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CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Neste capítulo são apresentados e analisados os resultados dos ensaios de laboratório realizados nesta pesquisa. Primeiramente, são apresentados os resultados dos ensaios de caracterização e compactação do solo, fosfogesso e mistura com 10% de fosfogesso e 90% de solo (mistura A). Além disso são apresentadas também as curvas de retenção desses materiais obtidas com o WP4C. Em seguida, tem-se a análise da deformabilidade ao longo do tempo desses materiais, por meio dos resultados dos ensaios de adensamento saturados e ensaios complementares (permeabilidade, difração de raios-X, microscopia eletrônica de varredura e WP4C). Por fim, é analisada a deformabilidade na condição não saturada, por meio de ensaios de adensamento com controle de umidade e de ensaios de controle de umidade.

4.1 CARACTERIZAÇÃO, COMPACTAÇÃO E CURVAS DE RETENÇÃO

A seguir estão detalhados os resultados obtidos com os ensaios de granulometria, massa específica dos grãos e limites de consistência, assim como as classificações geotécnicas dos materiais estudados. Além disso, são apresentados também os resultados dos ensaios de compactação e as curvas de retenção dos materiais.

4.1.1 Ensaios de caracterização

Os ensaios de granulometria foram realizados por peneiramento (grosso e fino) e sedimentação com e sem o uso do defloculante, hexametafosfato de sódio.

A Tabela 4.1 apresenta os percentuais de cada tipo de grão (pedregulho, areia grossa, média e fina, silte e argila) encontrados no solo de Aparecida de Goiânia (GO), no fosfogesso de Catalão (GO) e na mistura A (10% de fosfogesso e 90% de solo).

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Tabela 4.1 Porcentagem granulométrica das amostras estudadas.

Composição Granulométrica com defloculante

Materiais

Solo

Mistura A

Fosfogesso

Pedregulho (%)

0,35

0,45

0,00

Areia Grossa (%)

1,13

1,58

0,10

Areia Média (%)

8,07

8,17

1,49

Areia Fina (%)

35,40

59,93

51,37

Silte (%)

17,98

21,04

42,55

Argila (%)

37,06

8,81

4,49

Composição Granulométrica sem defloculante

 

Pedregulho (%)

0,35

0,45

Pedregulho (%) 0,35 0,45 0,00

0,00

Areia Grossa (%)

1,10

1,34

Areia Grossa (%) 1,10 1,34 0,27

0,27

Areia Média (%)

8,06

7,19

Areia Média (%) 8,06 7,19 1,38

1,38

Areia Fina (%)

77,23

66,10

Areia Fina (%) 77,23 66,10 55,75

55,75

Silte (%)

13,25

24,92

Silte (%) 13,25 24,92 42,60

42,60

Argila (%)

0,00

0,00

0,00

A utilização do defloculante provocou desagregação das partículas, tornando o material mais fino. Esse comportamento pode ser visto claramente no solo, onde a fração areia diminuiu consideravelmente com o uso do defloculante, aumentando a quantidade de silte e argila. Nesse caso, o hexametafosfato de sódio provocou a quebra das concreções formadas por cimentações de partículas menores. Esse tipo de comportamento comprova que o solo desta pesquisa é laterítico.

Já na mistura A e no fosfogesso esse comportamento também ocorreu porém de forma minimizada, as frações de areia, silte e argila nos ensaios com e sem defloculante não sofreram variações tão significativas como as sofridas pelo solo. No caso do fosfogesso, ocorreu uma pequena diminuição da fração de areia e silte e aumento do teor de argila, comparando-se os ensaios sem e com defloculante. Esse fato também foi verificado por Rufo (2009) e Matos

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(2011) e pode ser explicado pelo fato dos cristais de fosfogesso não possuírem característica de se agregarem. As Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 apresentam as curvas granulométricas das amostras nos ensaios com e sem defloculante, sendo possível perceber o efeito da adição do hexametafosfato de sódio nas amostras.

Figura 4.1 Curvas granulométricas do solo com e sem defloculante.

que passa (%)Porcentagem

100 90 80 70 60 50 40 30 20 Solo com defloculante 10 Solo sem
100
90
80
70
60
50
40
30
20
Solo com
defloculante
10
Solo sem
defloculante
0
0,001
0,01
0,1
1
10
100

Diâmetro das partículas (mm)

Figura 4.2 Curvas granulométricas da mistura A com e sem defloculante.

100 90 80 70 60 50 40 30 20 Mistura A com defloculante 10 Mistura
100
90
80
70
60
50
40
30
20
Mistura
A com defloculante
10
Mistura
A sem defloculante
0
0,001
0,01
0,1
1
10
100
Diâmetro das partículas (mm)
que passa (%)Porcentagem

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Figura 4.3 Curvas granulométricas do fosfogesso com e sem defloculante.

que passa (%)Porcentagem

100 90 80 70 60 50 40 30 Fosfogesso com defloculante 20 10 Fosfogesso sem
100
90
80
70
60
50
40
30
Fosfogesso
com defloculante
20
10
Fosfogesso
sem defloculante
0
0,001
0,01
0,1
1
10
100

Diâmetro das partículas (mm)

A adição de fosfogesso no solo, mesmo em pequena quantidade (10%), fez com que a mistura

apresentasse a curva granulométrica mais semelhante ao fosfogesso do que ao solo. A mistura

A

sofreu pouca influência do defloculante e possui menor teor de argila, em comparação com

o

solo, da mesma forma que ocorreu com o fosfogesso. Nos ensaios com defloculante, a mistura

A

apresentou somente 8,81% de argila enquanto que o solo apresentou 37,06%, já as parcelas

de silte e areia na mistura A foram maiores do que no solo.

Os resultados dos demais ensaios de caracterização como massa específica dos grãos s ), limite

de liquidez (w L ), limite de plasticidade (w P ) e índice de plasticidade (IP) são apresentados na Tabela 4.2. Em relação à massa específica dos grãos, os valores encontrados foram relativamente próximos ao verificado por Matos (2011), que obteve o valor de 2,80 g/cm³ para

o solo, 2,75 g/cm³ para a mistura A e 2,60 g/cm³ para o fosfogesso. A adição do fosfogesso ao solo, provocou diminuição de sua massa específica, fato também visto por Matos (2011).

Como já foi verificado por outros autores como Ortiz (1997), Mesquita (2007) e Matos (2011),

o fosfogesso não apresentou trabalhabilidade necessária para a execução dos ensaios de limites

de consistência, sendo considerado portanto, como um material não plástico (NP). A mistura A apresentou parâmetros muito próximos aos encontrados para o solo, com o fosfogesso não tendo muita influência nesse aspecto.

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Com base nos resultados dos ensaios de granulometria com defloculante e limites de consistência, as amostras foram classificadas de acordo com o Sistema Unificado de Classificação dos Solos (SUCS) e a classificação TRB (Transportation Research Board), da American Association of State Highway and Transportation Officials (AASHTO). As classificações obtidas também podem ser vistas na Tabela 4.2.

No sistema SUCS, o solo, o fosfogesso e a mistura A são classificados como um silte de baixa compressibilidade (ML), mesmas classificações obtidas por Matos (2011). Mesquita (2007) e Rufo (2009) também obtiveram a mesma classificação para o fosfogesso. O solo e a mistura A se encontram próximos a linha A da carta de plasticidade de Casagrande, na região de transição entre silte de baixa compressibilidade (ML) e argila de baixa compressibilidade (CL).

Na classificação TRB, o solo e a mistura A são classificados como pertencentes ao grupo A-6, dos materiais de comportamento argiloso. Essa classificação coincide com o encontrado por Matos (2011). O fosfogesso foi classificado como solo siltoso, pertencente ao grupo A-4, mesmo resultado encontrado por Mesquita (2007), Rufo (2009) e Matos (2011).

Tabela 4.2 Resultados dos ensaios de caracterização básica e classificação geotécnica das amostras.

Materiais

Solo

Mistura A

Fosfogesso

ρ s (g/cm³)

2,74

2,70

2,43

w L (%)

35

35

-

w P (%)

23

w P (%) 23 24 -

24

w P (%) 23 24 -

-

IP (%)

12

11

NP

SUCS

ML

ML

ML

AASHTO

A-6

AASHTO A-6 A-6 A-4

A-6

AASHTO A-6 A-6 A-4

A-4

4.1.2

Compactação

As curvas de compactação das amostras são apresentadas na Figura 4.4, juntamente com as linhas referentes ao grau de saturação (Sr) de 100%. As curvas foram obtidas utilizando a energia Proctor Intermediária e os ensaios foram realizados com o objetivo de determinar a umidade ótima e massa específica seca máxima das amostras de solo, fosfogesso e mistura A.

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Pode-se verificar que os ramos úmidos das curvas são aproximadamente paralelos as linhas correspondentes ao grau de saturação de 100%, o que está de acordo com o esperado. A curva do fosfogesso apresentou formato achatado, o que está relacionado à dificuldade de compactação em campo desse material e à facilidade com que ele pode se desprender da camada compactada. Segundo Castilhos Jr. et al (1998) o fosfogesso, no seu estado puro, apresenta problemas de compactabilidade em campo em casos de umidade acima da ótima (ramo úmido).

Figura 4.4 Curvas de compactação dos materiais estudados na energia Proctor Intermediária.

1,9 1,8 1,7 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,1 1 10 15 20 25 30
1,9
1,8
1,7
1,6
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
1
10
15
20
25
30
35
40
45
Umidade (%)
MISTURA A
Mistura A Sr 100%
FG
FG Sr 100%
Solo
Solo Sr 100%
específica aparente secaMassa
(g/cm³)

Durante a realização dos ensaios de compactação, foi possível notar certa dificuldade de compactação dos últimos pontos do ramo úmido do fosfogesso, pois os valores de umidade foram bastante elevados. O material apresentou grande facilidade de desprendimento durante o rasamento do corpo de prova e alta exsudação durante a compactação dos pontos correspondentes ao ramo úmido da curva, o que pode ser visto na Figura 4.5. Além disso, notou- se que o fosfogesso se deformava facilmente nos teores de umidade elevados (ramo úmido). Mesquita (2007) e Matos (2011) também encontraram dificuldades na determinação das curvas de compactação do fosfogesso, que também apresentaram o formato achatado. O solo e a mistura A não apresentaram nenhum tipo de dificuldade durante o processo de compactação.

A Tabela 4.3 apresenta os valores de umidade ótima e massa específica seca máxima obtidos a partir das curvas de compactação. São apresentados também os índices de vazios dos materiais

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nas condições ótimas. Esses valores foram utilizados para a compactação dos corpos de prova utilizados nos ensaios de adensamento saturados, que serão analisados na seção 4.2.

Figura 4.5 Exsudação apresentada pelo fosfogesso: (a) no cilindro de compactação; (b) após a extração.

(a) no cilindro de compactação; (b) após a extração. (a) (b) Tabela 4.3 – Parâmetros obtidos

(a)

no cilindro de compactação; (b) após a extração. (a) (b) Tabela 4.3 – Parâmetros obtidos nos

(b)

Tabela 4.3 Parâmetros obtidos nos ensaios de compactação para as condições ótimas.

Parâmetros

Solo

Mistura A

Fosfogesso

ρ d máx (g/cm³)

1,60

1,62

1,30

w ot (%)

22

19

23

e

0,71

0,67

0,87

4.1.3 Curvas de retenção

As curvas de retenção são extremamente importantes no estudo do comportamento do solo e demais materiais geotécnicos, pois a partir delas é possível prever o comportamento de um determinado material quando ocorre variação de umidade.

Os valores de sucção total das curvas de retenção dos materiais foram obtidos com o equipamento WP4C (Dewpoint PotentiaMeter), através de trajetórias de umedecimento. O fosfogesso apresentou uma certa dificuldade para a obtenção de valores de sucção correspondentes aos teores de umidade maiores que 10%, o que resultou em pontos bastante dispersos, impossibilitando a obtenção de uma curva de retenção bem definida. Esse fato foi verificado também por Matos (2011) e Borges et al. (2011). Os dados experimentais foram

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obtidos com amostras moldadas a partir dos corpos de prova compactados na umidade ótima e massa específica seca máxima de cada material, de acordo com a Tabela 4.3.

A Figura 4.6 apresenta os dados obtidos com o WP4C para o solo, a mistura A e o fosfogesso compactados, sem sofrer adensamento. As curvas de retenção foram representadas somente por pontos para uma melhor visualização e compreensão das trajetórias de umedecimento. Os pontos que representam a saturação das amostras foram calculados com base nos índices de vazios de cada corpo de prova e a massa específica dos grãos de cada material (Tabela 4.2). Os índices de vazios de cada amostra são: 0,73 do solo, 0,72 da mistura A e 0,85 do fosfogesso.

Figura 4.6 Curva de retenção em função do teor de umidade do solo, da mistura A e do fosfogesso antes do adensamento.

40 Solo Mistura A Fosfogesso 35 30 25 20 15 10 5 0 1 10
40
Solo
Mistura A
Fosfogesso
35
30
25
20
15
10
5
0
1
10
100
1000
10000
100000
Sucção (kPa)
Umidade (%)

Pode-se perceber que a mistura A apresentou comportamento muito próximo ao solo puro. Além disso, é possível observar que para o mesmo valor de umidade, o solo e a mistura A apresentam valores de sucção superiores ao do fosfogesso.

O solo e a mistura A provavelmente apresentam curvas de retenção bimodais, típicas de solos tropicais, porém como não foi possível obter os dados para valores de sucção menores que 80 kPa, não se pode afirmar isso. Já o fosfogesso provavelmente não apresenta curva de retenção bimodal, pois aparentemente esse material só possui um valor de entrada de ar, correspondente à macroestrutura. No entanto, para que seja possível afirmar como a curva se comporta, é

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necessário que os pontos correspondentes aos valores baixos de sucção sejam conhecidos, o que não foi possível com o equipamento WP4C.

4.2 DEFORMABILIDADE AO LONGO DO TEMPO

Os ensaios de adensamento saturados no solo, no fosfogesso e na mistura A foram realizados com o objetivo de analisar como a deformabilidade desses materiais se comporta ao longo de vários tempos de carregamento.

A Tabela 4.4 apresenta as condições iniciais em que os corpos de prova se apresentavam no

início dos ensaios dos três tempos de carregamento: estágios de 48 horas até a tensão de 800 kPa, 7 e 15 dias (tensão constante de 800 kPa). Os parâmetros ρ d e w representam a massa

específica seca e a umidade, respectivamente, no processo de compactação dos corpos de prova para os ensaios de adensamento. São apresentados ainda o índice de vazios inicial (e 0 ), o grau

de saturação inicial (Sr 0 ), a altura dos sólidos (h s ) e o grau de compactação (GC), calculado pela

relação entre a massa específica seca da amostra compactada e a massa específica seca máxima

definida na curva de compactação (Tabela 4.3).

As Figuras 4.7, 4.8 e 4.9 apresentam as curvas de compressão (deformação volumétrica versus o logaritmo da tensão efetiva atuante) do solo, da mistura A e do fosfogesso, respectivamente, em amostras com diferentes tempos de carregamento. No caso dos carregamentos de 7 e 15 dias, como a carga de 800 kPa foi aplicada diretamente, sem estágios, as curvas de compressão apresentam três pontos que correspondem às deformações: antes do carregamento (com a amostra apenas saturada), ao final do tempo de carregamento com a carga de 800 kPa (7 ou 15 dias) e após o processo de descarregamento. Já na curva de compressão do carregamento de 48

horas, são representados vários pontos, correspondentes às deformações ao final de cada estágio

de carregamento realizado até que a tensão de 800 kPa fosse alcançada.

As deformações (ε) foram calculadas com base no índice de vazios inicial do corpo de prova (e 0 ), antes do início do adensamento (Tabela 4.4), e no índice de vazios ao final de cada estágio

de carregamento (e), conforme mostra a Equação 4.1:

(%) = ( 0 −)

(1+ 0 ) ∗ 100

(4.1)

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Tabela 4.4 Condições iniciais dos corpos de prova nos ensaios de adensamento saturados.

 

ρd

w (%)

GC (%)

 

Sr 0 (%)

 

h s (mm)

Ensaio

(g/cm³)

 

e 0

Solo 48h

1,60

21,7

100,1

0,71

80,6

11,6

Solo 7d

1,59

21,8

99,6

0,73

81,4

11,5

Solo 15d

1,60

21,7

100,1

0,71

80,6

11,6

Mistura A

48h

1,57

18,8

97,1

0,72

67,6

11,6

Mistura A

7d

1,63

19,2

100,6

0,66

76,3

12,0

Mistura A

15d

1,62

19,1

100,1

0,67

75,1

12,5

FG 48h

1,29

22,9

99,1

0,88

62,9

10,6

FG 7d

1,31

1,31

22,9

101,1

F G 7 d 1,31 22,9 101,1 0,85 65,6 10,7

0,85

65,6

F G 7 d 1,31 22,9 101,1 0,85 65,6 10,7

10,7

FG 15d

1,31

22,6

100,8

F G 1 5 d 1,31 22,6 100,8 0,85 63,5 11,2

0,85

63,5

F G 1 5 d 1,31 22,6 100,8 0,85 63,5 11,2

11,2

*GC = Grau de compactação; FG = Fosfogesso

Figura 4.7 - Curvas de compressão do solo com distintos tempos de carregamento.

Tensão (kPa) 1 10 100 1000 10000 0 2 4 6 8 10 12 Solo
Tensão (kPa)
1
10
100
1000
10000
0
2
4
6
8
10
12
Solo
48h
14
Solo
7d
16
Solo
15d
18
Deformação (%)

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Figura 4.8 - Curvas de compressão da mistura A com distintos tempos de carregamento.

Tensão (kPa) 1 10 100 1000 10000 0 2 4 6 8 10 12 A
Tensão (kPa)
1
10
100
1000
10000
0
2
4
6
8
10
12
A 48h
Mistura
14
Mistura
A 7d
16
Mistura
A 15d
18
Deformação (%)

Figura 4.9 - Curvas de compressão do fosfogesso com distintos tempos de carregamento.

Tensão (kPa) 1 10 100 1000 10000 0 FG 48h 2 FG 7d 4 FG
Tensão (kPa)
1
10
100
1000
10000
0
FG 48h
2
FG 7d
4
FG 15d
6
8
10
12
14
16
18
Deformação (%)

Por meio das curvas pode-se perceber que o fator tempo interfere nas deformações sofridas pelos materiais quando submetidos à aplicação de carregamentos unidirecionais. À medida que o tempo de carregamento aumenta (de 48 horas para 15 dias), a deformação do corpo de prova

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também aumenta, sendo que o acréscimo de deformação devido aos diferentes carregamentos (comparando-se os carregamentos de 48 horas e 15 dias) foi de 1,54% para o solo, 0,68% para a mistura A e 3,64% para o fosfogesso. O solo com carregamento de 7 e 15 dias apresentou comportamento idêntico e por isso as curvas de compressão ficaram sobrepostas na Figura 4.7.

A Figura 4.10 mostra as curvas de compressão do solo, da mistura A e do fosfogesso obtidas

nos ensaios de adensamento de 48 horas. É possível perceber que o comportamento do solo e da mistura A foi muito semelhante, sendo que a mistura A se comportou ligeiramente melhor do que o solo nos níveis de tensões analisados.

Figura 4.10 - Curvas de compressão do solo, mistura A e fosfogesso no tempo de carregamento de 48 horas.

Tensão (kPa) 1 10 100 1000 10000 0 2 4 6 8 10 12 Solo
Tensão (kPa)
1
10
100
1000
10000
0
2
4
6
8
10
12
Solo
48h
14
Mistura A 48h
16
FG 48h
18
Deformação (%)

A partir das curvas de compressão obtidas nos ensaios de adensamento de 48 horas, foi possível

determinar algumas propriedades das amostras estudadas como a tensão de pré-adensamento (σ’ p ), o índice de compressão (C c ) e o índice de descompressão (C d ), os quais são mostrados na Tabela 4.5.

Como visto por Matos (2011), os coeficientes de adensamento (c v ) do fosfogesso não puderam ser obtidos pelos métodos usuais como os de Taylor e Casagrande, pois não é possível obter os tempos correspondentes a 50% do adensamento (t 50 ) e 90% do adensamento (t 90 ). As Figuras 4.11 e 4.12 apresentam os gráficos da altura do corpo de prova vs logaritmo do tempo (Casagrande) e vs raiz do tempo (Taylor) do fosfogesso e pode-se perceber que não há a

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estabilização do deslocamento vertical, impossibilitando a obtenção do coeficiente de adensamento por esses dois métodos.

Tabela 4.5 Propriedades dos materiais obtidas pelas curvas de compressão.

Material

σ’p (kPa)

C c

C d

Solo

80

0,105

0,017

Mistura A

70

0,075

0,022

Fosfogesso

64

0,157

0,022

Figura 4.11 - Gráficos de adensamento para obtenção do c v do fosfogesso submetido a uma tensão de 800 kPa pelo método de Casagrande.

18,1 18 17,9 17,8 17,7 17,6 17,5 17,4 0,1 1 10 100 1000 10000 Altura
18,1
18
17,9
17,8
17,7
17,6
17,5
17,4
0,1
1
10
100
1000
10000
Altura do cp (mm)

Log (t) (min)

Figura 4.12 -Gráficos de adensamento para obtenção do c v do fosfogesso submetido a uma tensão de 800 kPa pelo método de Taylor.

18,1 18,0 17,9 17,8 17,7 17,6 17,5 17,4 0 10 20 30 40 50 60
18,1
18,0
17,9
17,8
17,7
17,6
17,5
17,4
0
10
20
30
40
50
60
Altura do cp (mm)

t (min)

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Assim, para o cálculo do coeficiente de adensamento (c v ) do fosfogesso foi utilizada a mesma metodologia de Matos (2011), citada na seção 4.3, que é baseada na permeabilidade e na variação dos índices de vazios no ensaio de adensamento.

De acordo com Kozeny (1927 1 apud HUANG; BARBOUR; FREDLUND, 1998) o coeficiente de permeabilidade pode ser função de uma constante (C 1 ) e do índice de vazios apresentados no ensaio oedométrico, conforme mostra a Equação 4.2:

= 1

( 3 )

(1+)

(4.2)

Primeiramente, o valor da constante C 1 foi calculado com base no coeficiente de permeabilidade, obtido no ensaio com o permeâmetro, e no índice de vazios inicial da amostra

(antes do ensaio de adensamento). O valor do coeficiente de permeabilidade a 20ºC do fosfogesso (k 20ºC ) obtido no ensaio do permeâmetro, utilizando o gradiente de 10, foi de 1,1 x

10 -6 m/s, próximo ao valor encontrado por Matos (2011) que foi de 2,4 x 10 -6 m/s.

Com o valor dessa constante C 1 determinado, foi possível calcular o coeficiente de permeabilidade para cada estágio de carga, com base na variação do índice de vazios, também pela Equação 4.2. A Figura 4.13 mostra a variação do coeficiente de permeabilidade em função da tensão atuante ao longo do ensaio de adensamento do fosfogesso com estágios de 48 horas.

Figura 4.13 - Variação do coeficiente de permeabilidade do fosfogesso ao longo do ensaio de adensamento em estágios de 48 horas.

Tensão (kPa) 0 200 400 600 800 1000 1,00E-05 1,00E-06 1,00E-07 Permeabilidade (m/s)
Tensão (kPa)
0
200
400
600
800
1000
1,00E-05
1,00E-06
1,00E-07
Permeabilidade (m/s)

1 KOZENY, J. Ueber kapillare leitung des wassers im boden. Zitzungsber. Akademie der Wissenschaften Wien. v. 136, p. 271-306, 1927.

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

100

Assim, o coeficiente de adensamento (c v ) foi calculado utilizando os coeficientes de permeabilidade (k) e os coeficientes de variação volumétrica (m v ), conforme mostra a Equação 4.3. Os valores encontrados podem ser vistos na Tabela 4.6.

=

(4.3)

Onde, c v é o coeficiente de adensamento vertical, k é o coeficiente de permeabilidade, m v é o coeficiente de variação volumétrica e γ w é o peso específico da água. O coeficiente de variação volumétrica (m v ) é obtido através da variação da deformação volumétrica (ε v ) em relação à variação da tensão atuante (σ v ´), conforme mostra a Equação 4.4:

=

=

2 1

2 ´ 1 ´

(4.4)

A Figura 4.14 apresenta um gráfico da variação do coeficiente de adensamento do fosfogesso em função da tensão atuante, no ensaio de adensamento com estágios de 48 horas. Observa-se que ocorre um aumento do valor de c v com o acréscimo da tensão, visto que a redução dos valores dos coeficientes de variação volumétrica teve maior influência do que a redução da permeabilidade e do índice de vazios com o carregamento.

Tabela 4.6 Valores de m v , k e c v do fosfogesso ao longo do ensaio de adensamento em estágios de 48 horas.

Tensão (kPa)

m v (10 -3 kPa -1 )

k (m/s)

c v (m²/s)

4,91

1,846

1 x 10 -6

6 x 10 -5

12,56

1,447

12,56 1,447 1 x 10 - 6 7 x 10 - 5

1 x 10 -6

12,56 1,447 1 x 10 - 6 7 x 10 - 5

7 x 10 -5

24,76

0,619

9 x 10 -7

1 x 10 -4

49,83

0,482

9 x 10 -7

2 x 10 -4

99,96

0,281

8 x 10 -7

3 x 10 -4

200,08

0,186

7 x 10 -7

4 x 10 -4

400,37

0,113

400,37 0,113 6 x 10 - 7 5 x 10 - 4

6 x 10 -7

400,37 0,113 6 x 10 - 7 5 x 10 - 4

5 x 10 -4

801,19

0,067

5 x 10 -7

7 x 10 -4

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

101

Figura 4.14 Variação do coeficiente de adensamento (c v ) do fosfogesso em função da tensão atuante ao longo do ensaio de adensamento de estágios de 48 horas.

Tensão (kPa) 0 200 400 600 800 1000 1,00E-03 1,00E-04 1,00E-05 cv (m²/s)
Tensão (kPa)
0
200
400
600
800
1000
1,00E-03
1,00E-04
1,00E-05
cv (m²/s)

As Figuras 4.15, 4.16 e 4.17 demonstram o efeito do tempo sobre a deformação do solo, da mistura A e do fosfogesso, respectivamente. As deformações apresentadas correspondem somente a etapa do carregamento para atingir a tensão de 800 kPa, desconsiderando deformações anteriores. No caso do carregamento de 48 horas, essa etapa corresponde ao acréscimo de 400 kPa (totalizando 800 kPa), já que a amostra havia passado pelo estágio de carga de 400 kPa previamente. No caso dos carregamentos de 7 e 15 dias, essa etapa corresponde a aplicação direta de 800 kPa, já que a amostra se encontrava sem nenhum carregamento. As deformações foram calculadas conforme a Equação 4.1, porém com base no índice de vazios no início do estágio de 800 kPa e não no índice de vazios no início do ensaio de adensamento.

É possível verificar com as curvas de adensamento que não há tendência à estabilização da deformação das amostras de fosfogesso e mistura A mesmo após 15 dias de atuação da carga. Esse comportamento relaciona-se à ocorrência do adensamento secundário, ou creep, que é caracterizado pelas deformações na estrutura do solo e não pelo acréscimo de tensão efetiva. O creep ocorre após a dissipação da poropressão exercida pela tensão atuante, conhecido como adensamento primário. Já o solo apresenta uma maior tendência a estabilização dos deslocamentos, sendo que as leituras próximas ao tempo de 15 dias foram semelhantes.

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

102

Figura 4.15 - Curvas de adensamento do solo com distintos tempos de carregamento.

Log t (min) 0,1 1 10 100 1000 10000 100000 0 2 4 6 8
Log t (min)
0,1
1
10
100
1000
10000
100000
0
2
4
6
8
Solo 48h
Solo 7d
10
Solo 15d
12
Deformação (%)

Figura 4.16 - Curvas de adensamento da mistura A com distintos tempos de carregamento.

Log t (min) 0,1 1 10 100 1000 10000 100000 0 2 4 6 8
Log t (min)
0,1
1
10
100
1000
10000
100000
0
2
4
6
8
Mistura A 48h
Mistura A 7d
10
Mistura A 15d
12
Deformação (%)

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

103

Figura 4.17 - Curvas de adensamento do fosfogesso com distintos tempos de carregamento.

Log t (min) 0,1 1 10 100 1000 10000 100000 0 2 4 6 8
Log t (min)
0,1
1
10
100
1000
10000
100000
0
2
4
6
8
FG 48h
10
FG 7d
FG 15D
12
Deformação (%)

As curvas dos ensaios de 48 horas apresentam uma diferença em relação as curvas dos ensaios de 7 e 15 dias. Isso ocorre pelo fato do carregamento ser aplicado direto na tensão de 800 kPa nos casos dos ensaios de 7 e 15 dias, enquanto que no ensaio de 48 horas, a tensão foi aplicada em estágios. Nesse caso, quando foi aplicada a tensão de 800 kPa, o material já havia sofrido deformações devido as tensões anteriores.

Analisando a mistura A e o fosfogesso observa-se que a partir de 500 minutos (correspondente à linha vertical tracejada nas Figuras 4.16 e 4.17), em todos os tempos de carregamento, ocorre uma variação da inclinação da curva, sendo mais pronunciada no fosfogesso. Além disso, a inclinação da reta a partir deste ponto é semelhante, independentemente do tipo de carregamento. Dessa forma, acredita-se que a partir de 500 minutos a deformação está ocorrendo não devido à dissipação de poropressão, mas devido à deformação secundária.

Como forma de complementar o estudo da deformabilidade ao longo do tempo, os dados experimentais das Figuras 4.15, 4.16 e 4.17, que mostram a evolução da deformação dos materiais ao longo do tempo, foram utilizados para calcular o coeficiente de adensamento secundário () pela Equação 4.5:

=

+1

+1

(4.5)

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

104

Onde:

i = deformação no tempo i;

i+1 = deformação no tempo i + 1;

log t i : logaritmo do tempo i;

log t i+1 : logaritmo do tempo i+1.

O tempo t i corresponde ao tempo após 100% do adensamento primário ter ocorrido. Assim, o coeficiente foi igual à 0,1% para o solo, 0,28% para a mistura A e 4,25% para o fosfogesso. Com esses valores, foi possível realizar uma estimativa da deformação dos materiais se houvesse a continuidade da aplicação da carga. Dessa forma, a deformação ao longo do tempo (t 2 ), foi calculada a partir Equação 4.6:

= ( +1 2 ) ×

Onde:

(4.6)

= deformação devido ao adensamento secundário no tempo t 2 ;

Executando os cálculos, a deformação volumétrica prevista, devido apenas ao adensamento secundário, para um período de 5 anos foi de aproximadamente 0,5% para o solo, 1,4% para a Mistura A e 15,5% para o fosfogesso. Com esses resultados é possível verificar que a deformação deve ser levada em consideração ao se analisar a utilização do fosfogesso ou de misturas solo e fosfogesso em obras geotécnicas. Vale ressaltar que a tensão utilizada de 800 kPa é bastante elevada e a maioria das obras geotécnicas não atinge esse valor de tensão. Além disso, a mistura A apresentou comportamento próximo ao do solo, podendo ser uma alternativa a ser estudada com mais atenção a fim de buscar um destino adequado para o fosfogesso.

4.2.1 Influência da deformabilidade na granulometria, composição mineralógica e estrutura do fosfogesso

De forma a complementar o estudo da deformabilidade ao longo do tempo e permitir uma melhor compressão dos comportamentos apresentados, foram realizados ensaios de granulometria no fosfogesso após o adensamento de 15 dias, ensaios de difração de raios-X (fosfogesso antes e depois do adensamento), microscopia eletrônica de varredura (MEV) e ensaios com o WP4C, para obter a curva de retenção dos materiais após cada ensaio de adensamento.

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

105

Lin (Counts)

Para justificar o incremento acentuado da taxa de deformação do fosfogesso a partir de 500 min foram levantadas duas hipóteses: a quebra de grãos e/ou alteração mineralógica do fosfogesso. De forma a verificar essas duas hipóteses, foram realizados ensaios de difração de raios-X, com o objetivo de analisar a alteração mineralógica, e ensaios de granulometria, visando analisar a quebra dos grãos.

Os resultados da difração de raios-X mostraram que não há alteração mineralógica no fosfogesso durante o ensaio de adensamento, ou seja, o fosfogesso antes e depois do adensamento de 15 dias apresentou a mesma composição, com gráficos de difração praticamente iguais. Os principais componentes encontrados nas amostras foram: sulfato de cálcio di-hidratado (CaSO 4 .2H 2 O), quartzo (SiO 2 ) e fosfato de alumínio, Al(PO 4 ). Os gráficos podem ser vistos nas Figuras 4.18 e 4.19.

Figura 4.18 Resultado da difração de raios-X do fosfogesso natural.

800

700

600

500

400

300

200

100

0

01-fosfogesso natural 3 10 20 30 40 50 60 7 13,29438 8,41078 7,58540 4,28907 3,79492
01-fosfogesso natural
3
10
20
30
40
50
60
7
13,29438
8,41078
7,58540
4,28907
3,79492
3,33719
3,06841
2,87403
2,68215
2,59923
2,53396
2,21858
2,08333
1,99096
1,90092
1,81200
1,78496
1,62110

2-Theta - Scale

File: 01-fosfogesso natural.raw - Step: 0.050 ° - Step time: 1. s - Anode: Cu1,99096 1,90092 1,81200 1,78496 1,62110 2-Theta - Scale 00-006-0047 (D) - Gypsum - CaSO4·2H2O 01-076-1746 (I)

00-006-0047 (D) - Gypsum - CaSO4·2H2Onatural.raw - Step: 0.050 ° - Step time: 1. s - Anode: Cu 01-076-1746 (I) -

01-076-1746 (I) - Gypsum - CaSO4(H2O)21. s - Anode: Cu 00-006-0047 (D) - Gypsum - CaSO4·2H2O 00-046-1045 (*) - Quartz, syn

00-046-1045 (*) - Quartz, syn - SiO2Gypsum - CaSO4·2H2O 01-076-1746 (I) - Gypsum - CaSO4(H2O)2 00-022-0339 (D) - Koninckite - (Fe,Al)PO4·3H2O 00-046-0551

00-022-0339 (D) - Koninckite - (Fe,Al)PO4·3H2O- Gypsum - CaSO4(H2O)2 00-046-1045 (*) - Quartz, syn - SiO2 00-046-0551 (C) - Aluminum Phosphate

00-046-0551 (C) - Aluminum Phosphate - Al36P36O14400-046-1045 (*) - Quartz, syn - SiO2 00-022-0339 (D) - Koninckite - (Fe,Al)PO4·3H2O J. V. R.

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

106

Lin (Counts)

Figura 4.19 Resultado da difração de raios-X do fosfogesso após o adensamento de 15 dias.

800

700

600

500

400

300

200

100

0

02-fosfogesso apos 15d 3 10 20 30 40 50 60 7 12,97065 8,41078 7,58786 4,28907
02-fosfogesso apos 15d
3
10
20
30
40
50
60
7
12,97065
8,41078
7,58786
4,28907
3,79614
3,34389
3,06841
2,87294
2,68215
2,59588
2,53396
2,22115
2,08755
1,99096
1,90092
1,81200
1,78496
1,62110

2-Theta - Scale

File: 02-fosfogesso apos 15d.raw - Step: 0.050 ° - Step time: 1. s - Anode: Cu1,99096 1,90092 1,81200 1,78496 1,62110 2-Theta - Scale 00-006-0047 (D) - Gypsum - CaSO4·2H2O 01-076-1746 (I)

00-006-0047 (D) - Gypsum - CaSO4·2H2Oapos 15d.raw - Step: 0.050 ° - Step time: 1. s - Anode: Cu 01-076-1746 (I)

01-076-1746 (I) - Gypsum - CaSO4(H2O)21. s - Anode: Cu 00-006-0047 (D) - Gypsum - CaSO4·2H2O 00-046-1045 (*) - Quartz, syn

00-046-1045 (*) - Quartz, syn - SiO2Gypsum - CaSO4·2H2O 01-076-1746 (I) - Gypsum - CaSO4(H2O)2 00-022-0339 (D) - Koninckite - (Fe,Al)PO4·3H2O 00-046-0551

00-022-0339 (D) - Koninckite - (Fe,Al)PO4·3H2O- Gypsum - CaSO4(H2O)2 00-046-1045 (*) - Quartz, syn - SiO2 00-046-0551 (C) - Aluminum Phosphate

00-046-0551 (C) - Aluminum Phosphate - Al36P36O144syn - SiO2 00-022-0339 (D) - Koninckite - (Fe,Al)PO4·3H2O Como forma de verificar a ocorrência da

Como forma de verificar a ocorrência da quebra de grãos no fosfogesso, foi realizado o ensaio de granulometria com defloculante após o adensamento de 15 dias e feita uma comparação com os resultados obtidos no ensaio de granulometria do fosfogesso natural (com defloculante), discutido na seção 4.1.1. A Tabela 4.7 mostra a porcentagem de cada tipo de grão no fosfogesso natural e adensado e a Figura 4.20 apresenta as curvas granulométricas obtidas. Foi possível verificar que o fosfogesso adensado apresenta uma maior porcentagem de silte do que o fosfogesso natural. Sendo assim, o carregamento pode ter provocado quebra dos grãos da parcela de areia, aumentando a quantidade de silte no fosfogesso. Porém, é importante destacar que os resultados encontrados podem ter sofrido influência da variabilidade do ensaio, sendo necessário a execução do mesmo ensaio com outras amostras para verificar essa hipótese. Além disso, os ensaios foram realizados no fosfogesso adensado após 15 dias e natural, não sendo possível analisar com clareza se o processo de quebra ocorreu durante o carregamento no ensaio de adensamento ou durante o processo de compactação realizado antes do ensaio.

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

107

Tabela 4.7 Composição granulométrica do fosfogesso natural e adensado (com defloculante).

Porcentagem (%)

Tipo de Grão

FG natural

FG adensado

Pedregulho

0

0

Areia Grossa

0,10

0,04

Areia Média

1,49

0,89

Areia Fina

51,37

28,24

Silte

42,55

66,48

Argila

4,49

4,35

Figura 4.20 - Curvas granulométricas do fosfogesso natural e do fosfogesso adensado por 15 dias, ambas com uso do defloculante.

100 90 80 70 60 50 40 30 20 FG adensado 10 FG natural 0
100
90
80
70
60
50
40
30
20
FG adensado
10
FG natural
0
0,001
0,01
0,1
1
10
100
argila
silte
areia
pedregulho
Diâmetro das partículas (mm)
que passa (%)Porcentagem

Por meio da Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) foi possível verificar a ocorrência da quebra dos grãos do fosfogesso. As Figuras 4.21(a) e 4.21(b) apresentam o MEV do fosfogesso após o adensamento em estágios de 48 horas, sendo possível perceber os pequenos fragmentos resultantes da quebra dos grãos. O mesmo comportamento foi verificado no fosfogesso após o

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

108

adensamento de 15 dias, como pode ser visto nas Figuras 4.22(a) e 4.22(b), porém com maior quantidade de grãos quebrados.

Não foi possível realizar o ensaio de MEV com o fosfogesso compactado (sem adensar) e com o fosfogesso após o adensamento de 7 dias, pois as amostras se desfragmentaram facilmente durante o processo de metalização para a realização do ensaio. Assim, não foi possível verificar o quanto de quebra já havia ocorrido antes do adensamento, porém com as imagens do fosfogesso após os adensamentos de 48 horas e 15 dias, pode-se analisar a evolução da quebra dos grãos, que foi mais acentuada no fosfogesso após o adensamento de 15 dias.

Figura 4.21 - Microscopia eletrônica de varredura do fosfogesso após o adensamento de 48 horas: (a) Resolução de 300x; (b) Resolução de 1000x.

48 horas: (a) Resolução de 300x; (b) Resolução de 1000x. (a) Quebra dos grãos (b) Figura

(a)

Quebra dos grãos
Quebra
dos grãos

(b)

Figura 4.22 - Microscopia eletrônica de varredura do fosfogesso após o adensamento de 15 dias: (a) Resolução de 300x; (b) Resolução de 1000x.

de 15 dias: (a) Resolução de 300x; (b) Resolução de 1000x. (a) Quebra dos grãos (b)

(a)

Quebra dos grãos
Quebra dos grãos

(b)

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

109

As Figuras 4.23(a) e 4.23(b) apresentam a MEV da mistura A compactada (antes do adensamento) e após o adensamento em estágios de 48 horas. E as Figuras 4.24(a) e 4.24(b) apresentam o MEV das amostras de solo compactado e após o adensamento de 15 dias. No caso do solo, é possível perceber de forma mais clara a variação do índice de vazios, comparando- se as duas amostras, sendo que na amostra que não sofreu adensamento (Figura 4.24 (a)) os vazios são mais perceptíveis.

Figura 4.23 Microscopia eletrônica de varredura da mistura A com resolução de 300x: (a) Amostra compactada; (b) Amostra após o adensamento de 48 horas.

compactada; (b) Amostra após o adensamento de 48 horas. (a) (b) Figura 4.24 – Microscopia eletrônica

(a)

compactada; (b) Amostra após o adensamento de 48 horas. (a) (b) Figura 4.24 – Microscopia eletrônica

(b)

Figura 4.24 Microscopia eletrônica de varredura do solo com resolução de 100x: (a) Amostra compactada; (b) Amostra após o adensamento de 15 dias.

compactada; (b) Amostra após o adensamento de 15 dias. (a) (b) Durante os ensaios de MEV,

(a)

compactada; (b) Amostra após o adensamento de 15 dias. (a) (b) Durante os ensaios de MEV,

(b)

Durante os ensaios de MEV, também foi possível obter os principais elementos químicos presentes nas amostras por meio do EDS Thermo scientific NSS Spectral Imaging, de forma a verificar se o adensamento e o tempo de carregamento provocam variação da composição

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

110

química das amostras. A Tabela 4.8 mostra os principais elementos encontrados para o solo (compactado, 48 horas, 7 e 15 dias), para a mistura A (compactada, 48 horas, 7 e 15 dias) e para o fosfogesso (48 horas e 15 dias). Pode-se verificar que não ocorre nenhuma mudança na composição das amostras devido ao processo de adensamento ou tempo de carregamento.

Tabela 4.8 Composição química das amostras encontrada pelo EDS.

Solo Mistura A Fosfogesso 7 dias O; Fe; Si; Al O; Fe; Si; Al; Ca

Solo

Mistura A

Fosfogesso

Solo Mistura A Fosfogesso 7 dias O; Fe; Si; Al O; Fe; Si; Al; Ca -
Solo Mistura A Fosfogesso 7 dias O; Fe; Si; Al O; Fe; Si; Al; Ca -

7 dias

O; Fe; Si; Al

O; Fe; Si; Al; Ca

-

Compactado

48 horas

O; Fe; Si; Al

O; Fe; Si; Al; Ca

-

O; Fe; Si; Al

O; Fe; Si; Al; Ca

O; Si; S; Ca

O; Fe; Si; Al O; Fe; Si; Al; Ca - O; Fe; Si; Al O; Fe;
Ca - O; Fe; Si; Al O; Fe; Si; Al; Ca O; Si; S; Ca 15
Ca - O; Fe; Si; Al O; Fe; Si; Al; Ca O; Si; S; Ca 15

15 dias

O; Fe; Si; Al

O; Fe; Si; Al; Ca

O; Si; S; Ca

As curvas de retenção do solo, da mistura A e do fosfogesso após os adensamentos (48 horas, 7 e 15 dias) foram obtidas com o WP4C e são apresentadas nas Figuras 4.25, 4.26 e 4.27, juntamente com os dados das amostras antes de serem submetidas aos ensaios de adensamento (como mostrado na seção 4.1.3). Os índices de vazios de cada uma das amostras, ao serem submetidos ao WP4C, são apresentados na Tabela 4.9.

Figura 4.25 - Curvas de retenção em função do teor de umidade do solo compactado e após os adensamentos de 48 horas, 7 dias e 15 dias.

30 25 20 15 Solo compactado 10 Solo 48h Solo 7d 5 Solo 15d 0
30
25
20
15
Solo compactado
10
Solo 48h
Solo 7d
5
Solo 15d
0
1
10
100
1000
10000
100000
Sucção (kPa)
Umidade (%)

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

111

Figura 4.26 -Curvas de retenção em função do teor de umidade da mistura A compactada e após os adensamentos de 48 horas, 7 dias e 15 dias.

30 Mistura A compactada Mistura A 48h 25 Mistura A 7d Mistura A 15d 20
30
Mistura
A compactada
Mistura
A 48h
25
Mistura
A 7d
Mistura
A 15d
20
15
10
5
0
1
10
100
1000
10000
100000
Sucção (kPa)
Umidade (%)

Figura 4.27 -Curvas de retenção em função do teor de umidade do fosfogesso compactado e após os adensamentos de 48 horas, 7 dias e 15 dias.

40 35 FG compactado FG 48h 30 FG 15d 25 20 15 10 5 0
40
35
FG
compactado
FG
48h
30
FG
15d
25
20
15
10
5
0
1
10
100
1000
10000
100000
Sucção (kPa)
Umidade (%)

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

112

Tabela 4.9 Índice de vazios das amostras ao serem submetidas ao WP4C.

Material

Solo

Mistura A

Fosfogesso

Material Solo Mistura A Fosfogesso Índice de vazios Compactado 48 horas 7 dias 15 dias 0,73
Material Solo Mistura A Fosfogesso Índice de vazios Compactado 48 horas 7 dias 15 dias 0,73
Material Solo Mistura A Fosfogesso Índice de vazios Compactado 48 horas 7 dias 15 dias 0,73
Material Solo Mistura A Fosfogesso Índice de vazios Compactado 48 horas 7 dias 15 dias 0,73
Material Solo Mistura A Fosfogesso Índice de vazios Compactado 48 horas 7 dias 15 dias 0,73
Material Solo Mistura A Fosfogesso Índice de vazios Compactado 48 horas 7 dias 15 dias 0,73
Material Solo Mistura A Fosfogesso Índice de vazios Compactado 48 horas 7 dias 15 dias 0,73

Índice de vazios

Compactado

48 horas

7 dias

15 dias

0,73

0,60

0,62

0,61

0,72

0,63

0,56

0,56

0,85

0,69

-

0,60

As amostras de fosfogesso após os adensamentos também apresentaram dificuldades para a obtenção dos valores de sucção em teores de umidade acima de 10% da mesma forma que foi verificado na amostra que foi somente compactada. Além disso, o fosfogesso após o adensamento de 7 dias apresentou um intervalo muito pequeno em que os valores de sucção puderam ser determinados, dificultando ainda mais a definição da curva de retenção. Devido à isso, a curva de retenção desta amostra (fosfogesso 7 dias) não está apresentada na Figura 4.27.

Observa-se que as curvas do solo e da mistura A apresentam comportamentos bastante semelhantes independentemente do tempo de carregamento (48 horas, 7 ou 15 dias) desde o

valor de entrada de ar da microestrutura até os valores finais da curva (sucções elevadas). Além disso, as amostras desses materiais após os adensamentos se comportaram da mesma forma que

a amostra que foi somente compactada e não sofreu adensamento.

No caso do fosfogesso, as curvas correspondentes às amostras após os adensamentos de 48

horas e 15 dias se mostraram muito próximas entre si, porém, um pouco diferentes em relação

à

curva da amostra de fosfogesso compactado.

O

objetivo da determinação das curvas de retenção foi obter a partir delas a distribuição dos

poros nas amostras segundo a metodologia proposta por Mascarenha (2008) e discutida na seção 3.3.3.2, de forma a verificar como o adensamento altera a macro e microestrutura dos materiais. Porém ao se obter as curvas, verificou-se não ser possível a obtenção da distribuição

dos poros como era a intenção inicial. Isso porque a maior parte dos valores experimentais foram obtidos para valores altos de sucção, sendo que a curva de retenção não ficou bem definida nos pontos correspondentes a valores de sucção menores do que 100 MPa, pois o equipamento WP4C não apresentou uma precisão adequada para valores de sucção próximos

ao esse valor.

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

113

Os valores correspondentes aos graus de saturação de 100%, ou seja, a umidade de saturação das amostras, que são mostrados nas curvas de retenção das Figuras 4.25, 4.26 e 4.27 foram calculados a partir do índice de vazios e da massa específica dos grãos. Portanto, sem a disponibilidade de grande parte dos pontos correspondentes a macroestrutura dos materiais, não foi possível obter a distribuição dos poros.

Apesar disso, é possível analisar, com as curvas obtidas, o comportamento da estrutura dos materiais quando submetidos aos adensamentos. As amostras de solo e mistura A não apresentaram diferenciação na microestrutura, pois a curva de retenção no trecho a partir do valor de entrada de ar da microestrutura foi muito próxima independente do adensamento ou tipo de carregamento. Observa-se que a diferenciação ocorre somente no trecho inicial da curva, nos pontos de sucção baixos, antes do valor de entrada de ar dos microporos, correspondente à macroestrutura. Além disso, os pontos correspondentes à umidade de saturação, que foram calculados, são diferentes quando se compara as amostras adensadas e não adensadas. Verifica- se, portanto, que para o solo e a mistura A, o adensamento e o tipo de carregamento provocam alterações somente em nível macroestrutural, diminuindo a fração de poros inter-agregados, sem alterações na microestrutura. Esse fato está de acordo com o que foi visto nos resultados de Romero et al. (2005), Buenfil (2007) e Mascarenha (2008), discutidos na seção 2.3.2.

No caso do fosfogesso, por não apresentar microestrutura, as diferenças de sucção que ocorrem quando a amostra é submetida ao adensamento são devidas também ao rearranjo macroestrutural. O adensamento provocou a redução dos poros de várias dimensões, correspondentes à macroestrutura, e isso gerou o aumento do valor de sucção nas amostras após os adensamentos de 48 horas e 15 dias.

4.3 DEFORMABILIDADE NA CONDIÇÃO NÃO SATURADA

Nesta pesquisa foram realizados ensaios de adensamento com controle de umidade (não saturados) com o solo, fosfogesso e mistura A (10% de fosfogesso e 90% de solo).

A Tabela 4.10 apresenta as condições inicias dos corpos de prova como, índice de vazios inicial (e 0 ), grau de saturação inicial (Sr 0 ) e altura ideal dos sólidos (h s ), no início dos ensaios de adensamento não saturados. Além disso, são mostrados o índice de vazios correspondente à massa específica seca máxima, obtido pela curva de compactação, e o grau de compactação (GC) para cada material analisado nesta pesquisa, que foi calculado a partir da amostra

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

114

compactada, por meio do valor da massa específica seca obtido no processo de compactação e

da massa específica seca máxima (Tabela 4.3). Para fins de comparação, os graus de

compactação das amostras dos adensamentos saturados, realizados com o mesmo período de

carregamento (48 horas), apresentados na seção 4.2.1, foram: 100,1% para o solo, 97,1% para

a mistura A e 99,1% para o fosfogesso.

Tabela 4.10 - Condições iniciais dos corpos de prova nos ensaios de adensamento não saturados.

 

Sr

0

Material

e 0

(%)

h s (mm)

e (ρd máx)

GC (%)

Solo

0,75

79,2

11,38

0,71

98,1

Mistura A

0,80

66,2

11,16

0,67

94,3

Fosfogesso

0,91

74,5

10,41

0,87

97,7

o g e s s o 0,91 74,5 10,41 0,87 97,7 As Figuras 4.28, 4.29 e
o g e s s o 0,91 74,5 10,41 0,87 97,7 As Figuras 4.28, 4.29 e

As Figuras 4.28, 4.29 e 4.30 apresentam as curvas de compressão do solo, da mistura A e do

fosfogesso, respectivamente, obtidas nos ensaios de adensamento não saturados, com estágios

de carregamentos de 48 horas até a tensão de 800 kPa. São apresentadas também as curvas de

compressão obtidas nos ensaios de adensamentos saturados, também com carregamentos em

estágios de 48 horas, apresentados na seção 4.2 (deformabilidade ao longo do tempo). As

deformações foram calculadas da mesma forma apresentada na seção 4.2, por meio da Equação

4.1.

Pode-se perceber pelas curvas de compressão que o solo e o fosfogesso não saturados deformam

menos do que quando esses materiais estão saturados, o que está de acordo com o esperado,

pois a não saturação diminui a compressibilidade do material. Porém, a mistura A apresentou

comportamento oposto, com a amostra não saturada deformando mais. No entanto, a diferença

foi pequena, com a amostra não saturada deformando 8,3% e a saturada 7,4%. O fato do grau

de compactação das duas amostras ser diferente também pode ter influenciado o

comportamento, já que a mistura A saturada apresentou grau de compactação igual a 97,1% e

a não saturada de 94,3%.

No solo, apesar da amostra não saturada deformar menos, as curvas de compressão são

semelhantes, sendo que o solo não saturado deformou 7% e o saturado 8%, com os índices de

vazios variando 0,11 nos dois casos (comparando os índices de vazios no início do ensaio e no

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

115

final do descarregamento). O fosfogesso foi o que apresentou maiores diferenças entre as curvas, com o fosfogesso saturado deformando 12,2% e o fosfogesso não saturado 9,8%.

Figura 4.28 - Curvas de compressão do solo no ensaio de adensamento não saturado (NSAT) e saturado (SAT).

Tensão (kPa) 1 10 100 1000 0 2 4 6 8 10 Solo NSAT 12
Tensão (kPa)
1
10
100
1000
0
2
4
6
8
10
Solo NSAT
12
Solo SAT
14
Deformação (%)

Figura 4.29 - Curvas de compressão da mistura A no ensaio de adensamento não saturado (NSAT) e saturado (SAT).

Tensão (kPa) 1 10 100 1000 0 2 4 6 8 10 Mistura A NSAT
Tensão (kPa)
1
10
100
1000
0
2
4
6
8
10
Mistura A NSAT
12
Mistura A SAT
14
Deformação (%)

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116

Figura 4.30 - Curvas de compressão do fosfogesso (FG) no ensaio de adensamento não saturado (NSAT) e saturado (SAT).

Tensão (kPa) 1 10 100 1000 0 2 4 6 8 10 FG NSAT 12
Tensão (kPa)
1
10
100
1000
0
2
4
6
8
10
FG NSAT
12
FG SAT
14
Deformação (%)

Visando compreender o comportamento dos materiais nos ensaios saturados e não saturados, é importante analisar como a sucção se desenvolve ao longo dos ensaios de adensamento, já que esse parâmetro influencia a deformabilidade.

Com este objetivo, os ensaios de controle de umidade foram realizados durante os ensaios de adensamento não saturados, em corpos de prova compactados nas mesmas condições que as amostras preparadas para o adensamento. Esses ensaios possibilitaram verificar como ocorre a variação de umidade nos corpos de prova em condições não saturadas. As Figuras 4.31, 4.32 e 4.33 mostram a variação de umidade ao longo do tempo do solo, da mistura A e do fosfogesso, respectivamente, em duas situações: no corpo de prova que foi submetido ao ensaio de adensamento e no corpo de prova em que foi realizado o ensaio de controle de umidade. Vale ressaltar que no ensaio de adensamento apenas é possível determinar a umidade inicial e final do corpo de prova, sendo desconhecido a sua variação ao longo do ensaio.

É possível verificar que, em todos os casos, as amostras dos ensaios de controle de umidade apresentaram maior variação de umidade do que as amostras dos adensamentos. Isso pode estar relacionado ao fato de que os corpos de prova do controle de umidade eram constantemente manuseados e retirados de suas células oedométricas para a pesagem ao longo de todo o período de execução do ensaio, o que levou as amostras a valores mais baixos de umidade, além de

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

117

perdas de massa. A mistura A apresentou menor perda de umidade do que o solo, o que pode estar relacionado à estabilização química.

Porém, observando os resultados, a variação de umidade dos materiais analisados ao longo do ensaio de controle de umidade pode ser considerada aproximadamente linear, exceto para a mistura A. Levando isso em consideração, assumiu-se que as amostras dos ensaios de adensamento tendem a sofrer variações de umidade ao longo do tempo também lineares.

Figura 4.31 Variação de umidade do solo ao longo do tempo no ensaio de adensamento e no ensaio de controle de umidade.

30 25 20 15 10 Controle de umidade Adensamento 5 0 5000 10000 15000 20000
30
25
20
15
10
Controle de umidade
Adensamento
5
0 5000
10000
15000
20000
25000
Umidade (%)

Tempo (min)

Figura 4.32 - Variação de umidade da mistura A ao longo do tempo no ensaio de adensamento e no ensaio de controle de umidade.

30 25 20 15 Controle de umidade 10 Adensamento 5 0 5000 10000 15000 20000
30
25
20
15
Controle de umidade
10
Adensamento
5
0 5000
10000
15000
20000
25000
Tempo (min)
Umidade (%)

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118

Figura 4.33 - Variação de umidade do fosfogesso ao longo do tempo no ensaio de adensamento e no ensaio de controle de umidade.

30 25 20 15 Controle de umidade 10 Adensamento 5 0 5000 10000 15000 20000
30
25
20
15
Controle de umidade
10
Adensamento
5
0
5000
10000
15000
20000
25000
Umidade (%)

Tempo (min)

Adotando-se essa hipótese de variação linear da umidade ao longo do tempo nos ensaios de adensamento, é possível analisar como esse parâmetro varia com a tensão ao longo do ensaio e relacionar com a sucção. Com os valores de umidade inicial e final nos ensaios de adensamento, calculou-se a taxa de perda de umidade em cada um dos estágios de carga, obtendo assim o teor de umidade ao final de cada estágio de carregamento. A Figura 4.34 mostra a variação da umidade do solo, da mistura A e do fosfogesso com a tensão aplicada ao longo do ensaio de adensamento, ao se adotar a hipótese de variação linear do teor de umidade.

Para analisar a sucção, foram utilizadas as curvas de retenção obtidas no WP4C, apresentadas na seção 4.1.3 e na seção 4.2, para amostras de solo, fosfogesso e mistura A com diferentes índices de vazios.

Com as curvas de retenção disponíveis e os teores de umidade em cada tensão, foi possível perceber que as umidades durante os ensaios de adensamento correspondem a valores de sucções baixos, pertencentes ao trecho inicial da curva de retenção, que está relacionado aos macroporos dos materiais. Assim, verificou-se que a variação de sucção ao longo do ensaio de adensamento ocorre somente na macroestrutura, onde os valores experimentais da curva de retenção não puderam ser obtidos com o WP4C, como discutido anteriormente. Por esse motivo, não é possível relacionar o valor de umidade em cada tensão com a sucção correspondente.

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

119

Figura 4.34 - Variação da umidade do solo, da mistura A e do fosfogesso com a tensão nos ensaios de adensamento.

30 Fosfogesso Mistura A Solo 28 26 24 22 20 18 16 14 0 100
30
Fosfogesso
Mistura A
Solo
28
26
24
22
20
18
16
14
0
100
200
300
400
500
600
700
800
900
Tensão (kPa)
Umidade (%)

Porém, pode-se estimar a variação máxima de sucção que pode ocorrer ao longo do ensaio de

adensamento por meio do ponto em que a sucção atinge seu valor máximo, ou seja, onde o teor

de umidade é menor, o que corresponde ao ponto ao final da carga de 800 kPa. O teor de

umidade de cada material no início e no final do adensamento é mostrado na Tabela 4.11.

Dessa forma, foi possível estimar as variações máximas de sucção que podem ocorrer durante

o ensaio até que a amostra se encontre na situação mais seca. Assim, as variações máximas

estimadas são: 70 kPa para o solo, 40 kPa para a mistura A e 70 kPa para o fosfogesso. Em

todos os materiais as variações são pequenas e correspondem somente à macroestrutura, ou no

caso no fosfogesso, que não apresenta diferenciação de macro e microporos, somente ao trecho

inicial da curva de retenção, de valores de sucção baixos.

Tabela 4.11 Teor de umidade no início e no final dos ensaios de adensamento não saturados.

Material Solo Mistura A Fosfogesso

Material

Solo

Mistura A

Fosfogesso

Umidade inicial (%)

21,6

19,6

28,0

Umidade final

(%)

18,0

15,7

22,0

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

120

Procurando justificar o comportamento dos materiais nas curvas de compressão apresentadas anteriormente (Figuras 4.28, 4.29 e 4.30) e baseando-se na estimativa de variação máxima da sucção, pode-se dizer que as variações de sucção sofridas pelos materiais ao longo dos ensaios de adensamento, apesar de serem pequenas e semelhantes, influenciaram mais a deformabilidade do fosfogesso do que do solo e da mistura A. Esse fato fez com que a diferença entre as deformações do fosfogesso na condição não saturada e saturada fosse significativa (Figura 4.30), indicando que a variação da sucção foi um fator relevante em seu comportamento. Já no solo e na mistura A, as pequenas diferenças de deformações apresentadas entre as condições saturadas e não saturadas são devido à variabilidade na realização dos ensaios, com a pequena variação de sucção não tendo muita influência na compressibilidade. A explicação para esse comportamento do fosfogesso está além dos objetivos deste trabalho.

CAPÍTULO 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo são apresentadas as principais conclusões obtidas nesta pesquisa. Em seguida são feitas sugestões para pesquisas futuras de forma a aprofundar os temas discutidos neste trabalho.

5.1

CONCLUSÕES

Esta pesquisa apresentou a avaliação da deformabilidade do fosfogesso visando o emprego de misturas deste material com solo em obras geotécnicas, de forma a minimizar os impactos decorrentes de sua deposição. Foi analisada a evolução da deformabilidade ao longo do tempo do solo, do fosfogesso e da mistura composta por 90% de solo e 10% de fosfogesso. Além disso, foi analisado também o comportamento desses materiais na condição não saturada. Para isso foi realizada uma série de ensaios de laboratório, envolvendo principalmente, ensaios de adensamento.

Com base nos resultados apresentados é possível concluir que:

Foi observado nas análises granulométricas que a utilização do defloculante provocou a quebra das concreções formadas por cimentações de partículas menores, tornando o solo laterítico estudado mais fino. Na mistura A e no fosfogesso esse comportamento também ocorreu, porém de forma minimizada, pois os cristais de fosfogesso não possuem característica de se agregarem naturalmente. Além disso, a presença do fosfogesso afetou a ação do defloculante fazendo com que a mistura A apresentasse comportamento mais semelhante ao fosfogesso do que ao solo;

O fosfogesso foi caracterizado como material não plástico. A mistura A apresentou parâmetros muito próximos aos encontrados para o solo, com o fosfogesso não tendo muita influência nesse aspecto;

O fosfogesso apresentou dificuldades de compactação em umidades acima da ótima (ramo úmido), pois os valores de umidade foram bastante elevados. Além disso, a curva de compactação do fosfogesso apresentou formato achatado, que está

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

122

relacionado à dificuldade de compactação em campo desse material e à facilidade com que ele pode se desprender da camada compactada;

O fosfogesso apresentou uma certa dificuldade para a obtenção de valores de sucção correspondentes aos teores de umidade acima de 10%, o que resultou em pontos dispersos, impossibilitando a obtenção de uma curva de retenção bem definida;

Para um mesmo valor de umidade, o fosfogesso possui valores de sucção mais baixos do que os valores do solo e da mistura A;

O solo e a mistura A provavelmente apresentam curvas de retenção bimodais, porém como não foi possível obter os dados para valores de sucção menores que 80 kPa, não se pode afirmar isso. Já o fosfogesso provavelmente apresenta curva de retenção monomodal, pois aparentemente esse material só possui um valor de entrada de ar, correspondente à macroestrutura. No entanto, é necessário que os pontos correspondentes aos valores baixos de sucção sejam conhecidos, o que não foi possível com o equipamento WP4C.

Em relação ao estudo da deformabilidade ao longo do tempo, pode-se concluir que:

O fator tempo interfere nas deformações sofridas pelos materiais quando submetidos à aplicação de carregamentos unidirecionais. À medida que o tempo de carregamento aumenta (de 48 horas para 15 dias), a deformação do corpo de prova também aumenta, sendo que o acréscimo de deformação devido aos diferentes carregamentos foi de 1,54% para o solo, 0,68% para a mistura A e 3,64% para o fosfogesso;

A deformação volumétrica devido apenas ao adensamento secundário prevista para um período de cinco anos foi de aproximadamente 0,5% para o solo, 1,4% para a Mistura A e 15,5% para o fosfogesso;

Não se verificou a estabilização da deformação da mistura A e do fosfogesso ao longo do tempo, o que está relacionado à ocorrência do adensamento secundário, ou creep. Além disso, no caso do fosfogesso, notou-se um incremento da taxa de deformação a partir de 500 minutos. Duas hipóteses foram levadas em consideração para a ocorrência desse fato: a alteração mineralógica e/ou quebra dos grãos do fosfogesso;

Os ensaios de difração de raios-X mostraram que não há alteração mineralógica no fosfogesso devido ao adensamento. Já com os resultados dos ensaios de granulometria, pôde-se perceber que ocorre quebra dos grãos do fosfogesso, pois a

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

123

parcela de finos presente nesse material depois do adensamento foi maior, comparando-se com o fosfogesso natural. Além disso, por meio da Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) foi possível confirmar a ocorrência da quebra dos grãos do fosfogesso. Porém, não foi possível afirmar com certeza se a quebra ocorre durante o adensamento ou a compactação, já que os ensaios de granulometria foram realizados apenas nas amostras natural e adensada após 15 dias;

Analisando as curvas de retenção dos materiais, antes e depois dos adensamentos, foi possível verificar que o solo e a mistura A não apresentaram diferenciação na microestrutura, pois a curva de retenção no trecho a partir do valor de entrada de ar da microestrutura foi muito próxima independente do adensamento ou tempo de carregamento. Observou-se que a diferenciação ocorreu somente no trecho inicial da curva, nos pontos de sucção baixos, antes do valor de entrada de ar dos microporos, correspondente à macroestrutura. Com isso, verificou-se que no solo e na mistura A, o adensamento e o tempo de carregamento provocaram alterações somente em nível macroestrutural, diminuindo a fração de poros inter-agregados, sem alterações na microestrutura;

No caso do fosfogesso, por não apresentar microestrutura, as diferenças de sucção que ocorrem quando a amostra é submetida ao adensamento são devidas também ao rearranjo macroestrutural. O adensamento provocou a redução dos poros de várias dimensões, correspondentes à macroestrutura, e isso gerou o aumento do valor de sucção nas amostras após os adensamentos de 48 horas e 15 dias.

Ao se estudar a deformabilidade não saturada, chegou-se na conclusão que a pequena variação de sucção nas amostras de fosfogesso, solo e mistura A, durante o ensaio de adensamento, influenciou mais a deformabilidade do fosfogesso do que dos outros materiais, fazendo com que a diferença entre a deformação saturada e não saturada fosse maior. Esse fato indica que a variação da sucção exerce um papel significativo no comportamento do fosfogesso em relação à deformabilidade.

De forma geral, o estudo contribuiu para a compreensão do comportamento do fosfogesso em relação a deformabilidade em diferentes condições, relacionadas ao tempo de carregamento e à não saturação. É possível concluir com os resultados que a deformação deve ser levada em consideração ao se estudar o possível o uso do fosfogesso ou de misturas solo e fosfogesso em obras geotécnicas. É importante destacar que o valor de tensão utilizado foi bastante elevado e

D0089G14: Análise da deformabilidade do fosfogesso

124

que a maioria das obras não atinge essa tensão. Além disso, foi possível perceber que a mistura A apresentou comportamento próximo ao do solo em vários aspectos analisados, com o fosfogesso não tendo uma influência muito negativa em seu desempenho. Assim, a utilização do fosfogesso em misturas com solo pode ser uma alternativa que deve ser melhor estudada, não a fim de melhorar o comportamento do solo, mas sim, visando encontrar um destino adequado para o fosfogesso, reduzindo os problemas ambientais decorrentes de sua deposição.

5.2 SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS

Para a continuidade e aprimoramento dos assuntos discutidos neste trabalho, tem-se as seguintes sugestões para pesquisas futuras:

Realizar estudos de deformabilidade do fosfogesso em misturas com solo e outros estabilizantes químicos como cal e cimento;

Obter a curva de retenção do fosfogesso para os valores de sucção abaixo de 100 kPa através de outros métodos, como o papel filtro;

Estudar os possíveis impactos ambientais de se utilizar o fosfogesso na Geotecnia, através de análises químicas;

Estudo da microscopia com fosfogesso não compactado e compactado, visando analisar melhor a quebra dos grãos.

REFERÊNCIAS

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ABNT: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7180: Solo Determinação do limite de plasticidade. Rio de Janeiro, 1984c, 3 p.

ABNT: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6508: Grãos de solos que passam na peneira de 4,8 mm - Determinação da massa específica. Rio de Janeiro, 1984d, 8 p.

ABNT: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6457: Amostras de solo - Preparação para ensaios de compactação e ensaios de caracterização Rio de Janeiro, 1986a, 9 p.

ABNT: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7182: Solo - Ensaio de compactação. Rio de Janeiro, 1986b, 10 p.

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ABNT: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14545: Solo - Determinação do coeficiente de permeabilidade de solos argilosos a carga variável. Rio de Janeiro, 2000, 12 p.

ABNT: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 10004: Resíduos sólidos Classificação. Rio de Janeiro, 2004. 71p.

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