Universidade da Beira Interior Ciências da Comunicação Públicos e Audiências

Docente: José Geraldes

Trabalho Realizado por: Mário Matos, nº 18672 Luís Machado, nº 18988 Manuel Bogalheiro, nº 19004

Índice
I . Introdução II . Universo de estudo III . Amostra III . Perfil IV . Ficha Técnica V . Critérios de qualidade dos Inquéritos VI . Inquéritos Modelo VII . Apresentação dos resultados pág.03 pág.04 pág.04 pág.06 pág.07 pág.07 pág.08 pág.10

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I. Introdução
Os indivíduos não actuam da mesma forma aos meios de comunicação social. Esta é a primeira premissa de qualquer medição de audiências, que se define pela tradicional forma de quem ouve, lê ou vê o quê, durante quanto tempo e de que forma. Nesta diversidade de possibilidades, os estudos de audiências devem, não só não ignorarem-na, como basear-se nela, considerando todas as variáveis possíveis e aplicando rigor nas metodologias escolhidas, de modo a que o estudo seja o mais sério e fidedignos possível. O que fizemos neste trabalho foi, a partir da simulação de um estudo, apresentar uma ficha técnica de uma medição que pudesse traduzir rigor e adequação de forma a poder constituir-se como válida em relação ao fenómeno observado. O estudo concreto desta simulação, que é relativa ao meio de comunicação imprensa, constitui-se na avaliação dos hábitos de leitura dos próprios jornalistas dos principais jornais nacionais. Os jornalistas são, neste estudo, encarados como leitores e não, ainda que isso não seja ignorado, como enunciadores de informação. O objectivo é procurar medir, em termos percentuais, os hábitos de leitura de cada jornalista, em função da tarefa que desempenha ou do cargo que ocupa no jornal. Para este efeito são consideradas várias questões, de modo a aferir práticas de leitura em relação ao jornal em que trabalham, em relação à restante imprensa e em relação à leitura em geral.

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II. Universo
O universo em estudo é constituído por indivíduos de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 15 anos, residentes em Portugal Continental, o universo definido em toda a Europa para os estudos de audiência para imprensa. Concretamente neste estudo, o universo circunscreve-se a todos os jornalistas de imprensa dos jornais de âmbito nacional. Por jornais de âmbito nacional entendemos os seguintes: Publico, Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Expresso, Sol, 24 Horas, O crime, A bola, Record, O jogo, Diário Económico, Jornal de Negócios e Semanário Económico. Referimo-nos, neste caso, a 1147 profissionais com carteira reconhecida pelo Sindicato de Jornalistas.

III.

Amostra
Para a designação de uma amostra – conjunto de pessoas submetidas ao

questionário e cujas respostas serão tidas como representativas de uma população mais vasta. Reconhecendo duas metodologias possíveis - o método probabilístico ou aleatório e o método das quotas - optámos pelo segundo, para o estudo em questão. Este consiste em designar uma amostra estruturada à imagem da população de conjunto, segundo um certo número de critérios fixos e convencionais. Os critérios escolhidos para o nosso estudo são: idade, sexo, naturalidade, rendimento mensal, posição ocupada na hierarquia do jornal. Consideramos os seguintes cargos: • Redactores/Repórteres • Editores de Área ou Secção • Chefe de Redacção • Subdirector • Director Seguindo a metodologia habitual de determinação da amostra, o nosso processo dividiu-se em dois momentos. Num primeiro momento estabeleceu-se um tipo de modelo reduzido da população estudada. De acordo com o nosso estudo, a amostra
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corresponde aos jornalistas de imprensa com carteira profissional da área metropolitana de Lisboa. A determinação deste modelo reduzido tem como objectivo estabelece r com precisão o número de a inquirir em cada uma das categorias. Num segundo momento, procedemos à selecção dos indivíduos que são submetidos a questionário. Toda esta selecção é feita respeitando fielmente o modelo reduzido. Desta forma, dividimos a amostra em categorias, segundo o cargo ocupado pelos indivíduos na hierarquia da empresa. Assim sendo, será feita uma divisão entre Director (classe A), Subdirector (classe A), Editores de Área ou Secção (classe B), Chefe de Redacção (classe B), e Redactores/Repórteres (classe B e C1). De um universo de 1147, foram realizadas 300 entrevistas, que no seu conjunto se revelam representativas do seu universo, distribuídas da seguinte maneira:

Sexo Masculino: 139 Feminino: 161

Faixas Etárias 18-34 anos: 125 35-54 anos: 162 + 56 anos: 13

Zonas Grande Lisboa: 139 Grande Porto: 116 Litoral Centro: 22 Litoral Norte: 11 Interior Norte: 9 Sul: 3

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IV.

Perfil dos inquiridos

Em função da representatividade da amostra, operámos uma divisão estratificada por cargos ou posições hierárquicas do jornal. Partindo desta estratificação, podemos distinguir o perfil socioeconómico das várias classes inquiridas: Classe A, que inclui os directores de informação; Classe B, que editores de área ou secção, chefe de redacção e alguns redactores/repórteres; e Classe C1, que inclui os restantes redactores, não incluídos na Classe B. Neste estudo, não foram inquiridas as classes C2 e D por não serem suficientemente significantes para serem tidas em conta para efeitos de representatividade. Apresentamos uma breve definição de cada classe, baseando essa descrição nos critérios leccionados na disciplina de Públicos e Audiências, com a ressalva de que as classes têm em conta o panorama jornalístico; neste caso, as habilitações literárias são aproximadas de classes para classe (desde o directo, da Classe A ao redactor, da Classe C1, por exemplo), sendo a principal variável, o rendimento.

Classe A – nesta categoria estão concentrados quadros médios ou superiores. É constituído, no mínimo, por 50% de licenciados e 40% de indivíduos com habilitações iguais ou superiores ao 12º ano de escolaridade. O seu grupo etário maioritário situa-se entre os 35 e 44 anos, com um rendimento mensal mínimo que oscila entre 1700 e 2000 mil euros, correspondendo o rendimento mínimo individual a cerca de 950 euros. Classe B – inclui quadros médios ou superiores, mas em número mais reduzido da categoria anterior. As habilitações literárias são maioritariamente o 12º ano e licenciatura, ainda que em menor número que na classe anterior. A faixa etária maioritária situa-se entre os 25 e 34 anos e 34 aos 44 anos. O rendimento mensal líquido medeia os 1150 euros, enquanto 650 euros corresponde ao rendimento individual médio. Classe C1 – o grau maioritário das habilitações literárias vara entre o 12º ano e a licenciatura. As idades vão desde os 25 aos 34 anos e dos 35 aos 44 anos. O rendimento mensal líquido familiar ronda os 800 euros, sendo 500 euros a média do provento individual.

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V.

Ficha Técnica

Esta sondagem de opinião foi realizada pela TestCom3M, para a revista Indexações, com o objectivo de avaliar os hábitos de leitura dos jornalistas. A recolha de informação foi efectuada através do método de questionário, que contém 13 questões de reposta fechada e semi-aberta. O período de recolha de informação decorreu entre 5 e 10 de Janeiro de 2008, nas instalações dos jornais referidos, através de 300 entrevistas validadas. O erro de amostragem máximo desta amostra é de 3,08%, para um intervalo de confiança de 95,0%

VI.

Critério da qualidade dos inquéritos

A objectividade e qualidade deste questionário estabelecem os resultados do mesmo. De realçar que os entrevistadores se limitaram a anotar as respostas dadas pelos inquiridos e, de forma alguma, os entrevistados estiveram sujeitos a quaisquer pressões psicológicas no decorrer do processo. No entanto, a utilização do questionário pode acarretar três problemas: - Importância precisar a pertinência dos assuntos para o entrevistado; - Fundamental apresentar de forma clara e inequívoca as questões; - Ordenar por uma ordem lógica as perguntas, seguindo determinadas regras; Simplificando, as questões devem ser curtas, precisas, claras, directas, inequívocas e imediatamente compreensíveis para o entrevistado, assumindo um papel assaz importante o teste do questionário antes deste ser aplicado. A selecção do vocabulário é outro ponto a ter em conta, um mau uso das palavras pode orientar, mesmo que de forma involuntária, as respostas. A coerência das ideias, reflectida na ordem das questões é imprescindível. Estas devem obedecer a um fio condutor. As perguntas podem ser abertas – para assuntos mas polémicos, delicados ou que levantem reticências ao interrogado, fechadas – quando as perguntas exigem uma reposta directa e linear – ou semi-fechadas – quando se verifica o misto das duas anteriores – , de modo a abrir uma margem de maior ou menor iniciativa à pessoas interrogada. Tudo depende dos objectivos do estudo.
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Inquérito Modelo

1. 2. 3. 4. 5.

Idade Sexo Naturalidade Cargo ocupado Rendimento mensal

6.

Enquanto leitor, o jornal em que trabalha é aquele que lê preferencialmente? a. b. Sim Não

7.

Enquanto leitor, quanto tempo dedica à leitura de jornais? 5 a 19 minutos 20 a 39 minutos 40 a 60 minutos + de 60 minutos

8.

Em que suporte prefere ler essas publicações a. b. Edição impressa Edição online

9.

De que forma chega à publicação? a. b. c. d. e. Assinatura papel Assinatura on-line Compra regular Consulta gratuita Através do jornal onde trabalha

8

10.

Procura, preferencialmente, conteúdos da secção para onde escreve enquanto jornalista? (Se ocupar o cargo de director ou subdirector de informação, passe para a questão seguinte)1 a. b. Sim Não

11. Se respondeu sim à questão anterior, assinale quais? a. b. c. d. e. f. g. h. Política Economia Desporto Internacional Regional Cultura Crime Outro

12. Procura conteúdos além de informação? a. b. Sim Não

13. Que conteúdos procura preferencialmente? a. b. c. d. Classificados Necrologia Passatempos, horóscopo e meteorologia Outros

A justificação de se excluírem desta resposta os cargos de director e subdirector deve-se ao facto de não se poder associar particularmente a estas pessoas, nenhuma secção de um jornal para a qual escrevam.

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VII.

Apresentação de resultados

Os dados que de seguida se apresentam, são apenas representativos do universo de estudo, uma amostra da população geral. Também no seguimento do que atrás indicámos, os dados aparecem organizados em função das várias posições consideradas de um jornalista na empresa jornalística, neste caso um jornal. Como indicámos anteriormente, este estudo pretende facultar dados que permitam compreender os hábitos de leitura não do público, mas dos próprios jornalistas da imprensa escrita. Assim, seguem-se os dados recolhidos nos 300 inquéritos, amostra representativa de um universo de 1147 jornalistas com carteira profissional, efectuados nas zonas Marktest de medição de audiências.

Enquanto leitor, o jornal em que trabalha é aquele que lê preferencialmente

Sim – 71% Não – 29%

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
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Sim Não

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Enquanto leitor, quanto tempo dedica à leitura de jornais?

5 a 19 minutos – 4,4% 20 a 39 minutos – 6,8% 40 a 60 minutos – 41,4% + de 60 minutos – 47,4%

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 5 a 19 20 a 39 40 a 60 + de 60

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Em que suporte prefere ler essas publicações

Edição impressa – 58,4% Edição online – 42,6%

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Impressa Online

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De que forma chega à publicação?

Assinatura papel – 6% Assinatura on-line – 9% Compra regular – 13,8 Consulta gratuita – 4,6% Através do jornal onde trabalha – 67,7%

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

Ass. Papel Ass. Online Comp. Regular Consul. Gratuita Jornal onde Trabalha

Su

s re cto o çã da da Re Re de e ef ão Ch cç Se de e ef Ch es or ct ire bd

Procura, preferencialmente, conteúdos da secção para onde escreve enquanto jornalista?

Sim – 57% Não – 43%

D or ct ire es

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
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Sim Não

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De entre os conteúdos que se seguem, ordene, de 1 a 5, os que mais procura

Política – 46% Economia – 11,6% Desporto – 7,8% Internacional – 25%

Regional – 0% Cultura – 11,4% Crime – 1% Outro – 0,8%

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

Política Economia Desporto Internacional Regional Cultura Crime Outro
s re cto o da çã Re da Re de e ef Ch ão cç Se de e ef Ch es or ct ire bd Su D es or ct ire

Procura conteúdos além de informação?

Sim – 59,08% Não – 40,02%

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0
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Sim Não

R de

13

Que conteúdos procura preferencialmente?

Classificados – 18,4% Necrologia – 63% Passatempos, horóscopo e meteorologia – 17,4% Outros – 1,2%

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

Classificados Necrologia Pas, Hor, M eteo Outros

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