pensar que ele não falou a ninguém, e que as múltiplas revelações que me atribuem, não são, senão, múltiplas imposturas, ou arma que, se ele falou a uns poucos, é porque era incapaz de falar com todos? Sendo assim, eu acuso-o de impotência. E se não quiserdes que o acuse de impotência, acusoo de injustiça. Que pensar, com efeito, de um Deus que se mostra a um reduzido número e que se esconde das outras? Que pensar de um Deus que fala para uns e que, para outros, guarda o mais profundo silêncio? Não esqueçais que os representantes desse Deus afirmam que ele é o pai de todos: e que todos, qualquer que seja o seu título ou grau, são os filhos bem amados desse Pai que reina lá no céu! Pois, muito bem, que pensais desse pai que, exuberante da ternura para alguns privilegiados, os desperta, revelando-se-lhes evitando-se as angustias da dúvida, arrancando-o das torturas da hesitação, enquanto que, violentamente, condena a maioria de seus filhos aos tormentos da incerteza? Que pensais desse pai que, no meio de seu esplendor de Majestade, se mostra a uma parte de seus filhos, enquanto que, para a outra, fica envolto nas mais profundas trevas? Que pensais desse pai que, exigindo de seus filhos a prática de um culto, com o seu contingente de respeitos e adorações, chama só alguns deles para escutarem a sua palavra de Verdade, enquanto que, com um propósito deliberado, nega aos demais esta distinção, este insigne favor? Se julgais que este pai é justo e bom, não vos surpreendas com a minha apreciação, que é muito diferente: A multiplicidade de religiões proclama que a Deus faltou poder ou justiça. Ora, Deus deve ser infinitamente poderoso e infinitamente justo – são os religiosos que o afirmam. E se lhe falta um destes dois atributos – poder ou justiça – não é perfeito: não sendo perfeito, não tem razão de ser, não existe. A multiplicidade dos Deuses e das religiões demonstra que não existe nenhum deles. 9º argumento: Deus não é infinitamente bom: é o inferno que o prova O Deus-Governador ou Providência é, deve ser, infinitamente bom, misericordioso. Mas a existência do Inferno demonstra-nos que não é assim. infinitamente

Atentai bem ao meu raciocínio: Deus podia – porque é livre – não nos ter criado; mas criounos. Deus podia – porque é todo poderoso – ter-nos criado todos bons; mas criou-nos bons e maus. Deus podia – porque é bom – admitir-nos todos, após a morte, no seu Paraíso, contentando-se, como castigo, com o tempo de sofrimento e atribulações que passamos na Terra. Deus podia, em suma – porque é justo – não admitir em seu Paraíso senão os bons, recusando ali lugar aos perversos; mas, neste caso, deveria destruir totalmente os maus com a morte, e jamais condená-lo aos sofrimentos do Inferno. E isto porque quem pode criar, pode destruir; quem tem poder para dar a vida, também tem o poder para tirá-la, para aniquilá-la.

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Vejamos: vós não sois deuses. Vós não sois infinitamente bons, nem infinitamente misericordiosos. Sem vos atribuir qualidades que não possuís, eu tenho a certeza de que, se estivesse em vossas mãos – sem que isso vos exigisse um grande esforço, e sem que, de aí, resultasse para nós algum prejuízo moral ou material – evitar a um ser humano uma lágrima, uma dor, um sofrimento, eu tenho a certeza, repito, que o faríeis imediatamente, sem vacilar nem titubear. E, todavia, vós não sois infinitamente misericordiosos. Sereis, por acaso, melhores e mais misericordiosos que o Deus dos cristãos? Porque, enfim, o Inferno existe. A Igreja faz alarde dele: é a horrível visão, com a ajuda da qual semeia o pavor no cérebro das crianças e dos velhos, e entre os pobres de espírito e os medrosos; é o espectro que se estala na cabeceira dos moribundos, na hora em que a morte os arrebata toda a coragem, toda a energia, toda a lucidez. Pois bem, o Deus dos cristãos, esse Deus que dizem cheio de piedade, de perdão, de indulgência, de bondade e de misericórdia, precipita para todo o sempre, uma parte dos seus filhos, num antro de torturas as mais cruéis, e de suplicias as mais horrendas. Oh! Como ele é bom! Como ele é misericordioso! Vós conheceis certamente estas palavras das escrituras: ―Muitos serão os chamados, mas poucos os eleitos‖. Bem abusos do seu valor, estas palavras significam que o número de salvos será ínfimo, enquanto que o número de condenados há de ser considerável. Esta afirmação é de uma crueldade tão monstruosa que os deístas têm procurado dar-lhe um outro sentido. Mas pouco importa: o Inferno existe, e é evidente que os condenados – muitos ou poucos – aí sofrerão os mais dolorosos tormentos. Agora, pergunto eu: a quem podem beneficiar os tormentos dos condenados? Aos eleitos? – Evidente que não. Por definição, os eleitos serão os justos, os virtuosos, os fraternais, os compassivos: e seria absurdo supor que a sua felicidade, já incomparável, pudesse ser aumentada com o espetáculo de seus irmãos torturados. Aos próprios condenados? – também não, porque a igreja afirma que o suplicio desses desgraçados jamais acabará; e que, pelos séculos dos séculos, os seus sofrimentos serão tão horripilantes como no primeiro dia. Então?… Então, aparte os eleitos e aparte os condenados, não há senão Deus, não pode haver senão ele. É, pois, Deus, quem obtém benefícios aos sofrimentos dos condenados? É, pois, ele, esse pai infinitamente bom, infinitamente misericordioso, que se regozija sadicamente com as dores e que voluntariamente condena os seus filhos? Ah! Se isto é assim, esse Deus aparece-nos como carrasco mais feroz, como o inquisidor mais implacável que imaginar se pode. O inferno prova que Deus não é bom nem misericordioso – a existência de um Deus de bondade é incompatível com a existência do inferno. E de duas uma: ou o inferno não existe, ou Deus não é infinitamente bom. 10º argumento: O problema do mal É o problema do mal que me fornece material para o meu último argumento contra o DeusGovernador, e, simultaneamente, para o meu primeiro argumento contra o Deus-justiceiro.

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Eu não digo que a existência do mal – mal físico e mal moral – seja incompatível com a existência de Deus; o que digo é que é incompatível com o mal a existência de um Deus infinitamente poderoso e infinitamente bom. O argumento é conhecido, ainda que o não seja senão pelas múltiplas refutações – sempre impotentes – que se lhes tem apresentado. Remontam-no a Epicuro. Tem, portanto, mais de vinte séculos de existência: mas, por velho que seja, conserva ainda todo o seu vigor. Esse argumento é o seguinte: O mal existe. Todos os seres sensíveis conhecem o sofrimento. Deus, que tudo sabe, não pode ignorá-lo. Pois bem, de duas, uma: Ou Deus quer suprimir o mal e não pode; ou Deus pode suprimir o mal e não quer. No primeiro caso, Deus pretendia suprimir o mal, porque era bom, porque compartilhava das dores que nos aniquilam, porque participava dos sofrimentos que suportamos. Ah! Se isso dependesse dele! O mal seria suprimido e a felicidade reinaria sobre a Terra… Mais uma vez Deus é bom, mas não pode suprimir o mal – não é todo poderoso. No segundo caso, Deus podia suprimir o mal. Bastava que o quisesse para que o mal fosse abolido. Ele é todo poderoso e não quer suprimir o mal; portanto, não é infinitamente bom. Aqui, Deus é todo poderoso, mas não é bom; acolá, Deus é bom mas não é todo poderoso. Para admitir a existência de Deus, não basta que ele possua uma destas perfeições: poder ou bondade. É indispensável que possua as duas. Este argumento nunca foi refutado. Entendamo-nos: ao dizer nunca foi refutado quero dizer que, racionalmente, ninguém a pode ainda refutar, embora tenham ensaiado isso muitas vezes. O ensaio de refutação mais conhecido é este: Vós apresentais em termos errôneos o problema do mal. É um equivoco atirar para cima de Deus toda a responsabilidade. Bem, é certo que o mal existe – é inegável; mas só o homem é responsável por ele. Deus não quis que o homem fosse um autômato, uma máquina, que obedece cega e fatalmente. Ao criá-lo, Deus deu-lhe completa liberdade – fez dele um ser inteiramente livre; e, conforme com essa liberdade, que generosamente lhe outorgou, concedeu-lhe a faculdade de fazer dela, em todas as circunstâncias, o uso que quisesse. E se o homem, em vez de fazer uso nobre e justiceiro deste bem inestimável, faz dele um uso criminoso, porque seria injusto: devemos acusar mais é o homem, o que é razoável. Eis a clássica objeção. Que é que ela vale? Nada! Eu explico-me: façamos distinção entre o mal físico e o mal moral. O mal físico é a doença, o sofrimento, o acidente, a velhice, com o seu cortejo de vícios e enfermidades; é a morte, que implica perda de seres que amamos. Há crianças que nascem e que morrem, dias depois de seu nascimento, e cuja vida foi um sofrimento permanente. Há uma enorme multidão de seres humanos para quem a vida não é mais do que uma longa série de dores e aflições: seria preferível que não tivessem nascido. E, na ordem natural, as epidemias, os cataclismos, os incêndios, as secas, as inundações, as tempestades, a fome, constituem uma soma de trágicas fatalidades que originam a dor e a morte. Quem ousará dizer que o homem é o responsável por este mal físico? Quem não compreende que se Deus criou o Universo, dotando-o com as formidáveis leis que o regem, o mal físico não

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é senão uma destas fatalidades que resultam de um jogo normal das forças da natureza? Quem não compreende que o autor responsável destas calamidades é, com toda a certeza, quem criou o Universo e quem o governa? Suponho que, sobre este ponto, não há contestação possível. Deus que governa o Universo, é o responsável pelo mal físico. Esta resposta seria suficiente, e, no entanto, vou continuar. Eu entendo que o mal moral é tão imputável a Deus quanto o mal físico. Se Deus existe, foi ele que presidiu à organização do mundo físico. Por conseqüência, o homem, vítima do mal moral, como do mal físico, não pode ser responsável por um nem por outro. Vamos, pois, ver agora na terceira e última série de argumento, o que tenho a dizer sobre o mal moral. Terceira serie de argumentos: Contra o Deus justiceiro

11º argumento: Irresponsável, o homem não pode ser castigado nem recompensado Que somos nós? Presidimos às condições de nosso nascimento? Fomos consultados sobre se queríamos nascer? Fomos chamados a traçar o nosso destino? Tivemos, sobre qualquer destas questões, voz ou voto? Se cada um de nós tivesse voz e voto para escolher, desde o nascimento, a saúde, a força, a beleza, a inteligência, a coragem, a bondade, etc…, seguramente que todos estes benefícios nos teríamos outorgado. Cada um de nós seria, então, em resumo de todas as perfeições, uma espécie de Deus em miniatura. Mas, afinal, que somos nós? Somos aquilo que queríamos ser? Não, incontestavelmente. Na hipótese Deus, somos – visto que foi ele que nos criou – aquilo que ele quis que fôssemos. Deus é livre, não podia nos ter criado. Ou podia ter-nos criado menos perversos, porque é bom. Ou, então, podia ter-nos criado virtuosos, bem comportados, excelentes, enchendo-nos de todos os dotes físicos, intelectuais e morais, porque é todo poderoso. Pela terceira vez: Que somos nós? Somos o que Deus quis que fôssemos, visto que ele criounos segundo o seu capricho e o seu gosto. Se se admite que Deus existe e que foi ele que nos criou, não se pode dar outra resposta a pergunta ―quem somos nós?‖. Com efeito, foi Deus que nos deu os sentidos, as faculdades de compreensão, a sensibilidade, os meios de perceber, de sentir, de raciocinar, de agir. Ele previu, quis determinar as nossas condições de vida; coordenou as nossas necessidades, os nossos desejos, as nossas paixões, as nossas crenças, as nossas esperanças, os nossos ódios, as nossas ternuras, as nossas aspirações. Toda a máquina humana corresponde àquilo que ele quis. Ele arranjou e concebeu todas as peças do meio em que vivemos, preparando todas as circunstâncias que, a cada momento, dão um assalto a nossa vontade, determinando as nossas ações. Perante este Deus formidavelmente armado, o homem é, portanto, irresponsável.

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O que não está sob a dependência de ninguém é inteiramente livre; o que está um pouco sob dependência de um outro é um pouco escravo, e livre só para a diferença; o que está muito sob a dependência de um outro é muito escravo, e não é livre senão para o resto; enfim, o que esta em absoluto sob a dependência de outro, é totalmente escravo, não gozando de nenhuma liberdade. Se Deus existe, é nesta última postura – a do escravo – que o homem se encontra em relação a Deus; e sua escravidão é tanto maior quanto maior for o espaço entre o Senhor e ele. Se Deus existe, só ele é que sabe, pode, quer, só ele é livre. O homem nada sabe, nada pode, nada quer, a sua dependência é completa. Se Deus existe, ele é tudo – o homem, nada. O homem, submetido a esta escravidão, aniquilado sob a dependência, plena e inteira de Deus, não pode ter nenhuma responsabilidade. E, se o homem é irresponsável, não pode ser julgado. Todo o julgamento implica um castigo ou uma recompensa; mas os atos de um irresponsável, não possuindo nenhum valor moral, estão isentos de qualquer responsabilidade. Os atos de um irresponsável podem ser úteis ou prejudiciais. Moralmente não são bons nem maus, como não são meritórios nem repreensíveis; julgados equitativamente, não podem ser recompensados nem castigados. Portanto, Deus, erigindo-se em justiceiro, castigando e recompensando o homem irresponsável, não é mais do que um usurpador, que se arroga um direito arbitrário, usando dele contra toda a justiça. Do que fica escrito, concluo: a) Que a responsabilidade do mal moral é imputável a Deus, como igualmente lhe é imputável a responsabilidade do mal físico; b) Que Deus é um juiz indigno, porque, sendo o homem irresponsável, não pode ser castigado nem recompensado. 12º argumento: Deus viola as regras fundamentais de equidade Admitamos por um instante que o homem é responsável, e veremos como, dentro desta hipótese, a justiça divina viola constantemente as regras mais elementares da equidade. Se se admite que a prática de justiça não pode ser exercida sem uma sanção; que o magistrado tem, por mandato, fixá-la; e que há uma regra, segundo o qual o sentimento deve pronunciar-se unanimemente, é evidente que, da mesma forma, tem de haver uma escala de mérito e culpabilidade, assim como uma escala de recompensas e de castigos. Admitindo este princípio, o magistrado que melhor pratica a justiça é aquele que proporciona o mais exatamente possível a recompensa ao mérito e o castigo a culpabilidade. E o magistrado ideal, impecável, perfeito, seria aquele que estabelece uma relação rigorosamente matemática entre o ato e a sanção. Eu penso que esta regra elementar de justiça é acerta por todos. Pois bem, Deus, distribuindo o Céu e o Inferno, finge conhecer esta regra e viola-a. Qualquer que seja o mérito do homem, esse mérito é limitado (como o próprio homem); e, no entanto, a sanção da recompensa não o é: o Céu não tem limites, ainda que não seja senão pelo seu caráter de perpetuidade. Qualquer que seja a culpabilidade do homem, esta culpabilidade é limitada (como o próprio

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homem); e, no entanto, o castigo não o é: o Inferno o é: o Inferno é ilimitado, ainda que não seja senão pelo seu caráter de perpetuidade. Há, pois, uma grande desproporção entre o mérito e a recompensa, entre a falta e a punição: o mérito e a falta são limitados, enquanto que a recompensa e o castigo são ilimitados. Deus viola, pois, as regras fundamentais da equidade. Finda aqui a minha tese. Resta-me apenas recapitulá-la e conclui-la. Recapitulação Prometi uma demonstração terminante, substancial, decisiva, da inexistência de Deus. Creio poder afirmar que cumpri esta promessa. Não percais de vista que eu não me propus dar-vos um sistema do Universo que tornasse inútil todo o recurso à hipótese de uma Força sobrenatural, de uma Energia ou de uma Potência extra mundial, de um Princípio superior ou anterior do Universo. Tive a lealdade, como era o meu dever, de vos dizer com toda a franqueza: apresentado assim, o problema não admite, dentro dos conhecimentos humanos, nenhuma solução definitiva; e que a única atitude que convém aos princípios refletidos e razoáveis é a expectativa. O Deus que eu quis negar e do qual posso dizer que neguei a possibilidade é o Deus, é o Deus das religiões, o Deus Criador, Governador e Justiceiro, o Deus infinitamente sábio, poderoso, justo e bom, que os padres e os pastores se jactam de representar na Terra e que tentam impor a sua veneração. Não há, não pode haver, equívoco. E este Deus que é preciso defender dos meus ataques. Toda a discussão sobre outro terreno – e previno-vos disto, porque é necessário que vos ponhais em guarda contra as insídias do adversário – será apenas uma diversão, e, ainda mais: a prova provada de que o Deus das religiões não pode ser defendido nem justificado. Provei que Deus, como criador, é inadmissível, imperfeito, inexplicável; estabeleci que Deus, como governador, é inútil, impotente, cruel, odioso, despótico; demonstrei que Deus, como justiceiro, é um magistrado indigno, pois que viola as regras essenciais da mais elementar equidade. Conclusão Tal é, portanto, o Deus que, desde tempos imemoriais, nos tem ensinado e que ainda hoje se ensina às crianças, tanto nas escolas como nos lares. E que de crimes se tem cometido em nome dele! Que de ódios, guerras, calamidades tem sido furiosamente desencadeados pelos seus representantes! Esse Deus de tanto sofrimento não tem sido a causa! E quantos males provoca ainda hoje! Há quantos séculos a religião traz a humanidade curvada sob a crença, espojada na superstição, prostrada resignadamente! Não chegará jamais o dia em que, deixando de crer na justiça eterna, nas suas sentenças imaginárias, nas suas recompensas problemáticas, os seres humanos começam a trabalhar com um ardor infatigável pelo vento de uma justiça imediata, positiva e fraternal sobre a

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Terra? Não soará jamais a hora em que, desiludidos das consolações e das esperanças falazes que lhes sugere a crença de um paraíso compensador, os seres humanos comecem a fazer do nosso planeta do Éden de abundância, de paz e de liberdade, cujas portas estejam fraternalmente abertas para todos? Há muito tempo que o contrato social é inspirado num Deus sem justiça, como há muito tempo que ele se inspira numa justiça sem Deus. Há muito tempo que as relações entre os países e os indivíduos dimanam num Deus sem filosofia, como há muito tempo que elas dimanam uma filosofia sem Deus. Há muitos séculos que monarcas, governos, castas, padres, condutores do povo e diretores de consciências, tratam a humanidade como um vil rebanho de cordeiros, para, em último lugar, serem esfolados, devorados, atirados ao matadouro. Há séculos que os deserdados suportam passivamente a miséria e a servidão, graças ao milagre procedente do Céu e à visão horrorosa do inferno. É preciso acabar com este odioso sortilégio, com esta burla abominável. Tu, leitor, que me lês, abre os olhos, examina, observa, compreende. O Céu de que te falam sem cessar; o Céu com a ajuda do qual procuram insensibilizar a tua miséria, anestesiar os teus sofrimentos e afogar os gemidos que, apesar de tudo, saem do teu peito, é um Céu irracional, um Céu deserto. Só o seu inferno é que é povoado, que é positivo. Basta aos lamentos: os lamentos são vãos! Basta de prosternações: as prosternações são estéreis! Basta de preces: as preces são impotentes! Levanta-te homem! E, direito, altivo, declara guerra implacável a Deus que, a tanto tempo, impõe aos teus irmãos e a ti próprio uma veneração embrutecedora! Desembaraça-te deste tirano imaginário e sacode o jugo dos indivíduos que pretendem ser os representantes dele na Terra! Mas, lembra-te bem, que, com este gesto de libertação, não terás cumprido senão uma das tarefas que te incumbe. Não te esqueças de que de nada servirá quebrar as cadeias que os Deuses imaginários, celestes e eternos, tem forjado contra ti, se não quebrares igualmente as cadeias que, contra ti, tem forjado os Deuses passageiros da Terra. Estes Deuses giram em torno de ti, procurando envilecer-te e degradar-te. Estes Deuses são homens como tu. Ricos e governantes, estes Deuses da Terra tem-na povoado de inúmeras vítimas, de tormentos inexplicáveis. Possam, enfim, um dia, os condenados da Terra insurgirem-se contra os seus verdugos, para fundarem uma Cidade na qual não possa haver destes monstros. Quando te tiveres emancipado dos Deuses do Céu e da Terra, quando te tiveres desembaraçado dos chefes de cima e dos chefes debaixo, quando tiveres levado à pratica este duplo gesto de libertação, então, mas então somente, ó meu irmão, sairás do Inferno em que te encontras para entrar no Céu que tu realizarás! Deixarás as trevas da tua ignorância, para abraçar as puras claridades da tua inteligência, desperta, já, das influências letárgicas das religiões!

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O Autor Sebastien Faure nasceu no ano de 1858 na França. Criado em uma família burguesa e muito conservadora, recebeu ensino em um estabelecimento religioso. Os dirigentes do colégio, padres jesuítas, detectaram nele inteligência e vocação para seguir o ―caminho de Deus‖, e, aos dezessete anos entrou no noviciado. Foi um noviço exemplar. Por dezessete meses se aprofundou numa fé rigorosa e cega. Até que num dia recebeu um telegrama dizendo que seu pai estava gravemente doente. Visitou o seu pai, que disse-lhe que devia deixar a sua vida religiosa para sustentar a família. Seu pai morreu. Ele voltou a sua vida normal e, com o tempo, foi vendo a farsa em que ele estava acreditando. Tornou-se ateu e anarquista, pelo qual lutou por quase toda a sua vida. Faleceu em 1942.

Onisciência versus Livre Arbítrio Religiões, de uma forma geral, não gostam de assumir o caráter escravagista deles. Quando falo escravidão me refiro ao fato de nós, pobres e toscos mortais, estarmos subordinados a alguma entidade mágica, de forma que tal entidade faz o que quer e bem entende e nós temos que seguir, de forma irremediável. Acontece que escravidão não é uma coisa legal e religiosos procuram arrumar um subterfúgio para dizer que a sua religião não é ruim e que não há nenhum tipo de escravidão. Dizem que as pessoas são livres e daí surgiu o estúpido conceito de livre arbítrio. Não que ter liberdade de escolha seja ruim, muito pelo contrário. O problema reside num paradoxo religioso, pois eles insistem que o deus particular (os outros são falsos. Só o SEU é que é verdadeiro) é poderoso e decide quem o seguirá e receberá recompensas. Para pessoas racionais, o problema fica evidente; para quem apenas acredita, não há nada de errado. Vamos examinar isso de perto. O conceito de liberdade frente às religiões, é algo sem sentido. Percebam: você tem o direito de escolher não seguir um deus, só que se não o fizer – independente do tipo de pessoa que você seja – você será condenado a penas eternas. Assim, levando em conta a brevíssima vida que temos, teremos uma eternidade inteira pela frente de dor e sofrimento. Isso é justo? Mesmo que eu seja uma pessoa boa, que ajude ao próximo, que não acumule excessivos bens materiais, que lute pelos desesperançados, que faça por onde ajudar a melhorara vida dos outros, pouco importa. O crime mortal de escolher não seguir um deus me condenará à penas horríveis. Enquanto isso, o pastor ladrão, o padre pedófilo, o pai-de-santo safado, a cigana estelionatária, o muçulmano terrorista etc., todos gozarão da Vida Eterna em esplendor porque eles seguiram um livro religioso. Deus é amor? Que amor é esse? ―Mas Deus nos avisou.‖ Avisou? Quando? Não me lembro de ele ter aparecido. Eu ouvi alguns seguidores dizendo assim, assado. Mas o que os seguidores de uma religião pregam é o mesmo que membros de OUTRA religião, que rezam para OUTRO deus pregam. Como saber QUAL DEUS é o verdadeiro? Isso é algum tipo de roleta russa divina, onde você sempre perde? Parece. Cristãos sempre saem com o argumento que as pessoas são responsáveis pelos seus atos e arcarão com sua responsabilidade. Mentira! Uma prova cabal que não há tal liberdade é a própria Bíblia que cristãos não leem. Eles sempre dizem que todos os joelhos se dobrarão perante Deus e coisa e tal. A citação completa está em Filipenses cap. 2:

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5. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6. Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deusa, 7. Mas esvaziou-se a si mesmob, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; 8. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruzc. 9. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nomed; 10. Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, 11. E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
a

Como ele não teve por usurpação ser igual a Deus se ele era Deus? Obviamente, não espero que religiosos expliquem isso.
b

Também não espero que expliquem o que é esvaziar-se em si mesmo.

c

Mentira, pois ele mesmo reclamou na hora dizendo ―Eli, Eli, lamá sabactâni‖/‖Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?‖ (Mateus 27: 46 ; Marcos 15:34) d Deus exaltou a si mesmo? Os versículos deixam claro uma coisa: TODOS os joelhos se dobrarão perante Jesus. Sem exceção, independente do que seja ou o que aconteça. Toda língua confessará que Jesus é o Senhor, para a glória de Deus. Por que Deus precisa que confessem isso para se sentir glorioso, é algo que não consigo entender, nem os religiosos, mas eles estão acostumados a aceitar qualquer coisa sem questionar, de qualquer forma. Onde está o livre arbítrio? Eu não posso escolher NÃO CONFESSAR que Jesus é o senhor de coisa alguma? Eu SOU OBRIGADO a fazer isso? Onde está a minha escolha que dizem que tenho? A explicação vem a seguir, neste mesmo capítulo, bem nos versículos seguintes: 12. De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; 13. Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. 14. Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Versículo 12: Ameaça. Você deve ter medo, trema! Obedeça-me, pois ou meu Deus te fará sofrer de maneira horrenda! Versículo 13: Não pense que você toma alguma decisão. Deus é quem decide o que você faz. Mesmo que você não acredite neste deus, é porque ele FAZ você não acreditar. Para quê? Para te punir depois.

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Versículo 14: Cale-se! Você é escravo de minha vontade. Meu Deus disse que você deve me obedecer, como falei acima. Não reclame, não murmure, aceite seu destino miserável ou não importa, pois Deus é que comanda sua vontade. Resumindo: as pessoas são marionetes e Deus, enquanto puxa as cordas, as ama tanto quanto um ventríloquo ama um boneco de madeira. Mas ao final do show, o boneco vai para uma caixa e ficará lá até seu dono resolver brincar com ele novamente. Mas religiosos teimarão até à morte que temos liberdade de ação. Temos? Ok, vejamos, eu me recusei a ter Jesus no meu coração e em qualquer outra cavidade do meu corpo. Assim, eu estou destinado a ter sérios problemas daqui pra frente. Tomemos o caso do Haiti. As pessoas escolheram morrer de forma bárbara naquele terremoto? Bem, teve tosco que falou que era por causa da macumba. Cristãos estão ilesos? Zilda Arns morreu dentro de uma igreja, a casa de Deus, sendo que ela era freira. De repente, era porque ela não era evangélica. Tão evangélica como as pessoas que morreram no desabamento da igreja Renascer. ―Mas eles estão sentados ao lado de Jesus.‖ Preciso mesmo comentar isso? Tomemos a primeira punição: Adão e Eva (estamos no folclore judaico, tomado emprestado pelos cristãos). Para chegarmos a isso, temos que voltar um pouco no tempo. Javé, num certo espaço de tempo – antes de existir o tempo, propriamente dito – resolveu criar o mundo. Seu poder é imenso, sua sabedoria é vasta e seu conhecimento transcende a realidade, podendo ―ver‖ as coisas de maneira não-linear. Em outras palavras, tudo está ocorrendo ao mesmo tempo perante os olhos de Deus. Dessa forma, ele tem conhecimento do presente, passado e futuro, independente das possibilidades. Ele é Deus e nada supera seu poder. Muito bem, Deus cria o mundo SABENDO que criaria a humanidade (não estou preocupado com o ―porque‖ disso, posto que não é relevante para esta discussão). Deus SABE que a humanidade surgirá de Adão e Eva, pois ele criará Adão e Eva. Como sua percepção é nãolinear, ele sabe TUDO o que vai acontecer. Ele cria uma Árvore do Bem e do Mal para pôr no Eden. Para quê? Para testar Adão e Eva, sendo que ele SABE o que vai acontecer. Assim, por que ele põe a droga da árvore lá? Para testar. mas para que ele precisa testar? Bem, Eva faz Adão comer o fruto. Ok. EPA! Ok, não! Ela só fez Adão comer porque a serpente induziu ela a comer. Mas Deus deveria saber que a Serpente faria isso. Em outras palavras: se Deus não tivesse colocado a árvore lá NEM tivesse criado a Serpente, Adão e Eva ainda estariam no Paraíso até hoje. Se levarmos Filipenses ao pé da letra (e a Bíblia proíbe que se altere o sentido das palavras), a Serpente fez o que Deus queria e tentou Eva. Eva fez o que Deus queria e deu o fruto a Adão. Adão fez o que Deus queria e comeu a droga do fruto. Façamos um experimento mental (é apenas mental, eu não sou psicótico para realizá-lo de modo real). Eu coloco uma criança e digo: ―Coloquei um doce em cima da mesa. NÃO COMA O DOCE!‖ Sento e fico observando.

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Minha mulher chega e fala pra criança: ―Vai lá e pega o doce‖. A criança, lembrando o que falei, dirá que não. Minha mulher insiste: ―Não, pode ir lá comer que não acontecerá nada‖. Eu ainda estarei observando cada passo dos acontecimentos, sem perder nada. De tanto minha mulher insistir, a criança vai até o doce e o come. Eu apareço de sopetão e começo a bater na criança com uma vara de marmelo. Xingo, bato, machuco e a jogo porta afora, condenando uma criança pequena a enfrentar o mundo sozinha. O que o Conselho Tutelar pensaria disso? Outro experimento mental: Eu vejo um cristão atravessar a rua, mas eu percebi que vem um carro em alta velocidade. Eu tenho como chegar a tempo e empurrá-lo (ou puxá-lo) para fora da pista. Se eu fizer isso, interferirei no livre arbítrio dele de andar no meio da rua. Ninguém mandou ele ser relaxado e não olhar direito pra saber se vinha carro. Logo, o mais lógico seria ele arcar com sua ação, certo? Se eu parar e ver o atropelamento sem dar nenhuma assistência, nem mesmo depois do acontecido, com várias testemunhas certificando que eu PODIA ter impedido, que eu tinha PODER para impedir a tragédia, o que elas falarão? Lembremos que tudo são ações de Deus. Isaías cap. 45 disse que todo o mal e todo o bem provem de Deus. Logo, ele é que decide o que vai acontecer. Omissão de socorro? Mas eu não fiz nada, não fui eu quem disse pro cristão andar despreocupadamente pela rua nem era eu que estava no volante. Fica-se a pergunta: Por que existe o mal? Por que pessoas sofrem. Por causa do livre arbítrio? Mas Isaías disse que o mal feito pelo próprio Deus. Filipenses disse que todas as nossas ações são obra de Deus. Onde fica a responsabilidade dele? Assim, ele faz por pura maldade. Terceiro experimento mental: Eu pego um pastor evangélico, padre pedófilo ou pai-de-santo estelionatário e os amarro. Se algum deles conseguir se safar, a explicação está em duas alternativas: 1. Ele(s) se soltou(aram) porque eu 2. Ele(s) se soltou(aram) porque eu permiti. não foi eficiente em amarrá-los direito.

Assim, eu não tenho capacidade de contê-los OU não tenho a intenção de contê-los presos. Dessa forma, se eles escapam, é por minha culpa, em cada uma das duas hipóteses. Se eu fosse o melhor amarrador do mundo, com poder infinito, eles JAMAIS poderiam fugir. Dessa forma, ou eu sou um incompetente para amarrar salafrários, ou sou um canalha por permitir que eles fujam. Para os calvinistas, não existe o livre arbítrio, existe predestinação. Ou seja, você continua sendo uma marionete e nem a falácia que você tem liberdade de tomar decisões lhe cabe. Eu não sei como alguém consegue viver assim, baixando a cabeça, mas também devo admitir que é o mais próximo ao que diz na Bíblia. Tudo foi pré-determinado, não há como fugir! Deus escolheu todos os seus sofrimentos e nem você nem ninguém poderá impedir isso. As amarras estão bem presas e você está completamente escravo de uma decisão superior e não lhe cabe reclamar ou mesmo murmurar. Só lhe cabe o desespero. Não, o conceito de livre arbítrio não coaduna com o de omnisciência e omnipotência (características divinas), restando o paradoxo de Epicuro: Para Deus e o Mal continuarem existindo ao mesmo tempo é necessário que Deus não tenha uma das três características.

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Se for omnipotente e omnisciente, então tem conhecimento de todo o Mal e poder para acabar com ele, ainda assim não o faz. Então, Deus não é bom. Se for omnipotente e benevolente, então tem poder para extinguir o Mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto Mal existe, nem onde o Mal está. Então, Deus não é omnisciente. Se for omnisciente e bom, então sabe de todo o Mal que existe e quer mudá-lo. Mas isso elimina a possibilidade de ser omnipotente, pois se o fosse erradicava o Mal. E se, Deus não pode erradicar o Mal, então, Deus não é omnipotente. Se ele não é onipotente, onisciente e/ou bondoso, por que chamá-lo de ―Deus‖?

Grandes Mentiras Religiosas

Se existe uma coisa que é pública e notória – com nenhuma possibilidade de contestação – é a capacidade de descaramento de um religioso na hora de lutar para impor suas opiniões. A ―cruzada‖ contra o livre pensamento lhes fazem mentir horrivelmente a fim de fundamentar alegações tão sólidas quanto castelos de nuvens. As mentiras são muitas! Histórias fantasiosas que circulam por aí com a popularização da internet, escritas por pessoas totalmente burras, estúpidas, imbecis, incultas e fanáticas. Não, não fui exagerado nas qualificações porque aqui provaremos o porque disso. Esta série de artigos, escrita e cotejada por Abbadon, e organizada por mim – eu, André, um dos Sábios Senhores do Ceticismo.net – abordará temas como frases feitas ameaçadoras. Cazuza foi morto por causa de um baseado oferecido a Jesus? Hitler realmente era ateu? Darwin rejeitou a Teoria da Evolução? Milagres existiram? In Scepticismus Veritas! Cada alegação será confrontada com fatos, cada alegação será pesquisada por fontes que corrobore, cada alegação será DESTROÇADA sem dó nem piedade. Sendo assim, venham, meus caros, temos algo a lhes contar. E contaremos beeeeeeem de perto… Útimas palavras de ateus e “ateus” As mentiras que os religiosos divulgam na Internet somam um número assombroso! Mas, aqui derrumabremos todas as bobagens que os religiosos costumam divulgar por email, fóruns da internet, comunidades do Orkut, Power Points, sites, etc. no tocante a últimas palavras de pessoas que não professavam a religião mágica do Grão Cavaleiro do Burrico. Já pra preparar o vosso apetite, diremos um segredinho: Nem todos eram ateus…! Hehehehe De início, fica a pergunta: Por que divulgar mortes trágicas de pessoas que não acreditam no Cristianismo? Simples: propaganda! É um recurso bastante utilizado por eles, religiosos, para infundir o medo nas pessoas, ou convencê-las da necessidade de uma crença em seres imaginários, de que precisam adorar um deus ou um jóquei de jegue para que não sejam punidos por pensar, raciocinar, blasfemar, duvidar, criticar, etc. Sobre o motivo de uma crença, recomendamos que leiam o artigo ―A necessidade de uma crença―. Vamos analisar, então, as Famosas Últimas (e falsas) Palavras dos ―Ateus‖.

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VOLTAIRE, o famoso zombador, teve um fim terrível. Sua enfermeira conta: ―Por todo o dinheiro da Europa, não quero mais ver um incrédulo morrer!‖ Durante toda a noite ele gritou por perdão. François-Marie Arouet (21 de novembro de 1694 – 30 de maio de 1778), mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire, foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês conhecido pela sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, inclusive liberdade religiosa e livre comércio. Voltaire foi um escritor prolífico, e produziu obras em quase todas as formas literárias, assinando peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de 20 mil cartas e mais de 2 mil livros e panfletos. Ele foi um defensor aberto da reforma social apesar das rígidas leis de censura e severas punições para quem as quebrasse. Um polemista satírico, ele freqüentemente usou suas obras para criticar a Igreja Católica e as instituições francesas do seu tempo. Voltaire não aceitava o dogma do pecado original e a doutrina crista segundo a qual o deus cristão ―deixou‖ o homem livre para escolher entre o bem e o mal, a fim de ―testar‖ a sua alma. E lutou a vida toda pela Justiça, que para ele, dependia da liberdade intelectual de pensamento. E também, criticou a fé e pregava que o homem deveria resolver seus próprios problemas, pela esperança de uma sociedade melhor e pelo amor ao semelhante. E Voltaire acreditava na existência de um deus. É de sua autoria a frase ―Se Deus não existisse teria de ser inventado―, constante no Dicionário Filosófico. Voltaire não era ateu e muito menos agnóstico. Voltaire era deísta, tal como Einstein. Voltaire foi um dentre muitas figuras do Iluminismo (juntamente com John Locke e Thomas Hobbes) cujas obras e idéias influenciaram pensadores importantes tanto da Revolução Francesa quanto da Americana. As últimas palavras de Voltaire, na verdade, foram estas: ―Pelo amor de Deus, deixem-me morrer em paz !‖ Mas, também existem histórias apócrifas que ele estava entre um padre e um missionário protestante e pediu que ambos se pusessem um de cada lado dele porque ele queria morrer como Jesus. Quando os dois estavam posicionados, ele riu e disse ―agora sim, posso morrer entre dois ladrões―, ou ainda a história (também apócrifa) que um padre estava tentando convertê-lo ainda no leito de morte e ele disse: ―meu caro, lamento, mas não é hora de fazermos novos amigos―. Claro que nada disso ocorreu, porque Voltaire foi enterrado em segredo, porque senão ele não teria recebido permissão de ser enterrado num cemitério de Paris. Quanto à enfermeira, não há citação ao nome dessa suposta ―enfermeira‖ que ―relatou‖ as últimas palavras de Voltaire. Não há nenhuma menção a isso, em toda e qualquer biografia oficial de Voltaire, como a que foi escrita por André Maurois. Isso só existe em sites religiosos. Não há nem mesmo menção à causa do ―fim terrível‖, simplesmente porque Voltaire morreu aos 83 anos de idade. Assim, temos: Voltaire não era ateu e muito menos teve um final horrendo. De qualquer forma, eu nunca vi o que pode ser chamada de ―morte bonita‖. Você viu? Myth Busted !

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DAVID HUME, o ateu gritou: ―Estou nas chamas!‖ Na verdade, não se sabe se David Hume era ateu, se possuía alguma crença. Para alguns, era ateu. Para outros, era um agnóstico. Hume não acreditava em milagres porque nunca havia visto um, isso significa alguma coisa? Se eu contar para um hinduísta que Jesus fez milagres ele acreditará? Então hindus são ateus, né? Ah, bem… Para cristãos, quem não acredita em Jesus é ateu e ponto final. De qualquer forma, não há indicação de que Hume afirmasse que eles não existiam. De acordo com ele, a origem da religião é o sentimento, assim como a da moral. É temperando o lado prático, sentimento, temor e esperança, que criamos a fé e os deuses. Moralmente aceitos, os princípios céticos são os mais úteis e agradáveis para a maioria. As verdades morais não são eternas. Hume coloca questão do que é o bem para o homem. Sua teoria moral tem um tom altruístico. Em algumas passagens de suas obras, Hume fala de um Ser supremo, bondoso, justo e severo, senhor da mão natureza. Fonte: Hume vida e obra Alem disso, não há citação em sua biografia essas ultimas palavras que os religiosos adoram citar. Não há nenhuma fonte confiável, não há datas, não há testemunhas, não há nomes, não há citação do local, nada de nada. Apenas outra mentira religiosa. HEINRICH HEINE, o grande zombador, arrependeu-se posteriormente. Ao final de sua vida, ele ainda escreveu a poesia: ―Destruída está a velha lira, na Rocha que se chama Cristo! A lira que para a má comemoração, era movimentada pelo inimigo mal. A lira que soava para a rebelião que cantava dúvidas, zombarias e apostasias. Senhor, Senhor eu me ajoelho, perdoa, perdoa as minhas canções!‖ É interessante saber que Heinrich Heine nunca foi ateu. Na verdade era judeu, que se converteu ao cristianismo luteranista depois. Foi um grande poeta de seu tempo e um crítico mordaz da religião (bem, não só da religião, mas de tudo). A famosa expressão que qualifica a religião como ―ópio do povo‖ - expressão posteriormente usada por Marx na Crítica da filosofia hegeliana do direito (1844) havia sido adiantada por Heine. Em sua obra Ludwig Börne (1840), Heine, com sua ironia peculiar, escreve: Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança. Esse seu estilo irônico valeu-lhe a censura e vários problemas de recepção na Alemanha. Seus livros foram banidos pela censura alemã, juntamente com as obra de outros autores tidos como associados ao movimento da Jovem Alemanha de 1835. Sobre esse aspecto, seria profético: ―Aqueles que queimam livros, acabam cedo ou tarde por queimar homens‖ (Almansor, 1821) Ele morreu de sífilis, aos 44 anos de idade, em Paris. E daí? Muitos religiosos morrem se arrependendo, gritando pelos seus deuses, aceitando um Jesus qualquer, escrevendo e dizendo as suas famosas ultimas palavras. E só visitar qualquer hospital público no Brasil.

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De NAPOLEÃO escreveu a seu médico particular: ―O imperador morre solitário e abandonado. Sua luta de morte é terrível‖ Mais uma vez, essa frase só consta em sites religiosos. Não consta na biografia oficial de Napoleão, escrita por inúmeros historiadores. Não se cita o nome do médico particular, não há a data dessa carta, não há copias gráficas para serem vistas pela internet, nada de nada. Qualquer um pode consultar a biografia oficial de Napoleão, esta em qualquer livraria ou biblioteca como esta AQUI. Além do mais, o que essa frase tem a ver com o ateísmo ? Praticamente nada. E mesmo que a frase fosse verdadeira, referia-se às derrotas que obteve nos últimos anos, principalmente na Batalha de Waterloo e o seu exílio em Santa Helena. Napoleão jamais se declarou ateu. Ele próprio reconhecia o catolicismo, apoiava-o, e declarou em certa ocasião: ―Uma sociedade sem religião é como um navio sem bússola‖. É conhecida a sua aversão à hegemonia da Igreja Católica nos assuntos políticos, assim como ele sabia do caráter controlador da religião ao afirmar: ―A religião é o que impede o pobre de matar o rico―. Em 1955, surgiram documentos em que Napoleão era descrito meses antes de sua morte, pensando muitos que morto por envenenamento com arsênio. O arsênio era usado antigamente como um veneno indetectável se aplicado em longo prazo. Em 2001, um estudo de Pascal Kintz, do Instituto Forense de Estrasburgo, na França, adicionou crença a esta possibilidade com um estudo de um pedaço de cabelo preservado de Napoleão após sua morte: os níveis de arsênio encontrados em seu pedaço de cabelo eram de 7 a 38 vezes maiores do que o normal. Cortar pedaços do cabelo em pequenos segmentos e analisar cada segmento oferece um histograma da concentração de arsênio no corpo. A análise do cabelo de Napoleão sugere que doses altas, mas não-letais foram absorvidas em intervalos aleatórios. O arsênio enfraqueceu Napoleão e permaneceu em seu sistema. Lá, poderia ter reagido com mercúrio e outros elementos comuns em remédios da época, sendo a causa imediata de sua morte. Outros estudos também revelaram altas quantidades de arsênio presentes em outras amostras de cabelo de Napoleão tiradas em 1805, 1814 e 1821. Ivan Ricordel (chefe de toxicologia da Polícia de Paris), declarou que se arsênio tivesse sido a causa da morte, ele teria morrido anos antes. Arsênio também era usado na época em papel de parede, como um pigmento verde, e até mesmo em alguns remédios, e os pesquisadores sugeriram que a fonte mais provável de todo este arsênio seja um tônico para cabelo. Antes da descoberta dos antibióticos, o arsênio fazia parte de um composto químico usado sem muito efeito no tratamento da sífilis, levando à especulação de que Napoleão poderia estar sofrendo de sífilis, uma doença venérea muito comum naquela época. Foi assim que ele morreu. Ao contrário do que os religiosos gostariam que tivesse morrido. E Napoleão foi um importantíssimo personagem histórico que mudou o Ocidente como o conhecemos e se duvidam disso, pensem o seguinte: D. João VI só veio aqui para o Brasil, desenvolvendo a colônia, por ter sido ameaçado por Napoleão. Alguém aqui acha que D. Pedro I sairia de Portugal e viria aqui declarar uma ―independência‖? Quem estuda, sabe. Quem não estuda, crê em qualquer lorota que lhe contem.

NIETZSCHE: ―Se realmente existe um Deus Vivo, sou o mais miserável dos homens‖

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Nietzsche e seu imenso bigode é um dos alvos principais dos religiosos. E isso só porque ele declarou que ―Deus estava morto―. Se religiosos parassem de ler versículos isolados da Bíblia e estudassem mais, saberiam que Nietzsche estava falando da religião como era conhecida na época. Examinando as ações do catolicismo e do advento do neopentecostalíssimo, vemos que ele não estava errado. Quanto à alegada frase, não é estranho que ela só aparece em sites religiosos e amplamente divulgada em historinhas da morte de ―ateus‖ ? Se for feita uma pesquisa séria no Google, veremos que tal frase não aparece em nenhum site sério (tradução: sites não-religiosos). Ela não aparece em biografias oficiais, resumos, etc. Por que será? Tal frase não está registrada em nenhuma de suas obras, não há testemunhas que dêem credibilidade, não há nada escrito, não há documentos, não há data ou local onde foi proferida. Mas, é claro que os religiosos não sabem disso. Eles não leram integralmente nem seu livro religioso, que dirá outras obras. Nietzsche morreu devido a uma paralisia progressiva, causada pela sífilis. Na época em que viveu, a sífilis era uma doença incurável, para o qual não haviam tratamentos (e não foi Deus quem resolveu o problema e sim cientistas como Fleming). Esta doença produz danos mentais irreversíveis. Esta doença ataca também os religiosos. É só ver quantos religiosos morreram com demência mental, causada por ela inclusive papas como Júlio II, que foi quem deu a realização da Capela Sistina a Michelangelo, e não foi só ele, não é mesmo, Rodrigo Bórgia? Então qual a diferença? Nenhuma! LÊNIN morreu em confusão mental. Ele pediu pelo perdão de seus pecados a mesas e cadeiras. Na verdade, Lênin morreu de sífilis também. Essa doença, em seus estágios mais avançados, provoca irreversíveis danos mentais, além de alterações gravíssimas em sua personalidade (aprenda sobre sífilis AQUI). Em seus últimos anos de vida, depois de sofrer vários derrames, o tornou incapaz de falar, escrever e fazer operações matemáticas simples. Então, como ele poderia ―pedir perdão‖ a mesas e cadeiras, se era incapaz de falar? E a população JAMAIS soube de seu real estado de saúde, até que os arquivos russos foram abertos recentemente para consulta pública, e esses arquivos revelam uma história completamente diferente àquelas que os religiosos divulgam. Uma vez mais, os religiosos mentem. Não são capazes de citar as fontes para as suas alegações, datas, local, nem os nomes das testemunhas que o ―viram clamar a cadeiras e mesas‖. E nem poderiam, já que os arquivos russos só foram divulgados há poucos anos atrás. Não é mesmo? Chicão de Assis falando com animais é uma obra de Deus. Lênin dando bom dia à cadeira é coisa do demo. hehehehe Só podemos rir, não é? Uma fonte simples, para uma leitura rápida, já que os religiosos são preguiçosos demais para ler um texto com mais de 5 parágrafos: http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI346260-EI2418,00.html SINOWYEW, o presidente da Internacional Comunista, que foi fuzilado por Stálin: ―Ouve Israel, o Senhor nosso Deus é o único Deus‖. Outra mentira religiosa. Pesquisando-se no Google pelo nome dessa personalidade, aparecem apenas 31 resultados. Isso mesmo, 31 resultados. E todos localizados em sites religiosos. Pesquisando-se os nomes dos presidentes da Internacional Comunista, não consta o nome

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dessa pessoa. Uma pesquisa mais acurada não encontrou o nome de Sinowyew. A lista completa dos presidentes encontra-se abaixo neste LINK: Que vergonha para vocês, religiosos….! YAGODA, chefe da polícia secreta russa: ―Deve existir um Deus, Ele me castiga por meus pecados‖. Genrikh Grigor‘evich Yagoda, na verdade era judeu, nascido em uma família judia, e ele jamais se declarou ateu. Não há nada na biografia dessa personalidade onde constasse tal declaração. Tudo o que há é apenas a sua colaboração com o regime soviético, em particular para Stalin. Na obra The Secret History of Stalin’s Crimes, de Alexander Orlov, escrita em 1953, no capitulo ―Yagoda em sua Prisão‖, há a seguinte passagem: ―De Stalin eu não esperava nada, pelo meu fiel serviço. Mas de Deus, eu espero os mais severos castigos por ter violado milhares de vezes os seus mandamentos.‖ YAROSLAWSKI, presidente do movimento internacional dos ATEUS: Por favor queimem todos os meus livros. Vejam o santo Ele espera por mim‖.

Presidente DO QUÊ ? Nunca existiu o chamado ―Movimento Internacional dos Ateus‖, é uma invenção dos religiosos! Podem procurar à vontade. Se houvesse um movimento desses, estaria amplamente difundido pela Internet, com sede social, com carteirinha de membros, reuniões anuais, publicação de revistas com artigos ateístas, personalidades atéias divulgando o movimento, e sendo exaustivamente combatido pelos religiosos no dia a dia. Se não acreditam, vão no site de Richard Dawkins, um dos mais intensos ativistas pelos direitos dos ateus e veja se ele tem algum link ou fala alguma palavra a respeito dessa pseudoentidade. E ainda por cima, o individuo chamado Yaroslawski nunca existiu também. Se existisse, haveria uma biografia citando o seu nome completo, local de nascimento, a relação de seus ―livros‖ publicados. Em todos os portais das livrarias (Amazon, Saraiva, Submarino, Tinta da China, etc) não há nenhuma citação a esta pessoa. CESARE BORGIA, um estadista: ―Tomei providências para tudo no decorrer de minha vida, somente não para a morte e agora tenho que morrer completamente despreparado.‖ Uma pesquisa revelou que essa frase só aparece em 5 resultados no Google, e todas elas em sites religiosos no Brasil. Como a maioria dos segundos filhos da nobreza italiana, César foi educado em seus primeiros anos para se tornar um homem da Igreja, como seu pai. Indubitavelmente seu caráter não era de um religioso. Como o pai, César foi um sensual, e suas ligações femininas são amplamente reconhecidas desde sua adolescência. Foi apontado como amante de sua irmã Lucrécia Bórgia, embora tal informação não possua grandes confirmações. Abandona a carreira eclesiástica (para a qual tinha pouco gosto), utilizando como justificativa o assassinato do irmão João, o qual deveria substituir nos assuntos temporais (João era capitão das forças militares do papado). Feito Duque Valentino em 1498 pelo rei Luís XII de França, que queria um papa aliado, César Bórgia era contemporâneo do escritor Nicolau Maquiavel, tendo servido de modelo para o autor em sua obra O Príncipe, dedicado a Lourenço de Médici. Calculista e violento, Bórgia tentou – com o apoio do pai – constituir um principado na Romanha em 1501.

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No dia 31 de dezembro de 1502, para se livrar de seus inimigos (entre eles, Oliverotto de Fermo), convidou-os para seu palácio de Senigallia, depois aprisionou-os e assassinou-os. Após a morte de seu pai, foi encarcerado sucessivamente pelo Papa Júlio II e pelo rei de Castela. Escapando daquele reino, serviu como soldado no exército de Navarra (que tinha por rei o cunhado de César), e morreu aos trinta e um anos, no ano de 1507, em Viana, na Espanha. Pois é. O próprio filho do Papa!! Já imaginou o escândalo na Europa, se ele fosse mesmo ateu, em pleno século XVI, onde o ateísmo não existia (e se existisse, eram todos automaticamente condenados à fogueira por heresia). Seria a vergonha dos cristãos, em saber que o filho do Papa Alexandre VI, era um sujeito mau, resolveram torná-lo ―ateu‖ para que o ateísmo fosse o culpado das maldades dele? A mesma coisa com Hitler… (que sera objeto de um futuro artigo neste blog, não percam !!) TALLEYRAND: ―Sofro os tormentos dos perdidos.‖ Outra pesquisa revelou que essa frase só aparece em 9 resultados no Google, e todas elas em sites religiosos no Brasil. Outra mentira dos religiosos. Vejamos dados sobre a biografia dessa personalidade em: http://www.talleyrand.org/ Vejamos aqui: ―Defensor dos privilégios eclesiásticos, suas atividades o puseram em contato direto e freqüente com os ministros da coroa, o que lhe permitiu adquirir experiência parlamentar e ser consagrado (1788) como bispo de Autun..‖ Não há nada na biografia dele que indique se ele era ateu. Observemos este trecho em francês, da biografia dele: Quand elle eut achevé: « C‘est bien là ce que je pense et ce que je veux dire, reprit M. de Talleyrand. Donnez-moi mes lunettes et une bonne plume. » - Et se dressant sur son séant, il signa : « C‘est ma grande signature, celle que j‘ai mise au bas de tous les traités de paix avec l‘Europe. Je devais la mettre au bas de ce dernier traité, qui est ma paix avec la Sainte Eglise. » Il baisa les mains de Madame de Dino, et lui dit en souriant : « J‘imagine que l‘abbé Dupanloup ne doit pas être bien loin. Voulez-vous l‘introduire et nous laisser. » Les cinq témoins avaient assisté à cette scène derrière la portière, et étaient profondément émus. L‘abbé Dupanloup entra dans la chambre du malade et y demeura près d‘une heure. Quand il en sortit, il dit avec une grande émotion : « Je n‘ai jamais vu une pareille maîtrise de soi-même, jointe à un repentir aussi sérieusement raisonné. » Le sacrement d‘ExtrêmeOnction fut administré, le malade demanda que tous les serviteurs fussent présents. Les cinq témoins entrèrent aussi. M. de Talleyrand répondit d‘une voix nette et intelligible à toutes les prières ; au moment où l‘onction des mains allait lui être faite, il tendit sa main fermée, en disant : « N‘oubliez pas, Monsieur l‘Abbé, que je suis évêque. » Quand on administre l‘Extrême-Onction à un prêtre ou à un évêque l‘onction des mains se fait « à l‘extérieur» sur le dos de la main et non « à l‘intérieur » dans la paume, où déjà a été faite l‘onction sacerdotale. - « Et adverte quod Sacerdotibus, ut dictum est, manus non inunguntur interius, sed exterius », dit la rubrique du Rituel Romain. Quand tout fut terminé, il serra les mains de ses cinq amis, en leur disant « Adieu » et ils se retirèrent. M. de Talleyrand mourut quelques heures après.

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Le 17 mai 1838 à trois heures trente-cinq minutes après midi. Em miúdos, ele simplesmente disse ―Adeus‖. Fonte: Talleyrand Betrayer and Saviour of France, de Robin Harris, publicado em 2007 pela Ed. John Murray. É crentalhada… quando é que vão parar de mentir ? Mentir é pecado… CARLOS IX (França): ―Estou perdido, reconheço-o claramente.‖ Carlos IX foi um dos responsáveis do Massacre de São Bartolomeu, um episódio que deu inicio a 30 anos de guerras em nome da religião na Europa, onde católicos e protestantes se mataram mutuamente em nome do mesmo deus. Interessante, não é?. E não, ele não era ateu. Era cristão católico. O reinado de Carlos IX foi conturbado, marcado pelos conflitos entre católicos e protestantes. Os vacilos do soberano resultam numa carnificina que praticamente dizima os huguenotes. Preciso dizer mais alguma coisa sobre o ―ateísmo‖ de Carlos IX ? Ah, e ele morreu de tuberculose e as últimas palavras dele foram estas, de acordo com a biografia oficial: ―Quanto sangue! Quantos crimes! Que Deus me perdoe o mal que fiz!― Fonte: ―Charles IX, Hamlet couroné‖, da série Les rois qui ont fait la France, da editora Pygmalion, de Georges Bordonove. Ô crentalhada mentirosa…! Chamar Carlos IX de ateu, so porque foi responsável pelas Guerras Religiosas ! Vocês não são capazes de assumir as cagadas que a sua religião fez, não? MAZARINO: ―Alma, que será de ti?‖ Mais uma vez, os crentes mentem. Vejamos a biografia dele aqui: Jules Mazarin (em italiano Giulio Raimondo Mazzarino), o cardeal Mazarino. Nasceu em Pescina, reino de Nápoles em 1602, oriundo de modesta família siciliana, foi educado por jesuítas em Roma. Estudou direiro canônico na universidade de Alcalá de Henares, na Espanha, hoje pertencente à Universidade de Madrid. Voltou à Roma e prestou serviço militar para o Papa, depois em 1628 tornou-se diplomata papal aos 26 anos de idade. Como missão crucial, assumiu em 1630 as negociações de paz com o cardeal de Richelieu, durante a guerra da sucessão de Mântua, e evitou que os exércitos da França e da Espanha se confrontassem em Casales de Montferrat. Foi nomeado pela Santa Sé, vice-legado do papa Urbano VII em Avignon. Foi, por algum tempo, núncio extraordinário em Paris, até que o cardeal Richelieu o convocou para o serviço junto ao rei Luís XIII. Gozando então de grande prestígio por parte de Richelieu e Luís XIII, ganhou em 1639 a nacionalidade francesa e foi nomeado cardeal em 1641, sem nunca ter sido ordenado padre. Foi nomeado sucessor do cardeal Richelieu, após a morte desse e, após a morte de Luís XIII em 1643, tornou-se primeiro-ministro pela regente da França, Ana da Áustria. Internamente submeteu os nobres franceses à autoridade da monarquia absolutista, porém teve que sufocar várias revoltas quando aumentou os impostos para cobrir os gastos feitos pela França na Guerra dos Trinta Anos, conflito que foi designado de La Fronde. Com as brilhantes vitórias que conseguiu nessa guerra, assinou em condições vantajosas a paz de Vestfália em 1648, o que converteu a França na principal potência européia. Continuou a

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cobrar altos impostos, o que favoreceu um novo e generalizado levante da nobreza e do povo pelo país, e teve que fugir da França em 1651, mas Luís XIV conseguiu controlar a situação e restaurou em 1653 o seu ministério. Formou a Liga do Reno contra a Áustria e, com a ajuda da Inglaterra, à qual entregou Dunquerque. Venceu a Espanha em 1659 e lhe impôs o Tratado dos Pirinéus que deu à França os departamentos de Artois, Cerdagne e Roussillone. Resposabilizou-se pela educação do futuro rei Luís XIV, seu afilhado, e promoveu o casamento desse com a infanta Maria Teresa, além de assinar a paz no norte da Europa graças aos tratados de Copenhaga, Oliva e Kardis. Morreu a 9 de março de 1661, em Vincennes, França. Quando morreu, segundo seus biógrafos, teria concretizado grande parte dos objetivos propostos pelo cardeal Richelieu: a modernização do Estado francês e a transformação da França em principal potência européia, a restauração do absolutismo, a subjugação da nobreza francesa, além de concretizar o declínio do poder dos Habsburgos na Europa, que governavam a Espanha, a Áustria e os Países Baixos, também criou a Imprensa Real, iniciou a construção de um Jardim Botânico, e fundou a Academia Francesa de Letras. Perguntar não ofende: Existem cardeais que são ateus ? As ultimas palavras dele só existem em sites religiosos !!! HOBBES, um filósofo inglês: ―Estou diante de um terrível salto nas trevas.‖ Mais uma vez, essa frase so consta de sites religiosos. Não consta em sites bibliográficos, científicos, filosóficos, nada de nada. Não há nada nas obras dele. É tachado de ateu, por causa de suas obras, principalmente ―O Leviatã‖ e ―O Cidadão‖, e este filosofo inglês teve um grande impacto na sociedade ocidental. Mais detalhes sobre a vida dele podem ser encontrados em: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2117 Citarei aqui um trecho: O momento histórico vivido por Thomas Hobbes, era marcado por uma grande interferência da Igreja no Estado, tinham o Estado como uma criação da vontade de Deus. O Estado era criado porque era da vontade de Deus. Hobbes mais uma vez foi autêntico em seu pensamento. Ele afirmava que o Estado era uma criação do homem, não tinha qualquer relação com a vontade de Deus, era um ato puramente humano. A prova do Estado ser leigo é o contrato social, que demonstra ser a criação do Estado nada mais do que pura vontade política, criado pelo pacto entre os homens, um ser artificial, independente da vontade divina. Morreu aos 91 anos de idade. Teve uma vida bem longa, ao contrário da expectativa média de vida dos religiosos naquela época, que mal passava dos 45 anos. As verdadeiras últimas palavras de Hobbes foram estas: ―Estou prestes a partir em uma ultima grande viagem, que é um grande salto no escuro‖

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Fonte: ―Hobbes: A Biography‖, de Aloysius Martinich, publicado por Cambridge University Press, 1999, 390 páginas Mas, podemos pensar que um salto no escuro, no vazio, também pode ser mostras que não há nada depois da morte. Se o problema é interpretação… SIR THOMAS SCOTT, o antigo presidente da Câmara Alta inglesa: ―Até este momento, pensei que não havia nem Deus, nem inferno. Agora sei e sinto que ambos existem e estou entregue à destruição pelo justo juízo do Todo-Poderoso.‖

Outra pesquisa revelou que essa frase so aparece em 20 resultados no Google, e todas elas em sites religiosos no Brasil. Não há bibliografias em português. Não há nada sobre essa personalidade. As únicas menções são a um personagem que viveu entre 1535 a 1594, que era um alto mandatário de Kent. Isso diz alguma coisa a vocês? Porque a mim não diz absolutamente nada! Pega na mentira! Corta o rabo dela, pisa em cima, bate nela… Além do mais, não existe uma chamada ―Câmara Alta Inglesa‖. O que existe são as ―Câmara dos Lordes‖ e a ―Câmara dos Comuns‖. O Parlamento também inclui a coroa (rei ou rainha) e a Câmara dos Comuns. A Câmara dos Lordes tem 731 membros. Ela é um corpo não eleito, formado por 2 arcebispos e 24 bispos da Igreja Anglicana (Lordes Espirituais), e 706 membros da nobreza (Lordes Temporais). Os Lordes Espirituais mantêm-se no cargo enquanto ocuparem suas funções eclesiásticas, enquanto os Lordes Temporais são vitalícios. Os membros da Casa dos Lordes são às vezes chamados Lordes do Parlamento. A Câmara dos Lordes foi estabelecida no século XIV. Foi abolida em 1649 pelo governo revolucionário que tomou o poder durante a Guerra Civil Inglesa, mas foi restaurada em 1660. Não há menção a ―Sir Thomas Scott‖ no site oficial da Câmara dos Lordes. A única referencia, de 4 de junho de http://www.british-history.ac.uk/report.aspx?compid=13968 Ô crentalhada mentirosaaaaa….!! GOETHE: ―Mais luz!‖ E o que essa frase tem a ver, afinal de contas? Não prova nada, não quer dizer nada, não se refere de forma alguma a um arrependimento, nada de nada. E ele jamais foi ateu, e em suas obras, há varias referencias religiosas, apesar de não pertencer a nenhuma doutrina. Mas, como foi dito, crenes não leem nem o livro religioso, quanto mais obras consagradas. A verdadeira historia é esta: Em 22 de março de 1832, na cidade de Weimar, Goethe está sentado na poltrona, ao lado da cama. Seu estado de saúde havia piorado nos últimos dias devido à um resfriado. O dia amanhece, mas o quarto mantém-se escuro. Goethe, que já respirava com dificuldade, faz um 1660, se encontra em:

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sinal ao criado que se aproxima e ouve as últimas palavras pronunciadas: ―Abra a janela do quarto, para que entre mais luz―. Preciso continuar? CHURCHILL: ―Que tolo fui!‖ Mais uma bobagem religiosa. O que essa frase tem exatamente a ver com o ateísmo? A biografia oficial dele se encontra em: http://www.winstonchurchill.org. Se quiserem algo mais simples, vejam na Wikipédia. Churchill foi um dos homens que venceu a 2ª Guerra Mundial. Se não fosse por ele, juntamente com Roosevelt, Hitler teria dominado a Europa, e a História seria bem diferente. Ah e Hitler era cristão, não esqueçam. Vcs religiosos, gostariam de viver em um mundo sob o regime nazista, capitaneado pelo cristão Adolph Hitler? Bem, ele professava a mesma fé que vocês e agia com a mesma intolerância, raiva, preconceito e beligerância que os toscos religiosos! Se vocês têm liberdade hoje, meus caros, vocês devem, e MUITO, a Winston Churchill. O mundo em que vocês estão vivendo hoje não existiria se alienados sádicos e psicóticos como Hitler, Mussolini e tantos outros, que usaram e usam a religião com veículo de suas insanidades.

O último testemunho de Darwin Charles Darwin foi um marco na Ciência! Queiram os religiosos, ou não, a Teoria da Evolução é a melhor explicação até hoje para o surgimento das espécies. Claro que ignorantes, burros, apedeutas e analfabetos científicos procuram refutar usando de artifícios bobos como mencionar a 2ª Lei da Termodinâmica (que não tem nada a ver com Biologia) e com o Big Bang (que pertence à Cosmologia). Ainda procuram atacar pelo surgimento da vida, que não faz parte da Teoria da Evolução. Evolução explica tão somente como surgiram as espécies. Repitam comigo: Espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies,

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espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies, espécies… Na ânsia desesperada em provar que seu deus existe, usam de artifícios descarados como fazer com que Darwin renegasse a Evolução. Digno de risos. Vamos examinar as mentiras. A conversão de CHARLES DARWIN no leito de morte, onde aceitou Jesus e renegou a Teoria da Evolução. Este boato se refere à história de Lady Hope (Lady Hope Story). Elizabeth Reid Cotton, Lady Hope (9 de dezembro de 1842 - 8 de março de 1922) foi uma evangelista britânica da qual geralmente acredita-se ser a Lady Hope que afirmou em 1915 ter visitado o naturalista britânico Charles Darwin pouco antes de sua morte em 1882. Hope afirmou que Darwin rejeitou sua Teoria da Evolução em seu leito de morte e aceitou Jesus Cristo como seu salvador. A família de Charles Darwin negou a história e sustenta que Lady Hope ―Não estava presente durante a sua última doença ou qualquer doença‖. A história de Lady Hope é amplamente conhecida, até mesmo por criaburricionistas, como sendo falsa - ou ao menos não verificável e se for verdade, é provavelmente exagerada. A história permanece como uma lenda urbana popular, ainda que isto permaneça em nítido contraste com as publicações de Darwin e sua conhecida opinião à respeito do cristianismo. Curta biografia: Elizabeth Reid Cotton nasceu em 1842 na Tasmânia, Austrália, filha do general britânico, General Sir Arthur Cotton. Aos 35 anos, casou-se com um viúvo, o aposentado Almirante James Hope, que era 34 anos mais velho do que ela, tornando-se Lady Hope de Carriden em 1877. Sir James faleceu quatro anos depois. Ela e seu pai fizeram parte do movimento evangelista de temperança em Beckenham, Kent, a cerca de 9 km de Downe (onde Charles Darwin faleceu em 19 de abril de 1882), próximo ao ano de 1880.Hope casou-se novamente em 1893 com Thomas Anthony Denny, um comerciante irlandês 24 anos mais velho do que ela. Ela continuou a usar o nome ―Lady Hope‖ ao invés de ―Senhora Deny‖. Deny morreu em 1909. Hope viajou para os Estados Unidos em 1913. Foi lá que, em 1915, 33 anos após a morte de Darwin, em Northfield, Massachusetts, que a história apareceu pela primeira vez. Hope morreu aos 80 anos de câncer em 1922 em Sidney, Austrália, onde está enterrada. A história de Lady Hope apareceu pela primeira vez em um jornal batista (como sempre, só aparece em publicações religiosas) americano chamado Watchman Examiner (Vol. 3, pag. 1071), em 15 de agosto de 1915. A autora foi apenas identificada como uma ―consagrada mulher inglesa‖, ―Lady Hope‖, mas a pesquisa feita por Leslie Gilbert Pine, um antigo editor do Burke‘s Peerage (Nobreza de Burke), não encontrou outra Lady Hope senão Elizabeth Hope que já era adulta por volta de 1880 e que ainda estivesse viva em 1915. O artigo foi precedido por um relatório de quatro páginas em uma conferência bíblica de verão realizada em Northfield, que ocorreu entre 30 de julho à 15 de agosto de 1915. Vamos dar uma olhada no texto original do artigo: Aconteceu numa gloriosa tarde de outono, que nós desfrutamos algumas vezes na Inglaterra, quando fui convidada a entrar e me sentar com o bem conhecido professor Charles Darwin. Ele

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estava acamado, tendo assim ficado meses até à morte. Erguendo-se da cama com o apoio de almofadas, a sua face parecia inundada de prazer quando entrei no quarto. Ele levantou a mão para a janela a fim de assinalar o belo pôr do sol que se esboçava no horizonte, enquanto que com a outra mão segurava uma Bíblia aberta, que estava sempre a estudar. ―O que é que está a ler agora?‖, perguntei. ―Hebreus!‖, respondeu. ―Ainda estou a ler Hebreus, o Livro Real, como o costumo chamar‖.Depois, apontando o dedo para certas passagens, comentou-as. Aludi, então, a algumas opiniões de peso expressas por muitos sobre a história da Criação, e depois aos seus comentários aos primeiros capítulos do Livro de Gênesis. Ele pareceu desolado, os seus dedos contraíram-se nervosamente, e sua face irradiou um sentimento de agonia, quando disse:‖Eu era jovem e com idéias disformes. Levantei interrogações, fiz sugestões, assombrando-me sempre com tudo; e para meu espanto essas ideias espalharam-se, como o fogo tocado pelo vento. As pessoas fizeram delas uma religião‖. – Fez a seguir uma pausa, e depois de mais algumas frases sobre a Santidade de Deus, e sobre a grandeza deste Livro, olhando para a Bíblia que, com ternura segurava durante todo aquele tempo, disse:‖No jardim tenho uma casa de verão onde cabem cerca de 30 pessoas; é ali (apontou na direcção da janela). Quero que fale ali muito. Eu sei que você lê a Bíblia às pessoas nas aldeias. Gostaria que amanhã à tarde alguns servidores do lugar, alguns locatários, e alguns vizinhos, se reunissem ali. Falar-lhes-ia?‖ ―Sobre que é que lhes falaria?‖, perguntei. ―Cristo Jesus‖ – replicou ele logo, numa voz clara e enigmática, acrescentando num tom mais baixo – ―e a Sua salvação. Não é o melhor tema? E depois quero que cante alguns hinos com eles. Você traz consigo o seu pequeno instrumento, não traz?‖ A radiância que a sua face emanou quando disse isto, jamais me esquecerei; pois ele acrescentou: ―Se a reunião principiar às 3 da tarde, esta janela estará aberta, e saberá que me unirei a vós nos cânticos‖ Seria lindo, não é? Papai Darwin se tornando uma Ovelhinha do Senhor após ler Hebreus, certo? Errado! Toda a família de Darwin negou a história e fez campanha contra a mesma. Francis, filho de Darwin, escreveu em uma carta em 28 de maio de 1918: ―O relato de Lady Hope sobre as ideias de meu pai à respeito de religião são totalmente falsas. Eu tenho acusado-a publicamente de falsidade, mas não vi nenhuma resposta. O ponto de vista agnóstico de meu pai é citado em meu ―Vida e cartas de Charles Darwin‖, Vol. I, pags. 304– 317. Você tem a liberdade para publicar uma declaração sobre. isso. De fato, eu ficarei satisfeito se você assim o fizer.‖ Após a história ter sido revivida em 1922, a filha de Darwin, Henrietta Litchfield, declarou em The Christian em 23 de fevereiro de 1922, um artigo com o título ―Leito de morte de Charles Darwin: História de conversão negada‖, por Sra R.B. Litchfield - Eu estava presente em seu leito de morte, Lady Hope não estava presente durante a sua última doença ou qualquer doença. Acredito que ele nunca nem mesmo a viu, mas de qualquer forma, ela não teve influência sobre ele em qualquer departamento de pensamento ou crença. Ele nunca desmentiu quaisquer de suas opiniões científicas, nem naquele momento e nem antes. Nós achamos que a estória de sua conversão foi fabricada no EUA (…) A história como um todo não tem fundamento de modo algum.

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Em 1958 A Autobiografia de Charles Darwin foi republicada e editada pela neta de Darwin, Nora Barlow, que restaurou várias passagens da edição original de 1887, retiradas por Francis Darwin. Esta incluía a perspectiva de Darwin sobre Deus, bem como duras críticas ao cristianismo. Lady Hope deu seu próprio relato levemente diferente em uma carta datada por volta de 1919 - 1920, recebida por S. J. Bole, autor de Battlefield of Faith (Campo de Batalha da Fé - 1940). O texto é citado no artigo do Dr. Paul Marston. A história se espalhou e se tornou uma lenda urbana popular. As alegações foram republicadas em outubro de 1955 na Reformation Review e no registro mensal da Free Church of Scotland em fevereiro de 1957. Houve subsequentes investigações acadêmicas na história. The Survival of Charles Darwin, de Ronald W. Clark, explica a estória mas não entra em muitos detalhes. Em 1994, o professor da Open University, James Moore, publicou o livro The Darwin Legend, do qual alega que Hope visitou Darwin entre 28 de setembro à 2 de outubro de 1881, quando Francis e Henrietta estavam ausentes e a esposa de Darwin, Emma, estava presente, mas que Hope subsequentemente enfeitou a estória. O artigo do Dr. Paul Marston dá uma analise diferente, mas geralmente suporta esta conclusão. Ele chama atenção para a discrepância entre o artigo de 1915 e a carta posterior de Lady Hope, da qual mais plausivelmente Darwin se encontrava descansando em um sofá ao invés de uma cama, e não inclui a sugestão de que Darwin estava ―sempre estudando‖ a bíblia. A alegação continua sendo usada por criacionistas modernos, incluindo Boniface Adoyo, o presidente da Aliança Evangelical do Quênia. Podemos concluir, portanto, que não passam de falsas histórias. Mentiras sobre a ―renúncia‖ em leito de morte são muito comuns. De fato, na biografia de seu avô, em 1879, o próprio Charles Darwin relatou como começou a história de que seu avô Erasmus Darwin teria chamado por Jesus em seu leito de morte em 1802, e ele conclui declarando que ―Tal era o estado de sentimento cristão neste país no início do presente século… Nós podemos ao menos esperar que nada do tipo agora prevaleça‖. Por último, mesmo que Darwin tivesse abandonado os seus estudos em seu leito de morte, isto não teria qualquer relevância pois desde a publicação de sua teoria em 1858 até os dias atuais, a ciência vem acumulando toneladas de evidências à favor da evolução. Inventar mentiras não alteraram as MILHARES de evidências que suportam a Evolução. E mesmo que a Teoria da Evolução caísse hoje, não significa que o criaburricionismo seria a sucessora. Criaburricionismo é mitologia, com suas cobras falantes e Adaltos que pregam que o homem conviveu com dinossauros.

Fontes: Darwin‘s Final Recantation A creationist site reprints the text of the Lady Hope story. Did Darwin become a Christian on his deathbed? Creationist Malcolm Bowden on Lady Hope. Did Darwin recant? Answers in Genesis says that the story is probably false. The Lady Hope Story: True - False A creationist minister provides a case against the Lady Hope story. The Lady Hope Story

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The Stephen Jay Gould Archive adds some additional information to this account. Mrs R B Litchfield, ―Charles Darwin‘s Death-Bed: Story of Conversion Denied,‖ The Christian, February 23, 1922, p. 12. Down, the Home of the Darwins: The Story of a House and the People Who Lived There by Sir Hedley Atkins KBE, published by Phillimore for the Royal College of Surgeons of England, 1974. Deus punindo quem blasfema Neste artigo, iremos refutar todas as histórias inventadas envolvendo algumas personalidades que supostamente blasfemaram contra o deus judaico-cristão, sofrendo posteriormente a ―ira divina‖ com mortes violentas e horríveis. Histórias que têm circulado pela internet através de correntes de e-mail, fóruns no Orkut, etc… É uma tática usada pelos religiosos para infundir o medo nas pessoas que o recebem, para que estas não blasfemem contra o deus deles, sob pena de sofrerem mortes horríveis e prematuras. Aliás, poderíamos argumentar que deus é esse que precisa recorrer a expedientes satânicos e malévolos para punir as pessoas que, supostamente, possuem o ―livre-arbítrio‖ tão alardeado pelos religiosos? Se tivessem realmente esse ―livre-arbítrio‖, as opiniões dessas pessoas seriam RESPEITADAS e não seriam punidas por isso. Mas se sofrem punição pela liberdade de opinião e de expressão, então em que exatamente esse deus difere dos ditadores de regimes autoritários, repressivos, fascistas, nazistas, chavistas, teocráticos? Esses tipos de regimes punem pessoas, com penas de morte e encarceramento, só por causa da ousadia em criticá-los, em se expressarem, em apontar os defeitos, em não aceitarem o estado de coisas.

Gálatas 6:7 – Não vos enganeis, de Deus não se zomba, pois tudo o que o homem semear isto também ceifará. JOHN LENNON: Alguns anos depois de dar uma entrevista a uma revista americana, disse: ―O cristianismo vai se acabar, vai se encolher, desaparecer. Eu não preciso discutir sobre isso, eu estou certo. Jesus era legal, mas suas disciplinas são muito simples. Hoje, nós somos mais populares que Jesus Cristo. (1966)‖ Lennon, depois de ter dito que os Beatles estavam mais famosos que Jesus Cristo, recebeu cinco tiros de seu próprio fã. 15 anos depois. Mais uma estúpida mentira religiosa! Essa frase foi distorcida em seu sentido original, reeditada e depois divulgada em inúmeros sites religiosos. A verdadeira frase encontra-se abaixo. No dia 4 de março de 1966, durante uma entrevista de John Lennon para o London Evening Standard feita pela jornalista Maureen Cleave trouxe muita polêmica a respeito do Cristianismo. John disse: ―O Cristianismo vai desaparecer. Vai diminuir e encolher. (…) Nós Beatles somos mais populares do que Jesus neste momento. Não sei qual vai desaparecer primeiro - o rock and roll

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ou o Cristianismo. Cristo não era mau, mas os seus discípulos eram obtusos e vulgares. É a distorção deles que estraga o Cristianismo para mim.‖ Você pode ler a entrevista em sua íntegra, no original em inglês AQUI. Ao ser publicada nos Estados Unidos, a entrevista causou polêmica. O cinturão bíblico (biblebelt) norte-americano reagiu queimando os álbuns dos Beatles em praça pública. Várias estações de rádio baniram as músicas dos Beatles. Em 11 de agosto do mesmo ano, John Lennon deu uma conferência à imprensa em Chicago dizendo: ―Se tivesse dito que a televisão era mais popular do que Jesus, ninguém teria ligado.(…) Não sou anti-Deus, anti-Cristo ou anti-religião. (…) Não estou a dizer que sejamos melhores ou maiores, ou a comparar-nos a Jesus Cristo como pessoa ou Deus ou seja o que for. Disse o que disse e estava errado - ou fui interpretado erradamente.‖ John Lennon diz que os Beatles são mais POPULARES que Cristo, isto é, simplesmente está dizendo que a banda era tão famosa, mas, tão famosa, que chega a ser mais CONHECIDA que Jesus Cristo, o que não chega a ser absurdo, se considerarmos que realmente em muitas partes do globo Jesus é um completo desconhecido. Ou seja, de acordo com as estatísticas de http://www.adherents.com/, apenas 2,2 bilhões de pessoas seguem as religiões baseadas em Jesus. Todos os demais, em um total de 3,8 bilhões de pessoas, não sabem quem é esse mito cristão. Só para exemplificar, no Japão apenas 0,7% (!) da população é cristã, de acordo com o World Factbook da CIA. Será demais achar que os Beatles são mais conhecidos que Jesus? Pelé foi criticado por dizer a mesma coisa, mas ele jogou no Japão. Quem é mais conhecido? Acham mesmo que os 127 milhões de habitantes em peso conhecem Jesus? E no que dizer de China, Vietnã, Azerbaijão, Nepal e outros países do Oriente Distante? Mas, quem vai negar que tanto Pelé quanto os Beatles são conhecidos pela maioria da população de lá? Todos esses países têm rádios, vendem-se discos e participam da Copa do Mundo. Quem é mais famoso? Dizem que após a referida frase, John Lennon levou cinco tiros de um fã. Peraí! Após? Após quanto tempo? Falando assim dá a impressão que o maluco invadiu a sala onde estava sendo realizada a entrevista e disparou os pipocos no John Lennon logo após suas palavras supostamente hereges ou que Javé mandou um raio em cima dele. John Lennon foi morto quando nem sequer fazia mais parte dos Beatles e daí vocês já podem tirar uma idéia de como Deus demorou em mandar seu castigo. Lennon morreu em 1980. Ou seja, esse deus demorou 15 anos para matá-lo. Se esse deus existisse, o teria matado no mesmo instante em que fez tal declaração. Além do mais, que deus é esse que se ofende por tão pouco? Ele não é ―infinitamente amoroso e misericordioso‖? John Lennon foi assassinado por um doente mental, um sujeito que viajou da Nova Zelândia até os EUA só pra matá-lo. Vamos ver algumas personalidades que foram assassinadas barbaramente por maníacos homicidas?      Mahatma Gandhi (assim como Indira Gandhi) Martin Luther King Jr. Malcolm X Yitzhak Rabin João Paulo I (encontrado morto e não há quem duvide que foi assassinato)

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João Paulo II (não morreu, mas sofreu um atentado no meio da Praça de São Pedro)

Creio que é desnecessário falar mais, não é mesmo?

TANCREDO NEVES: Na ocasião da campanha presidencial, disse que se tivesse 500 votos do seu partido, nem Deus o tiraria da presidência da República. Os votos ele conseguiu, mas o trono lhe foi tirado antes de tomar posse. Fala sério! Morreu o Tancredo e entrou o Sarney, ou seja, esta querendo dizer que o Sarney foi obra de Deus? E outra: Desde quando Deus se mete com política? Quer dizer que basta um político se excitar e dizer umas besteirinhas que Deus vai lá e tira ele do poder sem nem se importar com as consequências que isso possa acarretar? Que mimado esse Deus! Expliquem, então, como é que um sujeito ateu convicto e confesso como o Fidel Castro conseguiu fazer uma revolução com 17 guerrilheiros, subir ao poder e escapar de mais de 500 atentados? Isso mesmo! Quinhentos! Não é uma hipérbole, ele escapou de uns seiscentos e poucos atentados registrados. Cadê Deus que não tira ele do poder? E onde esta a fonte dessa afirmação? Em que jornal foi publicado? Em que dia? Em que ocasião foi proferida? Além do mais, Tancredo não estava em uma campanha presidencial com participação popular, e sim através de eleições indiretas (ele competia com o Maluf), onde os membros do Congresso iriam eleger o seu presidente. Nenhum dos sites religiosos, onde consta essa frase de Tancredo, cita a fonte dela! Apenas se limitam a repeti-la, num copia-e-cola, sucessivamente! Dawkins ficaria orgulhoso em ver a sua Teoria dos Memes sendo provada na pratica, e é o que eu chamo simplesmente de ―boataria‖. Sacam a história da Loira do banheiro? Pois, é…

BRIZOLA: No ano de 1990, quando houve outra campanha presidencial, disse que aceitava até apoio do demônio para se tornar presidente. A campanha, quando acabou, apontou Collor como presidente e não mostrou Brizola nem em segundo lugar.

Ah, bem… Tá explicado porque que o Brizola perdeu a eleição! Como não imaginei que ele tinha dito algo comprometedor!? Olha o Lula, o Gabeira, o Enéas, o Marronzinho, o Afif, o Ulisses Guimarães, até o Sílvio Santos, todos esses perderam a eleição de 1990 e… Ei! Desde quando a primeira eleição direta para presidente foi em 1990? As eleições foram em 1989, cambada de crente desinformada! Conforme podemos ver diretamente do site do Tribunal Superior Eleitoral, a eleição pra presidente foi em 15 de novembro (1º Turno) e 17 de dezembro (2º Turno) de 1989. A eleição para escolher Governadores, Deputados e Senadores é que foi em 1990. Em 1989 foi a primeira eleição direta para presidente, após o fim da ditadura militar. Aprenderam um pouquinho de História, crentinhos? Ademais, essa besteira atribuída ao Brizola só existe em sites religiosos (como era de se esperar). E são todas exatamente iguais, citando 1990 como ano de eleições, quando na verdade 1990 foi o ano em que Collor tomou posse, após vencer Lula no final de 1989. Vão estudar! Agora, ainda temos outro detalhezinho: Só teve um camarada que não perdeu nessa eleição: O Collor! E é bem lógico, já que só um poderia ganhar (there can be only one!). Enfim, Deus

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só pra castigar a malcriação do Brizola fez com que um corrupto como o Collor ganhasse as eleições? Um sujeito que é até suspeito de ter estuprado uma menina na adolescência, que é suspeito de ter ligações com a máfia italiana subiu ao poder com a ajuda de Deus? Para terminar, não esqueçamos que o Brizola morreu em 2004. Ou seja, 14 anos depois da suposta declaração dele. A biografia dele pode ser encontrada na Wikipédia. Peçam pra sair, crentalhada!

CAZUZA: Em um show no Canecão (Rio de Janeiro), deu um trago em um cigarro de maconha, soltou a fumaça para cima e disse: Deus, essa aí é para você! Nem precisa falar em qual situação morreu esse homem.

Precisa, sim! Fala! Em que situação ele morreu? Ao que se sabe, ele morreu de Aids, assim como milhões de pessoas já morreram dessa mesma doença, inclusive tem gente que já nasce com ela, muitas delas não fumam maconha e nunca ofereceram um baseado pro todopoderoso. Algumas até são cristãs, que tal isso? Deus foi responsável por todas essas mortes? Todas essas pessoas fizeram piadinhas com Deus? E outra: Cazuza pegou Aids depois de dizer isso ou já estava contaminado nesse dia? Isso é importante de saber, porque se já estava contaminado me parece surreal que tenha sido castigado antes do crime, por outro lado, se pegou Aids só por ter dito isso me parece um castigo um pouco forte pra uma brincadeirinha bem boboca, esse teu Deus parece um pouco desmedido. E mais: é bem possível que os poucos anos de vida que Cazuza teve após o contágio possam ter sido de verdade agonizantes, mas, no geral, acho que ele foi uma pessoa bem feliz e realizada, ainda que bem incorreta para uma visão religiosa. Qual foi o castigo que Deus preparou pra ele? Morrer? Mas, se todo mundo vai morrer, cacete! Até mesmo os idiotas que escrevem esta merda de texto vai morrer também! De um jeito ou de outro, e não venha me falar de tribulações, escolhidos a dedo (Ui!) e outras sandices mitológicas. Todos os dias várias pessoas adquirem alguma doença ou sofrem um acidente fatal, e morrerá. Lamentável, mas é o que acontece. Até mesmo crentes, padres, pastores, mães de santo, rabinos e ateus. Até mesmo você, meu caro leitor, não está livre disso. Você gostaria que atribuíssemos a SUA fatalidade a um castigo de Deus? Não, no SEU caso foi obra de Satanás, para sacanear o deus Javé. Quando céticos morrem são castigos. U-hum, tá! É uma proverbial falta de respeito com quem morre de maneira trágica, como no caso do rapaz assassinado a facadas e que a crentalhada estúpida resolveu atribuir como castigo divino. E tem mais, porque Cazuza iria fumar um cigarro de maconha, no Canecão, diante de um publico de milhares de pessoas? Se ele tivesse realmente feito isso, seria preso pela policia por posse de entorpecentes e incitação ao uso de drogas pela juventude! E isso seria manchete em todos os jornais do Brasil, já que a imprensa adora um escândalo de vez em quando. Mas como todo bom site religioso, nunca citam as fontes, não dizem em que data ou ano em que supostamente aconteceu, não mencionam os nomes das testemunhas, não há vídeos mostrando ele fazendo isso, nada de nada. Só mentiras, como sempre. Honestidade e religião nunca andam juntas!

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O CONSTRUTOR DO NAVIO TITANIC: Na ocasião em que foi construído, apontaram-no como o maior navio de passageiros da época. No dia de entrar em alto-mar, uma repórter fez a seguinte pergunta para o construtor: ―O que o senhor tem a dizer para a imprensa concernente a respeito da segurança do seu navio? ―; O homem, com um tom irônico, disse: ―Minha filha, nem se Deus quiser ele tomba o meu navio‖. O resultado foi o maior naufrágio de um navio de passageiros no mundo.

Outra vez: Um sujeito diz uma gracinha e Deus pune um monte de inocentes. Havia gente religiosa também no Titanic, havia protestantes, católicos e um montão de gente que tem muito respeito por Deus e nunca disse nenhuma blasfêmia. Havia crianças também no Titanic, um montão de criancinhas que morreram afogadas ou congeladas, uma morte horrorosa. O navio foi afundando aos pouquinhos, o naufrágio durou horas, aquelas criancinhas ficaram ali em pânico vendo o navio ser engolido pela água sabendo que mais cedo ou mais tarde elas estariam mortas. A maior parte das pessoas não morreu afogada e sim de hipotermia por causa das águas geladas. Não havia barcos salva-vidas suficientes e quem se salvou era, predominantemente, o pessoal da primeira classe. Pobre é tudo ateu, né? Se querem saber mais da tragédia do Titanic, acessem AQUI. O que é que essas pessoas tinham a ver com a frase do construtor do navio? Praticamente nada. Foi apenas um extermínio injusto, malévolo, satânico, cruel e com pitadas de sadismo da parte desse deus vingativo e odioso. Talvez o engenheiro nem estivesse no navio no dia do naufrágio. E além do mais, cadê as fontes? Em que jornal foi publicado? Qual o nome do engenheiro? Em que dia ele proferiu tais frases? E o que dizer dos milhares de trabalhadores que também construíram o navio? E, mais importante: Por que o deusinho de TPM não castigou APENAS o engenheiro? A Arca de Noé, uma invenção mitológica dos judeus, não passava de um barcote vagabundo comparado com os atuais porta-aviões de hoje.

MARILYN MONROE: Foi visitada por Billy Graham durante a apresentação de um show… Ele, um pregador do Evangelho, na época havia sido mandado pelo Espírito Santo àquele lugar, para pregar a Marilyn. Porém ela, depois de ouvir a mensagem do Evangelho, disse: ―Não preciso do seu Jesus‖. Uma semana depois foi encontrada morta em seu apartamento. Todas as pessoas que eu conheço que não são evangélicas e foram incomodadas por um crente batendo na porta da sua casa disseram frases bem semelhantes a essa da Marilyn. Eu, particularmente, já disse que estava ocupado sacrificando um bode preto (foi engraçadíssimo ver o crentinho sair avoado hehehe). Nem eu, nem nenhuma das demais pessoas que deu uma resposta mal-criada a um crente chato e inconveniente, amanheci morto uma semana depois. A menos que este site esteja sendo escrito por psicografia. E bilhões de pessoas no mundo também dizem a mesma coisa: não preciso de Jesus, não quero Jesus, não sei quem é Jesus e não me interessa, não acredito em Jesus, Jesus é imaginário, Jesus nunca existiu, Jesus é filho de um soldado romano que transou com Maria,

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Jesus era gay, Jesus não gosta de mulher, Jesus nasceu por partenogênese ou brotamento, Jesus tinha uma mãe adúltera etc. 5,8 bilhões de pessoas continuam vivas. Depois de dizerem tudo isso acima, milhões de vezes todos os dias. Ademais, que diferença faz? Na própria Bíblia diz que não há problema nenhum blasfemar contra o Jóquei de Jegue. Lucas 12:10 – Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem (Jesus, caso ainda não saibam) obterá perdão, mas aquele que tiver blasfemado contra o Espírito Santo não alcançará perdão. Em suma, eu posso mandar Jesus à merda, mas não posso falar no tosco, ridículo, escroto, estúpido, misógino, assassino, genocida, escravocrata, babaca, imbecil, animalesco e, por fim, INEXISTENTE Espírito de Porco Santo, com a advertência que não receberei o perdão e serei severamente punido… Bem, eu ainda estou aqui e inteiro. Que coisa! Ameaçar-nos com morte, se não aceitarmos Jesus, é uma coisa vergonhosa para os religiosos, além de contrariar seu próprio livrinho religioso hehehehe. Não conseguem nos convencer de boa-fé, não conseguem provar nada, não conseguem converter ninguém de forma espontânea, não conseguem argumentar com pessoas inteligentes, não possuem provas ou evidencias da existência desse ser chamado Jesus, nada de nada. Então, partem pra única coisa que sabem fazer: ameaçar. Para pessoas crédulas e medrosas até pode funcionar. Alguma vez pararam para pensar se os povos da Europa, no inicio da Igreja Cristã, se converteram espontaneamente? Que nada! Se converteram à força das armas dos exércitos imperiais, reais e principescos, tiveram seus templos e religiões destruídas, tiveram as suas festividades adulteradas para que passassem a adorar o deus cristão e o seu Jesus para que se tornassem um costume social mais tarde, e o que dizer dos povos das Américas, África e a Ásia ? Tiveram que ser convertidos (e escravizados) à força pelos colonizadores europeus, com o uso de armas, doenças, conquistas militares, escravidão, posse, exercício de poder das metrópoles, etc. Vocês conhecem pelo menos UM povo que se converteu de forma espontânea e de livre-vontade, sem coerção e ameaças? Nenhum!

BOM SCOTE: Ex-vocalista do conjunto AC/DC. Cantava no ano de 1979 uma música com a seguinte frase: ―Don‘t stop me, I‘m going down all the way, wow the high way to hell‖(Não me impeça… Vou seguir o caminho até o fim, na auto-estrada para o inferno). No dia 19 de fevereiro de 1980, Bom Scote foi encontrado morto, asfixiado pelo próprio vômito. É engraçado como religiosos vivem pregando que a morte não é algo ruim, é um retorno à nossa verdadeira casa e coisa e tal, mas vivem atribuindo as mortes das pessoas como castigo dos céus. Afinal, morrer é bom ou ruim, cacete? Tá certo, morrer afogado no vômito é bem grunge, mas, e os outros integrantes da banda? Não são culpados pela frase herege da música também? Só o vocalista pagou o pato? E todas as outras bandas de Heavy Metal que cantam músicas com esse mesmo conteúdo? Vão todos morrer tragicamente? Além do mais, milhares de pessoas morrem todos os anos no mundo, engasgadas com pedaços de comida entalada na garganta ou nas vias respiratórias, e isso sem dizer qualquer blasfêmia. Então, cadê a diferença?

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Agora, a minha favorita! UMA JOVEM ANÔNIMA: Uma jovem de 19 anos que começou a beber e usar drogas saiu para mais uma de suas ―noitadas‖ com mais quatro jovens entre eles um menor de idade, com apenas 13 anos de idade. Os rapazes passaram em sua casa e chamaram a moça, e pelo que tudo indica já estavam embriagados com o som do carro em alto volume e bebendo. A mãe da moça, desesperada, acompanhou-a até o carro e disse a seguinte frase para eles: ―Deus acompanhe vocês―. Ouviu-se uma gargalhada dentro do carro e a moça tirou a cabeça para fora e disse para sua mãe: ―Só se ele for ao porta-malas, porque aqui está lotado‖. Não demorou muito o motorista em alta velocidade perdeu o controle do carro em uma avenida e bateu de frente em um poste, os cinco ocupantes do carro vieram a falecer. Havia drogas e bebidas dentro do carro. Quando a perícia técnica e os bombeiros chegaram ao local ficaram surpresos, pois o carro estava totalmente destruído, mas o porta-malas estava intacto. Quando os bombeiros abriram o porta-malas ficaram assustados com o que viram: Havia dentro do porta-malas uma bandeja com 34 ovos e nenhum deles se quebrou. Essa figura entre as mais hilárias! Deus é mau, mata um, mata geral! Outra vez Deus dá um castigo desmedido. A menina fala uma besteirinha e morre aos 19 anos de idade, com toda a vida pela frente. Explica pra mim porque que cinco jovens que estavam indo pra uma noitada levavam uma bandeja de ovos no porta-malas? Era pra dar uma moral pra história, entendem? Será que queriam dizer que Deus estava no porta-malas? Sabe o engraçado que é pra eu imaginar Deus encolhidinho lá no porta-malas? Enfim, é realmente difícil ter paciência com a fé alheia quando eu leio coisas desse nível. E essa historia foi divulgada como tendo ocorrida em Campinas, mas acontece que simplesmente NÃO EXISTEM notícias sobre isso nos jornais da cidade (Correio Popular e Diário do Povo), não há nomes das vítimas, não há datas, não há o local exato do acidente, não há o nome da mãe da vítima, modelo do carro, nomes dos bombeiros e a companhia à qual pertencem, nada de nada! E porque diabos a história varia tanto de site para site? Uns dizem que eram 18 ovos, outros que eram 12 ovos e assim por diante! A propósito, alguém pode me dizer o que é que uma bandeja com ovos estava fazendo no porta-malas? Enquanto isso, sempre aparece notícias sobre ônibus, caminhões e carroças, carregando com romeiros em peregrinação, sofrendo acidentes onde quase todo mundo morre? Duvida? Veja isso: Carros descontrolados, entre os quais um ônibus cheio de romeiros, deixam rastro de sangue nas rodovias mineiras. Acidente com romeiros na Via Anhanguera 11 feridos no desabamento de igreja Desabamento de teto de igreja deixa 26 mortos em Uganda

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Creio que isso é o bastante. Mortes, acidentes, fatalidades etc acontecem com todo mundo em todo o planeta. Má direção, imprudência, desrespeito às leis de trânsito, má conservação das estradas, sinalização insuficiente ou apenas azar, mesmo. Tudo isso pode ser causa de mortes. Mas, por causa de que aqueles ovos foram colocados no porta-malas, hein? Ninguém responde isso. Claro que é apenas mais uma historinha ficcional no estilo ―Ó que Papai do Céu castiga!‖ Só mentiras. Tudo mentira. Histórias tão falsas como o nenê que nasceu com o nome de Jesus colado nas palmas de suas mãos, como ―prova‖ de que esta ―voltando‖! Não me importa que as pessoas acreditem em Deus, o que me incomoda são esses argumentos idiotas e distorcidos. Incomoda-me essa ideia de um Deus super descontrolado que sai castigando a torto e a direito por qualquer coisinha besta. Na verdade essas pessoas acreditam num Deus super pedante, ególatra, raivoso, vingativo, rancoroso, injusto, homicida, que faz questão de ser idolatrado dia e noite, com o seu santo testículo sendo puxado pelos crentes medrosos!

Nasa, Josué e o Sol que parou Os religiosos odeiam a Ciência! Lamento, pessoal, mas essa é a verdade. Os fanáticos não conseguem suportar a ideia que algo não necessite de explicações sobrenaturais para acontecimentos. Eles abominam a ideia de que a Ciência pouco se importa se Deus, Shiva, Isis, Quetzalcoatl ou o Monstro Espagueti Voador existam ou não. Fazem de tudo para atacála, mas sempre saem perdendo, dado o seu analfabetismo científico. E quando percebem que não podem vencê-la, tentam usar descaradamente o nome de entidades científicas sérias em citações totalmente descontextualizadas, ou inventam torpes mentiras. Uma das mais visadas é a NASA. A Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (cuja sigla NASA vêm de seu nome em inglês) é simplesmente uma agência de âmbito governamental que cuida exatamente do que seu nome diz: aeronáutica e espaço, ou seja, qualquer coisa que voe, dentro ou fora da atmosfera terrestre está sujeito à supervisão da NASA. Qualquer evento acima do solo terrestre é de sua competência. Eventos climáticos NÃO SÃO estudados pela NASA e sim pela agência irmã: o NOAA.

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Na Bíblia, somente um evento é tão ridículo, estúpido, mentiroso e mitológico que o Dilúvio: trata-se do famoso do milagre do dia mais longo, narrado no livro de Josué. Vamos dar uma repassada rapidamente: Moisés (aquele cara barbudo que não existiu, mas vivem puxando o saco dele) morreu e coube a Josué a liderança dos israelitas. Estes resolveram passar a fio de espada qualquer um que cruzasse o seu caminho e assim começa um dos capítulos mais sangrentos, selvagens, bárbaros, genocidas, maníacos, assassinos e perversos da Bíblia (se bem que passagens assim é que não falta lá). Josué, o Cap. Nascimento dos Baby Sitters de Cabras, resolve mandar todo mundo pro saco e só não pôs na conta do Papa, porque ele só apareceria muitos séculos mais tarde. Ele clama pela ajuda divina e Javé, vulgarmente conhecido como o Senhor dos Anéis Bíblico, dá uma forcinha fazendo cair temporais, tempestades de granizo e até mesmo pedras nos outros soldados! Mas, eis que na sua perseguição brutal, Hannibal Lecter Josué olha pro sol (por favor, sonoplasta, aumente a trilha sonora) e ordena que o Sol pare! Josué cap. 10 10. O Senhor semeou no meio deles o terror diante de Israel, e este infligiu-lhes uma terrível derrota diante de Gabaon, e perseguiu-os pelo caminho que sobe a Betoron, batendo-os até Azeca e Maceda. 11. Enquanto fugiam diante de Israel, na descida de Betoron, o Senhor mandou sobre eles do céu uma tempestade de granizo até Azeca; e foram mais numerosos os que morreram sob essa chuva de pedras do que os que pereceram pela espada dos israelitas. 12. Josué falou ao Senhor no dia em que ele entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse em presença dos israelitas: Sol, detém-te sobre Gabaon, e tu, ó lua, sobre o vale de Ajalon. 13. E o sol parou, e a lua não se moveu até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto acha-se escrito no Livro do Justo. O sol parou no meio do céu, e não se apressou a pôr-se pelo espaço de quase um dia inteiro. 14. Não houve, nem antes nem depois, um dia como aquele, em que o Senhor tenha obedecido à voz de um homem, porque o Senhor combatia por Israel. Somente uma criatura extremamente idiota acreditaria numa historinha mítica dessas. Em qualquer conto épico existe passagens mirabolantes como essa. Jasão e os Argonautas, o Bagava-Gita, a Teogonia e tantos outros épicos mitológicos contém coisa ainda mais maravilhosas e incríveis! Não é nada demais. Cada povo gosta de contar vantagem se mostrando ―o tal‖. O pior é que tem gente que REALMENTE acredita naquilo. O Sol parou! Uaaaaaau! É fantástico saber que há quem acredite nessas histórias, sem ao menos se dar ao trabalho de investigá-las, para chegar se há um fundo de verdade, se há credibilidade, se existem nas biografias das respectivas personalidades. Os sites religiosos apregoam que sim, a história do ―dia perdido‖ realmente aconteceu e, pior, citam a NASA! Como é de se esperar, as histórias mudam de site pra site, de postagem pra

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postagem. Uma das histórias diz que um cientista da NASA, no Goddard Space Flight Center, em Greenbelt, Maryland, estavam usando computadores sofisticados para plotar posições do Sol, da Lua e outros planetas, 100, 1000 anos no futuro, para calcular as trajetórias de naves espaciais. Subitamente os computadores pararam completamente. Porque desligaram, eles tinham descoberto o ―dia perdido‖ no tempo. Os técnicos não sabiam como corrigir o problema. Mas um dos cientistas presentes, havia freqüentado a escola dominical quando era criança, e lembrava-se da história na qual Deus fez o Sol parar por aproximadamente um dia. Quando ele sugeriu isso como uma possível solução, os outros cientistas o ridicularizaram. Contudo esses mesmos cientistas abriram a Bíblia em Josué 10 e leram a história. Os técnicos então alimentaram os computadores com os novos dados (cuidadosamente fabricados no ―dia perdido‖ de Josué), e as máquinas uma vez mais passaram a funcionar perfeitamente – ou quase. Os computadores subitamente pararam, mais uma vez, porque eles não haviam descoberto um dia completo; alguma coisa estava faltando. Aparentemente (assim diz a história) os computadores encontraram somente 23 horas e 20 minutos. Em outras palavras, 40 minutos ainda estavam faltando. Mas o cientista da escola dominical sugeriu a resposta a esse enigma. Ele lembrou-se que na Bíblia, em 2 Reis 20, havia uma narrativa em que o Rei Ezekias, tendo sido prometida a suspensão da sua morte, teria pedido um sinal do céu. Deus então fez o Sol se mover dez graus para trás – ou exatamente 40 minutos! Essa informação foi colocada nos computadores, e a partir de então eles passaram a funcionar normalmente. Em outras, os cientistas estavam estudando a posição dos astros quando estavam prestes a enviar o homem à Lua, como disse um de nossos comentaristas. Aliás, foi graças a ele que resolvemos destruir de vez este mito. Obrigado, Renato. Seu ―ceticismo‖ nos fez melhorar o site, ajudando a elucidar mais as pessoas e levando um pouco de luz às trevas da ignorância. Minha resposta foi simples e avassaladora: MENTIRA! A NASA desmentiu esta lenda urbana pregacional AQUI. No site, eles dizem (tradução minha): A lenda urbana ―GSFC encontra o dia perdido‖ não faz sentido pelo seguinte motivo. Se nós queremos saber aonde os planetas estarão no futuro, nós usamos um conhecimento acurado de suas posições iniciais e suas velocidades orbitais (o que seria onde eles estão localizados agora), e descobrir por suas posições por algum tempo no futuro. Nós solucionamos uma série muito bem determinada de equações que descrevem estes movimentos. O principal elemento dinâmico de qualquer movimento orbital de um planeta é determinada por resolver uma equação (força igual a massa vezes aceleração, F = m.a), que é, talvez, a equação mais fundamental da Física Clássica. Ou seja, Newton rules, Kepler rocks, e eu sou mais eu. Este cálculo que se estuda no Ensino Médio de qualquer colégio decente é tão preciso que e é usado para determinar eclipses – Solar e Lunar – movimentos de planetas, envio de sondas etc. O site ainda reitera: ―Esse cálculo não abrangeria qualquer momento, antes de apresentar, de forma alguma dias faltantes muitos séculos atrás, se tivesse ocorrido, não poderia ser descoberto com este método‖. Tomaram papudos? Newton, apesar de ter sido cristão, destruiu os seus sonhos. Costumam usar Zecharia Sitchin, um ufólogo maluco da laia de von Däniken, que alega que houve uma noite comprida em outros lugares. E daí, que tenha havido? Nunca viram um eclipse solar na vida?

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Não há NENHUMA indicação que tal besteira tenha ocorrido. E, se prestarem atenção aos escritos, o texto diz que o Sol e a Lua pararam. Como? Só se levarem em conta que quando esta narrativa foi escrita, achava-se que a Terra era o centro do Universo e que TUDO girava ao seu redor. Alguns alegam que somente a Terra parou, mas e a Lua? Ah, a Lua também parou. E os planetas? Er… Jesus te ama e vou orar por você! Conseguem imaginar a CATÁSTROFE interplanetária que seria se o Universo todo parasse só para que um bando de ridículos pastores de cabras pudessem usurpar uma terra que nunca foi deles? O poderoso Omni³ dizimou plantações, animais e os primogênitos dos egípcios. Mas, para que Josué pudesse perseguir igual a um alucinado os povos que estavam fugindo de sua fúria insana ele precisou parar a porra toda? Você tá de sacanagem, zero-meia? Quem inventa uma baboseira dessa deveria ser preso e quem acredita deveria ser internado. Mais um mito que foi pro ralo.

Deus e o Diabo na terra da Internet São muitas as historias que circulam na internet, e como não podemos tratar de todas, pois esta série não teria fim, e ocuparia um extenso tempo pesquisando e refutando todas elas, deixamos aqui as mais famosas ―histórias verídicas que não passam de mentira‖. Se nossos leitores acharem mais dessas histórias por aí, compartilhem conosco postando comentários a respeito. Nós temos interesse em que vocês usem a cabeça de vez em quando, e se virem as besteiras aqui refutadas em comunidades ou fóruns de discussão, não se acanhem em nos linkar. Entregamos de bandeja pra vocês quaisquer argumentos necessários para derrubar este montes de asneiras. Então, sem mais delongas, mãos à obra!

Pasteur, o pastor de trem Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário que, compenetrado, lia o seu livro de ciências. O senhor por sua vez lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos. Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

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- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices? - Sim, disse o senhor, mas não é um livro de crendices é a Palavra de Deus. Estou errado? O estudante dando uma risadinha sarcástica respondeu: - Claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a história geral e veria que a revolução francesa, ocorrida há mais de 100 anos, fez o favor de mostrar a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem nessa história de que Deus criou o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os cientistas dizem sobre isso. - É mesmo? - perguntou o velho cristão - E o que dizem os cientistas sobre a Bíblia? - Bem, respondeu o universitário, agora eu não posso explicar, pois vou descer na próxima estação, mas deixe seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio. O velho então, cuidadosamente, abriu ao bolso interno do paletó e deu o cartão ao universitário. O Cartão dizia: ―Louis Pasteur, diretor do Instituto de Pesquisas Científicas da École Normale de Paris‖. Isso aconteceu em 1892. Ainda não vi um único site, comunidade no orkut, fórum de discussão ou pregação que não usassem esta historinha boba e sem sentido. Esta baboseira crente é facílima de refutar; mas antes, vamos dar uma olhada básica na biografia de Pasteur, onde citarei algumas linhas bem simples: Louis Pasteur nasceu em Dôle, leste da França, em 27 de dezembro de 1822. Químico por formação, em 1886 obteve licença internacional para fundação do Instituto Pasteur, devotado ao estudo e tratamento de raiva, assim como a outros estudos microbiológicos. Em 14 de novembro de 1888, o Instituto Pasteur de Paris foi inaugurado. Em 1892 o Jubileu de Pasteur (70 anos) foi comemorado na Sorbonne de Paris, com grandes solenidades. Louis Pasteur faleceu aos 73 anos, em 28 de setembro de 1895, em Chateau de Villeneuve l‘Etang, perto de Paris. O resto dessa biografia pode ser encontrado no site do Instituto Pasteur de São Paulo, e também no Instituto Pasteur de Paris. Mas para informações mais completas, pode ser vista no site da Britannica. Estudando-se a biografia básica e a oficial de Pasteur, coisa que crentes não se dão ao trabalho de fazer, praticamente NADA indica que ele fosse o ―diretor do Instituto de Pesquisas Cientificas da Ecole Normale de Paris‖. Essa história apresenta pequenas variações entre os sites religiosos, indicando que era presidente, diretor-geral, coordenador, etc… só faltou alegarem que ele era faxineiro de lá. Contudo, no fundo, a história é sempre a mesma. E essa besteira tem sido repetida à exaustão, e se analisarmos bem, ela é cheia de furos! A historinha relata que ocorreu em 1892, mas acontece que nesse ano, Pasteur já era o presidente do Instituto Pasteur, que ele próprio fundou em 1888, então porque diabos ele largaria o próprio instituto para ser diretor de outra instituição? Pesquisando-se na Internet, no

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site da Ecole Normale, simplesmente não há citação ao nome dele! Nunca foi o diretor desse instituto! E tem mais, por que não há citação ao nome desse jovem? Por que não dizem onde ele estudava, já que era ―um jovem universitário‖? Por que não se cita os nomes das estações de trem? Por que diabos um jovem iria meter a cara no meio desse ―livro de capa preta‖ para ver qual era exatamente a parte que Pasteur ―estava lendo‖? Conseguem imaginar a cena, um jovem se sentando ao lado de alguém e espiar o livro alheio, numa intromissão da privacidade? Ainda mais em uma sociedade onde os jovens prestavam bastante respeito aos mais velhos? Ademais, devemos ter em mente uma outra coisa: QUEM? contou esta história? Um jovem ―humilhado‖ ou Pasteur, um homem tido como um genuíno cavalheiro pelos seus contemporâneos? Um homem da classe de Pasteur, que mesmo sendo químico (e não médico) não deixou de atender um menino que sofrera um ataque de um cão raivoso, empregando todos os seus conhecimentos para buscar a cura da enfermidade, reunindo diversos colaboradores afim de pesquisar o antraz e livrar a França de uma série de doenças, expandindo seus conhecimentos e pesquisas pelo mundo afora, teria a arrogância de contar este fato afim de se sentir engrandecido em honra ao grande deus bíblico? Crente está acostumado a acreditar em qualquer coisa, mesmo. O petulante ―universitário‖ menciona a Revolução Francesa, o nome dado ao conjunto de acontecimentos que, entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799, que alteraram o quadro político e social da França, e também do mundo. Para quem não sabe, em causa estavam o Antigo Regime (Ancien Régime) e a autoridade do clero e da nobreza. Foi influenciada pelos ideais do Iluminismo e da Independência Americana (1776). Está entre as maiores revoluções da história da humanidade, no qual não tinha nada a ver com a religião. A verdade é que o combate contra o domínio da religião no Estado ocorreu no período do Iluminismo, ocorrido entre o final do século XVII e as Guerras Napoleônicas (1804-1815). Foi através do Iluminismo que o homem passou a empregar a Razão como veículo de desenvolvimento pessoal e da sociedade, em contraposição ao uso de dogmas impostos pelos religiosos. Autores como Voltaire começaram a examinar, com o emprego do puro raciocínio, as questões impostas pelas ―verdades‖ religiosas. Voltaire, aquele que alegaram ter morrido de uma maneira horrível (cuja história foi desmentida AQUI) era deísta, e empregou seu intelecto no exame das escrituras e textos sagrados, opondo-se firmemente contra as politicagens da Igreja Católica. Mas os crentes estudam História? Claro que não! Mal sabem a historia de suas próprias religiões, então como poderiam saber disso? Quem estuda, sabe. Que não estuda, acredita. E para variar, colocar o jovem em uma situação ―desconcertadora‖ no qual se encontra ―sem palavras‖ ou ―sem resposta‖ diante da indagação de Pasteur sobre a Bíblia, é uma tática extremamente desonesta. Aqui mesmo em nosso blog, já deixamos centenas de crentes sem resposta e desconcertados com as nossas respostas e refutações. Quando apresentamos perguntas, eles não nos respondem, só ameaçam e terminam dizendo que vão orar por nós (como coisa que isso nos diz alguma coisa, pobres coitados que são eles). Basta olharem nas caixas de comentários! Mal conseguem defender a sua Bíblia, que possui mais de 7000 contradições…

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Para finalizar, a idéia de que o mundo foi criado em seis dias ainda estava em voga no Ocidente, mas graças às descobertas nas ciências geológicas, já se desconfiava que o mundo era muito mais antigo do que dizia a teologia crista. Nessa época, no final do século XIX, as pesquisas estavam em desenvolvimento e novas idéias estavam surgindo, graças a Alfred Wegener, com a Teoria da Deriva Continental, a Lord Kelvin que estimou em 1863 que a Terra era bem mais antiga, e o resto é história. E ainda há crente que acredita que o mundo foi feito em seis dias, como os toscos da Young Earth (Terra Jovem). A este pessoal damos o nome de CRIABURRICIONISTAS! Mas, e se nós quisermos empregar nossos dotes de escritores? E se um dia alegarmos, baseados em pesquisas que nunca divulgaríamos, encontramos uma ―continuação‖ dessa história? Ora, bem que valeria a pena citar aqui, pelo cinismo que nela encerra, bem do nosso agrado: Cerca de um mês depois Pasteur estava no seu escritório, quando alguém bate à sua porta. Ele mandou que entrasse e um jovem se apresentou: - Bonjour, monsier! Eu sou aquele jovem a quem o senhor deixou o cartão durante aquela viagem de trem. - Ah! Sim - responde o ancião. - E o que o traz aqui? - Como eu lhe prometi, vim trazer a prova que Deus não existe. - dizendo isso largou um volume sobre a mesa do velho cientista, deu meia volta e saiu da sala. O bom cientista, que usou a maior parte de sua vida na pesquisa e busca da verdade, toma o volume e lê na capa: ―A Origem das Espécies‖ de Charles Darwin, leu tudo de uma sentada e ao final se arrependeu de ter desafiado o jovem aquela dia no trem. Sendo cioso de como a Ciência funciona e vendo ali uma descrição completa de um método claro e definitivo, explicando como as espécies evoluíram, em contraste com as tolas histórias contidas na Bíblia, Pasteur cuidadosamente guarda o volume em sua estante, enquanto jogava o livro de capa preta no lixo. Que tal, crentalhada? Claro que jamais diríamos que o livro de Darwin NEGOU ou AFIRMOU a existência do deus judaico-cristão (bem como de qualquer outro deus), como os crentes adoram espalhar por aí, babando e urrando como alucinados que são. Mas, como poderíamos resistir a isso?

O Teólogo Cronch Cronch Agora, daremos prosseguimento a outra historinha dos crentes, que é a do gosto da maçã, mais uma história patética, inventada por alguém mais patético ainda. Certa Universidade nos Estados Unidos, muito conceituada onde de lá saiam brilhantes cientistas, realizava todos os anos uma conferência para debater religião, ateísmo e ciência. Durante uma conferência um cientista ateu foi convidado para dar uma palestra, onde ele iria

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dizer os motivos científicos pelos quais ele negava a existência de Deus, Jesus Cristo e do Espírito Santo. Ele foi. Começou a dar a palestra para um grande publico que incluía jovens e idosos. Ele começou a falar… E falou, falou, falou… Até que chegou em uma determinada hora que ele levantou a seguinte questão: Eu queria saber porque ha tantos loucos e fanáticos por Deus no mundo, e caminho há muitos anos como cientista e já vi e testemunhei pessoas que morreram para não negar a Cristo… Então um senhor idoso que estava na platéia ouvindo a palestra se levantou e fez uma pergunta ao palestrante, enquanto comia uma maçã: cronch… Eu queria… cronch. Perguntar… cronch, cronch… Ao senhor… cronch, cronch, cronch… Que gosto tem essa maçã que eu acabei de comer? O palestrante o olhou com as sobrancelhas erguidas de cima da bancada onde estava a horas dando aquela palestra, e indagou: Eu não experimentei a sua maçã, logo não posso responder qual gosto tinha… Então o senhor o olhou e disse: Então como o senhor pode falar por mais de 2 horas, de algo que nunca experimentou? Esta historinha é uma das mais ridículas que existem por ai. O que e que ela prova? Nada, praticamente nada! Não há citação ao nome da ―universidade muito conceituada‖, não há o nome da cidade, não há a data do suposto fato, não menciona o nome da conferência e o tema deste, não cita os nomes desses ―brilhantes cientistas‖, não se cita o nome do ―cientista ateu‖ que deu uma palestra, não se sabe o nome do ―senhor idoso‖, não há os nomes das pessoas que ―relataram o ocorrido‖, não há registros de tal acontecimento, praticamente nada de nada. Em resumo, uma historinha falsa até o fundo da alma, se existissem almas… Para comentar esta história, comer uma maçã não prova a existência de algum ser imaginário. A maçã pode ter vários gostos diferentes, dependendo de diversos fatores (espécie, subespécie, clima, terra, fertilizantes, irrigação, infestação por pragas, adubação, tratamento químico, etc), e tendo gostos diferentes tais como o de uma banana-prata, levemente amarga, doce, consistência aveludada, dura com pouco sabor, ou até mesmo o gosto de uma beterraba, se a manipularmos geneticamente. E daí? E isso prova alguma coisa? Não, praticamente nada. A mesma historia pode ser usada contra o crente, bastando inverter o ônus da prova, basta trocar os nomes! Vamos dar um exemplo abaixo: Então um hindu que estava na platéia ouvindo a palestra se levantou e fez uma pergunta ao palestrante que era pastor evangélico, enquanto comia uma maçã: cronch… Eu queria… cronch. Perguntar… cronch, cronch… Ao senhor… cronch, cronch, cronch… Que gosto tem essa maçã que eu acabei de comer? O evangélico o olhou com as sobrancelhas erguidas de cima da bancada onde estava a horas dando aquela palestra, e indagou: Eu não experimentei a sua maçã, logo não posso responder qual gosto tinha… Então o hindu o olhou e disse: Então como o senhor pode falar por mais de 2 horas contra a existência de SHIVA, de algo que nunca experimentou? Ou então: Então um muçulmano que estava na platéia ouvindo a palestra se levantou e fez uma pergunta ao palestrante que era padre católico, enquanto comia uma maçã: cronch… Eu

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queria… cronch. Perguntar… cronch, cronch… Ao senhor… cronch, cronch, cronch… Que gosto tem essa maçã que eu acabei de comer? O cristão o olhou com as sobrancelhas erguidas de cima da bancada onde estava a horas dando aquela palestra, e indagou: Eu não experimentei a sua maçã, logo não posso responder qual gosto tinha… Então o muçulmano o olhou e disse: Então como o senhor pode falar por mais de 2 horas contra a existência de ALLAH, de algo que nunca experimentou? Essa mesma história pode ser transformada inúmeras vezes, revertendo ao favor de quem a repassar, independente da religião a que pertencer o transmissor desta! Podem ser hindus, muçulmanos, espíritas, sikhs, xintoístas, ateus, agnósticos, rastafáris, budistas, etc. E pode ser usada para ―provar‖ a existência de qualquer coisa, até mesmo o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa! Os crentes não gostariam de experimentar o fruto da árvore do ateísmo? Ou do agnosticismo? Venham, nós temos de variados sabores, formas e tamanhos! Como podem falar de nós, ó hipócritas!, se vocês nunca as experimentaram? Quem sabe vocês aprendem a deixar as mentiras em casa, trancadas num baú? Hehehe

Superbonder nas mãos? Agora, vamos um dos contos da carochinha crentais mais hilários! A historinha da menina que nasceu anunciando que Jesus estava voltando (como sempre, está sempre voltando!): Num hospital público de Itaguaí(RJ) nesse fim de semana que passou,nasceu uma menina com as mãos coladas,como se estivesse orando. Os médicos disseram para os pais que iriam operar as mãos daquela menina iria dar uma anestesia. A operação foi muito fácil porque parece que as mãos estavam coladas apenas por uma pele. Quando abriram a mão daquela criança… Vocês nem imaginem o que estava escrito… ―JESUS ESTÁ VOLTANDO!‖ Os médicos começaram a chorar e todos que estavam no hospital. O bairro de Itaguaí está num movimento só. As pessoas que estavam afastadas da igreja estão voltando e outras aceitando Jesus como único Salvador. Deus trouxe aquela criança ao mundo somente para transmitir aquela mensagem, depois de algumas horas ela morreu. Ai, ai! Vamos lá analisar mais uma besteirada! Num hospital publico de Itaguaí (RJ) nesse fim de semana que passou, nasceu uma menina com as mãos coladas, como se estivesse orando.

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Ok. Reparem que o besteirol começa falando sobre o nascimento de uma criança em Itaguaí. Mas reparem numa coisa: Os médicos começaram a chorar e todos que estavam no hospital. O bairro de Itaguaí está num movimento só. Esperem aí! Um bairro? Afinal, no começo da historinha, só era mencionado o município. Depois, dizem que Itaguaí é um bairro! Por favor, acessem ESTE SITE (que por sinal, é o site oficial do governo municipal de Itaguaí)e vejam que Itaguaí é um município do Estado do Rio de Janeiro. MU-NI-CÍ-PI-O! Sinal de que quem inventou essa merda, ou não sabia NADA da geografia fluminense, ou estava sob efeito de um alucinógeno brabo. Ou ambos… Só isso seria suficiente para jogar esse boato no lixo, mas não. Tem gente que realmente pediu para ser trouxa. Tem gente que não pode cair de quatro, senão sai pastando e não levanta nunca mais… então resolvemos conferir a fonte dessa história, e obtivemos uma cópia de um e-mail que Nóbrega, um colega nosso, enviou para o Jornal Folha de São Paulo, e vejam só a resposta que ele recebeu: De: ―ombudsman‖ Para: emenobrega@xxx.com.br (vamos preservar a privacidade dele, ok ??) Assunto: Re: Está circulando na Internet Grato, Nóbrega. Esclareço que informaram a fonte errada. Nada disso foi publicado na Folha. Atenciosamente, Mário Magalhães Ombudsman - Folha de S.Paulo Al. Barão de Limeira, 425 - 8º. andar 01202-900 - São Paulo - SP Telefone: 0800 0159000 Como sempre, a crentalhada adora mentir descaradamente. Essa historinha é mais furada do que os milagres evangélicos, mais falsa que a prosperidade dos empresários crentes do Folha Universal! Querem mais? Então, vamos lá! Não há menção ao nome do hospital publico, não há citação ao nome dos médicos (em partos, geralmente temos a assistência de um pediatra, enfermeiras, anestesistas, ginecologistas etc), não se sabe o nome dos pais, não se sabe o nome da menina, não se sabe quando esta coisa aconteceu, nada se sabe sobre a data de nascimento, não se fala nada sobre os sentimentos dos pais com a morte inútil da menina, nada de nada! Não houve uma única notícia nos jornais de circulação no Rio e Grande Rio. Um vácuo de informação total. E porque diabos esse deus iria querer a morte de uma menina inocente só para transmitir uma mensagem tão idiota? Um deus MAIS INTELIGENTE usaria outros meios mais práticos, mais eficientes e menos cruéis, como aparecer em cadeia mundial! Imaginem, no maior Fla-Flu em pleno Maraca, pára tudo e uma luz intensa desce dos céus e o Omni Tripla Ação vem carregado por diversos arcanjos dizendo: ―Eu te amo, meus filhoooooooooos!!!!‖

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De repente, se ele fizer isso, os ateus desaparecem. E cadê a foto da menina? Nem se deram ao trabalho de pelo menos usarem os celulares (que hoje em dia pode-se usar um celular com câmera embutida para filmar qualquer coisa e postar no YouTube a qualquer momento)? Normalmente, os pais levam filmadoras pra sala de parto. Onde estão as evidências? Cadê o cadáver da menina, para uma autopsia detalhada e conferir a veracidade dessa história? Nem se sabe o cemitério onde foi enterrada, e mesmo que achassem a menina, os microorganismos já a tinham devorado, decompondo a carne dela e restassem apenas ossos! Por que será que não foi noticiado nos principais jornais do Brasil? Não me lembro de uma única manchete de 1° página anunciando isso! Nem mesmo um resuminho para a Scientific American, National Geographic, Discovery, Futura? Talvez no Ratinho ou no Faustão? Ah, já sei… só saiu em jornalzinho crente de fundo-de-quintal de igreja de papelão, para depois circular por e-mail, né? Além do mais, Jesus não vai voltar mesmo. Ele não existe. Podem conferir em nossos artigos aqui no blog. Essa historinha crente é realmente uma forçada de barra, e há quem acredite! Tem que ser muito idiota, não acham?

Jesus é babá? Esta é para mostrar como os ateus são maus e Jesus é um cara maneiro. É história da menina que teve os pais ateus mortos e viu Jesus depois, que e bem divulgada em PowerPoints, por correntes de e-mails, com todas aquelas figuras bonitinhas, mágicas, divinas, sublimes… como se religião fosse tudo de bom, maravilhoso, benéfico… Penn & Teller diriam imediatamente na hora: BULLSHIT!! Esta historinha é mais falsa que nota de 3 reais, como vocês leitores irão perceber na hora. Como não dá para colocar o Power Point aqui em nosso artigo, resolvemos transcrevê-la aqui: Se alguém colocasse uma arma em frente ao seu rosto e perguntasse se você acredita em Deus, o que você faria? Diria NÃO e se sentiria envergonhado pelo resto de sua vida, ou… Diria SIM, eu acredito, e teria a coragem de morrer por Deus? ESTA HISTÓRIA É VERÍDICA Um casal de ateus tinha uma filha e jamais havia dito sequer uma palavra de Deus para a criança Uma noite, quando a menina contava com seus 5 anos de idade, em meio a uma briga, O pai atirou na mãe, na frente da criança, e depois se matou A menina assistiu a tudo Após a tragédia, ela foi mandada para um orfanato. A senhora que tomava conta do orfanato era cristã, muito devota, e ―apresentou‖ Deus para a criança No primeiro dia da catequese a senhora, informando à professora que a menina nunca ouvira falar sobre Jesus Cristo, pediu-lhe que tivesse paciência com ela.

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A catequista, então, mostrando uma foto de Jesus ás crianças, questionou: - Alguém sabe me dizer Quem é este? E a menina levantou a mãozinha e disse: Eu conheço, é o homem que estava me segurando no colo no dia que meus pais morreram. Agora: Se você acredita que Jesus está constantemente presente em nossas vidas e nos segura no colo nos momentos difíceis, você encaminhará esta mensagem para tantas pessoas quanto você conseguir. Mas, caso você não acredite na presença constante de Jesus, pode apagar, como se nunca o tivesse lido. Como se essa mensagem não tivesse lhe tocado o coração Não se preocupe, caso você não encaminhe, nada de mal irá lhe acontecer, mas lembre-se das palavras do próprio Jesus: ―Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus‖ (Mateus 10,32) Tenha um ótimo dia e que Deus te abençoe. Como vêem, caros leitores, nos estamos vendo aqui um belo exemplo de uma anedota religiosa, onde se prega que os ateus são maus, imorais, violentos, assassinos, incrédulos, infelizes, sem amor-próprio, comunistas, comedores de criancinhas, adoradores do diabo, etc.. e quaisquer adjetivos que vocês quiserem imaginar. E isso não é verdade, para infelicidade dos religiosos. As pessoas ateístas são seres humanos, como todos os demais, e possuem sentimentos de amor, compaixão, racionalidade, tristeza, moralidade, ética, e sofrem dos mesmos problemas que todos, encaram os problemas, enfrentam, lutam pela vida, não são anti-religiosos, não impõem as suas idéias e pensamentos em cima dos outros, não fazem proselitismo, não ameaçam as pessoas para que deixem de ser crédulas, não são amargurados ou revoltados. E nem mesmo são imorais ou anti-éticos, como ficam pregando os pastores e padres por ai. Ou ate mesmo, nem mesmo saem de suas casas à noite para cometer assassinatos, roubos, estupros, etc… porque não tem um ―deus ou Jesus‖ no coração. Existem pessoas atéias má? Sim, existem. Seres humanos têm seu caráter individual independente de facção religiosa ou posição filosófica. A não ser quando os líderes religiosos mostram livros de séculos atrás e querem que aquela seja uma verdade a ser imposta hoje, submetendo as mulheres ao véu da ignorância, homossexuais são condenados à exclusão social, negros são vistos como inferiores e membros de outras religiões tidos como hereges. Assim, por que os religiosos não podem aceitar os ateus? E se não aceitam, por que se revoltarem e invadirem blogs, comunidades, fóruns etc onde ateus, agnósticos, céticos em geral conversam sobre as SUAS visões, sem irem em igrejas pára ficarem ladrando como fazem aqui em nossos campos para comentários? Pelo ódio que possuem contra os ateus, são os próprios religiosos que estão com falta de ―deus e Jesus‖ no coração, afinal, o livro deles manda amar os inimigos. Onde está esse amor, quando dizem que devemos ser torturados, ou as inúmeras ameaças de morte que recebemos aqui? Religiosos não conseguem amar nem os seus semelhantes. Vejam as inúmeras guerras que os Católicos travaram contra Protestantes. E rezam pro mesmo deus, curioso, né? Eles só dizem que amam, da boca para fora, mas JAMAIS dizem com verdadeiro altruísmo, sem a obrigação religiosa de se amarem uns aos outros de forma verdadeira e recíproca. Sempre dizem essas palavras ―eu te amo‖ ou ―eu te amo em nome de Jesus‖ ou ainda ―vou orar por você‖, na total

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falta de sinceridade e sentimento. Não que nos importemos. Não damos importância a falaciosos hipócritas. Vamos relembrar uma coisa MUITO simples: Nos EUA, apenas 0,2% dos presidiários são ateus (de acordo com o The Federal Bureau of Prisons), em um total de 3 milhões de americanos encarcerados na prisão. Isso mesmo, vocês leram direito – ZERO VIRGULA DOIS – e os restantes 99% pertencem às mais variadas religiões, sendo que a maioria dos criminosos são de religiões cristas, protestantes, evangélicas, batistas, adventistas, etc. E o conjunto de ateus na população dos EUA é de 16,1%. E no Brasil, é a mesma coisa. Nossos ateus que estão nas prisões brasileiras são menos de 1% , e o número de ateus na população brasileira é de 7,3% (dados do IBGE 2001 – e são o grupo social que mais cresceu nos últimos anos, e em breve, passarão de 10%). Façam as contas, rapazes ! Baseado nisso, quem são realmente os criminosos? Hehe… E sabem quais são as diferenças entre um ateu e um religioso? O religioso pratica o bem ou faz o papel de bonzinho, esperando uma recompensa no final (ou seja, o paraíso, a vida eterna, seja la o que for que chamarem). O ateu não, ele pratica o bem ou caridade, sem esperar nada em troca. Nesse sentido, os ateus são muito mais altruístas que os religiosos. Vamos citar um exemplo: Bill Gates. Bill Gates é ateu – e segundo os linuxistas, ele não tem pacto com o Diabo. É o próprio! – é o 2° homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 52 bilhões de dólares, e ele é o maior filantropo vivo, junto com Warren Buffet. A Fundação Bill e Melinda Gates possui 38 bilhões de dólares destinados à caridade, e ajuda a África, financia pesquisas para a cura da AIDS, fornecimento de vacinas, acesso à educação. E ainda por cima, Bill declarou que, quando falecer, ira doar quase toda a fortuna de 50 bilhões de dólares à caridade. Vocês conhecem um religioso tao caridoso assim? Edir Macedo? R. R. Soares? Silas Malafaia? Bento XVI? Pelo menos um pastor evangélico? Sabe se algum destes aí doou um reles carrinho de mão? E suas declarações de renda? Bem, nem você viu a declaração de renda deles, nem a própria Receita Federal. Isso não é significativo? Outra diferença: o religioso é tão ateu quanto o próprio ateu. O religioso não acredita em TODOS os demais deuses, exceto um (o dele), enquanto que o ateu apenas não acredita em um deus a mais. Sacaram? Ou será que eles se predispõem a provar que Ganesh não existe, assim como berram que não se pode provar que o deus deles não existe? Se bem, que não há mesmo uma única prova que o tal de Jesus existiu… Mas agora, voltemos à analise dessa historinha crente. E como sempre, não há menção sobre as circunstâncias onde ocorreu esses assassinatos, não há nomes dos envolvidos, não há nenhuma data, nenhuma menção ao local, não se diz o nome da menina, não se cita o nome do orfanato, o nome da senhora ―cristã fervorosa‖, nada de nada. E ainda querem dizer que a história é veridica? É tão verídica quanto eu afirmar que há um Saci-Perere andando de patinete na Avenida Paulista! E vejamos, essa historinha possui as Tipicas Justificativas Religiosas.

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Se alguém colocasse uma arma em frente ao seu rosto e perguntasse se você acredita em Deus, o que você faria? Configura a TJR nº 29 (Falou “Meu Deus” na hora do apuro) Não se preocupe, caso você não encaminhe, nada de mal irá lhe acontecer, mas lembre-se das palavras do próprio Jesus: Aqui são duas TJR:     22 48 51 52 – – – – O fim está próximo Você vai pro Inferno Pra Deus, tudo é possível Testemunho dramalhão

E muitas outras. Na verdade, todo o texto é um exemplo completo e perfeito das Típicas Justificativas Religiosas.

A Xuxa é o cão! E a historinha da Xuxa, que fez um pacto com o diabo, para conseguir o sucesso que ela tem hoje? Essa historinha ridícula tem sido veiculada em inúmeros sites e portais religiosos, e vocês podem ler em mais detalhes no site do Tabernáculo (espero que eles procurem ver quem os linkou, hehehehe). Essa babaquice data desde o tempo que a Xuxa era gostosinha e fazia sucesso (atualmente, não é uma coisa nem outra). Até mesmo os ridículos da IURD publicaram estas bobagens. E vejam, não estamos fazendo propaganda ou marketing para defender a Xuxa (mas, se ela quiser ser grata conosco, não acharemos nenhum mal nisso ), mas sim para desmascarar a mentira por trás. E não só ela que tem sido vítima dessas calúnias, mas também vários outros artistas brasileiros e estrangeiros que têm feito sucesso nas paradas. Bem, vamos ler a transcrição do ―pacto do diabo‖ aqui : Depois de acusar o boneco Barney de ―comer cadáveres humanos‖ e de afirmar que Bart Simpson e o Homem-Aranha teriam ligações malignas, o pastor Josue Yrion, que mora nos EUA, mira em Xuxa. Corre com força na ―web‖ um vídeo em que ele diz que ela vendeu a alma a Satanás por US$ 100 milhões. ―Xuxa é satanista. Xu-Xa: é o nome de dois demônios brasileiros, O-xu e Ori-xá.‖ A assessoria de Xuxa diz que não vai comentar essas barbaridades. Para início de conversa, o que é necessário para fazer um pacto com o diabo? Vamos dar uma olhada em um site que fala um pouco sobre o assunto, clicando AQUI. Se isso tudo fosse verdade, e se o diabo existe, então praticamente TODOS os aspirantes à fama como artistas, e TODAS as bandas de música (incluindo as Gospel), poderiam fazer o pacto com o diabo, para serem TODOS famosos. Não importa a musica que tiverem, não importa o talento que tiverem, não importa o ramo em que entrarem, TODOS teriam oportunidades iguais. Se bem que eu não sei como o RBD fez sucesso… Mas, a realidade mostra outra coisa. Dos milhares de pessoas que tentam fazer sucesso, apenas pouquíssimas chegam lá, gracas à musica que criaram, às oportunidades que

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agarraram, ao talento que possuem, aos agentes que foram competentes, à aceitação do público pela novidade, pelo marketing pessoal, etc… ou seja, são inúmeros os fatores que levam ao sucesso do artista em seu meio. E o meio artístico é de altíssima rotatividade, pois o que é o hit do momento, amanhã não o sera mais, devido aos gostos e preferências do grande público no mundo. Se os crentes acreditam tanto assim na existência do diabo, então eu os desafio a chamarem um pastor que faça um ritual de convocação de um demônio qualquer, em uma demonstração pública, com o uso de pentagramas, símbolos mágicos, velas, pombas para sacrificar, com direito a câmeras e máquinas digitais para filmar tudo, e comprovar em rede nacional a existência desse ser imaginário. Mas, isso nunca aconteceu, só nas igrejas (onde alegam, que fazem pernas e braços crescerem também). Nenhum pastor, nenhum padre, nenhum clérigo, ninguém religioso jamais chamou o diabo para uma demonstração pública, para exibi-lo ao povo crédulo, e convencê-los da existência física desse ser. E olhe lá que métodos, rituais de convocação, velhos livros de ocultismo, etc. não faltam para fazer tal demonstração! E porque isso não acontece? Por que não ocorrem demonstrações públicas ? Simples: Não existem diabos, demônios, figuras infernais etc (não, a banda Calypso não conta) São imaginários! Se não conseguem nem provar que o Deus deles existe, que dirá o diabo. Tudo isso não passa de alucinação coletiva de uma entidade que só existe na cabeça dos crentes! Outra coisa, acusar a Xuxa de um pacto com o demônio, só por causa do nome dela, é uma calunia seria, que por sinal é crime previsto no Código Penal. Mas, quem disse que religiosos respeitam as leis? Além disso, também temos a difamação e preconceito para com as religiões de origens africanas, demonizando-as. Mas, já deveríamos saber disso, os evangélicos são o grupo religioso que mais discriminam as religiões da Umbanda brasileira, com ataques a terreiros, difamações contra mães-de-santo, pais-de-santos, depredação, odio, expulsão de pessoas ligadas ao Candomble de suas casas por traficantes evangélicos, etc. E não só da Umbanda, mas Candomblé e até Centro Kardecista. Tudo bem que nós aqui achamos que cultuar deuses africanos não é muito diferente de cultuar um cara que apanhou e foi pregado num pedaço de pau. Mas, nunca fui a um terreiro encher o saco lá. Pra mim, não matando animais, podem ficar fazendo ―trabalho‖ até deixarem as floriculturas podres de ricas. Mas, hoje não é mais tão comum o sacrifício de animais. O pior são os ―animais‖ que sacrificam a paciência alheia falando um monte de merda na casa dos outros. O pastorzinho mequetrefe afirmou no vídeo que a Xuxa pagou US$ 100 milhões para o diabo. Muito bem, cadê as provas? Ele pelo menos tem uma cópia do extrato bancário da Xuxa? e do Capeta? A Xuxa teria esse dinheiro quando começou essa carreira? Nao vamos nos esquecer que no começo, ela era só uma pobre aspirante, com uns trocados no bolso, que nem camarim tinha. trocava de roupa num biombo, conforme ela contou numa entrevista. E o que merda o diabo faria com esse dinheiro? Contratar o Spawn para chefiar suas legiões infernais? Tá de saca, companheiro? Por acaso ele vive entre nos, em uma mansão na Palma de Mallorca ou em Saint-Tropez? Ele bebe champanhe Don Perignon, veste ternos Armani, um Rolex no punho, e comendo todas as gostosas que aparecem em Monte Carlo?

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O Diabo é dono da Microsoft e da Apple? Gente, fala sério vai! O tosco do pastor alegou que o nome da loura é uma mescla de O-XU , um demônio. Demônio? Se ainda fosse ―Exu‖, ainda estaria errado, mas seria mais condizente. A outra metade é Ori-XA. Orixás são divindades africanas. Aliás, até mesmo um Exu (dependendo da religião afro) pode ser considerado um Orixá. Logo, como todo pastorzinho de merda, ele não passa de um ignorante que não deve conhecer nem a Bíblia dele. Conhece? Por favor, venha aqui pra ter uma conversinha conosco. Que mau exemplo os religiosos estão dando às crianças, com o uso de calúnias e difamações contra uma mulher que foi uma inspiração para uma geração que viveu os anos 80 e 90, assistindo às apresentações dela! E alguém ai conhece o caso de pelo menos UMA ÚNICA CRIANÇA que se inspirou na Xuxa para fazer um pacto com Satã? Lembrando da história acima, que tal… cronch, cronch, cronch, o pastor experimentar o satanismo para saber se é isso o que ele está dizendo? Satanismo nem tem a ver com Satã, bando de ridículos, parem de falar besteira! Existe até uma Associação Portuguesa de Satanismo. Mas, fanáticos estudam? Não, não estudam. ―O Deus dos vencidos é o demônio dos vencedores‖. Não existe uma única religião que não demonize a religião alheia. Se Xuxa realmente tivesse feito o pacto com o Diabo, não acham que ela já deveria ter morrido para ter a alma levada ao Inferno? Afinal, pactos são de curta duração, como dizem os livros de ocultismo, variando de 1 a 7 anos, passíveis de renovação através de sacrifício de seres humanos ao Diabo. Os religiosos deveriam ter vergonha em replicar esta história incansavelmente em seus sites e portais. Se a Xuxa resolver processá-los por calúnia, ela ganharia muito mais do que US$ 100 milhões em indenizações por danos morais e fechar todos os sites. E os crentes ficarão todos com cara de tacho, porque não saberão e nem terão como provar o que estão alegando. Mas, são bem capazes de organizarem uma cruzada, alegando que o Judiciário (a única coisa que ainda tenho ―fé‖) está tomado por seres satânicos, dispostos a destruírem a moral e bons costumes. Iblis nos defenda!

CHIP MONDEX – A besta tá à solta Mais uma mentira crente! Se querem saber como essa mentira é relatada, assistam este vídeo no YouTube! Trata-se, segundo os relatos, de um sistema novo de controle humano, o qual se constitui em um chip a ser implantado sob a pele das pessoas, e que substituirá os atuais documentos, além de poder rastrear a localização de qualquer ser humano na face da terra. Porém, o que tem causado mais ―apreensão‖ por parte de alguns evangélicos (e Adventistas, em especial), é o fato de o tal chip só poder ser implantado em 2 locais do corpo humano: na testa ou na mão direita (entendeu o porquê da apreensão?). A alegação é de que as pesquisas científicas comprovaram que apenas nestes 2 pontos do corpo é que a implantação do artefato seria eficaz.

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E dá para acreditar nessa besteira? Bem, eles acreditam em cobras falantes, precisa dizer mais? Algum de vocês já viu levar um chip no meio da testa? Ouviram falar pelo menos de alguém que tenha algo assim? E-mail não vale. Mais uma bobajada da crentalhada! Se querem mais informações sobre como funciona realmente o Mondex, é só clicar AQUI! Os religiosos dizem este chip seria a marca da besta, uma vez que ―cumpre‖ direitinhos as características descritas em Apocalipse. Será? Eu sei muito bem quem são as bestas. Todos nós temos conhecimento deste material ―publicitário‖ há mais de 5 anos. Desde aquela época eles já diziam que o tal chip seria uma realidade mundial em pouco tempo (1 a 2 anos)… e até hoje nada! Sabe qual o motivo? Porque tudo isso é uma grande fantasia paranóica! Parece não passar de uma montagem que alguns fizeram utilizando-se de versos bíblicos isolados para tentarem apresentar uma ―novidade‖… algo que pudesse ser original e chamar a atenção. Infelizmente muitos idiotas caem nessa conversa mole! Esta história toda de MONDEX partiu de alguma seita fanática americana (ou talvez até brasileira), que existem aos montes por lá (e por aqui também), com o objetivo de alarmar as pessoas. E essa história tem sido repetida à exaustão em inúmeros sites crentes, veiculados por correntes de e-mail (sempre eles), apresentações em Power Point, etc.. Vamos ver algumas inconsistências que são facilmente detectaveis nesta história de chip subcutâneo: 1. Uma tecnologia tão eficiente e moderna (com baterias de lítio, rastreamento por satélite, chips milimétricos, etc.) não é nada barato. Se cada um custasse cerca de 1 dólar seriam necessários quase 7 BILHÕES DE DÓLARES para colocar um chip desse em cada habitante do mundo (pois a profecia diz que a marca da besta seria algo de proporções globais). Façam as contas, pessoal, se o tal chip custasse 10 a 20 dólares ! A quantia a ser gasta seria absurda! 2. Um implante populacional desta magnitude, mesmo que houvesse tanto dinheiro para isso, demoraria muito tempo para atingir populações que hoje vivem em situações econômicas e sociais de total isolamento de qualquer desenvolvimento tecnológico (países da África, Oceania, Ásia, etc.). Pode ser algo muito ―realista‖ para um morador do desenvolvido sistema americano, mas certamente não passa de ficção e utopia para alguém que vive nos distantes rincões africanos (ou do nosso sertão nordestino), sem o mínimo para se alimentar diariamente. Considerando que muitos lugares do Brasil sequer têm luz elétrica e rede de esgoto, deixo para vocês as considerações. 3. Por que na mão direita? O que, fisiologicamente, a mão direita tem que a esquerda não tem? Só se for a possibilidade de coçar o cotovelo esquerdo. Isso é uma tentativa desesperada de forçar o texto bíblico. Não vamos esquecer que aproximadamente 10 a 15% da população mundial é canhota. 4. Se é tão simples para implantar, por que eles dizem que é tão perigoso para retirar? A mesma ―intervenção cirúrgica‖ de colocação não seria semelhante à de retirada? Além do mais, essa mentira do Mondex é apenas uma reciclagem das fantasias paranóicas dos crentes, com nova roupagem. Os seus antecessores foram os códigos de barras, cartões de créditos, tatuagens, o Windows de Bill Gates, etc..

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Vocês não acham que essa história do número da besta é uma grande merda? Se formos usar a associação entre as letras e números, para identificar o número 666 nos nomes das pessoas de TODO O PLANETA, iríamos descobrir CENTENAS DE MILHÕES de pessoas com o numero 666 em seus respectivos nomes! Até mesmo os nomes que as madames dão aos poodles não escapariam! E o que dizer dos 666 que aparecem em números de telefones e celulares, placas de carros, cartões de credito, saldos bancários, datas do ano, IMEI de celulares, números seriais de produtos, códigos de autenticação, paginas de livros volumosos, IP, DNS, SMTP, etc ? E uma infinidade de coisas e lugares que podem ter esse número! Além do mais, recentemente foi anunciado que o número da besta esta errado! O número real é 616. Podemos ler uma transcrição aqui: ―Foi publicado no jornal canadense The National Post que o Número da Besta está errado. Segundo um fragmento do Novo Testamento, datado do Século III, a marca do Anticristo bíblico seria 616, e não o tradicional 666. ―Os acadêmicos têm discutido sobre esse assunto há muitos anos, mas agora parece que chegamos a um consenso de que o 666 não é o Número da Besta verdadeiro‖, informou o professor Ellen Aitken, que ensina história na McGill University, do Canadá. ―Quando se fala de textos bíblicos, estamos falando de copias feitas 200 anos depois que o original foi escrito. Podem haver muitos erros de cópias causados por razões políticas e teológicas.‖ O fragmento de papel foi encontrado recentemente na cidade egípcia de Oxyrhynchus e está escrito em grego, a língua original do Novo Testamento, e contradiz todas as versões convencionais da Bíblia, que consideram o 666 como o verdadeiro Número da Besta. ―Muitos sermões vão precisar serem reescritos, muitos filmes precisarão serem mudados‖, brincou o professor Elijah Dann, que ensina religião e filosofia na Universidade de Toronto, no Canadá. Ao saber da história, o vocalista Paul Di‘Anno, ex-cantor do Iron Maiden, reagiu com ironia: ―foda-se! Isso significa que a tatuagem atrás da minha cabeça está errada. Se perguntaram, vou dizer que não consigo lê-la‖, brinca Di‘Anno.‖ E outros sites, como o American Vision dizem a mesma coisa. Quem está certo? 616 ou 666? Ambas as fontes não são confiáveis! Por mim, pode ser 1000, 54, 564, 23, 9986, ou qualquer número que seja. No fundo, não passa de uma besteira sem tamanho, porque não prova nada! Na próxima página, prosseguiremos com mais uma historinha. E dessa vez, envolve o nome de uma das personalidades mais famosas do século XX: Albert Einste Einstein fala sobre Jesus Assim como adoram citar Darwin, Einstein também é sempre alvo de anedotas religiosas, na tentativa de usarem a imagem de um dos maiores cientistas do século XX para defender as bobajadas religiosas. Desse modo, inventam mais uma palhaçada sem nexo. No ano de 1955, Viereck, um jornalista alemão, procura o grande Albert Einstein na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos e, ao encontrar o Pai da Relatividade, o mais célebre físico teórico do século XX, pergunta-lhe: ―Professor, qual a influência que o Cristianismo terá exercido sobre sua vida?‖. Einstein, tranqüilo e nobre, afirma:

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―Eu, tendo sido criado sob a égide da Bíblia e do Talmud, na minha condição de judeu, quero dizer que Jesus tem exercido influência sobre a minha vida. Sinto-me fascinado por essa figura luminosa. Inquestionavelmente, ninguém pode ler os Evangelhos sem experimentar a presença presente de Jesus. Em cada palavra pulsa a Sua personalidade. Jamais qualquer mito estará saturado de semelhante vida‖. Einstein, sempre tranqüilo, olhou nos olhos de Viereck, sorriu e atalhou: ―Ninguém pode negar que Jesus tenha existido, nem a beleza de Seus ensinos. E, mesmo que alguns desses ensinos tenham sido apresentados antes, a verdade é que ninguém os expressou tão divinamente, como Ele‖. E mais uma vez, esta história só pode ser encontrada em sites religiosos; através de uma pesquisa na Internet, não há menção a ela em nenhuma das biografias oficiais disponíveis. Então resolvemos pesquisar o nome do jornalista alemão citado, cujo nome completo é George Sylvester Viereck, cuja biografia encontra-se disponível na Wikipédia. Nela, não há nenhuma menção à suposta entrevista com Albert Einstein. E tem mais! Viereck é um jornalista alemão, que entrevistou o próprio Adolph Hitler e identificou os elementos que viriam a se seguir nos anos seguintes, e ele se tornou conhecido por sua apologia ao nazismo! Acham mesmo que Einstein daria uma entrevista a um jornalista simpatizante do nazismo? Era um jornalista respeitado, mas só até o ano de 1933, quando revelou a sua adesão ao nazismo alemão e a sua admiração por Hitler. Perdeu o respeito e a admiração das pessoas nesse momento. Pesquisando-se em outra biografia do jornalista, descobrimos que a entrevista não ocorreu em 1955, e sim em 29 de outubro de 1926, pelo Saturday Evening Post. De acordo com a biografia de Albert Einstein, entre 1925 a 1928, foi presidente da Universidade Hebraica de Jerusalém. No mesmo ano de 1926, o jornalista também entrevistou Freud, de acordo com o livro ―Freud e a Religiao‖ publicada por David S. N. em 2003. Em outra fonte pesquisada, encontramos outra data para a entrevista, que a situa em 26 de outubro de 1929 (citada na obra ―Einstein – A Life‖ de Denis Brian em 1996). E quero que tenham em mente que mesmo as informações contidas no Wikipedia não são exatamente confiáveis, pois podem ser editadas e alteradas por qualquer um. Ou seja, estamos avisando que essa frase sobre Jesus atribuída a Einstein pode não ser verdadeira! Gente, agora estamos com 3 datas diferentes para a entrevista! Então encontramos uma coletânea de frases de Albert Einstein, que provém de fontes confiáveis! Vejam AQUI e AQUI, e notem que em nenhum momento ele cita Jesus! A biografia oficial de Einstein pode ser encontrada no site do Prêmio Nobel, e mesmo nela, não há nenhuma menção a essa entrevista. E não podemos nos esquecer que em 1955, o ano da suposta entrevista, foi o ano em que Einstein faleceu. Interessante, não é? Será que a entrevista foi através de psicografia? E vejam só que máximo! Pesquisando-se em sites dos EUA, nós encontramos variações da entrevista, mas em nenhum lugar nos encontramos o conteúdo original desta! No site da Liberals Like Christ, encontramos esta variação: The following comes from ―What Life Means to Einstein: An Interview by George Sylvester Viereck,‖The Saturday Evening Post, Oct. 26, 1929, p. 17. The questions are posed by Viereck;

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the reply to each is by Einstein. Since the interview was conducted in Berlin and both Viereck and Einstein had German as their mother tongue, the interview was likely conducted in German and then translated into English by Viereck. Other portions of this interview might seem questionable, but this portion of the interview was explicitly confirmed by Einstein. When asked about a clipping from a magazine article (likely the Saturday Evening Post) reporting Einstein‘s comments on Christianity taken down by Viereck, Einstein carefully read the clipping and replied, ―That is what I believe.‖ See Brian pp. 277 - 278. ―To what extent are you influenced by Christianity?‖ ―As a child, I received instruction both in the Bible and in the Talmud. I am a Jew, but I am enthralled by the luminous figure of the Nazarene.‖ ―Have you read Emil Ludwig‘s book on Jesus? ―Emil Ludwig‘s Jesus,‖ replied Einstein, ―is shallow. Jesus is too colossal for the pen of phrasemongers, however artful. No man can dispose of Christianity with a bon mot.‖ ―You accept the historical existence of Jesus?‖ ―Unquestionably. No one can read the Gospels without feeling the actual presence of Jesus. His personality pulsates in every word. No myth is filled with such life. How different, for instance, is the impression which we receive from an account of legendary heroes of antiquity like Theseus. Theseus and other heroes of his type lack the authentic vitality of Jesus.‖ ―Ludwig Lewisohn, in one of his recent books, claims that many of the sayings of Jesus paraphrase the sayings of other prophets.‖ ―No man,‖ Einstein replied, ―can deny the fact that Jesus existed, nor that his sayings are beautiful. Even if some them have been said before, no one has expressed them so divinely as he.‖ Outra variação também pode ser encontrada em Jew and Gentile. Mas, curiosamente, no site da revista TIME, podemos encontrar um artigo sobre Einstein e a Fé. Lá, encontramos outra coisa absolutamente diferente. Vamos ler um trecho aqui: Viereck began by asking Einstein whether he considered himself a German or a Jew. ―It‘s possible to be both,‖ replied Einstein. ―Nationalism is an infantile disease, the measles of mankind.‖ Should Jews try to assimilate? ―We Jews have been too eager to sacrifice our idiosyncrasies in order to conform.‖ To what extent are you influenced by Christianity? ―As a child I received instruction both in the Bible and in the Talmud. I am a Jew, but I am enthralled by the luminous figure of the Nazarene.‖ You accept the historical existence of Jesus? ―Unquestionably! No one can read the Gospels without feeling the actual presence of Jesus. His personality pulsates in every word. No myth is filled with such life.‖

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Do you believe in God? ―I‘m not an atheist. I don‘t think I can call myself a pantheist. The problem involved is too vast for our limited minds. We are in the position of a little child entering a huge library filled with books in many languages. The child knows someone must have written those books. It does not know how. It does not understand the languages in which they are written. The child dimly suspects a mysterious order in the arrangement of the books but doesn‘t know what it is. That, it seems to me, is the attitude of even the most intelligent human being toward God. We see the universe marvelously arranged and obeying certain laws but only dimly understand these laws.‖ Is this a Jewish concept of God? ―I am a determinist. I do not believe in free will. Jews believe in free will. They believe that man shapes his own life. I reject that doctrine. In that respect I am not a Jew.‖ Reparem bem nas palavras de Einstein. O contexto da entrevista é totalmente diferente daquela divulgada em sites religiosos, distorcendo as palavras de Einstein, para fazer com que ele pareça ser a favor do Cristianismo, quando na verdade Einstein atesta que não pode ser considerado um judeu, pois ele não acredita no livre arbítrio (free will). Nem mesmo panteísta ele é. No máximo ele acredita numa força que governa o Universo. A frase ―No one can read the Gospels without feeling the actual presence of Jesus. His personality pulsates in every word. No myth is filled with such life‖ pode ser traduzida como ―Ninguém consegue ler os evangelhos sem sentir uma presença real de Jesus. Sua persolnalidade pulsa em cada palavra. Nenhum mito é descrito com tal vida‖. Para quem quer acreditar que Einstein adorava o Senhor Jóquei de Jegue, esta frase é linda e expressiva. Para alguém que saiba interpretar textos, podemos ver que a posição de Einstein sobre Jesus baseia-se UNICAMENTE nos Evangelhos. Só que os Evangelhos se mostraram falsos sob a análise de fatos históricos, como judeus se reunindo na Pessach, soldados romanos que só aparecem nos evangelhos, mas que não existiam na Galiléia na referida época e muio mais. Assim, a personalidade de Jesus pulsa nos evangelhos, assim como acontece com qualquer herói de um romance de ficção. Se tais descrições não acontecem em outras mitologias, isso não quer dizer muita coisa. Lembremos que os Evangelhos muitas vezes não concordam entre si. São histórias diferentes, escritas por pessoas diferentes, o que não acontece com outros contos mitológicos. Com o tempo, Einstein foi adquirindo uma postura diferente no tocante à religião. Alguns alegam que ele seria um agnóstico, com diferentes declarações sobre a religião. Mas, o mais acurado seria dizer que ele era deísta. Por fim, recentemente foi encontrada uma carta, em que ele desdenhava a religião, em que citaremos aqui um trecho: A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis. Assim escreveu Albert Einstein que, apesar de ter origem judia, frequentou uma escola católica na infância. Myth busted again!

O Satânico Dr. Fofão

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Lembram-se da Xuxa, pessoal ? Então, vamos nos relembrar de outro de nossos idolos de infância: o Fofão, aquele que fazia parte do programa o Show do Balão Mágico (isso mesmo, aquele que tinha a cantora Simoni que, para a nossa tragédia, virou evangelica e é mae de dois filhos com um presidiário). Fofão era um personagem infantil de muito sucesso Interpretado por Orival Pessini, era muito querido pelas crianças nos anos 80, e chegou a ter seu próprio programa de TV, além de discos e bonecos, como manda o bom capitalismo. E com essa linha de confecção de bonecos Fofão, vinha consigo uma lenda que, segundo dizem, todos os bonecos do Fofão que foram fabricados, vinham com uma ―surpresa‖ dentro! Diz a lenda que dentro do boneco exatamente entre o pescoço e a cabeça do boneco haveria um tipo de punhal (ou lâmina em forma de punhal) e uma vela vermelha e preta. BUAHHAHAHAHA Essa lenda, é claro, nunca foi confirmada. Muitos dizem ter aberto os bonecos e verem o tal objeto, e há gente que afirma que nos bonecos deles tinham o tal punhal, mas obviamente, nunca mostraram o tal punhal e muito menos a vela. Sim, eu sei o que vocês estão pensando sobre onde eles enfiaram essas duas coisas, mas me abstenho de maiores comentários sobre tais lugares escusos. O ator Orival Pessini (que interpreta também o famoso personagem Patropi) nunca se pronunciou de verdade sobre o ocorrido, não se tem nenhum registro oficial ou coisa do tipo até porque se houvesse, ele com certeza não estaria mas na TV ou nos teatros, porque um homem que faz pacto com o diabo e põe um punhal em seu boneco, não duraria muito na mídia! Ou estaria muito bem de vida, sendo dono de uma imensa rede de TV, como é o caso da Globo. Será que o Roberto Marinho era do demo? Vai saber o que anda na cabeça-de-bagre dessa gente que inventa besteiras… Pelo sim, pelo não, há inúmeros depoimentos de algumas pessoas na Internet. Umas afirmam que realmente tinha outras que abriram e não viram nada demais, uma pessoa diz ter visto um objeto de plástico que tinha forma pontiaguda, mas que fazia parte do esqueleto do boneco, o que a fazia o boneco ficar com a cabeça presa ao corpo. Todavia não podemos descartar a possibilidade de ser uma grande jogada de marketing para se vender mais. Ou seja, jamais foi confirmada a veracidade desse mito de que Fofão fosse um boneco devotado ao diabo, apesar de, convenhamos, ser feio pra cacete! Essa história , como vocês podem bem imaginar, só é encontrada em sites religiosos; não há nada que indique a veracidade desta, e também, só existem fotos que mostram o boneco, o rosto, as roupas dele! Mas há blogs que mostram os supostos punhais, como vcs podem ver AQUI! Mas se alguém quiser conferir se o bonequinho diabólico, é so vcs irem ao Mercado Livre para comprarem um boneco, está uma pechincha! Só custa 80 a 120 reais!(só coloco link se o Mercado Livre me der um Fofão e um Falcon). Haja saco! O que eles vão inventar agora? Que a Hello Kitty é uma enviada do Diabo? Bem… se formos prestar atenção, ela é um gato sem boca… Estranho!

Os alegres cantores do Inferno

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Crente adora as histórias tristes de dor e sofrimento. Eles não conseguem seguir uma religião, sem que haja a possibilidade de haver uma punição eterna com morte, dor e sofrimento para aqueles que não professam a mesma religião/seita. É nisso que se baseia a última mentira religiosa deste capítulo! Aquela das vozes do inferno, cuja refutação encontramos em Quatro Cantos, site especialista em mostrar como os seres humanos são idiotas em repassar e-mails imbecis e, claro, colocar uma refutação à altura. Aqui, iremos transcrever o material publicado por eles. Obrigado, pessoal! Pesquisadores gravam lamentos das almas condenadas Em meados de dezembro de 1989, um grupo de geólogos russos, fizeram um poço de 14.000 metros de profundidade na Sibéria; e eles afirmam terem ouvido lamentações que vinham do centro da terra, pedindo água e misericórdia. Segundo este cientista após ter perfurado vários quilômetros, os equipamentos começaram a funcionar descontroladamente, dando a impressão que o centro da terra e oco. A notícia se espalhou pelo mundo. Um jornal da Finlândia publicou a matéria, com relatos dos operários e estudiosos que ouviram a fita. Um deles, o Dr. Azzacove declarou o seguinte: ‖ Como um comunista eu não acredito em céu ou na Bíblia mas, como um cientista eu acredito agora no inferno. Desnecessário dizer que ficamos chocados ao fazer tal descoberta. Mas nós sabemos o que nós vimos e nós sabemos o que nós ouvimos. E estamos absolutamente convencidos que nós perfuramos pelos portões do inferno! A perfuratriz, de repente, começou a girar velozmente indicando que tínhamos chegado a um grande bolsão vazio ou uma caverna. O sensor térmico mostrou um aumento dramático da temperatura para 2,000 graus Fahrenheit. Nós abaixamos um microfone, projetado para descobrir os sons de movimentos tectônicos abaixo da galeria. Mas em vez de movimentos de placas nós ouvimos uma voz humana, gritando de dor! No princípio pensamos que o som estava vindo do nosso próprio equipamento. Mas quando nós fizemos ajustes nos equipamentos, nossas piores suspeitas foram confirmadas. Os gritos não eram de um único humano, eles eram gritos de milhões de humanos!‖ Os Sons O arquivo anexado é assustador. No inicio, uma pessoa fala como recebeu esse arquivo e avisa aos ouvintes que são sons asustadores. O narrador afirma claramente sobre a existência do inferno. Os últimos 20 segundos de audio são as vozes de pessoas gritando. Por motivos não esclarecidos na mensagem – se buscavam petróleo ou outra coisa –, eles usavam uma poderosa perfuratriz e já estavam com a broca a 14.000 metros de profundidade. De repente, a broca deixou de encontrar resistência e começou a girar livremente. Os geólogos imaginaram haver encontrado um bolsão oco: o centro da Terra. O Dr. Azzacove ou Azzacov, conforme a versão, cientista conhecido apenas pelo enorme buraco que teria cavado no chão da Sibéria, ficou surpreso com a descoberta.

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Segundo o relato, aos 14.000 metros de profundidade a temperatura encontrada foi de 2.000 graus Fahrenheit (1.093 graus Celsius). Apesar de tanto calor, os cientistas conseguiram introduzir, através da sonda, um microfone e ficaram pasmos com o que escutaram. Só pra início de conversa: se houvesse geólogos nessa história, eles saberiam que o diâmetro do nosso planeta é de bem mais de 24 km. A espessura da litosfera, a crosta terrestre, varia de 5 km sob os oceanos a 70 km sob os continentes. Os 14 km supostamente atingidos, portanto, nada significariam diante do diâmetro da Terra. Ao analisar as fitas gravadas com os estranhos sons os cientistas ouviram gritos horríveis. Eram vozes pedindo água e misericórdia. (Acrescento por minha conta: aparelhos de ar condicionado também seriam uma boa pedida Mais ―estudos‖ e logo eles interpretaram os sons como sendo gemidos e lamentos das almas dos ímpios, almas penadas, almas condenadas ao fogo eterno. E onde estariam essas almas penadas, condenadas, perdidas e recém-achadas? Elementar, meu caro Watson: no inferno, é claro! Que pedissem por misericórdia, até que seria coerente, pois misericórdia é um ―sentimento doloroso causado pela miséria de outrem‖ (Caldas Aulete) e bem adequado ao estado em que as almas condenadas encontravam-se, mas pedir água? Estranho, muito estranho! Água é coisa material e almas são, por definição, coisas incorpóreas e imateriais. Como poderiam elas sentir falta de coisa material, pedir água, sentir sede? Tudo foi publicado por um conceituado (!) jornal finlandês de nome Ammennusatia, Ammennusastia ou Ammenusastia. Ao procurar no Google por esse famoso jornal, ele aparece apenas nas referências ao enorme buraco que teria chegado até o inferno. Não havia geólogos em tal suposta prospecção. Se houvesse, eles teriam informações sobre a composição da crosta terrestre; tanto o nome do geólogo responsável pelo buraco, o Dr. Dmitri Azzacove ou Dmitri Azzacov como o nome do jornal finlandês eles apenas são conhecidos por conta da suposta descoberta. Não dá para imaginar que a temperatura tenha chegado, de repente, aos quase 1.100 graus Celsius. Alguns metros acima do inferno (?), a temperatura já teria chegado aos 1.000 graus. Mesmo assim, a broca e a sua haste de sustentação não fundiram nem se tornaram maleáveis e continuaram o serviço. O microfone não fundiu certamente porque fora especialmente preparado para a missão, não a de descobrir o inferno, mas a de ouvir os sons dos movimentos das placas tectônicas. De qualquer forma, fica a pergunta: a que distância da ―porta do inferno‖ o microfone teria chegado? Numerosos sites reproduzem o texto e as afirmações parecem transformar-se em verdades não porque elas mereçam crédito, mas pelo número de repetições delas. É algo semelhante ao mote ―uma mentira apresentada muitas vezes transforma-se em verdade‖. Muitos dos sites que reproduzem a história são sites religiosos fundamentalistas que tomam ao pé da letra o texto da Bíblia. Alguns deles falam de demônios, do satanismo, do dia do arrebatamento (!?), da besta do Apocalipse e de coisas semelhantes.

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Um dos sites mostra foto borrada onde se ―vêem‖ o rosto de Jesus, o rosto do diabo, anjos, gente sendo ―arrebatada‖, animais, carros e quem quiser ver verá muitas outras coisas como uma bola de futebol e um radinho de pilha. Mesmo não apresentando simetria, a foto, ou melhor, os borrões lembram as cartelas dos famosos testes de Rorschach: pessoas diferentes vêem coisas diferentes nas manchas apresentadas. Mas será que encontraram mesmo o inferno? É mais embaixo, diz o site Tabernáculo.Net: O assunto precisa ser analisado com cautela, antes de darmos ampla divulgação nas igrejas. Não me parece fácil aceitarmos a idéia de que o inferno, possa, doravante, ser acessado por qualquer pessoa, bastando que possua o equipamento necessário. Se admitirmos a literalidade na interpretação de alguns textos bíblicos (Efésios 4:9: regiões mais baixas da Terra ; Jó 38:16: Profundo abismo ; Apocalipse 19:20; 20:15; 21:8: Lago de fogo e enxofre ; Marcos 9:43; Isaías 66:24: Fogo que não se apaga) e formos levados ao entendimento de que o inferno é um lugar físico, devemos entender que esse lugar é no profundo abismo, onde o fogo nunca se apaga. Para maiores informações sobre a idéia do Inferno e como ele não se sustenta tomando a Bíblia como base, leia o artigo Inferno Desmascarado. Ainda que válida a interpretação literal, esse lugar de suplício eterno não se encontraria tão próximo da superfície terrestre, e vulnerável, que uma sonda de um cientista ateu pudesse descobri-lo. Uma voz ponderada, sem dúvida: antes de divulgar, convém analisar com cautela. O autor desse texto nos esclarece o seu ponto de vista e diz da sua incredulidade sobre o fato noticiado. (Veja a mensagem) E mais: uma sonda comandada por um cientista ateu não poderia jamais encontrar o inferno. Quem sabe, talvez um cristão bem comportado tivesse melhores chances… Em Vozes do Inferno o autor apresenta algumas preocupações: Excluída a hipótese de a sonda do cientista haver perfurado a litosfera até chegar a um bolsão [...] nossa atenção estaria voltada, então, para a tese da região vulcânica. Ora, existem uns 600 vulcões ativos [...]. Perguntamos: em qual deles estaria o inferno? O inferno estaria estratificado, dividido por seções, e assim espalhado por muitas regiões? Cada país teria seu inferno particular? Onde estaria o inferno do Brasil? Por outro lado, só com muito esforço poderíamos admitir a hipótese vulcânica, pelo simples fato de que o inferno seria uma prisão vulnerável. A não ser que circundado com portas invisíveis pelo Deus do impossível, o inferno nessas condições teria uma porta de escape, a cratera por onde os mais rebeldes escapariam. Não há dúvida nenhuma: um inferno vulnerável, sem controle de saída dos seus hóspedes iria transformar a nossa vida na Terra em um verdadeiro inferno. (Perdão, eu sei que foi péssima. Já pensou uma coorte, ou muito pior, uma legião de almas danadas, danadinhas e rebeldes a atanazar a nossa vida? (Dá até pra imaginar a cena: ―Sai pra lá, sua alma danada! Desafasta!‖ Mais alguns pontos chamam a atenção:

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O recorte do jornal tem a manchete Researchers record the screams of the damned. Por que um jornal da Finlândia publicaria uma matéria em inglês e não no idioma da terra, o finlandês? Ouviam-se vozes de milhões de humanos: como distinguir entre elas as vozes que faziam os pedidos de água e os de misericórdia? (Considerando que, certamente, as almas estavam bastante irritadas, elas não falavam palavrões? Nenhum f*d*p* ou s*o*b* foi registrado?) Por que motivo os cientistas não tomaram nenhuma providência para atender os pedidos das almas pecadoras? Misericórdia, certamente, não seria um sentimento presente nos corações dos pesquisadores comunistas, ateus e comedores de criancinhas, mas por que não forneceram água? Vejam que o Dr. Azzacove, um empedernido comunista, talvez até tivesse coração, pois ele declarou, certamente num momento de fraqueza, que passara a acreditar no inferno. A pergunta continua sem resposta: por que não puseram água através da sonda? (De qualquer forma, usar água para esfriamento da broca e de equipamentos de perfuração de poços e de sondagens profundas é um prodedimento recomendável.) Qual o idioma usado pelas almas penadas ao fazerem os pedidos? Russo? Finlandês? Inglês? Latim? Árabe? Quais os idiomas, além do russo, que o Dr. Azzacove e a sua equipe de cientistas dominavam? E como essa história começou? Em 1984, foi publicado na revista Scientific American um artigo falando de um poço com 12 km de profundidade cavado pelos russos na Península de Kola. (Ye. A. Kozlovsky, The world’s deepest well, Scientific American, vol. 251(6), December 1984, pp. 106-112.) O artigo Mysteries of the Inner Earth menciona o poço de Kola e diz que, aos 10 km de profundidade, registrou-se a temperatura de 180°C, quando o esperado era 100°C. Segundo a revista Scientific American, ao atingir os 12 km de profundidade, a temperatura registrada foi de 180 graus Fahrenheit (82 graus Celsius). O poço teve a construção iniciada em 1970 e foi interrompida em 1994 ao atingir 12.262 metros. Quase dois quilômetros menos que os 14 relatados e a temperatura era de 180 graus, bem menos que os 2.000 graus mencionados na ―reportagem‖. Qualquer pessoa com um mínimo de informações sobre a Terra sabe qual o seu diâmetro (o da Terra e onde fica o seu centro. O centro do nosso planeta encontra-se a bem mais de 12 quilômetros de distância da superfície. Os tais cientistas não sabiam disso? Em 1989, o Trinity Broadcasting Network (TBN) da Califórnia, USA publicou matéria intitulada Scientists Discover Hell (Cientistas descobrem o inferno). Dizia que cientistas russos cavaram um poço, que o tal buraco ficava na Península de Kola e que, no fundo do buraco, eles haviam encontrado as portas do inferno. Um professor norueguês que, na ocasião, visitava os Estados Unidos viu a reportagem. Ao retornar ao seu país, ele escreveu uma carta sobre o tema e a enviou para uma revista religiosa da Finlândia que a publicou na sua seção de cartas (ou de opinião dos leitores). A partir daí, o conteúdo da carta chegou a alguns missionários finlandeses que levaram a ―notícia‖ de volta para os Estados Unidos.

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Ao chegar de volta à TBN, que divulgara a matéria original, o conteúdo do texto realimentou a si próprio e espalhou-se entre missionários, agora com uma suposta certificação científica, pois teria sido publicado por conceituada publicação científica finlandesa. No ano seguinte, 1990, a lenda tomou a forma atual e espalhou-se pelo mundo através de publicações religiosas. No meio dessa história toda, apareceu um adendo ao texto afirmando que um gás incandescente havia saído pela abertura do poço e com ele surgiu um ser com asas de morcego mostrando a inscrição em russo: Eu venci! Rastreando a origem desse acréscimo, descobriu-se quem o produziu. Ele explicou tratar-se de uma brincadeira para mostrar que muita gente iria acreditar nessa história sem contestá-la. Não há dúvida de que, para quem acredita nessas coisas, tudo é aterrador. Sobre as instalações de perfuração do poço, vale a pena comparar as duas fotos: a que acompanha algumas versões do texto sobre as vozes do inferno e a apresentada no artigo Mysteries of the Inner Earth. A gravação é dividida em duas partes. Na primeira, o apresentador alerta para os sons terríveis e diz que eles são muitos reais. Foi um tio dele quem obteve a fita de um amigo que trabalha na BBC em Londres (é bem verdade que não se sabe qual o nome do tio nem o nome do sobrinho, mas isso não importa). Os últimos 40 segundos do total de 2 minutos e 39 segundos reproduzem as vozes das almas penadas. Não se impressione muito com isso não. Qualquer pessoa, com alguma habilidade no manuseio de equipamento de gravação de som, pode produzir sons bem mais aterradores. Prova disso são essas bandas de rock que aparecem por aí Se querem saber mais sobre o assunto, vejam nesses sites abaixo!           Litosfera Ambientes da Terra - Litosfera Ciência testemunha o inferno Geólogos descubrieron el infierno Han descubierto los científicos el infierno? Mysteries of the Inner Earth Os “Gritos do Inferno” desmascarados The Siberian Scientists who Drilled into Hell The Wayside Pulpit No.95 The Well to Hell

Como é que sempre terminamos os capítulos desta série?

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Astros de Rock são satanistas? Desde sempre os religiosos atacam cantores e artistas em geral. Talvez por estes acabarem se tornando mais populares que as missas e demais rituais chatos e sem graça como são quase todos os cultos religiosos. O assunto aqui versa sobre uma das classes mais valorizadas do show business: As bandas de Rock! Existem muitas mentiras circulando na Internet sobre as causas do sucesso que eles tem hoje, e a maior parte delas provém de sites religiosos, como não poderia deixar de ser. Recentemente, foi publicada uma reportagem na (risos) Folha Universal (risos), com um artigo comentando os ―pactos satânicos‖ da Xuxa, que já foi abordada Grandes Mentiras Religiosas (coincidentemente, saiu dois dias antes da reportagem… será que leram a nossa mente?), e como já abordamos o assunto anteriormente sobre o caso da Xuxa, vamos dar atenção ao restante da matéria da Folha Universal, que fala de Paulo Coelho, Jim Morrison, Ozzy Osbourne, Jimmy Page, os Rolling Stones e Raul Seixas! Nos vem uma pergunta à nossa mente: O que é que os crentes têm contra os roqueiros? Afinal, os roqueiros não invadem igrejas, não depredam locais de cultos, não agridem religiosos nas ruas, não blasfemam de forma chula contra as doutrinas religiosas (salvo raríssimas exceções), não incitam o ódio contra a religião, e por ai vai… Quantas notícias do Cet.net vocês já leram que religiosos fazem isso? Se quiserem, podemos colocar aqui. E se quiserem MAIS, ainda podemos colocar notícias de vários jornais. Telhado de vidro, sacam? Muito provavelmente, esse rancor e ódio dos religiosos contra os astros do rock nasceu da direita religiosa americana, nos anos 50 e 60, com o surgimento dos primeiros famosos, como Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones etc no qual eram atacados por ―levarem a juventude americana à perdição, aos maus costumes, à rebeldia‖ entre outras bobagens. Depois, nos anos 60, foi a vez de Janis Joplin, Jimmy Hendrix, The Doors e toda a contracultura americana. Por fim, os anos 70 com o advento das primeiras bandas de Heavy Metal como The Kiss e os grupos punk rock, e depois vieram os memoráveis anos 80, com Metallica, Iron Maiden, e vários outros que fizeram fama e ficaram em nossa memória ate hoje (lembram-se do 1° Rock in Rio?). Os grupos de rock não são a causa da mudança no comportamento dos jovens, e sim um reflexo da mudança dos costumes sociais nos jovens, que ansiavam quebrar o status quo de uma sociedade conservadora, e inovar os comportamentos e hábitos, e com isso conseguiram

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uma revolução em escala global, que teve o seu ponto culminante no final dos anos 60. O resto é historia e não iremos nos demorar aqui, pois sugerimos a vocês, caros leitores, que pesquisem sobre o assunto. Isso pertence na área de Antropologia e não faz parte do enfoque desta série. Assim, vamos examinar aqui alguns trechos da ―reportagem‖ da (risos) Folha Universal (risos), e passaremos às refutações e desmontar essas mentiras. Não iremos nos alongar demais no assunto, e trataremos do principal, pois queremos deixar o resto com os nossos leitores, para quem façam as suas próprias pesquisas, e as coloquem em nossas caixas de comentários. O rock é um campo frutífero para relações com o demônio. A banda inglesa Rolling Stones tem, entre os sucessos, a canção ―Simpathy for the devil‖ (condolências com o demônio), um disco batizado de ―Their Satanic Majesties Request‖ (A Serviço de Sua Majestade Satânica), além de lançarem um outro álbum, ―Voodoo Lounge‖, com referências ao vodu e magia negra. Mais claro, impossível. Com a determinação dos jovens em criar um novo padrão de estética e valores distintos dos de seus pais, as famílias tradicionais, que pertencem ao poder dominante, sentiam-se ameaçadas por declarações diversas dos novos ricos, este novo grupo social, os rockstars. Entre estes, Mick Jagger é chamado de ―a voz de sua geração‖. Com a fama dos Rolling Stones de quebrarem as regras estabelecidas e continuarem seguidamente vencendo batalhas jurídicas que tentam encarcerá-los, Mick Jagger e Keith Richard são acusados de se associarem a Satanás em troca de controle sobre as massas e sucesso mundial. Eu preferia pedir para ser arqui-milionário, dono de emissoras de TV, rádio e ter milhões de seguidores, que nem o próprio ―bispo‖ Macedo… De qualquer foma, a situação piora quando os Stones lançam uma música intitulada ―Sympathy For The Devil.‖ A partir desta canção, as histórias das relações satânicas da banda são consideradas oficialmente confirmadas. Então é apenas natural que, quando Brian Jones morreu em Julho de 1969, houvesse quem insinuasse que Mick Jagger o teria matado por meio de magia negra, para tomar definitivamente a liderança da banda. As mortes ocorridas no festival em Altmont e as conotações demoníacas que surgiram a seguir, em relação a uma apresentação dos Rolling Stones, que foi na verdade uma oferta gratuita, presente dos Stones para a cidade, só servem para fertilizar as imaginações da nova geração de garotos pré-adolescentes impressionáveis e atraídos pela junção de rock pesado com ocultismo. É a era de bandas como Iron Butterfly, Vanilla Fudge, Led Zeppelin, Blind Faith, Moby Grape, Deep Purple e Black Sabbath. Os Stones continuam provocando, compondo canções como ―Midnight Rambler‖ que fala sobre um serial killer; ―Street Fighting Man‖, música que acabou sendo censurada nas rádios, por causa do medo de uma rebelião entre os jovens e a polícia, e ―Dancing With Mr. D.‖, este último, fazendo parte de um álbum com o título provocativo de ―Goats Head Soup‖ (Sopa de Cabeça de Cabra). Mick Jagger seduz sua geração, como também a mídia, e acaba sendo comparado por alguns a Fausto (Goethe, meus caros. Goethe). E vejam aqui a letra da música Simpathy for the devil, e como podem ver, não tem absolutamente nada a ver com simpatia com o demônio ou alusões ao satanismo. Alem do mais, o que é que Voodoo Lounge tem a ver com vodu e magia negra ? Praticamente nada também. É apenas o nome que deram ao álbum, e as letras das músicas não possuem nenhuma relação com o diabo, ocultismo, maldade, nada de nada! E ainda por cima, os crentes precisam parar de imaginar coisas e largar de lado sua mania obsessiva por conspirações demoníacas. E não vamos esquecer que o outro álbum Their Satanic

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Majesties Request, mencionado na reportagem, é apenas um trocadilho com um texto que aparece em passaportes britânicos. Falta cultura nos religiosos. Mesmo uma piadinha inocente demanda cérebro para poder ser entendida. Muito antes porém destes roqueiros acusados de satanistas fazerem sucesso, um artista da década de 30 é famoso até hoje por uma história de um pacto com o diabo que se tornou uma lenda americana. Robert Johnson deixou apenas 40 canções fundamentais para o blues moderno. Cantor, e sem reconhecimento, se tornou popular subitamente ao exibir uma habilidade espantosa e única de tocar violão e gravar uma canção chamada ―Me and The Devil Blues‖ (Eu e o diabo blues). A explicação seria um acordo com o diabo em troca do sucesso feito numa encruzilhada do Mississippi, nos Estados Unidos. Mas Johnson não viveu para saborear a fama. Morreu aos 27 anos, depois de passar três dias em coma, supostamente envenenado por um marido traído. Bom, pessoal, vamos falar aqui da biografia desse famoso músico. Vamos colocar aqui um pouco do artigo publicado no site da Wiplash, sobre a vida dele. Pouco mais que um século depois, apesar de nunca ter sido rico e com fama apenas regional enquanto em vida, Robert Johnson oferece uma certa similaridade com a história de Paganini e aqueles que o criticavam. Nascido em 1911, negro e descendente de escravos, foi criado em uma fazenda de algodão. Assim, trabalhando no campo desde criança, teve pouca instrução, aprendendo a tocar seu primeiro instrumento, a gaita, sozinho. Quando começou a entrar na maioridade, fugiu de casa para aprender a tocar violão com Son House. Logo passou a tocar junto com os músicos que mais o influenciaram, Charlie Patton e Willie Brown, além do próprio Son House. Juntos, perpetuavam o que se costuma chamar de Country Blues; o blues rural ou delta blues, pois vinham da região do delta do Mississippi. Sacaram? Mississipi, maioria negra, descendentes de escravos, KKK, Ovelhinhas do Senhor… Deu pra entender, né? Bem, com vinte anos, Johnson descobriu como fazer sua guitarra chorar usando o gargalo de uma garrafa quebrada, deslizando-a pelas cordas. Já se apresentando sozinho, foi o autor de uma série de composições que retrataria diversas amarguras da vida, desde a rejeição carnal até o desconforto espiritual. Suas letras falam de amores violentos, como em ―Ramblin‘ On My Mind‖ e amores perdidos como em ―Love In Vain‖. Com um certo senso de sutileza, ele fala sobre sexo em letras como a de ―Traveling Blues‖, onde utiliza analogias do tipo ―Squeeze my lemon till my juice runs down my leg‖ (‖Espreme meu limão até o suco escorrer pelas minhas pernas‖) frase hoje mais lembrada na voz de Robert Plant quando este pertencia ao Led Zeppelin. Johnson também falava de perseguição e desespero em canções como ―Me And The Devil‖ e ―Hellbound Trail‖. Essas letras ajudaram a amarrar a lenda de um pacto entre o diabo e o bluesman, lembrado até hoje. Conta-se que Robert Johnson ficou à espera em uma encruzilhada, com seu violão à mão, em uma noite de lua nova. Quando deu meia noite, o diabo em forma de homem apareceu para afinar o instrumento. A partir daí, todos que ouvem suas músicas são encantados por ela. Na verdade, Robert Johnson tocava um violão excelente e é mais provável ser a inveja, a origem das lendas que apareceram. Sua genialidade e dom natural são tão mais cativantes, comparando-se aos outros músicos de sua época. Johnson costumava tocar quase que de costas para o seu público. As pessoas então diziam que ele fazia isto para esconder o olhar do diabo que surgia para auxiliá-lo. Mais coerente seria supor que ele se preocupava em esconder os acordes que bolava sozinho e não queria que outros músicos na platéia o copiassem, ou

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pode ser apenas um modo de entreter o público, demonstrando suas habilidades, como o ―caminhar de costas‖ de Michael jackson. Por volta de 1935, Johnson perambulava entre as cidades dos estados de Tennessee a Arkansas. Fez uma série de gravações em 1936, que circularam pelo sul e eventualmente chegariam a ser ouvidos pelo norte do país. Acabariam editados em dois álbuns, anos depois de o artista falecer. Em 1937, tocaria com ele em ocasiões esporádicas Alex Miller (Sonny Boy Williamson, o segundo), como também Elmore James e Howlin‘ Wolf, mas em geral Johnson se apresentava sozinho. Morreu, acredita-se, no dia 16 de agosto de 1938. Como toda boa lenda, existem diversos rumores para explicar sua morte, mas em geral inclina-se a acreditar que um marido ciumento colocou veneno em sua garrafa de bebida. Johnson era famoso pela atração que causava nas mulheres, como também por atrair as chamadas ―mulheres erradas‖. Ele veio a morrer três dias depois de envenenado, sofrendo dores estomacais horríveis durante esse tempo. Isto explicaria em parte as histórias que contam dele antes de morrer, andando de quatro e uivando como um cachorro, animal muitas vezes associado com o demônio. Mais uma mentira crente detonada! Ícone rebelde do rock, o vocalista Jim Morrison, do Doors, esteve sempre envolvido com práticas ocultistas até a morte misteriosa dele. Ele se casou com uma suposta bruxa num ritual pagão, em que os noivos teriam bebido sangue um do outro diante de um pentagrama, um dos símbolos do mal. Morrison, que compunha canções atormentadas, dizia incorporar o espírito de um feiticeiro índio, um xamã, e chegou a admitir ter visões demoníacas. Para quem quiser conhecer melhor a biografia de Morrison, basta clicar aqui e aqui, onde poderão obter informações mais acuradas. Mas iremos transcrever aqui um pouco da vida de Morrison, para entendermos um pouco das razões por trás de suas canções atormentadas: Jim Morrison era Morrison, ambos rigorosos, todavia aos que lhe foram filho do almirante George Stephen Morrison e sua mulher Clara Clark funcionários da marinha americana. Seus pais eram conservadores e Jim acabou por tomar para si pontos de vista completamente antagônicos ensinados. Ainda jovem, foi escoteiro.

De acordo com Morrison, um dos eventos mais importantes da sua vida aconteceu em 1949 durante uma viagem de família ao Novo México, que ele assim descreveu: A primeira vez que descobri a morte… eu, os meus pais e os meus avós, íamos de automóvel no meio do deserto ao amanhecer. Um caminhão carregado de índios, tinha chocado com outra viatura e havia índios espalhados por toda a auto-estrada, sangrando. Eu era apenas um garoto e fui obrigado a ficar dentro do automóvel enquanto os meus pais foram ver o que se passava. Não consegui ver nada – para mim era apenas tinta vermelha esquisita e pessoas deitadas no chão, mas sentia que alguma coisa se tinha passado, porque conseguia perceber a vibração das pessoas à minha volta, então de repente notei que elas não sabiam mais do que eu sobre o que tinha acontecido. Esta foi a primeira vez que senti medo… e eu penso que nessa altura as almas daqueles índios mortos – talvez de um ou dois deles – andavam a correr e aos pulos e vieram parar à minha alma, e eu, apenas como uma esponja, ali sentado a absorvê-las. Os pais de Morrison afirmaram que tal incidente nunca ocorreu. Morrison dizia que ele ficara tão perturbado pelo caso que os seus pais lhe diziam que tinha sido um pesadelo, para o

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acalmar. Em qualquer caso, tenha sido real ou imaginário, o incidente marcou-o profundamente, e ele fez repetidas referências nas suas canções, poemas e entrevistas, como por exemplo no tema ―Peace Frog‖. E o que dizer da história de que ele teria se casado com uma bruxa? De fato, o vocalista Jim Morrison casou-se com uma wiccana em um típico ritual neo-pagão. A cerimônia de casamento foi selada com o sangue de Patricia Kennealy e ocorreu em janeiro de 1969 no Plaza Hotel, em Nova York. Em sua biografia ―Strange Days Morrison‖, é categórico ao responder se não tinha medo de ter que acertar as contas com Deus: ―Problema Nenhum. Cancelem minha inscrição a ressurreição.‖ E qual e o problema dos crentes com a religião wiccana? Só mostra um profundo desconhecimento sobre o que realmente significa a Wicca, e ela não significa necessariamente sobre o mal ou que tenha relações com o satanismo. Para quem quiser saber mais, cliquem AQUI. E depois ainda tem a história do pentagrama… Ora, mais um ―nada a ver‖ dos crentes. O Pentagrama, originalmente um símbolo da deusa romana Vênus, foi associado a diversas divindades e cultuado por diversas culturas. O símbolo é encontrado na natureza, como a forma que o planeta Vênus faz durante a aparente retroação de sua órbita. Hoje em dia o termo ―pagão‖ se tornou quase sinônimo da adoração ao demônio - Um erro grosseiro. Os pagãos eram literalmente pessoas do meio rural. Trata-se de um dos símbolos pagãos mais utilizados na magia cerimonial pois representa os quatro elementos (água, terra, fogo e ar) coordenados pelo espírito, sendo considerado um talismã muito eficiente. O pentagrama é conhecido também como o símbolo do infinito, já que é possível fazer outro pentagrama menor dentro do pentágono regular do pentagrama maior , e assim sucessivamente. Possui simbologia múltipla, sempre fundamentada no número cinco, que expressa a união dos desiguais. Representa uma união fecunda, o casamento, a realização, unindo o masculino (o 3), e o feminino (o 2), simbolizando ainda, dessa forma, o andrógino, mas não necessariamente o homossexual. Seria algo mais que transcende os limites das diferenças entre os sexos. O pentagrama (estrela de cinco pontas, dentro de um círculo) é o símbolo da religião Wicca. Assim como a cruz é para o cristianismo e os dois triangulos, em direções opostas, é para o judaísmo, o pentagrama é para os wiccanos. Mas, para crentes, qualquer coisa que não venha com o rótulo ―Jesus é o Senhor!‖ para eles é coisa do diabo. Atualmente, muitos Wiccanos usam um Pentagrama no pescoço, como símbolo de orgulho da sua religião, representando a sua fé e também mostra-se útil para que os Wiccanos se reconheçam entre si. Mas deve-se deixar claro que isso não é nenhuma obrigação. Muitos praticantes da religião Wicca usam o Pentagrama também pelo fato de ele ser considerado um amuleto de proteção, além de mostrarem assim, seu respeito aos Deuses e aos Cinco Elementos. Qual seria o mal disso? Os cristãos usam uma cruz. E o que é a cruz, senão um simples instrumento de tortura? Poderia ser uma forca, um cepo de decaptação, uma guilhotinha ou um sistema de dar choques elétricos. Calhou dos inventores do cristianismo usarem a cruz como modo de tortura e morte, mas não significa que seja melhor ou pior símbolo que qualquer outra religião.

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Voltando ao pentagrama, cada ponta representa um dos Cinco Elementos da Natureza: Ar, Fogo, Água, Terra e Akasha (espírito). Os adeptos à religião Wicca crêem que TUDO foi criado a partir dos cinco elementos. Por isso, no treinamento para o sacerdócio wiccano, o domínio dos elementos é visto como o primeiro ato para a iniciação. Além do seu significado primordial, dos cinco elementos, o pentagrama também representa o corpo humano (os 4 membros e a cabeça); sendo assim conhecido como ―estrela do microcosmo‖ (pequeno universo), que simboliza o(a) mago(a) dominando o espírito sobre a matéria, inteligência sobre instintos, mente sobre o corpo. Se você gosta de teorias de conspiração à lá Dan Brown, olhem um pentagrama e uma reprodução do Homem Vitruviano e tirem suas conclusões. Nos rituais da religião Wicca, além de ser um dos símbolos da Deusa, o pentagrama às vezes é usado como símbolo da terra, outras vezes para consagrar os instrumentos ritualísticos, objetos e amuletos. O pentagrama utilizado na religião Wicca pode ser feito de qualquer material (metal, madeira, argila, vidro, etc.) e até desenhado em pedaços de pano ou mesmo no chão. Muitas pessoas que se intitulam Satanistas usam o Pentagrama invertido (com duas pontas para cima), afirmando significar o triunfo da Matéria sobre o Espírito, ou a vitória do Mal sobre o Bem. Ainda que, originalmente, o Pentagrama com duas pontas para cima já aparecia, no paganismo pré-cristão, como um dos símbolos da Grande Mãe (pela semelhança com um canal vaginal, um útero e duas trompas). Assim sendo, o pentagrama invertido possui significados paralelos. Devemos ter em mente que apenas após o advento do Cristianismo, a igreja o associou como símbolo do Mal, numa tentativa de conversão dos pagãos ao culto cristão. Aliás, é engraçado saber que durante as guerras entre católicos e protestantes, católicos e ortodoxos, ortodoxos e protestantes e protestantes de uma vertente contra protestantes de outra vertente, ambos os lados acusavam o adversário de heresia e pacto com o diabo. Mas, eles não rezam pro mesmo deus? Como os Beatles, Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, um dos grupos mais importantes e populares do anos 70, era díscipulo do bruxo Aleister Crowley. Ele comprou a ―casa dos horrores‖ onde morava o satanista, próximo do Lago Ness, na Escócia. Era lá que aconteciam rituais de magia negra. Buaaaahahahahaha! Tem gente que realmente acredita nisso. Se querem conhecer mais sobre esse famoso inglês, chamado Jimmy Page, basta consultarem a biografia oficial dele clicando AQUI. Segundo umas pesquisas que realizamos, em 1982, foi convidado pelo realizador Michael Winner para gravar a banda sonora do filme Death wish III. Page fez um retorno bem sucedido aos palcos com a série de concertos de caridade ARMS Charity em 1983. Desde 1990, Jimmy Page envolveu-se em vários concertos de caridade e trabalhos afins, particularmente em The action for Brazil‘s children trust (ABC Trust), fundado pela sua esposa Jimena Gomez-Paratcha em 1998. E então, surpresos? Ele faz shows em prol da caridade! Qual é a caridade que os pastores fazem? Ah, sim… dizem que curam pessoas. Sei…. Page até mesmo fez alguns shows para ajudar as crianças brasileiras! E os religiosos? O que e que tem a dizer a respeito do assunto?

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Como podem atacar o caráter de um roqueiro, associando-o ao satanismo e à magia negra, alguém que faz caridade pelos outros? Será que cristãos acham que ajudar o próximo é coisa de Satã? Deve ser por isso que uma ENORME parcela de cristãos não faz nada pra ninguém. ALELUIA!!! E o que dizer das histórias que circulam, de que ele comprou uma mansão que pertenceu a Aleister Crowley? Grandes Coisas! Esperavam o quê? Que a casa ficasse abandonada para sempre? Essa casa de que estão falando se chama Boleskine House, construída no século XVIII por Archibald Fraser, e possui até site oficial. Segundo o site, existem muitas histórias envolvendo a casa, que mencionam o pai de Abraão (pode isso?), ordens secretas de magos (Merlin, por exemplo), ocultismo, depois comprada por Aleister como local de residência, e só se tornou famosa nos anos 70, quando começaram a circular histórias envolvendo o local, por causa de um acidente de carro envolvendo a família de Plant, na ilha grega de Rodes, no qual os fãs associaram à compra da casa. Mas, essa casa é sobrenatural? Macabra? Com ares de lugar mal-assombrado? Claro que não…. para quem duvida, cliquem AQUI para ver a foto da casa! É mais fácil o Hotel Overlook existir do que essa casa ser mal-assombrada. Aliás, existe casa bem-assombrada? A fama de Boleskine House surgiu em 1970 quando Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, a comprou e fez uma declaração com histórias macabras de uma pessoa que teve sua cabeça decapitada na casa, antes mesmo de Aleister Crowley comprá-la, de suicídios que foram cometidos após Crowley e coisas desse tipo! E para que servem as histórias? Para atiçar o interesse das pessoas e atrair mais atenção à banda, ora. O que um pouco de publicidade não faz, hein? Em 1990 Jimmy Page vendeu a casa e hoje ela pertence ao Clan MacGillvray. Agora, respondam: Existem historias de satanismo envolvendo o novo morador da casa? Que nada! É um clã típico dos Higlanders (não, o Christopher Lambert era de outro clã, o dos MacLeods). Enquanto isso, crentes malucos ficam delirando com histórias envolvendo satanismo e rock. Mas, bem que eles curtem um Ratos do Porão também, hehehe O rock pesado sempre fez alusões explícitas à magia negra e ao satanismo, que foi adotado como tema recorrente para embalar performances teatrais e letras. Hoje, com 60 anos, dois veteranos do gênero, Alice Cooper e Ozzy Osbourne ajudaram a disseminar essas práticas entre os jovens. Cooper se apresenta com uma maquiagem pesada e utiliza efeitos típicos de filmes de horror para atrair os fãs, e muitas vezes se exibe enrolado numa cobra. Outra mentira! O Rock não está associado à magia negra e ao satanismo. De acordo com um estudo realizado por Graham Garvey, publicado na Revista de Estudos da Religião, que refuta essa associação feita por religiosos, o autor afirma que: ―Além dos membros adultos dos grupos assumidos como satanistas, há, sem dúvida, adolescentes que se identificam como satanistas. O que eles querem dizer com isto varia consideravelmente. Mesmo em um grupo ad hoc de adolescentes masculinos, com quem me encontrei nas ruas de uma cidade da Grã Bretanha em 1995, as compreensões variaram. Só um tinha lido os livros de La Vey e conhecia a revista Black Flame. A maioria não se interessava por tais fontes que pareciam muito próximas a um conhecimento teórico. O satanismo deles era uma afirmação de sua ―rebelião‖ e se manifestava em roupas pretas e

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simbolismos ocultos. Não importava que os símbolos fossem amplamente ocultos para o grupo; a única coisa que importava, era a hostilidade e/ou o medo que os símbolos provocavam nos outros. Estes adolescentes consideraram as pinturas grosseiras dos grafites ―satânicos‖ como infantis, especialmente em comparação com o complexo trabalho artístico de grafiteiros (graffiti artists) mais talentosos. Deste modo, enquanto a polícia e alguns cristãos do lugar estavam preocupados com o que geralmente eram representações criativas ou imagens fantasiosas (de histórias de terror, literatura infantil ou iconografia de bandas de rock), estes ―satanistas‖ se contentavam em ser e vestir suas próprias auto-representações. Nenhum foi abordado por membros de outros grupos de satanistas, nenhum sabia sobre satanistas mais velhos (exceto aquele que havia lido La Vey, e até esse conhecimento era apenas literário). Atualmente, é bastante improvável que qualquer um daquele grupo continue com tal auto-imagem ou auto-apresentação. Alguns podem ter se transformado em ―góticos‖ (goths), mas minha suspeita é que uma vez que seus hormônios sosseguem, eles mudaram.‖ Ou seja, o autor deixa bem claro que o uso de temas como satanismo é uma afirmação, um símbolo de rebeldia, mas que não necessariamente é seguido, praticado ou transformar as pessoas em entes diabólicos que saem por ai ―matando, roubando e destruindo‖. O estudo completo pode ser encontrado clicando no link acima. Nós tivemos uma geração de jovens que cresceram ouvindo rock, e são centenas de milhões de pessoas. Pergunto aos crentes: quantos desses jovens freqüentam Igrejas Satânicas? Quantas dessas pessoas possuem objetos de cultos a Satanás em suas casas? Quantas delas praticam magia negra? Quantas delas sacrificaram seres humanos em um culto a uma entidade diabólica? A resposta é simples: nenhum! Foi publicada uma notícia afirmando que o mundo de hoje é mais feliz do que 25 anos atrás. Mas não podemos dizer o mesmo dos religiosos, que usam as igrejas para afogar crianças em pias batismais, ou padres que abusam de sua posição clerical para assediar sexualmente menores de idade e causar-lhes traumas permanentes, pastores que queimam crianças e saem impunes, um Papa omisso em punir crimes de pedofilia e não incluiu entre os ―novos pecados‖, ou as praticas dos pastores evangélicos em usar e abusar de musicas que conduzam à lavagem cerebral de seus fieis. E ainda tem muito mais! Aqui mesmo no Ceticismo.net publicamos várias notícias assim, como o caso do avô que engravidou a própria neta, entre outras mazelas. Agora, vocês conhecem alguma musica de rock, onde os astros pedem dinheiro aos seus fãs? Não? E o que dizer da letra de musica da Renascer, que transcrevemos abaixo? O segredo de dar Renascer Praise Dê e Deus te devolverá mui grande medida sacudida e transbordante dê e Deus te devolverá então dê, dê ao Senhor Dê em amor dê em fé

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Dê feliz com um sorriso no rosto como o Senhor tem dado a você Quando você der a Deus Ele te abençoará dê de coração dê o melhor crê em Deus pois as bençãos vem Dele não segure e nem retenha Quando você der a Deus ele te abençoará muita gente erra quando não oferta a Deus e não entende que só é essa forma que as bençãos vêm e a vida abundante você pode ter Quando você realmente der.. prove Ele então Dê e Deus e Ele te devolverá mui grande medida sacudida e transbordante dê e Deus te devolverá Aleluia! Glória! Mas, não esqueçam a sacolinha, para fazermos o pastor feliz!!! Pois é pessoal, só mentiras, mentiras e mais mentiras! É tão difícil para esses crentes serem honestos, não se meterem na vida alheia, e se absterem de lançar falsas acusações contra os outros? Já Ozzy Osbourne, famoso como vocalista da banda Black Sabbath, sempre entoou canções sobre a morte e o diabo e chegou a morder um morcego vivo que foi atirado no palco, depois de achar que se tratava de um brinquedo de plástico. O equívoco fez com que ele fosse submetido a uma bateria de vacinas contra a raiva. Vamos falar aqui sobre a vida pessoal de Ozzy. Em 1982 casou-se com Sharon Osbourne, com quem teve 3 filhos: Aimee Osbourne, Kelly Osbourne, Jack Osbourne, além de ter adotado Robert Marcato. Ele ainda tem três filhos do casamento com Thelma Riley: Elliot Kingsley (1966 - adotado), Jéssica (1972), e Louis (1975). Ozzy Osbourne considera-se católico, apesar de ter um Buda completamente de ouro em sua casa, que deu de presente para sua mulher Sharon, que se considera budista. Observando a vida pessoal dele, vocês religiosos ainda acham que ele tem um pacto com o diabo? Um roqueiro que se diz católico, adotou uma criança, e ainda respeita a religião da mulher? Quantos crentes vocês conhecem por ai, que adotam crianças e respeitam a religião alheia? Sobre o episódio do morcego, podemos encontrar a seguinte resposta que ele deu em relação ao ocorrido: ―Eu não sabia que era um morcego, até que eu mordi a cabeça. Oh meu Deus, o que eu fui fazer?‖

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A revista Rolling Stones, uma das mais conceituadas do mundo em matérias sobre o Rock, publicou uma reportagem sobre o assunto: Some myths are so perfectly suited to the legend they‘re too good to be true. Others just turn out to be true. Although many fans dismiss the story as myth, Ozzy Osbourne — reality TV‘s rock & roll Prince of Darkness — actually did bite the head off a bat. After the 1981 release of his second solo album, Diary of a Madman, the former Black Sabbath vocalist hit the road for a tour nicknamed ―Night of the Living Dead.‖ Onstage, Ozzy pelted his audience nightly with 25 lbs. of pig intestines and calves‘ livers. Fans began bringing meat, and then dead animals, to throw back. One night in Des Moines, someone threw a live bat onstage. Stunned by the lights, the bat lay motionless. Osbourne, thinking it was a rubber toy, bit into its neck. He was rushed to the hospital and tested for rabies. Rumors that Osbourne once bit the head off a dove during a meeting with CBS Records have also been confirmed. But even this madman can‘t live up to the reputation every time: One rumor has it that Ozzy used to throw three dogs into the crowd before shows, refusing to begin until their dead carcasses were returned to the stage. That one is, in fact, a myth. E em resposta a acusações de que ele teria feito um pacto com o diabo: ―Não tenho nenhuma ligação com o demônio. Faço música para me divertir‖ ―Uma banda aparece e o publico a ajuda, mas quando atinge certo nível, começam a atacá-la.‖ Se quiserem saber mais, é só visitar o site oficial de Ozzy. E depois a crentalhada fica falando que ele canta músicas sobre morte e o diabo. Mas perai! Os crentes não costumam falar o tempo todo no diabo em suas igrejas, com sessões de desencapetamento, os pastores berrando como loucos sobre Satanás, acusando os outros de terem o diabo no corpo? E ainda por cima, ameaçando-se mutuamente e aos outros de morte, inferno, sofrimento eterno, os castigos divinos, uma mão pesada de um deus em cima dos outros, os ―avisinhos‖ aos outros para que se cuidem e ―não ser tarde demais amanhã‖? Se fôssemos comparar os crentes com Ozzy, sobre quem fala mais em diabo e morte, os crentes ganhariam de longe. Querem uma prova? O dragão da garagem tem uma postagem excelente sobre os discos crentais mais bizarros. Vejam AQUI. Os repórteres associados a jornais religiosos precisam é de aulas para fazer uma investigação jornalística seria para cavar a verdade por trás das alegações, além de um pouco de ética, coisa rara nesse meio. Mas vocês sabem como são os crentes…

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O Fim do Mundo em 2012 Hoje em dia, ler o jornal de manhã ou consultar as notícias pela internet pode ser uma experiência desagradável para qualquer um. Bombas terroristas no Oriente Médio, os ataques de Israel contra Gaza, as enchentes no Brasil, a recessão nos Estados Unidos, a crise econômica mundial, o genocídio em Darfur, as revoltas sociais pipocando pelo planeta. Para milhões de pessoas, esses pequenos fatos dramáticos da vida cotidiana indicam uma tragédia terrível - o fim do mundo. A boataria sobre o fim do mundo previsto para 2012, baseado no Calendário Maia, está crescendo cada vez mais em popularidade entre as pessoas em geral, em vista da proximidade da data, e também pelo momento atual que estamos atravessando, que tem sido particularmente difícil no mundo graças à crise econômica mundial (devido às políticas irresponsáveis de Bush). E agora muitos religiosos ficam profetizando que o fim do mundo está chegando, que estamos nos últimos dias, que logo vai ser a hora do Juízo Final, que o retorno de Jesus é iminente, e que a cada dia se vêem mais e mais sinais do Apocalipse. Vocês mesmos já ouviram isso inúmeras vezes em conversas do dia a dia, em pregações, já leram várias vezes na Internet e em diversas mídias impressas, já assistiram reportagens e documentários sobre o assunto, e alguns de vocês já até acreditaram nessas coisas, e muitos outros nem acreditam nessas bobagens e não levam a sério. Porém, muitos fins de mundo já foram previstos, profetizados, tiveram as suas datas marcadas, muitas pessoas acreditaram, falou-se muito sobre o assunto, criaram-se inúmeras expectativas, e os dias vieram e passaram, e nada aconteceu, para decepção geral dos que acreditavam nessas coisas. Acabam caindo em descrédito, e ainda por cima ficam amargurados com a sensação de que fizeram um papelão ridículo. Essa será mais uma decepção futura. Podem ter certeza disso. Mas mesmo assim, não ira parar por ai. Haverão outras datas em que predirão o fim do mundo, outras ocasiões em que pessoas irão se reunir esperando o fim (como naquele caso do profeta russo que se escondeu dentro de uma caverna por algumas semanas, até que duas pessoas morreram e tiveram de sair para que o cheiro pútrido não os envenenasse), e mais sensacionalismo movido pelo combustível da credulidade das pessoas (precisamos educar melhor as pessoas), de qualquer jeito, sempre tem pessoas que se auto-intitulam ―profetas‖ naquelas pequenas igrejas, com as suas previsões que possuem uma elevada taxa de ―sucesso‖ de 0,00000001% e etc. Iremos abordar aqui essa crença que está vigente em nossa sociedade ocidental (excluindo os orientais e outras sociedades não-ocidentais), que está na mente do povo, amplamente difundida pela mídia sensacionalista, em artigos publicados em sites religiosos apocalípticos, em pregações de pastores (evangélicos, adventistas, TJs, pentecostais, etc), em revistas e jornais pseudo-científicos (que mascaram idéias religiosas com uso de linguagem científica para enganar os seus leitores e levando-os a acreditar que são reais - isso te cheira a Criacionismo?), são divulgados em conversas pessoais, rodas de amigos, fóruns da internet e do Orkut, correntes de emails, em esforços de evangelização (sob a alcunha sutil de

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―arrependa-se antes que seja tarde demais‖), e até mesmo no próprio tecido social herdado das religiões monoteístas e abraâmicas. Inúmeras vezes, esse tipo de coisa aconteceu nos dois milênios da Era Comum, principalmente entre os cristãos, e não iremos falar deles por ora. Isso ficará para um artigo futuro, em uma abordagem mais direta, pois reconhecemos que o tema é extenso e exige muito trabalho em pesquisa histórica e bibliográfica. O mais estranho de tudo isso, é a mistura de apocaliptismo cristão com um calendário produzido por uma cultura totalmente diferente, que desapareceu após a chegada dos espanhóis durante os séculos XVI e XVII nas Américas. Uma das razões deste artigo estar na série GMR é justamente a fusão (uma espécie de sincretismo) entre essas duas coisas. Enfim, vamos refutar esta tremenda bobagem de 2012, usando a lógica e a razão, e com todas as ferramentas científicas às nossas mãos, e dissecar todas as previsões cuidadosamente e mostrar o lado real das coisas. Claro que temos de admitir que, um dia, tudo o que conhecemos em nossas vidas terá o seu fim, que a sociedade como a conhecemos poderá deixar de existir, que a Humanidade será extinta, e que nada sobrará de nos. Pode acontecer hoje, amanhã ou daqui a mil anos. Falaremos disso também, das ameaças mais prováveis à nossa civilização humana. A diferença é que usaremos a lógica e a razão com serenidade, em vez do irracionalismo, credulidade e o fanatismo religioso. O Calendário Maia A ―profecia maia‖ já tomou uma grande proporção na internet pelo mundo todo com milhões de adeptos acreditando firmemente que o mundo vai acabar em 2012. A profecia maia está vendendo muitos livros e rendendo muitas palestras, documentários e DVDs pelo globo. Há uma infinidade de teorias diferentes, espalhadas em diversos cantos. Mas de onde veio a idéia de que era uma profecia ? De onde tiraram isso ? E como isso se encaixa nos dias atuais em que estamos vivendo em nosso planeta ? Primeiramente, precisamos investigar a história desse calendário, que iremos descrever aqui, usando diversas fontes. História

Os maias se originam de uma região chamada Mesoamérica, ou América Média. A região fica entre o México e a América do Sul e era o lar de muitas outras culturas, incluindo os astecas,

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os olmec, os teotihuacan e os toltec. Os maias viveram onde hoje está a Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador e o sul do México (Yucatán, Campeche, Quintana Roo Tabasco e Chiapas). A história maia é dividida em três períodos:    formativa ou Pré-clássica: 2000 a.C. até 300 d.C; clássica: 300 d.C. até 900 d.C; pós-clássica: 900 d.C. até a Inquisição espanhola em meados de 1400.

Os mesoamericanos começaram a escrever na metade do período pré-clássico . Os maias foram os primeiros a manter um tipo de registro histórico e então, surgiram os primórdios do calendário. Os maias utilizavam os stelae, ou monumentos de pedra, para marcar os eventos civis, os calendários e o conhecimento em astronomia. Eles também registraram suas crenças religiosas e a mitologia em cerâmicas. Os maias não foram os primeiros a usarem um calendário - existiram calendários antigos usados por civilizações do mundo todo - mas eles realmente inventaram quatro calendários diferentes. Dependendo de suas necessidades, os maias usavam diferentes calendários para registrar cada evento, sejam sozinhos ou uma combinação de dois calendários. Veremos agora o primeiro calendário utilizado pelos maias, o calendário Tzolk‘in. O calendário tzolk’in foi o primeiro utilizado pelos maias. A maioria dos calendários utilizados na Mesoamérica eram compostos por 260 dias. O calendário tzolk‘in, ou círculo sagrado, seguiu a mesma convenção. Uma teoria para essa duração de 260 dias é a duração da gravidez, e esse calendário foi baseado nisto. Outros dizem que era o tempo usado para cultivar milho. É mais correto que tenha sido baseado em números. Os números tinham grande significado na cultura maia. Por exemplo, o número 20 significa o número de dígitos que uma pessoa possui - 10 dedos nas mãos e 10 dedos nos pés. O número 13 se refere às juntas principais do corpo humano por onde se acredita que as doenças entram para atacar - um pescoço, dois ombros, dois cotovelos, dois pulsos, dois quadris, dois joelhos e dois calcanhares. O número 13 também representava os níveis do paraíso onde os lordes sagrados reinavam sobre a Terra. São estes números, 20 e 13, que são utilizados para fazer o calendário tzolk‘in. No calendário gregoriano, nós temos sete dias da semana e, dependendo do mês, de 28 a 31 dias. O calendário tzolk‘in é feito de 20 nomes de dias e 13 números. Os dias são numerados de um a 13 e os nomes também aparecem em uma seqüência. Para entender mais sobre a matemática maia, clique AQUI.

O início do calendário tzolk‘in começa com o primeiro nome de dia , imix‘, e o número um. Os dias continuam em seqüência até que todos os 13 números sejam usados. Então, os números

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começam novamente com um, mas os nomes dos dias continuam com o 14° dia. Quando chegar no 13 b‘en, você deve continuar com 1 Ix, 2 men, 3 kib‘, e assim por diante até 7 ajaw. Neste ponto, os nomes dos dias começam de novo, mas os números continuam: 8 Imix‘, 9 Ik‘, 10 ak‘b'al, e assim por diante. Pense em duas engrenagens trabalhando em conjunto. Uma possui os 20 nomes dos dias e seus hieróglifos correspondentes. A outra menor possui os números de um a 13. Se você prender essas engrenagens uma na outra no número 1 com o dia Imix‘, e depois girá-las até chegar no um com Imix‘ novamente, você terá 260 dias, completando todo os calendário tzolk‘in. Para saber mais detalhes sobre o assunto, clique AQUI. É fácil perceber a importância que os maias colocavam no calendário tzolk‘in. Por exemplo, eles acreditavam que a data do seu nascimento determinava as características que você demonstra em sua personalidade - quase a mesma crença que as pessoas têm sobre na astrologia atual. Os maias também utilizavam o calendário para determinar a agenda da colheita: É preciso um ciclo de 260 dias para preparar a terra e plantar o milho, e um ciclo de 260 dias para cultivar e colher o milho. Os homens sagrados utilizavam o calendário para determinar quando eventos aconteceriam ao longo do ano. No início de cada uinal (período de 20 dias), um xamã contaria a partir daí para determinar quando os eventos e as cerimônias religiosas aconteceriam. Então, ele ajustava as datas que seriam as mais prósperas ou mais afortunadas para a comunidade. Enquanto estas foram algumas das utilizações do calendário tzolk‘in, ele não podia ser utilizado para qualquer coisa. Por exemplo, ele não media um ano solar, o tempo necessário para que o Sol complete um ciclo. Por causa disso, os maias precisavam de um calendário mais preciso para medir o que nós conhecemos como um ano completo. Agora veremos as próximas tentativas, o calendário haab e o ciclo do calendário. O calendário haab e o ciclo de calendário O calendário haab é muito parecido com o calendário gregoriano que utilizamos atualmente. Ele é baseado no ciclo do Sol, e era utilizado nas atividades de agricultura, de economia e de contabilidade. Muito parecido com o calendário tzolk‘in , também era composto de uinals e cada dia tinha seu próprio hieróglifo e um número. Todavia, ao invés de usar 13 uinals para 260 dias, o calendário Haab tinha 18 uinals, resultando em 360 dias. Os astrônomos perceberam que 360 dias não eram suficientes para que o Sol completasse o seu ciclo. Eles argumentaram que o calendário deveria seguir o ciclo o mais próximo possível a fim de se obter uma precisão. Entretanto, os matemáticos maias não percebiam dessa maneira. Eles queriam manter as coisas mais simples, em conjuntos de 20, assim como o seu sistema matemático. Os astrônomos e os matemáticos finalmente concordaram com os 18 uinals, com cinco ―dias sem nomes‖ chamados de wayeb. O wayeb, ou uayeb, é considerado um ―mês‖ de cinco dias e é conhecido por ser uma época muito perigosa. Os maias acreditavam que os deuses descansavam durante esse período,

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deixando a Terra desprotegida. Os maias realizavam cerimônias e rituais durante o wayeb na esperança de que os deuses retornassem novamente. Mais detalhes, clique aqui. Enquanto esse calendário era mais longo do que o tzolk‘in, os maias queriam criar um outro que pudesse registrar ainda mais tempo. Por essa razão, os calendários tzolk‘in e Haab foram combinados para criar o ciclo de calendário. No ciclo de calendário, os 260 dias do calendário tzolk‘in são combinados com os 360 dias e os cinco dias sem nome do calendário haab. Os dois calendários são combinados do mesmo modo dos dias e números do tzolk‘in (lembre-se da ilustração das engrenagens da segunda página). Isso dá ao ciclo de calendário 18.890 dias únicos, um período de tempo de cerca de 52 anos. Nem o calendário tzolk‘in e nem o calendário haab contavam mais do que um ano. Os maias queriam registrar a história e decidiram criar um calendário que os daria um período maior do que um ano. Na época, o ciclo de calendário foi o mais longo da Mesoamérica. Os historiadores da época, entretanto, queriam registrar a história maia para as gerações futuras. Eles queriam um calendário que os levaria através de centenas ou até milhares de anos (o que nós descreveríamos como séculos e milênios). Entra o calendário de longa contagem. O calendário de longa contagem Infelizmente, o calendário de longa contagem não é tão simples como combinar dois calendários para se ter novas datas. É um pouco mais complicado e abstrato. A fim de entender a longa contagem, você primeiro precisa estar familiarizado com alguns termos:      um dia - kin 20 dias - uinal 360 dias - tun 7.200 dias - katun 144.000 dias - baktun

A duração do calendário de longa contagem é chamada de o grande ciclo, e tem aproximadamente 5.125,36 anos. Para encontrar a data do calendário de longa contagem correspondente a qualquer data gregoriana, você vai precisar contar os dias a partir do início do último grande ciclo. Mas, determinar quando o último ciclo começou e combiná-lo com uma data gregoriana é um desafio e tanto. O antropólogo inglês, Sir Eric Thompson se encarregou de determinar a data e ele pesquisou a Inquisição espanhola para auxiliá-lo. O resultado ficou conhecido como a Correlação Thompson. Os eventos da Inquisição foram registrados no calendário maia de longa contagem e no calendário gregoriano. Os estudiosos então reuniram datas que combinavam em ambos os calendários e as compararam com o Código Dresden, um dos quatro documentos maias que sobreviveram à Inquisição. Esse código confirmou a data há muito tempo tida por Thompson como sendo o início do grande ciclo atual - 13 de agosto de 3114 a.C.

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Agora que encontramos o início do grande ciclo, vamos colocar a longa contagem em prática. Nós iremos usar uma data que é familiar para muitas pessoas - 20 de julho de 1969, o dia em que a Apollo 11 pousou na Lua. No calendário de longa contagem, esta data é representada como 12.17.15.17.0. Você perceberá que existem cinco números nesta data. Lendo da esquerda para a direita, o primeiro lugar significa o número de baktuns desde o início do Grande Ciclo. Neste caso, existiram 12 baktuns, ou 1.728.000 dias (144.000 x 12) desde 13 de agosto de 3114. O segundo número está relacionado ao número de katuns que passaram. Então, ele continua à direita com o número de tuns, uinals e kins. Agora que já explicamos como funciona o calendário, iremos proceder agora à raiz de toda essa celeuma, que é o ano de 2012. O calendário de conta longa é apenas um entre os vários que os maias usavam. Assim como os nossos meses, anos e séculos, ele se estrutura em unidades de tempo cada vez maiores. Cada 20 dias formam um ―mês‖, ou uinal. Cada 18 uinals, 1 tun, ou ―ano‖, cada 20 tuns faziam um katun e assim sucessivamente. Enquanto o nosso sistema de contagem de séculos não leva a um fim, o calendário de conta longa maia dura cerca de 5.200 anos e se encerra na data 13.0.0.0.0, que para muitos estudiosos (infelizmente não há um consenso a respeito) corresponde ao nosso 21/12/2012 no calendário gregoriano. Isso não significa que eles esperassem pelo fim do mundo naquele dia. Ou seja, os povos ameríndios não tinham apenas uma concepção linear de tempo, que permitisse pensar num fim absoluto. E em nenhum lugar se diz que o ciclo que estamos vivendo seria o último. A maioria dos estudiosos acredita que, após chegar à data final, o calendário se reiniciaria. Assim como, para nós, o 31 de dezembro é sucedido pelo 1 de janeiro, para eles o dia 22/12/2012 corresponderia ao dia 0.0.0.0.1. A realidade é que a profecia maia é, do ponto de vista científico, apenas um mito. E mesmo se existisse uma profecia, porque uma cultura que fazia sacrifícios rituais humanos deveria ter qualquer credibilidade em afirmar o que aconteceria séculos depois com o planeta? Pior ainda, nem puderam prever o próprio fim..! Tudo começou com a divulgação das descobertas arqueológicas sobre a civilização maia, em que se desvendou a história de sua ascensão e queda, o desenvolvimento científico e tecnológico antes de sua queda pelas mãos dos espanhóis, a tradução dos escritos maias e depois divulgadas, um melhor conhecimento de sua cultura e religião.

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Porém, como sempre acontece com toda e qualquer descoberta científica de relevante interesse publico, há aquelas pessoas que vivem com a cabeça cheia de bobagens, teorias conspiratórias, escritores em busca de fama e reconhecimento, aproveitadores de má-fé, religiosos fanáticos, jovens mergulhados na besteira do New Age, pseudo-cientistas obscurantistas, alem de crédulos, o legado da civilização maia foi entendido de forma errada, o seu sentido original distorcido e interpretado de maneiras não cientificas, a fim de satisfazer o apetite do público leigo e ávido por novidades pseudocientíficas que os entretenham e possam ter um assunto fútil com quem conversar com os seus amigos e colegas. Um exemplo dessa bobagem, são as Sete Profecias Maias. Cliquem nesse link, mas advertimos que não passa de puro besteirol, o mesmo tipo de matéria que pode ser encontrado facilmente nas revistas Planeta da vida ou em jornais da imprensa marrom (que nem os tablóides ingleses, onde com freqüência noticiam aparições de OVNIs, ressurreições de Elvis Presley ou que Jesus foi visto em Jerusalém). E quais são as profecias previstas para 2012 ? Iremos dar uma olhada em um desses sites apocalípticos (há vários pela internet toda – basta digitar 2012, Apocalipse, Maias, Calendário Maia, etc - e você terá uma longa fila de links, tornando muito difícil encontrar um site confiável com fontes idôneas). Por exemplo, temos o site Porque 2012, que lista as seguintes profecias:        Inversão dos pólos da Terra Tormentas solares A passagem do planeta Hercolobus (ou vários outros planetas misteriosos) O apocalipse cristão e o retorno de Jesus Chegada de extraterrestres em discos voadores Mudanca de consciência da Humanidade O fim do sistema econômico

E por ai vai, com um desfile de inúmeras bobagens. Muito mais podem ser encontrados em sites religiosos, sobrenaturais, mistério, entretenimento fútil, etc. Vocês podem até mesmo encontrar inúmeros vídeos no You Tube (alegando que foram produzidos pela History Channel, Discovery, BBC, etc - para dar um ar de credibilidade e confiabilidade), ou vastas bibliotecas de livros sobre o assunto, cada qual abordando o ano de 2012 sob um aspecto diferente e misturando várias coisas (como civilizações antigas que ―previam‖ o fim no século XXI, o momento atual pelo que estamos passando na Terra, etc) e dar a sua interpretação, para os crédulos digerirem e depois defecarem por aí, contaminando a mente de outros crédulos (teoria do meme, lembram?) e espalhar-se cada vez mais, até chegar ao seu ponto culminante, que é o ano de 2012. Podem ter certeza de que, quanto mais próximos estivermos desse ano, maior sera a enxurrada de livros, artigos, filmes, vídeos, reportagens sensacionalistas, camisetas, canecas, kits de sobrevivência pós-2012, religiosos se escondendo em cavernas ou bunkers esperando Jesus voltar ―em glória‖, pregações apocalípticas, igrejas ficando cheias de pessoas com medo e se arrependendo de seus pecados, aproveitadores levando os bens das pessoas à espera do fim, etc Onde foi que já vimos esse filme antes ? A última vez em que isso aconteceu recentemente, foi o famoso Bug do Milênio. E como todos sabem, o mesmo drama que descrevemos acima, se repetiu, e adivinha só o que aconteceu?

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Isso mesmo… não aconteceu nada! No máximo uma meia dúzia de computadores deu pau, mas nada mais que isso. O mesmo acontecerá com 2012, o ano virá e passará, e o mundo irá continuar girando como sempre. A única coisa interessante é o filme ―2012″ que irá chegar ao cinema, e poderemos nos divertir um pouco, dar umas risadas e comer uma pipoca com a namorada. Só que ele vai estrear neste ano, e poderemos ter uma idéia antecipada das maluquices que pipocam na mente dos pobres crédulos. Mas não esperem uns fanáticos religiosos carregando tabuletas do lado de fora dos cinemas. Isso so existe na Igreja de Westboro (aquela mesma que vive pregando o ódio aos gays). Mas e a refutação? Na minha opinião, não vale a pena perder tempo refutando essas bobagens proféticas, pois basta pensar um pouco, pesquisar no Google, que poderemos encontrar diversos artigos explicando muito bem as coisas. Mas como sempre temos muitos leitores preguiçosos (e alguns até mesmo querendo saber mais sobre as profecias e acharam que nós, da Ceticismo, pudéssemos dar credibilidade e afirmar que o fim do mundo está mesmo chegando), nós iremos colocar uns resumos explicativos das profecias citadas acima. A inversão dos pólos Segundo um resumo fornecido pelo Observatório Nacional, não se conhece qualquer relação entre inversão dos pólos e eras glaciais (que mais tem a ver com o movimento dos oceanos). Há duas questões, aí. Falamos de inversão dos pólos magnéticos. Como se sabe, a terra possui um campo magnético e as linhas de fluxo deste campo seguem aproximadamente nossos pólos geográficos. Temos indícios que esses pólos se invertem (o norte vai para o sul e o sul para o norte, mas nada tem a ver com a rotação da terra). Não se sabe exatamente porque esses pólos se invertem. O modelo é que a terra possui um núcleo rico em metais ferromagnéticos (ferro inclusive). O alinhamento do campo magnético se dá, provavelmente, por influência do sol. Com esse modelo, os pólos não se inverteriam. Para saber mais precisamos de informações que estão próximas ao centro da terra e ainda não temos tecnologia para alcançá-lo (a não ser em Hollywood). Outra questão é o ―deslocamento‖ dos pólos geográficos. Regiões, hoje cobertas pelo gelo, como a Antártida, sabemos que já floresceram grandes florestas tropicais. Outras, hoje sob calor de torrar, já foram cobertas de gelo. Explicações para isso terminam no deslocamento do pólo, coisa que também não sabemos por que e como se dá. Observamos, atualmente, deslocamentos mais ou menos caóticos, de ordem de dezenas de metros, o que, tampouco sabemos explicar. Vale acrescentar que a revista Scientific American Brasil publicou em maio de 2005 um artigo sobre o assunto, Viagem ao Geodínamo, por Gary A. Glatzmaier e Peter Olson, onde relatam pesquisas sobre os mecanismos das inversões magnéticas. Além do artigo você pode ver em outro site, clicando AQUI. Para detalhes bem específicos, clique AQUI. No artigo de capa da edição de abril de 2004, os pesquisadores do INPE, Aracy Mendes da Costa e Odim Mendes Júnior, trataram da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, que também parece estar relacionada com o que você pesquisa. Tormentas solares

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Os ciclos do sol exercem influência nos ventos solares e conseqüentemente sobre a terra no que diz respeito a formação das Auroras Boreais e Tempestades Geomagnéticas (ver organograma). Nos períodos de menor atividade solar à formação de Auroras Boreais somente em regiões próximas dos pólos. Já nos períodos de maior atividade solar, além das auroras ocorrerem próximas dos pólos elas se estendem a regiões próximas ao equador, sendo que fisicamente elas são bem mais extensas e largas que as anteriores, que ocorrem nos períodos de baixa atividade solar. Alem disso, neste mesmo período, ocorre as chamadas Tempestades Geomagnéticas. Mais detalhes, clicando aqui. A aparente hiperatividade do Sol alimenta especulações sobre bombardeio radioativo. Mas a estrela está se comportando conforme o previsto. Muitos dos cenários para 2012 baseiam-se na idéia de que o Sol estaria passando por um período de atividade sem precedentes. Os defensores dessa tese ressaltam o fato de que, entre 28 de outubro e 4 de novembro de 2003, ocorreram algumas das maiores explosões solares já registradas. Em 20 de janeiro de 2005, a Terra registrou o maior bombardeio de partículas de alta energia oriundas do Sol. Como 2005 foi o ano do furacão Katrina, há quem vincule os fenômenos, sugerindo que o clima é governado por variações na atividade solar. Como a previsão dos astrofísicos é de que 2012 registre um ponto de alta atividade em nossa estrela, há quem acredite que a soma de tudo isso seja uma catástrofe. As variações na atividade solar são causadas por mudanças na configuração do campo magnético que ocorrem a cada 11 anos. Para Adriana Silva Valio, pesquisadora do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie, basta dar uma olhada nos dados dos últimos oito anos para ver que o Sol tem se comportado normalmente. De lá para cá, a atividade reduziuse, e a tendência é que, nos próximos anos, volte a se intensificar, alcançando patamares elevados em 2012. Tudo isso está dentro do esperado. O decréscimo da atividade aconteceu mesmo com as superexplosões de 2003. ―O fato é que a tecnologia para acompanharmos o fenômeno é muito recente. Talvez eventos semelhantes tenham acontecido no passado‖, afirma Adriana. Ela também diz que o ciclo solar de 11 anos, por si só, não parece ser capaz de afetar significativamente o clima da Terra. ―No ponto de maior atividade, a quantidade de energia solar recebida pela Terra cresce apenas 0,1%.‖ Porém, ela diz que fatores desconhecidos e ligados ao Sol parecem sim afetar o clima na Terra. ―No século 18, o Sol não apresentou manchas por sete décadas. O mundo ficou mais frio, e os canais de Veneza congelaram. Mas parece que para que mudanças assim ocorram levam décadas ou mesmo séculos‖, diz. Veja mais sobre o assunto, clicando AQUI.

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O apocalipse cristão e o retorno de Jesus

Isso já descrevemos em nosso site sobre o ―retorno‖ de Jesus, como vocês podem conferir clicando AQUI. Não vamos perder nosso tempo reescrevendo tudo, quando já podem consultar nosso próprio acervo de artigos. Mas porque os religiosos que são crédulos, insistem em misturar as coisas ? Nós acabamos de falar como funciona o calendário maia (que, como já vimos, não tem nada de mais, apenas mais um sistema de contagem do tempo - e observem, muito mais preciso que o calendário gregoriano) e de sua importância para a cultura do povo maia (que infelizmente foi extinta pelos espanhóis - lembrem que em relatos históricos, foi citado de que os espanhóis batizavam as crianças indígenas e depois rebentavam-lhes as cabeças com a coronha de suas espingardas para que pudessem ir ao céu). Podemos dizer que tal coisa é ridícula, é a mesma coisa que uma cultura paleolítica inventar um sinal, um marco, ou qualquer coisa que indique que o mundo vai acabar em 2050, e la vem um grupo dizer que isso é um sinal de que Jesus está voltando, que tudo isso confirma as profecias nas Escrituras, e que todos vamos penar no inferno. A isso damos o nome de sincretismo. Sabem o que e isso, não ? De acordo com a nossa querida Wikipedia, esta é a explicação: Sincretismo (originalmente ―coalização dos cretenses‖) é uma fusão de doutrinas de diversas origens, seja na esfera das crenças religiosas, seja nas filosóficas. Na história das religiões, o sincretismo é uma fusão de concepções religiosas diferentes ou a influência exercida por uma religião nas práticas de uma outra. Resumindo, para quem é um religioso de verdade (se e que existe algum…), o mesmo diria que é uma blasfêmia misturar crenças pagãs com a crença ortodoxa de sua religião, que esse tipo de coisa é uma heresia, punível com morte, sofrimento eterno no inferno, ou qualquer linda ameaça (e não é novidade, não…). E nos ainda veremos muito dessas coisas, muitas vezes. Logo, qualquer alegação dos religiosos de que o fim do mundo está próximo, baseando-se em antigas profecias de culturas não-ocidentais, não passa de puro beiteirol. Sim, isso mesmo.

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Besteira. Da próxima vez que você escutar uma coisa dessas, mande educadamente o seu amigo ir à merda estudar e se informar melhor. O resto das profecias Quanto ao restante das profecias, que tratam da passagem do planeta Hercólobus, uma visita não muito amistosa de alienígenas, uma mudança de consciência na Humanidade ou até mesmo o fim do sistema econômico mundial… Eu realmente preciso refutar essa bobagem, preciso? Fala sério, vai! Em termos das previsões ―acertadas‖, lembremo-nos que as previsões são sempre bastante vagas e muitas interpretações cabem lá dentro; cabendo sempre as interpretações que nós queremos dar… após os acontecimentos! Por outro lado, a estatística explica bastante bem as previsões que até possam ter sido específicas e acertaram. Todos os dias no mundo há imensas previsões feitas e estatisticamente falando algumas têm que ser acertadas! Dar relevância às que pensamos ser certas, não percebendo que existem muitas mais que são erradas é um erro muito comum em estatística. Em termos históricos, basta lermos alguns livros para percebemos que em todas as eras existiram pessoas a prever que o fim estava perto. Sempre foi assim e sempre será, porque isso é que fará do nosso tempo o mais importante para viver. É uma mentalidade temporalcêntrica. E é bom relembrar que todas essas pessoas, sem exceção, estavam enganadas. Se quiserem ler mais algumas refutações, vejam AQUI e AQUI. Enfim, você não precisará entrar para nenhuma igreja ou religião e muito menos gastará seu dinheiro com charlatões ansiosos para lhe explorar ou perder seu tempo ouvindo os ―sábios e gurus‖ com receitas tiradas de umas porcarias quaisquer de livros de autoajuda encontrados em um sebo obscuro por 1 real. Não passam de bobagem, podem ter certeza disso. Assim decretaram os deuses do ceticismo: O fim de mundo previsto para 2012 é uma besteira ! Mas se você acreditar nessas coisas, nós teremos o maior prazer em lhe vender um kit-sobrevivência !

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O Milagre de Lanciano Desmascarado Assim disse o Senhor: Não tentarás o teu Deus. Mas como aqui não acreditamos nessa baboseira e não temos medo de sermos desafiados, aqui está mais um deleite para vocês. Fomos desafiados por email a fazer um artigo sobre a palhaçada conhecida como Milagre de Lanciano. Caso contrário, ―se este fato fosse comprovadamente verdade, a ciência teria de assumir a veracidade e a seriedade da Igreja Católica, bem como um de seus dogmas mais peculiares, a Eucaristia.‖ Isso aquece me sangue e faz meus caninos crescerem de satisfação, ainda mais que o próprio e-mail traz a refutação ―(…) basta procurar na internet, existem dezenas de sites católicos que relatam este ocorrido‖. Imagino que sim, eles até ―provam‖ que os judeus libertavam prisioneiros na Pessach, mesmo sem apresentar prova alguma. Senhoras e senhores, este é mais um artigo da série: Grandes Mentiras Religiosas – O (pseudo)Milagre de Lanciano. Tudo começa em Lanciano, claro, na Itália. Lá, no mosteiro de São Legoziano viviam os ―monges de São Basílio‖. Durante uma missa, o pão que ia ser consagrado (não havia a hóstia, como conhecemos hoje), no momento do ato da consagração, converteu-se em carne e o vinho em sangue, conforme diz o mito. Imagino o auê que não foi. Milagro di Dio! Ah, sim… esqueci de dizer que isso aconteceu pelos idos do século VIII da Era Comum, uma época de luzes e com um grande avanço científico, não é mesmo? O pão-que-virou-carne apresentava, como ainda hoje se pode observar, uma coloração ligeiramente escura, tornado-se rósea se iluminada pelo lado oposto, e tinha uma aparência fibrosa; o Sangue era de cor terrosa (entre amarelo e o ocre), coagulado em cinco fragmentos de formas e tamanhos diferentes. Inicialmente essas relíquias foram conservadas num tabernáculo de marfim e, a partir de 1713, até hoje, passaram a ser guardadas numa custódia de prata, e o Sangue, num cálice de cristal. Isso é o que se sabe do ocorrido. Só isso, nada mais. No entanto, desde longa data a Igreja Católica sempre precisou de relíquias, de algo físico e palpável que pudesse ser mostrado à população, de modo que acreditassem no deus deles. Mais tarde, eles fariam de outra forma: a ferro e a fogo, através do poder da infame Inquisição. O tempo passa, o tempo voa, e as pessoas sensatas se recusam a acreditar em qualquer bobagem só porque lhes disseram que era verdade. E aqui começa a verdadeira mentira. A mentira que a Ciência provou ser verdade o acontecido em Lanciano. O texto publicado pelo Zenit em Português segue abaixo, para depois fazermos considerações. ROMA, quinta-feira, 5 de maio de 2005 (ZENIT.org).- O doutor Edoardo Linoli afirma a Zenit que sustentou em suas mãos um verdadeiro tecido cardíaco quando analisou anos atrás as relíquias do milagre eucarístico de Lanciano (Itália), o mais antigo dos conhecidos. O fenômeno se remonta ao século VIII. Em Lanciano, na igreja dedicada a São Legonciano, um monge basiliano que celebrava a missa em rito latino, após a consagração, começou a duvidar da presença real de Cristo sob as sagradas espécies.

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Nesse momento, o sacerdote viu como a sagrada hóstia se transformava em carne humana e o vinho em sangue, que posteriormente se coagulou. Na catedral estão custodiadas estas relíquias. Professor de Anatomia e Histologia Patológica, de Química e Microscopia Clínica, e ex-chefe do Laboratório de Anatomia Patológica no Hospital de Arezzo, o doutor Linoli foi o único que analisou as relíquias do milagre de Lanciano. Seus resultados suscitaram um grande interesse no mundo científico. Em novembro de 1970, por iniciativa do arcebispo de Lanciano, Dom Pacífico Perantoni, e do ministro provincial dos Conventuais de Abruzzo, contando com a autorização de Roma, os Franciscanos de Lanciano decidiram submeter a exame científico as relíquias. Encomendou-se a tarefa ao professor Linoli, ajudado pelo professor Ruggero Bertelli –da Universidade de Siena–. Com a maior atenção, o professor Linoli extraiu partes das relíquias e submeteu a análise os restos de «carne e sangue milagrosos». Em 4 de março de 1971 apresentou os resultados. Evidenciam que a carne e o sangue eram com segurança de natureza humana. A carne era inequivocamente tecido cardíaco, e o sangue era verdadeiro e pertencia ao grupo AB. Consultado por Zenit, o professor Linoli explicou que, «pelo que diz respeito à carne, encontrei-me na mão com o endocárdio. Portanto não há dúvida alguma de que se trata de tecido cardíaco». Quanto ao sangue, o cientista sublinhou que «o grupo sanguíneo é o mesmo do homem do Santo Sudário de Turim, e é particular porque tem as características de um homem que nasceu e viveu nas zonas do Oriente Médio». «O grupo sanguíneo AB dos habitantes do lugar de fato tem uma porcentagem que vai de 0,5 a 1%, enquanto que na Palestina e nas regiões do Oriente Médio é de 14-15%», apontou. A análise do professor Linoli revelou também que não havia na relíquia substâncias conservantes e que o sangue não podia ter sido extraído de um cadáver, porque se haveria alterado rapidamente. O informe do professor Linoli foi publicado em «Quaderni Sclavo di diagnostica clinica e di laboratório» (1971, fasc 3, Grafiche Meini, Siena). Em 1973, o conselho superior da Organização Mundial da Saúde (OMS) nomeou uma comissão científica para verificar as conclusões do médico italiano. Os trabalhos se prolongaram 15 meses com um total de quinhentos exames. As conclusões de todas as investigações confirmaram o que havia sido declarado e publicado na Itália. O extrato dos trabalhos científicos da comissão médica da OMS foi publicado em dezembro de 1976 em Nova York e em Genebra, confirmando a impossibilidade da ciência de dar uma explicação a este fenômeno. O professor Linoli participa esta quinta-feira no Congresso sobre os milagres eucarísticos organizado pelo Master em Ciência e Fé do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (Roma), em colaboração com o Instituto São Clemente I Papa e Mártir, com ocasião do Ano Eucarístico que a Igreja universal celebra até outubro.

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«Os milagres eucarísticos são fenômenos extraordinários de diferente tipo», explicou o diretor do Congresso, o padre Rafael Pascual LC, em «Rádio Vaticano»: «por exemplo, há a transformação das espécies do pão e do vinho em carne e sangue, a preservação milagrosa das Hóstias consagradas, ou algumas hóstias que vertem sangue». «Na Itália, há vários lugares onde ocorreram estes milagres eucarísticos –declarou–, mas também os encontramos na França, Alemanha, Holanda, Espanha» e alguns «na América do Norte». Leram tudo? Ótimo! Vamos à refutação, para depois vocês perguntarem: ―Como não percebi isso antes?‖ O texto diz que foi encomendado ao Professor Edoardo (o nome na verdade é Oduardo) Linoli que pesquisasse a autenticidade em 1970. Que maravilha! Depois de 39 anos, ninguém mais testou o sangue? Hummm… Por quê? Mas isso não é tão importante. O importante é saber, segundo o texto, Linoli foi ajudado pelo professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena. Já temos o primeiro erro! Ruggero Bertelli JAMAIS poderia dar qualquer ajuda na análise. Uai! Por que não? Porque Bertelli não é químico, biólogo, patologista ou médico do SUS. Bertelli é ECONOMISTA! Duvidam? Que ótimo, vocês têm mais que duvidar, mesmo. Não se pode aceitar nada sem provas. E a prova está AQUI. Ainda não acreditam? Tudo bem, que tal uma publicação indexada do próprio Dr. Bertelli? Quantos Ruggero Bertelli lecionam na Universidade de Siena, hein? Por que o crente mente? Por que mente o crente? O texto, copiado na cara de pau por tudo que é site católico, na íntegra, diz que em 4 de março de 1971 apresentou os resultados. Mas, que resultados? Não vi uma publicação indexada atestando isso. Encontro referências, mas não O artigo. Não foi publicado na Science, Nature etc. Dando uma olhada na Wikipédia em inglês, quase todas as assertativas vêm com a observação Citation needed, indicando que não há fonte que sustente. Interessante, não? Olhando as imagens dos supostos laudos, o que vemos são folhas impressas sem nem um timbre sequer. Nada que uma criança não possa fazer no MS-Word ou qualquer processador de texto. So, what? O texto menciona que sim, aquilo é carne. Tá, vamos dar um pequeno crédito de confiança. O que isso prova? Que ali tem um pedaço de carne E SÓ! Não prova que um pedaço de pão virou carne e vinho virou sangue. Sobre a ocorrência do dito ―milagre‖ ser um pedaço de carne que se liquefaz e volta a se solidificar, realmente trata-se de um milagre… Um milagre chamado Química! O blog De Rerum Natura trouxe um apanhado muito bom, explicando sobre os chamados ―milagres de sangue‖, e que podem facilmente ser simulados com solução coloidal de óxido de ferro (III) hidratado. Recomendo a leitura. A cereja do bolo é a parte onde o texto diz: ―Em 1973, o conselho superior da Organização Mundial da Saúde (OMS) nomeou uma comissão científica para verificar as conclusões do médico italiano. Os trabalhos se prolongaram 15 meses com um total de quinhentos exames. As conclusões de todas as investigações confirmaram o que havia sido declarado e publicado na Itália.‖ Sabem qual é o nome disso? CANALHICE! Da mesma forma que alegaram que a NASA confirmou o dia perdido por causa da batalha de Josué, arrolaram a OMS com uma história envolvendo um conselho que NON EKZISTE! Fazendo uma busca por esse nome, ou sua alternativa em inglês (Higher Council of the World Health Organization), encontramos isso

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AQUI… É, pois é. Não encontrou-se NADA! Simplesmente, não existe este conselho superior sei lá das quantas. Mentira da grossa! Sempre a Igreja dependeu dessas lorotas para se mostrar presente. Para um povo tosco e ignorante da Idade Média, é até explicável isso.; O que não é explicável é como no século XXI as pessoas ainda acreditam nestas baboseiras que circulam pela internet, num cópia/cola ad aeternum. Não faz mal, estamos aqui para desvendar estes mitos e expô-los ao que realmente são: mitos.

A Escadaria de Loretto Desmascarada Era uma vez um povoado localizado em Santa Fé, no Novo México. Lá, uma coisa milagrosa aconteceu! Ao concluir a construção de uma capela, em 1878, as irmãs perceberam que não havia como chegar ao coro, o pavimento superior. Elas passaram nove dias numa novena para São José, o carpinteiro cujo filho foi parar num pedaço de pau. No entanto, como em toda história sobrenatural, algo misterioso acontece: Um desconhecido bateu à porta da capela no último dia. Disse que era carpinteiro e que poderia dar conta da tarefa (sendo que ninguém sabia sobre isso). Ele construiu, sem ajuda de ninguém, a escada que é considerada um prodígio de carpintaria: ninguém sabe como ela ficou de pé. O homem exigiu que teria que ficar sozinho na capela, e as irmãs aceitam sem questionar. Então, ele começa a construir. Com o quê? Nada! Ele só tinha suas ferramentas. Depois de um tempo, as irmãs foram averiguar e – OH! – havia uma belíssima escada em hélice. Mas havia algo de errado! A começar pelo homem que sumira, desvanecera! Depois, viram que a escada não tinha pregos nem cola, além de não possuir nenhuma forma de sustentação, sem eixo central nem nada. A escada estava de pé por milagre! MILAGRE!!! Quem poderia ser o homem que construiu aquela maravilha? Só mesmo um carpinteiro muito especial poderia fazer aquilo: SÃO JOSÉ! Sim, o pai adotivo de Jesus esteve na pequena e humilde capela e proveu-a de um belíssimo milagre, mostrando o poder e supremacia do Senhor! Aleluia!

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Fico tão… tão… tão… Estupefato com a tola crendice humana, espalhando este monte de besteiras que vocês não fazem idéia. A escadaria de Loretto realmente existe, mas não existe milagre nenhum. Aquilo é mais uma fraude religiosa, afim de ganhar seguidores, peregrinos e casaizinhos apaixonados que querem se casar na capela (pagando, é claro), posando que nem dois bonecos de vitrine na frente da escadaria, para depois de um ano se divorciarem, por descobrirem que um dos cônjuges (ou ambos) andou pulando a cerca. É muito interessante a mente humana, onde vemos coisas que não estão lá, ou mesmo não enxergando coisas que estão num determinado local. Vamos dar uma boa olhada na escadaria de Loretto na imagem à direita. Conseguiram observar bem? Olhem de novo, pois HÁ SIM um eixo de sustentação, mas não da forma como as pessoas imaginariam ver: um pilar. Vejam estas duas imagens abaixo (cliquem para ampliar).

Conseguem ver agora? Um dos lados da escada está quase apoiado na parede. Não chega a tocar, mas não faz diferença, pois há uma haste de ferro que sai da escada e é fincada na parede. De outro lado, uma haste maior é soldada na pilastra. Querem mais sustentação do que isso? Ok. O interior da espiral possui um raio pequeno, e isso confere resistência, funcionando como um eixo quase sólido. Só que mesmo assim, não é muito seguro subir nela. O formato do tipo ―hélice‖ é similar a uma mola estendida, e não é de admirar que as pessoas que subiram lá tenham sentido uma vibração vertical, quando a escada se comprime um pouco; mas mesmo assim, a força aplicada era direcionada às hastes.

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Ainda deve-se levar em conta os materiais, pois não é porque é feito de madeira que é necessariamente muito frágil. Algumas madeiras conseguem suportar uma boa quantidade de carga sobre ela, como o freixo, por exemplo; sem levar em conta que usando a madeira sob a forma de pranchas aumenta a resistência da peça. Obviamente, todo e qualquer material tem seus pontos fortes e fracos. Assim, visando manter a integridade estrutural da escada, diminuindo qualquer possibilidade de risco, fecharam o acesso ao patamar superior desde a década de 1970. Tirar foto na base da escada é permitido, mas só isso. Assim, até escada de papel fica em pé. Sobre o carpinteiro misterioso, é de bom grado que se tenha cautela ao afirmar que foi o Santo Carpinteiro Corno. Não é porque não sabiam o nome que ele tinha que ser São José. No entanto, uma mulher chamada Tamar Stieber escreveu um artigo para uma revista do Novo México, em janeiro de 2000, que revelou a verdadeira identidade do carpinteiro. Acredita-se que Jean-Francois ―Frenchy‖ Rochas, um trabalhador especialista em madeira, foi quem construiu a dita escada milagrosa. O crédito para a descoberta vai para um historiador amador chamado Jean Mary Cook, que foi capaz de desbancar a lenda depois de encontrar o obituário de Rochas; e aqui há um certo ponto pitoresco, já que o Rochas construiu uma escada de madeira. Em escada do Rocha, degrau de pau. (tá, foi horrível, mas agora vai ficar aí). A escada é fantástica, realmente. Muito bonita até, do ponto de vista estrutural. No entanto, devemos separar beleza de misticismo. Não é necessário que acreditemos que ela é milagrosa a fim de admirarmos sua beleza. O homem desde cedo foi hábil com materiais, construindo as grande pirâmides e até um gigantesco aqueduto, onde as pedras não são coladas ou cimentadas, mas simplesmente justapostas, mesmo nos arcos, que distribuem tranquilamente as forças atuantes, no mesmo princípio físico que atua sobre a fabulosa escada de loretto, um primor artístico, mas sem nada de sobrenatural nela. Católicos acham que esse conto da carochinha é muito lindinho, mas encerra uma tolice incrível! Com tantos problemas no mundo, pessoas passando fome, privação, sem lar, abrigo ou uma gruta pra passar a noite, dizer que o Santo carpinteiro Corno preferiu ignorar as súplicas de católicos devotos, para construir uma escadinha para apenas dizer: Eu sou o servo do SENHOR! Posso resolver muitos de seus problemas, mas pouco me importo com eles ou com você e sua existência medíocre. Prefiro fazer uma escada, para um bando de freiras ficarem me bajulando, pois tive uma infância difícil, minha mulher me corneou e meu filho é pirado,me causando grande desgosto. Quero que vocês, Zé Povinho, se lasquem. No máximo mostrarei que eu posso sim fazer milagres, mas não farei nada, pois sou egoísta e só penso nas missas em minha homenagem que eu ganharei por ter atendido um monte de freira chata a interceder perante o seu deus, para que ele dê algum benefício a vocês, formiguinhas tolas e insignificantes. O mito de Loretto, tal qual o mito de Lanciano é lindo se lermos or alto e corrermos pra primeira igreja. Mas um exame acurado mostra que não passa de uma fraude ridícula, com intenções torpes, como o de trazer turistas até a distinta capela. O tempo que as irmãs gastaram pedindo a São Zézinho que construísse a escada, poderiam ter feito a seguinte reza: Senhor Deus-Pai, Todo-Poderoso. Infinitos são os seus poderes e misericórdia. Concedei a nós, pecadores, uma vida plena de felicidade, eliminando para sempre o mal dom mundo, acabando com as mortes, desavenças, guerras, fome e peste. Nós te ikmploramos em nome de Jesus Cristo, Deus-Filho, que nos ensinou que tudo que vo-lo pedíssemos, vossa divina presença concederia sem hesitar. Atendei-nos, ó Senhor, Amém!

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Nunca vi um cristão rezar assim, ou algo parecido. Eles sabem que não vai acontecer nada, inutilizando o escrito bíblico, demonstrando a grande mentira que é. Mentira similar como dizer que uma escada apareceu no meio do nada, quando há milhões de pessoas famintas no mundo. Mas pessoas famintas não possuem dinheiro pra dar, nem fazer peregrinações, à guiza de pólo turístico.

Um outro estudo bem escrito, que serviu de referência para este artigo, foi escrito por Joe Nickell, do Committee for Skeptical Inquiry.

A “Riqueza” das Nações Protestantes Nós estamos trazendo um assunto que nos interessa a todos, ou seja, a alegação dos religiosos que as nações protestantes estão no topo do mundo, em matéria de desenvolvimento econômico e social, e ficam espalhando isso em vários fóruns pela internet, no Orkut, correntes de email etc. Vejamos o texto original, que encontramos em uma dessas comunidades crentes: Por que as nações protestantes são referência mundial? INGLATERRA - 59% da população é protestante. NOVA ZELÂNDIA - 41% é protestante. SUÍÇA - 40% da população é protestante. ESTADOS UNIDOS - 57% da população é protestante. SUÉCIA - 87% da população é protestante. NORUEGA - 88% da população é protestante. ALEMANHA - 43% da população é protestante.

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AUSTRÁLIA - 44% da população é protestante. DINAMARCA - 89% da população é protestante. FINLÂNDIA - 85% da população é protestante. ISLÂNDIA - 94% da população é protestante. Será que o Brasil teria Jeito se o padroeiro da nossa nação fosse o próprio Jesus e não Maria? ―Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança.‖ Salmos 33.12 Muito bem, já vimos a lista aqui e a alegação dos crentes de que somente os países protestantes podem chegar ao topo do mundo. Vamos começar definindo o que é o protestantismo, para deixar as coisas bem claras. De acordo com a definição da Wikipédia, vemos que: Protestantismo é a denominação do conjunto de igrejas cristãs e doutrinas que se identificam com as teologias desenvolvidas no século XVI na Europa Ocidental, na tentativa de Reforma da Igreja Cristã Ocidental (Católica), por parte de um importante grupo de teólogos e clérigos, entre os que se destacam o monge agostiniano Martinho Lutero, de quem as igrejas luteranas tomam seu nome. Porém, a maior parte dos cristãos europeus (especialmente na Europa meridional) não concordavam com as tentativas de reforma, o que produziu uma separação entre as emergentes igrejas reformadas e uma reformulada Igreja Católica Apostólica Romana, que reafirmou explicitamente todas aquelas doutrinas rechaçadas pelo protestantismo (Concílio de Trento). Perceberam? O protestantismo é um conjunto de igrejas cristãs e doutrinas desenvolvidas na Europa Ocidental do século XVI. Na época da Reforma, originaram-se o Luteranismo, o Calvinismo (com as suas subdivisões Igrejas Reformadas, Presbiterianismo e Congregacionalismo, o Anglicanismo e o Anabatismo. Depois se desenvolveram posteriormente os Batistas, o Metodismo e o Adventismo. E nos dias atuais, surgiu o Pentecostalismo, que se ramifica em Pentecostalismo tradicional, o Deuteropentecostalismo e o Neopentecostalismo. Até ai, já temos uma bela salada de frutas com o protestantismo se dividindo em várias seitas e sub-seitas. O protestantismo não é uma religião no sentido figurado, e sim uma sub-religião que se originou do ramo principal, o Cristianismo. Para mais detalhes, cliquem aqui. E quantas denominações protestantes existem no mundo hoje em dia? De acordo com um estudo realizado por Tom Smith em 1987, existem centenas de denominações protestantes pelo mundo, a maioria delas desconhecidas e ignoradas solenemente pelo resto do mundo, por agruparem pequeno número de fiéis Outras definições sobre o tema podem ser encontrados clicando aqui. Para fins estatísticos, contam-se apenas as maiores denominações protestantes (no qual dentro dessas, agrupam-se outras sub-divisões), no qual podemos conferir no site da Adherents, e podemos conferir lá, que os protestantes possuem apenas 395 milhões de fieis (de acordo com os dados da Enciclopédia Britânica de 1995).

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E o que isso significa para nós ? Significa que, em termos numéricos, eles são inferiores em número de fiéis, comparados com os islâmicos, ateus, agnósticos, seculares, não-religiosos, hindus, budistas e religiões tradicionais chinesas! E isso considerando-se que a população atual do planeta é de 6,67 bilhões de pessoas (dados da ONU, 2007), que podem ser conferidos aqui. Ou seja, a participação dos protestantes na população mundial mal passa de 5,92 % !! Isso mesmo, apenas quase 6% da população mundial, ou em termos mais precisos, apenas 6 em cada 100 pessoas no planeta. Enfim, já esclarecemos aqui o significado do termo protestantismo, as suas ramificações, as subdivisões, origem, história e desenvolvimento. Agora, vamos ao termo seguinte: riqueza. O que é a riqueza? A riqueza medida pelo PIB? Qualidade de vida oferecida à população residente de uma nação? Escolaridade? Poder de compra? Influência sócio-econômica? Crescimento do PIB Renda per capita? São várias as definições de riqueza existentes no mundo de hoje. Porventura, iremos adotar dois sistemas diferentes de classificação que são muito comuns hoje em dia, e são calculados todos os anos, usando-se vários critérios estatísticos. O primeiro critério é o tamanho do PIB (Produto Interno Bruto) da nação, que não mostra a renda per capita da população, indicadores sócio-econômicos, escolaridade, etc., mas sim a quantidade total de bens, produtos e serviços produzidos pela nação no período de um ano, e isso é amplamente divulgado todos os anos pela OCDE, FMI, BIRD, Banco Mundial, ONU, etc E o segundo critério, é o Índice de Desenvolvimento Humano, desenvolvido pela ONU. Iremos transcrever aqui o significado desse indicador, que hoje em dia possui grande importância para medir a qualidade de vida nas nações do planeta: O conceito de Desenvolvimento Humano é a base do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), publicado anualmente, e também do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ele parte do pressuposto de que para aferir o avanço de uma população não se deve considerar apenas a dimensão econômica, mas também outras características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade da vida humana. Esse enfoque é apresentado desde 1990 nos RDHs, que propõem uma agenda sobre temas relevantes ligados ao desenvolvimento humano e reúnem tabelas estatísticas e informações sobre o assunto. A cargo do PNUD, o relatório foi idealizado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq (1934-1998). Atualmente, é publicado em dezenas de idiomas e em mais de cem países. O objetivo da elaboração do Índice de Desenvolvimento Humano é oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano. Não abrange todos os aspectos de desenvolvimento e não é uma representação da ―felicidade‖ das pessoas, nem indica ―o melhor lugar no mundo para se viver‖.

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Além de computar o PIB per capita, depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país, o IDH também leva em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. Para aferir a longevidade, o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. O item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. A renda é mensurada pelo PIB per capita, em dólar PPC (paridade do poder de compra, que elimina as diferenças de custo de vida entre os países). Essas três dimensões têm a mesma importância no índice, que varia de zero a um. Apesar de ter sido publicado pela primeira vez em 1990, o índice foi recalculado para os anos anteriores, a partir de 1975. Aos poucos, o IDH tornou-se referência mundial. Muito bem, agora já temos uma definição mais clara sobre o que significa a riqueza das nações (por favor não confundam com a obra de Adam Smith, que é outra coisa absolutamente diferente). Mas e as alegações da chamada ―ética protestante‖? Aquela desenvolvida por Max Weber? A posição de Max Weber consiste em afirmar que para o calvinismo a riqueza é uma bemaventurança e um sinal de predestinação. Essa crença teria levado os calvinistas a procurarem o sucesso comercial e influenciado a gênese do capitalismo. Embora seja uma posição tremendamente simplista, há algo de verdadeiro nisso. Ainda que se admitisse ser essa tese totalmente verdadeira, ela mostra apenas como para o calvinista a caridade é inútil, pois os pobres, além da miséria desta vida, já são predestinados ao inferno. Isso está bem de acordo com a mentalidade capitalista bruta, de só valorizar o lucro comercial. E quanto ao resultado histórico desse processo, o argumento é grosseiramente falso: o Brasil no período colonial era muito mais rico que os EUA. A França era a nação mais rica do mundo. Os países de forte influência colonial católica são todos hoje, senão ricos, pelo menos culturalmente avançados (Brasil, Argentina, México, Filipinas, etc.) enquanto muitos países de colonização protestante continuam na semi-barbárie (Nigéria, Botswana, Ruanda, etc.). Tomese como exemplo a comparação entre o Equador e a Guiana Holandesa. Em alguns dos países protestantes que se tornaram ricos, é preciso não desconsiderar um fato importante: a grande riqueza desses países pode ser explicada também pelo fato de que os grandes banqueiros do mundo nos séculos XVI e XVII eram judeus, e seus bancos se situavam em Londres e Amsterdam. Nesses casos, a riqueza dos protestantes não é propriamente protestante, e sim judaica. De qualquer forma, ainda que se admitisse que o argumento da protestante fosse verdadeiro, o que ele provaria? Que o protestantismo é uma forma melhor de produzir dinheiro que o Catolicismo. Sei que poderíamos escrever muito mais sobre o assunto, mas optamos por não nos prolongarmos demais, sob risco de acabarmos escrevendo um tratado extenso, para não cansar os nossos leitores. Fiquemos em explicações mais simples, mas nada impede aos mias ávidos por conhecimento, procurem as fontes bibliográficas adequadas para estudar os tratados de economia e desenvolvimento das nações durante os séculos XVI ao XX. Finalmente, passemos à refutação!

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Começaremos expondo as verdadeiras estatísticas da composição dos protestantes nas populações dos paises citados pelos crentes, utilizando a base de dados do CIA World Fact Book. Também usaremos outros bancos de dados demográficos que estiverem ao nosso alcance. Inglaterra - 71,6% pertencem ao Cristianismo (dividido entre Anglicanos, Romanos Apostólicos, Presbiterianos e Metodistas). Estatísticas mais apuradas podem ser encontradas clicando-se aqui e aqui. Uma olhada nas estatísticas do Reino Unido dizem que os protestantes na verdade estão apenas entre 6% a 15% da população britânica. Mais detalhes sobre os valores atuais da sociedade européia podem ser obtidos clicando-se aqui. Nova Zelândia - Apenas 1,7% da população é protestante Suíça - Apenas 35,3% são protestantes Estados Unidos - 51,3% são protestantes. O caso dos EUA é bem particular, pois os EUA foram fundados por cima da Constituição de 1776, elaborada pelos Pais Fundadores, que previa a separação entre o Estado e a Igreja, o que permitiu ao pais progredir velozmente nos séculos que viriam a seguir, com a expansão de sua economia, sociedade, poder militar. Os EUA só emergiram como potencia após a Primeira Guerra Mundial, mas ainda não tinham o status de potência político-militar, que só foi adquirido após o final da Segunda Guerra Mundial. Não vamos nos esquecer das desgraças que a Era Bush trouxe ao mundo, que contribuíram e muito para o declínio dos EUA como a única superpotência mundial, surgindo a partir daí um mundo multipolar (com vários centros de poder emergentes, como a China, Rússia, União Européia, Japão, Índia, Brasil), o retrocesso da educação americana (com a emergência do criacionismo e os péssimos resultados dos alunos em avaliações internacionais do OCDE), a rejeição americana em assinar vários tratados internacionais (o mais famoso deles, o Protocolo de Kioto), a política unilateralista (guerras em duas frentes, sem o apoio da ONU e do mundo), e entre várias coisas ruins que desagradaram o planeta, podemos citar a ultima grande pisada na bola da Era Bush: a grande crise econômica que levou o mundo à recessão. Leia mais sobre o assunto na obra de Fareed Zakaria, em ―O Mundo Pós Americano‖. Também não podemos esquecer muitas das coisas ruins que os americanos fizeram, tais como a segregação racial, a guerra civil americana (a primeira guerra moderna), o uso de armas nucleares contra o Japão, as várias guerras que promoveu pelo planeta (começando com a guerra Hispano-Americana, e depois indo pelas do Vietnã, Coréias, Nicarágua, Iraque, Afeganistão, etc), o fato de que são o pais que menos contribui com a ajuda externa ao mundo (comparando-se em termos de PIB, estão muito atrás de todos os países desenvolvidos), são o país que mais polui o planeta, são o país que mais se recusou a assinar tratados internacionais (que poderiam melhorar e muito a situação do planeta), etc.. Mas é claro que eles tem feito boas coisas pelo mundo, porem nos últimos 8 anos, tem sido terríveis, graças ao Bush, que é um evangélico renascido… Suécia - 87% são luteranos, porém isso não significa nada, pois a taxa vem declinando todos os anos e atualmente situa-se nos 76%. Uma razão para o elevado número de suecos associados ao luteranismo reside-se no fato de que as crianças nascidas são automaticamente computadas como membros da Igreja da Suécia. E dados recentes, divulgados pela mesma igreja, revelam que menos de 4% da população freqüentam a igreja uma vez por semana, e menos de 2% são membros assíduos. E levem em conta que a população da Suécia é de apenas 9 milhões de pessoas, e foram divulgados em várias pesquisas demográficas que as

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taxas de ateísmo na população sueca vem subindo a cada ano, e atualmente situam-se no patamar de 17%. Mais informações podem ser encontradas clicando aqui. Noruega - Apenas 1% da população é protestante. Vejam mais sobre isso aqui. Alemanha - Na verdade, são apenas 34% da população alemã, e os índices de ateísmo são bem altos entre a população alemã, chegando a ser quase metade (41 a 19%). Na região da ex-Alemanha Oriental chega aos impressionantes 88%. Austrália - Na verdade, a população australiana compõe-se de 26,4% de católicos, 20,5% de anglicanos, 20,5% de outras denominações cristãs. Dinamarca - 95% é dita como luterana, mas na realidade mais de 40% da população não acredita em nenhuma divindade. De acordo com Phil Zuckerman, cerca de 40 a 80% dos dinamarqueses não acreditam em Deus. Finlândia - 82,5% da população é contabilizada como luterana, porém estima-se que 28 a 60% dos finlandeses não acreditam em nenhuma divindade. Mais detalhes sobre as antigas religiões finlandesas podem ser encontradas aqui, e devemos lembrar que a população da Finlândia é de apenas 5,2 milhões de pessoas. Islândia - 82,1% são luteranos, e mesmo assim, estima-se que entre 16 a 23% da população não acredite em nenhuma divindade. E essa ilha só possui 300 mil habitantes. Grande coisa, não? E ainda por cima, é sustentada com a ajuda vinda da Dinamarca, e recentemente passou por uma quebra generalizada da economia, com falência do governo graças à crise hipotecária dos EUA. Engraçado como essa lista se compõe em sua maioria de paises pouco populosos, não acham? Enfim, qual a verdadeira classificação das maiores nações protestantes do mundo ? De acordo com uma lista obtida aqui, temos os seguintes países, por ordem: 1. Estados Unidos 2. Reino Unido 3. Nigéria 4. Alemanha 5. África do Sul 6. Quênia 7. China 8. Brasil 9. Indonésia 10. Congo Reparem que, entre as nações classificadas, apenas 3 são países desenvolvidos !! E não podemos esquecer que Reino Unido e a Alemanha são países com altas taxas de ateísmo, sociedades secularizadas, cujas populações deixaram de freqüentar a igreja e já não acreditam mais nas religiões organizadas. E entre esses, temos dois países emergentes, que são a China e o Brasil, paises ricos mas ainda subdesenvolvidos em vários indicadores sócio-economicos. No Brasil, 73,6% são católicos e 15,4% são evangélicos (IBGE). E a China ? Segundo dados da CIA World Factbook, ela possui uma população de 1,3 bilhoes de pessoas, e menos de 4% pertencem às religiões

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cristas (não há dados precisos sobre o número de protestantes) e ela é oficialmente ateísta, já que as religiões chinesas não estão organizadas em torno de uma divindade e sim em torno de uma filosofia de vida (budismo e taoísmo, além das religiões tradicionais chinesas). Enfim, o restante dos paises na lista pertencem ao 3° Mundo, com péssimos indicadores sócioeconômicos, pouco expressivos no cenário mundial, e estão na periferia do sistema internacional. Sobre esses países, vale a pena mencionar que a Indonésia é um dos países com a maior população muçulmana no planeta e os protestantes nesse pais são apenas 5,7% ! Sobre os paises africanos, não é preciso dizer mais nada, preciso ? As nações africanas realmente são ―felizes por terem o Jesus como senhor‖ e são ―referência mundial‖. E todo mundo conhece a situação atual da África, que nem preciso me prolongar sobre o assunto. E por ordem de PIB ? Vamos ver aqui quem são os países mais ricos do mundo, com dados de 2005 e uma lista completa pode ser baixada clicando-se aqui.

Bem, estamos vendo que a maioria dos países ricos não são protestantes. Tirando os EUA, temos o Japão e a China (que recentemente passou à condição de 2° maior economia mundial, conforme divulgado pelo BBC - e o Brasil poderá ser a 4° economia mundial dentro de 15 anos), são países ateístas (possuem como já falei, religiões organizadas em torno de uma filosofia de vida e não em torno de uma divindade), e os países europeus na lista são nações secularizadas, com pouca influência da religião na sociedade (ao contrario dos EUA) cujos índices de ateísmo e agnosticismo crescem a cada ano (veja a tabela abaixo). Quanto ao resto dos países, vale lembrar que a Índia possui uma população de 900 milhoes de hindus (que

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adoram mais de 20 mil deuses diferentes), a Turquia é muçulmana, a Rússia segue as religioes ortodoxas.

< ![endif]--> Uma tabela mais completa pode ser encontrada clicando-se aqui. Agora, vamos brincar mais um pouco? Vamos ver a lista dos 10 paises com a maior população protestante do mundo, e comparar com a lista do Índice de Desenvolvimento Humano (dados de 2006), e vermos as classificações deles. Mãos à obra! 1. Estados Unidos em 15° lugar 2. Reino Unido em 21° lugar 3. Nigéria em 154° lugar 4. Alemanha em 23° lugar 5. África do Sul em 125° lugar 6. Quênia em 144° lugar 7. China em 94° lugar 8. Brasil em 70° lugar 9. Indonésia em 109° lugar 10. Congo em 177° lugar

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Ou seja, de 10 países, apenas 4 se encontram nas faixas de Alto Desenvolvimento Humano, 3 se situam em Médio Desenvolvimento Humano e os restantes no Baixo Desenvolvimento Humano. O pior colocado é o Congo, que quase ficou com o indigno ultimo lugar, posição essa ocupada pela Serra Leoa. Quase todos os primeiros colocados são ocupados por paises nãoprotestantes..! Enfim, já expusemos aqui a verdade por trás da ―riqueza das nações protestantes‖ e a verdadeira relevância destas nações em nosso mundo atual. Podemos afirmar que mais uma mentira crente foi detonada..!! Para concluir, precisamos esclarecer umas coisas. O que é que faz uma nação feliz? Com certeza, não é através de um amiguinho imaginário, e sim por um conjunto de fatores que destacaremos abaixo:                   Livre Pensamento e Expressão Império da Lei Sistema Democrático de Governo Livre Imprensa Qualidade de Vida Estabilidade Econômica e Política Altas taxas de Escolaridade Sistema Universal de Saúde e Previdência Acesso à Informação e Cultura Liberdade de Crença Livre Iniciativa Econômica Pouca Burocracia Crescimento Econômico Preservação do Meio Ambiente Paz com os seus vizinhos Tolerância e Respeito Infra-estrutura adequada E muitos outros fatores que não da para mencionar aqui

Enfim, e não vai ser nenhum amiguinho imaginário chamado Jesus que vai fornecer tudo isso para a felicidade das nações. A felicidade se constrói com trabalho duro, com o suor de milhões de pessoas, com o respeito e tolerância ao próximo, construir condições de vida para as populações, estabelecer metas e objetivos que possam ser alcançados, pensar nas gerações futuras, conservar o meio em que se vive, etc O ser humano não precisa ficar de quatro no chão, adorando um Jesus qualquer. Tem é que ficar de pé, cabeça erguida, olhando para frente e se juntar aos seus semelhantes para construírem um futuro em comum. O que os crentes tem contra a verdade? Porque os crentes não conseguem parar de mentir compulsivamente, em suas tentativas de mostrar as suas religiões como porta-vozes do progresso, moralidade, ética e desenvolvimento? Depois eles ficam lá dando uma de galardões da verdade… bah, fingidos e falsos! E nós estaremos sempre aqui para detonar as GMR!!

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Hitler era Ateu ? Ele é, com certeza, a figura mais emblemática do século XX. Suas ações modificaram a História. Suas ações moldaram o destino de muitas nações e mergulhou o mundo numa névoa negra. Seu nome é odiado, a não ser por insurgentes esporádicos, mas, ainda assim, sua participação na História Contemporânea deixou marcas que serão conhecidas pelos que viverão daqui pra frente. Seu nome é Adolf Hitler. Dia 20 de abril é seu aniversário e seu nome é associado a tudo o que tem de pior nos seres humanos: dor, ódio, preconceito, guerra, genocídio, desumanidade etc. A este nome é associado todos os xingamentos e vilipêndios possíveis e imagináveis. Qualquer coisa relacionada a este nome gera repulsa e nojo. Não é por acaso, então, que muitos religiosos resolvam dizer que Hitler era ateu. Aqui, iremos tratar de uma das mais famosas mentiras que os religiosos têm divulgado mundo afora, e não só pela internet, mas sim em vários meios de mídia (TVs, jornais, revistas, rádio, panfletos, pregações em igrejas, etc). Esta mentira tem sido repetida à exaustão, já que – parafraseando o próprio Goebbels – mentira repetida à exaustão torna-se verdade. A baixa taxa de escolaridade e a despreocupação em não estudar nada muito profundamente faz com que as pessoas alienem-se e não tenham conhecimento sobre o que realmente aconteceu no passado. para isso que nós estamos aqui, pois certas coisas devem ser lembradas, pois aquele que não estuda a sua própria História corre o risco de repeti-la.

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Hitler saindo da Igreja Sta Marina, em Wilhelmshaven ―Como um Cristão amoroso e como um homem, leio a passagem que nos conta como o Senhor finalmente se ergueu em Sua força e apanhou o azorrague para expulsar do Templo a raça de víboras. Como foi esplendida a sua luta em defesa do mundo e contra o veneno judeu. Hoje, depois de 2 mil anos, é com muita emoção que reconheço, mais profundamente do que nunca, o fato de que foi em nome disso que Ele teve que derramar Seu sangue na cruz. Como cristão tenho o dever de não me deixar enganar, tenho o dever de lutar pela verdade e pela justiça. E como homem, tenho o dever de zelar para que a sociedade humana não sofra o mesmo colapso catastrófico que sofreu a civilização do mundo antigo 2 mil anos atrás - uma civilização que foi levada a ruína por esse mesmo povo judeu.‖ – Discurso do Adolf em 12 de abril de 1942, em Munique A verdade é que os fundamentalistas religiosos, com as suas mentiras, querem que Hitler não seja associado à religião cristã, porque em suas mentes e em seus conceitos deturpados, a sua (deles) religião é a única coisa que faz o ser humano ser ―moral, bondoso com o próximo, agregar o grupo social em que vive, colaborar com a manutenção da estrutura e do tecido social do meio em que vive, inibi-lo de cometer atrocidades ou malefícios contra o seu próximo, etc‖; mesmo ao vermos que a Bíblia (em especial o Velho Testamento) prega justo o contrário. Alguns alegam que o advento do Novo Testamento aboliu as leis sanguinárias do

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Velho Testamento, mas o próprio Jesus, segundo a Bíblia, diz exatamente o contrário, que ele não veio abolir nada. Problemas à vista! A verdade nua e crua é que a religião cristã produziu alguns dos maiores horrores que o mundo já viu, com o saldo de centenas de milhões de mortos. Não vamos nos demorar aqui, citando uma lista de crimes do Cristianismo, mas podemos recomendar a leitura do livro ―O Livro Negro do Cristianismo‖ de Jacopo Fo, e uma lista desses crimes no site ―A Pagina Negra do Cristianismo - 2000 Anos de Crimes, Terror e Repressão‖. Ao afirmarem que Hitler era ateu, os religiosos querem dizer, de forma desonesta, que o ateísmo é uma coisa má, que torna os homens imorais e que podem cometer qualquer atrocidade e crimes que lhes der na telha, já que não possuem ―temor‖ a um deus qualquer, que não temem um ―castigo divino‖ após a morte, enfim… uma serie de acusações nada elegantes dos ―amorosos‖ cristãos, cujo deus mandou entrar em acordo com os adversários de forma mansa e pacificadora. Se nem os religiosos acreditam nessa passagem, que podemos fazer, a não ser dizer: ―que diabos de religião é essa, em que só se segue o que quer?‖. Sobre o ônus da prova? Muito engraçado! Os religiosos são mestres em ignorar essa parte. temos que aceitar na palavra deles e pronto Muito interessante… Quem foi Adolf Hitler? Nascido em Linz (Áustria) no dia 20 de abril de 1899. Quando tinha 10 anos Adolf Hitler já exibia um comportamento antissocial, que foi detectado pela família e amigos. Sendo apenas adorado por sua mãe, Klara, que pensa que ele é um menino normal. Quando se torna um adolescente Hitler aspira se tornar um grande artista, apesar das objeções da sua agonizante mãe, que tinha câncer nos seios. Em 1907 tenta ser aceito na Academia de Artes Visuais em Viena, mas foi rejeitado. Imensamente desapontado e zangado, Hitler ouve um discurso antissemita proferido por Karl Lueger, o prefeito de Viena. Ele começa a aderir às teorias de Lueger, que dizem que os judeus são culpados por tudo aquilo que está errado na Alemanha. Sem casa, emprego e apenas com uma pequena herança do seu falecido pai, mas com um frenético patriotismo, Hitler se une ao exército alemão quando em 1914 estoura a 1ª Grande Guerra. Apesar de pressionar os superiores, ele acaba ganhando a Cruz de Ferro, a maior honraria que um soldado alemão poderia receber, e se consterna ao saber da rendição incondicional do exército alemão. De volta a Munique, Alemanha, Hitler conhece os membros do Partido Alemão dos Trabalhadores ao agir como espião para o exército, que quer se resguardar contra possíveis rebeliões. O Ano era 1919. Quando Hitler diz suas opiniões sobre a pureza da raça alemã em uma reunião é convidado a se juntar ao grupo, do qual se torna orador. Ele encontra uma audiência ávida, que luta contra a indiferença, invasores estrangeiros e principalmente os judeus, que são considerados a maior ameaça para a Alemanha. Ernst Hanfstaengl, um alemão que vivia na América, e sua esposa Helene formam um aristocrático casal, que retorna à Alemanha quando Hitler está se tornando mais popular entre as massas. Quando Ernst conhece Hitler vê uma oportunidade para usá-lo em proveito próprio para defender seus grandes interesses. Ele se torna conselheiro de Hitler e, por sua sugestão, Hitler adota o pequeno bigode que se tornou sua marca registrada e a suástica, que com o tempo virou um símbolo de opressão, apesar de ser um símbolo muito mais antigo. Ernst convida Hitler para ir à sua casa para jantar com ricos alemães, mas nem Ernst, Helene ou nenhum dos convidados estavam preparados para as observações de Hitler, que anuncia a necessidade de matar os judeus.

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Este é o pano de fundo exposto de forma muito resumida. agora, começaremos a desmascarar esta mentira do ateísmo de Hitler, com um breve artigo escrito por John Patrick, publicado na Free Inquiry Magazine e traduzido aqui. A História está sendo distorcida por muitos pregadores religiosos e políticos. Conta-se de forma rotineira de que Hitler era ateu, e com isso condenando de forma rotineira os ateus. Mas Hitler era um católico, batizado quando era um bebê na Áustria, em uma igreja católica. Ele se tornou um coroinha em uma igreja em sua infância e na juventude, e foi confirmado como um ―Soldado de Cristo‖ em sua Igreja. As piores doutrinas católicas naquela época nunca o deixaram, e elas estavam mergulhadas em sua liturgia, que continha em sua essência litúrgica as seguintes palavras ―perfidious jew―. E esta declaração odiosa não foi removida ate o ano de 1961. ―Perfidy‖ significa traição. Em seu tempo, o ódio aos judeus era a norma corrente; e em grande medida, foi patrocinado pelas principais religiões da Alemanha, o Catolicismo e o Luteranismo. Ele foi um admirador de Martinho Lutero, que odiava abertamente os judeus. Lutero condenou a Igreja Católica e a corrupção desta para objetivos escusos, mas ele apoiou as políticas papais de pogroms contra os judeus. E Lutero afirmou: ―Os judeus merecem ser enforcados em penhascos, sete vezes mais elevados do que os mais ordinários ladrões‖, e ―Temos de ser vingativos com os judeus e matá-los‖. ―Ungodly wretches‖ assim ele chamou os judeus em um de seus livros. Em sua busca pelo poder, Hitler escreveu em Mein Kampf, ―… estou convencido de que estou agindo como o agente do nosso Criador. Combater contra os judeus. Estou a fazer o trabalho do Senhor‖. Anos mais tarde, no poder, ele citou essas mesmas palavras em um discurso no Reichstag em 1938. Três anos mais tarde ele informou ao General Gerhart Engel: ―Eu sempre fui um católico e irei continuar a sê-lo sempre‖ (grifo nosso). Ele nunca deixou a Igreja, e a Igreja nunca o deixou. Vários livros importantes da literatura foram proibidos pela Igreja, mas a sua obra pérfida Mein Kampf jamais apareceu no Index de Livros Proibidos. Ele não foi excomungado ou condenado pela sua igreja. Os papas, na verdade, acertaram com Hitler junto com seus colegas fascistas Franco e Mussolini, dando-lhes poder de veto na decisão papal de designar bispos na Alemanha, Espanha e Itália. Os três concordaram que os católicos desses países podem ser livres e enviar ajuda financeira a Roma em troca da certeza de que o Estado poderia controlar a Igreja. Aqueles que afirmam que Hitler era um ateu deveriam prestar atenção na Historia antes de começarem a pregar, pois o biografo de Hitler, o aclamado John Toland, explica em detalhes a seguinte redação: ―Still a member in good standing of the Church of Rome despite the detestation of its hierarchy, he carried within him its teaching that the Jews was the killer of god. The extermination, therefore, could be done without a twinge of conscience since he was merely acting as the avenging hand of god.―

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Na Alemanha de Hitler, com a união da Igreja com o Estado, os soldados da Wermacht usavam em seus cintos com fivelas com a seguinte inscrição: ―Gott mit uns‖ (Deus está conosco). Suas tropas eram muitas vezes aspergidas com água benta pelos sacerdotes. Foi um verdadeiro cristão, em cujo país os cidadãos foram doutrinados, ou seja, o Estado e a Igreja e seguiu cegamente todas as figuras competentes, política e eclesiástica.

Seria algo totalmente sem sentido um exército de um regime que não defende nenhuma religião e, pelo contrário, é abertamente ateísta e se posiciona contra religiosos em geral ter um capelão no exército. Mas a Wermatch tinha. Hitler, como alguns dos políticos e os pregadores religiosos de hoje fazem, politizava os ―valores familiares‖. Ele gostava de punições corpóreas em casas e nas escolas. Falar de Jesus se tornou obrigatório em todas as orações escolares sob sua administração. Embora o aborto, antes de Hitler, era ilegal na Alemanha, ele tornou possível o aborto, com a aplicação de uma lei exigindo que todos os médicos informassem ao governo a situação de todos os abortos espontâneos. E desprezou abertamente a homossexualidade e a criminalizou. Se passado é um prólogo, sabemos o que podemos esperar do futuro se dermos a liberdade de passar a licença de fazer as coisas. Fanáticos como Pat Robertson mostram que não estamos exagerando. Com isso, já podemos ter uma ideia básica de quem era Hitler, a influência da Igreja em sua vida e nos assuntos de Estado durante o governo dele na Alemanha Nazista. Agora, iremos nos aprofundar mais ainda, abordando outros aspectos, sobre a vida de Hitler, os pensamento dele, a essência do nazismo, o Cristianismo Positivista, etc. A imagem popular do nazismo é que eles eram fundamentalmente anticristãos devotos, enquanto que os cristãos eram antinazistas. No entanto, a verdade é que os cristãos alemães apoiaram os nazistas porque acreditavam que Adolf Hitler foi um presente de Deus para o povo alemão. Uma espécie de Messias. E Hitler? O que ele era? Na próxima página aprenderemos mais sobre ele e a ideologia Nazi.

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Adolf Hitler era ateu? Adolf Hitler foi batizado em uma Igreja Católica em 1889 e nunca foi excomungado ou condenado oficialmente de qualquer outra forma pela Igreja Católica. Hitler frequentemente se referia a Deus e ao Cristianismo, em suas várias de suas palestras e em seus escritos. Em 1933, em um discurso ele disse que ―Para fazer justiça a Deus e à nossa própria consciência, nós temos nos virado cada vez mais para o povo alemão―. Em outro ele disse: ―Nós fomos convencidos de que as pessoas precisam e exigem essa fé. Temos, portanto, de empreender a luta contra o movimento ateu, e isso não apenas com algumas declarações teóricas: nós temos carimbado o documento‖. (grifo nosso) Em 1922, ele disse em um discurso: O meu sentimento como cristão pôs-me diante de meu Senhor e Salvador como um lutador. Recordo-os de que este homem uma vez na solidão, cercado apenas por alguns seguidores, reconheceu estes judeus por aquilo que eram e dos homens convocados para lutar contra ele, e que era um Deus de verdade! E foi maior, não como um doente, mas como um lutador. No seu amor sem limites, eu como um cristão e como um homem, onde eu leio a passagem através do qual o Senhor nos diz como subiu em Suas apreensões e uso do flagelo para fazer sair do Templo aquele bando de víboras. Como foi terrível a sua luta contra o veneno judeu. Hoje, após dois mil anos, com profunda emoção que reconhecemos mais profundamente do que nunca o fato de aquele homem que teve o seu sangue derramado sobre a Cruz. Como um cristão não tenho o direito de permitir-me a ser enganado, mas eu tenho o dever de ser um lutador da verdade e da justiça. E se há algo que poderia demonstrar que estamos a agir corretamente, é que o sofrimento cresce diariamente. Como um cristão, eu tenho também um dever para com o meu próprio povo. E quando eu olho o meu povo e vê-los trabalhar e trabalhar, e no final da semana eles têm apenas para si mesmos um salário miserável e a miséria como companhia. Quando eu saio de manhã e ver estes homens de pé em suas filas e olhar em seus rostos amargurados, então creio que seria eu não cristão, mas um grande demônio se eu não sentir pena deles, como fez o nosso Senhor dois mil anos atrás, por sua vez contra aqueles por quem hoje estas pessoas pobres são pilhadas e exploradas. E para quem deseja saber mais detalhes sobre as crenças religiosas de Hitler, os leitores podem acessar aqui um artigo em inglês, que discorre de forma um pouco mais extensa. O que é o Nazismo? O termo Nazismo (do alemão: National Sozialismus) designa a política da ditadura que governou a Alemanha de 1933 a 1945, o Terceiro Reich. O nazismo é frequentemente associado ao fascismo, embora os nazistas dissessem praticar uma forma nacionalista e totalitária de socialismo (oposta ao socialismo internacional e totalitário marxista). O nazismo também é anticapitalista e antiliberal. A generalidade da esquerda rejeita que o nazismo tenha sido de fato socialista, apontando para a existência, ainda antes da tomada do poder por Hitler, de uma resistência comunista e socialista ao nazismo, para o caráter internacionalista do socialismo, totalmente oposto à teoria e prática nazista, e a manutenção, pelos nazistas, de toda a estrutura capitalista da economia alemã, limitada apenas pelas condicionantes de uma economia de guerra e pela abordagem àquilo a que os nazistas chamavam o ―problema judeu‖. Porém esta questão é controversa, com alguns autores a referirem-se ao nazismo como uma forma de socialismo, apontando para a designação do partido, para alguma da retórica nazista e para a estatização da sociedade. Ludwig von Mises argumenta, por exemplo: ―O governo diz a estes supostos

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empreendedores o que e como produzir, a quais preços e de quem comprar, a quais preços e a quem vender (…) A autoridade, não os consumidores, direciona a produção (…) todos os cidadãos não são nada mais que funcionários públicos. Isto é socialismo com a aparência externa de capitalismo.‖ Adolf Hitler chegou ao poder enquanto líder de um partido político, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, ou NSDAP). O termo Nazi é um acrônimo do nome do partido (vem de National Sozialist). A Alemanha deste período é também conhecida como ―Alemanha Nazista‖ (‖Alemanha Nazi‖ PE) e os partidários do nazismo eram (e são) chamados nazistas. O nazismo foi proibido na Alemanha moderna, muito embora pequenos grupos de simpatizantes, chamados neonazistas, continuem a existir na Alemanha e noutros países. Alguns revisionistas históricos disseminam propaganda que nega ou minimiza o Holocausto e outras ações dos nazistas e tenta deitar uma luz positiva sobre as políticas do regime nazista e os acontecimentos que ocorreram sob ele. Basicamente, é isso ai. Mas para quem quiser saber mais, podemos recomendar a obra ―Origens do Totalitarismo‖ de Hannah Arendt, cujo resumo pode ser encontrado aqui, em formato PDF. O nazismo era uma ideologia ateísta? O Programa do Partido Nazista declarou: ―Pedimos a liberdade no seio do Estado para todas as confissões religiosas, na medida em que não ponham em perigo a existência do Estado ou não ofendam o sentimento moral da raça germânica. O Partido, como tal, defende o ponto de vista de um Cristianismo construtivo, sem todavia se ligar a uma confissão precisa. Combate o espírito judaico-materialista no interior e no exterior e está convencido de que a restauração duradoura do nosso povo não pode conseguir-se senão partindo do interior e com base no princípio: o interesse geral sobrepõe-se ao interesse particular.‖

O positivismo aderiu ao cristianismo ortodoxo em algumas doutrinas básicas e afirmava que o cristianismo deveria fazer uma diferença positiva na vida das pessoas. É difícil manter a idéia de que a ideologia nazista era ateísta quando se vê que era expressamente apoiado e promovido o cristianismo na plataforma do partido.

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O comunismo e o socialismo foram as duas tradicionais ideologias intensamente odiadas pelo partido nazista que alegou que eram ideologias ateístas e judias, ameaçavam o futuro da civilização alemã e a civilização cristã. Naquele tempo, a maioria dos cristãos na Alemanha e em outros países concordaram com essa posição e isso explica muito o apoio popular aos nazistas. A resposta cristã aos nazistas A chave para compreender a popularidade do nazismo entre os cristãos é a condenação nazista a tudo que era moderno. A República de Weimar foi considerado como um ente sem Deus, secular e materialista, traindo todos os valores tradicionais da Alemanha e das crenças religiosas. Os cristãos viram o tecido social de sua comunidade se desfazer, e os nazistas prometeram restaurar a ordem, atacando os agnósticos e os ateus, a homossexualidade, aborto, liberalismo, prostituição, pornografia, obscenidade, etc. No início, muitos líderes católicos criticaram o nazismo. Após 1933, mudaram de lado e passaram a elogiá-lo e evitar as criticas. Os laços em comum entre os católicos e o nazismo eram o anticomunismo, antiateísmo, e antilaicidade. A Igreja Católica ajudou a identificar os judeus para o seu extermínio. Depois da guerra, os líderes católicos ajudaram os antigos nazistas a trazê-los de volta ao poder, e os protestantes foram mais ainda atraídos para nazismo do que católicos. Eles, e não os católicos, produziram um movimento dedicado à mistura da ideologia nazista com a doutrina cristã.

Sacerdotes dando a saudação a Hitler em um comício da juventude católica no estádio de Berlim-Neukölln –agosto, 1933 A ―resistência‖ cristã foi principalmente contra os esforços nazistas no sentido de exercer maior controle sobre as atividades da Igreja. As igrejas cristãs estavam dispostas a tolerar a violência generalizada contra os judeus, o rearmamento militar, as invasões militares de nações estrangeiras, a proibição dos sindicatos, a prisão de membros do Parlamento, prisão de pessoas que não tinham cometido crimes, etc.. Por quê? Porque Hitler era visto como alguém que iria restaurar os valores cristãos tradicionais e a moralidade da Alemanha. Cristianismo em privado e público Não há nenhuma evidência de que Hitler e a elite nazista utilizaram o cristianismo para o consumo do público alemão, ou como um truque político - pelo menos, não mais do que partidos políticos de hoje, que enfatizam o seu apoio aos valores religiosos e tradicionais, do qual dependem fortemente do apoio de cidadãos religiosos (isso não lhes lembra o Partido

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Republicano dos EUA nas eleições de 2008 ?). Observações particulares sobre a religião e o cristianismo eram as mesmas que as observações públicas, o que indica que eles acreditavam que eles eram destinados a agir de acordo com o que lhes era reivindicado. Os poucos nazistas que professavam o paganismo o fizeram publicamente, e sem o apoio oficial. Os nazistas cristãos não abandonaram as bases das doutrinas cristãs, como a divindade de Jesus, por exemplo. As ações de Hitler e os nazistas como ―cristãos‖, eram como os das pessoas durante as Cruzadas ou a Santa Inquisição. A Alemanha, de modo fundamental, viuse como uma nação crista, e milhões de cristãos apoiaram entusiasticamente Hitler e o Partido Nazista, vendo nelees como as incorporações dos ideiais cristãos e alemães.

Bispos fazendo a saudação nazista em homenagem a Hitler. Notem Joseph Goebbels (extremadireita) e Wilhelm Frick (segundo à direita). Se quiserem saber mais sobre o assunto, em profundidade, recomendamos que acessem estes sites abaixo: Adolf Hitler & Christian Nationalism: Nazis‘ Program of Positive C… Weren‘t the Nazis Pagans? The Holy Reich: Nazi Conceptions of Christia… Adolf Hitler Quotations: Adolf Hitler on Religion, God, and Christianity - … Pictures of Hitler - Hitler and Goebbels Pose With Local Nazi Party Officia… Pictures of Hitler - Adolf Hitler Speaks to the Widow of a Nazi Party Membe… Como mencionamos acima, precisamos antes de tudo, esclarecer sobre o que significa exatamente o Cristianismo Positivista. O Cristianismo positivo (em alemão Positives Christentum) foi uma expressão adotada pelos líderes nazistas para se referir a um modelo de cristianismo coerente com o nazismo. Adeptos do Cristianismo Positivo argumentavam que o cristianismo tradicional enfatizava os aspectos passivos em vez dos ativos na vida de Jesus Cristo, acentuando seu sacrifício na cruz e a redenção sobrenatural. Eles pretendiam substituir isso por uma ênfase ―positiva‖ do Cristo como um pregador ativo, organizador e combatente que se opôs ao judaísmo institucionalizado

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de sua época. Em várias ocasiões durante o regime nazista, foram feitas tentativas de substituir o cristianismo ortodoxo por sua alternativa ―positiva‖. O Cristianismo Positivo surgiu da Alta Crítica do século XIX, com sua ênfase na distinção entre o Jesus histórico, e o Jesus divino da teologia. De acordo com algumas escolas de pensamento, a figura do salvador do cristianismo ortodoxo era muito diferente do pregador histórico galileu. Enquanto muitos de tais eruditos buscavam colocar Jesus no contexto do antigo judaísmo, alguns escritores reconstruíram um Jesus histórico que correspondia à ideologia antissemita. Nos escritos de antissemitas tais como Emile Burnouf, Houston Stewart Chamberlain e Paul de Lagarde, Jesus foi redefinido como um herói ―ariano‖ que lutou contra o judaísmo. Consistente com suas origens na Alta Crítica, tais escritores frequentemente ou rejeitavam ou minimizavam os aspectos milagrosos das narrativas do Evangelho, reduzindo a crucificação a uma cota trágica da vida de Jesus, em vez de sua culminação prefigurada. Tanto Burnouf quanto Chamberlain argumentaram que a população da Galiléia era racialmente distinta daquela da Judéia. Lagarde insistia que o cristianismo alemão devia tornar-se de caráter ―nacional‖. O que a História nos conta Os problemas políticos e sociais de um país devem ser resolvidos utilizando trabalho árduo e bom planejamento, e não com a fé. Face aos problemas e resolve-los, um governo à base de fé, em vez de enfrentar a raiz do problema com o uso da cabeça com soluções razoáveis, em vez de deixar tudo para a fé irracional. Os dirigentes rezam para o problema para que ele vá embora. Religião para eles, como Karl Marx escreveu uma vez, é ópio. Em vez de resolver o problema no presente, eles querem para escapar à realidade, e criar uma fantasia de vida após a morte. Isso não os leva a pensar profundamente e com conformidade - um país onde o trabalho é punido e a mediocridade uniforme é recompensada. Um governo à base da fé também leva a cidadãos profundamente egoístas. Encorajados por esse ambiente, a população irá ignorar os problemas do país em completa apatia. Muitos vão deixá-los até com o deus deles que supostamente esta nas nuvens. A nação vira a cabeça quando se defronta com um mendigo. E buscará assistir à distância uma mãe esquálida transportando dois bebês desnutridos para uma barraca miserável. Há apenas o desejo de que o país so irá trabalhar duro o suficiente, para que baste comprar apenas bens comerciais, do que simplesmente impedir o pensamento de seus cidadãos, que este é ―não é o meu problema ‖ que por si só não irá desaparecer. Um governo baseado na fe nubla a consciência social por convencer as pessoas de deixar a simpatia de lado e somente ajudar a si próprios quando é necessário. Esta tendência política e egoísta do uso da fé com base em regras, foi o que ocorreu com a Alemanha de Hitler. ―Um homem de comportamento ético deve ser baseado efetivamente na simpatia, educação, laços sociais e necessidades. Nenhuma base religiosa é necessária para tal. Seria de fato uma péssima maneira de controlar os homens, se forem contidos por medo de uma punição e também, por uma esperança de recompensa após a morte.‖ – Albert Einstein, New York Times Magazine, 9 de novembro de 1930 Quando a Alemanha chegou perto de um colapso econômico, Hitler recorreu ao apelo para a conformidade egoísta do país. Para os desempregados e famintos, ele prometeu empregos - e eles se tornaram o seu exército privado. Para a classe média, ele prometeu a proteção de grandes empresas. Para os industriais e políticos, prometeu a prosperidade. A verdade é que ele nunca manteve sua promessa.

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Houve uma controvérsia na Alemanha quanto aos motivos pelo qual ele subiu ao poder. Hitler não era por muitos considerado alguém que poderia ser eleito para ser um Führer, por causa de suas raízes políticas que eram da maior parte dos estados do sul. Quando um edifício pegou fogo, ele proclamou-o como um ato terrorista, e também como um sinal de Deus. Ele começou a pregar uma guerra contra o ―terror‖, culpando os judeus. ―Existe um mal que ameaça cada homem, mulher e criança desta grande nação. Temos de tomar medidas para garantir a nossa segurança interna e de proteger a nossa Pátria.‖ - Adolf Hitler Tal como a ficção do Deus autoritário de punir Adão e Eva por sua inocência (que não sabiam nada sobre o bem do mal quando eles comeram o fruto proibido), Hitler se tornou um ditador absoluto. Ele aboliu o governo, fez as grandes empresas aos seus amigos, baniu a liberdade de imprensa, estabeleceu o julgamento secreto nos tribunais, proibiu todos os partidos políticos, sindicatos dissolvidos, e assassinaram vários comunistas. Os desempregados pobres que se tornaram as suas tropas privadas e oficiais foram massacrados às suas ordens, por causa do seu receio paranóico de insurreição. ―Que boa sorte para os detentores do poder, pois as pessoas não pensam!‖ - Adolf Hitler Livros democráticos e pacifistas foram queimados. E a História foi reescrita para caber o nazismo. E nas escolas, os livros de ciência foram revistos e reescritos com o fim de que ―a raça ariana superior de pele branca‖ iria aparecer como um fato científico. E a propaganda de Hitler foi toda controlada em seus meios de comunicação (rádio, jornais, revistas, filmes, livros, artes) para um projeto de uma próspera Alemanha. Não é muito diferente do que os movimentos criacionistas tentam fazer, dando ―de presente‖ livros onde subvertem todo o conhecimento científico, só para que consigam fazer sua doutrinação, baseada numa pseudoaula de ciências, mas que não passa de religião disfarçada. ―As escolas seculares não podem ser toleradas porque essas elas não têm instrução religiosa e moral. E uma instrução geral sem uma fundação religiosa é construída no ar e, por conseguinte, todos os caracteres de formação e de religião devem ser obtido a partir da fé.‖ - Adolf Hitler, a partir de um discurso feito durante as negociações que conduziram à concordata entre o Vaticano e o Nazismo. Hitler, batizado e criado como um católico, cresceu conhecendo o poder da religião como qualquer cidadão médio.Quando ele estava no poder, ele procurou definir uma meta para fazer da Alemanha uma pura nação crista. Ele, como Napoleão que afirmou acreditar que ―a religião é excelente para manter as pessoas comuns calmas‖ procurou unir cada seita cristã no país junto com os católicos e os protestantes também. Influenciado por Martinho Lutero, um anti-judeu que foi líder da Reforma Protestante, Hitler desejava que a Alemanha fosse uma nação cristã. Mas alguns cristãos protestantes se opuseram a ele em publico, porem, junto com os judeus, homossexuais, ateus, comunistas, ciganos e não-brancos, foram todos presos e enviados para os campos de concentração.

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Medalha comemorativa do Dia de Martinho Lutero na Alemanha - 10 de novembro de 1933. ―Até agora, as seitas e as confissões das igrejas protestantes, estão preocupadas com a nossa determinação e nossas formas de organização para por fim às divisões existentes e, com isso criar uma única Igreja Protestante para o Reich.‖ - Adolf Hitler, em sua Proclamação ao Parlamento em Nuremberg, em 5 Setembro de1934. O dinheiro e os bens da classe média dos judeus, homossexuais, comunistas, ateus, ciganos, e de não-brancos eram confiscados, saqueados ou destruídos. Milhares deles foram enviados para lugares imundos, superlotados, e para campos insalubres onde foram forçados a trabalhar duro, com pouca ou nenhuma comida. Malnutridos e com práticas cruéis que se tornaram prevalentes nos campos - muitos morreram de fome e de doenças contagiosas em massa. ―Tratam-se de não-cristãos e ateus internacionais que agora se postam à frente da Alemanha. Eu não vou apenas falar do cristianismo, mas também vou professar que eu nunca me aliarei com partidos que destroem o cristianismo.‖ - Adolf Hitler, num discurso emitido em Sttugard, 15 de fevereiro de 1933. A política da eliminação em massa de pessoas, adotada pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, foi um fenômeno até então único na história da humanidade. Esse crime porém foi inspirado em várias doutrinas que passavam então por ciência, como o racismo e a eugenia, que tiveram larga difusão e apoio nos países mais adiantados dos anos vinte e trinta. ―Seu negrume não surgiu no deserto de Gobi ou na floresta tropical da Amazônia. Originou-se no interior e no cerne da civilização europeia. Os gritos dos assassinados ecoaram a pouca distância das universidades; o sadismo aconteceu a uma quadra dos teatros e dos museus (…) Em nossa época, as altas esferas da instrução, da filosofia e da expressão artística converteram-se no cenário para Belsen.‖ - George Steiner - Linguagem e Silêncio, 1958 O massacre de grande parte da população judaica da Europa perpetrado pelos nazistas entre 1941-45 ocultou o fato de que a política de extermínio adotada por aquele regime não

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circunscreveu-se à perseguição antissemita. Foi muito mais ampla de que se supõe. Tratava-se de um vastíssimo plano de eugenia que englobava outros setores sociais, cujas vidas os nazistas consideravam ―indignas de serem vividas‖ (Lebensuntwertes Leben). Mas a política nazista da eugenia tinha as suas ambigüidades. Ao mesmo tempo em que se praticava a esterilização, a eutanásia e o genocídio, por outro estimulava-se a proliferação da ―raça superior‖, concedendo aos homens selecionados o direito de acasalar-se com várias mulheres, desde que elas fossem de origem ariana. Quando os soldados alemães ocuparam os países vizinhos, essa prática foi estimulada para que novos seres arianos viessem ao mundo para poder substituir as baixas de guerra que a Alemanha estava sofrendo. As crianças nascidas nessas circunstâncias seriam criadas em orfanatos especiais (Lebensborn), sob orientação e supervisão do Estado nazista. Nenhum regime político até então havia se inspirado tão fortemente no darwinismo social e numa concepção tão radicalmente biológica - quase zoológica - como os nazistas o fizeram entre 1933-1945. Assim, a eugenia era tanto o pretexto para a eliminação dos indesejados como para a seleção dos escolhidos. Mais detalhes podem ser obtidos clicando-se aqui. Os cristãos da Alemanha abandonaram a sua força política, rezaram para o homem nas nuvens e resolveram seguir a Hitler e fizeram vista grossa às atrocidades. Hitler, com o seu método de pseudociência da eugenia, propõe que qualquer pessoa que não se encaixe em sua perspectiva (ou seja, pessoas de raça branca) e qualquer outra pessoa que não seja cristã deveriam ser mortos. Crianças foram tomadas de seus pais nos campos de concentração. O que esses pais não sabiam, é que os nazistas cristãos de Hitler jogavam os seus bebes em fornos, onde eram queimados. E aqueles que eram de uma idade avançada, deficientes, e de mães que não queriam ceder os seus bebes, foram mandados a um chuveiro em uma sala que ficava lotada. Posteriormente, foram envenenados com gás. Eles tentavam escapar de todos os jeitos, mas em vão. Depois de muitos minutos, seus corpos foram encontrados, quimicamente envenenados e empilhados uns sobre os outros, com os seus dedos quebrados de tanto que arranhavam a parede, os idosos com as pernas torcidas, os braços rasgados das mães, e os crânios dos bebês esmagados pelo peso dos outros. Os que foram envenenados, eram jogados ao forno para alimentar as chamas. As áreas próximas à fábrica de fornos, parecia um inverno negro de cinzas vulcânicas, onde flocos negros de neve caiam a partir do céu. Muitos cristãos nazistas, impacientes ao saber que a taxa de mortalidade não era suficientemente rápida para diminuir os milhares de prisioneiros, ordenaram aos prisioneiros desses acampamentos a cavar grandes buracos ao lado das fábricas de morte, e fizeram saltar os recém-chegados para dentro da fossa. Eles então disseram aos prisioneiros a derramar gasolina em seus companheiros. Os corpos de mães, pais, filhos, filhas foram todos queimados vivos - com muitos gritos angustiantes - e tinham os cabelos, a pele, os olhos, e os dentes derretidos pelo calor. O cheiro pungente de carne humana queimada empestava os campos de concentração. E os prisioneiros, para que queimassem melhor e mais rapidamente, tinham os seus órgãos e rostos perfurados pelos guardas nazistas, para que a gordura servisse de combustível. O judaísmo europeu, rico em cultura e milenar em tradição, fora dizimado e convertido em uma pilha de ossos humanos na mais horrenda máquina de extermínio jamais criada chamada de Holocausto, apesar de nenhuma palavra inventada pelo homem ser adequada. Como descrever tamanha crueldade? O programa cumprido pelo governo alemão contra os judeus foi tão sinistro e horripilante em seus detalhes que palavras são insuficientes para descrevê-lo. Talvez sintamos um pouco das atrocidades nazistas ao lermos o resumo oficial apresentado

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perante o Tribunal Internacional que julgou os criminosos de guerra na cidade de Nüremberg, em outubro de 1945: ―Os assassinatos em massa e tortura foram efetuados por diversos meios que incluíam fuzilamento, forca, asfixia por gases, inanição, incineração em massa, desnutrição sistemática, imposição de trabalho calculada para superar as forças físicas dos que recebiam ordens para executá-lo, completa insuficiência de serviços médicos e cirúrgicos, pontapés, espancamentos, brutalidades e torturas de toda espécie (…) Os nazistas matavam impiedosamente inclusive crianças junto com adultos, filhos com seus pais, em grupos ou sozinhos. Matavam em asilos e hospitais infantis, enterrando os vivos em túmulos, lançando-os aos montes, usando-os para experiências, extraindo seu sangue para o exército alemão, prendendo-os em prisões e câmaras de tortura da Gestapo e em campos de concentração, onde crianças morriam de fome ou como conseqüência de torturas ou epidemia‖. Seis milhões de homens, mulheres, idosos e crianças. Não eram soldados ou representavam qualquer perigo. Segundo o professor Shalom Rosemberg, ―a capacidade humana fica impossibilitada de contá-los um a um. Cada qual com sua família, seu trabalho, sua fé, suas esperanças e seus temores. Como encarar o horror? O horror do indivíduo em sua última caminhada pela estrada sem volta; o horror dos pais impedidos de defender seus filhos; o horror das crianças arrancadas de seus pais; o horror do grupo às portas da morte coletiva; a morte de cada um em separado e de todos juntos no pesadelo comum. Uma só destas experiências é suficiente para perturbar a sanidade mental e quem quiser conhece-las, uma pós outra, uma a uma, individual ou coletivamente, está se condenando a viver por toda sua vida além dos limites do mundo lúcido‖. A cegueira da Igreja O Vaticano sabia que havia um genocídio em curso na Alemanha, mas não fizeram nada para denunciar Hitler. Tal como muitos dos cristãos alemães, eles o seguiram e fecharam os olhos e o culpado pela omissão é o Papa Pio XII que muitas vezes sem conta, se recusou a assumir uma posição contra os nazistas. No fim, Hitler conseguiu unir as igrejas alemãs em uma só Igreja no Cristianismo. Muitos clérigos, entre padres, bispos, cardeais etc são vistos saudando a bandeira nazista ou ao próprio Führer. A argumentação comum é que eles não tiveram outra escolha, que apenas seguiam um roteiro orquestrado por um louco psicótico, e não tinham como se negar a isso. É uma argumentação plausível e convincente, mas desmorona perto dos fatos apresentados. A Igreja não fez a menor menção de nada, pelo contrário. Ela muitas vezes participou ativamente, seguindo uma doutrina de ódio e separatismo, como ainda o faz hoje em dia, ainda que de forma mais amena. Mas o ódio a homossexuais ainda é visto hoje em dia.

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Bispo Nacional da Alemanha, Friedrich Coch, dando uma saudação de Hitler. Dresden, 10 de dezembro de 1933. O ódio de Hitler contra o mundo Era apenas uma questão de tempo antes que Hitler realizasse um ataque insano aos governos seculares. Hitler de forma tão sorrateira, fez um pacto de não-agressão com Stalin (outro louco demente - que foi para um seminário cristão de estudos para o sacerdócio, e torceu as ideias filosóficas de Karl Marx e criou a sua própria doutrina dogmática). Mas o que Stalin não sabia, é que Hitler abateu milhares de comunistas na Alemanha. Hitler desprezava Karl Marx (um judeu que se tornou um ateu comunista), pretendia ao longo do tempo erradicar o comunismo. Quando Hitler invadiu a União Soviética e seus países vizinhos, o tratado foi quebrado. A França defendia a democracia, que também foi alvo pelo anti-democrático Hitler. Uma vez que a democracia permite a liberdade de diferentes religiões e raças, a França era contraditória com a meta de Hitler - uma população que poderia ser dominada por cristãos de pele branca. À semelhança do que aconteceu na União Soviética, Hitler conquistou os países vizinhos, antes de passar para a invasão desta, na famosa Blitzkrieg na Holanda e Bélgica. Hitler invadiu praticamente todos os poderes mundiais, e apenas três dos mais poderosos países se mantiveram firmes, e um deles era um aliado. É por isso que o ainda enigmático Imperador Hirohito concordou em tornar-se um aliado de Hitler. O Japão é um país de nãobrancos e tem cidadãos não-religiosos (por filosofia, a maioria dos japoneses são ateus). Hitler tinha traido os soviéticos, ele também teria traído Japão se tivesse a oportunidade. Mas o Japão tinha um culto quase fanático de fidelidade ao Imperador Hirohito, que foi declarado um ―deus vivo‖, como regra. A Grã-Bretanha e a sua poderosa Commonwealth (do qual faziam parte o Canadá e a Austrália, por exemplo), já tinha abolido há muito tempo a escravidão negra, e um século antes, aboliu uma lei que exigia o juramento de ―uma verdadeira fé de cristão‖, permitindo que outras religiões como o judaísmo. Hitler queria invadir a Grã-Bretanha e conquista-la, e ao mesmo tempo por meio do Pacífico, o Japão atacou os Estados Unidos, que deixou de lado a sua neutralidade na Guerra.

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Nos Estados Unidos, os Pais Fundadores, expressavam em seus escritos, uma antipatia ao cristianismo. Eles elaboraram uma Constituição laica, e uma lei para a separação do Estado e da Igreja. ―O Governo dos Estados Unidos da América não é, em qualquer sentido, fundado sobre a religião cristã‖ - George Washington, sobre o Tratado de Trípoli A escravidão negra nos Estados Unidos foi abolida por Lincoln quando ele venceu a guerra civil com o sul religioso. Os Estados do Sul pretendiam se separar da União, porque eles acreditam que a escravatura era uma necessidade economica e religiosa. Após a derrota do Sul, pouco a pouco, a América se tornou um país multi-racial. A queda de Hitler: a ação dos governos seculares contra a fé cega como regra Hitler, depois de ter conquistado quase todos países da Europa, ele partiria ao ataque contra a Bretanha e depois contra os Estados Unidos sucessivamente. Porém, uma defesa coordenada entre os Estados Unidos, Reino Unido e a União Soviética, resistiu aos ataques nazistas, e combinado com a cooperação de demais países no mundo, entraram em uma guerra que foi de longe a mais sangrenta e destrutiva que o mundo jamais assistiu, e Hitler foi derrotado juntamente com os países do Eixo. O Imperador Hirohito, diante da derrota, emitiu uma declaração renunciando à sua pretensão de ser um ―deus vivo‖ e a rendição incondicional do Japão. Ele foi despojado de seu poder, e foi reduzido a ser um símbolo da realeza japonesa. Em seguida os Aliados, com uma Constituição democrática, foi instituída para substituir Hirohito da adoração como um pseudodeus, introduziu a separação entre a Teologia e o Estado de Direito no Japão. A maioria dos japoneses hoje são pessoas não-religiosas, e mesmo o xintoísmo é uma religião nãoconfessional animista. O xintoiísmo não se baseia num deus pessoal, mas atribui características ―vivas‖ a tudo que existe no mundo. Mussolini, um outro aliado de Hitler, e o chefe dos fascistas da Itália, fez um pacto com a Igreja Católica para permitir que o Vaticano seja um Estado Independente. Mussolini, como Hitler, é um anti-comunista, um movimento que granjeou o apoio da Igreja Católica. Quando a Itália foi derrotada, e as forças aliadas foram quase ao seu centro de comando, Mussolini e a sua amante foram alvejados por um comunista italiano. Apesar dos protestos do Vaticano, o divórcio e o aborto são legais por lei na Itália de hoje. De todos os poderosos aliados de Hitler, apenas o ditador Franco, que governava uma Espanha fascista, permaneceu até a sua velhice. Ao longo de seu mandato, ele aplicou regras estritas sobre os costumes sociais, baseados na Igreja. Homossexualidade, prostituição e outras coisas, fez dessas praticas proibidas e encaradas como uma ofensa criminal. Os casamentos civis que ocorriam antes da Era Franco, foram declarados nulos e sem efeitos e tiveram de ser reconfirmados pela Igreja. Após a sua morte, uma seita da direita católica, declarou-o como um santo. O Vaticano, por questões de conveniência, manteve-se afastado da questão e rejeitou a canonização. Após a morte de Franco, varias das suas estátuas e outros símbolos públicos de Franco, foram removidos. E uma pesquisa investigativa foi iniciada para localizar as valas de suas vitimas

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executadas. Adicionalmente, a União Européia tem tomado medidas no sentido de reescrever a Histórica e mudar os pontos de vista sobre Franco. A Espanha, depois de Franco, passou a ter partidos constituídos por democratas, socialistas e comunistas. O divórcio, abortos, casamentos gays foram todos legalizados. A lei machista que exigia a permissão dos maridos às mulheres para fazer qualquer coisa também foi abolida. A educação sexual é agora parte do currículo escolar, e foi descriminalizado o adultério. Hitler, o homem cuja fantasia ilusória de um mundo exclusivo para pessoas de pele branca, para que os cidadão possam ser facilmente manipulados por meio de sua fé inquestionável em uma única Igreja Cristã - falhou. Quando as forças aliadas avançaram ate o seu quartelgeneral - os Estados Unidos e a Grã-Bretanha no oeste da França, e a União Soviética a partir do leste - ele sacou a sua arma, apontou-a em sua cabeça, e com um ato de covardia, tentou escapar à realidade. Boas pessoas vão fazer coisas boas e pessoas más vão fazer coisas ruins. Mas para que pessoas boas façam coisas ruins, é preciso ter uma religião. - Steven Weinberg, Prêmio Nobel O Julgamento de Nuremberg O termo ―Julgamentos de Nuremberg‖ (oficialmente o Tribunal Militar Internacional vs. Hermann Göring et al.) aponta inicialmente para a abertura dos primeiros processos contra os 24 principais criminosos de guerra da 2ª Guerra Mundial, dirigentes do nazismo, ante o Tribunal Militar Internacional (International Military Tribunal) em 20 de novembro de 1945, na cidade alemã de Nuremberg. Após estes julgamentos, foram realizados os Processos de Guerra de Nuremberg, que também levam em conta os demais processos contra médicos, juristas, pessoas importantes do Governo entre outros, que aconteceram perante o Tribunal Militar Americano e onde foram analisadas 117 acusações contra os criminosos. Os resultados do julgamento podem ser vistos aqui, e recomendamos um filme lançado em 2002 sobre o mesmo tema. A Igreja católica apóia ativamente o crescimento dos totalitarismos na Europa. Na Áustria, o seu apoio ao Austro-Fascismo é total. Na Itália, ela assina com o regime fascista uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado: os italianos podem de novo votar sem serem excomungados, pena que isso de pouco serve em período de ditadura. A Igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações: todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a Ação Católica não se deixe tentar por ações antifascistas. Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita ―Patti Lateranensi‖, é qualificado pelo papa como ―o homem da providência‖. Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano. Essa bela harmonia vai resistir mesmo ao momento de tensão causado pela estátua de Giordano Bruno. O papa aproveita a concordata para pedir ao seu amigo ditador que destrua a estátua erigida em 1889. O ditador, que tem um filho com o nome de Bruno, toma a defesa do livre-pensador e declara à Câmara de Deputados que ―A estátua de Giordano Bruno, melancólica como o destino desse monge, ficará onde ela está. Tenho a impressão que seria se encarniçar contra esse filósofo que, se equivocado e persistiu no erro, no entanto já pagou‖.

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Para mostrar que não se arrepende de nada a Igreja canoniza então Roberto Bellarmino, o acusador de Giordano Bruno, nomeando-o ―Doutor da Igreja‖. Na Alemanha, em janeiro de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um prelado católico (Pralat Kaas), vota plenos poderes para Hitler: este último pode assim atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição. Com uma caridade toda cristã, o bom prelado aceita também fechar os olhos para os discutíveis processos nazistas, como a prisão dos deputados comunistas antes da votação. Depois a Igreja começa a negociar uma nova concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-o ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação da hierarquia católica, deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único. Hitler declara-se católico no ―Mein Kampf‖, como foi dito. Também afirma que está convencido ser ele um ―instrumento de deus‖. A Igreja católica nunca colocou no seu Índex o ―Mein Kampf‖, mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que o programa antissemita do futuro chanceler não desagradava à Igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs e reintroduzindo a frase ―Gott mit uns‖ (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão. Em 1933, a Igreja Católica Romana firmou uma concordata com os nazistas. O cardeal católico-romano Faulhaber escreveu a Hitler: ―Este aperto de mão com o Papado . . . constitui um feito de imensurável bênção. . . . Que Deus proteja o Chanceler do Reich [Hitler].‖ Em 1938, as SS e SA organizam a ―Noite de Cristal‖: com trajes civis, os milicianos nazistas atacam sinagogas e lojas pertencentes a judeus. A população alemã está horrorizada e aterrorizada. O bispo de Freiburg, monsenhor Gröber, declara então, em resposta às perguntas sobre as leis racistas e os pogroms da noite de cristal: ―Não podemos recusar a ninguém o direito de salvaguardar a pureza da sua raça e de elaborar medidas necessárias a esse fim‖. Na Espanha, um general tenta um golpe de estado militar, que aborta mas degenera em guerra civil. A Igreja o apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa Te Deum pelas suas vitórias contra o governo republicano legítimo. A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus piedosos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica. Na França, a Igreja declara, desde 1940, que ―Petain é a França‖: ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria do estado francês às Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram. Durante a 2ª guerra mundial, o Vaticano estava ciente do extermínio dos judeus pelos nazistas. Saber-se-á, após a guerra, que o papa diversas vezes esteve para fazer um pronunciamento público, mas que finalmente se absteve essencialmente pela sua fobia ao comunismo e achando que uma vitória russa seria ―pior‖. No entanto ele chorou em 1942, junto às ruínas de Roma, bombardeada pelos aliados. Também ele se esquece de mencionar que o seu aliado político Mussolini tinha solicitado a Hitler para ter ―a honra de participar dos bombardeamentos sobre Londres‖, é verdade que o papa não habitava em Londres…

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O Vaticano anunciou que divulgou que irá liberar documentos que contêm informações sobre a relação entre a igreja e a Alemanha nos tempos do Nazismo. Os documentos, que até o momento só podem ser lidos por estudiosos por convite especial, contém registros de 1922 a 1939, que cobrem o período em que o papa Pio XII, que ocupou o posto no Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial, era o embaixador do Vaticano em Berlim. No entanto, o Vaticano admite que arquivos relativos ao período entre 1931 e 1934 foram ―quase completamente destruídos ou perdidos‖ durante o bombardeio de Berlim e um incêndio. Muito conveniente! O historiador católico Paul Johnson estimou que 40% dos integrantes da SS (um verdadeiro ―Estado-dentro-do-Estado‖ do Regime Nazista) eram católicos praticantes que se confessavam. Nenhum chegou sequer a ser ameaçado de excomunhão. Um caso interessante: Joseph Goebbels foi o único nazista a ser excomungado da Igreja Católica. Motivo: se casou com uma protestante divorciada! Cômico, não? Avalia-se em 50 ou 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. As perdas foram superiores na Europa Oriental: estimam-se 17 milhões de mortes civis e 12 milhões de mortes militares para a União Soviética, 6 a 7 milhões para a Polônia (primariamente civis), enquanto que na França o número rondaria os 600 000. O Holocausto comandado pelas autoridades nazistas, como parte da ―solução final‖ para o ―problema judeu‖, levaria ao genocídio de cerca de seis milhões de judeus nos campos de concentração, para além de outras pessoas consideradas indesejáveis, como membros da etnia cigana, eslavos, homossexuais, portadores de deficiência, ateus e dissidentes políticos. Milhares de judeus eram usados como cobaias em diversas experiências, o que acarretou a propagação de doenças como tifo e tuberculose. Após a guerra cresceram as pressões sobre a Grã-Bretanha para o estabelecimento de um estado judaico na Palestina; a fundação do estado de Israel em 1948 resolveria a questão dos judeus sobreviventes na Europa, já que parte considerável deles migrou para o novo estado. Um bom filme que mostra a ascenção de Hitler, desde que era um reles soldado até mostrarse como líder político na Alemanha é ―Hitler - The Rise of the Evil―, produzido pelo diretor Christian Duguay, e ganhou dois Prêmios Emmy, alem de receber outras cinco indicações importantes. Começa por fazer o retrato da mente jovem e em desenvolvimento de Hitler, acompanhando-o nos seus anos de formação e em como evolui no homem que explorou a Alemanha, que apelou por um líder que pudessem seguir. Motivado pela raiva e distorcido pelo ego, Hitler luta num mundo que acredita dever-lhe algo, seduzindo a Alemanha numa dança macabra de rendição e controle. Não, Hitler nunca foi ateu e seus ministros, menos ainda. Foi religioso desde o nascimento e morreu religioso, independente de como ele pensava que a religião era ou devia ser, não importa. O que importa é que a mentira descarada que ele era ateu, fazendo com que todas as pessoas que decidiram optar por não venerar nenhuma entidade supranatural tenham sua moral e ética questionadas por pessoas que seguem pastores que tentam passar em aeroportos com dinheiro escondido em Bíblias, e promovem ódio a membros de outras religiões, ou padres pedófilos ou que possuem a moral tão rasteira que qualquer grão de areia parece o Everest. Ser ateu não é garantia nenhuma de que uma determinada seja imensamente boa ou cruelmente perversa. É uma filosofia pessoal, onde pessoas boas e más decidem se querem seguir uma divindade ou não. O mesmo serve para os religiosos, pois nenhuma crença fará com que você seja melhor pessoa, e se o fizer, é pena. Se você é bom só para ganhar um lugar no céu ou para fugir do Inferno, então – parafraseando Albert Einstein – você faz parte

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de um grupo bem miserável. Assim, o problema não é se você acredita num deus será imediatamente mau. Mas também não fiquem vociferando por aí que qualquer um que siga uma religião é bom-moço, cumpridor de leis, amável e justo. A História demonstra que nem todas as pessoas religiosas são tão éticas e possuintes de bom caráter,e sim: podem nascer verdadeiros monstros que se apegam a um livro religioso. Pense nisso quando você sentar na sua igreja ou templo favorito e veja o mais fervoroso membro de sua congregação rezando com fervor. Nunca se sabe que mal se esconde nos corações humanos.

Evangelismo: a maior mentira da História Introdução Este não é um opús