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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

EVELISE PEREIRA FERREIRA

ANÁLISE DOS RISCOS AMBIENTAIS EM UMA EMPRESA DE GERAÇÃO TERMELÉTRICA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Bagé

2013

EVELISE PEREIRA FERREIRA

ANÁLISE DOS RISCOS AMBIENTAIS EM UMA EMPRESA DE GERAÇÃO TERMELÉTRICA

Trabalho de graduação apresentado ao Curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Pampa, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Produção.

Orientador: Vanderlei Eckhardt

Bagé

2013

EVELISE PEREIRA FERREIRA

ANÁLISE DOS RISCOS AMBIENTAIS EM UMA EMPRESA DE GERAÇÃO TERMELÉTRICA

Trabalho de graduação apresentado ao Curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Pampa, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Produção.

Trabalho de Conclusão de Curso defendido e aprovado em 13 de maio de 2013. Banca examinadora:

Prof. Me. Vanderlei Eckhardt Orientador UNIPAMPA

Prof. Dr. Caio Marcello Recart da Silveira UNIPAMPA

Prof. Daphne Guedes UNIPAMPA

Dedico este trabalho aos meus queridos e amados pais, Evangelisto e Ilma, que eu tanto amo.

AGRADECIMENTO

Em primeiro lugar a Deus que guiou meus caminhos e me concedeu toda a força e perseverança para vencer esta grande etapa da minha vida. Um agradecimento muito especial ao meu professor e orientador, Luis Antonio dos Santos Franz, muito obrigada por contribuir com seus ensinamentos, mas principalmente pelo

exemplo de profissionalismo e amizade que levarei sempre junto comigo. Como também a todos os professores do curso de Engenharia de Produção, a minha gratidão por tornarem possível a realização deste sonho.

A minha amada família, meus pais Evangelisto e Ilma, que são os grandes responsáveis por

mais esta conquista e foram meus maiores incentivadores, por toda a força e apoio que sempre me deram e aos valores que me ensinaram, pois me tornaram a pessoa que sou hoje. A minha

amada “Vó Eva” que é e foi durante toda a minha vida uma fonte inesgotável de amor, carinho e incentivo, sempre torcendo pelo meu sucesso. Ao meu querido irmão Inácio, que eu

amo muito e ao meu esposo, Patric Ferreira, por sua confiança e amor que me fortalece todos

os dias, mas principalmente por todo o carinho compartilhado durante esta longa caminhada.

As minhas queridas e grandes amigas Carla Peralta e Lisiane Bitencourt, que ao longo desta caminhada formamos um trio inseparável. Obrigada por todo o companheirismo, pelas palavras de incentivo, pelas risadas, por todos os momentos que passamos juntas, e não foram poucos, podem ter certeza que as levarei comigo para toda vida. Agradeço às pessoas que conheci durante esta longa caminhada, aos colegas e amigos que fiz que estiveram e ainda estão ao meu lado.

A todos, muito obrigada!

RESUMO

O momento econômico atual no Brasil tem propiciado a organizações de diversos setores econômicos obterem um crescimento significativo, o que traz consigo fortes desafios aos órgãos governamentais e empregadores, principalmente no que se refere à saúde e segurança no trabalho. Neste contexto, o presente trabalho de conclusão de curso buscou identificar quais são as principais demandas ergonômicas impostas aos funcionários de uma usina termelétrica localizada na cidade de Candiota, Rio Grande do Sul. Para tanto, foi realizada uma análise ergonômica do trabalho, a qual foi estruturada em cinco etapas: análise da demanda, análise da tarefa, análise da atividade, diagnóstico e proposições de melhorias. Primeiramente, foram selecionados os locais e processos de trabalho com maior potencial de risco ergonômico. Após, foram analisados e avaliados aspectos posturais, psicofisiológicos, físico-ambientais e organizacionais do trabalho. Por fim, foram realizadas proposições de melhorias nos setores avaliados, para tanto foram realizadas ora análises quantitativas, ora qualitativas, onde se pode perceber que a organização precisa rever diversos métodos de trabalho, e que este estudo ergonômico é o primeiro passo para outros trabalhos a serem realizados nesta empresa.

Palavras-chave: Análise Ergonômica do Trabalho. Posturas. OWAS. Ruído. Iluminação. Temperatura. Termelétricas.

ABSTRACT

Brazil’s actual economical moment has propitiated to the organizations of several economical sectors a gain of a significant growth, which brings strong challenges to the governmental departments and employers, mainly in relation to labor health and safety. In this context, the present work for completion of course tried to identify what are the main ergonomic demands imposed on employees of a thermal power plant located in Candiota, Rio Grande do Sul Therefore, we conducted an ergonomic analysis, which was structured into five stages:

demand analysis, task analysis, activity analysis, diagnosis and proposals for improvements. First, we selected the sites and work processes with the greatest potential ergonomic risk. After analyzed and evaluated postural aspects, psycho-physiological, physical-environmental and organizational work. Finally, there were proposals for improvements in the areas assessed, both for quantitative analyzes were carried out either, sometimes qualitative, where one can see that the organization needs to review several methods of work, and this ergonomic study is the first step to other work to be realized in this company.

Keywords: Ergonomic Work Analysis. Postures. OWAS. Noise. Lighting. Temperature. Thermelectric.

LISTA DE FIGURAS

Figura

1 -

Áreas de especialização da Ergonomia

20

Figura

2 -

Diversos fatores que influem no sistema produtivo

20

Figura

3 -

Ocasiões da contribuição ergonômica

22

Figura

4

-

Esquema geral da abordagem

24

Figura

5 -

Levantamento de informações gerais

25

Figura 6 -

Da tarefa à atividade

26

Figura

7 -

Sequência da atividade do trabalho

28

Figura 8 -

Caminhos para a aplicação do método OWAS

32

Figura 9 - Codificação para a posição das costas

33

Figura 10 -

Codificação para a posição dos braços

33

Figura 11 -

Codificação para a posição das pernas

34

Figura 12 - Codificação da carga e força suportada

34

Figura 13 - Categorias dos riscos e ações corretivas

35

Figura 14 - Categorias de ação para as posturas do trabalhador segundo sua frequência relativa

36

Figura 15 -

Caminhos para a aplicação do método RULA

37

Figura 16 -

Pontuação para o braço

38

Figura

17 -

Modificações sobre a pontuação do braço

38

Figura

18 -

Pontuação para o antebraço

38

Figura 19 -

Modificação da pontuação do antebraço

39

Figura 20 -

Pontuação para o pulso

39

Figura 21 -

Modificação da pontuação do pulso

39

Figura 22 -

Pontuação para o giro do pulso

40

Figura

23 -

Pontuação para o pescoço

40

Figura 24 -

Modificação da posição do pescoço

40

Figura

25 -

Pontuação para o tronco

40

Figura 26 -

Modificação da pontuação do tronco

41

- Figura 28 -

Figura

27

Pontuação para as pernas Pontuação para as atividades musculares e forças exercidas

41

42

Figura 29 - Nível de atuação segundo a pontuação final obtida

42

Figura

30 -

Diagrama para o cálculo das pontuações do método RULA

43

Figura

31 - Causas do estresse

44

Figura 32 - Apresentação esquemática do somatório dos efeitos das causas da fadiga do dia -

 

a-dia e a correspondente e necessária recuperação

46

Figura 33 - Opiniões dos trabalhadores, sobre três tipos diferentes de organização do trabalho

48

Figura

34 -

Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente

49

Figura 36 -

Iluminâncias por classe de tarefas visuais

52

Figura

37 -

Fatores determinantes da iluminância adequada

52

Figura

38 -

Iluminância por tipo de atividade

53

Figura 39 -

Temperaturas do ar recomendadas para vários tipos de esforços físicos

54

Figura 40 -

Temperaturas do ar recomendadas para vários tipos de esforços físicos

55

Figura 41 -

Limites de exposição ao calor, com períodos de descanso no próprio local

56

Figura 42 -

Taxas de Metabolismo por Tipo de Atividade (NR-15)

56

Figura 43 - Desdobramento representativo desde o nível organizacional até o nível das ações57

Figura 44 - Diagrama ilustrativo das causas e dos sintomas de doenças ocupacionais entre

trabalhadores de turnos que periordicamente trabalham à noite

60

Figura 45 - Estrutura geral dos procedimentos metodológicos

62

Figura

46 -

Questionário de priorização

65

Figura 47 -

Levantamento das informações gerais da empresa

68

Figura 48 - Vista geral da empresa

69

Figura 49 -

Divisão dos setores da empresa, correspondentes as Fases A e B

69

Figura 50 -

Resultado da aplicação do questionário de priorização

70

Figura 51 -

Número de funcionários no setor de operação

71

Figura 52 - Vista superior do setor de operação

71

Figura 53 - Vista superior dos laboratórios do setor de operação

72

Figura 54 -

Cargo e função a ser desempenhada pelo trabalhador no Escritório de Operação73

Figura 55 -

Cargo e função a ser desempenhada pelo trabalhador no setor de Operação A

73

Figura 56 -

Cargo e função a ser desempenhada pelo trabalhador no setor de Operação B

75

Figura 57 -

Número de trabalhores sob regime de turnos referente a Fase A

76

Figura 58 -

Número de trabalhores sob regime de turnos referente a Fase B

76

Figura 59 - Fases da atividade de abrir e fechar válvulas

78

Figura 60 - Alguns exemplos de posturas adotadas durante o processo de abertura e fechamento de vávulas

78

Figura 61 -

Observação geral realizada através do método OWAS

79

Figura 62 -

Parâmetros para medição utilizando o dosímetro

80

Figura 63 -

Medição de dosimetria no pré-aquecedor de alta pressão

81

Figura 64 -

Medição de dosimetria na turbina IV/alternador IV

81

Figura 65 -

Parâmetros para medição utilizando o decibelímetro

81

Figura

66 -

Medição utilizando o decibelímetro

82

Figura 67 -

Parâmetros para medição utilizando o luxímetro

82

Figura 68 - Medição de iluminação na sala sala de análise do carvão

83

Figura 69 - Medição de iluminação na sala de análise da água

83

Figura 70 -

Medição de iluminação no escritório da operação

84

Figura

71 -

Parâmetros utilizados para medição com o medidor de estresse térmico

85

Figura

72 -

Medições com o medidor de estresse térmico

85

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

ABERGO

Associação

Brasileira

de Ergonomia

AET

Análise

Ergonômica do Trabalho

AEPS

Anuário

Estatístico da Previdência Social

DORT

Distúrbios

Osteomusculares Relacionados ao Trabalho

IEA

International

Ergonomics Association

LEQ

Equivalent

Level

LER

Lesões

Ovako

por Esforços Repetitivos

OWAS

Working Posture Analysins System

RULA

Rapid

Sistema

Upper Limb Assessment

SST

e Segurança no Trabalho

TWA

Time

Weighted Average

SUMÁRIO

 

SUMÁRIO

11

1

INTRODUÇÃO

13

1.1

Questões e objetivos da pesquisa

14

1.1.1 Objetivo geral

14

1.1.2 Objetivos específicos

15

1.2

Justificativa e escolha do tema

15

1.3

Delimitação do tema

16

1.4

Método de pesquisa

16

1.5

Estrutura do trabalho

17

2

REFERENCIAL TEÓRICO

18

2.1

Ergonomia

18

2.2

Análise ergonômica do trabalho

23

2.2.1 Análise da demanda

24

2.2.2 Análise da tarefa

26

2.2.3 Análise da atividade

27

2.2.4 Diagnóstico

28

2.2.5 Proposição de melhorias

29

2.3

A postura na rotina de trabalho

30

2.3.1 OWAS (Ovako Working Posture Analysis System)

31

2.3.2 RULA (Rapid Upper Limb Assessment)

36

2.4

Fatores psicofisiológicos no trabalho

43

2.4.1 Estresse ocupacional e fadiga

44

2.4.2 Tédio, monotonia e motivação

47

2.5

Fatores físico-ambientais no trabalho

48

2.5.1 Ruído

49

2.5.2 Iluminação

50

2.5.3 Conforto térmico

53

2.6

Fatores organizacionais no trabalho

57

2.6.1 A Organização do trabalho em turnos

58

2.6.2 O trabalho noturno

59

3

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

62

3.1

Objeto de estudo

62

3.2

Análise da demanda

64

3.3

Análise da tarefa

65

3.4

Análise da atividade

66

3.5

Diagnóstico

67

3.6

Proposição de melhorias

67

4

RESULTADOS

68

4.2

Análise da tarefa

72

4.3

Análise da atividade

77

4.3.1 Aspectos Posturais

77

4.3.2 Aspectos Físico-ambientais: ruído

80

4.3.3 Aspectos físico-ambientais: iluminamento

82

4.3.4 Aspectos físico ambientais: conforto térmico

85

4.4

Diagnóstico

86

4.5

Proposição de melhorias

88

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

91

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

93

APÊNDICE A Formulário OWAS

96

APÊNDICE B Formulário RULA

97

APÊNDICE C Roteiro para abordagem em campo para utilização do dosímetro e decibelímetro

98

APÊNDICE D Roteiro para abordagem em campo para utilização do luxímetro

99

APÊNDICE E Roteiro para abordagem em campo para utilização do medidor de estresse térmico

100

13

1

INTRODUÇÃO

A Saúde e Segurança no Trabalho (SST) têm trazido fortes desafios aos órgãos

governamentais e empregadores. Assim, os índices verificados através de levantamentos como o Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS) traz números da ordem de 701.496 acidentes, dentre os quais 15.593 são afastamentos por doenças no trabalho, durante o ano de 2010. Dentre os afastamentos por doenças encontram-se eventos diversos, como por exemplo, doenças por perdas de capacidade respiratória, fraturas, lesões, queimaduras, perda de visão,

problemas cardiovasculares e lesões músculo esqueléticas. As lesões músculo esqueléticas podem se revelar, por exemplo, na forma de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Estas são um caso importante dentre aqueles causadores de afastamentos de trabalhadores e consequente perda de produtividade nas empresas. Segundo Maeno (2001), os afastamentos causados por estes fatores chegaram durante os últimos 10 anos, a

aproximadamente cerca de 80% a 90% dos casos de doenças relacionadas ao trabalho, o que evidencia a gravidade e a abrangência do problema. Não obstante, apesar de em muitos casos

a condição do trabalhador ser reversível, no ano de 2009, ocorreu uma média de 43 trabalhadores por dia não retornaram mais a sua vida laboral (AEPS, 2010).

Outro desafio não menos importante é verificado no caso de trabalhadores expostos a fatores de risco ambiental, como os ruídos, os gases, poeiras e temperaturas extremas. O caso particular de empresas que atuam com mineração e queima de carvão se mostram como um exemplo importante. Rigotto (2009), afirma em sua pesquisa que a opção tecnológica da queima de carvão mineral como combustível, é o mais impactante do ponto de vista ambiental e também sobre a saúde das populações ao entorno, pois pode levar a quadros gravíssimos de insuficiência respiratória, além da poluição atmosférica do ambiente. Desta maneira, as empresas geradoras de energia termelétrica, acarretam em graves problemas socioambientais.

A respeito dos efeitos negativos advindos da queima do carvão, as termelétricas se

revelaram em décadas anteriores como importantes vetores de desenvolvimento, como é o caso do Rio Grande do Sul que concentra 80% do carvão mineral brasileiro. A maior jazida de carvão mineral do país é a que esta localizada na cidade gaúcha de Candiota, que responde

por 23% das reservas oficiais do país, e chegam a sete bilhões de toneladas, considerada como

a melhor em rentabilidade uma vez que suas reservas apresentam-se em camadas bastante espessas e de grande continuidade.

14

Entretanto, estudos sobre condições ambientais realizado em usinas termelétricas, mostram que os riscos existentes nestes lugares são de natureza física onde se enquadram os ruídos e temperaturas excessivas, que são produzidos fundamentalmente pelo transporte de massas, geração de calor, energia mecânica e elétrica, envolvendo o funcionamento de motores, bombas, turbo alternadores, compressores, entre outros, assim como riscos de natureza química, onde suas fontes potenciais são: gases e fumos, provenientes da combustão de óleos, como também a utilização de reagentes químicos no tratamento d’água e as limpezas das fornalhas, que pode conter produtos tóxicos provenientes da decomposição de óleos (ELETROSUL, 1980). Diante das premissas apresentadas, e de acordo com Pavani (2007), percebe-se uma carência no desenvolvimento de estudos e consequentemente na aplicação de métodos que sejam simples para o entendimento e, no entanto, sirvam para mostrar um direcionamento na priorização das ações. Assim, torna-se importante verificar as condições de trabalho no âmbito da ergonomia em empresas do setor de queima de carvão. O presente trabalho apresenta um levantamento quanto às principais demandas ergonômicas em uma usina termelétrica. Avaliando assim, as condições de trabalho de seus funcionários para identificar os fatores de risco impostos aos mesmos, bem como auxiliar em uma decisão gerencial quanto à priorização das ações a serem tomadas, com relação aos aspectos ergonômicos.

1.1 Questões e objetivos da pesquisa

A ergonomia tem atraído cada vez mais o interesse de todas as áreas produtivas dentro de uma organização, sendo que por meio de sua aplicação pode-se aumentar tanto a produtividade como a satisfação dos trabalhadores (MOURA, 2001). Neste sentido, algumas questões de pesquisa se mostram importantes, tais como:

fatores ergonômicos associados às condições de trabalho em que os funcionários encontram- se expostos; assim como as vantagens de uma organização quando esta realiza uma análise ergonômica e as disfunções muscoesqueléticas relacionadas ao trabalho que os funcionários podem vir a desenvolver.

15

O presente trabalho tem como objetivo geral identificar quais as principais demandas ergonômicas impostas a funcionários em uma usina termelétrica.

1.1.2 Objetivos específicos

Com o intuito de atingir o objetivo principal, foram definidos os seguintes objetivos específicos:

a) Selecionar quais os locais ou processos que possuem maior potencial de risco ergonômico;

b) Estudar no âmbito da Ergonomia os locais e processos considerados críticos, analisando posturas, fatores psicofisiológicos, físico-ambientais e organizacionais do trabalho;

c) Avaliar e discutir em que nível as metodologias aplicadas na presente pesquisa contribuem para a investigação ergonômica com vista a proposição de melhorias em uma usina termelétrica.

d) Propor

quando

selecionados.

pertinente,

1.2 Justificativa e escolha do tema

melhorias

ergonômicas

nos

locais

e

processos

Problemas com relação à saúde ocupacional têm criado muitos prejuízos às organizações. A título de exemplo, de acordo com o estudo do National for Occupation Safety and Health (2009), somente nos Estados Unidos, as empresas têm perdido de $13 a $20 milhões de dólares ao ano devido à diminuição da produtividade, como também a doenças relacionadas ao trabalho (BOLIS, 2011). A Ergonomia traz suas contribuições, pois, inicialmente estuda as características do trabalhador para depois projetar o trabalho de forma ideal, buscando sempre preservar a saúde deste (IIDA, 2005). Assim, um estudo ergonômico pode partir desde a concepção dos postos de trabalho, passando para as atividades que são realizadas pelos trabalhadores, preocupando- se com suas queixas de dores, que são geralmente decorrentes de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (PAVANI, 2007).

16

No entanto, apesar de haver muitos estudos científicos descrevendo a ocorrência de distúrbios musculoesqueléticos ocupacionais, não foram encontrados até o presente momento nenhuma aplicação da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) em usinas termelétricas, que é um fator em potencial, pois seus trabalhadores estão expostos a ruídos, altas temperaturas, esforços físicos, poeiras, poluição atmosférica, acarretando em problemas tanto para os trabalhadores, quanto ao ambiente. Este estudo se justifica pela importância de analisar os fatores de risco relacionados a demandas ergonômicas, que causam um grande impacto social e financeiro, vindo ameaçar tanto a saúde dos trabalhadores, como o desempenho das organizações. Além disso, o trabalho se justifica ao tentar identificar métodos técnicos científicos de análise ergonômica do trabalho, que pode vir a contribuir para um aprimoramento das condições de trabalho, bem como para uma decisão gerencial quanto à priorização das ações a serem tomadas, com relação aos aspectos ergonômicos.

1.3 Delimitação do tema

No presente trabalho será realizado um levantamento quanto às demandas ergonômicas, assim, serão avaliados apenas os locais de trabalhos considerados mais críticos. Com relação à aplicação, este será realizado em uma empresa do setor termelétrico, localizada na cidade de Candiota, Rio Grande do Sul. Vale ressaltar que não serão desenvolvidos estudos e análises específicas quanto a acidentes do trabalho, principalmente aos decorrentes de outros riscos, tais como: riscos químicos ou riscos biológicos. Também não serão estudadas devido à falta de equipamento para monitoração, as condições de vibrações em que os funcionários estão submetidos. Por fim, serão propostos meios que auxiliem a organização em estudo, e oportunizem aos trabalhadores uma intervenção nas suas condições de trabalho, visando evitar riscos ergonômicos. No entanto, este trabalho não se propõe a realizar a implantação das propostas e melhorias sugeridas, pois tal fator dependeria de prazos além dos disponíveis.

1.4 Método de pesquisa

De acordo com Gil (2010) é natural a busca pela classificação das pesquisas, sendo que este fator pode resultar de diferentes critérios. Desta maneira, o presente trabalho é

17

classificado quanto a sua finalidade como uma pesquisa aplicada, pois busca a obtenção de novos conhecimentos, para a aplicação em situações específicas. No que se refere aos objetivos, é considerado uma pesquisa exploratória, pois propicia uma maior familiaridade com o problema, visando deixá-lo mais claro e preciso, ou então com vistas à criação de hipóteses, tornando o seu planejamento bastante flexível.

Quanto aos métodos aplicados, isto é, com relação à natureza dos dados, é classificado tanto como uma pesquisa qualitativa como quantitativa (GIL, 2010).

Já com relação ao delineamento da pesquisa, é considerado um Estudo de Caso, pois

o mesmo se caracteriza como uma pesquisa desenvolvida por meio da observação direta das

atividades do ambiente estudado e de levantamento em campo para captar suas explicações e interpretações do que ocorre na organização estudada. Também ressalta que o pesquisador realiza a maior parte do trabalho pessoalmente, sendo isso uma vantagem, pois torna o processo mais confiável (GIL, 2010).

1.5 Estrutura do trabalho

O presente trabalho está dividido em 5 capítulos. O capitulo 1 é composto pela

introdução, apresentando a definição do tema em linhas gerais, assim como, as questões e objetivos de pesquisa, a definição dos objetivos gerais e específicos, justificativa e escolha do

tema, delimitação do tema e o método de pesquisa, e por fim a estrutura do trabalho.

O capítulo 2 aborda a revisão na literatura, onde inicialmente é apresentado um breve

histórico sobre Ergonomia, tratando dos seus conceitos, objetivos e abrangência, como também a aplicação de métodos ergonômicos. Logo após foi feito uma abordagem sobre a análise ergonômica do trabalho (AET), para explorar a análise da demanda, das tarefas e atividades, para assim elaborar um diagnóstico e fazer as proposições de melhorias. Para que

a análise dos riscos ergonômicos pudesse ser realizada, foram avaliadas as principais técnicas

de análise postural, fatores psicofisiológicos, físico-ambientais e organizacionais do trabalho.

O capítulo 3, por sua vez, apresenta os procedimentos metodológicos que foram

utilizados para a elaboração deste trabalho. No capítulo 4, é abordada uma discussão dos resultados com a aplicação da metodologia proposta. No capítulo 5, são apresentadas as considerações finais referentes aos resultados obtidos, assim como, as recomendações para trabalhos futuros.

18

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Este referencial teórico visa apresentar conceitos sobre Ergonomia, análise ergonômica do trabalho e técnicas de análise postural, analisando conjuntamente os fatores psicofisiológicos, físico-ambientais e organizacionais do trabalho.

2.1

Ergonomia

O estudo da Ergonomia torna-se fascinante e encantador, pois traz consigo o poder de descobrir uma série de informações ainda pouco exploradas. Exemplos de contribuições de precursores dessa ciência é a colaboração de Leonardo da Vinci, que instigou em seus estudos as áreas de anatomia e fisiologia, destacando uma preocupação com os fatores humanos. Posteriormente, o médico italiano Bernardino Ramazzini, escreveu sobre as doenças e lesões relacionadas ao trabalho, sendo considerado um dos primeiros estudiosos das causas das doenças ocupacionais (SILVA e PASCHOARELLI, 2010). Logo após, de acordo com o mesmo autor, foram propostos os estudos do engenheiro civil e militar Bernard Forest de Bélidor, onde realizou o experimento que consistia em medir a capacidade de trabalho físico, nos respectivos postos de trabalho. Eles chegaram à conclusão que uma carga de trabalho muito alta, acarreta em uma predisposição a doenças, assim como, uma melhor organização das tarefas melhora o rendimento. Desta maneira, esses, entre outros foram considerados alguns dos percussores da Ergonomia ao tornarem científico o conhecimento associado a ela. Durante o ano de 1857, o polonês Wojciech Jasterzebowski criou a obra “Esboço da Ergonomia ou Ciência do Trabalho, baseado sobre as verdadeiras avaliações das ciências da natureza”, onde o autor adotou o conceito da Ergonomia como a ciência de utilização das forças e das capacidades humanas (MOURA, 2001). O conceito de Ergonomia como disciplina nasceu logo após a Segunda Guerra Mundial, através do trabalho interdisciplinar realizado nessa época por diversos profissionais como engenheiros, fisiológicos, psicólogos, antropólogos e médicos. Os mesmos trabalharam juntos para resolver problemas causados pela operação de equipamentos militares complexos, e os resultados desse esforço foram satisfatórios, pois foram utilizados no pós-guerra (IIDA, 2005). Neste contexto, é inegável que a Ergonomia já era praticada e empregada desde a antiguidade, embora tenha seu surgimento formal em junho de 1949, onde foi criada a

19

primeira sociedade de Ergonomia do mundo, a Ergonomic Research Society, pelo engenheiro inglês Kenneth Frank Hywel Murrell (SILVA e PASCHOARELLI, 2010). Desta maneira, ocorreram ao longo do tempo diversas definições para Ergonomia. A Société d’ergonomie de langue française (SELF) em sua proposta, na década de 1970, constatou que a Ergonomia podia ser definida como a adaptação do trabalho ao homem, ou seja, fazer com que seus equipamentos e ferramentas de trabalho, gerassem um maior conforto, segurança e eficácia (FALZON, 2007). No Brasil, adotou-se a definição descrita pela Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO), onde a Ergonomia é considerada como o estudo das interações das pessoas com

a tecnologia objetivando a mudança, ou seja, fazer intervenções com vistas à preposição de

melhorarias de forma integrada e não dissociada, a saúde, segurança, conforto, bem-estar e a

eficácia das atividades dos trabalhadores. Já em 2000, a International Ergonomics Association (IEA) conceituou a Ergonomia

e suas especializações, e hoje é considerada como referência internacional.

A Ergonomia (ou Human Factors) é a disciplina científica que visa a compreensão fundamental das interações entre os seres humanos e os outros componentes de um sistema, e a profissão que aplica princípios teóricos, dados e métodos com o objetivo de otimizar o bem-estar das pessoas e o desempenho global dos sistemas (FALZON, 2007, p. 5).

A Ergonomia vem se desenvolvendo gradualmente, e já possui aproximadamente meio século, onde métodos foram criados e saberes próprios construídos (BOLIS, 2011). Sabe-se que o termo “Ergonomia” é derivado de duas palavras gregas: ergon (trabalho) e nomos (normas, regras, leis) e neste contexto, surgiram os ergonomistas, que são profissionais que praticam a Ergonomia, e buscam contribuir com a planificação, concepção e avaliação das tarefas, empregos, produtos, organizações, meios ambientes e sistemas, de modo a proporcionar para as pessoas um ambiente compatível com suas necessidades, capacidades e limites (FALZON, 2007).

De acordo com Iida (2005), os ergonomistas necessitam avaliar o trabalho dentro de uma organização de forma global, objetivando analisar os aspectos físicos, cognitivos, sociais, organizacionais, ambientais, entre outros, para assim se aprofundar em atributos específicos ou em características da interação humana, como é apresentado na Figura 1.

20

Figura

1 -

Áreas de especialização da Ergonomia

Ergonomia Física

Trata -se das características da

anatomia humana,

antropometria, fisiologia e

biomecânica, nas atividades

físicas. Analisa -se a postura, o

manuseio de materiais,

movimento repetitivos, LER,

DORT, projeto de postos de

trabalho, segurança e saúde do

trabalhador.

Ergonomia Cognitiva

Trata -se dos processos mentais,

tais como memória, percepção,

raciocínio e resposta motora, que

estão relacionados com as

interações das pessoas e aos

elementos do sistema. Analisa -se

a carga mental, as tomadas de

decisões, as interações do

homem -computador, estresse e

treinamento.

Ergonomia Organizacional

Trata -se da otimização dos

sistemas sócio -técnicos,

incluindo as estruturas

organizacionais, políticas e

processos. Analisam -se as

comunicações, o projeto de

trabalho, o trabalho

cooperativo, a cultura

organizacional e a gestão da

qualidade.

Fonte: Elaborada pela autora

Desta maneira, a Ergonomia tende a estudar tanto as condições que antecedem o trabalho, como também as consequências do mesmo e ainda as interações que vem a ocorrer entre o homem, à máquina e o ambiente durante a realização de sua jornada de trabalho (IIDA, 2005). Assim, a Ergonomia analisa e averigua os diferentes fatores que influenciam no desempenho do sistema produtivo de uma organização, como é mostrado na Figura 2, buscando ao mesmo tempo otimizar e adequar os processos e ambientes físicos de acordo com as condições psicofísicas do operador (KAWASE, 2006).

Figura 2 -

Diversos fatores que influem no sistema produtivo

Consequências do

Trabalho:

Fadiga, Estresse, Erros,

Acidentes

Posto de Trabalho Tarefas Máquinas Organiz. Ambiente do Trabalho Físico Subprodutos: Sucatas, Rejeitos, Lixo
Posto de
Trabalho
Tarefas
Máquinas
Organiz.
Ambiente
do Trabalho
Físico
Subprodutos:
Sucatas, Rejeitos,
Lixo

Entradas:

Matéria -prima

Energia (gasta)

Informações

Saídas:

Produtos

Energia (gerada)

Conhecimentos

Fonte: Adaptado de Iida (2005)

21

A Ergonomia se enquadra neste contexto, pois se concentra em dois objetivos principais: um centrado nas organizações e seu desempenho; e outro nas pessoas. Desta maneira, ela busca uma maior eficiência, produtividade, confiabilidade, qualidade, durabilidade, como também reduzir as consequências nocivas aos trabalhadores, como a fadiga, os erros, o estresse e os acidentes, concedendo assim, uma maior segurança, satisfação e saúde, durante as suas jornadas de trabalho (FALZON, 2007). Segundo Iida (2005), a Ergonomia pode contribuir de diversas maneiras para melhorar as condições de trabalho de uma organização e assim envolver profissionais de diversas áreas, como: médicos do trabalho; engenheiros de produção; de projeto; de segurança e manutenção; desenhistas industriais; analistas do trabalho; psicólogos; enfermeiros e fisioterapeutas; programadores de produção; administradores e compradores. E assim, com uma abordagem interdisciplinar destes profissionais, podem-se conseguir resultados ergonômicos mais rápidos e objetivos. Desta maneira e de acordo com o mesmo autor, se houver um trabalho cooperativo entre estes profissionais, as contribuições da Ergonomia podem ser muito grandes, e dependendo da ocasião como é feita, esta se classifica em Ergonomia de concepção, correção, conscientização e participação.

- Ergonomia de concepção: É considerada como a melhor opção quando se deseja fazer uma intervenção ergonômica, contribuindo de maneira eficaz e eficiente, desde o projeto do produto, máquina, ambiente ou sistema. Da mesma forma, que ela exige um maior conhecimento e experiência, pois se trabalha com situações hipotéticas;

- Ergonomia de correção: Esta é aplicada em situações reais, onde o objetivo principal é resolver problemas que norteiam a segurança, fadiga excessiva e doenças do trabalhador, ou mesmo a qualidade e quantidade da produção. No entanto, ela pode demandar um alto custo de implantação, e as melhorias serem de fácil implantação, como mudanças de posturas, colocação de dispositivos de segurança e aumento da iluminação, e ao mesmo tempo, se tornarem difíceis, nos casos como a redução da carga mental ou de ruídos;

- Ergonomia de conscientização: Seu objetivo principal é treinar o trabalhador para que ele possa identificar e corrigir os problemas no seu dia-a-dia, pois muitas vezes alguns problemas ergonômicos não são solucionados na Ergonomia de concepção, nem na fase de correção. Assim, quando surgir imprevistos, estes

22

trabalhadores vão estar dispostos e preparados para enfrentá-los. Vale destacar, que estes devem ser devidamente treinados, para trabalharem de forma segura e assim, verificar os fatores de risco que estão sujeitos, e que podem surgir a qualquer momento em um ambiente de trabalho;

-

Figura 3 -

Ergonomia de participação: Busca envolver o próprio trabalhador na solução de problemas ergonômicos, baseando-se no fato que os trabalhadores possuem um conhecimento prático, fazendo com que eles se envolvam de forma mais ativa na investigação dos problemas, como também estimular a realimentação das informações para as fases de conscientização, correção e concepção, como é apresentado na Figura 3.

Ocasiões da contribuição ergonômica

na Figura 3. Ocasiões da contribuição ergonômica Concepção Correção Conscientização

Concepção

Concepção Correção

Correção

Conscientização

Conscientização Participação

Participação

Correção Conscientização Participação Realimentações Fonte: Iida (2005) Vale destacar que as
Correção Conscientização Participação Realimentações Fonte: Iida (2005) Vale destacar que as

Realimentações

Fonte: Iida (2005)

Vale destacar que as contribuições da Ergonomia podem variar de acordo a abrangência do problema, pois pode ser analisado um sistema, ou apenas um posto de trabalho. No primeiro caso, a análise se detém no funcionamento global de uma equipe de trabalho, preocupando-se com a distribuição de tarefas entre o homem e a máquina e mecanização destas tarefas. Já com relação aos postos de trabalho, é feito um estudo ergonômico de apenas uma parte do sistema, onde é realizada a análise das tarefas, posturas, e movimentos dos trabalhadores, assim como, seus aspectos físicos e cognitivos (IIDA 2005). Para que a análise ergonômica possa ser realizada, é necessária a utilização de métodos e técnicas adequados a cada caso, isto é, a Ergonomia tem como base o sistema homem-máquina-ambiente, que leva a duas análises, uma baseada nas ciências naturais como a fisiologia, biologia, física e química, e a outra nas ciências sociais, como a psicologia, sociologia e antropologia. A escolha dos métodos e técnicas mais apropriados vai depender da experiência e habilidades do pesquisador, assim como os objetivos pretendidos, os recursos e os tempos disponíveis, para que assim se possa chegar aos resultados desejados (IIDA, 2005).

23

2.2 Análise ergonômica do trabalho

A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) surgiu na década de 1950, através dos estudos de pesquisadores franceses, sendo hoje desenvolvida principalmente na França, Bélgica e Suíça (BOLIS, 2011). Sua principal finalidade é transformar o trabalho, como também produzir conhecimentos, ou seja, realizar modificações de modo que estas venham a contribuir para uma melhor concepção dos postos de trabalho e para a saúde do trabalhador, logo, alcançar objetivos econômicos determinados pela organização (GUÉRIN et al., 2001). A AET é considerada como uma abordagem metodológica, proposta pela Ergonomia, classificada como um método bastante flexível, pois suas ferramentas para coletas de dados podem variar, e são escolhidas de acordo com o objetivo proposto (ABRAHÃO et al., 2009). Desta maneira, Bolis (2011), pressupõe que para a realização desta, é necessária a distinção entre dois aspectos: tarefa e atividade, que são respectivamente “o que se deve fazer, o que é prescrito pela organização, e o que é feito, o que o sujeito mobiliza para efetuar a tarefa” (FALZON, 2007, pg. 9). Neste contexto, Guérin et al., (2001), estabelece que a AET é organizada em cinco etapas: análise da demanda; análise da tarefa; análise da atividade; diagnóstico e recomendações, conforme é apresentada na Figura 4. O autor afirma que uma ação ergonômica comumente decorre de uma demanda antecipadamente explorada, e que após ser detectada é realizada uma proposta de ação, com o objetivo de estabelecer os resultados previstos e desejados, os meios necessários, assim como os prazos estimados. Contudo, o autor estabelece que no início de análise ergonômica do trabalho, muitas vezes torna-se necessário à formulação de hipóteses, estas ajudarão o ergonomista a selecionar as situações de trabalho que realmente devem ser estudadas. Logo após, deve ser realizada uma observação aberta, isto é, entender o processo técnico e as tarefas que os trabalhadores desenvolvem, assim como examinar suas estratégias, para que posteriormente seja realizado um pré-diagnóstico, ou seja, novas hipóteses devem ser formuladas. A partir desse ponto deve ser instituído um plano de observação, com o intuito de averiguar, valorizar e evidenciar suas hipóteses, e destas observações poderá ser elaborado um diagnóstico local útil para a empresa, assim como um diagnóstico geral, buscando relacionar as situações mais críticas locais com os aspectos mais gerais da organização em estudo.

24

Figura 4 -

Esquema geral da abordagem

Das primeiras formulações da demanda à identificação dos fatores gerais em jogo: análise da demanda
Das primeiras formulações da demanda à identificação dos fatores gerais em jogo:
análise da demanda e do contexto, reformulação da demanda
Exploração do funcionamento da empresa e de seus traços: características
da
população, da produção, indicadores relativos à eficácia e à saúde.
Hipóteses de nível 1 : escolha das situações a analisar
Análise do processo técnico e das tarefas
(observações abertas)
Interação com
os
operadores,
Formulação de um
papel das
pré-diagnóstico
entrevistas e
Hipóteses
Definição de
das
de nível 2
um plano de
Observações
observação
sistemáticas
Tratamento
dos dados
Validação
Diagnóstico:
- diagnóstico local incidindo sobre a(s) situação(ões) analisada(s) em detalhe
- mas igualmente um diagnóstico global incidindo sobre o funcionamento mais

Fonte: Guérin (2001)

2.2.1 Análise da demanda

Uma ação ergonômica inicia-se através de um procedimento singular, isto é, de acordo como uma demanda previamente estabelecida. Esta, em diversas ocasiões pode vir a apresentar seus objetivos confusos e imprecisos, onde muitas vezes é necessária e essencial à análise e reformulação desta abordagem. Assim, a análise da demanda propõe-se a formalizar os diversos conhecimentos; compreender problemas relacionados aos operadores; criar pontos de partidas para as fases seguintes; analisar e avaliar a magnitude dos problemas levantados e por fim, identificar diversas soluções para os problemas (ABRAHÃO, 2009). A formulação inicial da demanda é estabelecida de acordo com os problemas a serem resolvidos, e sua análise visa rever e organizá-los. Estas questões quando alocadas na fase da instrução da demanda, implicam em uma maior quantidade possível de pontos de vista, sobre o problema inicialmente colocado (ABRAHÃO, 2009). Neste contexto, busca-se afrontar essas questões para dar-se início a uma ação que visa enriquecer a demanda, permitindo hierarquizar os diversos problemas expostos, articulá-los entre si, e muitas vezes apresentar outros (GUÉRIN et al., 2001).

25

Assim, a demanda é considerada o ponto de partida para uma ação ergonômica, podendo ter origem das mais variadas fontes, como da direção empresa; de uma comissão de fábrica; de uma organização profissional ou sindical, entre outras. No entanto, sempre é preciso a realização de uma análise, para que possa ser estabelecido seu objeto de estudo e suas possibilidades de ação (GUÉRIN et al., 2001). Outro fator importante é a delimitação do campo de estudo, que segundo Abrahão (2009), é estabelecido por imposições de prazo, definidos pela organização em estudo, onde se deve considerar a complexidade dos problemas, assim como as diferentes soluções para os mesmos. Portanto, é de suma importância realizar o levantamento sobre as informações da empresa que será estudada, para compor o quadro do contexto sociotécnico, conforme é apresentado na Figura 5.

Figura 5 -

Levantamento de informações gerais

População: Dimensão institucional: Idade, gênero; Produto, serviços; Formação, experiência; Evolução dos
População:
Dimensão institucional:
Idade, gênero;
Produto, serviços;
Formação, experiência;
Evolução dos serviços;
Tempo de trabalho;
Exigência de qualidade;
Jornada de trabalho;
Exigências legais;
Treinamento.
Políticas de gestão.
Perfil epidemiológico:
Outros dados:
Estado de saúde;
Exigências legais;
Queixas;
Localização;
Problemas de saúde;
Sazonalidade;
Acidentes.
Clima;
Alimentação.

Fonte: Abrahão et al (2009)

De acordo com o mesmo autor, estes fatores tornam-se relevantes, pois permitem ao ergonomista compreender e conhecer melhor o funcionamento e especificidades das instituições estudadas, antes de dar início ao processo de observação, permitindo e avaliando seu contexto, definindo o processo, como também avaliar suas dificuldades e implicações de ação. Neste ponto, deve começar o levantamento de toda a documentação da empresa, isto é, sua dimensão econômica, as características da população, o perfil epidemiológico, as exigências legais e as tarefas, como também começar os primeiros contatos com os trabalhadores da situação a ser estudada.

26

2.2.2 Análise da tarefa

Um dos focos da Ergonomia é a análise da tarefa, considerada como uma importante área de estudo, que foi explorada por vários estudiosos ao longo da história humana (SILVA e PASCHOARELLI, 2010). Para Guérin et al., (2001), as tarefas são um conjunto de objetivos propostos aos operadores, isto é, um planejamento do trabalho a ser executado, podendo estar definidos nesta, os modos de operação, instruções e normas de segurança, buscando sempre atingir os objetivos assumidos. São representadas na Figura 6 as várias definições com relação à noção de tarefa, entre elas esta a tarefa explicita (prescrição explícita) e a tarefa esperada ou (prescrição implícita) (FALZON, 2007).

Figura 6 -

Da tarefa à atividade

Tarefa Prescrita Quem Tarefa Tarefa prescreve Esperada Divulgada (implícita) (explícita) Tarefa Compreendida
Tarefa
Prescrita
Quem
Tarefa
Tarefa
prescreve
Esperada
Divulgada
(implícita)
(explícita)
Tarefa
Compreendida
Operador
Tarefa
Apropriada
Tarefa Efetiva
Atividade

Fonte: Falzon (2007)

A primeira consiste na tarefa que é oficialmente prescrita. Já a segunda é a tarefa que realmente é executada, ou seja, quando se leva em consideração a impetuosidade dos acasos técnicos e organizacionais. Contudo, é a tarefa prescrita que se supõe que o operador execute implícita ou explicitamente (FALZON, 2007).

27

Dentro deste contexto, e de acordo com o mesmo autor, que se tem como resultado a tarefa efetiva, considerada pelos ergonomistas o resultado da aprendizagem dos operadores, isto é, aquilo que eles assimilam para si mesmos, como sendo seus objetivos e restrições. Por fim, ainda existe outra constatação referente à representação das tarefas prescritas aos operadores (VEYRAC, 1998 apud FALZON, 2007) e discriminam a tarefa compreendida, considerada como “o que o operador pensa que se pediu a ele para fazer”, e a tarefa apropriada, definida pelo trabalhador, através do seu discernimento da tarefa compreendida. Neste âmbito, surge a regulação, definida pelo autor Falzon (2007), como sendo um mecanismo para controle e comparação dos resultados de um processo de produção, e dentro da Ergonomia é aplicado de duas formas: regulação de um sistema, onde é o operador que atua como comparador e regulador de um sistema técnico e a regulação da própria atividade humana, em que o operador regula suas atividades, ou seja, busca alcançar seus objetivos, cumprindo sua tarefa. Portanto, para que ocorra a regulação, primeiramente deve ser considerado o objeto em que ela pretende incidir.

2.2.3 Análise da atividade

Analisar uma atividade de trabalho é relacionar o desempenho do trabalhador, quando o mesmo está realizando uma tarefa, isto é, a atividade deve avaliar como o trabalhador procede para realizar o que lhe foi proposto. Assim, as atividades buscam estabelecer uma interdependência entre os componentes de uma situação de trabalho, e desta maneira unificá-la, ou seja, por em ação e estabelecer suas dimensões técnicas, econômicas e sociais do trabalho (GUÉRIN et al., 2001). Segundo Iida (2005), as atividades são influenciadas por alguns fatores internos e externos. O primeiro deles está diretamente relacionado ao trabalhador, ou seja, suas características, formação, experiências, idade, sexo, ao mesmo tempo com seus fatores intrínsecos, como a motivação, vigilância, sono e a fadiga. Com relação aos fatores externos, estes fazem menção às condições em que as atividades estão sendo executadas, classificados como: conteúdo do trabalho, organização do trabalho e meios técnicos. As análises das atividades possuem decorrência de um procedimento de adequação e regulação entre os diversos fatores que envolvem uma situação de trabalho, como é mostrado na Figura 7. Esta apresenta por um lado, o trabalhador com suas características, e por outro a organização, com suas normas, organização do trabalho, seus objetivos, entre outros. Já no

28

centro, é descrito uma relação entre esses dois contextos trabalhador e empresa isto é, o estatuto do trabalhador e seu salário, as tarefas e suas atividades (GUÉRIN et al., 2001). O autor afirma que durante a prática de sua atividade o operador deve consolidar um acordo entre: os objetivos estabelecidos na produção, assim como a sua competência de realizar tais objetivos.

Figura 7 -

Sequência da atividade do trabalho

Características pessoais

Sexo, idade,

características físicas

Conhecimentos

Escolaridade, formação

profissional, experiência

Estado momentâneo

Estresse, sono, fadiga,

motivação

Contrato Salários
Contrato
Salários

Meios técnicos

Posto de trabalho,

máquinas

equipamentos

Meios humanos

Chefia, grupos, liderança

Organização

Cargos, horários, turnos,

planejamento, controles

Ambiente

Temperatura, iluminação,

ruídos, gases

Tarefas prescritas Tarefas reais
Tarefas
prescritas
Tarefas
reais
Atividade de trabalho
Atividade de
trabalho

Saúde, erros, acidentes,

absenteísmos

Produção

Qualidade

Fonte: Guérin (2001)

2.2.4

Diagnóstico

O diagnóstico deve ser proposto ao final de uma análise da atividade, ou até mesmo de várias situações de trabalho, onde é papel do ergonomista estabelecer um diagnóstico local, com relação a estas situações, como também proporcionar um diagnóstico mais geral, contendo aspectos do funcionamento global de uma organização (GUÉRIN et al., 2001). De acordo com os autores, o diagnóstico local é um resultado imprescindível quando se analisa uma situação de trabalho, sendo conduzido pelos fatores identificados durante a análise da demanda, buscando assim, sintetizar os resultados das observações, medidas e explicitações providas dos funcionários. Deste modo, afirmam que o diagnóstico direciona os

29

fatores que devem ser considerados para conceder uma modificação na situação de trabalho averiguada. Os autores asseguram que o diagnóstico proposto pelo ergonomista não visa ser o único, e sim, que outros pontos de vista devam ser sugeridos, para que uma haja uma comparação entre as diferentes situações de trabalho que existiam antes de sua ação, e assim, possam ser elaboradas soluções para os problemas encontrados, sendo recomendado pelos autores que o mesmo tenha uma prescrição breve. Assim, quando se realiza uma análise do trabalho, habitualmente, apresenta -se recomendações, e desta forma, Guérin et al., 2001 orientam o ergonomista a acompanhar todo o processo de transformação, pois isso condicionará a maneira como será formulado o diagnóstico global e consequentemente a divulgação deste na empresa. Contudo, o ergonomista não deve limitar o diagnóstico nos fatores imediatamente apurados e sim buscar contribuir com uma transformação rápida da situação de trabalho investigada. A formulação do diagnóstico geral deve basear-se essencialmente no diagnóstico local, que foi consumado em uma ou várias análises de situações de trabalho. São propostos pelos autores, que neste item, haja uma extensão dos problemas apresentados no diagnóstico local, problemas estes, que foram constatados nas fases de análise da demanda e apresentação do funcionamento da empresa.

2.2.5 Proposição de melhorias

Posteriormente a elaboração do diagnóstico, o próximo passo é a realização das recomendações, que auxiliarão na concepção para as possíveis transformações do trabalho. Assim sendo, uma ação ergonômica ocorre quando há necessidade de elaborar soluções para problemas expostos na demanda (ABRAHÃO, 2009). A AET é considerada pelos autores, como um processo sistêmico em que os determinantes de uma tarefa são múltiplos, com diferentes imagens. Torna-se possível a execução de soluções associadas aos aspectos físicos do posto de trabalho, as características das ferramentas, a arquitetura dos sistemas de informação, a divisão de tarefas, a organização dos tempos de trabalho, as características do ambiente de trabalho, entre outros, proporcionando a criação de soluções conforme o cenário estudado (ABRAHÃO, 2009).

30

Os autores afirmam que deve se tomar grande cuidado com relação às mudanças dentro da organização do trabalho, como a concepção de pausas, que pode vir a causar alguns obstáculos, se não houver outras medidas para evitar maiores perdas, como a obtenção de maiores vantagens nos equipamentos, na manutenção, na movimentação dos produtos e insumos. Outro fator mencionado pelos autores são as trocas de ferramentas, que pode vir a melhorar a qualidade e a produtividade, no entanto, não deve causar um aumento no ritmo de trabalho, visto que poderá ocasionar uma degradação do trabalho.

A implantação e a concepção de mudanças em um ambiente de trabalho devem ser

realizadas com cautela, pois ainda não é possível prever a nova situação. Assim, as recomendações devem ser complementadas por um projeto, isto é, resultado do processo de concepção, onde deverá conter todos os atores sociais envolvidos em todo o processo de análise (ABRAHÃO, 2009). Os autores ainda destacam que numa avaliação ergonômica é importante a análise em médios e longos prazos, pois assim é possível analisar o que realmente mudou e o que esta melhor tanto para os trabalhadores, como para a produção. Portanto, quanto mais convicção dos conceitos de Ergonomia, do respeito aos trabalhadores, for anexado ao universo da produção, maiores serão as chances de diminuir o sofrimento patogênico no trabalho e as perdas por improdutividade.

2.3 A postura na rotina de trabalho

A adoção de posturas inadequadas durante uma jornada de trabalho pode gerar fadiga

e eventualmente vir a causar transtornos musculoesqueléticos, sendo que elas dependem fortemente da natureza da tarefa ou do posto de trabalho. Dessa forma, as posturas prolongadas podem vir a prejudicar os músculos e as articulações, o que faz com que as cargas estáticas ou posturais sejam fatores que devem ser considerados na análise das condições de trabalho. Neste contexto, para que ocorra uma redução nos esforços envolvidos na postura ou então, possíveis correções, diversos métodos práticos de registro e análise de postura foram propostos, mostrando-se como uma das alternativas fundamentais a se adotar para a melhoria dos postos de trabalho.

31

2.3.1 OWAS (Ovako Working Posture Analysis System)

O método OWAS foi desenvolvido na Finlândia pelos autores Karhu, Kansi e Kuorinka, entre os anos de 1974 e 1978, em conjunto com o Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional, sendo considerado um dos métodos mais tradicionais para uma avaliação ergonômica. Surgiu da necessidade de uma análise com vistas a identificar as posturas nas quais as tensões no corpo são julgadas como perigosas, durante a realização de uma atividade (JUNIOR, 2006). Os pesquisadores e autores do método, que trabalhavam em uma indústria siderúrgica, iniciaram um estudo com análises fotográficas das posturas mais prevalecentes neste ambiente de trabalho e assim, descobriram 72 posturas típicas que decorreram de diversas combinações das posições das costas, braços e pernas, respectivamente com quatro, três e sete posições típicas. Após esta etapa, foram avaliadas as posturas quanto ao desconforto do trabalhador (IIDA, 2005). Kivi e Mattila (1991), afirmam que o método OWAS pode ser utilizado nos seguintes casos: avaliação ergonômica padronizada sobre uma carga postural; planejamento e melhorias nos postos e métodos de trabalho, ferramentas e máquinas usadas; ser utilizado para o planejamento do trabalho para pessoas com deficiência; e por fim, ser aplicado em pesquisas científicas. Os mesmos autores apontam que este é um método simples e útil, designado para uma avaliação ergonômica relativa à carga postural e sua aplicação gera bons resultados, como a melhoria dos postos de trabalho, assim como aumenta a qualidade de produção, consequente das melhorias aplicadas. Concomitante ao exposto, os autores afirmam que o método é facilmente adaptável para uma análise em um posto de trabalho, sendo capaz de avaliar um grande número de posturas, como também vários postos de trabalho. Com relação a sua aplicação, ele é aplicado por meio de análise de uma atividade em intervalos variáveis ou constantes, observando-se a frequência e o tempo despendido em cada postura. A sequência de passos para aplicação do método é sumarizada na Figura 8.

32

Figura 8 -

Caminhos para a aplicação do método OWAS

Etapa 1 Determinar se a observação da tarefa deve ser dividida em várias fases ou
Etapa 1
Determinar se a observação da tarefa deve ser dividida em várias fases ou
etapas, para assim, facilitar a observação.
Estabelecer o tempo total de observação da tarefa (entre 20 e 40 minutos).
Etapa 2
Determinar a duração dos intervalos de tempo em que se dividirá a observação
Etapa 3
(o método propõe intervalos de tempo entre 30 e 60 segundos).
Etapa 4
Identificar, durante a observação da tarefa ou fase, as diferentes posturas que
o trabalhador adota. Para cada postura, determinar a posição das costas, dos
braços e das pernas, assim como a carga levantada.
Etapa 5
Codificar as posturas observadas, atribuindo a cada posição e carga os valores
das pontuações correspondentes e estabelecer assim, o "Código de postura".
Etapa 6
Calcular para cada "Código de postura", a Categoria de risco que pertence, a
fim de identificar as posturas mais críticas ou de maior nível de risco.
Etapa 7
Calcular a porcentagem de repetições ou frequência relativa de cada posição
das costas, braços e pernas, respectivamente aos outros membros.
Etapa 8
Determinar, em função da frequência relativa de cada posição a Categoria de
Risco que pertence as costas, braços e pernas.
Determinar, em função dos riscos calculados, as ações corretivas e o
Etapa 9
redesenho dos postos de trabalhos necessários.
Etapa
1 0
No caso de ter ocorrido trocas, avaliar novamente a tarefa, juntamente como
método OWAS para comprovar a eficácia da melhoria.

Fonte: Más e Cuesta (2012)

Para a aplicação de tal método, primeiramente ocorre à coleta dos dados, ou seja, realiza-se uma observação “in loco” do trabalhador, podendo ser utilizadas ferramentas como:

registros fotográficos, vídeos da atividade desenvolvida, devendo ser observado todo o ciclo, em atividades cíclicas e, nas atividades não cíclicas ser observado um período mínimo de trinta segundos. Considera-se durante a observação, a fase da atividade de maior interesse, onde são atribuídos valores e um código de seis dígitos, indicando respectivamente, a posição das costas, braços, pernas, carga ou uso de força, e os dois últimos a fase do trabalhador. Posteriormente a definição das posturas laborais, calcula-se e classifica-se o nível do risco, ou seja, a carga de trabalho segundo quatro categorias. Com base na categoria obtida, aponta-se o risco ou desconforto de cada parte do corpo (costas, braços e pernas), atribuindo

33

em função da frequência relativa de cada posição uma categoria de risco para cada parte do corpo.

Assim, a codificação e a classificação das posturas, propostas pelo método OWAS, começa com a determinação da posição para as costas, considerada como o primeiro dígito. Deve-se determinar se a posição adotada pela mesma encontra-se ereta, dobrada, com giro, ou dobrada e com giro. Seu valor respectivo pode ser encontrado na Figura 9.

Figura 9 -

Codificação para a posição das costas

Primeiro dígito do Código de Postura

Posição das costas

1

Costas ereta: O eixo do tronco do trabalhador está alinhado com quadris das pernas do eixo

2

Costas dobrada: Há flexão do tronco

3

Costas com giro: Existe torção do tronco ou inclinação superior a 20°

4

Costas dobradas com giro: Existe torção do tronco e giro (ou inclinação) de forma simultânea

Fonte: Karhu et al. (1977)

Após, é analisada a posição dos braços, considerada como o segundo digito do código, conforme é apresentada na Figura 10.

Figura 10 - Codificação para a posição dos braços

Segundo dígito do Código de Postura

Posição dos braços

1

Braços baixos: Ambos os braços do trabalhador estão abaixo do nível dos ombros.

 

Um braço baixo e o outro elevado: Um braço do trabalhador

2

esta abaixo do nível dos ombros e outro, situado acima do nível dos ombros

3

Dois braços elevados: Ambos os braços (ou parte dos braços) do trabalhador estão situados acima do nível dos ombros.

Fonte: Karhu et al. (1977)

O terceiro dígito a ser avaliado é com relação à posição das pernas, finalizando a análise com relação ao corpo humano, consideram-se sete posições relevantes, conforme é mostrado na Figura 11.

34

Figura 11 - Codificação para a posição das pernas

Terceiro dígito do Código de Postura

Posição das pernas

1

Sentado

2

De pé com as pernas retas e com o peso equilibrado entre ambas

3

De pé com uma perna reta e a outra flexionada com o peso equilibrado entre ambas

4

De pé ou agachado com as pernas flexionadas e o peso equilibrado entre ambas

5

De pé ou agachado com as pernas flexionadas e o peso desequilibrado entre ambas

6

Ajoelhado

7

Andando

Fonte: Karhu et al. (1977)

O quarto dígito está relacionado com a carga que o trabalhador levanta e consequentemente a postura que este adota, quando realiza suas atividades. A Figura 12 apresenta esta relação.

Figura 12 - Codificação da carga e força suportada

Quarto dígito do Código de Postura

Cargas e forças suportadas

1

Menos de 10 Kg

2

Entre 10 e 20 Kg

3

Mais de 20 Kg

Fonte: Karhu et al. (1977)

O quinto e o sexto código de postura servem para identificar a fase em que esta ocorrendo às observações, no entanto, os autores afirmam que este valor só terá sentido, para as observações em que o avaliador decide dividir a tarefa em estudo em mais de uma fase, ficando a critério do avaliador determinar estes valores. A seguir são definidas as categorias de risco, onde o método classifica em quatro níveis, e cada um deles, determina qual é o possível efeito sobre o sistema músculo- esquelético do trabalhador, assim como a ação corretiva a considerar em cada caso, conforme é apresentada na Figura 13.

35

Figura 13 - Categorias dos riscos e ações corretivas

Categoria de

Efeitos sobre o sistema músculo-esquelético

Ação corretiva

Risco

 

Postura normal sem efeitos

 

1

prejudiciais para o sistema músculo- esquelético.

Não requer ação

Postura com possibilidade de causar

As ações corretivas são necessárias no futuro próximo.

2

prejuízos ao sistema músculo- esquelético.

3

Postura com efeitos prejudiciais para

A ação corretiva é necessária

o sistema músculo-esquelético.

o mais rápido possível.

 

A carga causada pela postura tem

 

Uma ação corretiva é necessária imediatamente.

4

efeitos extremamente prejudiciais para o sistema músculo-esquelético.

 

Fonte: Karhu et al. (1977)

Finalizada a etapa descrita, ou seja, conhecida a codificação para as posturas e conhecido o nível do risco, deve-se realizar a atribuição com relação à categoria do risco, correspondente a cada código de postura. É apresentado no Apêndice A uma representação para calcular a categoria do risco para cada possível combinação da posição das costas, braços, pernas e a carga levantada. Calculando o nível do risco para cada postura, já pode ser realizado uma análise, no entanto, este método considera a análise das frequências relativas das diferentes posições para as costas, braços e pernas. Assim, deve-se calcular o número de vezes que estas posições se repetem com relação aos outros durante o tempo total de observação, isto é, sua frequência relativa. Posteriormente a realização deste cálculo, o último passo é determinar a categoria de risco em que se englobam cada posição, conforme a Figura 14. Depois de realizado os cálculos para cada posição, o método permite que o avaliador identifique no trabalhador, as partes do corpo que lhe proporciona um maior incomodo e desconforto, para que assim, possa promover as ações corretivas necessárias. A desvantagem que o método OWAS apresenta é a pouca especificação, ou seja, não gera detalhes suficientes quando aplicados a certas atividades laborais, não considerando, por exemplo, o pescoço, punhos e o antebraço, sendo mais voltado para o tronco e ombros. Já quanto às vantagens apresentadas é uma ferramenta de fácil aprendizado e utilização, que realiza uma rápida avaliação a respeito das posturas adotadas pelos trabalhadores, procurando solucionar os problemas com urgência e reduzindo assim, sua gravidade.

36

Figura 14 - Categorias de ação para as posturas do trabalhador segundo sua frequência relativa

 

Duração Máxima (% jornada de trabalho)

10 20

30

40

50

60

70

80

90

100

 

1. Costas Reta

1 1

1

1

1

1

1

1

1

1

COSTAS

2. Costas Inclinada

1 1

1

2

2

2

2

2

3

3

3. Costas Reta e Torcida

1 1

2

2

2

3

3

3

3

3

4. Costas Inclinada e Torcida

1 2

2

3

3

3

3

4

4

4

BRAÇOS

1. Dois braços baixos

1 1

1

1

1

1

1

1

1

1

2. Um braço para cima

1 1

1

2

2

2

2

2

3

3

3. Dois braços para cima

1 1

2

2

2

2

2

3

3

3

 

1. Duas pernas retas

1 1

1

1

1

1

1

1

1

2

2. Uma perna reta

1 1

1

1

1

1

1

1

2

2

PERNAS

3. Duas pernas flexionadas

1 1

1

2

2

2

2

2

3

3

4. Uma perna flexionada

1 2

2

3

3

3

3

4

4

4

5. Uma perna ajoelhada

1 2

2

3

3

3

3

4

4

4

 

6. Deslocamento com as pernas

1 1

2

2

2

3

3

3

3

3

7. Duas pernas suspensas

1 1

1

1

1

1

1

1

2

2

Fonte: Iida (2005)

2.3.2 RULA (Rapid Upper Limb Assessment)

O método Rula foi desenvolvido em 1993 pelos doutores McAtamney e Corlett da

Universidade de Nottingham, no Instituto de Ergonomia Ocupacional, com o objetivo de

avaliar a exposição dos trabalhadores aos fatores de risco que podem vir a ocasionar

transtornos nos membros superiores do corpo, assim como realizar uma análise de posturas,

repetitividade dos movimentos, forças aplicadas, atividade sob condição de postura estática do

sistema musculoesquelético, entre outros fatores durante a execução de uma tarefa

(McATAMNEY, CORLETT, 1993).

Os autores do método afirmam que esta avaliação pode ser realizada diretamente

sobre o trabalhador, sendo fundamentalmente medidas angulares, com o uso de equipamentos

que permitam tal medição. Uma segunda opção é a utilização de fotografias tiradas da posição

dos trabalhadores com relação às suas posturas e assim medir os ângulos impostos a eles.

Ressalta-se aqui que se for utilizada a coleta de dados através de fotografias, é necessário um

número suficiente para se obter diferentes ângulos, como também assegurar que estes estejam

em escala real nas imagens. Assim, a Figura 15 apresenta a sequência de passos para

aplicação do método.

37

Figura 15 - Caminhos para a aplicação do método RULA

Etapa 1 Determinar os ciclos de trabalho e observar o trabalhador durante vários estados destes
Etapa 1
Determinar os ciclos de trabalho e observar o trabalhador durante vários
estados destes ciclos.
Etapa 2
Selecionar as posturas que foram avaliadas.
Etapa 3
Determinar, para cada postura, se será avaliado o lado esquerdo do corpo ou o
lado direito (em caso de dúvida avaliam -se ambos).
Etapa 4
Determinar as pontuações para cada parte do corpo.
Etapa 5
Obter a pontuação final do método e o nível de ação para determinar a
existência de riscos.
Etapa 6
Revisar as pontuações das diferentes partes do corpo para determinar onde é
necessário aplicar correções.
Etapa 7
Redesenhar o posto ou realizar trocas para melhorar a postura se for
necessário.
Etapa 8
Em caso de haver realizado trocas avaliar novamente a postura com o método
RULA para comprovar a eficácia da melhoria.

Fonte: Más e Cuesta (2012)

Para a aplicação do método é necessário uma observação das atividades do trabalhador durante sua jornada de trabalho, para posteriormente selecionar as tarefas e posturas consideradas mais significativas. Vale destacar, que se a jornada de trabalho for longa, podem-se realizar avaliações em intervalos regulares, considerando-se também o tempo que o trabalhador permanece em cada postura. McAtamney e Corlett (1993) recomendam que este método seja aplicado separadamente com relação aos lados direito e esquerdo do corpo humano, onde se divide o mesmo em dois grupos, A e B. O primeiro deles inclui os membros superiores (braços, antebraços e pulsos), já o segundo é composto pelas pernas, tronco e pescoço. Os resultados são gerados através de tabelas que associadas às partes do corpo citadas anteriormente, geram uma pontuação, e com base nesses pontos, ocorre à atribuição de valores para cada um dos grupos A e B. Os mesmos autores afirmam que este método deve ser aplicado conforme o registro das diferentes posturas de trabalho e devem ser classificadas de acordo com um sistema de escores preestabelecidos. Assim, divide-se o corpo humano em seções, e o mesmo recebe um escore numérico variando de 1 (um) à 9 (nove) de acordo a postura apresentada pelo

38

trabalhador, e aumenta conforme eleva-se o risco. Considera-se 1 como o risco mínimo de uma possível lesão e 9 como o escore máximo, com o maior risco de lesão. Com relação ao grupo A, representado pelos membros superiores: braços, antebraços e pulsos, primeiramente deve-se medir o ângulo destes com relação ao eixo do tronco, conforme é apresentado no Apêndice B e sua pontuação será obtida conforme a Figura 16 - .

Figura 16 - Pontuação para o braço

Pontuação

Posição

1

Entre 0° a 20° de extensão ou de 0° a 20° de flexão

2

Extensão >20° ou Flexão entre 20° e 45°

3

Flexão entre 45° e 90°

4

Flexão >90°

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Esta pontuação poderá ser modificada, podendo ocorrer o aumento ou a diminuição deste valor, ou seja, se o trabalhador permanecer com o ombro elevado ou realizar rotações no braço, e até mesmo estiver com o braço em abdução, acrescenta-se mais 1 na pontuação, ao mesmo tempo, se o trabalhador estiver com o braço apoiado, deve-se diminuí-la, conforme apresentado na Figura 16 - 7.

Figura 17 - Modificações sobre a pontuação do braço

Pontuação

Posição

+1

Se o ombro estiver elevado ou o braço torcido

+1

Se o braço estiver em abdução

-1

Se o braço estiver apoiado

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

A pontuação para o antebraço ocorre de forma similar ao do braço, isto é, em função da posição do trabalhador. O Apêndice B apresenta estas possibilidades, que após definida, ou seja, determinada a posição do antebraço do trabalhador com relação ao ângulo correspondente, deve-se analisar a 18, para realizarem-se as respectivas pontuações.

Figura 18 - Pontuação para o antebraço

Pontuação

Posição

1

Flexão entre 60° e 100°

2

Flexão 60°> e >100°

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Existem dois casos em que esta pontuação poderá ser modificada, são elas: se o antebraço cruzar a linha mediana do corpo, ou se o operador realizar suas atividades ao lado

39

desta linha. O Apêndice B apresenta estas posições e a Figura 16 - 9 mostra as modificações da pontuação do antebraço.

Figura 19 - Modificação da pontuação do antebraço

Pontuação

Posição

+1

Se a projeção vertical do antebraço se encontra mais além que a projeção vertical do corpo

+1

Se o antebraço cruzar a linha central do corpo

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Para finalizar a pontuação dos membros superiores, deve-se analisar a posição dos punhos, e assim, determinar o grau de flexão dos mesmos. No Apêndice B são apresentados as três formas para o pulso que o método considera e na Figura 16 - 20 as pontuações correspondes.

Figura 20 - Pontuação para o pulso

Pontuação

Posição

1

Se estiver na posição neutra com relação à flexão

2

Se estiver flexionado ou estendido entre 0° e 15°

3

Para flexão ou extensão maior que 15°

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Vale ressaltar que o valor da pontuação do pulso também pode ser modificado, isto é, com relação ao desvio, que pode ocorrer tanto ulnar como radialmente, conforme é apresentado no Apêndice B e Figura 16 - 21.

Figura 21 - Modificação da pontuação do pulso

Pontuação

Posição

+1

Caso ocorra desvio ulnar ou radial

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Logo após ser obtida a pontuação do pulso, deve-se analisar o giro do mesmo, de acordo com a Figura 16 - . Vale destacar, que este novo escore será independente da pontuação obtida anteriormente, não devendo ser adicionado à mesma. Posteriormente esta pontuação será avaliada na análise global do grupo A.

40

Figura 22 - Pontuação para o giro do pulso

Pontuação

Posição

1

Se o pulso estiver na metade do giro máximo de torção

2

Se o pulso estiver próximo do limite máximo de torção

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Após serem avaliadas e analisadas as pontuações dos membros superiores, torna-se necessário a avaliação do grupo B, onde se encontram as pernas, o tronco e o pescoço. Quanto ao pescoço, primeiramente analisa-se a flexão deste membro, conforme Apêndice B, e posteriormente a pontuação respectiva, de acordo com a Figura 16 - 23.

Figura 23 - Pontuação para o pescoço

Pontuação

Posição

1

Se existe flexão entre 0° e 10°

2

Se esta flexionado entre 10° e 20°

3

Para flexão maior que 20°

4

Se estiver estendido

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Se o trabalhador apresentar inclinação lateral ou rotacional, a pontuação poderá ser acrescida, conforme apresenta a Figura 16 - 24.

Figura 24 - Modificação da posição do pescoço

Pontuação

Posição

+1

Se o pescoço estiver rotacionado

+1

Se há inclinação lateral

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Quanto ao tronco, é necessário saber se o trabalhador realiza suas atividades sentado ou em pé. Caso seja em pé, precisa-se indicar o grau de flexão do tronco, conforme apresentado no Apêndice B. Logo após deve ser selecionado a pontuação adequada, de acordo com a Figura 16 - 25.

Figura 25 - Pontuação para o tronco

Pontuação

Posição

1

Sentado, bem apoiado e com um ângulo entre o tronco e quadris > 90°

2

Se estiver flexionado entre 0° e 20°

3

Se estiver flexionado entre 20° e 60°

4

Se estiver flexionado mais que 20°

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

41

Esta pontuação ainda poderá sofrer alterações se ocorrer uma torção ou inclinação lateral do tronco, que podem ocorrer independentes uma da outra, acarretando em um aumento de duas unidades, conforme mostra a Figura 16 - .

Figura 26 - Modificação da pontuação do tronco

Pontuação

Posição

+1

Se houver torção do tronco

+1

Se houver inclinação lateral do tronco

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Para as pernas, o método não tem como objetivo a análise e avaliação dos ângulos e sim, a distribuição do peso entre as mesmas, assim como os apoios existentes e as posições sentado ou em pé, conforme Apêndice B. Na Figura 16 - 27, é apresentada a sua pontuação.

Figura 27 - Pontuação para as pernas

Pontuação

Posição

1

Sentado, com pés e pernas bem apoiados

1

De pé com o peso simetricamente distribuído e espaço para trocar de posição

2

Se os pés não estão apoiados ou se o peso não está simetricamente distribuído

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

Após serem identificadas as pontuações para os membros dos grupos A e B de forma individual, deve-se realizar uma análise global para ambos os grupos. Para o grupo A é apresentada as pontuações na Tabela A, ou seja, com relação aos braços, antebraço, pulso e giro do pulso. Logo após, na Tabela B, é apresentada as pontuações globais para o grupo B, isto é, para o pescoço, tronco e pernas. Vale destacar que estas tabelas encontram-se no Apêndice B. Assim, as pontuações dos grupos A e B aumentam em um ponto se a atividade desenvolvida pelo trabalhador for principalmente estática, mantendo-se por mais de um minuto seguido, ou se for repetitiva, isto é, repete-se mais de quatro vezes por minuto. Se a tarefa ocorrer de maneira ocasional, ou seja, de pouca duração e pouco freqüente, considera- se a atividade dinâmica e assim as pontuações não são modificadas. Além disso, para considerar as forças exercidas ou a carga executada, se adiciona aos valores encontrados anteriormente, a pontuação respectiva, de acordo com a Figura 16 - 28.

42

Figura 28 - Pontuação para as atividades musculares e forças exercidas

Pontuação

Posição

0

Se a carga ou força é menor que 2Kg e se realiza intermitentemente

1

Se a carga ou força esta entre 2Kg e 10Kg e se levanta intermitentemente

2

Se a carga ou força esta entre 2Kg e 10Kg e é estática ou repetitiva

2

Se a carga ou força é intermitentemente e superior a 10 Kg

3

Se a carga ou força é superior a 10 Kg e é estática ou repetitiva

3

Se é produzido choques ou forças bruscas ou repentinas

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

A pontuação final do grupo A é obtida através da adição correspondente as atividades musculares e as forças aplicadas, que passará a ser denominada como pontuação C. Da mesma forma, para o grupo B, também deve ser adicionada as pontuações obtidas anteriormente, e se chamará pontuações D, sendo encontrada desta maneira, a pontuação final global que oscilará entre 1 e 7, sendo maior quando mais elevado for o risco de lesão. Esta pontuação pode ser encontrada na Tabela C, do Apêndice B. Após conhecida a pontuação final, pode ser obtida o nível de atuação que deve ser realizado, de acordo com a Figura 16 - 29, onde o avaliador determinará se a tarefa realizada é considerada aceitável, ou se é necessário um estudo mais aprofundado no posto de trabalho estudado. Permitindo, desta maneira, priorizar os trabalhos que devem ser investigados, onde o avaliador consegue encontrar os problemas ergonômicos do posto, e assim realizar as devidas melhorias.

Figura 29 - Nível de atuação segundo a pontuação final obtida

Nível

Atuação

1

Quando a pontuação final é 1 ou 2 a postura é aceitável

2

Quando a pontuação final é 3 ou 4 podem requerer trocas na tarefa, é conveniente aprofundar o estudo

3

Quando a pontuação final é 5 ou 6, requer o redesenho da tarefa, é necessário realizar atividades de investigação

4

Quando a pontuação final é 7, requer trocas urgentes no posto de trabalho ou da tarefa.

Fonte: McAtamney & Corlett (1993)

A sequência de passos para aplicação do RULA pode ser sumarizada conforme apresentado na Figura 30.

43

Figura 30 - Diagrama para o cálculo das pontuações do método RULA

Braço Antebraço Pulso Giro do pulso
Braço
Antebraço
Pulso
Giro do pulso
Pescoço Pernas Tronco
Pescoço
Pernas
Tronco
Pontuação Global Grupo A Muscular Cargas ou Forças
Pontuação
Global Grupo A
Muscular
Cargas ou
Forças

AtividadePontuação Global Grupo A Muscular Cargas ou Forças Pontuação Muscular Cargas ou Forças Atividade Fonte:

Pontuação Muscular Cargas ou Forças
Pontuação
Muscular
Cargas ou
Forças

Atividade Forças Atividade Pontuação Muscular Cargas ou Forças Fonte: Adaptado de Mc Atamney e Corlett (1993) Pontuação

Fonte: Adaptado de Mc Atamney e Corlett (1993)

Pontuação CAtividade Fonte: Adaptado de Mc Atamney e Corlett (1993) Pontuação Final Pontuação D De acordo com

Fonte: Adaptado de Mc Atamney e Corlett (1993) Pontuação C Pontuação Final Pontuação D De acordo
Fonte: Adaptado de Mc Atamney e Corlett (1993) Pontuação C Pontuação Final Pontuação D De acordo
Pontuação Final
Pontuação Final
Mc Atamney e Corlett (1993) Pontuação C Pontuação Final Pontuação D De acordo com Maia (2008),

Pontuação DMc Atamney e Corlett (1993) Pontuação C Pontuação Final De acordo com Maia (2008), o método

Corlett (1993) Pontuação C Pontuação Final Pontuação D De acordo com Maia (2008), o método RULA

De acordo com Maia (2008), o método RULA apresenta diversas vantagens entre eles encontram-se a possibilidade de uma avaliação inicial com um grande número de trabalhadores, baseando-se na observação direta das posturas, não exigindo, portanto, o uso de equipamentos especiais. Outras vantagens proporcionadas é que o estudo pode ser realizado sem a interrupção do trabalho, como também vir a fornecer uma classificação do posto de trabalho estudado quanto à prioridade de intervenção. A principal desvantagem consiste no fato do método realizar uma análise somente nos membros superiores, e mesmo que as observações sejam realizadas com relação ao corpo como um todo, torna-se necessário a associação com outros métodos para uma análise mais completa (MAIA, 2008).

2.4 Fatores psicofisiológicos no trabalho

O emprego dos conhecimentos da Ergonomia na organização do trabalho pode ser aplicado buscando reduzir a monotonia, a fadiga, os erros e o estresse dos trabalhadores e assim, obter um ambiente de trabalho mais cooperativo, pois tais fatores, se não tratados acabam influenciando na execução das tarefas e, consequentemente nos desempenhos das mesmas (IIDA, 2005).

44

Vale ressaltar que tanto a monotonia quanto a fadiga, sempre estão presentes dentro do ambiente de trabalho, e não se consegue eliminar tais elementos por completo, no entanto, os mesmos podem ser controlados e substituídos por um ambiente mais interessante e motivador. Outros fatores como a idade, o sexo e a deficiência física no trabalho também são importantes dentro de uma análise ergonômica (IIDA, 2005).

2.4.1 Estresse ocupacional e fadiga

Nos dias atuais, com o avanço da tecnologia, da competitividade e com rápidas mudanças, como o risco de perder o emprego, entre outros fatores do dia -a-dia, os trabalhadores vivem em situações cada vez mais estressantes. Assim, torna -se necessário a realização de uma análise e averiguação de tais problemas, para que se bem estudados, venham produzir efeitos saudáveis aos trabalhadores (IIDA, 2005). Para Kroemer e Grandjean (2005), o estresse é uma divergência entre o que é demandado ao trabalhador e sua capacidade para realizá-lo. Contudo, uma dose de estresse pode vir aumentar a motivação do funcionário e levá-lo a atingir seus objetivos, no entanto, se ocorrer ao contrário, se tais demandas ultrapassarem as habilidades e conhecimentos dos trabalhadores, isto os levará ao tédio, como também ao descontentamento. Iida (2005) destaca que diversos fatores podem ser causadores do estresse, dentro do ambiente de trabalho, e seus efeitos são cumulativos. Assim, suas principais causas são apresentadas na Figura 31:

Figura 31 - Causas do estresse

Coteúdo do trabalho Pressões Sentimentos econômico- de sociais incapacidade Fatores Condições
Coteúdo do
trabalho
Pressões
Sentimentos
econômico-
de
sociais
incapacidade
Fatores
Condições
organizacionais
de trabalho

Fonte: Adaptado de Iida (2005).

Assim, conforme observado, o estresse possui diferentes causas e efeitos aos trabalhadores, e consequentemente torna-se difícil estabelecer uma maneira única para evitar

45

ou combater o mesmo. Entretanto, algumas medidas podem ser adotadas e assim, amenizar tal fator, são elas: redesenhar os postos de trabalho, mantendo os contatos sociais; oferecer treinamento, principalmente aos novos trabalhadores; oferecer ajudas e proporcionar exercícios de relaxamento aos funcionários. Com relação à fadiga, esta é considerada o resultado de um trabalho contínuo que ocasiona ao trabalhador uma perda reversível de sua capacidade, como também uma diminuição qualitativa do seu trabalho. Ocorre assim, uma redução da força, instigado por uma deficiência de irrigação sanguínea no músculo, não permitindo que o oxigênio chegue em quantidade suficiente, iniciando um acúmulo de ácido lático, potássio, calor, dióxido de carbono e água dentro do mesmo, que são formados no metabolismo (IIDA, 2005). O autor ainda afirma que a fadiga pode ser ocasionada por diversos fatores, sendo eles: fatores fisiológicos, como a proporção e a durabilidade do esforço físico e mental; fatores psicológicos, como a monotonia e a falta de motivação; e fatores ambientais e sociais, como a iluminação, ruído, temperatura, como também os relacionamentos sociais dentro da organização. No entanto, a fadiga é considerada reversível, quando há períodos para descanso, a mesma pode ser superada, ou crônica, quando não é aliviada apenas com pausas e repousos. Com relação à fadiga fisiológica, esta é o resultado do acúmulo de ácido lático nos músculos, como explicada anteriormente, e assim quando o trabalhador exerce uma atividade muscular muito excessiva, a produção do ácido lático torna-se maior que a capacidade do sistema respiratório para retirá-lo, ocasionando assim, um desequilíbrio. Da mesma forma, a fadiga também resulta do enfraquecimento das economias de energia, consequência do baixo teor de açúcar no sangue (IIDA, 2005). Os fatores psicológicos da fadiga se apresentam de forma mais abundante, ou seja, não se revelam de forma localizada, assim como o cansaço geral, o desenvolvimento de maior irritabilidade e desinteresse no trabalho, a suscetibilidade a fome, calor, frio ou a má postura. Nesta diretriz, encontram-se relacionadas com este tipo de fadiga a monotonia, a motivação, o estado de saúde e os relacionamentos sociais, como também atividades que exigem pouco empenho físico, isto é, trabalhadores que executam atividades mentais (IIDA, 2005). Para Kroemer e Grandjean (2005) a fadiga classifica-se em fadiga muscular e fadiga geral. A fadiga muscular esta relacionada com uma redução do desempenho muscular, ou seja, redução da força e da velocidade, sendo gerada a partir do aumento do esforço, até que o estímulo não produza respostas, aumentando os erros, assim como os acidentes de trabalho. Já a fadiga geral esta relacionada com um sentimento generalizado de cansaço, onde os

46

trabalhadores não possuem motivação para realizarem tanto o trabalho físico como o mental,

por se sentirem pesados e indolentes.

Os autores ainda destacam que além das fadigas apresentadas, esta se classifica em

outros tipos, são elas: a fadiga visual; geral; mental; nervosa, crônica e circadiana. Assim, esta

classificação consiste, em parte, na causa e, em parte na maneira como a mesma se manifesta.

No entanto, a fadiga pode ter distintas causas, como é apresentado na Figura 32, mostrando

que a fadiga é um resultado de todos os estresses do dia a dia, onde a soma das exigências

deve corresponder a soma da recuperação, em um ciclo de 24 horas. Assim, para que o barril

não venha a transbordar é necessário que a saúde, a eficiência e os processos de recuperação

devam anular os processos de estresse.

Figura 32 - Apresentação esquemática do somatório dos efeitos das causas da fadiga do dia - a-dia e a correspondente e necessária recuperação

Causas psíquicas: Intensidade e duração do responsabilidade, trabalho físico e mental ansiedade ou conflitos
Causas psíquicas:
Intensidade e duração do
responsabilidade,
trabalho físico e mental
ansiedade ou conflitos
Ambiente: clima,
Doenças e
luz e ruído
dores
Ritmo
Alimentação
circadiano
RECUPERAÇÃO
NÍVEL DE FADIGA

Fonte: Adaptado de Kroemer e Grandjean (2005).

Destaca-se entre os principais sintomas da fadiga, sendo eles tanto subjetivos quanto

objetivos: a sensação de cansaço, sono, exaustão, falta de coordenação ao realizar o trabalho,

dificuldades ao pensar, redução da atenção, percepção e força de vontade, assim também

atenuação no desempenho de atividades tanto físicas, como mentais (KROEMER E

GRANDJEAN, 2005). Neste contexto, os autores evidenciam a importância para com os

períodos de recuperação, o mesmo acontece especialmente durante o sono noturno, como

também em períodos de descanso durante o dia. Assim, este ciclo entre a fadiga e a

47

recuperação é essencial que aconteça entre um período de 24 horas, fazendo com que não comprometa o bem estar e a eficiência do dia seguinte do trabalhador.

2.4.2 Tédio, monotonia e motivação

A monotonia e a motivação são processos que estão fundamentalmente ligados a fadiga, podendo vir agravar ou amenizar tal fator. O autor ainda ressalta que esses processos são consequências do estímulo ambiental, e assim, pode se classificar o ambiente em monótono ou motivador (IIDA, 2005). Para Kroemer e Grandjean (2005), monótono é o local onde há ausência de estímulos, e consequentemente, as reações dos trabalhadores a tal ambiente é denominado tédio. Deste modo, o tédio é caracterizado por uma condição mental complexa, ou seja, ocorre uma redução na ativação dos centros nervosos e assim, uma sensação de esgotamento, exaustão e sono. As causas que originam uma sensação tédio podem ter duas diferentes formas, sendo elas: trabalhos muito repetitivos e de longa duração, como também processos que exijam uma vigilância contínua (KROEMER E GRANDJEAN, 2005). Com relação à monotonia, Iida (2005), descreve que a mesma pode ser ocasionada tanto por fatores fisiológicos e psicológicos. No primeiro caso, o autor explica que os órgãos dos sentidos são mais suscetíveis a alterações das excitações, tornando-se indiferentes as excitações sucessivas permanentes. Para os fatores psicológicos, é importante que o ambiente de trabalho desafie e estimule o trabalhador, pois assim o mesmo se sentirá satisfeito e motivado, e ainda executará suas atividades com um maior interesse e bom rendimento. Estudos comprovam que com a redução da satisfação no trabalho, este fato conduz para a monotonia. Assim, um exemplo destes estudos é a pesquisa realizada por Wyatt e Marriot (1956) apud Iida (2005), onde os autores entrevistaram 340 funcionários de uma fábrica automobilística A e 217 na fábrica B, e criaram uma escala para medir a satisfação com o trabalho, determinando o grau de interesse, a monotonia e a satisfação em três tipos organização constatada nessas empresas, sendo elas: o ritmo constante, realizado com uma correia transportadora; o ritmo irregular; e o trabalho livre, onde cada trabalhador realiza suas atividades de acordo com o próprio ritmo. Assim, os autores realizaram um “índice de satisfação” apresentado na Figura 33, a partir das respostas dos 557 trabalhadores e de suas auto-avaliações.

48

Figura 33 - Opiniões dos trabalhadores, sobre três tipos diferentes de organização do trabalho

   

Linha de Produção (motorizada)

Linha de Produção (não-motorizada)

Trabalho

 

Trabalho

Fábrica

Livre

   

A 35%

56%

67%

O

trabalho é interessante

 

B 34%

57%

94%

   

A 54%

42%

39%

O

trabalho é entediante

 

B 55%

37%

42%

   

A 0,53

0,92

0,96

Índice de satisfação

 

B 0,57

1,00

1,17

Fonte: Wyatt e Marriot (1956) apud Iida (2005)

Este estudo mostrou que os índices de satisfação e interesse no trabalho livre é

praticamente o dobro quando comparado a linha de produção motorizada, isto é, ao ritmo

constante e a linha de produção com ritmo irregular apresenta valores intermediários com

relação aos outros dois processos apresentados. Desta forma, se for imposto ao trabalhador

um ritmo constante, este apresentará os piores resultados quando realizado neste mesmo tipo

de situação (IIDA, 2005).

Com relação à motivação, esta é um fator que faz com que o ser humano persista até

atingir um determinado propósito ou objetivo, podendo ser em curto ou longo prazo, mas que

não consegue ser realizado somente através de conhecimento e experiência, e sim através de

alguma coisa que impulsione e determine dando vontade e garra para continuar, deste modo,

esse processo chama-se motivação (IIDA, 2005).

O autor ainda destaca que a habilidade relaciona-se com o domínio e experiência do

trabalhador, e a motivação, é a decisão de executar o trabalho. Para que uma tarefa

considerada monótona e rotineira seja transformada em outra, mais atraente e

consequentemente motivadora, alguns fatores podem ser executados, entre eles: o

estabelecimento de metas; realização de desafios aos trabalhadores, assim como informá-los e

recompensá-los.

2.5 Fatores físico-ambientais no trabalho

Os fatores ambientais podem prejudicar a saúde, a segurança e o conforto dos

trabalhadores, dentro de uma organização e sua origem pode ser de natureza física ou

química, tais como: ruídos, vibrações, iluminação, clima, substâncias químicas, radiação, e

poluição microbiológica, como bactérias e fungos (DUL; WEERDMEESTER, 2004). Para

49

Iida (2005), além de causar um grande desconforto e ocasionar problemas a saúde das pessoas, um ambiente desfavorável intensifica a probabilidade de ocorrerem acidentes.

2.5.1

Ruído

Para ruído existem distintas concepções, uma delas considera o mesmo como um som indesejável, no entanto, pode-se afirmar que esse mesmo som pode ser desejável para algumas pessoas e indesejável para outras. Neste contexto, outra definição mais operacional, considera o ruído como um “estímulo auditivo que não contém informações úteis para a tarefa em execução”. Já fisicamente, o ruído é considerado como uma combinação complexa de vibrações, medido em escala logarítmica, e sua unidade é o decibel (dB) (IIDA, 2005). Contudo, existem normas que regulamentam o nível de exposição ao ruído, como a NHO 01 (Norma de Higiene Ocupacional) (OSHA, 1980) que prescreve critérios e procedimentos para avaliar a exposição ocupacional ao ruído contínuo ou intermitente e ao ruído de impacto ou impulsivo, assim como, a NR 15 (MTE, 1978), que trata sobre as Atividades e Operações Insalubres dentro de um ambiente de trabalho. Assim, sabe-se que o principal sintoma quando se tem uma presença elevada no nível de ruído é a surdez, onde o trabalhador começa primeiramente a sentir dificuldades cada vez maiores para entender a linguagem nos ambientes barulhentos, podendo provocar uma redução na concentração e uma interferência na comunicação, ocorrendo também em ambientes com níveis de ruídos considerados relativamente baixos (DUL; WEERDMEESTER, 2004). A NR 15 determina os limites máximos de tolerância para os níveis de ruído dentro do ambiente de trabalho, para que esses efeitos possam ser reduzidos, conforme apresenta a Figura 34.

Figura 34 - Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente

Nível de Ruído dB (A) Máxima

Exposição Diária

Nível de Ruído dB (A) Máxima

Exposição Diária

Permissível

Permissível

85

8

h

98

1 h e 15 min.

86

7

h

100

 

1 h

87

6

h

102

45

min.

88

5

h

104

35

min.

89

4 h e 30 min.

105

30

min.

90

4

h

106

25

min.

50

91

3

h e 30 min.

108

20

min.

92

 

3 horas

110

15

min.

93

2 h 40 min.

112

10

min.

94

2 h e 15 min.

114

8

min.

95

 

2 h

115

7

min.

96

1 h e 45 min.

   

Fonte: NR-15 (MTE, 1978)

Desta maneira, como apresentado, a norma prevê que para uma jornada diária de trabalho, com duração de oito horas, o nível de ruído máximo permissível é de 85 dB(A), e conforme aumenta-se a intensidade, o tempo de exposição deve ser reduzido, sendo o limite máximo 115 dB(A) para um tempo de exposição de sete minutos diários.

Para contornar tal problema, existem algumas maneiras que podem ser aplicadas para que haja uma redução ou eliminação dos efeitos nocivos dos fatores ambientais, tais como:

redução do ruído na fonte, redução do ruído pelo projeto e organização do trabalho e utilização de proteção nos ouvidos. A primeira delas é considerada como umas das principais formas para diminuir tal ruído, podendo ser realizada com a seleção de métodos e máquinas mais silenciosas, como também a manutenção e confinamento das maquinas mais ruidosas.

A segunda pode ser realizada com a separação do trabalho barulhento com o

silencioso, como também manter uma distância que seja suficiente da fonte de ruído, com a utilização de barreiras acústicas, como o teto e piso acústico. Por fim, a terceira opção é a utilização de protetores auriculares, que devem ser adaptados ao ruído e ao usuário (DUL; WEERDMEESTER, 2004).

2.5.2

Iluminação

As recomendações para uma boa e agradável visibilidade dependem da intensidade

de luz que incidir sobre uma superfície de trabalho, é expresso em lux e varia conforme as atividades a serem desenvolvidas. Já a luminância ou brilho, é representada pela quantidade de luz refletida para os olhos, é medida em candela por m² (cd/m²) (DUL; WEERDMEESTER, 2004). Assim, avaliar a iluminação em um posto de trabalho significa quantificar a iluminância, isto é, o fluxo luminoso recebido por unidade de área, para posteriormente realizar uma comparação com os valores mínimos que a legislação brasileira estabelece como

51

também obter as condições adequadas de iluminação as determinadas atividades realizadas em tais locais (SESI, 2007). Os autores afirmam que para mensurar a quantidade de luz, é preciso realizar distinções entre a luz ambiental, a iluminação ambiental e a iluminação especial. No primeiro caso, uma luz ambiental de 10 a 200 lux já é satisfatório para locais que não exigem trabalhos exigentes, tais como: corredores, depósitos e lugares que não requerem leituras. Para tarefas normais, uma intensidade de luz de 200 a 800 lux é suficiente, tarefas essas, como a leitura de livros, montagem de peças e operações com máquinas. Neste contexto, as tarefas especiais exigem uma intensidade luminosa de 800 a 3000 lux, isto é, quando existir grandes necessidades visuais, deve-se aumentar o nível de iluminação e assim, aplicar um foco de luz diretamente sobre o trabalho proposto. No entanto, deve buscar evitar grandes diferenças de brilho entre objetos ou superfícies no campo visual se tornam inadequados, assim, na Figura 35 é apresentado o que acontece com a percepção diante das diferenças de brilho.

Figura 35 - Razões de brilho entre figura e fundo não devem ser muito elevadas

Razão de brilho figura/fundo

Percepção da figura

1

Imperceptível

2

Moderada

10

Alta

30

Bem alta

100

Exagerada, desagradável

300

Desagradável ao extremo

Fonte: DUL e WEERDMEESTER (2004)

Os autores dividem o campo visual em três níveis de brilho, sendo elas: área da tarefa, área circunvizinha e ambiente geral. A regra é simples, a diferença do brilho entre a área da tarefa e a área circunvizinha não podem ser superiores a três vezes, e a diferença entre a área da tarefa e o ambiente geral não pode ser superior a dez vezes, para que não venha a causar fadiga e incômodos visuais, mas também os autores asseguram que algumas diferenças muito pequenas devem evitadas, pois semelhanças e homogeneidade causam monotonia e acaba dificultando a concentração. Vale ressaltar que a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), em sua norma - Iluminância de Interiores (NBR 5413) – descreve que esta é o “limite da razão do fluxo luminoso recebido pela superfície em torno de um ponto considerado, para a área da superfície quando esta tende para o zero”. Neste contexto, esta norma descreve a iluminância

52

por classe de tarefas visuais, como também por tipo de atividade, a primeira delas é apresentada na Figura 36.

Figura 36 - Iluminâncias por classe de tarefas visuais

Classe

Iluminância (luz)

Tipo de atividade

 

20 - 30 50

Áreas públicas com arredores escuros

A

 

Orientação simples para permanência curta

Iluminação geral para áreas

50 - 75 100

 

Recintos não usados para trabalho contínuo; depósitos

usadas interruptamente ou com tarefas visuais simples

100

- 150 200

   
 

200

- 300 500

Tarefas com requisitos visuais limitados, trabalho bruto de maquinaria, auditórios

B

500 - 750 1000

Tarefas com requisitos visuais normais, trabalho médio de maquinaria, escritórios

Iluminação geral para área de trabalho

1000

- 1500 2000

Tarefas com requisitos especiais, gravação manual, inspeção, indústria de roupas.

C

2000

- 3000 5000

Tarefas visuais exatas e prolongadas, eletrônica de tamanho pequeno

Iluminação adicional

 

Tarefas visuais muito exatas, montagem de Microeletrônica

para tarefas visuais difíceis

5000 - 7500 10000

10000 - 15000 20000

Tarefas visuais muito especiais, cirurgia

Fonte: NBR 5413

Esta norma recomenda que para definir os valores para a iluminância, deve se considerar alguns fatores, conforme observados na Figura 37.

Figura 37 - Fatores determinantes da iluminância adequada

Características da tarefa e do observador

 

Pontuação

 

-1

 

0

+1

Idade

Inferior a 40 anos

40

a 55 anos

Superior a 55 anos

Velocidade e precisão

Sem importância

Importante

Crítica

Refletância do fundo da tarefa

Superior a 70%

30

a 70%

Inferior a 30%

Fonte: NBR 5413

Conforme apresentado, a iluminância é determinada por três fatores, onde primeiramente, analisam-se cada uma das características e assim, é determinada sua pontuação. Logo após, soma-se os respectivos valores encontrados, algebricamente, isto é, considerando-se o sinal. Por fim, utiliza-se o valor da iluminância inferior, quando o valor total encontrado for igual a -2 ou -3; é utilizado o valor da iluminância superior, quando a soma for +2 ou +3; e a iluminância média, nos outros casos. Na iluminância por tipo de atividade, consideram-se três valores, onde geralmente utiliza-se o valor do meio. Neste trabalho, consideram-se apenas as atividades das centrais elétricas e tratamento de carvão, apresentados na Figura 38.

53

Figura 38 - Iluminância por tipo de atividade

 

Tipo de atividade

Iluminância (luz)

 

Equipamento de ar condicionado, instalação de ventilação, condensadores de cinza, instalação ventiladora para fuligem e cinza;

100

- 150 - 200

Ferramentas acessórias, como baterias acumuladoras, tubulações alimentadoras de caldeiras, compressores e jogos de instrumentos afins;

100

- 150 - 200

Centrais

Plataformas de caldeiras; alimentação de combustível; transportadores de carvão, trituradores e instalação para pó de carvão;

 

elétricas

100

- 150 - 200

Embasamento da turbina; sala da turbina; - instalações de hidrogênio e CO; salas para amolecimento de água;

100

- 150 - 200

Laboratório químico; salas de controle (quadro distribuidor) e salas grandes de controle centralizado;

300

- 500 - 750

Salas pequenas de controle simples.

200

- 300 - 500

Tratamento

Trituração, peneiramento, lavagem

150

- 200 - 300

de carvão

Classificação (correia transportadora)

200

- 300 - 500

Fonte: Adaptado da NBR 5413

É extremamente necessário planejar corretamente a iluminação e as cores, aumentando assim, a satisfação dos funcionários em seu ambiente de trabalho, melhorando a produtividade, reduzindo a fadiga, como também os acidentes (IIDA, 2005). Contudo, os autores Kroemer e Grandjean (2005) destacam que proporcionar uma boa iluminação é um trabalho que pode ser facilmente compreendido, e que pode ser tecnicamente bem realizado, dependendo dos esforços realizados pelo ergonomista. Para que haja uma melhoria na iluminação, a intensidade luminosa deve ser satisfatória e suficiente sobre os objetos, como também buscar evitar diferenças excessivas de brilho nos campos visuais (DUL; WEERDMEESTER, 2004). Desta maneira, os autores propõem a melhorar a legibilidade das informações, assim como harmonizar a iluminação do local com a luz ambiental, ou utilizar a luz natural para o ambiente, como também quebrar as incidências de luz que refletem diretamente nos olhos e buscar evitar reflexos e sombras, que podem ser diminuídos com a utilização da luz difusa, evitando também oscilações de luz fluorescente.

2.5.3 Conforto térmico

Um clima confortável dentro de um ambiente de trabalho é aquele que agrada e satisfaz a diversas condições, entre elas: temperatura do ar, calor radiante, velocidade do ar e umidade relativa, como também fatores relacionados ao trabalhador como a atividade física

54

desenvolvida e o vestuário utilizado (DUL; WEERDMEESTER, 2004). Iida (2005), afirma que muitas vezes o local de trabalho pode oferecer condições muito desfavoráveis para o trabalhador e que se exposto diariamente a temperaturas elevadas, seu organismo começa a adequar-se a muitas transformações fisiológicas, como o aumento do ritmo cardíaco e da temperatura média do corpo. Dul e Weerdmeester (2004), destacam que o conforto térmico vai depender de cada indivíduo e, sempre que possível o clima deve ser regulado conforme o interesse dos mesmos. Assim, são apresentadas, na Figura 39, as faixas de conforto para diversos tipos de atividades, e as mesmas foram elaboradas com uma umidade relativa de 30 e 70%, com uma velocidade do ar inferior a 0,1 m/s e com utilização de roupas normais. Os autores ainda evidenciam que no Brasil, provavelmente as temperaturas podem ser aumentadas de 3 a 5 graus, para estarem mais confortáveis, pois as mesmas foram realizadas em um clima temperado.

Figura 39 - Temperaturas do ar recomendadas para vários tipos de esforços físicos

Tipo de trabalho

Temperatura do ar (°C)

Trabalho intelectual, sentado

18

a 24

Trabalho manual leve, sentado

16

a 22

Trabalho manual leve, em pé

15

a 21

Trabalho manual pesado, em pé

14

a 20

Trabalho pesado

13

a 19

Fonte: DUL e WEERDMEESTER (2004)

Os autores ainda afirmam que os fatores que afetam o conforto térmico é o ar estar muito úmido, isto é, acima de 70% ou muito seco, abaixo de 30%. No primeiro caso, pode causar diversos problemas, entre eles: irritações nos olhos e mucosas, como também riscos de incêndios e choques, assim como interferências em alguns equipamentos. Já no segundo caso, ou seja, quando o ar estar saturado, o mesmo dificulta a evaporação do suor, causando desconfortos para trabalhos mais pesados. No entanto, este problema pode ser resolvido de maneira simples: retirando ou adicionando água no ambiente estudado. Para evitar um maior desconforto térmico, DUL e WEERDMEESTER (2004), determinam que o ergonomista deva buscar sempre que possível, evitar superfícies radiantes muito quentes, ou muito frias, como também não existir correntes de ar, principalmente se esta for superior a 0,1 m/s, como também evitar frio e calor muito excessivo, pois podem causar uma sobrecarga energética no corpo, especialmente nos pulmões e coração, assim como ocasionar uma queimadura ou congelamento.

55

Os objetos e materiais utilizados pelos trabalhadores não devem estar muito quentes ou frios, assim os autores recomendam que materiais metálicos devam estar em uma temperatura acima de 5°C, podendo estar abaixo desta temperatura, apenas materiais isolantes, como plástico e madeira. Por este motivo, na Figura 40 são mostrados os tempos máximos para contato em superfícies quentes, evitando assim queimaduras na pele.

Figura 40 - Temperaturas do ar recomendadas para vários tipos de esforços físicos

Tipo de material

Temperatura do ar (°C)

Duração

do contato

Metais

50

Até 1 minuto

Vidros, cerâmicas, concreto

55

Até 1 minuto

Plásticos, madeira

60

Até 1 minuto

Todos os materiais

48

Até 10 minutos

Todos os materiais

43

Até 8 horas

Fonte: DUL e WEERDMEESTER (2004)

Assim, torna-se necessário um controle para as temperaturas tanto quentes como frias, e para que isso seja possível, Dul e Weerdmeester (2004), propõem alguns critérios, tais como: procurar agrupar tarefas que exigem o mesmo esforço físico; ajustar as tarefas conforme o clima externo; ajustar a velocidade do ar; reduzir os efeitos do calor radiante; limitar a exposição ao calor ou frio muito intenso e utilizar roupas apropriadas. Assim, com essas medidas, é possível reduzir os impactos negativos do clima quanto ao conforto térmico em um ambiente de trabalho. Além da norma NR 15 também existe a Norma de Higiene Ocupacional (NHO 06) que avalia a exposição ocupacional ao calor, para que não acarrete em uma sobrecarga térmica aos trabalhadores. Esta norma, ainda permite determinar o Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG), considerada como a “média ponderada no tempo dos diversos valores de IBUTG obtidos em um intervalo de 60 minutos corridos”, podendo ser medido com a utilização de equipamento convencional ou com equipamento eletrônico. A norma prescreve o cálculo deste índice, com relação aos ambientes internos ou externos sem carga solar direta, deve ser calculado pela Equação 1, já para ambientes externos com carga solar direta, pela Equação 2.

IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg

(1)

IBUTG = 0,7 tbn + 0,2 tg + 0,1 tbs

(2)

onde, tbn: temperatura de bulbo úmido natural em °C

56

tg: temperatura de globo em °C tbs: temperatura de bulbo seco (temperatura do ar) em °C

Para complementar, a norma NHO 06 ainda disponibiliza alguns dados constantes, para determinar as taxas metabólicas relativas às várias atividades físicas que o trabalhador possa exercer. Já a norma NR 15 descreve os limites máximos de exposição que o trabalhador pode estar sujeito, e em caso contrário, ou seja, com valores acima desses pode vir a causar danos à saúde dos mesmos, conforme apresentado na Figura 41.

Figura 41 - Limites de exposição ao calor, com períodos de descanso no próprio local

Regime de trabalho e de descanso

Tipo de atividade

 

Leve (°C)

Moderada (°C)

Pesada(°C)

Trabalho contínuo

até 30,0

até 26,7

até 25,0

45

min trabalho

     

15

min descanço

30,1 a 30,6

26,8 a 28,0

25,1 a 25,9

30

min trabalho

     

30

min descanço

30,7 a 31,4

28,1 a 29,4

20,6 a 27,9

15

min trabalho

     

45

min descanço

31,5 a 32,2

29,5 a 31,1

28,0 a 30,0

Trabalho com exigências de medidas adequadas de controle

acima de 32,2

acima de 31,1

acima de 30,0

Fonte: NR 15 Quadro 1 do Anexo 3 Ministério do Trabalho

Assim, o índice IBUTG leva ainda em consideração o tipo de atividade desenvolvida, podendo ser leve, moderada ou pesada, que pode ser avaliada segundo sua classe ou por tarefa executada (quantificando a tarefa em kcal/h). Neste sentido, a legislação brasileira prevê um regime de trabalho (Trabalho/Descanso) em função do valor do IBUTG e do tipo de atividade de acordo com duas situações: regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local e regime de trabalho intermitente com descanso em outro local. Tais tempos de descanso são os períodos trabalhados para todos os fins legais. Onde a determinação dos tipos de atividade por classes ou a quantificação de calor metabólico são dadas pela Figura 42.

Figura 42 - Taxas de Metabolismo por Tipo de Atividade (NR-15)

Tipo de atividade

Kcal/h

SENTADO EM REPOUSO

100

TRABALHO LEVE

Sentado, movimentos moderados com braços e tronco; exemplo:

125

datilografia.

Sentado, movimentos moderados com braços e pernas; exemplo: dirigir.

150

57

De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, principalmente com os braços.

150

TRABALHO MODERADO

Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas.

180

De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação.

175

De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação.

220

Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar.

300

TRABALHO PESADO

Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar peso; exemplo:

440

remoção com pá.

Trabalho fatigante.

550

Fonte: NR 15 Quadro 3 do Anexo 3 Ministério do Trabalho

Sabe-se que o clima, mas principalmente a temperatura e a umidade ambiental são fatores que influenciam diretamente na execução das atividades e trabalho. Assim, diversas pesquisas foram realizadas, mas especificamente uma realizada numa mina de carvão, realizada pelos autores Bredford e Vernon (1922) apud Iida (2005) comprovou que é extremamente necessário realizar pausas a partir de 19°C e que esse índice aumenta consideravelmente a partir de 24°C, e que após 20°C a frequência relativa de acidentes também aumenta. Esta pesquisa também mostrou que a 28°C a eficiência do trabalho era 41% menor do que a 19°C e que abaixo desta temperatura, tanto as pausas como o índice de acidentes aumentaram, no entanto, bem lentamente. Vale destacar que esses dados foram mais acentuados em trabalhadores acima de 45 anos (IIDA, 2005).

2.6 Fatores organizacionais no trabalho

A organização no trabalho esta é disposta geralmente de forma estruturada, conforme observada na Figura 43 (DUL; WEERDMEESTER, 2004).

Figura 43 - Desdobramento representativo desde o nível organizacional até o nível das ações

Organização Cargos Tarefas Ações / Atividades
Organização
Cargos
Tarefas
Ações /
Atividades

Fonte: Adaptado de DUL e WEERDMEESTER (2004)

58

Assim, tal desdobramento representa que as atividades realizadas pelos trabalhadores são interligadas entre si, mas divididas em diversos setores. Entretanto, as pessoas que trabalham em tais setores, desempenham um determinado cargo, e assim, executam determinadas tarefas e ações. Iida (2005) destaca que um dos maiores problemas enfrentados pelos funcionários são os relacionados com o estresse, fadiga e monotonia, entre outros, que geralmente são ocasionados por exigências, alta concorrência e até mesmo algumas divergências. No entanto, estes fatores podem ser amenizados se houver uma correta distribuição de tarefas, uma boa seleção e treinamento dos trabalhadores, assim como a determinação de um plano salarial e de carreira, mas, sobretudo a importância de manter um bom relacionamento com os mesmos. O autor ainda destaca a importância de uma boa alocação do trabalhador em uma equipe de trabalho e a influencia do trabalho noturno e suas significativas e consideráveis diferenças do trabalho diurno. Em um projeto organizacional, primeiramente é necessário definir os cargos e tarefas para depois estabelecer os objetivos da organização. Logo após, é importante a realização da descrição de todas as tarefas, para que assim sejam cumpridos os objetivos propostos (DUL e WEERDMEESTER, 2004). Para Iida (2005), cargo pode ser definido como todas as obrigações que devem ser desempenhadas pelo trabalhador, ou seja, as tarefas e atribuições deste. Já, a tarefa é um conjunto que contém as atribuições do cargo. O autor ainda destaca que é importante diferenciar a tarefa da atividade, pois na AET existe uma diferença conceitual, mas na prática, estas podem ter o mesmo sentido, principalmente em organizações onde não se tem formalizados as descrições dos cargos. Contudo, o termo atividade, que de acordo com a AET é a execução da tarefa, podendo conter várias ações, na prática, pode-se confundir com a mesma, e, em muitas vezes ser compreendido como ação. Desta maneira, o cargo é formado por várias tarefas, e estas tendem a se desdobrar em várias ações (IIDA, 2005).

2.6.1 A Organização do trabalho em turnos

As organizações geralmente adotam um sistema de turnos fixos ou rotativos. No primeiro caso, os funcionários possuem um horário fixo de trabalho, que não se modifica. Já no sistema de turnos rotativos, uma mesma pessoa trabalha alternando frequentemente seus

59

períodos de trabalho. Assim, tais sistemas apresentam vantagens e desvantagens, no entanto, trabalhos em turnos rotativos apresentam maiores problemas do ponto de vista fisiológico, mas em trabalhos com turnos fixos há visíveis prejuízos com relação aos compromissos sociais do trabalhador (IIDA, 2005). O autor destaca que alguns critérios fisiológicos podem ser adotados para determinar um sistema de turnos adequado, evitando prejuízos ao sono e estabelecendo as folgas necessárias ao trabalhador, são eles: evitar jornada superior a 8 horas de jornada de trabalho; limitar os dias consecutivos de trabalho noturno; a cada dia de trabalho noturno deve ser seguido de uma folga de 24 horas; folga de dois dias consecutivos pelo menos uma vez ao mês e a quantidade total de folgas durante o ano deve ser pelo menos equivalente ao dos trabalhadores de um único turno. Nesta perspectiva Silva (2008) apresenta em seu trabalho, uma revisão com base em 77 artigos sobre trabalhos em turnos fixos e alternados que foram avaliados e classificados quanto aos fatores humanos e problemas relacionados ao trabalho em turno. No primeiro caso, encontram-se as características físicas, psíquicas e sociais das pessoas que se inter relacionam com a organização do trabalho e foram agrupados em três categorias: pessoais, ocupacionais e psico-organizacionais. Com relação a problemas ergonômicos no trabalho em turnos, cerca de 40% das pesquisas averiguaram a relação entre o sono e o trabalho noturno, e apresentou no mínimo um problema relacionado ao trabalho em turnos. O autor ainda destaca que dependendo das características da organização do trabalho, esta pode vir a afetar diretamente a vida dos trabalhadores, causando diversas doenças, entre elas físicas, psicológicas e sociais. Entretanto, as empresas também podem ser prejudicadas por este trabalho, e sofrer consequências como a variabilidade na produção e a qualidade dos produtos. Assim, torna-se necessário um sistema que venha a favorecer uma adaptação das tarefas e atividades ao trabalhador, reduzindo os problemas ergonômicos.

2.6.2 O trabalho noturno

Um caso particular do trabalho em turno que demanda atenção é o caso do trabalho noturno, pois as características do ritmo circadiano acabam dificultando uma adaptação do ciclo do trabalhador para a realização de tais atividades, provocando diversos problemas na vida destes trabalhadores (COSTA, 1996).

60

No entanto, o trabalho ininterrupto está cada vez mais imprescindível, e suas razões

são principalmente econômicas, como também, pelo fato de muitas indústrias não poderem

ser paralisadas, entre elas: as refinarias de petróleo, usinas siderúrgicas e indústrias químicas,

outros serviços como, polícia, hospital, transporte, entre outros, também exigem o trabalho

noturno (IIDA, 2005; KROEMER e GRANDJEAN, 2005).

Iida (2005) destaca que nos EUA é estimado que aproximadamente 26% dos

trabalhadores, exercem suas atividades no período noturno. Entretanto, embora o trabalho

noturno seja necessário, ele exige uma atividade do organismo no momento em que o mesmo,

está predisposto a descansar, ou seja, se recuperar e repor suas energias, resultando assim em

problemas fisiológicos e psicológicos.

Existem diversos estudos que demonstram a relação entre gênero e o trabalho

noturno, assim como a sua influencia no sono, no cotidiano e na vivencia das pessoas. Este

trabalho apresenta efeitos bem maiores em mulheres, principalmente as que possuem filhos,

influenciando assim, na sua vida pessoal como profissionalmente (ROTENBERG, 2001 apud

SILVA, 2008).

Assim, Kroemer e Grandjean (2005) apresentam as diversas doenças ocupacionais

podem surgir nos trabalhadores, entre elas, encontra-se: o cansaço, mesmo após períodos de

sono; irritabilidade mental; tendência para depressão; perda total da vitalidade e pouca

atenção e interesse no trabalho, conforme apresenta a Figura 44.

Figura 44 - Diagrama ilustrativo das causas e dos sintomas de doenças ocupacionais entre trabalhadores de turnos que periodicamente trabalham à noite

Sono Trabalho Dia Noite Perturbação dos ritmos circadianos Sono insuficiente Fadiga crônica Problemas nervosos
Sono
Trabalho
Dia
Noite
Perturbação dos ritmos circadianos
Sono insuficiente
Fadiga crônica
Problemas nervosos
Problemas digestivos

Fonte: Adaptado de Kroemer e Grandjean (2005)

61

Já Iida (2005) destaca que os fatores que influenciam na execução do trabalho noturno, estão relacionados com o ritmo circadiano, com as diferenças individuais, o tipo de atividade, desempenho e a saúde dos trabalhadores, assim como as consequências sociais para os mesmos. Nesta percepção, é que a Ergonomia tem como responsabilidade a realização de um planejamento correto do trabalho, e evitar que o trabalho em turno gere ao trabalhador problemas relacionado à saúde, como também a sua vida social (KROEMER e GRANDJEAN, 2005).

62

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

na

pesquisa, os quais foram estruturados em cinco etapas. Na Figura 45 apresentam-se

resumidamente as

procedimentos realizados para atender aos objetivos propostos.

dos

Neste

capítulo

fases

são apresentados

de

modo

a

os

procedimentos

a

metodológicos adotados

e

o

entendimento

facilitar

compreensão

Figura 45 - Estrutura geral dos procedimentos metodológicos

Procedimentos a realiza
Procedimentos a realiza
Procedimentos adotados
Procedimentos adotados

Visita s “in loco”;

En t rev ist a s co m o s en v o lv id o s;

Lev a n t a m en t o d e la u d o s in t ern o s d a em p res

Lev a n t a m en t o j u n t o a os resp o n sá v eis;

Lev a n ta m en to d e d o cu m en tos;

Entrevista s.

v eis; Lev a n ta m en to d e d o cu m en

Entrevista s;

Registro de ima gens;

Lev a n t a m en t o d o s f a t o res f í sico-a mbientais.

Etapa1a n t a m en t o d o s f a t o res

Etapa2t a m en t o d o s f a t o res f í

Etapa3
Etapa3
Etapa4
Etapa4

Etapa5a t o res f í sico-a mbientais. Etapa1 Etapa2 Etapa3 Etapa4 An á lise d

An á lise d a Dem a n d
An á lise d a Dem a n d
An á lise d a Ta ref
An á lise d a Ta ref

An á lise d a At iv id a d

An á lise d a At iv id a d
An á lise d a At iv id a d
Dia gnóstico

Dia gnóstico

Dia gnóstico
Dia gnóstico

Ap lica çã o d a s f erra m en t a s d e a n á lise;

Ap lica çã o d e t ra t a m en t o est a t íst ico n o s d a d

coleta dos.

Ela b o ra çã o d e u m rela t ó rio co m p a recer

técnico;

Projetos grá ficos;

Orienta ções.

Pro p o siçã o d e M elh o ria
Pro p o siçã o d e M elh o ria

Fonte: Elaborado pela autora

3.1 Objeto de estudo

Este estudo será desenvolvido em uma Usina Termelétrica, localizada na cidade de Candiota, Rio Grande do Sul. A história deste complexo termelétrico começou na década de 1950, com as primeiras pesquisas sobre o aproveitamento do carvão mineral da região para geração de energia elétrica. A partir disso, em 1961 foi inaugurada Candiota I (Fase A), a

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primeira usina desse complexo e em 1974, Candiota II (Fase B), ambas do tipo térmica a

vapor, que totalizou 446 MW instalados. Já em 2011, entrou em operação comercial Candiota

III (Fase C), possuindo uma capacidade instalada de 350 MW de energia elétrica, suficientes

para suprir cerca de 15% da necessidade do estado. A energia produzida abastece não apenas

o município de Candiota, mas diversas outras cidades do Rio Grande do Sul, conferindo

grande importância econômica a estes locais. A principal característica dessas usinas (Fases A, B e C) consiste no abastecimento por carvão mineral, fornecido pela Cia Riograndense de Mineração (CRM), o qual possui poder calorífico de 2.600 a 3.200 Kcal/Kg, com taxa de produção de cinza equivalente a 52,2 a 59,0%.

Indenpendente da unidade pode-se afirmar que os ambientes encontrados nas usinas em questão são extremamente complexos do ponto de vista dos riscos à saúde e segurança. A título de exemplo, pode-se apontar de uma uma notícia veiculada em um noticiário de abrangência nacional que tratava sobre a produção de energia elétrica e mais especificamente, sobre o uso do carvão mineral, na qual mostrava-se que tais usinas apresentam a liberação de poluentes nocivos ao extremo, tais como: óxido de nitrogênio, enxofre e mercúrio metálico. Segundo relato da própria notícia, este impacto tem sido reduzido com grandes investimentos em tecnologias, como a que foi utilizada na Fase C da unidade de Candiota, que consome menos carvão para gerar a mesma energia e consequentemente é mais eficiente (GLOBO,

2012).

Com relação ao processo do funcionamento da usina, este é realizado em cinco etapas, conforme apresentadas a seguir:

Extração e Transporte do Carvão: o carvão mineral é extraído da mina de Candiota,

a céu aberto, no município de Candiota/RS. Sua fragmentação é feita com detonações de

dinamite e, posteriormente, britagem para uniformizar o tamanho dos pedaços. O transporte

para o abastecimento da usina, distante 2,5 km da mina, é realizado por correias transportadoras.

Preparação e queima do carvão: na usina, o carvão é armazenado em silos. Antes

de ser conduzido para as fornalhas das caldeiras para queima, o carvão passa pelos moinhos

pulverizadores, que moem o carvão até o mesmo virar pó, desta forma o aproveitamento térmico é melhor. Posteriormente, o pó é injetado por um conjunto de ventiladores na fornalha das caldeiras para a queima em suspensão. Nas fases “A” e “B”, os gases ou a fumaça antes de ser expelida pela chaminé, passa por filtros para retenção das Cinzas. Na Fase “C” a fumaça

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passa por um sistema de abatimento de partículas e sulfurização, evitando assim danos ao meio ambiente.

Produção de vapor: o calor liberado pela queima do carvão, atingindo até 1.300°C é transferido para a água que circula nos tubos que envolvem a fornalha. Desta forma é produzido o vapor que no final fase de injeção na turbina, atinge

540°C.

Transformação do calor em energia mecânica: a energia térmica liberada pelo carvão é transportada pelo vapor superaquecido até a turbina a vapor. A energia térmica contida no vapor é transformada em energia de velocidade, ou energia cinética. Essa transformação ocorre quando os bocais injetores dirigem o vapor em alta velocidade sobre as palhetas móveis das rodas do rotor da turbina, fazendo-a girar.

Transformação da energia mecânica em energia elétrica: o gerador de energia está acoplado diretamente ao eixo da turbina a vapor. Girando as rodas das turbinas, o gerador de energia também gira, induzindo uma tensão (voltagem) e uma corrente elétrica. A conjugação da tensão com a corrente representa energia elétrica. Assim, após esses processos e transformações está gerada a energia elétrica através do calor da queima do carvão.

3.2 Análise da demanda

Nesta fase do trabalho, primeiramente foi realizado um reconhecimento inicial da empresa em questão, visando identificar principalmente quais as situações de trabalho que demandariam maior atenção no presente estudo. Para caracterizar a referida demanda primeiramente foram realizadas visitas in loco, onde foi feito um levantamento dos dados por meio de relatos das pessoas envolvidas, sendo elas: enfermeiro, psicólogo, engenheiros químicos, e de segurança, bem como técnicos químicos e em segurança. Vale destacar que também foram entrevistados também trabalhadores do nível operacional. A priorização dos locais e processos a serem estudados de forma mais aprofundada durante a análise da tarefa foi realizada por meio de instrumentos específicos como um questionário de priorização, apresentado na Figura 46. Onde foi pedido a cada um dos entrevistados que respondessem a este questionário, com vistas à priorização dos setores com

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relação aos locais mais críticos, e este foi baseado nos fatores de risco apresentados anteriormente, onde a escala continha uma variação de 1 a 11, onde 1 representa o fator mais crítico, o 10 o menos crítico, sendo o 11 uma sugestão por parte dos trabalhadores.

Figura 46 - Questionário de priorização