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Publicação Movimento
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SSSSSSSSSOOOOOOUUUUUU SSSSSSSSSULULULUUULLLLLL DDDDDDDDDOOOOOO Publicação Movimento Tradicionalista Gaúcho
Tradicionalista Gaúcho
Tradicionalista Gaúcho
TTTTTextosextosextoseeeeeeeexxxxtosxtosxtosxtosxtosttt ssssss Organizadora do Livro Odila Paese Savaris Textos de:
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Organizadora do Livro
Odila Paese Savaris
Textos de:
Alessandra Carvalho da Motta, Renata de Cássia Pletz, Maria Verônica da Costa
Oliveira, Tanise Leal de Mello, Alicia Costa de Oliveira, Gilda Guterres, Flávio A. Canto
Wunderlich, Elaine Fossa de Barcelos, Ana Gisele Silveira, Ariele Cristine Hannecker,
Alexandre da Rosa Vieira, Tiarajú Lopes, Júlia Lara, Júlia Rigo, Angela Zanin, Marina
Giollo, Leonel Castellani, Vanderleia Belegante Nervo, Isadora Focher, Alessandra Hoppen,
Paloma Drum Schacht, Anarlique Izaura Vieira Schneider, Marília Dornelles, Irís Kaiser
Paulves, Ana Lúcia Freitas da Rosa Silva, Valdevi de Lima Maciel, Douglas Uilliam de
Quadros da Silva, Liane Luisa dos Santos Peixoto, Aline Zuse, Ana Paula Pinheiro, Oscar
Bessi Filho, Mirelle Gonçalves de F. Hugo, Henrique Pereira Lima, Paula Oliva Bundt, Aline
Durli, Bernardete Lorenset Padoin, Antônio Ferrari, Verônica Lorenset Padoin, Luciana Rolim,
Guilherme Heck, Odilon de Oliveira, Zico Fojit Ribeiro, Geisa Portelinha Coelho, José Roberto
Fischborn, Simone Adriana Grings dos Santos, João Carlos Silva da Luz, Luis Soledade
da Silva, Terezinha da Silva Nunes, Ana Paula Vieira Labres, Claudia Camilo, Vanuza
Rempel Bussmann, Jorge Moreira, Juarez Nunes, Luiz Antônio Machado Junior, Vera
Lúcia Machado, Ueslei Goulart, Fábio Rodrigo Guaragni, Enio Silveira, Carlos Fernando
Schwantes Kich, Daiane Tomazi, João Luiz Favari, Kátia Walkíria Lemos, Caroline Borges
de Lemos, Suely Elisabeth Assmann Benkenstein e Haidé Ida Blos.

Expedição:

Realização: FUNDAÇÃO CULTURAL GAÚCHA - MTG Coordenação Editorial: ODILA PAESE SAVARIS Edição Geral: ROGÉRIO BASTOS Projeto Gráfico: BASTOS PRODUÇÕES LTDA Diagramação e Tratamento de Imagens: LILIANE PAPPEN Revisão: Sob responsabilidade das regiões tradicionalistas Ano da Publicação: 2014 Impressão e Acabamento: Gráfica Odisséia Informações: FUNDAÇÃO CULTURAL GAÚCHA Fone: 51-3223-5194 lojafcg@mtg.org.br

Ficha Catalográfica:

Rio Grande do Sul. Fundação Cultural Gaúcha. Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Eu sou do Sul. Organizado por Odila Paese Savaris. Edição geral de Rogério Bastos. Porto Alegre, 2014.

208 p.: Il.

1. Tradição – Rio Grande do Sul. 2. Regionalismo – Rio Grande do Sul. 3. História –

Rio Grande do Sul. 4. Geografia – Rio Grande do Sul. 5. Movimento Tradicionalista Gaúcho. I. Savaris, Odila Paese (Org.). II. Bastos, Rogério (Ed.). III. Título.

CDU 39. (816.5)

981.65

918.65

Catalogação na fonte - Bibliotecária Maria Sílvia Robaina de Sousa Lessa CRB-10/665

SumárioSumárioSumárioSSSSSSSumárioSumárioSumárioSumárioSumáriorrriii Apresentação 1ª Região Tradicionalista
SumárioSumárioSumárioSSSSSSSumárioSumárioSumárioSumárioSumáriorrriii
Apresentação
1ª Região Tradicionalista
2ª Região Tradicionalista
3ª Região Tradicionalista
4ª Região Tradicionalista
5ª Região Tradicionalista
6ª Região Tradicionalista
7ª Região Tradicionalista
8ª Região Tradicionalista
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18ª Região Tradicionalista
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21ª Região Tradicionalista
22ª Região Tradicionalista
23ª Região Tradicionalista
24ª Região Tradicionalista
25ª Região Tradicionalista
26ª Região Tradicionalista
27ª Região Tradicionalista
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29ª Região Tradicionalista
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Eu sou do Sul

O tema escolhido para os festejos farroupilhas de 2014, pelo Congresso Tradicionalista Gaúcho do

MTG, realizado no mês de janeiro na cidade de Porto Alegre tem o objetivo de oportunizar a que cada entidade, cada localidade ou mesmo cada cidadão possa expressar ou mostrar porque tem orgulho de ser (pertencer) ao SUL.

O desenvolvimento do tema permite destacar e valorizar os diferentes aspectos da formação da

sociedade gaúcha e o legado cultural de cada uma das etnias formadoras: do índio autóctone, do ibé- rico europeu, do africano, do mameluco brasileiro, do imigrante açoriano, polonês, alemão, italiano etc.

Nas escolas, os professores terão a oportunidade de destacar e fortalecer aspectos típicos locais

ou regionais que se referiram aos hábitos e costumes da comunidade da qual são oriundos os alunos, tais como: a indumentária, a culinária, as crenças, a música, a dança, etc. Isso contribuirá para o forta- lecimento do espírito de pertencimento necessário para a autoestima dos discentes.

É evidente que um temário amplo como este necessita ser trabalhado no conceito da interdiscipli-

naridade e da transversalidade do ensino. Há necessidade de que toda a escola se envolva com o temá- rio favorecendo o engajamento dos alunos. De forma prática, os alunos devem ser conduzidos para a realização de pesquisas e busca de

informações fora da sala de aula, descobrindo e valorizando locais típicos da região, sítios históricos, as belezas naturais, além de perceber o entorno formado pela fisionomia geográfica, pelo clima, pela arquitetura urbana, etc. De grande valor é a posição do Professor como orientador para despertar o interesse dos alunos na exploração e na busca da informação e na construção do conhecimento. Há de ter ficado para trás o tempo em que o professor entrava em sala de aula com o conteúdo pronto e ditava para seus alunos, na maioria das vezes desconhecendo a capacidade de conhecimento e a bagagem cultural que as crianças traziam consigo, fruto das vivências e experiências adquiridas com outras pessoas no convívio familiar. Na função desempenhada pelo professor é fundamental a sua sensibilidade e capacidade de per- cepção para auxiliar o aluno a perceber, entender, se apropriar e se orgulhar da sua origem e do seu lugar, mesmo que haja dificuldades e problemas no espaço em que vivem. Só com orgulho de si é que será possível melhorar o ambiente e construir alternativas mais adequadas para a vida em sociedade. Se houver negação ou vergonha do que se é e de onde se vem, será impossível alterar o que está incor- reto e manter o que está certo.

A partir da identificação de realidade, o professor deve assumir a responsabilidade de reconheci-

mento e engrandecimento no processo ensino aprendizagem.

Permitir a participação da criança e dos pais nesta construção, é um somatório positivo e certa-

mente as metas e objetivos da aprendizagem serão alcançados tanto pelo professor como pelas crianças.

A identidade cultural do povo gaúcho resulta da mescla das etnias formadoras. A compreensão

de que brancos, negros e amarelos tem igual contribuição na formação da identidade de quem é do

SUL, contribuirá para a eliminação ou minimização de preconceitos e discriminações que grassam no meio social.

O gaúcho se expressa de formas e maneiras típicas e isso identifica a sua origem. No entanto, cada

região do estado apresenta aspectos que lhe dão um colorido próprio: a campanha, as fronteiras sul e oeste, o litoral, as missões, a serra, a região colonial. Cada uma dessas regiões e mesmo cada município terá oportunidade de mostrar tudo aquilo que faz com que tenha orgulho de dizer: EU SOU DO SUL! As características nativas, a natureza, os locais históricos, o clima frio, o vento minuano, o céu azul, a abundância de rios, as lagoas, a e Revolução Farroupilha, a saga dos imigrantes, a pujança agrí- cola e pecuária, o amor pela liberdade, o sotaque sulino, tudo isso, e muito mais, será motivo para de- senvolver uma infinidade de iniciativas nas escolas, nos CTGs, nos desfiles temáticos, de modo a que seja mostrado tudo aquilo que contribui para o nosso orgulho de ser do SUL. Teremos, desta forma, a oportunidade de reconhecer as mais variadas manifestações e as diferen- tes formas de expressar o orgulho de dizer: EU SOU DO SUL!

manifestações e as diferen- tes formas de expressar o orgulho de dizer: EU SOU DO SUL!
Odila Paese Savaris Pedagoga
Odila Paese Savaris
Pedagoga
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Texto e organização do capítulo : Alessandra Carvalho da Motta - diretora cultural da 1ª

Texto e organização do capítulo: Alessandra Carvalho da Motta - diretora cultural da 1ª RT.

comércio. Possuí 17 armazéns, que são usados para eventos culturais, como durante alguns anos abrigou a Feira do Livro e a Bienal. O Cais Mauá é uma seção do porto fluvial de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, cujas carac- terísticas especiais o fizeram ser protegido pelos Patrimônios Históricos Nacional e Municipal. Orgulho dos gaúchos com destaque especial,

A 1ª RT é composta pelos municípios de Alvorada, Barra do Ribeiro, Cachoeiri- nha, Eldorado do Sul, Gravataí, Guaíba, Glorinha, Mariana Pimentel, Porto Ale- gre, Viamão e Sertão Santana. Porto Alegre, capital dos gaúchos possui lo-

calização privilegiada, ponto estratégico dentro do MERCOSUL, é centro geográfico das princi- pais rotas do Cone sul, equidistante tanto de Bue- nos Aires e de Montevidéu, quanto de São Paulo

e do Rio de Janeiro. Para quem chega em terras

gaúchas, Porto Alegre é a porta de entrada para

os principais atrativos turísticos da região. Fundada em 1772 por casais portugueses

açorianos. Ao longo dos anos acolheu imigrantes

de todo o mundo, as etnias mais expressivas, são

alemães, italianos, espanhóis, africanos, poloneses

e libaneses. Na capital convivem em harmonia os mais

diversos credos e religiões como, católicos, ju- deus, muçulmanos e protestantes.

O conjunto de tudo isso faz da nossa capital,

um raro espaço onde contrastes e diferenças são respeitadas e até apreciadas.

A mais forte expressão geográfica de Porto

Alegre é o Lago Guaíba. Dele podemos ter a me-

lhor visão das cidades e das ilhas do Delta do Ja- cuí, navegando por suas águas a bordo dos bar- cos que fazem passeios a partir do Cais, da Usina

do

Gasômetro, do Cais Mauá e praia de Ipanema.

O

lago forma 72 quilômetros de orla fluvial, em

boa parte urbanizada e aproveitada para ativida- des de lazer e recreação por uma população que valoriza a vida ao ar livre. As cores do pôr do sol nas águas do Guaíba são um espetáculo imper- dível e o melhor cartão-postal da cidade. O também chamado de Cais do Porto foi

Porta de entrada para viajantes na cidade. Foi também o grande responsável pelo desenvolvi- mento que resultou na transformação da vila em capital, devido ao seu uso para

a

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

dando boas vindas aos visitantes que chegam a Capital, está a Estátua do Laçador, ou Monumento do Laçador, que representa o gaúcho tradicional- mente pilchado (em trajes típicos), que teve como modelo o tradicionalista Paixão Cortes, tombada como patrimônio histórico em 2001. São Inúmeros os atrativos da Capital, dentre os tantos, a Catedral Metropolitana de Porto Ale- gre, considerada cartão-postal da capital gaúcha, mais conhecida como Igreja Matriz, foi construí- da entre 1921 e 1986. Em Porto Alegre destacamos a histórica Ponte da Azenha, localizada na Avenida Ipiranga sobre o Arroio Dilúvio. Ali se travou a primeira batalha da Revolução Farroupilha, que, mais tarde, após a declaração da independência da Repúbli-

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ca Rio-Grandense, passaria a se chamar “Guerra dos Farrapos”. Nossa região é privilegiada pela natureza.

ca Rio-Grandense, passaria a se chamar “Guerra dos Farrapos”. Nossa região é privilegiada pela natureza. Em 1975, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre criou a Reserva Biológica do Lami. Nela encontra- mos mata virgem e espécies cultivadas pela mão do homem. O bairro do Lami constitui-se em uma das poucas praias de águas fluviais (atual- mente limpas) do Guaíba, tornando-se uma op- ção de lazer para a população durante o verão. No local está a reserva Biológica José Lutzemberger, onde animais em risco de extinção podem ser encontrados, dentre eles o tuco-tuco e o bugio. O Lami também é considerado um dos cenários do turismo rural no município, devido à presença de inúmeras pequenas propriedades agrícolas. A fonte de subsistência dos Guaranis e Kain-

gangs é o artesanato (cestarias confeccionadas a partir do cipó e da taquara) e o cultivo de peque- nas roças (coleta de ervas e alimentos nos campos

e matas da região). Há particularidades, sendo que

os primeiros fazem esculturas em madeira e culti-

vam espécies alimentícias, tais como batata, feijão, milho, amendoim, cana de açúcar, abóbora e, ain- da, o fumo. As tribos Charruas, além do artesanato

e cultivo de espécies alimentícias, desenvolvem a criação de pequenos animais. Na cidade de Porto Alegre e nos municípios

de Viamão e Capivari estão ocupadas as terras de Lomba do Pinheiro (Anhetengua) - onde vivem 15 famílias, ainda não regularizada e com menos de 10 hectares ; Lami (Pindó Poty) - acampamento onde vivem 08 famílias em menos de dois hectares; Canta Galo (jataity) - homologada com 286 hecta- res e onde vivem mais de 30 famílias; Itapuã (Pindo Mirim) - não demarcada, mas que foi constituído GT pela Funai para proceder sua identificação, en- globando nesta demarcação as áreas da Ponta da Formiga e Morro do Coco, cerca de 15 famílias vi- vem nas proximidades da terra tradicional em um assentamento de 24 hectares feito pelo Estado do Rio Grande do Sul; área da Estiva (Nhundy) - loca- lizada nas margens da RS-040 em Águas Claras, município de Viamão, área de 7 hectares cedida pelo município e onde vivem mais de 20 famílias; Capivari (Porãi) - acampamento situado no municí- pio de mesmo nome onde vivem mais de 12 famí- lias; Granja Vargas (Yryapu), área adquirida pelo Estado do Rio Grande do Sul de 43 hectares e onde vivem 10 famílias. Também encontramos no município de Por- to Alegre, várias comunidades quilombolas. O Quilombo Família Silva, no Bairro Três Figueiras, o Quilombo do Areal, comunidade que se reconhece como legatária do Areal da Baro- nesa, antigo território negro de Porto Alegre, fa- moso por ser isolado, pelas casas de religião, pelo carnaval de rua e por seus músicos populares. O Quilombo dos Alpes, formado por cerca de 70 fa- mílias que vivem nos altos do Morro dos Alpes, no bairro Cascata, região da Vitória e o Quilombo Família Fideliz, como se denomina a comunidade localizada na região do bairro Cidade Baixa. Na região do DELTA DO JACUÍ SUL, des- taca-se o município de Guaíba, região da antiga Sesmaria de Antônio Ferreira Leitão, por heran- ça passou para sua filha Dona Isabel Leonor, que posterior tornar-se-ia esposa de José Gomes de Vasconcelos Jardim. Conhecida pelo título “Guaí- ba Berço da Revolução Farroupilha”, que surgiu da década de 1960, tornando-se oficial no ano de 2011. Nesta região, o município de Bar- ra do Ribeiro que faz parte da bacia

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Foto: Divulgação hidrográfica do rio Camaquã e que é banhado pelas águas do lago Guaíba, possui

hidrográfica do rio Camaquã e que é banhado

pelas águas do lago Guaíba, possui importantes pontos turísticos, a Praia Canto das Mulatas, bal- neário ao Sul da sede do município, com areias finas e limpas, numa extensão de cerca de 1 Km

de

comprimento por 80 metros de largura. Barra

do

Ribeiro fazia parte do município de Porto Ale-

DA UFRCS FIGUEIRA CENTENÁRIA - ASSEN- TAMENTO PADRE JOSIMO. Entre as belas pai- sagens de Eldorado do Sul se destaca a Figueira Centenária, situada no Assentamento Padre Josi- mo que chama a atenção por sua exuberância e imponência.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

gre, surgiu em 1959. O povoamento iniciou-se 1800.

O município tem esse nome devido ao encontro

do Arroio Ribeiro com o Rio Guaíba, é conside- rado uma ilha e não península por ser cercado

de água por todos os lagos. Teve origem na char-

queada de António Alves Guimarães. O município de Eldorado do Sul em sua ori- gem já servia de balneário turístico à população de Porto Alegre e de porto para os barcos que iam para a Capital, como meio de transporte. Sua ocupação iniciou por estancieiros açorianos pertencentes ao grupo pioneiro de Jerônimo de Ornellas, na metade do Século, integra a área de preservação ambiental do Delta do Jacuí e é pri- vilegiado com a paisagem exuberante das mar- gens do Rio Jacuí e Lago Guaíba, apresentando uma vocação natural para o turismo. A área é integrada por diversas fazendas, pousadas, sítios e parques voltados para o turismo rural. Alguns recantos de Eldorado do Sul: PRAIA SANSSOUCI, TÚNEL VERDE DO BOM RETIRO, CAPELA SÃO PEDRO, FABRICA DE PAPEL PEDRAS BRANCAS, ESTAÇÃO AGRONÔMICA

Em Cachoeirinha o Horto Municipal é um orgulho para a Região. Grande berçário de es- pécimes vegetais, fundado em 1989, abriga mais de 50 mil mudas de 480 espécies diferentes de

plantas nativas, frutíferas, exóticas, medicinais e ornamentais, sendo algumas já raras na natureza. Além do berçário de plantas, o Horto promove ati- vidades de educação ambiental e conscientização ecológica, com a visita de grupos de estudantes, professores e funcionários de empresas. No mu- nicípio o Parque Doutor Tancredo Neves, é uma unidade de conservação da natureza, com área de aproximadamente 18 hectares. Merece desta- que a Casa do leite, que é um espaço museológico com funções de pesquisa, preservação, gestão e comunicação do patrimônio histórico, da memó- ria e da história de Cachoeirinha. Gravataí, fundada em 08 de Abril de 1763,

é um município integrante da Região Metropoli- tana de Porto Alegre. Até o final do Século XIX,

a grafia correta para o nome do município era

“Gravatahy” que pode ser traduzido como “Rio das Gravatas” Conta com vinte e duas praças arbori-

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zadas, muitas com espécies nativas. Porém três

afluentes (Rios Jacuí, Caí, Taquari, Gravataí e dos

delas são reconhecidas como atrativos turísticos:

Sinos), que formam a imagem de uma mão espal-

O

Parque Jayme Caetano Braum, O Parcão da 79

mada, daí surge a frase “ Vi a Mão”. Há inúmeros

e

o Parque Pampas Safári, considerado o maior

atrativos turísticos na região, especialmente o

parque da América do Sul.

Parque Estadual de Itapuã, nesse refúgio ecoló-

 

A

Igreja Matriz Nossa Senhora dos Anjos,

gico foram descobertos, em 1993, pela equipe de

é

o principal monumento histórico do município,

Sérgio Baptista da Silva, 12 sítios arqueológicos

contribui também como atrativo turístico da cida- de de Gravataí, sua construção iniciou no ano de

guaranis, além de cinco pré-históricos e um sítio misto.

1772, e traz o estilo Barroco Português proceden-

Neste município está a Igreja Matriz Nos-

te

da época em sua arquitetura. Construída nove

sa Senhora da Conceição, segunda mais antiga

anos depois da fundação da cidade, que então era

do estado, sua construção iniciou em 1767, ten-

a

conhecida “Aldeia dos Anjos”. Cidade colonizada

do sido celebrada sua primeira missa em 1770.

por Açorianos, a religiosidade tem grande valor para seus moradores. Lá está a CAERGS - Casa dos Açorianos do Rio Grande do Sul Localizada no Casarão dos Fonseca que foi tombado Peio pa-

A construção de estilo barroco assemelha-se a uma fortificação, reflexo do período de disputas na fronteira entre os territórios português e es-

trimônio Histórico de Gravataí na tarde do dia 17 de Setembro de 2005.

O município de Glorinha, antes conhecido

como, Passo Grande, Rua da Glorinha, Vila da Glo-

rinha e Nossa Senhora da Glorinha. Fundada em

04 de março de 1988. Destacam-se turisticamente

a Fazenda Fruto d’agua, o Parque Municipal de

Eventos “Lídio da Silva Peixoto” e a Igreja Nossa Senhora da Glória Mariana Pimentel está localizado na região norte da Serra do Erval. Reduto de imigrantes eu- ropeus, pois remonta uma colônia fundada pelo governo provincial para a fixação de imigrantes, para onde vieram, primeiramente, poloneses e a partir de 1874, colonos italianos e alemães, que cultivaram lavouras. Oferece belezas naturais, vá- rias trilhas aos seus visitantes e moradores, essas trilhas são as principais atrações turísticas da cidade. Alvorada nasceu como município de Via- mão, com a denominação de Passo do Feijó, em 1952. Em 17 de Setembro de 1965, a Lei Estadual n° 5026, garantiu a emancipação política de Pas- so do Feijó, que passou a chamar-se Alvorada. “A CAPITAL DA SOLIDARIEDADE”. Viamão tem várias versões sobre a origem do seu nome, a mais conhecida é a de que, a cer- ta altura do Rio Guaíba, pode-se avistar cinco

que, a cer- ta altura do Rio Guaíba, pode-se avistar cinco panhol na América do Sul.

panhol na América do Sul. Destacamos ainda a Fonte da Paciência, que tem esse nome em home- nagem a uma escrava sempre presente no local, segundo Adônis dos Santos, fora conhecida antes como “Fonte do Beco do Pinheiro. Servia ao abas- tecimento de água potável na Vila de Viamão. O registro mais antigo a respeito destas fontes, Bicas e Paciência, é o documen-

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Foto: Divulgação to da Câmera Provincial datado de 1768, que manda construir benfeitorias em ambos locais

to da Câmera Provincial datado de 1768, que manda construir benfeitorias em ambos locais com finalidades sanitárias. Neste município está o Largo das Trincheiras de Tarumã, onde ainda se encontra vestígios das trincheiras utili- zadas pelos Farrapos. Servindo de refú- gio para as tropas de Bento Gonçalves e Onofre Pires. No ano de 1935 foi implan- tado no local um monumento em home- nagem aos heróis farroupilhas. Sertão Santana já teve outras de- nominações, todas semelhantes a atual, originada da pronuncia “SanfaAna do Sertão”. Predomina nesse município a cultura do fumo, bem como o plantio de arroz.

Fotos: Divulgação

do Sertão”. Predomina nesse município a cultura do fumo, bem como o plantio de arroz. Fotos:
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Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Texto e organização do capítulo : Renata de Cássia Pletz - diretora cultural da

Texto e organização do capítulo: Renata de Cássia Pletz - diretora cultural da 2ª RT graduada em letras e literaturas de língua portuguesa; especialista em educação e contemporaneidade.

giões pela Depressão Central, o município de São

Jerônimo pertencia a Triunfo, do qual foi emanci- pado em 1861, mais recentemente dando origem aos municípios de Charqueadas, Arroio dos Ratos, Butiá, Minas do Leão e Barão do Triunfo. As Charqueadas localizadas à margem di- reita do Jacuí dão o nome ao município que ali se encontra e já chamavam a atenção de Saint’Hilaire em seus diários de viagem, da obra “Voyage à Rio Grande do Sul” quando por aqui passou excur-

sionando no século XIX : “

descendo o rio Jacuí,

cruzou diante da aldeia de Santo Amaro, da Fre- guesia Nova (Triunfo), de diversas charqueadas, da Ilha do Fanfa (medindo uma légua) e da Ilha Rasa (habitada). Após ter recebido o Taquari, o rio Jacuí tornou-se bem mais longo, talvez tão largo quanto o Loire diante de Orléans” ( in “Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo”. LESSA, Luiz Car- los Barbosa – Porto Alegre, AGE, 2000).

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A região está em grande ascensão indus- trial, porém sua economia ainda é basicamente agro pastoril. Destacam- se o cultivo de arroz, milho, fumo, uva e melancia e a criação de bovi- nos e ovinos, principalmente na região da “serra”,

Localizada às margens da con- fluência dos Rios Taquari e Jacuí, a 2ª Região Tradicionalista é composta pelos municípios de Vale Verde, General Câ- mara, São Jerônimo, Charqueadas, Ar- roio dos Ratos, Butiá, Minas do Leão e Barão do Triunfo.

roio dos Ratos, Butiá, Minas do Leão e Barão do Triunfo. De colonização basicamente Açoriana, San-

De colonização basicamente Açoriana, San-

to Amaro do Sul, distrito do município de General

Câmara, possui a terceira igreja mais antiga do estado do Rio Grande do Sul, construída em 1787.

A igreja de Santo Amaro representava a presença

dos portugueses na divisa de seu império com

o império espanhol no século XVIII e também a

preocupação dos primeiros habitantes com sua fé. Sua construção envolveu grande parte da co- munidade pretérita e seus esforços estão regis- trados pelos mais de duzentos anos que a igreja possui (conforme imagem da capa do capítulo). Conhecido à época por “Passo das Tropas”, por, segundo a tradição oral, ser o melhor e mais adequado local para a travessia do volumoso cur- so de águas, pela junção dos dois rios – Jacuí e Taquari – dividindo o estado em duas re-

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como é conhecida a zona rural dos municípios que compõem a região. Destaque para a “Festa da Uva” e para a “Festa da Melancia” nos municí- pios de Barão do Triunfo e Arroio dos Ratos, res- pectivamente.

Fotos: Divulgação
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As belezas naturais dos distritos Quitéria e Morrinhos, no interior do município de São Jerô- nimo, bem como do município de Barão do Triun- fo, “ao pé da Serra do Sudeste”, são um grande atrativo turístico da 2ª Região Tradicionalista.

A exploração das jazidas de carvão trouxe grande desenvolvimento à região a partir do sé- culo XX, já que 85% do carvão mineral existente no país aqui se localizavam. Fato que fez com que os municípios recebessem um grande número de trabalhadores, oriundos das mais diversas lo- calidades do país e até mesmo do exterior para suprir a mão-de-obra necessária para a constru- ção das minas de exploração, desde sua concep- ção até o trabalho braçal propriamente dito. Embora sua raiz seja açoriana, a região so- freu grande miscigenação devido à exploração do “ouro negro”, como por aqui ficou conhecido o carvão mineral que abastecia grande parte das usinas termelétricas do estado, inclusive a Usina do Gasômetro em Porto Alegre. Motivo de orgu- lho que dá nome à Região Carbonífera. Encontra-se no município de Arroio dos Ra- tos o Museu Estadual do Carvão que passa por uma nova fase, onde serão realizados o restauro dos prédios com o intuito de transformá-lo em um centro cultural multifacetado, com diversas ações culturais disponíveis às comunidades atra- vés de exposições, cinema, auditório, teatro, arqui- vo histórico, espaços para oficinas culturais, etc. O complexo do Museu Estadual do Carvão é res- ponsável pela salvaguarda de importante acervo museológico e arquivístico composto por ferra- mentas utilizadas nas minas, além de fotos, livros, documentos, obras de arte, mapas, entre outros, que registram a história das minas de carvão e

Fotos: Divulgação 17 Foto: Divulgação
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dos trabalhadores, especialmente dos mineiros. Além de tratar-se de um depositário da histó- ria da mineração gaúcha, o Museu Estadual do Carvão atua como um espaço de acolhida e pro- moção das diferentes linguagens da cultura da Região Carbonífera do Baixo Jacuí. No município de Charqueadas, localiza-se o “Memorial ao Mineiro”, um espaço cultural aber- to à visitação pública dedicado a uma importante parte da história da região e destinado a resgatar documentos e objetos relativos à mineração.

Fotos: Divulgação
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Considerada o berço do Tradicionalismo, a 2ª Região é a terra de ninguém menos que Glaucus Saraiva, um dos fundadores do Movimento, autor da nomenclatura simbólica do tradicionalismo, célebre autor da poesia “Chimarrão” e redator da “Carta de Princípios”, um dos documentos basila- res do Movimento Tradicionalista Gaúcho e o mais importante para a fixação da ideologia e dos com- promissos tradicionalistas. Em São Jerônimo lo- caliza-se o Quero-quero CTG, um dos CTG’s mais antigos do estado, fundado em 1954 por Glaucus e seus precursores companheiros.

Fotos: Divulgação
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Orgulha-se ainda nossa região por ter visto nascer muitos outros talentos, dentre eles o es- critor que tanto fez pelo enaltecimento da cultura gaúcha, Walter Spalding. Renomado historiador, membro da Academia Rio-grandense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Gran- de do Sul e do Instituto Brasileiro de Genealogia.

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Spalding foi o organizador do Pavilhão Cultural da Exposição Comemorativa do Centenário da Revo- lução Farroupilha em Porto Alegre em 1935 e homenageado como patrono da Feira do Livro de Por- to Alegre em 1978. Estão entre suas principais obras: “A Epopeia Farroupilha”, “A Invasão Paraguaia no Brasil”, “Construtores do Rio Grande”, “Farrapos!”, “Revolução Farroupilha”, “Manuscrito Nacional” e “Pequena História de Porto Alegre”. Contribuiu ainda com diversas publicações de história e folclore, nacionais e estrangeiras. E também Josué Guimarães, um dos mais célebres escritores da história recente do Rio Grande e um dos mais influentes e importantes do país. Exerceu várias funções, entre elas as de repórter e jornalista, sendo inclusive correspondente internacional. Autor de “Os ladrões”, “A ferro e fogo I (Tempo de Guerra), “A ferro e fogo II (Tempo de solidão), “Depois do Último Trem”, “Os tambores silenciosos”, “É tarde para saber”, “Dona Anja”, “Enquanto a noite não chega”, “Camilo Mortágua” e “Amor de Perdição”, entre outras. Retratou com excelência a história do Rio Grande do Sul e consagrou-se por desenvolver com maestria o estilo “fantástico maravilhoso” em algumas de suas obras. Juliano Javoski, reconhecido intérprete e compositor gaúcho, ressalta o orgulho e resume a impor- tância de aqui ter nascido, bem como a influência da Região Carbonífera em sua obra:

“Estamos vivendo um momento cultural onde se evidencia os hábitos interioranos da lida de campo,

das tropeadas, das domas, do cavalo, etc. e, nas horas de folga, o mate, a prosa, o assado, a bailanta dos fins de semana. Enfim, o trabalho aliado ao lazer. Acontece que, talvez por um certo bairrismo de seus propagadores, estão atribuindo a estes aspectos uma origem ou prática apenas fronteiriça e missio- neira. Um grande equívoco, pois há registros de que em nossa região essas práticas sempre estiveram presentes. Haja vista, em apenas um exemplo, a localidade de São Jerônimo, à beira do Jacuí, que lá nos primórdios, foi chamada de Passo das Tropas, de- vido ao fluxo de gado na região onde está situada. Temos por aqui também a origem açoriana, presente no casario mais antigo (bem preservado em sua maioria) e, claro, mais presente do que nunca, uma riqueza imensurável chamada carvão, elemento responsável por uma enorme migração étnica e cultural para a nossa região. Ele é consi- derado ouro negro, energia que move e “alumbra” quase que metade do nosso Estado. E neste contexto todo, me vejo como um pro- tagonista atuante em todos os lados ou segmentos, pois sou descendente de eslavos por parte de pai (meu pai foi mineiro) e “pêlo-duro” por parte de mãe (minha mãe se criou no campo). Tenho orgu- lho, sim, em ser desta região. Desta terra de várias

Um mosaico

de raças e culturas tão diferentes, que se torna- ram tão iguais. Eu canto outras terras também, talvez por me reencontrar com almas musiquei- ras, antepassadas minhas, que me orientaram e

Mas

Fotos: Divulgação
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cores: colorada, preta, acinzentada

me disseram que a arte não tem fronteiras quando canto a minha terra, aí sim, é que sou universal.

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Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Texto e organização do capítulo: Maria Verônica da Costa Oliveira, Tanise Leal de Mello

Texto e organização do capítulo: Maria Verônica da Costa Oliveira, Tanise Leal de Mello e Aricia Costa de Oliveira

São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Lourenço, São

Miguel, São João e Santo Ângelo, locais que escon- dem mistérios, segredos, são uma verdadeira via- gem no tempo, a oportunidade de poder reviver a saga dos padres jesuítas da Companhia de Jesus,

e dos guaranis que viveram nestas plagas. Embora hoje a 3ª RT seja produtora de cereais como arroz, soja e milho dentre outros, possui atualmente, também um polo industrial significa- tivo como é o caso da região de Santa Rosa, Santo Ângelo bem como áreas de beneficiamento de ar- roz, óleo de soja, mas em seus tempos áureos foi uma região extremamente ligada a área pastoril, quando aconteceu a introdução do gado, realizada em 1634 pelo padre Cristobal de Mendonza, gado este utilizado como fonte de alimentação para os povoados missioneiros e depois da decadência das missões serviu de fonte econômica para o Rio Grande do Sul .

Hoje a região Missioneira é conhecida no as- pecto cultural e artístico visto que exporta para ou- tras paragens ícones da musica Regionalista e Nati- vista, que possui um estilo musical e poético impar, denominado de música missioneira, estilo esse nas- cido da inspiração dos Quatro Troncos Missioneiros:

Jayme Caetano Brau, Pedro Ortaça, Noel Guarani e Cenair Maicá. E bebendo da mesma fonte vieram muitos outros que levam o nome e estilo missioneiro de cantar e compor além fronteiras. Compõem a região missioneira as seguintes

cidades:

SÃO BORJA É conhecida como a “Terra dos Presidentes”, estas são as lembranças na memória coletiva sobre

a história de São Borja ou seja os ex presidentes da Republica Getúlio Dorneles Vargas e João Belchior Marques. São Borja destaca-se na arte musical a partir da fundação dos “Angueras” grupo amador de arte,fundado pelo saudoso Aparício Silva Rillo

Das sete catedrais, do soar dos sete sinos dos povoados missioneiros, brotados na terra vermelha, nasceu uma cultura singular, plasmada por uma história de co-

ragem, bravura, sofrimentos e glorias do povo guarani.

E neste chão abençoado, tisnado com o san-

gue de bravos guerreiro situa-se a 3ª Região Tra- dicionalista, a região Missioneira, do nosso Movi-

mento Tradicionalista Gaúcho composta por 41

municípios, sendo uma das mais extensas do rio grande, pois começa em Itaqui e estende-se até Tu- cunduva tendo um território de mais ou menos 380 Km para ser cruzado.

A nossa região margeia as barrancas do ve-

lho Rio Uruguai, vindo daí o embalo característico e singular de nossas canções, vindo daí a inspira- ção de muitos de nossos poetas, em este mesmo rio faz nossas divisas com a Argentina, divisas es- sas que muitas e muitas vezes foram defendidas pela bravura dos gaúchos das missões, que de lan- ça firme na mão defenderam nosso torrão. A região Missioneira como é conhecida no meio tradicionalista, tem como atrativo principal os SETE POVOS DAS MISSÕES, que São Borja,

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e José Lewis Bicca, festivais como “A Barranca”, “Ronda de São Pedro “ e de ter museus do Getu- lio Vargas e Jango Goulart e alem disso conta com um pôr de sol maravilhoso do Rio Uruguai. SÃO LUIZ GONZAGA, Capital Estadual da Música Missioneira, terra do Jaime Caetano Braun, pajador e poeta, tem na entrada da cidade uma estatua em sua homena- gem, no interior do município o sitio arqueológico de São Lourenço . Também é cria desta plaga, Pe- dro Ortaça, um dos principais representantes na atualidade da música missioneira. SANTO ÂNGELO Cidade histórica catedral Missioneira de uma beleza impar, local onde os evento os culturais ge- ralmente são feitos, alem dos festivais de musicas nativistas como o “Canto Missioneiro”. SANTA ROSA

Foto: Divulgação Foto: Divulgação
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É considerado o berço nacional da soja, tem festival Sul Americano de musica nativista “Musi- canto” tem também Festival “Santa Rosa em Dan- ça”, “Canto Livre” festival estudantil da canção, tem museu da apresentadora “Xuxa Menegel”. SÃO NICOLAU Um dos sete povos, ainda guarda algumas edificações dos tempos dos jesuítas, tem evento fa- moso pela hospitalidade que é tradicional “Café de Cambona” com objetivo de resgatar e manter a tra-

dição do bolo frito e café produzido na cambona como era feito antigamente. SÃO MIGUEL DAS MISSÕES Localiza-se o sitio arqueológico de São Mi- guel Arcanjo, onde estão as ruínas jesuíticas das antigas redução de São Miguel Arcanjo,foram de- clarados patrimônio mundial pela UNESCO em 1983, o sitio arqueológico conta com o museu das missões que abriga estátuas de imagens sacras feitas pelos índios guaranis.

estátuas de imagens sacras feitas pelos índios guaranis. ENTRE-IJUÍS Local onde situa-se o sitio arqueológico de

ENTRE-IJUÍS Local onde situa-se o sitio arqueológico de São João Batista um dos mais importantes pois foi a 1ª fundição de ferro do Brasil da qual ainda restam vestígios, local onde nasceu Tio Bilia nas terras da localidade da serra de cima, reconhecido cantor e compositor e gaiteiro nativista “ O rei dos oito baixos” . CAIBATÉ Município chamado “Terra dos Mártires” por- que em Caaró terra do atual município de Caibaté , os padres jesuítas Roque Gonzales , Afonso Ro- drigues e Juan Del Castillo foram trucidados por um grupo de nativos contrários a evangelização cristã liderado pelo cacique Nheçu líder guarani, no local foi erguido um santuário em honra aos jesuítas Mártires .

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GIRUÁ Seu nome é referencia aos frutos de cachos dourados o “Butiá” símbolo do município leva o ti- tulo de capital da produtividade por ser o maior produtor de linhaça do RGS, 3º maior produtor de girassol, , 4º maior produtor de trigo do Brasil e 8º maior produtor de soja do RS. TUPARENDI Destaca-se por ter um céu azul de beleza impar , já foi chamado de “Fronteira da Amizade” por ter características no seu povo de amizade e hospitalidade. CERRO LARGO Colonização alemã famosa por sua festa de Kerb, possui no município um campus da Univer- sidade Federal da Fronteira Sul. SANTO CRISTO Tem colonização alemã, possui um grupo

de danças folclóricas a sua festa alemã é tradicio-

nal na região noroeste, tem como ponto turístico

o Parque Aquatico e hotel fazenda para turismo

rural. TUCUANDUVA Origem italiana tem projeto turístico desen- volvido pelo Rota do Rio Uruguai que reúne 21 mu- nicipios localizados entre as ruínas de São Miguel e o Salto do Yucumã é conhecido como capital da lavoura mecanizada. GUARANI DAS MISSÕES Foi colonizada por imigrantes poloneses sen- do conhecida como a “Capital Polonesa dos gaú- chos”. SENADOR SALGADO FILHO Colonizado por alemães ,suecos, russos e austriacos, o municipio tem como característica as pequenas propriedades rurais. SÃO PEDRO DO BUTIÁ Colonizada por alemãos tem uma estatua de 30metros conhecida como “O Monumento a São Pedro”, dentro da estatua há uma capela com uma cruz missioneira de 10 metros de altura, tem também Centro Germânico Missioneiro que é um complexo de 4 casas em estilo alemão.

PORTO LUCENA, PORTO XAVIER, PORTO MAUÃ, PORTO VERA CRUZ São municípios que são banhados pelas águas do rio Uruguai,tem fronteira fluvial com a

Argentina, são lindas as paisagens formadas pelo rio Uruguai, no porto Vera Cruz atrativo natural é

o Salto do Roncador que é uma cachoeira que de-

vido ao barulho das quedas das águas que é mais intenso no inverno,tem ainda paredão das pedras proporciona vista deslumbrante do Rio Uruguai. SETE DE SETEMBRO Margeada pelo rio comandai onde suas mar- gens são ideais para trilhas ecológicas tem tam- bém a cachoeira das pedras, localizada na linha do meio, e a cascata do Tatu que é perfeita para pratica de Cascading e trilhas ecológicas. ITAQUI Tem um dos mais antigo Teatros da Ameri- ca do Sul, o teatro PREZEWODOWSKI, tem festival teatro amador, o festival do Canto Farrapo e da Ca- silha do Porto e o dança comigo Itaqui. EUGENIO DE CASTRO Cidade que chegou Eugenio de Castro e sua família por isso leva seu nome. CATUIPE Terra das água minerais. CAMPINA DAS MISSÕES Colonizada por alemãs e russos conta com um grupo de danças folclóricas “TROYKA” é man-

tido pela associação cultural russa, divulga os usos

e costumes e tradições, enfim danças alegres e vi-

brantes do fascinante folclore russo. PIRAPÓ Imigração alemã ,tem como legado cultural a igreja em estilo gótico e a casa canônica com be- los adereços e a casa de cultura em estilo enxamel germânico.

CANDIDO GODOI É conhecida como a capital brasileira dos gê- meos univitelinos. BOSSOROCA Terra natal do compositor e cantor do Noel Guarani .

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ROQUE GONZALES Tem como ponto turístico o Salto do Pirapó como uma das belezas naturais da região, a usina elétrica de Pirapó faz parte da historia do lugar, onde hoje o local dispõem 2 áreas de acampamen- to sendo que uma delas permite aos visitantes ba- nhos de rio, local ideal para explorar fauna e flora do rio Ijuí. Esta é a história da terra missioneira, uma história cheia mistérios, lutas, sacrifício, supera- ções uma história que merece ser relembrada, contada e revivida, A história das missões é uma das raízes culturais do Rio Grande do Sul, onde se delineou os primeiros traços do povo gaúcho. Que tem como símbolo a Cruz missioneira, a Cruz de dois braços e na alma de seu povo,um canto sin- cero de amor pela vida, o orgulho sincero dos seus ancestrais, porque este povo traz em seu peito por ser missioneiro uma história na estampa. E em nome disso afirma que tem muito orgulho de ser gaúcho e missioneiro.

São Borja – Uma das mais significativas histórias da América Latina

Ramão Aguilar (*)

São Borja, sob a invocação de São Francisco de Borja, foi fundada em 1682, segundo alguns his- toriadores, que apontam este ano como sendo o da fundação histórica, mas outros tem como ano de fundação o de 1687, quando foi oficialmente instala- do, passando ater livros próprios de assentamentos, o que antes eram feitos nos livros da redução de origem. Seu fundador o jesuíta Francisco Garcia de Prada, na 2ª fase reducional da Companhia de Jesus, à margem esquerda do Rio Uruguai, qua- se fronteira à Redução de Santo Tomé/RA. Cons- tituiu-se no primeiro dos Sete Povos a ser organi- zado após a primeira fase das Missões Orientais, derrocada pela invasão dos bandeirantes, que as destruíram completamente. “Neste contexto de fronteiras internacionais a

comunidade de São Borja, na atualidade, é referi- da pelos brasileiros como “Terra dos Presidentes” e pelos seus munícipes, como “Terra de Valor”. Estas são as lembranças na memória coletiva, entre os muitos flashes sobre a história brasileira, porque são dois são-borjenses ilustres, ou seja, os ex-pre- sidentes da República, Getúlio Dornelles Vargas e João Belchior Marques Goulart, os quais tiveram papéis marcantes na história do país no século XX. Por outro lado, especialmente na comunidade gaúcha, e de modo especial na região das antigas Missões Jesuíticas da América do Sul, São Borja é distinguida como um dos Sete Povos espanhóis do século XVII. Distinção esta que avança pelos sé- culos XVIII e XIX, trazendo uma marca indelével nesta significação histórica. Com a proclamação da República, São Borja mais uma vez na fase de transição,agora adentrava na etapa política republicana do Brasil, mantendo- -se como referência estratégica da fronteira meri- dional do país, mas já estruturada como cidade de população expressiva e detentora de equipamentos urbanos que a equivaliam a outras de seu porte. São Borja destacou-se sempre nos episó- dios político-guerreiros de formação da naciona- lidade. Dentre seus filhos mais eminentes é justo destacar-se: Apparício Mariense da Silva, Coronel da Guarda Nacional, jornalista e político de reno- me nacional, autor da célebre Moção Plebiscitária de 13 de janeiro de 1888; Doutor Getúlio Dornelles

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Vargas, político de fino trato e larga visão que galgou todas as posições da vida pública brasileira: De- putado Estadual, Deputado Federal, Ministro da Fazenda, Governador do estado do Rio Grande do Sul e, finalmente, Presidente da República. Derrubado em 1945, voltou à presidência em 1950, pelo voto popular, suicidando-se tragicamente em 24 de agosto de 1954 e, dos mais atuais, Dr. João Belchior Marques Goulart (Jango) – sucessor político do Presidente Vargas: Foi Deputado Estadual e Federal, Ministro do Trabalho, duas vezes vice- presidente da República e Presidente, quando foi deposto em 1964, pelo golpe militar. Faleceu no exílio a 6 de dezembro de 1976, em Missiones, na República Argentina, onde se dedicava a pecuária e a agricultura. São Borja destaca-se na arte musical a partir da fundação de “Os Angueras – Grupo Amador de Arte, pelos saudosos Apparício Silva Rillo e José Lewis Bicca entre outros, com o tema de Cantigas de Rio e Remo e o Missioneiro, somando-se aos Troncos Missioneiros, ou seja, Noel Guarany, Cenair Maica, Pe- dro Ortaça e Jayme Caetano Braun. Diz o escritor Israel Lopes, em seu Livro Pedro Raymundo e o Canto Monarca, uma História da Música Regionalista, Nativista e Missioneira, p.179: - “Um defensor dessa integra- ção cultural com os países do Cone Sul que se manifestou e fez um estudo esclarecedor sobre a Música Missioneira ou Ritmos de Fronteiras, foi o saudoso poeta e folclorista Apparício Silva Rillo que publicou “Fronteiras e Intercâmbio Cultural”, na Revista Nativismo, de dezembro de 1982”.

Silva Rillo que publicou “Fronteiras e Intercâmbio Cultural”, na Revista Nativismo, de dezembro de 1982”. 26
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Texto e organização do capítulo : Prof. Gilda Guterres - diretora cultural da 4ª RT

Texto e organização do capítulo: Prof. Gilda Guterres - diretora cultural da 4ª RT

Os municípios que compõem a 4ª Região Tradicionalista Alegrete, Barra do Quaraí, Quaraí e Uruguaiana tem a personalidade de campeadores, acostu- mados a olharem à distancia mostrando o

que há de melhor nesta terra. Estamos localizados na extremidade meridional do Brasil na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, denominada zona de Campanha Ocidental marcado pelos ventos Mi- nuano e Pampeano, destacando as coxilhas, ba- nhados pelo rio Uruguai, Quaraí e Ibirapuitã com descendência dos índios, negros, portugueses e espanhóis que um dia pertenceram as Missões Jesuíticas de Yapejú. Hoje quando se comemora

a Semana Farroupilha na região, se presta uma

homenagem a esse tipo estranho que se projetou com uma cultura única, o gaúcho fronteiriço e para marcar a tradição destes pagos, encontra-

-se na localidade da harmonia, Triângulo Territorial na rodovia Oswaldo Aranha, BR 290, o “Marco das Três Divisas”, monumento construído, com o lema “Na região das três divisas cultuamos a tradição, o civismo e a honra”. Aqui na região o povo oferece

a hospitalidade e o jeito gaúcho de ser, encantando todos que passam por este pedaço de chão com

seus rios, museus, igrejas e uma infinidade de luga- res bonitos e uma das maiores gastronomia iden- tificando o autentico gaúcho com o churrasco de chão temperado apenas com sal grosso, os causos cantados ao pé do fogo, o mate amargo, o rodeio

e o fandando que nos enche de orgulho de tantas

belezas naturais, culturais e históricas que vamos contar num breve relato. O nome do município de Alegrete significa pequeno canteiro de flores, designação provinda de Dom Luiz Telles da Silva Caminha e Menezes - 5º Marques de Alegrete e 2º Comandante geral da Capitania de São Pedro, fundador do município, que surgiu de um acampamento militar

Foto: Divulgação
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nas margens do Arroio Inhanduí, conhecido como gente do “Povoado dos Aparecidos. Hoje este lugar é ponto turístico de Alegrete com a denominação de “Capela Queimada do Inhanduí”. Mais tarde as margens do rio Ibirapuitã (arroio da madeira ver- melha) surge Alegrete das cercas de pedra que contornam as coxilhas, oitavo município da pro- víncia de São Pedro em ordem de criação e o maior município em extensão territorial, floresceu em propriedades com doações de sesmarias para militares guerreiros, pois possuía campos ricos e próprios para os pastoreios. No período de 1842 a 1845, tornou-se a 3ª Capital da República Sul-rio- -grandense sendo aqui redigida a 1ª constituição Republicana do Brasil. Foi no Alegrete que os far- roupilhas planejaram a construção de um porto para atender seus interesses comerciais, surgindo assim Uruguaiana. Este pago sempre esteve alerta na defesa dos interesses do Brasil, participando da revolução de 1893 na maior batalha campal da Revolução Fede- ralista, a “Batalha do Inhanduí” e em 1923, novamen- te palco no combate da “Ponte do Ibirapuitã” entre as forças Maragatas de Honório Lemes e as forças governistas, os chimangos de Flores da Cunha.

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É em Alegrete também que se encontra o jor- nal mais antigo do Rio Grande do Sul e o 3º do Bra- sil ainda em circulação, o Jornal Gazeta de Alegre- te fundado pelo Barão do Ibirocai, em 1882. E para nosso orgulho, no dia 20 de setembro registramos um dos mais originais eventos de manifestação

cultural do País, o desfile de cavalarianos, o maior do mundo (conforme Guiness Book). São mais de oito mil cavalarianos de dezessete entidades tradi- cionalistas com seus piquetes. Esse respeito e cui- dado que os alegretenses manifestam pelas suas raízes iniciais começou em 1954, com o Centro Farroupilha de Tradições Gaúchas e foi crescendo conforme foram surgindo as entidades que são:

Centro Farroupilha de Tradições Gaúchas - o Pio- neiro da cidade, CTG Aconchego dos Caranchos, CTG Vaqueanos da Fronteira, CTG Capela Queima- da, CTG Lanceiros de Canabarro, CTG Sentinela do Ibicui, CTG Tradição do Rio Grande, CTG Querên- cia Charrua, CTG Oswaldo Aranha, CTG Honório Lemes, CTG Nico Dorneles, CTG Quero-Quero, CTG Amizade de Vasco Alves, Grupo Nativista Ibi- rapuitã, DTG Clube Juventude, DTG Emilio Zuñeda, DTG Estradeiros. Outro destaque do município é o agrupamen-

to de afro descendentes de escravos que migraram

durante o processo de desmantelamento do regime escravagista e ocuparam uma área a 60 km da

sede do município no 2º Sub Distrito. Desde 2004

o Governo Estadual e Federal aprovou a autentici-

dade do grupo Remanescentes de Quilombolas e foram incluídos no Programa RS Rurais Quilom- bolas. Hoje sobrevivem de trabalhos em estâncias locais, e também de renda do Centro de Artesa- nato Raimundo Ferreira Ramos a Associação de Quilombolas do Angico e recebem assessoria da EMATER. Dentre tantos pontos turísticos de Alegrete que registram o motivo do nosso orgulho, destaca- mos também o Museu Histórico Oswaldo Aranha, uma das mais tradicionais casas de memória da nossa região. O museu se encontra na casa onde nasceu Oswaldo Aranha. Foi Intendente Municipal, Deputado Federal, Secretario do Interior e Justiça, Ministro da Justiça, Ministro da Fazendo, Embai-

Justiça, Ministro da Justiça, Ministro da Fazendo, Embai- xador, Ministro das Relações Exteriores, Presidente da ONU

xador, Ministro das Relações Exteriores, Presidente da ONU e criador do Estado de Israel o Museu de Arqueologia e Artes Dr. José Pinto Bicca de Medei- ros – MAARA, criado a partir da doação do pro- prietário, que manteve seu nome, à Fundação Edu- cacional de Alegrete, instituição mantenedora dos cursos Superiores da cidade, também a memória de Alegrete e a Identidade do Gaúcho no Museu do Gaúcho e no Centro de Pesquisas e Documenta- ção de Alegrete- CEPAL no Largo da Viação Fér- rea se registra a História natural como vegetais, animais, minerais, paleontologia e arqueologia. O Museu Marciano Rodrigues Jaques, locali- zado no CTG Oswaldo Aranha, na zona rural do município, possui acervo com aproximadamente cem peças da cultura gaúcha, bem como no Mu- seu Coronel Vasco Alves que está contido na Fa- zenda Progresso, zona rural de Alegrete o sítio histórico da Sanga da Batalha ocorrida durante a Revolução Federalista. E tantos outros museus como dos Esportes João Saldanha, demonstrando as gló- rias do futebol alegretense no Estádio Farroupilha da cidade. Museu Mário Quintana, ilustre poeta Alegretense no interior do espaço expo gráfico do MAQUI e da Pinacoteca Mário Quintana. Museu Fazenda da Cascata, na zona rural, que guarda ob- jetos campeiros e domésticos pertencentes à famí- lia Dorneles Fernandes desde o final do século XIX. Museu Marechal José de Abreu, localiza-

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do no prédio do 6º Regimento de Cavalaria Blinda- do, mostrando a colaboração do Marechal e Museu Histórico Marechal Enéas Galvão, com a história da vida militar. Todos estes museus abertos ao público preservando a tradição destes pagos. Outro município da região é Uruguaiana que vem do nome da Padroeira Santa Ana e do Rio

Uruguai, “Filha dos Farrapos”, registra sua história

a partir de sua fundação em 1843, dentro de um

período conturbado, decorrente da Revolução Far- roupilha tendo a primeira Capela na vila Santana

do Uruguai, inaugurada em 1861, hoje Igreja Matriz,

a Catedral de Sant’Ana em estilo neo-romano, pos-

sui em seu interior uma cripta onde descansam os restos mortais de seu primeiro e terceiro bispo. A

cidade teve sua área urbana projetada e sua locali- zação estrategicamente escolhida. Com calçadas

e ruas amplas, foi a primeira cidade brasileira com essa característica de planejamento, um diferen- cial em comparação às outras cidades. Uruguaia- na faz fronteira com dois países pertencentes ao MERCOSUL, o Uruguai, ao sul, e Argentina, a oes- te, fortalecendo o comércio exterior com o maior porto seco da América Latina, situado na saída da cidade, 80% da produção nacional atravessa a Ponte Internacional “Getúlio Vargas – Augustin P. Justo”, com quase 2000 metros de comprimento,

é uma das principais portas de entrada do nosso

país. Esta levou cinco anos para ser construída e

foi inaugurada em 1947 pelos presidentes, Eurico Gaspar Dutra do Brasil e Juan Domingo Perón da Argentina, contando com a presença da Primeira Dama Argentina Evita Perón. Todos os anos em setembro são realizados ce- rimônias de preservação a memória histórica da Retomada de Uruguaiana no local onde as tropas paraguaias se instalaram para combater os solda- dos da Tríplice Aliança. E para marcar este fato foi erguido o Obelisco do Centenário em 1965. A soleni- dade é realizada pelo Exército Brasileiro e comuni- dade em homenagem aos personagens que fazem parte da história do município. Em 18 de setembro de 2015 serão realizados os festejos de 150 anos da Retomada de Uruguaiana. Entre tantos prédios, monumentos, obeliscos, que revelam a história encontram-se o Centro Cultural Dr. Pedro Marini, onde foi instalado o pri- meiro elevador e a primeira calefação interna da cidade. Hoje funcionam museus como de Arte Di- dática, Crioulo com muitos objetos da história rio- grandense, objetos pessoais de brasileiros ilustres ligados a cidade e animais típicos da região. O Mu- seu Raul Pont, na antiga residência do ex-prefeito João Fagundes, destaca a História de Uruguaiana até os dias de hoje, com esculturas e telas da anti- guidade de civilizações do século XX. O Museu do Piá, composto com mais de cem peças do imagi- nário infantil da região, no CTG Sinuelo do Pago,

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uns dos primeiros CTGs do Rio Grande, erguido na coxilha da Tríplice Aliança onde as tropas de D. Pedro II ficaram acampadas durante a guerra do Paraguai, esta entidade é responsável pela criação de um importante festival de música nativista que trazia como objetivo a revitalização dos valores da nossa cultura regional a Califórnia da Canção nati- va, atualmente é um festival de âmbito nacional da música nativa. Também o Estaleiro Martiminiano Benites, primeiro museu virtual de fotos antigas e atuais da cidade de Uruguaiana. Entre tantos pontos históricos de Uruguaia- na também citamos a Destilaria de Petróleo Rio- grandense, a primeira do Brasil, fundada em 1933

por sócios brasileiros e argentinos. Hoje conhecida como a Ipiranga do Brasil. Uruguaiana é a maior cidade da região oeste em população e considerada a Cabanha do Brasil

e Capital Gaúcha de Cavalos Crioulos e a principal

cultura agrícola é o arroz. Além disso, conta com manifestações culturais importantes valorizando cultura local e os costumes campeiros através das entidades tradicionalistas CTG Patrulha do Oeste,

o pioneiro da região de Uruguaiana, CTG Candi-

nho Bicharedo, CTG Pedro Coutinho da Silva, CTG Laçadores Esteio de Japejú, CTG Sinuelo do Pago, CTG Tríplice Aliança e PQT Saraquá, CTF Mar- tim Fierro, CTG Centelha Crioula e PQT Lourival D. Freitas.

Barra do Quaraí, cuja área antes de perten- cer a Uruguaiana pertenceu a Alegrete, nos pri- mórdios, sua história confunde-se com a de Ale- grete e a de Uruguaiana. O nome do município

deve-se a sua localização geográfica privilegiada

a margem de dois rios importantes, navegáveis em

épocas passadas, e na fronteira com dois países la- tinos, Uruguai através de Bella Unión e Argentina através do Monte Cacerros. Registros históricos mais remotos de ocupa- ção da Barra do Quaraí indicam o ano de 1814, com

a instalação na região de uma guarda portuguesa

de fronteira cujo objetivo era garantir a defesa do

território conquistado apesar das frequentes inves- tidas espanholas na área e hoje encontramos nos pontos turísticos, todos os registros do município como a Ponte Internacional Rio Quaraí, construí- do pelo Governo Brasileiro e Governo Uruguaio e

a Ponte Ferroviária internacional autorizada pelo

Presidente do Uruguai Lorenzo Batle, proporcio- nando um tráfego importante com a fronteira do Brasil. Existe na Barra dois marcos com a finalidade de estabelecer os limites entre o Brasil e Uruguai e Argentina, o Marco Brasileiro e Marco Grande na Ilha Brasileira, considerado um verdadeiro santuá- rio ecológico da região. O Saladeiro Barra do Quaraí, é um dos mais importantes estabelecimentos da indústria salade-

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ril do Rio Grande do Sul, o primeiro da zona fron- teiriça com o Estado Oriental, trouxe trabalho e prosperidade para a região, hoje restam poucas ruínas testemunhas de um tempo que já se foi. As entidades públicas e privadas que cuidam da valo- rização do patrimônio cultural e histórico da cida- de projetam um museu na antiga Viação Férrea, responsável pelo apogeu econômico de Barra do Quaraí na época do charque. Estância São Pedro, além de lá ter passado a expedição do Francês Auguste de Saint Hílare, em 1820, registrado na sua obra “Voyage à Rio Grande do Sul”, também foi propriedade do embaixador João Batista Luzardo, onde se realizavam encon- tros políticos e serviu em cento e três dias de refú- gio para o Presidente da República Getúlio Vargas entre 1950 e 1951. Na zona rural do município se encontra o principal complexo biológico, o Parque Estadual do Espinilho no Campo Osório. Entre os principais eventos na cidade, se des- taca o Festival de Musica Nativa, “Barra em Canto” com o objetivo de preservar as tradições do Rio Grande através da musica. As principais entidades tradicionalistas do município são o CTG Rincão do Saladeiro - o pioneiro do município e CTG Porteira do Rio Grande. Outra história ligada a de Alegrete é a de Quaraí também área territorial da mesma, for- mando mais tarde a área do Município de Quaraí pelos estancieiros sesmeiros e após a Proclamação da República do Brasil passa a ser cidade que liga a República Oriental do Uruguai através da Ponte Internacional da Concórdia, construída em suave curva, ligando a cidade de Artigas. A palavra Quaraí é uma composição de ori- gem indígena que na linguagem tupi-guarani sig- nifica “Rio das Garças” ou “Rio do Sol”. Na Praça esta a Igreja São João Batista, padroeiro da cidade, construída no século XIX e na zona rural se en- contra o Cerro do Jarau, ponto turístico lendário, divulgado internacionalmente pela Lenda da Sala- manca do Jarau. No cerro existe uma gruta inex- plorada, com vertentes de água e terra colorida, cenário da lenda.

Dos saladeiros de Quaraí restaram apenas ruínas, lá foi produzido o charque posteriormen- te exportado para Cuba, Itália e Inglaterra. Quaraí contou com dois saladeiros, o primeiro foi o “Novo Quaraí”, em 1894, onde é a atual parte da Cabanha Branca. Durante a Revolução de 1923, a mando dos maragatos, foram incendiadas algumas mantas de

charque no saladeiro, que era propriedade dos chi- mangos. A partir deste fato o saladeiro foi desativa- do. Em 1907, foi criado o segundo Saladeiro, o “São Carlos”, que passava o charque por um cabo aéreo nas margens direita do Rio Quaraí, em comunica- ção com a margem esquerda, facilitando o embar- que do produto para o Uruguai. Numa faixa de aproximadamente 25 km de extensão se encontra a Reserva do Butiazal de Quaraí, nesta área existe mais de cinco mil pés de butiás usados como complemento de renda fa- miliar e turismo rural do município assistido pela EMATER. Há registro de que foram os Jesuítas que trouxeram as frutas de butiá com o objetivo de se alimentarem, e também para demarcarem

o espaço por onde passavam. Hoje a comunidade

aproveita o fruto na gastronomia e artesanato. Pro-

duzem licores, geleias, schimier, pão, suco concen- trado, mouse e rapaduras. E no artesanato fazem chapéus, bolsas, porta cuias, cestos e muitos ou- tros trabalhos. E não podemos deixar de citar as Entidades Tradicionalistas de Quaraí, o CTG Senti- nela do Jarau - o pioneiro do Município, PQT Ore- lhano CTG, DTG Escola Brasil. Esta é a comprovação de que o gaúcho se aquerenciou nesse rincão do Rio Grande compon- do a 4ª Região tradicionalista que tem orgulho ex- tremo das raízes, sempre mantendo os costumes

e crenças de uma maneira total, tendo como elo

de vida a criação de gado, ovelha e cavalares mos- trando tudo isso através de suas cavalgadas, even- tos culturais, pontos turísticos e tantas outras ma-

nifestações de orgulho da fronteira gaúcha. Assim conclui-se que falar de tradição nesta região é fa- lar com as palavras de Manoelito de Ornelas:

“Tradição é um espírito de uma raça, é a for- ça poderosa que empresta coesão e firmeza ao ca- ráter de um povo”.

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Foto: Jerry Anderson Trindade da Silva

Foto: Jerry Anderson Trindade da Silva Estamos entrando agora, no capítu- lo que vai falar sobre

Estamos entrando agora, no capítu- lo que vai falar sobre a 5ª RT, mais espe- cificamente da história da cidade de Rio Pardo, dos festejos do Bumba –Meu Boi de Encruzilhada do Sul e de Santa Cruz

do Sul, a cidade do Encontro de Artes e Tradições Gaúchas (ENART). Iniciamos então com um dos mais importantes municípios do Rio Grande do Sul: RIO PARDO. Você irá aprender sobre os fatos

e curiosidades que fizeram parte da nossa história

já que muitas cidades do Rio Grande do Sul estão sobre o território que pertencia ao Rio Pardo. As ci- dades em geral possuem algo de destaque, a nossa

e

possui muita história, arquitetura, religiosidade, todos são bem vindos.

arquitetura, religiosidade, todos são bem vindos. Estamos localizados na região central do Es- tado, segundo

Estamos localizados na região central do Es- tado, segundo estimativa de 2011, estamos com um

total de 37.577 habitantes, a maior parte da popu- lação é urbana e está na sede. Somos banhados pelo maior rio do RS, o rio Jacuí e também pelo rio Pardo. Estes dois rios juntos cercam a cidade

com o relevo propício, pois sua elevação cercada por águas dava certa vantagem contra os inimigos espanhóis e indígenas, ou seja, os portu-

e

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Texto e organização do capítulo:

Festa do Bumba-Meu-Boi - Elaine Fossa de Barcelos História de Rio Pardo - Flávio A. Canto Wunderlich

gueses escolheram muito bem este local estraté- gico.

Rio Pardo originou-se a partir do Tratado de Madri, que falamos ser a troca da Colônia do Sa- cramento que fica no Uruguai a 160 km de Monte- vidéu, pelas Missões Jesuíticas, dominadas pelos índios e espanhóis. Este Tratado foi subscrito na cidade de Madrid – Espanha por D. João V, rei de Portugal e por Dom Fernando VI, rei da Espanha. A ocupação do lugar veio a partir de uma instalação militar, como “Guarda de Fronteira”, para proteger o Sul do império. A Fortaleza Jesus Maria José, começa a ser construída a mando do General Gomes Freire de Andrade, na metade de 1751, século XVIII. Em agosto de 1754 chegou o Regimento de Dragões comandado pelo tenente- -coronel Tomás Luiz Osório, com 420 soldados e 70 escravos. Foram estabelecidas plantações e fazendas, que sustentaram a economia durante décadas e até hoje estão presentes, pois nosso forte continua sen- do agricultura e pecuária. Tornou-se, até meados do século XIX, o mais importante ponto de partida para a expansão portuguesa ao sul e a oeste do território da Região Sul. Alguns anos após, chegaram os primeiros colonizadores açorianos que, impedidos de ocu- parem a região missioneira, conforme havia sido estabelecido pelo frustrado Tratado de Madri, aca- baram por permanecer aguardando as margens do rio Jacuí, contribuindo para o crescimento po- pulacional de várias localidades. Chegamos ser a fronteira Sul do império. No período da dominação castelhana da Colônia de Sacramento e Vila do Rio Grande na ocasião, os luso-brasileiros viram-se obrigados a recuar em direção ao norte, mudando seu centro administrativo para Viamão. O território rio-gran- dense ficou com sua menor área, reduzida à faixa

Foto: Jerry Anderson Trindade da Silva

litorânea entre a Lagoa dos Patos e o mar, do Es- treito para o Norte, compreendendo os campos de Viamão, Porto Alegre, até a fronteira de Rio Pardo. Podemos dizer que se Rio Pardo tivesse sido to- mada, talvez agora fôssemos espanhóis, imaginem tudo diferente, falando outra cultura, ou costumes, gastronomia. Rio Pardo foi bravo, um grande solda- do, fundamental para concretizarmos nossa histó- ria junto ao Sul do País. Eu sou do Sul, com muito orgulho e dedicação. Em 1776, recuariam os espanhóis e, em 1777, consolidava-se a paz por meio da assinatura do Tratado de Santo Ildefonso. Em 1801, um pequeno bando armado liderado por Manoel dos Santos Pedroso, por José Borges do Canto, e seus com- panheiros que, em aliança com parcialidades dissi-

dentes dos guaranis missioneiros, insatisfeitas com

a administração militar espanhola, conquistou as

Missões para o império lusitano, que hoje repre-

senta 1/3 do estado. Após essa conquista, os guara- nis missioneiros perderiam, em algumas décadas,

o que restava das fazendas coletivas, em favor de

latifundiários luso-brasileiros. Alguns historiado- res contam que foi “no atalaia do Rio Pardo que se plasmou a alma guerreira dos rio-grandenses”, visto que os Dragões (tropa de elite) estiveram em Rio Pardo. Consequentemente, houve o avanço da frontei- ra do Rio Grande até as barrancas do rio Uruguai, moldando, a grosso modo, os contornos limítrofes atuais. (LAYTANO, 1983, p. 139). E esse crescimento também pode ser notado pelo elevado número de construções que passa- ram a ser edificadas em seu povoado, que só eram avistadas após caminhada de 800 a 1200 metros a partir do porto da cidade, pois também ficavam protegidas. No século XIX, ocorreria o apareci- mento dos primeiros moinhos de farinha, curtu- mes, açougues, casas de pouso, fábricas de arreios, ferrarias, olarias, etc. Cresce o número de comer- ciantes registrados em sua praça. Rio Pardo pros- pera como nunca, estamos começando a virarmos entreposto comercial entre as regiões. Rio Pardo assumiu uma importância quase tão grande como a capital, transformando-se em

um centro-administrativo, político e econômico da maior parte do Continente de São Pedro. Sua po- pulação, durante algum tempo teria sido superior

a Porto Alegre e durante muitos anos deve ter com

ela rivalizado (1984, p. 20). Por estas razões, uma parte significativa das famílias do Rio Grande do Sul, com raízes no pas-

sado mais distante, tem ligação com esta cidade. Inclusive muitas famílias de proprietários vinham casar suas filhas com cadetes que vinham de todo

o Brasil estudar na cidade. Em 1807, foi criada a

Capitania de São Pedro e, em 7 de outubro de 1809, através do Decreto Real assinado por D. João VI,

de 1809, através do Decreto Real assinado por D. João VI, Rio Pardo foi elevado à

Rio Pardo foi elevado à condição de vila, com o nome de Vila do Príncipe. Em 31 de março de 1846,

vila de Rio Pardo foi elevada à categoria de cidade. Além da importante participação na conquis- ta da região das Missões, o município se destacou na Revolução Farroupilha (1835-1845) e na Guerra do Paraguai (1865). A seguir, vieram colonizar a re- gião os imigrantes alemães e de outras origens. A economia de Rio Pardo esteve apoiada na criação animal, na agricultura e no comércio. No ano de 1813, recebemos a primeira rua pa- vimentada do RS, construída com pedras irregu- lares, tinham o objetivo de melhorar o fluxo das carretas, mulas e charretes, que se deslocavam de várias regiões para Rio Pardo, para bus- carem os produtos no Porto.

a

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Conforme o Hino de nossa cidade, podemos ter uma ideia da importância, de ser fronteiriço, de termos lutado para defendermos a fronteira Sul, he- róis que escreveram seu nome na história:

Tu surgiste, cidade gloriosa,

Da caserna do bravo Dragão Que, formando a heroica Tranqueira Evitou de Castela a invasão.

CORO: Ó Rio pardo de heróis legendários, Berço altivo de um povo viril, Guardiã das fronteiras outrora,

És relíquia de nosso Brasil.

hino. Do lado dos farrapos, o autor do nosso hino do Rio Grande do Sul, Francisco Pinto da Fontoura “Chiquinho da vovó”, rio-pardense.

Rio Pardo sempre foi referência em diversos aspectos, sejam eles políticos, artísticos, econômi- cos, estando sempre na vanguarda. Lutamos muito para sermos do Sul, para podermos bater no peito

e termos orgulho de sermos gaúchos, de cultivar-

mos nossas tradições e sempre estarmos melho- rando nosso entendimento com a natureza, com os animais, mas também entendermos sobre nossa própria história e a partir dai podermos passa-la adiante para as novas gerações.

No passado, ponteando o Rio grande, Foste forte, soberba, brilhante. Teu presente de paz e trabalho, No porvir te fará triunfante.

Pelo livro, o gado, a charrua,

Tu trocaste a espada e o fuzil,

E

agora defendes briosa

O

progresso maior do Brasil.

Letra: Marina Rezende de Quadros Música: Alfredo Raul Silveira (Rio Pardo – História, Recordações, Lendas – Rezende, Marina de Quadros, 3ª Edição, 1993).

Bumba-Meu-Boi

O Bumba-Meu-Boi é uma alegre, barulhenta

e movimentada festa folclórica, realizada todos os

anos no primeiro sábado após o Carnaval, encer- rando com correrias, gritos e tombos, o ciclo car- navalesco. Esta festa, que acontece em Encruzilhada do Sul há bem mais de um século, segundo o histo- riador Câmara Cascudo, tem sua origem no antigo Egito, onde o boi era reverenciado e adorado como um animal sagrado. Os navegadores europeus em suas expedi- ções pela Ásia e África, na busca de sedas, porce- lanas, especiarias, objetos de vidro e outra merca- dorias vendidas por alto preço na Europa, traziam na bagagem um pouco da cultura, história e fol- clore dos povos que visitavam. Assim as festas em homenagem ao boi chegaram à Península Ibérica, perdendo pelo caminho o caráter religioso e ga- nhando, apenas, características lúdicas. Assim, co- meçaram a ser construídas em Portugal e Espa- nha grandes praças de touros, onde toureiros com trajes ricamente bordados desafiavam, enfrenta- vam e sacrificavam os temidos touros miúras. Nos pequenos povoados, sem condições de construir uma arena, os moradores divertiam-se correndo pelas vielas com um boi verdadeiro ou faziam as tourinhas, brincadeira alegre e cantada, com um boi de pano.

A história de Rio Pardo guarda importantes

feitos como, por exemplo, a Batalha do Barro Ver- melho, que ocorreu durante a Revolução Farroupi- lha (maior guerra que o Brasil já teve até hoje em seu território, além de ser um dos principais acon- tecimentos históricos, na construção do imaginá- rio do gaúcho e sua cultura tradicionalista), foram 10 anos de lutas entre farrapos e imperiais, de 1835 a 1845. A cidade sempre foi imperialista desde os primórdios, mas durante o terceiro ano da Revolu- ção Farroupilha, em 1838, Rio Pardo foi atacada e os farrapos ganharam esta luta, ao final da batalha os imperiais que não foram mortos ou fugiram, aca- baram sendo aprisionados, com destaque para o Maestro mineiro da Banda Imperial Joaquim José de Mendanha, criador da melodia do

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Quando aportaram no nordeste do Brasil, os portugueses trouxeram sua pobre bagagem em pequenas trouxas e no coração, apertado pela saudade e o receio do desconhecido, uma devoção muito grande pela Virgem Maria e pelo Divino Es- pírito Santo, as brincadeiras com o boi, a festa de Reis, o gosto pela dança, pelos doces e um espírito sociável e tranquilo. À medida que o povoamento veio descendo para o sul, os portugueses foram trazendo con- sigo a festa do Bumba-Meu-Boi, que foi mudando de nome e adaptando-se de acordo com as carac- terísticas regionais: Boi-Surubim, Boi-De-Reis, Boi- -Calemba, Boi-Mamão. De acordo com as peculia- ridades de cada lugar, a festa adquiria um enredo diferente. No nordeste a festividade é muito alegre, cantada e dançada, contando com personagens pré-estabelecidos, que apresentam sempre o mes- mo andamento nas falas, nas danças e na música. Em Santa Catarina, um boi verdadeiro, assustado e enfurecido, corre pelas ruas, instigado pela turba que o enfrenta e provoca, causando, muitas vezes, graves acidentes. No Rio Grande do Sul, talvez pelo espírito mais belicoso e machista do gaúcho, a brincadeira é de enfrentamento; as pessoas desafiam o boi que corre no meio delas, e atrás delas, em uma desaba- lada correria. O historiador Dante de Laytano afirma que

este costume veio com os portugueses e que qua- se todos os municípios gaúchos, povoados por aço-

rianos, realizavam esta festa: Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha, Viamão, Osório, Tramandaí, Torres e muitos outros. Com o passar do tempo, a festa do boi foi caindo em desuso e no esquecimen- to, não tendo sido diferente em nosso município. Com o falecimento dos componentes do gru- po chefiado pelo Mestre Heitor Mota, todos com muita idade, o Bumba-Meu-Boi, sem uma pessoa que coordenasse e organizasse a festa, deixou de sair às ruas. Certo dia, os amigos Humberto Fossa

e Fermino Silveira, relembrando as peripécias de

infância, combinaram resgatar do esquecimento a

festa tão apreciada por adultos e crianças. Humberto ficou encarregado de mandar con- feccionar o boi e Firmino de organizar um grupo

para levá-lo às ruas. Recomeçou, então, há quaren-

ta e cinco anos, a Festa do Bumba-Meu-Boi.

Antigamente, o festejo era um pouco diferen- te. Na véspera do evento, o grupo levava o boi até a casa de um comerciante ou fazendeiro, convidando sua família para apadrinhar a festa e pintavam na anca do boi as iniciais ou a marca do convidado. No dia da correria, após percorrer o trajeto previsto, voltavam à casa do padrinho, onde eram “comes e bebes” e a Banda de Música, que acompanhava o grupo, animava um concorrido baile. Atualmente, o Bumba-Meu-Boi percorre al-

37 Fotos: Acervo do Departamento de Cultura de Encruzilhada do Sul
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Fotos: Acervo do Departamento de Cultura de Encruzilhada do Sul

Gabriel Schmidt Foto: DivulgaçãoFoto:

Foto: Divulgação

gumas ruas da cidade, até chegar à Avenida 15 de Novembro, já esperado por uma multidão e onde realmente a brincadeira acontece. O boi de pano é sacudido, empurrado, desafiado e corre atrás dos mais atrevidos. De tempos em tempos, o boi dei-

ta. É quando o “veterinário” explica para um grupo ou dono de um bar que o bicho está doente e que os “campeiros” precisam de ajuda para comprar

a vacina para tratá-lo. Após receber um donativo,

em dinheiro ou bebida, o veterinário simula injetar

o medicamento no animal, faz um sinal aos com-

panheiros e a festa continua. Esta festa de caráter estritamente popular já recebeu o troféu Cultura Gaúcha, do governo do Estado e foi oficializada pelo governo municipal pelo Decreto nº 1241, de 13 de fevereiro de 1991, pas- sando a fazer parte do calendário dos festejos do município. Após o falecimento de Humberto Fossa e Fermino Silveira, Diogo Kucharski, neto de Fermi- no, deu continuidade à organização do evento para que não caia no esquecimento a lembrança dos dois amigos e não deixe de acontecer a festa, úni- ca atualmente no Rio Grande do Sul, como aconte- ceu em outros municípios.

Santa Cruz do Sul

nomia. Colonizada a partir de 1849 por imigrantes alemães e emancipada em 28 de setembro de 1878. Com forte presença da cultura alemã , que pre- dominou por mais de um século, hoje da lugar a uma gama de influencias étnicas . Da tradicional

da lugar a uma gama de influencias étnicas . Da tradicional Oktoberfest, Santa Cruz do Sul

Oktoberfest, Santa Cruz do Sul orgulha-se também em sediar o Encontro de Artes e Tradição Gaú- cha – ENART, que acontece a mais de dez anos na capital do fumo, reunindo os melhores em cada categoria; da expressão artística e do gauchismo, organizado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).

organizado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Santa Cruz do Sul, cidade situada na região central do

Santa Cruz do Sul, cidade situada na região central do Rio Grande do Sul, destaca-se pela eco-

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Fotos: Gabriel Schmidt

No Brasil não existe um evento parecido com o Encontro de Artes e Tradi- ção
No Brasil não existe
um evento parecido com o
Encontro de Artes e Tradi-
ção Gaúcha, onde prendas
e peões vem das mais va-
riadas regiões do Rio Gran-
de do Sul e mostram para o
Brasil e para o Mundo o que
o estado tem de melhor na
arte tradicionalista. O Or-
gulhando-se de ser do Sul,
assim são os participantes
do Enart, impregnados de
um sentimento cívico dei-
xam sua emoção transbor-
dar, nas poesias, nas letras
das musicas e na dança,
reverenciando assim os atos
dos nossos antepassados, e
ainda indo além de um ato
artístico e cultural, mas de
um ato cívico de amor pelo
Rio Grande.
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Texto e organização do capítulo : Ana Gisele Silveira - professora de história e diretora

Texto e organização do capítulo: Ana Gisele Silveira - professora de história e diretora cultural da 6ª RT

O farol Verga foi construído em 1964 e o Fa-

rol Fronteira Aberta em 1996, sendo este derrubado pouco depois por fortes ventos. Em 1986 foi inaugurado o farol da Barra em São José do Norte.

A ocupação portuguesa se estendia no Brasil

somente até Laguna, em Santa Catarina, foi feita a

arrojada tentativa de ocupar o Prata, instalando-se

a Colônia de Sacramento, mas sem qualquer apoio de retaguarda.

Até o final do século seguinte, Portugal e Espa- nha alternaram-se na posse da Colônia do Sacra- mento, até que, depois de diversos tratados, a região terminou por ficar com a Espanha, trocada com uma grande área no Rio Grande do Sul, conhecida como Sete Povos das Missões, onde se concentra- vam reduções jesuíticas que, após a expulsão dos jesuítas e inúmeras guerras cisplatinas, acabaram sendo dizimadas, restando, atualmente, umas pou- cas ruínas no Brasil, Argentina e Paraguai. Diante dos conflitos na Colônia de Sacramen- to, as tropas espanholas procuraram fortalecer sua retaguarda ocupando Montevidéu e arredores,

e as portuguesas estabeleceram o seu núcleo de

apoio na cidade de Rio Grande, principal cidade portuária do Rio Grande do Sul. No atual Uruguai, pouco depois de Rio Gran- de, próximo ao Chuí, a posse esteve ora com a Co- roa Espanhola, ora com a Coroa Portuguesa. No lado português, depois de Rio Grande em direção ao sul, os imensos banhados e lagoas que separavam a região do Uruguai dificultavam

ocupação e, mesmo, a movimentação de tropas. Esta era a “terra de ninguém” ou os “Campos Neutrais”, reconhecido pelo Tratado de Santo Ilde- fonso. Campos Neutrais também terminou sendo

a

a

denominação de um povoado surgido na região

e

que atualmente tem o nome de Santa Vitória do

Morar no sul para nós é um orgu- lho extremo, já que vivemos no extremo sul do Brasil. Aqui na sexta região tradi- cionalista começa o Brasil. No ar ou no chão, existe algo de diferen- te no Rio Grande do Sul.

Enquanto não se descobre o que, tempo e vento vão moendo e remoendo uma cultura de so- taques e gosto fortes demais ao primeiro contato, igual a chimarrão amarguento.

O segredo da preservação do modo gaúcho

de ser, óbvio demais para ser entendido, se escon- de na engrenagem de transmissão, geração a ge- ração, de uma prática singela. Cada povoado conta de si mesmo e grava a receita histórica na memó- ria de alguém especial. As fronteiras abrem-se, as linhas de força entranham-se no subsolo social para demarcar in- teresses e posições, mas não engana quem tem os pés no chão e a forquilha da verdade na mão. E para falar do nosso orgulho fica até difícil, pois nos enaltecemos quando dissemos “Eu sou do Sul”. Neste capitulo iremos destacar o privilégio da nossa rica Costa Atlântica e seus faróis.

Os faróis

Desde 1525 inúmeros naufrágios foram rela- tados na Costa Atlântica, na fronteira sul do Brasil com o Uruguai.

A frequência deles diminuiu com a constru-

ção de faróis que proporcionam as embarcações os únicos pontos de referencia neste litoral sem acen- tuadas elevações. Entre 1909 e 1910 foram construídos os faróis da Barra do Chuí e o farol Sarita, próximo a Reserva Ecológica do Taim, o farol do Albardão, que foi subs- tituído por outro, em 1949, sendo conside- rado o mais solitário da costa brasileira.

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Palmar, município que é o principal ponto de apoio para uma visita a essa região. Essa área passou ao controle português quando o governador-geral da capitania que deu origem ao Rio Grande do Sul, dom Diogo de Souza, doou sesmarias aos oficiais que o auxiliaram na in- tervenção armada feita no atual Uruguai, a pedido do vice-rei espanhol, quando Artigas cercou Mon- tevidéu, durante a revolução de independência da Argentina (à qual estava integrada a banda oriental do Uruguai). Dom Diogo derrotou Artigas e, com esse trunfo, tomou a iniciativa de ocupar os Campos Neutrais, apesar do impedimento estabelecido no Tratado de Santo Ildefonso. Somente em 1851 houve o reconhecimento da posse e, quatro anos depois, é que surgiu a vila que daria origem ao atual município de Santa Vitória do Palmar.

Cemitério de navios

São muitas as histórias do banditismo nos Campos Neutrais. Assaltantes, ladrões de gado e assassinos, procurados pela Coroa Portuguesa e pela Coroa Espanhola, aterrorizavam a população da região, transmitindo-se, de geração a geração, in- formações esparsas que terminaram chegando aos livros de história, algumas das quais muito curiosas. Conta-se, por exemplo, que havia grupos es- pecializados no ataque a navios que passavam pró- ximo à costa. Colocavam tochas nos chifres dos bois para simular a existência de faróis sinalizadores, desviando assim a rota das embarcações. Como a costa é muito perigosa, com traiçoeiros bancos de areia, e o mar bastante agitado, os navios acabavam encalhando e, então, eram saqueados. Entre Chuí e Maldonado, no Uruguai, contam- -se 60 navios encalhados próximo à costa -- uns atraídos pelos saqueadores e outros em conse- quência das condições da costa, com bancos de areia e muitas rochas. Entre Chuí e Rio Grande existem também inúmeros navios. Embora se conte que alguns de-

les estariam carregados com prata e ouro que se- guiam das colônias espanholas para a Espanha, até hoje ninguém conseguiu provar isso, não ha-

vendo qualquer pista dos tesouros. Mas os navios estão lá. Como são muitos, a região chega a ser apontada como sendo um cemitério de navios.

O navio mais famoso, afundado na região, é

o “Prince of Wales”, de bandeira inglesa, que deu

origem à chamada “Questão Christie”, relatada em

nossa história. Depois do naufrágio, a 30 quilôme- tros ao sul do Farol do Albardão, os ingleses acusa- ram os brasileiros de terem saqueado o navio. Indignados com a acusação, moradores da cidade de Rio Grande chegaram a fazer uma pas- seata de protesto na cidade. E hoje, mesmo passa- do tanto tempo, ainda há quem veja o que restou do velho navio, quando a maré está muito baixa.

O Farol do Albardão está a 87 quilômetros

da Barra do Chuí, pela beira da praia, a região é deserta, as praias perigosas com o sobe e desce das marés, mas quem arriscar uma aventura pode fazer um passeio muito bonito, viajando com muito cuidado até o local, aconselhando-se bem sobre as condições do trajeto, em Santa Vitória do Palmar. Além do Albardão, há ainda o Farol Sarita, na divisa dos municípios de Santa Vitória do Palmar

e Rio Grande, 135 quilômetros da Barra do Chuí. O

acesso até lá também pode ser feito por barco ou pela beira da praia, valendo a recomendação feita em relação ao Albardão: ninguém deve se aventurar

a fazer a viagem antes de ouvir o pessoal que conhe-

ce bem o percurso pois, se a maré subir rapidamen- te, não haverá para onde fugir com o carro. No farol da Barra do Chuí também é possível fazer visitação. Trata-se de um lugar igualmente in- teressante e de acesso mais fácil, a partir do Chuí.

Farol Chuí

O farol da Barra do Chuí é um farol situado

na desembocadura do Arroio Chuí (do qual rece- be o nome) no balneário da Barra do Chuí perten- cente ao município gaúcho de Santa Vitória do Palmar. No extremo sul do Brasil próxi-

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Sergio Olivera Foto: Sergio OliveraFoto:

mo à fronteira com o Uruguai. O Farol foi erguido em um terreno doado por João Pedro Pereira (Joca Documento) que havia sido nomeado faroleiro. Em 1910 foi inaugurado a primeira com armação de fer- ro e, em 1934, uma torre metálica que não resistiu muito tempo, a construção da atual torre começou em 1941. Torre cônica em concreto, com 4 estreitas longarinas laterais, lanterna e galeria dupla. Farol pintado com faixas horizontais brancas e vermelhas. É considerado o farol mais avançado do Bra- sil. Possui iluminação automática e “Rádio farol” com alcance de 30 milhas.

automática e “Rádio farol” com alcance de 30 milhas. Farol Albardão Foi inaugurado em 03 de

Farol Albardão

Foi inaugurado em 03 de maio de 1909, o primeiro de uma rede que com- plementaria ilumina- ção de costa entre Rio Grande e divisão com o Uruguai. Esse trecho conhecido como Praia do Cassi- no, apresentava a mé- dia de um naufrágio por ano.

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no, apresentava a mé- dia de um naufrágio por ano. 44 Farol Verga O Farol Verga

Farol Verga

O Farol Verga possui 11 metros de altura e foi

construído em 1964.

Farol Sarita Inaugurado em 12 de outubro de 1908, ele leva o nome de um
Farol
Sarita
Inaugurado
em 12 de outubro
de 1908, ele leva o
nome de um navio
naufragado naque-
le local nesse ano.
Sua primeira torre
foi do tipo Mitchell
da marca BBT.
Foto: Sergio Olivera
Foto: Sergio Olivera

Farol da Barra

O atual farol de São José do Norte foi inaugu-

rado em 1896. Possui 31 metros de altura e seu fa- cho luminoso tem o alcance de 10 milhas náuticas, está localizado na povoação da Barra.

Foto: Divulgação

Farol Estreito

O Farol do Estreito na cidade de São José do

Norte, torre de armação metálica com 30 metros de altura.

Reserva ecológica do Taim

A Reserva ecológica do Taim entre os mu-

nicípios de Santa Vitória do Palmar e Rio Grande

é uma das principais do país. Hoje encanta nela

sua beleza e resguardo do que dá à flora e fauna silvestre de nossa biosfera. Por ser uma área de preservação ambien- tal e estando assegurada por lei federal somente embeleza os passantes da BR 471 e os que estão em seu entorno. Justo é que a mesma seja preser- vada que para tanto, fique defendida à ocupação

humana que, sabidamente dentro da história da humanidade, é uma predadora incansável e que somente toma providências, as vezes, tardiamente, quando o ambiente já está degradado fisicamente

e com grande número de animais desaparecidos,

inclusive vítimas de extinção. No entanto, deveríamos encontrar uma fór- mula para que a circulação racional fosse feita, através da criação de um parque e que todos, in- discriminadamente, pudessem apreciar interna- mente a beleza da região, numa exploração hote-

leira onde mais uma riqueza viria a dar suporte a essa região.

A Estação Ecológica do Taim é a mais im-

portante do Rio Grande do Sul. Fica a 120 km da sede do município, com acesso direto pela BR 471. São Cerca de 33.000 hectares, sendo que 70% dessa área fica em Santa Vitória do Palmar e os restante 30% no município do Rio Grande. É um ecossistema dominantemente pantanoso, com ve- getação e fauna típicas. Belos bosques circundam os banhados em anéis de figueiras e corticeiras, além de dunas na extensão intermediaria com as praias litorâneas. Além de inúmeras espécies de peixes e animais silvestres (jacarés, lontras, capi- varas, ratões do banhado, aves aquáticas de nume-

capi- varas, ratões do banhado, aves aquáticas de nume- rosas espécies habitam o banhado ou migram,

rosas espécies habitam o banhado ou migram, fazendo dali um ponto de parada obrigatório, des- tacando-se entre elas cisne- do- pescoço-preto, colheiro-marrecas. Por causa do solo alagado e da fauna muito rica, recebeu o apelido de “Panta- nal Gaúcho”. Aqui vivem cerca de 230 espécies de aves (entre agosto e janeiro é o melhor período para avistá-las por conta da chegada de aves mi- gratórias). Também há jacarés-de-papo-amarelo, preás, capivaras, lagartos e cerca de 60 espécies de pei- xes. Ao percorrer de carro os 15 km da BR-471 que atravessam a região, são possíveis observar animais, mas o melhor é caminhar nas quatro trilhas monitoradas (agendar com a ONG NEMA, 3236-2420; grupos de quatro a cinco pessoas, 1h30 a duas horas). Na trilha da Figueira, podem aparecer jacarés, cisnes e o maçarico-do-bico- -torto. A Trilha da Capilha visita a vila homônima (com uma capela do século 19), falésias e a lagoa mirim. A trilha do tigre vai até os campos de ba- nhado. A Trilha das Flores leva à praia e passa pela Lagoa das Flores. A sede fica no km 537 da

BR-471, 100 km (Instituto Chico Mendes, 3503-3151, 2ª/6ª 8h30/12h e 13h30/18h.

O clima regional é subtropical, com tempe-

ratura média anual de 18graus, e precipitação anual média de 1100m mm.

O inverno é frio e chuvoso, o verão quente

e seco, apresentam ventos bastante in-

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Airton Madeira Foto: Airton MadeiraFoto:

tensos.

O

relevo é suave, caracterizando uma pla-

nície com micro relevos, de pouca expressão al- timétrica.

A vegetação é exuberante em macrófitos.

Encontram-se matas de restinga turfosa e areno- sa, Campos Secos (com denso extrato arbóreo) e de várzeas.

A fauna tem uma diversidade muito gran-

de devido a variedade do habitat. O ecossistema

terrestre é representados por insetos, artrópodes. aves e mamíferos o ecossistema límnico, repre- sentado por aves e quelônios. Os agrossistemas no entorno da área provo- cam a deficiência de água e diminuem a qualida- de do solo, havendo grandes prejuízos econômi- cos e ambientais. Outros problemas enfrentados pela reserva são; as queimadas, os atropelamen- tos de animais na BR 471, a pesca e caça. Sua finalidade é a preservação de um gran- de viveiro de animais e vegetais distribuídos em banhado, campos, lagoas, praias arensas e dunas litorâneas. Na região são encontradas flora e fau- na nativas em abundância.

O Taim é um importante berçário das aves

migratórias. Algumas viajam milhares de quilô- metros provenientes da região Ártica ou Antár- tida.

Além das aves, esse ambiente favorável abri- ga a maior variação e mamíferos do Brasil. Encontramos na estação Ecológica do Taim várias espécies de animais como capivaras, ra- tões, jacarés, tartarugas, tachá, garça vaqueira entre outras. Conhecer e ajudar a preservar o Taim é ga- rantir a sobrevivência do ambiente e das espécies legando às nossas gerações futuras um ecossis- tema de inestimável valor cientifico, econômico e social.

Este foi um trabalho embasado no estudo de livros e sites de informação e pesquisa com pessoas conhecedoras da região. As fotos da re- serva Ecológica do Taim do acervo do Dr. Airton Madeira Cirurgião Dentista, e a colabo- ração da Professora de História Car-

e a colabo- ração da Professora de História Car- mem Avila Fuculo com Pós Graduação em

mem Avila Fuculo com Pós Graduação em RS/ Sociedade, Política e Cultura. É um grande orgulho poder mostrar nossa

região a todos, uma beleza que para nós é incom-

Nossa região tradicio-

nalista que compreende os municípios de Chuí, Santa Vitória do Palmar, Rio Grande e São José do Norte, tem inúmeras belezas a mostrar, uma rica história a explorar, mas nesse capítulo trou- xe algo que fosse de igual para toda a região, pois temos orgulho de sermos ligados pelos belíssimos faróis que contam um pouco de nossa história. Também não poderíamos deixar de falar da reserva ecológica do Taim, pela sua imensurável beleza reconhecendo-a como um dos maiores or- gulhos de nossa região. Encerrando este capitulo a sexta região tra- dicionalista tem orgulho em participar desta edi- ção e estar apresentando as belezas da região.

parável pois ela é

tem orgulho em participar desta edi- ção e estar apresentando as belezas da região. parável pois
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Organização do capítulo : Departamento cultural da 7ª RT Textos: Autores diversos maiores debates literários

Organização do capítulo: Departamento cultural da 7ª RT Textos: Autores diversos

maiores debates literários da América Latina que

ocorre a cada 2 anos no Circo da Cultura. O even-

to tem como objetivo o incentivo a leitura através

da formação de leitores em múltiplas linguagens.

A Jornada está em sua 15ª edição e a Jornadinha,

destinada as crianças, em sua 7ª edição. A jornada tem como idealizadora e organizadora, desde 1981, Tânia Rosing, e engloba a Academia Brasileira de Letras com seminários, debates, prêmios, cursos, espetáculos, exposições e pesquisas. Através de uma proposição do vereador Mar- cos Cittolin, desde 1º de junho de 2004, Passo Fundo transformou-se na Capital Nacional da Literatura.

Festival Internacional de Folclore

(Por Ariele Cristine Hannecker)

Um grupo de pessoas de Passo Fundo, ao serem escolhidos para representar o CIOFF-RS, e após participar de 2 festivais de folclore em SP, idealizou um festival no sul do país, mais precisa- mente em Passo Fundo, visto que outros festivais do Brasil aconteciam em sua grande maioria no

Foto: Diogo Zanatta
Foto: Diogo Zanatta

A história da região Norte do Rio Grande do Sul e a intensa relação do homem com seu espaço possuem uma forte origem no Tropei- rismo. As expedições guiadas por homens – conhecidos “Tropeiros” – e o “cavalo madrinha” sempre a frente da tropa, fizeram de seus posos em fazendas no caminho entre a Vacaria do Mar e as feiras de São Paulo, verdadeiras vilas que, ao passar do tempo, deram origens às cidades e à po- pulação por entre as estradas dos trabalhadores. Passo Fundo e outras cidades que faziam parte desse caminho foram logo cedo influencia- das pela vida dos homens que juntamente com o transporte do gado e das mulas, traziam artigos oriundos da região sudeste e desenvolveram, em consequência, os vilarejos das redondezas. Entre- tanto, não somente na economia, os Tropeiros fize- ram despertar um sentido único aos moradores. Em suas ânsias para voltar ao Rio Grande, criaram um grande sentimento pelo nosso estado e após suas vidas dedicadas ao trabalho, acabaram por terminá-las próximas de onde construíram seus laços e assim, transmitirem os sentimentos e valo- res ganhos com as viagens. Os livres viajantes a trabalho, enraizaram-se ao nosso estado e permitiram-se enaltecer o senti- mento existente entre o povo e a sua cultura, com os diversos fatores que hoje nos fazem sentir per- tencentes ao que chamamos de “Sul”!

PASSO FUNDO

Jornada Nacional da Literatura

(Por Ariele Cristine Hannecker)

Passo Fundo é sede da Jornada Nacional da Literatura as 30 anos (bienal), um dos

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norte do País. A primeira edição do Festival Inter- nacional de Folclore de Passo Fundo aconteceu de 17 a 31 de agosto de 1992, tendo como local o Parque de Exposições Wolmar Salton. Seu tema central foi “O Encontro de Dois Mundos”, em comemoração aos 500 Anos do Descobrimento da América e con- tou com o apoio de diversas entidades locais. Esse evento só foi possível após a elaboração e aprova- ção de um projeto pelo então Prefeito Municipal, Eng. Airton Lângaro Dipp no dia 10 de Maio de 1991. Desde então, o festival acontece bienalmente, com a presença de artistas locais e estrangeiros, disseminando culturas em um só lugar. Entre os dias 15 e 23 de agosto de 2014 apresentará sua XII Edição no Circo da Cultural, que teve sua estrutura ampliada e hoje é montada no Parque da Gare em Passo Fundo.

O monumento ao Teixeirinha

(Por Ariele Cristine Hannecker)

Feito com sucatas e diversos tipos de me- tais, o monumento em homenagem a Vitor Ma- theus Teixeira, o Teixeirinha, chama a atenção de quem passa pela Av. Brasil (quase esquina com a Rua Sete de Setembro) em Passo Fundo – RS. O projeto arquitetônico é uma obra de Paulo Siqueira e deixa uma grata lembrança do cantor Teixeirinha, que levou nome da cidade estado e Brasil a fora, através da música cancioneira “Gaúcho de Passo Fundo”.

Romaria de Nossa Senhora Aparecida

(Por Alexandre da Rosa Vieira)

A Romaria de Nossa Senhora Aparecida, que acontece na cidade de Passo Fundo anualmente é uma destas fortes construções da cultura gaúcha na atualidade. Conforme acontecia o crescimento da comunidade e a construção de novas igrejas e capelas, ampliou-se também a necessidade de formação de mais padres, então a já Diocese de

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Passo Fundo ergue na saída para Porto Alegre o Seminário que responde por Nossa Senhora Apa- recida. Em sua abertura, aconteceu uma pequena procissão em torno de um eucalipto do pátio tendo a presença de sacerdotes, seminaristas e algumas pessoas da vizinhança nos idos de 1977. Hoje, a pro- cissão tomou grandes proporções, agrega em torno de 200 mil pessoas (o equivalente a população da cidade), saindo da Catedral Nossa Senhora Apareci- da e percorrendo sete quilômetros até o Seminário. Acontecendo oficialmente no segundo domingo de outubro a população se reúne em caminhada, mis- sa, bênçãos e comemoração. Já no sábado, grupos de cavaleiros acompanhados de motociclistas e ou- tros tantos perfazem o caminho de procissão no lombo do cavalo até o Santuário em honra a Santa que é precedido pela romaria das crianças. O san- tuário Arquidiocesano de Aparecida fica localizado as margens da RST 153, Km 3, saída para Porto Ale- gre, em Passo Fundo. Tem celebrações dominicais, às 8h30min e as 16h, e todo dia 12 de cada mês tem missa festiva em preparação a grande ro- maria, as 16hs.

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Capela e Procissão em honra a São Miguel Arcanjo

(Por Tiarajú Lopes)

A Capela de São Miguel tem a procissão

mais antiga do interior do Rio Grande do Sul, foi fundada em 1870 e as procissões iniciaram no ano de 1871. Segundo a lenda regional, dois escravos que voltavam da guerra do Paraguai encontraram

a estatueta do Arcanjo Miguel em São Miguel, a

estatueta era do Arcanjo de mesmo nome, como pai e filho eram escravos de Castanho da Rocha levaram a escultura para as terras de seu proprie-

tário, local onde está situada a capela até hoje. Os escravos a construíram de pau a pique e santa-fé,

e hoje em dia ela é tombada pelo município como

patrimônio Histórico. Já foram realizadas por 142 anos a procissão e a festa de São Miguel, o trecho de 05 quilômetros de caminhada levou no ano pas- sado mais de 20 mil fiéis as ruas de Passo Fundo.

João Alves Castanho Filho – Trova de Martelo

(Por Júlia Lara)

João Castanho. Com 82 anos, o sargento apo- sentado da Brigada Militar, se encantou pelo tradi- cionalismo ainda menino e, como poeta e compo- sitor, foi um dos criadores da “Trova do Martelo”. Dentre suas principais composições estão: Picas- so Velho, Morena Luxuosa e Rio Passo Fundo. Casa- do com Dalila Pedroso, Castanho é pai de 4 filhos, nasceu em Passo Fundo, na região do Rio Pinheiro Torto, perto da Igreja de São Miguel. E foi ali que, incentivado por grandes amigos, iniciou a carreira de trovador e compositor. Teve participação na fundação de Entidades Tradicionalistas como o CTG Lalau Miranda e a Associação de Trovadores Pedro Ribeiro da Luz. Em sua vida, traz como grande feito, ter tido bons amigos, gaiteiros e poetas que trouxeram alegria para si e para toda a sua famí-

lia. Companheiros como os trovadores Teixeirinha, Gildo de Freitas, Portela De Lavid, Orlei Caramês, Valdir Garcia e Pedro Ribeiro da Luz. Sobre a cria- ção do estilo de trova denominado “Trova do Mar- telo”, ele lembra que a ideia surgiu na década de 50 quando viajavam muito se apresentando, na épo- ca da fundação do CTG Lalau Miranda, entidade que representavam em todos os pagos gaúchos. O trovador faz questão de afirmar que o gosto pela tradição, pelo gauchismo e pela música, foi incenti- vado pelo amor que tem pela cidade onde nasceu, encontrou amigos, família e muitas alegrias.

MARAU

A Rota das Salamarias, um legado italiano

(Por Júlia Rigo e Angela Zanin)

A Rota das Salamarias teve seu lançamen- to oficial no dia 18 de agosto de 2008 e tornou-se o projeto pioneiro no ramo de turismo no município de Marau. Localizada às margens da ERS 324, dis- tante 20 quilômetros de Passo Fundo, se dividem entre as comunidades de Nossa Senhora do Car- mo, São Luís da Mortandade e Sede Independên- cia Taquari. A iniciativa de montar a rota com a temática do salame possui bases bem concretas:

o frigorífico Borella, produtor de salames, foi o res- ponsável, nos anos 50, pelo grande impulso para

Foto: Divulgação
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o desenvolvimento industrial da cidade. E mais, a

Perdigão, hoje Brazil Foods, que veio substituí-lo, é uma das maiores fontes empregadoras da cidade.

A qualidade do salame de Marau sempre fez su-

cesso na região e também na capital, tanto que a Brazil Foods mantem a marca Borella para produ- tos especiais (BERNARDI, 1992).

A Rota das Salamarias tinha a intenção de viabilizar uma rota que pudesse potencializar eco- nomia, turismo, cultura e a permanência de uni- dades e/ou membros na atividade rural/agrícola,

ou seja, dinamizar pluriatividades rurais, agrícolas

e não agrícolas, com conotação mercantil e que

prestasse serviços de turismo rural, gastronomia, educação ambiental e que fosse promotora da per- manência de filhos nas pequenas unidades familia- res que a compõe.

VILA MARIA

As Cascatas

(Por Marina Giollo)

Vila Maria, localizada no norte do RS, a cerca

de 45km de Passo Fundo ostenta o título de capital regional do ecoturismo. Três principais cascatas são cartões postais do município. A cascata do Maringá é a mais alta, com 54 metros de queda d’água. Para aproveitar a força da água, no mesmo lugar existe uma usina hidrelétrica. O camping do Maringá conta ainda com trilhas, pinguelas e vá- rias atividades ao ar livre.

A cascata das Bruxas tem uma queda d’agua

de 37 metros, e o cenário com o grande cânion tor- na o ambiente ainda mais belo. Por ser um local com mato fechado, as visitas precisam ser agen- dadas entrando em contato com a prefeitura de Vila Maria. A terceira cascata é a do Porongo, com 31 metros de queda. A área conta com camping de futebol, bares e locais para acampamentos. Se localiza a 4km da cidade de Vila Maria, é a mais próxima do município.

CIRÍACO O Cristo Redentor

Foto: Divulgação Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

(por Leonel Castellani)

O Cristo redentor da cidade de Ciríaco – RS,

fica no ponto mais alto da cidade, onde se pode enxergá-la inteira, uma vista agradável e que refle- te calma a quem vê. Em 24 de abril de 1995, foram iniciadas as escavações para as fundações e dois

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dias após feita a primeira explosão de rocha; Em 18 de setembro de 1995, foi concretada a cabeça, procedendo-se a seguir, os arremates da obra; Dados oficiais:

- Escavação da Rocha: 65m³;

- Profundidade da escavação: 1,80m;

- Volume de concreto armado de todo o monu- mento: 34m³;

- Tijolos furados, para enchimento: 10.500 um; - Peso total da estrutura: 155 ton.;

- Altura do pedestal: 5,50m;

- Altura dos pés até sobre a cabeça: 19,80 m.;

- Largura da ponta dos dedos entre as mãos:

13,20m.;

- Desnível total do chão até sobre a cabeça:

20,30m.;

- Escadaria de acesso: 174 degraus.

ÁGUA SANTA

Eg Ba (Nossas marcas)

A sociedade não indígena conhece os forma- tos geométricos dos desenhos Kaigang ( povo indí- gena que habita várias regiões do RS ) principal- mente por estarem presentes em suas cestarias, que são comercializados nos centros urbanos das cidades que estão entorno de suas aldeias. O que a sociedade desconhece é que muito além dos dese- nhos geométricos, as figuras possuem uma iden- tidade que caracteriza os kaigang, estando intima-

mente ligada ao dualismo clânico, que os estrutura socialmente. Desta forma percebe-se que a identidade de cada indivíduo é muito importante para o kaikang,

o entendimento de quem são seus parentes, isto

não com relação a consanguinidade, os parentes da sua marca que possuem o mesmo rá que o seu, porque a vida do indivíduo será toda organizada de acordo com a sua metade, o seu nome Kaigang terá a ver com a sua marca.

A importância do grafismo para a preserva- ção e valorização da cultura Kaigang SÃO DOMINGOS
A importância do grafismo para a preserva-
ção e valorização da cultura Kaigang
SÃO DOMINGOS DO SUL
(Por Vanderleia Belegante Nervo)
A fé e devoção ao
Monsenhor João Benvegnú
(Por Isadora Focher)
Foto: Divulgação
Monsenhor João Benvegnú nasceu no dia
12/08/1907, a margem do Rio Taquari, no municí-
pio de Muçum, hoje Santa Teresa. Filho de Fidélis e
Maria Benvegnú Moretti, vindos da Itália em 1898,
se criou em um ambiente de oração familiar. Em
1922 ingressou no Seminário Menor de São Leopol-
do. Por causa da saúde quase deixou o Seminário.
Interrompeu os estudos por duas vezes: em 1927 e
1929. Muito sofrimento lhe custou a ideia de ter que
deixar o Seminário. Mas as orações e a vontade fir-
me de ser Padre o levaram a lutar pela vocação. Foi
ordenado sacerdote em 16/09/1934. Celebrou sua
primeira missa solene em sua terra natal. Monse-
nhor João Benvegnú, trabalhou como pároco de
São Domingos do Sul por mais de 50 anos, durante
esses anos de sacerdócio, guiava espiritualmen-
te
os paroquianos, ficou muito famoso pelas suas
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diversas bênçãos, através da intervenção de Deus solicitava a proteção das lavouras. Outras bênçãos também distribuídas eram a bênção do sal e da água, bênção da saúde, dos objetos para proteção das casas, motorista, e outra para aqueles a quem ele amava a bênção das crianças. Grande líder na comunidade, estão dentre suas iniciativas comunitárias está uma usina hi- drelétrica, a Empresa Quatipi, o telefone entre São Domingos e o Hospital de Parai (líder da constru-

ção), a escola, pequenas indústrias de queijo, óleo de soja, frigorífico, salame e banha. O Padre João faleceu em 03/01/1986. Todo ano, é realizada a Romaria vocacional em sua hon- ra esta acontece no primeiro fim de semana do ano, inicia na quarta-feira com tríduo, no sábado a noite é feita a famosa Procissão Luminosa onde os mistérios são representados os mistérios em clima de oração e no domingo as missas campais com as famosas bênçãos. Hoje, Monsenhor João Benvegnú

é considerado Servo de Deus pelo Vaticano.

CARAZINHO

Seara da Canção Gaúcha

(Por Alessandra Hoppen)

Como um dos maiores festivais da música nativista, a Seara da Canção Gaúcha até hoje é re- conhecida como um dos festivais mais representa- tivos do estado. O festival carazinhense teve início no ano de 1981 a partir do programa da Rádio Ca- razinho “Raízes do Sul” do locutor Aylton de Jesus Magalhães. A escolha do nome vem de encontro à

identificação regional, onde “Seara” tem o significa- do de Campo Cultivado, o que se identificaria com

a vocação de produtor primário de Carazinho. Até

hoje, foram dezoito edições de deste festival, que presentearam seu o público com músicas inéditas, das quais, muitas fizeram sucesso e até hoje são lembradas. Exemplo disto é a música “Até Quando

Deus Quiser”, apresentada na 13ª Seara da Canção Gaúcha por Paulo Ferreti, Gabriel Ferreti e Ban- da, que acabou sendo regravada por Fábio Júnior, bem como a conhecida grande campeã de todas

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

as Searas, a composição Santa Helena da Serra, interpretada por Rui Biriva e Daniel Torres. Grande parte dos poetas, músicos, interpretes e instrumen- tistas que conquistaram seu espaço e prestígio foram através dos festivais nativistas, em especial da Seara, como Porca Véia, Daniel Torres, Cezar Passarinho, Borguetinho e Rui Biriva.

Museu Olívio Otto

(Por Paloma Drum Schacht)

Assim como outros museus do país, também

o museu de Carazinho teve seu surgimento por

iniciativa particular. Seu começo foi marcado por

um desastre aéreo, quando no ano de 1957, Antô- nio Carlos Otto faleceu em consequência de um

acidente de avião. Na ocasião, seu pai, Olívio Otto, recolheu a ponta da asa do avião que restou do acidente e junto com outros pertences deu início

a uma coleção particular, que, aos poucos, come-

çou a aderir objetos representativos da história da cidade e região, através de aspectos religiosos, po-

líticos e de ciências naturais. Até o ano de 1972, Olí- vio Otto reuniu mais de 6 mil peças, que lotavam

o porão de sua casa onde funcionava seu próprio

museu. A partir desta data, sua coleção distinta

Foto: Divulgação

passa a ser conduzida sob responsabilidade da

Prefeitura Municipal, sendo instituído assim, o Mu- seu Regional do Planalto, que nos anos seguintes recebe nova alcunha chamando-se Museu Muni- cipal Pedro Vargas - em homenagem ao fundador de Carazinho. Quando Olívio Otto vem a falecer, a instituição passa a levar seu nome como denomi- nação, uma forma de homenagear quem reuniu as primeiras peças do museu. No início do séc. XXI, o espaço cultural, con- siderado um dos maiores acervos do interior do estado, é reinaugurado, sendo uma das primeiras instituições do país a estar adaptada ao estatuto dos museus, assim, tornando-se destaque estadual

e nacional, principalmente por sua estrutura pro-

fissionalizada. Hoje, o Museu Olívio Otto, contando com um acervo diversificado de cerca de 15 mil pe-

ças, estrutura-se em dois núcleos: Núcleo de Histó- ria e Cultura e Núcleo de Ciências Naturais, além do setor de Salvaguarda e Conservação do Acervo

e Extensão e Ação Educativa, sempre levando como

missão retratar a história local, consolidando-se como um ponto de referência cultural na região e orgulho para os cidadãos carazinhenses.

CHAPADA

Capão da Mortandade – A degola do Boi Preto

(Por Anarlique Izaura Vieira Schneider)

O Capão da Mortandade (distrito de Boi Preto

– Chapada) foi um dos locais que sediou um emba-

te da Revolução Federalista, entre os anos de 1893 e

1895, de um lado o governo republicano, de outro os

federalistas. No ano de 2011, durante a 10ª cavalgada da Independência, foi promovida a encenação da degola do Boi Preto contou com aproximadamen- te 50 pessoas em uma promoção dos municípios de Nova Bassano, Novo Barreiro, Barra Funda e Chapada. A degola ocorreu em 05 de abril de 1894, deixando 370 maragatos mortos, através da degola, em uma emboscada, tornando a partir de então ra- dical as próximas atitudes a serem tomadas pelos oponentes. Toda a atividade teve início em uma sexta-feira em Novo Barreiro, percorrendo 50 km até o Capão da Mortandade, onde finalizou com a encenação na tarde de domingo. Segundo os organizadores,

o objetivo da promoção era relembrar a degola de

Boi Preto, desconhecida por muitos, e fazer uma reverência a tantos combatentes que perderam suas vidas nesse episódio.

Foto: Divulgação
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Texto e organização do capítulo : Marília Dornelles - diretora cultural da 8ª RT Como

Texto e organização do capítulo: Marília Dornelles - diretora cultural da 8ª RT

Como falar do Rio Grande do Sul sem lembrar o sabor do churrasco gaúcho? O principal prato da culinária do nosso estado! A diversidade cultural que prevalece na formação do homem gaúcho faz com que o mesmo prato seja elaborado de formas diferentes em cada região do nosso Rio Grande do

Sul. Coube, a cidade de Lagoa Vermelha, através do seu corte diferenciado e de seus saborosos chur- rascos realizar a Festa Nacional do Churrasco e da Comida Campeira. Diversos autores têm variações de conceito para a palavra churrasco. Segundo Rogue Calla- ge, em seu Vocabulário Gaúcho, 1962, refere-se a churrasco: carne sangrenta assada no espeto. É o mais tradicional alimento dos rio-grandenses.

O churrasco no espeto aparece com registro no

A 8ª Região Tradicionalista traz em sua historia um legado de feitos que engrandecem sua tradição: a indumentá- ria, as danças pesquisadas nos Campos de Cima da Serra por Paixão Cortes e Barbosa Lessa, a paisagem natural, o homem serrano, o tro- peirismo, artistas, como Porca Veia, Os Serranos, enfim, vários aspectos de nossa cultura que nos fortalecem. Mas, a culinária campeira, principal- mente o churrasco e o berço do tiro de laço, serão destacados neste livro por nos permitir abrir por- teiras e cruzar fronteiras. Destacar a importância campeira da 8ª RT e seu legado para o homem campeiro nos permite dizer que somos do Sul!

Churrasco Lagoense Foto: Lauri Terezinha B. de Almeida ano 1900. Desde tempos passados o homem
Churrasco Lagoense
Foto: Lauri Terezinha B. de Almeida
ano 1900.
Desde tempos passados o homem come
churrasco, nas mais distantes áreas do mundo o
homem mastiga a carne sob a forma de churras-
co. O gaúcho sempre diferenciou o churrasco do
assado. O churrasco é feito no espeto e o assado
na grelha ou no girau, (uma armação de pau usa-
da (antigamente à guisa de grelha). Os primeiros
gaúchos atiravam a carne diretamente ao fogo e a
cinza servia de sal.
Tipos de churrasco
Assado no barro: Na campanha era muito
comum envolver a carne em lama e tapar com ter-
ra. Acendia se sobre ele um fogo forte por quatro
ou
5 horas. Apos este tempo, o assado era desenter-
rado e o barro endurecido era quebrado e dentro
estava uma carne suculenta e saborosa.
Assado campeiro: Quando se tem pressa de
assar a carne. Um processo ainda muito usado é o
assado de labareda. Espeta-se a carne em um es-
peto comprido e faz-se um fogo grande, segurando
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Foto: Lauri Terezinha B. de Almeida

o espeto por uma ponta, leva-se ao fogo de um lado

e do outro, virando a carne dentro da labareda. Em 15 minutos o churrasco esta pronto. Assado na grelha: é exclusivamente fronteiri-

ça, herança castelhana.

Churrasco Serrano

O espeto é usado em todo estado, mas so- mente na região dos Campos de Cima da Serra, mais precisamente nas cidades, Lagoa Vermelha, Caseiros, Capão Bonito do Sul, o espeto é feito de guamirim. Na serra o espeto sempre é deitado, apoiado em dois varais a uma altura media de 60 centímetros. A carne é movimentada permitindo um assado uniforme.

Foto: Lauri Terezinha B. de Almeida
Foto: Lauri Terezinha B. de Almeida

Um churrasco bem serrano deve ter carne

de gado ou de ovelha. No gado a preferência esta

nas costelas, principalmente a “minga” (flutuante)

e

o granito (carne de peito). O matambre também

e

muito apreciado e deve ser retirado antes de as-

sar a costela, pois se ficar a mesma endurece. Se o

churrasco for ao meio dia a rês deve ser abatida no dia anterior, para que passe a noite enxugando ou oreando e assim ficar mais macia. As mantas de carne que forem salgadas e não foram assadas de- vem ficar no vento para orear ou para charquear.

A espessura da carne para churrasco é mais

grossa que o charque. Quando a quantidade de

carne a ser assada for grande deve-se salgar com antecedência, empilhando a carne para dissorar. Na cidade de Lagoa Vermelha costuma-se salgar a carne antes (8 horas, em media) com sal que é consumido pelo gado. Usando somente este sal será evidenciado o sabor da carne. O acompa- nhamento é pão e farinha de mandioca.

da carne. O acompa- nhamento é pão e farinha de mandioca. No corte a rês é

No corte a rês é abatida pela sangria, ou seja, pela secção da veia jugular e artéria carótida. Após a morte é retirado o couro do animal. Quan- do são cortadas as patas (membros anteriores e posteriores) nas juntas (articulações) e vicerados (vísceras). A cabeça é separada do corpo na arti- culação dos ossos, axis e atlas, retira-se a paleta, o matambre, as mantas (porção de carne que é de- sossada), do pescoço, do costilhar (músculos que cobrem as costelas) e o quarto. Vira-se a carcaça e repete a operação. As mantas, os quartos e as pale- tas são charqueados (arte de uniformizar a espes- sura das porções da carne) e os soquetes (ossos sem músculos) são descotonados (desarticulados). Para o churrasco as mantas são cortadas no senti- do do comprimento, em porções que variam de 4 a 5 kg, em media. No espeto são colocados grandes pedaços de carne. Salgados e espetados são leva- dos para assar no moqueio (local ou buraco feito com tijolos, onde se queima e lenha ate ficar em brasa).

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Fotos: Lauri Terezinha B. de Almeida

Este corte permitiu que principalmente a ci- dade de Lagoa Vermelha fosse reconhecida como a capital do churrasco e da comida campeira. Esta festa que esta em sua XVII edição, permite que todos os gaúchos apreciem esta iguaria que com certeza nos da muito orgulho em dizermos que so- mos do sul. A Festa Nacional do Churrasco e Comida Campeira é realizada juntamente com o Rodeio Crioulo Internacional, no parque de rodeios Íta- lo Nunes Mandadori, Lagoa Vermelha, no mês de

rodeios Íta- lo Nunes Mandadori, Lagoa Vermelha, no mês de janeiro nos anos impar do calendário.

janeiro nos anos impar do calendário. Os restau- rantes do parque são instruídos a servir a típica comida campeira procurando chegar o mais perto possível das características originais. Junto com a comida é servido o churrasco, a linguiça campeira feita de acordo com a tradição da cidade. A cada ano buscamos mais formas de valorizar esta festa. Acontecem, também, concursos com degustação de pratos pela comissão avaliadora. A primeira fes-

ta foi realizada de 25 a 30 de Janeiro de 1983, tendo como patrão Sebastião Wilson do Amaral. O presi- dente e idealizador desta edição foi Oscar Menna Barreto Grau. O churrasco também é vendido por espeto de acordo com o gosto da cada um, chapéu

de bispo, costela, paleta, etc

O churrasco pode ser

vendido assado ou somente espetado, assim cada um assa conforme o gosto. Sendo assim, este chur- rasco é degustado debaixo das arvores e cortado a faca somente. A faca passa de mão em mão e cada um tira o seu pedaço. O pão é o acompanhamen- to. Esta forma de saborear o autentico churrasco gaúcho nos faz acreditar que vale a pena ser do sul!

ESMERALDA

Terra do berço do tiro de laço!

Esmeralda na época pertencia ao município de Vacaria. Terra de homens fortes e de campos cheios de pastagens próprios para o cultivo do gado. Terras dobradas,mas com campos bons para a “brincadeira” que hora iniciava. Na sede da vila, amigos confraternizavam e em meio a conversas surgiu a ideia de fazer uma competição de futebol. Entre os homens estava Alfredo José dos Santos que declinou do convite de participar do futebol, mas gaúcho de sangue bom disse que aju- daria financeiramente. Completou a frase, dizendo:

se fosse para fazer o que gosto, “correr atrás das novilhas de encomenda, na porteira da mangueira, vinda do fundo e com corrida formada”

era par- ceiro! Estava tratado o feito. Os amigos gostaram da ideia! O primeiro treino de laço aconteceu no dia

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14 de novembro de 1951, na fazenda de Ataliba Kuse e Walter Brehm emprestou o gado para a atividade. Este ato despertou a curiosidade, fortificou e trouxe mais homens para a realização da laçada. No dia 04 de Fevereiro de 1952, na fazenda de Jorge Tigre acontece o primeiro rodeio. Esta conversa de homens deu origem aos nossos rodeios atuais e as primeiras disputas de laço no Rio Grande do Sul. Conforme a laçada crescia foi se tornando necessário fazer o “regulamento “ e esta regulamento foi usado no primeiro rodeio da cidade de Vacaria,no dia 06 de Abril de 1958, que hoje se encontra em sua XXX edição e é realizado de dois em dois anos (nos anos pares do calendário ) . Evento este consolidado em todo o Brasil. E também serviu para que o MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) através dos senhores Cyro Dutra Ferreira e Wilson Freitas viessem aos Campos de Cima da Serra para ver como acontecia e levar para a capital! No Congresso Tradicionalista Gaúcho, de Caxias do Sul, no ano de 2002, nos consagramos como pioneiros do tiro de laço, contando com a presença de vários ícones do Movimento Tradicionalista Organizado, como Paixão Cortes e Cyro Dutra Ferreira. Na cidade de Esmeralda o parque de rodeios, inaugurado em 27 de novembro de 2008, leva o nome de Alfredo José dos Santos. A 8ª Região Tradicionalista realiza anualmente torneio de laço que leva o nome de Alfredo José dos Santos. Hoje rodeios e torneios acontecem por todo nosso Estado e com alegria celebram a cultura, a historia, a amizade e o culto as nossas tradições. Mas, para nós, serranos é um orgulho ser do sul, berço do tiro de laço!

“Só há uma história: a história do homem. A história do homem é a história do mundo. A história do mundo e a história das ideias do homem. Só faz história o que é relevante“ - Jarbas Lima.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Fotos: Lauri Terezinha B. de Almeida
Fotos: Lauri Terezinha B. de Almeida
homem. Só faz história o que é relevante“ - Jarbas Lima. Foto: Divulgação Fotos: Lauri Terezinha
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Vacaria

dio Difusora – Otelo Jaques – sobre a possibilida- de de levar ao ar, durante um mês, um programa

tradicionalista. Franqueado o microfone, iniciou o programa juntamente com jovens artistas, como músicos, declamadores, trovadores, entre outros. Sendo assim, nas suas últimas edições, foi reali- zado a divulgação do objetivo: convidar os gaúchos vacarianos para a fundação de um Centro de Tra- dições Gaúchas. Foram marcada duas assembleias no salão da Prefeitura, onde, na primeira não teve número suficiente de pessoas, mas na segunda compareceram 60 tradicionalistas. Nasceu o CTG de Vacaria, porém faltava o nome. Entre as sugestões enviadas, a comissão composta por Dr. Cássio Costa, Osmar Paim Terra

e

Dorival Guazzelli, escolheram, por unanimidade,

o

nome “Porteira do Rio Grande” Centro de Tradi-

ções Gaúchas, sugerido pela professora Jurema de Oliveira Terra. Como lema do CTG, Getúlio Marcan- tônio sugeriu: “Palanque do passado, esteio do futu- ro”. Foi, então, realizado um baile no salão do Clu- be do Comércio para comemorar, com grandiosa festa, a fundação do CTG Porteira do Rio Grande. O primeiro patrão do CTG foi Dorival Guazelli e, o atual, Neuri Fortuna. Para comemorar o aniversário do Porteira do Rio Grande, a diretoria, juntamente com os co- laboradores, decidiram fazer um rodeio. Como modelo, se tinha os rodeios americanos, porém, para re- viver nossos costumes, e diferenciar daqueles, acrescentou-se ao termo “rodeio”, o adjetivo “crioulo”. O pri- meiro rodeio do Porteira aconteceu em 1958, na patronagem de Getúlio Marcantônio. Conhecida nacionalmente, a entidade realiza, de dois em dois anos, o Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria, que tem como objetivo cultuar e difundir nossa cultura em todos os estados e países. O evento se encontra em sua 30ª edição, rea- lizada em Janeiro de 2014.

A cidade de Vacaria tem essa nomenclatura

ligada diretamente à expressão espanhola “baque- ria de los piñares”, ou vacaria dos pinhais, deno- minação dada pelos jesuítas espanhóis aos Cam- pos de Cima da Serra, onde iniciaram a criação de gado que abasteceria as reduções jesuíticas e, mais tarde, com o ataque dos bandeirantes às missões, este gado se reproduziu em larga escala, tornando-se um dos principais elementos da eco- nomia do Rio Grande do Sul.

CTG Porteira do Rio Grande e o rodeio de Vacaria

O CTG Porteira do Rio Grande, localizado

na cidade de Vacaria, tem como fundador Getúlio Marcantônio, que durante o Congresso Tradiciona- lista, de Santa Maria, de 1954, onde participaram os 38 centros de tradições gaúchas existentes na época, resolveu fundar um CTG em sua terra. Em julho de 1955, ele consultou o diretor da antiga rá-

Foto: Divulgação

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Texto e organização do capítulo : Ana Lúcia Freitas da Rosa Silva - professora, pedagoga
Texto e organização do capítulo : Ana Lúcia Freitas da Rosa Silva - professora, pedagoga

Texto e organização do capítulo: Ana Lúcia Freitas da Rosa Silva - professora, pedagoga e pós graduada em supervisão e gestão escolar. Irís Kaiser Paulves - professora, pós graduada em educação

Ramada, Panambi, Pejuçara, Pinhal Grande, Que- vedo, Quinze de Novembro, Santa Bárbara do Sul, Selbach, Tupanciretã. Assim destacamos algumas características gerais de algumas das cidades da 9ª Região Tradicionalista:

Apresentamos nossa região, mos- trando no mapa os municípios que dela fazem parte , destacamos Cruz Alta por ser a sede da Região neste ano de 2014.

Cruz Alta por ser a sede da Região neste ano de 2014. A 9ª Região Tradicionalista

A 9ª Região Tradicionalista conta e faz História

A história da região é rica tanto cultural como economicamente por ter municípios próspe- ros, porém o que diz de nós é a história de nossa gente sua contribuição em cada um dos espaços do qual faz parte. A 9ª Região Tradicionalista é composta por 22 municípios que desempenham um importante papel no tradicionalismo gaúcho através de suas entidades preservando nossos usos e costumes. Os Municípios que compõem a 9ª são: Ajuricaba, Augusto Pestana, Boa Vista do Cadeado, Boa Vista do Incra, Bozano,Coronel Barros,Cruz Alta, Fortaleza dos Valos, Ibirubá, Ijuí, Jarí, Jóia, Júlio de Castilhos, Nova

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Ajuricaba

Considerada “Terra do Peixe Cultivado”. O mu- nicípio de Ajuricaba em quase sua totalidade foi colonizado por imigrantes alemães e italianos, pro- cedentes das Colônias Velhas do Rio Grande do Sul, como Bento Gonçalves e São Leopoldo.

Augusto Pestana

A formação étnica, basicamente de imigran-

tes alemães e italianos, somada às demais, confere ao município características culturais em seus há- bitos e costumes de grande riqueza, como o espíri- to empreendedor, a vontade de trabalhar e inovar. Conhecido como “recanto da produção” a econo- mia é baseada na produção primária.

Boa Vista do Cadeado

Compõe a Rota da Terras Encantadas, valori- zando as riquezas culturais e naturais da Região, Em Boa Vista do Cadeado, as belezas naturais são um grande diferencial da região, como, Cachoeiras e Cascatas.

Boa Vista do Incra

A origem do nome, remonta uma época mui-

to distante. Por volta de 1839, a área de Boa Vista do Incra foi possuída pelo Cel. José Lopes da Silva,

Divulgação Foto: DivulgaçãoFoto:

cinco anos após a criação do município de Cruz Alta. Foi ele quem denominou essa localidade de “fazenda Boa Vista”.

Coronel Barros

O município de Coronel Barros tem sua eco-

nomia baseada na Agricultura - Agropecuária - Produção Leiteira e extração mineral. O município conta com a maior reserva de rocha basáltica da região.

Fortaleza dos Valos

A origem de seu nome é relacionada a enor-

mes valos abertos pelos índios em torno de uma Fortaleza Jesuítica. Outra versão assegura ter a Fazenda Fortaleza abrigado revolucionários em 1893, com escaramuças entre republicanos e fede- ralistas, que abriam valos para lhes servirem de trincheiras. Destaque turístico a Barragem do Pas- so real, um forte atrativo para dinamizar a econo- mia de Fortaleza dos Valos.

Nova Ramada

O nome de Nova Ramada surgiu do acordo

entre as vilas Barro Preto e Pinhal, tendo por base histórias reais do novo município, onde desde os anos da década de 1920, girava em torno das pa- lavra RAMADA, que significa “Cobertura ou som- breamento por folhagens verdes, onde a população se encontrava para realizar festejos populares”.

Selbach

se encontrava para realizar festejos populares”. Selbach homenageia os 150 Anos da Imigração Alemã, além de

homenageia os 150 Anos da Imigração Alemã, além de um parque de recreação para crianças.

Ijuí - Nossa terra, nosso orgulho.

Não importa o lugar onde vivemos, nem tam- pouco se nascemos e crescemos ali, ou por quais- quer motivos optamos por nos instalar e construir nossa vida nesse local. O importante é que esse lugar nos faça bem e nos desperte um sentimento de orgulho por aquilo que oferece e também o de- sejo de contribuir para que os outros se orgulhem do lugar que escolheram para viver, definitiva ou

A Praça atrai pelos ciprestes com poda ar-

tesanal. Os ciprestes dão forma a personagens representados por casais de namorados lembran- do os primeiros encontros na praça. É uma praça com ciprestes e podas artesanais, muitas flores juntamente com o Monumento do Imigrante que

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transitoriamente. Ijuí, primeiramente Colônia de Ijuhy (Ijuhy, em

guarani, “Rio das Águas Divinas”), primeira colônia oficial do Estado do Rio Grande do Sul em terras do planalto, município da Região Noroeste/Missões,

é detentora de muitos atributos, dentre eles o de

fazer seus munícipes sentirem orgulho de serem ou estarem ijuienses. Conhecida como a Terra das

Culturas Diversificadas, Colméia do Trabalho, Terra das Fontes de Água Mineral e Portal das Missões,

a sua formação a partir de várias culturas lhe re-

veste de uma riqueza muito grande em todas as contribuições culturais, quais sejam: o folclore, o

artesanato, a culinária, a dança, o trabalho, enfim, tudo o que os imigrantes das mais diversas nacio- nalidades e os índios nos legaram, reunindo em um único lugar, toda a formação do nosso estado. Tão forte é a preocupação com a preserva- ção da cultura desses povos, que cada etnia está organizada em atividades permanentes, como os grupos de danças, eventos de gastronomia típica, levando o resultado do trabalho do ano todo para a grande Festa Nacional das Culturas Diversificadas- -FENADI, que ocorre junto à EXPO-IJUI. Também

o gaúcho, formado por essa miscigenação cultural,

tem nesse espaço, não como etnia, mas como “cul- tura”, a oportunidade de mostrar e valorizar sua tradição, costumes, danças, culinária, indumentá-

ria, fazendo-o através da Associação Tradicionalis- ta Querência Gaúcha. Em termos tradicionalistas,

o orgulho de ter em sua história a primeira Entida-

de Tradicionalista do Estado, o Clube Farroupilha, ainda em plena atividade. Essa questão cultural também faz de Ijuí uma grande força de trabalho, tendo como um dos princi- pais símbolos, a Estátua do Desbravador, localizada na expressivo no Estado, proveniente da agricultura, comércio, indústria e prestação de serviços. Ijuí é ci- dade universitária e tornou-se referência no interior do Estado, na área da saúde. Todo esse conjunto de atributos torna Ijuí um lugar muito bom para se viver, pois oferece muitas possibilidades de crescimento e inovação, sem dei- xar de lado a qualidade de vida, a cultura e a preocupação social deixada de heran-

ça, fortalecendo a tese de que preservando o passa- do se constrói o futuro.

Ibirubá

A história de Ibirubá inicia-se em 1895, quan-

do da inauguração do trecho da estrada de ferro Santa Maria – Passo Fundo, se cogitou colonizar General Osório. Assim, em 1898, o advogado Diniz Dias Filho e o intendente de Cruz Alta Serafim Fa- gundes, fundaram a Empresa colonizadora Dias e Fagundes. A sede recebeu o nome de General Osório. Em 1938 mudou-se o nome para General Câmara, na visita de um membro do IBGE ao mu-

nicípio foi sugerido o nome de Ibirubá, que em Tupi- -Guarani significa Pitangueira do Mato.

A emancipação veio em 15 de dezembro de

1954, criando o município de Ibirubá, desmembrado

de Cruz Alta. Em 28 de fevereiro de 1955 foi insta- lado o município de Ibirubá, pois já se destacava regionalmente pelo seu desenvolvimento na vida social, política e econômica.

A história de Ibirubá é marcada pela evolu-

ção do trabalho e dedicação do seu povo. É con- siderado Capital da Eletrificação Rural, Sede do Congresso de Ecologia e Destaque Regional em Desenvolvimento Social, Cooperativismo, Indústria Metal Mecânica e na Produção Rural.

Júlio de Castilhos

Segundo o historiador Firmino Costa, nas terras do atual município de Júlio de Castilhos, em tempos imemoráveis, vagavam os índios tapes. No início do século XVII, foram encontrados pelos jesuítas da Companhia de Jesus que os reu- niram e os organizaram em uma aldeia: a Redução de Natividade de Nossa Senhora, fundada em 1633 pelo padre Pedro Álvares, que poderia estar localizada dentro dos limites do atual município, hoje chama- do de Júlio de Castilhos. Em 1812 ou 1813, chega João Vieira de Alvaren-

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Foto: Divulgação

ga, jovem com cerca de 24 anos, sua mulher Maria Rosa de Morais e seu primeiro filho, o menino Ma- noel, e alguns escravos, ocupando terras devolutas entre os pioneiros citados, cujo título de Sesmaria ele teria recebido em 1826, escolheu o alto da Coxi- lha do Durasnal, onde hoje é o centro da cidade, ali estabelecendo seus ranchos e mangueira come- çando a criar gado. O local do rodeio teria sido o da atual praça que leva seu nome. O generoso e bem estimado curitibano João Vieira de Alvarenga, que se dedicava mais a carretear, levando erva para o Uruguai, deixou que muitos se estabelecessem jun- to à sua fazenda, no desejo de vê-la transformada em um povoado. Em 1870, o povoação passou a ser conhecida como Povo Novo, em 1885, como Vila Rica e, em 14 de julho de 1891 - Lei N.º 607, em homenagem a seu ilustre filho , Júlio de Castilhos. Considerada a capital brasileira do gado cha- rolês, por ter sido a primeira cidade do mundo à nascer o primeiro gado charolês mocho (sem as- pas) Júlio de Castilhos possui uma infra estrutura em constante crescimento, devido ao aquecimento da economia Castilhense nos últimos anos, assegu- rada pelo cultivo Trigo e da Soja Anualmente é realizado no Parque de Exposi- ção Miguel Waihrich Filho uma das maiores feiras da região a EXPOJUC, e também o festival de mú- sicas inéditas , Convenção Nativista, no tradiciona-

lismo , temos seis entidades. CTG Júlio de Castilhos, CTG Tio Anastácio, DT Herdeiros da Tradição e CTG Porteira Aberta, DT Alma Farrapa, e CTG Tro- peiro Serrano. Destacamos o CTG Júlio de Castilhos por ter sediado no ano de 1987 Convenção Extraordinária

e em 1991 o 36º Congresso Tradicionalista Gaúcho,

dentre outras atividades como rodeio internacional,

estadual e regional, também com o Grupo Nativis-

ta Fogo de Chão, invernada danças mirim, juvenil e adulta, esta entidade já obteve várias premiações,

e destaques como as prendas estaduais , Janine

Appel, Dorete Padilha, Marta Canfield, Danuza Ma- tiazzi, Evelise Boherer e peõe e guris farroupilha estaduais Roberto de Souza Barbosa, Adriano Mo- reira, Roberto Oliveira da Rosa Filho , e os Conse-

lheiros do MTG Oracy Louzada de Abreu e João Pedro Santos Neto , a Dra. Sonia Suzana de Cam- pos Abreu pela contribuição no Livro das Pilchas Gaúchas.

Panambi

Porque a sua história foi construída sobre ali- cerces caracterizados pela coragem , ousadia, deter- minação, experiência e conhecimento de homens e mulheres que escolheram esta terra para servir de berço de empreendimentos que ofereceram oportu- nidade de trabalho e, consequentemente, de sustento para os seus habitantes até os dias de hoje.

de sustento para os seus habitantes até os dias de hoje. Estes colonizadores souberam aproveitar tudo

Estes colonizadores souberam aproveitar tudo

o que tinha na sua bagagem para aqui desenvolver

a indústria e o comércio sem, no entanto, descuidar

da cultura que expressa através da música, da arte, do esporte e da gastronomia. Tudo isto destaca o Município na região noroeste colonial do estado do Rio Grande do Sul.

Tupanciretã

Em Tupanciretã, os Jesuítas invocaram o nome da Mãe de Deus. Reza a lenda “Um mis-

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sionário e alguns poucos índios foram colhidos por uma tempestade próximo ao planalto da Coxilha Grande. A noite chegava e com ela o pânico e o ter- ror. Quando a desorientação desesperava o padre e os poucos índios companheiros, um relâmpago lhes mostrou na fímbria do horizonte, em plena noite, um vulto mal definido. A silhueta que os relâmpagos mostravam, era a imagem da madona exposta ao furor da tempestade, que arrebatara da capela pe- quenina a cobertura frágil. O sacerdote cheio de ale- gria cristã, exclamou: “Tupan-cy”, e os índios, aterro- rizados, repetiram: “Tupan-cy-retan”, que na língua indígena quer dizer Tupan=Deus, cy=mãe e retan= terra, ou seja, “Terra da Mãe de Deus”. Tupanciretã é considerada a capital da soja, devido à sua produção, que é a maior do estado do Rio Grande do Sul e também pela grande partici- pação em movimentos a favor da liberação da soja transgênica.

Cruz Alta

“Num chão cheio de vida, Nasceu uma ter-

ra querida, Cruz Alta dos Trigais

música Terra Saudade de Horacio Côrtes e Milton

Magalhães, nosso orgulho de nossa cidade e um fragmento de sua história.

”, nos versos da

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Cruz Alta tem o seu processo de formação histórica iniciado ao final do século XVII, quando uma Cruz de Madeira foi erguida simbolizando um marco de povoado. O Padre Jesuíta Anton Sepp Von Rechegg foi o responsável por este feito em 1698, logo após a Fundação de São João Batis- ta nos Sete Povos das Missões. Mais tarde com a demarcação do Tratado de Santo Ildefonso em 1777, a linha divisória (campos neutrais) que se- parava as terras da Espanha das de Portugal, cor- tava o território Rio-grandense pelos divisores de água por esse local onde existia a grande cruz e uma pequena capela do Menino Jesus. Esse imenso “corredor” recebeu um grande

Foto: Divulgação

Foto: Cris Mota

Foto: Liliane Pappen

do Menino Jesus. Esse imenso “corredor” recebeu um grande Foto: Divulgação Foto: Cris Mota Foto: Liliane
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número de pessoas das mais variadas atividades, Cruz Alta tornou-se ponto de invernada e pouso para milhares de tropeiros oriundos das frontei- ras com a Argentina e Uruguai, que se dirigiam até a feira de Sorocaba para comercialização de animais. Com a fundação da vila, autorizada em 1821 e a criação do município em 1833, Cruz Alta cons- tituiu-se numa imensa área territorial do qual se originaram mais de 200 municípios, cujos limites foram testemunhas e protagonistas dos principais embates da vida dos gaúchos. A boa água das vertentes do Arroio Panelinha que abasteciam os viajantes pelas mãos das nativas do lugar, deu origem a Lenda da Panelinha, pregan- do o retorno dos que bebem a água da fonte à Cruz Alta.

Herdeira de forte tradição religiosa Cruz Alta, exerce atração para milhares de centenas de pessoas na Romaria de Nossa Senhora de Fátima, festa anual que acontece nas ruas e no santuário, que recebe grande fluxo de turistas diariamente. Outro aspecto de orgulho para a cidade é que desde 1981 temos, o maior Festival de musi- ca regional sul-rio-grandense, a Coxilha Nativista, que de forma ininterrupta nestes anos, consoli- dou-se por todo o sul do Brasil e países vizinhos. Ao longo do tempo, Cruz alta gerou filhos famosos, personalidades que extra- polaram as fronteiras do Estado e do país, tornan- do-a conhecida em varias partes do mundo, dentre estes filhos destacamos o escritor Érico Veríssimo, cuja obra tornou-se refe- rência em quase todas as nações do planeta. Para ilustrar a sensibilidade deste autor um pequeno fragmento de tantos ou- tros que tornam a vida mais leve “Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E,

quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu”. Importante ressaltar que neste ano de 2014, temos um capítulo novo para acrescentar a nossa história que é o Acendimento da Chama Crioula do Estado que será acesa em Cruz Alta e distri- buída para as demais regiões tradicionalistas do estado e CBTGS do Brasil.

9ª Região Tradicionalista

A 9ª Região Tradicionalista foi criada no dia 25 de novembro de 1967, por ocasião do Rodeio de Patrões, realizado no CTG Querência da Serra de Cruz Alta, presidido pelo tradicionalista Hugo da Cunha Alves, Presidente do Movimento Tradicionalis- ta Gaúcho, com a denominação: “9ª Zona – A”. (Rela- tório do Presidente do MTG, 1967, apresentado duran- te o XIV Congresso Tradicionalista – São Francisco de Paula – 1969). Passou a denominar-se “9ª REGIÃO TRADI- CIONALISTA, no XV Congresso Tradicionalista em Santiago – 1970”. Compreende 22 municípios e 71 Entidades Tradicionalistas. Seu primeiro Coordenador foi o senhor ALAN BUENO PAIM, no ano de 1967 a 1969.

Foto: Divulgação

Tradicionalistas. Seu primeiro Coordenador foi o senhor ALAN BUENO PAIM, no ano de 1967 a 1969.
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Texto e organização do capítulo : Valdevi de Lima Maciel - historiador gentina. Portanto estão

Texto e organização do capítulo: Valdevi de Lima Maciel - historiador

gentina. Portanto estão ai os dois fatos pioneiros da nossa história que registram a chegada dos espa- nhóis – Padres Jesuítas e seus seguidores – fun- dando e edificando suas igrejas, alfabetizando e catequizando os nativos desta terra, rezando a pri- meira missa realizando o primeiro batizado, e co- locando São Francisco de Assis no rol do território missioneiro. Como município, São Francisco de Assis originou-se da fundação do Forte com o mesmo nome, em 1801 – na sesmaria de Itajuru, à margem esquerda do rio Inhacundá – um dos instrumentos da ocupação portuguesa deste território, após o Tratado de Madri. Em 1805 foi instalada a Guarda de São Francisco de Assis, tendo como primeiro comandante o Capitão Victor Nogueira da Silva. Em 1809 teve início o povoamento da sede (hoje cida- de), em torno do Forte da Capitania do Rio Grande de São Pedro do Sul, por índios e mestiços, com a definitiva ocupação das missões espanholas, e se- gundo a história oral, existiu por estas bandas um cidadão chamado Côco, remanescente trabalhador

Primeiro homem Civilizado a pisar no solo do município de São Francisco de Assis – 1627 No atual território do municí- pio de São Francisco de Assis, o ho- mem “civilizado” – entenda-se europeu que vinha

com o propósito de evangelizar e explorar as rique- zas da América – que pisou por primeira vez foi

o Padre Roque Gonzáles de Santa Cruz, membro

da Companhia de Jesus, popularmente conhecida como Jesuíta e fundou na foz do rio Jaguari-Guas- su com o rio Ibicuí, uma redução (de efêmera du- ração) que em razão da data de sua chegada (02 de fevereiro de 1627), dia de Nossa Senhora das Can- delas, Nossa Senhora dos Navegantes, ou Iemanjá, batizou de Candelária, dai Candelária do Ibicuí, que foi a segunda Redução Jesuítica fundada no

território rio-grandense, que teve duração até 1632, quando os índios resolveram tirar a vida do Padre Roque, sendo que ele fugiu deixando a redução em construção, que foi imediatamente destruída pelos índios. Neste mesmo ano, 1632, foi fundada a da Re- dução Jesuítica São Thomé do Ibicuí, nas ime- diações de onde hoje está localizada “Gruta São Tomé”, sendo que os padres que participaram da fundação desta redução foram: Cristóvão de Men- doza Orelhano (introdutor do gado no território Rio Grandense), Manuel Bertot, Luis Ernot, Romero, e Paulo Benavides. Esta redução teve fim quando os seus habi- tantes, antes que os bandeirantes paulistas (1638) chegassem, resolveram abandonar a redução descendo o rio Ibicuí em direção ao Rio Uruguai, Levando tudo aquilo que puderam e destruíram Casas, igrejas, escolas, deixando tão somente os escombros daquela civilização, reconstruindo-a

a

margem direita do rio Uruguai, onde hoje está localizado a cidade de Santo Thomé/Ar-

Foto: Divulgação
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do Forte, que se impôs o compromisso de fundar sete capelas, em cumprimento de uma promessa,

lá pelo ano 1819, todas elas no território que hoje

esta localizado o município. Entretanto, existem relatos que já existia uma capela em 1812, e que o inicio do povoamento data de fins do século XVIII. Por Don Diogo de Souza, Governador da Capitania, foi concedida a sesmaria das Sobras de Itajurú, com a clausula de ser reser- vada meia légua em quadro para a povoação, isto

em 1814, e em cuja área está situada a atual cidade

de São Francisco de Assis.

Em 1824, a capela de São Vicente foi desane- xada da capela de São Miguel e anexada a capela curada de São Francisco de Assis.

Revolução Federalista

Gumercindo Saraiva (13/01/1852 a 10/08/1894) O Guerrilheiro Pampeano tombou no solo da 10ª RT

O caso João de Deus

João de Deus era natural de Uruguaiana, um rapaz bem apresentado, aqui apareceu por ocasião do período da Revolução Federalista de 1893/1895, um soldado desertor das forças Republi- canas do General Firmino de Paula. Segundo a literatura oral, ele ficou pouco mais de oito meses na cidade, sendo que seguida- mente encilhava o seu pingo e passeava pelas ruas de São Francisco de Assis, chamando a atenção das moças da época, e algumas vinham até as janelas para observá-lo, e mais, que sua presença também havia chamado atenção de uma moça, fi- lha de um alto político republicano da época, que ao chegar ao seu conhecimento, imediatamente or- denou a sua prisão. Os lideres republicanos do município, lidera- dos por Gabriel Machado, tomando conhecimento de que era um desertor, o apanharam na prisão levando-o para ser torturado até a morte. Foi por- tanto, preso e torturado por companheiros da mes- ma causa política. Gritava desesperadamente de dor, seus gri- tos e lamentos profundos eram ouvidos pela popu- lação da vila de São Francisco de Assis, no lado Oeste da vila, para onde foi levado para a execução deste crime bárbaro.

Foi um mártir do sofrimento e da dor infinita, sofreu varias torturas, foi desconjuntado, mutilado horrivelmente e, por fim, degolado, tendo seus res- tos mortais sido arrastado por algumas ruas da cidade.

O Corpo do mártir foi sepultado numa fossa

cavada no próprio local do hediondo crime.

O túmulo de João de Deus encontra-se hoje

na praça do bairro que leva seu nome. Desde muitos anos nossa população vem cuidando, zelando carinhosamente a sepultura de João de Deus, circundada por cruzeiros diversos e juncada de flores, pois João de Deus sempre foi considerado um milagreiro, nessa sepultura, con- siderada milagrosa, encarnam-se promessa riso- nhas de esperanças onde antigamente

Na Revolução Federalista surgiu a figura im-

par do “Guerrilheiro Pampeano”, General Gumer-

cindo Saraiva, que encontrou a morte, nos campos

do carovi, hoje município de Capão do Cipó, no dia 10 de agosto de 1894, e a par- tir deste episodio

a

Federalista, co- meçou a ir para

par- tir deste episodio a Federalista, co- meçou a ir para Revolução o seu final, pois

Revolução

o seu final, pois tom-

bava

revolucionário, que chegou a ser conside- rado o “Napoleão dos

o maior líder

Pampas”, pois mes- mo sem ser um mi-

litar de carreira, foi

o melhor es-

trategista

militar da

Revolução

Federalista.

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romarias de fiéis iam, constantemente, fazer as suas preces, ungidas de fé inabaláveis, e até 1970 o CTG Negrinho do Pastoreio realizava a solenidade de acendimento da Chama Crioula neste local.

O caso Ignácio Cortes

O Coronel Cândido Ignácio da Silva Cortes,

era um estancieiro, de São Francisco de Assis, cuja sede de sua Estância estava localizada onde hoje é

a sede do Município de Manoel Viana, mais espe-

cificamente onde hoje é a Rua Assis Brasil, quadra

entre as Ruas Franklin Bastos de Carvalho e Presi-

dente Vargas. Era um fervoroso admirador do Dr. Gaspar da Silveira Martins, político rio-grandense, fundador do Partido Federalista, primeiro partido político no Brasil que se opôs ao partido republi- cano. Em 1893 reuniu peões de estância e gaúchos da região e liderou um piquete de revolucionários que incorporou nas tropas do General Gumercin- do Saraiva, percorrendo mais de 8000km, indo até

a Lapa, no Paraná e de lá retornando ao Rio Gran-

de do Sul. No dia 06 de setembro de 1894 o seu piquete travou um renhido combate no Capão da Laran- jeira, 5º distrito de São Francisco de Assis, com o piquete do coronel Fabrício Batista de Oliveira Pi- lar, de onde resultou ferido e foi trazido por dois capitães seu filho, e seu genro, para buscar recur- sos para a sua saúde na vila de São Francisco de Assis, ao chegarem na residência de um parente na localidade de Caraypasso, chegaram também os soldados da Brigada Militar, remanescentes das tropas do Coronel Fabrício Pilar, ameaçando que arrasariam a casa onde eles se ocultava, caso não se entregassem e dando garantia de vida após a prisão. Em vista disso o parente entregou-os. Fo- ram separados, o filho do pai. O comandante do piquete Brigadiano, convidou o filho a fazer parte das forças sob seu comando, este negou-se. Deixa- ram-no preso alguns dias sem comer. No fim de alguns dias trouxeram-lhe costelas assadas, que ele comeu com voracidade, dado a fome de muitos dias de fuga, depois de comer

um bom pouco, perguntaram, – de que são essas

costelas? – De carneiro – respondeu o Capitão Cor- tes. – Venha ver o carneiro, convidaram os soldados

e mostraram-lhe o cadáver do pai do qual tinham

tirado as costelas. Perto estava o cadáver de seu cunhado, O Capitão Cortes enfurecido apoderou-se de uma espada e sozinho enfrentou a todos os que

o cercavam até cair aos golpes que lhe desferiam. Não contentes com essa atrocidade os solda-

dos republicanos (pica-paus) foram até a sede da Estância das Tarimbas, de propriedade da família Cortes, e encontrando a mesma tapera, saquearam

a

casa e depois puseram fogo, sendo que a viúva

e

três filhas do coronel haviam migrado anterior-

mente para a Argentina, e seu filho Diamantino, ha- via cruzado o Rio Ibicuí rumo a fronteira.

Revolução de 1923

A praça central de São Francisco de Assis foi palco de um combate

No final de setembro, ocorreu uma das maio- res façanhas na Revolução de 1923, conhecida como “Volta da Serra”, desempenhada pelo Gene- ral Honôrio Lemes (Leão do Caverá) quando, em

pleno tiroteio, depois de ter saído da Serra do Ca- verá, passou para a margem direita do Rio Ibicuí, local conhecido como Passo do Catarina, fugindo de tropas republicanas, comandadas pelo General José Antônio Flores da Cunha. Após essa passagem no Ibicui, que ocorreu no dia 29 de setembro, Honório Lemes com um grupo de mais ou menos 100 homens, ficaram acampados na propriedade rural de Henrique Gregório Hai- gert, pai do Coronel Pimba, do Capitão João Virgi- lio Haigert e do Tenente Amarino Haigert, enquanto

o restante, pouco mais de 200 homens, ficou sob o

comando dos Coroneis Hortêncio Rodrigues e João Batista Luzardo (chefe do Estado Maior da Coluna de Honório Lemes) e seguiu em direção a Vila de São Francisco de Assis, distante uns 18 km do Pas- so do Catarina. O Senhor Anany Haigert, filho mais velho do Coronel Paulino Cipryano Haigert (Pimba), contou que seu pai, no dia anterior ao combate,

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passou em sua casa para dizer que estavam acam- pados por perto e que se preparassem para qual-

quer coisa, e, ainda relatou que naquela ocasião, do lado de fora da casa, alguém socava no pilão e sua mãe mandou que essa pessoa entrasse, pois temia uma bala perdida. Desta vez o Intendente da Vila, Dr. Carlos Gomes, ao saber da aproximação da tropa revo- lucionária, embora aconselhado a retirar-se para Santiago ou Jaguari, resolveu preparar-se para enfrentá-la, manifestando que desta vez ficaria, porque não queria sofrer mais humilhações e que mostraria para o pessoal de São Vicente do Sul e de Santa Maria quem era o covarde. Com pouco mais de 80 homens, mal armados e mal municia- dos, com trincheiras em forma de meia lua que foram cavadas ao correr das ruas e contornando

a praça (localizada em frente à Intendência), com

trincheiras de sacos de areia e cercas de arame far- pado, o Intendente e seus companheiros armaram- -se como puderam. Assim, os republicanos assisenses ficaram a espera do inimigo, aliás, um inimigo bastante co- nhecido, pois ambos nasceram no mesmo lugar, cresceram brincando sob o mesmo chão, talvez até juntos em alguns casos, mas a política tem suas

artimanhas, suas armadilhas, seus encantos, con- seguindo inclusive isso, a rivalidade, o ódio entre os filhos da mesma terra, levando-os, inclusive, à mor-

te se preciso fosse em defesa de seus ideais. Os revolucionários também procuravam se

armar para eventual combate. Para tanto, o senhor Manoel Grenalvo Rodrigues Rosback, ordenança

e sobrinho do Coronel Hortêncio Rodrigues (para

quem deixou todos os seus objetos pessoais como:

fotos, álbum dos bandoleiros, arreios, faca de prata

e até o “copo de arreio”, copo de guampa, estes úl-

timos usados durante a revolução), foi mandado ao comércio local com o fim de arrematar tesouras de tosquia e de costura para fazerem lanças, pois as armas que tinham eram poucas e a munição menos ainda. Outros tipos de lanças eram confec- cionadas por um ferreiro que trabalhava no outro lado do arroio lnhacundá. Em fins de setembro, o caudilho do Caverá, a

quem Flores da Cunha não dava quartel, empreen- deu uma incursão pela zona missioneira, trans- pondo o lbicuí no Passo do Catarina. Sua vanguar- da, comandada pelo coronel Hortêncio Rodrigues, atacou a vila de São Francisco de Assis, guarne- cida apenas pela polícia municipal. O intendente desse município Dr. Carlos de Oliveira Gomes, tendo reunido alguns correligionários, ofereceu aos atacantes uma resistência espartana, digna de

figurar entre os mais belos feitos da história rio- -grandense. Algum tempo depois de ter atravessado o Passo do Catarina, o Coronel Hortêncio Rodrigues, juntamente com o Coronel Otaviano Fernandes de Dom Pedrito, e com o Coronel Batista Luzardo de Uruguaiana, mandaram o ultimato para o Inten- dente e sua pequena força dizendo para se retira- rem, pois eles iriam tomar a Vila. Mas o que era temido aconteceu, contam que, de repente, um forte barulho, um bater de cascos veio em direção a uma das trincheiras causando grande susto aos que nela estavam posicionados. Imaginaram que fosse o inimigo, alguém disparou

o primeiro tiro. E claro que o adversário respondeu

da mesma forma e assim teve início o sangrento combate. Aproximava-se das seis horas da manhã e ali se travou um combate por mais de duas horas e meia, considerado um dos mais violentos. Depois de dado o primeiro tiro, na manhã do dia 02 de outubro de 1923, a Vila de São Francisco de Assis, virou um cenário de guerra, onde só o que se ouvia eram gritos, tropel de cascos de ca- valos, estouro das espadas e estampido das balas Os republicanos posicionaram-se nos telha- dos, inclusive alguns se protegeram no telhado da Igreja, mais exatamente na sua torre, de onde mi- ravam perfeitamente seus alvos, os revolucionários. O combate seguia sem dar tréguas quando,

entre muitos dos mortos que estavam dentro das

trincheiras, cai o delegado da Vila e seu Ex-inten- dente (gestão 1904 a 1908), Major Estevão Brandão, já sem uma parte do braço que segurava a espada

e que lhe foi decepado enquanto lutava. As balas haviam marcado pare-

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des, janelas, portas e portões das casas e também muitas árvores por perto. Algumas dessas marcas existem até hoje, como nos portões do pátio da Prefeitura Municipal que na época, dava acesso ao Presídio Municipal. Enquanto as trincheiras enchiam-se de com- batentes mortos ou feridos, os que ainda viviam eram incentivados pelo Intendente Municipal, Dr. Carlos Gomes a seguirem lutando, a não se en- tregarem enquanto ele atendia um a um dos seus companheiros, distribuindo-lhes a pouca munição que ainda restava. Em uma dessas suas idas e vin- das foi atingido mortalmente por tiros. Segundo o professor Sebastião Moreira Oliveira, muitos dos que viam o Dr. Carlos Gomes chegar às trincheiras, pediam para que não atirassem, pois ele era um homem que gozava de muito bom conceito. Deve- -se considerar que havia muitos revolucionários que não pertenciam à força de São Francisco de Assis, logo, não sabiam quase nada sobre os mora- dores da Vila. Encontravam-se, entre as forças re- volucionárias assisenses, revolucionários de Dom Pedrito, Bagé, Uruguaiana e Alegrete (Regimento Vasco Alves).

Bugio

O Único Ritmo eminentemente Gaúcho

Percorrendo as paginas da história chega- mos aos dias em que nasceu em solo assisense, o único ritmo musical eminentemente gaúcho rio- -grandense. Se regionalismo é a corrente artística voltada aos temas da terra e se inspira nos temas regionais. É o sentimento expresso na guarda de um patrimônio local. Movimento que trata dos in- teresses de uma região. É a corrente artística que encontra expressão nos diversos aspectos da arte, da literatura e da musicalidade de uma região. Considerando também que o nativismo é tudo aquilo que é próprio do lugar de nascimento, na- tural, não adquirido e que conserva as caracterís- ticas originais, sendo basicamente um sentimento de defesa e amor ao pago nativo. Conside- rando também que crioulo é tudo aquilo

que é nascido e criado numa determinada região ou lugar e que telurismo é a influencia do solo de uma região sobre os usos e costumes de um povo, sendo a força que brota das entranhas da terra. É neste ambiente e patamar que São Francisco de Assis, através da criatividade e inspiração de Wen- ceslau da Silva Gomes (Neneca) executando a sua gaitinha de 48 baixos, na localidade de Mato Gran-

de, 5º distrito do município, tentando imitar o ronco

e tranco cadenciado dos bugios, criou o único rit-

mo musical eminentemente gaúcho, que segundo a pesquisa do escritor Salvador Ferrando Lamberty “é um ritmo rude e nativo como o próprio animal e altaneiro como o pago rio-grandense”.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Tudo isso se passou no ano de 1928 quando Neneca Gomes que era um dos cantadores anôni- mos da época, que expressavam a sua arte através das décimas criou esse ritmo, um acidente musi-

cal, com muita irreverência, peraltice e telurismo que batizou “Os Três Bugios”, numa homenagem

a três bugios domésticos que possuía a primeira

apresentação de Neneca Gomes, com o novo ritmo, fora de seu município, foi numa festa religiosa em Santiago, cidade vizinha. E ai o Bugio foi se espa-

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lhando entre os gaiteiros de São Francisco de As-

sis, Santiago, Bossoroca, Jaguari, são Luiz Gonzaga, Itaqui, Alegrete e São Borja. O Bugio encontrou o caminho da consagração em 1936 pelo mestre gai- teiro das Missões, Antônio Soares de Oliveira (Tio Bilia), que recolheu o bugio passando a executá-lo em sua gaitinha de 8 baixos. Foi nesta região que no final da década de 40 os pesquisadores Paixão Cortes e Barbosa Lessa, buscando embasamento para escrever o manual da danças gaúchas foi en- contrada a dança do bugio e sua musica original. As noticias do surgimento desse ritmo mu- sical chegaram à serra gaúcha, no inicio dos anos 50, foi quando os Irmãos Bertussi (Honeyde e Ade- lar) levaram o primeiro Bugio ao disco, gravando “O Casamento da Doralícia”, em 1955, que nem eles mesmos sabiam que sabiam que ritmo era, pois o trataram de Samba Ritmado. Em 1991 um grupo de amigos fundou em São Francisco de Assis, o Grupo de Arte e Cultu- ra Candelária do Ibicuí com o objetivo primordial de promover um festival nativista que objetivasse

o resgate e a homenagem ao Ritmo eminentemen-

te gaúcho inspirados e apoiados na obra “ABC DO TRADICIONALISMO GAÚCHO” escrito pelo assi- sense Salvador Ferrando Lamberty e editado pela

Martins Livreiro de Porto Alegre em 1989. Desta forma nasce nos dias 12, 13 e 14 de fevereiro de 1993,

o 1º Aparte do Festival Querência do Bugio na sua terra natal.

General João Antônio da Silveira

Um Herói Farroupilha

É lamentável que a maior parte da nova ge- ração desconheça muitos vultos da História Sul- -rio-grandense. Dentre esses, merece destaque o General João Antônio da Silveira, por sua longa e importante atuação durante o século 19. João Antônio participou de Campanhas Mili- tares em 1801, 1811, 1812, 1818 e 1820. Ao irromper a Re- volução Farroupilha, era comandante do Regimento

da Cavalaria de Guardas rdas

a-
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Nacionais, em Caçapa-

va, no posto de Ten. Cel. Foi respeitado líder na Guerra dos Farrapos. Em 3/2/1838, a Repú- blica Rio-gran- dense nomeou-o Comandante da Di- visão da Direita. Foi

eleito Deputado Cons- -

tituinte

Rio-grandense. Ao findar ndar a a

Grande Revolução, João Antônio ocupava o posto de General da República Rio-grandense. Após o decênio farroupilha, não cessou. Em 1851, foi co- mandante da 12ª Brigada da Divisão do Exército, organizada pelo Duque de Caxias. Na Guerra do Paraguai, em 1864, comandou a 2.ª Brigada da Divisão de Davi Canabarro. Segundo historiadores, “era calmo durante as batalhas, sen- do um dos generais farrapos mais admirados pe- los subalternos”. Na visita do Imperador D. Pedro II a Uruguaiana, recusou uma condecoração impe- rial. Convicto republicano, ele declarou: “Não devo receber homenagem do representante de uma ins- tituição que desejo ver derrubada”. João Antônio da Silveira tem fortes ligações com a nossa região. Em duas núpcias, entrelaçou- -se com a tradicional família Prates, de origem lusa, como ele. Gerou 12 filhos, alguns dos quais se multiplicaram, resultando conhecida descendên- cia. Faleceu, em 28/3/1872, na sua propriedade ru- ral, próxima ao Cerro do Loreto, em São Vicente do Sul. Seus restos jazem naquela cidade, em túmulo da família Victorino Prates, a qual conta com al- guns descendentes seus. A 10ª Região Tradicionalista também tem or- gulho de dois fatos importantes do Tradicionalismo Gaúcho realizados em municípios de nossa região. 1º) Um deles é a realização do Congresso Tra- dicionalista de 1970, na cidade de Santiago, presi- dido por Jaime Medeiros Pinto, onde foi aprovada a proposição que versava sobre

da

República ica

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a realização oficial do Concurso de Prendas do Rio Grande do Sul, somente na categoria adulta. 2º) A realização da Primeira Convenção Tradicionalista, no CTG Invernada do Chapadão em Jaguari. Compõem a 10ª Região Tradicionalista os seguintes municípios: Manoel Viana, São Francisco de Assis, São Vicente do Sul, Cacequi, Mata, Toropi, Jaguari, Nova Esperança do Sul, Santiago, Capão do Cipó, Unistalda, Itacurubi.

Foto: Divulgação

Mata, Toropi, Jaguari, Nova Esperança do Sul, Santiago, Capão do Cipó, Unistalda, Itacurubi. Foto: Divulgação 76
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Foto: Nestor Foresti
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Texto e organização do capítulo : Douglas Uilliam de Quadros da Silva - estudante de

Texto e organização do capítulo: Douglas Uilliam de Quadros da Silva - estudante de arquitetura e urbanismo - Peão Farroupilha do RS

2011/2012

e trabalhador começa nossa região, na cidade de

São Vendelino, considerada um pequeno paraíso.

São Vendelino

É a única cidade de nossa região que foi pre- dominantemente colonizada por imigrantes italia- nos, as casas “enxaimel” tipicamente alemã, que eram casas com uma estrutura em madeira apa- rente entre as paredes, são facilmente vistas nas estreitas ruas do interior desta cidade. No tempo da imigração não haviam muitas formas de fixa- ção da estrutura, então os imigrantes faziam pinos de madeira, furavam e encaixavam, uma verdadei- ra obra de muito projeto e precisão e utilização va- liosas dos recursos da época.

Carlos Barbosa

Tem sua colonização alemã e italiana, nesta pequena cidade o desenvolvimento predomina. A criação do gado leiteiro, e outros animais também foi uma economia do imigrante italiano, do leite

era feito o queijo, e outras culinárias, logo fizeram

o salame e a copa. Também eram agricultores,

plantavam a uva claro, mas lidavam com o milho,

o feijão o trigo. Como foi crescendo a quantidade

de produção, que tal industrializar isso? Parece que Carlos Barbosa foi a principal responsável re- gional para industrializar a pecuária e a produção leiteira, com uma grande e abençoada cooperativa compravam o leite do colono em uma maior quanti- dade o que fez que este aumentasse sua produção,

e ocasionou o crescimento com organização das

famílias rurais da redondeza. Na agricultura a respeitada e importante fa-

mília Tramontina iniciou com ferramentas para

a agricultura, e logo expandiram seu ramo para

O Rio Grande do Sul teve sua for- mação através de várias etnias cul- turais de outros países que vieram para cá, formando uma só, um povo forte, leal, justo e exemplar. A nossa serra caracterizou-se pela imigra-

ção italiana, alemã, portuguesa e polonesa.

A 11ª Região Tradicionalista é composta atual-

mente por 25 municípios, que abrangem mais de

200mil habitantes, nas cidades que fazem parte da Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul. Isso desmistifica a formação de nossos cida- dãos, que mesclam as imigrações acima citadas, engrandecendo a pujança de trabalho, força e fé, que nortearam o povo de nossa serra.

O ano de 1875 desembarcou na região os pri-

meiros imigrantes italianos, de hábitos rurais e cur- tidos pela dureza da sobrevivência na Itália, estes colonos estavam preparados para a rude vida na “Mérica”, como chamavam o Brasil. Ao contrário dos demais imigrantes, os italianos tiveram que pa- gar pelo lote. Exímios agricultores, logo plantaram o milho

e prontamente tiraram a base de sua alimentação,

a polenta. Plantando a uva, prontamente fizeram o vinho

a graspa e o suco de uva.

Uma herança cultural

Hoje a serra gaúcha responsabiliza-se por ter as principais vinícolas de nosso estado, e cidades destacadas na economia, cada cidade tem uma particularidade. A seguir conheceremos algumas cidades da 11ª RT e suas particularidades, curiosi- dades e importância econômica, e social para o Rio Grande do Sul. Na Encosta da serra, num povoa- do muito pequeno, mas muito querido

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a casa, fizeram panelas, talheres da melhor quali- dade nacional. Hoje, é uma das mais importantes metalúrgicas do mundo responsável por produtos de qualidade que engrandecem o nome de nossa região e estado.

Foto: Divulgação
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Garibaldi

É um ícone nacional, pois é o Berço Nacio- nal do Esqui, o primeiro lugar do Brasil onde foi possível esquiar sem neve, e considerada a Capi- tal Nacional do “Champagne” porque das cidades brasileiras foi produzido em Garibaldi o primeiro vinho espumante, no ano de 1913. O produto esta- va sempre presente nos banquetes oferecidos pelo governo de Getúlio Vargas e elogiado pela Rainha Elisabeth ao visitar o Brasil. A educação dos jovens garibaldenses foi de responsabilidade das Irmãs de São José e os Freis Capuchinhos.

Um evento nacional movimenta com nossa cultura que é a FENACHAMP - Festa Nacional do Champanha, movidos por ideais.

Bento Gonçalves

É a terra do vinho! Principal polo moveleiro do estado, Bento, como nós carinhosamente a cha- mamos produz móveis de alta qualidade onde são exportados para todo o mundo, movimentando eco- nomicamente a região. Empresas cresceram jun- tando a dedicação e vendo o exemplo dos antigos imigrantes, nesta cidade houve um período muito importante que foi a criação de uma antiga empre- sa de gaitas conhecida em todo o estado que se responsabilizou por gaitas famosas e de boa qua- lidade. Acontece em Bento Gonçalves importantes feiras nacionais, no maior parque coberto climati- zado da América Latina. Bento é a cidade natal de Ernesto Geisel, um dos presidentes dos Brasil! Além de ser a Capital Brasileira do Vinho, engrandecendo os valorosos vales de vinhas, que tem em sua origem a certifica- ção de nossos vinhos, agregando assim, a respon- sabilidade de sermos modelo de preparo, cuidado e acima de tudo, qualidade em sua produção. A cidade de Bento Gonçalves tem em seus valores a personalidade da Entidade mais antiga pertencente a 11ª RT, o que enobrece o culto as ver- dadeiras tradições do Rio Grande tradicionalista.

Foto: Gustavo Bottega

Foto: Divulgação
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Foto: Gustavo Bottega - Prefeitura Municipal

Monte Belo do Sul

Cidade colonizada unicamente por imigran- tes italianos, que sob os montes e as pedras, tive- ram como ideia para a sua sobrevivência o cultivo das videiras. Nos dias atuais ainda mantém viva a sua cultura, através das festas de santos, os filós, os capitéis e por duas festas maiores que fazem um resgate evidenciado da cultura: A Festa de Abertu- ra da Vindima, onde marca o inicio da colheita e o Polentaço, onde há competições de escultura de polenta. Monte Belo do Sul também é o maior pro- dutor per capta de uvas da América latina, e ainda mantém a sua economia baseada na agricultura. Neste pequeno município grupos folclóricos ainda cantam e encantam com o predominante sotaque italiano músicas culturais.

com o predominante sotaque italiano músicas culturais. Guaporé É a cidade gaúcha que dedicou-se na lapi-

Guaporé

É a cidade gaúcha que dedicou-se na lapi- dação das pedras semipreciosas e na fabricação de joias, uma cidade planejada e organizada com ruas largas, e várias opções de compras de joias. Antigos mascates compravam joias em Guaporé e levam-nas para revendê-las em outros cantos do Rio Grande do Sul.

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Foto: Darci Zuffo
Foto: Darci Zuffo

Veranópolis

É considerada a princesa dos vales, cidade de

veraneios, Capital Nacional da Maçã, pois foi em Ve- ranópolis plantado os primeiros pés de maça do Bra- sil, terra da longevidade, comprovada cientificamente que lá as pessoas “vivem mais”, bela por natureza, é banhada pelo Rio das Antas, um dos afluentes do rio Taquari, região onde o folclore, lendas são intensos, causos de Lobisomem em noites de Lua Cheia, “Mari- quinha” o lendário índio do bem “Paco”, são comuns por ali e todos conhecem as histórias, e alguns mais antigos juram que viram. Veranópolis é a terra de um dos grandes festivais de música de nossa terra, o Festival Ser- ra, Campo e Cantiga, que em seu auge, promoveu diversos de nossos cantadores e compositores rio- -grandenses.

Nova Prata

É conhecida pela sua beleza natural e pelas

suas águas termais conhecida nacionalmente é a Capital Nacional do Basalto. Da pedra o italiano prosperou também, construíram casarões de pe- dra, muito fortes com úmidos porões, pois ali era um ótimo espaço para conservação dos produtos que produziram como o queijo e o vinho. Estas ca-

Foto: Gustavo Bottega - Prefeitura Municipal

sas tinham a cozinha separada dos demais cômo- dos, pois havia um grande temor de incêndio. Núcleo surgido em 1891, distrito de Nova Pra- ta, hoje o município de Nova Bassano teve como primeira denominação “Bassano Dell Grappa” em homenagem aos imigrantes oriundos do norte da Itália, província de Vicenza. Antes a região era habitada pelos índios co- roados, que aos poucos se afastaram do local. Os primeiros migrantes desbravadores eram todos ita- lianos em grupos de aproximadamente 30 famílias.

Serafina Corrêa

A agropecuária e as indústrias são a base da

economia que sustenta o desenvolvimento social, colocando o município em destaque entre os 496 municípios gaúchos.

A Via Gênova é a Avenida que passa em fren-

te à Prefeitura Municipal e a mesma é formada por um conjunto de construções que representam prédios históricos da Itália. Os prédios foram cons- truídos sobre o Arroio Feijão Cru que atravessa a cidade e, juntamente com a ‘Nave Degli Immigran- ti’, são o Centro Turístico da cidade.

Demais Municípios

Cidades da costa do rio, como Cotiporã, Vis- ta Alegre do Prata, Protásio Alves, União da Serra, Dois Lajeados, Guabijú, São Jorge, Pinto Bandeira, Fagundes Varela, Montauri, Paraí, Santa Tereza, São Valentim do Sul e Vila Flores enobrecem o tradicionalismo gaúcho de nosso estado, pois em todas as cidades que compõem a Coordenadoria da 11ª RT, tem uma Entidade Tradicionalista ativa, que fortalece e desenvolve seus valores artísticos, culturais e campeiros.

A Arquitetura

Os Italianos na serra construíram suas casas simples, os anos foram passando e foi aperfeiçoan-

casas simples, os anos foram passando e foi aperfeiçoan- do. Utilizaram o basalto para fazer os

do. Utilizaram o basalto para fazer os porões que eram utilizados estes para servir de cantina, ali era fabricado o vinho e descansado nas pipas. Muitas pessoas consideram este região um pedaço da Europa no Brasil, muitos projetos de ca- sas daqui eram exatamente os que haviam na Itá- lia, não havia uma arquitetura brasileira formada ainda, então cada povo fazia como sabia, como se lembrava. As casas eram fortes e tinham um es- tilo elegante, o pé direito muito alto, janelas retan- gulares ritmadas de quando em quando fazendo com que a fachada obedecesse uma ordem, sem muito se preocupar com a funcionalidade interna. Em uma extensão da rua Buarque de Macedo no município de Garibaldi, está um passeio chamado:

“Passadas, a Arquitetura do Olhar” onde casa ca- sarão antigo tem um breve histórico com datas de sua obra, quem morou por ali e a importância co- mercial que teve no município. Em bento Gonçalves em frente ao hospital Tacchini ainda está em pé a casa que residiu Sr. Ernesto Geisel, presidente de nosso Brasil. Em Monte Belo do Sul, a casa da fa- mília Tramontina ainda está forte!

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Paisagem Natural

O rio das Antas e o Rio Carreiro passam por nossa 11ª RT e banham esta região, são alguns cam-

pings na cidade de Serafina Corrêa que fazem o veraneio da população serrana, as “prainhas” do Rio Das

Antas, e os passeios de “caíco” são atrativos no verão em Veranópolis para pais e crianças, vários mirantes nos possibilitam ver a região de várias perspectivas, cada ponto uma nova concepção e cada estação um calor a mais.

O Verão é a fase mais alegre da serra, onde há a Vindima, ou seja, a colheita da uva, famílias reú-

nem-se para a festança da colheita, embaixo dos parreirais, o processo é primitivo ainda, pois não há possibilidade de mecanizar a colheita. Depois vem o outono, os parreirais ficam secos, as folhas dos plátanos caem, a parreira adormece, o

frio serrano caracteriza-se pela geada, pelo pinhão ao pé do fogo, por muitas culinárias e é claro um bom chimarrão, os dias cinzas não escondem a alegria deste povo.

O inverso serrano é rigoroso, em vários locais é facilmente visível a neve caindo, a geada fria no

amanhecer Após o inverno chega a primavera, época que renasce os parreirais, muito verdes, as rosas que pro- tegem as parreiras brotam e enfeitam e embelezam a serra, as rosas tem uma função importante, há mui- tas roseiras plantadas perto das videiras e por um motivo: elas são mais fracas que as videiras, e quando alguma peste ou doença pegar primeiro nas roseiras é para tomar-se cuidado que em seguida isso pode acontecer com a parreira. Uma protetora! Chega o verão, banhos de rio, colheita e começa tudo outra vez. Por estes motivos que amamos ser do Sul!

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Foto: Gustavo Bottega - Prefeitura Municipal
Fotos: Maciel de Toni
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Texto e organização do capítulo: Liane Luisa dos Santos Peixoto - diretora cultural da 12ª

Texto e organização do capítulo: Liane Luisa dos Santos Peixoto - diretora cultural da 12ª RT

Grande do Sul. Em meio a tantas coisas boas em Esteio o que mais os esteienses têm orgulho de dizer “EU SOU DO SUL” é sem duvida a:

Expointer

Em 1970 as instalações no Parque Assis Brasil estavam prontas e a Exposição Estadual foi inau- gurada. Em 1972 a feira passou a ser internacional, chamando-se Expointer e contou com participantes de outros estados e expositores da Holanda, França, EUA, Inglaterra, Alemanha, Uruguai, Argentina, Di- namarca, Bélgica, Áustria, Suécia e Chile. As três esferas com as cores do Rio Grande do Sul foram doadas aos gaúchos pelo governo da Alemanha Ocidental, em 1974. As estruturas se constituíram como a marca da Expointer e inte- gram a logomarca da Prefeitura de Esteio. Hoje a Expointer é a maior feira agropecuária da América Latina.

A 12ª Região Tradicionalis- ta é uma das 30 Regiões Tradi- cionalistas do estado e é dividida em cinco importantes cidades da região metropolitana de Porto Aleg re : Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Nova Santa Rita. São cidades re- lativamente novas e cada uma tem peculiaridades únicas e bem diferentes. Foram construídas por diversas etnias de colonizadores, tendo em São Leopoldo a mais unificada, pelos Alemães, sendo que nas outras a colonização é bem variada. Nos- sa região é muito unida, pois a geografia nos pro- porciona estarmos sempre junto. A distância entre uma cidade e outra é bem pequena. A seguir falaremos especificamente o que cada cidade de nossa região tem, e que orgulha a todos em dizer porque “EU SOU DO SUL”.

Esteio

Esteio é um município que graças à posição privilegiada na Região Metropolitana de Porto Ale- gre e ao empenho de um povo orgulhoso de suas raízes possui uma vocação natural para o cresci- mento. Casa de excelentes indústrias e um forte pólo comercial, a cidade conquistou em 2010 o 2º me- lhor Índice de Desenvolvimento Socioeconômico do Rio Grande do Sul (IDESE). Próximo aos 60 anos de emancipação, o mu- nicípio vive um momento histórico. A construção da BR-448 potencializa o desenvolvimento e cria condições para uma ocupação ordenada e inteli- gente do setor oeste, além de incorporar o Rio dos Sinos ao mapa da cidade. É um município pequeno, possuindo apenas 27,5 quilômetros quadrados e está locali- zada a 16 quilômetros da capital do Rio

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
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Sapucaia do Sul

Sapucaia do Sul tem uma história emocionan- te, originada com os descendentes portugueses e açorianos, que chegaram à Fazenda Sapucaia e ali fixaram moradia, tomando posse da terra com a Carta Sesmaria, em 10 de setembro de 1738. Distrito do município de São Leopoldo, con- quistou vida administrativa própria em 14 de no- vembro de 1961, quando foi emancipada pelo então governador do estado do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola. Visando incentivar o turismo, foi criada na ci- dade a associação Geração 2000. Todas as ações visam incentivar as mais diferentes formas de Tu-

rismo. O slogan da associação é: “Sapucaia, a terra do Zoo”.

E assim sem sombra de dúvidas o que faz

com que os Sapucaienses tenham orgulho de dizer “EU SOU DO SUL” é o:

Parque Zoológico do Rio Grande do Sul

O Parque Zoológico do Rio Grande do Sul,

também conhecido como o Zoo de Sapucaia, é um jardim zoológico. É um dos três órgãos executivos da Fundação

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Foi inaugurado em 1962, e hoje é um dos zoo- lógicos mais visitados do país. Possui 620 hectares de reserva natural e 160 hectares destinados à visitação pública. Mantém cerca de 1.400 animais de todas as

partes do mundo, incluindo espécies nativas amea- çadas, procurando reproduzir em seus espaços uma aproximação de seus habitats de origem. Além da exposição de animais, o Parque Zoológico oferece uma infra-estrutura de lazer e

é também um centro de pesquisa e de educação

ambiental, com uma série de roteiros de visitas guiadas e outros projetos científicos e educativos.

Nova Santa Rita

Nova Santa Rita está situada a 25 km de Porto Alegre, na região metropolitana. Nova Santa Rita é

a pequena entre as grandes. Com 21 anos de emancipação política, se des- taca entre as outras por estar tão próximo da capi- tal e ainda ter traços de vida interiorana. Nova Santa Rita tem como base da economia

a agricultura e o cultivo do melão, ganhando, assim

o título de capital Gaúcha do Melão. Na cidade também está localizado o maior parque automobilístico da América Latina, que hon- ra seus habitantes e faz com que eles tenham orgu- lho de dizer “EU SOU DO SUL” porque temos o:

Velopark

Localizado a 30 km do centro de Porto Ale- gre, ocupa uma área equivalente a 200 campos de futebol. É formado por três pistas de kart (que juntas formam o maior kartódromo do mundo), um autó- dromo, pista de arrancada e um circuito oval. Inaugurado em 2008 foi construído em con- formidade com as normas da Federação Interna- cional de Automobilismo (FIA), recebendo com- petições e eventos automobilísticos nacionais e internacionais.

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Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Além das pistas, o complexo é composto por 29 edificações distribuídas dentro da mini

Além das pistas, o complexo é composto por 29 edificações distribuídas dentro da mini cidade, loja de produtos de competição, restaurante, chur- rasqueiras, 10 quiosques de alimentação, espaço kids e dois espaços para eventos empresariais, cor- porativos e sociais. Movido pela inovação, pela qualidade e pelo prazer de oferecer o melhor entretenimento o Velo- park se tornou um grande parque.

Canoas

Canoas é um município que pertencente à re- gião metropolitana de Porto Alegre. Foi emancipado das cidades de São Sebastião do Cai e Gravataí em 1939, e seu nome tem origem na confecção de canoas em seu território no início de seu povoamento, mais precisamente depois da construção da estação férrea local em 1874. O município possui o segundo maior PIB e a terceira maior população do estado, além de ser a 73ª cidade do Brasil com mais habitantes. Canoas atrai pessoas de outros municípios por causa de seu centro movimentado, das muitas indústrias e por ser um polo Universitá-

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rio com um Instituto Federal e quatro Universida- des: Uniritter, Unilasalle, Ipuc e ULBRA. Em seu território correm as águas dos rios Gravataí e Sinos.

O Município continua crescendo devido ao

esgotamento da capacidade habitacional de Porto Alegre e por oferecer alternativa imobiliária mais barata. No município esta localizada a Base Aérea de Canoas - BACO ou Aeroporto de Canoas que é uma base da Força Aérea Brasileira. Na base atua o Esquadrão Pampa com os caças supersônicos F-5E (Northrop F5E Tiger II) e

algumas aeronaves de caça do tipo Embraer EMB- 312 Tucano.

A Base Aérea doou ao município um avião

que foi colocado na praça da cidade, criando assim o cartão postal e referência da Cidade de Canoas e como não poderia ser diferente, se tornou o orgu- lho dos Canoenses fazendo com eles possam dizer “EU SOU DO SUL” porque temos a:

Praça do Avião

A Praça do Avião ou Praça Santos Dumont é um dos pontos mais famosos da cidade de Canoas. No local, um avião de fabricação inglesa F-8

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Gloster Meteor, sustentado por um suporte de con- creto armado, faz uma homenagem à importância da Aeronáutica para o desenvolvimento municipal. Inaugurado em 22 de janeiro de 1968, o monu- mento foi oferecido à comunidade pela Força Aérea Brasileira. A aeronave veio para o Brasil em maio de 1953 e foi o primeiro avião a jato no país. Com velocidade máxima de 960 km/h e carga para 1.342 quilos de bombas, o avião foi desativado em 31 de outubro de 1996. Outro símbolo importante na praça é o mas- tro de 35 metros com a bandeira do Brasil. Hastea- da permanentemente, a bandeira é vista de vários pontos da cidade e também serve como localiza- ção do centro de Canoas. O Monumento homena- geando as origens de Santos Dumont também se encontra na praça.

São Leopoldo

São Leopoldo é um município que foi habita- do por índios carijós e por imigrantes açorianos. Era um vilarejo conhecido como Feitoria do Linho-cânhamo quando chegaram os primeiros 39 imigrantes alemães à região, em 25 de julho de 1824, enviados pelo imperador brasileiro Dom Pe- dro I para povoá-la. Essa feitoria localizava-se à margem esquerda do Rio dos Sinos. A data de 25 de julho de 1824 passou a ser considerada a data de fundação de São Leopoldo. Instalados na feitoria até que recebessem seus lotes coloniais, este núcleo foi batizado “Co- lônia Alemã de São Leopoldo” em homenagem à Imperatriz Leopoldina, a esposa austríaca de Dom Pedro I. Estes fatos deram a São Leopoldo o titulo de “berço da colonização Alemã no Rio Grande do Sul” fato que orgulha muito os Leopoldenses ou “Capilés”, tanto que eles têm muitos monumentos referentes a este fato como a “Casa do Imigrante”, “Monumento ao Centenário da Imigração Alemã”, “Monumento ao Sesquicentenário da Imigração Alemã” e “Monumento em Homenagem aos 175 anos da Imigração Alemã”, mas com certeza o que

mais orgulha os Leopoldinenses é uma casa, mar- co histórico e ainda vivo destes fatos e assim eles podem dizer “EU SOU DO SUL” porque temos a:

Casa do Imigrante

Esta casa, símbolo da imigração alemã, abri- gou os primeiros imigrantes em 1824. Nesta data foi realizado o primeiro culto evan- gélico do Estado. Construída em 1788, nela funcionava a Feito- ria do Linho Cânhamo, estabelecimento agrícola

estatal criado para a plantação deste vegetal, utili- zado na fabricação de cordas para os navios à vela.

A casa foi transformada em museu a partir

de 1984 e é de propriedade do Museu Histórico Vis-

conde de São Leopoldo. Seus cômodos possuem exposições temáti- cas de móveis, utensílios e vestuário utilizados pe- los imigrantes germânicos ao chegarem ao RS. No pátio existe uma atafona e ao lado uma coleção de pedras tumulares antigas.

O prédio foi tombado pelo patrimônio históri-

co em março de 1992.

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Foto: Aline Zuse 13ª13ª13ª1111313131313333 ªªªªª
Foto: Aline Zuse
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Texto e organização do capítulo : Aline Zuse 1ª Prenda da 13ª RT 2006/2007, jornalista,

Texto e organização do capítulo: Aline Zuse 1ª Prenda da 13ª RT 2006/2007, jornalista, 17256/RS

densa floresta, pois nos vales e nas planícies já se encontravam estabelecidos os alemães e lusos brasileiros. Na época, o estado vinha alcançando desenvolvimento notório na agricultura pelo esfor- ço dos colonos de origem alemã, mas ainda tinha como atividade predominante a pecuária. O estado, de 1875 a 1914, recebeu 80 mil imi- grantes atraídos ao “Novo Mundo” pelo sonho da terra. Quase que exclusivamente os imigrantes ita- lianos provinham do norte da Itália onde a crise era maior. O porto de Gênova foi o embarque da maio- ria dos italianos que vieram para o Rio Grande do Sul.

Após Conde D’Eu (Garibaldi), Dona Isabel

(Bento Gonçalves) e Caxias do Sul, em 1877 foi orga- nizada uma quarta colônia de imigração italiana. Silveira Martins, que se localizou em terras pró- ximas a Santa Maria, na região central do estado acolheu os estrangeiros em um processo de for- mação onde, os imigrantes enfrentaram diversas dificuldades como habitacional e de higiene, junto com a saudade de sua terra natal. Rapidamente Silveira Martins foi elevada à município e paulatinamente os elementos culturais trazidos pela imigração enriqueceram nossa re- gião. A valorização do trabalho, uma das principais características desse povo, resultou no saber tirar aproveito dos legados de sua terra, transformando- -os em fontes de renda. Entre suas produções uma das mais destacáveis foi a gastronomia.

A Rota Turística e Gastronômica percorre

um caminho entre Santa Maria e Silveira Martins, região central do estado gaúcho. Criada para re- ceber imigrantes russo-alemães, a região abrangi- da é a mesma denominada de Quarta Colônia de Imigração do RS. Elementos culturais que enrique- ceram nossa região e formaram, aos poucos, uma região de distinta beleza estética e cultural. Silveira Martins propicia atrativos religiosos, históricos, cul-

Na depressão central do estado pulsa o coração gaúcho, sede da 13ª Região Tradiciona- lista. Fronteira de todos os costa- dos, na região situam-se pequenas cidades onde cada uma é dotada de peculiares ca- racterísticas que representam as várias etnias que compõem o lugar. Atualmente a 13ª RT se forma de oitenta e nove entidades tradicionalistas espalhadas em 18 cidades assim designadas: Santa Maria, Agudo, Dilermando de Aguiar, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Formigueiro, Itaára, Ivorá, Nova Palma, Pa- raíso do Sul, Restinga Seca, Santa Maria, São João do Polesine, São Martinho da Serra, São Pedro do Sul, São Sepé, Silveira Martins e Vila Nova do Sul. Entre os legados de Índios, Belgas, Alemães, Italianos, Judeus, Árabes e tantos outros povos, destacamos algumas relevâncias culturais:

Quarta colônia e seus sabores

O caminho de chão batido traz o tom de rus- ticidade para o trajeto. É possível perder-se em de- vaneios que ressaltam o som da água aos tocar as pedras no Rio do Sapo, mas em um instante o can- tar dos pássaros toma a frente dos pensamentos e se faz de sinfonia para receber os visitantes. Como quem se perde no tempo, casas típicas da imigração local pintam um quadro atemporal da história central do Rio Grande do Sul. Detalhes em pedra, utensílios tradicionais, cozinhas inteiras remontam um passado ainda vivo no interior desta região e preservam um espaço culturalmente rico. No Rio Grande do Sul os imigrantes italianos chegaram a partir de 1875, sendo encaminha- dos para as regiões montanhosas, com

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turais, e principalmente gastronômicos, este que

justifica a Rota Gastronômica e motiva visitantes a desvendar seus aspectos.

O município, formado por um pequeno nú-

mero de habitantes, encontra-se camuflado em meio a grandes territórios como Santa Maria, as- sim, muitas vezes esquecido e injustamente igno- radas suas riquezas. Hoje, Silveira Martins (pouco mais de 30 Km de Santa Maria e com 2.452 de ha- bitantes) atrai, através da Rota Gastronômica, inú- meros turistas durante o ano para apreciarem os atrativos naturais, religiosos e histórico, mas, prin- cipalmente a sua distinta cozinha.

do Brasil. Gerando a organização do 7° Corpo Pro- visório de Cavalaria, para marchar para os inóspi- tos campos do Paraguai, junto à qual partia o Al-

feres, secretário do estado maior, Inácio de Souza Jacques (pai de Cezimbra). Quis a fatalidade que Inácio não regressasse aos pagos, e a orfandade paterna levou Cezimbra

a sentar praça aos 18 anos, seguindo ao campo de

luta para vingar a morte do pai. Com seu heroís- mo precoce ingressou à carreira militar e exercí- cio paralelo tornava-se o primeiro escritor santa- mariense com a publicação de “Ensaio sobre os Costumes do Rio Grande do Sul”. Depois de ter se envolvido nas batalhas campais, lançava-se agora, na batalha das ideias. Em 1884, ele sobe mais um degrau de hierarquia militar, promovido à tenente. Dois anos já prestava serviços à pátria nesse posto, quando sua saúde começou a declinar; em consequência foi licenciado para o tratamento de sua saúde, vindo refazer suas forças na terra natal. Cezimbra, acabou surpreendido pelo destino con-

traindo núpcias com a jovem Dona Júlia Cidade e desta união deu-se luz a: Alberto (11/12/1891), Bolí- var (24/08/1893) e Albertina (13/07/1894). Passados seis anos do seu matrimonio, a fa- talidade arrebatou-lhe a esposa tão adorada. Alber- tina deixou a luz do mundo no ano de 1904, indo ao encontro da mãe com seus poucos 10 anos de idade. Quando recém saído da Escola Militar, Al- berto veio logo à convalescer de lesão pulmonar e Bolívar, o mais moço, faleceu dois anos depois, no sobrado que residia. Cezimbra não demorou a falecer levado pelo mesmo morbus perseguidor de sua família. Seu material, se valor incalculável, ficou perdido em malas e caixotes que ninguém quis herdar recean- do contágio e ignorando o valor intelectual deste conteúdo. Julho, dia 27 do ano de 1922, quando partia ao além tumulo, aquele que servira de exemplo de ho- mem, pesquisador, sociólogo, militar atuante, preo- cupado e engajado nas causas sociais de sua épo- ca, precursor de ideias, amante das artes gaúchas

e lides campeiras, pai amoroso e dedica- do, além de um esposo apaixonado. Hoje

Linhas históricas de um pioneiro

Em 13 de novembro de 1849, vinha à luz do

mundo, na pequena Santa Maria da Boca do Mon- te, o menino cujo destino estava assinalado, pois se- ria este, o primeiro escritor deste povoamento, de nome: João.

A história de João Cezimbra Jacques é cons-

tituída de linhas escassas e difíceis de se colher.

Mas ao que parece o destino lhe fora implacável

marcando sua história com o ferrete da dor: com cinco anos perde o menino aquela que lhe dera o ser, orfandade que vincou-lhe a existência com um profundo traço de mágoa.

É difícil crer, mas a vida de João Cezimbra

Jacques, fora como tragédia e romance real. O menino criado sem mãe, teria por sua vez, sido educado pela avó, pois segundo documentos, havia nascido na rua do acampamento, onde esta (sua avó) possuía casa (mesmo local onde teria se insta- lado a primeira olaria da localidade). Com uma vida quase pastoril, ingressou nos estudos aos 8 anos, devido a precariedade escolar que ainda pairava no município, isto pouco lhe incentivaria à vida li- terária. Decorria assim, plácidos e serenos os dias de adolescente quando D. Lopes perturbou a paz do continente com sua agressão insólita ao império

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só nos restam suas sementes, que germinam ao mundo sendo chamadas de tradicionalistas.

Traços da via férrea

nem quartéis, nem mesmo os principais cursos da cidade; apenas uma antiga e envelhecida memória que outrora fora a artéria desta região. O ponto de ligação entre um pequeno burgo do séc. XX às fronteiras as mais destintas localidades; Um dos maiores entroncamentos ferroviários de sua época e o pólo dinamizador desta região. Entretanto, é observando as vias paralelas a Gare onde é possível encontrar um dos mais belos cartões-postais de Santa Maria. Como se cada visi- tante pudesse abrir as janelas de um horizonte an- tigo e saudoso, recorrendo ao as lembranças de um velho maquinista puxador de longos silvos, para re- construir a risca as imagens de um momento im- portante da história da 13ª Região Tradicionalista. Uma imagem repetida lado à lado ajudou a impulsionar o crescimento do coração gaúcho, oi- tenta e quatro famílias legaram oitenta e quatro ca- sas. Com ares Belgas, elas se destinavam a abrigar os operários da época e compunham o primeiro conjunto habitacional do Rio Grande do Sul.

Foto: Aline Zuse
Foto: Aline Zuse

Os casarões sólidos e sombrios que distri- buíam-se por quatro quarteirões, foram os primei- ros passos da solidificação da cidadela. E da vila dos ferroviários sobrou ao hoje o patrimônio his- tórico e cultural do município e do estado gaúcho. Cruzando as proximidades da avenida principal com a velha gare, vê-se as esquinas e paredes da

Tum… Tum… Tum… O som repetido ecoou como um pulsar no coração gaúcho anunciando a chegada do ano de 1884. Ouviu-se assim os últimos sons que assentavam a prosperidade até a peque- na e tradicional cidade de interior, Santa Maria da Boca do Monte. Aquele que viria ser o símbolo de municipalidade e crescimento de toda a região central do Rio Grande do Sul deixou um trajeto de o suor e o cansaço gerado pelo incessante trabalho dos operários da época.

Os dormentes fixados pouco a pouco deram sustentação aos trilhos da nova ferrovia. Linhas de acesso ligaram os pontos extremos do Brasil com o Oceano Atlântico, países da região Platina e sudes- te brasileiro tornando o município um verdadeiro pólo ferroviário. Sua população, reflexo do avanço proporcio- nado pela ferrovia, tornou-se vertente pujante no desenvolvimento futuro e no crescimento de tantas áreas como educação e saúde. O simplório povoa- do ganhava desta forma novos horizontes, e paulati- namente desembarcavam no largo de sua estação, bagagens repletas de saudades e sonhos. O reduto multirracial se formou tendo como principal característica constituir-se num ponto de passagem: passagens breves, passagens dura-

douras

Pela região central

do estado cruzaram caixeiros-viajantes, represen-

tantes comerciais, cantores de opera, artistas de

Famílias

teatro, homens de negócio, estudantes

inteiras; e muitos foram, os que aqui fixaram suas raízes enriquecer o panorama da crescente Santa Maria. Dos tempos da ferrovia restaram as ruínas de uma Gare e o saudosismo local. Ao caminhar pelo centro de Santa Maria, quem desce a Av. Rio Branco rumo a antiga ferrovia, percebe as mudan- ças da cidade. No local já não se encontra o comércio dinâmico dos outros tempos,

Passagens eternas

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Vila Belga, que ainda nos deixam sentir sua presen- ça; foram mulheres e filhos em longas esperas, que como momentos únicos de felicidade e emoção entre lágrimas de alegria de corações afastados pelas viagens e pelas rotinas levadas pela ferrovia. Não há como deixar escapar que por aqui as histórias da ferrovia por muito substituíram as canções de ninar. A matriz ferroviária se forjou na imaginação de filhos e netos de ferroviários como o ruído da Maria Fumaça. Santa Maria foi símbolo de ferro e fumaça, e seus cidadãos tiveram a vida girando em torno do apito do trem ao apontar da locomotiva na estrutura em alvenaria portante, adotada na edificação da estação.

Um centro educacional

A interiorana cidade de Santa Maria possui aproximadamente 300 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Na sua atualidade, o município é denominado de cida- de-cultura, sendo a designação dada resultante do investimento educacional que o município apresen- ta. Além de escolas municipais, estaduais, particu- lares e cursos preparatórios, a cidade conta com mais de dez instituições de formação superior. Sendo a primeira universidade pública insta-

Foto: Aline Zuse
Foto: Aline Zuse

lada no interior do estado, a Universidade Federal de Santa Maria está entre as 70 melhores da Amé- rica Latina. A UFSM foi fundada por José Mariano da Rocha Filho em 1960, contando hoje com uma área de aproximados dois hectares. De acordo com

o site da instituição, a circulação anual de alunos (graduandos e pós-graduandos) orça em uma mé- dia de 30 mil estudantes. O município conta também com um vasto número de universidades particulares. O Centro Universitário Franciscano está entre as primeiras instituições acadêmicas na região central do es- tado. Um polo educacional, a UNIFRA ocupa um espaço de referência na formação superior, ofer- tando mais de 32 cursos de graduação e pós-gra- duação, bem como, operando em diversos progra- mas, pesquisas e serviços educacionais. Além de universitários circulam na região estudantes de nível fundamental, médio, de cursos

pré-vestibular e de pós-graduação. Entre distintas instituições localizadas em Santa Maria e em cam- pus distribuídos nas cidades que circundam a re- gião. Na atualidade a vida educacional movimenta

o sistema econômico por serviços que variam de materiais escolares à festas de formatura.

A fé que acolhe um país “Maria de todas as graças, que na terra derrama os céus, esperamos de ti que nos faça óh Maria subir até Deus” Orai pelo que tens. Orai pelo que sonhas.

Se há quem diga que a fé move montanhas, Santa Maria diria que esta pode salvar vidas. Do

devoto para a devoção foi Fráter Ignácio Rafael Val-

le quem trouxe Maria Medianeira para coração do

estado. Pe. Ignácio chegou a Santa Maria em 1928 fi- cando sediado no Seminário Diocesano São José. Em sua bagagem trazia grande riqueza, após ter sofrido com uma grave doença decidiu dedicar sua vida à promessa de tornar conhecida “Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças”. No ano seguinte, Papa Pio XI conce-

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Foto: Aline Zuse

deu a Diocese de Santa Maria a honra de sediar a Festa de Nossa Senhora Medianeira e missa própria. Todavia, a devoção ganhou forças em 1930 quando a cidade sofria pela ameaça de um confronto armado entre unidades militares. Tomadas pelo medo, 23 mulheres reuniram-se (no mês de setembro) em procis- são, caminhando em oração pediam à Nossa Senhora Medianeira que não houvesse o conflito. Ainda em 1930, as vozes multiplicaram-se e somavam 1.000 pessoas clamando por intercessão na Pri- meira Romaria Diocesana. As preces foram atendidas, a Revolução findara e sequer uma arma disparou no coração gaúcho. Medianeira abençoou a fé e as orações que clamaram por ela fazendo com que os devotos espalhassem a notícia de que “Medianeira os salvara”. Passados alguns anos os Bispos Gaúchos ao Rio Grande do Sul o privilégio de ter como padroeira Nossa Senhora Medianeira. Tendo sido proclamada ao estado, em 1943 as Romarias passaram a ser es- taduais e até hoje, centenas de milhares de peregrinos, romeiros e devotos já passaram pelo Santuário Basílica de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças. A Romaria acontece sempre no segundo domingo do mês de novembro, período em que também acontece o Encontro de Arte e Tradição Gaúcha - ENART. A promoção do Movimento Tradicionalista inte- grou-se à devoção e com a colaboração dos cavalarianos da 13ª Região Tradicionalista recebe anualmente o estandarte da padroeira. A procissão feita no lombo do cavalo cultiva a tradição e a devoção de Santa Maria para aquela que o estado protege e faz orações levando bênçãos ao evento tradicionalista.

devoção de Santa Maria para aquela que o estado protege e faz orações levando bênçãos ao
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Texto e organização do capítulo : Ana Paula Pinheiro - diretora de cultura da 14ª

Texto e organização do capítulo: Ana Paula Pinheiro - diretora de cultura da 14ª RT, pedagoga, bióloga, especialista em gestão e coordenação, mídias na educação e educação ambiental.

Xavier. E também mostrar o orgulho de sermos gaúchos desta região apresentando suas relíquias naturais como as que podemos encontrar em Ar- vorezinha, Soledade e Tapera. Iniciando a nossa narrativa como o Combate do Fão um fato histórico que durou apenas um dia, mas foi um marco para muitos gaúchos da 14ª Região Tradicionalista.

O Combate do Fão

Para entendermos o Combate do Fão nos re- portemos a Revolução Constitucionalista de 1932 e ter a compreensão de que esta revolução ocorreu por consequência da Revolução de 1930 que de cer- ta forma foi à ruptura da tão conhecida República do café com leite. Getúlio Dornelles Vargas assu- miu o Governo Provisório, prometendo democrati- zar o país com a Assembleia Constituinte, o que não aconteceu. Os estados do Rio Grande do Sul, Minas Ge- rais e São Paulo, descontentes com Vargas organi- zam levantes contra o seu governo. No Rio Grande do Sul ocorre uma divisão de forças e em 1932 a morte de quatro jornalistas serviu de estopim para Revolução Constitucionalista. Mas boa parte do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais apoiava Ge- túlio Vargas. De acordo com Trombini (p.12, 2010) Flores da Cunha o interventor no Rio Grande do Sul apoiava Vargas, enquanto havia a ala regionalista com Bor- ges de Medeiros que apoiava o grupo paulista.

Ainda conforme Trombini (p.13, 2010)

Flores da Cunha, nomeado pelo presiden- te Getúlio Vargas, colocou corpos provisórios em todos os municípios gaúchos. No noroeste do estado, precisamente em Soledade, iniciou- -se um levante contra Getúlio conhecido como

Este capítulo apresenta- rá um fato histórico da 14ª RT acontecido entre municípios que compõem a nossa região e apre- sentará lugares especiais que re- presentam o orgulho de nosso chão. A região é constituída atualmente por 28 municípios, sendo que recentemente passaram a fazer parte mais duas cidades: Cerro Branco e Lagoa Bonita do Sul, abrangendo, assim 85 enti- dades distribuídas entre plenas, parciais e espe- ciais. Portanto os municípios que fazem parte de nossa região são: Alto Alegre, Anta Gorda, Arroio do Tigre, Arvorezinha, Barros Cassal, Cerro Bran- co, Campos Borges, Espumoso, Estrela Velha, Fon- toura Xavier, Ibarama, Ibirapuitã, Ilópolis, Itapuca, Jacuizinho, Lagoa Bonita do Sul, Lagoa dos Três Cantos, Lagoão, Mormaço, Passa Sete, Putinga, Salto do Jacuí, São José do Herval, Segredo, So- bradinho, Soledade, Tapera e Tunas. A economia predominante na 14ª RT é a pri- mária com a: agricultura, agropecuária, avicultu- ra, extração mineral e terciária com o: comércio de produtos. As lides campeiras são bem desen- volvidas na região e o gosto pelo laço é algo que faz com que se possuam grupos e piquetes volta- dos para este objetivo. As etnias que constituem os municípios da região são compostas basicamente de italianos, alemães, portugueses e bugres, constituindo-se desta mescla o povo de nossa região. Gaúcho que ama a lida, a gaita, o violão, o cantar, dançar e tro- var ao redor do fogo de chão. Este mesmo gaúcho enaltece o seu amor pela terra, e por lugares que são mais do que joias da natureza. Procuramos relatar neste capítulo um fato histórico de maior abrangência e repercussão acontecido entre municípios de Soledade, Es- pumoso, São José do Herval, Fontoura

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Combate do Fão. Este levante constitui-se de dois corpos: o quadragésimo quarto sob o co- mando de Coronel Pedro Correa Garcez, re- presentando o Partido Republicano, e o trigési- mo terceiro, comandado pelo Coronel Cândido Carneiro Junior, mais conhecido como Can- doca, do Partido Libertador.

Então o Combate do Fão constitui-se do levan- te armado de Soledade em apoio aos constituciona-

listas paulistas e confronto com as tropas de apoio ao governo de Vargas.

O Combate aconteceu na localidade de Barra

do Dudulha, e fica localizada no município de Fon- toura Xavier, abrangendo as planícies onde se en- contram os municípios de Pouso Novo e Progresso, por onde passa o Rio Fão e Arroio Dudulha.

horas, ou como contam até acabar a munição do Coronel Candoca que se retirou da peleia atraves- sando os matos e o Arroio Dudulha e deixando mortos por uma causa que na verdade já havia sido resolvida nas instâncias maiores. E esta história é conhecida e divulgada pelas pessoas que se sentem revivendo a peleia e dizem ter orgulho deste povo que lutou alguns por serem peleadores, outros por estar abarcando uma causa política.

Relíquias da natureza e orgulhos de nossa região

Arvorezinha

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A batalha

Em 03 de setembro o General Cândido Car- neiro Junior (Candoca), enviou o manifesto para Flores da Cunha, explanando que estaria com um grupo de homens prontos para pelear contra a di-

tadura de Vargas, portanto contra Flores da Cunha, e apoiando os paulistas.

E o combate aconteceu em meados de setem-

bro de 1932, na localidade da Barra do Dudulha em Fontoura Xavier, o confronto durou cerca de seis

Subindo a montanha a 750 metros de altitu- de chegamos à Arvorezinha. Um cenário mágico de filme de distantes aldeias italianas? Um cartão postal no arco da montanha, ou uma terna tela de Guignard? Arvorezinha é uma cidade de 10.500 ha- bitantes, clara e perfumada, ao pé de um majesto- so morro manchado de hortênsias. No seu cume, uma bela igreja histórica e uma figueira (que lhe dá o nome) velam a saga e os sonhos de uma cultu- ra portuguesa, italiana entre outras. Esse pedaço temperado de América vem al- cançando ao mundo, incansavelmente, sua qualifi- cada produção em erva-mate, cerâmica, basalto, agropecuária, além de diferenciados doces casei- ros. Já a paisagem de Arvorezinha não precisa dizer a que veio. Épica e grandiosa, recostada no peito da floresta atlântica, se abre em trilhas eco- lógicas, peraus, bosques singulares e se oferece como provisão ao habitante do século XXI, faminto de equilíbrio e beleza. São várias festividades que encantam a região: Festa da Erva Mate, Natal no Morro, Semana Santa no Morro.

Fonte: Rejane Borille - Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Arvorezinha Gesmari Zen Taborda - Diretora de equipe da Cultura de Arvorezinha

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Foto: Divulgação

Moinho Fachinetto

Foto: Divulgação Moinho Fachinetto Além de moer o grão e modelar o olhar até o percurso

Além de moer o grão e modelar o olhar até o percurso remoto do imigrante, o MOINHO FACHI- NETTO nos presenteia com um espaço criador aberto ao publico mostrando todo o processo de fa- bricação da farinha de milho. Com o nome da sua avó e de todas as avós alcança, nos tenros biscoitos, cucas e pães coloniais, a certeza sutil do aconche- go, a comunhão, e aquela incansável sensação de infância, de mundo começando ao redor de uma mesa, e de um coração de avó ao eterno continente do Amor.

Parque das Araucárias

A natureza preservada predomina em gran- de parte de sua área, destaque para as imponen- tes araucárias com suas mãos em taças, aparan- do o sol e a neve gaúcha, elegantes, vigilantes da paisagem, onde sob elas o homem fará mil vezes as pazes com a natureza, bem como acordos com a alegria, jogando futebol de areia com os amigos, curtindo a piscina e o lago com pedalinhos, des- frutará de área de camping com infraestrutura (sombra, água potável, churrasqueiras e mesas), ou os saborosos alimentos ser-

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vidos no restaurante panorâmico. Ainda poderá se hospedar nas cabanas inseridas na natureza. Tudo isso ambientado em uma bela paisagem, com área de 125.000 m², situado na estrada da Li- nha Gramado, a 300 metros do trevo central de acesso a cidade, a apenas três minutos do centro de Arvorezinha.

Fonte: Rejane Borille - Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Arvorezinha Gesmari Zen Taborda - Diretora de equipe da Cultura de Arvorezinha

Perau de Janeiro

Este Perau grandioso excepcionalmente, nos janeiros se veste de musgos brancos. Sim, sob o sol dos verões o Perau tem pele de luar. É quase de seda, escala encostas de pedras e eternidade, afia vertigem de encantamento, mergulha no fundo da grandeza da terra e fica perdidamente apaixonado por esse Deus de pedra guardando a água pura do planeta. Tudo é possível neste monumental Perau de 207 m de altura onde podemos morar provisoria- mente. Trilhas ecológicas para quem gosta de aven- tura. Cabanas aguardam o visitante. A paisagem é ficcional e está apenas a 19 km do Centro de Arvo- rezinha, localidade de Linha Torres Gonçalves. O local é o habitat do anfíbio conhecido como

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

sapo-de-barriga-vermelha, o anfíbio mede menos de cinco centímetros, e cabe na palma da mão. Uma espécie descoberta recentemente pelos pes- quisadores, e que corre risco de extinção. É uma espécie totalmente própria do Rio Grande do Sul, é endêmica e totalmente nossa.

Fonte: Rejane Borille - Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Arvorezinha Gesmari Zen Taborda - Diretora de equipe da Cultura de Arvorezinha

Igreja São João Batista

Quem chega à Arvorezinha chega à igreja

São João Batista. Ela nos enlaça e enternece. Sin- gela e elegante em seu desenho neogótico, bem no alto lembram ao visitante: essa cidade tem Dono e

bem no alto lembram ao visitante: essa cidade tem Dono e é visceralmente, de Todos. E

é

visceralmente, de Todos. E mais. Que aqui o céu

e

terra estão, de forma absoluta, conectados a bem

de todas as harmonias. Construída pelos próprios imigrantes e inau- gurada em 1942, ela é o patrimônio histórico e ar- quitetônico mais precioso da região, sela o replan- tio da alma italiana nesse chão e a busca de São João Batista como o arauto de um Novo Tempo. Palco de eventos como o Natal no Morro e a Sema- na Santa.

FEMATE

A Femate, evento promovido pela comunida-

de Arvorezinhense juntamente com a Prefeitura Municipal é realizada a cada dois anos. Além do sucesso comercial, é um polo forte na área da cul- tura através de espetáculos artísticos de teatro, música, canto, dança fotografia e artesanato. Re- unindo num evento festivo com foco empresarial, todas as potencialidades do município e região, destacando a importância da cultura da erva-mate para a economia local e regional.

Memorial Taperense

O Memorial Taperense mantém em seu acer-

vo a história de Tapera em obras literárias de au- tores taperenses e em peças que retratam o uso e costumes de nossos antepassados. A própria edi- ficação, reconstituída originalmente, é uma peça integrante da memória taperense. Trata-se de uma casa em estilo italiano, construída nos primórdios de Tapera e onde funcionaram a Prefeitura e Câ- mara Municipal de Vereadores. O Memorial Tape- rense não se limita a abrigar o acervo histórico de Tapera. Ele é, na verdade, um meio de difusão da cultura taperense, com a programação de exposi- ções de artistas locais durante o ano todo.

Fonte: Fernanda Luíza Haumpenthal - 1ª Prenda da 14ª RT

Fontoura Xavier A terra do pinhão

Conhecida como a terra do pinhão, devido a grande quantidade deste produto. Também devido aos pinheiros gigantes que se encontram na loca- lidade de Três Pinheiros. É realizada a cada dois anos a tradicional Festa do Pinhão uma feira de exposição de tudo que o município possui, quanto à culinária típica do pinhão e os produtos produ- zidos na região. Além disso, foi o 15º Erval das Mis-

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Foto: Divulgação

sões Jesuíticas nos anos de 1633 fundada pelo Pa- dre João Soares da Serra do Botucaraí que confor-

me Ortiz (2008, p.82) levou o nome de São Joaquim,

e possui como registro desta passagem a pedra

marco divisória dos antigos ervais que foi encon- trada nas matas do município. Estudada e restau-

rada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico

e Artístico Nacional), está exposta no Parque de Eventos Atílio Chitolina, junto a BR 386.

Parque das Tuias

Atílio Chitolina, junto a BR 386. Parque das Tuias Localizado entre os municípios de Fontoura Xavier

Localizado entre os municípios de Fontoura

Xavier e Soledade, o parque constitui um lugar de preservação da natureza e de lazer ao mesmo tem- po atraindo pessoas de vários outros municípios

e regiões. Mescla a cultura e as riquezas soleda-

denses com a mostra de pedras preciosas de or- namentos, adereços feitos em pedra, de esculturas feitas em ferro e aço de sucata.

Soledade

E o município de Soledade também nos faz

sentir orgulho de suas riquezas

E como não falar dos Campos de Soledade!

Como dizia nosso saudoso Teixeirinha que os cam- pos de Soledade são o terreiro do Rio

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Grande. As belezas que estas paisagens naturais reproduzem possibilitam ao gaúcho a certeza de

que somos um povo ligado a ao amor a terra. Que valoriza o seu chão acima de tudo como também

as coisas simples da vida. Como o saborear do mate

sentado à frente de casa, olhando para a natureza como em sintonia e compreendendo a essência de ser Gaúcho! Com este capítulo apenas mostramos um pouquinho do que a 14ª Região Tradicionalista pos-

sui, são vários lugares que nos orgulham e refletem este sentimento de corpo, alma e coração. Que fa- zem com que sejamos aquerenciados pela tradição

e que busquemos no Movimento Tradicionalista

Gaúcho não só a preservação, mas a perpetuação de toda esta essência de ser Gaúcho. E para refletir todo orgulho de ser gaúcho dos Soledadenses deixamos este poema (enviado pela tradicionalista Mara Muniz)

CREPÚSCULO

Exaltação desta terra,

é o crepúsculo no horizonte. No vermelho das colinas

é brasa viva que arde,

e deixa o borralho da noite, pouco a pouco engolir à tarde.

Cada crepúsculo que chega, tão longe de um novo dia, recebe a noite negra, vivência da minha Soledade, que em doce melancolia, enche o coração de saudade.

A cada crepúsculo o sol leva

o brilho do entardecer.

Mas ao voltar novamente, alimenta a fonte da vida, caminha rumo ao poente,

numa eterna roda-viva.

Maria Lêda Lóss dos Santos Academia Soledadense de Letras

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Texto e organização do capítulo: Oscar Bessi Filho - escritor e colunista Mas ele, num

Texto e organização do capítulo: Oscar Bessi Filho - escritor e colunista

Mas ele, num gesto, já deu a regra da viagem: ti- nha que se prestar atenção.

- E o Tesouro, Véio? É em moeda de ouro?

- É uma fornada de cuca?

- Um barril de chope?

- Humpf.

Ele era assim, o Véio. Meia palavra e olhe lá. Xiru sabia, não seria uma cavalgada mui fá- cil. A 15ª RT abrange 23 municípios: Montenegro, Capela de Santana, Portão, São Sebastião do Caí, São José do Hortêncio, Linha Nova, Vale Real, Alto Feliz, Feliz, Bom Principio, Harmo- nia, Tupandi, Salvador do Sul, São Pedro da Serra, Barão, Poço das Antas, Brochier, Mara- tá, São José do Sul, Pareci Novo, Tabaí, Taquari e Triunfo, a cidade histórica onde encerrariam a cavalgada. Umas das regiões mais belas do pam- pa gaúcho. Tinham orgulho de ser dali, terra de gente valente, trabalhadora. E levavam fé que era mesmo possível encontrar um tesouro. Entraram em Pareci Novo quando o sol nas- cia. Belíssimo cenário para a terra das flores: a combinação perfeita da luz solar com o multicolo- rido das pétalas. A terra da Citrusflor – festa das plantas, flores e frutas –, principal evento da cida- de tem o nome de Pareci graças a um índio do Mato Grosso que se mudou para a região quando tinha entre uns 10 anos, descendente das tribos Parecis. A maioria da população é descendente de alemães vindos de Hamburgo. Os Baita ficaram impressionados com o pré- dio do Seminário Jesuíta, tombado pelo Patrimô- nio Histórico e Cultural do RS. Ele funcionou du- rante cem anos. Neste período, moraram ali 326 padres, seis reitores e cinco bispos, além de 600 seminaristas vindos de todo o pampa. Os jesuí- tas chegaram ao Brasil em 1549, na expedição de Tomé de Souza. Em Salvador do Sul há outro se- minário jesuíta.

Gaúcho tem disso. É gaú- cho e basta. Nas fronteiras de um lugar chamado Vapor Velho, na tríplice divisa entre Monte- negro, Brochier e Maratá, vive um grupo de gaudérios conhecidos como “Os Bai- ta”. Dispostos a lutar com unhas (pretas da lida!) e dentes pelo seu estilo de vida e costumes, seu grito de guerra é “Bamo que bamo!”. Baita, que é Baita, é mais fechado que baú de solteirona. No Boteco do Ju, ao lado do cemitério – pois Baita, que é Baita, não tem medo de assombra- ção, só de bafômetro -, decidiram, num belo dia,

iniciar a cavalgada pelo “Caminho da 15ª RT”. Que, segundo diziam, era mais bonito que tal Caminho de Santiago. E ainda teria um tesouro no final.

- Mas que tal! Tesouro, tchê?

- De forrar a guaiaca?

Souberam da lenda num rodeio da região. A 15ª Região Tradicionalista, aliás, é rica em rodeios. Começa pelo Rodeio de Triunfo, um dos mais im- portantes do sul do país, mais os rodeios de Bro- chier, Taquari, Capela de Santana, Portão, São Se- bastião do Caí, o do CTG Estância do Imigrante, em São Pedro da Serra, e o de Montenegro. Saíram antes do amanhecer de Vapor Velho. Do lugar onde, em 1923, ocorreu combate históri- co da peleia entre borgistas e assisistas. Outros tempos, onde um espirro meio de atravessado já gerava uma revolução. Eram seis cavaleiros e um cusco amarelado. O Xiru, dono da Estância e líder dos Baita, levou consigo Golias, o guri da bombacha miúda, Ta- deu, o homem da cuia gigante, Taborda, o moreno que aborda, e Simão, brigadiano macho barbari- dade que veio de Pelotas pra fazer a segurança. Convenceram Seu Gerônimo, o Véio, que sabia tudo de todos os lugares - e único da redondeza que já havia feito o Caminho - a ir junto.

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Junto ao Seminário está a Gruta do Silên- cio, uma das quatro principais do município que atraem os turistas. No centro da cidade, a Igreja de São José, construída no início do século XX, composta por um altar talhado em pedra grés e com uma escadaria de 101 degraus. Passaram pelo Porto dos Pereiras, às mar- gens do Rio Caí, onde as carroças vinham buscar as mercadorias dos barcos de carga. Golias soltou um espirro, ao passar entre

uma das tantas floriculturas parecienses. Xiru o advertiu, “mas que falta de educação, chê”! . O que ele não sabia é que Golias, o gaúcho da bom- bacha miúda, na verdade disfarçou para colher uma flor. Nem sabia ainda a quem entregar. Mas, nessa cavalgada toda, vai que surgia uma prenda no caminho! Ouviram uma música e tomaram a direção do som. Só podia ser festa. A colonização alemã tem esta marca de alegria e amor pela música, tanto quanto pelos corais – inúmeros nas cidades da região. Era um Kerb.

O Kerb é uma das festas mais importantes

dos imigrantes alemães. Indicam a festa da igre- ja, do padroeiro, para cumprir promessas, conse- guir fundos para reformas da igreja ou do cemi- tério e, antes, chegava a durar uma semana. Hoje, dura dois ou três dias. Nestes dias a casa deve estar brilhando e moça usar vestido novo - Mas bah! Quero ver o cavalo me aguentar! - brincou Tadeu, o homem da cuia grande, que largou o chi- marrão e já se lambuzava com chucrute, salsicha,

batata, couve, rabanete e fatias generosas da me- lhor cuca alemã.

Já era a tarde quando chegaram a Capela de

Santana. Terra de arroz. Entre 1738 e 1745, índios

Tapes e Guayacanans se juntaram a alguns por- tugueses. Onde hoje está o município, foi erguida uma igreja dedicada a Santa Ana. O Véio levou os Baitas à Barragem Rio Branco, primeira cons- truída na América Latina, no Pareci Velho. - Dá pra dar uma sesteada? – perguntou Golias, ainda digerindo o excesso de almoço com dificuldade.

- Humpf. – respondeu o Véio. E o Xiru negou.

Chegaram a Portão à noite. Golias quis sa- ber onde tinha, afinal, o tal portão. Xiru explicou:

o nome vinha de um grande portão construído em 1788, 1789, para impedir que o gado criado na Estância Velha escapasse pelo arroio para Rincão do Cascalho. O Véio fez um “humpf”, o que signi- ficava que podia ter mais história atrás daquele portão.

ficava que podia ter mais história atrás daquele portão. Simão, via das dúvidas, dormiu agarrado no

Simão, via das dúvidas, dormiu agarrado no seu mango. “Vai que alguém pula esse Portão”, resmungou. A cavalgada seguiu por São Sebastião do Caí. A cidade, fundada em 1875, capital nacional

da bergamota – onde ocorre a FENAMOTA - ou- trora foi habitada por índios. Rio “Caahy”, ou rio da mata, era como eles chamavam o Rio Caí. Por volta de 1800 começaram a chegar as primeiras famílias de imigrantes luso-portugueses. A ter- ceira família a chegar chegou a dar seu nome ao porto – Porto dos Guimarães -, local importante de comércio por ser o último antes da serra. A flor símbolo do município é o Lírio Amarelo. Go- lias colheu um.

Pra quê tanta flor, vivente? - indagou Taborda. Ele não respondeu. Pararam para comer umas berga- motas, cuca com linguiça, dar água aos

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Foto: Divulgação
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cavalos e descansar um pouco, antes de prosse- guir.

Foram a São José do Hortêncio. Onde acon-

tece a Festa do Aipim. Que provaram na forma

de purê. São José era padroeiro da Paróquia de

Hortêncio - homenagem ao Sr. Hortêncio, que ti- nha terras localizadas entre as vias de acesso, sendo popular dizer que ia-se para São José pe- las terras do Hortêncio, origem do nome. Em 1826

vieram as primeiras levas de imigrantes alemães.

A cidade foi chamada de “Picada do Cadeia ou

“Freguesia de São José do Hortêncio”. Dali foram à Linha Nova. O povoamento da localidade iniciou com colonos alemães prove- nientes das “picadas” mais antigas no Vale dos Sinos. É aqui que tem um cemitério muito, mas muito antigo? – perguntou Golias, voz meio trê- mula. Simão, antes de responder que sim, o enca- rou com cenho e bigodão fechados. Baita não tem medo de cemitério. Esqueceu, bagual? Encontraram uma festa onde tocava uma bandinha. Não era a Heimatfest – Festa da Inte- gração que ocorria na cidade -, mas era um baita agito. Casais dançavam valsas, polcas, marchas e danças folclóricas como Herr Schmitt. Para finali-

zar, o Kehraus (dança final ou saideira). E os Baita

se

esbaldaram na comida outra vez. E na cerveja. Linha Nova teve a primeira cerveja- ria do Rio Grande do Sul, criada pelo

prussiano Georg Heinrich Ritter. Chegaram a Vale Real só no dia seguinte. O lugar se chamava Kronenthal, Vale da Coroa, nome dado pelo município estar num vale cercado por treze morros que formam uma verdadeira coroa natural até 1938, quando houve uma proibição de se falar a língua alemã em virtude da 2ª Guerra Mundial. Os colonos dali eram provenientes da re- gião do Reno e Pomerânea. Hoje, esta memória e cultura é festejada na Kronenthal Fest. Seguiram para Alto Feliz, terra de A.J. Ren- ner, um dos maiores empresários no princípio da industrialização do pampa antigo, e que um dia os colonos alemães chamaram de Batatenberg, ou Morro das Batatas. Golias brincou com Tadeu para que cuidasse do nariz dele, pois também pa- recia uma batata. Em represália, Tadeu não deu mais chimarrão pro gaúcho da bombacha miúda. Na cidade também tinha a Alto Fest. Vale Real também foi colonizada por italia- nos, que chegaram por volta de 1875, através da velha linha colonial traçada nas matas da Encosta da Serra. Pararam pra comer uma macarronada italiana com galeto. Estavam gostando das festas e

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dos pratos do Caminho da 15ª - Será este o tesouro da 15ª Região? A culi- nária e a alegria? – perguntou Tadeu ao Véio. Que só respondeu “Humpf”. E todos entenderam que a alegria era só uma parte do todo a se descobrir no caminho. A cavalgada prosseguiu pelos dias e noites. Na Feliz, outra cidade de colonização germânica,

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cruzaram a famosa ponte de ferro. A cidade mais alfabetizada do Brasil é a sede do Festival Nacio- nal do Chopp e o Encontro de Cervejarias Artesa- nais. E da Festa Nacional das Amoras, Morangos e Chantilly – Fenamor.

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Desceram para Bom Princípio. A Terra do Morango. A História Marista no Sul do Brasil tem seu marco inicial ali, em 1900. Dom Cláudio José

Ponce de Leão, bispo de Porto Alegre, questionou na França, junto ao Irmão Teofânio, a vinda de Ir- mãos para a região. Foi atendido quando o Con- gresso de Agricultores da área de colonização alemã encarregou o Padre Rudgero Stenmans (je- suíta) e pároco de Bom Princípio, a fundar uma Escola de Formação para Professores destinados às paróquias de todo o Rio Grande do Sul. Vie- ram os Irmãos Weibert, Jean-Dominici e Marie- -Berthaire. A certa altura da cavalgada, Simão, o briga- diano guasca, avisou:

- Tchês! Aqui vocês não podem brigar. Nem bater boca.

- Por quê? - quis saber o Taborda, já com medo de abordar alguém.

- Olha o nome. Estamos em Harmonia!

De fato, a cidade da Früchtefest assim se cha- ma porque os primeiros moradores de origem ale- mã dali reuniram-se com frequência para cantar e fazer música. O que harmoniza a convivência.

Seguiram a Tupandi, terra da Maifest e da Festa do Porco no Rolete. Que chegou a ser con- siderada uma das cidades com melhor qualidade de vida no país, junto com Feliz. Outra marca for- te da região: a educação diferenciada. Salvador do Sul foi a próxima etapa da caval- gada. Município da encosta inferior da Serra do Nordeste, sede da Festur, foi rota de tropeiros que vinham pela Estrada Buarque de Macedo, ligação entre Bento Gonçalves e São João do Montenegro. Colonização alemã. Foi forte ponto de comércio graças a ferrovia, desativada só em 1970.

de comércio graças a ferrovia, desativada só em 1970. Os Baita viajaram ao passado pela Linha

Os Baita viajaram ao passado pela Linha Stein e no túnel de Linha Bonita, primeiro feito no Rio Grande do Sul e primeiro em estilo curvilíneo da América Latina. Sua construção, em 1906, foi necessária pelo terreno acidentado onde passava a estrada de ferro e a escavação se deu a partir das duas extremidades. O encaixe dos dois seto- res foi perfeito, não necessitando ajustes comple- mentares. Uma façanha na época. Golias disse que gostou do calafrio ao pas- sar no túnel e ia e voltava. Tadeu parou no meio do túnel tomando mate bem mansito, sentindo a natureza nas ventas. O Véio fez “humpf”. E Xiru mandou a cavalgada prosseguir. O Véio na frente, quieto, o cusco amarela- do lhe acompanhando no mesmo trim. Um pouco atrás, Xiru, no comando dos

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demais, Tadeu – que ficava no meio pra passar a cuia -, Golias trovando fiado com o Taborda (os dois eram os extremos no tamanho e tudo o mais) e, na segurança, Simão. Um olho na estrada, ou- tro nos companheiros, outro nos cavalos, outro na paisagem, outro pra todo lado. Que brigadiano é assim, tem que ter olho pra tudo. Cruzaram por Barão. Onde acontecia a tra- dicional Festa Colonial, uma celebração à diversi- dade étnica. Em setembro de 1880, o Barão Luiz Henrique von Holleben, que dá o nome ao lugar, acompanhou o engenheiro Carvalho Borges a Conde D’Eu, hoje Garibaldi e Bento Gonçalves, por causa das obras da estrada entre Montenegro e Bento Gonçalves. Estabeleceu residência no ponto mais avançado da colonização alemã entre Salva- dor do Sul e Carlos Barbosa. Vieram para aquela localidade também colonos italianos e, posterior- mente, em menor número, suíços, franceses, ho- landeses, portugueses, bolivianos e outros. O que explica a diversidade local. Cruzaram pela acolhedora São Pedro da Serra, colonizada por alemães, onde o Véio parou para que orassem um pouco na Igreja Matriz, construída toda em estilo gótico e encontraram na saída o grupo de danças alemãs Sankt Petrus. Dali, foram até Poço das Antas, outra cidade de colonização alemã, que levava este nome pela enorme quantidade de poços abertos para abas- tecer de água as famílias ali instaladas. Quando chegaram em Brochier, o Véio parou. Ali era a única colônia francesa do Rio Grande do Sul. Os fundadores da cidade foram os irmãos João Honoré e Augusto Brochier. Eles chegaram em 1832, vindos da França, numa época em que o Vale do Caí ainda era muito pouco po- voado. Ficava em Capela de Santana, a igreja que servia de sede paroquial para toda a região. Brochier tem a Expofesta. E é a capital do carvão vegetal. - Carvão? Mas então vamos assar uma car- ne! – propôs Simão. Todos aceitaram, lambendo os bigodes. Gaú- cho, que é gaúcho, não pode passar mui- to tempo sem churrasco.

Passaram por Maratá, outra vez colônia ale- mã, terra de Oktoberfest - popular festa alemã que iniciou em Munique e se espalhou pelas colô- nias mundo afora. Tomaram banho nas cascatas da Vitória e do Maratá e prosseguiram. Golias até

quis confraternizar com Fritz e Frida, no Parque, mas o Véio fez “ humpf ” e Xiru não permitiu. Passaram por São José do Sul, criada no ca- minho da linha férrea que vinha de Montenegro

à serra. E chegaram em Montenegro, onde Golias soltou um suspiro.

- Voltamos pra casa e nada de tesouro.

- Humpf.

Xiru traduziu o resmungo do guru dos Baita:

- Falta trecho. E um bom trecho.

Golias suspirou, cansado. Montenegro é a maior cidade do Vale do Caí. Chamada de Cida- de das Artes pela Fundação criada no município

e pela relevância de grandes artistas locais des-

tacados no cenário gaúcho e brasileiro. Cresceu em torno do morro São João e às margens do Rio

Caí, onde foi importante porto, o das Laranjeiras. Terra da Expomonte e da bergamota montenegri- na. Sede da 15ª Região Tradicionalista.

O que já vale a cidade. – disse Tadeu.Os ou-

tros concordaram.

E seguiram pra Tabaí, cujo nome vem da

união de águas e arroios (TABA, aldeia, e Y, água, Rio da Aldeia) que formam o arroio Santa Cruz, na divisa com Triunfo. Muitos açorianos povoa- ram o lugar. Seguiram até Taquari, terra de Davi Cana- barro e cidade-mãe do Vale do Rio Taquari - ter- ceiro vale mais fértil do mundo. A cidade se cons- tituiu com a chegada de casais açorianos, em 1764, sendo uma das mais antigas do estado. Recebeu também influências oriundas dos negros africa- nos, alemães, italianos e outras raças, em menor número.

Finalmente chegaram em Triunfo, cidade história, sede do Polo Petroquímico do Sul, terra onde nasceu Bento Gonçalves. Local onde se en- contra enterrado Jerônimo de Ornelas, fundador de Porto Alegre. Lugar com passado fortemente vinculado à Revolução Farroupilha, palco de vá-

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Foto: Divulgação
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rios combates. Como a Batalha do Fanfa, quando Bento Gonçalves foi preso. Triunfo preserva patrimônio artístico e ar- quitetônico considerável, cujo principal represen- tante é a Igreja Bom Jesus, marco na fundação da cidade e sede da terceira paróquia mais antiga do estado (1754) e construída em estilo barroco colo- nial. Terra de tradicionalismo. Do Rodeio Crioulo Estadual, Gineteada Internacional e Escaramuça

da Canção Gaudéria. Foi em Triunfo, respirando o ar farrapo, que o Véio fez sinal pra apearem. - Eis o tesouro. – falou. Os Baitas se olharam, espantados. Primeiro, porque ele tinha falado mais que “humpf”. Se-

gundo, porque não estavam vendo jóias, moedas, nada ali perto.

O Véio fez um gesto ao seu redor. Que era

um gesto de mundo. E levou a mão ao peito e à

cabeça. Soltou seu cavalo campo, pegou o chimar- rão, fez um cafuné no cusco amarelado aos seus pés e sorriu. Os Baita entenderam o recado.

O valor da tradição, da identidade, da cora-

gem daqueles colonos, índios e negros, a importân- cia de preservar a tradição para que a chama não se apague para as gerações futuras. Uma esperan- ça de dias à altura dos sonhos de nossos antepassa- dos. O verdadeiro orgulho de ser deste chão. Eis o tesouro no Caminho da 15ª RT, a região do Coordenador Pedro Cândido Angeli. E Golias jogou suas flores ao Minuano que assobiava uma milonga de orgulho e felicidade.

Pedro Cândido Angeli. E Golias jogou suas flores ao Minuano que assobiava uma milonga de orgulho
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Foto: Diego Araújo 16ª16ª16ª11116ª16ª16ª16ª16ª
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Texto e organização do capítulo: Mirelle Gonçalves de F. Hugo - departamento cultural da 16ª

Texto e organização do capítulo: Mirelle Gonçalves de F. Hugo -

departamento cultural da 16ª RT

Quem por aqui chegar vai sentir a história que ainda habita os casarões e fazendas da bela Camaquã, vai sentir o espirito idealista que fez dos nossos bravos guerreiros partir em prol de um Rio Grande maior mas sonhando sempre em poder voltar para sobra das figueiras de Aramba- ré, paras as lindas prendas trigueiras que ficaram a aguardar.

Composta pelos municí- pios de Arambaré, Camaquã, Cerro Grande do Sul, Chuvisca, Cristal, Dom Feliciano, São Louren- ço do Sul, Sentinela do Sul e Tapes a 16ª Região Tradicionalista esta inserida em uma das mais belas paisagens do Rio Grande do Sul, a “Costa Doce” ou “Mar de Dentro”, por ser banha- da pela Lagoa dos Patos. Lagoa esta que trouxe através de suas águas toda a influência cultural que faz destes nove municípios pitorescos e ho- mogêneos a cultura gaúcha. Foi através dela e por ela que portugueses, alemães, poloneses e italianos vieram fazer a vida nestas paragens que por muito tempo serviu de

palco para contar a revolucionaria, idealista e san- grenta história do Rio Grande do Sul. Homens como Bento Gonçalves da Silva, Ge- neral Zeca Netto e Barbosa Lessa escolheram por amor, viver e escrever a história desta região que tem em seu legado mais remoto a construção dos Lanchões Farroupilhas e no seu mais recente, ser

a terra onde foi composto o Hino Tradicionalista. A cultura do arroz, do fumo a pesca fez e

faz girar a economia desta região e deixar estam- pado às raízes migratórias que ao longo dos anos vem sendo vividas e preservadas por nossa gente. Abrigados à sombra de uma figueira tecen- do redes ou mantendo os costumes mais tradi- cionais pomeranos, nossa gente tem em comum

o orgulho de ter escolhido ser gaúcho e receber

a incumbência de guardar os fatos marcantes da

criação deste estado civil e de espirito. Ser do Sul aqui nesta região tem um signi- ficado que somente que tem os olhos abençoados

pelo dourado do sol nas águas da lagoa, que con- segue ouvir o choro das cascatas que emolduram

a

Serra do Herval que nos costeia pode saber ex- plicar.

Foto: Diego Araújo
Foto: Diego Araújo

Vai querer sentir o gosto do bom fumo que se fez pé nas serras da Chuvisca e Dom Feliciano e tentar tocar o céu quando chegar ao topo do Cerro da Fortaleza na bela Cerro Grande do Sul. Entenderás que para sermos do sul deste país muitos mangrulhos foram espetados nos elevados de Sentinela do Sul que ficaram a nos cuidar quando um italiano que tornou-se herói de dois mundos por aqui sonhou e construiu nas margens do rio Camaquã as personagens prin- cipais da marinha rio-grandense e partiram de Cristal para conquistar Laguna. E desejarás molhar os pés e lavar a alma nas águas doce ora salgada da grande Lagoa que traz para a sua namorada Tapes e para a pérola São Lourenço do Sul a esperança que na rede este

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Divulgação Foto: DivulgaçãoFoto:

ano não lhes falte camarão. Somos do Sul por que seguimos avante se- guindo o que nos deixaram os avós e criando as novas gerações conscientes que somos a miscige- nação de muitos formadores daquele que se tor- nou o único em sua espécie, “O GAÚCHO”. Expressamos este orgulho dentro do Movi- mento Tradicionalista Gaúcho através de nossa atuação cultural, artística e campeira em desta- que para sermos uma das regiões que mais obti- veram títulos nos Entreveros Culturais do RS.

Cenário Histórico

A região é cenário histórico marcante da

Revolução Farroupilha. Nesse território de criação encontra-se, residências e sedes de estâncias de Bento Gonçalves da Silva e de outros líderes da- quele conflito. Eminentemente farroupilha, a nossa região guarda até hoje grandes sinais da história do Rio Grande do Sul. Por seu inigualável valor histórico o espaço foi adquirido pela Prefeitura Municipal de Cama- quã, em 1991, e no ano seguinte tombado como Patrimônio Público Cultural do Estado do Rio Grande do Sul em 09 de julho de 1992. Em 1996, completamente restaurado o Forte Zeca Netto é entregue à comunidade. Serviu de residência ao legendário General José Antônio Netto – o Zeca

Netto, líder das lutas entre libertadores e chiman- gos nas revoluções de 1893 e 1923. Um espaço que reúne atrativos históricos, culturais e ecológicos. Fundação Barbosa Lessa. Fundada em 2005, além de preservar a obra e a memória do escritor e historiador Luiz Carlos Barbosa Lessa (1929 - 2002), a entidade tem por objetivo conservar a beleza natural e ecológica do Sítio Água Grande, onde no ano de 2003 foi acesa a Chama Crioula Oficial do Estado do RS.

O sítio, encravado na serra do Herval está

localizado a 30 Km do centro de Camaquã. Entre os principais atrativos estão a cascata com 30 me- tros de queda, além de outras pequenas cachoei-

ras bem como a casa onde residiu o idealizador do tradicionalismo. Há ainda uma biblioteca em meio à mata nativa e objetos pessoais e livros do autor.

Com fauna e flora exuberantes, estes são al- guns dos atrativos desta re