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Atualidades para a Polícia Federal Agente de Polícia

Prof. Leandro Signori

Estou aqui neste curso, muito motivado, caminhando junto com você,
procurando passar o melhor conhecimento para a sua aprendizagem e sempre
à disposição no Fórum de Dúvidas.
Ótimos estudos e fiquem com Deus!
Forte Abraço,
Professor Leandro Signori
“Tudo posso naquele que me fortalece.”
(Filipenses 4:13)

Sumário Página

1. Origens e características da globalização 04

1.1 Consequências da globalização 08

2. Comércio Internacional 10

3. Blocos Econômicos 11

4. Concentração Global da Riqueza 20

5. Uma ordem antiglobal 21

6. China 24

7. Questões Comentadas 28

8. Lista de Questões 69

9. Gabarito 89

1. Origens e características da Globalização


A globalização pode ser entendida como o processo de integração
entre povos, empresas, governos e mercadorias ao redor do planeta. Um
mundo globalizado é aquele em que eventos políticos, econômicos,
culturais e sociais estão interconectados e onde um acontecimento em
um lugar tem a capacidade de ecoar por outros cantos do globo.
Para entendermos a globalização, é preciso saber que o fenômeno em si
começou há muito tempo. Os primeiros passos rumo à conformação de um
mercado mundial e de uma economia global remontam aos séculos XV e XVI,
com a expansão ultramarina europeia. A chegada de Cristóvão Colombo à

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América, em 1492, deu início ao que alguns historiadores chamam de primeira


globalização.
O desenvolvimento do mercantilismo estimulou a procura de diferentes
rotas comerciais da Europa para a Ásia e a África, gerando grande quantidade
de riquezas para alguns países e para a grande burguesia europeia. Esses lucros,
somados ao ouro e à prata extraídos das minas do continente americano
forneceram a base para a Revolução Industrial no fim do século XVIII.
Por sua vez, a Revolução Industrial desenvolveu o trabalho assalariado e
o mercado consumidor. As descobertas científicas e as invenções provocaram
grande expansão dos setores industrializados e possibilitaram a exportação de
produtos mundo afora.
No fim do século XIX, começam a surgir as corporações multinacionais,
industriais e financeiras, que vão se reforçar e crescer durante o século XX. O
mercado mundial estava, então, atingindo todos os continentes. Porém a
interdependência econômica entre as nações vai ficar evidente com a depressão
norte-americana de 1929 – quebra da Bolsa de Valores de Nova York - que teve
consequências negativas no mundo todo.
A partir dos anos 1990, acentua-se a integração da economia global por
meio da revolução tecnológica, especialmente no setor de telecomunicações. A
internet, rede mundial de computadores, revelou-se a mais inovadora tecnologia
de comunicação e informação do planeta. As trocas de informações (dados, voz
e imagens) tornaram-se quase instantâneas, o que acelerou em muito a
integração das atividades econômicas.
A revolução tecnológica possibilitou ao capital uma veloz circulação pelo
globo, facilitando os investimentos diretos e os movimentos especulativos. As
cadeias produtivas se espalharam pelo mundo, com empresas transferidas
(relocalizadas) para países com menor custo de produção (salários, impostos,
etc.).
A globalização não é um processo acabado. É um processo em curso,
comandada pelos países ricos e por grandes empresas transnacionais. O poder
dessas empresas ultrapassa cada vez mais o poder das economias nacionais. O
grande capital financeiro (bancos, bolsas de valores, especuladores, financistas,
etc.) hegemoniza o capital produtivo. Ambos estão cada vez mais entrelaçados.
A característica central desse período globalizante é a interdependência
entre os atores econômicos globais – governos, empresas e movimentos sociais.
Cabe destacar que o desmantelamento do sistema socialista foi importante
fator que contribuiu para a globalização e a expansão mundial do capitalismo. A
derrocada dos regimes comunistas, a partir de 1989, fez com que as antigas
nações socialistas se integrassem ao mercado global capitalista nos anos
subsequentes.

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Nas últimas décadas, a expansão do comércio global resultou na


intensificação do fluxo de capitais entre os países. A busca de maior lucratividade
levou as empresas a investirem cada vez mais no mercado financeiro, que se
tornou o centro da economia globalizada.
A atual mobilidade do mercado mundial permite também que grandes
empresas façam a relocalização de suas fábricas – nome que se dá ao
fechamento de unidades de produção em um local e sua abertura em outra
região ou outro país. Esse mecanismo é globalmente usado para cortar gastos
com mão de obra, encerrando a produção em países nos quais os salários são
maiores, para organizar a produção onde há menos custos – também de
impostos e infraestrutura produtiva. À medida que as nações reduzem suas
barreiras comerciais no contexto da globalização, a fabricação em qualquer
ponto do mundo e a exportação para outros mercados tornam-se cada vez mais
rentáveis.

A Quarta Revolução Industrial


Uma das recentes transformações na estrutura produtiva que vem
ganhando corpo no mundo globalizado é a Quarta Revolução Industrial ou
Indústria 4.0. Segundo analistas, o desenvolvimento e a incorporação de
inovações tecnológicas vão mudar radicalmente o mundo como o conhecemos e
moldar a indústria dos próximos anos.
Essa nova fase será impulsionada por um conjunto de tecnologias
disruptivas como robótica, inteligência artificial, realidade aumentada, big data
(análise de volumes massivos de dados), nanotecnologia, impressão 3D, biologia
sintética e a chamada internet das coisas, onde cada vez mais dispositivos,
equipamentos e objetos serão conectados uns aos outros por meio da internet.
Algumas dessas inovações estão em sua fase de “infância” e ainda não
mostraram todo o seu potencial.
A quarta revolução industrial não se define por cada uma destas
tecnologias isoladamente, mas pela convergência e sinergia entre elas. Está
ocorrendo uma conexão entre o mundo digital, o mundo físico, que são as
“coisas”, e o mundo biológico, que somos nós. Na indústria, teremos uma cadeia
produtiva totalmente conectada, a chamada manufatura avançada, na qual os
processos são adaptáveis às necessidades de produção, os recursos são usados
com maior eficiência (usando menos energia) e produtos serão customizados de
acordo com a necessidade do cliente (cada pedido é único).
Com os avanços no campo da Inteligência Artificial, os computadores estão
se tornando mais rápidos e inteligentes que os humanos. Isso pode mudar a
forma como trabalhamos, pois os robôs vão tomar o lugar de diversas profissões.

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Na indústria, a linha de produção será quase que inteiramente


automatizada, diminuindo radicalmente a mão-de-obra humana nas fábricas.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2020, a automação deve eliminar sete
milhões de empregos industriais nos 15 países mais desenvolvidos.
A tecnologia não ameaça apenas os trabalhos de “produção”, ela também
já impacta diversas profissões tradicionais. O relatório também indica que até
2025, um em cada quatro empregos conhecidos hoje deverá ser substituído por
softwares e robôs.
Se a produção e o trabalho manual serão feitos por máquinas, o trabalho
humano será requisitado em tarefas menos repetitivas. A pesquisa do Fórum
Econômico Mundial indica que 65% das crianças que hoje entram nas escolas
irão trabalhar em funções que atualmente não existem.
As áreas de Engenharia, Matemática, Ciências e Computação deverão
irrigar a tecnologia vigente e gerar novos empregos. Também surgirão
oportunidades para os chamados “trabalhadores do conhecimento”, pessoas que
lidam com a criatividade, habilidades de negociação, estratégia e análise.
Quem tiver a habilidade de resolver problemas complexos terá um maior
diferencial. E para ter maior competitividade, os países deverão investir em
educação.
Apesar dos empregos do futuro, milhares de postos de trabalho deverão
ser extintos, já que a indústria 4.0 poderá aumentar a produção sem precisar
criar novos postos. Nesse cenário, o abismo entre quem tem baixa qualificação
e alta qualificação aumentará, o que pode criar maior desigualdade social e um
novo tipo de “proletariado”.
Com o aumento do desemprego e a necessidade de um crescimento
sustentável, pesquisadores já estudam novos modelos econômicos, como a
redução da jornada do trabalhado e medidas de redes de apoio social, como o
Estado pagar uma renda mínima para o cidadão.
A quarta revolução industrial também poderá aumentar ainda mais a
desigualdade entre os países ricos e pobres. As economias mais prejudicadas
serão as que usam mão-de-obra barata como vantagem competitiva, como
acontece nos países em desenvolvimento.

A internet das coisas


Meu amigo concurseiro, outro tópico que você deve muita atenção e que
vem sendo cobrado em provas é a internet das coisas. Para falar dela, gosto
de usar a historinha abaixo, que adaptei livremente de sites da internet:
É fim de tarde em uma terça-feira e você está dirigindo para casa,
tranquilo, voltando do trabalho. Um sinal na tela multimídia do seu veículo lhe
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informa que você deve passar no supermercado no caminho e comprar mais


leite.
O aviso foi enviado pela Lucy, a central de gerenciamento da sua casa,
que, integrada à sua geladeira já sabe o que você precisa comprar. Esta central
está ligada ao GPS do seu carro, que localiza um supermercado no caminho do
seu trabalho para casa.
Após fazer as compras, você se aproxima do caixa, saca seu celular e
efetua o pagamento através de um aplicativo que substitui sua carteira.
Parece um filme de ficção? Sim. Mas a tecnologia que torna esta cena de
Hollywood possível já existe. Não uma tecnologia, mas várias, interligadas pela
internet em todas as coisas.
Isto é a “Internet das Coisas”, a revolução tecnológica que está em curso
e que tem como objetivo conectar os itens que usamos no nosso do dia a dia à
rede mundial de computadores. Cada vez mais surgem eletrodomésticos, meios
de transporte e até mesmo tênis, roupas e maçanetas conectadas à Internet e
a outros dispositivos, como computadores e smartphones.
A internet conectou pessoas. A internet das coisas vai conectar pessoas e
coisas. Sim, já estamos em uma nova revolução tecnológica. ☺ ☺

1.1 Consequências da globalização


A produção e o comércio mundial crescem com a globalização. Mas a
riqueza concentra-se num pequeno grupo de países, e isso reforça a
desigualdade entre as nações.
A redução das tarifas de importação é um dos motivos que explicam essa
concentração de renda, que beneficiou muito mais os produtos exportados pelos
mais ricos. Os mais pobres têm dificuldades para exportar produtos agrícolas
para os mais ricos, pois estes subsidiam a produção interna.
Em períodos de crise econômica, os resultados da globalização são
dramáticos para os países pobres, pois geram um custo social altíssimo.
Ocorre o barateamento da mão de obra, o aumento do desemprego e da
exclusão social. Outra consequência da globalização é o aumento da migração
de pessoas dos países pobres para os países ricos.
A globalização não beneficiou a todos. A riqueza concentra-se nas mãos
de poucos. Os grupos com rendimentos mais elevados tornaram-se muito mais
ricos e as desigualdades sociais aumentaram.

O Neoliberalismo

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Pode-se afirmar que a atual fase da globalização tem como pilar econômico
o neoliberalismo. Trata-se de um conjunto de ideias políticas e econômicas
capitalistas que defende a não participação do estado na economia. Segundo
seus defensores, a presença do Estado na economia inibe o setor privado e freia
o desenvolvimento.
Entre os princípios formadores da ideologia neoliberal presentes na
globalização econômica, destacam-se:
a) Liberdade de mercado: Consiste na eliminação de todos os
dispositivos que atrapalhem o livre funcionamento dos investimentos e do
comércio, tais como excesso de impostos, de leis e de regras que inibam as
transações financeiras ou limitem fusões e incorporações de empresas.
b) Mínima participação do Estado na economia: Traduz a crença de
que o Estado é ineficiente, atrapalha o livre funcionamento dos mercados,
administra mal os recursos e, ao não se modernizar no mesmo ritmo das
empresas privadas, suas empresas geram menos lucros e ofertam produtos de
pior qualidade. Por isso, essas empresas devem ser privatizadas (vendidas para
particulares), incentivando a concorrência, barateando preços e melhorando a
qualidade dos serviços e das mercadorias.
c) Redução de subsídios e gastos sociais por parte dos governos:
O Estado desperdiça muito dinheiro com direitos sociais, como saúde, educação,
aposentadorias, amparo aos desempregados, entre outros. Isso provoca
aumento de impostos, que serão pagos pela sociedade a fim de gerar recursos
destinados à assistência aos mais pobres. Na visão neoliberal, a manutenção
desses gastos do Estado significa premiar os fracassados e punir com impostos
os competentes.
d) Livre circulação de capitais: Visa garantir a livre entrada e saída de
capitais em qualquer país e permitir que o mesmo dinheiro seja aplicado e
remunerado em operações financeiras, como, por exemplo, na bolsa de valores,
e não somente na produção ou na geração de empregos.
e) Flexibilização do mercado de trabalho: A doutrina neoliberal
entende que essa medida dinamiza a economia e possibilita que os empresários
invistam na produção e ampliem a oferta de empregos. Com a flexibilização,
pode-se contratar e demitir livremente os empregados e reduzir o dispêndio das
empresas com seus funcionários.
f) Abertura dos mercados internos para produtos estrangeiros:
Significa a eliminação de qualquer protecionismo econômico. Em outras
palavras, nenhum país deve coibir a livre concorrência, e a melhor maneira para
garanti-la é preservar a competição entre as empresas, independentemente de
sua origem nacional ou estrangeira. Quem vai definir qual a melhor mercadoria
a ser adquirida é o próprio consumidor, que ainda será beneficiado com uma

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maior variedade de artigos ofertados e a preços cada vez mais baixos e


acessíveis.

2. Comércio Internacional
Um elemento central da globalização é o livre-comércio, ou seja, a
criação de um sistema em que bens e serviços são comercializados sem
restrições tarifárias.
O comércio internacional nunca foi tão intenso, mas as exportações dos
países ricos cresceram muito mais do que as dos países pobres nas últimas
décadas. Atualmente, apenas dez países (dos 195 do planeta) monopolizam
mais da metade de todo o comércio internacional.
Um dos instrumentos desse crescimento foi a criação da Organização
Mundial do Comércio (OMC), em 1995, com o objetivo de abrir as economias
nacionais, eliminar o protecionismo (quando um país impõe taxas para
restringir a importação de produtos e proteger a produção interna) e facilitar o
livre trânsito de mercadorias.
A OMC funciona com rodadas de discussão sobre temas, que chegam ao
final quando se fecham os acordos. A Rodada Doha, aberta em 2001 (com prazo
previsto até 2006), entrou num impasse não resolvido até hoje. Os países ricos
querem maior acesso de seus produtos aos países em desenvolvimento. Esses,
por sua vez, buscam restringir as vantagens econômicas, como os subsídios
(auxílio financeiro) que os países ricos dão a seus agricultores, e não se chega
a um acordo.

Outra função muito importante na OMC é o sistema de resolução de


controvérsias. Este mecanismo foi criado para solucionar os conflitos gerados
pela aplicação dos acordos sobre o comércio internacional entre os membros da
OMC. As disputas surgem quando um país adota uma medida de política
comercial ou faz algo que um ou mais membros da OMC considerem que viole
os acordos da própria organização. Exemplo de aplicação deste mecanismo é o
contencioso do algodão entre Brasil e Estados Unidos.
Em 2004, o Brasil venceu na OMC uma disputa contra os subsídios
recebidos por produtores de algodão dos EUA, ficando com o direito de impor
sanções contra produtos norte-americanos no valor de US$ 830 milhões. O Brasil
concordou em suspender a punição, caso os EUA depositassem dinheiro em um
fundo de assistência para produtores brasileiros de algodão.

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Os EUA pagavam a compensação em parcelas mensais, suspensas em


outubro de 2013, o que levou o governo brasileiro a ameaçar impor tarifas mais
altas para produtos norte-americanos. Em outubro de 2014, os dois países
chegaram a um novo acordo. Os Estados Unidos concordaram em pagar aos
produtores brasileiros de algodão mais US$ 300 milhões para encerrar a disputa.

3. Blocos Econômicos
Outro pilar importante da globalização e do livre-comércio é a formação
de blocos econômicos. Sob a economia globalizada, esses grupos reforçam a
tendência de abrir as fronteiras das nações ao livre fluxo de capitais, ao reduzir
barreiras alfandegárias e coibir práticas protecionistas e regulamentações
nacionais.
A formação de blocos econômicos acelerou o comércio mundial. Antes,
qualquer produto importado chegava ao consumidor com um valor
significativamente mais alto, em função das taxações impostas ao cruzar a
alfândega. Os acordos entre os países reduziram e em alguns casos acabaram
com essas barreiras comerciais.
Existem quatro modelos básicos de bloco econômico:
- Área de livre-comércio – Um grupo de países concorda em eliminar
ou reduzir os impostos, tarifas ou taxas de importação, quotas e preferências
que recaem sobre a maior parte das (ou todas as) mercadorias importadas e
exportadas entre aqueles países.
- União aduaneira – É uma área de livre comércio, na qual, além de abrir
o mercado interno, os países-membros definem regras para o comércio com
nações de fora do bloco. Uma tarifa externa comum é adotada para boa parte
– ou a totalidade – das mercadorias provenientes de outros países, ou seja,
todos cobram os mesmos impostos, taxas e tarifas de importação de terceiros.
- Mercado comum - É uma união aduaneira na qual, além de
mercadorias, serviços, capitais e trabalhadores também podem circular
livremente.
- União econômica e monetária – É o estágio final de integração
econômica entre países. Além do livre-comércio, da tarifa externa comum e da
livre circulação de mercadorias, serviços, capitais e trabalhadores, os países-
membros adotam uma moeda comum e a mesma política de desenvolvimento.
A formação de blocos econômicos acelerou o comércio mundial. Antes,
qualquer produto importado chegava ao consumidor com valor
significativamente mais alto, em razão das taxações impostas ao cruzar a
alfândega. Os acordos entre os países reduziram, e em alguns casos acabaram,

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com essas barreiras comerciais, processo conhecido como liberalização


comercial.
Vejamos os principais blocos econômicos regionais, ou melhor, aqueles
que caem nas provas. ☺

I - União Europeia
A União Europeia (UE) representa o estágio mais avançado do processo de
formação de blocos econômicos no contexto da globalização. Constitui-se em
uma união econômica e monetária, com 28 países membros (Estados-
partes).

As suas origens remontam a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço


(CECA), criada em 1951, por Alemanha Ocidental (na época, a atual Alemanha
estava dividida em Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental), França, Itália,
Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Em 1957, esses países criaram a Comunidade
Econômica Europeia (CEE). Nos anos que se seguiram, o território da UE foi
aumentando de dimensão através da adesão de novos Estados membros, ao
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mesmo tempo que aumentava a sua esfera de influência através da inclusão de


novas competências políticas. O Tratado de Maastricht instituiu a União Europeia
com o nome atual em 1993.
O Euro, moeda única do bloco, não é adotada por todos os países. O Reino
Unido NÃO faz parte da Zona do Euro, a sua moeda é a libra esterlina.
No âmbito da União Europeia vigora a livre circulação de pessoas. Os
cidadãos do bloco econômico têm o direito de residir noutro país para procurar
emprego e trabalhar sem necessitar de uma autorização de trabalho;
permanecer noutro país da UE mesmo após aí ter deixado trabalhar e usufruir
do mesmo tratamento que os nacionais do país em questão no que se refere ao
acesso ao emprego, condições de trabalho e todos os outros benefícios sociais e
fiscais. Os controles de passaporte foram abolidos no âmbito da UE. Um cidadão
europeu pode entrar e sair livremente de um país do bloco, ali residir e trabalhar.
Contudo, há algumas restrições a esses direitos e em casos excepcionais
podem ser retomados o controle das fronteiras pelos países.
Há também o Espaço Schengen, formado por 26 países, onde também
vigora a livre circulação de pessoas. A diferença é que fazem parte dessa zona
quatro países que não são membros da União Europeia e seis países membros
do bloco econômico não participam dela. No Espaço Schengen foram abolidos os
controles de passaporte. Os cidadãos de Schengen podem viajar livremente sem
ter que se submeter a controles nas fronteiras.
O fim dos controles das fronteiras internas da União Europeia e de
Schengen foi acompanhado por um reforço das fronteiras externas: os Estados
membros que se localizam na linha de frente têm a responsabilidade de realizar
rigorosos controles em suas fronteiras e fornecer, dependendo do caso, vistos
de curta permanência. Em casos excepcionais podem ser retomados o controle
das fronteiras pelos países.

Países que integram o Espaço Schengen


Estados-membros da União Europeia: Alemanha, Áustria, Bélgica,
Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia,
Hungria, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia,
Portugal, República Tcheca e Suécia.
Estados-não membros da União Europeia: Islândia, Liechtenstein,
Noruega e Suíça.

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Estados da União Europeia que não integram o Espaço Schengen:


Bulgária, Romênia, Chipre, Croácia, Irlanda e Reino Unido,

A crise econômica mundial de 2008, trouxe enormes desafios à integridade


do bloco econômico. A Grécia, envolvida em uma grave crise econômica,
ameaçou sair da União Europeia. O grande afluxo de migrantes vindo da África
e da Ásia, a partir de 2014, em direção à Europa também tenciona as relações
internas. Vários países resistem a receber e dar asilo à parcela desses migrantes.
Neste ambiente de crise – econômica e migratória - cresceu o discurso de
partidos eurocéticos, com resistências a várias das políticas comuns do bloco.
Alguns partidos de extrema direita defendem a saída de seus países do bloco.
Em vários países europeus, o segmento político da extrema direita tem crescido
nas eleições parlamentares e presidenciais.

O Brexit
O Reino Unido é um dos países onde a permanência no bloco é
fortemente questionada. É um país formado por quatro países: Inglaterra,
Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Os britânicos – como são chamados -
não fizeram parte das origens da União Europeia. Foi somente em 1973 que o
Reino Unido ingressou na Comunidade Econômica Europeia (CEE). Dois anos
depois, em 1975, renegociou as condições de participação e realizou um
referendo sobre a permanência na CEE. Na época, os britânicos votaram por
continuar na Comunidade Econômica.
Quatro décadas após o referendo, em junho de 2016, em um plebiscito,
os britânicos decidiram sair da União Europeia, o que está sendo chamado de
“Brexit”. É uma abreviação das palavras “British” (britânico, em inglês) e “exit”
(saída).
Na votação, os eleitores tinham de responder a apenas uma pergunta:
"Deve o Reino Unido permanecer como membro da União Europeia ou sair da
União Europeia?” 52% dos eleitores votaram por sair, 48% por permanecer.
Os defensores da saída alegaram que o crescimento da União Europeia
diminuiu a importância e a soberania britânica. O país tem que seguir regulações
nas áreas de economia, política, migrações, entre outras, decididas pelo bloco
econômico.
O Reino Unido também enviaria mais dinheiro para a União Europeia do
que recebe de volta em investimentos. Saindo, sobraria mais dinheiro para ser
investido no país.

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A questão da migração de cidadãos europeus ao Reino Unido foi um dos


temas polêmicos. Três milhões de migrantes de países do bloco do leste
europeu, residem e trabalham no país. O argumento utilizado pelos defensores
da saída é de que esses migrantes tiram o emprego dos britânicos e tem acesso
ao sistema de seguridade social, prejudicando a qualidade dos serviços para os
nacionais.
Os defensores da permanência argumentaram que sair do bloco vai trazer
prejuízos econômicos, como a exigência de novas tarifas, regulações e acordos
comerciais. Exemplo: O Reino Unido terá que fazer acordos comerciais com cada
país ou blocos econômicos separadamente, inclusive com a União Europeia.
A vitória do sair, levou a renúncia de David Cameron. Thereza May
assumiu como primeira-ministra. É a primeira mulher a assumir o cargo em 25
anos, ou seja, desde o fim da era Margareth Thatcher, conhecida como “A Dama
de Ferro”.
A vitória do “sair” no Brexit, voltou a movimentar o tema da saída da
Escócia do Reino Unido. Os escoceses preferem permanecer na União Europeia
e já se movimentam pela realização de um novo plebiscito por sua
independência. Em 2014, um plebiscito acabou decidindo pela permanência dos
escoceses no Reino Unido, e um dos argumentos principais da campanha contra
a independência era o acesso à União Europeia via Reino Unido.
A saída do Reino Unido alimenta temores sobre a estabilidade e o futuro
da União Europeia. Politicamente, os partidos nacionalistas crescem em vários
países. Uma de suas bandeiras é a saída ou maior soberania nacional sobre a
regulação europeia. A saída dos britânicos serviria como mais um estímulo para
a defesa dessas ideias nos seus países.
Por enquanto, o Reino Unido continua fazendo parte da União Europeia, já
que a saída não é automática. Abriu-se um período de negociações entre o país
e o bloco europeu, sobre os termos da saída. As negociações podem durar até
dois anos. A saída estava programada para ocorrer até março de 2019,
mas foi adiada para 31 de dezembro de 2020.
Concluídas as negociações, os termos terão que ser aprovados pelo
Conselho Europeu e ratificados pelo Parlamento Europeu. De parte do Reino
Unido, terão que ser aprovadas pelo parlamento britânico.
A negociação está se dando em torno das seguintes diretrizes:
- Fatura de saída do Reino Unido – Enquanto membro da União
Europeia, o país faz parte do orçamento do bloco, recebendo investimentos e
contribuindo financeiramente para o cofre geral. A União Europeia possui um
orçamento comum e fundos setoriais. Atualmente está em vigor o orçamento do
período de 2014-2020. A União Europeia queria que o Reino Unido cumprisse
com todos os compromissos de aporte financeiro já assumidos, mesmo que
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alguns aportes tenham que ser realizados após o país já estar fora do bloco
europeu. Nas negociações, ficou acertado que o Reino Unido vai desembolsar
entre 40 e 45 bilhões de euros, para pagar por compromissos já
assumidos.

- Imigrantes – O que se discute é a manutenção dos direitos sociais


dos três milhões de cidadãos da UE que vivem no Reino Unido, e de mais
de um milhão de cidadãos britânicos que vivem em países do bloco
europeu. Conforme o que já foi negociado, os direitos sociais de ambos
estão garantidos. Esse foi um dos argumentos críticos dos defensores do
Brexit, pois os nacionais de outros países da União Europeia, que residem no
Reino Unido, têm acesso às políticas de assistência social, ao sistema de saúde,
entre outras garantias.

- Fronteira entre a Irlanda e a britânica Irlanda do Norte – A


fronteira entre a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) e a República da Irlanda
(um país independente, membro da União Europeia) é a única ligação terrestre
entre a Europa e o Reino Unido. Atualmente, não existe controle para europeus
atravessarem essa linha graças aos acordos de livre circulação de pessoas.
Nas negociações já realizadas, o Reino Unido se comprometeu a não
estabelecer uma "fronteira dura" (com postos de controle) entre a
Irlanda e a Irlanda do Norte. O temor era que um rompimento pouco
amigável prejudicasse a economia da ilha irlandesa, em ambos os lados.
Outro assunto fundamental, que está em discussão, é a parceria
comercial entre Reino Unido e União Europeia. Hoje eles fazem parte de
um mercado comum, mas com a saída britânica, os mercados se separam e,
com isso, surgem as barreiras comerciais — impostos ou legislações diferentes
que impõem obrigações técnicas a determinados produtos, por exemplo.
A saída do Reino Unido também reativou a disputa entre o país e a Espanha
pela península de Gibraltar. Espanhóis e britânicos têm um desentendimento
histórico sobre quem tem o direito de exercer soberania sobre um território
minúsculo no sul da Espanha. Os dois países já tiveram guerras por isso, mas
nas últimas décadas esse era apenas um assunto desconfortável entre amigos.
Com o Brexit, o futuro de Gibraltar foi para a mesa de negociações e a União
Europeia se posiciona favoravelmente ao pleito espanhol.
O Reino Unido controla Gibraltar desde 1713. Os britânicos conquistaram
a península durante a guerra de secessão espanhola junto aos holandeses. A
península desde então é um território britânico ultramarino.
Para o Reino Unido, controlar o território é importante por razões militares,
uma vez que garante o controle de todas as navegações que entram e saem do
Mediterrâneo. Mas, além disso, com maioria populacional de origem britânica, o

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governo de Londres não está disposto a abrir mão de um território habitado por
seus cidadãos.
Já a Espanha reclama o território sobretudo por razões históricas - não
admite ter perdido sua soberania. Cerca de metade da força de trabalho
gibraltina é de espanhóis que, diariamente, atravessam a fronteira. São
aproximadamente 7 mil pessoas.

II - MERCOSUL
Criado em 1991, o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) completou 25
anos em 2016. Como o nome diz, o bloco econômico almeja ser um Mercado
Comum. No entanto, ainda não atingiu esse estágio. Segundo o Ministério das
Relações Exteriores do Brasil, o bloco pode ser caracterizado como uma união
aduaneira em fase de consolidação, com matizes de mercado comum, com
eliminação dos entraves à circulação dos fatores de produção, bem como pela
adoção de política tarifária comum em relação a terceiros países, por meio de
uma Tarifa Externa Comum (TEC).
Os seus Estados Partes (membros efetivos ou plenos) fundadores são o
Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. A Venezuela (Estado Parte)
ingressou no bloco em 2012. O Paraguai foi suspenso do bloco em junho de
2012, mas retornou ao bloco em fevereiro de 2014. A Bolívia é um Estado Parte
em processo de adesão. Para a conclusão da sua integração definitiva como
Estado Parte, falta, ainda, a ratificação do seu ingresso por alguns parlamentos
nacionais.
Estados Partes são os que participam dos acordos e tratados do Mercosul
e possuem uma maior integração comercial. Possuem direito de voto, são os
países que tem poder de decisão sobre os assuntos do bloco econômico.
O MERCOSUL conta ainda com Estados Associados (membros
associados) e Estados Observadores (membros observadores). Os Estados
Associados são o Chile, Equador, Peru, Colômbia, Guiana e Suriname.
Assim, podemos notar que o MERCOSUL abrange todos os países da América do
Sul. México e Nova Zelândia também são Estados Observadores.
Os membros associados aderem, fazem parte da área de livre comércio,
mas não adotam a Tarifa Externa Comum (TEC). Portanto, não participam
integralmente do bloco, aderem, apenas, a alguns acordos comerciais e não
possuem poder de voto nas decisões do Mercosul. Podem participar na qualidade
de convidado nas reuniões de organismos do bloco e podem assinar acordos
sobre matérias comuns.

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Um membro observador é aquele que apenas participa das reuniões do


bloco, no sentido de melhor acompanhar o andamento das discussões, mas sem
poder de participação ou voto.
Uma das críticas ao MERCOSUL são os poucos acordos de livre-comércio
com outros países ou blocos econômicos. Só possui três acordos, com Egito,
Israel e Palestina.
O bloco negocia há mais de uma década um acordo de livre comércio com
a União Europeia. As negociações enfrentam impasse principalmente devido à
resistência da Argentina em reduzir as tarifas de importação. Isso porque existe
o receio de que a abertura do mercado aos manufaturados europeus enfraqueça
as indústrias nacionais. Por outro lado, há quem defenda que os ganhos no
médio prazo com o aumento das exportações podem compensar essas eventuais
perdas iniciais.
Em dezembro de 2016, a Venezuela foi suspensa do MERCOSUL.
Quando do seu ingresso no bloco, em 2012, foi concedido ao país um prazo de
quatro anos para que adequasse legislação e normas internas aos acordos e
tratados do bloco econômico. Findado o prazo, o país não cumpriu com a
adequação de todas as normas e legislações necessárias à sua adesão como
membro pleno do bloco. Dessa forma, a Venezuela foi suspensa do MERCOSUL
pelos demais países membros.
Nova suspensão foi aplicada ao país, em agosto de 2017, com base na
cláusula democrática, constante do Protocolo de Ushuaia do MERCOSUL. O
bloco entende que há uma ruptura na ordem democrática do país e que os
poderes não estão funcionando de modo harmônico e independente.
As suspensões são políticas, afetando o direito do país de votar, ser votado
e de exercer a presidência rotativa do bloco. Não afetam as trocas comerciais
entre a Venezuela e os demais países do bloco. Os acordos comerciais continuam
em vigor.
Para retornar como membro pleno do MERCOSUL, a Venezuela terá que
solucionar internamente os fatores que deram causa as duas suspensões.
Contudo, não confunda, o país não foi excluído do bloco, suspensão é diferente
de exclusão.

III - NAFTA
O bloco é uma área de livre comércio integrada por Estados Unidos,
Canadá e México. O tratado foi assinado em 1992 e entrou em vigor em 1994.
Na sua campanha eleitoral, o então candidato a presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, prometeu rever os termos do tratado de livre comércio.
O presidente norte-americano considera que o tratado tem termos que

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prejudicam a economia dos Estados Unidos, e, por consequência, favorecem as


economias do Canadá e do México. Já como presidente, os EUA começaram a
discutir com os demais parceiros a renegociação do tratado de livre comércio.
As negociações estão em andamento e até o momento, nenhuma mudança foi
anunciada.

IV - ALCA
A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) foi proposta pelos
Estados Unidos, em 1994. Seria integrada por todos os países americanos,
exceto Cuba. Não chegou a se constituir como um bloco econômico. Após
sucessivas discussões em torno da formação do bloco econômico, a Cúpula das
Américas de 2005, realizada na Argentina, marca o fracasso do acordo, deixando
as negociações em suspenso. 0

V - Tratado de Livre Comércio Trans-Pacífico (TTP) e Tratado


Integral e Progressista de Associação Transpacífico (TPP11)
Em outubro de 2015, 12 países – Estados Unidos, Austrália, Brunei,
Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã
chegaram a um acordo de livre comércio que resultou no maior bloco econômico
da história. Esses países reúnem 40% do PIB mundial e tem 793 milhões de
consumidores. Para os Estados Unidos e Japão, o Tratado representou uma
oportunidade de ficarem à frente da China (não incluída no TTP) e de criarem
uma zona econômica na bacia do Pacífico capaz de contrabalançar o peso
econômico dos chineses na região.
O Tratado foi assinado quando Barak Obama era o presidente dos Estados
Unidos. No entanto, cumprindo uma promessa de campanha, o novo presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto retirando os Estados
Unidos do TTP.
O argumento de Trump, para a saída dos EUA do TTP, é de que o acordo
contém termos que são prejudiciais à economia norte-americana e aos
trabalhadores do país. A decisão de Trump foi considerada uma medida
protecionista, em sentido contrário aos rumos da globalização atual.
A retirada americana, na prática, inviabilizou o Tratado, já que para entrar
em vigor, o texto precisaria ser ratificado por países que representassem 85%
do PIB total dos signatários. Como os EUA detém 60% do PIB dentro do bloco,
não tinha como o TTP entrar em vigor nos termos acordados.
Treze meses depois da saída dos EUA, em março de 2018, na capital do
Chile, Santiago, os onze países remanescentes assinaram o Tratado Integral
e Progressista de Associação Transpacífico (conhecido como TPP11). O

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acordo entrará em vigor quando for aprovado em pelo menos 6 dos 11 países
signatários.
O novo tratado conserva e essência do TPP original, mas cerca de 20
pontos foram suspensos para proteger o equilíbrio entre os países signatários,
principalmente no capítulo de propriedade intelectual.

4. Concentração Global da Riqueza

A globalização gerou enormes desigualdades econômicas e sociais. É o que


afirma a organização não governamental Oxfam, com base em dados do banco
de investimento suíço Credit Suisse. a concentração de riquezas atingiu o maior
nível da história em 2015: 1% da população mundial detém 50% de toda a
riqueza do planeta. Essa parcela mais rica teve aumento de renda 182 vezes
maior do que os 10% mais pobres, no período entre 1988 e 2011.

Em outro dado revelador das desigualdades, a Oxfam aponta que os oito


homens mais ricos do mundo têm o mesmo patrimônio que 3,6 bilhões de
pessoas, a metade mais pobre do planeta.

Essa disparidade é resultado de um sistema vantajoso para poucos eleitos


em detrimento da maioria, que desencadeia um círculo vicioso: quem tem
menos recursos vive em condições mais precárias de saúde, habitação e
educação. isso, por sua vez, resulta em menores oportunidades de conseguir
trabalho com remuneração adequada.

Brasil

No Brasil, a desigualdade é elevada, mas já foi maior. Entre 2004 e 2014,


o índice de Gini calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) para os rendimentos de trabalho caiu de 0,545 para 0,490 – quanto mais
próximo de zero, menor a desigualdade. Em termos de rendimentos totais, a
queda foi de 0,501 para 0,497.
Ambas as quedas se devem à elevação na renda das camadas mais pobres
da população. No entanto, a concentração de renda ainda é muito grande,
inclusive entre os mais ricos.
Segundo a Receita Federal, 8,4% da população se apropria de 59,4% das
riquezas nacionais. E os 0,1% mais ricos detêm 6% do total de riqueza e renda
declaradas. Ou seja, 6% de todo o patrimônio e renda declarados no Brasil estão
nas mãos de apenas 26,7 mil contribuintes. Essa camada no topo da pirâmide

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da desigualdade tem rendimento total médio da ordem de 5,8 bilhões de reais


ao ano.

O principal indicador usado para medir a concentração de renda na


população de um país ou uma região é o índice (ou coeficiente) de Gini. É
uma régua que mostra o desvio na distribuição da riqueza, numa escala de 0 a
1. Quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade.
O índice pode ser calculado sobre diferentes parâmetros – renda familiar,
renda per capita ou renda vinda apenas do trabalho. Segundo os dados do Banco
Mundial, de 2013, os cinco países com os mais baixos índices de desigualdade
são Suécia (0,250), Ucrânia (0,256), Noruega (0,258), Eslováquia (0,260) e
Belarus (0,265). O Brasil figura na lista do Banco Mundial (que realiza um cálculo
diferente do IBGE) com o índice de Gini de 0,547. Trata-se de um dos mais
elevados níveis de desigualdade do mundo – na comparação com os vizinhos
sul-americanos, o indicador é maior que o da Argentina (0,445) e do Uruguai
(0,453).

5. Uma ordem antiglobal


No início dos anos 1990, o mundo parecia ter entrado em uma fase de
amplas oportunidades para todos. Com o fim da Guerra Fria e a consolidação de
uma Nova Ordem Mundial, sob a liderança hegemônica dos Estados Unidos
(EUA), nada parecia deter o processo de globalização e as novas possibilidades
de desenvolvimento que ele prometia. Sem o antagonismo comunista
representado pela União Soviética (URSS), o capitalismo passou a reinar
absoluto no planeta.
As políticas neoliberais deram a sustentação econômica à globalização,
enquanto o avanço da tecnologia da informação, particularmente da internet,
tornou viável a interconexão e aproximação entre as diversas nações. Ao longo
do tempo, porém, esse sistema começou a mostrar algumas fissuras. Ao
contrário do que pregavam alguns dos principais teóricos da globalização, o
aumento da integração mundial e a ampliação do comércio não
promoveram o bem-estar geral dos indivíduos e a redução das
desigualdades entre as nações. A globalização fez alguns vencedores, mas
deixou muitos perdedores pelo caminho. E é nesse fosso de desigualdade que
começam a surgir as reações ao sistema de integração econômica mundial.

O questionamento ao livre-comércio
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A crise econômica mundial de 2008 trouxe à tona os problemas da


globalização. A recessão causada por essa crise levou diversos países a rever
suas políticas econômicas. Para proteger os empregos e a produção local, muitos
governos passaram a questionar o livre-comércio, mais especificamente os
benefícios dos blocos econômicos.
A abertura comercial expõe os países à competitividade típica do
capitalismo e do liberalismo econômico. Ao eliminar as barreiras à importação,
os bens que entram no país disputam mercado com os produtos nacionais.
Aquele que tem maior vantagem competitiva, seja por cobrar menos impostos,
por pagar baixos salários ou por dispor de um câmbio mais favorável para as
exportações, vai se dar melhor na conquista pelo mercado consumidor. E,
dependendo do tipo de acordo comercial, a entrada de produtos estrangeiros
pode afetar todo um setor da economia de um país.

Nacionalismo
A participação de um país em um bloco econômico e em acordos
comerciais faz com que cada um ceda um pouco em seus interesses nacionais
em prol de acordos coletivos que prometem gerar maior prosperidade para
todos, por meio do livre comércio.
Contudo, parcelas expressivas dos trabalhadores perceberam que com a
globalização a manutenção de um padrão de vida, de aumento da renda e a
perspectiva de ascensão social tornou-se mais difícil. Por outro lado, a crise
econômica de 2008 também levou a um aumento do desemprego em vários
países pelo mundo.
A crise ampliou a disputa por empregos e renda entre os trabalhadores e
muitos passaram a identificar nos estrangeiros que residem e trabalham nos
seus países como competidores que estão roubando os empregos dos nacionais
e contribuindo para uma redução das suas rendas.
Entretanto, as causas da crise não residem nos trabalhadores nacionais,
nem nos estrangeiros, mas na excessiva liberdade que foi concedida ao mercado
financeiro norte-americano, cujas instituições realizaram operações de elevado
risco de calote. Tudo isso em busca de um maior lucro. Como o mundo está cada
vez mais globalizado e interdependente, a crise se espalhou pelo planeta.
Esse cenário de questionamento ao livre comércio e a livre circulação de
pessoas reascendeu sentimentos de identidade nacional, conhecidos como
nacionalismos.
O nacionalismo expressa um sentimento cívico, de lealdade à pátria.
Nesse sentido, etnia, língua, religião e história são vistos como elementos
unificadores de uma nação. Contudo, o nacionalismo também pode expressar

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uma ideologia, que se fundamenta nos valores de identidade nacional para


alcançar objetivos políticos. Defendem a tese de que a solução para os
problemas econômicos e sociais de um país está em menos integração, mais
protecionismo e maior restrição ao ingresso de trabalhadores estrangeiros no
país. As relações com outras nações acabam sendo definidas mais em termos
de competição, onde prevalecem as rivalidades nacionais. Para especialistas, a
eleição de Donald Trump e o fenômeno do Brexit são exemplos de ascensão do
nacionalismo político.

A xenofobia
Um dos pilares da globalização é a livre circulação de capitais (dinheiro),
bens, serviços e pessoas. Contudo, o livre trânsito de pessoas sempre foi um
aspecto frágil da globalização. O desenvolvimento tecnológico dos últimos anos
proporcionou enormes avanços nos meios de transporte, o que ajudou a
intensificar os movimentos migratórios em diversas partes do mundo. O
desenvolvimento das telecomunicações, por sua vez, facilitou as transferências
bancárias, permitindo a um imigrante africano que mora na Europa enviar parte
de seu salário mensalmente para ajudar os familiares que vivem em sua terra
natal.
Mas, enquanto o fluxo de capitais e mercadorias sempre foi estimulado
pelos defensores do mundo globalizado, a imigração foi e continua sendo um
tema polêmico, principalmente nos países economicamente desenvolvidos. No
pós-guerra, quando havia necessidade de mão de obra nos principais países
europeus, como Reino Unido, Alemanha e França, a entrada de imigrantes de
países pobres até era facilitada, e eles chegaram em peso ao continente.
Contudo, a integração desses contingentes à nova situação nem sempre
foi tranquila. Muitos argelinos que vivem na França, turcos moradores da
Alemanha ou jamaicanos residentes na Inglaterra sentem-se marginalizados,
vivendo nas periferias das grandes cidades e com acesso restrito ao mercado de
trabalho. Esse é um dos fatores que explicam as revoltas de adolescentes em
subúrbios franceses, frequentes nos últimos anos.
Em uma situação de crise, os ânimos nacionalistas tendem a se aforar.
Muitos britânicos, por exemplo, não aceitam que uma pessoa que veio de outro
país possa compartilhar os mesmos direitos de quem nasceu ali. E esse
nacionalismo pode descambar para a xenofobia.
O termo, derivado do grego, significa literalmente “medo do
estrangeiro” e é usado para definir o receio e a hostilidade que muitas
pessoas sentem em relação a cidadãos de outras nacionalidades que
vivem em uma mesma cidade ou país. Além da questão econômica,
principalmente relacionada ao mercado de trabalho, o estranhamento em

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relação a hábitos culturais ou costumes religiosos diferentes pode acirrar esses


sentimentos xenófobos. Muitas vezes terminam em ódio e violência.
No entanto, a imigração e a exposição a diferentes hábitos e culturas
fazem parte da história da humanidade. Muitas nações construíram suas
identidades a partir do contato com outras culturas e cresceram
economicamente com o esforço do trabalhador imigrante. Mesmo na Europa
atual, com as taxas de natalidade em declínio, projeções apontam que faltará
mão de obra no futuro para sustentar o crescimento econômico. E, nesse
sentido, a aceitação do trabalhador imigrante seria fundamental para driblar
essa encruzilhada demográfica.

6. China
A civilização chinesa tem mais de quatro mil anos. Após um longo período
imperial e uma breve república, uma revolução liderada pelo Partido Comunista
Chinês (PCCh), de Mao Tsé-Tung, deu origem à República Popular da China, em
1949. O país foi reorganizado nos moldes socialistas.
Com a morte de Mao, em 1976, a China implementou um modelo, ainda
vigente, chamado por seus dirigentes de socialismo de mercado. O país manteve
o controle estatal das fábricas e da terra, mas permitiu a abertura ao mercado
mundial em determinadas regiões, denominadas de Zonas Econômicas
Especiais.
Nessas zonas se instalaram empresas multinacionais, para produzir artigos
para a exportação, atraídas por incentivos fiscais e pela barata e numerosa mão
de obra chinesa. Posteriormente, o governo autorizou a propriedade privada em
algumas situações e fez maciços investimentos em tecnologia para aperfeiçoar
a sua indústria.
Com essas medidas, o país inundou o planeta com seus produtos “made
in China”, tornando-se o maior exportador mundial. Se a princípio os produtos
chineses eram associados à baixa qualidade, hoje eles já possuem maior valor
agregado, como eletroeletrônicos e automóveis. Paralelamente, para suprir sua
demanda por alimentos, energia e matérias-primas, a China tornou-se um
grande importador de commodities, como petróleo e minério de ferro.
Com essas ações, a China atrelou seu crescimento à economia de outras
nações, firmando parcerias com países da África e da América Latina, incluindo
o Brasil. Na crise mundial iniciada em 2008, por exemplo, a queda na demanda
chinesa por commodities foi um dos fatores que afetaram a economia brasileira.
Atualmente, o país é a segunda maior economia do mundo, respondendo
por mais de 10% do PIB mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

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Por ter uma economia voltada para o comércio exterior, a China passou a
ser um dos grandes defensores da globalização e do livre-comércio. É uma
defesa que tem sido reafirmada diante de críticas do presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, à essa mesma globalização e livre-comércio.
Para além das questões econômicas, a China quer se firmar como uma
liderança global, capaz de não apenas ser uma potência regional, mas de
ameaçar a hegemonia mundial dos EUA. O fato é que se trata de dois aspectos
praticamente indissociáveis: com o poder econômico e a expansão comercial, o
país cria uma relação de interdependência com os mercados globais, o que
aumenta o seu peso nas principais decisões mundiais.

Na tentativa de projetar sua influência pelo mundo, a China investe na


chamada “diplomacia econômica”. Com projetos de financiamento, aquisição de
matérias-primas e obras de infraestrutura, o país aposta no poder de sua
economia para angariar aliados. É uma forma de estabelecer uma relação na
qual os outros países se tornem cada vez mais dependentes do capital chinês. A
presença chinesa é cada vez mais presente na América Latina, África, Ásia e
Europa.

Na América Latina, mais precisamente na Nicarágua, está em construção


um canal interoceânico bancado pela empresa chinesa HKND a um custo de
50 bilhões de dólares. Quando for inaugurado, em 2019, o megaprojeto irá
competir com o canal do Panamá e deverá estimular ainda mais o fluxo comercial
entre China e América Latina.
O projeto mais ambicioso da China responde pelo nome de “Nova Rota
da Seda”. O objetivo é criar um corredor econômico, composto por estradas,
ferrovias, oleodutos e cabos de fibra ótica, que irá conectar, por via terrestre e
marítima, a China à Europa e à África. O corredor atravessará a Ásia Central, o
Oriente Médio e o Oceano Índico. Para desenvolver este projeto de integração
eurasiana, a China criou um fundo com dezenas de bilhões de dólares, que serão
investidos em obras de infraestrutura nos países vizinhos. A rota da seda foi um
corredor econômico que uniu Oriente e Ocidente no primeiro milênio de nossa
era.

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O país disputa com o Japão a posse das ilhas de Senkaku, para os


japoneses, ou Diaoyu, para os chineses, localizadas no Mar da China Oriental.
O Mar do Sul da China é, atualmente, o foco de maior tensão no Sudeste
Asiático. A área é reivindicada pela China, que alega ter precedência histórica
com base em um pedido feito em 1947. No entanto, além das Filipinas, países
como Vietnã, Brunei, Malásia e Taiwan também disputam a soberania sobre a
região e querem negociar com base na convenção da ONU sobre o Direito do
Mar, que define zonas de 200 milhas para cada país. O problema é que, devido
à proximidade entre essas nações, as fronteiras marítimas não são bem
definidas.
O Mar do Sul da China é fundamental para a indústria da pesca, rica em
reservas de petróleo e estratégica para o transporte marítimo. Mesmo com a
indefinição das fronteiras, a China ampliou a ofensiva para consolidar a ocupação
da área em 2014, ao construir ilhas artificiais em Spratly e instalar plataformas
para a exploração de petróleo na região. Essa iniciativa chinesa é vista como
uma forma de impor sua hegemonia no Sudeste Asiático.
A disputa foi parar na Corte Permanente de Arbitragem da ONU, que
decidiu que a China não tem base legal para reivindicar “direitos históricos”
sobre o Mar do Sul da China. O governo de Pequim informou que não reconhece
e não irá acatar a decisão.

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Apesar do vertiginoso crescimento econômico, o país convive com


problemas que causam instabilidade ao atual modelo político-econômico:
significativa desigualdade social, corrupção, degradação ambiental e crescente
descontentamento popular.
A China é uma ditadura que reprime a liberdade de expressão e viola os
direitos humanos. No entanto, há uma resistência interna, e diversos dissidentes
desafiam o regime. O país é o principal parceiro comercial e destino das
exportações do Brasil.
O atual presidente Xi Jinping já é considerado o homem mais poderoso da
China, desde Mao Tsé-Tung. Xi foi reeleito para um segundo mandato
presidencial de cinco anos, no período de 2018 a 2023, como chefe da Comissão
Militar Central e como secretário-geral do Partido Comunista Chinês.
Em uma alteração constitucional histórica, o parlamento chinês aboliu o
limite de dois mandatos presidenciais consecutivos de cinco anos. Com isso, Xi
Jinping poderá permanecer no poder por tempo indeterminado. O “Pensamento
de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas na Nova Época”,
a teoria do presidente sobre o futuro do país, foi incluído na constituição do PCCh
e na constituição do país.

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1. O Islamismo, Mundo Árabe e Oriente Médio


Ao lado do Cristianismo e do Judaísmo, o Islamismo é uma das três
grandes religiões monoteístas, ou seja, acreditam na existência de um único
Deus. A palavra Islã significa submeter-se e exprime a obediência à lei e à
vontade de Alá (Allah, Deus em árabe). O livro sagrado do Islamismo é o
Alcorão, que consiste na coletânea das revelações divinas recebidas por Maomé
de 610 a 632. Os seguidores da religião são conhecidos como muçulmanos.
Atualmente, o Islã é a religião que mais se expande no mundo, está presente
em mais de 80 países e compreende mais de um bilhão de fiéis.
Após a morte do profeta Maomé, em 632, criou-se a figura do califa, ou
seja, o líder da comunidade muçulmana no mundo. A divisão do Islã entre
sunitas e xiitas remonta ao século VII e tem origem na disputa sobre a
sucessão do profeta. Os sunitas defendem que o chefe do Estado mulçumano
(califa) deve reunir virtudes como honra, respeito pelas leis e capacidade de
trabalho, porém, não acham que ele deve ser infalível ou impecável em suas
ações. Os xiitas defendem que a chefia do Estado muçulmano só pode ser
ocupada por alguém que seja descendente do profeta Maomé ou que possua
algum vínculo de parentesco com ele. Afirmam que o chefe da comunidade
islâmica, o imã, é diretamente inspirado por Alá, sendo, por isso, um ser
infalível. O quarto califa foi Ali, primo do profeta Maomé e casado com sua filha,
Fátima. Ali foi assassinado.
Os sunitas são a grande maioria, mais de 80% dos muçulmanos no mundo.
Os xiitas são maioria apenas no Irã, Iraque e Azerbaijão; nos dois primeiros os
presidentes são dessa ramificação. Os alauítas são uma variação moderada dos
xiitas, presentes, sobretudo na Síria, tendo o presidente Bashar al-Assad como
um dos seus seguidores.
O grupo guerrilheiro Hezbollah é de orientação xiita. Por sua vez, o Hamas
e a Al Qaeda são sunitas. O Estado Islâmico (EI) também é sunita e luta pelo
retorno do califado islâmico. O último califado foi o Império Otomano, e foi
abolido pelo nacionalista e secular líder turco Mustafa Kamal Ataturk em 1924.
O califado é uma forma de governo centrada na figura do califa, que seria
um sucessor da autoridade política do profeta Maomé, com atribuições de chefe
de Estado e líder político do mundo islâmico.

Mundo Árabe e Oriente Médio


A civilização árabe tem origem na península Arábica. No século VII, as
tribos da região unificaram-se em torno da língua árabe e do islamismo. A partir
da unificação, os árabes formaram um vasto império que se expandiu até a
Índia, o norte da África e a península Ibérica, com apogeu em 750 d.C. O mundo

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árabe ocupa a área que vai do oceano Atlântico ao golfo Pérsico, abrangendo o
norte da África e boa parte do Oriente Médio (veja no mapa abaixo).
Os contornos dos atuais países existentes no mundo árabe são, até certo
ponto, arbitrários e resultam do domínio das potências estrangeiras sobre a
região no início do século XX. Com fortes interesses no controle das grandes
reservas de petróleo, governos estrangeiros negociaram a independência de
suas colônias ou áreas sob seu controle para que fossem governadas por aliados
ou colaboradores.
O Oriente Médio não deve ser confundido com o mundo árabe. É uma
região que faz parte da Ásia, tem muito petróleo e pouca água. Integra Irã e
Turquia com populações islâmicas não árabes e Israel, país judeu. Os curdos
habitam vários países do Oriente Médio, região onde também vivem várias
minorias como os assírios e caldeus.
Historicamente Irã e Arábia Saudita disputam hegemonia e influência no
Oriente Médio. Possuem diferenças étnicas e religiosas, os iranianos são persas
e muçulmanos xiitas, os árabes são sunitas. Estas diferenças fazem com que
apoiem governos e grupos armados de acordo com a orientação religiosa de
cada país. Como exemplo temos a Síria, onde o Irã apoia o governo do xiita
Assad e a Arábia Saudita apoia grupos rebeldes sunitas.

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(CESPE/FUB/2015 – VÁRIOS CARGOS) O Vaticano e a Palestina


assinaram um acordo histórico sobre os direitos da Igreja Católica nos
territórios palestinos. A preparação do texto por uma comissão bilateral
levou quinze anos. Embora o Vaticano se refira ao “Estado da Palestina”
desde o início de 2013, os palestinos consideram que a assinatura do
acordo equivale a um reconhecimento de fato de seu Estado.
O Estado de S.Paulo, 27/6/2015, p. A21 (com adaptações).
Tendo esse fragmento de texto como referência inicial e considerando a
amplitude do tema por ele abordado, bem como o contexto geopolítico
no qual este se insere, julgue o item a seguir.
O Oriente Médio, onde se situa o território palestino, é região
estratégica para o mundo contemporâneo desde que o petróleo passou
a exercer papel relevante na economia mundial, o que explica a histórica
atenção que lhe é conferida pelas grandes potências.
COMENTÁRIO:
A Palestina situa-se no Oriente Médio, região com a maior reserva de
petróleo do mundo, fonte de energia mais utilizada no mundo. Berço do
Islamismo, região de clima desértico, o Oriente Médio passou a ser estratégico
para o mundo contemporâneo, desde que o petróleo passou a exercer papel
relevante na economia mundial, o que explica a histórica atenção que lhe é
conferida pelas grandes potências.
Gabarito: Certo

1.1 Instabilidade Política e Conflitos Bélicos


Em 2011, o mundo árabe se viu diante de uma série de revoltas populares,
que ficaram conhecidas como Primavera Árabe, em alusão à Primavera de Praga.
O palco dos conflitos foi a África do Norte e o Oriente Médio, região formada por
países de maioria árabe e muçulmana. As revoltas ocorreram em países com
regimes autoritários e teve como resultado a deposição dos ditadores da
Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen. Na Síria, a revolta se transformou em uma
sangrenta guerra civil.
A Tunísia é o único país em que a revolta popular alcançou o objetivo da
democracia. Nos demais países onde os ditadores foram derrubados – Egito,
Líbia e Iêmen – a Primavera se transformou num tenebroso “Inverno Árabe”,
além da Síria, onde descambou para a guerra civil.
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Tunísia
A Revolução de Jasmim, como ficou conhecido o processo que atingiu a
Tunísia, entre 2010 e 2011, levou à queda do presidente Ben Ali, que ocupava
o cargo desde 1987. Ela começou com protestos populares após o suicídio de
um vendedor ambulante, contra o regime autoritário do presidente. As
manifestações foram reprimidas violentamente e resultaram na derrubada do
regime em 14 de janeiro de 2011.
A Tunísia é o único país da Primavera Árabe, que após as revoltas instalou-
se a democracia. O país realizou eleições em 2012 e 2014.

Egito
Segundo país alcançado pela Primavera Árabe, as revoltas populares
levaram à renúncia do ditador Hosni Mubarak, após 35 anos no poder. No
entanto, a promessa de instauração de democracia não prosperou. A conturbada
transição para a democracia levou ao poder a Irmandade Muçulmana
(fundamentalistas islâmicos). Mohammed Mursi foi o primeiro islâmico a
assumir a chefia de um Estado Árabe pelo voto, em 2012. Porém, foi deposto
por um golpe militar um ano após a posse.
O atual presidente, eleito em um pleito esvaziado, é o marechal Abdel
Fattah al-Sissi. Ex-chefe do Exército, Sissi comandou o golpe de estado que
destituiu o presidente islâmico Mohamed Mursi, em julho de 2013. O parlamento
está fechado, Sissi acumula os poderes executivo e legislativo.
Desde a queda de Mursi, o cerco à Irmandade Muçulmana tem sido brutal.
Centenas de membros foram mortos e milhares presos, incluindo Mursi e líderes
políticos do grupo. A irmandade foi declarada uma organização terrorista, o que
torna crime participar de suas atividades. A campanha de repressão não atinge
só islamistas. O governo proibiu manifestações e está perseguindo quem critica
ou se opõe aos militares.

Líbia
A queda do ditador Muammar Kadafi, em 2011, que governou o país com
mão de ferro por 42 anos, gerou um vácuo de poder, fomentando a disputa
entre milícias armadas, que até então lutavam juntas contra o ditador. Esses
grupos armados combatem por interesses próprios, para abocanhar o poder nas
regiões em que atuam e para obter lucros com a exploração de recursos
naturais, em particular do petróleo. Distinguem-se mais pela origem étnica e
pela vinculação a suas regiões do que pela inspiração religiosa, e formam
coalizões que podem juntar islâmicos ou não.

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As disputas políticas após as eleições de 2014 levaram à formação de dois


governos, que disputam a legitimidade de falar em nome do país. O governo
reconhecido internacionalmente está sediado na cidade de Tobruk e aglutina
particularmente os setores laicos. O outro, com sede na capital do país, Trípoli,
tem grande presença de islâmicos e contra a parte mais importante do país.
Esse quadro de instabilidade tem sido agravado com a presença do Estado
Islâmico que se expandiu para o país. O grupo controla a cidade de Sirte e tem
realizado atentados terroristas, sequestros, execuções e decapitações de
cristãos.

Síria
Combates encarniçados desenvolvem-se, desde 2011, quando
manifestações pró-democracia, logo após os acontecimentos da Primavera
Árabe, na Tunísia e no Egito, chegaram ao país e foram duramente reprimidas
pelo regime do ditador Bashar al-Assad.
A reação de parte da oposição foi armar-se para tentar derrubar o governo.
Assim surgiu o Exército Livre da Síria (ELS), dirigido pela oposição moderada,
que iniciou combates contra as forças de Assad. De lá para cá, a situação
agravou-se, assumindo o caráter de uma guerra civil e de um conflito mais
amplo do que simplesmente opositores contra o governo.
Países do Oriente Médio se envolveram no conflito, assim como os Estados
Unidos, Rússia e potências ocidentais. As tropas do presidente sírio, Bashar Al-
Assad, lutam contra cerca de mil grupos rebeldes. Alguns com forte tendência
extremista e com vínculos com a Al-Qaeda. Desde o começo de 2014, entrou
em cena o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, enfrentando
tanto o governo como os rebeldes, sejam radicais ou moderados.
É um xadrez geopolítico complicado, que precisamos compreender, pois
tem sido cobrado nas provas de Atualidades.
O governo da Síria é apoiado pela Rússia, Irã e pelo grupo xiita libanês
Hezbollah. Os rebeldes moderados anti-Assad têm o apoio dos Estados Unidos,
de potências ocidentais, da Arábia Saudita, Turquia e de outros países do Oriente
Médio.
A Arábia Saudita e alguns países árabes também apoiam grupos
extremistas sunitas anti-Assad. O Estado Islâmico não é apoiado e não apoia
ninguém. Todos os países envolvidos no conflito e os curdos combatem o grupo.
A principal bandeira dos curdos é a criação do seu país independente, o
Curdistão. Não combatem o regime de Assad. São inimigos do Estado Islâmico
e de outros grupos radicais. São apoiados pelos Estados Unidos e Rússia na sua
luta contra o Estado Islâmico, mas não no pleito de criação do seu país. A Turquia

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se opõe aos curdos pelo temor de que a criação de um Curdistão independente


fortaleça o movimento separatista do Curdistão turco.

Mapa da guerra civil na Síria

Atualmente, vigora um cessar-fogo no conflito negociado por Rússia e


Estados Unidos. Participam do cessar-fogo a coalizão liderada pelos Estados
Unidos, o governo da Síria, a Rússia, o Irã, a milícia xiita Hezbollah, grupos da
oposição armada moderada e grupos da oposição civil baseados na Síria e no
exílio. A Fatah al-Sham (ex-Frente al-Nusra) e o Estado Islâmico estão fora do
cessar fogo, continuam combatendo o governo sírio e sendo combatidos.
Sob os auspícios da ONU, estão ocorrendo negociações de paz em
Genebra, Suíça. Participam das negociações potencias ocidentais, a Síria, a
Rússia, países árabes, a oposição civil, as Nações Unidas, a União Europeia, a
Liga Árabe e a Organização dos Estados Islâmicos.
Em abril de 2016, nas áreas controladas pelo governo ocorreram eleições
legislativas. Esta é a segunda eleição desde o início da guerra em 2011. Pela
primeira vez, vários partidos foram autorizados a participar, mas o partido do

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governo, Baath, obteve a maioria dos 250 deputados eleitos para um mandato
de quatro anos.
A guerra na Síria já causou a morte de 300 mil pessoas, gerou mais de 4
milhões de refugiados e está sendo considerada “a maior crise humanitária de
nossa era” pela ONU. Além dos refugiados, outros 6,5 milhões foram deslocados
pelo interior do país. O total de 9,5 milhões de pessoas forçadas a sair de suas
casas equivale a quase metade da população do país. Os refugiados foram
principalmente para Turquia, Líbano e Jordânia. A destruição pelo país é
generalizada.

(CESPE/CPRM/2016 – TÉCNICO EM GEOCIÊNCIAS) O Oriente Médio é


uma das mais tensas regiões do mundo contemporâneo. Nele,
interesses econômicos, sobretudo os ligados ao petróleo, se juntam a
divergências políticas e animosidades religiosas para fazer daquela área
um foco permanente de conflitos. O país que, na atualidade, se tornou
símbolo de tragédia humanitária, representada por milhares de
migrantes que buscam abrigo na Europa, e que sofre os males de uma
guerra civil, a ação de grupos insurgentes e a violência do terrorismo é
a
A) Síria.
B) Turquia.
C) Palestina.
D) Arábia Saudita.
E) Jordânia.
COMENTÁRIOS:
Fácil! O país é a Síria, que desde 2011 vive uma sangrenta guerra civil.
Ainda sobre as alternativas da questão, pode-se comentar que na Palestina são
frequentes os conflitos entre grupos armados e as forças de segurança de Israel.
A Turquia está envolvida em conflitos com os separatistas curdos, ligados ao
Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), além de atentados terroristas
praticados no país, pelo Estado Islâmico.
Gabarito: A

Iraque

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A maioria da população do Iraque é xiita, os sunitas são minoritários. O


nordeste do país é habitado por curdos. Em 2003, os Estados Unidos invadiram
o Iraque e derrubaram do poder o ditador Saddam Hussein, da minoria sunita.
Permaneceram no país até 2011. Ao derrubar Saddam Hussein, os norte-
americanos insuflaram antigas disputas políticas internas. A democracia é frágil.
O governo de maioria xiita privilegia este segmento da população, o que acirra
as tensões com os sunitas e curdos.
O Curdistão iraquiano é uma região com grande autonomia política e
administrativa. Mas, os curdos almejam a independência. Assim como na Síria,
aproveitando-se do caos institucional e das rivalidades entre sunitas e xiitas, o
Estado Islâmico conquistou vastas áreas do território iraquiano.

Curdistão
Nos combates contra o Estado Islâmico, destaca-se a ação dos guerreiros
curdos iraquianos (chamados de peshmerga) e sírios. O Estado Islâmico
persegue os curdos e a minoria yazidi, que pratica uma religião própria. O
enfrentamento direto com os jihadistas do EI tem passado em boa medida pela
atuação das forças curdas, armadas pelos aliados ocidentais, que dão combate
terrestre ao grupo islâmico, apoiando dessa forma os bombardeios aéreos
comandados pelos EUA.
Esse papel de destaque leva analistas a especularem se uma das
consequências dos conflitos atuais não seria a ampliação da autonomia dos
curdos dentro do Iraque ou até mesmo a formação, num prazo ainda indefinido,
de um novo país, o Curdistão, reunindo os curdos que vivem espalhados pela
região.
Maior etnia sem Estado no mundo, com 26 milhões de pessoas, os curdos
habitam uma área contínua que abrange territórios de Turquia, Iraque, Síria,
Irã, Armênia e Azerbaidjão (veja mapa a seguir). O projeto de um Estado curdo
ganhou força no final do século XX, sobretudo na Turquia e no Iraque, países
nos quais o movimento foi violentamente reprimido.
O principal grupo separatista curdo atuante na Turquia, o Partido dos
Trabalhadores do Curdistão (PKK), desenvolvia a luta armada contra o Estado
turco, mas negocia há anos um acordo com o governo central. Em 2013, o
partido declarou um cessar-fogo. Contudo, em julho de 2015, o governo da
Turquia começou a atacar redutos do PKK no Curdistão iraquiano, próximo à
fronteira turca. O PKK reagiu e as hostilidades tem se sucedido de lado a lado.
Na Síria, a milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG), com apoio
de ataques aéreos, resistiu heroicamente a ofensiva do EI sobre a estratégica
cidade curda de Kobane, na tríplice fronteira síria, turca e iraquiana. Após meses
de conflitos, o Estado Islâmico recuou e desistiu de conquistar a cidade.
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Embora sejam muçulmanos sunitas, os curdos não são islamitas


conservadores. As mulheres têm mais liberdade, são mais respeitadas. Muitas
estão nas fileiras da milícia curda síria YPG, lutando contra o Estado Islâmico.

Fonte: Dictionnaire de Geopolitique

(IDECAN/PREFEITURA DE MARILÂNDIA/2016 – AGENTE


ADMINISTRATIVO) Estabelecido em grande parte da região norte da
Síria, o Curdistão é:

A) O maior grupo étnico do mundo sem Estado próprio e fragmentado


entre vários países.

B) Um grupo de origem palestina, de ideologia sunita, que se organiza


por um partido político e brigadas armadas.

C) Um povo que se caracterizara, sobretudo, por formar uma nação de


guerreiros, governada por uma aristocracia militar que vem se
expandindo no norte da África e no Oriente Médio.

D) O grupo terrorista mais agressivo da região, originário do Iêmen,


que vem cometendo uma série de atentados na Europa, principalmente
em nações aliadas aos EUA, como França e Grã Bretanha.

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COMENTÁRIOS:
Maior etnia sem Estado no mundo, com 26 milhões de pessoas, os curdos
habitam uma área contínua que abrange territórios de Turquia, Iraque, Síria,
Irã, Armênia e Azerbaijão (veja o mapa). No Iraque, na Síria e na Turquia, os
curdos lutam por um Estado independente.

Gabarito: A

1.2 Fundamentalismo Islâmico


Ainda que o fundamentalismo esteja atualmente muito associado aos
islâmicos, grupos fundamentalistas existem em todas as religiões. Os
agrupamentos políticos fundamentalistas buscam impor seus dogmas religiosos
como base da organização do Estado e da sociedade. É uma posição
obscurantista, que recusa a democracia e se opõe à perspectiva secular adotada
desde a Revolução Francesa (1789), quando os negócios de Estado se
separaram das convicções religiosas.
A enorme maioria dos adeptos da religião islâmica é constituída por
pessoas comuns que professam uma crença religiosa. Por isso, é um erro grave,
que tem origem em preconceito religioso ou social, identificar grupos terroristas
que dizem agir em nome do islamismo com os hábitos e crenças das populações
muçulmanas em geral.
O fundamentalismo islâmico é contrário ao Estado democrático e laico, e
sua perspectiva é a do Estado teocrático, como no Irã, onde o chefe do Estado
é o líder religioso supremo, o aiatolá. Defendem a implantação da Sharia – o
conjunto de leis e códigos de conduta extraídos do livro sagrado, o Alcorão, e
da Suna (obra que narra a vida e os caminhos de Maomé), como lei, rejeitando
o princípio da separação entre religião e Estado.
O fundamentalismo islâmico é a fonte inspiradora de vários grupos
armados do mundo islâmico, que lutam pela tomada do poder nos países em
que atuam. Os mais conhecidos são a Al-Qaeda, Estado Islâmico e Boko Haram.

Al Qaeda
O saudita Osama bin Laden fundou a Al Qaeda, em 1988, no Afeganistão,
quando lutava ao lado dos guerrilheiros islâmicos (mujahedin) contra a ocupação
soviética, com equipamentos e recursos vindos das potências ocidentais. Mas
após a Guerra do Golfo, em 1990, quando tropas lideradas pelos EUA atacam o
Iraque, a jihad (guerra santa) da Al Qaeda passa a ter como inimigo o Ocidente,

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em especial os Estados Unidos, por causa da crescente presença militar no


Oriente Médio.
Nos anos de 1990, Bin Laden foi responsabilizado por vários ataques a
alvos norte-americanos, até realizar o atentado terrorista de 11 de setembro de
2001, contra os EUA. Então, Bin Laden ganhou fama mundial. Vários grupos
anunciaram sua ligação com a Al Qaeda, o que permitiu ao grupo expandir seu
alcance para se tornar uma rede terrorista com ramificações internacionais.
Na última década, porém, a Al Qaeda Central (AQC), no Afeganistão e
Paquistão, foi duramente atingida pelas ações militares dos EUA. O trabalho de
espionagem e os ataques com drones mataram seus líderes e reduziram sua
capacidade de ação e de se comunicar com as “filiais”. A morte de Bin Laden por
uma equipe da Marinha dos EUA, em 2011, enfraqueceu o grupo. O novo líder,
o médico egípcio Ayman al Zawahiri, não possui o carisma do fundador.

Estado Islâmico
Com um vasto território que extrapola fronteiras, abrangendo áreas do
Iraque e da Síria, ativos estimados em 2 bilhões de dólares e um contingente
em torno de 30 mil combatentes, o Estado Islâmico (EI) consolida-se como a
mais poderosa organização extremista islâmica em atividade.
Sua ascensão é surpreendente quando se considera que, até pouco tempo
atrás, o EI era uma filial da Al Qaeda entre tantas outras atuando na Ásia e na
África. Criado no Iraque em 2003, com o nome Al Qaeda no Iraque (AQI), o
grupo espalhou o terror contra as forças de ocupação e os xiitas, até ser
praticamente aniquilado após a morte de seu comandante, Abu Musab al-
Zarqawi, em 2006. Rebatizado Estado Islâmico do Iraque (EII), o grupo renasce
a partir de 2010, sob um novo líder, Abu Bakr al-Baghdadi.
O vácuo de segurança criado pela retirada militar dos EUA, o clima de
revolta dos sunitas com o governo pró-xiita do Iraque e o caos da guerra civil
síria criam condições para que o EI prosperasse. Ao expandir as atividades para
a Síria, onde infiltrou militantes para abocanhar dinheiro e armas, recrutar
guerrilheiros e instalar bases, em 2013, o grupo muda o nome para Estado
Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). E, após dominar territórios no norte da
Síria e do Iraque o grupo anuncia a criação de um Califado, em junho de 2014,
se autodenominando Estado Islâmico (EI).
O Califado é uma referência aos antigos impérios islâmicos surgidos após
a morte de Maomé, que seguiam rigorosamente a Sharia, a lei islâmica – dos
quais o mais notório é o Império Árabe. O califa, considerado sucessor do
profeta, é a autoridade política e religiosa máxima. Al-Baghdadi é proclamado
califa do EI.

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Nas áreas que conquista, o EI rapidamente assume o controle sobre bases


militares, bancos, hidrelétricas e campos de petróleo e instaura um governo
próprio, com ministérios, cortes islâmicas e aparato de segurança. A cobrança
de taxas e impostos, junto com a venda ilegal de petróleo, os sequestros e as
extorsões, garantem ao grupo uma renda diária estimada em 2 milhões de
dólares. No plano social, o código moral é severo.
Um traço marcante do EI é o emprego de táticas tão bárbaras que até a
Al Qaeda renegou o grupo. São execuções em massa, às vezes contra
comunidades inteiras, e mortes coletivas, por crucificação, decapitação e
enforcamento. Além de ser uma estratégia de guerra, visando submeter
populações locais pelo terror, a violência indiscriminada, também direcionada
aos “infiéis” (minorias étnicas e religiosas e ocidentais), é uma mensagem
poderosa para atrair muçulmanos desiludidos de todas as partes do mundo,
inclusive do Ocidente, que passam a lutar em suas fileiras e aniquilar inimigos
do islã com a promessa da salvação.
Mais de 30 grupos jihadistas de vários países da África e Ásia juraram
lealdade ao autoproclamado califa Estado Islâmico. Esses grupos têm cometido
uma série de atentados terroristas, principalmente na Líbia, Tunísia, Egito,
Iêmen e Afeganistão.
O Estado Islâmico também se notabilizou pela destruição de esculturas,
monumentos, palácios e templos do patrimônio cultural e arqueológico de
cidades históricas do Iraque e da Síria, nas áreas conquistadas. O EI justifica a
destruição dizendo que cultuam outras divindades e por isto são demoníacas,
ferindo, portanto, os princípios do Islã.
O EI é bastante ativo na internet. Utiliza intensamente a web para divulgar
suas atividades, recrutar novos combatentes e invadir sites de organizações
governamentais e privadas.
Como vimos, o Estado Islâmico conquistou vastas áreas territoriais no
Iraque e na Síria. No entanto, no momento, no terreno militar está na defensiva,
ante a ofensiva que sofre nesses dois países. O grupo já perdeu 50% do território
que controlava na Síria e 20% no Iraque.
No Iraque é atacado pelo exército iraquiano, por milícias xiitas, pelos
curdos e pela coalizão de países liderados pelos EUA. Na Síria, é atacado pelas
forças do governo e aliados russos e iranianos; pelos curdos, por outros grupos
locais e pela coalizão de países lideradas pelos EUA.
A fortaleza do Estado Islâmico é a província de Raqa, onde fica a cidade
de mesmo nome, capital do Estado Islâmico. Após dois anos, as forças que
combatem o EI, conseguiram entrar na província de Raqa. O objetivo é tomar a
cidade, capital do autoproclamado califado.

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Na medida em que perde território, o Estado Islâmico tem realizado brutais


atentados terroristas em vários países do mundo. Cita-se os atentados
terroristas em Paris, em janeiro e novembro de 2015, em Bruxelas, em março
de 2016, no Iraque, Bangladesh, Tunísia, Síria e outros países.
O grupo também reivindicou a autoria do atentado terrorista na cidade
balneária de Nice, França, em julho de 2016. Nesse atentado, um terrorista
avançou com um caminhão entre as pessoas que estavam à beira-mar,
festejando a queda da Bastilha, o dia nacional da França. O ataque deixou mais
de 80 mortos e 200 feridos.

(VUNESP/SAP/2015 – AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA


PENITENCIÁRIA) O grupo Estado Islâmico (EI) publicou nesta segunda-
feira (15.12) fotos da execução de 13 homens apontados como
combatentes sunitas inimigos dos jihadistas. Três fotos, publicadas em
um fórum jihadista e nas redes sociais, mostram a execução dos
homens, todos vestidos com macacões de cor laranja.
(http://noticias.terra.com.br/mundo/estado-islamico-revela-fotos-de-execucao--em-massa,35ebdcd49705a410VgnCLD200000b2bf46d0RCRD.html. 16.12.14. Adaptado)

O grupo Estado Islâmico tem forte atuação


(A) no Egito.
(B) na Argélia.
(C) no Iraque.
(D) na Arábia Saudita.
(E) no Irã.
COMENTÁRIOS:
O Estado Islâmico tem forte atuação no Iraque e na Síria, domina vastos
territórios dos dois países, onde proclamou a criação de um califado islâmico.
Gabarito: C

Boko Haram
O Boko Haram atua na Nigéria e realiza incursões no Chade, Níger e
Camarões. Criado em 2002, na Nigéria, a partir de 2009, iniciou atos de
violência, com o objetivo de impor nesse país uma versão mais radical da sharia
(a lei islâmica), que veta a adoção de vários aspectos da cultura ocidental, como
a educação secular. A maioria dos muçulmanos rejeita essa interpretação. O

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Boko Haram, que era aliado da rede terrorista Al Qaeda, vinculou-se em 2015
ao Estado Islâmico.
Segundo o Índice de Terrorismo Global 2015, o Boko Haram é o grupo
terrorista mais violento da atualidade. O índice, baseado em dados de ataques
de grupos extremistas, assinala que o Boko Haram matou 6.444 pessoas em
2014, mais do que o Estado Islâmico.

(FUNIVERSA/SEAP DF/2015 – AGENTE DE ATIVIDADES


PENITENCIÁRIAS) Particularmente célebre pelas atrocidades
cometidas contra suas vítimas, muitas das quais decapitadas a sangue
frio em cenas gravadas e postadas na Internet, o Boko Haram identifica-
se como grupo armado comprometido com a defesa de Israel.

COMENTÁRIOS:

O Boko Haram é um grupo terrorista, fundamentalista islâmico, que atua


na Nigéria. Não tem nenhum compromisso com a defesa do Estado judeu de
Israel. O grupo quer tomar o poder na Nigéria e implantar um estado islâmico,
com base na sharia (lei islâmica).

Gabarito: Errado

Al Shabah
Fundado em 2004, o Al Shabah atua na Somália, sendo filiado à rede Al
Qaeda. O grupo passou a ser mais conhecido em 2013, a partir do atentado que
cometeu em um shopping center em Nairóbi, capital do Quênia.
Desde 2007, uma força de paz composta por vários países da União
Africana (UA) atua ao lado de forças do governo somali no combate ao Al
Shabah, o que tem imposto várias derrotas e enfraquecido a milícia.

Ataque em boate gay em Orlando – Estados Unidos


No dia 12 de junho de 2016, em Orlando, na Flórida, nos Estados Unidos,
um atirador, Omar Mateen, causou uma tragédia ao matar cerca de 50 pessoas

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e deixar mais de 53 feridas. O ataque foi na boate “Pulse”, voltada para o público
LGBT. Entre as armas que o atirador portava, estava um rifle automático.
O atirador nasceu nos Estados Unidos, mas, era filho de pais nascidos no
Afeganistão. O Estado Islâmico diz que é responsável pelo ataque. Mas essa
informação contraria o que disse o pai do atirador, que ele não tinha ligações
com nenhum grupo terrorista. Horas antes de atacar a casa noturna, o atirador
ligou para o telefone de emergência Da Polícia e disse que era membro do EI.
Massacres deste tipo acontecem muito nos Estados Unidos. Antes do
ataque em Orlando, já haviam acontecido outros 172, só em 2016. E esse, de
acordo com a imprensa americana, é o mais violento da história dos EUA.
Nos Estados Unidos, qualquer pessoa tem o direito de ter uma arma. O
atirador de Orlando, por exemplo, tinha licença para as duas armas que usou no
ataque. Muita gente diz que é fácil demais comprar armas nos EUA e que a
legislação deveria ser revista. Mas existem grupos que resistem, dizendo que é
ilegal interferir nesse direito de ter armas, que está na Constituição Americana.
Essa é uma questão controversa nos EUA, e sempre rende debates acalorados.

1.3 O Irã
O Irã ocupa lugar central no xadrez do Oriente Médio. O regime define-se
desde a Revolução de 1979 como uma república islâmica, e segue a vertente
xiita do islamismo. Posiciona-se frontalmente contra Israel e é aliado do regime
sírio de Bashar al-Assad, exercendo também influência sobre partidos xiitas que
estão no governo do Iraque. Dessa forma, busca formar um arco xiita de poder,
centrado na oposição a Israel e às monarquias sunitas do Golfo Pérsico, como
Arábia Saudita, Barein e Catar.
Desde 2003, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), os EUA
e as demais potências ocidentais tentam impedir o avanço do programa nuclear
iraniano. Eles acusam o país de desenvolver a tecnologia de enriquecimento de
urânio com a intenção de fabricar armas nucleares. O Irã nega.
A ONU exigia que o Irã parasse de enriquecer urânio e autorizasse o acesso
irrestrito da AIEA às suas instalações. Diante da negativa do Irã, foram
aprovadas quatro rodadas de sanções contra o país, entre 2006 e 2010.
Como a China e a Rússia se opuseram a novas sanções na ONU, os EUA e
a União Europeia anunciaram, em 2011, o embargo ao petróleo iraniano e
punições financeiras contra nações que compram petróleo do país. Foram
decretadas também sanções contra o sistema bancário do Irã. O embargo levou
à queda expressiva nas exportações de petróleo iraniano, comprometendo a
obtenção de divisas externas.

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Em 2013, o Irã começou a negociar um acordo para a retirada das sanções


com o Grupo 5+1 (EUA, França, Reino Unido, Rússia e China + Alemanha) em
troca da limitação de suas iniciativas nucleares. Em 2015, Irã e as potências
chegaram a um acordo, que limita e condiciona o programa nuclear iraniano,
visando assegurar que o programa nuclear iraniano tenha um caráter não
militar, em troca da retirada das sanções internacionais que asfixiam a economia
do país. O texto autoriza o Irã a prosseguir com o programa nuclear civil e abre
o caminho para uma normalização da presença do país no cenário internacional.
Os iranianos se comprometeram a reduzir a capacidade nuclear (redução
de dois terços do número de centrífugas de urânio em 10 anos, de 19.000 para
6.104, diminuição das reservas de urânio enriquecido) durante vários anos e a
permitir que os inspetores da AIEA realizem inspeções profundas em suas
instalações.

1.4 A questão da Palestina


A criação do Estado de Israel, em 1948, dá início a um conflito entre judeus
e árabes, já que estes últimos viviam na região do novo país. O território
ocupado por Israel, após uma guerra, foi maior do que o aprovado pela ONU. A
criação de Israel levou à expulsão de mais de 700 mil palestinos, que se
tornaram refugiados. Atualmente, a população palestina refugiada soma 5
milhões de pessoas, que reivindicam o direito ao retorno a suas terras, o que
não é aceito por Israel.
Os Acordos de Oslo (1993-1995), assinados entre palestinos e israelenses,
com mediação dos EUA, traçaram a meta de dois Estados: um judeu (Israel) e
um palestino, formado pela Faixa de Gaza e pela Cisjordânia, ambas ocupadas
pelos israelenses em 1967. Definiram ainda a criação da Autoridade Nacional
Palestina (ANP), como embrião do futuro Estado. Nos últimos 20 anos, a
perspectiva dos “dois Estados” guia as negociações de paz. Não houve, porém,
avanços efetivos para uma paz duradoura, por causa das divergências entre as
partes.
O Hamas, baseado na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, baseado no sul do
Líbano, são as mais importantes organizações guerrilheiras anti-Israel. Ambas
pregam a destruição total do Estado judaico.
Gaza, que está submetida por Israel a um bloqueio territorial e econômico,
sofreu, em 2014, pela terceira vez em cinco anos, um pesado ataque militar por
parte dos israelenses, que causou milhares de mortes e a destruição de boa
parte da infraestrutura local. A Cisjordânia se vê cortada por um muro que a
separa de Israel, invade seu território e impede a livre circulação de seus
habitantes, tratados como potenciais terroristas.

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Nos últimos 20 anos, essa perspectiva geral dos “dois Estados” é a que
tem guiado as negociações de paz. Na prática, porém, não houve avanços. Do
lado israelense, o atual governo, do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu,
defende posições que os palestinos consideram inaceitáveis, como a
continuidade e a ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.
Outra divergência é sobre o status da cidade de Jerusalém. Os palestinos
defendem que a parte oriental da cidade, também ocupada pelos israelenses
desde 1967, seja a capital de seu futuro Estado. Israel não aceita essa divisão,
reivindicando a cidade inteira como a sua própria capital.
Ponto de honra para os árabes nas negociações, é o direito ao retorno dos
palestinos expulsos de Israel e seus descendentes pelas guerras de 1948 e dos
Seis Dias (1967). O governo israelense não aceita sequer debater a sua volta,
pois o eventual regresso colocaria em xeque a própria existência de Israel tal
como é hoje.
Em 2012, a ONU concedeu para a Palestina a condição de “Estado
observador não-membro”. Mais de 140 Estados, inclusive o Brasil, já
reconhecem o Estado da Palestina. O último a reconhecer foi o Vaticano, em
junho de 2015.

(CESPE/FUB/2015 – VÁRIOS CARGOS) O Vaticano e a Palestina


assinaram um acordo histórico sobre os direitos da Igreja Católica nos
territórios palestinos. A preparação do texto por uma comissão bilateral
levou quinze anos. Embora o Vaticano se refira ao “Estado da Palestina”
desde o início de 2013, os palestinos consideram que a assinatura do
acordo equivale a um reconhecimento de fato de seu Estado.
O Estado de S.Paulo, 27/6/2015, p. A21 (com adaptações).
Tendo esse fragmento de texto como referência inicial e considerando a
amplitude do tema por ele abordado, bem como o contexto geopolítico
no qual este se insere, julgue os itens a seguir.
As tensões no Oriente Médio se elevaram no pós-Segunda Guerra
Mundial, quando, por resolução das Nações Unidas, decidiu-se pela
partilha do território conhecido como Palestina, para nele serem criados
dois Estados: um judeu e outro, árabe.
COMENTÁRIO:

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Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) dividiu a Palestina


histórica em dois Estados – um para os judeus, com 53% do território, outro
para os árabes palestinos, com 47%. Estes últimos rejeitaram o plano.
Já na sua criação, Israel se deparou com uma guerra em 1948. Cinco
países árabes enviaram tropas para impedir sua fundação, mas Israel estava
preparado e tinha o respaldo das principais potências – EUA e União Soviética.
As forças militares do novo Estado não apenas defenderam suas fronteiras
originais como empurraram os palestinos para uma área menor do que a que
lhes tinha sido destinada.
A criação do Estado judeu nunca foi aceita na sua totalidade pelos árabes.
Após a sua criação, os conflitos e as tensões se elevaram no Oriente Médio. Na
atualidade, grupos armados como o Hezbollah e o Hamas pregam a destruição
do Estado de Israel e se envolvem em conflitos frequentes com a nação judaica.
Gabarito: Certo

1.5 Turquia
A Turquia está localizada entre a Europa e o Oriente Médio, posição que
sempre lhe conferiu um papel estratégico e histórico relevante. O país foi o
centro irradiador de poder dos impérios Bizantino (330-1453) e Otomano (1281-
1918). O Islamismo é a religião de 99% da população.
Alçada à condição de grande potência emergente na última década, a
Turquia enfrenta grandes desafios em 2016. O país tem sido alvo de atentados
terroristas do Estado Islâmico e dos separatistas curdos; vive a tensão interna
entre o secularismo e a islamização; a vizinha Síria está em guerra civil, onde
na fronteira atua o Estado Islâmico e abriga milhões de refugiados sírios, que
fugiram da guerra civil.
As bases da Turquia moderna começaram a ser estabelecidas com a
dissolução do Império Otomano, após a derrota na I Guerra Mundial, em 1918.
A crise política e econômica do pós-guerra deu origem a um movimento
nacionalista liderado pelo general Mustafa Kemal, que adotou o codinome de
“Ataturk”, ou “pai dos turcos”.
Ataturk aboliu o califado islâmico e separou a religião islâmica do Estado.
Essa separação é chamada de secularismo. A medida provocou profundas
alterações na estrutura social do país. As forças políticas acompanharam a
polarização na sociedade e se dividiram entre aqueles que defendiam os valores
seculares de Ataturk e os favoráveis a um papel maior da religião islâmica na
vida pública.
Como guardiões do secularismo, os militares derrubaram sucessivos
governantes que tinham um perfil mais religioso, nos anos de 1960, 1971, 1980
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e 1997. Esta divisão da sociedade e da política e o histórico papel do exército na


defesa do secularismo ajudam a entender a fracassada tentativa de golpe militar
de julho de 2016.
O atual presidente, Recep Tayyip Erdogan, foi primeiro-ministro entre
2003 e 2014. Com ambições políticas, ele quer mudar a lei, adotando o
presidencialismo em substituição ao atual sistema parlamentarista. Por trás
dessa iniciativa, está a tentativa de acumular os poderes da chefia de governo,
que hoje cabem ao primeiro-ministro.
Como presidente, Erdogan vem adotando uma agenda autoritária,
retirando poderes do Judiciário, minando a influência dos militares no país e
prendendo jornalistas críticos ao seu governo.
Paralelamente adotou medidas como a liberação do uso do lenço islâmico
em escolas e repartições públicas e a proibição da venda de bebidas alcoólicas
à noite. Seus críticos denunciaram a imposição de uma agenda islâmica,
enquanto os seus simpatizantes consideraram as medidas como como uma
restauração da liberdade de expressão religiosa.
Foi nesse contexto que parcela dos militares tentou dar um golpe e depor
o presidente em 15 de julho. Segundo os golpistas, a iniciativa era em prol da
democracia, da liberdade de expressão e da defesa dos direitos humanos. A
tentativa de prender Erdogan fracassou. Atendendo ao seu apelo, a população
foi às ruas em defesa do atual governo. Uma parte dos militares não aderiu ao
movimento e o golpe de Estado fracassou.
Nos dias seguintes, Erdogan tem promovido a prisão e/ou destituição dos
cargos de milhares de militares, policiais, juízes, funcionários públicos e reitores
de universidades. Após o golpe fracassado, analistas esperam uma dura reação
de Erdogan, com um aumento da concentração de poderes.
Nos últimos meses, vários bárbaros atentados terroristas foram
executados em Istambul e Ancara, atribuídos a dois inimigos do país: o grupo
terrorista Estado Islâmico e militantes curdos.
Desde o ano passado, a Turquia é parte da coalizão liderada pelos Estados
Unidos que combate o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Além de fazer
bombardeios aéreos em áreas dominadas pelo grupo extremista, o governo
turco permite que os aviões americanos usem suas bases aéreas para atacar
alvos na Síria. Os atentados terroristas do Estado Islâmico seriam uma reação
ao envolvimento turco nos combate ao grupo.
Os curdos, maior etnia do mundo sem pátria, habitam o oeste do país e
lutam pela independência do seu território. O principal grupo separatista é o
Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que iniciou a luta armada em
1984. Com o tempo, passaram a exigir apenas mais autonomia nas regiões onde
vivem, e as negociações levaram a um cessar-fogo em 2013. Esse foi rompido
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em 2015; o governo turco tem atacado alvos dos curdos na Síria, Iraque e
Turquia.
A Turquia também é uma das principais portas de entrada de imigrantes
e refugiados (especialmente sírios) na Europa. Em março de 2016, a União
Europeia aprovou um acordo com o governo turco para conter o fluxo de
imigrantes ilegais. Pelo acordo, são enviados de volta à Turquia os ilegais que
chegam da costa turca à Grécia. Em contrapartida, por cada sírio que seja
devolvido à Turquia, outro que esteja em campos turcos será admitido na UE.

2. Segurança Internacional
A permeabilidade das fronteiras, as modificações operadas pela
globalização e a porosidade das relações entre economia internacional
e Estado nacional geraram novos desafios para a defesa e a segurança do
Estado. Fatores que são apresentados como impulsionadores do declínio do
Estado e da soberania, como o terrorismo internacional, o crime organizado, o
narcotráfico e a ameaça de espionagem, são igualmente responsáveis pela
ampliação e expansão de estruturas de inteligência sob comando estatal em
quase todo o mundo.

O Terrorismo
O terrorismo é uso de violência física ou psicológica, através de ataques
localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população
governada, de modo a incutir medo, terror, e assim obter efeitos psicológicos
que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, alargando-se para a
população do território.
O terrorismo de Estado consiste em um regime de violência instaurado
por um governo, em que o grupo político que detém o poder se utiliza do terror
como instrumento de governabilidade. Caracteriza-se pelo uso da máquina de
repressão do Estado como organização criminosa, restringindo os direitos
humanos e as liberdades individuais.
Na segunda metade do século XX, em muitos países da América Latina,
chegaram ao poder ditaduras militares que estabeleceram regimes de exceção
com restrições democráticas aos direitos humanos e às liberdades individuais.
Contra esses regimes, levantaram-se oposições civis e grupos armados. Como
método de dissuasão e combate às oposições, os regimes autoritários muitas
vezes se utilizaram do terrorismo de Estado. Alguns especialistas apresentam
como exemplo de terrorismo de Estado, a atuação do DOPS durante a ditadura
militar brasileira, cuja tortura e acúmulo sistemático de informações sobre

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cidadãos considerados suspeitos de subversão potencializou um processo de


terror.
Por outro lado, a segunda metade do século XX também foi pródiga no
surgimento e atuação de grupos guerrilheiros e terroristas na América Latina
que se utilizavam de métodos violentos para o enfrentamento aos governos que
se opunham. Na sua ação, muitos se utilizaram de atos terroristas como
sequestros, assassinatos e atentados à bomba.
Historicamente, atos que seriam tidos como terroristas foram
considerados heroicos quando associados à luta contra a opressão ou pela
libertação nacional. É o caso da Resistência Francesa, que lutou contra a
ocupação nazista na II Guerra Mundial (1939-1945).
A retórica da “guerra ao terror” do ex-presidente norte-americano George
W. Bush levou muitos a associarem o terrorismo ao islamismo. Na verdade, há
grupos fundamentalistas em todas as religiões. São os que enxergam nos
textos sagrados de sua crença a orientação para a organização do Estado e da
sociedade. É uma posição que recusa a democracia e se opõe à perspectiva
adotada pela Revolução Francesa (1789) de separação entre religião e Estado.
O terrorismo islâmico é uma forma de terrorismo religioso cometido por
extremistas islâmicos. Fundamenta-se numa leitura dogmática e literal de
trechos do Alcorão, o livro sagrado do Islã. São grupos armados que não contam
com o apoio e a adesão da maioria da população islâmica. É um erro associar
mecanicamente o Islã ao fenômeno do terror político contemporâneo.

O crime organizado
Crime organizado é toda organização cujas atividades são destinadas a
obter poder e lucro, transgredindo a lei das autoridades locais. Entre as formas
de sustento do crime organizado encontram-se o tráfico de drogas, os jogos de
azar e a compra de "proteção", como acontece com a Máfia italiana.
Em cada país, as facções do crime organizado costumam receber um nome
próprio. Assim, costuma-se chamar de Máfia ao crime organizado italiano e ítalo-
americano; Tríade ao chinês; Yakuza ao japonês; Cartel ao colombiano e
mexicano e Bratva ao russo e ucraniano. A versão brasileira mais próxima disso
são os Comandos, facções criminosas sustentadas pelo tráfico de drogas e
sequestros.
Seja qual for a atividade à qual o crime organizado se dedique, este
sempre enfrentará, além do combate das forças policiais de sua região de
atuação, a oposição de outras facções ilegais. Para manter suas ações ilícitas,
os membros de organizações criminosas armam-se pesadamente, logo pode-se
dizer que as armas – e os assassinatos – são o sustentáculo do crime organizado.

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Após o fim da Guerra Fria e a queda do comunismo, o crime organizado


se reconfigurou em nível internacional. As grandes organizações criminosas se
diversificaram, algumas se uniram ou passaram a atuar em parceria. A
globalização e o uso da moderna tecnologia e telecomunicações expandiram e
enriqueceram tremendamente o crime organizado internacional.
De acordo com dados do Escritório da ONU contra Drogas e Crimes, o
comércio ilegal do crime organizado registra ganhos anuais de mais de US$ 2
trilhões. O número é alto, porém é apenas uma estimativa dada a natureza ilegal
do que está sendo analisado. Este número equivale a cerca de 3,6% de tudo o
que se produz e é consumido no planeta em um ano.
O último relatório do Fórum Econômico Mundial fez uma estimativa menor
- mais de US$ 1 trilhão - com base em uma pesquisa de 2011 feita pelo Global
Financial Integrity (GFI), um centro de estudos de Washington.
O GFI elaborou seu relatório a partir de 12 atividades ilegais e as cinco
primeiras são estas.
1º Narcotráfico: US$ 320 bilhões
2º Falsificação: US$ 250 bilhões
3º Tráfico humano: US$ 31,6 bilhões
4º Tráfico ilegal de petróleo: US$ 10,8 bilhões
5º Tráfico de vida selvagem: US$ 10 bilhões
Se juntarmos a estas cifras os ganhos com outras atividades criminosas
(desde o tráfico de órgãos até a venda de obras de arte) a soma chega a US$
650 bilhões. E se levarmos em conta que a maioria das transações são feitas em
dinheiro vivo, a lavagem de dinheiro se transforma em um grande negócio que
explica a soma total de mais de US$ 1 trilhão citada pelo Fórum Econômico
Mundial.

Interpol
A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) é uma
organização internacional que ajuda na cooperação de polícias de diferentes
países. Sua sede é em Lyon, na França e tem a participação de 188 países
membros. A Polícia Federal é a representante brasileira da Interpol.
A Interpol não se envolve na investigação de crimes que não envolvam
vários países membros ou crimes políticos, religiosos e raciais. Trata-se de uma
central de informações para que as polícias de todo o mundo possam trabalhar
integradas no combate ao crime internacional, o tráfico de drogas e os
contrabandos.

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(CESPE/POLÍCIA FEDERAL/2015 – AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL)


Cássio, promotor de justiça, comprou pela Internet e recebeu por SEDEX
dois novos tipos de drogas, maconha sintética e pentedrona. As drogas,
encomendadas como parte de uma investigação sobre o tráfico na
Internet, foram entregues no gabinete do promotor, no Fórum Criminal
da Barra Funda, em São Paulo, maior complexo judiciário da América
Latina. A encomenda foi postada em Fortaleza – CE, embora o sítio
estivesse hospedado nos Estados Unidos da América (EUA).
Folha de S.Paulo, 26/10/2014, p. C1 (com adaptações).
Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial e
considerando a relevância do tema por ele tratado no mundo
contemporâneo, julgue o item seguinte.
O episódio narrado no texto remete ao fato de que as facilidades
introduzidas pelas inovações tecnológicas não são apropriadas apenas
pelo sistema produtivo, por instituições diversas ou pelas pessoas
comuns, mas também o são pela extensa rede do crime organizado que
atua em escala global.
COMENTÁRIOS:
O episódio narrado já traz a resposta da questão como correta. Um
promotor comprou drogas pela internet, portanto utilizou uma inovação
tecnológica que se popularizou há poucas décadas. O site onde o promotor fez
a compra está hospedado em outro país, nos Estados Unidos. Mas o despacho
da mercadoria não foi de algum lugar ou cidade daquele país, foi de uma cidade
brasileira – Fortaleza, no Ceará. É uma demonstração de que o crime organizado
atua em escala internacional e faz uso das inovações tecnológicas.
A organização e a atuação do crime organizado acompanham a
globalização, os criminosos passaram a atuar em rede e fazem uso das
modernas tecnologias de comunicações e eletro/eletrônicas.
Gabarito: Certo

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AULA 02 – Política e Sociedade Internacional - II

Sumário Página

1. A crise dos refugiados e migrantes na Europa 1

2. América Latina 4

3. Coreia do Norte 9

4. Eleições nos Estados Unidos 11

5. Os separatismos na Europa 12

6. Organismos, organizações e grupos internacionais 14

7. Temas Diversos 19

8. Questões Comentadas 22

9. Lista de Questões 53

10. Gabarito 72

1. A crise dos refugiados e migrantes na Europa


A Europa vive uma crise migratória de enormes proporções. Em 2015,
segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM) mais de 1 milhão
de migrantes cruzaram o Mediterrâneo para chegar ao continente europeu.
Destes, 80% entraram na Europa pela Grécia, os demais pela Itália e outros
países. No mesmo período, ao menos 3.600 migrantes e refugiados morreram
afogados ao tentar atravessar o Mediterrâneo em embarcações precárias ou
desapareceram. Traficantes de pessoas chegam a cobrar mais de R$ 10 mil por
individuo para realizar a viagem pelo mar.
Especialistas dividem as travessias do Mediterrâneo em direção ao
continente europeu em três grandes rotas:
 Mediterrâneo Central: parte da Líbia e tem como principal destino
a Itália, notadamente a Ilha de Lampedusa, próxima a costa
africana.
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 Mediterrâneo ocidental: também reúne refugiados africanos, que


partem do Marrocos, Tunísia e Argélia e buscam desembarcar na
costa da Espanha.
 Mediterrâneo oriental: é aquela utilizada para fazer a ligação
entre à Turquia e a Grécia.

Fonte: Folha de São Paulo

Guerras, pobreza, repressão política e religiosa são alguns dos motivos


que fazem milhares de pessoas saírem de seus países em busca de uma vida
melhor no continente europeu. Os refugiados e migrantes têm origem
principalmente na Síria, Iraque, Afeganistão, Líbia, Nigéria e Eritreia. As
principais portas de entrada são a Itália e a Grécia. Os principais destinos são a
Alemanha, França, Áustria, Suécia e Inglaterra.
A Síria vive uma sangrenta guerra civil. Tanto nesse país, como no Iraque
atua o Estado Islâmico que conquistou militarmente vastos territórios, causando
a fuga de milhões de pessoas das regiões que passou a controlar. Na Nigéria,

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país populoso e com grande pobreza, atua outro grupo fundamentalista islâmico,
o Boko Haram.
O Afeganistão é outro país instável. Em 2001 foi invadido pelos Estados
Unidos, logo após o ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro daquele ano.
Osama bin Laden, líder da rede Al-Qaeda, assumiu a autoria dos atentados e se
refugiava no país. Os norte-americanos depuseram do poder o Talibã, grupo
fundamentalista islâmico. Mesmo fora do poder, o grupo continua ativo e
controla regiões do Afeganistão.
Dos refugiados e migrantes que cruzam o Mediterrâneo em direção ao sul
da Itália, boa parte vem da Eritreia. Um dos motivos para cidadãos desse país
decidirem emigrar é o serviço militar obrigatório -- comparável a um regime de
escravidão. Grupos de defesa dos direitos humanos também afirmam que o país
vive forte repressão política.
Em escalas variadas, os países europeus se mostram refratários em
acolher os refugiados e migrantes, com alguns de seus líderes tendo opiniões
muito críticas. Alguns países chegaram a construir muros/cercas fortificadas ao
longo de parte das suas fronteiras, para bloquear o fluxo de pessoas buscando
asilo no norte da Europa.
O duro tratamento e a brutalidade das forças de segurança de países
europeus para com os refugiados e migrantes motivaram protestos da população
em diversas nações da Europa. Solidários, pediam que os seus governos
acolhessem os estrangeiros.
A Alemanha, antes resistente em receber os refugiados, mudou de posição
e agora está mais receptiva. O país é o destino da maioria dos que buscam uma
vida nova em solo Europeu.
Na tentativa de restringir o fluxo de refugiados e migrantes em direção a
União Europeia, o bloco econômico e a Turquia firmaram um acordo, que entrou
em vigor em março de 2016. Da Turquia, parte a grande maioria dos que
ingressam na União Europeia pela Grécia.
Pelo acordo, a União Europeia vai repassar, até 2018, três bilhões de euros
à Turquia para que o país possa vigiar e controlar a saída de pessoas em direção
ao continente europeu. Os recursos servirão também para melhor estruturar e
atender aos 2,7 milhões de refugiados que estão em acampamentos no país
turco.
O acordo também estabelece que todos os imigrantes irregulares que
chegarem da Turquia até as ilhas gregas a partir de 20 de março de 2016 serão
devolvidos à Turquia. Os imigrantes que chegarem às ilhas gregas deverão ser
registrados e o pedido de asilo deverá ser tratado individualmente pelas
autoridades gregas, de acordo com a direção de procedimentos de asilo e em
cooperação com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
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Os imigrantes que não solicitarem asilo e aqueles cujo pedido não esteja
fundamentado ou seja inadmissível serão devolvidos à Turquia. Além disso,
segundo o acordo, para cada sírio que seja devolvido à Turquia, outro será
admitido na União Europeia, levando em conta os critérios de vulnerabilidade da
ONU.
O Alto Comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos criticou a
parte do acordo que estabelece a devolução de imigrantes irregulares à Turquia,
dizendo que são ilegais e que violam o direito internacional e europeu.

(CESPE/TJDFT/2015) Eles chegaram num fluxo incessante. No auge,


eram cerca de dez mil imigrantes por dia, e de um milhão dirigindo-se à
Europa desde o começo deste ano. Era um cenário em que pessoas
empurravam bebês em carrinhos, bem como pais idosos em cadeiras de
rodas, e levavam nas meias as economias de uma vida inteira. Vieram à
procura de uma nova realidade, mas, sob muitos aspectos, eram eles os
arautos de uma nova época. Atualmente, estima-se que há sessenta
milhões de refugiados pelo mundo, o que representa um número maior
do que em qualquer outro momento registrado na história, e eles estão
se deslocando em quantidades inéditas desde a Segunda Guerra
Mundial.
The New York Times (International Weekly). In: Folha de S.Paulo, 7/11/2015 (com adaptações).

Julgue o item subsequente a respeito dos refugiados pelo mundo,


assunto abordado no texto precedente.
As atuais correntes migratórias, que chamam a atenção do mundo,
partem de pontos distintos. Em geral, os grupos originados da África
subsaariana e do Oriente Médio — especialmente da conflagrada Síria —
têm como destino a Europa.
COMENTÁRIOS:
A questão se refere a onda migratória que tem chegado a Europa. Na sua
grande maioria, são migrantes que estão fugindo de conflitos armados e de
graves violações aos direitos humanos. A maioria dos que chegam a Europa são
sírios, fugindo da sangrenta guerra civil que assola o país. Há também migrantes
do Iraque, Afeganistão, Líbia. Nigéria e Eritreia.
Gabarito: Certo

2. América Latina

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Argentina, Venezuela e Peru realizaram eleições recentemente. Após a


normalização das relações diplomáticas, Cuba e Estados Unidos prosseguem
com ações para uma maior aproximação entre os países. Na Colômbia, o
governo e a guerrilha das FARC chegaram a um acordo histórico.
Vejamos a seguir:

Argentina
Maurício Macri é o novo presidente da Argentina. A sua vitória encerrou
um período de 12 anos de governo do kirchnerismo, como é conhecido o período
em que a Argentina foi governada pelo casal Néstor e Cristina Kirchner. Ambos
são peronistas. O novo presidente derrotou no segundo turno, Daniel Scioli,
candidato do peronismo e de Cristina Kirchner.
Maurício Macri é empresário, ex-prefeito de Buenos Aires, ex-presidente
do clube Boca Juniors e líder de uma frente de centro-direita opositora do
governo de Cristina Kirchner. Esta é a primeira vez que um líder da direita liberal
chega ao poder pelas urnas em eleições livres, sem o apoio de uma ditadura,
fraudes ou candidatos proscritos.
Esta é a primeira vitória, desde que se instituiu o voto, em 1916, de um
candidato civil que não pertence nem ao partido peronista nem ao radical social-
democrata, as duas grandes forças populares, em 100 anos de vida política na
Argentina.
Na área internacional, sob o governo de Macri, a Argentina deve se afastar
politicamente de posições políticas defendidas pelos países do grupo bolivariano:
Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba e Nicarágua. Por outro lado, terá uma maior
aproximação com os Estados Unidos e Brasil.
Macri também promete uma relação menos turbulenta com o Reino Unido,
na discussão da reivindicação argentina de soberania sobre as ilhas Malvinas e
negociar a pendência judicial e o pagamento da dívida do país, com fundos
internacionais norte-americanos. Esses fundos foram chamados de abutres pela
ex-presidente Cristina Kirchner.
Tema que gerou grande repercussão no governo de Cristina Kirchner, a
dívida externa com os “fundos abutres” foi paga por Macri, tirando o país da
moratória, em função do calote da dívida em 2001.

Venezuela
A Venezuela realizou eleições legislativas, para a Assembleia Nacional, no
dia 06 de dezembro. A oposição, reunida na coalizão Mesa da Unidade
Democrática (MUD), alcançou uma poderosa maioria qualificada de dois terços

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das cadeiras, revertendo quase duas décadas de domínio dos socialistas (desde
1999, com a primeira eleição de Hugo Chávez) representados pelo presidente
Nicolás Maduro.
A oposição é formada por partidos conservadores e de centro. O partido
governista é o PSUV – Partido Socialista Unido da Venezuela. O atual governo
diz que está realizando uma Revolução Bolivariana (alusão a Simón Bolívar).
Hugo Chávez governou a Venezuela por 11 anos, até a sua morte, em 2013.
Com este número de deputados, o bloco opositor havia superado a marca
de dois terços necessária para grandes mudanças, como criar ou suprimir
comissões permanentes, aprovar e modificar leis orgânicas, submeter a
referendo tratados internacionais e projetos de lei, remover magistrados do
Tribunal Supremo de Justiça, designar os integrantes do Conselho Nacional
Eleitoral, aprovar projeto de reforma constitucional e até buscar retirar de
maneira antecipada o presidente do poder.
Contudo, dias depois da eleição, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ),
dominado por ministros chavistas, suspendeu a proclamação de três deputados
opositores eleitos. A medida deixou a oposição sem a maioria qualificada na
Assembleia.
Nos termos do que dispõe a Constituição venezuelana, a oposição articula
a realização de um referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás
Maduro. No final de maio, a Organização dos Estados Americanos (OEA) acionou
a chamada Carta Democrática Interamericana contra a Venezuela. Essa é a
primeira vez na história que o instrumento é solicitado, o que implica a abertura
de um processo que pode levar à suspensão do país daquele organismo regional.
A OEA vai decidir se na Venezuela há um processo de grave alteração da ordem
constitucional.
O país enfrenta uma grave crise econômica, marcada pela alta
inflação, recessão e escassez de alimentos. Uma severa seca atinge a
Venezuela, afetando a produção de energia elétrica e causando grandes
racionamentos e “apagões”. Entre as medidas adotadas para economizar a
energia estão a alteração da hora legal em 30 minutos e a redução dos dias e
horários de trabalho em repartições públicas.
A crise econômica generalizada afetou os voos de companhias aéreas ao
país. A Gol, Latam e Lufthansa suspenderam os voos que operavam com destino
à capital, Caracas.

Peru

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Em uma eleição disputada voto a voto, Pedro Pablo Kuczynski venceu


Keiko Fujimori, por apertadíssima margem de votos, sendo eleito o novo
presidente do Peru.
Kuczynski é um economista de orientação liberal e vai suceder o
presidente de esquerda Ollanta Humala. Candidata conservadora, Keiko Fujimori
é filha de Alberto Fujimori, que foi presidente do Peru por dez anos, de 1990 a
2000. Fujimori encontra-se preso no Peru, condenado por cometer crimes contra
os direitos humanos.

Cuba
Cuba é o único país comunista das Américas. Vive uma crise econômica,
com desemprego, queda de renda e racionamento de alimentos. Para enfrentar
a crise, o governo decidiu reduzir o papel do Estado e abrir a economia
parcialmente para o mercado. Passou a permitir a criação de empresas privadas,
a compra e venda de imóveis e automóveis e o arrendamento de terras aos
agricultores, que poderão ter lucro.

Após a Revolução Cubana de 1959, e desde a adoção do comunismo, em


1962, os EUA mantêm um bloqueio, proibindo o comércio e financiamentos de
empresas norte-americanas para os cubanos.

Em uma decisão histórica, Cuba e Estados Unidos anunciaram, em


dezembro de 2014, a retomada das relações diplomáticas após mais de 50 anos,
mas o embargo comercial à ilha ainda continuará. O fim do bloqueio oficial
depende de aprovação pelo Congresso norte-americano. Junto com o anúncio,
foram adotadas medidas que iniciam uma aproximação, como a troca de
prisioneiros, a redução de restrições a viagens de norte-americanos e a
remessas de dinheiro para a ilha. O embargo, porém, se mantém, pois tem de
ser revogado pelo Congresso dos EUA. Ele exerce um grande peso sobre a
economia cubana, pois sufoca seu comércio exterior. O Vaticano (Papa
Francisco) e o Canadá atuaram nos bastidores das negociações para o
restabelecimento das relações diplomáticas.

Em maio de 2015, Cuba foi retirada da lista norte-americana dos países


que apoiam o terrorismo. As relações entre os dois países foram formalmente
retomadas com a reabertura das embaixadas de Cuba em Washington e dos EUA
em Havana. No entanto, a cerimônia oficial de reabertura da Embaixada dos
Estados Unidos em Havana, só ocorreu em agosto de 2015, com a presença de
John Kerry, primeiro secretário de Estado norte-americano a visitar Cuba em 70
anos.

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Em março de 2016, Barack Obama fez uma visita oficial a Cuba, a primeira
de um presidente dos Estados Unidos em 88 anos. Antes dele, Calvin Coolidge
viajou oficialmente a Cuba, em um navio de guerra, em 1928.

Os dois países prosseguem com a adoção gradual de medidas econômicas,


que fomentem o intercâmbio entre ambos e o turismo norte-americano em
Cuba.

O Brasil, por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e


Social (BNDES), financiou a construção do Porto de Mariel, projeto de 1 bilhão
de dólares, executado pela construtora brasileira Norberto Odebrecht. A ilha de
Cuba fica numa posição privilegiada, na entrada do Golfo do México. O porto foi
planejado para receber os maiores cargueiros em operação no mundo, que
poderão atravessar o Canal do Panamá após a conclusão de sua ampliação. O
projeto do governo cubano é transformar o porto em uma área estratégica de
logística mercantil internacional. Para isso, está criando em Mariel uma zona
econômica especial, com baixos impostos, semelhante às zonas econômicas
especiais da China.

Colômbia

A Colômbia é um dos destaques econômicos da América Latina, com


expansão de 4,4% do PIB em 2014 e 3,1% em 2015. Em agosto de 2016, o
governo colombiano e a maior organização guerrilheira do país, as Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), anunciaram um acordo de paz
definitivo, que encerra mais de 50 anos de um conflito armado, que deixou mais
de 220 mil mortos na Colômbia.

As negociações entre o governo e a guerrilha duraram quatro anos e foram


realizadas em Havana, Cuba. Além desse país, também atuaram como
mediadores a Noruega, Venezuela e Chile.

No acordo de paz, o governo e as FARC firmaram os seguintes


compromissos: realização da reforma agrária, participação política dos ex-
combatentes da guerrilha, cessar-fogo bilateral e definitivo, solução ao problema
das drogas ilícitas, ressarcimento das vítimas do conflito e mecanismos de
implementação e verificação.

As Farc nasceram no dia 27 de maio de 1964 em Marquetalia, região de


Tolima, onde um grupo de liberais armados tentou frear uma ofensiva do
Exército que pretendia acabar com uma comunidade autônoma de camponeses
que existia no lugar. Nas origens do conflito estão a concentração da terra e
riqueza nas mãos de poucos, a desigualdade, a injustiça social, a falta de
tolerância e a corrupção. Problemas que persistem na Colômbia.
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As FARC não eram o único grupo armado no país. Há ainda a guerrilha do


ELN, grupos paramilitares de direita, esquadrões da morte e de traficantes de
drogas.

(VUNESP/CRO SP/2015 – CARGOS DE NÍVEL SUPERIOR) Estados


Unidos e Cuba vão formalizar, nesta segunda-feira (20 de julho), o
restabelecimento de suas relações diplomáticas com a reabertura de
embaixadas em Washington e Havana, um passo definitivo que encerra
mais de meio século de ruptura e desconfiança.
(G1, 19.07.15. Disponível em: <http://goo.gl/ugBqrv>. Adaptado)

Entre as pendências na reaproximação dos dois países, está


a) a restrição imposta à circulação de diplomatas dos dois países em
território estrangeiro.
b) o impedimento das remessas de dinheiro entre os dois países.
c) a proibição de viagens de cidadãos dos EUA à Cuba.
d) o bloqueio econômico imposto pelos EUA à Cuba.
e) a suspensão da participação de Cuba nos organismos internacionais
como a ONU.
COMENTÁRIOS:
O principal obstáculo para normalizar as relações entre os dois países é o
embargo ou bloqueio econômico, imposto pelos EUA a Cuba, em 1962. O
embargo só pode ser revogado pelo Congresso norte-americano, cuja maioria
dos parlamentares é contrária.
Gabarito: D

3. Coreia do Norte
A Coreia do Norte, fundada em 1948, é parte da antiga Coreia, nação
asiática dividida em duas zonas de ocupação ao final da II Guerra Mundial. De
1950 a 1953, a Guerra da Coreia opôs os norte-coreanos (governados por
comunistas e apoiados pela China) à Coreia do Sul (apoiada por tropas da ONU
e principalmente pelos EUA). Após a assinatura de uma trégua, a Coreia do Norte
foi reconstruída com a ajuda de URSS e China. Desde o início, o regime
caracterizou-se pelo culto ao ditador Kim Il Sung, que morreu em 1994. Seu
filho, Kim Jong Il, tornou-se então o chefe de Estado, sendo também cultuado.
Em 2011, morreu, e foi substituído pelo filho mais novo, Kim Jong Un.

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Só por essa forma de transmissão de poder, nota-se que o regime norte-


coreano mistura elementos em princípio incompatíveis, como o fato de se dizer
comunista e ao mesmo tempo adotar uma sucessão dinástica (de pai para filho).
Outras características são a forte repressão a opositores e dissidentes e o fato
de que o país se mantém isolado, fechado a estrangeiros. Desde que Kim Jong
Um chegou ao poder, a imprensa notícia execuções de altos dirigentes do
governo e das forças armadas, a seu mando, sob o argumento de conspiração
contra o regime e traição.
O país preocupa as potências ocidentais por ameaçar usar armas atômicas
que desenvolveu e tem testado. O regime norte-coreano deixou o Tratado de
Não Proliferação Nuclear (TNP). De lá até o presente, já fez quatro testes com
bombas atômicas e tem dado provas de estar acelerando seu programa nuclear
para constituir um arsenal. Desde 2006, ano do primeiro teste, sofre forte
pressão internacional e até sanções da ONU.
O último teste foi em janeiro de 2016, quando testou uma miniatura de
uma bomba de hidrogênio. No mês seguinte, em fevereiro, o país lançou um
míssil de longo alcance. O anúncio oficial da TV norte-coreana informou que o
foguete colocou um satélite em órbita, mas suspeita-se que a real intenção tenha
sido testar tecnologia de mísseis que poderiam transportar armas nucleares.
A partir de 2002, pressionada pelas dificuldades econômicas, a Coreia do
Norte iniciou mudanças orientadas para o mercado. Seguindo o exemplo da
China, o governo criou uma zona industrial especial (Kaesong), na qual
empresas da Coreia do Sul empregam trabalhadores norte-coreanos a baixo
custo, e uma zona turística especial.
No entanto, em represália ao teste do míssil de longo alcance, a Coreia do
Sul, ordenou o fechamento e a saída de todos os seus cidadãos que trabalham
na zona industrial de Kaesong. Ato contínuo, os norte-coreanos ordenaram a
tomada por militares do complexo industrial.

(CESPE/CPRM/2016 – TÉCNICO EM GEOCIÊNCIAS) Nos últimos tempos,


a Coreia do Norte tem chamado a atenção da comunidade internacional
e merecido manchetes dos meios de comunicação mundiais. O interesse
suscitado por esse pequeno país asiático deve-se, entre outras razões,
ao fato de ele
A ter substituído o rígido modelo comunista pela economia de mercado.
B anunciar testes militares com artefatos poderosos e de grande
alcance.
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C ter-se decidido a atacar a vizinha Coreia do Sul com armas nucleares.


D ter, recentemente, enviado tropas para o Oriente Médio em apoio à
Rússia.
E ser um país democrático cercado por vizinhos submetidos a regimes
ditatoriais.
COMENTÁRIOS:
A Coreia do Norte é um dos países mais fechados do mundo. O regime é
comunista, governado com mão de ferro por ditadores que se sucedem de pai
para filho. O atual ditador é Kim Jong Un. O país mantém uma retórica
beligerante para com a Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. País pobre,
preocupa o mundo, pois está desenvolvendo armas atômicas e fazendo testes
militares de grande alcance.
Gabarito: B

4. Eleições nos Estados Unidos


Em novembro de 2016, os Estados Unidos escolherão o seu novo
presidente. O sistema-eleitoral norte-americano é diferente do brasileiro. Nele,
os eleitores não votam diretamente no candidato, mas em delegados, esses
serão os que vão eleger o presidente.
A população escolhe quem vai escolher o seu líder governamental, os
chamados “superdelegados” (ou apenas delegados). Cada estado tem um
número de delegados, que é relativo ao número de habitantes. Quanto mais
populoso o Estado, maior o número de delegados.
Ao todo, há um número de 538 delegados que fazem parte do Colégio
Eleitoral nos Estados Unidos. Para ser eleito, o candidato deve ter o voto de 50%
mais um dos delegados (271). Por mais votos populares que o candidato tenha,
o mais importante é ter votos do Colégio Eleitoral, pois é ele que escolhe o novo
Presidente.
Com 55 delegados, a Califórnia é o Estado que possui o maior número de
delegados. Vencer na Califórnia representa conquistar 10% dos votos de todos
os delegados do país e uma vantagem para o candidato.
Hillary Clinton, ex-Secretária de Estado (Relações Exteriores), é a
candidata do Partido Democrata. Ela é esposa de Bill Clinton, ex-presidente
dos EUA e a primeira mulher candidata à presidência, por um dos dois grandes
partidos políticos norte-americanos.
Donald Trump, bilionário empresário, é o candidato do Partido
Republicano. Na sua campanha, Trump tem proposto a extradição de todos os
imigrantes ilegais e promete barrar a entrada de muçulmanos nos Estados
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Unidos. Ainda propõe a construção de um muro entre os Estados Unidos e o


México para barrar a imigração ilegal e diz que quem vai pagar a construção do
muro é o governo mexicano. A sua campanha é acusada de xenofobia, racismo
e machismo.
Nos Estados Unidos é permitida uma reeleição presidencial, como no
Brasil. Barak Obama, atual presidente, está no último ano do seu segundo
mandato. Ele é do Partido Democrata.

(VUNESP/CRO SP/2015 – CARGOS DE NÍVEL SUPERIOR) “Quando o


México envia suas pessoas para os EUA, ele não envia as melhores. Ele
envia pessoas com muitos problemas. E elas trazem esses problemas
para cá. Elas trazem drogas, trazem crime. São estupradores.”
(UOL, 11.07.15. Disponível em: <http://goo.gl/gvVF8R>. Adaptado)

A autoria da frase é de
a) Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos EUA.
b) Jeb Bush, pré-candidato à presidência dos EUA.
c) Donald Trump, pré-candidato à presidência dos EUA.
d) Hillary Clinton, pré-candidata à presidência dos EUA.
e) Barack Obama, atual presidente dos EUA.
COMENTÁRIOS:
O autor da frase é Donald Trump, um dos pré-candidatos do Partido
Republicano à presidência dos Estados Unidos. Na sua campanha, ele tem
prometido expulsar todos os imigrantes ilegais dos Estados Unidos, construir um
muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, proibir a entrada de
imigrantes muçulmanos no país, entre outras propostas conservadoras,
xenófobas e machistas. Gabarito: A

5. Os separatismos na Europa
A Escócia realizou, em setembro de 2015, plebiscito para decidir se
permanecia ou tornava-se independente do Reino Unido. 55% dos eleitores
votaram contra a separação, ou seja, a maioria decidiu que a Escócia deve
continuar fazendo parte do Reino Unido.
Analistas avaliam que o plebiscito escocês reacendeu o debate sobre a
soberania na Europa, dando força a movimentos separatistas até então
sufocados em alguns países.

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É o caso da Catalunha, importante região autônoma da Espanha, onde


além do espanhol, o catalão também é idioma oficial. A sua capital é Barcelona.
Os grupos que defendem a independência da Espanha são maioria no
parlamento regional. O presidente da Catalunha, Artur Mas, também é
separatista.
Em um plebiscito informal, realizado em novembro de 2014, 80% dos
eleitores da região votaram pela separação catalã da Espanha. O plebiscito foi
considerado inconstitucional pela Justiça espanhola e realizado sob forte
oposição do governo de Madri. Já em novembro de 2015, o parlamento regional
aprovou uma resolução para iniciar o processo de separação da Espanha. A
declaração, que partidos pró-independência na região esperam que possa levar
à separação da Espanha em 18 meses, foi apoiada pela maioria no parlamento
regional.
O governo espanhol considera ilegal o desejo separatista da Catalunha. A
Constituição espanhola não permite separação das regiões. O sentimento
separatista aumentou durante a crise econômica espanhola, que levou o
desemprego aos dois dígitos. Há temores crescentes que a articulação territorial
da Espanha possa afetar a confiança dos mercados e a recuperação do país.
Na Itália, a população da região do Vêneto (Veneza) aprovou, em
votação online realizada em março de 2015, a independência em relação a
Roma. Embora o pleito não tenha valor legal, o resultado surpreendeu: 89% dos
ouvidos votaram pela separação. O resultado dá forças ao grupo separatista
“Liga Veneta”, que pretende apresentar ao governo italiano um projeto de
independência da região.
Já na Bélgica, os nacionalistas flamengos querem a separação da rica
região de Flandres, em que se fala o neerlandês, da menos rica Valônia, onde
se fala o francês. As raízes do separatismo flamengo remontam as origens da
formação da Bélgica como país. Se as aspirações dos separatistas flamengos se
concretizarem, a Bélgica pode desaparecer por completo do mapa do mundo.
Embora os argumentos econômicos tenham importância central no
debate separatista, no cerne do desejo de independência estão as raízes
culturais, étnicas e históricas e um sentimento de identidade nacional.
Por mais legítimo que possa parecer o direito de uma maioria decidir seu
alinhamento político, de acordo com seu senso de identidade, a prerrogativa de
autodeterminação é limitada no direito internacional. Há um consenso de que
isso só pode ocorrer dentro de um processo democrático, transparente e aceito
pelo governo central, como aconteceu com o referendo escocês. A realização do
pleito foi decidida em 2012, depois de uma longa negociação entre o parlamento
escocês e o britânico.

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6. Organismos, organizações e grupos internacionais


Galera, nesta parte da aula, vamos estudar os principais organismos e
organizações internacionais relacionados à política, às relações internacionais e
à economia mundial.
Também, vamos ver três importantes grupos de países da área
econômico-política: G-20, G-8 e BRICS.

Vem comigo!

ONU
A Organização das Nações Unidas (ONU) tem como objetivo manter a paz,
defender os direitos humanos e as liberdades fundamentais e promover o
desenvolvimento dos países. Surge após a II Guerra Mundial, em substituição à
antiga Liga das Nações.
A organização é constituída por várias instâncias, que giram em torno do
Conselho de Segurança e da Assembleia-Geral. A ONU atua em diversos conflitos
por meio de suas forças internacionais de paz.
A partir da ONU, foram criadas agências especializadas em temas que
requerem coordenação global. As agências são autônomas. Além do Banco
Mundial e do FMI na área econômica, e da UNESCO, na de educação, algumas
das mais conhecidas são: Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO),
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Organização Mundial da Saúde
(OMS).
O Conselho de Segurança (CS) é considerado o centro do poder político
mundial. A criação da ONU foi arquitetada pelas potências que emergiram com
o fim da II Guerra Mundial: Estados Unidos, França, Reino Unido, a antiga
União Soviética (atualmente a Rússia) e pela China. Esses países desenharam
a distribuição do poder na ONU e até hoje são os únicos membros permanentes
do CS.
O CS é o órgão que toma as decisões mais importantes sobre segurança
mundial. Tem poder para deliberar sobre o envio de missões de paz para áreas
em conflito, definir sanções econômicas ou a intervenção militar num país.
Além dos cinco membros permanentes, outras dez nações participam do
CS como membros rotativos (que se revezam a cada dois anos). Todos
participam das discussões, mas apenas os membros permanentes têm poder de
veto. O Brasil já esteve por dez vezes como membro rotativo, mas atualmente
não integra o CS.

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A estrutura do CS estava em harmonia com a correlação de forças do


período da Guerra Fria (1945-1991), quando o mundo permaneceu dividido
entre os blocos comunista e capitalista. O lado capitalista era representado por
EUA, França e Reino Unido; o comunista, por China e União Soviética (ex-URSS,
atual Rússia). As duas partes usavam o poder de veto para proteger suas
respectivas áreas de influência e negociar soluções para os conflitos na esfera
internacional.
Com o fim da Guerra Fria (1945-1991) e um novo cenário mundial, países
de fora do conselho, como Alemanha, Japão, Brasil e Índia, passam a
reivindicar uma vaga permanente. As propostas de alteração encontram
resistência dentro do Conselho de Segurança (CS) e também entre as nações
integrantes da ONU.
O Brasil é candidato a uma vaga de membro permanente do CS. Nos anos
recentes, acentuou ações diplomáticas para conseguir essa vaga. De mero
participante de missões militares das Nações Unidas, passou a chefiar, desde
2004, a Minustah, missão militar da ONU no Haiti.

OEA
A Organização dos Estados Americanos (OEA) reúne 34 países das três
Américas e do Caribe. Cuba, excluída em 1962, é o único país do continente que
não pertence à OEA. A entidade possui quatro pilares de atuação: democracia,
direitos humanos, segurança e desenvolvimento.
Dentro dessas áreas, trabalha de muitas formas, como na observação
independente de pleitos eleitorais, acompanhamento de denúncias de violação
aos direitos humanos em negociações comerciais entre os países e ajuda
econômica e humanitária em desastres naturais. Em 2012, por exemplo, a
Venezuela pede para ser retirada da Comissão de Direitos Humanos da OEA,
alegando que as decisões do órgão não são isentas. Nos últimos anos, a
comissão denunciou o país por não punir os casos de violação de direitos
humanos.

CELAC
A Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) foi
criada em 2010 para agrupar as 33 nações da América Latina e Caribe. Sua
composição é equivalente à da OEA, sem Estados Unidos nem Canadá. Teve
como origem o Grupo do Rio – criado em 1986 para ampliar a cooperação política
e ajudar na resolução de problemas internos das nações participantes – e a Calc
– Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e o Desenvolvimento,
formada em 2008.

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UNASUL
A União das Nações Sul-Americanas (Unasul) é formada pelos 12 países
da América do Sul. Criada em 2008, entrou em vigor em 11 de março de 2011,
quando dez países haviam ratificado a adesão. Seu objetivo é articular os países
sul-americanos em âmbito cultural, social, econômico e político.

FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma organização financeira
criada para promover a estabilidade monetária e financeira no mundo e oferecer
empréstimos a juros baixos a países em dificuldades financeiras. Os
empréstimos são concedidos em troca do comprometimento dos países com
metas, como equilíbrio fiscal, reforma tributária, desregulamentação,
privatização e concentração de gastos públicos em educação, saúde e
investimento em infraestrutura, entre outras políticas que são denominadas
como Consenso de Washington.

Banco Mundial
O Banco Mundial tem como objetivo oferecer financiamento e assistência
técnica a países para promover seu desenvolvimento econômico. Criado em
1944 e composto de duas instituições – o Banco Internacional para a
Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird) e a Associação Internacional de
Desenvolvimento (ADI) –, o Banco Mundial é formado por 188 países-membros
(incluindo o território do Kosovo). Iniciou suas atividades auxiliando na
reconstrução dos países da Europa e da Ásia após a II Guerra Mundial.

OCDE
A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)
articula políticas de educação, saúde, emprego e renda entre os países ricos.
Fundada em 1961, substituiu a Organização Europeia para a Cooperação
Econômica, criada em 1948 no quadro do Plano Marshall.
Membros da OCDE: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá,
Chile, Coreia do Sul, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados
Unidos, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Islândia,
Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Polônia,
Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Suécia, Suíça e Turquia. O Brasil não
é membro da OCDE.

BRICS
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A sigla BRIC foi criada em 2001 pelo economista britânico Jim O’Neill e se
refere aos quatro mais importantes países emergentes: Brasil, Rússia, Índia
e China. O estudo que cunhou a expressão estima que em 2050 o grupo poderá
constituir a maior força econômica mundial, superando a União Europeia.
Em 2009, Brasil, Rússia, Índia e China formalizaram um grupo diplomático
para discussão de iniciativas econômicas e posições políticas conjuntas, que
realiza reuniões anuais com seus chefes de Estado. Em 2011, a África do Sul,
na época, a maior economia da África, foi convidada e passou a integrar o grupo.
Os cinco países dos BRICS têm características comuns: são países com
indústria e economia em expansão, seu mercado interno está crescendo e
incluindo milhões de novos consumidores. Quatro possuem territórios extensos
e entre os maiores do mundo: Brasil, Rússia, China e Índia.
Também ancoram a economia desses países importantes fatores para o
comércio internacional. A Rússia é rica em recursos energéticos e fornece
petróleo, gás e carvão à União Europeia. O Brasil é grande exportador de
minérios, como a África do Sul, e é o maior exportador mundial de alimentos.
China e Índia estão se tornando os maiores fabricantes e exportadores de
produtos industriais na globalização.
O grupo criou o seu próprio banco de desenvolvimento, o Banco dos Brics
(Novo Banco de Desenvolvimento – NDB) e um fundo financeiro de emergência,
o Arranjo Contingente de Reservas. A criação do banco não significa que os
países membros do grupo não vão mais participar do Banco Mundial. O banco
dos BRICS se coloca como mais uma alternativa de fomento ao desenvolvimento
e está aberto a qualquer país do mundo.
O Arranjo Contingente de Reservas é um fundo financeiro de emergência
para ajuda mútua e servirá para ajudar no controle do câmbio quando houver
crises financeiras globais. Em momentos de especulação internacional, a
tendência é o dólar disparar. O dinheiro do fundo servirá para segurar a cotação
do dólar.
Há tempos, os países dos BRICS reclamam uma maior participação no
poder de decisões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Essas instituições foram criadas um ano antes do final da Segunda Guerra
Mundial, em 1944, na Conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos. Até
hoje, quem detém o poder nelas são os Estados Unidos e a União Europeia.
A ordem econômica global atual não é mais a mesma do pós-guerra e do
período da guerra fria, em que Estados Unidos, Japão, Reino Unido, França e
Alemanha dominavam o mundo capitalista. A criação do Novo Banco de
Desenvolvimento e do Arranjo Contingente de Reservas, de certa forma, é uma
resposta dos BRICS ao não atendimento das reivindicações dos países

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emergentes por maior distribuição do poder de decisões no Banco Mundial e


FMI.
Após a recente desaceleração dos BRICS, Jim O'Neill identificou outros
quatro países – México, Indonésia, Nigéria e Turquia – que, segundo ele,
também podem se tornar gigantes econômicos nas próximas décadas. Para
esses países, o economista criou a sigla MINT.

G-20
O G-20 (Grupo dos Vinte) foi criado como consequência da crise financeira
asiática de 1997. Os seus membros representam 90% do PIB mundial, 80% do
comércio global e dois terços da população mundial. Discute medidas para
promover a estabilidade financeira mundial, alcançar crescimento e
desenvolvimento econômico sustentável. Após a eclosão da crise financeira
mundial, de 2008, tornou-se o mais importante fórum internacional de países
para o debate das questões políticas e econômicas globais.
Os membros do G-20 são Argentina, Austrália, Brasil, China, Canadá,
França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia,
Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Estados Unidos, Reino Unido e União
Europeia.

G-8 e G-7
Trata-se de um grupo diplomático, que reúne os sete países mais
industrializados e desenvolvidos economicamente do mundo. Todos são nações
democráticas: Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália Japão e Reino
Unido. Com a dissolução da União Soviética e a queda do socialismo real, a
Rússia passou a ser membro do grupo, em 1998. Contudo, devido ao fato de ter
anexado a Crimeia, a Rússia foi excluída do grupo em 2014, que voltou a se
chamar de G-7.
O G7 é muito criticado por um grande número de movimentos sociais,
normalmente integrados no movimento antiglobalização, que o acusam de
decidir uma grande parte das políticas globais, sociais e ecologicamente
destrutivas, sem qualquer legitimidade nem transparência.

(CESPE/POLÍCIA FEDERAL/2014 – AGENTE ADMINISTRATIVO) 11) A


ONU, criada após a Segunda Guerra Mundial, tem por finalidade
principal a manutenção da paz e da segurança internacional.
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COMENTÁRIOS:

A ONU surge após a II Guerra Mundial, criada em 1945. A Organização


tem o objetivo de manter a paz e a segurança internacional, defender os direitos
humanos e as liberdades fundamentais e promover o desenvolvimento dos
países.

Gabarito: Certo

(INSTITUTO CIDADES/CONFERE/2016 – AUDITOR) Podemos chamar


de Globalização o processo econômico e social que estabelece uma
integração entre os países e as pessoas do mundo todo. Através deste
processo, as pessoas, os governos e as empresas trocam ideias,
realizam transações financeiras e comerciais e espalham aspectos
culturais pelos quatro cantos do planeta. O conceito de Aldeia Global se
encaixa neste contexto, pois está relacionado com a criação de uma rede
de conexões, que deixam as distâncias cada vez mais curtas, facilitando
as relações culturais e econômicas de forma rápida e eficiente. Dentro
deste processo econômico, muitos países se juntaram e formaram
blocos econômicos, cujo objetivo principal é aumentar as relações
comerciais entre os membros. Dentre as opções abaixo, a única que NÃO
contém um exemplo de bloco econômico é:
A) NAFTA
B) BRICS
C) União Europeia
D) Pacto Andino
COMENTÁRIOS:
Os BRICS não são um bloco econômico. Trata-se de um grupo diplomático
para discussão de iniciativas econômicas e posições políticas conjuntas, que
realiza reuniões anuais de seus chefes de Estado. Foi criado em 2009 e é
integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Gabarito: B

7. Temas Diversos
Papa Francisco
O Papa é Pop!  O Papa Francisco se tornou uma personalidade popular e
influente no mundo atual. Desde que assumiu o papado, em 2013, estabeleceu

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uma relação mais próxima e informal com os fiéis e vem dando exemplos de
simplicidade – como a dispensa de automóveis de luxo.
A atuação política, diplomática e religiosa do Papa tem sido cobrada nas
provas de Atualidades.
A busca do diálogo com outras religiões (e até com ateus), um olhar mais
voltado para os pobres e os países periféricos, as suas fortes críticas ao
capitalismo e aos organismos financeiros internacionais e a defesa da questão
ambiental são ações quem tem marcado a atuação política do Papa.
Exemplo recente de diálogo com as outras religiões foi a reunião com o
imã Ahmed al-Tayeb da mesquita Al-Azhar do Cairo, a máxima autoridade do
Islã sunita. O encontro entre o chefe da Igreja católica e o influente líder
muçulmano é considerado histórico e encerra dez anos de tensões entre a Santa
Sé e a Universidade de Al-Azhar, a instituição mais importante do Islã sunita.
Em 2006, as duas instituições romperam relações, depois das polêmicas
declarações do papa Bento XVI em Ratisbona (Alemanha), nas quais relacionou
a violência ao Islã. O imã da época de Al-Azhar foi uma das autoridades
religiosas muçulmanas mais críticas às palavras do Papa alemão, considerando-
as um insulto e uma distorção do Islã.
No campo diplomático, o Papa reivindica para si um papel mais político,
com foco na resolução de conflitos mundiais. Exemplo é o fato de ter reunido os
presidentes de Israel e da Autoridade Nacional Palestina (ANP) para uma oração
no Vaticano, na tentativa de favorecer o processo de paz no Oriente Médio e a
mediação histórica na retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados
Unidos.

(VUNESP/AMLURB/2016 – ANALISTA FISCAL DE SERVIÇOS) Encontro


histórico: Papa e patriarca ortodoxo se reúnem em Cuba
O encontro ecumênico entre o papa Francisco, chefe da igreja católica
romana, e o patriarca Kirill, líder espiritual da igreja ortodoxa russa, que
acontece em Havana (Cuba), nesta sexta-feira (12 de fevereiro), é um
evento histórico.
(EBC, 12 fev.16. Disponível em: < http://goo.gl/kdJUlu> Adaptado)

Trata-se de um evento histórico, pois


a) sacramentou a retomada das relações diplomáticas entre Cuba e os
EUA, ajudando a retirar o país latino-americano do isolamento.

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b) indica o fim do governo dos irmãos Castro, em Cuba, que agora será
substituído por governos democraticamente eleitos.
c) constituiu-se como a primeira tentativa das igrejas cristãs de
ajudarem na reconciliação entre o governo cubano e o governo dos EUA.
d) foi o primeiro encontro entre o chefe católico e o ortodoxo russo,
líderes de dois dos principais ramos do cristianismo, desde sua
separação no ano de 1054.
e) representou a retomada do cristianismo em Cuba, depois de muitas
décadas em que o país se declarou oficialmente ateu.
COMENTÁRIOS:

Em encontro histórico, o Papa Francisco, chefe da Igreja Católica


Apostólica Romana, se reuniu, em fevereiro de 2015, com o Patriarca da Igreja
Ortodoxa Russa, Kirill (Cirilo). Eles pediram união entre os dois dos principais
ramos do cristianismo desde sua separação, no ano de 1054. O encontro ocorreu
em Havana, Cuba.
Mas, por que as Igrejas Católica e Ortodoxa estão afastadas há mil anos?
Em 1054, o papa de Roma e o patriarca de Constantinopla se
excomungaram mutuamente, dando início ao que se conhece como o grande
cisma do cristianismo – que persiste até hoje.

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1. Economia brasileira em crise

O Brasil terminou o ano de 2015 sob o efeito de uma intensa crise


econômica. Após passar por quase uma década de crescimento econômico,
inflação estável e alto nível de emprego, o cenário agora é mais nebuloso. Com
o agravamento da recessão, o Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado
encolheu 3,8%, o pior resultado desde 1990. A inflação fechou o ano acima dos
10%, a mais alta desde 2002. O desemprego aumentou, o que traz mais
insegurança para os trabalhadores.

Essa conjuntura negativa tem relação direta com um problema estrutural


na economia brasileira: o desequilíbrio nas contas públicas. Nos últimos
anos, o governo federal passou a gastar cada vez mais, enquanto a arrecadação
com impostos e tributos diminuiu. Em 2014, pela primeira vez, desde 1997, o
governo federal registrou um déficit primário em suas contas. Ou seja, as
despesas do governo superaram as receitas.

Diante desse cenário, a presidente Dilma Rousseff (PT) começou seu


segundo mandato, em 1º de janeiro de 2015, sob o signo do chamado ajuste
fiscal. Trata-se de um conjunto de medidas que visam equilibrar o orçamento
do governo, envolvendo tanto a contenção de gastos como a ampliação de
receitas.

O governo Dilma também tentou reativar a economia com medidas como


a concessão de obras e serviços de infraestrutura, plano de apoio as
exportações, plano de proteção ao emprego e linhas de crédito para o setor
automotivo por meio da Caixa e do Banco do Brasil.

Michel Temer (PMDB), presidente em exercício, vem dando continuidade


ao ajuste fiscal com novas medidas. Para reativar a economia, busca
reconquistar a confiança do mercado no Governo Federal e implementar um
amplo programa de concessões de obras e serviços de infraestrutura.

O agravamento da crise

O governo do presidente Lula (PT) (2003-2011) adotou como bases da


política econômica os investimentos governamentais em infraestrutura e a
abertura de linhas de crédito para empresários e consumidores, visando à
ampliação da produção e do consumo. Também houve medidas de distribuição
de renda, principalmente na promoção de programas sociais e no aumento real
do salário mínimo. Toda essa política foi conduzida sob uma diretriz
orçamentária pautada pela obtenção de superávits primários – ou seja, gastou-
se menos do que se arrecadou em impostos, excetuando as receitas e despesas
com juros.
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Lula governou em um momento favorável da economia mundial. O PIB


global cresceu 4% ao ano, em média, durante o seu governo. No mesmo
período, o PIB brasileiro cresceu 4,4% ao ano, em média. Esse crescimento,
possibilitou um aumento da arrecadação, a expansão dos gastos públicos e a
obtenção de superávits primários.

No governo Dilma, porém, o desempenho da economia piorou. A


prolongada crise internacional impactou as exportações de commodities,
afetando o crescimento da economia brasileira.

Contudo, o pior momento da crise mundial já passou. A economia norte-


americana vem se recuperando bem. A economia da União Europeia ainda
enfrenta muitas dificuldades, mas vem mantendo um crescimento anual,
embora baixo. Em 2014 e 2015, o PIB mundial cresceu 3% ao ano. No mesmo
período, o PIB brasileiro caiu 3,9%. O que explica então, a crise econômica
brasileira?

Alguns especialistas apontam as ações adotadas pelo governo federal para


estimular os investimentos como o principal responsável pelo desequilíbrio
orçamentário, que seria a principal causa da crise econômica brasileira.

Na crise financeira de 2008, o governo Lula aumentou os subsídios às


grandes empresas e ofereceu incentivos fiscais a setores da indústria, o que
permitiu ao Brasil atravessar o período sem grandes sobressaltos econômicos.
No entanto, o prolongamento dessas medidas de estímulo econômico durante o
governo Dilma foi deteriorando as contas públicas. Ao incentivar o consumo, o
governo esperava que houvesse um crescimento dos investimentos e da
capacidade de produção, o que não ocorreu. A decisão do governo Dilma de
baixar os juros para incentivar a economia pela facilitação do crédito também
tem sido criticada como uma das causas da volta da inflação.

Já o governo Dilma, aponta como a causa principal da crise econômica


brasileira, a crise econômica mundial. O Brasil tornou-se muito dependente das
exportações de commodities. O principal importador é a China, que diminuiu
sensivelmente as importações do Brasil, após a crise de 2008. Os preços dos
produtos também caíram no mercado internacional.

Outro fator apontado pelo Governo Dilma é a crise de Petrobras, que


diminuiu significativamente os seus investimentos, após a deflagração da
Operação Lava Jato. A Petrobras influencia significativamente a economia
brasileira. No entanto, para economistas, mesmo sem a Operação Lava Jato, a
Petrobras diminuiria o nível dos investimentos, pois sua receita foi afetada pela
queda do preço do barril do petróleo e pelo seu elevado endividamento. A
petroleira está entre as empresas mais endividadas do mundo.

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Com toda esta dificuldade fiscal – queda na arrecadação, dificuldade de


ter superávit primário e déficit público, as três principais agências de
classificação de risco - Standard & Poor’s, Fitch e Moody’s - rebaixaram
a nota de crédito do Brasil. Com isso, o país perdeu o chamado "grau de
investimento", ou seja, deixou de ser considerado um bom pagador, um lugar
recomendável para os investidores aplicarem seu dinheiro.
- Professor, o que é grau de investimento?
- Explico.
Um governo consegue dinheiro vendendo títulos no mercado. Os
investidores compram papéis com a promessa de receberem o dinheiro de volta
no futuro com juros. Quando um governo tem avaliação ruim, considera-se que
há risco de dar um calote e não pagar esses investidores.
Se houver desconfiança sobre essa devolução, fica difícil conseguir vender
esses títulos, e o país tem de pagar mais juros aos investidores para compensar
o risco maior. O país com mais confiança são os EUA.
O rating, ou classificação de risco, indica aos investidores se um país, empresa
ou negócio é considerado um bom pagador ou não.
O chamado grau de investimento, por exemplo, indica que uma economia
tem baixo risco de dar calote, e que as aplicações financeiras feitas por
investidores estrangeiros nesse país terão risco próximo a zero.
Alguns fundos de pensão internacionais de países da Europa ou Estados
Unidos, por exemplo, seguem a regra de que só se pode investir em títulos de
países que estão classificados com grau de investimento por agências
internacionais. Por isso, essa "nota" permite que o país receba recursos de
investidores interessados em aplicar seu dinheiro naquele local. Sem o grau de
investimento, muitos investidores estrangeiros não podem mais aplicar dinheiro
no Brasil. Também pode acontecer a saída de recursos aplicados atualmente.

(VUNESP/MPE SP/2016 – OFICIAL DE PROMOTORIA) A partir do mês


de setembro, a agência Standard & Poor’s e, posteriormente, a agência
Fitch passaram a ser citadas inúmeras vezes pela mídia brasileira,
geralmente acompanhadas de preocupações do governo.
O motivo da preocupação foi e permanece sendo
a) o aumento das áreas de desmatamento na Amazônia e no cerrado.
b) a redução das exportações de commodities, como a soja e o ferro.

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c) a retirada do Brasil da lista dos países que são bons pagadores de


dívidas.
d) a possibilidade de um forte surto de dengue e zika vírus em 2016.
e) o crescimento dos níveis de poluição atmosférica nos próximos anos.
COMENTÁRIOS:
As agências de classificação de risco Standard & Poor’s, Fitch -
rebaixaram a nota de crédito do Brasil. Com isso, o país perdeu o
chamado "grau de investimento", ou seja, deixou de ser considerado um
bom pagador, um lugar recomendável para os investidores aplicarem seu
dinheiro. Mais tarde, a Moody’s também retirou o grau de investimento do país.
Na prática, o Brasil deixou de ser considerado um bom pagador das suas
dívidas.
O grau de investimento indica que uma economia tem baixo risco de dar
calote, e que as aplicações financeiras feitas por investidores estrangeiros nesse
país terão risco próximo a zero.
Gabarito: C

Galera, seguindo neste assunto, vamos aprofundar mais a nossa análise,


destrinchar conceitos e entender o funcionamento da economia.

1.1 PIB

O PIB mede o tamanho de uma economia, seja a de um país, de uma


região, mercado comum ou município. Ele representa a soma de todas as
riquezas produzidas, e um crescimento zero no ano significa que elas se
mantiveram no mesmo nível do período anterior. Entre os principais pontos que
fazem uma economia crescer estão seu poder de produzir e vender, que precisa
manter-se em expansão; a renda e o consumo da população; e a capacidade de
gerar ou atrair recursos.
O setor com maior participação na composição da riqueza nacional é o de
serviços, que representa aproximadamente 70% do PIB, em seguida vem o
setor industrial com em torno de 25% e a agropecuária com aproximadamente
6%.
A economia brasileira fechou 2015 em queda. A retração, de 3,8% em
relação a 2014, foi a maior da série histórica atual do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996. Considerando a série anterior,
o desempenho é o pior desde 1990, quando o recuo chegou a 4,3%. Com estes
resultados, o país está em recessão. Veja o gráfico:
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Desde 2011, que a economia brasileira cresce abaixo da média do


crescimento do PIB mundial.
Em 2016, o PIB segue em queda. No primeiro trimestre recuou -0,4% e
no segundo trimestre -0,6%. É o sexto trimestre seguido de queda, já que o PIB
cai desde o primeiro trimestre de 2015.
No segundo trimestre, entre os setores cujos desempenhos entram no
cálculo do PIB, a agropecuária registrou a maior queda, de 2%, seguida pelos
serviços, que recuaram 0,8%. Apenas a indústria, que vinha apresentando
resultados seguidamente negativos, teve uma leve alta de 0,3%.

1.2 Contas públicas

Os governos trabalham para ao final do ano fiscal alcançarem um resultado


primário positivo. O resultado primário é a diferença entre receitas e despesas
do governo, excluindo do cálculo os ganhos e gastos com juros - ou seja, sem
contar o que a União paga por empréstimos que contraiu no mercado e o que
recebe pelo dinheiro que emprestou (financiamentos à agricultura, a estudantes,
a microempresas, etc.).

A maior parte da receita primária é arrecadada com impostos. Já as


despesas incluem gastos com aposentadorias, benefícios sociais, salários dos
servidores, obras de infraestrutura e funcionamento dos serviços públicos em
geral (hospitais, universidades, embaixadas, etc.).

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O principal objetivo de ter saldo positivo (superávit primário) é pagar juros


da dívida pública, evitando seu crescimento descontrolado. Quando isso
acontece, aumenta a desconfiança dos credores quanto ao pagamento futuro da
dívida, levando a uma alta dos juros cobrados para financiar o Estado e criando
um ciclo insustentável no longo prazo.

Além disso, a busca do superávit contribui para manter a inflação baixa,


ao limitar os gastos públicos. Quanto mais o governo consome bens e serviços,
mais pressiona os preços para cima.

Em 2014, o governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social)


teve um déficit primário de R$ 17,24 bilhões. Em 2015, a meta inicial do governo
era encerrar o ano com um superávit de R$ 55,3 bilhões, mas fechou o ano com
déficit de R$ 115 bilhões. A Previdência Social respondeu pela maior parte do
déficit.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2016, estabeleceu como meta para o


governo central um superávit de R$ 24 bilhões. Ainda no Governo de Dilma
Rousseff, foi enviado um projeto de lei para alterar a meta de superávit primário
para déficit primário de R$ 96 bilhões. Já no governo de Michel Temer, a
proposta de alteração da meta foi modificada. No final, o Congresso Nacional
aprovou como nova meta para 2016 um déficit primário recorde de R$ 170,5
bilhões.

Na tentativa de reverter o déficit fiscal, o Governo Federal vem


implementando um ajuste fiscal com medidas que visam aumentar a
arrecadação e cortar gastos públicos. São medidas que aumentam impostos,
diminuem o subsídio a políticas sociais e ao setor produtivo e reduzem
despesas governamentais.

Uma das medidas a serem implementadas é o estabelecimento de um teto


para os gastos públicos. Pela medida, a alta dos gastos públicos em um ano
não poderá ser superior à inflação do ano anterior. Isso significa, por exemplo,
que se essa medida já estivesse em vigor, os gastos públicos só poderiam
crescer 10,67% este ano – o equivalente à inflação do ano passado. Neste
sentido, a ideia do Governo Federal é aprovar uma emenda constitucional.
Duas outras medidas propostas geram bastante polêmica: a recriação da
CPMF e a reforma da previdência. A Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira (CPMF) é um tributo cobrado a cada momento em que
as pessoas ou empresas fazem qualquer movimentação em suas contas
bancárias (salvo exceções como pagamentos de salários ou saques de
aposentadoria). O objetivo central da reforma da previdência é o

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estabelecimento de uma idade mínima para que os assalariados tenham o direito


a se aposentar.
Além da União, a maioria dos estados brasileiros está em uma situação
fiscal difícil. Estados como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm atrasado e
chegam a pagar parceladamente o salário dos servidores públicos. Com a crise
econômica do Brasil, a arrecadação dos estados também diminuiu. Os governos
estaduais apontam como uma das causas da crise o pesado pagamento mensal
da dívida com a União. No entanto, estudo do Ministério da Fazenda conclui que
o principal fator para o desequilíbrio do caixa dos estados são as despesas com
pessoal e não o pagamento da dívida com a União.
Em função da crise das finanças estaduais, o governo estadual decretou
estado de calamidade pública no Rio de Janeiro. Salários de servidores e
aposentados estão atrasados. A falta de dinheiro afeta principalmente os
serviços de saúde e segurança pública.
Em junho, Governo Federal e os governos estaduais fecharam um acordo
para alongar o pagamento das suas dívidas com a União. Segundo o Ministério
da Fazenda, tendo como base o mês de abril, os estados deviam à União cerca
de R$ 427 bilhões, que são pagos em parcelas mensais.
O acordo firmado suspende a cobrança das dívidas dos estados até o fim
de 2016. Em 2017, os estados voltam a pagar, e começam pagando 5,55% da
parcela. A cada mês, o percentual sobe 5,5 pontos até que, ao final dos 18
meses, chegue ao valor completo da parcela.
Em troca do alívio nas dívidas, os estados aceitaram ser incluídos na
proposta do Governo Federal de estabelecer um teto para o aumento de gastos
públicos a partir de 2017.

1.3 Inflação alta


O Brasil adota o regime de metas anuais de inflação, estabelecida pelo
Banco Central, que para perseguí-la, adota várias políticas, entre as quais o
controle da taxa básica de juros. A meta oficial dos últimos anos tem sido de
4,5% ao ano, podendo variar dois pontos percentuais para cima ou para baixo,
de 2,5% a 6,5%.
Nos últimos cinco anos, a inflação medida pelo Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), tem ficado bem distante do centro da meta de 4,5%
e mais próximo ao teto de 6,5%. Este longo período de alta gera um temor de
que quanto mais tempo a inflação permanecer num patamar relativamente alto,
mais resista aos “remédios” para controlá-la.
A inflação estourou o teto da meta, fechou 2015 em 10,67%. Os
aumentos na conta de luz e no preço dos combustíveis foram os

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principais responsáveis pela elevada inflação. Em relação aos alimentos,


os que mais subiram foram a cebola, tomate e batata.
Em 2016, a inflação alta continua alta. De janeiro a agosto, acumula
avanço de 5,42% e, em 12 meses, de 8,97%.
A inflação alta tem sido uma das principais dores de cabeça para o Banco
Central nos últimos anos. A taxa de juros é um dos instrumentos mais básicos
para controle da alta de preços.
Quando os juros sobem, as pessoas tendem a gastar menos e isso faz o
preço das mercadorias cair (obedecendo à lei da oferta e procura), o que, em
tese, controlaria a inflação.

Inflação é a elevação dos preços de produtos e serviços, que resulta na


diminuição do valor de compra do dinheiro. A inflação sempre existiu, mesmo
com índices muito pequenos. Quando o indicador é negativo, chama-se
deflação.
Uma inflação elevada e contínua desorganiza a economia ao alterar o valor
do dinheiro, elemento central do sistema econômico. A inflação atinge mais
duramente quem não possui formas fáceis para corrigir seus ganhos, como os
assalariados.
A principal causa para a inflação é a chamada demanda, que significa a
procura por bens e serviços. Por exemplo, se muita gente quer comprar um
artigo e não tem para todos, o preço aumenta. É a lei da oferta e da procura. É
o que ocorre com frutas e legumes fora da estação (na entressafra).
O tormento da inflação incomodou durante muito tempo a vida nacional.
O Brasil viveu uma situação de inflação em alta no decorrer da década de 1980,
até desaguar numa hiperinflação acima de 900% ao ano a partir de 1988. Isso
significa que os preços estavam se multiplicando mais de dez vezes a cada
período de 12 meses.
Cinco planos econômicos foram implementados no decurso de oito anos.
No mesmo período, o Brasil trocou cinco vezes de moeda, já que as cédulas
perdiam o valor muito rapidamente. A inflação chegou a 2.477%, em 1993, o
que significa que os preços se multiplicaram por 25 durante aquele ano. O Plano
Real, em julho de 1994, derrubou a taxa de inflação. Desde então, sua variação
acontece em patamares reduzidos.

1.4 Alta dos juros

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Os juros são o dinheiro a mais que uma pessoa ou empresa paga ao


sistema bancário ao devolver um empréstimo, além do valor original corrigido
pela inflação. Eles podem ser considerados uma remuneração pelo fato de que
quem empresta corre o risco de o dinheiro não ser devolvido.
O governo tem uma relação estreita com os juros, pois é o maior agente
econômico do país. Ele empresta dinheiro aos bancos para as suas necessidades
diárias e cobra por isso: essa taxa de juros básica se chama taxa Selic. Como
esse empréstimo por 24 horas é seguro, serve de referência para a economia.
Os juros que os bancos cobram dos clientes para empréstimos, cheque especial
e cartão de crédito são muito mais elevados que a taxa Selic.
Como a taxa de juros define o custo do dinheiro, os governos a utilizam
para controlar a inflação: quanto mais alta a taxa de juros, mais caros ficam os
empréstimos, o que funciona como um freio nas atividades produtivas (pois o
crediário fica caro para o consumidor, e o financiamento, para o produtor). Se
há menos compras (“demanda”, na linguagem econômica), os preços não sobem
e a inflação fica baixa.
Quando a prioridade do governo é estimular a atividade econômica, uma
das medidas é baixar os juros. Quem define a taxa Selic é o Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central. Na última reunião do Copom – 20 de julho
– a taxa Selic foi mantida em 14,25% ao ano.
Em termos reais (descontada a inflação prevista para os próximos 12
meses), os juros brasileiros continuam entre os mais altos do planeta.

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(FCC/DPE RR/2015 – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO) Em outubro, o


Banco Central manteve a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano.
Desde julho (2015), a instituição afirmava que seu objetivo era atingir
esse valor no final de 2016.
(Adaptado de: http://www1.folha.uol.com.br/mercado)

A manutenção de taxa de juros (Selic) pelo Banco Central teve como um


dos objetivos
a) evitar o desemprego.
b) incentivar as atividades comerciais.
c) manter a inflação sob controle.
d) atrair investimentos para a indústria.
e) combater a evasão de divisas.
COMENTÁRIOS:
O objetivo foi manter a inflação sob controle. A taxa Selic é a taxa básica
de juros no Brasil. É definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central.
O governo tem uma relação estreita com os juros, pois é o maior agente
econômico do país. Ele empresta dinheiro aos bancos para as suas necessidades
diárias e cobra por isso, com base na taxa Selic. Como esse empréstimo por 24
horas é seguro, serve de referência para a economia. Os juros que os bancos
cobram dos clientes para empréstimos, cheque especial e cartão de crédito são
muito mais elevados que a taxa Selic.
Como a taxa de juros define o custo do dinheiro, os governos a utilizam
para controlar a inflação: quanto mais alta a taxa de juros, mais caros ficam os
empréstimos, o que funciona como um freio nas atividades produtivas. Quando
a prioridade do governo é estimular a atividade econômica, uma das medidas é
baixar os juros.
Gabarito: C

1.5 Taxa de câmbio


A taxa de câmbio é o valor pelo qual a nossa moeda é trocada por moedas
estrangeiras, principalmente pelo dólar, que é a referência no mercado mundial.
O comércio exterior é diretamente afetado pela taxa de câmbio.

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Se o real vale pouco, nossas mercadorias são exportadas por valor menor
(o que as torna atraentes). Isso ajuda o setor exportador, mas importar fica
mais caro. Quando o real se valoriza, nossos produtos ficam caros lá fora, mas
é mais barato importar. Facilitar as importações ajuda a derrubar a inflação, pois
amplia a oferta de mercadorias externas a preço baixo.
O preço do dólar disparou em 2015 e segue alto em 2016. No início de
2015, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 2,69, fechando o ano a R$
3,94. No mês de junho de 2016 está oscilando na faixa dos R$ 3,50.

1.6 Balança comercial


A balança comercial é o conjunto de tudo o que o país exporta e importa
em um ano. A soma desses valores é o total do comércio exterior nacional. Já o
saldo da balança comercial é o resultado do valor exportado, retirando-se o
valor importado. Quando o país vende mais do que compra no exterior, consegue
um saldo positivo: é o superávit da balança comercial. Quando o resultado é
negativo, dá-se o nome de déficit.
Em 2015, a balança comercial brasileira registrou um superávit de 19,7
bilhões de dólares – o mais alto desde 2011. O fato foi comemorado,
principalmente, depois do déficit de 4,1 bilhões de dólares em 2014. No entanto,
nem tudo são boas notícias. O saldo positivo não significa que o país ganhou
mais com as exportações. Apesar de as exportações brasileiras terem crescido,
em média, 10% em volume entre 2014 e 2015, em termos de valor houve uma
queda de 14% no mesmo período, de 225 bilhões de dólares para 191 bilhões.
Mas essa queda foi amortizada, em parte, pela redução nas importações, 24%
em 2015, daí o saldo positivo.
A economia brasileira em recessão e o dólar alto foram
determinantes para a queda das importações. Com menos dinheiro no
bolso o brasileiro consome menos, o que afeta as vendas tanto dos produtos e
serviços produzidos no Brasil, como dos importados.
Os importadores pagam as importações em dólar, que são adquiridos no
Brasil, comprados por reais. O dólar alto faz com que para pagar as importações,
mais reais sejam necessários para comprar a moeda norte-americana. Assim,
os produtos e serviços importados tornam-se mais caros ao serem vendidos no
mercado brasileiro.
Por outro lado, o dólar alto favorece as exportações. As empresas
brasileiras custeiam a sua produção em reais, mas recebem em moeda
estrangeira. Cada dólar obtido com as vendas é convertido em mais reais no
mercado brasileiro.

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Dólar alto torna as vendas externas mais baratas e as importações


mais caras. No ano passado, a moeda norte-americana subiu quase 50% – o
maior aumento em 13 anos.
Ainda segundo números oficiais, a melhora da balança comercial também
foi influenciada pela queda do preço do petróleo. Como o Brasil mais importa do
que vende petróleo ao exterior, o recuo do preço favorece a melhora do saldo
comercial do país.
A balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 32,37 bilhões de
janeiro a agosto deste ano. Trata-se do melhor resultado para os oito primeiros
meses de um ano desde o início da série histórica do Ministério da Indústria, em
1989, ou seja, em 28 anos. Até então, o maior saldo para este período havia
sido registrado em 2006: superávit de US$ 29,7 bilhões.
A melhora do saldo comercial acontece principalmente por conta da forte
queda das importações. Isso é consequência da recessão na economia e também
do dólar ainda relativamente alto, que encarece as compras de produtos do
exterior. Por outro lado, a valorização do dólar deixa os produtos brasileiros mais
baratos, o que facilita exportações.
A China continua sendo o principal destino das exportações
brasileiras, seguida pelos Estados Unidos e Argentina. Ao mesmo tempo, a
China foi o país de onde o Brasil mais importou, seguida dos Estados Unidos,
Alemanha e Argentina.

(VUNESP/MPE SP/2016 – OFICIAL DE PROMOTORIA) No segundo


semestre de 2015, o comércio exterior brasileiro apresentou
a) grande destaque internacional porque apresentou 10% de
participação no comércio mundial.
b) saldo positivo porque as exportações de produtos brasileiros
superaram as importações.
c) forte aumento, pois os parceiros do Mercosul ampliaram as
importações de produtos brasileiros.
d) redução de volume porque os importadores europeus estão sob o
efeito da crise econômica.
e) novos parceiros que substituíram os tradicionais clientes como a
China e os Estados Unidos.
COMENTÁRIOS:

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No segundo semestre de 2015 e no próprio ano, a balança comercial


brasileira apresentou saldo positivo porque as exportações de produtos
brasileiros superaram as importações.
Em relação a 2014, tantos as exportações, como as importações,
diminuíram em valor. Mas, as importações caíram mais que as exportações.
O Brasil responde por pouco mais de 1% das exportações mundiais. A
China, os Estados Unidos e a Argentina são os três principais destinos das
exportações brasileiras.
Gabarito: B

2. Emprego e desemprego
O desemprego no país atingiu, em média, 11,6 % no trimestre que
corresponde ao período de maio a julho de 2016. No mesmo período, o número
de desempregados no Brasil chegou a 11,8 milhões de pessoas.
Com a atividade da indústria em queda livre, o setor foi o que mais perdeu
vagas no segundo trimestre.
Indiretamente, a indústria também ajudou a derrubar outras atividades,
como o grupo que inclui informação, comunicação e atividades financeiras,
imobiliárias, profissionais e administrativas. É dentro desse grupo que estão os
serviços terceirizados, muito relacionados à indústria.
Com o aumento do desemprego, caiu o rendimento médio dos
trabalhadores, que ficou em R$ 1.985. Em relação ao mesmo trimestre do ano
passado, a renda caiu 3% e sobre o período de fevereiro a abril, registrou
estabilidade. A menor oferta de empregos e o aumento da população
desocupada leva a diminuição do número de pessoas que trabalham com carteira
assinada (emprego formal) e ao aumento de pessoas trabalhando sem carteira
assinada (emprego informal).
No ano passado, o salário médio de admissão ficou em R$ 1.270,74,
contra R$ 1.291,86 em 2014, o que representa uma queda real de 1,64%.
Para o ano de 2016, o salário mínimo é de R$ 880,00.

3. Indústria
A indústria brasileira atravessa um período de retração. Essa retração
generalizada resulta de diferentes fatores. A crise financeira internacional,
iniciada em 2008, desacelerou investimentos e o comércio mundial. As
exportações de nossos produtos industriais caíram.

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Um grande desafio do setor é a concorrência estrangeira dentro e fora do


país. Com a globalização, as empresas transferem a produção para fábricas em
países com menos impostos e mão de obra com salários mais baixos, e colocam
no mercado brasileiro produtos mais baratos.
Outro fator que influencia a atividade industrial é o câmbio. Quando nossa
moeda se desvaloriza em relação à norte-americana, os produtos nacionais
ficam mais baratos no exterior, o que facilita exportar. Já com o real mais
valorizado, é mais fácil importar bens de capital e mais difícil exportar. Nos anos
anteriores, o real esteve muito valorizado e prejudicou as exportações. A recente
alta do dólar, ainda não se refletiu no aumento da produção e das exportações
industriais.
A produção da indústria brasileira caiu 8,3% em 2015, a maior queda da
série histórica da pesquisa do IBGE, iniciada em 2003. O desempenho refletiu
um recuo generalizado no setor – dos 26 ramos avaliados pelo IBGE, 25 tiveram
retração no calendário completo. Apenas a indústria extrativa se salvou, com
alta de 3,9%. O principal impacto negativo em 2015 partiu do segmento veículos
automotores, reboques e carrocerias, em que a produção recuou 25,9%.
A indústria brasileira vive um processo de descentralização, do Sudeste
para as demais regiões, principalmente para a Região Sul, e das capitais para o
interior dos Estados. Os principais fatores que contribuem para a
descentralização são: o deslocamento das fábricas para locais com incentivo
fiscal do Estado; o crescimento da oferta de mão de obra qualificada fora das
capitais, mas que aceita salários menores; o deslocamento de empresas para
perto de fornecedores de matérias-primas e a busca de cidades onde o gasto
com benefícios trabalhistas é mais baixo.

A desindustrialização
Em 1980, o setor industrial correspondia a 40,9% do PIB. Desde então,
essa participação vem diminuindo, com acentuação maior no período mais
recente. Para termos uma ideia da retração recente, em 2010, a indústria
representava 27,2% do PIB, percentual que caiu para 22,7% do PIB, em 2015.
Diante desse cenário observado nas últimas décadas, alguns analistas
econômicos afirmam que o Brasil vive um processo de desindustrialização.
O termo é dado à situação de perda de relevância da indústria para o
conjunto da economia. Isso não quer dizer, entretanto, que seja algo
necessariamente ruim para as finanças de uma nação – os outros setores da
economia (serviços e agropecuária) poderiam compensar as perdas industriais
e reequilibrar a atividade econômica. No Brasil, porém, há sérios impactos
negativos por se tratar de uma desindustrialização precoce, aquela que ocorre
antes de o setor industrial alcançar o auge.

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Não há um consenso histórico entre os economistas sobre as fases da


desindustrialização no Brasil, mas estima-se que tenha começado em 1986 e se
estendido até meados dos anos 1990, com recuperação de fôlego de 2003 a
2007, e caído novamente após a crise global de 2008, com mais força a partir
de 2012 O processo de desindustrialização e o declínio da produção ou do
emprego industrial são na maioria das vezes uma consequência normal de um
processo de desenvolvimento econômico bem-sucedido, estando geralmente
associado a melhorias do padrão de vida da população.
Na fase de industrialização, a renda dos países tende a se elevar até atingir
um valor entre 17,5 mil dólares e 22,8 mil dólares anuais per capita, o que
permite a ampliação do setor de serviços mais sofisticados e de maior
produtividade, como internet, informação e telecomunicações, TV a cabo,
seguros, consultoria, intermediação financeira, transporte aéreo, restaurantes,
viagens, entre outros. Em 2015, a renda per capita anual do brasileiro foi de
15,7 mil dólares.
Isso ocorre porque boa parte da população passa a destinar uma maior
parcela de seus rendimentos a esses serviços. A indústria continua sendo um
importante motor do crescimento, mas é o setor de serviços que passa a ditar o
ritmo do crescimento econômico. Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino
Unido, França e Itália são exemplos de países que se desindustrializaram
“naturalmente”, quando o PIB per capita atingiu um valor médio de 19,5 mil
dólares.
Entre as razões para a desindustrialização estão políticas de abertura para
a importação, que colocaram a indústria em concorrência com manufaturados
estrangeiros a partir dos anos 1990. Também pesa o chamado Custo-Brasil
(juros elevados, baixa qualificação da mão de obra, excessiva burocracia e
gargalos de infraestrutura), que torna os produtos manufaturados mais caros e
afeta a sua competitividade.

4. Agropecuária e Agronegócio
Pessoal, agropecuária e agronegócio não são a mesma coisa. Falamos de
conceitos diferentes.

A agropecuária é o conjunto de atividades ligadas à criação de plantas e


animais para consumo humano. É um dos três setores para o cálculo do PIB, o
setor primário da economia.
O agronegócio é mais do que a agricultura e a pecuária. É o conjunto de
atividades econômicas ligadas à produção agropecuária, incluindo os fabricantes
e fornecedores de insumos, equipamentos e serviços para a zona rural, bem

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como a comercialização dos produtos. Ou seja, é toda a cadeia produtiva


vinculada à agropecuária.

No século XXI, a agricultura brasileira tem conhecido extraordinário


crescimento da sua produção de grãos. Vários fatores contribuíram para esse
crescimento. O principal é a elevação na importação de alimentos por parte da
China, após milhões de chineses saírem da faixa de miséria e ascenderem em
renda.
Porém, num contexto onde o mundo é globalizado, ficam vulneráveis os
países que mantêm o foco da economia na produção de bens primários, as
chamadas commodities. Em primeiro lugar, porque os preços desses produtos
estão sujeitos a fortes oscilações. Por exemplo, se a China mantiver elevados
seus estoques de algodão, isso indica que o país não deverá importar muito, e
o preço tenderá a cair antes mesmo das safras serem plantadas. Em segundo
lugar, porque as commodities são produtos baratos quando comparados aos
manufaturados. Ou seja, é preciso exportar muita commodity para pagar
importações de produtos de alta tecnologia, como equipamentos de computação
ou máquinas industriais. Desde 2013, a China ultrapassou a União Europeia
como maior consumidora de produtos agrícolas brasileiros. A China já havia
superado os EUA como o maior parceiro comercial do Brasil, e hoje é o principal
destino de nossas exportações e origem das importações.
O setor agrícola é um dos motores da economia brasileira. Impulsiona
parte importante da indústria e dos serviços, numa cadeia produtiva chamada
de agronegócio, além de ter papel fundamental no conjunto das exportações.
O Brasil é um dos gigantes da agropecuária no mundo. É o maior produtor
e exportador mundial de açúcar, café e suco de laranja. Ocupa o primeiro lugar
como exportador de carne bovina e de frango e segundo de milho e da cadeia
da soja (grão, óleo, carne de soja e farelos).
Além de garantir o abastecimento do mercado interno, o Brasil tornou-se
o segundo maior exportador mundial de alimentos, atrás dos EUA. Esse
desempenho foi garantido por uma forte expansão agrícola nos últimos anos.
Como vimos, a agropecuária corresponde por cerca de 6% do PIB
brasileiro. Porém quando calculamos a participação do agronegócio no PIB
brasileiro, este percentual fica em torno de 23%, uma grande diferença. O
agronegócio responde por cerca de 40% das exportações do país.
O Centro-Oeste é o maior produtor de grãos e conta com o maior rebanho
bovino do país. A região desenvolveu uma agricultura moderna e tecnificada,
com a utilização de técnicas agrícolas inovadoras e de alta produtividade.

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O agronegócio cresce, mas enfrenta problemas como juros altos,


instabilidade no câmbio e carências na infraestrutura. A produção agropecuária
voltada para a exportação é a que mais sente as carências de infraestrutura,
que elevam muito o preço final dos produtos.
A elevação da produtividade no meio rural brasileiro, com pesquisa,
tecnologia e manejo, esbarra numa estrutura fundiária concentrada nas mãos
de poucos proprietários. Trata-se de uma realidade difícil para a agricultura
familiar, que dá trabalho a milhões de pessoas, voltada para produzir os
alimentos para o mercado interno, mas conta com pouco apoio.
O crescimento do agronegócio se dá em meio a conflitos com o meio
ambiente. A pressão da busca por novas áreas de plantio está diretamente
associada ao desmatamento do cerrado e da Amazônia nas últimas décadas. Os
poderosos interesses econômicos envolvidos nesse processo estão na origem
dos embates que opõem os grandes fazendeiros aos ambientalistas, na
sociedade e no Congresso Nacional, em relação a temas como a preservação da
natureza e o novo Código Florestal.

5. Infraestrutura e Logística
Os problemas de infraestrutura do país refletem a falta de planejamento e
de investimentos. A partir de 2007, o governo federal começa a correr atrás do
tempo perdido e deflagra o primeiro Plano de Aceleração do Crescimento (PAC),
que prioriza obras em infraestrutura. Em execução, a segunda etapa do plano –
PAC 2 – tem como um dos focos prioritários a melhoria do sistema de
transportes.
O Brasil enfrenta o chamado “apagão logístico” para exportar seus
produtos, principalmente agrícolas e minérios. A matriz de transportes
alicerçada em rodovias e a concentração histórica nos portos do Sudeste e do
Sul apresentam, há anos, mostras de saturação. Formam-se filas de caminhões
aguardando para desembarcar sua carga, e de navios atracados ao largo do
Porto de Santos (SP) e de Paranaguá (PR) para recebê-las. As condições de
asfalto das estradas são ruins, o que provoca desperdício de grãos; há rodovias
com a construção iniciada, mas a finalização atrasada há décadas e, com a
carência do transporte por ferrovias e hidrovias, faltam inclusive caminhões e
motoristas.
A falta de silos e locais para armazenar grãos, seja nas áreas de produção
seja nas docas dos portos, também afeta a competitividade do país. O “Custo
Brasil”, que envolve gastos com estocagem, transporte e impostos, um dos
maiores do mundo, prejudica as exportações.
Com as contas públicas desequilibradas, o governo federal não tem
dinheiro em caixa para bancar as obras necessárias à ampliação da malha de
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transportes pelo Brasil. Uma das alternativas para desatar esse nó logístico tem
sido a adoção de um modelo conhecido como concessão.
Concessão é um sistema pelo qual o governo transfere à iniciativa privada
serviços de construção, reformas, infraestrutura e administração de rodovias,
ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Nessa transferência, as empresas
fazem um investimento que, naturalmente, terá algum retorno financeiro. Por
exemplo, uma empresa assume as obras de duplicação de uma rodovia. Em
troca, ela recolhe o pedágio cobrado dos motoristas.

Em um programa de concessões, independente do modelo adotado, o


desafio do governo é atrair o capital privado sem que o Estado perca a
capacidade de gerenciar os investimentos em infraestrutura e garantir o retorno
adequado à sociedade

Mesmo antes do agravamento da crise política e econômica, o governo de


Dilma Rousseff havia lançado um amplo pacote de concessões conhecido como
Programa de Investimento em Logística (PIL), em 2012. No entanto, o projeto
encontrou dificuldades para avançar devido ao fato de não haver empresas
suficientemente interessadas em investir.
Já sob o governo de Michel Temer, em setembro de 2016, foi lançado o
Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Pelo Plano, o Governo Federal
pretende fazer a concessão ou venda de 34 projetos nas áreas de energia,
petróleo e gás, aeroportos, rodovias, portos, ferrovias, saneamento e
mineração. Também será vendida a Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex),
espécie de raspadinha virtual. A previsão é que parte desses projetos sejam
leiloados em 2017 e, outra parte, no primeiro semestre de 2018.
Conforme o Governo Federal, o PPI tem como objetivo a ampliação dos
investimentos para reaquecer a economia, em recessão, e estimular a criação
de empregos. A meta é arrecadar R$ 24 bilhões com concessões apenas em
2017.

5.1 Matriz de Transporte


A matriz de transporte de um país é o conjunto dos meios de circulação
usados para locomover mercadorias e pessoas. Como o transporte de carga é
um dos problemas básicos da economia, é principalmente dele que tratamos
quando se fala do assunto.
Uma matriz de transporte eficiente permite deslocar cargas no menor
tempo e com o menor preço. Em um país de território extenso, seu planejamento
e estruturação são complexos, pois a infraestrutura de transportes exige muito
investimento, uma combinação de diversos meios e previsão das necessidades
futuras.
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Uma matriz de transporte ideal consegue equacionar as distâncias a ser


cobertas com as exigências econômicas e sociais da produção e da população.
País de dimensão continental, que movimenta mercadorias internamente
e exporta grande volume de grãos e minérios produzidos em áreas distantes do
litoral, o Brasil necessita usar as várias modalidades de transporte, de forma
equilibrada. Mas não é isto que ocorre. Em 2011, a maior parte do transporte
de carga do país (52%) foi feita por rodovias, 30% por ferrovias, 13% por
hidrovias e cabotagem (transferência entre portos marítimos).
O governo planeja melhorar a infraestrutura de transportes com metas
definidas no Plano Nacional de Logística de Transportes - PNLT. O plano define
os investimentos necessários em vinte anos (2011-2031) para buscar maior
equilíbrio na matriz. Para isso, prevê ampliar o uso das ferrovias e das hidrovias,
além das mudanças em portos e aeroportos. Veja o gráfico a seguir:

Transporte de Cargas no Brasil (2011-2031)

Metas a longo prazo - No primeiro gráfico, à esquerda, vê-se como a matriz de transportes de
carga ainda é desequilibrada, com a predominância do modo rodoviário. Isso encarece o frete e
preço dos produtos no mercado interno e para exportar. Os dois gráficos a seguir mostram as
metas do governo para a mudança na matriz de transportes. Fonte: PNLT - 2011

O principal resultado do desequilíbrio da matriz é o alto custo nacional


do transporte de carga. Por exemplo, para transportar soja por hidrovia paga-
se um terço do que é gasto via ferrovia e um quinto do necessário para levá-la
por estradas. Como as grandes plantações de soja do Brasil estão longe do litoral
e há falta de ferrovias e hidrovias, a maioria dos produtores de soja tem de
pagar o transporte por longos trajetos de caminhões, deixando boa parte dos
seus ganhos com a transportadora.
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Um estudo do Ministério dos Transportes adverte que nossos dois


principais concorrentes nas exportações agrícolas, Argentina e Estados Unidos,
conseguem custos menores de transporte. Os argentinos porque possuem boa
cobertura ferroviária em um território menor, com estradas mais curtas, o que
resulta em custo e preço menor. Os norte-americanos porque usam
intensivamente ferrovias e hidrovias.
O impacto do custo elevado do transporte recai sobre o custo dos
produtores, das empresas e das mercadorias. Por isso, encarecem tanto o preço
dos produtos vendidos dentro do país quanto aqueles que exportam, e a redução
desses custos é importante para a melhoria da economia.

Transoceânica – uma ferrovia polêmica

Brasil, Peru e China estão tratando da ambiciosa construção da ferrovia


Transoceânica (veja o mapa a seguir), também chamada de Bioceânica e
Transcontinental. A China financiará a construção da megaobra.
A ferrovia ligará o porto de Açu, no Rio de Janeiro, a um porto no Peru,
cortando a América do Sul no sentido leste-oeste e ligando os oceanos Atlântico
e Pacífico. Com o projeto da ferrovia, a China pretende aumentar sua presença
econômica no continente e facilitar o acesso a matérias-primas, o que também
gera interesse do Brasil e do Peru. Os produtores brasileiros teriam uma
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alternativa sobre o Atlântico e o Canal do Panamá para enviar matérias-primas


para a China.
Especialistas acreditam que a construção da estrada de ferro marcaria uma
nova fase na relação da China com a região. No entanto, para que o projeto saia
do papel, será necessário superar grandes desafios de engenharia, ambientais e
políticos.

5.2 Matriz Energética


A matriz energética é o conjunto dos recursos de energia de uma
sociedade ou região e as formas como eles são utilizados. Energia renovável:
É aquela produzida com recursos primários que se renovam ou podem ser
renovados, poluentes ou não. Exemplos: a energia obtida da água, da luz do sol,
dos ventos e dos produtos agrícolas. Energia não renovável: É aquela
produzida com recursos primários que, cedo ou tarde, acabarão, como o
petróleo, o carvão mineral, o gás natural e o urânio. Para a sua produção, a
natureza exige milhões de anos. Por ser mais barata e prática, é a mais usada
hoje no mundo.
A participação de energia não renovável é predominante na matriz
energética mundial, com percentual de 86,8% em 2012, conforme o gráfico
abaixo nos mostra:

O predomínio das fontes não renováveis na matriz energética mundial


representa um problema sério. Primeiramente, levam milhares de anos para se
formarem, e com a velocidade que estão sendo utilizados elas, inevitavelmente,
se esgotarão. Segundo, o processo de geração de energia pela queima dos
combustíveis fósseis é o mais poluente dos processos energéticos utilizados
atualmente.

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Por essas razões, a matriz energética atual não é sustentável. A


substituição dessas energias sujas por fontes alternativas é vista como meta
necessária para tornar o mundo viável para as próximas gerações.
O Brasil tem a matriz energética mais equilibrada entre as grandes nações.
O país é o líder mundial em quantidade de energia renovável, e a única grande
economia que produz quase metade da energia que consome de fontes próprias
e renováveis, principalmente, a água para gerar eletricidade e os combustíveis
de origem vegetal, com destaque para o etanol (álcool anidro e hidratado) de
cana-de-açúcar.
Em 2014, a energia renovável - hidráulica, lenha e carvão vegetal, cana e
eólica - respondeu por 41% do total consumido no país. O petróleo segue sendo
o componente mais importante da matriz energética brasileira. Veja o gráfico a
seguir:

Matriz Energética Brasileira


Oferta interna de energia, % de participação de cada fonte primária no total

Fonte: Ministério das Minas e Energia (dezembro/2014)

A indústria é quem mais utiliza energia no Brasil, seguida pelo uso nos
transportes, setor energético, residências, serviços e agropecuária.

Energia eólica
Embora no gráfico, a energia eólica esteja incluída nas outras fontes, é o
segmento que mais cresce percentualmente na matriz energética e na matriz
elétrica brasileira. Em 2005, o país gerou 29 MW de energia com os ventos.
Atualmente a geração anual é de 8.400 MV (Aneel/março de 2016), um
crescimento de quase 3.000% em onze anos. Segundo previsão da ABEEólica,

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até 2019 a geração eólica mais que duplicará, em relação a 2016, chegando a
18.793 MW.
O Brasil possui um ótimo potencial para geração de energia eólica. Alguns
especialistas afirmam que o país é detentor dos melhores ventos do mundo,
constantes, unidirecionais e sem grandes rajadas.
O potencial avaliado da energia eólica no Brasil é de 143 GW, concentrado
principalmente nas regiões Nordeste (interior da Bahia, litoral de Ceará e Rio
Grande do Norte) e Sul (Rio Grande do Sul) (Atlas Eólico Brasileiro, 2001).
Segundo especialistas do setor energético, com a utilização de tecnologias atuais
o potencial de geração de eletricidade por essa matriz pode chegar a 300 GW, o
triplo da capacidade instalada da matriz elétrica nacional.

Biomassa
A biomassa é a segunda fonte de energia que mais participa de nossa
matriz energética, e sua participação tem sido crescente ao longo dos anos. É
mais representativa na matriz energética devido ao setor de transportes e os
biocombustíveis.
O Brasil apresenta condições muito favoráveis para a produção de
biocombustíveis, pois tem grande extensão de áreas agricultáveis, com solo e
clima favoráveis ao cultivo de oleaginosas e cana.
Os combustíveis de biomassa mais utilizados são o etanol (álcool de cana,
no caso brasileiro) e o biodiesel (feito de oleaginosas), que podem ser usados
puros ou adicionados aos derivados de petróleo, como gasolina e óleo diesel.

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O país é o segundo maior produtor mundial de etanol. Os Estados Unidos,


maior produtor mundial desse combustível, utilizam o milho para sua produção,
a um custo superior ao obtido com a cana no Brasil.
O biodiesel é obtido de plantas oleaginosas como a mamona, palma
(dendê), girassol, babaçu, soja e algodão. Além de abastecer o mercado
interno, parte da produção nacional de biodiesel é exportada, principalmente
para a União Europeia.

Petróleo
O país alcançou a autossuficiência em petróleo em 2006. A descoberta das
gigantescas jazidas de petróleo na camada pré-sal do litoral, no ano seguinte,
acenava com uma autossuficiência duradoura. Mas durou pouco, em 2008 o
Brasil perdeu a autossuficiência. Nesse mesmo ano, a Petrobras iniciou a
extração de petróleo da camada pré-sal.
A discussão no Congresso da lei de redistribuição dos royalties de petróleo
entre os estados e a União, dentro da nova legislação criada para a riqueza do
pré-sal, estendeu-se durante cinco anos. Isso levou o governo a suspender os
leilões para licitar poços do pré-sal. Os leilões permitiriam acelerar a formação
de consórcios entre petroleiras estrangeiras e a Petrobrás, para investir em
plataformas, e na abertura de poços. Durante todos estes anos, a Petrobrás
investiu sozinha na exploração do pré-sal.
Ao mesmo tempo, cresceram as vendas de novos veículos e também o
consumo de gasolina nos postos, do querosene na aviação, da nafta e óleo
combustível na indústria e do gás doméstico. A produção total da empresa
diminuiu nos últimos três anos – 2011 a 2013, mas voltou a crescer em 2014.
A partir de 2011, o preço do barril de petróleo no mercado internacional
começou a subir e mais que duplicou: o preço aumentou 225% em relação a
2010, e manteve-se acima dos 100 dólares o barril até junho de 2014. Essa
elevação ocorreu antes que o Brasil conseguisse ampliar suficientemente a
extração e o refino de petróleo para acompanhar o crescimento da frota de
veículos e do consumo pela indústria em expansão. A Petrobras ampliou a
importação de combustíveis, principalmente de gasolina, pagando bem mais
caro. No mesmo período, por diferentes fatores, os preços do etanol tornaram-
se pouco competitivos frente aos da gasolina. O principal deles é que o governo
federal manteve uma política de controle dos preços da gasolina e do diesel (sem
repassar o aumento internacional integralmente aos preços internos, para conter
a inflação), mas não teve uma política correspondente para o etanol. Sua
produção, então, entrou em crise.
A partir de junho de 2014, o preço do barril começa a cair, estando
atualmente na faixa de 40 dólares. Como no período de alta, a Petrobrás vendeu
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combustível com prejuízo, agora que o preço do petróleo baixou, a companhia


não reduziu os preços da gasolina e do diesel, pois precisa recuperar o prejuízo
dos anos anteriores. Contudo, a alta do dólar, diminuiu drasticamente o lucro
que está obtendo com a compra mais barata e revenda mais cara de gasolina e
diesel.
A queda no preço do óleo pode ser nociva à Petrobras em longo prazo. A
exploração do pré-sal pode ser prejudicada e tornar-se inviável se a queda for
duradoura. Especialistas estimam que o custo médio de exploração é de US$ 45
o barril no pré-sal.

O pré-sal é uma camada no subsolo marinho, que armazena petróleo


abaixo de uma grossa camada de sal, a cerca de 7 km abaixo da superfície do
mar. Fica a uma distância média de 300 km do litoral, em uma faixa de 200 km
de largura e 800 km de extensão, que vai do Espírito Santo a Santa Catarina
(veja mapa abaixo). As reservas já conhecidas alcançam 31 bilhões de barris de
petróleo, podendo conter até 87 bilhões de barris.
A Petrobrás detém a tecnologia mais avançada do mundo em exploração
de águas profundas, porem a produção do pré-sal tem exigido uma revolução
no setor. O Brasil está desenvolvendo novas tecnologias de exploração
petrolífera e conta com uma mão de obra altamente qualificada.

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Matriz energética e produção de energia elétrica não são a mesma coisa.


A primeira se refere ao total da energia consumida no país, nas suas diferentes
fontes. A segunda se refere somente à produção de energia elétrica.
No gráfico abaixo, extraído do Balanço Energético Nacional 2014 (com
dados de 2013), verificamos que 70,6 % da oferta de energia elétrica no Brasil
veio de usinas hidroelétricas, seguida por térmicas (gás, carvão, derivados de
petróleo e biomassa), nuclear e eólica.

Matriz Elétrica Brasileira – 2013

Fonte: Balanço Energético Nacional – 2013 (EPE)

Com a quinta população mundial para atender, espalhada no quinto maior


território, a infraestrutura para produzir e oferecer energia é prioritária para que
o país não pare. O Governo Federal investe pesado para aumentar a produção
interna e garantir a oferta, mas a situação recente destoa dos progressos que
haviam sido anunciados.

Eletricidade
Nos últimos anos, houve blecautes de eletricidade no Brasil. Alguns
apagões afetaram vários estados simultaneamente. Segundo o Ministério das
Minas e Energia, foram provocados por eventos naturais, como vendavais, por
falhas técnicas e pelo envelhecimento da rede de distribuição.
Um dos pontos mais polêmicos da matriz brasileira, a construção de
represas hidrelétricas de grande porte na Amazônia continua em andamento,

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visando a aproveitar o nosso potencial hídrico e a abastecer o sistema elétrico


nacional. O planejamento do governo prevê a construção de 52 represas
hidrelétricas no longo prazo, das quais 18 na Amazônia. Já foram inauguradas e
funcionam com as primeiras turbinas, as usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio
Madeira, em Rondônia.
A obra da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, está em andamento,
com atrasos provocados por decisões judiciais por questionamentos ambientais
e sociais, greves de empregados e ocupações de protesto. São contrários a essas
hidrelétricas grupos da sociedade civil, ambientalistas e povos indígenas das
regiões afetadas pelos impactos que a represa trará sobre a fauna e a flora da
região e a vida indígena. Mas a obra continua. Ao mesmo tempo, a construção
de pequenas represas e usinas hidrelétricas sofre problemas de licenciamento
ambiental.
Ainda em relação à energia hidrelétrica, um longo período de fracas chuvas
em algumas bacias hidrográficas fez diminuir a produção de eletricidade em
represas e aumentar a produção de usinas termelétricas a partir de 2013. Como
a termeletricidade é mais cara que a de origem hídrica, por queimar derivados
de petróleo ou gás natural, passou a ocorrer uma defasagem de preço entre as
empresas produtoras de energia e as distribuidoras. Isso levou o governo a
adotar medidas financeiras para socorrer o setor.

(FGV/DPE MT/2015 – CARGOS DE NÍVEL SUPERIOR) Analise a imagem


a seguir.

(http://planetasustentavel.abril.com.br/imagem/ as-termicas-a-todo-vapor-Meio2.jpg 2013)

Com relação aos impactos socioambientais decorrentes da evolução da


matriz energética brasileira desde 2001, assinale V para a afirmativa
verdadeira e F para a falsa.

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( ) O uso de usinas termelétricas pertence a um modelo elaborado após


a crise energética de 2001, para diversificar as fontes de fornecimento
de eletricidade.
( ) As usinas termelétricas são alimentadas pela queima de
combustíveis fósseis, o que gera a emissão de gases que contribuem
para o aquecimento global.
( ) A geração de energia elétrica brasileira assenta-se majoritariamente
em fontes não renováveis, cuja exploração tem forte impacto ambiental.
As afirmativas são, respectivamente,
a) F, V e F.
b) F, V e V.
c) V, F e F.
d) V, V e F.
e) F, F e V.
COMENTÁRIOS:
PRIMEIRA ALTERNATIVA: VERDADEIRA – Em 2001, o Brasil passou por
uma grave crise de suprimento de energia elétrica, conhecida como “apagão”.
O nível dos reservatórios das hidrelétricas caiu muito. Como elas respondiam
por quase 90% da produção de energia elétrica, após a crise, o governo procurou
diversificar as fontes de abastecimento. A ideia era reduzir a dependência da
geração hídrica, com a diversificação das fontes geradoras de energia elétrica,
como a térmica.
SEGUNDA ALTERNATIVA: VERDADEIRA - As usinas termelétricas são
alimentadas pela queima de combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás
natural, o que gera a emissão de gases que contribuem para o aquecimento
global.
TERCEIRA ALTERNATIVA: FALSA Hídrica, eólica, solar e biomassa são fontes
renováveis de geração de energia. Na figura acima, podemos ver que, em 2012,
a matriz hídrica correspondia, sozinha, a 77,6% do total da energia elétrica
produzida em nosso país.
Gabarito: D (V, V, F)

6. Brasil – sétima maior economia do mundo


Em 2011, o Brasil ultrapassou o Reino Unido, tornando-se a sexta maior
economia do mundo. Perdeu o posto um ano depois, em 2012, devido ao
fraquíssimo crescimento do PIB, voltando à posição de sétima maior economia
do mundo.
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RANKING DAS MAIORES ECONOMIAS MUNDIAIS


(PIB nominal em 2012)
1º Estados Unidos
2º China
3º Japão
4º Alemanha
5º França
6º Reino Unido
7º Brasil
8º Rússia
9º Itália
10º Índia
Fonte: Fundo Monetário Internacional (FMI)

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1. A Corrupção

Segundo o Dicionário Houaiss, a corrupção é a “disposição apresentada


por funcionário público de agir em interesse próprio ou de outrem, não
cumprindo com suas funções”. O que vemos há longas décadas no Brasil,
certamente, combina os dois sentidos: importantes figuras agindo em interesse
próprio, aproveitando-se do cargo ou da função pública e provocando uma
degradação das instituições do país.
Entra governo, sai governo, a corrupção continua sendo uma tônica em
nosso país. Trata-se de um mal antigo que marca o Brasil há muito tempo –
podemos dizer que desde o período colonial. O primeiro sistema institucional em
nosso território, o de capitanias hereditárias cedidas pelo rei de Portugal, em
1534, já era usado para fins, marcadamente, privados. Os donatários as
administravam como bens pessoais e familiares, ignorando as populações que
nelas viviam. Havia uma confusão entre a esfera pública e a privada.
A nossa independência, em 1822, se deu praticamente sem rupturas,
preservando-se os interesses da elite econômica e política que vinha do período
anterior. A utilização do Estado para fins privados atravessou o Império e
instalou-se na República. “A corrupção é a grande constante dos 116 anos da
história republicana”, afirma o historiador Marco Antônio Villa.
A corrupção não assumiu sempre a mesma forma, pois o próprio Estado
brasileiro passou por vários momentos e diversas formas de organização. No
século XX, vivemos duas ditaduras: a do Estado Novo (1937-1945) e a de 1964.
Regimes que, pelo arbítrio e pela censura, favoreceram a disseminação da
corrupção por parte de um corpo de funcionários acima de qualquer fiscalização
ou controle público. Naqueles tempos, de grandes investimentos em
infraestrutura e obras gigantescas, a corrupção podia assumir a forma de
propinas destinadas a dirigir concorrências e favorecer grupos econômicos.
Quando o avanço tecnológico e a volta de um regime político aberto, ao
final da ditadura, em 1985, favoreceram a disseminação de rádios e canais de
TV, a distribuição das concessões, por exemplo, passou a ser moeda de troca
para acordos políticos. Na época das privatizações e das transferências de
dinheiro via internet, nos anos 1990, multiplicaram-se contas secretas no
exterior para recompensar autoridades que pudessem fornecer informações
privilegiadas ou, quem sabe, influenciar o desfecho dos leilões. Estamos falando,
então, da corrupção do homem público que recebe dinheiro privado em troca de
vantagens ilícitas e também do que comercializa seu mandato político.
Naturalmente, as coisas estão entrelaçadas, e um dinheiro sujo – público ou
privado – serve a diversos fins.
Nos anos recentes, além do ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRN),
que sofreu impeachment por causa de corrupção, em 1992, houve graves

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denúncias contra os governos de José Sarney (PMDB, 1985-1990), Fernando


Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT, 2003-
2010), e centenas de casos em prefeituras e governos estaduais. Em suma, os
cargos eletivos e a função pública são utilizados com frequência para a promoção
pessoal ou para os negócios, o que é, no mínimo, antiético. Infelizmente, mesmo
quando existem denúncias, a maioria dos casos fica impune – com frequência,
pela demora de anos e anos nos processos ou pelos fóruns privilegiados dos
políticos. A impunidade acaba incentivando a corrupção.
No fundo dos escândalos recentes em nível federal está a tão falada
“governabilidade” – quer dizer, a busca de condições estáveis para governar
com tranquilidade. Apesar de os presidentes, na estrutura institucional
brasileira, possuírem a disposição muitos instrumentos para implementar sua
orientação política (estamos no sistema “presidencialista”), é uma prática
corrente trabalhar para constituir uma maioria no Congresso Nacional de apoio
ativo às suas orientações, a “bancada governista”. Há milhares de cargos na
máquina federal para serem preenchidos por indicação do Poder Executivo e de
seus aliados – um prato cheio para a barganha política. Começa aqui o terreno
para favorecer a corrupção.
Uma antiga e lamentável prática política disseminada no Brasil é o
“clientelismo”, que ocorre quando um político usa os recursos do Estado para
favorecer particularmente uma camada de seus aliados – seja por meio de obras,
necessárias ou supérfluas, ou de nomeações de apadrinhados para cargos
públicos (muitas vezes, a pessoa nem sequer trabalha). Uma medida vigente
para combater esse mal é a contratação por concurso público de funcionários
que ganham estabilidade, impedindo a troca de levas de servidores a cada
mudança de mandato. Ainda assim, sobram milhares de “cargos de confiança”
preenchidos por indicação (justamente os de comando, com mais poder e salário
melhor), e é aí que se opera o “loteamento” de cargos – cada político ou partido
aliado ao presidente ganha o direito de fazer indicações para os cargos de
segundo ou terceiro escalão. Com frequência, essa prática descamba para o
simples aparelhamento do Estado por grupos políticos ou por apadrinhados, com
a utilização dos cargos públicos para fins privados.
Mesmo que tenha vindo de gerações anteriores, a corrupção é uma ferida
na vida nacional que não para de incomodar e desperta a revolta e a indignação
da maioria dos cidadãos. O país conviveu nos últimos anos com notícias
cotidianas sobre o “Mensalão”. Mal saímos desse episódio e nos defrontamos
com um escândalo de proporções muito maiores, a corrupção na Petrobras,
desvelada pela Operação Lava Jato. Podemos falar ainda da Operação Zelotes,
do Swiss Leaks, da Operação Vidas Secas, do cartel do metrô em São Paulo e
de outros vergonhosos casos de corrupção no Brasil atual.

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Na esteira do combate à corrupção e da sucessão de escândalos que têm


vindo à tona, o Ministério Público Federal e outras entidades lançaram a
campanha “Dez Medidas contra a Corrupção”. Sem qualquer vínculo político
partidário, a iniciativa coletou dois milhões de assinaturas e as apresentou ao
Congresso Nacional sob a forma de projeto de lei de iniciativa popular. As
propostas começaram a tramitar na Câmara dos Deputados.
Confira abaixo cada uma das 10 medidas de combate à corrupção:

1) Prevenção à corrupção, transparência e proteção à fonte de


informação
- Regras para prestação de contas por parte de tribunais e procuradorias,
além de investimento mínimo em publicidade de combate à corrupção, com
ações de conscientização e educação;
- Testes de integridade: um agente público disfarçado poderá oferecer
propina para uma autoridade suspeita; se ela aceitar, poderá ser punida na
esfera administrativa, penal e cível;
- Manter em segredo a identidade de um delator que colaborar com as
investigações, dando maior segurança ao informante.

2) Criminalização do enriquecimento ilícito de agentes públicos


- Posse de recursos sem origem comprovada e incompatível com a renda
do servidor se tornaria crime, com pena de 3 a 8 anos de prisão.

3) Aumento das penas e crime hediondo para corrupção de altos


valores
- Punição mínima por corrupção (recebimento de vantagem indevida em
troca de favor) passaria de 2 para 4 anos de prisão. Aumenta também o prazo
de prescrição (quando se perde o direito de punir), que passaria de 4 para 8
anos;
- Quanto maior o volume de dinheiro envolvido, maior a pena. Até R$ 80
mil, a pena varia de 4 a 12 anos. Se a propina passar de R$ 80 mil, a pena será
de 7 a 15 anos. Se for maior que R$ 800 mil, a prisão será de 10 a 18 anos.
Caso seja superior a R$ 8 milhões, a punição será de 12 a 25 anos de prisão.

4) Aumento da eficiência e da justiça dos recursos no processo


penal

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- Trânsito em julgado (declarar a decisão definitiva) quando o recurso


apresentado for protelatório ou for caracterizado abusivo o direito de recorrer;
- Mudança nas regras para apresentação de contrarrazões em segunda
instância, revogação dos embargos infringentes, extinção da revisão do voto do
relator no julgamento da apelação, mudança na regra dos embargos de
declaração, do recurso extraordinário e dos habeas corpus em diversos
dispositivos;
- Possibilidade de execução provisória da pena após o julgamento na
instância superior.

5) Celeridade nas ações de improbidade administrativa


- Acaba com fase preliminar da ação de improbidade administrativa e
prevê agravo retido contra decisão que receber a ação;
- Criação de turmas, câmaras e varas especializadas no âmbito do Poder
Judiciário;
- Instituição do acordo de leniência para processos de improbidade
administrativa – atualmente existente apenas em processos penais, na forma
de delação premiada; e administrativos, na apuração dos próprios órgãos
públicos

6) Reforma do sistema de prescrição penal


- Fim da “prescrição retroativa”: pela qual o juiz aplica a sentença ao final,
mas o prazo é projetado para o passado a partir do recebimento da denúncia.

7) Ajustes nas nulidades penais


- Restringir as nulidades processuais a casos em que são necessários;
- Introduzir o balanço de custos e benefícios na anulação de um processo.

8) Responsabilização dos partidos políticos e criminalização do


“caixa dois”
- Responsabilidade objetiva dos partidos políticos pelo caixa 2. Com isso,
o partido poderá ser punido mesmo se não ficar provada culpa do dirigente
partidário, mas ficar comprovado que a legenda recebeu recursos não
declarados à Justiça Eleitoral;

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- Quanto mais grave, maior a punição: além de multas maiores, o partido


poderá também ter o funcionamento suspenso se for reincidente ou mesmo ter
o registro cancelado

9) Prisão preventiva para evitar a dissipação do dinheiro desviado


- Possibilidade de prisão preventiva (antes da condenação, por tempo
indeterminado), caso se comprove que o suspeito mantenha recursos fora do
país.

10) Recuperação do lucro derivado do crime


- Confisco alargado: obriga o criminoso a devolver todo o dinheiro que
possui em sua conta, exceto recursos que comprovar terem origem lícita;
- Ação civil de extinção de domínio: possibilita recuperar bens de origem
ilícita, mesmo que não haja a responsabilização do autor do fato ilícito, em caso
de morte ou prescrição, por exemplo.

2. Operação Lava Jato


Iniciada em 17 de março de 2014, a Operação Lava Jato da Polícia Federal
(PF) no Paraná, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e de
corrupção na Petrobras, teve como desdobramento a prisão temporária, pela
primeira vez no Brasil, de presidentes, diretores e altos funcionários de grandes
empreiteiras nacionais. Mais recentemente, as investigações descobriram
irregularidades também em contratos do Ministério da Saúde, da Caixa
Econômica Federal e das obras da Ferrovia Norte-Sul, Usina Nuclear de Angra 3
e Hidrelétrica de Belo Monte.
A frente da operação está o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal
Federal de Curitiba. Em abril de 2016, foi considerado pela revista Time como
uma das cem pessoas mais influentes do mundo, sendo o único brasileiro a
entrar na lista.
Passados dois anos, (incluir “a”) Operação Lava Jato contabiliza números
impressionantes, como 990 anos em penas acumuladas, 134 mandados de
prisão expedidos e 93 condenações criminais.
De acordo com dados do Tribunal de Contas da União, os prejuízos
estimados com o esquema de corrupção chegam a R$ 29 bilhões. Nas contas da
Polícia Federal (PF), no entanto, esse valor pode chegar a R$ 42 bilhões. A força-
tarefa da investigação já pediu o ressarcimento de R$ 21,8 bilhões.
Deste montante, foi recuperado até o momento R$ 2,9 bilhões, sendo que
réus de processos criminais tiveram R$ 2,4 bilhões em bens bloqueados.
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A Lava Jato recebeu este nome, pois um dos grupos envolvidos no


esquema fazia uso de uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para
movimentar o dinheiro ilícito. Segundo a Polícia Federal, a Petrobras contratava
empreiteiras por licitações fraudadas. As empreiteiras combinariam entre si qual
delas seria a vencedora da licitação e superfaturavam o valor da obra. Parte
desse dinheiro "a mais" era desviado para pagar propinas a diretores da estatal,
que, em troca, aprovariam os contratos superfaturados.
O repasse era feito pelas empreiteiras a doleiros, como Alberto Youssef, e
lobistas que distribuiriam o suborno. De acordo com a investigação, políticos dos
partidos PT, PP, PMDB, PSDB, PTB e PSB também se beneficiaram do esquema,
recebendo de 1% a 3% do valor dos contratos. Ex-diretores da Petrobras,
doleiros e colaboradores, lobistas, executivos e funcionários de empreiteiras,
dirigentes partidários, ex-parlamentares, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu
e o presidente da Norberto Odebrecht - maior empreiteira do Brasil – Marcelo
Odebrecht estão presos.
Os envolvidos estão sendo investigados ou foram condenados pelos crimes
de organização criminosa, formação de cartel, lavagem de dinheiro, sonegação
de impostos, fraude a licitações, corrupção de funcionários públicos e até de
políticos.
Políticos com foro privilegiado foram denunciados pelos delatores e
tiveram seus nomes enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela
Procuradoria Geral da República (PGR). O STF autorizou a abertura de inquérito
contra mais de 30 políticos com mandato – senadores e deputados federais –
ligados ao PP, PT, PMDB, PTB e PSDB. A abertura de inquérito não representa
culpa. Significa que há indícios fortes de irregularidades que precisarão ser
investigados.
Em dezembro de 2015, o deputado federal André Vargas (ex-PT-PR)
teve o seu mandato cassado pela Câmara dos Deputados, por suposto
envolvimento com o doleiro Alberto Youssef. Em setembro de 2015, foi o
primeiro político condenado na Lava Jato, a uma pena de 14 anos e 4 meses
de prisão e multa por corrupção e lavagem de dinheiro.
Outro político condenado, em novembro de 2015, foi o ex-deputado
federal Luiz Argôlo pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
De acordo com a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), as
investigações da Lava Jato podem ser divididas em três etapas. A primeira delas
apurou crimes financeiros praticados por organizações criminosas lideradas por
doleiros. Na sequência, o foco esteve em atos de corrupção e lavagem de
dinheiro praticados no âmbito da Petrobras. As propinas pagas no esquema
somam, pelo menos, R$ 6,2 bilhões. Já na fase atual, o foco das investigações

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está em outros órgãos públicos federais, como o Ministério do Planejamento,


Eletronuclear e Caixa Econômica Federal.
Um dos mecanismos que, segundo o MPF, contribuiu para o avanço das
investigações da Lava Jato são os acordos de delação premiada, previstos na
Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013). Por este estatuto, os delatores,
contam o que sabem sobre os crimes, firmando com a Justiça o acordo. Em troca
das informações, podem receber benefícios diversos no processo penal, como a
redução da pena – que pode ser de um a dois terços –, o cumprimento de pena
em regime abrandado (como o semiaberto e o domiciliar) e o perdão judicial
pleno ou outros, a critério da Justiça.

Três grandes empreiteiras, envolvidas no esquema, fecharam acordo de


leniência – Setal/SOG, Camargo Côrrea e Andrade Gutierrez – com o Ministério
Público Federal (MPF). A Andrade Gutierrez, ultimo empresa a fechar um acordo,
se comprometeu a pagar indenização de R$ 1 bilhão ao Poder Público.
Os acordos de leniência são semelhantes aos acordos de delação
premiada e preveem que pessoas jurídicas que assumam atos irregulares
colaborem com investigações em troca de redução da punição. Pelas
regras do acordo de leniência, a empresa admite ter cometido ilícitos, acerta o
valor de uma indenização, implanta programas de controle interno e fornece
informações sobre as irregularidades.
Acordos de leniência com empresas envolvidas na corrupção da Petrobras
também estão sendo negociados com a Controladoria Geral da União (CGU).
Estão em negociação as empreiteiras Odebrecht, Engevix, Galvão Engenharia,
OAS, Setal, UTC e Andrade Gutierrez. A empresa holandesa SBM fechou acordo
de leniência e deve devolver R$ 1 bilhão à Petrobras.
Em abril de 2016, a CGU proibiu a empreiteira Mendes Júnior de assinar
novos contratos com a administração pública. A penalidade se estenderá por
pelo menos dois anos, durante os quais a empresa não poderá ser contratada
pelos governos federal, estadual e municipal. A punição imposta à Mendes Júnior
foi agravada porque a empreiteira não fechou um acordo de leniência com a
CGU.
A Lava Jato é a origem de várias outras operações de combate à corrupção.
São as operações Custo Brasil, Saqueador, Tabela Periódica e Boca Livre.
Para a banca não confundir você, vejamos o que investigam essas operações:
A Operação Custo Brasil apura ilícitos no serviço de gestão de crédito
consignado de funcionários públicos federais. A gestão do serviço era feita pela
empresa Consist, que para isso cobrava um valor mensal de cada servidor no
desconto do empréstimo no contracheque. O custo do serviço era de R$ 0,30
por servidor, mas a Consist cobrava R$ 1,00. Setenta centavos era propina para
o PT, operadores do esquema, servidores, secretários e um ex-ministro do
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Planejamento. De 2009 a 2015, o valor desviado pelo esquema foi de R$ 100


milhões.
A Operação Saqueador investiga um esquema de corrupção e lavagem
de dinheiro em obras públicas, que envolve a empresa Delta Engenharia.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), entre 2007 e 2012, a Delta recebeu
R$ 11 bilhões por meio de contratos públicos, o que representa quase 100% do
faturamento da empresa. A maioria dos recursos veio de contratos com o
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Do total recebido
pela Delta, R$ 370 milhões foram desviados e lavados via pagamentos a 18
empresas de fachada. O dinheiro serviu para o pagamento de propina a agentes
públicos. Entre os envolvidos está um personagem já conhecido de outros
escândalos, o empresário goiano Carlinhos Cachoeira, pivô do caso que levou à
cassação em 2012 do (vírgula) então (vírgula) senador Demóstenes Torres (ex-
DEM-GO), acusado de agir no Legislativo para favorecer os negócios dele em
jogos de azar.
A Operação Tabela Periódica investiga fraudes nas obras da ferrovia
Norte-Sul e ligação Leste-Oeste. Em acordo de leniência, a empreiteira Camargo
Corrêa denunciou a existência de cartel, fraudes em licitações, lavagem de
dinheiro e corrupção em contratos com a Valec (empresa do Governo Federal
responsável pelas ferrovias). Perícias preliminares da Polícia Federal indicam que
foram desviados R$ 631 milhões, só considerando o trecho da Norte-Sul em
Goiás, ou seja, sem contar as obras realizadas em outros Estados.
A Operação Boca Livre investiga desvios de recursos que tiveram
captação autorizada pela Lei Rouanet, dispositivo pelo qual a União incentiva
projetos culturais. Conforme a Polícia Federal, além de casos de
superfaturamento ou não execução das propostas, empresas pediam para captar
dinheiro para iniciativas públicas, mas usavam os valores para eventos
particulares - entre eles eventos corporativos e até um casamento.

Preste atenção em cada nova fase da Operação Lava Jato, pois poderão
ser cobradas na prova.

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O que é delação premiada


Assunto bastante discutido atualmente no Brasil, em especial após os
desdobramentos da Operação Lava Jato, a delação ou colaboração premiada é
prevista desde 1990, quando a possibilidade de reduzir a pena de um delator
passou a fazer parte da Lei de Crimes Hediondos (Lei 8.072, de 1990). Trata-se
de um recurso de investigação em que um acusado dá detalhes que possam
revelar um esquema criminoso ou prender outros integrantes de uma quadrilha.
A essência da delação premiada é a incriminação de terceiros a partir de
depoimentos dados por alguém que teve participação e que pode ser um
suspeito, um investigado, um indiciado ou réu. Em troca das informações ele
pode receber benefícios diversos no processo penal, como a redução de sua pena
– que pode ser de um a dois terços –, o cumprimento de pena em regime
abrandado (como o semiaberto e o domiciliar), o perdão judicial pleno ou outros,
a critério da Justiça.
Mas o recurso só pode ser aplicado em casos específicos de crimes, como
os hediondos, de tortura, de tráfico de drogas e de terrorismo, contra o Sistema
Financeiro Nacional, contra a ordem tributária e os praticados por organização
criminosa. No caso das empresas jurídicas, a delação foi incluída na Lei
Anticorrupção (Lei 12.846), sancionada por Dilma Rousseff, seguindo tendência
de adoção desse mecanismo nos Estados Unidos e países europeus. Na lei
brasileira, a delação premiada é chamada “acordo de leniência”.
Quando o acusado vai a julgamento, o juiz avalia se a sua delação de fato
colaborou com as investigações. Se ele considera que sim, o réu ganha o
benefício acertado, se julgar que o réu mentiu, ele perde o benefício. A proposta
de delação premiada parte do Ministério Público, da Polícia Federal ou dos
advogados de defesa. Quando aceita, ela é conduzida em sigilo judicial. Esse
sigilo pode ou não terminar ao final das investigações e do processo, a critério
da Justiça.

Lula
O ex-presidente Lula tornou-se réu na Operação Lava Jato. O juiz Sérgio
Moro responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância,
aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-
presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras sete pessoas.
Ele acolheu na íntegra a denúncia do Ministério Público Federal (MPF),
segundo a qual o ex-presidente cometeu crimes de lavagem de dinheiro e
corrupção passiva.

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Ao denunciar o ex-presidente, os procuradores do MPF, da força-tarefa da


Operação Lava Jato, citaram três contratos da OAS com a Petrobras e disseram
que R$ 3,7 milhões foram pagos a Lula como propina. Além disso, afirmaram
que a propina se deu por meio da reserva e reforma de um apartamento tríplex
em Guarujá, no litoral de São Paulo, e do custeio do armazenamento de seus
bens.
De acordo com a Polícia Federal (PF), a OAS pagou por cinco anos (entre
2011 e 2016) R$ 21,5 mil mensais para que bens do ex-presidente ficassem
guardados em depósito da empresa Granero. Os pagamentos totalizam R$ 1,3
milhão.
Esta é a segunda ação penal contra Lula na Lava Jato. Em julho de 2016,
o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, aceitou denúncia
apresentada pelo MPF contra o ex-presidente e o ex-senador Delcídio do Amaral,
entre outros. Eles são acusados de tentar obstruir a Justiça comprando o silêncio
do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, um dos delatores do esquema de
corrupção que atuava na estatal.
A aceitação das denúncias não significa que Lula é culpado. A partir da
aceitação, o processo vai tramitar na Justiça. Lula e os demais envolvidos terão
direito a defesa para buscarem provar que não cometeram ilícitos penais.

Prisão e cassação do mandato do Senador Delcídio do Amaral


O então senador Delcídio do Amaral foi preso por decisão do STF, acusado
de obstruir as investigações da Operação Laja Jato. O STF acatou o pedido
encaminhado pela Procuradoria Geral da República. Posteriormente, o Tribunal
revogou a prisão.
É a primeira vez desde a redemocratização, em 1985, que um senador foi
preso no exercício do seu mandato. Relator da Operação Lava Jato no STF, o
ministro Teori Zavascki afirmou que o então senador ofereceu dinheiro para a
família de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, preso, para que não fechasse
acordo de delação premiada.
O esquema, que também envolveria a fuga de Cerveró para a Espanha,
via Paraguai, foi revelado a partir de uma gravação feita às escondidas por
Bernardo, filho do ex-diretor. A gravação revela diálogos com a participação de
Delcídio e do advogado Edson Ribeiro, que também teve a prisão decretada.
Em maio de 2016, Delcídio do Amaral teve o seu mandato de senador
cassado pelo Senado Federal, por quebra de decoro parlamentar. Delcídio do
Amaral assinou acordo de delação premiada no âmbito da Lava Jato.

Eduardo Cunha
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O presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Eduardo Cunha foi


denunciado pela PGR ao STF, por suspeita de ter recebido US$ 5 milhões em
propina do esquema investigado pela operação Lava Jato. Cunha teve seu nome
ligado a contas secretas na Suíça.
Em março de 2016, o STF decidiu pela abertura de processo criminal
contra Eduardo Cunha pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Com a decisão, Cunha passou a ser o primeiro parlamentar no exercício do
mandato a se tornar réu a partir das investigações da Operação Lava Jato.
Em abril de 2016, Cunha teve o seu mandato suspenso por tempo
indeterminado, por decisão do STF. Com a suspensão, o deputado foi afastado
da presidência da Câmara dos Deputados. Não perdeu o mandato. O STF
apontou que Cunha usava o cargo de presidente da Câmara para prejudicar as
investigações da Lava Jato e o andamento do processo de cassação que
respondia no Conselho de Ética da Câmara.
Já na Câmara dos Deputados, Cunha foi acusado de mentir à CPI
(Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, sobre a existência das
contas. Em março de 2015, em depoimento voluntário à CPI, Cunha declarou
não ter qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está
declarada no seu Imposto de Renda.
O Ministério Público da Suíça informou à Procuradoria brasileira que Cunha
foi investigado naquele país por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção, e
que os valores depositados nas contas foram bloqueados.
Sob a acusação de ter mentido a CPI da Petrobras, deputados do PSOL e
da Rede entraram, em outubro de 2015, com representação contra o presidente
da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética da Câmara dos
Deputados, na qual pediam a cassação do mandato do peemedebista por quebra
de decoro parlamentar.
Em junho de 2016, o Conselho de Ética aprovou o parecer do Deputado
relator Marcos Rogério, pela cassação do seu mandato. Segundo o relatório de
Marcos Rogério, trustes e offshores foram usados pelo presidente afastado da
Câmara para ocultar patrimônio mantido fora do país e receber propina de
contratos da Petrobras. O deputado diz no parecer que Cunha constituiu os
trustes no exterior para viabilizar a "prática de crimes".
Em julho, o Deputado Eduardo Cunha renunciou à presidência da Câmara
dos Deputados. Com a sua renúncia, no dia 14 de julho, o Deputado Federal
Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito o novo presidente da Câmara dos
Deputados.
Por fim, em setembro de 2016, o plenário da Câmara dos Deputados,
cassou por 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções, o mandato do ex-
presidente da Casa deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
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3. Operação Zelotes
No mar de corrupção que tem vindo à tona no Brasil, a Polícia Federal, o
Ministério Público Federal (Procuradoria Geral da República) e o Poder Judiciário
têm executado várias outras operações, entre elas, a Operação Zelotes e a
Operação Vidas Secas – Sinhá Vitória.
A Operação Zelotes investiga um dos maiores esquemas de
sonegação fiscal já descobertos no país. Suspeita-se que quadrilhas atuavam
junto ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão ligado ao
Ministério da Fazenda, revertendo ou anulando multas. A operação também foca
lobbies envolvendo grandes empresas do país.
O CARF é um tribunal administrativo formado por representantes da
Fazenda e dos contribuintes (empresas) que julga hoje processos que
correspondem a R$ 580 bilhões. Em geral, é julgada pelo órgão (Carf) uma
empresa autuada por escolher determinada estratégia tributária que, segundo a
fiscalização, estava em desacordo com a lei. A Polícia já confirmou prejuízo de
R$ 6 bilhões aos cofres públicos.
O nome Zelotes vem do adjetivo zelote, referente àquele que finge ter
zelo. Ele faz alusão ao contraste entre a função dos conselheiros do Carf de
resguardar os cofres públicos e os possíveis desvios que efetuaram.
A Operação Zelotes aponta que as quadrilhas, formadas por conselheiros,
ex-conselheiros e servidores públicos, usavam o acesso privilegiado a
informações para identificar "clientes", contatados por meio de "captadores" que
poderiam ser empresas de lobby, consultorias ou escritórios de advocacia.
Segundo a Polícia Federal, as empresas pagavam propina de até 10% para
que os grupos "manipulassem" vereditos do Carf em processos de casos que
envolvem dívidas tributárias de R$ 1 bilhão a R$ 3 bilhões, anulando ou
atenuando cobranças da Receita.

4. Operação Vidas Secas – Sinhá Vitória


Em dezembro de 2015, a Polícia Federal deflagrou a Operação Vidas
Secas - Sinhá Vitória para prender suspeitos de participar de um esquema de
superfaturamento das obras para a transposição do Rio São Francisco.
Segundo as investigações, empresários do consórcio OAS/Galvão/Barbosa
Melo/Coesa usaram empresas de fachada para desviar cerca de R$ 200 milhões
das verbas públicas destinadas às obras de transposição, no trecho que vai do
agreste de Pernambuco à Paraíba. Os contratos investigados até o momento são
de R$ 680 milhões.

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Ainda de acordo com a PF, algumas empresas ligadas à organização


estariam em nome do doleiro Alberto Youssef e do lobista Adir Assad,
investigados na Operação Lava Jato.
Orçado em R$ 8,2 bilhões, o projeto, de iniciativa federal, tem o objetivo
de garantir o abastecimento de água para 390 municípios dos estados de
Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, beneficiando
aproximadamente 12 milhões de pessoas. A obra começou em 2006, quando
tinha orçamento de R$ 4,5 bilhões. Devido aos atrasos, teve o custo
praticamente dobrado.

5. Operação Greenfield
A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Superintendência Nacional
de Previdência Complementar (Previc) e a Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) deflagraram Operação Greenfield, que investiga fraudes bilionárias contra
quatro dos maiores fundos de pensão de funcionários de empresas estatais:
Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correio).
A força-tarefa da operação analisou dez casos e verificou irregularidades
e ou ilegalidades em pelo menos oito deles, envolvendo Fundos de
Investimentos em Participações (FIPs), os instrumentos usados pelos fundos de
pensão para adquirir participação acionária em empresas.
De acordo com os investigadores, as aquisições de cotas do FIP eram
precedidas de avaliações econômico-financeiras irreais e tecnicamente
irregulares, com o objetivo de superestimar o valor dos ativos da empresa,
aumentando, de forma artificial, a quantia total que o fundo de pensão deveria
pagar para adquirir a participação acionária indireta na empresa.
O resultado é que os fundos pagavam pelas cotas mais do que elas de fato
valiam, sofrendo um prejuízo "de partida", independente do sucesso que a
empresa viesse a ter no futuro.
O possível prejuízo causado pelo esquema é de R$ 8 bilhões. Como
tentativa de reaver esse valor, a justiça determinou o bloqueio de bens e ativos
de 103 pessoas físicas e jurídicas. Também foram apreendidos dinheiro em
espécie, obras de arte, joias e veículos de luxo.

6. Operação Acrônimo
A Operação Acrônimo investiga um suposto esquema de financiamento
ilegal de campanhas eleitorais, por meio da lavagem de dinheiro.
A Operação Acrônimo investiga um esquema de lavagem de dinheiro em
campanhas eleitorais envolvendo gráficas e agências de comunicação. O

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governador de Minas Gerais Fernando Pimentel é suspeito de ter utilizado


os serviços de uma gráfica, durante a campanha eleitoral de 2014, sem a devida
declaração dos valores, e de ter recebido "vantagens indevidas" do proprietário
da empresa.

7. Máfia da Merenda Escolar – Operação Alba Branca


A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam um esquema
de corrupção e superfaturamento no fornecimento de alimentos para merenda
escolar, envolvendo o governo de São Paulo e pelo menos 22 prefeituras do
interior paulista. Segundo funcionário da cooperativa Coaf que denunciou a
fraude, a cooperativa contratava “lobistas” que atuavam junto aos governos e
prefeituras, pagando propina a agentes públicos em troca de favorecimento em
contratos. O maior deles é com a Secretaria de Estado da Educação de São
Paulo.

8. Impeachment de Dilma Rousseff


Em 2/12/2015, Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos
Deputados, acolheu o pedido de abertura de impeachment contra a então
presidente da República, Dilma Rousseff. De acordo com a legislação brasileira,
a decisão de acolher ou recusar tais pedidos cabe monocraticamente ao
presidente da Câmara dos Deputados. O pedido foi formulado pelos advogados
Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, Miguel Reale Junior e Janaína Conceição
Paschoal. O pedido de impeachment foi aceito com base em dois atos que se
encaixariam na categoria de crimes de responsabilidade:
扈 Edição de decretos orçamentários: entre julho e agosto de 2015, a
presidente assinou seis decretos autorizando o governo a abrir créditos
suplementares e, dessa forma, gastar 2,5 bilhões de reais a mais que o previsto
no orçamento federal. Os três advogados sustentam que, ao aumentar os gastos
sem autorização prévia do Congresso Nacional, Dilma teria desrespeitado a Lei
de Responsabilidade Fiscal, que obriga o governante a seguir as metas previstas
no orçamento.
Essas metas são as prioridades do governo federal, definidas com as
respectivas previsões de receitas e despesas na Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO). É na LDO que se define se o país terá um superávit primário ou um déficit
primário – ou seja, se ao final do ano as contas estarão no azul ou no vermelho.
O governo até pode propor uma revisão das metas ao longo do ano, sempre
com a aprovação do Congresso, mas não pode avançar sobre elas por decreto.
郛 Adoção de pedaladas fiscais: os autores do pedido alegam que Dilma
recorreu em 2014 e 2015 a manobras contábeis, as chamadas pedaladas fiscais,

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para ajustar, no papel, as contas do governo, simulando um saldo positivo


inexistente ou maior do que o real. As pedaladas consistiram no atraso de
repasses de recursos do Tesouro Nacional (o caixa do governo) para a Caixa
Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil, responsáveis pelos pagamentos
de programas e benefícios sociais, como Bolsa Família, aposentadorias e seguro-
desemprego. Dessa forma, esses benefícios foram pagos com recursos dos
próprios bancos, que só depois receberam os repasses do governo.
O Tribunal de Contas da União (TCU) considerou essas medidas como
empréstimos indevidos dos bancos estatais ao Tesouro, o que é ilegal, e
recomendou ao Congresso Nacional rejeitar as contas do governo de 2014. Ao
praticar as pedaladas, Dilma teria ferido não apenas o artigo 36 da Lei de
Responsabilidade Fiscal (que proíbe operação de crédito entre bancos públicos e
o Tesouro Nacional), mas, também, a Lei 1.079/50.
Segundo essa lei, é crime de responsabilidade do presidente “ordenar ou
autorizar a abertura de crédito em desacordo com os limites estabelecidos pelo
Senado Federal, sem fundamento na lei orçamentária”. Uma vez que o TCU
considerou que as pedaladas foram uma operação de crédito dos bancos públicos
em favor do governo, essa operação teria que ser aprovada pelo Senado. Como
isso não aconteceu, a presidente teria violado a lei e cometido crime de
responsabilidade. O pedido de afastamento de Dilma acolhido por Cunha deixou
de fora uma terceira acusação, envolvendo o suposto envolvimento da
presidente na corrupção da Petrobras – segundo os autores do pedido, de ela
ter sido conivente com a roubalheira na estatal. Cunha também descartou as
pedaladas fiscais cometidas em 2014, durante o primeiro mandato de Dilma, já
que o processo de impeachment só pode levar em conta fatos relativos ao
mandato em curso.
No dia 17/04/2016, por 367 votos a favor e 137 contra, a Câmara dos
Deputados autorizou a abertura do procedimento contra Dilma. O processo foi
enviado para análise do Senado. O relator do processo na Câmara foi o Deputado
Jovair Arantes (PTB-GO).
No Senado, formou-se nova Comissão Especial para elaborar e votar o
parecer sobre a denúncia. O relatório do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG),
favorável ao prosseguimento do processo, foi aprovado por 15 votos a cinco. Na
manhã do dia 12 de maio, o plenário do Senado decidiu pela abertura do
processo, levando ao afastamento temporário da presidente.
O afastamento definitivo ocorreu no dia 31/08/2016. Com 61 votos
favoráveis e 20 contrários, o plenário do Senado decidiu pelo impeachment,
ficando Dilma Rousseff destituída do cargo de presidente da República. No
mesmo dia, o vice-presidente Michel Temer foi efetivado como novo presidente
da República pelo Congresso Nacional.

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É a segunda vez, desde a redemocratização, que o Senado julga um


presidente da República eleito pelo voto direto. Em 1992, Fernando Collor
renunciou antes do início do julgamento, mas foi cassado.

Crime de responsabilidade são infrações cometidas por agentes


políticos no desempenho de sua função que atentem contra a
Constituição, a probidade da administração, a lei orçamentária, entre
outros, que estão previstos em lei.

9. Governo de Michel Temer


Com o pedido de impeachment aprovado no Senado, Michel Temer
assumiu como presidente interino em 12 de maio. Uma das primeiras medidas
de Temer foi a redução do número de ministérios de 32 para 23. O novo governo
foi bastante criticado por ter na equipe de ministros, somente homens brancos,
não contemplando a diversidade de gênero (mulher) e racial.
Em setembro de 2016, já como presidente em exercício, o governo Temer
passou a ter a primeira mulher em um cargo de primeiro escalão. A advogada
Grace Mendonça, assumiu o comando da Advocacia-Geral da União (AGU).
Grace Mendonça faz parte do quadro de servidores da AGU desde 2001. A
nova chefe da instituição atuava como secretária-geral de contencioso desde
2003. O cargo é responsável por representar a União junto ao Supremo Tribunal
Federal (STF).
Outra polêmica do Governo Temer, ainda como interino, foi a extinção do
Ministério da Cultura, incorporado ao Ministério da Educação, que passou a se
chamar Ministério da Educação e Cultura. A classe artística reagiu duramente ao
fim da pasta. Prédios do extinto Ministério da Cultura foram ocupados em
diversas cidades do país. Diante da reação, poucas semanas depois, o Governo
Federal recriou o ministério.
No primeiro mês do governo interino, três ministros caíram em função de
denúncias relacionadas a Operação Lava Jato: Senador Romero Jucá, do
Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; Fabiano Augusto Martins Silveira do
novo Ministério da Fiscalização, Transparência e Controle (ex-CGU) e Henrique
Eduardo Alves, do Ministério do Turismo.

10. Michel Temer na ONU

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Tradicionalmente, o presidente do Brasil é o primeiro a discursar na


Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 20 de setembro,
no seu primeiro discurso na Assembleia, Michel Temer falou sobre o
impeachment, a crise de refugiados, a guerra na Síria e o protecionismo
comercial agrícola.
Temer afirmou que o processo de impeachment que culminou no
afastamento de Dilma Rousseff da Presidência "transcorreu dentro do mais
absoluto respeito à ordem constitucional".
De acordo com o presidente brasileiro, a migração de povos que fogem de
guerras e da miséria tem fomentado o ”retorno da xenofobia". Ele chamou a
atenção para o crescimento no cenário internacional de "nacionalismos
exacerbados".
Temer disse ainda que o atual sistema internacional experimenta um
"déficit de ordem" e afirmou que o mundo apresenta "marcas de incerteza e de
instabilidade”. “A vulnerabilidade social de muitos, em muitos países, é
explorada pelo discurso do medo e do entrincheiramento. Há um retorno da
xenofobia. Os nacionalismos exacerbados ganham espaço. Em todos os
continentes, diferentes manifestações de demagogia trazem sérios riscos",
declarou.
Também defendeu o fim do protecionismo na área agrícola e criticou
medidas fitossanitárias que, segundo ele, são usadas para "fins protecionistas".
Temer voltou a defender o antigo pleito do Brasil de que seja feita uma reforma
no Conselho de Segurança da ONU.
Como forma de protesto, Bolívia, Cuba, Venezuela, Equador, Nicarágua e
Costa Rica deixaram o plenário da Assembleia e não ouviram o discurso do
presidente brasileiro.

11. STF admite prisão logo após condenação em 2ª instância


Em julgamento, o STF admitiu que um réu condenado na segunda
instância da Justiça comece a cumprir pena de prisão, ainda que esteja
recorrendo aos tribunais superiores. Assim, bastará a sentença
condenatória de um tribunal de Justiça estadual (TJ) ou de um tribunal
regional federal (TRF) para a execução da pena. Até então, réus podiam
recorrer em liberdade ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao próprio.
A decisão, mudou o entendimento anterior do STF, no qual o condenado
poderia continuar livre até que se esgotassem todos os recursos no Judiciário.
O STF entendia que a prisão só era definitiva após o chamado "trânsito em
julgado" do processo, por respeito ao princípio da presunção de inocência.

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Dois conhecidos políticos brasilienses, condenados em segunda instância,


que recorreram a tribunais superiores, foram afetados pela decisão, sendo
presos. São eles, o ex-senador Luiz Estevão e o ex-deputado distrital Benedito
Domingos.
O ex-senador foi condenado pelo Tribunal Regional Federal, em 2006, pelo
desvio de dinheiro das obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Nos
últimos anos, a defesa do empresário apresentou vários recursos ao Superior
Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, conseguindo adiar o início do
cumprimento da pena de 31 anos de prisão em regime fechado.
Benedito Domingos foi condenado a nove anos e oito meses de prisão,
pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, pelos crimes de fraude em licitação
e corrupção passiva.

12. Reforma Política


O tema da reforma política não é novo, é um debate de mais de 15 anos.
Como uma das respostas às manifestações populares de junho de 2013, a
presidenta Dilma Rousseff chegou a propor a convocação de uma Assembleia
Constituinte, para promover a reforma política no Brasil. A ideia não prosperou,
logo se transformando em uma proposta de realização de plebiscito sobre o
tema, enviada ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo.
A Câmara dos Deputados descartou a realização do plebiscito – consulta
antecipada à população sobre propostas abertas, para orientarem a elaboração
da reforma política, propondo no seu lugar a realização de um referendo –
consulta popular posterior à aprovação da legislação, cujas opções se resumem
a votar pela aprovação ou rejeição.
Uma das reformas que o Brasil necessita, para dar maior transparência, à
política e diminuir a corrupção, começou a ser votada na Câmara dos Deputados
em maio de 2015. Porém, o que foi aprovado até o momento está aquém das
propostas que vinham sendo debatidas, configurando-se em uma tímida reforma
política.
Entre as propostas aprovadas pelo Congresso Nacional e SANCIONADAS
pela Presidente da República está a da fidelidade partidária e mudança de
partido. A nova regra estabelece a perda do mandato daquele que se
desligar do partido pelo qual foi eleito. A exceção será para os casos de “grave
discriminação política pessoal, mudança substancial ou desvio reiterado do
programa praticado pela legenda”. Também não perderá o mandato no caso de
criação, fusão ou incorporação do partido político, nos termos definidos em lei.
Fica permitida somente a mudança de partido que ocorrer dentro dos 30 dias
que antecedem o prazo final - de seis meses - estabelecido para a filiação com

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possibilidade de disputa na eleição, majoritária ou proporcional. O período deve


se referir aos meses finais do mandato.
A presidente vetou a emissão de recibo em papel nas urnas, que
estabelecia que as urnas eletrônicas passassem a emitir um "recibo" para que
os votos nas eleições pudessem ser conferidos pelos eleitores. Porém, o
Congresso Nacional derrubou o veto.
Outro VETO foi sobre a permissão de doações de empresas a partidos
políticos. Com o veto, pessoas jurídicas não podem fazer doações e
contribuições para as campanhas eleitorais. As pessoas físicas podem doar aos
partidos e candidatos. Anterior ao veto, o STF julgou ser inconstitucional as
normas que permitem a empresas doar para campanhas eleitorais.
Pessoal, a presidente Dilma vetou artigo de uma lei, cujo veto terá que ser
apreciado pelo Congresso Nacional. Há também, em tramitação no Congresso
Nacional, uma PEC que inclui na Constituição Federal, a previsão de que pessoas
jurídicas possam fazer doações para campanhas eleitorais. A PEC foi aprovada
na Câmara, faltando ser apreciada pelo Senado Federal.

13. Lei Antiterrorismo


A Câmara dos Deputados aprovou, em fevereiro, projeto de lei que tipifica
o crime de terrorismo no Brasil, com pena que vai de 12 a 30 anos de prisão. O
texto foi para sanção da Presidente da República.
No projeto aprovado, o terrorismo é tipificado como a prática por uma ou
mais pessoas de atos de sabotagem, de violência ou potencialmente violentos
"por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e
religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou
generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a
incolumidade pública".
Câmara e Senado divergiram sobre o tema. Prevaleceu a posição dos
deputados, que excluíram o "extremismo político" como caracterização do
terrorismo, em meio às discussões sobre se a lei representaria uma ameaça às
manifestações políticas de rua.
A Câmara retomou um artigo, que havia sido excluído pelos senadores,
deixando clara a exclusão dos movimentos sociais e políticos do escopo da nova
lei:
"O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de
pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos,
de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos sociais ou
reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo

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de defender direitos, garantias e liberdades constitucionais, sem prejuízo da


tipificação penal contida em lei.”
O texto aprovado estabelece pena de 5 a 8 anos de prisão por auxílio a
organização terrorista, e de até dez anos para apologia ao terrorismo, entre
outras punições.

14. Lei das Estatais


A Lei das Estatais, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo
presidente interino Michel Temer estabelece, entre outros pontos, critérios para
a nomeação dos dirigentes e gestão dessas empresas. Vejamos os principais
pontos:

Membros independentes de conselhos - 25% dos membros dos


conselhos de administração devem ser independentes, ou seja, não podem ter
vínculo com a estatal, nem serem parentes de detentores de cargos de chefia
no Executivo, como presidente da República, ministros ou secretários de estados
e municípios.
Além disso, os membros independentes não podem ter sido empregados
da empresa – em um prazo de três anos antes da nomeação para o conselho –
nem serem fornecedores ou prestadores de serviço da estatal.

Experiência para integrar conselhos - a proposta também estabelece


requisitos mínimos para a nomeação dos demais integrantes dos conselhos de
administração. Entre as exigências, o membro deverá ter pelo menos quatro
anos de experiência na área de atuação da empresa estatal, ter experiência
mínima de três anos em cargos de chefia e ter formação acadêmica compatível
com o cargo.

Vínculo com partidos e sindicatos – Pessoas que foram integrantes de


estruturas decisórias de partidos políticos, como coordenadores de campanhas,
não podem ser membros de Conselho de Administração, nos últimos três anos
antes da nomeação para o conselho. Também não podem ser diretores de
empresas estatais.
Um candidato político nas últimas eleições também deverá cumprir
carência de três anos antes de poder assumir vaga na diretoria de empresas
estatais. Servidores não-concursados com cargos comissionados da
administração pública também não poderão fazer parte do conselho de
administração da estatal. Caso o comissionado queira fazer parte do conselho

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de administração, precisará ser exonerado do cargo que ocupa antes de integrar


o conselho.
Transparência das contas estatais - as empresas deverão elaborar
uma série de relatórios – de execução do orçamento, riscos, execução de
projetos, etc – e disponibilizá-los à consulta pública.

Ações em circulação no mercado - Num prazo máximo de dez anos,


toda empresa estatal de economia mista deverá manter pelo menos 25% de
suas ações em circulação no mercado.

15. Carmem Lúcia é a nova presidente do STF

A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha é a nova presidente do Supremo


Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do país. Durante o mandato de 2 anos,
ela também chefiará o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle do
Judiciário. O vice do STF será o ministro Dias Toffoli.

Há 10 anos no STF, Cármen Lúcia será a segunda mulher a ocupar o cargo.


Quando foi nomeada, em 2006, por indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, a presidente da Corte era a ministra aposentada Ellen Gracie.

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1. A nova dinâmica demográfica brasileira


O Brasil tem a quinta maior população do mundo, mas seu ritmo de
crescimento vem se desacelerando fortemente nas últimas quatro
décadas. Com data de referência em 1º de agosto de 2010, o censo contou
uma população de 190.755.799 pessoas. Em relação ao último censo, de 2000,
a população brasileira cresceu 12,3%, o que corresponde a uma expansão de
1,17% ao ano, a menor taxa já observada pelas contagens do IBGE.

1.1 Tendências recentes da fecundidade


A principal razão para a desaceleração do crescimento da população é o
declínio da taxa de fecundidade (ou fertilidade/natalidade), ou seja, o
número médio de filhos tidos por mulher em idade fértil. A demografia considera
que a taxa de fertilidade necessária para apenas manter estabilizada uma
população é de 2,1 filhos. Isso porque cada par de adultos estaria gerando seus
dois sucessores, e a parcela residual está ligada a fatores como a mortalidade
infantil, adultos que não têm filhos, entre outros motivos.
A taxa de fecundidade total para o Brasil passou de 2,14 filhos por mulher,
em 2004, para 1,74 filho por mulher em 2014. Para se ter uma ideia da
amplitude do declínio da taxa, na década de 1960, a média de fertilidade era de
6,3 filhos por brasileira.
O padrão de fecundidade também se modificou entre os censos de
2000 e 2010. Os levantamentos anteriores registravam maior concentração da
fecundidade entre as mulheres mais jovens, o que motivou uma preocupação
geral com a questão da gravidez na adolescência. Os números do último censo
revelam que, em média, as mulheres estão tendo filhos mais velhas em
relação a uma década atrás.
O fato de a taxa de fecundidade atual ser inferior à necessária para a
reposição da população não implica na estagnação do crescimento, porque
existe larga faixa da população em plena idade reprodutiva.

1.2 Tendências recentes da mortalidade e expectativa de vida


A evolução da taxa de mortalidade está relacionada com o perfil etário da
população, fatores biológicos, melhorias médico-sanitárias, desenvolvimento
socioeconômico, entre outros fatores. A expectativa ou esperança de vida ao
nascer é determinada pelos fatores mencionados acima, e expressa o número
médio de anos de vida que se espera que um recém-nascido viva, ao manter o
padrão de mortalidade observado no período.
A expectativa de vida do brasileiro vem crescendo nos últimos
anos, o que reflete a melhoria geral das condições de vida e saúde no
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país. Em 2004, a expectativa de vida ao nascer para o brasileiro era de 71,6


anos de vida, passando a 75,1 anos em 2014.
Muitos fatores contribuem para o aumento da longevidade dos brasileiros,
como maior acesso à água potável e à rede de esgoto, ampliação da renda e da
alimentação (melhor nutrição), maior acesso a serviços de saúde, campanhas
de vacinação e de prevenção de doenças, além dos avanços da medicina e do
aumento da escolaridade e do acesso à informação.

1.3 A transição demográfica


Caso seja mantida a atual configuração demográfica do país, com a
redução gradual da taxa de fecundidade e aumento da expectativa de vida, a
população brasileira continuará crescendo lentamente até 2042 – 228 milhões
de habitantes - quando entrará em declínio gradual e estará em torno de 218
milhões em 2060. Esta previsão consta do estudo Projeção da População do
Brasil por Sexo e Idade para o Período 2000/2060, IBGE (2013).

A teoria da transição demográfica explica a redução nas taxas de


crescimento populacional, fenômeno que não ocorre só no Brasil, mas no mundo
inteiro. Transição demográfica é o processo pelo qual as sociedades passam do
estágio de altas taxas de natalidade para o de baixas taxas de natalidade e de
mortalidade.

1.4 Mudanças nos perfis da estrutura etária e impactos sobre as


políticas públicas

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Se compararmos a distribuição da população por faixa de idade nas últimas


décadas, é possível constatar um progressivo envelhecimento da população
do país. Como mostra o gráfico a seguir, a pirâmide etária brasileira vem
apresentando uma base menor a cada década, ou seja, menor proporção de
crianças, e um topo cada vez mais ampliado, representando a maior participação
de idosos na população.
A representatividade de todos os grupos etários com idade até 25 anos
caiu na última década, enquanto os demais grupos etários tiveram sua presença
aumentada. A participação relativa da população com 65 anos ou mais subiu de
4,8% em 1991 para 5,9% em 2000 e, finalmente, para 7,4% em 2010. O
principal motivo para isso é o aumento da longevidade do brasileiro (expectativa
de vida).

Fonte: IBGE

Base menor – Note como a base da pirâmide, na qual se mostram as porcentagens de jovens,
está se estreitando, enquanto a metade superior da figura se alarga aos poucos: há mais idosos
entre os brasileiros.

A queda da taxa de fertilidade, juntamente com o aumento da expectativa


de vida, aponta para importantes modificações na estrutura etária da população
brasileira, com implicações econômicas e também nos gastos públicos com
educação, saúde e previdência social. Nas próximas décadas, o Brasil enfrentará
os dilemas de diversos países desenvolvidos, nos quais uma proporção
declinante de adultos em idade produtiva financia, com suas contribuições,
sistemas previdenciários públicos que devem atender a uma proporção

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crescente de aposentados. Por outro lado, a expansão da proporção de idosos –


e do seu número absoluto – oferece novas possibilidades para as empresas, em
setores como serviços de saúde, lazer e turismo.
O envelhecimento populacional e o encolhimento da força de trabalho –
com consequente pressão sobre serviços de saúde e previdência – são questões
que já preocupam países da Europa. A razão de dependência mede a
porcentagem das pessoas consideradas dependentes (crianças entre 0 e 14 anos
e pessoas com mais de 64 anos) sobre a parcela potencialmente produtiva
(população entre 15 e 64 anos). Quanto mais alta, maior é o peso do número
de crianças, jovens e idosos em relação à população economicamente ativa.
Uma grande parte dos países em desenvolvimento ainda pode desfrutar
do bônus demográfico, caracterizado pela maior proporção de pessoas em
idade ativa em relação à parcela considerada dependente, na medida em que
ainda vê crescer a parcela de sua população integrante da força de trabalho. O
Brasil está nesse período, do bônus demográfico, que deve durar até 2050. A
partir daí, a razão de dependência entre pessoas economicamente ativas e de
crianças e idosos voltará a crescer gradativamente.

2. Migrações

É cada vez maior o número de estrangeiros que residem em território


nacional. Contribuem para isso as últimas ações da diplomacia brasileira, de
acolher migrantes vítimas de catástrofes naturais ou que fogem de guerras. O
Brasil, apontado como uma economia emergente, atrai um número cada vez
maior de migrantes internacionais. É a lógica do país de futuro, em que o
migrante encontra uma chance de começar vida nova e promissora. O maior
número é de migrantes vindos do Haiti, seguido da Bolívia. Além dos latino-
americanos, desses e de outros países, aumentou também o número de asiáticos
e africanos, principalmente de países como Síria, Senegal, Nigéria e Gana. Os
sírios chegam ao Brasil com o status de refugiados, fugindo da guerra civil do
seu país.

3. IDH
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) surgiu em 1990, no
Primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD/ONU. O IDH reúne três
dos requisitos mais importantes para a expansão das liberdades das pessoas: a
oportunidade de se levar uma vida longa e saudável – saúde –, ter acesso ao
conhecimento – educação – e poder desfrutar de um padrão de vida digno –
renda. O índice varia em uma escala de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, mais

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elevado é o IDH. No ranking os países são divididos em quatro categorias:


nações com índice de desenvolvimento "muito alto", "alto", "médio" e "baixo".
O último relatório do IDH dos países é de 2015, com informações do ano
de 2014. Nessa lista, o Brasil está em 75º lugar, com índice de 0,755,
mantendo a classificação de alto IDH. Em 2013, o índice era de 0,752.

(FCC/CAIXA/2013 – MÉDICO DO TRABALHO) Em 2012, de acordo com


a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ficou em 85 o lugar
quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de sua população.
Tal medida é elaborada a partir de três quesitos distintos: saúde, renda
e
a) acesso ao conhecimento.
b) consumo de bens e serviços.
c) casa própria.
d) emprego fixo.
e) tempo destinado ao lazer.
COMENTÁRIOS:
O IDH reúne três dos requisitos mais importantes para a expansão das
liberdades das pessoas: a oportunidade de se levar uma vida longa e saudável
– saúde –, ter acesso ao conhecimento – educação – e poder desfrutar de um
padrão de vida digno – renda.
Gabarito: A

4. Saúde

Dengue, Chikungunya, Zica Vírus, Microcefalia e Guillain-Barré


A dengue é uma velha conhecida dos brasileiros. Em 2015, o Brasil bateu
o recorde histórico no número de notificações da doença. Foram 1,6 milhões de
casos.
A Região Sudeste foi a campeã no número de casos de dengue notificados:
64% do total do país. Um dos Estados mais afetados pela epidemia, São Paulo,
concentrou cerca de metade dos registros do país. Além do maior número de
casos, o Brasil também teve recorde no número de mortes em decorrência da
doença em 2015.

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O alto índice de contaminação desafia os serviços públicos de saúde,


principalmente em regiões de estrutura mais precária.
A dengue é uma infecção viral, transmitida pela picada do mosquito Aedes
aegypti, e mais raramente pelo Aedes albopictus. O mosquito macho não pica
seres humanos. A fêmea de ambas as espécies torna-se o vetor do vírus ao picar
uma pessoa contaminada e passa o vírus ao picar outras pessoas. Os sintomas
clássicos da doença são erupções na pele, dores musculares e de cabeça,
comprometimento das vias respiratórias superiores, febre e inchaço dos gânglios
linfáticos. Mas pode se manifestar também como febre hemorrágica, com
sangramentos gastrointestinais, na pele, nas gengivas e pelo nariz. Se não for
tratada adequadamente, a doença leva à morte em 20% dos casos.
O mosquito Aedes aegypti é originário da Ásia e da África e acredita-se
que chegou ao Brasil nas caravelas dos colonizadores. Os primeiros relatos sobre
a doença no Brasil aparecem no século XIX, mas acreditou-se que ela estava
erradicada em nosso território nos anos de 1940.
Já há uma vacina contra a dengue, a dengvaxia. Primeira vacina contra
a dengue disponível no Brasil, produzida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur,
é uma imunização recombinante tetravalente, para os quatro sorotipos
existentes da doença.
Ela poderá ser aplicada em pacientes de 9 anos a 45 anos, que deverão
tomar três doses subcutâneas com intervalo de seis meses entre elas. Fora desta
faixa etária, os estudos demonstram que sua eficácia é baixa e, portanto, não
está indicada. Está contraindicada em gestantes e em pessoas com a imunidade
comprometida.
A vacina não tem 100% de eficácia. Os testes apontaram uma redução de
81% das internações e 93% dos casos graves. Em média, 66% dos pacientes
com os quatro sorotipos ficaram imunizados - 2 em cada 3 pessoas, segundo a
Sanofi.
O Instituto Butantan, de São Paulo, também está desenvolvendo uma
vacina. Atualmente está na fase de testes clínicos, última etapa antes que a
vacina possa ser submetida à avaliação da Anvisa, agência do Governo Federal,
para registro.
Outra frente de combate ao mosquito, se dá por meio da sua modificação
genética que impede o desenvolvimento das larvas. Denominado de “mosquito
do bem” ou “Aedes do bem”, o experimento está sendo testado em Piracicaba
(SP).
Antes de chegar à fase adulta, o inseto morre e, quando liberado, o macho
de DNA alterado busca a fêmea para fecundação, mas as larvas não se
desenvolvem, diminuindo a população de mosquitos, incluindo as fêmeas, que

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são as responsáveis pela transmissão de doenças por meio das picadas em seres
humanos.
O Aedes aegypti tem sido pródigo em trazer infecções para o
brasileiro. Em 2014, o mosquito começou a espalhar outra doença, já em ritmo
de epidemia – a febre chikungunya. Essa febre é também uma doença
infecciosa, com sintomas semelhantes aos da dengue, associados a fortes dores
nas articulações. Daí vem o nome: a palavra chikungunya tem origem numa
língua falada no sudeste da Tanzânia e norte de Moçambique, na África, e
significa “aquele que se dobra” de dor. O vírus do chikungunya (CHIKV) foi
isolado pela primeira vez nos anos 1950, na Tanzânia. A doença também é
transmitida pelo Aedes albopictus.
Hoje se conhecem quatro cepas, cada uma delas batizada conforme sua
região de origem ou maior ocorrência: Sudeste Africano, Oeste Africano, Centro-
Africano e Asiática, essa última é a que circula pelo Brasil.
O Nordeste é a região do Brasil que mais sofre com o vírus, segundo o
Ministério da Saúde. O Rio Grande do Norte é o Estado que tem maior incidência
de chikungunya do país. Pernambuco é o Estado líder em mortes pela doença
no Nordeste.
Não há vacina para a chikungunya.
O mosquito Aedes é também responsável pela febre do Zika vírus.
A febre do Zika ainda é pouco conhecida e seus sintomas também lembram os
da dengue. O vírus foi detectado pela primeira vez em 1947, em macacos na
Floresta Zika, em Uganda, África.
Atualmente não há vacina ou medicamento para o zika.
Por fim, o zika vírus está ligado à microcefalia, uma condição rara em
que o bebê nasce com o crânio do tamanho menor do que o normal. Na maior
parte dos casos, a microcefalia é causada por infecções adquiridas pela mãe,
especialmente no primeiro trimestre da gravidez, que é quando o cérebro do
bebê está sendo formado.
Em 90% dos casos a microcefalia vem associada a um atraso no
desenvolvimento neurológico, psíquico e/ou motor. O tipo e o nível de gravidade
da sequela variam caso a caso, e em alguns casos a inteligência da criança não
é afetada. Déficit cognitivo, visual ou auditivo e epilepsia são alguns problemas
que podem aparecer nas crianças com microcefalia.
Cientistas e organismos de saúde têm afirmado que já é possível
comprovar a relação da microcefalia com o zika vírus. Ou seja, mulheres que
foram picadas pelo mosquito, contraíram o zika vírus e pouco tempo depois
engravidaram, deram à luz a bebês que nasceram com microcefalia.

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Por fim, cientistas e organismos de saúde tem afirmado que o zika vírus
pode ser transmitido por relações sexuais. Para alguns já há comprovação
científica; várias pesquisas estão em andamento neste sentido.

Outra doença que causa preocupação no Brasil é a síndrome de Guillain-


Barré. Especialistas veem uma “forte evidência” de que o aumento de casos da
síndrome de Guillain-Barré em algumas regiões tem relação com a chegada do
zika vírus ao Brasil. A síndrome afeta o sistema nervoso e pode provocar
fraqueza muscular e paralisia dos membros. Até o momento, porém, o
Ministério da Saúde não confirma a correlação.

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou emergência de


saúde pública internacional pela microcefalia e outras anormalidades
neurológicas relacionadas ao zika vírus.
Na América, 26 países já reportaram casos de zika vírus. A OMS acredita
que com exceção do Chile e do Canadá, o vírus zika se espalhará por todo o
continente americano. Os Estados Unidos emitiram alerta para que gestantes
não viajassem a países onde circula o zika vírus e alguns governos nacionais
aconselharam mulheres a não engravidar.
Diante da ampliação da epidemia de dengue e da gravíssima situação das
demais enfermidades causadas pelo aedes aegypti, o Governo Federal publicou
Medida Provisória (MP), autorizando os agentes de saúde a forçarem a entrada
em imóveis públicos ou particulares para destruir focos do mosquito, mesmo
quando o dono não for localizado ou o local estiver abandonado. A MP também
prevê que os agentes de saúde poderão pedir ajuda à polícia, quando for
necessário, para entrar em algum local com suspeita de ter criadouros do Aedes.

(VUNESP/SAP/2015 – AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA


PENITENCIÁRIA) Leia a seguinte notícia de 30.10.2014.
Menos de dois meses após a confirmação dos primeiros casos
autóctones (de transmissão local) da febre chicungunha (chikungunya),
ela está se espalhando rapidamente pelo país, com epidemias na Bahia
e no Amapá e casos em outros 11 Estados e no Distrito Federal.
Segundo o Ministério da Saúde, 828 pessoas foram infectadas até 25 de
outubro. Dados mais atuais dos municípios, porém, apontam que os
casos passam de mil – há um mês, não chegavam a 80. Os sintomas da
doença são febre, mal-estar, dores fortes nas articulações e manchas
vermelhas.
(Folha de S.Paulo, http://goo.gl.C24fKH. Adaptado)
Sobre a epidemia chicungunha, é correto afirmar que
(A) o vírus causador é transmitido pelo mesmo mosquito da dengue.
(B) a cura depende de antibióticos importados e de alto custo.
(C) a propagação da doença ocorre pela água contaminada.
(D) a doença pode ser combatida com a vacina contra a febre amarela.
(E) a febre é transmitida pelo contato direto entre as pessoas.
COMENTÁRIOS:
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A chikungunya pode ser transmitida pelo mesmo vetor da dengue, o


mosquito Aedes aegypti, e também pelo mosquito Aedes albopictus. A cura
não depende de remédios importados, de alto custo. O tratamento dos sintomas
pode ser feito com remédios como o paracetamol. A propagação da doença
ocorre pela água limpa e não há vacina para a chikungunya. A dengue não é
transmitida de pessoa para pessoa, a transmissão se dá pela picada do mosquito
na pessoa.
Gabarito: A

Pílula do câncer
Desde o final da década de 1980, Gilberto Orivaldo Chierice, pesquisador
do Instituto de Química da USP São Carlos, pesquisa e desenvolve uma pílula,
que teria uma ação anticancerígena, denominada de fosfoetanolamina
sintética.
Para verificar a sua eficácia e segurança, a pílula deveria ter passado por
vários testes legalmente exigidos. Após os testes, seria necessário obter o
registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A partir daí,
poderia ser utilizada como medicamento no combate ao câncer.
Segundo o pesquisador, a pílula só passou por um dos testes, o da dose
letal, que verifica a quantidade da substância capaz de matar metade de uma
população de animais de teste. Chierice diz que a substância não provocou a
morte de nenhuma cobaia e ele concluiu que seria seguro testá-la em humanos.
Depois disso, ainda segundo o pesquisador, as cápsulas começaram a ser
administradas a pacientes com câncer do Hospital Amaral Carvalho, de Jaú. O
hospital especializado em câncer, porém, afirma que não há nenhum registro
sobre a utilização da cápsula por pacientes da instituição.
Após a polêmica, a “pílula do câncer” entrou em fase de testes clínicos,
conduzidos pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).
Chierice diz que, apesar da falta de documentação sobre o efeito da
fosfoetanolamina nesses pacientes, “algumas pessoas tiveram melhora” e a
existência de uma “cápsula da USP” para tratar câncer começou a ser divulgada.
Mesmo depois de o hospital deixar de administrar o produto aos pacientes,
alguns familiares continuaram indo até o Instituto de Química da USP São Carlos
para pedir novas doses e o instituto se manteve produzindo para atender a essa
demanda e a de novos pacientes.
O Instituto estava produzindo 50 mil cápsulas por mês, mas interrompeu
a produção em 2013. Vários pacientes, porém, estão conseguindo na Justiça o
direito de receberem a substância, por isso o Instituto continua produzindo e
fornecendo o produto para atender às demandas judiciais.
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Em março de 2016, o Senado aprovou um projeto de lei que autoriza o


uso, distribuição e fabricação da fosfoetanolamina sintética. A Anvisa criticou a
aprovação, pois a substância não passou por testes que garantam sua segurança
e eficácia.
A lei foi sancionada, sem vetos, pela presidente Dilma Rousseff. O produto
poderá ser usado pelos pacientes, "por livre escolha", desde que tenham laudo
médico que comprove o diagnóstico e assinatura de termo de consentimento e
responsabilidade dos próprios pacientes ou de seus representantes legais. No
entanto, em decisão provisória, o STF suspendeu a lei.

Surto da gripe H1N1


O surto fora de época do vírus H1N1, causador da gripe H1N1, está
assustando a população e lotando os hospitais do país. Até o final do mês de
março, havia se espalhado por 11 estados, com 45 mortes. A H1N1 foi detectada
no México, em abril de 2009, e se disseminou rapidamente, causando uma
pandemia mundial chamada, na época de gripe suína ou Influenza. Só no
Brasil, naquela época, foram 50 mil casos e mais de 2 mil pessoas morreram.
Em 2016, o vírus apareceu mais cedo, em março – ele é esperado
normalmente para maio, junho e julho.
Uma das hipóteses para o agravamento no número de casos é a mudança
climática. Para o professor de imunologia da Universidade Mackenzie, Jan Carlo
Delorenzi, o verão menos intenso deste ano pode ter contribuído para o surto.
A segunda possibilidade levantada pelo imunologista é a fragilidade da
atual epidemia que cerca o Brasil. “A população já está atingida por três grandes
surtos. Isso causa uma forte vulnerabilidade epidemiológica nas pessoas”, diz
Delorenzi. “Eu diria que existe a probabilidade de uma pessoa com H1N1 já ter
sofrido anteriormente por uma infeção de dengue, zika ou chikungunya”.
Outros especialistas dizem que o atual surto pode estar relacionado
diretamente ao vírus. De acordo com eles, é possível que o sorotipo atual seja
mais violento do que o dos anos anteriores – mais próximo, talvez, ao do surto
de 2009, quando a letalidade apresentou índices bem elevados e se transformou
em uma pandemia mundial.

Sarampo está eliminado no Brasil


O sarampo é uma doença viral que afeta sobretudo crianças. Transmitida
por fluidos nasais e orais, o sarampo se espalha facilmente pelo ar, por gotículas
expelidas em tosses e espirros. A doença manifesta-se cerca de dez dias após a
contaminação, e causa febre, coriza, olhos avermelhados e manchas brancas

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dentro da boca. Pintas vermelhas aparecem alguns dias depois na pele, iniciando
na face e no pescoço, espalhando-se para o corpo.
Não há tratamento específico para o sarampo e a maior parte dos
pacientes se recupera em até três semanas. Em crianças desnutridas e pessoas
com imunidade deficiente, a doença pode matar ou causar pneumonia,
encefalite, cegueira e morte.
Em 2015, a OMS anunciou que a cobertura mundial de vacinação de
crianças contra sarampo avançou nos últimos 15 anos, mas está aquém da meta
de chegar aos 90% de cobertura. Entre as áreas onde a cobertura de vacinação
é mais deficiente estão a África subsaariana, o Sudeste asiático e Ásia Central.
O Brasil tinha tido uma redução drástica na incidência de sarampo entre
1985 até 2000 e ficou sem registrar casos autóctones até março de 2013,
quando um novo surto eclodiu em Pernambuco e no Ceará. Houve surtos
também em 2014 e 2015, principalmente nesses dois estados.
No entanto, desde julho de 2015, o Brasil não registra nenhum caso de
sarampo. Após um ano sem a doença, a circulação endêmica do vírus do
sarampo foi considerada interrompida no país, segundo a presidente do Comitê
Internacional de Avaliação e Documentação da Eliminação do Sarampo,
Merceline Dalh-Regis. Para o médico Renato Kfouri, vice-presidente da
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a erradicação do sarampo “é um
avanço e uma prova inequívoca daquilo que as imunizações são capazes de
fazer.”

5. Violência e segurança pública


O número total de mortos por causas violentas é muito alto no Brasil, e
o de homicídios (assassinatos) é o maior do mundo. Relatório publicado pela
OMS/ONU em 2014, com dados de 2012, informa que 13% por cento dos
homicídios mundiais ocorrem no Brasil. Considerando a taxa de homicídios por
100 mil habitantes, o Brasil é o 11º país mais violento do mundo.
Segundo o Atlas da Violência (Ipea/FBSP), houve pelo menos 59.627
assassinatos no Brasil em 2014, a maior taxa já registrada no país. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que, qualquer taxa acima de
dez homicídios por 100 mil habitantes ao ano já é considerada uma
situação de violência epidêmica e, portanto, inaceitável. A taxa de homicídios
no Brasil, nos últimos anos, tem oscilado entre 25 a 29 homicídios por 100
mil habitantes ao ano, ou seja, há uma epidemia de violência no Brasil. Em
2014, foi de 29,1 mortes por 100 mil habitantes.

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O gráfico abaixo mostra que, em pouco mais três décadas que o número
total de homicídios e a taxa de homicídios mais que triplicaram no Brasil. Como
dissemos, em 2014 foram de 59.627 assassinatos e 29,1 mortes por 100 mil
habitantes.

Segundo o estudo Diagnóstico dos Homicídios no Brasil, do Ministério da


Justiça, em 2014, 71% dos homicídios foram cometidos por armas de fogo.

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Mais da metade de todos os assassinatos no Brasil é de jovens (brasileiros


na faixa etária de 15 a 29 anos), dos quais mais de 90% são do sexo masculino
e mais de 70% são negros. A violência é a principal causa de morte de
jovens – e a terceira da população em geral. A violência não faz parte do
cotidiano da juventude só pelo lado do número de vítimas. Mais da metade de
todos os presidiários do Brasil, tem entre 18 e 29 anos. E também aí, há
a marca de desigualdades sociais e vulnerabilidade: 61% dos detentos são
negros e 58% não completaram o ensino fundamental.

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Perfil da Criminalidade:
Faixa etária: jovem (15 a 29 anos)
Gênero: masculino
Classe social: pobre
Meio social: periferia das cidades
Cor da pele: preta/parda
Escolaridade: ensino fundamental incompleto

5.1 Mudança de perfil


Desde 2002, a taxa de homicídios varia pouco no Brasil. Mas isso não é
uma boa notícia. Primeiro, porque é um patamar muito elevado de mortes.
Segundo, porque essa aparente estabilidade disfarça mudanças significativas no
perfil da violência no país.
Uma delas diz respeito à distribuição geográfica: há uma interiorização
dos homicídios, das grandes regiões metropolitanas e conglomerados
urbanos para capitais menores e destas para cidades do interior. O
crescimento econômico de cidades do interior sem o adequado investimento em
segurança pública e infraestrutura é tido como uma das causas para isso. Outro
motivo é o fato de que muitos pequenos municípios são controlados pelo crime
organizado por estar em rota de tráfico de drogas e contrabando.
Há também uma nítida mudança nos índices de violência entre as regiões
brasileiras. A violência explodiu no Norte e no Nordeste, são as regiões com as
maiores taxas de homicídios. Depois, seguem o Centro-Oeste, Sudeste e Sul,
essa última, a região que apresenta os menores índices do país. Segundo o 9º
Anuário de Segurança Pública, Alagoas e São Paulo são respectivamente os
Estados com a maior e menor taxa de mortes intencionais (homicídios,
latrocínios, lesão corporal seguida de morte e em confrontos com a polícia).
Alagoas ocupa o primeiro lugar em números absolutos. Já para o Diagnóstico
dos Homicídios no Brasil, Ceará e Santa Catarina são os Estados com as menores
taxas de homicídios, e, a Bahia ocupa o primeiro lugar em números absolutos.
O Sudeste é a região onde as taxas de homicídios tiveram a maior queda,
puxadas por São Paulo e Rio de Janeiro. O aumento da violência contra o
conjunto da população negra é outra mudança escondida na taxa média e
estável do país. Nos últimos anos, o número de homicídios teve queda acentuada
entre brancos e aumentou na população negra.
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De acordo com especialistas em segurança pública, a queda de homicídios


no Estado de São Paulo se deve, fundamentalmente, ao melhor aparelhamento
da Polícia Civil – responsável pelas investigações – e da Polícia Militar. Outra
causa é um dado demográfico: a população de idosos do Estado aumenta. E os
homicídios atingem principalmente a população mais jovem, que se envolve com
mais frequência em situações de risco, como o tráfico de drogas. Assim,
conforme a população idosa se torna proporcionalmente maior, cai o índice de
assassinatos. A partir dos 50 anos de idade, inclusive, o homicídio nem sequer
aparece entre as quatro principais causas de morte de homens e mulheres no
Brasil.

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5.2 Causas da violência


Até a metade da década de 1950, o Brasil era um país majoritariamente
rural. A partir desta data passou por um processo de urbanização acelerada, que
teve como causas um rápido processo de industrialização e o êxodo rural.
A mecanização do campo liberou grandes contingentes de trabalhadores
das suas atividades rurais. Esse fator somado a histórica concentração de terras,
as péssimas condições de vida no meio rural e a maior oferta de emprego nas
cidades levou milhões de trabalhadores a se deslocarem do campo para a cidade,
em um período de poucas décadas.
As cidades não tiveram tempo, nem condições de se adaptarem,
ocasionado o surgimento de grandes problemas urbanos. Os migrantes do
campo foram residir na periferia e na periferia da periferia das cidades. Nesses
lugares faltava quase tudo, infraestrutura, saneamento, áreas verdes e de lazer,
saúde, educação, transporte de qualidade e moradia. Soma-se a isso tudo a
carência de emprego e temos um ambiente propício para a explosão da violência
e da criminalidade.
A criminalidade tem como causas:
- Ausência ou omissão do Estado (poder público), principalmente
nas periferias – Lembre-se sempre que, educação, saúde, trabalho, moradia,
lazer e segurança são direitos sociais garantidos constitucionalmente aos
cidadãos. Cabe ao Poder Público provê-los à coletividade.
- Exclusão social ou desigualdade social ou má distribuição de
renda – Observa-se que a pobreza é a principal causa da criminalidade, mas
não a única. A relação não é direta, não é de causa e efeito, pois não se pode
dizer que os ladrões surgem todos da pobreza. Aliás, sabemos disso muito bem
no Brasil, vide o grande número de larápios provenientes das classes mais
abastadas.
- Ação dos traficantes de drogas ilícitas – O narcotráfico contribui
significativamente para o aumento da violência e da sensação de insegurança
nas cidades brasileiras.

Pessoal, sem separar das causas acima, considero importante citar dois
fatores:
- Juventude em risco social: Situações como deixar a casa antes dos 15
anos de idade, não ir à escola, ou ter um lar desestruturado sem pai ou mãe
afeta diretamente na iniciação do jovem no crime. Segundo o Ministério Público
de São Paulo, dois em cada três jovens da Fundação Casa vieram de lares sem
o pai, e grande parcela deles não têm qualquer contato com o pai.

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- Armamentos: A facilidade de acesso a armas mortíferas, principalmente


as ramas de fogo.

5.3 Violência policial


Nos últimos meses, a atuação, considerada, violenta da polícia em
manifestações populares tem sido objeto de críticas e denunciadas por
instituições de defesa dos direitos humanos. Essas instituições denunciam
também um conjunto de violações policiais, onde se incluem crimes por
vingança, desaparecimento forçados e execuções.
Segundo o Atlas da Violência, 3.009 pessoas morreram assassinadas em
ações das polícias Civil e Militar em todo o país em 2014 – um aumento de 27%
em relação ao ano anterior. O número é considerado altíssimo nas comparações
internacionais, evidenciando o uso abusivo da força letal como resposta pública
ao crime e à violência.
De modo geral, os assassinatos de civis por policiais aparecem nos boletins
de ocorrência como “auto de resistência” ou “homicídios decorrentes de
intervenção policial”, o que, em tese, caracterizaria mortes lícitas no entender
da Justiça, decorrentes de confrontos. Ou seja, parte-se do pressuposto de que
o policial agiu em legítima defesa. Mas isso nem sempre condiz com a realidade,
já que a coleta dos dados é feita sem o rigor e a transparência necessários. Em
muitos casos, essas situações acabam camuflando mortes de civis inocentes.
Também representam graves casos de violações policiais as chamadas
execuções extrajudiciais.
A truculência da Polícia Militar em diversos episódios recentes acaba
expondo a figura do agente policial, que, na verdade, responde a uma cadeia de
comando liderada pelos governadores dos estados, que são os responsáveis
diretos por garantir a segurança da população e combater a criminalidade. Para
muitos especialistas, os governantes e as autoridades de segurança comportam-
se de forma passiva, tolerando os abusos e não punindo devidamente os
responsáveis. Em última instância, são os governadores que direcionam a
atuação dos agentes e impõe – ou não – os limites à repressão.
O que se discute é o padrão operacional das polícias dentro de um modelo
de segurança pautado pela “lógica do enfrentamento e da garantia da ordem
acima de direitos”, de acordo com o Atlas da Violência. Especialistas apontam
que a separação das funções das polícias Civil e Militar, adotada durante a
ditadura militar (1964-1985) é uma das causas da violência policial. Além disso,
como resquício da ditadura, foi mantida pela Polícia Militar uma postura
repressora e abusiva de ataque ao “inimigo”, reproduzida até hoje na sua
atuação e na formação e treinamento dos jovens policiais.

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Além disso, os policiais estão inseridos em um sistema de segurança que


não valoriza o trabalho do agente e não garante as condições básicas para a
atividade. Os baixos salários, a falta de treinamento e equipamentos adequados,
serviços de inteligência precários e o despreparo psicológico da polícia para lidar
com situações de extrema tensão acabam potencializando os erros e as
consequentes mortes nas ações policiais.
Além de campeão de homicídios, o Brasil detém outro triste título: é um
dos países em que os policiais mais matam – e também mais morrem. Conforme
dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2013, 2.212 pessoas
morreram assassinadas em ações das polícias Civil e Militar em todo o país. Em
2014, foram 3.009. Se consideramos de 2009 a 2014, a soma chega a 14.196
mortes. É uma média de 6,5 pessoas por dia. É um número altíssimo. Para efeito
de comparação, a média da polícia norte-americana é de pouco mais de 1 pessoa
morta por dia. Segundo o Anuário, essa é uma “evidência empírica de que as
polícias brasileiras mantêm um padrão absolutamente abusivo do uso da força
letal como resposta pública ao crime e à violência”.
No alvo da violência policial aparecem novamente os negros. Estudo
divulgado em 2014, pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mostra
que a proporção de negros mortos por ações da Polícia Militar de São Paulo,
entre 2010 e 2011, foi três vezes maior que a de brancos. A pesquisa também
constatou que a própria vigilância policial é operada de modo diferente. A taxa
de flagrantes de negros é mais do que o dobro da verificada para brancos.
Segundo os pesquisadores, os dados demonstram que a vigilância policial
reconhece os negros como suspeitos criminais em potencial, flagrando em maior
intensidade as suas condutas ilegais, ao passo que os brancos gozam de menor
vigilância da polícia.
Se, por um lado, o grau de letalidade da polícia brasileira é alto, por outro,
os policiais também são vítimas desse mesmo sistema. De acordo com o Anuário
de Segurança Pública, 408 policiais foram mortos em 2013; em 2014, outros
398 policiais – média de pelo menos um por dia – segundo o FBSP. Nos países
desenvolvidos, como o Reino Unido, dificilmente mais do que uma dezena de
policiais perdem a vida por ano em decorrência de sua profissão.
Um dado que chama a atenção é que do total de policiais brasileiros
assassinados em 2014, 78 estavam em serviço, enquanto 329 não estavam
trabalhando oficialmente no momento da morte. Uma das explicações para esse
fenômeno é que, devido à baixa remuneração, muitos policiais prestam serviço
por conta própria, fazendo “bicos” para aumentar a renda. Essa é uma das
situações em que muitos deles perdem a vida, quando estão sem o apoio de
colegas. Muitos são também mortos por perseguição de facções criminosas fora
do trabalho.

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5.4 Sistema Prisional


Por lei, a grande responsabilidade pela manutenção dos presos no país
está a cargo dos estados. Segundo o Ministério da Justiça (2016, com dados do
1º semestre de 2014), a população carcerária chegou a 607.731. É o maior
número da história e, em termos mundiais, o país só fica atrás de Estados Unidos
(2,228 milhões), China (1,65 milhão) e Rússia (673.818). Ao se considerar as
prisões domiciliares no Brasil, que totalizam 147.937, segundo dados do CNJ
(Conselho Nacional de Justiça), o Brasil chega a 775.668 presos, supera a
população carcerária da Rússia e assume a terceira posição mundial.
O problema é que o total de vagas disponível no sistema penitenciário é
de 357.219 (CNJ/junho de 2014). Em outras palavras, há 1,6 presos para cada
vaga. E o excedente de detentos só cresce, com o aumento das prisões
provisórias – realizadas antes do julgamento e condenação – na última década.
Segundo o CNJ, 41% dos detentos são presos em situação provisória (sem
julgamento). Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que produz o
Anuário da Segurança Pública, os números elevados de encarceramento
resultam da política de guerra às drogas em vários estados e da morosidade
judicial – há acusados que respondem a todo o processo, presos, às vezes por
dois anos ou mais.

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Apesar da taxa média de superlotação no país ser de 1,6 presos por vaga,
ela é maior que isso em 15 estados. A defasagem de vagas é mais grave nas
regiões mais pobres: Nordeste e Norte, nos Estados de Alagoas, Amazonas,
Pernambuco, Amapá, Rio Grande do Norte e Bahia. O Tocantins, Espírito Santo
e Paraná têm o menor déficit do Brasil.
A superlotação agrava a precariedade das penitenciárias. Celas lotadas,
em que os presos têm de se revezar para dormir, com falta de condições
sanitárias, contribuem para a disseminação de doenças, a violência interna e o
crescimento das facções criminosas, ao facilitar o contato entre presos perigosos
e os detidos por delitos leves. O excedente de detentos cresce também devido
a outros fatores, como a lentidão da Justiça e, consequentemente, o aumento
das prisões provisórias, realizadas antes do julgamento e condenação.
Diante deste contexto, o Ministério da Justiça lançou a Política Nacional
de Alternativas Penais com o objetivo de reduzir o número de presos no país
por meio da aplicação de punições que substituam a privação da liberdade. Pelo
plano, será criado um grupo de trabalho com integrantes do Judiciário, do Poder
Executivo e da sociedade civil para elaborar um modelo de gestão de alternativas
penais a serem aplicadas pelas autoridades estaduais. Serão cinco eixos
principais de trabalho: promoção de desencarceramento e da intervenção
policial mínima; enfrentamento à cultura de encarceramento; ampliação e
qualificação da rede de serviços de acompanhamento das alternativas penais,
fomento ao controle e à participação social nos processos de formulação,
implementação, monitoramento e avaliação da política de alternativas penais, e
qualificação da gestão da informação.

(CESPE/DEPEN/2015 – CARGOS DE NÍVEL SUPERIOR) Julgue os itens a


seguir, referentes ao sistema prisional brasileiro e às políticas de
segurança pública e cidadania. Nesse sentido, considere que a sigla
SUSP, sempre que empregada, se refere ao Sistema Único de Segurança
Pública.
O Brasil tem a décima quarta maior população carcerária do mundo e
atinge o décimo lugar se forem considerados os indivíduos que
cumprem prisão domiciliar.
COMENTÁRIOS:
O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo. Se for
considerado os indivíduos que cumprem prisão domiciliar, o país tem a terceira
maior população carcerária do mundo. Gabarito: Errado

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5.5 Violência contra a mulher


A taxa de homicídios de mulheres no Brasil é de 4,8 para cada 100 mil
mulheres, o que coloca o Brasil na vergonhosa quinta posição, entre 83 nações,
no ranking mundial de proporção de assassinatos de mulheres. Em 2014, ao
menos 106.824 brasileiras precisaram de atendimento médico por violência
doméstica e sexual.

As mulheres negras são as vítimas prioritárias da violência. No período de


1980 a 2013, o homicídio de mulheres brancas diminuiu 9,8%, enquanto o
homicídio de negras aumentou 54,2%.
De acordo com Matias (2016), “os assassinatos de mulheres têm duas
características que o distinguem dos homicídios masculinos: os meios utilizados
e o local onde acontecem. O uso de força física e de objetos cortantes e
penetrantes indica motivos passionais. E o fato de boa parte dos crimes
ocorrerem na residência mostra o caráter doméstico desses homicídios”.
O estupro é outra forma brutal e comum de violência contra a mulher. Em
2014, foram registrados mais de 47 mil casos, o segundo maior índice mundial,
atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, segundo especialistas, o número
de estupros pode ser até dez vezes maior, ou seja, quase 500 mil casos por ano
(ESTADÃO, 30-06-2015). Há uma subnotificação, ou seja, o número de
mulheres que faz o registro da ocorrência do crime nos órgãos policiais é muito
menor do que os estupros efetivamente ocorridos.
Em 2016, a Lei Maria da Penha faz 10 anos. O seu nome é uma
homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes, cearense, farmacêutica e
bioquímica foi vítima da violência doméstica por 23 anos durante seu casamento.
Em 1983, o marido tentou assassiná-la por duas vezes. Na primeira vez, com
arma de fogo, deixando-a paraplégica, e na segunda, por eletrocussão e
afogamento.

Após essa tentativa de homicídio, ela tomou coragem e o denunciou. O


processo contra o marido de Maria da Penha demorou 19 anos, ele foi condenado
a oito anos de prisão. Ficou preso só por dois anos, sendo solto em 2004.

Revoltada com o poder público, Maria da Penha denunciou o caso à


Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA – Organização dos
Estados Americanos, em 1988. Na OEA, o Brasil foi condenado por não dispor
de mecanismos suficientes e eficientes para coibir a prática de violência
doméstica contra a mulher.

O país teve que mudar a legislação para proteger as mulheres. Em 07 de


agosto de 2006, foi sancionada a Lei nº 11.340 que introduziu o parágrafo 9, no
artigo 129 do Código Penal. A norma possibilita que agressores de mulheres em

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âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão


preventiva decretada.

Os agressores também não podem mais ser punidos com penas


alternativas. A legislação aumentou o tempo máximo de detenção do agressor
e prevê medidas que vão desde a remoção do agressor do domicílio à proibição
de sua aproximação da mulher agredida.

Em um primeiro momento, após a edição da lei, em 2007, ocorreu uma


queda nos números e nas taxas de violência contra a mulher. Mas, já no ano de
2008, os índices começaram a aumentar, sendo atualmente bem maiores dos
que foram registrados no ano de 2008. Só no ano de 2014, 4.832 mulheres
foram mortas no país, uma média de 13 por dia.

Outra lei protetiva das mulheres, que entrou em vigor, em 2015, é a Lei
do Feminicídio, que classifica o feminicídio como um crime hediondo.
Feminicídio é o assassinato de mulheres motivado apenas pelo fato de a vítima
ser mulher. Um feminicida mata a mulher por ódio e pelo sentimento de posse
sobre ela.
Conforme a lei, condenados por esse tipo de crime merecem a pena
máxima de reclusão (30 anos), não têm direito a indulto (perdão) ou anistia, e
nem a responder a processo em liberdade mediante o pagamento de fiança.
O Mapa da Violência 2015 – Homicídios de Mulheres no Brasil aponta a
impunidade como um dos fatores que explicam a violência de gênero – o
índice de elucidação dos crimes de homicídio seria apenas de 5% a 8%.
Analisando a violência contra as mulheres, o estudo Tolerância Social à
Violência contra as Mulheres (IPEA, 2014), conclui, entre outros fatores, que o
ordenamento patriarcal da sociedade permanece enraizado em nossa
cultura, é reforçado na violência doméstica e leva a sociedade a aceitar
a violência sexual.
O Mapa da Violência vai no mesmo sentido. Segundo Waiselfisz, autor do
estudo, a “normalidade” da violência contra a mulher na lógica patriarcal justifica
e mesmo autoriza que o homem a pratique com a finalidade de punir e corrigir
comportamentos femininos que transgridam o papel esperado de mãe, esposa
e dona de casa. Lógica justificadora que também aparece, conforme Waiselfisz,
nas agressões de desconhecidos contra mulheres que eles consideram
transgressoras do comportamento culturalmente esperado delas. Em ambos os
casos, culpa-se a vítima pela agressão sofrida.

5.6 Drogas

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Para o projeto Ameripol, o Brasil se tornou o epicentro do narcotráfico


mundial. Estudos do projeto indicam que o país é refúgio para chefões do tráfico
da América Latina em fuga, ponte principal para a distribuição da droga
produzida no continente para a Europa, provedor de produtos químicos para a
produção de algumas delas e também tornou-se um importante mercado
consumidor. Além disso, o país virou a base das grandes novas rotas do tráfico
mundial, que, segundo o estudo, passa pela África para seguir à Europa e à Ásia.
O uso de drogas cresce no Brasil e os problemas sociais vinculados
a ele se agravam. Quase 3 milhões de brasileiros usaram cocaína, aspiraram
(pó) ou fumaram (crack ou oxi), nos 12 meses anteriores ao Levantamento
Nacional de Álcool e Drogas no Brasil, realizado em 2012 pela Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp). Esses números representam 20% do consumo
global da droga e colocam o Brasil como o segundo mercado de cocaína, atrás
apenas dos Estados Unidos. O Brasil é o maior consumidor de crack do mundo.
A parte mais visível dos usuários se encontra em regiões degradadas das
cidades, nas chamadas “cracolândias”, que se espalham muito além das
metrópoles. Mas, sabe-se que o conjunto desses usuários abarca um público em
todas as classes sociais, cujos integrantes têm algo em comum: 80% deles
afirmam que tiveram acesso fácil à droga, apesar disso ser ilegal.
Os programas públicos para o tratamento de dependentes químicos
passaram a incluir a possibilidade da internação de pacientes à revelia de sua
vontade. O dispositivo já era previsto na legislação brasileira, e, recentemente,
foram criadas parcerias entre as áreas de saúde, assistência social e justiça para
que pudesse ser utilizado como política pública.
Na internação involuntária, parentes podem solicitar a internação do
paciente, desde que, aceita por um médico psiquiatra. Nesses casos, o Ministério
Público precisa ser informado da internação e dos motivos. Na internação
compulsória, a determinação cabe apenas ao juiz, após um pedido formal feito
por um médico, atestando que a pessoa não tem domínio sobre suas
capacidades psicológicas e físicas.

Legal ou ilegal
A ampliação do tráfico e do uso de drogas coloca em discussão a forma de
tratar o assunto. A Lei nº 11.343/2006 isentou os usuários da pena de prisão,
ainda que o porte de drogas seja crime. Ao mesmo tempo, endureceu as
condenações por tráfico. Ao usuário, a lei prevê três tipos de pena: advertência
sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade (de cinco a dez
meses) e medida educativa de comparecimento à programa ou curso. A quem
produz ou trafica entorpecentes, a lei prevê de cinco a 15 anos de prisão e multa
de 500 a 1.500 reais. Cabe ao juiz determinar qual a finalidade da droga

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apreendida – se para consumo pessoal ou tráfico –, pois a lei não especifica


quantidades para a diferenciação. Esse ponto é polêmico: a fronteira imprecisa
entre usuário e traficante favorece a fixação arbitrária da pena.
Quando se fala sobre a legalização das drogas, está se falando da
legalização da maconha e não de outras drogas mais. Termos diferentes como
legalizar ou descriminalizar (descriminar também é correto) têm sido, muitas
vezes, usados indistintamente no debate da legislação sobre drogas.
• Legalização - Há projetos distintos de legalização: estatizante,
controlada ou liberal. Nos debates, a legalização de inspiração liberal é a mais
abordada. Significa colocar as drogas no mesmo patamar do cigarro e do álcool,
ou seja, produção e consumo regulados e o Estado recolhe impostos sobre essas
operações. Defensores dessa via argumentam que, ao regulamentar o comércio,
as drogas sairiam das mãos dos traficantes e a violência seria menor. Essa
posição era defendida por Milton Friedman (1912-2006), prêmio Nobel de
Economia, um dos pais do neoliberalismo. Para ele, o mercado regularia o
consumo da droga. Mesmo assim, temia que houvesse um aumento expressivo
de consumidores e viciados.
• Descriminalização - Esse conceito diz respeito ao usuário: é a ideia de
deixar de caracterizar o porte, a compra e o uso de drogas como crime. Ou seja,
não cometeria crime quem fosse flagrado consumindo ou portando drogas em
quantidade compatível com o consumo individual. O crime seria do traficante.
No Brasil, o movimento pela descriminalização tem a participação do ex-
presidente Fernando Henrique Cardoso, que preside a organização Comissão
Global de Políticas sobre Drogas.
• Manter a proibição - A possibilidade de expansão do consumo de
substâncias que podem causar forte dependência é o principal argumento de
quem defende manter a proibição ao uso e tráfico de drogas.

O STF está votando uma ADIN que descriminaliza o porte de maconha


para consumo pessoal. O processo em análise no STF refere-se à condenação
de um mecânico que assumiu a posse de 3 gramas de maconha dentro de uma
cela na prisão em Diadema (SP). A Defensoria Pública recorreu, argumentando
que o artigo da Lei Antidrogas que define o porte como crime contraria a
Constituição, pois a conduta é parte da intimidade da pessoa e não prejudica a
saúde pública. Três ministros já votaram, todos a favor da descriminalização: o
relator Gilmar Mendes, Luiz Edson Fachin e Luís Roberto Barroso.

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5.7 Redução da maioridade penal


De tempos em tempos, o tema da redução da maioridade penal ganha
destaque na política e sociedade brasileira. O tema é objeto de diversas
Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e da Comissão Especial do Senado
que está analisando mudanças para um novo Código Penal. A maioridade penal
define a idade mínima pela qual um indivíduo é reconhecido como adulto
consciente das consequências de seus atos, podendo ser processado pelo
sistema judiciário.
A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 19 de agosto, a redução da
maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos, como sequestro e
estupro, para homicídio doloso (quando houve intenção de matar) e lesão
corporal seguida de morte. Como se trata de uma PEC, o texto aprovado ainda
deve passar por duas votações no Senado para que a Constituição seja alterada.
Devido a polêmica que o debate está gerando, elencamos a seguir cinco
argumentos a favor e contra a redução da maioridade penal:

Contra A Favor

1. A redução da maioridade penal fere 1. A mudança do artigo 228 da


uma das cláusulas pétreas (aquelas Constituição de 1988 não seria
que não podem ser modificadas por inconstitucional. O artigo 60 da
congressistas) da Constituição de Constituição, no seu inciso 4º,
1988. O artigo 228 é claro: "São estabelece que as PECs não podem
penalmente inimputáveis os menores extinguir direitos e garantias
de 18 anos. individuais. Defensores da PEC 171
afirmam que ela não acaba com
direitos, apenas impõe novas regras.

2. A inclusão de jovens a partir de 16 2. A impunidade gera mais violência.


anos no sistema prisional brasileiro Os jovens "de hoje" têm consciência
não iria contribuir para a sua de que não podem ser presos e
reinserção na sociedade. Relatórios punidos como adultos. Por isso
de entidades nacionais e continuam a cometer crimes.
internacionais vêm criticando a
qualidade do sistema prisional
brasileiro.

3. A pressão para a redução da 3. A redução da maioridade penal iria


maioridade penal está baseada em proteger os jovens do aliciamento
casos isolados, e não em dados feito pelo crime organizado, que tem
estatísticos. Segundo a Secretaria recrutado menores de 18 anos para
Nacional de Segurança Pública,

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jovens entre 16 e 18 anos são atividades, sobretudo, relacionadas


responsáveis por menos de 0,9% ao tráfico de drogas.
dos crimes praticados no país. Se
forem considerados os homicídios e
tentativas de homicídio, esse número
cai para 0,5%.

4. Em vez de reduzir a maioridade 4. O Brasil precisa alinhar a sua


penal, o governo deveria investir em legislação à de países desenvolvidos,
educação e em políticas públicas para como os Estados Unidos, onde, na
proteger os jovens e diminuir a maioria dos Estados, adolescentes
vulnerabilidade deles ao crime. No acima de 12 anos de idade podem ser
Brasil, segundo dados do IBGE, 486 submetidos a processos judiciais da
mil crianças, entre cinco e 13 anos, mesma forma que adultos.
eram vítimas do trabalho infantil em
todo o Brasil em 2013. No quesito
educação, o Brasil ainda tem 13
milhões de analfabetos com 15
anos de idade ou mais.

5. A redução da maioridade penal iria 5. A maioria da população brasileira é


afetar, preferencialmente, jovens a favor da redução da maioridade
negros, pobres e moradores de áreas penal. Em 2013, pesquisa
periféricas do Brasil, na medida em realizada pelo instituto CNT/MDA
que este é o perfil de boa parte da indicou que 92,7% dos brasileiros
população carcerária brasileira. são a favor da medida. No mesmo
Estudo da UFSCar (Universidade ano, pesquisa do instituto Datafolha
Federal de São Carlos) aponta que indicou que 93% dos paulistanos
72% da população carcerária são a favor da redução.
brasileira é composta por negros.

(CESPE/FUB/2015 – TÉCNICO) No ano em que o Estatuto da Criança e


do Adolescente (ECA) faz vinte e cinco anos, a votação da redução da
idade penal põe em discussão o tratamento dado a jovens infratores. O
tema divide o Judiciário. Para uns, a medida não inibirá a violência e
pode incentivar o recrutamento de crianças mais novas. Para outros, o
medo das consequências é essencial para coibir crimes.
Cotidiano. In: Folha de S.Paulo, 12/7/2015, p. 6 (com adaptações).

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Em relação ao assunto abordado nesse trecho, julgue o item que se


segue.
Está previsto no ECA a internação de menores infratores por um período
de, no máximo, três anos, exceto quando o crime for considerado
hediondo, como o latrocínio e o estupro.
COMENTÁRIOS:
A internação em estabelecimento educacional é uma das medidas que
podem ser aplicadas pelas autoridades competentes aos adolescentes que
praticarem atos infracionais nos termos da lei. Dispõe o Estatuto da Criança e
do Adolescente que em nenhuma hipótese o período máximo de internação
excederá a três anos.
Gabarito: Errado

6. Olímpiadas de 2016
Olimpíada é o nome dado ao período de quatro anos entre duas edições
dos Jogos Olímpicos. O termo "Olimpíada", também costuma ser utilizado para
designar uma edição dos Jogos Olímpicos, conhecidos coletivamente como
"Olimpíadas".
As Olimpíadas acontecem de 4 em 4 anos, onde atletas de centenas de
países, se reúnem num país para disputarem um conjunto de modalidades
esportivas. A própria bandeira olímpica representa essa união de povos e raças,
pois é formada por cinco anéis entrelaçados, representando os cinco continentes
e suas cores (o anel azul corresponde à Europa, o anel amarelo à Ásia, o preto
à África, o verde à Oceania e o vermelho às Américas).

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Os Jogos Olímpicos tiveram início na cidade de Olímpia na Grécia antiga,


os participantes realizavam para homenagear o deus Zeus. Os homens
participavam dos jogos em honra a Zeus e as mulheres tinham seus próprios
jogos em honra à Hera. O vencedor recebia uma coroa de louro ou de folhas de
oliveira.
Na era moderna, a primeira Olimpíada aconteceu em 1896, em Atenas,
com a participação de 14 países. Em 1916, devido à I Guerra Mundial e em 1940
e 1944, devido à II Guerra Mundial, não houve Olimpíadas.
Os Estados Unidos são os maiores vencedores dos jogos, seguidos da
URSS. As Olímpiadas de 2012 foram realizadas em Londres, Reino Unido,
vencidas pelos Estados Unidos. Em 2020, serão em Tóquio, Japão.
Ainda faltam quatro anos para as Olimpíadas de 2020, mas elas já foram
objeto de polêmica. A logomarca dos jogos foi mudada, após a acusação de
plágio. O desenho do japonês Kentaro Sano apresentava similaridades com a
Marca do Teatro de Liége, da Bélgica.
Ao longo do tempo, os esportes e as modalidades olímpicas tiveram seu
número acrescido. Na Olímpiada de Atenas (1896), eram apenas nove esportes,
no Rio de Janeiro foram 33 esportes e 42 modalidades.

A política nas Olimpíadas


Pelo seu tamanho e relevância, os Jogos Olímpicos tornaram-se um palco
recorrente de manifestações políticas dos mais diversos tipos, que marcaram a
história. Isso acontece apesar do Comitê Olímpico Internacional (COI) proibir
qualquer tipo de protesto ou propaganda de cunho político, religioso ou
racial nas áreas dos Jogos. Vamos relembrar alguns momentos em que
os Jogos e a política se encontraram?
Adolf Hitler aproveitou a Olimpíada de Berlim, Alemanha, em 1936, para
fazer propaganda nazista e propalar a sua tese de superioridade da raça ariana.
A Alemanha liderou o ranking de medalhas, mas nenhum de seus atletas ganhou
mais ouros do que o afro-americano Jesse Owens, com quatro vitórias no
atletismo.
Em 1968, durante as olimpíadas da Cidade do México, ocorreu um dos
momentos mais marcantes de toda a história dos Jogos: dois corredores
americanos, Tommie Smith e John Carlos, subiram ao pódio para receber o ouro
e o bronze dos 200 metros rasos. Durante a execução do hino dos Estados
Unidos, os dois levantaram os braços para o alto, com os punhos cerrados.
Esse era o gesto do movimento Panteras Negras, um dos grupos mais
radicais na luta pelos direitos civis para os negros nos Estados Unidos. 1968,
também foi o ano em que o líder do movimento pelos direitos civis dos negros,

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Martin Luther King, foi assassinado, demonstrando a tensão racial existente


naquele país. Como manifestações políticas de qualquer natureza são proibidas
pelo COI nos ambientes dos Jogos, ambos os atletas foram expulsos do evento.
Novamente na Alemanha, desta vez em Munique, 1972, o grupo terrorista
palestino Setembro Negro ataca a delegação de Israel na vila olímpica, onde
mata dois e faz nove reféns. Na tentativa de resgate, os reféns, cinco terroristas,
um policial e um piloto morrem.
Em 1976, 22 países africanos deixaram os jogos em protesto contra a
Nova Zelândia, cujo time de rúgbi fez uma turnê de jogos pela África do Sul,
furando o embargo a eventos esportivos sob o regime do apartheid.
Em 1980, devido à invasão do Afeganistão pela URSS (União Soviética),
os Estados Unidos lideram um boicote de 66 nações no Jogos de Moscou. A URSS
responde na Olímpiada seguinte, em Los Angeles, EUA, em 1984, liderando um
boicote do bloco de países socialistas.
Na edição brasileira, podemos dizer que a política já invadiu os Jogos?
Pode-se dizer que sim:
Assim como aconteceu na Copa do Mundo realizada no Brasil em 2014, os
Jogos Olímpicos do Rio também estão servindo de mote para manifestações
sobre as mais diversas demandas. Ativistas protestaram contra os elevados
custos dos Jogos enquanto falta de serviços básicos para a população e atraso
nos salários dos servidores públicos. A remoção de milhares de cariocas para
bairros distantes em virtude das obras para os Jogos, a poluição na Baía de
Guanabara e o aumento da violência policial também ganharam destaque entre
as manifestações.
No final de junho, chamou a atenção um protesto realizado por policiais
civis e militares, além de bombeiros, contra as más condições de trabalho e o
atraso de salários. No Aeroporto Internacional Tom Jobim, os servidores
estenderam uma faixa que dizia em inglês: “Bem-vindo ao inferno. A polícia e
os bombeiros não recebem pagamento. Quem vier para o Rio de Janeiro não
estará seguro”.
Durante os jogos alguns torcedores protestaram contra o presidente em
exercício Michel Temer. Esses torcedores foram advertidos e/ou retirados dos
locais do evento por agentes de segurança. Segundo os agentes de segurança,
os protestos teriam violado a Lei da Olímpiada que proíbe qualquer tipo de
protesto ou propaganda de cunho político, religioso ou racial nas áreas dos
Jogos. Como já dissemos, esta é uma imposição do COI em Olimpíadas. No
entanto, uma decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou o fim da
repressão às manifestações políticas durante a Olimpíada.

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O poder econômico nos jogos olímpicos


O lema “O importante não é vencer, mas competir” surgiu nas Olimpíadas
de Londres, em 1908, popularizado pelo barão de Coubertin, idealizador dos
jogos na era moderna. E para a maioria das nações principalmente aquelas que
não estão no grupo dos desenvolvidos, o papel nos jogos fica restrito mesmo à
competição.
A força do capital e dos investimentos sociais afastam os mais pobres das
conquistas e limitam o pódio olímpico a uma pequena elite esportiva e financeira.
O poder do dinheiro e dos investimentos sociais são determinantes para a
performance olímpica.
O pódio costuma ser uma área limitada a uma elite esportiva, que não por
coincidência, também são quase todos países ricos e desenvolvidos. Entre as
cinco nações que mais ganharam medalhas na história, quatro estão no G-7
(grupo dos países mais ricos do mundo): Estados Unidos (1º), Alemanha (3º),
Reino Unido (4º) e França (5º).
Os altos investimentos em educação, o incentivo à prática esportiva e as
boas condições de vida para a população acabam tendo reflexo direto no quadro
de medalhas. Na maioria das vezes, os países menos desenvolvidos acabam
dependendo do talento e do esforço individual dos atletas ou de bons
desempenhos pontuais em determinadas modalidades.

Legado olímpico
Para justificar os investimentos bilionários, que um megaevento como a
Olimpíada exige, os responsáveis costumam citar os benefícios que ficarão por
meio do “legado olímpico”. De acordo com esse raciocínio, as obras para
promover uma Olimpíada podem custar caro, mas deixam para a cidade-sede
uma série de benesses em termos de infraestrutura que compensam qualquer
impacto econômico, social e ambiental.
No projeto olímpico do Rio de Janeiro, estão sendo investidos R$ 39
bilhões, sendo R$ 7,07 bilhões em instalações esportivas e 24,6 bilhões em
obras de infraestrutura, sociais e de melhorias urbanas. Os outros R$ 7,4 bilhões
são para despesas relacionadas à realização do evento.
O setor de infraestrutura que mais recebeu investimentos foi a mobilidade
urbana com as obras da Linha 4 do Metrô, reformas de estações de trem,
corredores exclusivos de ônibus, VLT do Centro (Veículo Leve sobre Trilhos) e
outras obras viárias. O centro histórico da cidade está sendo alvo de uma
revitalização urbana beira-mar em grande escala, por meio do projeto "Porto
Maravilha".

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De 2009 a 2015, para a realização das obras dos complexos esportivos e


de infraestrutura, 4 mil famílias foram removidas dos locais onde moravam.
Segundo a Prefeitura do Rio, outras 18 mil famílias foram removidas por viverem
em áreas de risco ou de proteção ambiental. Movimentos populares contestam
esses motivos, para esses, muitas remoções serviram principalmente para
beneficiar investimentos imobiliários e turísticos, alimentando um processo
conhecido como especulação imobiliária e gentrificação.
Além disso, as metas projetadas de despoluição da Baía de Guanabara e
da lagoa Rodrigo de Freitas não foram atingidas. Em 21 de abril, no dia em que
a tocha olímpica foi acesa, um trecho de 50 metros da ciclovia Tim Maia, uma
das obras incluídas no legado dos Jogos, foi atingida por uma onda gigante e
desabou. Dois pedestres caíram no oceano e morreram e três outras pessoas
ficaram feridas.
De acordo com o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas,
os indicadores econômicos e sociais evoluíram melhor no município do Rio de
Janeiro do que no resto do Estado ou do Brasil, desde que a cidade foi escolhida
como sede dos Jogos de 2016. Das 27 capitais e 9 regiões metropolitanas
pesquisadas, foi no Rio que a renda individual do trabalho mais cresceu desde
2013. A desigualdade também nunca esteve tão baixa na cidade na série
histórica e não piorou mesmo com a crise econômica do país e do governo do
estado.
Com base em dados do IBGE, a pesquisa também comparou a evolução
nos períodos pré e pós anúncio da Olimpíada em 38 indicadores de 7 áreas:
habitação, educação, trabalho, transporte, inclusão digital, serviços públicos e
desenvolvimento social. A cidade do Rio historicamente evoluiu muito pior do
que os demais municípios do Estado em todos os indicadores comparáveis entre
1970 e 2012, mas no período pós escolha como sede, a cidade melhorou mais
do que a média na maioria dos números. Entre 2008 e 2016, por exemplo, a
pobreza (considerando renda de R$ 206/mês) caiu de 5,71% para 2% da
população da cidade e os anos de estudo foram de 7,91 para 8,67 anos.
No entanto, dois retrocessos foram verificados: o tempo médio de viagem
entre a casa e o trabalho aumentou de 41,4 para 46,8 minutos e as horas
perdidas no transporte, comparadas com o salário médio, foram de R$ 17 para
R$ 42 por semana. Ambos os índices são enquadrados na área de mobilidade
urbana, um dos mais incensados como legado dos Jogos.

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A geografia dos reassentamentos


Veja no mapa abaixo de onde saíram e para onde foram as famílias despejadas:

Repare que:
– Os círculos azuis concentram os principais locais de competição dos
Jogos.
– Os pontos laranja representam as comunidades onde houve remoções.
– Os ícones de edifícios representam os conjuntos habitacionais do
programa Minha Casa Minha Vida.
Pelo movimento das linhas brancas no mapa, veja onde os moradores
viviam e para onde eles foram removidos. Observe como eles foram transferidos
para locais mais afastados da região mais central do Rio, onde se concentram a
maioria dos empregos.

Zika virus
O Brasil vive um surto de Zika vírus que atinge o Rio de Janeiro. O surto
levantou temores de países e instituições sobre seu potencial impacto nos atletas
e turistas. Em maio de 2016, um grupo de 150 médicos e cientistas enviou uma
carta aberta à Organização Mundial de Saúde (OMS) convidando-a a ter "uma
discussão aberta e transparente sobre os riscos da realização do Jogos Olímpicos
no Brasil". A OMS, no entanto, rejeitou o pedido, afirmando que "cancelar ou
alterar o local dos Jogos Olímpicos de 2016 não vai alterar significativamente a
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propagação internacional do vírus Zika" e, que, não havia "nenhuma justificação


de saúde pública" para adiar o evento.

O doping da Rússia
A equipe de atletismo da Rússia foi banida dos Jogos do Rio devido à
participação de seus atletas em um escândalo de doping. De acordo com a
Agência Internacional Antidoping, o Ministério do Esporte da Rússia coordenava
um amplo esquema para evitar que seus atletas fossem pegos nos exames
antidoping. Atletas russos de outras modalidades, também foram banidos dos
Jogos do Rio. O escândalo levou a Agência Antidoping dos Estados Unidos (EUA)
a pedir a exclusão de todos os atletas da Rússia das Olimpíadas no Brasil.
O episódio abriu mais uma crise diplomática entre Estados Unidos e Rússia.
Durante a Guerra Fria (1947-1991), EUA e a então União Soviética travaram
uma acirrada disputa esportiva nos palcos olímpicos, refletindo o antagonismo
ideológico e político do período. Agora, com este escândalo de doping, o governo
russo alega ser vítimas de um complô. O ministro das Relações Exteriores da
Rússia, Serguei Lavrov, chegou a ligar para o Secretário de Estado norte-
americano, John Kerry, queixando-se da postura dos EUA, acirrando ainda mais
as divergências entre os dois países.

Principais fatos dos Jogos do Rio 2016


Galera, vou repassar agora, os principais fatos e acontecimentos dos jogos
no Rio de Janeiro. Vamos lá:

Participantes
Competiram nos Jogos mais de 10 mil atletas de 205 nacionalidades. Dois
países fizeram a estreia olímpica no Rio de Janeiro: o Sudão do Sul, que
emancipou-se do Sudão em 2011; e o Kosovo, que declarou a independência
da Sérvia em 2008, mas ainda não obteve ainda reconhecimento da ONU. Além
dos kosovares, outras 13 nações que a ONU não reconhece como países,
participaram dos jogos, como a Palestina e Taiwan.
Pela primeira vez um time de refugiados competiu nas Olimpíadas. O Time
Olímpico de Refugiados (TOR) competiu sob a bandeira do Comitê Olímpico
Internacional (COI). Foram dez atletas nascidos na Síria, Sudão do Sul, Etiópia
e Congo.

Abertura e encerramento

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A cerimônia de abertura foi muito elogiada nas redes sociais e pela


imprensa internacional. Foi marcada por grandes símbolos e nomes da cultura
brasileira. O espetáculo artístico transmitiu ao mundo mensagens de
tolerância, de respeito a diversidade e chamou a atenção para o problema
do aquecimento global. Os diretores de criação para a cerimônia foram
Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington.

Melhor campanha do Brasil em Olímpiadas


O Brasil pretendia terminar os jogos entre os dez primeiros colocados. Essa
meta não foi alcançada, o Brasil terminou em 13º lugar, com 7 medalhas de
ouro, 6 de prata e 6 de bronze, totalizando 19 medalhas. Foi a melhor colocação
do país em Olimpíadas. No quadro geral de medalhas, os Estados Unidos
ficaram em 1º lugar, seguidos da Grã-Bretanha (2º lugar) e China (3º lugar).
O futebol masculino conquistou pela primeira vez a medalha de ouro. O
canoísta baiano Isaquias Queiroz tornou-se o primeiro brasileiro a ganhar três
medalhas em uma mesma edição dos jogos: duas de prata e uma de bronze.
Medalhas de ouro do Brasil:
ATLETISMO: Thiago Braz (Salto com vara)
BOXE: Robson Conceição (categoria até 60 kg)
FUTEBOL MASCULINO
JUDÔ: Rafaela Silva (categoria até 57 kg)
VELA: Martine Grael e Kahena Kunze (classe 49er FX)
VÔLEI DE PRAIA: Alison e Bruno Schmidt
VÔLEI MASCULINO

Atletas militares
Chamou a atenção do público a continência de alguns atletas brasileiros
no pódio durante o hasteamento da bandeira. Eles fazem parte do Programa
Atletas de Alto Rendimento do Ministério da Defesa. Cerca de um terço dos
atletas da delegação brasileira eram as Forças Armadas - Exército, Marinha ou
Aeronáutica. Com raras exceções, eles viraram militares depois de já serem
atletas. Das 19 medalhas conquistadas pelo Brasil, 13 foram de atletas militares.
O programa, atualmente, é voltado para atletas de alto nível. Todos são
contratados como 3º sargento, cargo que lhes garante uma renda em torno de
R$ 3 mil. Essa patente foi escolhida porque exige Ensino Médio.
Os atletas-militares não têm que treinar nos quartéis ou mesmo passar
tempo prestando serviços como os de carreira. Suas obrigações são fazer um
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curso para entender os princípios e práticas dos oficiais, atender à convocação


para Jogos Mundiais Militares e passar por avaliações periódicas das comissões
esportistas. De resto, podem treinar com seus técnicos originais.
Os militares foram criticados por priorizarem o investimento em atletas
prontos, de alto nível. Para os críticos, as Forças Armadas deveriam investir mais
na formação de atletas.

Superatletas
O nadador norte-americano Michael Phelps fechou com chave de ouro a
participação na sua última Olimpíada. Foram cinco ouros e uma prata nesta
edição, totalizando 28 medalhas na carreira: 23 ouros, três pratas e dois
bronzes, além de 37 recordes mundiais.
Entre as nadadoras, Katie Ledecky deu aos EUA na natação feminina
quatro ouros e uma prata – melhor desempenho entre as mulheres que
disputaram os Jogos. Logo depois dela está a ginasta norte-americana Simone
Biles, que leva para casa quatro ouros e um bronze.
O jamaicano Usain Bolt conquistou três ouros, nos 200, 100 metros e no
revezamento 4x100.

Protestos nos estádios


O clima de protestos pôde ser sentido já na cerimônia de abertura da
Olimpíada. O presidente em exercício, Michel Temer, foi vaiado durante sua fala
ao abrir oficialmente os Jogos e também recebeu manifestações de apoio. Nos
dias que se seguiram, por causa de uma lei sancionada pela presidente afastada,
Dilma Rousseff, pessoas que portavam cartazes de protesto e com a inscrição
"Fora, Temer" foram retiradas das arenas pelas forças de segurança.
Mas, no dia 8 de agosto, uma liminar da Justiça Federal vetou a proibição
de protestos nas arenas e estabeleceu multa para o Estado do Rio de Janeiro, a
União e o Comitê Olímpico caso a medida fosse descumprida. Os protestos
foram, então, liberados.

Nadadores norte-americanos
Um dos casos mais polêmicos da Olimpíada envolveu os nadadores norte-
americanos Ryan Lochte, Gunnar Bentz, Jack Conger e James Feigen. Eles
mentiram que foram roubados na madrugada do dia 14 de julho, no trajeto
entre uma festa na Lagoa, Zona Sul do Rio, e a Vila Olímpica. Na versão de
Lochte e Feigen, os criminosos eram homens armados que apresentaram
distintivos policiais. Depois, descobriu-se que, na verdade, eles se envolveram
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em uma confusão em um posto de gasolina na Barra. Admitiram que estavam


bêbados.
Lochte acabou pedindo desculpas, dizendo que não foi cuidadoso nem
sincero. A polícia indiciou Lochte e Feigen por falsa comunicação de crime.
Feigen pagou multa de R$ 35 mil.

Venda ilegal de ingressos


A Polícia carioca prendeu várias pessoas suspeitas suspeito de fazer parte
de um esquema ilegal de venda de ingressos na Olimpíada. Entre os presos,
estava Patrick Hickey, membro do Comitê Executivo do Comitê Olímpico
Internacional (COI) e presidente do Comitê Olímpico da Irlanda. Segundo a
Polícia, os envolvidos praticaram os crimes cambismo, marketing de emboscada
e formação de quadrilha.

7. Trabalho escravo
No Brasil contemporâneo, trabalho escravo é quando o trabalhador não
consegue se desligar do patrão por fraude ou violência, quando é forçado a
trabalhar contra sua vontade, quando é sujeito a condições desumanas de
trabalho ou é obrigado a trabalhar tão intensamente que seu corpo não aguenta
e sua vida pode ser colocada em risco.
Dispõe o artigo 243 da Constituição Federal que: As propriedades rurais e
urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de
plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei
serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação
popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras
sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. A
matéria precisará ser regulamentada por lei.
De acordo com o artigo 149 do Código Penal brasileiro, são elementos que
caracterizam o trabalho análogo ao de escravo: condições degradantes de
trabalho (incompatíveis com a dignidade humana, caracterizadas pela violação
de direitos fundamentais que coloquem em risco a saúde e a vida do
trabalhador), jornada exaustiva (em que o trabalhador é submetido a esforço
excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta danos à sua saúde ou risco de
vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço através de fraudes,
isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas) e servidão
por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele).
Os elementos podem vir juntos ou isoladamente.
Utiliza-se a expressão "trabalho análogo ao de escravo", porque o
trabalho escravo foi formalmente abolido em 13 de maio de 1888 e o Estado

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passou a considerar ilegal um ser humano ser dono de outro. O que


permaneceram foram situações semelhantes ao trabalho escravo, tanto do
ponto de vista de cercear a liberdade quanto de suprimir a dignidade do
trabalhador, tratando-o como uma coisa, um objeto comercializado, não como
um ser humano.
Apesar de estar normalmente associado ao campo, o trabalho escravo tem
sido cada vez mais flagrado nas grandes cidades. De 2013 a 2015, o número de
trabalhadores libertados no meio urbano foi maior que o do meio rural. Uma das
explicações para a mudança é o boom de grandes obras pelo país.

8. O racismo nas redes sociais


Nos últimos meses, vários casos de racismo contra personalidades nas
redes sociais nas redes sociais ganharam destaque na imprensa. Em julho,
outubro, novembro e dezembro de 2015, a jornalista Maria Júlia Coutinho, a
Maju e as atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes, respectivamente
foram alvos de comentários rascistas no Facebook. Em maio de 2016, a cantora
Ludmilla foi alvo de comentários racistas em uma de suas redes sociais na
Internet. Em julho de mesmo ano, comentários racistas foram postados no perfil
do Facebook da cantora Preta Gil. Os casos são semelhantes entre si: perfis
falsos nas redes sociais ofendem personalidades com comentários
preconceituosos como “cabelo de esfregão” e “macaca”.
Os crimes foram registrados na Polícia. Os responsáveis pelos atos de
racismo contra Maju, Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezes foram
identificados e estão sendo processados. A Polícia ainda investiga quem são os
responsáveis no caso de Preta Gil.
Os episódios exemplificam como a internet tem servido de palco para o
ódio às diferenças. As manifestações de racismo e injúria racial nas redes sociais
escancaram a realidade preconceituosa que ainda existe no Brasil, alimentadas
pela ideia de que a internet seria um território sem lei: um espaço público que
cada um pode falar o que quiser. Sob a proteção do anonimato, muitos
agressores criam perfis falsos para deixar registros de incitação ao ódio e
comentários de cunho racista nas redes sociais.
É possível ter uma dimensão da amplitude desse problema a partir dos
dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (Safernet). A
organização desenvolveu um sistema automatizado para registrar as denúncias,
que permite ao internauta acompanhar, em tempo real, cada passo do
andamento das ocorrências. Em dez anos, a Safernet recebeu 525.311
denúncias anônimas de racismo envolvendo 81.732 páginas distintas, das quais
apenas 18.287 foram removidas. De 2006 para 2015, o número de denúncias

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anual saltou de 25.690 para 55.369, mais do que o dobro na taxa de aumento
(115%).
Se o anonimato da internet cria um terreno fértil para a proliferação de
crimes de incitação ao ódio, a impunidade pavimenta o caminho para que os
agressores saiam ilesos”. No caso de Maju e das atrizes Taís Araújo, Cris Vianna
e Sheron Menezzes houve uma resposta rápida com a identificação e
responsabilização dos acusados. Mas, a despeito das mobilizações recentes do
Ministério Público e da Polícia Civil para não deixar esses casos impunes, o
sistema não tem respondido com a mesma agilidade para todo o conjunto da
sociedade. Muitas vítimas, descrentes na eficácia da Justiça para esse tipo de
crime ou mesmo por desconhecer as vias judiciárias, não se dão ao trabalho de
prestar queixa na delegacia – o que só agrava o problema.
Pela legislação brasileira, o racismo é crime desde 1989, quando entrou
em vigor a chamada Lei Caó – em referência ao deputado e ativista do
movimento negro Carlos Alberto Oliveira.
É inegável que os ataques rascistas contra personalidades midiáticas
deram maior visibilidade para o problema. Mas a questão de forma alguma está
restrita ao campo das celebridades ou mesmo às redes sociais. O racismo,
observado diariamente em situações cotidianas, é parte de um problema muito
mais abrangente: a desigualdade racial.
Os negros (pretos e pardos) são 53,6% da população brasileira (IBGE,
2014). No entanto, a diferença é marcante na desvantagem da população negra
em sua participação na educação, pobreza, salários e nos números da violência.
A representatividade dos negros na Câmara dos Deputados, no Senado Federal
e no Judiciário é bem inferior à dos brancos.

9. Bloqueio do WhatsApp
Em julho de 2016, a Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio do
WhatsApp em todo o Brasil. Segundo a Justiça, o bloqueio deveu-se ao fato do
Facebook, proprietário do aplicativo, não ter atendido a determinação judicial
para interceptar mensagens que seriam usadas em uma investigação policial em
Duque de Caxias, na Baixada Fluminense (RJ). O bloqueio foi revogado por
decisão do presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski.
Para o presidente do Supremo, o bloqueio foi uma medida desproporcional
porque o WhatsApp é usado de forma abrangente, inclusive para intimações
judiciais, e fere a segurança jurídica. O ministro destacou que o Marco Civil da
Internet tem como princípio a garantia da liberdade de expressão e
comunicação. E afirmou que a lei tem preocupação com a segurança e com a
funcionalidade da rede. Por fim, destacou que as mensagens instantâneas têm

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grande impacto na vida dos cidadãos. O WhatsApp tem mais de 1 bilhão de


usuários no mundo – o Brasil é o segundo país com mais usuários.
Essa é a quarta vez que o aplicativo de mensagens pertencente ao
Facebook é alvo de suspensões por questões judiciais. Em todos os casos, os
juízes que expediram os pedidos de bloqueio alegaram um desrespeito do
WhatsApp para com a legislação brasileira. O aplicativo, por sua vez, sempre
alegou colaborar com a Justiça, mas não ter as informações, nem mesmo
capacidade técnica para atender aos pedidos.
A primeira decisão de bloqueio do WhatsApp no Brasil foi determinada pelo
juiz Luís Moura Correia, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina.
Segundo a Justiça, a empresa se negou a conceder informações para uma
investigação policial.
Na ocasião, o aplicativo não chegou a ficar fora do ar. Quinze dias depois,
um desembargador do Piauí derrubou o mandado judicial alegando que as
empresas telefônicas e seus usuários não deveriam ser penalizados por uma
decisão judicial.
A segunda decisão de bloqueio partiu da 1ª Vara Criminal de São Bernardo
do Campo e corria em segredo de Justiça. Segundo o Tribunal de Justiça de São
Paulo, o WhatsApp não atendeu a uma determinação judicial de julho de 2015
envolvendo uma ação criminal.
O aplicativo de mensagens ficou fora do ar por cerca de 14 horas. No dia
seguinte ao do início do bloqueio, uma liminar do TJ-SP permitiu que as
operadoras deixassem de suspender o acesso ao aplicativo.
A terceira decisão veio do juiz Marcel Maia Montalvão, da Justiça de
Sergipe, que ordenava o bloqueio do WhatsApp em todo o país por 72 horas.
Mais uma vez, o pedido foi feito porque o Facebook, dono do aplicativo de
mensagens, não cumpriu uma decisão judicial anterior de compartilhar
informações que subsidiariam uma investigação criminal. A operadora que
descumprisse a ordem pagaria multa diária de R$ 500 mil.
Desta vez, o WhatsApp ficou bloqueado no Brasil inteiro por cerca de 24
horas. Os advogados do aplicativo entraram com um pedido de reconsideração,
que foi analisado e aceito por outro desembargador do TJ-SE, Ricardo Múcio
Santana de Abreu Lima, liberando assim o uso do aplicativo no Brasil.

10. Cultura

Hector Babenco

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O cineasta Hector Babenco morreu em julho de 2016. Nascido na


Argentina, mas naturalizado brasileiro, Babenco tinha 70 anos e havia sido
indicado ao Oscar de melhor diretor pelo filme "O beijo da mulher aranha"
(1985). Também dirigiu clássicos como "Pixote: A lei do mais fraco" (1982) e
"Lúcio Flavio, o passageiro da agonia" (1977), além de "Carandiru" (2003).
“Pixote: A lei do mais fraco” conta a história de um garoto que faz parte
de um grupo de crianças de rua. Após sofrer muito em um reformatório, ele faz
aliança com uma prostituta, interpretada por Marília Pera.
Na vida real, "Pixote" terminou em tragédia. O ator Fernando Ramos da
Silva, que interpretou o protagonista do filme, acabou não seguindo carreira.
Sete anos após o lançamento do filme, foi assassinado por policiais em São
Paulo.

Guilherme Karan
O ator e comediante Guilherme Karan também faleceu em julho de 2016.
Um dos seus trabalhos de maior sucesso na TV foi no humorístico TV Pirata,
onde ele interpretou dezenas de personagens, como o Zeca Bordoada. Outro
papel de destaque foi como Porfírio, em "Meu bem, meu mal", quando ele criou
o bordão "Divina, Magda", em referência à personagem de Vera Zimmermann.
Karan também participou de várias peças de teatro e filmes. Em "Super
Xuxa contra o baixo astral", Karan interpretou Baixo Astral, um dos seus maiores
sucessos no cinema. Em "O clone" (2001), ele interpretou outro grande sucesso,
como Raposão.

Pampulha – Patrimônio Cultural da Humanidade


O Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte é o 13º sítio do país
a ser declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco (Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura). Se considerados também os bens
naturais considerados pela Unesco, a Pampulha passa a ser o 20º bem brasileiro
inscrito na lista do patrimônio mundial.
A Pampulha é o quarto sítio em Minas Gerais que recebe o título, que
ainda tem a cidade de Ouro Preto, o centro histórico de Diamantina e o santuário
do Senhor Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, declarados patrimônio.
Criada na década de 1940 pelo então prefeito de Belo Horizonte, o ex-
presidente Juscelino Kubistchek (1902-1976), para ser um centro de lazer e
turismo, foram construídos na Pampulha quatro prédios de formas
arredondadas, linhas simples e cores claras, a Igreja São Francisco de Assis, o
Iate Tênis Clube, a Casa do Baile e o Museu de Arte, concebidos pelo arquiteto

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Oscar Niemeyer, com jardins do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) e


pinturas de Cândido Portinari.
De acordo com a assessoria do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico), além de patrimônio cultural, o conjunto da Pampulha foi o primeiro
sítio no mundo a receber o título de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno,
que começou a ser concedido este ano pela Unesco.

Sítios brasileiros do Patrimônio Cultural:


Cidade Histórica de Ouro Preto (MG)
Centro Histórico de Olinda (PE)
Missões Jesuíticas Guarani, Ruínas de São Miguel das Missões (RS)
Centro Histórico de Salvador (BA)
Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG)
Plano Piloto de Brasília (DF)
Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI)
Centro Histórico de São Luiz do Maranhão (MA)
Centro Histórico de Diamantina (MG)
Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO)
Praça de São Francisco, em São Cristóvão (SE)
Rio de Janeiro (paisagens entre a montanha e o mar) (RJ)
Conjunto Moderno da Pampulha (MG)

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AULA 06 – Ecologia, Meio Ambiente e Desenvolvimento


Sustentável - I

Sumário Página

1. As origens das preocupações ambientais 1

2. A sociedade de consumo 2

3. O desenvolvimento sustentável 5

4. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 10

5. Questões Comentadas 14

6. Lista de Questões 31

7. Gabarito 40

1. As origens das preocupações ambientais


A subsistência do ser humano sempre dependeu dos recursos naturais à
sua volta. Ao longo da história, a exploração do meio ambiente contribuiu para
o apogeu e para o declínio de grandes civilizações. Por conta dessa forte
interdependência, o debate ambiental ganhou visibilidade aos poucos, trazendo
diferentes visões sobre o desenvolvimento e a conservação da natureza.
Durante milhares de anos, o homem argumentou que destruía o meio
ambiente para obter recursos indispensáveis à sua subsistência. Hoje, cientistas
mostram que a própria sobrevivência da humanidade está em xeque por causa
da exploração desenfreada dos recursos da natureza. Já não resta outra saída:
a preservação de nossa espécie depende de uma mudança radical.
Praticada há milênios, a agricultura sempre produziu impactos negativos
sobre o meio ambiente. O desmatamento e a desertificação do solo promovidos
por nossos ancestrais são prova disso. Porém, foi com o avanço tecnológico que
se impôs um novo ritmo de ação predatória. Foi só a partir da industrialização
que os cientistas começaram a se articular para discutir os efeitos da poluição
e os inúmeros problemas socioambientais causados pelo novo modelo de
produção.
Iniciada na Inglaterra, a Revolução Industrial foi um divisor de águas
na história da humanidade. Ela transformou artesãos em proletários, ambientes
domesticados em artificiais, subsistência em salário, imprimindo uma drástica

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mudança na organização social. Além das transformações socioeconômicas, a


Revolução Industrial também intensificou problemas ambientais, acelerando a
extração dos recursos naturais.
No final do século XVIII, a comunidade científica passa a se interessar mais
intensamente pelas questões ambientais. Preocupados com a falta de freio do
progresso tecnológico, os cientistas argumentavam que era necessário
estabelecer áreas intocáveis, onde a ação transformadora do homem fosse
bloqueada. Nasciam, assim, os primeiros santuários ecológicos, como o Parque
Yellowstone nos Estados Unidos, criado em 1872.
Após a II Guerra Mundial, no período da Guerra Fria, Estados Unidos e
União Soviética armaram-se até os dentes, ostentando arsenais bélicos
suficientes para destruir o planeta inteiro várias vezes. A corrida armamentista
alarmou não apenas os estudiosos, mas largas parcelas da população mundial.
O debate ambiental, antes restrito às camadas intelectuais, ganhou a atenção
de todas as classes, tornando-se um assunto do dia a dia.
Influenciados pela crescente pressão social, os governos não ignoraram
esses alertas. Com a chegada do século XX, diversos acordos internacionais
buscaram mitigar os efeitos nocivos da ação humana sobre a natureza.

2. A sociedade de consumo
Vivemos em uma sociedade marcada e dominada pela lógica do consumo.
Todas as pessoas - jovens, adultos, idosos – sejam elas ricas ou pobres - estão
inseridas nesse contexto. São centenas de milhares de produtos apresentados
como se tivéssemos a necessidade de tê-los para se alcançar a felicidade. O ato
de consumir é colocado como uma das formas que permitem ao cidadão ou ao
indivíduo sentir-se inserido na sociedade.
A economia mundial vive um momento em que um dos seus sustentáculos
é a produção em larga escala de bens materiais. Vive-se um tempo em que
existe forte pressão para que o estilo de vida seja baseado no consumo. A casa,
o carro, as viagens fazem parte desse estilo.
A expansão do consumismo acelerado acarreta alta demanda/necessidade
de energia, minérios, água e tudo o que é necessário à produção e ao
funcionamento dos bens de consumo. O consumo exacerbado, não sustentável,
globalizou-se. A expansão desenfreada do consumo trouxe consigo problemas
que antes eram vistos como indiretos, mas que hoje estão cada vez mais ligados
de forma direta aos problemas ambientais.
A ONU tem alertado para a velocidade da utilização dos recursos naturais,
que já é muito maior que a capacidade de regeneração da natureza. Para alguns

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elementos da natureza a reposição é impossível, a escala de tempo para a


formação é milhões de vezes maior que a vida média dos seres humanos.
Segundo o World Wildlife Fund (WWF), uma das ONGs ambientalistas mais
ativas no mundo, o homem está consumindo 30% a mais dos recursos naturais
que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório, em 2030 a
demanda atingirá os 100% - ou seja, precisaremos de dois planetas para
sustentar o mundo (veja o esquema da figura abaixo).

Pegada ecológica humana

Crédito: Ecological Footprint Network, 2010


PASSAMOS DO LIMITE - A linha azul representa tudo de que a humanidade dispõe para sobreviver - os
recursos de um planeta, nem mais nem menos. É sobre esse planeta que a humanidade imprime sua
pegada ecológica (linha vermelha). A maneira de manter o equilíbrio entra a pegada ecológica e a
biocapacidade é reduzir o ritmo de exploração dos recursos naturais, desenvolvendo a produção de uma
forma equilibrada.

A biocapacidade é um indicador que mede a área de terras e águas


capazes de gerar recursos biológicos úteis e de absorver os resíduos produzidos
pelas atividades humanas. A Terra tem uma biocapacidade de 13,4 bilhões de
hectares globais. A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é
medida pela pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está

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de acordo com a capacidade do planeta em oferecer e renovar seus recursos


naturais e absorver os resíduos provocados pela atividade humana.
O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície
ocupada por terras cultivadas, pastagens, florestas, áreas de pesca ou
edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta estaria garantida se cada
pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectares de área (quase dois campos de futebol).
O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países
desenvolvidos, esse número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por
exemplo, é de 9,6 hectares por pessoa.

(FGV/AL BA/2014 – TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR) É um indicador


utilizado para avaliar o consumo humano de recursos naturais em
relação à capacidade da Terra de regenerá los.
Esse indicador mede a área biologicamente produtiva necessária para
regenerar os recursos consumidos por uma população humana, de modo
a estimar quantos “planetas Terra” seriam necessários para sustentar a
humanidade, caso todos vivessem segundo um determinado estilo de
vida.
A descrição acima faz referência à noção de
a) pegada ecológica.
b) manejo sustentável.
c) biodiversidade.
d) sustentabilidade.
e) ecossistema.
COMENTÁRIOS:
A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela
pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com
a capacidade do planeta em oferecer e renovar seus recursos naturais e absorver
os resíduos provocados pela atividade humana.
O índice foi criado pelo World Wildlife Fund (WWF). Apresentado em
hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cultivadas,
pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade
do planeta estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectares
de área (quase dois campos de futebol). O problema é que essa média é de

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cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse número é ainda maior –
o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 9,6 hectares por pessoa.
Gabarito: A

3. O desenvolvimento sustentável
Apesar de relativamente recente, a ideia de “desenvolvimento
sustentável” era percebida há muitas décadas. A deterioração do ar, da água e
dos solos já preocupava muitos governos europeus, que vivenciavam a
destruição das florestas e dos rios, bem como a péssima qualidade de vida dos
seus habitantes.
No início do século XX ficava cada vez mais claro que esses problemas
somente cresceriam e que seria necessária uma ação conjunta. Porém, foi
somente depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que os esforços
internacionais pela preservação ambiental começaram a ter algum resultado.
Gradativamente, a comunidade internacional despertava para a
problemática atual, até que em 1972, o Clube de Roma, uma organização
voltada ao debate do futuro da humanidade, publicou com apoio de especialistas
do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o relatório Limites do
Crescimento. Alvo de muita polêmica, o relatório afirmava que se
continuassem os ritmos de crescimento da população, da utilização de recursos
naturais e da poluição, a humanidade correria sérios riscos de sobrevivência no
final do século XXI.
O relatório do Clube de Roma repercutiu de tal forma que, em 1972, a
ONU organizou a Conferência de Estocolmo, conhecida como 1ª Conferência
Internacional para o Meio Ambiente Humano.
Considerada um marco do movimento ambiental, foi a primeira
conferência organizada pela ONU que debateu os problemas ambientais do
planeta. Poucos avanços foram conseguidos ao final da conferência, porém, a
sensibilização das lideranças da comunidade internacional acabou levando a
ONU a criar o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Após a Conferência de Estocolmo, a comunidade internacional continuou
debatendo e se mobilizando sobre o tema. Mas o conceito de desenvolvimento
sustentável só iria surgir quinze anos depois, em 1987, em um contundente
documento divulgado pelo Pnuma – o Relatório Nosso Futuro Comum
(também chamado de Relatório Brundtland). A coordenação da elaboração
do documento coube a então primeira-ministra da Noruega – Gro Harlem
Brundtland.
O relatório Nosso Futuro Comum é o primeiro grande documento científico
que apresenta com detalhes as causas dos principais problemas ambientais e
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ecológicos, envolvendo atividades e políticas econômicas e discutindo


abertamente os problemas das tecnologias usadas para movimentar a
sociedade.
O documento popularizou o conceito de desenvolvimento sustentável,
assim definido pelo relatório:

“Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades da


geração presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de
satisfazerem as suas próprias necessidades.”

Galera, não há um conceito único para o desenvolvimento sustentável. Há


muitos conceitos, que variam conforme o autor. Por isto, é fundamental
compreender a ideia, a proposta do desenvolvimento sustentável.
Vários autores propõe o conceito de sustentabilidade, que, segundo os
próprios, seria mais abrangente que o desenvolvimento sustentável. Pode-se
dizer que o desenvolvimento sustentável diz respeito à noção de que a sociedade
deve viver com os recursos naturais que o meio ambiente pode fornecer-lhe, e
não com o que ela deseja que a Terra lhe forneça. O grande desafio é aliar o
progresso econômico à preservação do meio ambiente, o que exige uma
mudança de modelo de desenvolvimento e nos padrões de consumo
vigentes.

Sustentável é o desenvolvimento visto da maneira mais ampla possível –


crescimento econômico com igualdade e justiça social, sem comprometer os
recursos naturais, que garanta qualidade de vida para as gerações futuras. A
ideia é que a pressão exercida pelas atividades humanas não seja tão intensa a
ponto de esgotar seus recursos, como as terras aráveis, água limpa e florestas.
Ao mesmo tempo, todo desenvolvimento deve garantir condições de saúde,
moradia e educação a toda a população – respeitando, inclusive, as
peculiaridades e culturas de diferentes grupos, como as populações indígenas.

(ESAF/MI/2012 – CARGOS DE NÍVEL SUPERIOR) Recente relatório do


Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) informa
que, nas duas últimas décadas, a população cresceu 26% (são 1,45

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bilhão de pessoas a mais) enquanto o consumo de recursos naturais


aumentou 40%. As emissões de gás carbônico aumentaram 36% no
mesmo período. A propósito desse quadro, assinale a opção correta.
a) O uso acelerado de recursos naturais é um sinal de alerta para o
planeta, que pode vir a enfrentar a exaustão de recursos estratégicos.
b) Apesar de seu efeito poluidor, as emissões de gás carbônico ainda
não podem ser relacionadas às mudanças climáticas, a exemplo do
aquecimento global.
c) Em geral, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países é
inversamente proporcional ao aumento do consumo de recursos
naturais.
d) Nos últimos anos, verifica-se aparente paradoxo ambiental:
enquanto o nível do mar tem aumentado, recua significativamente o
número de catástrofes naturais.
e) O relatório do Pnuma demonstra que já não há mais possibilidade de
se alterar a trajetória de tendências perigosas que ameaçam a vida
humana no planeta.
COMENTÁRIOS:
a) Correta. A ONU e outras entidades ambientais e científicas internacionais
têm alertado para a velocidade da utilização dos recursos naturais, que já é
muito maior que a capacidade de regeneração da natureza. Segundo o World
Wildlife Fund (WWF), o homem está consumindo 30% a mais dos recursos
naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório, em
2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja, precisaremos de dois planetas para
sustentar o mundo.
b) Incorreta. O CO (gás carbônico) é o principal gás causador da intensificação
do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
c) Incorreta. Em geral, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países
é diretamente proporcional ao aumento do consumo de recursos naturais.
d) Incorreta. As mudanças ambientais pelas quais o planeta Terra tem passado
demonstram que nos últimos anos o nível médio dos oceanos tem se elevado,
bem como tem ocorrido um aumento no número de catástrofes naturais.
e) Incorreta. Ainda há tempo para uma mudança efetiva no processo
civilizatório da humanidade de forma a evitar e, onde não for mais possível,
minimizar, as tendências perigosas que ameaçam a vida humana no planeta.
Gabarito: A

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O debate sobre a insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento


e sobre formas de alcançar o desenvolvimento sustentável seguiu após a
divulgação do Relatório Nosso Futuro Comum. Na verdade, é um tema central,
cada vez mais presente nas conferências ambientais da ONU. Perpassou a ECO-
92, Rio+5, Rio+10 e Rio+20.
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento – ECO92, realizou-se no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho
de 1992. A Agenda 21, foi o mais importante documento aprovado pelos
Estados-membros presentes na ECO 92. O documento está dividido em quatro
seções e quarenta capítulos sobre as mais variadas áreas. Trata-se de um
planejamento de futuro, com ações de curto, médio e longo prazos, contendo
metas, indicadores, instrumentos, recursos e responsabilidades definidas. Não é
uma agenda ambiental, mas uma agenda para o desenvolvimento sustentável.
O compromisso com a sustentabilidade traduz-se, na Agenda 21, em vinte
e sete princípios, calcados em três premissas:
• os países desenvolvidos devem mudar seu padrão de produção e
consumo e, portanto, seu modelo econômico;
• os países em desenvolvimento devem manter as metas de crescimento,
mas adotar métodos e sistemas de produção sustentáveis;
• as nações desenvolvidas devem apoiar o crescimento das mais pobres,
com recursos financeiros, transferência de tecnologia e reformas nas relações
comerciais e financeiras internacionais.
Vinte anos após a Rio92, os países membros da ONU, reuniram-se em
2012, no Rio de Janeiro, na Conferência da ONU para o Desenvolvimento
Sustentável - RIO+20. O evento teve como objetivo analisar os progressos
feitos, desde 1992, e avançar na adoção de políticas para o desenvolvimento
sustentável.
Previamente à conferência, a ONU divulgou um balanço geral da situação
do planeta. A entidade considerou que o progresso em prol da sustentabilidade
nas duas décadas anteriores, havia sido bastante limitado. Segundo a ONU,
novas tecnologias e métodos de produção adotados pela indústria baixaram em
um terço o volume de recursos empregados em cada bem ou serviço produzido
nos últimos vinte e cinco anos.
Apesar dessa evolução, no resultado final, o planeta passou a consumir
50% a mais de recursos naturais. Isso ocorreu porque as nações mais ricas não
reduziram seu nível de consumo. Simultaneamente, as economias emergentes,
como Índia e China, extremamente populosas, passaram a consumir mais do
que nas décadas anteriores.

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Como o cenário era de muita expectativa, esperavam-se resultados


concretos. Não foi o que ocorreu. A Rio+20 causou frustração aos que
esperavam metas ou agendas de compromissos.

(ESAF/MF/2014 – ASSISTENTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO) Sobre o


desenvolvimento sustentável e iniciativas governamentais e de
organismos internacionais voltadas à sua promoção, assinale a
afirmativa incorreta.
a) A Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e o
Desenvolvimento (Eco-92) propôs a superação da ideia de que
crescimento econômico é o mesmo que desenvolvimento. Com a Eco-92,
passa-se a falar em desenvolvimento sustentável, que contempla 3
dimensões interdependentes: a econômica, a social e a ambiental.
b) A primeira definição de desenvolvimento sustentável – como sendo
“aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a
capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades"
– adota somente o enfrentamento dos problemas ambientais como
objetivo do desenvolvimento sustentável.
c) A Agenda Ambiental da Administração Pública (A3P) é um programa
de gestão socioambiental criado pelo Ministério do Meio Ambiente. O
programa tem sido implementado por diversos órgãos e instituições
públicas das três esferas de governo e no âmbito dos três poderes e
pode ser usado como modelo de gestão socioambiental por outros
segmentos da sociedade.
d) A Eco-92 e as conferências internacionais que a sucederam tiveram
importante papel na edição de leis brasileiras voltadas à promoção do
desenvolvimento sustentável, a exemplo da Lei n. 12.187/2009, que
institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, e da Lei n.
12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
e) Embora os resultados práticos das conferências que sucederam a
Eco-92 – em especial a Rio+10 em Johanesburgo e a Rio+20 no Brasil –
sejam fortemente criticados, estas conferências têm um importante
papel de questionamento e mobilização dos povos em relação ao tipo de
desenvolvimento que se deseja e às responsabilidades individuais e
coletivas pelo legado que deixaremos às gerações futuras.
COMENTÁRIOS:

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a) Correta. Crescimento econômico é um conceito referente ao crescimento da


atividade econômica, à expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Isso é
diferente de desenvolvimento, que pode ser humano, social, econômico,
ambiental, entre outros. Muitos autores discorrem que o desenvolvimento
sustentável contempla até mais de três dimensões interdependentes, seriam
cinco: econômica, social, ambiental, cultural e política ou democrática.
b) Incorreta. O mais conhecido conceito de desenvolvimento sustentável é
aquele apresentado no Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum.
Conforme o documento, desenvolvimento sustentável é “aquele que satisfaz as
necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras
de suprir suas próprias necessidades". Veja que o conceito é um tanto genérico,
amplo e não restringe o desenvolvimento sustentável ao o enfrentamento dos
problemas ambientais.
c) Correta. A Agenda Ambiental da Administração Pública (A3P) é um programa
de gestão socioambiental criado pelo Ministério do Meio Ambiente. O programa
tem sido implementado por diversos órgãos e instituições públicas das três
esferas de governo e no âmbito dos três poderes e pode ser usado como modelo
de gestão socioambiental por outros segmentos da sociedade.
d) Correta. A Eco-92 e as conferências internacionais que a sucederam tiveram
importante papel na edição de leis brasileiras, voltadas à promoção do
desenvolvimento sustentável, a exemplo da Lei n. 12.187/2009, que institui a
Política Nacional sobre Mudança do Clima, e da Lei n. 12.305/2010, que institui
a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
e) Correta. As conferências da ONU são os principais momentos de debate e
tomada de decisões sobre o futuro do planeta. Elas têm um importante papel de
questionamento e mobilização dos povos em relação ao tipo de desenvolvimento
que se deseja e às responsabilidades individuais e coletivas pelo legado que
deixaremos às gerações futuras.
Gabarito: B

4. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

A Rio+20 deliberou pela elaboração dos Objetivos do Desenvolvimento


Sustentável (ODS), que viriam após o fim do período dos Objetivos do
Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU.

Em, 2015, após mais de três anos de discussão, os líderes de governo e


de estado aprovaram, por consenso, o documento “Transformando Nosso
Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. Nas
palavras da PNUD/ONU, “a Agenda é um plano de ação para as pessoas, o

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planeta e a prosperidade. Ela busca fortalecer a paz universal com mais


liberdade e reconhece que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e
dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global ao
desenvolvimento sustentável”.
A Agenda consiste em uma Declaração, 17 Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável e as 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e de
parcerias globais, e um arcabouço para acompanhamento e revisão. Os ODS
aprovados foram construídos sobre as bases estabelecidas pelos Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio (ODM), de maneira a completar o trabalho deles e
responder a novos desafios. São integrados e indivisíveis e mesclam, de forma
equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável, consideradas
pela ONU: a econômica, a social e a ambiental.
A Agenda considera cinco áreas como de importância crucial para a
humanidade e para o planeta no período 2016-2030, denominadas de cinco P’s.
Vejamos na figura a seguir:

Os cinco P´s da Agenda 2030

Vamos ver agora os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável:


1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.
2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da
nutrição e promover a agricultura sustentável.
3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos,
em todas as idades.

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4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e


promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e
meninas.
6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e
saneamento para todos.
7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço
acessível à energia para todos.
8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e
sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.
9. Construir infraestruturas robustas, promover a industrialização
inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos,
seguros, resistentes e sustentáveis.
12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus
impactos.
14. Conservar e usar sustentavelmente dos oceanos, dos mares e dos
recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a
desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de
biodiversidade.
16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento
sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir
instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global
para o desenvolvimento sustentável.

(FCC/TCE SP/2015 – AUXILIAR DE FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA) Em 02


de agosto, os 193 Estados-membros da ONU chegaram a um acordo
sobre o rascunho do documento final que constituirá a nova agenda de
desenvolvimento sustentável (ODS), que será formalmente adotada

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pelos líderes mundiais em Nova York durante a Cúpula de


Desenvolvimento Sustentável em setembro.
O documento final destaca, como um de seus principais objetivos:
a) a erradicação da pobreza no mundo.
b) o fim do terrorismo na África e no Oriente Médio.
c) a luta contra a xenofobia no mundo.
d) a expansão da justiça social em todo o mundo.
e) o fim das perseguições religiosas no mundo.

COMENTÁRIOS:
Eis uma forma fácil de memorizarmos os ODS:

Pelo que estudamos, o gabarito é a alternativa “A”.

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