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FREITAS, MACHADO E ROSA – SOCIEDADE DE ADVOGADOS

FREITAS, MACHADO E ROSA – SOCIEDADE DE ADVOGADOS EQUIPE 110 ALEGAÇÕES INICIAIS DA REQUERENTE BACAMASO CONSTRUÇÕES

EQUIPE 110

ALEGAÇÕES INICIAIS DA REQUERENTE

BACAMASO CONSTRUÇÕES S/A

CONTRA AS REQUERIDAS:

SEGURADORA SINISTRA S.A. e COLORADO INSURANCES DO BRASIL S.A

Alegações Iniciais submetidas em 26.8.2013

BIBLIOGRAFIA

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em 24 de Setembro de 1996

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Circular SUSEP nº 239, publicada no D.O.U. em 24 de dezembro de 2003

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Circular SUSEP nº 256, publicada no D.O.U. em 17 de junho

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IV

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CARMONA, Carlos Alberto.

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V

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IV.

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Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV); Comitê Brasileiro de Arbitragem (CBAr).

VII

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X

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LÔBO, Paulo Luiz Netto

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XI

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XVII

THEODORO JÚNIOR, Humberto

O

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TZIRULNIK, Ernesto

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ZANETTI, Cristiano de Sousa

ZANETTI, Cristiano de Sousa

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Jurisprudência Nacional Supremo Tribunal Federal

Sentença

Estrangeira

n.

5.206-

7/Espanha

Rel. Min. Sepúlveda Pertence Julgado em 12.12.2001

 

CITADO

COMO:

STF

SE

5.206-

Tribunal de Alçada de Minas Gerais

7/Espanha

Apelação nº 394.993-9 Relator: Evangelina Castilho Duarte Julgado em 08.03.2005 CITADO COMO: TAMG Ap 394.993-9

XIX

Tribunal de Justiça do Paraná

Tribunal de Justiça de São Paulo

Apelação nº 0195544-6 Rel. Des. Wilde de Lima Pugliese Julgado em 22.11.2002 CITADO COMO: TJPR Ap 0195544-6

Agravo Regimental no Agravo de Instrumento nº 0174012-76-

2012.8.26.0000

Rel. Des. Ênio Santarelli Zuliane Julgado em 02.09.2012. CITADO COMO: TJSP Ag 0174012-76-

 

2012

Tribunal de Justiça de São Paulo

Apelação

n.º

9144177-

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça de São Paulo.

XX

31.2005.8.26.0000

Rel. Des. Ana Lucia Freitas Schmitt Corrêa Julgado em: 14.09.2007 CITADO COMO: Ap 9144177-31.2005

Apelação n.º 913283-40.2001.8.26.0000 Rel. Des. Carlos Alberto Garbi Julgado em: 30.08.2011 CITADO COMO: TJSP Ap. 913283-

40.2001

Apelação nº 9132930-40.2001.

8.26.0000

Rel. Des. Carlos Alberto Garbi Julgado em 30.08.2011 CITADO COMO: TJSP, Ap. 9132830-

 

40.2001

Tribunal de Justiça de São Paulo.

Apelação

n.º

0149190-

48.2011.8.26.0100

 

Rel. Des. Donegá Morandini

 

Julgado em 23.10.2012.

 

CITADO

COMO:

TJSP

Ap

0149190-

Tribunal de Justiça de São Paulo

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

48.2011

Apelação nº 0172291-51.2012.8.26.0100 Rel. Des. João Pazine Neto Julgado em: 10.05.2011 CITADO COMO: TJSP Ap. 0172291-

51.2012

Recurso Especial n° 1.200.105 - AM, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino. Julgado em 19/06/2012. CITADO COMO: STJ, REsp

1.200.105/AM

Recurso Especial nº 1.195.642 – RJ. Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 13.11.2012. CITADO COMO: STJ, REsp 1.195.642/RJ

Recurso Especial nº 1.027.165 – ES. Rel. Min. Sidnei Beneti. Julgado em 07.06.2011, DJe 14.06.2011. CITADO COMO: STJ, REsp 1.027.165/ES

Recurso Especial nº 774.035 – MG. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros.

XXI

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Julgado em 21/11/2006. CITADO COMO: STJ, REsp 774.035/MG

Recurso Especial nº 1.219.406 – MG. Rel. Min Luís Felipe Salomão. Julgado em 15/02/2011. CITADO COMO: STJ, REsp

1.219.406/MG

Recurso Especial nº 1.051.270 – RS. Rel. Luís Felipe Salomão. Julgado em 04.08.2011. CITADO COMO: STJ, REsp 1.051.270/RS

Recurso Especial nº 1.196.951 – PI. Rel. Min. Luis Felipe Salomão. Julgado em 14.02.2012. CITADO COMO: STJ, REsp 1.196.951/PI

Recurso Especial nº 1.190.139 – RS. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Julgado em 06.12.2011. CITADO COMO: STJ, REsp 1.190.139/RS

Agravo em Recurso Especial nº 238.432 – RS. Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino. Julgado em 18.06.2003. CITADO COMO: STJ, AgRg AREsp

238.432/RS

Agravo Regimental no Recurso Especial nº 714138 – SC. Rel Min. Vasco Della Giustina.

XXII

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Julgado em 24.08.2010.

CITADO

COMO:

714138/SC

STJ,

AgRg

no

REsp

Recurso Especial nº 76.362 – MT. Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar. Julgado em 10.12.1995. CITADO COMO: STJ, REsp 76.362/MT

Recurso Especial nº 877.965 – SP. Rel. Luís Felipe Salomão. Julgado em 22/11/2011. CITADO COMO: STJ, REsp 877.965/SP

Agravo Regimental em Agravo nº 300954 – SP. Rel. Min. Marco Buzzi. Julgado em 28.05.2013. CITADO COMO: STJ, AgRg no AREsp

300954/SP

Agravo de Instrumento nº 1251334 – SP. Rel. Min. Luiz Fux. Julgado em 08.04.2010. CITADO COMO: STJ, AgI nº 1251334/SP

Conflito de Competência nº 1339 – RS. Rel. Min. Nilson Naves. Julgado em 14.11.1990. CITADO COMO: STJ, CC 1339/RS

Recurso Especial nº 814060 – RJ. Rel. Min. Luís Felipe Salomão. Julgado em 06.04.2010.

XXIII

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

CITADO COMO: STJ, REsp 814060/RJ

Recurso Especial nº 1850 – RS. Rel. Min. Waldemar Zveitter. Julgado em 27.03.1990. CITADO COMO: STJ, REsp 1850/RS

Recurso Especial nº 669.525 – PB. Rel. Antônio de Pádua Ribeiro. Julgado em 19.05.2005. CITADO COMO: STJ, REsp 669.525/PB

Conflito de Competência nº 41056. Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgado em 20.10.2004. CITADO COMO: STJ, CC 41056/SP

Apelação Cível nº 593880-7. Rel. Des. João Domingos Küster Puppi. Julgado em 12.11.2009 CITADO COMO: TJPR, Ap. 593880-7

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Agravo de

Instrumento

1707135.0170713-5.

 

Rel. Ruy Cunha Sobrinho.

 

Julgado em 03/03/2005.

CITADO

COMO:

TJPR,

AgI

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

1707135.0170713-5

Apelação Cível nº 666103-0. Rel. Jorge de Oliveira Vargas. Julgado em 13.01.2011. CITADO COMO: TJPR, Ap. 666103-0

XXIV

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Agravo de Instrumento nº 821.088-0. Rel. Luiz Lopes. Julgado em 10.05.2012. CITADO COMO: TJPR, AgI 821.088-0

Apelação Cível nº 2412877. Rel. Antônio Martelozzo. Julgado em 01.09.2004. CITADO COMO: TJPR, Ap. 2412877

Apelação Cível nº 645843-9. Rel. Juíza Substituta de 2º Grau Astrid Maranhão de Carvalho Ruthes. Julgado em 24/06/2010. CITADO COMO: TJPR, Ap. 645843-9

Apelação Cível nº 556365-5. Rel. Des. Luiz Lopes. Julgado em 14/05/2009. CITADO COMO: TJPR, Ap. 556365-5

Apelação Cível nº 198947-9. Rel. Juiz João Kopytowski. Julgado em 29/11/2002. CITADO COMO: TJPR, Ap. 198947-9

Apelação Cível nº 0499530-4. Rel. Juiz Subst. G. Antonio Ivair Reinaldin Julgado em 03.07.2008. CITADO COMO: TJPR, Ap. 0499530-4

XXV

Tribunal de Justiça do Estado do Paraná

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

Apelação Cível nº 864.136-5.

Rel. Des. Jorge de Oliveira Vargas.

Julgado em 12⁄07⁄12.

Citado como: TJPR, Ap. 864.136-5

Apelação Cível nº 70018163618.

Rel. Des. Pedro Luiz Rodrigues Bossle.

Julgado em 14.02.2007.

CITADO COMO: TJRS, Ap. 70018163618

Apelação Cível nº 70042124230.

Rel. Niwton Carpes da Silva.

Julgado em 25.10.2012.

CITADO COMO: TJRS, Ap.70042124230

Apelação Cível nº 70019246560.

Rel. Des. Paulo Sérgio Scarparo.

Julgado em 04/05/2007.

CITADO COMO: TJRS, Ap. 70019246560

Apelação Cível nº 70029073699.

Rel. Leo Lima.

Julgado em15.07.2009.

CITADO COMO: TJRS, Ap. 70029073699

Apelação Cível nº 70036650513.

Rel. Des. Romeu Marques Ribeiro Filho.

Julgado em 22.06.11.

CITADO COMO: TJRS, Ap. 70036650513

XXVI

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

Apelação Cível nº 70049360779.

Rel. Isabel Dias Almeida.

Julgado em 25.07.2012.

CITADO COMO: TJRS, Ap. 70049360779

Tribunal

de

Justiça

do

Estado

de

Santa

Apelação Cível n°703746.2011.070374-

Catarina

6.

Rel. Jorge Luis Costa Beber.

Julgado em 25/11/2011.

CITADO COMO: TJSC, Ap. 703746.2011

Tribunal

de

Justiça

do

Estado

de

Santa

Apelação Cível nº 20100272891.

Catarina

Rel. Des. Carlos Prudêncio.

Julgado em 10.09.2012.

CITADO COMO: TJSC, Ap. 20100272891

Tribunal

de

Justiça

do

Estado

de

Santa

Apelação Cível nº 379645.2010.037964-

Catarina

5.

Rel. Marcus Tulio Sartorato.

Julgado em 02.08.2010.

CITADO COMO: TJSC, Ap. 379645.2010

Tribunal

de

Justiça

do

Estado

de

Santa

Apelação nº 2005.022592-0.

Catarina

Rel. Des. Jorge Schaefer Martins.

Julgado em 14/10/2005.

CITADO COMO: TJSC, Ap. 2005.022592-

0

Tribunal

de

Justiça

do

Estado

de

Santa

Apelação nº 350842.2004.035084-2.

Catarina

Rel. Wilson Augusto do Nascimento.

Julgado em 08.04.2005.

CITADO COMO: TJSC, Ap. 350842.2004

XXVII

Tribunal

de

Justiça

do

Estado

de

Santa

Apelação Cível nº 2009.038125-1.

Catarina

Rel. Carlos Adilson Silva. Julgado em 01.07.2010.

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

CITADO COMO: TJSC, Ap. 2009.038125-

1

Apelação Cível nº

98.2008.8.26.0058.

Rel. Celso Pimentel. Julgado em 22.03.2011 CITADO COMO: TJSP, Ap. 0002512-

0002512-

98.2008

Apelação Cível nº 0005107-

65.2007.8.26.0071.

Rel. Francisco Loureiro. Julgado em 24.02.2011. CITADO COMO: TJSP, Ap. 0005107-

65.2007

Apelação Cível nº 0024345-

81.2010.8.26.0001.

Rel. Celso Pimentel. Julgado em 19.12.2011. CITADO COMO: TJSP, Ap. 0024345-

 

81.2010

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Apelação

Cível

nº0334510-

54.2009.8.26.0000.

Rel. Elcio Trujillo.

Julgado em 18.05.2011.

CITADO

54.2009

XXVIII

COMO:

TJSP,

Ap.

0334510-

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Apelação Cível nº 9112416-

21.2001.8.26.0000.

Rel. Grava Brazil.

Julgado em 06.09.2011. CITADO COMO: TJSP, Ap. 9112416-

21.2001

Apelação Cível nº 990.10.330627-9. Rel. Dimas Rubens Fonseca. Julgado em 14.12.2010. CITADO COMO: TJSP, Ap

990.10.330627-9

Apelação Cível nº 995361-0/9. Rel. Aranthes Teodoro. Julgado em 01.03.2007. CITADO COMO: TJSP, Ap. 995361-0/9

Apelação nº 992090860127. Rel. Luís Fernando Nishi. Julgado em 03/08/2010. CITADO COMO: TJSP, Ap.

992090860127

Apelação nº 9126580-15.2006.8.26.0000. Rel. Des. Antonio Rigolin. Julgado em 09/05/2006 CITADO COMO: TJSP, Ap. 9126580-

15.2006

Apelação nº 9202540-74.2006.8.26.0000. Rel. Des. Soares Levada. Julgado em 28/02/2011 CITADO COMO: TJSP, Ap. 9202540-

XXIX

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

74.2006

Apelação nº 0183409-58.2009.8.26.0100. Rel. Des. Dimas Rubens Fonseca. Julgado em 14/12/2010, DJ

12/01/2011.

CITADO COMO: TJSP, Ap. 0183409-

58.2009.8.26.0100

Agravo

025499159.2011.8.26.0000.

Rel. Des. Cristina Zucchi. Julgado em 02.04.2012.

de

Instrumento nº

CITADO

59.2011

COMO:

TJSP,

AgI

0254991-

Apelação Cível nº 0024345-

81.2010.8.26.0001.

Rel. Celso Pimentel.

Julgado em 19.12.2011 CITADO COMO: TJSP, Ap. 0024345-

81.2010

Apelação nº 0002512-98.2008.8.26.0058. Rel. Celso Pimentel. Julgado em 22.03.2011 CITADO COMO: TJSP, Ap. 0002512-

98.2008

Apelação nº 990.10.203536-0. Rel. Des. Celso Pimentel. Julgado em 01.09.10. CITADO COMO: TJSP, Ap.

XXX

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte

Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul

990.10.203536-0

Apelação Cível nº 1190279-0⁄9. Rel. Des. Carlos Alberto Garbi. Julgado em 28⁄07⁄08. CITADO COMO: TJSP, Ap. 1190279-0⁄9

Apelação Cível nº 136223.2009.013622-

3.

Rel. Des. Vivaldo Pinheiro. Julgado em 18.05.2010. CITADO COMO: TJRN, Ap. 136223.2009

Apelação Cível nº 64830. Rel. Everton Amaral de Araújo. Julgado em 07.10.2010. CITADO COMO: TJRN, Ap. 64830

Apelação Cível nº 10758.2010.010758-7. Rel. Des. Júlio Roberto Siqueira Cardoso. Julgado em 29/04/2010.

TJMS,

Ap.10758.2010.010758-7

CITADO

COMO:

Tribunal de Justiça do Estado do Mato

Apelação Cível nº 12709.2012.012709-7.

Grosso do Sul

Rel.

Des.

Júlio

Roberto

Siqueira

Cardoso. Julgado em 17.05.2012.

CITADO

COMO:

TJMS,

Ap.

12709.2012.012709-7

XXXI

Tribunal

de

Justiça

do

Estado

de

Minas

Apelação Cível nº 1.0024.07.445418-2.

Gerais

Rel. Desa. Electra Benevides. Julgado em 03.03.2009. CITADO COMO: TJMG, Ap.

Jurisprudência Internacional

CIETAC Shanghai Commission.

1.0024.07.445418-2

LDK Solar Co., Ltd (LDK) v. Suzhou CSI Solar Power Technologies, CIATEC Award n.º 452 de 2012.

CITADO COMO: CIETAC, Award n.º 452

ICC

Anderson Consulting Business Unit Member Firms v. Arthur Andersen Business Unit Member Firms, ICC Case No. 9797 (2000), ASA Bulletin 18, no. 3 (2000): 514.

CITADO COMO: ICC, Award n.º 9797

ICC

Assignee of buyer (Republic of Korea) Respondent: Seller (Australia) v Seller (Australia), ICC, Award nº. 11869, 2011.

Citado como: ICC, Award nº. 11869

ICC

English company v. Government Agency of a Middle Eastern country, ICC, Award n.º 7110, 1998.

XXXII

ICC

CITADO COMO: ICC, Award n.º 7110.

Parties form Brazil, panama and U.S.A. against party from Brasil. In: Collection of ICC Arbitral Awards, vol. II.

CITADO COMO: Award n.º 4695, 1984.

XXXIII

ABREVIATURAS E DENOMINAÇÕES

REQUERENTE

BACAMASO Construções S/A

 

REQUERIDAS

Seguradora Sinistra S.A. e Colorado Insurances do Brasil S.A.

BACAMASO

BACAMASO Construções S/A

 

SINISTRA

Seguradora Sinistra S.A.

COLORADO

Colorado Insurances do Brasil S.A.

PARTES

REQUERENTE e REQUERIDAS

VRE

Vila Rica Energia S.A.

PCH

Pequena Central Hidrelétrica

CAMARB

Câmara de Arbitragem Empresarial

CCI

Câmara de Comércio Internacional

Tribunal CCI

Tribunal Arbitral constituído perante a CCI

 

Regulamento CAMARB

Regulamento de Arbitragem da CAMARB

Regulamento CCI

Regulamento de Arbitragem da CCI

CNSP

Conselho Nacional de Seguros Privados

SUSEP

Superintendência de Seguros Privados

CDC

Código de Defesa do Consumidor

 

CC

Código Civil Brasileiro de 2002

LSP

Lei do Seguro Privado (Decreto Lei nº 73)

 

Contratos

Contratos de Seguro celebrados entre BACAMASO Construções S/A e Seguradora Sinistra S.A. e entre BACAMASO Construções S/A e Colorado Insurances do Brasil S.A.

Cláusula compromissória SINISTRA

Cláusula

compromissória

firmada

entre

REQUERENTE e SINISTRA

XXXIV

Cláusula

compromissória

COLORADO

CLÁUSULAS

DE

REDUÇÃO

DE

VIGÊNCIA

Cláusula

compromissória

REQUERENTE e COLORADO

firmada

entre

Cláusulas 16.3 e 15 inseridas respectivamente nos Contratos da SINISTRA e da COLORADO

XXXV

ALEGAÇÕES INICIAIS

I. Breve histórico dos fatos

1

II. Preliminarmente

2

A. A relação entre as partes é de consumo – o CDC é aplicável

3

 

A.1.

As Requeridas são fornecedoras

3

A.2.

A Requerente é consumidora

3

B. Os contratos de seguro são de adesão

4

III.

O Tribunal Arbitral constituído perante a CAMARB tem jurisdição sobre a

controvérsia

 

5

A.

As convenções de arbitragem firmadas entre Requerente e Requeridas as

vinculam à CAMARB

6

 

A.1.

A cláusula compromissória celebrada entre Requerente e Colorado elege a

 

CAMARB

6

A.1.1.

A cláusula compromissória Colorado elege expressamente a CAMARB

 

como instituição arbitral

7

 

A.1.2.

A cláusula compromissória Colorado deve ser interpretada em favor da

 

Requerente

8

A.2.

A cláusula compromissória celebrada entre Requerente e Sinistra elege a

CAMARB e foi confirmada por sentença judicial

9

A.2.1. A cláusula compromissória Sinistra elege a CAMARB como instituição arbitral

9

A.2.2.

confirmada por sentença judicial

A eleição da CAMARB na Cláusula Compromissória Sinistra foi

10

O Tribunal CCI foi instituído mediante erro induzido pela litigância de má-fé

A.3.

das Requeridas

11

B. O Tribunal CCI não está prevento

12

B.1.

Prevenção não é aplicável a arbitragem

12

B.2.

não estão preenchidos os requisitos necessários para aplicação do instituto da

 

prevenção

13

C. Subsidiariamente, deve-se apenas suspender esta arbitragem

13

IV.

A indenização deve ser paga pelas Requeridas

14

A.

As apólices continuavam válidas e vigentes na época de ocorrência do sinistro

14

A.1.

O sinistro teve início antes do fim da vigência dos Contratos

14

A.2.

As cláusulas de redução da vigência são inaplicáveis

15

A.2.1.

A mora pode ser purgada até a ocorrência do sinistro

15

A.2.2.

As cláusulas de redução da vigência são nulas

16

XXXVI

A.2.2.1.

As cláusulas de redução da vigência não foram colocadas em

destaque

16

A.2.2.2.

As cláusulas de redução da vigência são manifestamente abusivas por

 

reduzir unilateralmente o prazo de cobertura

17

A.2.3.

A requerente adimpliu substancialmente suas obrigações

19

A.3.

As Requeridas anuíram com a restituição do prazo original de vigência dos

Contratos

20

 

B.

O sinistro não foi agravado pela Requerente

22

 

B.1.

A Requerente adotou todas as medidas que estavam ao seu alcance para

minorar as consequências do sinistro

22

B.1.1.

A Requerente cumpriu suas obrigações contratuais

23

B.1.2.

A Requerente cumpriu suas obrigações legais

24

B.2. As Requeridas tinham a obrigação de regular o sinistro

24

V.

Pedidos

25

XXXVII

I. BREVE HISTÓRICO DOS FATOS

1. Em julho de 2009, Vila Rica Energia S.A. (“VRE”) e BACAMASO Construções S.A. (“REQUERENTE”) celebraram contrato de empreitada no qual a REQUERENTE se comprometeu a construir a barragem de uma Pequena Central Hidrelétrica (“PCH”), próxima ao município de Córrego das Chuvas.

2. Visando a se resguardar dos riscos de uma obra dessa magnitude, a REQUERENTE contratou seguros de risco de engenharia com a Seguradora Sinistra S.A (“SINISTRA”) e a Colorado Insurances do Brasil S.A. (“COLORADO”), responsáveis, em conjunto, por assegurar a totalidade dos riscos previstos para a obra (“Contratos”) [Anexos 1 e 2]. O prêmio deveria ser pago pela REQUERENTE em 20 (vinte) parcelas mensais consecutivas, com início em outubro de 2009 e término em maio de 2011.

3. A REQUERENTE sempre adimpliu regularmente suas obrigações, porém no final de 2010 enfrentou problemas de fluxo de caixa. Apesar de seus esforços para controlar a situação, algumas das parcelas foram pagas com atraso por motivos alheios à vontade da REQUERENTE. Tais atrasos foram aceitos pelas seguradoras (“REQUERIDAS”) [Caso, §7º].

4. Em 2011, no entanto, com o agravamento de sua situação financeira, a REQUERENTE não teve condições de pagar as duas últimas parcelas do prêmio [Caso, §7º].

5. A REQUERENTE tentou, de boa-fé, negociar a prorrogação do vencimento destas parcelas, sem sucesso. As REQUERIDAS reduziram a vigência dos Contratos em 5 (cinco) meses, deixando a REQUERENTE vulnerável no momento mais crítico das obras. Contrariando a legislação e a jurisprudência, aplicaram de maneira abusiva as cláusulas 16.3 e 15 inseridas pelas REQUERIDAS nos Contratos (“Cláusulas de Redução de Vigência”) e condicionaram o restabelecimento da vigência original ao pagamento das parcelas dentro do prazo reduzido de cobertura [Anexo 3].

6. Em setembro de 2011, com o reequilíbrio de suas condições financeiras, a REQUERENTE informou às REQUERIDAS que iria conseguir pagar as parcelas restantes nos meses seguintes [Anexo 4]. Não se sabe se por má-fé ou descuido, as REQUERIDAS jamais responderam a notificação [Caso, §9º].

7. A REQUERENTE, assim, pagou as parcelas restantes em 04 de novembro de 2011, ou seja, 2 (dois) meses antes da manifestação do sinistro. Com isso, a REQUERENTE purgou tempestivamente a mora e garantiu que os Contratos continuassem válidos e vigentes até o seu termo final, de acordo com o artigo 763 do Código Civil (“CC”) [Caso, §9º].

8. Para surpresa da REQUERENTE, quase 2 (dois) meses após a REQUERENTE ter manifestado a intenção de purgar a mora, as REQUERIDAS rejeitaram o pagamento, afirmando não ser possível o restabelecimento dos Contratos, supostamente já cancelados [Anexo 6]. Em resposta, a REQUERENTE manifestou novamente a vontade de manutenção dos Contratos nos termos e prazos inicialmente acordados, mas as REQUERIDAS se mantiveram silentes [Anexo 7].

1

9.

Em janeiro de 2012, durante a época das chuvas, um sinistro até então oculto manifestou-se: em função de um erro de projeto, a ombreira natural da barragem desmoronou [Caso, §11; Anexo 15, item 21]. Logo que tomou conhecimento do ocorrido, a REQUERENTE (i) informou o sinistro às REQUERIDAS, (ii) solicitou o pagamento da indenização devida, e (iii) tomou todas as

providências que estavam ao seu alcance para mitigar os danos sofridos [Caso, §§11 e 12]. Assim,

REQUERENTE cumpriu todas as suas obrigações, cabendo às REQUERIDAS efetuarem o pagamento da indenização, o que não ocorreu.

a

10.

Em função do inadimplemento das REQUERIDAS ao deixarem de pagar a indenização, o desmoronamento se agravou, com o surgimento de diversas trincas ao longo da estrutura construída, que aumentaram o valor dos danos para quase o valor total coberto pelos Contratos [Caso, §13].

11.

Diante da urgência em receber a indenização para fazer os reparos necessários, a REQUERENTE notificou as REQUERIDAS manifestando sua intenção de iniciar arbitragem a ser administrada pela CAMARB, câmara arbitral eleita pelas PARTES [Anexos I e II]. As REQUERIDAS resistiram à instauração de arbitragem perante àquela câmara, não deixando alternativa à REQUERENTE senão a proposição de uma ação de execução específica das cláusulas compromissórias [Caso, §15].

12.

A

sentença acertadamente determinou que a arbitragem fosse processada perante a CAMARB

[Anexo 11]. Ainda assim, em demonstração inequívoca da forma desleal com que lidam com seus parceiros comerciais, as REQUERIDAS solicitaram instauração de arbitragem junto à Câmara de Comércio Internacional (“CCI”), omitindo daquela câmara a determinação judicial [Caso, §18].

13.

Para definir o impasse surgido entre as PARTES, a REQUERENTE, munida da decisão judicial, apresentou solicitação de arbitragem perante a CAMARB [Anexo 12]. Em sua resposta, as REQUERIDAS, em síntese, (i) negaram a jurisdição deste Tribunal Arbitral para julgar a controvérsia e, no mérito, (ii) alegaram não ter a obrigação de pagar a indenização [Anexo 13].

14.

A REQUERENTE agiu com absoluta boa-fé durante toda a contratação, ao contrário das REQUERIDAS, que causaram injustificado tumulto processual para retardar ainda mais o pagamento da indenização à REQUERENTE.

 

II. PRELIMINARMENTE

15.

Antes de comprovar a este Tribunal Arbitral que ele tem jurisdição sobre a controvérsia e que, no mérito, deverá acolher a pretensão da REQUERENTE para o fim de condenar as REQUERIDAS ao pagamento da indenização, cabe ressaltar a natureza jurídica dos Contratos.

16.

Os contratos de seguro, objeto desta arbitragem, são contratos de consumo, de forma que (A) aplica-se ao caso o Código de Defesa do Consumidor (“CDC”). Adicionalmente, os termos dos Contratos e, em especial, as cláusulas discutidas nesta arbitragem, foram impostos unilateralmente pelas REQUERIDAS, (B) caracterizando contratos de adesão. Essa natureza dos Contratos não

2

poderá ser desconsiderada por este Tribunal Arbitral no momento de interpretá-los.

A.

A RELAÇÃO ENTRE AS PARTES É DE CONSUMO O CDC É APLICÁVEL

17.

O CDC deve ser aplicado ao caso em tela, pois (A.1) as REQUERIDAS são fornecedoras de serviços; e (A.2) a REQUERENTE é consumidora dos serviços objeto dos Contratos.

A.1.

AS REQUERIDAS SÃO FORNECEDORAS

18.

Nos termos do artigo 3º, caput e parágrafo 2º, do CDC, fornecedor é toda pessoa que presta serviços mediante o recebimento de remuneração. Enquadram-se no conceito de fornecedor todas as pessoas que exercem profissionalmente e de modo habitual uma atividade econômica [Belucci, p. 78; Caldeira, p.28-29, Ada Pellegrini et al, p.30; Pasqualotto, p. 916]. É o caso, por exemplo, dos serviços securitários (art. 3º, § 2°, CDC) [Sérgio Bermudes, p. 98; Fonseca Guerreiro, p. 34; TJSC, Ap. 20100272891; TJRS, Ap. 70042124230].

19.

Além disso, a atividade securitária, por sua importância e complexidade, está condicionada à higidez econômica de seus operadores e pressupõe profissionalização e habitualidade. Prova disso é que a LSP, que regulamenta a atividade de seguros, impõe diversos requisitos ao ingresso das empresas que querem atuar neste ramo. Portanto, seja pela expressa, clara e inequívoca determinação legal, seja pelo caráter profissional e habitual com que exercem sua atividade securitária, as REQUERIDAS enquadram-se no conceito legal de fornecedoras do CDC.

A.2.

A REQUERENTE É CONSUMIDORA

20.

Tanto pelo fato de ser destinatária final econômica dos serviços prestados pelas REQUERIDAS, quanto em função de sua hipossuficiência técnica, a REQUERENTE é consumidora do seguro.

21.

A

REQUERENTE é destinatária final dos serviços securitários contratados, pois eles não são um meio

para a execução de sua atividade-fim, mas apenas uma forma de proteção de seus interesses econômicos na eventualidade de ocorrência de um sinistro. A contratação do seguro pela REQUERENTE não era um requisito para a realização de uma obra, não sendo insumo e nem mesmo um item indispensável à execução do empreendimento [Norma Técnica IE – Nº 01/2011, p. 14].

22.

Prova de que a REQUERENTE é destinatária final e, consequentemente, consumidora dos serviços prestados pelas REQUERIDAS é que não houve circulação do seguro a terceiros, ou incorporação

do seguro à obra.

23.

Ao contrário de outros produtos e/ou serviços, como aço, cimento e outros materiais de construção,

o

seguro não pode ser considerado insumo, pois não foi utilizado como instrumento para a

construção da barragem da PCH [Norma Técnica IE – Nº 01/2011, p. 12]. A REQUERENTE, assim,

contratou os seguros apenas com o intuito de proteger-se de eventual dano causado à obra.

24.

O

fato de a REQUERENTE ser uma empresa de grande porte não impede que ela seja consumidora

3

[Caldeira et al., p. 15; Miragem, p. 576; STJ, AgI nº 1251334/SP; TJPR, AgI 1707135.0170713-5], porque (i) o CDC dispõe expressamente que o conceito de consumidor se aplica a pessoas físicas e jurídicas [art. 2º do CDC], e (ii) a especificidade e o alto grau de complexidade técnica do mercado de seguros colocam-na em posição de desvantagem frente às REQUERIDAS, caracterizando a hipossuficiência técnica e ensejando a aplicação do CDC [Bessa, p.53.; Fonseca Guerreiro, p.36].

25.

Mesmo na remota hipótese de a REQUERENTE não ser considerada destinatária final dos serviços securitários contratados, ainda assim seria aplicável o CDC.

26.

A

doutrina e a jurisprudência têm admitido um alargamento do conceito legal de consumidor

[Lima Marques, p. 347; Polido , p. 243; TJSP Ap 995361-0/9; TJSP Ap. 992090860127]. Mesmo quando a pessoa física ou jurídica não é a destinatária final do produto e/ou serviço, ela é considerada consumidora por equiparação caso se encontre em situação de vulnerabilidade

análoga a do consumidor stricto sensu [Lima Marques, p. 359; STJ, REsp 1.195.642/RJ; STJ, REsp 1.027.165/ES; STJ, REsp 1.196.951/PI; STJ, REsp 1.190.139/RS].

27.

Nos contratos de seguro, a exemplo dos contratos de natureza financeira, a hipossuficiência técnica do segurado é evidenciada pela assimetria de informações que existe entre ele e a seguradora, na medida em que o segurado não possui conhecimentos especializados e técnicos sobre a complexa operação securitária que contrata [José da Mota, p. 96; Miragem, p. 575; Ribeiro, p. 98].

28.

Nesse sentido, a doutrina entende que todos os segurados, independentemente de serem pessoas físicas ou jurídicas, são tecnicamente hipossuficientes em relação às seguradoras [Fonseca Guerreiro, p. 36; Lima Marques, p. 340; STJ, CC 41056/SP].

29.

É

exatamente essa a situação em que se encontra a REQUERENTE. Por atuar no ramo da construção

civil [Caso, § 1°], ela não detém conhecimentos específicos sobre o mercado securitário, cujas peculiaridades são absolutamente estranhas à sua atividade profissional. Por esse motivo, caso se entenda que a REQUERENTE não é destinatária final dos serviços de seguro, ainda assim deverá ser aplicado o CDC, diante da flagrante hipossuficiência da REQUERENTE frente às REQUERIDAS.

30.

Comprovado que (A.1) as REQUERIDAS são fornecedoras; e (A.2) a REQUERENTE é consumidora dos serviços securitários objeto dos Contratos, torna-se evidente a aplicabilidade do CDC ao caso. Portanto, o Tribunal Arbitral deverá valer-se também dessa legislação especial para

fim de interpretar os Contratos [art. 47, CDC], em especial considerando-se a flagrante assimetria de informações entre as partes o caráter adesivo dos contratos de seguro.

o

B. OS CONTRATOS SÃO DE ADESÃO

31. Os Contratos não só tem natureza consumerista, como também são de adesão, pois, como é

praxe no mercado securitário, a REQUERENTE não pôde negociar seu conteúdo, apenas aderindo

às condições impostas pelas REQUERIDAS.

4

32.

Contrato de adesão é aquele no qual inexiste discussão preliminar para sua formação, ou, quando existe, a margem de negociação é mínima e incapaz de modificar substancialmente o seu conteúdo [Fernandes Neto, p. 60; Orlando Gomes, p. 133]. Ele é caracterizado por uma predisposição unilateral não antecedida por fase negocial relevante, sendo impossível ao aderente discutir ou

modificar substancialmente os termos aos quais adere [Lima Marques, p. 72; Orlando Gomes, p. 140].

33.

O contrato de seguro, mesmo aqueles celebrados entre grandes empresas, é exemplo clássico de contrato de adesão, conforme posição unânime da doutrina [Belluci, p. 42; Brito Martins, 24; Fonseca Guerreiro, p. 35; Marcelo de Oliveira p. 37, Orlando Gomes, p. 506; Polido, p.241; STJ, CC 1339/RS]. Assim, aos segurados que pretendem obter proteção contra um mesmo tipo de risco são oferecidas as mesmas condições contratuais [Caio Mário, pp. 303/304; Falavigna, p. 373; Orlando Gomes, p. 506; Tepedino et al., p. 411].

34.

Para tornar essa uniformidade viável, a redação do contrato é sempre feita de forma unilateral pelo segurador, com cláusulas habituais, invariáveis e gerais, restando ao segurado somente aderir às cláusulas pré-fixadas ou desistir do negócio. Por isso, a fase negocial dos contratos de seguro é sempre inexistente ou insignificante [Tzirulnik 1, p. 109; Lima Marques, p. 71/72].

35.

É

fato incontroverso que os Contratos foram elaborados pelas REQUERIDAS, a partir de minutas-

padrão redigidas por elas [Anexo 15, item 8]. Ainda que os Contratos tenham sido negociados, a

margem de discussão foi mínima, restrita a elementos subsidiários do negócio e incapaz de modificar substancialmente suas condições [Fernandes Neto, p. 60; Orlando Gomes, p. 133; Polido, p. 241].

36.

Não há maior prova de que os Contratos são de adesão do que a preocupação das REQUERIDAS em destacar as cláusulas compromissórias [Anexo 1, cláusula 33; Anexo 2, cláusula 34], como exige o artigo 4º, §2º da LArb.

37.

Nesse contexto, condições importantes do negócio, mesmo revelando-se abusivas e manifestamente desvantajosas à REQUERENTE, não puderam ser modificadas e sequer discutidas. Exemplo dessas condições são as Cláusulas de Redução de Vigência.

38.

Demonstrado que os Contratos firmados entre as partes são de adesão, devem ser analisados

e

interpretados com base nos arts. 423 e 424 do CC e art. 54 do CDC, que impõem a

interpretação mais favorável ao aderente. Tal princípio deverá ser utilizado pelo Tribunal Arbitral não apenas na interpretação das Cláusulas de Redução de Vigência, mas também das cláusulas compromissórias.

 

III.

O TRIBUNAL ARBITRAL CONSTITUÍDO PERANTE A CAMARB TEM

 

JURISDIÇÃO SOBRE A CONTROVÉRSIA

39.

As REQUERIDAS não apenas se recusaram injustificadamente a indenizar a REQUERENTE em razão da manifestação do sinistro, conforme previsto nos Contratos, como recusam-se a reconhecer a

5

jurisdição desse Tribunal Arbitral.

40.

A

resistência das REQUERIDAS à instauração da arbitragem nos termos das convenções arbitrais

implicou a necessidade do ajuizamento da ação de execução específica da cláusula

compromissória (art. 7º, LArb). A sentença proferida no âmbito daquela ação (“Sentença”) reconheceu que SINISTRA e REQUERENTE deveriam resolver suas disputas em arbitragem perante

CAMARB [Anexo 11]. No que diz respeito à cláusula compromissória firmada entre COLORADO e REQUERENTE, a eleição da CAMARB é expressa [Anexo 2].

a

41.

A

despeito da existência de decisão judicial e cláusula compromissória remetendo as PARTES à

CAMARB, as REQUERIDAS instauraram arbitragem perante a CCI, com o claro intuito de

procrastinar a discussão do mérito e tumultuar a arbitragem [Caso, §18]. Apenas uma arbitragem poderá prosseguir, pois os gastos despendidos com arbitragens paralelas e o risco de decisões conflitantes devem ser evitados [Aymone, p.21].

42.

A seguir, a REQUERENTE irá demonstrar que o Tribunal Arbitral constituído perante a CAMARB

é o único que possui jurisdição sobre a controvérsia, vez que (A) as convenções de arbitragem

firmadas entre REQUERENTE e REQUERIDAS as vinculam à CAMARB; e (B) o Tribunal Arbitral constituído perante a CCI (“Tribunal CCI”) não possui jurisdição sobre a controvérsia e tampouco está prevento. Esta arbitragem, portanto, não deve ser extinta ou suspensa.

43.

Subsidiariamente, na remota hipótese desse Tribunal Arbitral optar por não dar continuidade ao processamento desta arbitragem, (C) deverá apenas suspendê-la, até que o Tribunal de Justiça de Vila Rica confirme a jurisdição desse Tribunal Arbitral ou que o Tribunal CCI reconheça definitivamente sua ausência de jurisdição sobre a controvérsia.

A.

AS CONVENÇÕES DE ARBITRAGEM FIRMADAS ENTRE REQUERENTE E REQUERIDAS AS

VINCULAM À CAMARB

44.

Esse Tribunal Arbitral possui jurisdição sobre esta controvérsia, uma vez que tanto (A.1) a cláusula compromissória do contrato celebrado entre REQUERENTE e COLORADO elege a CAMARB como instituição arbitral que deve administrar a arbitragem; como também o faz (A.2)

compromisso arbitral firmado judicialmente entre REQUERENTE e SINISTRA. Por estas razões (A.3) o Tribunal CCI foi constituído mediante erro induzido de má-fé pelas REQUERIDAS.

o

A.1.

A CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA CELEBRADA ENTRE REQUERENTE E COLORADO ELEGE A

CAMARB

45.

(A.1.1) A cláusula compromissória firmada entre REQUERENTE e COLORADO (“Cláusula Compromissória COLORADO”) elege expressamente a CAMARB como instituição arbitral. Na hipótese desse Tribunal Arbitral entender que a cláusula é patológica, (A.1.2) eventuais

6

contradições da cláusula compromissória deverão ser resolvidas favoravelmente à REQUERENTE, pois o contrato é de consumo e de adesão.

A.1.1.

A CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA COLORADO ELEGE EXPRESSAMENTE A CAMARB COMO

INSTITUIÇÃO ARBITRAL

46. A vontade das partes é a pedra angular da arbitragem [Carmona 1, p.15; Guerrero, p. 37; Redfern, Hunter p.85; Selma Lemes 1, p.32; Guilherme, p.45; Zerbini, p.142]. É a fonte da jurisdição do Tribunal Arbitral, das regras procedimentais adotadas e, sendo o caso, da instituição que administrará a arbitragem [Alvarenga e Carvalho, p. 193; Martins, p.37; Selma Lemes 2, p.1].

47. Dessa forma, a vontade das partes assume tamanha relevância que, se violada, poderá ensejar a anulação da sentença arbitral (art. 32, IV, LArb) [Carmona 1, p.406; Selma Lemes 3, p.6; Pesquisa FGV 1, p.41; Born, p.304; CIETAC Award nº452].

48. A Cláusula Compromissória COLORADO elege expressamente a CAMARB para administrar a arbitragem, que deverá ser processada de acordo com o Regulamento de Arbitragem da CCI (“Regulamento CCI”) [Anexo 2, cl. 34.1]. A vontade das partes ao eleger câmara e regulamento específicos, foi manifestada de forma clara e inequívoca.

49. No entanto, ignorando o conteúdo da cláusula elaborada pela COLORADO, as REQUERIDAS instauraram arbitragem perante a CCI, em flagrante violação à cláusula compromissória e ao compromisso arbitral firmado judicialmente [Caso, §18]. Essa conduta revela a postura adotada pelas REQUERIDAS: quem desrespeitou ordem judicial decerto não hesitou em descumprir o contrato firmado com a REQUERENTE, negando-lhe o pagamento da indenização.

50. As REQUERIDAS tentam justificar sua conduta com base em um único dispositivo do Regulamento CCI 1 [Anexo 13], que supostamente imporia às partes que a arbitragem fosse administrada pela CCI. Esse argumento, no entanto, é (i) contraditório, uma vez que as REQUERIDAS anuíram expressamente com a não aplicação do Regulamento CCI a esta arbitragem, e (ii) atécnico, porque, ainda que fosse aplicável o Regulamento CCI, a suposta incompatibilidade entre a estrutura organizacional da CCI e da CAMARB não seria óbice à continuidade da arbitragem.

51. As REQUERIDAS assinaram o Termo de Arbitragem, que determina a aplicação do Regulamento de Arbitragem da CAMARB (“Regulamento CAMARB”) a esta arbitragem, sem fazer qualquer ressalva à sua utilização [Anexo 14]. O Termo de Arbitragem pode modificar os termos da convenção arbitral, consolidando as “regras do jogo” e definindo os limites objetivos e subjetivos da arbitragem [Selma Lemes 3, p.8; Scavone Jr., p.107; Fouchard, Gaillard, Goldman, p. 667].

52. Portanto, não há incompatibilidade ou patologia a ser sanada. Esse Tribunal Arbitral não está

1 Art.1.2 do Regulamento da CCI: “(

incluindo o exame prévio e aprovação de sentenças arbitrais proferidas de acordo com o Regulamento. (

)

A Corte é o único órgão autorizado a administrar arbitragens submetidas ao Regulamento,

)”.

7

sujeito ao Regulamento CCI, por expressa vontade das próprias REQUERIDAS, o que torna vazio e inócuo o argumento delas. Das duas uma: ou as REQUERIDAS elegeram conscientemente o Regulamento CAMARB, o que impõe a não aplicação do Regulamento CCI e a improcedência do argumento das REQUERIDAS, ou assinaram o Termo de Arbitragem com absoluto desleixo, o que evidencia que seu verdadeiro intuito nunca foi o de se opor à CAMARB, mas apenas de obstaculizar o deslinde da controvérsia.

53. Além disso, ainda que fosse aplicável o Regulamento CCI, a suposta incompatibilidade entre a estrutura organizacional da CCI e a da CAMARB não seria óbice à continuidade da arbitragem, de forma que tentar-se-ia dar máxima operacionalização à cláusula [Alvarenga, Carvalho, p.193; Carreira Alvim, p. 293].

54. A falsa percepção de que apenas a CCI poderia administrar arbitragens com o seu regulamento não prospera. Duas provas simples desse fato são: (i) renomadas câmaras estrangeiras, que possuem regulamento próprio, administram também arbitragens com o Regulamento CCI, a exemplo da tradicional Stockholm Chamber of Commerce [Mcllwrath, §15], e (ii) as partes podem se valer de arbitragem ad hoc com base no Regulamento CCI, porém, alterando-o no que lhes for conveniente [Carmona 1, p. 290-291; Parente, p. 55], o que também pode ser feito em uma arbitragem institucional.

55. É exatamente essa a solução defendida pela doutrina nacional. Nas hipóteses em que um regulamento diverso daquele da câmara que administra a arbitragem é eleito, cabe aos árbitros interpretá-lo e sanar eventuais incompatibilidades [Pesquisa FGV 2, p.37; Carmona 2, p.14]. Entender o contrário seria esvaziar o conteúdo do princípio Kompetenz-Kompetenz, tão caro ao bom funcionamento da arbitragem [Redfern, Hunter, p.347; Fouchard, Gaillard, Goldman, p.213].

56. Por todos esses motivos acima, esse Tribunal Arbitral deve reconhecer a sua jurisdição sobre a controvérsia.

A.1.2.

A

CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA COLORADO

REQUERENTE

DEVE SER INTERPRETADA

EM FAVOR DA

57. Conforme observado, não há qualquer contradição na Cláusula Compromissória COLORADO que justifique o seu descumprimento. Na remota hipótese de esse Tribunal Arbitral entender tratar-se de cláusula patológica, ainda assim deve reconhecer sua jurisdição sobre a controvérsia, pois a cláusula ambígua deverá ser interpretada em favor da REQUERENTE.

58. A própria COLORADO estipulou a redação da cláusula compromissória [Anexo 15, item 8]. Eventual alegação de que haveria suposta contradição na cláusula seria, portanto, uma tentativa de se beneficiar da própria torpeza.

59. No Capítulo II acima, a REQUERENTE demonstrou que os Contratos são de adesão e de consumo, de

8

forma a atrair a incidência dos artigos 423 2 e 424 3 do Código Civil e 47 4 e 54 5 do CDC. Esses dispositivos recepcionam o princípio da interpretação contra proferentem, impondo que a interpretação das cláusulas contratuais se dê em favor do consumidor/aderente, no caso, a REQUERENTE [Capelotti, p.4; Martins, Lopes, p.21; TAMG Ap 394.993-9; TJPR Ap 0195544-6; TJSP AgI 0174012-76-2012].

60.

O princípio contra proferentem veda à parte estipulante beneficiar-se de ambiguidades ou obscuridades por ela introduzidas no contrato, sendo amplamente reconhecido e utilizado em arbitragens, e, em especial, no tocante à interpretação de cláusulas compromissórias [Fouchard, Gaillard, Goldman, p. 259; ICC Award nº11869; ICC Award nº 7110]. No âmbito internacional, esse princípio é recepcionado por convenções internacionais, soft law e leis modelo (art. 8º, CISG; item 4.6, Unidroit).

61.

No caso, as REQUERIDAS elaboraram as cláusulas compromissórias dos Contratos [Anexo 15, item 8]. Portanto, caso se entenda que a Cláusula Compromissória COLORADO contém contradição ou outra patologia, ela deverá ser interpretada em favor da REQUERENTE, razão pela qual esse Tribunal Arbitral deve reconhecer a sua jurisdição sobre a controvérsia.

A.2.

A CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA CELEBRADA ENTRE REQUERENTE E SINISTRA ELEGE A

CAMARB E FOI CONFIRMADA POR SENTENÇA JUDICIAL

 

62.

Também a SINISTRA está vinculada à CAMARB uma vez que (A.2.1) a cláusula compromissória celebrada entre SINISTRA e REQUERENTE (“Cláusula Compromissória SINISTRA”) elege a CAMARB como instituição arbitral, (A.2.2) o que foi confirmado por sentença judicial.

A.2.1.

A

CLÁUSULA

COMPROMISSÓRIA

SINISTRA

ELEGE

A

CAMARB COMO

INSTITUIÇÃO

ARBITRAL

63. A Cláusula Compromissória SINISTRA faz referência à CAMARB da seguinte forma: “Câmara de Comércio Internacional e Arbitragem Empresarial, com sede em Belo Horizonte” [Caso, §5º]. Essa redação infeliz – ou maliciosamente inserida pela SINISTRA – dificultou a instauração da arbitragem pela REQUERENTE [Selma Lemes 2, p.189].

64. No entanto, a intenção das partes ao eleger a CAMARB é evidente [Caso, §15]. A cláusula contém não apenas os termos “Arbitragem Empresarial”, como indica Belo Horizonte como sede da arbitragem. A mais reconhecida câmara brasileira de arbitragem que contém esses termos em sua denominação e possui sua sede em Belo Horizonte é a CAMARB.

2 Art. 423 do Código Civil: “Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente.”

3 Art. 424 do Código Civil: “Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.”

4 Art. 47 do Código de Defesa do Consumidor: “As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais

favorável ao consumidor.”

5 Art. 54 do Código de Defesa do Consumidor: “Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas

pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o

consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo.”

9

65. Assim, no entender da REQUERENTE, a Cláusula Compromissória SINISTRA já era suficiente para vincular REQUERENTE e SINISTRA à CAMARB, sem necessidade de qualquer exercício interpretativo.

66. Além disso, duas balizas interpretativas levam à conclusão de que REQUERENTE e SINISTRA vinculam-se à CAMARB.

67. Primeiramente, como demonstrado no item A.1.2 supra, a interpretação das cláusulas compromissórias deverá favorecer a REQUERENTE, consumidora/aderente aos Contratos.

68. Em segundo lugar, os Contratos possuem como objeto a mesma obrigação e o mesmo risco, o que os torna contratos coligados [Marino, p.24]. Isso impõe a interpretação conjunta e harmoniosa das cláusulas [Enei, p.126-127; CCI Award nº 4685]. Nessas hipóteses em que o objeto dos Contratos é um só, é recomendado que a disputa entre as PARTES seja solucionada em uma única arbitragem [Anexo 11, IX] [Born, p.221; Redfern, Hunter, p. 153], sendo imprescindível que se interprete a cláusula supostamente “obscura” da SINISTRA em conjunto com a Cláusula Compromissória COLORADO, que elege expressamente a CAMARB.

69. Pelo exposto, é inafastável a jurisdição desse Tribunal Arbitral sobre a controvérsia.

A.2.2.

A ELEIÇÃO DA CAMARB NA CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA SINISTRA FOI CONFIRMADA

POR SENTENÇA JUDICIAL

70. Como visto, é possível depreender da interpretação da Cláusula Compromissória SINISTRA que as partes elegeram a CAMARB. No entanto, as REQUERIDAS valeram-se da redação obscura introduzida pela própria SINISTRA no contrato para evitar a rápida instauração da arbitragem pela REQUERENTE.

71. A despeito das tentativas da REQUERENTE de dar início à arbitragem para o fim de resolver rápida e definitivamente a disputa, as REQUERIDAS se opuseram à instauração da arbitragem perante a CAMARB [Caso, §15]. Mesmo confiante de que os árbitros reconheceriam a sua jurisdição com base na Cláusula Compromissória SINISTRA, a REQUERENTE ajuizou ação de execução específica da cláusula compromissória (art. 7º LArb), medida necessária para superar a resistência injustificada das REQUERIDAS [José Emílio, p.4; Alvarenga, Carvalho, p.192; Tepedino, p.172-173; Carreira Alvim, p.98-99; Coelho, p. 114; Garcia, p. 209-210; Pesquisa FGV 2, p. 14; TJSP Ap 0172291-51.2012; TJSP Ap 0149190-48.2011]. A REQUERENTE prezou pela prudência, visando a evitar futuros questionamentos quanto à validade da cláusula compromissória.

72. O objetivo da REQUERENTE era obrigar as REQUERIDAS a cumprir a cláusula compromissória [Redfern, Hunter, p.20; Cais, p.3; Pesquisa FGV 2, p.3; SE 5.206-7/ES], evitando a instauração de arbitragens paralelas e os consequentes gastos desnecessários de tempo, dinheiro e esforços [Lopes, p.106; Bensaude, p.420]. Deste modo a Ação do art. 7º não esbarra no princípio do kompetenz-kompetenz, mas o reforça [Guerrero, p.121].

73. O Poder Judiciário confirmou que a Cláusula Compromissória SINISTRA impõe às partes a

10

instauração de arbitragem perante a CAMARB [Anexo 11]. A sentença confirmou a vontade das partes expressa na Cláusula Compromissória SINISTRA, exteriorizando essa vontade em compromisso arbitral [art. 7º, §7º, LArb; Carmona 1, p. 165; José Emílio, p.4; Guilherme, p.88].

74.

Apesar da interposição de apelações contra a decisão [Anexo 15, item 4], nenhum dos recursos está sendo processado com efeito suspensivo [art. 520, VI, CPC; Caso, §18]. Portanto, o compromisso arbitral constituído pela sentença tem sua eficácia imediata [Lucon, p. 312], de forma que esse Tribunal Arbitral pode dar continuidade a esta arbitragem, independentemente do trânsito em julgado da sentença, tendo em vista que as apelações são recebidas em efeito devolutivo [Carmona, p. 165; Aprigliano 1, p.211; Tesheiner, p.1; Cais, p. 3-4].

75.

Ante o exposto, demonstrado que REQUERENTE e SINISTRA escolheram a CAMARB como instituição responsável para administrar essa arbitragem, deve ser reconhecida a jurisdição desse Tribunal Arbitral para solucionar quaisquer conflitos decorrentes dos Contratos.

A.3.

O TRIBUNAL CCI FOI INSTITUÍDO MEDIANTE ERRO INDUZIDO PELA LITIGÂNCIA DE MÁ-

FÉ DAS REQUERIDAS

76.

Em flagrante descumprimento à sentença judicial que vincula a SINISTRA à CAMARB, as REQUERIDAS apresentaram Requerimento de Arbitragem perante a CCI sem fazer qualquer menção à referida decisão [Caso, §18].

77.

Assim, a Corte CCI foi induzida em erro pelas REQUERIDAS ao reconhecer sua competência prima facie [Caso, §18].

78.

Por desconhecer a existência da sentença judicial, a Corte CCI proferiu decisão que contraria seu expressivo histórico de respeito às decisões judiciais [ICC Award nº 9797]. Tivessem as REQUERIDAS sido transparentes ab initio, uma entidade de reputação ilibada e notória tradição como a Corte CCI jamais teria proferido decisão que contrariasse ordem judicial expressa.

79.

Como se vê, as REQUERIDAS utilizam-se apenas das informações que lhes são convenientes, omitindo fatos relevantes das autoridades competentes, atitude que deve ser reprimida por este Tribunal [Saddi, p.70]. Tal conduta ensejaria inclusive a aplicação das penas reservadas aos litigantes de má-fé [art. 27, LArb; Carmona 1, p.375; Queen Mary, p. 3].

80.

Esse Tribunal Arbitral não poderá desconsiderar os fatos omitidos pelas REQUERIDAS. Ao solicitar a instauração de arbitragem perante Câmara incompetente, as REQUERIDAS deram causa à coexistência indevida e artificial de arbitragens paralelas, o que gera gastos desnecessários e consome tempo e esforços das PARTES, dos Srs. Árbitros e demais envolvidos.

81.

Também por esse motivo, a REQUERENTE requer desde logo a condenação das REQUERIDAS ao pagamento de multa por litigância de má-fé, sem prejuízo de indenização por outros danos que a REQUERENTE venha a sofrer em função da conduta processual temerária das REQUERIDAS. As

11

REQUERIDAS não podem, de maneira alguma, se beneficiar dos atos decorrentes de sua conduta de má-fé [Puig Brutau, p.102; Visconte, p.6].

82.

Demonstrado que as convenções arbitrais elegem expressamente a CAMARB e que o Tribunal Arbitral CCI foi instituído apenas em função da omissão de fatos relevantes pelas REQUERIDAS, necessário que se reconheça a jurisdição desse Tribunal Arbitral sobre a controvérsia.

B.

O TRIBUNAL CCI NÃO ESTÁ PREVENTO

83.

Conforme demonstrado, as REQUERIDAS jamais deveriam ter instaurado arbitragem perante a CCI, diante da ausência de jurisdição de Tribunal Arbitral constituído perante aquela entidade. Além disso, a Corte de Arbitragem da CCI reconheceu sua competência prima facie em razão de ter sido induzida em erro pelas REQUERIDAS.

84.

Não bastasse isso, as REQUERIDAS, na tentativa de processualizar essa arbitragem, tentam aplicar instituto de direito processual claramente inaplicável a procedimentos arbitrais. Conforme se demonstrará, (B.1) o instituto da prevenção não é aplicável a arbitragem; e (B.2) ainda que o instituto da prevenção fosse compatível com o procedimento arbitral, não estão preenchidos os requisitos necessários para sua aplicação.

B.1.

PREVENÇÃO NÃO É APLICÁVEL A ARBITRAGEM

85.

As REQUERIDAS insistem que esta arbitragem deveria ser extinta ou suspensa, uma vez que o Tribunal CCI estaria supostamente prevento. Como demonstrado, se as REQUERIDAS não tivessem dolosamente dado causa à existência de arbitragens paralelas, sequer haveria a discussão sobre prevenção. Ademais, a prevenção não é instituto aplicável à arbitragem.

86.

Primeiramente, cabe ressaltar que a arbitragem permite a aplicação dos princípios processuais, mas não das regras previstas no Código de Processo Civil [José Emílio, p.3; Aprigliano 2, p.42; Parente, p.95; Montoro, p.22; Theodoro Jr. 1, p.248].

87.

Além disso, a prevenção é mero critério processual [Didier, p.148; Klippel, p.139] cujo objetivo é garantir a competência exclusiva de apenas um dentre vários juízos igualmente competentes, em uma mesma jurisdição, para julgar determinada causa [Dinamarco, p.454; Nery Junior, p.507; Klippel, p. 432]. A fim de se evitar processos paralelos, adota-se o critério temporal, de acordo com o qual é imposta a extinção da causa proposta posteriormente [Aymone, p.31-32].

88.

O instituto da prevenção conflita com princípios basilares da arbitragem e, por isso, não deve ser aplicado [Lopes, p.106]. Na arbitragem, além de cada Tribunal ser dotado de poderes inerentes a uma jurisdição própria [Martins, p.37; Strassman, Luchi, p.7], essa jurisdição sempre é decorrente da vontade de ambas as partes [Fouchard, Gaillard, Goldman, p. 381]. Assim, não é cabível a determinação unilateral de qual Tribunal Arbitral prevaleceria sobre outro [Dinamarco, p.643; TJSP Ap 0172291-51.2012].

12

89.

As REQUERIDAS pretendem, assim, impor unilateralmente à REQUERENTE arbitragem perante órgão distinto do estipulado nos Contratos. Não podem as REQUERIDAS invocar o instituto da prevenção para o fim de afastar a vontade das partes.

90.

A aplicação do instituto da prevenção à arbitragem fere os princípios basilares que dão força ao procedimento arbitral, como a autonomia da vontade das partes. Sua aplicação a arbitragem é atécnica e resultaria em processualização artificial e descabida da arbitragem.

B.2.

NÃO ESTÃO PREENCHIDOS OS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA APLICAÇÃO DO INSTITUTO

DA PREVENÇÃO

91.

Na remota hipótese desse Tribunal Arbitral entender que a prevenção seria instituto processual aplicável a arbitragens, a REQUERENTE demonstrará que não estão preenchidos os requisitos necessários para sua aplicação no caso.

92.

Em primeiro lugar, o pressuposto básico da aplicação da prevenção é a existência de dois ou mais juízos igualmente competentes [Mesquita, p.91]. Contudo, conforme demonstrado, as convenções arbitrais firmadas entre REQUERENTE e REQUERIDAS conferem competência apenas a esse Tribunal Arbitral. Não há, portanto, dois ou mais juízos competentes para justificar a aplicação do instituto da prevenção.

93.

Em segundo lugar, ainda que houvesse sido outorgada jurisdição a ambos os Tribunais Arbitrais – o que, frise-se, não ocorreu – nenhum deles manifestou-se definitivamente acerca de sua jurisdição. Dessa forma, não há conflito positivo de competência que justifique o uso da prevenção como “solução” para definição do Tribunal Arbitral perante o qual será processada a arbitragem.

94.

Pelo exposto, é descabido falar em prevenção na seara arbitral e, ainda que o instituto da prevenção fosse aplicável à arbitragem, no caso em tela, não estão preenchidos os requisitos mínimos para a sua aplicação. O uso da prevenção para justificar uma suposta prevalência do Tribunal CCI constituiria processualização da arbitragem, além de premiar a má-fé da conduta das REQUERIDAS.

95.

Demonstrado que esse Tribunal Arbitral possui jurisdição para dirimir a presente controvérsia e que o Tribunal CCI não está prevento, esta arbitragem deve prosseguir, não havendo qualquer justificativa para sua extinção ou suspensão.

C. SUBSIDIARIAMENTE, DEVE-SE APENAS SUSPENDER ESTA ARBITRAGEM

96. Na remota hipótese de esse Tribunal Arbitral considerar necessário, pela prudência, que esta arbitragem não prossiga, não deverá extingui-la, mas apenas suspendê-la até que os recursos de apelação sejam julgados – oportunidade em que o Tribunal de Justiça de Vila Rica decerto confirmará a jurisdição desse Tribunal Arbitral – ou até que o Tribunal CCI reconheça que não possui jurisdição sobre a controvérsia.

13

97.

A

extinção desta arbitragem implicará desperdício de recursos, tempo e esforços das PARTES em

razão da necessidade de instauração de nova arbitragem. A suspensão desta arbitragem, apesar de ser desnecessária aos olhos da REQUERENTE, é medida menos gravosa às partes, motivo pelo qual esse Tribunal Arbitral deverá, sendo o caso, preferi-la à extinção da arbitragem.

 

IV.

A INDENIZAÇÃO DEVE SER PAGA PELAS REQUERIDAS

98.

Demonstrado que o Tribunal Arbitral tem jurisdição sobre a controvérsia e que esta arbitragem deve prosseguir, no mérito, a REQUERENTE demonstrará que a indenização deve ser paga pelas REQUERIDAS, pois (A) os Contratos continuavam válidos e vigentes na época de ocorrência do sinistro; e (B) que o sinistro não foi agravado pela REQUERENTE.

A.

AS APÓLICES CONTINUAVAM VÁLIDAS E VIGENTES NA ÉPOCA DE OCORRÊNCIA DO

SINISTRO

99.

Ao contrário do que sustentam as REQUERIDAS, na época da ocorrência do sinistro, os Contratos estavam válidos e vigentes, porque (A.1) o sinistro é um fato complexo que se iniciou muito antes de sua manifestação.

100.

Ainda que esse não seja o entendimento do Tribunal Arbitral, o prazo de vigência dos Contratos não foi reduzido, já que (A.2) as Cláusulas de Redução da Vigência não são aplicáveis ao caso; e, ainda que fossem, (A.3) foram utilizadas de forma abusiva pelas REQUERIDAS.

A.1.

O SINISTRO TEVE INÍCIO ANTES DO FIM DA VIGÊNCIA DOS CONTRATOS

101.

A

negativa de pagamento da indenização pelas REQUERIDAS parte de uma premissa equivocada.

As REQUERIDAS alegam que o sinistro teria ocorrido apenas em 14 de janeiro de 2012, data do desmoronamento da ombreira da barragem da PCH. No entanto, é incontroverso que o sinistro decorreu de erro de projeto [Caso, §11] e, assim, logicamente antecedeu o desmoronamento.

102.

O sinistro, dessa forma, não foi pontual, mas se desenvolveu de forma progressiva e silenciosa durante a execução da obra. Cada grão de areia adicionado à barragem e cada metro cúbico de cimento utilizado em sua construção aumentou a pressão sobre a estrutura erroneamente projetada. Nessas circunstancias o sinistro se protrai no tempo, aperfeiçoa-se, até que se manifesta definitivamente [TJPR, Ap. 666103-0; TJPR, AgI 821.088-0; TJPR, Ap 2412877; TJRN, Ap 64830].

103.

Não é à toa que essa dinâmica dos seguros de riscos de engenharia já foi reconhecida pela jurisprudência: o sinistro ocasionado por erro de projeto é considerado um sinistro complexo, pois se projeta no tempo e seu termo inicial não pode ser determinado com facilidade [TJSP, Ap. 0005107-65.2007; TJPR, Ap. 593880-7].

104.

Há evidente nexo causal entre o erro de projeto, que deu início ao desenvolvimento do sinistro, e

o desmoronamento da barragem (manifestação do sinistro). Portanto, não há como eximir as

14

REQUERIDAS do dever de indenização.

105.

Esse entendimento, amparado pela jurisprudência, traduz o presente e o futuro do mercado de seguros, tanto que está materializado no artigo 75 do Projeto de Lei 8.034/2010 – em tramitação no Congresso Nacional –, cujo objeto é a reforma da legislação securitária. Segundo este dispositivo, que traduz a atual orientação prática e jurídica do mercado de seguros, “a seguradora responde pelos efeitos do sinistro ocorrido ou cuja ocorrência tiver início na vigência do contrato, ainda que se manifestem ou perdurem após o término desta”.

106.

Não é por outra razão que se atribui às seguradoras a obrigação de (i) tomar conhecimento e avaliar o projeto da construção da barragem; (ii) realizar vistorias rotineiras na construção, a fim de acompanhar a viabilização do projeto; e (iii) garantir a cobertura da fase de testes, momento final da construção, no qual a funcionalidade da estrutura é colocada a prova [TJSP, Ap. 9112416- 21.2001; TJSP, Ap. 0334510-54.2009].

107.

Não há qualquer prova que indique o cumprimento dessas obrigações pelas REQUERIDAS. Se tivessem sido diligentes, teriam não só realizado um exercício de prevenção de eventuais sinistros, como estariam, por consequência, minorando o próprio prejuízo [Tzirulnik 1, p. 113; Pontes de Miranda 1, p. 340].

108.

Portanto, o sinistro iniciou-se em momento muito anterior ao desmoronamento e seguramente dentro do prazo de vigência dos Contratos, ainda que se considere a abusiva redução do prazo de vigência pelas REQUERIDAS. Antes mesmo de a REQUERENTE comprovar a impossibilidade de se reduzir a vigência dos Contratos, a responsabilidade das REQUERIDAS pela indenização já se torna patente.

A.2.

AS CLÁUSULAS DE REDUÇÃO DE VIGÊNCIA SÃO INAPLICÁVEIS

109.

Ainda que se afaste o argumento de que o termo inicial do sinistro se iniciou com o erro de projeto, as cláusulas de redução da vigência são inaplicáveis, devido (A.2.1) à autorização contida no art. 763 do CC para que a mora seja purgada até a ocorrência do sinistro; (A.2.2) a sua nulidade formal e material; e (A.2.3) ao adimplemento substancial das obrigações da REQUERENTE.

A.2.1.

A MORA PODE SER PURGADA ATÉ A OCORRÊNCIA DO SINISTRO

110.

O art. 763 do CC dispõe que o segurado que estiver em mora no pagamento do prêmio terá direito a indenização se purgar a mora antes da ocorrência do sinistro. Ou seja, permite que o segurado purgue a mora até a data de ocorrência do sinistro.

111.

O art. 6º da Circular 239/03, reproduzido nos Contratos, por sua vez, reduz o prazo de vigência dos contratos de seguro caso o segurado esteja em mora no pagamento do prêmio. Nesse caso, a mora somente pode ser purgada pelo segurado até o termo final do novo prazo de vigência, ainda que o sinistro ocorra depois disto. Em outras palavras, a norma editada pela SUSEP limita o prazo conferido pelo CC ao segurado para purgação da mora e recebimento da indenização.

15

112.

Há, portanto, uma clara antinomia entre estas normas, cujas disposições são incompatíveis entre si, na medida em que preveem, ao mesmo tempo, dois prazos distintos para purgação da mora.

113.

A contradição fica clara quando analisada sob a perspectiva do caso. A REQUERENTE pagou as parcelas em aberto em 04 de novembro de 2011 [Caso, § 9º], mais de 2 (dois) meses antes da manifestação do sinistro [Caso, §11]. No entanto, pela lógica da Circular SUSEP 239/03, a REQUERENTE pagou as parcelas 15 (quinze) dias após o novo termo final dos Contratos. Assim, os Contratos já teriam se encerrado e a mora não teria sido purgada.

114.

Esta antinomia deve ser resolvida pela aplicação do critério de hierarquia de normas, isto é, a norma de hierarquia superior prevalece sobre a norma de hierarquia inferior [Bobbio, p. 251; Tercio Sampaio, p. 211; Kelsen, p. 232; TJRN, Ap. 136223.2009.013622-3; TJMS, Ap. 12709.2012.012709-7; TJMS, Ap. 10758.2010.010758-7; TJSC, Ap. 379645.2010; TJSC Ap 350842.2004]. Como o art. 763 do CC é hierarquicamente superior, prevalece sobre o art. 6º da Circular SUSEP 239/03 e é aplicável ao caso.

115.

Além disso, o art. 763, assim como as demais disposições a respeito dos contratos de seguro previstas no CC, é norma de ordem pública uma vez que visa a resguardar os interesses de toda a coletividade e não pode ser derrogado pela autonomia da vontade das partes [Orlando Gomes, p. 26, STJ, REsp 1850/RS; TJSP, Ap. 9126580-15.2006; TJSC, Ap. 2005.022592-0]. Assim, a redução do prazo para purgação da mora não poderia ter sido incluída nos Contratos por meio das Cláusulas de Redução da Vigência uma vez que viola o CC e limita o direito da REQUERENTE.

116.

Portanto, demonstrada a inaplicabilidade das Cláusulas de Redução da Vigência, deve ser reconhecido o direito da REQUERENTE purgar a mora até a ocorrência do sinistro.

A.2.2.

AS CLÁUSULAS DE REDUÇÃO DA VIGÊNCIA SÃO NULAS

117.

Ainda que se entenda não haver violação ao art. 763 do CC, as cláusulas de redução de vigência não devem ser aplicadas, pois possuem vícios formais e materiais que as tornam nulas: (A.2.2.1.) não foram colocadas em destaque pelas REQUERIDAS e (A.2.2.2) violam direito da REQUERENTE inerente ao contrato de seguro.

A.2.2.1.

AS CLÁUSULAS DE REDUÇÃO DE VIGÊNCIA NÃO FORAM COLOCADAS EM DESTAQUE

118.

As cláusulas que limitam direitos dos aderentes ou consumidores devem estar, obrigatoriamente, em destaque para que surtam efeitos [art. 54, §4º, CDC].

119.