Universidade da Beira Interior Linguagem dos Media

Reportagem de: Sílvia Souto Cunha Com: Carla Melo e Maria João Sequeira

Trabalho realizado por: Mário Matos, nº 18672

Docente: João Correia
David Barôa, nº 18681 Sofia Simões, nº 19286 João Pereira, nº 19394 2006/07

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ÍNDICE DE PAGINAÇÃO

I. II. III.

Introdução ..........................................................................................pág.3 Processo de selecção do material a utilizar ........................................pág.4 Problematização .................................................................................pág.4 A. Análise da imagem ............................................................pág.5 B. Enquadramento .................................................................pág.6 C. Detecção e análise de figuras de estilo ..............................pág.6 D. Identificação de tipificações e/ou estereótipos..................pág.9 E. Estratégias segundo Kenneth Burke ..................................pág.10 F. Estratégias enunciativas .....................................................pág.11 G. Mecanismos de autenticação e credibilização ..................pág.12 H. Verificação de ideologias ..................................................pág.13

IV.

Conclusão ..........................................................................................pág.14 Anexos ...............................................................................................pág.16 Bibliografia .......................................................................................pág.17

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I.

Introdução

O presente trabalho foi realizado no âmbito da avaliação contínua da disciplina de Linguagem dos Media (5314) e constitui a aplicação prática em grupo dos conhecimentos adquiridos durante a leccionação da disciplina. Os media são parte inerente à sociedade e, segundo Émile Durkheim, um dos mecanismos ou instituições de controlo social. Os meios de comunicação nas sociedades contemporâneas assumem, assim, assaz importância pelo seu carácter eminentemente informativo mas igualmente de entretenimento, especialmente potencializado com o aparecimento dos meios tecnológicos que alargaram o seu poder. Por outro lado continuam a funcionar como instrumento de controlo social. Desta forma torna-se crucial avaliar de que forma a linguagem utilizada pelos media potencializa esta vertente informativa e de controlo, estudando a forma como apresentam os diversos assuntos, analisando os elementos constituintes de cada molécula informativa numa análise a possíveis elementos que evidenciem a transmissão implícita ou não de dados que possam tornar tendencioso o discurso jornalístico, nomeadamente no que concerne à transmissão determinadas ideias em detrimento de outras, favorecendo, desta forma, os produtores da ideia que prevalece e se veicula nos media. Assim, a linguagem dos media através da análise de conteúdo, do discurso e da imagem permite avaliar de que forma se abordam os temas nos meios de comunicação. Decompondo o trabalho jornalístico a fim de detectar elementos como o enquadramento, ideologia, tipificações e estereótipos, estruturas narrativas, estratégias implícitas ou explícitas, estilo da linguagem e diversos outros elementos. É nestes contornos que o nosso trabalho será desenvolvido. Desta forma seleccionámos um trabalho onde pudéssemos aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do semestre, escolhendo para isso um elemento de análise que permitisse tanto análise de texto como imagem de forma a apresentar um estudo mais completo e aplicado aos elementos que foram alvo de análise no decorrer das aulas. Após alguma procura de elementos escolhemos a reportagem VISÃO “O fim

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dos tabus” de 12 de Junho de 2001, da revista número 4311 como alvo da nossa aplicação de conhecimentos.

II.

Processo de selecção do material a analisar A nossa pesquisa de material de análise foi efectuada no Arquivo da

Biblioteca Central da U.B.I. entre os dias dois e seis de Abril sendo primeiramente de escolha de jornais e posteriormente, por decisão unânime do grupo, de selecção de uma reportagem da revista VISÃO: “O fim dos tabus”. Na pesquisa da reportagem a analisar cada elemento do grupo ficou encarregue de ver e seleccionar as dez reportagens mais interessantes e ricas em conteúdo, sendo finalmente escolhida a reportagem a analisar de entre as 40 seleccionadas pelos membros do grupo entre revistas do ano de 2000 a 2007. Seleccionado o material a analisar passámos a fase seguinte e mais importante: escolha do método de abordagem da reportagem.

III.

Problematização: escolha do método Após a selecção do material em concreto elaborámos um pequeno índice de

tarefas a realizar por ordem determinada (leitura integral da peça e análise). Nesta fase da análise recorremos a uma metodologia que consistiu em abordar a reportagem segundo o plano definido consoante os elementos fornecidos. Essa análise abordou os conteúdos seguintes: A. Análise da imagem B. Enquadramento C. Detecção e análise de figuras de estilo D. Identificação de tipificações e/ou estereótipos

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O material analisado pode ser consultado nos Anexos deste trabalho. Trabalho de grupo

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E. Estratégias segundo Kenneth Burke F. Estratégias enunciativas G. Mecanismos de autenticação e credibilização H. Verificação de ideologias Assim, seguindo este modelo metodológico de análise, vamos passar a apresentar os resultados do nosso trabalho sob a forma de texto estruturado de forma respeitante ao modelo de tópicos atrás enunciado.

A.

Análise da imagem A capa foi o primeiro contacto que tivemos com a reportagem e um dos

motivos que nos levou a escolhe-la como objecto do nosso estudo na medida em que nos remete de imediato para uma outra imagem: o pecado original. Esta imagem recria o pecado de Adão e Eva e funciona como uma metáfora que se refere aos debates na praça pública portuguesa de temas relacionados com o sexo e a forma como os portugueses lidam com esses temas. Em primeiro lugar a posição dos próprios modelos suscita em nós uma inegável e imediata ligação para o a mais famosa trincadela do fruto proibido da “árvore do conhecimento e do mal” que ditou a expulsão de Adão e Eva do paraíso e privou a Humanidade, segundo a religião cristã, da perfeição e vida infindável, condenando-a à luta por um lugar melhor. A figura masculina que abraça a feminina como que aprovando a acção pecaminosa. Além disso ambos olham para o fruto do seu pecado (a maçã) sem, no entanto, parecerem muito perturbados com a acção de pecado ou verdadeiramente arrependidos do seu “pecado” A maçã, o pomo da tentação aparece na primeira imagem da página inicial desta reportagem não com uma dentada como Eva fizera2 mas praticamente comida. Esta modificação pode ser encarada como metáfora da crescente desinibição dos portugueses em falar de sexo e todos os assuntos a ele inerentes (despertar para a
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sexualidade, o sexo entre casais, o sexo na televisão, as posições sexuais, todo um role de assuntos relacionados). É este crescendo dos portugueses falarem de sexo sem pudor o tema abordado pela reportagem.

B.

Enquadramento A presente reportagem foi realizada acerca de seis anos, altura da

proliferação dos Reality Shows em Portugal e cerca um mês após o fim do Segundo Big Brother3 além de que é efectuada numa altura em que as marcas cada vez mais publicitam os seus produtos conotando-os com valores exacerbados de sensualidade, associando o consumo dos seus produtos ao prazer. Ao longo dos Big Brother foram várias as cenas de sexo, ponto para ao qual a reportagem faz alusão, inclusive introduzindo imagens comprobatórias. Estas imagens escaldantes mereceram “honras de discussão nacional” e levantaram questões relativas à forma como o sexo passou a ser encarado entre os portugueses: sem tabus ou quaisquer tipos de pudores. O enquadramento escolhido por Sílvia Souto Couto, Carla Melo e Maria João Sequeira é o de olhar a sociedade portuguesa à luz destes acontecimentos recentes da revolução dos Reality Shows e a crescente facilidade de falar de sexo, explicando as mudanças encetadas na sociedade nacional e as inúmeras causas dessas mutações nas “mentes sociais”4 dos portugueses, recorrendo para isso a declarações de sociólogos e psicólogos que procuraram elucidar sobre essas mudanças e a nova forma como os portugueses encaram o sexo.

C.

Detecção e análise de figuras de estilo Com as figuras de estilo procuram-se transmitir ideias que tenhamos e que

poderiam ser expressas por palavras simples, no entanto, as figuras de estilo realçam, destacam e prendem mais facilmente a atenção do leitor, especialmente quando bem aplicadas, levando-o a reflectir sobre as suas significações algo que, caso fosse expresso
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Primeiro Big Brother (3.09.00 a 31.12.00); Segundo (21.01.01 a 20.05.01)

“A constituição social da mente: (re) descobrindo Jerome Bruner e construção de significados”; Mônica F. B. Correia; Universidade Federal da Paraíba; 2003 Trabalho de grupo

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numa linguagem explícita facilmente passaria despercebido ao leitor mas que com os recursos estilísticos é destacado. Esta reportagem, assim como a maioria dos textos deste género jornalístico, é rica em recursos estilísticos. Nessa medida apenas iremos referir alguns exemplos. Não fosse o tema “O Fim dos Tabus” talvez a linguagem não fosse tão informal e até em certas partes recheada de coloquialismos. O super-lead inicia-se de imediato com a repetição da palavra “sexo”, acabando com a anáfora “Ele há beijos, abraços e carinhos ousados (…), ele há confissões em directo, ele há sexo ao vivo!”. Mas não só, é-nos ainda explicado no super-lead que este tema é falado nos mais diversos meios sociais, “sexo! É o novo mantra nacional, entoado dos media às alcovas (…)”. Todo este parágrafo tem uma crítica social implícita mascarada por um certo humorismo encontrado no coloquialismo e gradação da frase que termina o super-lead. Um exemplo bastante bom de um superlead apelativo que cativa os leitores para a leitura integral da peça através de frases enigmáticas que apelam a descodificação do seu sentido. No entanto, se dúvidas restarem quanto à intenção irónica dos autores, tomemos como exemplo o lead da reportagem: “Com um vibrador na mão, a aniversariante que cumpre 31 anos exclama perante o último presente: «Ah, é um aparelho de massagens… facial» ”. Esta atitude rapidamente merece um comentário fortemente sarcástico “(o argumento dito feminino funciona como carros, porque não há-de funcionar com vibradores?)”. E o sugestivo objecto, reduzido à condição de electrodoméstico íntimo (…)” que reafirma o carácter irónico/sarcástico que envolve toda a reportagem. Desta forma mordaz os jornalistas captam a inibição inicial em relação ao presente, inibição essa que rapidamente passa para um role de opiniões como se da avaliação de um carro se tratasse. No parágrafo seguinte é referido que esta situação é da vida real e não dos Reality Shows afirmando que não são apenas as televisões que banalizam tais práticas na medida em que “(…) basta «levantar as antenas» para perceber que um vento de mudança percorre o país”. Uma metáfora finalizada com a controversa e ambígua frase “o sexo está na boca do povo”. Além das já mencionadas o texto comporta diversas outras, das quais devemos realçar: que “as sex-shops (…) se integram pacificamente na paisagem urbana”, “as crianças que brincavam ao «ao Sérgio e à Verónica» ” e “(…) o

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imaginário masculino português não mudou muito: «A maneira como se pinta é que é diferente» ” o strip- tease e o table- dancing “perderam o perfume da transgressão”, o prazer de fugir à norma foi substituído e tornou-se uma trivialidade comum nas saídas entre amigos. Estes exemplos apenas para citar algumas das metáforas que melhor retratam a capacidade da metáfora em recriar os mesmos ditos de forma diferente e, desta forma, tornar mais aprazível e simultaneamente rica a reportagem. Contudo, apesar do trabalho estar recheado de metáforas e ironias nem só destes recursos estilísticos vive esta reportagem. Não fosse o sexo debatido e simultaneamente adorado em todas as línguas os galicismos “l’amore, l’amore ” e anglicismos como “Sexappeal”, que conferem à reportagem um certo carisma desta célebre exclamação francesa ou a intraduzível expressão inglesa, seriam impossíveis de aplicar. Ainda dentro nos recursos estilísticos podemos referir: a comparação “um dado adquirido para um povo que não tem o famoso à-vontade dos suecos ou a tradição conquistadora dos franceses” aludindo ao facto de os portugueses dizerem algo e fazer outra coisa diferente encarando a distância entre as duas acções como tabus, ao contrário de outros países; a perífrase “paraíso do erotismo made in USA” como referência às Produções da Playboy; e a redundância “cada sociedade tem os seus valores e os jovens de hoje têm também o seu sistema de valores próprios”, reforçando a ideia de que a forma como se encara o sexo e os seus chamados tabus varia de sociedade para sociedade e dentro da própria sociedade diferem entre os indivíduos da comunidade. Os concorrentes dos Reality Shows exibidos em Portugal (especialmente os da primeira versão do Big Brother) podem funcionar como uma metonímia da sociedade portuguesa que, se por um lado demonstra já menos dificuldades na altura de abordar questões ligadas ao sexo do que as gerações que os antecederam, por outro lado revelam alguma agnosia no que diz respeito a esta matéria. Durante todo o programa o sexo foi um dos temas que mais veio ao de cima, quer por alguns participantes que pretendiam passar uma imagem de grande conhecimento e confiança sobre este assunto, quer pela ignorância que outros concorrentes possuíam e que deram azo a comentários, críticas e a ridicularizar situações íntimas vividas pelos casais então formados, relembremos o “órgias”.
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O facto de doze pessoas poderem ser consideradas como representativas da sociedade em que se integram funcionou ao mesmo tempo como alavanca para um cada vez maior destaque dado ao sexo e impulsionador de audiências. Ao colocarem o país a falar de sexo sem os tabus de outrora estes concorrentes, quer se queira quer não, abriram um pouco a mentalidade dos portugueses e isso foi bem visível nas seguintes edições do mesmo concurso em que cada vez mais os concorrentes se mostravam desinibidos e menos preconceituosos. Este é um trabalho repleto de figuras de estilo da primeira à última linha, dotado sobretudo de metáforas e ironias e usando uma linguagem informal por diversas vezes recorrendo a coloquialismos como forma de ironizar e simultaneamente mostrar um certo desagrado pela banalização do sexo mas igualmente pelo carácter aparentemente pudico que Portugal e os portugueses tentam passar para o mundo.

D.

Identificação de tipificações e/ou estereótipos Ao longo do texto existe uma clara alusão a um estereótipo que vai sendo

desconstruído no decorrer da peça: o falso puritanismo português. Uma ideia pré concebida e errada de que a “população portuguesa foi educada em princípios rígidos”, algo que rapidamente é negado na medida em que “só existe ao nível do discurso, da prática não há”. Além disso a inibição apenas se verifica inicialmente mas rapidamente se ultrapassa (relembremos o casos das jovens que estranharam mas depois entranharam o tema do vibrador que depressa lhes passou de objecto estranho a conhecido de longa data). Não obstante, “A televisão é o reflexo da sociedade onde está constituída” sendo, desta forma impossível apelidar Portugal de um país de pessoas puritanas quando os programas de maior audiência nas televisões são os ditos da vida real (Reality Shows), repletos de cenas de sensualismo e sexo explícito e programas como “A dama de espadas” (SIC Radical), e os canais com maiores taxas de subida de assinaturas o Playboy e Sexy Hot. O estereótipo da mulher fatal é outro que se pode verificar nesta reportagem, não pelo próprio texto mas pelas informações visuais e respectivas legendas (pág.110 e 112) que apresentam a mulher fatal como tendo fiéis admiradores em tamanho número que a sua imagem acrescentada de sensualidade é utilizada nas campanhas aos mais

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variados produtos, a favorita dos homens, uma figura feminina que emana sensualidade. Esta mulher fatal apresenta-se invariavelmente ligada ao sensualismo e beleza e de formas corporais perfeitas capazes de fazer despontar uma das mais primárias necessidades do Homem. Uma figura feminina que apela ao espectador masculino. A mulher fatal é a Afrodite5 dos tempos modernos. Finalmente a figura estereotipada do metrossexual (pág. 113), igualmente de figuras corporais perfeitas que ocupa as mulheres no “novo desporto feminino nacional: assistir a shows de strippers masculinos”. Uma figura masculina também conjugada com um sensualismo que, à semelhança do efeito mulher fatal no homem, desperta nas mulheres sentimentos iguais.

E.

Estratégias segundo Kenneth Burke Neste ponto referimo-nos aos três tipos de estratégias discursivas

enunciadas por Kenneth Burke (implícitas de associação, implicação, conflito e falta). Desta forma, aplicando estes conceitos de Kenneth Burke podemos encontrar as estratégias implícitas de associação que começam nas imagens e se estendem ao texto em expressões que recorrem a recursos estilísticos. Começando pelo início a imagem de que serve de capa à revista, a mesma reproduzida na página inicial da reportagem tem uma analogia mitológica, apresentanos a crescente falta de pudor em falar de sexo com o “pecado original” cometido por Adão e Eva. Além disso é uma imagem que de imediato nos remete para o assunto da reportagem e, quer se admire ou condene, está uma imagem muito bem conseguida além de que desperta de imediato a atenção do leitor. As imagens das pág. 110, 112 e 113 representam a associação sexo/publicidade. As fotografias são invariavelmente referências ao carácter erótico e sexual que a publicidade aproveita para causar impacto e obter lucro com a venda dos produtos através destas associações. Uma estratégia que as empresas de publicidade usam e abusam correndo o risco de banalização tal deste carácter de associativo de

Deusa grega da beleza e da paixão sexual. Originário de Chipre, o seu culto estendeu-se a Esparta, Corinto e Atenas. Foi identificada como Vénus pelos romanos.

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consumo de produto igual a prazer libidinal que conduzirá mais tarde ou mais cedo à exaustão e consequentemente repulsa deste tipo de anúncios por parte do público. Além desta estratégia implícita de associação não devemos deixar de fazer referência às explícitas imagens da pág. 112, 113 e 114 que nada de implícito têm, pelo contrário, não podiam ser mais explícitas. A sua única e possível referência é, sem dúvida alguma ao sexo: a famosa rapidinha de 54 segundos do Big Brother; uma fotografia de uma montra de uma Sex-shop com direito à amostragem de todo o tipo de acessórios sexuais; a fotografia de António Pacheco ao lado de uma representação artística do pénis; os filmes “Amo-te Teresa”, “O império dos sentidos” e “De olhos bem fechados”. Todos estes elementos enunciados neste parágrafo complementam as imagens com referências implícitas como as enunciadas no parágrafo precedente e funcionam simultaneamente como incentivo a levar o leitor a pensar nas imagens com códigos e significados mais implícitos de forma mais atenta, limitando no entanto as conotações destes às denotações que se extraem das imagens explícitas. Finalmente devemos referir a estratégia de oposição entre a opinião dos profissionais (semelhante à posição que os jornalistas imprimem no texto) e dos portugueses em geral: por um lado os profissionais defendem uma maior abertura da educação e cultura ao tratamento de temas relacionados com o sexo e afirmam que a sociedade portuguesa é mais aberta a estes “temas escaldantes” do que a posição eminentemente pudica que se passa; por outro lado a sociedade portuguesa que ainda se encara como profundamente respeitadora dos valores tradicionais da religião cristã e bons costumes quando na realidade tem o Big Brother a liderar as audiências, encarando os Reality Shows como “o último ponto erógeno” descoberto.

F.

Estratégias enunciativas Como já referido anteriormente esta reportagem foi escrita de modo a

assumir um papel crítico e demarcado em relação à sociedade portuguesa. Apesar de se pautar sobretudo pela modalidade assertiva (“esta é uma cena da vida real … ”) esta reportagem acarreta ainda estratégias como a possibilidade (“o argumento feminino funciona com carros, porque não há-de funcionar com vibradores?”). No entanto são vestígios raros.

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A nível de opiniões prevalece na escrita uma demarcação entre as opiniões divergentes entre autores, figuras credíveis, o ethos das provas artísticas de Aristóteles e a sociedade em geral. Os jornalistas solidificam a sua posição recorrendo à citação dos profissionais que procuram ser objectivos nas suas investidas através da exposição de argumentos concretos, não havendo, desta forma, lugar para pressuposições, amálgama, intertextualidade ou dictização.

G.

Mecanismos de autenticação e credibilização

Os mecanismos de autenticação e credibilização na peça jornalística não foram esquecidos, a redundância é o mecanismo de autenticação utilizado. Podemos encontrála na sequência de lead, imagens e respectivas legendas. Neste ponto a ideia que os jornalistas tentaram passar além da realidade factual que apresentaram foi, sem dúvida alguma, o facto de o sexo ser cada vez menos um tabu e crescentemente um assunto predilecto de conversa, contrariamente às ideias antípodas que se tentam passar. Encontramos esta ideia espelhada no título [sexo] “O Fim dos Tabus”; no superlead [sexo] “É o novo mantra nacional”; no lead [sexo] “esta é uma cena da vida real”; nas legendas das fotografias [erotismo] “O erotismo serve cada vez mais para vender”, [erotismo e sexo] “(…) Playboy Tv. tem o seu público fiel de admiradores”, [sexo e debate público] “A rapidinha do Big Brother mereceu honras de discussão nacional”, [Erotismo] “Cada vez mais também em prime-time. Filmes, novelas, anúncios, todos usam e abusam”; e ainda nas fotos que acompanham a peça. Esta repetição sucessiva de ideias que expressam o mesmo reforçam o carácter cada vez menos e mais público do sexo e assuntos relacionados. Podemos ainda considerar os gráficos que acompanham a referida peça como meios de autenticação e credibilização. O primeiro tem como título “O forte está seguro” e explica que “quase um quarto das raparigas e um quinto dos rapazes ainda não tinham experimentado os prazeres do sexo aos 25 anos”; o segundo “quem ensina quem” é acompanhado com um texto que refere “pais e campanhas à parte, a contracepção aprendeu-se com os amigos”; o terceiro e último gráfico “sexo é com o namorado” afirma que “elas dizem que sim, eles nem por isso. É que «namorar» ou manter um «caso» não parece ter o mesmo significado para ambos os sexos”.

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Assim, recorrendo aos elementos referidos funcionam como mecanismos de autenticação e credibilização que imprimem à escrita jornalística uma fidelidade e simultaneamente coesão na medida em que servem para reafirmar as ideias que os jornalistas pretendem passar com a peça.

H.

Verificação de ideologias A visão que os jornalistas usaram na realização deste trabalho dá a entender

ao leitor uma visão sobre o modo desfavorável como a sexualidade é abordada na sociedade contemporânea portuguesa. O ângulo de abordagem é definitivamente um ângulo propício a uma crítica mordaz à sociedade e ao modo como esta, actualmente, reage ao tema sexo. Contudo, há uma consciencialização da evolução de ideias em relação à sexualidade “há umas décadas, eles descobriam a sua vida sexual essencialmente com prostitutas” actualmente as coisas não mudaram muito e a mentalidade matem-se, “a maneira como se pinta é que é diferente: antes esse imaginário era a preto e branco, hoje é muito colorido (…) o desejo é o mesmo, as fantasias é que vão mudando”, afirma Domingos Amaral, director da Maxim. Os portugueses vêm-se como um povo de mentalidade mais fechada e menos liberal, quase pudica, contudo esta reportagem vem demonstrar uma realidade que ninguém quer ver. O sociólogo Paquete de Oliveira argumenta que tem havido uma evolução dos costumes e que actualmente “as pessoas assumem com menos hipocrisia e mais sinceridade o tipo de relação que mantêm”. Juan Goldien, responsável da Endemol, a viver há sete anos em Portugal explica que “cada programa é um reflexo do povo, do país”, e que a tal imagem do país conservador “não é verdade. Há uma insegurança nos portugueses que os faz verem-se dessa forma”. No seguimento de uma visão de maiorias e minorias é José Pacheco, sociólogo, que explica que “na sociedade antiga, aqueles que sofriam (…) eram os que tinham uma forte orientação sexual (…). Hoje, é a minoria, o grupo com pouca vida sexual que sofre penalizações (…) ”. Neste sentido há claramente duas ideologias distintas: uma ideologia gerontocrática e outra dinamizada pelos mais jovens. A primeira está mais presa ao

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tempo, inclui as pessoas com mentalidades mais ligadas a tradições e valores religiosos rígidos; por outro lado as mentalidades dos mais jovens e deveras mais abertos a falarem de qualquer assunto sem quaisquer pudores, ultrapassando mesmo por vezes as barreiras do chamado “aceitável socialmente”.

IV.

Conclusão Através desta análise feita à reportagem “O fim dos tabus” podemos

concluir que o enquadramento escolhido pelos jornalistas foi obviamente o de procurar confrontar a visão puritana que se tem dos portugueses em geral e a seu pseudo pudor em falar de sexo ou o confronto dos princípios rígidos incutidos na educação com a verdadeira realidade: a descoberta por parte dos portugueses de que “falar de sexo é tão bom como fazê-lo”. A primeira visão apenas se verifica no que concerne ao discurso, pois nas acções confirma-se a segunda. Não existe recato de espécie alguma como se verifica pelos diversos exemplos dados pelo texto (o exemplo da “sem vergonha” que participam naquele telelixo – que curiosamente todos vêm – as visitas rotineiras a espectáculos de striptease e a proliferação de assinaturas dos canais eróticos e sexshops) e todas as imagens (uso da publicidade com ícones sexuais ou um screenshot da “rapidinha do Big Brother”) que adornam a reportagem e nos fornecem mais informação e material de análise. Para esta transformação não foi só o evoluir dos tempos que contribuiu, também o contributo dos media foi fundamental. Não se pode descuidar o facto de que foi a televisão que lançou os Reality Shows, que por sua vez lançaram o debate público acesso em torno dos assuntos do sexo, tal como é referido na última página da reportagem pela “ experiência das técnicas do serviço de telefónico Sexualidade em Linha que, após certas transmissões do Big Brother, responderam a muitas questões ” relacionadas com determinados assuntos abordados e/ou praticados pelos concorrentes. Além disso não podemos esquecer o facto de actualmente as revistas não dispensarem uma chamada de capa relacionada com sexo e secções dedicadas exclusivamente a tratar de todo o conjunto de temas relacionados. Tal como é referido na última página da
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reportagem pela “ experiência das técnicas do serviço de telefónico Sexualidade em Linha que, após certas transmissões do Big Brother, responderam a muitas questões ” relacionadas com assuntos vistos na Tv. Após esta relativamente exaustiva análise apraz-nos dizer que concluímos os objectivos iniciais a que nos propusemos e realizámos um trabalho minucioso na procura da aplicação dos diversos conhecimentos apreendidos ao longo da leccionação da disciplina de Linguagem dos Media. Os portugueses nesta medida, portanto, menos “pudicamente

tradicionalistas” no que toca ao sexo de que se pensa e, no que concerne a acções não revelam quaisquer pudores, já relativamente ao discursar sobre assuntos relacionados com sexo as coisas são um pouco diferentes mas estão bem encaminhadas para a equiparação ao à-vontade de outros países. “ Não é o sexo que está na moda, as pessoas é que deixaram de o encarar como um tabu”. As visões desta reportagem mantêm-se actuais. Apesar da época em que se falava de sexo “como quem comia um iogurte” já estar um pouco ultrapassada. A sexualidade cada vez mais se encontra entranhada na sociedade, e isso é algo que não se pode combater.

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Bibliografia Activa (ordenada alfabeticamente por fonte)

Obras consultadas: “A constituição social da mente: (re) descobrindo Jerome Bruner e construção de significados”; Mónica F. B. Correia; Universidade Federal da Paraíba; 2003 Apontamentos facultados pelo docente: “E - Caderno - de linguagem dos media”, in http://jcfcorreia.googlepages.com/e-caderno-linguaemdosmedia

Internet: Figuras de estilo: http://esjmlima.prof2000.pt/figuras_estilo/figurestil.htm Dicionários Porto Editora: http://www.portoeditora.pt/dol/ Infopédia - Dicionários e Enciclopédia e http://www.infopedia.pt/ Porto Editora online: http://www.portoeditora.pt/

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