Direito das Obrigações http://www.investidura.com.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/154223-dodireito-obrigacional.

html SCRITO POR RICARDO MACELLARO VEIGA 06 DE MARÇO DE 2010 20:57 Do Direito Obrigacional Edição nº 5 ± Ano I DA OBRIGAÇÃO EM GERAL A obrigação é um vínculo jurídico por intermédio do qual o credor pode exigir uma prestação do devedor; recaindo, sobre esse último, a pena de invasão no patrimônio, no caso de não cumprimento. No dizer de Silvio Rodrigues: ³É o vínculo de direito por meio do qual alguém (sujeito passivo) se propõe a dar, fazer ou não fazer qualquer coisa (objeto da obrigação), em favor de outrem (sujeito ativo)´ (p. 4, 2002). Trazida do direito romano, onde as Institutas de Justiniano apregoavam: ³tratar-se de um vínculo de direito que compele alguém (devedor) a fornecer uma prestação, segundo o direito do país´. Note-se que, no texto justinianeu, alude-se que, no contexto ³obrigação´, é importante realçar a importância social e não apenas a relação individual. DOS SEUS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS 1. O VÍNCULO JURÍDICO é assim chamado porque, sendo disciplinado pela lei, acompanha sanção. Cumpre explanar, nesse primeiro momento, a crítica desencadeada. Vejamos. Se na obrigação ³há um vínculo jurídico´, há, por decorrência, a prisão do devedor mediante a imposição da prestação, ou seja, o devedor torna-se um prisioneiro. Todavia, com a ideia de defesa do mais fraco, analisar-se-á motivos de desequilíbrio, que podem impedir a prestação do serviço, ³não sendo simples a simples prisão de alguém por uma relação obrigacional´. Busca-se o maior equilíbrio entre as partes, a fim de que se cumpra a prestação dignamente e mantenha o contrato, visto que há essa necessidade de segurança jurídica. Pois bem. A lei abre a porta dos pretórios ao credor, para que este, por meio da execução patrimonial do inadimplente, obtenha a satisfação do seu crédito. Se espontaneamente se recusa, o devedor, a colaborar, vê o credor recorrer ao Poder Judiciário, que ordenará a penhora de seus bens para, com o produto por eles alcançado em praça, satisfazer o seu crédito. Em linhas gerais, há dois elementos caracterizadores do vínculo jurídico: a dívida e a responsabilidade. Dívida é um pressuposto de que o devedor, espontaneamente, irá cumprir o seu dever; responsabilidade, por outro lado, é uma prerrogativa que goza o credor, de executar o patrimônio do devedor, ocorrendo inadimplência. Da maneira que o devedor se obriga, seu patrimônio responde (ALFREDO BUZAID, p. 26, ³Do concurso contra credores no processo de execução´, 1952). 2. AS PARTES NA RELAÇÃO OBRIGACIONAL SÁBADO,

Sempre há no direito obrigacional alguém capaz de exigir determinado comportamento de outrem; v.g., colocar o nome do devedor no Serasa, reparar veículo danificado culposamente (imprudência, imperícia e negligência). Melhor dizendo: em toda relação obrigacional existe duas partes, determinadas ou determináveis: um sujeito ativo e um sujeito passivo. Note-se que na espécie surge a limitação da liberdade do devedor, que deve dar, fazer ou não fazer alguma coisa. Mas tal limitação ou adveio de sua vontade, ou de seu comportamento equivocado (ato ilícito que exigem reparação), ou derivou de imposição legal. Em qualquer das três hipóteses, mostra-se ele vinculado; na ocorrência de inadimplemento, pode o credor recorrer à justiça para dirimir o conflito e receber a prestação devida. A solução oferecida pela lei, nos primeiros tempos do direito romano, era mais severa que a atual. O credor não pago de seu crédito fazia recair a execução na própria pessoa do devedor, podendo reduzi-lo à escravidão, ou até mesmo a matá-lo (ALFREDO BUZAID, op. cit.). Tal regime perdurou até o período pré-clássico, posteriormente pondo como objeto de execução os bens do devedor. Essa é a solução ainda vigente. 3. PRESTAÇÃO Antigamente, pessoa que assinasse sem ler, sem tomar ciência, não redimira-se de cumprir: cumpria a prestação, pois se se obrigou, há que se cumprir o acordo. Diversamente disso, contemporaneamente o direito não conta com essa estática obrigacional, visto que há circunstâncias que alteram o contrato, alterando, por conseguinte, o equilíbrio entre as partes. Em assonância ao texto justinianeu, já aludido, há que se levar em conta não o cunho econômico da avença, da obrigação, mas sim o aspecto social que assume. Esse poder de exigir algo do outro não advém da propriedade (³só porque é dono´), mas porque há uma relação obrigacional. Há quem fale que ³só existe obrigação quando houver expressão patrimonial´; não há que se olvidar, porém, que numa ação na qual o filho exige o dever de afeto do pai não há o suposto semblante patrimonial (econômico); logo: existem obrigações não-patrimoniais. Há uma corrente unitária, que explana que prestação (dever de dar, fazer ou não fazer) só existe pois há responsabilidade (sanção prevista), pois não há cumprimento obrigacional somente pela dívida. A teoria dualista, por outro lado, supõe tal prerrogativa (de existir o cumprimento voluntário), logo, prestação é uma coisa que não decorre porque há sanção prevista, mas decorre da vontade única duma pessoa (que assumiu ou contraiu a dívida) que pode cumpri-la voluntariamente. DOS DIREITOS REAIS E DOS DIREITOS PESSOAIS. Diz-se real o direito que recai diretamente sobre a coisa; pessoal, o que depende de uma prestação do devedor. Pois bem, o direito pessoal é, portanto, o objeto da obrigação. O direito obrigacional atinge os bens (a coisa), mas dá-se, num primeiro momento, entre dois sujeitos. O direito real, diversamente disso, é o que afeta a coisa direta e imediatamente. O direito das obrigações cuida dos direitos pessoais, isto é, do vínculo ligando um sujeito ativo (credor) a um sujeito passivo (devedor), por força do qual o primeiro pode exigir do segundo o fornecimento de uma prestação consistente em dar, fazer ou não fazer alguma coisa.

DA FONTE DAS OBRIGAÇÕES (ORIGEM DAS OBRIGAÇÕES) De remota origem, tem considerável relevância e constitui objeto de insuperável controvérsia. Em suma. No direito romano encontram-se textos de Gaio, constantes de suas Institutas, onde se reconhecem, num primeiro momento, duas fontes: o delito (ato ilícito) e o contrato. Posteriormente, recorre a uma expressão genérica, ex variis causarum figuris, capa de abranger todas as possíveis causas de obrigações; disso decorre, portanto, três fontes: o contrato, o delito e qualquer outra cousa. Também houve textos justinianeus que apregoaram estas fontes: o contrato, o delito, o quase-contrato e o quase-delito. Resumidamente, contrato seria qualquer avença entre as partes, capaz de gerar um liame entre elas (no mútuo, que há a promessa de devolução; na compra e venda, que há a promessa de dação); o delito nada mais é que uma obrigação gerada de um dano causado intencionalmente (roubo, furto, injúria); a figura do quase-contrato surge dos atos humanos que ³quase podem se considerar contratos´ (a gestão de negócios, onde uma pessoa deliberadamente trata de matérias do interesse de outra, ou seja, se alguém morre no exterior, o companheiro de viagem manda os documentos para família e tem direito de ingressar com o pedido dos dispêndios cartorários, postais etc., ainda que não haja o contrato solene); o quase-delito, por fim, afigura a ideia de culpa (no delito há o dolo), aqui, o prejuízo causado à vítima decorreu de imprudência, imperícia ou negligência (acontece com aquela pessoa que, descuidadamente, deixa cair de sua casa, na rua, algum objeto que fere outrem ou o bem alheio). Pothier adiciona outra fonte àquelas constantes nos manuais de Justiniano, i.e., a lei. O nosso Código Civil contempla declaradamente três fontes: o contrato, a declaração unilateral da vontade e o ato ilícito. Porém, há que se pensar na lei sempre como fonte das obrigações, ora é mediata, ora é imediata. Disso decorre a seguinte classificação, obrigações que: a) têm por fonte imediata a vontade humana; b) têm por fonte imediata o ato ilícito; c) têm por fonte direta a lei. a) Obrigações que têm por fonte direta a vontade humana. Há, nesse pregão, uma divisão, qual seja: as que provêm do contrato (conjunção de vontades) e as que decorrem da manifestação unilateral de vontade (título ao portador ou promessa de recompensa); b) as fontes derivadas dos atos ilícitos são as que se constituem mediante uma ação ou omissão, culposa ou dolosa do agente; promanam diretamente dum ato humano, infringente de um dever legal ou social; c) finalmente, as que decorrem diretamente da lei; como a obrigação de prestar alimentos (os parentes devem uns aos outros alimentos) ou o mister de reparar prejuízo causado, teoria do risco (danos causados por aeronaves à pessoa em terra); também aos cônjuges cumpre manter a família. Em todos os casos analisados, entretanto, a lei é a fonte remota da obrigação, pois ela é que impõe ao devedor o mister de fornecer sua prestação e comina sanção para o caso de inadimplemento. DAS OBRIGAÇÕES DE DAR A obrigação de dar consiste na entrega de alguma coisa, i.e., a tradição de alguma coisa pelo devedor ao credor. Desdobra-se em dar coisa certa ou incerta, também em obrigação de dar propriamente dita e obrigação de restituir. A relevância dessa última distinção advém da circunstância de que na obrigação de restituir o credor é dono da coisa e, por outro lado, na obrigação dar isso não acontece, pois o credor ainda não á o dono legítimo. Impõe-se ao legislador diferentes soluções, no que cerne ao problema dos riscos incidentes

ela é considerada genericamente. visto que esses bens supõem a existência do bem principal. 234). antes dessa a coisa pertence ao devedor. salvo se agiu com culpa ou dolo. 1ª parte. por exemplo. Quando o dar coisa certa abranger a transferência do bem. se o carro foi perdido por culpa (deixar. para o credor exonerar-se da obrigação. devia entregar o objeto ajustado. 235). Assim. empresta-se o carro e esse. Todos os melhoramentos e acrescidos.sobre a coisa. como acessórios que são. quem emprestou-o.). a obrigação do comerciante que vendeu duzentas sacas de açúcar de determinada marca. senão. Naturalmente que a obrigação de dar coisa certa abrange-lhe os acessórios. restitui-se o credor (dono). por desídia. O credor escolhe se.267. São pertenças os bens que. depende de novo acordo entre as partes. com os seus melhoramentos e acrescidos. por evento fortuito. como. é deteriorado/roubado. Segundo o art. o preceito dizia que. p. com perdas e danos. pois demanda o consentimento do credor (arts. reajustando o preço (art. posto não mencionados. até o momento da entrega da coisa. inclusive. Assim. respondendo pela perda ou deterioração da coisa. ³a propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição´. uma peça de mobiliário. Pois bem. por exemplo. poderá o devedor resolver a obrigação´. 233). por mais perdas e danos. A obrigação de dar coisa incerta. 1. e completa: ³se o credor não anuir. pelos quais poderá exigir aumento no preço´. A liberação mediante dação de coisa diversa da aventada. Mostra-se livre dessa obrigação após entregue a quantidade certa e a qualidade avençada. individualizála. Assim. a coisa será mencionada pela referência a esse gênero e à quantidade. Se na restituição de coisa certa há deterioração ou perda da coisa. se. 313 e 863). 237. nesse caso. Logo. numa e na outra hipótese. Assim. parado com os vidros abertos). 238. Há que se peculiarizar a coisa em apreço. por exemplo. ele se enquadrará no art. A mercadoria é encarada em seu gênero: açúcar de dada marca. não constituindo partes integrantes. De certo modo óbvio. ³eles grudam´ na coisa principal (aderem de forma indissolúvel). mas apenas titular da prerrogativa de reclamar sua entrega. ainda que mais valiosa. ou das circunstâncias do caso (art. ou seja. incorporando ao patrimônio do titular. conforme a legislação. entre nós. mediante eventual incidente (deterioração do bem. tem por objeto a entrega de coisa não considerada em sua individualidade. responde o proprietário. o contrato de compra e venda não torna o adquirente dono da coisa comprada. Por fim. o título de dono dá-se só mediante a entrega da coisa fisicamente considerada. enquanto para a transferência dos bens móveis basta a tradição. A obrigação de dar coisa certa compromete entregar ou restituir ao credor um objeto perfeitamente determinado. o indivíduo que encontra-se na posse.ex. Convém distinguir que. visto que o sistema brasileiro assumiu que ³é a tradição e não o contrato o elemento que transfere o domínio. se o proprietário não agiu com culpa. Exime-se. seguem-lhe o destino. ou seja. 239. ficará com a coisa. além do valor da coisa. na transferência de bens imóveis a lei exige a formalidade do registro do translativo no Registro de Imóveis (art. Em vez considerar a coisa em si. responderá pelo equivalente e mais eventuais perdas e danos (art. conforme o art. uma joia.245): tradição solene. se destinam. por outro lado. perante a tradição. O credor adquire o título de proprietário mediante a entrega (tradição). ³Até a tradição pertence ao devedor (quem entrega) a coisa. um cavalo de corridas. salvo se o contrário resultar do título. de modo . o proprietário é o devedor (que dará a coisa). responsabilizar-se-á pela perda o verdadeiro proprietário. respondendo. DOS ACESSÓRIOS DA COISA Ressaltando que o domínio só se transfere com a tradição. segundo o art. 1. perde somente o valor do bem.

g. quais sejam: 1..: jardim paisagístico). ou melhoramento. úteis ou necessárias. Segundo o art. 241 apregoa que. o nosso art. São obrigatoriamente indenizáveis (e. serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias.. Se o acessório está vinculado à coisa principal. As benfeitorias podem ser voluptuárias. o devedor empregou trabalho ou dispêndio o caso regular-se-á pelos artigos atinentes às benfeitorias. ao uso. os tem. enquanto os frutos percebidos pertencem ao devedor. e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem´. ou aceitá-lo da forma que se encontra. 2ª parte.221.ex. nem o de levantar as voluptuárias. se. fica a critério do adquirente (credor) a decisão de aceitar ou não.221. os pendentes competem ao credor. após vendida. 237. antes da devolução. ofendículas). ³As benfeitorias compensam-se com os danos. tem o direito ao jus retentionis(direito de retenção) ou de ser indenizado. Deteriorando-se (estrago) a coisa. art.duradouro. vejamos: O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. poderá ele. todavia as benfeitorias sejam voluptuárias. há que se entregá-la com as cadeiras. Se voluptuárias. por culpa do devedor. o titular da propriedade (devedor) pode exigir o aumento do preço. Por último. não terá o direito de exigir ressarcimento. 1. Quanto ao possuidor de má-fé. se perecem. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. quando dar-se-á a tradição. São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem (v.219 a 1. se não lhe forem pagas. a Lei estipula que será obrigado a repassar. de mero deleite ou recreio. ao serviço ou ao aformoseamento de outro (carteiras da faculdade). segundo o art. Tal preceito abrange quaisquer acessórios e.g. as benfeitorias que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. DESTINO DA OBRGAÇÃO SE HAVIDA A DETERIORAÇÃO OU PERECIMENTO DA COISA Grosso modo. 234. quando se vende uma escola. são necessárias. Assim. cobertura de garagem.e. reclamando a composição do prejuízo. exercer o direito de retenção pelo valor dessas benfeitorias. DO MELHORAMENTO ACRESCIDO À COISA PRINCIPAL Reza o artigo 242 que se para aumento. Vejamos mais algumas peculiaridades que o artigo 242 nos remete. a obrigação se desfaz.: edícula.: conserto de um vazamento). em face do perecimento ou deterioração da coisa: Perecendo (se perder) a coisa. podemos realçar o destino da obrigação. tem a prerrogativa de levantá-las (levá-las consigo). se ele acresce benfeitorias que. se o bem não tem determinados acessórios no momento da avença e posteriormente. não aumentam o uso habitual do bem. por conseguinte. por essas razões. quando o puder sem detrimento da coisa. quer seja de dar. responderá ele pelo respectivo valor e mais perdas e danos. i. resulta que. quem faz a benfeitoria útil. Perecendo a coisa sem culpa do devedor. ainda que o tornem mais agradável (p. assim. No rastro do legislador de 1916.g. tem ele o poder de resolver o contrato ou pagar o acréscimo das benfeitorias (exemplo da vaca que. exigindo perdas e danos. por culpa do devedor. os frutos. fica grávida: tem o devedor o direito de requerer o pagamento pelos bezerros). poderá o credor (que a receberia) ou resolver o contrato. No que tange as obrigações. quer .e.

quiçá. uma vez.seja de restituir (art. essa. o devedor ou credor. antes da entre. a obrigação se altera. deve sofrer o prejuízo ocorrido antes da tradição. o tema mais importante tratado no presente capítulo. pois determina quem. no estado em que se encontre. art. quem sofre o prejuízo é o credor. pelo depositante. 235. Afasta-se desde logo a hipótese de culpa do devedor. DA OBRIGAÇÃO DE DAR. Logo. 2. art. o sujeita à responsabilidade pelas perdas e danos ocasionados. o art. Deteriorando-se a coisa sem culpa do devedor. se a obrigação era dar. se a obrigação era de restituir e a coisa se deteriorou sem culpa do devedor. por conseguinte. Se essa coisa perece antes da devolução. o . pode o credor considerar resolvida a obrigação. DA OBRIGAÇÃO DE DAR. a coisa se deteriorou antes da tradição. A obrigação se desfaz. Portanto. o prejuízo decorrente do perecimento da coisa. mister distinguir: 1. Num contrato de empréstimo de coisa infungível. independentemente do consentimento da parte interessada ± vale dizer: do devedor). ao lhe ser demandada a coisa. DETERIORAÇÃO DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO Aqui. Automóvel vendido é envolvido num acidente ou apresenta defeitos no mecanismo. 1ª parte). PERDA DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO O depositário que recebeu o objeto para guardar deve devolvê-lo. o dono da coisa. por conseguinte. O vendedor devolve ao comprador o preço e sofre. 238 do CC determina que sofrerá o credor a perda. DETERIORAÇÃO DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO Um exemplo ilustrará a hipótese. Dado animal vendido. PERDA DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO A coisa se perdeu sem culpa do devedor. quem sofre o prejuízo é o dono. 234. O credor é o depositante. DAS ATRIBUIÇÕES DOS RISCOS NA OBRIGAÇÃO DE DAR FRUSTRADA Esse é. art. também nesta segunda hipótese. pois o credor só pode reclamar a coisa deteriorada. ainda. apresenta avarias. 235). DA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR. abatido no preço o valor do estrago (caso em que a relação jurídica se altera. A lei abre ao adquirente (credor) uma alternativa: defere-lhe o direito de resolver o negócio ou aceitar a coisa. ocorrida. ou seja. antes da tradição. abatido ao preço o valor que perdeu (CC. e a obrigação resolverá. como ocorreu na primeira. sem culpa do devedor (depositário). para ser substituída por outra. DA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR. foi baleado e morto por desconhecido. 238. ou pode aceitar a coisa.

A exceção a essa regra existe: se toda a espécie em questão desaparece: e. obter o próprio objeto da prestação. tendo como pano de fundo a tradição. 246). por veto de lei ou impossibilidade. sofre ele o prejuízo pela deterioração. poderá obter alhures as mercadorias. Na obrigação de dar coisa certa. Aliás. Sempre o credor (dono da coisa). no estado em que se encontra. o art. visto que o devedor não poderia cumpri-la. O credor é o dono da coisa. se bem que indeterminado. Com efeito. deve a vontade da Justiça se sobrepor à sua e forçar-se a execução direta. não perece (art. o comodante. também consiste em exceção à regra quando a obrigação de dar coisa incerta se restringe a determinado universo de bens e. Não há falar-se no impedimento da cobrança por falta da tradição (isto é. impõe-se a execução específica. proporcionando ao credor exatamente aquilo que foi avençado. mas da ação pessoal. Quando alguém compra determinada coisa. senão o sucedâneo das perdas e danos. 5. baseada no domínio. 1ª parte ordena ao credor receber a coisa. almeja obter a entrega do objeto e não o seu valor. ou seja. Por outro lado. 240. quando o procedimento do devedor torna impossível a execução específica ± deixar perecer o animal a ser entregue ±. o primeiro. Dessarte. pelo gênero e pela quantidade´. não há recurso. NOÇÕES SOBRE AS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA Consiste na obrigação cujo objeto. ao fim do prazo. Enquanto a obrigação é dar coisa incerta. A solução esboçada se estriba no fato de que.comodatário deve devolver ao comodante. compete ao credor.g. não tem o comprador legitimação para reivindicar). Ora. reclamando o cumprimento preciso de uma obrigação. é quem sofre os prejuízos pela perda ou deterioração da coisa. Assim. sem direito à indenização. do CPC (Lei n. só se reservando às perdas e danos quando a ação direta for impossível ou envolver sério constrangimento físico à pessoa do devedor. carro que para de fabricar. Visto que nem sempre isso é possível. só permitindo a solução mediante indenização em última análise. sempre que possível. Seria inconcebível uma prestação indeterminável. Logo. o gênero. quando o devedor apenas recalcitra em não entregar a coisa certa. no exemplo figurado. pois podem surgir embaraços de ordem legal ou de fato. nas obrigações de dar coisa certa. o objeto emprestado. NOÇÕES SOBRE AS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA O ordenamento jurídico.. não sendo ainda proprietário. Esse. ao menos. Também neste caso a lei verifica que o dono da coisa é quem sofre o prejuízo. não se trata aqui da ação real. 621 e s. Em remate.869. o art. Em verdade. não se pode cogitar dos riscos derivados de seu perecimento ou deterioração. Pois bem. acrescido da indenização pelos prejuízos oriundos do inadimplemento do devedor. se a coisa certa a ser entregue for móvel. deve atuar no sentido de que as obrigações sejam cumpridas na forma como foram convencionadas. quando a lei veda a execução. o art. animal que entra em extinção. de 11 de janeiro de 1973) soa categórico ao dar o instrumento da imissão na posse ao credor de bem imóvel e da busca e apreensão. pois é referido pelo gênero a que pertence e pela quantidade que é devida. em tese. dentro do possível. é determinável. a fim de proceder à entrega a que se comprometeu. em regra. Quando a entrega consistir em dar coisa impossível. 243 sana qualquer indagação: ³A coisa incerta será indicada. por um act of .

Podem elas constar de um trabalho físico ou intelectual. 245). daí transformando-se num comportamento passivo. há que se ir mais longe que isso e afirmar que a obrigação de fazer consiste no mister imposto ao devedor de manter dado comportamento. não obstante. Tal solução só vige quando silente o contrato. nas obrigações de fazer encontra-se uma prestação de fato. do qual será mero corolário o de dar. num contrato preliminar. lei de ordem pública: não admite a alteração pela simples avença entre as partes). p. Se distinguem das obrigações de dar. ou a pessoa que propõe-se. a outorgar um contrato definitivo. pode esse comportamento constar de uma abstenção. donde decorre uma vantagem para o credor. as máquinas situadas num barracão que. ter ele de confeccionar a coisa. porém. nem será obrigado a prestar a pior. pois. isto é. não utilizariam tal cláusula. a 1ª parte do art. Se não o fizerem.God. trata-se obrigatoriamente como obrigação de fazer. isto é.g. altera-se a coisa incerta para coisa certa (art. assume a obrigação de fazer o empreiteiro que ajusta a construção. Assim. Impõe-se que. dizendo que ao proceder à escolha não poderá o devedor da a coisa pior. Por vezes se entrelaçam e. Assim. se tem ele de realizar algum ato. visto que nessa há prestação de coisa. se outro fosse o desejo. permitindo que receba o que de melhor encontrar. obrigação de não fazer. se as partes decidiram ilidir a incidência de lei supletiva (lei supletiva: admite alteração pelas partes. primeiramente. de fazê-la. todavia. se o devedor tem de dar ou de entregar alguma coisa. desaparecem: v. por acaso. QUAL É A MANEIRA DE SE PROCEDER À SELEÇÃO Pois bem. para depois entregá-la. 99. há a lúcida de Washington de Barros Monteiro. DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER OU NÃO FAZER As obrigações de dar ou de não fazer consiste num ato humano realizado. entre várias teorias. previamente. Pretendeu. no seu curso de Direito Civil. 244 determina pertencer ao devedor. ao admitir a coisa incerta. essa atitude adveio para favorecer o credor. o legislador que o devedor escolhesse pela média. Assim. para alterar a competência de escolha. por outro lado. com características intermediárias. segundo a qual: ³O substractum da diferenciação está em verificar se o dar ou o entregar é ou não consequência do fazer. de individualizem as coisas que serão entregues pelo devedor ao credor. Consequência disso resulta que. atitude humana ativa. como já aludido. o momento de concentração do contrato é o momento que se cientifica a outra parte. não tendo. pois. A 2ª parte do mesmo artigo. quando a obrigação é de dar e fazer. ou o escritor que promete a um jornal uma série de artigos. a obrigação de dar coisa certa é fugaz e transitória. fugindo tanto de dar o pior quanto de prestar o melhor.. admitem também um bem mediano. a obrigação é de dar. . incendiou-se. tecnicamente a obrigação é de fazer´. se. Isso desemboca em dois problemas: A QUEM COMPETE A ESCOLHA Incumbe às partes estipular a quem compete a escolha. em um momento. Isso porque. limita a liberdade da escolha. Assim. decerto. como também de um ato jurídico. ao menos em tese.

Assim. se o fiador ± alguém que abona. devolve. A segunda hipótese da impossibilidade dá-se quando essa (impossibilidade) decorre de culpa do devedor. mas em condições particulares. para que se considere infungível a obrigação de fazer. o negócio se estabelece intuitu personae. Em tese. 248 do Código em apreço. cujas qualidades pessoais são queridas pelo credor. Quanto ao primeiro caso. indiferente que o veículo seja lavado por um ou outro oficial. ocorre quando a prestação se torna irrealizável. i. supõe-se que o faz em vista das qualidades do artista. Nas primeiras. Mas o devedor. pode-se dizer que são aquelas em que a pessoa do devedor não figura com relevância.. Nesse sentido. poder-se-á reconhecer a infungibilidade da prestação. se. Quanto às obrigações fungíveis. de modo que a lei só considera adimplido o ajuste se a prestação for cumprida por aquele devedor. Nessa hipótese o negócio se desfaz e as partes são reconduzidas ao estado em que se encontravam antes da avença. a obrigação se resolve. ele é o causador do impedimento. que poderia cumpri-lo. no dia de sua apresentação. Pois bem. se ele. nas obrigações infungíveis. Se inocente o devedor. a intenção das partes é gritante ao considerar no contrato as condições peculiaridades de determinada pessoa. . que o impedirá de realizá-lo dado ato necessário para o cumprimento da obrigação). apenas não o faz por não lhe convir. A primeira hipótese se dá quando o fato que tornou impossível a prestação é alheio a um comportamento censurável do devedor (ou seja. Logo. No mesmo caso. se mantém no estrangeiro. do artista. e as em que isso não ocorre ± fungíveis. requer-se menção expressa. O legislador considera também a hipótese do inadimplemento voluntário da obrigação. ou insubstituíveis ±. Ao dono do automóvel que encomendou sua limpeza é. o de a obrigação ser descumprida pelo devedor. De sorte que o devedor se desincumbe da obrigação ou realizando o a tarefa prometida ou mandando que outrem a faça em seu lugar. o artista. se culpado. pois a prestação avençada só terá validade de fato se prestada por aquele devedor.e. responsabilizando-se pelo cumprimento da obrigação do abonado ± do locatário for determinado capitalista de honradez e reputação. DAS CONSEQUÊNCIAS DO DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER Distingui. deve compor o prejuízo. Todavia. Nessa hipótese o legislador distingue as obrigações infungíveis das fungíveis. de certo modo. 85 do Código Civil) para distinguir duas espécies diferentes de obrigações de fazer: aquelas em que a pessoa do devedor constitui preocupação essencial do credor ± infungíveis. se alguém contrata com pintor célebre a confecção de um retrato. o caso da prestação tornar-se impossível e. Quem anui em contrato de locação. de início. que se não tornou impossível. tidas no art. temos o exemplo do artista que adoece às vésperas do evento. Por vezes o intuitu personae não se funda em qualidades pessoais.DAS ESPÉCIES DE OBRIGAÇÃO A doutrina lançou mão da noção de fungibilidade (também exposta sob outro prisma no art. as cifras porventura já embolsadas.. não é obrigado a aceitar substituto. Com efeito.g. mesmo em caso onde não haja convenção expressa. ou seja. v. da impossibilidade. em virtude das circunstâncias que rodearam o negócio. depois.

desde a petição inicial cominada pelo juiz. no pagamento das perdas e danos. Inspira-se. tinha apenas conhecimento sumário do processo e nem sequer havia ouvido a outra parte. 249). transformando a obrigação de fazer em obrigação pecuniária de dar. sob pena de pagar multa. em regra. Faculta-lhe o pedido de perdas e danos. Por conseguinte. o feito tomava o rito ordinário. por óbvio. confere-lhe também a possibilidade de mandar executar o fato por terceiro. negativa. Todavia. num interesse do credor. compromete-se a não abrir outro congênere na mesma rua ou quadra. 247). deferida ao credor para compelir o devedor a cumprir a obrigação. preferindo ater-se à sistemática do Código Civil. dava remédio à multa cominada ab ovo. nos mesmos autos. mediante sucedâneo das perdas e danos (art. que vinha exposto nos arts. pleiteando indenização. ou então pode requerer que a obrigação de fazer. para tanto. para que fique comprovada a recusa do devedor e se alcance aprovação da substituição pretendida. grosso modo. do Código de Processo Civil atual. por outro lado. os arts.as que dependem unicamente do devedor e as que podem ser indiferentemente realizadas pelo devedor ou por outrem. ou o industrial que promete vender toda sua produção a um determinado consumidor. compete ao contratante ou resolver o contrato. o devedor assume um compromisso de abster-se de um fato que poderia praticar. 632 e s. 633). essa obrigação. em que o inadimplemento se resolvia. Assim. não fosse o vínculo que o prende. ao ordenar o mandado inicial em que cominava multa. 11. obter sua execução direta. DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER Aqui. nos casos de justificação do devedor. Estipula o . 639 a 641 do CPC (revogados pela Lei n. visto que isso envolveria odioso agravo à liberdade individual. hipótese em que a obrigação converte-se em indenização. Indubitável é que o juiz. Confere-lhe a prerrogativa de requerer. ou obter a execução do empreendimento por terceiro. à custa do faltoso (art. então. 634 e seguintes disciplinam o procedimento judicial indispensável. DA EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER No Código de Processo Civil de 1939 encontrava-se a ação cominatória. não pode o credor. em regra. alienando seu comércio. e. que seja o devedor condenado a reparar as perdas e danos. o remédio que remanesce ao credor é obter a reparação do prejuízo experimentado. Hipótese igualmente comum é a do comerciante que. seja executada à custa do devedor (art. a quem assusta a ocorrência do fato avençado. inadimplida. essa é. Assim. Escolhendo essa última maneira. Como a jurisprudência se distanciava desse procedimento. em assonâncias às Constituições modernas. a lei abre ao credor uma alternativa. ata-se a tal espécie a pessoa que promete não vender uma casa a não ser ao credor. Se a obrigação de fazer é positiva. abre a lei ao credor uma alternativa.232 de 22-12-2005). Nos arts. DA EXECUÇÃO DIRETA DE PRESTAR DECLARAÇÃO DE VONTADE Fora revogado todo esse teor. Quando fungível e o devedor for moroso ou inadimplente. cumpre-lhe recorrer à via judicial. Quando infungível.

aí tenha erguido um prédio de vários andares. Por vezes não há como desfazer os efeitos funestos do ato praticado. indenizado por perdas e danos pela conduta culposa. exigir que o desfaça. Ademais. em função de lei municipal. Há que se distinguir se derivou ou não de culpa do devedor. todavia. a obrigação se extingue (art. quando colidente com o maior interesse social. na obrigação alternativa. aplicar a segunda solução aqui mencionada. se refere a todo um gênero. Esse elemento escolhaaproxima a obrigação alternativa da obrigação de dar coisa incerta. podendo variar entre dar coisa certa e fazer. Assim. portanto. que defere ao prejudicado direito de perdas e danos. não há falar-se em extinção da obrigação. momento chega em que se impõe selecionar o objeto ou serviço a ser prestado. DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER Ocorre com a pratica do ato que o devedor prometeu abster-se. Todavia. porém. que será. embora múltiplo seu objeto.contrato. 250). transformando a obrigação complexa (de múltiplos objetos) em obrigação simples. que poderá abrir mão da concessão judiciária. Mas diferenças são nítidas. visto que o devedor poderá buscar alhures o objeto . Deve o juiz. Se. 389 do CC. vejamos. O juiz poderá deferir o pedido do credor. Seria antissocial demoli-lo. que deve o juiz hesitar em aplicar a regra geral. confere autotutela ao credor. Se a abstenção prometida se tornou impossível sem culpa do devedor. há culpa no comportamento do devedor. o devedor se exonera satisfazendo uma das prestações. Contudo. como são duas ou mais prestações e só uma delas deve ser cumprida. Daí decorre importante corolário. Em derradeiro. só para atender ao deleite do vizinho credor que teria sua visão embaraçada. Um exemplo exagerado marcará a hipótese: imagine-se que o infrator que prometeu não construir em seu lote. na primeira circunscreve um universo de coisas determinadas. no sentido de realizá-la por conta própria. O perecimento de um dos objetos in obligatione. sob pena de o desfazer à sua custa (às expensas do devedor). que por negligência ou interesse preferiu desprezá-la. a segunda. A primeira é que. ademais. vê-se obrigado a construir muro onde havia prometido. não trabalhar etc. faz com que a prestação se concentre no remanescente. No parágrafo único. Caso que exemplifica é a publicação de notícia que prejudicaria a venda de determinado produto. ao credor. a obrigação se extingue. 251. portanto. se a obrigação for de dar coisa incerta. São bens específicos para se escolher um. só remanesce ao credo a possibilidade de obter perdas e danos. se a urgência mostrar-se necessária para evitar perda ou deterioração do bem. a obrigação negativa do devedor. DAS OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS A obrigação é alternativa quando. porém. dois remédios assistem ao credor: no art. se todos os objetos perecerem. como avenças de não casar. disso decorre que decerto para alguns casos a lei não dá guarida. a meu ver. O segundo remédio decorre da regra contida no art. Mostra-se impossível desfazer o efeito lesivo. ressarcindo o culpado as perdas e danos. parece. A obrigação de não fazer será lícita sempre que não envolva a liberdade individual. Tomemos o exemplo do devedor que. Os mesmos princípios que informam as obrigações de fazer aplicam-se às de não fazer. não fazê-lo. nesses casos.

ao devedor. confere ao credor. no § 4º. quem pode escolher. havendo pluralidade de optantes. o perecimento de uma das coisa não extingue o liame (como na obrigação simples. O preceito não se aplica se a obrigação for de prestações periódicas. Trata-se de preceito com caráter supletivo. art. se não fora estipulado o contrário na avença. É a regra do artigo 252. o 3º estipular que. 252. que tem só um objeto). é indiferente tratar-se da culpa. Quanto aos demais parágrafos deste artigo. não pode este forçar o credor a receber parte em uma parte em outra prestação. 253. Melhormente falando. 571). isto é o que dispõe o art. 342). se o executado naquele prazo deixar de oferecer uma das prestações. nada impedindo. em cada período. não se propõe. DIREITO DE ESCOLHA. Há que se interpretar este parágrafo com o caput. pois. Mostra-se vantajosa ao credor. art. deixado de oferecer qualquer das obrigações. sob cominação de perder sua prerrogativa e ser depositada a coisa que o credor escolher (CC. entendendo competir ao devedor. Ora. O § 1º do art. art. por força de lei (extracontratualmente) muda de mãos: 1. o que for menos oneroso à época do cumprimento. Há duas outras possibilidades que o direito de escolha. TITULARIDADE E DECADÊNCIA. A lei. quando a escolha é deferida ao devedor. a prerrogativa ou de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. em dez dias. O legislador confere às partes liberdade para estipular a quem cabe o direito de escolha. ao credor ou a terceiros. se firmada a obrigação deferindo escolha a terceiro e este não a faz. o direito à opção é conferido para ser exercido em cada período (CC. mudam-se os termos do problema. poderá intimar o devedor para que. DA IMPOSSIBILIDADE OU INEXEQUIBILIDADE DE UMA DAS PRESTAÇÕES Se a escolha competir ao devedor. e tinha a prerrogativa. senão será deferia ao juiz. se o direito de escolha foi conferido ao credor e este não o exerceu. tanto devedor como credor. e o que acontece mediante o perecimento do objeto da obrigação. visto que ele escolheria uma ou outra. o credor poderia. cumpra uma das obrigações. a escolha deve ser unânime. 2. Ora. entretanto. não perece. devolver-se-á ao exequente (o credor) o direito de escolha (CPC. 255. Mostra-se vantajosa para ambas as partes. por sentença judicial. o juiz a fará. acrescida das perdas e danos (art. porém. a estipulação em contrário. em tese.da obrigação para oferecer ao credor. de mostrar interesse somente pela prestação perdida. Se. atendendo a tal possibilidade. vejamos: para o devedor é vantajosa pois lhe permite selecionar. o credor. culposo ou inocente. fixa que. a escolha competir ao credor e uma das prestações se tornar impossível por culpa do devedor. qual demandará menor sacrifício. escolhe qual a obrigação é menos pesada. porém. 252 proíbe a mistura de alternativas. vítima da negligência do devedor. e a obrigação se concentra na prestação remanescente. nessa hipótese. pois ele não é obrigado a receber por partes aquilo que ajustou receber por inteiro. . 1ª parte). se ao devedor cabe a opção e este não solve a obrigação. o problema de seu comportamento. ou seja. dentre os vários objetos em apreço. § 2º). pois melhor assegurará o adimplemento do contrato. Apenas em caso de silêncio do contrato supre-lhes a omissão. o devedor o citará para tal fim. o gênero. se competia ao devedor. conferindo a capacidade de escolha. Dois pontos mostram-se de maior relevo: a escolha. ele somente não poderá furtar-se a esse dever alegando a perda de alternativa.

Se. torna-se obrigação de dar coisa certa. é o que revela o artigo 255. aplicasse a regra anteriormente vista. Finalmente. DA IMPOSSIBILIDADE DE TODAS AS PRESTAÇÕES Ainda aqui convém distinguir a existência de culpa ou não do devedor. DA DIFERENÇA ENTRE OBRIGAÇÕES FACULTATIVAS E OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS Nas alternativas. levaria um objeto melhor sem NF ou outro menos melhor com NF. Dessa forma. sem culpa do devedor. pois não é obrigação independente. por segurança jurídica. Ora. a terceira hipótese de impossibilidade.Cumpre ressaltar importante questão. por culpa do devedor. impossibilitada por culpa do devedor. é o que apregoa o artigo 256. fixando um rol de materiais para o fazimento dela (mogno. nas obrigações facultativas há uma alternativa de substituição. o credor tinha legítima expectativa de eleger qualquer delas. Essa derradeira regra é absolutamente lógica. não puder o devedor. se danificou. tem ele a prerrogativa de manter-se com o bem não danificado. como visto.). 254). cabendo-lhe a escolha. art. é melhor manterem-se firmes os negócios jurídicos. então simples. por outro lado. o devedor se exonera com a entrega da mesa. é indiferente ao cumprimento da obrigação. maçaranduba etc. Se umas das prestações guardar objeto ilícito. por sua culpa. devolver um. cabendo a escolha ao credor. estipula obrigação facultativa. tendo em vista. um dos bens que encontrava-se sob sua posse. há obrigações independentes. agora com prestação única. a circunstância de a escolha caber ou não ao devedor ou ao credor. escolhendo-se uma. sem culpa.e. que não é passível de escolha. cumprir nenhuma. ficará obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. concentrando a prestação na que for lícita. i. acrescido das perdas e danos (CC. responde à regra do artigo 389. contrariando o disposto no art. exemplificando: o credor que encomenda uma mesa. Assim. qual seja. pura e simplesmente. porque o perecimento antecipado de uma fez com que a obrigação se concentrasse na outra. a jurisprudência afasta essa alternativa.104. QUANTO AO OBJETO DA PRESTAÇÃO Em derradeiro. Por outro lado. em tese. ele devolve o bem que lhe aprouver. DAS OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS . Se as prestações se impossibilitaram. a doutrina concentrará a obrigação neste último. pelo mesmo valor. 2ª parte. há o princípio que. se. Como vimos.. o devedor experimenta o prejuízo. Vale dizer. se dado ajuste fora celebrado mediante uma alternativa que. nesta última. mais indenização pelo prejuízo experimentado. passando a constituir o objeto único da obrigação. o mínimo que se lhe pode deferir é o direito de pleito o valor de qualquer delas. Assim. adicionado de perdas e danos. em que o credor fica com os bens para. ao término do prazo estipulado. Se todas as prestações tornarem-se impossíveis. pode este último reclamar o valor de qualquer delas. aplica-se a regra geral: a obrigação se extingue.

COMO AS DE DAR. pois não cumpre a execução de meia tarefa. ou ambos. por regra lógica. nos fragmentos resultantes. é tendo em vista o objeto da prestação que se classificam em divisíveis ou indivisíveis. Mister acentuar esse aspecto. sendo vários os credores de um devedor. se vários são os devedores. prossegue-se a concurso segmentando o montante da prestação. porque não há que falar-se nesse característico em obrigação simples. a resposta também é afirmativa porque. A obrigação é indivisível quando indivisível for o seu objeto. assim procedendo. Decorre da lei quando esta assim o determina. se termos como exemplo a compra de uma pintura. de cada qual dos devedores. este pode pagar integralmente a prestação. ou de ambas.Agora. talvez não conserve. se vários os credores. em partes. regra exposta no artigo 257 do CC. cada qual tem direito a receber uma parte da prestação. PODEM SER INDIVISÍVEIS Quanto às obrigações de dar. Ou seja. Aqui encontra-se expediente que lança mão o credor para aumentar suas garantias. que assim avençaram. são múltiplos. estudaremos aquelas obrigações cujo sujeito passivo ou sujeito ativo. a exigibilidade da prestação integral advém da lei ou da vontade das partes. Cumpre indagar se ele divide. em virtude da natureza do objeto. assim procedendo libera-se da dívida. ilidindo a concursu partes fiunt. Decorre da vontade das partes quando estas convencionam. correspondente ao débito. valor proporcional ao todo. Assim. Quanto às obrigações de fazer. a obrigação de não fazer. O caso da indivisibilidade da prestação só se propõe mediante a pluralidade de uma das partes. ou não. não se pode cumpri-la ou descumpri-la por parte. A indivisibilidade decorre da natureza do objeto. Pode-se chamar de indivisível a obrigação quando o fracionamento do objeto devido não só altera sua substância. visto que. 6404. TANTO AS OBRIGAÇÕES DE FAZER. 28 da Lei das Sociedades Anônimas. ora. poderá cobrar a totalidade de cada um dos codevedores. cada um tem o dever de pagar uma fração. Com efeito. No caso da solidariedade. Seguindo a esteira do princípio concusu partes fiunt. nada obstante não deverem o todo. vemos que não é divisível. o credor pode exigir. No caso da indivisibilidade a prestação é exigida por inteiro. o pagamento integral. eles são obrigados a prestar a integralidade da prestação. Essa regra sofre exceção em duas hipóteses: no caso de indivisibilidade e no de solidariedade. Da mesma forma. Nesses casos. excepcionalmente decorre da lei ou das vontades. como também representa sensível diminuição de seu valor. É o caso do art. EFEITOS DA INDIVISIBILIDADE . embora partível sem alteração de sua substância. ordinariamente se estabelece a divisão em tantas obrigações independentes quantas forem as partes. não satisfaz o credor o recebimento apenas da quota-parte (parte ideal) de apenas um deles. se termos como exemplo a obrigação de projetar um aparelho. n. Não há como fracionar. O diamante. firmada com dois negociantes.

continua enfeixada num todo. 267). Se a culpa adveio de todos os devedores. a prestação será indivisível. transação. novação e compensação. a prova da primeira encontra-se no parágrafo único do art. DAS OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS Por regra. a solidariedade constitui exceção à regra do art. caso contrário. A derradeira consequência figurada pela lei. que furtasse de prestar contas aos cocredores. Ora.Na hipótese de serem vários os devedores. Portanto. Aquela ocorre quando. cumpre observar duas ressalvas: ele só se desobrigará se: pagar a todos conjuntamente. cada um será obrigado pela dívida toda (art. a ele. Tal conceito vêm. de resto. pode ser compelido a fazer por inteiro. ou a um. no art. caso contrário. caso contrário a obrigação do devedor se dividiria em tantas obrigações autônomas quantos fossem os credores. na segunda hipótese fixada pelo artigo. se pagasse a um só. concursu partes fiunt. para a outra parte. são indivisíveis. há a solidariedade passiva. haveria empobrecimento sem causa do devedor e enriquecimento injustificado dos demais credores. podendo. visto que. não há. 264. se resolvida em perdas e danos. portanto. o mune com as garantias que o credor original tinha. responderá sozinho pelas perdas e danos. Se são vários os credores e um deles perdoa a dívida. ao devedor. Na hipótese de pluralidade de credores. não à quitação de suas cotas. mediante a natureza do objeto. Se. 259). um só tenha culpa pelo dano causado. 257. A um. somente em virtude do objeto. em virtude do objeto. Assim. 259 que dispõe ao devedor que a pagou a prerrogativa de sub-rogar-se no direito do credor. a totalidade da prestação. além de deferir o direito de cobrança. de um só. mostra-se incapaz de ser prestado por partes. A todos os credores conjuntamente porque. pois os efeitos são idênticos. cumpre oferece-la por inteiro. tratemos de uma apenas. Figure-se que pagasse a dívida a credor insolvente. porque. . o outros cocredores poderiam ficar privados da garantia representada pelo devedor solvável. exonerando-se os demais apenas no tocante às perdas e danos. é a da remissão. cada um tem o direito de exigir do devedor a prestação por inteiro (art. Na hipótese de vários credores. este tornou-se devedor de menos que originalmente devia. ainda que sejam responsáveis por frações distintas do bem. em vez de se dividir em tantos quantos forem os sujeitos. haverá igualdade entre eles no que se refere ao pagamento da indenização. havendo vários credores. experimenta o devedor o lucro. cada um deles pode exigir a dívida por inteiro. formulado pelo próprio legislador. é visto como um. Cumpre ressaltar duas circunstâncias relevantes: cada um dos devedores só deve parte da dívida. que encontram na caução uma maneira de satisfazer a sua parte do crédito. É compelido a prestá-la inteiramente porque o artigo 263 fixa. denomina-se solidariedade ativa. a totalidade ou parcialidade da dívida em comum. dando caução de ratificação dos outro. Desse modo. ou devendo cada um dos vários devedores pagar ao credor comum a dívida integral. dando este caução de ratificação dos outros. os outros deverão exigir o adimplemento descontada a quota do credor remitente. Alei. pois. Há a existência de vários em um lado que. Ora. adquire o caráter de divisível. porém. todavia. se houve liberalidade para o devedor. de vários devedores. A solidariedade passiva destaca-se porque o credor tem direito de exigir. através dela. cada um dos vários credores exigir. em caso de pluralidade de credores. mais frequente e proveitosa hoje em dia. Tais regras vêm expostas no artigo 261. pois a reparação pecuniária é sempre suscetível de divisão. por outro lado. do devedor comum. garante-se o direito dos demais credores.

Revela-se aqui a vantagem da obrigação solidária passiva. onde o pagamento parcial feito a um dos credores. Nesta. se outro se mantiver solvente. passando a seguir o princípio do artigo 257. Enquanto a indivisibilidade decorre de um elemento natural. ela perde esse caráter. a obrigação pode ser pura e simples para alguns (não-solidária) e sujeita a termo ou condição para outros. a insolvência do devedor após ter pago parcialmente um dos credores (parcialmente porque. sem que as razões determinantes da solidariedade sejam abaladas. por outro lado. CONSEQUÊNCIA DA SOLIDARIEDADE Inocorrendo solidariedade ativa. a solidariedade altera a feição das obrigações com pluralidade de sujeitos. onde os devedores são condenados em perdas e danos. não sendo solidária. se a possibilidade da prestação a converte em perdas e danos. A comprovante desta afirmativa se encontra no confronto entres as regras concernindo à conversão de ambas em perdas e danos. que no caso brasileiro seguiu a orientação tradicional . e não da natureza do objeto. de relações jurídicas autônomas. O problema teórico. DISTINÇÃO CRUCIAL ENTRE OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA E INDIVISÍVEL Em tese. a indivisibilidade decorre da natureza do objeto. para lhe endereçar o seu pedido. há solidariedade passiva. Diferente é a conclusão da obrigação solidária. 265). a solidariedade persiste. com efeito. visto não poder reclamar esta parte (do insolvente) aos demais. em uma só. a situação individual de cada um pode ser diversa da tida com os outros. Por fim. de maneira que a obrigação torna-se divisível e segmenta-se entre as partes (art. Se. insuscetível de ser repartido sem perdas de valor ou sacrifício de sua substância. FONTES DA SOLIDARIEDADE De acordo com a sistemática do direito brasileiro. não há que se falar em pagamento integral da dívida) deve ser suportada pelos demais credores. embora solidária. nas prestações indivisíveis. Em remate. perde o credor. deve ser rateado por todos os sujeitos ativos. decorre da lei ou da vontade das partes (art. pelo insolvente. Conforme o art. a solidariedade não se presume. mesmo havendo vários credores ou vários devedores.Por conseguinte. decerto seleciona o melhor. pois promove a reunião. é irrelevante a insolvência de qualquer deles. pois representa arma eficiente para garantir o interesse do credor. em vez de acionar cada qual. amarrados neste liame solidário. ativos e passivos. enquanto a solidariedade decorre da vontade das partes ou da lei. da lei ou das partes. a solidariedade fora convenção. para alcançar o efeito do liame jurídico. caminho diametralmente oposto do caso em que há solidariedade. 266. ora. grosso modo. visto que. 263). Peculiaridades relacionadas a cada um podem autorizar a essa distinção de tratamento. Se o devedor não solidário torna-se insolvente. a solidariedade se representa de um artifício a que recorrem as partes ou o legislador. O que se admite nesse dispositivo é que haja distinção de tratamento aos credores ou devedores solidários.

em estabelecimentos bancários. é extremamente raro na vida fática. enquadra-se no artigo 158. mas que só diz respeito . não havia como responder por seu ato. diversamente da obrigação indivisível. Nesse caso. a solidariedade tem por escopo principal. É possível que nalguns casos a lei. não há validade neste último. Tal instituto. deve oferecer aos demais cocredores. que noutros resulte punição para o autor ou cúmplice de ato ilícito (art. o resgate do débito. precipuamente. o prejuízo experimentado pelos demais cocredores é inexorável.(diversamente do Código alemão e também do Código italiano). deve-se entender que a obrigação se divide em tantas outras obrigações autônomas quantas quantos sejam eles. Assim como o que recebe a dívida inteira. deve-se revelar de maneira a que não remanesça qualquer dúvida. nesta a quitação dá-se sem essa exigência. Ora. qualquer deles pode quitá-la. desse modo. Cabe ação pauliana.I). Convém insistir que cada um só é titular de parte da dívida e. ademais. dentro do possível. qual seja. o devedor se exime do pagamento. aos outros credores. logo. se o accipiens. 273 e 274. O pagamento a um ou a outro é válido e extingue a dívida. temos o ponto alto da solidariedade ativa. ou os credores. o princípio da fidúcia que permeia a obrigação deste tipo (art. no caso. Posto isso. Solidariedade representa exceção ao princípio geral. de sorte que não lhes cabe exigir e receber a totalidade da prestação. 585. que fixa a fraude contra credores. Se falecer um dos credores solidários. Quando a solidariedade for convencional. a meu ver. dispôs de bens que. onde o pagamento dá-se mediante caução dos demais credores. A exceção consiste numa defesa que tem a parte demandada (no caso. em assonância ao artigo 272. Depositam importância movimentada por ambos os titulares ou por qualquer deles. 269. assegurando. v. 270). à época em que tiver remitido a dívida. não perdurando mais. que considera solidários os autores e cúmplices de ato ilícito). não merece ela uma atenção maior. MENDONÇA. não eram seus. torna-se insolvente. reforçar as possibilidades de solução da obrigação. aumentar as garantias do credor. Há uma pluralidade de teorias que tratam da solidariedade derivada da vontade do legislador. cada um de seus herdeiros recebe apenas uma fração do direito creditório. a figura em análise. ³pode considerá-lo como um instituto extinto´ (Doutrina e prática das obrigações. guarda obrigação com os demais credores o que a perdoa. capaz de suspender ou anular o mérito (o pedido. por sua manifesta inconveniência para o credor. ou determinada pela lei. impondo solidariedade. emergindo. o devedor se libera da dívida efetuando o pagamento a qualquer dos credores. antes de prestar contas. pois carecem de ação contra o devedor original. quando assim é florescida. só a se admite se expressamente manifestada pelas partes. porém. o alvo do legislador é. art. a fim de anular tais atos. o faz. cabe a prerrogativa de cobrá-lo. que determina a solidariedade entre os comodatários para com o comodante). Talvez se possa entender como solidariedade ativa a das contas conjuntas. Não se transmite a relação com os demais credores. interprete a vontade silente das partes (art. por conseguinte. Em derradeiros. propõe o seguinte termo: sendo múltiplos os devedores. parágrafo único. se o objeto for divisível (a outra exceção). 942. se a recebe por inteiro. o devedor). Ora. os arts. a cobrança). DA SOLIDARIEDADE ATIVA Aqui. orientação encontrada em Pothier. Em qualquer caso. visto que o desaparecimento da personalidade extingue a solidariedade. Se o credor que não tem patrimônio suficiente. cai um característico do instituto junto com ela. essa. indiretamente. em que o legislador francês se foi inspirar.

não se estende aos demais cocredores. não pode esse último opor essa exceção. mas outro moveu ação de cobrança contra o devedor. a circunstância de na solidariedade se encontrarem várias obrigações autônomas faz com que a ação do credor.). O Parágrafo único fixa que a solidariedade perdura. A exceção é um meio de defesa de que lança mão o réu para ilidir ou suspender os efeitos da ação. os outros não ficam vinculados a tal ajuste. a prescrição dos demais será deduzida do montante da sentença. numa só. pois é incapaz de incidir sobre a obrigação de outrem. ³as obrigações são individuais e autônomas. embora podendo opor as próprias (compensação ± cancelamento de débitos recíprocos) e as comuns a todos (falsidade do título. vale dizer. vejamo-la. dispõe o seguinte: ³o julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. logo. DA SOLIDARIEDADE PASSIVA Com ela. não será alegada contra os demais. ao devedor demandado. ignorando a coação.g. como já aludido. que veda. se o julgamento revela-se favorável. se o credor aciona um devedor. é o art. vez que a regra é ³a decisão não vai além das partes´. não renunciou o restante. Como pode decidir cobrar parte de um (pagamento parcial). Vale lembrar que a obrigação solidária reúne. continuando credor do restante. À guisa de exemplo.e. a possibilidade de opor exceções pessoais dos outros. Vale dizer. II) -. A regra encontra-se no artigo 278 do Código Civil. só possa ser sustada por exceção comum a todos. 154. se a dívida está prescrita para um dos credores. em virtude disso. Quanto à regra do artigo 274. O que lhe cabe (ao devedor). DA EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO POR UM DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS . ganhou ação porque o credor solidário é incapaz e. 273).. ainda legítimo. de pendência de condição etc. visto que. Ora. mas o restante. cobrando de um dos devedores. para pagar a totalidade da dívida. somente será descontada a cota-parte prescrita. se após estabelecimento da relação jurídica um deles estipular cláusula aumentando taxa de juros ou abreviando termo de vencimento. ou pessoal do excipiente. que separa os lados internos e externos da obrigação. In fine. estendeu a coisa julgada. Essa problemática de autonomia talvez seja melhor compreendido com a explicação de Ruggiero e Maroi. a ação que um dos credores solidários moveu frustrou-se não atinge a cota-parte dos demais.´. que é autônoma. tantas obrigações autônomas quantos forem os devedores. não corre prazo prescricional (art. Se encararmo-la do lado de fora. mas se encontram enfeixadas numa relação unitária´. a fim de obter os restante. aproveitará a todos. se estes últimos agiram com boa fé.a um dos credores (art. o credor pode escolher qualquer um dos devedores para cobrar-se. o artigo 274 expõe que se o credor ganhou ação com base em exceção pessoal . com essa prerrogativa. externo. assim. ele estendeu a decisão. em virtude disso. encarado o problema sob seu ângulo interno. Também a dívida contraída através de coação de um dos credores. 275). é evidente que um destes não pode agravar a posição dos demais. que remanescem ligados pela solidariedade (art. encontram-se vários devedores cujas relações são relevantes. o conjunto de devedores se apresenta como um só. que trata da coação exercida por terceiro. todavia. uns responsáveis para com os outros. Nessa ideia de autonomia que se justifica a regra do artigo 281 do CC. 198. será demandado. Todavia. assim. no julgamento. embora sujeita à solidariedade. pode acionar o credor que utilizou-se da coação. o que constitui exceção à regra. se obteve setenta por cento do valor. pode acionar os demais. conforme a exposição.

para demandar os demais devedores. DO INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA Pode o credor que sem êxito exigiu de um devedor o pagamento voltar-se contra outro para cobrá-la integralmente. em virtude de um deles ter caído em insolvência. é o que apregoa o art. No primeiro caso. apresentam-se duas hipóteses: 1. ora. 283 vem estabelecer que ³(.)´. embora não a devam. e assim por diante. Ademais. constituída pelo exonerado. a despeito da solidariedade. seja apenas um o interessado na dívida. a relação jurídica biparte. obviamente. a lei confere ao devedor que pagou o direito de exigir de cada coobrigado a sua quota. o art. podendo o credor cobrar de qualquer um dos devedores restantes o saldo remanescente. É possível que. ficou reduzido. A relação jurídica interna. persiste a solidariedade. transforma-se em obrigação simples. volta a militar a regra concusu partes fiunt. ficando liberados os devedores. pode ser compelido a prestá-la por inteiro. da mesma sorte. obviamente. por haver exonerado apenas algum dos devedores. aimpossibilidade derivar de força maior. após ser paga a dívida de todos por um dos devedores. Ora. na segunda. para recompor tal desequilíbrio. 282. o credor tem o direito de receber o valor da prestação. 285. é o que trouxe o legislador. como vimos. Quando há execução parcial da obrigação solidária por um dos devedores (art. a lei o defere o direito de reclamar o reembolso de toda prestação paga. continuando o credor com a prerrogativa de exigir de qualquer um deles a totalidade do valor da prestação. ele. O crédito. em que o fiador assume o encargo principal do pagador. 277). Mas as perdas e danos o são por culpa de apenas um.Embora só deva parte da prestação. Se a renúncia for parcial. Na segunda hipótese. dividindo-se igualmente por todos a do insolvente (. Sujeita todos ao rateio da cota do insolvente.. é possível que a prestação se impossibilite. mas é evidente que a dívida só interessa ao inquilino. 275. e só . deve abater no débito a importância daquele que foi exonerado. O valor dela é por todos devido. não possa este receber de cada um a quota correspondente. no art. se um devedor não pode agravar a situação do outro (art. o inquilino e o fiador são solidários pelo pagamento dos aluguéis. se por força da solidariedade o fiador. 278). o devedor. a obrigação se extingue. A fim de que não fique desembolsado de seu quinhão e da quota do insolvente. Entretanto. RENÚNCIA À SOLIDARIEDADE O credor que apenas renuncia à solidariedade continua credor. porquanto um deles se liberou da dívida pessoal e só continua responsável pela quota-parte do eventual insolvente. Por sorte. acrescido de perdas e danos. Primeira. O montante inicial abrangido pela obrigação se reduz. Um derradeiro problema. como se dá na fiança anexa a uma locação.. Pode ocorrer que. resultar de culpa de um dos obrigados. paga os aluguéis. entre os vários devedores. decerto que a lei isso previu. ainda que despido das prerrogativas já referidas. o art. prendendo os demais devedores. Isso ocorre quando o credor só exige ou só recebe do escolhido uma parte da prestação. mudou.) tem o direito de exigir de cada um dos codevedores a sua quota.. Tal preceito é defendido pelo parágrafo único do art. a solidariedade persiste vinculando os demais coobrigados. 2. não o permitindo fazê-lo por meio de ato ilícito. 284 invoca também os já exonerados de solidariedade pelo credor. Se a renúncia for total. mediante inadimplência do inquilino..

segundo o art. EFEITOS DA MORTE DO DEVEDOR SOLIDÁRIO Todos os herdeiros. Do momento em que foi notificado em diante. pois já sobreviveu sem).ele. correspondente à sua participação na herança. se. DA TRASMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES Aqui. aqui. como também particular. afirma a possibilidade de cessão do crédito. podendo o credor deles cobrar a totalidade da dívida. podendo alegar ignorância à proibição. ao receber a notificação. são considerados um só devedor. cai a prerrogativa. prescrição. compensação. incapacidade etc. mister se faz encarar a possibilidade de simples mora. de maneira que. separadamente. de um ato ilícito. embora defira o direito de pleiteála do culpado. que assim se considera a que resulta de qualquer escrito público ou particular. transfere. se não alegá-las à época da notificação. deverá notificar o novo credor (cessionário) de todas as exceções que possui contra o antigo credor (o cedente). ou também revestir a modalidade de notificação presumida. essa se caracteriza quando o devedor não efetua o pagamento no lugar. ora. nesse sentido o art. reunidos todos os herdeiros. enfim. a lei (créditos já penhorados). 280. A principal razão pela qual o devedor pode invocar a ineficácia da transmissão apoiase no fato de que ele deve saber a quem deve. Portando. ³troca subjetiva da obrigação´. de sorte que. defeitos do negócio jurídico. O cedido poderá invocar pagamento. É a regra do artigo 276 do Código Civil. ou a convenção com o devedor (crédito inalienável). vinda de um contrato. Quanto ao artigo 286.. porém. englobadamente. todavia. num documento se tem a confissão de dívida e noutro tem-se a proibição de sua transferência subjetiva (a cessão do crédito). DA CESSÃO DE CRÉDITO É o negócio pelo qual o credor transfere a terceiro a sua posição na relação obrigacional. não há escusa. Mas cada herdeiro é devedor de uma fração. ninguém poderá alegar desconhecimento. não há como alegar ignorância à cessão. Se está expresso no contrato a inalienabilidade do crédito. sucedem o de cujus na mesma posição que este ocupava. O legislador. É a troca de um credor para outro. no qual o devedor manifesta a sua ciência. é a regra. o artigo 290 fixa que tem validade a cessão que fira notificada ao devedor. talvez pensando nos interesses tutelados dos credor. sujeita todos os devedores ao pagamento dos juros. o mesmo ocorre na ideia de espólio. é quem deve compor o prejuízo resultante. Assim. Ao lado do inadimplemento absoluto. Poderá o devedor opor contra o cessionário todas as formas de defesa de que dispunha contra o cedente. adotou solução diversa do artigo anterior. veremos a maneira de transmiti-la de uma das partes para um terceiro. a obrigação ³já está viva´. 279 do Código Civil. pode. tempo e forma convencionados. A saber. Depara-se com problema quando a não se pode transferir o crédito. como um devedor solidário. O artigo 294 estabelece que o devedor. não poderá apresentá- . pode a cessão ser notificada por via judicial. só é obrigado a uma quota-parte do débito. se a isso não se opuser a natureza da obrigação (pensão alimentícia ± se. quiser vender os alimentos já devidos.

este consiste na transferência da propriedade dum título nominativo. será válido o pagamento efetuado pelo devedor até a notificação da penhora (penhora é o ato pelo qual o juiz vincula bens do devedor ao valor da causa.ex. inclusive. O artigo 291 afirma que será cessionário o que receber o documento original que representa a dívida. ocorrendo isso. deverá se atentar à anterioridade da notificação (paga ao primeiro que lhe apresentar a notificação). podendo obrigar-se o devedor a pagar novamente. No caso de cessão de crédito gratuita. depois disso. pois admite que o cessionário tome as medidas antes da eficácia do negócio jurídico perante o devedor. A cessão pode ser feita verbalmente. acompanha. porém. salvo. porém. o juiz. se decorrer a dívida de escritura pública. não vale contra o cedido.. se houver garantia real. assim procedendo. Cumpre destacar. Se o bem for imóvel. Assim. assegurar que o crédito é válido´. esse artigo não vale. ele vale por si só. mesmo que o devedor não tenha conhecimento. assim. DA ASSUNÇÃO DE DÍVIDA . Porém. se foi notificado mais de uma vez. vende o bem e a paga). paga certo. acompanha-no. cedente e cessionário. Sendo. O artigo 293 não traz questão tão complexa. não cabendo essa regra do artigo 294. sendo assim. Um exemplo de crédito inválido é o negócio jurídico celebrado com um absolutamente incapaz. O artigo 287 fixa que a cessão do crédito transfere o crédito e todos os seus acessórios. pode-se provar por testemunhas). que se tiver valor de até 10 salários mínimos. visto que ele nada recebeu pela cessão. fianças. não poderá exigir-se do cedente o crédito. visto que a escritura pública que representa a dívida não circula (não sai do cartório). Caberá. há que haver na escritura pública as garantias que lhe são anexas. caso o devedor não pague o valor da execução. O artigo 295 fixa que o cedente deve garantir a existência do crédito na época da transferência. depositar em juízo. Assim. modifiquem ou renunciem os direitos reais sobre imóveis. O artigo 292 é bem claro ao afirmar que o cedido deve pagar.las mais tarde. assim. hipotecas irão permanecer. Segundo o artigo 298. Se a fez de má-fé. ³deve. porém. hipótese em que o devedor. deve garanti-la. afirmamos que nos casos em que há escritura pública. Quem faz cessão de crédito não fica obrigado a garantir a solvência do devedor. há uma ressalva no artigo 288. também é motivo de invalidade. o pagamento é tido como fraude à execução.. ineficaz contra terceiros. ao cessionário que lhe apresentar o título da obrigação cedida. A anulabilidade. É válido o ato de cessão verbal. Logo. ³pagar nos autos´. o cedente não deve cobrir a falta do cedido (não deverá pagar). porém. P. o obrigando a. Se o cedido paga ao cedente de transmissão verbal. segundo o qual ela não terá eficácia contra terceiros se não a fizerem por instrumento público ou revestila com outras solenidades. 813 do CPC). manda uma ordem de penhora para o devedor. o cedente. visto que a escritura pública é essencial à validade dos negócios que constituam. Em remate. A cessão de crédito produz efeito imediatamente nas relações entre os credores. se há juros ou cláusula de multa etc. que a cessão de crédito se afasta do endosso. em vez de pagar ao credor. o devedor deve pagar a quem se apresentar como portador do instrumento de notificação juntamente ao título do crédito (então cedido). ao cessionário assiste a prerrogativa de ajuizar ação cautelar de arresto para conservar o patrimônio do devedor que pretenda cair em situação de insolvência (art. Tal artigo vem reforçar essa convicção. porém. Nada impede que se penhore um crédito. prevista no artigo 171. ao cessionário a cobrança do crédito pago ao cedente (ressaltando-se. ou seja. transfiram. que todas as prerrogativas que eram do cedente passam de logo ao cessionário. Vemos. então cedido.

opera-se a assunção da dívida automaticamente. visto que estas garantias especiais. com aceitação tácita. que subsiste com seus acessórios. com liame de solidariedade. não confere-lhe a prerrogativa de garantias. tal consentimento deve vir expresso na transferência. onde os argumentos podem ser apresentados ao novo credor. aval. sem que ocorra a liberação do antigo devedor.. Contudo. o mesmo crédito será exigido do novo devedor que assumiu a responsabilidade por ele. como todos os seus privilégios e garantias. Quanto ao artigo 302. Neste caso. Caso ele ache que a garantia da dívida é menor que o . por óbvio que é (i. No art. por vezes. A aceitação do credor não implica uma nova relação obrigacional. 300 traz. Porém. responsabilizando-se pela dívida. aqui. do momento em que se celebra a cessão. 301 há o caso de a anulação do contrato de assunção. todas as garantias tidas pelo devedor originário desaparecem. pois aquelas que tiverem origem na própria dívida assumida deverão ser admitidas (pagamentos. em prejuízo do terceiro. notadamente. Num primeiro momento. 303 afirma que. consiste numa relação trilateral: devedor. a assunção. porque lhe interessa a solvência do devedor). não podem ser restauradas. o credor deve anuir. O problema de fundo consiste na anuência do devedor e. disso decorre a expressa anuência do devedor primitivo e. salvo aquelas que tiverem sido prestadas por terceiros. com causa distinta da dívida estabelecida entre as partes (a compensação. de terceiros garantidores. pode expressamente dispor o contrário. Diferente da cessão. ocorre o ressarcimento da obrigação para o devedor originário.É o modo pelo qual o titular da dívida a repassa. se credor hipotecário nada disser. o imóvel é a garantia da dívida. aquelas que são diretamente ligada à pessoa do devedor. permanecerá. salvo se não impugnar em trinta dias. dá-se o ingresso do terceiro no pólo passivo. o código civil veda apenas aquelas exceções pessoais. pode valer-se dos meios de defesa derivados da relação estabelecida entre ele próprio e o credor. mas considera-se. inadimplementos etc. Nesta hipótese. as garantias especiais não são da essência da dívida e foram prestadas em atenção à pessoa do devedor (fiança. que permanece na relação. assume a posição de devedor. salvo se ele tinha conhecimento do defeito que inquinava o negócio.e. exceto aqueles que derivarem posteriormente à assunção ou que lhe forem personalíssimos. nesses casos. Na assunção. via de regra. porém. no caso que a garantia for hipotecária. Tudo isso vem exposto nas breves palavras do caput do artigo 299. pois o passado é apagado. 299 fortifica a ideia de que se o credor notificado permanecer silente. sem extinção da obrigação. também do terceiro que tiver prestado a garantia. em alguns casos. i. na assunção. assuntor e credor. tal ideia inexiste. Pode ser.). ocorre a liberação do primitivo devedor. Neste caso. Se o devedor ignorava a insolvência do novo devedor. Na cumulativa. transfere-se tudo ao novo devedor. que veda a aceitação tácita. cumulativa ou liberatória. Os meios de defesa do antigo devedor transferem-se ao assuntor. Art. o credor hipotecário ingressará. apesar da transferência tratar da parte devedora. será tal ato entendido como recusa. mostra-se como requisito a solvência do atual devedor. estranho à relação obrigacional. Na assunção de dívida interessa saber sobre o patrimônio do devedor.e. a diferenciação entre cessão de crédito e assunção de débito. o credor pode aceitar o novo devedor insolvente. não fica desvinculado o antigo devedor. Logo. é claro ao dizer que o novo devedor não oporá as exceções pessoais do devedor anterior. O art. O Parágrafo único do art. Pois bem. hipoteca de terceiro). que haviam sido exoneradas pela assunção. a primeira hipótese. nessa assunção de dívida. logo. logo. ele fixa que. se nele mais confiar que terá seu crédito satisfeito. Consiste numa exceção àquela regra. É o negócio jurídico pelo qual um terceiro. Contudo. por exemplo)..

se o locatário. ou o pleito da dívida. há que se provar. desfazer com o seu cocontratante o primeiro negócio e conseguir que ele o refizesse com o terceiro interessado na transferência. visto que está garantido pela hipoteca. se o fez em nome e à conta de Maria. O terceiro do art. com opção de compra do imóvel. No caso de sub-rogação. é a consagração do parágrafo único do artigo 304. haverá dois caminhos: a doação. e este imóvel é a garantia. investe na qualidade de locatário DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DO PAGAMENTO DE QUEM DEVE PAGAR Conforme o art. o credor não tem porque não aceitar a assunção. Tal figura apresenta uma vantagem prática. seu novo credor. é a transferência da parte ativa e da parte passiva de um contrato já ultimado. que nos interessa de perto. José se mune de todas as garantias que o antigo credor tinha contra Maria. Paga por interesse afetivo. se João tenta firmar o seguinte recibo com o credor: ³recebi de João o pagamento referente a dívida de Maria´. José não se sub-roga na posição credora. CESSÃO DA POSIÇÃO CONTRATUAL Também chama de cessão do contrato. transferindo a divida de Maria para José. só não é jurídico. salvo se outras forem as objeções. i. liberando Maria da dívida. o credor tem o direito de recusar. outrossim. não poderá. então hipotecária. vejamos. Caso o credor aceite. recusar o pagamento. somente . sem justificativa. paguei para reanimá-la. Consiste numa maneira pela qual há a transferência das obrigações. o terceiro tem direito de pagar. se o terceiro efetuar o pagamento em nome e à conta do devedor. mas de execução ainda não concluída. 304.seu valor. não está fixada no código. A única diferença. Ilustradoramente. José celebrou o pagamento em nome e à conta de Maria. ³Maria estava abatida. ao credor não caberá a prerrogativa de recusar. não podendo o credor. Se. haverá a sub-rogação em favor de José. por este ato. o qual. Todavia. melhormente falando. onde deposita a quantia em juízo. do pagamento. celebrou pagamento com recibo nominal à Maria: ³recebi de Maria o pagamento da dívida´ . 304 é o terceiro juridicamente interessado. visto que o parágrafo único contempla esse fato. visto que aceitou o pagamento em nome de Maria. cabe ao credor a ação de consignação. 305 trata do terceiro que não é juridicamente interessado. vindo o artigo 305 lhe subsidiar. intervindo. mas. onde uma pessoa que deseja a outrem seus créditos e débitos o faça sem necessidade de que se celebre um novo contrato. Pois bem. Em melhores palavras. todavia. Assim. que não poderão ser arbitrárias. O credor pode se recusar recebimento advindo do terceiro não interessado juridicamente. caso que o legislador lhe deferiu trinta dias para impugná-las.. são as vantagens que o antigo credor tinha. há doutrina que apregoa que atos gratuitos não se presumem. Neste caso. O art. comprometendo-se paga a respectiva dívida. Caso recuse. pode transferir a inteira posição contratual a seu sucessor. porém.e. mas quero meu dinheiro de volta´. moral. ilide a assunção. Pois bem. se dada pessoa adquire uma imóvel. Há doutrina que se presume a doação.

O art. buscar as reparações cabíveis do devedor que entregou o que não lhe pertencia. o respectivo artigo impõe ao devedor que prove que o pagamento se reverteu em benefício do credor. ainda que mais valiosa. porém. O credor putativo. O artigo 313 fixa que não se pode receber coisa alheia à aventada. o incapaz que age naturalmente. Todavia. não tendo procuração. O artigo 307 traz a regra do pagamento feito com propriedade alheia. ou seja. O artigo 311. ou seja.. poderá. fez pagamento regular. nesses casos. Se considerar-se de fato. Há hipóteses que não é-lhe pago diretamente. mas não é o único. DO OBJETO DO PAGAMENTO Consiste na entrega da prestação. i. ainda que não se revista de solenidades. e fornecimento do objeto torna-se impossível. a prestação pecuniária é o principal objeto de pagamento. autorizado. a ponto de tornar válido os pagamentos. o pagamento é válido. Se dada pessoa entrega o que não é seu como forma de pagamento. a quitação revela-se como autorização válida para pagamento. ainda que haja culpa do dono. entrega de um bem imóvel ao credor. DAQUELES A QUEM SE DEVE PAGAR Segundo o art. visto que. habitualmente. coação etc. P. pode ter sido vítima de assinatura falsa. que demostre a representação regularmente. é aquela pessoa que se apresenta como legítima credora. O art. notadamente. admite que o representante se mostre como tal com a apresentação da quitação. i. mas a um representante. considera-se a dívida paga. se fez o pagamento ignorando o fato da incapacidade e não havia meios como saber. o credor putativo não é o verdadeiro. adimplindo sua dívida. 208.e.. exposto no art. 310 trata do credor incapaz.e. cabendo ao terceiro. se o dono do posto de abastecimento combina o fornecimento de álcool mensalmente a uma frota de táxis. Apresentará os motivos de resistência ao terceiro que efetuou o pagamento. notadamente. sendo substituído pela mesma quantidade. se resolverá em perdas e danos. com recibo. faz pagamento válido. o credor deverá devolvê-lo. Notese: a habitualidade influiu.. Se for fungível. opor as suas exceções pessoais.poderá cobrar o montante e a respectiva atualização monetária. a aparência deve ser suficiente e o credor verdadeiro deve ter contribuído para tal suposição. há um credor putativo. e tal bem é infungível. quem recebe é o credor.ex. pois. A sub-rogação se reveste com o interesse jurídico. o fato e o comportamento aparentaram. Se. Se determinado devedor entrega. sem ônus nem bônus para . 306 trata do pagamento feito com desconhecimento do devedor. pelo credor. assumiu um risco. não poderá reclamá-la ao credor que a recebeu de boa-fé. denota pagamento válido. protege-se a boa-fé. que era o verdadeiro proprietário. mas se o credor real contribuiu para que assim parecesse. se notório for o abuso do direito. ou contra sua vontade. O devedor pode não querer pagar porque tem interesse no não pagamento. via de regra. Há dois tipos de credor que são tratado pela lei: o putativo e o incapaz. mister se faz. se for terceiro interessado. Se o paga por intermédio do seu representante. Neste último caso. a quantia para o irmão do verdadeiro credor. fixando que o devedor não ficará obrigado a reembolsá-lo. e é claro ao afirmar isso. ao pagar absolutamente incapaz. se se provar que tinha interesse jurídico se sub-roga nos direito do credor. esse dispositivo não valerá. pagou diretamente ao incapaz. 309.

a equidade. mediante pagamento de remédios.. desde que justificada. mediante ação de consignação. afastando-se. Ora.ex. se pagar errado. dever pagar duas vezes. No 317 enxerga-se a teoria da onerosidade excessiva. são aplicadas as respectivas correções. que inutilize o título perdido´. como correspondências físicas ou eletrônicas. Se. faz presunção do pagamento das anteriores. não há motivos para recusa da frota. feito em outro lugar. o recibo. Pois bem. No art. qual seja. a aposentada que. e este for cientificado. 321 trata da perda do título particular. 316 permite a estipulação de variação incidente sobre o pagamento. sem recibo. há que se depositar em juízo. que soam claros. in fine: ³poderá exigir declaração do credor. assim. cabendo aos credores provar o contrário. V. 322 admite que o pagamento da última prestação. Podendo. Caso contrário. por exemplo.g. 319 temos a exigência do instrumento que quita a prestação. o devedor. que se prolongue no tempo. Denomina-se ³dívida portável´ se houver estipulação de que competirá . porém. reter o pagamento até o momento que lhe for oferecido a quitação. O art. diverso do aventado. se se depositar o dinheiro na conta do credor no dia de chuva que impossibilitou a locomoção até o domicílio do credor. que não passa duma presunção. soa clara a solução do art. e. 187 do CC (abuso de direito). por motivos imprevisíveis. paga-se no domicílio do devedor. é válido nessa circunstância. onde a cada mês surge uma nova dívida. 314 deve ser analisado sob o mesmo prisma. Porém. No art. sob pena de incorrer no art. sob pena de. Havendo mais de um interessado no pagamento do devedor. orçamentos etc. porém em gasolina. portanto. Destacando-se. foi acertado alhures. há que haver início de prova. porém. se tomarmos como problema de fundo as circunstância que levam ao pagamento fracionado. temos a ³dívida quesível´. dessa forma. não podem as partes alterar. 304).g. com a perda do título de crédito. uma dívida certa com parcelas regulares. o que aventou na integralidade. há que se aceitar. DO LUGAR DO PAGAMENTO Fica ao alvedrio das partes. deferindo ao juiz a prerrogativa de descobrir a quem pertence de direito. da reserva condominial. Se aplica em qualquer obrigação que perdure. que reclamam juntamente o pagamento.nenhuma das partes. ressalvando-se. prova-se com testemunhas. Se o pagamento efetuado. for inferior a dez salários mínimos. esse preceito trata daquelas prestações que foram assumidas juntamente. enriquecimento ilícito. Se silentes. Não há que se pormenorizar os artigos seguintes do objeto do pagamento. por fim. nesses casos. se houve impossibilidade de efetuar o pagamento no local aventado. como é o exemplo das letras de câmbio. O artigo 318 veda qualquer avença feita com índice ou moedas estrangeiras. Vejamos o artigo 312.. salvo caso fortuito. impossibilita-se de pagar conta de luz. O artigo 320 estipula o conteúdo do instrumento de quitação (relaciona-se com o terceiro interessado.. há que se verificar o uso do direito. O art. A correção monetária é presenta na lei brasileira. O pagamento. tornou-se desproporcional. P. art. as exceções previstas em lei extravagante. deverá fazer o depósito em juízo. de prestações periódicas. em partes. visto que. até em sentenças.. ele apregoa que ninguém será obrigado a receber. Ora. Consiste na possibilidade reequilibrar o contrato que. O art. se o locador falece e o locatário se vê frente à viúva e os herdeiros.

é o já referido no art. e.. A irá levantar a quantia e a obrigação estará extinta. 890 e s. em caso de mora do credor.ao devedor oferecer pagamento em lugar aventado. a justificativa deve ser expressamente justificável. ³é o querer pagar´. Pois bem. c) ocorrer dúvida sobre quem seja o legítimo credor. não havendo anuência do credor. Cumpre ressaltar. nos casos em que o devedor se vê impossibilitado de pagar ou o credor. B deverá pagar a diferença (R$ 500. do CPC. exonerar-se do liame obrigacional. Porém. Ela serve para suspender os efeitos da mora. Casos legais de consignação: a) houver mora accipiendi (do credor) (dívida portável ou quesível). Da mesma forma. 334 ao 345 tratamos do pagamento em consignação. a consignação dá-se no momento em que se disponibiliza ao credor o bem. é saber o que é consignação e para o que serve.g. b) o credor for incapaz de receber. a disponibiliza-se em juízo. que não há como consignar obrigações de fazer e não fazer. O artigo 335 traz o rol de cabimentos para a ação de consignação. porém. Se.: B deposita judicialmente dez mil reais. onde o magistrado nomeará um depositário para aguardar a sentença. que ratificará o fato justo: o não recebimento por parte do credor ou o pagamento por parte do devedor.. suspende-se os efeitos da mora. vendo-se impossibilitado. quando o comportamento é capaz de induzir a um local costumeiro. Seis meses depois o magistrado decide que o valor depositado por B estava correto. . d) pender litígio sobre o objeto do pagamento entre credor e terceiro. Por outro lado. isto é. O que nos importa. sem justa causa. vale dizer.00) acrescido de juros contados desde o dia em que B depositou em juízo. 314 (supra). Dessa maneira. porém.ex. DO PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO Do art. Neste caso. se o magistrado decide que B deveria ter pago dez mil e quinhentos reais. consistente no depósito judicial (consignação judicial). p. ilidindo a regra do 314. Melhormente especulado nos arts. o feito em estabelecimento bancário é atinente a quantias pecuniárias. vejamos. Se for bem móvel. cumpre ressaltar. Caso em que. Um exemplo claro. nos casos e forma legal. que o efeito fica suspenso até a emissão da sentença. Ora. ou em estabelecimento bancário (consignação extrajudicial) da coisa devida. se recuse a receber. em verdade. devedor que se obrigou a pagar à vista. sendo uma etapa prévia à consignatária. É o meio indireto de o devedor. o devedor pode depositar em juízo a parte que oferecerá. Consignação é um dispositivo oferecido ao devedor que quer pagar. O depósito judicial é relativo a quantias ou coisas certas ou incertas devidas. Ex. ferindo a subsistência do devedor. apesar de acordarem que o devedor levaria o pagamento ao domicílio do credor este o busca todo mês no domicílio do devedor. em poucas palavras. se houver mudança tácita do local de pagamento. oferece pagamento parcelado. DO TEMPO DO PAGAMENTO Conforme o estabelecido entre as partes.

remetemos ao art. paga-o de fato. investido nas mesmas garantias. subsiste para o devedor. Na sub-rogação legal não há manifestação de vontade. nada pode o devedor fazer se o seu credor vendeu o crédito (na hipótese em apreço trata-se da circulação de crédito). portanto. mesmo porque. nada obstante ter pagado ³menos do que devia´ (mas quitou a dívida com o credor). i. se ele inadimple. 350. poderá convencionar qualquer outra prestação com o devedor. da mesma forma que pode recusar doação. assume a posição credora. sub-rogando-se na posição credora. i. Logo. se determinada pessoa pagou somente para não executarem o . para o inquilino não correr o risco dessa execução. 346. mas. faculta a possibilidade de sub-rogar. se resume assim: sendo a sub-rogação feita de maneira legal. Vale dizer. que pagou satisfatoriamente o credor. vale dizer. paga o credor. ocorrendo inadimplemento. que garantiu o pagamento. sendo ela (a sub-rogação) feita convencionalmente. em poucas palavras. notadamente. Porém. o importante e interessante encontramos aqui. extinta para o credor originário. consta que o bem foi hipotecado. O art. aquele que lhe pagou ou lhe permitiu pagar a dívida´. Ilustrando: o credor executa o locador (este é o devedor da obrigação). o locatário pode pagar a dívida e evitar o risco da execução. que. Se a mediadora. é ³a transferência dos direitos do credor para aquele que solveu a obrigação. quando o locador dum imóvel é devedor. confere-a a outrem. onde. Todavia.. De início.. que passa a ter por credor. na cessão. 348. penhor resulta de uma execução determinada. diferentemente da cessão. por um juiz). A obrigação pelo pagamento extingue-se. 347 trata da sub-rogação convencional. mediante inadimplência do inquilino inadimplente. Em decorrência disso. II. 346 traz a hipótese do bem imóvel com garantia hipotecária. não há maiores entraves. tornando-se titular da posição credora. como vê-se o art. visto que paga o que couber a cada um. investe-se nos direitos do antigo credor. visto que. ou seja. as duas formas de sub-rogação. tratando de sub-rogação convencional. ele fica vinculado ao pagamento da dívida. aqui o dispositivo da sub-rogação legal entra em cena. o comprador do imóvel pode pagá-la. Ou seja. poder-se-á convencionar que. Sub-rogação é o modo pelo qual. este bem pode ser vendido. portanto. ³contrata-se o pagamento de uma dívida´. a lei dispõe sobre a transferência. o legislador dispõe que aplicam-se as regras pertinentes à cessão. convenciona a sub-rogação com o proprietário do imóvel. o inadimplemento do devedor ameaça a propriedade do imóvel. no registro público. O inciso II do art. se o terceiro que negocia a compra do imóvel com o devedor descontando o valor da dívida. O artigo 350 é taxativo ao fixa que o assuntor da sub-rogação legal só poderá exigir (cobrar) o valor gasto. a respectiva parcela do devedor (de quem comprou o imóvel) e a do seu credor (que tinha o imóvel como garantia). penhora-se o bem em questão (hipoteca resulta de um contrato. ou emprestou o necessário para solvê-la. a legal e a convencional.e.e. este imóvel. O terceiro pode impedir. Da mesma forma. o sub-rogado só pedirá o que desembolsou para a respectiva prestação. a sub-rogação é também forma de alterar a pessoa. terceiro. vale dizer. Lembra cessão de crédito. foge à alçada do art. Na clássica lição de Clóvis Beviláqua. A hipoteca vincula determinado bem como garantia de uma obrigação. Ocorrendo isso. em virtude da sub-rogação. sub-rogando-se nas garantias do antigo credor. em vez de ser hipotecado. Vejamos.DA SUB-ROGAÇÃO Substituição de uma pessoa por outra na relação obrigacional. poderá ser penhorado (apreensão do bem para o pagamento da respectiva dívida). Pois bem. mas não o é. a dívida. que outra pessoa pague sua dívida. portanto. Note-se. in fine.

000 respeitante ao aluguel do apartamento que é da ex-esposa. Também o significado de ³vencido´ nos interessa. só recebe o que foi gasto.e. em seu Código Civil Comentado. o artigo 355 soa categórico. qual seja. Com isso. floresce-se uma terceira. 352 e s. figura um credor de duas dívidas vencidas do mesmo devedor. pode-se convencionar com o devedor. o devedor escolherá qual deve ser paga (regra do art. O caso em apreço. admite-se que ele anuiu à imputação feita pelo credor. a lei considera que foi paga a mais gravosa (conforme o art. que teve seu veículo danificado. sem ter extinto os deste. assumiu a subrogação. atenta que tal dispositivo fixa que. 352). Grosso modo. afinal. transfere-se para o mutuante direitos de extensão igual ao do credor originário.imóvel. vale dizer. soa óbvio. Em remate. ³ele abriu mão do direito de escolha (art.000 referente alimentos e R$ 1. Na hipótese do art. o causador não terá que pagar para a seguradora. Beviláqua. e deposita somente um mil reais. DA DAÇÃO EM PAGAMENTO . dessa maneira. 353). em decorrência. Se há dívida vincenda que incide juros. DA IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO ³É a escolha de qual dívida pagará quando houver mais de duas já vencidas´. por mês. se elimina-se nalguma hora. na hora que se prove do ³recibo´ mantém-se silente.. De início. prerrogativa esta que. pela lei. eliminando. é considerada como anuência à imputação feita pelo credor. R$ 1. utilizando-se do dispositivo do 347. se não limitarem os direitos do sub-rogado na sub-rogação convencional. em outras palavras. primeiramente o juros. o capital. o devedor pagará qualquer uma delas. em virtude de sua natureza mais gravosa (incide prisão sobre dívida de alimentos). para saber-se qual será a primeira a ser paga. vejamos. O artigo 354. e a seguradora também o fez (reembolsou os prejuízos do vitimado). Em face dessas duas formas de escolhas expostas acima (devedor. romperia a intenção da respectiva cláusula contratada. 351. paga-se primeiro o juros. ou credor. quita-se. I. não sendo o pagamento total (i. escusando-se da regra do art. que quer significar ³prestação que já sabemos o valor exato. não legal. tendo. se transfere com sub-rogação convencional. ³passível de ser exigida´. no capital que incide juros e. na existência de duas dívidas do jeito supracitado. Esses artigos servem exatamente para isso. por regra. em tais circunstâncias. pois esta foi sub-rogada. sem obste de pagamento (pronta para pagar)´. tendo esse preferência em relação ao sub-rogado. considera paga a prestação de pensão alimentícia.. o devedor tem a prerrogativa de escolha. Assim. i. se o causador do acidente de trânsito paga a vítima. 350. fixado nos arts. por fim. vale dizer. por decorrência).e. Em vista do parágrafo anterior. vemos que o primeiro pagamento é feito ao credor originário. O primeiro critério fixa que. se não objetou (contrapôs-se). Ilustrando a hipótese. conforme o exposto. porém. se o devedor somente oferece o valor e. visto que. escolher na hora em que emite o recibo. papel secundário em relação ao segurado (credor originário). que pode.. só terá disponibilidade de cobrar o valor desembolsado. se um marido deve pagar. contraiu empréstimo para pagar parcela da dívida). se recebeu a dívida e nenhum deles estipulou o que recebia/pagava. 355 do CC). cumpre destacar a significação da palavras ³liquidez´. A título de exemplo.

se não vier expresso. O vício redibitório é o vício ou defeito oculto da coisa recebida. firmado novo prazo para cumprir. vale dizer. que extingue o vínculo entre as partes (a dação é satisfatória. Quanto à dívida prescrita. é convencionado que assim será (quitação da dívida anterior com outro objeto de prestação). recai sobre a dívida vindoura. se. qual seja. ainda que mais valioso. entra em cena a dação. vende-se o bem e perde-o por decisão judicial. em virtude disso. Se faz dação com vício (imóvel com pendência). substituída por uma nova. um negócio celebrado por incapaz é nulo para sempre. Quando há prestação em aberto (dinheiro. Por fim. 357).. considera-se quite o pagamento. já existente antes da celebração do negócio jurídico. a evicção. após a venda. em razão de contrato comutativo. a troca de um dívida por outra. ele é nulo para sempre. tanto para um como para outro (art. 169. 356 a 359 do CC. é a garantia que o vendedor dá. a novação. visto que se estaria convalidando um negócio nulo. Isto é. caminho diametralmente oposto da dação. pelo adquirente (comprador que recebeu a garantia da evicção). Frise-se. A primeira obrigação desaparece. é aquela que ³não se pode pagar. considera-se novação. se o negócio é anulável (art. há confusão . Todavia. o ato de financiar é o animus que caracteriza a novação: a troca de um dívida (pagamento à vista) por outra. e. sob o prisma do art. conforme a jurisprudência deste instituto. Ora. pode utilizar-se deste outro modo de adimplemento. cabe novação. em verdade. que fica pendente (pagamento financiado). em consonância com o primeiro. um negócio válido. ainda que com outro vínculo). já vista.ex.). Numa novação subjetiva há a alteração de uma das partes. há que se aplicar à dação. extingue-se o vínculo entre elas. que caracteriza evicção ou vício redibitório. ela (a dação) se desfaz. Regra consagrada. porém. v. então. que a impede que seja utilizada ou a torna desvalorizada (art. i. Um segundo requisito. não cumprirá de imediato. extinguindo o anterior. é. sobre o artigo 367). Ora. se ele o evidenciar. desfaz-se o liame obrigacional integralmente. e. se as partes foram silentes (não estipularem os valores remanescentes). pode constatá-lo implicitamente no instrumento pelo qual se deu. 206). entretanto. A dação livra as partes reciprocamente consideradas.) e ela é trocada pelo bem dado (imóvel. 171). não cabe novação sob negócio nulo. pode-se efetuar a novação. a novação subjetiva e a mista. ora. Há. reforçar juros ou garantias não caracteriza novação.g. Até agora vimos a novação objetiva.. vale dizer. Daqui surgi importante consideração. A simples refixação de cláusulas no contrato não caracteriza novação. vejamos cada uma delas. 172 (de acordo com a súmula 296. a novação perdura. tornando-o.e.. em face disso. total ou parcial. segundo o art. embora de forma diferente.e. Nos dois casos se desfaz a dação. Anulidade dum negócio jurídico não prescreve. DA NOVAÇÃO Substituição de dívida não cumprida por outra obrigação igualmente não cumprida. temos a novação. com outra prestação (objeto)´. Se faz-se novo acordo. ao financiar pagamento atrasado. i. resultou em perda da coisa. Pois bem. visto que contraiu processo judicial do qual. p. de anulável. Terceiro requisito evidencia-se com o animus de novar. No caso da evicção. que continuará pendente.Dação é derivação do verbo dar. a nova dívida deve ser válida também. se pode se pagar uma dívida prescrita.g. casos em que mantém-se a mesma prestação.. qual seja. expressa ou tacitamente considerado. O primeiro requisito para a novação é que a dívida deve ser válida. se se aplica tal procedimento à compra e venda. temo-la prevista nos art.g.

esta deverá anuir. em seus incisos. DA COMPENSAÇÃO Consiste no meio de extinção das obrigações pelo encontro de dois créditos recíprocos entre as mesmas pessoas. São requisitos da compensação a reciprocidade das obrigações (duas pessoas devedoras uma da outra. ressalvando-se seus requisitos. arts. perdura. fundada na confiança. Entretanto. é objetiva (alteração do objeto da prestação) ou mista (alteração do objeto e de uma das partes. a troca do objeto da prestação e de uma das partes. A dívida se extingue com a confusão. não imperando o dispositivo da compensação. 368. salvo no caso que as partes estipularem contrariamente. e a convencional. O art. Há dívidas que não são compensáveis. visto que o herdeiro pagará para si mesmo. trazidas pelo art. frise-se que o 372 admite o estabelecimento de novo prazo. não permitindo compensar dívida se obteve o dinheiro para quitação subtraindo-o do credor. desaparecem. DA REMISSÃO Do verbo remitir. art. 368. Esta caracteriza-se quando as posições de devedor e credor recaírem sobre a mesma pessoa. Por fim. a destina seu patrimônio (herança). sem a exigibilidade da má-fé. art. não há que se falar em pagamento. há. frise-se. O inciso I trata do dinheiro advindo de ato ilícito. compensar empréstimo com indenização). não se compensa. Se determinada pessoa contrai empréstimo com uma pessoa que. simultaneamente. visto que a garantia é dada tendo a pessoa do devedor como pano de fundo. Novação. 373. Equipara-se à doação. que depende do acordo entre as partes. 299 possibilita a mesma ação (de regressão). pois que sua finalidade é a subsistência duma das partes. compensando-se de pleno direito. Sem maiores complexidades. simultaneamente). A automática está fixada no art. 364 estabelece que os acessórios e garantias. é inócuo. se houver remanescente.. . a legal. DA CONFUSÃO. a liquidez (valor certo.g. e. a fim de compensar) e a fungibilidade dos créditos (as dívidas devem ter a mesma natureza. a herança pagará a própria dívida. 363 exige a má-fé do devedor antigo para que se tenha direito à ação de regressão.com a assunção de dívida e com a cessão de crédito. Se a garantia envolve terceira pessoa. em verdade. 369. após a morte. portanto. 381 e s. A compensação opera-se até o valor que se aniquilam. na novação. manifesto quanto a sua existência e delimitado quanto a sua extensão) e a exigibilidade das dívidas (vencidas. O art. Na novação mista. Se umas das obrigações é de alimento. O inciso II obriga o contraente de comodato a devolver a coisa. É inútil adentrar no estudo do art. Há duas espécies de compensação. que se dá automaticamente. Uma dívida anula a outra. consiste no perdão da dívida. somente requerendo que o credor ignore o estado de insolvência do atual devedor. 363. A compensação convencional se dá através dum contrato entre as partes. mister se faz que haja a aceitação do devedor. o art.

estendidos a todas as despesas. Vale dizer.ex. 390 traz a hipótese da obrigação negativa. porque o adimplemento da obrigação ainda interessa o credor. por sua vez.ex.. e o inadimplemento relativo. o beneficiário (o . e desfazê-lo somente suspende a mora. mas não descaracteriza o descumprimento: descumpriu. se construir acima do limite que aventou não fazê-lo incorreu em mora. 375. é sustentada pela jurisprudência do art. os objetos de trabalho (a sua finalidade é sustentar o indivíduo) etc. Se o beneficiário causa a lesão. visto que o terceiro. é exemplo clássico da exceção à regra do 391.ex. frise-se. invade os bens do devedor. Quanto à renúncia. visto que fora aviltado pela inflação. inadimplemento absoluto. O absoluto pode se caracterizar pela não entrega dum imóvel pronto e o relativo pela não entrega dum imóvel que está sendo feito. 380 veda a compensação que seja prejudicial a terceira pessoa. não poderá efetuar o pagamento ao seu credor nem opor a compensação ao exequente. Segundo o 392. se. Os arts. 389. paga-se o uso do patrimônio alheio. Quem descumpriu com o dever irá recompor o prejuízo experimentado injustificadamente pelo outro. ³Correção monetária´ significa ³corrigir o valor da moeda´. agora. por intermédio do juiz. para compensar a dívida com seu credor. quando uma pessoa aumenta seu patrimônio sem nenhuma contrapartida. teve dispêndios com aluguéis. visto que. não se restringe ao valor da sucumbência. p. assim como outros bens. 392 e s. onde o devedor fica em situação de descumprimento. 649. A regra contida no 391 não é absoluta. p. que fixa um rol de coisas incompensáveis. paga-se os valores com o acordo. vedam a possibilidade de compensar). estaria prejudicado. não há que se vigorar isso. Frise-se. v. por exemplo. varia o tratamento para com cada uma das partes (doador / recebedor). às manifestações de vontade que afetam o mundo jurídico. Veja.)..g. fica vedada a compensação desde o momento que o objeto adquirido pelo devedor tenha sido penhorado contra o seu devedor. Lei 8009/90. vale dizer.. for objeto de penhora por terceiro.. segundo o qual não há mais como satisfazer a obrigação. ainda que leve. embora. i.o inciso III remete ao art. essa interpretação dos honorários advocatícios. P. aplicam-se ao negócios jurídicos. como. Fixa o artigo que. P. O art. mas se estende a todos os gastos havidos com a ação e aqueles honorários oriundos do contrato. ³Juros´ quer significar o ³fruto do capital´. quais sejam. o dinheiro gera riquezas (frutos civis). O art.e. ainda que por erro leve (tapar o retrovisor. Contratos benéficos significa ³negócio jurídico gratuito. acrescido das respectivas incidências decorridas do descumprimento. a fim de adimplir a dívida. vem no art. se o bem adquirido pelo devedor. exequente. por vezes. Inadimplemento é um gênero: não entregar a coisa devida. Em suma. é caracterizada a inadimplência no momento que o faz. inclusive. por o atrapalhar a atenção. ³Honorários de advogado´. por gentileza. os bens de família. o devedor inadimplente deverá torná-lo indene. em face da penhora. pois. que não recebeu o imóvel. sendo obrigação de não fazer. sendo admitida previamente à anunciação da compensação (antes de celebrarem) ou se de outra forma convencionaram (no momento do contrato. ou ela não mais interessa ao credor. o faz envolver-se em acidente. se o comprador. Este instituto fixa que o Estado. 392 traz a ³regra do carona´. dada pessoa dá carona a outrem que. se não houve gastos com advogado.ex. O art. A lei que estabelece os bens de família. responderá ele por perdas e danos. Divide-se em duas espécies. havendo dano em negócio jurídico gratuito. DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES Em caso de descumprimento da obrigação o inadimplente deve indenizar.

se não estivesse em mora. não é limitada ao conceito de atraso. ainda que por motivo de caso fortuito ou força maior. conforme o art. também chamada de mora solvendi. É inegável. dos quais três são absolutamente indispensáveis. Os pressupostos para a mora do credor. 394 fixa que mora é descumprimento da obrigação que ainda pode ser satisfeita. ver-se-á que não há que se indenizar. O credor não precisa incorrer em culpa para se caracterizar a mora. Quem estabelece a exclusão do requisito culpa é a lei. vale dizer. para o devedor. Se o devedor encontra-se em mora. ele prevê a exclusão do dever de indenizar. Isso vem consagrado na súmula 145. Somos acostumados a dizer que ³mora´ é o mesmo que ³atraso´. dependendo das circunstâncias. o dano). visto que ao credor ainda interessa o pagamento. DA MORA O artigo 394 abre o capítulo da mora. mas este é o elemento ³dispensável´ em determinados casos). depende da comprovação da oferta. 3. com comprovada interpelação do devedor. quanto para o devedor. agora. aquele fato criado por terceiro. . não terá o dever de indenizar. Por outro lado. são: 1 dívida líquida e vencida. tanto do credor. qual seja. O dever de indenizar decorre de quatro requisitos. chamada de mora accipiendi. 2 oferta de pagamento pelo devedor. Portanto. força que modifica o mundo exterior). por exemplo. o inadimplemento pode ser superado. 1. Os pressupostos para a mora do devedor. pelo perecimento do objeto. e. hoje sendo dia quinze. como o furacão. a mora do credor é o não recebimento.g. no dia do cumprimento. o acidente que não podia ser razoavelmente previsto. frise-se. decorrente de forças naturais ininteligentes. se o motorista. Quanto ao art. Mora.. 399. caso seja determinado pelo juiz que o fará. 2 inexecução culposa (note-se que aqui os pressupostos se afastam. impedindo a execução da obrigação. vejamos. embora. porém. e 4. responde. Pois bem. o nexo causal entre a conduta e o resultado (dano). A leitura do art. são: 1 dívida líquida (com valor determinado) e vencida (exigível). em tais circunstâncias falta um dos elementos indispensáveis ao dever de indenizar.e. Posto isso. envolve-se em acidente que causa lesões ao carona. que se recusa a receber injustamente. o credor não pode invocar caso fortuito ou caso fortuito. está-se em mora. que retarda ou cumpri imperfeitamente. Há determinados pressupostos para se caracterizar a mora. qual seja. e 3 recusa injusta no recebimento (recusar pagamento parcelado não é mora. independentemente de culpa. lhe entrega uma com quatro. que a boa vontade do devedor não pode vencer. não incorreu em mora). está ele em mora. Enxergando caso fortuito. que ofereceu carona. porque a inexecução não culposa o isenta da mora). dano (prejuízo injustificável). 3 interpelação (aviso ou advertência ao credor de que se deseja adimplir a obrigação) judicial ou extrajudicial quando a dívida não for a termo. ou de força maior. nas obrigações de fazer: se se avença com um marceneiro que lhe entregue uma mesa de mogno com três pés e. Em remate. acrescido das respectivas incidências. culpa (na maioria dos casos a conduta deve ser culposa.. pois ao credor ainda interessa o pagamento. i. nexo causal (entre conduta e o resultado.. para justificar a mora. 2. Se não se pagar o aluguel com vencimento para o dia dez. porém. conduta (ação ou omissão. 393. a tempestade etc. como acontece no assalto. a mora do devedor é o não cumprimento/cumprimento imperfeito culposo.carona) terá o dever de indenizar. a culpa é requisito indispensável para o estabelecimento da mora. no direito civil não. pois enquadra-se. Há diferenças em relação à mora de cada um (devedor/credor).

de não fazer. data pré-estabelecida. onde se arbitra o valor. 398. 407. porque. se aconteceu depois da mora. Segundo o art. dá-se a mora do ato ilícito desde a conduta causadora de dano. salvo se haver cláusula penal. gastou com aluguel). os lucros cessantes só são devidos se previsíveis no momento em que a obrigação foi contraída (se o dono da gráfica aventa o recebimento duma nova máquina que substituiria uma que falhara há lucros cessantes se ocorrer o inadimplemento do devedor. têm só o aspecto positivo. os juros de mora incorrem sobre o inadimplente desde a citação. nas obrigações negativas. como havia a máquina anterior. tendo como juros a remuneração sobre o capital em questão. a mora é tida desde o fazimento da respectiva abstenção que fora prometida. 404 inova ao permitir que o juiz conceda indenização suplementar. todavia. porém. ainda quando a obrigação fosse desempenhada oportunamente´. os juros de mora incorrem desde a citação. DAS PERDAS E DANOS Do art. se o credor encontra-se em mora. O parágrafo único do art. Em suma. a figura do dano emergente e do lucro cessante. seja porque teve seu patrimônio depreciado (não fora colocado o telhado duma casa e. Cumpre destacar. Por lucros cessantes entende-se o bloqueio duma soma. para o correto cumprimento. trazidos no art. dado o inadimplemento do devedor. seja porque teve aumento em seu passivo (não recebeu a casa na data prevista e. se molhou e apodreceu). valor determinado. por conta de chuva. dívidas que não têm liquidez. porém. comprovando que o juros de mora não são suficientes à cobertura dos prejuízos. O art. tudo bem. se o comprador iria inaugurar a loja. a partir deste momento. salvo se o devedor provar que não teve culpa no atraso da prestação ou que o dano ocorreria. aqui. que. não há falar-se em lucro cessante. 402. A atualização monetária corrige o poder de compra da moeda. o devedor não responderá pelo caso fortuito ou força maior. Há. caso em que a constituição da mora é automática. nas obrigações positivas. conforme o art. se os juros revelam-se insuficientes ao reestabelecimento do statu quo ante. não indeniza). Ressalta Beviláqua. não tendo a liquidez.não teria mais obrigação de dar. é lucro hipotético. teve que refazer o forro. . que ³no caso de mora o caso fortuito ou de força maior não escusa. salvo disposição contrária da avença. frise-se. em virtude disso. E os honorários advocatícios são indenizados também quando há inadimplemento de obrigação pecuniária. pois não houve lucro. que é a diminuição potencial do patrimônio do credor. 404 fixa que juros são pagos independentemente de prejuízo. pelo lucro que deixou de auferir. 400. 402 ao 405 tratamos das perdas e danos. Segundo o art. incide contra o moroso juros de mora. ademais. é possível se calcular os lucros não auferidos a partir do momento que não a recebeu. que integram o valor correspondente às perdas e danos. que figura o prejuízo injustificado. visto que. há que falar-se em indenização complementar. ou a positividade. judicial ou extrajudicial) ou termo final. 397 traz a figura da dívida positiva ± dia certo ± e líquida ± com valor determinado. que deveria entregar a máquina. Geralmente. ocorrendo mora. somado à atualização monetária. O art. Até. serlhe-á ressarcido. aquilo que ele efetivamente perdeu. a mora é caracterizada desde a citação (interpelação. qual seja. é a diminuição patrimonial experimentada injustificadamente pelo credor. já vimos. Dano emergente é uma conta de subtração. o que ele gastar para a sua conservação (da coisa). a data da quitação. não se paga além do 1%. em virtude disso. a título de juros. Há que se saber quando iniciou a mora.

como. caso a mora seja do devedor. sobre as instituições financeiras. pode incidir sobre prestações futuras. que deve intervir no valor da multa. três hipóteses são possíveis. por exemplo. é mal redigido. e pré-fixar a indenização. a partir do momento que se transforma em perdas e danos a . é o quantum a obrigação já foi cumprida. 412. caracterizando-se um pacto acessório. ao tratar da obrigação indivisível. A regra que fixa os juros correspondentes àqueles cobrados pela Fazenda Nacional (a União) é tormentosa. se se cobrar atualização monetária há que se somar aos juros trazidos pelo art. quando a multa ultrapassar o valor da obrigação principal. a taxa Selic deve ser usada sozinha. fixados em 1 %. 412. o estabelecimento de uma suspensão de fornecimento. 407 fixa que o juros satisfazem o lesado e punem o inadimplente. mas não é a única. ou a entrega de maior quantidade. em prestações consecutivas. 161 do CTN acrescido de atualização monetária. 412. 410 transfigura a relação obrigacional em alternativa. acrescida das respectivas incidências (multa e atualização monetária). A cláusula penal. Assim. soa injusto fazer o inadimplente pagar 180% do real valor da obrigação). tida a título de compensação. A segunda maneira é quando. Ora. 411. 411 temos a figura da cláusula penal moratória. a primeira é o caso previsto no art. que traz-nos uma somatória. pois. O art. que é fixada nos casos de total inadimplemento da obrigação. portanto. já se tenha pago 80 prestações. para os casos que há imperfeição no pagamento ou descumprimento relativo da obrigação.ex. A União cobra a taxa Selic. No art. O valor da cláusula penal. portanto. instituto da usura. assim. qual seja. se cobrá-la com o acréscimo da atualização monetária há dupla cobrança desta. ou o cumprimento imperfeito. tanto a taxa Selic quanto o art. consistente na soma da obrigação principal acrescida da penalidade cominada pelo contrato. e a segunda maneira é a cláusula penal moratória. A cláusula punirá e preverá a indenização. é uma pena convencional.. pois só existe em virtude de outra avença. quais sejam. Vejamos. prevista no art. ou se exigirá a cláusula penal. 410. que pré-estabelece perdas e danos. A leitura do art. O 414. a terceira maneira de intervenção do juiz é em todos aqueles casos que a multa for manifestamente desproporcional. Há neles a distinção no que tange obrigação indivisível e divisível. porque é clara. 413 dá uma arma para o juiz. Há duas formas pelas quais a cláusula penal se manifesta: cláusula penal compensatória. que traz somada nela a taxa de juros e a atualização monetária. o critério de redução. afirma que cada devedor responderá proporcionalmente à sua parte pela cláusula penal. houve cumprimento parcial da obrigação (se. incorre na previsão do 413. vale dizer. não excederá o valor da obrigação principal. punir o descumprimento. 414 e 415 é fácil. em caso de mora do credor. para haver multa superior ao valor da obrigação há que ser justificada. malgrado ter respeitado os limites do 412. que abre este capítulo. O art. sendo culpado um só. Por fim. Para tanto. 161 do Código Tributário. Frise-se. cabe-lhes ação de regresso. DA CLÁUSULA PENAL A finalidade da cláusula penal é a prevenção do inadimplemento. o STJ já utilizou-se das duas maneiras de cobrança. porque. ainda que dentro destes limites impostos pelo art. Pois bem.DOS JUROS LEGAIS O artigo 406. exagerada. p. prevista no art. A súmula 596 exclui a incidência deste instituto. totalizadas em cem prestações. tem duas finalidades. revelando-se abusiva. A multa é uma forma de cláusula penal. ou se exigirá o cumprimento da obrigação original. O art. segundo a imposição do art.

418. 419. deverão as arras serem restituídas ou. No art. 420. Nada impede que as partes convencionem a indenização complementar. disso é a entrega. é pago antecipadamente. na 2ª parte. O fundamento das arras ou sinal é a confirmação do negócio em questão. 419 fixa a possibilidade de pedir indenização . mas também o caráter punitivo nela embutido a efetiva. finalmente. não havendo disposição expressa. não é exercício dum direito. com o objetivo de assegurar o cumprimento da obrigação. o acréscimo do valor equivalente. a título de compensação do maior prejuízo. isso o diferencia da cláusula penal. Nesse sentido o art. O sinal confirmatório. Frise-se. em caso de execução. visto que o prejuízo não é seu único elemento de validade. nestes casos. cada um indeniza proporcionalmente à sua quota correspondente. Por outro lado.obrigação é divisível. O artigo 416 estabelece que não é necessária a existência de prejuízo para exigir-se a cláusula penal. nos casos de descumprimento. Em remate. o art. de uma motocicleta. fixando exatamente o valor da indenização. com a prestação original firmada em dinheiro. o descumprimento do contrato. a cláusula penal só é paga no caso de descumprimento. confere o direito de arrependimento. Sendo assim. portanto. fixa o mínimo de indenização no eventual descumprimento. aqui. qual seja. O mesmo artigo. que é um direito pessoal. se do mesmo gênero da prestação final. vale dizer. a parte prejudicada preiteará indenização suplementar. ou. quando ele é parte do pagamento. fixando que. nos casos de obrigação divisível só incorre em pena o devedor inadimplente. DAS ARRAS OU SINAL É a quantia dada em dinheiro. é. Sinal ou arras se aproximam da cláusula penal. 418 e 419 trazem a hipótese das arras confirmatórias. portanto. por outro lado. É o que diz o art. Os arts. fixando a cláusula penal como o mínimo da indenização. por isso. O sinal penitencial. aquela que firma o negócio. A parte que desfaz o negócio é punida porque usufruiu dum direito. pois os outros obviamente cumpriram e. não com a entrega dum bem. se preferir. Em seu parágrafo único trata da hipótese contrária. O sinal consiste num direito real. mas não são equivalentes. qual seja. o credor deverá devolver a motocicleta com o adimplemento da obrigação. pois só se caracteriza se houver a entrega da coisa no primeiro momento. Há dois tipos de sinais. quem as deu poderá ter o negócio como desfeito. 417. além do recebimento das arras. fixa a hipótese da inexecução pela pessoa que recebeu as arras. é vetado ao contraente exigir indenização suplementar. qual seja. O art. conforme a leitura do art. o recebimento das arras. que surge do contrato entre as partes. O 415 fixa que. portanto. que confere o direito de arrependimento às partes. aquela hipótese que o valor da cláusula penal é inferior ao prejuízo. que. O sinal é tido no mesmo contrato. 418. porém. o sinal confirmatório. exigindo. além da devolução das arras. celebrado em contrato. o sinal é idêntico ao objeto que será entregue no final. em sua 1ª parte. Neste caso. a título de arras. é um ato ilegal. provados maiores prejuízos. in fine. com as respectivas reincidências. poderá exigir a indenização suplementar que tem como mínimo o valor das arras. vale dizer. fixa que a inexecução por parte da pessoa que deu arras a sujeita à perda destas. No sinal confirmatório. serem computadas a esta. não há como cobrar mais. ou outra coisa fungível. no cumprir a obrigação. frise-se. não estão sujeito à penalidade da cláusula penal. tem outro aspecto. Ex. temos a hipótese do sinal penitencial (punitivo). o confirmatório e o penitencial. O sinal. da execução do contrato. se não for provado maior prejuízo. é um valor mínimo que pode ser complementado por indenização.

. certo ostracismo do credor. Há uma ressalva exagerada do devedor e. Linhas gerais do direito das obrigações. 30 DE Apostila de Direito das obrigações 1. porque. e o lado passivo. Segundo Clóvis não faz a distinção entre obrigação e qualquer dever juridicamente exigível. como vimos. Integrante do corpo discente da UPM. Dotado de grande influência na vida econômica. Também é nos direitos das obrigações que percebemos as limitações impostas à liberdade deação dos particulares retratando a estrutura econômica da sociedade. revela a essência ou substância da obrigação (vínculo entre duas pessoas). * Ricardo Macellaro Veiga. conforme o art. Obrigação é o crédito considerado sob ponto de vista jurídico. enquadrando-se as mesmas possibilidades tidas para com a cláusula penal. crédito é a obrigação sob ponta de vista econômico.C. também chamado crédito. mas evidencia os seus elementos: sujeitos prestação e vínculo jurídico. tal submissão do devedor ao credor só veio a cessar com a Lex Poetelia Papiria que no século IV a. É através de tal definição que podemos abalisadamente estabelecer a contraprestação entre direitos reais e direitos obrigacionais.. não o corpo do devedor deveriam responder pelas suas dívidas. A importância dos direitos das obrigações compreende as relações jurídicas que constituem as mais desenvoltas projeções da autonomia privada na esfera patrimonial. a palavra obrigação comporta vários sentidos. destacando o conteúdo como uma prestação e externar-lhe também a sua peculiar coercibilidade. Destaca que a obrigação é uma relação jurídica entre o credor e o devedor caracterizada pelo vínculo jurídico. Já a definição de Paulo não chega a definir obrigação. Em qualquer caso. o vocábulo primitivo empregado para externar o vínculo obrigacional. ESCRITO POR GISELE AGOSTO DE 2009 23:02 LEITE DOMINGO. O vocábulo obligatio é recente tanto que não foi utilizado na Lei das XII Tábuas.C. são absolutamente aproximadas. o juiz deve intervir no valor da indenização. Podem designar-lhe o lado ativo. 413. cabendo analogia. Dentro de nosso C. substituiu o vínculo corporal pela responsabilidade patrimonial onde os bens e. unir. vincular). A obligatio caracterizava-se como direito de garantia sobre a pessoa física do obrigado. era nexum (advindo do verbo nectere significando atar. regula as relações da infra-estrutura social de relevância política. A mais antiga definição remonta das Institutas primando ser um vínculo jurídico que necessita adstringir o devedor a cumprir a prestação ao credor. as de produção e as de troca. denominado débito.suplementar. descreve com maior exatidão o conteúdo e o objeto do vínculo.

devida pelo 1 º ao 2 º. Desta forma. libera. Como relação jurídica. O Código Civil Brasileiro escudou-se da tarefa definitória assim como o Código Civil Francês. a exoneração do devedor através do pagamento. garantindo-lhe adimplemento através de seu patrimônio. o devedor resta liberado e ao credor cabe a extinção de seu direito.Alguns Códigos definiram obrigação como o Código de Obrigações da Polônia (art.´ Não alude tal definição ao elemento responsabilidade Washington de Barros Monteiro assim definiu: obrigação é a relação jurídica. A obrigação corresponde a uma relação pessoal que induz a responsabilidade patrimonial. positiva ou negativa. do credor em relação ao devedor (art. 1. soltar). por ato nosso ou de alguém conosco juridicamente relacionado. cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica. O usufruto instituído para pessoa jurídica. mas seria exagero concordar com Gaudemet e Polacco que vislumbraram na obrigação um vínculo entre dois patrimônios sob uma ótica despersonalizada do vínculo.598 do NCC) mesmo o contrato de sociedade chega por alguns motivos legais de dissolução (art. ou em virtude de lei. 1. Apreciemos algumas das definições sobre obrigações fornecidas pelos nossos melhores doutrinadores: Clóvis: ³Obrigação é a relação transitória de direito. exaure-se a obrigação. adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão. que nos constrange a dar. . ou seja.220 CC/1916 vide art. extingue-se com esta. 1. Radbruch afirma que o direito do crédito traz em si o germe de sua morte. O caráter provisório evidencia que uma vez cumprida e satisfeita a prestação. tal definição exagera pleonasticamente ao caracterizar a prestação tendo em vista que deverá ser sempre economicamente apreciável ainda que tal fato só advenha da vontade das partes. o direito obrigacional sedia-se no campo jurídico e seu adimplemento é devido à espontaneidade do agente que não pode ser compelido a qualquer prestação. À obligatio sempre se contrapõe. de caráter transitório. ou seja.033 do NCC).399 CC/1916 vide art. estabelecido entre devedor e credor e. quer amigavelmente. desatar. que. a locação indefinida degenera em servidão. a solutio( do verbo solvere. já o Código Civil (BGB) Alemão prefere conceituar a obrigação pelo lado oposto. 241). Apesar de impecável. Não há obrigações perpétuas nem mesmo as de direito família puro que quando muito poderão perdurar enquanto vida tiver o alimentado. quer pelos meios jurídicos disponíveis ao credor. ata e a solutio desata. 2 º § 1º). a fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável em proveito de alguém.E o Novo Código Civil Brasileiro não ousou quebrar a tradição anterior. A obligatio liga. tanto assim que a lei fixa-lhe a duração máxima (art.

é perpétua enquanto que os segundos dependem de uma prestação de um devedor. A patrimonialidade constitui assim o caráter específico da obrigação. sustentam que o elemento dívida (schuld) é de direito privado e o elemento responsabilidade (haftung) é instituto do direito processual. No direito moderno destacam-se dois elementos: a dívida e a responsabilidade. e a segue em poder de quem quer que a detenha (seqüela). as partes na relação obrigatória. numa prestação de serviço ou numa omissão ou abstenção. para obter a satisfação de seu crédito. é visível a aproximação entre os direitos reais e os direitos obrigacionais. Quanto ao objeto da prestação. entrega de um bem. A idéia da obrigação encerra três elementos conceituais o vínculo jurídico. Da maneira que o devedor se obriga. fazer ou não fazer alguma coisa em favor de um sujeito ativo. O elemento responsabilidade (haftung) é representado pela prerrogativa conferida ao credor ocorrendo inadimplência. . seu patrimônio responde. espontaneamente. isto é. O elemento dívida (Schuld) consiste no dever que incumbe ao sujeito passivo de presta aquilo que se compromete. de proceder à execução do patrimônio do devedor. pode este ser positivo ou negativo que constitui a coisa ou o fato devido pelo obrigado ao credor. o direito pessoal propõe um problema de cooperação (ou de reparação se advier obrigação de ato ilícito). Quanto à distinção entre os reais e pessoais podemos dizer que os primeiros incidem diretamente sobre a coisa. Ou seja. Dentre as inúmeras evoluções sofridas pelo direito das obrigações podemos destacar em especial a que corresponde à viabilidade de indenização para o dano moral ainda que dele não advenham prejuízos materiais em face da Constituição Federal de 1988. Processualistas como Alfredo Buzaid fundados nesta diferença. quanto a essa tutela judicial. um objeto da prestação que é devido por uma parte à outra. é erga omnes. seu patrimônio responder pelo equivalente. Emilio Betti aduz que o direito real propõe um problema de atribuição. fazer ou não fazer. credor e devedor. Vínculo é qualificado como jurídico por ser disciplinado por lei e acompanhado de sanção. Silvio Rodrigues ensaia uma definição de obrigação é o vínculo de direito pelo qual um sujeito passivo fica adstrito a dar.Trabucchi assinalava que nos últimos tempos. sob pena de se não o fizer. A prestação consiste em dar.

A causa genitrix da obligatio tanto pode ser autodeterminada como pode provir de uma heterodeterminação. outros elementos despontam como causa imediata dos vínculos. de cerceamento de liberdade de ação. ocorrendo o vínculo e a sanção comprometendo o grupo inteiro. o delito (atos ilícitos). a declaração unilateral da vontade e o ato ilícito. não sobre toda pessoa (pois que importaria em absorção da personalidade). sendo que nalguns casos. no direito romano diz que a obrigação vem do delito ou surge do contrato e. e ainda é de vislumbrar a dualidade de aspectos. Silvio Rodrigues classifica as obrigações como as que têm fonte imediata à vontade humana. obrigações que têm fonte imediata o ato ilícito e as obrigações que têm fonte direta à lei. vínculo que o Professor Serpa Lopes assinalava que não é de subordinação e. Toda obrigação há um liame. Savigny: A obrigação consiste na dominação sobre uma pessoa estranha. recorrem as possíveis causas genéricas das obrigações.A sistemática civil brasileira declaradamente nomeia três fontes de obrigações. Dentro do quadro evolutivo histórico da obrigação ela ocorreu primeiramente com caráter coletivo. Caio Mário sucinto definiu a obrigação como o vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa pode exigir de outra a prestação economicamente apreciável. e ainda é de vislumbrar a dualidade de aspectos. a saber: contrato. Bem mais tarde. Nela está caracterizado o requisito objetivo (a prestação) que deverá ser dotada de patrimonialidade. A etimologia da obrigação advém do latim ob + ligatio contém uma idéia de vinculação. ainda. sim de coordenação porque respeita a essência da liberdade humana. Justiniano enumera fontes. Gaio.Fontes das obrigações são atos ou fatos nos quais estas encontram nascedouro. um laço entre os sujeitos. a vontade humana ou o ato ilícito. A formula das Institutas vai ser acolhida por Pothier que adiciona a lei às demais fontes. embora esta apareça como fonte mediata. Nela está caracterizado o requisito objetivo (prestação) que deverá ser dotada de patrimonialidade. o débito e a responsabilidade. o quase-contrato (atos lícitos tais como gestão de negócios) e o quasedelito. em benefício de pessoa determinada ou determinável. como por exemplo. de liame. ela se individualiza e surge o nexo obrigacional e sobrevive a punição do infrator dirigida ao seu . As obrigações sempre derivam da lei. o débito e a responsabilidade. o contrato.

compatível com a redução do obrigado à escravidão.próprio corpo. objeto e vínculo jurídico. No direito moderno atribui-se a vontade plena como força geradora do vínculo e também a impessoalidade da obrigação. A sacramentalidade jamais abandonou o direito romano. O nexum e o manus iniectio em razão da pessoalidade do vínculo estabelecia o poder do credor sobre o devedor. nem que seja no momento da solutio (do pagamento) como é o caso do título ao portador ou título à ordem. Barassi salienta que a atividade pessoal ocupa o centro ativo do patrimônio mesmo. e condenada toda quebra de fé jurada. A Lex Poetelia Papiria 428 a.C. projetando-se a responsabilidade sobre seus bens ± e constitui uma autêntica revolução no conceito obrigacional. Somente na execução da obrigação que se atinge o patrimônio do devedor. A obrigações decompõem-se em três elementos distintos: sujeitos. Por amor à palavra empenhada que os canonistas e os teólogos instituíram o pacta sunt servanda o respeito aos compromissos assumidos. O direito medieval dotado de maior espiritualidade via mesmo a falta de execução de obrigação como se fosse peccatum equiparada à mentira. A relação obrigacional é entre pessoas e. recheado de cerimônias e rituais que prevaleciam completamente sobre a manifestação de vontade. O direito obrigacional romano é de extremado formalismo. sendo mesmo a determinabilidade indisponível. Na passagem da obrigação coletiva para individual conservou-se ainda o sentido criminal. O direito obrigacional moderno já inova as concepções dominantes e registra a predominância do princípio de ordem pública. . como garantia geral do cumprimento. delitual de responsabilidade. ou seja. É relevante a questão da determinação subjetiva. Quanto ao elemento subjetivo este há de ser duplo e distinto (não-coincidente). aboliu a execução sobre a pessoa do devedor. não entre pessoa e bens.

Toda obrigação há de ter um objeto que é a prestação do devedor. Não confundi-la com a coisa em que a prestação se especializa. A prestação é sempre um fato humano, uma atividade do homem, se é um facere consistirá numa prestação de serviço, se for um non-facere será uma omissão, uma abstenção e se, for um dare será de efetuar a entrega daquele bem (tradição). O objeto da obrigação poderá variar, será positivo quando for um dare ou um facere e, será negativo quando se fala que há obrigação negativa implica num não-fazer. Exige-se da prestação que tenha possibilidade, liceidade, determinabilidade e a patrimonialidade que são características essenciais à própria integração jurídica da obligatio. Finalmente, o objeto há de ter caráter patrimonial, revestida de cunho patrimonial, seja por conter em si mesmo um dado valor, seja por estipularem as partes uma pena convencional para o caso do descumprimento que é antecipação estimativa das perdas e danos.

Desta forma, a patrimonialidade se inscreve como qualidade essencial para Savigny, Dernburg, Kohler, Brinz, Endemann, Oser, Giorgi, Ruggiero, Salvat, Mazeaud, Bevilácqua, Orozimbo Nonato. Já na trincheira oposta encontram-se Windscheid, von Ihering, Demogue, Ferrara, Alfredo Colmo, Barassi, Saleilles e Eduardo Espínola. Em prol da patrimonialidade erguemos dois fortes argumentos; o primeiro por que a lei o admite implícito tanto assim que o converte em equivalente pecuniário, o devedor que culposamente falta a cumprir a prestação. Como argumento em contrário, invoca-se que a reparação do dano moral. Como fato voluntário gera obrigações da prestação patrimonial, também o delito cria o dever de prestar pecuniariamente (sem que se possa tecnicamente definir obrigação) de objeto patrimonial, senão preexistia o dever negativo de respeitar a integridade jurídica alheia (o principio de não lesar a ninguém). Para alguns doutrinadores italianos como Pacchioni a patrimonialidade pode não significar o valor de troca ou economicamente intrínseco. Porém subsiste o valor de afeição (o pretium affectionis) e, nem por isso inábil a configuração da obrigação. Apesar de se admitir que o interesse do credor possa ser apatrimonial, a prestação deve ser

suscetível de avaliação em dinheiro. O débito (schuld) é o dever de prestar e que não deve ser confundido com o objetivo da obrigação. O schuld é o dever que tem o sujeito passivo na relação obrigacional poderá ser um facere ou um dare ou um non facere. Haftung há um princípio de responsabilidade e que permite ao credor carrear uma sanção sobre o devedor, sanção sobre o devedor, sanção que outrora ameaçava a sua pessoa e, hoje tem sentido puramente patrimonial. Betti ensina que a responsabilidade é um estado potencial de dupla função: preventiva visto que cria uma situação de coerção, e a outra é de garantia, para assegurar a efetiva satisfação do credor. Haftung é o fiador; debitum é o afiançado. A obrigação natural é um débito sem responsabilidade, isto é, é um dever sem garantia. Diferentemente da obrigação civil, pois temos de um lado o sujeito ativo, ou credor, e, de outro lado o sujeito passivo, o devedor, como objeto à prestação e o estabelecimento de um liame entre os sujeitos que contém uma garantia, o vínculo jurídico, que faculta aos reus credendi a mobilizar o aparelho do Estado para perseguir a prestação, com a projeção no patrimônio do reus debendi.

A obrigação natural é um tertium genus, uma entidade intermediária entre o mero dever de consci6encia e a obrigação juridicamente exigível, por isto, no meio do caminho entre moral e o direito. É mais que um dever moral e menos que uma obrigação civil. Falta-lhe o poder de exigibilidade. O traço de distinção mais visível entre a civilis e a naturalis era a actio, presente na primeira e, ausente na segunda, e isto lhe retirava a qualidade de vínculo jurídico. É uma obrigação civil degenerada. Era uma obrigação civil que perdia a actio e se convertia em natural. Mas em compensação, o direito lhe conferia a soluti retentio, cujo principal efeito era a retenção do pagamento não credenciando o devedor requerer a restituição. O débito está contraído, mas não existe o haftung, porém, se o sujeito voluntariamente solve, reconhecendo-lhe, portanto a responsabilidade, o outro (credor) é protegido pela soluti retentio que não dá origem à obrigação, porém, consolida o seu efeito.

As obrigações propriamente ditas chamadas indevidamente de pessoais.É intruncada a questão quanto a categorias de direitos para uns como Demogue (que negam uma diferenciação fundamental entre os direitos de crédito e os direitos reais, afirmando ser uma só natureza de todos os direitos, só distintos entre si, pela intensidade (direitos fracos e direitos fortes). E outros, como Thon e Scholossman que entendem que a diversificação é artificial). Outros, no entanto, filiados à corrente clássica (Vittorio Polacco) enxergam nos direitos uma relação de subordinação da coisa mesma ao seu titular, traduzindo um assenhoreamento ou dominação direta. Alguns como Windscheid e Planiol situam a diferença respectiva da noção de relatividade dos direitos de créditos e absolutismo dos direitos reais. Já a teoria personalista situa a diferença na caracterização do sujeito passivo ± o devedor: o direito de crédito implica numa relação que se estabelece entre o sujeito ativo e passivo criando uma faculdade para aquele de exigir uma prestação positiva ou negativa. Ao revés, o direito real, com o sujeito ativo determinado tem por sujeito passivo uma generalidade anônima de pessoas (pois é erga omnes). A situação jurídica-creditória é oponível a um devedor enquanto que a situação jurídica-real é oponível a todos (erga omnes). O direito de crédito realiza-se mediante a exigibilidade de um fato, a que o devedor é obrigado: o direito real efetiva-se mediante a imposição de uma abstenção, a que todos se subordinam. Na relação creditória, o objeto é um fato. Na relação real, o objeto é uma coisa. A obrigação ius in re é devida pelo labor dos juristas canonistas conforme assinala Rigaud que erige uma terceira categoria que corresponde à obrigação stricto sensu ou propter rem. Situamos assim como uma obrigação acessória mista. Quando a um direito real acende uma faculdade de reclamar prestações certas de uma pessoa determinada. Há uma relação jurídicoreal em que se insere, adjeto à faculdade de não ser molestado, o direito a uma prestação específica. Tem caráter acessória e mista, pois dotada de prestação especifica incrustada em um direito real. São as chamadas obrigações híbridas (uma mistura de direito pessoal com direito real) podem ser incluídas as com ônus reais e as com eficácia real. É também denominada de obrigação ambulatorial.

Pode-se. dizer que são divisíveis as obrigações suscetíveis de cumprimento fracionado. Já as de eficácia real transmitem-se e são oponíveis a terceiros que adquire o direito sobre determinado bem. A indivisibilidade material e a jurídica. a efetiva entrega da coisa com a transferência de domínio. E quando as partes em que se fracione não percam as características essenciais do todo e nem sofrem depreciação acentuada. 1. no entanto apenas duas indivisibilidades. o justamente oposto. em regra. o IPTU. ocorre em todos os casos em que o detentor deve recambiar ao dono coisa havida temporariamente em seu poder como se dá na locação ou no penhor. salvo se nisto consentir. ou através da inscrição do imóvel (que é uma tradição solene) quando se tratar de imóvel. O legislador francês destacou. já que seu interesse somente se manifesta quando ocorre pluralidade subjetiva (Clóvis Beviláqua. onde exista a fixação de um mínimo. temos aí a indivisibilidade jurídica. e indivisível. ou um deles. A divisibilidade jurídica corre em paralelo com o fracionamento que o objeto pode suportar. os ônus reais são obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade. A classificação das obrigações em divisíveis e indivisíveis não tem em vista o objeto.197 CC.As normas de direito de vizinhança. não obstante a divisibilidade material. Casos há em que o imóvel. é o caso do art. indivisível já que o credor não pode ser compelido a receber pro parte a coisa que se achava na posse alheia. A obrigação de restituir é. . a conservação de tapumes divisórios. constituindo direitos reais sobre coisas alheias. porém este em atenção aos sujeitos. ou seja. contrariamente a opinião de Colmo para quem toda a indivisibilidade é material. a de condomínio. Hudelot et Metmann). e indivisíveis as que somente podem cumprir-se na sua integralidade. É bom lembrar que em nosso direito só se efetiva a transferência inter vivos da propriedade com a tradição quando for coisa móvel. Obrigação de dar consiste na tradição constitutiva de direito. Na restituição. em linhas gerais. oponíveis erga omnes. O que se fraciona é prestação. resultante da impropriedade da coisa ao preenchimento de sua finalidade natural e sua destinação econômica. a exemplo do módulo rural não pode suporte divisibilidade em razão de lei.

é a indivisibilidade da prestação ex vi o art. criando obrigações distintas. A fórmula de partilhar entre eles a responsabilidade é prescrita no título. Cada devedor se exonera pagando a sua parte. se ao contrário. a sua cota-parte ± concursi partes fiunt. a prestação reparte-se pro numero virorum. 890CC vide art. a prestação é realizada na integralidade. Ou viveversa. deve-a por inteiro. quanto os credores ou os devedores. não sendo cabível ser parcelada. Qualquer credor tem o poder de demandar o devedor pela totalidade da dívida (devedores solidários). É lícita a convenção no sentido de tornar a indivisibilidade juridicamente divisível.257 do NCC) o caso de não haver estipulação em contrário. Indivisibilidade e solidariedade substancialmente muito diferem. via de regra. pluralidade de sujeitos. a par desta exteriorização comum. a prestação é insuscetível de fracionamento. dependendo se a realização do trabalho é por si mesmo friccionável. segundo o Código Civil de 1916. Para restabelecer o princípio de justiça que a solutio integral desequilibrou. não tem qualquer devedor o direito de solver pro parte. pois sendo o devedor obrigado a uma abstenção. se a obrigação for divisível (o art. Na pluralidade de sujeitos. Porém. o devedor solvente fica sub-rogado no direito do credor. em relação aos demais coobrigados. ou pagando cada devedor ao credor comum. ou advém do contrato ou da lei. mas a prestação da dívida inteira. quando o objeto consiste num conjunto de omissões que não guardem entre si relação orgânica. quer ativa ou passivamente. todavia. indivisível. 889CC (vide 314 do NCC). é o que chamamos de indivisibilidade convencional (e Barassi denomina de teleológica). pois que numa e noutra a solutio pro parte não pode fazer-se. intimamente diversificam-se: . Mas é admissíveis a divisibilidade da prestação negativa. A obrigação de não fazer é. Se há. a não ser que as partes tenham ajustados o contrário. Consubstanciando que solidariedade (é expediente técnico) não se presume. A regra. e recebendo cada credor do devedor comum. e no silêncio deste. mediante divisão em partes iguais.Também a obrigação de fazer poderá ser divisível ou indivisível. Na unidade de devedor e de credor. decompõem-se a obrigação em tantas outras iguais e distintas. e conseguitnemente da obligatio non faciendi.

resultado ou da lei ou da vontade das partes. com a própria natureza da prestação. 4º a indivisibilidade justifica-se. enquanto que a solidariedade não decorre ex re (da coisa). em razão da impossibilidade jurídica de repartir em cotas a coisa devida. 3ºa solidariedade é uma relação subjetiva. nunca um dado real e concreto. ou de mais de um devedor. A indivisibilidade que se opõe ao parcelamento da solutio. ou de vários credores e vários devedores simultaneamente. enquanto que na indivisibilidade solve a totalidade. a solidariedade visa facilitar a exação do crédito e o pagamento do débito. quando o objeto é em si mesmo insuscetível de fracionamento. mas a indivisibilidade subsiste enquanto a prestação suportar. ou seja. às vezes. Não há solidariedade sempre que for incompatível com o fracionamento do objeto Pluralidade subjetiva e unidade objetiva é a essência da solidariedade que numa obrigação em que concorram vários sujeitos ativos e passivos e haja uma unidade de prestação. cada credor pode receber a dívida inteira e cada um dos devedores tem a obrigação de solvê-la integralmente. A solidariedade para se vislumbrar é mister que haja concorrência de mais de um credor. não provém da incindibilidade do objeto. e indivisibilidade objetiva em razão de que. porém. 6º a indivisibilidade termina quando a obrigação se converte em perdas e danos enquanto que a solidariedade conserva este atributo. mas possui origem . porque deve por inteiro. Aponta-se a unidade. 5º a solidariedade cessa com a morte dos devedores. enquanto a indivisibilidade assegura a unidade da prestação.1º a causa da solidariedade é o título. enquanto que a solidariedade é sempre de origem técnica. e a da indivisibilidade é (normalmente) a natureza da prestação. 2º na solidariedade cada devedor pago por inteiro.

Perdura a prevenção judicial enquanto permanecem os efeitos jurídicos da demanda ajuizada. Características principais do direito das obrigações: . uma em face da outra. Alguns sistemas como o francês e o belga.puramente técnica. de análise.html> Direito Das Obrigações ± Parte I Direito Das Obrigações ± Parte I Otávio Goulart Minatto * Introdução ao direito das obrigações Conceito e âmbito do direito das obrigações: O direito das obrigações compreende os vínculos de conteúdo patrimonial. a solidariedade convencional deve ser expressamente ajustada. pode ser imposta pela lei ou pela vontade das partes. a qual recebeu a denominação de solidariedade jurisprudencial ou costumeira.investidura. como credora e devedora. a obrigação solidária possui uma só natureza: uma obrigação com unidade objetiva. sobretudo de bons conhecimentos dos princípios jurídicos aplicáveis ao direito privado. e não se acha acolhida pelo sistema pátrio. Não é a qualquer tempo que o pagamento feito ao credor solidário exonera o devedor. O princípio consursu partes fiunt não se presume. pois somente se ocorre antes da prevenção judicial. senso crítico e. na contingência de cumpri-la.com. A presente apostila pretende apenas expor modestamente o vasto campo do direito obrigacional na seara cível e. Na solidariedade existe unidade de prestação e unidade de vínculos. colocando-as.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/4278-apostilade-direito-das-obrigacoes. e a outra. Mas há doutrinadores que entendem pela pluralidade de vínculos. sentida estritamente interpretada não pode ser ampliada para fora do âmbito literal do dispositivo. Para nós. professora de Direito Civil <http://www. * Gisele Leite. admitem uma extensão da solidariedade afora legalmente previstos. carece sem dúvida. que se estabelecem de pessoa a pessoa. de tal modo que uma esteja na situação de poder exigir a prestação. A prevenção judicial tem sentido de exceção. Merece a preferência àquele que tomou à iniciativa de perseguir a solutio.

Já o do direito real é indeterminado. O sujeito passivo do direito obrigacional é determinado ou determinável. e o devedor. O direito obrigacional exige uma figura intermediária. enquanto que o direito real só pode ser criado por lei. Quanto à formação: O direito obrigacional resulta da vontade das partes. Os direitos reais são perpétuos. pela moral. pois os indivíduos têm ampla liberdade em externar a sua vontade. pelos bons costumes e pela ordem pública. que é o devedor. chamado domínio Distinção entre direitos obrigacionais ou pessoais e direitos reais: Os direitos obrigacionais exigem cumprimento de determinada prestação enquanto que os reais incidem sobre a coisa. uma vez que se dirigem contra pessoas determinadas.O direito das obrigações tem por objeto direitos de natureza pessoal. limitada esta apenas pela licitude do objeto. São elementos essenciais dos direitos reais: a) Sujeito ativo b) A coisa c) Relação do sujeito ativo sobre a coisa. A prestação da obrigação deve ser sempre suscetível de avaliação em dinheiro. O interesse do credor pode até ser apatrimonial. O direito das obrigações configura exercício da autonomia privada. São direito relativos. não se extinguindo com o uso. pela inexistência de vícios. ou por outros meios. A ação real é exercida contra quem quer que detenha a coisa. não sendo oponíveis erga omnes. A duração do direito obrigacional é transitória e se extingue assim que se dá o cumprimento da prestação. sendo sua criação ilimitada (numerus apertus). como sujeito ativo. mas a prestação não. No direito obrigacional. Direitos reais e direitos obrigacionais: Direito real é aquele que afeta a coisa direta e imediatamente. Figuras híbridas: Obrigações propter rem: . que resultam de um vínculo jurídico estabelecido entre o credor. sendo. logo. sob todos ou sob certos respeitos. e a segue em poder de quem quer que a detenha. Já o direito real incide diretamente sobre a coisa. na posição de sujeito passivo. limitado (numerus clausus). a ação é dirigida somente contra quem figura na relação jurídica como sujeito passivo. vinculando sujeito ativo e passivo. Já o direito pessoal consiste num vínculo jurídico pela qual o sujeito ativo pode exigir do sujeito passivo determinada prestação.

A obrigação propter rem é de caráter misto. não respondendo o proprietário além dos limites do respectivo valor. Já na obrigação propter rem o devedor responde com todos os seus bens. Nos ônus reais. 1219). quando não se pactua o arrependimento e o instrumento é registrado no Cartório de Registro de Imóveis. Exemplo de eficácia real é a que resulta de compromisso de compra e venda. sem perder seu caráter de direito a uma prestação. arts. 1280). Na obrigação propter rem. a ação cabível é de natureza real (in rem scriptae). é de índole pessoal. Os efeitos da obrigação propter rem permanecem em qualquer circunstância. o sossego e a saúde dos vizinhos (art. com a aquisição do direito sobre a coisa a que o dever de prestar se encontra ligado. Distinção entre ônus real e obrigação propter rem: A responsabilidade pelo ônus real é limitada ao bem onerado. enquanto que nas obrigações propter rem. A obrigação propter rem pode tanto ser prestação positiva quanto negativa. Ônus reais: São as obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade. enquanto que os do ônus real extinguem-se com o perecimento do objeto Os ônus reais sempre implicam numa prestação positiva. a substituição do titular passivo opera-se por via indireta. Noções gerais de obrigação . ilimitadamente. Obrigações com eficácia real: Obrigações com eficácia real são as que. 1417 e 1418). e obrigação de indenizar benfeitorias (art. São exemplos as obrigações imposta aos proprietários e inquilinos de um prédio de não prejudicarem a segurança. 1315). sendo a prestação imposta precisamente por causa dessa titularidade da coisa. obrigação imposta ao condômino de concorrer para as despesas de conservação da coisa comum (art. obrigação de dar caução pelo dano iminente quando o prédio vizinho estiver ameaçado de ruína (art. 1234). obrigação do dono de coisa perdida de recompensar e indenizar o descobridor (art. por força de determinado direito real. adquirindo este direito real à aquisição do imóvel e à sua adjudicação compulsória (CC. em favor do promitente comprador. 1277). pelo fato de ter a obligatio in personam objeto consistente em uma prestação específica. Há uma obrigação dessa espécie sempre que o dever de prestar vincule quem for titular de um direito sobre determinada coisa.Obrigação propter rem é a que recai sobre uma pessoa. e como a obligatio in re estar sempre incrustada no direito real. transmitem-se e são oponíveis a terceiro que adquira direito sobre determinado bem. constituindo gravames ou direitos oponíveis erga omnes.

incluindo tanto o lado ativo (o direito à prestação) como o lado passivo (o dever de prestar correlativo). determináveis. Ela deve obedecer certos requisitos para a obrigação ser considerada válida: c) Licitude do objeto: O objeto não deve atentar contra a lei. fazer ou não fazer. b) Objetivo: objeto da relação obrigacional. cujo objeto consiste numa prestação economicamente aferível. Pode a obrigação também existir em favor de pessoas ou entidades futuras. d) Possibilidade do objeto: Quando o objeto é impossível. aquele em favor de quem o devedor prometeu determinada prestação. e) Determinação do objeto: O objeto deve ser determinado ou. O objeto mediato é sobre no que recai essa prestação. de crédito e débito. Elementos constitutivos da obrigação a) Subjetivo: sujeitos da relação obrigacional. tanto o ativo como o passivo. ao menos. Os sujeitos da obrigação. Em contrapartida. a jurídica ocorre quando o ordenamento jurídico proíbe certo ato. podem ser pessoa natural ou jurídica. contudo. mas a prestação deve ser suscetível de avaliação em dinheiro. utilizando-se do princípio de que ninguém pode valer-se da própria torpeza (nemo auditur propriam turpitudinem allegans). como titular daquela. determinados ou. o direito de exigir o cumprimento desta. a obrigação é nula. . O sujeito ativo pode ser individual ou coletivo. A obrigação abrange a relação globalmente considerada. O sujeito ativo é o credor da obrigação. A jurisprudência não tem condenado as obrigações com objeto que atenta a moral. fazer e não fazer) é o objeto imediato.Conceito de obrigação: Obrigação é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de determinada prestação. conforme a obrigação seja simples ou solidária e conjunta. 106). como nascituros e pessoas em formação. bem como as sociedades de fato. determinável. ou ainda não existentes. A impossibilidade é física quando atenta contra as "leis da natureza". Caso não haja relação econômica com a prestação. a moral ou os bons costumes. Tem ele. Corresponde a uma relação de natureza pessoal. no mínimo. O objeto da obrigação é sempre uma conduta ou ato humano: dar. Devem ser. f) Apreciação econômica do objeto: As prestações que não possuem conteúdo patrimonial são excluídas do direito das obrigações. A prestação (dar. de caráter transitório (extingue-se pelo cumprimento). o juiz determinará valor equivalente em caso de reparação de danos. "A impossibilidade inicial do objeto não invalida a condição a que ele estiver subordinado" (art. de qualquer natureza. O interesse do credor pode até ser apatrimonial. A impossibilidade deve ser real e absoluta para causar a nulidade da obrigação.

O quase-contrato é. assim como o contrato. A lei sempre atua como fonte imediata da obrigação. Exemplo: gestão de negócios. Contrato é o acordo de vontade convencionado pelas partes. promessa de recompensa) ou atos ilícitos (noção generalizada de delitos e quase-delitos). Exemplo de obrigação natural: dívida de jogo. Recentemente. A vontade das partes (representada pelo contrato ou pela declaração unilateral) é fonte mediata da obrigação. Pode haver obrigação sem responsabilidade e responsabilidade sem obrigação. porém não se deriva da vontade das partes. quais sejam: Débito. ato lícito. mas não podem ser exigidas judicialmente.g) Vínculo jurídico É o liame existente entre o sujeito ativo e o sujeito passivo e que confere ao primeiro o direito de exigir do segundo o cumprimento da prestação. Pothier acrescentou à lista de fontes tradicionais a lei. . pois uma vez paga extinguem-se. Responsabilidade é a conseqüência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. As obrigações naturais são exemplo de obrigação sem responsabilidade. praticado involuntariamente sem a intenção de causar dano. as obrigações ou resultam da vontade do Estado (por intermédio da lei). Concepção moderna das fontes das obrigações: Na modernidade abandonaram-se os critérios romanos. quase-contrato (obligatio quase ex contractu). e responsabilidade. conferindo ao credor não satisfeito o direito de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação. abstrato ou imaterial. É composto por dois elementos. Quase-delito é o ato ilícito culposo. pois representa a obrigação moral (na consciência do devedor) de satisfazer pontualmente a obrigação. Segundo a nova concepção. que é o vínculo espiritual. Delito é ato ilícito doloso. Fez-se isto pela constatação de que certas obrigações emanam diretamente da lei. praticado com a intenção de causar dano a alguém. * Acadêmico de Direito da UFSC. pois o fiador pode ser responsabilizado pela obrigação de terceiro (o devedor). as obrigações podem decorrer de: Manifestação bilateral ou plurilateral da vontade (contrato). dívida prescrita. como as obrigações do casamento. que representa o vínculo material. manifestação unilateral da vontade (título ao portador. da tutela e curatela. etc. Fontes das obrigações Fontes no direito romano e em outras legislações contemporâneas: No período clássico do direito romano. Gaio dividiu as fontes das obrigações em quatro espécies: contrato (obligatio ex contractu). delito (obligatio ex delicto) e quase-delito (obligatio quase ex delicto). ou pela vontade humana. Na nova classificação. O caso da fiança é exemplo de responsabilidade sem obrigação. Elas existem.

Da mesma forma. 313) Como o objeto da obrigação é algo certo. c) Ficta: É o caso do constituto possessório. pois seu direito pessoal não tem efeito erga omnes. que é a entrega de um objeto para sanar dívida em dinheiro. (nos móveis) ou registro (nos imóveis) que o faz. se o objeto foi transferido de domínio para terceiro de boa-fé. só resta perdas e danos ao credor. Essa novação só pode ser feita com o consentimento de ambas as partes.html> Direito Das Obrigações ± Parte II Direito Das Obrigações ± Parte II Otávio Goulart Minatto * Obrigação de dar coisa certa: Noção e conteúdo: Nessa obrigação. Não é a obrigação. Atualmente é possível o credor exigir o objeto. ao credor. Tradição como transferência dominial: Caso a obrigação seja afetada. caso o credor não tenha ainda o domínio da coisa. que transfere o domínio do objeto. mesmo que mais valiosa. A obrigação é apenas o comprometimento de realizar essa transferência de domínio. b) Simbólica: Envolve uma "cerimônia" que representa a tradição. poderá o devedor resolver a .com. como a entrega das chaves de um veículo. Impossibilidade de entrega de coisa diversa: "O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. se o credor não anuir. pode haver a dação em pagamento.investidura. Contudo. A tradição pode ocorrer de três maneiras: a) Real: Ocorre com a entrega efetiva e material da coisa. Direito aos melhoramentos e acréscimos: "Até a tradição pertence ao devedor a coisa. em si. o objeto perfeitamente determinado. É somente a sua tradição. o credor não pode exigir outra coisa do devedor a não ser o pactuado. o credor não é obrigado a receber outra coisa. Com o consentimento do credor. e não somente perdas e danos.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/454dtoobrpti. também será afetada a transferência de domínio. mesmo que menos valiosa. pelos quais poderá exigir aumento no preço. Confere ao credor simples direito pessoal (jus ad rem) e não real (jus in re). com os seus melhoramentos e acrescidos. o devedor se compromete a entregar ou restituir. ainda que mais valiosa" (art.<http://www.

Abrangência dos acessórios: "A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. "Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. "Se. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis" (art. 1214. caput). parágrafo único). "Os frutos percebidos são do devedor. 1219). 1214. caput). Às vezes. cabendo ao credor os pendentes" (art. 1222). e não às pertenças. a coisa se perder. por culpa ou sem do devedor. sem culpa do devedor. 1220). salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso" (art. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. "Se. os civis reputam-se percebidos dia por dia" (art. no caso do artigo antecedente. depois de deduzidas as despesas de produção e custeio. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. 1215). obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé. responderá este pelo . lucrará o credor. até aqueles que deixou de colher. Isto somente se aplica às partes integrantes. devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação" (art. Quando a obrigação é de restituir. desobrigado de indenização" (art. nem o de levantar as voluptuárias" (art. Esse inadimplemento pode advir do perecimento ou deterioração da coisa. "O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. "Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos. enquanto ela durar. As benfeitorias também são consideradas como acessórios. 242. 233). feitos pelo devedor de obrigação de restituir. no caso do art. sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa. antes da tradição. Já o devedor de má-fé responde por todos os frutos. tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo. "O reinvidicante. Os frutos civis tornam-se percebidos diariamente. ou aumento. Os antecipadamente colhidos também não podem ser cobrados. ou pendente a condição suspensiva. Já "os frutos naturais e industriais reputamse colhidos e percebidos. aos frutos percebidos" (art. "O possuidor de boa-fé tem direito. como um contrato de compra e venda. sem despesa ou trabalho do devedor. Perecimento é a perda total do bem. se a perda resultar de culpa do devedor. 237. 238. quando o puder sem detrimento da coisa. a levantá-las. caput).obrigação" (art. todos os frutos devem ser devolvidos. bem como. se não lhe forem pagas. quanto às voluptuárias. a obrigação de dar não é cumprida. o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé" (art. Os melhoramentos. Obrigação de entregar: Conceito e características É aquela de dar coisa. 237. parágrafo único). empregou o devedor trabalho ou dispêndio. ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual" (art. 241). "Se para o melhoramento. logo que são separados. devem ter sido realizados através de seu trabalho para serem indenizados.

Obrigação de restituir: Conceito e características: Caracteriza-se pela existência de coisa alheia em porte do devedor. 240). Exemplo de obrigação de restituir na lei civil: coisa achada. por motivos imprevisíveis. Caso haja deterioração. responderá este pelo equivalente. em moeda corrente e pelo valor nominal. 235). com culpa ou sem. "Se a coisa se perder por culpa do devedor. 239" (art. e a obrigação se resolverá. como se a obrigação não tivesse sido contraída. salvo o disposto nos artigos subseqüentes" (art. "Sendo culpado o devedor. observar-se-á o disposto no art. o credor (res perit domino). etc. 239). tal qual se ache.equivalente e mais perdas e danos" (art. com direito a reclamar. O pagamento é feito com a mesma moeda do contrato. "As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento. a resolução é a mesma do perecimento. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. poderá o juiz corrigi-lo. sinal dado. 238). O prejuízo aqui fica a cargo de quem tinha o domínio. Caso o devedor esteja em mora. Se não houver culpa do devedor. a pedido da parte. poderá o credor resolver a obrigação. ressalvados os seus direitos até o dia da perda" (art. sofrerá o credor a perda. adicionadas cláusulas de escala móvel que cobrem as variações de inflação. 234). as partes voltam à situação primitiva (statu quo ante). Obrigação pecuniária: Conceito e características: Obrigação pecuniária é a de entregar dinheiro. que ainda persiste ao credor. mais perdas e danos" (art. recebimento de dívida não vencida em detrimento de outros credores quirografários. bens dados em penhor. ou seja. poderá o credor exigir o equivalente. sem culpa do devedor. se por culpa do devedor. se perder antes da tradição. O devedor tem o direito apenas de usar a coisa. Quem sofre é o credor. . que deve devolvê-la ao dono (credor). abatido de seu preço o valor que perdeu" (art. O devedor não possui o domínio da coisa. recebê-la-á o credor. "Quando. não sendo o devedor culpado. "Deteriorada a coisa. porque é este que tem o domínio do objeto (res perit domino). e esta. em um ou em outro caso indenização das perdas e danos" (art. responderá pelo perecimento. ou aceitar a coisa. Ocorre a extinção da obrigação. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. Permite-se o uso de moeda estrangeira nos contratos de importação e exportação de mercadorias e os que envolvem pessoas residentes no estrangeiro. "Se a obrigação for de restituir coisa certa. A única diferença é que pode o credor escolher por receber o objeto tendo abatido do preço o valor estimulado da deterioração. sem direito a indenização. mesmo que não tenha o causado. Deterioração é a perda parcial do bem. 315). 236). "Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor.

A dívida é considerada de dinheiro quando tem por objeto o próprio dinheiro. 246). 244). Entretanto não basta que o devedor tenha feito sua escolha. Diferentemente é a dívida de valor. Chama-se isto de concentração. que acontece na medida em que o sujeito exterioriza sua escolha. sob pena de perder esse direito. Evita-se assim que se escolha a pior qualidade. pois o gênero não se deteriora. a escolha pertence ao devedor. o devedor é livre para escolher qualquer uma das duas. este será citado. ele deve exteriorizá-la. "Antes da escolha. o valor real da prestação" (art. Obrigação de fazer: Conceito: Constituem uma prestação de fato. 245). pois a obrigação tornou-se de dar coisa certa. como trabalho determinado pelo produto/resultado. A partir do momento em que há a concentração. 243). ao menos. Após o momento da escolha da qualidade. Caso haja somente duas variações. nada impede que o devedor escolha a melhor qualidade. Se for feita pelo credor. a obrigação torna-se de dar coisa certa.de modo que assegure. "A coisa incerta será indicada. definida apenas pelo seu gênero e quantidade. acontecerá apenas o suprimento do direito do devedor de escolher sobre aquela qualidade. A escolha pode ser feita por terceiro. o credor pode não aceitar o cumprimento feito por terceiros. pelo gênero e pela quantidade" (art. ainda que por força maior ou caso fortuito" (art. Porém. que pode ser tanto trabalho físico ou intelectual. A escolha do devedor não é totalmente livre. "Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. podem-se alegar perdas e danos. O devedor não pode alegar perda ou deterioração do objeto antes de ter feito a escolha. vigorará o disposto na Seção antecedente" (art. nem será obrigado a prestar a melhor" (art. Ela deve buscar o meio termo. 317). seguindo suas ordens. mas não poderá dar a coisa pior. Escolha e concentração: "Cientificado da escolha o credor. O que se falta definir é apenas a qualidade. Obrigação de dar coisa incerta: Conceito: Coisa incerta é a determinável. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. Se certa qualidade pereceu antes dele ter feito sua escolha. . quanto possível. na qual o objeto é algo que é representado pelo dinheiro. Nas obrigações de fazer (obligatio faciendi). já que na maioria das vezes a obrigação deu-se em decorrência das características especiais do devedor. se o contrário não resultar do título da obrigação.

executar ou mandar executar o fato. sem prejuízo da indenização cabível" (art. a obrigação pessoal. 249. 139. Quando não se é necessário os atos de pessoa específica. não pode se negar a atender uma autoridade competente por ter se comprometido a não fazer certa prestação. parágrafo único). Não se pode exigir sacrifício excessivo da liberdade do devedor ou algo que atente contra os direitos fundamentais da pessoa humana. Mesmo obrigando o devedor a cumprir a obrigação o credor pode. "Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. A delegação feita é erro substancial. resolver-se-á a obrigação. A impossibilidade deve ser absoluta. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. Caso a declaração esteja incompleta pode a parte exigir o complemento judicialmente. O devedor. Isto pode ser feito também quando a prestação já tenha começado a ser realizada. pois só podem ser feitas pela determinada pessoa. é a que impõe ao devedor um dever de abstenção. responderá por perdas e danos" (art. desde que tenha influído nesta de modo relevante" (art. não a declaração em si. se por culpa dele. independentemente de autorização judicial. exigir perdas e danos. inciso II). É também obrigação negativa quando o devedor é obrigado a tolerar ou permitir certo ato. 247). 249. "Se o fato puder ser executado por terceiro. As obrigações de emitir declaração de vontade são infungíveis. há dispositivos que forçam a pessoa a cumprir a obrigação que não se realizou. prestar o serviço. Obrigação de não fazer: Noção e alcance: A obrigação de não fazer. do ponto de vista jurídico são fungíveis. não sendo obrigado a aceitá-la. cumulativamente. como multa diária pelo inadimplemento. em pessoa. fungível ou material. Entretanto. pois podem ser substituídas por sentença judicial que produzirá os mesmos efeitos. mas demora para ser finalizada. sendo apenas a mora da outra parte motivo suficiente para que esta seja emitida. ou só por ele exeqüível" (art. o credor deve ser esclarecido sobre quem cumprirá a prestação. Atualmente. Efeitos estes que são visados nessa obrigação. Este só se exonerará cumprindo ele próprio o estabelecido. ou negativa. 248). caput).Espécies: A obrigação de fazer é personalíssima. pode o credor. sendo depois ressarcido" (art. infungível ou imaterial (intuitu personae) se houver cláusula que obrigue o devedor. Inadimplemento: "Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. . por exemplo. já que "concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade. havendo recusa ou mora deste. "Em caso de urgência. Contudo. A parte pode exigir do juiz tal sentença sempre que provar que faz jus a ela. Não pode delegar para terceiro o cumprimento do contrato. não podendo ser meramente relativa.

a escolha é a respeito dos vários objetos in obligatione. Caso não haja culpa do devedor. a cuja abstenção se obrigara. a obrigação torna-se simples. independentemente de autorização judicial. Direito de escolha: "Nas obrigações alternativas. a escolha cabe ao devedor. Obrigações complexas ou compostas: Conceito: São aquelas nas quais há pluralidade de prestações. o credor pode exigir dele que o desfaça. a escolha recai sobre a qualidade do único objeto existente. 251. "Em caso de urgência. desde que. sem prejuízo do ressarcimento devido" (art. que se obrigou a não praticar" (art. Feita a escolha. Subdividem-se em cumulativa ou conjuntiva. Quando se é impossível retornar ao statu quo ante o que resta ao credor é apenas exigir as perdas e danos. mas se extingue com a prestação de apenas um deles. caput). se outra coisa não se estipulou" (art. ressarcindo o culpado perdas e danos" (art. uma das partes faz a escolha de qual dos objetos possíveis quer ela prestar. 250). Assemelha-se à obrigação de dar coisa incerta devido ao fato de haver indeterminação quanto ao objeto. se lhe torne impossível abster-se do ato. Contudo. sem culpa do devedor. . na obrigação de dar coisa incerta."Extingue-se a obrigação de não fazer. Alternativa Conceito: É a obrigação que compreende vários objetos. 250. a mora se caracteriza com o simples descumprimento do dever de se abster. No inadimplemento da obrigação negativa. sendo devido somente o que se foi escolhido. alternativa e facultativa. sob pena de se desfazer à sua custa. Cumulativa ou conjuntiva: Conceito: É a obrigação que possui multiplicidade de prestações e o seu adimplemento só se dá com a satisfação de todas elas. Inadimplemento da obrigação negativa: "Praticado pelo devedor o ato. Já na obrigação alternativa. a obrigação extinguese. parágrafo único). poderá o credor desfazer ou mandar desfazer. Na obrigação alternativa.

O credor não tem o direito de exigir a prestação facultativa. Impossibilidade das prestações: "Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível. 255). constituir-se-á em mora. Entretanto. com perdas e danos. ou não puder exercê-la. se. Ela deve recair inteiramente sobre apenas um objeto. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis. 252. pois a obrigação tem por objeto algo certo. mais as perdas e danos que o caso determinar" (art. não se puder cumprir nenhuma das prestações. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. 253). poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. Neste caso. pois é simples para o credor e alternativa . extinguir-se-á a obrigação" (art. Facultativa Conceito: Ocorre quando o credor exige o cumprimento de coisa certa. 254). independente da vontade das partes. "Quando a obrigação for de prestações periódicas. reduzindo-se as prestações a uma só. É uma espécie sui generes de obrigação. se uma das prestações não puder ser feita por impossibilidade jurídica. Basta a simples declaração unilateral da vontade. Porém é obrigado a aceitar a outra prestação caso o devedor opte por ela. "Se o título deferir a opção à terceiro.252. 256). não podendo nenhuma das prestações ser exigida. "Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor. por culpa do devedor. caput). § 3°). (art. 252. e este não quiser. dá-se a concentração. "Se. Caso a parte que possui o direito de escolher ultrapasse o prazo estabelecido. o direito de escolha se renova a cada prestação. a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período" (art. 252. A concentração dá-se automaticamente. "No caso de pluralidade de optantes. decidirá o juiz. 252. mas faculta ao devedor a possibilidade de quitar a dívida realizando outra prestação. Concentração: Feita a escolha. § 1°). Deve haver prazo estabelecido no contrato para se fazer a escolha. Contudo. O direito de escolha não é irrestrito. toda a obrigação é contaminada pela nulidade. o credor terá o direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. findo o prazo por este assinado para a deliberação" (art. caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes" (art. "se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor. podendo a outra entrar ação para que se faça a concentração judicialmente. não competindo ao credor a escolha. Não é exigida forma especial para se exteriorizar a escolha feita. por culpa do devedor. O direito de escolha se transmite aos herdeiros. além da indenização por perdas e danos" (art. subsistirá o débito quanto à outra". pois essa foi uma liberdade concedida pelo credor. não havendo acordo unânime entre eles. § 2°). "Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra" (art. § 4°).

Embora haja outros entendimentos. a obrigação se extingue. Espécies de indivisibilidade: A indivisibilidade é natural quando não se pode fracionar o objeto da prestação sem que haja prejuízo na sua substância ou valor. etc. tanto ativos quanto passivos. hipoteca. Cada sujeito responde apenas por sua quota na obrigação divisível. não há necessidade do devedor exteriorizar sua escolha. uma obrigação natural. Se houver impossibilidade da única prestação exigível pelo credor. relativa. Caso a impossibilidade ocorra devido culpa do devedor. Se a impossibilidade recair sobre a prestação facultada.para o devedor. lotes urbanos. são compostas por multiplicidade de sujeitos. quantos os credores ou devedores" (art. diferentemente da natural. Características: Como o credor só pode exigir uma das prestações. Essa indivisibilidade. ou pagar o valor da que se impossibilitou. Porém esta será determina conforme for o seu objeto. pois ainda sim não pode o credor exigir a prestação facultativa. este pode escolher entre realizar a prestação facultada. iguais e distintas. sendo obrigado a realizar a outra. Obrigações divisíveis e indivisíveis: Conceito e distinção entre obrigação divisível e indivisível: Tanto as obrigações divisíveis. A obrigação é divisível quando o objeto da prestação admite divisão. sem culpa do devedor. pois não há nada absoluto que a barre. acrescidas as perdas e danos. "Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível. não cabe ao credor o direito de escolha. . Esta é uma indivisibilidade absoluta A indivisibilidade pode decorrer também da vontade das partes. Isso acontece quando estas acertam na impossibilidade de se fracionar o objeto. Surge. 257). esta presume-se dividida em tantas obrigações. por motivo de ordem econômica. Se houver apenas um credor e um devedor não há no que se falar em obrigação divisível ou indivisível. Quando o judiciário se manifesta pela impossibilidade de fracionar o objeto. a indivisibilidade dá-se por determinação legal. por sua natureza. mesmo que a sua natureza permita. A obrigação é indivisível quando o objeto da prestação não admite divisão. 258). então. O credor é obrigado a aceitar qualquer uma que o devedor venha a cumprir. Há apenas uma obrigação simples. quanto as indivisíveis. não podendo ser exigido a pagar a de outro devedor. se assim não foi acertado entre as partes. ou dada a razão determinante do negócio jurídico" art. o devedor simplesmente perde o direito de escolha. Exemplo: dívidas de alimento. "A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. A divisibilidade ou indivisibilidade é característica da obrigação. Esta também é uma indivisibilidade relativa.

caput). os demais não precisam restituir nada. 262. a obrigação sempre é divisível. não representar unidade. Como cada sujeito responde pela sua quota na obrigação divisível. caput). ou serviço. compensação ou confusão" (art. que paga a dívida. Obrigação de fazer é divisível quando o trabalho. caput). caput) a) Inciso I: "a todos conjuntamente". Perda da indivisibilidade: "Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos" (art. "O devedor. cada um será obrigado pela dívida toda" (art. já que não é possível fazer a divisão. "Se um dos credores remitir a dívida. simultaneamente. Obrigações alternativas e de dar coisa incerta são indivisíveis. o credor que recebeu a prestação dará aos outros credos uma quantia estimulada das suas quotas partes. "Se. mas estes só poderão exigir. dar e fazer são geralmente indivisíveis. Se a coisa certa é fungível. mas o devedor ou devedores se desobrigarão. Se a dívida for indivisível. Efeitos da divisibilidade: "Se. . "Se for de um só a culpa. 259. 262. "O mesmo critério se observará no caso de transação. pois não se pode dividir a escolha. Obrigação negativa geralmente é indivisível. parágrafo único). 261). novação. Se a pluralidade for de credores. § 1°). As obrigações de. respondendo só esse pelas perdas e danos" (art. 259. 263. descontada a quota do credor remitente" (art. "Se um só dos credores receber a prestação por inteiro. b) Inciso II: "a um. havendo dois ou mais devedores. pagando:" (art. por uma nova obrigação que seja divisível. responderão todos por partes iguais" (art. houver culpa de todos os devedores. 263. 263. ficarão exonerados os outros. a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total" (art. dando este caução de ratificação dos outros credores". § 2°). O credor pode exigir a prestação indivisível por inteiro de qualquer um dos devedores a sua escolha.Divisibilidade em relação às modalidades de obrigações: Obrigação de dar coisa certa é divisível se o seu objeto for. parágrafo único). mas nada impede que sejam divisíveis. Se a obrigação for indivisível. poderá cada um destes exigir a dívida inteira. a obrigação não ficará extinta para com os outros. a insolvência de um nada interfere nos outros. por todos os sujeitos. para efeito do disposto neste artigo. Caso não haja nenhum proveito extra com a remissão de um dos credores. sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados" (art. a prestação não for divisível. A obrigação também pode se tornar divisível se houver novação. após o pagamento do todo. os credores restituirão os devedores no valor remetido. 260.

Caso uma condição seja imposta a um devedor e esta não se concretizar. isso ocorre devido as características do objeto. "A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores. Não há representação. Exemplo de solidariedade na lei: relação pai e filho e empregado patrão. cada um só deve ao outro a sua quota parte. ou a prazo. Por isso. A solidariedade assemelha-se da indivisibilidade porque o devedor pode ser compelido a pagar a divida toda. Espécies de solidariedades: Solidariedade ativa Conceito: . na medida em que este se torna divisível. na indivisibilidade. Se um dos devedores torna-se insolvente. O credor pode exigir o pagamento total da dívida por qualquer um dos devedores. à dívida toda" (art. ou pagável em lugar diferente. a unidade de cobrança se mantém. Já na solidariedade. cada devedor só responde por sua quota. e condicional. Há a possibilidade da solidariedade ser de modalidades diferentes para cada um dos co-devedores ou co-credores.Os co-devedores não são representantes uns dos outros. para o outro" (art. responde por ela em caso de insolvência dos co-devedores. Entre os devedores. 265). Observa-se isto na medida em que pode haver uma obrigação solidária com diferentes características para cada parte. o mesmo está excluído da obrigação. como quando transforma-se em perdas e danos. cada um com direito. o defeito do ato para um dos devedores se propaga aos demais. tornando todo o ato nulo. 264). ou obrigado. quem sofre são os demais devedores. Obrigações solidárias: Conceito e características: "Há solidariedade. Porém. Porém. Princípios comuns à solidariedade: "A solidariedade não se presume. 266). Feito isto. pois ela é característica da prestação e não do objeto. todos os demais devedores estarão livres da responsabilidade frente este credor. quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. resulta da lei ou da vontade das partes" (art. Apesar de cada sujeito poder ser chamado para saldar toda a dívida. cada um responde apenas pela sua quota-parte. ou seja. os vícios a uns não se transmitem aos outros Caso a obrigação seja indivisível. A solidariedade é provada com a simples manifestação inequívoca das partes. O parentesco próximo não induz solidariedade. que ainda respondem pela dívida inteira. ou mais de um devedor.

"Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros. 269). não se exonera da obrigação e corre o risco de pagar mal. "o julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. a qualquer daqueles poderá este pagar" (art. Como a obrigação solidária se desdobra em várias. O devedor é obrigado a pagar a este. Se pagar outro credor que não o credor-autor. Da mesma forma. a menos que se funde em exceção pessoal do credor que o obteve" (art. novação. Se um dos credores é incapaz. Se todos os credores entrarem com ação. a todos os demais credores aproveitam seus efeitos. 267). cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário. o devedor fica livre somente da quota parte que foi indiretamente paga. Qualquer credor pode ingressar em juízo com uma ação para obter o cumprimento da ação. Caso haja remissão. Se um dos credores constituir o devedor em mora. esta parte fica para aquele credor. Extinção da obrigação solidária e direito de regresso: "O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago" (art. pois o credor pode não pagar os demais co-credores. correrá o risco de pagar em dobro a dívida. 267). transação ou compensação. estes poderão cobrar a totalidade da dívida. que possuem direitos próprios e diversos para com o devedor. a solidariedade" (art. . Características: "Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro" (art. "Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro" (art. 270). porém só o específico pode aproveitar-se da sua pessoal. "Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum. estende-se aos demais. para todos os efeitos. Somente o credor-autor que entrou com ação adequada pode executá-la. Se a compensação. 273). o devedor tem liberdade de escolher a quem pagar. A dívida extingue-se totalmente quando o devedor paga a sua totalidade a um dos credores. não podendo os demais exigir a divisão. "A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros" (art. salvo se a obrigação for indivisível" (art. solicitada por um. Se houver apenas um herdeiro. bem como ficar insolvente. Todos os devedores se aproveitam de exceções gerais opostas. ou todos agirem conjuntamente. todos podendo cobrar da dívida por inteiro. Qualquer um dos credor pode tomar medidas assecutórias de conservação dos direitos. 274). A interrupção da prescrição. entre um dos credor e o devedor. Exemplo desse tipo é a conta corrente com mais de um titular. 271). "Convertendo-se a prestação em perdas e danos.É a obrigação na qual existem vários credores. de nada influencia no direito dos outros. Não existe muito esse tipo de solidariedade. 268). subsiste. o julgamento favorável aproveita-lhes. a sentença contrária a um dos credores não prejudica o direito dos outros. não podendo escolher outro. As quotas de cada credor se presumem iguais. O devedor deve pagar àquele que lhe primeiro cobrar. Se o devedor pagou a mais que a dívida. Se pagar ainda para segundo.

mesmo que tenha sido a sua quota parte. todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto" (art. pretendendo pagar apenas sua quota-parte. transação ou remissão foi da dívida toda. . salvo se a obrigação for indivisível. Se forem vários os devedores condenados. não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes" (art. então o devedor exonera-se dela. ainda pode cobrar dos restantes. senão até a concorrência da quantia paga ou relevada" (art. O devedor escolhido não pode invocar o beneficium divisionis. 275. A obrigação solidária passiva se assemelha à fiança. haverá desconto da quota parte excluída para o devedor. condição ou obrigação adicional. condição ou obrigação adicional: "Qualquer cláusula. o credor pode escolher qual executar. o rateio deverá acontecer proporcionalmente para cada co-credor. "Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores" (art. parcial ou totalmente. Com isto.novação. estipulada entre um dos devedores solidários e o credor. Efeitos da morte de um dos devedores solidários: "Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros. só que o excluindo. O credor pode cobrar a totalidade da dívida de qualquer um dos devedores. O pagamento dessas não se dá solidariamente. Se um dos credores não puder receber sua parte (a obrigação é considerada nula quanto a ele). Conseqüência do pagamento parcial e da remissão: "O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores. contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor. a dívida será diminuída na sua parcela. a dívida comum. 276). 275. caput). ou pode ainda cobrá-la parcialmente de cada um. 284). O credor que receber toda a dívida fará a divisão das quotas. 272). O credor que entra com ação contra um dos devedores. parágrafo único). são estes quem bancarão as perdas e danos. 276). com a diferença que esta é um contrato acessório. "O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba" (art. mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores" (art. se o pagamento tiver sido parcial. pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente" (art. o rateio acontece do mesmo jeito. Se a prestação tornar-se impossível por culpa de um ou de alguns dos devedores. Solidariedade passiva: Conceito e características: "O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores. Caso haja remissão de um dos devedores. O remetido ainda é solidário com os demais em caso de insolvência de algum. "No caso de rateio entre os co-devedores. nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário. Se o credor cobrou apenas uma parte da dívida. Cláusula.

Caso assim seja provado. O inadimplemento é sempre presumido como sendo culposo. Cada um responde por sua parte individualmente. e a dos demais. de alguns ou de todos os devedores" (art. anulabilidade do negócio jurídico. mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida" (art. 280). pois afeta somente um dos devedores. que persistem com a solidariedade. que aproveitam todos os devedores. não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor" (art. prendem-se aos vícios primitivos da origem. Qualquer cláusula estipulada entre um dos devedores e o credor não se transmitirá aos demais. não responderá pelos prejuízos.278). A renúncia total é a absoluta e extingue a solidariedade. 279). não cabendo a relativa. subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente. ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um. Impossibilidade da prestação: "Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários. Todos os devedores podem ser exigidos a pagar os juros. resultante da incapacidade de todos os co- . do devedor renunciado quanto a sua quota. é relativa. A renúncia de somente parte é a relativa. sendo os outros ainda obrigados. Cabe ao devedor provar que o ocorrido deveu-se à caso fortuito ou força maior. "Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores. parágrafo único). na hora do rateio entre os devedores. somente o culpado é responsabilizado. Porém. A renúncia da solidariedade não é presumida. Renúncia da solidariedade: "O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um. 281). por exemplo. Nenhum devedor tem o poder de estipular cláusulas em nome dos outros devedores. As exceções comuns. Meios de defesa dos devedores: "O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos. em ambos os casos. mas pelas perdas e danos só responde o culpado" (art. Os juros não seguem a mesma sorte das perdas e danos porque são acessórios da obrigação final. Os renunciados ainda respondem pela solidariedade no caso de insolvência de algum. no final. A impossibilidade. A renúncia pode ser tanto expressa quanto tácita. descontada a parcela a qual foi renunciada. o culpado terá que bancar com este valor extra. para invalidar deve ser absoluta. ou seja. sem o consentimento destes. 282). Com ela surgem duas obrigações: a individual. dividem-se em dois ramos: a) Resultantes da natureza da obrigação: baseiam-se nos fundamentos da obrigação. 282. A impossibilidade de pagar a prestação é bancada pelo culpado. Contudo. deve ser inequívoca. Exemplos: nulidade absoluta do negócio jurídico. subsistirá a dos demais" (art. Responsabilidade pelos juros: "Todos os devedores respondem pelos juros da mora. Ninguém pode ser obrigado a mais do que consentiu. porém. A insolvência.

140). O credor que sucumbiu em ação movida contra um dos devedores solidários não fica inibido de formular novo pedido contra os demais coobrigados. O pagamento do rateio é exigido através da ação regressiva (I). segundo o art. prescrição. falso motivo (nos termos do art. dentre outros. compensação. cada co-devedor pode exigir a parcela a mais que pagou. novação. Relação entre os co-devedores: "O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota. impossibilidade da prestação decorrente de caso fortuito ou força maior. dação em pagamento. presumem-se iguais. ou na dívida. pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente" (art. mas não tenha avisado os demais e segundo também efetue o pagamento. Caso um devedor pague toda a dívida. Quanto à novação. etc. confusão. vício resultante de erro. pagamento em consignação. contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor. que presumem ter parcelas iguais. compensado. A insolvência de um dos devedores pode acontecer antes ou depois do pagamento da dívida. b) Causas de extinção da obrigação: Exemplos: pagamento. 365 leciona que "operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários. dentre outros. transação. ou de um vício do consentimento experimentado por todos os co-devedores. . não implemento de condição suspensiva ou não esgotamento do termo. nos contratos bilaterais. Em relação à confusão. Na hora do rateio entre os devedores. O primeiro arcará sozinho com sua negligência. a obrigação é divisível. "a confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito. Caso todos os demais devedores estejam insolventes. mas que acaba aproveitando os demais devedores indiretamente. as partes de todos os co-devedores" (art. inadimplemento da obrigação pelo credor. salvo prova em contrário.devedores. o devedor remitido. dentre outros. Aquele que pagou parcialmente a dívida também pode exigir o rateio. b) Pessoais a outro co-devedor: são aquelas que só aproveitam o devedor em específico. Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados". presumindo-se iguais. que não podem argüir coisa julgada. 284). no débito. As quotas de cada devedor. somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado. dividindo-se igualmente por todos a do insolvente. "No caso de rateio entre os co-devedores. este segundo é que terá direito de cobrar o rateio. pois ainda é solidário com seus codevedores. Exemplo: incapacidade relativa do agente. que tem como pressuposto a liquidação total da dívida. etc. terá que pagar a dívida toda. Caso a insolvência seja extinta. coação. subsistindo quanto ao mais a solidariedade". renunciado. renúncia da solidariedade feita pelo credor a favor de um dos devedores. Em ambos os casos a parte é repartida entre todos os outros devedores solidários. Exemplo: remissão subjetiva. 383. 283). dolo. As exceções pessoais dividem-se em: a) Simplesmente pessoais: são as que o devedor demandado invoca pessoalmente. o art. se o houver.

porém o descumprimento da obrigação não gera a responsabilidade. Isso acontece nos casos em que os co-devedores são apenas avalistas necessários para a concessão de crédito. Características: O Código Civil não regula tal matéria. considera a obrigação natural imperfeita. Como a solidariedade mista é a junção da solidariedade ativa com a passiva. podem dividir e estipular entre si o quanto da dívida é de responsabilidade de cada um. Se o devedor paga aquilo que deve. responderá este por toda ela para com aquele que pagar" (art. que incide no patrimônio do devedor. a ela. Constitui relação de fato. a mais aceita pela doutrina. não haverá ação regressiva. justamente por carecer de ação judicial. nem em respaldo no direito positivo. através de ação. Obrigação civil. perfeita ou comum: É aquela a qual o cumprimento da obrigação a extingue."Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores. Há respaldo no direito positivo. Estando isso no acordo. Se o único interessado paga a dívida ao credor. Não havendo responsabilidade. Obrigação natural: Conceito e características: O cumprimento da obrigação a extingue. não podendo ser exigido judicialmente. Ou seja. Natureza jurídica da obrigação natural: A teoria clássica ou tradicional. cada qual não pode ser exigido a mais que sua parte. o devedor paga com o seu patrimônio. O credor pode exigir judicialmente o cumprimento da responsabilidade. Solidariedade mista: Conceito: É quando há pluralidade tanto de credores quanto de devedores. quando na figura de fiadores. as regras quanto a essas duas outras modalidades. mas ele é meramente de ordem moral ou social. não cumprindo a obrigação. O não cumprimento gera a responsabilidade. aplicam-se. mesmo que não seja interessado. É um dever moral sem respaldo jurídico. Não possui relação jurídica (não existe responsabilidade). A partir do momento que há o . não de direito. O credor pode exigir o pagamento tanto deste quanto de qualquer outro devedor. O devedor interessado somente é obrigado a pagar toda a dívida na hora do rateio. o credor têm o direito de reter o pagamento. pois o dever de pagar existe. mas adquire eficácia jurídica quando no seu adimplemento (soluti retentio). 285). Os coobrigados não interessados. não há no que se falar em cobrança judicial.

podem ser recobrados. A fiança. vencidas e de coisas fungíveis (art. devendo esta. a natural equipara-se com a civil. a obrigação é civil. As gorjetas e proprinas são doações remuneratórias por serviço prestado. Efeitos da obrigação natural: O principal efeito da obrigação natural é que. caput). portanto. para o devedor saldar suas dívidas de jogo. obrigações civis. A obrigação natural pode ser cumprida pela dação em pagamento. Entretanto. Outros. pode exigir o dinheiro. A característica vencida significa que ela deve poder ser exigida. terceiro dotado de boa-fé pode. não cabe a repetição (soluti retentio). Toda obrigação que não permitir a repetição do que foi pago é obrigação natural. pois a inexistência de responsabilidade persiste. não há porque negar (pacta sunt servanda). A execução parcial da obrigação natural não permite ao credor cobrar o restante. logo. Os juros pagos. o que não ocorre nas obrigações naturais Mais uma vez. há autores que entendem que somente a compensação legal não pode ser efetuada. "As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. São chamadas de obrigações civis degeneradas. o pagamento de juros é obrigação natural. "Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. Aquele que empresta dinheiro no ato em que o devedor participa de jogo ilícito carece de suporte jurídico. que não deveriam ser. Porém. O CC só disciplina os efeitos das dívidas de jogo e das prescritas. porque está só pode ser feita entre dívidas líquidas. a doutrina admite a existência de efeitos secundários. assim como o penhor. Por isso. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível" (art. sendo que a convencional (estipulada entre as partes) é permitida (pacta sunt servanda). O CC admite a extensão da classificação de obrigação natural para todos os casos análogos aos inscritos nele. que se as partes assim concordarem. se portar tais títulos. dado o seu pagamento. Exemplos de obrigações naturais: São exemplos de obrigações naturais as dívidas de jogo e dívidas prescritas. ou se o perdente é menor ou interdito" (art. como corrida de cavalos. O devedor não pode repetir o pagamento. As dívidas (obrigações civis). não podem ser feitos. Obrigação de meio: . Alguns entendem que não é possível.cumprimento da obrigação. não pode exigir a restituição. 814. mas não se pode recobrar a quantia. tornam-se obrigações naturais. Contudo. Nos jogos regulamentados pela lei. nos empréstimos sem fins financeiros (muito raros). 882). O credor de obrigação natural que portar título de crédito ou cheque. sendo. ou exigi-lo de volta alegando que só cumpriu a obrigação por achar que ela era civil. pois são obrigações acessórias que seguem o destino da principal. ao prescreverem. aquele que empresta dinheiro. salvo se foi ganha por dolo. ser válida e exigível. que voluntariamente se pagou. 369). A compensação não é permitido na obrigação natural. a posteriore. A novação de obrigação natural é assunto muito controvertido.

o médico. dando-lhe maior segurança. Obrigação de resultado: Quando a obrigação visa atingir um resultado específico. Da mesma forma. É exemplo o trabalho do advogado e do médico. Obrigação de execução instantânea ou momentânea: É aquela que se esgota num ato realizado na seqüência de sua constituição (quae unico actu perficiuntur). culpa da vítima. O devedor não se exonera da obrigação por ter ocorrido caso fortuito ou força maior.Exemplo: compra e venda à vista. como do vendedor (entregar coisa certa num prazo futuro). ou caso fortuito. . o devedor responde perante seu credor. receberá seus honorários mesmo que a causa tenha sido perdida. se trabalhar com empenho provado. Encaixam-se nessa classificação as obrigações que são prestadas num período curto de tempo. Sua obrigação não é somente de transportar os passageiros ou a carga. A simples aceitação do devedor de assumir os riscos já demonstra o adimplemento para com a prestação. São exemplos: segurador e fiador. tão pequeno que é. O advogado. até chegar ao destino prometido. Caso o inadimplemento aconteça por culpa de terceiro. Obrigação de garantia: É a obrigação em que o devedor se compromete a eliminar os riscos que recaem sobre o credor. justamente porque a característica da obrigação é a de assumir todos os riscos. O devedor de obrigação de resultado só se exonera de um resultado não pretendido se provar efetivamente a ocorrência de força maior. O diferemento pode ser tanto do comprador (paga num prazo futuro).reduzido a um instante. Obrigação de execução diferida: É também executada num ato só. entrega de coisa certa. não importando sua natureza.Obrigação de meio é aquela a qual o devedor está obrigado a empregar seus conhecimentos e meios com diligência. Esta prestação geralmente protege bens suscetíveis de aferição econômica. na prática. mas sim o fazer com segurança. É o compromisso de arcar com as conseqüências. Obrigação de execução continuada: É tanto a obrigação com prestação que se prolonga no tempo. cabendo ao terceiro ação regressiva. Um transportador é um exemplo. garantias bancárias. transporte de táxi ou ônibus. etc. diz-se que ela é de resultado. não se responsabilizando pelo resultado alcançado. sem solução de continuidade. etc. mas este tem seu tempo num momento futuro.

Os elementos essenciais e naturais advêm da lei. derivando exclusivamente da vontade das partes. considerar-se-ão elas incluídas no pedido. CPC). Quando há prestações periódicas. enquanto durar a obrigação" (art. sendo as estipulações acessórias. a termo e modais: Elementos constitutivos do negócio jurídico: O negócio jurídico é formado por elementos essenciais (essentialia negotii). correspondendo as conseqüências ou efeitos decorrentes da natureza do negócio. a sentença as incluirá na condenação. Obrigações puras e simples. Obrigações condicionais: Conceito: São aquelas nas quais a ocorrência de determinado evento futuro e incerto acarreta no nascimento ou na extinção do direito.como aquela mediante prestações periódicas ou reiteradas. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto" (art. Exemplo é a compra e venda a prazo. como por exemplo as condições. das partes. criadas pelas partes e adicionadas facultativamente ao negócio. Os elementos acidentais são cláusulas de auto-limitação do negócio que modificam sua eficácia. que formam a existência do ato. Exemplo: não é condição uma cláusula que exige a morte de uma pessoa para que se cumpra seu testamento. se o devedor. Classificação conforme os elementos acidentais que cada obrigação possui. no curso do processo. independentemente de declaração expressa do autor. As prestações periódicas cumpridas não serão afetadas pelo inadimplemento de prestações futuras. O evento futuro não pode ser decorrente da natureza do próprio negócio para que seja considerada condição. Na medida em que são adicionados ao negócio. "Quando a obrigação consistir em prestações periódicas. pagamento de aluguel. os termos e os encargos. 121). Ela estende-se indefinidamente pelo tempo. os elementos acidentais têm tanto valor quanto os demais. Não é condição aquilo imposto por lei (conditio iuris). e os elementos acidentais (accidentalia negotii). No primeiro caso a prestação não tem um fim premeditado. que são executadas periodicamente. É o que acontece com o fornecedor de energia. etc. deixar de pagá-las ou de consigná-las. condicionais. a obrigação também é chamada como sendo de trato sucessivo. já os acidentais. etc. Obrigação pura e simples: É aquela que não está sujeita a nenhum elemento acidental. do representante judicial. os elementos naturais (naturalia negotii). "Considera-se condição a cláusula que. . são aquelas nas quais a prestação é dividida em várias prestações menores singulares. 290.

"Se for resolutiva a condição. A impossibilidade é jurídica quando a obrigação esbarra no ordenamento jurídico. a condição é tida por possível. ela é resolutiva. a obrigação é promíscua. e as de não fazer coisa impossível" (art. as que sejam fisicamente ou juridicamente impossíveis e as incompreensíveis ou contraditórias. não basta que as partes acreditem que o evento seja incerto. as que privem de todo efeito o ato (perplexas).O evento deve ser obrigatoriamente futuro. Se houver. ela é impossível. o que há é um termo. Exemplo: dar algo caso chova. Se ocorrer algum evento. Se a vontade da parte for a única coisa a qual a condição depende. enquanto que na mista. Entretanto. a vontade do terceiro é algo definido. Exemplo: darei algo caso se cases com tal pessoa. Também são as cláusulas que afetem a liberdade das pessoas de modo absoluto. O evento deve ser incerto. entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. o acaso é elemento não proposital. Exemplo: darei algo caso escales essa montanha. enquanto esta se não verificar. As condições que dependem tanto da vontade da parte quanto a de terceiro são tidas como mistas. nestas. "Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva. Quando a condição depende tanto da vontade quanto de um eventual acaso. Quando não houver nenhum problema em sua existência. a obrigação é simples e pura. que dificulte a realização de uma condição puramente potestativa diz-se que a mesma tornou-se prosmícua. quando resolutivas. Se a condição impede a aquisição do direito até que ela se suceda. enquanto esta se não realizar. Esta é proibida. Caso a pessoa venha a ficar paraplégica. Exemplo: darei algo caso viajes a Roma. 122). duas situações podem ocorrer. vigorará o negócio jurídico. no entanto. todas as condições não contrárias à lei. Quando a condição depende exclusivamente do acaso. a ordem pública e os bons costumes. a mesma é chamada de puramente potestativa. ela é casual. Exemplo: se a pessoa promete certa quantia se seu bilhete foi premiado num concurso passado. ao acaso. 124). se decorrer da vontade de uma das partes. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes" (art. ela é suspensiva. Se. não havendo nenhuma condição. ele realmente deve ser. "Tem se por inexistentes as condições impossíveis. Classificação das condições: "São lícitas. 125). São ilícitas as que contrariam a lei. Se o bilhete foi. ela é potestativa. as que sujeitem a parte ao puro arbítrio da outra (puramente potestativas). não se terá adquirido o direito. ela é classificada como sendo simplesmente potestativa. em geral. Caso seja certo. Diz-se que tais condições são impróprias. Se o bilhete não foi premiado a declaração é ineficaz. e física quando a obrigação implica em algo que não pode ser humanamente cumprido. A incerteza deve ser absoluta. pelo fato de que. Exemplo: darei algo se eu quiser. a que ele visa" (art. a condição cessa o direito a partir do evento condicional. isto é. Diferem-se das simplesmente potestativas. podendo . à ordem pública ou aos bons costumes.

ou de fazer coisa ilícita". O que ocorre é apenas a protelação de seu exercício até que o seu uso seja possível. 135 aplica ao termo as mesmas disposições das condições: "Ao termo inicial e final aplicam-se. caput): a) Inciso I: "as condições física ou juridicamente impossíveis. porém não precisa ser determinado. ela precisa ser judicialmente pronunciada. 127). Retirando a característica da certeza. 128). também chamado de obrigação à prazo. "O termo inicial suspende o exercício. Obrigação a termo: Conceito: É a subordinação da obrigação a evento futuro e certo. o termo é incerto. para todos os efeitos.exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido" (art. 130). ao contrário. Como o termo é algo certo. Termo é o dia em que começa ou acaba a eficácia do negócio. nos casos de condição suspensiva ou resolutiva. o termo se equipara à condição. Classificação do termo: Quando o período do termo é apenas determinável. Nos negócios de execução periódica. "Reputa-se verificada. . Este se difere da condição da condição suspensiva porque não suspende a aquisição do direito. "Ao titular do direito eventual. apenas determinável. desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé" (art. não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento" (art. mas não a aquisição do direito" (art. b) Inciso II: "as condições ilícitas. Tanto são que o art. Exemplo: darei algo quando for 6 de junho. Porém. c) Inciso III: "as condições incompreensíveis ou contraditórias". Ele é algo certo. salvo disposição em contrário. se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica. o direito a que ela se opõe. apenas o seu exercício. Características e disposições legais: "Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados" (art. extingue-se. Quando o tempo do termo é fixado numa data ou num lapso de tempo determinado. Quando ocorre a verificação há o implemento. mas. quanto aos efeitos jurídicos. é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo" (art. a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer.130). considerando-se. A condição resolutiva pode ser expressa ou tácita. A não realização acarreta na frustação. a aquisição também é. a menos que incompatível com a natureza do objeto. o mesmo é certo. Exemplo: darei tal coisa quando tal pessoa morrer. "Sobrevindo a condição resolutiva. 131). A condição não verificada ou frustada denomina-se pendente. as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva". em ambos os casos. a sua realização. não tem eficácia quanto aos atos já praticados. a resolução não tem eficácia quanto aos atos já praticados. quando suspensivas". sendo que a data de sua verificação não é precisa. O termo inicial ou suspensivo (dies a quo) quando indica o início do exercício do direito. no que couber. 123.

e. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. se do teor do instrumento. 136). Geralmente caracteriza-se pela imposição de um modo de usufruir tal direito ou fim a atingir. Se a data não for determinada. Encargo é este ônus. 134). o descumprimento deste pelo devedor caracteriza automaticamente a mora do mesmo. . salvo. 133). sem prazo. ele pode antecipar o pagamento do negócio. em proveito do devedor. ou das circunstâncias. presume-se o prazo em favor do herdeiro. § 2°: "Meado considera-se. como condição suspensiva" (art. e incluindo o do vencimento" (art. são exeqüíveis desde logo. Regras sobre a contagem do prazo: "Salvo disposição legal ou convencional em contrário. ou de ambos.Já quando o termo indica o término do direito. considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil". se o prazo foi estabelecido a favor do credor. Contudo. "Os negócios jurídicos entre vivos. nos contratos a seu favor. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo" (art. Características e disposições legais: "O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. Efeitos e disposições legais: Sendo o prazo fixado. para evitar juros. o devedor só estará em mora após a sua notificação. esta limitação do direito de exercício do bem. tal renúncia não pode ser feita sem o consentimento do outro. se faltar exata correspondência". "Nos testamentos. Conceito de prazo: Prazo é o intervalo de tempo entre o termo inicial e o final. por exemplo. ele é final ou resolutivo (dies ad quem). § 1°: "Se o dia do vencimento cair em feriado. pelo disponente. ou no imediato. § 3°: "Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. em qualquer mês. Se o devedor quiser abdicar do prazo. ou de ambos os contratantes" (art. 132. O contrato de empreitada para a construção de uma casa é um exemplo de negócio entre vivos que tem sua execução a prazo. o seu décimo quinto dia". caput). nos contratos. § 4°: "Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto". Aos herdeiros transmite-se a obrigação modal. computam-se os prazos. excluindo o dia do começo. tendo tais que ainda respeitar o encargo imposto. resultar que se estabeleceu a benefício do credor. Exemplo: dou esse terreno ao município para que ele construa uma escola. Obrigações modais ou com encargo: Conceito: São as obrigações nas quais existe certa cláusula que impõe um ônus ao detentor do direito adquirido na resolução jurídica. quanto a esses.

o que o impossibilita de cumprir com a obrigação Características da liquidação: A liquidação visa apurar o quantum devido. Na morte do instituidor. seus herdeiros só podem exigir o cumprimento do encargo. As partes podem formular quesitos e indicar assistência técnica. Quando se trata de dinheiro. O rito dessa nova liquidação respeita a do processo anterior que a gerou. O credor deve provar os rendimentos do falecido. apurar o valor da condenação. Liquidação por artigo é quando fato novo é alegado em processo sentenciado. é preciso que ocorra a sua avaloração. bem como a dependência da família para requisitar a pensão. caput. o Ministério Público poderá exigir sua execução. Não havendo termo. Exemplo de liquidação por artigo: Pedido de dano material pela morte de chefe de família à réu condenado em sentença penal. 475-A. Obrigações líquidas e ilíquidas: Conceito: São consideradas líquidas as obrigações que tenham sua existência certa e o seu objeto avalorado. Somente o instituidor pode propor ação revogatória pela inexecução do encargo. Ela pode se dar por arbitramento ou por artigos. Porém. Arbitramento é quando o juiz nomeia um perito com conhecimento técnico para apurar a avaliação de uma coisa. A sentença também não terá efeito retroativo. O devedor é obrigado a pagar os juros da mora desde que este seja líquido. Não havendo prazo para o cumprimento. não podendo propor ação revogatória. parágrafo único). positiva e líquida. Porém ele não sabe qual é a quantia. 397. isso não impede que o credor reproponha a liquidação. 397. Isso ocorre através do processo de liquidação. 553). o juiz julgará não provados os artigos de liquidação. As obrigações ilíquidas são as que têm existência certa. assinando-lhe prazo razoável para que cumpra a obrigação assumida" (art. se o donatário incorrer em mora. depois da morte do doador. constitui de pleno direito em mora o devedor" (art. esta não é obrigatória. Aplicação da distinção nos dispositivos legais: "O inadimplemento da obrigação. porém seu valor é incerto. a avaloração é dada em cifras. Quando tratar de coisa certa é o próprio objeto. 562). Para que se possa solver a obrigação ilíquida. ou seja. É a mora ex persona. "A doação onerosa pode ser revogada por inexecução do encargo. de terceiro. CC). Se o credor não conseguir provar os fatos novos. parágrafo único. cabendo apelação com efeito dedutivo. o doador poderá notificar judicialmente o donatário. se este não tiver feito" (art. CPC). serviço ou prejuízo. no seu termo. "Se desta última espécie for o encargo. devendo-se. Porém. "Quando a sentença não determinar o valor devido. procede-se à sua liquidação" (art. ou do interesse geral" (art. Isso impossibilita ao devedor solvê-la. cabendo esta somente ao MP. A liquidação é processo autônomo da sentença. 553."O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação. caput). caso forem a benefício do doador. Quando ela for . A dívida ilíquida é certa. a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial (art. então. o devedor sabe que tem que pagar.

mas a destas não induz a da obrigação principal" (art. 405). segue a sorte deste. Efeitos: "A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias.com. não dependendo de qualquer outra. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso" (art. mesmo não mencionados. A mudança de sujeitos não acarreta nenhuma alteração nas características objetivas da obrigação. Obrigação acessória é a que tem existência subordinada à obrigação principal e.ilíquida. A compensação só pode ser feita se as dívidas forem líquidas. Exemplo de obrigação acessória: fiança. <http://www. segunda parte). ou por atos inter vivo. 233). "contam-se os juros de nora desde a citação inicial" (art. Obrigações principais e acessórias: Conceito: Obrigação principal é aquela que existe por si só. O caráter acessório ou principal é atribuído pela vontade das partes ou pela lei Quando pelas partes. * Acadêmico de Direito da UFSC. logo. Cessão do crédito: Conceito: . O ato que determina a transmissão chama-se cessão. o fiador só responde a obrigação quando esta se tornar líquida. A transferência de sujeito pode dar-se por mortis causa. juros. cláusula penal. etc. como na sucessão hereditária. pode ter sido convencionada em conjunto com a obrigação principal ou posteriormente. penhor. 184.investidura. Elas se preservam como se nada tivesse acontecido.html> Direito Das Obrigações ± Parte III Direito Das Obrigações ± Parte III Otávio Goulart Minatto* Transmissão das obrigações (disposições gerais): Noções gerais: As relações obrigacionais admitem alterações no conteúdo do seu objeto e nos seus sujeitos (ativos e passivos). Da mesma forma.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/455dtoobrptii. "A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios.

O devedor (cedido) não participa necessariamente da cessão. Espécies de cessão de crédito: "Na cessão por título oneroso. Responder pela existência é garantir que o crédito não seja prejudicado por exceções ou qualquer outro tipo de impugnação. ao administrar os bens dos filhos menores. este só será responsável se tiver agido de má-fé. . 286). O crédito transmitido sub-existe. Características e requisitos: "O credor pode ceder o seu crédito. deve haver consentimento do cônjuge. Ele tem apenas o direito de ser informado da cessão.É a mudança do sujeito ativo da obrigação. não podem cedê-los se. se a isso não se opuser a natureza da obrigação. fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu. mas não pode ser alegada para anular a cessão ao cessionário de boa-fé caso não esteja constado no instrumento da obrigação. ressarcindo o cessionário caso o haja. Nos créditos envolvendo direito real de garantia. ainda que não se responsabilize. Sua anuência é dispensada. "Salvo disposição em contrário. Na cessão onerosa. o cedente é responsável pela existência e titularidade do crédito no momento da transferência. Da mesma forma. A convenção das partes pode impedir que se faça uma cessão de crédito. Na cessão parcial do crédito. Em alguns casos. O crédito cedido a mais de um cessionário é independente para cada um. se tiver procedido de má-fé" (art. 295). O cedente deve ser pessoa capaz e legitimada para praticar atos de alienação. estando incluso ainda na obrigação. diz-se que ela foi total. prévia autorização judicial (art. É como uma venda. o que acarreta na mudança de todas as características. Quando sim. A cessão do crédito transmite apenas os direitos do credor. o cedente persiste com parte do crédito. os pais. A cessão de crédito pode ser feita gratuitamente ou onerosamente (mais comum). 287). O tutor e o curador. o cedente. com a diferença de que o objeto é um bem incorpóreo. a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé. Quando a cessão é gratuita. na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios" (art. se não constar do instrumento da obrigação" (art. a lei. preservados os do devedor. Na novação. preservando todos seus acessórios. Diferença com institutos afins: A cessão de crédito se diferencia da novação subjetiva ativa porque nela as características objetivas da obrigação permanecem. O cedente é excluído da obrigação por não fazer mais parte dela. O cedente pode ainda transmitir a sua parcela do crédito para pessoa diversa. alheio ao negócio jurídico inicial. Acontece entre o credor e terceiro. Não há animus novandi. ou a convenção com o devedor. O cessionário de ser pessoa plenamente capaz. a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito. não podem ser cessionários de créditos contra seus pupilos e curatelados. a capacidade não é requisito suficiente para se ter a legitimação. por exemplo. Não se pode transmitir as obrigações de caráter personalíssimo e de direito de família. respectivamente. o que há é a substituição da obrigação por outra. A cessão do crédito pode abranger a totalidade da dívida ou não. 1691).

o mandante. 287). 346. e não somente a negociada. Entretanto. em relação a terceiros. antes de ter conhecimento da cessão. todos os co-devedores dever ser notificados. Esta foi imposta pela lei. ou que.000. 290). podem as partes convencionar que o cedente deve responder pela quantia total do crédito. não responde por mais do que daquele recebeu. A cessão do crédito é legal quando ocorre por determinação da lei (ipso juri). responsável ao cessionário pela solvência do devedor. se o cedente. mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança" (art. porém.000 que possui com terceiro para o cessionário no valor de R$ 8. Para valer entre as partes. A presumida é a que resulta da espontânea declaração de ciência do devedor. além de responder pela existência. 668). paga ao credor primitivo. responsabilizando-se pela insolvência. e não o crédito do cessionário. em favor de quem são transferidos os créditos adquiridos pelo mandatário (art. A situação do cedente não se confunde. o devedor solidário que paga toda a dívida (art. mas por notificado se tem o devedor que. se declarou ciente da cessão feita" (art. o cedente não responde pela existência do crédito. A expressa é a comunicada pelo credor. inc. quando o crédito constar de escritura pública. 296). Tanto o cedente quanto o cesionário podem notificar o devedor. o cedente não responde pela solvência do devedor" (art. por exemplo. Quando o cedente responde apenas pela existência do crédito e não pela solvência do devedor. prevalecerá a prioridade da notificação" (art. 831). se não se celebrar mediante instrumento público. ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1° do art. Quando a cessão é legal. Exemplo: se o cedente vende um crédito de R$ 10. a cessão é pro solvendo. "Salvo estipulação em contrário. O que se indeniza é apenas o interesse contratual negativo. seria ilógico obrigá-lo por algo que não foi feito por ele. A notificação pode ser expressa ou presumida. a cessão é chamada de pro soluto. Notificação do devedor: "A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor. que a notificação seja elemento essencial. São exemplos de cessão legal: as sub-rogações do art. o fiador que também paga toda a dívida (art. pelo princípio do pacta sunt servanda. Porém.A cessão pode constituir-se pelo simples acordo entre as partes. paga duas vezes.000. deve cobrir a dívida em caso de insolvência do devedor. 283). Isto não significa. caso esta aconteça. pois ele não concorreu com a transferência. "O cedente. 288). no caso de mais de uma cessão notificada. Esse tipo de cessão deve estar expressamente estipulada no contrato. acrescidas as despesas. 654" (art. com o título de cessão. Sendo assim. Caso a obrigação seja solidária. Porém. A cessão legal e a judicial não necessitam de nenhuma exigência a mais do que as que naturalmente dispõe. Alguns crédito não exigem . senão quando a este notificada. a transmissão de um crédito. salvo se o objeto tiver por substância do ato escritura pública. o cedente irá reembolsar o cessionário em R$ 8. as cessões dos acessórios (art. Se o devedor foi notificado e mesmo assim paga ao credor primitivo não se desobrigará quanto ao cessionário. "Fica desobrigado o devedor que. II. em escrito público ou particular. com os respectivos juros. Nestes casos a cessão é convencional. 297). pois quem paga mal. nunca podendo ser presumida. não se exige forma especial. com a do fiador ou a do devedor solidário. Ela o é sempre que for determinada pelo juiz. "é ineficaz. etc. o da obrigação cedida. paga ao cessionário que lhe apresenta. A cessão pode ainda ser judicial. 292).

pois se presume que ele vê na figura do devedor a certeza de que este tem idoneidade patrimonial para solver a dívida. pois sua transmissão dá-se de forma especial. não impugnar em trinta dias a transferência do débito. . Uma troca de devedor pode representar. pois dispensa a homologação do credor de forma direta. caput). A citação inicial para ação de cobrança equivale à notificação. não tendo notificação dela. uma incerteza quanto ao seu cumprimento. pode o devedor exigir o cumprimento pelo cessionário para que. Por isso. entender-se-á dado o assentimento" (art. ficando exonerado o devedor primitivo. exceto as que devem ser cumpridas pessoalmente pelo devedor.notificação da cessão. O terceiro. mas o devedor que o pagar. para ele. tinha contra o cedente" (art. não poderá mais fazer. "O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem. "O crédito. "O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido. caso o cedente não tenha cumprido a obrigação. Cessão do débito: Conceito: É a alteração do sujeito passivo da obrigação. no momento em que veio a ter conhecimento da cessão. 298). Torna mais rápida a transferência. o crédito deixa de fazer parte do patrimônio da pessoa. "É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. sendo repassados para o novo devedor. como os títulos ao portador. se o credor. 303). Qualquer dívida pode ser objeto de assunção. notificado. a segurança do negócio. então. salvo se aquele. parágrafo único). 299. do mesmo modo. a qual presume o consentimento do devedor. Somente no caso do adquirente de imóvel hipotecado é que o silêncio do credor interpreta-se como sua anuência. bem como as que. também conhecida como assunção de dívida. mesmo que não tenham sido feitas na altura da notificação. Num contrato bilateral. responde pelos encargos obrigacionais. fica exonerado. efetue o pagamento. 299. ao tempo da assunção. não pode ser objeto de cessão. 294). Já as exceções cabíveis ao cessionário ou à natureza da obrigação podem ser opostas a qualquer momento. uma vez penhorado. "Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida. com o consentimento expresso do credor. A assunção da dívida acarreta somente na mudança do polo passivo obrigacional. Todos os encargos e acessórios são mantidos. A anuência do credor é indispensável. não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. preservando. Se nada opôs na hora contra o cedente. inclusive os acessórios. subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiros" (art. Características: Só pode ser feita com a anuência expressa do credor. que recebe a dívida. Uma vez penhorado. interpretando-se o seu silêncio como recusa" (art. Esse artigo torna mais fácil a venda de imóveis hipotecados. era insolvente e o credor o ignorava" (art.

Na assunção. o benefício do antigo devedor resulta imediatamente da sua liberação da dívida. também conhecida como assunção de cumprimento: Na promessa de liberação do devedor. entretanto. a assunção é cumulativa. Exemplo: Pai assume dívida do filho. pois a obrigação se extinguiu. acertar que os riscos da insolvência correm por conta do credor (pacta sunt servanda). o credor é o delegatário e o terceiro é o delegado. c) Assunção da dívida e fiança: A fiança é. Contudo. A conseqüência prática dessa distinção é que na novação as garantias e os acessórios se extinguem. acontece a criação de nova obrigação. o estipulante ou promissário cria a favor do terceiro beneficiário o direito a uma nova prestação. Quando o terceiro assume totalmente a dívida.Semelhança com institutos afins: a) Assunção da dívida e promessa de liberação do devedor. a obrigação persiste. Já na assunção. Não há no que se falar em anuência do credor na expromissão. exonerando o devedor primário. d) Assunção da dívida e estipulação em favor de terceiro: Na estipulação em favor de terceiro. no entanto. a assunção é feita por delegação. extinguindo-se a antiga. que possibilita a identificação da categoria. Já na assunção de dívida. mediante a obrigação contraída pelo promitente. tendo em vista que a obrigação persiste. Nas duas há alguém que paga a dívida de terceiro. O antigo devedor ainda responde por uma parcela. sem a participação do devedor primário. b) Assunção da dívida e novação subjetiva por substituição do devedor: Nas duas há na figura do devedor. diz-se que ela é imperfeita. na verdade. O fiador que paga a dívida integralmente subroga-se credor do devedor primário. uma obrigação subsidiária. mas que ele o fez sua. desonerando-o da mesma. e não mediante a atribuição de um novo direito a uma prestação. Já o assuntor responde por dívida própria que era alheia. na novação. Contudo se ocorrer acordo entre terceiro e o credor. O fiador responde por dívida alheia. Efeitos da assunção da dívida: "O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor . Como essa assunção não exclui totalmente a responsabilidade do devedor primitivo. com a anuência do credor. a assunção é por expromissão. elas continuam. O antigo deve arcar com a dívida. Isto significa que o credor não tem direito de cobrar deste terceiro o cumprimento da promessa. Não há necessidade da anuência do devedor primário na expromissão. o terceiro consente em apenas efetuar o pagamento. As partes podem. O assuntor não. Espécies de assunção da dívida: Quando há acordo entre o devedor primário e o terceiro. pois é o próprio que participa na alteração. pois tudo que fez foi pagar sua própria dívida. É a interpretação do contrato. alguém se obriga a efetuar a prestação no lugar do devedor. Se o novo devedor assume apenas uma parte da dívida. Essa exoneração é extinta. na promessa de liberação. a assunção é liberatória. apesar de haver mudança do devedor. muitas vezes. quando ocorre a insolvência do novo devedor. recaindo a obrigação ainda sobre o devedor. O devedor primário é o delegante. A diferença é que.

restaura-se o débito. exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação" (art. A outra parte que não participa. não há nada que defina qual dos dois (cedente ou cessionário) deve ser cobrado primeiro. "Salvo assentimento expresso do devedor primitivo. Em tais negócios. este figura na obrigação também. é imprescindível a anuência deste. 302). Há certos casos em que a lei dispensa o consentimento do cedido. . ao mesmo tempo. só acontece de um deles separadamente. cada parte possui direitos e deveres recíprocos. 301). consideram-se extintas. Só poderá ser se o devedor primitivo tiver conhecimento prévio do vício que anularia a cessão. não apenas um deles. O terceiro que recebe é o cessionário. ou seja. Cessão de contrato: Conceito: É a cessão da inteira posição contratual de um negócio bilateral ou sinalagmático. ou posteriormente na forma de ratificação. hipoteca) são mantidas. quando o contrato já prevê a hipótese de cessão. mas que deve declarar a sua anuência é o cedido. Só pode opor aquelas que dizem respeito ao vínculo obrigacional. salvo as garantias prestadas por terceiros. é a interpretação do disposto pelo cedido que tornará possível saber quais são as características da cessão. podendo o cedido argüir contra qualquer um. a partir da assunção da dívida. A diferença para uma cessão de crédito ou débito é que na cessão contratual é transferido para terceiro um complexo de créditos e débitos conjuntos. Aquele que cede é o cedente. Desta forma. se agisse de má-fé. impor. Cada parte é tanto credor quanto devedor. Como não existe algo expresso na legislação brasileira a respeito. essa garantia não pode ser restaurada caso haja a anulação da cessão. Se uma garantia especial dada pelo devedor primitivo (como a fiança).primitivo" (art. É o caso da cessão do comprador de um imóvel loteado numa relação de compra e venda. por exemplo. 300). A jurisprudência tem estendido esse entendimento para os imóveis não loteados. tendo que cumpri-la caso o cessionário não o faça. Somente o credor pode escolher por desconsiderá-las. que essa solidariedade não pode ser presumida. De qualquer forma. "Se a substituição do devedor vier a ser anulada. A transferência dessas características conjuntas é a cessão do contrato. pois dizem respeito ao objeto e não aos sujeitos. A fiança. foi extinguida com a cessão da dívida. enquanto que nas outras modalidades. Características e efeitos: Como o cessionário se tornará o novo devedor do cedido. com todas as suas garantias. a não liberação do cedente. Venosa entende diferente. O cedido pode consentir com a cessão e. as garantias especiais por ele originalmente dadas ao credor" (art. no momento em que se celebra a substituição. O fiador não é obrigado a garantir devedor que não conhece (o assuntor) As garantias reais (penhor. Nesses casos ocorre uma cessão imprópria do contrato ou uma sub-rogação legal na relação contratual. A anuência pode ser dada previamente. é extinta.

muda-se apenas a parte. a obrigação deve ser de execução duradoura. O cedente responde pela existência da relação contratual cedida sempre que a cessão for onerosa ou quando o mesmo age de má-fé na cessão gratuita. somente o cedente. seja interessado ou não (art.Para ser objeto de cessão. mas a obrigação se extingue. Dar. É consenso. como na prestação do contrato. A cessão do contrato não se confunde com o contrato derivado ou subcontrato. O segundo princípio é o da pontualidade. nulidade. mas em tudo aquilo mais conseqüente aos seus atos. O pagamento é norteado por dois princípios. O primeiro é o princípio da boa-fé. Ex: impossibilidade de execução sem culpa do devedor. somente aquelas relacionadas ao objeto. podendo o pagamento ser tanto efetuado em dinheiro. que o pagamento é um ato jurídico em sentido amplo. faz-se analogia com a cessão do crédito quanto à responsabilização pela existência. novação. estabelecendo que a prestação deve ser cumprida em tempo e de forma completa. Da mesma forma. o cessionário quanto ao cedido. enquanto que na cessão. diz-se que ela a foi por meios anormais. Pagamento: Noção e espécies de pagamentos: Pagamento é o cumprimento da obrigação. O devedor não se obriga somente ao estipulado no contrato. Esta noção é empregada em sentido técnico-jurídico. Dessa forma. 304). As obrigações de execução instantânea só podem ser objeto de cessão quando o cumprimento foi apenas parcial. como de forma indireta. o que há é a criação de um novo contrato da mesma natureza com terceiro. Não pode nem impor aquelas fundadas no contrato de cessão. como na prestação de um serviço. Natureza jurídica do pagamento: A natureza jurídica é um assunto muito debatido doutrinariamente. o contrato é o mesmo. como no pagamento por consignação e na dação em pagamento. Se aquele descobre que foi vítima de vício depois da cessão. não poderá o cessionário protestar a anulação. . Quando não há pagamento. fazer. não-fazer. ou quando há ainda conseqüências jurídicas a serem produzidas. Como a cessão do contrato não está disciplinado no Código Civil. O cedido não pode alegar ao cessionário nenhuma exceção pessoal do cedente. porém. Pode haver pagamento de forma direta. Neste. etc. que extingue a mesma. A obrigação é cumprida quando é realizada espontaneamente pelo devedor ou voluntariamente quando interpelado. podendo variar entre ato jurídico strictu sensu e negócio jurídico bilateral ou unilateral. pois se extinguem na hora. cada uma representa uma prestação diferente. As instantâneas não podem ser objeto de cessão. que implica em que as partes ajam de forma correta. As exceções pessoais do cedente não se transmitem ao cessionário. não há cumprimento quando a realização é feita por meios coercitivos. A dificuldade de classificá-lo é reflexo das diversas formas que existem para se efetuar o pagamento. Ele representa a realização voluntária da prestação pelo devedor ou por terceiro.

com todos os privilégios e garantias do negócio (art. d) Pessoa que efetua o pagamento (solvens). Porém. nunca em nome próprio. por exemplo. c) Pessoa que recebe o pagamento (accipiens). Têm. só há uma maneira de impedi-lo: efetuar o pagamento antes dele. só o foi graças às características do devedor. Se o devedor não quiser que o terceiro pague sua dívida. e) Intenção de solvê-lo (animus solvendi). subrogam-se como credores (art. tem direito a reembolsar-se do que pagar. III). Quando a obrigação é contraída intuitu personae. 247). não precisará reembolsar o montante que lhe aproveita. ou seja.00. Quando o conteúdo do cumprimento não é um negócio jurídico. estando o credor livre para aceitar o pagamento. esta oposição do devedor não configura proibição. Terceiro não interessado judicialmente pode também realizar o pagamento em nome e à conta do devedor. se o fizer em nome e à conta do devedor. Houve compensação entre as partes. sendo que a dívida caiu para R$ 30. como os fiadores. não obriga a reembolsar aquele que pagou. Contudo. entende-se o jurídico.00. avalistas. dos meios conducentes à exoneração do devedor" (art. Exemplo: terceiro possui interesse moral na resolução da obrigação. Não há nada que obste. caput). Pagamento efetuado mediante transmissão da propriedade: "Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade. com desconhecimento ou oposição do devedor. Se o terceiro pagou a dívida inicial de R$ 100. então. como um pai que paga a conta do filho. 304. Por interesse. sendo obrigado pelo resto. "O terceiro não interessado. Quem deve pagar: "Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la. "Igual direito cabe ao terceiro não interessado. 304. 306). 305. 346. O principal interessado é o devedor. pode ser cumprido por incapaz. se o devedor tinha meios para ilidir a ação" (art. aqueles que se interessam pelo cumprimento da obrigação. parágrafo único). como quando o devedor alega compensação. Caso o devedor se oponha ao pagamento do terceiro. que o incapaz faça a entrega de um imóvel seu negociado por seu tutor. etc. caput). Contudo. o devedor terá que reembolsá-lo apenas na quantia de R$ 30. mas não se sub-roga nos direitos do credor" (art. Ilidir a ação é provar que não se devia ela. o direito de cobrar a dívida do devedor. Fazendo isto.Requisitos essenciais de validade do pagamento: a) Existência de vínculo obrigacional. adquirentes de imóvel hipotecado. pode o credor alegar motivo justo para não aceitar o pagamento. "O pagamento feito por terceiro. quando feito por . desde que aja em nome e à conta do devedor. só o mesmo pode cumpri-la (art. se o credor se opuser. salvo oposição deste" (art. b) Cumprimento da prestação. Ex: o devedor devia R$ 100. decadência. podem pagar a dívida. usando. 349). 334 e seguintes) o credor que não aceita o pagamento.00. se o devedor ilidir apenas parcialmente a ação do credor. ou não envolve ato de disposição. Este terceiro pode até consignar (art. que paga a dívida em seu próprio nome.00.

etc. aquele que é titular do direito real. aquele que possui a titularidade do direito de crédito no momento da cobrança. no caso. Não basta ter capacidade genérica. não se poderá mais reclamar do credor que. se o credor estiver de boa-fé (art. optar por não ratificar se esse proveito lhe tolher a liberdade . caput). § 1°). como os pais. tutores e curadores. podendo ser totalmente desfeita se. a recebeu e consumiu. O credor ratifica o pagamento quando obtiver proveito direto (o terceiro lhe dá a quantia) ou indireto (o terceiro utiliza o dinheiro a favor do credor) deste ato. O pagamento a terceiro será válido. Pode o credor. ou outra coisa. salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante" (art. "Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação. como o inventariante. O credor não é somente o originário. caberá ao verdadeiro proprietário da coisa fungível somente voltar-se contra o devedor. parágrafo único). este ainda terá o direito de exigir o pagamento. IV). como no seguro de vida. houver vários indícios que o portador da quitação é um ladrão. 1748. ou seja. 1268. no entanto. a transferência se convalidará. paga em dobro. ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la" (art. Caso seja convencional. 308). Pode ser o herdeiro. 307. há um mal pagamento. Validade do pagamento efetuado a terceiro que não o credor: Se o solvens pagar alguém que não o credor. caso contrário só valerá a partir da ratificação deste" (art. 311). b) Judicial: é o nomeado pelo juiz. O representante convencional é a figura do adjectus solutionis causa. pois quem paga mal. o negócio é uma estipulação em favor de terceiro. deve-se ter a específica. contudo. se for ratificado pelo credor. Essa presunção é relativa. o cessionário. Quando é feita a dação em pagamento. porém as cláusulas do contrato são em favor do próprio adjectus. Quando. administrador da empresa penhorada. "Se se der em pagamento coisa fungível. ou seja. se o alienante (o devedor) efetuar a dação. Ex: Um tutor não pode dar em pagamento o imóvel do tutelado sem autorização judicial (art. o pagamento pode ser dado tanto ao representante quanto ao credor original. síndico da falência. mas só receber o domínio da coisa dada posteriormente ao pagamento. Essa ratificação retroage até o dia do pagamento a terceiro para produzir todos os efeitos do mandato. com o objetivo de facilitar a execução do pagamento às partes. sendo irrevogável pelo credor e não se extinguindo com a morte do mesmo. Existem 3 tipos de representantes do credor: a) Legal: é o que decorre da lei. Nesse caso. podendo ser revogado pelo credor. A quem se deve pagar: "O pagamento deve ser feito ao credor ou qualquer um que o represente.quem possa alienar o objeto em que ele consistiu" (art. o legatário. Nesse caso. pois o devedor não teve a prudente cautela. 307. c) Convencional: é o estipulado pelo credor. Contudo. a mesma só pode ser realizada por aquele que possa alienar o objeto. Quando a representação é legal ou judicial. de boafé. o pagamento só pode ser destinado a esta pessoa.

Pagamento efetuado ao credor putativo: "O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é valido. Outro exemplo é o do locador aparente. Do objeto do pagamento: O pagamento só existirá se houver um débito. O devedor não se exonera da obrigação prestando algo diverso. Nesses casos. se assim não se ajustou" (art. Exemplo de credor putativo é o único sobrinho de um falecido rico que se presume ser o herdeiro. Qualquer ato que aumente o patrimônio do incapaz. "O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. não pode o credor ser obrigado a receber. como a compra de imóvel. pois o devedor exonera-se da obrigação. "Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. o devedor é notificado e instruído a depositar em juízo. Se a obrigação é complexa. nem o credor a assim aceitá-la. A prestação deve ser cumprida por inteiro. na sua invalidação. ou aquele que gera enriquecimento patrimonial daquele. 309). Revertido é o pagamento que chega ao poder do representante do credor. Sendo assim. Para que não haja enriquecimento ilícito do credor. não sendo o devedor forçado a pagá-la em partes. ainda que mais valiosa" (art. ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor" (art. por exemplo). por partes. Pagamento efetuado ao credor cujo crédito foi penhorado: "Se o devedor pagar ao credor. se nada foi estipulado no contrato. Pagamento ao credor incapaz: "Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar. O objeto do pagamento deve ser estipulado na prestação. A substituição da prestação só pode ser feita com a anuência do credor. 310) O pagamento será válido.de decisão sobre o pagamento da dívida. que se intitula como sendo o proprietário do imóvel. mas que na verdade não o é. se ocorrer aumento por fato do credor. é requerido a escusabilidade do erro. 325). 314). é proveitoso. Além da boa-fé do devedor. o pagamento não valerá contra estes. se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu" (art. suportará este a despesa acrescida" (art. que poderão constranger o devedor a pagar de novo. pois não se justifica proteger aquele que agiu com negligência. . só será extinta com o cumprimento na íntegra do débito. o que implica. o mesmo deve devolver ao devedor o valor pago. contudo. nem o devedor a pagar. apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito. ou da impugnação a ele oposta por terceiros. o que resta ao credor é se voltar contra o accipiens. ou seja. o pagamento feito ao credor demonstra o não seguimento com o que foi estabelecido. ainda provado depois que não era credor" (art. logo. "Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. o credor putativo. 312) Quando o título é penhorado ou impugnado. etc. Pagamento sem débito gera obrigação de restituir o que foi indevidamente pago. se o devedor desconhecer da incapacidade do credor por erro escusável ou por dolo daquele (ocultar a idade. 313).

É o caso da indenização. em moeda corrente e pelo valor nominal. A Lei n. 317 permite que. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e do momento de sua execução. caput). 315 abre a possibilidade de disposições em contrário ao princípio do nominalismo. 315). É o vulgo recibo. É a compensação da inflação. 320. A dívida de dinheiro é aquela que tem por objeto o próprio dinheiro. 318). "quando. designará o valor e a espécie da dívida quitada. "Ainda que sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação. Da mesma forma o art. como quando se faz um empréstimo. quanto possível. O Código Civil adotou o princípio nominalista no pagamento de dívida de dinheiro. Este reajuste. entender-se-á. b) Contrato de compra e venda de câmbio. 320. Isto significa que o valor a ser pago é a quantidade em moedas estipulada. O Brasil adotou o curso forçado da moeda para o pagamento em dinheiro. c) Contrato de importação e exportação. bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional. ou seja. o nome do devedor. inscritos no próprio CC. 318 e estabelece as exceções em que se pode usar a moeda estrangeira. ou peso. de modo que assegure. e não aquilo que elas poderiam ser convertidas na época. Quitação é a declaração unilateral escrita pelo credor declarando que a prestação foi efetuada. "O devedor que paga tem direito a quitação regular. Contudo. o valor real da prestação". 10. Prova do pagamento: O pagamento exonera o devedor e lhe atribui o direito de exigir a quitação da dívida pelo credor.Pagamento em dinheiro e o princípio do nominalismo: "As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento. É o caso do art. ao dispor que o pagamento deve ser feito na data do vencimento no valor nominal estipulado no contrato (art. no silêncio das partes. mas ele representa o valor monetário deste. Retira-se . 316 que permite "convencionar o aumento progressivo das prestações sucessivas". o próprio art. Esta é a chamada cláusula de escala móvel. a pedido da parte. "A quitação. ou quem por este pagou. por motivos imprevisíveis. dívida de valor é aquela em que o dinheiro não é o objeto. se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida" (art. que sempre poderá ser dada por instrumento particular. salvo o disposto nos artigos subseqüentes" (art. que prevê o reajuste da prestação conforme os índices de custo de vida. 319). 315). excetuados os casos previstos na legislação especial" (art. não pode ter periodicidade menor que 1 ano. enquanto não lhe seja dada" (art. "São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira. Sendo assim. e pode reter o pagamento. parágrafo único). que aceitaram os do lugar da execução" (art. quais sejam: a) Contratos em que o devedor ou o credor seja domiciliado e residente no exterior. uma desvalorização ou valorização não são levadas em conta na hora do pagamento. o tempo e o lugar do pagamento"(art. poderá o juiz corrigi-lo. porém.192 vai ao encontro do estipulado no art. 326). só se pode pagar com a moeda interna. Diferentemente. "Se o pagamento se houver de fazer por medida.

Por motivos óbvios. "Designados dois ou mais lugares. 327. 324. b) "Nos débitos. o princípio da relativização do recibo. no prazo legal. ou uma construção no imóvel. Prestação relativa ao imóvel é a execução de um serviço. Esse tipo de presunção é relativa. c) "Sendo a quitação do capital sem reserva de juros. 322). 324. salvo se as partes convencionarem diversamente. Presunções do pagamento: Há 3 casos especiais em que a extinção da dívida dá-se por presunção. Sendo assim. nos quais se estabelece o domicílio das duas partes como local do pagamento. como uma reparação. Outro exemplo é o caso das contas de fornecimento de energia elétrica. Caso seja no domicílio do credor. a quitação da última estabelece. perdido este. caput). parágrafo único). É a reiteração do pagamento num dos lugares que acaba definindo qual das opções é a escolhida. poderá o devedor exigir. cabe ao credor escolher entre eles" (art. retendo o pagamento. 321) Essa solução é pouco usual. pois não é oponível ao terceiro de boa-fé que detenha o título. far-se-á no lugar onde situado o bem" (art. que o título foi furtado. contudo. diz-se que a dívida é quesível. "ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar. cuja quitação consista na devolução do título. a falta do pagamento" (ar. Há casos como. caput). Quando o pagamento segue a regra e é feito no domicílio do devedor. 327. nas quais consta expressamente que a quitação da última não faz presumir a quitação de contas anteriores. Como os juros são obrigação acessória. invalidando assim o suposto pagamento. mas entra em ação para discutir outras contas anteriores. da natureza da obrigação ou das circunstâncias" (art. declaração do credor que inutilize o título desaparecido" (art. em sessenta dias. Porém. ou em prestações relativas a imóvel. Esta situação é usual nos contratos de locação. a saída mais utilizada é a entrada das partes com uma ação de anulação e substituição de títulos ao portador. tornando ineficaz o título perdido. o do condômino que paga as despesas do último mês do condomínio. por exemplo. O devedor não se exonera de uma obrigação só porque o credor lhe aferiu um recibo. respondendo ainda pelo restante. 323) A quitação do capital presume a dos juros. parágrafo único). Local do pagamento: "Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor. "Se o pagamento constituir na tradição de um imóvel. o devedor só fica livre desta parte. ou qualquer outro motivo. estes presumem-se pagos" (art. estes só . até prova em contrário. presume-se que esta foi paga quando a principal foi. dispensando-se a quitação: a) "A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento" (art. Caso este contenha valor menor do que a da prestação. 328). Isto porque o natural é que se o credor aceitou o último pagamento é porque tenha recebido os anteriores.desse parágrafo único. pois pode o credor provar. ela é portável. Essa presunção é relativa. de forma indireta. a presunção de estarem solvidas as anteriores" (art. "Quando o pagamento for em quotas periódicas. ou se o contrário resultar da lei.

é aplicado. 134). A jurisprudência tem trabalhado com o entendimento de que se isso acontecer. 52. c) Inciso III: "Se cessarem. sem que fique constituído em mora. 397 permite inferir que as obrigações puras com estipulação de data para pagamento devem ser solvidas na ocasião. § 2°. o devedor deve ser informado (judicialmente ou extrajudicialmente) da intenção do credor de cobrá-lo para que ele fique caracterizado em mora. fidejussórias. Deverá aceitar o pagamento com a redução proporcional dos juros. Se o prazo for a favor do credor. sendo então exeqüíveis na medida do possível (art. o devedor não tem todas as horas do dia para pagar. Nos 3 casos o que há é uma ameaça ao credor de não receber seu crédito. geralmente o prazo é estipulado em favor do devedor (art. para que assim possa evitar algum juro. como taxas bancárias. ou de concurso de credores". a identificação do mesmo cabe ao juiz. O art. por exemplo. forem penhorados em execução por outro credor". Há ameaça à possibilidade de se receber o crédito pela diminuição das garantias que ele possuía. pode o credor optar por manter o antigo local para o pagamento. pelos mesmos motivos (que para ele interessa). poderá o devedor fazê-lo em outro. se o contrato for regido pelo CDC. e o devedor. este terá que cobrir todas as despesas relativas à essa mudança. Caso seja impossível e o pagamento tiver que ser feito no novo domicílio do devedor. Ou seja. Os atos sem prazo podem ser praticados desde logo. o devedor é constituído em mora. hipotecados ou empenhados. 331). sem prejuízo para o credor" (art.podem ser feitos no local o qual se situa o imóvel. Como o CC não definiu precisamente o que seria essa "motivo grave". O bom senso. intimado. ou reais. Tempo do pagamento: O tempo do pagamento é observado em relação ao estabelecimento a ser debitado. mas sim somente aquelas nas quais o estabelecimento encontra-se em funcionamento. 329). ou se se tornarem insuficientes. "Salvo disposição legal em contrário. do CDC). por exemplo. poderá o mesmo abrir mão desse direito. Quando não há prazo. Caso não sejam. Há certos prazos especiais para o pagamento. b) Inciso II: "Se os bens. não lhe cabe tal direito (art. sendo permitido ao devedor satisfazer a obrigação em tempo razoável. antecipando o pagamento. 133). A garantia real corre o risco de não encontrar mais o objeto. pode o credor exigi-lo imediatamente" (art. as garantias do débito. se negar a reforçá-las". daí a necessidade de antecipá-lo para cobrálo: a) Inciso I: "No caso de falência do devedor. não tendo sido ajustada época para o pagamento. a não ser que sua execução esteja subordinada a determinado local ou tempo. Uma dívida com o banco. nesses casos. Contudo. "Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado. Há a antecipação para que o credor possa se juntar aos outros. no qual o tempo será . pode este não aceitar o pagamento antecipado. A interpretação do art. O CC não se posiciona sobre a hipótese de mudança de domicílio do devedor. Nos contratos. etc. 333 estabelece os 3 casos em que há antecipação do vencimento. Sempre que assim for. como no comodato. não pode ser paga a qualquer hora do dia.

por ele mesmo ou em seu nome. nos casos e forma legais" (art. sob . 341). com o objetivo de liberar o devedor da obrigação quando o credor age em mora. será ele citado para esse fim.html> Direito Das Obrigações ± Parte IV Direito Das Obrigações ± Parte IV Otávio Goulart Minatto* Pagamento em consignação: Conceito: O pagamento em consignação é uma espécie de pagamento especial. pode o devedor consigná-lo. É ilógico pensar neste instituto nas obrigações de fazer e de não fazer. Se não houver recusa não há no que se falar em consignação. 581). cobrindo-se dos efeitos que o efetivo pagamento lhe causaria. 332). Quando o credor rejeita o pagamento sem justificativa aceitável. poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la. sob pena de ser depositada" (art. O objeto pode ser ainda certo ou incerto. O devedor não só tem o dever de pagar como tem o direito de fazê-lo. O disposto refere-se às condições suspensivas. já que o adimplemento é feito desde já. pois isto o interessa na medida em que o exonera da obrigação. A consignação é forma indireta de pagamento.com. o que não acontece quando a recusa é justa. Por isso. judicialmente ou extrajudicialmente. "Considera-se pagamento. 334). O depósito só é possível nas obrigações de dar. feita de forma indireta. entende-se que pode ser tanto dinheiro quanto bens móveis ou imóveis. "Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor. pois o credor irá aceitar o pagamento quando lhe oferecido. "Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está. <http://www. 334 não especifica o que se pode depositar ou não. Objeto da consignação: O art. e extingue a obrigação. cabendo ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor" (art.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/456-direito-dasobrigacoes-parte-iii.o necessário para o uso concedido (art. Se a recusa do credor é justa não se pode consignar o pagamento. ela só cabe quando não é possível fazer o mesmo de forma direta. Sendo assim. A consignação consiste no depósito da coisa devida pelo devedor. * Acadêmico de Direito da UFSC. O mesmo não se observa na condição resolutiva. sendo a sua extinção condicionada. "As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. A consignação comprova a mora accipiendi. pois essa recusa caracteriza que o devedor não esta apto para se exonerar da obrigação.investidura. o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida.

comparecendo mais de um. quando a dívida é portável. e) Inciso V: "se pender litígio sobre o objeto do pagamento". pois. Seu depósito é suficiente para que seja exonerado da obrigação. fica comprovada a impossibilidade de se pagar diretamente. Neste caso. o juiz decidirá de plano. cabe apresentar causa justa para a recusa. art. modo e tempo. . Não é lógico prejudicar o devedor pela mora accipiendi. 898). Estando as partes disputando em juízo o objeto do pagamento é ilógico pensar que uma delas pode se exonerar da obrigação em disputa. Nas três hipóteses. não ficará o devedor eternamente a espera da escolha. for desconhecido. 342). não comparecendo nenhum pretendente. Só assim é possível a consignação. será mister concorram. O caso da ausência é difícil de ser observado. Deve ser impossível também efetuar o pagamento ao representante do credor. caso em que se observará o procedimento ordinário" (CPC. proceder-se-á como no artigo antecedente" (art. que estabelece um curador para o ausente. Existindo um curador não há porque não fazer o pagamento diretamente para ele. nesse caso. feita a escolha pelo devedor. b) Inciso II: "se o credor não for. o juiz declarará efetuado o depósito e extinta a obrigação. Requisitos de validade da consignação: "Para que a consignação tenha força de pagamento. o devedor não tem a obrigação de arriscar a sua vida para efetuar o pagamento. Se a residência do credor é em local perigoso ou desconhecido. pois tal instituto só pode ser decretado por sentença. Ao credor.cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher. o juiz fará o indeferimento da petição inicial. declarado ausente. fará ele a mesma. comparecendo apenas um. A simples incapacidade não é motivo suficiente para que se faça a consignação. Este inciso refere-se à hipótese de obrigação portável. por falta de interesse de agir do autor. nem mandar receber a coisa no lugar. sem justa causa. 336). Fatos que autorizam a consignação: O art. Este inciso refere-se à dívida quesível. converter-se-á o depósito em arrecadação de bens de ausentes. Se o credor não determina o objeto do pagamento. ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil". 335 enumera os fatos que autorizam a consignação: a) Inciso I: "Se o credor não puder. em relação às pessoas. tempo e condição devidos". d) Inciso IV: "Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento". ou. Cabe ao devedor provar que efetivamente ofertou o pagamento. "Quando a consignação se fundar em dúvida sobre quem deva legitimamente receber. não participando da discussão sobre quem receberá seu pagamento Se a dúvida quanto quem é o credor não for razoável. todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento" (art. recusar receber o pagamento. ou dar quitação na devida forma". c) Inciso III: "Se o credor for incapaz de receber. continuando o processo a correr unicamente entre os credores. basta o devedor apenas demonstrar que o credor não foi em busca de seu pagamento. o devedor não é prejudicado por não se saber quem é o verdadeiro credor. ao objeto. por sua vês.

poderá o devedor fazer o depósito. pode o credor efetuar o depósito (art. Se o credor recusar o depósito e contestar a ação. 332) A mora do devedor não impede a consignação do pagamento por si só. 231. Tempo do pagamento: O tempo do depósito respeitará o fixado no contrato. O devedor deve incluir no depósito a correção monetária referente ao período entre o vencimento da dívida e o efetivo depósito. I) com intervenção. pelas partes. e subsistindo a obrigação para todas as conseqüências de direito" (art. pagando as respectivas despesas. Se ela não tiver causado nenhuma conseqüência irreversível. se a obrigação poderia ser paga em várias prestações. 333). II). Se esta pessoa for desconhecida. bem como terceiro interessado. legitimamente. será citada por edital (CPC. Modo do pagamento: O modo será o mesmo que o estabelecido. que o faz em nome do devedor. aquiescer no levantamento. 340). recusar a consignação. Verificada a condição a que o débito estava subordinado. salvo se for julgado improcedente" (art. ou não impugnar. também capaz.Requisito pessoal ou subjetivo para a validade da consignação: O pagamento deve ser feito pelo devedor capaz ao verdadeiro credor. devem ser entregues também os acessórios. frutos e produtos que o credor tem direito A jurisprudência tem admitido a discussão em torno do valor depositado. poderá este retirar o depósito a qualquer momento (art. Tem legitimidade ativa para a ação consignatória o devedor. de curador especial (CPC. Se o devedor oferecer objeto que não seja o devido. o levantamento do pagamento só poderá ser feito . ou referente ao objeto: O pagamento deve ser efetuado em sua integralidade. "O credor que. perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada. a seu favor. Se o deposito for de entrega de coisa. 9°. os juros da dívida e os riscos. Se o prazo foi estipulado a favor do devedor. Levantamento do depósito: "Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito. depois de contestar a lide ou aceitar o depósito. ou seja. ou descumprir alguma cláusula contratual. poderá o credor. ou seja. poderá o devedor requerer o levantamento. também poderá o seu depósito. art. 338). se neste período o credor tiver demandado o devedor. ou não. cessando. a consignação não poderá mais ser feita. "O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento. Lugar do pagamento: O depósito será feito no lugar o qual foi estabelecido para ser o do pagamento (art. A legitimidade passiva (réu da ação consignatória) recai sobre aquele que pode receber o pagamento e exonerar o devedor. art. ficando para logo desobrigados os co-devedores e fiadores que não tenham anuído" (art. tanto que se efetue. 337). só pode ser feito após o vencimento da dívida. Porém. para o depositante. 337). Isto significa que o princípio de que o depósito deve ser líquido e certo não é mais válido. Requisito objetivo.

Isso só pode ser feito até o deferimento da sentença. pois o credor permitiu que a quantia lhe fosse tomada após ter sido assegurado o resgate do seu crédito. o levantamento só pode ser feito com suas anuências. Se a ação é improcedente. bem como demonstrar a recusa do credor. ficam desobrigados dela todos aqueles que não compactaram com sua criação. Disposições processuais: Quando o credor recusa-se a receber o pagamento. pode o devedor depositar o restante no prazo de dez dias (CPC. no do devedor. Os depósitos futuros não estão sujeitos ao decidido. uma nova obrigação assumida. como os codevedores e os fiadores. Como tal ato afeta os codevedores e fiadores. 896. O credor pode alegar que: "I . Aceitando o depósito. será proposta no foro de eleição e. Essa possibilidade só se estende até a prolação da sentença. Se a ação tratar de aluguéis e encargos. II . tendo apenas que ser feitas no prazo de cinco dias do vencimento de cada uma. a ação é proposta no foro do domicílio do credor. caput). Caso o credor recuse as novas prestações. no lugar da situação do imóvel (CPC. Ou seja. Por isso um levantamento da quantia depositada representaria a volta da obrigação em questão. Um levantamento posterior da quantia depositada pelo devedor representa. pois se caracteriza o seu retardamento culposo. o levantamento corresponderá a um novo crédito. o devedor responde pelos juros do curso da lide. 896. art. "Julgado procedente o depósito. sendo a primeira consignada. ele confirmou com a outra parte nova obrigação.não houve recusa ou mora em receber a quantia ou coisa devida. b) Ajuizar ação de consignação em pagamento: Essa ação é de natureza declaratória. senão de acordo com os outros devedores e fiadores" (art. parágrafo único). O depósito judicial deverá ser feito no prazo de cinco dias. 339). art. art. IV . o devedor tem duas alternativas: a) Efetuar o depósito extrajudicial em banco aceito pelo credor: No depósito extrajudicial. não o havendo. III .o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento. que têm interesse em ver a obrigação extinta. Se assim aceitar. exonerando todas as partes. Quando querível. art. A procedente da ação reputa efetuado o pagamento. mesmo com a sentença proferida obrigando-o a aceitar aquelas que foram depositadas. da mesma forma. parágrafo único).o depósito não é integral (CPC. o devedor deverá apenas comprovar o depósito do pagamento. as demais não precisam seguir toda a formalidade.com a sua anuência. devendo ajuizar nova demanda O prazo de resposta do credor é de quinze dias. o credor extingue a dívida. Quando a dívida é portável. Sendo a obrigação nova. 891. não pode o devedor aproveitar-se da sentença. Se se tratar de prestações periódicas. Se o credor alegar que o valor depositado não é integral. caput e § 1°). . A alegação de que o valor não é o integral não impede que o credor levante o pagamento parcial e libere o devedor neste montante (CPC. não incidindo os juros moratórios do período da ação. o devedor já não poderá levantá-lo embora o credor consinta. podendo ser feita mesmo quando houver dúvida sobre o valor exato a ser depositado. 899.foi justa a recusa. O julgamento da procedência do depósito implica na afirmação da exoneração da parte ativa.

geralmente. negociando-o. tornando-se. sendo que esta nova preserva todas as características da antiga. da dívida. A sub-rogação pessoal é uma figura jurídica anômala. Já na sub-rogação. mas sim livrar o devedor primário da obrigação com o credor. . já que não há nenhum outro para receber. pois o objetivo não é lucrar. ele pode exonerar o devedor e. é interessante para aquele que se utiliza do imóvel comprar a primeira hipoteca. Terceiro interessado é aquele que tem seu patrimônio afetado caso a dívida não seja paga pelo devedor. que não pode mais exigir nada do devedor depois de ter recebido o pagamento do terceiro. o adimplemento da sua prestação. visa-se o lucro. corre o risco de não acontecer. que paga a credor hipotecado. é independente da concordância da vontade de ambas as partes. ocorre a exata proporção entre o pagamento efetuado e o valor da dívida. Quando há mais de uma hipoteca. A sub-rogação pode ser real ou pessoal. Por isso. pelo devedor. pelo devedor. o adquirente do mesmo não o perderá para outro. que passa a dever ao terceiro. São os casos em que o credor percebe que o seu devedor também é sujeito passivo de outras obrigações e que se estes outros credores executarem seu crédito. Por isso. "Comprando" todas as dívidas do devedor ele tem certeza de que irá receber seu pagamento preferencialmente. o detentor do direito de ser ressarcido da quantia paga. assim. preservando todos os ônus e atributos deste primeiro. pois o objetivo é transformar o crédito em patrimônio. Para que isso não aconteça. no todo ou em parte". Já a pessoal ocorre com a substituição do credor por terceiro. mas preserva a obrigação ao devedor. o valor pago é diverso. pois extingue a obrigação para o credor. 346 define as hipóteses nas quais ocorre a sub-rogação legal: a) Inciso I: "do credor que paga a dívida do devedor comum". Na cessão. Exemplo: Substituição da coisa gravada pelo testador ou doador com vínculo de inalienabilidade. A jurisprudência tem ampliado esse entendimento para os casos de anticrese e aos adquirentes de coisa móvel. bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre o imóvel". O terceiro que toma o lugar do credor preserva todos os direitos daquele. O novo toma o lugar do antigo. b) Inciso II: "do adquirente do imóvel hipotecado. Por isto. O inciso cita também qualquer relação contratual que dê ao credor qualquer direito sobre o imóvel. aquela estabelecida primeiro terá preferência numa eventual execução. que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado. Apesar de ser instituto semelhante à cessão de crédito. pois caso o imóvel seja executado. Acontece geralmente quando este credor tem menos garantias que os demais. há certas diferenças para com este. como os acessórios da obrigação e suas garantias.Pagamento com sub-rogação: Conceito: Sub-rogação é a substituição de uma parte da obrigação. O art. c) Inciso III: "do terceiro interessado. Espécies: A sub-rogação pode ser legal ou convencional: A legal decorre da lei. É real quando a substituição é do objeto. Ocorre quando este terceiro solve a dívida do devedor para com o credor. Essa hipótese não se restringe ao caso da hipoteca.

mas assim quiseram as partes. "O credor originário. a si mesmo. Sub-rogação parcial: Pode haver casos em que o terceiro paga apenas uma parte da dívida. Efeitos da sub-rogação: A sub-rogação produz dois efeitos: a) Liberatório: exonera o devedor para com o antigo credor b) Translativo: é o efeito contido no art. este efeito pode ser limitado. "Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor. Esse caso ocorre somente quando o pagamento é feito por terceiro não é interessado. do devedor solidário. a sub-rogação o é legal. e não sobre a integralidade do valor. segundo o qual "a sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. É a opção do devedor de trocar de credor.conseqüentemente. A transferência é feita sem a anuência do devedor. ocorrendo nos casos nos quais essa mudança não poderia ser feita. A sub-rogação é chamada de convencional quando é estipulada entre as partes. já que a cessão cuida de uma transferência de crédito. apenas tem o direito ao reembolso. 349. Devem ser preenchidos os seguintes requisitos: 1) Haja transferência expressa dos direitos. vigorará o disposto quanto à cessão do crédito". sub-existindo o restante. O art. etc. tanto que o art. graças à autonomia especulativa das partes. Entretanto não são a mesma coisa. sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito". senão até a soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor" (art. tal subrogação não precisa obedecer nenhuma das hipóteses legais. O terceiro não interessado que paga a dívida não se sub-roga como credor. terá preferência ao sub-rogado. surgem dois credores: o antigo e o novo sub-rogado. b) Inciso II: "Quando terceiro empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida. 350). O efeito translativo aplica-se às duas modalidades de sub-rogação (legal e convencional). mas os meios não. Sendo assim. pois se não a dívida é extinta. 348 estabelece que "na hipótese do inciso I do artigo antecedente. 347 define as hipóteses nas quais ocorre a sub-rogação convencional: a) Inciso I: "Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos". do co-devedor de dívida indivisível. pagando a dívida. do fiador. em relação à dívida. terá direito sobre esta. contra o devedor principal e os fiadores". se os bens . Os financiamentos regulados pelo sistema financeiro de habilitação são exemplos deste tipo de sub-rogação. pois a quando o é pela interessado. Na sub-rogação convencional essa limitação não ocorre. ações. só em parte reembolsado. É muito semelhante à cessão do crédito. entretanto. A manifestação dessa sub-rogação deve ser expressa. enquanto a sub-rogação está relacionada ao pagamento. na cobrança da dívida restante. 2) A transferência seja feita até a hora do pagamento. Não precisa haver anuência do credor. pois as partes podem estipular de forma diversa. privilégios e garantias do primitivo. Na convencional. pois não tem ele como impedir que o terceiro empreste o valor da prestação. É o caso do avalista. Se o sub-rogado pagou apenas uma parcela da dívida. Por ter essas características. Os fins são os mesmos.

As dívidas ainda devem ser líquidas (certas. porém. pois os dois débitos são de naturezas diferentes. ainda prevalece o credor originário. Mesmo assim. e determinadas. "A pessoa obrigada. Somente é cabível a imputação em dívida única quando ela se desdobrar. pois não pode o credor ser constrangido a receber pagamento parcial de dívida se assim não foi estipulado. Pode ocorrer que este devedor não tenha dinheiro suficiente para pagar todas as dívidas. já que a maioria das dívidas é estipulada em favor do devedor. todos sujeitam-se à regra de igualdade de credores. Esse requisito é um tanto quanto inútil. Apesar dos dois objetos das prestações serem fungíveis. por dois ou mais débitos da mesma natureza. como quando há juros. É ao devedor que. como no caso da solidariedade. ou seja. Não basta a simples fungibilidade das prestações. quando mais de um terceiro pagou parcialmente a dívida. por exemplo. primeiramente. a figura do devedor e do credor deve ser a mesma para todas as obrigações. A lei permite a imputação do débito vincendo e do ilíquido se assim o credor assentiu. Estas figuras. Pode haver pluralidade. não precisam ser uma pessoa só. neste caso. tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento.do devedor não chegarem para saldar inteiramente o que a um e outro dever" (art. c) Igual natureza das dívidas. Se este somente puder saldar a menor dívida não há no que se falar em imputação. Não há imputação quando uma das dívidas é de entregar dinheiro e a outra de entregar sacas de café. quanto às suas existências. d) Possibilidade de o pagamento resgatar mais de um débito. não importando a data. a única que ele pode saldar . pois se não há opção de escolha não há no que se falar sobre impugnação. Entende-se que. não podendo o devedor escolher qual quer pagar. Os objetos devem ser fungíveis de idêntica espécie e qualidade. 351). O CC nada fala sobre quem tem preferência quando há mais de um sub-rogado. b) Identidade das partes. a um só credor. Requisitos: a) Pluralidade de débitos. mas apenas uma ou algumas delas. homogêneas. eles não o são entre si. deve-se pagar obrigatoriamente os juros primeiro. ou seja. compete escolher qual dos débitos será pago. Não há imputação quando uma das dívidas é de entregar dinheiro e a outra é de realizar uma prestação. se todos forem líquidos e vencidos" (art. Dá-se o nome de impugnação à escolha de quais dívidas serão pagas. nesse caso. os juros seriam pagos por primeiro. O devedor deverá pagar a menor dívida. quanto aos seus objetos) e vencidas (exigível pelo advento do termo prefixado). ou seja. Elas devem ser fungíveis entre si. origem ou montante de cada um. Deve o pagamento poder saldar mais de uma dívida (separadamente) para que o devedor possa escolher sobre qual delas incidirá o pagamento. 352). podendo este antecipar o vencimento a bel prazer. Imputação do pagamento: Conceito: Imputação do pagamento é quando o devedor possui mais de uma dívida com o mesmo credor. Sobre todos estes. porém. Entre o capital e os juros.

354. . pode ser cobrada pelo rito executivo ou é garantida por cláusula penal. 355). Impugnação por vontade do credor: "Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento. não terá direito a reclamar contra a impugnação feita pelo credor. o devedor se opor a esta escolha. Dação em pagamento: Conceito e características: Dação em pagamento é o acordo feito entre as partes no qual o credor aceita em receber prestação diversa da que lhe é devida. rende juros. A dação pode ser feita. para a quitação parcial. quanto mais conseqüências negativas resultarem do não adimplemento de uma dívida.inteiramente. O CC não esclarece o procedimento quando todas as dívidas são onerosas no mesmo grau. "Havendo capital e juros. liberando assim o devedor. há algum gravame. b) Não se pode pagar parcialmente uma dívida se o credor assim não consentiu. primeiro se paga os juros. Porém. do Código Comercial. 352. e a quitação for omissa quanto à impugnação. salvo estipulação em contrário. desde que não tenha aceitado a quitação. como estipula o art. c) Se todas forem líquidas e vencidas. se o credor assentir. e depois no capital. 353). faz-se analogia ao art. mas onerosa ela é. b) Sendo todas as dívidas da mesma natureza. a impugnação far-se-á na mais onerosa" (art. 433. o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos. As prestações devem ter natureza diferente. Nesses casos. paga-se a mais onerosa primeiro. ou se o credor passar a quitação por conta do capital" (art. porém. por exemplo. Imputação por indicação do devedor: O art. Ou seja. salvo provando haver ele cometido violência ou dolo" (art. A ordem para o pagamento das dívidas quando nenhuma das partes se manifesta é esta: a) Havendo capital e juros. Impugnação em virtude da lei: "Se o devedor não fizer a indicação do art. Não caracteriza dação em pagamento o depósito bancário para pagar dívida de dinheiro. Pode. ou se a tiver sob violência e não havendo dolo. 352 assegura ao devedor o direito de impugnar seu pagamento. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo. essa escolha sofre algumas limitações: a) Não pode a dívida vincenda ser paga se o prazo foi estipulado em favor do credor. se aceitar a quitação de uma delas. primeiro são pagas as líquidas e vencidas. 354). A dívida é onerosa ao credor quando. dividindo o pagamento proporcionalmente entre todas as dívidas. IV. esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar.

Espécies: a) Substituição de dinheiro por bem móvel ou imóvel (rem pro pecunia). Porém. Disposições legais: "Determinado o preço da coisa dada em pagamento. 357). modo extintivo não satisfatório. Novação: Conceito: Novação é a criação de obrigação nova para extinguir uma anterior. Nesses casos. "Salvo as obrigações simplesmente anuláveis. É. b) De coisa por outra (rem pro re).quando o objeto oferecido é de menor valor que a dívida. logo. etc. 367). A novação não produz satisfação imediata do crédito. na verdade. enquanto não rescindida judicialmente. c) De coisa por prestação de fato (rem pro facto). Poderia-se interpretar. que quando o preço não é determinado. ficando sem efeito a quitação dada. A dação em pagamento é uma forma indireta de pagamento. ressalvados os direitos de terceiros" (art. É um contrato liberatório. Neste caso. a dação do título deve ser notificada ao cedido. é de caráter imediato. pela extinção da dívida por dação em pagamento não é prejudicado se essa dívida é restabelecida. o art. Não precisa haver coincidência exata entre o valor da dívida e o do objeto da dação. A extinção da obrigação. no entanto. Nesse caso. pois o credor não recebe a prestação devida. o credor deve esclarecer o débito remanescente. Aquele que comprou imóvel que se livrou da hipoteca. Pode o credor. A novação representa a renúncia ao direito de pleitear a anulação. as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda" (art. restabelecer-se-á a obrigação primitiva. Requisitos da novação: Existência de obrigação anterior (obligatio novanda). 359). As obrigações nulas ou extintas não podem ser novadas porque não se pode novar o que não existe. Contudo. O direito de terceiro que age de boa-fé é preservado. "Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento. As obrigações anuláveis têm existências. como quando o devedor não era o dono da coisa dada. não se aplicariam as regras da compra e venda. instituto este que protege as . pode o credor estipular a extinção mediata. a medida em que os títulos vão sendo pagos. sendo liberado no registro de imóveis. receber valor superior ao da dívida sem ter que reembolsar o devedor. o objeto retorna ao seu verdadeiro dono e a obrigação volta a existir. "Se for título de crédito a coisa dada em pagamento. não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou extintas" (art. 533 estabelece que nesses casos também se aplicam tais regras. a contrario sensu. Evicção ocorre quando o credor perde a coisa em virtude de sentença judicial. configura-se a datio pro solvendo. Sendo uma cessão de crédito. pela dação em pagamento. mas sim adquire outro direito de crédito. a transferência importará em cessão" (art. 358).

partes em particular em certas ocasiões. Há grande discussão se as obrigações naturais podem ser novadas. Alguns entendem que não, pois ela não pode ser exigida compulsoriamente. Outros vêem que sim, pois a obrigação natural ganha substrato jurídico na medida em que é cumprida. A obrigação sujeita a termo ou a condição existe, logo pode ser novada. A nova dívida pode ser pura e simples ou também condicionada. Sendo pela segunda opção, a novação dá-se com o implemento da condição estabelecida A grande maioria dos doutrinadores permite a novação da dívida prescrita. Constituição de nova dívida (aliquid novi). A inovação pode recair tanto sobre o objeto quanto sobre o sujeito passivo ou ativo. Alterações secundárias na dívida, como exclusão de garantia, alongamento do prazo, estipulação de juros, etc; não constituem novação. Intenção de inovar (animus novandi). O credor deve ter a intenção de novar, pois renuncia o crédito e todos os seus acessórios. Sendo assim, a novação não é presumida. "Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira" (art. 361). A novação tácita é observada sempre que a nova obrigação for diversa na substância ou na forma da obrigação anterior. Espécies de novação: a) Novação objetiva ou real: Ocorre novação objetiva ou real "quando o devedor contrai com o credor nova dívida para substituir a anterior" (art. 360, I). A mudança incide sobre a dívida. A novação objetiva pode decorrer da mudança no objeto principal da obrigação, na natureza desse objeto ou na sua causa jurídica. É necessário o animus novandi, caso contrário o que ocorre é a dação em pagamento. b) Novação subjetiva ou pessoal: Ocorre "quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor" (art. 360, II). A novação do devedor pode ocorrer sem a anuência deste, ou seja, num acordo entre o credor e terceiro. Este caso denomina-se expromissão. Quando há ordem ou consentimento do devedor, denomina-se delegação. Pode o credor, na delegação, aceitar o novo devedor, mas não abrir mão de seus direitos para com o devedor primitivo. Neste caso a delegação é imperfeita e não há novação. Também se dá "quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este" (art. 360, III). c) Novação mista: Novação mista é quando ocorre, ao mesmo tempo, mudança do objeto da prestação e dos sujeitos da obrigação. Efeitos da novação: "Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve por má-fé a substituição" (art. 363). Como a nova obrigação extinguiu a antiga não há no que se falar em se voltar contra o antigo devedor que se encontra totalmente exonerado. Somente far-se-á isto se este devedor agiu de má-fé, pois ninguém pode se aproveitar de sua torpeza. "Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferência e garantias do crédito novado. Os

outros devedores solidários ficam por este fato exonerados" (art. 365). Como a novação extingue a obrigação anterior, todos os co-devedores são exonerados. O acordo feito entre um dos co-devedores e o credor não se estende aos demais que não consentiram. "A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em contrário, Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca e a anticrese, se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação" (art. 364). A extinção da obrigação antiga atinge suas garantias e seus acessórios. "Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal" (art. 366). Compensação: Conceito: "Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem" (art. 368). A compensação acontece quando duas pessoas são credoras e devedoras entre si de obrigações diferentes. Uma obrigação é paga pela outra, e as duas são então extintas. Espécies de compensação: A compensação é total quando o valor das dívidas for igual. Nesses casos, as duas dívidas se compensam mutuamente por inteiro, não restando nada após. Quando o valor das dívidas for desigual, a compensação é parcial. A dívida maior irá compensar a dívida menor, que não existirá mais. Porém, a parcela da maior excedente continua sendo devida pela outra parte. A compensação é legal quando decorre da lei. Ela produz efeitos ipso iure. Opera de forma automática, de pleno direito. O juiz apenas a reconhece, declarando sua configuração, desde que provocado, pois não pode proclamar de ofício. Os efeitos retroagirão ao momento em que foi constituída a segunda obrigação. São requisitos da compensação legal: a) Reciprocidade dos créditos: As duas pessoas devem ser credoras e devedoras entre si. "O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe deve; mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado" (art. 371). Como o patrimônio do fiador corre o risco de ser afetado caso o devedor não pague a dívida, é permitido que ele efetue compensação com este débito que não é seu. Terceiro não interessado que paga em nome do devedor não pode compensar uma dívida sua com a do devedor nem com a do credor, pois são partes diversas. Aquele que se obriga em favor de terceiro também não pode compensar esta dívida com uma que tenha com o devedor, pois a obrigação que contraiu foi com o credor, pessoa diferente. Ele pode compensar essa obrigação com uma que tenha com o credor, pois são dívidas entre as mesmas partes. b) Liquidez das dívidas: "A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de

coisas fungíveis" (art. 369). c) Exigibilidade das prestações: Todas as obrigações devem ser exigíveis, ou seja, devem estar vencidas. Isto porque só assim pode o credor impor a realização coativa do contracrédito. Dívidas prescritas não podem ser alvo de compensação, a menos que a parte beneficiada não a tenha alegado, pois assim a dívida é exigível. As dívidas condicionais só podem ser compensadas com o implemento da condição. As à termo, só após o vencimento deste. "Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a compensação" (art. 372). As obrigações alternativas só podem ser compensadas caso a escolha feita pelo devedor cumpra os requisitos. d) Fungibilidade dos débitos: Os débitos devem ser fungíveis entre si, ou seja, devem ser coisas fungíveis de mesma espécie. Exemplo: dívida de sacas de café não se compensa com de sacas de milho. Se o contrato especificar a qualidade, a compensação só pode se dar entre produtos da mesma. "Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto das duas prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, quando especificada no contrato" (art. 370). É convencional quando estipulada pelas partes. Conceito e características da compensação convencional: A compensação convencional ocorre quando as partes concordam em fazê-la, dispensando certos requisitos para que a mesma seja legal. Podem as partes, por exemplo, compensar dívidas ilíquidas ou de diferente qualidade, conforme pactuarem. Pode a compensação resultar da vontade de apenas uma das partes, como no caso de o devedor compensar uma dívida vincenda sua. Ocorre, aí, a compensação facultativa. O limite da compensação convencional é quando este ato contrariar o fim econômico-social do contrato, a boa-fé e os bons costumes. Conceito de compensação judicial: A compensação judicial ocorre, principalmente, nas hipóteses nas quais há procedência da ação e da reconvenção, ou seja, ambas as partes vencem e são vencidas ao mesmo tempo. O juiz determina que o pagamento final seja compensado pelo o que cada parte ganhou Dívidas não compensáveis: "Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma delas" (art. 375). É a chamada exclusão bilateral. Pode haver renúncia unilateral do direito de compensar. Porém, esta só pode ser feita após o surgimento do crédito que seria compensado e antes de todos os requisitos da compensação estarem presentes. De qualquer forma, os direitos de terceiros são preservados da renúncia. Não havendo interesse público envolvido, nada impede que a renúncia seja feita previamente. A renúncia não precisa ter fórmula específica, basta apenas ser clara, podendo tanto ser expressa quanto tácita. A diversidade de causa devendi (o por quê de ter se constituído o crédito) não é motivo para a incompatibilidade de compensação. "A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto:" (art. 373, caput). a) Inciso I: "Se provier de esbulho, furto ou roubo". Como constituem atos ilícitos, não podem ser objeto de compensação. Exemplo: aquele que empresta dinheiro a terceiro não compensa

desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e . o mesmo entendimento é utilizado. Manter o objeto não é compensar o pagamento. no compensá-las. pode a vítima de tais atos optar por uma compensação do que pela devolução do valor subtraído. depois de penhorado o crédito deste. de que contra o próprio credor disporia" (art. Contudo. O art. poderia causar a não alimentação da outra. Se após o credor tiver penhorado seu crédito para com o devedor. pois o dever de restituir permanece. este se tornar credor daquele. o desconto dessas despesas é permitido. O comodato e o depósito representam a confiança mútua. O devedor que se torne credor do seu credor. b) Inciso II: "Se uma se originar de comodato. não se podem compensar sem dedução das despesas necessárias à operação" (art. a cessão lhe não tiver sido notificada. poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente" (art. depósito ou alimentos". 378). Confusão: Conceito e características: "Extingue-se a obrigação. "Não se admite compensação em prejuízo do direito de terceiro. O art. serão observadas. Se a penhora tiver sido feita após a constituição dos créditos recíprocos. A contrariu sensu. Isto porque o terceiro que se envolveu na penhora sairia prejudicado. até ao equivalente da parte deste na dívida comum". Outras regras sobre a compensação: O efeito extintivo estende-se aos acessórios. não poderá ser feita a compensação. no caso. pois já teria o terceiro consciência da situação do crédito. que antes da cessão teria podido opor ao cedente. Depois não há compensação porque não existe reciprocidade entre o cedido e o cessionário. 379). Como o novo Código nada fala sobre o assunto.seu crédito roubando a mesma quantia deste. pois cessa a dívida principal. notificado. fim este que a dívida de alimentos tenta impedir. a compensação poderá ser feita. chamado de princípio da reciprocidade. A compensação de tal objeto resultaria justamente na sua alienação à outra parte. 380). c) Inciso III: "Se uma for coisa não suscetível de penhora". 638 permiti a compensação do depósito somente se for compensado com outro depósito. Se. A impossibilidade de se penhorar significa que o objeto não pode ser alienado. porém. as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento" (art. A dívida de alimento não pode ser compensada porque seu pagamento presume a sobrevivência da outra parte. nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos. 1020 do CC de 1916 dispunha que "o devedor solidário só pode compensar com o credor o que este deve a seu coobrigado. "Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar. A não possibilidade poderia beneficiar o autor do ato infracional. não pode opor ao exeqüente a compensação. Se a pessoa pudesse compensar tal dívida. 377). "O devedor que. entende-se que quando as dívidas são pagas no mesmo lugar. É a garantia de que o pagamento será feito com a restituição da coisa. "Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis. não pode opor ao cessionário a compensação.

a garantia da dívida se extinguirá. Remissão de dívidas: Conceito e natureza jurídica: A remissão de dívidas ocorre quando o credor exonera o devedor do cumprimento da obrigação. necessita da aceitação do devedor. a confusão é total ou própria para este. que é livre para se opor e efetuar o pagamento. Se o credor morrer e o herdeiro for o fiador. tendo o devedor agora que pagar para seu antigo fiador. desde que não contrarie o interesse público ou de terceiro. que não precisará pagar nada a si mesmo. para logo se restabelece. mas apenas uma neutralização ou paralisação. constituindo um impedimentum praestandi. Isso. dando início à sucessão provisória e depois reaparece. "A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito. Espécies de confusão: ³A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida. 386 impõe como requisitos para a remissão a capacidade do remitente (credor) de alienar e a do remitido (devedor). É de ato inter vivos quando há cessão do crédito ao próprio devedor ou quando o devedor se casa com o credor com comunhão universal de bens. sendo o herdeiro o devedor. As partes podem convencionar a não produção dos efeitos da confusão. Decorre de mortis causa quando o devedor é herdeiro do credor falecido. a obrigação anterior" (art. 383). Pode decorrer de ato inter vivos. só libera o devedor no montante da quota. mas a recíproca não é verdadeira. de adquirir. com todos os seus acessórios. Efeitos da confusão: A confusão da dívida principal extingue seus acessórios. é suscetível à remissão. ou na dívida. 385). O art. sendo um dos co-devedores o único herdeiro. Pode ocorrer confusão parcialmente ou de modo total. Espécies de remissão: . Caso haja pluralidade de credores. se o credor morrer. somente vale entre elas. mas sem prejuízo de terceiro" (art. tendo agora que pagar esse devedor que se tornou credor. diferente desta. tendo o devedor que pagar a quota parte dos outros co-credores. Nesses casos. a confusão será parcial ou imprópria. 392). "A remissão da dívida. porém. se um deles morrer. é condicionada à aceitação expressa ou tácita do devedor. Porém. aceita pelo devedor. Advêm da vontade unilateral do credor de remitir o devedor. Cessação da confusão: "Cessando a confusão. 381). 384). como na compensação. A natureza da remissão é contratual. mas a mesma permanecerá. A remissão é espécie do gênero renúncia. subsistindo quanto ao mais a solidariedade" (art. A confusão age sobre a figura do sujeito ativo e passivo. ou mortis causa. ou só de parte dela" (art. Se for parcial. extingue a obrigação. Qualquer crédito. Entretanto os outros co-devedores continuam a dever.devedor" (art. Já no caso de pluralidade de devedores. pois. não houve uma extinção da obrigação. Exemplo de cessão da confusão: o credor torna-se ausente. não se estendendo a terceiros.

É tácita quando o comportamento do credor demonstra que o mesmo não pretende receber o pagamento. 387). de modo que. Não basta a simples entrega.A remissão é considerada total quando exonera o devedor por completo. não a extinção da dívida" (art.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/457dtoobrptiv. que continuarão a ter que a pagar toda a dívida. 386). deve provar a entrega espontânea do título pelo credor. Se o devedor estiver com a posse do escrito da dívida e alega que a pagou. A remissão é expressa quando resulta de declaração do credor. Se a dívida for indivisível. <http://www. 388).html> Direito Das Obrigações ± Parte V Direito Das Obrigações ± Parte V Otávio Goulart Minatto* Inadimplemento das obrigações (disposições gerais) . extinguindo a dívida completamente. A remissão é presumida quando deriva de expressa previsão legal. se o devedor alega que a dívida foi remitida. quando por escrito particular. 324). se o credor for capaz de alienar. a menos que contrarie a natureza da obrigação. A entrega do objeto penhorado ao devedor não faz com que este fique desobrigado a pagar a dívida. já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida" (art. Não há necessidade de se provar de que o credor entregou-lhe o título. Remissão em casos de pluralidade de devedores: "A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente. "A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do credor à garantia real. A mera inércia ou tolerância do credor. contudo. prova desoneração do devedor e seus coobrigados. a extinção dá-se no complemento do estipulado. os co-devedores que não foram remitidos poderão exigir a restituição do correspondente à cota do remitido. não faz presumir a remissão. Quando exonera o devedor de somente uma parcela da dívida. deve haver a efetiva e voluntária devolução do título. a remissão de um não desobriga os outros. A remissão pode ser concedida sob condição ou a termo inicial. com pluralidade de devedores. diz-se que a remissão foi parcial. ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros. apenas transforma a garantia real do credor em pessoal.com. Agora. Nessas hipóteses. * Acadêmico de Direito da UFSC. presume-se que assim foi feito (art. e o devedor capaz de adquirir" (art.investidura. Após o pagamento. Presunções legais: "A devolução voluntária do título da obrigação.

responde o devedor por perdas e danos. Perdas e danos: O não cumprimento da obrigação. cabendo ao credor o direito de acionar os mecanismos para pleitear o cumprimento forçado. como no caso de mora. a responsabilidade contratual só atinge essa figura. ou seu cumprimento imperfeito gera a obrigação de . Em ambas as situações. É o motorista que deve alegar motivo maior para se livrar da culpa. a culpa deve ser provada pelo lesado. o inadimplemento presume-se culposo. A absolutividade é total quando atinge todo o objeto. Por isso. Na extracontratual é o lesado que deve provar a culpa do causador do dano. 389). seja pelo devedor ou por terceiro. se a obrigação assumida no contrato for de meio. Quando a inexecução da obrigação advém de culpa latu sensu do devedor. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. A responsabilidade contratual tem origem na convenção. Responsabilidade contratual e extracontratual: O art. Por exemplo: O pedestre que é atropelado deve provar que o motorista que o atropelou agiu com culpa para exigir indenização. diz-se que houve o inadimplemento da obrigação. "Não cumprida a obrigação. Há também a responsabilidade que não deriva do contrato. Já a extracontratual tem origem na inobservância do dever genérico de não lesar outrem (neminem laedere). Sendo assim. e honorários de advogado" (art. Cabe ao inadimplente provar a ocorrência de caso fortuito ou força maior para se eximir da culpabilidade. Por exemplo: O passageiro de um ônibus não precisa provar a negligência do motorista para exigir indenização caso haja acidente envolvendo o mesmo. aquiliana ou delitual. Quando a inexecução decorre de evento impossível de evitar ou impedir. O inadimplemento é relativo quando o cumprimento da obrigação é imperfeito. mas sim do dever legal. A graduação da responsabilidade delitual é muito maior que a contratual. Já o dever genérico de não lesar a outrem pode ser inobservado tanto por capazes quanto por incapazes.Obrigatoriedade dos contratos: Em regra. 389 é o fundamento legal da responsabilidade civil contratual. Na responsabilidade contratual. É a responsabilidade que deriva do contrato. Inadimplemento absoluto: O inadimplemento é absoluto quando o cumprimento não poderá mais ser feito. É a responsabilidade extracontratual. Quando a prestação devida não é efetuada. Os absolutamente capazes são os únicos que podem ser partes de um contrato. Porém. indo a dimensões muito mais amplas. o inadimplemento pode gerar a obrigação de restituir perdas e danos. as obrigações são cumpridas voluntariamente. a responsabilidade extracontratual também atinge tais figuras. ou o cumprimento não é mais útil ao credor. o inadimplemento é fortuito. diz-se que o inadimplemento é culposo. não precisando o motorista provar que não. Absolutividade parcial ocorre quando a obrigação abrange vários objetos e somente uma parcela deles é atingida. mesmo a responsabilidade sendo contratual.

pois ninguém pode descumprir deliberadamente uma obrigação contraída livremente. é de responsabilidade do devedor. pois era ciente das condições do mesmo. "Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se devia abster" (art. ninguém pode ser preso por dívida civil. Inadimplemento fortuito da obrigação: "O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior. Por exemplo: Aquele que celebra uma obrigação de fazer um show em local que está em guerra não pode alegar que não cumpriu a obrigação devido aos perigos da situação do local. advindo de fenômeno natural. podem ser provocadas por ato de terceiro. Se a obrigação for de prestação única. c) A impossibilidade seja irresistível. exceto o depositário infiel e o devedor de pensão de direito de família. além das perdas e danos. com direitos e deveres recíprocos. O ressarcimento das perdas e danos tem o objetivo de recompor o patrimônio da parte lesada. Somente o "fortuito externo". somente a uma parte este é vantajoso. cabendo a outra apenas os deveres. A contagem do prejuízo inclui. uma eventual penhora pode recair sobre qualquer bem do devedor. ambos respondem da mesma forma pela culpa e pelo dolo. Contratos benéficos e onerosos: "Nos contratos benéficos. quando não houver culpa do mesmo. 390). deve ser proporcional ao prejuízo sofrido. fora do alcance do devedor. Nos contratos onerosos. isto é. no qual o caso fortuito ligado à coisa ou à pessoa. seria escusável nesse caso. tem-se adotado a teoria do exercício da atividade perigosa. além. Quando as perdas e danos são decretadas e o pagamento não é feito. Por isso. 393. ou seja. 392). As circunstâncias que causaram a impossibilidade de prestação pela parte do devedor. pode o credor. ou seja. exigir o desfazimento do que foi realizado (art. como a quebra de uma peça do caminhão que bate. o que se deixou de lucrar. por caso fortuito ou força maior ou por até mesmo ato do devedor. Sendo assim. como a chuva. como a doação. Contudo. e por dolo aquele a quem não favoreça. do credor. 391). estabelecer a responsabilização do devedor mesmo que o inadimplemento ocorra sem sua culpa (pacta sunt servanda). porém. No contrato oneroso. b) A impossibilidade seja superveniente e inevitável. as duas partes estão em igualdade. responde por simples culpa contratante. a exoneração da culpa depende de que: a) A impossibilidade seja objetiva. Porém. o credor pode mover ação de cunho cominatório para impedir o reiteramento do devedor de uma dessas abstenções. 251). do que se perdeu. . salvo as exceções previstas em lei" (art. Nas obrigações constituídas por uma série de abstenções. Contrato benéfico é o gratuito. Em qualquer dos casos. responde cada uma das partes por culpa. se expressamente não se houver por eles responsabilizado" (art. o não cumprimento doloso gera indenização. As partes podem.indenizar as perdas e danos. sendo que todos os bens do devedor respondem pelo inadimplemento. a execução será forçada. Responsabilidade patrimonial: "Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor" (art. a quem o contrato aproveite. Aquele que não se aproveita em nada com o contrato não deve ser penalizado por agir culposamente. Modernamente. caput).

Nas obrigações de não fazer. não há mais mora. Contudo.Mora: Conceito: "Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo. Todo inadimplemento e mora do devedor presumem-se culposos. A mora accipiendi não requer a noção de culpa porque se o credor pudesse afastar sua responsabilidade. Já para o credor. já que o cumprimento da obrigação é inviável. O cometimento de infração à lei também a caracteriza. Nos demais. mas sim o inadimplemento absoluto. isto é. para que esteja ciente da sua situação e possa purgá-la. lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer" (art. não incorre este em mora" (art. as circunstâncias devem demonstrar isto. ele é notificado pelo credor. o seu retardamento é o modo mais comum no qual ela se dá. A mora deste em receber o pagamento. surge a obrigação de restituir as perdas e danos quando tais são provocadas pela culpa do devedor. Há três casos nos quais a mora é ex re. Mora e inadimplemento absoluto: Quando o retardamento da prestação torna a mesma inútil ao credor. Se a mora deu-se por caso fortuito ou força maior. não há o instituto da mora. Porém pode o devedor afastá-la provando que o infortuito não se originou por culpa sua. pois "o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se devia abster" (art. Não basta que o credor alegue que a prestação não lhe é mais útil. Não é só pelo descumprimento da convenção que a mora acontece. Embora a mora também se constitua quando o devedor tenta pagar de forma diferente do estipulado. A prestação que não interessa mais ao credor é tida como impossível. Na contratual. o mesmo não vale. São elas: . também não haverá responsabilização deste. 396). Tanto no inadimplemento absoluto quanto na mora. 394). este não será responsabilizado pelas perdas e danos. Espécies de mora do devedor: Mora ex re: É a declarada pela lei (o credor não precisa fazer nada para caracterizá-la). 405). ela é ex persona. Se a obrigação tornar-se impossível sem a culpa do devedor. é sempre de sua responsabilidade. em caso de responsabilidade extracontratual. 390). A súmula 54 do STJ dispõe que "os juros moratórios fluem a partir do evento danoso. Exemplo: de nada adianta ao credor receber o bolo que encomendou para seu casamento um dia depois da festa. não havendo culpa do devedor. entretanto "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art. mesmo sem sua culpa. "não havendo fato ou omissão imputável ao devedor. Quando o devedor está em mora. No inadimplemento absoluto a notificação não é necessária. o devedor seria obrigado a correr com os riscos de reter o pagamento por fato que não foi ocasionado por ele.

tem entendido que a citação feita na própria causa principal produz mesmo efeito. no entanto. Efeitos da mora do devedor: "Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa. O decreto lei n. ou não houve a escolha a qual o pagamento da obrigação dependesse. A mora é. pois. Tanto no caso do decreto n. É o legislador transformando uma mora ex re em mora ex persona. Além disso. e honorários de advogado" (art. Caso a prestação torne-se inútil ao credor. parágrafo único). 14. no seu termo. presumida. a mora já é constituída desde o fato. reclamando as perdas e . que dependem da ação do credor. haja o inadimplemento absoluto. desde que o praticou" (art. b) Inexecução culposa por fato imputável ao devedor. constitui de pleno direito em mora o devedor" (art. 297 é de mora ex persona. caput). é necessária a interpelação judicial. a simples citação não é suficiente para constituir a mora. pois não se pode afirmar se o devedor efetivamente devia ou o que devia. "Não havendo termo. ou seja. considera-se o devedor em mora. É caso que se refere o parágrafo único do art. 397. o credor pode exigir a rescisão do contrato.a) "O inadimplemento da obrigação. O decreto lei n. dispõe que só incorrerão em mora tais pessoas depois de serem notificadas com o prazo de trinta dias. 58/37. tendo apenas que resultar de documento escrito. 297. positiva e líquida. mais juros. b) "Nas obrigações provenientes de ato ilícito. atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. 745. 398). A jurisprudência. 745/69 impede a rescisão do compromisso de compra e venda de imóvel não loteado. protegendo as pessoas que adquirem imóveis loteados em prestações. pois a indenização é evidente. a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial" (art. c) Quando o devedor declarar por escrito não pretender cumprir a prestação. não haverá mora. a realização tardia deve ainda ser proveitosa ao credor Caso a condição que sujeitava a obrigação não se verificou. É desnecessária a notificação. c) Constituição em mora: Este requisito é somente para os casos de mora ex persona. pois depende de providência do credor. a notificação deve ser feita judicialmente ou pelo cartório de registros de imóveis. mesmo que a parcela seja positiva e líquida. com termo certo. 395). mesmo que haja cláusula resolutiva expressa. pois nos casos ex re. sem a notificação no prazo de 15 dias. art. A interpelação ou notificação da mora nas relações regidas pela lei civil pode ser feita desde a demanda judicial até por uma simples carta. Mora do devedor: São requisitos da mora solvendi: a) Exigibilidade da prestação: A dívida deve ser líquida e certa. 58 quanto no n. Mora ex persona: Quando o credor deve acionar os dispositivos cabíveis para caracterizá-la. Nessas hipóteses. Todavia.

na mora. Requisitos: a) Vencimento da obrigação: É somente então que ela é exigível. responderá pela deteriorização desta. Ninguém pode exigir da outra parte perdas e danos. o motivo para a não aceitação do pagamento deve ser injustificável legitimamente. 96. Mora de ambos os contratantes: A mora simultânea de ambos as partes (nem o devedor comparece ao local para efetuar o pagamento. d) Constituição em mora: Ocorre mediante a consignação em pagamento. por exemplo. obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la. c) Recusa injustificada em receber: O credor pode se recusar a receber o pagamento com fundamento legítimo. 399). nem o credor vai para recebê-lo) faz com que a situação permaneça como se nada tivesse ocorrido. A lei exige que o devedor tenha o mínimo de cuidado com a coisa que forçadamente deve reter. salvo se provar isenção de culpa. Há o cancelamento mútuo das moras. Esta solução é tomada porque o direito que o devedor tem de abandonar a coisa colide com o interesse da comunidade. mesmo que por motivo alheio à sua vontade. Para haver mora. Mora do credor: Conceito: É quando o credor recusa receber o pagamento no tempo e modo indicado. As despesas que o credor deve ressarcir são somente as necessárias. § 3°. Isto significa que. e o sujeita a recebêla pela estimação mais favorável ao devedor. embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou força maior. . se estes ocorrerem durante o atraso. abandonando a coisa. A mora accipiendi supõe que o devedor fez o que lhe competia.danos. b) Oferta da prestação: É através dela que fica revelada a tentativa do devedor de satisfazer a obrigação. Se o devedor agir com dolo. Deve-se ter claro que o pagamento foi oferecido. se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação" (art. mas o credor o recusou ou não prestou a necessária colaboração para a sua efetivação. por exemplo. A parte do artigo que isenta o devedor caso ele prove não ter culpa é ilógico. pois se assim provar não haverá mora em si. sendo preferível exigir que este cuide da coisa. previstas no art. exigindo-o de forma diferente da estipulada. Efeitos: "A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa. 400). ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada" (art. o devedor responde por todos os riscos da coisa. quando. o devedor oferece quantia menor que a estipulada. "O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação.

Purgação e cessação da mora: Purgar ou emendar a mora é neutralizar seus efeitos. seja o dano material ou moral. Ela só é possível se a prestação ainda for proveitosa ao credor. A cessação da mora é diferente da purgação. porém nada impede que ocorra uma compensação convencional das perdas e danos. O dano é moral quando atinge bem jurídico. o que razoavelmente deixou de lucrar" (art. II . 402). A expressão efetiva perda significa que a mesma não pode ser . "purga-se a mora" nas seguintes hipóteses: I . hoje. que a purgação pode dar-se a qualquer momento da mora. este ato não significa propriamente a purgação da mora. A cessação produz efeitos pretéritos. Ela decorre da extinção da obrigação. além do que ele efetivamente perdeu. As partes podem aceitar a oferta sem a incidência dos juros da mora. Os danos de cada mora não se cancelam. desde que não tenha causado dano à outra parte. o efeito não depende daquele que agiu em mora. A purgação produz efeitos futuros que neutraliza os produzidos. é feita por meio da liquidação determinada na lei processual (art. O devedor em mora pode até consignar o pagamento."Por parte do devedor."Por parte do credor. 400. ou vice-versa) os prejuízos de cada mora. contabilizados separadamente. 946). haverá inadimplemento absoluto. Entende-se. Já a de dano moral é arbitrada judicialmente.Se as moras são sucessivas (primeiro o credor não quer receber e depois é o devedor que se rejeita em pagar. A apuração do dano. pois se não for. não tendo o que se falar em mora. Segundo o art. A indenização de dano material mede-se pelo prejuízo ao patrimônio da parte. Dano emergente é a efetiva diminuição patrimonial sofrida pela vítima para restaurar o bem ao seu estado anterior. Perdas e danos Conceito: É toda a lesão de qualquer bem jurídico. ou prejuízo. mas que não tenha repercussão na órbita financeira. A finalidade da liquidação é tornar prático e possível a efetiva reparação do prejuízo. Porém. as perdas e danos devidas ao credor abrangem. O dano é material quando atinge e diminui o patrimônio do lesado. caso o credor não tenha extraído os efeitos jurídicos de tal atraso. Dano emergente e lucro cessante: "Salvo as exceções expressamente previstas em lei. Nela. renunciando-os. pois afasta os já produzidos. oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta". oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data". mas não os apaga. serão de responsabilizadade das respectivas partes. mais sim da outra parte.

O STJ decidiu que os juros remuneratórios praticados nos contratos de mútuo dos agentes financeiros do Sistema Financeiro Nacional não estão sujeitos à limitação do art. As perdas e danos têm como objetivo restituir o dano causado pela lesão do bem. Os juros compensatórios são. quando representam a compensação pela utilização de capital alheio. mas também dependia de uma série de outros fatores não pode ter sua inexecução atribuída unicamente à lesão do bem em questão. o devedor deve pagar as custas do processo (art. "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art. Espécies: Os juros são considerados convencionais quando são ajustados pelas partes. não podendo ultrapassar os limites impostos pela Fazenda Nacional (art. convencionais. contudo. Nada impede. abrangendo juros. sem prejuízo da pena convencional" (art. do que se esperava ganhar com o bem lesado. sem prejuízo do disposto na lei processual" (art. são chamados de legais. que possam derivar da lei ou da jurisprudência. 591. 20. e não havendo pena convencional. Lucro cessante é a frustração da expectativa de lucro. CPC). A dificuldade jurídica existe na definição precisa do que foi afetado direta e imediatamente. além de pagar as custas do atraso. pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar" (art. devendo ser cumpridamente provada. A teoria dos danos diretos e imediatos afasta a possibilidade de se indenizar os chamados "danos remotos". 404. Juros legais Conceito: Juros são os rendimentos do capital. eles são denominados moratórios. Devem estar previstos no contrato. remuneratórios ou juros-frutos. Os juros são chamados de compensatórios. "provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo. O dano indenizável deve ser certo e atual. A razoabilidade do lucro é o que o bom senso indica que a atividade lucraria. de comum acordo. Os juros moratórios podem ser tanto convencionais quanto legais. logo. 404.presumida. 403). Quando a responsabilidade é contratual. Quando os juros incidem nos caso de retardamento da restituição ou descumprimento de obrigação. nas obrigações de pagamento em dinheiro. "Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor. Quando legais. caput). parágrafo único). Aquilo que dependia do bem lesado. 591). Se o credor teve que ingressar em juízo. Obrigações de pagamento em dinheiro: "As perdas e danos. São os frutos civis da coisa. serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. são . as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato. Representam o pagamento pela utilização do capital alheio. geralmente. 405). custas e honorários de advogado. Quando os juros são previstos ou impostos pela lei.

Contudo. Juros simples são os que são sempre calculados sobre o capital inicial. O art. ou o forem sem taxa estipulada. Natureza jurídica: É um pacto secundário e acessório. "Quando os juros moratórios não forem convencionados. o art. 408). juntamente com o estabelecido no Código Tributário Nacional. 407). Regulamentação legal: Segundo o art. A Lei de Usura (Dec. 22. uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial. o STJ não aceita a utilização da taxa SELIC não para esse fim. ou quando provierem de determinação da lei. como às prestações de outra natureza. caso a obrigação não seja cumprida. Essa lei também proíbe a cobrança dos juros compostos. Os juros moratórios são incluídos também na liquidação.definidos pela Fazenda Nacional. "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso. Chama-se também de pena convencional ou multa contratual. n. culposamente. na qual se estipula uma pena ou multa com o objetivo de evitar o inadimplemento da obrigação principal. Quando convencionais. pois ela não é juridicamente segura. por ser lei geral posterior. 405. Porém. Representa reforço ao pacto obrigacional através da ameaça de uma sanção civil. podem assumir qualquer valor. nunca superior ao limite legal. desde que. deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora" (art. É o chamado juros sobre juros. arbitramento. é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às dívida em dinheiro. não revoga a lei especial anterior (Lei da Usura). 406 estipula que a taxa máxima não mais fixa. ou seja. em caso de responsabilidade extracontratual" (Súmula 54 do STJ). Entende-se que o novo CC. porém. nos casos de responsabilidade contratual. mas sim variável. já que além de determinar os juros trás embutida a correção monetária. A Fazenda vem adotando a taxa SELIC como meio de aferição dos juros legais. "contam-se os juros de mora desde a citação inicial". conforme o estabelecido pela Fazenda Nacional. pois a sua existência depende da de uma obrigação . Já os juros compostos são capitalizados anualmente. O entendimento dominante da jurisprudência é de que deve ser imposto o determinado na Lei da Usura. 12% ao ano. 406). "Ainda que se não alegue prejuízo. integrando o capital. "Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal. 591 do novo CC permite os juros compostos. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazendo Nacional" (art. ou acordo entre as partes" (art.626/33) limita os juros a 1% ao mês. Cláusula Penal Conceito: É uma obrigação acessória.

O juízo é de ponderação. pois se busca apenas o ressarcimento dos danos. tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio" (art. não chegando a declarar a ineficácia absoluta da cláusula. o juiz determinará a redução do valor. também será a cláusula penal. não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. essa indenização não é imposta em conjunto com a cláusula penal. observando-se fatores subjetivos como a natureza e a finalidade do negócio. Há diversas leis que estipulam o valor máximo da cláusula penal em situações específicas. 412). a recíproca não é verdadeira. para se chegar ao valor final. Quando a prestação foi cumprida em parte. Se o tiver feito. ou desproporcional com o dano causado. parágrafo único). O devedor não pode eximir-se da pena alegando ser ela excessiva. Contudo. cabe ao credor provar o valor das perdas para ser indenizado. o juiz observa os limites especiais fixados. 413). o princípio de que o acessório segue a sorte do principal. Nesses casos. não é necessário que o credor alegue prejuízo" (art. A redução do excesso não possui uma medição fixa. pois assim foi fixado o acordo. A invalidez da cláusula penal não implica na da obrigação principal. O caput do artigo 416 mostra porque a cláusula penal é utilizada. . Aplica-se. Contudo. à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora" (art. Espécies: "A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação.jurídica. A cláusula penal constitui modo de cobrir os prejuízos que dificilmente poderiam ser provados. Nessas hipóteses. logo. ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo. competindo ao credor provar o prejuízo excedente" (art. Funções da cláusula penal: A cláusula penal é meio de coerção para que o devedor cumpra a obrigação É também meio de ressarcimento dos danos causados pelo inadimplemento da obrigação. 416 fala dos casos em que a cláusula não é suficiente para cobrir todos os prejuízos. ou em ato posterior. O parágrafo único do art. Caso haja excesso. pode referir-se à inexecução completa da obrigação. o credor apenas demonstra que houve o inadimplemento da obrigação. caput). Isto quer dizer que se a obrigação principal é inválida ou nula. "Para exigir a pena convencional. "A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte. a pena vale como mínimo da indenização. Redução da cláusula penal: "O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal" (art. Sem ter o ônus de provar o prejuízo sofrido. bem como livrar-se de sua liquidação. e não um enriquecimento ilícito do credor. "Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal. 409). reduzindo-se proporcionalmente o valor. 416. Tal disposição é de ordem pública. O valor dessa segunda é descontado no da primeira. usa-se o princípio da eqüidade. podendo a redução ser determinada de ofício pelo juiz. 416.

Por isso. o art. na cláusula penal. . terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada. "Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação. objetivo este que não é o da multa simples. A escolha de mais de uma representaria um enriquecimento ilícito do credor. Por isso a aplicação da multa conjuntamente com a exigência da prestação da obrigação não caracteriza enriquecimento ilícito do credor. não ao total inadimplemento. baseado nos prejuízos alegados e provados. A diferença entre a cláusula penal e a multa simples é que a cláusula penal é uma importância a ser paga caso haja uma infração. 411). quando aplicada nos casos de mora do devedor. às vezes não representa o exato ressarcimento dos prejuízos do credor. o modo para ele não sair prejudicado dessa relação obrigacional. 644 é que a regula. representa a exata restituição dos prejuízos. Tanto a cláusula penal quanto o ressarcimento das perdas e danos tem como objetivo impedir que o credor saia prejudicado com o inadimplemento. pois representa a recompensa do grande prejuízo que é o não cumprimento da prestação. Em qualquer uma das hipóteses. Sendo assim. Distinção com institutos afins: Há certa distinção entre pena convencional (imposta na cláusula penal) e multa cominatória ou astreinte: Na pena convencional. decorrente de título judicial para garantir a efetividade do processo. porém. ou moratória. Já na multa cominatória em obrigação de fazer. na verdade. exigir o ressarcimento das perdas e danos ou exigir o cumprimento da prestação. como o cumprimento de forma diversa da estipulada. o valor a ser pago é estipulado anteriormente e. quando estipulada na hipótese de inadimplemento da obrigação. uma mesma obrigação pode ter até 3 cláusula penais diferentes (1 compensatória e 2 moratórias. Em se tratando de cláusula moratória. 410). o credor tem seu patrimônio preservado. enquanto que as perdas e danos são decretadas pelo juiz.A cláusula penal pode ser compensatória. Por isso só é permitido ao credor escolher uma das soluções. 412 do CC. por isso. A mora pode ser tanto o atraso da prestação. instituindo que não há limite para o valor da cominação A cláusula penal também se aproxima do instituto de perdas e danos. uma para o caso de atraso e outra para o caso de cumprimento de forma diversa). ou em segurança especial de outra cláusula determinada. costuma-se observar o valor da cláusula para relaciona-la à hipótese provavelmente correspondente. Quando não há certeza sobre qual é a hipótese estipulada no contrato. "quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora. Nos casos de cláusulas penais moratórias o valor da multa é geralmente pequeno. esta se converterá em alternativa a benefício do credor" (art. pois os prejuízos são referentes a um pequeno atraso. o juiz condena a parte ao pagamento da multa da cláusula penal observado o limite do art. É. com o objetivo de ressarcir o prejuízo do credor. A cláusula penal compensatória geralmente possui valor elevado. juntamente com o desempenho da obrigação principal´ (art. O dispositivo da a oportunidade para o credor escolher entre pleitear a pena compensatória.

A cláusula penal existe apenas pela estipulação no instrumento. Se a obrigação for divisível.A multa penitencial se aproxima da cláusula penal. Cabe apenas nos contratos bilaterais. irá pagar tal multa. já as arras são pagas por antecipação. dividida na quota de cada um. Entretanto. poderá quem as deu haver o contrato por desfeito. "aos não-culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena (art. Este escolhe se quer acioná-la ou prefere o adimplemento da obrigação. Arras ou sinal Conceito: É a quantia ou coisa entregue por uma parte a outra simbolizando a confirmação do acordo entre as partes e. assegurando o não prejuízo de uma das partes pelo direito de arrepender que a outra tem. Caso contrário o credor sairia prejudicado pela infração cometida. pois as partes sabem qual será a conseqüência do inadimplemento: perda do valor dado. respondendo cada um dos outros somente pela sua quota" (art. Cláusula penal e pluralidade de devedores: "Sendo indivisível a obrigação. todos os devedores. Espécies: As arras são confirmatórias quando sua função é apenas confirmar o contrato pactuado. o arraz não. com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. É necessária a entrega de quantia de dinheiro ou objeto. a cláusula penal é atribuída em favor do credor. Nesses casos. Têm caráter real. pois o simples acordo entre as partes não é suficiente para caracterizá-lo. incorrerão na pena. juros e honorários de advogado" (art. Há várias distinções entre cláusula penal e arras penitenciais. . Já a multa penitencial é estipulada em favor do devedor. Todos os devedores. A cláusula penal é uma coerção para se evitar o inadimplemento. arcam com o valor da multa. mesmo não sendo culpados. "se a parte que deu as arras não executar o contrato. É o pacto acessório. e exigir sua devolução mais o equivalente. após pagar o credor. parágrafo único). caindo em falta um deles. A cláusula penal é exigível apenas no inadimplemento ou na mora. se a inexecução for de quem recebeu as arras. poderá a outra tê-lo por desfeito. 415). 414). é somente o devedor culpado que arca com as conseqüências de sua falta. dependendo da existência de um principal. 418). retendo-as. É quando se permite que ele. e proporcionalmente à sua parte na obrigação" (art. mas esta só poderá demandar integralmente do culpado. em certos casos. ou sua restituição em dobro dependendo do caso. acrescido as perdas e danos (somente no caso da multa por mora). É impossível imaginar a existência das arras isoladas. A cláusula penal pode ser reduzida pelo juiz quando em excesso. enquanto que as arras necessitam da entrega de dinheiro ou objeto. Entretanto. ao invés de cumprir a obrigação. Dessa forma. enquanto que as arras facilita o descumprimento da avença. 414. "só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infringiu.

não é necessário a prova do prejuízo real para que possam ser exigidos. * Acadêmico de Direito da UFSC. <http://www. Como a função das arras penitencial não é de ressarcir os prejuízos. Pode a parte infratora decidir por liberar esse valor à outra ao invés do cumprimento da obrigação. sem nenhuma punição à parte que descumpriu com a obrigação. mais o equivalente. as arras funcionam como princípio do pagamento. Neste caso. deverão as arras. "Se nos contratos for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes. dinheito ou outro bem móvel. uma das partes der à outra.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/458dtoobrptv.com. As arras são chamadas de penitenciais quando têm por função resguardar o direito de arrependimento das partes. A jurisprudência estabeleceu certas hipóteses nas quais a devolução das arras é apenas simples. em caso de execução. são elas: a) Quando há acordo nesse sentido. 420). A devolução em dobro é imposta porque se a devolução fosse simples. quem as deu perdê-las-á" em benefício da outra parte.Caso a parte prejudicada não se contentar com o valor recebido. 417). valendo as arras como taxa mínima". e quem as recebeu devolvê-las-á. a título de arras. por ocasião da conclusão do contrato. as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. achando que não foi totalmente ressarcido. Em ambos os casos não haverá direito a indenização complementar" (art. se do mesmo gênero da principal" (art. ser restituídas ou computadas na prestação devida.html> . ou pode ainda "exigir a execução do contrato. sem o arrependimento de nenhuma das partes. se provar maior prejuízo. valendo as arras como o mínimo de indenização" (art. Restituição das arras em caso de cumprimento da obrigação: "Se. e não dupla. b) Quando a não efetivação do contrato decorre de caso fortuito ou força maior. É apenas uma quantia estipulada inicialmente que ajudará no ressarcimento de eventual prejuízo. com as perdas e danos. Quando a obrigação se dá normalmente. 419). Percebe-se que as arras não têm nenhuma função específica quando confirmatória. O objetivo não é ressarcir os prejuízos da parte afetada.investidura. estar-se-ia apenas restabelecendo o statu quo ante. mas sim representar uma pequena punição pelo descumprimento da outra. pode "pedir indenização suplementar.

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