Você está na página 1de 71

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

CAMPUS CATALÃO

TOBIAS RIBEIRO FERREIRA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO:

CÁLCULO DA CAPACIDADE DE CARGA E O DIMENSIONAMENTO DE


SAPATAS ISOLADAS UTILIZANDO PLANILHAS ELETRÔNICAS

CATALÃO – GO

2013
2

TOBIAS RIBEIRO FERREIRA

CÁLCULO DA CAPACIDADE DE CARGA E O DIMENSIONAMENTO DE


SAPATAS ISOLADAS UTILIZANDO PLANILHAS ELETRÔNICAS

Trabalho desenvolvido e apresentado


como requisito para conclusão do curso de
graduação em engenharia civil, da
Universidade Federal de Goiás - Campus
Catalão.

Orientador: Rodrigo Gustavo Delalibera

CATALÃO – GO

2013
3

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação na (CIP)


GPT/BSCAC/UFG

Ferreira, Tobias Ribeiro.


F383c Cálculo da capacidade de carga e o dimensionamento de sapatas
isoladas utilizando planilhas eletrônicas [manuscrito] / Tobias Ribeiro
Ferreira – 2013.
70 f. : il., figs., tabs.

Orientador: Profº. Dr. Rodrigo Gustavo Delalibera.


Monografia (Graduação) – Universidade Federal de Goiás - Campus
de Catalão – Departamento de Engenharia de Civil, 2013.
Bibliografia.
Inclui lista de tabelas e figuras.

1. Sapatas de fundação. 2. Capacidade de carga. 3. Dimensionamento.


4. Planilhas eletrônicas. I. Título.

CDU: 624.15:004.67
4
5

Dedico este trabalho a todos os meus familiares e amigos.


Além de dedicar, quero compartilhar o mérito e celebrar,
com eles, essa vitória que marca minha vida.
6

AGRADECIMENTOS

Sou completamente grato a Deus pela oportunidade de cumprir uma etapa tão
importante na minha vida, somente por ELE foi possível ter sabedoria, ânimo,
perseverança e fé para superar cada um dos muitos desafios que se levantaram
nesses anos.

Aos meus pais, Abadio e Maria Cristina, que não mediram esforços para que eu
pudesse realizar esse sonho. Apoio, carinho e amor sempre estiveram presentes em
cada dia da minha vida.

A minha irmã, Pra. Cláudia e seu esposo Pr. Pedro Elias, que além de palavras de fé
e motivação, estavam sempre orando por minha vida. Que eles possam alcançar os
sonhos e metas pelas quais eles têm lutado.

Aos meus familiares que proporcionaram muitos momentos de descontração, alegria


e diversão, além de todo apoio que sempre esteve à disposição quando precisei.

Ao meu orientador, Rodrigo Gustavo Delalibera, que me ensinou, acompanhou e


desafiou a sempre dar um passo a mais. Além de professor indispensável à
realização deste trabalho, se tornou para mim uma referência profissional.

A todos os professores que tive durante o curso de graduação, pois sem exceção,
todos me ensinaram alguma lição importante que poderei usar não apenas na
profissão, mas também em toda a vida.

As pessoas importantes e especiais que necessito citar o nome: Júlia Borges, Teles,
Messias, Iris, Bárbara, Thimóteo, Geovanne, Paula, Franklin, Wagner, Thiago,
Jakeliny e Maiza, pois são pessoas que sempre estarão no meu coração.

Aos irmãos e irmãs da igreja Sara Nossa Terra.

Aos engenheiros civis Oscar, Ana Luiza, Artur, Roberto e Mariomar, profissionais
que me ajudaram a aprimorar os conhecimentos teóricos.

A todos que mesmo não mencionados neste texto sempre serei grato, pois
reconheço que contribuíram de forma significativa nessa fase árdua da minha vida.

Obrigado!!!
7

“O pessimista reclama do vento,


o otimista espera que ele mude,
o sábio ajusta as velas”.

(John Maxwell)
8

RESUMO

FERREIRA, T. R. (2013) Cálculo da capacidade de carga para sapatas de fundação


e o dimensionamento de sapatas isoladas utilizando planilhas eletrônicas. Trabalho
de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) – Universidade Federal de
Goiás – Campus Catalão.

As fundações são elementos vitais para toda e qualquer edificação que se possa
vislumbrar. Focado em fundações superfiais, esse trabalho propõe soluções que
envolvem conhecimentos em áreas da engenharia civil, tais como: geotecnia e
estruturas. Um dos grandes desafios da engenharia para lidar com fundações está
na determinação da capacidade de carga, pois é necessário que os conceitos
teóricos sobre as propriedades dos solos e o comportamento do sistema solo-
estrutura, sejam adequados à realidade em que se pretende executar uma
fundação. Depois de encontrada a capacidade de carga e definida a tensão
admissível do solo, devem ser adotados alguns parâmetros de resistência para os
materiais, considerar os coeficientes exigidos no procedimento técnico, para
finalmente, realizar os cálculos que definem as dimensões geométricas e a
quantidade de aço que uma sapata irá demandar para atender o estado limite de
serviço. Com embasamento em teorias de pesquisadores consagrados e em
recomendações normativas, desenvolveu-se uma planilha eletrônica capaz de
executar rotinas que facilitarão alguns dos problemas que os projetistas de fundação
encontram. No intuito de avaliar a metodologia proposta e utilizada no
desenvolvimento da planilha, foi realizada uma comparação entre os resultados
finais de uma sapata calculada pelo sistema CAD/TQS, com os resultados obtidos
na planilha. Os resultados se mostraram satisfatórios.

Palavras-chave: sapatas de fundação; capacidade de carga; dimensionamento;


planilhas eletrônicas.
9

ABSTRACT

FERREIRA, T. R. (2013) Pad foundation load capacity calculation and isolated pad
foundations sizing using electronic spreadsheets. Final Major Paper (undergraduate
degree in civil engineering) - Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão.

The foundations are essential elements for all and any building that is possible
to glimpse. Focuse on superficial foundations, this paper proposes solutions that
involve knowledge in civil engineering areas, such as geotechnical and structural.
One of the biggest engineering challenges dealing with foundations is the load
capacity determination, because it is necessary that the theoretical concepts on soils
properties and pad structure - soil system behavior, match the reality where is
intended to execute a foundation. After finding the load capacity and defined the
effective stress, it should be adopted some resistance parameters for the materials,
considering the required coefficients from the technical procedure, to finally perform
the calculations which define the geometrical dimensions and the steel quantity that a
pad foundation will require accordingly to the service limit state. Based on important
researchers theories and standards recommendations, it was developed an
electronic spreadsheet able to perform routines that will ease some of the problems
that foundations designers face. In order to evaluate the methodology utilized
throughout the spreadsheet development, it was compared the final results from a
pad foundation calculation using the spreadsheet and CAD / TQS system. The
results were satisfactory.

Keywords: pad foundations; load capacity; sizing; electronic spreadsheets.


10

LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1: Esquema do equipamento para ensaio SPT ........................................... 20

Figura 2.2: (a) Esboço da sapata isolada; (b) Sapata de um prédio em construção na
cidade de Catalão-GO. .............................................................................................. 22

Figura 2.3: Esquema de uma sapata associada ....................................................... 23

Figura 2.4: (a) Representação de uma sapata corrida; (b) Sapata corrida em obra . 23

Figura 2.5: Perspectiva de uma sapata executada na divisa do terreno. .................. 24

Figura 2.6: Representação de uma viga de fundação ............................................... 25

Figura 2.7: Bloco de fundação superficial. ................................................................ 25

Figura 2.8: (a) Esquema simplificado de um radier; (b) Estrutura de um sobrado


sobre fundação em radier. ........................................................................................ 26

Figura 3.1: Vista com as dimensões de referência da sapata. .................................. 27

Figura 3.2: (a) Ruptura Geral; (b) Gráfico Carga x Recalque na ruptura geral. ......... 28

Figura 3.3: (a) Ruptura local; (b) Gráfico carga x recalque para a ruptura local. ....... 29

Figura 3.4: (a) Ruptura por puncionamento; (b) Gráfico carga x recalque da ruptura
por puncionamento. ................................................................................................... 30

Figura 3.5: Condições para a ocorrência de ruptura em areia. ................................. 31

Figura 3.6: Modelo idealizado por Terzaghi para a ruptura geral. ............................. 32

Figura 3.7: Cunha formada no solo sob a sapata. ..................................................... 33

Figura 3.8: Fatores para a equação de Terzaghi e Peck (1967). .............................. 35

Figura 3.9: Fator de Capacidade de Carga para Skempton. ..................................... 40

Figura 3.10: Carga excêntrica com área fictícia. ....................................................... 42

Figura 3.11:Profundidade do bulbo de tensões para o caso de sapatas circular, com


duas camadas atingidas. ........................................................................................... 43

Figura 4.1: SPT com possibilidade para implantação de sapatas. ............................ 46

Figura 5.1: Dimensões em planta de uma sapata retangular. ................................... 48

Figura 5.2: Dimensões de uma sapata. ..................................................................... 49


11

Figura 5.3: Perímetros críticos para ocorrência de punção. ...................................... 51

Figura 6.1: Tensão na interface sapata/solo ............................................................. 52

Figura 6.2:Valores de ɳ para base retangular. .......................................................... 53

Figura 6.3: Ábaco para adoção de valores de k1 e k4. ............................................. 54

Figura 6.4: Seções de referência no dimensionamento. ........................................... 55

Figura 7.1: Tensões no concreto e armadura de uma sapata ................................... 56

Figura 8.1: Página de apresentação. ........................................................................ 58

Figura 8.2: Entrada de dados do solo e esforços atuantes na sapata. ...................... 59

Figura 8.3: Entrada de dados dos parâmetros do dimensionamento. ....................... 59

Figura 8.4: Determinação da capacidade de carga e tensão admissível do solo. ..... 60

Figura 8.5: Determinação da dimensões da sapata retangular. ................................ 60

Figura 8.6: Momentos fletores na sapata .................................................................. 61

Figura 8.7: Caso especial em que a sapata está parcialmente tracionada ............... 61

Figura 8.8: Verificação ao puncionamento ................................................................ 62

Figura 8.9: Valores usados no dimensionamento ..................................................... 62

Figura 8.10: Cálculos realizados no dimensionamento ............................................. 63

Figura 8.11: Layout inferior da aba de dimensionamento ......................................... 63

Figura 8.12: Detalhamento do projeto da sapata ...................................................... 64

Figura 8.13: Tutorial e referências da planilha .......................................................... 65

Figura 9.1: Dados processados no sistema CAD/TQS ............................................. 66

Figura 9.2: Dados processados pela Planilha eletrônica ........................................... 67


12

LISTA DE TABELAS

Tabela 3.1: Fatores de forma propostos por Terzghi-Peck. ...................................... 36

Tabela 3.2: Fatores de capacidade de carga de Terzghi. ......................................... 37

Tabela 3.3: Fatores de capacidade de carga de Vesic (1975) .................................. 38

Tabela 3.4: Fatores de forma de Beer. ...................................................................... 39

Tabela 5.1: Comprimento de ancoragem em função do diâmetro das barras. .......... 50

Tabela 9.1: Dados de entrada da sapata comparada ............................................... 66

Tabela 9.2: Tabela comparativa sistema CAD/TQS x Planilha ................................. 68


13

Sumário

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 15

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS .................................................................................................................. 16

1.2 JUSTIFICATIVA........................................................................................................................................ 16

1.3 OBJETIVOS.............................................................................................................................................. 17

1.4 MÉTODO .................................................................................................................................................. 17

1.5 ESCOPO DO TRABALHO ....................................................................................................................... 17

2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................... 19

2.1 CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DA FUNDAÇÃO ................................................................................ 19

2.2 INVESTIGAÇÃO DO SUBSOLO ............................................................................................................ 20

2.3 O TERMO FUNDAÇÕES DIRETAS ...................................................................................................... 21

2.4 SAPATAS ................................................................................................................................................. 22

2.4.1 Sapatas isoladas .......................................................................................... 22

2.4.2 Sapatas associadas (ou radier parcial)......................................................... 23

2.4.3 Sapatas corridas ........................................................................................... 23

2.4.4 Sapatas alavancadas ................................................................................... 24

2.5 VIGA DE FUNDAÇÃO ............................................................................................................................. 24

2.6 BLOCOS ................................................................................................................................................... 25

2.7 RADIER..................................................................................................................................................... 26

3 CAPACIDADE DE CARGA DE FUNDAÇÕES DIRETAS .................................... 27

3.1 MODOS DE RUPTURA .......................................................................................................................... 27

3.1.1 Ruptura Geral ............................................................................................... 28

3.1.2 Ruptura Local ............................................................................................... 29

3.1.3 Ruptura Por Puncionamento ........................................................................ 29

3.2 TEORIA DE TERZAGHI .......................................................................................................................... 31

3.3 PROPOSIÇÃO DE VESIC ...................................................................................................................... 37


14

3.4 OUTROS MÉTODOS .............................................................................................................................. 40

3.5 BULBO DE TENSÕES ............................................................................................................................ 43

4 TENSÃO ADMISSÍVEL EM FUNDAÇÕES POR SAPATAS ............................... 44

4.1 MÉTODOS TEÓRICOS .......................................................................................................................... 44

4.2 MÉTODOS SEMIEMPÍRICOS................................................................................................................ 45

5 DIMENSÕES GEOMÉTRICAS DA SAPATA ....................................................... 47

5.1 DIMENSÕES EM PLANTA ...................................................................................................................... 47

5.2 CÁLCULO DA ALTURA DE UMA SAPATA ........................................................................................... 49

6 CÁLCULO DOS ESFORÇOS ............................................................................... 52

6.1 FLEXÃO .................................................................................................................................................... 55

7 DIMENSIONAMENTO .......................................................................................... 56

8 PLANILHA DESENVOLVIDA ............................................................................... 58

8.1 APRESENTAÇÃO .................................................................................................................................... 58

8.2 DADOS DE ENTRADA ............................................................................................................................ 58

8.3 DETERMINAÇÃO DA CAPACIDADE DE CARGA ................................................................................ 60

8.4 CÁLCULO DAS DIMENSÕES DA SAPATA ISOLADA ......................................................................... 60

8.5 CÁLCULO DOS MOMENTOS FLETORES............................................................................................ 61

8.6 VERIFICAÇÃO DA FORÇA CORTANTE ............................................................................................... 62

8.7 DIMENSIONAMENTO DAS BARRAS DE AÇO LONGITUDINAIS ...................................................... 62

8.8 DETALHAMENTO .................................................................................................................................... 64

8.9 TUTORIAL E REFERÊNCIAS DA PLANILHA ....................................................................................... 65

9 ANÁLISE DOS RESULTADOS ............................................................................ 66

10 CONCLUSÕES ..................................................................................................... 69

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 70
15

1 INTRODUÇÃO

Toda edificação que se possa imaginar, independente de sua dimensão,


material, ou local de implantação, está sujeita às ações de vento, temperatura, carga
proveniente de seu peso próprio, cargas móveis e ainda ações excepcionais como
sismos e colisões. A existência dessas ações produz esforços em toda a estrutura
da edificação, para que esta (seja ela um edifício, uma casa, um terminal de cargas
ou uma ponte) não deixe de apresentar condições de utilização, os conjuntos de
esforços resultantes deverão ser obrigatoriamente resistidos por cada um dos
elementos estruturais que a compõe tais como: lajes, vigas, pilares e pela fundação.

Os elementos da estrutura possuem um elevado grau de importância para as


construções, todavia, os elementos da fundação merecem destaque, pois eles são
responsáveis por receber e transmitir todos os esforços da edificação para o
subsistema geotécnico (maciço de solo) que está situado sob a construção. Essa
transferência precisa distribuir as ações com segurança e de modo que não cause
recalques diferenciais prejudiciais ao sistema estrutural, ou ruptura do solo.

De acordo com a NBR 6122:2010, as fundações são classificadas da seguinte


forma:

Fundação superficial (ou rasa ou direta) são elementos de


fundação em que a carga é transmitida ao terreno, predominantemente
pelas pressões distribuídas sob a base da fundação, e em que a
profundidade de assentamento em relação ao terreno adjacente é inferior a
duas vezes a menor dimensão da fundação. Incluem-se neste tipo de
fundação as sapatas, os blocos, os radiers, as sapatas associadas, as vigas
de fundação e as sapatas corridas.

Fundação profunda são elementos de fundação que transmitem a


carga ao terreno pela base (resistência de ponta), por sua superfície lateral
(resistência de fuste) ou por uma combinação das duas, e que está assente
em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão em planta, e no
mínimo 3 m, salvo justificativa. Neste tipo de fundação incluem-se as
estacas, os tubulões e os caixões.

De um modo geral as fundações superficiais apresentam grande resistência


contra ruptura por cisalhamento e são mais viáveis economicamente se comparadas
às fundações profundas.
16

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A definição, o projeto e a execução de uma fundação devem ser considerados


como etapas vitais de uma construção, uma vez que toda obra terá de ser suportada
pelo solo abaixo da região em que esta se encontre. Devido ao fato das camadas de
solo ser tão heterogêneas, sua investigação deve ser criteriosa a fim de que os
resultados dos ensaios possam dar condições ao engenheiro para decidir qual o
melhor solução a ser adotada, levando em conta os seguintes aspectos:

 Qual sistema seria ideal para o perfil geotécnico definido pela sondagem;
 Em termos de técnica executiva e viabilidade econômica qual caminho adotar.

Como resposta a essas considerações surgiriam inúmeras fundações,


contudo todas elas são inseridas dentro dos dois grupos (superficiais ou profundas)
apresentados anteriormente.

As soluções potencialmente viáveis dependerão do solo, da região de


implantação e da concepção de projeto. Nos dias atuais as empresas tem priorizado
a redução de custos e, por vezes, não tem primado pela boa técnica. Em função
disso graves problemas patológicos em fundações de edifícios vêm ocorrendo
sistematicamente, gerando gastos adicionais e muito superiores aos previstos
inicialmente, essas despesas poderiam ser evitadas pelo simples fato de dar à
fundação a atenção que lhe é devida.

1.2 JUSTIFICATIVA

Em fundações, o custo e a técnica são fatores que devem ser estudados


antes da implantação de um projeto. Assim, esse trabalho é justificado pela
necessidade que há em se adotar uma metodologia consagrada no meio técnico,
para que o projetista tenha condições de avaliar quais são as soluções existentes
para o seu “problema” e dentre elas qual a melhor.

Além disso, ressalta-se que num âmbito geral a etapa do projeto de fundação
não recebe a devida importância, principalmente quando há possibilidade de adoção
de fundações superficiais. Isso gera a necessidade de uma revisão bibliográfica
aprofundada do assunto a fim de que todos os parâmetros necessários para a
análise do solo e desenvolvimento do projeto sejam levados em consideração,
17

assegurando ao empreendedor e construtor um dimensionamento econômico,


seguro e eficaz.

1.3 OBJETIVOS

Os objetivos deste trabalho são: elaborar uma revisão bibliográfica a cerca


das fundações superficiais (blocos, sapatas isoladas rígidas e flexíveis, sapatas
associadas); definir o tipo de fundação mais adequada para um perfil geotécnico
tendo como base aspectos técnicos e econômicos; desenvolver uma rotina
computacional para dimensionar e detalhar sapatas isoladas a partir da carga do
pilar e do perfil geotécnico do terreno.

1.4 MÉTODO

O método aplicado para a realização deste trabalho parte do estudo sobre as


vantagens econômicas e técnicas quanto ao uso de fundações superficiais.
Encontradas as principais razões dessa solução não ser tão utilizada, fez-se um
estudo sobre como contribuir com projetistas e pesquisadores que atuam nessa
área. Para dar tal contribuição, escolheu-se um programa computacional (plataforma
Excel) para o desenvolvimento das rotinas mostradas durante o embasamento
teórico do trabalho. Por fim, foram comparados os resultados do sistema CAD/TQS
com os da planilha eletrônica desenvolvida.

1.5 ESCOPO DO TRABALHO

A seguir serão apresentados os conteúdos que compõem os capítulos deste


trabalho de conclusão de curso:

Capítulo 2: Referencial teórico – voltado para definição do tipo de fundação


mais adequado, considerando os critérios fundamentais de segurança, economia e
técnica. Apresenta também todas as classificações existentes para fundações
superficiais definidas na norma brasileira.

Capítulo 3: Capacidade de carga de fundações diretas – apresenta os modos


pelos quais a ruptura poderá acontecer, expõe ainda alguns dos principais teóricos
que contribuíram com metodologias para estimar a capacidade que o solo suporta.

Capítulo 4: Tensão admissível em fundações por sapatas – mostra alguns


métodos para calcular a tensão admissível utilizada nos projetos de fundação.
18

Capítulo 5: Dimensões geométricas da sapata – explica a sequência


necessária para que sejam encontradas todas as dimensões de uma sapata,
mostrando coeficientes de singular importância para a segurança.

Capítulo 6: Cálculo dos esforços – esclarece sobre as possíveis tensões que


as sapatas estão sujeitas, definindo como encontrar a tensão que será utilizada no
cálculo da quantidade de aço exigido pela sapata.

Capítulo 7: Dimensionamento – aborda sucintamente sobre o equilíbrio de


forças que resulta na área de aço do elemento estrutural.

Capítulo 8: Planilha desenvolvida – apresenta cada aba da rotina


desenvolvida para calcular desde a capacidade de carga até o chegar ao
detalhamento final.

Capítulo 9: Análise dos resultados – faz uma comparação entre os resultados


de um programa consagrado no meio técnico, com os resultados fornecidos pela
planilha eletrônica.

Capítulo 10: Conclusões – opiniões formadas a partir do desenvolvimento


deste trabalho.

Referências: Livros, normas, artigos e sites utilizados no embasamento


teórico e no desenvolvimento da planilha eletrônica.
19

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Aqui serão apresentadas definições necessárias para a escolha do tipo mais


apropriado de fundação, abordando o processo de investigação do subsolo, uma
breve discussão sobre o termo fundações diretas, os tipos mais comuns de
fundações superficiais enfatizando as sapatas e como proceder para o seu
dimensionamento.

2.1 CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DA FUNDAÇÃO

Para que uma fundação desempenhe o papel de transmitir os esforços


oriundos da edificação para a infraestrutura de forma eficiente e eficaz, assegurando
que o proprietário tenha investido somente o mínimo necessário e que o projetista e
executor da fundação tenha certeza quanto à qualidade de seus serviços, se faz
necessário a observância dos seguintes itens:

 Topografia da área: onde se obtém dados de taludes e encostas no terreno;


necessidade de cortes e aterros; informações sobre erosões e solos moles na
superfície; ocorrência de obstáculos.
 Características do solo: para conhecer as camadas que compõem o
substrato, bem como a profundidade dessas camadas; faixas de solo
resistentes ou adensáveis; determinação da profundidade do nível d’água.
 Particularidades da edificação: para que a fundação seja adequada à
arquitetura e ao uso da estrutura, verifique a existência de subsolos ou cargas
específicas atuantes.
 Construções vizinhas: para que sejam evitados métodos construtivos que
de alguma forma cause dano ou perturbações nas edificações já existentes;
além disso, investigar patologias já instaladas nessas construções.
 Aspectos culturais: onde deverá ser avaliado se há na região, mão de obra
especializada para o desenvolvimento das atividades.
 Aspectos econômicos: onde deverão ser observados os custos diretos
como execução do serviço e materiais empregados; prazo para execução,
visto que em algumas situações o tempo é muito significativo, justificando
inclusive a adoção de soluções mais onerosas, porém realizadas em tempo
reduzido.
20

2.2 INVESTIGAÇÃO DO SUBSOLO

Dentre as muitas variáveis envolvidas na escolha da fundação, o ponto


determinante é o conhecimento sobre as camadas de solo subjacentes à
construção. Uma vez que este conhecimento conduzirá o projetista desde o método
de cálculo a ser adotado, passando pelos coeficientes de segurança a serem
considerados até chegar às cargas críticas que causariam a ruptura do solo e
consequentemente definem a tensão admissível.

No meio técnico brasileiro e praticamente em todo o mundo, a ferramenta


mais popular, econômica e rotineiramente empregada para investigação do solo é o
Standart Penetration Test (SPT). Essa ferramenta permite que seja avaliada a
densidade de solos granulares e ainda, identificar a consistência de solos coesivos
ou mesmo de rochas brandas.

O ensaio SPT, definido pela NBR 6484:2001 como uma sondagem para
simples reconhecimento do solo, é executado pela perfuração do solo com tradagem
e circulação de água utilizando o trépano de lavagem para a perfuração, o
equipamento completo pode ser visto na figura 2.1.

Figura 2.1: Esquema do equipamento para ensaio SPT

Tripé
Roldana

Peso
65 kg
75 cm

Guia

Reservatório Corda
de água

Furo de 2 1/2"

Hastes

Amostrador

Fonte: Próprio autor


21

Durante a execução do ensaio, retiram-se amostras do solo a cada metro


utilizando um amostrador padrão, com diâmetro externo de 50 mm. O processo de
sondagem se inicia com a perfuração do solo até uma profundidade de 55 cm, em
seguida o trépano de perfuração é substituído pelo amostrador padrão que é
cravado no solo usando um peso de 65,0 kg, caindo de uma altura de 750 mm.
Devem ser registrados os números de golpes necessários para que o amostrador
penetre camadas de 15 cm no maciço de solo, até que sejam atingidos os 45 cm
finais da camada de um metro. O valor NSPT será a soma dos golpes necessários
para cravação do amostrador nos 30 cm finais.

O critério para a paralisação do ensaio é de, no mínimo, 3 metros em solo


com NSPT superior a 40 golpes, ou com paralisação por ser impenetrável com
avanço a lavagem. Em condições ideais, consegue-se penetrar mais que 40 metros
de profundidade com o método SPT. Porém, surgem limitações quando acontece a
“nega”, ou seja, quando se obtém uma penetração menor do que 5 centímetros em
10 golpes consecutivos, ou; também quando há ocorrência de matacões,
obstruções, e rochas que o equipamento não consegue perfurar.

2.3 O TERMO FUNDAÇÕES DIRETAS

Como citado anteriormente neste trabalho, as fundações superficiais são


classificadas também como diretas, pois a única forma de transmissão de esforços
se dará pela base (NBR 6122:2010).

Há de se tomar cuidado, porém, para que não se entenda que toda fundação
que tem transmissão unicamente pela base seja classificada intuitivamente como
superficial, há possibilidade de que isso aconteça em fundações profundas. No caso
de tubulões, por exemplo, todo atrito lateral que eles desenvolvem é desconsiderado
por hipóteses de projeto. Além disso, os tubulões pneumáticos, devido ao seu
processo executivo, não possuem nenhum atrito lateral, consequentemente, a forma
que os esforços serão conduzidos para o maciço de solo será exclusivamente pela
área da base alargada.

A seguir serão apresentadas as principais fundações superficiais definidas


pela NBR 6122:2010.
22

2.4 SAPATAS

As sapatas são elementos de fundação superficial, executadas em concreto


armado e dimensionadas de maneira que os esforços de tração atuantes nesse
elemento sejam suportados unicamente pelas barras de aço. A base das sapatas
podem ser de forma quadrada, retangular ou trapezoidal, sua altura é reduzida
quando comparada às dimensões da base.

Existem várias designações ou classificações para esses elementos; elas


serão apresentadas a seguir.

2.4.1 SAPATAS ISOLADAS

São as sapatas que suportam o carregamento de um único elemento vertical


da estrutura (pilar), o carregamento pode ser recebido de forma centrada ou
excêntrica, este tipo de sapata assume inclusive o formato circular para a base. É o
tipo encontrado com maior frequência.

Sua representação pode ser observada na figura 2.2 (a), enquanto que um
exemplo prático é mostrado na figura 2.2 (b)

Figura 2.2: (a) Esboço da sapata isolada; (b) Sapata de um prédio em construção na
cidade de Catalão-GO.

(a) (b)

Fonte: Próprio autor


23

2.4.2 SAPATAS ASSOCIADAS (OU RADIER PARCIAL)

As sapatas associadas são utilizadas nos casos em que as cargas estruturais


são muito altas em relação à tensão admissível do solo, gerando interferência entre
as sapatas de pilares próximos que não estejam situados num mesmo alinhamento.
Portanto, esses elementos são caracterizados por receberem a ação de dois ou
mais pilares. O ideal é que a sapata esteja centrada no centro de carga dos pilares A
representação desse elemento pode ser vista na figura 2.3.

Figura 2.3: Esquema de uma sapata associada

Fonte: Próprio autor

2.4.3 SAPATAS CORRIDAS

São sapatas que recebem a ação de cargas distribuídas linearmente, ou seja,


são elementos de fundação superficial que suportam diretamente o peso de uma
alvenaria ou uma sequencia muito próxima de pilares. Ver figura 2.4.

Figura 2.4: (a) Representação de uma sapata corrida; (b) Sapata corrida em obra

(a) (b)

Fonte: (a) Próprio autor, (b) Site: Picasaweb


24

2.4.4 SAPATAS ALAVANCADAS

Método adotado para o caso de pilares posicionados junto à divisa do terreno,


como apresentado na figura 2.5. O momento produzido pelo não posicionamento do
pilar sobre o centro da sapata, deve ser absorvido por uma viga, chamada viga de
equilíbrio, que se apoiada na sapata junto à divisa e em alguma sapata construída
para pilar interno.

Figura 2.5: Perspectiva de uma sapata executada na divisa do terreno.

Fonte: Próprio autor

Uma indicação da NBR 6122 (2010) a ser destacada é que: quando ocorrer
uma redução das ações (efeito produzido na sapata interna), esta sapata deve ser
dimensionada, considerando-se apenas 50% de alívio da força solicitante; e quando
da soma dos alívios totais puder resultar tração na fundação do pilar interno, o
projeto deve ser revisto.

2.5 VIGA DE FUNDAÇÃO

Pode-se dizer que as vigas de fundação são casos especiais das sapatas
associadas, porém, aqui os pilares encontram-se situados no mesmo alinhamento,
como mostra a figura 2.6.
25

Figura 2.6: Representação de uma viga de fundação

Fonte: Próprio autor

2.6 BLOCOS

Elementos de fundação superficial executados com concreto simples ou


ciclópico. Nesse elemento não há necessidade de se colocar armadura, pois o
mesmo é dimensionado de tal forma que, as tensões de tração produzidas em seu
interior são resistidas pelo próprio concreto. Em geral, são elementos de grande
rigidez, podem ter suas faces verticais, inclinadas ou escalonadas e sua base pode
ser quadrada ou retangular, como apresentado na figura 2.7.

Figura 2.7: Bloco de fundação superficial.

Fonte: Próprio autor


26

2.7 RADIER

Quando o somatório das áreas em planta, das sapatas, totalizam mais de


70% da área do terreno, recomenda-se o emprego de radier. Esse elemento de
fundação, é uma sapata associada, que forma uma laje espessa, para receber todos
os pilares ou ações distribuídas, como é mostrado na figura 2.8.

Figura 2.8: (a) Esquema simplificado de um radier; (b) Estrutura de um sobrado


sobre fundação em radier.

(a) (b)

Fonte: (a) Próprio autor; (b) Site: Arcoweb


27

3 Capacidade de Carga de Fundações Diretas

Para o entendimento de como se comporta o sistema de uma fundação


superficial, considera-se uma sapata de concreto armado, conforme figura 3.1.

Figura 3.1: Vista com as dimensões de referência da sapata.

B
P

L
Solo
h

s
Vista Frontal Vista Superior

Fonte: Próprio autor

Com aplicação da força P, pelo princípio da ação e reação, será produzida


uma tensão em toda a área B x L. Elevando essa força de tal maneira que o sistema
sapata-solo atinja a ruptura, diz-se que o conjunto superou sua capacidade de
carga, ou seja, a solicitação máxima resistida pela fundação, ainda em condições de
uso, foi atingida (CINTRA,2011).

Portanto, a capacidade de carga da fundação nada mais é, do que a tensão


que coloca o todo sistema sapata-solo na iminência da ruptura. Ruptura esta que
poderá se desenvolver nas formas apresentadas a seguir.

3.1 MODOS DE RUPTURA

As formulações para determinação ou previsão da capacidade de carga das


fundações em geral, foram desenvolvidas a partir do conhecimento do tipo de
ruptura que o solo pode apresentar. Essa ruptura se dá a partir das condições de
carregamento que atua sobre o elemento de fundação. De maneira ampla, a ruptura
do solo é caracterizada por recalques sem que o esforço atuante seja alterado, ou
também, poderia ser o giro da sapata levantando uma porção de solo. Portanto, a
palavra ruptura não significa que a fundação se despedaçou ou quebrou, mas sim
que ela não apresenta condições de suporte para a estrutura que está sobre ela.
28

Considerando o solo como um meio elástico, homogêneo, isotrópico, semi-


infinito e aplicando-se uma carga sobre uma fundação até que ela entre em colapso,
poderão ocorrer três tipos de ruptura no solo: ruptura geral, ruptura local e ruptura
por puncionamento.

3.1.1 RUPTURA GERAL

Este tipo de ruptura é característico de solos que apresentam resistência mais


elevadas, ou seja, solos compactos ou rijos. No caso das sapatas, outro fator que
contribui para a ocorrência desse fenômeno é a pouca profundidade em que se
apoia o elemento de fundação dentro do maciço de solo.

No processo da ruptura geral há a formação de uma cunha, que tem


movimento vertical para baixo, e que empurra lateralmente duas outras cunhas, que
tendem a levantar o solo adjacente à fundação. Segundo Cintra (2011), a superfície
em que ocorre a ruptura é contínua desde a borda esquerda da base da sapata até
a superfície do terreno à direita da mesma, ou por simetria, da borda direita até o
terreno à esquerda como pode ser observado na figura 3.2 (a). Observando a curva
do gráfico carga x recalque na figura 3.2 (b), nota-se que existe um ponto bem
definido de carga máxima, isso caracteriza a ruptura como súbita e catastrófica,
podendo ocasionar o tombamento da sapata para um lado ou outro e produzir uma
considerável saliência na superfície do terreno.

Figura 3.2: (a) Ruptura Geral; (b) Gráfico Carga x Recalque na ruptura geral.

Carga

Recalque
(a) (b)

Fonte: Adaptado de Cintra, 2011


29

3.1.2 RUPTURA LOCAL

Para Vesic (1975 apud CINTRA, 2011), a ruptura local é considerada como
um caso intermediário entre a ruptura geral e a ruptura por puncionamento. Neste
tipo de ruptura é formada uma cunha no solo, contudo, a superfície de deslizamento
do maciço de solo não é bem definida, a menos que o recalque atinja um valor igual
à metade da largura da fundação, conforme representado na figura 3.3 (a). A ruptura
local ocorre geralmente em areias medianamente compactas ou argilas médias,
sendo que a deformação ocorrida no solo é classificada como plástica.

Figura 3.3: (a) Ruptura local; (b) Gráfico carga x recalque para a ruptura local.

Carga

Recalque
(a) (b)

Fonte: Próprio autor

3.1.3 RUPTURA POR PUNCIONAMENTO

O terceiro caso possível para a ruptura se dá por puncionamento, este caso


apresenta maior dificuldade de ser observado visto que não há a formação de
protuberância na região externa à edificação. Com a ação do carregamento sobre a
fundação, o elemento estrutural tende a afundar significativamente em decorrência
da tensão de compressão exercida no solo subjacente à sapata, como se observa
na figura 3.4 (a). Além disso, nesse tipo de ruptura o equilíbrio vertical e horizontal
da fundação é mantido.

Assim, a ruptura só é verificada medindo-se os recalques da fundação. As


situações que normalmente ocorre essa situação são solos muito compressíveis, em
fundações profundas ou em radiers.
30

Figura 3.4: (a) Ruptura por puncionamento; (b) Gráfico carga x recalque da ruptura
por puncionamento.

Carga

Recalque
(a) (b)

Fonte: Próprio autor

É de singular importância destacar que o pioneiro no estudo dos modos de


ruptura foi Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011). Ele caracterizou dois modos
extremos de ruptura, não criando uma definição para a situação intermediária. Suas
classificações foram: ruptura geral para solos resistentes (muito rígidos) e ruptura
local para solos não resistentes (pouco rígidos). Assim, para evitar confusão de
nomenclatura, deve ser interpretado que a ruptura local de Terzaghi (1943 apud
CINTRA, 2011) equivale à ruptura por puncionamento de Vesic (1975 apud CINTRA,
2011).

A forma pela qual a ruptura de um solo ocorre não depende unicamente da


sua rigidez, há também influencia do embutimento da sapata no maciço de solo.
Vesic (1975 apud CINTRA, 2011) estabeleceu as condições de ocorrência dos
modos de ruptura, para o caso de areia, em função da compacidade relativa e do
embutimento da sapata h/B*, com B* dado pela equação 3.1.

2𝐵𝐿
𝐵∗ = (3.1)
𝐵+𝐿

Com a consideração de Vesic (1975 apud CINTRA, 2011), foi desenvolvido


um gráfico, mostrado na figura 3.5, em que são visualizadas facilmente as condições
de ocorrência dos modos de ruptura.
31

Figura 3.5: Condições para a ocorrência de ruptura em areia.

Compacidade Relativa
0,2 0,4 0,6 0,8 1,0
0

Ruptura
1
Embutimento Relativo h/B*
Geral

2 Ruptura
Local

3
Puncionamento

Fonte: Adaptado de Cintra, 2011

Com a figura acima, pode ser observado também que com o aumento da
profundidade para uma areia medianamente compacta, a ruptura local pode passar
para puncionamento e, para uma areia de maior compacidade a fundação pode
sofrer os três tipos de ruptura, dependendo da profundidade em que se apoia o
elemento de fundação. Além disso, a partir da relação h/B* = 4,5, só existe a
possibilidade de ocorrência da ruptura por puncionamento, independendo da
compacidade da areia.

3.2 TEORIA DE TERZAGHI

Karl Terzaghi, considerado o pai da mecânica dos solos, foi precursor no


desenvolvimento de uma teoria para a determinação da capacidade de carga de
fundações superficiais, onde, considera-se o sistema sapata-solo. Para o
desenvolvimento de suas pesquisas, Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011) considera
três hipóteses de simplificação:

 As relações entre comprimento (L) e largura (B) devem ter uma proporção
onde L seja pelo menos cinco vezes a dimensão de B (L ≥ 5B). Assim, o
problema é simplificado para um caso bidimensional. De maneira prática
trata-se de sapatas corridas;
32

 A profundidade em que o elemento de fundação se apoia no solo, deve ser


inferior à largura da sapata (h ≤ B). Com essa simplificação permite-se
desprezar a resistência ao cisalhamento da camada de solo situada acima da
camada de assentamento da sapata, substituindo essa camada de espessura
h e peso específico do solo γ por uma sobrecarga q = γ h;
 O solo subjacente à sapata é compacto ou rijo, caracterizando a ruptura geral.

Com essas considerações, Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011) constrói o


modelo representado na figura 3.6, nesse modelo a superfície potencialmente sujeita
à ruptura, formada pelos pontos ORST, possui trechos retos (OR e ST) e uma
espiral logarítmica no seu trecho intermediário (RS), formam-se também três regiões
distintas (I, II e III) dentro do maciço de solo com coesão c, ângulo de atrito φ e peso
especifico γ.

Figura 3.6: Modelo idealizado por Terzaghi para a ruptura geral.

q=?h

O a sr O' 45°-f /2 45°-f /2 T


c,f ,?
I
III

R
II
S

Fonte: Adaptado de Cintra, 2011

Deve ser destacado que a ruptura do solo pode ocorrer também para o lado
oposto ao representado na figura acima, onde, a partir do ponto O’ uma superfície
semelhante à ORST que se desenvolveria para a esquerda.

Com base ainda na figura 3.6, os segmentos de reta O’S e ST possuem uma
inclinação de 45°- φ/2 em relação à linha horizontal, enquanto que os segmentos OR
e O’R produzem um ângulo α com a base da sapata, ângulo este que varia entre φ
e 45° + φ/2. Numa situação prática, ou mesmo teórica, os valores de γ acima e
33

abaixo da base da sapata podem variar, mesmo que representado pelo mesmo
símbolo.

Para desenvolver sua teoria, Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011) considerou
que a cunha de solo I, destacado na figura 3.7, estivesse na iminência de sua
ruptura provocada pela tensão σr aplicada pela sapata ao solo.

Figura 3.7: Cunha formada no solo sob a sapata.

Fonte: Adaptado de Cintra, 2011

Como podem ser observados na figura 3.7, nas faces OR e O’R da cunha
atuam o empuxo passivo Ep e as forças de coesão Ca, isso para o caso especial em
que α é igual a φ. Assim, a Equação 3.2 é obtida a partir do equilíbrio de forças na
direção vertical para uma cunha de comprimento unitário:

𝜎𝑟 𝐵 + 𝑊 − 2𝐸𝑝 − 2𝐶𝑎 sen 𝜑 = 0 (3.2)

Com

𝐵/2
𝐶𝑎 = 𝑐 (3.3)
𝑐𝑜𝑠 𝜑

𝛾
𝑊 = 𝐵 2 tan 𝜑 (3.4)
4

Logo, com as devidas substituições na Equação 3.2 obtém-se a equação 3.5:


34

𝐸𝑝 𝛾
𝜎𝑟 = 2 + 𝑐 tan 𝜑 − 𝐵 tan 𝜑 (3.5)
𝐵 4

Essa proposição, desde que conhecido o valor de E p, seria a solução do


problema, contudo, não havia uma solução geral que considerasse o peso do solo e
também a influência da sobrecarga. Diante disso, Terzaghi e Peck (1967 apud
CINTRA, 2011) utilizam casos particulares e também hipotéticos, para criar uma
generalização pela superposição de efeitos.

As três hipóteses básicas adotadas por eles foram:

 Solo sem peso e sapata à superfície, logo: c ≠ 0, h = 0 e γ = 0;


 Solo não coesivo e sem peso, logo: c = 0, h ≠ 0 e γ = 0;
 Solo não coesivo e sapata à superfície, logo: c = 0, h = 0 e γ ≠ 0;

Durante a consideração de solos não coesivos e sem peso, as formulações


desenvolvidas por Terzaghi e Peck (1967 apud CINTRA, 2011), para o cálculo de Nc
e Nq, são respectivamente as equações 3.6 e 3.7. Equações essas que
posteriormente foram utilizadas por Vesic (1975 apud CINTRA, 2011).

𝑁𝑞 = 𝑒 𝜋 tan 𝜑 𝑡𝑎𝑛2 (45° + 𝜑/2) (3.6)

𝑁𝑐 = (𝑁𝑞 − 1) cot 𝜑 (3.7)

Através da superposição de efeitos, com a contribuição da coesão,


sobrecarga e peso específico, surge a Equação 3.8, como uma solução para a
capacidade de carga do sistema sapata-solo:

1
𝜎𝑟 = 𝑐𝑁𝑐 + 𝑞𝑁𝑞 + 𝛾𝐵𝑁𝛾 (3.8)
2

Sendo que os fatores Nc, Nq e Nγ são adimensionais, dependendo


exclusivamente de φ e não havendo solução analítica para Nγ.

Para a obtenção de Nγ eles utilizaram valores conservadores, porém, em


concordância com os cálculos de Meyerhof (1955 apud CINTRA, 2011), realizados
com procedimentos avançados. Na figura 3.8 são plotados os gráficos destes
parâmetros.
35

Figura 3.8: Fatores para a equação de Terzaghi e Peck (1967).

40º

30º
Ângulo de atrito F

20º

10º

60 50 40 30 20 10 0 20 40 60 80

5,14 1,00

Nc Nc Nc

. Fonte: Adaptado de Cintra, 2011

Como mencionado anteriormente, a equação desenvolvida até aqui se


constitui como uma forma para calcular a capacidade de carga de sapatas corridas
em solos passíveis de ruptura geral. Nas situações onde a sapata possua forma
quadrada ou circular, poucos casos foram resolvidos rigorosamente, fato que se deu
pela dificuldade dos procedimentos numéricos. Porém, as soluções obtidas nesses
casos, levaram Terzaghi e Peck (1967 apud CINTRA, 2011) desenvolver a equação
3.9 (semiempírica) para a sapata circular com diâmetro B embutida num solo
compacto ou rijo:

𝛾
𝜎𝑟 = 1,2𝑐𝑁𝑐 + 𝑞𝑁𝑞 + 0,6 𝐵𝑁𝛾 (3.9)
2

E também desenvolveram, para a sapata quadrada de lado B na mesma


condição de solo, a Equação 3.10:

𝛾
𝜎𝑟 = 1,2𝑐𝑁𝑐 + 𝑞𝑁𝑞 + 0,8 𝐵𝑁𝛾 (3.10)
2

Com a associação dessas equações, foi possível criar uma equação geral de
capacidade de carga na ruptura geral, equação 3.11, em que o efeito da forma da
sapata fosse considerado:
36

1
𝜎𝑟 = 𝑐𝑁𝑐 𝑆𝑐 + 𝑞𝑁𝑞 𝑆𝑞 + 𝛾𝐵𝑁𝛾 𝑆𝛾 (3.11)
2

Em que Sc, Sq e Sγ são fatores de forma e seus valores estão dispostos na


Tabela 3.1.

Tabela 3.1: Fatores de forma propostos por Terzghi-Peck.

Sapata Sc Sq Sγ
Corrida (lado B) 1,0 1,0 1,0
Quadrada (B=L) 1,3 1,0 0,8
Circular (B = diâmetro) 1,3 1,0 0,6
Retangular 1,2 1,0 0,9

Fonte: Adaptado de Cintra, 2011

A pesquisa realizada até aqui, permite verificar que a capacidade de carga


depende essencialmente de três variáveis: os parâmetros do solo, as dimensões da
base da sapata, e o embutimento da sapata no maciço de solo. Assim, deve ser
reafirmado que a fundação constituída por sapatas é um sistema sapata-solo, logo,
não seria apropriado mencionar capacidade de carga da sapata ou do solo, mas sim
do sistema.

Diante da grande diversidade na composição e conformação dos solos,


Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011) propõe que a utilização da equação 3.11 seria
válida para ruptura por puncionamento, desde que feita uma redução empírica nos
parâmetros de resistência do solo (c e φ), utilizando as Equações 3.12 e 3.13.

2
𝑐∗ = 𝑐 (3.12)
3

2
tan 𝜑 ∗ = tan 𝜑 (3.13)
3

Com a redução desses valores, os fatores da capacidade de carga passam a


ser: N’c, N’q e N’γ (Equação 3.14). Assim, a formulação geral permite que o cálculo
para solos sujeitos à ruptura por puncionamento, seja realizado.

1
𝜎′𝑟 = 𝑐 ∗ 𝑁𝑐′ 𝑆𝑐 + 𝑞𝑁𝑞′ 𝑆𝑞 + 𝛾𝐵𝑁𝛾′ 𝑆𝛾 (3.14)
2
37

Tabela 3.2: Fatores de capacidade de carga de Terzghi.

Ruptura Geral Ruptura por Puncionamento


φ Nc Nq Nγ N’c N’q N’γ
0 5,7 1,0 0,0 5,7 1,1 0,0
5 7,3 1,6 0,5 6,7 1,4 0,2
10 9,6 2,7 1,2 8,0 1,9 0,5
15 12,9 4,4 2,,5 9,7 2,7 0,9
20 17,7 7,4 5,0 11,8 3,9 1,7
25 25,1 12,7 9,7 14,8 5,6 3,2
30 37,2 22,5 19,7 19,0 8,3 5,7
34 52,6 36,5 35,0 23,7 11,7 9,0
35 57,8 41,4 42,4 25,2 12,6 10,1
40 95,7 81,3 100,4 34,9 20,5 18,8
45 172,3 173,3 297,5 51,2 35,1 37,7
48 258,3 287,9 780,1 66,8 50,5 60,4
50 347,5 415,1 1153,2 81,3 65,6 87,1

Fonte: Adaptado de Cintra, 2003

3.3 PROPOSIÇÃO DE VESIC

Respeitado como um dos principais pesquisadores sobre capacidade de


carga de fundações, Aleksander S. Vesic fez importantes contribuições para a
determinação de carga por fundações diretas. Ele propôs substituições nas
equações de Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011), tanto para a ruptura dos solos
resistentes quanto para solos compressíveis.

Nos casos onde a ruptura geral seria esperada (solos resistentes), Vesic
(1975 apud CINTRA, 2011) sugeriu duas substituições nos fatores da equação geral
de Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011). Inicialmente, que fosse adotado o fator de
capacidade de carga Nγ de Caquot e Kérisel, em que os valores numéricos são
obtidos da Equação 3.15.

𝑁𝛾 = 2(𝑁𝑞 + 1) tan 𝜑 (3.15)

Com a nova equação e também com as equações 3.6 e 3.7, desenvolvidas


por Terzaghi e Peck (1967 apud CINTRA, 2011) para Nc e Nq, Vesic (1975 apud
CINTRA, 2011) encontra outros valores para os fatores de capacidade de carga em
função de φ, dispostos na tabela 3.3.
38

Tabela 3.3: Fatores de capacidade de carga de Vesic (1975)

φ° Nc Nq Nγ Nq/Nc tanφ φ° Nc Nq Nγ Nq/Nc tanφ


0 5,14 1,00 0,00 0,20 0,00 26 22,25 11,85 12,54 0,53 0,49
1 5,38 1,09 0,07 0,20 0,02 27 23,94 13,20 14,47 0,55 0,51
2 5,63 1,20 0,15 0,21 0,03 28 25,80 14,72 16,72 0,57 0,53
3 5,90 1,31 0,24 0,22 0,05 29 27,86 16,44 19,34 0,59 0,55
4 6,19 1,43 0,34 0,23 0,07 30 30,14 18,40 22,40 0,61 0,58
5 6,49 1,57 0,45 0,24 0,09 31 32,67 20,63 25,99 0,63 0,60
6 6,81 1,72 0,57 0,25 0,11 32 35,49 23,18 30,22 0,65 0,62
7 7,16 1,88 0,71 0,26 0,12 33 38,64 26,09 35,19 0,68 0,65
8 7,53 2,06 0,86 0,27 0,14 34 42,16 29,44 41,06 0,70 0,67
9 7,92 2,25 1,03 0,28 0,16 35 46,12 33,30 48,03 0,72 0,70
10 8,35 2,47 1,22 0,30 0,18 36 50,59 37,75 56,31 0,75 0,73
11 8,80 2,71 1,44 0,31 0,19 37 55,63 42,92 66,19 0,77 0,75
12 9,28 2,97 1,69 0,32 0,21 38 61,35 48,93 78,03 0,80 0,78
13 9,81 3,26 1,97 0,33 0,23 39 67,87 55,96 92,25 0,82 0,81
14 10,37 3,59 2,29 0,35 0,25 40 75,31 64,20 109,41 0,85 0,84
15 10,98 3,94 2,65 0,36 0,27 41 83,86 73,90 130,22 0,88 0,87
16 11,63 4,34 3,06 0,37 0,29 42 93,71 85,38 155,55 0,91 0,90
17 12,34 4,77 3,53 0,39 0,31 43 105,11 99,02 186,54 0,94 0,93
18 13,10 5,26 4,07 0,40 0,32 44 118,37 115,31 224,64 0,97 0,97
19 13,93 5,80 4,68 0,42 0,34 45 133,88 134,88 271,76 1,01 1,00
20 14,83 6,40 5,39 0,43 0,36 46 152,10 158,51 330,35 1,04 1,04
21 15,82 7,07 6,20 0,45 0,38 47 173,64 187,21 403,67 1,08 1,07
22 16,88 7,82 7,13 0,46 0,40 48 199,26 222,31 496,01 1,12 1,11
23 18,05 8,66 8,20 0,48 0,42 49 229,93 265,51 613,16 1,15 1,15
24 19,32 9,60 9,44 0,50 0,45 50 266,89 319,07 762,89 1,20 1,19
25 20,72 10,66 10,88 0,51 0,47

Fonte: Adaptado de Cintra (2011)

Como pode ser observado na tabela, são inseridas duas colunas, uma para a
relação Nq /Nc e a outra para tan φ, valores estes que serão necessários na
alteração de Vesic (1975) para solos com pouca resistência.

A segunda modificação que Vesic (1975 apud CINTRA, 2011) faz,


considerando a ruptura geral, é utilizar os fatores de forma de Beer (1967, apud
CINTRA, 2011), visto que eles não são dependentes unicamente da geometria da
sapata, mas utilizam também o ângulo de atrito interno do solo, como se observa na
tabela 3.4.
39

Tabela 3.4: Fatores de forma de Beer.

Sapata Sc Sq Sγ
Corrida 1,00 1,00 1,00
Retangular 1 + (B/L) (Nq/Nc) 1 + (B/L) tgφ 1 – 0,4 (B/L)
Circular ou 1 + (Nq/Nc) 1 + tgφ 0,60
Quadrada
Fonte: Beer, apud Cintra (2011)

Para os casos em que os solos eram considerados compressíveis, sujeitos a


ocorrência de ruptura local ou por puncionamento, em contraposição a proposta
empírica sugerida por Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011), Vesic (1975 apud
CINTRA, 2011) propôs um método racional para que fossem inseridos fatores de
compressibilidade em cada uma das parcelas da equação geral de capacidade de
carga, semelhantemente ao que havia feito para a consideração da forma da sapata.

Inicialmente, ele define o Índice de Rigidez do solo (Ir) observando os


parâmetros de resistência e compressibilidade, e o Índice de Rigidez Crítico (Ir crit)

considerando o ângulo de atrito do solo e a geometria da sapata. Em seguida, faz


uma comparação entre esses índices e caso Ir < Ir crit, a capacidade de carga deveria
ser reduzida através dos fatores de compressibilidade.

O ponto forte da proposição feita por Vesic (1975 apud CINTRA, 2011) é levar
em conta toda gama de compressibilidade dos solos. Porém, como era necessária a
utilização de fórmulas um pouco mais complexas, o uso dessa proposta não se
tornou corrente para o cálculo da capacidade de carga. A proposta de Terzaghi
(1943 apud CINTRA, 2011) favorecia a simplicidade do procedimento, pois em seus
estudos concluiu que, na eventualidade de uma fundação superficial em solos de
baixa resistência o critério que prevalece é o recalque, e não a ruptura.

Assim, no puncionamento é feita uma redução em 2/3 nos valores de coesão


e de tan φ propostos por Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011), e adotado também os
fatores de capacidade de carga e de forma apresentados por Vesic (1975 apud
CINTRA, 2011). Para a ruptura local, não existe uma literatura específica, contudo,
Cintra (2011) realiza cálculos com os valores médios da capacidade de carga na
ruptura geral e por puncionamento.
40

3.4 OUTROS MÉTODOS

Norteados pelos processos e considerações de Terzaghi (1943 apud


CINTRA, 2011), outros pesquisadores se empenharam em aprimorar o cálculo da
capacidade de carga de fundações por sapatas. No geral se dedicaram a modificar
hipóteses pioneiras e também estudaram alguns casos mais específicos, os
principais pesquisadores e suas contribuições serão abordados a seguir.

 Método de Skempton

A pesquisa de Skempton (1951 apud CINTRA, 2011) foi realizada para o caso
específico de argilas saturadas em condição não drenada. Assim, tem-se que: φ =0;
Nq = 1 e Nγ = 0. O que resultou na equação (3.16) simplificada para a capacidade de
carga de Terzaghi (1943 apud CINTRA, 2011) em:

𝜎𝑟 = 𝑐𝑁𝑐 𝑆𝑐 + 𝑞 (3.16)

Para essa situação, Skempton (1951 apud CINTRA, 2011) estabeleceu que a
equação do fator de forma Sc, seria dado pela equação 3.17:

𝑆𝑐 = 1 + 0,2(𝐵⁄𝐿) (3.17)

Além disso, o fator de capacidade de carga Nc, fica em função do


embutimento relativo da sapata no solo pela relação h/B. Como mostra a figura 3.9.

Figura 3.9: Fator de Capacidade de Carga para Skempton.

Nc 7

4
0 1 2 3 4 5 6
h/B
Quadrada ou circular Sapata corrida

Fonte: Adaptado de Cintra, 2011


41

Na figura deve ser observado que a linha cheia só se aplica para sapatas
corridas. No caso de sapatas quadradas ou circulares, tem-se que B = L, portanto, o
valor de Nc corrigido para essa situação deverá ser obtido diretamente da linha
tracejada na mesma figura.

 Método de Meyerhof

Outro autor de pesquisas expressivas para o tema capacidade de carga foi


George G. Meyerhof. Em seu método é considerado que a superfície de ruptura
prolonga-se na camada superficial do terreno, surgindo além da sobrecarga,
contribuições oriundas da resistência ao cisalhamento do solo.

Além dessa proposição, Meyerhof (1953 apud CINTRA, 2011) faz análises
para situações em que a ação vertical (carga) seja excêntrica. Com isso é sugerido
que, onde houver agentes causadores de excentricidade, as dimensões reais da
base da sapata B e L sejam substituídas por valores fictícios B’ e L’, conforme as
equações 3.18 e 3.19:

𝐵 ′ = 𝐵 − 2𝑒𝐵 (3.18)

𝐿′ = 𝐿 − 2𝑒𝐿 (3.19)

Onde os valores eB e eL são as excentricidades da carga em relação ao


centro geométrico da sapata, consideradas nas direções B e L, observado na figura
3.10.
42

Figura 3.10: Carga excêntrica com área fictícia.

Fonte: Adaptado da NBR 6122, 2010

Em consequência às dimensões fictícias, surge uma área fictícia que terá a


carga aplicada em seu centro de gravidade. Nota-se também que essa simplificação
fica a favor da segurança da fundação.

 Método de Brinch Hansen

O terceiro e último pesquisador a ser apresentado, considerou dois efeitos na


capacidade de carga. Para Hansen (1970 apud CINTRA, 2011), primeiramente
deveria haver um acréscimo em concordância com o aumento da profundidade de
assentamento da sapata; em segundo, deveria ser feita uma redução caso a carga
fosse inclinada.

A contribuição de Hansen inseriu os fatores de profundidade dc, dq e dγ, e


também os fatores de inclinação da carga ic, iq e iγ à equação de capacidade de
carga, como mostra a equação 3.20.

1
𝜎𝑟 = 𝑐𝑁𝑐 𝑆𝑐 𝑑𝑐 𝑖𝑐 + 𝑞𝑁𝑞 𝑆𝑞 𝑑𝑞 𝑖𝑞 + 𝛾𝐵𝑁𝛾 𝑆𝛾 𝑑𝛾 𝑖𝛾 (3.20)
2

Os valores desses novos fatores podem ser encontrados no livro de Velloso e


Lopes (1996 apud CINTRA, 2011).
43

3.5 BULBO DE TENSÕES

A abordagem de fundações como vista até aqui é bastante complexa, e em


muitos casos o maciço de solo se apresenta estratificado em camadas distintas.
Com a ocorrência dessa condição, o problema será mais bem resolvido se o
projetista tiver em mente alguns conceitos básicos sobre o bulbo de tensões.

Para compreender de forma mais aprofundada sobre o bulbo de tensões, se


faz necessário resgatar uma série de eventos que se dão na propagação de tensões
no solo. Diante disso, adotar-se-á aqui a proposição feita por Simons e Menzies
(1981 apud Cintra 2011) onde, por meio de cálculos rigorosos da Teoria da
Elasticidade para sapatas, foram obtidos os seguintes valores de profundidade do
bulbo de tensões:

 Sapata circular: z = 1,5 B;


 Sapata quadrada: z = 2,5 B;
 Sapata corrida: z = 4,0 B.

Como nota-se, a profundidade do buldo está relacionada com a forma da


base da sapata. A figura 3.11, mostra a representação de um caso de sapata
circular, em que o bulbo de tensões atinge camadas distintas de solo.

Figura 3.11:Profundidade do bulbo de tensões para o caso de sapatas circular, com


duas camadas atingidas.

Fonte: Próprio autor


44

4 TENSÃO ADMISSÍVEL EM FUNDAÇÕES POR SAPATAS

A NBR 6122:2010 define tensão admissível no item 3.27, como sendo:

“tensão adotada em projeto que, aplicada ao terreno pela fundação


superficial ou pela base do tubulão, atende com coeficientes de segurança
predeterminados, aos estados-limites últimos (ruptura) e de serviço
(recalques, vibrações etc)”.

Ratifica ainda no item 7.1, que:

“a grandeza fundamental para o projeto de fundações diretas é a


determinação da tensão admissível, se o projeto for feito considerando
coeficiente de segurança global (...) estas tensões devem obedecer
simultaneamente aos estados-limites últimos (ELU) e de serviço (ELS), para
cada elemento de fundação isolado e para o conjunto”.

O valor da tensão admissível de um solo σadm pode ser definida por uma ou
mais das seguintes formas que se apresentam:

 Cálculo da capacidade de carga através de formas teóricas;


 Aplicação de métodos semiempíricos;
 Pela execução de provas de carga em placa;
 Pela consideração de valores advindos da experiência acumulada em regiões
“supostamente” homogêneas.

A norma brasileira de fundações considerava como válida todas essas


soluções, contudo, ressalta-se que nas versões anteriores a 2010, a NBR 6120
apresentava uma tabela de valores básicos de tensão admissível, com valores de
natureza empírica. Como essa tabela de ampla difusão no meio geotécnico foi
excluída, considera-se que o método puramente empírico não deve ser adotado
para a definição da tensão admissível.

4.1 MÉTODOS TEÓRICOS

Para o uso de métodos teóricos, deverá ser adotado algum dos métodos
propostos pelos teóricos apresentados no capítulo 3 deste trabalho. Assim, tem-se
que a tensão admissível para a fundação será a definida pela equação 4.1:

𝜎𝑟
𝜎𝑎 ≤ (4.1)
𝐹𝑠
45

Onde:

σa = tensão admissível;

σr = tensão de ruptura do solo;

Fs = Fator de segurança global.

O coeficiente de segurança global, recomendado pela NBR 6122 (2010) para


a determinação da tensão admissível, no caso de fundações superficiais é 3 (três).

Em seguida, com o valor estimado da tensão admissível, sugere-se que


exista a análise de recalques para saber se o critério estaria satisfeito. Caso isso
não ocorra, o processo deve ser reiniciado para outros valores de tensão admissível.

As maiores dificuldades para o emprego dessa metodologia são: imprecisão


das fórmulas teóricas de capacidade de carga; e, dificuldades de ordem prática da
análise da resistência ao cisalhamento dos solos em que se encontra a fundação.

4.2 MÉTODOS SEMIEMPÍRICOS

Pode-se dizer que os métodos considerados semiempíricos são os que


melhor atendem, simultaneamente, condições de segurança e economia, visto que
eles abrangem tanto os resultados de ensaios no solo (como o SPT e CPT) quanto
às tensões admissíveis. A maior dificuldade para o emprego desse método seria a
limitação dos dados que se tem em regiões distintas do país. A descrição neste
parágrafo está em conformidade com a NBR 6122 (2010), visto que para a versão
de 1996 dessa mesma norma, se não houvesse uma formulação teórica o método
era considerado simplesmente como empírico.

O fator de segurança dessa metodologia, recomendado pelo item 6.2.1.1.1 da


NBR 6122 (2010) é 3,0, entretanto, as correlações utilizadas na prática para os
projetos de fundação superficial fornecem diretamente o valor da tensão admissível,
dispensando a necessidade de coeficiente de segurança, porém, com resultados
confiáveis.

A determinação da tensão admissível para fundações diretas, fazendo uso de


correlações com o valor do índice de resistência à penetração (NSPT), aplicada no
meio técnico brasileiro é regida pela equação 4.2.
46

𝑁𝑆𝑃𝑇
𝜎𝑎 = + 𝑞 com 5 ≤ 𝑁𝑆𝑃𝑇 ≤ 20 (4.2)
50

Onde NSPT é o valor médio dos índices no bulbo de tensões apresentado no


item 3.5 deste trabalho, e a sobrecarga q pode ou não ser considerada. Essa regra
foi baseada na formulação proposta por Teixeira (1996 apud CINTRA, 2011).

A figura 4.1 mostra um boletim de sondagem com características de um


terreno em que seria possível a adoção de fundações superficiais.

Figura 4.1: SPT com possibilidade para implantação de sapatas.

Fonte: Alonso, 1983

Nessa situação seria possível a adoção de sapatas, pois o solo apresenta


camadas consistentes (recalque mínimo) e os valores de NSPT são significativamente
crescentes. A única limitação, caso houvesse, ficaria por conta dos esforços
solicitantes provenientes da edificação.
47

5 DIMENSÕES GEOMÉTRICAS DA SAPATA

Considerando o que foi apresentado para a determinação da capacidade de


carga, se percebe que é necessário haver uma sequencia iterativa entre as etapas
de cálculo da capacidade de carga e a etapa de determinação das dimensões
geométricas da sapata. Isso ocorre devido ao fato de que a tensão admissível do
solo depende diretamente das dimensões da sapata, enquanto que para a definição
das dimensões de uma sapata é necessário que se tenha o valor de tensão que o
solo suporta.

Além disso, outro fator que também influencia a adoção de cada dimensão da
sapata é a proximidade que um elemento de fundação terá com o outro. Contudo,
para esse trabalho pressupõe-se que não haja interferência de um elemento para
outro.

5.1 DIMENSÕES EM PLANTA

Em praticamente todos os casos, as sapatas estão sob a ação de cargas


excêntricas, isso ocorre em virtude das ações do vento, desaprumos e também por
conta dos esforços que os pilares transmitem a esses elementos. Logo, as
dimensões em planta deverão ser definidas de tal forma que as tensões de
compressão máximas no solo (obtidas a partir de expressões para flexão composta
reta ou oblíqua) não superem a tensão admissível do mesmo.

Uma consideração a ser feita na determinação das dimensões em planta, é


que o centro de gravidade do pilar deverá ser coincidente com o centro de gravidade
da sapata.

A partir dessas hipóteses e critérios de dimensionamento, DELALIBERA


(2010) desenvolveu a equação 5.1, que define a área inicial de uma sapata isolada:

𝛼 ∙ 𝛽 ∙ 𝑁𝑘
𝐴𝑠𝑎𝑝 = (5.1)
𝜎𝑎

Onde:

A sap = área da sapata;

α = coeficiente que leva em conta o peso próprio da sapata;


48

β = coeficiente para a consideração de momentos fletores;

N k = esforço normal característico.

A partir do valor da área necessária, devem ser calculadas as dimensões B e


L, isso deverá ser feito de forma a resultar em um dimensionamento econômico.
Para tal condição, os balanços (distância em planta da face do pilar à extremidade
da sapata) necessitarão ser iguais nas duas direções, conduzindo à taxas de
armadura de flexão aproximadamente iguais nas duas direções ortogonais. As
equações 5.2 e 5.3, que definem essas dimensões foram deduzidas a partir da
figura 5.1.

Figura 5.1: Dimensões em planta de uma sapata retangular.

Fonte: Próprio autor

Considerando somente as raízes positivas tem-se:

𝑙−𝑏 (𝑙−𝑏)2
𝐿= + √ + 𝐴𝑠𝑎𝑝 (5.2)
2 4

𝐴𝑠𝑎𝑝
𝐵= (5.3)
𝐿

As dimensões B e L necessárias poderão divergir das consideradas


inicialmente, pois ainda existem as parcelas de tensões decorrentes dos momentos
fletores. Assim, devem ser adotadas dimensões B e L de modo que a tensão
máxima não ultrapasse a tensão admissível do solo. Por critérios executivos as
dimensões são valores múltiplos de 5 centímetros.
49

As situações em que não seja possível aplicar o critério dos balanços iguais,
por exemplo, quando as dimensões obtidas B e L gerarem interferência com as
fundações vizinhas, deverá ser deduzida outra equação que também deve respeitar
a tensão admissível do solo.

5.2 CÁLCULO DA ALTURA DE UMA SAPATA

De maneira geral a altura da sapata é definida por três condições: rigidez da


sapata; comprimento para a ancoragem das armaduras do pilar e; resistência ao
cisalhamento.

A figura 5.2 ilustra cada um dos elementos que compõem a altura da sapata.

Figura 5.2: Dimensões de uma sapata.

Fonte: Próprio autor

 Rigidez da sapata

É recomendável que as sapatas sejam projetadas como rígidas, porém em


casos onde o solo apresente baixa resistência alguns projetistas indicam o emprego
de sapata flexível.

De acordo com a NBR 6118 (2007), tem-se que:

(𝐵−𝑏) (𝐿−𝑙)
- Para sapatas flexíveis: 𝐻 ≤ ou; 𝐻 ≤
3 3

(𝐵−𝑏) (𝐿−𝑙)
- Para sapatas rígidas: 𝐻 > ou; 𝐻 >
3 3

Nos casos em que os balanços não forem iguais, recomenda-se que a


verificação seja realizada nas duas direções.
50

 Comprimento necessário para ancoragem da armadura dos pilares

Outra consideração indispensável na escolha da altura de uma sapata, é que


mesma tenha altura suficiente para que as forças atuantes nas armaduras do pilar
sejam transferidas ao elemento de fundação. Sendo que a ancoragem considera o
cobrimento nominal e também o comprimento básico de ancoragem da NBR 6118
(2007).

Na tabela 5.1 estão dispostos os comprimentos de ancoragem em função do


diâmetro, para diferentes classes de concreto, aplicáveis a barras nervuradas, aço
CA-50 e em zonas de boa aderência (ângulo das armaduras do pilar à 90 graus em
relação à horizontal).

Tabela 5.1: Comprimento de ancoragem em função do diâmetro das barras.

Concreto Sem gancho Com gancho

C15 53 Ø 37 Ø

C20 44 Ø 31 Ø

C25 38 Ø 26 Ø

C30 33 Ø 23 Ø

C35 30 Ø 21 Ø

C40 28 Ø 19 Ø

C45 25 Ø 18 Ø

C50 24 Ø 17 Ø

Fonte: Adaptado de Pinheiro, 2005.

A partir disso, tem-se a equação 5.4 para essa verificação:

𝐻 > 𝑙𝑏 + 𝑐 (5.4)

Sendo:

lb = Comprimento básico de ancoragem;

c = Cobrimento nominal das barras de aço.

 Condição de resistência à força cortante

A ultima verificação realizada na definição da altura de uma sapata, conduz o


dimensionamento para que não seja necessária a colocação de armadura
51

transversal para resistir à força cortante. Essa verificação pode ser feita pelo critério
do CEB (Euro código), ou pelo modelo de cálculo proposto pela NBR 6118:2007, no
item 19.5.

De acordo com o capítulo 22 da NBR 6118:2007 tem-se:

O comportamento estrutural das sapatas ... pode ser descrito


separando as sapatas em rígidas e flexíveis... Sapatas rígidas... trabalho
ao cisalhamento também em duas direções, não apresentando ruptura por
tração diagonal, e sim compressão diagonal verificada conforme 19.5.3.1.
Isso ocorre porque a sapata rígida fica inteiramente dentro do cone
hipotético de punção, não havendo portanto possibilidade física de punção...
Sapatas flexíveis... trabalho ao cisalhamento que pode ser descrito pelo
fenômeno da punção (ver 19.5).

As superfícies a serem verificas quanto ao puncionamento podem ser vistas


na figura 5.3.

Figura 5.3: Perímetros críticos para ocorrência de punção.

Fonte: NBR 6118:2007


52

6 CÁLCULO DOS ESFORÇOS

Para a obtenção dos esforços solicitantes nas sapatas, admiti-se que as


tensões estejam dispostas na base desse elemento, dessa maneira são
desenvolvidas equações que permitem calcular o valor da tensão em pontos de
interesse. A representação disso pode ser vista na figura 6.1.

Figura 6.1: Tensão na interface sapata/solo

Fonte: ES-013, 2001

Nessa figura são observadas duas situações: na figura (a) o diagrama


apresentado possui forma trapezoidal; enquanto que o diagrama da figura (b) é em
formato triangular. Porém, as duas situações são decorrentes de um mesmo
fenômeno, a atuação de uma carga excêntrica. O que difere é que na primeira figura
a base da sapata está totalmente comprimida, enquanto que na segunda figura,
parte da sapata encontra-se comprimida e parte tracionada.

Em sapatas de base retangular, a avaliação de situações de compressão total


ou parcial da base é feita a partir das verificações:
𝑒𝑎 𝑒𝑏 1
 Base totalmente comprimida: + ≤ ;
𝑎 𝑏 6
𝑒𝑎 𝑒𝑏 1
 Base parcialmente comprimida: + ≥ .
𝑎 𝑏 6

Com essas considerações, dois métodos podem ser utilizados para calcular a
tensão nos pontos de interesse do dimensionamento. No primeiro têm-se as
equações 6.1 e 6.2 que se aplicam à situação de base completamente comprimida.
53

𝑁𝑏𝑎𝑠 6𝑒𝑎 6𝑒𝑏


𝜎𝑎 = [1 + + ] (6.1)
𝑎∙𝑏 𝑎 𝑏

𝑁𝑏𝑎𝑠 6𝑒𝑎 6𝑒𝑏


𝜎𝑏 = [1 − − ] (6.2)
𝑎∙𝑏 𝑎 𝑏

O segundo método é utilizado nas situações onde parte da sapata está


submetida à esforços de tração. Nesse caso, tem-se a equação 6.3.

𝑁𝑏𝑎𝑠
𝜎𝑎 = 𝜂 ∙ (6.3)
𝑎∙𝑏

Onde o valor de ɳ é encontrado na tabela da figura 6.2.

Figura 6.2:Valores de ɳ para base retangular.

Fonte: Adaptado de ES-013, 2001

Outra solução seria a partir das equações 6.4 e 6.5, que determinam a tensão
nos pontos a e b respectivamente.

𝑁𝑏𝑎𝑠
𝜎𝑎 = 𝜎1 = (6.4)
𝑘1 ∙ 𝑎 ∙ 𝑏

𝜎𝑏 = 𝜎4 = −𝑘4 ∙ 𝜎1 (6.5)

Os valores de k1 e k4 são obtidos no ábaco da figura 6.3.


54

Figura 6.3: Ábaco para adoção de valores de k1 e k4.

Fonte: ES-013, 2001

Caso haja a necessidade de determinação da tensão em pontos (x,y)


singulares da sapata, poderá ser utilizada a equação 6.6.

𝑥 𝑦 𝑏
+ ∙ [ ∙ tan 𝛼]
𝜎 = 𝜎4 + (𝜎1 − 𝜎4 ) ∙ 𝑎 𝑏 𝑎 (6.6)
𝑏
1 + 𝑎 ∙ tan 𝛼

Em todas as situações a tensão σa deverá ser limitada a 1,25 da tensão


admissível do solo, definida pelos métodos apresentados anteriormente.

Deve ser destacado que para a situação mais desfavorável, deve se ter pelo
menos 50% da base comprimida, garantindo um fator de segurança contra o
𝑒𝑎 2 𝑒𝑏 2 1
tombamento superior a 1,5. Isso é verificado quando ( ) + ( ) ≤ .
𝑎 𝑏 9
55

6.1 FLEXÃO

Para que seja realizado o dimensionamento das armaduras longitudinais, é


necessário conhecer o valor do momento atuando em algumas seções de
referência, essas seções são apresentadas na figura 6.4, para as direções x e y
respectivamente.

Figura 6.4: Seções de referência no dimensionamento.

Fonte: Próprio autor

A figura apresentada anteriormente permite verificar que o momento atuante


na seção S1x, será dado pela ação existente na área destacada, atuando no braço
de alavanca que está centrado em x na mesma área realçada em vermelho. Isso
resultará em um momento fletor Ms1x a ser utilizado no dimensionamento. De
maneira análoga, existirá também um momento Ms1y.

Ressalta-se que a tensão usada nessa etapa precisa ser uniformizada para
uma tensão de referência dada pela verificação feita na equação 6.7:

2 2
∙ 𝜎𝑎 = ∙ 𝜎𝑚𝑎𝑥
𝜎𝑟𝑒𝑓 ≥ [3 3 ] (6.7)
𝜎𝑚𝑒𝑑
56

7 DIMENSIONAMENTO

De acordo com a NBR 6118:2007, as sapatas rígidas comportam-se


estruturalmente como elementos que resistem à trabalhos de flexão nas duas
direções, admitindo ainda que a tração na flexão seja uniformizada e distribuída pela
sapata na direção considerada. Essa observação não pode ser aplicada à
compressão na flexão, visto que essa tensão se concentra mais na região do pilar
que está apoiado na sapata. A norma recomenda ainda que, para o cálculo e
dimensionamento, deveriam ser utilizados modelos tridimensionais lineares ou
modelos biela-tirante tridimensionais. Como apresentado anteriormente, esse
trabalho considerou apenas o modelo de flexão, devido ao fato de ser mais simples
e de uso amplo no meio técnico.

Com os valores de momento fletor das regiões de interesse mostradas na


figura 6.4, será feito o cálculo das armaduras como em vigas, diferindo, porém que
nesse caso a região comprimida de concreto não é retangular, como pode ser visto
na figura 7.1.

Figura 7.1: Tensões no concreto e armadura de uma sapata.

Elevação Corte AA

A
0,8 fcd
Fc
0,8 x
x

LN Md
ap Z
h

Fs
h0

A
a

As

Fonte: Adaptada de Carvalho, 2009

Com base nessa figura, deve ser feito o equilíbrio das forças atuantes na
seção, de tal forma que o momento interno produzido pelas forças Fc e Fs seja igual
ao momento externo (solicitante) aplicado Md. Dessa maneira será encontrada a
quantidade de armadura longitudinal As necessária à sapata.

A equação 7.1, deduzida por Carvalho (2009), para calcular a área de


armadura de uma sapata a partir do equilíbrio da seção é apresentada a seguir:
57

𝑎𝑝 ∙ 0,64 ∙ 𝑥 ∙ 𝑓𝑐𝑑 0,512 ∙ 𝑥 2 ∙ cot 𝛼 ∙ 𝑓𝑐𝑑


𝐴𝑠 = + (7.1)
𝑓𝑦𝑑 𝑓𝑦𝑑

Simplificando, tem-se a equação 7.2.

𝑓𝑐𝑑
𝐴𝑠 = ∙ (𝑎𝑝 ∙ 0,64 ∙ 𝑥 + 0,512 ∙ 𝑥 2 ∙ cot 𝛼) (7.2)
𝑓𝑦𝑑

Sendo:

fcd = resistência de cálculo do concreto à compressão;

fyd = resistência de cálculo do aço;

ap = dimensão da sapata junto ao pilar;

α = ângulo de inclinação da “crista” da sapata com a horizontal.

Para o detalhamento da armadura de flexão, Carvalho (2009) recomenda que:

O espaçamento entre as barras da armadura principal de flexão não


devem ser maior do que 30 cm, e devem ser uniformemente distribuída ao
longo da largura da sapata e prolongar-se de um extremo a outro da base
da sapata, sem redução de seção e com ganchos nas extremidades (NBR
6118:2003, item 22.4.4.1.1). Cuidados com o cobrimento devem ser
redobrados para evitar a corrosão da armadura, pois a sapata estará em
contato com o solo.

Devem ser também previstas armaduras de espera coincidentes


com a armadura do pilar, inclusive estribos.
58

8 PLANILHA DESENVOLVIDA

Tendo por base toda a teoria apresentada no presente trabalho, foi possível
desenvolver uma planilha eletrônica capaz de (a partir de alguns dados de entrada)
realizar as rotinas que serão apresentadas a seguir, juntamente com cada interface
da planilha:

8.1 APRESENTAÇÃO

A figura 8.1 mostra a aba inicial da planilha, com as opções para iniciar os
cálculos ou consultar o tutorial.

Figura 8.1: Página de apresentação.

Fonte: Próprio autor

8.2 DADOS DE ENTRADA

Nessa etapa, conforme pode ser visto na figura 8.2, o usuário deverá ter em
mãos o boletim de sondagem do terreno, a cota à qual se pretende apoiar a sapata,
os esforços atuantes na sapata a ser dimensionada, dimensões do pilar que se
apoia na sapata, e características específicas do solo. Além disso, destaca-se que a
rotina depende de conhecimentos técnicos sobre fundações.
59

Figura 8.2: Entrada de dados do solo e esforços atuantes na sapata.

Fonte: Próprio autor

Ainda na mesma aba, como mostra a figura 8.3, o usuário da planilha deverá
informar os parâmetros do concreto, do aço, coeficientes, cobrimento nominal e
diâmetro inicial das barras de aço, para que seja realizado o dimensionamento e
detalhamento ao final da rotina.

Figura 8.3: Entrada de dados dos parâmetros do dimensionamento.

Fonte: Próprio autor


60

8.3 DETERMINAÇÃO DA CAPACIDADE DE CARGA

Na aba de capacidade de carga, figura 8.4, o projetista pode escolher qual


metodologia utilizar para definir a tensão admissível do solo. Além de poder informar
o valor diretamente, caso já possua esse parâmetro.

Figura 8.4: Determinação da capacidade de carga e tensão admissível do solo.

Fonte: Próprio autor

8.4 CÁLCULO DAS DIMENSÕES DA SAPATA ISOLADA

Com os dados de entrada a rotina calcula as dimensões da sapata, figura 8.5.

Figura 8.5: Determinação da dimensões da sapata retangular.

Fonte: Próprio autor


61

8.5 CÁLCULO DOS MOMENTOS FLETORES

Nessa etapa o usuário poderá verificar as tensões atuantes na sapata (figura


8.6), além de analisar os momentos que serão utilizados no dimensionamento.

Figura 8.6: Momentos fletores na sapata

Fonte: Próprio autor

Caso a sapata apresente tração, o usuário deverá entrar com o valor do


coeficiente k4 extraído do ábaco na parte inferior da planilha, figura 8.7.

Figura 8.7: Caso especial em que a sapata está parcialmente tracionada

Fonte: Próprio autor


62

8.6 VERIFICAÇÃO DA FORÇA CORTANTE

A rotina verifica a resistência à cortante de acordo com os critérios do CEB e


da NBR 6118 (figura 8.8). Caso alguma das verificações não seja atendida, deverão
ser inseridos novos dados.

Figura 8.8: Verificação ao puncionamento

Fonte: Próprio autor

8.7 DIMENSIONAMENTO DAS BARRAS DE AÇO LONGITUDINAIS

As figuras 8.9, 8.10 e 8.11, constituem a aba de dimensionamento estrutural.

Figura 8.9: Valores usados no dimensionamento

Fonte: Próprio autor


63

Figura 8.10: Cálculos realizados no dimensionamento

Fonte: Próprio autor

Na parte inferior da aba de dimensionamento, o usuário deverá selecionar


qual o diâmetro das barras a serem utilizadas na sapata, em cada uma das direções.
Além disso, ocorre uma verificação quanto a taxa máxima de aço no elemento em
questão. Tal verificação respeita os valores indicados pela NBR 6118 (2007).

Figura 8.11: Layout inferior da aba de dimensionamento

Fonte: Próprio autor


64

8.8 DETALHAMENTO

Ao final da execução dos cálculos, a rotina fornece o detalhamento, resumo


de aço, volume de concreto e parâmetros adotados no dimensionamento, figura
8.12. Ressalta-se que o formato de impressão já está configurado para A4.

Figura 8.12: Detalhamento do projeto da sapata

Fonte: Próprio autor


65

8.9 TUTORIAL E REFERÊNCIAS DA PLANILHA

Na ultima aba estão armazenados o tutorial e as referências utilizadas para a


construção da planilha, figura 8.13. Oculto ao que foi apresentado, existem planilhas
e fórmulas que são responsáveis pela lógica do cálculo, e com exceção dos campos
de entrada de valores, à planilha está bloqueada para que não sejam alterados as
considerações exigidas para o dimensionamento de sapatas de fundação.

Figura 8.13: Tutorial e referências da planilha

Fonte: Próprio autor

Além das imagens aqui apresentadas, há um vídeo que funciona como tutorial
da planilha, nele é executado um exemplo passo a passo, dando inclusive,
condições de sanar possíveis dúvidas de execução.
66

9 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Com o objetivo de averiguar a confiabilidade da planilha, foi realizada uma


comparação para a sapata com as características apresentadas na tabela 9.1.

Tabela 9.1: Dados de entrada da sapata comparada

Esforços Dimensões Parâmetros


Nk = 502,2 kN b = 30 cm fck = 25 MPa
Mxk = 0,0 kN.m l = 30 cm fyk = 500 MPa
Myk = 0,0 kN.m B = 130 cm Es = 210 GPa
Fxk= 0,0 kN L = 130 cm γc = 1,4
Fyk= 0,0 kN γs = 1,15
Tensão Adm γf = 1,4
σa = 0,300 MPa c = 4 cm

Fonte: Próprio autor

Para tal, utilizou-se um software de grande apreço entre os projetistas, o


sistema CAD/TQS. Após o processamento da sapata, se obteve os valores
apresentados na figura 9.1.

Figura 9.1: Dados processados no sistema CAD/TQS

Fonte: Sistema CAD/TQS, 2009


67

Em seguida, os dados foram inseridos e executados na rotina de


programação, os resultados encontrados podem ser vistos na figura 9.2.

Figura 9.2: Dados processados pela Planilha eletrônica

Fonte: Próprio autor

Destaca-se que para que a comparação, os dados do solo foram


condicionados à uma mesma situação, ou seja, o mesmo valor utilizado pelo sistema
CAD/TQS foi adotado para a planilha.

Analisando as figuras 9.1 e 9.2, verifica-se que existem similaridades e


diferenças nos valores calculados para a sapata. Para facilitar essa análise, os
dados foram colocados na tabela 9.2.
68

Tabela 9.2: Tabela comparativa sistema CAD/TQS x Planilha

Comparação TQS Planilha


Lado B 130 cm 130 cm
Lado L 130 cm 130 cm
Altura 35 cm 50 cm
Cortante ok! ok!
N1 10 Ø 10 mm (145) 10 Ø 10 mm (146)
N2 11 Ø 10 mm (141) 10 Ø 10 mm (146)

Fonte: Próprio autor

Observando e confrontando diretamente cada valor, percebe-se que os


principais resultados estão em conformidade. Porém, há uma distorção quando
comparada a altura total das sapatas, e a quantidade de barras da posição N2.

A diferença encontrada entre alturas é de 15 cm, isso poderia ser explicado


pelo fato de que na planilha, o ângulo de inclinação (parte superior da sapata) é um
dado informado diretamente pelo usuário, enquanto que no sistema CAD/TQS são
realizados cálculos que aperfeiçoam esse parâmetro.

Na situação em que houve diferença na quantidade de barras, a distorção fica


na ordem de grandeza de 10%. Portanto, se considerados os coeficientes de
segurança e a própria altura, pode-se dizer que a diferença de uma barra não
causaria prejuízos ao elemento de fundação.

Além dessas diferenças, existiram também variações para os comprimentos


finais de cada barra, fato que pode ser justificado pelas considerações dos pinos de
dobramento.
69

10 CONCLUSÕES

Durante o desenvolvimento deste trabalho percebeu-se que, para a escolha


do tipo de fundação, é essencial que se tenha conhecimento sobre os tipos de
fundação disponíveis no mercado e suas características técnicas e econômicas.
Além disso, a solução só será eficiente se for adequada à realidade da obra.

Sobre a utilização da planilha eletrônica, ou de softwares com programações


lógicas complexas, é de fundamental importância reafirmar que a responsabilidade
do projeto é exclusivamente do engenheiro, visto que esses programas não
diferenciam o certo do errado, apenas apresentam resultados obtidos a partir dos
dados inseridos em suas interfaces. Assim a definição, configuração, avaliação dos
resultados e correções de possíveis valores inconsistentes, devem ser feitas pelo
profissional antes que se utilizem esses dados efetivamente no projeto e execução
do mesmo.

Quanto à abrangência do estudo, destaca-se que apesar de considerar uma


extensa sequencia de cálculos, ainda há muito a ser desenvolvido para as
fundações superficiais, visto que existem outros métodos aceitos por norma e
também, que há uma vasta combinação de técnicas que produzem resultados ainda
mais satisfatórios.

Finalmente sobre a comparação realizada no trabalho, os dados mostraram


que a planilha apresenta resultados válidos, porém, para que isso se consolide,
devem ser executadas outras comparações com diferentes parâmetros.

 Sugestão para novas pesquisas

A principal sugestão de pesquisa, após o desenvolvimento deste trabalho,


está em realizar novas comparações para os resultados finais da planilha, para uma
validação mais segura da rotina que foi criada.

Além disso, seria conveniente que outros modelos de sapata, como os


apresentados no item 2.4 deste trabalho, também pudessem ser calculados por uma
planilha.
70

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de


estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2007.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122: Projeto e


execução de fundações. Rio de Janeiro, 2010.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6123: Forças devidas


ao vento em edificações. Rio de Janeiro, 1988.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6484: Solo –


Sondagens de simples reconhecimento com SPT – Método de ensao. Rio de
Janeiro, 2001.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8681: Ações e


segurança nas estruturas. Rio de Janeiro, 2003.

ALONSO, Urbano Rodriguez. Exercícios de Fundação. Vol 1. São Paulo. Editora:


Edgard Blucher, 1983.

ALONSO, Urbano Rodriguez. Previsão e Controle das Fundações. Vol 3. São


Paulo. Editora: Edgard Blucher, 1998.

ARCOWEB. Obra rápida e limpa. Publicado em 18 de janeiro de 2010. Disponível


em: <http://www.arcoweb.com.br/tecnologia/steel-framing-obra-rapida-18-01-
2010.html> Acesso em 09 de março de 2013.

CARVALHO, R. C.; PINHEIRO, L. M. Cálculo e detalhamento de estruturas


usuais de concreto armado. Vol. 2. Sao Paulo: Pini, 2009. Nv. P. 450 à 527.

CEB-FIP Model Code for Concrete Structures – 1978

CINTRA, J. C. A.; AOKI, N.; ALBIERO, J. H. Fundações Diretas – Projeto


Geotécnico. São Paulo. Editora: Oficina de Textos, 2011.

CINTRA, J. C. A.; AOKI, N.; ALBIERO, J. H. Tensão Admissível em Fundações


Diretas. São Carlos – SP. Editora: RiMa, 2003.
71

COMITE EURO-INTERNATIONAL DU BETON. Recommandations particulières


au calcul ET à l’exécution des semelles de fondation. Bulletin d’Information n.73.
Paris, 1970.

DELALIBERA. R. G. Notas de aula de Fundação – Departamento de Engenharia


Civil, UFG – CAC, Catalão, 2010.

ES-013. Exemplo de um Projeto Completo de Edifício de Concreto Armado.


Cap. 7 – Fundações. São Paulo. 2001.

GIONGO, J. S. Concreto Armado: Projeto estrutural de edifícios. Notas de Aula.


São Carlos, p. 1-184, fev. 2007.

PICASAWEB. Álbuns da web do picasa. Galeria da ETEC construção. Disponível


em: <https://picasaweb.google.com/112836881799882665611/EdificioSanRoque>
Acesso em: 09 de março de 2013.

PINHEIRO, L. M. Fundamentos do Concreto e Projeto de Edifícios. EESC. São


Carlos. 2005.

SCHNAID, Fernando. Ensaios de campo e suas aplicações à engenharia de


fundações. Sao Paulo: Oficina de Textos, 2005. P. 9 à 42.

HACHICHI, W. C. et al. FUNDAÇÕES: teoria e prática. 2. ed. São Paulo. Pini,


ABMS/ABEF, 2003. p. 227 à 263.

TQS Informática Ltda (2009). Programa computacional sistema CAD/TQS 14.5.


São Paulo. www.tqs.com.br.