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Universidade Regional de Blumenau - FURB Centro de Ciências Tecnológicas - CCT Departamento de Engenharia
Universidade Regional de Blumenau - FURB
Centro de Ciências Tecnológicas - CCT
Departamento de Engenharia Civil

PATOLOGIAS NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

JONAS RODRIGO ZIMMERMANN CAVACO

BLUMENAU

2008

1

JONAS RODRIGO ZIMMERMANN CAVACO

PATOLOGIAS NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Graduação em Engenharia Civil do Centro de Ciências Tecnológicas da Universidade Regional de Blumenau como requisito parcial para a obtenção do titulo de Engenheiro Civil.

Orientador: Prof. Ademar Cordero, Doutor, FURB

BLUMENAU

2008

2

PATOLOGIAS NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

Por

JONAS RODRIGO ZIMMERMANN CAVACO

Trabalho de conclusão de curso aprovada, como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Engenharia Civil, pela Banca examinadora formada por:

Presidente: Prof. Ademar Cordero, Doutor, FURB

Membro: Prof. Décio Zendron, Mestre, FURB

Membro: Prof. Ralf Klein, Mestre, FURB

Blumenau, julho de 2008.

3

Dedico este trabalho aos meus pais, Ademilson e Ivone, que com seu amor sempre me apoiaram no aprimoramento de meus estudos.

4

AGRADECIMENTOS

Ao professor Dr. Ademar Cordero, pelas orientações;

A BPS Construtora, pelo apoio e compreensão ao desenvolvimento deste;

Ao Engenheiro Carlos Rischbieter, pelo acervo técnico e sua disponibilidade;

As pessoas que colaboraram para a realização deste trabalho.

5

O segredo não é correr atrás das borboletas É cuidar do jardim para que elas venham até você. “Mário Quintana”

6

RESUMO

O presente trabalho faz uma revisão bibliográfica a respeito das patologias encontradas

nas estruturas de concreto armado, que para Ripper (1998), Patologia é a parte da engenharia que

estuda os sintomas, os mecanismos as causas e as origens dos defeitos das construções civis.

Num primeiro momento são analisadas as origens dos defeitos das patologias. No capitulo

seguinte, são descritas as principais patologias encontradas numa estrutura de concreto armado,

suas particularidades, suas principais causas, os fatores intervenientes, que aceleram o processo,

os meios de se evitar sua ocorrência, bem como os métodos de proteção e recuperação

efetivamente eficientes. Ainda descrevemos algumas técnicas que vêm sendo utilizadas na

atualidade para se tratar as patologias. E finalmente são apresentadas as conclusões a respeito do

assunto destacando a importância de se tratar das patologias nas estruturas de concreto armado,

onde as melhorias são muito menos onerosas para o cliente.

7

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

8

2

OBJETIVOS

9

2.1 GERAL

9

2.2 ESPECIFICOS

9

3

REVISÃO DE BIBLIOGRÁFICA

10

4

REFERÊNCIAL TEÓRICO

12

4.1

ORIGEM DOS DEFEITOS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

12

4.2

PATOLOGIAS GERADAS NA ETAPA DE CONCEPÇÃO DA ESTRUTURA (PROJETO)

12

4.3

PATOLOGIAS GERADAS NA ETAPA DE EXECUÇÃO DA ESTRUTURA (CONSTRUÇÃO) . 13

4.4 PATOLOGIAS GERADAS NA ETAPA DE UTILIZAÇÃO DA ESTRUTURA (MANUTENÇÃO)15

4.5

PRINCIPAIS PATOLOGIAS NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO

17

4.5.1 Fissuração

17

 

4.5.1.1 Fissuras por contração plástica do concreto

18

4.5.1.2 Fissuras por assentamento do concreto com perda de aderência das barras das armaduras

19

4.5.1.3 Fissuras por movimentação de formas e escoramento

19

4.5.1.4 Fissuras por retração do concreto

20

4.5.1.5 Fissuras por recalques das fundações

21

4.5.1.6 Fissuras por variação de temperatura

22

4.5.1.7 Fissuras por ações aplicadas

23

4.5.1.8 Fissuras por desagregação do concreto

23

4.5.1.9 Fissuras por ataques biológicos

23

4.5.2 Carbonatação do concreto

24

4.5.3 Corrosão das armaduras

26

5

TERAPIA DOS DEFEITOS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

29

5.1

TERAPIA PARA FISSURA EM VIGAS POR FLEXÃO

29

5.2

TERAPIA PARA FISSURA POR CORROSÃO DE ARMADURAS

29

5.3

TERAPIA PARA FISSURA POR DILATAÇÃO TÉRMICA

30

5.4

FISSURA POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS

31

6

CONCLUSÃO

32

7

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

34

8

1

INTRODUÇÃO

A engenharia civil é uma área que está em constante evolução, seja no ponto de vista dos

materiais utilizados para as construções, seja pelas técnicas construtivas empregadas. O homem

vem desenvolvendo, desde as primeiras civilizações que temos conhecimento, os materiais, as

tecnicas e os métodos, consolidando assim cada vez mais a tecnologia da construção, a tecnologia

dos materiais e as respectivas tecnicas construtivas.

Mesmo

as

estruturas

bem

projetadas

e

construidas,

e

corretamente

utilizadas,

desenvolvem sintomas patológicos. Muitos são os casos de estrutura que, por um motivo ou por

outro, necessitam ter sua capacidade portante aumentada. Nestes casos, que, implicam trabalhos

de recuperação ou de reforço da estrutura, o conhecimento dos procedimentos e das técnicas a

serem adotados é de fundamental importancia para que a estrutura tenha realmente a sua

capacidade portante original restaurada.

Tendo em vista o conhecimento atual dos processos e mecanismos destrutivos que

atuam sobre as estruturas e considerando a grande evolução tecnológica dos ultimos anos, com o

desenvolvimento de equipamentos e tecnicas de observação de estruturas, é perfeitamente

possível diagnosticar com exito a maioria dos problemas patologicos.

Nesta monografia pretendemos apontar as causas, apresentar inumeros problemas

enfrentados pelos arquitetos e engenheiros em seu trabalho de projetar, construir, fiscalizar e

manter as obras civis.

9

2

OBJETIVOS

2.1

GERAL

O objetivo deste trabalho é fazer um aprofundamento sobre as patologias existentes nas

estruturas de concreto armado.

2.2 ESPECÍFICOS

- Identificar, avaliar e diagnosticar patologias relacionadas às estruturas de concreto

armado;

- Analisar métodos de manutenção preventivos e corretivos nas patologias.

10

3 REVISÃO DE BIBLIOGRÁFICA

Uma obra, da mesma forma que um ser vivo, encontra-se submetido à ação de elementos

tais como: calor, umidade, ventos, geadas etc., também tem que suportar ações de tipo mecânico

que podem cansa-la, fatiga-la e inclusive feri-la. Por conseguinte, dos cuidados e fiscalização

durante seu crescimento ou construção dependerá muito a vida da obra e não se deve pensar que

terminam com a sua realização, é preciso continuar fazendo manutenção (CÁNOVAS, 1988).

Segundo

Helene

(1992),

embora

o

concreto

possa

ser

considerado

um

material

praticamente eterno, desde que receba manutenção sistemática e programada, há construções que

apresentam manifestações patológicas em intensidade e incidência significativas, acarretando

elevados custos para sua correção. Sempre há comprometimento dos aspectos estéticos e, na

maioria das vezes, redução da capacidade resistente, podendo chegar, em certas situações, ao

colapso parcial ou total da estrutura.

Objetivamente,

as

causas

da

deterioração

podem

ser

as

mais

diversas,

desde

o

envelhecimento “natural” da estrutura até os acidentes, e até mesmo a irresponsabilidade de

alguns profissionais que optam pela utilização de fora das especificações, na maioria das vezes

por alegadas razões economicas (SOUZA, 1998).

A durabilidade e a consequente previsão da vida útil das estruturas de concreto armado

estão sendo objeto de muitas pesquisas em diversas instituições, tanto no Brasil como no exterior.

Estudos indicam que os problemas patológicos ocorrem, em aproximadamente 50% dos casos,

por falhas de projeto e planejamento das edificações (FIGUEIREDO, 2006).

Segundo Aranha e Dal Molin (1994), as falhas de execução das estruturas podem ser de

todo

o

tipo,

podendo

estar vinculadas

à confecção, instalação

e remoção

das

fôrmas

e

11

cimbramentos;

corte,

dobra

e

montagem

das

armaduras

e

dosagem,

mistura,

transporte,

lançamento, adensamento e cura do concreto, todas elas relacionadas, principalmente, ao

emprego de mão-de-obra desqualificada ou falta de supervisão técnica.

12

4

REFERÊNCIAL TEÓRICO

4.1

ORIGEM DOS DEFEITOS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

Para Ripper (1998), salvo os casos correspondentes à ocorrência de catástrofes naturais,

em que a violência das solicitações, aliada ao caráter marcadamente imprevisível das mesmas,

será o fator preponderante. Os problemas patológicos têm suas origens motivadas por falhas, que

ocorrem durante a realização de uma ou mais, das atividades inerentes ao processo genérico, a

que se denomina de construção civil, processo este que pode ser dividido, como já dito, em três

etapas básicas: concepção, execução e utilização.

Em nível de qualidade, exige-se, para etapa de concepção, a garantia de plena satisfação

do cliente, de facilidade de execução e de possibilidade de adequada manutenção; para etapa de

execução, será de garantir o fiel atendimento ao projeto, e para a etapa de utilização, é necessário

conferir a garantia de satisfação do utilizador e a possibilidade de extensão da vida útil da obra

(SOUZA, 1998).

Botelho (1995), afirma que o surgimento de problema patológico em dada estrutura

indica, em última instância e de maneira geral, a existência de uma ou mais falhas durante a

execução de uma ou mais etapas da construção, além de apontar para falhas também no sistema

de controle de qualidade própria a uma ou mais atividades.

4.2 PATOLOGIAS GERADAS NA ETAPA DE CONCEPÇÃO DA ESTRUTURA

(PROJETO)

Segundo Helene (1992), as falhas originadas de um estudo preliminar deficiente, ou de

anteprojetos equivocados, são responsáveis, principalmente, pelo encarecimento do processo de

13

construção, ou por transtornos relacionados à utilização da obra, enquanto as falhas geradas

durante a realização do projeto final de engenharia são as responsáveis pela implantação de

problemas patológicos sérios e podem ser tão diversas como:

Elementos de projeto inadequados (má definição das ações atuantes ou de combinação

mais desfavorável das mesmas, escolha infeliz de modelo analítico, deficiência no cálculo

da estrutura ou na avaliação da resistência do solo, etc.);

Falta de compatibilizarão entre a estrutura e a arquitetura, bem como com os demais

projetos civis;

Especificação inadequada de materiais;

Detalhamento insuficiente ou errado;

Detalhes construtivos inexeqüíveis;

Falta de padronização das representações (convenções);

Erros de dimensionamento.

4.3 PATOLOGIAS GERADAS NA ETAPA DE EXECUÇÃO DA ESTRUTURA

(CONSTRUÇÃO)

Para Ripper (1998), neste aspecto, fazem-se necessárias duas observações. A primeira diz

respeito à seqüência natural do processo genérico, ou seja, o critério de que só seja iniciada a

etapa de execução após estar concluída a de concepção. Isto, embora seja o lógico e o ideal

raramente ocorrem mesmos em obras de maior vulto, seja sendo prática comum, por exemplo,

serem feitas adaptações (ou mesmo modificações) no projeto já durante a obra, sob a desculpa,

normalmente não válida, de serem necessárias certas simplificações construtivas, que, na maioria

dos casos, acabam por contribuir para a ocorrência de erros.

14

A segunda observação diz respeito ao processo industrial denominado de construção civil,

completamente atípico quando se olha a atividade industrial, pois nesta os componentes passam

pela linha de montagem e saem como produtos terminados. Enquanto na construção civil os

componentes são empregados, em determinadas atividades, em locais de onde não mais sairão

(exceção feitas às estruturas pré-fabricadas), que seguem, grosso modo, o roteiro normal da

produção industrial a menos da etapa de montagem final.

Segundo Bauer (1994), uma vez iniciada a construção pode ocorrer falhas das mais

diversas naturezas, associadas a causas tão diversas como falta de condições locais de trabalho

(cuidados e motivações), não capacitação profissional de mão de obra e desistência de controle de

qualidade de execução, má qualidade de materiais e componentes, irresponsabilidade técnica e

até mesmo sabotagem.

O caso das estruturas, vários problemas patológicos podem surgir em virtude do que já foi

comentado.

Uma

fiscalização

deficiente

é

um

fraco

comando

de

equipes,

normalmente

relacionados a uma baixa capacitação profissional do engenheiro e do mestre de obras, podem,

com facilidade, levar a graves erros em determinadas atividades, como a implantação da obra,

escoramento, formas, posicionamento e qualidade de armaduras e a qualidade do concreto, desde

o seu fabrico até a cura (CALLISTER, 2002).

Botelho comenta o assunto afirmando:

“[

]

a ocorrência de problemas patológicos cuja origem está na etapa de

execução é devida, basicamente, ao processo de produção que é em muito

prejudicado por refletir de imediato os problemas socioeconômicos, que

provocam baixa qualidade técnica dos trabalhadores menos qualificados,

como os serventes e os meio-oficiais, e mesmo do pessoal com alguma

qualificação profissional” (BOTELHO 1996, p.43).

15

Para Helene (1992), as estruturas, os materiais e componentes, em sua grande maioria,

têm sua qualidade e forma de aplicação normatizada. Entretanto, o sistema de controle, em nível

de construtor, tem-se mostrado bastante falho, e a metodologia para a fiscalização e aceitação dos

materiais, não é em regra geral, aplicada, sendo este mais um fator que demonstra a fragilidade e

a má organização da indústria da construção, assim como evidência a posição subalterna que está

ocupada em relação a indústria de matérias e componente.

Com

tudo

isso,

são

bastante

comuns

os

problemas

patológicos

que

tem

origem

inadequadas

na qualidade dos

materiais

e componentes.

A menor

durabilidade, os

erros

dimensionais, a presença de agentes agressivos incorporados e a baixa resistência mecânica são

apenas alguns dos muitos problemas que podem ser implantados nas estruturas com conseqüência

nesta baixa qualidade.

4.4 PATOLOGIAS GERADAS NA ETAPA DE UTILIZAÇÃO DA ESTRUTURA

(MANUTENÇÃO)

Acabadas as etapas de construção e execução, e mesmo quando tais etapas tem sido de

qualidade adequada, as estruturas podem, apresentar problemas patológicos originados da

utilização errônea ou da falta de um programa de manutenção adequado.

Segundo Ripper (1998), de certa forma uma estrutura poderá ser vista como um

equipamento mecânico que, para ter sempre bom desempenho, deve ter manutenção eficiente,

principalmente em partes onde o desgaste e a deterioração serão potencialmente maiores.

Para Bauer (1994), os problemas patológicos ocasionados pelo uso inadequado podem ser

evitados informando-se ao usuário sobre as possibilidades e limitações da obra, como, por

16

exemplo:

Edifícios em alvenaria estrutural – o usuário (morador deve ser informado sobre quais são

as paredes portantes, de forma que não venha a fazer obras de demolição ou de aberturas

de vãos (portas ou janelas) nessas paredes, sem a prévia consulta e assistência executiva

de especialista incluindo, preferencialmente, o projetista da estrutura;

Pontes – a capacidade de carga da ponte deve ser sempre informada em local visível e de

forma insistente.

Os problemas patológicos inadequados por manutenção inadequada ou mesmo por

ausência

inadequada

de

manutenção

têm

sua

origem

no

desconhecimento

técnico,

na

incompetência, no desleixo e em problemas econômicos. A falta de alocação de verbas para a

manutenção pode vir a tornar-se fator responsável pelo surgimento de problemas estruturais de

maior monta, implicando gastos significativos e, no limite a própria demolição da estrutura

(RODRIGUES, 1991).

17

4.5

PRINCIPAIS PATOLOGIAS NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO

4.5.1

Fissuração

A fissuração é um fenômeno tão velho quanto o próprio concreto armado e tem sido

motivo de análise por parte de tecnologistas de todos os tempos e talvez por essa razão a fissura

seja, atualmente, um dos sintomas mais marcantes das doenças do concreto armado ou massa

(RIPPER, 1998).

Segundo Rodrigues (2001), na época do ano em que a temperatura ambiente mantém-se

elevada, é freqüente o aparecimento de fissuras ou trincas no concreto.

Paulon (2005), afirma que as práticas modernas de construção, com exigências de altas

resistências iniciais, desforma em pequenas idades, concretos bombeados e outras, tornaram a

trinca ou fissura ainda mais freqüente.

Ocorriam menos trincas na época em que se usavam concretos com menores consumos de

cimento, abatimentos menores e empregava-se mais tempo no adensamento e acabamento

durante uma concretagem (HELENE, 2003).

É certo que seja quase impossível executar um concreto totalmente livre de algum tipo de

fissura, mas existem medidas para reduzir sua ocorrência ao mínimo possível.

Entretanto, segundo Mehta e Monteiro (1994), é interessante observar que, no entanto, a

caracterização da fissuração como deficiência estrutural dependerá sempre da origem, intensidade

e magnitude do quadro de fissuração existente, posto que o concreto, por ser material com baixa

resistência à tração, fissurará por natureza, sempre que as tensões trativas, que podem ser

instalados pelos mais diversos motivos, superarem a sua resistência última à tração.

18

Silva (1995) destaca que classificadas as fissuras e de posse do mapeamento, pode-se dar

início ao processo de determinação de suas causas, de forma a poderem-se estabelecer as

metodologias e proceder aos trabalhos de recuperação ou de reforço, como a situação o exigir. É

necessário sempre muito atenção e competência, pois uma análise malfeita pode levar à aplicação

de um método de recuperação ou de reforço inadequado e, caso não sejam eliminadas as causas,

de nada vai adiantar tentar sanar o problema, pois, neste caso, ele ressurgirá, e até mesmo poderá

vir a agravar-se.

Além do aspecto antiestético e a sensação de pouca estabilidade que apresenta uma peça

fissurada, os principais perigos decorrem da corrosão da armadura e da penetração de agentes

agressivos externos no concreto.

Devido a isso a NBR - 6118 (NB – 1/78), subitem 4.2.2, considera fissuração como

nociva quando a abertura das fissuras na superfície do concreto ultrapassa os seguintes valores:

0,1 mm para peças não protegidas, em meio agressivo;

0,2 mm para peças não protegidas, em meio não agressivo; e

0,3 mm para peças protegidas.

4.5.1.1 Fissuras por contração plástica do concreto

Segundo Ripper (1998), este é o primeiro dos casos em que a fissuração, no processo de

execução de uma determinada peça estrutural, ocorre ainda antes da pega do concreto, devido à

evaporação excessivamente rápida da água que foi utilizada em excesso para a feitura do

material. Nada a ver com o comportamento reológico próprio do concreto, sendo que a massa, em

conseqüência, se contrai de forma irreversível, podendo este movimento acontecer imediatamente

após o lançamento do concreto (10 minutos).

Helene (1986) acrescenta que este processo de fissuramento é mais comum em superfícies

19

extensas, como lajes e paredes, com as fissuras sendo normalmente paralelas entre si e fazendo

ângulo de aproximadamente 45º com os cantos, sendo superficiais, na maioria dos casos.

Entretanto, em função da esbeltez das peças em questão, elas podem vir mesmo a seccioná-la.

4.5.1.2 Fissuras por assentamento do concreto com perda de aderência das barras das armaduras.

Para Ripper (1998), a fissuração por assentamento do concreto ocorre sempre que este

movimento natural da massa, resultante da ação da força da gravidade, é impedido pela presença

de formas ou de barras da armadura, sendo tanto maior quanto mais espessa for a camada de

concreto.

As fissuras formadas pelo assentamento do concreto acompanham os desenvolvimentos

das armaduras e provocam a criação do chamado efeito de parede, ou de sombra, que consiste na

formação de um vazio por baixo da barra que reduz aderência desta para a o concreto. Se o

agrupamento de barras for muito grande as fissuras poderão interagir entre si, gerando, situações

mais graves, como a perda total de aderência (FIGUEIREDO, 2005).

Silva (1995) acrescenta que é importante também considerar-se que também em termo de

durabilidade, fissuras como essas que acompanham as armaduras, são as mais nocivas, pois

facilitam bem mais que as ortogonais, o acesso direto dos agentes agressores, facilitando a

corrosão das armaduras.

4.5.1.3 Fissuras por movimentação de formas e escoramento

Segundo Ripper (1998), a fissuração derivada do movimento de formas pode resultar de:

Deformação acentuada da peça, gerando alteração de sua geometria, com perda de

resistência e desenvolvimento de um quadro de fissuração característico de deficiência de

20

capacidade resistente.

Deformação das formas (Figura 1), por mau posicionamento por falta de fixação adequada

pela existência de juntas mal vedadas ou de fendas, ou por absorção da água do concreto

permitindo a criação de juntas de concretagem não previstas, o que normalmente leva à

fissuração.

não previstas, o que normalmente leva à fissuração. Figura 1 – Fissura causada por movimentação da

Figura 1 – Fissura causada por movimentação da fôrma (Ripper, 1998).

4.5.1.4 Fissuras por retração do concreto

Para Ripper (1998), a retração do concreto é um movimento da massa que, no entanto é

contraída pela existência, também natural de restrições postas por obstáculos internos (barras de

armaduras) e externos (vinculação e outras peças estruturais). Se este comportamento reológico

não for considerado, quer em nível de projeto, quer de execução são grandes as possibilidades do

desenvolvimento de um quadro de fissuração, que pode levar a formação de trincas que

seccionem completamente às peças mais esbeltas, como no caso de lajes e paredes.

Helene (1986) chama a atenção que além da análise das tensões de retração e da

disposição de armadura de pele nos casos de peças de grandes dimensões. É importante cuidar da

interação da estrutura com o meio ambiente, na época da concretagem (as elevadas temperaturas,

21

os baixos teores de umidade do ar e a incidência diretas de ventos e radiação solar são aspectos

extremamente prejudiciais ao normal endurecimento do concreto), que a mistura não tenha água

mais que a necessária e de que as peças sejam convenientemente curadas.

A Figura 2, segundo Ripper (1998), mostra configurações típicas de fissuras de retração

(que normalmente são notadas algum tempo depois do endurecimento do concreto): no caso das

vigas as fissuras situam-se em todo o contorno da alma das mesmas, paralelas entre si, a

intervalos quase regulares, podendo ocorrer em qualquer ponto do vão; no caso das lajes, foram

uma figura de aspecto de mosaico podendo ocorrer em ambas as faces.

de aspecto de mosaico podendo ocorrer em ambas as faces. Figura 2 – Fissuras de retração

Figura 2 Fissuras de retração plástica do concreto (RIPPER, 1998).

4.5.1.5 Fissuras por recalques das fundações

1998). 4.5.1.5 Fissuras por recalques das fundações Figura 3 – Fissuras causadas por recalques das fundações.

Figura 3 – Fissuras causadas por recalques das fundações.

22

Segundo Thomaz (1989), de forma geral, os recalques nos pilares geram fissuras de

abertura variável nas vigas ligadas a eles, sendo estas aberturas maiores na parte superior das

vigas. As fissuras decorrentes dos recalques dependem da magnitude destes.

Souza (1998) e Figueiredo (2006), afirmam que as fissuras por requalque serão ainda mais

significativas quando as armaduras forem deficientes ou mesmo quando estas estiverem mal

posicionadas no elemento.

4.5.1.6 Fissuras por variação de temperatura

Segundo Ropper (1998), a instauração de diferentes estados de tensão em diferentes

seções de uma mesma peça estrutural (à semelhança nos casos dos recalques estruturais). A

criação de estado de sobre tensão gerado por contração ou dilatação térmica, são situações que

normalmente

geram fissuração,

posto

que,

em qualquer um dos

casos, criam-se

tensões

superiores a capacidade resistente ou de deformação das peças.

De acordo com Cánovas (1988), uma situação típica é a que se dá nas coberturas, em

particular as horizontais muito mais expostas aos gradientes térmicos naturais do que as peças

verticais da estrutura, gerando em conseqüência, movimentos diferenciados entre elementos

verticais e horizontais que, normalmente, resultam em fissuração, agravada no caso de diferença

de inércia (encontro lajes - vigas) ou de materiais resistentes (lajes mistas ou pré-fabricadas).

A prevenção contra esse tipo de fissuração passa, dentre outros aspectos, pela

correta

consideração da influência do meio ambiente, pela atenção especial ao detalhamento das

armaduras das peças solidárias que possuam inércias muitos diferentes, pela correta disposição de

juntas de dilatação e pela consideração cuidadosa das cores das pinturas a adotar para os vários

elementos estruturais (HELENE, 1986).

23

4.5.1.7 Fissuras por ações aplicadas

Incluem-se, neste item, os diversos processos de fissuramento que possam resultar de

ações aplicadas localizadamente e passam tanto por choques de veículos como por introdução de

esforços de proteção, ou ainda pela carga de vigas ou pilares, considerada como cargas

concentradas (SOUZA, 1998).

4.5.1.8 Fissuras por desagregação do concreto

A desagregação do material é um fenômeno que frequentemente pode ser observado nas

estruturas de concreto, causado pelos mais diversos fatores, ocorrendo, na maioria dos casos, em

conjunto com a fissuração.

Para Padaratz (2000), devem-se entender como desagregação a própria separação física de

placas ou fatias de concreto, com perda de monolitismo e, na maioria das vezes, perda também da

capacidade de engrenamento entre os agregados e da função ligante do cimento. Como

conseqüência, tem-se que uma peça de seções de concreto desagregado perderá, localizada ou

globalmente, a capacidade de resistir aos esforços que a solicitam.

4.5.1.9 Fissuras por ataques biológicos

Varias

as

ações

biológicas

(raízes

de

vegetação,

microorganismos,

etc.)

que,

ao

penetrarem no concreto e acharem o ambiente próprio ao seu desenvolvimento, vêm a cupar o

espaço dentro de uma massa estrutural, gerando tensões internas e fraturando o concreto

(HELENE, 1986).

24

4.5.2 Carbonatação do concreto

A carbonatação, resulta diretamente da ação dissolvente do anidrido carbônico (CO 2 ),

presente no ar atmosférico, sobre o cimento hidratado, com a formação do carbonato de cálcio e a

conseqüente redução do pH do concreto até valores inferiores a 9. Quanto maior for a

concentração de CO 2 presente, menor será o pH, ou, por outro lado, mais espessa será a camada

de concreto carbonatada, segundo DAFICO (1993).

Segundo Soretz, apud HELENE (1992), a carbonatação em si, e se ficasse restrita a uma

espessura inferior à da camada de cobrimento das armaduras, seria até benéfica para o concreto,

pois aumentaria as suas resistências químicas e mecânicas. A questão é que, em função da

concentração de CO 2 na atmosfera e da porosidade e nível de fissuração de concreto, a

carbonatação pode atingir armadura, quebrando o filme óxido que a protege, corroendo-a.

Encontrando ambiente propício, como é o proporcionado por um concreto altamente poroso, a

propagação da carbonatação, em profundidade, faz-se segundo a lei representada pela equação

(1), como se pode observar na Figura 8.

x =

n Kt
n
Kt

Equação (1)

Onde: x = profundidade de penetração da carbonatação;

K = constante, função da porosidade e permeabilidade do concreto;

n

= 2, em ambientes interiores;

n

< 2, em ambientes exteriores.

25

25 Figura 8 – Variação da profundidade de carbonatação com o tempo e com a relação

Figura 8 – Variação da profundidade de carbonatação com o tempo e com a relação a/c

(SORETZ, apud HELENE, 1992).

Nos casos em que a abertura das fissuras seja significativa (w > 0,4 mm), a penetração da

carbonatação é acelerada, seguindo a orientação dada pela direção das fendas, para o interior do

concreto e rumo às barras da armadura, implantando, inevitavelmente a corrosão.

Soretz, apud HELENE (1992), afirma que, se o concreto estiver totalmente saturado, não

poderá ficar carbonatado, posto que a difusão do CO2 só é possível através dos poros do

concreto. Em geral, considera-se que se houver 0,5% a 0,1% (em volume) de água nos poros de

concreto, a carbonatação já não é possível.

“[

],

além disto, deve-se também entender que, num concreto carbonato, o

risco de corrosão por ação de agentes agressores, como os cloretos, é bem

maior.” (GENTIL, 2003, P.205)

26

4.5.3 Corrosão das armaduras

Dentre vários autores pesquisados, parece existir um consenso sobre as definições do

processo de corrosão.

Para Helene (1986), corrosão é uma interação destrutiva de um material com o ambiente,

seja por reação química, ou eletroquímica.

A afirmação anterior é semelhante à de Panossian, (citado por CASCUDO, 1997) que

define corrosão metálica como sendo “a transformação de um metal em íon metálico pela sua

interação química ou eletroquímica com o meio em que se encontra”.

Para Bauer (1994), a corrosão é transformação não intenciona de um metal, a partir de

suas superfícies expostas, em compostos não aderentes, solúveis ou despersíveis no ambiente em

q o metal se encontra.

Gentil (2003) tem uma definição muito semelhante às anteriormente citadas e acrescenta

que a corrosão, em alguns casos, se assemelha ao inverso do processo metalúrgico. E completa:

“[

]

o produto da corrosão de um metal é bem semelhante ao minério do

qual é originalmente extraído. O oxido de ferro mais comumente encontrado

na natureza é a hematita , Fe 2 O 3 e a ferrugem é o Fe 2 O 3 hidratado, Fe 2 O 3 nH 2 O,

isto é, o metal tendendo a retornar a sua condição de estabilidade”

(GENTIL, 2003, p. 1).

De maneira geral, a corrosão poderá ser entendida como a deterioração de um material,

por ação química ou eletroquímica do meio ambiente aliada ou não a esforços mecânicos.

Segundo Andrade (1992), nos casos das barras de aços imersas no meio do concreto a

deterioração das armaduras de aço, é caracterizada pela destruição da película passivante

existente ao redor de toda a superfície exterior das barras. Esta película é formada como resultado

27

do impedimento da dissolução do ferro pela elevada alcalinidade da solução aquosa que existe no

concreto.

Ao produzir-se por efeito da corrosão óxido expansivo com o aumento do volume de 8 a

10 vezes o volume o original, criam-se fortes tensões no concreto, que fazem com que este se

rompa por tração, apresentando fissuras que seguem as linhas das armaduras principais, e

inclusive dos estribos, se a corrosão foi muito intensa (NEVILLE, 1997).

estribos, se a corrosão foi muito intensa (NEVILLE, 1997). Figura 4 – Pilar apresentando desagregação e

Figura 4 – Pilar apresentando desagregação e presença de corrosão acentuada.

Cascudo (2005), afirma que configurando o ambiente para a convivência salutar entre as

barras de aço e o meio de concreto resta indicar se o mecanismo de desativação, ou seja, de

geração de corrosão, por destruição da camada óxida de revestimento protetor das barras:

corrosão por tensão fraturante: é o caso dos aços que são submetidos a grandes esforços

mecânicos (protensão) e que, em presença do meio agressivo, podem sofrer fratura frágil,

resultando na perda de condição para a sua utilização;

corrosão pela presença de hidrogênio atômico, que fragiliza e fratura os aços;

corrosão por pite, que pode revelar-se segundo duas formas:

28

localizada, caracterizada pela ação de íons agressivos (cloretos, em especial), sempre

que haja umidade e presença de oxigênio;

generalizada, função da redução do pH do concreto para valores inferiores a 9, pela

ação dissolvente CO 2 existente no ar atmosférico - transportado através dos poros e

fissuras do concreto sobre o cimento hidratado, é a chamada carbonatação.

Aspectos como o controle da porosidade e da permeabilidade do concreto, a manutenção

da peça sob estado de tensões de serviço dentro dos limites estabelecidos regularmente. A escolha

correta das bitolas das barras da armadura principal, o bom detalhamento, a cuidadosa execução

das peças, e a proteção adicional das superfícies do concreto por pintura surgem como fatores

primordiais e de cuja observância dependerá a redução, ou não da possibilidade da ocorrência de

corrosão nas barras da armadura, (CÁNOVAS, 1988).

29

5

TERAPIA DOS DEFEITOS DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

5.1

TERAPIA PARA FISSURA EM VIGAS POR FLEXÃO

Segundo Ripper (1998), causado por sobrecargas não previstas, armadura insuficiente,

descoramento precoce e carregamento precoce.

Uma

alternativa

para

recuperação

é,

após

analisar

adequadamente

o

componente

estrutural:

1)

Preparar e limpar criteriosamente a fissura;

 

2)

Reforçar vigas através de:

 

colocação de nova armadura longitudinal e reconcretagem;

 

novos estribos e reconcretagem;

 

colagem de chapas metálicas aderidas com epóxi.

 

3)

Eventualmente destruição e reconstrução.

 

5.2 TERAPIA PARA FISSURA POR CORROSÃO DE ARMADURAS

Causado por concreto com alta permeabilidade e ou elevada porosidade, cobrimento

insuficiente das armaduras ou má execução (VERÇOZA, 1990).

Uma

alternativa

para

recuperação

é,

após

analisar

adequadamente

o

componente

estrutural:

1)

Remover cuidadosamente o concreto afetado e os produtos de corrosão limpando bem

as superfícies;

30

3)

Em casos de inicio de corrosão sem comprometimento do concreto e das barras de

aço, recuperar o componente estrutural, mantendo as dimensões originais, através de:

argamassa polimérica;

isolantes à base de epóxi;

graute;

eventualmente, aplicar argamassa em todas as superfícies para aumentar o

cobrimento e proteger o componente estrutural.

4)

Em casos avançados de corrosão, reforçar o componente aumentando as dimensões

originais através de reforço;

5)

Aplicar revestimento de proteção;

6)

Eventualmente, demolir e reconstruir.

5.3 TERAPIA PARA FISSURA POR DILATAÇÃO TÉRMICA

Para Silva (1995), causado por falha ou inexistência de junta de dilatação.

Uma alternativa para recuperação é, após analisar adequadamente o componente estrutural

e o ambiente, pode ser conveniente:

1)

Remover as partes soltas e limpar criteriosamente as superfícies;

2)

Dependendo da abertura da fissura, deixar como está, ou seja, conviver com a fissura;

3)

Reforçar o pilar com chapas metálicas aderidas com epóxi;

4)

Demolir e reconstruir a cabeça do pilar reconcretando com graute ou com concreto.

31

5.4 FISSURA POR MOVIMENTAÇÃO DE FORMAS

Fissura causada pela movimentação ou deformação das fôrmas.

Uma alternativa para recuperação é, após analisar adequadamente os componentes

estruturais e o ambiente, pode ser conveniente:

1)

Remover partes soltas e limpar criteriosamente as superfícies;

2)

Reconcretagem com graute ou concreto.

32

6

CONCLUSÃO

Nos dias de hoje, em função de diversos fatores, o estudo de problemas patológicos na

construção civil vem crescendo com bastante intensidade. Isto se deve ao fato de que até pouco

tempo atrás, pensava-se que as estruturas de concreto durariam indefinidamente. Atualmente já

está provado que isto não é verídico. Toda estrutura, para atingir uma vida útil para qual foi

projetada, necessita de manutenção. Décadas atrás as estruturas eram superdimensionadas,

podendo resistir durante anos agressões importantes sem colocar em perigo sua integridade. No

entanto as estruturas de hoje, por estarem dimensionadas com critérios mais arrojados e de

maneira mais precisa, através da utilização de métodos computacionais avançados, são mais

esbeltas, exigindo, portanto muito mais cuidados.

A manutenção é justamente o aspecto bastante carente nas construções, ainda mais em

obras públicas, onde normalmente o governo não tem verba para tal, fazendo com que muitas

construções mesmo sem nenhuma condição, sejam utilizadas das mais diversas formas possíveis.

Após o estudo e diagnóstico das manifestações patológicas, a indicação do procedimento

de correção deve levar em conta vários fatores como eficiência da intervenção, segurança,

materiais, equipamentos, custos, temperatura e a agressividade do meio.

Para cada tipo de problema pode haver mais de uma solução e mais de um procedimento

de correção, exigindo equipamentos distintos e inúmeros materiais específicos, que poderão ser

adotado em função dos fatores técnicos e econômicos. A disponibilidade de tecnologia, o local,

deve sempre ser levada em consideração.

Assim, a saúde de uma estrutura de concreto armado passa por um projeto bem

fundamentado, uma execução cuidadosa e uma manutenção criteriosa. Segundo Datta (1978), “o

33

trabalho de recuperação não é um trabalho agradável de ser feito, mas é essencial e requer muito

cuidado”. Esta afirmação resume muito bem e se mostra cada vez mais pertinente ao tema da

patologia, e deve ser estendida aos trabalhos de manutenção preventivos, que podem evitar ou

retardar a necessidade de trabalhos de recuperação ou de reforço das estruturas.

34

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CÁNOVAS, M. F. Patologia e terapia de concreto armado. São Paulo: PINI, 1998

DAFICO ALVES, J. (1993). Manual de tecnologia do concreto. Goiânia. Editora UFG.

HELENE, P. (1992). Manual para reparo, reforço e proteção de estruturas de concreto. São

Paulo. Editora PINI.

MOREIRA DE SOUZA, V. C.; RIPPER, T. Patologia, recuperação e reforço de estruturas de

concreto. São Paulo. Editora PINI, 1998.

PADARATZ, I. J. (2000). Apostila da disciplina Patologia das Edificações, do Curso de Pós-

Graduação em Engenharia Civil. Santa Catarina. Editora da UFSC.

THOMAZ, E. Trincas em edifícios: causas, prevenção e recuperação. São Paulo, PINI, 1989.

VERÇOZA, E. J. Patologia das edificações. Porto Alegre: Sagra, 1990.

FRANCO, Mario. Vida e Obra. Concreto. São Paulo, volume 44. p. 15 - 20, revista trimestral,

outubro 2007.

KIHARA, Yushiro; CENTURIONE, Sérgio. CONCRETO: Ensino, pesquisas e Realizações.

São Paulo: IBRACON, 2005, volume 1.

MEHTA, Povindar Kumar; MONTEIRO Paulo José Melaragno. CONCRETO: estrutura,

propriedades e materiais. São Paulo: PINI, 1994.

NEVILLE, Adam Matthew. Propriedades do Concreto. 2ª edição, São Paulo: PINI, 1997.

ANDRADE, CARMEN

Manual para diagnóstico de obras deterioradas por corrosão de

armaduras. Carmona, Antônio e Helene, Paulo R.L. São Paulo: Editora Pini , 1992. 104P.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: projeto de estruturas

de concreto: procedimento. Rio de Janeiro, 2003. 170 p.

35

BAUER L.A.F. Materiais de construção, Rio de Janeiro: Ed. LTC, 1994, 5º edição v.2

CALISTER,W.D.,JR Ciência e engenharia de materiais: Uma introdução. Rio de Janeiro:

Editora LTC , 2002.

CASCUDO, OSWALDO.

O controle da corrosão de armaduras em concreto – inspeção e

técnicas eletroquímicas. Goiânia, GO: Editora UFG, 1997.

237p.

CASCUDO, OSWALDO.

Inspeção e Diagnóstico de estrutura de concreto com problemas

de corrosão de armadura, Concreto: Ensino, Pesquisa e Realizações,

IBRACON, Cap. 35, p.1071 – 1108, V. 2, ed. Geraldo C. Isaia, São Paulo. 2005

CASCUDO, O. e HELENE, P.R.L.

Resistência à corrosão no concreto dos tipos de

armaduras brasileiras para concreto armado. Boletim Técnico da Escola Politécnica da

USP, Departamento de Engenharia de Construção Civil, São Paulo, 2001.

FIGUEIREDO,

ENIO

PAZINI

Efeitos

da

carbonatação

e

de

cloretos

no

concreto,

Concreto: Ensino, Pesquisa e Realizações, IBRACON, Cap. 27, p.829 – 855, V. 2, ed.

Geraldo C. Isaia, São Paulo. 2005

FORTES, LYTTELTON REBELO.

Corrosão na armadura do concreto armado e sua

avaliação pela técnica do potencial de eletrodo, dissertação de mestrado UFCE. Fortaleza,

1995. 228p.

GENTIL, VICENTE Corrosão. 4ed. Rio de janeiro: Editora LTC, 2003. 341p.

HELENE, PAULO R.L.

Corrosão em armaduras para concreto armado.

São Paulo:

Editora Pini – Instituto de pesquisas Tecnológicas IPT, 1986. 47p.

NEVILLE, ADAN M. Propriedades do concreto . 2º ed. São Paulo: Editora Pini, 1997.

SILVA, PAULO FERNANDO A

Durabilidade das estruturas de concreto aparente em

atmosfera urbana. 1º ed. São Paulo: Editora Pini – Serrana, 1995 152p.

36

ANEXO

As imagens a seguir apresentadas foram feitas em uma obra localizada na cidade de

Blumenau, SC.

feitas em uma obra localizada na cidade de Blumenau, SC. Figura 5 – Remoção do substrato

Figura 5 – Remoção do substrato envolta da peça estrutural à ser recuperada.

37

37 Figura 6 – Estrutura totalmente exposta e limpa. Figura 7 – Vigas baldrames em contato

Figura 6 – Estrutura totalmente exposta e limpa.

37 Figura 6 – Estrutura totalmente exposta e limpa. Figura 7 – Vigas baldrames em contato

Figura 7 – Vigas baldrames em contato direto com umidade e com baixo cobrimento de concreto.

38

38 Figura 8 – Operário removendo o concreto de cobrimento para recuperação da armadura. Figura 9

Figura 8 – Operário removendo o concreto de cobrimento para recuperação da armadura.

o concreto de cobrimento para recuperação da armadura. Figura 9 - Operário removendo o concreto entre

Figura 9 - Operário removendo o concreto entre as armaduras, com utilização de um equipamento

mais delicado.

39

39 Figura 10 – Armadura praticamente exposta. Figura 11 – Corrosão em estágio avançado.

Figura 10 – Armadura praticamente exposta.

39 Figura 10 – Armadura praticamente exposta. Figura 11 – Corrosão em estágio avançado.

Figura 11 – Corrosão em estágio avançado.

40

40 Figura 12 - Armadura exposta pronta para inicio da recuperação. Figura 13 – Armadura sem

Figura 12 - Armadura exposta pronta para inicio da recuperação.

40 Figura 12 - Armadura exposta pronta para inicio da recuperação. Figura 13 – Armadura sem

Figura 13 – Armadura sem contato com o concreto.

41

41 Figura 14 – Pilar em estado crítico, devido à corrosão das armaduras. Figura 15 -

Figura 14 – Pilar em estado crítico, devido à corrosão das armaduras.

14 – Pilar em estado crítico, devido à corrosão das armaduras. Figura 15 - Estado da

Figura 15 - Estado da armadura antes da restauração.

42

42 Figura 16 – Armadura sendo escarificada com aparelho pneumático. Figura 17 - Limpeza da armadura.

Figura 16 – Armadura sendo escarificada com aparelho pneumático.

42 Figura 16 – Armadura sendo escarificada com aparelho pneumático. Figura 17 - Limpeza da armadura.

Figura 17 - Limpeza da armadura.

43

43 Figura 18 – Armadura escarificada. Figura 19 - Polimento da armadura com escova de aço.

Figura 18 – Armadura escarificada.

43 Figura 18 – Armadura escarificada. Figura 19 - Polimento da armadura com escova de aço.

Figura 19 - Polimento da armadura com escova de aço.

44

44 Figura 20 - Armadura após a sua restauração. Figura 21 - Aplicação do vapor na

Figura 20 - Armadura após a sua restauração.

44 Figura 20 - Armadura após a sua restauração. Figura 21 - Aplicação do vapor na

Figura 21 - Aplicação do vapor na nas armaduras desinfetar agentes causadores da corrosão,

como cloretos.

45

45 Figura 22 - Aplicação do vapor com o equipamento chamado Vaporetto. Figura 23 – Pintura

Figura 22 - Aplicação do vapor com o equipamento chamado Vaporetto.

- Aplicação do vapor com o equipamento chamado Vaporetto. Figura 23 – Pintura da armadura com

Figura 23 – Pintura da armadura com Argafer 2k, para isolamento e proteção.

46

46 Figura 24 - Aditivos utilizados para obter mais aderência entre amadura e concreto. Figura 25

Figura 24 - Aditivos utilizados para obter mais aderência entre amadura e concreto.

para obter mais aderência entre amadura e concreto. Figura 25 – Aplicação do aditivo para aderência

Figura 25 – Aplicação do aditivo para aderência Adifix Super.

47

47 Figura 26 – Concretagem parcial do pilar com graute. Figura 27 – Pilar concretado com

Figura 26 – Concretagem parcial do pilar com graute.

47 Figura 26 – Concretagem parcial do pilar com graute. Figura 27 – Pilar concretado com

Figura 27 – Pilar concretado com cobrimento de 2,5cm.

48

48 Figura 28 – Após a concretagem total, é feito reboco comum.

Figura 28 – Após a concretagem total, é feito reboco comum.