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A ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL NOS CEMITÉRIOS DE SALVADOR:

PERÍODO COLONIAL X DIAS ATUAIS.

Alexandre Araújo
Caio Neves
Izabeli Santana da Silva
ALEXANDRE ARAÚJO¹, CAIO NEVES¹, IZABELI SANTANA DA
SILVA¹

A ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL NOS CEMITÉRIOS DE SALVADOR:


PERÍODO COLONIAL X DIAS ATUAIS.

¹IFBA – Instituto Federal de Ciência e Tecnologia da Bahia – Campus Simões Filho


INTRODUÇÃO

Na Antiguidade Clássica a relação entre vivos e mortos era de temor. Por conta
disso, os locais para a realização de funerais, localizavam-se fora das cidades, na Idade
Média o cenário cultural muda e a relação entre vivos e mortos ficou bem mais próxima,
a prática de sepultar passou a ser realizada dentro das cidades. No Brasil, aspectos
culturais europeus se difundiram com a cultura preexistente. (SCHWYZER, Ingrid. 2001)
Essa forma de sepultar predominou até o século XIX fragmentada por uma estratificação
moral e religiosa, evidente nos cemitérios, principalmente da população desprivilegiada
(judeus, heréticos, cismáticos, blasfemos, suicidas, ladrões de bens da igreja,
excomungados, pessoas pagãs). Com o passar do tempo percebeu-se que os mortos,
principalmente os mais poderosos e reconhecidos, estavam alojados nos mesmos espaços,
que eram considerados como os centros da vida social do período, as igrejas, criando uma
necessidade sanitária de proibir esse tipo de prática. A reação da população soteropolitana
foi organizar-se em protesto contra as ideias sanitaristas de modificar uma tradição
secular. As irmandades, organizações católicas e ordens terceiras de Salvador foram de
grande importância na organização dos manifestos – por interesses principalmente
econômicos e políticos que foram unificados ao sentimento de inconformismo da
sociedade – culminando na destruição do recém construído cemitério. (REIS, João José.
1991) A influência Iluminista, levou a uma mudança do pensamento, transformando as
noções sanitárias e religiosas, que transferiu os cadáveres para extramuros, de forma a
especificar locais próprios para os mortos. Monopólio que foi suspenso após a revolta
popular. (REIS, João José. 1991)

OBJETIVOS
Este trabalho tem como objetivo basicamente conhecer a história dos cemitérios de
salvador, contrapondo a atual situação socioeconômica evidenciada pelos mesmos.
Os objetivos específicos deste trabalho são:
• Ter uma ideia da realidade dos cemitérios de Salvador no período colonial.
• Investigar as condições sociais dos cemitérios de salvador na atualidade
• Realizar um estudo comparativo acerca das relações sociais existentes entre os
cemitérios do período colonial e o dos dias atuais.
METODOLOGIA
A metodologia utilizada será, principalmente, o estudo e busca de relatos históricos e
trabalhos de pesquisas sobre o tema, visitas aos cemitérios antigos e recentes de Salvador
e entrevistas semiestruturada com pesquisadores e profissionais relacionados ao tema.
Um ponto extremamente importante para a construção deste trabalho será a visita aos
cemitérios famosos da capital baiana e que ainda carregam uma significativa bagagem
histórica. A visita aos cemitérios do Campo Santo e Quinta dos Lázaros se torna crucial,
já que este foram construídos no século XIX, em Salvador. O cemitério Jardim da
Saudade, ou Bosque da Paz, também é de fundamental importância, pois será a partir da
análise destes cemitérios que conseguiremos realizar o estudo comparativo da
estratificação social, pois os mesmos possuem particularidades fundamentais para a
realização deste estudo.

RESULTADOS ESPERADOS
A vida, um dos fenômenos mais incríveis existente, tem como principal certeza a morte.
São várias as tradições pelo mundo com o objetivo de dar descanso aos que partiram,
desde a inumação até a mumificação. No princípio os falecidos tinham locais para eles –
Longe dos centros de vida – Mas essa tradição foi alterada no decorrer da história,
diminuindo cada vez mais a distância existente entre os vivos e mortos, até que eles
começaram a ocupar o mesmo espaço. Com a chegada do cristianismo, o medo da
sociedade pelos finados foi praticamente extinto, tornando mais fácil sua aceitação. Outro
ponto que ficou bem visível nesse período foi a estratificação social, já que os mortos
tinham tratamentos diferentes, baseado no que fizeram em vida, desde os poderosos até
os suicidas.
Espera-se ao fim deste trabalho, deixar evidente a forma como as relações
socioeconômicas, principalmente em Salvador, interfere diretamente na forma em que os
mortos são inumados e que ainda há uma forte estratificação social nos cemitérios,
causada pela grande herança histórica deixada há muitos anos atrás.