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Familiarmente: Incentivar o valor da Família

Jornal VV, 2010-01-10

http://www.jornalw.org/index.php?cont_=ver2&id=822&tem=2&lang=pt

O Sector da Pastoral Familiar analisa hoje as várias mensagens de Ano Novo –


Bento XVI, Cardeal-Patriarca e Presidente da República – que nos chegaram pela
comunicação social. É essencial reflectirmos sobre estas mensagens, dada a
importância dos seus conteúdos no reconhecimento do papel da família na
construção de um mundo melhor.

Vivemos o Natal, cujo Tempo Litúrgico termina hoje com a Festa do Baptismo do
Senhor, mas foi grande o ruído da Leopoldina, Popota e outras personagens que
animaram as campanhas publicitárias das cadeias de supermercados. Em
detrimento do Presépio, ganham relevância pública outras personagens,
imaginadas, criadas e propostas apenas com o objectivo de induzir a comprar. E
com a agressividade suficiente para atingir o imaginário das crianças, moldar
comportamentos e criar novas necessidades.

As três mensagens de Ano Novo que aqui abordamos têm um ponto comum: a
exigência da educação dos agentes de hoje e das novas gerações.

Há dias, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no


Vaticano, o Papa admitiu que “os problemas não faltam na Igreja e no mundo, bem
como na vida quotidiana das famílias”. Quer isto dizer que é preciso formar famílias
fortes, para que cada membro seja capaz de vencer as adversidades dos tempos
nas situações concretas que cada um enfrenta. E não se formam famílias fortes
sem o sentido de compromisso: comprometermo-nos verdadeiramente a amarmo-
nos em casal; a amar os filhos dedicando-lhes uma atenção formativa; a amar os
que estão no fim da vida, numa entrega generosa de carinho e acolhimento, que os
faça sentirem-se pertença da família.

A mensagem do Presidente da República

Na mensagem de Ano Novo de Cavaco Silva destacamos a tónica posta em três


valores: Confiança, Ética e Esperança, a viver nos tempos de grande exigência que
enfrentamos. Refere o Presidente da República que nesta “conjuntura que é de
grandes dificuldades, temos de perceber que a nossa crise não é apenas
económica. É, também, uma crise de valores: Há que recuperar o valor da família,
pois o esbatimento dos laços familiares tem sido um dos factores que mais
contribuem para agravar as dificuldades que muitos atravessam.”

E é na família que aprendemos a ser responsáveis na construção de um futuro


melhor, ou que aprendemos a ser indiferentes, procurando passar ao lado e evitar
grandes trabalhos ou incómodos, desligando-nos da realidade em que vivemos e
adoptando um tom fatalista de vida.

O Presidente diz muito claramente que não quer esconder a realidade difícil dos
portugueses e alerta-nos que “devemos apostar em políticas públicas que
promovam uma educação exigente e uma formação profissional de qualidade,
que fomentem a inovação”.
Como pais sabemos que é difícil incutir nos filhos o espírito de exigência, rigor e
perfeição. Porém, esta “educação exigente” faz-se desde a primeira hora, não
tolerando erros graves e corrigindo todas as atitudes de “falta de educação”. Um
exemplo positivo é o sentido de ecologia (respeito pelo ambiente) na separação dos
lixos domésticos, onde os mais novos participam com entusiasmo. Mas temos de
ser exigentes connosco e com os nossos, para não ficarmos nos últimos lugares em
cidadania e desenvolvimento: “De acordo com os indicadores mais recentes,
Portugal já baixou para a 19ª posição, estando apenas à frente de oito países da
Europa de Leste que aderiram há poucos anos à União. Tempos difíceis são tempos
de maior exigência e de elevada responsabilidade”, alerta o Presidente.

A Mensagem do Santo Padre

Habitualmente em família e com os amigos ou colegas de trabalho, os nossos votos


de Ano Novo assentam em duas tónicas: Saúde e Paz. A mensagem do Papa
Bento XVI vai bastante mais longe, pois o mote é «Se queres cultivar a paz,
preserva a criação». “O respeito pela criação reveste-se de grande importância,
designadamente porque «a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras
de Deus» e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica
da humanidade.”

Como seria expectável, a mensagem de Ano Novo de Bento XVI não poderia deixar
de fazer referência à sua recente encíclica Caritas in Veritate, que é um texto
importantíssimo, sobre o qual todos devemos reflectir (ver caixa). Na sua
mensagem, o Papa diz-nos que a acção irresponsável do homem tem contribuído
para “a desertificação, a deterioração e a perda de produtividade de vastas áreas
agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o
aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e
tropicais, poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto – mas é o
próprio contexto humano que o homem não consegue dominar, criando assim para
o dia de amanhã um ambiente global que se lhe poderá tornar insuportável.
Problema social de grande envergadura, que diz respeito a toda a família humana.”

Atenção pais, avós e padrinhos com responsabilidade na educação cristã dos mais
novos. O Papa dirige-se a nós como “herdeiros das gerações passadas e
beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos”, alertando-nos que “temos
obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois
de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós
não só um facto e um benefício, mas também um dever.Trata-se de uma
responsabilidade que as gerações presentes têm em relação às futuras.”

A Mensagem do Cardeal-Patriarca

O Cardeal-Patriarca de Lisboa defendeu "uma profunda revolução cultural e


civilizacional" para que a humanidade volte a encontrar a justiça e a paz.

"A humanidade está, como nunca, perante o desafio de renovação de civilização",


afirmou D. José Policarpo na sua homilia do Dia Mundial da Paz, proferida na
paróquia de Nossa Senhora da Purificação de Oeiras.

O Cardeal-Patriarca dirigiu as suas palavras para os "grandes problemas" que,


numa época de globalização, "são comuns a toda a família humana, como o são,
por exemplo, a salvaguarda do planeta Terra, a casa onde habitamos, a construção
da paz, a vitória contra a violência, a promoção da justiça, de modo particular nos
sistemas económico-financeiros e sociais".

Conclusão

Podemos tomar agora consciência das nossas responsabilidades como educadores e


não deixar que estes problemas sejam ignorados, quando muitas vezes apenas
desejamos uns aos outros um “Bom Ano, com tudo de bom”…

É preciso empenho, arrojo, mas sobretudo uma grande vontade de participar na


construção de um futuro melhor. Relembramos o desafio de João Paulo II em 22 de
Outubro 1978 com a célebre frase “Não tenhais medo. Abri, escancarai as portas a
Cristo!” e não nos afastemos dos nossos deveres e dos nossos compromissos.

Informação complementar:

Caritas in Veritate

Neste texto o Papa põe em realce que o desenvolvimento humano integral está
intimamente ligado com os deveres que nascem da relação do homem com o
ambiente natural, considerado como uma dádiva de Deus para todos, cuja
utilização comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira,
especialmente para com os pobres e as gerações futuras.

É importante perceber que o Papa alerta ainda, neste texto, para que se adopte um
modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promoção
e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da necessidade de
mudar os estilos de vida e na prudência, virtude que indica as acções que se devem
realizar hoje na previsão do que poderá suceder amanhã.

Sector da Pastoral da Famíli

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