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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

ENGº ESP DAVI VALENTE SANTOS


Conteúdo da aula
Madeira

• Introdução;
• Estrutura da árvore;
• Propriedades físicas da madeira;
• Propriedades químicas da madeira;
• Preservação da madeira;
• Derivados da madeira;
• Aplicações.

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Introdução
•DEFINIÇÕES
➢Madeira utilizada com diferentes finalidades:
✓Coberturas (residenciais, comerciais, industriais e
construções rurais);
✓Cimbramentos (estrutura de concreto);
✓Transposição de obstáculos (pontes, viadutos,
passarelas);
✓Armazenamento (silos verticais e horizontais);
✓Linhas de transmissão (energia elétrica e telefonia).

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Introdução
•DEFINIÇÕES
➢Razões para empregar madeira na construção
civil:
✓Fácil trabalhabilidade;
✓Ótima relação entre densidade e resistência/rigidez;
✓Suficiente disponibilidade;
✓Possibilidade de perene renovação;
✓Baixo consumo energético em sua produção.

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Introdução
•DEFINIÇÕES
➢Razões para empregar madeira na construção civil:
✓Não apresentar deformações significativas quando submetida a altas temperaturas, diferentemente do
aço.

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Introdução
•DEFINIÇÕES
Material A B C D E F G
Concreto 2,4 1920 20 20000 96 8 8333
Aço 7,8 234000 250 210000 936 32 26923
Madeira - Conífera 0,6 600 50 10000 12 83 16667
Madeia – Dicotiledônea 0,9 630 75 15000 8 83 16667
A: densidade do material, g/cm³. No caso da madeira o valor é referente à umidade de 12%
B: energia consumida na produção, MJ/m³
C: resistência, MPa. Para concreto refere-se à resistência característica à compressão. Para o aço trata-se da tensão de
escoamento do tipo MR-250, de acordo com NBR 7700. Para madeira são valores médios da resistência à compressão
paralela às fibras, referida à umidade de 12%.
D: módulo de elasticidade, MPa.
E: relação entre valores da energia consumida na produção e da resistência.
F: relação entre os valores da resistência e da densidade.
G: relação entre os valores do módulo de elasticidade e da densidade.

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Introdução
•DEFINIÇÕES
➢Restrições ao emprego:
✓Material inflamável (tratamento retardante resolve);
✓Material biodegradável (tratamento preservativo
resolve);
✓Insuficiente divulgação das informações tecnológicas
já disponíveis acerca de seu comportamento sob as
diferentes condições de serviço;
✓Número reduzido projetos específicos desenvolvidos
por profissionais habilitados.

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Introdução
•DEFINIÇÕES
➢A madeira é um material originário do tecido vegetal com
características intrínsecas definidas pela fisiologia da árvore;
➢A formação da estrutura interna da madeira pode ser
considerada como um sistema de tubiforme que transportam
tanto a seiva bruta (da raiz até as folhas) quanto à seiva
elaborada (das folhas para o tronco – após a fotossíntese),
irrigando radialmente o tronco;
➢A fisiologia da árvore define um sistema vascular orientado na
direção vertical (longitudinal) e radial ao tronco, formada por
elementos “tubulares” denominados de fibras (traqueídes);
➢Esses elementos são estruturas macroscópicas, com
dimensões da ordem de milímetros, podendo alcançar até 3,5
mm (caso do eucalipto);

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Introdução
•DEFINIÇÕES

Diagrama esquemático da fisiologia da árvore

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Introdução
•DEFINIÇÕES

Arranjo esquemático da estrutura interna da madeira

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Estrutura da árvore
•MACROSCÓPICA
➢Medula: Tecido em torno do qual ocorre o
primeiro crescimento da árvore;
➢Cerne: Região formada por células inativas que
servem de sustentação e depósito de extrativos;
➢Alburno: Região formada por células vivas que
servem de sustentação e condução da seiva bruta;
➢Câmbio: Região onde ocorre o crescimento da
árvore por divisão celular;
➢Casca: Proteção externa das árvores formada por
células mortas.

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Estrutura da árvore
•MACROSCÓPICA
➢A madeira também apresenta diferentes
propriedades em função da época em que
ela foi produzida; Madeira
➢Classificação quanto à idade: juvenil

✓Madeira juvenil;
Madeira de
✓Madeira de transição; transição
✓Madeira adulta.
Madeira
➢Classificação quanto ao lenho: adulta
✓Lenho inicial;
✓Lenho tardio.

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Estrutura da árvore
•MICROSCÓPICA

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Propriedades físicas da madeira
•FATORES QUE INFLUENCIAM
➢Local de origem: temperatura, chuvas;
➢Solo: tipo e condições de umidade;
➢Posição da árvore em relação à floresta;
➢Peculiaridades do manejo aplicado à floresta;
➢Idade da árvore;
➢Posição da peça em relação à altura e ao diâmetro da árvore;
➢Amostragem adotada para a caracterização.

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Propriedades físicas da madeira
•UMIDADE

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Propriedades físicas da madeira
•UMIDADE
➢Importância da secagem
✓Redução da movimentação dimensional, permitindo a obtenção de peças cujo desempenho, nas
condições de uso, seja potencialmente mais adequado;
✓Possibilidade de melhor desempenho de acabamentos, como tintas, vernizes e produtos ignífugos
aplicado à superfície das peças;
✓Redução da probabilidade de ataque de fungos;
✓Aumento da eficácia da impregnação da madeira contra a demanda biológica;
✓Aumento dos valores correspondentes às propriedades de resistência e de elasticidade.

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Propriedades físicas da madeira
•DENSIDADE DE MASSA DA MADEIRA (OU DENSIDADE)
➢Uma das propriedades físicas fundamentais para definir as aplicações mais convenientes da madeiras das
diferentes espécies disponíveis;
➢É a quantidade de massa contida em uma unidade de volume;
➢A estrutura anatômica da madeira, seu caráter higroscópico combinado com sua porosidade e permeabilidade
requerem uma abordagem mais específica;
✓Densidade real: relação entre a massa da madeira e volume ocupado por ela;
✓Densidade básica: convencionalmente definida pela razão entre a massa seca e o volume nas condições de
saturação total;

𝑚𝑠
𝜌𝑏𝑎𝑠 = (g/cm³)
𝑉𝑠𝑎𝑡

✓Densidade aparente (referida à umidade de 12%)

𝑚12
𝜌𝑎𝑝 = (g/cm³)
𝑉12

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Propriedades físicas da madeira
•DENSIDADE DE MASSA DA MADEIRA (OU
DENSIDADE)
➢Expressão de Logsdon para representar a
influência da umidade na densidade aparente
(espécies crescidas no Brasil);

(12 − 𝑈)
𝜌12 = 𝜌𝑈 + 𝜌𝑈 1 − 𝛿𝑉 .
100

➢O diagrama de Kollmann e a expressão sugerida


por Logsdon podem ser usada para corrigir o valor
da densidade aparente de um corpo-de-prova
para umidade de 12%;
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Propriedades físicas da madeira
•VARIAÇÃO DIMENSIONAL DA MADEIRA
➢Caracterizada pelas propriedades de retração e de
inchamento;
➢Ortotropia: decorrência da constituição anatômica;
➢Direções principais:
✓Axial;
✓Radial;
✓Tangencial.
➢Estabilidade dimensional diretamente relacionada à
presença de água na madeira;
➢O aumento ou a diminuição do número de moléculas de
água livre não influi na retração e no inchamento;

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Propriedades físicas da madeira
•RETRAÇÃO

DIREÇÃO RETRAÇÃO TOTAL (%)


Longitudinal (L) 0,1 a 0,9
Radial (R) 2,4 a 11,0
Tangencial (T) 3,5 a 15,0
Volumétrica (V) 6,0 a 27,0

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Propriedades físicas da madeira
•RETRAÇÃO
ESPÉCIE T (%) R (%) T/R
Cedro 5,3 4,0 1,3
Cupiúba 7,1 4,3 1,7
Eucalipto Citriodora 9,6 6,5 1,5
Eucalipto Tereticornis 16,7 7,3 2,3
Ipê 7,8 5,1 1,5
Jatobá 6,9 3,6 1,9
Mogno 4,1 3,0 1,4
Sucupira 7,3 5,9 1,2
Tatajuba 5,9 4,1 1,4

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Propriedades físicas da madeira
•RETRAÇÃO

Encanoamento Encurvamento

Arqueamento Torcimento

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Propriedades de resistência e
elasticidade
•ASPECTOS GERAIS
➢São influenciadas pelas disposição de elementos
anatômicos responsáveis pela resistência mecânica;
✓Fibras no caso das dicotiledôneas;
✓Traqueídes no caso das coníferas.
➢A direção longitudinal ou axial é coincidente com a
orientação das fibras e é denominada direção paralela às
fibras;
➢Em termos práticos de construção civil, não é possível
fazer distinção entre as direções radial e tangencial,
denominadas normal às fibras;
➢A resistência e a rigidez na direção longitudinal são muito
superiores das observadas nas direções radial e
tangencial.

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Propriedades de resistência e
elasticidade
•COMPRESSÃO
➢Nas peças solicitadas à compressão paralela às fibras, as
forças agem paralelamente à direção dos elementos
anatômicos responsáveis pela resistência, o que confere uma
grande resistência à madeira;
➢Na solicitação normal, a madeira apresenta valores de
resistência menores que os de compressão paralela, pois a
força é aplicada na direção perpendicular ao comprimento
das fibras, provocando esmagamento. Os valores de
resistência à compressão normal às fibras são da ordem de
1/4 dos valores apresentados pela madeira na compressão
paralela.

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Propriedades de resistência e
elasticidade
•TRAÇÃO
➢A ruptura por tração paralela às fibras pode ocorrer por
deslizamento entre as fibras ou ruptura de suas paredes. Nos
dois casos, a deformação é baixa e a resistência é elevada;
➢Na tração normal, a madeira apresenta baixa resistência, pois
os esforços atuam na direção perpendicular às fibras,
tendendo a separá-las, com pequenas deformações. Assim,
devem ser evitadas, em projeto, situações que conduzam a tal
solicitação.

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Propriedades de resistência e
elasticidade
•CISALHAMENTO
➢Quando o plano de atuação das tensões de cisalhamento é
perpendicular às fibras (A), a madeira apresenta alta
resistência pelo fato de a ruptura implicar cisalhamento
desses elementos. Antes da ruptura por cisalhamento,
certamente a peça apresentará problemas de resistência na
compressão normal;
➢Quando o plano das tensões de cisalhamento é paralelo às
fibras, duas situações podem ocorrer. Quando a direção das
tensões coincide com a direção das fibras, o cisalhamento é
horizontal (B). Se a direção é perpendicular (C), os elementos
tendem a rolar uns sobre os outros (rolling shear);
➢A menor resistência se verifica no cisalhamento horizontal.

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Propriedades de resistência e
elasticidade
•FLEXÃO SIMPLES
➢Quando a madeira é solicitada à flexão simples, ocorrem
quatro tipos de esforços:
✓Compressão paralela às fibras;
✓Tração paralela às fibras;
✓Cisalhamento horizontal;
✓Nas regiões dos apoios, compressão normal às fibras.
➢A ruptura em peças de madeira solicitadas à flexão ocorre
pela formação de minúsculas falhas de compressão seguidas
pelo desenvolvimento de enrugamentos de compressão
macroscópicos. Esse fenômeno gera o aumento da área
comprimida na seção e a redução da área tracionada, o que
pode levar à ruptura por tração.

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Propriedades de resistência e
elasticidade
•TORÇÃO E RESISTÊNCIA AO CHOQUE
➢O comportamento da madeira solicitada por torção ainda não é muito conhecido. A norma
brasileira recomenda evitar a torção de equilíbrio em peças de madeira, em virtude do risco
de ruptura por tração normal às fibras decorrente do estado múltiplo de tensões atuante;
➢A resistência ao choque é entendida como a capacidade do material absorver energia pela
deformação. A madeira é material de ótima resistência ao choque.

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Preservação da madeira
•AGENTES DE DEGRADAÇÃO

Fogo
Insetos

Desgaste Físicos- Produtos


mecânico químicos químicos
Biológicos

Perfurado-
Microorga-
res
nismos
marinhos Agentes
climáticos

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Preservação da madeira
•ORGANISMOS XILÓFAGOS
➢Fungos emboloradores e manchadores

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Preservação da madeira
•ORGANISMOS XILÓFAGOS
➢Fungos apodrecedores

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Preservação da madeira
•ORGANISMOS XILÓFAGOS
➢Brocas-de-madeira

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Preservação da madeira
•ORGANISMOS XILÓFAGOS
➢Cupim-arborícola

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Preservação da madeira
•ORGANISMOS XILÓFAGOS
➢Cupim-subterrâneo

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Preservação da madeira
•CLASSES DE RISCO
➢Ferramenta simplificada para a tomada de decisão (produtor e usuário);
➢Uso racional e inteligente da madeira na construção civil;
➢Garantia de maior durabilidade das construções;
➢O sistema de classes de risco proposto leva em consideração:
✓Presença do(s) organismo(s) xilófago(s);
✓Durabilidade natural da madeira;
✓Tratabilidade da madeira;
✓Condições de uso/exposição da madeira.

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Preservação da madeira
•CLASSES DE RISCO
CLASSE DE RISCO (CR) CONDIÇÃO DE USO ORGANISMO XILÓGAGO
Interior de construções, fora de contato com o solo, fundações ou alvenaria, protegida
1 das fontes internas de umidade. Locais livres do acesso de cupins-subterrâneos ou Cupins-de-madeira-seca, brocas-de-madeira
arborícolas.

Interior de construções, em contato com a alvenaria, sem contato com o solo ou Cupins-de-madeira-seca, brocas-de-madeira, cupins-subterrâneos
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fundações, protegidos das intempéries e das fontes internas de umidade. e arborícolas

Cupins-de-madeira-seca, brocas-de-madeira, cupins-subterrâneos


Interior de construções, fora de contato com o solo e continuamente protegidos das
3 e arborícolas, fungos emboloradores/manchadores e
intempéries, que podem, ocasionalmente, ser expostos a fontes de umidade.
apodrecedores
Cupins-de-madeira-seca, brocas-de-madeira, cupins-subterrâneos
4 Uso exterior, fora de contato com o solo e sujeitos a intempéries. e arborícolas, fungos emboloradores/manchadores e
apodrecedores
Cupins-de-madeira-seca, brocas-de-madeira, cupins-subterrâneos
Contato com o solo, água doce e outras situações favoráveis àdeterioração, como
5 e arborícolas, fungos emboloradores/manchadores e
engaste em concreto e alvenaria.
apodrecedores
Perfuradores marinhos, fungos emboloradores/manchadores e
6 Exposição à água salgada ou salobra.
apodrecedores

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Preservação da madeira
•MADEIRA DE REFLORESTAMENTO – PINUS E
EUCALIPTO
➢Madeiras de ciclo curto que representam um real
compromisso com o meio ambiente;
➢O uso do eucalipto (peças roliças) e de pinus, tratados sob
pressão, representa uma excelente alternativa de material
de engenharia na construção civil.

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Derivados da madeira
•LÂMINAS
➢Chapa de madeira Compensada (PW – Plywood);
➢Chapa de madeira Sarrafeada (BB – Blockboard);
➢Peça Micro-laminada (LVL – Laminated Veneer Lumber);
➢Madeira Laminada Colada (MLC – Glulam).

•PARTÍCULAS
➢Chapa de Madeira Aglomerada (PB – Particleboard);
➢Chapa de Flocos Orientados (OSB - Oriented Strandboard);
➢Chapa de Flocos Não-orientados (WB - Waferboard);
➢Peça de Ripas Paralelas (PSL – Parallel Strand Lumber);
➢Peça de Flocos Orientados (OSL – Oriented Strand Lumber).

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Derivados da madeira
•FIBRAS
➢Chapa Isolante (IB – Insulating Board);
➢Chapa Dura (HB – Hardboard);
➢Chapa de Média Densidade (MDF – Medium Density
Fiberboard).

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Aplicações
•ELEMENTOS ESTRUTURAIS

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Aplicações
•COBERTAS

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Aplicações
•ELEMENTOS DECORATIVOS

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Aplicações
•WOODFRAME
➢A Construção do tipo woodframe é composta basicamente por painéis horizontais e verticais.
Esses painéis de piso são montados com elementos de madeira maciça e chapas de
compensado ou OSB;
➢Essa composição confere ao painel um comportamento bastante rígido quanto à deformação
em seu plano, e são a base para a eficiência das construções em woodframe.

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