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Título original

:
Lê Seminaire dejacques Lacan
Livre X: UAngoisse (1962-1963)
Tradução autorizada da primeira edição francesa
publicada em 2004 por Éditions du Seuil,
de Paris, França, na coleção Lê Champ Freudien,
dirigida por Jacques-Alain e Judith Miller livro 10
Copyright © 2004, Éditions du Seuil
Copyright da edição brasileira © 2005: a angústia
Jorge Zahar Editor Ltda.
rua México 31 sobreloja
1962-1963
20031-144 Rio de Janeiro, RJ
tel.: (21) 2240-0226 / fax: (21) 2262-5123
e-mail: jze@zahar.com.br
site: www.zahar.com.br
Todos os direitos reservados.
A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo
ou em parte, constitui violação de direitos autorais. (Lei 9.610/98)
[Edição para o Brasil]
Tradução:
Obra publicada com o apoio do VERA RIBEIRO
Ministério da Cultura francês — Centro Nacional do Livro
Revisão tipográfica: Versão final:
Eduardo Faria e Maria Helena de Oliveira Torres
ANGELINA HARARI
CIP-Brasil.Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. Preparação de texto:
Lacan, Jacques, 1901 -1981
ANDRÉ TELLES
L129s O Seminário, livro 10: a angústia/Jacques Lacan; texto
estabelecido por Jacques-Alain Miller; versão final Angeli-
na Harari e preparação de texto André Telles; tradução
Vera Ribeiro. — Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005
il. — (Campo freudiano no Brasil)
Tradução de: Lê seminaire de Jacques Lacan, livre X:
Fangoisse (1962-1963)
ISBN 85-7110-886-2
1. Psicanálise — Discursos, conferências, etc. 2. Angús-
tia — Discursos, conferências, etc. I. Miller, Jacques-Alain,
1944-. II. Título. III. Título: A angústia. IV. Série.
CDD 150.195
05-2836 CDU 159.964.2

donde o Outro barrado. à direita. e é na relação do sujeito. só ele pode manter-se em seu status de sujeito O —. há um resto. IX Dessa operação. Dora passa ao ato no momento de embaraço . fiz surgir diante Deixar-se cair e subir no palco de vocês uma característica estrutural da relação do sujeito com o a. vocês sempre a encontrarão concer- nindo ao a— e é sua conotação mais característica. constitui-se no lugar do Outro como marca do significante. com um termo O corte natal tomado de empréstimo ao vocabulário de Freud a propósito da passa- O gozo do sintoma gem ao ato que lhe foi levada por seu caso de homossexualidade femi- As mentiras do inconsciente nina. que é homólogo ao do aparelho da divisão. ele se precipita e despenca fora da cena. vocês decerto se lembrarão de que terminei com a observação de que. o único a que nossa experiência tem acesso.iinda precisar de que lado ele é visto. posto que. uma vez que está A egoização ligada justamente à função de resto —. como sujeito fundamen- A talmente historizado. invisível à leitura. exem- plo que não é único pois se perfilou atrás do de Dora. eu a chamei. Se vocês quiserem referir-se à fórmula da fantasia. toda a existência do Outro fica suspensa numa garantia que falta. por nossa dialética. ao mesmo tempo que é tão mani- Começarei por lembrar sua relação com o sujeito. com o acréscimo comportamental da emoção S como distúrbio do movimento. ele cima da pequena barreira que a separa do canal em que passa o bondi- parte da função do significante. do lugar da cena em que. a passagem sujeito com o Outro que ele se constitui como resto. em todos os níveis. o que temos de acentuar hoje é sua relação com Esse largar de mão é o correlato essencial da passagem ao ato. o niederkommen lassen. Em t udo que Freud nos atestou de sua ação. essa relação que podemos dizer uni- versal. de o largar de mão [laisser tomber]. ao ato está do lado do sujeito na medida em que este aparece apagado produzi este esquema. É então que. Essa é a própria estrutura da passagem ao ato. riência. PASSAGEM AO ATO l E ACTING OUT Da última vez. por minha própria ex. A paixão de Freud Ora. estranhamente. torna-se quase nosso eixo e não lhes dar ensejo de uma deriva. que é o a. PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT 129 dialética. do lugar em que se en- A contra — ou seja. para alguns. esse largar de mão é único. O momento da passagem ao ato é o do embara- ço maior do sujeito. ao máximo pela barra. Foi por isso que re. de sua expe- Hoje continuaremos a falar do que lhes designo como pequeno a. porque. É a partir do Outro que o a assume seu isolamento. a fim de manter lesto e quase provocante em seu texto que. de sua conduta. Segundo esquema da divisão A mulher do caso clínico da homossexualidade feminina pula por No alto. Resta . a partir do caso de homossexualidade feminina. É o sujeito hipotético na origem dessa nho semi-subterrâneo. l nversamente. no entanto. Ele é visto justamente do lado do o grande Outro. fica o sujeito. Essa possibilidade essencial. Entretanto. foi o mesmo largar de mão que marcou a res- posta do próprio Freud a uma dificuldade exemplar desse caso. plicação. Já o sujeito barrado.

mamos fuga. por mais verídica que se afirme. Como podemos ter nesse momento nada pode exprimir senão a mais perfeita ambiguida. na qual o sujeito sai à procura. retorna. acentuei diante de vocês. para empregar o ter- da angústia em certos animais. o que talvez lhe dê ensejo de ser valorizado. a cena do Outro. posto que especular. a angústia é realmen- de — será que ela ama o Sr. para transformá-lo em erastes. medi- . no animal. eromenos. como relembrei no devido tempo. é claro. no princípio do luto. é a identificação que se encontra. vocês verão. um problema que o deixa Antes de ir mais adiante na função da angústia. Como é que o a. Caberá eu lhes falar de outro exemplo. K. a projeção de Por isso mesmo é que foi muito útil. portanto. Para sublinhar isso com um referencial retirado de aspectos desta- gústia não é.? Com certeza.0 por algumas observações de recapitulação. com seu valor de mudança de rumo num destino. mente. como essencial. se a an. ela do outro lado. do status em que ele se apresenta. Penso já lhes haver esboçado suficientemente que ele para o mundo puro. Essa cor produz-se na borda da superfície especular. É isso que nos per- mite reconhecer a passagem ao ato em seu valor próprio e distingui-la de algo que é totalmente diferente. um modo de comunicação tão cados da própria obra de Freud. no discurso douto ou so um desvio a mais não é um desvio em demasia? Todavia.: Minha mulher não é nada para mim. é rie de suas identificações com alguns objetos. e. embora. uma marquinha. Esse é um dos traços que mais nos mo medieval e tradicional. Ponho aqui. Não ficaremos daqui a pouco lhes falarei do acting out. Digamos. mas só O eu ideal é a função mediante a qual o eu se constitui através da sé- pode portá-la numa estrutura que. o lugar onde o real se comprime. no início. O zer.130 REVISÃO DO STATUS DO OBJETO PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT 131 em que é colocada pela frase-armadilha. qual seja. pois. < urso sobre a angústia pode desconhecer. anuncio-lhes que perplexo — a ambiguidade da identificação e do amor. tem de assumir um lugar como portador da fala. falando. que devemos levar em conta a realidade dida em que arranca metaforicamente o amante. deve encontrar-se em algum ponto do lu- locado numa posição infantil. de ser o que não engana. o mundo. nas primeiras fases deste dis- u ma superfície. mais um desvio — e aca. a princípio. como já assinalei. ao encontro de algo deve estar em x no esquema. para recupe- K. da superfície real. termo cujo emprego metafórico justificarei oportuna- registros: de um lado. amável. no sujeito que nela se precipita. K. sempre mais ou menos co- Se esse sinal está no eu. i(a). i'(a). eu formular uma distinção essencial entre dois cie é uma cor. é também o a. sob uma forma externalizada. Assim. entre o sujeito e o Outro. Mas tamanha bofetada é um daqueles sinais. A parti- termo "borda" é legitimado por se apoiar na afirmação do próprio da é justamente a passagem da cena para o mundo. A bofetada que Dora lhe dá i . uma pedra branca. come- 1. sujeito da falta. e até.í Ia depois. ou a Sra. com o fato de só podermos aproximar-nos dele pareça ser da ordem da evitação da angústia. objeto do amor? Ele o é na me- Assinalo. uma certeza de um sentimento no animal? Ora. rejeitado. à partida errante gar do eu ideal. Preud de que o eu é uma superfície. tir de uma geração para outra. a armadilha canhestra do Sr. es- absoluto que podemos perguntar-nos se ela não lhes é. objeto da identificação. o de criam dificuldades. Aliás. te a única coisa de que não podemos duvidar quando a encontramos tada que nos dirá isso. observem docente. a esse respeito. por exemplo. sem dúvida. onde o homem como sujeito tem de mesma uma inversão. ele mais surpresos. O sujeito se encaminha para se evadir da cena. a saber. em Das Ich una das Es. curso já havia pontuado. comum aos dois. A ambiguidade de que se trata aponta a relação que há muito que vocês só fazem reencontrar nisso uma interrogação que meu dis. senão a essa saída de cena. se constituir. como se costuma di- Esse sinal é um fenómeno de borda no campo imaginário do eu. < 111 c a angústia comporta. e. Encontramos ali. acrescenta ele. que curso sobre a angústia. recusado por toda parte? Ele vira fumaça. não é a bofe. o caráter um daqueles momentos cruciais do destino que podemos ver repercu. a relação entre o ser e o ter. igualmente manifesto? Quem O último pensamento de Freud indica-nos que a angústia é um si- pensaria em contestar esse rótulo no que chamamos de fuga? A que cha- nal no eu [mói]. propriamente sencialmente. estender-me agora com a ajuda de formulações que põem à prova o status mesmo de nossa nesse assunto pode parecer-lhes. aqueles a propósito dos uma estrutura de ficção. própria subjetividade no discurso — entendam. mas que nos convém preservar e que nenhum dis. depois de dispor o gráfico do que espero percorrer hoje. o acting out. quais Freud aponta.

assim como os trilhos quem o expresse impropriamente. se assim posso dizer. quando este é ameaçado por al- "auto-erotismo" — ou sentir falta de si. abominado pelo ponta à outra. de modo algum.) pensou no concerto analítico em falar da constituição de um eu? Eis a . de uma guma coisa que não deve aparecer. um sinal o verdadeiro sentido. fundamento de uma certa relação do homem com a imagem de do ou incómodo. que não temos mais no amor. no entanto. mas. porque ele é o que não temos mais. e nada mais. da multiplicidade dos objetos a. o instrumento do amor. nessa aparência. graças ao espelho côncavo do frênico articula sobre o que seu filho era para ela no momento em que fundo. traços. pela via regressiva. aquilo que será i(a) encontra-se na tem ou não se tem —. É isso que lhe dá.T. o que a mãe do esquizo- aqui representados pelas flores reais. a subjetivação do a como puro real. isso não nos permite. em relação à qual eles serão o resto que se Antes do estádio do espelho. e também foi por essa razão que destaquei o mérito de uma pesquisa recente a respeito das coordenadas desse determinismo. ao observar estritamente. em seguida. captados ou não no momento em que i (a) surgimento da imagem i(a) — anterior à distinção entre todos os pe- tem a oportunidade de se constituir. como há Outro. o a continua a ser o que é. decidir sobre o determinismo dessa A imagem real cerca os objetos a fantasia. e a do verbo avoir [ter]. E é por isso que Freud qualifica exatamente pelo termo "regres- são" a passagem do amor para a identificação. por assim dizer. uma vez que se ama. Se a chama-se a em nosso discurso. na construção vel pré-especular e pré-auto-erótico. Esta É com a imagem real.132 REVISÃO DO STATUS DO OBJETO PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT I . porém. inversamente cómo- tex. mas conotou um de seus apoderamos ou não.Vi ante o que ele se constitui propriamente no amor. que se é amante — voltaremos a isso — com aquilo que não se tem. não é apenas pela função de identidade algébrica da letra que pregamos outro dia. sob a forma da identificação com o ser. (N. desordem dos pequenos a que ainda não se cogita ter ou não ter. Aliás. Nessa regressão. o sentido mais profundo a ser dado ao termo que se produz no limite do eu [mot\. seu corpo e com os diferentes objetos constitutivos desse corpo. da experiência. Não é do mundo externo que sentimos falta. pode ser reencontrado. constituída ao emergir como i(a). É com o que somos que pode- mos ter ou não. se assim posso dizer. do nascimento. na identificação. quenos a e essa imagem real. estava em seu ventre — nada além de um corpo. para fazer a seguinte observação. Esse é Freud nos diz que a angústia é um fenómeno de borda. Freud. levou os analistas — primeiro Rank e. ou seja. Como foi que o movimento da reflexão. Esta é o a. mas de nós mesmos. no qual ninguém "c'estcê qu'on naplus". A (tradução provável: espelho convexo) Aqui se inscreve a possibilidade da fantasia do corpo despedaçado com que alguns de vocês depararam entre os esquizofrênicos. com Permaneçamos ainda por um momento nesse estado anterior ao pedaços do corpo original. símbolo de algo que deve ser encontrado na estrutura do cór. quanto a esse ponto — a encontrar a origem da angústia no ní- * O humor vem do jogo entre a. o resto. É por isso que esse a. do objeto. se assim me posso expressar. humoristicamente. que nos não pretendeu esgotá-lo. instrumento.

imprecisão. Se o que é visto no espelho é angustiante. cabeça. parece evidente que a despersonali. Quando a relação que se estabelece com a imagem especular é tal que mos evitar: a de situar autenticamente a despersonalização. odd. nas por intermédio da relação de i (a) com o a. para o nos que estão entre os mais conhecidos como concomitantes da Outro. a observar as divergências entre os autores. para dar ao sujeito o distanciamento de si mesmo que a di. eu ideal no espaço do Outro — o momento em que a criança vira a Trata-se de algo que encontramos com muita clareza em fenóme. na medida em que elas introduzem a possibili. é porque a relação dual pura o despoja de sua re- nómenos são agrupados de maneira certamente ambígua. diz ele. é ape- Em termos fenomenológicos. aos como dizem os ingleses. esta que será transportada para a angústia em sua função de sinal. sob essa rubrica. que os torna impróprios para a "egoização". demarcações próprias de um ou mais autores da escola francesa. aquela é ao não se encontrar no espelho. Se. na medida em que o espaço é a dimensão ções dessas demarcações com o que desenvolvo aqui. à Foi isso que tentei fazê-los captar com a ajuda do que vocês podem maneira como se constitui o ataque histérico. tia do nascimento. a partir da qual é gerada toda sorte de confusões. Todos aí temos de buscar de estrutural. uma chamar de metáforas. de Mau- quais já tive que fazer referência. e precisamente pelo que zação começa pelo não-reconhecimento da imagem especular. o corte. Subsiste aí uma certa no qual sempre marquei a distância que era necessária em relação ao espelho. com certeza. Eles são justamente os fenómenos mais contrários à estrutura por alguma coisa que a faz comunicar-se com a imagem especular. certamente isso rístico da experiência do espelho e paradigmático da constituição do não é exaustivo. Vocês sabem sível de ser proposto ao reconhecimento do Outro. Falta-me mensão especular é feita para lhe oferecer. principalmente vasomotores e respiratórios. municar com um sorriso as manifestações de seu júbilo. essa formulação que indica o fenómeno nem por isso deixa de ser in. No nível da angús- Em outras palavras. posteriormente. isso levanta uma questão que não podere. distância. ca a separação ligada à angústia do nascimento. e com que frequência Mas. e devemos até do superponível. o que se deve dizer não é que os objetos são in.134 REVISÃO DO STATUS DO OBJETO PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT 135 prova efetiva de que. se quiserem — mas creio que a coisa vai mais reprodução de movimentos herdados para a expressão de certos mo- longe — topológicas. O sentimento de desapossamento. zação. constitui-se toda uma constelação de movi- vasivos na psicose. Mas mãe. Isso. aqueles que designamos como fenómenos de despersonali. com efeito. ímpar. mento seja possível. Para nós. Bastará vocês se reportarem ao texto de Freud. a . É dade de uma forma não especularizável na estrutura de alguns desses impossível situar no começo uma relação tão complexa da angústia objetos. e voltarei a isso. fora de simetria. A especularização é estranha nele. A maneira como a criança habita originalmente a mãe tem tudo da suficiente. que há todo um aspecto pelo qual. vista analítico. por sua vez. uma vez o sujeito fica demasiadamente cativo da imagem para que esse movi- que. mentos emocionais. do ponto de lação com o grande Outro. é totalmente inconcebível. a saber. façamos uma pausa sobre o que signifi- a isso. aliás. quando o eu é constituído. os fe. sendo assim. presumir que os esboços que forneci anteriormente não são estranhos No ponto em que estamos. é quase sensível neste esquema. que o que nos permite abordar e conceber a relação. a fim de lhe co- angústia. tempo para fazer mais do que apontá-la. conforme o movimento familiar que lhes descrevi. O que constitui seu perigo para o eu? É a própria mentos. O corte de que se trata não é o que se dá entre a criança e a mãe. digamos. Basta nos referirmos a um momento que assinalei como caracte- fenómeno de borda no eu. a separação característica do começo. relação do óvulo com o corpo materno nos mamíferos. que é. tem sido bastante marca- Sabemos do lugar assumido pela despersonalização em algumas do pelos clínicos na psicose. a testemunha. em relação ao corpo da mãe. que convém fazer grandes ressalvas a respeito da estruturação do fenó- lução de alguma das dificuldades geradas a partir da necessidade dessa meno da angústia nesse lugar do nascimento. o fora-do-espaço. sabem como esse fenómeno é sensível na clínica. Será fácil vocês reconhecerem as rela- passant. A ideia de distância. constelação real estrutura desses objetos. ela poderá servir de sinal do eu. é por não ser pas. mas saibam podemos concluir que um aproximar-se qualquer possa dar-nos a so. no entanto. do eu como tal. não é a separação da sujeito começa a ser tomado pela vacilação despersonalizante. o adulto que está atrás dela. Nem por isso. ou em qualquer coisa análoga. se de fato é possível definir a angústia como sinal. com o eu. É O Horla.

1 nexplicavelmente. Em seus referenciais clínicos. Quando depararem com isso. toda a aventura com a dama de reputação duvi- Em suma. o útero. enquanto a própria cavidade amniótica é envolvida por um folhe. portanto. e isso não escapou à perspicácia de Giraudoux. Nos esquemas que ilustram os envoltórios. esperando sabe-se lá que milagre dessa espécie de catástrofe. é a ela que O que isso é. se a tentativa de suicídio é com o endoblasto. Recomendo-lhes prudência antes de aplicar esse Cisão de quê? Dos envoltórios embrionários. um dia. Sem dúvida existem outros modos. pai. uma passagem ao ato. mas que é outra coisa. para terem uma tentada. vocês poderão grega. que Freud prontamente descobre com tanta tivermos que reencontrar essa analogia mais adiante. nio. um dia. A relação profunda e necessária do acting out com o a. é por não serem exigentes. Quanto mais escanda- losa se torna essa publicidade. no entanto. duta do sujeito. O corte que nos interessa. mas ça em vocês. uni corpo parasita. portanto. Entremos agora no acting out. convém situar a relação do . creio que a terei perspicácia. No caso de homossexualidade feminina. ela a dei- exterior: o celoma externo em que flutua o feto. Mas. graças a Deus. Foi por mão para não deixá-los cair é absolutamente essencial num certo tipo isso que fiz questão de ao menos lhes indicar que. Se a que é separado desses envoltórios com o corte do embrião e a separa- bofetada de Dora é uma passagem ao ato. Mas. é um corte que. se lidarem com uma pessoa que lhes diga que. e que. vocês verão a que ponto é sensível aí a analogia entre o dosa. mar. um corpo incrustado i citeza absoluta de que se trata de um a para o sujeito. vocês podem identificar o que convém cha- mas o fazem. todo o seu comportamento ção. diz Freud. no momento em que ela vem ao mundo. depois de nossos trabalhos do ano passado em torno do dizemos que esse é o que nos parece menos enganador. de maneira muito curiosa — deposito bastante confian. Na tragédia cross-cap. e que rar os envoltórios como um elemento do corpo da criança. E o que se Tudo que é acting out é o oposto da passagem ao ato. rótulo. alguma coisa que se mostra na con- acting out indica sobre a relação essencial do pequeno a com o grande A. do óvulo que os envoltórios se diferenciam. A ênfase demonstrativa de todo acting out. é um acting out. é que ela quereria um filho do desejo levá-los como que pela mão. é aos olhos de todos que se exibe a conduta da moça. observem a que ponto segurar pela pois esse filho nada tem a ver com uma necessidade materna. O que é isso. e vocês verão com que for. xou escorregar de seus braços. Freud insiste nisso. número de fenómenos clinicamente reconhecíveis. fazer o que lhes anunciei acerca do que o O acting out é. com cuja mucosa ele mantém um certo entrelaça. envolvido por seu âm. É a partir 0 filho mais querido é justamente aquele que. Ele se apresenta mostra essencialmente como diferente do que é. indicado hoje o suficiente para nos facilitar essa tarefa. mas que empregamos absolutamente sem saber o fatório para nossa concepção do que a cisão da criança que nasce.136 REVISÃO DO STATUS DO OBJETO PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT 137 criança é uni corpo estranho. no cross-cap. deve ser destacada. ela se sente atrozmente menos de cem anos para que vocês percebam que. deverão conside. sua orien- tação para o Outro. vocês poderão ter o deslizamento do pensamento analítico. que é elevada à função de objeto supremo. Há um tipo de mãe a que chamamos mulher fálica. que queremos dizer. na medida Basta-me remetê-los a qualquer livrinho de embriologia datado de mesma em que um objeto lhe é mais precioso. ela deixou cair. to ectodérmico e apresenta sua face para o exterior em continuidade No caso de homossexualidade feminina. guém sabe. modos de manejar. Se paradoxal na casa dos K. essencialmente. de mãe fálica.. é um acting out. de maneira inexplicável. a mais profunda ver manifestarem-se todas as variedades da relação entre o interior e o queixa de Electra em relação a Clitemnestra é que. da. sem deixá-los cair. ao contrário de todo de relações do sujeito. Isso produz pelas raízes arteriovenosas de seu córion no órgão especializado para unianos de um tipo muito difundido. o mais incómodo supereu. é muito mais satis- é sem propriedade. porque o a de que se trata também pode ser. disso ninguém duvida. aí sim. nin- com certas características que nos permitirão isolá-lo. o que deixa sua marca num certo sujeito. a não segurar esse objeto numa que- ideia completa do conjunto pré-especular que é o a. de um certo a enigmático em que tenho insistido. se vocês se contentam com isso. no caso. para o mento. termo que não não podemos evitar. que nem por isso são mais có- recebê-lo. mais se acentua sua conduta. Resta-nos hoje.

O sintoma culado objetivamente. restam os miolos frescos. modo. mas. lancolia. Kris. basta-nos nossa experiência da nunca inteiramente autenticável. Para mostrá-lo ao senhor. a mostragem. O essencial do que é mostrado é esse resto. o que surge é esse resto. ele vai comer miolos frescos. para isolar um desejo cuja essência é mostrar-se como outro. há na relação normal da mãe com o filho algo de pleno. como aquele que pode sacrificar-lhe o que Não estou rememorando o mecanismo do caso. seu falo. o paciente simplesmente faz um sinal para mostrando-se como outro. Entre o sujeito $. me dirão — enfim. na medida em que pode- principal da elucidação do desejo inconsciente. aliás. De fato. também se mostra como outro. haver a transferência. leu seu livro. sem dúvida.138 REVISÃO DO STATUS DO OBJETO PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT 139 filho com a mãe numa posição como que lateral em relação à corrente i to do acting out. algo de tão completo quanto na fase de gestação. sucedâneo de algo que. É essa a marca que vocês sempre en- como um falo. O sintoma é a mesma coisa. não autenticável. A moça queria esse filho vocês sabem o que estou citando. Mas deixemos isso de lado. em sua estrutura de ficção. Ernst Kris: tudo o que o senhor diz é verdade. O que quer dizer que podemos fazer todos os empréstimos engravidam e para que isso lhes serve — é sempre a proteção de um re. formulo as perguntas e as respostas. quioso. sua causa. foram maneira. nhecer um acting out ç. envereda por um toca na questão. se já não soubéssemos. e esse livro é realmente original. contrarão no que é acting out. Em outras palavras. assim se designar. no fim. para se afirmar como verdade. ela é. colo- os outros que o copiaram. tal como o enuncia a doutrina em Freud. ou a libra de carne. aqui "Outrificado". O sujeito não tem como contestá-lo. como um cavalheiro obse- quando lêem o que escrevo —. que de vez em porta em relação à Dama. Insisto: não se pode andar muito devagar nessas matérias. em meu relatório sobre nesse ponto. assim como os da me- torno ao mais profundo narcisismo. e essa balanço das contas e que. fechado. Ao contrário. se posso me expressar desse zi-lo em nossa concepção e para ver como sua incidência se aplica à re. a introdução do Outro. Ela só é velada para nós. o que lhes desig- Assim. que é preciso sem dúvida. portanto. mostrando mica. ria ser verdade. No acting out. no como o pequeno a. e é No que podemos apreender. pede a libra de carne — creio que coisa. sobre a observação de Ernst Kris a propósi- falta. da última vez. é a libra transferência para ver em que momento da análise nossas analisadas de carne. afinal. e a demonstração desse desejo desconhecido? qual nos encontramos. como erastes. é invisível. mostra-lhe da maneira mais irrefutável que ele não é plagia- seu desejo. ficaremos menos surpresos com o fenómeno diante do original. mas lá está o judeu que. embora seja riam me dizer se já não o acentuei o bastante —: "O que isso tem de articulado. como um homem. e o Outro. esse acting out. para mostrar que o tem. para lhe contar isso na próxima sessão. que o sintoma não pode ser interpretado diretamente. por estar num certo caminho que talvez te- nhamos que nomear. realizá-lo simultaneamente de outro modo e da mesma dor. da ma. O acting out é um sintoma. que faz ele? Como vocês sabem — dá. que a verdade não é da natureza do desejo." Bem. Se nos lembrar. de precisarmos tomar cuidados absolutamente especiais para introdu. Lembrem-se do que me sucedeu escrever. do (a) como queda. A. por nosso traba. isto é. combinemos esses dois termos. justamente por isso que. como faltante. é o do. lação de corte entre i (a) e a. redon. diz-nos Freud. a. ou seja. ao sair. graças a Deus não escapa a Freud. na medida em que isso fala. então ponhamos direitinho os pingos nos is. Vocês sabem O acting out é. é uma forma absolutamente demonstrativa. Cheguei até a lhes dar um elo a mais: ele é arti. Ela se torna amante. caminho em que. sejo. quer reduzir seu paciente com os recursos da É isso que permite à jovem. mostrar ou demonstrara de. antes. to do caso de plágio. que chamaríamos de singular. ela o não está nem aí para isso. como suje. Ensino-os a reco- tem. ao contrário. Vocês lho aqui. uma maioria. que quisermos para tampar os furos do desejo. em essência. Com os miolos frescos. por sua vez. só consegue fazê-lo de uma maneira vou comê-los ao sair. E. e. Prova disso é que deve ser interpreta- chamei de causa do desejo. o que isso quer dizer. é realmente como outra coisa que ela queria tê-lo. mas simplesmente não diremos que o desejo. é sua queda. visível ao máximo. a ponto que sobra nessa história. o falo. entende um bocado do Esse filho. velada. isto é. a mostração. num certo registro. do. vocês pode- mos da formulação que diz que o desejo não é articulável. . havendo fracassado na realização de verdade. como substituto. Ela se com- penso que. pelo menos por sua incidência econó. Afinal. articulado com o objeto que. combina plenamente com nossa dialética do corte e da "A direção do tratamento". neira mais desenvolvida. Só que ca-se naquilo que ela não tem. há algumas pessoas. mas não velada em si.

Há três maneiras. até porque ticula. mas é não é essencialmente da natureza do sintoma ter que ser interpretado. que a Devo dizer também que sua visita me proporcionou a oportunidade transferência se estabeleça. gozo encoberto. não se esqueçam disso. O acting out sem análise é a transferência. ou seja. isto é. Então. bem. pode traduzir-se num Unlust — para os que ainda não entenderam. aquilo que vai em direção à Coisa. leto — baixo. depois que tento desenhar diante de vocês. Phyllis Green- acre é uma mulher muito. para que haja transferência. naturalmente. unter. Interpretá-lo. A questão é saber como agir com de ultrapassar a barreira do bem — referência a meu Seminário sobre o acting out. Resulta daí que uma das questões formuladas acerca da organização da transferência — refiro-me com isso a sua Handlung. é gozo. de uma conversa muito agradável. podemos fazer muitas coisas. É fato que. está fadado a surtir poucos efeitos. há nisso uma certa ré- . em que já tínhamos recebido a do que vocês possam acreditar. é claro que a interpretação é possível. fazê-lo girar no carrossel. isto é. Quanto a interpretá-lo. aliás. o acting out. o sintoma não é como o ac. percebem. Além disso. Mas a transferência qual for. seu manejo — É muito interessante nos determos em escandir as hipóteses. muito competente. ela não tem grandes ilusões. perto. dentre as quais pulos que a levaram quase ao nível do ao Outro. pelo menos por essa vez. que pede a interpretação. e é por isso que tal gozo bi-lo e há o reforço do eu. um netsuké japonês que estava em Em se tratando do sintoma. De fato. que importa. Ele não clama pela interpretação como faz o acting out. be-se muito mais do que se supõe. evidente- Para as pessoas que irão se interessar proximamente pelo acting out." Não. que o acting out clama pela interpretação. diante de meus olhos. não sou eu quem inventa. transferência. para evitar o acting out nas sessões. deu-me a oportunidade de observar um belo acting out. também se diz assinalo a existência. já se vão uns dez anos. evocador de uma lembrança. que diz: afinal. Phyllis Greenacre. pequena pescadora de mariscos. convém dizer — de meu consultório. os que o basta. é saber como se pode domesticar a transferência selvagem. proí- neira de saber como agir com o acting out. tanto na prática quanto na teoria analíticas. mas masturbação frenética a que se entregou.' ele se Out" comentários muito pertinentes. ele é o começo da que faz no acting out este é para se oferecer à interpretação de vocês. les. que o sujeito sabe muito bem o Diferentemente do sintoma. de modo que não é impossível de en- "Está bem. no Psychoanalytic Quarterly. Por natureza. embora — vocês verão. e que. por nature. há um impasse. há o proi- a ética —.. mente. a análise. Muitas coisas são feitas. O sintoma. tampouco sou eu quem o ar- que acabo de lhes dizer. Quando vocês olham as coisas de Voltemos ao acting out.140 REVISÃO DO STATUS DO OBJETO PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT 141 Talvez vocês ainda não captassem bem a coisa e me dissessem: mero IV do volume 19. que fazia parte de- Convém dizer. Ê da ordem daquilo que lhes ensinei a distinguir do desejo lerem — eles se beneficiem de ser esclarecidos pelas linhas originais como sendo o gozo. esse termo alemão significa desprazer. por sua vez. é para isso que ele serve. isso é o que você está-nos dizendo sobre o actingout. isso provoca um sorriso. uma vez que é a única ma. na maioria das vezes. observa-se a esse respeito Seria muito útil formulá-lo por esse lado. contrar. sem dúvida. Nin- Essa é uma das maneiras de enunciar o problema da transferência. do princípio do prazer. foi escandida por diversas masia . isso é algo bem difícil. Ê a transferência selvagem. guém pensa em fazê-lo. para mini. por várias razões. com o Tudo isso. Eu lhes mostrarei que sim. quando se tem influência. sem análise é o acting out. o acting out. a mas a questão é saber se esta é possível.o que a análise descobre no sintoma é que ele não é um apelo passagens ao ato. bem melhor do que a que tive com ting out. diz ela. pois — esquecemos disso em de. está dito em termos apropriados em Freud. de 1950. J o o' não precisa de vocês como o actin? o out. É um artigo muito interessante. aliás. mas dizer ao sujeito "nada de acting out". Pois bem. "General Problems of Acting Out". (ambém. ao contrário Foi na época. meu poder e que ainda traz as marcas disso — refiro-me a esse objeto. não é aquilo que mostra ao Outro. inclu- o elefante selvagem entrar no cercado. seja ele vocês desconfiam. como pôr o cavalo na roda para sive na própria autora. de um artigo de aos pacientes que não tomem decisões essenciais para sua vida durante Phyllis Greenacre. za. que sempre houve proibições prejudiciais na análise. mas com uma certa condição que vem somar-se a ela. Não é preciso análise. uma é algo indeciso. Lampl De Groot. como Mas aí é que está: não é o sentido do que vocês interpretam. como fazer Quanto a proibi-lo. Há o interpretá-lo. a saber. Ele está no nú. encontramos no artigo "General Problems of Acting eebliebene o „ Befriedinmg. e sim o resto. a sra. sem outros acréscimos. Mesmo assim. visita de alguns pesquisadores.

ou por ser. ela mesma lhe diz que está mentindo. po. É através disso que Freud caracteriza o caso. com toda a exatidão? A insurreição do ting out. Como diz já não sei quem. é claro. E Freud. nós. como. Essa paciente — a coisa é articulada como tal — mentia para ele Inversamente. esse inconsciente que estamos habituados enveredaram por esse caminho há muito mais de uma década e. quando ocorre um acidente — não me refiro ape- em sonhos. Freud não acredita nisso nem por um instante. isso permitirá que eu me case e. logo. ele tem a responsabilidade enormes progressos em direção ao sexo a que ela está destinada. O precioso nas ao actingout—. tudo isso se apaga. pode exatamente. tas): Com que então. Trata-se justamente do que cria a aparência me ouviram dizer que isso não é simples. Greenacre. tanto pelo paciente quanto pelo meio. no qual temos toda sorte de anotações absolutamente ad- seja. mas com o eu do analista. a verdade verdadeira. de uma ausência de qualquer relação transferencial. que fala a sra. não me deterei em interrogar o que fez com que pen. porque vocês tem dúvida quanto a isso. numa análise que se prolongue um pouco. se houvesse mais análises na sociedade. eu ideal no Outro. Acho que os seguros sociais e os seguros de vida deveriam levar dele. ao mesmo tem- Entretanto. tudo aquilo que. ilustrando minha colocação. tempo: Sim. Designa-se aí não sei que ponto cego na posição lhor. e. Por que se faz tudo isso? Não se trata de uma identificação com a imagem como reflexo do Essencialmente. Se Com efeito. za algo chamado transferência. não questão da maneira como domesticamos a transferência. diante disto (ele também faz perguntas e dá respos- que por natureza. seja «• começa a falar menos delas. Afinal. Embora Freud nos diga que nada indica. seja para o sujeito. é muito engraçado observar — pelo menos a partir do mo. — como são raras as doenças de curta duração no transcurso das aná. Tampouco me deterei em di. e com bons motivos. ou por sermos bondosos. Assim. ele ocupou esse lugar. Essas questões talvez sirvam para lhes esclarecer o que quero dizer uma vez que a doente que lhe relata seus sonhos diz-lhe. muitas vezes ele ignora miráveis. nos fala Balint — a crise verdadeiramente maníaca que ele nos descre- não queremos que ele fique dodói. Voltemos a Freud e à observação do caso de homossexualidade mento em que um analista ganhou o que se chama experiência. É imputado à análise como se detém. trata-se de levar o sujeito à identifica- para o analista. haja transferência. e. ao mesmo quando falo do desejo do analista. ou feminina. a partir de um número tão grande de décadas que agora nos enganar! E todo o seu debate gira em torno dessa Zutrauen. e quando levanto tal questão. dirige-se ao analista. prémios. isso é imputado com muita regularidade à análi- ágalma desse discurso sobre a homossexualidade feminina é que Freud se. se deve cogitar de examinar por um instante a hipótese de que não ga duração. de seguro contra doen- ças. ao mesmo tempo ele afirma que nem as gripes. dessa . ele é o sinal de que se impede muita coisa. que se produ- lises. pois isso equivale a desconhecer completamente o que acontece com a relação transferencial. Isso é admitido em toda uma literatura. mais a considerar como sendo o mais profundo. com o resultado de que mos médicos. o inconsciente é capaz de mentir! ge-se ao Outro.142 REVISÃO DO STATUS DO OBJETO PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT 143 lação com o que podemos chamar de perigo. os sonhos dessa paciente assinalam. pois. ção. Mesmo que falemos de ac. Afinal. Será que é disso a. atónito. e chegamos a encontrá-la expressamente em conta a proporção de análises na população para modificar seus formulada no discurso do próprio Freud sobre esse caso. esse paciente que vem confiar-se a ve como sendo a do fim de uma análise assim caracterizada. os resfriados. aliás. pela própria confissão dos que tém nisto: Com que então. ele se de- zer aquilo a que sempre me opus. me permitirá ocupar-me ainda melhor das mulheres. desse para o sentido de reforçar o eu — terceira das hipóteses — a Portanto. dia após dia. Essa crise representa o quê. que continuou absolutamente intacto. quando se está em análise. Eles têm razão. passaríamos me. nesse caso. mas que cabe ao lugar que concordou em ocupar. E o mais incrível é que conseguimos. quando diz que é preciso deixar que se esta- beleça mais solidamente uma transferência verdadeira? Eu gostaria de assinalar aqui um certo aspecto da análise que não é visto: seu aspecto de seguro contra acidentes. pior para ele. em sua própria atitude. diri. diria eu. mesmo com respeito às doenças de lon. trata-se de um acting out.

) descobrir. no ** Ver Jacques Lacan. Freud quer que ela lhe diga tudo. com certa ênfase.144 REVISÃO DO STATUS DO OBJETO PASSAGEM AO ATO E ACTING OUT 145 confiança a depositar no inconsciente: Poderemos nós conservá-la?. A Coisa freudiana foi o que Freud deixou cair — mas que continua passa ao ato. O inconsciente sempre merece lher. quando duas pessoas saem juntas de uma chaminé. vou trazê-la da próxima vez. o que sig- refiro em meu "Relatório de Roma". mostra. no entanto. enfatizei diante de vocês num discurso recente. pouco depois do fato. algo diante do qual Freud por pouco não morreu sufocado. ou seja. ele admite e chega até a formular que. ao falar da fantasia. Esse é o ponto em que Freud se recusa a ver na verdade. sempre se manteve em estado de pergunta: o que quer uma mulher? É o esbarrão do pensamento de Freud em algo que podemos chamar. nós a continuaremos da próxima vez. se me atrevo a dizer. É aquilo que. é o problema do que o da sujeira? sujeito quer dizer ao mentir. . não a nifica que não têm futuro nenhum. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. vocês não se interessa pelo que as faz grimpar. é portante era estarem juntos na mesma chaminé. de feminili- dade. a mu- disputa em torno do inconsciente. primo obscuro sem lhe contar. Não me façam dizer que a mulher é mentirosa como tal. o que está em questão aí. como se costuma dizer. como certamente o coisa. e não apenas esse. por ser tão elíp. Mas. uma meiguice fluida. como sabemos. o dejeto. ao se afir- mar como tal. após sua morte. no entanto. lembro bem. diante dessa grimpagem de todas as engrenagens. não consultei a biografia. já não me Freud afirma isso numa frase muito característica. Pois bem. o que falta a Freud aí.402-37. e ainda é ela que conduz toda a caçada. e que alguma coisa se adivinha por essa vertente — para empregar os termos do I-Ching.T. para ele. o passeio noturno que sua noiva. 1998. o im- tempo. a estrutura de ficção como algo que está em sua origem. o paradoxo de Epimênides. E o estranho é que Freud entrega os pon. aconselho-os a reler esse artigo. ela foi lembra- A própria paciente lhe diz que seus sonhos são mentirosos. trata-se de uma É aí que está o ponto cego. ele se emociona. nesse caso. ao * Cura pela fala e limpeza da chaminé. dera com um diz ele. afinal. É o ponto em que ele não meditou o bastante sobre aquilo que. qual delas se livra tica — vejam como é a mentira na criança —. quando digo que a feminilidade se furta. diz Freud. ciente. deixa cair. e o discurso do sonho é algo diferente do incons. Aquilo da no fim de um de meus artigos. O eu minto é perfeitamente aceitável. poderão vê-la designada ali. mesmo dia em que eles trocaram seus votos supremos. Escritos. é um outro qualquer. Lerei para vocês essa frase. Ele bém o que fiz sobre "A Coisa freudiana". trouxe hoje. diante dessa ameaça à fidelidade do inconsciente. 23 de janeiro de 1963 ber. provisoriamente. ao mesmo Durante um certo tempo. E então. É Diana que indico como mostrando a fuga ou a sequência dessa Sem ver o que o atrapalha. a confiança. um des- tica e concentrada que quase tem o caráter de tropeço da fala a que me ses janotas com o futuro garantido. é belíssima. que é sua Essa busca. sob a forma de todos nós. é o que falta em seu discurso. ao ver a contradição do eu minto. tirada de empréstimo do Talmude: diante do qual Freud se detém é o problema de toda mentira sintomá. o restinho. ninguém se aborreceu com isso. sai dela. p.** A Coisa freudiana. (N. uma questão se coloca — vocês a conhecem. é criado por um desejo que vem do inconsciente. Só que. aquilo que detém tudo e que é. paixão. a sa. expõe o sujeito à anulação lógica em que se detém o fi- lósofo. quando se o desejo que se expressa através dessas mentiras. no momento em que. mas tam- tos. Chamo-o de primo obscuro. ela o fez: fez a talking cure e a chimney sweeping* Ah. uma vez que o que mente é o desejo. limpeza foi bem feita. Sim.