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PME 5217 Instrumentação em

Sistemas Termolfuidos
Introdução
Jurandir Itizo Yanagihara

Experimentação

Existem basicamente dois propósitos distintos para


experimentação:
– experimentos para testar um sistema;
– experimentos de natureza exploratória.
Geralmente, um experimento para testar materiais,
protótipos, ou item de produção é planejado em detalhes e
os equipamentos necessários são projetados e construídos
sob especificações precisas. Para experimentos
exploratórios o projeto é normalmente mais simples, de tal
forma que o equipamento possa ser construído a baixo
custo e ser modificado facilmente se necessário.

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Experimentação

O sucesso dos dois tipos de experimento depende


diretamente do planejamento feito antes de qualquer
medição. O procedimento recomendado inclui listar
objetivos e questões cruciais que devem ser respondidas
nos vários estágios do experimento. O tempo gasto
fazendo-se medições num projeto representa apenas uma
pequena fração do tempo total despendido, e este pode ser
reduzido através de planejamento. É possível planejar
experimentos para obter-se informações desejadas através
de um número mínimo de operações.

Exemplo de Comparação de Resultados

3.5

Measured by the system


3
Photographic

2.5
hf (mm)

1.5

1
1.5 2 2.5 3 3.5
Steady thickness (mm)

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Qualidade dos Resultados

Deve estar claro que, uma vez que o grau de exatidão dos
dados é levado em consideração, é pouco significativo
discutir sobre a validade de um modelo sobre outro
baseando-se somente em quanto os resultados aproximam
bem os dados. Assim, pode-se concluir que mesmo sem se
ter a ambição de se tornar experimentalistas, é necessária
uma apreciação do processo experimental e de fatores que
influenciam o grau de exatidão dos dados experimentais

Qualidade dos Resultados

Quando a abordagem experimental é utilizada para


responder uma questão ou descobrir a solução para um
problema, a questão de "quão bons" os resultados serão
deve ser considerada muito antes da construção do
aparato experimental, e conseqüentemente da tomada de
dados. Se a resposta ou solução deve ser conhecida com
no máximo 5% de erro para que seja útil, não faria sentido
gastar tempo e dinheiro realizando um experimento
somente para descobrir que o erro associado aos
resultados foi consideravelmente maior que 5%.

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Experimentação - Perguntas

Qual questão estamos tentando responder? (Qual o


problema?)
Quão exata dever ser a reposta? (Como é a resposta a ser
usada?)
Quais princípios físicos estão envolvidos?
Qual experimento ou conjunto de experimentos poderia dar
a resposta?
Quais variáveis devem ser controladas?
Quais quantidades devem ser medidas? Com que
exatidão?
Qual instrumentação será usada?
Como são os dados a serem coletados, condicionados e
armazenados?

Experimentação - Perguntas

Quantos pontos de dados devem ser coletados? Em que


ordem?
Os requisitos podem ser satisfeitos dentro do orçamento e do
cronograma?
Quais técnicas de análise de dados poderiam ser usadas?
Qual é a maneira mais efetiva e clara de apresentar os
resultados?

Esta lista não é completa, mas indica os fatores que devem ser considerados
pelo experimentalista. Com a ajuda da análise de incerteza e uma abordagem
lógica em cada fase de um programa experimental, as aparentes
complexidades freqüentemente podem ser reduzidas e as chances de alcançar
uma conclusão com sucesso aumentadas.

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Experimentação

Um ponto chave é evitar ficar tão imerso nos muitos


detalhes que devem ser considerados e acabar
esquecendo o objetivo geral do experimento. Executa-se
um experimento para achar a resposta de uma questão.
Precisa-se saber a resposta dentro de certa incerteza, a
magnitude que é geralmente determinada pelo uso
pretendido da resposta. Análise de incerteza é uma
ferramenta que se usa nas tomadas de decisões em cada
fase do experimento, sempre mantendo em mente o
resultado e a incerteza desejados. Aplicado
adequadamente, esta abordagem o ajudará a não cair nas
armadilhas que geralmente não são tão óbvias e o tornará
capaz de obter uma resposta com uma incerteza aceitável.

Grandeza e Unidade

Grandeza - Atributo de um fenômeno, corpo ou substância que pode


ser qualitativamente distinguido e quantitativamente medido, podendo-
se referir a uma grandeza no sentido geral (massa, pressão,
temperatura, etc...) ou uma grandeza específica (comprimento de uma
barra, resistência elétrica de um fio, etc...). Define-se um sistema de
grandezas quando as grandezas formam um conjunto de grandezas
entre as quais há uma relação definida.
Unidade - grandeza específica, definida e adotada por convenção, com
a qual outras grandezas de mesma natureza são comparadas para
expressar suas magnitudes em relação àquela grandeza. Cada
unidade tem um símbolo, que é um sinal convencional que o designa.
O S.I. (Sistema Internacional de Unidades) é um sistema coerente de
unidades adotado e recomendado pela Conferência Geral de Pesos e
Medidas (CGPM).

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Sistema Internacional de Unidades (SI)

Valor de uma Grandeza

Valor de uma Grandeza - Expressão quantitativa de uma grandeza


específica, geralmente sob a forma de uma unidade de medida
multiplicada por um número (exemplo: comprimento de uma barra: 5,34
m ou 534 cm).
Valor Verdadeiro de uma Grandeza - Valor consistente com a definição
de uma dada grandeza específica. É um valor que seria obtido por uma
medição perfeita. Valores verdadeiros são, por natureza,
indeterminados.
Valor Verdadeiro Convencional - Valor atribuído a uma grandeza
específica e aceito, às vezes por convenção, como tendo uma
incerteza apropriada para uma dada finalidade (exemplo: em um
determinado local, o valor atribuído a uma grandeza, por meio de um
padrão de referência, pode ser tomado como um valor verdadeiro
convencional).

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Medição

Medição - Conjunto de operações que tem por objetivo determinar um


valor de uma grandeza.
Princípio de Medição - Base científica de uma medição (exemplo: o
efeito termoelétrico utilizado para a medição da temperatura).
Método de Medição - Seqüência lógica de operações, descritas
genericamente, usadas na execução das medições. Os métodos de
medição podem ser qualificados de várias maneiras; entre as quais:
– método por substituição;
– método diferencial;
– método “de zero”.
Procedimento de Medição - Conjunto de operações, descritas
especificamente, usadas na execução de medições particulares, de
acordo com um dado método.

Mensurando

Mensurando - Objeto da medição. Grandeza específica


submetida à medição (exemplo: pressão de vapor de uma
dada amostra de água a 20 oC). A especificação de um
mensurando pode requerer informações de outras
grandezas como tempo, temperatura ou pressão.
Grandeza de Influência - Grandeza que não é o
mensurando, mas que afeta o resultado da medição deste
(exemplo: a temperatura de um micrômetro usado na
medição de um comprimento).
Sinal de Medição - Grandeza que representa o
mensurando ao qual está funcionalmente relacionada
(exemplos: sinal de saída elétrico de um transdutor de
pressão).

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Resultado de uma Medição

Resultado de uma Medição - Valor atribuído a um


mensurando obtido por medição. Quando um resultado é
dado, deve-se indicar, claramente, se ele se refere:
– à indicação;
– ao resultado não corrigido;
– ao resultado corrigido;
e se corresponde ao valor médio de várias medições. Uma
expressão completa do resultado de uma medição inclui
informações sobre a incerteza de medição.
Indicação (de um Instrumento) - Valor de uma grandeza
fornecido por um instrumento de medição. O valor lido no
dispositivo mostrador pode ser denominado de indicação
direta. Ele é multiplicado pela constante do instrumento
para fornecer a indicação.

Exatidão e Repetitividade

Exatidão - Grau de concordância entre o resultado de uma


medição e um valor verdadeiro do mensurando. A exatidão
é um conceito qualitativo. O termo precisão não deve ser
utilizado como exatidão.
Repetitividade - Grau de concordância entre os resultados
de medições sucessivas de um mesmo mensurando
efetuadas sob as mesmas condições de medição
(condições de repetitividade):
– mesmo procedimento de medição;
– mesmo observador;
– mesmo instrumento de medição, utilizado nas
– mesmas condições;
– mesmo local;
– repetição em curto período de tempo.

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Erro

Erro – Diferença entre o resultado de uma medição e o valor verdadeiro


convencional do mensurando.
Erro Sistemático - Média que resultaria de um infinito número de
medições do mesmo mensurando, efetuadas sob condições de
repetitividade, menos o valor verdadeiro do mensurando. É o
componente do erro total da medição que se mantém constante ou
varia de uma forma previsível, quando se efetua várias medições da
mesma grandeza. Este erro pode ser corrigido através de um ajuste do
instrumento ou através de uma correção, adicionando algebricamente
um determinado valor ao resultado da medição.
Erro Aleatório - Resultado de uma medição menos a média que
resultaria de um infinito número de medições do mesmo mensurando
efetuadas sob condições de repetitividade. É o componente do erro de
medição que varia de uma forma imprevisível, quando se efetuam
várias medições da mesma grandeza.

Erro - Sistemático e Aleatório

Erro Sistemático Sem Erro Erro Aleatório

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Erro - Sistemático e Aleatório

Incerteza de Medição

Incerteza - Parâmetro, associado ao resultado de uma medição, que


caracteriza a dispersão dos valores que podem ser
fundamentadamente atribuídos a um mensurando. Em outras palavras,
indica uma faixa de valores onde se espera encontrar o valor
verdadeiro convencional daquela grandeza. Este parâmetro caracteriza
a dispersão dos valores devidos aos erros experimentais, tanto
aleatórios quanto sistemáticos. O parâmetro pode ser, por exemplo, um
desvio padrão (ou um múltiplo dele), ou a metade de um intervalo
correspondente a um nível de confiança estabelecido. A incerteza de
medição compreende, em geral, muitos componentes. Alguns destes
componentes podem ser estimados com base na distribuição
estatística dos resultados das séries de medições e podem ser
caracterizados por desvios padrão experimentais. Os outros
componentes, que também podem ser caracterizados por desvios
padrão, são avaliados por meio de distribuição de probabilidades
assumidas, baseadas na experiência ou em outras informações.

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Fontes de Incerteza de Medição

Na prática, existem muitas fontes possíveis de incerteza


em uma medição, incluindo:
– Definição incompleta do mensurando;
– Realização imperfeita da definição do mensurando;
– Amostragem não representativa do mensurando;
– Conhecimento inadequado dos efeitos das condições ambientais ou
medição imperfeita destas;
– Erro de tendência pessoal na leitura de instrumetnos analógicos;
– Resolução finita do instrumento;
– Valores inexatos dos padrões de medição;
– Valores inexatos de constantes empíricas;
– Aproximações e suposições incorpporados aos procedimentos de
medição;
– Variações nas observações repedidas do mensurando para
condições aparentemente idênticas.

Incerteza – Intervalo de Confiança

A idéia de intervalo (ou grau) de confiança em uma


especificação de incerteza é ilustrada brilhantemente e
com humor em uma anedota relatada por Abernethy et al.:
“Na década de 1930, P. H. Myers da NBS e seus colegas
estavam estudando o calor específico da amônia. Depois
de vários anos de trabalho duro, eles finalmente chegaram
a um valor e publicaram o resultado em um paper. Quase
no final do paper, Myers declarou: "Achamos que o nosso
valor relatado é bom para uma parte em 10.000; estamos
querendo apostar nosso próprio dinheiro que é correto para
duas partes em 10.000; além disso, se por qualquer motivo
o nosso valor se mostrar errado para mais que uma parte
em 1000, estamos preparados para comer nosso aparato e
beber a amônia!"

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Padrão

Para que resultados experimentais de diversas partes do Brasil e do


mundo sejam comparáveis, é necessário o estabelecimento de
padrões. O padrão é uma medida materializada, instrumento de
medição, material de referência ou sistema de medição destinado a
definir, realizar, conservar ou reproduzir uma unidade ou um ou mais
valores de uma grandeza para servir como referência. O padrão
primário é aquele designado ou amplamente reconhecido como tendo
as mais altas qualidades metrológicas e cujo valor é aceito sem
referência a outros padrões de mesma grandeza. Este conceito é
igualmente válido para grandezas de base e grandezas derivadas. O
padrão secundário tem seu valor estabelecido por comparação a um
padrão primário da mesma grandeza. Existem ainda o padrão de
referência, que é utilizado como padrão em um dado local ou
organização e serve como padrão de trabalho, e o padrão de
transferência, que é utilizado como intermediário para comparar
padrões.

Rastreabilidade

Para que esses padrões sejam comparáveis entre si, existe o que é
denominada rastreabilidade que indica o fato do resultado de uma
medição ou do valor de um padrão estar relacionado a referências
estabelecidas (padrões primários ou secundários), através de uma
cadeira contínua de comparações, denominada cadeia de
rastreabilidade. Uma característica importante da cadeia da
rastreabilidade é que as incertezas presentes em toda a cadeia são
conhecidas. No Brasil, o órgão responsável por manter os padrões
nacionais é o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia). O
INMETRO coordena a Rede Brasileira de Calibração, que cuida da
rastreabilidade dos padrões das diversas grandezas a nível nacional.
Estas comparações são efetivadas através dos processos de
calibração que são conjuntos de operações que estabelecem, sob
condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um
instrumento de medição ou valores representados por uma medida
materializada, e os valores correspondentes das grandezas
estabelecidas por padrões. O resultado da uma calibração pode ser
registrado em um documento denominado certificado ou relatório de
calibração.

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