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O que é a Psicossíntese

Introdução

A Psicossíntese é uma abordagem para o crescimento da pessoa, que foi desenvolvida pelo psiquiatra italiano Roberto Assagioli (1888-1974) por volta de 1910, e que vem evoluindo até os dias de hoje.

No seu significado mais básico, a psicossíntese se refere ao processo de crescimento pessoal - a tendência natural em cada um de nós de harmonizar, ou sintetizar, nossos vários aspectos em níveis sempre mais altos de organização. A psicossíntese acredita que cada um de nós tem um impulso inato para o desenvolvimento de si mesmo, e que nós podemos escolher apoiar esse processo conscientemente. Sabe-se geralmente que nós temos uma responsabilidade nesta direção, porém nem sempre sabemos como progredir nela. Para atender a isso, a psicossíntese fornece respostas tanto teóricas como práticas. Ela oferece uma estrutura que permite um entendimento mais completo de nós mesmos, de nossas capacidades e de nossas relações e oferece ainda habilidades e técnicas para nos ajudar a lidar com estes de maneira eficiente e segura.

A psicossíntese é fundada na premissa que a vida humana tem um propósito e um

significado, e que nós participamos de um universo ordenado e estruturado para facilitar a evolução da consciência de si. Uma conseqüência disso é que a vida de cada pessoa tem um propósito e um significado dentro deste contexto mais amplo, e que o indivíduo pode descobrir isso.

O Self

Ao contrário da maioria das abordagens em psicoterapia, a psicossíntese reconhece um aspecto nosso que é difícil de nomear. Foi chamada a parte de nós "mais alta" ou "mais profunda". Em todo caso, essa parte é para nós a fonte de inspiração, de orientação, de conforto, de força, de paz, de esperança. A psicossíntese chama esta parte de "self", e acrescenta que a integração, a síntese, a unificação da personalidade acontece em volta desse self. Como esse "self" tem dois aspectos - o pessoal e o transpessoal - a síntese acontece em duas etapas - primeiro a pessoal, e depois a transpessoal.

O reconhecimento do self é essencial, porque sem ele, a tentativa de integração se

faz em detrimento da diversidade e da individualidade. Uma unidade que é realizada por meio da uniformidade é, por natureza, frágil, e é ameaçada pela singularidade e pela diferença. Por outro lado, uma unidade baseada no self é estável, porque ela pode equilibrar os interesses do todo com os interesses de cada uma das partes.

Força e Gentileza

Um dos pontos fortes da psicossíntese é que ela fornece métodos práticos para reconhecer e ter acesso à parte "mais alta" ou "mais profunda" de nós mesmos, de maneira que o processo de crescimento acontece de acordo com uma "sabedoria

interna". Isto significa também que no acesso a esta parte verdadeiramente fortalecedora de nós mesmos, o próprio self interno da pessoa não é violado ou forçado. Ele pode se desenvolver no seu próprio tempo e ritmo, e de acordo com seu próprio processo. Deste modo, o trabalho interior se realiza honrando todas as partes do ser e favorecendo o desbloqueio suave dos obstáculos internos que impedem o crescimento, sem criar bloqueios adicionais no processo.

Contexto

A meta da psicossíntese é a integração e a visão do todo. Como a psicossíntese é muito ampla e adaptável, ela pode ser - e efetivamente é - aplicada a muitas áreas de atividade onde essa meta é requerida. Citamos como exemplos: o aconselhamento e a terapia, a educação, a medicina e a área de saúde preventiva, os negócios e a administração, a diplomacia e as relações internacionais, a religião e o desenvolvimento organizacional. Por isso, os profissionais consideram a psicossíntese - com sua postura compreensiva, com suas ferramentas e suas técnicas - muito valiosa para lhes dar um sólido embasamento nas suas próprias profissões.

A Psicossíntese, que vem evoluindo desde 1910 quando de sua elaboração por Roberto Assagioli, tem muito a oferecer ao mundo e seu potencial parece ser ilimitado. É um movimento crescente que já tem centros disseminados no mundo todo: na Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, EUA, Japão, México e Nova Zelândia e na maioria dos países da Europa.

Uma Descrição da Psicossíntese

No seu sentido mais básico, a psicossíntese é o processo de crescimento pessoal - a tendência natural em cada um de nós de harmonizar, ou sintetizar, nossos vários aspectos em níveis sempre mais altos de organização. Em seres humanos, esse anseio de evolução para um nível mais refinado se torna consciente, o que permite facilitar e cooperar com esse processo natural. Para tornar essa cooperação mais eficiente, é necessário adquirir uma compreensão conceitual e estrutural, e entrar em contato com o leque de técnicas práticas disponíveis. A psicossíntese oferece uma metodologia e conceitos claros - dentro de um sistema abrangente e flexível - para ajudar e facilitar o impulso humano natural rumo a seu desenvolvimento e a sua integração.

A psicossíntese acredita que cada ser humano possui um vasto potencial que, geralmente, é pouco reconhecido e pouco usado. Ela também acredita que cada um de nós tem dentro de si a capacidade de ter acesso a esse potencial. A psicossíntese é vista freqüentemente como um processo de tomada de consciência, de desvelamento do seu próprio potencial, no qual a pessoa possui um conhecimento interno e uma sabedoria daquilo que necessita a qualquer momento para que esse processo se desenvolva. O papel do guia (ou terapeuta) é ajudar a identificar esses recursos internos, apoiar o processo, e estar atento ao que está acontecendo.

O Supraconsciente

A Psicossíntese foi inicialmente formulada em 1910 pelo psiquiatra italiano

Roberto Assagioli (1888-1974), um pioneiro do movimento psicanalítico na Itália e um contemporâneo de Freud e Jung. Cedo no seu trabalho, ele observou que essa repressão dos impulsos mais altos, supraconscientes (conhecida mais tarde como

"a repressão do sublime") poderia ser tão danosa para a psique quanto a repressão

do material inconsciente inferior. A psicanálise tradicional reconhece um inconsciente primitivo, ou "inferior" - a fonte de nossos impulsos atávicos e biológicos. Mas há também um inconsciente "superior", um supraconsciente - um reino autônomo no qual se originam nossos impulsos mais evoluídos, tais como: o amor e a vontade altruísticos, a ação humanitária, a inspiração artística e científica,

a introspecção filosófica e espiritual e a procura do propósito e do significado da vida. A psicossíntese trabalha com a integração do material do inconsciente inferior e com a realização e a atualização do conteúdo do supraconsciente.

Para este fim, ela usa uma larga gama de técnicas para contatar o supraconsciente e para estabelecer uma ponte com aquela parte de nosso ser onde a verdadeira sabedoria deve ser encontrada. O supraconsciente é assim acessível, em grau variável, para cada um de nós, e pode se tornar uma grande fonte de energia, de inspiração e de orientação. A psicossíntese nos ajuda a entrar em contato e a manifestar essa parte de nós mesmos tão completamente quanto possível na vida cotidiana.

O Diagrama do Ovo e o Diagrama da Estrela

A psicossíntese usa diversos diagramas para ajudar no entendimento dos diversos

componentes do self. Embora estejam necessariamente limitados em escopo e perspectiva, esses diagramas são úteis por fornecerem uma representação pelo menos parcial do mistério do self. O Diagrama do Ovo e o Diagrama da Estrela são básicos para a psicossíntese. O primeiro pode também ser visto em cor. O segundo descreve as funções psicológicas, com a vontade exercendo o papel central.

O Diagrama do Ovo

O Diagrama do Ovo 1. O Inconsciente Inferior 2. O Inconsciente Médio 3. O Inconsciente Superior

1. O Inconsciente Inferior

2. O Inconsciente Médio 3. O Inconsciente Superior ou Supraconsciente 4. O Campo da Consciência

5. O Self Consciente ou "Eu

6. O Self Superior

7. O Inconsciente Coletivo

O Diagrama da Estrela

Superior 7. O Inconsciente Coletivo O Diagrama da Estrela 1. Sensação 2. Emoção-Sentimento 3. Desejo Impulso

1. Sensação

2. Emoção-Sentimento

3. Desejo Impulso 4. Imaginação 5. Pensamento 6. Intuição

7. Vontade

8. Ponto central: O Eu, ou self pessoal

O Self

O self é uma entidade soberana e independente dos diversos aspectos da personalidade, tais como o corpo, os sentimentos e a mente. Este conceito é achado nas principais religiões e, cada vez mais, em ramos da psicologia e da filosofia ocidental. Livrando esse conceito de qualquer fundo doutrinal e examinando-o empiricamente, achamos primeiro um centro de consciência e de vontade. Isto é o "self pessoal", o "Eu" ou o centro da identidade pessoal, a partir do qual os diversos aspectos da personalidade podem ser reconhecidos, reorganizados e integrados. Porém, o self pessoal é distinto do "Self Transpessoal" que é o ponto central do nível do supraconsciente. O self pessoal é um centro de identidade e de ser mais profundo e abrangente, onde a individualidade e a universalidade se combinam.

Uma imagem útil é a de uma orquestra onde os músicos representam as diversas partes ou aspectos de nós mesmos. Sem um maestro, haveria pouca cooperação porque cada um dos músicos tentaria que fosse executada a sua música favorita, de acordo com a sua própria interpretação. A aceitação e a submissão ao maestro resultam numa integração da orquestra, e isto se reflete subseqüentemente na música. Enquanto o maestro representa o self, o self transpessoal pode ser imaginado como o compositor ou o produtor.

Funções do Self

As duas funções centrais do self pessoal são a consciência e a vontade. A consciência do self permite que a pessoa seja claramente consciente do que está acontecendo dentro e em volta dela, e que ela se perceba sem distorção e sem ficar na defensiva. Isto foi chamado de "atitude do observador interno". Na medida em que a pessoa consegue alcançar este ponto de centramento, as reivindicações da personalidade e sua tendência para a auto-justificação não a impedem mais de se ver com uma visão clara.

A vontade é considerada na psicossíntese como uma expressão direta do self e ocupa um lugar central. Libertando a vontade do Self, ganhamos a liberdade de escolha, a responsabilidade pessoal, o poder de decisão sobre nossas ações e a possibilidade de controlar ativamente e dirigir as muitas funções da personalidade. Deste modo, somos liberados da reação inútil aos nossos impulsos internos não desejados e às expectativas dos outros. Nós nos tornamos verdadeiramente "centrados" e, gradualmente, ficamos capazes de seguir um caminho que está conforme com o que é melhor dentro de cada um de nós. No nível mais alto do desenvolvimento da vontade, procuramos alinhar nossa vontade pessoal com uma vontade mais universal, aumentando assim a capacidade de servir as forças de evolução e de encontrar um significado e um propósito mais profundo em nossas vidas pessoais e em nossas tarefas sociais, e a capacidade de funcionar de maneira mais eficiente e mais serena no mundo, num espírito de cooperação e boa vontade.

Falsas Identificações

Agir "a partir de nosso centro" pode ser difícil, como todos nós já experimentamos. Uma das maiores dificuldades encontradas quando se aprende a agir "do centro" é

a grande quantidade de falsas identificações que nós fazemos com aspectos internos específicos de dentro de nós. Por exemplo, podemos nos identificar as vezes com um sentimento passageiro de medo ou de raiva e perder ou distorcer nossa verdadeira perspectiva. Ou podemos nos identificar com uma de nossas "subpersonalidades" - esses aspectos semi-autônomos e freqüentemente contraditórios de nós mesmos que seguem uma rotina previsível, pré-programada, quando são evocados por um determinado conjunto de circunstâncias. Muito do trabalho básico da psicossíntese é orientado para o reconhecimento e a harmonização das subpersonalidades. Deixamos, então, de ser controlados por essas subpersonalidades de maneira desamparada, e podemos aprender progressivamente a dirigi-las conscientemente. Para isso, é essencial a aprendizagem do processo fundamental da "des-identificação" de tudo que não é o self, e da "auto-identificação" ou realização de nossa verdadeira identidade como um centro de consciência e de vontade.

Métodos Utilizados

Há uma grande variedade de técnicas utilizadas na psicossíntese para atender à diversidade de necessidades apresentadas por situações diversas e pessoas diversas. Cada pessoa é tratada como um indivíduo e um esforço é feito para achar os métodos mais adequados à situação existencial, ao tipo psicológico, às metas individuais, às necessidades e ao caminho de desenvolvimento da pessoa. Algumas das técnicas mais comumente usadas são: a imaginação dirigida, a consciência e o movimento do corpo, o trabalho com símbolos, o trabalho com a arte, manter um diário, o treinamento da vontade, a fixação de meta, o trabalho sobre os sonhos, o desenvolvimento da imaginação e da intuição, a gestalt, os modelos ideais e a meditação. A abordagem principal da psicossíntese é o tratamento da pessoa como um todo, embora em cada sessão se possa focalizar um nível ou um aspecto particular da pessoa. Tendo como objetivo a integração do corpo, dos sentimentos e da mente, a psicossíntese tem como meta promover um processo de crescimento contínuo, onde aplicamos as atitudes e técnicas básicas da psicossíntese na vida cotidiana para promover uma atualização mais jovial, harmoniosa e plena de nossas vidas.

Fases da Psicossíntese

Toda pessoa é um indivíduo, e a integração de cada pessoa segue um caminho particular. Mas no processo global da psicossíntese, podemos distinguir duas fases sucessivas - a psicossíntese pessoal e a transpessoal. Na psicossíntese pessoal, a integração da personalidade ocorre em volta do self pessoal, e o indivíduo atinge um nível de funcionamento, em termos do seu trabalho e de suas relações, que seria considerado como plenamente saudável pelos padrões atuais de saúde mental.

Na fase transpessoal da psicossíntese, a pessoa aprende a alinhar-se com o Self Transpessoal e a expressar as energias desse Self Transpessoal, manifestando então qualidades tais como: responsabilidade social, espírito de cooperação, perspectiva global, amor altruístico e propósito transpessoal. Freqüentemente, as

duas fases se sobrepõem, e pode haver uma atividade transpessoal considerável bem antes da fase de psicossíntese pessoal estar completada.

antes da fase de psicossíntese pessoal estar completada. Roberto Assagioli O italiano Roberto Assagioli (1888-1974)

Roberto Assagioli

psicossíntese pessoal estar completada. Roberto Assagioli O italiano Roberto Assagioli (1888-1974) foi o primeiro

O italiano Roberto Assagioli (1888-1974) foi o primeiro psicólogo ocidental a incorporar a sério a religião e a espiritualidade em uma visão global da psique humana. Quando olhamos para os seus antecessores no campo da psicanálise, Freud estava absolutamente incrédulo sobre a religião. Ele considerou todas as formas de religião e espiritualidade como uma regressão infantil em estados de consciência. Para Freud, o maior e mais saudável estado que a psique poderia atingir, era uma forte consciência racional e plenamente desenvolvida, presidida por um ego realista, que seria capaz de integrar e regulamentar os muitos aspectos do consciente e do inconsciente quanto possível. Tudo que era irracional tinha de ser evitado ou pelo menos controlado e dado o seu lugar na mente. Os impulsos

inconscientes tinham de ser canalizados. O ego tinha que ser um mediador entre as normas e regulamentos do superego (a soma total de todos os mandamentos internalizados e aconselhamentos adquiridos) e as exigências do Id (o inconsciente e todas as suas unidades). A religião e a espiritualidade seriam formas inferiores de consciência, que há lugar e função no mundo psicológico da criança, mas teriam que ser deixadas para trás para se alcançar a maturidade.

O aluno de Freud, o suíço Karl Gustav Jung, estava em desacordo com o velho mestre. Ele foi mais positivo sobre o papel da religião na psique humana. Ele descobriu que, no fundo do inconsciente coletivo do homem havia símbolos no trabalho que ele chamou de "arquétipos". Esses símbolos foram imagens inconscientes de determinadas realidades psicológicas, carregadas de energia psicodinâmica tremendo, como a imagem da Mãe arquetípica, que sempre cuida de você, como, por exemplo, o cavalo branco, como símbolo de liberdade. Alguns destes símbolos eram de natureza religiosa, como o Anjo da Guarda ou o Filho de Deus, o Salvador.

Jung fez sua vida de trabalho o estudo destes símbolos arquetípicos e, assim, desvendou os segredos do inconsciente. Mostrou-nos a riqueza de material que podemos encontrar nesses arquétipos em mitos e histórias de todo o mundo. Também em nossos sonhos poderemos descobrir o funcionamento desses símbolos. Estes arquétipos tinham um significado para a psique individual e poderiam ser estudados com a finalidade de diagnóstico e utilizados em terapia.

Para Jung os arquétipos tinham o poder de integrar as diferentes funções psicológicas, tanto do consciente e do inconsciente. Eles eram como as baterias cheias de alta energia, capaz de inflamar a psique em altas aspirações, metas elevadas e imagens de um ser humano melhor. Arquétipos especialmente religiosos, como o herói, o avatar, o Deus encarnado, ou o santo, para citar apenas alguns, tinham o poder de harmonizar e estabilizar a psique. Eles pareciam ser as imagens do Self, a maior parte da psique.

Assim, Jung foi mais positivo sobre a religião e a espiritualidade e seu papel desempenhado na vida da psique. Ele não reduziu todo o sentimento religioso para expressões baixas, drives imaturos no inconsciente. Jung, no final, não fez muito em favor da espiritualidade. Ele não foi capaz de dar à espiritualidade e a religião um bem merecido e muito estimado lugar na psicologia. Ele não fez uma distinção clara entre os arquétipos dos reinos espirituais (supra-consciente e transpessoal facetas da psique) e os arquétipos mitológicos (infra consciente e infra pessoal) de origem, mesmo que às vezes originados a partir do início da evolução da consciência. Ele tratou-os como se não tivessem valores hierárquicos. Porque que nem todos os arquétipos e símbolos espirituais e psicológicos são de valor real na natureza. Freud foi efetivamente direto na rotulagem de alguns sentimentos religiosos como primitivos e infantis, por exemplo, as imagens produzidas pelas camadas inferiores da nossa (sub) consciência.

A psicologia de Jung não conseguiu nos oferecer um mapa geral do espectro da consciência, que desse crédito a todos os aspectos da psique humana, incluindo o religioso e o espiritual. Para que este mapa global fosse elaborado era preciso um acordo entre todos os dados psicológicos de uma ou outra forma hierárquica, ou seja, campos de valores superiores e inferiores tinham que ser delineados. Por

que precisamos desesperadamente fazer uma distinção entre um sentimento e outro, entre um e outro arquétipo, a fim de compreender os diferentes níveis de integração dos arquétipos diferentes oferecidos em nossa psique. Em outras palavras, precisávamos de um mapa científico que possa nos dar um levantamento detalhado dos diferentes significados e valores de cada fenômeno psicológico.

Roberto Assagioli foi o primeiro cientista da psicologia a nos dar um mapa global. Sua visão da psique humana está aqui apresentada. Essa visão oferece-nos uma visão mais precisa de consciência do que ambos os sistemas de Freud e Jung. No sistema de Freud 1, 2 e 3 em conjunto formaram o Id e do superego, ambos sendo irracional e inconsciente, e 4 do campo da consciência, com 5, o seu agente, o Ego. Mas Freud nunca falou sobre os 3 e 6. Ele colocou o campo 4 no mais elevado da consciência, como ele considerava o ego dentro de seu campo de consciência, a mais alta forma de evolução. Jung falou sobre o campo 6, mas não há que diferenciar claramente entre 1, 2 ou 3. Vamos entrar em detalhes sobre o mapa Assagioli da psique humana.

entrar em detalhes sobre o mapa Assagioli da psique humana. 1. Inferior (infra) inconsciência Nesta parte

1. Inferior (infra) inconsciência

Nesta parte de nossa psique inconsciente todos os nossos instintos e impulsos inconscientes são armazenados. Muito do que inconscientemente motiva nosso agir e pensar tem sua base aqui. Este é também o lugar onde todos os nossos pensamentos e sentimentos reprimidos estão postos de lado, lembranças remotas de nosso campo de consciência, que podem nos incomodar no estado de vigília por medos, tristezas e angústias. Ou para colocá-lo negativamente, este é o lugar onde todas as patologias mentais têm as suas raízes. Trata-se de "território do mal" para a maioria das pessoas, um verdadeiro terreno escuro e um abismo infernal. Quando o sistema nervoso é muito tenso e mal, este é o lugar de onde neuroses, psicoses e fobias entram na consciência.

2. Meia inconsciência

Esta é a parte do inconsciente que temos acesso durante o nosso estado de vigília. É uma espécie de "sala de espera" para as coisas que temos experimentado recentemente. Aqui estamos, inconscientemente, a elaborar e desenvolver os nossos pensamentos e sentimentos, idéias ou soluções que possam, mais tarde,

entrar em nosso campo de consciência. É uma espécie de um estado intermediário entre a vigília e o sono.

3. Maior inconsciência

Este é o campo onde todos os nossos sentimentos e pensamentos são elevados e entram na consciência, como a intuição artística ou científica e a inspiração. Todos os nossos nobres sentimentos éticos, como o amor altruísta ou auto-sacrifício, ocorrem neste nível. É também o lugar do gênio e das formas espirituais superiores, como o êxtase e o poder de iluminação. Aqui as energias psíquicas ocultas são enormes e não podem apenas exaltar a psique, mas também podem destruir e desintegrar as suas funções pelo seu poder absoluto. Este é um campo de consciência que não é acessível, ou apenas raramente, para a maioria das pessoas.

4. O campo da consciência

Esta parte de nossa personalidade é acessível para nós durante o estado de vigília:

"um fluxo interminável de sensações, imagens, pensamentos, sentimentos, desejos e impulsos que podemos observar, analisar e julgar."

5. O Eu consciente ou Ego

Esta é designada pelo ponto central no diagrama. É o centro da nossa consciência de onde estamos a regular, observar e avaliar todo o conteúdo da nossa consciência. Ele pode ser comparado a um timoneiro ou um cocheiro na condução e controle de tudo o que está acontecendo em nossa consciência. É o nome definitivo de uma pessoa. Dá a impressão que é algo permanente no conteúdo fugaz de consciência. Freud deu-lhe o lugar central em sua psicologia, por causa de seu grande poder de regular e integrar. Mas é também o mecanismo que reprime e torna inconsciente. Assim, em certo sentido, o ego é também responsável pela manutenção de grande parte das nossas funções psíquicas e conteúdos inconscientes.

6. O Eu superior

Quando estamos dormindo, anestesiados ou hipnotizados por narcóticos, o nosso eu, ou eu consciente, parece estar totalmente perdido e desaparece. Porém, quando estamos acordados e voltamos aos nossos sentidos, podemos recuperar a nossa consciência novamente. Portanto, deve haver um outro por trás do eu que mantém viva a nossa consciência, quando não podemos controlá-la. De outro modo nós morreríamos cada vez que adormecemos, ou ficaríamos intoxicados. Também é responsável por manter vivas as nossas funções involuntárias, biológicas e psicológicas.

Portanto, deve inferir-se que o fundamento de nosso sentimento é algo mais elevado. Segundo Assagioli este Self é algo permanente e que não é atingida pelo fluxo diário de nossa consciência, nem pelo processo físico de nosso corpo, mas que pode ser sentido e vivido como a Fonte da nossa consciência. Kant chamou-lhe o ego nominal e distingui este Eu Superior do ego empírico. O ego parece ser algum tipo de uma imagem desse Eu superior.

O conceito do Eu superior é uma questão importante na psicologia de Assagioli, porque ele dizia ser a psicologia uma ciência que pode integrar todas as diferentes funções da psique humana num todo harmonioso. Ele afirmou que de todos os campos da consciência do Self têm o maior potencial para criar esta harmonia. Ele queria reconstruir na terapia toda a estrutura da personalidade em torno deste conceito do Eu superior e usar todas as suas potencialidades na consciência individual unificada. Ele queria sintetizar as diferentes funções psicológicas, estabelecendo a integração por uma análise minuciosa, com o auxílio de métodos e técnicas desenvolvidas por Freud e seus sucessores. Para Assagioli, como Freud também acreditava, o ego e seu campo de consciência eram muito importantes no sentido de tornar possível essa integração. Mas uma verdadeira síntese pode ser provocada quando também se faz uso de todas as energias do Eu superior. Esse era seu principal objetivo e essa é a razão pela qual ele chamou sua nova psicologia de psicossíntese.

7. O inconsciente coletivo

No diagrama da consciência parece estar isolado e excluído num campo em torno dela, por uma linha marcada. Isto é feito somente para a conveniência de representação. Pois na verdade não existe um intercâmbio constante entre o mundo interior da consciência individual e consciência que o rodeia (muito parecido com a célula dentro de um corpo está em contínua osmose com o mundo exterior). Nossa consciência não é isolada, mas diz respeito ao passado, presente e futuro consciência de trabalho em nosso mundo, tanto no homem como no exterior. Esta consciência global pode ser chamada de inconsciente coletivo, porque a maioria das pessoas não está consciente do fato de que elas são incorporadas neste campo maior de consciência.

Temos de dar a Assagioli o crédito para a introdução do conceito do Eu superior em psicologia ocidental. Ele merece o nosso agradecimento na abertura de psicologia para todos os tipos de investigações sobre isso e, o que posteriormente foi chamado de reinos transpessoais da consciência. Assagioli foi o pioneiro que lançou as bases para futuros exploradores da psique humana, como Ken Wilber e todos os seus colegas da psicologia transpessoal de hoje. Ele é muitas vezes acusado de não declarar suas fontes. Assagioli baseou sua psicossíntese em psicologia esotérica e o trabalho da Alice Bailey, uma acadêmica Teosófica. Mas nós podemos ver agora porque ele estava tão relutante em apontar as origens orientais da sua psicossíntese. O mundo científico do seu tempo não estava maduro para reconhecer a profunda sabedoria das tradições esotéricas e era muito céptico em relação a tudo mais. Então, ele escolheu para enquadrar as suas conclusões sobre o Self no vocabulário científico da Europa Ocidental. Esta prudência fez seus escritos mais aceitáveis nos círculos acadêmicos. Ele era sábio em fazê-lo.

Seu método de psicossíntese é muito minucioso. Ele começou o tratamento centrando a atenção do paciente no campo 4, o campo da consciência, porque essa era para a pessoa média o mais próximo à mão. Com o fortalecimento deste campo de consciência e, em especial o ego como o controlador, os próximos passos dariam mais resultados. Então ele tentou fortalecer a vontade consciente do ego. Para

uma terapia eficaz seria facilitada e reforçada a capacidade do paciente para o autoconhecimento. Perseverança e bravura eram necessárias para uma bem sucedida psicossíntese ter resultado.

O segundo passo foi analisar o inconsciente dos campos 1 e 2. Todos os medos e ansiedades, todos os bloqueios e inibições, todos os traumas e as neuroses tinha de ser tratadas conscientemente. Os hábitos profundamente ancorados da personalidade teriam que ser analisados para estimar o valor e os padrões de comportamento a que o paciente era inclinado. Por que o paciente sempre se comporta da forma como ele ou ela fez? Qual foi a causa raiz de todos os problemas? Assagioli concordou com Freud que a consciência trazendo sentimentos e pensamentos inconscientes criaria uma catarse: para ser consciente, para conhecer a si mesmo e obter a cura e a integração sobre a consciência.

Para a maioria das pessoas o sucesso desta primeira etapa e a segunda seria já uma grande melhoria em sua saúde mental. Se o campo de consciência pode ser alargado e pode ser trazido para incluir também o campo 1 e 2 (se, em nossa representação acima, o campo 1 e 2 também pode tornar-se vermelho), então a terapia será já de algum sucesso na maioria dos casos. A maioria das pessoas irá certamente se beneficiar do alargamento de sua consciência. Para a maioria dos pacientes só a cura se forem capazes de realizar uma psicossíntese pessoal. A maior inconsciência não é facilmente acessível à maioria das pessoas. Suas energias na maioria dos casos ainda estão pendentes. Assim Assagioli trabalhou duro para desenvolver técnicas para promover esta forma de psicossíntese. Ele queria levar em conta as limitações que a maioria dos pacientes tem na realização do seu self.

Ele também desenvolveu técnicas para realizar um psicossíntese espiritual, a mais alta forma de síntese que se poderia ter alcançado. Ele estava muito certo sobre o fato de que apenas este tipo de síntese poderia realmente trazer o fim de todo o sofrimento e da doença mental. Só se todo o espectro de consciência se tornar consciente (se todo o círculo tornar-se vermelho, incluindo 6, o Self), poderá haver harmonia, alegria e felicidade na psique humana. Que realmente seria uma síntese do fato.

Portanto, vamos discutir a terceira etapa Assagioli queria ter no tratamento de seus pacientes, o psicossíntese espiritual.

Ele começa por afirmar que é um fato científico de que há uma tendência na psique humana para chegar a formas superiores de consciência. O ego quer entrar em contato com sua própria fonte do ser, o Self, que é representado no diagrama pela linha traçada entre 5 e 6. Na verdade ele pode ser visto como uma forte linha de puxar, provenientes do Self, para levantar a consciência e incluir a Supra Consciência e o Eu Superior. A Vontade de sua própria natureza quer que seja levantado. Em qual vocabulário se enquadra esta tendência, seja religiosa, metafísica, filosófica ou artística é de nenhum interesse para o psicólogo. Assagioli quer apenas indicar o fato de que há essa tendência e que ela funciona. Seria anticientífico negar o trabalho dessas tendências psicológicas. Elas têm que serem descritas por uma psicologia que quer ser precisa, exata e factual. Além disso, estas tendências mais parecem trabalhar na integração das funções e sintetizar

todos os níveis psicológicos. Então, elas podem ser muito úteis para uma psicologia que pretende também ser terapêutica.

A vida e obras de artistas excepcionais, gênios superdotados nos da um exemplo, que de fato é possível ampliar a consciência e assim incluir os reinos mais elevados. Eles têm uma consciência alargada, que não se limita ao campo 4 sozinho, mas se estende para o campo 3. Há que fazer uso das potencialidades extraordinárias, que os homens comuns só podem sonhar. Mas é claro que se deve fazer uma distinção entre a maior parte da consciência e do Ser em si. Para gênios, artistas ou místicos poderem ter (temporariamente) o acesso ao inconsciente supra, nem sempre significa que eles tenham a auto realizado. Sua personalidade ainda pode ter falhas. Somente quando a vontade é totalmente incluída na expansão da consciência, pode haver harmonia completa de todas as funções psíquicas. Porque nós não devemos esquecer que o inconsciente superior também pode ser aberto, às vezes para pessoas comuns (as chamadas experiências de pico) e até mesmo para pessoas doentes mentais, como esquizofrenia, mas isso não significa que eles tenham realizado com vontade. Realização do Self é o objetivo final no desenvolvimento humano e (ainda!) acontece muito raramente.

Mas cada ser humano sente a atração da linha e esta força puxando deve ser benéfica. É da natureza da psique sempre chegar mais alto e mais além. Isso já acontece de modo salutar. Assim Assagioli queria desenvolver técnicas que possam reforçar a puxada da linha, por assim dizer. Vamos discutir algumas técnicas que podem ser úteis para chegar para o Self.

1. O uso de símbolos e arquétipos espirituais

Símbolos espirituais não são reflexos apenas das tendências mais elevadas de nossa psique, mas podem definir essas tendências no movimento também. Desta forma, os símbolos são usados em todos os tipos de configurações espirituais, como em liturgias ou na arte. Essas imagens arquetípicas abrem a consciência para os campos mais altos. Abstrações e símbolos da natureza repetidamente surgem nestas definições, como a imagem do sol, a estrela, o olho (muitas vezes as imagens do Self) ou imagens de flores como a rosa ou o lótus. Também o pão e o vinho no Ocidente são utilizados como símbolos de nossa fome espiritual.

Mas também a imagem das pessoas pode ser utilizada como símbolos de um maior crescimento espiritual, como a interiorização de alguns homens e mulheres santos (Jesus, Krishna, Buda, etc.) Especialmente para as pessoas religiosas estas imagens são de potência enorme em trazer uma síntese, mas também os ateus ou agnósticos fazer progressos quando visualizar e internalizar certas pessoas excepcionais, como o Mestre Interior, ou a Velha Sábia, o Guerreiro Interior, para citar apenas alguns. Todo mundo é capaz de nomear uma pessoa assim, refletir e internalizar as qualidades percebeu essas pessoas representam.

2. O diálogo interior

Esta é uma das técnicas mais bonitas de Assagioli. Ele pedia que o paciente visualizasse com os olhos fechados um Mestre Interior. Ele convidava o paciente a expressar o seu problema antes deste guia interior e pedir explicações e soluções.

Na maioria dos casos o problema não se manifestava instantaneamente resolvido, mas no longo prazo, em momentos inesperados, alguns insights surgiam, de modo benéfico. Assagioli explicou o funcionamento desta técnica, afirmando que o Mestre Interior do paciente não era outro que senão o Eu próprio, que oferecia sabedoria e equilíbrio para a mente do interlocutor.

Pessoalmente acho muito aplaudir esta técnica, porque a pessoa que faz as perguntas está à procura de respostas e soluções de si mesmo. Gradualmente, a visão inicial será que os problemas poderão ser resolvidos a partir do interior. Que não há mais necessidade de qualquer terapeuta ou qualquer autoridade externa para dar orientação. Em seguida, o paciente será um agente de cura para si mesmo, o que é a única maneira de ter progresso no caminho espiritual.

O terapeuta deve ter grande cuidado em fazer o paciente ver isso, que é realmente a si mesmo que está a dar as soluções e obter as recuperações mentais. Que o Mestre Interior ou a mulher certamente é um mero símbolo e nada mais. Dessa forma, o paciente encontra a autoconfiança e a confiança, que todos os potenciais de cura realmente residem no interior. Por fim, só podemos nos curar através de nossa vontade. Pode ser prejudicial para a saúde mental do paciente se ele ou ela conta com a ajuda de alguma autoridade exterior.

3. A Dramatização articulada da busca espiritual

Assagioli tinha confiança no poder da cura das histórias espirituais do mundo da literatura. Ele, por exemplo, disse aos seus pacientes para jogar fora, sozinhos ou em pequenos grupos, algumas cenas da lenda do Santo Graal ou da Divina Comédia de Dante. Através da identificação do papel que colocava os personagens da peça identificados com o paciente (s) que psicologicamente sofriam dos mesmos problemas e, eventualmente, da mesma catarse, que os personagens principais da história. A atuação da história espiritual do paciente o convida para fazer uma busca espiritual para si mesmo.

Embora Assagioli admitisse que a natureza e as funções do Self descritas na literatura psicológica ainda eram relativamente pobres e que era necessária muita pesquisa para obter insights sobre o mundo do inconsciente e do Eu, ele também achava que haveria muito a ganhar, quando investigações futuras tivessem um foco neste domínio importante. O mérito de Assagioli reside em ser um dos primeiros a ter alargado o leque de psicologia para incluir também os aspectos religiosos e espirituais da consciência. Pela primeira vez na história da ciência moderna a religião foi estudada como um assunto sério, digno de nossa atenção profunda. Mas para chegar a este ponto crítico era necessário para a psicologia se tornar um ramo da religião em si (o que é, na verdade).

Do ponto de vista do misticismo, no entanto, as investigações de Assagioli sobre a natureza do Eu e seus conseqüentes recomendações que dizem respeito ao contato e integração deste domínio psicológico, parecem um pouco superficial. Ele parece mais interessado em reforçar a linha entre 5 e 6, em um total de expansão da consciência para incluir todos os campos, para trazer à tona todo o espectro vermelho da consciência. A sua abordagem à religião e à espiritualidade parece ser comportamental. Ele está mais interessado no que a espiritualidade não é do que

aquilo que realmente é. Ele teria se defendido afirmando que sua principal preocupação era a psicoterapia e que ele queria curar seus pacientes. Mas, para a leitura, o místico de seus livros deixa por vezes um pouco a desejar.

Um capítulo inteiro da Psicossíntese é dedicado às técnicas sobre como fortalecer a vontade pessoal. Assagioli afirma que é crucial para o ego ter uma forte determinação e uma resolução firme, para poder progredir e ganhar ou restaurar a saúde mental. Agora é certamente o caso de que a vontade da pessoa torna-se forte, mas não é a sua vontade pessoal, mas algo completamente diferente, é a sua vontade espiritual, que se torna fortalecida e, de fato, torna-se a força de todos os determinantes da psique. Para conseguir este objetivo, a vontade pessoal tem que ser secundária. Na verdade, é muito prejudicial para a realização do Self ocorrer, manter o esforço sobre a vontade pessoal. Do ponto de vista do misticismo a vontade pessoal deve ser de pouco interesse. Devemos concentrar a nossa atenção mais sobre a maior vontade de toda a consciência abrangente.

Assagioli parece ser muito realista. Como terapeuta, ele quer levar em consideração que nem todos os pacientes podem chegar aos níveis mais elevados de 3 e 6. Que a maioria dos pacientes só será capaz de sintetizar os níveis mais baixos de 1, 2 e 4. Mas os objetos místicos da verdadeira saúde mental só podem ser adquiridos nos níveis mais elevados. Somente a partir destes níveis de consciência pode nascer a força integradora que realmente sintetiza todas as nossas funções psicológicas. Toda a atenção deve, portanto, em última análise, deve ser focada na vontade. Para ficar no nível consciente e infra inconsciente não é suficiente livrar-se de toda a dor e sofrimento. Se quisermos ser verdadeiramente livres, se queremos que a saúde mental seja completa, se queremos a libertação eterna, então nós temos que fazer mais do que reforçar a nossa vontade pessoal, escrever diário, usando a terapia de cores ou a analisar os nossos sonhos; todas essas técnicas podem ser úteis certamente para a maioria dos pacientes. Mas Se quisermos nos livrar de tudo isso, temos que ser um com a Verdade, um com deus / Brahman.

A busca do Self é o único caminho. Nós certamente podemos seguir Assagioli na tomada de cada passo, mas todos nós temos de terminar com o terceiro passo.

Assagioli assumiu a terceira etapa e, assim ele abriu os olhos de toda a psicologia ocidental. Finalmente a sabedoria esquecida de todas as idades e culturas estava começando a ser reintroduzida na ciência ocidental. Os resultados são enormes. Agora, no terceiro milênio a espiritualidade é um assunto sério em currículos universitários novamente. Não está sendo julgada cientificamente, mas volta a chamar a atenção do cientista sério ocidental. Assim Assagioli fez algo de enorme valor. Ele tirou os nossos preconceitos. Ele uniu os mundos do Oriente e do Ocidente. Se alguém disse um dia que os dois nunca se encontrariam, Assagioli prova o contrário.

A Natureza Transpessoal da Consciência

* Este artigo foi cedido gentilmente pelo psicólogo Carlos Antônio Fragoso Guimarães

As neurociências e seus seguidores nos dizem que a nossa consciência é criada dentro do nosso cérebro e está contida na caixa óssea que denominamos “cabeça”. Afirma também, que a consciência se finda quando morremos. Em termos dos conceitos transpessoais as coisas se passam de forma diferente: a consciência é algo que existe independentemente de nós e que, na sua essência, não é limitada pela matéria. É independente dos nossos cinco sentidos físicos, sendo usada por eles, apenas, para nos fazer perceber, cotidianamente o decorrer das nossas vidas.

Na área transpessoal aprendemos também, que a consciência é infinita e se estende para além do espaço e do tempo. Nós limitamos a amplitude da nossa consciência, devido aos conceitos que nos foram impostos desde a infância pela nossa cultura materialista. A consciência é una, não é uma exclusividade nossa e não conhece a separatividade que a humanidade criou: o eu e o você. A consciência una é sua e minha, e permeia toda a natureza, desde as formas as mais elementares, às mais sofisticadas e complexas.

A nossa dificuldade em admitirmos a natureza transpessoal da consciência foi imposta por aquilo que se convencionou, na nossa cultura, a chamarmos de “bom senso”.

A consciência é como uma teia onde todos nós estamos ligados haurindo os seus benefícios sem o sabermos que os compartilhamos integralmente uns com os outros.

Na atualidade, o físico e quântico Amit Goswami, Ph.D., criou uma teoria O Idealismo Monístico onde afirma que a consciência é a matrix de toda a matéria existente, é o princípio da VIDA que a ciência vêm procurando há tanto tempo, em vão.

O Histórico

A consciência transpessoal passou a ser o objeto de investigação séria há mais de meio século, pelos cientistas pioneiros que nela viram muito mais do que o “reino do misticismo”, da “religião”, do “paranormal” ou do “mágico”. A ciência, de há muito delegara esta área aos sacerdotes e aos místicos. O considerado “precursor” da psicologia transpessoal foi o psicólogo suíço Carl Gustav Jung. Jung declarou, no final da sua vida, que o seu trabalho mais maduro durante toda a sua carreira, cresceu com as experiências transpessoais que fez e relatou isto no seu livro “Septem Sermones ad Mortuos” (Os Sete Sermões aos Mortos), publicado primeiramente em 1916. Neste livro, Jung descreve a sua descoberta do mundo transpessoal quando rompeu as barreiras do estado de consciência comum, penetrando num mundo que ele, sequer imaginava. Neste mundo ele encontrou uma entidade que lhe disse chamar-se “Basilides”. Basilides, perguntado por Jung, esclareceu-lhe que vivera em Alexandria, muitos séculos antes do nascimento do psicólogo. Basilides transmitiu a Jung o conhecimento do “Pleroma”, um conceito transpessoal que mais tarde influenciaria o psicólogo na descoberta do “inconsciente coletivo” da humanidade.

O Pleroma, como ensinado por Basilides

“O Pleroma é, ao mesmo tempo, o princípio e o fim dos seres criados. Ele os

Somos,

entretanto, o próprio Pleroma porque somos parte do eterno e do infinito. Mesmo no seu ponto o mais insignificante o Pleroma não tem fim, é inteiro, desde que pequeno e grande são qualidades contidas nele. Ele é este nada o qual é tudo e é continuidade”!

penetra, como a luz do sol penetra em qualquer lugar, penetra o ar

A segunda entidade encontrada por Jung no mundo transpessoal foi Philemon, quem influenciou profundamente o seu trabalho. Philemon lhe aparecia como sendo uma “figura espiritual”. Jung atribuiu a Philemon muito do sucesso do seu trabalho e da sua obra.

Como curiosidade: Jung foi o primeiro ser humano a conhecer e divulgar a “cor azul” do planeta Terra.

Na sua autobiografia ele relata que, doente, frágil, ele obteve uma expansão desmesurada da sua consciência (semelhante a uma OBE ou “saída fora do corpo”) e constatou, deslumbrado, a coloração azul da Terra. Depois, conta ele, procurou saber a que distância deveria estar fora da Terra para presenciar tal espetáculo. Ao conhecer as coordenadas, ficou literalmente em órbita! Há que se notar que nesta época, o astronauta russo Yuri Gagarin ainda nem havia nascido!

Abraham Maslow

Um dos mais importantes pioneiros cujo trabalho e pesquisas científicas forneceram a base e as vigas de suporte da psicologia transpessoal. Foi Maslow quem cunhou o termo “experiências culminantes” ou “de pico”, aquelas que nos comprovam a tese de que: “somos mais do que os nossos corpos físicos, porque somos mais do que matéria física”, realidade esta só encontrada quando, deliberada ou ocasionalmente, fazemos a descoberta do nosso nível transpessoal. Outra das suas grandes contribuições para a área transpessoal foi a “despatologização” da psique, ou seja, Maslow não catalogou como “doença” ou “estado de escuridão” as manifestações provenientes do âmago ou “core interno” existente em cada um de nós. Ao contrário ele glorificou e dignificou estas manifestações elegendo-as como fonte de saúde e de criatividade.

A sua teoria a respeito do que se pensava acerca deste núcleo, âmago ou “core interno” dos seres humanos, mostrou que a realidade é muito diferente dos conceitos existentes sobre este núcleo. Os ocidentais desprezaram e obscureceram a sua importância relegando-o ao reino da superstição, como pertencente a forças malignas perigosas ou a neuroses. Todos nós deveríamos reprimir as manifestações do “core interno”, catalogadas como “impulsos neuróticos”, nocivos para nós. O feito de Maslow foi o de provar através do seu trabalho com pessoas “realizadas” (que haviam completado a sua auto-realização do self) que este acontecimento pode e nos coloca diante do nosso potencial máximo, se não reprimirmos as suas manifestações ou os seus sinais, todos provenientes deste

“self ou core”. Ao contrário, tudo o que deveríamos fazer para conseguirmos a nossa auto-realização seria receber estas manifestações, aprendermos com elas e ouvirmos o que têm para nos dizer.

A pesquisa de Maslow indica: mesmo que estas “vozes e impulsos” provenientes do “core self” (como o Philemon de Jung) nos possam parecer “murmúrios sutis e delicados, que podem ser facilmente sufocados pelos ensinamentos da desaprovação recebidos da nossa cultura ou pelo medo da desaprovação e das

sanções”, é verdadeira a assertiva de que: “a autêntica manifestação do self pode ser definida, em parte, como sendo apta para ouvir estas vozes-impulsivas

interiores”

Abraham Maslow diz: “Nenhuma saúde psicológica é possível a menos

que este “core” essencial de cada pessoa seja fundamentalmente aceito, amado e respeitado”.

Anthony (Tony) Sutich

Juntamente com Abraham Maslow e Stanislav Grof, o pioneiro da Psicologia Transpessoal também com Maslow, da Psicologia Humanística, a matriz da Psicologia Transpessoal. Sutich fundou o “Journal of Humanistic Psychology” em 1958 .

Após profundas discussões sobre os assuntos que fundamentariam a Psicologia Transpessoal com Abraham Maslow e Stanislav Grof, a respeito das suas próprias experiências decorrentes das Buscas Espirituais e seus efeitos nas quais os três estavam envolvidos, Sutich fundou mais um jornal: “Journal of Transpersonal Psychology” e também o “Transpersonal Institute” mais tarde transformado naAssociation for Transpersonal Psychology.

A diferença entre a Psicologia Humanística e a Transpessoal é a seguinte: a Psicologia Humanística visa conhecer o potencial do ser humano em termos do seu

desenvolvimento existencial e fenomenal. A Psicologia Transpessoal abrange um conhecimento universal amplo relativo à religião, espiritualidade e fenomenologia e também procura pelos resultados da transcendência, a mais conclusiva, a respeito do que ocorre nas experiências “de pico” ou “culminantes”, acontecidas

durante os Estados de Consciência Alterados

e vai mais além

Se a Psicologia Humanística era vista pelos três colegas como sendo a terceira força, a Psicologia Transpessoal foi reconhecida por eles como sendo a quarta força. As duas outras: O Behaviorismo e a Psicoterapia.

Quarta Força, porque ela transcende as outras três mergulhando profundamente no reino da fenomenologia transcendental e da metafísica, ultrapassando assim todos os limites do conhecimento científico materialista também.

Sutich faleceu no ano de 1976 deixando uma extensa e frutífera obra exposta através dos seus livros e “papers”.

O jornal fundado por Sutich contribuiu e contribui para a Psicologia Transpessoal, publicando “papers” empíricos, artigos e estudos feitos sobre o transpessoal,

avaliações mais recentes, contribuições originais, consciência e estados de consciência alterados, experiências culminantes, Êxtases, experiências místicas essenciais, estados de bem-aventurança, transcendência do “self”, conhecimento cósmico, encontros transpessoais máximos, fenômenos transcendentais , atividade sensorial máxima, etc.

William James

Considerado o “pai” da pesquisa psicológica moderna, William James, concordando com as teorias de Jung e de Maslow, rogou às pessoas para que se esforçassem por libertarem os seus “core selfs” das fronteiras arbitrárias que foram erigidas ao redor dele e que são verdadeiramente, as cercas dentro das quais aprisionamos a nossa psique, impedindo-a de nos fornecer as vastas possibilidades de realizações das quais dispõe para nos oferecer.

“Muitas pessoas vivem

num verdadeiro círculo restrito do seu potencial. Elas

usam apenas uma pequena porção da sua consciência e das provisões contidas na

sua alma. De uma maneira geral, são semelhantes a um homem que, desprezando todo o seu corpo, criasse o hábito de só usar e mover, apenas, o seu dedo mindinho”. William James.

Roberto Assagioli

Psiquiatra e cirurgião nascido em Veneza Itália

Roberto Assagioli foi um ser humano maravilhoso sempre pronto a ajudar os que o procuravam e sempre apresentando a atuação dos que vivem em paz, construiu à sua volta uma “aura” de gratidão, afeto, admiração e respeito. Inconformado com a psicanálise, que para ele não atingia a “longa distância da natureza humana”, explorada sessenta anos antes por Abraham Maslow, em 1910, criou a psicossíntese, um sistema de crescimento pessoal com a qual entrou para o rol dos pioneiros da psicologia transpessoal.

A proposta de Assagioli foi a criação de uma abordagem científica envolvendo o ser humano: criatividade e arbítrio, alegria e sabedoria, seus impulsos e outros. Assagioli desejava esta abordagem simples e prática, mas que produzisse saúde e o bem viver de forma superior e com qualidade. Assim nasceu a psicossíntese.

Conhecido ao redor do mundo através dos seus livros, artigos e estudantes estrangeiros, Assagioli privou com Jung, Maslow, Tagose e outros de igual porte. Erudito, Roberto Assagioli foi filósofo, literato, espiritualista, um homem transcultural. Faleceu em 23/8/1974. O Instituto de Psicossíntese fundado por ele (1933) continua divulgando e trabalhando de acordo com as suas teorias em: “Ente Moralo dello Stato/Roma”.

“A matéria subjugada

não é aquela coleção de objetos sólidos e estáticos

estendidos no espaço, mas a vida que é vivida no cenário que ela compõe; portanto, a realidade não é só esta cena externa, mas a vida que é vivida nela. A realidade é as coisas como elas são”. William Stevens.