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Revista Querubim revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE FACULDADE DE EDUCAÇÃO

Ciências Sociais Ano 08 nº18 vol. 2 2012 ISSN 1809-3264

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REVISTA QUERUBIM

Letras Ciências Humanas Ciências Sociais

Ano 08 Número 18 Volume 2 ISSN 1809-3264

Sociais Ano 08 Número 18 Volume 2 ISSN – 1809-3264 2012 2012 2012 2 0 1

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REVISTA QUERUBIM NITERÓI RIO DE JANEIRO

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1809-3264 2012 2012 2012 2 0 1 2 REVISTA QUERUBIM NITERÓI – RIO DE JANEIRO 2012

N I T E R Ó I

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Revista Querubim revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais Ano 08 nº18 vol. 2 2012 ISSN 1809-3264

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Revista Querubim 2012 Ano 08 nº18 vol.2 176 p. (outubro 2012)

Rio de Janeiro: Querubim, 2012 1. Linguagem 2. Ciências Humanas 3. Ciências Sociais Periódicos. I - Titulo: Revista Querubim Digital

Conselho Científico Alessio Surian (Universidade de Padova - Italia) Carlos Walter Porto-Goncalves (UFF - Brasil) Darcilia Simoes (UERJ Brasil) Evarina Deulofeu (Universidade de Havana Cuba) Madalena Mendes (Universidade de Lisboa - Portugal) Vicente Manzano (Universidade de Sevilla Espanha) Virginia Fontes (UFF Brasil)

Conselho Editorial Presidente e Editor Aroldo Magno de Oliveira Consultores Alice Akemi Yamasaki Andre Silva Martins Elanir França Carvalho Enéas Farias Tavares Guilherme Wyllie Janete Silva dos Santos João Carlos de Carvalho José Carlos de Freitas Jussara Bittencourt de Sá Luiza Helena Oliveira da Silva Marcos Pinheiro Barreto Paolo Vittoria Ruth Luz dos Santos Silva Shirley Gomes de Souza Carreira Vanderlei Mendes de Oliveira Venício da Cunha Fernandes

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Sumário

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01

Gestão participativa dos recursos naturais e a educação ambiental: inter-relação necessária para o surgimento de um novo paradigma no turismo Ireneide Gomes de Abreu , Kettrin Farias Bem Maracajá e Mayara Ferreira de Farias 3

04

02

Ecopedagogia, educação ambiental e o turismo na formação de um mundo mais consciente Janaina Luciana de Medeiros e Mayara Ferreira de Farias

17

03

A

sétima maravilha do Rio Grande do Norte: perspectivas sobre planejamento e gestão no

23

ambiente natural dos “apertados” na cidade de Currais Novos – Janaina Luciana de Medeiros e Mayara Ferreira de Farias

04

A

questão da educação ambiental na atualidade - Janaina Luciana de Medeiros e

30

Mayara Ferreira de Farias

05

Aprendizagem aplicada e a formação do professor no ensino para a compreensão: uma reflexão necessária sobre o tema João André Tavares Fernandes

36

06

O

homem camusiano: para além do absurdo, para além da revolta, rumo ao nada João

45

Batista Farias Júnior

07

A

(des) montagem da máquina: complicações em "conto barroco ou unidade tripartida", de

50

Osman Lins. João Guilherme Dayrell

08

A

importância da educação ambiental e turística para os alunos do 4º e 9º ano da Escola

57

Municipal Domingas Francelina das Neves em Florânia RN Joelma Pereira

Rodrigues, José Rosivan de Medeiros e Kettrin Farias Bem Maracajá

09

Classe, cultura e identidade: algumas reflexões teóricas em Cuche, Sansone e Weber - Leandro Haerter

63

10

A

(inter)genericidade d(n)o Blog: possibilidades potenciais para o ensino de língua materna

70

Leila Karla Morais Rodrigues Freitas

11

Memórias da emília e a literatura infanto-juvenil frente à prática de deslocamentos Lucas Martins Gama Khalil e Tiago Henrique Cardoso

77

12

Uma cidade entre o rio e a floresta Luciana Nascimento e Marcio Roberto Vieira

83

13

Bullying : um novo termo para denominar a violência na escola - Marlene Almeida de Ataíde

90

14

Competitividade turística de destinos: planejamento, gestão e inovação turística como fatores necessários para a efetividade de ações Mayara Ferreira de Farias e Naia Valeska Maranhão de Paiva

97

15

Racionalidade, imaginação criativa e novos paradigmas em educação: desafios para o conhecimento Neli Klix Freitas

104

16

Representações monstruosas e duplos em Crônica da Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso Ozéias Pereira da Conceição Filho

110

17

A

emersão dos propósitos e condições de escolarização a partir do processo de formação

116

permanente: o abismo entre a abordagem praticista e o protagonismo do professor

Rogéria Novo da Silva, Priscila Monteiro Chaves e Gomercindo Ghiggi

18

Leitura e avaliação: reflexões Sandro Luis da Silva e Cirlei Izabel da Silva Paiva

122

19

A

questão da identidade profissional numa comunidade de prática com reflexos na sala de

129

aula de línguas Selma Maria Abdalla Dias Barbosa

20

O

estágio como pesquisa e a pesquisa como estágio: superando a dicotomia entre teoria e

139

prática Severina Alves de Almeida, Lídia da Cruz C. Ribeiro, Jeane Alves de Almeida e Joseilson Alves Paiva

21

A

atuação do professor como mediador de leitura Solimar Patriota Silva

146

22

O

leitor da imprensa italiana em São Paulo Vitória Garcia Rocha

152

23

Discutindo o gerenciamento escolar de forma democrática Wagner dos Santos Mariano, Nely Jane Mendonça e Eltongil Brandão Barbosa

157

24

Incentivo a leitura e escrita a partir de contos pedagógicos em uma escola do ensino médio da cidade de Araguaína (TO) Waldisney Nunes de Andrade, Ana Carolinne Silva Brito, Eltongil Brandão Barbosa e Wagner dos Santos Mariano 4

163

25

Sobre o a priori histórico em Michel Foucault Welisson Marques

169

26

Resenha: COELHO, Eulália Isabel. Jogo do imaginário em Caio F. Caxias do Sul. RS. EDUCS. 2009. 72 p. Literatura & Jornalismo em Caio Fernando Abreu Rodrigo da Costa Araujo

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Página 4 de 176 GESTÃO PARTICIPATIVA DOS RECURSOS NATURAIS E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL:

INTER-RELAÇÃO NECESSÁRIA PARA O SURGIMENTO DE UM NOVO PARADIGMA NO TURISMO

Ireneide Gomes de Abreu 1 Kettrin Farias Bem Maracajá 2 Mayara Ferreira de Farias 3

Resumo Nas últimas décadas a preocupação com a problemática ambiental vem merecendo atenção em todos os países. Diante disso, vê-se na educação ambiental uma ação imprescindível, já que é por meio desta, sendo critica e subsidiada na reflexão/ação, que poderemos colaborar na compreensão das inter-relações entre o homem e o meio ambiente, objetivando, assim, a conquista de novas relações sociais. Destacamos ainda a importância da utilização da educação ambiental emancipatória voltada para uma gestão participativa dos recursos naturais como instrumento transformador de um processo de mudanças dos problemas ambientais. Desse modo, o presente artigo consiste em um ensaio teórico que tem como objetivo refletir acerca de quanto a Educação Ambiental pode contribuir de modo significativo na formação da cidadania crítica e responsável, capaz de participar de forma democrática das decisões políticas, econômicas do desenvolvimento das presentes e futuras gerações enfatizando o surgimento de um novo paradigma no turismo. Para isso recorreu-se ao diálogo com autores considerados referência nas pesquisas sobre educação ambiental e gestão participativa: Freire (2005); Reigota (2006, 2007); Leff (2001, 2006) e outros. Ao final, percebe-se que a inter-relação da gestão participativa dos recursos naturais e a educação ambiental crítica, ética e emancipatória é de fundamental importância no exercício da cidadania e na preservação e solução dos problemas ambientais que afetam, direta e indiretamente, a atividade turística. Palavras-Chave: Desenvolvimento Sustentável. Educação Ambiental. Gestão Participativa dos Recursos Naturais. Paradigma no turismo.

Abstract In recent decades, concern about environmental issues has been getting attention in all countries. Given this, it is seen in the environmental education an essential action, as it is hereby being subsidized and criticism in reflection / action, which we can contribute to the understanding of the interrelationship between man and environment, aiming thus conquest of new social relations. We also highlight the importance of the use of environmental education aimed at a participatory management of natural resources as an instrument for transforming a process of changes of environmental problems. Thus, this article is a paper that aims to reflect on how environmental education can contribute significantly to the formation of critical citizenship and responsible, able to participate in a democratic political decisions, economic development of these and future generations emphasizing the emergence of a new paradigm in tourism. For this, we resort to dialogue with the authors considered a reference in research on environmental education and participatory management: Freire (2005); Reigota (2006, 2007), Leff (2001, 2006) and others. In the end, it is clear that the interrelationship of participatory management of natural resources and critical environmental education, ethics and emancipatory is of fundamental importance on the citizenship and conservation and of the environmental problem solution affecting, directly and indirectly to tourism. Keywords: Sustainable Development. Environmental Education. Participatory Management of Natural Resources. Paradigma in Tourismo.

1 Pedagoga, MSc em Educação Popular, Doutoranda do PPGRN/CTRN da Universidade Federal de Campina Grande, PB. ireneide@terra.com.br

2 Turismologa, MSc em Gestão de Negócios Turísticos, Doutoranda do PPGRN/CTRN da Universidade Federal de Campina Grande, PB. kettrin@ufrnet.br

3 Turismologa, Mestranda em Desenvolvimento e Gestão Turísticos do PPGTUR/CCSA da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, RN. mayara_turismo_ufrn@hotmail.com

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Introdução

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Sabe-se que atualmente a problemática ambiental está cada vez mais em evidência, não só no Brasil, mas também no resto do mundo, tornando-se um tema amplamente debatido em toda a sociedade neste início do século XXI, em vista da crescente degradação ambiental existente atualmente e o surgimento de grandes catástrofes que vieram refletir na qualidade de vida da população mundial, tornando-se necessário se repensar a forma de ser, agir e pensar.

A diversidade de recursos disponíveis na natureza levou as sociedades ao errôneo entendimento

de que estes seriam inesgotáveis (BECK, et. al., 2009). Os desequilíbrios ambientais globais da atualidade já

demonstram este grave erro de percepção no qual emerge uma grande necessidade de mudança de comportamento da sociedade e de paradigma no que se refere à visão econômica, empresarial, social e ecológica (LIRA; CÂNDIDO, 2008).

No contexto de uma nova visão paradigmática de utilização da educação ambiental para um desenvolvimento sustentável é fundamental para contribuir na formação de cidadãos aptos de atuar, de se articular e de se organizar na sociedade em que vivem, participando de maneira responsável na construção do seu ambiente e na resolução de problemas que nele vivenciam. Acredita-se que o grande desafio dessa prática de educação ambiental é desenvolver novos conhecimentos e habilidades, valores e atitudes, que objetivam melhoria da qualidade ambiental e que efetivamente elevem a qualidade de vida para as gerações presentes e futuras.

Por isso, e não só por isso, é indispensável tratar desta temática a partir de sua vinculação direta com a ética e a cidadania, situando-a numa reflexão mais ampla que envolve uma visão sociológica e política da realidade atual.

Nessa perspectiva, é importante que a educação ambiental desperte nas pessoas o sentimento de que estas são corresponsáveis pela mudança de atitude, que não só promovam a preservação da vida, mas uma nova mentalidade essencial para promover um novo tipo de desenvolvimento: o desenvolvimento sustentável, o paradigma vigente que mais se tem discutido e levado em consideração nos estudos do turismo.

A ideia defendida por este trabalho consiste em discutir como a educação integrada no processo

de gestão dos recursos naturais pode contribuir na construção de uma cidadania mais sólida e alicerçada em uma visão mais crítica e transformadora de realidades que interferem direta e indiretamente a atividade turística.

O presente artigo tem como objetivo, por conseguinte, estimular o debate ambiental e refletir o

papel da educação ambiental na construção do conhecimento por parte da sociedade responsável por gerenciar as ações de atores sociais em relação ao meio ambiente, direcionando-se através de uma nova

visão paradigmática emergente no turismo que é o desenvolvimento sustentável responsável e participativo.

Contexto histórico da educação ambiental

Nas últimas décadas do Século XX a questão socioambiental despertou crescentes inquietações por se tratar de uma preocupação mundial. Historicamente, a forma irracional adotada na busca do desenvolvimento socioeconômico vem causando danos alarmantes não só ao meio ambiente, mas também à humanidade como um todo.

Os progressos científicos e tecnológicos, o fenômeno da globalização, a transformação dos processos de produção e suas consequências na educação, trazem à tona novas exigências quanto à conscientização das pessoas objetivando reverter o atual quadro em que se encontra a questão ambiental, que visualizam a temática mais como uma questão teórica do que prática.

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Página 6 de 176 No decorrer da história constata-se diversas situações de degradação ambiental, no entanto o aparecimento de práticas de intervenção sobre esta problemática é bastante recente. Desse modo, a inquietação com a degradação dos recursos naturais deve ser de todos e através da Educação Ambiental (EA) pode-se obter bons resultados.

A crise ambiental não é crise ecológica, mas crise da razão. Os problemas ambientais são, fundamentalmente, problemas do conhecimento. Daí podem ser derivadas fortes implicações para toda e qualquer política ambiental que deve passar por uma política do conhecimento -, e também para a educação. Aprender a complexidade ambiental não constitui um problema de aprendizagem do meio, e sim de compreensão do conhecimento sobre o meio (LEFF, 2006, p. 217).

Para Leff (2001), a crise ambiental se tornou mais evidente a partir do século XX, refletindo-se na irracionalidade ecológica dos padrões dominantes de produção e consumo, marcando os limites do crescimento econômico e iniciando um debate teórico e político para valorizar a natureza e internalizar as externalidades socioambientais ao sistema econômico.

No final da década de 60 e início da década de 70, a problemática ambiental passa a ser avaliada em uma perspectiva mais global, tornando-se tema de inquietação entre autoridades governamentais de diversos países (PEDRINI, 2008).

De acordo com Reigota (2007) dois eventos foram significativos para a transformação de perspectiva em relação aos problemas ambientais a reunião do Clube de Roma (1968) e a Conferência de Estocolmo (1972). Segundo o referido autor, tais eventos foram responsáveis por colocar a discussão da problemática ambiental em uma dimensão planetária.

O Clube de Roma formou-se em 1968, quando inúmeros especialistas de diversas áreas reuniram-

se em Roma para discutir os problemas ambientais e o futuro da humanidade, com relação ao crescimento demográfico e econômico, resultando na elaboração de um relatório que alertava para os prováveis riscos decorrentes do consumo dos recursos naturais, em função dos modelos de desenvolvimento econômico adotados pela sociedade.

A Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente, realizada em 1972 em Estocolmo foi a

responsável pelo surgimento de um plano de ação mundial para orientação dos governos em relação à questão ambiental, resultando em um programa internacional de Educação Ambiental. A declaração de

Estocolmo exerceu grande influencia em todos os outros documentos sobre o meio ambiente.

Em seguida, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO em 1975 promoveu o encontro internacional sobre a Educação Ambiental em Belgrado elaborando a Carta de Belgrado. O evento teve como foco central divulgar a importância de uma política de Educação Ambiental de alcance internacional e regional, cujos objetivos definidos foram: conscientização, conhecimentos, comportamento, competência, capacidade de avaliação e participação. Além disse, a Carta de Belgrado recomenda que a Educação Ambiental seja organizada como educação formal e não formal como processo contínuo e que tenha caráter interdisciplinar.

Em 1977, realizou-se em Tibilisi, na Geórgia, a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, preparada pela UNESCO com colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, onde foram estabelecidos os princípios, objetivos, estratégias e recomendações para a Educação Ambiental. Essas recomendações, ainda hoje, são aceitas em todo mundo.

Em agosto de 1987, aconteceu em Moscou o Congresso Internacional Sobre Educação e Formação Ambiental, organizado pelo PNUMA/UNESCO, objetivando avaliar o desenvolvimento da Educação Ambiental desde a Conferência de Tibilisi, debatendo-se também, nesse momento, o planejamento para a década de 90.

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Na Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, mais conhecida como

ECO-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, contando com a participação de cento e setenta países,

também foi elaborada a Agenda-21, que é um programa global que visa regulamentar o processo de desenvolvimento com base nos princípios da sustentabilidade (LEFF, 2001).

Em síntese, a Agenda 21 constitui um plano de ação estratégico, que regulamentou a mais ousada

e abrangente tentativa já feita de realizar, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento,

conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Assim, estabelecendo uma parceria entre governos e sociedades, ou seja, um programa estratégico, universal, para se alcançar o desenvolvimento sustentável no século XXI. Com isso, a implantação da Agenda 21 pode proporcionar um meio ambiente equilibrado para as futuras gerações (ABREU, 2009).

A construção e implementação de alguns processos da Agenda 21 tem o intuito de sensibilizar a

população através da educação ambiental, transformando e impulsionando as políticas públicas ambientais, levando-se em consideração as demandas populares pela equidade de um desenvolvimento

social, econômico e ambiental.

O papel da educação na promoção do desenvolvimento sustentável é tratado mais

especificamente no Capítulo 36 da Agenda 21, que trata da promoção do ensino, da conscientização e do treinamento, propondo um esforço global para fortalecer atitudes, valores e ações que sejam ambientalmente saudáveis e que subsidiem o desenvolvimento sustentável.

Apesar da realização de várias conferências nacionais e internacionais sobre o meio ambiente apresentando propostas e estratégias para a implantação da educação ambiental para a melhoria da qualidade de vida no planeta é possível perceber que a Educação Ambiental é um campo de conhecimento que ainda se encontra em construção.

Nesse cenário, o papel da educação poderá ser decisivo, se puder contribuir com a formação de cidadãos capazes de atuar, individual e coletivamente, na busca de soluções para os problemas decorrentes da crise ambiental que ameaça o planeta.

Por ser um poderoso instrumento político para o desenvolvimento de um mundo sustentável, objetivando a melhoria da qualidade de vida da população mundial, acredita-se que a Educação Ambiental

é um fazer pedagógico que se realiza aos poucos, sendo organizada dentro de uma visão histórica, respeitando as necessidades naturais e os valores culturais de cada período.

Para Reigota (2007) a educação ambiental deve estabelecer uma nova aliança entre a humanidade

e a natureza que deverá ser baseada no diálogo entre gerações e culturas na procura da tripla cidadania:

local, continental e planetária, e da liberdade na sua mais completa tradução, tendo subentendida a perspectiva de uma sociedade mais justa tanto em nível nacional quanto internacional.

O supracitado autor ainda apresenta, ainda, a educação ambiental como educação política, pois prepara o cidadão para exigir justiça social, autogestão e ética nas relações sociais e com a natureza. Assim, a educação ambiental, compreendida nessa dimensão, fortalece a ideia de uma prática de educação crítica aos sistemas autoritários, populistas e tecnocráticos (REIGOTA, 2006).

É interessante destacar que, no Brasil, a educação ambiental está garantida desde 1988, e as

questões ambientais se tornaram exigência constitucional garantidas em lei. O artigo 225 da Constituição Federal do Brasil cita: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (BRASIL, 1988).

A inserção da educação ambiental em todos os níveis de ensino, como proposto pela Constituição

Brasileira, assim como Política Nacional de Educação Ambiental, a nova Lei de Diretrizes e Bases da

Educação e o Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) apontam que o Brasil tem demonstrado empenho de que a educação ambiental seja estabelecida em todo território nacional.

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Os PCN trouxeram sugestões, objetivos, conteúdos e fundamentação teórica dentro de cada área, com o intuito de subsidiar o fazer pedagógico. Os parâmetros se referem ao tema Meio Ambiente como um conteúdo que deve ser trabalhado não como disciplina, mas como tema transversal e interdisciplinar permeando assim toda a prática educacional. A intenção deste documento é que a perspectiva ambiental de acordo com Brasil (2001):

oferece instrumentos para que o aluno possa compreender problemas que afetam a sua vida, a de sua comunidade, a de seu país e a do planeta. Para que essas informações os sensibilizem e provoquem o início de um aprendizado seja significativo, isto é, os alunos possam estabelecer ligações entre o que aprendem e a sua realidade cotidiana, e

o que já conhecem (

nesse sentido, o ensino deve ser organizado de forma a

proporcionar oportunidades para que os alunos possam utilizar o conhecimento sobre meio ambiente, para compreender a sua realidade e atuar sobre ela, por meio do exercício da participação em diferentes instâncias

)

Os parâmetros definidos nos PCN vêm fortalecer a importância de se trabalhar a educação ambiental como forma de transformação da conscientização dos indivíduos. Assim, é plausível entender a educação ambiental como um processo de construção de valores sociais, de conhecimentos e atitudes voltadas para alternativas sustentáveis de desenvolvimento, por todos os indivíduos e pela coletividade no decorrer da história.

Leff (2001) defende a tese de que a nova racionalidade social, entendida como racionalidade ambiental deve ser construída sob uma nova ética entre a existência humana e a transformação social voltada a uma reorientação do progresso científico e tecnológico. Um novo saber científico e tecnológico deve brotar em virtude da crise planetária e civilizatória, exigindo a construção do conhecimento por meio da educação ambiental, onde práticas produtivas e atividades políticas intervenham na práxis educativa das relações entre o homem e a natureza.

A educação, assim como a educação ambiental não se restringe apenas uma mera transferência de

conhecimentos, mas sim um ato de compromisso, de conscientização e de testemunho de vida. Por conseguinte, “a educação terá um papel determinante na criação da sensibilidade social necessária para reorientar a humanidade” (ASSMANN, 2001, p. 26).

A Educação Ambiental pode ser indicada como um dos possíveis instrumentos interdisciplinar

capaz de capacitar e ao mesmo tempo sensibilizar a população em geral acerca dos problemas ambientais nos quais se deparam a humanidade na atualidade. Através desta, torna-se possível a elaboração de métodos e técnicas que facilitam a tomada de consciência das pessoas a respeito da gravidade e necessidade da implementação de providências urgentes no que diz respeito aos problemas ambientais globais.

Neste sentido, o pensar e fazer sobre o meio ambiente esta diretamente vinculada ao diálogo entre os saberes, à participação, aos valores éticos como valores essenciais para fortalecer a complexa interação entre a sociedade e a natureza.

De acordo com Mininni (1994), a Educação Ambiental enfatiza o desenvolvimento de valores e comportamentos diferentes na inter-relação homem e meio ambiente, defendendo a necessidade de um conhecimento integrado da realidade e procedimentos baseados na investigação dos problemas ambientais, utilizando estratégias interdisciplinares.

Agir como um fazer metodológico em relação à questão ambiental, que a cada dia se complexifica, a educação ambiental inicia sua atuação entendendo a necessidade de estabelecer uma pensar fazer interdisciplinar, no intuito de abstrair as relações que surgem no uso e desuso dos recursos naturais pelo homem, e intervir nas realidades socioambientais. A interdisciplinaridade vem fazer um contraponto com o paradigma científico moderno, que se caracterizou pela compartimentalização de saberes e o distanciamento racional entre o sujeito e o objeto de conhecimento. Assim a prática interdisciplinar nos

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Página 9 de 176 envolve no processo de aprender a aprender. Neste sentido, a interdisciplinaridade se converteu num princípio metodológico privilegiado da educação ambiental (LEFF, 2001).

É imprescindível que a interdisciplinaridade seja percebida como um processo tanto individual

quanto coletivo e que a solução dos problemas ocorra especialmente na relação com os outros. Desta maneira, no processo interdisciplinar

não se ensina nem se aprende: vive-se, exerce-se. A responsabilidade individual é a marca do projeto interdisciplinar, mas essa responsabilidade está imbuída do envolvimento envolvimento esse que diz respeito ao projeto em si, às pessoas e às instituições a ele pertencentes (FAZENDA, 2005, p. 17).

Vê-se, portanto, que o processo de conscientização e sensibilização acerca das questões sociais, econômicas e ambientais necessita do envolvimento e participação dos sujeitos, que por meio das responsabilidades buscarão a ação e participarão na tomada de decisões para a solução dos problemas ambientais.

A educação ambiental, nesse contexto, pode contribuir de forma significante na formação da

cidadania crítica e responsável, capaz de participar de forma democrática das decisões políticas, econômicas do desenvolvimento das presentes e futuras gerações.

Nessa perspectiva, é importante que a educação ambiental desperte nas pessoas o sentimento de que estas são corresponsáveis pela mudança de atitude, que não só promova a preservação da vida, mas uma nova mentalidade essencial para criar um novo tipo de desenvolvimento - o desenvolvimento sustentável - onde as sociedades sustentáveis combatem o desperdício, leva em conta o processo coletivo, e o bem comum sem violar os direitos individuais das pessoas. Portanto, a educação ambiental adquire um significado estratégico na direção do processo de transição para uma sociedade sustentável (LEFF, 2001).

A educação ambiental é, pois, um elemento imprescindível para despertar no cidadão atitudes, e

procedimentos relacionados a uma cultura de sustentabilidade essencial a preservação e resgate da qualidade ambiental, cujas reflexões se possa então discutir acerca de uma educação voltada ao gerenciamento adequado e sustentável dos recursos naturais.

Gestão participativa dos recursos naturais

O Planeta Terra vive problemas nas diversas esferas (naturais, sociais, culturais, econômicas e

políticas), dificuldades com dimensões planetárias e que comprometem diretamente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Em decorrência disso, o homem vem se organizando como forma de se resguardar dos efeitos destrutivos que estes problemas trazem para a vida humana, e para contestar as ações humanas de exploração e destruição dos recursos naturais ainda existentes no planeta.

Com base em Souza Junior (2004), o paradigma que vem norteando a sociedade moderna tem sido o da dominação e apropriação da natureza, tendo como base a lógica capitalista da acumulação. Paradigma esse que transmite uma visão errônea de que os recursos naturais são abundantes e de que se podem tudo em relação a eles.

Diante disso, constata-se a necessidade cada vez maior de proteção do meio ambiente, sendo notada uma mobilização por parte dos atores sociais e governantes para garantir o uso adequado dos recursos naturais e dos ecossistemas, de modo a respeitar sua capacidade de reprodução e sua utilização de maneira sustentável.

Atualmente, o debate sobre o uso dos recursos naturais alcançou proporções fundadas no nível de degradação em que se deparam, pelas sociedades contemporâneas, em consequência do seu uso excessivo. Como implicação dessa inquietação, a questão que se coloca é como gerenciar melhor os recursos utilizados por muitas pessoas em comum e com interesses distintos.

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A gestão dos recursos naturais é um dos componentes essenciais do processo de regulação das

inter-relações entre os sistemas socioculturais e o meio ambiente biofísico (VIEIRA; WEBER, 2000; GODARD, 2002). Evidencia-se que ela envolve a diversidade de representações dos atores sociais e a variabilidade nas diferentes escalas espaciais (do local ao global) e temporais (do curto ao longo prazo).

Para tanto, a gestão participativa dos recursos naturais configura-se como uma ação importante no estabelecimento mais harmônico entre a sociedade e o meio ambiente, buscando compromissos diversos de atuação coletiva, seja no âmbito da sociedade civil ou pública (VIEIRA, 2005).

É importante reafirmar, que através da gestão participativa se pode chegar a um processo de

desenvolvimento sustentado, despertando a conscientização dos atores sociais em relação a um melhor gerenciamento dos recursos naturais.

Dessa forma, a gestão, pautada numa relação dialógica pode ser identificada como uma das possibilidades para contribuir na construção de uma sociedade, que vai do plano individual para o coletivo, cooperando para uma nova forma de uso, proteção, conservação e gerenciamento dos recursos naturais, proporcionando assim, a melhoria da qualidade de vida para todos os cidadãos ( LOUREIRO, et al. 2005).

Necessário se faz então, que os atores sociais no processo de gestão participativa tenham clareza quanto aos compromissos e benefícios que serão gerados pela participação e implementação de suas tomadas de decisões no processo de gestão.

Cuidar do meio ambiente é dever de todos, por isso, não se pode esquecer que o Poder Público também é responsável pela gestão dos recursos naturais. Assim, tanto o Poder Público quanto a sociedade são considerados responsáveis de modo igualitário pela gestão dos recursos naturais, conforme determina o Art. 225 da Constituição Federal :ao estabelecer o meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito dos brasileiros, bem de uso comum e essencial à sadia qualidade de vida, também, atribui ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Assim, o processo de gestão dos recursos naturais deve envolver uma nova cultura, uma nova consciência que nos leve a pensar e adotar outras maneiras de viver o agora, pensando o amanhã, tendo como premissa de que os recursos naturais dependem de atos e ações responsáveis que devem ser conduzidas por uma ação coletiva das instituições, dos governos e da sociedade civil organizada.

A educação ambiental como instrumento para a gestão participativa dos recursos naturais

A problemática ambiental global é uma das temáticas mais refletidas atualmente pela sociedade

contemporânea. O envolvimento e a participação dos diversos setores da sociedade na busca pela gestão dos recursos naturais é imprescindível para garantir a conservação das riquezas naturais encontradas no

planeta. A gestão nasce no contexto da crise ambiental que se intensificou a partir da década de 70 do século passado em todo mundo (SEIFFERT, 2007). Ela vem se estabelecendo em um saber que objetiva a articulação das ações dos diversos agentes sociais que interagem em um dado espaço com vistas a garantir o ajustamento dos meios de exploração dos recursos naturais, econômicos, sociais e culturais às especificidades do meio ambiente, com base em princípios e diretrizes antecipadamente definidos nas regiões.

Sobre gestão, Phillippi Jr. et al. (2004), diz que pode ser compreendida como um processo que tem inicio quando se origina adequações ou modificações no ambienta natural, de modo a adequá-lo às necessidades individuais ou coletivas, gerando dessa forma ambientes nas suas mais diversas variedades de adaptação e escala. Ela é um processo que admite aos atores sociais e as comunidades participarem na elaboração de novos valores éticos e sociais, desenvolvendo mudança de atitudes, habilidades e competências direcionadas a preservação e utilização sustentável dos recursos naturais.

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Página 11 de 176 É importante, também, dar-se conta que a prática da gestão, configura-se como uma importante forma de estabelecer um relacionamento mais harmônico entre a sociedade e o meio ambiente. Para que estas relações sejam viáveis, é necessário que haja uma educação integrada no processo de gestão dos recursos naturais que

proporcione as condições necessárias para a produção e aquisição de conhecimentos e habilidades, e, que desenvolva atitudes, visando à participação individual e coletiva na gestão do uso de recursos ambientais e na concepção e aplicação das decisões que afetam a qualidade dos meios físico-natural e sociocultural (QUINTAS, 2000, p.18).

Nesse contexto a educação ambiental, entendida como um dos instrumentos básicos e indispensáveis à sustentabilidade dos processos de gestão dos recursos naturais, tendo em vista que a eficiência da gestão de uma área depende do grau de educação da sociedade envolvida. E baseando-se na afimativa de Philippi Jr. (2004, p.468) de que a “educação é a transformação do sujeito que ao transformar-se, transforma o seu entorno”, enfatiza-se pois, que a educação deve fazer parte da prática da gestão como um conhecimento indispensável ao tratamento da questão ambiental.

Nessa condição, a gestão tem, na educação ambiental, o instrumento transformador dos conhecimentos e práticas socioambientais que buscam acrescentar novos valores, hábitos e culturas de modo interdisciplinar, objetivando conscientizar os diferentes atores sociais envolvidos com a gestão participativa dos recursos naturais a agirem individualmente e coletivamente em relação à problemática ambiental em toda a sua complexidade.

Para tanto, Loureiro (2002, p.69) afirma que

A Educação Ambiental é uma práxis educativa e social que tem por finalidade a construção de valores, conceitos, habilidades e atitudes que possibilitem o entendimento da realidade de vida e a atuação lúcida e responsável de atores sociais individuais e coletivos no ambiente. Nesse sentido, contribui para a tentativa de implementação de um padrão civilizacional e societário distinto do vigente, pautado numa nova ética da relação sociedade-natureza.

Portanto, a educação ambiental deve ser norteada por um pensamento crítico e inovador que promova a transformação e a construção de uma sociedade ambientalmente sustentável. E para isso, é imprescindível que a educação tenha como prioridade formar cidadãos com uma consciência local e global, cujo processo de ensino e aprendizagem deve ser desenvolvido numa perspectiva dialógica, holística e interdisciplinar.

Convém, no entanto, ressaltar que tem-se a concepção de que, a educação ambiental é um processo contínuo, voltada a toda sociedade, proporcionando uma vinculação estreita com as práticas sociais e políticas, com as nossas formas de intervir na realidade. Nessa perspectiva, Reigota (2006, p.10), afirma que “a educação ambiental deve ser entendida como educação política, no sentido de que ela reivindica e prepara os cidadãos para exigir justiça social, cidadania nacional e planetária, autogestão e ética nas relações sociais e com a natureza”.

a gestão participativa dos recursos naturais,

portanto, deve ser critica e emancipatória, direcionada para a democratização e o exercício pleno da cidadania e, assim, promover mudança de paradigma, transformação integral do cidadão de modo a sensibilizar a população a utilizar os recursos naturais de maneira sustentável garantindo sua preservação.

A educação ambiental como instrumento para

Com este propósito, a educação no processo de gestão requer profissionais habilitados, que tenham conhecimentos e prática pedagógica reflexiva, integrativa, crítica, criativa, transformadora, participativa, contextualizadora e emancipatória, objetivando um desenvolvimento de ações que tenha como prioridade uma postura inovadora ética no tratamento das questões ambientais de modo contínuo e sustentável.

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Página 12 de 176 Além disso, compreende-se que pensar o desenvolvimento da educação ambiental como instrumento de gestão dos recursos naturais é vital e indispensável e que estão indissoluvelmente ligados, assegurando assim, uma gestão responsável e inteligente dos recursos naturais do planeta, utilizando-se de um processo pedagógico dialógico, conscientizador e participativo, fundamentado no respeito de todas as formas de vida, afirmando valores e muitas ações que cooperam para a formação social do ser humano e a preservação do meio ambiente visando à promoção das ações da sustentabilidade. Nesse aspecto a formação de uma consciência crítica em relação a este processo é fundamental para a busca de soluções que não sejam somente mitigadoras, passando a ter um caráter mais preventivo e educativo.

A construção de um sujeito crítico, nesse contexto, é essencial para uma educação para o

desenvolvimento sustentável. Por meio dela o ser social reflete acerca da consciência ambiental imprescindível para o exercício da cidadania transformadora.

Educação para o Desenvolvimento Sustentável constitui-se em um conceito emergente, mas dinâmico que inclui a visão da educação permanente, fortalecendo as pessoas de todas as idades para assumirem a responsabilidade de criar e desfrutar de um futuro sustentável. (UNESCO, 2005)

A educação para o desenvolvimento sustentável deve, portanto, ser direcionada para todos e a sua perspectiva de aprendizagem é para a vida toda, envolvendo diversos espaços formais e informais, da infância até a fase adulta.

É relevante dizer que, na prática da gestão participativa dos recursos naturais

a educação

ambiental torna-se um importante instrumento no processo de conscientização ambiental.

Sendo assim, compreender a importância da educação ambiental voltada principalmente para a sustentabilidade dos recursos planetários é o novo desafio de todos os atores envolvidos no processo de gestão participativa dos recursos naturais.

Desenvolvimento sustentável como paradigma do turismo

Há mais de um século, o fenômeno turístico constitui importante meio de distribuição e geração de renda, e é justamente esse o principal ponto focado pelos estudiosos da maneira geral. Em inúmeros textos, os malefícios do turismo são esquecidos, originando assim uma visão fragmentada e superficial desse fenômeno, que necessita de uma interpretação minuciosa, fugindo dos textos acadêmicos reducionistas que simplesmente abordam uma ou duas de suas facetas (PANOSSO NETTO, 2011).

Sobre o turismo, acrescenta-se que sua história recente é

marcada por atentados terroristas, novas epidemias, crises econômicas e financeiras,

surgimento de novos países no fluxo turístico internacional e colapso de empresas e áreas que serviam de paradigma de eficiência até bem poucos anos. Dinamismo, inovação, resiliência tornaram-se palavras-chave para um mercado tão volátil e desafiador. Reflexão, processos e estratégias são elementos norteadores para uma sociedade que não se preocupa apenas com novas tecnologias e métodos de gestão, lucros e controles de mercados. A agenda atual inclui obrigatoriamente questões como sustentabilidade, ética, patrimônio cultural e histórico, responsabilidade social, inclusão de pessoas e melhoria da qualidade de vida para o coletivo. Para se atingir um patamar metodológico e fundamentado da articulação desses desafios tão complexos, a filosofia é um instrumento privilegiado de análise.” (TRIGO apud PANOSSO NETTO, 2011).

] [

Necessita-se, por conseguinte, que essa responsabilidade social seja estimulada e praticada de acordo com princípios éticos que contribuam, principalmente, na preservação da vida de todos os seres. Neste sentido, é necessário o entendimento sobre paradigmas e sua evolução para a construção de um conhecimento mais disseminado e aceito diante das ações realizadas.

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Página 13 de 176 Para melhor entender a abordagem paradigmáticas, afirmou-se que “As regras derivam de paradigmas, mas os paradigmas podem dirigir a pesquisa mesmo na ausência de regras.” (KUHN, 2006).

O referido autor defende esta idéia a partir do pensamento de que um estudo de um paradigma requer um

compartilhamento de idéias seguidas por toda uma comunidade pensante, capaz de analisar e procurar a

fonte de coerência de um determinado problema sem precisar ser guiado por regras traçadas a todas as teorias, visto que podem possuir fundamentos diferentes.

O supracitado autor defende, ainda, que para que um paradigma seja efetivado ele tem que ser

aceito e seguido como padrão, sendo articulado e precisado em condições novas e mais rigorosas, atualizando antigos paradigmas. Isso significa, pois, que novas idéias surgem como forma de tentar explicar melhor determinado pensamento transmitido. Defende-se aqui, com isso, a utilização como paradigma vigente no turismo a prática de um desenvolvimento sustentável, que defende a utilização dos recursos naturais pensando nas gerações futuras, baseado, especificamente na abordagem de inserção da Gestão participativa alicerçada na Educação Ambiental.

Paradigmas existem, pois, para que sejam levantadas questões a serem solucionadas para que possa haver uma revolução no pensamento científico e melhoria na percepção de problemas que venham a dificultar o progresso, visto que caso novos paradigmas não venham provocar diferenças no que era discutido e analisado, ele não se efetivará, visto que não provocará análises para uma nova questão.

O surgimento de novos paradigmas contribui, neste contexto, para o desenvolvimento de revoluções científicas, que “são episódios de desenvolvimento não cumulativos, nos quais um paradigma mais antigo é total ou parcialmente substituído por um novo, incompatível com o anterior.” (KUHN, 2006, p. 125).

No turismo a definição de paradigmas requer uma série de avaliações e contextualizações, tendo em vista sua complexidade e grande abrangência de temáticas. E, para melhor entender sobre a sistemática de desenvolvimento sustentável como paradigma vigente no turismo, é necessário que questões como desenvolvimento local e sustentável sejam destacados.

Parafraseando Fischer (2004) os processos estratégicos de desenvolvimento local + integrado + sustentável são impactados por fatores como desgaste conceitual, desgaste dos métodos participativos e dos chamados “consensos vazios”, a articulação de comunidades de interesses esbarrar em limites concretos de poder, nas falácias da despolitização das iniciativas e na exacerbação das potencialidades e virtualidades locais, os consensos sobre temas como geração de emprego e renda, a descontinuidade política, as dificuldades de articulação governo + governo, governo + sociedade e sociedade + sociedade não serem triviais e muito menos metodológicas, a construção “externa” das estratégias de desenvolvimento local, as fragilidades metodológicas dos tipos de intervenção em desenvolvimento local, modismos e mimetismos, estruturas de interesses na constituição de agências promotoras do desenvolvimento local e consultores que substituem meios por fins, superposição de programas e projetos de diferentes instituições, e avaliação inexistente ou inadequada de processos, resultados e impactos, que reforça equívocos, impede e limita a reconstrução de cursos de ação.

Esses entraves necessitam ser combatidos diante nossa realidade. Como não apostar em um Turismo Sustentável em nosso país se temos uma das maiores potencialidades do mundo em recursos naturais? Como equilibrar as relações de poderes existentes entre “dominantes e dominados”? A gestão participativa não existe simplesmente por falta de iniciativa da comunidade em defender seus interessas e

os das gerações futuras?

Sabe-se, porém, que nem sempre os interesses voltados para um desenvolvimento sustentável são atendidos e dispostos como deveria, mas uma participação ativa das comunidades em fóruns, reuniões e movimentações certamente minimizariam esses desafios.

A gestão participativa para a utilização do paradigma de desenvolver com sustentabilidade é,

portanto, fundamental para a manutenção e novas visões sobre a atividade turística. Sendo essa

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Página 14 de 176 participação não só exclusiva para autóctones, mas para o próprio turista que necessita ter a visão de que deve preservar e conservar o ambiente ao qual se escolhe a visitar.

Parafraseando Panosso Netto (2006) um turismo saudável e sustentável deve se valer dessas reflexões, das possibilidades políticas, culturais e sociais que melhorem a qualidade de vida das pessoas. As inovações em gestão e tecnologia não podem isolar-se em pragmatismos, ignorando vastas tessituras sociais e ambientais que envolvem as atividades de serviços direcionados ao prazer. Os próprios conceitos de prazer, de entretenimento, de lazer e de saúde precisam ser analisados no contexto dos avanços inerentes às sociedades preocupadas com a valorização da vida, da multiplicidade e das maiorias opções do bem viver. Deve-se entender e administrar o presente de maneira a trabalhar desafios locais e globais; planejar o futuro com base nos recursos atuais e latentes, garantindo que as novas gerações tenham um mundo a desfrutar, de preferência melhor do que aquele legado até então.

O turismo, embora visto, em sua maioria, como atividade que impacta negativamente na cultura

da localidade onde se realiza e positivamente quando referido à economia local, deveria ser observado

através de uma perspectiva mais complexa.

O turismo é mais que um sistema composto dos subsistemas econômico, social, ambiental e

cultural. Uma análise mais profunda do turismo, sustentada pela fenomenologia, mostra que o turismo deve ser analisado como fenômeno complexo de relações objetivas e intersubjetivas, calcado no significado que o „partir‟ em viagem representa para cada turista. (PANOSSO NETTO, 2011).

O Paradigma vigente ao turismo, e a muitas outras atividades é, indiscutivelmente, o de progredir

pensando nas gerações que virão. Ideia defendida e repassa diante os princípios voltados à uma Educação

Ambiental que cada vez mais necessita ser entendida como uma ação que necessita da participação de cada um que compõe a sociedade.

Utilizar o paradigma de desenvolvimento sustentável (ambiental, social, política e cultural) no turismo é, portanto, essencial para que a atividade turística se sustente a longo prazo. Sem essa premissa, pode-se afirmar que todos envolvidos pela atividade sejam prejudicados, direta e indiretamente.

Considerações

A relação do homem com o ambiente natural passou por diversas mudanças com o decorrer do

tempo. Presenciou-se grandes transformações, tanto no campo socioeconômico e político, quanto no campo da cultura, da ciência e da tecnologia, mas sobretudo no meio ambiente.

O presente texto teve o seu foco centrado na educação ambiental e na gestão participativa dos

recursos naturais. No qual a educação ambiental, fundamentada em uma gestão dos recursos naturais responsável, tem por objetivo o desenvolvimento de uma cidadania por parte de todos os atores sociais.

Assumiu-se, nesta perspectiva, que a importância da Educação Ambiental, da Gestão participativa dos recursos naturais e da Educação ambiental como instrumento para a gestão participativa dos recursos naturais visam à formação de valores e atitudes que se transformem essencialmente em uma prática educacional imprescindível ao gerenciamento adequado e sustentável dos recursos naturais. Sendo assim, o gestor, o educador e o pesquisador tem um papel importante na formação de um sujeito crítico, participativo e criativo, com argumentação e visão dialética do contexto sócio-político- ambiental e do processo de desenvolvimento sustentável.

Educar ambientalmente consiste em um processo de educação política de formação de atitudes que tendem à ação. Necessitando-se, assim, que sejam realizadas discussões com os diversos saberes com o intuito de construir novos conhecimentos, favorecendo, com isso, o surgimento de um fazer inovador ético em relação às questões ambientais de forma contínua e sustentável.

É preciso buscar um equilíbrio entre o homem e o meio ambiente, almejando um futuro

planejado, progressivo, por isso se faz necessário uma mudança de comportamento do ser humano em

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Página 15 de 176 relação ao meio ambiente. Portanto, com a finalidade de despertar a consciência dos atores sociais, a educação ambiental pode contribuir no processo de gestão participativa dos recursos naturais.

O ato de educar exige dos atores sociais, por conseguinte, a responsabilidade de construir uma

sociedade que satisfaça as exigências presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.

A educação ambiental tem-se declarado um importante instrumento da gestão dos recursos

naturais, possibilitando que as pessoas conheçam, compreendam e participem das atividades de gestão, assumindo uma nova postura em ralação homem/ natureza.

E assim sendo, a educação ambiental possibilita aos atores sociais desenvolver uma consciência

ética, emancipatória voltada para uma gestão democrática que permite um fazer educativo participativo,

inclusivo, indispensável ao desenvolvimento da cidadania e da capacidade para a tomada de decisões.

Nessa perspectiva, pode-se dizer que o novo paradigma a ser desenvolvido na busca de uma educação direcionada para uma gestão participativa dos recursos naturais exige uma nova cultura de envolvimento individual, coletivo e comprometido de toda a sociedade.

A atividade turística deve, neste contexto, ser entendido como uma atividade humana que

necessita ser executada com base nos princípios da Educação Ambiental participativa que venham a contribuir para a concreta utilização dos conceitos de Desenvolvimento Sustentável. Paradigma essa que se difunde cada com mais intensidade ao passar dos dias tendo em vista os impactos já sabidos pela humanidade causados pela ambição descontrolável do homem.

Beni (2006, p. 54), em relação às ações humanas afirma que

O homem precisa da ocupação e da exploração do espaço natural para a satisfação de suas necessidades mínimas, e, na medida em que percebe que esse espaço não o satisfaz, tende a manipulá-lo irracionalmente, de maneira que vai traçando um espaço cultural até agora abstrato, porque não está situado com respeito às condições do meio ambiente global muito menos em relação às leis da natureza.

A inter-relação entre a gestão participativa dos recursos naturais e a educação ambiental, é pois, indispensável para a criação de novos valores, nos quais prevalecerão o holísmo e o diálogo dos saberes que possibilitará a construção e transformação da realidade ambiental ao que concerne à atividade turística, onde o que deve prevalecer consiste em desenvolver mecanismos para um desenvolvimento sustentável responsável.

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(Série

Meio Ambiente em Debate 1). 29p

Enviado em 30/08/2012 Avaliado em 30/09/2012

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Página 17 de 176 ECOPEDAGOGIA, EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O TURISMO NA FORMAÇÃO DE UM MUNDO MAIS CONSCIENTE

Janaina Luciana de Medeiros Discente do curso em Bacharelado em Turismo pela UFRGN Mayara Ferreira de Farias Mestranda em Turismo na UFRN

Resumo Desde o seu surgimento, o turismo tem em seus principais representantes, grandes produtores de lixo que contribuem para a degradação do meio ambiente. O objetivo principal deste artigo é discutir sobre a relação da ecopedagogia e a educação ambiental quanto ao seu papel sócio-cultural em despertar nas pessoas - autóctones, visitantes ou turistas, a sensibilidade na apropriação dos lugares no tocante à sua preservação e conservação. A metodologia utilizada consiste na pesquisa bibliográfica e na utilização de dados confiáveis de sites referentes à temática de educação ambiental e ecopedagogia que venham ser aplicadas no turismo. Palavras-chave: Consciência. Ecopedagogia. Educação Ambiental. Responsabilidade social. Turismo.

Abstract Since its inception, tourism has in its main representatives, large producers of waste that contribute to environmental degradation. The main objective of this paper is to discuss the relationship between eco- pedagogy and environmental education about their role in socio-cultural awakening in people - natives, visitors or tourists, the sensitivity to the appropriation of seats in relation to the preservation and conservation. The methodology consists in bibliographic data and using reliable sites related to the theme of environmental education and eco-pedagogy that will be applied in tourism. Keywords: Consciousness. Ecopedagogy. Environmental Education. Social responsibility.Tourism.

Resumen Desde su creación, el turismo tiene en sus principales representantes, los grandes productores de residuos que contribuyen a la degradación del medio ambiente. El objetivo principal de este trabajo es discutir la relación entre la eco-pedagogía y la educación ambiental acerca de su papel en el desarrollo socio-cultural de despertar en las personas - los nativos, visitantes o turistas, la sensibilidad a la apropiación de los escaños en relación con la preservación y conservación. La metodología consiste en datos bibliográficos y el uso de sitios confiables relacionadas con el tema de la educación ambiental y la eco-pedagogía que se aplicará en el turismo. Palabras Clave: Consciousness. Ecopedagogy. Environmental Education. Social responsibility. Tourism. Introdução

O turismo consiste em um símbolo da era da revolução tecnológica, de mudanças e de desenvolvimento industrial em massa, acelerando a criação de riquezas. Parafraseando LICKORISH e JENKINS (2000) o aumento gradual da riqueza, a extensão das classes de comerciantes e profissionais, os efeitos da reforma e a secularização da educação, estimularam o interesse por outros países e a aceitação da viagem em si como um elemento educacional.

O que remete ao pensamento de que, desde o seu surgimento, o turismo tenha em seus principais

representantes, grandes produtores de lixo e de degradação ambiental, resultados dessa geração de riquezas.

O objetivo principal deste artigo é discutir sobre a relação da ecopedagogia, educação ambiental

quanto ao seu papel sócio-cultural em despertar nas pessoas, autóctones, visitantes ou turistas, a

sensibilidade na apropriação dos lugares no tocante à sua preservação e conservação.

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O turismo deve ser desenvolvido, portanto, de forma cuidadosamente planejada e controlada,

dividindo, por conseguinte, a responsabilidade de cada ser preocupado com a existência de vida futura na

terra.

Para realização deste trabalho disponibilizamos de material didático, como livros e materiais retirados da internet com argumentações e teorias referente aos conceitos de ecopedagogia, educação ambiental e turismo.

Educação Ambiental, Turismo e Sustentabilidade

A educação ambiental é a educação voltada para a conscientização e sensibilização de todas as

pessoas, independentemente de cor, raça, religião ou posição atual, através da informação voltada para a preocupação com o meio ambiente.

Esta informação está diretamente relacionada aos hábitos cotidianos, que, em conjunto, fazem grande diferença em relação aos impactos que podem vir causar à natureza.

Em decorrência do grande acúmulo lixo e má utilização de nossos recursos naturais, vê-se a necessidade de criar novas metodologias que possibilitem a diminuição e até mesmo o surgimento cada vez maior deste lixo que é produzido diariamente por todos nós.

O homem deve observar melhor suas ações e se considerar mais um ser humano, que faz parte do

meio ambiente e tem, por natureza, obrigação de cuidar do ambiente em que vive e que divide espaço com os demais seres vivos.

Além disso, os impactos ambientais devem ser mais severamente vigiados, com punição aos que não respeitam a utilização dos recursos e não trabalham com nenhuma forma de repor à natureza o que foi retirado.

No turismo, a educação ambiental possui relevância indiscutível, visto a necessidade de termos cidadãos mais conscientes de que a limpeza é essencial para atração de turistas e para evitar possíveis doenças que podem surgir com o maior acúmulo de lixo, que atrairá, consequentemente, mais parasitas e pestes.

O turista não freqüenta ambientes em que saiba que não possui, nem ao menos, condições de

higiene necessária a sua permanência. A educação ambiental deve, por conseguinte, atingir a todos os cidadãos e aos turistas, para que o local escolhido para desenvolvimento de alguma atividade turística não seja modificado, dificultando retorno de alguns e visita de outros.

A educação ambiental deve atingir, portanto, a todos. Suas ações contribuirão, certamente, para a construção de um lugar melhor para se viver, conhecer e retornar.

Parafraseando Swarbrooke (2000) quando falamos em sustentabilidade geralmente queremos dizer algo que está em desenvolvimento e que irá satisfazer nossas necessidades hoje e não comprometerá o amanhã, tratando, em uma perspectiva de longo prazo, que envolve necessidade de intervenção e planejamento.

A sociedade atual está cada vez mais individualista e capitalista sem a preocupação de repor ou de desenvolver medidas que minimizem esta utilização de nossos recursos naturais, devendo, portanto, repensar seus conceitos de natureza e de apropriação da mesma.

Devem ser criadas medidas alternativas de utilização dos recursos naturais, pois sem um planejamento e um uso adequado, eles, certamente não mais existirão. A responsabilidade é de cada um.

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Ecopedagogia e turismo

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O conceito de Ecopedagogia está relacionado com a sustentabilidade, para além da economia e da

ecologia, incluindo abordagens de educação para o futuro, cidadania planetária e virtualidade. Está se

desenvolvimento seja como um movimento pedagógico seja como abordagem curricular.

E para introduzir uma cultura da sustentabilidade nos sistemas educacionais nós precisamos

reeducar o sistema: ele faz parte tanto do problema, como também da solução.

Gadotti (2010) defende a idéia de que a ecopedagogia só tem sentido como projeto alternativo global onde a preocupação não está apenas na preservação da natureza ou no impacto das sociedades humanas sobre os ambientes naturais, mas em um novo modelo de civilização sustentável do ponto de vista ecológico, implicando em uma mudança nas estruturas econômicas, sociais e culturais. A Ecopedagogia é uma vertente de Educação que consiste tanto em uma abordagem curricular quanto em um movimento pedagógico.

Sua emergência e surgimento se deram no contexto das transformações sociais, com objetivo de se pensar em uma educação para o futuro. E ao que se refere aos seus princípio, na Ecopedagogia eles são mais amplos do que os da educação ambiental, pois seu debate inclui processos de co-educação, no marco da cultura de sustentabilidade, dentro e fora das escolas.

O movimento da Ecopedagogia surge no seio da iniciativa da Carta da Terra e ganha maior

impulso, sobretudo a partir do I Encontro Internacional da Carta da Terra na Perspectiva da Educação, ocorrido em 1999.

O conceito de sustentabilidade para Gadotti (2009) encerra todo um novo projeto de civilização e,

aplicado à pedagogia, pode ter desdobramentos em todos os campos da educação, não apenas na educação ambiental.

A sustentabilidade educativa se encontra, portanto, além das nossas relações com o ambiente, ela

se insere desde o quotidiano da vida, o profundo valor da nossa existência e nossos projetos de vida no

Planeta Terra.

O paradigma da sustentabilidade é associado à qualidade de vida e relaciona-se com a dimensão

da cidadania ambiental (RUSCHEINSKY, 2002). Na qual sem uma educação sustentável, a Terra continuará sendo considerada como apenas um espaço de nosso sustento e de domínio técnico- tecnológico, objeto de pesquisas, ensaios e de contemplação.

Gadotti (2000) afirma que se deve alcançar um crescimento econômico que não inviabilize as condições de vida das atuais gerações nem das gerações futuras.

Ao que diz respeito à instituições que trabalham com a ecopedagogia, destaca-se o Instituto Paulo Freire, o qual busca contribuir com a formação de cidadãos com consciência e ação planetária, refletir sobre como se materializam as relações econômicas, políticas, culturais, étnicas, raciais e de gênero, resultantes das transformações pelas quais passa o mundo globalizado na perspectiva capitalista, e atuar como um centro de referência da Carta da Terra, desenvolvendo em sua sede central projetos que contribuem para manter vivo o Movimento, dando suporte a todas as iniciativas para as quais é demandado e sugerindo outras.

Segundo o Instituto Paulo Freire (2010), seus projetos prevêem ações de intervenção em diferentes níveis:

Organizações governamentais: secretarias de Educação e de Meio Ambiente, municipais e estaduais, divisões diretivas de ensino, escolas municipais e estaduais.

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Organizações não-governamentais, movimentos sociais e populares, igrejas, Organizações de Base Comunitária, representações classistas: Sindicatos, ordens e conselhos regionais, rede do ensino privado comunidades indígenas.

Dar oportunidade às pessoas de comprometerem-se pessoal e coletivamente com a cultura da sustentabilidade e da paz oferecendo oportunidades de experienciar e vivenciar os princípios da Carta da Terra.

A Terra passa a ser considerada também como ser vivo, como gaia. Por isso, seria melhor chamar

a ecopedagogia de “Pedagogia da Terra” (GADOTTI, 2001).

Ao que diz respeito à Carta da Terra, consiste em uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção de uma sociedade global justa, sustentável e que busca a paz. Ela busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de todos.

A

Carta

da

Terra

se

preocupa

com

a

transição

para

maneiras

sustentáveis

de

vida

e

desenvolvimento humano sustentável. Integridade ecológica é um tema maior.

a Carta da Terra reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico eqüitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. Consequentemente oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável. (A CARTA DA TERRA EM AÇÃO, 2012).

[

]

A Carta da Terra nos incentiva a examinar nossos valores e a escolher um melhor caminho, na

busca adotar uma nova ética global e consciência ambiental voltado para a educação baseada no desenvolvimento sustentável. Ela surge, portanto, em um momento em que realmente necessitamos de suas colocações e defesas, visto a necessidade de mudarmos a maneira em que vemos e pensamos sobre o nosso meio ambiente.

O homem precisa da ocupação e da exploração do espaço natural para a satisfação de suas necessidades mínimas, e, na medida em que percebe que esse espaço não o satisfaz, tende a manipulá-lo irracionalmente, de maneira que vai traçando um espaço cultural até agora abstrato, porque não está situado com respeito às condições do meio ambiente global e muito menos em relação às leis da natureza. (BENI, 2007, pág. 54).

A Ecopedagogia, portanto, busca na relação entre os sujeitos a ética para uma batalha em prol de

uma nova sociedade, habitada por uma nova escola, um novo educador e um novo educando e uma nova

natureza.

O papel da educação ambiental, ecopedagogia e turismo na educação e formação de um mundo mais consciente

A necessidade de que sejam melhor compreendidas as relações entre homem e natureza é

evidente. O que deve ser percebido é que o homem é o ser que mais necessita do meio ambiente para que

ele consiga sobreviver.

É da natureza que retiram seus alimentos e a energia necessária para produzir meios que

possibilitem ter moeda de troca que movimentam o sistema capitalista. A longo prazo os recursos não mais existirão caso não sejam tomadas medidas imediatas que minimizem os danos que a sociedade vem causando.

O conceito de sustentabilidade deve ser colocado em prática cotidianamente, pois o mundo não

irá resistir a tantas “cobranças”, ele necessita, por conseguinte, de cidadãos mais conscientes e responsáveis com a preservação e conservação do ambiente em que vivem e retiram sua sobrevivência.

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Página 21 de 176 Swarbrooke (2000, pág. 94, vol. 2.) a relação do turismo e a sustentabilidade é definida como:

Em um mercado relativamente livre, aberto, competitivo como o do turismo, temos que satisfazer o turista porque, caso contrário, nenhuma empresa nem destinação será sustentável. Então, o desenvolvimento de forma mais sustentáveis de turismo significa criar novos produtos e conhecimentos que intensifiquem a experiência do turista e, ao mesmo tempo, cumpram os critérios de sustentabilidade.

O que significa dizer que o papel do profissional na área do turismo deve transcender a suas tarefas normais, seja de guiamento ou orientação, ele deve ser capaz de despertar no grupo ou turista a sensibilidade de procurar fazer tudo de forma a não degradar o meio ambiente, para que assim, a atividade possa ser realizada mais vezes.

A educação ambiental deve estar presente em todos os momentos na atividade turística, para que

assim, possa ser mantida a beleza natural dos ambientes e que não haja frustração em expectativas.

Swarbrooke (2000, pág. 7, vol. 4.) afirma que “os princípios da sustentabilidade significam assegurar ao turista a sensação de que seu dinheiro foi bem empregado, para não deixá-lo com a impressão de ter sido explorado”.

Ao que se refere à ecopedagogia, ela é capaz de promover o sentido das coisas a partir da vida

cotidiana, ou seja, do caminhar, do vivenciar a abertura de novos caminhos. Considerada, pois, uma pedagogia democrática e solidária, fundada na consciência de que pertencemos a uma única comunidade

da vida, que desenvolve a solidariedade e a cidadania.

A conclusão talvez mais importante, ainda que pareça um tanto controversa, é a de que nenhum tipo de turismo é intrinsicamente mais sustentável ou melhor que outro. Sendo bem dirigido, é provável que qualquer tipo de turismo possa ser altamente sustentável, ao passo que todo o turismo mal dirigido será provavelmente insustentável. Por isso, deveríamos nos voltar para abordagens de gestão de turismo, em detrimento daquelas sobre os tipos de turismo. (SWARBROOKE, 2000, pág. 103, Vol. 5).

O turismo, por sua vez, não pode ser visto apenas como vilão na natureza, pois a partir dele são

criadas áreas de proteção da fauna e da flora. Ambientes são estudados e são realizados estudos de capacidade de carga para que, assim, o turismo possa ocorrer de forma mais segura ao meio ambiente.

Considerações finais

A humanidade necessita reavaliar seus padrões de consumo e pensar mais no meio ambiente, seja

produzindo menos lixo, seja economizando mais energia, seja dando preferência a produtos com selo verde e à empresas preocupadas com a vida futura na terra.

Ao turismo, por sua vez, cabe utilizar dos conceitos da educação ambiental e da ecopedagogia para criar iniciativas mais sustentáveis de realização de atividades, atuando em todas as esperas representativas do fenômeno: cultural, social, política e social. O dever de preservar a vida é de todos.

Referências

A CARTA DA TERRA EM AÇÃO. O que é a Carta da Terra? Disponível em:

<http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/what_is.html> Acesso em 2012. BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. 12º ed. Ver. e atualiz. São Paulo: SENAC São Paulo, 2007. GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: ARTMEO, 2000. Pedagogia da Terra. São Paulo: Peirópolis. 2001. Educar para a sustentabilidade. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2009. Ecopedagogia, Pedagogia da terra, Pedagogia da Sustentabilidade, Educação Ambiental e Educação para a Cidadania Planetária: Conceitos e expressões diferentes e interconectados por um

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Página 22 de 176 projeto comum. Disponível em: <http://www.paulofreire.org/Crpf/CrpfAcervo000137>. Acesso em outubro de 2010. INSTITUTO PAULO FREIRE. Cidadania Planetária. Disponível em:

<http://www.paulofreire.org/Cidadania/WebHom>e. Acesso em outubro de 2010. LICKORISH, Leonard J.; JENKINS, Carson L. Introdução ao Turismo. Tradução de Fabíola de Carvalho S. Vasconcellos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000, 7º reimpressão. RUSCHEINSKY, Aloísio. Educação Ambiental: abordagens múltiplas. Porto Alegre: Artmed, 2002. SWARBROOK, John. Turismo Sustentável: Conceitos e Impacto Ambiental. São Paulo: ALEPH, 2000. Turismo Sustentável: Meio Ambiente e economia. São Paulo: ALEPH, 2000. Vol. 2. Turismo Sustentável: Gestão e marketing. São Paulo: ALEPH, 2000. Vol. 4 Turismo Sustentável: Turismo cultural, Ecoturismo e Ética. São Paulo: ALEPH, 2000. Vol. 5.

Enviado em 30/08/2012 Avaliado em 30/09/2012

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Página 23 de 176 A SÉTIMA MARAVILHA DO RIO GRANDE DO NORTE: PERSPECTIVAS SOBRE PLANEJAMENTO E GESTÃO NO AMBIENTE NATURAL DOS “APERTADOS” NA CIDADE DE CURRAIS NOVOS

Janaina Luciana de Medeiros 3 Mayara Ferreira de Farias 4

Resumo O turismo como atividade, necessita ser bem planejada e gerida a partir de diretrizes que venham a impactar o menos negativamente possível, com metas e objetivos direcionados a um desenvolvimento responsável que gere oportunidades tanto para os empresários quanto para a comunidade em torno do local utilizado pela atividade. A partir desses pensamentos, o presente artigo visa mostrar o potencial turístico do ambiente dos “Apertados”, bem como ressaltar a importância de uma boa gestão e de planejamento para aumento no número de visitantes e maior conhecimento do mesmo como ambiente natural de possível realização de diversas atividades, fatores que muito contribuem para a movimentar a economia local. E para tal, utilizou-se a metodologia de pesquisa bibliográfica e de dados secundários em sites confiáveis para sustentar os argumentos expostos no texto. Palavras-Chave: “Apertados”. Atividades turísticas. Turistas. Ambiente natural.

Abstract Tourism as an activity, must be well planned and managed from guidelines that may adversely impact the least possible, with goals and objectives are directed to a responsible development that creates opportunities for both business and the community around the site used by activity. From these thoughts, this article aims to show the tourist potential of the environment "Tight", and to underscore the importance of good management and planning for an increase in visitor numbers and increased knowledge of the natural environment even as a possible realization of various activities, factors that contribute strongly to move the local economy. And for that, we used the methodology of literature review and secondary data on trusted sites to support the arguments presented in the text. Keywords: “Apertados”. Tourist activities. Tourists. Natural environment.

Resumen El turismo como una actividad, deben estar bien planeadas y manejadas de directrices que pueden tener efectos nocivos lo menos posible, con metas y objetivos se dirigen a un desarrollo responsable que crea oportunidades para los negocios y la comunidad alrededor de la zona utilizada por actividad. A partir de estas reflexiones, este artículo tiene como objetivo mostrar el potencial turístico del medio ambiente "Tight", y para subrayar la importancia de una buena gestión y la planificación de un aumento en el número de visitantes y el aumento de conocimiento del medio natural, incluso como una posible realización de diversas actividades, los factores que contribuyen fuertemente a mover la economía local. Y para ello, se utilizó la metodología de revisión de la literatura y los datos secundarios en sitios de confianza para apoyar los argumentos presentados en el texto. Palabras Clave: “Apertados”. Las actividades turísticas. Turistas. El entorno natural.

3 Graduanda de turismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Email: janaina_ufrn_turismo@hotmail.com. 4 Mestranda em turismo na Universidade Federal do rio Grande do Norte. Email: mayara_turismo_ufrn@hotmail.com

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Introdução

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Os “Apertados”, localizado na cidade de Currais Novos/RN, é a sétima maravilha do Rio Grande do Norte. Eleita com 7.252 votos, o local recebe a visita de moradores e turistas no período das chuvas, quando o rio Picuí desce as serras para desaguar no rio Acauã e ambos findam no Açude Gargalheiras em Acari/RN.

Os Cânions dos Apertados está localizado na Mina Barra Verde, a 10 km da cidade, com uma formação de serras com a passagem dividida pelo rio Acauã. Quando em épocas chuvosas se torna um cenário deslumbrante e propício para visitação e a prática de esporte de aventuras. (TERRA DA XELITA,

2007).

As paredes de pedra parecem esculpidas pelas águas correntes, e no alto das rochas brotam plantas que enriquecem a paisagem. Mesmo na época da estiagem os Apertados enchem os olhos dos visitantes com sua vegetação típica, e as pedras talhadas que ficam escondidas na época das cheias (TERRA DA XELITA, 2007).

Consiste em um trecho entre as serras, rodeado por pedras que parecem esculpidas pelas águas correntes, e no alto das rochas brotam plantas que enriquecem a paisagem. O lugar é pouco visitado pela população do município, porém quem conhece se impressiona com a sua beleza selvagem.

Pretende-se através deste trabalho de pesquisa sobre o lugar dos “Apertados”, mostrar o potencial turístico do ambiente, bem como ressaltar a importância de uma boa gestão e de planejamento para aumento no número de visitantes e maior conhecimento do mesmo como ambiente natural de possível realização de diversas atividades, fatores que muito contribuem para a movimentar a economia local.

Planejamento turístico

O Turismo consiste em uma atividade que proporciona movimentação de capital humano e

econômico através da circulação de pessoas a um determinado lugar/ambiente, fortalecendo e melhorando, por conseguinte, sob um olhar positivo sobre a atividade, a estrutura atual da cidade em que se realizem as práticas turísticas, seja ela realizada através dos investimentos por parte da gestão pública em atender as necessidades do turista e fazer com que ele retorne.

Parafraseando Gastal (2002) o turismo talvez seja o fenômeno mais globalizado em um mundo de globalizações, no qual a pós-modernidade traz o apagamento das fronteiras e a busca de universalidades. Traz consigo, pois, o elogio da diferença. E é nessa dialética que faz-se necessário a especificidade, para que nasça o que se pode chamar de “turismo brasileiro”, não apenas como o marketing de um destino emergente, mas como a construção de uma reflexão crítica que considere e construa o instrumental teórico com o qual iremos olhar e organizar os nossos entornos para melhor receber os visitantes, enquanto há um diálogo com o mundo.

Esta globalização, por sua vez, se reflete nos equipamentos turísticos e nos processos de divulgação e marketing, os quais devem atrair o cliente primeiro para o país, depois para o estado, depois para o município, e por fim, para os estabelecimentos de recepção dos turistas.

Nessa perspectiva, Castelli (2006) afirma que o ato de satisfazer os clientes significa atender às necessidades de todas as pessoas com as quais a empresa tem compromisso, com colaboradores, clientes, acionistas e comunidade.

O atendimento deve ser, neste sentido, baseado em atender suas necessidades, agregando valor ao

produto oferecido, atraindo turistas a visitarem o ambiente turístico e proporciona um maior

oportunidade de retorno.

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Página 25 de 176 Neste sentido, o turismo, por ser um fenômeno em constante transformação, deve sempre prezar por inovar sua capacidade de atração de turistas, seguindo tendências e modernizando-se, com o objetivo de atender as necessidades do mercado.

Não devendo, porém, ser considerada uma atividade essencialmente econômica, mas uma união de setores econômicos e uma atividade social que é formado por pessoas e, consequentemente, de cultura.

Por isso, ressalta-se a importância de que seja dado um foco mais humano a essa atividade, muitas vezes visto somente sobre a perspectiva econômica, objetivando, com isso, o conforto e o bem estar dos turistas, de modo que venha a propiciar um maior contentamento, procurando, além do lucro, uma prestação de serviços de qualidade com preocupação com o caráter humano que a atividade turística deve possuir.

Sobre o turismo, Castelli (2006) defende que ele é hoje uma realidade que segue ganhando uma importância cada vez maior no contexto do desenvolvimento socioeconômico, tendo em vista que alguns países, que há poucos anos não figuraram no mapa mundial do turismo, atualmente existem fortes centros receptores, impulsionando, sendo direcionado, pois, para o desenvolvimento.

No Turismo, por conseguinte, deve ser priorizada a prestação de serviços baseada na qualidade, visando satisfação do cliente, sobrevivência da empresa no mercado, competitividade e melhorias da imagem. O Planejamento no Turismo, neste sentido, é fator primordial na elaboração de estratégias de desenvolvimento de um ambiente turístico, na medida em que são traçados pontos a serem aprimorados e revitalizados para a satisfação do turista, sem modificar, porém, os conceitos de realização de um Turismo Sustentável.

o desenvolvimento turístico completamente destruído de

regulamentação e planejamento certamente conduzirá à degradação da base de recursos físicos e sociais da qual o Turismo depende.” E isto permite afirmar que para um bom planejamento turístico, é necessário que seja feita delimitação da área em relação ao público destinado, além do estudo da capacidade de carga do local visitado, visto que ela não pode ser ultrapassada para que não haja modificação no ambiente que venha a comprometer futuras visitações.

Segundo Hall (2004, p. 30) “[

]

Planejamento turístico é o processo de avaliação do núcleo receptor da demanda potencial e de destinos turísticos concorrentes com o propósito de ordenar ações de gestão pública direcionadas ao desenvolvimento sustentável e fornecer direcionamento à gestão privada para que ela estruture empreendimentos turísticos lucrativos com base na responsabilidade socioambiental. (BRAGA, 2007).

Planejar é, portanto, responsabilidade aliada à gestão adequada na realização de atividades que não venham a danificar o meio em que estão inseridas e são praticadas.

O planejamento, por sua vez, pode ser visto sob três perspectivas diferentes: Planejamento Estratégico, Tático e Operacional, destacando o primeiro como uma poderosa ferramenta para diferenciar competitivamente um empreendimento turístico no mercado e garantir seu crescimento e sucesso.

Parafraseando Braga (2007), na realidade contemporânea, caracterizada por um ambiente altamente competitivo, o planejamento estratégico está vinculado à gestão de negócios, que busca otimizar processos que elevem os níveis de competitividade conforme exigência dos dirigentes e acionistas.

O Plano Estratégico se refere, neste sentido, ao conjunto de análises realizadas para a tomada de decisões em relação aos conceitos de diagnóstico estratégico, missão estratégica, estratégia empresarial, clientes pretendidos, competências e objetivos da empresa, análise e capacidades de recursos além da escolha adequada de todas as ações da empresa, sendo feita para ser controlada, pessoal, ordenada e intencional.

No planejamento, pois, devem possuir gestores que conheçam seus clientes e suas preferências, nicho de mercado, funcionários, colaboradores e principalmente seus concorrentes, escolhendo,

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Página 26 de 176 adequadamente, os parceiros, colaboradores, fornecedores e funcionários, bem como mantendo comunicação com todos os setores do empreendimento turístico, trabalhando de forma sistematizada, organizada e eficaz.

Desse modo é possível que sejam disponibilizados meios para gerir adequadamente os custos da empresa, com a finalidade de melhor utilização de recursos através de um capital de giro que venha a atender os objetivos de curto, médio e longo prazo.

É necessário, portanto, atenção aos valores de gestão empresarial, através de profissionais

qualificados, comprometidos com a ética e a moral, além de funções relacionadas à gestão de qualidade no

aperfeiçoamento da realização de atividades oferecidas pela empresa, implementando, desse modo, valores em relação à maior preservação do meio ambiente e a ética profissional, de acordo com padrões estabelecidos pela legislação, além de transparência na prestação de serviços.

O Planejamento Tático, por sua vez, tem por objetivo otimizar determinada área de resultados,

trabalhando de acordo com os objetivos e estratégias estabelecidos no Planejamento Estratégico. Onde sua rotatividade de informações facilita para um melhor funcionamento de um empreendimento, o que dinamizará as funções a serem realizadas a atingir as metas estabelecidas.

Sobre isto, Franco (2012) defende que a atividade de planejamento da organização, por sua natureza, deverá resultar de decisões presentes, tomadas a partir do exame do impacto no futuro, o que lhe proporcionará uma dimensão temporal de alto significado.

O planejamento por ser um processo contínuo é composto de várias etapas que funciona de

forma não linear, em decorrência de haver variabilidade na empresa. Variabilidade que é devida às pressões ambientais que a instituição tem de suportar e que são resultantes de forças externas continuamente em alteração com diferentes níveis de intensidade de influência, bem como das pressões internas, resultantes dos vários fatores integrantes da instituição.

Na perspectiva de Vianna e Costa (2012) é na média gerência, ou seja, no nível tático, onde as transformações institucionais e o aprendizado aconteceram com maior força, onde os planos táticos são acompanhados e avaliados com maior frequência que o plano institucional, propiciando um maior compartilhamento de conhecimento e experiências.

Não existem, portanto, muitas diferenças entre o Planejamento Tático e o Estratégico, sendo o primeiro relacionado aos objetivos e à eficácia e o segundo a dimensão geral da empresa.

Alguns problemas em relação à elaboração de objetivos de curto e longo prazo podem vir a surgir, podendo ser minimizados se o gestor conhecer cada um dos tipos de planejamento que existem e podem ser adaptados à realidade da empresa.

No Planejamento Tático o prazo de realização é mais longo, os riscos são maiores e a flexibilidade menor que no Planejamento Operacional.

O Planejamento Operacional, por conseguinte, pode ser considerado como a formalização, através de documentos escritos, das metodologias de desenvolvimento e implantação estabelecidas, nos quais seus planos de ação ou operacionais correspondem a um conjunto de partes homogêneas do Planejamento Tático. É nele em que se estabelecem os recursos necessários para desenvolvimento e implantação, procedimentos básicos.

Neste sentido, os tipos de planejamentos são fundamentais, porém não podem controlar o que irá ocorrer a todo o momento no empreendimento. Por isso, devem ser identificadas todas as ações e os resultados que o estabelecimento possui com a finalidade de poder estipular o que pode vir a necessitar de correção rapidamente.

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O planejamento é, pois, o principal responsável pelo sucesso do empreendimento, visto ser ele o

que controlará o desempenho e realização dos objetivos e metas, o que, por sua vez, faz aumentar as chances de serem tomadas as melhores decisões que afetarão o futuro de um empreendimento turístico.

Sendo assim, para obter esse sucesso, é necessário que haja planejamento ativo, vigoroso, contínuo e criativo, o chamado Planejamento Permanente, caso contrário, o empreendimento turístico somente reagirá ao seu ambiente e não será uma participante ativa em relação a seus concorrentes.

O Planejamento de Uso Único consiste, nesta perspectiva, em realizar a construção de metas a

serem alcançadas por ferramentas direcionadas, para auxiliar à administração a adaptar-se e ajustar-se às

mudanças no ambiente, auxiliar na realização de acordos sobre assuntos de importância e capacitar aos administradores, colaboradores e funcionários, a verem o quadro operativo da empresa com maior clareza e ajudar a estabelecer as responsabilidades de cada um que compõe a empreendimento turístico.

Nesse sentido, esse tipo de planejamento proporciona ordem e coordenação entre as várias partes da organização e tornando os objetivos mais específicos e mais bem conhecidos, minimizando assim a suposição de fatos, o que refletirá diretamente em diminuição do tempo e do dinheiro.

Para a determinação do posicionamento estratégico, por sua vez, faz-se necessária a elaboração de um planejamento que direcione os objetivos, as ações, as atividades e os recursos, e da configuração de um sistema de gestão para operacionalizar e controlar a estratégia, em que sua construção, deve possuir as seguintes etapas: 1 - formulação da missão e de objetivos; 2 - identificação das metas e estratégias atuais; 3 - análise ambiental e de recursos; 4 - identificação de oportunidades e ameaças; 5 - determinação do grau de mudança estratégica necessária; 7 - tomada de decisão estratégica; 7 - implementação e controle da estratégia (STONER e FREEMAN, 1995).

O planejamento do turismo deve ser, pois, pensado de forma que englobe todos os tipos de

planejamento, pensando no turismo como uma atividade que necessita de uma gestão mais eficiente, eficaz e efetiva diante de suas ações, as quais devem, por sua vez, serem direcionadas a resultados, essencialmente, de longo prazo, influenciando, portanto, em uma mudança no atual paradigma de planejamento turístico existente na maioria das localidades, nas quais se pensa no turismo como atividade econômica, social e cultural que possui impactos sob a perspectiva somente de curto e médio prazo.

Para melhor elucidar as ideias postas neste tópico sobre Planejamento Turístico, criou-se a seguinte representação com o esquema 1:

criou-se a seguinte representação com o esquema 1: Esquema 1 . Planejamento Turístico. Fonte: As autoras

Esquema 1. Planejamento Turístico. Fonte: As autoras (2012).

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Métodos

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O trabalho utilizou de entrevistas com pessoas conhecedoras das práticas de atividades realizadas

no ambiente dos “Apertados”. Tais entrevistas trazem a compreensão do conceito do que é hospitalidade dentro da visão do turista que visita o lugar, bem como a compreensão sobre o pensamento dos mesmos em relação a gestão e planejamento realizados por parte dos proprietários do loca.

Dentre os entrevistados, destacam-se as figuras de Jorge Lúcio de Macedo e Nelimar Pereira da Silva. Realizou-se pesquisa de campo, com várias visitas ao local, para melhor visualizar o que poderia ser feito para modificar positivamente a atual situação de recepção de turistas que visitam a cidade de Currais Novos/RN e aproveitam o ambiente natural conhecido por suas atividades de ecoturismo, rapel, escaladas, trilhas ecológicas, tirolesas, corrida de aventura, traking, rafting, entre outras atividades que possuem a potencialidade de atrair uma diversidade de turistas.

Resultado e discussão

Percebe-se a importância e o potencial dos “Apertados” para o desenvolvimento turístico, não só para a cidade de Currais Novos/RN como também para a região do Seridó Potiguar, pois, de fato, mostra que o lugar faz jus a escolha de ter sido eleito, a sétima maravilhava do Estado do Rio Grande do Norte.

E este reconhecimento pode ser comprovado e autenticado por aqueles que tiveram o privilégio

de conhecer o lugar, que tem uma beleza esplêndida e inenarrável.

Beleza que atrai, envolve e faz com que o turista almeje voltar outras vezes. Como foi visto no testemunho dos entrevistados, o lugar, pelo seu ambiente, é extremamente acolhedor, receptível e propício para quem gosta de curtir e aproveitar o que a natureza tem de melhor.

Entretanto, as pessoas que gerenciam o local, não pensam a curto e médio prazo pra estruturar os “Apertados”, no sentido de, melhorar o acesso, construir espaços para repouso, alimentação e entretenimento, de forma que possa oferecer uma hospitalidade adequada, fundamentada na trade de Mauss, “o dar, o receber e o retribuir”.

Se houvesse tal transformação, o lugar seria mais visitado, e se tornaria mais conhecido, pois seria

divulgado não apenas pela mídia de um modo geral, mais também pelos próprios freqüentadores do lugar. E ademais, traria desenvolvimento econômico para a região, e principalmente para os proprietários.

Conclusão

Em qualquer época do ano, tanto faz inverno como verão, o lugar pode ser visitado, isso quando está aberto para visitação, porém, não existe nenhuma estrutura para a acomodação dos visitantes, ou seja, para hospedá-los.

Os Apertados é propício para o turismo ecológico e a prática de esportes radicais, porém, há poucos locais para o rapel, pois, as pedras na sua maioria são soltas, e havendo acidentes não tem um lugar para os primeiros socorros do turista, além do mais, o acesso à casa da fazenda é muito distante, e é dificultado por haver bastante areia no rio e vegetação densa.

Atualmente as pessoas que acampam no ambiente natural dos “apertados”, em sua grande maioria, já se preocupam em preservar o ambiente, porém, ainda existem algumas que sujam o local, quando se alimentam, deixam sacolas, garrafas de refrigerantes e restos de comidas. Foi evidenciado através das entrevistas, pois, que existe um limite máximo de pessoas que possam ocupar o lugar, porém, quando estão servidos de um guia de turismo, esse limite é de dez pessoas.

No caso de acontecer algum acidente, fica difícil a locomoção da vítima, pois, além de não ter nenhuma estrutura por perto, onde possa socorrer, o acesso tem muita areia, devido ser preciso atravessar

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a pé toda a extensão do rio, necessitando de profissionais qualificados que venham a prestar serviços de primeiros socorros.

Dentre todas as suas características marcantes supracitadas, se pode afirmar que o potencial

turístico dos apertados é incontestavelmente dependendo de um bom planejamentos nas ações a serem desenvolvidas e mantidas com a finalidade de fomentar o crescimento da atividade turística com segurança

e qualidade.

Referências

BRAGA, Debora Cordeiro. Planejamento turístico: teoria e prática. Rio de janeiro: Elsevier, 2007. CASTELLI, Geraldo. Gestão Hoteleira. São Paulo: Saraiva, 2006. FRANCO, Robson Batista. O planejamento tático das unidades de execução operacional da 6ª região da polícia militar em ocorrência de alta complexidade. Disponível em

<www.pmmg.portalregional.mg.gov.br:81/moodle/

GASTAL, Susana (org.). Turismo: Investigação e Crítica. São Paulo: Contexto, 2002. Coleção turismo Contexto. HALL, Colin Michael. Planejamento Turístico: Políticas, processos e relacionamentos. 2º Ed. São Paulo:

Contexto, 2004 (Coleção Turismo Contexto). STONER, J. A.; FREEMAN, R. E. Administração. 5 ed. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1995. TERRA DA XELITA. OS APERTADOS 7ª MARAVILHA DO RN. 2007. Disponível em: < http://terradaxelita.blogspot.com.br/2007/11/os-apertados-7-maravilha-do-rn.html > Acesso em junho de 2012. VIANNA, Sergio de Gouveia; COSTA, Stella Regina Reis da. A importância do planejamento tático no processo de aprendizagem organizacional: Análise do caso Inmetro. Disponível em:

http://www.aedb.br/seget/artigos09/213_seget%20A%20importancia%20do%20planejamento%20tatico

.pdf. Acesso em junho de 2012.

/artigo_cientifico.pdf>

Acesso em junho de 2012.

Enviado em 30/08/2012 Avaliado em 30/09/2012

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A QUESTÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ATUALIDADE

Janaina Luciana de Medeiros 5 Mayara Ferreira de Farias 6

Resumo A questão ambiental torna-se cada vez mais emergente diante da realidade das civilizações atuais, tendo em vista, principalmente, a uma maior divulgação das ações ambientais desenvolvidas por comunidades e empreendimentos preocupados com a defesa do meio ambiente. É neste sentido que se inserem todos os conceitos relacionados ao meio ambiente sejam eles desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, preservação, conservação e, com destaque no presente trabalho, as ideologias de conscientização e sensibilização da população através da educação ambiental. Estes conhecimentos podem ser, nesta ótica, transmitidos no ambiente escolar, familiar ou nas mais diversas formas de interação social com a finalidade principal de melhoria da qualidade de vida e de promover uma visão futura de um desenvolvimento responsável. Para realizar o presente trabalho foi utilizada como metodologia a pesquisa em livros e em sites que tratam das temáticas a serem abordadas ao longo do trabalho. Concluiu-se ao final da pesquisa que a educação ambiental consiste em uma ferramenta fundamental na divulgação do respeito para com o ambiente, possibilitando, aos que entendem seus objetivos, que se insiram no meio como seres fundamentais e dependentes de todos os outros formadores desta ciclo da vida, o meio ambiente. Palavras-Chave: Educação ambiental. Meio Ambiente. Desenvolvimento sustentável.

Abstract The environmental issue becomes increasingly emerging on the current reality of civilizations in order primarily to greater disclosure of environmental initiatives developed by communities and businesses concerned about protecting the environment. It is in this sense that fall all the concepts related to the environment they are sustainable development, sustainability, preservation, and conservation, especially in the present work, the ideologies of awareness and awareness through environmental education. This knowledge may be, in this light, transmitted in the school environment, family or in various forms of social interaction with the primary purpose of improving the quality of life and promote a vision of a future responsible development. To accomplish this work was used as the research methodology in books and websites that deal with the themes to be addressed throughout the work. It was concluded at the end of the research that environmental education is a fundamental tool in the promotion of respect for the environment, enabling you to understand your goals, which fall in the middle as being fundamental and dependents of all other trainers of this cycle of life environment. Keywords: Environmental education. Environment. Sustainable development.

Introdução

A revolução nas discussões sobre as questões ambientais inicia-se com a promulgação da Constituição federal de 1988, no sentido de despertar uma maior preocupação com leis que se referiam à proteção, preservação e conservação ambiental.

Além disso, como resultado da revolução industrial, o aumento do consumismo aumentou ainda mais as consequências negativas decorrentes das ações humanas no meio ambiente.

Neste sentido, surge, pois, os diversos conceitos voltados à minimização de impactos negativos diretos e indiretos ao meio em que o homem vive e desenvolve suas atividades produtivas.

5 Graduanda de turismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Email: janaina_ufrn_turismo@hotmail.com.

6 Mestranda em turismo na Universidade Federal do rio Grande do Norte. Email: mayara_turismo_ufrn@hotmail.com.

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Página 31 de 176 Cabe à sociedade, porém, buscar sensibilizar-se diante destas ações que causam efeitos maléficos ao ambiente, na tentativa de modificar algumas questões culturais tão enraizadas em algumas pessoas que relutam em não respeitar o meio em que vivem, principalmente por não se considerarem parte do mesmo.

Todavia é sabido que o ser humano é o principal ser diante o meio ambiente tendo em vista que é ele o que mais pode contribuir para o reflorestamento e proteção aos recursos naturais existentes e é do meio ambiente que o mesmo irá retirar os recursos para sua sobrevivência.

Para compreender melhor o sentido dos conceitos de meio ambiente, sensibilização, desenvolvimento sustentável e sustentabilidade, é necessário que se tenha um maior conhecimento sobre os efeitos e relevância do que é e como pode ser utilizada a educação ambiental na sociedade atual.

Para tal, utilizou-se na realização do presente artigo, a metodologia de pesquisas bibliográfica e utilização de dados secundários em sites que tratavam das temáticas supracitadas.

Necessidade de educação ambiental

Com uma das legislações mais completas e mais avançadas do mundo ao que se refere às questões ambientais, o Brasil necessita de novas formas de se pensar o meio ambiente, no sentido de priorizar a mudança de hábitos voltada às boas práticas de atividades voltadas para a sustentabilidade.

Neste sentido, ressalta-se a educação ambiental como uma possibilidade de haver uma conscientização, geralmente com crianças devido ao fato de ainda estarem formando ideologias e formas de ver o mundo, de sensibilização, voltadas para o público em geral em decorrência de que ocorre, neste caso, apenas uma mudança de atitude em relação a uma ideologia e a uma cultura predeterminada pelo tempo em que conseguem distinguir o certo do errado em relação ao que fazer na sociedade.

Segundo Jacobi (2003, p.190) a reflexão das práticas sociais

em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu

ecossistema, envolve uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental. A dimensão ambiental configura-se crescentemente como uma questão que envolve um conjunto de atores do universo educativo, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunidade universitária numa perspectiva interdisciplinar. Nesse sentido, a produção de conhecimento deve necessariamente contemplar as inter-relações do meio natural com o social, incluindo a análise dos determinantes do processo, o papel dos diversos atores envolvidos e as formas de organização social que aumentam o poder das ações alternativas de um novo desenvolvimento, numa perspectiva que priorize novo perfil de desenvolvimento, com ênfase na sustentabilidade socioambiental.

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Deve haver, também, uma mudança de pensamento ao que se refere aos valores consumistas que cada vez mais ganha uma proporção maior diante às novas oportunidades de aquisições de coisas novas, as quais são criadas para durarem menos para que o sistema continue a existir.

Através do crescente uso das novas tecnologias as relações sociais estão sendo modificadas e as maneiras de socialização precisam de uma atenção diferenciada, em especial em relação à atenção voltada ao meio ambiente e ao uso dos recursos naturais.

Parafraseando Pestana (2012) as metodologias de educação ambiental devem ser entendidas como formas de se obter o desenvolvimento sustentável no sentido de inserção de seus conceitos em parâmetros curricular escolares de forma interdisciplinar em todas as práticas do ensino, na procura por conscientizar e sensibilizar aos alunos.

Para que isto ocorra, porém, é necessário mais que uma reformulação nos projetos políticos pedagógicos, mas que o profissional da educação tenha a boa vontade de conhecer sobre a temática de educação ambiental e queira repassar este conhecimento de forma espontânea e com desejo de perpetuar

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Página 32 de 176 as ideias de proteção, conservação e preservação ambiental como forma de promover resultados a longos prazos diante destes conhecimentos transmitidos.

Diante disso, Loureiro (2007, p. 69) coloca que

Por sinal, é fácil observar que educadores e educandos, ao participarem da consolidação de ações afinadas com uma abordagem crítica da educação ambiental se sentem à vontade e motivados com tal perspectiva. Isso se explica, pois, ao trazermos a educação ambiental para a realidade concreta, para o dia-a-dia, evitamos que esta se torne um agregado a mais, idealmente concebido nas sobrecarregadas rotinas de trabalho. Evitamos também que fique no plano do discurso vazio de “salvação pela educação” ou da normatização de comportamentos “ecologicamente corretos”. Com isso, torna-se um componente e uma perspectiva inerentes ao fazer pedagógico, potencializando o movimento em busca de novas relações sociais na natureza. Diríamos mais, ao perceberem tal processo, muitos educadores que antes tinham resistência à “questão ambiental”, por entenderem-na como uma discussão descolada das condições objetivas de vida, acabam incorporando a educação ambiental e vestindo a camisa.

Estes conhecimentos podem, por conseguinte, ser repassados através do convívio escolar e do social, bem como através das mais variadas formas de comunicação existentes, sejam elas palestras, vídeos, programas de rádio ou televisão, entre outros.

Este processo de educação ambiental na escola através do professor possui, pois, uma ideologia que pode ser transmitida e promover à efetivação das atividades voltadas para o meio ambiente, possibilitando que exista um efeito multiplicador considerável à divulgação dos conceitos envolvidos na educação ambiental.

Devendo, nesta perspectiva, atingir as mais diversas camadas sociais diminuindo, de forma gradativa, o consumismo desenfreado e impensado, que muitas vezes é despertando diante das diversas exigências sociais de inclusão.

Caso a comunidade não redefina, então, seus hábitos, sejam eles considerados simples ou de grande escala, a vida futura na terra ficará comprometida tendo em vista que os recursos para a sua sobrevivência estarão cada vez mais raros.

A educação Ambiental deve ser, portanto, expandida nas mais diversas escalas sociais, seja através da família, do ambiente escolar ou nas diversas outras formas de convívio social, envolvendo pessoas de todas as idades, níveis econômicos, diferentes conhecimentos ou interesses associados ao ambiente.

Consumismo na sociedade capitalista

Caracterizada pelo capitalismo dominante, a sociedade atual se destaca pela presença e preponderância de ações individualistas voltadas para, especialmente, crescimento econômico possibilitado através dos recursos renováveis e não renováveis, sem, na maioria das vezes, preocupação com a reposição destes recursos ao ambiente, impossibilitando, consequentemente, que o homem possa usufruir do mesmo no futuro.

Deve-se, porém, ser elaboradas estratégias de diminuição de utilização destes recursos, em especial dos não renováveis, para que os efeitos negativos destas ações não impactem em maior escola as comunidades que dependem destes recursos para tirarem o sustento de sua família.

O que ocorre é uma verdadeira carência de compromisso com as futuras gerações e com os efeitos muitas vezes irreparáveis que esta exploração pode proporcionar à vida dos seres vivos, sendo o consumismo a forma mais evidente desta despreocupação com o futuro.

Neste sentido, destaca-se que a demanda global dos recursos naturais deriva de uma formação econômica cuja base é a produção e o consumo em larga escala, onde a lógica, associada a essa formação,

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Página 33 de 176 responsável pelo processo de exploração da natureza atual, é culpada por boa parte da destruição dos recursos naturais e criadora de necessidades que exigem um crescimento sem fim das demandas quantitativas e qualitativas desses recursos para a sua própria manutenção (MEC, 2012).

A comunidade necessita, nesta perspectiva, repensar sobre a utilização atual dos recursos naturais

para atingir objetivos específicos com consequências irreparáveis ou de difícil modificação e recuperação, e

que, na maioria das vezes, atinge a maioria da população menos favorecida da sociedade.

Devendo existir, pois, maior conscientização das pessoas em relação aos seus atos cotidianos, com destaque para a forma e a duração de banhos diários, lavagem de calçadas, reutilização de sacolas ou compra de sacolas ecologicamente corretas, compra em estabelecimentos preocupados com a questão ambiental, entre outras formas.

As pessoas necessitam despertar para as questões naturais com urgência, pois a vida dos seres

vivos está ficando comprometida, refletida através das mudanças climáticas, chuvas imprevistas,

derretimento de geleiras, queimadas em florestas, etc.

Há a necessidade, portanto, de que sejam organizadas medidas eficazes, eficientes e eficazes que

proporcione a minimização de desperdícios de água e de energias diversas, por exemplos, no sentido de repensar conceitos e utilização do avaliar a importância da existência da sustentabilidade, ambiental, social, política e econômica, refletindo a responsabilidade ambiental como forma de conservação e preservação da natureza considerando os interesses atuais e futuros da sociedade.

Entendendo sobre o desenvolvimento sustentável

O desenvolvimento sustentável se dá através da tentativa por diminuir os impactos negativos

provocados no meio ambiente de forma não prejudicial com consequências igualmente negativas para as próximas gerações, possibilitando o desenvolvimento no futuro.

O conceito de desenvolvimento sustentável demanda que exista uma visão ampliada do

desenvolvimento e do que compõe o ambiente natura, no sentido de compreender o que tem ocorrido na

atualidade em grande parte da sociedade ocidental, em que a economia monetarista e a negação de um interesse público tem sido a característica de tantas políticas governamentais (HALL, 2004).

Neste sentido, ressalta-se que além do interesse público, deve existir o interesse individual em procurar desenvolver estratégias de minimização de impactos, existindo com isso uma projeção de interesses do individual ao coletivo de forma a existir uma maior aceitação comunitária da ideia de educação ambiental.

O desenvolvimento sustentável de uma localidade necessita, além do crescimento econômico, de

uma distribuição equilibrada da renda e da devida proteção dos recursos naturais, com o objetivo de assegurar uma qualidade de vida atual e futura adequadas (BARRETTO, 2005).

O sistema de existência social necessita ser reformulado no que diz respeito às construções

concretizadas e aspiradas pelo homem, com atenção para os argumentos da ecologia e das formas de uso

dos recursos naturais renováveis e dos não renováveis.

A concentração de gás carbônico na atmosfera, por exemplo, cresceu principalmente pelo uso de

combustíveis fósseis em termelétricas, indústrias, automóveis e também através da devastação e queimada

de florestas, com destaque para o carvão, o petróleo e o gás natural (NATUREBA, 2012).

Pode-se afirmar, com isso, que o desenvolvimento na atualidade trouxe muitos desiquilíbrios ambientais tais como o efeito estufa, a poluição, extinção de espécies e o tão comentado aquecimento global, apesar das melhorias que as mesmas propiciaram.

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Página 34 de 176 Caso novas visão não sejam despertadas para os recursos naturais, portanto, existirão consequências irreparáveis a vida na terra, sendo necessária a mudança no pensar sobre tudo relacionado ao meio ambiente.

A conscientização da comunidade

Os cidadãos estejam inseridos em qualquer sociedade, cargo de trabalho, condição social ou que possuem qualquer nível de conhecimento devem buscar a mudança de hábitos que prejudicam, de alguma forma o meio ambiente. Pequenos hábitos diários podem fazer grande altercação na preservação da vida.

Diante desta condição, ressalta-se o papel dos meios de comunicação para que este pensamento

seja propagado em maior escala, tendo em vista a grande quantidade de pessoas que os mesmos podem alcançar. Com estes meios é possível mostrar ações reais de preservação e conservação ambiental, formas

e pessoas que sobrevivem da reciclagem, pessoas que mudaram de vida quando passaram a cuidar melhor

do meio ambiente, pessoas que passaram a lucrar mais através da imagem verde associada a seus produtos,

entre outras formas, como forma de incentivar a outras pessoas a seguirem os objetivos da educação ambiental.

Para essa conscientização ambiental muito têm contribuído os órgãos de comunicação de massa em todos os níveis, a disseminação de publicações semanais que trazem artigos relacionados ao meio ambiente, o trabalho não reconhecido, e quase anônimo, de professores de escolas primárias e secundárias, que de forma muitas vezes isolada buscam transmitir aos seus alunos valores baseados no respeito à natureza e as ameaças provocadas pela ação do homem (DIAS, 2008).

Os meios de comunicação desempenham, sob este prisma, poder sobre as pessoas e sobre a transmissão de informações que podem proporcionar, onde quanto mais informadas sobre as questões ambientais mais poderão fazer em prol das políticas que resguardam as causas de diminuição de impactos negativos na natureza que venham a comprometer o desequilíbrio ecológico.

Para a difusão dos conceitos ambientais é necessário também que sejam realizadas palestras, eventos, mesas redondas e fóruns educativos e de discussão que venham a possibilitar que as pessoas questionem sobre as questões acerca da importância da educação ambiental para todos.

A população deve se posicionar e questionar aos governantes quanto ao uso correto do dinheiro

público, com ênfase nas atividades de conservação e preservação, além de políticas de estímulo à recuperação do meio ambiente.

A importância da reciclagem deve ser discutida em escolas como forma de procurar diminuir as

ações de impactos negativos do homem moderno na destruição de nosso planeta.

A relação homem-natureza deve ser reelaborada e regida a novos parâmetros de desenvolvimento

e utilização de ferramentas humanas para atingir objetivos específicos, ressaltando, com isso a importância

do meio ambiente conservado e recuperado, a mudança de pequenos hábitos cotidianos e pensamentos atuais, com a finalidade de abarcar novas formas de visualização do presente e do futuro quanto ao desenvolvimento sustentável e quanto às consequências que a sua não utilização ocasionará.

Preservar e conservar o meio ambiente são deveres que abarca governos e sociedade, devendo partir de interesses individuais ao coletivo na busca contra a destruição de recursos naturais e a busca por um desenvolvimento sustentável e mais comprometido com o futuro.

O desenvolvimento sustentável está, neste sentido, intimamente relacionado à conservação dos recursos ambientais, que por sua vez podem garantir a exploração sem que haja deterioração dos recursos naturais. E isto só é possível se houver a renovação ao mesmo tempo da utilização destes recursos, os quais podem servir para satisfazer necessidades momentâneas, devendo estar comprometidas com a capacidade de sustentar as futuras gerações (ROSE, 2002).

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Página 35 de 176 É fundamental, ainda, que sejam despertados interesses quanto às políticas públicas de planejamento que possam despertar sensibilização nas pessoas sobre educação ambiental direcionada para a ampliação dos conhecimentos relacionados ao ambiente natural, possibilitando que o processo de conscientização venha a ser ampliado e mais discutindo no ambiente social.

O envolvimento pessoal e comunitário é, portanto, um passo fundamental para a construção de

uma sociedade mais consciente e preocupada com o meio ambiente, e para isso a mudança cultural é o primeiro obstáculo que deve ser vencido neste percurso voltado para a educação ambiental aplicada no dia a dia das pessoas.

Considerações finais

Atualmente a sociedade está baseada na superprodução e no superconsumo de uma pequena parcela da população, que atinge negativamente a maior parte diante seus atos, provocando que esta maioria passe a viver em condições de subconsumo.

A consciência ambiental é um ato político e social que transpassa o sentido de sua palavra,

abrangendo questões culturais, psicológicas e morais, necessitando ser mais bem avaliada diante das novas

formas de se ver a natureza e de se apropriar dela.

Este pensamento deve ser absorvido e aplicado através de atitudes conscientes diante da natureza, principalmente ao que se refere à reposição do que se é retirado dela, para que no futuro haja a possibilidade de sobrevivência na sociedade.

Devem existir parcerias em benefício da natureza, principalmente ao que se refere à difusão da informação. Além disso, deve existir um plano de ação para a preservação e para a conservação de acordo com seus padrões de relação com a natureza, abrangendo pequenos e grandes hábitos que atingem o ambiente natural.

Todos necessitam, portanto, abrir os olhos para as proeminências de que o mundo necessita ser respeitado, seja nos aspectos políticos e sociais, seja pelos aspectos ambientais e culturais, os quais são considerados como mais importantes diante de todas as informações discutidas no presente artigo.

Referências

BARRETTO, Margarita. Planejamento responsável do turismo. São Paulo: Papirus, 2005.

DIAS, Reinaldo. Turismo, Cidadania e Educação Ambiental. In:

ed. 4. reimp. São Paulo: Atlas, 2008

HALL, G. Michael. Planejamento turístico: políticas, processos e relacionamentos. São Paulo: Editora Contexto,

2004.

Turismo sustentável e meio ambiente. 1.

JACOBI, Pedro. Educação Ambiental, cidadania e sustentabilidade. São Paulo: Cadernos de pesquisa, 2003.

Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/n118/16834.pdf . Acesso em 01 de set. de 2012. LOUREIRO, Carlos Frederico. Educação ambiental crítica: contribuições e desafios. In.:

Silva de; TRAJBER, Rachel. Vamos cuidar do Brasil: conceitos e práticas em educação ambiental na escola. Brasília: Ministério da Educação, Coordenação Geral de Educação Ambiental: Ministério do Meio Ambiente, Departamento de Educação Ambiental: UNESCO, 2007. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente. Disponível em:

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/meioambiente.pdf> Acesso em agosto de 2012 NATUREBA. A Poluição do Ar e o Desequilíbrio do Clima. Disponível em <http://www.natureba.com.br/> acesso em julho de 2012. PESTANA, Ana Paula da Silva. Educação Ambiental e a Escola, uma ferramenta na gestão de resíduos sólidos urbanos. Disponível em <http://www.cenedcursos.com.br/educacao-ambiental-e-a-escola.html> acesso em Julho de 2012.

ROSE, Alexandre Duratti. Turismo: Planejamento e marketing. São Paulo: Manole, 2002.

Enviado em 30/08/2012 Avaliado em 30/09/2012

MELLO, Soraia

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Página 36 de 176 APRENDIZAGEM APLICADA E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR NO ENSINO PARA A COMPREENSÃO: UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA SOBRE O TEMA

João André Tavares Fernandes 7

Resumo Este estudo tem como objetivo elucidar algumas considerações apresentadas por alguns autores sobre o Ensino para a Compreensão como proposta de ensino. A metodologia apresentada neste estudo vem com bases em pesquisas bibliográficas, que procura associar os conceitos estudados relacionando-os à prática. Possibilitando um olhar diferenciado à formação do professor para a compreensão, conectados a uma visão baseada na capacidade de desempenho flexível. Importante citar neste estudo as ressalvas postas por alguns autores sobre a relação social entre docentes e discentes, estes e outros aspectos sociológicos permitem uma mudança na escola, já que as salas de aula se enchem e os professores assumem um novo papel. Palavras-chave: Ensino para Compreensão, Aprendizagem, Formação.

Abstract This study aims to clarify some points made by some authors on the Teaching for Understanding and teaching proposal. The methodology presented in this study comes with bases for literature searches, to combine the concepts studied relate them to practice. Allowing a different look to the education of teachers for understanding, connected to a vision based on the ability of flexible performance. Important to mention in this study the reservations made by some authors on the social relationship between teachers and students, these and other sociological aspects allow a change in the school, as classrooms are filled and teachers assume a new role. Keywords: Teaching for Understanding, Learning, Training.

Introdução

Como sabemos se nossos alunos estão compreendendo? O que é o Ensino para a Compreensão (EpC) na prática? Como aplicar a aprendizagem para compreensão? O professor está preparado para ensinar nessa proposta? É uma questão complexa responder a essas perguntas. Mas, em termos práticos, não são tão confusas, ou seja, conhecimento, habilidade e compreensão são as ações no mercado da educação, vamos qualificar estes conceitos.

Nesse sentido Moreira (2002) afirma que:

“O avanço das pesquisas e da experiência, os professores disporão de instrumentos que lhes permitem delimitar melhor a natureza dos obstáculos às aprendizagens encontradas em cada aluno e, portanto, saber se requerem uma intervenção urgente, ou um desvio, ou um tempo de latência, por exemplo, dando à criança tempo para crescer, amadurecer, superar as crises familiares ou problemas de individualidade. Os professores precisam encontrar meios de criar espaço para mutuo engajamento das experiências de multiplicidade de vozes, por um único discurso dominante. Mas professores e alunos precisam encontrar maneiras de que um único discurso se transforme em local de certeza e aprovação”. (idem, p. 106)

7 Professor do curso de Administração de Empresas da Universidade Cidade de São Paulo. Mestrando do Programa de Educação da Universidade Cidade de São Paulo UNICID.

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Página 37 de 176 Dentro desta perspectiva posta por Moreira, este estudo tem como objetivo contribuir com as reflexões referentes às diversas questões do ensino e aprendizagem. Buscando e promovendo uma mediação entre, alunos e professores, sobre as implicações e desdobramentos dos níveis desiguais que participam dos programas de educação, aprendizagem e formação docente sob o olhar de alguns autores.

A presente pesquisa procurou identificar de forma bibliográfica como é possível professores

motivar os alunos no processo de ensino-aprendizagem utilizando o método de compreensão. A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, envolvendo aspectos emocionais, sociais, educacionais e culturais. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da transferência destes para novas situações.

O processo de organização das informações e de integração do material à estrutura social e

educacional é o que os educadores denominam aprendizagem, é necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias perceptivas que mobilizam o processo de aprendizagem. Em outras palavras, cada pessoa aprende a seu modo, jeito, estilo e ritmo.

Aprendizagem versus compreensão: conceitos e práticas

Partindo do pressuposto de que a curiosidade é um elemento fundamental do processo de ensino- aprendizagem, ao ser despertado ela contribui para a motivação dos alunos na busca dos conhecimentos.

Como ensinar para a compreensão?

Wiske (2007, p.12) cita em seu livro a pesquisa realizada em Harvard “de 1988 até 1995 um grupo de pesquisadores da Harvard Graduate School of Education trabalhou em conjunto com professores de escolas vizinhas em pesquisa para ligar com essas questões.

Quando abordamos conhecimento, habilidade e compreensão, David Perkins (apud, Wiske 2007, p.37) explica que a maioria dos professores demonstram um forte comprometimento com os três. Todos querem alunos emergindo da escolarização ou de outras experiências de aprendizado com um bom repertório de conhecimento, habilidades bem desenvolvidas e uma compreensão do significado, da importância e da aplicação daquilo que estudaram.

Perkins (apud, Wiske 2007, p. 37) diz que a compreensão é a capacidade de pensar e agir de maneira flexível com o que se sabe, ou seja, de outro modo, a compreensão de um tópico é uma “capacidade de desempenho flexível” com ênfase na flexibilidade”.

Dentro deste conceito de “capacidade de desempenho flexível” o grupo de professores da Harvard citados acima estabelecem quatro elementos que determinam como marco conceitual 8 , seus elementos são: tópicos geradores, metas de compreensão, desempenhos de compreensão e avaliação continuada.

O trabalho com professores durante os anos iniciais do projeto revelou que aprender a ensinar

para a compreensão é por si só, um processo de desenvolvimento de compreensão. A partir dessa perspectiva, o próprio marco do EpC oferece uma base para orientar o processo de Compreensão, Planejamento, Implementação e Integração.

A partir de uma análise mais concreta, Wiske (2007) cita que:

Primeiro, define que vale a pena compreender, organizando um currículo em torno de tópicos geradores que são centrais à matéria. Segundo, estabelece que os alunos irão

8 O marco conceitual do Ensino para Compreensão baseia-se na crença de que os alunos constroem e demonstram compreensão por intermédio de aplicações criativas e inovadoras de seu conhecimento. A fim de desempenhar suas compreensões eles devem ficar ativamente envolvidos com sua aprendizagem. (Martha, 2007)

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compreender formulando metas de compreensão explícitas, focalizadas em ideias e questões fundamentais à disciplina, tornando-as públicas aos alunos, pais e outros membros da comunidade escolar. Terceiro, estimula a compreensão dessas metas por parte dos alunos engajando os aprendizes em desempenho de compreesão que requerem deles ampliar, sintetizar e aplicar o que sabem. Desempenhos de compreensão ricos permitem aos alunos aprender e expressar-se por meio de inteligências e formas de expressão múltiplas. Quarto, mede a compreensão dos alunos realizando avaliação contínua de seus desempenhos. Tais avaliações são mais eficientes em termos educacionais quando ocorrem com frequência, baseiam-se em critérios públicos, diretamente relacionados a meta de compreensão, são conduzidos pelos alunos e pelos profesores. (idem, p. 13)

Dentro desta perspectiva a autora explica que:

O marco conceitual do EpC organiza investigações para auxiliar professores a analizar, planejar, implementar e avaliar a prática focalizada no desenvolvimento da compreensão dos alunos. Ele não prescreve respostas a questões, mas, sim, proporciona orientação clara, coerente e específica para ajudar educadores a desenvolver suas próprias respostas. (ibidem)

Considerando-se inevitável a presença do marco conceitual nesse contexto de aprendizagem, cabe perguntar: Como a capacidade de uma pessoa de usar seu conhecimento de maneira inovadora podem contribuir com a aprendizagem do aluno?

Perkins (apud, Wiske 2007, p. 45) acentua com propriedade e considera que com a noção de aprendizagem de desempenho no centro, alguns princípios gerais ajudam a definir o trabalho para o aprendiz e o professor.

O autor faz algumas observações em relação a visão de aprendizagem para compreensão:

1. Aprender visando à compreensão ocorre principalmente por meio do engajamento

reflexivo em desempenhos de compreensão acessíveis, porém desafiadores. A aprendizagem também beneficia-se do engajamento reflexivo, incluindo maneiras de obter retroalimentação clara e informativa sobre si próprio e sobre os outros e de como é possível melhorar o desempenho,

2. Novos desempenhos de compreensão são construídos a partir de compreensões

anteriores e novas informações proporcionadas pelo cenário educacional. Às vezes, aprendizes constroem novas compreensões inteiramente por intermédio da reflexão sobre e do trabalho com conhecimentos e compreensões anteriores.

3. Aprender um corpo de conhecimentos e habilidades para a compreensão requer

necessariamente uma cadeia de desempenhos de compreensão de desafios e variedade cada vez maiores. Como consequência, a compreensão precisa evoluir por meio de uma série de desempenhos de compreensão que aumentam em desafio e variedade.

4. Aprender visando à compreensão geralmente envolve um conflito com repertórios

mais antigos de desempenhos de compreensão e suas ideias e imagens associadas. (idem, 2007, p. 45-46)

Sacristán (1988) explica que as tarefas acadêmicas definem modos de trabalhar e de aprender, permitem utilizar diversos meios, sair ou não fora das salas de aula, criam ambientes de aprendizagem particulares e definem modelos de comportamento para os quais as individualidades adaptam-se melhor ou pior.

Chris Unger (apud, Wiske 2007, p. 188), por sua vez, alerta que o EpC requer que os alunos assumam maior responsabilidade que de costume em muitas salas de aula. Os alunos que compartilham uma visão de compreensão como desempenho demonstram maior sucesso em classe de EpC em que aqueles cujas crenças são mais coerentes com a visão tradicional da realização acadêmica.

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Página 39 de 176 O autor afirma que: “além disso, acredita-se que discutir as ideias dos alunos sobre compreensão e aprendizagem aliado à visão baseada em desempenho subjacente à estrutura do EpC possa ajudar os alunos a alcançar uma compreensão ativa, criativa e autômona”.

Para Wiske (2007):

O marco conceitual do EpC oferece orientação, mas faz muitas exigências ao

conhecimento e ao tempo dos professores no planejamento de currículo e pedagogia.

Os professores constantemente relatam que o EpC é um trabalho árduo, mas que o

marco “transformou minha classe”, que estão “conseguindo muito mais de suas crianças” e que sua classe “é um lugar excitante para estar”. Os professores iniciam o trabalho a partir de suas paixões, interesses, necessidades e metas. À medida que os alunos se engajam em desempenhos, os professores percebem maneiras eficazes de apoiá-los e de refinar tarefas a fim de que devotem cada vez mais seus esforços para a compreensão, e não para o trabalho trivial ou de memorização. (idem, p. 114)

O professores em geral iniciam o engajamento do aluno por meio de uma exploração aberta

inicial, discussão ou tempestade de idéias.

Nesse sentido Gómez (1998, p. 69-72) afirma que “o aluno/ a é um ativo processador da informação que assimila, e o professor/ a, um mero instigador deste processo dialético por meio do qual se transformam os pensamentos e as crenças do estudante.

“para provocar este processo dialético de transformação o

docente deve conhecer o estado atual de desenvolvimento do aluno/ a, quais são suas preocupações, interesses e possibilidades de compreensão”.

O autor contempla afirmando que:

De acordo com o autor, ninguém duvida hoje em dia que o estudante é um ativo mediador de suas respostas e que o objetivo chave da educação e do ensino é provovar nele o desenvolvimento de capacidades, conhecimentos e atitudes que lhe permitam se desempenhar por si mesmo no meio em que vive.

Dentro dessa perspectiva o Gómez (1998) define que:

Aprender a aprender, perceber, interpretar, racionalizar, investigar e intervir na realidade são capacidades operativas que somete se aprendem agindo, fazendo, intervindo ativamente, mediando, enfim, ente as situações externas e as condutas. Assim, o aspecto mais importante dentro dessa corrente são os processos de socialização do professor/a, já que se considera que neste longo processo de socialização vão se formando lenta mas decisivamente as crenças pedagógicas, as ideias e teorias implícitas sobre o aluno/a, o ensino, a aprendizagem e a sociedade. (idem, p.

73)

O ensino é uma atividade prática que se propõe dirigir as trocas educativas para orientar num

sentido determinado as influências que se exercem sobre as novas gerações. Compreender a vida da sala

de aula é um requisito necessário para evitar a arbitrariedade na intervenção.

Por outro lado Gómez (1998) explica que:

Cada uma dessas formas e modos distindos de ser cria possibilidades de novos esquemas de conhecimento, novas formas de compreensão e novas perspectivas de intervenção. A relação entre compreensão e intervenção forma uma espiral dialética na qual ambos os elementos estimulam-se mutuamente. Por isso, não se pode separar os modelos de compreensão e os modelos de intervenção. O professor/a, os alunos/as, os administradores e todos que participam no processo educativo intervêm condicionados por um modo de pensar mais ou menos explícito sobre os fenômenos educativos. (idem, p. 81)

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A qualificação do trabalho do professor em todos os componentes curriculares e o seu

comprometimento constitui condições indispensáveis para desencadear qualquer ação que objetive aperfeiçoar o processo educativo, não é um processo fácil e sim complexo.

Pensando a respeito desta complexidade, as escolas e os professores, entre outras medidas, podem distribuir suas atenções em função das possibilidades ou necessidades de cada estudante, munir-se de recursos para o trabalho independente e criar climas de cooperação entre os alunos, facilitando a informação, o conhecimento e principalmente o intercâmbio.

Para Gómez (1998, p. 85) “o docente não pode ser nunca um mero técnico que aplica um currículo e desenvolve técnicas e estratégias de comunicação e ensino elaboradas desde fora para uma suposta comunidade homogênea”. Cada aluno/ a e cada grupo constitui e continua constituindo seus próprios esquemas de interpretação da realidade e, concretamente, está desenvolvendo redes de troca de significados peculiares no espaço e no tempo onde vive e evolui como grupo social.

Nesta concepção o autor acredita que, a escola deve se preocupar em construir pontes entre a cultura acadêmica tradicional, a cultura dos alunos/ as e a cultura que se está criando na comunidade social atual. Por isso, o currículo deve ser um meio de vida e de ação, de modo que os indivíduos construam e reconstruam o significado de suas experiências.

Desse modo, escolas e professores/ as precisam viabilizar o livre avanço dos mais capazes de forma natural, alimentando o interesse do aluno/ a, abrindo-lhe caminhos e adotando a postura de um professor mediador de condições e recursos. Acreditando em uma proposta educacional suas características, experiências e condições de aprendizagem, para que os alunos/ as possam ser capazes de acreditar em uma oportunidade de igualdade mais sólida e serem mais confiantes em si mesmos.

Enguita (2007) contribui dizendo que:

A escola tem sido e é um pedroso instrumento de igualdade social, o problema surge

quando, por um lado, se tem de compartilhar a igualdade com a liberdade e a responsabilidade, e por outro, quando, ao passar das palavras aos fatos, se esbarra dentro e fora da instituição, com a diversidade do potencial e real público. (idem, p.

110)

Dentro dessa perspectiva o autor acredita que “podemos até admitir que educar seja sinônimo de dar, ou de acordo com a sua etimologia, extrair, mas aprender requer sempre fazer. Por outras palavras, a educação, não depende apenas do professor, mas também do aluno.

Enguita (2007) reconhece que:

O professor pode, enquanto cidadão, apoiar qualquer outra coisa, mas como

profissional e mais ainda como funcionário, deve aplicar o que a sociedade que e se,

por alguma razão, considera que os critérios desta devem mudar ou não são aplicáveis à

escola, deve, em todo o caso, ater-se aos procedimentos democráticos, dado que a

escola é um serviço público, não dos professores. (idem, p. 112)

Os objetivos esperados devem impulsionar as capacidades nos processos de igualdade social, como sabemos, levam ao desenvolvimento de capacidades de diversos tipos: cognitivas, de inter-relação, de equilíbrio pessoal e até motoras.

De acordo com Gómez (1998):

A cultura que se vive, trabalhada na escola, pode e deve configurar-se como uma

concretização da cultura social da comunidade onde são experimentados aberta e

conscientemente os problemas, os conflitos, os interesses, as alternativas e as propostas

de intervenção da própria comunidade. Ou, pelo contrário, pode se construir como um

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gueto artificial onde os problemas são simplificados e distorcidos, onde se estimule a aprendizagem acadêmica e enciclipédica, teórica e descontextualizada de instrumentos, estratégias e teorias, com pretenso valor universal, mas nula aplicação aos problemas cotidianos. (idem, p. 95)

O autor denomina como um modelo denominado processual, no qual os valores regem a

intencionalidade educativa devem ser erigidos e concretizados em princípios de procedimentos que orientem cada momento do processo de ensino. Neste modelo, o desenvolvimento do currículo é construído pelo professor/ a e, requer a atividade intelectual e criadora do mesmo, para aprofundar seus conhecimentos acerca dos valores educativos e para transferir tais valores para a prática da aula.

Para Gómez (1998, p. 376-377) a realidade é transformada porque este processo de interações inovadores requer novas condições sociais, nova distribuição do poder e novos espaços para ir situando os retalhos de nova cultura que emergem na aula. Como todo processo de mudança conduz inevitavelmente a confrontos polêmicos, dentro de uma realidade plural cujo desenlace, ainda que imprevisível, será obviamente uma modificação da realidade.

O resultado destas mudanças é o desdobramento de ações efetivas que colabora com um

processo dinâmico e flexível de sua formação acadêmica propiciando condições e recursos em sua tomada de decisão.

Uma sala de aula que propicia um espaço interativo de diálogo em complexidade crescente potencializa o papel do professor/ a e do aluno/ a. O professor/ a torna-se “facilitador” do processo de construção dos conhecimentos e dos significados inerentes a eles e, em parceria com os alunos/ as, problematiza o contexto escolar e social via grupos colaborativos e cooperativos.

A formação do professor no ensino para a compreensão: do trabalho individual ao trabalho coletivo

Para Pereira (2008, p.136-137), compreender o trabalho docente é, antes de tudo, assumir um campo de investigação complexo. Não resta dúvida de que a Sociologia da Educação é um elemento fundante na compreensão do trabalho docente, visto que a profissão surge no contexto da constituição da escola na modernidade.

Entretanto, para o autor:

Uma parte importante do trabalho dos professores está centrada em gerir relações

sociais com seus alunos. Conforme Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a

si mesmo, os homens se educam entre sim mediatizados pelo mundo. Neste sentido,

ambos os alunos e professores, constituem-se como humanos e ativos prontos a agir e

a reagir ao que está sendo proposto, ou seja, é reconhecer um ponto de partida

adequado para um a proposta de formação continuada, pois possibilita-nos fazer a conexão adequada com o saber. (PEREIRA, 2008, p. 139-140)

De acordo com Teixeira (2007, apud Pereira, 2008, p. 142), a condição docente não é um dado fixo e acabado, e não resulta também apenas das vontades, sejam elas individuais, sejam elas coletivas. Considerar a condição docente, ou o fazer docente, é levar em consideração também os aspectos materiais envolvidos nesse campo.

Pereira (2008) reconhece que além de considerar que a condição decente envolve essa complexa realidade, Teixeira chama a atenção da trama de interações e trocas, em que não faltam tensões, conflitos e problemas relativos às hierarquias e estruturas, às dinâmicas e as relações de poder e à diversidade de interesses.

A autora argumenta que o cerne da docência, ou o que “funda” a condição docente é, exatamente, a relação social entre docentes e discentes.

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Teixeira (2007) afirma enfaticamente:

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Um não existe sem o outro. Docentes e discentes se constituem, se criam e recriam mutuamente, numa invenção de si que é também uma invenção do outro. Numa criação de si porque há o outro, a partir do outro. O outro, a relação com o outro, é a matéria de que é feita a docência. Da sua experiência é a condição. Estamos, pois no domínio da alteridade. O outro está ali, diante do professor, da professora, podendo sempre surpreendê-lo, instaurando o inédito em sua ação instituinte, tanto quanto repetir ou repor o conteúdo, o instituído. O outro está ali, efetivamente ou virtualmente presente, na educação presencial ou na educação à distância, como se costuma chamar uma e outra. (apud PEREIRA, 2008, p. 144)

Teixeira e Arroyo (apud Pereira, 2008, p. 148) nos incitam a pensar a formação e os saberes docentes, para além dos procedimentos didáticos, das perspectivas do conteúdo e da perspectiva curricular.

Imbernón (2010, p. 17) faz uma análise das últimas décadas, inicia-se nos anos de 1980 onde a sociedade espanhola consegue a escolarização total da população. Estes e outros aspectos sociológicos surgem uma mudança na escola, já que as salas de aula se enchem e os professores assumem um novo papel.

Para o autor o trabalho docente nas escolas de graduação obriga os educadores a considerarem uma forma diferente de trabalhar. São introduzidos elementos técnicos, como planejamento, programação, objetivos bem redatados, avaliação, etc., que terão sua difusão na etapa seguinte. Além disso, luta-se contra o analfabetismo, próprio de muitas camadas da população.

Anos de 1990 segundo o discurso daquela época, a institucionalização da formação continuada nasce com a intenção de adequar os professores aos tempos atuais, facilitando um constante aperfeiçoamento de sua prática segundo as necessidades presentes e futuras.

De acordo com Imbernón (2010):

Nesta mesma época, anos de 1990, algo se move na formação. As mudanças sociais e políticas ajudam. Também é certa que muitas das novas ideias são assumidas como modismos, e há momentos em que não se pode distinguir quem as praticas de quem unificamente fala sobre elas, nem os que antes defendiam tenazmente o dirigismo e suas derivações dos que agora se convertem a essa nova religião e saem em sua defesa, centrados em sua ideias, mas não em suas práticas. (idem, p. 21)

Imbernón (2010, p. 23) contribui dizendo que: “no entanto, é certo que nos últimos anos, principalmente naqueles países governados por uma direita conservadora, que aplica um neoconservadorismo 9 profundo na educação, apareceu um “desânimo” ou talvez um desconcerto não apenas entre grupos de professores, mas também entre todos que, de uma forma ou de outra, se preocupam com a formação”.

Para o autor é imprescindível uma alternativa de formação que aceite a reivindicação desse eu, da subjetividade dos professores, da identidade docente como um dinamismo da forma de ver e de transformar a realidade social e educacional, e seus valores, e da capacidade de produção de conhecimento educativo e de troca de experiências.

Tal concepção chamada de identidade docente, por Imbernón (2010, p.79-80), pode-se relacionar tal identidade com o que vem chamando de “trajetória ou desenvolvimento profissional”, já que se tem

9 É uma corrente da filosofia política que surgiu nos Estados Unidos a partir da rejeição do liberalismo social, relativismo moral e da contracultura da Nova Esquerda dos anos sessenta. Originalmente os neoconservadores se colocavam em uma perspectiva mais a esquerda.

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Página 43 de 176 feito uma leitura de desenvolvimento profissional com conotações funcionalistas, quando o definem apenas como uma atividade ou um processo para a melhoria das habilidades, atitudes, significados ou do desenvolvimento de competências genéricas.

Para o autor motivar a formação continuada, é necessário gerar uma motivação intrínseca relacionada à tarefa de “ser professor ou professora”, ação que é muito mais difícil, se os docentes se encontram imersos em um ambiente de desmotivação e passividade, educacional ou ideológica.

Imbernón (2010, p.109-110) propõe a formação em atitudes 10 (cognitivas, afetivas e comportamentais) que ajuda no desenvolvimento pessoal dos professores. De acordo com o autor, em uma profissão em que a fronteira entre o profissional e o pessoal está difusa. A formação dos professores junto ao desenvolvimento de atitudes será fundamental.

Juntos, professores passam a estabelecer relações com outros saberes e com o próprio cotidiano, estabelecendo relações e construindo redes de conhecimentos. Este cenário conduz a uma transformação da capacidade de gerar novos conhecimentos pedagógico-didáticos a partir de seu próprio contexto.

A formação deve ajudá-los a estabelecer vínculos afetivos entre si, a coordenar suas emoções, a se

motivar e a reconhecer as emoções de seus colegas de trabalho, já que isso os ajudará a conhecer suas próprias emoções, permitindo que se situem na perspectiva do outro, sentindo o que o outro sente.

Podemos citar vários pilares ou princípios para uma formação no coletivo, como por exemplo:

elaborar projetos de trabalho em conjunto; conhecer as diversas culturas da instituição para vislumbrar os possíveis conflitos entre colegas; aprender sobre prática mediante a reflexão e a resolução de situações problemas; aprender de forma colaborativa, dialógica, participativa, isto é, colegialidade participativa e não artificial.

O processo reflexivo torna-se alicerce para que se construa um processo interdisciplinar efetivo

no cotidiano, por meio de uma prática pedagógica que esteja impregnada de pesquisa, discussão, análise e

desenvolvimento metacognitivo dos professores/ as e alunos/ as sobre o conhecimento construído de forma individual e coletiva.

Perrenoud (2000) alerta que:

Trabalhar a partir das representações dos alunos não consiste em fazê-las, expressarem- se, para desvalorizá-las imediatamente. O tentar compreender suas raízes e sua forma de coerência, não se surpreender se elas novamente, quando julgávamos ultrapassadas. A escola não se constrói a partir do zero, nem o aprendiz não é uma tabula rasa, uma mente vazia; ele sabe, ao contrário, “muitas coisas”, questionou-se e assimilou ou elaborou respostas que o satisfazem provisoriamente. Por causa disso, muitas vezes, o ensino choca-se de frente com as concepções dos aprendizes. (idem, p. 28)

Perrenoud (2000, p. 147-148) vai mais além, “lutar contra os preconceitos e as discriminações sociais, étnicas e sociais na escola não é só preparar o futuro, mas é tornar o presente tolerável e, se possível fecundo. E antes de qualquer coisa, para pôr os alunos em condições de aprender que é preciso lutar contra as discriminações e os preconceitos.

Seria importante que cada vez mais professores se sentissem responsáveis pela política de formação contínua e interviessem individual ou coletivamente nos processos de decisão.

10 Entende-se aqui, “atitude” como o sentimento de disposição ou predisposição conseguido e organizado por meio da experiência e que exerce uma influência específica sobre a resposta do indivíduo ao contexto.

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Para finalizar, Martha (2007) alerta que:

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O marco conceitual do EpC orienta professores a revisar antigas questões sobre o que

e como ensinar. Ele os incentiva a continuar aprendendo sobre sua matéria, enquanto

desenvolvem tópicos geradores mais potentes, e a articular metas de compreensão mais penetrantes. Ele os ajuda a ouvir seus alunos a fim de aprender como estão entendendo

o currículo e ajudá-los visando a atender seus interesses, pontos fortes e pontos fracos. (idem, p. 68)

Com o EpC o professor tem a possibilidade de adquirir mais capacidade didática em compreender ainda mais os alunos/ as, propor algo mais sugestivo, inovador, um novo modelo de professor possibilitando condições e recursos aos alunos/ as. Trabalhar criando diferencial, novas estratégias e novas formas de atuar em sala de aula buscando resultados e alcançando os objetivos pré estabelecidos.

Considerações finais

Com o mercado globalizado há uma preocupação muito forte em relação à formação do professor para atender a demanda aplicada pela sociedade, a qualidade da formação oferecida é o mínimo exigido para que as instituições sobrevivam. Teorias e modelos de aprendizagem são disseminados por toda a instituição, nenhuma inovação irá produzir uma ampla melhoria na escola se ela desenvolver apenas nas mãos de professores com capacidade e apoio incomuns.

Após o término deste estudo, acredito em um trabalho contínuo, empenhado em uma energia considerável com apoio de professores, alunos, comunidade, onde o conjunto possa contribuir com valores e reflexão diferentes. As instituições são obrigadas a reaprender a aprender, priorizando-se o todo e o trabalho em grupo, na busca de soluções para os problemas, ou seja, da individualidade para o coletivo.

A partir das novas concepções vistas e pela nova metodologia na qual foi apresentada neste

estudo Ensino para Compreensão (EpC), percebemos uma grande mudança, inserida no contexto educacional, possibilitando um maior entendimento do que é “compreensão”. Mas, ainda estamos

caminhando, para construção de valores e objetivos em comum.

O motivo para desenvolver a compreensão se torna o desejo de ajudar outras pessoas, de acordo

com suas circunstâncias, considerando quais são os fatores mais decisivos em cada caso. Portanto, compreender, dentro de uma visão macro, significa ter o desejo pelo aprendizado e pelo outro. Saber se realmente há o envolvimento em sala, a participação ativa dos alunos. Permitindo que o professor opere neste cenário como facilitador de condições e recursos e os alunos participem ativamente promovendo discussão, debates, trocando experiências profissionais, pesquisando.

O professor deve encontrar estratégias, recurso para fazer com que o aluno/ a queira aprender,

deve fornecer estímulos para que o aluno/ a se sinta motivado a aprender. Ao estimular o aluno/ a, o educador desafia-o sempre, para ele, aprendizagem é também motivação, onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. É fundamental que o aluno/ a queira dominar alguma competência. O desejo de realização é a própria motivação, assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços, captando a atenção do aluno.

Referências ENGUITA, M. F. Educação e transformação social. Portugual: Edições Pedagogo, 2007. IMBERNÓN, F. Formação Continuada de professores. Porto alegre: Artmed, 2010. MOREIRA, A. F.; SILVA, T. T., Currículo, cultura e sociedade. 6. Ed. São Paulo: Cortez, 2002. PEREIRA, J. E. D. Quando a diversidade interroga a formação docente. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000. SACRISTÁN, J. G. O Currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed, 1988. SACRISTAN, J. G.; GÓMEZ, A. I. P. Compreender e transformar o ensino. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 1998. WISKE, M. S. [et al.] Ensino para a compreensão: a pesquisa na prática. Porto Alegre: Artmed, 2007. Enviado em 30/08/2012 Avaliado em 30/09/2012

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Página 45 de 176 O HOMEM CAMUSIANO: PARA ALÉM DO ABSURDO, PARA ALÉM DA REVOLTA, RUMO AO NADA

João Batista Farias Júnior

Resumo Este artigo tem como intenção apontar alguns traços do homem que Albert Camus destaca. Para além de sua condição existencial absurda e para além de qualquer revolta para com tal condição, nos engajaremos em apontar o ponto para o qual a existência humana converge, este nada mais é do que o próprio nada, o niilismo aporta na obra camusiana e assume uma importante posição para o homem. O homem, segundo Camus, vê-se diante do absurdo da vida e mais, vê-se caminhando rumo a coisa nenhuma. Palavras-chave: absurdo, revolta, niilismo.

Abstract: This article is intended to point out some features of the man who Albert Camus show us in his works. Beyond his existential condition absurd and beyond any anger toward such a condition, we will intend to descry the point to which human existence converge, this is nothing more than his own nothingness, nihilism brings in the work and assumes an important position for the man. The man, told us Camus, finds himself at the absurdity of life and more, he sees himself moving toward anything. Key-words: absurd, revolt, nihilism.

Considerações iniciais

Arriscamo-nos na busca por uma elucidação a respeito do homem na obra de Albert Camus sem grandes pretensões. E se vamos deixar de lado pretensões que possivelmente nos impediriam de avançar rumo ao esclarecimento de um ponto como este na obra de Camus, talvez devamos então já, desde o inicio de nossa jornada, deixar claro que a obra de Camus não pode ser base para um estudo antropológico que vise uma definição de homem, bem como de suas diversas perspectivas. Não falaremos de um conceito de homem que pretenda ser absoluto, nos colocamos longe desse absurdo. Trabalharemos antes com a concepção de uma condição humana que se mostra cada vez mais delineada nas últimas décadas. E Camus com suas ideias conseguiu alcançar bem essa condição tão contingente, compreendendo o momento em que se encontra o homem no último século.

Essa condição humana de que nos fala Camus se desenvolve através de seus personagens, bem como se apresenta teorizada nas bases de seus ensaios, principalmente no ensaio O mito de Sísifo. Tomaremos como base para nosso estudo principalmente O mito de Sísifo, além dele, O estrangeiro nos auxiliará nessa tentativa de aproximarmo-nos do que Camus tem a dizer sobre o homem. Evidente, para além dessas duas obras, O homem revoltado também terá muito a nos dizer sobre o que Camus pensou, sobretudo a respeito do caráter ético presente em sua obra.

O absurdo da condição humana

Albert Camus é sempre lembrado como grande representante da corrente filosófica chamada existencialismo. Filósofo, literato e engajado com a política em seu tempo, Camus nos legou uma obra densa e singular. Em sua obra ensaística, e mesmo em suas obras mais literárias, a temática existencial é preponderante.

Camus em seu ensaio filosófico O mito de Sísifo de início deixa claro a questão fundamental a ser respondida: “julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida” (CAMUS, 2008c, p.17). As questões demais são também importantes, entretanto jamais poderão alcançar a seriedade da primeira. Respondê-la é o ato definitivo para o homem. Assim, propondo ensaiar sobre tal questão Camus nos levará a pensar toda a dimensão da pergunta e da resposta daquele que é o problema filosófico mais sério.

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O suicídio para Camus não é uma questão que deve ser pensada como um problema social, mas,

longe disso, diz respeito ao intimo do indivíduo, é uma questão que do pensamento que pode irromper a

qualquer instante, desencadeada até mesmo por atos aparentemente incapazes de levar alguém a matar-se.

O suicídio é o momento em que o homem confessa a si mesmo que sua vida não é digna de ser vivida.

Viver naturalmente, nunca é fácil. Continuamos fazendo os gestos que a existência impõe por muitos motivos, o primeiro dos quais é o costume. Morrer por vontade própria supõe que se reconheceu, mesmo instintivamente, o caráter ridículo desse costume, a ausência de qualquer motivo profundo para viver, o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento. (CAMUS, 2008c, p.19).

O suicídio pode não ser uma porta aberta por muitos, mas ainda assim aqueles que a ultrapassam

estão dotados de um sentimento forte o suficiente para a realização da última privação. Mas “qual é então o sentimento incalculável que priva o espírito do sono necessário para a vida?” (CAMUS, 2008c, p.20). Ora, se enquanto vive o homem dorme, o suicídio só pode se dar com aqueles que acordam para algo, algo novo e não pensado antes durante o sono. O absurdo, sentimento do homem que se reconhece privado da possibilidade de afirmação de algum sentido para a vida, comanda então o homem até seu ato final.

O mito de Sísifo, obra base para essa nossa investigação, aborda a relação existente entre suicídio e o absurdo. Tal relação nos permitirá apreender algo sobre o homem camusiano e sobre o próprio homem contemporâneo, este mesmo que se reconhece, reconhece o absurdo de sua condição, mas, no que tange

ao último, ainda não pensa a respeito de tal condição, não consegue colocar-se a questão de julgar se a vida vale ou não ser vivida.

Em O mito de Sísifo o absurdo é o ponto de partida para se pensar o homem, para pensarmos a única questão importante ao homem. Quem então é este homem? O homem absurdo é este que não acredita em nada além do sentimento de estranheza que o agora comporta, este para quem não importa se é o Sol que gira em torno da Terra ou se é o contrário que se dá. O homem absurdo é este que não tem crença alguma, para quem metafísica alguma adianta.

Sísifo na mitologia é o herói condenado a empurrar um rochedo até o cume de uma montanha para logo em seguida o mesmo rochedo rolar montanha abaixo, fato que o leva à repetição, ao eterno trabalho, vão, inútil e sem esperança. Este Sísifo é para Albert Camus um herói, um herói absurdo. Esse fado, o destino de Sísifo e de todos os homens, se faz absoluto no momento em que Sísifo desce a montanha e pensa em todo seu trabalho, sua vida condenada, e continua firmemente sua jornada. Sísifo suporta o peso da rocha e de sua vida graças à afirmação que o mesmo faz-se, tudo está bem, Sísifo dá seu salto e segue para seu destino.

Esse salto é proveniente do reconhecimento do absurdo e nele se configura a afirmação de que o absurdo exige que seja admitido. Vejamos o que nos diz Camus sobre o absurdo, o homem e o salto:

Se há absurdo, é no universo do homem. Desde o momento em que sua noção se transforma em trampolim de eternidade, não está mais relacionada com a lucidez humana. O absurdo é mais aquela evidência que o homem constata sem admitir. (CAMUS, 2008c, p.49).

Não se trata, nos aleta Camus, de um salto para a eternidade. O homem que se reconhece, que reconhece o absurdo, sabe de sua finitude e de sua solidão. “Este salto é uma escapatória” (CAMUS, 2008c, p. 49). Escapar para onde ou o quê? Para a consciência de que não há nada além da presente condição, condição absurda.

Albert Camus possui outro personagem distinto no que tange à problematização do absurdo, é Meursault o encarregado de absorver o tema do absurdo na obra O estrangeiro. O estrangeiro inicia-se já bruscamente, seu protagonista recebe um telegrama do asilo no qual a sua mãe vivia informando-lhe que esta falecera.

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Hoje morreu mamãe, ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentimos pêsames. Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem. (CAMUS, 2008a, p.47).

Mas o fato da morte parece que já não exige atenção. Meursault atem-se muito mais ao tempo. E ainda esta atenção que ele dedica ao tempo é simplesmente algo acidental, que logo passará e será esquecido. Este personagem é singular. Meursault é alguém que não espera nada da vida, que vive a repetição de seus dias, sente uma saudade que não sabe bem definir e é completamente indiferente às coisas que os outros homens dão atenção. Aí está o homem absurdo de Camus.

Sua vida muda bastante quando diante do Sol, segurando um arma, Meursault atira e mata um árabe. Em seu julgamento tem-se a certeza que sua condenação advém não absolutamente do crime cometido, mas do fato de ter demonstrado indiferença à morte de sua mãe. No entanto, desse momento em diante, mais ainda o absurdo de sua existência é passado a nós leitores. Meursault em momento algum mostra-se arrependido, não se arrepende de nenhum fato em sua vida. No entanto ao ser questionado pelo padre que vem para confessá-lo se este pensa numa outra vida, responde prontamente que não. Para ele todas as vidas equivalem e a sua não lhe agradou absolutamente. Meursault, vive o absurdo, para ele qualquer vida é apenas mais um suceder de acontecimentos. Desejar uma outra vida, diz ele ser apenas um fato tão em vão quanto desejar ser rico ou possuir melhores feições.

O homem e seu engajamento: a revolta

O absurdo do qual se dá conta o homem está muito próximo da expressão de revolta que tomará

este mesmo homem. E já este outro sentimento que aparece à inteligência é outro salto. Camus nos fala

do absurdo que é a condição humana, mas já nesse absurdo estarão as raízes do homem revoltado, insatisfeito com a vida, mas ainda assim engajado com ela.

É bem sabido por todos que da obra de Camus alguns trabalhos são abertamente críticos e são

fruto do pensamento político de nosso literato-filósofo. Albert Camus não foi um homem que diante dos

acontecimentos daquele momento se reservou um espaço e se alienou do tempo, muito longe disso, seus textos são reflexos dos ideais que defendia.

O absurdo precede a revolta, e esta na obra de Camus irrompe em O homem revoltado. Esta é sem

dúvida uma de suas obras mais polêmicas. Quanto ao engajamento político, Camus deságua sua frustração

e revolta contra os atos terríveis daqueles países que ocuparam a França.

O homem revoltado, segundo Camus, é aquele que deixa de lado a vida em si para exigir as razões

da vida. Nenhum crime pode ser justificado em nome da história. A revolta é esse movimento do homem contra aqueles que fazem todo tipo de crueldade em nome de qualquer ideal que seja. A revolta deixará de lado a indiferença do homem no que tange à vida com os outros. O homem revoltado reconhece-se unido

a todos os outros.

Na experiência do absurdo, o sofrimento é individual. A partir do movimento de revolta, ele ganha a consciência de ser coletivo, é a aventura de todos. O primeiro avanço da mente que se sente estranha é, portanto, reconhecer que ela compartilha esse sentimento com todos os homens, e que a realidade humana, em sua totalidade, sofre com esse distanciamento em relação a si mesma e ao mundo. (CAMUS, 2008b, p.35).

Camus escreve O homem revoltado poucos anos depois da Segunda Guerra Mundial. A obra vem então a fim de engajar aqueles que não conseguem se resignar diante das atrocidades que os bárbaros cometem.

Não se deve aceitar simplesmente o absurdo, pelo menos não se a isso seguir uma passividade que degenere ainda mais a condição humana. Para além do absurdo resta ao homem a revolta. Encarar o absurdo e fazer deste seu combustível para a contínua revolta em favor da retomada da vida, agora em termos comuns com o outro. A vida requerer lucidez, e aqueles que não a negarem com o suicídio terão a

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Página 48 de 176 possibilidade de viver honestamente com sua condição absurda e mais, verão no compartilhamento de tal condição com o outro uma forma de levar o absurdo à revolta.

Para além do absurdo: o homem e o niilismo

Camus adverte que a revolta pode ser vã se tomar uma direção bem contrária a aquela originária que une a todos os homens. Ele nos adverte que tomemos cuidado. Devemos atentar para os sentimentos que guiarão nossa revolta, já que desde muito tempo o homem encontra-se em um extremo.

Estamos neste extremo. No fim destas trevas, é inevitável, no entanto, uma luz, que já advinha basta lutar para que ela exista. Para além do niilismo, todos nós, em meio aos escombros preparamos um renascimento. Mas poucos sabem disso. (CAMUS, 2008b, p. 38).

Se pudermos concluir algo sobre o homem na obra de Camus, esta conclusão poderia ser exemplificada em seu personagem Riex da obra A Peste. Este é o verdadeiro exemplo de um homem revoltado, consciente da absurdidade de sua existência, decididamente inconformado com a situação do resto das pessoas, com o próprio mundo e até consigo mesmo.

Lembrando do ato que Camus diz ser preciso ser feito para tomarmos o absurdo em absoluto para nós mesmos, o salto; Riex é sem dúvida alguma o tipo de homem que conseguiu dar o salto. E como iremos concluir aqui, o salto o dignificou. Já que este alcançou aquilo que o esperava logo após o salto, e ao contemplá-lo não se ressentiu, até mesmo porque não haveria absurdo maior que este, Riex se deu conta do mal estar que a situação presente o trazia, mas conseguiu associar sua sensibilidade à luta.

Camus nos advertiu em O mito de Sísifo que não existe a verdade, mas verdades. O homem deixa as convenções sociais, descontente com o mundo e consigo mesmo, pois se reconhece como um grão de areia inútil e perdido na vastidão do deserto. Ele será descontente, sozinho e incoerente com os outros, porém, será verdadeiro e coerente consigo mesmo. Aí residem os termos que importam ao homem, a aquele mesmo que a princípio se perguntou sobre sua vida, sobre sua existência. Aqueles que disseram não ao suicídio, talvez depois de algum certo tempo, depois de algum tempo diante do Sol, conseguiram dar o salto e preservarem-se homens. E sobre aqueles que responderam não ao absurdo, talvez estes tenham se resignado já desde o inicio e concluíram não haver caminho mais rápido que o caminho da morte.

Meursault pode estar sob a égide do absurdo, completo em sua solidão e abstenção do resto do mundo. Seu salto foi este que se dá sozinho. Mas já sabemos que não é este o único modo de saltar, já que não existe uma verdade, mas verdades. Cada homem camusiano dá seu salto de forma nova, original. E sob isso que é dito teremos o salto dado pelo homem revoltado. Com o homem revoltado tem-se consciência que essa condição absurda é compartilhada por todos os homens. Assim, este pode engajar-se junto do outro na aventura que é a vida. Mesmo que isso signifique ter que enfrentar em algum momento uma peste. Essa será enfrentada com uma vontade de superação, com toda a frustração e revolta que o homem pode ter.

A obra de Albert Camus deve ser compreendida por nós como uma tentativa de mostrar não apenas a condição do homem, quem é este e o que o espera. Acima de tudo o pensamento de Camus se constitui como um engajamento, uma reflexão que visa trazer à nossa consciência a certeza que cada um possui; não somos nem apenas vítimas e nem completos carrascos. Resta-nos o salto que a pergunta fundamental exige. Se iremos responder à pergunta já é outra questão. E tão pouco espera-se algo para além do salto. Para além do absurdo não há nada, para além da revolta não há vida. Além do absurdo e da revolta, subjacente ao nada está a possibilidade de prepararmos um renascimento como afirma Camus. É isso que o homem camusiano possui. Para além de tudo isso, nada.

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Enviado em 30/08/2012 Avaliado em 30/09/2012

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A (DES) MONTAGEM DA MÁQUINA: COMPLICAÇÕES EM "CONTO BARROCO OU UNIDADE TRIPARTIDA", DE OSMAN LINS.

João Guilherme Dayrell 11

Resumo Este artigo pretende abordar o texto "Conto barroco ou unidade tripartida", presente em Nove Novena, de Osman Lins, por meio da análise do conceito de dobra, que Deleuze infere ao ler o barroco, e da estratégia da interrupção e suas implicações segundo as anotações de Walter Benjamin. Conclui-se que o escritor brasileiro produz por meio de tais estratégias a desmontagem de uma máquina, fornecendo-nos uma expressão americana em devir, conforme o enunciado por Lezama Lima. Palavras-chave: Conto barroco ou unidade tripartida; Dobra; Montagem.

Abstract This paper intend to approach the text "Conto barroco ou unidade tripartida", present in Osman Lins‟s “Nove Novena”, by analyzing the concept of fold, which Deleuze infers reading the baroque, and by the strategy of interruption and its implications according to Walter Benjamin‟s annotations. It is concluded that the brazilian writer produces, from such strategies, the machine‟s unsetting providing us an american expression in becoming, as enunciated by Lezama Lima. Keywords: Conto barroco ou unidade tripartida, Fold; Setting.

“Sem ânimo sequer de abrir os olhos, porém com um novo e passageiro sentido à espreita em algum ponto do meu ser (

percebo os lentos e solenes movimentos do mundo, a montagem

),

da máquina.” Osman Lins, Avalovara

Em uma entrevista ao periódico Outra Travessia, de Florianópolis, Silviano Santiago nos lembra que “o verbo complicar tem as raízes no verbo latino „dobrar”. 12 Para o autor, “tudo que dobra se desdobra, tudo que se desdobra não deixa que se ocultem à vista as partes dobradas.13 O dicionário Aurélio inclui o ato de “reunir coisas heterogêneas” 14 entre as definições do termo complicar. Sendo assim, ao falar em complicações poderíamos falar também em dobras, mas não como substituição da última pela primeira metáfora , mas como uma metamorfose da própria palavra; um desdobramento que abraça outra coisa que é também heterogênea.

A dobra le pli -, segundo Deleuze, existe em diversos lugares: “há todas as dobras vindas do ”

15 , mas o barroco “curva e recurva as

dobras, leva-as ao infinito”, o que faz com que o barroco não remeta a uma essência, mas a “uma função operatória, a um traço” 16 . Isto nos leva a entender que o excesso da linguagem encontrado no barroco o retira de sua coincidência para consigo algo como um caráter autônomo, contente e fechado em si de um texto ou obra artística – e o coloque no tempo, em devir: assim, ele não é “uma variação da verdade de acordo com um sujeito, mas da condição sob a qual a verdade de uma variação aparece ao sujeito” 17 .

Oriente, dobras gregas, romanas, românicas, góticas, clássicas

11 Doutorando em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concentrando sua pesquisa nas relações entre homem e natureza/animalidade na obra de Osman Lins. Possui mestrado em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina E-mail: chicodms@gmail.com

12 SANTIAGO, 2004, p. 12.

13 Ibidem.

14 FERREIRA, 1986, p. 441.

15 DELEUZE, 1991, p. 13.

16 Ibidem.

17 Ibidem. p. 40.

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Página 51 de 176 Partindo destas colocações, este trabalho toma o texto "Conto Barroco ou Unidade Tripartida", presente na obra Nove Novena, de Osman Lins, publicada pela primeira vez em 1966, como objeto de análise. Aqui se pretende evidenciar como o dobrar da linguagem sobre si, que no especificado conto nos diz de um lançar de tempos heterogêneos tal qual Haroldo de Campos se servia das galáxias, do tropeço nos astros 18 , nos obriga a operar a leitura por meio de uma montagem. Faz-se, para tanto, necessário lançar os olhos para construções teóricas realizadas para abordar a estética barroca, o que permitiu, por sua vez, sua ampla retomada na modernidade 19 ; o que quer dizer também lançar os olhos sobre o contemporâneo através de anacronismos Giorgio Agamben dizia que o verdadeiro contemporâneo é aquele que vira as costas para seu tempo para ver com maior nitidez o “sorriso demente do seu século.” 20

"Conto Barroco ou Unidade Tripartida" se inicia com a busca da personagem principal um capanga pernambucano por aquela que será sua vítima em consequência do cumprimento de um contrato: uma morte encomendada. A personagem está em Congonhas, em Minas Gerais, e conhece a ex- amante do procurado, iniciando um diálogo: a mulher resolve ajudá-lo preparando uma armadilha para o antigo affair, quando a história é interrompida. De “haverá de mostrar-me: „este é o homem‟. Dar-lhe-ei a paga, poderá mudar-se” 21 , somos transportados através de um “ou” para: “O enterro nas ruas de Ouro Preto.” 22 Logo após, outro “ou” surge e a personagem se mistura à voz do narrador: “Estou em Tiradentes, na igreja Matriz, na prefeitura, na rua, no chafariz, de chapéu na cabeça.” 23 As três localidades se misturam cidades mineiras de arquitetura barroca , e o desenrolar da história é cortado por outros “ou” que obliteram possíveis continuidades, o que nos levaria dizer que a interrupção se faz característica profícua do conto.

Ao promover sua leitura acerca do teatro épico de Bertold Brecht, Walter Benjamin 24 propunha que cada vez que se interrompia a protagonista, um maior número de gestos era obtido: o foco principal do teatro épico era, destarte, não o desenvolvimento de ações, mas sim a interrupção das mesmas; assim o teatro de Brecht representava condições, ou melhor, descobria condições a partir da interrupção de todo desenvolvimento. E Benjamin concluía:

As formas do teatro épico correspondem às novas formas técnicas, o cinema e o rádio. Ele está situado no ponto mais alto da técnica. Se o cinema impôs o princípio de que o espectador pode entrar a qualquer momento na sala, de que para isso devem ser evitados os antecedentes muito complicados e de que cada parte, além do seu valor para o todo, precisa ter um valor próprio, episódico, esse princípio tornou-se absolutamente necessário para o rádio, cujo público liga e desliga a cada momento, arbitrariamente, seus alto falantes. O teatro épico faz o mesmo com o palco. (BENJAMIN, p. 83, 1995)

Anatol Rosenfeld, por sua vez, enunciava que no teatro épico:

os atores de repente ficam petrificados em posições fantásticas espécie de close up temporal ou foto fixa no fluxo cinemático compondo quadros cuja imobilidade serve de ponto de exclamação e realce de um momento arrancado da corrente temporal. (ROSENFELD, 2000, p. 16)

De tal sorte, o gesto 25 nos diz de um jogo com a exterioridade tal qual aborda Michel Foucault 26 ,

18 CAMPOS, 2004.

19 Há grande importância de Stéphane Mallarmé para a retomada explícita do barroco realizada posteriormente, como a empreendida pelos cubanos Severo Sarduy e Alejo Carpentier, por exemplo, entre inúmeros outros que incorporam o que é chamado por alguns de „neo-barroco‟. Sobre o assunto ver VILLANI, 2000. p. 159-176.

20 AGAMBEN, 2009, p. 62. Tal colocação do teórico possui consonância com o que Didi-Huberman chama de “ponto de vista anacrônico”, a ver: DIDI-HUBERMAN, 1999, p. 25-40.

21 LINS, 1999. p. 120.

22 Ibidem.

23 Ibidem.

24 BENJAMIN, 1994.

25 Vale notar que Osman Lins possui uma obra com este título: Os Gestos, 1957.

26 FOUCAULT, 2009.

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Página 52 de 176 ou seja, o contato e a assunção da fricção com os dispositivos dessubjetivantes 27 : a máquina do mundo 28 . Através de um ato que é interrompido, elimina-se qualquer transcendência esvaziando-se o significante que passa a comunicar apenas sua comunicabilidade 29 : de tal forma, o dispositivo é desmontado e trazido ao uso; é profanado 30 , permitindo “uma oscilação irresoluta entre um ato de estranhar-se e um novo evento de sentido” 31 , ou seja, uma pré e uma pós-história – sua materialidade “pura”, próxima à fonte (arké), e sua potência, sua capacidade de estar em vias de ser algo, sua projeção posterior.

Destarte, a continuidade temporal é obliterada e o tempo se mostra como um rizoma 32 : "Conto Barroco" nos coloca este processo em suas interrupções, trazendo no texto um conjunto de gestos, de imagens carregadas de história, ou como diz Raúl Antelo, de “nonsense, de equívocos” 33 . Estas imagens irrompem o contínuo na forma de um sopro indistinto 34 , singular, ou como diria o próprio Osman Lins:

“a palavra, porém, não é o símbolo ou o reflexo do que significa, função servil, e sim o seu espírito, o sopro na argila.” 35 Um sopro que é um “espaço virtual da auto-representação e do desdobramento: a

mantê-la (a palavra) além da morte que a condena, e

escrita significando não a coisa, mas a palavra, ( liberar o jorro de um murmúrio” 36 .

)

Conto Barroco permite proliferar, através do corte da narrativa, imagens que vão se sobrepondo em dobras, dobras que vão ao infinito a partir da zona cinzenta que se instaura em relação à tripartição temporal, qual seja: passado, presente e futuro. Seria uma “unidade tripartida” 37 que corrói a própria unidade através da indistinção de sua tripartição: como uma descrição que “não progride”, mas “contradiz-se, anda à volta” 38 , as narrativas que se entrelaçam em Conto Barroco seguem como um inventário de tempos, de mundos possíveis, como uma lista de histórias potenciais permutáveis. De tal sorte, vale elencar: o capanga, que teria tido um envolvimento amoroso com a mulher negra, ex-amante da futura vítima, a partir da uma traição da mulher, teria a matado. Porém, de acordo com o processo permutativo proposto pela conjunção "ou", o assassino-narrador teria eliminado aquele que desejava com a ajuda da negra, e, por fim, resta outra alternativa: o pernambucano extermina o pai de Gervásio aquele que deveria ser sua vítima , quando o velho se coloca para ser morto no lugar do seu filho. Algumas outras tripartições, ainda, contribuem para corroborar o aspecto inconcluso de "Conto barroco": ao delatar Gervásio, a negra lembra que quando o procurado não poderia ir à cidade mandava seu primo, José Pascásio. Além disso, com o decorrer da narrativa, somos informados que, na verdade, a vítima chama-se Arthur.

Nesta espécie de jogo com os nomes, as resoluções das tramas e o espaço no qual elas desenvolvem as três cidades mineiras adquire curiosa correlação à memória do assassino. Ele se pretende um funcionário exemplar, e, para tanto, deve matar sem que nenhum traço da personalidade daquele a ser morto possa fixar em sua mente. Ele, então, é obrigado a ter um máximo desprezo pela vida alheia ao ponto de tentar a todo custo impedir que a vítima possa "ser", como constata-se em seu diálogo com a negra:

27 AGAMBEN, 2009.

28 Tivemos acesso ao poema "A Máquina do Mundo" na seguinte edição: DRUMMOND de ANDRADE, 1982.

29 AGAMBEN, 2000.

30 Ibidem, 2007.

31 SCRAMIM, 2007.

32 DELEUZE, 2007.

33 ANTELO, 2004, p. 9.

34 FÉDIDA, 1996.

35 LINS, 1999, p. 98.

36 FOUCAULT, 2009, p. 64.

37 ANDRADE, 1987. A pesquisadora lê a unidade tripartida como a santíssima trindade católica composta por pai, filho e espírito santo, que no conto encontra-se profanada em uma estética barroca moderna. A tripartição agora é a do assassino Deus pai que decide sobre a vida -, explorador/vítima Filho, falsificador da imagem de Cristo - e prostituta como Espírito Santo, que não une, mas separa pela traição pai e filho. Nota também para a tríade das cidades mineiras.

38 ROBBE- GRILLET, 1965.

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-Vai embora por quê?/ - Você agora existe. Infelizmente./ - Que foi que eu fiz de errado? / - Passou a ser. Não posso lhe explicar. Mas uma puta, uma vítima, não podem existir. Se existem, abrem uma chaga no carrasco. (LINS, 1999, p. 124)

Assim se coloca o pensamento do bandido quando frente ao outro. Todavia, quando sua memória é instigada por meio da retomada das lembranças da convivência com sua irmã, o que temos é radicalmente oposto ao procedimento supracitado. Sua memória advém numa pletora de imagens desconexas que se permutam, se conectam indiscriminadamente. Diz o narrador: "Minha irmã aponta o pão no meio da mesa. É um menino! Você vai comê-lo?", pergunta sua irmã. E o bandido conclui "que não é um menino e sim um escorpião", e revela: "nossos pratos e xícaras vivem transbordando jacarés, lacraias, búfalos, cavalos, mães e flores, que devoramos sorrindo." (LINS, 1999, p. 126)

Frente à morte, as vidas permanecem sem memória, jamais devem ser lembradas. Mas a articulação textual do conto, por meio da estratégia permutativa, nos provê uma pluralidade de possibilidades de vidas, já que nenhum deles é, efetivamente, assassinado. Em um processo metonímico, vislumbramos, então, a austeridade da memória que assola a personagem-narradora em sua relação com os outros desdobrando-se num inventário excessivo de imagens que se interpenetram quando da lembrança de sua irmã, dizendo-nos da estrutura geral do próprio conto. Neste, uma infinda lista de realidades tornam-se possíveis a partir da desarticulação da soberania do bandido, isto é: de sua capacidade decisória sobre o destino das demais personagens que é arrefecida pela conjunção "ou". De uma vida indiferente e anestesiada, marcada pela necessidade de assassinar sem produzir sacrifício, como a do bandido, passamos a um jogo lúdico que abre a anomia das outras personagens à possibilidade de diversas identidades e caminhos que podem percorrer em suas vidas: como, por exemplo, ter a negra se envolvido emocionalmente com o capanga, o pai de Gervásio ter conseguido manter a vida do seu filho e a sua própria vida. É criado uma espécie de inventário de resoluções possíveis para as querelas. Como aponta Maria Esther Maciel acerca dos inventários de Carlos Drummond de Andrade, essa possível lista que propomos no citado texto:

(

quanto um efeito desestabilizador do próprio fluxo temporal do discurso poético, que

),

)

adquire tanto uma função lúdica, (

)

e a insere no espaço cambiante da poesia (

ganha configurações notadamente

continuidade/descontinuidade, sucessão/simultaneidade.” (MACIEL, 2010, p. 72)

paratáticas,

assentadas

no

jogo

Esses jogos que descreve Maria Esther Maciel se colocam em Osman Lins através do corte e repetição, que para Giorgio Agamben são condições transcendentais da montagem 39 . A saga das personagens de Conto Barroco se mistura à fruição do próprio leitor que navega em sobreposições, em fraturas: esta experiência vem através de uma esfera sensível 40 anestesiada em virtude dos choques a que está exposta – o assassino de aluguel no conto especificado diz não ser um carrasco, mas um “funcionário exemplar” 41 , como já dito , que encontra correspondência na montagem cinemática, ou melhor, na “superfície da tela (que) funciona como um órgão artificial de cognição.” 42 Isto, pois „a experiência cinemática é a de choque” 43 , já que ao nos defrontar com os “procedimentos cirúrgicos da câmera”, passamos a “suportar as mais eróticas provocações, os atos mais brutais de violência, mas não fazemos nada. Corta-se a continuidade entre cognição e ação” 44 , sendo a experiência cinemática um paradigma da experiência contemporânea dos choques 45 . Como descreve Ana Luiza Andrade sobre o fragmentário em Osman Lins:

As mudanças de percepção estética, na era da reprodutibilidade técnica, substituem os sentidos antigos de sua percepção de totalidade, enquanto limitam-se, ao invés, a „somente trechos de histórias e de sonhos. Fragmentos esparsos que falam do fim da

39 AGAMBEN, 1995.

40 COCCIA, 2010.

41 LINS, 1999, p. 125.

42 BUCK-MORSS, 2010.

43 Ibidem.

44 Ibidem.

45 BENJAMIN,1994.

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palavra, indubitavelmente uma ameaça de destruição, mas também ( possibilidades de novas significações‟. (ANDRADE, 2004, p. 77)

)

esperança e

Para Ana Luiza Andrade a quebra do fio linear por meio de sua interrupção “desconstrói a mecânica pronta da mentalidade técnica, estabelecendo uma volta constante aos sentidos cognitivos corpóreos que a originaram” 46 , e o contato entre estes fios narrativos fazem explodir constelações de sentido. Conto Barroco arma suas constelações na indistinção entre o que foi e o que será, entre aquilo que aconteceu e o que parece especulação ou sonho da personagem como nas imagens-lembrança de Deleuze 47 .

Assim, a anacronia de Conto Barroco nos remete a um procedimento de leitura histórica como “uma extraordinária montagem de tempos heterogêneos que formam anacronismos.” 48 Trata-se de uma montagem poética impura, que nos atenta para relação entre imagem e história, fazendo com „o que foi‟ possa vir a ser novamente através repetição como alteridade e não como retorno do idêntico, que é, por sua vez, compreendida na representação, na identidade, no comensurável e no simétrico 49 . De tal forma, temos, em "Conto barroco", coadunado a uma estética barroca do excesso, das dobras, ou do inconstante, das formas arredondadas em prejuízo da exatidão geométrica, como diria Wofflin 50 , que é, por sua vez, trazida ao moderno a partir da profanação e obliteração do vínculo com o cristianismo tal qual prefigurava no século XVII e XVIII, vários estratos temporais: a saga do capanga nos remonta o banditismo pernambucano em contraposição ou a serviço do coronelismo de uma sociedade patriarcal e escravocrata em torno da cana de açúcar tal qual tínhamos ainda que, até hoje, seja possível vislumbrar seus resquícios a partir do século XVII. A situação da negra em Minas, como resto ou espelho da escravidão que permitiu a extração do ouro e construção das igrejas barrocas em Minas. As cidades históricas e sua explícita anacronia em relação ou tempo das tecnologias no qual vivemos, traz todos estes restos temporais e "Conto barroco" os coloca em fricção, nos permitindo uma espécie de leitura da história pelas imagens de uma barbárie que aconteceu e subjaz os problemas sociais que se intensificam na história brasileira. Porém, todo este trabalho com o passado se dá em "Conto barroco" a partir de uma retirada da autonomia do discurso que se dá por meio da estratégia do "ou", propondo a resolução da querela a cargo do leitor que propõe, por outro lado, sua potência, isto é: seu caráter irresoluto, que Wofflin apontava na estética barroca, serve para que esta realizada possa vir a ser novamente, que não se estanque como um fato dado no passado. Assim, vemos todos estes tempos passados presentes ainda hoje, e é nossa tarefa vermos que se desejamos o retorno de todas as mazelas. A retirada da autonomia do relato é a potência de ele vir a ser novamente e a articulação de algo que é inerente à linguagem, isto é, à relação entre as palavras e as coisas.

Didi-Huberman argumenta que Plínio, o velho, teria, ao seu modo, mostrado que a imagem se tornava simulacro ao se inserir em uma rede de intercambio, inversão e perversão 51 , o que impossibilitava a existência de uma gênese do fazer artístico 52 . Todavia, Osman Lins assume a dessubjetivação da linguagem se mostrando através de sua ausência, na borda do arquivo, como gesto 53 : "Conto Barroco" opera pelo dispêndio singular do significado 54 , e em sua montagem de tempos segue, como Barthes apontava na literatura neo-barroca de Severo Sarduy:

) (

linguagem, e que a palavra, longe de ser o atributo final e o último toque da estátua humana, como diz o mito enganador de Pigmalião, nunca é mais do que sua extensão irredutível. (BARTHES, p. 296, 2004)

demonstrando assim que a vidraça não existe, que não há nada a ver por detrás da

46 ANDRADE,.

47 DELEUZE, 1985.

48 DIDI-HUBERMAN, 2008.

49 DELEUZE, 2006.

50 WÖFFLIN, 2010.

51 DIDI-HUBERMAN, 2008, p. 123.

52 BENJAMIN, 1984. Tal perspectiva vem relacionada às reflexões de Benjamin sobre gênese e origem.

53 AGAMBEN, 2007.

54 BATAILLE, 1975.

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Página 55 de 176 Este “nada a ver por detrás da linguagem” é para Agamben aonde vai se jogar toda ética e política do cinema a pornografia e a publicidade teriam se apossado da estratégia metalinguística, mas nelas ainda residiria uma imagem por de trás 55 . O fato de nada haver por detrás da linguagem é, entretanto, o que permite que possa se ter algo. A montagem de tempos heterogêneos presente em Conto Barroco desdobra na leitura da história brasileira através de uma ótica pós-autônoma; assim como o barroco lido no contemporâneo. De tal maneira, experimentamos uma expressão americana em devir 56 .

Bibliografia

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Página 56 de 176 FOUCAULT. Michael. O Pensamento do Exterior. IN: Ditos e Escritos III. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. Tradução Inês Autran dourado Barbosa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009. "A Linguagem ao Infinito". IN: Ditos e Escritos III. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema.Tradução Inês Autran dourado Barbosa. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009. LIMA, Lezama. A Expressão Americana Trad. Irlemar Chiampi. São Paulo: Brasiliense, 1988. LINS, Osman. Nove Novena. São Paulo, 1999. Os Gestos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957. ROSENFELD, Anatol. O Teatro Épico. São Paulo: Editora Perspectiva, 2000. SANTIAGO, Silviano. IN: CAPELA, Carlos Eduardo Schimidt e SCRAMIN, Susana. Revista Outra Travessia. América Latina: uma arquitextura barroca. Florianópolis, 2004. SCRAMIM, Susana. Literatura do Presente. História e Anacronismo dos Textos. Chapecó: Argos, 2007. VILLANI, Arnaud. Mallarmé selon le pli deleuzien. In: Tombeau de Gilles Deleuze. ed. Yannick Beaubatie, 2000. p. 15976.

Enviado em 30/08/2012 Avaliado em 30/09/2012

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Página 57 de 176 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E TURÍSTICA PARA OS ALUNOS DO 4º E 9º ANO DA ESCOLA MUNICIPAL DOMINGAS FRANCELINA DAS NEVES EM FLORÂNIA RN

Joelma Pereira Rodrigues Graduanda do Curso de Turismo UFRN José Rosivan de Medeiros Graduando do Curso de Turismo UFRN Kettrin Farias Bem Maracajá Prof. ª Msc. do Curso de Turismo UFRN

Resumo Este trabalho visa mostrar a importância da Educação Ambiental e Turística para os alunos da Escola Municipal Domingas Francelina das Neves em Florânia RN, tendo em vista que esta temática vem ganhando força em decorrência do aumento da preocupação com a preservação do meio ambiente. Assim esse estudo apresenta-se como de total relevância para os alunos, como também para a escola, uma vez que com indivíduos educados ambientalmente, o meio ao qual estarão se inserindo poderá ser mais preservado. Este artigo irá abordar conceitos sobre a temática principal que será enfatizada no transcorrer do trabalho, como por exemplo, a Educação Ambiental e Turística na escola, um breve histórico da mesma, e, por conseguinte os resultados esperados que foram obtidos através do questionário aplicado, em que foi possível detectar que os alunos tem interesse em participar de projetos na área, bem como cobram um aumento em explanações em sala de aula e em toda escola sobre o tema. Concluindo-se assim que a Educação Ambiental e Turística apresentam-se como itens primordiais para serem trabalhados no âmbito escolar, visto que a inserção do indivíduo no meio ambiente de maneira inadequada poderá causar danos irreversíveis ao espaço. Palavras chave: Educação Ambiental e Turística. Preservação. Meio Ambiente.

Abstract This work aims to show the importance of environmental education for students and Tourist Municipal School Domingas Francelina das Neves in Florânia - RN, given that this issue has been gaining strength due to the increased concern for environmental preservation. So this study presents itself as a total relevance to students, but also for the school, since individuals with environmentally educated, half of which will be entering can be best preserved. This article will touch on the main thematic concepts will be emphasized in the course of work, such as the Tourist and Environmental Education in school, a brief history of it, and therefore the expected results that were obtained by questionnaire, it was possible to detect that students are interested in participating in the project area as well as an increase in charge explanations in the classroom and in every school on the topic. Conclusion is thus that the Environmental Education and Tourism presented as primary items to be worked in the school, since the insertion of the individual into the environment improperly can cause irreversible damage to the space. Keyword: Environmental Education and Tourism. Preservation. Environment.

Introdução

O meio ambiente vem passando por inúmeras transformações do decorrer das últimas décadas, isto em decorrência da falta de preservação e conservação dos espaços onde são desenvolvidas algumas práticas exploratórias destes locais. Com isso surge a preocupação em criar medidas que agreguem melhoramento para que o meio seja sempre preservado.

Desse modo, surgem as formas de educações voltadas para uma maior conscientização e sensibilização, de modo que haja de fato um aprendizado pensado na preservação do meio ambiente,

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Página 58 de 176 como é o caso da educação ambiental e turística que vem ganhando força no âmbito acadêmico, como também no âmbito geral.

Neste contexto, este artigo apresenta-se como um estudo de relevância para captar informações sobre o conhecimento dos alunos da Escola Municipal Domingas Francelina das Neves em Florânia RN a respeito da Educação Ambiental e Turística, como também mostrar aos mesmos que estas são de total importância para a vida de todos, e sendo bem desenvolvidas e explanadas na escola, os alunos só tem a ganhar, tendo em vista que esta temática vendo sendo cada vez mais discutida.

Serão apresentados neste artigo conceitos sobre Educação Ambiental e Turística, como também estas no desenvolvimento do turismo, a aplicação dessas temáticas na escola, um breve histórico da instituição de ensino e as análises dos resultados com a utilização de um questionário, para melhor entender o nível de conhecimento sobre o assunto por parte dos alunos e verificar se eles realmente se preocupam com o meio ambiente e valorizam a real importância de sua preservação.

Com o artigo também espera-se atingir a sensibilização dos alunos e que esses dêem mais importância às questões ambientais, não apenas no âmbito escolar como também no cotidiano de suas vidas, dando ênfase que se de fato houver um aprendizado sobre a Educação Ambiental e Turística, os mesmos só terão a ganhar, pois cada vez esta temática vem ganhando força e todos nós devemos buscar medidas que haja sempre uma constante preservação do meio ambiente, gerando assim benefícios para todos.

Educação Ambiental e Turística

Atualmente o turismo é uma das principais atividades desenvolvidas em todo o mundo, visto que as pessoas estão buscando cada vez mais viajar para fugir da sua rotina e um turismo voltado para a preservação do meio ambiente vem se difundindo, visto que as pessoas estão mais preocupadas com o meio ambiente.

Desse modo é preciso pensar na educação ambiental como forma de fazer com que os indivíduos adquiram atitudes, comportamentos e valores para suas vidas, como contribuição para o meio ambiente, e assim a educação ambiental se faz necessária para o desenvolvimento sustentável de uma localidade, uma vez que concilia o crescimento econômico com a preservação do meio, para que assim as futuras gerações também possam usufruir desses ambientes.

De acordo com Geerdink e Neiman (2010, p. 69):

A educação ambiental visa promover uma mudança nos valores e ideais de cada individuo. No entanto, quando o processo educativo em questão fixa-se somente em transmitir conteúdos e procedimentos corretos, e não na vivência e experimentação que permitam, por meio do sentimento de pertença, gerar um comportamento ambientalmente correto, pode-se dizer que a EA não cumpriu o seu papel.

Com base nas autoras, a educação ambiental tem o papel de mudar o comportamento de como as pessoas devem agir em determinadas situações e em seu cotidiano, para que assim os mesmos possam adquirir conhecimentos que sejam colocados em prática, uma vez que estas questões podem promover mudanças que contribuirão para o meio ambiente.

Outra questão a ser apontada é que a educação ambiental pode fazer com que os indivíduos adquiram uma consciência correta em relação às questões ambientais, uma vez que os mesmos devem ser preservados e conservados, pois sabemos que os recursos são finitos, uma vez que usados de maneira incorreta podem se esgotar rapidamente.

A educação turística é entendida como uma forma de educar ambientalmente os turistas quer seja em uma localidade sustentável ou não, que os mesmos ao chegar a uma localidade possam ter um contato inicial, que lhes der instruções para que assim os mesmos não venham a cometer erros ou danos ao

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Página 59 de 176 ambiente, buscando medidas que os sensibilize dos danos que estes podem estar causando ao meio ambiente ao praticar as atividades de forma incorreta. SOLHA (2010).

Assim a educação turística é essencial para uma localidade que pratica a atividade turística, uma vez que pode promover o desenvolvimento sustentável da mesma, e dessa forma contribuir para que os turistas tenham uma maior consciência com os recursos naturais, visto que alguns segmentos do turismo precisam do meio ambiente para que seja executado, por isso é preciso preservar e conservar os mesmos. E também a educação turística deve contar com a participação de todos os envolvidos na prática do turismo, tanto os residentes, quanto os turistas, mostrando que o turismo sendo desenvolvido de forma responsável todos serão beneficiados. (AZEVEDO, 2010).

Portanto, a educação ambiental e turística é de extrema importância para amenizar os efeitos causados pela não preservação e conservação dos espaços, e atrelada ao turismo são fatores que devem estar em conjunto para que a atividade turística não prejudique o meio ambiente.

Educação ambiental e turística no desenvolvimento do turismo

O turismo tem uma intensa relação com a educação ambiental, uma vez que o mesmo é praticado,

muitas vezes, em áreas naturais, contribuindo assim para o desenvolvimento do destino e de uma forma que não afete negativamente o meio ambiente. Vale salientar a importância de um planejamento para que

a área em que o turismo está sendo inserido, visto que é de extrema importância haver a existência deste para que o lugar venha ter sempre vantagens perante os outros.

Neste sentido, segundo Braga (2007, p.6):

No caso do planejamento de empreendimentos turísticos, os fatores relacionados à localidade são muito importantes, pois o negocio tem de estar em sintonia com os rumos do planejamento publico, respeitando as necessidades da comunidade local e agindo segundo as premissas do desenvolvimento sustentável.

Dessa forma, a autora mostra que é relevante à existência de um planejamento onde esteja atrelada a comunidade local, o poder público, e os empresários que estão criando estes empreendimentos turísticos, lembrando também a importância de serem criados mecanismos voltados para a sustentabilidade destes lugares. Sendo fundamental também a introdução da educação ambiental e turística para que assim as pessoas tenham uma maior preocupação com o meio ambiente.

A educação ambiental e turística é de grande relevância para o desenvolvimento do turismo de

uma localidade, nesse sentido PELICIONI e TOLEDO (2010, p.303) dizem que “é importante incentivar