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E. E. PROFª.

ZULMIRA DE ALMEIDA LAMBERT

ELETIVA

APRENDER A APRENDER:
INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

MÓDULO 1
2013
INTRODUÇÃO

No século II, Ptolomeu propôs o chamado modelo geocêntrico do universo, a Terra como o centro,

tendo em volta os planetas em perfeitas órbitas circulares. Esta crença prevaleceu até o século XVI

(14 séculos!), quando Copérnico propôs um modelo em que a Terra girava em torno do Sol.

Em 1922, Niehls Bohr ganhou o prêmio Nobel de Física por seu modelo de átomo. Posteriormente

descobriu-se que seu modelo estava incorreto.

A revista Superinteressante de outubro/2000 publicou duas matérias questionadoras. Uma, sobre um

cientista que afirma que o HIV não provoca a AIDS, e outra, sobre outro cientista que questiona as

vacinas. Ou seja, há controvérsia até em crenças científicas aparentemente consagradas.

Há pessoas hoje em dia que talvez não achem que é possível expandir sua inteligência. Isto também é

uma crença, não uma verdade. Neste trabalho mostramos como é efetivamente possível e viável, para

qualquer pessoa que queira, agir com maior inteligência.

O que é mostrado aqui é uma espécie de tecnologia. Estamos acostumados a vários tipos de tecnologia,

mas em geral não precisamos saber como a tecnologia funciona para obtermos o que queremos através

dela. Usamos videocassetes, celulares, computadores e inúmeras outras engenhocas tecnológicas, mas

são poucos os que conhecem seus detalhes de funcionamento com profundidade. No entanto, isso não

nos incomoda, usamos e pronto.

Da mesma forma, a tecnologia que apresentamos aqui pode ser usada tornar nossa vida melhor sem que

se conheça os detalhes de porquê funcionam. E para que serve essa tecnologia? Sendo a inteligência

um conjunto de capacidades que permitem a uma pessoa atingir objetivos, o material fornecido aqui

serve para que alguém atinja mais e melhores objetivos. Quais serão esses objetivos depende de você

e da sua liberdade de escolha. Os nossos objetivos são:


I. Convencê-lo de que agir com mais inteligência é possível e acessível para você.

II. Proporcionar experiências e práticas para que você comprove as possibilidades apresentadas.

III. Oferecer possibilidades e alternativas práticas para que você expanda o seu repertório de ações

inteligentes.
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HISTÓRIA DA INTELIGÊNCIA

A história da inteligência veio atravessando séculos disseminando seus conceitos e sendo vivenciados

na prática com alguns casos verídicos que foram relatados em toda a história da humanidade.

Existe uma origem mitológica da Inteligência segundo a qual Argus, príncipe de Argólida, por volta de

690 a.C, que suplantou a hegemonia de Micenas, protegeu de diversas maneiras suas mensagens

enquanto vivo e criou uma rede eficaz de espiões, tornou-se o pai da Inteligência. Após seu

falecimento, tornou-se um semideus, e há diversas versões para sua “pós-morte”. Alguns vocábulos

vindos de Argus são comuns à Inteligência: arguto, argúcia, argumento, arguir, etc. (BRAGA, 2005)

Sabe-se que em tempos passados, não havia computadores, máquinas e nenhuma tecnologia para

facilitar a vida do homem, então tudo que sabemos que aconteceu em épocas passadas, foram através

de manuscritos. Os primeiros relatos que encontramos na história sobre inteligência são através do

General Sun Tzu a mais de 500 a.C, onde o mesmo pregava métodos e estratégias para vencer as

guerras. Nas escrituras de Sun Tzu, em seu livro A Arte da Guerra, existe desde esses tempos vários

dizeres sobre a Inteligência no campo de batalha. Sun Tzu foi nomeado general de Guerra pelo rei de

Wu, ao demonstrar como se comanda uma tropa ao mesmo.

Registros encontrados sobre os Hititas, povos indo europeus, localizados onde hoje se encontram a

Turquia, há 3000 anos, escritos em argila também fica claro a praticavam da inteligência naquela

época.

Alexandre, O Grande, tinha como prática interrogar os viajantes de locais estratégicos par obterem

informações e desenvolver suas estratégias de invasão, como aconteceu no Império Persa, onde o

mesmo obteve êxito através de suas entrevistas aos viajantes.

Em 1300 a.C e 1200 a.C, a Guerra de Tróia foi uma prova de inteligência e de estratégia dos gregos

que foram atacados e invadidos pelos troianos. Os gregos fingindo ter perdido a batalha, embarcaram

em seus navios deixando para trás um enorme cavalo de madeira, que por vez foi colhido pelos troianos

e trazido para o interior de sua cidade. À noite, quando todos estavam dormindo, a estrutura do cavalo

de madeira se rompeu e os gregos atacaram os Troianos, matando e recuperando a cidade perdida.

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No século XX, mais precisamente durante a Segunda Guerra Mundial, uma prova de inteligência foi

quando os EUA decifraram os códigos de inteligência enviados pelo governo do Japão, foi um trunfo na

história da humanidade. Também foram erguidos dois pilares como superpotências mundiais, os EUA e

a União Soviética. Os dois países tiveram que criar setores de inteligência para saber o que o outro

estava planejando e desenvolvendo. Pois depois das duas grandes guerras mundiais, todo cuidado que

deveriam tomar era mínimo.

Então, daí por diante surgiram frequentes práticas de inteligência no mundo corporativo, advindas no

ramo militar, os empresários viram que tinham que desenvolver estratégias e setores de inteligência

pois sua sobrevivência no mercado começou a ficar ameaçada. Pois o mercado havia virado, onde que

não mais os clientes tinham que se adaptar aos produtos no mercado, mas, sim os produtos teria que

se adaptarem aos desejos e necessidades dos clientes. Por isso estratégias de marketing devem ser

bem desenvolvidas na elaboração de um plano de negócio, desde a segmentação do público à definição

dos preços dos produtos. E assim, as empresas mais inteligentes sobrevivem nessa disputa.

BIOGRAFIA DE HOWARD GARDNER

Howard Earl Gardner nasceu no dia 11 de julho de 1943. Em 1971, concluiu seu doutorado (Ph.D.) em

Psicologia Social (Psicologia do Desenvolvimento), no qual elaborou sua tese sobre o desenvolvimento

da sensibilidade nos trabalhos artísticos.

É autor de mais de vinte livros, traduzidos em vinte e quatro línguas diferentes, além de outras

centenas de artigos publicados. Recebeu títulos honorários em vinte universidades, de diversos países.

Em 2005, foi eleito pelas revistas Foreign Policy e Prospect como sendo um dos 100 intelectuais

públicos mais influentes no mundo.

Atualmente, realiza as seguintes atividades: Professor de Cognição e Educação pela Escola de

Graduação em Educação de Harvard, desde 1998; Professor Adjunto de Psicologia, pela Universidade

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de Harvard, desde 1991; Diretor Sênior do Projeto Zero, pela Universidade de Harvard, desde 2000.

Anteriormente, atuou como Professor de Educação pela Escola de Graduação em Educação de

Harvard, entre 1986 e 1998.

Em seu livro as Estruturas da Mente “A Teoria das Inteligências Múltiplas" (1983), trabalho que o

tornou mundialmente conhecido, Gardner apresenta ao público uma nova concepção para o

entendimento das capacidades humanas.

Segundo ele, a cognição humana é composta por um conjunto de competências muito mais amplo e

universal do que comumente se considerou até então. A noção habitual que se tem da Inteligência e,

consequentemente, seus métodos de medição, encontram-se fortemente questionados segundo esta

nova concepção.

Este trabalho, segundo o autor, tem uma origem incomum. Em 1979, uma fundação que estuda o

desenvolvimento infantil precoce e os direitos das crianças, situada nos Países Baixos “ Bernard van

Leer Fundation“ concebeu um projeto para a investigação o potencial humano. Nesta ocasião, solicitou

a Escola de Graduação em Educação de Harvard que disponibilizasse pesquisadores de diversas Áreas

para a realização do intento. Entre eles estava Howard Gardner.

Ao longo de suas atividades e experiências no projeto, o autor capacitou-se para explorar mais

amplamente e refletir profundamente sobre uma série de questões relacionadas a duas linhas de

pesquisa, nas quais trabalhara nos últimos doze anos. Uma delas era sobre o desenvolvimento, em

crianças normais e talentosas, de capacidades de utilização de símbolos, particularmente nas artes. A

outra era sobre o colapso de capacidades cognitivas em indivíduos portadores de dano cerebral.

Baseado nestes estudos, o autor apresenta uma nova definição para o que chama de Inteligência,

estabelecendo uma ruptura com a concepção de Inteligência até então aceita e valorizada pela

sociedade. Segundo ele, uma inteligência é a capacidade de resolver problemas ou de criar produtos

que sejam valorizados dentro de um ou mais cenários culturais (GARDNER, 1994).

Baseado nesta formulário e em evidências biológicas e antropológicas, Gardner estabelece oito

critérios distintos que devem ser preenchidos para que se considere uma inteligência como tal e

propõe oito competências que preenchem estes critérios: Linguística, Musical, Lógico-Matemática,

Espacial, Corporal-Cinestésica, Interpessoal, Intrapessoal e Naturalista.

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A ORIGEM DA INTELIGÊNCIA

O que faz uma pessoa se mais inteligente que outra? Quais são os limites do cérebro? Dá para

aumentar o poder da sua mente? Você vai ver as respostas para essas e outras questões nas próximas

20 páginas. E a viagem começa com a pergunta fundamental: o que é a inteligência?

Ganhar uma partida de xadrez, escrever um romance, compor uma sinfonia, convencer uma multidão,

contar a piada perfeita. São coisas que vêm tão rápido à mente quando se fala de inteligência quanto a

imagem de um relógio se movendo ao pensarmos no tempo. Mas experimente gastar um ou dois minutos

refletindo sobre o que há de comum entre essas habilidades. De uma hora para outra, a ideia clara que

se tem da inteligência começa a se dissipar. Quanto mais se pensa, mais parece não haver ligação

direta entre raciocínio matemático, criação de personagens e melodias ou talento para persuasão e

comédia. Refletir sobre a inteligência desse ponto de vista gera uma sensação semelhante à que temos

ao ouvir a pergunta “O que é o tempo?” Antes da pergunta, sabemos exatamente o que é. Depois dela,

não sabemos mais. Se quisermos entender o que é a inteligência, é preciso contornar esse tipo

dificuldade. E uma boa estratégia para isso é ir direto à fonte: entender o cérebro.

Agora mesmo uma tempestade elétrica se alastra pelo 1,4 quilo de massa gelatinosa aí atrás da sua

testa. É esse movimento caótico de sinais por uma rede de 100 bilhões de neurônios que produz seus

pensamentos. Das profundezas desse órgão, surge o que chamamos de inteligência. Mas, se você pensa

que o processador de informações mais avançado do Universo foi projetado de um jeito elegante, está

enganado. O cérebro humano é uma obra feita nas coxas.

Uma obra que começou em vermes microscópicos, quando um punhado de células especializadas em

enxergar se juntou numa das extremidades do bicho. Foi assim que surgiu o ancestral daquilo a que

chamamos cabeça: um mero receptáculo de células nervosas responsáveis por captar luz e mover o

animal. Com o tempo, essa massa de neurônios, e a complexidade com a qual eles se conectam, cresceu.

E aconteceu um milagre. Animais que reagiam automaticamente a estímulos exteriores passaram a se

comportar de um jeito mais complexo e imprevisível. Em vez de responder cegamente a qualquer

estímulo, começaram a repetir apenas os movimentos mais eficazes na luta pela sobrevivência – por

exemplo: em vez de caçar qualquer coisa que se mexesse, passaram a selecionar suas presas entre as

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mais nutritivas e fáceis de abater. Esse talento para identificar acertos é a origem daquilo que

chamamos aprendizagem.

As vantagens que ela trouxe lançaram os seres vivos numa corrida em busca do maior e mais versátil

cérebro. Mas os organismos que entraram na disputa enfrentaram um sério problema. Na evolução

biológica, é impossível traçar um plano novo de construção de órgão do zero, pois herdamos as

instruções básicas para a obra que estão nos genes dos nossos pais. O resultado disso é que o cérebro

foi crescendo meio no improviso, com “puxadinhos” se amontoando a partir de uma estrutura básica.

Essa é a verdadeira história do cérebro: uma sucessão de gambiarras bem-feitas. E nem precisamos ir

longe para entender isso. Quem tenta se concentrar em fazer uma prova, mas ao mesmo tempo não

consegue tirar os olhos da(o) mocinha(o) ao lado experimenta sentimentos e pensamentos tão pouco

relacionados que aparentam ter sido juntados aleatoriamente uns com os outros. Foram mesmo.

“Existe uma série imperfeita de conexões entre os sistemas cognitivos e emocionais”, afirma o

neurocientista Joseph Le Doux. “Essa situação é parte do preço que pagamos por termos capacidades

que ainda não foram plenamente integradas ao nosso cérebro.”

Quantas são essas capacidades e como elas se relacionam são questões centrais para definir o que é a

inteligência, mas ninguém ainda tem uma resposta exata para elas. Se você está em busca de um meio

objetivo de medir a inteligência, será obrigado a deixar o cérebro de lado e estudar uma área com

mais de um século de tradição: a psicometria.

Paris, começo do século 20. O psicólogo Alfred Binet recebe uma tarefa do ministro da Educação da

França: encontrar um meio de prever quais crianças vindas do interior do país teriam mais

possibilidade de enfrentar dificuldades na escola – o governo queria oferecer educação especial a

elas. Em 1905, ele publica um teste de raciocínio verbal e matemático, com questões que testam a

memória e o potencial de resolver problemas de lógica. O objetivo de Binet era medir a capacidade de

compreensão pura e simples, não o conhecimento prévio, colocando em pé de igualdade crianças que só

sabiam capinar mato com as que recitavam Shakespeare. Pouco depois, o alemão Wilhelm Stern criou

um sistema de pontuação-padrão para o teste e lhe deu o nome de Intelligenz-Quotient. Nascia o

método mais-bem sucedido da história para medir a inteligência: o famoso teste de QI. E ele

revolucionaria o que entendemos como inteligência. Até então a maior parte dos estudiosos entendia o

nosso intelecto a partir do conceito da tabula rasa, – a idéia do filósofo John Locke de que a mente

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humana é uma folha em branco que vai sendo preenchida durante a vida. Com a adoção dos testes de

QI, esse ponto de vista perdeu terreno – afinal, se uma criança semi-analfabeta podia apresentar um

QI maior que uma instruída, essa história de folha em branco era uma furada. E a inteligência passou a

ser considerada cada vez mais como algo inato, como um mero produto do que está escrito nos genes.

“O fato de que a maior questão atual sobre inteligência é se o QI depende 50% ou 80% dos genes

mostra o quanto o debate mudou”, afirma o geneticista Marc McGull.

Mas, afinal, como uma característica que parece depender tanto do aprendizado pode estar definida

ainda antes do nascimento? Na verdade, logo ao nascer a relação entre o QI e nossos genes não é

assim tão evidente. Apenas 20% da inteligência dos bebês pode ser prevista a partir de fatores

genéticos (é o que mostra estudos com pais e filhos). Só que, quanto mais passa o tempo, mais aumenta

o poder de previsão deles. Na infância, ele sobe para 40%. Na fase adulta, decola para 60%. E após a

meia-idade pode chegar a 80%. Esses dados mostram que os genes responsáveis pela inteligência

podem ser vistos como uma espécie de balde, e o aprendizado durante a vida como a água que enche o

balde. Ter mais educação vai levar você mais rápido a encher o balde de água. Mas, caso ele seja muito

raso, não vai adiantar jogar muita água lá. Ou seja: nem toda a educação do mundo poderá tornar

realmente brilhante alguém que nasceu com a inteligência apagada. Só que esse efeito tem um lado

positivo: se você tiver vocação genética para ser um físico quântico ou coisa que o valha, tem como

conseguir isso mesmo sem ter tido uma instrução boa na infância. Mas até que ponto o QI pode mesmo

determinar a capacidade da mente?

Alguns psicólogos acham que não, os testes de QI não dizem grande coisa. Uma importante ruptura

veio com o livro Inteligência Emocional, do psicólogo Daniel Goleman. Ele ressaltou que habilidades

como regular os próprios sentimentos, compreender emoções alheias, ser capaz de trabalhar em grupo

e sentir empatia pelos outros eram completamente ignoradas nos testes de QI. O que não fazia

sentido, já que essas habilidades deveriam fazer parte daquilo que chamamos de inteligência. Outra

ofensiva veio do psicólogo Howard Gardner, autor da Teoria das Inteligências Múltiplas. Ele inspirou-

se no modo como a neurociência vê o cérebro hoje: um conjunto de vários módulos distintos, ou

“puxadinhos”, que evoluíram separadamente e hoje funcionam como processadores para funções

específicas. Com isso em mente, Gardner concluiu que a inteligência não é um conceito único,

indivisível, mas uma soma de várias habilidades – como raciocínio lógico-matemático, linguístico,

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espacial, musical, intrapessoal, interpessoal, motor e naturalista (veja nas páginas anteriores o que é o

quê).

Assim, a ideia de colocar um Stephen Hawking, um Ronaldinho Gaúcho e uma Hebe Camargo em pé de

igualdade no quesito inteligência deixou de soar estranha. Pela teoria de Gardner, cada um deles pode

ser considerado especialista em um tipo de habilidade (respectivamente, a lógico-matemática, a

motora e a interpessoal). E por isso não daria para considerar qualquer um deles menos genial que o

outro.

Talvez por parecer mais democrática que os testes de QI, a idéia de Gardner se tornou

extremamente popular desde que foi publicada, em 1983. Tanto que hoje é senso comum achar que ela

está certa, e que o quociente de inteligência tradicional ficou ultrapassado. Mas no meio acadêmico é

diferente: a Teoria das Inteligências Múltiplas ainda é vista como um patinho feio e enfrenta muitas

críticas. Principalmente porque nem Gardner nem ninguém sabe ao certo como medir cada uma dessas

habilidades que formariam a inteligência. “Não fica claro se o conceito de inteligência de Gardner

mede mais traços de personalidade e habilidades motoras que faculdades mentais de fato”, afirma

Linda S. Gottfredson, professora de estudos educacionais da Universidade de Delaware.

Ela é um dos muitos entusiastas do fator “g” (de “inteligência geral”). Segundo essa teoria, baseada

em estatísticas, a ideia de que várias habilidades cognitivas estejam disseminadas uniformemente pela

população é falsa. Ou seja, não existem muitas pessoas excelentes em cálculo e ao mesmo tempo

péssimas em redigir textos, ou com bom ouvido musical e pouca inteligência interpessoal. Se uma

pessoa for boa em qualquer dessas habilidades, tende a ser boa também nas outras.

Essa essência da teoria do fator g, porém, não é nova. Ela está por trás da própria idéia do QI . Tudo

bem que os testes não medem coisas como coordenação motora, mas é verdade que eles avaliam tipos

diferentes de raciocínio (para entender melhor, faça um teste parecido a partir da página 76). E a

pontuação final vai levar em conta o seu desempenho em todos eles. Além disso, dá para comparar

milhares de resultados de épocas e lugares diferentes, o que dá uma bela base estatística se o ponto é

saber qual é o tamanho da sua inteligência em relação à dos outros. Então, mesmo com suas limitações,

os testes tradicionais continuam sendo quase unanimidade no meio científico. “Ninguém duvida de que

eles não avaliam todos os aspectos importantes das funções mentais – não medem a criatividade ou a

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sabedoria, por exemplo. Mas o ponto é que isso não é o mesmo que afirmar que eles não servem para

nada”, afirma o psicólogo Ian J. Deary.

Mesmo assim, a necessidade de expandir o conceito de inteligência para além das fronteiras dos

testes de QI continua. Afinal, pouca gente duvida de que a criatividade, algo muito difícil de medir

objetivamente, é um inegável sinal de inteligência. Diante dessa espécie de tilt dos testes mentais, o

que dá para fazer? Com a palavra Howard Gardner: “Nós, psicólogos, não somos mais os donos da

inteligência, se é que algum dia já fomos. O que significa ser inteligente é uma questão filosófica

profunda, que exige base em biologia, física e matemática”. Ou seja, exige que voltemos ao lugar onde

começamos essa história: para dentro do cérebro.

Para muitos neurologistas, a inteligência é só um sinal de que você tem um cérebro com a “fiação” bem

conectada. Quanto mais saudável ele for, mais coisas extraordinárias vai fazer. Mas espere aí. Às

vezes o que acontece é justamente o contrário. É o que mostra um experimento sem paralelo que

acontece na Austrália: pesquisadores lançam pulsos eletromagnéticos no crânio de pessoas para

desligar partes do cérebro e observar o que acontece com as capacidades cognitivas. E o resultado é

espantoso: as cobaias humanas começam a desenhar melhor, ter memória mais rápida, mais habilidade

musical ou um raciocínio numérico mais apurado. A questão é: se partes do cérebro estão sendo

desligadas, por que a mente parece funcionar melhor, e não pior? Se estiver interessado em saber a

resposta, basta virar esta página. Vai conhecer os cérebros mais fascinantes do planeta, verdadeiros

telescópios para decifrar o que é a inteligência.

O quociente de inteligência é relativo: se você tira 100 num teste, significa que o seu está na média de

todas as pessoas que fizeram a mesma prova. Mas cada teste usa uma escala diferente, então um QI

de 142 em um pode significar 132 pontos em outro. A Mensa, uma “sociedade de gênios” em que só

pode entrar quem tiver QI superior ao de 98% da população, costuma estipular 150 como QI de corte.

Se você quiser entrar para um grupo desses e tiver bala na agulha, tem uma solução: viajar no tempo.

A média nos testes aumenta 25 pontos a cada geração – o psicólogo americano James R. Flynn, que

detectou o fenômeno, credita isso a melhorias na alimentação e na infra-estrutura básica nos últimos

100 anos. Isso significa que um sujeito normal de hoje teria QI de gênio nos anos 50. Tire o DeLorean

da garagem!

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A Teoria das Inteligências Múltiplas é um desafio à idéia de que o QI representa uma medida direta

da inteligência. Segundo o psicólogo Howard Gardner, a nossa inteligência é o resultado de 8

processadores mentais diferentes dentro do cérebro, cada um deles responsável por uma habilidade:

Lógico-matemática: É a habilidade de resolver problemas a partir da lógica, realizar operações

matemáticas e investigar questões científicas. Bastante desenvolvida em cientistas.

Linguística: Sensibilidade para língua falada e escrita, capacidade para aprender línguas e de usar a

lábia para alcançar os próprios objetivos. Encontrada em escritores, locutores e advogados.

Musical: Semelhante à inteligência linguística, só que relacionada a sons. É a habilidade de compor e

apreciar padrões musicais. Bastante rica em compositores, cantores, dançarinos e maestros.

Espacial: Habilidade de reconhecer e manipular padrões no espaço. É útil para quem trabalha com a

coordenação motora e tem de compreender o mundo visual. Bem desenvolvida em arquitetos.

Físico-cinestésica: É o tipo de inteligência usada para resolver problemas e executar movimentos

complexos com o próprio corpo. Você a encontra em dançarinos, mímicos e esportistas.

Interpessoal: É a capacidade de entender as intenções dos outros. Bastante necessária a quem

coordena e executa trabalhos em grupo. É encontrada em vendedores, políticos, professores, clínicos

e atores.

Intrapessoal: É a habilidade de olhar para dentro de si mesmo e entender as próprias intenções,

objetivos e emoções. Necessária para encontrar erros no próprio raciocínio. Presente em psicólogos,

filósofos e cientistas.

Naturalista: É a sensibilidade para perceber e organizar fenômenos e padrões da natureza, como a

diferença entre plantas quase idênticas. Costuma ser encontrada em biólogos e membros de tribos

indígenas.

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SOMOS OS ÚNICOS SERES INTELIGENTES?

Na floresta Kibale, em Uganda, uma família de chimpanzés se alimenta no alto de uma figueira. Ao

terminar a refeição, mãe e dois filhos pulam para outra árvore. Mas falta coragem à filhote caçula,

que fica onde está. Paralisada, ela começa a gritar. Para ajudá-la, a mãe se aproxima da cria e balança

a figueira para os lados, até aproximá-la da árvore vizinha. Ela então agarra um ramo e com o corpo

forma uma ponte natural por onde a macaquinha atravessa sã e salva.

A cena foi presenciada em 1987 pelo psicólogo Marc Hauser, da Universidade Harvard, que ficou

maravilhado. Teria sido intencional? Será que a mãe visualizou a imagem de seu corpo formando a

ponte? Ou será que só estava tentando ensinar a filhote a saltar, e ela espertamente aproveitou a

chance?

Para quase todos nós, o encantamento com bichinhos fofos que parecem agir de caso pensado torna

fácil trocar as interrogações acima por pontos finais. Pesquisadores como Hauser, no entanto, têm se

dedicado a encontrar respostas científicas para decifrar a inteligência animal. Eles querem entender o

que realmente se passa na mente dos bichos. E como esses processos acontecem. Uma baleia pode ter

cultura? Macacos são capazes de traçar estratégias de caça ou construir ferramentas? Insetos têm

memória?

Consenso existe apenas para o ponto de partida. De acordo com César Ades, um dos maiores

especialistas em comportamento animal do Brasil, cientistas acreditam que a capacidade de pensar

pode ter surgido independentemente em vários animais, e não somente nos mais próximos dos humanos

na cadeia evolutiva. Até aí, tudo bem. Mas quais tipos de comportamentos podem ser apontados como

frutos dessa habilidade? “A melhor definição para inteligência é a habilidade de resolver problemas”,

afirma o pesquisador Culum Brown, da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

Em seu livro Wild Minds (“Mentes Selvagens”, sem tradução para o português), Marc Hauser propõe

que vários aspectos da nossa cognição são encontrados nos outros animais. É o que ele chama de “kit

de ferramentas”, um conjunto de habilidades como reconhecer a função de um objeto, ter noção de

quantidade e de direção. A partir daí, os animais evoluíram de acordo com suas necessidades. “Cada

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espécie é ‘esperta’ à sua maneira, porque evoluiu respondendo a pressões diferentes. Não podemos

compará-las”, diz o pesquisador Eduardo Ottoni, da USP. A maioria é, de modo geral, equipada com

mecanismos de aprendizado que podem ocorrer por dedução ou tentativa e erro e se espalhar por

imitação ou pelo ensinamento entre indivíduos. Mas para alguns animais foi mais vantajoso manter-se

baseado apenas no instinto. Outros tiveram de aprimorar o kit diante de dificuldades, modificar seu

comportamento e transmiti-lo para as próximas gerações. Foi o que aconteceu com os humanos. Mas,

se olharmos de perto, macacos, cachorros e corvos têm em seus kits ferramentas muito parecidas

com as dos humanos. As nossas até podem ser mais sofisticadas, mais complexas. Mas as deles

funcionam perfeitamente para o que eles precisam. É o que você verá abaixo.

Memória

Quando o estúdio Pixar colocou no filme Procurando Nemo uma peixinha que esquecia tudo em poucos

segundos, estava brincando com uma idéia que por muito tempo existiu na comunidade científica:

peixes teriam memória de apenas três segundos. Estudos recentes mostram que isso é balela. Esses

animais são capazes de lembrar e ainda guardam as informações a longo prazo. Foi o que comprovou o

pesquisador Culum Brown. Ele prendeu um grupo de peixes arco-íris australianos num tanque e os

treinou para encontrar uma saída. Após cinco tentativas, todos conseguiam achá-la. Onze meses

depois, o pesquisador refez o teste. Dessa vez, os peixes localizaram a saída na primeira tentativa.

Graças à memória, peixes também reconhecem outros indivíduos. Ao presenciar uma luta, o animal não

apenas retém informações, como cria um ranking de lutadores. No futuro, ele evitará brigas com os

fortões. Cardumes também são capazes de aprender e memorizar a se desvencilhar de redes ou então

viajar em formações que os protegem de predadores.

Traços de memória também foram detectados numa das últimas espécies em que se esperaria

encontrar essas características: as aranhas. Antes vistas como um daqueles animais para quem

manter-se atrelado ao instinto teria sido mais útil, elas têm surpreendido os cientistas. Um estudo a

apontar nesse sentido foi feito por César Ades, que analisou a reação da aranha-dos-jardins (Argiope

argentata). De um modo geral, quando um inseto cai na teia, a aranha libera um veneno paralisante e

envolve a presa com fios de seda para levá-la ao centro da teia, onde vai devorá-lo. Se nesse tempo

outro animal for capturado, a aranha deixa a primeira presa amarrada e corre até a nova para repetir

o procedimento. César descobriu que, para reencontrar a primeira presa, a aranha depende da

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memória. Para chegar a essa conclusão, ele retirou uma mosca amarrada na periferia. E percebeu que a

aranha, sem contar com a ajuda de um marcador, como o feromônio utilizado pelas formigas, retornava

exatamente ao local onde a presa estava originalmente.

Comunicação

Quem tem cachorro costuma ter uma frase na ponta da língua para se gabar da destreza do seu

animal: “É tão inteligente que só falta falar”. É verdade que os cães continuam nos devendo um bate-

papo, mas comunicar o que querem e entender o que as pessoas estão lhes dizendo já parecem fazer

parte de suas habilidades.

Recentemente dois animais ficaram famosos: o border collie alemão Rico, de 10 anos, que consegue

entender cerca de 200 palavras, e Sofia, uma legítima vira-lata “puro-sangue” brasileira de 3 anos,

que demonstra o que deseja por meio de um painel com diversos símbolos.

Pesquisadores descobriram que Rico não só decorou os nomes de seus brinquedos como também é

capaz de pegar, em meio a objetos familiares, um outro que não conhecia, após ouvir seu nome. A

conclusão é que ele conseguiu associar a palavra nova ao objeto diferente. Os cientistas agora querem

desenvolver uma mini-sintaxe com o cachorro e testar se ele entende frases mais complexas, como

“pegue a bola e coloque na casinha”.

Essa também é a meta do grupo de pesquisadores brasileiros que está trabalhando com Sofia. A

cadelinha manuseia um painel de símbolos. Para receber carinho, comer, passear, brincar, beber água,

fazer xixi ou ir para a casinha ela aperta a tecla correspondente, que emite um som com a ação. É uma

capacidade que seres humanos geralmente adquirem por volta dos 3 anos de idade.

Em outras ocasiões, Sofia foi capaz de combinar símbolos para se comunicar, como quando o

zootecnista Alexandre Rossi, seu dono e treinador, escondeu um osso dentro da casinha. Inicialmente,

a cadela apertou a tecla brinquedo. Ao perceber que o osso havia sido escondido, Sofia apertou a tecla

da casinha e logo em seguida a de brinquedo.

Sofia domina um vocabulário razoavelmente menor que o de Rico. Mas seus treinadores acreditam que

ela esteja um passo à frente. Os pesquisadores conseguiram juntar um verbo e um objeto em suas

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ações. Ela entende, por exemplo, as diferenças entre “apontar casa” e “buscar a bola”. Agora eles

testam se ela sabe distinguir marcações de espaço nessas ações, como “em cima”, “embaixo”, “direita”

e “esquerda”.

Cultura

Imo é uma macaquinha especial. Sozinha, ela criou comportamentos que mudaram o estilo de vida de

uma espécie japonesa (Macaca fuscata) da ilha de Koshima. No começo da década de 50,

pesquisadores perceberam que ela, por alguma razão, passou a lavar a batata-doce antes de levá-la à

boca. Até então, os animais simplesmente enfiavam o alimento na boca com terra e tudo. Gradualmente

o comportamento se espalhou na comunidade. Após algum tempo, vários dos filhotes já repetiam a

técnica, visível hoje entre quase toda a população da ilha de Koshima.

Imo, que em japonês quer dizer batata-doce, não parou por aí. Alguns anos depois ela arrumou um jeito

de peneirar o trigo que era espalhado na areia pelos pesquisadores que observavam o grupo.

Inicialmente os macacos pegavam os grãos um a um, e demoravam um tempão. Mas um dia Imo teve a

brilhante idéia de pegar um punhado de trigo e areia e levar até a água. A vantagem da técnica foi

clara: a água facilmente separava os grãos da areia, e ela pôde comer tranquilamente. Assim como as

batatas, a lavagem do trigo não demorou para se espalhar pelo grupo.

Lavar batatas não é como escrever livros ou cantar ópera. Mas o que Imo fez – desenvolver um novo

comportamento e depois repassá-lo aos seus semelhantes – é algo que pesquisadores nem cogitavam

ser possível duas décadas atrás. Ela transmitiu cultura.

Outro exemplo bacana é um caso curioso observado entre baleias-jubartes da costa australiana,

espécie em que os machos emitem um som musical provavelmente para atrair as fêmeas. Uma

verdadeira revolução cultural teve lugar por lá quando, em 1987, um grupo de cantores do Pacífico Sul

abandonou totalmente sua melodia para adotar a de colegas do oceano Índico. A mudança ocorreu após

um perído de convivência entre os dois bandos. Aparentemente, alguns “menestréis” que viviam na

região do Pacífico se deram conta de que os colegas do Índico faziam mais sucesso com as meninas. E

tudo isso graças ao canto deles. A solução foi mudar a música para não ficar no atraso com a baleiada.

Planejar estratégias

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Chimpanzés que habitam a floresta Taï, na Costa do Marfim, usam um sistema de caça que se

assemelha à tática de um time de futebol quando querem capturar sua refeição favorita, o macaco-

colobo-vermelho. Como a presa é menor, mais rápida e pode se refugiar em locais inacessíveis aos

chimpanzés, os primatas desenvolveram um modo de agir em equipe para conseguir encurralá-lo.

Para isso, dividem-se em pelo menos quatro funções: o condutor, que persegue a vítima, direcionando

seu caminho; o bloqueador, que sobe nas árvores para fechar as opções de fuga; o perseguidor, que

seleciona o alvo e tenta a captura em movimentos rápidos; é o responsável pela emboscada, cuja

missão é prever o trajeto do colobo e bloquear suas rotas. Esse último é uma espécie de centroavante

do time, que se antecipa ao adversário para finalizar a jogada.

O “centroavante” é sempre um animal com mais experiência – o domínio da arte da caça leva cerca de

20 anos. Quanto mais velho, mais o chimpanzé é capaz de fazer antecipações e de menos movimentos

ele precisa para atingir seu objetivo. Futebolisticamente falando, ele é uma espécie de Romário. Toca

pouco na bola, mas quando o faz, quase sempre está bem colocado e marca o gol.

Também as guerras entre esses animais possuem táticas avançadas. Chimpanzés são capazes de variar

estratégias de acordo com o adversário e o time à disposição para a partida. Quanto menor o exército,

mais defensiva será a tática. Mas, se o bando for numeroso, a opção é fazer um ataque frontal e

impactante. Também há operações em que fêmeas, jovens e idosos ficam na retaguarda, batucando e

gritando, para criar a impressão de que a tropa de machos é mais numerosa. E, se as forças são iguais,

geralmente um lado faz o movimento e aguarda a resposta do rival. Nesse caso, grupos de chimpanzés

invadem o território inimigo para espalhar o terror e assustar rivais que perambulam

desacompanhados. Em algumas ocasiões esse tipo de comando foi visto aprisionando e torturando

fêmeas isoladas.

Uso de ferramentas

Pesquisadores que observam grandes primatas em florestas da África já flagraram esses animais

usando todo tipo de ferramenta. Para coletar frutos em árvores espinhosas, calçam ramos lisos sob os

pés, como se fossem sandálias. Outros aproveitam folhas largas como almofadas para sentar no chão

úmido sem molhar o traseiro. Enfiar galhos em cupinzeiros para pegar os insetos também é frequente.

Em um nível mais avançado, alguns animais usam pedras como bigorna e martelo para abrir nozes ou

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coquinhos – uma pedra maior relativamente plana serve de base, onde é posicionado o fruto, que é

golpeado com uma pedra menor.

A surpresa veio quando cientistas observaram que não eram apenas os grandes primatas que

dominavam esse tipo de técnica. Pequenos macacos-prego também eram capazes de usar rochas para

quebrar cascas e transmitir esse conhecimento para o grupo. A descoberta gerou uma dúvida. Ao

observar a habilidade em chimpanzés, imagina que ela tenha surgido em algum momento da evolução

dos macacos que deram origem aos hominídeos. Mas o macaco-prego subverte essa ideia. Como poderia

um animalzinho separado da nossa linhagem na evolução há mais de 40 milhões de anos aprender a usar

ferramentas? Para o pesquisador da USP Eduardo Ottoni, que descobriu a proeza dos macacos-prego

no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo, não deveríamos considerar o fato com estranheza, mas

sim pensar em quais pressões no processo seletivo promoveram tal desempenho. Mais uma vez, é a

espécie se adequando às necessidades que o meio impõe.

Se os pregos surpreenderam os cientistas, que dizer então de corvos da Nova Caledônia, na Oceania,

que se mostraram capazes de manipular pequenos ramos para pegar insetos em buracos estreitos? O

desempenho desses animais na natureza já era considerado incrível por conta da utilização de

ferramentas naturais para se alimentar. Mas o que fez a fama deles foi um teste de laboratório na

Universidade de Oxford em 2002. Enquanto estudava alguns corvos, o pesquisador Alex Kacelnik

flagrou a fêmea Betty criando uma ferramenta. Com o intuito de comer um pedaço de alimento

colocado no fundo de um tubo de ensaio, ela transformou em gancho um arame que estava por perto. O

feito ganhou destaque porque levantou a suspeita de que talvez Betty compreendesse a consequência

do ato. “Convivemos nesse planeta com animais pensantes”, diz Marc Hauser. “Cada espécie, com sua

mente única, favorecida pela natureza e moldada pela evolução, é capaz de enfrentar os mais

fundamentais desafios que o mundo apresenta. Apesar de a mente humana deixar uma marca

característica no planeta, nós certamente não estamos sozinhos nesse processo”, afirma ele. A

natureza pode ser mais sábia do que parece.

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18
SISTEMA NERVOSO

Um sistema é um conjunto de órgãos e estruturas que têm uma função em comum. Visto assim, o

sistema nervoso é o conjunto de órgãos que têm em comum a função de integrar e regular rapidamente

o funcionamento do corpo, permitindo não só que o indivíduo atue como um conjunto, mas também de

maneira ajustada ao ambiente, à sua história de vida e às suas projeções para o futuro.

O sistema nervoso é capaz de fazer isso devido à estrutura de seus órgãos e tecidos, compostos por

células capazes de detectar variações de energia, transformá-las em sinais químicos e elétricos e

transmiti-los rapidamente a outras partes do próprio sistema nervoso e do corpo. Por sua rapidez e

flexibilidade o sistema nervoso difere de outro sistema integrador do organismo: o sistema endócrino,

de ação também global, porém lenta (da ordem de minutos, horas ou dias).

Uma das funções do sistema nervoso de fato é permitir aos animais a detecção de estímulos e a

organização de respostas coordenadas do organismo a eles, como dizem os livros-texto. Mas um

sistema nervoso complexo o suficiente faz muito mais do que apenas isso (detectar estímulos e

produzir respostas a eles, afinal, é coisa que até uma bactéria faz): um ser que fizesse apenas isso

estaria condenado a viver somente no presente.

Ao contrário, o sistema nervoso complexo o suficiente (como o nosso, mas também de animais como

ratos e camundongos, e até de insetos) dota o indivíduo de passado e futuro, ao torná-lo capaz de

aprender novas associações; de lembrar dessas associações, e também de seus efeitos sobre o corpo;

e de usar essas informações para fazer projeções para o futuro. Desse modo, mesmo as respostas ao

presente levam em consideração as experências passadas e o que se antecipa para o futuro - racional

e emocionalmente.

Os mais variados sistemas nervosos têm algumas características em comum, sinal de que compartilham

sua origem de um ancestral comum:

- Todos são compostos de células excitáveis (os neurônios) e de um segundo tipo celular associado (as

células da glia);

- Em todos eles, os neurônios usam substâncias químicas (neurotransmissores e neuromoduladores)

como intermediários para trocar informações e assim afetar a atividade uns dos outros;

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- Todos possuem células capazes de detectar e sinalizar mudanças de energia no ambiente e/ou no

corpo, respondendo diretamente a elas (os receptores sensoriais e neurônios sensoriais);

- Todos possuem células (os neurônios efetores) capazes de efetuar mudanças no corpo, como

contração muscular, secreção glandular, ou mudanças na atividade de órgãos internos;

- Em todos eles, os neurônios se organizam em estruturas que fazem a interface sensorial com o

corpo; que integram essa informação; e que fazem a interface efetora com o corpo; e

- Todos permitem, assim, o funcionamento integrado do corpo como um todo e de maneira coerente

com o seu passado individual.

Nos vertebrados, a distinção entre as duas divisões do sistema nervoso adulto é simples: o sistema

nervoso central (SNC) compreende todo o tecido nervoso encontrado dentro de caixas ósseas (o

crânio e a coluna vertebral), enquanto o sistema nervoso periférico (SNP) compreende todo o tecido

nervoso restante, situado fora do crânio e da coluna vertebral - portanto, todos os nervos e gânglios

do corpo.

O sistema nervoso central é dividido em duas grandes porções: encéfalo e medula espinhal.

Encéfalo

O encéfalo, conjunto de tecidos nervosos dentro da caixa craniana, pode ser dividido em três grandes

estruturas: o cérebro (formado pelo telencéfalo e pelo diencéfalo), o cerebelo (na parte posterior no

encéfalo, na nuca) e o tronco encefálico (formado por mesencéfalo, ponte e bulbo).

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Essas divisões correspondem às porções do tubo neural de onde elas se originam no desenvolvimento

do sistema nervoso. A aparência complexa do encéfalo adulto esconde o fato de ser todo ele

organizado, na verdade, como um grande tubo. O telencéfalo é a porção mais anterior, seguida de

diencéfalo, mesencéfalo, ponte e bulbo; o cerebelo se forma por trás, da junção de parte das

estruturas que dão origem ao tronco encefálico.

Telencéfalo

A porção mais anterior, o telencéfalo, é a que ocupa o maior espaço no cérebro humano, devido ao

grande tamanho do córtex cerebral. A ele chegam todos os sinais que vêm do corpo pelo tronco

encefálico e diencéfalo. O córtex cerebral processa todos esses sinais ao mesmo tempo, além de seus

próprios sinais internos relacionados a memórias, valores e projeções para o futuro, agregando

complexidade e flexibilidade ao comportamento.

O telencéfalo é composto pelo córtex cerebral, pela amígdala (que, como você vê, não é a da

garganta, que para evitar confusões agora se chama tonsila) e pelo estriado. Estas últimas duas

estruturas são internas (ou "subcorticais), ocultas sob o córtex cerebral. Este, por sua vez, pode ser

dividido didaticamente em 5 lobos:

- o lobo occipital é o mais posterior, responsável pela visão;

- o lobo parietal fica imediatamente posterior ao sulco central, a dobra mais profunda do córtex, e

processa todos os sinais relacionados ao espaço corporal, inclusive a qual parte desse espaço

dedicamos nossa atenção;

- o lobo temporal se destaca na lateral do cérebro, abaixo de outra grande dobra (o sulco lateral), e

processa informações auditivas, visuais, e ainda participa da representação da identidade pessoal

(self) e do julgamento moral;

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- o lobo frontal corresponde a toda a porção do córtex anterior ao sulco central. Aqui estão as áreas

do córtex que organizam o comportamento, desde a elaboração de metas e estratégias, passando pela

representação de valores e tomada de decisões, incluindo julgamentos morais, até o comando dos

movimentos propriamente ditos;

- o lobo da ínsula, não mostrado na figura, é uma dobra interna do córtex (donde o nome, que significa

ilha), responsável por monitorar em permanência o estado funcional do corpo, e portanto as emoções,

gerando informações que são então usadas pelo lobo frontal para ajustar o comportamento ao nosso

estado interno.

Diencéfalo

A segunda divisão do encéfalo na ordem rostro-caudal é o diencéfalo, formado por vários núcleos. Os

maiores são os que, em conjunto, formam o tálamo, passagem obrigatória para quase toda a

informação que é encaminhada ao córtex cerebral. Abaixo dele fica o hipotálamo, estrutura vital que

recebe o tempo todo informações sobre o estado funcional do corpo e regula todos os sistemas que

são capazes de modificar o funcionamento do corpo, inclusive através do comportamento. Acima do

tálamo fica a glândula pineal, ou epitálamo, que também ajuda a integrar o funcionamento de corpo e

cérebro. Outras estruturas do diencéfalo são os globos pálidos, parte dos núcleos da base juntamente

com o estriado telencefálico, e o núcleo subtalâmico.

Mesencéfalo

O mesencéfalo é a porção seguinte no eixo encefálico, composto de vários pequenos núcleos, vários

dos quais integram funções sensoriais e motoras; de outros com função moduladora; e de grandes

feixes de fibras que interligam o córtex cerebral ao cerebelo e à medula espinhal. Aqui ficam por

exemplo os colículos, que usam informação visual e auditiva para comandar movimentos elementares de

orientação, como o reposicionamento dos olhos e orelhas (para os animais que conseguem movê-las!); o

22
núcleo de Edinger-Westphal, que comanda a acomodação dos olhos, e o núcleo do nervo oculo-motor,

que comanda os movimentos laterais dos olhos; e a substância negra e a área tegmentar ventral

vizinha, fontes da dopamina que modula a motivação e a regulação dos movimentos.

Ponte e bulbo

A ponte e o bulbo são as porções mais caudais do eixo do encéfalo, contíguas à medula espinhal, e com

algumas funções semelhantes às da medula, como a primeira integração de informações sensoriais

antes de encaminhá-las ao cérebro e o controle dos músculos da cabeça. Além disso, e à diferença da

medula, na ponte e no bulbo estão pequenos núcleos com uma função fundamental: modificar o

funcionamento de todo o sistema nervoso central, fazendo-o entrar no estado de vigília (acordado),

de sono, e todos os sub-estados.

Cerebelo

Ele responde sozinho por apenas 10% do volume encefálico, mas 80% de todos os neurônios que temos

dentro do crânio. Tantos neurônios parecem estar relacionados à função do cerebelo: monitorar e

ajustar, em tempo real, o funcionamento do córtex cerebral.

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AS SETE INTELIGÊNCIAS E LOCALIZAÇÃO NO CÉREBRO HUMANO

1. Inteligência linguística: é o tipo de capacidade exibida em sua forma mais completa, talvez pelos

poetas. Localização: parte do cérebro chamada Centro de Broca.

2. Inteligência lógico-matemática: é a capacidade lógico-matemática, assim como a capacidade

científica Localização: Centro de Broca

3. Inteligência espacial: é a capacidade de formar um modelo mental de um mundo espacial e ser capaz

de manobrar e operar utilizando esse modelo. Exemplo: Os marinheiros, engenheiros, cirurgiões,

pintores, escultores. Localização: Hemisfério direito do cérebro.

4. Inteligência musical: é a capacidade voltada para a música. Exemplo: Leonardo Bernstein, Mozart.

Localização: hemisfério direito.

5. Inteligência corporal cinestésica: capacidade de resolver problemas ou de elaborar produtos

utilizando o corpo inteiro, ou partes do corpo. Exemplo: dançarinos, atletas, cirurgiões e artistas. A

dominância desse movimento é encontrado no hemisfério esquerdo.

6. Inteligência interpessoal: capacidade de compreender outras pessoas: o que as motiva, como elas

trabalham, como trabalhar cooperativamente com elas. Exemplo: vendedores, políticos, professores,

clínicos (terapeutas) e líderes religiosos bem-sucedidos. Localização: Lobos Frontais.

7. Inteligência intrapessoal: é uma capacidade correlativa voltada para dentro. É a capacidade de

formar um modelo acurado e verídico de si mesmo e de utilizar esse modelo para operar efetivamente

na vida. Localização: lobos frontais.

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PROCESSAMENTO DAS EMOÇÕES

As emoções são responsáveis por desencadear tensões no nosso organismo que, por mais que tentemos escondê-

las, se traduzem em tremores, “frio no estômago”, dor de barriga, choro, rir sem parar, arquear as sobrancelhas,

perder a voz, bem como outros movimentos que muitos de nós já terão experimentado.

Etimologicamente, a palavra emoção provém de duas palavras latinas – “ex movere” – que significam “em

movimento”. Faz sentido, dado que uma emoção é um “conjunto de reações corporais (algumas muito complexas)

face a certos estímulos”, como expressa António Damásio, um dos neurocientistas mais famosos do mundo.

No período da Grécia Antiga, até meados do século XIX, acreditava-se que as emoções eram instintos básicos

que deveriam ser controlados sob pena de o homem ter a sua capacidade de pensar seriamente afetada. O

primado da racionalidade, que dominava as diversas ciências sociais e humanas, pretendia que as emoções fossem

interpretadas como um entrave ao funcionamento adequado da razão, nomeadamente do pensamento.

No entanto, a partir do século XX, as investigações produzidas sobre a emoção levaram-nos a um outro

entendimento: a emoção passou a ser considerada uma qualidade, desde que o indivíduo que a esteja a sentir

compreenda e tenha consciência do seu estado. A emoção permite, assim, desenvolver a capacidade de

relacionamento do indivíduo no e com o mundo. Aliás, as emoções apareceram na História da Humanidade como

meio eficaz de comunicação, anteriormente à linguagem.

Dada a grande multiplicidade de teorias que refletem a dificuldade em sintetizar numa definição a complexidade

das emoções, podemos, de uma forma geral, definir emoção da seguinte forma:

৹ Estado mental e fisiológico, breve e espontâneo, associado a uma ampla variedade de sentimentos,

pensamentos e comportamentos.

৹ Modificação dos componentes químicos do cérebro e, consequentemente, da sua estrutura. As emoções

vividas vão definindo o que somos, dado que todas as experiências emocionais quotidianas que compõem

fisicamente o cérebro criam ou fortalecem as conexões existentes entre os neurónios. Cada momento de medo,

de raiva, de felicidade ou de desgosto transformam-nos de maneira mais ou menos duradoura, modificando a

nossa estrutura cerebral.

Emoção difere de sentimento

Um dos fatores que torna distinguíveis as emoções dos sentimentos é a privacidade destes últimos e a

exterioridade das emoções. A emoção é pública, observável, tendo uma dimensão comunicacional, enquanto o

sentimento está voltado para o interior do ser humano.

Os sentimentos surgem após tomarmos consciência das nossas reações corporais, quando estes movimentos

são transmitidos a determinadas zonas do cérebro através da atividade neuronal. Nas emoções, conseguimos

reconhecer o elemento que as desencadeou, contrariamente aos sentimentos que não se associam a nenhuma

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causa imediata. Os sentimentos são emoções filtradas através dos centros cognitivos do cérebro, mais

especificamente do lobo frontal.

Emoção e razão

Atualmente, já se reconhece a ideia de que a razão e emoção não se encontram nos antípodas. O divórcio entre a

razão e a emoção é um mito, visto não ter qualquer sustentação científica. É impossível privilegiar a razão sobre

a emoção ou vice-versa. Há todo um funcionamento combinado e inseparável entre a razão (cérebro racional) e as

emoções (cérebro emocional), uma vez que são as emoções que provocam um determinado pensamento e é este

que, por sua vez, provoca uma determinada emoção.

Segundo António Damásio, um dos mais famosos neurocientistas do mundo, as emoções não constituem um

obstáculo ao funcionamento da razão. Estas estão envolvidas nos processos de decisão: por mais simples que seja

o processo, existe sempre uma emoção associada à escolha feita, dado que o córtex cerebral se apoia nas

emoções para decidir.

António Damásio distingue três tipos de emoções:

- Emoções primárias/ iniciais/ universais: surgem durante a infância, sendo úteis para uma reação rápida quando

emergem determinados estímulos do meio. Envolvem um elevado fluxo de energia e podem existir sem termos

consciência delas, caso sejam inatas. Além disso, refletem diretamente as mudanças dos estados de espírito. É

neste tipo de emoções que se enquadra o medo, a alegria, a tristeza, a raiva, a surpresa e a aversão.

- Emoções secundárias/ sociais/ adultas: experimentadas mais tarde, dependem de uma aprendizagem e,

portanto, de interações sociais. Implicam uma avaliação cognitiva das situações, envolvendo, por isso, as áreas do

córtex pré-frontal. Temos como exemplos a vergonha, o ciúme, a culpa e o orgulho.

- Emoções de fundo: causadas, por exemplo, por um esforço físico intenso, pelo remoer de uma decisão

complicada de tomar ou pela ansiedade em relação a um acontecimento agradável/desagradável que nos espera.

Temos como exemplos o bem-estar, o mal-estar, a calma ou a tensão.

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O Cérebro e a formação das Emoções

No cérebro, o sistema límbico regula as emoções, sendo tão poderoso que pode anular, tanto os

pensamentos racionais, como as respostas vitais. A amígdala, centro do sistema límbico, é responsável

por qualquer resposta emocional.

Na última década, com o rápido desenvolvimento da área das Neurociências, foi definitivamente

reconhecida a relevância do papel que as emoções desempenham na vida diária. O cérebro vive num

estado de desequilíbrio dinâmico: por um lado, é impulsionado por energias excitatórias; por outro, por

forças inibidoras. Ao longo do dia, esta instabilidade sofre alterações que se refletem no humor, no

estado de consciência e na qualidade do pensamento. Diversos fatores biológicos, psicológicos e

ambientais intervêm neste processo.

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PLASTICIDADE DO CÉREBRO

A plasticidade cerebral é a capacidade que o cérebro tem em se remodelar em função das

experiências do sujeito, reformulando as suas conexões em função das necessidades e dos fatores do

meio ambiente.

Há alguns anos atrás, admitia-se que o tecido cerebral não tinha capacidade regenerativa e que o

cérebro era definido geneticamente, ou seja, possuía um programa genético fixo. No entanto, não era

possível explicar o facto de pacientes com lesões severas obterem, com técnicas de terapia, a

recuperação da função.

Porém, o aumento do conhecimento sobre o cérebro mostrou que este é muito mais maleável do

que até então se imaginava, modificando-se sob o efeito da experiência, das percepções, das ações e

dos comportamentos.

Deste modo, podemos referir que a relação que o ser humano estabelece com o meio produz grandes

modificações no seu cérebro, permitindo uma constante adaptação e aprendizagem ao longo de toda a

vida. Assim, o processo da plasticidade cerebral torna o ser humano mais eficaz.

A plasticidade cerebral explica o facto de certas regiões do cérebro poderem substituir as

funções afetadas por lesões cerebrais. Como tal, uma função perdida devido a uma lesão cerebral

pode ser recuperada por uma área vizinha da zona lesionada. Contudo, a recuperação de certas

funções depende de alguns fatores, como a idade do indivíduo, a área da lesão, o tempo de exposição

aos danos, a natureza da lesão, a quantidade de tecidos afetados, os mecanismos de reorganização

cerebral envolvidos, assim como, outros fatores ambientais e psicossociais.

Porém, a plasticidade cerebral não é apenas relevante em caso de lesões cerebrais, uma vez que

ela está continuamente ativa, modificando o cérebro a cada momento. Os mecanismos através dos

quais ocorrem os fenómenos de plasticidade cerebral podem incluir modificações neuroquímicas,

sinápticas, do receptor neuronal, da membrana e ainda modificações de outras estruturas neuronais.

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AUTO-AVALIAÇÃO DE MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS

"É de suma importância que reconheçamos e nutramos todas as várias inteligências humanas, e todas as

combinações de inteligências também. Todos nós somos muito diferentes, especialmente porque temos

diferentes combinações de Inteligências. Eu acho que, se reconhecermos esse fato, provavelmente teremos uma

chance maior de lidar adequadamente com os muitos problemas com que nos deparamos no mundo."

Howard Gardner

Avalie seu potencial intelectual, levando em consideração a relação abaixo. Simplesmente leia as

afirmações que se aplicam a cada categoria de inteligência e responda SIM ou NÃO para a sua

situação. Pense neste teste como um passo inicial para você iniciar seu processo de autoconhecimento

de suas diferentes inteligências. No final, ele lhe mostrará seu verdadeiro QI. Para um melhor

aproveitamento de suas inteligências. Lembre-se:

1. As inteligências em que você pontuou mais alto indicam "como você pensa, o que aprende com mais

eficiência, seus estilos preferenciais de representação e compreensão do mundo".

2. O importante é o Cenário Completo de suas inteligências. Você pode ser um gênio matemático, um

atleta razoável, um bom leitor, um bom visualizador, um bicho-do-mato nas relações pessoais e um

surdo-mudo musical. Tudo isso junto, num "pacote" magnífico e único, que é você. Por isso é importante

você saber mais sobre cada uma delas, para não ter uma visão míope e rotulada de si mesmo que

atrapalhe seu progresso no caminho de seu sucesso.

3. Celebre seus pontos fortes. Por razões culturais, históricas, a sociedade atual valoriza os aspectos

verbais e lógicos da nossa inteligência. Você poderá reconhecer outros pontos fortes e se apoiar neles

para dar sua contribuição.

4. Preste atenção as suas inteligências ocultas. Você poderá, ao responder aos testes, redescobrir

habilidades de que se esquecera, na infância e na adolescência, que ficaram negligenciadas. Seja por

falta de demanda no trabalho, de estímulo na escola, seja por falta de valorização em geral.

Reconsidere seu aproveitamento no quadro atual e futuro de seu projeto pessoal.

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5. Seja otimista em relação a suas vulnerabilidades. Todos temos nossas vulnerabilidades, nossas

inteligências mais fracas. Picasso nunca conseguiu se lembrar de todo o alfabeto. Beethoven era

extremamente desajeitado. Moisés (das Escrituras) gaguejava. Planeje para se preparar com as suas

fraquezas de modo que elas não o prejudiquem. Há modos para desenvolver suas inteligências mais

fracas

COMO APRIMORAR AS INTELIGÊNCIAS

1. VERBAL-LINGUÍSTICA

 Faça leituras com temas diversificados e tenha como exercício produzir informações em formatos

diversos: jornal, convite, propaganda.

 Participe de discussões e tenha o hábito de escrever suas impressões sobre diversos assuntos.

 Faça planos por escrito para sua vida para os próximos cinco meses, cinco anos, dez anos.

2. LÓGICO-MATEMÁTICA

 Aprenda a jogar xadrez, monte quebra-cabeças;

 Analise dados e pesquisas;

 Treine sua capacidade lógica com seus problemas: esquematize possíveis saídas e converse com

outras pessoas sobre as saídas que você criou.

3. CINESTÉSICA-CORPORAL

 Experimente seu corpo: pratique esportes, faça aulas de dança, matricule-se em um tipo de luta.

 Brinque com o corpo: faça dramatizações, brincadeiras, mímica, tente demonstrar determinadas

emoções só com o corpo.

4. MUSICAL

 Quando ouvir música, analise os ritmos, os sons e o tempo musical.

 Ao assistir um filme, preste atenção também na trilha sonora.

 Componha músicas, jingles, participe de um coral e aprenda um instrumento.

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5. VISUAL-ESPACIAL

 Exponha-se às artes: compareçam a exposições de pinturas, gravuras, esculturas.

 Vá à exposição uma exposição de arte (Bienal de São Paulo, por exemplo).

 Habitue-se a utilizar mapas e procure fazer desenhos, esquemas, maquetes ou mesmo a planta de

sua casa.

6. INTRAPESSOAL

 Faça um projeto de vida, estabeleça metas e objetivos;

 Tenha o hábito de refletir sobre suas atitudes e conceitos,

 Discuta suas ideias, escreva impressões sobre suas vivências.

 Cultive e valorize a capacidade de ser único e diferente de outras pessoas.

7. INTERPESSOAL

 Tenha gosto e valorize a companhia das outras pessoas,

 Exercite sua habilidade de identificar o estado de espírito delas, de influenciá-las com suas ideias.

 Exercite a diplomacia.

8. NATURALISTA

 Conviva com a natureza.

 Faça passeios ecológicos e olhe a sua volta com curiosidade.

 Faça uma horta, cultive plantas em casa, plante árvores e tenha um bicho de estimação.

9. EXISTENCIAL-ESPIRITUAL

 Busque informações sobre os grandes dramas humanos, a visão da filosofia e das diversas religiões

sobre o assunto, como o destino do homem, a morte, qual o sentido da vida.

"As inteligências dormem. Inúteis são todas as tentativas de acordá-las por

meio da força e das ameaças. As inteligências só entendem os argumentos

do desejo: elas são ferramentas e brinquedos do desejo".

Rubens Alves.

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TESTE DE INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Por Howard Gardner

Selecione as descrições com as quais você se identifica.

1º-Você lembra-se facilmente das frases, citações ou pensamentos de pessoas famosas e aplica-as

em suas conversas.

2º-Você percebe rapidamente quando alguém que está com você, está preocupado com algo.

3º-Você é fascinado por questões filosóficas ou científicas do tipo:- "Quando o Tempo começou?"

4º-Você consegue se localizar rapidamente em regiões ou vizinhanças estranhas.

5º-As pessoas acham que você tem movimentos corporais elegantes, ou tem um bom ritmo ao dançar.

6º-Você consegue cantar com facilidade, lembrando-se das musicas e das letras.

7º-Você lê com regularidade nos jornais ou revistas artigos sobre ciência e tecnologia.

8º-Você percebe rapidamente erros gramaticais ou de palavras das pessoas que falam com você.

9º-Você geralmente consegue descobrir como as coisas funcionam ou como consertar rapidamente o

que está quebrado, sem pedir ajuda.

10º-Você consegue imaginar rapidamente como outras pessoas agem com seu filtro profissional ou

familiar, e consegue se imaginar agindo com estes filtros.

11º-Você consegue lembrar-se com detalhes, das paisagens e das características dos lugares que

visitou em suas férias.

12º-Você curte música e os seus compositores(as) e cantores(as) favoritos.

13º-Você gosta de desenhar.

14º-Você gosta de praticar esportes.

15º-Você organiza bem as coisas do seu escritório, cozinha, banheiro, de acordo com padrões e

categorias.

16º-Você tem confiança de interpretar o que as outras pessoas fazem em função do que elas sentem.

17º-Você gosta de contar histórias e é considerado um bom contador de histórias.

18º-Você às vezes gosta de sons diferentes no seu ambiente.

19º-Quando você conhece pessoas novas, você geralmente estabelece associações entre suas

características com as das pessoas que você conhece.

20º-Você tem consciência do que você consegue e do que não consegue fazer

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RESPOSTAS DAS PEERGUNTAS:

1, 8 e 17 = Intel. Linguística

6, 12 e 18 = Intel. Musical

3, 7 e 15 = Intel. Lógica-Matemática

4, 11 e 13 = Intel. Espacial

5, 9 e 14 = Intel. Cinestésico-Corporal

10, 16 e 20 = Intel. Intrapessoal

2, 10 e 19 = Intel. Interpessoal

ENTENDA CADA INTELIGÊNCIA

Linguística: habilidade para lidar com as palavras, para expressar ideias, memorizar o que se fala,

gostar e saber como falar, usar a linguagem para representar o mundo - é a inteligência responsável

pela comunicação. Exemplos de profissões: políticos, professores, jornalistas, vendedores e

escritores. Grandes autores, como Jorge Amado, têm grande potencial linguístico.

Lógico-matemática: capacidade de solucionar problemas envolvendo números e outros elementos

matemáticos, perceber a relação entre as coisas, saber, por exemplo, como um computador funciona.

Envolve todas as ciências exatas. Exemplos de profissões: engenheiros, físicos, químicos, técnicos em

informática e médicos. Albert Einstein é um exemplo de pessoa com inteligência lógico-matemática.

Cinestésica Corporal: capacidade de usar o corpo de maneiras diferentes e hábeis, saber como se

movimentar, gostar de exercícios físicos, pessoas que desenvolvem essa inteligência costumam usar

muitos gestos quando falam. Exemplos de profissões: atletas, dançarinos e atores. Essa aptidão pode

ser encontrada em atletas como Pelé e Michael Jordan.

Espacial: habilidade para memorizar cenas, noção de espaço e direção, saber onde está e quais são as

referências a sua volta, criatividade e imaginação. Exemplos de profissões: arquitetos, engenheiros e

decoradores. Um bom exemplo é o arquiteto Oscar Niemeyer.

Musical: pessoas com o chamado "ouvido absoluto", capacidade de organizar sons de maneira criativa,

ouvir uma melodia e não esquecer mais, tocar uma música que nunca tocou antes, reconhecer notas e

acordes. Exemplo de profissões: músicos, cantores, compositores. Os compositores Beethoven e

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Mozart possuíam inteligência musical.

Interpessoal: habilidade de compreender os outros, se dar bem com as pessoas, saber se comunicar,

ter empatia (saber o que o outro está sentindo), gostar de estar entre outras pessoas - indivíduos com

inteligência interpessoal em evidência costumam ser bons líderes. Exemplos de profissões: psicólogos,

advogados, assistentes sociais, apresentadores de TV e administradores. Silvio Santos, por exemplo,

tem capacidade interpessoal.

Intrapessoal: capacidade de relacionamento consigo mesmo, saber se entender, gostar de passar

tempo sozinho, compreender os próprios sentimentos - relacionada com a autoestima. Exemplos de

profissões: psicólogos e filósofos. Os filósofos clássicos, como Platão, podem ser exemplos de

inteligência interpessoal.

Pictográfica: habilidade de transmitir mensagens por meio de desenhos, figuras e imagens,

memorização de cenas e lugares. Exemplos de profissões: desenhistas, escultores, designers e

publicitários. Pintores como Leonardo da Vinci e Pablo Picasso são bons exemplos.

Naturalista: sensibilidade à natureza e ao meio ambiente. Capacidade entender o meio natural e

identificar como as coisas acontecem, compreender, por exemplo, como as plantas crescem e se

desenvolvem. Exemplos de profissões: paisagistas, biólogos e ecologistas. O britânico Charles Darwin,

que desenvolveu uma teoria sobre a evolução dos seres vivos, é um exemplo de quem tem aptidão

naturalista.

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MITOS SOBRE O CÉREBRO

1. Aluno visual, auditivo ou cinestésico.

Um mito corrente é que existem alunos que aprendem mais por algum sentido (visão, audição ou tato),

em detrimento de outros. Na verdade, usamos todos os sentidos durante a aprendizagem, e o mais

efetivo depende fundamentalmente do que é ensinado.

2. Usamos só 10% do nosso cérebro

A frase deve ter vindo de Einstein, que disse só usar uma pequena fração da sua incrível cabeça. Como

tudo é ligado no cérebro e nunca fazemos uma atividade isolada, sempre usamos perto de 100% dele.

3. Lado direito e lado esquerdo

O lado direito do cérebro coordena a linguagem; já o direito coordena a percepção de emoções. Mas

todas passam pelos dois hemisférios, que trabalham em conjunto. Não há base científica para

desenvolver um lado específico nem indícios de que tal prática seja benéfica.

4. É preciso aprender línguas bem cedo.

Já ouviu aquela história de que algumas coisas só se aprendem até os 12 anos? Na verdade, o cérebro

está sempre se modificando. É verdade que a infância é favorável para a aprendizagem da gramática

de uma nova língua, mas os adultos armazenam um vocabulário mais rico.

5. Crianças não aprendem duas línguas ao mesmo tempo

Há espaço no cérebro para o aprendizado de dois idiomas simultaneamente – e isso só faz bem. Na

Alemanha, um estudo com crianças turcas aprendendo o alemão mostrou que elas melhoravam na

escrita das duas línguas.

6. O mito da Ginástica cerebral

Videogames que garantem melhorar a memória ou exercícios físicos que prometem maior atenção dos

alunos ao massagearem regiões específicas do corpo são a extrapolação de algumas pesquisas, mas

nada muito confiável. Sabe-se apenas que a atividade física melhora o metabolismo do corpo, inclusive

do cérebro, mas não se sabe exatamente em qual medida.

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PERFIL DAS INTELIGÊNCIAS MULTIPLAS
INTELIGÊNCIAS CARACTERÍSITICAS APLICAÇÕES INDIVIDUAIS
 Contar histórias
 Ler e escrever histórias, piadas
 Fazer malabarismo com vocabulário
 Sensível a regras
 Entrevistar
 Organizado e Sistemático
 Discutir e Debater
 Habilidade de raciocinar
 Fazer quebra-cabeças, jogos de soletração
 Gosta de ler, ouvir e escrever
 Jogar jogos de memória com nomes, locais
 Soletra com facilidade
LINGUÍSTICA  Colocar-se em situações que exijam redigir
 Gosta de jogos de palavras
textos
 Tem boa memória para trivialidades
 Integrar redação e leitura com outras áreas e
 Pode ser bom orador público e debatedor,
assuntos
embora alguns especialistas lingüísticos possam
 Produzir, editar e supervisionar a revista da
preferir escrita ou comunicação oral
escola
 Utilizar processador de texto como introdução
ao computador
 Estimular a resolução de problemas
 Analisar e interpretar dados
 Utilizar raciocínio com frequência
 Gosta de ser preciso
 Estimular as próprias potencialidades
 Aprecia cálculos
 Utilizar previsão
 Gosta de ser organizado
 Ter um lugar para tudo
 Utiliza estrutura lógica
 Usar raciocínio dedutivo
LÓGICO-  Aprecia computadores
 Fazer jogos matemáticos de computação
MATEMÁTICA  Aprecia resolução de problemas
 Estimular experimentos práticos
 Gosta de raciocínio abstrato
 Integrar organização e matemática em outras
 Aprecia experimentação de maneira lógica
áreas curriculares
 Prefere anotações de forma ordenada
 Possibilitar a realização das coisas passo a
passo
 Usar computadores para folhas de trabalho,
cálculos etc.
 Utilizar gráficos informatizados
 Integrar arte com outros assuntos
 Assistir/criar vídeos
 Pensa em figuras  Usar estímulos periféricos nas paredes
 Utiliza metáforas  Mudar de lugares na sala a fim de obter uma
 Cria imagens mentais perspectiva diferente
 Tem sentido de gestalt  Utilizar fluxogramas, cartograma ou gráficos de
 Lembra-se com figuras estabelecimento de metas
VISUAL-ESPACIAL
 Tem bom senso de cores  Utilizar mímica
 Gosta de arte: desenho, pintura e escultura  Salientar com cor
 Utiliza todos os sentidos para formar imagens  Utilizar agrupamentos
 Lê com facilidade mapas, gráficos e diagramas  Fazer atividades visuais
 Criar rabiscos, símbolos
 Usar Mapeamento Mental
 Usar figuras para aprender
 Desenhar diagramas, mapas
 Integrar música com assuntos outras áreas
 Ligar-se a um coral ou a um grupo musical
 Usar concertos ativos e passivos para a
aprendizagem
 Aprender através de raps, poemas com rima
 Sensível à entonação, ao ritmo, ao timbre completa, jogral
 Sensível ao poder emocional da música  Escrever música
MUSICAL  Sensível à organização complexa da música  Trabalhar com música
 Pode ser profundamente espiritual  Usar música para relaxar
 Aprender através de canções
 Estudar com música barroca
 Tocar um instrumento musical
 Mudar de humor com música
 Compor música no computador
 Fazer imagens/figuras com música

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 Controle excepcional do próprio corpo  Fazer trabalhos de campo
 Gosta de se envolver em esportes físicos  Usar caratê para se concentrar
 Gosta de utilizar métodos manipulativos  Fazer várias “mudanças de estado” e intervalos
 Brinca com os objetos enquanto escuta tudo  Integrar o movimento em todas áreas do
 Aprende participando do processo de currículo
aprendizagem  Usar modelos, máquinas, Technic Lego,
 Inquietação e aborrecimento se houver pouco artesanato
intervalos  Usar a dança, o drama e o movimento para
 Lembra do que foi feito em vez daquilo que foi aprender
CINESTÉSICA- dito ou observado  Usar técnicas manipulativas em ciências,
CORPORAL  Controle de objetos matemática
 Boa sincronização  Estalar os dedos, bater palmas, sapatear, saltar,
 Mente mecânica subir
 Gosta de tocar ou representar  Representar a aprendizagem, usar jogos em
 Habilidoso em artes manuais sala de aula
 Bons reflexos , respostas treinadas  Analisar mentalmente enquanto estiver
 Aprende melhor se movimentando nadando, correndo e etc
 Muito sensível ao ambiente físico  Utilizar exercícios de codificação física em que
você se torna objeto da aprendizagem

 Ter festas e celebrações de aprendizagem


 Integrar a socialização em todas as partes do
currículo
 Utilizar habilidades de relacionamentos e
 Gosta de cooperar comunicação
 Tem muitos amigos  Desenvolver cooperativamente atividades de
 Trata bem dos negócios aprendizagem
 Gosta de mediar disputas  Usar atividades de aprendizagemtipo “par e
 Aprecia estar com pessoas compartilhamento”
INTERPESSOAL  “Lê” bem situações sociais  Usar atividades do tipo “pesquisa de pessoas”
 Aprecia atividades em grupo em que cada um precisa fazer perguntas e ter
 Relaciona-se e associa-se bem as respostas dos outros
 Comunica-se bem; às vezes, manipula  Fazer diversos intervalos para socializar
 Consegue “ler” as intenções de terceiros  Usar causa e efeito
 Trabalhar em equipes
 Tutelar ou orientar os outros
 Fazer o aprendizado divertido
 Praticar a “conversa social” ao telefone

 Reservar tempo para reflexão interior


 Gerenciar a própria aprendizagem
 Automotivado  Permitir-se ser diferente do grupo
 Autoconhecimento  Escrever diários de história pessoal
 Habilidade intuitiva  Ter conversas pessoais
 Pessoa muito reservada  Discutir, refletir ou escrever o que vivenciou e
 Deseja ser diferente da tendência geral como se sentiu
 Tem um senso bastante desenvolvido do eu  Pensar sobre o próprio de atuar através de
INTRAPESSOAL  Sensibilidade aos valores próprios de cada um “partilhamentos” e “pense e ouça”
 Sensibilidade aos objetivos de vida de cada um  Usar atividades de crescimento pessoal para
 Muita consciência dos sentimentos próprios de romper bloqueios à aprendizagem
cada um  Ouvir sua intuição
 Muita consciência das próprias  Investigar atividades
potencialidades e fraquezas  Ensinar questionando
 Fazer estudo independente
 Ensinar afirmações pessoais

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A ciência diz que...

A. Os adolescentes acordam mais tarde que as crianças. Estar desperto ajuda muito no aprendizado.

B. Aprender é um processo fisiológico e envolve o bom funcionamento de todo o organismo.

C. A atenção da criança dificilmente se mantém por mais que os primeiros 10 minutos da aula.

D. Muitas avaliações sobre muito conteúdo num curto espaço do tempo dificultam a memorização.

E. Emoção e cognição não caminham separadas.

Experimente, sem medo de errar. Você deve estar em constante mutação, em busca do

autodesenvolvimento, através de descobertas e estudo.

Vale a pena !!!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, L., S. Teorias da Inteligência. Porto: Jornal de Psicologia. (1988).

ANCONA-LOPES, M. (Org.) Avaliação da Inteligência. São Paulo: EPU. (1987)

BAR-ON, R & PARKER, J.D.A. Manual de inteligência emocional. Porto Alegre, Artes Médicas (2002)

FERREIRA, I. C. Caminhos do aprender. Rio de Janeiro: ABT. (1998)

FONSECA, V. Aprender a aprender, PA, AM. (1988).

GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre, Artes Médicas. 1994.

GARDNER, H. Mentes extraordinárias. Rio de Janeiro: Editora Rocco. (1999).

GARDNER, H.; KORNHABER, M. L. E WAKE, W. K. Inteligência: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Artes

Médicas. (1998)

GOLEMAN, D. Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente, Rio de

Janeiro, Objetiva. (1995)

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