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RELATÓRIO DE POLÍTICA MONETÁRIA

(ao abrigo do nº 3 do art.º 18.º da Lei Orgânica do BCV)


Abril de 2010

Banco de Cabo Verde


Relatório Política Monetária 

Relatório de Política Monetária 

Índice 

 
Sumário Executivo……............................................................................................................................3                              
Enquadramento Externo ……………………………………................................................................................6  
Economia Nacional …………..…………………...............................................................................................8                               
Sector Real ……………………………………………………………………………………...………………..…………………………… 8 
  Procura Global.……………………..………………………………………………………..……...…….……………………....8 
Consumo..………………………………………………………………………………….……………………..……………………9 
Investimento…………………………………………………………………………………………………………………….....11 
Comércio Externo.………………………………………………………………………………………………………….…….12 
   Inflação………..…………………………………….....................................................................................15  
Inflação Mundial….…………………….…………………………………………………………………………………..…...15 
Inflação Interna ‐ Evolução Actual………………………………………..…………………….…………………….....16 
Core Inflation……………………………...………………………………………………………………….………...…….…..20 
Projecção da inflação.………………..………………………………………………………………………………...….….20 
Sector  Orçamental…………………………………………….………………..............................................................22  
Sector Externo…………………….……………………........................................................................................25 
  Balança Corrente e de Capital………………………………………………………………………………………………25 
   Balança Financeira….……………...…………………………………………………………….……………….……...…..29 
Sector Monetário e Financeiro……..………………….................................................................................32  
Análise da Liquidez……………………………..………….………………..……………………….…………………...…...32 
Taxas de Juro……………………………………………………..……………………………………………………...………..33 
Evolução dos Agregados Monetários….……………………………………..…………………………..………..…..35 
Avaliação Global……………………………………………………………………………………………………………………35 
Meios de Pagamento …………………………………………………………………………………………………………..37 
Activos Monetários………………………………………………………………………………………………………………38 
Política Monetária nos Últimos 6 Meses….……………………………………..……………………..………….…38 
Política Monetária para os Próximos 6 Meses…...………………………………………………………………...39 
Cenário Central ….……………………………………………..……………………..…………………………...……...…...43 
Anexo………………………..………………..….……………………………………………..……………………..………………...…...45 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                2                                                                  
Relatório Política Monetária 
  Sumário Executivo 

 De  acordo  com  informações  avançadas  pelo  Fundo  Monetário  Internacional  (FMI),  na  segunda 
metade do ano de 2009 assistiu‐se à retoma da produção global e do comércio internacional, evi‐
tando assim uma nova Grande Depressão. A inversão da degradação da situação económica e finan‐
ceira  internacional  foi  conseguida  graças  aos  estímulos  das  políticas  monetárias    e  orçamentais 
adoptadas  pelas  autoridades,  permitindo  restabelecer  o  funcionamento  do  sistema  bancário  e  a 
recuperação da confiança dos consumidores e das empresas.  

A nível interno, as informações mais recentes sobre a economia cabo‐verdiana revelam um compor‐
tamento misto da actividade económica. O  consumo, a componente principal da procura  interna, 
interrompeu o período de declínio registado a partir de 2007 e começa a dar mostras de recupera‐
ção.  Por  seu  lado,  as  exportações,  beneficiando  de  um  enquadramento  externo  mais  favorável 
embora  frágil,  apresentam,  no  período  em  análise,  uma  evolução  positiva.  O  investimento  no 
entanto,  apesar  de  dar  sinais  de  alguma  recuperação,  continua  ainda  em  terreno  negativo.  Nesta 
perspectiva, para o ano de 2010, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá situar‐se no 
intervalo [4% ‐ 5%], mantendo‐se portanto, a previsão apresentada no relatório publicado em Outu‐
bro de 2009. 

Principais Indicadores Económicos  


2008-2010
 
Unidades 2008 2009 2010 P
Sector Real
 
1
PIB real tv em % 6,1 4,0 [4 - 5]
IPC (Taxas de variação média) tvm em % 6,8 1,0 [1,5 - 2,5]  

Sector Monetário e Cambial  


Activo Externo Líquido do Sistema tv em % -6,3 -1,7 9,5
Banco de Cabo Verde tv em % 7,9 -2,5 8,5  
Reservas Internacionais Líquidas do BCV tv em % 8,1 -1,4 7,8
 
Crédito Interno Líquido tv em % 18,8 10,5 9,4
Massa Monetária (M2) tv em % 7,9 3,3 7,5  
Sector Externo
 
Défice em Conta Corrente em % do PIB 12,9 10,4 12,7
Reservas/Importações meses 4,2 4,4 3,8  
Finanças Públicas
 
Saldo Orçamental Global
Excluindo Donativos em % do PIB -6,5 -11,6 -15,7  
Incluindo Donativos em % do PIB -1,0 -6,0 -9,7
Dívida Interna em % do PIB 21,7 23,3 21,5  
Fonte: Banco de Cabo Verde, Instituto Nacional de Estatística, Ministério das Finanças
 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                3                                                                  
Relatório Política Monetária 

O enquadramento externo mais favorável nos últimos meses tem tido reflexos positivos na evolu‐
ção  das  transacções  internacionais  de  Cabo  Verde,  conforme  as  informações  do  1º  trimestre  de 
2010.  Com  efeito,  a  retoma  da  actividade  económica  internacional  tem  tido  um  impacto  positivo  
na recuperação das receitas do turismo e de fluxos direccionados para o sector da imobiliária turís‐
tica. Contudo, as projecções da balança de pagamentos para 2010 apontam para um agravamento 
do défice da conta corrente de 10,8% do PIB em 2009 para 12,7% em 2010, traduzindo o crescimen‐
to do défice da balança comercial, em resultado do aumento significativo das importações de bens 
de capital.  

Ao nível dos preços, de acordo com as informações sobre o índice de preços no consumidor (IPC) 
referentes a Março de 2010, a inflação homóloga situou‐se nos 0,8%, um aumento de  1,3 pontos 
percentuais (p.p)  face ao registado no mês anterior. O comportamento dos preços, traduz a evolu‐
ção  dos  preços  a  nível  internacional,  particularmente  das  “commodities”,  com  destaque  para  o 
impacte do preço dos produtos petrolíferos no mercado doméstico. Para o final do ano prevê‐se um 
aumento  moderado  nos  preços,  pelo  que    a  taxa  de  inflação  média  deverá  fixar‐se    no  intervalo 
[1,5% – 2,5%]. 

No que tange à situação orçamental, os dados provisórios do MF, até o primeiro trimestre, revelam 
um  agravamento  na  generalidade  das  contas  do  sector  público,  sobretudo  ao  nível  das  receitais 
orçamentais e, em particular, daquelas provenientes da cobrança de impostos. Em termos prospec‐
tivos,  espera‐se,  até  ao  final  de  2010,  uma  ligeira  recuperação  das  receitas  públicas,  em  virtude 
sobretudo do acréscimo ainda que moderado das receitas tributárias e do aumento dos donativos. 
Contudo, os gastos deverão acusar um acréscimo significativo, sobretudo no tocante às despesas de 
investimento relacionadas com obras de infra‐estruturas. Assim, para 2010, o défice público incluin‐
do donativos deverá até ao final de 2010 atingir os 9,7% do PIB, o que representa uma significativa 
deterioração da posição orçamental de 3,7 p.p. face ao ano anterior.   

Em  termos  de  política  monetária  do  Banco  de  Cabo  Verde  (BCV),  ela  continua  orientada  pelos 
objectivos estabilidade de preços e defesa do regime cambial em vigor, atribuindo especial relevân‐
cia aos objectivos de política acordados com o FMI. Não obstante a quebra registada nos fluxos do 
exterior, particularmente os de Investimento Directo Estrangeiro e de Receitas do Turismo,  o BCV 
cumpriu com uma margem relativamente confortável (+13 milhões de Euros) a meta de disponibili‐
dades  líquidas  sobre  o  exterior  (DLX)  acordada  com  o  FMI.  Tendo  em  conta  também  o  contexto 
internacional caracterizado por um nível historicamente baixo das taxas directoras, nomeadamente 
na Zona Euro e nos Estados Unidos, conjugado com alguma diminuição do excesso de liquidez no 
sistema bancário, o BCV optou pela redução da  sua taxa directora em Dezembro de 2009, com efei‐

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                4                                                                  
Relatório Política Monetária 

tos a partir de Janeiro,  fixando‐a em 4,25%, menos um p.p. . Para os próximos seis meses, no qua‐
dro de uma  recuperação ainda lenta da economia internacional, a preocupação central será a pre‐
servação de um nível adequado de reservas externas, por exigência da manutenção das condições 
de  suporte  ao  regime  de  paridade  fixa  e  do  cumprimento  das  metas  estabelecidas  no  programa 
Polícy Support Instrument (PSI) firmado com o  FMI. O apoio do Governo no esforço de esterilização 
terá efeitos nas opções de política monetária do BCV, para a  qual se prevê a introdução de um con‐
junto de alterações normativas no  quadro operacional, nomeadamente a utilização de Bilhetes de 
Tesouro  na  condução  e  execução  da  política  monetária,  no  âmbito  de  uma  maior  coordenação 
entre o Ministério das Finanças (MF) e o BCV, visando, entre outros, um melhor funcionamento do 
mercado monetário e financeiro. 

 O quadro de programação monetária revisto para 2010 prevê o crescimento da massa monetária 
em  torno  de  7,5%.  Neste  cenário,  a  criação  monetária  prevista  é  de  cerca  de  7,8  mil  milhões  de 
escudos, representando um aumento da procura de moeda relativamente aos valores de 2009, com 
o crescimento previsto do crédito à economia a evidenciar um  ritmo inferior ao registado no ano 
anterior. 

  

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                5                                                                  
Relatório Política Monetária 

Enquadramento Externo da Economia Cabo‐Verdiana  

Segundo informações avançadas pelo FMIl, apesar da recuperação da economia mundial ter‐se ini‐
ciado mais cedo do que o inicialmente projectado, o seu andamento não tem sido uniforme, tendo‐
se  registado  uma  maior  robustez  nas  economias  emergentes.  Com  as  taxas  de  juros  mantidas 
excepcionalmente  baixas,  a  recuperação  da  economia  estendeu‐se  e  solidificou‐se  à  maioria  dos 
países desenvolvidos na segunda metade do ano de 2009.  Para o ano de 2010, as últimas informa‐
ções avançadas pelo último World Economic Outlook (WEO), sugerem um crescimento do PIB mun‐
dial na ordem dos 4,2%, impulsionado sobretudo pelo dinamismo da China e da  Índia . 

 
 
    De  acordo  com  informações  avançadas  pelo  FMI,   
na  segunda  metade  do  ano  de  2009  assistiu‐se  à 
retoma  da  produção  global  e  do  comércio  interna‐  Produto Interno Bruto
(taxa de variação homóloga)
cional, evitando assim uma nova Grande Depressão.  10,0

A inversão da degradação da situação  económica e  8,0

EUA
financeira  internacional  foi  conseguida  graças  aos  6,0
em percentagem

4,0 Zona Euro
estímulos  das  políticas  monetárias    e  orçamentais 
2,0
adoptadas pelas autoridades, permitindo restabele‐
0,0
cer o funcionamento do sistema bancário e a recu‐
1º tri 03
3º tri 03
1º tri 04
3º tri 04
1º tri 05
3º tri 05
1º tri 06
3º tri 06
1º tri 07
3º tri 07
1º tri 08
3º tri 08
1º tri 09
3º tri 09
‐2,0

peração  da  confiança  dos  consumidores  e  do  ‐4,0

empresariado.   ‐6,0
1,00 € 2,00 € 3,00 € 4,00 € 5,00 € 6,00 €

 A retoma económica global evoluiu melhor do que 
o antecipado no WEO de Janeiro, patente na revisão 
em alta da previsão de crescimento para 2010, 4,2% 
contra 3,9%. As economias emergentes e em desen‐
volvimento, lideradas pela China (10%), Índia (8,8%) 
e  Brasil  (5,5%)  continuam  a  ser  as  mais  dinâmicas, 
crescendo em média 6,3%, enquanto nas economias 
desenvolvidas  (2,3%)  destacam‐se  os  Estados  Uni‐
dos (3,1%) por contraponto à ténue recuperação da 
Zona  Euro  (1%),  onde  pontificam  a  fraca  evolução 
do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego 
a situar‐se perto de dois dígitos, ao que se adiciona 
a fragilidade dos balanços das famílias e o desequilí‐

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                6                                                                  
Relatório Política Monetária 

brio  nas  contas  públicas  de  alguns  países,  patente 


no elevado nível de défice e de endividamento. 

No domínio cambial é assinalável a pressão sobre o 
 Evolução da cotação do EUR/USD 
euro em resultado, nomeadamente, dos problemas 
1,60
de  endividamento da  Grécia e do  possível contágio 
1,50
a outras economias da Zona Euro, onde escasseiam 
1,40

EUR/USD
soluções  para  os  elevados  défices  orçamentais  e  1,351
1,30
dívida pública, num contexto de uma união monetá‐
1,20
ria  que  tem  revelado  pouca  disciplina  face  aos  1,10

objectivos  dos  Tratados  e  importantes  limitações  1,00

Jan‐09

Mai‐09

Dez‐09
Jan‐10
Fev‐09
Mar‐09

Jul‐09
Ago‐09

Out‐09
Nov‐09

Fev‐10
Mar‐10
Abr‐09

Jun‐09

Set‐09
institucionais  em  contexto  de  crise.  Espera‐se  por 
isso,  para  os  próximos  meses,  uma  depreciação  do 
euro face ao dólar, que a 31 de Março de 2010 atin‐
giu a cotação de 1.35 USD. 

No mercado petrolífero, o preço do brent mantém a 
 Evolução da cotação do Brent 
tendência  de  subida  iniciada  em  2009,  em  função 
90
das pressões exercidas pelo lado da procura, tendo  82,7
80
atingindo os 81,30 USD o barril,  a 31 de Março de 
70
USD

2010. No entanto, tendo em conta a fraca utilização  60

da  capacidade  produtiva  existente,  a  expectativa  é  50

de  que  a  evolução  dos  preços  seja  moderada  nos  40

próximos meses. Neste quadro, os principais bancos  30
Jan‐09
Fev‐09

Mai‐09

Nov‐09
Dez‐09
Jan‐10
Fev‐10
Mar‐09
Abr‐09

Jun‐09
Jul‐09
Ago‐09
Set‐09
Out‐09

Mar‐10
centrais,  designadamente,  a  Reserva  Federal  dos 
EUA  (FED)  e  o  Banco  Central  Europeu  (BCE),  opta‐
ram  por  manter  inalteradas  as  suas  taxas  de  juro 
directoras  (entre  0%  a  0,25%  e  1%,  respectivamen‐
te). 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                7                                                                  
Relatório Política Monetária 
 

Economia Nacional  
 Beneficiando de um enquadramento externo em franca recuperação, a actividade económica nacio‐
nal  começa  a  dar  sinais,  embora  ténues,  de  alguma  animação,  principalmente  na  componente  da 
procura externa, onde se assiste a uma evolução positiva das exportações de bens e serviços; tam‐
bém na componente procura interna, o consumo privado inverteu o ciclo de desaceleração.  

Sector Real 

Procura Global 

Retoma  nas  exportações  de  serviços  e  evolu‐


ção positiva do consumo. 
 Evolução do PIB real 
As  informações  mais  recentes  sobre  a  economia  (em %)

cabo‐verdiana  revelam  um  comportamento  misto  12,0

da  actividade  económica,  embora  com  um  pendor  10,0 Projecção

globalmente  ascendente.  O  consumo  privado,  a  8,0

6,0
componente principal da procura interna, interrom‐
4,0
peu o período de declínio registado a partir de 2007 
2,0
e  começa  a  dar  mostras  de  recuperação,  enquanto 
0,0
as exportações de bens e serviços, beneficiando de  2004 2005 2006 2007 2008 2009E 2010P

um enquadramento externo mais favorável embora 
ainda frágil, apresentam no período em análise uma 
evolução positiva.  

O  Investimento,  apesar  de  dar  sinais  de  recupera‐


ção, continua ainda em território negativo. O indica‐
dor de clima económico do INE, que resume o grau 
de confiança dos agentes económicos, registou, nos 
primeiros  três  meses  do  ano,  uma  taxa  de  cresci‐
mento  ténue  de  0,2  p.p.,  mantendo‐se  todavia  em 
terreno  negativo  (‐1,1%  no  primeiro  trimestre  de 
2010 contra ‐1,3% no trimestre anterior). 

Assim, para o ano de 2010, as  projecções actualiza‐
das  para  a  economia  cabo‐verdiana  apontam  para 
um crescimento do PIB no intervalo [4% ‐ 5%], man‐

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                8                                                                  
Relatório Política Monetária 

tendo‐se portanto a previsão apresentada no relató‐
rio  publicado  em  Outubro  de  2009.  Esta  evolução 
incorpora  a  previsão  do  aumento  das  exportações 
de serviços, do investimento privado, em particular 
do  IDE  para  a  formação  bruta  de  capital  fixo,  bem 
como  do consumo privado, com particular incidên‐
cia  na  componente  de  bens  duradouros.  Adicional‐
mente,  espera‐se  que  o  crescimento  económico 
venha a beneficiar, até ao final do ano, das medidas 
de estímulo orçamental implementadas nos últimos 
2‐3  anos,  criando  condições  propícias  e  incentivos 
ao investimento, nomeadamente do sector privado. 
Refira‐se  no  entanto  que,  nas  actuais  projecções 
para 2010, persiste uma elevada incerteza associada 
ao  enquadramento  financeiro  internacional,  com 
destaque  para  a  Zona  Euro,  bem  como  ao  real 
impacto das medidas de estímulo orçamental. 

O Consumo 

Sinais positivos emergem na evolução do consumo, 
prevendo‐se um crescimento ainda que moderado. 

As  últimas  informações  quantitativas  e  qualitativas 


sobre  a  actividade  económica,  revelam  uma  evolu‐ Consumo das Famílias 
(variação anual em %)
ção mais favorável do consumo privado, que desde 
10,0
o  ano  2007  assumiu  um  perfil  marcadamente  des‐
8,0
cendente,  embora  mantendo‐se  em  terreno  positi‐
vo. Nos primeiros três meses terminados em Março,  6,0

os indicadores quantitativos de consumo produzidos  4,0

pelo  BCV  apontam  para  um  aumento  das  importa‐ 2,0

ções  de  bens  de  consumo,  traduzindo  o  acréscimo  0,0


Jun‐05 Jun‐05 Jun‐05 Jun‐05 Jun‐05 2009E
das  importações  de  bens  de  consumo  duradouros, 
que  em  termos  homólogos  cresceram  17,8%.  Por 
outro  lado,  os  indicadores  qualitativos  resultantes 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                9                                                                  
Relatório Política Monetária 

dos  inquéritos  de  conjuntura  ao  comércio  divulga‐ Indicadores de Consumo


(mm3‐T.v.h)
dos  pelo  INE,  confirmam  a  tendência  crescente  ao  20,0
15,0
nível  do  índice  de  volume  de  vendas  no  subsector  10,0

Em percentagem
5,0
do comércio a retalho, tendo o mesmo registado no 
0,0

Mai‐09

Nov‐09

Dez‐09

Jan‐10

Fev‐10
Mar‐09

Abr‐09

Jun‐09

Jul‐09

Ago‐09

Set‐09

Out‐09

Mar‐10
‐5,0
primeiro  trimestre  uma  taxa  de  variação  de  1% 
‐10,0
( 0,8% atingidos no trimestre anterior).  ‐15,0
‐20,0
‐25,0
Até  ao  final  de  2010,  espera‐se  um  aumento    do  ‐30,0
Importações de Bens de Consumo
consumo  privado,  com  um    crescimento  a  situar‐se  Importações de Bens de Consumo não Duradouros
Importações de Bens de Consumo Duradouros
entre  [2,5%;  2,9%],  em  linha  com  a  previsão  da 
redução gradual do grau de restritividade das condi‐
ções de financiamento e da melhoria das perspecti‐
vas das famílias face à evolução do seu rendimento; 
Vendas no Comércio a Retalho
todavia  o  contexto  continua  ainda  marcado  pelas 
limitações  impostas  pela  manutenção  da  situação  2,5
2,0
desfavorável  no  mercado  de  trabalho.  Por  outro 
1,5
lado, tendo em conta o orçamento geral do Estado  1,0
Em %

0,5
para 2010, o consumo público deverá manter a sua 
0,0
1ºT.04 

3ºT.04

1ºT.05

3ºT.05

1ºT.06

3ºT.06

1ºT.07

3ºT.07

1ºT.08

3ºT.08

1ºT.09

3ºT.09

1ºT.10
tendência  ascendente,    com  o  crescimento  médio  ‐0,5
‐1,0
anual,  em  termos  reais,  a    situar‐se  entre  [6,5%;  ‐1,5

9,9%].  ‐2,0

Projecções do PIB e das suas Principais componentes (em Volume)


Variação média anual em %

E E P
2007 2008 2009 2010
Produto Interno Bruto 8,6 6,1 4,0 [4%; 5%]
Consumo Privado 3,7 1,2 0,4 [2,5%; 2,9%]
Consumo Público 11,4 -0,5 6,3 [6,5%; 9,9%]
Formação Bruta de Capital Fixo 40,5 11,9 -9,3 [-0,5%; -3,1%]
Exportação de Bens e Serviços 14,7 8,0 -13,0 [1,7%; 3,2%]
Importação de Bens e Serviços 23,7 3,8 -13,7 [-0,5%; -3,5%]

Fonte: INE e Banco de Cabo Verde


E
- Estimativas
P
- Projecções

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                10                                                                  
Relatório Política Monetária 

O Investimento 

O investimento publico contribuirá para amortecer 
a lenta evolução da FBCF do sector privado. 

No  que  se  refere  ao  investimento,  os  indicadores 


Indicadores de Investimento 
disponíveis até ao primeiro trimestre de 2010 apon‐ (mm3‐T.v.h)

tam  para  uma  ligeira  melhoria  na  Formação  Bruta  60,0

de  Capital  Fixo  (FBCF)  na  generalidade  dos  bens.  A  40,0

Em percentagem
atestar  esta  evolução,  os  indicadores  das  importa‐ 20,0

0,0
ções de bens de construção, bens de equipamentos 

Mai‐09

Dez‐09
Mar‐09

Ago‐09

Out‐09

Nov‐09

Jan‐10

Fev‐10

Mar‐10
Abr‐09

Jun‐09

Jul‐09

Set‐09
‐20,0
e  materiais  de  transporte,  evidenciam  no  primeiro 
‐40,0
trimestre de 2010 uma melhoria em termos homó‐ ‐60,0
Importações de Bens de Construção
logos mas com taxas de variação ainda negativas de 
Importações de Bens de Equipamentos
Importações de Materiais de Transporte
37,2%, 9% e 18,3% respectivamente. Por outro lado, 
o Investimento Directo Estrangeiro (IDE)  e, em par‐
Carteira de Encomendas no Sector da Construção 
ticular  o  investimento  no  sector  imobiliário,  regis‐ e Obras Públicas
tou,  no  primeiro  trimestre  deste  ano,  um  aumento 
2,5
em  termos  homólogos  de  62,3%,  fixando‐se  nos  2,0
1,5
1.161 milhões de escudos, contra os 716 milhões no 
1,0
período  homólogo.  Os  inquéritos  de  conjuntura  à  0,5
Em %

0,0
construção  e  obras  públicas  do  INE,  por  seu  turno, 
1ºT.04 

3ºT.04

1ºT.05

3ºT.05

1ºT.06

3ºT.06

1ºT.07

3ºT.07

1ºT.08

3ºT.08

1ºT.09

3ºT.09

1ºT.10
‐0,5

apontam para uma certa estabilização na carteira de  ‐1,0
‐1,5
encomendas deste sector, não obstante a tendência  ‐2,0

em geral ainda decrescente. 

Para  o  final de  2010,  espera‐se  que  o  investimento 


 Investimento externo em Cabo Verde 
volte  a  registar  uma  redução,  embora  menos  6.000

expressiva que a estimada para 2009, num contexto  5.000
4.000
em milhões de ECV

em  que  se  assume  uma  progressiva  regularização  3.000

das  condições  de  financiamento  nos  mercados  2.000


1.000
internacionais, as quais deverão contribuir para uma 
0
1º  2º  3º  4º  1º  2º  3º  4º  1º  2º  3º  4º  1º 
melhoria gradual da procura global e das expectati‐ tri  tri  tri  tri  tri  tri  tri  tri  tri  tri  tri  tri  tri 
07 07 07 07 08 08 08 08 09 09 09 09 10
vas  dos  agentes  económicos  e,  em  particular,  dos  IDE em Cabo Verde 
2.8 4.5 3.0 4.9 5.7 3.7 3.2 3.0 2.2 1.8 2.8 2.2 1.7
(total)
investidores  do sector imobiliário turístico.    Assim,  Investimento 
1.3 2.3 1.0 1.5 2.6 1.8 1.6 1.3 716 685 1.3 901 1.1
Imobiliário
o  investimento  deverá  apresentar  em  2010  uma 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                11                                                                  
Relatório Política Monetária 

taxa de crescimento  média anual a variar  entre os 
Evolução do Investimento 
[‐3,1%;  ‐0,5%]  em  termos  reais.  O  investimento  do  (variação anual em %)
40,0
sector  público  em  particular,  deverá  registar  uma 
30,0
evolução  bastante  positiva,  impulsionado  pelas 
20,0
obras de infra‐estruturas propostas pelo Orçamento 
10,0
do  Estado  para  2010.        Deste    modo,      a  taxa  de 
0,0
crescimento    média    anual  em  termos  reais  do 
‐10,0
investimento  público,  deverá  situar‐se  no  intervalo 
Jun‐05 Jun‐05 Jun‐05 Jun‐05 Jun‐05 2009E
‐20,0
[9,3%;  18,6%],  podendo  atingir  o  limite  superior 
deste intervalo se efectivamente se executarem em 
100% os grandes projectos orçamentados, de entre  Investimento Privado Vs  Investimento Público (em 
percentagem do PIB)
os  quais,  o  das  energias  renováveis  e  habitação 
Investimento Privado Investimento Público Total
social.  
50,0
45,0
  40,0
35,0
O Comércio Externo  30,0
Em % 

25,0
20,0
Retoma da procura externa com uma contribuição  15,0
10,0
positiva das exportações de serviços.  5,0
0,0
Jun‐05 Jun‐05 Jun‐05 2008E 2009E 2010P
Os últimos indicadores económicos disponibilizados 
apontam para a recuperação da economia global.. O 
comércio  mundial  também  tem  dado  indícios  de 
uma forte recuperação, apesar da contracção verifi‐
cada no mês de Janeiro. Os efeitos desta recupera‐
ção  têm‐se  repercutido  positivamente  na    procura 
externa  enfrentada  pela  economia  cabo‐verdiana, 
tendo‐se  registado  no  1º  trimestre  de  2010  um  Exportações Cabo‐verdianas e Actividade na Zona Euro

aumento significativo quer  das exportações de bens  t.v.h 
90 4,00
quer dos serviços.   3,00
70
2,00
50 1,00
 As  exportações  de  bens  aumentaram  54,2%  em  30 0,00
-1,00
10 -2,00
termos homólogos, em resultado essencialmente do 
-10 -3,00
1º tri 03

4º tri 03

3º tri 04

2º tri 05

1º tri 06

4º tri 06

3º tri 07

2º tri 08

1º tri 09

4º tri 09

aumento  das  reexportações  de  bens  nos  portos  e  -4,00


-30
-5,00
-50 -6,00
aeroportos  nacionais  (componente  de  maior  peso 
Exportações de Bens e Serviços
no  conjunto  das  exportações  totais  de  bens  em  PIB da Zona Euro (eixo da dir.)

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                12                                                                  
Relatório Política Monetária 

Cabo  Verde)  que  passaram  de  796  para  1323.7 


milhões de escudos (66,2% em termos homólogos).  Balança Comercial
Este  comportamento  encontra‐se  associado  ao 
10.000
maior  volume  de  tráfego  aéreo  que  se  verifica  nos 
principais  aeroportos  do  país.  Embora  em  menor 

milhões de escudos
0
escala,  as  exportações  de  produtos  tradicionais, 

2007: Q1

2007: Q3

2008: Q1

2008: Q3

2009: Q1

2009: Q3

2010: Q1
nomeadamente  produtos  do  mar,  também  contri‐
‐10.000
buíram para o aumento das exportações de bens no 
1º  trimestre  de  2010,  tendo  duplicado  em  relação 
‐20.000
ao mesmo período do ano anterior. Pelo contrário,  Exportação de Bens  Importação de Bens

as exportações de produtos transformados (calçado 
e  vestuário)  diminuíram  em  cerca  de  27%  em  ter‐
mos homólogos no período em análise. 

Em  relação  aos  mercados  de  destino  das  exporta‐


ções  cabo‐verdianas,  verificou‐se  que  estas  conti‐
nuam  direccionadas  para  alguns  países  da  Zona 
Euro,  nomeadamente  Portugal,  Espanha  e  França, 
que  absorveram  no  1º  trimestre  de  2010  cerca  de 
98% do total das exportações de bens. 

Exportações de Mercadorias
milhões de escudos

2008 2009 1º Tri08 1º Tri09 1º Tri10

Reexportações 6.021,1 4.113,9 1.621,7 796,6 1.340,4


Produtos Tradicionais 1.421,2 1.854,5 249,8 255,7 517,0
Produtos Tranformados 881,8 825,9 274,9 246,1 201,5
Outros Produtos 109,3 88,1 38,2 18,0 19,4
Total 8.433,5 6.882,4 2.184,7 1.316,3 2.078,2
Fonte: Direcção Geral das Alfândegas

No que se refere às importações de bens, registou‐
se no período em análise uma redução de 7,1% em 
termos  homólogos  (valores  CIF),  situando‐se  em 
13.861,1  milhões  de  escudos.  Por  categorias  de 
bens, as importações de bens intermédios e bens de 
capital apresentaram reduções de 19,3% e 3,9% em 
termos  homólogos,  respectivamente,  decréscimos 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                13                                                                  
Relatório Política Monetária 

menos  expressivos  que  no  ano  anterior,  mas  que  Importações e o PIB caboverdiano


(Variação anual em % )
evidenciam  ainda  dificuldades  na  recuperação  do 
investimento privado. No mesmo sentido, as impor‐ 30
25
tações  de  combustíveis  reduziram‐se  em  9,7%  em  20
15
termos homólogos, no referido período.   10
5
0
-5

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009
A  única  categoria  de  bens  que  registou  uma  ligeira  -10

evolução positiva no 1º trimestre de 2010 foi a dos 
bens  de  consumo  (1,1%  em  termos  homólogos),  o 
Importações de Bens PIB Nominal
que  indicia  alguma  recuperação  da  confiança  dos 
consumidores. 

 
Importações de Mercadorias CIF
 milhões de escudos 

2008 2009 1º Tri08  1º Tri09  1º Tri10

Bens de Consumo 22.365,5 21.253,6 5.225,8 4.743,8 4.794,6


Bens Intermédios 17.649,6 13.759,0 3.813,1 3.617,6 2.919,7
Bens de Capital 9.729,2 9.478,1 2.076,7 2.775,8 2.666,8
Combustíveis 7.046,6 6.401,3 1.607,5 1.868,2 1.686,6
Outros 5.519,6 5.332,8 1.043,1 1.301,8 1.219,8
Total 62.310,5 56.224,8 13.766,2 14.307,2 13.287,5
Fonte: Direcção Geral das Alfândegas

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                14                                                                  
Relatório Política Monetária 

Inflação 

De  acordo  com  as  informações  sobre  o  IPC  disponibilizadas  pelo  INE  em  Abril  de  2010,  a  inflação 
homóloga situou‐se nos 0,8%, um aumento de 1,3 p. p.  face ao registado no mês anterior. O com‐
portamento dos preços traduz em certa medida o aumento dos preços das” commodities” com des‐
taque  para  o  impacte  dos  preços  dos  produtos  petrolíferos  no  mercado  doméstico  As  projecções 
para 2010 apontam para um aumento moderado da inflação interna, tendo em conta a previsão de 
crescimento dos preços a nível internacional e factores de ordem interna, nomeadamente a previsão  
da  retoma  da  procura  interna  combinada  com  um  aumento  moderado    dos  preços  dos  produtos 
administrados  e  dos  salários.  Assumindo  a  materialização  destes  pressupostos,  projecta‐se  que  a 
taxa de inflação média deverá situar‐se no intervalo  [1,5% – 2,5%]. 

Inflação Mundial 

Inversão da tendência de redução de preços verifi‐
cada nos últimos meses de 2009 

Com  a  actividade  económica  nas  principais  econo‐ Evolução da Inflação (TVH)


mias  mundiais  a  dar  sinais  de  retoma,  o  cenário  12,0 
10,0 
recente  é  de  reversão  das  pressões  descendentes 
8,0 
sobre os preços. De facto, após o período de desin‐ 6,0 
4,0 
flação,  em  que  se  registou  uma  diminuição  de  pre‐ 2,0 
%

ços, quer nas economias avançadas quer nas econo‐ 0,0 
Jan‐08

Mai‐08

Set‐08

Jan‐09

Mai‐09

Set‐09

Jan‐10
‐2,0 
mias emergentes, os dados do primeiro trimestre de  ‐4,0 

2010 confirmam a inversão da tendência de redução  Zona Euro Estados Unidos Cabo Verde

dos preços observada nos últimos meses de 2009.   Portugal Brasil China

Este situação é o resultado do comportamento cres‐
cente dos índices das commodities (essencialmente 
dos bens energéticos e dos metais).  Com efeito,  o 
preço  internacional  do  petróleo  regista  uma  trajec‐
tória  de  subida  atingindo  na  primeira  metade  de 
Abril  os    86,6  USD/barril  (64,5  euros/barril)  um 
aumento de 12,8 % face ao final de Fevereiro. 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                15                                                                  
Relatório Política Monetária 

Em termos prospectivos, a tendência é de manuten‐
ção  do  perfil  ascendente  dos  preços  ao  longo  de 
2010. Assim, na sequência de sinais de recuperação 
da  actividade  económica  global,  as  últimas  previ‐
sões do FMI de Abril apontam para um crescimento 
moderado dos preços nas economias avançadas em 
2010 e 2011 (1,5% e 1,4%),  num contexto de  cres‐
cimento moderado dos preços energéticos. Nos EUA 
contudo, o crescimento dos preços deverá  fixar‐se 
acima  da  média  dos  países  avançados  (2,1%  em 
2010 e 1,7 % para 2011), em contraste com a Área 
do Euro, onde a inflação deverá situar‐se em níveis 
próximos de 1% em 2010 e aumentar para 1,3% em 
2011. Nas economias emergentes e em desenvolvi‐
mento,  a  inflação  deverá  aumentar  em  2010  para 
6,2% (5,2% em 2009) e reduzir em 2011 para 4.7%. 

Inflação Interna 

Tendência  crescente  de  preços  nos  últimos  meses 


Índice de Preços no Consumidor
com o contributo dos alimentares e energéticos.  
12,0%
 Ao longo do ano de 2009, a taxa de inflação, medi‐
10,0%

da pelo índice de preços no consumidor (IPC), apre‐ 8,0%

6,0%
sentou  uma  tendência  decrescente  que  culminou 
4,0%
com  o  registo  de  uma  taxa  média  de  1%,  5,8  p.p.  2,0%

abaixo  do  registado  no  ano  de  2008.  Seguindo  a  0,0%


Jan‐08

Mai‐08

Jan‐09

Mai‐09

Jan‐10
Set‐08

Set‐09

‐2,0%
mesma tendência, a taxa de variação homóloga acu‐
‐4,0%

mulou  baixas  sucessivas,  atingindo  em  Outubro  de  Tx var homóloga Tx var média 12 meses Tx var mensal

2009 os 3,2% negativos, o valor mais baixo dos últi‐
mos anos, tendo registado no final do ano em refe‐
rência os 0,4% negativos. 

A  contínua  diminuição    da  taxa  homóloga  ocorreu, 


essencialmente,  na  sequência  da  redução  dos  pre‐
ços  dos  produtos  energéticos,  industriais  e  alimen‐

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                16                                                                  
Relatório Política Monetária 

tares. Esta situação poderá estar associada aos efei‐
tos desfasados da evolução dos preços a nível inter‐
nacional,  quer  das  commodities  (principalmente  o 
preço  do  petróleo  e  seus  derivados  e  dos  metais), 
com  destaque  para  o  impacte  das  alterações  dos 
preços  dos  produtos  petrolíferos  no  mercado 
doméstico, por parte da Agência de Regulação Eco‐
nómica  (ARE),  verificadas  nos  últimos  meses  de 
2008. 

De Junho até Dezembro de 2009 a taxa de variação 
homóloga foi sucessivamente negativa, invertendo a 
tendência  em  Novembro.  Segundo  informações 
mais recentes sobre o IPC, até o primeiro trimestre 
de 2010 registam‐se fortes indícios para o aumento 
da  taxa  de  variação  homóloga  da  inflação,  dando 
sequência  às  variações  verificadas  nos  últimos 
meses  de  2009.  Já  em  Abril  de  2010,  a  inflação 
homóloga situou‐se nos 0,8%, aumentando 1,3 p.p.  
face  ao  registado  no  mês  anterior.  Por  sua  vez,  a 
inflação  média  atingiu  uma  taxa  negativa  de  ‐0,3%, 
situação que se verificou pela última vez em Agosto 
de 2005 (‐0, 3%). 

A  interrupção  do  perfil  decrescente  da  inflação 


poderá estar associada ao aumento, embora ligeiro, 
da procura  interna (ver os indicadores de  procura), 
o  que  contribui  para  o  crescimento  dos  preços  no 
sector dos serviços. 

A evolução dos preços internos tem seguido, embo‐
ra com algum desfasamento, a trajectória verificada 
nos  níveis  de  preços  internacionais,  sendo  visível  a 
diminuição  do  diferencial  de  nível  de  preços  inter‐
nos  nacionais  relativamente  aos  da  Zona  Euro.  De 
facto,  de  acordo  com  as  estimativas  provisórias  do 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                17                                                                  
Relatório Política Monetária 

Eurostat,  a  inflação  homóloga,  medida  pelo  IHPC, 


situou‐se  em  1,5%  em  Março  de  2010  (0,9%  em  Diferêncial de inflação (TVH)
Fevereiro).  Neste  caso,  o  facto  de  Cabo  Verde  ter  Jan‐00

um  regime  de  câmbio  fixo  com  o  EURO  e  dado  a  Jan‐00

Jan‐00
importância das relações comerciais, implicam que a 
Jan‐00
inflação  importada  seja,  no  essencial,  determinada 
Jan‐00

pelo  comportamento  dos  preços  do  conjunto  da  Jan‐00

área (principalmente Portugal).  Jan‐00
Jan‐08 Mai‐08 Set‐08 Jan‐09 Mai‐09 Set‐09 Jan‐10

Analisando  os  dados  a  um  nível  mais  desagregado, 


Diferencial Cabo Verde Zona Euro
constata‐se  que  a  componente  produtos  energéti‐
cos  registou  em  Março  um  variação,  em  termos 
homólogos, de 9,9% face os ‐1,6% do mês de Feve‐
reiro. Nota‐se que a variação dos preços dos produ‐
tos  energéticos  tem  apresentando  uma  tendência 
crescente, tendo atingido o valor mínimo de ‐15,0% 
em Julho de 2009. De um modo geral, as diferentes 
categorias  de  produtos  petrolíferos  apresentam 
variações  positivas,  estando  grandemente  associa‐
das à intervenção da ARE. 

Evolução do Preço dos Produtos Petrolíferos Regulados pela ARE (em CVE)

Out‐07 Mar‐08 Jun‐08 Set‐08 Out‐08 Nov‐08 Mar‐09 Ago‐09 Out‐09 Dez‐09 Fev‐10 Abr‐10

Gasolina  ‐ Esc/Litro 145,5 145,8 154,6 178,3 178,3 160,0 96,7 138,1 137,1 133,6 136,6 145,7

Petróleo ‐ Esc/Litro 78,6 78,6 78,6 83,5 83,5 83,5 83,5 68,7 69,1 70,8 73,0 76,7

Gasóleo ‐ Esc/Litro
Venda nos Postos de Venda 94,2 106,3 120,4 132,0 125,1 125,1 76,4 90,9 91,7 93,3 95,1 100,0
Venda para produção de  85,3 94,3 113,1 124,7 117,8 117,8 69,9 76,8 77,6 79,2 81,0 85,9
Fuel ‐ Esc/Kg
180 46,2 51,7 59,4 72,3 67,2 57,0 57,0 55,7 57,5 57,5 58,9 60,8
380 39,2 44,0 51,1 62,1 57,2 44,9 44,9 49,1 51,1 50,9 52,3 53,9
Butano
    Garrafas de 3 Kg 385,0 411,0 411,0 433,0 433,0 416,0 350,0 360,0 374,0 388,0 411,0 411,0
    Garrafas de 6Kg 811,0 866,0 866,0 913,0 913,0 875,0 737,0 758,0 788,0 817,0 865,0 866,0
    Garrafas de 12,5 Kg 1.690,0 1.804,0 1.804,0 1.901,0 1.901,0 1.824,0 1.535,0 1.580,0 1.641,0 1.702,0 1.803,0 1.804,0

Fonte: ARE

De acordo com os dados do INE, regista‐se uma cer‐

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                18                                                                  
Relatório Política Monetária 

ta compensação no conjunto das observações posi‐
tivas  e  negativas  para  as  variações  homólogas  das 
diferentes classe de bens, contribuindo desta forma 
para  a  redução  da  volatilidade  dos  preços,  medida 
pelo desvio padrão das classes. 

Índice de Preços no Consumidor
(taxas de variação homólogas(%))
2009 2010
2008
IPC e as suas componentes 1ºT 2ºT 3ºT 4ºT Jan Fev Mar
Índice Global 6,7 4,1 0,1 ‐1,2 ‐0,4 0,1 ‐0,5 0,8
Bens 5,6 4,2 ‐0,5 ‐2,1 0,8 1,3 ‐0,2 0,3

Bens industriais 4,8 ‐1,1 ‐3,7 ‐5,3 ‐0,9 ‐0,2 0,1 2,9


Bens industriais não energéticos 2,8 1,6 ‐0,8 ‐3,0 0,2 0,8 1,5 1,5

Alimentares e Bebidas incluindo Alcool e Tabaco 6,7 6,2 0,5 ‐0,7 0,6 1,2 ‐0,6 0,4


Alimentares não transformados 1,3 3,6 ‐0,9 ‐2,5 0,4 1,0 ‐4,4 ‐3,0
Alimentares e Bebidas transformados incluindo Alcool e Tabaco 9,1 7,6 1,6 0,4 0,8 1,3 1,6 2,3
Energia 6,5 ‐10,6 ‐14,8 ‐14,0 ‐4,2 ‐3,5 ‐1,6 9,9
Serviços 6,3 7,2 2,4 3,3 ‐1,1 ‐1,6 ‐1,1 ‐0,7
Fonte: INE

Para a variação homóloga do IPC , os maiores contri‐ Contributo das principais componentes para a variação 
homóloga do IPC (em pontos percentuais)
butos  advêm das classes “rendas, gás e outros com‐
bustíveis”,”bens  e  serviços  diversos”,  em  oposição  Produtos alimentares e 
bebidas não alcoólicas
Bens e serviços  0,5 Bebidas alcoólicas e 
aos menores contributos das classes “transportes” e  diversos tabaco

Hotéis, restaurantes,
0,0
“comunicação”. De um modo geral, as contribuições  cafés e similares
Vestuário e calçado
‐0,5
negativas  verificadas  foram  suplantadas  pelo  con‐
Rendas de 
Ensino ‐1,0 habitação, água, …
junto  das  contribuições  positivas,  resultando  na 
Lazer, recreação e  Acesórios, equipament
variação  homóloga  positiva  observada  para  o  IPC  cultura o doméstico…

total Nacional. Quando se compara as taxas de con‐ Comunicações Saúde

Mar‐10 Transportes Fev‐10


tribuição do mês de Março face a Fevereiro, verifica
‐se  maiores  diferenças  nas  classes  “transportes”  e 
“Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas”. 

No que se refere à taxa de variação mensal, no mês 
de Março registou‐ se uma variação de 0,3%, o que 
traduz  em  larga  medida  os  aumentos  expressivos 
em algumas classes tais como Hotéis, Restaurantes, 
cafés e similares (4,0%), Vestuário e Calçado (0,5%) 
e dos Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas 
(0,4%).  

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                19                                                                  
Relatório Política Monetária 

 Core Inflation 

Confirmando  a  tendência  registada,  as  medidas  de  Inflação Core


(Variação Homóloga)
Core Inflation, começam a dar os primeiros sinais de 
%
12,0
inversão do ciclo desinflacionista  que se fazia sentir 
10,0
desde o 4ºTrimestre de 2008.   8,0

6,0
 A  TVH,  que  até  ao  terceiro  trimestre  de  2009 
4,0
encontrava‐se abaixo das medidas de core inflation,  2,0

aproximou‐se desta no final do ano para  no primei‐ 0,0

2008‐01

2008‐05

2008‐09

2009‐01

2009‐05

2009‐09

2010‐01
‐2,0
ro trimestre de 2010 situar‐se acima. Esta evolução 
‐4,0
das medidas de core inflation aponta no sentido da  TVH  TVH  EXC. ENER.
TVH EXC. ENER. E BA. 3 Méd. móv. per. (TVH )
inversão da tendência deflacionista  que se fez sen‐
tir nos últimos meses de 2009. 

Projecção da Inflação 

As  projecções  da  inflação  assentam  num  conjunto 


de  pressupostos  sobre  a  evolução  da  economia 
internacional e nacional.  A retoma do nível da acti‐
vidade  económica  nas  principais  economias  mun‐
diais  tem  favorecido  a  trajectória  ascendente  dos 
preços  dos  bens  energéticos  e  dos  metais,  o  que 
seguramente  afectara  a  evolução  dos  preços  no 
consumidor. A nível interno, os dados apontam para 
uma ligeira retoma do ritmo de crescimento da acti‐
vidade  económica,  o  que  certamente  terá  impacto 
sobre os preços.   

Por  outro  lado,  a  taxa  de  inflação  tem  dado  alguns 


sinais de crescimento, induzido principalmente pelo 
aumento  dos  preços  administrados  dos  produtos 
derivados do petróleo. De igual modo, os preços dos 
produtos  alimentares  têm  apresentado  uma  ten‐
dência  de  aumento,  nomeadamente  nos  produtos 
Alimentares e Bebidas incluindo Álcool e Tabaco. 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                20                                                                  
Relatório Política Monetária 

Assim, esta projecção incorpora a tendência para o 
aumento  dos  preços  no  mercado  internacional 
(bens  energéticos  e  das  matérias‐primas,  principal‐
mente  metais)  aliada  às  perspectivas  de  manuten‐
ção ou aumento dos preços dos bens administrados,  
de estabilização ou aumento dos preços dos produ‐
tos alimentares e crescimento moderado  nos salá‐
rios.  Com  base  na  materialização  dos  pressupostos 
enunciados,  as  projecções  para  a  evolução  do  IPC 
apontam  claramente  para  um  aumento  moderado 
do ritmo de crescimento dos preços. Neste cenário, 
espera‐se que a taxa de variação média anual do IPC 
se  situe    no  intervalo    [1,5%  –  2,5%]  em  finais  de 
2000. 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                21                                                                  
Relatório Política Monetária 

Sector Orçamental  

 A execução orçamental, nos três primeiros meses do ano, acompanha o lento  ritmo da actividade 
económica  assistindo‐se a uma redução quer das receitas de impostos quer das despesas, sendo de 
destacar nesta última rubrica o menor ritmo de execução das despesas de investimento. Regista‐se 
no período  um agravamento ligeiro do deficit incluindo donativos, a que não será alheio o menor 
ritmo de arrecadação fiscal. 

Redução das receitas fiscais, com destaque para a 
queda no IVA   

A  situação  orçamental  relativamente  favorável 


Saldos Orçamentais
registada  nos  últimos  anos  inverteu‐se    com  o  (em percentagem do PIB)

Saldo Corrente
desenrolar  da  crise  financeira  internacional  e  a 
Saldo Primário
desaceleração da actividade económica nacional. Os  10,0 Saldo Total Incl. Donativos

dados  provisórios  do  MF,  até  o  primeiro  trimestre,  5,0

revelam um agravamento na generalidade das con‐ 0,0

tas do sector público, sobretudo ao nível das recei‐
‐5,0
tais  orçamentais  e,  em  particular,  daquelas  prove‐
‐10,0
nientes  da  cobrança  de  impostos.  Assim,  o  défice 
‐15,0
incluindo donativos atingiu nos primeiros três meses 
do ano os 0,1% do PIB (contra um superávit de 0,2% 
no  período  homólogo),  o  défice  primário  situou‐se  Receitas e Despesas Públicas
(em percentagem do PIB)
nos 0,5% do PIB (face  aos 0,4% em termos homólo‐
Despesas Totais
gos) e o saldo corrente registou também uma redu‐ Receitas incl. Donativos
50,0 Saldo Global incl. Donativos
ção de 0,4 p.p. relativamente ao ano anterior, fixan‐
40,0
do‐se  nos  0,8%  do  PIB  (1,2%  do  PIB  no  trimestre 
30,0
homólogo).  Este  agravamento  das  contas  públicas  20,0
resultou,  essencialmente,  da  redução  das  receitas  10,0

públicas (‐5,5%), já que as despesas públicas regista‐ 0,0

ram  um  decréscimo  relativamente  ao  trimestre  ‐10,0

‐20,0
homólogo (‐0,8%).   

O  comportamento  das  receitas  públicas  reflectiu 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                22                                                                  
Relatório Política Monetária 

sobretudo o decréscimo verificado nas receitas cor‐
rentes (‐2,9%) e, em particular, nas receitas tributá‐ Receitas Tributárias
(em percentagem do PIB)
rias (‐1%) e não tributárias (‐21%). As receitas tribu‐
30,0
tárias, em decorrência da manutenção da desacele‐ 25,0

ração da actividade, registaram uma queda na qua‐ 20,0
15,0
se  generalidade  das  suas  componentes,  sendo  de 
10,0
destacar  a  redução  do  IVA  (‐2,1%)  e  dos  impostos  5,0

sobre  as  transacções  internacionais  (‐12,1%).  Os  0,0

donativos,  por  sua  vez,  registaram  também  um 


Imposto s/ o Rendimento Imposto s/ o consumo
decréscimo  relativamente  ao  período  homologo  de 
Imposto s/ as transacções internacionais Outros impostos
18,2%,  situando‐se  nos  901  milhões  de  escudos 
(1.101  milhões  no  trimestre  homologo),  dos  quais 
736  milhões  para  projectos  de  investimento  e  165  Despesas Correntes e de Investimento
(em percentagem do PIB)
milhões  de  ajuda  orçamental.?  (  palavras  fora  do 
Despesas correntes Despesas de investimento Despesas Totais
contexto ).  45,0
40,0
Do lado das despesas públicas destaca‐se o decrés‐ 35,0
30,0
cimo  das  despesas  de  investimento  (‐12,7%)  e  o  25,0
20,0
aumento  das  despesas  correntes  em  4,3%.  Este  15,0
10,0
crescimento   das  despesas correntes ficou a dever‐
5,0
se aos acréscimos registados nas transferências cor‐ 0,0

rentes  (6,5%),  em  virtude  do  aumento  das  transfe‐


rências para a administração pública e para as famí‐
lias,  e  aos  juros  da  dívida  pública  (8,4%).  As  despe‐
sas  de  investimento  fixaram‐se  nos  2.091  milhões 
de  escudos  (contra  os  2.394  milhões  no  trimestre  Distribuição Funcional das Despesas
 (Orçamento de Estado)
homólogo), representando maioritariamente gastos 
com  projectos  de  infra‐estruturação,  transportes  e  2010  35,5  28,3  27,2  8,9 

telecomunicações. 
2009  25,7  36,4  33,1  4,8 

Em  termos  prospectivos,  com  base  nos  pressupos‐


2008  24,7  19,2  35,9  20,2 
tos assumidos no Orçamento do Estado e num qua‐
dro de previsão de uma ligeira retoma da actividade  2007  24,5  19,0  36,9  19,6 

económica nacional, espera‐se, até ao final de 2010,  0% 20% 40% 60% 80% 100%


Funções Económicas Funções Gerais
uma  ligeira  recuperação  das  receitas  públicas,  em  Funções sociais Outras Funções

virtude sobretudo do acréscimo ainda que modera‐

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                23                                                                  
Relatório Política Monetária 

do das receitas tributárias e do aumento dos donati‐
vos,  que  deverão  atingir  os  7.239  milhões  de  escu‐ Distribuição Funcional das Despesas
 (Orçamento de Estado 2010)
dos,  aproximadamente  85%  do  orçamentado.  Do 
Despesas Totais 35,5  28,3  27,2  8,9 
lado das despesas, espera‐se um aumento dos gas‐
tas públicos, decorrente essencialmente do acrésci‐
Orçamento de 
66,1  13,4  20,2 
Investimento
mo  significativo  das  despesas  de  investimento 
(30,8%)  no  âmbito  da  execução  de  grandes  projec‐ Orçamento de 
4,8  43,3  34,3  17,5 
Funcionamento
tos  programados  para  o  ano,  nomeadamente  no 
domínio  da  construção  de  estradas  e  expansão  de  0% 20% 40% 60% 80% 100%
Funções Económicas Funções Gerais
portos, energias renováveis e habitação social. Nes‐ Funções sociais Outras Funções

te  contexto,  o  défice  público  incluindo  donativos 


deverá ate ao final de 2010 atingir os 9,7% do PIB, o 
que  representa  uma  significativa  deterioração  da 
posição orçamental de 3,7 p.p. face ao ano anterior. 
De  realçar  contudo  que    esta  previsão  orçamental 
está  rodeada  de  alguma  incerteza  e  riscos  descen‐
dentes uma vez que está fortemente condicionada à 
realização  dos  grandes  projectos  em  carteira  do 
Governo.   

 
 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                24                                                                  
Relatório Política Monetária 

Sector Externo 

 A evolução das transacções internacionais de Cabo Verde no 1º trimestre de 2010 reflecte um misto 
de, início de recuperação da actividade económica mundial e ainda alguma fragilidade na actividade 
económica  nacional.  Este  comportamento  é visível  quer  ao  nível da conta  corrente, com destaque 
por um lado para a recuperação das receitas do turismo e por outro para a redução nas importações 
de mercadorias, quer na conta de operações financeiras onde se verificou uma retoma dos fluxos de 
receitas direccionadas para o sector da imobiliária turística. Neste período assiste‐se a uma redução, 
em termos homólogos, do défice externo do pais. 

Balança Corrente e de Capital 

Melhoria  do  défice  da  conta  corrente  em  resultado 


da diminuição do saldo comercial e evolução positi‐
va do saldo da balança de serviços. 

Em Março de 2010, e de acordo com as informações 
Conta Corrente e Balança Comercial
(em % do PIB nominal)
recolhidas  pelo  Banco  de  Cabo  Verde,  as  necessida‐
des  liquidas  de  financiamento  externo  da  economia 
50
nacional,  medidas  pelo  défice  conjunto  das  balanças  Balança
40 Comercial
corrente  e  de  capital,  apresentam  uma  melhoria 
30
quando  comparada  com  igual  período  do  ano  tran‐
20
Conta
sacto.  Corrente
10

A  diminuição  do  défice  externo  no  período  reflecte  0


1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009
essencialmente a  melhoria registada ao nível do défi‐
ce da conta corrente, traduzindo este no essencial, a 
redução do défice da balança comercial, que acompa‐
nha  o  abrandamento  no  ritmo  de  crescimento  da 
procura  interna  e  que,  por  representar  uma  parcela 
bastante significativa da conta corrente, tem indicado 
praticamente  a  tendência  de  evolução  da  conta  cor‐
rente ao longo dos anos. 

Com  efeito,  o  défice  da  conta  corrente  diminuiu  em 


1.507,95 milhões de escudos face a igual período do 
ano anterior, situando‐se em 2.991 milhões de escu‐
dos.  Para  além  da  diminuição  do  défice  da  balança 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                25                                                                  
Relatório Política Monetária 

comercial, a redução do défice da balança corrente 
resultou  também  do  aumento  do  excedente  da 
balança de serviços. Pelo contrário, o excedente da 
balança  de  transferências  correntes  diminuiu 
11,25%  em  termos  homólogos  no  primeiro  trimes‐
tre e 2010. 

Balança Corrente e de Capital 
(em milhões de escudos)

2007 2008 2009 1º Tri09 1ªTri10

Balança corrente e de capital ‐13.639,1 ‐13.028,3 ‐10.129,4 ‐3.944,2 ‐2.490,4

    Balança corrente ‐15.786,7 ‐15.112,2 ‐12.332,9 ‐4.499,0 ‐2.991,0


       Mercadorias e Serviços ‐37.481,0 ‐35.272,1 ‐35.645,3 ‐9.386,7 ‐7.578,3
          Mercadorias ‐53.243,1 ‐53.740,9 ‐49.938,8 ‐12.889,7 ‐11.730,2
          Serviços 15.762,1 18.468,8 14.293,6 3.503,0 4.151,9
             dos quais:
             Viagens de turismo (receitas) 23.495,5 25.334,4 21.250,1 5.117,1 5.512,2
       Rendimentos ‐2.529,5 ‐3.545,0 ‐4.111,9 ‐824,1 ‐481,8
       Transferências Correntes 24.223,8 23.704,9 27.424,3 5.711,9 5.069,1
          das quais:
          Remessas de emigrantes 11.135,1 11.601,2 11.525,7 2.841,6 2.536,6
    Balança de capital 2.147,6 2.083,9 2.203,5 554,8 500,6

Por memória:
Balança de transferências correntes + balança de capital 26.371,5 25.788,8 29.627,8 6.266,7 5.569,7
Fonte: Banco de Cabo Verde

A redução do défice da balança comercial foi conse‐
quência  da  diminuição  das  importações  de  bens, 
conjugado  com  o  aumento  das  exportações  de 
bens.  No  1º  trimestre  de  2010  as  importações  de 
bens  situaram‐se  em  13.861,1  milhões  de  escudos, 
o  que  representa  uma  diminuição  2,8%  em  termos 
homólogos, continuando a reflectir o abrandamento 
da  actividade  económica  nacional.  Por  outro  lado, 
as  exportações  de  bens  registaram  um  aumento 
significativo (55,46% em termos homólogos). 

Na  balança  de  serviços  verificou‐se  uma  evolução 


positiva  do  seu  excedente  em  relação  ao  período 
homólogo,  situando‐se  em  4.151,87  milhões  de 
escudos,  o  que  representa  um  aumento  de  18,52% 
em  termos  homólogos.  Esta  evolução  favorável 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                26                                                                  
Relatório Política Monetária 

resultou  essencialmente  do  aumento  das  receitas 


do  turismo,  que  passaram  de  5.117,13  milhões  de 
escudos  no  1º  trimestre  de  2009  para  5.512,21 
milhões  de  escudos  no  mesmo  período  de  2010 
(aumento  de  7,72%  em  termos  homólogos),  o  que 
poderá ser explicado pela retoma da actividade eco‐
nómica  nos  principais  mercados  de  origem  dos 
turistas que visitam Cabo Verde.  

Indicadores de Transporte e BP

2008 2009 1º Tri08 1º Tri09 1º Tri10

Número de Passageiros 687.995 664.707 192.043 188.884 209.586


Número de Aeronaves 8.877 8.938 2.373 2.218 2.364
Receitas de Transportes Aéreos* 12.869 10.842 3.020 2.894 2.963
Receitas de T. A. % de Receitas de Serviços 29 28 26 31 29
Fonte: ASA e BCV
* em milhões de escudos

Também  as  receitas  relacionadas  com  os  transpor‐


tes  aéreos,  outra  importante  rubrica  da  balança  de 
serviços  (representa  28%  da  balança  de  serviços), 
apresentaram uma evolução positiva em relação ao 
primeiro  trimestre  do  ano  anterior,  contribuindo 
igualmente de forma positiva para o saldo da balan‐
ça de serviços. De acordo com informações da ASA, 
no 1º trimestre de 2010, o número de aeronaves em 
circulação nos principais aeroportos do país aumen‐
Remessas de Emigrantes e Receitas de Viagens de Turismo
tou  assim  como  o  número  de  passageiros  interna‐
cionais  factores  esses  que  contribuíram  para  uma  7.000

6.000
evolução  das  receitas  de  transportes  aéreos  na 
5.000
milhões de escudos

ordem dos 2,4% em termos homólogos.  
4.000

Na balança de transferências correntes, verificou‐se  3.000

2.000
uma  diminuição  tanto  dos  donativos  oficiais  como 
1.000
das  remessas  de  emigrantes,  o  que  explica  a  redu‐
1º tri 06

3º tri 06

1º tri 07

3º tri 07

1º tri 08

3º tri 08

1º tri 09

3º tri 09

1º tri 10

ção do seu excedente em 11,25% em termos homó‐
Remessas de emigrantes Receitas de turismo
logos.  Os  donativos  oficiais  diminuíram  17,5%  em 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                27                                                                  
Relatório Política Monetária 

termos  homólogos,  devido  essencialmente  à  redu‐


ção dos desembolsos de fundos destinados a projec‐
tos  diversos,  de  ajuda  orçamental  e  de  fundos  do 
Millenium Challenge Account.. 

Remessas de Emigrantes por País de Origem (Divisas)
(em milhões de escudos)

2007 2008 2009 1º Tri09 1ªTri10

Estados Unidos 1.672,9 1.474,9 1.537,2 410,6 397,9


Países Baixos 1.039,3 1.206,9 924,6 242,4 186,3
França 2.253,6 2.276,6 2.231,9 547,2 491,6
Itália 698,5 713,9 663,7 172,1 131,7
Alemanha 140,1 145,6 131,7 36,5 31,2
Portugal 3.094,1 3.138,9 3.089,0 705,0 692,3
Reino Unido 223,3 254,9 314,8 121,6 59,9
Suiça 199,3 242,1 273,0 65,2 70,4
Angola 31,2 52,7 33,3 13,0 5,4
Luxemburgo 246,7 294,1 311,1 73,6 49,7
Espanha 334,5 353,1 415,4 86,5 77,2
Outros 225,6 270,5 268,3 61,3 79,9
Total 10.159,0 10.424,3 10.194,0 2.535,0 2.273,4
Fonte: Banco de Cabo Verde

 Relativamente  às  remessas  de  emigrantes,  a  dimi‐


nuição  foi  de  10,73%  em  termos  homólogos,  com 
reduções dos fluxos de entradas de todos os princi‐
pais  países  de  origem  das  remessas.  As  remessas 
provenientes dos EUA refletindo as oscilações cam‐
biais  do  dólar,  diminuíram  3,1%  em  relação  ao 
período  homólogo,  enquanto  as  remessas  prove‐
nientes  dos  países  da  Zona  Euro  diminuíram  10,3% 
em  termos  homólogos,  essencialmente  devido  à 
redução  das  remessas  provenientes  de  Portugal, 
França,  Países  Baixos  e  Itália,  países  que  represen‐
tam cerca de 65% do total de remessas, reflectindo 
a  continua  degradação  das  condições  no  mercado 
de trabalho nesses países. 

As projecções da balança de pagamentos para 2010 
apontam  para  um  agravamento  do  défice  da  conta 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                28                                                                  
Relatório Política Monetária 

corrente, que passa de 10,8% do PIB em 2009 para 
12,7% do PIB em 2010. Este agravamento do défice 
da conta corrente resultará principalmente do cres‐
cimento do défice da balança comercial, em resulta‐
do  do  aumento  significativo  das  importações  de 
bens.  Estas  irão  aumentar  cerca  de  8%  em  termos 
homólogos,  reflectindo  principalmente  o  aumento 
das  importações  de  bens  de  capital  ligadas  aos 
vários projectos previstos para o sector da energia. 
Para  as  exportações  de  bens  a  previsão  é  também 
de  aumento,  mas  devido  ao  seu  peso  reduzido  na 
balança comercial, o impacto na conta corrente será 
pouco significativo.   

Na balança de serviços a previsão é de um aumento 
 Reservas cambiais 
do  seu  excedente,  isto  devido  essencialmente  ao 
Stock em milhões de euros Meses de Importação (eixo dir.)
aumento  das  receitas  provenientes  do  turismo,  no  350 6
300 5
quadro da retoma da actividade económica mundial  250
4
que se prevê para 2010.  200
3
150
2
Finalmente,  para  a  balança  de  transferências  cor‐ 100
50 1
rentes a previsão é de um ligeiro aumento, quando  0 0
Abr‐07

Out‐07

Abr‐08

Out‐08

Abr‐09

Out‐09
Dez‐04
Dez‐06

Jun‐07
Ago‐07

Dez‐07

Jun‐08
Ago‐08

Dez‐08

Jun‐09
Ago‐09

Dez‐09
Fev‐07

Fev‐08

Fev‐09

Fev‐10E
se prevê um acréscimo pouco significativo quer dos 
donativos oficiais quer das remessas de emigrantes.  

Balança Financeira 

Significativos fluxos de recursos direccionados para 
a  Imobiliária  turística,  associados    a  desembolsos 
da Divida externa, contribuem para evolução posi‐
tiva da Balança Financeira no primeiro trimestre do 
ano. 

Apesar da ligeira redução na conta corrente ocorri‐
da  no  primeiro  trimestre  de  2010,  a  evolução  da 
Balança Financeira continua a reflectir o recurso aos 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                29                                                                  
Relatório Política Monetária 

fluxos  externos  para  o  financiamento  da  economia 


cabo‐verdiana. 

Com efeito, o acréscimo registado na Balança Finan‐
ceira,  ficou  a  dever‐se,  sobretudo,  ao  aumento  de   Investimento Externo em Cabo Verde 
3.000,00
fluxo  de  entrada  do  investimento  imobiliário,  que 
2.500,00
cresceu aproximadamente 62% em termos homólo‐
2.000,00

milhões de ECV
gos,  invertendo  a  tendência  observada  nos  trimes‐ 1.500,00

tres anteriores. Porém, tendo em conta a ainda frá‐ 1.000,00

500,00
gil  recuperação  da  economia  mundial,  registou‐se 
0,00
no último trimestre, uma redução de cerca de 23%, 

Jan‐07
Mar‐07
Mai‐07

Nov‐07
Jan‐08
Mar‐08
Mai‐08

Nov‐08
Jan‐09
Mar‐09
Mai‐09

Nov‐09
Jan‐10
Mar‐10
Jul‐07
Set‐07

Jul‐08
Set‐08

Jul‐09
Set‐09
em  termos  homólogos,  do  montante  total  de  IDE 
IDE em CV (Total) Inv. Imobiliário Inv. Emigrantes
realizado  na  economia.  Esta  situação  resulta  da 
diminuição  das  rubricas  acções  e  outras  participa‐
ções  de  capital  e  investimento  dos  emigrantes, 
segundo  dados  disponíveis.  Neste  contexto,  as  últi‐
 Fluxos de Financiamento da Balança de Pagamentos 
mas  projecções  do  BCV  para  2010,  apontam  para 
2.500,00
um abrandamento do ritmo de crescimento do total  1.500,00
de IDE realizado em Cabo Verde, com o seu peso em  500,00
‐500,00
Jan‐07
Mar‐07
Mai‐07

Jan‐08
Mar‐08
Mai‐08

Jan‐09
Mar‐09
Mai‐09

Jan‐10
Mar‐10
Jul‐07
Set‐07
Nov‐07

Jul‐08
Set‐08
Nov‐08

Jul‐09
Set‐09
Nov‐09
milhões de CVE

termos do PIB a reduzir para 7,9% (8,03% do PIB em  ‐1.500,00
2009).  ‐2.500,00
‐3.500,00
‐4.500,00
No período, apesar do financiamento do sector pri‐ Necessidades IDE em CV (Total)
‐5.500,00 Financiamento
vado  (Bancos  e  Outros  Sectores)  ter  registado  uma  ‐6.500,00
Dívida Externa  Reservas 15,00 €
Pub(GOV) Internacionais
redução  de  30%  em  termos  homólogos,  reflexo  da  16,00 €

permanência de condições restritivas nos mercados 
de crédito internacionais, o financiamento do sector 
público  teve  um  aumento  de  30%,  que  se  traduziu 
num  forte  acréscimo  da  dívida  externa  global  em 
37%.  

Relativamente aos activos externos líquidos das ins‐
tituições financeiras, as projecções do BCV apontam 
para  a  continuidade  da  sua  diminuição,  tendo  em 
conta o aumento verificado ao nível das responsabi‐
lidades externas existentes no sistema. 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                30                                                                  
Relatório Política Monetária 

Com a recuperação ainda débil do ritmo da activida‐
de  económica  nacional,  com  reflexos  na  evolução 
do  défice  de  conta  corrente  (redução  em  cerca  de 
40% em termos homólogos), assiste‐se a uma redu‐
ção significativa (50%) das necessidades de financia‐
mento  da  economia.  Em  resultado  desta  situação, 
prevê‐se um  aumento do ritmo de acumulação das 
reservas  internacionais  líquidas  do  Banco  de  Cabo 
Verdes em relação ao trimestre anterior, em aproxi‐
madamente  1.710  milhões  de  ECV.  Deste  modo,  o 
stock de reservas internacionais deverá se fixar nos 
289,9  milhões  de  euros  em  Março  de  2010,  permi‐
tindo  garantir  mais  de  4,4  meses  das  importações 
previstas para 2010.  

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                31                                                                  
Relatório Política Monetária 

Situação Monetária e Financeira 
A evolução recente da nossa posição externa, em virtude, essencialmente da redução na entrada de 
fluxos  externos  relacionados  com  o  Turismo,  e  o  IDE,  tem  contribuído  para  uma  degradação  da 
posição externa liquida do sistema bancário. Regista‐se no período um abrandamento do credito à 
economia o que associado ao menor ritmo de andamento da actividade económica poderá também 
reflectir  algum  relativo  aperto  nas  condições  monetárias  internas  quando  se  assiste  nos  últimos 
meses a ligeiros aumentos nas taxas de juro praticadas no mercado bancário. Em consequência da 
evolução dos activos externos do sistema e da moderação no credito à economia no período regista
‐se um abrandamento no ritmo de expansão monetária. 
 

Análise da Liquidez 

No  mercado  monetário  assiste‐se  a  uma  preferên‐ Evolução da Liquidez do Sistema Bancário


cia  pelas  colocações  de  curto  prazo  e  a  alguma 

Milhões ECV
18.000,0 500
dinamização do interbancário.  16.000,0 400
14.000,0
300
12.000,0
As operações de politica monetária, nomeadamente  10.000,0 200

%
8.000,0 100
as  realizadas  no  segmento  do  Mercado  de  Opera‐
6.000,0
0
ções de Intervenção tem contribuído para um relati‐ 4.000,0
2.000,0 ‐100
vo  controlo  da  liquidez  na  economia  em  sintonia  0,0 ‐200
Jan‐09

Mar‐09

Mai‐09
Jun‐09

Jan‐10
Fev‐09

Abr‐09

Jul‐09
Ago‐09
Set‐09
Out‐09
Nov‐09
Dez‐09

Fev‐10
com as necessidades do mercado. Contudo continua
‐se  a  verificar,  apesar  de  forma  assimétrica,  a  per‐ DMC Dep.Méd.no BCV Liquidez (TVM) eixo dto

manência  de  liquidez  excedentária    traduzindo, 


essencialmente,  o  grande  volume  de  reembolsos 
dos  títulos  do  BCV  (TIM  e  TRM)  e  dos  depósitos 
Liquidez bancaria mensal 
overnight,  bem  como  o  comportamento  dos  facto‐ 2009 versus 2008
Milhões de ECV

res autónomos de liquidez, nomeadamente as rela‐ 1.200,0

1.000,0
cionadas  com  as  operações  externas  do  Tesouro  e 
800,0
as  transacções  cambiais  entre  o  BCV  e  as  Institui‐
600,0
ções Financeiras Bancárias (IFB).  400,0

200,0
O comportamento da liquidez bancária, nos últimos 
0,0
meses terminados em Março, apresentou‐se irregu‐
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
lar, com registo de inversão da tendência ascenden‐
Liquidez 2008 Liquidez 2009 Liquidez 2010
te que tem caracterizado a sua evolução em Janeiro 
e Fevereiro  de 2010, logo  retomada no último mês 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                32                                                                  
Relatório Política Monetária 

rio, da procura e da oferta de liquidez, consubstan‐
ciando‐se  no  atenuamento  da  discrepância  entre 
elas, tendo o excesso de liquidez em média dos seis 
meses,  totalizado  os  245,4  milhões  de  ECV,  repre‐
sentando um decréscimo de 56,54% (‐319,3 milhões 
de ECV) relativamente ao período homólogo.  

O  Mercado  Monetário  Interbancário,  não  obstante 


o  fraco  dinamismo  das  operações  interbancárias, 
apresentou  alguma  actividade,  tendo  os  bancos 
comerciais  realizado  operações  de  permutas  de 
liquidez  entre  si,  num  total  de  1.590  milhões  de 
ECV. 

 Taxas de Juro 

Aumento  ligeiro  das  taxas  de  juro  no  mercado  de 


crédito. 

Apesar  de  algum  excesso  de  liquidez  no  sistema 


Taxas de Juros Activas Efectivas
bancário,  as  taxas  de  juro  activas  praticadas  pelas  13,0%

instituições  bancárias  apresentaram  ao  longo  do  12,0%


11,0%
último  trimestre  do  ano,  ligeiros  acréscimos  para  10,0%
9,0%
todos  os  prazos  com  excepção  do  crédito  para  os 
8,0%
prazos de 31 a 90 dias e superior a 10 anos, manten‐ 7,0%
6,0%
do assim a tendência verificada no semestre termi‐
Dez‐06

Mar‐07

Jun‐07

Set‐07

Dez‐07

Mar‐08

Jun‐08

Set‐08

Dez‐08

Mar‐09

Jun‐09

Set‐09

Dez‐09

nado em Setembro de 2009. 
6 ‐12 meses 1 ‐2 anos Superior a 10 anos
Este desenvolvimento poderá em parte, estar asso‐
ciado,  ao  efeito  desfasado  das  medidas  de  aperto 
das condições monetárias levadas a cabo pela pelas 
autoridades  monetárias  em  2008,  tendo  em  vista 
reverter a tendência de redução das reservas exter‐
nas. 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                33                                                                  
Relatório Política Monetária 

A evolução das taxas de juro activas concorreu para 
uma  ligeira  moderação  na  concessão  de  crédito 
pelos  bancos  comerciais,  com  implicações  para  a 
evolução do financiamento global à economia. Com 
efeito,  no  período  em  análise,  a  variação  do  mon‐
tante  do  crédito  concedido  pela  banca  ao  sector 
privado  ascende  a  2.063,4  milhões  de  escudos  em 
Dezembro de 2009, o que compara com o valor de 
3.476,4  milhões  de  escudos  registado  no  período 
homólogo.  A  repartição  do  credito  por  sectores  de 
actividade revela, taxas de crescimento positivas  na 
sua  globalidade,  destacando‐se  o  crédito  à  particu‐
lares que representa cerca de 54% do total concedi‐
do  que  apresenta  um  crescimento  de  14%  reparti‐
dos pelo credito à habitação(15%) e credito destina‐
do a outros fins /12,4%) . 

Nas operações de mercado aberto, no período com‐
preendido  entre  Setembro  de  2009  e  Março  de 
2010, a taxa de colocação dos TIM oscilou entre os 
5,375% e os 4,375% (90 e 60 dias), enquanto a dos  Taxas TIM a 90 dias/TRM/Facilidades Permanentes
9,00 
TRM,  situou‐se  entre  os  4,25%  e  5,25%  respectiva‐ 8,00 
7,00 
mente.  Por  outro  lado,  o  recurso  às  aplicações 
6,00 
financeiras  em  depósitos  overnight  pelas  institui‐ 5,00 
%

4,00 
ções  bancárias  continuou  a  ser  uma  alternativa  de  3,00 
2,00 
absorção  de  liquidez  muito  utilizada  pelos  bancos.  1,00 
0,00 
Com  efeito,  no  mês  de  Março  de  2010,  os  bancos 
Jan‐08

Mai‐08

Nov‐08

Jan‐09

Mai‐09

Nov‐09

Jan‐10
Mar‐08

Jul‐08

Set‐08

Mar‐09

Jul‐09

Set‐09

Mar‐10

realizaram  depósitos  overnight  no  montante  de 


11.717 milhões de escudos, com as taxas a fixarem‐ TIM TRM Absorção Cedência

se em 1,75%, o que se compara com os 2,75% prati‐
cados  até  finais  de  2009.  No  mesmo  período,  as 
taxas aplicadas nas operações de cedência de liqui‐
dez  no  mercado  monetário  interbancário  situaram‐
se em torno de 7,25% (8,25% praticado até finais de 
2009). 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                34                                                                  
Relatório Política Monetária 

Por seu turno, no mercado da dívida pública assistiu   
‐  se  ao  longo  dos  últimos  três  meses  de  2009  até 
Março  de  2010,  a  uma  estabilização  das  taxas  de 
juro dos Bilhetes do Tesouro (BT) para todos os pra‐
zos.  Comparativamente  a  Setembro  do  ano  passa‐
do, tanto as  taxas de juro dos BT a 91 dias como as 
dos BT a 182 dias  acusaram um ligeiro acréscimo na 
ordem dos 0.3pp e 0,2pp enquanto  que a taxa dos 
BT  a  364  dias  manteve  ‐  se  nos  3,63%  ao  longo  do 
período em análise.. 

Evolução dos Agregados Monetários  

Avaliação Global 

A massa monetária, continua a evoluir moderada‐
mente em virtude do comportamento de abranda‐
mento na sua componente mais liquida, M1. 

Evolução da Massa Monetária
(Taxa de variação homóloga)
2008 2009 2010
Março Junho Setembro Dezembro Março Junho Setembro Dezembro Março
M1 19,5 20,3 17,1 4,5 ‐4,5 ‐4,6 ‐2,9 ‐3,1 1,2
Circulação monetária 6,6 3,6 4,9 3,7 ‐1,8 ‐1,2 ‐0,5 ‐4,0 0,4
Depósitos à ordem M/N 22,8 24,6 20,0 4,8 ‐5,1 ‐5,3 ‐3,4 ‐2,9 1,4
Passivos quase‐monetários 1,2 4,5 5,2 10,4 12,5 6,3 7,0 7,8 9,5
Depósitos a Prazo M/N 7,6 13,8 13,6 33,3 25,5 21,1 22,7 12,9 15,6
Depósitos de Emigrantes 3,8 3,7 3,7 3,4 4,1 4,2 3,9 4,1 6,6
M2 8,5 10,8 10,0 7,9 5,1 1,6 2,8 3,3 6,2
Fonte: Banco de Cabo Verde 

A  diminuição  registada  nas  entradas  de  fundos  do 


exterior,  em  consequência  da  redução  das  receitas 
de  turismo,  da  diminuição  do  investimento  directo 
estrangeiro,  e  diminuição  dos  desembolsos  da  dívi‐
da  externa  privada,  determinou  a  degradação  da 
posição  externa  líquida  do  sistema,  do  Banco  Cen‐
tral e dos bancos comerciais até Novembro de 2009. 

A entrada de fundos mobilizados no âmbito da aju‐
da externa ao desenvolvimento, ocorrida no último 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                35                                                                  
Relatório Política Monetária 

mês de 2009, apesar de contribuir para um aumen‐
to  das  disponibilidades  líquidas  sobre  o  exterior  do 
Banco Central, não se traduziu na melhoria da posi‐
ção líquida do sistema, tendo constituído um factor 
contraccionista  de  0,48  p.p  sobre  o  valor  da  Massa 
Monetária. Estima‐se que, no primeiro trimestre de 
2010, a evolução das DLX do BCV se mantenha favo‐
rável num contexto em que, a nível internacional, se 
evidenciam  sinais  de  recuperação  económica  ainda 
que ténues. 

Não  obstante  o  abrandamento  no  ritmo  de  cresci‐


Taxa variação Homóloga do M2 e Tendência
mento do Crédito à Economia, cujo comportamento 
terá  sido  condicionado  pelo  aperto  das  condições  12,0
10,0
monetárias,  o  impacto  desta  variável  na  evolução 
8,0
do  M2,  apresentou‐se  expansionista  de  7,7  p.p  em  6,0
%

Dezembro  de  2009,  devendo  manter‐se  esta  ten‐ 4,0


2,0
dência em Março de 2010. 
0,0
Jun‐08

Jun‐09
Dez‐07

Fev‐08

Abr‐08

Ago‐08

Out‐08

Dez‐08

Fev‐09

Abr‐09

Ago‐09

Out‐09

Dez‐09
O efeito conjugado da evolução das DLX do Sistema 
e  do  Crédito  à  Economia,  estiveram  na  origem  do  M2 Linear (M2)

crescimento  bastante  moderado  do  M2  (3,3%  em 


Dezembro  de  2009).  Para  o  primeiro  trimestre  de  Taxa contribuição para crescimento do M2
12,0
2010,  estima‐se  que  um  crescimento  homologo  do 
10,0
M2 na ordem dos 3,7%, portanto muito abaixo dos  8,0
valores registados em Dezembro de 2008 (7,9%).  6,0
4,0
Para Março do corrente ano, as estimativas do BCV  2,0
apontam  que  a  massa  monetária  deverá  totalizar  0,0
‐2,0
107,927  milhões  de  escudos,  um  acréscimo  de 
‐4,0
2.475,3 milhões de escudos relativamente a Dezem‐ M1 Passivos Quase Monetários

bro de 2009, resultando num aumento de 2,3%. 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                36                                                                  
Relatório Política Monetária 

Meios de Pagamento 

A evolução dos passivos monetários tem contribuí‐
do para a moderação da expansão monetária. 

Principais Indicadores da Situação Monetária
(Taxa de variação homóloga)
2007 2008 2009
Dezembro Março Junho Setembro Dezembro Março Junho Setembro
Activos Externos Líquidos  22,8 19,6 6,6 ‐0,5 ‐6,3 ‐11,2 ‐16,6 ‐13,3
 Crédito Interno Total  0,6 0,0 10,7 18,7 18,8 18,4 15,5 12,1
          Crédito Líquido ao SPA ‐25,5 ‐31,0 ‐18,4 ‐8,3 ‐8,1 ‐5,2 1,5 3,3
           Crédito à Economia  15,5 16,6 24,3 29,6 28,7 25,9 19,8 14,7
M1 12,5 19,5 20,3 17,1 4,5 ‐4,5 ‐4,6 ‐2,9
M2 9,7 8,5 10,8 10,0 7,9 5,1 1,6 2,8
Fonte: Banco de Cabo Verde 

A estimativa para evolução dos meios de pagamen‐ Evolução das componentes da Massa Monetária
tos assenta na continuidade da sofisticação do siste‐ taxa de variação homóloga (em %)
25,0 
ma  bancário  no  qual  as  componentes  mais  líquidas  20,0 
15,0 
dos  meios  de  pagamento  (Passivos  Monetários)  10,0 

continuam a perder peso comparativamente à com‐ 5,0 
0,0 
ponente  menos  líquida,  os  Passivos  quase  monetá‐ ‐5,0 
‐10,0 
rio. 

No  pressuposto  de  continuidade  da  quebra  dos 


M1 Passivos Quase Monetários
depósitos  à  ordem  em  moeda  nacional,  cujas  taxas 
de crescimento se apresentaram negativas desde o 
Depósitos em moeda nacional e estrangeira
início de 2009, e a sua substituição por depósitos a  (milhões de escudos)

prazo  igualmente  em  moeda  nacional,  estima‐se  100.000

80.000
que os Passivos Monetários tenham diminuído 3,6% 
60.000
de Setembro de 2009 a Março de 2010. 
40.000

20.000
A evolução dos Passivos Quase Monetários continua 
0
em sentido ascendente, mas o ritmo de crescimento 
Mar‐05

Set‐05
Dez‐05
Mar‐06

Set‐06
Dez‐06
Mar‐07

Set‐07
Dez‐07
Mar‐08

Set‐08
Dez‐08
Mar‐09

Set‐09
Dez‐09
Jun‐05

Jun‐06

Jun‐07

Jun‐08

Jun‐09

para Março de 2010, relativamente a Dezembro de  Depósitos em Moeda  Depositos emigrantes 


nacional moeda nacional
2009, é estimado em 3,8%, considerando a hipótese  Depósitos em Moeda 
estrangeira
Depositos emigrantes
moeda estrangeira

de  manutenção  da  tendência  de  abrandamento  no 


seu ritmo de crescimento registada em Setembro de 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                37                                                                  
Relatório Política Monetária 

2009.  Refira‐se  que  os  depósitos  dos  emigrantes 


Factores de Variação da Liquidez
registam ao longo de 2009 alguma recuperação nas  Taxa contribuição crescimento do M2
20,0 
suas taxas de crescimento homólogas, estimando‐se 
15,0 
igual  comportamento  no  primeiro  trimestre  de 
10,0 
2010. 
5,0 
Activos Monetários 
0,0 

Jun‐08

Jun‐09
Dez‐07

Fev‐08

Abr‐08

Ago‐08

Out‐08

Dez‐08

Fev‐09

Abr‐09

Ago‐09

Out‐09

Dez‐09
As Reservas Internacionais Líquidas do Banco Cen‐ ‐5,0 

tral crescem no período de Setembro a Março.  ‐10,0 
Activo Externo Líquido Crédito Líquido ao SPA
Crédito à Economia Outros Activos Líquidos
Analisando as contrapartidas do crescimento mone‐
tário  estima‐se,  para  o  período  em  referência,  um 
aumento  quer  dos  Activos  Externos  Líquidos,  quer 
Evolução do crédito
do Crédito Interno Líquido.  80.000 40,0 

70.000 30,0 
O comportamento  do Crédito Interno Líquido, para 
60.000 20,0 
milhões de escudos

os últimos seis meses terminados em  Março, espe‐ 50.000 10,0 

40.000 0,0 

%
lha  o  efeito  de  acréscimo  simultâneo  do  Crédito  à  30.000 ‐10,0 

Economia  (5,7%)  e  do  Crédito  Líquido  ao  Sector  20.000 ‐20,0 

10.000 ‐30,0 
Público  Administrativo  (2,2%).  Os  Depósitos  do  0 ‐40,0 
Fev‐07
Abr‐07
Jun‐07
Ago‐07
Out‐07

Fev‐08
Abr‐08
Jun‐08
Ago‐08
Out‐08

Fev‐09
Abr‐09
Jun‐09
Ago‐09
Out‐09
Dez‐06

Dez‐07

Dez‐08

Dez‐09
Governo Central que suportam a evolução do crédi‐
Crédito a particulares (eixo esq.) Credito a Empresas (eixo esq.)
to líquido ao SPA, poderão ter registado uma evolu‐ TVH Líquido ao SPA
TVH Crédito à economia
TVH Crédito Interno

ção positiva de 3,4% no final de Março de 2010. 

As  Reservas  Internacionais  Líquidas  do  Banco  Cen‐


tral  cresceram,  de  Setembro  de  2009  a  Março  de  Evolução dos Activos Externos
6,00 35.000
2010, cerca de 10,9% (5,7% relativamente a Dezem‐
30.000
5,00
bro de 2009). Tendo em conta a evolução estimada  25.000
4,00
20.000
dos  Activos  Externos  Líquidos  dos  Bancos  Comer‐
%

3,00 15.000
ciais, as DLX terão evoluído de forma mais favorável,  10.000
2,00
no período em referência.  5.000 
1,00

Política Monetária nos últimos seis meses  0,00 ‐5.000 


Abr‐07

Ago‐07

Abr‐08

Ago‐08

Abr‐09

Ago‐09
Dez‐06
Fev‐07

Jun‐07

Out‐07
Dez‐07
Fev‐08

Jun‐08

Out‐08
Dez‐08
Fev‐09

Jun‐09

Out‐09
Dez‐09

Descida da Taxa Directora do BCV para 4.25%.  AEL OSD (eixo direito) AEL BCV (eixo direito)


Euribor 6 meses AEL sistema (eixo direito)

Em  termos  da  política  monetária  do  BCV  ela  conti‐


nua orientada pelos objectivos estabilidade de pre‐
ços e defesa do regime cambial em vigor, atribuindo 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                38                                                                  
Relatório Política Monetária 

especial  relevância  aos  objectivos  de  política  acor‐


dados com o FMI. 
 

Não obstante a quebra registada nos fluxos do exte‐
rior,  particularmente  os  de  Investimento  Directo 
Estrangeiro  e  de  Receitas  do  Turismo,  o  BCV  cum‐
priu com uma margem relativamente confortável (+ 
13 milhões de Euros) a meta de DLX acordada com o 
FMI.  Tendo  em  conta  o  contexto  internacional 
caracterizado por um nível historicamente baixo das 
taxas directoras, nomeadamente na Zona Euro e nos 
Estados  Unidos,  conjugado  com  alguma  diminuição 
do  excesso  de  liquidez  no  sistema  bancário,  o  BCV 
optou  pela  redução  da  sua  taxa  directora  em 
Dezembro de 2009, com efeitos a partir de Janeiro, 
fixando‐a em 4,25%, menos um p.p., com repercus‐
sões imediatas nos instrumentos de gestão de liqui‐
dez,  nomeadamente  nas  facilidades  permanentes 
de liquidez.  

Política Monetária para os próximos seis meses 

Continuidade  na  politica  de  esterilização  da  liqui‐


dez,  com  o  contributo  do  Tesouro  com  o  objectivo 
de fortalecer a posição externa da economia. 

A recuperação económica internacional processa‐se 
de  forma  lenta  e  gradual,  persistindo  níveis  eleva‐
dos de desemprego e de endividamento das econo‐
mias,  com  destaque  para  a  Zona  Euro.  Nos  EUA,  o 
FED tem mantido uma política monetária acomoda‐
tícia, num contexto de redução de pressões inflacio‐
nistas. Por sua vez, e à semelhança do FED, o Conse‐
lho do BCE tem defendido, desde o eclodir da crise, 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                39                                                                  
Relatório Política Monetária 

o  prosseguimento  de  uma  abordagem  de  maior 


apoio ao crédito. 

Face a uma possível ameaça de deflação, o FED e o 
BCE consideram que as condições de política mone‐
tária, nas respectivas economias, poderão ser alivia‐
das  ainda  mais,  mesmo  situando‐se  as  respectivas 
taxas  de  referência,  actualmente,  a  níveis  muito 
próximos de zero.  

Os sinais de retoma da economia mundial, particu‐
larmente na zona Euro, ainda que a ritmo moderado 
e frágil, configuram uma conjuntura menos desfavo‐
rável, comparativamente ao ano anterior, para a 
evolução da actividade económica cabo‐verdiana. 

Neste contexto, a preservação de um nível adequa‐
do de reservas externas continua a ser o foco para o 
qual se direcciona a actuação da política monetária 
do BCV, por exigência da manutenção das condições 
de suporte ao regime de paridade fixa e de cumpri‐
mento  das  metas  estabelecidas  no  programa  PSI, 
firmado com o FMI. 

As limitações ao crescimento do Crédito Líquido ao 
Governo  Central,  sendo  o  instrumento  adequado 
para  promover  a  acumulação  de  reservas  externas, 
continuarão  a  condicionar  a  orientação  da  política 
monetária  ainda  em  2010.  Para  a  sua  execução,  o 
contributo  do  Tesouro  para  a  política  monetária, 
materializada  na  continuidade  e  estabilidade  dos 
depósitos  no  Banco  Central,  constitui  um  apoio 
importante para a melhoria da posição externa, pro‐
piciando  condições  para  a  acumulação  de  reservas 
externas  e  permitindo,  em  simultâneo,  a  esteriliza‐
ção da liquidez excedentária. 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                40                                                                  
Relatório Política Monetária 

do  trimestre,  devido  ao  impacto  médio  dos  reem‐


bolsos de títulos (TIM e TRM) e depósitos overnight, 
muito superior ao impacto médio das operações de  Taxas do BCV no Mercado de Intervenção
política monetária.  TIM e TRM 
12.000,00 7,0

As  operações  de  tipo  de  mercado  aberto  (Open‐  10.000,00 6,0
5,0
Market),  materializaram‐se  sobretudo  na  emissão  8.000,00
4,0
6.000,00
de Títulos de Regulação Monetária (TRM), a 14 dias,  3,0

%
4.000,00
2,0
porquanto tem‐se verificado uma  queda expressiva 
2.000,00 1,0
das emissões dos Títulos de Intervenção Monetária  0,00 0,0
(TIM) a prazo mais alargado, traduzindo um aumen‐ Stock TIM/TRM
Tx Juros TIM/TRM (eixo dto)
to da preferência dos investidores por títulos de cur‐ 15 Méd. móv. per. (Tx Juros TIM/TRM (eixo dto))

ta  maturidade.  As  emissões  de  TRM  ascenderam  a 


35.709  milhões  de  CVE,  que  compara  aos  5.020 
milhões de escudos de TIM emitidos. 

Os  factores  autónomos  de  liquidez  tiveram  efeitos 


moderados nos resultados de liquidez, evidenciando 
globalmente,  contribuições  para  a  sua  diminuição, 
exceptuando‐se  a  rubrica  diversos,  a  única  com 
impacto  médio  positivo  de  126,3  milhões  de  escu‐
dos no sentido do alargamento da liquidez. 

Os esforços do Banco de Cabo Verde no sentido da 
estabilização  da  liquidez  bancária,  resultaram  na 
redução da discrepância entre a oferta e procura de 
liquidez. A procura de liquidez média diária do siste‐
ma  bancário  cabo‐verdiano  medida  pelo  valor  da 
média diária das Disponibilidades Mínimas de Caixa 
atingiu  os  15.781,8  milhões  de  ECV,  representando 
um  aumento  mínimo  de  0,34%,  enquanto  a  oferta 
de  liquidez  média,  medida  pelos  depósitos  médios 
diários  dos  bancos  no  BCV,  ascendeu  os  +16.027,2 
milhões  de  ECV,  traduzindo  um  decréscimo  de 
1,63%, respectivamente, face ao período homólogo. 
Observou‐se assim, movimentos em sentido contrá‐

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                41                                                                  
Relatório Política Monetária 

Programação Monetária
 Cenário 2010
2009 2010 ΔAbs10/09 Δ10/09  Tx. Contr. 

Activos Externos Líquidos  28.430,9 31.127,1 2.696,2 9,5 2,6

       Banco de Cabo Verde  29.003,5 31.473,0 2.469,5 8,5


            RIL BCV 30.251,0 32.604,6 2.353,5 7,8 2,2
       Bancos Comerciais  ‐572,6 ‐345,9 226,7 39,6 0,2
 Activo Interno Líquido 77.020,8 82.180,8 5.160,0 6,7

      Crédito Interno Total  93.066,6 101.826,6 8.760,0 9,4 8,3


          Crédito Líq. ao SPA 18.526,3 21.026,4 2.500,1 13,5 2,4
                Crédito ao Governo Central  26.631,5 29.585,0 2.953,53 11,1
                 Depósitos  8.105,2 8.558,6 453,4 5,6
           Crédito à Economia  74.540,4 80.800,2 6.259,8 8,4 5,9
      Outros Activos Liq. ‐16.045,8 ‐19.645,8 ‐3.600,0 22,4
M2 105.451,7 113.307,9 7.856,2 7,5 7,5

Fonte: Banco de Cabo Verde 

Em  termos  práticos,  o  aumento  dos  depósitos  do 


Governo no Banco Central traduz‐se numa redução 
dos  Activos  Internos  Líquidos  do  Banco  Central, 
variável para a qual é estabelecida uma meta quan‐
titativa no âmbito do programa PSI, tendo por con‐
trapartida o aumento dos Activos Externos Líquidos 
e a diminuição da Base Monetária, principal respon‐
sabilidade da autoridade monetária. 

O apoio do Governo ao esforço de esterilização terá 
efeitos  nas  opções  de  política  monetária  do  BCV, 
que para o efeito prevê um conjunto  de alterações 
normativas no seu quadro operacional, no contexto 
de  uma  maior  coordenação  entre  as  políticas  orça‐
mental e monetária,  nomeadamente: 

• A  utilização  de  Bilhetes  do  Tesouro  para 


efeitos  de  execução  da  política  monetá‐
ria; 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                42                                                                  
Relatório Política Monetária 

• As  operações  do  MMI  passam  a  ser  colaterizadas,  garantido  maior  segurança  e  melhor 
gestão de risco por parte das instituições cedentes de fundos; 

• A extensão do período de manutenção de reservas mínimas de caixa, permitindo melhor 
gestão de liquidez por parte dos bancos; 

• A introdução de Contratos ‐ Quadro nas operações do Mercado Monetário de Interven‐
ções, favorecendo a transparência e segurança nas transacções.  

Cenário Central  

O quadro de programação monetária  revisto para  2010 prevê o crescimento da massa monetária 


em linha com o PIB nominal, devendo atingir no final do ano um crescimento de 7,5% (5,7% na pro‐
jecção de Setembro). Na base desta previsão estão as estimativas revistas em alta para o crescimen‐
to real do produto e uma projecção com risco ascendente para a inflação, tendo em conta as reper‐
cussões previsíveis das recentes subidas dos preços dos combustíveis a nível interno. 

Neste cenário, a criação monetária prevista é de cerca de 7,8 mil milhões de escudos (6 mil milhões 
de escudos na programação anterior), representando um aumento da procura de moeda relativa‐
mente aos valores de 2009 e, o crescimento do crédito à economia apresentará uma desaceleração 
face aos ritmos registados no ano anterior. 

O  contributo  desta  variável  para  a  expansão  monetária  mantém‐se  positivo,  sendo  corroborado 
pela  evolução  programada  para  as  reservas  externas.  Tendo  em  conta  a  projecção  dos  fluxos  da 
balança  de  pagamentos,  prevê‐se  um  aumento  das  Reservas  internacionais  Líquidas  do  BCV  que 
deverão evoluir positivamente a uma taxa de crescimento de 7,8% (0,4% programação anterior). 

O crédito Líquido ao Governo central deverá crescer cerca de 2 mil milhões de CVE, no pressuposto 
da continuidade do endividamento interno para financiamento das despesas de investimento, con‐
forme previsto no orçamento de Estado para 2010. 

Um  cenário alternativo de programação monetária para 2010 pressupõe um desvio aos pressupos‐
tos assumidos no cenário central. Assim, prevê uma taxa de inflação de 2,5%, pelo que se espera 
que a massa monetária cresça em linha com um PIB nominal de 7,2% (menos 3 p.p relativamente 
ao cenário anterior). 

A  criação  monetária  programada  é  ligeiramente  inferior,  prevendo‐se  uma  variação  em  termos 
absolutos de cerca de 7,5 mil milhões de escudos. Por sua vez, o crédito à economia, resulta resi‐
dual após a previsão do crédito bruto ao SPA em 2 mil milhões de escudos, de acordo com o orça‐
mento de Estado, crescendo a uma taxa de de 4,5%, bastante aquém dos valores programados no 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                43                                                                  
Relatório Política Monetária 

cenário  central,  no  pressuposto  da  manutenção  da  rubrica  Outros  Activos  Internos  Líquidos  nos 
níveis registados em Dezembro do ano anterior.  

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                44                                                                  
Relatório Política Monetária 

Anexo 

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                45                                                                  
Relatório Política Monetária 

Balança de Pagamentos
milhões de escudos
2008 2009 E 2010 P Tx. Cres. 09/10
Balança  Corrente ‐15.085,31 ‐12.332,91 ‐15.667,72 27,04

Bens ‐53.740,88 ‐49.938,82 ‐54.431,82 9,00


Exportações  8.643,30 7.144,41 7.323,02 2,50
Importações ‐62.384,18 ‐57.083,23 ‐61.754,84 8,18
Serviços 18.495,64 14.293,55 14.948,59 4,58
Exportações  44.751,37 39.224,43 41.433,08 5,63
Transporte aéreo 12.869,01 10.842,37 11.384,49 5,00
Viagens de turismo 25.361,26 21.250,07 22.631,32 6,50
Importações ‐26.255,73 ‐24.930,88 ‐26.484,49 6,23
Rendimentos ‐3.544,99 ‐4.111,94 ‐4.467,43 8,65
Rendimentos de Investimento ‐3.431,99 ‐3.765,48 ‐4.467,43 18,64
Rendimentos Investimento Directo ‐2.769,13 ‐2.873,85 ‐2.730,15 ‐5,00
Juros TRUST FUND 398,12 467,00 ‐2.463,53 ‐627,52
Juros Dívida Externa Pública ‐525,42 ‐398,21 443,65 ‐211,41
Juros Dívida Externa Privada (bancos e outros sectores) ‐1.758,28 ‐1.449,66 ‐784,36 ‐45,89
Transferências Correntes 23.704,92 27.424,30 28.282,95 3,13
Transferências Oficiais 7.838,99 9.502,77 9.794,21 3,07
 Remessas de Emigrantes 11.029,24 10.962,03 11.181,27 2,00

Balança de Capital e Operações Financeiras 23.482,02 19.092,11 18.391,03 ‐3,67

Balança de Capital 2.083,93 2.203,49 2.423,84 10,00

Balança Financeira 21.398,09 16.888,62 15.967,19 ‐5,46


Investimento Directo 15.741,12 9.492,38 9.967,00 5,00
No estrangeiro ‐8,46 13,61 14,30 5,00
Em Cabo Verde 15.749,58 9.478,76 9.952,70 5,00
Investimento Carteira 10,00 450,56 495,62 10,00
Outros Investimentos 7.939,72 6.516,28 5.504,57 ‐15,53
Activos 3.420,90 1.499,58 ‐429,07 ‐128,61
TRUST FUND 0,00 ‐ ‐ ‐
Passivos 4.518,81 5.016,70 5.933,64 18,28
Autoridade Monetária (Empréstimos m/l FMI) 90,16 168,35 ‐82,67 ‐149,10
Dívida Externa Pública (Governo) 3.216,06 5.442,80 7.490,64 37,62
Longo Prazo 3.216,06 5.442,80 7.490,64 37,62
Desembolsos 5.122,39 7.388,03 9.604,44 30,00
Reembolsos ‐1.906,33 ‐1.945,23 ‐2.113,81 8,67
Curto Prazo 0,00 ‐ ‐ ‐
Dívida Externa Privada  ‐269,40 ‐1.147,98 ‐1.474,33 28,43
Bancos 133,65 149,33 ‐112,16 ‐175,11
Outros Sectores  ‐403,04 ‐1.297,31 ‐1.362,17 5,00
Longo Prazo ‐389,39 ‐1.297,31 ‐1.362,17
Curto Prazo ‐13,66 ‐13,66 0,00
Activos de Reserva ‐2.292,75 429,40 ‐2.723,31 ‐734,21

Fonte: Banco de Cabo Verde
E estimativas
P projecções

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                46                                                                  
Relatório Política Monetária 

Cabo Verde : Sintese Monetária
 (Saldos em fim de periodo; em milhões de escudos)

Taxas de Variações
Dez‐08 Mar‐09 Jun‐09 Set‐09 Nov‐09 Dez‐09
mensal Dez‐08

ACTIVO EXTERNO LIQUIDO 28.923,8 29.541,9 26.575,2 26.538,9 24.592,2 28.430,9 15,6 ‐1,7


#DIV/0!
ACTIVO EXTERNO DE CURTO PRAZO (LIQUIDO) 29.059,9 30.197,5 26.942,3 26.118,2 24.136,1 28.261,5 17,1 ‐2,7
#DIV/0!
  Banco de Cabo Verde 29.750,3 31.940,1 28.764,6 27.851,4 26.052,2 29.003,5 11,3 ‐2,5
       Reservas Internacionais (liquidas) 30.686,3 32.885,1 29.760,7 28.825,6 27.125,4 30.251,0 11,5 ‐1,4
       Reservas Internacionais (brutas) 30.686,3 32.885,1 29.760,7 28.825,6 27.125,4 30.251,0 11,5 ‐1,4
       Outros activos externos (liquidos) ‐936,0 ‐945,0 ‐996,1 ‐974,3 ‐1.073,1 ‐1.247,5 16,3 33,3
#DIV/0!
   Bancos Comerciais ‐826,5 ‐2.398,2 ‐2.189,4 ‐1.312,5 ‐1.460,0 ‐572,6 ‐60,8 ‐30,7
      Activos externos de curto prazo ( líquidos) ‐1.626,3 ‐2.687,6 ‐2.818,4 ‐2.707,4 ‐2.989,3 ‐1.989,5 ‐33,4 22,3
      Outros activos externos (liquidos) 799,8 289,4 629,0 1.394,9 1.529,3 1.416,9 ‐7,3 77,2
      Passivos externos de médio e longo prazo 1.107,8 1.894,8 1.706,4 1.033,7 1.010,0 1.191,3 17,9 7,5
#DIV/0!
   TRUST  FUND 11.191,5 11.191,5 11.191,5 11.191,5 11.191,5 11.191,5 0,0 0,0
73.165,1 72.064,5 75.390,1 77.510,1 80.198,3 77.020,8 ‐4,0 5,3
CRÉDITO INTERNO  84.224,2 84.965,3 88.506,8 91.281,2 93.671,7 93.066,6 ‐0,6 10,5

Crédito líquido ao Sector Público Administrativo 17.551,2 16.383,1 18.256,9 18.784,9 20.353,9 18.526,3 ‐9,0 5,6

     Crédito ao Governo Central 13.420,8 13.746,9 14.521,6 14.682,2 14.540,2 14.425,7 ‐0,8 7,5


     Crédito  títulos consolidados de mob. fin. ‐ trust fund 11.038,1 11.038,1 11.038,1 11.038,1 11.038,2 11.038,2 0,0 0,0
     Crédito aos Governos Locais 754,6 786,8 962,7 1.103,1 1.151,1 1.155,6 0,4 53,2
     Outros Créditos  12,0 12,0 12,0 12,0 12,0 12,0 0,0
     Depósitos ( inclui Governos Locais e INPS, IDA ) 7.674,3 9.200,9 8.277,6 8.050,6 6.387,5 8.105,2 26,9 5,6

    Depósitos de contrapartida de Trust Fund    0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0


Crédito à Economia 66.672,7 68.582,1 70.249,9 72.496,3 73.317,8 74.540,4 1,7 11,8
      Créditos às Emp.Pub. n/Financeiras 282,5 263,9 243,0 208,2 187,0 188,9 1,0 ‐33,1
      Crédito ao Sector Privado 1/ 66.390,2 68.318,2 70.006,8 72.288,0 73.130,9 74.351,5 1,7 12,0

Crédito às Instituições Financeiras n/Monetárias 0,3 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 ‐100,0

OUTROS ACTIVOS LÍQUIDOS ‐11.059,1 ‐12.900,8 ‐13.116,7 ‐13.771,0 ‐13.473,4 ‐16.045,8 19,1 45,1

PASSIVO INTERNO 102.088,9 101.606,4 101.965,2 104.049,0 104.790,6 105.451,7 0,6 3,3

  M2= A+B 102.088,9 101.606,4 101.965,2 104.049,0 104.790,6 105.451,7 0,6 3,3

  A ‐ PASSIVOS MONETÁRIOS 42.170,4 40.344,1 41.044,7 42.373,4 44.169,0 40.857,0 ‐7,5 ‐3,1


    Moeda em circulação 8.712,7 7.660,4 7.519,9 7.557,3 7.346,2 8.361,7 13,8 ‐4,0
    Depósitos à Ordem  em M/N 33.457,7 32.683,7 33.524,8 34.816,1 36.822,8 32.495,4 ‐11,8 ‐2,9

  B ‐ PASSIVOS QUASE MONETÁRIOS 59.918,5 61.262,3 60.920,5 61.675,6 60.621,6 64.594,7 6,6 7,8


    Depósitos de Poupança 2.835,9 2.850,6 2.900,6 2.955,5 3.007,9 2.975,9 ‐1,1 4,9
    Depósitos a prazo em  M/N 21.071,1 21.558,9 21.825,9 21.994,5 20.783,5 23.783,5 14,4 12,9
    Depósitos em divisas de residentes 3.558,8 3.474,3 3.779,0 3.255,5 3.137,1 3.224,5 2,8 ‐9,4
    Depósitos  de emigrantes 29.384,3 29.712,0 29.927,9 30.382,2 30.476,9 30.585,5 0,4 4,1
    Cheques e Ordens a pagar   132,5 109,1 110,1 107,3 112,8 60,5 ‐46,3 ‐54,3
    Depósitos para caução de operações   123,6 91,4 102,1 173,1 165,8 186,0 12,2 50,5
    Acordos de recompra de títulos  2.502,2 3.153,0 1.927,8 2.459,6 2.585,1 3.442,5 33,2 37,6
    Outros quase depósitos 2/ 310,2 313,0 347,2 347,9 352,5 336,3 ‐4,6 8,4

1/ Inclui Empresas Mistas, Privadas e Particulares
2/Trata‐se de depósitos obrigatórios cuja movimentação está condicionada por disposição legal, bem como
importâncias cativadas por ordem de entidades oficiais e recursos consignados

Banco de Cabo Verde / Outubro 2009                                                                                47