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MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO

(MPU)

TÉCNICO DO MPU
ÁREA DE ATIVIDADE: APOIO TÉCNICO ADMINISTRATIVO
ESPECIALIDADE: SEGURANÇA INSTITUCIONAL E TRANSPORTE

VOLUME 1

CONHECIMENTOS BÁSICOS
LÍNGUA PORTUGUESA:
1 Compreensão e interpretação de textos. ....................................................................................................... 1
2 Tipologia textual. ...........................................................................................................................................19
3 Ortografia oficial. ...........................................................................................................................................45
4 Acentuação gráfica. ......................................................................................................................................43
5 Emprego das classes de palavras. ...............................................................................................................59
6 Emprego/correlação de tempos e modos verbais. ........................................................................................66
7 Emprego do sinal indicativo de crase. ..........................................................................................................49
8 Sintaxe da oração e do período. ..................................................................................................................81
9 Pontuação. ....................................................................................................................................................48
10 Concordância nominal e verbal. .................................................................................................................81
11 Regência nominal e verbal. ........................................................................................................................83
12 Significação das palavras. ...........................................................................................................................56

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO:


1 Noções de organização administrativa.
1.1 Centralização, descentralização, concentração e desconcentração. ......................................................... 1
1.2 Administração direta e indireta.
1.3 Autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista.
2 Ato administrativo. 2.1 Conceito, requisitos, atributos, classificação e espécies. ........................................24
3 Agentes públicos. 3.1 Legislação pertinente. 3.1.1 Lei nº 8.112/1990. 3.1.2 Disposições constitucionais
aplicáveis. 3.2 Disposições doutrinárias. 3.2.1 Conceito. 3.2.2 Espécies. 3.2.3 Cargo, emprego e função
pública. .............................................................................................................................................................34
4 Poderes administrativos. 4.1 Hierárquico, disciplinar, regulamentar e de polícia. 4.2 Uso e abuso do poder.
5 Controle da Administração Pública. 5.1 Controle exercido pela Administração Pública. 5.2 Controle judicial.
5.3 Controle legislativo. ...................................................................................................................................92
6 Responsabilidade civil do Estado. ..............................................................................................................100
6.1 Responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro.
6.1.1 Responsabilidade por ato comissivo do Estado.
6.1.2 Responsabilidade por omissão do Estado.
6.2 Requisitos para a demonstração da responsabilidade do Estado.
6.3 Causas excludentes e atenuantes da responsabilidade do Estado.
7 Regime jurídico-administrativo. ..................................................................................................................120
7.1 Conceito.
7.2 Princípios expressos e implícitos da Administração Pública.

1 Técnico do MPU – VOL.1

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LEGISLAÇÃO APLICADA AO MPU:
1 Ministério Público da União. ............................................................................................................. PP 1 a 58
1.1 Lei Orgânica do Ministério Público da União (Lei Complementar nº 75/1993).
1.2 Perfil constitucional do Ministério Público e suas funções institucionais.
1.3 Conceito. 1.4 Princípios institucionais.
1.5 A autonomia funcional e administrativa.
1.6 A iniciativa legislativa.
1.7 A elaboração da proposta orçamentária.
1.8 Os vários Ministérios Públicos.
1.9 O Procurador-Geral da República: requisitos para a investidura e procedimento de destituição.
1.10 Os demais Procuradores-Gerais.
1.11 Funções exclusivas e concorrentes.
1.12 Membros: ingresso na carreira, promoção, aposentadoria, garantias, prerrogativas e vedação.

ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO:


1 Ética e moral. .................................................................................................................................................. 1
2 Ética, princípios e valores. .............................................................................................................................. 1
3 Ética e democracia: exercício da cidadania. .................................................................................................. 4
4 Ética e função pública. .................................................................................................................................... 6
5 Ética no Setor Público. 5.1 Decreto nº 1.171/ 1994 (Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil
do Poder Executivo Federal). 5.2 Lei nº 8.112/1990 e alterações: regime disciplinar (deveres e proibições,
acumulação, responsabilidades, penalidades). 5.3 Lei nº 8.429/1992: disposições gerais, atos de improbida-
de administrativa. 5.4 Resoluções 1 a 10 da Comissão de Ética Pública da Presidência da República. ......... 9

2 Técnico do MPU – VOL.1

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LÍNGUA PORTUGUESA
3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas
em êem e ôo(s).
Como era: abençôo, crêem (verbo crer), dêem (verbo dar),
dôo (verbo doar), enjôo, lêem (verbo ler),magôo (verbo mago-
ar), perdôo (verbo perdoar), povôo (verbo povoar), vêem
(verbo ver), vôos, zôo.
Como fica: abençoo creem (verbo crer), deem (verbo dar),
doo (verbo doar), enjoo, leem (verbo ler), magoo (verbo ma-
goar), perdoo (verbo perdoar), povoo (verbo povoar), veem
(verbo ver), voos, zoo.
4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pa-
res pára/para, péla(s)/ pe-
la(s),pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
Como era: Ele pára o carro. Ele foi ao póloNorte. Ele gosta
de jogar pólo. Esse gato tem pêlos brancos. Comi uma pêra.
Como fica: Ele para o carro. Ele foi ao polo Norte. Ele gosta
GUIA PRÁTICO DA NOVA ORTOGRAFIA de jogar polo. Esse gato tem pelos brancos. Comi uma pera.
Mudanças no alfabeto Atenção: Permanece o acento diferencial em pôde/pode.
O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito
letras k, w e y. do indicativo), na 3ª pessoa do singular.
O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do
N O P Q R S T U V WX Y Z singular.
As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele
da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em pode.
várias situações. Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por
Por exemplo: é preposição.
a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilô- Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
metro), kg (quilograma), W (watt);
Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural
b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus deri-
dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter,
vados): show, playboy, playground, windsurf, kung fu, yin,
deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).
yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano.
Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros. Ele
Trema
vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba. Ele mantém a
Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u palavra. / Eles mantêm a palavra. Ele convém aos estudantes.
para indicar que ela deve ser pronunciada nos gru- / Eles convêm aos estudantes. Ele detém o poder. / Eles
pos gue, gui, que, qui. detêm o poder. Ele intervém em todas as aulas. / Eles inter-
Como era: agüentar, argüir, bilíngüe, cinqüenta, delinqüen- vêm em todas as aulas.
te, eloqüente,ensangüentado, eqüestre, freqüente, lingüeta, É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as
lingüiça, qüinqüênio, sagüi,seqüência, seqüestro, tranqüilo, palavras forma/ fôrma. Em alguns casos, o uso do acento
Como fica: aguentar, arguir, bilíngue, cinquenta, delinquente, deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma
eloquente, ensanguentado, equestre, frequente, lingueta, da fôrma do bolo?
linguiça, quinquênio, sagui, sequência, sequestro, tranquilo. 5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas
Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangei- (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicati-
ras e em suas derivadas. Exemplos: Müller, mülleriano. vo dos verbos arguir e redarguir.
Mudanças nas regras de acentuação 6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados
1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar,
palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir, etc. Esses verbos
penúltima sílaba). admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do
Como era: alcalóide, alcatéia, andróide, apóia, apóio(verbo indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.
apoiar), asteróide, bóia,celulóide, clarabóia, colméia, Coréia, Veja: a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas
debilóide, epopéia, estóico, estréia, estréio (verbo estrear), formas devem ser acentuadas.
geléia, heróico, ideia, jibóia, jóia, odisséia, paranóia, paranói- Exemplos:
co, platéia, tramóia. verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam;
Como fica: alcaloide, alcateia, androide apoia, apoio (verbo enxágue, enxágues, enxáguem.
apoiar), asteroide, boia, celuloide, claraboia, colmeia, Coreia, verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem;
debiloide, epopeia, estoico, estreia, estreio(verbo estrear), delínqua, delínquas, delínquam.
geleia, heroico, ideia, jiboia joia, odisseia, paranoia, paranoi- b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam
co, plateia tramoia. de ser acentuadas.
Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxí- Exemplos: (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pro-
tonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxíto- nunciada mais fortemente que as outras): verbo enxaguar:
nas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxa-
Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus. gues, enxaguem. verbo delinquir: delinquo, delinques, delin-
2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e que, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.
no u tônicos quando vierem depois de um ditongo. Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira,
Como era: baiúca, bocaiúva, cauíla, feiúra. aquela com a e i tônicos.
Como fica: baiuca, bocaiuva, cauila, feiura. Uso do hífen
Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo
posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Acordo. Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em
Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí. muitos aspectos, para facilitar a compreensão dos leitores,

Língua Portuguesa 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


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apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do 8. Com os prefi-
hífen com os prefixos mais comuns, assim como as novas xos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se
orientações estabelecidas pelo Acordo. As observações a sempre o hífen.
seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por Exemplos: além-mar, além-túmulo, aquém-mar, ex-aluno, ex-
prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefi- diretor, ex-hospedeiro, ex-prefeito, ex-presidente, pós-
xos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, graduação, pré-história, pré-vestibular, pró-europeu, recém-
circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, in- casado, recém-nascido, sem-terra.
fra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, 9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-
pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, guarani: açu, guaçu e mirim.
tele, ultra, vice, etc.
Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.
1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra
iniciada por h. 10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que
ocasionalmente se combinam, formando não propriamente
Exemplos: anti-higiênico, anti-histórico, co-herdeiro, macro- vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.
história, mini-hotel, proto-história, sobre-humano, super-
homem, ultra-humano. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde 11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perde-
o h). ram a noção de composição.
2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal Exemplos: girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas,
diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. paraquedista, pontapé.
Exemplos: aeroespacial, agroindustrial, anteontem, antiaéreo, 12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma
antieducativo, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele
autoinstrução, coautor, coedição, extraescolar, infraestrutura, deve ser repetido na linha seguinte.
plurianual, semiaberto, semianalfabeto, semiesférico, semio- Exemplos: Na cidade, conta-se que ele foi viajar.
paco. O diretor recebeu os ex-alunos.
Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo Resumo
elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, Emprego do hífen com prefixos.
coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coo- Regra básica - Sempre se usa o hífen diante de h: anti-
cupante etc. higiênico, super-homem.
3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o Outros casos:
segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. 1. Prefixo terminado em vogal: Sem hífen diante de vogal
Exemplos: anteprojeto, antipedagógico, autopeça, autoprote- diferente: autoescola, antiaéreo.
ção, coprodução, geopolítica, microcomputador, pseudopro- Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto,
fessor, semicírculo, semideus, seminovo, ultramoderno. semicírculo.
Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Sem hífen diante de r e s.
Exemplos: vice-rei, vice-almirante etc. Dobram-se essas letras: antirracismo, antissocial, ultrassom.
Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-
4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o ondas.
segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-
se essas letras. 2. Prefixo terminado em consoante:
Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-
Exemplos: antirrábico, antirracismo, antirreligioso, antirrugas, bibliotecário.
antissocial, biorritmo, contrarregra, contrassenso, cosseno, Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, su-
infrassom, microssistema, minissaia, multissecular, neorrea- persônico.
lismo, neossimbolista, semirreta, ultrarresistente, Ultrassom. Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.
5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o Observações:
segundo elemento começar pela mesma vogal. 1. Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de pala-
Exemplos: anti-ibérico, anti-imperialista, anti-inflacionário, anti- vra iniciada por r sub-região, sub-raça etc.
inflamatório, auto-observação, contra-almirante, contra-atacar, Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem
contra-ataque micro-ondas micro-ônibus semi-internato, semi- hífen: subumano, subumanidade.
interno. 2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de
6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-
o segundo elemento começar pela mesma consoante. americano etc.
Exemplos: hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, sub- 3. O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento,
bibliotecário, super-racista, super-reacionário, super- mesmo quando este se inicia por o: coobrigação, coordenar,
resistente, super-romântico. cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.
Atenção: Nos demais casos não se usa o hífen. 4. Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-
Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, almirante etc.
superproteção. 5. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam
Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra a noção de composição, como girassol, madressilva, manda-
iniciada por r: sub-região, sub-raça etc. chuva, pontapé, paraquedas, paraquedista etc.
Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de pala- 6. Com os prefi-
vra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan- xos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se
americano etc. sempre o hífen: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar,
7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu.
hífen se o segundo elemento começar por vogal. ¨
Exemplos: hiperacidez, hiperativo, interescolar, interestadual, Fonte: Guia Prático da Nova Ortografia - Douglas Tufano
interestelar, interestudantil, superamigo, superaquecimento, Editora Melhoramentos - Agosto de 2008
supereconômico, superexigente, superinteressante, superoti-
mismo.

Língua Portuguesa 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Novo Acordo Ortográfico é adiado para 2016 Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
O objetivo de adiar a vigência do novo Acordo Ortográfi- texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
co visa a alinhar o cronograma brasileiro com o de outros
países e dar um maior prazo de adaptação às pessoas. 01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
Prorrogação visa a alinhar cronograma brasileiro com o de outros países, 02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
como Portugal. até o fim, ininterruptamente;
A vigência obrigatória do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi 03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo menos
adiada pelo governo brasileiro por mais três anos. A implementação inte- umas três vezes ou mais;
gral da nova ortografia estava prevista para 1º de janeiro de 2013, contudo, 04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
o Governo Federal adiou para 1º de janeiro de 2016, prazo estabelecido 05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
também por Portugal. 06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
Assinado em 1990 por sete nações da Comunidade de Países de Língua 07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compre-
Portuguesa (CPLP) e adotado em 2008 pelos setores público e privado, o ensão;
Acordo tem como objetivo unificar as regras do português escrito em todos 08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
os países que têm a língua portuguesa como idioma oficial. A reforma respondente;
ortográfica também visa a melhorar o intercâmbio cultural, reduzir o custo 09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
econômico de produção e tradução de livros e facilitar a difusão bibliográfi- 10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
ca nesses países. incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
Nesse sentido, a grafia de aproximadamente 0,5 das palavras em portu- aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
guês teve alterações propostas, a exemplo de ideia, crêem e bilíngue, que, perguntou e o que se pediu;
com a obrigatoriedade do uso do novo Acordo Ortográfico, passaram a ser 11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
escritas sem o acento agudo, circunflexo e trema, respectivamente. Com o exata ou a mais completa;
adiamento, tanto a ortografia atual quanto a prevista são aceitas, ou seja, a 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
utilização das novas regras continua sendo opcional até que a reforma lógica objetiva;
ortográfica entre em vigor. 13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
Dicas para uma boa interpretação de texto 15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
resposta;
Uma boa interpretação de texto é importante para o desenvolvimento 16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
pessoal e profissional, por isso elaboramos algumas dicas preciosas para definindo o tema e a mensagem;
auxiliar você nos seus estudos. 17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
Você tem dificuldades para interpretar um texto? Se a sua resposta for 18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantís-
sim, não se desespere, você não é o único a sofrer com esse problema que simos na interpretação do texto.
afeta muitos leitores. Ex.: Ele morreu de fome.
de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
Não saber interpretar corretamente um texto pode gerar inúmeros pro- do fato (= morte de "ele").
blemas, afetando não só o desenvolvimento profissional, mas também o Ex.: Ele morreu faminto.
desenvolvimento pessoal. O mundo moderno cobra de nós inúmeras com- faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
petências, uma delas é a proficiência na língua, e isso não se refere apenas quando morreu.;
a uma boa comunicação verbal, mas também à capacidade de entender 19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei-
aquilo que está sendo lido. O analfabetismo funcional está relacionado com as estão coordenadas entre si;
a dificuldade de decifrar as entrelinhas do código, pois a leitura mecânica é 20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza
bem diferente da leitura interpretativa, aquela que fazemos ao estabelecer de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo
analogias e criar inferências. Para que você não sofra mais com a análise Cunegundes
de textos, elaboramos algumas dicas para você seguir e tirar suas dúvidas.
Uma interpretação de texto competente depende de inúmeros fatores, ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
mas nem por isso deixaremos de contemplar alguns que se fazem essenci- TEXTO NARRATIVO
ais para esse exercício. Muitas vezes, apressados, descuidamo-nos das • As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for-
minúcias presentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar
suficiente, o que não é verdade. Interpretar demanda paciência e, por isso, dos fatos.
sempre releia, pois uma segunda leitura pode apresentar aspectos surpre-
endentes que não foram observados anteriormente. Para auxiliar na busca Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou
de sentidos do texto, você pode também retirar dele os tópicos frasais heroína, personagem principal da história.
presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreensão do
conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos não estão organizados, O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do prota-
pelo menos em um bom texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal
estão, é porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação contracena em primeiro plano.
hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias supracitadas ou
apresentando novos conceitos. As personagens secundárias, que são chamadas também de compar-
sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra-
Para finalizar, concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas ção.
pelo autor: os textos argumentativos não costumam conceder espaço para
divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos O narrador que está a contar a história também é uma personagem,
nos ater às ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor-
na superfície do texto, mas é fundamental que não criemos, à revelia do tância, ou ainda uma pessoa estranha à história.
autor, suposições vagas e inespecíficas. Quem lê com cuidado certamente
incorre menos no risco de tornar-se um analfabeto funcional e ler com Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso-
atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, assim como nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não
uma técnica, que fará de nós leitores proficientes e sagazes. Agora que alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e
você já conhece nossas dicas, desejamos a você uma boa leitura e bons tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen-
estudos! Luana Castro Alves Perez

Língua Portuguesa 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


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são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações Exemplo:
perante os acontecimentos. “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da
verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna-
• Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a val a cidade é do povo e de ninguém mais”.
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo po-
demos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descendi:
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o clÍmax, o dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de
desenlace ou desfecho. travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas
os verbos de locução podem ser omitidos.
Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, • Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens.
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou Exemplo:
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de inte- “Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa-
resses entre as personagens. dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os me-
O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten- nos sombrios por vir”.
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho,
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. • Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
• Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gê- Exemplo:
nero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem
que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, rela- que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela
cionados ao principal. hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés
• Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu- no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter (José Lins do Rego)
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve-
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são TEXTO DESCRITIVO
extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
narrativo. terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
• Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importantes,
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que
podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos, o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem
ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fa- unificada.
to que aconteceu depois.
Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari-
O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela pouco.
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões
fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra téc-
sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu nica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
espírito. • Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente
• Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis- através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subje-
semos, é a personagem que está a contar a história. A posição em tiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferên-
que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o cias, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o
aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri- que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objeti-
zado por : vo, fenomênico, ela é exata e dimensional.
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às • Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon- personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos,
tecimentos e a narração é feita em 3a pessoa. pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamen-
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narra- to, com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, so-
tiva que é feito em 1a pessoa. cial e econômico .
- visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê, • Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o
aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per- observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama,
sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra- para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as
dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa. partes mais típicas desse todo.
• Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de • Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos
apresentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma
qual a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e
feita em 1a pessoa ou 3a pessoa. típicos.
• Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada,
Formas de apresentação da fala das personagens que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de
Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há um incêndio, de uma briga, de um naufrágio.
três maneiras de comunicar as falas das personagens. • Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge-
rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabu-
• Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra- lário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores. É
vés do diálogo. predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer
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convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanis- so. Abaixo veremos algumas formas de introduzir um parágrafo argumenta-
mos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc. tivo:

TEXTO DISSERTATIVO • Declaração inicial: É uma forma de apresentar com assertivi-


Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação cons- dade e segurança a tese.
ta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou ques- ‘ A aprovação das Cotas para negros vem reparar uma divida moral e
tão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever um dano social. Oferecer oportunidade igual de ingresso no Ensino Superi-
com clareza, coerência e objetividade. or ao negro por meio de políticas afirmativas é uma forma de admitir a
diferença social marcante na sociedade e de igualar o acesso ao mercado
A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir de trabalho.’
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão. • Interrogação: Cria-se com a interrogação uma relação próxima
com o leitor que, curioso, busca no texto resposta as perguntas feitas na
A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan- introdução.
do o contexto.
‘ Por que nos orgulhamos da nossa falta de consciência coletiva? Por
que ainda insistimos em agir como ‘espertos’ individualistas?’
Quanto à forma, ela pode ser tripartida em :
• Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda- • Citação ou alusão: Esse recurso garante à defesa da tese cará-
mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e ob- ter de autoridade e confere credibilidade ao discurso argumentativo, pois
jetiva da definição do ponto de vista do autor. se apoia nas palavras e pensamentos de outrem que goza de prestigio.
• Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo-
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan- ‘ As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num as costas e irem embora’. O comentário do fotógrafo Sebastião Salgado
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de- sobre o que presenciou na Ruanda é um chamado à consciência públi-
sencadeia a conclusão. ca.’’
• Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia • Exemplificação: O processo narrativo ou descritivo da exempli-
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in- ficação pode conferir à argumentação leveza a cumplicidade. Porém,
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para deve-se tomar cuidado para que esse recurso seja breve e não interfira
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer no processo persuasivo.
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese
e opinião. ‘ Noite de quarta-feira nos Jardins, bairro paulistano de classe média.
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; é Restaurante da moda, frequentado por jovens bem-nascidos, sofre o se-
a obra ou ação que realmente se praticou. gundo ‘arrastão’ do mês. Clientes e funcionários são assaltados e amea-
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou çados de morte. O cotidiano violento de São Paulo se faz presente.’’
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so-
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido. • Roteiro: A antecipação do que se pretende dizer pode funcionar
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou como encaminhamento de leitura da tese.
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje- ‘ Busca-se com essa exposição analisar o descaso da sociedade em
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a relação às coletas seletivas de lixo e a incompetência das prefeituras.’’
respeito de algo.
• Enumeração: Contribui para que o redator analise os dados e
O TEXTO ARGUMENTATIVO exponha seus pontos de vista com mais exatidão.

Um texto argumentativo tem como objetivo convencer alguém das ‘ Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Pau-
nossas ideias. Deve ser claro e ter riqueza lexical, podendo tratar qualquer lo aponta que as maiores vítimas do abuso sexual são as crianças meno-
tema ou assunto. res de 12 anos. Elas representam 43% dos 1.926 casos de violência se-
xual atendidos pelo Programa Bem-Me-Quer, do Hospital Pérola Bying-
É constituído por um primeiro parágrafo curto, que deixe a ideia no ar, ton.’’
depois o desenvolvimento deve referir a opinião da pessoa que o escreve,
com argumentos convincentes e verdadeiros, e com exemplos claros. Deve • Causa e consequência: Garantem a coesão e a concatenação
também conter contra-argumentos, de forma a não permitir a meio da das ideias ao longo do parágrafo, além de conferir caráter lógico ao pro-
leitura que o leitor os faça. Por fim, deve ser concluído com um parágrafo cesso argumentativo.
que responda ao primeiro parágrafo, ou simplesmente com a ideia chave da ‘ No final de março, o Estado divulgou índices vergonhosos do Idesp
opinião. – indicador desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação para ava-
Geralmente apresenta uma estrutura organizada em três partes: liar a qualidade do ensino (…). O péssimo resultado é apenas conse-
a introdução, na qual é apresentada a ideia principal ou tese; quência de como está baixa a qualidade do ensino público. As causas
o desenvolvimento, que fundamenta ou desenvolve a ideia principal; e são várias, mas certamente entre elas está a falta de respeito do Estado
a conclusão. Os argumentos utilizados para fundamentar a tese podem ser que, próximo do fim do 1º bimestre, ainda não enviou apostilas para al-
de diferentes tipos: exemplos, comparação, dados históricos, dados estatís- gumas escolas estaduais de Rio Preto.
tico, pesquisas, causas socioeconômicas ou culturais, depoimentos - enfim
• Síntese: Reforça a tese defendida, uma vez que fecha o texto
tudo o que possa demonstrar o ponto de vista defendido pelo autor tem
com a retomada de tudo o que foi exposto ao longo da argumentação.
consistência. A conclusão pode apresentar uma possível solução/proposta
Recurso seguro e convincente para arrematar o processo discursivo.
ou uma síntese. Deve utilizar título que chame a atenção do leitor e utilizar
variedade padrão de língua. ‘ Quanto a Lei Geral da Copa, aprovou-se um texto que não é o ideal,
mas sustenta os requisitos da Fifa para o evento.
A linguagem normalmente é impessoal e objetiva.
O aspecto mais polêmico era a venda de bebidas alcoólicas nos es-
O roteiro da persuasão para o texto argumentativo:
tádios. A lei eliminou o veto federal, mas não exclui que os organizadores
Na introdução, no desenvolvimento e na conclusão do texto argumen- precisem negociar a permissão em alguns Estados, como São Paulo.’’
tativo espera-se que o redator o leitor de seu ponto de vista. Alguns recur-
sos podem contribuir para que a defesa da tese seja concluída com suces-

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• Proposta: Revela autonomia critica do produtor do texto e ga- existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se
rante mais credibilidade ao processo argumentativo. transformar na salvação do mundo.
‘ Recolher de forma digna e justa os usuários de crack que buscam Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral preci-
ajuda, oferecer tratamento humano é dever do Estado. Não faz sentido sam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a
isolar para fora dos olhos da sociedade uma chaga que pertence a to- combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada
dos.’’ Mundograduado.org melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a
“ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul.” Profª Francinete
Modelo de Dissertação-Argumentativa
Dissertação expositiva e argumentativa
Meio-ambiente e tecnologia: não há contraste, há solução
A dissertação pode ser feita de maneira expositiva ou argumentativa.
Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambi-
ental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobre- Expositiva
vivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quan- A dissertação é expositiva quando há a abordagem de uma verdade indis-
do analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia. cutível. O texto oferece um conhecimento ou informação sobre o assunto
através da exposição de ideias, não tomando uma posição sobre elas.
O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço a
se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas ao Argumentativa
progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), responsá-
A dissertação argumentativa é aquela que aborda o assunto com uma visão
veis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte, pro-
crítica, onde o autor defende o seu ponto de vista, buscando sempre con-
blemas ambientais que afetam a população.
vencer o leitor através de evidências, juízos, provas e opiniões relevantes.
Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos
contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar Como interpretar textos
os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de
continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente É muito comum, entre os candidatos a um cargo público a preocupação
nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma, com a interpretação de textos. Isso acontece porque lhes faltam informa-
podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemáti- ções específicas a respeito desta tarefa constante em provas relacionadas
ca. a concursos públicos.

O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os Por isso, vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento de
transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnoló- responder as questões relacionadas a textos.
gica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais
do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não TEXTO – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si,
existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se formando um todo significativo capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNI-
transformar na salvação do mundo. CATIVA (capacidade de CODIFICAR E DECODIFICAR).
Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral preci-
sam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a CONTEXTO – um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma
combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a anterior e/ou com
melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser
“ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul. transmitido. A essa interligação dá-se o nome de CONTEXTO. Nota-se que
o relacionamento entre as frases é tão grande, que, se uma frase for retira-
Nesse modelo, didaticamente, podemos perceber a estrutura textual da de seu contexto original e analisada separadamente, poderá ter um
dissertativa assim organizada: significado diferente daquele inicial.
1º parágrafo: Introdução com apresentação da tese a ser defendi-
INTERTEXTO - comumente, os textos apresentam referências diretas ou
da;
indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de recurso deno-
“Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambi- mina-se INTERTEXTO.
ental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobre-
vivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quan- INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro objetivo de uma interpretação
do analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.” de um texto é a identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-
se as ideias secundárias, ou fundamentações, as argumentações, ou
2º parágrafo: Há o desenvolvimento da tese com fundamentos ar- explicações, que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na
gumentativos; prova.
“O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço
a se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a:
ao progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), respon-
sáveis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte, 1. IDENTIFICAR – é reconhecer os elementos fundamentais de uma argu-
problemas ambientais que afetam a população. mentação, de um processo, de uma época (neste caso, procuram-se os
verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).
Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos 2. COMPARAR – é descobrir as relações de semelhança ou de diferenças
contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar entre as situações do texto.
os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de 3. COMENTAR - é relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade,
continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente opinando a respeito.
nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma, 4. RESUMIR – é concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só
podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemáti- parágrafo.
ca.” 5. PARAFRASEAR – é reescrever o texto com outras palavras.
3º parágrafo: A conclusão é desenvolvida com uma proposta de
EXEMPLO
intervenção relacionada à tese.
“O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os TÍTULO DO TEXTO
transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnoló-
gica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais "O HOMEM UNIDO ”
do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não

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PARÁFRASES depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode
A INTEGRAÇÃO DO MUNDO esquecer também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor se-
A INTEGRAÇÃO DA HUMANIDADE mântico, por isso a necessidade de adequação ao antecedente.
A UNIÃO DO HOMEM Os pronomes relativos são muito importantes na interpretação de texto,
HOMEM + HOMEM = MUNDO pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sedo, deve-se levar em
A MACACADA SE UNIU (SÁTIRA) consideração que existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
cia, a saber:
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA INTERPRETAR
QUE (NEUTRO) - RELACIONA-SE COM QUALQUER ANTECEDENTE.
Fazem-se necessários: MAS DEPENDE DAS CONDIÇÕES DA FRASE.
QUAL (NEUTRO) IDEM AO ANTERIOR.
a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros literários, estrutura QUEM (PESSOA)
do texto), leitura e prática; CUJO (POSSE) - ANTES DELE, APARECE O POSSUIDOR E DEPOIS, O
OBJETO POSSUÍDO.
b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico; COMO (MODO)
OBSERVAÇÃO – na semântica (significado das palavras) incluem-se: ONDE (LUGAR)
homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonimia, QUANDO (TEMPO)
polissemia, figuras de linguagem, entre outros. QUANTO (MONTANTE)

c) Capacidade de observação e de síntese e EXEMPLO:

d) Capacidade de raciocínio. Falou tudo QUANTO queria (correto)


Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria aparecer o de-
INTERPRETAR x COMPREENDER monstrativo O ).

INTERPRETAR SIGNIFICA • VÍCIOS DE LINGUAGEM – há os vícios de linguagem clássicos (BARBA-


- EXPLICAR, COMENTAR, JULGAR, TIRAR CONCLUSÕES, DEDUZIR. RISMO, SOLECISMO,CACOFONIA...); no dia-a-dia, porém , existem
- TIPOS DE ENUNCIADOS expressões que são mal empregadas, e, por força desse hábito cometem-
• Através do texto, INFERE-SE que... se erros graves como:
• É possível DEDUZIR que...
• O autor permite CONCLUIR que... - “ Ele correu risco de vida “, quando a verdade o risco era de morte.
• Qual é a INTENÇÃO do autor ao afirmar que... - “ Senhor professor, eu lhe vi ontem “. Neste caso, o pronome correto
oblíquo átono
COMPREENDER SIGNIFICA
- INTELECÇÃO, ENTENDIMENTO, ATENÇÃO AO QUE REALMENTE Dicionário de Interpretação de textos
ESTÁ ESCRITO. A - Atenção ao ler o texto é fundamental.
- TIPOS DE ENUNCIADOS:
• O texto DIZ que... B - Busque a resposta no texto. Não tente adivinhá-la. “Chute” só em
• É SUGERIDO pelo autor que... último caso.
• De acordo com o texto, é CORRETA ou ERRADA a afirmação...
• O narrador AFIRMA... C - Coesão: uma frase com erro de coesão pode tornar um contexto indeci-
frável. Contexto: é o conjunto de ideias que formam um texto ® o conteú-
ERROS DE INTERPRETAÇÃO do.

É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpre- D - Deduzir: deduz- se somente através do que o texto informa.
tação. Os mais frequentes são:
E - Erros de Interpretação:
a) Extrapolação (viagem) • Extrapolação ( viagem ): é proibido viajar. Não se pode permitir que o
Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado ideias que não estão no pensamento voe.
texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela imaginação. • Redução: síntese serve apenas para facilitar o entendimento do contexto
e para fixar a ideia principal. Na hora de responder lê-se o texto novamente.
b) Redução • Contradição: é proibido contradizer o autor. Só se contradiz se solicitado.
É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esque-
cendo que um texto é um conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente F – Figuras de linguagem: conhecê-las bem ajudam a compreender o
para o total do entendimento do tema desenvolvido. texto e, até, as questões.

c) Contradição G – Gramática: é a “alma” do texto. Sem ela, não haverá texto interpretá-
Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o vel. Portanto, estude-a bastante.
tirar conclusões equivocadas e, consequentemente, errando a questão.
H - História da Literatura: reconhecer as escolas e os gêneros literários é
OBSERVAÇÃO - Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do fundamental. Revise seus apontamentos de literatura.
leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso qualquer, o que
deve ser levado em consideração é o que o AUTOR DIZ e nada mais. I – Interpretação: o ato de interpretar tem primeiro e principal objetivo a
identificação da ideia principal. • Intertexto: são as citações que comple-
COESÃO - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacionam pala- mentam, ou reforçam, o enfoque do autor .
vras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em outras palavras, a coe-
são dá-se quando, através de um pronome relativo, uma conjunção (NE- J – Jamais responda “de cabeça”. Volte sempre ao texto.
XOS), ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que
se vai dizer e o que já foi dito. L – Localizar-se no contexto permite que o candidato DESCUBRA a
resposta.
OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia-a-dia e, entre eles,
está o mau uso do pronome relativo e do pronome oblíquo átono. Este M – Mensagem: às vezes, a mensagem não é explícita, mas o contexto

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informa qual a intenção do autor. isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demons-
trando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos,
N – Nexos: são importantíssimos na coesão. Estude os pronomes relativos um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
e as conjunções.
Como você deve ter observado, nesse parágrafo, o narrador conta-nos
O – Observação: se você não é bom observador, comece a praticar HOJE, um fato acontecido com seu primo. É, pois, um parágrafo narrativo. Anali-
pois essa capacidade está intimamente ligada à atenção. OBSERVAÇÃO semos, agora, o parágrafo quanto à estrutura.
= ATENÇÃO = BOA INTERPRETAÇÃO. As ideias foram organizadas da seguinte maneira:

P – Parafrasear: é dizer o mesmo que está no texto com outras palavras. É Ideia principal:
o mais conhecido “pega – ratão“ das provas. Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro
quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte.
Q – Questões de alternativas ( de “a” a “e” ): devem ser todas lidas.
Nunca se convença de que a resposta é a letra “a” . Duvide e leia até a letra Ideias secundárias:
“e”, pois a resposta correta pode estar aqui.
Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas,
demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as
R – Roteiro de Interpretação
mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
Na hora de interpretar um texto, alguns cuidados são necessários: A ideia principal, como você pode observar, refere-se a uma ação peri-
gosa, agravada pelo aparecimento de um trem. As ideias secundárias
a) ler atentamente todo o texto, procurando focalizar sua ideia central; complementam a ideia principal, mostrando como o primo do narrador
b) interpretar as palavras desconhecidas através do contexto; conseguiu sair-se da perigosa situação em que se encontrava.
c) reconhecer os argumentos que dão sustentação a ideia central;
d) identificar as objeções à ideia central; Os parágrafos devem conter apenas uma ideia principal acompanhado
e) sublinhar os exemplos que foram empregados como ilustração da ideia de ideias secundárias. Entretanto, é muito comum encontrarmos, em pará-
central; grafos pequenos, apenas a ideia principal. Veja o exemplo:
f) antes de responder as questões, ler mais de uma vez todo o texto, fazen- O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
do o mesmo com as questões e as alternativas;
g) a cada questão, voltar ao texto, não responder “de cabeça”; Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram
h) se preferir, faça anotações à margem ou esquematize o texto; aproveitar o bom tempo. Pegaram um animal, montaram e seguiram con-
i) se o enunciado pedir a ideia principal, ou tema, estará situada na introdu- tentes pelos campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe.
ção, na conclusão, ou no título; Nesse trecho, há dois parágrafos.
j) se o enunciado pedir a argumentação, esta estará localizada, normalmen-
te, no corpo do texto. No primeiro, só há uma ideia desenvolvida, que corresponde à ideia
principal do parágrafo: O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
S – Semântica: é a parte da gramática que estuda o significado das pala-
No segundo, já podemos perceber a relação ideia principal + ideias
vras. É bom estudar: homônimos e parônimos, denotação e conotação,
secundárias. Observe:
polissemia, sinônimos e antônimos. Não esqueça que a mudança de um “i “
para “e” pode mudar o significado da palavra e do contexto. Ideia principal:

IMINENTE - EMINENTE Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram


aproveitar o bom tempo.
T – Texto: basicamente, é um conjunto de IDEIAS (Assun- Ideia secundárias:
to) ORGANIZADAS (Estrutura). (INTRODUÇÃO-ARGUMENTAÇÃO-
CONCLUSÃO) Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos,
levando um farto lanche, preparado pela mãe.
U – Uma vez, contaram a você que existem a ótica do escritor e a ótica do
Agora que já vimos alguns exemplos, você deve estar se perguntando:
leitor. É MENTIRA! Você deve responder às questões de acordo com o
“Afinal, de que tamanho é o parágrafo?”
escritor.
Bem, o que podemos responder é que não há como apontar um pa-
V – Vícios: esses “errinhos” do cotidiano atrapalham muito na interpreta- drão, no que se refere ao tamanho ou extensão do parágrafo.
ção. Não deixe que eles interfiram no seu conhecimento.
Há exemplos em que se veem parágrafos muito pequenos; outros, em
X – Xerocar os conteúdos, isto é, decorá-los não é o suficiente: é necessá- que são maiores e outros, ainda, muito extensos.
rio raciocinar. Também não há como dizer o que é certo ou errado em termos da ex-
tensão do parágrafo, pois o que é importante mesmo, é a organização das
Z – Zebra não existe: o que existe é a falta de informação. Portanto, infor- ideias. No entanto, é sempre útil observar o que diz o dito popular – “nem
me-se! oito, nem oitenta…”.
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portugues/como- Assim como não é aconselhável escrevermos um texto, usando apenas
interpretar-textos parágrafos muito curtos, também não é aconselhável empregarmos os
muito longos.
Essas observações são muito úteis para quem está iniciando os traba-
A ideia principal e as secundárias lhos de redação. Com o tempo, a prática dirá quando e como usar parágra-
Para treinarmos a redação de pequenos parágrafos narrativos, vamos fos – pequenos, grandes ou muito grandes.
nos colocar no papel de narradores, isto é, vamos contar fatos com base na Até aqui, vimos que o parágrafo apresenta em sua estrutura, uma ideia
organização das ideias. principal e outras secundárias. Isso não significa, no entanto, que sempre a
Leia o trecho abaixo: ideia principal apareça no início do parágrafo. Há casos em que a ideia
secundária inicia o parágrafo, sendo seguida pela ideia principal. Veja o
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro exemplo:
quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte. Com

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As estacas da cabana tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo situações formais, modalidades diferentes das usadas em situações infor-
estremeceu violentamente sob meus pés. Logo percebi que se tratava de mais, com o objetivo de adequar o nível vocabular e sintático ao ambiente
um terremoto. linguístico em que se está.
Observe que a ideia mais importante está contida na frase: “Logo per- 3. Geográfica: há variações entre as formas que a língua portuguesa
cebi que se tratava de um terremoto”, que aparece no final do parágrafo. assume nas diferentes regiões em que é falada. Basta prestar atenção na
As outras frases (ou ideias) apenas explicam ou comprovam a afirmação: expressão de um gaúcho em contraste com a de um amazonense. Essas
“as estacas tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu variações regionais constituem os falares e os dialetos. Não há motivo
violentamente sob meus pés” e estas estão localizadas no início do pará- linguístico algum para que se considere qualquer uma dessas formas
grafo. superior ou inferior às outras.
Então, a respeito da estrutura do parágrafo, concluímos que as ideias 4. Social: o português empregado pelas pessoas que têm acesso à
podem organizar-se da seguinte maneira: escola e aos meios de instrução difere do português empregado pelas
pessoas privadas de escolaridade.
Ideia principal + ideias secundárias
Algumas classes sociais, assim, dominam uma forma de língua que
ou goza prestígio, enquanto outras são vítimas de preconceito por emprega-
Ideias secundárias + ideia principal rem estilos menos prestigiados. Cria-se, dessa maneira, uma modalidade
de língua – a norma culta -, que deve ser adquirida durante a vida escolar e
É importante frisar, também, que a ideia principal e as ideias se- cujo domínio é solicitado como modo de ascensão profissional e social.
cundárias não são ideias diferentes e, por isso, não podem ser separadas Também são socialmente condicionadas certas formas de língua que
em parágrafos diferentes. Ao selecionarmos as ideias secundárias deve- alguns grupos desenvolvem a fim de evitar a compreensão por aqueles que
mos verificar as que realmente interessam ao desenvolvimento da ideia não fazem parte do grupo. O emprego dessas formas de língua proporciona
principal e mantê-las juntas no mesmo parágrafo. Com isso, estaremos o reconhecimento fácil dos integrantes de uma comunidade restrita. Assim
evitando e repetição de palavras e assegurando a sua clareza. É importan- se formam, por exemplo, as gírias, as línguas técnicas. Pode-se citar ainda
te, ao termos várias ideias secundárias, que sejam identificadas aquelas a variante de acordo com a faixa etária e o sexo.
que realmente se relacionam à ideia principal. Esse cuidado é de grande
valia ao se redigir parágrafos sobre qualquer assunto. Língua padrão e não padrão

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA A língua padrão está ligada à variedade escrita, culta da língua portu-
guesa. Ela é considerada formal, "correta", e deve ser usada em ocasiões
FALA E ESCRITA mais formais, tanto na escrita , quanto na fala.
Registros, variantes ou níveis de língua(gem) A língua não-padrão está ligada à variedade falada, coloquial da nossa
língua. Ela é considerada informal, mais flexível e permite alguns usos que
A comunicação não é regida por normas fixas e imutáveis. Ela pode devem ser evitados quando escrevemos : gírias, abreviações, falta dos
transformar-se, através do tempo, e, se compararmos textos antigos com plurais nas palavras, etc.Porém, às vezes, encontramos essa variedade
atuais, perceberemos grandes mudanças no estilo e nas expressões. Por não-padrão também na variedade escrita : em textos como poesias,
que as pessoas se comunicam de formas diferentes? Temos que conside- propagandas , jornal,etc. christina luisa
rar múltiplos fatores: época, região geográfica, ambiente e status cultural
dos falantes.
AS DIFERENÇAS ENTRE FALA E ESCRITA
Há uma língua-padrão? O modelo de língua-padrão é uma decorrência
dos parâmetros utilizados pelo grupo social mais culto. Às vezes, a mesma Enquanto a língua falada é espontânea e natural, a língua escrita precisa
pessoa, dependendo do meio em que se encontra, da situação sociocultural seguir algumas regras. Embora sejam expressões de um mesmo idio-
dos indivíduos com quem se comunica, usará níveis diferentes de língua. ma, cada uma tem a sua especificidade. A língua falada é a mais natu-
Dentro desse critério, podemos reconhecer, num primeiro momento, dois ral, aprendemos a falar imitando o que ouvimos. A língua escrita, por
tipos de língua: a falada e a escrita. seu lado, só é aprendida depois que dominamos a língua falada. E ela
não é uma simples transcrição do que falamos; está mais subordinada
A língua falada pode ser culta ou coloquial, vulgar ou inculta, regional, às normas gramaticais. Portanto requer mais atenção e conhecimento
grupal (gíria ou técnica). Quando a gíria é grosseira, recebe o nome de de quem fala. Além disso, a língua escrita é um registro, permanece ao
calão. longo do tempo, não tem o caráter efêmero da língua falada.
Língua falada:
Quando redigimos um texto, não devemos mudar o registro, a não ser
· Palavra sonora
que o estilo permita, ou seja, se estamos dissertando – e, nesse tipo de
· Requer a presença dos interlocutores
redação, usa-se, geralmente, a língua-padrão – não podemos passar desse
· Ganha em vivacidade
nível para um como a gíria, por exemplo.
· É espontânea e imediata
Variação linguística: como falantes da língua portuguesa, percebe- · Uso de frases feitas
mos que existem situações em que a língua apresenta-se sob uma forma · É repetitiva e redundante
bastante diferente daquela que nos habituamos a ouvir em casa ou nos · O contexto extralinguístico é importante
meios de comunicação. Essa diferença pode manifestarse tanto pelo voca- · A expressividade permite prescindir de certas regras
bulário utilizado, como pela pronúncia ou organização da frase. · A informação é permeada de subjetividade e influenciada pela pre-
sença do
Nas relações sociais, observamos que nem todos falam da mesma interlocutor
forma. Isso ocorre porque as línguas naturais são sistemas dinâmicos e · Recursos: signos acústicos e extralinguísticos, gestos, entorno físico e
extremamente sensíveis a fatores como, por exemplo, a região geográfica, psíquico
o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do Língua escrita:
contexto. Essas diferenças constituem as variações linguísticas. · Palavra gráfica
Observe abaixo as especificidades de algumas variações: · É possível esquecer o interlocutor
· É mais sintética e objetiva
1. Profissional: no exercício de algumas atividades profissionais, o · A redundância é apenas um recurso estilístico
domínio de certas formas de línguas técnicas é essencial. As variações · Ganha em permanência
profissionais são abundantes em termos específicos e têm seu uso restrito · Mais correção na elaboração das frases
ao intercâmbio técnico. · Evita a improvisação
2. Situacional: as diferentes situações comunicativas exigem de um · Pobreza de recursos não-linguísticos; uso de letras, sinais de pontua-
mesmo indivíduo diferentes modalidades da língua. Empregam-se, em ção

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· É mais precisa e elaborada Numa primeira leitura, temos sempre uma noção muito vaga do que o
· Ausência de cacoetes linguísticos e vulgarismos autor quis dizer. Uma leitura bem feita é aquela capaz de depreender de um
texto ou de um livro a informação essencial. Tudo deve ajustar-se a elas de
LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL forma precisa. A tarefa do leitor é detectá-las, a fim de realizar uma leitura
capaz de dar conta da totalidade do texto.
Linguagem Verbal - Existem várias formas de comunicação. Quando o
homem se utiliza da palavra, ou seja, da linguagem oral ou escrita,dizemos Por adquirir tal importância na arquitetura textual, as palavras-chave
que ele está utilizando uma linguagem verbal, pois o código usado é a normalmente aparecem ao longo de todo o texto das mais variadas formas:
palavra. Tal código está presente, quando falamos com alguém, quando repetidas, modificadas, retomadas por sinônimos. Elas pavimentam o
lemos, quando escrevemos. A linguagem verbal é a forma de comunicação caminho da leitura, levando-nos a compreender melhor o texto. Além disso,
mais presente em nosso cotidiano. Mediante a palavra falada ou escrita, fornecer a pista para uma leitura reconstrutiva porque nos levam à essência
expomos aos outros as nossas ideias e pensamentos, comunicando-nos da informação. Após encontrar as palavras-chave de um texto, devemos
por meio desse código verbal imprescindível em nossas vidas. Ela está tentar reescrevê-lo, tomando-as como base. Elas constituem seu esqueleto.
presente em textos em propagandas;
AS IDEIAS-CHAVE
em reportagens (jornais, revistas, etc.);
Muitas vezes temos dificuldades para chegar à síntese de um texto só
em obras literárias e científicas; pelas palavras-chave. Quando isso acontece, a melhor solução é buscar
suas ideias-chave. Para tanto é necessário sintetizar a ideia de cada pará-
na comunicação entre as pessoas;
grafo.
em discursos (Presidente da República, representantes de classe, can-
didatos a cargos públicos, etc.); TÓPICO FRASAL

e em várias outras situações. Um parágrafo padrão inicia-se por uma introdução em que se encontra
a ideia principal desenvolvida em mais períodos. Segundo a lição de Othon
Linguagem Não Verbal M. Garcia em sua Comunicação em prosa moderna (p. 192), denomina-
se tópico frasal essa introdução. Depois dela, vem o desenvolvimento e
pode haver a conclusão. Um texto de parágrafo:
“Em todos os níveis de sua manifestação, a vida requer certas condi-
ções dinâmicas, que atestam a dependência mútua dos seres vivos. Ne-
cessidades associadas à alimentação, ao crescimento, à reprodução ou a
outros processos biológicos criam, com frequência, relações que fazem do
bem-estar, da segurança e da sobrevivência dos indivíduos matérias de
interesse coletivo”. FERNANDES, Florestan. Elementos de sociologia
teórica 2. ed. São Paulo: Nacional, 1974, p. 35.
Observe a figura abaixo, este sinal demonstra que é proibido fumar em
Neste parágrafo, o tópico frasal é o primeiro período (Em .... vivos). Se-
um determinado local. A linguagem utilizada é a não-verbal pois não utiliza
gue-se o desenvolvimento especificando o que é dito na introdução. Se o
do código "língua portuguesa" para transmitir que é proibido fumar. Na
tópico frasal é uma generalização, e o desenvolvimento constitui-se de
figura abaixo, percebemos que o semáforo, nos transmite a ideia de aten-
especificações, o parágrafo é, então, a expressão de um raciocínio deduti-
ção, de acordo com a cor apresentada no semáforo, podemos saber se é
vo. Vai do geral para o particular: Todos devem colaborar no combate às
permitido seguir em frente (verde), se é para ter atenção (amarelo) ou se é
drogas. Você não pode se omitir.
proibido seguir em frente (vermelho) naquele instante.
Se não há tópico frasal no início do parágrafo e a síntese está na con-
clusão, então o método é indutivo, ou seja, vai do particular para o geral,
dos exemplos para a regra: João pesquisou, o grupo discutiu, Lea redigiu.
Todos colaborando, o trabalho é bem feito.
PARAGRAFAÇÃO
A PARAGRAFAÇÃO
NO/DO TEXTO DISSERTATIVO
(Partes deste capítulo foram adaptados/tirados de PACHECO, Agnelo
Como você percebeu, todas as imagens podem ser facilmente decodi- C. A dissertação. São Paulo: Atual, 1993 e de SOBRAL, João Jonas Veiga.
ficadas. Você notou que em nenhuma delas existe a presença da palavra? Redação: Escrevendo com prática. São Paulo: Iglu, 1997)
O que está presente é outro tipo de código. Apesar de haver ausência da
O texto dissertativo é o tipo de texto que expõe uma tese (ideias gerais
palavra, nós temos uma linguagem, pois podemos decifrar mensagens a
sobre um assunto/tema) seguida de um ponto de vista, apoiada em argu-
partir das imagens. O tipo de linguagem, cujo código não é a palavra,
mentos, dados e fatos que a comprovem.
denomina-se linguagem não-verbal, isto é, usam-se outros códigos (o
desenho, a dança, os sons, os gestos, a expressão fisionômica, as cores) “A leitura auxilia o desenvolvimento da escrita, pois, lendo, o indivíduo
Fonte: www.graudez.com.br tem contato com modelos de textos bem redigidos que, ao longo do tempo,
farão parte de sua bagagem linguística; e também porque entrará em
AS PALAVRAS-CHAVE contato com vários pontos de vista de intelectuais diversos, ampliando,
Ninguém chega à escrita sem antes ter passado pela leitura. Mas leitu- dessa forma, sua própria visão em relação aos assuntos. Como a produção
ra aqui não significa somente a capacidade de juntar letras, palavras, escrita se baseia praticamente na exposição de ideias por meio de pala-
frases. Ler é muito mais que isso. É compreender a forma como está tecido vras, certamente aquele que lê desenvolverá sua habilidade devido ao
o texto. Ultrapassar sua superfície e aferir da leitura seu sentido maior, que enriquecimento linguístico adquirido através da leitura de bons autores.”
muitas vezes passa despercebido a uma grande maioria de leitores. Só No texto acima temos uma ideia defendida pelo autor:
uma relação mais estreita do leitor com o texto lhe dará esse sentido. Ler
bem exige tanta habilidade quanto escrever bem. Leitura e escrita comple- TESE/TÓPICO FRASAL: “A leitura auxilia o desenvolvimento da escri-
mentam-se. Lendo textos bem estruturados, podemos apreender os proce- ta.”
dimentos linguísticos necessários a uma boa redação.
Em seguida o autor defende seu ponto de vista com os seguintes ar-
gumentos:

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ARGUMENTOS: A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fa-
zer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor.
(1)“...lendo o indivíduo tem contato com modelos de textos bem redigi-
dos que ao longo do tempo farão parte de sua bagagem linguística e, Definição
também, (2) porque entrará em contato com vários pontos de vista de
intelectuais diversos, (3) ampliando, dessa forma, a sua própria visão em O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo,
relação aos assuntos.” E por fim, comprovada a sua tese, veja que a ideia isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um
desta é recuperada: modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabe-
lecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais
CONCLUSÃO: “Como a produção escrita se baseia praticamente na ou mesmo a construção cultural, mas que dão também, as formas de ação
exposição de ideias por meio de palavras, certamente aquele que lê desen- humana.
volverá sua habilidade devido ao enriquecimento linguístico adquirido
através da leitura de bons autores.” ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Te-
mas de Filosofia.São Paulo, Moderna, 1992. p.62.
Observe como o texto dissertativo tem por objetivo expressar um de-
terminado ponto de vista em relação a um assunto qualquer e convencer o A definição é uma forma simples e muito usada em parágrafo-chave,
leitor de que este ponto de vista está correto. Poderíamos afirmar que o sobretudo em textos dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo
texto dissertativo é um exercício de cidadania, pois nele o indivíduo exerce o primeiro parágrafo.
seu papel de cidadão, questionando valores, reivindicando algo, expondo Divisão
pontos de vista, etc.
Predominam ainda no Brasil convicções errôneas sobre o problema da
Pode-se dizer que: exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder públi-
A paragrafação com tópico frasal seguido pelo desenvolvimento é uma co e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordi-
forma de organizar o raciocínio e a exposição das ideias de maneira clara e nários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que combate à margi-
facilmente compreensível. Quando se tem um plano em que os tópicos nalidade social em Nova York vem contando co intensivos esforços do
principais foram selecionados e poder público e ampla participação da iniciativa privada. Folha de S. Paulo,
17 dez.1996.
dispostos de modo a haver transição harmoniosa de um para outro, é
fácil redigir. Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção
que o parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-las na frase seguinte.
O TÓPICO FRASAL DO PARÁGRAFO: geralmente vem no começo
do parágrafo, seguida de outros períodos que explicam ou detalham a ideia Oposição
central e podem ou não concluir a ideia deste parágrafo. De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo
O DESENVOLVIMENTO DO PARÁGRAFO: é a explanação da ideia governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabó-
exposta no tópico frasal. Devemos desenvolver nossas ideias de maneira licas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive a educação
clara e convincente, utilizando argumentos e/ou ideias sempre tendo em no Brasil.
vista a forma como iniciamos o parágrafo. As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado/ de outro)
A CONCLUSÃO DO PARÁGRAFO encerra o desenvolvimento, com- que estabelecerá o rumo da argumentação.
pleta a discussão do assunto (opcional) Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste
FORMAS DISCURSIVAS DO PARÁGRAFO exemplo:

A) DESCRITIVO: a matéria da descrição é o objeto. Não há persona- “Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacaram pelo grau
gens em movimento (atemporal). O autor/produtor deve apresentar o de envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto à
objeto, pessoa, paisagem etc, de tal forma que o leitor consiga distinguir o cultura ainda é vista como artigo supérfluo em nossa terra, esperança por
ser descrito. observar quantos movimentos culturais têm acontecido em nossa história, e
quase sempre como forma de resistência e/ou transformação (...)” FEIJÓ,
B) NARRATIVO: a matéria da narração é o fato. Uma maneira eficiente Martin César. O que é política cultural. São Paulo, Brasiliense, 1985.p.7.
de organizá-lo é respondendo à seis perguntas: O quê? Quem? Quando?
Onde? Como? Por quê? O autor estabelece a oposição e logo depois explica os termos que a
compõem.
C) DISSERTATIVO: a matéria da dissertação é a análise (discussão).
Alusão histórica
ELABORAÇÃO/ PLANEJAMENTO DE PARÁGRAFOS
Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste-
Ter um assunto oeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As
fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de
Delimitá-lo, traçando um objetivo: o que pretende transmitir? competição.
Elaborar o tópico frasal; desenvolvê-lo e concluí-lo O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto.
PARÁGRAFO-CHAVE: FORMAS PARA COMEÇAR UM TEXTO O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema.
Ao escrever seu primeiro parágrafo, você pode fazê-lo de forma criati- Pergunta
va. Ele deve atrair a atenção do leitor. Por isso, evite os lugares-comuns Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os
como: atualmente, hoje em dia, desde épocas remotas, o mundo hoje, a contribuintes já estão cansados de tirar do bolso para tapar um buraco que
cada dia que passa, no mundo em vivemos, na atualidade. parece não ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos para
Listamos aqui algumas formas de começar um texto. Elas vão das mais alimentar um sistema que só parece piorar. A pergunta não é respondida de
simples às mais complexas. imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será
respondida ao longo da argumentação.
Declaração
Citação
É um grande erro a liberação da maconha. Provocará de imediato vio-
lenta elevação do consumo. O Estado perderá o controle que ainda exerce “As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não
sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de chorarem mais, trazem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as
viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda. Alberto costas e irem embora.” O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado,
Corazza, Isto é, 20 dez. 1995. falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia

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ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo. DI FRANCO, Carlos 2. Coesão sequencial – é feita por conectores ou operadores discursi-
Alberto. Jornalismo, ética e qualidade. Rio de Janeiro, Vozes, 1995. p. 73. vos, isto é, palavras ou expressões responsáveis pela criação de relações
semânticas ( causa, condição, finalidade, etc.). São exemplos de conecto-
A citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pe- res: mas, dessa forma, portanto, então, etc..
la palavra comentário da segunda frase.
Exemplo:
Comparação
a. Ele é rico, mas não paga suas dívidas.
O tema de reforma agrária está a bastante tempo nas discussões sobre
os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o Observe que o vocábulo “mas” não faz referência a outro vocábulo;
movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passa- apenas conecta (liga) uma ideia a outra, transmitindo a ideia de compensa-
do e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber ção.
algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam
elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor 3. Coesão recorrencial – é realizada pela repetição de vocábulos ou
e os que são contra a implantação da reforma agrária no Brasil. OLIVEIRA, de estruturas frasais.
Pérsio Santos de. Introdução à sociologia. São Paulo, Ática, 1991. p.101. semelhantes.
Para introduzir o tema da reforma agrária, o autor comparou a socieda- Exemplos;
de de hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de
comportamento entre elas. a. Os carros corriam, corriam, corriam.

Afirmação b. O aluno finge que lê, finge que ouve, finge que estuda.

A profissionalização de uma equipe começa com a procura e aquisição Coerência textual é a relação que se estabelece entre as diversas
das pessoas que tenham experiência e as aptidões adequadas para o partes do texto, criando uma unidade de sentido. Está ligada ao en-
desempenho da tarefa, especialmente quando esta é imediata. (Desenvol- tendimento, à possibilidade de interpretação daquilo que se ouve ou
vimento ) As pessoas já virão integrar a equipe sem precisar de treinamen- lê.
to profissionalizante, podendo entrar em ação logo após seu ingresso. OBS: pode haver texto com a presença de elementos coesivos, e não
Alternativamente, ou quando se dispõe de tempo, pode-se recrutar apresentar coerência.
pessoas inexperientes, mas que demonstrem o potencial para desenvolver Exemplo:
as aptidões e o interesse em fazer parte da equipe ou dedicar-se a sua
missão. Sempre que possível, uma equipe deve procurar combinar pessoas O presidente George W.Bush está descontente com o grupo Talibã.
experientes e aprendizes em sua composição, de modo que os segundos Estes eram estudantes da escola fundamentalista. Eles, hoje, governam o
aprendam com os primeiros. (conclusão) A falta de um banco de reservas, afeganistão. Os afegãos apóiam o líder Osama Bin Laden. Este foi aliado
muitas vezes, pode ser um obstáculo à própria evolução da equipe.” (Ma- dos Estados Unidos quando da invasão da União Soviética ao Afeganistão.
ximiniano, 1986:50 )
Comentário:
ARTICULAÇÃO ENTRE PARÁGRAFOS
Ninguém pode dizer que falta coesão a este parágrafo. Mas de que se
COESÃO E COERÊNCIA trata mesmo? Do descontentamento do presidente dos Estados Unidos? Do
grupo Talibã? Do povo Afegão?
Articulação entre os parágrafos
Do Osama Bin Laden? Embora o parágrafo tenha coesão, não apre-
A articulação dos/entre parágrafos depende da coesão e coerência. senta coerência, entendimento.
Sem um deles, ainda assim, é possível haver entendimento textual, entre-
tanto, há necessidade de ter domínio da língua e do contexto para escrever Pode ainda um texto apresentar coerência, e não apresentar elementos
um texto de tal forma. Dependendo da tipologia textual, a articulação textual coesivos. Veja o texto seguinte:
se dá de forma diferente. Na narração, por exemplo, não há necessidade
Como se conjuga um empresário
de ter um parágrafo com mais de um período. Um parágrafo narrativo pode
ser apenas “Oi”. Já a dissertação necessita ter ao menos um parágrafo com Mino
introdução e desenvolvimento (conclusão; opcional). Assim também varia a
necessidade de números de parágrafos para cada texto. Para se obter um “Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou-
bom texto, são necessários também: concisão, clareza, correção, adequa- se. Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Saiu. Entrou. Cumprimen-
ção de linguagem, expressividade. tou. Orientou. Controlou. Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cum-
primentou. Assentou-se. Preparou-se. Examinou. Leu. Convocou. Leu.
Coerência e Coesão Comentou. Interrompeu. Leu. Despachou. Vendeu. Vendeu. Ganhou.
Ganhou. Ganhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu.
Para não ser ludibriado pela articulação do contexto, é necessário que
Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Deposi-
se esteja atento à coesão e à coerência textuais.
tou. Associou-se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. Depositou. Despachou.
Coesão textual é o que permite a ligação entre as diversas partes de Repreendeu. Suspendeu. Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou.
um texto. Pode-se dividir em três segmentos: Ordenou. Telefonou. Despachou. Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou.
Lesou. Demitiu. Convocou. Elogiou. Bolinou. Estimulou. Beijou. Convidou.
1. Coesão referencial – é a que se refere a outro(s) elemento(s) do Saiu. Chegou. Despiu-se. Abraçou. Deitou-se. Mexeu. Gemeu. Fungou.
mundo textual. Babou. Antecipou. Frustrou. Virou-se. Relaxou-se. Envergonhou-se. Pre-
Exemplos: senteou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou.
Justificou-se. Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocu-
a) O presidente George W.Bush ficou indignado com o ataque no pou-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Despertou. Insistiu. Irritou-se. Te-
World Trade Center. Ele afirmou que “castigará” os culpados. (retomada de meu. Levantou. Apanhou. Rasgou. Engoliu. Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dor-
uma palavra gramatical – referente “Ele” + “ Presidente George W.Bush”) miu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se... Comentário:
b) De você só quero isto: a sua amizade (antecipação de uma palavra O texto nos mostra o dia-a-dia de um empresário qualquer. A estrutura
gramatical – “isto” = “a sua amizade” textual – somente verbos – não apresenta elementos coesivos; o que se
c) O homem acordou feliz naquele dia. O felizardo ganhou um bom di- encontra são relações de sentido, isto é, o texto retrata a visão do seu
nheiro na loteria. ( retomada por palavra lexical – “o felizardo” = “o homem”) autor, no caso, a de que todo empresário é calculista e desonesto.

Língua Portuguesa 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Há palavras e expressões que garantem transições bem feitas e que Nesta relação de substituição por sinônimos, devemos ter cautela
estabelecem relações lógicas entre as diferentes ideias apresentadas no quando formos usar os “hiperônimos” (p.32), ou até mesmo a “hiponímia”
texto. Fonte: UNINOVE (p.32) onde substitui-se a parte pelo todo, pois neste emaranhado de subs-
tituições pode-se causar desajustes e o resultado final não fazer com que a
ESTRUTURAÇÃO E ARTICULAÇÃO DO TEXTO imagem mental do leitor seja ativada de forma corretamente, e outra assimi-
lação, errônea, pode ser utilizada.
Resenha Critica de Articulação do Texto
Amanda Alves Martins Seguindo ainda neste linear das substituições, existem ainda as “nomi-
Resenha Crítica do livro A Articulação do Texto, da autora Elisa Guima- nações” e a “elipse”, onde na primeira, o sentido inicialmente expresso por
rães um verbo é substituído por um nome, ou seja, um substantivo; e, enquanto
na segunda, ou seja, na elipse, o substituto é nulo e marcado pela flexão
No livro de Elisa Guimarães, A Articulação do Texto, a autora procura verbal; como podemos perceber no seguinte exemplo retirado do livro de
esclarecer as dúvidas referentes à formação e à compreensão de um texto Elisa Guimarães:
e do seu contexto. “Louve-se nos mineiros, em primeiro lugar, a sua presença suave. Mil
deles não causam o incômodo de dez cearenses.
Formado por unidades coordenadas, ou seja, interligadas entre si, o
texto constitui, portanto, uma unidade comunicativa para os membros de __Não grita, ___ não empurram< ___ não seguram o braço da gente,
uma comunidade; nele, existe um conjunto de fatores indispensáveis para a ___ não impõem suas opiniões. Para os importunos inventaram eles uma
sua construção, como “as intenções do falante (emissor), o jogo de ima- palavra maravilhosamente definidora e que traduz bem a sua antipatia para
gens conceituais, mentais que o emissor e destinatário executam.”(Manuel essa casta de gente (...)” (Rachel de Queiroz. Mineiros. In: Cem crônicas
P. Ribeiro, 2004, p.397). Somado à isso, um texto não pode existir de forma escolhidas. Rio de Janeiros, José Olympio, 1958, p.82).
única e sozinha, pois depende dos outros tanto sintaticamente quanto
semanticamente para que haja um entendimento e uma compreensão Porém é preciso especificar que para que haja a elipse o termo elíptico
deste. Dentro de um texto, as partes que o formam se integram e se expli- deve estar perfeitamente claro no contexto. Este conceito e os demais já
cam de forma recíproca. ditos anteriormente são primordiais para a compreensão e produção textu-
al, uma vez que contribuem para a economia de linguagem, fator de grande
Completando o processo de formação de um texto, a autora nos escla- valor para tais feitos.
rece que a economia de linguagem facilita a compreensão dele, sendo
indispensável uma ligação entre as partes, mesmo havendo um corte de Ao abordar os conceitos de coesão e coerência, a autora procura pri-
trechos considerados não essenciais. meiramente retomar a noção de que a construção do texto é feita através
de “referentes linguísticos” (p.38) que geram um conjunto de frases que irão
Quando o tema é a “situação comunicativa” (p.7), a autora nos esclare- constituir uma “microestrutura do texto” (p.38) que se articula com a estrutu-
ce a relação texto X contexto, onde um é essencial para esclarecermos o ra semântica geral. Porém, a dificuldade de se separar a coesão da coe-
outro, utilizando-se de palavras que recebem diferentes significados con- rência está no fato daquela está inserida nesta, formando uma linha de
forme são inseridas em um determinado contexto; nos levando ao entendi- raciocínio de fácil compreensão, no entanto, quando ocorre uma incoerên-
mento de que não podemos considerar isoladamente os seus conceitos e cia textual, decorrente da incompatibilidade e não exatidão do que foi
sim analisá-los de acordo com o contexto semântico ao qual está inserida. escrito, o leitor também é capaz de entender devido a sua fácil compreen-
são apesar da má articulação do texto.
Segundo Elisa Guimarães, o sentido da palavra texto estende-se a
uma enorme vastidão, podendo designar “um enunciado qualquer, oral ou A coerência de um texto não é dada apenas pela boa interligação entre
escrito, longo ou breve, antigo ou moderno” (p.14) e ao contrário do que as suas frases, mas também porque entre estas existe a influência da
muitos podem pensar, um texto pode ser caracterizado como um fragmen- coerência textual, o que nos ajuda a concluir que a coesão, na verdade, é
to, uma frase, um verbo ect e não apenas na reunião destes com mais efeito da coerência. Como observamos em Nova Gramática Aplicada da
algumas outras formas de enunciação; procurando sempre uma objetivida- Língua Portuguesa de Manoel P. Ribeiro (2004, 14ed):
de para que a sua compreensão seja feita de forma fácil e clara.
A coesão e a coerência trazem a característica de promover a inter-
Esta economia textual facilita no caminho de transmissão entre o enun- relação semântica entre os elementos do discurso, respondendo pelo que
ciador e o receptor do texto que procura condensar as informações recebi- chamamos de conectividade textual. “A coerência diz respeito ao nexo
das a fim de se deter ao “núcleo informativo” (p.17), este sim, primordial a entre os conceitos; e a coesão, à expressão desse nexo no plano linguísti-
qualquer informação. co” (VAL, Maria das Graças Costa. Redação e textualidade, 1991, p.7)

A autora também apresenta diversas formas de classificação do discur- No capítulo que diz respeito às noções de estrutura, Elisa Guimarães,
so e do texto, porém, detenhamo-nos na divisão de texto informativo e de busca ressaltar o nível sintático representado pelas coordenações e subor-
um texto literário ou ficcional. dinações que fixam relações de “equivalência” ou “hierarquia” respectiva-
mente.
Analisando um texto, é possível percebermos que a repetição de um Um fato importante dentro do livro A Articulação do Texto, é o valor atribuí-
nome/lexema, nos induz à lembrar de fatos já abordados, estimula a nossa do às estruturas integrantes do texto, como o título, o parágrafo, as inter e
biblioteca mental e a informa da importância de tal nome, que dentro de um intrapartes, o início e o fim e também, as superestruturas.
contexto qualquer, ou seja que não fosse de um texto informacional, seria
apenas caracterizado como uma redundância desnecessária. Essa repeti- O título funciona como estratégica de articulação do texto podendo de-
ção é normalmente dada através de sinônimos ou “sinônimos perfeitos” sempenhar papéis que resumam os seus pontos primordiais, como tam-
(p.30) que permitem a permutação destes nomes durante o texto sem que o bém, podem ser desvendados no decorrer da leitura do texto.
sentido original e desejado seja modificado.
Os parágrafos esquematizam o raciocínio do escritos, como enuncia
Esta relação semântica presente nos textos ocorre devido às interpre- Othon Moacir Garcia:
tações feitas da realidade pelo interlocutor, que utiliza a chamada “semânti- “O parágrafo facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar con-
ca referencial” (p.31) para causar esta busca mental no receptor através de venientemente as ideias principais da sua composição, permitindo ao leitor
palavras semanticamente semelhantes à que fora enunciada, porém, existe acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios”.
ainda o que a autora denominou de “inexistência de sinônimo perfeito”
(p.30) que são sinônimos porém quando posto em substituição um ao outro É bom relembrar, que dentro do parágrafo encontraremos o chamado
não geram uma coerência adequada ao entendimento. tópico frasal, que resumirá a principal ideia do parágrafo no qual esta
inserido; e também encontraremos, segundo a autora, dez diferentes tipos

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de parágrafo, cada qual com um ponto de vista específico. consertar, o conserto; viajar, a viagem). É preciso distinguir-se en-
tre nominalização estrita e. generalizações (ex.: o cão < o animal)
No que diz respeito ao tópico Inicio e fim, Elisa Guimarães preferiu e especificações (ex.: planta > árvore > palmeira);
abordá-los de forma mútua já que um é consequência ou decorrência do • substitutos universais (ex.: João trabalha muito. Também o faço.
outro; ficando a organização da narrativa com uma forma de estrutura O verbo fazer em substituição ao verbo trabalhar);
clássica e seguindo uma linha sequencial já esperada pelo leitor, onde o • enunciados que estabelecem a recapitulação da ideia global.
início alimenta a esperança de como virá a ser o texto, enquanto que o fim Ex.: O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também
exercer uma função de dar um destaque maior ao fechamento do texto, o deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono
que também, alimenta a imaginação tanto do leito, quanto do próprio autor. (Vidas Secas, p.11). Esse enunciado é chamado de anáfora con-
ceptual. Todo um enunciado anterior e a ideia global que ele refere
No geral, o que diz respeito ao livro A Articulação do Texto de Elisa são retomados por outro enunciado que os resume e/ou interpreta.
Guimarães, ele nos trás um grande número de informações e novos concei- Com esse recurso, evitam-se as repetições e faz-se o discurso
tos em relação à produção e compreensão textual, no entanto, essa grande avançar, mantendo-se sua unidade.
leva de informações muitas vezes se tornam confusas e acabam por des- 2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de:
prenderem-se uma das outras, quebrando a linearidade de todo o texto e
• certos pronomes (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-
dificultando o entendimento teórico.
se aqui os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados
como substitutos de elementos anteriormente presentes no texto,
A REFERENCIAÇÃO / OS REFERENTES / COERÊNCIA E COESÃO
diferentemente dos pronomes de 1ª e 2ª pessoa que se referem à
pessoa que fala e com quem esta fala.
A fala e também o texto escrito constituem-se não apenas numa se-
quência de palavras ou de frases. A sucessão de coisas ditas ou escritas • certos advérbios e expressões adverbiais;
forma uma cadeia que vai muito além da simples sequencialidade: há um • artigos;
entrelaçamento significativo que aproxima as partes formadoras do texto • conjunções;
falado ou escrito. Os mecanismos linguísticos que estabelecem a conectivi- • numerais;
dade e a retomada e garantem a coesão são os referentes textuais. Cada • elipses. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado
uma das coisas ditas estabelece relações de sentido e significado tanto anterior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem
com os elementos que a antecedem como com os que a sucedem, constru- recolheu-se cedo. ... Sabia que ia necessitar de todas as suas for-
indo uma cadeia textual significativa. Essa coesão, que dá unidade ao ças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a
texto, vai sendo construída e se evidencia pelo emprego de diferentes relação entre as duas orações.). É a própria ausência do termo que
procedimentos, tanto no campo do léxico, como no da gramática. (Não marca a inter-relação. A identificação pode dar-se com o próprio
esqueçamos que, num texto, não existem ou não deveriam existir elemen- enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extraver-
tos dispensáveis. Os elementos constitutivos vão construindo o texto, e são bais, exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares pú-
as articulações entre vocábulos, entre as partes de uma oração, entre as blicos (ex.: Perigo!) e as frases exclamativas, que remetem a uma
orações e entre os parágrafos que determinam a referenciação, os contatos situação não-verbal. Nesse caso, a articulação se dá entre texto e
e conexões e estabelecem sentido ao todo.) contexto (extratextual);
• as concordâncias;
Atenção especial concentram os procedimentos que garantem ao texto
• a correlação entre os tempos verbais.
coesão e coerência. São esses procedimentos que desenvolvem a dinâ-
mica articuladora e garantem a progressão textual.
Os dêiticos exercem, por excelência, essa função de progressão textu-
A coesão é a manifestação linguística da coerência e se realiza nas al, dada sua característica: são elementos que não significam, apenas
relações entre elementos sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos indicam, remetem aos componentes da situação comunicativa. Já os com-
em relação aos substantivos; formas verbais em relação aos sujeitos; ponentes concentram em si a significação. Referem os participantes do ato
tempos verbais nas relações espaço-temporais constitutivas do texto etc.), de comunicação, o momento e o lugar da enunciação.
na organização de períodos, de parágrafos, das partes do todo, como
formadoras de uma cadeia de sentido capaz de apresentar e desenvolver Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos:
um tema ou as unidades de um texto. Construída com os mecanismos Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam os participan-
gramaticais e lexicais, confere unidade formal ao texto. tes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locuções
1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada no léxico. Ela pode prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, referenciam o
dar-se pela reiteração, pela substituição e pela associação. momento da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou
É garantida com o emprego de: posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); ulti-
mamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de
• enlaces semânticos de frases por meio da repetição. A mensa- agora em diante, no próximo ano, depois de (futuro).
gem-tema do texto apoiada na conexão de elementos léxicos su-
cessivos pode dar-se por simples iteração (repetição). Cabe, nesse Maria da Graça Costa Val lembra que “esses recursos expressam rela-
caso, fazer-se a diferenciação entre a simples redundância resul- ções não só entre os elementos no interior de uma frase, mas também
tado da pobreza de vocabulário e o emprego de repetições como entre frases e sequências de frases dentro de um texto”.
recurso estilístico, com intenção articulatória. Ex.: “As contas do
patrão eram diferentes, arranjadas a tinta e contra o vaqueiro, mas Não só a coesão explícita possibilita a compreensão de um texto. Mui-
Fabiano sabia que elas estavam erradas e o patrão queria enganá- tas vezes a comunicação se faz por meio de uma coesão implícita, apoia-
lo.Enganava.” Vidas secas, p. 143); da no conhecimento mútuo anterior que os participantes do processo
• substituição léxica, que se dá tanto pelo emprego de sinônimos comunicativo têm da língua.
como de palavras quase sinônimas. Considerem-se aqui além
das palavras sinônimas, aquelas resultantes de famílias ideológi- A ligação lógica das ideias
cas e do campo associativo, como, por exemplo, esvoaçar, revoar, Uma das características do texto é a organização sequencial dos ele-
voar; mentos linguísticos que o compõem, isto é, as relações de sentido que se
• hipônimos (relações de um termo específico com um termo de estabelecem entre as frases e os parágrafos que compõem um texto,
sentido geral, ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um fazendo com que a interpretação de um elemento linguístico qualquer seja
termo de sentido mais amplo com outros de sentido mais específi- dependente da de outro(s). Os principais fatores que determinam esse
co, ex.: felino, gato); encadeamento lógico são: a articulação, a referência, a substituição voca-
• nominalizações (quando um fato, uma ocorrência, aparece em bular e a elipse.
forma de verbo e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.:

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ARTICULAÇÃO
Os articuladores (também chamados nexos ou conectores) são conjun- finalidade: uma das proposições do período explicita o(s) meio(s) para
ções, advérbios e preposições responsáveis pela ligação entre si dos fatos se atingir determinado fim expresso na outra. Os articuladores principais
denotados num texto, Eles exprimem os diferentes tipos de interdependên- são: para, afim de, para que.
cia de sentido das frases no processo de sequencialização textual. As
ideias ou proposições podem se relacionar indicando causa, consequência, Utilizo o automóvel a fim de facilitar minha vida.
finalidade, etc.
conformidade: essa relação expressa-se por meio de duas proposi-
Ingressei na Faculdade a fim de ascender socialmente. ções, em que se mostra a conformidade de conteúdo de uma delas em
Ingressei na Faculdade porque pretendo ser biólogo. relação a algo afirmado na outra.
Ingressei na Faculdade depois de ter-me casado.
O aluno realizou a prova conforme o professor solicitara.
É possível observar que os articuladores relacionam os argumentos di- segundo
ferentemente. Podemos, inclusive, agrupá-los, conforme a relação que consoante
estabelecem. como
de acordo com a solicitação...
Relações de:
adição: os conectores articula sequencialmente frases cujos conteúdos temporalidade: é a relação por meio da qual se localizam no tempo
se adicionam a favor de uma mesma conclusão: e, também, não ações, eventos ou estados de coisas do mundo real, expressas por meio de
só...como também, tanto...como, além de, além disso, ainda, nem. duas proposições.
Quando
Na maioria dos casos, as frases somadas não são permutáveis, isto é, Mal
a ordem em que ocorrem os fatos descritos deve ser respeitada. Logo que terminei o colégio, matriculei-me aqui.
Assim que
Ele entrou, dirigiu-se à escrivaninha e sentou-se. Depois que
alternância: os conteúdos alternativos das frases são articulados por No momento em que
conectores como ou, ora...ora, seja...seja. O articulador ou pode expres- Nem bem
sar inclusão ou exclusão.
a) concomitância de fatos: Enquanto todos se divertiam, ele estu-
Ele não sabe se conclui o curso ou abandona a Faculdade. dava com afinco.
Existe aqui uma simultaneidade entre os fatos descritos em cada
oposição: os conectores articulam sequencialmente frases cujos con- uma das proposições.
teúdos se opõem. São articuladores de oposição: mas, porém, todavia, b) um tempo progressivo:
entretanto, no entanto, não obstante, embora, apesar de (que), ainda À proporção que os alunos terminavam a prova, iam se retirando.
que, se bem que, mesmo que, etc. • bar enchia de frequentadores à medida que a noite caía.

O candidato foi aprovado, mas não fez a matrícula. Conclusão: um enunciado introduzido por articuladores como portan-
condicionalidade: essa relação é expressa pela combinação de duas to, logo, pois, então, por conseguinte, estabelece uma conclusão em
proposições: uma introduzida pelo articulador se ou caso e outra por então relação a algo dito no enunciado anterior:
(consequente), que pode vir implícito. Estabelece-se uma relação entre o
antecedente e o consequente, isto é, sendo o antecedente verdadeiro ou Assistiu a todas as aulas e realizou com êxito todos os exercícios. Por-
possível, o consequente também o será. tanto tem condições de se sair bem na prova.

Na relação de condicionalidade, estabelece-se, muitas vezes, uma É importante salientar que os articuladores conclusivos não se limitam
condição hipotética, isto é,, cria-se na proposição introduzida pelo articula- a articular frases. Eles podem articular parágrafos, capítulos.
dor se/caso uma hipótese que condicionará o que será dito na proposição
seguinte. Em geral, a proposição situa-se num tempo futuro. Comparação: é estabelecida por articuladores : tanto (tão)...como,
tanto (tal)...como, tão ...quanto, mais ....(do) que, menos ....(do) que,
Caso tenha férias, (então) viajarei para Buenos Aires. assim como.
Ele é tão competente quanto Alberto.
causalidade: é expressa pela combinação de duas proposições, uma
das quais encerra a causa que acarreta a consequência expressa na outra. Explicação ou justificativa: os articuladores do tipo pois, que, por-
Tal relação pode ser veiculada de diferentes formas: que introduzem uma justificativa ou explicação a algo já anteriormente
referido.
Passei no vestibular porque estudei muito
visto que Não se preocupe que eu voltarei
já que pois
uma vez que porque
_________________ _____________________
consequência causa As pausas
Os articuladores são, muitas vezes, substituídos por “pausas” (marca-
das por dois pontos, vírgula, ponto final na escrita). Que podem assinalar
Estudei tanto que passei no vestibular. tipos de relações diferentes.
Estudei muito por isso passei no vestibular
_________________ ____________________ Compramos tudo pela manhã: à tarde pretendemos viajar. (causalida-
causa consequência de)
Não fique triste. As coisas se resolverão. (justificativa)
Ela estava bastante tranquila eu tinha os nervos à flor da pele. ( oposi-
Como estudei passei no vestibular ção)
Por ter estudado muito passei no vestibular Não estive presente à cerimônia. Não posso descrevê-la. (conclusão)
___________________ ___________________ http://www.seaac.com.br/
causa consequência

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A análise de expressões referenciais é fundamental na interpretação do la a partir da abordagem do Gênero Textual Marcuschi não demonstra
discurso. A identificação de expressões correferentes é importante em favorabilidade ao trabalho com a Tipologia Textual, uma vez que, para ele,
diversas aplicações de Processamento da Linguagem Natural. Expressões o trabalho fica limitado, trazendo para o ensino alguns problemas, uma vez
referenciais podem ser usadas para introduzir entidades em um discurso ou que não é possível, por exemplo, ensinar narrativa em geral, porque, embo-
podem fazer referência a entidades já mencionadas,podendo fazer uso de ra possamos classificar vários textos como sendo narrativos, eles se con-
redução lexical. cretizam em formas diferentes – gêneros – que possuem diferenças especí-
ficas.
Interpretar e produzir textos de qualidade são tarefas muito importantes
na formação do aluno. Para realizá-las de modo satisfatório, é essencial Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG)
saber identificar e utilizar os operadores sequenciais e argumentativos do defendem o trabalho com a Tipologia Textual. Para o autor, sendo os
discurso. A linguagem é um ato intencional, o indivíduo faz escolhas quan- textos de diferentes tipos, eles se instauram devido à existência de diferen-
do se pronuncia oralmente ou quando escreve. Para dar suporte a essas tes modos de interação ou interlocução. O trabalho com o texto e com os
escolhas, de modo a fazer com que suas opiniões sejam aceitas ou respei- diferentes tipos de texto é fundamental para o desenvolvimento da compe-
tadas, é fundamental lançar mão dos operadores que estabelecem ligações tência comunicativa. De acordo com as ideias do autor, cada tipo de texto é
(espécies de costuras) entre os diferentes elementos do discurso. apropriado para um tipo de interação específica. Deixar o aluno restrito a
apenas alguns tipos de texto é fazer com que ele só tenha recursos para
atuar comunicativamente em alguns casos, tornando-se incapaz, ou pouco
Autor e Narrador: Diferenças capaz, em outros. Certamente, o professor teria que fazer uma espécie de
Equipe Aprovação Vest levantamento de quais tipos seriam mais necessários para os alunos, para,
a partir daí, iniciar o trabalho com esses tipos mais necessários.
Qual é, afinal, a diferença entre Autor e Narrador? Existe uma diferença
enorme entre ambos. Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem, de maneira equivoca-
Autor da, o termo tipo de texto. Na verdade, para ele, não se trata de tipo de
texto, mas de gênero de texto. O autor diz que não é correto afirmar que a
É um homem do mundo: tem carteira de identidade, vai ao supermer- carta pessoal, por exemplo, é um tipo de texto como fazem os livros. Ele
cado, masca chiclete, eventualmente teve sarampo na infância e, mais atesta que a carta pessoal é um Gênero Textual.
eventualmente ainda, pode até tocar trombone, piano, flauta transversal.
Paga imposto. O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo,
muitas das vezes, o mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais tipos.
Narrador Ele apresenta uma carta pessoal3 como exemplo, e comenta que ela pode
É um ser intradiegético, ou seja, um ser que pertence à história que apresentar as tipologias descrição, injunção, exposição, narração e argu-
está sendo narrada. Está claro que é um preposto do autor, mas isso não mentação. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um gênero
significa que defenda nem compartilhe suas ideias. Se assim fosse, Ma- de heterogeneidade tipológica.
chado de Assis seria um crápula como Bentinho ou um bígamo, porque,
casado com Carolina Xavier de Novais, casou-se também com Capitu, foi Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. Para ele, dificilmente
amante de Virgília e de um sem-número de mulheres que permeiam seus são encontrados tipos puros. Realmente é raro um tipo puro. Num texto
contos e romances. como a bula de remédio, por exemplo, que para Fávero & Koch (1987) é
um texto injuntivo, tem-se a presença de várias tipologias, como a descri-
O narrador passa a existir a partir do instante que se abre o livro e ele, ção, a injunção e a predição. Travaglia afirma que um texto se define como
em primeira ou terceira pessoa, nos conta a história que o livro guarda. de um tipo por uma questão de dominância, em função do tipo de interlocu-
Confundir narrador e autor é fazer a loucura de imaginar que, morto o autor, ção que se pretende estabelecer e que se estabelece, e não em função do
todos os seus narradores morreriam junto com ele e que, portanto, não espaço ocupado por um tipo na constituição desse texto.
disporíamos mais de nenhuma narrativa dele.
Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero
GÊNEROS TEXTUAIS mas ter sido construído em outro, Marcuschi dá o nome de intertextuali-
dade intergêneros. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu
Gêneros textuais são tipos específicos de textos de qualquer natureza, no texto a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza altamen-
literários ou não. Modalidades discursivas constituem as estruturas e as te híbrida, sendo que um gênero assume a função de outro.
funções sociais (narrativas, dissertativas, argumentativas, procedimentais e
exortativas), utilizadas como formas de organizar a linguagem. Dessa Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros, mas fala de um
forma, podem ser considerados exemplos de gêneros textuais: anúncios, intercâmbio de tipos. Explicando, ele afirma que um tipo pode ser usado
convites, atas, avisos, programas de auditórios, bulas, cartas, comédias, no lugar de outro tipo, criando determinados efeitos de sentido impossíveis,
contos de fadas, convênios, crônicas, editoriais, ementas, ensaios, entrevis- na opinião do autor, com outro dado tipo. Para exemplificar, ele fala de
tas, circulares, contratos, decretos, discursos políticos descrições e comentários dissertativos feitos por meio da narração.

A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu en- Resumindo esse ponto, Marcuschi traz a seguinte configuração teórica:
tender, importante para direcionar o trabalho do professor de língua na • intertextualidade intergêneros = um gênero com a função de outro
leitura, compreensão e produção de textos1. O que pretendemos neste
pequeno ensaio é apresentar algumas considerações sobre Gênero Tex-
• heterogeneidade tipológica = um gênero com a presença de vários
tual e Tipologia Textual, usando, para isso, as considerações feitas por tipos
Marcuschi (2002) e Travaglia (2002), que faz apontamentos questionáveis Travaglia mostra o seguinte:
para o termo Tipologia Textual. No final, apresento minhas considerações • conjugação tipológica = um texto apresenta vários tipos
a respeito de minha escolha pelo gênero ou pela tipologia. • intercâmbio de tipos = um tipo usado no lugar de outro

Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreen- Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os gê-
são e a produção escrita em Língua Materna deve ter como meta primordial neros não são entidades naturais, mas artefatos culturais construídos
o desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele tenha historicamente pelo ser humano. Um gênero, para ele, pode não ter uma
capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua para determinada propriedade e ainda continuar sendo aquele gênero. Para
produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação específica exemplificar, o autor fala, mais uma vez, da carta pessoal. Mesmo que o
de interação humana. autor da carta não tenha assinado o nome no final, ela continuará sendo
carta, graças as suas propriedades necessárias e suficientes .Ele diz, ainda,
Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na esco- que uma publicidade pode ter o formato de um poema ou de uma lista de

Língua Portuguesa 16 A Opção Certa Para a Sua Realização


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produtos em oferta. O que importa é que esteja fazendo divulgação de alguém. Quando alguém vota, não promete nada, confirma a promessa de
produtos, estimulando a compra por parte de clientes ou usuários daquele votar que pode ter sido feita a um candidato.
produto.
Ele apresenta outros exemplos, mas por questão de espaço não colo-
Para Marcuschi, Tipologia Textual é um termo que deve ser usado pa- carei todos. É bom notar que os exemplos dados por ele, mesmo os que
ra designar uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza não foram mostrados aqui, apresentam função social formal, rígida. Ele não
linguística de sua composição. Em geral, os tipos textuais abrangem as apresenta exemplos de gêneros que tenham uma função social menos
categorias narração, argumentação, exposição, descrição e injunção (Swa- rígida, como o bilhete.
les, 1990; Adam, 1990; Bronckart, 1999). Segundo ele, o termo Tipologia
Textual é usado para designar uma espécie de sequência teoricamente Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcusch é a
definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais, de Espécie. Para ele, Espécie se define e se caracteriza por aspectos
sintáticos, tempos verbais, relações lógicas) (p. 22). formais de estrutura e de superfície linguística e/ou aspectos de conteúdo.
Ele exemplifica Espécie dizendo que existem duas pertencentes ao tipo
Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os narrativo: a história e a não-história. Ainda do tipo narrativo, ele apresenta
textos materializados encontrados no dia-a-dia e que apresentam caracte- as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. No tipo descritivo ele
rísticas sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades mostra as Espécies distintas objetiva x subjetiva, estática x dinâmica e
funcionais, estilo e composição característica. comentadora x narradora. Mudando para gênero, ele apresenta a corres-
pondência com as Espécies carta, telegrama, bilhete, ofício, etc. No gênero
Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar um romance, ele mostra as Espécies romance histórico, regionalista, fantásti-
modo de interação, uma maneira de interlocução, segundo perspectivas co, de ficção científica, policial, erótico, etc. Não sei até que ponto a Espé-
que podem variar. Essas perspectivas podem, segundo o autor, estar cie daria conta de todos os Gêneros Textuais existentes. Será que é
ligadas ao produtor do texto em relação ao objeto do dizer quanto ao fa- possível especificar todas elas? Talvez seja difícil até mesmo porque não é
zer/acontecer, ou conhecer/saber, e quanto à inserção destes no tempo fácil dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes.
e/ou no espaço. Pode ser possível a perspectiva do produtor do texto dada
pela imagem que o mesmo faz do receptor como alguém que concorda ou Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em Mar-
não com o que ele diz. Surge, assim, o discurso da transformação, quando cuschi, o oposto também acontece. Este autor discute o conceito de Domí-
o produtor vê o receptor como alguém que não concorda com ele. Se o nio Discursivo. Ele diz que os domínios discursivos são as grandes esfe-
produtor vir o receptor como alguém que concorda com ele, surge o discur- ras da atividade humana em que os textos circulam (p. 24). Segundo infor-
so da cumplicidade. Tem-se ainda, na opinião de Travaglia, uma perspecti- ma, esses domínios não seriam nem textos nem discursos, mas dariam
va em que o produtor do texto faz uma antecipação no dizer. Da mesma origem a discursos muito específicos. Constituiriam práticas discursivas
forma, é possível encontrar a perspectiva dada pela atitude comunicativa de dentro das quais seria possível a identificação de um conjunto de gêneros
comprometimento ou não. Resumindo, cada uma das perspectivas apre- que às vezes lhes são próprios como práticas ou rotinas comunicativas
sentadas pelo autor gerará um tipo de texto. Assim, a primeira perspectiva institucionalizadas. Como exemplo, ele fala do discurso jornalístico, discur-
faz surgir os tipos descrição, dissertação, injunção e narração. A segun- so jurídico e discurso religioso. Cada uma dessas atividades, jornalística,
da perspectiva faz com que surja o tipo argumentativo stricto sensu6 e jurídica e religiosa, não abrange gêneros em particular, mas origina vários
não argumentativo stricto sensu. A perspectiva da antecipação faz surgir deles.
o tipo preditivo. A do comprometimento dá origem a textos do mundo
comentado (comprometimento) e do mundo narrado (não comprometi- Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso, mas não como Mar-
mento) (Weirinch, 1968). Os textos do mundo narrado seriam enquadrados, cuschi. Ele cita esses discursos quando discute o que é para ele tipologia
de maneira geral, no tipo narração. Já os do mundo comentado ficariam no de discurso. Assim, ele fala dos discursos citados mostrando que as tipolo-
tipo dissertação. gias de discurso usarão critérios ligados às condições de produção dos
discursos e às diversas formações discursivas em que podem estar inseri-
Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma dos (Koch & Fávero, 1987, p. 3). Citando Koch & Fávero, o autor fala que
função social específica. Para ele, estas funções sociais são pressentidas e uma tipologia de discurso usaria critérios ligados à referência (institucional
vivenciadas pelos usuários. Isso equivale dizer que, intuitivamente, sabe- (discurso político, religioso, jurídico), ideológica (discurso petista, de direita,
mos que gênero usar em momentos específicos de interação, de acordo de esquerda, cristão, etc), a domínios de saber (discurso médico, linguísti-
com a função social dele. Quando vamos escrever um e-mail, sabemos que co, filosófico, etc), à inter-relação entre elementos da exterioridade (discur-
ele pode apresentar características que farão com que ele “funcione” de so autoritário, polêmico, lúdico)). Marcuschi não faz alusão a uma tipologia
maneira diferente. Assim, escrever um e-mail para um amigo não é o do discurso.
mesmo que escrever um e-mail para uma universidade, pedindo informa-
ções sobre um concurso público, por exemplo. Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando fa-
lam que texto e discurso não devem ser encarados como iguais. Marcus-
Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. Parece chi considera o texto como uma entidade concreta realizada materialmente
que ele diferencia Tipologia Textual de Gênero Textual a partir dessa e corporificada em algum Gênero Textual [grifo meu] (p. 24). Discurso
“qualidade” que o gênero possui. Mas todo texto, independente de seu para ele é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instân-
gênero ou tipo, não exerce uma função social qualquer? cia discursiva. O discurso se realiza nos textos (p. 24). Travaglia considera
o discurso como a própria atividade comunicativa, a própria atividade
Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros, mas não ressalta produtora de sentidos para a interação comunicativa, regulada por uma
sua função social. Os exemplos que ele traz são telefonema, sermão, exterioridade sócio-histórica-ideológica (p. 03). Texto é o resultado dessa
romance, bilhete, aula expositiva, reunião de condomínio, etc. atividade comunicativa. O texto, para ele, é visto como
uma unidade linguística concreta que é tomada pelos usuários da lín-
Já Travaglia, não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o
gua em uma situação de interação comunicativa específica, como uma
que, na sua opinião, seria a função social básica comum a cada um: aviso,
unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reco-
comunicado, edital, informação, informe, citação (todos com a função social
nhecível e reconhecida, independentemente de sua extensão (p. 03).
de dar conhecimento de algo a alguém). Certamente a carta e o e-mail
entrariam nessa lista, levando em consideração que o aviso pode ser dado
sob a forma de uma carta, e-mail ou ofício. Ele continua exemplificando Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta que
apresentando a petição, o memorial, o requerimento, o abaixo assinado sua preocupação é com a tipologia de textos, e não de discursos. Marcus-
(com a função social de pedir, solicitar). Continuo colocando a carta, o e- chi afirma que a definição que traz de texto e discurso é muito mais opera-
mail e o ofício aqui. Nota promissória, termo de compromisso e voto são cional do que formal.
exemplos com a função de prometer. Para mim o voto não teria essa fun- Travaglia faz uma “tipologização” dos termos Gênero Textual, Tipolo-
ção de prometer. Mas a função de confirmar a promessa de dar o voto a gia Textual e Espécie. Ele chama esses elementos de Tipelementos.

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Justifica a escolha pelo termo por considerar que os elementos tipológicos aluno, mas como um especialista nas diferentes modalidades textuais, orais
(Gênero Textual, Tipologia Textual e Espécie) são básicos na construção e escritas, de uso social. Assim, o espaço da sala de aula é transformado
das tipologias e talvez dos textos, numa espécie de analogia com os ele- numa verdadeira oficina de textos de ação social, o que é viabilizado e
mentos químicos que compõem as substâncias encontradas na natureza. concretizado pela adoção de algumas estratégias, como enviar uma carta
para um aluno de outra classe, fazer um cartão e ofertar a alguém, enviar
Para concluir, acredito que vale a pena considerar que as discussões uma carta de solicitação a um secretário da prefeitura, realizar uma entre-
feitas por Marcuschi, em defesa da abordagem textual a partir dos Gêneros vista, etc. Essas atividades, além de diversificar e concretizar os leitores
Textuais, estão diretamente ligadas ao ensino. Ele afirma que o trabalho das produções (que agora deixam de ser apenas “leitores visuais”), permi-
com o gênero é uma grande oportunidade de se lidar com a língua em seus tem também a participação direta de todos os alunos e eventualmente de
mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. Cita o PCN, dizendo que ele pessoas que fazem parte de suas relações familiares e sociais. A avaliação
apresenta a ideia básica de que um maior conhecimento do funcionamento dessas produções abandona os critérios quase que exclusivamente literá-
dos Gêneros Textuais é importante para a produção e para a compreen- rios ou gramaticais e desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é
são de textos. Travaglia não faz abordagens específicas ligadas à questão aquele que apresenta, ou só apresenta, características literárias, mas
do ensino no seu tratamento à Tipologia Textual. aquele que é adequado à situação comunicacional para a qual foi produzi-
do, ou seja, se a escolha do gênero, se a estrutura, o conteúdo, o estilo e o
O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipo- nível de língua estão adequados ao interlocutor e podem cumprir a finalida-
logia Textual, independente de estar ligada ao ensino. Sua abordagem de do texto.
parece ser mais taxionômica. Ele chega a afirmar que são os tipos que
entram na composição da grande maioria dos textos. Para ele, a questão Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a
dos elementos tipológicos e suas implicações com o ensino/aprendizagem oportunidade de se apropriar devidamente de diferentes Gêneros Textuais
merece maiores discussões. socialmente utilizados, sabendo movimentar-se no dia-a-dia da interação
humana, percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da sua
Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais constituição como sujeito. A atividade com a língua, assim, favoreceria o
ideais para o ensino de língua. Ele afirma que é possível a identificação de exercício da interação humana, da participação social dentro de uma socie-
gêneros com dificuldades progressivas, do nível menos formal ao mais dade letrada.
formal, do mais privado ao mais público e assim por diante. Os gêneros 1 - Penso que quando o professor não opta pelo trabalho com o gêne-
devem passar por um processo de progressão, conforme sugerem ro ou com o tipo ele acaba não tendo uma maneira muito clara pa-
Schneuwly & Dolz (2004). ra selecionar os textos com os quais trabalhará.
2 - Outra discussão poderia ser feita se se optasse por tratar um pou-
Travaglia, como afirmei, não faz considerações sobre o trabalho com a co a diferença entre Gênero Textual e Gênero Discursivo.
Tipologia Textual e o ensino. Acredito que um trabalho com a tipologia 3 - Travaglia (2002) diz que uma carta pode ser exclusivamente des-
teria que, no mínimo, levar em conta a questão de com quais tipos de texto critiva, ou dissertativa, ou injuntiva, ou narrativa, ou argumentativa.
deve-se trabalhar na escola, a quais será dada maior atenção e com quais Acho meio difícil alguém conseguir escrever um texto, caracteriza-
será feito um trabalho mais detido. Acho que a escolha pelo tipo, caso seja do como carta, apenas com descrições, ou apenas com injunções.
considerada a ideia de Travaglia, deve levar em conta uma série de fatores, Por outro lado, meio que contrariando o que acabara de afirmar,
porém dois são mais pertinentes: ele diz desconhecer um gênero necessariamente descritivo.
a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a composi- 4 - Termo usado pelas autoras citadas para os textos que fazem pre-
ção de quaisquer outros textos (não sei ao certo se isso é possível. visão, como o boletim meteorológico e o horóscopo.
Pode ser que o trabalho apenas com o tipo narrativo não dê ao alu- 5 - Necessárias para a carta, e suficientes para que o texto seja uma
no o preparo ideal para lidar com o tipo dissertativo, e vice-versa. carta.
Um aluno que pára de estudar na 5ª série e não volta mais à escola 6 - Segundo Travaglia (1991), texto argumentativo stricto sensu é o
teria convivido muito mais com o tipo narrativo, sendo esse o mais que faz argumentação explícita.
trabalhado nessa série. Será que ele estaria preparado para produ- 7 - Pelo menos nos textos aos quais tive acesso.
zir, quando necessário, outros tipos textuais? Ao lidar somente com Sílvio Ribeiro da Silva.
o tipo narrativo, por exemplo, o aluno, de certa forma, não deixa de
trabalhar com os outros tipos?); Texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor que também é
b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua vida. transmitida através de figuras, impregnado de subjetivismo. Ex: um ro-
mance, um conto, uma poesia...
Acho que vale a pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gêne- Texto não-literário: preocupa-se em transmitir uma mensagem da
ro Textual na escola, embora saiba que todo gênero realiza necessaria- forma mais clara e objetiva possível. Ex: uma notícia de jornal, uma bula
mente uma ou mais sequências tipológicas e que todos os tipos inserem-se de medicamento.
em algum gênero textual.
Diferenças entre Língua Padrão, Linguagem Formal e
Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação) era Linguagem informal.
feito como um procedimento único e global, como se todos os tipos de texto Língua Padrão: A gramática é um conjunto de regras que estabelecem
fossem iguais e não apresentassem determinadas dificuldades e, por isso, um determinado uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão.
não exigissem aprendizagens específicas. A fórmula de ensino de redação, Acontece que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem
ainda hoje muito praticada nas escolas brasileiras – que consiste funda- sempre são obedecidas pelo falante.
mentalmente na trilogia narração, descrição e dissertação – tem por base
uma concepção voltada essencialmente para duas finalidades: a formação Os conceitos linguagem formal e linguagem informal estão, sobretu-
de escritores literários (caso o aluno se aprimore nas duas primeiras moda- do associados ao contexto social em que a fala é produzida.
lidades textuais) ou a formação de cientistas (caso da terceira modalidade)
Informal: Num contexto em que o falante está rodeado pela família ou
(Antunes, 2004). Além disso, essa concepção guarda em si uma visão
pelos amigos, normalmente emprega uma linguagem informal, podendo
equivocada de que narrar e descrever seriam ações mais “fáceis” do que
usar expressões normalmente não usadas em discursos públicos (pala-
dissertar, ou mais adequadas à faixa etária, razão pela qual esta última
vrões ou palavras com um sentido figurado que apenas os elementos do
tenha sido reservada às séries terminais - tanto no ensino fundamental
grupo conhecem). Um exemplo de uma palavra que tipicamente só é usada
quanto no ensino médio.
na linguagem informal, em português europeu, é o adjetivo “chato”.
O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e produção de texto Formal: A linguagem formal, pelo contrário, é aquela que os falantes
pela perspectiva dos gêneros reposiciona o verdadeiro papel do professor usam quando não existe essa familiaridade, quando se dirigem aos superio-
de Língua Materna hoje, não mais visto aqui como um especialista em res hierárquicos ou quando têm de falar para um público mais alargado ou
textos literários ou científicos, distantes da realidade e da prática textual do

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desconhecido. É a linguagem que normalmente podemos observar nos Os jargões estão relacionados ao profissionalismo, caracterizando um
discursos públicos, nas reuniões de trabalho, nas salas de aula, etc. linguajar técnico. Representando a classe, podemos citar os médicos,
advogados, profissionais da área de informática, dentre outros.
Portanto, podemos usar a língua padrão, ou seja, conversar, ou escre-
ver de acordo com as regras gramaticais, mas o vocabulário (linguagem) Vejamos um poema e o trecho de uma música para entendermos melhor
que escolhemos pode ser mais formal ou mais informal de acordo com a sobre o assunto:
nossa necessidade. Ptofª Eliane
Vício na fala
Variações Linguísticas Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
A linguagem é a característica que nos difere dos demais seres, permi- Para pior pió
tindo-nos a oportunidade de expressar sentimentos, revelar conhecimen- Para telha dizem teia
tos, expor nossa opinião frente aos assuntos relacionados ao nosso Para telhado dizem teiado
cotidiano, e, sobretudo, promovendo nossa inserção ao convívio social. E vão fazendo telhados.
Oswald de Andrade
E dentre os fatores que a ela se relacionam destacam-se os níveis da
fala, que são basicamente dois: O nível de formalidade e o de infor-
malidade. CHOPIS CENTIS
Eu “di” um beijo nela
O padrão formal está diretamente ligado à linguagem escrita, res- E chamei pra passear.
tringindo-se às normas gramaticais de um modo geral. Razão pela A gente fomos no shopping
qual nunca escrevemos da mesma maneira que falamos. Este fator Pra “mode” a gente lanchar.
foi determinante para a que a mesma pudesse exercer total sobera- Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim.
nia sobre as demais. Até que “tava” gostoso, mas eu prefiro
aipim.
Quanto ao nível informal, este por sua vez representa o estilo consi- Quanta gente,
derado “de menor prestígio”, e isto tem gerado controvérsias entre Quanta alegria,
os estudos da língua, uma vez que para a sociedade, aquela pessoa A minha felicidade é um crediário nas
que fala ou escreve de maneira errônea é considerada “inculta”, Casas Bahia.
tornando-se desta forma um estigma. Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho.
Pra levar a namorada e dar uns
Compondo o quadro do padrão informal da linguagem, estão as chama- “rolezinho”,
das variedades linguísticas, as quais representam as variações de Quando eu estou no trabalho,
acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas Não vejo a hora de descer dos andaime.
em que é utilizada. Dentre elas destacam-se: Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger
E também o Van Damme.
Variações históricas: (Dinho e Júlio Rasec, encarte CD Mamonas Assassinas, 1995.)
Por Vânia Duarte
Dado o dinamismo que a língua apresenta, a mesma sofre transforma-
ções ao longo do tempo. Um exemplo bastante representativo é a ques-
tão da ortografia, se levarmos em consideração a palavra farmácia, uma TIPOLOGIA TEXTUAL
vez que a mesma era grafada com “ph”, contrapondo-se à linguagem
dos internautas, a qual fundamenta-se pela supressão do vocábulos. Tipologia Textual
Tino Lopez
Analisemos, pois, o fragmento exposto:
1. Narração
Antigamente Modalidade em que se conta um fato, fictício ou não, que ocorreu num
“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a
mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam prima- objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O
veras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, fazi- tempo verbal predominante é o passado. Estamos cercados de narrações
am-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses desde as que nos contam histórias infantis até às piadas do cotidiano. É o
debaixo do balaio." Carlos Drummond de Andrade tipo predominante nos gêneros: conto, fábula, crônica, romance, novela,
depoimento, piada, relato, etc.
Comparando-o à modernidade, percebemos um vocabulário antiquado.
2. Descrição
Variações regionais: Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa,
um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produ-
São os chamados dialetos, que são as marcas determinantes referentes ção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais
a diferentes regiões. Como exemplo, citamos a palavra mandioca que, abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação
em certos lugares, recebe outras nomenclaturas, tais como:macaxeira e de anterioridade e posterioridade. Significa "criar" com palavras a imagem
aipim. Figurando também esta modalidade estão os sotaques, ligados do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da perso-
às características orais da linguagem. nagem a que o texto se Pega. É um tipo textual que se agrega facilmente
aos outros tipos em diversos gêneros textuais. Tem predominância em
Variações sociais ou culturais: gêneros como: cardápio, folheto turístico, anúncio classificado, etc.

Estão diretamente ligadas aos grupos sociais de uma maneira geral e 3. Dissertação
também ao grau de instrução de uma determinada pessoa. Como exem- Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer
plo, citamos as gírias, os jargões e o linguajar caipira. sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou
argumentativo.
As gírias pertencem ao vocabulário específico de certos grupos, como
os surfistas, cantores de rap, tatuadores, entre outros. 3.1 Dissertação-Exposição
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. Apre-
senta informações sobre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia ideias de

Língua Portuguesa 19 A Opção Certa Para a Sua Realização


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modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre um determi- Editorial: é um gênero textual dissertativo-argumentativo que expressa o
nado assunto. A intenção é informar, esclarecer. Ex: aula, resumo, textos posicionamento da empresa sobre determinado assunto, sem a obrigação
científicos, enciclopédia, textos expositivos de revistas e jornais, etc. da presença da objetividade.

3.1 Dissertação-Argumentação Notícia: podemos perfeitamente identificar características narrativas, o fato


Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto de ocorrido que se deu em um determinado momento e em um determinado
vista do autor. O texto, além de explicar, também persuade o interlocutor, lugar, envolvendo determinadas personagens. Características do lugar,
objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progressão lógica de bem como dos personagens envolvidos são, muitas vezes, minuciosamen-
ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante em: te descritos.
sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica,
editorial de jornais e revistas. Reportagem: é um gênero textual jornalístico de caráter dissertativo-
4. Injunção/Instrucional expositivo. A reportagem tem, por objetivo, informar e levar os fatos ao
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os leitor de uma maneira clara, com linguagem direta.
verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo, porém nota-
se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do modo indica- Entrevista: é um gênero textual fundamentalmente dialogal, representado
tivo. Ex: ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e instruções para mon- pela conversação de duas ou mais pessoas, o entrevistador e o(s) entrevis-
tagem ou uso de aparelhos e instrumentos; textos com regras de compor- tado(s), para obter informações sobre ou do entrevistado, ou de algum
tamento; textos de orientação (ex: recomendações de trânsito); receitas, outro assunto. Geralmente envolve também aspectos dissertativo-
cartões com votos e desejos (de natal, aniversário, etc.). expositivos, especialmente quando se trata de entrevista a imprensa ou
entrevista jornalística. Mas pode também envolver aspectos narrativos,
OBS: Os tipos listados acima são um consenso entre os gramáticos. Muitos como na entrevista de emprego, ou aspectos descritivos, como na entrevis-
consideram também que o tipo Predição possui características suficientes ta médica.
para ser definido como tipo textual, e alguns outros possuem o mesmo
entendimento para o tipo Dialogal. História em quadrinhos: é um gênero narrativo que consiste em enredos
contados em pequenos quadros através de diálogos diretos entre seus
5. Predição personagens, gerando uma espécie de conversação.
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em alguma
coisa, a qual ainda está por ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz uma espécie de ilustra-
previsões astrológicas, previsões meteorológicas, previsões escatológi- ção cômica, através de caricaturas, com o objetivo de realizar uma sátira,
cas/apocalípticas. crítica ou comentário sobre algum acontecimento atual, em sua grande
maioria.
6. Dialogal / Conversacional
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo predominante Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos. Além dos versos,
nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat, etc. pode ser estruturado em estrofes. Rimas e métrica também podem fazer
parte de sua composição. Pode ou não ser poético. Dependendo de sua
Gêneros textuais estrutura, pode receber classificações específicas, como haicai, soneto,
epopeia, poema figurado, dramático, etc. Em geral, a presença de aspec-
Os Gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os textos, tos narrativos e descritivos são mais frequentes neste gênero.
sejam eles orais ou escritos. Essas estruturas são socialmente reconheci-
das, pois se mantêm sempre muito parecidas, com características comuns, Poesia: é o conteúdo capaz de transmitir emoções por meio de uma lin-
procuram atingir intenções comunicativas semelhantes e ocorrem em guagem , ou seja, tudo o que toca e comove pode ser considerado como
situações específicas. Pode-se dizer que se tratam das variadas formas de poético (até mesmo uma peça ou um filme podem ser assim considerados).
linguagem que circulam em nossa sociedade, sejam eles formais ou infor- Um subgênero é a prosa poética, marcada pela tipologia dialogal.
mais. Cada gênero textual tem seu estilo próprio, podendo então, ser
identificado e diferenciado dos demais através de suas características. Gêneros literários:
Exemplos:
 Gênero Narrativo:
Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao leitor", tende a ser do Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o
tipo dissertativo-argumentativo com uma linguagem formal, em que se épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos, o gênero épico pas-
escreve à sociedade ou a leitores. Quando se trata de "carta pessoal", a sou a ser considerado apenas uma variante do gênero literário narrativo,
presença de aspectos narrativos ou descritivos e uma linguagem pessoal é devido ao surgimento de concepções de prosa com características diferen-
mais comum. tes: o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula. Porém, praticamente
todas as obras narrativas possuem elementos estruturais e estilísticos em
Propaganda: é um gênero textual dissertativo-expositivo onde há a o intuito comum e devem responder a questionamentos, como: quem? o que?
de propagar informações sobre algo, buscando sempre atingir e influenciar quando? onde? por quê? Vejamos a seguir:
o leitor apresentando, na maioria das vezes, mensagens que despertam as
emoções e a sensibilidade do mesmo. Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geralmente longos e narram
histórias de um povo ou de uma nação, envolvem aventuras, guerras,
Bula de remédio: é um gênero textual descritivo, dissertativo- viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exalta-
expositivo e injuntivo que tem por obrigação fornecer as informações ne- ção, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exemplos
cessárias para o correto uso do medicamento. são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisseia, de Homero.

Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem
informar a fórmula para preparar tal comida, descrevendo os ingredientes e definidos e de caráter mais verossímil. Também conta as façanhas de um
o preparo destes, além disso, com verbos no imperativo, dado o sentido de herói, mas principalmente uma história de amor vivida por ele e uma mu-
ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções. lher, muitas vezes, “proibida” para ele. Apesar dos obstáculos que o sepa-
ram, o casal vive sua paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa e, por
Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num guia que tem por finalida- isso, costuma ser punido no final. É o tipo de narrativa mais comum na
de explicar ao leitor, passo a passo e de maneira simplificada, como fazer Idade Média. Ex: Tristão e Isolda.
algo.
Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade
do romance e a brevidade do conto. Como exemplos de novelas, podem

Língua Portuguesa 20 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e A Metamorfose, Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é
de Kafka. elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa tristeza,
saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema melancólico. Um
Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que bom exemplo é a peça Roan e yufa, de william shakespeare.
conta situações rotineiras, anedotas e até folclores. Inicialmente, fazia parte
da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo de forma escrita Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites
com a publicação de Decamerão. Diversos tipos do gênero textual conto românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a
surgiram na tipologia textual narrativa: conto de fadas, que envolve perso- peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
nagens do mundo da fantasia; contos de aventura, que envolvem persona-
gens em um contexto mais próximo da realidade; contos folclóricos (conto Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à
popular); contos de terror ou assombração, que se desenrolam em um pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a alguém
contexto sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos de misté- ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acompanhamento
rio, que envolvem o suspense e a solução de um mistério. musical;

Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o emissor expressa uma home-
personagens principais são não humanos e a finalidade é transmitir alguma nagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o
lição de moral. poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais bele-
zas e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais a
Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos
linguagem coloquial. Pode ter um tom humorístico ou um toque de crítica (muito rara);
indireta, especialmente, quando aparece em seção ou artigo de jornal,
revistas e programas da TV. Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a
algo, em tom sério ou irônico.
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância entre os momentos
narrativos e manifestos descritivos. Acalanto: ou canção de ninar;

Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), composição lírica na qual
expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou frase;
tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na
defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanísti- Balada: uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de
co, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que amigo (elegias) com ritmo característico e refrão vocal que se destinam à
se paute em formalidades como documentos ou provas empíricas ou dedu- dança;
tivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a cegueira, de José
Saramago e Ensaio sobre a tolerância, de John Locke. Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com acompanhamento musical;

 Gênero Dramático: Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, médio;
não há um narrador contando a história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é
representada por atores, que assumem os papéis das personagens nas Haicai: expressão japonesa que significa “versos cômicos” (=sátira). E o
cenas. poema japonês formado de três versos que somam 17 sílabas assim distri-
buídas: 1° verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 sílabas; 3° verso 5 sílabas;
Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de provocar
compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era "uma represen- Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quartetos e
tação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem dois tercetos, com rima geralmente em a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d.
figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror".
Ex: Romeu e Julieta, de Shakespeare. Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escár-
nio e de maldizer); satíricas, portanto.
Farsa: é uma pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que
critica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino ridendo
castigat mores (rindo, castigam-se os costumes). A farsa consiste no exa-
COESÃO E COERÊNCIA
gero do cômico, graças ao emprego de processos grosseiros, como o
absurdo, as incongruências, os equívocos, os enganos, a caricatura, o
humor primário, as situações ridículas. Diogo Maria De Matos Polônio

Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento Introdução


comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada às festas populares. Este trabalho foi realizado no âmbito do Seminário Pedagógico sobre
Pragmática Linguística e Os Novos Programas de Língua Portuguesa, sob
Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e orientação da Professora-Doutora Ana Cristina Macário Lopes, que decor-
cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário. reu na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte Procurou-se, no referido seminário, refletir, de uma forma geral, sobre a
apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da sociedade e da incidência das teorias da Pragmática Linguística nos programas oficiais de
realidade vivida por este povo. Língua Portuguesa, tendo em vista um esclarecimento teórico sobre deter-
minados conceitos necessários a um ensino qualitativamente mais válido e,
simultaneamente, uma vertente prática pedagógica que tem necessaria-
 Gênero Lírico: mente presente a aplicação destes conhecimentos na situação real da sala
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e que de aula.
nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emoções, ideias e
impressões em face do mundo exterior. Normalmente os pronomes e os Nesse sentido, este trabalho pretende apresentar sugestões de aplica-
verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da lingua- ção na prática docente quotidiana das teorias da pragmática linguística no
gem. campo da coerência textual, tendo em conta as conclusões avançadas no
referido seminário.

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Será, no entanto, necessário reter que esta pequena reflexão aqui Assim, segundo esta autora, coesão textual diz respeito aos processos
apresentada encerra em si uma minúscula partícula de conhecimento no linguísticos que permitem revelar a inter-dependência semântica existente
vastíssimo universo que é, hoje em dia, a teoria da pragmática linguística e entre sequências textuais:
que, se pelo menos vier a instigar um ponto de partida para novas reflexões Ex.: Entrei na livraria mas não comprei nenhum livro.
no sentido de auxiliar o docente no ensino da língua materna, já terá cum-
prido honestamente o seu papel. Para a mesma autora, coerência textual diz respeito aos processos
mentais de apropriação do real que permitem inter-relacionar sequências
Coesão e Coerência Textual textuais:
Qualquer falante sabe que a comunicação verbal não se faz geralmen- Ex.: Se esse animal respira por pulmões, não é peixe.
te através de palavras isoladas, desligadas umas das outras e do contexto
em que são produzidas. Ou seja, uma qualquer sequência de palavras não Pensamos, no entanto, que esta distinção se faz apenas por razões de
constitui forçosamente uma frase. sistematização e de estruturação de trabalho, já que Mira Mateus não
hesita em agrupar coesão e coerência como características de uma só
Para que uma sequência de morfemas seja admitida como frase, torna- propriedade indispensável para que qualquer manifestação linguística se
se necessário que respeite uma certa ordem combinatória, ou seja, é transforme num texto: a conetividade.
preciso que essa sequência seja construÍda tendo em conta o sistema da
língua. Para Charolles não é pertinente, do ponto de vista técnico, estabelecer
uma distinção entre coesão e coerência textuais, uma vez que se torna
Tal como um qualquer conjunto de palavras não forma uma frase, tam- difícil separar as regras que orientam a formação textual das regras que
bém um qualquer conjunto de frases não forma, forçosamente, um texto. orientam a formação do discurso.

Precisando um pouco mais, um texto, ou discurso, é um objeto materia- Além disso, para este autor, as regras que orientam a micro-coerência
lizado numa dada língua natural, produzido numa situação concreta e são as mesmas que orientam a macro-coerência textual. Efetivamente,
pressupondo os participantes locutor e alocutário, fabricado pelo locutor quando se elabora um resumo de um texto obedece-se às mesmas regras
através de uma seleção feita sobre tudo o que é dizível por esse locutor, de coerência que foram usadas para a construção do texto original.
numa determinada situação, a um determinado alocutário.
Assim, para Charolles, micro-estrutura textual diz respeito às relações
Assim, materialidade linguística, isto é, a língua natural em uso, os có- de coerência que se estabelecem entre as frases de uma sequência textual,
digos simbólicos, os processos cognitivos e as pressuposições do locutor enquanto que macro-estrutura textual diz respeito às relações de coerência
sobre o saber que ele e o alocutário partilham acerca do mundo são ingre- existentes entre as várias sequências textuais. Por exemplo:
dientes indispensáveis ao objeto texto. • Sequência 1: O António partiu para Lisboa. Ele deixou o escritório
mais cedo para apanhar o comboio das quatro horas.
Podemos assim dizer que existe um sistema de regras interiorizadas • Sequência 2: Em Lisboa, o António irá encontrar-se com ami-
por todos os membros de uma comunidade linguística. Este sistema de gos.Vai trabalhar com eles num projeto de uma nova companhia
regras de base constitui a competência textual dos sujeitos, competência de teatro.
essa que uma gramática do texto se propõe modelizar.
Como micro-estruturas temos a sequência 1 ou a sequência 2, enquan-
Uma tal gramática fornece, dentro de um quadro formal, determinadas to que o conjunto das duas sequências forma uma macro-estrutura.
regras para a boa formação textual. Destas regras podemos fazer derivar
certos julgamentos de coerência textual. Vamos agora abordar os princípios de coerência textual3:
1. Princípio da Recorrência4: para que um texto seja coerente, torna-se
Quanto ao julgamento, efetuado pelos professores, sobre a coerência necessário que comporte, no seu desenvolvimento linear, elementos de
nos textos dos seus alunos, os trabalhos de investigação concluem que as recorrência restrita.
intervenções do professor a nível de incorreções detectadas na estrutura da
frase são precisamente localizadas e assinaladas com marcas convencio- Para assegurar essa recorrência a língua dispõe de vários recursos:
nais; são designadas com recurso a expressões técnicas (construção, - pronominalizações,
conjugação) e fornecem pretexto para pôr em prática exercícios de corre- - expressões definidas,
ção, tendo em conta uma eliminação duradoura das incorreções observa- - substituições lexicais,
das. - retomas de inferências.

Pelo contrário, as intervenções dos professores no quadro das incorre- Todos estes recursos permitem juntar uma frase ou uma sequência a
ções a nível da estrutura do texto, permite-nos concluir que essas incorre- uma outra que se encontre próxima em termos de estrutura de texto, reto-
ções não são designadas através de vocabulário técnico, traduzindo, na mando num elemento de uma sequência um elemento presente numa
maior parte das vezes, uma impressão global da leitura (incompreensível; sequência anterior:
não quer dizer nada).
a)-Pronominalizações: a utilização de um pronome torna possível a re-
Para além disso, verificam-se práticas de correção algo brutais (refazer; petição, à distância, de um sintagma ou até de uma frase inteira.
reformular) sendo, poucas vezes, acompanhadas de exercícios de recupe-
ração. O caso mais frequente é o da anáfora, em que o referente antecipa o
pronome.
Esta situação é pedagogicamente penosa, uma vez que se o professor Ex.: Uma senhora foi assassinada ontem. Ela foi encontrada estrangu-
desconhece um determinado quadro normativo, encontra-se reduzido a lada no seu quarto.
fazer respeitar uma ordem sobre a qual não tem nenhum controle.
No caso mais raro da catáfora, o pronome antecipa o seu referente.
Antes de passarmos à apresentação e ao estudo dos quatro princípios Ex.: Deixe-me confessar-lhe isto: este crime impressionou-me. Ou ain-
de coerência textual, há que esclarecer a problemática criada pela dicoto- da: Não me importo de o confessar: este crime impressionou-me.
mia coerência/coesão que se encontra diretamente relacionada com a
dicotomia coerência macro-estrutural/coerência micro-estrutural. Teremos, no entanto, que ter cuidado com a utilização da catáfora, pa-
ra nos precavermos de enunciados como este:
Mira Mateus considera pertinente a existência de uma diferenciação Ele sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com o António.
entre coerência textual e coesão textual.

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Num enunciado como este, não há qualquer possibilidade de identificar cipantes no ato de comunicação, sendo assim impossível traçar uma fron-
ele com António. Assim, existe apenas uma possibilidade de interpretação: teira entre a semântica e a pragmática.
ele dirá respeito a um sujeito que não será nem o João nem o António, mas
que fará parte do conhecimento simultâneo do emissor e do receptor. Há também que ter em conta que a substituição lexical se pode efetuar
por
Para que tal aconteça, torna-se necessário reformular esse enunciado: - Sinonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior
O António sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com ele. parte dos traços semânticos idêntica: A criança caiu. O miúdo nun-
ca mais aprende a cair!
As situações de ambiguidade referencial são frequentes nos textos dos - Antonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior
alunos. parte dos traços semânticos oposta: Disseste a verdade? Isso
Ex.: O Pedro e o meu irmão banhavam-se num rio. cheira-me a mentira!
Um homem estava também a banhar-se. - Hiperonímia-a primeira expressão mantém com a segunda uma re-
Como ele sabia nadar, ensinou-o. lação classe-elemento: Gosto imenso de marisco. Então lagosta,
adoro!
Neste enunciado, mesmo sem haver uma ruptura na continuidade se- - Hiponímia- a primeira expressão mantém com a segunda uma re-
quencial, existem disfunções que introduzem zonas de incerteza no texto: lação elemento-classe: O gato arranhou-te? O que esperavas de
ele sabia nadar(quem?), um felino?
ele ensinou-o (quem?; a quem?)
d)-Retomas de Inferências: neste caso, a relação é feita com base em
b)-Expressões Definidas: tal como as pronominalizações, as expres- conteúdos semânticos não manifestados, ao contrário do que se passava
sões definidas permitem relembrar nominalmente ou virtualmente um com os processos de recorrência anteriormente tratados.
elemento de uma frase numa outra frase ou até numa outra sequência
textual. Vejamos:
Ex.: O meu tio tem dois gatos. Todos os dias caminhamos no jardim. P - A Maria comeu a bolacha?
Os gatos vão sempre conosco. R1 - Não, ela deixou-a cair no chão.
R2 - Não, ela comeu um morango.
Os alunos parecem dominar bem esta regra. No entanto, os problemas R3 - Não, ela despenteou-se.
aparecem quando o nome que se repete é imediatamente vizinho daquele
que o precede. As sequências P+R1 e P+R2 parecem, desde logo, mais coerentes do
Ex.: A Margarida comprou um vestido. O vestido é colorido e muito ele- que a sequência P+R3.
gante.
No entanto, todas as sequências são asseguradas pela repetição do
Neste caso, o problema resolve-se com a aplicação de deíticos contex- pronome na 3ª pessoa.
tuais.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. Ele é colorido e muito elegante. Podemos afirmar, neste caso, que a repetição do pronome não é sufi-
ciente para garantir coerência a uma sequência textual.
Pode também resolver-se a situação virtualmente utilizando a elipse.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. É colorido e muito elegante. Ou Assim, a diferença de avaliação que fazemos ao analisar as várias hi-
ainda: póteses de respostas que vimos anteriormente sustenta-se no fato de R1 e
A Margarida comprou um vestido que é colorido e muito elegante. R2 retomarem inferências presentes em P:
- aconteceu alguma coisa à bolacha da Maria,
c)-Substituições Lexicais: o uso de expressões definidas e de deíticos - a Maria comeu qualquer coisa.
contextuais é muitas vezes acompanhado de substituições lexicais. Este
processo evita as repetições de lexemas, permitindo uma retoma do ele- Já R3 não retoma nenhuma inferência potencialmente dedutível de P.
mento linguístico.
Ex.: Deu-se um crime, em Lisboa, ontem à noite: estrangularam uma Conclui-se, então, que a retoma de inferências ou de pressuposições
senhora. Este assassinato é odioso. garante uma fortificação da coerência textual.

Também neste caso, surgem algumas regras que se torna necessário Quando analisamos certos exercícios de prolongamento de texto (con-
respeitar. Por exemplo, o termo mais genérico não pode preceder o seu tinuar a estruturação de um texto a partir de um início dado) os alunos são
representante mais específico. levados a veicular certas informações pressupostas pelos professores.
Ex.: O piloto alemão venceu ontem o grande prêmio da Alemanha.
Schumacher festejou euforicamente junto da sua equipe. Por exemplo, quando se apresenta um início de um texto do tipo: Três
crianças passeiam num bosque. Elas brincam aos detetives. Que vão eles
Se se inverterem os substantivos, a relação entre os elementos linguís- fazer?
ticos torna-se mais clara, favorecendo a coerência textual. Assim, Schuma-
cher, como termo mais específico, deveria preceder o piloto alemão. A interrogação final permite-nos pressupor que as crianças vão real-
mente fazer qualquer coisa.
No entanto, a substituição de um lexema acompanhado por um deter-
minante, pode não ser suficiente para estabelecer uma coerência restrita. Um aluno que ignore isso e que narre que os pássaros cantavam en-
Atentemos no seguinte exemplo: quanto as folhas eram levadas pelo vento, será punido por ter apresentado
uma narração incoerente, tendo em conta a questão apresentada.
Picasso morreu há alguns anos. O autor da "Sagração da Primavera"
doou toda a sua coleção particular ao Museu de Barcelona. No entanto, um professor terá que ter em conta que essas inferências
ou essas pressuposições se relacionam mais com o conhecimento do
A presença do determinante definido não é suficiente para considerar mundo do que com os elementos linguísticos propriamente ditos.
que Picasso e o autor da referida peça sejam a mesma pessoa, uma vez
que sabemos que não foi Picasso mas Stravinski que compôs a referida Assim, as dificuldades que os alunos apresentam neste tipo de exercí-
peça. cios, estão muitas vezes relacionadas com um conhecimento de um mundo
ao qual eles não tiveram acesso. Por exemplo, será difícil a um aluno
Neste caso, mais do que o conhecimento normativo teórico, ou lexico- recriar o quotidiano de um multi-milionário,senhor de um grande império
enciclopédico, são importantes o conhecimento e as convicções dos parti- industrial, que vive numa luxuosa vila.

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Ex.: O Júlio ignora que a sua mulher o engana. A sua esposa é-lhe per-
2.Princípio da Progressão: para que um texto seja coerente, torna-se feitamente fiel.
necessário que o seu desenvolvimento se faça acompanhar de uma infor-
mação semântica constantemente renovada. Na segunda frase, afirma-se a inegável fidelidade da mulher de Júlio,
enquanto a primeira pressupõe o inverso.
Este segundo princípio completa o primeiro, uma vez que estipula que
um texto, para ser coerente, não se deve contentar com uma repetição É frequente, nestes casos, que o emissor recupere a contradição pre-
constante da própria matéria. sente com a ajuda de conectores do tipo mas, entretanto, contudo, no
entanto, todavia, que assinalam que o emissor se apercebe dessa contradi-
Alguns textos dos alunos contrariam esta regra. Por exemplo: O ferreiro ção, assume-a, anula-a e toma partido dela.
estava vestido com umas calças pretas, um chapéu claro e uma vestimenta Ex.: O João detesta viajar. No entanto, está entusiasmado com a parti-
preta. Tinha ao pé de si uma bigorna e batia com força na bigorna. Todos da para Itália, uma vez que sempre sonhou visitar Florença.
os gestos que fazia consistiam em bater com o martelo na bigorna. A
bigorna onde batia com o martelo era achatada em cima e pontiaguda em 4.Princípio da Relação: para que um texto seja coerente, torna-se ne-
baixo e batia com o martelo na bigorna. cessário que denote, no seu mundo de representação, fatos que se apre-
sentem diretamente relacionados.
Se tivermos em conta apenas o princípio da recorrência, este texto não
será incoerente, será até coerente demais. Ou seja, este princípio enuncia que para uma sequência ser admitida
como coerente, terá de apresentar ações, estados ou eventos que sejam
No entanto, segundo o princípio da progressão, a produção de um tex- congruentes com o tipo de mundo representado nesse texto.
to coerente pressupõe que se realize um equilíbrio cuidado entre continui-
dade temática e progressão semântica. Assim, se tivermos em conta as três frases seguintes
1 - A Silvia foi estudar.
Torna-se assim necessário dominar, simultaneamente, estes dois prin- 2 - A Silvia vai fazer um exame.
cípios (recorrência e progressão) uma vez que a abordagem da informação 3 - O circuito de Adelaide agradou aos pilotos de Fórmula 1.
não se pode processar de qualquer maneira.
A sequência formada por 1+2 surge-nos, desde logo, como sendo mais
Assim, um texto será coerente se a ordem linear das sequências congruente do que as sequências 1+3 ou 2+3.
acompanhar a ordenação temporal dos fatos descritos.
Ex.: Cheguei, vi e venci.(e não Vi, venci e cheguei). Nos discursos naturais, as relações de relevância factual são, na maior
parte dos casos, manifestadas por conectores que as explicitam semanti-
O texto será coerente desde que reconheçamos, na ordenação das su- camente.
as sequências, uma ordenação de causa-consequência entre os estados de Ex.: A Silvia foi estudar porque vai fazer um exame. Ou também: A Sil-
coisas descritos. via vai fazer um exame portanto foi estudar.
Ex.: Houve seca porque não choveu. (e não Houve seca porque cho- A impossibilidade de ligar duas frases por meio de conectores constitui
veu). um bom teste para descobrir uma incongruência.
Ex.: A Silvia foi estudar logo o circuito de Adelaide agradou aos pilotos
Teremos ainda que ter em conta que a ordem de percepção dos esta- de Fórmula 1.
dos de coisas descritos pode condicionar a ordem linear das sequências
textuais. O conhecimento destes princípios de coerência, por parte dos profes-
Ex.: A praça era enorme. No meio, havia uma coluna; à volta, árvores e sores, permite uma nova apreciação dos textos produzidos pelos alunos,
canteiros com flores. garantindo uma melhor correção dos seus trabalhos, evitando encontrar
incoerências em textos perfeitamente coerentes, bem como permite a
Neste caso, notamos que a percepção se dirige do geral para o particu- dinamização de estratégias de correção.
lar.
3.Princípio da Não- Contradição: para que um texto seja coerente, tor- Teremos que ter em conta que para um leitor que nada saiba de cen-
na-se necessário que o seu desenvolvimento não introduza nenhum ele- trais termo-nucleares nada lhe parecerá mais incoerente do que um tratado
mento semântico que contradiga um conteúdo apresentado ou pressuposto técnico sobre centrais termo-nucleares.
por uma ocorrência anterior ou dedutível por inferência.
No entanto, os leitores quase nunca consideram os textos incoerentes.
Ou seja, este princípio estipula simplesmente que é inadmissível que Pelo contrário, os receptores dão ao emissor o crédito da coerência, admi-
uma mesma proposição seja conjuntamente verdadeira e não verdadeira. tindo que o emissor terá razões para apresentar os textos daquela maneira.

Vamos, seguidamente, preocupar-nos, sobretudo, com o caso das con- Assim, o leitor vai esforçar-se na procura de um fio condutor de pen-
tradições inferenciais e pressuposicionais. samento que conduza a uma estrutura coerente.

Existe contradição inferencial quando a partir de uma proposição po- Tudo isto para dizer que deve existir nos nossos sistemas de pensa-
demos deduzir uma outra que contradiz um conteúdo semântico apresenta- mento e de linguagem uma espécie de princípio de coerência verbal (com-
do ou dedutível. parável com o princípio de cooperação de Grice8 estipulando que, seja qual
Ex.: A minha tia é viúva. O seu marido coleciona relógios de bolso. for o discurso, ele deve apresentar forçosamente uma coerência própria,
uma vez que é concebido por um espírito que não é incoerente por si
As inferências que autorizam viúva não só não são retomadas na se- mesmo.
gunda frase, como são perfeitamente contraditas por essa mesma frase.
É justamente tendo isto em conta que devemos ler, avaliar e corrigir os
O efeito da incoerência resulta de incompatibilidades semânticas pro- textos dos nossos alunos.
fundas às quais temos de acrescentar algumas considerações temporais,
uma vez que, como se pode ver, basta remeter o verbo colecionar para o 1. Coerência:
pretérito para suprimir as contradições. Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar, con-
vencer, discordar, ordenar, ou seja, o texto é uma unidade de significado
As contradições pressuposicionais são em tudo comparáveis às infe- produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a frase não
renciais, com a exceção de que no caso das pressuposicionais é um conte- é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma simples
údo pressuposto que se encontra contradito. sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato

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com nossos interlocutores, influindo sobre eles. Quando isso ocorre, temos assalto e ser baleado na noite de sexta-feira.
um texto em que há coerência.
O avião (1) deixou Maringá às 7 horas de sábado e pousou no aeropor-
A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmen- to de Congonhas às 8h27. Na volta, o bimotor (1) decolou para Maringá às
tos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento 21h20 e, minutos depois, caiu na altura do número 375 da Rua Andaquara,
textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será pressu- uma espécie de vila fechada, próxima à avenida Nossa Senhora do Sabará,
posto para o que lhe estender, formando assim uma cadeia em que todos uma das avenidas mais movimentadas da Zona Sul de São Paulo. Ainda
eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra nessa não se conhece as causas do acidente (2). O avião (1) não tinha caixa
concatenação, ou quando um segmento atual está em contradição com um preta e a torre de controle também não tem informações. O laudo técnico
anterior, perde-se a coerência textual. demora no mínimo 60 dias para ser concluído.

A coerência é também resultante da adequação do que se diz ao con- Segundo testemunhas, o bimotor (1) já estava em chamas antes de
texto extra verbal, ou seja, àquilo o que o texto faz referência, que precisa cair em cima de quatro casas (9). Três pessoas (10) que estavam nas
ser conhecido pelo receptor. casas (9) atingidas pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram
ferimentos graves. (10) Apenas escoriações e queimaduras. Elídia Fiorezzi,
Ao ler uma frase como "No verão passado, quando estivemos na capi- de 62 anos, Natan Fiorezzi, de 6, e Josana Fiorezzi foram socorridos no
tal do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto Pronto Socorro de Santa Cecília.
que chegou a nevar", percebemos que ela é incoerente em decorrência da
incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realizada Vejamos, por exemplo, o elemento (1), referente ao avião envolvido no
com o que se relata. Sabemos que, considerando uma realidade "normal", acidente. Ele foi retomado nove vezes durante o texto. Isso é necessário à
em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!). clareza e à compreensão do texto. A memória do leitor deve ser reavivada
a cada instante. Se, por exemplo, o avião fosse citado uma vez no primeiro
Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo acima parágrafo e fosse retomado somente uma vez, no último, talvez a clareza
poderia fazer sentido, dando coerência ao texto - nesse caso, o contexto da matéria fosse comprometida.
seria a "anormalidade" e prevaleceria a coerência interna da narrativa.
E como retomar os elementos do texto? Podemos enumerar alguns
No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a reali- mecanismos:
dade "normal" pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve apre-
sentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa anormali- a) REPETIÇÃO: o elemento (1) foi repetido diversas vezes durante o
dade. texto. Pode perceber que a palavra avião foi bastante usada, principalmente
por ele ter sido o veículo envolvido no acidente, que é a notícia propriamen-
Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do te dita. A repetição é um dos principais elementos de coesão do texto
décimo andar e não sofreu nenhum arranhão." é coerente, na medida que a jornalístico fatual, que, por sua natureza, deve dispensar a releitura por
frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormalida- parte do receptor (o leitor, no caso). A repetição pode ser considerada a
de do fato narrado. mais explícita ferramenta de coesão. Na dissertação cobrada pelos vestibu-
lares, obviamente deve ser usada com parcimônia, uma vez que um núme-
2. Coesão: ro elevado de repetições pode levar o leitor à exaustão.
A redação deve primar, como se sabe, pela clareza, objetividade, coe-
rência e coesão. E a coesão, como o próprio nome diz (coeso significa b) REPETIÇÃO PARCIAL: na retomada de nomes de pessoas, a repe-
ligado), é a propriedade que os elementos textuais têm de estar interliga- tição parcial é o mais comum mecanismo coesivo do texto jornalístico.
dos. De um fazer referência ao outro. Do sentido de um depender da rela- Costuma-se, uma vez citado o nome completo de um entrevistado - ou da
ção com o outro. Preste atenção a este texto, observando como as palavras vítima de um acidente, como se observa com o elemento (7), na última
se comunicam, como dependem uma das outras. linha do segundo parágrafo e na primeira linha do terceiro -, repetir somente
o(s) seu(s) sobrenome(s). Quando os nomes em questão são de celebrida-
SÃO PAULO: OITO PESSOAS MORREM EM QUEDA DE AVIÃO des (políticos, artistas, escritores, etc.), é de praxe, durante o texto, utilizar
Das Agências a nominalização por meio da qual são conhecidas pelo público. Exemplos:
Nedson (para o prefeito de Londrina, Nedson Micheletti); Farage (para o
Cinco passageiros de uma mesma família, de Maringá, dois tripulantes candidato à prefeitura de Londrina em 2000 Farage Khouri); etc. Nomes
e uma mulher que viu o avião cair morreram femininos costumam ser retomados pelo primeiro nome, a não ser nos
casos em que o sobrenomes sejam, no contexto da matéria, mais relevan-
Oito pessoas morreram (cinco passageiros de uma mesma família e tes e as identifiquem com mais propriedade.
dois tripulantes, além de uma mulher que teve ataque cardíaco) na queda
de um avião (1) bimotor Aero Commander, da empresa J. Caetano, da c) ELIPSE: é a omissão de um termo que pode ser facilmente deduzido
cidade de Maringá (PR). O avião (1) prefixo PTI-EE caiu sobre quatro pelo contexto da matéria. Veja-se o seguinte exemplo: Estavam no avião
sobrados da Rua Andaquara, no bairro de Jardim Marajoara, Zona Sul de (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, que foi candidato a
São Paulo, por volta das 21h40 de sábado. O impacto (2) ainda atingiu prefeito de Maringá nas últimas eleições; o piloto (1) José Traspadini (4), de
mais três residências. 64 anos; o co-piloto (1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38. Perceba
que não foi necessário repetir-se a palavra avião logo após as palavras
Estavam no avião (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, piloto e co-piloto. Numa matéria que trata de um acidente de avião, obvia-
que foi candidato a prefeito de Maringá nas últimas eleições (leia reporta- mente o piloto será de aviões; o leitor não poderia pensar que se tratasse
gem nesta página); o piloto (1) José Traspadini (4), de 64 anos; o co-piloto de um piloto de automóveis, por exemplo. No último parágrafo ocorre outro
(1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38; o sogro de Name Júnior (4), exemplo de elipse: Três pessoas (10) que estavam nas casas (9) atingidas
Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha Ribeiro pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram ferimentos graves.
Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela (6), (10) Apenas escoriações e queimaduras. Note que o (10) em negrito, antes
João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. de Apenas, é uma omissão de um elemento já citado: Três pessoas. Na
verdade, foi omitido, ainda, o verbo: (As três pessoas sofreram) Apenas
Izidoro Andrade (7) é conhecido na região (8) como um dos maiores escoriações e queimaduras.
compradores de cabeças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era
um dos sócios do Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). d) SUBSTITUIÇÕES: uma das mais ricas maneiras de se retomar um
Isidoro Andrade (7) havia alugado o avião (1) Rockwell Aero Commander elemento já citado ou de se referir a outro que ainda vai ser mencionado é a
691, prefixo PTI-EE, para (7) vir a São Paulo assistir ao velório do filho (7) substituição, que é o mecanismo pelo qual se usa uma palavra (ou grupo
Sérgio Ricardo de Andrade (8), de 32 anos, que (8) morreu ao reagir a um de palavras) no lugar de outra palavra (ou grupo de palavras). Confira os

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principais elementos de substituição: Conexão:
Além da constante referência entre palavras do texto, observa-se na
Pronomes: a função gramatical do pronome é justamente substituir ou coesão a propriedade de unir termos e orações por meio de conectivos, que
acompanhar um nome. Ele pode, ainda, retomar toda uma frase ou toda a são representados, na Gramática, por inúmeras palavras e expressões. A
ideia contida em um parágrafo ou no texto todo. Na matéria-exemplo, são escolha errada desses conectivos pode ocasionar a deturpação do sentido
nítidos alguns casos de substituição pronominal: o sogro de Name Júnior do texto. Abaixo, uma lista dos principais elementos conectivos, agrupados
(4), Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha pelo sentido. Baseamo-nos no autor Othon Moacyr Garcia (Comunicação
Ribeiro Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela em Prosa Moderna).
(6), João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. O pronome possessivo seus
retoma Name Júnior (os filhos de Name Júnior...); o pronome pessoal ela, Prioridade, relevância: em primeiro lugar, antes de mais nada, antes
contraído com a preposição de na forma dela, retoma Gabriela Gimenes de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo, precipuamente, princi-
Ribeiro (e o marido de Gabriela...). No último parágrafo, o pronome pessoal palmente, primordialmente, sobretudo, a priori (itálico), a posteriori (itálico).
elas retoma as três pessoas que estavam nas casas atingidas pelo avião:
Elas (10) não sofreram ferimentos graves. Tempo (frequência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterio-
ridade): então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princí-
Epítetos: são palavras ou grupos de palavras que, ao mesmo tempo pio, no momento em que, pouco antes, pouco depois, anteriormente, poste-
que se referem a um elemento do texto, qualificam-no. Essa qualificação riormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente agora atualmente, hoje,
pode ser conhecida ou não pelo leitor. Caso não seja, deve ser introduzida frequentemente, constantemente às vezes, eventualmente, por vezes,
de modo que fique fácil a sua relação com o elemento qualificado. ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simulta-
neamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquanto, quan-
Exemplos: do, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que,
a) (...) foram elogiadas pelo por Fernando Henrique Cardoso. O pre- todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem.
sidente, que voltou há dois dias de Cuba, entregou-lhes um certifi-
cado... (o epíteto presidente retoma Fernando Henrique Cardoso; Semelhança, comparação, conformidade: igualmente, da mesma
poder-se-ia usar, como exemplo, sociólogo); forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente,
b) Edson Arantes de Nascimento gostou do desempenho do Brasil. analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de
Para o ex-Ministro dos Esportes, a seleção... (o epíteto ex-Ministro acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual,
dos Esportes retoma Edson Arantes do Nascimento; poder-se-iam, tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.
por exemplo, usar as formas jogador do século, número um do
mundo, etc. Condição, hipótese: se, caso, eventualmente.

Sinônimos ou quase sinônimos: palavras com o mesmo sentido (ou Adição, continuação: além disso, demais, ademais, outrossim, ainda
muito parecido) dos elementos a serem retomados. Exemplo: O prédio foi mais, ainda cima, por outro lado, também, e, nem, não só ... mas também,
demolido às 15h. Muitos curiosos se aglomeraram ao redor do edifício, para não só... como também, não apenas ... como também, não só ... bem
conferir o espetáculo (edifício retoma prédio. Ambos são sinônimos). como, com, ou (quando não for excludente).

Nomes deverbais: são derivados de verbos e retomam a ação expres- Dúvida: talvez provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é
sa por eles. Servem, ainda, como um resumo dos argumentos já utilizados. provável, não é certo, se é que.
Exemplos: Uma fila de centenas de veículos paralisou o trânsito da Avenida
Higienópolis, como sinal de protesto contra o aumentos dos impostos. A Certeza, ênfase: decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, in-
paralisação foi a maneira encontrada... (paralisação, que deriva de parali- questionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.
sar, retoma a ação de centenas de veículos de paralisar o trânsito da
Avenida Higienópolis). O impacto (2) ainda atingiu mais três residências (o Surpresa, imprevisto: inesperadamente, inopinadamente, de súbito,
nome impacto retoma e resume o acidente de avião noticiado na matéria- subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.
exemplo)
Ilustração, esclarecimento: por exemplo, só para ilustrar, só para
Elementos classificadores e categorizadores: referem-se a um ele- exemplificar, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber,
mento (palavra ou grupo de palavras) já mencionado ou não por meio de ou seja, aliás.
uma classe ou categoria a que esse elemento pertença: Uma fila de cente-
nas de veículos paralisou o trânsito da Avenida Higienópolis. O protesto foi Propósito, intenção, finalidade: com o fim de, a fim de, com o propó-
a maneira encontrada... (protesto retoma toda a ideia anterior - da paralisa- sito de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que, para.
ção -, categorizando-a como um protesto); Quatro cães foram encontrados
ao lado do corpo. Ao se aproximarem, os peritos enfrentaram a reação dos Lugar, proximidade, distância: perto de, próximo a ou de, junto a ou de,
animais (animais retoma cães, indicando uma das possíveis classificações dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse, essa,
que se podem atribuir a eles). isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a.

Advérbios: palavras que exprimem circunstâncias, principalmente as Resumo, recapitulação, conclusão: em suma, em síntese, em conclu-
de lugar: Em São Paulo, não houve problemas. Lá, os operários não aderi- são, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse
ram... (o advérbio de lugar lá retoma São Paulo). Exemplos de advérbios modo, logo, pois (entre vírgulas), dessarte, destarte, assim sendo.
que comumente funcionam como elementos referenciais, isto é, como
elementos que se referem a outros do texto: aí, aqui, ali, onde, lá, etc. Causa e consequência. Explicação: por consequência, por conseguin-
te, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com
Observação: É mais frequente a referência a elementos já citados no efeito, tão (tanto, tamanho) ... que, porque, porquanto, pois, já que, uma vez
texto. Porém, é muito comum a utilização de palavras e expressões que se que, visto que, como (= porque), portanto, logo, que (= porque), de tal sorte
refiram a elementos que ainda serão utilizados. Exemplo: Izidoro Andrade que, de tal forma que, haja vista.
(7) é conhecido na região (8) como um dos maiores compradores de cabe-
ças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era um dos sócios do Contraste, oposição, restrição, ressalva: pelo contrário, em contraste
Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). A palavra região com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto,
serve como elemento classificador de Sul (A palavra Sul indica uma região embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, posto, conquanto, se
do país), que só é citada na linha seguinte. bem que, por mais que, por menos que, só que, ao passo que.

Ideias alternativas: Ou, ou... ou, quer... quer, ora... ora.

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Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir
Níveis De Significado Dos Textos: as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral antecedido
Significado Implícito E Explícito por dois-pontos e introduzido por travessão), cada fala de um personagem
deve corresponder a um parágrafo para que essa fala não se confunda com
Informações explícitas e implícitas
a do narrador ou com a de outro personagem.
Faz parte da coerência, trata-se da inferência, que ocorre porque tudo Parágrafo Descritivo:
que você produz como mensagem é maior do que está escrito, é a soma
do implícito mais o explícito e que existem em todos os textos. A ideia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um frag-
mento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem, um
Em um texto existem dois tipos de informações implícitas, o pressu- ambiente, etc.), visto sob determinada perspectiva, num determinado
posto e o subentendido. momento. Alterado esse quadro, teremos novo parágrafo.
O pressuposto é a informação que pode ser compreendida por uma O parágrafo descritivo vai apresentar as mesmas características da
palavra ou frase dentro do próprio texto, faz o receptor aceitar várias ideias descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego de adjetivos que
do emissor. caracterizam o que está sendo descrito, ocorrência de orações justapostas
O subentendido gera confusão, pois se trata de uma insinuação, não ou coordenadas.
sendo possível afirmar com convicção. A estruturação do parágrafo:
A diferença entre ambos é que o pressuposto é responsável pelo emissor e O parágrafo-padrão é uma unidade de composição constituída por um
a informação já está no enunciado, já no subentendido o receptor tira suas ou mais de um período, em que se desenvolve determinada ideia central,
próprias conclusões. Profª Gracielle ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relaciona-
das pelo sentido e logicamente decorrentes dela.
Parágrafo: O parágrafo é indicado por um afastamento da margem esquerda da
Os textos são estruturados geralmente em unidades menores, os pa- folha. Ele facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar conveniente-
rágrafos, identificados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em mente as ideias principais de sua composição, permitindo ao leitor acom-
relação à margem esquerda da folha. Possuem extensão variada: há pará- panhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios.
grafos longos e parágrafos curtos. O que vai determinar sua extensão é a O tamanho do parágrafo:
unidade temática, já que cada ideia exposta no texto deve corresponder a
um parágrafo. Os parágrafos são moldáveis conforme o tipo de redação, o leitor e o
veículo de comunicação onde o texto vai ser divulgado. Em princípio, o
É muito comum nos textos de natureza dissertativa, que trabalham com parágrafo é mais longo que o período e menor que uma página impressa no
ideias e exigem maior rigor e objetividade na composição, que o parágrafo- livro, e a regra geral para determinar o tamanho é o bom senso.
padrão apresente a seguinte estrutura:
Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para lei-
a) introdução - também denominada tópico frasal, é constituída de tores de pouca formação cultural. A notícia possui parágrafos curtos em
uma ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a ideia colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais
principal do parágrafo, definindo seu objetivo; longos. Revistas populares, livros didáticos destinados a alunos iniciantes,
b) desenvolvimento - corresponde a uma ampliação do tópico frasal, geralmente, apresentam parágrafos curtos.
com apresentação de ideias secundárias que o fundamentam ou esclare- Quando o parágrafo é muito longo, o escritor deve dividi-lo em parágra-
cem; fos menores, seguindo critério claro e definido. O parágrafo curto também é
c) conclusão - nem sempre presente, especialmente nos parágrafos empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou
mais curtos e simples, a conclusão retoma a ideia central, levando em para enfatizar uma ideia.
consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento. Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados
Nas dissertações, os parágrafos são estruturados a partir de uma ideia a um leitor de nível médio (2º grau). Cada parágrafo médio construído com
que normalmente é apresentada em sua introdução, desenvolvida e refor- três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Em cada página de livro
çada por uma conclusão. cabem cerca de três parágrafos médios.

Os Parágrafos na Dissertação Escolar: Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas pos-
suem longos parágrafos, por três razões: os textos são grandes e conso-
As dissertações escolares, normalmente, costumam ser estruturadas mem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias ideias
em quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a introdução, dois ou e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade
três para o desenvolvimento e um para a conclusão). e fôlego para acompanhá-los.
É claro que essa divisão não é absoluta. Dependendo do tema propos- A ordenação no desenvolvimento do parágrafo pode acontecer:
to e da abordagem que se dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é
fundamental que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em pará- a) por indicações de espaço: "... não muito longe do lito-
grafos (cada um correspondendo a uma determinada ideia que nele se ral...".Utilizam-se advérbios e locuções adverbiais de lugar e certas locu-
desenvolve) tem a função de facilitar, para quem escreve, a estruturação ções prepositivas, e adjuntos adverbiais de lugar;
coerente do texto e de possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão do b) por tempo e espaço: advérbios e locuções adverbiais de tempo,
texto em sua totalidade. certas preposições e locuções prepositivas, conjunções e locuções conjun-
Parágrafo Narrativo: tivas e adjuntos adverbiais de tempo;

Nas narrações, a ideia central do parágrafo é um incidente, isto é, um c) por enumeração: citação de características que vem normalmente
episódio curto. depois de dois pontos;

Nos parágrafos narrativos, há o predomínio dos verbos de ação que se d) por contrastes: estabelece comparações, apresenta paralelos e
referem as personagens, além de indicações de circunstâncias relativas ao evidencia diferenças; Conjunções adversativas, proporcionais e comparati-
fato: onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc. vas podem ser utilizadas nesta ordenação;

O que falamos acima se aplica ao parágrafo narrativo propriamente di- e) por causa-consequência: conjunções e locuções conjuntivas con-
to, ou seja, aquele que relata um fato. clusivas, explicativas, causais e consecutivas;

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f) por explicitação: esclarece o assunto com conceitos esclarecedo- (B) Dilui-se.
res, elucidativos e justificativos dentro da ideia que construída. Pciconcur-
sos (C) Encontra-se.
(D) Esconde-se.
Equivalência e transformação de estruturas.
(E) Extingue-se.
Refere-se ao estudo das relações das palavras nas orações e nos pe-
ríodos. A palavra equivalência corresponde a valor, natureza, ou função; http://www.professorvitorbarbosa.com/
relação de paridade. Já o termo transformação pode ser entendido como
uma função que, aplicada sobre um termo (abstrato ou concreto), resulta
um novo termo, modificado (em sentido amplo) relativamente ao estado Discurso Direto.
original. Nessa compreensão ampla, o novo estado pode eventualmente Discurso Indireto.
coincidir com o estado original. Normalmente, em concursos públicos, as Discurso Indireto Livre
relações de transformação e equivalência aparecem nas questões dotadas Celso Cunha
dos seguintes comandos:
ENUNCIAÇÃO E REPRODUÇÃO DE ENUNCIAÇÕES
Exemplo: CONCURSO PÚBLICO 1/2008 – CARGO DE AGENTE DE
Comparando as seguintes frases:
POLÍCIA FUNDAÇÃO UNIVERSA
“A vida é luta constante”
Questão 8 - Assinale a alternativa em que a reescritura de parte do tex- “Dizem os homens experientes que a vida é luta constante”
to I mantém a correção gramatical, levando em conta as alterações gráficas
necessárias para adaptá-la ao texto. Notamos que, em ambas, é emitido um mesmo conceito sobre a vida..
Exemplo 2: FUNDAÇÃO UNIVERSA SESI – TÉCNICO EM EDUCA- Mas, enquanto o autor da primeira frase enuncia tal conceito como ten-
ÇÃO – ORIENTADOR PEDAGÓGICO 2010 do sido por ele próprio formulado, o autor da segunda o reproduz como
(CÓDIGO 101) Questão 1 - A seguir, são apresentadas possibilidades tendo sido formulado por outrem.
de reescritura de trechos do texto I. Assinale a alternativa em que a reescri-
tura apresenta mudança de sentido com relação ao texto original. Estruturas de reprodução de enunciações
Para dar-nos a conhecer os pensamentos e as palavras de persona-
Nota-se que as relações de equivalência e transformação estão assen- gens reais ou fictícias, os locutores e os escritores dispõem de três moldes
tadas nas possibilidades de reescrituras, ou seja, na modificação de vocá- linguísticos diversos, conhecidos pelos nomes de: discurso direto, discurso
bulos ou de estruturas sintáticas. indireto e discurso indireto livre.
Vejamos alguns exemplos de transformações e equivalências:
Discurso direto
1 Os bombeiros desejam / o sucesso profissional (não há verbo na se- Examinando este passo do conto Guaxinim do banhado, de Mário de
gunda parte). Andrade:
“O Guaxinim está inquieto, mexe dum lado pra outro. Eis que suspira lá
Sujeito VDT OBJETO DIRETO na língua dele - “Chente! que vida dura esta de guaxinim do banhado!...”
Os bombeiros desejam / ganhar várias medalhas (há verbo na segunda
parte = oração). Verificamos que o narrado, após introduzir o personagem, o guaxinim,
deixou-o expressar-se “Lá na língua dele”, reproduzindo-lhe a fala tal como
Oração principal oração subordinada substantiva objetiva direta ele a teria organizado e emitido.
No exemplo anterior, o objeto direto “o sucesso profissional” foi substi-
tuído por uma oração objetiva direta. Sintaticamente, o valor do termo A essa forma de expressão, em que o personagem é chamado a apre-
(complemento do verbo) é o mesmo. Ocorreu uma transformação de natu- sentar as suas próprias palavras, denominamos discurso direto.
reza nominal para uma de natureza oracional, mas a função sintática de
objeto direto permaneceu preservada. Observação
No exemplo anterior, distinguimos claramente o narrador, do locutor, o
2 Os professores de cursinhos ficam muito felizes / quando os alunos guaxinim.
são aprovados.
Mas o narrador e locutor podem confundir-se em casos como o das
ORAÇÃO PRINCIPAL ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL TEM-
narrativas memorialistas feitas na primeira pessoa. Assim, na fala de Rio-
PORAL
baldo, o personagem-narrador do romance de Grande Sertão: Veredas, de
Os professores de cursinhos ficam muito felizes / nos dias das provas. Guimarães Rosa.
“Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa;
SUJ VERBO PREDICATIVO ADJUNTO ADVERBIAL DE TEMPO mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso
Apesar de classificados de formas diferentes, os termos indicados con- do que em primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?”
tinuam exercendo o papel de elementos adverbiais temporais.
Ou, também, nestes versos de Augusto Meyer, em que o autor, lirica-
Exemplo da prova! mente identificado com a natureza de sua terra, ouve na voz do Minuano o
FUNDAÇÃO UNIVERSA SESI – SECRETÁRIO ESCOLAR (CÓDIGO convite que, na verdade, quem lhe faz é a sua própria alma:
203) Página 3 “Ouço o meu grito gritar na voz do vento:
- Mano Poeta, se enganche na minha garupa!”
Grassa nessas escolas uma praga de pedagogos de gabinete, que
usam o legalismo no lugar da lei e que reinterpretam a lei de modo obtuso, Características do discurso direto
no intuito de que tudo fique igual ao que era antes. E, para que continue a 1. No plano formal, um enunciado em discurso direto é marcado, ge-
parecer necessário o desempenho do cargo que ocupam, para que pare- ralmente, pela presença de verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar,
çam úteis as suas circulares e relatórios, perseguem e caluniam todo e sugerir, perguntar, indagar ou expressões sinônimas, que podem
qualquer professor que ouse interpelar o instituído, questionar os burocra- introduzi-lo, arrematá-lo ou nele se inserir:
tas, ou — pior ainda! — manifestar ideias diferentes das de quem manda na “E Alexandre abriu a torneira:
escola, pondo em causa feudos e mandarinatos. - Meu pai, homem de boa família, possuía fortuna grossa, como não
ignoram.” (Graciliano Ramos)
O vocábulo “Grassa” poderia ser substituído, sem perda de sentido, por
“Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em redor.” (Cecília
(A) Propaga-se. Meirelles)

Língua Portuguesa 28 A Opção Certa Para a Sua Realização


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“Os que não têm filhos são órfãos às avessas”, escreveu Machado elementos do enunciado se modificam, por acomodação ao novo molde
de Assis, creio que no Memorial de Aires. (A.F. Schmidt) sintático.
Quando falta um desses verbos dicendi, cabe ao contexto e a re- a) Discurso direto enunciado 1ª ou 2ª pessoa.
cursos gráficos - tais como os dois pontos, as aspas, o travessão e Exemplo: “-Devia bastar, disse ela; eu não me atrevo a pedir
a mudança de linha - a função de indicar a fala do personagem. É mais.”(M. de Assis)
o que observamos neste passo: Discurso indireto: enunciado em 3ª pessoa:
“Ao aviso da criada, a família tinha chegado à janela. Não avista- “Ela disse que deveria bastar, que ela não se atrevia a pedir mais”
ram o menino: b) Discurso direto: verbo enunciado no presente:
- Joãozinho! “- O major é um filósofo, disse ele com malícia.” (Lima Barreto)
Nada. Será que ele voou mesmo?” Discurso indireto: verbo enunciado no imperfeito:
2. No plano expressivo, a força da narração em discurso direto pro- “Disse ele com malícia que o major era um filósofo.”
vém essencialmente de sua capacidade de atualizar o episódio, fa- c) Discurso direto: verbo enunciado no pretérito perfeito:
zendo emergir da situação o personagem, tornando-o vivo para o “- Caubi voltou, disse o guerreiro Tabajara.”(José de Alencar)
ouvinte, à maneira de uma cena teatral, em que o narrador desem- Discurso indireto: verbo enunciado no pretérito mais-que-perfeito:
penha a mera função de indicador das falas. “O guerreiro Tabajara disse que Caubi tinha voltado.”
d) Discurso direto: verbo enunciado no futuro do presente:
Daí ser esta forma de relatar preferencialmente adotada nos atos diá- “- Virão buscar V muito cedo? - perguntei.”(A.F. Schmidt)
rios de comunicação e nos estilos literários narrativos em que os autores Discurso indireto: verbo enunciado no futuro do pretérito:
pretendem representar diante dos que os lêem “a comédia humana, com a “Perguntei se viriam buscar V. muito cedo”
maior naturalidade possível”. (E. Zola) e) Discurso direto: verbo no modo imperativo:
“- Segue a dança! , gritaram em volta. (A. Azevedo)
Discurso indireto Discurso indireto: verbo no modo subjuntivo:
1. Tomemos como exemplo esta frase de Machado de Assis: “Gritaram em volta que seguisse a dança.”
“Elisiário confessou que estava com sono.” f) Discurso direto: enunciado justaposto:
Ao contrário do que observamos nos enunciados em discurso dire- “O dia vai ficar triste, disse Caubi.”
to, o narrador incorpora aqui, ao seu próprio falar, uma informação Discurso indireto: enunciado subordinado, geralmente introduzido
do personagem (Elisiário), contentando-se em transmitir ao leitor o pela integrante que:
seu conteúdo, sem nenhum respeito à forma linguística que teria “Disse Caubi que o dia ia ficar triste.”
sido realmente empregada. g) Discurso direto:: enunciado em forma interrogativa direta:
Este processo de reproduzir enunciados chama-se discurso indire- “Pergunto - É verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en-
to. cantadora?” (Guimarães Rosa)
2. Também, neste caso, narrador e personagem podem confundir-se Discurso indireto: enunciado em forma interrogativa indireta:
num só: “Pergunto se é verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en-
“Engrosso a voz e afirmo que sou estudante.” (Graciliano Ramos) cantadora.”
h) Discurso direto: pronome demonstrativo de 1ª pessoa (este, esta,
Características do discurso indireto isto) ou de 2ª pessoa (esse, essa, isso).
1. No plano formal verifica-se que, introduzidas também por um verbo “Isto vai depressa, disse Lopo Alves.”(Machado de Assis)
declarativo (dizer, afirmar, ponderar, confessar, responder, etc), as Discurso indireto: pronome demonstrativo de 3ª pessoa (aquele,
falas dos personagens se contêm, no entanto, numa oração subor- aquela, aquilo).
dinada substantiva, de regra desenvolvida: “Lopo Alves disse que aquilo ia depressa.”
“O padre Lopes confessou que não imaginara a existência de tan- i) Discurso direto: advérbio de lugar aqui:
tos doudos no mundo e menos ainda o inexplicável de alguns ca- “E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta,
sos.” concluindo:
Nestas orações, como vimos, pode ocorrer a elipse da conjunção - Aqui, não está o que procuro.”(Afonso Arinos)
integrante: Discurso indireto: advérbio de lugar ali:
“Fora preso pela manhã, logo ao erguer-se da cama, e, pelo cálcu- “E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta,
lo aproximado do tempo, pois estava sem relógio e mesmo se o ti- concluindo que ali não estava o que procurava.”
vesse não poderia consultá-la à fraca luz da masmorra, imaginava
podiam ser onze horas.”(Lima Barreto) Discurso indireto livre
A conjunçào integrante falta, naturalmente, quando, numa constru- Na moderna literatura narrativa, tem sido amplamente utilizado um ter-
ção em discurso indireto, a subordinada substantiva assume a for- ceiro processo de reprodução de enunciados, resultante da conciliação dos
ma reduzida.: dois anteriormente descritos. É o chamado discurso indireto livre, forma de
“Um dos vizinhos disse-lhe serem as autoridades do Cachoei- expressão que, ao invés de apresentar o personagem em sua voz própria
ro.”(Graça Aranha) (discurso direto), ou de informar objetivamente o leitor sobre o que ele teria
2. No plano expressivo assinala-se, em primeiro lugar, que o empre- dito (discurso indireto), aproxima narrador e personagem, dando-nos a
go do discurso indireto pressupõe um tipo de relato de caráter pre- impressão de que passam a falar em uníssono.
dominantemente informativo e intelectivo, sem a feição teatral e
atualizadora do discurso direto. O narrador passa a subordinar a si Comparem-se estes exemplos:
o personagem, com retirar-lhe a forma própria da expressão. Mas “Que vontade de voar lhe veio agora! Correu outra vez com a respira-
não se conclua daí que o discurso indireto seja uma construção es- ção presa. Já nem podia mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um
tilística pobre. É, na verdade, do emprego sabiamente dosado de momento em que esteve quase... quase!
um e de outro tipo de discurso que os bons escritores extraem da Retirou as asas e estraçalhou-a. Só tinham beleza. Entretanto, qual-
narrativa os mais variados efeitos artísticos, em consonância com quer urubu... que raiva... “ (Ana Maria Machado)
intenções expressivas que só a análise em profundidade de uma “D. Aurora sacudiu a cabeça e afastou o juízo temerário. Para que es-
dada obra pode revelar. tar catando defeitos no próximo? Eram todos irmãos. Irmãos.” (Graciliano
Ramos)
Transposição do discurso direto para o indireto “O matuto sentiu uma frialdade mortuária percorrendo-o ao longo da
Do confronto destas duas frases: espinha.
“- Guardo tudo o que meu neto escreve - dizia ela.” (A.F. Schmidt) Era uma urutu, a terrível urutu do sertão, para a qual a mezinha domés-
“Ela dizia que guardava tudo o que o seu neto escrevia.” tica nem a dos campos possuíam salvação.
Perdido... completamente perdido...”
Verifica-se que, ao passar-se de um tipo de relato para outro, certos ( H. de C. Ramos)

Língua Portuguesa 29 A Opção Certa Para a Sua Realização


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mente o perfil do leitor a quem o texto se dirige, quanto a faixa etária, nível
Características do discurso indireto livre cultural e escolar e interesse específico pelo assunto. Assim, um mesmo
Do exame dos enunciados em itálico comprova-se que o discurso indi- tema deverá ser apresentado diferentemente ao público infantil, juvenil ou
reto livre conserva toda a afetividade e a expressividade próprios do discur- adulto; com formação universitária ou de nível técnico; leigo ou especializa-
so direto, ao mesmo tempo que mantém as transposições de pronomes, do. As diferenças hão de determinar o vocabulário empregado, a extensão
verbos e advérbios típicos do discurso indireto. É, por conseguinte, um do texto, o nível de complexidade das informações, o enfoque e a condução
processo de reprodução de enunciados que combina as características dos do tema principal a assuntos correlatos.
dois anteriormente descritos.
1. No plano formal, verifica-se que o emprego do discurso indireto li- Organização das ideias. O texto artístico é em geral construído a partir
vre “pressupõe duas condições: a absoluta liberdade sintática do de regras e técnicas particulares, definidas de acordo com o gosto e a
escritor (fator gramatical) e a sua completa adesão à vida do per- habilidade do autor. Já o texto objetivo, que pretende antes de mais nada
sonagem (fator estético) “ (Nicola Vita In: Cultura Neolatina). transmitir informação, deve fazê-lo o mais claramente possível, evitando
Observe-se que essa absoluta liberdade sintática do escritor pode palavras e construções de sentido ambíguo.
levar o leitor desatento a confundir as palavras ou manifestações Para escrever bem, é preciso ter ideias e saber concatená-las. Entre-
dos locutores com a simples narração. Daí que, para a apreensão vistas com especialistas ou a leitura de textos a respeito do tema abordado
da fala do personagem nos trechos em discurso indireto livre, ga- são bons recursos para obter informações e formar juízos a respeito do
nhe em importância o papel do contexto, pois que a passagem do assunto sobre o qual se pretende escrever. A observação dos fatos, a
que seja relato por parte do narrador a enunciado real do locutor é, experiência e a reflexão sobre seu conteúdo podem produzir conhecimento
muitas vezes, extremamente sutil, tal como nos mostra o seguinte suficiente para a formação de ideias e valores a respeito do mundo circun-
passo de Machado de Assis: dante.
“Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante. Rubião
acudiu, levando-lhe água e pedindo que se deitasse para descan- É importante evitar, no entanto, que a massa de informações se dis-
sar; mas o enfermo após alguns minutos, respondeu que não era perse, o que esvaziaria de conteúdo a redação. Para solucionar esse
nada. Perdera o costume de fazer discursos é o que era.” problema, pode-se fazer um roteiro de itens com o que se pretende escre-
2. No plano expressivo, devem ser realçados alguns valores desta ver sobre o tema, tomando nota livremente das ideias que ele suscita. O
construção híbrida: passo seguinte consiste em organizar essas ideias e encadeá-las segundo
a) Evitando, por um lado, o acúmulo de quês, ocorrente no discurso a relação que se estabelece entre elas.
indireto, e, por outro lado, os cortes das oposições dialogadas pe- Vocabulário e estilo. Embora quase todas as palavras tenham sinôni-
culiares ao discurso direto, o discurso indireto livre permite uma mos, dois termos quase nunca têm exatamente o mesmo significado. Há
narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elabora- sutilezas que recomendam o emprego de uma ou outra palavra, de acordo
dos; com o que se pretende comunicar. Quanto maior o vocabulário que o
b) O elo psíquico que se estabelece entre o narrador e personagem indivíduo domina para redigir um texto, mais fácil será a tarefa de comuni-
neste molde frásico torna-o o preferido dos escritores memorialis- car a vasta gama de sentimentos e percepções que determinado tema ou
tas, em suas páginas de monólogo interior; objeto lhe sugere.
c) Finalmente, cumpre ressaltar que o discurso indireto livre nem
sempre aparece isolado em meio da narração. Sua “riqueza ex- Como regras gerais, consagradas pelo uso, deve-se evitar arcaísmos e
pressiva aumenta quando ele se relaciona, dentro do mesmo pará- neologismos e dar preferência ao vocabulário corrente, além de evitar
grafo, com os discursos direto e indireto puro”, pois o emprego cacofonias (junção de vocábulos que produz sentido estranho à ideia
conjunto faz que para o enunciado confluam, “numa soma total, as original, como em "boca dela") e rimas involuntárias (como na frase, "a
características de três estilos diferentes entre si”. audição e a compreensão são fatores indissociáveis na educação infantil").
(Celso Cunha in Gramática da Língua Portuguesa, 2ª edição, MEC- O uso repetitivo de palavras e expressões empobrece a escrita e, para
FENAME.) evitá-lo, devem ser escolhidos termos equivalentes.
A obediência ao padrão culto da língua, regido por normas gramaticais,
Redação linguísticas e de grafia, garante a eficácia da comunicação. Uma frase
gramaticalmente incorreta, sintaticamente mal estruturada e grafada com
A linguagem escrita tem identidade própria e não pretende ser mera erros é, antes de tudo, uma mensagem ininteligível, que não atinge o
reprodução da linguagem oral. Ao redigir, o indivíduo conta unicamente objetivo de transmitir as opiniões e ideias de seu autor.
com o significado e a sonoridade das palavras para transmitir conteúdos
complexos, estimular a imaginação do leitor, promover associação de ideias Tipos de redação. Todas as formas de expressão escrita podem ser
e ativar registros lógicos, sensoriais e emocionais da memória. classificadas em formas literárias -- como as descrições e narrações, e
nelas o poema, a fábula, o conto e o romance, entre outros -- e não-
Redação é o ato de exprimir ideias, por escrito, de forma clara e orga- literárias, como as dissertações e redações técnicas.
nizada. O ponto de partida para redigir bem é o conhecimento da gramática
do idioma e do tema sobre o qual se escreve. Um bom roteiro de redação Descrição. Descrever é representar um objeto (cena, animal, pessoa,
deve contemplar os seguintes passos: escolha da forma que se pretende lugar, coisa etc.) por meio de palavras. Para ser eficaz, a apresentação das
dar à composição, organização das ideias sobre o tema, escolha do voca- características do objeto descrito deve explorar os cinco sentidos humanos
bulário adequado e concatenação das ideias segundo as regras linguísticas -- visão, audição, tato, olfato e paladar --, já que é por intermédio deles que
e gramaticais. o ser humano toma contato com o ambiente.

Para adquirir um estilo próprio e eficaz é conveniente ler e estudar os A descrição resulta, portanto, da capacidade que o indivíduo tem de
grandes mestres do idioma, clássicos e contemporâneos; redigir frequen- perceber o mundo que o cerca. Quanto maior for sua sensibilidade, mais
temente, para familiarizar-se com o processo e adquirir facilidade de ex- rica será a descrição. Por meio da percepção sensorial, o autor registra
pressão; e ser escrupuloso na correção da composição, retificando o que suas impressões sobre os objetos, quanto ao aroma, cor, sabor, textura ou
não saiu bem na primeira tentativa. É importante também realizar um sonoridade, e as transmite para o leitor.
exame atento da realidade a ser retratada e dos eventos a que o texto se Narração. O relato de um fato, real ou imaginário, é denominado narra-
refere, sejam eles concretos, emocionais ou filosóficos. O romancista, o ção. Pode seguir o tempo cronológico, de acordo com a ordem de sucessão
cientista, o burocrata, o legislador, o educador, o jornalista, o biógrafo, dos acontecimentos, ou o tempo psicológico, em que se privilegiam alguns
todos pretendem comunicar por escrito, a um público real, um conteúdo que eventos para atrair a atenção do leitor. A escolha do narrador, ou ponto de
quase sempre demanda pesquisa, leitura e observação minuciosa de fatos vista, pode recair sobre o protagonista da história, um observador neutro,
empíricos. A capacidade de observar os dados e apresentá-los de maneira alguém que participou do acontecimento de forma secundária ou ainda um
própria e individual determina o grau de criatividade do escritor. espectador onisciente, que supostamente esteve presente em todos os
Para que haja eficácia na transmissão da mensagem, é preciso ter em lugares, conhece todos os personagens, suas ideias e sentimentos.

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A apresentação dos personagens pode ser feita pelo narrador, quando Qual é a diferença entre um fato e uma opinião? O fato é aquilo que
é chamada de direta, ou pelas próprias ações e comportamentos deste, aconteceu, enquanto que a opinião é o que alguém pensa que ocorreu,
quando é dita indireta. As falas também podem ser apresentadas de três uma interpretação dos fatos. Digamos: houve um roubo na portaria da
formas: (1) discurso direto, em que o narrador transcreve de forma exata a empresa e alguém vai investigá-lo. Se essa pessoa for absolutamente
fala do personagem; (2) discurso indireto, no qual o narrador conta o que o honesta, faz um relatório claro relatando os fatos com absoluta fidelidade e
personagem disse, lançando mão dos verbos chamados dicendi ou de após esse relato objetivo, apresenta sua opinião sobre os acontecimentos.
elocução, que indicam quem está com a palavra, como por exemplo "dis- É usualmente desejável que ela dê sua opinião porque, se foi escalada
se", "perguntou", "afirmou" etc.; e (3) discurso indireto livre, em que se para investigar o crime é porque tem qualificação para isso; além disso, o
misturam os dois tipos anteriores. próprio fato de ela ter investigado já lhe dá autoridade para opinar.
O conjunto dos acontecimentos em que os personagens se envolvem É importante considerar:
chama-se enredo. Pode ser linear, segundo a sucessão cronológica dos
fatos, ou não-linear, quando há cortes na sequência dos acontecimentos. É · Vivemos num mundo em que tomamos decisões a partir de informações;
comumente dividido em exposição, complicação, clímax e desfecho. · Estas nos chegam por meio de relatos de fatos e expressões de opiniões;
Dissertação. A exposição de ideias a respeito de um tema, com base · Fatos usualmente podem ser submetidos à prova: por números, documen-
em raciocínios e argumentações, é chamada dissertação. Nela, o objetivo tos, registros;
do autor é discutir um tema e defender sua posição a respeito dele. Por · Opiniões, por outro lado, refletem juízos, valores, interpretações;
essa razão, a coerência entre as ideias e a clareza na forma de expressão · Muitas pessoas confundem fatos e opiniões, e quando isso ocorre temos
são elementos fundamentais. de ter cuidado com as informações que vêm delas;
· Igualmente temos de estar atentos às nossas próprias opiniões, pois elas
A organização lógica da dissertação determina sua divisão em introdu- podem ser tomadas como fatos por outros;
ção, parte em que se apresenta o tema a ser discutido; desenvolvimento, · Nossas decisões devem ser baseadas em fatos, mas podem levar em
em que se expõem os argumentos e ideias sobre o assunto, fundamentan- conta as opiniões de gente qualificada sobre tais fatos.
do-se com fatos, exemplos, testemunhos e provas o que se quer demons-
trar; e conclusão, na qual se faz o desfecho da redação, com a finalidade Ronald H. Coase, Prêmio Nobel de economia, observa que se torturarmos
de reforçar a ideia inicial. os fatos adequadamente, eles acabam confessando. O jeito então é ouvir
Texto jornalístico e publicitário. O texto jornalístico apresenta a peculia- com ouvidos críticos e pesquisar o suficiente, antes de tomar uma decisão.
ridade de poder transitar por todos os tipos de linguagem, da mais formal, Ironia
empregada, por exemplo, nos periódicos especializados sobre ciência e
política, até aquela extremamente coloquial, utilizada em publicações A ironia é um instrumento de literatura ou de retórica que consiste em
voltadas para o público juvenil. Apesar dessa aparente liberdade de estilo, o dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância
redator deve obedecer ao propósito específico da publicação para a qual intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos. Na
escreve e seguir regras que costumam ser bastante rígidas e definidas, Literatura, a ironia é a arte de zombar de alguém ou de alguma coisa, com
tanto quanto à extensão do texto como em relação à escolha do assunto, vista a obter uma reação do leitor, ouvinte ou interlocutor.
ao tratamento que lhe é dado e ao vocabulário empregado.
Ela pode ser utilizada, entre outras formas, com o objetivo de denunci-
O texto publicitário é produzido em condições análogas a essas e ainda ar, de criticar ou de censurar algo. Para tal, o locutor descreve a realidade
mais estritas, pois sua intenção, mais do que informar, é convencer o com termos aparentemente valorizantes, mas com a finalidade de desvalo-
público a consumir determinado produto ou apoiar determinada ideia. Para rizar. A ironia convida o leitor ou o ouvinte, a ser ativo durante a leitura,
isso, a resposta desse mesmo público é periodicamente analisada, com o para refletir sobre o tema e escolher uma determinada posição. O termo
intuito de avaliar a eficácia do texto. Ironia Socrática, levantado por Aristóteles, refere-se ao método socrático.
Neste caso, não se trata de ironia no sentido moderno da palavra.
Redação técnica. Há diversos tipos de redação não-literária, como os
textos de manuais, relatórios administrativos, de experiências, artigos Tipos de ironia
científicos, teses, monografias, cartas comerciais e muitos outros exemplos
de redação técnica e científica. A maior parte das teorias de retórica distingue três tipos de ironia: oral,
dramática e de situação.
Embora se deva reger pelos mesmos princípios de objetividade, coe-
rência e clareza que pautam qualquer outro tipo de composição, a redação • A ironia oral é a disparidade entre a expressão e a in-
técnica apresenta estrutura e estilo próprios, com forte predominância da tenção: quando um locutor diz uma coisa mas pretende expres-
linguagem denotativa. Essa distinção é basicamente produzida pelo objeti- sar outra, ou então quando um significado literal é contrário para
vo que a redação técnica persegue: o de esclarecer e não o de impressio- atingir o efeito desejado.
nar.
• A ironia dramática (ou sátira) é a disparidade entre a
As dissertações científicas, elaboradas segundo métodos rigorosos e expressão e a compreensão/cognição: quando uma palavra ou
fundamentadas geralmente em extensa bibliografia, obedecem a padrões uma ação põe uma questão em jogo e a plateia entende o signi-
de estruturação do texto criados e divulgados pela Associação Brasileira de ficado da situação, mas a personagem não.
Normas Técnicas (ABNT). A apresentação dos trabalhos científicos deve
incluir, nessa ordem: capa; folha de rosto; agradecimentos, se houver; • A ironia de situação é a disparidade existente entre a
sumário; sinopse ou resumo; listas (de ilustrações, tabelas, gráficos etc.); o intenção e o resultado: quando o resultado de uma ação é con-
texto do trabalho propriamente dito, dividido em introdução, método, resul- trário ao desejo ou efeito esperado. Da mesma maneira, a ironia
tados, discussão e conclusão; apêndices e anexos; bibliografia; e índice. infinita (cosmic irony) é a disparidade entre o desejo humano e
as duras realidades do mundo externo. Certas doutrinas afirmam
A preparação dos originais também obedece a algumas normas defini- que a ironia de situação e a ironia infinita, não são ironias de to-
das pela ABNT e pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação do
(IBBD) para garantia de uniformidade. Essas normas dizem respeito às
dimensões do papel, ao tamanho das margens, ao número de linhas por Exemplos:
página e de caracteres ou espaços por linha, à entrelinha e à numeração “A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar de crian-
das páginas, entre outras características. ©Encyclopaedia Britannica do ças”. (Monteiro Lobato)
Brasil Publicações Ltda.
"-Meu marido é um santo. Só me traiu três vezes!"
A diferença entre fatos e opiniões
por José Antônio Rosa

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É também um estilo de linguagem caracterizado por subverter o símbo- O menino que estava sentado na varanda avistou o mendigo. Por Marina
lo que, a princípio, representa. A ironia utiliza-se como uma forma de lin- Cabral
guagem pré-estabelecida para, a partir e de dentro dela, contestá-la.
Paráfrase
O humor é um estado de ânimo cuja intensidade representa o grau
de disposição e de bem-estar psicológico e emocionante um indivíduo. Uma paráfrase é uma reafirmação das ideias de um texto ou uma passa-
gem usando outras palavras. O ato de paráfrase é também chamado de
A palavra humor surgiu na medicina humoral dos antigos Gregos. Na- parafrasear.
queles tempos, o termo humor representava qualquer um dos quatro fluidos
corporais (ou humores) que se considerava serem responsáveis por regular Uma paráfrase tipicamente explica ou clarifica o texto que está sendo
a saúde física e emocional humana. citado. Por exemplo, "O sinal estava vermelho" pode ser parafraseada
como "O carro não estava autorizado a prosseguir". Quando acompanha a
O humor é uma das chaves para a compreensão declaração original, uma paráfrase normalmente é introduzido com uma
de culturas, religiões e costumes das sociedades num sentido amplo, sendo dicendi verbum - uma expressão declaratória para sinalizar a transição para
elemento vital da condição humana. O homem é o único animal que ri, e a paráfrase. Por exemplo, em "O sinal estava vermelho, isto é, o trem não
através dos tempos a maneira humana de sorrir modifica-se acompanhan- estava autorizado a proceder". Que é sinal a paráfrase que se segue.
do os costumes e correntes de pensamento.
Uma paráfrase não precisa acompanhar uma citação direta, mas quando é
Em cada época da história humana a forma de pensar cria e derru- assim, a paráfrase normalmente serve para colocar a declaração da fonte
ba paradigmas, e o humor acompanha essa tendência sociocultural. Ex- em perspectiva ou para esclarecer o contexto em que apareceu. Uma
pressões culturais do humor podem representar retratos fiéis de uma épo- paráfrase é tipicamente mais detalhada do que um resumo. Deve-se adici-
ca, como é o caso, por exemplo, das comédias gregas de Plauto e das onar a fonte no final da frase, por exemplo: A calçada da rua estava suja
comédias de costumes do brasileiro Martins Pena. ontem (Wikipedia).
Ambiguidade A paráfrase pode tentar preservar o significado essencial do material a ser
A duplicidade de sentido, seja de uma palavra ou de uma expressão, dá-se parafraseado. Assim, a reinterpretação (intencional ou não) de uma fonte
o nome de ambiguidade. Ocorre geralmente, nos seguintes casos: para inferir um significado que não é explicitamente evidente na própria
fonte é qualificada como "pesquisa inédita", e não como paráfrase.
Má colocação do Adjunto Adverbial O termo é aplicado ao gênero das paráfrases bíblicas, que eram as versões
de maior circulação da Bíblia disponíveis na Europa medieval. O objetivo
Exemplos: Crianças que recebem leite materno frequentemente são mais não era o de tornar uma interpretação exata do significado ou o texto com-
sadias. pleto, mas para material presente na Bíblia em uma versão que era teologi-
camente ortodoxo e não está sujeita a interpretação herética, ou, na maioria
As crianças são mais sadias porque recebem leite frequentemente ou são dos casos, para tomar a Bíblia e presente a um material de grande público
frequentemente mais sadias porque recebem leite? que foi interessante, divertida e espiritualmente significativa, ou, simples-
mente para encurtar o texto.
Eliminando a ambiguidade: Crianças que recebem frequentemente leite
materno são mais sadias. A frase "em suas próprias palavras" é frequentemente utilizado neste con-
Crianças que recebem leite materno são frequentemente mais sadias. texto para sugerir que o autor reescreveu o texto em seu próprio estilo de
escrita - como teria escrito se eles tivessem criado a ideia.
Uso Incorreto do Pronome Relativo
O que se denomina paralelismo sintático é um encadeamento de
funções sintáticas idênticas ou encadeamento de orações de valores sintá-
Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes que estava sobre a
ticos iguais. Orações que se apresentam com a mesma estrutura sintática
cama.
externa, ao ligarem-se umas às outras em processo no qual não se permite
estabelecer maior relevância de uma sobre a outra, criam um processo de
O que estava sobre a cama: o estojo vazio ou a aliança de diamantes?
ligação por coordenação. Diz-se que estão formando um paralelismo sintá-
tico.
Eliminando a ambiguidade: Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de
diamantes a qual estava sobre a cama. Texto literário e não literário - marcas linguísticas
Gabriela pegou o estojo vazio da aliança de diamantes o qual estava sobre
a cama.
Antes de partirmos, de modo enfático, para as características que delineiam
Observação: Neste exemplo, pelo fato de os substantivos estojo e aliança ambas as modalidades, faremos uma breve consideração no tocante aos
pertencerem a gêneros diferentes, resolveu-se o problema substituindo os aspectos primordiais que perfazem o texto, vistos de maneira abrangente.
substantivos por o qual/a qual. Se pertencessem ao mesmo gênero, haveria
necessidade de uma reestruturação diferente. Toda e qualquer produção escrita é fruto de um conjunto de fatores, os
quais se encontram interligados e se tornam indissociáveis, de modo a
Má Colocação de Pronomes, Termos, Orações ou Frases permitir que o discurso se materialize de forma plausível. Portanto, infere-se
que tais fatores se ligam aos conhecimentos de quem o produz, sejam
Aquela velha senhora encontrou o garotinho em seu quarto. esses de ordem linguística ou aqueles adquiridos ao longo da trajetória
cotidiana.
O garotinho estava no quarto dele ou da senhora? Aliada a essa prerrogativa existe aquela que inegavelmente norteia a
concepção de linguagem, ou seja, a de possuir um caráter dinâmico e
Eliminando a ambiguidade: Aquela velha senhora encontrou o garotinho no estritamente social. Isso nos leva a crer que sempre estamos dialogando
quarto dela. como o “outro”, e que, sobretudo, compartilhamos nossas ideias e opiniões
Aquela velha senhora encontrou o garotinho no quarto dele. com os diferentes interlocutores envolvidos no discurso.

Ex.: Sentado na varanda, o menino avistou um mendigo. Essa noção, uma vez proferida, tende a subsidiar os nossos propósitos no
que se refere ao assunto em questão. E, para tal, analisemos:
Quem estava sentado na varanda: o menino ou o mendigo?

Eliminando a ambiguidade: O menino avistou um mendigo que estava


sentado na varanda.

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Os poemas
A língua faz parte de nossa vida diária. Por isso, é importante conhecer,
através da reflexão linguística, seu funcionamento nas diversas situações
do cotidiano.
A ausência dessa reflexão na dinâmica da produção escrita compromete
sobretudo a superfície textual. Exemplos:

TEXTO 1 - Ambiguidade na propaganda de produto:

“Nunca use a almofadinha HAPPY BABY quando aquecida diretamente


sobre a pele do bebê, fraldas descartáveis e calças plásticas”.
REESCRITA:
(Quando aquecida, a almofadinha HAPPY BABY não deverá ser usada
diretamente sobre a pele do bebê, fraldas descartáveis e calças plásticas).

Os poemas são pássaros que chegam TEXTO 2 - Redundância no texto informal:


não se sabe de onde e pousam
no livro que lês. “Me desespera saber que algo pode ocorrer comigo quando eu entro num
Quando fechas o livro, eles alçam voo prédio e se isso acontecer, tenho a convicção de que algo grave ocorrerá
como de um alçapão. comigo”.
Eles não têm pouso
nem porto REESCRITA:
alimentam-se um instante em cada par de mãos (Quando entro num prédio, desespera-me pensar que algo grave poderá
e partem. ocorrer comigo).
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes TEXTO 3 – Problemas gramaticais e ineficiência da mensagem:
que o alimento deles já estava em ti...
“Necessitei ausentar-se do serviço, por que encontrava-me com dificulda-
QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Porto Alegre: L&PM, 1980. des de enxergar, porque minha profissão requer uma boa visão”.

O exemplo em voga trata-se de uma criação poética pertencente a um OBS.: Não basta, neste caso, propor apenas a correção gramatical, numa
renomado autor da era modernista. Atendo-nos às suas peculiaridades no situação escolar envolvendo a escrita. É preciso, na reescritura do texto,
tange à linguagem, notamos a presença de uma linguagem metafórica que eliminar o supérfluo, buscando a clareza e a eficácia da mensagem.
simboliza a capacidade imaginativa do artista comparando-a com a liberda-
de conferida aos pássaros, uma vez que são livres e voam rumo ao hori- REESCRITA:
zonte. (Ausentei-me do serviço para consultar um oculista.)

Por meio dos seguintes excertos poéticos, assim representados, voltamos à TEXTO 4 – Redação escolar: "lugar-comum"
ideia anteriormente mencionada de que a competência linguística vai
paulatinamente sendo “adornada”, de acordo com a troca de experiências “O que fiz ontem de mais importante, sem dúvida, foi assistir um jogo de
entre o emissor e o mundo que o rodeia: futebol pelo rádio. O confronto entre Corinthians e Palmeiras é um clássico
imperdível.
Eles não têm pouso Durante a partida, sofri, sofri muito como todo corinthiano que se preza.
nem porto Mas, Graças a Deus, o empate teve gosto de vitória”.
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. OBS: Nessa produção, a não ser pela regência incorreta do verbo “assis-
E olhas, então, essas tuas mãos vazias, tir” (empregado equivocadamente em lugar do verbo “ouvir”), não há restri-
no maravilhoso espanto de saberes [...] ções quanto ao uso da língua padrão, sequer pelo emprego do termo
“imperdível”, já consagrado nas modalidades oral e escrita, menos formais.
Desta feita, a intencionalidade discursiva, característica textual marcante, Note-se, ainda, a utilização adequada do relator adversativo (mas) e a
pauta-se por despertar no interlocutor sentimentos e emoções, com vistas a coesão por sequenciação temporal (durante a partida/ ontem).
oferecer uma multiplicidade de interpretações, uma vez conferida pelo O que pode, então, poluir esse “oásis”? Nada menos que a predomi-
caráter subjetivo. Eis assim a característica que nutre um texto literário. nância do “LUGAR-COMUM”, em prejuízo da originalidade de expressão:

Pensemos agora em um outro tipo de texto, no qual não identificamos ... é um (jogo) imperdível,0
nenhum envolvimento por parte do emissor, pois suas marcas linguísticas ... como todo (corinthiano) que se preza
primam-se pela objetividade. A conclusão a que podemos chegar é que, ... o empate teve gosto de vitória
nesse caso, a finalidade é apenas informar algo, tal qual se encontra no
discurso apresentado, isento de marcas pessoais, opiniões, juízos de valor Todo A INTENÇÃO COMUNICATIVA
e, sobretudo, de traços ligados à subjetividade. Todo aquele que se comunica -falando, pintando, escrevendo, dan-
çando etc. - tem uma intenção comunicativa. Ele, locutor, não está apenas
Uma notícia, reportagem, artigo científico? Seriam esses os casos querendo transmitir uma mensagem, passar uma informação, mas interagir
representativos? A reposta para tal indagação é reafirmá-la, uma vez que com outra pessoa que se vai tornar o locutário. Ou seja, o locutor tem um
tais modalidades tem uma finalidade em comum: a informação. Essa, por objetivo em mente ao construir o seu texto e, normalmente, esse objetivo se
sua vez, precisa retratar uma certa credibilidade conferida por meio do relaciona com alguma ação. Toda palavra faz parte de um movimento maior
discurso. Daí o caráter objetivo, razão pela qual o autor, em momento em torno de uma ação social.
algum, não deixa que suas opiniões se fruam em meio ao ato discursivo a
que se propõe. Tal particularidade revela a natureza linguística do chamado Por exemplo, uma bula de remédios. Ela pode ser lida a qualquer mo-
texto não literário. Vânia Maria do Nascimento Duarte mento e pelos mais variados motivos. Ainda que a maioria considerasse
absurdo, eu poderia ler uma bula de remédios antes de dormir, para relaxar
REESCRITURA DE TEXTOS um pouco. Mas, a intenção comunicativa de uma bula de remédios é outra.
Dorival Coutinho da Silva Ela existe na sociedade para que o leitor conheça adequadamente o remé-

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dio e saiba como usá-lo. O conhecimento e a aplicação das informações da semelhança entre frases ou orações) e semântica (quando há correspon-
bula de remédios pode significar o restabelecimento da saúde. dência de sentido entre os termos).
Assim, uma pessoa pode até ler uma bula de remédio para se distrair Casos recorrentes se manifestam no momento da escrita indicando que
porque não tem o que outra coisa que fazer, contudo passar o tempo não é houve a quebra destes recursos, tornando-se imperceptíveis aos olhos de
a intenção comunicativa da bula de remédios. É um uso para a bula, mas quem a produz, interferindo de forma negativa na textualidade como um
não atende à intenção comunicativa desse gênero discursivo. Quem escre- todo. Como podemos conferir por meio dos seguintes casos:
ve esse texto não o faz para que os outros passem um momento agradável
de diversão. Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a Holanda.
É justamente o caso contrário do que ocorre com o filme de aventuras
que alguém se assiste no cinema, domingo à tarde, com os seus amigos. Constatamos a falta de paralelismo semântico, ao analisarmos que o time
Voltados para essa necessidade, existem muitos filmes de aventuras cuja brasileiro não enfrentará o país, e sim a seleção que o representa. Reestru-
intenção comunicativa é apenas fazer os locutários se distraírem e passar turando a oração, obteríamos:
um bom momento. Mas não existem apenas filmes de aventuras em circu-
lação na sociedade. Outros filmes ultrapassam esse objetivo e procuram, Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a seleção da
também, discutir valores ou criticar aspectos da identidade humana, por Holanda.
exemplo.
Se eles comparecessem à reunião, ficaremos muito agradecidos.
O primeiro e, sem dúvidas, um dos maiores desafios de quem produz
um texto é fazer o locutário cooperar com a intenção comunicativa do texto Eis que estamos diante de um corriqueiro procedimento linguístico, embora
produzido. Em outras palavras, fazer com que o locutário esteja disposto a considerado incorreto, sobretudo, pela incoerência conferida pelos tempos
interpretar o texto de acordo com a intenção comunicativa do locutor. verbais (comparecessem/ficaremos). O contrário acontece se dissésse-
Ou seja, de má vontade, sem querer participar, sem se envolver, o lo- mos:
cutário não vai fazer o seu papel no processo de interação comunicativa. O
locutário poderá então não compreender o texto ou fazer uma interpretação Se eles comparecessem à reunião, ficaríamos muito agradecidos.
que foge aos objetivos desse texto. Ele vai ler, mas não vai interpretar Ambos relacionados à mesma ideia, denotando uma incerteza quanto à
adequadamente, nem agir de acordo. ação.

Mas por que o locutário não atenderia à intenção comunicativa do texto Ampliando a noção sobre a correta utilização destes recursos, analisemos
que lê? Isso pode acontecer porque aquele que assume o papel de locutá- alguns casos em que eles se aplicam:
rio não sabe (ou não deseja) realizar o trabalho de envolvimento com o
texto necessário para interpretá-lo. Assim, é muito importante ao interpre- não só... mas (como) também:
tarmos um texto, identificarmos a intenção comunicativa.
A violência não só aumentou nos grandes centros urbanos, mas
Algumas perguntas podem nos ajudar: também no interior.
Ø Para que serve esse texto na sociedade?
Ø O que esse texto revela sobre o locutor? Percebemos que tal construção confere-nos a ideia de adição em comparar
Ø O que se espera que eu faça depois de ler esse texto? ambas as situações em que a violência se manifesta.
Compreendendo a intenção comunicativa do texto, podemos também
Quanto mais... (tanto) mais:
escolher até que ponto desejamos participar no processo comunicativo. Isto
é, podemos envolvermo-nos mais ou menos, de acordo com nossas neces-
Atualmente, quanto mais se aperfeiçoa o profissionalismo, mais chan-
sidades, possibilidades, desejos etc.
ces tem de se progredir.
A escola, como instituição, no entanto, tem sido muito eficiente em 'ma-
tar' as intenções comunicativas dos textos. Em todas os componentes Ao nos atermos à noção de progressão, podemos identificar a construção
curriculares. Seja por reduzir os textos a intenções distorcidas daquelas paralelística.
para as que foram produzidos; seja por simplesmente ignorar o processo
social que deu origem a tais textos. José Luís Landeira Seja... Seja; Quer... Quer; Ora... Ora:
Paralelismo Sintático e Paralelismo Semântico - recursos A cordialidade é uma virtude aplicável em quaisquer circunstâncias,
que compõem o estilo textual seja no ambiente familiar, seja no trabalho.

Notadamente, a construção textual é concebida como um procedimento Confere-se a aplicabilidade do recurso mediante a ideia de alternância.
dotado de grande complexidade, haja vista que o fato de as ideias emergi-
rem com uma certa facilidade não significa transpô-las para o papel sem a Tanto... Quanto:
devida ordenação. Tal complexidade nos remete à noção das competências
inerentes ao emissor diante da elaboração do discurso, dada a necessidade As exigências burocráticas são as mesmas, tanto para os veteranos,
de este se perfazer pela clareza e precisão. quanto para os calouros.

Infere-se, portanto, que as competências estão relacionadas aos conheci- Mediante a ideia de adição, acrescida àquela de equivalência, constata-se
mentos que o usuário tem dos fatos linguísticos, aplicando-os de acordo a estrutura paralelística.
com o objetivo pretendido pela enunciação. De modo mais claro, ressalta-
mos a importância da estrutura discursiva se pautar pela pontuação, con- Não... E não/nem:
cordância, coerência, coesão e demais requisitos necessários à objetivida-
de retratada pela mensagem. Não poderemos contar com o auxílio de ninguém, nem dos alunos,
nem dos funcionários da secretaria.
Atendo-nos de forma específica aos inúmeros aspectos que norteiam os já
citados fatos linguísticos, ressaltamos determinados recursos cuja função Recurso este empregado quando se quer atribuir uma sequência negativa.
se atribui por conferirem estilo à construção textual – o paralelismo sintático
e semântico. Caracterizam-se pelas relações de semelhança existente Por um lado... Por outro:
entre palavras e expressões que se efetivam tanto de ordem morfológica
(quando pertencem à mesma classe gramatical), sintática (quando há Se por um lado, a desistência da viagem implicou economia, por

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outro, desagradou aos filhos que estavam no período de férias. - o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é um bom garfo (guloso,
glutão).
O paralelismo efetivou-se em virtude da referência a aspectos negativos e Sinédoque:
positivos relacionados a um determinado fato. Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, havendo
ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitati-
Tempos verbais: va. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:
Se a maioria colaborasse, haveria mais organização. - o todo pela parte e vice-versa: “A cidade inteira (o povo) viu assombrada,
de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos (parte das
Como dito anteriormente, houve a concordância de sentido proferida pelos patas) de seu cavalo.” (J. Cândido de Carvalho)
verbos e seus respectivos tempos. - o singular pelo plural e vice-versa: O paulista (todos os paulistas) é tímido;
: Vânia Maria do Nascimento Duarte o carioca (todos os cariocas), atrevido.
- o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum): Para os
Reescritura de frases e parágrafos do texto artistas ele foi um mecenas (protetor).
Reescritura de frases e parágrafos do texto. Catacrese:
Substituição de palavras ou de trechos de texto. A catacrese é um tipo de especial de metáfora, “é uma espécie de metáfora
Retextualização de diferentes gêneros e níveis de formalidade. desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação, de
criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito linguístico, já
Este item será abordado como um tema só, pois a separação deles está
fora do âmbito estilístico.” (Othon M. Garcia).
meio complicada, pois a substituição de palavras ou de trechos tem tudo a
ver com a retextualização São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele de tomate / dente de alho
/ montar em burro / céu da boca / cabeça de prego / mão de direção /
Reescrituração de textos
ventre da terra / asa da xícara / sacar dinheiro no banco.
Figuras de estilo, figuras ou Desvios de linguagem são nomes dados a
Sinestesia:
alguns processos que priorizam a palavra ou o todo para tornar o texto mais
rico e expressivo ou buscar um novo significado, possibilitando uma reescri- A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma
tura correta de textos. expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão,
olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Podem ser:
Exemplo: “A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de
Figuras de palavras
uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo.
As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com sentido Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia [sensa-
diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um ções táteis], quase irreal.” (Augusto Meyer)
efeito mais expressivo na comunicação.
Antonomásia:
São figuras de palavras:
Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma qualidade,
Comparação: característica ou fato que a distingue.
Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elemen- Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou
tos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos – cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome
feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem – e alguns próprio.
verbos – parecer, assemelhar-se e outros.
Exemplos: “E ao rabi simples (Cristo), que a igualdade prega, / Rasga e
Exemplos: “Amou daquela vez como se fosse máquina. / Beijou sua mulher enlameia a túnica inconsútil; (Raimundo Correia). / Pelé (= Edson Arantes
como se fosse lógico.” (Chico Buarque); do Nascimento) / O Cisne de Mântua (= Virgílio) / O poeta dos escravos (=
“As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, negros Castro Alves) / O Dante Negro (= Cruz e Souza) / O Corso (= Napoleão)
xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas…” (Jorge Amado). Alegoria:
Metáfora: A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo objeto;
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação é uma figura poética que consiste em expressar uma situação global por
de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na alegoria,
também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o todas as palavras estão transladadas para um plano que não lhes é comum
conectivo não está expresso, mas subentendido. e oferecem dois sentidos completos e perfeitos – um referencial e outro
Exemplo: “Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. metafórico.
Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão.” (Machado de Assis). Exemplo: “A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono
Metonímia: lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não
Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, ha- são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo
vendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados,
sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa relação e a orquestra é excelente…” (Machado de Assis).
objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos: Figuras de sintaxe ou de construção:
- o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes de sair, tomamos um As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação
cálice (o conteúdo de um cálice) de licor. à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições
- a causa pelo efeito e vice-versa: “E assim o operário ia / Com suor e com ou omissões.
cimento (com trabalho) / Erguendo uma casa aqui / Adiante um apartamen- Elas podem ser construídas por:
to.” (Vinicius de Moraes). a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
- o lugar de origem ou de produção pelo produto: Comprei uma garrafa do b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
legítimo porto (o vinho da cidade do Porto). c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;
- o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado (a obra de Jorge Amado). d) ruptura: anacoluto;
- o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não devemos contar com o seu e) concordância ideológica: silepse.
coração (sentimento, sensibilidade).
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe:
- o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o poder) foi disputada pelos
Assíndeto:
revolucionários.
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por
- a matéria pelo produto e vice-versa: Lento, o bronze (o sino) soa.
conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por vírgu-
- o inventor pelo invento: Edson (a energia elétrica) ilumina o mundo. las.
- a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício da Prefeitura).
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Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência das Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade
pausas rítmicas (vírgulas). que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase.
Exemplo: “Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a Exemplo: “… as lojas loquazes dos barbeiros.” (as lojas dos barbeiros
pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se.” (Machado de loquazes.) (Eça de Queiros).
Assis). Anacoluto:
Elipse: Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente pode- inicia a frase, alterando-lhe a sequência lógica. A construção do período
mos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na supressão de deixa um ou mais termos – que não apresentam função sintática definida –
pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso recurso de desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível.
concisão e dinamismo. Exemplo: “Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas.” (Alcânta-
Exemplo: “Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas.” (elipse ra Machado).
do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias…). Silepse:
Zeugma: Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando com a ideia a elas associada.
subentendida sua repetição. a) Silepse de gênero:
Exemplo: “Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Felipes.” Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou
(Zeugma do verbo: “e foram assassinados…”) (Camilo Castelo Branco). masculino).
Anáfora: Exemplo: “Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito.” (Guimarães
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início de um Rosa).
período, frase ou verso. b) Silepse de número:
Exemplo: “Depois o areal extenso… / Depois o oceano de pó… / Depois no Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular
horizonte imenso / Desertos… desertos só…” (Castro Alves). ou plural).
Pleonasmo: Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam.” (Mário Barreto).
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma ideia, isto é, redundân- c) Silepse de pessoa:
cia de significado. Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal:
a) Pleonasmo literário: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado.
É o uso de palavras redundantes para reforçar uma ideia, tanto do ponto de Exemplo: “Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas.” (Ma-
vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como um recurso chado de Assis).
estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem. Figuras de pensamento:
Exemplo: “Iam vinte anos desde aquele dia / Quando com os olhos eu quis As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao
ver de perto / Quando em visão com os da saudade via.” (Alberto de Olivei- significado das palavras, ao seu aspecto semântico.
ra).
São figuras de pensamento:
“Morrerás morte vil na mão de um forte.” (Gonçalves Dias)
Antítese:
“Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas de Portugal” (Fernando
Pessoa). Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões de
sentidos opostos.
b) Pleonasmo vicioso:
Exemplo: “Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns
É o desdobramento de ideias que já estavam implícitas em palavras anteri- nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos
ormente expressas. Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm trazem o mal.” (Rui Barbosa).
valor de reforço de uma ideia, sendo apenas fruto do descobrimento do
sentido real das palavras. Apóstrofe:
Exemplos: subir para cima / entrar para dentro / repetir de novo / ouvir com Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou
os ouvidos / hemorragia de sangue / monopólio exclusivo / breve alocução / imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo
principal protagonista. na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão.
Polissíndeto: Exemplo: “Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes?” (Castro Alves).
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção coor- Paradoxo:
denativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a con- Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido
junção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou vertigino- oposto, mas também na de ideias que se contradizem referindo-se ao
sos. mesmo termo. É uma verdade enunciada com aparência de mentira. Oxí-
moro (ou oximoron) é outra designação para paradoxo.
Exemplo: “Vão chegando as burguesinhas pobres, / e as criadas das bur-
guesinhas ricas / e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.” Exemplo: “Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não se
(Manuel Bandeira). sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desatina sem doer;”
Anástrofe: (Camões)
Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizinhas Eufemismo:
(determinante/determinado). Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada para
Exemplo: “Tão leve estou (estou tão leve) que nem sombra tenho.” (Mário atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante.
Quintana). Exemplo: “E pela paz derradeira (morte) que enfim vai nos redimir Deus lhe
Hipérbato: pague”. (Chico Buarque).
Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da frase. Gradação:
Exemplo: “Passeiam à tarde, as belas na Avenida. ” (As belas passeiam na Ocorre gradação quando há uma sequência de palavras que intensificam
Avenida à tarde.) (Carlos Drummond de Andrade). uma mesma ideia.
Sínquise: Exemplo: “Aqui… além… mais longe por onde eu movo o passo.” (Castro
Alves).
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da
frase. É um hipérbato exagerado. Hipérbole:
Exemplo: “A grita se alevanta ao Céu, da gente. ” (A grita da gente se Ocorre hipérbole quando há exagero de uma ideia, a fim de proporcionar
alevanta ao Céu ) (Camões). uma imagem emocionante e de impacto.
Hipálage: Exemplo: “Rios te correrão dos olhos, se chorares!” (Olavo Bilac).

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Ironia: • Nesta receita gastronômica usaremos Blueberries e Grapefruits.
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de (anglicismo, o mais adequado seria Mirtilo e Toranja)
termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem • Convocamos para a Reunião do Conselho de DA’s (plural da sigla
exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica. de Diretório Acadêmico). (anglicismo, e mesmo nesta língua não se
Exemplo: “Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, / burra como usa apóstrofo ‘s’ para pluralizar; o mais adequado seria DD.AA. ou DAs.)
uma porta: / um amor.” (Mário de Andrade). Há quem considere barbarismo também divergências de pronúncia, grafia,
Prosopopéia: morfologia, etc., tais como “adevogado” ou “eu sabo“, pois seriam atitudes
Ocorre prosopopéia (ou animização ou personificação) quando se atribui típicas de estrangeiros, por eles dificilmente atingirem alta fluência no
movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres dialeto padrão da língua.
animados a seres inanimados ou imaginários. Em nível pragmático, o barbarismo normalmente é indesejável porque os
Também a atribuição de características humanas a seres animados consti- receptores da mensagem frequentemente conhecem o termo em questão
tui prosopopéia o que é comum nas fábulas e nos apólogos, como este na língua nativa de sua comunidade linguística, mas nem sempre conhe-
exemplo de Mário de Quintana: “O peixinho (…) silencioso e levemente cem o termo correspondente na língua ou dialeto estrangeiro à comunidade
melancólico…” com a qual ele está familiarizado. Em nível político, um barbarismo também
Exemplos: “… os rios vão carregando as queixas do caminho.” (Raul Bopp) pode ser interpretado como uma ofensa cultural por alguns receptores que
se encontram ideologicamente inclinados a repudiar certos tipos de influên-
Um frio inteligente (…) percorria o jardim…” (Clarice Lispector)
cia sobre suas culturas. Pode-se assim concluir que o conceito de barba-
Perífrase: rismo é relativo ao receptor da mensagem.
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para expressar Em alguns contextos, até mesmo uma palavra da própria língua do receptor
algum objeto, acidente geográfico ou situação que não se quer nomear. poderia ser considerada como um barbarismo. Tal é o caso de um cultismo
Exemplo: “Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilho- (ex: “abdômen”) quando presente em uma mensagem a um receptor que
sa / Coração do meu Brasil.” (André Filho). não o entende (por exemplo, um indivíduo não escolarizado, que poderia
Até este ponto retirei informações do site PCI cursos compreender melhor os sinônimos “barriga”, “pança” ou “bucho”).
Vícios de Linguagem Cacofonia
Ambiguidade A cacofonia é um som desagradável ou obsceno formado pela união das
Ambiguidade é a possibilidade de uma mensagem ter dois sentidos. Ela sílabas de palavras contíguas. Por isso temos que cuidar quando falamos
geralmente é provocada pela má organização das palavras na frase. A sobre algo para não ofendermos a pessoa que ouve. São exemplos desse
ambiguidade é um caso especial de polissemia, a possibilidade de uma fato:
palavra apresentar vários sentidos em um contexto. • “Ele beijou a boca dela.”
Ex: • “Bata com um mamão para mim, por favor.”
• “Onde está a vaca da sua avó?” (Que vaca? A avó ou a vaca criada • “Deixe ir-me já, pois estou atrasado.”
pela avó?)
• “Não tem nada de errado a cerca dela“
• “Onde está a cachorra da sua mãe?” (Que cachorra? A mãe ou a
cadela criada pela mãe?) • “Vou-me já que está pingando. Vai chover!”
• “Este líder dirigiu bem sua nação”(“Sua”? Nação da 2ª ou 3ª pessoa (o • “Instrumento para socar alho.”
líder)?). • “Daqui vai, se for dai.”
Obs 1: O pronome possessivo “seu(ua)(s)” gera muita confusão por ser Não são cacofonia:
geralmente associado ao receptor da mensagem. • “Eu amo ela demais !!!”
Obs 2: A preposição “como” também gera confusão com o verbo “comer”
• “Eu vi ela.”
na 1ª pessoa do singular.
A ambiguidade normalmente é indesejável na comunicação unidirecional, • “você veja”
em particular na escrita, pois nem sempre é possível contactar o emissor da Como cacofonias são muitas vezes cômicas, elas são algumas vezes
mensagem para questioná-lo sobre sua intenção comunicativa original e usadas de propósito em certas piadas, trocadilhos e “pegadinhas”.
assim obter a interpretação correta da mensagem. Plebeísmo
Barbarismo O plebeísmo normalmente utiliza palavras de baixo calão, gírias e termos
Barbarismo, peregrinismo, idiotismo ou estrangeirismo (para os latinos considerados informais.
qualquer estrangeiro era bárbaro) é o uso de palavra, expressão ou cons- Exemplos:
trução estrangeira no lugar de equivalente vernácula. • “Ele era um tremendo mané!”
De acordo com a língua de origem, os estrangeirismos recebem diferentes
• “Tô ferrado!”
nomes:
• “Tá ligado nas quebradas, meu chapa?”
• galicismo ou francesismo, quando provenientes do francês (de
Gália, antigo nome da França); • “Esse bagulho é ‘radicaaaal’!!! Tá ligado mano?”
• anglicismo, quando do inglês; • ‘Vô piálá’mais tarde ‘ !!! Se ligou maluko ?
• castelhanismo, quando vindos do espanhol; Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de plebeísmos em contextos
sociais que requeiram maior formalismo no tratamento comunicativo.
Ex:
Prolixidade
• Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o mais adequado seria
“quanto mais penso, (tanto) mais fico inteligente”); É a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou argumentos e à sua supera-
bundância. É o excesso de palavras para exprimir poucas ideias. Ao texto
• Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais adequado seria “comeu prolixo falta objetividade, o qual quase sempre compromete a clareza e
um rosbife“); cansa o leitor.
• Havia links para sua página (anglicismo; o mais adequado seria A prevenção à prolixidade requer que se tenha atenção à concisão e preci-
“Havia ligações(ou vínculos) para sua página”. são da mensagem. Concisão é a qualidade de dizer o máximo possível com
• Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais adequado seria o mínimo de palavras. Precisão é a qualidade de utilizar a palavra certa
“Eles têm serviço de entrega”). para dizer exatamente o que se quer.
• Premiê apresenta prioridades da Presidência lusa da UE (galicismo, o
mais adequado seria Primeiro-ministro)

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Pleonasmo vicioso Uma colisão pode ser remediada com a reestruturação sintática da frase
O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando consiste numa redun- que a contém ou com a substituição de alguns termos ou expressões por
dância inútil e desnecessária de significado em uma sentença, é considera- outras similares ou sinônimas.
do um vício de linguagem. A esse tipo de pleonasmo chama- Central de favoritos
mos pleonasmo vicioso. Esta matéria eu retirei da Wikipédia
Ex:
NORMA CULTA E POPULAR
• “Ele vai ser o protagonista principal da peça”. (Um protagonista é,
necessariamente, a personagem principal) A linguagem humana pode ser compreendida em dois termos específicos
mais conhecidos como NORMA CULTA E NORMA POPULAR. Como o
• “Meninos, entrem já para dentro!” (O verbo “entrar” já exprime ideia
próprio nome já define, no primeiro caso, bem entendida como NORMA
de ir para dentro)
CULTA, entende-se o modo correto, bonito, certo de uma pessoa se ex-
• “Estou subindo para cima.” (O verbo “subir” já exprime ideia de ir pressar, usando os termos mais sofisticados e quase chegando à perfeição,
para cima) omitindo, consequentemente o uso de gírias e termos chulos da língua
• “Não deixe de comparecer pessoalmente.” (É impossível compare- mãe, pátria, ou no caso do Brasil, língua portuguesa. Por outro lado, tam-
cer a algum lugar de outra forma que não pessoalmente) bém como o próprio termo já expressa, a NORMA POPULAR (a linguagem
do povo) não se esmera e muito menos se preocupa em falar, exibir como a
• “Meio-ambiente” – o meio em que vivemos = o ambiente em que anterior, isto é, a considerada CULTA, e sim fala conforme o sentimento do
vivemos. povo, o uso comum, de maneira simples, inclusive apresentando diversos
Não é pleonasmo: tipos de erros de concordância gramatical, o que, sem dúvida, passa total-
• “As palavras são de baixo calão“. Palavras podem ser de baixo ou de mente despercebido pela pessoa que a ouve, sendo consequentemente da
alto calão. mesma estirpe e condição social, diga-se de passagem. Tudo isto sem falar
O pleonasmo nem sempre é um vício de linguagem, mesmo para os exem- nas apelações, gírias e termos chulos proferidos pela a grande maioria das
plos supra citados, a depender do contexto. Em certos contextos, ele é um pessoas.
recurso que pode ser útil para se fornecer ênfase a determinado aspecto da Em ambos os casos, como são ambientes distintos, tanto a NORMA CUL-
mensagem. TA quanto a NORMA POPULAR são entendidas, respectivamente, cada
uma dentro dos seus parâmetros, do seu contexto. As palavras CERTO e
Especialmente em contextos literários, musicais e retóricos, um pleonasmo
ERRADO, sendo assim, ficam em segundo plano. Pois se for colocar na
bem colocado pode causar uma reação notável nos receptores (como a
berlinda ou na balança, numa análise mais abrangente, estes dois tipos de
geração de uma frase de efeito ou mesmo o humor proposital). A maestria
linguagem, constatar-se-á um grande paradoxo: como um povo pode se
no uso do pleonasmo para que ele atinja o efeito desejado no receptor
expressar de duas maneiras distintas, falando o mesmo idiomas? Pergunta-
depende fortemente do desenvolvimento da capacidade de interpretação
rá o turista incauto que tanto se esforçou para aprender os termos básicos
textual do emissor. Na dúvida, é melhor que seja evitado para não se
da língua portuguesa e chegando aqui, dependendo do lugar que for,
incorrer acidentalmente em um uso vicioso.
ficarará, desculpe a comparação popular, mais perdido do que cachorro em
Solecismo dia de mudança!... E a celeuma pode perdurar ao longo da convivência
Solecismo é uma inadequação na estrutura sintática da frase com relação diária, indagando com perguntas do tipo: quem está certo ou errado? Ora,
à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo: turista das Arábias, você não sabia: Ambas categorias estão certas ou
De concordância: erradas, conforme o lugar ou a hora em que estiverem se confabulando.
Talvez você desconheça totalmente que papo de botequim, de bar é uma
• “Fazem três anos que não vou ao médico.” (Faz três anos que não
coisa e diálogo, conversa numa Academia Brasileira de Letras é outro bem
vou ao médico.)
diferente. Só que,não se esqueça: é a mesma e única Língua Portuguesa
• “Aluga-se salas nesse edifício.” (Alugam-se salas nesse edifício.) que estão falando. O imprescidível mesmo é que cada um entenda bem o
De regência: que o ouro está querendo dizer. Se fingir que entende será problema exclu-
• “Ontem eu assisti um filme de época.” (Ontem eu assisti a um filme de sivo de quem agir assim. Neste momento sempre é bom ser sincero. Qual-
época.) quer dúvida, não tenha vergonha de dizer: "desculpe-me, não entendi o que
você está querendo dizer!". Ou se preferir pode até dizer mesmo : "Excuse-
De colocação:
me ou I'm sorry. I don't understand" ou algo parecido. Pois sempre se
• “Me empresta um lápis, por favor.” (Empresta-me um lápis, por favor.) encontra aqui no Brasil alguma pessoa que aprecia o inglês, agora se fala
• “Me parece que ela ficou contente.” (Parece-me que ela ficou conten- fluentemente, aí são outros quinhentos...Olha a NORMA POPULAR finali-
te.) zando...
João Bosco de Andrade Araújo
• “Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.” (Eu não lhe respondi
nada do que perguntou.)
Eco
QUESTÕES DE CONCURSOS ANTERIORES:
O Eco vem a ser a própria rima que ocorre quando há na frase termina-
ções iguais ou semelhantes, provocando dissonância. exercícios de Interpretação de texto
• “Falar em desenvolvimento é pensar em alimento, saúde e educa-
Leia o texto para responder às próximas 3 questões.
ção.”
• “O aluno repetente mente alegremente.” Sobre os perigos da leitura
• O presidente tinha dor de dente constantemente. Nos tempos em que eu era professor da Unicamp, fui designado presidente
Colisão da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o
que é um sofrimento. Dizer esse entra, esse não entra é uma responsabili-
O uso de uma mesma vogal ou consoante em várias palavras é denomina-
dade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em 20
do aliteração. Aliterações são preciosos recursos estilísticos quando usados
minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada?
com a intenção de se atingir efeito literário ou para atrair a atenção do
Mas não havia alternativas. Essa era a regra. Os candidatos amontoavam-
receptor. Entretanto, quando seus usos não são intencionais ou quando
se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja
causam um efeito estilístico ruim ao receptor da mensagem, a aliteração
leitura era exigida. Aí tive uma ideia que julguei brilhante. Combinei com os
torna-se um vício de linguagem e recebe nesse contexto o nome
meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a
de colisão. Exemplos:
mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esfor-
• “Eram comunidades camponesas com cultivos coletivos.” çando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de
• “O papa Paulo VI pediu a paz.” todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!”. [...]

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A reação dos candidatos, no entanto, não foi a esperada. Aconteceu o
oposto: pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre o que eles gostariam (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 6 - A expressão chá de cadeira, no texto, tem o
de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear significado de
os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso, eles haviam sido treina- (A) bebida feita com derivado de pinho.
dos durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre (B) ausência de convite para dançar.
os próprios pensamentos – ah, isso não lhes tinha sido ensinado! (C) longa espera para conseguir assento.
Na verdade, nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse (D) ficar sentado esperando o chá.
se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado (E) longa espera em diferentes situações.
pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes.
(Rubem Alves, www.cuidardoser.com.br. Adaptado) Leia o texto para responder às próximas 4 questões.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 1 - De acordo com o texto, os candidatos


(A) não tinham assimilado suas leituras.
(B) só conheciam o pensamento alheio.
(C) tinham projetos de pesquisa deficientes.
(D) tinham perfeito autocontrole.
(E) ficavam em fila, esperando a vez.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 2 - O autor entende que os candidatos deveriam


(A) ter opiniões próprias.
(B) ler os textos requeridos.
(C) não ter treinamento escolar.
(D) refletir sobre o vazio.
(E) ter mais equilíbrio.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 3 - A expressão “um vazio imenso” (3.º parágra-


fo) refere-se a
(A) candidatos.
(B) pânico.
(C) eles.
(D) reação.
(E) esse campo.

Leia o texto para responder às próximas 3 questões.


No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira que enfrentou Zelosa com sua imagem, a empresa multinacional Gillette retirou a bola da
no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes cidades de mão, em uma das suas publicidades, do atacante francês Thierry Henry,
31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do garoto-propaganda da marca com quem tem um contrato de 8,4 milhões de
tempo. A conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasa- dólares anuais. A jogada previne os efeitos desastrosos para vendas de
dos – do ponto de vista temporal, bem entendido – do mundo. Foram seus produtos, depois que o jogador trapaceou, tocando e controlando a
analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada bola com a mão, para ajudar no gol que classificou a França para a Copa
distância a pé no centro da cidade, o número de relógios corretamente do Mundo de 2010. (...)
ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros pontuaram muito mal Na França, onde 8 em cada dez franceses reprovam o gesto irregular,
nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro Thierry aparece com a mão no bolso. Os publicitários franceses acham que
lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as o gato subiu no telhado. A Gillette prepara o rompimento do contrato. O
oito últimas posições no ranking são ocupadas por países pobres. serviço de comunicação da gigante Procter & Gamble, proprietária da
O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços Gillette, diz que não.
culturais de um país. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que Em todo caso, a empresa gostaria que o jogo fosse refeito, que a trapaça
tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros, em comparação, não tivesse acontecido. Na impossibilidade, refez o que está ao seu alcan-
dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar ce, sua publicidade.
atrasos”, diz o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por Segundo lista da revista Forbes, Thierry Henry é o terceiro jogador de
exemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um convidado futebol que mais lucra com a publicidade – seus contratos somam 28
chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversá- milhões de dólares anuais. (...)
rio. Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexí- (Veja, 02.11.2009. Adaptado)
veis com os horários porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual
se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte público? (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 7 - A palavra jogada, em – A jogada previne os
(Veja, 02.12.2009) efeitos desastrosos para venda de seus produtos... – refere-se ao fato de

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 4 - De acordo com o texto, os brasileiros são (A) Thierry Henry ter dado um passe com a mão para o gol da França.
piores do que outros povos em (B) a Gillette ter modificado a publicidade do futebolista francês.
(A) eficiência de correios e andar a pé. (C) a Gillete não concordar com que a França dispute a Copa do Mundo.
(B) ajuste de relógios e andar a pé. (D) Thierry Henry ganhar 8,4 milhões de dólares anuais com a propaganda.
(C) marcar compromissos fora de hora. (E) a FIFA não ter cancelado o jogo em que a França se classificou.
(D) criar desculpas para atrasos.
(E) dar satisfações por atrasos. (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 8 - A expressão o gato subiu no telhado é parte
de uma conhecida anedota em que uma mulher, depois de contar abrupta-
(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 5 - Pondo foco no processo de coesão textual mente ao marido que seu gato tinha morrido, é advertida de que deveria ter
do 2.º parágrafo, pode-se concluir que Levine é um dito isso aos poucos: primeiramente, que o gato tinha subido no telhado,
(A) jornalista. depois, que tinha caído e, depois, que tinha morrido. No texto em questão,
(B) economista. a expressão pode ser interpretada da seguinte maneira:
(C) cronometrista.
(D) ensaísta. (A) foi com a “mão do gato” que Thierry assegurou a classificação da Fran-
(E) psicólogo. ça.

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(B) Thierry era um bom jogador antes de ter agido com má fé. textos, que permitem uma leitura dinâmica e de acordo com o interesse do
(C) a Gillette já cortou, de fato, o contrato com o jogador francês. usuário.
(D) a Fifa reprovou amplamente a atitude antiesportiva de Thierry Henry. (E) O novo livro de Nicholas Carr, a ser publicado, desperta a curiosidade
(E) a situação de Thierry, como garoto-propaganda da Gillette, ficou instá- do leitor pelo tratamento ficcional que seu autor aplica a situações concre-
vel. tas do funcionamento do cérebro, trazidas pelo uso disseminado da inter-
net.
(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 9 - A expressão diz que não, no final do 2.º
parágrafo, significa que (MP/RS – 2010 – FCC) 12 - Curiosamente, no caso da internet, os verda-
deiros fundamentos científicos deveriam, sim, provocar reações muito
(A) a Procter & Gamble nega o rompimento do contrato. estridentes. O autor, para embasar a opinião exposta no 2o parágrafo,
(B) o jogo em que a França se classificou deve ser refeito. (A) se vale da enorme projeção conferida ao pesquisador antes citado,
(C) a repercussão na França foi bastante negativa. ironicamente oferecida pela própria internet, em seu website.
(D) a Procter & Gamble é proprietária da Gillette. (B) apoia-se nas conclusões de Nicholas Carr, baseadas em dezenas de
(E) os publicitários franceses se opõem a Thierry. estudos científicos sobre o funcionamento do cérebro humano.
(C) condena, desde o início, as novas tecnologias, cujo uso indiscriminado
(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 10 - Segundo a revista Forbes, vemprovocando danos em partes do cérebro.
(A) Thierry deverá perder muito dinheiro daqui para frente. (D) considera, como base inicial de constatação a respeito do uso da inter-
(B) há três jogadores que faturam mais que Thierry em publicidade. net, que ela nos torna menos sensíveis a sentimentos como compaixão e
(C) o jogador francês possui contratos publicitários milionários. piedade.
(D) o ganho de Thierry, somado à publicidade, ultrapassa 28 milhões. (E) questiona a ausência de fundamentos científicos que, no caso da inter-
(E) é um absurdo o que o jogador ganha com o futebol e a publicidade. net, [...]deveriam, sim, provocar reações muito estridentes.

As 2 questões a seguir baseiam-se no texto abaixo. As 2 questões a seguir baseiam-se no texto abaixo.
Em 2008, Nicholas Carr assinou, na revista The Atlantic, o polêmico artigo
"Estará o Google nos tornando estúpidos?" O texto ganhou a capa da Também nas cidades de porte médio, localizadas nas vizinhanças das
revista e, desde sua publicação, encontra-se entre os mais lidos de seu regiões metropolitanas do Sudeste e do Sul do país, as pessoas tendem
website. O autor nos brinda agora com The Shallows: What the internet is cada vez mais a optar pelo carro para seus deslocamentos diários, como
doing with our brains, um livro instrutivo e provocativo, que dosa lingua- mostram dados do Departamento Nacional de Trânsito. Em consequência,
gem fluida com a melhor tradição dos livros de disseminação científica. congestionamentos, acidentes, poluição e altos custos de manutenção da
Novas tecnologias costumam provocar incerteza e medo. As reações mais malha viária passaram a fazer parte da lista dos principais problemas
estridentes nem sempre têm fundamentos científicos. Curiosamente, no desses municípios.
caso da internet, os verdadeiros fundamentos científicos deveriam, sim, Cidades menores, com custo de vida menos elevado que o das capitais,
provocar reações muito estridentes. Carr mergulha em dezenas de estudos baixo índice de desemprego e poder aquisitivo mais alto, tiveram suas
científicos sobre o funcionamento do cérebro humano. Conclui que a inter- frotas aumentadas em progressão geométrica nos últimos anos. A facilida-
net está provocando danos em partes do cérebro que constituem a base do de de crédito e a isenção de impostos são alguns dos elementos que têm
que entendemos como inteligência, além de nos tornar menos sensíveis a colaborado para a realização do sonho de ter um carro. E os brasileiros
sentimentos como compaixão e piedade. desses municípios passaram a utilizar seus carros até para percorrer curtas
O frenesi hipertextual da internet, com seus múltiplos e incessantes estímu- distâncias, mesmo perdendo tempo em congestionamentos e apesar dos
los, adestra nossa habilidade de tomar pequenas decisões. Saltamos textos alertas das autoridades sobre os danos provocados ao meio ambiente pelo
e imagens, traçando um caminho errático pelas páginas eletrônicas. No aumento da frota.
entanto, esse ganho se dá à custa da perda da capacidade de alimentar Além disso, carro continua a ser sinônimo de status para milhões de brasi-
nossa memória de longa duração e estabelecer raciocínios mais sofistica- leiros de todas as regiões. A sua necessidade vem muitas vezes em se-
dos. Carr menciona a dificuldade que muitos de nós, depois de anos de gundo lugar. Há 35,3 milhões de veículos em todo o país, um crescimento
exposição à internet, agora experimentam diante de textos mais longos e de 66% nos últimos nove anos. Não por acaso oito Estados já registram
elaborados: as sensações de impaciência e de sonolência, com base em mais mortes por acidentes no trânsito do que por homicídios.
estudos científicos sobre o impacto da internet no cérebro humano. Segun- (O Estado de S. Paulo, Notas e Informações, A3, 11 de setembro de 2010,
do o autor, quando navegamos na rede, "entramos em um ambiente que com adaptações)
promove uma leitura apressada, rasa e distraída, e um aprendizado super-
ficial." (MP/RS – 2010 – FCC) 13 - Não por acaso oito Estados já registram mais
A internet converteu-se em uma ferramenta poderosa para a transformação mortes por acidentes no trânsito do que por homicídios. A afirmativa final do
do nosso cérebro e, quanto mais a utilizamos, estimulados pela carga texto surge como
gigantesca de informações, imersos no mundo virtual, mais nossas mentes (A) constatação baseada no fato de que os brasileiros desejam possuir um
são afetadas. E não se trata apenas de pequenas alterações, mas de carro, mas perdem muito tempo em congestionamentos.
mudanças substanciais físicas e funcionais. Essa dispersão da atenção (B) observação irônica quanto aos problemas decorrentes do aumento na
vem à custa da capacidade de concentração e de reflexão.(Thomaz Wood utilização de carros, com danos provocados ao meio ambiente.
Jr. Carta capital, 27 de outubro de 2010, p. 72, com adaptações) (C) comprovação de que a compra de um carro é sinônimo de status e, por
isso, constitui o maior sonho de consumo do brasileiro.
(MP/RS – 2010 – FCC) 11 - O assunto do texto está corretamente resumi- (D) hipótese de que a vida nas cidades menores tem perdido qualidade,
do em: pois os brasileiros desses municípios passaram a utilizar seus carros até
(A) O uso da internet deveria motivar reações contrárias de inúmeros para percorrer curtas distâncias.
especialistas, a exemplo de Nicholas Carr, que procura descobrir as cone- (E) conclusão coerente com todo o desenvolvimento, a partir de um título
xões entre raciocínio lógico e estudos científicos sobre o funcionamento do que poderia ser: Carro, problema que se agrava.
cérebro.
(B) O mundo virtual oferecido pela internet propicia o desenvolvimento de (MP/RS – 2010 – FCC) 14 - As ideias mais importantes contidas no 2o
diversas capacidades cerebrais em todos aqueles que se dedicam a essa parágrafo constam, com lógica e correção, de:
navegação, ainda pouco estudadas e explicitadas em termos científicos. (A) A facilidade de crédito e a isenção de impostos são alguns elementos
(C) Segundo Nicholas Carr, o uso frequente da internet produz alterações que tem colaborado para a realização do sonho de ter um carro nas cida-
no funcionamento do cérebro, pois estimula leituras superficiais e distraí- des menores, e os brasileiros desses municípios passaram a utilizar seus
das, comprometendo a formulação de raciocínios mais sofisticados. carros para percorrer curtas distâncias, além dos congestionamentos e dos
(D) Usar a internet estimula funções cerebrais, pelas facilidades de percep- alertas das autoridades sobre os danos provocados ao meio ambiente pelo
ção e de domínio de assuntos diversificados e de formatos diferenciados de aumento da frota.

Língua Portuguesa 40 A Opção Certa Para a Sua Realização


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(B) Cidades menores tiveram suas frotas aumentadas em progressão (C) o aumento na venda de celulares feitos com CarbonFree, depois que as
geométrica nos últimos anos em razão da facilidade de crédito e da isenção empresas nacionais se uniram à fabricante taiwanesa.
de impostos, elementos que têm colaborado para a aquisição de carros que (D) o compromisso firmado entre a empresa Apple e consultoria Gartner
passaram a ser utilizados até mesmo para percorrer curtas distâncias, Group para criar celulares sem o uso de carbono.
apesar dos congestionamentos e dos alertas das autoridades sobre os (E) a preocupação de algumas empresas em criarem aparelhos eletrônicos
danos provocados ao meio ambiente. que não agridam o meio ambiente.
(C) O menor custo de vida em cidades menores, com baixo índice de
desemprego e poder aquisitivo mais alto, aumentaram suas frotas em (CREMESP – 2011 - VUNESP) 16 - Em – Computadores “limpos” fazem
progressão geométrica nos últimos anos, com a facilidade de crédito e a uma importante diferença no efeito estufa... – a expressão entre aspas
isenção de impostos, que são alguns dos elementos que têm colaborado pode ser substituída, sem alterar o sentido no texto, por:
para a realização do sonho dos brasileiros de ter um carro. (A) com material reciclado.
(D) É nas cidades menores, com custo de vida menos elevado que o das (B) feitos com garrafas plásticas.
capitais, baixo índice de desemprego e poder aquisitivo mais alto, que (C) com arquivos de bambu.
tiveram suas frotas aumentadas em progressão geométrica nos últimos (D) feitos com materiais retirados da natureza.
anos pela facilidade de crédito e a isenção de impostos são alguns dos (E) com teclado feito de alumínio.
elementos que tem colaborado para a realização do sonho de ter um carro.
(E) Os brasileiros de cidades menores passaram até a percorrer curtas (CREMESP – 2011 - VUNESP) 17 - A partir da leitura do texto, pode-se
distâncias com seus carros, pela facilidade de crédito e a isenção de impos- concluir que
tos, que são elementos que têm colaborado para a realização do sonho de (A) as pesquisas na área de TI ainda estão em fase inicial.
tê-los, e com custo de vida menos elevado que o das capitais, baixo índice (B) os consumidores de eletrônicos não se preocupam com o material com
de desemprego e poder aquisitivo mais alto, tiveram suas frotas aumenta- que são feitos.
das em progressão geométrica nos últimos anos. (C) atualmente, a indústria de eletrônicos leva em conta o efeito estufa.
(D) os laptops feitos com fibra de bambu têm maior durabilidade.
(E) equipamentos ecologicamente corretos não têm um mercado de vendas
Leia o texto para responder às próximas 4 questões. assegurado.

Os eletrônicos “verdes” (CREMESP – 2011 - VUNESP) 18 - O presidente da Apple, Steve Jobs,


(A) preocupa-se com o carbono emitido na fabricação de produtos eletrôni-
Vai bem a convivência entre a indústria de eletrônica e aquilo que é politi- cos.
camente correto na área ambiental. É seguindo essa trilha “verde” que a (B) pesquisa acerca do uso de bambu em teclados de laptops.
Motorola anunciou o primeiro celular do mundo feito de garrafas plásticas (C) descobriu que impressoras cujos cartuchos são de borra de chá não
recicladas. Ele se chama W233 Eco e é também o primeiro telefone com duram muito.
certificado CarbonFree, que prevê a compensação do carbono emitido na (D) responsabiliza a fabricação de celulares pelas emissões de dióxido de
fabricação e distribuição de um produto. Se um celular pode ser feito de carbono no meio ambiente.
garrafas, por que não se produz um laptop a partir do bambu? Essa ideia (E) está de acordo com outras empresas a favor do uso de materiais reci-
ganhou corpo com a fabricante taiwanesa Asus: tratase do Eco Book que cláveis em eletrônicos.
exibe revestimento de tiras dessa planta. Computadores “limpos” fazem
uma importante diferença no efeito estufa e para se ter uma noção do (CREMESP – 2011 - VUNESP) 19 - No texto, o estudo realizado pela
impacto de sua produção e utilização basta olhar o resultado de uma pes- Comunidade do Vale do Silício
quisa da empresa americana de consultoria Gartner Group. Ela revela que (A) é o primeiro passo para a implantação de laptops feitos com tiras de
a área de TI (tecnologia da informação) já é responsável por 2% de todas bambu.
as emissões de dióxido de carbono na atmosfera. (B) contribuirá para que haja mais lucro nas empresas, com redução de
Além da pesquisa da Gartner, há um estudo realizado nos EUA pela Co- custos.
munidade do Vale do Silício. Ele aponta que a inovação “verde” permitirá (C) ainda está pesquisando acerca do uso de mercúrio em eletrônicos.
adotar mais máquinas com o mesmo consumo de energia elétrica e reduzir (D) será decisivo para evitar o efeito estufa na atmosfera.
os custos de orçamento. Russel Hancock, executivo-chefe da Fundação da (E) permite a criação de uma impressora que funciona com energia mecâ-
Comunidade do Vale do Silício, acredita que as tecnologias “verdes” tam- nica.
bém conquistarão espaço pelo fato de que, atualmente, conta pontos junto
ao consumidor ter-se uma imagem de empresa sustentável. Leia o texto para responder à questão a seguir.
O estudo da Comunidade chegou às mãos do presidente da Apple, Steve
Jobs, e o fez render-se às propostas do “ecologicamente correto” – ele era Quanto veneno tem nossa comida?
duramente criticado porque dava aval à utilização de mercúrio, altamente Desde que os pesticidas sintéticos começaram a ser produzidos em larga
prejudicial ao meio ambiente, na produção de seus iPods e laptops. Preo- escala, na década de 1940, há dúvidas sobre o perigo para a saúde huma-
cupado em não perder espaço, Jobs lançou a nova linha do Macbook Pro na. No campo, em contato direto com agrotóxicos, alguns trabalhadores
com estrutura de vidro e alumínio, tudo reciclável. E a RITI Coffee Printer rurais apresentaram intoxicações sérias. Para avaliar o risco de gente que
chegou à sofisticação de criar uma impressora que, em vez de tinta, se vale apenas consome os alimentos, cientistas costumam fazer testes com ratos
de borra de café ou de chá no processo de impressão. Basta que se colo- e cães, alimentados com doses altas desses venenos. A partir do resultado
que a folha de papel no local indicado e se despeje a borra de café no desses testes e da análise de alimentos in natura (para determinar o grau
cartucho – o equipamento não é ligado em tomada e sua energia provém de resíduos do pesticida na comida), a Agência Nacional de Vigilância
de ação mecânica transformada em energia elétrica a partir de um gerador. Sanitária (Anvisa) estabelece os valores máximos de uso dos agrotóxicos
Se pensarmos em quantos cafezinhos são tomados diariamente em gran- para cada cultura. Esses valores têm sido desrespeitados, segundo as
des empresas, dá para satisfazer perfeitamente a demanda da impressora. amostras da Anvisa. Alguns alimentos têm excesso de resíduos, outros têm
(Luciana Sgarbi, Revista Época, 22.09.2009. Adaptado) resíduos de agrotóxicos que nem deveriam estar lá. Esses excessos,
isoladamente, não são tão prejudiciais, porque em geral não ultrapassam
(CREMESP – 2011 - VUNESP) 15 - Leia o trecho: Vai bem a convivência os limites que o corpo humano aguenta. O maior problema é que eles se
entre a indústria de eletrônica e aquilo que é politicamente correto na área somam – ninguém come apenas um tipo de alimento.(Francine Lima,
ambiental. É correto afirmar que a frase inicial do texto pode ser interpreta- Revista Época, 09.08.2010)
da como
(A) a união das empresas Motorola e RITI Coffee Printer para criar um (CREMESP – 2011 - VUNESP) 20 - Com a leitura do texto, pode-se afir-
novo celular com fibra de bambu. mar que
(B) a criação de um equipamento eletrônico com estrutura de vidro que (A) segundo testes feitos em animais, os agrotóxicos causam intoxicações.
evita a emissão de dióxido de carbono na atmosfera.

Língua Portuguesa 41 A Opção Certa Para a Sua Realização


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(B) a produção em larga escala de pesticidas sintéticos tem ocasionado
doenças incuráveis. B Cb,
D c,
F Gd,Hf,J g,K h,
L j,
M l,N m,
K Pn,Rp,Sq,T r,
V s,
X t,
Z v,
Y Wx, z
(C) as pessoas que ingerem resíduos de agrotóxicos são mais propensas a
terem doenças de estômago. ENCONTROS VOCÁLICOS
(D) os resíduos de agrotóxicos nos alimentos podem causar danos ao A sequência de duas ou três vogais em uma palavra, damos o nome de
organismo. encontro vocálico.
(E) os cientistas descobriram que os alimentos in natura têm menos resí- Ex.: cooperativa
duos de agrotóxicos.
http://www.gramatiquice.com.br/2011/02/exercicios-interpretacao-de-texto- Três são os encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato
ii_02.html
DITONGO
RESPOSTAS É a combinação de uma vogal + uma semivogal ou vice-versa.
01. B 11. C Dividem-se em:
02. A 12. B - orais: pai, fui
03. E 13. E - nasais: mãe, bem, pão
04. B 14. B - decrescentes: (vogal + semivogal) – meu, riu, dói
05. E 15. E - crescentes: (semivogal + vogal) – pátria, vácuo
06. E 16. A
07. B 17. C TRITONGO (semivogal + vogal + semivogal)
08. E 18. E Ex.: Pa-ra-guai, U-ru-guai, Ja-ce-guai, sa-guão, quão, iguais, mínguam
09. A 19. B
10. C 20. D HIATO
Ê o encontro de duas vogais que se pronunciam separadamente, em du-
as diferentes emissões de voz.
FONÉTICA E FONOLOGIA Ex.: fa-ís-ca, sa-ú-de, do-er, a-or-ta, po-di-a, ci-ú-me, po-ei-ra, cru-el, ju-í-
zo
Em sentido mais elementar, a Fonética é o estudo dos sons ou dos fo-
nemas, entendendo-se por fonemas os sons emitidos pela voz humana, os SÍLABA
quais caracterizam a oposição entre os vocábulos. Dá-se o nome de sílaba ao fonema ou grupo de fonemas pronunciados
numa só emissão de voz.
Ex.: em pato e bato é o som inicial das consoantes p- e b- que opõe entre
si as duas palavras. Tal som recebe a denominação de FONEMA. Quanto ao número de sílabas, o vocábulo classifica-se em:
• Monossílabo - possui uma só sílaba: pá, mel, fé, sol.
Quando proferimos a palavra aflito, por exemplo, emitimos três sílabas e • Dissílabo - possui duas sílabas: ca-sa, me-sa, pom-bo.
seis fonemas: a-fli-to. Percebemos que numa sílaba pode haver um ou mais • Trissílabo - possui três sílabas: Cam-pi-nas, ci-da-de, a-tle-ta.
fonemas. • Polissílabo - possui mais de três sílabas: es-co-la-ri-da-de, hos-pi-ta-
No sistema fonética do português do Brasil há, aproximadamente, 33 fo- li-da-de.
nemas.
TONICIDADE
É importante não confundir letra com fonema. Fonema é som, letra é o Nas palavras com mais de uma sílaba, sempre existe uma sílaba que se
sinal gráfico que representa o som. pronuncia com mais força do que as outras: é a sílaba tônica.
Exs.: em lá-gri-ma, a sílaba tônica é lá; em ca-der-no, der; em A-ma-pá,
Vejamos alguns exemplos: pá.
Manhã – 5 letras e quatro fonemas: m / a / nh / ã
Táxi – 4 letras e 5 fonemas: t / a / k / s / i Considerando-se a posição da sílaba tônica, classificam-se as palavras
Corre – letras: 5: fonemas: 4 em:
Hora – letras: 4: fonemas: 3 • Oxítonas - quando a tônica é a última sílaba: Pa-ra-ná, sa-bor, do-
Aquela – letras: 6: fonemas: 5 mi-nó.
Guerra – letras: 6: fonemas: 4 • Paroxítonas - quando a tônica é a penúltima sílaba: már-tir, ca-rá-
Fixo – letras: 4: fonemas: 5 ter, a-má-vel, qua-dro.
Hoje – 4 letras e 3 fonemas • Proparoxítonas - quando a tônica é a antepenúltima sílaba: ú-mi-do,
Canto – 5 letras e 4 fonemas cá-li-ce, ' sô-fre-go, pês-se-go, lá-gri-ma.
Tempo – 5 letras e 4 fonemas
Campo – 5 letras e 4 fonemas ENCONTROS CONSONANTAIS
Chuva – 5 letras e 4 fonemas É a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos num vocábulo.
Ex.: atleta, brado, creme, digno etc.
LETRA - é a representação gráfica, a representação escrita, de um
determinado som. DÍGRAFOS
São duas letras que representam um só fonema, sendo uma grafia com-
posta para um som simples.
CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS
Há os seguintes dígrafos:
VOGAIS 1) Os terminados em h, representados pelos grupos ch, lh, nh.
a, e, i, o, u Exs.: chave, malha, ninho.
A E I O U 2) Os constituídos de letras dobradas, representados pelos grupos rr e
ss.
SEMIVOGAIS Exs. : carro, pássaro.
Só há duas semivogais: i e u, quando se incorporam à vogal numa 3) Os grupos gu, qu, sc, sç, xc, xs.
mesma sílaba da palavra, formando um ditongo ou tritongo. Exs.: cai-ça-ra, te- Exs.: guerra, quilo, nascer, cresça, exceto, exsurgir.
sou-ro, Pa-ra-guai. 4) As vogais nasais em que a nasalidade é indicada por m ou n, encer-
rando a sílaba em uma palavra.
CONSOANTES Exs.: pom-ba, cam-po, on-de, can-to, man-to.

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3. Todas as proparoxítonas são acentuadas.
NOTAÇÕES LÉXICAS Ex. México, música, mágico, lâmpada, pálido, pálido, sândalo, crisântemo,
São certos sinais gráficos que se juntam às letras, geralmente para lhes
público, pároco, proparoxítona.
dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras.

São os seguintes: QUANTO À CLASSIFICAÇÃO DOS ENCONTROS VOCÁLICOS


1) o acento agudo – indica vogal tônica aberta: pé, avó, lágrimas; 4. Acentuamos as vogais “I” e “U” dos hiatos, quando:
2) o acento circunflexo – indica vogal tônica fechada: avô, mês, ânco-
ra;
• Formarem sílabas sozinhos ou com “S”
3) o acento grave – sinal indicador de crase: ir à cidade;
4) o til – indica vogal nasal: lã, ímã;
5) a cedilha – dá ao c o som de ss: moça, laço, açude; Ex. Ju-í-zo, Lu-ís, ca-fe-í-na, ra-í-zes, sa-í-da, e-go-ís-ta.
6) o apóstrofo – indica supressão de vogal: mãe-d’água, pau-d’alho; IMPORTANTE
o hífen – une palavras, prefixos, etc.: arcos-íris, peço-lhe, ex-aluno. Por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “ca-ir”, “Ra-ul”, se
Acentuação Gráfica todos são “i” e “u” tônicas, portanto hiatos?
Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de NH. O “u” e o “i” tônicos de
“ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l” respectivamente.
QUANTO À POSIÇÃO DA SÍLABA TÔNICA Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando naturalmente a
sílaba “tônica”, sem precisar de acento que reforce isso.
5. Trema
1. Acentuam-se as oxítonas terminadas em “A”, “E”, “O”, seguidas ou não
Não se usa mais o trema em palavras da língua portuguesa. Ele só vai
de “S”, inclusive as formas verbais quando seguidas
permanecer em nomes próprios e seus derivados, de origem estrangeira,
de “LO(s)” ou “LA(s)”. Também recebem acento as oxítonas terminadas
como Bündchen, Müller, mülleriano (neste caso, o “ü” lê-se “i”)
em ditongos abertos, como “ÉI”, “ÉU”, “ÓI”, seguidos ou não de “S”
6. Acento Diferencial
O acento diferencial permanece nas palavras:
Ex. pôde (passado), pode (presente)
pôr (verbo), por (preposição)
Chá Mês nós Nas formas verbais, cuja finalidade é determinar se a 3ª pessoa do verbo
Gás Sapé cipó está no singular ou plural:
Dará Café avós SINGULAR PLURAL
Pará Vocês compôs
Ele tem Eles têm
vatapá pontapés só
Aliás português robô Ele vem Eles vêm
dá-lo vê-lo avó Essa regra se aplica a todos os verbos derivados de “ter” e “vir”, como:
recuperá-los Conhecê-los pô-los conter, manter, intervir, deter, sobrevir, reter, etc.
guardá-la Fé compô-los
réis (moeda) Véu dói Novo Acordo Ortográfico Descomplicado
méis céu mói
pastéis Chapéus anzóis Trema
ninguém parabéns Jerusalém Não se usa mais o trema, salvo em nomes próprios e seus derivados.
Acento diferencial
Resumindo:
Não é preciso usar o acento diferencial para distinguir:

Só não acentuamos oxítonas terminadas em “I” ou “U”, a não ser que seja
1. Para (verbo) de para (preposição)
um caso de hiato. Por exemplo: as palavras “baú”, “aí”, “Esaú” e “atraí-lo”
são acentuadas porque as vogais “i” e “u” estão tônicas nestas palavras.
“Esse carro velho para em toda esquina”.
“Estarei voltando para casa daqui a uma hora”.
2. Acentuamos as palavras paroxítonas quando terminadas em:

1. Pela, pelo (verbo pelar) de pela, pelo (preposição + artigo) e pelo


• L – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.
(substantivo)
• N – pólen, abdômen, sêmen, abdômen.
2. Polo (substantivo) de polo (combinação antiga e popular de por
• R – câncer, caráter, néctar, repórter.
e lo).
• X – tórax, látex, ônix, fênix.
3. pera (fruta) de pera (preposição arcaica).
• PS – fórceps, Quéops, bíceps.
• Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs.
• ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão. A pronúncia ou categoria gramatical dessas palavras dar-se-á mediante o
• I(S) – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis. contexto.
• ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon. Acento agudo
• UM(S) – álbum, fórum, médium, álbuns. Ditongos abertos “ei”, “oi”
• US – ânus, bônus, vírus, Vênus. Não se usa mais acento nos ditongos ABERTOS “ei”, “oi” quando estiverem
na penúltima sílaba.
He-roi-co ji-boi-a
Também acentuamos as paroxítonas terminadas em ditongos crescentes
As-sem-blei-a i-dei-a
(semivogal+vogal):
Pa-ra-noi-co joi-a
Névoa, infância, tênue, calvície, série, polícia, residência, férias, lírio.

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OBS. Só vamos acentuar essas letras quando vierem na última sílaba e se Não precisa mais quebrar a cabeça: “uso hífen ou não”?
o som delas estiverem aberto. Regra Geral
Céu véu
Dói herói A letra “H” é uma letra sem personalidade, sem som. Em “Helena”, não
Chapéu beleléu tem som; em “Hollywood”, tem som de “R”. Portanto, não deve aparecer
Rei, dei, comeu, foi (som fechado – sem acento) encostado em prefixos:
Não se recebem mais acento agudo as vogais tônicas “I” e “U” quando
forem paroxítonas (penúltima sílaba forte) e precedidas de ditongo. • pré-história
feiura baiuca • anti-higiênico
cheiinho saiinha • sub-hepático
boiuno • super-homem
Não devemos mais acentuar o “U” tônico os verbos dos grupos “GUE/GUI”
e “QUE/QUI”. Por isso, esses verbos serão grafados da seguinte maneira: Então, letras IGUAIS, SEPARA. Letras DIFERENTES, JUNTA.
Averiguo (leia-se a-ve-ri-gu-o, pois o “U” tem som forte) Anti-inflamatório neoliberalismo
Arguo apazigue Supra-auricular extraoficial
Enxague arguem Arqui-inimigo semicírculo
Delinguo sub-bibliotecário superintendente
Acento Circunflexo Quanto ao “R” e o “S”, se o prefixo terminar em vogal, a consoante deverá
Não se acentuam mais as vogais dobradas “EE” e “OO”. ser dobrada:
Creem veem suprarrenal (supra+renal) ultrassonografia (ultra+sonografia)
Deem releem minissaia antisséptico
Leem descreem contrarregra megassaia
Voo perdoo Entretanto, se o prefixo terminar em consoante, não se unem de jeito
enjoo nenhum.
Outras dicas
Há muito tempo a palavra “coco” – fruto do coqueiro – deixou de ser acen- • Sub-reino
tuada. Entretanto, muitos alunos insistem em colocar o acento: “Quero • ab-rogar
beber água de côco”. • sob-roda
Quem recebe acento é “cocô” – palavra popularmente usada para se referir
a excremento. ATENÇÃO!
Então, a menos se que queira beber água de fezes, é melhor parar de Quando dois “R” ou “S” se encontrarem, permanece a regra geral: letras
colocar acento em coco. iguais, SEPARA.
Para verificar praticamente a necessidade de acentuação gráfica, utilize o super-requintado super-realista
critério das oposições: inter-resistente
Imagem armazém
CONTINUAMOS A USAR O HÍFEN
Paroxítonas terminadas em “M” não levam acento, mas as oxítonas SIM.
Jovens provéns Diante dos prefixos “ex-, sota-, soto-, vice- e vizo-“:
Paroxítonas terminadas em “ENS” não levam acento, mas as oxítonas Ex-diretor, Ex-hospedeira, Sota-piloto, Soto-mestre, Vice-presidente ,
levam. Vizo-rei
Útil sutil Diante de “pós-, pré- e pró-“, quando TEM SOM FORTE E ACENTO.
Paroxítonas terminadas em “L” têm acento, mas as oxítonas não levam pós-tônico, pré-escolar, pré-natal, pró-labore
porque o “L”, o “R” e o “Z” deixam a sílaba em que se encontram natural- pró-africano, pró-europeu, pós-graduação
mente forte, não é preciso um acento para reforçar isso. Diante de “pan-, circum-, quando juntos de vogais.
É por isso que: as palavras “rapaz, coração, Nobel, capataz, pastel, bom- Pan-americano, circum-escola
bom; verbos no infinitivo (terminam em –ar, -er, -ir) doar, prover, consu- OBS. “Circunferência” – é junto, pois está diante da consoante “F”.
mir são oxítonas e não precisam de acento. Quando terminarem do mesmo NOTA: Veja como fica estranha a pronúncia se não usarmos o hífen:
jeito e forem paroxítonas, então vão precisar de acento. Exesposa, sotapiloto, panamericano, vicesuplente, circumescola.
ATENÇÃO!
Uso do Hífen Não se usa o hífen diante de “CO-, RE-, PRE” (SEM ACENTO)
Coordenar reedição preestabelecer
Novo Acordo Ortográfico Descomplicado (Parte V) – Uso do Hífen
Coordenação refazer preexistir
Tem se discutido muito a respeito do Novo Acordo Ortográfico e a grande Coordenador reescrever prever
queixa entre os que usam a Língua Portuguesa em sua modalidade escrita Coobrigar relembrar
tem gerado em torno do seguinte questionamento: “por que mudar uma Cooperação reutilização
coisa que a gente demorou um tempão para aprender?” Bom, para quem já Cooperativa reelaborar
dominava a antiga ortografia, realmente essa mudança foi uma chateação. O ideal para memorizar essas regras, lembre-se, é conhecer e usar pelo
Quem saiu se beneficiando foram os que estão começando agora a adquirir menos uma palavra de cada prefixo. Quando bater a dúvida numa palavra,
o código escrito, como os alunos do Ensino Fundamental I. compare-a à palavra que você já sabe e escreva-a duas vezes: numa você
Se você tem dificuldades em memorizar regras, é inútil estudar o Novo usa o hífen, na outra não. Qual a certa? Confie na sua memória! Uma delas
Acordo comparando “o antes e o depois”, feito revista de propaganda de vai te parecer mais familiar.
cosméticos. O ideal é que as mudanças sejam compreendidas e gravadas
na memória: para isso, é preciso colocá-las em prática.

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REGRA GERAL (Resumindo) 5) as seguintes palavras:
azar, azeite, baliza, buzinar, bazar, chafariz, cicatriz, ojeriza, prezar, vizinho
Letras iguais, separa com hífen(-).
Letras diferentes, junta. S ou Z ?
O “H” não tem personalidade. Separa (-). Sufixos –ês e ez
O “R” e o “S”, quando estão perto das vogais, são dobrados. Mas não se 1) O sufixo –ês (latim –ense) forma adjetivos (às vezes substantivos) deri-
juntam com consoantes. vados de substantivos concretos:
http://www.infoescola.com/portugues/novo-acordo-ortografico- montês (de monte) montanhês (de montanha) cortês (de corte)
descomplicado-parte-i/ 2) O sufixo –ez forma substantivos abstratos femininos derivados de adjeti-
T vos:
aridez (de árido) acidez (de ácido) rapidez (de rápido)
Sufixos –esa e –eza
Escreve-se –esa (com s):
ORTOGRAFIA OFICIAL 1) nos seguintes substantivos cognatos de verbos terminados em –ender:
defesa (defender), presa (prender)...
Quando utilizar: S, C, Ç, X, CH, SS, SC... 2) nos substantivos femininos designativos de nobreza:
baronesa, marquesa, princesa
Representação do fonema /s/. 3) nas formas femininas dos adjetivos terminados em –ês:
O fonema /s/, conforme o caso, representa-se por: burguesa (de burguês)...
1) C,Ç: 4) nas seguintes palavras femininas:
acetinado, açafrão, almaço, anoitecer, censura, cimento, dança, contorção, framboesa, indefesa, lesa, mesa, sobremesa, obesa, Teresa, tesa, turquesa
exceção, endereço, Iguaçu, maçarico, maçaroca, maço, maciço, miçanga, etc
muçulmano, paçoca, pança, pinça, Suíça etc.
2) S: à Escreve-se –eza nos substantivos femininos abstratos derivados de
ânsia, ansiar, ansioso, ansiedade, cansar, cansado, descansar, descanso, adjetivos e denotando qualidade, estado, condição:
diversão, excursão, farsa, ganso, hortênsia, pretensão, pretensioso, pro- beleza (de belo), franqueza (de franco), pobreza (de pobre), leveza (de
pensão, remorso, sebo, tenso, utensílio etc. leve)
3) SS:
acesso, acessório, acessível, assar, asseio, assinar, carrossel, cassino, Verbos em –isar e –izar
concessão, discussão, escassez, escasso, essencial, expressão, fracasso, Escreve-se –isar (com s) quando o radical dos nomes correspondentes
impressão, massa, massagista, missão, necessário, obsessão, opressão, termina em –s. Se o radical não terminar em –s, grafa-se –izar (com z):
pêssego, procissão, profissão, ressurreição, sessenta, sossegar, sossego, avisar (aviso+ar) anarquizar (anarquia+izar)
submissão, sucessivo etc.
4) SC,SÇ Emprego do x
acréscimo, adolescente, ascensão, consciência, consciente, crescer, cres- 1) Esta letra representa os seguintes fonemas:
ço, cresça, descer, desço, desça, disciplina, discípulo, discernir, fascinar, /ch/ xarope, enxofre, vexame etc;
fascinante, florescer, imprescindível, néscio, oscilar, piscina, ressuscitar, /cs/ sexo, látex, léxico, tóxico etc;
seiscentos, suscetível, suscetibilidade, suscitar, víscera /z/ exame, exílio, êxodo etc;
5) X: /ss/ auxílio, máximo, próximo etc;
aproximar, auxiliar, auxílio, máximo próximo, proximidade, trouxe, /s/ sexto, texto, expectativa, extensão etc;
trouxer, trouxeram etc 2) Não soa nos grupos internos –xce e –xci:
6) XC: exceção, exceder, excelente, excelso, excêntrico, excessivo, excitar etc
exceção, excedente, exceder, excelência, excelente, excelso, excêntrico, 3) Grafam-se com x e não s:
excepcional, excesso, excessivo, exceto,excitar etc. expectativa, experiente, expiar (remir, pagar), expirar (morrer), expoente,
êxtase, extrair, fênix, têxtil, texto etc
Emprego de s com valor de z 4) Escreve-se x e não ch:
1) adjetivos com os sufixos –oso, -osa: a) em geral, depois de ditongo:
teimoso, teimosa caixa, baixo, faixa, feixe, frouxo, ameixa, rouxinol, seixo etc
2) adjetivos pátrios com os sufixos –ês, -esa: Excetuam-se: recauchutar e recauchutagem
português, portuguesa b) geralmente, depois da sílaba inicial em:
3) substantivos e adjetivos terminados em –ês, feminino –esa: enxada, enxame...
burguês, burguesa Excetuam-se: encharcar (de charco), encher e seus derivados (enchente,
4) substantivos com os sufixos gregos –esse, -isa, -ose: enchimento, preencher), enchova, enchumaçar (de chumaço), enfim, toda
diocese, poetisa, metamorfose vez que se trata do prefixo en+palavra iniciada por ch.
5) verbos derivados de palavras cujo radical termina em –s: c) em vocábulos de origem indígena ou africana:
analisar (de análise) abacaxi, xavante, caxambu (dança negra), orixá, xará, maxixe etc
6) formas dos verbos pôr e querer e de seus derivados: d) nas seguintes palavras: bexiga, bruxa, coaxar, faxina, praxe xarope,
pus, pôs, pusemos, puseram, puser, compôs, compusesse, impuser etc xaxim, xícara, xale, xingar, xampu.
quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera, quiséssemos etc
7) os seguintes nomes próprios personativos: Emprego do dígrafo ch
Inês, Isabel, Isaura, Luís, Queirós, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha. Escrevem-se com ch, entre outros, os seguintes vocábulos:
bucha, charque, chimarrão, chuchu, cochilo, fachada, ficha, flecha, mecha,
Emprego da letra z mochila, pechincha, tocha.
1) os derivados em –zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita:
cafezal, cafezeiro, cafezinho, avezinha, cãozito, avezita etc Consoantes dobradas
2) os derivados de palavras cujo radical termina em –z: 1) Nas palavras portuguesas só se duplicam as consoantes c, r, s.
cruzeiro (de cruz), enraizar (de raiz), esvaziar, vazar, vazão (de vazio) etc 2) Escreve-se cc ou cç quando as duas consoantes soam distintamente:
3) os verbos formados com o sufixo –izar e palavras cognatas: convicção, cocção, fricção facção, sucção etc
fertilizar, fertilizante, civilizar, civilização etc 3) Duplicam-se o r e o s em dois casos:
4) substantivos abstratos em –eza, derivados de adjetivos e denotando a) Quando, intervocálicos, representam os fonemas /r/ forte e /s/ sibilante,
qualidade física ou moral: respectivamente:
pobreza (de pobre), limpeza (de limpo), frieza (de frio) etc carro, ferro, pêssego, missão etc

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b) Quando a um elemento de composição terminado em vogal seguir, sem PALAVRAS COM CERTAS DIFICULDADES
interposição do hífen, palavra começada por r ou s:
arroxeado, correlação, pressupor, bissemanal, girassol, minissaia etc. Mas ou mais: dúvidas de ortografia
http://www.tudosobreconcursos.com/
Publicado por: Vânia Maria do Nascimento Duarte
O fonema j:
Mais ou mais? Onde ou aonde? Essas e outras expressões geralmente são
Escreve-se com G e não com J: alvo de questionamentos por parte dos usuários da língua.
• as palavras de origem grega ou árabe
Falar e escrever bem, de modo que se atenda ao padrão formal da lingua-
Exemplos: tigela, girafa, gesso. estrangeirismo, cuja letra G é originária. gem: eis um pressuposto do qual devemos nos valer mediante nossa
Exemplos: sargento, gim. postura enquanto usuários do sistema linguístico. Contudo, tal situação não
parece assim tão simples, haja vista que alguns contratempos sempre
• as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com poucas exceções) tendem a surgir. Um deles diz respeito a questões ortográficas no mo-
mento de empregar esta ou aquela palavra.
Exemplos: imagem, vertigem, penugem, bege, foge. Nesse sentido nunca é demais mencionar que o emprego correto de um
Observação determinado vocábulo está intimamente ligado a pressupostos semânticos,
Exceção: pajem as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio. visto que cada vocábulo carrega consigo uma marca significativa de senti-
Exemplos: sufrágio, sortilégio, litígio, relógio, refúgio. do. Assim, mesmo que palavras se apresentem semelhantes em temos
sonoros, bem como nos aspectos gráficos, traduzem significados distintos,
• os verbos terminados em ger e gir. aos quais devemos nos manter sempre vigilantes, no intuito de fazermos
bom uso da nossa língua sempre que a situação assim o exigir.
Exemplos: eleger, mugir. Pois bem, partindo dessa premissa, ocupemo-nos em conhecer as caracte-
rísticas que nutrem algumas expressões que rotineiramente utilizamos.
• depois da letra "r" com poucas exceções. Entre elas, destacamos:

Mas e mais
Exemplos: emergir, surgir. depois da letra a, desde que não seja radical A palavra “mas” atua como uma conjunção coordenada adversativa, de-
terminado com j. vendo ser utilizada em situações que indicam oposição, sentido contrário.
Exemplos: ágil, agente. Vejamos, pois:
Escreve-se com J e não com G: Esforcei-me bastante, mas não obtive o resultado necessário.
Já o vocábulo “mais” se classifica como pronome indefinido ou advérbio de
• as palavras de origem latinas intensidade, opondo-se, geralmente, a “menos”. Observemos:
Ele escolheu a camiseta mais cara da loja.
Exemplos: jeito, majestade, hoje.
• as palavras de origem árabe, africana ou exótica. Onde e aonde
“Aonde” resulta da combinação entre “a + onde”, indicando movimento para
algum lugar. É usada com verbos que também expressem tal aspecto (o de
Exemplos: alforje, jibóia, manjerona. movimento). Assim, vejamos:
Aonde você vai com tanta pressa?
• as palavras terminada com aje. “Onde” indica permanência, lugar em que se passa algo ou que se está.
Portanto, torna-se aplicável a verbos que também denotem essa caracterís-
Exemplos: laje, ultraje tica (estado ou permanência). Vejamos o exemplo:
Onde mesmo você mora?
O fonema ch:
Que e quê
O “que” pode assumir distintas funções sintáticas e morfológicas, entre elas
Escreve-se com X e não com CH: a de pronome, conjunção e partícula expletiva de realce:
Convém que você chegue logo. Nesse caso, o vocábulo em questão atua
• as palavras de origem tupi, africana ou exótica. como uma conjunção integrante.
Já o “quê”, monossílabo tônico, atua como interjeição e como substantivo,
Exemplo: abacaxi, muxoxo, xucro. em se tratando de funções morfossintáticas:
Ela tem um quê de mistério.
• as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J).
Mal e mau
“Mal” pode atuar com substantivo, relativo a alguma doença; advérbio,
Exemplos: xampu, lagartixa. denotando erradamente, irregularmente; e como conjunção, indicando
• depois de ditongo. Exemplos: frouxo, feixe. depois de en. tempo. De acordo com o sentido, tal expressão sempre se opõe a bem:
Como ela se comportou mal durante a palestra. (Ela poderia ter se compor-
tado bem)
Exemplos: enxurrada, enxoval “Mau” opõe-se a bom, ocupando a função de adjetivo:
Observação: Pedro é um mau aluno. (Assim como ele poderia ser um bom aluno)
Exceção: quando a palavra de origem não derive de outra iniciada com ch -
Cheio - (enchente) Ao encontro de / de encontro a
“Ao encontro de” significa ser favorável, aproximar-se de algo:
Escreve-se com CH e não com X: Suas ideias vão ao encontro das minhas. (São favoráveis)
• as palavras de origem estrangeira “De encontro a” denota oposição a algo, choque, colisão:
O carro foi de encontro ao poste.
Exemplos: chave, chumbo, chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche,
salsicha. Afim e a fim
“Afim” indica semelhança, relacionando-se com a ideia relativa à afinidade:
http://www.comoescreve.com/2013/02
Na faculdade estudamos disciplinas afins.

Língua Portuguesa 46 A Opção Certa Para a Sua Realização


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“A fim” indica ideia de finalidade: O uso dos porquês é um assunto muito discutido e traz muitas dúvidas.
Estudo a fim de que possa obter boas notas. Com a análise a seguir, pretendemos esclarecer o emprego dos porquês
para que não haja mais imprecisão a respeito desse assunto.
A par e ao par
“A par” indica o sentido voltado para “ciente, estar informado acerca de Por que
algo”: O por que tem dois empregos diferenciados:
Ele não estava a par de todos os acontecimentos. Quando for a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefini-
“Ao par” representa uma expressão que indica igualdade, equivalência ente do que, possuirá o significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”:
valores financeiros: Exemplos: Por que você não vai ao cinema? (por qual razão)
Algumas moedas estrangeiras estão ao par. Não sei por que não quero ir. (por qual motivo)
Quando for a junção da preposição por + pronome relativo que, possuirá o
Demais e de mais significado de “pelo qual” e poderá ter as flexões: pela qual, pelos quais,
“Demais” pode atuar como advérbio de intensidade, denotando o sentido de pelas quais.
“muito”: Exemplo: Sei bem por que motivo permaneci neste lugar. (pelo qual)
A vítima gritava demais após o acidente.
Tal palavra pode também representar um pronome indefinido, equivalendo- Por quê
se “aos outros, aos restantes”: Quando vier antes de um ponto, seja final, interrogativo, exclamação, o por
Não se importe com o que falam os demais. quê deverá vir acentuado e continuará com o significado de “por qual
“De mais” se opõe a de menos, fazendo referência a um substantivo ou a motivo”, “por qual razão”.
um pronome: Exemplos: Vocês não comeram tudo? Por quê?
Ele não falou nada de mais. Andar cinco quilômetros, por quê? Vamos de carro.

Senão e se não Porque


“Senão” tem sentido equivalente a “caso contrário” ou a “não ser”: É conjunção causal ou explicativa, com valor aproximado de “pois”, “uma
É bom que se apresse, senão poderá chegar atrasado. vez que”, “para que”.
“Se não” se emprega a orações subordinadas condicionais, equivalendo-se Exemplos: Não fui ao cinema porque tenho que estudar para a prova. (pois)
a “caso não”: Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo. (uma vez que)
Se não chover iremos ao passeio. Porquê
É substantivo e tem significado de “o motivo”, “a razão”. Vem acompanha-
Na medida em que e à medida que do de artigo, pronome, adjetivo ou numeral.
“Na medida em que” expressa uma relação de causa, equivalendo-se a Exemplos: O porquê de não estar conversando é porque quero estar con-
“porque”, “uma vez que” e “já que”: centrada. (motivo)
Na medida em que passava o tempo, a saudade ia ficando cada vez mais Diga-me um porquê para não fazer o que devo. (uma razão)
apertada. Por Sabrina Vilarinho
“À medida que” indica a ideia relativa à proporção, desenvolvimento grada-
tivo: FORMAS VARIANTES
À medida que iam aumentando os gritos, as pessoas se aglomeravam Existem palavras que apresentam duas grafias. Nesse caso, qualquer
ainda mais. uma delas é considerada correta. Eis alguns exemplos.
aluguel ou aluguer hem? ou hein?
Nenhum e nem um alpartaca, alpercata ou alpargata imundície ou imundícia
“Nenhum” representa o oposto de algum: amídala ou amígdala infarto ou enfarte
Nenhum aluno fez a pesquisa. assobiar ou assoviar laje ou lajem
“Nem um” equivale a nem sequer um: assobio ou assovio lantejoula ou lentejoula
Nem uma garota ganhará o prêmio, quem dirá todas as competidoras. azaléa ou azaleia nenê ou nenen
bêbado ou bêbedo nhambu, inhambu ou nambu
Dia a dia e dia-a-dia (antes da nova reforma ortográfica grafado com bílis ou bile quatorze ou catorze
hífen): cãibra ou cãimbra surripiar ou surrupiar
Antes do novo acordo ortográfico, a expressão “dia-a-dia”, cujo sentido carroçaria ou carroceria taramela ou tramela
fazia referência ao cotidiano, era grafada com hífen. Porém, depois de chimpanzé ou chipanzé relampejar, relampear, relampeguear
instaurado, passou a ser utilizada sem dele, ou seja: debulhar ou desbulhar ou relampar
O dia a dia dos estudantes tem sido bastante conturbado. fleugma ou fleuma porcentagem ou percentagem
Já “dia a dia”, sem hífen mesmo antes da nova reforma, atua como uma
locução adverbial referente a “todos os dias” e permaneceu sem nenhuma
alteração, ou seja:
EMPREGO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS
Ela vem se mostrando mais competente dia a dia.
Escrevem-se com letra inicial maiúscula:
Fim-de-semana e fim de semana
1) a primeira palavra de período ou citação.
A expressão “fim-de-semana”, grafada com hífen antes do novo acordo, faz
Diz um provérbio árabe: "A agulha veste os outros e vive nua."
referência a “descanso”, diversão, lazer. Com o advento da nova reforma
No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da
ortográfica, alguns compostos que apresentam elementos de ligação, como
letra maiúscula.
é o caso de “fim de semana”, não são mais escritos com hífen. Portanto, o
2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes
correto é:
sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil,
Como foi seu fim de semana?
Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via-
“Fim de semana” também possui outra acepção semântica (significado),
Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
relativa ao final da semana propriamente dito, aquele que começou no
O deus pagão, os deuses pagãos, a deusa Juno.
domingo e agora termina no sábado. Assim, mesmo com a nova reforma
3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas
ortográfica, nada mudou no tocante à ortografia:
religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência
Viajo todo fim de semana.
do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
Vânia Maria do Nascimento Duarte
4) nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República,
O uso dos porquês etc.
5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação,
Estado, Pátria, União, República, etc.

Língua Portuguesa 47 A Opção Certa Para a Sua Realização


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6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações, 7- torna: tor-na núpcias: núp-cias
órgãos públicos, etc.: técnica: téc-ni-ca submeter: sub-me-ter
Rua do 0uvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco absoluto: ab-so-lu-to perspicaz: pers-pi-caz
do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc.
7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e Consoante não seguida de vogal, no início da palavra, junta-se à sílaba
científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, Os que a segue
Lusíadas, 0 Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da 8- pneumático: pneu-má-ti-co
Manhã, Manchete, etc. gnomo: gno-mo
8) expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente, Exce- psicologia: psi-co-lo-gia
lentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc.
9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do No grupo BL, às vezes cada consoante é pronunciada separadamente,
Oriente, o falar do Norte. mantendo sua autonomia fonética. Nesse caso, tais consoantes ficam em
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste. sílabas separadas.
10) nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o 9- sublingual: sub-lin-gual
Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc. sublinhar: sub-li-nhar
sublocar: sub-lo-car
Escrevem-se com letra inicial minúscula:
1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos, Preste atenção nas seguintes palavras:
nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval, trei-no so-cie-da-de
ingleses, ave-maria, um havana, etc. gai-o-la ba-lei-a
2) os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando des-mai-a-do im-bui-a
empregados em sentido geral: ra-diou-vin-te ca-o-lho
São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria. te-a-tro co-e-lho
3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio du-e-lo ví-a-mos
Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc. a-mné-sia gno-mo
4) palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta: co-lhei-ta quei-jo
"Qual deles: o hortelão ou o advogado?" (Machado de Assis) pneu-mo-ni-a fe-é-ri-co
"Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso, dig-no e-nig-ma
mirra." (Manuel Bandeira) e-clip-se Is-ra-el
mag-nó-lia
DIVISÃO SILÁBICA
SINAIS DE PONTUAÇÃO
Não se separam as letras que formam os dígrafos CH, NH, LH, QU,
GU. Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as
1- chave: cha-ve pausas da linguagem oral.
aquele: a-que-le
palha: pa-lha
manhã: ma-nhã PONTO
guizo: gui-zo O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase decla-
rativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos casos
Não se separam as letras dos encontros consonantais que apresentam comuns ele é chamado de simples.
a seguinte formação: consoante + L ou consoante + R
2- emblema: em-ble-ma abraço: a-bra-ço Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris-
reclamar: re-cla-mar recrutar: re-cru-tar to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).
flagelo: fla-ge-lo drama: dra-ma
globo: glo-bo fraco: fra-co PONTO DE INTERROGAÇÃO
implicar: im-pli-car agrado: a-gra-do É usado para indicar pergunta direta.
atleta: a-tle-ta atraso: a-tra-so Onde está seu irmão?
prato: pra-to
Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
Separam-se as letras dos dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC. A mim ?! Que ideia!
3- correr: cor-rer desçam: des-çam
passar: pas-sar exceto: ex-ce-to PONTO DE EXCLAMAÇÃO
fascinar: fas-ci-nar É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
Não se separam as letras que representam um ditongo. Ó jovens! Lutemos!
4- mistério: mis-té-rio herdeiro: her-dei-ro
cárie: cá-rie
VÍRGULA
Separam-se as letras que representam um hiato. A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pau-
5- saúde: sa-ú-de cruel: cru-el sa na fala. Emprega-se a vírgula:
rainha: ra-i-nha enjoo: en-jo-o • Nas datas e nos endereços:
São Paulo, 17 de setembro de 1989.
Não se separam as letras que representam um tritongo. Largo do Paissandu, 128.
6- Paraguai: Pa-ra-guai • No vocativo e no aposto:
saguão: sa-guão Meninos, prestem atenção!
Termópilas, o meu amigo, é escritor.
Consoante não seguida de vogal, no interior da palavra, fica na sílaba • Nos termos independentes entre si:
que a antecede. O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
• Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
caso é usado o duplo emprego da vírgula:
Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa-

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droeira. • Para enfatizar palavras ou expressões:
• Após alguns adjuntos adverbiais: Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite.
No dia seguinte, viajamos para o litoral. • Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc.
• Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo emprego "Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro.
da vírgula: • Em casos de ironia:
Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor. A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente.
• Após a primeira parte de um provérbio. Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão.
O que os olhos não veem, o coração não sente.
• Em alguns casos de termos oclusos: PARÊNTESES
Eu gostava de maçã, de pera e de abacate.
Empregamos os parênteses:
• Nas indicações bibliográficas.
RETICÊNCIAS "Sede assim qualquer coisa.
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento. serena, isenta, fiel".
Não me disseste que era teu pai que ... (Meireles, Cecília, "Flor de Poemas").
• Para realçar uma palavra ou expressão. • Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome... "Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento. fora das órbitas. Amália se volta)".
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também... (G. Figueiredo)
• Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória:
PONTO E VÍRGULA "E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de
fome."
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém
(C. Lispector)
alguma simetria entre si.
• Para isolar orações intercaladas:
"Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhe-
"Estou certo que eu (se lhe ponho
cido, guardando consigo a ponta farpada. "
Minha mão na testa alçada)
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu
Sou eu para ela."
interior.
(M. Bandeira)
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, mais
calmo, resolveu o problema sozinho.
COLCHETES [ ]
DOIS PONTOS Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.
• Enunciar a fala dos personagens:
Ele retrucou: Não vês por onde pisas? ASTERISCO
• Para indicar uma citação alheia: O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de alguma nota (observação).
passageiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar-
que". BARRA
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão anteri-
A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
or:
abreviaturas.
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente.
• Enumeração após os apostos:
Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido. CRASE

TRAVESSÃO Crase é a fusão da preposição A com outro A.


Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem.
palavras ou frases
– "Quais são os símbolos da pátria? EMPREGO DA CRASE
– Que pátria? • em locuções adverbiais:
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos). à vezes, às pressas, à toa...
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra • em locuções prepositivas:
vez. em frente à, à procura de...
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma • em locuções conjuntivas:
coisa". (M. Palmério). à medida que, à proporção que...
• Usa-se para separar orações do tipo: • pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a,
– Avante!- Gritou o general. as
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta. Fui ontem àquele restaurante.
Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão:
Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam Refiro-me àquilo e não a isto.
uma cadeia de frase:
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• A ponte Rio – Niterói. A CRASE É FACULTATIVA
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre. • diante de pronomes possessivos femininos:
Entreguei o livro a(à) sua secretária .
• diante de substantivos próprios femininos:
ASPAS Dei o livro à(a) Sônia.
São usadas para:
• Indicar citações textuais de outra autoria. CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE
"A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles) • Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o artigo
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se A:
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares: Viajaremos à Colômbia.
Há quem goste de “jazz-band”. (Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia)
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês. • Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasília,

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Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, Ve- sílaba "cró", ou acrobata, com força na sílaba "ba". Também é indiferente
neza, etc. dizer Oceânia ou Oceania, transístor ou transistor (com força na sílaba
Viajaremos a Curitiba. "tor", com o "ô" fechado).
(Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba).
• Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o ALGOZ: (carrasco): palavra oxítona, cuja pronúncia do "o" deve ser fechada
modifique. (algôz, = arroz).
Ela se referiu à saudosa Lisboa. AUTÓPSIA / NECROPSIA: apesar de autópsia ter como vogal tônica o "ó",
Vou à Curitiba dos meus sonhos. a forma necropsia, que possui o mesmo significado, deve ser pronunciada
• Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida: com ênfase no "i".
Às 8 e 15 o despertador soou.
• Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras “mo- AZÁLEA / AZALÉIA: segundo os melhores dicionários, estas duas formas
da” ou "maneira": são aceitáveis;
Aos domingos, trajava-se à inglesa. AVARO: (indivíduo muito apegado ao dinheiro): deve ser pronunciada como
Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo. paroxítona (acento tônico na sílaba va), e por terminar em "o", não deve ser
• Antes da palavra casa, se estiver determinada: acentuada.
Referia-se à Casa Gebara.
• Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar. BOÊMIA: de origem francesa, relativa à cidade de Boéme, esta palavra tem
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa). sua sílaba forte no "ê", e não no "mi".
• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo.
CARÁTER: paroxítona que apresenta o plural caracteres, tendo o acrésci-
Voltou à terra onde nascera.
mo da letra "c", e o deslocamento do acento tônico da sílaba "ra" para a
Chegamos à terra dos nossos ancestrais.
sílaba "te", sem o emprego de acento gráfico.
Mas:
Os marinheiros vieram a terra. CATETER, MISTER e URETER: Todas possuindo sua acentuação tônica
O comandante desceu a terra. na última sílaba (tér), sendo assim oxítonas.
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente: CHICLETE / CHOPE / CLIPE / DROPE: quando se referindo a uma só
Vou até a (á ) chácara. unidade de cada um destes produtos, deve-se falar "um chiclete, um chope,
Cheguei até a(à) muralha um clipe, um drope", e não "um chicletes, um chopes, um clipes, um dro-
• A QUE - À QUE pes". Existe, ainda, a variante "chiclé" (um chiclé, dois chiclés).
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino CUPIDO e CÚPIDO: a primeira forma (paroxítona e sem acento) significa o
ocorrerá crase: deus alado do amor; a segunda (proparoxítona) tem o sentido de ávido de
Houve um palpite anterior ao que você deu. dinheiro, ambicioso, também pode ser usada como possuído de desejos
Houve uma sugestão anterior à que você deu. amorosos.
Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não
ocorrerá crase. EXTINGUIR: a sílaba "guir" desta palavra deve ser pronunciada como nas
Não gostei do filme a que você se referia. palavras "perseguir", "seguir", "conseguir". Isso também vale para "distin-
Não gostei da peça a que você se referia. guir".
O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrativo FLUIDO: pronuncia-se como a forma verbal "cuido", verbo cuidar (com
A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes do força no u). Assim também GRATUITO, CIRCUITO, INTUITO, fortuito. No
de: entanto, o particípio do verbo fluir é "fluído", acontecendo aqui um hiato,
Meu palpite é igual ao de todos onde a vogal tônica agora passa a ser o "í".
Minha opinião é igual à de todos.
IBERO: Pronuncia-se como paroxítona (ênfase na sílaba BE, IBÉRO).
NÃO OCORRE CRASE INEXORÁVEL: (= austero, rígido, inabalável...): esse "x" lê-se como os de
• antes de nomes masculinos: exemplo, exame, exato, exercício, isto é, com o som de "z".
Andei a pé.
Andamos a cavalo. LÁTEX: tendo seu acento tônico na penúltima sílaba e terminando com a
• antes de verbos: letra x, é uma palavra paroxítona, e como tal deve ser pronunciada e acen-
Ela começa a chorar. tuada.
Cheguei a escrever um poema. MAQUINARIA: o acento tônico deve recair na sílaba "ri", e não sobre a
• em expressões formadas por palavras repetidas: sílaba "na".
Estamos cara a cara.
• antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona: NÉON: muitos dicionários apresentam esta palavra como paroxítona, sendo
Dirigiu-se a V. Sa com aspereza. acentuada por terminar em "n"; no entanto, o dicionário Michaelis Melhora-
Escrevi a Vossa Excelência. mentos, recentemente editado, traz as duas grafias: néon (paroxítona) e
Dirigiu-se gentilmente à senhora. neon (oxítona).
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural: NOVEL e NOBEL: palavras oxítonas que não devem ser acentuadas.
Não falo a pessoas estranhas.
Jamais vamos a festas. OBESO: palavra paroxítona que deve ser pronunciada com o "e" aberto
(obéso). Também são abertos o "e" de outras paroxítonas como "coeso"
(coéso), "obsoleto" (obsoléto), o "o" de "dolo" (dólo), o "e" de "extra" (éxtra)
ORTOÉPIA E PROSÓDIA e o "e" de "blefe" (bléfe). Apresentam-se, porém, fechados o "e" de "nesga"
Ortoepia trata da correta pronúncia das palavras. (nêsga), o de "destro" (dêstro), e o "o" "torpe" (tôrpe).
Exemplo: "advogado", e não "adevogado" (o d é mudo). OPTAR: ao se conjugar este verbo na 1 pessoa do singular do presente do
Prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras. indicativo, deve-se pronunciar "ópto", e não "opito". Assim também em
Exemplo: "rubrica" (palavra paroxítona), e não "rúbrica" (palavra proparoxí- relação às formas verbais "capto, adapto, rapto" - todas com força na sílaba
tona). que vem antes do "p".

Dessa forma, segue abaixo uma lista das principais palavras que normal PROJÉTIL / PROJETIL: ambas as formas têm o mesmo significado, apesar
de a primeira ser paroxítona e a segunda oxítona. Plurais: PROJÉTEIS /
ACRÓBATA / ACROBATA: esta palavra, COMO MUITAS OUTRAS DE PROJETIS.
NOSSA lÍNGUA, admite as duas pronúncias: acróbata, com ênfase na
Língua Portuguesa 50 A Opção Certa Para a Sua Realização
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PUDICO: (aquele que tem pudor, envergonhado): palavra paroxítona (ênfa- 100 erros de português de A a Z.
se na sílaba "di").
RECORDE: deve ser pronunciada como paroxítona (recórde). A lista não é pequena e é bem provável que você já tenha cometido alguns
deles. Por isso, todo cuidado é pouco, os especialistas advertem que
RÉPTIL / REPTIL: mesmo caso da palavra PROJÉTIL. Plurais. RÉPTEIS / tropeçar no português pode prejudicar sua carreira. É uma lista grande,
REPTIS. mas vale a pena ficar atento e conferir as dicas para nunca mais errar:
RUBRICA: palavra paroxítona, e não proparoxítona como se costuma
pensar (ênfase na sílaba "bri"). 1 A / há
Erro: Atuo no setor de controladoria a 15 anos.
RUIM: palavra oxítona (ruím). Forma correta: Atuo no setor de controladoria há 15 anos.
Explicação: Para indicar tempo passado usa-se o verbo haver.
RUPIA / RÚPIA: a primeira forma se refere à moeda utilizada na Indonésia
(força no "i") e a segunda é relativa a uma planta aquática (com ênfase no 2 A champanhe / o champanhe
"ú"). Erro: Pegue a champanhe e vamos comemorar.
SUBSÍDIOS: a pronúncia correta é com som de "ss", e não "z" (subssídios). Forma correta: Pegue o champanhe e vamos comemorar.
Explicação: De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra “champanhe”
SUTIL e SÚTIL: a primeira forma, sendo oxítona, significa "tênue, delicado, provém do francês “champagne” e é um substantivo masculino.
hábil"; a segunda, paroxítona, significa "tudo aquilo que é composto de
pedaços costurados". 3 A cores / em cores
TÓXICO: pronuncia-se com o som de "cs" = tócsico. Erro: O material da apresentação será a cores
Forma correta: O material da apresentação será em cores
Nota Explicação: Se o correto é material em preto em branco, o certo é dizer
Existe alguma discordância quanto ao som do "x" de "hexa-". O Dicionário material em cores.
Aurélio - Século XXI, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - da
Academia Brasileira de Letras, e o dicionário de Caldas Aulete dizem que 4 A domicílio/ em domicílio
esse "x" deve ter o som de "cs", e deve ser pronunciado como o "x" de Erro: O serviço engloba a entrega a domicílio
"fixo", "táxi", "tóxico", etc. Já o "Houaiss" diz que esse "x" corresponde a "z", Forma correta: O serviço engloba a entrega em domicílio.
portanto deve ser lido como o "x" de "exame", "exercício", "êxodo", etc.. Na Explicação: No caso de entrega usa-se a forma em domicílio. A forma a
língua falada do Brasil, nota-se interessante ambiguidade: o "x" de "hexá- domicílio é usada para verbos de movimento. Exemplo: Foram levá-lo a
gono" normalmente é lido como "z", mas o de "hexacampeão" costuma ser domicílio.
lido como "cs". Por: Eduardo Fernandes Paes
5 A prazo/ em longo prazo
Casos mais frequentes de pronúncias diferentes da Erro: A longo prazo, serão necessárias mudanças.
língua padrão: Forma correta: Em longo prazo, serão necessárias mudanças.
Explicação: Usa-se a preposição em nos seguintes casos: em longo prazo,
em curto prazo e em médio prazo.

6 A nível de/ em nível de


Erro: A nível de reconhecimento de nossos clientes atingimos nosso objeti-
vo.
Forma correta: Em relação ao reconhecimento de nossos clientes atingi-
mos nosso objetivo.
Explicação: O uso de “a nível de” está correto quando a preposição “a”
está aliada ao artigo “o” e significa “à mesma altura”. Exemplo: Hoje, o Rio
de Janeiro acordou ao nível do mar. A expressão "em nível de" está utiliza-
da corretamente quando equivale a "de âmbito" ou "com status de". Exem-
plo: O plebiscito será realizado em nível nacional.

7 À partir de/ a partir de


Erro: À partir de novembro, estarei de férias
Forma correta: A partir de novembro, estarei de férias.
Explicação: Não se usa crase antes de verbos

8 A pouco/ há pouco
Erro: O diretor chegará daqui há pouco.
Forma correta: O diretor chegará daqui a pouco.
Explicação: Nesse caso, há pouco indica ação que já passou, pode ser
substituído por faz pouco tempo. A pouco indica ação que ainda vai ocorrer,
a ideia é de futuro.

9 Vender à prazo/ vender a prazo


Erro: Vamos vender à prazo
Forma correta: Vamos vender a prazo.
Explicação: Não se usa crase antes de palavra masculina.

10 À rua/ Na rua
Erro: José, residente à rua Estados Unidos, era um cliente fiel.
Forma correta: José, residente na rua Estados Unidos, era um cliente fiel.
http://www.portugues.com.br/gramatica/ortoepia-prosodia.html Explicação: Os vocábulos residir, morador, residente, situado e sito pedem
o uso da preposição em.

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11 A vista/ à vista Explicação: Para muitos gramáticos, através se refere ao que atravessa.
Erro: O pagamento foi feito a vista. Prefira “pelo e-mail”, “por e-mail”.
Forma correta: O pagamento foi feito à vista.
Explicação: Ocorre crase nas expressões formadas por palavras femini- 21 Auferir/ aferir
nas. Exemplos: à noite, à tarde, à venda, às escondidas e à vista. Erro: No fim do expediente, o gestor deve auferir se os valores pagos
conferem com os números do sistema.
12 Adequa/ adequada Forma correta: No fim do expediente, o gestor deve aferir se os valores
Erro: O móvel não se adequa à sala pagos conferem com os números do sistema.
Forma correta: O móvel não é adequado à sala. Explicação: Os verbos aferir e auferir têm sentidos distintos. Aferir: conferir
Explicação: Adequar é um verbo defectivo, ou seja, não se conjuga em de acordo com o estabelecido, avaliar, calcular. Auferir: colher, obter, ter.
todas as pessoas e tempos. No presente do indicativo são conjugadas Exemplo: O projeto auferiu bons resultados.
apenas primeira e a segunda pessoa do plural (nós adequamos, vós ade-
quais). 22 Aumentar ainda mais/ aumentar muito
Erro: Precisamos aumentar ainda mais os lucros.
13 Agradecer pela/ agradecer a Forma correta: Precisamos aumentar muito os lucros.
Erro: Agradecemos pela preferência Explicação: Aumentar é sempre mais, não existe aumentar menos, con-
Forma correta: Agradecemos a preferência forme explica Laurinda Grion, no livro “Erros que um executivo comete ao
Explicação: O certo é agradecer a alguém alguma coisa. Exemplo: Agra- redigir (mas não deveria cometer)”, da editora Saraiva. Portanto são formas
deço a Deus a graça recebida. redundantes: aumentar mais, aumentar muito mais e aumentar ainda mais.

14 Aluga-se/ alugam-se 23 Bastante/ bastantes


Erro: Aluga-se apartamentos Erro: Eles leram o relatório bastante vezes.
Forma correta: Alugam-se apartamentos Forma correta: Eles leram o relatório bastantes vezes.
Explicação: O sujeito da oração (apartamentos) concorda com o verbo. Explicação: Para saber se bastante deve variar conforme o número é
preciso saber qual a classificação dele na frase. Quando é adjetivo (como
15 Anexo/ anexa/ em anexo no caso acima) deve variar. Exemplo: Já há provas bastantes para incrimi-
Erro: Segue anexo a carta de apresentação. ná-lo (= provas suficientes). Se for advérbio é invariável. Exemplo: Compra-
Formas corretas: Segue anexa a carta de apresentação. Segue em anexo ram coisas bastante bonitas (= muito bonitas). Se for pronome indefinido é
a carta de apresentação. variável. Exemplo: Vimos bastantes coisas (= muitas coisas). Se for subs-
Explicação: Anexo é adjetivo e deve concordar com o substantivo a que se tantivo, não varia, mas pede artigo definido masculino: Os animais já come-
refere, em gênero e número. A expressão em anexo é invariável. É bom ram o bastante (= o suficiente).
lembra que alguns estudiosos condenam o uso da expressão em anexo.
Portanto, dê preferência à forma sem a preposição. 24 Bi-campeão /bicampeão
Erro: Em 1993, o São Paulo Futebol Clube foi bi-campeão mundial, sob o
16 Ao invés de/ em vez de comando de Telê Santana.
Erro: Ao invés de comprar carros, compraremos caminhões para aumentar Forma correta: Em 1993, o São Paulo Futebol Clube foi bicampeão mun-
nossa frota. dial, sob o comando de Telê Santana.
Forma correta: Em vez de comprar carros, compraremos caminhões para Explicação: A forma correta de usar os prefixos numéricos “bi”, “tri”, “tetra”,
aumentar nossa frota. “penta”, “hexa”, “hepta” (etc) é sem hífen. “O Novo Acordo Ortográfico
Explicação: “Ao invés de” representa contrariedade, oposição, o inverso. nunca exigiu nem exige alteração gráfica”.
“Em vez de” quer dizer no lugar de. É uma locução prepositiva, sendo
terminada em de normalmente. 25 Caiu em/ caiu
Erro: O lucro caiu em 10%.
17 Aonde/onde Forma correta: O lucro caiu 10%.
Erro: Não sei aonde fica a sala do diretor Explicação: O verbo cair, assim como aumentar e diminuir, não admite a
Forma correta: Não sei onde fica a sala do diretor preposição “em”. E no sentido de descer, ir ao chão, ser demitido, o verbo
Explicação: O advérbio onde indica lugar em que algo ou alguém está. cair é intransitivo.
Deve ser utilizado somente para substituir vocábulo que expressa a ideia de
lugar. Exemplo: Não sei onde fica a cidade de Araguari. O advérbio aonde 26 Chegar em/ chegar a
indica também lugar em que algo ou alguém está, porém quando o verbo Erro: Chegamos em São Paulo, ontem.
que se relacionar com "onde" exigir a preposição “a”, deve-se agregar esta Forma correta: Chegamos a São Paulo, ontem.
preposição, formando assim, o vocábulo "aonde". Expressa a ideia de Explicação: o verbo exige a preposição a. Quem chega, chega a algum
destino, movimento, conforme exemplo a seguir: aonde você irá depois das lugar, ou a alguma coisa.
visitas?
27 Chove/ chovem
18 Ao meu ver/ a meu ver Erro: Chove emails com reclamações de clientes.
Erro: Ao meu ver, a reunião foi um sucesso Forma correta: Chovem emails com reclamações de clientes.
Forma correta: A meu ver, a reunião foi um sucesso. Explicação: Quando indica um fenômeno natural, o verbo chover é impes-
Explicação: Não existe a expressão ao meu ver. As formas corretas são: a soal e fica sempre o singular. Mas no sentido figurado, como acontece
meu ver, a nosso ver, a vosso ver. acima, flexiona-se normalmente.

19 Às micro/ às micros 28 Comprimento/cumprimento


Erro: O pacote de tributos refere-se às micro e pequenas empresas Erro: Entrou e não me comprimentou.
Forma correta: O pacote de tributos refere-se às micros e pequenas Forma correta: Entrou e não me cumprimentou.
empresas Explicação: Comprimento está relacionado ao tamanho, à extensão de
Explicação: Por se tratar de adjetivo, micro é variável e por isso deve ser algo ou alguém. Exemplo: Não sei o comprimento da sala. Cumprimento
grafada no plural quando for o caso. relaciona-se a dois verbos diferentes: cumprimentar uma pessoa (saudar) e
cumprir uma tarefa (realizar). Exemplos: Cada pessoa tem um jeito de
20 Através/ por cumprimentar. O cumprimento dos prazos contará pontos na competição.
Erro: Fui avisada através de um e-mail de que a reunião está cancelada.
Forma correta: Fui avisada por e-mail de que a reunião está cancelada. 29 Consiste de/ consiste em
Erro: A seleção consiste de cinco etapas.

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Forma correta: A seleção consiste em cinco etapas. Explicação: Trata-se de um vício de linguagem. O adjetivo (devidas) é
Explicação: Consistir é verbo transitivo indireto e requer complemento desnecessário e redundante. “Quem pediria providências indevidas”.
regido da preposição em.
40 Dispor/dispuser
30 Continuidade/ continuação Erro: Se ele dispor de tempo, poderá atende-lo em breve.
Erro: O sindicato optou pela continuidade da greve. Forma correta: Se ele dispuser de tempo, poderá atende-lo em breve.
Forma correta: O sindicato optou pela continuação da greve. Explicação: A conjugação correta do verbo dispor na terceira pessoa do
Explicação: Continuidade refere-se à extensão de um acontecimento. singular no futuro do pretérito é se ele dispuser. A conjugação acompanha
Exemplo: dar continuidade ao governo. Continuação refere-se à duração de a do verbo pôr.
algo. Exemplo continuação da sessão.
41 Dois por cento/ dois pontos percentuais
31 Correr atrás do prejuízo/ correr atrás do lucro Erro: No ano passado, o crescimento foi de 10%. Neste ano, de 8%, tendo
Erro: É hora de correr atrás do prejuízo. havido queda de 2%.
Forma correta: É hora de correr atrás do lucro. Forma correta: No ano passado, o crescimento foi de 10%. Neste ano, de
Explicação: Pode-se correr do prejuízo, mas nunca deve-se correr atrás 8%, tendo havido queda de 2 pontos percentuais.
dele. A forma correr atrás do prejuízo não faz o menor sentido. Explicação: A queda de 10% para 8% não é de 2% e, sim, de 2 pontos
percentuais.
32 Da onde/ de onde
Erro: Fortaleza é a cidade da onde vieram nossos colaboradores. 42 E nem/ nem
Forma correta: Fortaleza é a cidade de onde vieram nossos colaborado- Erro: O funcionário não sabe escrever e nem ler.
res. Forma correta: O funcionário não sabe escrever nem ler.
Explicação: A forma de onde indica origem. Não existe a forma “da onde”. Explicação: A conjunção nem significa “e não”.

33 Daqui/ daqui a 43 Em confirmação à/ em confirmação da


Erro: Farei o pagamento daqui 5 dias. Erro: Em confirmação à minha proposta, envio os valores para execução
Forma correta: Farei o pagamento daqui a 5 dias. do serviço.
Explicação: o advérbio daqui é usado para indicar lugar ou tempo e pede a Forma correta: Em confirmação da minha proposta, envio os valores para
preposição a. execução do serviço.
Explicação: Confirmação é um substantivo feminino que pede a preposi-
34 De encontro aos/ ao encontro dos ção “de”.
Erro: A sua ideia vem de encontro ao que a empresa precisa neste mo-
mento. 44 Em mãos/ em mão
Forma correta: A sua ideia vem ao encontro do que a empresa precisa Erro: O envelope deve ser entregue em mãos.
neste momento. Forma correta: O envelope deve ser entregue em mão.
Explicação: De encontro a é estar em sentido contrário, em oposição a. Ao Explicação: Ninguém escreve a mãos, nem fica em pés. O correto é em
encontro de é estar de acordo, ideia de conformidade. mão, cuja abreviatura é E. M.

35 Debitou na/ debitou à 45 Em vias/ em via


Erro: O banco debitou na minha conta a taxa. Erro: Estou em vias de finalizar o projeto.
Forma correta: O banco debitou à minha conta a taxa. Forma correta: Estou em via de finalizar o projeto.
Explicação: quem debita, debita a. Explicação: A locução é “em via de” e significa “a caminho de”, “prestes a”.

36 Desapercebidas/ despercebidas 46 Eminente/ iminente


Erro: As mudanças passaram desapercebidas pelos nossos executivos Erro: A falência é eminente.
Forma correta: As mudanças passaram despercebidas. Forma correta: A falência é iminente.
Explicação: Desapercebido significa desprovido de, desprevenido. Exem- Explicação: Eminente é um adjetivo que significa alto, grande, elevado,
plo: Não parei para cumprimenta-lo porque estava desapercebido. Desper- saliente, pessoa importante, notável.
cebido significa não notado, não percebido. Exemplo: O erro passou des-
percebido pela equipe da redação do jornal. Exemplos: Era um eminente orador. A montanha eminente surge na paisa-
gem. Iminente também é um adjetivo e indica que algo está prestes a
37 Descrição/ discrição acontecer. Exemplo: A sua morte é iminente.
Erro: Ela age com descrição.
Forma correta: Ela age com discrição. 47 Ensinar a executarem/ ensinar a executar
Explicação: Descrição refere-se ao ato de descrever. Exemplo: Ela fez a Erro: O bom líder deve ensinar seus colaboradores a executarem as tare-
descrição do objeto. (ela descreveu). Discrição significa ser discreto. fas.
Forma correta: O bom líder deve ensinar seus colaboradores a executar
38 Descriminar/ discriminar as tarefas.
Erro: Descrimine os produtos na nota fiscal e coloque todos os códigos Explicação: Não se flexiona infinitivo com preposição que funcione como
necessários. complemento de substantivo, adjetivo ou do próprio verbo principal. Exem-
Forma correta: Discrimine os produtos na nota fiscal e coloque todos os plo: As mulheres conquistaram o direito de trabalhar fora de casa.
códigos necessários.
Explicação: Descriminar significa absolver, inocentar. É o que o prefixo 48 Entre eu e ele/ entre mim e ele
“des” faz – indica uma ação no sentido contrário – e, nesse caso, quer dizer Erro: Entre eu e ele não há conversa nem acordo.
tirar o crime. Exemplo: Ele falou em descriminar o uso de algumas drogas Forma correta: Entre mim e ele não já conversa nem acordo.
Discriminar significa distinguir, separar, diferenciar, especificar. Isso pode Explicação: Os pronomes pessoais do caso reto exercem função de sujeito
ser feito com ou sem preconceito. Quando há preconceito, o sentido é de (ou predicativo do sujeito) e não de complemento.
segregação. Exemplo: A discriminação racial deve ser combatida sempre.
49 Falta/faltam
39 Devidas providências Erro: Falta 30 dias para minhas férias começarem
Erro: Peço as devidas providências. Forma correta: Faltam 30 dias para minhas férias começarem.
Forma correta: Peço providências Explicação: O verbo deve concordar com o sujeito da frase.

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50 Fazem /faz Explicação: Haver no sentido de existir não é usado no plural.
Erro: Fazem oito semanas que fui promovida.
Forma correta: Faz oito semanas que fui promovida. 61 Implicará em/implicará
Explicação: Verbo fazer quando sinaliza tempo que passou fica na 3ª Erro: A sua atitude implicará em demissão por justa causa.
pessoa do singular. Forma correta: A sua atitude implicará demissão por justa causa.
Explicação: o verbo implicar, quando é transitivo direto, significa “dar a
51 Fazer uma colocação/ emitir uma opinião entender”, “pressupor” ou “trazer como consequência”, “acarretar”, “provo-
Erro: Deixe-me fazer uma colocação a respeito do tema da reunião. car”. E se a transitividade é direta, isso quer dizer que não pede preposição.
Forma correta: Deixe-me emitir uma opinião a respeito do tema da reuni-
ão. 62 Independente/ independentemente
Explicação: o padrão formal é emitir uma opinião e não fazer uma coloca- Erro: Independente da proposta, minha resposta é não.
ção, embora esta Forma correta: Independentemente da proposta, minha resposta é não.
seja uma forma bastante usada. Explicação: Independente é adjetivo e independentemente é advérbio. O
enunciado acima pede o advérbio.
52 Ficou claro/ ficou clara
Erro: Ficou claro, após a reunião, a necessidade de corte de gastos. 63 Insisto que/ insisto em que
Forma correta: Ficou clara, após a reunião, a necessidade de corte de Erro: Insisto que é preciso cortar custos na cadeia produtiva.
gastos. Forma correta: Insisto em que é preciso cortar custos na cadeia produtiva.
Explicação: A necessidade de corte de gastos é o que ficou clara, durante Explicação: O verbo insistir é transito indireto, quando objeto for uma coisa
a reunião. usa-se a preposição em e a preposição com aparece quando há referência
a uma pessoa. Exemplo: Insisto nisso com o diretor.
53 Foi assistida/ assistiu à
Erro: A palestra foi assistida por muita gente 64 Junto a/ no/ ao
Forma correta: Muita gente assistiu à palestra. Erro: Solicite junto ao departamento de recursos humanos o informe de
Explicação: Verbo assistir no sentido de ver, presenciar, é transitivo indire- rendimentos para a Receita Federal.
to e a voz passiva só admite verbos transitivos diretos. Forma correta: Solicite ao departamento de recursos humanos o informe
de rendimentos para a Receita Federal.
54 Fosse... comprava/ fosse...compraria Explicação: As locuções “junto a, junto de” são sinônimas e significam
Erro: Se eu fosse você eu comprava aquela gravata. "perto de", "ao lado de". Não cabem na frase acima. Para você lembrar, não
Forma correta: Se eu fosse você eu compraria aquela gravata. desconte cheques junto ao banco e sim com o banco. Não renegocie uma
Explicação: Atente à correlação verbal. Imperfeito do subjuntivo (se eu dívida junto aos credores e sim com os credores Evite empregar a expres-
fosse) é usado com o futuro do pretérito (compraria). são “junto a” em lugar de com, de, em e para. Assim, em lugar de “conse-
guimos apoio junto à equipe” escreva “conseguimos apoio da equipe”.
55 A grosso modo/ grosso modo
Erro: O que quero dizer, a grosso modo, é que há mais chances de dar 65 Maiores informações/ mais informações
errado do que de dar certo. Erro: Caso precise de maiores informações, entre em contato conosco.
Forma correta: O que quero dizer, grosso modo, é que há mais chances Forma correta: Caso precise de mais informações, entre em contato
de dar errado do que de dar certo. conosco.
Explicação: A expressão é “grosso modo”, sem a preposição a. Explicação: O termo “maior” é comparativo, não deve ser utilizado nesse
caso.
56 Guincho/guinchamento
Erro: Sujeito a guincho. 66 Mal/ mau
Forma correta: Sujeito a guinchamento Erro: Era um mal funcionário e foi demitido.
Explicação: Guincho é o veículo que faz a ação, isto é, o guinchamento. Forma correta: Era um mau funcionário e foi demitido
Explicação: Mau e bom são adjetivos, ou seja, conferem qualidade aos
57 Há 10 anos atrás/ há 10 anos substantivos, palavras que nomeiam seres e coisas. Exemplos: “Ele é bom
Erro: Há 10 anos atrás, eu decidi comprar um imóvel. médico” e “Ele é mau aluno”. Por outro lado, mal e bem podem exercer três
Formas corretas: Há 10 anos, eu decidi comprar um imóvel. Dez anos funções distintas. Exercem a função de advérbios, modificam o estado do
atrás, eu decidi comprar um imóvel. verbo, por exemplo: “Seu filho se comportou mal na escola” e “ele foi bem
Explicação: É redundante usar “há” e “atrás” na mesma frase. O verbo aceito no novo trabalho”. Como conjunção, servindo para conectar orações,
haver impede a palavra atrás em seguida sempre que estiver relacionado a como em “Mal chegou e já se foi”. Essas palavras também têm a função de
tempo, à ação que já se passou. Há, portanto, duas formas corretas para a substantivos, por exemplo: “Você é o meu bem” e “o mal dele é não saber
frase: “há dez anos” ou “dez anos atrás”. ouvir”.

58 Hora/ora 67 Mal humorado/ mal-humorado


Erro: Você pediu minha decisão, por hora ainda não a tenho. Erro: Estava mal humorado e isso afetou a todos da equipe.
Forma correta: Você pediu minha decisão, por ora ainda não a tenho. Forma correta: Estava mal-humorado e isso afetou a todos da equipe.
Explicação: A expressão “por hora”, quando escrita com a letra “h”, refere- Explicação: As formações vocabulares com MAL- exigem hífen caso a
se ao tempo, a marcação em minutos. Exemplo: O carro estava a cento e palavra principal inicie-se por vogal, h ou l: mal-estar, mal-empregado, mal-
vinte quilômetros por hora. A expressão “por ora”, quando escrita sem o “h”, humorado, mal-limpo.
dá a ideia de no momento ou agora. É um advérbio de tempo, expressa
sentido de por enquanto, no momento, atualmente. Exemplo: “Por ora estou Leia mais --> Quando usar e não usar o hífen
muito ocupado”. 68 Mão-de-obra/ mão de obra
Erro: A falta de mão-de-obra qualificada é um dos gargalos da economia
59 Horas extra/ horas extras brasileira.
Erro: Você deverá fazer horas extra para terminar o relatório. Forma correta: A falta de mão de obra qualificada é um dos gargalos da
Forma correta: Você deverá fazer horas extras para terminar o relatório. economia.
Explicação: Neste caso, extra é um adjetivo e, portanto, é variável. Explicação: Com palavras justapostas (uma após a outra) em que haja um
termo de ligação (geralmente uma preposição ou conjunção) não se usa
60 Houveram/houve hífen.
Erro: Houveram rumores sobre um anúncio de demissão em massa.
Forma correta: Houve rumores sobre um anúncio de demissão em massa.

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69 Meio-dia e meio/ meio-dia e meia autores dizem que isso vale também quando houver uma pausa, uma
Erro: Entregarei o relatório ao meio-dia e meio. vírgula, não importa que seja pergunta ou não.
Forma correta: Entregarei o relatório ao meio-dia e meia.
Explicação: O termo meio pode ter duas funções: adjetivo e advérbio. Exemplos: Não aprovaram a proposta e não sabemos por quê. Não temos
Quando advérbio, meio quer dizer “um pouco” e é invariável. Quando o resultado da concorrência. Por quê? Não sabemos por quê, onde e
adjetivo, meio quer dizer “metade de” e é variável, ou seja, concorda com o quando tudo aconteceu.
termo a que se refere.
78 Penalizado/ punido
70 No aguardo/ ao aguardo Erro: Quem desrespeitar o código de conduta será penalizado.
Erro: Fico no aguardo da sua resposta. Forma correta: Quem desrespeitar o código de conduta será punido.
Forma correta: Fico ao aguardo da sua resposta. Explicação: Penalizar significa “causar pena”, “magoar”. No sentido de
Explicação: O certo é “ao aguardo de”, “à espera de”. castigar, o certo é usar o verbo punir.
Calendario pis 2014
71 No ponto de/ a ponto de 79 Por causa que/ porque/ por causa de
Erro: A demanda da chefia é tão alta, que estou no ponto de mandar tudo Erro: Não fui à aula por causa que está chovendo muito.
às favas. Formas corretas: Não fui à aula porque está chovendo muito. Não fui à
Forma correta: A demanda da chefia é tão alta, que estou a ponto de aula por causa da chuva.
mandar tudo às favas. Explicação: O certo é usar “porque” ou “por causa de”.
Explicação: Para dar a ideia de estar “prestes a”, “na iminência de”, use a
expressão “a ponto de”. 80 Por cento veio/ por cento vieram
Erro: Entre os funcionários, 15% é contra a mudança de sede.
72 O mesmo/ ele Forma correta: Entre os funcionários 15% são contra a mudança de sede.
Erro: Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se para- Explicação: Números percentuais exigem concordância.
do neste andar.
Forma correta: Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra 81 Precaver/ prevenir
parado neste andar. Erro: É importante que a empresa se precavenha contra invasões.
Explicação: O termo “o mesmo” não serve para substituir uma palavra Forma correta: É importante que a empresa se previna contra invasões.
anteriormente dita. Quem está nas empresas, portanto, deve preferir os Explicação: O verbo precaver é defectivo, não tem todas as conjugações.
pronomes ele(s) ou ela(s), cuidando para adequar a partícula “se” à nova No presente do indicativo só existem a 1ª e 2ª pessoa do plural (precave-
sentença. mos e precaveis) e não existe presente do subjuntivo.
73 Onde/ em que
82 Precisam-se/ precisa-se
Erro: Vamos à reunião onde decidiremos os rumos da companhia.
Erro: Precisam-se de bons vendedores.
Forma correta: Vamos à reunião em que decidiremos os rumos da compa-
Forma correta: Precisa-se de bons vendedores.
nhia.
Explicação: Sempre que houver uma preposição depois do pronome “se”
Explicação: Reunião não é lugar e as palavras onde e aonde se
(de, por, para, com, em, etc.) não haverá plural, apenas singular. Exemplo:
referem apenas a lugares. Prefira “a reunião em que” ou “na qual
Trata-se de ideias inovadoras.
decidiremos sobre”.
83 Prefiro ... do que/ prefiro... a
Erro: Prefiro sair mais tarde do trabalho do que ficar parado no trânsito.
74 O quanto antes/ quanto antes
Forma correta: Prefiro sair mais tarde do trabalho a ficar parado no trânsi-
to.
Erro: Voltarei ao escritório o quanto antes. Explicação: Não há necessidade do comparativo “do que”.
Forma correta: Voltarei ao escritório quanto antes.
Explicação: Antes da locução adverbial “quanto antes” não se usa artigo
84 Preveram/ previram
definido “o”.
Erro: Os analistas preveram tempos de crise.
Forma correta: Os analistas previram tempos de crise.
75 Parcela única/ de uma só vez
Explicação: A conjugação do verbo prever segue a do verbo ver. Logo, se
Erro: O pagamento será feito em parcela única.v
o certo é dizer eles viram, é certo dizer eles previram.
Forma correta: O pagamento será feito de uma só vez.
Explicação: Parcela significa parte de um todo. Logo se não há parcela-
mento, o certo é dizer “de uma só vez”. 85 Quadriplicar/ quadruplicar
Erro: O número de funcionários quadriplicou no ano passado.
76 Por que / porque Forma correta: O número de funcionários quadruplicou no ano passado.
Forma correta: Não a vi ontem porque eu estava fora da cidade. Explicação: Quádruplo é o numeral e significa multiplicativo de quatro,
Explicação: Porque é uma conjunção e serve para ligar duas ideias, duas quantidade quatro vezes maior que outra. Quadruplicação, quadruplicar e
orações. É usado ando a segunda parte apresenta uma explicação ou quádruplo são as formas corretas.
causa em relação à primeira. A forma “por que” é um advérbio interrogativo
de causa e é usada quando pedimos por uma causa ou motivo. Caso mais 86 Qualquer/ nenhum
incomum para o uso da forma “por que” é quando ela pode ser substituída Erro: Informo-lhes que não mantenho qualquer tipo de vínculo com a
por “para que”, “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais”, pelas quais. Exem- Construtora XYZ Ltda.
plos: Lutamos por que (para que) a obra terminasse antes da inauguração. Forma correta: Informo-lhes que não mantenho nenhum tipo de vínculo
Este é o caminho por que (pelo qual) passamos. com a Construtora XYZ Ltda.
Explicação: Qualquer é pronome de sentido afirmativo. Logo, em constru-
77 Porquê/ por quê ções negativas, deve-se empregar nenhum.
Erro: A diretriz mudou, não sei porquê
Formas corretas: A diretriz mudou, não sei por quê. A diretriz mudou, não 87 Quantia/ quantidade
sei o porquê. Erro: Informe a quantia exata de itens no estoque.
Explicação: “Porquê” substitui as palavras razão, causa ou motivo. É um Forma correta: Informe a quantidade de itens no estoque.
substantivo e, como tal, tem plural e pode vir acompanhado por artigos, Explicação: Usa-se quantia para dinheiro e quantidade para coisas.
pronomes e adjetivos. A palavra geralmente é antecedida de artigo “o” ou
“um”. Use a expressão “por quê” quando ela estiver no fim da frase. Alguns

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88 Que preciso/ de que preciso vêm (com acento). Ele não vem sempre aqui. Eles vêm a São Paulo uma
Erro: Os documentos que preciso estão na gaveta. vez por ano.
Forma correta: Os documentos de que preciso estão na gaveta.
Explicação: O verbo precisar pede a preposição “de”. 98 Vir/ vier
Erro: Se ele não vir amanhã, vai perder mais uma reunião importante.
89 Reaveu/reouve Forma correta: Se ele não vier amanhã, vai perder mais uma reunião
Erro: A homenagem reaveu nossa motivação. importante.
Forma correta: A homenagem reouve nossa motivação. Explicação: No caso do verbo vir, temos as seguintes formas no futuro do
Explicação: O pretérito perfeito de reaver é reouve. Gramaticalmente, o subjuntivo: quando eu vier, ele vier, nós viermos, eles vierem.
verbo REAVER é defectivo, só se conjuga nas formas em que o verbo
HAVER possui a letra V. Presente do indicativo: reavemos, reaveis. Pretéri- 99 Visar/ visar a
to perfeito do indicativo: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, Erro: Augusto visa o cargo de diretor comercial da empresa.
reouveram. Forma correta: Augusto visa ao de diretor comercial da empresa.
Explicação: Visar com o sentido de pretender é transitivo indireto, isto é,
90 Responder o/ responder ao exige a preposição “a”.
Erro: Vou responder o e-mail daqui a pouco.
Forma correta: Vou responder ao e-mail daqui a pouco. 100 Zero horas/ zero hora
Explicação: A regência do verbo responder, no sentido de dar a resposta, Erro: O novo modelo entra em vigor a partir das zero horas de amanhã.
é sempre indireta, ou seja, pede a preposição “a”. Forma correta: O novo modelo entra em vigor a partir da zero hora de
amanhã.
91 Retificar/ ratificar Explicação: O adjetivo composto zero-quilômetro é invariável.
Erro: O homem retificou as informações perante o juiz. Bem explicativo, espero que tenha gostado desta lista com os erros mais
Forma correta: O homem ratificou as informações perante o juiz. comuns.
Explicação: “Ratificar, do latim medieval, possui os seguintes significados: Provavelmente você já cometeu vários destes erros, não?
confirmar, reafirmar, validar, comprovar, autenticar. Retificar, também do Mas saiba que não é só você que tem dificuldades com o português, pois
latim com base na palavra rectus, se refere ao ato de corrigir, emendar, aprendemos de forma errada, modo arcaico, assim tornado o aprendizado
alinhar ou endireitar qualquer coisa”. bem lento e complicado, mas conheço uma forma de aprender português
de forma prática e eficiente.
http://www.comoescreve.com/2013/12/100-erros-de-portugues-de-a-z-
mais.html
92 Rúbrica/ rubrica SINÔNIMOS, ANTÔNIMOS E PARÔNIMOS. SENTIDO PRÓPRIO
Erro: Ponha a sua rúbrica em todas as páginas do relatório, por favor. E FIGURADO DAS PALAVRAS.
Forma correta: Ponha a sua rubrica em todas as páginas do relatório, por
favor.
Explicação: Rubrica é paroxítona, sem acento. SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

93 Senão/ se não Artigo sobre significação das palavras: sinônimos, antônimos, parônimos e
Erro: Senão fizer o relatório, não cumprirá a meta. homônimos com exemplos e questões extraídos dos principais vestibulares
Forma correta: Se não fizer o relatório, não cumprirá a meta. e concursos do país.
Explicação: Para dar a ideia de “caso não faça o relatório”, como no
exemplo acima, o certo é utilizar a forma separada. Senão (em uma só Significação das palavras
palavra) tem vários significados, do contrário, de outra forma, aliás, a não
ser, mais do que, menos, com exceção de, mas, mas sim, mas também, Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes categorias:
defeito, erro, de repente, subitamente.
Sinônimos
São palavras diferentes na forma, mas iguais ou semelhantes na significa-
ção. Os sinônimos podem ser:
94 Seríssimo/ seriíssimo
Erro: O problema é seríssimo. a) perfeitos
Forma correta: O problema é seriíssimo. b) imperfeitos
Explicação: Os adjetivos terminados em io antecedido de consoante
possuem o superlativo com ii. Sinônimos Perfeitos
95 Somos em/ somos Se a significação é igual, o que é raro.
Erro: No escritório, somos em cinco analistas.
Forma correta: No escritório, somos cinco analistas. Exemplos:
Explicação: Não há necessidade de empregar a preposição “em”.
cara – rosto
96 Tão pouco/ tampouco léxico – vocabulário
Erro: Não fala inglês, tão pouco espanhol. falecer – morrer
Forma correta: Não fala inglês, tampouco espanhol escarradeira – cuspideira
Explicação: Tão pouco equivale a muito pouco. Já tampouco pode signifi- língua – idioma
car: também não, nem sequer e nem ao menos.
Sinônimos Imperfeitos

97 Vem/ veem Se semelhantes é o mais comum.


Erro: Eles vem problemas em todas as inovações propostas.
Forma correta: Eles veem problemas em todas as inovações propostas. Exemplos:
Explicação: As conjugações no presente do verbo ver: ele vê (com acen-
to), eles veem (sem acento, segundo o Acordo Ortográfico da Língua esperar – aguardar
Portuguesa). Exemplos: Ele vê os filhos aos sábados. Eles veem o pai uma córrego – riacho
vez por semana. O verbo vir, no presente, é conjugado assim: ele vem, eles belo – formoso

Língua Portuguesa 56 A Opção Certa Para a Sua Realização


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bucho (estômago) buxo (arbusto)
Antônimos
caçar (perseguir animais) cassar (tornar sem efeito)
É quando duas ou mais palavras têm significados contrários.
cela (pequeno quarto) sela (arreio)
Exemplos:
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
aberto – fechado
sim – não Homônimos Homógrafos
abaixar – levantar
nascer – morrer São palavras que têm grafia igual e significação diferente; devemos notar
correr – parar que as vogais podem ter som diferente, bem como pode ser diferente o
sair – chegar acento da palavra. Sendo que se escrevam com as mesmas letras e te-
belo – feio nham significação diferente.

Polissemia Exemplos:

Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar colher (substantivo) – colher (verbo)
mais de um significado nos múltiplos contextos em que aparece. Veja selo (substantivo) – selo (verbo)
alguns exemplos de palavras polissêmicas: sede(residência) – sede (vontade de beber água)
cará (planta) – cara (rosto)
cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da vassoura, da faca) sabia (verbo saber) – sabiá (pássaro) – sábia (feminino de sábio)
banco (instituição comercial financeira, assento)
Observação: As palavras podem ser ao mesmo tempo homônimos
manga (parte da roupa, fruta) homófonos e homônimos homógrafos

Homônimos Exemplos:
mato (bosque) – mato (verbo)
Vem do grego “homós” que quer dizer: “igual”, “ónymon” que significa livre (solto) – livre (verbo livrar)
“nome”. Apresentam identidade de sons ou de forma, mas de significados rio (verbo rir) – rio (curso de água natural)
diferentes. amo (verbo amar) – amo (servo)
As palavras Homônimas podem ser: canto (ângulo) – canto (verbo cantar)
fui (verbo ser) – fui (verbo ir)
a) Homônimos homófonos
b) Homônimos homógrafos Parônimos

Homônimos Homófonos São quando duas ou mais palavras apresentam grafia e pronúncia pareci-
das, mas significados diferentes.
São os que têm som igual e significação diferente.
Exemplos:
Exemplos:
recrear (divertir, alegrar) recriar (criar novamente)
cerrar (fechar) serrar (cortar)
sortir (abastecer) surtir (produzir efeito)
chá (bebida) xá (soberano do Irã)
tráfego (trânsito) tráfico (comércio ilegal)
cheque (ordem de pagamento) xeque (lance do jogo de xadrez)
vadear (atravessar a vau) vadiar (andar ociosamente)
concertar (ajustar, combinar) consertar (corrigir, reparar)
vultoso (volumoso) vultuoso (atacado de congestão na face)
coser (costurar) cozer (preparar alimentos)
imergir (afundar) emergir (vir à tona)
esperto (inteligente, perspicaz) experto (experiente, perito)
inflação (alta dos preços) infração (violação)
espiar (observar, espionar) expiar (reparar falta mediante cumpri-
mento de pena) infligir (aplicar pena) infringir (violar, desrespeitar)

estrato (camada) extrato (o que se extrai de) mandado (ordem judicial) mandato (procuração)

flagrante (evidente) fragrante (perfumado) ratificar (confirmar) retificar (corrigir)

incerto (não certo, impreciso) inserto (introduzido, inserido) emigrar (deixar um país) imigrar (entrar num país)

incipiente (principiante) insipiente (ignorante) eminente (elevado) iminente (prestes a ocorrer)

ruço (pardacento, grisalho) russo (natural da Rússia) esbaforido (ofegante, apressado) espavorido (apavorado)

tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa) estada (permanência de pessoas) estadia (permanência de veículos)

acender (pôr fogo) ascender (subir) fusível (o que funde) fuzil (arma)

acento (símbolo gráfico) assento (lugar em que se senta) absolver (perdoar, inocentar) absorver (sorver, aspirar)

apreçar (ajustar o preço) apressar (formar rápido) arrear (pôr arreios) arriar (descer, cair)

Língua Portuguesa 57 A Opção Certa Para a Sua Realização


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cavaleiro (que cavalga) cavalheiro (homem cortês)
A conotação tem como finalidade provocar sentimentos no receptor da
mensagem, através da expressividade e afetividade que transmite. É utili-
comprimento (extensão) cumprimento (saudação) zada principalmente numa linguagem poética e na literatura, mas também
ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em anúncios publici-
descrição (ato de descrever) discrição (reserva, prudência) tários, entre outros.
Exemplos:
descriminar (tirar a culpa, inocen- discriminar (distinguir)
tar)
• Você é o meu sol!
• Minha vida é um mar de tristezas.
despensa (onde se guardam dispensa (ato de dispensar) • Você tem um coração de pedra!
mantimentos) http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denotacao/

Formas Variantes SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO

Há palavras que podem ser grafadas de duas maneiras, sendo ambas As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido
aceitas em Português pela norma de língua culta. figurado:
Construí um muro de pedra - sentido próprio
Exemplos: Maria tem um coração de pedra – sentido figurado.
A água pingava lentamente – sentido próprio.
contacto contato
caracter caráter ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS.
óptica ótica
secção seção
As palavras, em Língua Portuguesa, podem ser decompostas em vários
cota quota
elementos chamados elementos mórficos ou elementos de estrutura das
catorze quatorze
palavras.
cociente quociente
cotidiano quociente
Exs.:
cinzeiro = cinza + eiro
Fonte:: www.algosobre.com.br/
endoidecer = en + doido + ecer
www.exerciciosdeportugues.com.br
predizer = pre + dizer
www.mundovestibular.com.br
Postado por cleiton silva
Os principais elementos móficos são :

DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO RADICAL


É o elemento mórfico em que está a ideia principal da palavra.
A língua portuguesa é rica, interessante, criativa e versátil, se encontrando Exs.: amarelecer = amarelo + ecer
em constante evolução. As palavras não apresentam apenas um significado enterrar = en + terra + ar
objetivo e literal, mas sim uma variedade de significados, mediante o con- pronome = pro + nome
texto em que ocorrem e as vivências e conhecimentos das pessoas que as
utilizam.
PREFIXO
É o elemento mórfico que vem antes do radical.
Exemplos de variação no significado das palavras:
Exs.: anti - herói in - feliz
• Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido literal)
• Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido figurado) SUFIXO
• Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado) É o elemento mórfico que vem depois do radical.
As variações nos significados das palavras ocasionam o sentido denotati- Exs.: med - onho cear – ense
vo (denotação) e o sentido conotativo (conotação) das palavras.

Denotação FORMAÇÃO DAS PALAVRAS


Uma palavra é usada no sentido denotativo quando apresenta seu signifi-
cado original, independentemente do contexto frásico em que aparece.
Quando se refere ao seu significado mais objetivo e comum, aquele imedia- As palavras estão em constante processo de evolução, o que torna a
tamente reconhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado que língua um fenômeno vivo que acompanha o homem. Por isso alguns vocá-
aparece nos dicionários, sendo o significado mais literal da palavra. bulos caem em desuso (arcaísmos), enquanto outros nascem (neologis-
A denotação tem como finalidade informar o receptor da mensagem de mos) e outros mudam de significado com o passar do tempo.
forma clara e objetiva, assumindo assim um caráter prático e utilitário. É Na Língua Portuguesa, em função da estruturação e origem das pala-
utilizada em textos informativos, como jornais, regulamentos, manuais de vras encontramos a seguinte divisão:
instrução, bulas de medicamentos, textos científicos, entre outros.
Exemplos: • palavras primitivas - não derivam de outras (casa, flor)
• O elefante é um mamífero.
• Já li esta página do livro. • palavras derivadas - derivam de outras (casebre, florzinha)
• A empregada limpou a casa. • palavras simples - só possuem um radical (couve, flor)
Conotação • palavras compostas - possuem mais de um radical (couve-flor,
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando apresenta diferentes aguardente)
significados, sujeitos a diferentes interpretações, dependendo do contexto
Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conheci-
frásico em que aparece. Quando se refere a sentidos, associações e ideias
mento dos seguintes processos de formação:
que vão além do sentido original da palavra, ampliando sua significação
mediante a circunstância em que a mesma é utilizada, assumindo um Composição - processo em que ocorre a junção de dois ou mais radi-
sentido figurado e simbólico. cais. São dois tipos de composição.

Língua Portuguesa 58 A Opção Certa Para a Sua Realização


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• justaposição: quando não ocorre a alteração fonética (girassol, fada, bruxa, saci.
sexta-feira); d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é, só
existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo,
• aglutinação: quando ocorre a alteração fonética, com perda de pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos abstratos vão,
elementos (pernalta, de perna + alta). portanto, designar ações, estados ou qualidades, tomados como seres:
trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza.
Derivação - processo em que a palavra primitiva (1º radical) sofre o
Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou adje-
acréscimo de afixos. São cinco tipos de derivação.
tivos
• prefixal: acréscimo de prefixo à palavra primitiva (in-útil); trabalhar - trabalho
correr - corrida
• sufixal: acréscimo de sufixo à palavra primitiva (clara-mente); alto - altura
belo - beleza
• parassintética ou parassíntese: acréscimo simultâneo de prefixo
e sufixo, à palavra primitiva (em + lata + ado). Esse processo é responsável
FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
pela formação de verbos, de base substantiva ou adjetiva;
a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua
• regressiva: redução da palavra primitiva. Nesse processo forma-se portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal.
substantivos abstratos por derivação regressiva de formas verbais (ajuda / b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa:
de ajudar); florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro.
c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, ódio,
• imprópria: é a alteração da classe gramatical da palavra primitiva tempo, sol.
("o jantar" - de verbo para substantivo, "é um judas" - de substantivo próprio d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de-
a comum). colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol.
Além desses processos, a língua portuguesa também possui outros
processos para formação de palavras, como: COLETIVOS
Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um grupo
• Hibridismo: são palavras compostas, ou derivadas, constituídas de seres da mesma espécie.
por elementos originários de línguas diferentes (automóvel e monóculo,
grego e latim / sociologia, bígamo, bicicleta, latim e grego / alcalóide, al- Veja alguns coletivos que merecem destaque:
coômetro, árabe e grego / caiporismo: tupi e grego / bananal - africano e alavão - de ovelhas leiteiras
latino / sambódromo - africano e grego / burocracia - francês e grego); alcateia - de lobos
álbum - de fotografias, de selos
• Onomatopeia: reprodução imitativa de sons (pingue-pingue, zun- antologia - de trechos literários escolhidos
zum, miau);
armada - de navios de guerra
• Abreviação vocabular: redução da palavra até o limite de sua armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc)
compreensão (metrô, moto, pneu, extra, dr., obs.) arquipélago - de ilhas
assembleia - de parlamentares, de membros de associações
• Siglas: a formação de siglas utiliza as letras iniciais de uma se- atilho - de espigas de milho
quência de palavras (Academia Brasileira de Letras - ABL). A partir de atlas - de cartas geográficas, de mapas
siglas, formam-se outras palavras também (aidético, petista) banca - de examinadores
bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios
• Neologismo: nome dado ao processo de criação de novas pala- bando - de aves, de pessoal em geral
vras, ou para palavras que adquirem um novo significado. pciconcursos cabido - de cônegos
cacho - de uvas, de bananas
cáfila - de camelos
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVO, cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves
ADJETIVO, NUMERAL, PRONOME, VERBO, ADVÉRBIO, PRE- cancioneiro - de poemas, de canções
POSIÇÃO, CONJUNÇÃO (CLASSIFICAÇÃO E SENTIDO QUE caravana - de viajantes
IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES ENTRE AS ORAÇÕES). cardume - de peixes
clero - de sacerdotes
colmeia - de abelhas
SUBSTANTIVOS concílio - de bispos
conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa
Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá no- congregação - de professores, de religiosos
me aos seres em geral. congresso - de parlamentares, de cientistas
conselho - de ministros
São, portanto, substantivos. consistório - de cardeais sob a presidência do papa
a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra, constelação - de estrelas
Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado. corja - de vadios
b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: traba- elenco - de artistas
lho, corrida, tristeza beleza altura. enxame - de abelhas
enxoval - de roupas
CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS esquadra - de navios de guerra
a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espécie: esquadrilha - de aviões
rio, cidade, pais, menino, aluno falange - de soldados, de anjos
b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemento. farândola - de maltrapilhos
Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: To- fato - de cabras
cantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair. fauna - de animais de uma região
c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não, pro- feixe - de lenha, de raios luminosos
priamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. Verifi- flora - de vegetais de uma região
que que é sempre possível visualizar em nossa mente o substantivo con- frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus
creto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, caneta, girândola - de fogos de artifício

Língua Portuguesa 59 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros o fibroma o guaraná a aguardente
o estratagema o plasma
junta - de bois, médicos, de examinadores o proclama o clã
júri - de jurados
legião - de anjos, de soldados, de demônios
Mudança de Gênero com mudança de sentido
malta - de desordeiros
Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
manada - de bois, de elefantes
matilha - de cães de caça
Veja alguns exemplos:
ninhada - de pintos
o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo)
nuvem - de gafanhotos, de fumaça o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal)
panapaná - de borboletas o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora)
pelotão - de soldados o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, conclusão)
penca - de bananas, de chaves o lotação (veículo) a lotação (capacidade)
pinacoteca - de pinturas o lente (o professor) a lente (vidro de aumento)
plantel - de animais de raça, de atletas
quadrilha - de ladrões, de bandidos Plural dos Nomes Simples
ramalhete - de flores 1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: casa,
réstia - de alhos, de cebolas casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
récua - de animais de carga 2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
romanceiro - de poesias populares a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; coração,
resma - de papel corações; grandalhão, grandalhões.
revoada - de pássaros b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião,
súcia - de pessoas desonestas guardiães.
vara - de porcos c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão,
vocabulário - de palavras cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos.

FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma forma
Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charlatães;
grau. ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc.

3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,


Gênero
armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femini-
4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
no: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta.
lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen, hí-
fens (ou hífenes).
Podemos classificar os substantivos em:
Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.
a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas, uma
5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, ani-
para o masculino, outra para o feminino:
mais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis.
aluno/aluna homem/mulher
Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules.
menino /menina carneiro/ovelha
6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil,
Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas
fósseis; réptil, répteis.
pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo:
Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, bar-
padrinho/madrinha bode/cabra
ris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis.
cavaleiro/amazona pai/mãe
7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos: o
pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tôni-
b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única
cos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugueses;
forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se
burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases.
em:
São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, os
1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam
substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o ônix,
animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca.
os ônix.
Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, deve-
8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o subs-
mos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré fê-
tantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substantivo pri-
mea
mitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho, cãezi-
2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes que
tos.
designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo arti-
go, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante, a
estudante, este dentista. Substantivos só usados no plural
3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam afazeres anais
pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por ar- arredores belas-artes
tigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o côn- cãs condolências
juge, a pessoa, a criatura. confins exéquias
Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim: férias fezes
uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino. núpcias óculos
olheiras pêsames
AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero: viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes)

Plural dos Nomes Compostos


São masculinos São femininos
o anátema o grama (unidade de peso) a abusão a derme
o telefonema o dó (pena, compaixão) a aluvião a omoplata 1. Somente o último elemento varia:
o teorema o ágape a análise a usucapião a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; clara-
o trema o caudal a cal a bacanal
o edema o champanha a cataplasma a líbido boia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns;
o eclipse o alvará a dinamite a sentinela b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão-
o lança-perfume o formicida a comichão a hélice mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres;

Língua Portuguesa 60 A Opção Certa Para a Sua Realização


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c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substantivo montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim,
ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guarda- pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo,
comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva, sem- homúncula, apícula, velhusco.
pre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela, mela-
melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques) Observações:
• Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, adqui-
2. Somente o primeiro elemento é flexionado:
rem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, etc.
a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-leite;
Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, fogaréu, etc.
pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-sem-
• É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor afe-
rabo, burros-sem-rabo;
tivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalidade
• Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente for-
ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos-
mal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: cartaz,
correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada;
ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc.
banana-maçã, bananas-maçã.
• Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di-
A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos-
minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, bon-
correios, homens-rãs, navios-escolas, etc.
zinho, pequenito.
3. Ambos os elementos são flexionados:
Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu-
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves-
gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas-
diferentes para designar o sexo:
compromissos.
bode - cabra genro - nora
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor-
burro - besta padre - madre
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-pálida,
carneiro - ovelha padrasto - madrasta
caras-pálidas.
cão - cadela padrinho - madrinha
cavalheiro - dama pai - mãe
São invariáveis:
compadre - comadre veado - cerva
a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o pi-
frade - freira zangão - abelha
sa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo;
frei – soror etc.
b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não-
molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem-
desocupa-o-copo; ADJETIVOS
c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o
perde-ganha, os perde-ganha. FLEXÃO DOS ADJETIVOS
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso
por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda- Gênero
marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa- Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate. ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
lher simples; aluno feliz - aluna feliz.
Adjetivos Compostos b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino, ou-
Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona. tra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / homem
Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino- alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa
americanos; cívico-militar, cívico-militares.
1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando o Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se-
segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos melhante a dos substantivos.
amarelo-ouro, paredes azul-piscina.
2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur-
Número
dos-mudos > surdas-mudas.
a) Adjetivo simples
3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho.
Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os
substantivos simples:
Graus do substantivo pessoa honesta pessoas honestas
Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os quais regra fácil regras fáceis
podem ser: sintéticos ou analíticos. homem feliz homens felizes
Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam in-
Analítico variáveis:
Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama- blusa vinho blusas vinho
nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande. camisa rosa camisas rosa
b) Adjetivos compostos
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último ele-
Sintético mento varia, tanto em gênero quanto em número:
Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados. acordos sócio-político-econômico
acordos sócio-político-econômicos
causa sócio-político-econômica
Principais sufixos aumentativos causas sócio-político-econômicas
AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO, acordo luso-franco-brasileiro
ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão, acordo luso-franco-brasileiros
povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentu- lente côncavo-convexa
ça. lentes côncavo-convexas
camisa verde-clara
camisas verde-claras
Principais Sufixos Diminutivos sapato marrom-escuro
ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO, sapatos marrom-escuros
ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho, Observações:

Língua Portuguesa 61 A Opção Certa Para a Sua Realização


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1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica invariável: célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo
camisa verde-abacate camisas verde-abacate cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo
sapato marrom-café sapatos marrom-café eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo
blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro
fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo
2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariáveis:
blusa azul-marinho blusas azul-marinho frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo)
camisa azul-celeste camisas azul-celeste incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os elementos íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo
variam: livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo
menino surdo-mudo meninos surdos-mudos magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo
menina surda-muda meninas surdas-mudas manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo
negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo
Graus do Adjetivo pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo)
As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex- possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
pressas em dois graus: próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo
- o comparativo público - publicíssimo pudico - pudicíssimo
- o superlativo sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo
salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo
Comparativo simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo
Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma
velho - vetérrimo visível - visibilíssimo
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é igual,
voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo
superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo:
- Comparativo de igualdade:
Adjetivos Gentílicos e Pátrios
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral.
Argélia – argelino Bagdá - bagdali
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente.
Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano
- Comparativo de superioridade:
Bóston - bostoniano Braga - bracarense
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro.
Bragança - bragantino Brasília - brasiliense
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico.
Bucareste - bucarestino, - Buenos Aires - portenho, buenairense
- Comparativo de inferioridade:
bucarestense Campos - campista
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro.
Cairo - cairota Caracas - caraquenho
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável.
Canaã - cananeu Ceilão - cingalês
Catalunha - catalão Chipre - cipriota
Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de intensi-
Chicago - chicaguense Córdova - cordovês
dade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo:
Coimbra - coimbrão, conim- Creta - cretense
- Superlativo absoluto
bricense Cuiabá - cuiabano
Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser:
Córsega - corso EI Salvador - salvadorenho
Esta cidade é poluidíssima.
Croácia - croata Espírito Santo - espírito-santense,
Esta cidade é muito poluída.
Egito - egípcio capixaba
- Superlativo relativo
Equador - equatoriano Évora - eborense
Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a a
Filipinas - filipino Finlândia - finlandês
outros seres:
Florianópolis - florianopolitano Formosa - formosano
Este rio é o mais poluído de todos.
Fortaleza - fortalezense Foz do lguaçu - iguaçuense
Este rio é o menos poluído de todos.
Gabão - gabonês Galiza - galego
Genebra - genebrino Gibraltar - gibraltarino
Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico:
Goiânia - goianense Granada - granadino
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade -
Groenlândia - groenlandês Guatemala - guatemalteco
muito trabalhador, excessivamente frágil, etc.
Guiné - guinéu, guineense Haiti - haitiano
- Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti-
Himalaia - himalaico Honduras - hondurenho
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc.
Hungria - húngaro, magiar Ilhéus - ilheense
Iraque - iraquiano Jerusalém - hierosolimita
Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compara-
João Pessoa - pessoense Juiz de Fora - juiz-forense
tivo e o superlativo, as seguintes formas especiais:
La Paz - pacense, pacenho Lima - limenho
NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO
Macapá - macapaense Macau - macaense
ABSOLUTO
Maceió - maceioense Madagáscar - malgaxe
RELATIVO
Madri - madrileno Manaus - manauense
bom melhor ótimo
Marajó - marajoara Minho - minhoto
melhor
Moçambique - moçambicano Mônaco - monegasco
mau pior péssimo
Montevidéu - montevideano Natal - natalense
pior
Normândia - normando Nova lguaçu - iguaçuano
grande maior máximo
Pequim - pequinês Pisa - pisano
maior
Porto - portuense Póvoa do Varzim - poveiro
pequeno menor mínimo
Quito - quitenho Rio de Janeiro (Est.) - fluminense
menor
Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (cid.) - carioca
São Paulo (Est.) - paulista Rio Grande do Norte - potiguar
Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos: São Paulo (cid.) - paulistano Salvador – salvadorenho, soteropolitano
acre - acérrimo ágil - agílimo Terra do Fogo - fueguino Toledo - toledano
agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo Três Corações - tricordiano Rio Grande do Sul - gaúcho
amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo Tripoli - tripolitano Varsóvia - varsoviano
amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo Veneza - veneziano Vitória - vitoriense
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo
audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo Locuções Adjetivas
benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs-

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tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem Vossa Santidade V.S. papas
ser substituídas por um adjetivo correspondente. Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados
Vossa Majestade V.M. reis, imperadores

PRONOMES São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo-


cês.
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que repre-
senta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso. EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS
Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se de pronome 1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
substantivo. ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.
• Ele chegou. (ele) Considera-se errado seu emprego como complemento:
• Convidei-o. (o) Convidaram ELE para a festa (errado)
Receberam NÓS com atenção (errado)
Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a ex- EU cheguei atrasado (certo)
tensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo. ELE compareceu à festa (certo)
• Esta casa é antiga. (esta) 2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
• Meu livro é antigo. (meu) pronomes retos:
Convidei ELE (errado)
Classificação dos Pronomes Chamaram NÓS (errado)
Há, em Português, seis espécies de pronomes: Convidei-o. (certo)
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas Chamaram-NOS. (certo)
de tratamento: 3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de preposi-
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões; ção, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se cor-
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo; reto seu emprego como complemento:
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde; Informaram a ELE os reais motivos.
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá- Emprestaram a NÓS os livros.
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou- Eles gostam muito de NÓS.
trem, nada, cada, algo. 4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases in- errado seu emprego como complemento:
terrogativas. Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)
PRONOMES PESSOAIS
Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis- Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas de
curso: preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas oblíquas
1ª pessoa: quem fala, o emissor. MIM e TI:
Eu sai (eu) Ninguém irá sem EU. (errado)
Nós saímos (nós) Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado)
Convidaram-me (me) Ninguém irá sem MIM. (certo)
Convidaram-nos (nós) Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo)
2ª pessoa: com quem se fala, o receptor.
Tu saíste (tu) Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
Vós saístes (vós) TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam
Convidaram-te (te) como sujeito de um verbo no infinitivo.
Convidaram-vos (vós) Deram o livro para EU ler (ler: sujeito)
3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente. Deram o livro para TU leres (leres: sujeito)
Ele saiu (ele)
Eles sairam (eles) Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é obri-
Convidei-o (o) gatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática de
Convidei-os (os) sujeito.
5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados
Os pronomes pessoais são os seguintes: somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção em
que os referidos pronomes não sejam reflexivos:
NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO Querida, gosto muito de SI. (errado)
singular 1ª eu me, mim, comigo Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
2ª tu te, ti, contigo Querida, gosto muito de você. (certo)
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe Preciso muito falar com você. (certo)
plural 1ª nós nós, conosco
2ª vós vós, convosco
3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, lhes Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos:
Ele feriu-se
PRONOMES DE TRATAMENTO Cada um faça por si mesmo a redação
Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra- O professor trouxe as provas consigo
tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a 6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados
você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso. normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais
pronomes devem ser substituídos pela forma analítica:
Veja, a seguir, alguns desses pronomes: Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois
PRONOME ABREV. EMPREGO Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.
Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Vossa Eminência V .Ema cardeais
Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral Vossa 7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As com-
Magnificência V. Mag a reitores de universidades binações possíveis são as seguintes:
Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral me+o=mo me + os = mos

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te+o=to te + os = tos Você trouxe seus documentos?
lhe+o=lho lhe + os = lhos Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.
nos + o = no-lo nos + os = no-los
vos + o = vo-lo vos + os = vo-los COLOCAÇÃO DE PRONOMES
lhes + o = lho lhes + os = lhos Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A,
NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições:
A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femininos 1. Antes do verbo - próclise
a, as. Eu te observo há dias.
me+a=ma me + as = mas 2. Depois do verbo - ênclise
te+a=ta te + as = tas Observo-te há dias.
- Você pagou o livro ao livreiro? 3. No interior do verbo - mesóclise
- Sim, paguei-LHO. Observar-te-ei sempre.

Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que Ênclise
representa o livreiro) com O (que representa o livro).
Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a
ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento
8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como
direto ou indireto.
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas
O pai esperava-o na estação agitada.
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos
Expliquei-lhe o motivo das férias.
indiretos:
O menino convidou-a. (V.T.D )
Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
O filho obedece-lhe. (V.T. l )
ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
1. Quando o verbo iniciar a oração:
Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões)
Voltei-me em seguida para o céu límpido.
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como as
2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento de
Como eu achasse muito breve, explicou-se.
verbos transitivos diretos:
3. Com o imperativo afirmativo:
Eu lhe vi ontem. (errado)
Companheiros, escutai-me.
Nunca o obedeci. (errado)
4. Com o infinitivo impessoal:
Eu o vi ontem. (certo)
A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um
Nunca lhe obedeci. (certo)
destino na mesa.
5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM:
9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar
E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo.
como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar,
6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética.
sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse in-
A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de meio
finitivo:
franco.
Deixei-o sair.
Vi-o chegar.
Próclise
Sofia deixou-se estar à janela.
Na linguagem culta, a próclise é recomendada:
1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desenvol-
interrogativos e conjunções.
vendo as orações reduzidas de infinitivo:
As crianças que me serviram durante anos eram bichos.
Deixei-o sair = Deixei que ele saísse.
Tudo me parecia que ia ser comida de avião.
10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos:
Quem lhe ensinou esses modos?
A mim, ninguém me engana.
Quem os ouvia, não os amou.
A ti tocou-te a máquina mercante.
Que lhes importa a eles a recompensa?
Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez.
Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleonas-
2. Nas orações optativas (que exprimem desejo):
mo vicioso e sim ênfase.
Papai do céu o abençoe.
A terra lhes seja leve.
11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessivo,
3. Com o gerúndio precedido da preposição EM:
exercendo função sintática de adjunto adnominal:
Em se animando, começa a contagiar-nos.
Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro.
Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse.
Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos.
4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
pausa entre eles.
12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para representar
Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova.
uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de mo-
Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.
déstia:
Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchentes.
Mesóclise
Vós sois minha salvação, meu Deus!
Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presente
e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não estejam
13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando
precedidos de palavras que reclamem a próclise.
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quando
Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris.
falamos dessa pessoa:
Dir-se-ia vir do oco da terra.
Ao encontrar o governador, perguntou-lhe:
Vossa Excelência já aprovou os projetos?
Mas:
Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração.
Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris.
Jamais se diria vir do oco da terra.
14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE,
Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível:
VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª
Lembrarei-me (!?)
pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como
Diria-se (!?)
pronomes de terceira pessoa:

Língua Portuguesa 64 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
É assim que um moço deve zelar o nome dos seus?
O Pronome Átono nas Locuções Verbais Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensida-
de.
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou
Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando
enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
não sabia o que dizer.
Podemos contar-lhe o ocorrido.
Podemos-lhe contar o ocorrido.
Não lhes podemos contar o ocorrido. PRONOMES DEMONSTRATIVOS
O menino foi-se descontraindo. São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da
O menino foi descontraindo-se. coisa designada em relação à pessoa gramatical.
O menino não se foi descontraindo.
2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclítico Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra perto
ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio. de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro está
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a Des- longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica que o
cartes ." livro está longe de ambas as pessoas.
Tenho-me levantado cedo.
Não me tenho levantado cedo. Os pronomes demonstrativos são estes:
ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o
ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta.
AQUELE (e variações), próprio (e variações)
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o da
MESMO (e variações), próprio (e variações)
colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na lingua-
SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)
gem escrita.
Emprego dos Demonstrativos
PRONOMES POSSESSIVOS 1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu- a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
indo-lhes a posse de alguma coisa. fala).
Este documento que tenho nas mãos não é meu.
Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o Isto que carregamos pesa 5 kg.
livro pertence a 1ª pessoa (eu) b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
Este coração não pode me trair.
Eis as formas dos pronomes possessivos: Esta alma não traz pecados.
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS. Tudo se fez por este país..
2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS. c) Para indicar o momento em que falamos:
3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS. Neste instante estou tranquilo.
1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS. Deste minuto em diante vou modificar-me.
2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS. d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do
3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS. momento em que falamos:
Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile.
Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem.
(seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de Um dia destes estive em Porto Alegre.
você). e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no
qual se inclui o momento em que falamos:
Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambigui- Nesta semana não choveu.
dade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s). Neste mês a inflação foi maior.
Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele. Este ano será bom para nós.
A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles. Este século terminará breve.
Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio. f) Para indicar aquilo de que estamos tratando:
Este assunto já foi discutido ontem.
Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos pro- Tudo isto que estou dizendo já é velho.
nomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância. g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as Só posso lhe dizer isto: nada somos.
suas mãos). Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos.
Não me respeitava a adolescência. 2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se:
A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face. a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com
O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos. quem se fala):
Esse documento que tens na mão é teu?
Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir: Isso que carregas pesa 5 kg.
1. Cálculo aproximado, estimativa: b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente:
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos Esse teu coração me traiu.
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma história Essa alma traz inúmeros pecados.
O nosso homem não se deu por vencido. Quantos vivem nesse pais?
Chama-se Falcão o meu homem c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que dese-
3. O mesmo que os indefinidos certo, algum jamos distância:
Eu cá tenho minhas dúvidas O povo já não confia nesses políticos.
Cornélio teve suas horas amargas Não quero mais pensar nisso.
4. Afetividade, cortesia d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa:
Como vai, meu menino? Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde.
Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo O que você quer dizer com isso?
e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que
No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de paren- falamos:
tes de família. Um dia desses estive em Porto Alegre.

Língua Portuguesa 65 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Comi naquele restaurante dia desses. Leve tantos ingressos quantos quiser.
f) Para indicar aquilo que já mencionamos: Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso?
Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio.
Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito distan- Eis o quadro dos pronomes relativos:
te.
3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se: VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se á Masculino Feminino
3ª. o qual a qual quem
Aquele documento que lá está é teu? os quais as quais
Aquilo que eles carregam pesa 5 kg. cujo cujos cuja cujas que
b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante. quanto quanta quantas onde
Naquele instante estava preocupado. quantos
Daquele instante em diante modifiquei-me.
Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele Observações:
século, para exprimir que o tempo já decorreu. 1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente,
4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas, vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL.
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou O médico de quem falo é meu conterrâneo.
variações) para a primeira: 2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso sempre um substantivo sem artigo.
e aquela tranquila. Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar?
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE, 3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos
pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural: de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas.
Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose? Tenho tudo quanto quero.
Com um frio destes não se pode sair de casa. Leve tantos quantos precisar.
Nunca vi uma coisa daquelas. Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou.
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter 4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a
reforçativo: EM QUE.
Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos.
A casa onde (= em que) moro foi de meu avô.
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas.
7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO,
ISSO ou AQUELE (e variações). PRONOMES INDEFINIDOS
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro. Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de
O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres. modo vago, impreciso, indeterminado.
Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames. 1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO,
A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO
homens superiores. Exemplos:
8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante: Algo o incomoda?
A menina ia cair, nisto, o pai a segurou Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve.
9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE, Não faças a outrem o que não queres que te façam.
ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO. Quem avisa amigo é.
Tal era a situação do país. Encontrei quem me pode ajudar.
Não disse tal. Ele gosta de quem o elogia.
Tal não pôde comparecer. 2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, CERTA
CERTAS.
Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu- Cada povo tem seus costumes.
des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompanha Certas pessoas exercem várias profissões.
QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases como Certo dia apareceu em casa um repórter famoso.
Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo DE QUAL
ou OUTRO TAL: PRONOMES INTERROGATIVOS
Suas manias eram tais quais as minhas. Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se de
A mãe era tal quais as filhas. modo impreciso à 3ª pessoa do discurso.
Os filhos são tais qual o pai. Exemplos:
Tal pai, tal filho. Que há?
É pronome substantivo em frases como: Que dia é hoje?
Não encontrarei tal (= tal coisa). Reagir contra quê?
Não creio em tal (= tal coisa) Por que motivo não veio?
Quem foi?
PRONOMES RELATIVOS Qual será?
Veja este exemplo: Quantos vêm?
Armando comprou a casa QUE lhe convinha. Quantas irmãs tens?

A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo


casa é um pronome relativo.
VERBO

PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já re- CONCEITO


feridos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos. “As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando-
A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente. as no tempo.
No exemplo dado, o antecedente é casa. Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a re-
Outros exemplos de pronomes relativos: ceita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e
Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos. gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro elas.
O lugar onde paramos era deserto. Assim fiz. Morreram.”
Traga tudo quanto lhe pertence. (Clarice Lispector)

Língua Portuguesa 66 A Opção Certa Para a Sua Realização


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SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse)
Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir: Futuro (falar)
a) Estado:
Não sou alegre nem sou triste. Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que
Sou poeta. se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esquema
b) Mudança de estado: dos tempos simples.
Meu avô foi buscar ouro. Infinitivo impessoal (falar)
Mas o ouro virou terra. Pessoal (falar eu, falares tu, etc.)
c) Fenômeno: FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando)
Chove. O céu dorme. Particípio (falado)
5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser:
VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de a) agente do fato expresso.
estado e fenômeno, situando-se no tempo. O carroceiro disse um palavrão.
(sujeito agente)
FLEXÕES O verbo está na voz ativa.
O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle- b) paciente do fato expresso:
xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer em Um palavrão foi dito pelo carroceiro.
si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica: (sujeito paciente)
• a ação de cantar. O verbo está na voz passiva.
• a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós). c) agente e paciente do fato expresso:
• o número gramatical (plural). O carroceiro machucou-se.
• o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito). (sujeito agente e paciente)
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido no O verbo está na voz reflexiva.
passado (indicativo). 6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de
• que o sujeito pratica a ação (voz ativa). rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical.
Falo - Estudam.
Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz. Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural: fora do radical.
O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular). Falamos - Estudarei.
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural). 7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em:
2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais: a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto -
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço. cantei - cantarei – cantava - cantasse.
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme- b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou
cemos. nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse.
2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa,
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces. como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe-
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adormeceis. nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc.
3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o
a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: ma-
adormece. tado - morto - enxugado - enxuto.
b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: Eles e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua conju-
adormecem. gação.
3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do falante verbo ser: sou - fui
em relação ao fato que comunica. Há três modos em português. verbo ir: vou - ia
a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato.
A cachorra Baleia corria na frente. QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO
b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato. 1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou
Talvez a cachorra Baleia corra na frente . explícito. Quase todos os verbos são pessoais.
c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um O Nino apareceu na porta.
pedido 2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implíci-
Corra na frente, Baleia. to ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais:
4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tempo, a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar,
em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos são: etc.
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala: Garoava na madrugada roxa.
Fecho os olhos, agito a cabeça. b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer:
b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele Houve um espetáculo ontem.
em que se fala: Há alunos na sala.
Fechei os olhos, agitei a cabeça. Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos
c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala: claros.
Fecharei os olhos, agitarei a cabeça. c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico.
O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o Fazia dois anos que eu estava casado.
presente. Faz muito frio nesta região?

Veja o esquema dos tempos simples em português:


Presente (falo) O VERBO HAVER (empregado impessoalmente)
INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei) O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente na
Imperfeito (falava) 3ª pessoa do singular - quando significa:
Mais- que-perfeito (falara) 1) EXISTIR
Futuro do presente (falarei) Há pessoas que nos querem bem.
do pretérito (falaria) Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.
Presente (fale) Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.

Língua Portuguesa 67 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores. EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS
2) ACONTECER, SUCEDER a) Presente
Houve casos difíceis na minha profissão de médico. Emprega-se o presente do indicativo para assinalar:
Não haja desavenças entre vós. - um fato que ocorre no momento em que se fala.
Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos. Eles estudam silenciosamente.
3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado: Eles estão estudando silenciosamente.
Há meses que não o vejo. - uma ação habitual.
Haverá nove dias que ele nos visitou. Corra todas as manhãs.
Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava. - uma verdade universal (ou tida como tal):
O fato aconteceu há cerca de oito meses. O homem é mortal.
Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa.
pretérito imperfeito, e não no presente: - fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar
Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada. maior realce à narrativa.
Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos. Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis".
Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo. É o chamado presente histórico ou narrativo.
Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava. - fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos:
4) REALIZAR-SE Amanhã vou à escola.
Houve festas e jogos. Qualquer dia eu te telefono.
Se não chovesse, teria havido outros espetáculos. b) Pretérito Imperfeito
Todas as noites havia ensaios das escolas de samba. Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar:
5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e - um fato passado contínuo, habitual, permanente:
seguido de infinitivo): Ele andava à toa.
Em pontos de ciência não há transigir. Nós vendíamos sempre fiado.
Não há contê-lo, então, no ímpeto. - um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre
Não havia descrer na sinceridade de ambos. por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas. Era uma vez...
E não houve convencê-lo do contrário. - um fato presente em relação a outro fato passado.
Não havia por que ficar ali a recriminar-se. Eu lia quando ele chegou.
c) Pretérito Perfeito
Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já
há muito (= desde muito tempo, há muito tempo): ocorrido, concluído.
De há muito que esta árvore não dá frutos. Estudei a noite inteira.
De há muito não o vejo. Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até o
momento presente.
O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com Tenho estudado todas as noites.
ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª d) Pretérito mais-que-perfeito
pessoa do singular: Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em
Vai haver eleições em outubro. relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado):
Começou a haver reclamações. A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou.
Não pode haver umas sem as outras. e) Futuro do Presente
Parecia haver mais curiosos do que interessados. Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato
Mas haveria outros defeitos, devia haver outros. futuro em relação ao momento em que se fala.
Irei à escola.
A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser f) Futuro do Pretérito
construída de três modos: Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar:
Hajam vista os livros desse autor. - um fato futuro, em relação a outro fato passado.
Haja vista os livros desse autor. - Eu jogaria se não tivesse chovido.
Haja vista aos livros desse autor. - um fato futuro, mas duvidoso, incerto.
- Seria realmente agradável ter de sair?
CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às
vezes, ironia.
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
- Daria para fazer silêncio?!
sentido da frase.
Exemplo:
Modo Subjuntivo
Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
a) Presente
A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar:
- um fato presente, mas duvidoso, incerto.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa
Talvez eles estudem... não sei.
passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva, conser-
- um desejo, uma vontade:
vando o mesmo tempo.
Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores.
b) Pretérito Imperfeito
Outros exemplos:
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
Os calores intensos provocam as chuvas.
hipótese, uma condição.
As chuvas são provocadas pelos calores intensos.
Se eu estudasse, a história seria outra.
Eu o acompanharei.
Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo.
Ele será acompanhado por mim.
e) Pretérito Perfeito
Todos te louvariam.
Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar
Serias louvado por todos.
um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as
Prejudicaram-me.
características do modo subjuntivo).
Fui prejudicado.
Que tenha estudado bastante é o que espero.
Condenar-te-iam.
d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito
Serias condenado.
do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro fato

Língua Portuguesa 68 A Opção Certa Para a Sua Realização


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passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo subjuntivo: seja esteja tenha haja
Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui- sejamos estejamos tenhamos hajamos
lamente. sejais estejais tenhais hajais
e) Futuro sejam estejam tenham hajam
Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já conclu- PRETÉRITO IMPERFEITO SIMPLES
ído em relação a outro fato futuro. fosse estivesse tivesse houvesse
fosses estivesses tivesses houvesses
Quando eu voltar, saberei o que fazer.
fosse estivesse tivesse houvesse
fôssemos estivéssemos tivéssemos houvéssemos
VERBOS AUXILIARES fôsseis estivésseis tivésseis houvésseis
INDICATIVO fossem estivessem tivessem houvessem
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
SER ESTAR TER HAVER tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ sido, esta-
PRESENTE do, tido, havido)
sou estou tenho hei PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO
és estás tens hás tivesse, tivesses, tivesses, tivéssemos, tivésseis, tivessem ( +
é está tem há sido, estado, tido, havido)
FUTURO SIM-
somos estamos temos havemos
PLES
sois estais tendes haveis
se eu for se eu estiver se eu tiver se eu houver
são estão têm hão
se tu fores se tu estive- se tu tiveres se tu houve-
PRETÉRITO PERFEITO
res res
era estava tinha havia
se ele for se ele estiver se ele tiver se ele houver
eras estavas tinhas havias
se nós formos se nós esti- se nós tiver- se nós hou-
era estava tinha havia
vermos mos vermos
éramos estávamos tínhamos havíamos
se vós fordes se vós esti- se vós tiver- se vós hou-
éreis estáveis tínheis havíes verdes des verdes
eram estavam tinham haviam se eles forem se eles esti- se eles tive- se eles hou-
PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES verem rem verem
fui estive tive houve FUTURO COMPOSTO
foste estiveste tiveste houveste tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+sido, estado,
foi esteve teve houve tido, havido)
fomos estivemos tivemos houvemos AFIRMATIVO IMPERATIVO
fostes estivestes tivestes houvestes sê tu está tu tem tu há tu
foram estiveram tiveram houveram seja você esteja você tenha você haja você
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO sejamos nós estejamos tenhamos hajamos nós
tenho sido tenho estado tenho tido tenho havido nós nós
tens sido tens estado tens tido tens havido sede vós estai vós tende vós havei vós
tem sido tem estado tem tido tem havido sejam vocês estejam tenham hajam vocês
temos sido temos estado temos tido temos havido vocês vocês
tendes sido tendes esta- tendes tido tendes havi- NEGATIVO
do do não sejas tu não estejas não tenhas tu não hajas tu
têm sido têm estado têm tido têm havido tu
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES não seja você não esteja não tenha não haja
fora estivera tivera houvera você você você
foras estiveras tiveras houveras não sejamos não esteja- não tenha- não hajamos
fora estivera tivera houvera nós mos nós mos nós nós
fôramos estivéramos tivéramos houvéramos não sejais vós não estejais não tenhais não hajais
fôreis estivéreis tivéreis houvéreis vós vós vós
foram estiveram tiveram houveram não sejam vocês não estejam não tenham não hajam
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO vocês vocês vocês
tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+sido, estado, tido IMPESSOAL INFINITIVO
, havido) ser estar ter haver
FUTURO DO PRESENTE SIMPLES IMPESSOAL COMPOSTO
serei estarei terei haverei Ter sido ter estado ter tido ter havido
serás estarás terás haverá PESSOAL
será estará terá haverá ser estar ter haver
seremos estaremos teremos haveremos seres estares teres haveres
sereis estareis tereis havereis ser estar ter haver
serão estarão terão haverão sermos estarmos termos havermos
FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO serdes estardes terdes haverdes
terei, terás, terá, teremos, tereis, terão, (+sido, estado, tido, serem estarem terem haverem
havido) SIMPLES GERÚNDIO
FUTURO DO sendo estando tendo havendo
PRETÉRITO COMPOSTO
SIMPLES tendo sido tendo estado tendo tido tendo havido
seria estaria teria haveria PARTICÍPIO
serias estarias terias haverias sido estado tido havido
seria estaria teria haveria
seríamos estaríamos teríamos haveríamos CONJUGAÇÕES VERBAIS
serieis estaríeis teríeis haveríeis
seriam estariam teriam haveriam
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO INDICATIVO
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ sido, estado, tido, PRESENTE
havido) canto vendo parto
PRESENTE SUBJUNTIVO cantas vendes partes
seja esteja tenha haja canta vende parte
sejas estejas tenhas hajas cantamos vendemos partimos

Língua Portuguesa 69 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
cantais vendeis partis cantar vender partir
cantam vendem partem cantarmos vendermos partimos
PRETÉRITO IMPERFEITO cantardes venderdes partirdes
cantava vendia partia cantarem venderem partirem
cantavas vendias partias FUTURO COMPOSTO
cantava vendia partia tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+ cantado, ven-
cantávamos vendíamos partíamos dido, partido)
cantáveis vendíeis partíeis AFIRMATIVO IMPERATIVO
cantavam vendiam partiam canta vende parte
PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES cante venda parta
cantei vendi parti cantemos vendamos partamos
cantaste vendeste partiste cantai vendei parti
cantou vendeu partiu cantem vendam partam
cantamos vendemos partimos NEGATIVO
cantastes vendestes partistes não cantes não vendas não partas
cantaram venderam partiram não cante não venda não parta
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO não cantemos não vendamos não partamos
tenho, tens, tem, temos, tendes, têm (+ cantado, vendido, par- não canteis não vendais não partais
tido) não cantem não vendam não partam
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES
cantara vendera partira
cantaras venderas partiras INFINITIVO IMPESSOAL SIMPLES
cantara vendera partira
cantáramos vendêramos partíramos PRESENTE
cantáreis vendêreis partíreis cantar vender partir
cantaram venderam partiram INFINITIVO PESSOAL SIMPLES - PRESENTE FLEXIONA-
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO DO
tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+ cantando, cantar vender partir
vendido, partido) cantares venderes partires
Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver. cantar vender partir
FUTURO DO PRESENTE SIMPLES cantarmos vendermos partirmos
cantarei venderei partirei cantardes venderdes partirdes
cantarás venderás partirás cantarem venderem partirem
cantará venderá partirá INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO IM-
cantaremos venderemos partiremos PESSOAL
cantareis vendereis partireis ter (ou haver), cantado, vendido, partido
cantarão venderão partirão INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO PESSO-
FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO AL
terei, terás, terá, teremos, tereis, terão (+ cantado, vendido, ter, teres, ter, termos, terdes, terem (+ cantado, vendido, parti-
partido) do)
Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver. GERÚNDIO SIMPLES - PRESENTE
FUTURO DO PRETÉRITO SIMPLES cantando vendendo partindo
cantaria venderia partiria GERÚNDIO COMPOSTO - PRETÉRITO
cantarias venderias partirias tendo (ou havendo), cantado, vendido, partido
cantaria venderia partiria PARTICÍPIO
cantaríamos venderíamos partiríamos cantado vendido partido
cantaríeis venderíeis partiríeis
cantariam venderiam partiriam
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO Formação dos tempos compostos
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ cantado, vendido,
partido) Com os verbos ter ou haver
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam, (+ cantado, vendi- Entre os tempos compostos da voz ativa merecem realce particular aque-
do, partido) les que são constituídos de formas do verbo ter (ou, mais raramente, haver)
Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver. com o particípio do verbo que se quer conjugar, porque é costume incluí-los
PRESENTE SUBJUNTIVO nos próprios paradigmas de conjugação:
cante venda parta
cantes vendas partas
cante venda parta MODO INDICATIVO
cantemos vendamos partamos
1) PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO. Formado do PRESENTE DO
canteis vendais partais
INDICATIVO do verbo ter com o PARTICÍPIO do verbo principal:
cantem vendam partam
PRETÉRITO IMPER- tenho cantado tenho vendido tenho partido
FEITO tens cantado tens vendido tens partido
cantasse vendesse partisse tem cantado tem vendido tem partido
cantasses vendesses partisses temos cantado temos vendido temos partido
cantasse vendesse partisse tendes cantado tendes vendido tendes partido
cantássemos vendêssemos partíssemos têm cantado têm vendido têm partido
cantásseis vendêsseis partísseis
cantassem vendessem partissem 2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO. Formado do IMPER-
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO FEITO DO INDICATIVO do verbo ter. (ou haver) com o PARTICÍPIO do
tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ cantado, verbo principal:
vendido, partido) tinha cantado tinha vendido tinha partido
Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver. tinhas cantado tinhas vendido tinhas .partido
FUTURO SIMPLES tinha cantado tinha vendido tinha partido
cantar vender partir tínhamos cantado tínhamos vendido tínhamos partido
cantares venderes partires tínheis cantado tínheis vendido tínheis partido

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tinham cantado tinham vendido tinham partido

3) FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO. Formado do FUTURO DO


VERBOS IRREGULARES
PRESENTE SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do DAR
verbo principal: Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão
terei cantado terei vendido terei partido Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram
terás cantado terás vendido terás, partido Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram
terá cantado terá vendido terá partido Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem
teremos cantado teremos vendido teremos partido Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem
tereis cantado tereis vendido tereis , partido Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem
terão cantado terão vendido terão partido
MOBILIAR
4) FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO. Formado do FUTURO DO Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam
PRETÉRITO SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem
verbo principal: Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem

teria cantado teria vendido teria partido AGUAR


terias cantado terias vendido terias partido Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam
teria cantado teria vendido teria partido Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram
teríamos cantado teríamos vendido teríamos partido Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem
teríeis cantado teríeis vendido teríeis partido
teriam cantado teriam vendido teriam partido MAGOAR
Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam
MODO SUBJUNTIVO Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes, magoa-
ram
1) PRETÉRITO PERFEITO. Formado do PRESENTE DO SUBJUNTIVO Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoem
do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal: Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar
tenha cantado tenha vendido tenha
APIEDAR-SE
tenhas cantado tenhas vendido tenhas partido
Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-nos, apiedais-
tenha cantado tenha vendido tenha partido
vos, apiadam-se
tenhamos cantado tenhamos vendido tenhamos partido
Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-nos, apiedei-
tenhais cantado tenhais vendido tenhais partido
vos, apiedem-se
tenham cantado vendido tenham partido
Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A
2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO. Formado do IMPERFEITO DO
SUBJUNTIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo MOSCAR
principal: Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais, muscam
Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, mus-
tivesse cantado tivesse vendido tivesse partido quem
tivesses cantado tivesses vendido tivesses partido Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U
tivesse cantado tivesse vendido tivesse partido
tivéssemos cantado tivéssemos vendido tivéssemos partido RESFOLEGAR
tivésseis cantado tivésseis vendido tivésseis partido Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, resfolegais,
tivessem cantado tivessem vendido tivessem partido resfolgam
Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos, resfolegueis,
3) FUTURO COMPOSTO. Formado do FUTURO SIMPLES DO SUBJUN- resfolguem
TIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal: Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece

tiver cantado tiver vendido tiver partido NOMEAR


tiveres cantado tiveres vendido tiveres partido Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam
tiver cantado tiver vendido tiver partido Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nomeáveis,
tivermos cantado tivermos vendido tivermos partido nomeavam
tiverdes cantado tiverdes vendido tiverdes partido Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes, nomea-
tiverem cantado tiverem vendido tiverem partido ram
Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem
FORMAS NOMINAIS Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem
1) INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO (PRETÉRITO IMPESSOAL). Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear
Formado do INFINITIVO IMPESSOAL do verbo ter (ou haver) com o
PARTICÍPIO do verbo principal: COPIAR
Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam
ter cantado ter vendido ter partido Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram
Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá-
2) INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO (OU PRETÉRITO PESSOAL). reis, copiaram
Formado do INFINITIVO PESSOAL do verbo ter (ou haver) com o Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem
PARTICÍPIO do verbo principal: Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem

ter cantado ter vendido ter partido ODIAR


teres cantado teres vendido teres partido Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam
ter cantado ter vendido ter partido Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odiavam
termos cantado termos vendido termos partido Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram
terdes cantado terdes vendido terdes partido Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiáreis,
terem cantado terem vendido terem partido odiaram
Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem
3) GERÚNDIO COMPOSTO (PRETÉRITO). Formado do GERÚNDIO do Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar
verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:
CABER
tendo cantado tendo vendido tendo partido
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem
Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam
Lindley Cintra, Editora Nova Fronteira, 2ª edição, 29ª impressão. Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos,
coubéreis, couberam
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam

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Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubésseis, reis, quiseram
coubessem Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram
Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, couberem Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisésseis,
O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no quisessem
imperativo negativo Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem

CRER REQUERER
Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis. requerem
Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requereste,
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam requereram
Conjugam-se como crer, ler e descrer Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requereramos,
requerereis, requereram
DIZER Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos, requerereis,
Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem requererão
Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos, requere-
Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, disséreis, ríeis, requereriam
disseram Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram
Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais,
Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam requeiram
Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos,
Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis, requerêsseis, requeressem,
dissesse Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes,
Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem requerem
Particípio dito Gerúndio requerendo
Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer Particípio requerido
O verbo REQUERER não se conjuga como querer.
FAZER
Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem REAVER
Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram Presente do indicativo reavemos, reaveis
Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouve-
Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão ram
Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis,
Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam reouveram
Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos, reou-
Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis, vésseis, reouvessem
fizessem Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes,
Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem reouverem
Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse apresen-
ta a letra v
PERDER
Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem SABER
Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem
Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam
Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos,
PODER soubéreis, souberam
Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam
Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis,
Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam soubessem
Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis, Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem
puderam
Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, possam VALER
Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis, Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem
pudessem Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham
Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham
Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
Gerúndio podendo TRAZER
Particípio podido Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem
O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam
imperativo negativo Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram
Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos,
PROVER trouxéreis, trouxeram
Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão
Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam
Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam
Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos, provê- Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam
reis, proveram Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxésseis,
Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, proverão trouxessem
Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, prove- Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxe-
riam rem
Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem
Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais. provejam Gerúndio trazendo
Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis, Particípio trazido
provessem
Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem VER
Gerúndio provendo Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem
Particípio provido Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram
QUERER Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês
Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam
Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem
Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quisé- Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem

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Particípio visto Particípio ido

ABOLIR OUVIR
Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam
Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis, Particípio ouvido
aboliram
Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão PEDIR
Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem
Presente do subjuntivo não há Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram
Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis, Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam
abolissem Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam
Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir
Imperativo afirmativo abole, aboli
Imperativo negativo não há POLIR
Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
Infinitivo impessoal abolir Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam
Gerúndio abolindo Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam
Particípio abolido
O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical há E ou I. REMIR
Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, redimem
AGREDIR Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam
Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem
Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam RIR
Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substituído por I. Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam
Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram
COBRIR Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão
Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam
Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam
Particípio coberto Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam
Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem
Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
FALIR Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Presente do indicativo falimos, falis Gerúndio rindo
Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam Particípio rido
Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram Conjuga-se como rir: sorrir
Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão VIR
Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm
Presente do subjuntivo não há Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham
Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram
Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram
Imperativo afirmativo fali (vós) Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão
Imperativo negativo não há Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam
Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Gerúndio falindo Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham
Particípio falido Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem
FERIR Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem Gerúndio vindo
Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam Particípio vindo
Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados. Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir

MENTIR SUMIR
Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem
Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam
Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam
Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir. Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir, cuspir

FUGIR Verbo ''haver'' e suas diferentes construções


Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
Por Thaís Nicoleti
Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam
“Haverão mudanças, mas creio que serão pequenas.”
IR O verbo “haver”, no sentido de “ocorrer” ou “existir”, é impessoal. Isso quer
Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão dizer que permanece na terceira pessoa do singular, pois não tem sujeito.
Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam A confusão é frequente não só na hora de escrever mas também na hora
Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram de falar. Muita gente faz a flexão do verbo, como se seu objeto direto fosse
Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram seu sujeito. É possível que a origem do erro esteja na analogia com os
Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão
verbos “existir” e “ocorrer”. Estes têm sujeito – e, portanto, as flexões de
Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam
Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão número e pessoa – e costumam antepor-se a ele. Assim:
Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão Ocorrerão mudanças.
Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão Existirão mudanças.
Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem Com o verbo “haver”, a história é outra:
Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem Haverá mudanças.
Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem É importante observar que os verbos auxiliares assumem o comportamento
Gerúndio indo dos verbos principais. Assim, temos o seguinte:

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Deverão ocorrer mudanças. 2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc.
Deverão existir mudanças. 3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
Deverá haver mudanças. 4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
Não se pode, no entanto, dizer que o verbo “haver” nunca vai para o plural, 5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
pois isso não é verdade. Ele pode, por exemplo, ser um verbo auxiliar 6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
(sinônimo de “ter” nos tempos compostos), situação em que pode ir para o Você lá sabe o que está dizendo, homem...
plural. Assim: Mas que olhos lindos!
Eles haviam chegado cedo. Veja só que maravilha!
Eles tinham chegado cedo.
Como verbo pessoal (com sujeito), pode assumir o sentido de “obter”: NUMERAL
Houveram do juiz a comutação da pena.
Como sinônimo de “considerar”, também tem sujeito:
Nós o havemos por honesto. Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.
O mesmo comportamento se observa quando empregado na acepção de
“comportar-se”: O numeral classifica-se em:
Eles se houveram com elegância diante das críticas. - cardinal - quando indica quantidade.
O plural também pode aparecer quando usado com o sentido de “lidar”. - ordinal - quando indica ordem.
Assim: - multiplicativo - quando indica multiplicação.
Os alunos houveram-se muito bem nos exames. - fracionário - quando indica fracionamento.
Fique claro, portanto, que é no sentido de “existir” e de “ocorrer”, bem como
na indicação de tempo decorrido (Há dois anos...), que o verbo “haver” Exemplos:
permanece invariável. Assim: Silvia comprou dois livros.
Haverá mudanças, mas creio que serão pequenas. Antônio marcou o primeiro gol.
Educaçãouol Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço.
O galinheiro ocupava um quarto da quintal.
ADVÉRBIO

Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad-


vérbio, exprimindo uma circunstância. QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS

Os advérbios dividem-se em: Algarismos Numerais


1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures, Roma- Arábi- Cardinais Ordinais Multiplica- Fracionários
nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde, avan- nos cos tivos
te, através, defronte, aonde, etc. I 1 um primeiro simples -
2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre, II 2 dois segundo duplo meio
nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve, dobro
brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc. III 3 três terceiro tríplice terço
3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior, IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc.
V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante, dema-
VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
siado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tanto, bem,
VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
mal, quase, apenas, etc.
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc. VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
6) NEGAÇÃO: não. IX 9 nove nono nônuplo nono
7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto, X 10 dez décimo décuplo décimo
provavelmente, etc. XI 11 onze décimo onze avos
primeiro
Há Muitas Locuções Adverbiais XII 12 doze décimo doze avos
1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à entra- segundo
da, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc. XIII 13 treze décimo treze avos
2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à noite, terceiro
às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por fim, de XIV 14 quatorze décimo quatorze
repente, de vez em quando, de longe em longe, etc. quarto avos
3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de bom XV 15 quinze décimo quinze avos
grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência, em ge- quinto
ral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a olhos vis- XVI 16 dezesseis décimo dezesseis
tos, de propósito, de súbito, por um triz, etc. sexto avos
4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui- XVII 17 dezessete décimo dezessete
na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc. sétimo avos
5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc. XVIII 18 dezoito décimo dezoito avos
6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma, oitavo
etc. XIX 19 dezenove décimo nono dezenove
7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc. avos
XX 20 vinte vigésimo vinte avos
Advérbios Interrogativos XXX 30 trinta trigésimo trinta avos
Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como? XL 40 quarenta quadragé- quarenta
simo avos
Palavras Denotativas L 50 cinquenta quinquagé- cinquenta
Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, te- simo avos
rão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão, LX 60 sessenta sexagésimo sessenta
situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc. avos
1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.

Língua Portuguesa 74 A Opção Certa Para a Sua Realização


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LXX 70 setenta septuagési- setenta avos lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido.
mo
LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos
XC 90 noventa nonagésimo noventa
CONJUNÇÃO
avos
C 100 cem centésimo centésimo Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo
Coniunções Coordenativas
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo
1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
CD 400 quatrocen- quadringen- quadringen-
2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
tos tésimo tésimo
senão, no entanto, etc.
D 500 quinhen- quingenté- quingenté-
3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer,
tos simo simo
etc.
DC 600 seiscentos sexcentési- sexcentési- 4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por
mo mo consequência.
DCC 700 setecen- septingenté- septingenté- 5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque,
tos simo simo pois, etc.
DCCC 800 oitocentos octingenté- octingenté-
simo simo Conjunções Subordinativas
CM 900 novecen- nongentési- nongentési- 1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
tos mo mo 2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
M 1000 mil milésimo milésimo 3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
Emprego do Numeral 5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que,
Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc. etc.
empregam-se de 1 a 10 os ordinais. 6) INTEGRANTES: que, se, etc.
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro) 7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
Luis X (décimo) ano I (primeiro) 8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de
Pio lX (nono) século lV (quarto) forma que, de modo que, etc.
9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais,
De 11 em diante, empregam-se os cardinais: etc.
Leão Xlll (treze) ano Xl (onze) 10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.
Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis)
Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte) VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES
Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal.
XX Salão do Automóvel (vigésimo) Examinemos estes exemplos:
VI Festival da Canção (sexto) 1º) Tristeza e alegria não moram juntas.
lV Bienal do Livro (quarta) 2º) Os livros ensinam e divertem.
XVI capítulo da telenovela (décimo sexto) 3º) Saímos de casa quando amanhecia.

Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: é
emprego do ordinal. uma conjunção.
Hoje é primeiro de setembro
Não é aconselhável iniciar período com algarismos No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligando
16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia orações: são também conjunções.

A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos ordi- Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da
nais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e dois mesma oração.
(= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam nesse
caso porque está subentendida a palavra número. Casa número vinte e um, No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma dependa
página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever também: a da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a
folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense, vemos o conjunção E é coordenativa.
numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.
No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à
outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção
ARTIGO QUANDO é subordinativa.

Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná- As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas.
los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número.
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
Dividem-se em As conjunções coordenativas podem ser:
• definidos: O, A, OS, AS 1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas
• indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS. também, mas ainda, senão também, como também, bem como.
Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular. O agricultor colheu o trigo e o vendeu.
Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado). Não aprovo nem permitirei essas coisas.
Os livros não só instruem mas também divertem.
Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso, As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polinizam
geral. as flores.
Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde- 2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com-
terminado). pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, ape-

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sar disso, em todo caso. Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
Querem ter dinheiro, mas não trabalham. Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia. afirmações.
Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce. Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele. 4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que
O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula. (= se não), a não ser que, a menos que, dado que.
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado. Ficaremos sentidos, se você não vier.
Você já sabe bastante, porém deve estudar mais. Comprarei o quadro, desde que não seja caro.
Eu sou pobre, ao passo que ele é rico. Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo.
Hoje não atendo, em todo caso, entre. "Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos
3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou, que os mosquitos se opusessem."
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc. (Ferreira de Castro)
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos. 5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas não
Ou você estuda ou arruma um emprego. são como (ou conforme) dizem.
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo. "Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando. (Machado de Assis)
"Já chora, já se ri, já se enfurece." 6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
(Luís de Camões) tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por con- forma que, de maneira que, sem que, que (não).
seguinte, pois (posposto ao verbo), por isso. Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
As árvores balançam, logo está ventando. Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável. Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te. Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, por- Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.
que, porquanto, pois (anteposto ao verbo). 7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que).
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem Afastou-se depressa para que não o víssemos.
causar incêndios. Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas. Fiz-lhe sinal que se calasse.
8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto
Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adversa- mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tan-
tivo: to mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam. À medida que se vive, mais se aprende.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde." À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
(Jorge Amado) Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo.
Os soldados respondiam, à medida que eram chamados.
Conjunções subordinativas
As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma à Observação:
outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações que São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida
traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição ou que e na medida em que. A forma correta é à medida que:
hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo). "À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem."
Abrangem as seguintes classes: (Maria José de Queirós)
1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já
que, uma vez que, desde que. 9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa: que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que,
efeito). etc.
Como estivesse de luto, não nos recebeu. Venha quando você quiser.
Desde que é impossível, não insistirei. Não fale enquanto come.
2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como, (tão Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra.
ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto) Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia.
(= como). "Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval-
Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento. cânti)
O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa. 10) Integrantes: que, se.
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias." Sabemos que a vida é breve.
(Paulo Mendes Campos) Veja se falta alguma coisa.
"Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa."
(Antônio Olavo Pereira) Observação:
"E pia tal a qual a caça procurada." Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o
(Amadeu de Queirós) chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB,
"Por que ficou me olhando assim feito boba?" porém, não consigna esta espécie de conjunção.
(Carlos Drummond de Andrade)
Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas. Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem que,
Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero. por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, etc.
Os governantes realizam menos do que prometem.
3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, por-
quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por tanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contex-
menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que to. Assim, a conjunção que pode ser:
(= embora não). 1) Aditiva (= e):
Célia vestia-se bem, embora fosse pobre. Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai.
A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer. A nós que não a eles, compete fazê-lo.
Beba, nem que seja um pouco. 2) Explicativa (= pois, porque):
Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo. Apressemo-nos, que chove.

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3) Integrante: SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
Diga-lhe que não irei.
4) Consecutiva:
FRASE
Tanto se esforçou que conseguiu vencer.
Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo.
Não vão a uma festa que não voltem cansados.
O tempo está nublado.
Onde estavas, que não te vi?
Socorro!
5) Comparativa (= do que, como):
Que calor!
A luz é mais veloz que o som.
Ficou vermelho que nem brasa.
6) Concessiva (= embora, ainda que): ORAÇÃO
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo. Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal.
Beba, um pouco que seja. A fanfarra desfilou na avenida.
7) Temporal (= depois que, logo que): As festas juninas estão chegando.
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel.
8) Final (= pare que): PERÍODO
Vendo-me à janela, fez sinal que descesse. Período é a frase estruturada em oração ou orações.
9) Causal (= porque, visto que): O período pode ser:
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vivaldo • simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta).
Coaraci) Fui à livraria ontem.
A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase: • composto - quando constituído por mais de uma oração.
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe- Fui à livraria ontem e comprei um livro.
disse. (sem que = embora não)
2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito. TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
(sem que = se não,caso não) São dois os termos essenciais da oração:
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados.
(sem que = que não) SUJEITO
4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não) Sujeito é o ser ou termo sobre o qual se diz alguma coisa.
Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações. Os bandeirantes capturavam os índios. (sujeito = bandeirantes)

PREPOSIÇÃO O sujeito pode ser :


- simples: quando tem um só núcleo
As rosas têm espinhos. (sujeito: as rosas;
Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois ter-
núcleo: rosas)
mos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o
- composto: quando tem mais de um núcleo
segundo, um subordinado ou consequente.
O burro e o cavalo saíram em disparada.
(suj: o burro e o cavalo; núcleo burro, cavalo)
Exemplos:
- oculto: ou elíptico ou implícito na desinência verbal
Chegaram a Porto Alegre.
Chegaste com certo atraso. (suj.: oculto: tu)
Discorda de você.
- indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal
Fui até a esquina.
Come-se bem naquele restaurante.
Casa de Paulo.
- Inexistente: quando a oração não tem sujeito
Choveu ontem.
Preposições Essenciais e Acidentais
Há plantas venenosas.
As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA,
DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB, SOBRE e
PREDICADO
ATRÁS.
Predicado é o termo da oração que declara alguma coisa do sujeito.
O predicado classifica-se em:
Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a ou-
1. Nominal: é aquele que se constitui de verbo de ligação mais predicativo
tras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais: afora,
do sujeito.
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante, salvo,
Nosso colega está doente.
segundo, senão, tirante, visto, etc.
Principais verbos de ligação: SER, ESTAR, PARECER,
PERMANECER, etc.
INTERJEIÇÃO Predicativo do sujeito é o termo que ajuda o verbo de ligação a
comunicar estado ou qualidade do sujeito.
Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem Nosso colega está doente.
ser: A moça permaneceu sentada.
- alegria: ahl oh! oba! eh! 2. Predicado verbal é aquele que se constitui de verbo intransitivo ou
- animação: coragem! avante! eia! transitivo.
- admiração: puxa! ih! oh! nossa! O avião sobrevoou a praia.
- aplauso: bravo! viva! bis! Verbo intransitivo é aquele que não necessita de complemento.
- desejo: tomara! oxalá! O sabiá voou alto.
- dor: aí! ui! Verbo transitivo é aquele que necessita de complemento.
- silêncio: psiu! silêncio! • Transitivo direto: é o verbo que necessita de complemento sem auxílio
- suspensão: alto! basta! de proposição.
Minha equipe venceu a partida.
LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo • Transitivo indireto: é o verbo que necessita de complemento com
valor de uma interjeição. auxílio de preposição.
Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam! Ele precisa de um esparadrapo.
Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim! • Transitivo direto e indireto (bitransitivo) é o verbo que necessita ao
mesmo tempo de complemento sem auxílio de preposição e de com-
plemento com auxilio de preposição.

Língua Portuguesa 77 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Damos uma simples colaboração a vocês. 4. VOCATIVO
3. Predicado verbo nominal: é aquele que se constitui de verbo Vocativo é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou
intransitivo mais predicativo do sujeito ou de verbo transitivo mais interpelar alguém ou alguma coisa.
predicativo do sujeito. Tem compaixão de nós, ó Cristo.
Os rapazes voltaram vitoriosos. Professor, o sinal tocou.
• Predicativo do sujeito: é o termo que, no predicado verbo-nominal, Rapazes, a prova é na próxima semana.
ajuda o verbo intransitivo a comunicar estado ou qualidade do sujeito.
Ele morreu rico. PERÍODO COMPOSTO - PERÍODO SIMPLES
• Predicativo do objeto é o termo que, que no predicado verbo-nominal,
ajuda o verbo transitivo a comunicar estado ou qualidade do objeto No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta.
direto ou indireto. Fui ao cinema.
Elegemos o nosso candidato vereador. O pássaro voou.
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO
Chama-se termos integrantes da oração os que completam a PERÍODO COMPOSTO
significação transitiva dos verbos e dos nomes. São indispensáveis à No período composto há mais de uma oração.
compreensão do enunciado. (Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
folgam.)
1. OBJETO DIRETO
Objeto direto é o termo da oração que completa o sentido do verbo Período composto por coordenação
transitivo direto. Ex.: Mamãe comprou PEIXE. Apresenta orações independentes.
(Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.)
2. OBJETO INDIRETO
Objeto indireto é o termo da oração que completa o sentido do verbo Período composto por subordinação
transitivo indireto. Apresenta orações dependentes.
As crianças precisam de CARINHO. (É bom) (que você estude.)

3. COMPLEMENTO NOMINAL Período composto por coordenação e subordinação


Complemento nominal é o termo da oração que completa o sentido de Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este
um nome com auxílio de preposição. Esse nome pode ser representado por período é também conhecido como misto.
um substantivo, por um adjetivo ou por um advérbio. (Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.)
Toda criança tem amor aos pais. - AMOR (substantivo)
O menino estava cheio de vontade. - CHEIO (adjetivo) ORAÇÃO COORDENADA
Nós agíamos favoravelmente às discussões. - FAVORAVELMENTE Oração coordenada é aquela que é independente.
(advérbio).
As orações coordenadas podem ser:
4. AGENTE DA PASSIVA - Sindética:
Agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação do verbo na Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção
voz passiva. coordenativa.
A mãe é amada PELO FILHO. Viajo amanhã, mas volto logo.
O cantor foi aplaudido PELA MULTIDÃO. - Assindética:
Os melhores alunos foram premiados PELA DIREÇÃO. Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou
ponto e vírgula.
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO Chegou, olhou, partiu.
TERMOS ACESSÓRIOS são os que desempenham na oração uma A oração coordenada sindética pode ser:
função secundária, limitando o sentido dos substantivos ou exprimindo
alguma circunstância. 1. ADITIVA:
Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas,
São termos acessórios da oração: também:
1. ADJUNTO ADNOMINAL Ele falava E EU FICAVA OUVINDO.
Adjunto adnominal é o termo que caracteriza ou determina os Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM.
substantivos. Pode ser expresso: A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ.
• pelos adjetivos: água fresca,
• pelos artigos: o mundo, as ruas 2. ADVERSATIVA:
• pelos pronomes adjetivos: nosso tio, muitas coisas Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de contraste
• pelos numerais : três garotos; sexto ano (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto, etc).
• pelas locuções adjetivas: casa do rei; homem sem escrúpulos A espada vence MAS NÃO CONVENCE.
O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO.
2. ADJUNTO ADVERBIAL Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO.
Adjunto adverbial é o termo que exprime uma circunstância (de tempo,
lugar, modo etc.), modificando o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio. 3. ALTERNATIVAS:
Cheguei cedo. Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a outra
José reside em São Paulo. (ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc).
Mudou o natal OU MUDEI EU?
3. APOSTO “OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel,
Aposto é uma palavra ou expressão que explica ou esclarece, OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!”
desenvolve ou resume outro termo da oração. (C. Meireles)
Dr. João, cirurgião-dentista,
Rapaz impulsivo, Mário não se conteve. 4. CONCLUSIVAS:
O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado. Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS,
PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO QUE,

Língua Portuguesa 78 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
etc).
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ. Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de
um adjetivo.
5. EXPLICATIVAS: Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas:
Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro que
a explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.) 1) EXPLICATIVAS:
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR. Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente,
Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS. atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-lhe uma
informação.
ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará.
É aquela que vem entre os termos de uma outra oração. Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria.
O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido.
2) RESTRITIVAS:
A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos: Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo
CONTINUAR, DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc. indispensáveis ao sentido da frase:
Pedra QUE ROLA não cria limo.
ORAÇÃO PRINCIPAL As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem.
Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui.
por um conectivo.
ELES DISSERAM que voltarão logo. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
ELE AFIRMOU que não virá. Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de
PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma) um advérbio.

ORAÇÃO SUBORDINADA As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:


Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é 1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
introduzida por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
nem sempre é a primeira do período. O tambor soa PORQUE É OCO.
Quando ele voltar, eu saio de férias.
Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS 2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma
Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR comparação.
O som é menos veloz QUE A LUZ.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA.
Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função
3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se admite:
de um substantivo.
POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram.
Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas
Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado.
substantivas classificam-se em:
CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava.
1) SUBJETIVA (sujeito) 4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese:
Convém que você estude mais. SE O CONHECESSES, não o condenarias.
Importa que saibas isso bem. . Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO?
É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é necessária.
5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato
2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto) com outro:
Desejo QUE VENHAM TODOS. Fiz tudo COMO ME DISSERAM.
Pergunto QUEM ESTÁ AI. Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI.

3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto) 6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado:


Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS. A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS.
Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE. Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA!
Daremos o prêmio A QUEM O MERECER. Tenho medo disso QUE ME PÉLO!
7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto:
4) COMPLETIVA NOMINAL Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE.
Complemento nominal. Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR.
Ser grato A QUEM TE ENSINA.
Sou favorável A QUE O PRENDAM. 8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade:
À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende.
5) PREDICATIVA (predicativo) QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo.
Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA)
9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na
Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE.
oração principal:
Não sou QUEM VOCÊ PENSA.
ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam.
QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam.
6) APOSITIVAS (servem de aposto)
Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE) 10) MODAIS: exprimem modo, maneira:
Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME. Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE.
Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE.
7) AGENTE DA PASSIVA
O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR) ORAÇÕES REDUZIDAS
A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM. Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas nominais:

Língua Portuguesa 79 A Opção Certa Para a Sua Realização


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gerúndio, infinitivo e particípio. Camara Jr. (1981: 87) assevera que a correlação “é uma constru-
ção sintática de duas partes relacionadas entre si, de tal sorte que a enun-
Exemplos: ciação de uma, dita prótase, prepara a enunciação de outra, dita apódose”.
• Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU PREPARADO. A explicitação teórica do autor admite que a correlação apresenta um
• Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ. arranjamento sintático particular, mas assume posição dissonante da de
• FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM, Chediak (1960) ao defender que a correlação não deve ser considerada
conseguirás. como um processo de estruturação sintático distinto, pois ela se estabelece
• É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS tanto por meio da coordenação como por meio da subordinação. Concor-
ATENTOS. dam com Camara Jr. (1981) vários teóricos como Bechara (1999), Luft
• AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO, (2000) e Kury (2003).
entristeceu-se.
• É interesse ESTUDARES MAIS.= É interessante QUE ESTUDES Carone (2003: 62), à maneira de Camara Jr. (1981), também prefe-
MAIS. re considerar as correlativas, bem como as justapostas, como variantes dos
• SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI, procure- processos de subordinação e coordenação, entretanto, não presta maiores
me. esclarecimentos que sustentem a opção teórica tomada. Vejamos:
As relações estabelecidas entre orações podem apresen-
TEORIA DA CORRELAÇÃO REVISITADA tar, por vezes, características de realização que as distinguem
do usual, o que tem levado alguns gramáticos a ver nisso ou-
tros tantos procedimentos sintáticos. Trata-se da correlação e
Ivo da Costa do Rosário (UERJ, UFF e UFRJ) da justaposição, variantes formais dos (...) processos (de su-
bordinação e de coordenação).

Azeredo (1979), em concordância com Luft (2000), tam-


RESUMO bém opta por defender a correlação como um subtipo ora da
subordinação ora da coordenação, funcionando como um verda-
deiro recurso expressivo de ênfase.
Pelo menos desde o século passado, verificamos que alguns
Poucos gramáticos brasileiros, entre os quais José Oiticica, têm
autores propõem a existência de não apenas dois processos de estru- identificado na correlação e na justaposição processos de estrutu-
turação sintática, mas três. Entre eles, podemos destacar Oiticica ração sintática distintos da subordinação e da coordenação. A
(1952), que desenvolveu a clássica teoria da correlação. Outros auto- maioria entende que aqueles processos servem apenas para
res filiaram-se à proposta do autor, tais como Melo (1978) e mais materializar certas relações fundamentalmente coordenativas ou
recentemente Rodrigues (2007). Por outro lado, buscando um viés subordinativas. (grifos do autor)
diverso, alguns teóricos admitem a existência da correlação, desde
que associada aos clássicos processos de subordinação e coordena- Oiticica (1952), citado por Azeredo (1979), defende a
ção, funcionando apenas como uma característica secundária. Entre ideia de que as orações consecutivas e comparativas devem ser
esses autores estão Camara Jr. (1981), Bechara (1999), Luft (2000) e consideradas correlatas, diferentemente do que preceitua a tradi-
Kury (2003). Nossa proposta visa, portanto, a investigar essas postu- ção gramatical brasileira que as considera como subordinadas
ras divergentes e traçar uma proposta de tratamento mais uniforme adverbiais.
para o assunto.
O estudo do autor, contido na célebre Teoria da Correla-
ção (1952), advoga a existência da correlação como um meca-
nismo de estruturação sintática ou procedimento sintático em
(Quanto ao estudo da correlação), faço-o agora o mais completo que que uma sentença estabelece uma relação de interdependência
com a outra no nível estrutural. Assim, a distinção entre a corre-
posso. Outros, futuramente, com mais lazer, alargarão as pesquisas, lação e os outros processos de estruturação poderia ser atestada
pois, neste assunto, deparam-nos os autores, floresta inexplorada. por meio do critério da dependência sintática. Teríamos, então,
(Oiticica, 1952:02) três processos:

CONSIDERAÇÕES INICIAIS a) Subordinação

É marcante, em nossos compêndios, a polêmica quanto à existên- – processo de hierarquização de estruturas em que as orações
cia e à caracterização da correlação, entendida como processo sintático são sintaticamente dependentes. (cf. Rodrigues, 2007: 227);
distinto da coordenação e da subordinação. A maioria dos gramáticos
tradicionais, por influência da Nomenclatura Gramatical Brasileira, não b) Coordenação
incluiu em suas obras a correlação, apesar de esta apresentar especificida-
des bem particulares em relação aos processos mais canônicos de estrutu- – processo em que as orações são sintaticamen-
ração sintática. te independentes uma das outras, caracterizando-se pelo fato
de implicarem paralelismo de funções ou valores sintáticos idên-
ticos. (cf. Rodrigues, 2007: 227);
A despeito de a NGB preconizar apenas a existência dos proces-
sos sintáticos de subordinação e coordenação, no âmbito do chamado
período composto, houve vozes e opiniões dissonantes ao longo do percur- c) Correlação
so de sua normatização. Chediak (1960: 74), consultado acerca do assun-
to, na época da elaboração da NGB, afirmou: “É lamentável que o Antepro- – processo em que “duas orações são formalmen-
jeto tenha excluído a correlação e a justaposição como processos de com- te interdependentes, relação materializada por meio de ex-
posição de período”. pressões correlatas”. (cf. Rodrigues, 2007: 231)

Ainda durante o período de consultas para a elaboração da NGB, Melo (1978: 152) também considera a correlação como
um terceiro processo de estruturação sintática, distinto da subor-
Chediak (1960: 213) nos informa que o Departamento de Letras da Univer-
dinação e da coordenação. Vejamos:
sidade do Rio Grande do Sul, em 1958, também requereu a inclusão deste
processo de estruturação sintática como distinto da subordinação e da (A correlação) é um processo sintático irredutível a qualquer dos
coordenação. outros dois (subordinação ou coordenação), um processo mais

Língua Portuguesa 80 A Opção Certa Para a Sua Realização


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complexo, em que há, de certo modo, interdependência. Nele, ESTUDOS ATUAIS ACERCA DO ASSUNTO
dá-se a intensificação de um dos membros da frase, ou de toda a
frase, intensificação que pede um termo.
A defesa da existência da correlação como um processo
distinto dos demais parece estar novamente recuperando espaço
O autor (1978: 152) amplia o escopo da correlação que, nos debates acadêmicos, haja vista as contribuições de pesquisa-
segundo ele, abarca além das consecutivas e comparativas, dores como Módolo (1999), Castilho (2004) e Rodrigues (2007).
também as equiparativas[1] e alternativas. O autor acrescenta
que, na linguagem oral, a intensificação normalmente expressa
Entretanto, a questão ainda está por ser pesquisada com
por um advérbio de intensidade (primeira parte da correlação)
maior profundidade, haja vista os estudos já realizados à nossa
seria foneticamente realizada por um esforço e alongamento
disposição terem sido publicados na forma de artigos, o que
acentuadamente maiores no produzir a tônica, como em: Chovia,
irremediavelmente conduz o pesquisador à necessidade de uma
que era um desespero!
abordagem bastante sintética para o assunto.

Castilho (2004: 143) também filia-se às ideias de Oiticica


Segundo Módolo (1999: 06), Oiticica (1952) propôs uma
(1952). Na correlação, segundo o autor, a cada elemento gra-
perspectiva funcional da teoria da correlação. Por ter sido publi-
matical na primeira oração corresponde outro elemento gramati-
cado na década de 50 do século passado, Módolo (1999) advoga
cal na segunda, sem o quê o arranjo sintático seria inaceitável.
o título de funcionalista avant la lettre para Oiticica, por ter sido
Segundo o autor, há quatro tipos de correlação: aditiva, alterna-
ele o precursor dos estudos funcionalistas nessa área da sintaxe,
tiva, consecutiva e comparativa. As duas primeiras, nas obras
antes mesmo de tais estudos terem florescido no campo da in-
tradicionais, geralmente são diluídas na coordenação e as duas
vestigação linguística.
últimas, na subordinação, o que não seria adequado devido às
suas particularidades.
De fato, um dos pilares do funcionalismo linguístico é a
preponderância da função sobre a forma, ou seja, esta estaria a
Com o autor concorda Módolo (1999), para quem a corre-
serviço daquela. Assim, diante da necessidade de maior expressi-
lação é um
vidade ou de um tipo de argumentação mais formal ou enfática,
...tipo de conexão sintática de uso relativamente nos termos de Luft (2000), houve a necessidade de criação de
frequente, particularmente útil para emprestar vigor a um arranjo sintático formal diferente dos já tradicionais esque-
um raciocínio, aparecendo principalmente nos textos mas subordinativos ou coordenativos. Vejamos:
apologéticos e enfáticos, que se destacam mais por
(06) João é rico e feliz.
expressarem opiniões, defenderem posições, angaria-
rem apoio, do que por informarem com objetividade (07) João não só é rico como também é feliz.
os acontecimentos.

Os exemplos (06) e (07), semanticamente similares,


Segundo análise de Módolo (1999), a tendência a negar a apresentam arranjos sintáticos diferentes e atendem a necessi-
existência da correlação em um nível paralelo à subordinação e à dades comunicacionais e pragmáticas distintas. No exemplo (06),
coordenação advém da herança do paradigma estruturalista, a conjunção coordenativa aditiva e simplesmente reúne dois
fundado nas dicotomias saussurianas. Filiado ao estruturalismo termos coordenados entre si, que funcionam como predicativos
linguístico, Camara Jr. (1981) teria optado por defender opinião do sujeito. Por outro lado, no exemplo (07), não podemos afir-
diversa da de Oiticica (1952) por ser fiel à disposição binária dos mar que há uma simples união de predicativos referentes ao
conceitos de Saussure, para quem a existência de um terceiro sujeito. De certa forma, há uma ideia de gradação enfática cres-
conceito na esfera da descrição linguística aniquilaria a opção cente do primeiro termo predicativo ao segundo, enunciados na
teórica pelas dicotomias. superfície da sentença.

Rodrigues (2007: 232-233) também advoga a existência Percebemos que os argumentos em defesa da correlação
da correlação como um processo que se distingue dos demais, como um terceiro processo de estruturação sintática são bastante
por conta das seguintes características: contundentes. Entretanto, a maioria dos gramáticos prefere não
considerá-la como um processo distinto dos demais, provavel-
1º - a correlação apresenta conjunções que vêm aos pa-
mente por influência da tradição normativista. Assim, a investi-
res, cada elemento do par em uma oração;
gação da questão apresenta-se como altamente relevante para
2º - no período composto por correlação, as orações não nossos estudos vernáculos.
podem ter sua ordem invertida, isto é, não apresentam a
mobilidade posicional típica das subordinadas adverbiais;
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
3º - as correlatas não podem ser consideradas parte
constituinte de outra, como ocorre com as substantivas,
as adverbiais e as adjetivas. CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinante
Vejamos um pequeno exemplário oferecido por Rodri- se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões.
gues, seguido de uma proposta de classificação, oferecida pela
autora (2007):
Principais Casos de Concordância Nominal
(01) Hoje eu trabalho mais do que trabalhava. (Rodri- 1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em
gues, 2001:57) → Correlação comparativa. gênero e número com o substantivo.
(02) Quanto mais o conheço, tanto mais o admiro. (Cu- As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico.
nha & Cintra, 2001:593) → Correlação proporcional. 2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão
normalmente para o plural.
(03) Trabalhou tanto que adoeceu. (Luft, 2000:61) Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio.
→ Correlação consecutiva.
3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai
(04) Não só trabalha de dia, senão que estuda à noite. para o masculino plural.
(Rocha Lima, 1999:261) → Correlação aditiva. Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.
(05) Você ou estuda ou trabalha, as duas coisas serão 4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais
muito difíceis. (Castilho, 2004:143) → Correlação alter- próximo:
nativa. Trouxe livros e revista especializada.
5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próxi-
mo.
Dedico esta música à querida tia e sobrinhos.

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6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram).
sujeito. 5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o
Meus amigos estão atrapalhados. sujeito paciente.
7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predica- Vende-se um apartamento.
tivo no gênero da pessoa a quem se refere. Vendem-se alguns apartamentos.
Sua excelência, o Governador, foi compreensivo. 6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o
8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo verbo para a 3ª pessoa do singular.
vão para o singular ou para o plural. Precisa-se de funcionários.
Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros). 7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha no
9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier singular e o verbo no singular ou no plural.
precedido de artigo e o segundo não vão para o plural. Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem)
Já estudei o primeiro e segundo livros. 8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural.
10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural. Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul.
Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro. 9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular.
11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a Mais de um jurado fez justiça à minha música.
que se referem. 10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando
Ela mesma veio até aqui. empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo
Eles chegaram sós. no singular.
Eles próprios escreveram. As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição.
12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere. 11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o
Muito obrigado. (masculino singular) sujeito.
Muito obrigada. (feminino singular). Deu uma hora.
13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e fica Deram três horas.
invariável quando é advérbio. Bateram cinco horas.
Quero meio quilo de café. Naquele relógio já soaram duas horas.
Minha mãe está meio exausta. 12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da
É meio-dia e meia. (hora) frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito.
14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o substan- Ela é que faz as bolas.
tivo a que se referem. Eu é que escrevo os programas.
Trouxe anexas as fotografias que você me pediu. 13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é
A expressão em anexo é invariável. um pronome relativo.
Trouxe em anexo estas fotos. Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova.
15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substitu- Fui eu que fiz a lição
em advérbios em MENTE, permanecem invariáveis. Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí-
Vocês falaram alto demais. veis.
O combustível custava barato. • que: Fui eu que fiz a lição.
Você leu confuso. • quem: Fui eu quem fez a lição.
Ela jura falso. • o que: Fui eu o que fez a lição.

16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjetivos, 14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na
sofrem variação normalmente. terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem a
Esses pneus custam caro. este sua impessoalidade.
Conversei bastante com eles. Chove a cântaros. Ventou muito ontem.
Conversei com bastantes pessoas. Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões.
Estas crianças moram longe.
Conheci longes terras. CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER
CONCORDÂNCIA VERBAL 1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos
pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e PA-
CASOS GERAIS RECER concordam com o predicativo.
Tudo são esperanças.
Aquilo parecem ilusões.
1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Aquilo é ilusão.
O menino chegou. Os meninos chegaram.
2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular. 2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER con-
O pessoal ainda não chegou. corda sempre com o nome ou pronome que vier depois.
A turma não gostou disso. Que são florestas equatoriais?
Um bando de pássaros pousou na árvore. Quem eram aqueles homens?
3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá ao
plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural. 3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará com
Os Estados Unidos são um grande país. a expressão numérica.
Os Lusíadas imortalizaram Camões. São oito horas.
Os Alpes vivem cobertos de neve. Hoje são 19 de setembro.
Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular. De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros.
Flores já não leva acento.
O Amazonas deságua no Atlântico. 4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER
Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica. fica no singular.
4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome Três batalhões é muito pouco.
no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indiferen- Trinta milhões de dólares é muito dinheiro.
temente.
A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios. 5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular.
Maria era as flores da casa.
Língua Portuguesa 82 A Opção Certa Para a Sua Realização
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O homem é cinzas. • APONTAR, MIRAR - objeto direto
O artilheiro visou a meta quando fez o gol.
6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER • pör o sinal de visto - objeto direto
concorda com o predicativo. O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia.
Dançar e cantar é a sua atividade.
Estudar e trabalhar são as minhas atividades. 11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto
Devemos obedecer aos superiores.
7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER Desobedeceram às leis do trânsito.
concorda com o pronome.
A ciência, mestres, sois vós. 12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE
Em minha turma, o líder sou eu. • exigem na sua regência a preposição EM
O armazém está situado na Farrapos.
8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infinitivo, Ele estabeleceu-se na Avenida São João.
apenas um deles deve ser flexionado.
Os meninos parecem gostar dos brinquedos. 13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo.
Os meninos parece gostarem dos brinquedos. Essas tuas justificativas não procedem.
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL com a preposição DE.
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A.
Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati- O secretário procedeu à leitura da carta.
calmente do outro.
14. ESQUECER E LEMBRAR
A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos e • quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto:
adjetivos). Esqueci o nome desta aluna.
Lembrei o recado, assim que o vi.
Exemplos: • quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto:
Esqueceram-se da reunião de hoje.
- acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM Lembrei-me da sua fisionomia.
EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
PARA = passagem 15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa.
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos.
A regência verbal trata dos complementos do verbo. • pagar - Pago o 13° aos professores.
• dar - Daremos esmolas ao pobre.
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega.
ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos.
1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
• agradecer - Agradeço as graças a Deus.
• pretender (transitivo indireto)
• pedir - Pedi um favor ao colega.
No sítio, aspiro o ar puro da montanha.
Nossa equipe aspira ao troféu de campeã.
16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto:
2. OBEDECER - transitivo indireto
O amor implica renúncia.
Devemos obedecer aos sinais de trânsito.
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposição
3. PAGAR - transitivo direto e indireto
COM:
Já paguei um jantar a você.
O professor implicava com os alunos
4. PERDOAR - transitivo direto e indireto.
• no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a preposi-
Já perdoei aos meus inimigos as ofensas.
ção EM:
5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto
Implicou-se na briga e saiu ferido
Prefiro Comunicação à Matemática.
17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição A:
6. INFORMAR - transitivo direto e indireto.
Ele foi a São Paulo para resolver negócios.
Informei-lhe o problema.
quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA:
Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso.
7. ASSISTIR - morar, residir:
Assisto em Porto Alegre.
18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa
• amparar, socorrer, objeto direto
como sujeito:
O médico assistiu o doente.
O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª
• PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto
pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente di-
Assistimos a um belo espetáculo.
ficuldade, será objeto indireto.
• SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto
Custou-me confiar nele novamente.
Assiste-lhe o direito.
Custar-te-á aceitá-la como nora.
8. ATENDER - dar atenção
Atendi ao pedido do aluno. Funções da Linguagem
• CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto Função referencial ou denotativa: transmite uma informação objetiva,
Atenderam o freguês com simpatia. expõe dados da realidade de modo objetivo, não faz comentários, nem
avaliação. Geralmente, o texto apresenta-se na terceira pessoa do singular
9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto ou plural, pois transmite impessoalidade. A linguagem é denotativa, ou seja,
A moça queria um vestido novo. não há possibilidades de outra interpretação além da que está exposta.
• GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto Em alguns textos é mais predominante essa função, como: científicos,
O professor queria muito a seus alunos. jornalísticos, técnicos, didáticos ou em correspondências comerciais.

10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto Por exemplo: “Bancos terão novas regras para acesso de deficientes”. O
Todos visamos a um futuro melhor. Popular, 16 out. 2008.

Língua Portuguesa 83 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Função emotiva ou expressiva: o objetivo do emissor é transmitir suas Substantivo: equivale a alguma coisa.
emoções e anseios. A realidade é transmitida sob o ponto de vista do
emissor, a mensagem é subjetiva e centrada no emitente e, portanto, Nesse caso, virá sempre antecedida de artigo ou outro determinante, e
apresenta-se na primeira pessoa. A pontuação (ponto de exclamação, receberá acento por ser monossílabo tônico terminado em e. Como subs-
interrogação e reticências) é uma característica da função emotiva, pois tantivo, designa também a 16ª letra de nosso alfabeto. Quando a palavra
transmite a subjetividade da mensagem e reforça a entonação emotiva. que for substantivo, exercerá as funções sintáticas próprias dessa classe
Essa função é comum em poemas ou narrativas de teor dramático ou de palavra (sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, etc.)
romântico.
Ele tem certo quê misterioso. (substantivo na função de núcleo do objeto
Por exemplo: “Porém meus olhos não perguntam nada./ O homem atrás do direto)
bigode é sério, simples e forte./Quase não conversa./Tem poucos, raros
amigos/o homem atrás dos óculos e do bigode.” (Poema de sete faces, Preposição: liga dois verbos de uma locução verbal em que o auxiliar é o
Carlos Drummond de Andrade) verbo ter.
Equivale a de. Quando é preposição, a palavra que não exerce função
Função conativa ou apelativa: O objetivo é de influenciar, convencer o sintática.
receptor de alguma coisa por meio de uma ordem (uso de vocativos),
sugestão, convite ou apelo (daí o nome da função). Os verbos costumam Tenho que sair agora.
estar no imperativo (Compre! Faça!) ou conjugados na 2ª ou 3ª pessoa Ele tem que dar o dinheiro hoje.
(Você não pode perder! Ele vai melhorar seu desempenho!). Esse tipo de
função é muito comum em textos publicitários, em discursos políticos ou de Partícula expletiva ou de realce: pode ser retirada da frase, sem prejuízo
autoridade. algum para o sentido.
Por exemplo: Não perca a chance de ir ao cinema pagando menos!
Nesse caso, a palavra que não exerce função sintática; como o próprio
Função metalinguística: Essa função refere-se à metalinguagem, que é nome indica, é usada apenas para dar realce. Como partícula expletiva,
quando o emissor explica um código usando o próprio código. Quando um aparece também na expressão é que.
poema fala da própria ação de se fazer um poema, por exemplo. Veja:
Quase que não consigo chegar a tempo.
“Pegue um jornal Elas é que conseguiram chegar.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema. Advérbio: modifica um adjetivo ou um advérbio. Equivale a quão. Quando
Recorte o artigo.” funciona como advérbio, a palavra que exerce a função sintática de adjunto
adverbial; no caso, de intensidade.
Este trecho da poesia, intitulada “Para fazer um poema dadaísta” utiliza o
código (poema) para explicar o próprio ato de fazer um poema. Que lindas flores!
Que barato!
Função fática: O objetivo dessa função é estabelecer uma relação com o
emissor, um contato para verificar se a mensagem está sendo transmitida Pronome: como pronome, a palavra que pode ser:
ou para dilatar a conversa.
Quando estamos em um diálogo, por exemplo, e dizemos ao nosso recep- • pronome relativo: retoma um termo da oração antecedente, projetando-o
tor “Está entendendo?”, estamos utilizando este tipo de função ou quando na oração consequente. Equivale a o qual e flexões.
atendemos o celular e dizemos “Oi” ou “Alô”. Não encontramos as pessoas que saíram.

Função poética: O objetivo do emissor é expressar seus sentimentos • pronome indefinido: nesse caso, pode funcionar como pronome substanti-
através de textos que podem ser enfatizados por meio das formas das vo ou pronome adjetivo.
palavras, da sonoridade, do ritmo, além de elaborar novas possibilidades de
combinações dos signos linguísticos. É presente em textos literários, publi-
citários e em letras de música. • pronome substantivo: equivale a que coisa. Quando for pronome substan-
tivo, a palavra que exercerá as funções próprias do substantivo (sujeito,
Por exemplo: negócio/ego/ócio/cio/0 objeto direto, objeto indireto, etc.)
Que aconteceu com você?
Na poesia acima “Epitáfio para um banqueiro”, José de Paulo Paes faz uma
combinação de palavras que passa a ideia do dia a dia de um banqueiro, • pronome adjetivo: determina um substantivo. Nesse caso, exerce a função
de acordo com o poeta. sintática de adjunto adnominal.
Por Sabrina Vilarinho
Que vida é essa?

Conjunção: relaciona entre si duas orações. Nesse caso, não exerce


EMPREGO DO QUE E DO SE função sintática. Como conjunção, a palavra que pode relacionar tanto
orações coordenadas quanto subordinadas, daí classificar-se como conjun-
A palavra que em português pode ser: ção coordenativa ou conjunção subordinativa. Quando funciona como
conjunção coordenativa ou subordinativa, a palavra que recebe o nome da
Interjeição: exprime espanto, admiração, surpresa. oração que introduz. Por exemplo:

Nesse caso, será acentuada e seguida de ponto de exclamação. Usa-se Venha logo, que é tarde. (conjunção coordenativa explicativa)
também a variação o quê! A palavra que não exerce função sintática Falou tanto que ficou rouco. (conjunção subordinativa consecutiva)
quando funciona como interjeição.
Quando inicia uma oração subordinada substantiva, a palavra que recebe o
Quê! Você ainda não está pronto? nome de conjunção subordinativa integrante.
O quê! Quem sumiu?
Desejo que você venha logo.

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- concordância
- regência
A palavra se - plural e singular de substantivos e adjetivos
- verbos
A palavra se, em português, pode ser: - etc.

Conjunção: relaciona entre si duas orações. Nesse caso, não exerce Daremos a seguir alguns exemplos:
função sintática. Como conjunção, a palavra se pode ser:
Encontre o termo em destaque que está erradamente empregado:
A) Senão chover, irei às compras.
* conjunção subordinativa integrante: inicia uma oração subordinada subs- B) Olharam-se de alto a baixo.
tantiva. C) Saiu a fim de divertir-se
Perguntei se ele estava feliz. D) Não suportava o dia-a-dia no convento.
E) Quando está cansado, briga à toa.
* conjunção subordinativa condicional: inicia uma oração adverbial condici- Alternativa A
onal (equivale a caso).
Se todos tivessem estudado, as notas seriam boas. Ache a palavra com erro de grafia:
A) cabeleireiro ; manteigueira
Partícula expletiva ou de realce: pode ser retirada da frase sem prejuízo B) caranguejo ; beneficência
algum para o sentido. Nesse caso, a palavra se não exerce função sintáti- C) prazeirosamente ; adivinhar
ca. Como o próprio nome indica, é usada apenas para dar realce. D) perturbar ; concupiscência
Passavam-se os dias e nada acontecia. E) berinjela ; meritíssimo
Alternativa C
Parte integrante do verbo: faz parte integrante dos verbos pronominais.
Nesse caso, o se não exerce função sintática. Identifique o termo que está inadequadamente empregado:
Ele arrependeu-se do que fez. A) O juiz infligiu-lhe dura punição.
B) Assustou-se ao receber o mandato de prisão.
Partícula apassivadora: ligada a verbo que pede objeto direto, caracteriza C) Rui Barbosa foi escritor preeminente de nossas letras.
as orações que estão na voz passiva sintética. É também chamada de D) Com ela, pude fruir os melhores momentos de minha vida.
pronome apassivador. Nesse caso, não exerce função sintática, seu papel E) A polícia pegou o ladrão em flagrante.
é apenas apassivar o verbo. Alternativa B

Vendem-se casas. O acento grave, indicador de crase, está empregado CORRETAMENTE


Aluga-se carro. em:
Compram-se joias. A) Encaminhamos os pareceres à Vossa Senhoria e não tivemos respos-
ta.
Índice de indeterminação do sujeito: vem ligando a um verbo que não é B) A nossa reação foi deixá-los admirar à belíssima paisagem.
transitivo direto, tornando o sujeito indeterminado. Não exerce propriamente C) Rapidamente, encaminhamos o produto à firma especializada.
uma função sintática, seu papel é o de indeterminar o sujeito. Lembre-se de D) Todos estávamos dispostos à aceitar o seu convite.
que, nesse caso, o verbo deverá estar na terceira pessoa do singular. Alternativa C

Trabalha-se de dia. Assinale a alternativa cuja concordância nominal não está de acordo com o
Precisa-se de vendedores. padrão culto:
A) Anexa à carta vão os documentos.
Pronome reflexivo: quando a palavra se é pronome pessoal, ela deverá B) Anexos à carta vão os documentos.
estar sempre na mesma pessoa do sujeito da oração de que faz parte. Por C) Anexo à carta vai o documento.
isso o pronome oblíquo se sempre será reflexivo (equivalendo a a si mes- D) Em anexo, vão os documentos.
mo), podendo assumir as seguintes funções sintáticas: Alternativa A

* objeto direto Identifique a única frase onde o verbo está conjugado corretamente:
Ele cortou-se com o facão. A) Os professores revêm as provas.
B) Quando puder, vem à minha casa.
C) Não digas nada e voltes para sua sala.
* objeto indireto D) Se pretendeis destruir a cidade, atacais à noite.
Ele se atribui muito valor. E) Ela se precaveu do perigo.
Alternativa E
* sujeito de um infinitivo
“Sofia deixou-se estar à janela.” Encontre a alternativa onde não há erro no emprego do pronome:
A) A criança é tal quais os pais.
Por Marina Cabral B) Esta tarefa é para mim fazer até domingo.
C) O diretor conversou com nós.
D) Vou consigo ao teatro hoje à noite.
E) Nada de sério houve entre você e eu.
CONFRONTO E RECONHECIMENTO DE FRASES Alternativa A
CORRETAS E INCORRETAS
Que frase apresenta uso inadequado do pronome demonstrativo?
A) Esta aliança não sai do meu dedo.
O reconhecimento de frases corretas e incorretas abrange praticamente
B) Foi preso em 1964 e só saiu neste ano.
toda a gramática.
C) Casaram-se Tânia e José; essa contente, este apreensivo.
Os principais tópicos que podem aparecer numa frase correta ou incorreta
D) Romário foi o maior artilheiro daquele jogo.
são:
- ortografia E) Vencer depende destes fatores: rapidez e segurança.
- acentuação gráfica Alternativa C

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Havendo verbo auxiliar, o pronome virá proclítico ou enclítico a este. (Por
que o têm perseguido? A criança tinha-se aproximado.)
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Pronomes átonos com o verbo no gerúndio. O pronome átono costuma
Palavras fora do lugar podem prejudicar e até impedir a compreensão vir enclítico ao gerúndio (João, afastando-se um pouco, observou...). Nas
de uma ideia. Cada palavra deve ser posta na posição funcionalmente locuções verbais, virá enclítico ao auxiliar (João foi-se afastando), salvo
correta em relação às outras, assim como convém dispor com clareza as quando este estiver antecedido de expressão que, de regra, exerça força
orações no período e os períodos no discurso. atrativa sobre o pronome (palavras negativas, pronomes relativos, conjun-
ções etc.) Exemplo: À medida que se foram afastando.
Sintaxe de colocação é o capítulo da gramática em que se cuida da or-
dem ou disposição das palavras na construção das frases. Os termos da Colocação dos possessivos. Os pronomes adjetivos possessivos pre-
oração, em português, geralmente são colocados na ordem direta (sujeito + cedem os substantivos por eles determinados (Chegou a minha vez), salvo
verbo + objeto direto + objeto indireto, ou sujeito + verbo + predicativo). As quando vêm sem artigo definido (Guardei boas lembranças suas); quando
inversões dessa ordem ou são de natureza estilística (realce do termo cuja há ênfase (Não, amigos meus!); quando determinam substantivo já deter-
posição natural se altera: Corajoso é ele! Medonho foi o espetáculo), ou de minado por artigo indefinido (Receba um abraço meu), por um numeral
pura natureza gramatical, sem intenção especial de realce, obedecendo-se, (Recebeu três cartas minhas), por um demonstrativo (Receba esta lem-
apenas a hábitos da língua que se fizeram tradicionais. brança minha) ou por um indefinido (Aceite alguns conselhos meus).
Sujeito posposto ao verbo. Ocorre, entre outros, nos seguintes casos: Colocação dos demonstrativos. Os demonstrativos, quando pronomes
(1) nas orações intercaladas (Sim, disse ele, voltarei); (2) nas interrogativas, adjetivos, precedem normalmente o substantivo (Compreendo esses pro-
não sendo o sujeito pronome interrogativo (Que espera você?); (3) nas blemas). A posposição do demonstrativo é obrigatória em algumas formas
reduzidas de infinitivo, de gerúndio ou de particípio (Por ser ele quem é... em que se procura especificar melhor o que se disse anteriormente: "Ouvi
Sendo ele quem é... Resolvido o caso...); (4) nas imperativas (Faze tu o tuas razões, razões essas que não chegaram a convencer-me."
que for possível); (5) nas optativas (Suceda a paz à guerra! Guie-o a mão
da Providência!); (6) nas que têm o verbo na passiva pronominal (Elimina- Colocação dos advérbios. Os advérbios que modificam um adjetivo, um
ram-se de vez as esperanças); (7) nas que começam por adjunto adverbial particípio isolado ou outro advérbio vêm, em regra, antepostos a essas
(No profundo do céu luzia uma estrela), predicativo (Esta é a vontade de palavras (mais azedo, mal conservado; muito perto). Quando modificam o
Deus) ou objeto (Aos conselhos sucederam as ameaças); (8) nas construí- verbo, os advérbios de modo costumam vir pospostos a este (Cantou
das com verbos intransitivos (Desponta o dia). Colocam-se normalmente admiravelmente. Discursou bem. Falou claro.). Anteposto ao verbo, o
depois do verbo da oração principal as orações subordinadas substantivas: adjunto adverbial fica naturalmente em realce: "Lá longe a gaivota voava
é claro que ele se arrependeu. rente ao mar."

Predicativo anteposto ao verbo. Ocorre, entre outros, nos seguintes ca- Figuras de sintaxe. No tocante à colocação dos termos na frase, salien-
sos: (1) nas orações interrogativas (Que espécie de homem é ele?); (2) nas tem-se as seguintes figuras de sintaxe: (1) hipérbato -- intercalação de um
exclamativas (Que bonito é esse lugar!). termo entre dois outros que se relacionam: "O das águas gigante caudalo-
so" (= O gigante caudaloso das águas); (2) anástrofe -- inversão da ordem
Colocação do adjetivo como adjunto adnominal. A posposição do ad- normal de termos sintaticamente relacionados: "Do mar lançou-se na gela-
junto adnominal ao substantivo é a sequência que predomina no enunciado da areia" (= Lançou-se na gelada areia do mar); (3) prolepse -- transposi-
lógico (livro bom, problema fácil), mas não é rara a inversão dessa ordem: ção, para a oração principal, de termo da oração subordinada: "A nossa
(Uma simples advertência [anteposição do adjetivo simples, no sentido de Corte, não digo que possa competir com Paris ou Londres..." (= Não digo
mero]. O menor descuido porá tudo a perder [anteposição dos superlativos que a nossa Corte possa competir com Paris ou Londres...); (4) sínquise --
relativos: o melhor, o pior, o maior, o menor]). A anteposição do adjetivo, alteração excessiva da ordem natural das palavras, que dificulta a compre-
em alguns casos, empresta-lhe sentido figurado: meu rico filho, um grande ensão do sentido: "No tempo que do reino a rédea leve, João, filho de
homem, um pobre rapaz). Pedro, moderava" (= No tempo [em] que João, filho de Pedro, moderava a
rédea leve do reino). ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
Colocação dos pronomes átonos. O pronome átono pode vir antes do
verbo (próclise, pronome proclítico: Não o vejo), depois do verbo (ênclise, Colocação Pronominal (próclise, mesóclise, ênclise)
pronome enclítico: Vejo-o) ou no meio do verbo, o que só ocorre com
formas do futuro do presente (Vê-lo-ei) ou do futuro do pretérito (Vê-lo-ia). Por Cristiana Gomes
Verifica-se próclise, normalmente nos seguintes casos: (1) depois de É o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a,
palavras negativas (Ninguém me preveniu), de pronomes interrogativos lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo.
(Quem me chamou?), de pronomes relativos (O livro que me deram...), de
advérbios interrogativos (Quando me procurarás); (2) em orações optativas Os pronomes átonos podem ocupar 3 posições: antes do verbo (próclise),
(Deus lhe pague!); (3) com verbos no subjuntivo (Espero que te comportes); no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (ênclise).
(4) com gerúndio regido de em (Em se aproximando...); (5) com infinitivo Esses pronomes se unem aos verbos porque são “fracos” na pronúncia.
regido da preposição a, sendo o pronome uma das formas lo, la, los, las
(Fiquei a observá-la); (6) com verbo antecedido de advérbio, sem pausa PRÓCLISE
(Logo nos entendemos), do numeral ambos (Ambos o acompanharam) ou Usamos a próclise nos seguintes casos:
de pronomes indefinidos (Todos a estimam).
(1) Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada,
Ocorre a ênclise, normalmente, nos seguintes casos: (1) quando o ver- ninguém, nem, de modo algum.
bo inicia a oração (Contaram-me que...), (2) depois de pausa (Sim, conta-
ram-me que...), (3) com locuções verbais cujo verbo principal esteja no - Nada me perturba.
infinitivo (Não quis incomodar-se). - Ninguém se mexeu.
- De modo algum me afastarei daqui.
Estando o verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito, a me-
- Ela nem se importou com meus problemas.
sóclise é de regra, no início da frase (Chama-lo-ei. Chama-lo-ia). Se o
verbo estiver antecedido de palavra com força atrativa sobre o pronome, (2) Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, conforme,
haverá próclise (Não o chamarei. Não o chamaria). Nesses casos, a língua embora, logo, que.
moderna rejeita a ênclise e evita a mesóclise, por ser muito formal.
- Quando se trata de comida, ele é um “expert”.
Pronomes com o verbo no particípio. Com o particípio desacompanha- - É necessário que a deixe na escola.
do de auxiliar não se verificará nem próclise nem ênclise: usa-se a forma - Fazia a lista de convidados, conforme me lembrava dos amigos sinceros.
oblíqua do pronome, com preposição. (O emprego oferecido a mim...).
(3) Advérbios

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- Aqui se tem paz. Gerúndio
- Sempre me dediquei aos estudos. - Ia-lhe dizendo o que aconteceu.
- Talvez o veja na escola. - Ia dizendo-lhe o que aconteceu.
OBS: Se houver vírgula depois do advérbio, este (o advérbio) deixa de Se houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá antes do verbo auxiliar
atrair o pronome. ou depois do verbo principal.
- Aqui, trabalha-se. Infinitivo
(4) Pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos. - Não lhe quero dizer o que aconteceu.
- Alguém me ligou? (indefinido) - Não quero dizer-lhe o que aconteceu.
- A pessoa que me ligou era minha amiga. (relativo)
- Isso me traz muita felicidade. (demonstrativo) Gerúndio
(5) Em frases interrogativas. - Não lhe ia dizendo a verdade.
- Quanto me cobrará pela tradução? - Não ia dizendo-lhe a verdade.
(6) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo).
- Deus o abençoe!
- Macacos me mordam! Figuras de Linguagem
- Deus te abençoe, meu filho!
(7) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM. As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressivas as
- Em se plantando tudo dá. mensagens. Subdividem-se em figuras de som, figuras de construção,
- Em se tratando de beleza, ele é campeão. figuras de pensamento e figuras de palavras.
(8) Com formas verbais proparoxítonas
- Nós o censurávamos. Figuras de som
MESÓCLISE
a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons conso-
Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai acontecer – ama- nantais.
rei, amarás, …) ou no futuro do pretérito (ia acontecer mas não aconteceu – “Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”
amaria, amarias, …)
b) assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênti-
- Convidar-me-ão para a festa. cos.
- Convidar-me-iam para a festa. “Sou um mulato nato no sentido lato
Se houver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória. mulato democrático do litoral.”
- Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa. c) paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons pareci-
ÊNCLISE dos, mas de significados distintos.
“Eu que passo, penso e peço.”
Ênclise de verbo no futuro e particípio está sempre errada.
Figuras de construção
- Tornarei-me……. (errada)
- Tinha entregado-nos……….(errada)
a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo
Ênclise de verbo no infinitivo está sempre certa. contexto.
“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia)
- Entregar-lhe (correta)
- Não posso recebê-lo. (correta) b) zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes.
Outros casos: Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro)
- Com o verbo no início da frase: Entregaram-me as camisas.
- Com o verbo no imperativo afirmativo: Alunos, comportem-se. c) polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da
- Com o verbo no gerúndio: Saiu deixando-nos por instantes. oração ou elementos do período.
- Com o verbo no infinitivo impessoal: Convém contar-lhe tudo. “ E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
OBS: se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrativa, e sob as pontes e sob o sarcasmo
ocorrerá a próclise: e sob a gosma e sob o vômito (...)”
- Em se tratando de cinema, prefiro o suspense.
- Saiu do escritório, não nos revelando os motivos. d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase.
“De tudo ficou um pouco.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS Do meu medo. Do teu asco.”
Locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar + infinitivo, gerúndio
e) silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas
ou particípio.
com o que se subentende, com o que está implícito. A silepse pode ser:
AUX + PARTICÍPIO: o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. Se
houver palavra atrativa, o pronome deverá ficar antes do verbo auxiliar. • De gênero
Vossa Excelência está preocupado.
- Havia-lhe contado a verdade.
- Não (palavra atrativa) lhe havia contado a verdade. • De número
AUX + GERÚNDIO OU INFINITIVO: se não houver palavra atrativa, o Os Lusíadas glorificou nossa literatura.
pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou do verbo principal.
• De pessoa
Infinitivo “O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em
- Quero-lhe dizer o que aconteceu. comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.”
- Quero dizer-lhe o que aconteceu.
f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente,
isso ocorre porque se inicia uma determinada construção sintática e
depois se opta por outra.

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A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa. das por diferentes órgãos do sentido.
A luz crua da madrugada invadia meu quarto.
g) pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a
mensagem. Vícios de linguagem
“E rir meu riso e derramar meu pranto.”
A gramática é um conjunto de regras que estabelece um determinado
h) anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início de uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão. Acontece que
versos ou frases. as normas estabelecidas pela gramática normativa nem sempre são
“ Amor é um fogo que arde sem se ver; obedecidas, em se tratando da linguagem escrita. O ato de desviar-se
É ferida que dói e não se sente; da norma padrão no intuito de alcançar uma maior expressividade,
É um contentamento descontente; refere-se às figuras de linguagem. Quando o desvio se dá pelo não
É dor que desatina sem doer” conhecimento da norma culta, temos os chamados vícios de linguagem.

Figuras de pensamento a) barbarismo: consiste em grafar ou pronunciar uma palavra em desa-


cordo com a norma culta.
a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras pesquiza (em vez de pesquisa)
que se opõem pelo sentido. prototipo (em vez de protótipo)
“Os jardins têm vida e morte.”
b) solecismo: consiste em desviar-se da norma culta na construção
b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, sintática.
obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico. Fazem dois meses que ele não aparece. (em vez de faz ; desvio na
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.” sintaxe de concordância)

c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos c) ambiguidade ou anfibologia: trata-se de construir a frase de um modo
brusca; em síntese, procura-se suavizar alguma afirmação desagradá- tal que ela apresente mais de um sentido.
vel. O guarda deteve o suspeito em sua casa. (na casa de quem: do guarda
Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou) ou do suspeito?)

d) hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática. d) cacófato: consiste no mau som produzido pela junção de palavras.
Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede) Paguei cinco mil reais por cada.

e) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanima- e) pleonasmo vicioso: consiste na repetição desnecessária de uma
dos predicativos que são próprios de seres animados. ideia.
O jardim olhava as crianças sem dizer nada. O pai ordenou que a menina entrasse para dentro imediatamente.
Observação: Quando o uso do pleonasmo se dá de modo enfático, este
f) gradação ou clímax: é a apresentação de ideias em progressão as- não é considerado vicioso.
cendente (clímax) ou descendente (anticlímax)
“Um coração chagado de desejos f) eco: trata-se da repetição de palavras terminadas pelo mesmo som.
Latejando, batendo, restrugindo.” O menino repetente mente alegremente.
Por Marina Cabral
g) apóstrofe: consiste na interpelação enfática a alguém (ou alguma Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
coisa personificada).
“Senhor Deus dos desgraçados! PREFIXOS E SUFIXOS MAIS COMUNS
Dizei-me vós, Senhor Deus!” (faculdades, funções, estados, doenças, etc)
algos = dor nevralgia, mialgia
Figuras de palavras bios = vida biologia, biopsia
crásis = temperamento compleição, idiossincrasia
a) metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente átron = articulação disartria, artralgia
do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido afé = tato disafia, anafilaxia
próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação bulé-vontade abúlico, abulia
em que o conectivo comparativo fica subentendido. cáris = graça eucaristia, carisma
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” crátos = poder, força democracia, plutocracia
dipsa = sede dipsomania, dipsético
b) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de signifi- doxa = opinião, glória paradoxo, doxomania
cado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a edema = inchação edematoso, edemaciar
ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de significados éstesis = sensação sensibilidade, estética, anestesia
não é mais feita com base em traços de semelhança, como na metáfora. éros, érotos = amor erótico, erotofobia
A metonímia explora sempre alguma relação lógica entre os termos. étos, éteos = costume tradição, ética, cacoete
Observe: foné = voz áfono, fonógrafo
Não tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa) fobos = medo, horror,
aversão fobia, acrofobia
c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo específico para frén, frenós = mente esquizofrenia, frenologia
designar um conceito, torna-se outro por empréstimo. Entretanto, devido genos = nascimento eugenia, genética
ao uso contínuo, não mais se percebe que ele está sendo empregado horama = visão panorama, cosmorama
em sentido figurado. hedoné = prazer hedonismo, hedonista
O pé da mesa estava quebrado. hipnos = sono hipnotismo, hipnose
icon = imagem iconoteca, iconoclasta
d) antonomásia ou perífrase: consiste em substituir um nome por uma gnósis = conhecimento diagnóstico, agnóstico
expressão que o identifique com facilidade: lalia = fala eulalia, dislalia
...os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles) logos = palavra, discurso logomaquia, logorréia
lépsis = convulsão epilepsia, catalepsia
e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensações percebi- léxis, léxeos = dicção dislexia léxico

Língua Portuguesa 88 A Opção Certa Para a Sua Realização


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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
lete = esquecimento letargia, letargiar JUSTA- Proximidade Justapor, justalinear
mania = loucura megalomania, manicômio
manteia (mancia) = posição posterior; pós-escrito, pospor, pos-
POS-
adivinhação quiromancia, oniromancia ulterioridade tônico
mísos - aversão, ódio misógino, misantropia anterioridade; supe- prefixo, previsão, pré-
PRE-
mneme = menória amnésia, mnemônico rioridade; intensidade história, prefácio
nárce = entorpecimento narcótico, narcotizar posição em frente;
nósos = doença nosocômio, nosofobia Proclamar, progresso,
PRO- movimento para
óneiros (oniros) = sonho onírico, oniromancia pronome, prosseguir
frente; em favor de
oréxis = fome anorexia, cinorexia
repetição; intensida- realçar, rebolar, refrescar,
paideia (pedia) = instrução, correção ortopedia, enciclopédia RE-
de; reciprocidade reverter, refluir
pépsis = digestão dispepsia, péptico
peretós = febre antipirético, piretoterapia Retroativo, retroceder,
RETRO- para trás
plegé = paralisação paraplégico, hemiplegia retrospectivo
pneuma, pneumatos = respiração pneumática, pneumoplegia semicírculo, semiconsoan-
SEMI- Metade
pseudos = mentira te, semi-analfabeto
falsidade pseudônimo, pseudófobo
posição abaixo de;
psiqué = alma psicologia, psiquiatria SUB-, SOB- subconjunto, subcutâneo,
inferioridade; insufi-
ragé = corrimento hemorragia, blenorragia , SO- subsolo, sobpor, soterrar
ciência
spasmós = convulsão espasmo, espasmofilia
sfignós = pulsação esfigmômetro, esfigmógrafo SUPER-, Superpopulação, sobrelo-
posição superior;
terapéia(terapia) = SOBRE-, ja, supra-sumo, sobrecar-
excesso
tratamento, cura terapeuta, hidroterapia SUPRA ga, superfície
timós = mente ciclotimia, lipotimia TRANS-, Transbordar, transcrever,
TRAS-, através de; posição tradição, traduzir, traspas-
PREFIXOS GREGOS E LATINOS – Microsofword TRA-, além de; mudança sar, tresloucado, tresma-
Tópico retirado da internet TRES- lhar
Prefixos Latinos ULTRA- além de; excesso Ultrapassar, ultra-sensível
Prefixos posição abaixo de; vice-reitor, visconde, vice-
Sentido Exemplos VICE-, VIS-
Latinos substituição cônsul
Afastamento; sepa-
AB-, ABS- abuso, abster-se, abdicar
ração Prefixos Gregos
Aproximação; ten- adjacente, adjunto, admi-
AD-, A-
dência; direção rar, agregar
Ateu, analfabeto, aneste-
AMBI- Duplicidade Ambivalência, ambidestro A-, NA Privação; negação
sia
Antebraço, anteontem, Repetição; separa-
ANTE- posição anterior Análise, anatomia, anáfo-
antepor ANA- ção; inversão; para
ra, anagrama
BENE-, Benevolência, benfeitor, cima
Bem; muito bom
BEN-, BEM- bem-vindo, bem-estar Duplicidade; ao
Anfíbio, anfiteatro, anfibo-
bisavô, biconvexo, bienal, ANFI- redor; de ambos os
BIS-, BI duas vezes logia
bípede, biscoito lados
CIRCUM-, ao redor; movimento Circunferência, circum- Antibiótico, anti-higiênico,
Oposição, ação
CIRCUN- em torno adjacente ANTI- antitérmico, antítese, antí-
contrária
Oposição; ação con- poda, anticristo
CONTRA- contra-ataque, contradizer
trária Separação; afasta- Apogeu, apóstolo, apósta-
APO-
COM-, Companhia; combi- Compartilhar, consoante, mento; longe de ta
CON-, CO- nação contemporâneo, co-autor ARQUI-, Posição superior; Arquitetura, arquipélago,
movimento para ARCE- excesso; primazia arcebispo, arcanjo
decair, desacordo, desfa-
DE-, DES-, baixo; afastamento; Movimento para
zer, discordar, dissociar, Catálise, catálogo, cata-
DIS- ação contrária; nega- CATA- baixo; a partir de;
decrescer plasma, catadupa
ção ordem
movimento para fora; exonerar, exportar, exu- Através de; ao longo Diafragma, diagrama,
DIA-
EX-, ES-, E- mudança de estado; mar, espreguiçar, emigrar, de diálogo, diagnóstico
separação emitir, escorrer, estender DI- Duas vezes Dipolo, dígrafo
posição exterior; extra-oficial, extraordiná-
EXTRA- Mau funcionamento; Dispnéia, discromia, di-
superioridade rio, extraviar DIS-
dificuldade senteria
posição interna;
incisão, inalar, injetar, EN-, EM-, Posição interna; Encéfalo, emblema, elip-
IN-, IM-, I-, passagem para um
impor, imigrar, enlatar, E-, ENDO- direção para dentro se, endotérmico
EN-, EM-, estado; movimento
enterrar, embalsamar, EX-, EC-,
INTRA-, para dentro; tendên- Movimento para
intravenoso, intrometer, EXO-, Êxodo, eclipse
INTRO- cia; direção para um fora; posição exterior
intramuscular ECTO-
ponto
intocável, impermeável, Posição superior;
IN-, IM-, I- negação; falta EPI- acima de; posteriori- Epiderme, epílogo
ilegal
dade
INTER-, posição intermediá- Intercâmbio, internacional,
ENTRE- ria; reciprocidade entrelaçar, entreabrir Excelência; perfei-
EU-, EV- Euforia, evangelho
ção; verdade

Língua Portuguesa 89 A Opção Certa Para a Sua Realização


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HEMI- metade Hemisfério Semi- metade Semimorto
Posição superior; Tri- Três Tricolor
HIPER- intensidade; exces- Hipérbole, hipertensão
so
Radicais Latinos
Posição inferior; Hipotrofia, hipotensão, 2º Elemento da Composição
HIPO-
insuficiência hipodérmico
Posteridade; através Metamorfose, metabolis-
META- Forma Sentido Exemplos
de; mudança mo, metáfora, metacarpo
Proximidade; ao Paradoxo, paralelo, paró- -cida Que mata Suicida, homicida
PARA- Que culti-
lado; oposto a dia, parasita
-cola va, ou Arborícola, vinícola, silvícola
Pericárdio, período, perí-
PERI- Em torno de; habita
metro, perífrase
- Ato de
PRO- Posição anterior Prólogo, prognóstico Piscicultura, apicultura
cultura cultivar
Multiplicidade; plura- Que con-
POLI- Polinômio, poliedro
lidade -fero tém, ou Aurífero, carbonífero
Simultaneidade; Sinfonia, simbiose, simpa- produz
SIN-, SIM-
reunião; resumo tia, sílaba Que faz,
-fico Benefício, frigorífico
posição abaixo de; ou produz
SUB-, subconjunto, subcutâneo, Que tem
inferioridade; insufi-