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Você sabia?

O Dízimo não é obrigatório e o

devorador

não é

demônio VENDA PROIBIDA
demônio
VENDA PROIBIDA

Fernandes, Jardel

Você sabia? O dízimo não é obrigatório, e o devorador não é demônio. / Jardel Fernandes 2ª ed.

Fortaleza Ceará: Missão de Fé Editora, 2018.

128p. 21x15 volume I

1. Dízimo. 2. Devorador. 3. Titulo

Categoria:

Estudo Doutrina Apologia - dinheiro

Diagramação e Editoração:

Jardel Fernandes

Revisão de Texto:

Vários irmãos e irmãs do ministério missão de fé

Autoria:

Jardel Fernandes de Pinho pastorjardelfernandes@gmail.com

Impressão:

Gráfica Missão de Fé

Todos os direitos são reservados. Deverá ser pedida a permissão por E-mail ao autor para reproduzir este livro, exceto por breves citações, criticas, revistas ou artigos.

Contatos com o ministério para mais informações: (85)98848-6868, (85)99630-3546, WhatsApp (85)99127-2811

NOTA DO AUTOR

Acredito no poder do Espirito Santo que ungiu os reformadores para trazerem a igreja de volta às fontes (Latim ad fontes), creio que podemos viver a reforma, os princípios que ela nos trouxe: sola fide, sola escriptura, sola gracia, solos Cristos e solos Deu gloria, e voltarmos às fontes da genuína doutrina bíblica e apostólica; aprendi que a reforma começa por nosso próprio ministério, e antes de querermos que outras igrejas sejam reformadas, primeiro precisamos reformar a nossa própria congregação e ministério, pois é necessário que a igreja de Cristo volte às Escrituras e glorifique a Deus na terra para que seja glorificada por Deus no céu. Acredito piamente que esta obra revelada pelo Espírito Santo, alicerçada na mais pura doutrina bíblica, libertará a muitos da opressão financeira em que vivem hoje, e abrirá os olhos de muitos ministros da igreja de Cristo.

DEDICATÓRIA

A Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e ao Espírito Santo, que escolhe as coisas que não são para confundir as que são, e as coisas pequenas para confundir as grandes (1 Coríntios 1:26-29), e que chama dos confins da terra, dentre os mais excelentes os mais simples, e dos lugares mais ermos, aqueles a quem ele quer (Isaias 41:9) para serem seus instrumentos, pois é soberano e segue unicamente o Conselho da sua própria vontade, para que toda glória, seja tão somente, e para sempre Dele, Amém.

Minha esposa, irmã Viviane Pinho, meu Filho Jardel Filho, a todo o ministério missão de fé, que tem nos dado total apoio, e no meio de pressões e adversidades, a todos os irmãos que acreditaram, oraram e oram por meu ministério, para que não desfaleça na batalha, meus sinceros agradecimentos, que Deus abençoe ricamente a todos em nome de Jesus Cristo nosso Senhor.

SUMÁRIO

Prefácio

6

Introdução

10

1 O que as igrejas ensinam sobre dízimo está

correto?

21

1.1 Um breve resumo da história da lei judaica

e sua aplicação

2 O dízimo antes e durante a lei

24

2.1 O dízimo de Abraão

33

2.2 O dízimo de Abraão a Melquisedeque

2.3 O dízimo de Jacó

2.4 Porque Jesus mandou os Fariseus darem

o dízimo?

2.5 Não vim destruir a lei, mas cumprir

3 Abrir as janelas dos céus e derramar bênçãos

sem medidas?

60

4 O devorador é demônio?

65

5 O que é o dízimo dos dízimos?

71

6 Um levita dando o dízimo à igreja?

73

7 Dai a César o que é de César, e a Deus o que

é de Deus

8 O fruto proibido do jardim do Éden era o

77

dízimo?

 

81

9

A oferta da viúva pobre

84

10 Ananias, Safira e o dízimo

86

11 Jesus recebia dízimos?

90x

12 Os pais da igreja e o dízimo

93

 

12.1

Irineu de Lion

94

12.2 Clemente de Alexandria 95

12.3 Tertuliano de Cartago

96

12.4 Justino mártir

97

13 A reforma protestante e o dízimo

99

14 O príncipe dos pregadores e o dízimo 101

15 quando se iniciou a cobrança de dízimos na igreja? 105

16 Se o dízimo não é mais obrigatório, como

faço para contribuir como a igreja?

111

EXEMPLOS:

17.1 Moisés e a construção da tenda 115

17.2 Davi e a construção do templo 117

17.3 Os apóstolos e o dinheiro da igreja 118

17.4 Paulo e arrecadação de recursos 120

17.5 A igreja primitiva e a forma correta de

contribuição

121

Conclusão 123

Me mandaram mentir sobre o dízimo

271

Conselho aos pastores que cobram dízimos

131

Direitos autorais especiais

132

Bibliografia

133

PREFÁCIO

Como o “pregão”, esta verdade deveria ser apregoada publicamente em todo o país para a iluminação das “massas” à luz do evangelho da glória de Cristo. É exatamente o que as páginas deste livro: se propõe e se oferece gratuitamente, aconselhando e se comprometendo com a verdade de Deus, não a dos homens ou da “ciência” teológica.

A Sã Doutrina do Dízimoé objeto do interesse de muitas pessoas no decorrer dos séculos, desde os primórdios do “Cristianismo”. Entretanto, ela deve ser tratada com prudência e cuidado para não sermos, passivamente, arrastados pelos “ventos” de doutrinas da lógica “cauterizada” por “visões carnais” que são “soprados” por “bocas estranhas” à verdade da Nova Aliança do Evangelho da Graça de Cristo já em vigor desde o ano 30 D.C; e, ativamente, nós não sejamos também “hereges armados com a palavra de Deus” a favor do mal, ainda que sinceros, porém, equivocados. Pois, o herege é a pessoa contrária aos dogmas supostamente inquestionáveis de uma religião ou seita. Também isso é relativo à visão correta das coisas espirituais. Lembrando

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que o apóstolo Paulo se incorporou numa suposta “Seita do Caminho”. Seita esta, convencionada, sim, mas pelos “inimigos do evangelho” da graça, seita: em relação aos olhares e percepção dos “filhos da lei” e da velha religião dominante e autoritária que, segundo o mesmo apóstolo que escreveu aos Romanos, denuncia e protesta em carta, como nós hoje com este livro, Paulo, porém, contra a nação de Israel e suas más influências. Cuja nação religiosa (como o Brasil), segundo o apóstolo Paulo, a nação de Israel tinha e ainda tem “muito zelo”, porém, “sem entendimento” espiritual. Em geral, o herege é o crente cônscio ou não da sua heresia que carrega no próprio coração que, “fomentado ou fermentado” por ensinos, professa uma heresia de fato produzida, mesmo sem o saber, questionando certas crenças já estabelecidas por uma determinada religião autoritária ou não. Como para exemplo, temos aqui no Brasil, o tal “santo dízimo” do “cristianismo do evangelho da prosperidade pessoal”. Ora, se o mesmo fosse verdade e desígnio de Deus para a igreja de Cristo hoje e para o “sustento” daqueles que pregam o evangelho, como foi o dízimo legal para Israel uma verdade nacional obrigatória sob a justiça da lei da Velha Aliança, então, nós é que

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agora estaríamos, equivocadamente, com este livro, combatendo contra a verdade do desígnio de Deus ordenada universalmente para todas as nações. E pior ainda, esta mítica lendária e suposta verdade do “santo dízimo” obrigatório e de “gafanhotos devoradores” castigadores do povo rebelde e inadimplente ensinada à igreja de Cristo está “sem lei” reguladora. Afinal, “deveres e direitos” e definições de “pecado” são próprios das concessões da força de uma lei em vigor. Como também, a tal doutrina do “santo dízimo” está, em relação à Nova Aliança sem fundamentos teológicos, filosóficos e históricos (em relação aos primeiros cinco séculos da igreja).

Esperamos que este livro, emergido da “pena” fecunda do irmão Jardel Fernandes, pastor e escritor, seja uma bênção para todos aqueles que venham estudá-lo. Recomendo a todos a sua leitura e disseminação entre o povo de Deus e até fora, como também pelo ar a verdade da sã doutrina de Cristo se propague em verdade de Deus, para que o mundo “aliviado do peso do imposto pela Igreja” respire Cristo: O “ar da graça”. Deus está no ar com Amor em Cristo. Respiremos então agora “aliviados” do

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peso e da culpa impostos por quem não deveria. Vivamos então “sem ansiedade” a “vida soprada” de Deus em nós doada de graça. Que o Espírito de Deus nos guie através das sinceras e inspiradas páginas deste livro.

Robson S. Mercuri, Bach. Bacharel em Teologia pelo Bennett Metodista Flamengo RJ.

Professor do STJA: Seminário Teológico José Alfredo da Assembleia de Deus do amor em Realengo RJ. Ex-prof. Da

universidade bennett metodista R.J.

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INTRODUÇÃO

Neste livro, pretendo à luz das Escrituras, e de dados e fatos históricos, desmascarar a falsa doutrina que diz, que o dízimo é obrigatório e que o devorador é demônio, pois ela tem colocado medo e um fardo pesado em muitas pessoas sinceras que amam a Deus e querem contribuir com sua obra, mas essas pessoas têm sido exploradas financeiramente e se tornado escravas de um círculo vicioso. Pretendo provar pelos meios acima citados, que esta doutrina não se aplica à igreja de Cristo, portanto não passa de mais uma heresia.

Esses líderes que ficam prometendo prosperidade se vocês derem os dízimos, na verdade, os únicos que têm prosperado são eles com o dinheiro de vocês; eles têm luxado com o dinheiro de gente trabalhadora que muitas vezes gostaria de fazer uma viagem, mas não pode, gostaria de comer em um restaurante com sua família, mas não pode, mas esses líderes sim, tem viajado e comido nos melhores restaurantes com o dinheiro dessas ingênuas pessoas.

Se prepare para saber toda a verdade sobre

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dízimos e devoradores, verdades que você nunca ouviria nos púlpitos das igrejas de pastores mercenários, e muito menos em programas de rádio e televisão.

Vale ressaltar que este livro não foi escrito para impedir você de ajudar a obra de Deus, muito pelo contrário, desejamos que você continue ajudando sim a igreja a avançar, a fazer missões, e a resgatar almas para o Reino de Deus, mas é importante que você ajude as igrejas verdadeiras, e da forma correta, como a Bíblia realmente ensina.

Este livro, além de ensinar que dízimo não é obrigatório e devorador não é demônio, também abordará e esclarecerá vários assuntos relacionados à dízimos, por exemplo: o que era o dízimo, como era dado o dízimo, quem se beneficiava com o dízimo, quem era obrigado a pagar o dízimo, onde se entregava o dízimo, falaremos ainda sobre o dízimo que Abraão deu à Melquisedeque (Gn. 14:20), sobre o dízimo de Jacó (Gn. 28:20-22), sobre as palavras de Jesus quando disse: dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mc. 12:17), e também, o que Jesus quis dizer quando falou: eu não vim abolir a lei, mas cumprir” (Mt. 5:17,18), e também, o

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porque de Jesus ter dito aos fariseus que eles deveriam continuar dando os dízimos (Mt. 23:23), falaremos também do devorador (Ml. 3:11), o que eles fazem, quem são esses seres tão temidos pelos crentes da atualidade, explicaremos também sobre o que significa abrir as janelas do céu e derramar bênçãos sem medidas (Ml. 3:10), e muitas outras coisas relacionadas à dízimos e ofertas.

Refutaremos também, as muitas passagens bíblicas distorcidas, e argumentos deturpados, que pastores usam para arrancar os dízimos dos irmãos, e além disso, pretendemos lhe ensinar a forma correta de ajudar a obra de Deus, como contribuir, e ofertar da forma que agrada a Deus, pois infelizmente muitos pastores e líderes das igrejas não estão ensinando essa verdade como ela é, e por isso muitas pessoas estão dando seus dízimos e ofertas, mas Deus não está se agradando de nenhuma delas, pois estão sendo dadas de formas, propósitos e motivações erradas.

Dividimos os assuntos em capítulos para uma melhor leitura e compreensão, procuramos ser sucintos e objetivos, e usar a linguagem mais simplificada possível

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para facilitar ao máximo a compreensão deste assunto, onde até mesmo teólogos têm dificuldades para compreender, não por ser complexo, pois na verdade é muito simples de entender, mas porque estão com suas mentes bitoladas aos dogmas denominacionais.

Na data em que estou escrevendo este livro, fazem exatamente 17 anos que me converti ao evangelho, porém, passei mais de dez anos enganado com a equivocada doutrina de que o dízimo é obrigatório e o devorador é demônio, fui um dizimista fiel em qualquer situação, não importava as dificuldades financeiras, se eu iria deixar de pagar alguma conta, ou de fazer as compras para sustento de minha família, eu tirava o dízimo mesmo que fosse para passar fome, pois acreditava que Deus me recompensaria se assim o fizesse, também temia o devorador que viria bagunçar a minha vida se eu não desse o dízimo, só que, no meu entendimento, eu estava dando com amor e alegria, mas só agora, descobri que na verdade, eu estava debaixo de uma pressão psicológica, de um emocionalismo religioso, me sentia bem ao dar o dízimo, sentia como se tivesse cumprido um dever, minha obrigação para como Deus, e mesmo sem me expressar

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com os lábio, e nem com o pensamento, havia no mais profundo do meu coração, um sentimento quase impercetível, que Deus tinha a obrigação de me abençoar, e quando as coisas iam bem, eu acreditava que era Deus me recompensando por ser um dizimista fiel, mas quando as coisas iam mal, eu não entendia o porque, e ficava angustiado, e mesmo sem falar, mas pensava no meu íntimo de forma quase impercetível - o porque, eu dizimista fiel estaria passando por dificuldades financeiras? E como os pastores queriam que eu continuasse a dar o dízimo, me levavam a crer que era Deus apenas provando se eu continuaria sendo fiel mesmo passando por dificuldades, e se eu daria o dízimo no aperto ou se apenas quando as coisas estavam bem, na verdade eu me sentia pressionado a provar minha fidelidade, a demonstrar uma grande fémesmo nos piores sufocos, pois se eu não desse me acusariam de falta de fé, e assim eu procedia, de modo a enganar a mim mesmo.

Na verdade, tudo o que passei, é o que muitos estão passando hoje com relação ao dízimo, quantas pessoas fieis em seus dízimos que nunca ficaram ricas;

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quantas pessoas fieis em seus dízimos que faliram; ficaram desempregadas; tiveram prejuízos inexplicáveis; são muitas as pessoas fieis, que muitas vezes passam necessidades para darem seus dízimos, porque tem medo de estarem roubando a Deus, e de serem castigadas por Ele, ou de serem atacados pelo devorador.

Como pregador, por muitas vezes preguei, alertei, ameacei os irmãos de que se eles não dessem seus dízimos, eles iriam perecer no inferno, chamei de ladrão os que não davam seus dízimos com fidelidade, ensinava que eles tinham que mostrar sua fé em Deus, e darem seus dízimos exatamente nos tempos de crise.

Mas quando Deus me resgatou do sistema religioso corrompido da atualidade, e me trouxe de fato para o genuíno evangelho de Cristo, eu aprendi estudando sistematicamente a santa palavra de Deus, o que meus pastores nunca me ensinaram, o que nunca ouvi ninguém pregar em rádios, e televisões; não sei se eles fazem isso por ignorância ou por malícia, mas agora aprendi que o dízimo era uma doutrina da antiga aliança para o povo judeu, e que após a morte de Cristo, não é mais obrigatório, nem para os judeus e muito menos para a

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igreja, aprendi também que o dízimo nunca foi dinheiro, e que o devorador nunca foi demônio, são penas invenções de alguns líderes, para impor medo nas pessoas, para que elas não parem de dar seus dízimos.

Na verdade, não encontramos os apóstolos em momento algum cobrando dízimo da igreja, em todos os escritos da nova aliança, em nenhum livro do cânon sagrado, encontramos esta exigência, de que a igreja tem que pagar o dízimo, e que os irmãos que não pagam os dízimos estão roubando a Deus, em nem um momento vemos os apóstolos ameaçando os irmãos por não darem o dízimo, muito pelo contrário, quando os judeus quiseram impor sobre a igreja dos gentios, a obrigação da prática dos preceitos da lei, incluindo a guarda do sábado, a circuncisão, e todos os outros preceitos da lei (Atos 15:5), os apóstolos e os líderes da igreja se reuniram para considerarem este assunto, e ficou determinado pelo Espírito Santo, e pelos líderes da igreja, que a igreja dos gentios que somos nós, não somos obrigados a guardarmos nenhum dos preceitos da lei Mosaica (Atos

15:22-29).

Infelizmente,

nos

dias

17

de

hoje,

temos

visto

apelações absurdas de muitos líderes, para conseguirem arrancar os dízimos das pessoas, estabelecendo o seguinte: dízimo da conquista, dízimo da vitória, dízimo da dupla honra e etc. Isso é um verdadeiro absurdo, heresia, falsa doutrina, pois não existe isto nas sagradas escrituras.

Ao ensinar esta doutrina, muitos me chamam de avarento, e dizem que eu ensino isso porque não quero contribuir com a obra, não é que eu não queira contribuir com a obra de Deus, muito pelo contrario, continuo contribuindo, mas agora com amor e alegria, sem esperar algo em troca, nem com medo do devorado, nem com imposição de 10%, esses fardos não pesam mais sobre mim, pois pela misericórdia de Deus sou o pastor, fundador e presidente do Ministério Missão de Fé, e penso que se há alguém que tenha interesse em que o povo contribua como o nosso ministério, este alguém sou eu, pois todas as despesas deste ministério são de minha responsabilidade, todavia hoje na autoridade e no poder do Espírito Santo, prego esta verdade para ajudar a outras pessoas a se libertarem deste imposto chamado dízimo.

Porém antes de começar a pregar esta verdade,

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quero que saibam, que quando Deus me revelou esta doutrina de que o dízimo não é obrigatório e o devorador não é demônio, eu luteicom Deus em oração dizendo:

Senhor, se eu pregar que o dízimo não é obrigatório, as pessoas vão parar de contribuir, e não vai dar para sustentar o ministério!? “Eu passei muitos meses para criar coragem e fé para pregar esta verdade, que além de ser bíblica é irrefutável, todavia O Senhor me chamou para pregar a sua verdade seja ela qual for, e não pude me calar diante de uma doutrina tão clara, porém desconhecida da maioria dos cristãos, e que precisa vir ao conhecimento de todos.

É verdade que quando comecei a pregar esta doutrina, várias pessoas deixaram de ajudar a obra, provando que realmente só contribuíam por medo ou a espera de algo em troca, outros ficam confusos e me questionava a respeito dizendo: “que nova doutrina é esta? (Marcos 1:27)”; mas na verdade não é uma nova doutrina, é a doutrina da igreja desde de que se iniciou a dois mil anos atrás. A princípio tivemos dificuldades, nossa fé foi provada, mas como Deus é fiel e cuida da sua obra, Ele tem levantado pessoas de várias partes do Brasil e do

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mundo para ajudar nosso ministério, e tenho certeza que Ele vai continuar levantando mais pessoas sinceras e que amam a verdadeira obra de Deus, o Senhor tem mostrado que Ele é o provedor da sua obra, não precisamos ficar com apelações de envelopes, nem prometendo riquezas as pessoas que ajudam o ministério, e muito menos mentindo, dizendo que se elas não derem o dízimo estão roubando a Deus, e ameaçando-as de um devorador que não existe, não precisamos omitir sua doutrina, para que a provisão Dele venha, basta confiar nele e pregar toda verdade.

Portanto desejamos muito que você a quem chegou este livro, seja bem alimentado, e aprenda mais esta verdade bíblica, para seu crescimento na graça e no conhecimento da vontade de Deus, que você aprenda a contribuir da forma legítima, e que agrada a Deus, e pare de barganhar com Deus, e de contribuir esperando algo em troca, ou com medo de devoradores. Esperamos que você aprenda a contribuir com amor e sinceridade que a gradam a Deus, e seja liberto deste imposto chamado dízimo, que apenas tem servido para engordar a maioria dos hereges que exploram as pessoas financeiramente.

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Almejamos de coração que você compreenda facilmente esta doutrina tão clara nas escrituras, de que o dízimo não é obrigatório e que o devorador não é demônio.

BOA LEITURA!

Pelo Espírito de Cristo;

Pr. Jardel Fernandes

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CAPÍTULO

1

O QUE TEM SIDO ENSINADO

SOBRE DÍZIMOS NAS IGREJAS HOJE?

Se não der o dizimo está roubando a Deus.

Se não der o dízimo vai para o inferno.

Se não der o dízimo o devorador vai destruir sua vida e família.

Se não der o dízimo está debaixo de maldição e etc

Mas, será que tudo isso é verdade?

Claro que não, e a Bíblia prova isso!

A partir de agora, vamos analisar nas Escrituras Sagradas toda a verdade sobre dízimos e devoradores:

De fato, em Malaquias 3:8-10 o senhor está cobrando o dízimo, mas de quem o senhor está cobrando o dízimo? Para sabermos, precisamos compreender o contexto, e para isso vamos ler o versículo 9 do capitulo 3 onde diz:

"Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me

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roubais, sim, toda esta nação." (Malaquias 3:9)

Como podemos ler, o texto diz que Deus está cobrando o dízimo especificamente de uma nação, mas que nação é esta de quem o Senhor está cobrando o dízimo? Para que possamos ter uma resposta clara, precisamos ver para quem Malaquias está escrevendo esta profecia, vamos ler o que está nas primeiras linhas do livro da profecia de Malaquias, isso vai revelar de qual nação Deus está cobrando o dízimo.

"Peso

da

palavra

do

SENHOR

contra

Israel,

por

intermédio de Malaquias." (Malaquias 1:1)

Como a passagem acima mostra claramente, Malaquias está escrevendo sua profecia endereçada à nação de Israel, portanto é da nação de Israel que Deus está cobrando o dízimo. Vale ressaltar, que o livro do profeta Malaquias, é uma exortação contra a nação de Israel, por conta da sua desobediência, portanto, o dízimo está sendo cobrado apenas do povo de Israel; e porquê? Porque o dízimo, bem como toda a lei de Moisés, são ordenanças de Deus para os judeus, e não para as outras nações, como nos mostra o texto a seguir:

23

"Também todas as dízimas do campo, da semente do

campo, do fruto das árvores, são do Senhor; santas são

ao

Estes são os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai." (Levítico

27:30,34).

Senhor.

O texto a cima, é claro e objetivo em dizer que, o mandamento dos dízimos, e os outros mandamentos contidos no livro de levíticos, números e Deuteronômio, são ordenanças que o Senhor deu à nação de Israel e não a nós, pois não somos judeus, somos gentios da nação brasileiros.

Como podemos perceber, a cobrança do dízimo descrito em Malaquias, não é para a igreja, e nem para pessoas de outra nacionalidade, mas apenas para a nação de Israel, que são o povo a quem Deus deu a lei quando os tirou da escravidão do Egito, o povo da Antiga Aliança, da religião chamada de judaísmo, que era obrigada a guardar toda a lei de que Deus deu a Moisés.

24

1.1

UM BREVE RESUMO DA HISTÓRIA DA LEI JUDAICA E SUA APLICAÇÃO:

Para que você possa compreender melhor, o que está acontecendo no contexto do livro do profeta Malaquias, o porque da sua cobrança da prática do dizimo apenas para a nação de Israel e não para as outras nações, preste bem atenção no que explico a baixo:

Quando Deus resgatou do Egito o povo israelita, também chamados de Hebreus, eram aproximadamente

uns seiscentos mil homens (Êxodo 12:37,38), sem contar:

mulheres, crianças, jovens menores de 20 anos de idade,

e gente de outras nacionalidades que os acompanhavam,

os melhores historiadores estimam que a multidão, que saiu do Egito com Moisés, somavam quase três milhões de pessoas; eles caminharam durante 3 meses até chegarem ao monte Sinai (Êxodo 19:1), chegando ao monte Sinai passaram dois anos, dois meses e vinte dias acampados (Números 10:11), neste período, Deus lhes deu suas leis, para que temessem e servissem ao Senhor

e se estabelecessem como nação na terra a qual iriam

habitar (Levíticos 27:34). Precisavam de regras e leis para

executarem a justiça, tanto na caminhada que durou 40

25

anos no deserto, quanto para entrarem na terra que Deus lhes havia de dar, afinal, agora Israel era uma nação, e toda nação precisa de leis, por isso Deus lhes deu as leis por intermédio de Moisés, e assim como os Brasileiros são obrigados a cumprirem as leis da nação, assim também Israel era obrigado a cumprir as leis que Deus lhes havia dado (Deuteronômio 31:10-13).

Os judeus não são obrigados a cumprirem as leis do Brasil ou de qualquer outra nação, e nem os brasileiros são obrigados a cumprirem as leis de Israel, cada nação tem suas leis, e cada cidadão de cada país deve obediência às leis de seus países, a não ser que ele esteja morando em outro país, aí sim, ele tem que obrigatoriamente cumprir a lei do país onde está morando, mesmo sendo de outra nacionalidade.

No Brasil existe um sistema de governo chamado democrático, onde o povo escolhe seus representantes através de eleições diretas, e seus representantes criam as leis que regem a nação, tendo essas, a aprovação do povo, já que são eles quem elegem os políticos que criam as leis, já no caso de Israel, o seu sistema de governo era Teocrático, onde as leis vem de Deus, e não dos homens,

26

embora haviam reis e líderes que regiam a nação, eles não podiam criar leis, nem acrescentar, nem subtrair, as leis que Deus já havia ordenado (Deuteronômio 4:1,2), eles tinham apenas que cumprirem as leis estabelecidas por Deus, e ordenar a nação, a guardarem todas essas leis e praticá-las.

O povo de Israel, era obrigado a guardar toda a lei

de Deus, que regia sua nação (Deuteronômio 4:1-49).

É um absurdo querer que uma nação estrangeira

guarde as leis de outro país, mesmo que seja do país de Israel, e é mais absurdo ainda, querer impor essas leis à religião, mesmo que seja ao cristianismo.

“Como podemos ver, é tudo muito claro, muito simples de entender quando queremos, mas se fecharmos o coração nunca compreenderemos esta verdade, mas Deus quer que você a conheça.

Os pastores atuais, nunca mostram quando o dízimo foi instituído, nem onde está registrado esta doutrina, eles só mostram Malaquias 3:8-11, mas Malaquias está apenas chamando a nação de Israel à voltarem a cumprir a doutrina da prática do dízimo, que

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fazia parte da lei de Deus para eles, na verdade, a lei que fala do dízimo se encontra em Deuteronômio 14:22-29, que inclusive, tem sido escondido de vocês, mas chegou a hora de conhecer, todavia precisamos ir por partes, para que fique tuto claro e não restem dúvidas.

Agora vamos ver, o que dizem os pastores atuais, em comparação com a verdadeira doutrina do dízimo estabelecida por Deus em Deuteronômio 14:22-29, já ficou claro para nós, que o dízimo é uma obrigação para os judeus e não para nós, não temos nada a ver com a doutrina do dízimo, contudo, muitos pastores insistem em cobrar os dízimos dos fieis, mas mesmo sendo errado cobrar o dízimo da igreja, será que pelo menos, eles estão pedindo o dízimo realmente do jeito que está escrito?

vejamos:

Pastores atuais, dizem que tem que dar o dízimo de tudo o que ganha, e que além disso eles dizem que o dízimo é dinheiro, mas mesmo que na época já existisse dinheiro como mostra em Deuteronômio 14:24,25, a bíblia diz mostra de forma clara, que o dízimo era apenas a décima parte do que se colhia do grão plantado na terra,

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e do que os animais reproduziam a cada ano, não dinheiro. Outra coisa interessante é que o dízimo não era de tudo o que se ganhava, mas apenas da lavoura, e da reprodução dos animais, ninguém dava o dízimo de empreendimentos, ou de lucros que tivesse com alguma coisa, ou do salário que recebia, mas apenas do grão da terra, e das crias dos animais que criavam, veja o que a bíblia diz:

"Certamente darás os dízimos de todo o fruto da tua

campo."

(Deuteronômio 14: 22).

semente,

que

cada

ano

se

recolher

do

"Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do Senhor; santas são ao Senhor." (Levíticos 27:30).

“E que as primícias da nossa massa, as nossas ofertas alçadas, o fruto de toda a árvore, o mosto e o azeite, traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do nosso Deus; e os dízimos da nossa terra aos levitas; e que os levitas receberiam os dízimos em todas as cidades, da nossa lavoura. (Neemias 10:37).

Pastores atuais, dizem que tem que dar o dízimo todos

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os meses, mas a bíblia diz que o dízimo era dado apenas uma vez por ano, no período da colheita, já que dízimo era apenas do que se plantava, e das crias dos animais que criavam, como mostra o texto a seguir:

"Certamente darás os dízimos de todo o fruto da tua

semente,

(Deuteronômio 14: 22).

que

cada

ano

se

recolher

do

campo."

Pastores atuais dizem que tem que dar o dízimo para a igreja, mas a bíblia diz que durante dois anos, uma vez por ano o judeu dizimista viajava com o seu dízimo para a cidade de Jerusalém, onde estava o templo, e era o próprio judeu, e sua casa, quem comiam o dízimo na presença de Deus, para se alegrarem com suas famílias e aprenderem a temer ao Senhor, como mostra o texto a seguir:

"23 E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus todos os dias.

“26 E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua

30

alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa;" (Deuteronômio 14:23,26). Leia também (Deuteronômio

12:5-19).

Quando não dava para levar o dízimo (que era o grão da terra, e as crias dos animais que haviam gerado na quele ano) para o lugar ordenado por Deus, ou seja, Jerusalém, então o judeu tinha que vender o produto do dízimo e levar o dinheiro, mas ao chegar em Jerusalém deveria comprar o que ele e sua família quisessem, e deveriam comer na presença de Deus, ele não podia voltar com aquele dinheiro, e nem depositar de oferta, era uma ordenança da lei, tinha que ser assim, como nos mostra o texto a seguir:

24 E quando o caminho te for tão comprido que os não

possas levar, por estar longe de ti o lugar que escolher o Senhor teu Deus para ali pôr o seu nome, quando o

Senhor teu Deus te tiver abençoado;

25 Então vende-os, e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao

lugar que escolher o Senhor teu Deus;

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26 E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa;" (Deuteronômio 14:24-26).

A cada três anos, era separado o dízimo do ano terceiro, que era chamado de o ano do dízimo, onde toda a nação colocava todos os seus dízimos do que haviam colhido à porta da cidade em que moravam, então, eram dados aos órfãos, às viúvas, aos estrangeiros e aos levitas, para seu sustento, e não à igreja como alguns insistem em dizer, era um plano de governo de Deus (Teocracia), para ajudar as pessoas menos favorecidas pela sociedade, e aos levitas que não tinham herança na terra de Israel, assim eles teriam sustento suficiente para os próximos dois anos, como podemos ver no texto que se segue:

Porém não desampararás o levita que está dentro das tuas portas; pois não tem parte nem herança contigo. Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita no mesmo ano, e os recolherás dentro das tuas portas; Então virá o levita (pois nem parte, nem herança tem

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contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra que as tuas mãos fizerem." (Deuteronômio 14:27,28,29).

“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então

os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para

que

“(Deuteronômio 16:12).

comam

dentro

das

tuas

portas,

e

se

fartem.

Esta era a lei dos dízimos, era desta forma que os judeus davam o seu dízimo, era obrigatório, tinha que ser desta maneira.

Mas como nós sabemos, não é assim que os líderes da atualidade estão ensinando o povo, eles mudaram tudo, e ainda dizem que o dízimo que eles pedem está na bíblia, mas como vimos, eles distorcem tudo, e o povo aceita porque não conhecem a verdade.

Vamos

continuar

lendo

sobre

o

assunto,

estamos apenas começando.

33

pois

CAPÍTULO

2

O DÍZIMO ANTES DA LEI

2.1 O DÍZIMO DE ABRAÃO

(Gênesis 14:18-20) "E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse:

Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo."

Muitos pastores usam esta passagem para dizer que temos que dar os dízimos porque Abraão deu os dízimos antes da lei, mas ao analisar na própria Escritura Sagrada, o dízimo de Abraão não tem nada a ver com mandamentos.

Não existe uma única referência Bíblicas que prove que Abraão deu este dízimo por mandamento de Deus, se lermos cuidadosamente o relato de Gênesis 14:8-24, onde registra que Abrão da o dízimo ao sacerdote Melquisedeque, vamos aprender o seguinte: houve uma guerra que envolveu os reis das cidades de Sodoma, e de Gomorra, onde Ló sobrinho de Abraão morava, e o rei de Sodoma perdeu a guerra, e muitas das suas riquezas, seu povo foi levado cativo, inclusive Ló o sobrinho de Abraão com sua família e seus bens, Abraão reúne 318 homens

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de confiança conforme o que está escrito em Gênesis 14:14, e vai à batalha para resgatar seu sobrinho Ló e sua família, Abraão derrota os inimigos e resgata Ló e sua família com todos os seus bens, e também resgata o povo

de Sodoma como suas riquezas (Gênesis 14:16), quando

Abraão está voltando da guerra, vem ao seu encontro o sacerdote Melquisedeque e o abençoa (Gênesis 14:18-

20), Abraão como reconhecimento da autoridade sacerdotal de Melquisedeque, e como um ato de gratidão

a Deus pela vitória contra seus inimigos, por ter resgatado todas as pessoas cativas e suas riquezas, dá-lhe os dízimos dos despojos da guerra, que eles vinham trazendo

de volta para Sodoma (Gênesis 14:20), mas observe, que

ele dá os dízimos apenas dos despojos da guerra, não de suas riquezas pessoais, que inclusive haviam ficado em sua casa, isto é explicado claramente em Hebreus 7:4.

O rei de Sodoma viu tudo o que Abraão havia feito,

e como ele havia dado os dízimos dos despojos da guerra

a Melquisedeque, pois ele também havia saído ao

encontro de Abraão para saudá-lo (Gênesis 14:17), e lhe

ofereceu o restante das riquezas que Abraão havia conquistado na batalha, requerendo apenas as pessoas

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de volta (Gênesis 14:21), mas Abraão se recusa a receber o “premio”, não aceita nenhum centavo, e volta para sua casa em paz.

O que aprendemos com isso? O dízimo de Abraão foi totalmente voluntário e espontâneo, não havia nenhuma ordenança de Deus quanto aos dízimos. Mas o que fez Abraão dar os dízimos dos despojos da guerra sem que fosse obrigatório? De acordo com alguns historiadores e estudiosos, naquela época a prática de dízimos eram apenas costumes das nações pagãs para exaltar os seus deuses, quando os pagãos davam os dízimos aos seus deuses, eles estavam reconhecendo a grandeza daquele deus, e agradecendo-o por algo que eles acreditavam que era o seu deus quem lhes havia dado, e como Abraão morava entre os pagãos, quis exaltar o seu Deus, que diga-se de passagem, é o único Deus verdadeiro que da vitória a qual nenhum outro deus pode dar, e para isso ele deu os dízimos ao sacerdote Melquisedeque diante de todos, para que todos vissem que o Deus de Abraão era o maior do que todos os seus deuses juntos, e de acordo com as Escrituras Sagradas, isso foi um ato que Abraão fez uma única vez, para

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glorificar o seu Deus acima de todos os deuses, pois lhe havia dado vitória na batalha, e Abraão queria deixar claro que havia sido o seu Deus e não o seu braço quem venceu a guerra, e assim honrar ao Senhor, e quem sabe, até levar algumas daquelas pessoas a adorarem e servirem ao Deus dos céus.

Hoje muitos querem impor o dízimo voluntário de Abraão como uma lei universal, mas isto é um grande equívoco teológico, pois não podemos fazer das ações dos patriarcas, uma lei a ser cumprida em todas as épocas, simplesmente pela influência e importância que eles tiveram na história, respeitamos todos os patriarcas, mas a única lei que temos que cumprir hoje, é a neotestamentária, e nela não há obrigações sobre dízimos.

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2.2

O DÍZIMO DE ABRAÃO A MELQUISEDEQUE

(Hebreus 7:4-10). “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão. Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior. E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive. E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos. Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro.

Nas epístolas neotestamentárias, há única referência sobre dízimos, e está em (Hebreus 7:1-10) que fala do dízimo que Abraão deu ao sacerdote Melquisedeque, porém no capitulo 2 deste livro já explicamos sobre este assunto, portanto não há necessidade de falarmos novamente. Todavia, quando se fala do sacerdote Melquisedeque, todos os teólogos e estudiosos, reconhecem que é um grande mistério, e um assunto de dificílima interpretação, que tem gerado debates durante muitos séculos, e que é um assunto que pela sua complexidade continua em aberto, contudo isso, alguns pastores usam este texto, para dizer a igreja que ela é obrigada a pagar o dízimo, que a igreja começou a

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devolver o dízimo ainda no primeiro século, no período apostólico, mas quanto ao dízimo que se fala nesta referida passagem, para poder explicá-lo, primeiro lhe faço uma pergunta: quem estava recebendo os dízimos no I século d.C.? os Levitas que pela lei tinham o direito de receber, ou os pastores da igreja? A própria bíblia nos da a resposta, preste bem atenção: os judeus não haviam reconhecido a Jesus como o Messias, e o sacerdócio levítico continuava em pleno exercício (Hebreus 8:4), (Hebreus 9:24,15), (Hebreus 10:1-11), e também não há nenhum versículo que diga, que os pastores da igreja recebiam os dízimos, ou que ensinavam os irmãos a darem os dízimos, mas a própria bíblia diz, que os levitas continuaram recebendo os dízimos do povo de acordo com a lei de Moisés (Hebreus 7:5,8,9).

Então não faz sentido algum dizer que a igreja estava recebendo os dízimos, pois os textos mostram claramente que eram os levitas quem recebiam, por isso não encontramos em nenhum dos 27 livros do Novo Testamento, Jesus ou o apóstolos ensinando à igreja sobre dízimos, pode ter certeza meu irmão, se o dízimo fosse uma ordenança para a igreja, os apóstolos em suas

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cartas teriam orientado os irmãos como fazer, mais é claro que os apóstolos nunca falaram para a igreja sobre dízimos, porque os dízimos eram dos levitas, e eles continuavam recebendo normalmente, só pararam de receber quando o templo foi destruído no ano 70 d.C. pelo general Tito filho do imperador Vespasiano, pois não fazia mais sentido os levitas receberem os dízimos do povo, já que não estavam mais fazendo o serviço do templo por ele não mais existir.

Hoje tanto em Israel como pelo mundo a fora, os judeus se reúnem em carater religioso, essas reuniões são dirigidas pelos rabinos, mas eles não recebem dízimos, muitos desses rabinos afirmam, que seria pecado receber dízimos já que não existe mais o templo, e não há uma ordem sacerdotal de levitas consagrados, mas no momento em que se reerguer o templo em Jerusalém, e consagrarem uma ordem sacerdotal, aí sim, será legitimo pagar o dizimo como manda a lei de Moisés.

O que acontece com a carta aos Hebreus é que o autor com o seu profundo conhecimento do judaísmo, está se esforçando ao máximo para tentar fazer os judeus entenderem que agora há um novo sacerdócio, não mais

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pela ordem de Arão, da tribo de Levi, mas pela ordem de Melquisedeque, que se testifica que ainda vive, e para isso, o autor da carta mostra que o próprio Abraão, reconheceu o sacerdócio de Melquisedeque, como sendo maior do que ele quando deu-lhe os dízimos dos despojos da guerra, agora Israel deve reconhecer que Deus levantou um sacerdote semelhante a Melquisedeque, e que os judeus a exemplo de Abraão devem reconhece-lo,

a saber, Jesus o Messias, o autor também tenta mostrar,

que não há mais necessidade de sacerdotes e de sumos sacerdotes que ofereçam sacrifícios todos os dias, pois Cristo, o novo sumo sacerdote, fez um sacrifício único e perfeito quando se ofereceu a si mesmo na cruz, ele fala

também do pacto que foi mudado, e diz que o primeiro (A.T) foi imperfeito, mas o segundo N.T) é perfeito e eterno, e mostra também que mudando-se o sacerdócio,

é necessário que também se faça mudança de lei.

Tudo isso é referencia do que está registrado nos seguintes textos: (Hebreus 4:14-16), (Hebreus 5:1-14), (Hebreus 7:1-28; Hebreus 8:1-13; Hebreus 9:1-28; Hebreus 10:1-23).

Enfim, não há cobrança de dízimos para a igreja na

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carta aos Hebreus, ela é totalmente voltada os judeus, para que reconheçam que estamos debaixo de uma Nova Aliança, de um novo pacto, e de um novo sumo sacerdócio.

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2.3 O DÍZIMO DE JACÓ

(Gênesis 28:20-22) E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; E eu em paz tornar à casa de meu pai, o Senhor me será por Deus; E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo. “

Esta passagem tem sido manipulada por alguns líderes para induzir os irmãos a darem os dízimos, mas ela por si só se explica, e é uma das mais fáceis de entender, pois como o próprio texto mostra, o dízimo que Jacó disse que daria a Deus foi um voto, (no grego nedher) o vocábulo

é encontrado vinte e cinco vezes no Antigo Testamento, e significa: uma promessa, uma coisa prometida, fazer ou dar alguma coisa a Deus, ou seja, é uma ação voluntária, e não uma atitude para cumprir algum mandamento ou ordenança.

De acordo com as Escrituras Sagradas, ninguém era obrigado a fazer voto, mas ao fazer, tinha a obrigação de cumprir (Eclesiastes 5:4,5), caso contrário era considerado pecado (Deuteronômio 23:21-23).

Observe que Deus disse a Jacó que estaria com ele, que o abençoaria, que lhe daria aquela terra e suas

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riquezas por herança, e que nunca o abandonaria, em momento algum Deus pede dízimo a Jacó para cumprir essas promessas, Jacó é quem voluntariamente faz um voto, e promete a Deus que se O Senhor o proteger, estiver com ele, e o abençoar, lhe dará o dízimo de tudo.

Não há um único versículo em toda a Escritura que prove que Jacó deu este dízimo porque tinha que cumprir alguma lei, não havia lei de dízimos, a ação de Jacó foi puramente voluntária e espontânea, Jacó foi um patriarca muito importante do povo israelita, era neto de Abraão, filho de Isaque o herdeiro da promessa, pai dos patriarcas de quem descenderam as doze tribos de Israel, a bíblia fala muito sobre ele e sua história (Gênesis cap. 25:24 ao cap. 50:13), mas em momento algum cita novamente Jacó pagando ou ensinando seus filhos a pagarem dízimos a algum sacerdote, pois não era uma prática ordenada por Deus naquela época, se fosse certamente Jacó não apenas teria praticado, mas também teria ensinado a seus filhos a darem os dízimos, contudo, o dízimo não era praticado continuamente pelo servos de Deus, pois a prática do dízimo viria a se tornar lei para os filhos de Israel apenas 430 anos depois deles terem subido ao Egito.

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Assim, fica claro para nós, que o dízimo de Jacó, foi apenas um voto voluntário, que ele fez espontaneamente, e uma única vez em sua vida, para que Deus o abençoasse em sua jornada, aliás, naquela época era comum esse tipo de voto, não apenas em relação a dar uma décima parte de alguma coisa que havia ganho, mas em prometer a Deus outras coisas também como mostram

as seguintes passagens Bíblicas (Juízes 11:30,31; Números 21:1,2; Números 6:2,5,21; Números 30:1-16; Jonas 1:16); há várias outras passagens, mas essas são suficientes. Eu lhe pergunto: vamos ter que tornar todos esses votos, descritos nessas passagens acima, uma regra obrigatória para a igreja também? É claro que não! Nenhum voto que alguém fez, pode se tornar obrigatório para outra pessoa, nós não temos obrigação de pagar voto por outra pessoa, um voto é algo pessoal, eu não tenho obrigação de pagar dízimos porque Jacó antes da lei fez um voto de pagar o dízimo, por mais importante que seja

o personagem, seu voto foi algo pessoal entre ele e Deus,

e nós não temos nada a ver com isso, inclusive, no Novo Testamento não existem doutrinas de votos, e mesmo que houvessem, seria particular entre cada pessoa e Deus, ninguém teria nada a ver com o voto do outro.

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Jacó viveu o resto de sua vida no temor do Senhor, obedecendo a Deus em tudo, amou o Deus de seu Pai Isaque e de seu avô Abraão até o último dia da sua vida, porém nunca mais deu dízimos, pois como vimos, o dízimo ainda não era uma lei estabelecida por Deus, portanto não podemos tornar esta pratica uma lei universal.

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3.3 PORQUE JESUS MANDOU

OS FARISEUS DAREM O DÍZIMO?

(Mateus 23:23) "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas".

Este texto é o mais usado por alguns líderes para sustentar que a doutrina do dízimo continua vigorando na Nova Aliança, e baseado neste texto eles dizem que no Novo Testamento Jesus disse que deveríamos continuar dando os dízimos, mas isso é um grande equivoco de hermenêutica e exegese, que deturpa a verdadeira doutrina bíblica, e adultera as palavras de Cristo. Vamos conferir agora:

1. Preste atenção, para quem Jesus está falando isto? O Senhor Jesus está falando para os fariseus que eram judeus, seguidores do judaísmo, e obrigados a guardarem toda a lei de Moisés, como já vimos nos textos que citamos no inicio deste livro.

2. Devemos considerar também, que a Antiga Aliança que Deus tinha com os judeus, ainda estava em vigor, pois Cristo ainda não tinha instituído a Nova

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Aliança, que só passou a vigorar quando Ele morreu e ressuscitou (Mateus 26:26), Cristo ainda não tinha consumado a lei, a lei ainda era obrigatória para os judeus.

3. E outra coisa muito importante a se observar neste texto, é que Jesus está falando, que eles davam os dízimos, da hortelã, do endro, e do cominho, ou seja, do fruto da terra, e não de dinheiro, confirmando o que já falamos algumas páginas atrás, que o dízimo não era dinheiro, mas a décima parte do fruto que a terra produzia (Levíticos 27:30; Deuteronômio 14:22-29).

4. Se realmente neste versículo, Jesus estivesse ensinando que o dízimo seria obrigatório na Nova Aliança (porém sabemos que não é), então Jesus também estaria ensinando que deveríamos

continuar fazendo os sacrifícios que a lei exigia, pois ele também disse quando curou o leproso:

mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta

de

" vai,

Moisés

determinou,

que

testemunho". (Mateus 8:4).

para

lhes

servir

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Deveríamos nos apresentar a um sacerdote, e apresentar ofertas de acordo com o que Moisés ordenou? Por acaso você já viu nos dias atuais, alguém que ficou curado de alguma doença, se apresentar diante de um sacerdote e oferecer algum sacrifício que a lei ordena? Com certeza não! E porquê? Porque na verdade, Jesus não estava dizendo, que deveríamos continua a fazer os sacrifícios da lei, e nem que deveríamos continua a dar os dízimos que a lei exigia, o problema, é que estão interpretando os textos da forma errada, movidos por interesses denominacionais.

Como foi dito agora a pouco, Jesus estava vivendo no tempo em que a Antiga Aliança ainda estava em vigor, por isso ele mandou o leproso que era judeu fazer o sacrifício que a lei ordenava, e do mesmo modo, ele mandou os fariseus pagarem o dízimo do endro, do cominho, e da hortelã, porque a Antiga Aliança ainda esta em vigor, mas que seria em breve concluída, com a sua morte e ressurreição (Romanos 10:4).

Portanto, não podemos usar esta passagem, para dizer que Jesus nos mandou dar o dízimo, pois se fizermos isso, precisaremos reerguer toda a lei.

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Alguns pastores ainda dizem, que devemos dar os dízimos sim, porque os dízimos foram dados antes da lei.

Abraão realmente deu o dízimo antes da lei (Falaremos melhor sobre isto em um capítulo mais na frente), mas o dízimo que Abraão deu, foi apenas uma única vez, e dízimos apenas dos despojos da guerra que ele havia vencido, e não dos seus bens pessoais (Hebreus 7:4):

"E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo." (Gênesis 14:18-20).

Jacó também deu o dízimo antes da lei (Falaremos melhor sobre isto também, em um capitulo mais na frente), mas uma única vez, e como voto e não por mandamento:

“E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; E eu em paz tornar à casa de meu pai, o Senhor me será por Deus; E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo

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quanto me deres, certamente te darei o dízimo. (Gênesis

Mas, o que esses pastores escondem é que a guarda do sábado também foi praticada antes da lei:

"Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera." (Gênesis 2:1-3).

Também a circuncisão foi praticada antes da lei:

"Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti; que todo o homem entre vós será circuncidado." (Gênesis

17:9,10).

Só que depois, tanto o dízimo, como o sábado e a circuncisão, se tornaram lei, e eram obrigatórios, mas apenas para a o povo judeu e sua religião, chamada de

51

judaísmo, como mostram os versículos a seguir:

O DÍZIMO NA LEI: "Também todas as dízimas do

campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do Senhor; santas são ao Senhor." (Levíticos 27:30)

O SÁBADO NA LEI: Lembra-te do dia do sábado, para

o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra.

Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não

farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem

o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque

em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou. (Êxodo

20:8-11).

A

CIRCUNCISÃO

NA

LEI:

"E

no

dia

oitavo

se

circuncidará

ao

menino

a

carne

do

 

seu

prepúcio."

(Levíticos 12:3).

Se tanto o sábado, como a circuncisão, como o dízimo, foram dados antes da lei, e depois viraram lei, então porque os pastores cobram apenas os dízimos dos irmãos? Dizendo que o dízimo foi dado muito antes da lei,

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e é uma lei universal, e por isso deve continuar sendo dado.

Não deveriam eles cobrar também da igreja a guarda do sábado e a circuncisão? Haja vista que foram praticados também antes da lei, deveriam ser considerados uma lei universal assim como o dízimo?

Porque se o dízimo foi praticado antes da lei, o sábado e

a circuncisão também foram, mas a verdade, é que não

somos mais obrigados a guardar os sábados, nem a circuncisão, e muito menos os dízimos, ou qualquer outro

preceito da lei cerimonial.

Se Abraão e Jacó deram o dízimo de forma

espontânea, isto já deixa claro que não somos obrigados

a fazer o mesmo, pois foi uma ação voluntária da parte

deles, algo pessoal entre eles e Deus, mas agora, estão querendo usar esses textos, para nos inibir, e nos coagir,

a fazermos o que eles fizeram, e isso qualquer teólogo sabe que não é doutrina para a igreja, e muito menos obrigatório.

Amados, tudo é muito óbvio, as escrituras dizem que a lei terminou em cristo: "Porque o fim da lei é Cristo para

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justiça de todo aquele que crê." (Romanos 10:4).

As escrituras dizem, que todas as exigências da lei, Cristo cumpriu com sua morte e ressurreição, por tanto, não precisamos mais fazer os sacrifícios de dízimos, nem de sábados, nem de circuncisão, e nem de tantos outros rituais que eram obrigatórios ao povo judeu no tempo da lei.

Em (Atos 15) no concilio de Jerusalém, foi decidido pelos próprios apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, e pelo Espírito Santo, que nós crentes gentios, não somos obrigados a guardar as leis judaicas, como os judeus estava querendo, e agora dois mil anos depois, estão querendo de novo despertar esta questão, e impor à igreja a guarda da lei concernente ao dízimo, se conhecêssemos as escrituras, saberíamos que esta questão já foi resolvida em (Atos 15), que: “NÓS CRENTES GENTIOS, NÃO SOMOS OBRIGADOS A FAZER A CIRCUNCISÃO, A GUARDAR O SÁBADO, E DAR OS DÍZIMOS, E NEM A PRATICAR A LEI DE MOISÉS! (Atos 15:10,11,19,24,28)“.

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2.5

EU NÃO VIM DESTRUIR A LEI, MAS CUMPRIR?

(Mateus 5:17,18) Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas:

não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.

Muitos pastores estão usando esta passagem para dizer que Jesus está nos mandando guardar a lei, dizendo que Cristo não destruiu a lei, mas na verdade eles não estão preocupados em que você guarde a lei, eles só falam assim, quando se trata de dar dízimos, porém deixam de lado todo o resto da lei, mas vamos ver o que realmente Jesus nos ensina nesta passagem.

O que Jesus está dizendo nesta referida passagem, é que a palavra dos profetas e os escritos da lei apontavam para ele (João 5:39), e precisavam ser cumpridas, terminadas, concluídas, mas sem que fossem destruídas; a lei precisava passar, para dar lugar a graça, o Antigo pacto, para dar lugar ao novo, a Antiga Aliança, para dar lugar à Nova, pois a lei e os profetas eram sombras das coisas que estavam por vir através de Cristo (Colossenses 2:16-19 e Hebreus 10:1), elas anunciavam as obras do Messias, e quando ele viesse, elas seriam cumpridas, e não teriam mais necessidade de serem

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praticadas.

Quando Cristo diz que não veio destruir a lei, mas cumprir, preste bem atenção no que ele está dizendo: o termo grego para destruir é (Katalyõ) que significa

demolir, desintegrar, ou seja, Cristo está dizendo que não veio destruir a lei (sinônimo grego analiskõ), mas como ele

mesmo disse: “eu vim cumprir a lei”, e o termo grego para cumprir é (plêroõ) que significa: trazer ao fim, realizar,

satisfazer, terminar; ou seja, quando Cristo disse: “eu vim cumprir a lei”, Ele está dizendo que terminou a lei (Romanos 10:4), mas sem destruí-la, ele a completou, realizou, pôs um fim à lei sem a destruir, ele a satisfez, por isso ele disse na cruz: “está consumado (João 19:30)”, isso significa que foi completado, como quem termina uma obra, uma construção, concluindo e pondo um fim, de modo que não se precisa fazer mais nada na referida construção.

As Escrituras são muito claras, e nos dizem que a lei era transitória, ou seja, era passageira, terminaria um dia, quando as coisas para as quais elas apontavam se cumprissem, então teria chegado o seu fim (Gálatas 3:19- 25), Israel havia sido avisado, que um dia, a Antiga

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Aliança terminaria, para dar lugar a uma nova (Hebreus 8:7-13), e foi ali, na cruz do calvário, que o Senhor Jesus concluiu a lei, e institui a Nova Aliança, de modo que antes que o céu e a terra tivessem passado, nem um jota ou um til caiu da lei, sem que tudo nela tivesse antes se cumprido Nele, Todas as suas exigências se cumpriram ali, em Cristo, Ele consumou a lei, satisfez o que ela exigia, cumpriu o propósito para o qual ela foi dada, portanto, o céu e a terra, agora podem passar, pois a lei foi cumprida em Cristo, na sua morte e ressurreição.

Nada mais relacionado a lei cerimonial precisa ser praticado, se praticarmos, estaremos dizendo que a lei ainda continua vigorando, afirmando assim que o sacrifício de Cristo foi em vão (Gálatas 2:21), ou, que não foi suficiente, já que ele veio cumprir a lei, e mesmo sendo que ela já foi cumprida por Cristo, estão nos obrigando a guardá-la novamente.

A própria palavra de Deus diz que ninguém será justificado diante de Deus pelas obras da lei (Gálatas 2:16; Romanos 3:20,28; Gálatas 3:11), como, pois, estão querendo nos obrigar, a guardar a lei dos dízimos, para sermos justificados diante de Deus? Sendo que a lei a

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ninguém justificou (Atos 13:39), Isto é simplesmente um absurdo, saiba que você que está querendo cumprir a lei, está anulando o sacrifício de Cristo, todos os que querem ser justificados pela lei, estão reerguendo o véu da Antiga Aliança, o qual Cristo rasgou na sua morte, para nos dar acesso a Deus sem as obras da lei (Marcos 15:38), estão caindo da graça os que querem se justificar pagando o dízimo que era exigência da lei (Gálatas 5:4).

Se você chegar para qualquer pastor e perguntar pastor, porque não sacrificamos mais animais como na Antiga Aliança? Porque não guardamos mais o sábado? Porque não praticamos mais a circuncisão? - Ele vai lhe responder - é porque tudo isso era da lei, e o fim da lei é Cristo - talvez ele lhe mostre Romandos 10:4, e vai lhe convencer que não precisamos mais guardar essas coisas, porque a lei findou em Cristo.

Daí eu pergunto - então porque continuar a pagar o dízimo, ele também não era da lei? Porque então, não guardar o sábado e a circuncisão também? Já que pastores insistem em dizer, que devemos continuar pagando o dízimo, então deveríamos também continuar a guardar toda a lei, você não acha?

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Na verdade, não devemos continuar guardando os sábados, nem a circuncisão e nem o dízimo também, porque se praticarmos um, devemos também praticar os outros, mas como não praticamos mais alguns, então não devemos praticar também os outros, pois estamos na graça e não debaixo da lei (Gálatas 5:3,4; Tiago 2:10).

Como vimos neste capitulo, a passagem de Mateus 5:17,18 está sendo manipulada, e mal interpretada, com o propósito de inibir as pessoas a pagarem algo que não precisa mais ser pago, pois Cristo já pagou tudo por nós na cruz do calvário, não estamos devendo nada, não somos ladrões por não devolver o dízimo. Como está escrito não são os dízimos, mas Cristo quem nos justifica, “quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.(Romanos 8:33,34).

Na verdade, como estamos vendo, a doutrina do dízimo é uma das maiores heresias pregadas pelas igrejas; é uma forma de coagir as pessoas a dar dinheiro sem que elas queiram dar, mas dão porque pensam que

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receberão cem vezes mais, ou porque acham que é obrigatório, e ainda, porque têm medo do devorador, o qual apresentaremos no capitulo 14 deste livro, e veremos claramente nas Escrituras, que não são demônios, mas eram insetos que atacavam a lavoura dos judeus.

Tudo o que estão ensinando por aí, dizendo que o dízimo é obrigatório, não passa de manipulação psicológica e falsa doutrina.

Se você perguntar a qualquer pastor ou teólogo sincero, se o dízimo é ou não obrigatório, ele vai lhe dizer que não é obrigatório, vai lhe dizer que contribuição, deve ser dada de coração, e não por obrigação.

A questão que estamos tratando aqui neste livro, não é se devemos ou não ajudar a obra de Deus, a questão é, se o dízimo é ou não obrigatório, e como está ficando claro pela palavra de Deus, concluímos definitivamente à luz das escrituras, que com certeza o dízimo não é obrigatório, e em hipótese alguma o devorador é demônio.

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CAPÍTULO

3

ABRIR AS JANELAS DO CÉU, E

MANDAR BÊNÇÃOS SEM MEDIDAS?

(Malaquias 3:10) Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. “

Baseado nesta passagem bíblica, muitos pastores têm dito aos fiéis que se eles derem seus dízimos com fidelidade, usufruirão da fidelidade de Deus, vão prosperar, fiar ricos, prometem aos fiéis que receberão cem vezes mais, deixarão de ser cauda, para serem cabeça, estarão por cima, e não por baixo. Com isso, eles levam pessoas a viverem ansiosas e iludidas, esperando de Deus o que Ele não prometeu.

São muitas as apelações desses pastores, e mais ainda suas promessas para quem der seus dízimos de tudo o que ganharem, levando os fiéis a darem sua contribuição por ganância, da forma errada; levam os fiéis a barganharem com Deus, e em casos extremos a cobrarem de Deus; desta forma eles conseguem iludir

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essas pobres pessoas a sacrificarem todos os meses a décima parte de tudo o que ganham com trabalho e suor, para engordarem esses lobos mercenários, que nunca se fartam de comer a gordura e a lã das ovelhas (Ezequiel

34:1-10,17-22).

Só que depois de algum tempo, muitos fieis tem percebido que essas promessas não estão se cumprindo em suas vidas, muitos continuam pagando aluguel, sem um carro bom, com pouco dinheiro, passando privações e etc.

E quando questionam seus líderes sobre o porquê não estão prosperando, recebem a resposta de que não estão dando com fé o suficiente, e assim muitas pessoas estão confusas e frustradas, pensando que Deus não lhes ama, mas eu quero lhe mostrar nas escrituras a verdade sobre este engano.

Veja bem, se o povo de Israel viva da agricultura (plantio e colheita do frutos da terra) e da pecuária (criação de animais), então eles precisavam de chuva para que a terra produzisse o seu fruto, e para que os animais se fartassem e se multiplicassem, assim eles teriam fartura e

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prosperidade, poderiam colher muito, e criar muitos animais, para depois comercializar e obter riquezas; quando Deus tirou o seu povo do Egito, disse que os levaria para uma terra que mana leite e mel, e que é a glória de todas as terras (Ezequiel 20:6), ou seja, a melhor de todas as terras, uma terra prospera, rica, que produz o que se planta, uma terra de fartura de águas, onde se pode criar e plantar sem dificuldades, e que enriquece seus moradores por ser tão excelente.

Mas debaixo do céu, não há terra que não precise de chuva para dar a prosperidade que ela é capaz de dar, qualquer terra por melhor que seja, depende de que Deus abra as portas do céu e mande chuva para que possa produzir e dar vida, se não houver chuva e água, a melhor terra não passa de um deserto estéril e sem vida, portanto Deus estava dando esta terra gloriosa ao seu povo, mas alertando-os que dependeriam de Deus para gozarem da prosperidade e riqueza dela. Tanto é que quando faltava chuva, o povo logo entendia que era castigo de Deus sobre eles (Deuteronômio 11:16,17; 2 Crônicas 6:26-31; 2 Crônicas 7:13,14).

Por isso Deus os ameaçava de fechar os céus, e

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não mandar chuvas, se o povo não guardasse os seus mandamentos, inclusive o de pragar o dízimo, mas se o povo desse os seus dízimos, e guardassem os mandamentos do Senhor, então, Deus abriria as portas do céu, e mandaria chuva, para que houvesse fartura e prosperidade para todos os moradores da terra.

Portanto o abrir as portas do céu e mandar bênçãos sem medidas, significa nada mais nada menos do que,

mandar chuva para que a terra produza com abundância

o grão nela plantado, de modo tão prospero que a nação

não teria onde guardar, e consequentemente a multiplicação e engorda dos animais, que passariam a valer muito dinheiro por serem bem alimentados.

Como vimos, o significado de abrir as janelas do

céu não tem nada a ver com o que alguns pastores estão pregando hoje, era uma promessa de Deus para os judeus que guardavam os mandamentos os seus mandamentos,

e não para nós, por isso as janelas do céu não se abrem

para os irmãos que dão seus dízimos nas igrejas, por que na verdade não é Deus que está prometendo, mas sim os pastores hereges, e Deus não tem obrigação nenhuma de cumprir, o que esses pastores estão prometendo em nome

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Dele, pelo contrario, eles pagarão um alto preço por usarem o nome de Deus em vão.

Não podemos sair por aí, pegando toda promessa que Deus deu aos judeus, e dizer para as pessoas que é para elas também, não podemos aplicar essas promessas para nós, isto é totalmente errado, é herético, só cai neste engano quem não tem o mínimo de conhecimento bíblico.

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CAPÍTULO

4

O DEVORADOR É UM DEMÔNIO?

(Malaquias 3:11) "E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos."

Muitos estudiosos afirmam, que nas escrituras existem textos complexos de se interpretar, eles os chamam de textos obscuros, e por conta de sua obscuridade e complexidade, esses textos muitas vezes causam divergências teológicas até mesmo entre pastores da mesma denominação, e muitas vezes por serem mal interpretados, acabam nascendo heresias desses textos, mas sobre este assunto, não precisa ser um teólogo para compreender algo que está claro tão nas escrituras, pois este é um dos assuntos mais simples de se compreender.

A maioria dos pastores atuais insistem em dizer que o devorador é demônio, eles chegam a fazerem extraordinários malabarismos teológicos, porém maliciosamente, pois eles sabem muito bem que as escrituras mostram explicitamente que o devorador do referido texto devora o fruto da terra, por ventura poderia um demônio comer o fruto da terra? É claro que não, e

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qualquer leigo sabe disto!

Mas infelizmente o que temos visto são pessoas com medo deste tal devorador, eles acreditam que se não derem seus dízimos com fidelidade o devorador atacará sua saúde, seu casamento, sua família e suas finanças, atribuem ao devorador todo prejuízo financeiro que lhes incorre, se alguma necessidade surge, ou se têm alguma despesa extra, já ficam apavorados, crendo que é ação do devorador, infelizmente esta doutrina do devorador tem induzido as pessoas a darem suas contribuições na igreja pelos propósitos errados, pois muitos sabem no fundo do coração que só contribuem todos os meses por medo do tal devorador, outro dia, um obreiro do nosso ministério, me disse que sua irmã filha de seus pais, estava internada e morreu, mas antes de morrer, no período que passou no hospital, mesmo debilitada, sempre argumentava com sua família que estava preocupada porque não tinha dado o dizimo naquele mês.

eu fico pasmado com a maldade dos homens que pregam esta doutrina, impondo cargas ainda mais pesadas sobres as pessoas que já vivem preocupadas com tantas coisas, mas eu quero aqui à luz das escrituras

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lhe explicar o que realmente era o devorador, e aproveitar para desmascarar esta falsa doutrina de devorador- demônio que circula nas igrejas de hoje.

Este devorador que Malaquias se refere, como próprio texto já deixa claro, não são demônios, mas insetos que destroem o fruto da terra e deixa a vide do campo estéril; o profeta Joel também falou desses insetos devoradores em sua profecia, veja o texto a seguir:

"O que ficou da lagarta, o gafanhoto o comeu, e o que ficou do gafanhoto, a locusta o comeu, e o que ficou da locusta, o pulgão o comeu." (Joel 1:4).

Como está claro nos textos bíblicos o devorador não é demônio e sim insetos (lagarta, gafanhoto, locusta e o pulgão), que comiam a lavoura do judeu que não dava o dízimo que servia para o sustento do órfão, e da viúva, e do estrangeiro, e do levita, que acabavam passando necessidades.

Haja vista que o dízimo era o fruto da terra, então se o judeu não dava o dízimo do grão, também não tinha uma boa colheita para se fartar, porquanto esses devoradores vinham, e comiam todo o fruto da terra como castigo de

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Deus para a nação por não darem os dízimos (2 Crônicas 7:14,15; 2 Crônicas 6:28-31); leia Joel 1:5-20 e veja o estrago que esses devoradores fizeram muitas vezes na lavoura do povo judeu por causa da sua infidelidade em cumprir a lei do Senhor.

Pastores e teólogos, por favor, dizer que devorador é demônio é zombar da inteligência do povo, afinal de contas demônios não comem capim nem grama, e vocês sabem muito bem disso, sejam autênticos e digam verdade, parem de iludir as coitadas das ovelhas, vocês vão prestar contas com Deus, não esqueçam disto.

Amados deixem de ser crianças, e cresçam no conhecimento da palavra de Deus, não é atoa que o profeta nas escrituras diz: “o meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento (Oseias 4:6a) “. Sinceramente, eu me recuso a acreditar que alguém continue crendo que o devorador seja algum demônio que anda por aí nas igrejas fiscalizando o livro do caixa, e vendo quem deu o dízimo ou não este mês.

Você não acha estranho, que depois de ter sido regenerado, e selado com Espírito Santo de Deus, alguém

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venha lhe chamar de ladrão porque não deu dez por cento para a igreja dele?

Analise comigo: se esses devoradores fossem realmente demônios, e que atacariam a saúde, casamento, família e finanças dos infiéis nos dízimos, então porque dizimistas fieis também sofrem prejuízos e percas? Porque dizimistas fieis também gastam com remédios? Porque dizimistas fieis passam crise em seu casamento e família? Porque dizimistas fieis sofrem assalto e muitas outras coisas que os falsos pastores dizem que são obras do devorador? Já que eles dão seus dízimos com fidelidade, nada disso deveria acontecer com eles, não é verdade?

Na verdade, se há algum devorador nos dias de hoje, seriam esses maus pastores que exploram e comem tudo das ovelhas (Ezequiel 34:1-10,17-22), esses sim, são os devoradores do povo.

É claro que os lideres gananciosos vão tentar te manter no cativeiro doutrinário, Mas graças a Deus, muitos já estão compreendendo que esta doutrina de devorador não passa de uma heresia exploradora, e estão sendo

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resgatados pelo poder da Verdade do Santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Agora você não precisa mais ficar com medo do devorador, e ficar dando dez por cento do seu dinheiro a alguém, pois ele não é uma ameaça para nenhum de nós, era apenas para os judeus, e como vimos em vários textos bíblicos, o devorado nunca foi, e nunca será demônios, mas sim insetos que destruíam a lavoura dos judeus infiéis, e como esta ameaça não é para nós, fique em paz, e sossegue seu coração.

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CAPÍTULO

5

O QUE É O DÍZIMO DOS DÍZIMOS?

(Números 18:25,26) E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao Senhor, os dízimos dos dízimos.

Atualmente muitos pastores tem tirado como salário, a décima parte dos dízimos que entram na igreja, e se beneficiado com dízimo dos dízimos engordando suas contas bancarias, alegando que é o salário deles pelo seu trabalho como ministros da igreja.

dízimo dos dízimos nunca foi dado a

pastores, não há esta regra nos livros do Novo Testamento, Jesus e os apóstolos nunca falaram sobre

este assunto, isso não pode ser praticado hoje.

Mas

o

Achei necessário aprendermos sobre o que é o dízimo dos dízimos, para que possamos ficar atentos ao que acontece em algumas igrejas.

Quando Deus escolheu a tribo de Levi para ajudar aos sacerdotes no ministério do templo (Números 18:1- 3,6), Ele lhes deu os dízimos da nação de Israel para

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sustento de suas famílias, era a recompensa pelo trabalho que realizavam para Deus no templo, eles não receberam herança na terra de Israel, nem trabalhariam em outra coisa, apenas no ministério do templo, e os dízimos eram seu sustento, seu salário, sua recompensa (Números 18:21-24), e a ordem de Deus era que os levitas ao receberem os dízimos do povo, tirassem a décima parte desses dízimos, que é o dízimo dos dízimos, e dessem aos sacerdotes e ao sumo sacerdote, para sustento deles

e de suas famílias (Números 18:25,26) e (Neemias 10:38)

Isso era uma lei, e tinha que ser cumprida, para que

a casa de Deus (o templo) não ficasse abandonada, pois

todos os dias, os levitas, e os sacerdotes, tinham trabalho no templo e não podiam parar, todavia precisam de sustento para suas casas, e Israel entendia esta necessidade, mas quando Israel era infiel em seus dízimos, os levitas e os sacerdotes tinha que ir para o campo plantar para sustentar suas famílias, e deixavam a casa de Deus (o templo) desamparada, e isso desagradava a Deus, podemos ver um exemplo disso, no livro de Neemias 13:10-13, onde Neemias teve que organizar essa questão.

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CAPÍTULO

6

UM LEVITA DANDO O DÍZIMO À IGREJA?

(Atos 4:36,37) Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé (que, traduzido, é Filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos. “

Havia na igreja antiga, um levita chamado Barnabé,

o texto diz que ele vendeu uma propriedade e deu como

oferta para igreja, este texto é uma das muitas evidências

de que o dízimo não era praticado pela igreja primitiva, pois Barnabé sendo levita era ele quem deveria ter recebido os dízimos das pessoas, pois era um direito que

a lei de Moisés lhe dava por ser levita (Números 18:21), mas na verdade ao invés de receber dízimos, Barnabé está dando ofertas para a igreja.

A lei do dízimo diz, que o levita deveria receber os dízimos do povo, e ao receber, ele deveria dar o dízimo dos dízimos aos sacerdotes da casa de Arão, como mostram os textos a seguir:

Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma

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oferta alçada ao Senhor, os dízimos dos dízimos. E contar- se-vos-á a vossa oferta alçada, como grão da eira, e como plenitude do lagar. Assim também oferecereis ao Senhor uma oferta alçada de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos de Israel, e deles dareis a oferta alçada do Senhor a Arão, o sacerdote. “(Números 18:26-

28).

“E que o sacerdote, filho de Arão, estaria com os levitas quando estes recebessem os dízimos, e que os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do nosso

Deus, às câmaras da casa do tesouro. Porque àquelas câmaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas alçadas do grão, do mosto e do azeite; porquanto

ali

estão

os

vasos

do

santuário,

como

também

os

sacerdotes que ministram, os porteiros e os cantores; e que assim não desampararíamos a casa do nosso Deus. (Neemias 10:38).

É claro que se a igreja continuasse a pagar os dízimos como os judeus da Antiga Aliança, Barnabé por ser levita estaria recebendo os dízimos dos irmãos, e não dando ofertas na igreja, e com certeza se a igreja pregasse a lei do dízimo, Barnabé teria dado não apenas

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sua oferta, mas também o dízimo dos dízimos, porém ao sacerdote da família de Arão, e não para igreja.

Imagina aí se a igreja tivesse cobrando dízimos do povo, a guerra seria grande com os judeus por causa disso, pois os judeus não aceitaram a Jesus como o Messias, portanto continuaram com os sacrifícios da lei, inclusive a cobrança dos dízimos, e os sacerdotes continuaram a trabalhar no templo e a oferecerem os sacrifícios como a lei mandava, e o povo continuava pagando os dízimos aos levitas como era costume, veja o que diz o historiador Flávio Josefo:

O dízimo no período do judaísmo helenístico ainda era a fonte principal de renda para os sacerdotes e levitas, embora no A.T. o dízimo quando deixado à consciência do contribuinte, ficou frequentemente sem ser pago. Ocasionalmente, portanto, sumos sacerdotes cobiçosos asseguravam-se do recebimento dos seus direitos ao enviar bandos fascínios, para tirarem os dízimos das eiras. O agricultor não era digno de confiança para cumprir esta responsabilidade religiosa importante (Josefo. Ant. 20,181;20, 206-7).

O dízimo só deixou de ser praticado no ano 70, ou seja, quase 40 anos depois da morte de Cristo quando o

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general Romano, Tito filho do imperador Vespasiano destruiu o templo de Jerusalém mesmo assim haviam rabinos que insistiam em que o dízimo continuasse sendo pago pelos judeus como diz a enciclopédia Jewish:

depois da destruição do templo, os rabinos ressaltavam a importância do dízimo. Consideravam-no como sendo um dos três elementos mediante cujo mundo foi criado, e como meio pelo qual os israelitas escapavam à sorte dos impios (Jewish Encyclopedia, XII,

151b).

A igreja jamais cobraria dízimos do povo, pois eles sabiam que isto era um direito que pertencia aos levitas e aos sacerdotes, aos órfãos e às viúvas, e não à igreja, muito pelo contrario, eles tinham consciência que esta era uma pratica da lei e não se aplicava à igreja, por isso você não encontra em nenhuma passagem do Novo Testamento uma única cobrança de dízimos à igreja.

“Mais claro do que isso só não entende quem não

quer. “

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CAPÍTULO

7

DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR,

E A DEUS O QUE É DE DEUS.

(Marcos 12:13-17) “E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem nalguma palavra. E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas à aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus; é lícito dar o tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos? Então ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que me tentais? Trazei-me uma moeda, para que a veja. E eles lha trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição? E eles lhe disseram: De César. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se dele.

Este é também um dos textos mais usados para pedir dízimos em algumas igrejas, muitos pastores dizem que quando Jesus disse: dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, ele estava dizendo que os impostos são de César, mas os dízimos são de Deus; eu até dou risadas com a criatividade desses homens, que em todo versículo da bíblia, veem uma oportunidade para arrancar a qualquer custo o dinheiro das pessoas.

Este texto em momento algum está se referindo a dízimos e nem a ofertas, você acha mesmo que Jesus saiu

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lá do céu, deixou a sua glória, e veio aqui na terra para cobrar dízimos?

O que este texto diz na verdade é o seguinte: como todos sabemos, naquele tempo a nação de Israel estava debaixo do jugo romano, que havia se tornado o maior império do mundo a partir do I século a.C., com uma

população estimada por alguns historiadores em 60 milhões de pessoas, Roma havia conquistado muitas nações, e por influência dessas nações, havia sido introduzido no império romano o culto ao imperador, pois muitos ao verem o poderio de Roma, e o quanto eles conquistavam, acreditaram que Roma tinha uma missão divina na terra, e consequentemente o imperador foi considerado divino, ou seja, um deus, e como todo deus,

o imperador era digno de ser cultuado, então cunharam a

imagem do imperador na moeda romana que circulava dentro do império; principalmente por conta disso, os judeus não concordavam em pagar o imposto a Roma,

pois acreditavam que sua moeda era um símbolo de idolatria, e que estariam praticando idolatria se pagassem

o imposto ao imperador, mas quando os lideres judeus

vieram questionar Jesus sobre o imposto, na verdade, eles

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não estavam preocupados em pagar o imposto a Cesar, o motivo dos fariseus terem perguntado a Jesus se deveriam pagar imposto a Cesar ou não, era para prejudicar o seu ministério, que alcançava cada vez mais pessoas, e se Jesus dissesse sim, ele estaria traindo o seu povo, e a lei de Deus, praticando idolatria, e se dissesse não, seria acusado de insurreição, e declarado inimigo de Roma, e isso com certeza, resultaria em sua morte, mas Jesus sabiamente aproveitou a oportunidade e deu-lhes uma lição, ensinando que de fato eles deveriam ser obedientes às leis Romanas, mas é claro, desde que essas leis não contrariassem a santa palavra de Deus, Jesus lhes disse que eles deveriam pagar o que a lei cobrava, já que estavam debaixo do jugo de Roma, seria justo pagar o imposto a Cesar, mas não poderiam esquecer a lei de Deus, a qual haviam abandonado, e trocado pelas tradições dos anciões (Marcos 7:1-13), pois estes haviam introduziram uma lei oral, como sendo um complemento da lei de Moisés.

A lei oral, era uma interpretação dos escribas, que surgiu depois do cativeiro babilônico por volta do II século a.C., e que muito tempo depois, foi acrescentada ao

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Talmud, e reconhecida pelos judeus como palavra de Deus, porém na tradição oral, haviam muitas coisas que Deus não tinha ordenado, e que não passavam de legalismo religioso (Marcos 7:6,7), mas mesmo assim, os líderes judaicos, as tornaram ordenanças para o povo como algo que vinha do próprio Deus, e Jesus questionou que eles estavam trocando a palavra de Deus por tradições de homens (Marcos 7:8,9), e disse que assim como eles deveriam dar a Cesar o que é de Cesar, ou seja, pagar o imposto a Roma, muito mais deveriam dar a Deus o que é de Deus, ou seja, guardar os verdadeiros mandamentos de Deus e não os abandonar, para praticarem as tradições dos homens como eles haviam feito, com isso, Jesus estava dizendo que as leis de Deus devem ser cumpridas pelo seu povo, tanto quanto as nações tem obrigação de guardarem as leis que as regem.

Jesus não estava falando de dízimos, mas de praticar a palavra de Deus e obedecê-la, isso é dar a Deus o que é de Deus.

Cuidado líderes, vocês estão cobrando do povo em nome de Deus o que Deus não mandou cobrar, isso pode custar muito caro.

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CAPÍTULO

8

O FRUTO PROIBIDO DO JARDIM DO ÉDEN ERA O DÍZIMO?

(Gênesis 2:9,15-17) “E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Um dos maiores absurdos que ouvi nos últimos anos, foi que Deus instituiu o dízimo no jardim do Éden, e que a árvore do conhecimento do bem e do mal era o dízimo, portanto Adão não deveria tocar, pois morreria se o fizesse, e como Adão desobedeceu pagou um preço alto por isso.

Este tipo de interpretação chega ao ápice das heresias, pois tanto o texto, quanto o contexto, mostram claramente, que aquela era a árvore do conhecimento do bem e do mal, e não o dízimo.

Vou explicar em poucas palavras. A ordem de Deus, era que se Adão comesse daquele fruto ele perderia

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sua inocência, e se tornaria conhecedor do bem e do mal, e morreria (Gênesis 3:22); Satanás sabendo disso, tentou a Eva, que consequentemente tentou a Adão, e exatamente como Deus havia dito aconteceu, quando ele comeu do fruto, tornou-se conhecedor do bem e do mal, dai percebeu que estava nu, e ficou como vergonha (Gênesis 3:7,9-11), e o preço por esta atitude de desobediência, foi que ele perdeu sua inocência, pureza, santidade, e a comunhão com Deus, a morte e o pecado entraram no mundo, e atingiram a todos os homens, e em todas as épocas, de modo que agora teriam que morrer por causa do pecado (Gênesis 3:19), (Romanos 5:12), Adão passou a sofrer situações que não lhes poderia sobrevir antes de pecar, pois tinha acesso à arvore da vida (Gênesis 3:22), perdeu todos os benefícios que Deus lhe havia dado e foi expulso do paraíso (Gênesis 3:14-24).

Deus pôs a árvore do conhecimento do bem e do mal, para provar a obediência do homem em relação à sua palavra, ou se ele se desviaria para dar ouvidos a outros (Gênesis 3:17), mas jamais o Senhor disse que aquela arvore seria o dízimo.

Como vimos, o que a referida passagem fala, não

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tem nada a ver com dízimos, não há uma única referência sobre dízimos nesta passagem.

Mas apenas os mercenários, que em tudo veem oportunidade de ameaçar as pessoas que não tem conhecimento bíblico, é que usam deste texto para explorar as pessoas, e se beneficiarem financeiramente com isso. Abra o olho meu irmão, fuja, deixe de ser explorado.

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CAPÍTULO

9

A OFERTA DA VIÚVA POBRE

(Lucas 21:1-4) E, olhando ele, viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro; E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas; E disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva; Porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha.

Alguns usam este texto, e dizem que a viúva deu tudo o que tinha esperando uma recompensa de Deus para ter uma vida melhor, então eles ensinam que devemos dar tudo para a obra de Deus para que possamos prosperar, mas esses ensinamentos são apenas mais heresias, pois o texto em momento algum está afirmando isso.

É importante observar que este texto não está falando de dízimos, ou de barganhar com Deus como alguns pregam, mas está mostrando o momento em que os judeus vinham depositar suas ofertas de acordo como os ritos judaicos como o próprio texto mostra.

Usar este texto para pedir dízimos, mandar o povo dar tudo o que tem para a “igreja”, e esperar que Deus venha lhe dar em troca cem vezes mias, é no mínimo

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absurdo, esta viúva não deu tudo oque tinha esperando nada em troca, se ela tivesse agido assim, Jesus não teria se alegrado com a oferta dela, mas ela deu todo o seu sustento como oferta, não porque havia algum explorador pedindo que ela assim o fizesse, mas para expressar sua gratidão, amor e dependência de Deus.

O texto nos mostra que os ricos depositavam suas ofertas para cumprir os ritos religiosos, e porque tinha sobrando, e seu propósito principal em dar as ofertas não era o amor a Deus, mas para se mostrarem e serem vistos pelos homens (Mateus 15:3), eles jamais seriam capazes de dar alguma coisa se não tivessem sobrando, pois eram avarentos (Lc. 16:14); o texto também nos ensina, que Deus não está preocupado com valores ou percentagens, mas com um coração sincero (Mateus 6:1-4), e Ele viu isso naquela viúva pobre, que não deu por obrigação, ou porque estava sobrando, nem com medo do devorador, mas simplesmente por amor e alegria, e isso é tão sério, que Jesus chegou a dizer, que antes de darmos nossas ofertas, precisamos estar reconciliados com nossos irmãos, do contrario Deus não as recebe (Mateus 5:23,24).

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CAPÍTULO

10

ANANIAS, SAFIRA E O DÍZIMO

(Atos 5:1-5) mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, E reteve parte do preço, sabendo- o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram.

Ananias e Safira, foram dos primeiros cristãos judeus que compunham a igreja primitiva nos tempos apostólicos, no primeiro século, havia se tornado prática comum na igreja os irmãos venderem suas propriedades e trazerem o valor aos pés dos apóstolos para que fossem distribuídos a cada um segundo sua necessidade, embora (Atos 2:44,45) registra que todos vendiam seus bens e repartiam com quem tinha necessidade, são poucos os citados especificamente, como Barnabé que parece ser dos primeiros a renunciar seus bens, e Ananias e safira.

Ananias e sua esposa Safira, deixaram um exemplo que no decorrer dos séculos tem sido interpretado das mais diversas formas, e isso tem gerado muitas

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especulações, uns, para induzir as pessoas a darem seus bens para a igreja, dizem que eles morreram não terem dado tudo, outros podem supor que Ananias e Safira negaram o dízimo do que venderam, e a quantia que ofertaram à igreja não correspondia à dez por cento do valor da venda, e outros ainda dizem outras coisas, mas afinal, porque Ananias e Safira sua esposa morreram?

O texto sagrado nos dá pelo menos cinco razões que foram os motivos da sua morte:

Satanás encheu o coração do casal (Atos 5:3a).

mentiram para o Espírito Santo (Atos 5:3b).

retiveram parte da propriedade, mesmo dizendo que estavam dando tudo (Atos 5:3c).

mentiram não aos homens, mas a Deus (Atos 5:4c).

duvidaram da onipresença e onisciência do Espírito Santo (Atos 5:9).

Como nos mostram os textos bíblicos, o motivo da morte deles, não tem nada a ver com o que dizem por aí, mas alguém pode dizer mas eles não tinham que dar tudo? Não! Eles não tinham obrigação de darem tudo para

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a igreja, o próprio Pedro disse que a propriedade era deles (Atos 5:4a); ao vendê-la, o dinheiro era deles para gastarem como quisessem (Atos 5:4b); eles poderiam ter dito a Pedro: nós vendemos a propriedade por cem mil, precisamos do dinheiro para resolver algumas coisas pessoais, mas gostaríamos de dar cinco ou vinte mil para a igreja”, com certeza teria sido aceito como benção.

O grande problema não é porque eles não deram

tudo, mas porque seus corações não eram retos diante de Deus, queriam se mostrar, tocar trombeta, aparecer, serem elogiados, por isso mentiram dizendo que estavam dando tudo sem que estivesse, e isso despertou o zelo do Senhor, que os fulminou, para servir de exemplo a todos os enganadores, usurpadores e mentirosos que querem

por meio de mentiras roubar as atenções para si no meio da igreja do Deus vivo.

O texto ainda mostra que Ananias e Safira agiram

de forma premeditada (Atos 5:9a), tornando ainda pior sua

reputação.

Por tanto, usar este texto como pretexto para pedir dinheiro, e inibir as ovelhas a darem tudo, é um verdadeiro absurdo, cada deve contribuir com quanto quer, não

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precisa mentir, ou se sentir inibido, faça o que Deus tem colocado em seu coração, e não se iluda com as propostas dos homens que prometem coisas que Deus não está prometendo, apenas oferte quanto você desejar, quanto o seu coração pede, faça isso com alegria, e Deus receberá com amor (2 Coríntios 9:7).

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CAPÍTULO

11

JESUS RECEBIA DÍZIMOS?

(Lucas 8:1-3) E aconteceu, depois disto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e os doze iam com ele, E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades:

Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens. "

(João 13:29) “Porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa; ou que desse alguma coisa aos pobres.

Alguém pode dizer, que essas duas passagem estão mostrando que Jesus recebia dízimos das pessoas, e tinha até alforge para os recolher, de fato o texto mostra que Jesus recebia dinheiro para ajudar em seu sustento, mas é um erro pensar que este dinheiro era a décima parte de tudo o que as pessoas ganhavam, ou que Jesus fica por ai pedindo ofertas e distribuindo envelopes, Jesus nunca recebeu dízimos de ninguém, e muito menos pediu dízimos, ou ofertas a alguém, o texto é muito claro quando diz que algumas mulheres crentes davam de seus bens para sustentar o ministério de Jesus, já que ele era um mestre e que se dedicava inteiramente ao seu ministério e não tinha tempo para trabalhar em outras atividades, elas

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viram a necessidade de ajuda-lo em seu sustento, é obvio que Jesus precisava de sustento, mas vale ressaltar, que elas davam essas contribuições espontânea e voluntariamente, não debaixo de ameaças de estarem roubando a Deus, ou que um devorador viria e as atacariam se não dessem, e muito menos com propostas de receberem cem vezes mais.

Outra coisa importante a se deixar claro sobre esta questão, é que do dinheiro que entrava como ofertas voluntárias no ministério de Jesus, ele fazia questão de ajudar aos pobres e necessitados, tanto é que quando ele na Santa Ceia disse a Judas: “o que faz, faze-o depressa (João 13:27)”, os outros apóstolos pensaram, que Jesus tinha mandado que ele pegasse do dinheiro da bolsa, e desse alguma coisa aos pobres, e foi exatamente neste ponto que Judas se aproveitou para roubar o dinheiro que se lançava na bolsa, o texto mostra com clareza, que ele roubava tudo (João 12:3-6), e sempre dava a desculpa que tinha dado o dinheiro aos pobres, já que era o que Jesus fazia e os ensinava a fazer. Mas que fique bem claro, que este dinheiro não era de dízimos.

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Ele designou levitas responsáveis, para recolher em todo o território de Israel, o dízimo, e o dízimo dos dízimos, como eram o grão da terra, os traziam para que fossem guardados no devido lugar, para que posteriormente fossem devidamente repartidos para cada família respectivamente de forma organizada e justa (Neemias 10:34-39) e (Neemias 12:44).

Portanto, qualquer pastor ou líder, que esteja usando este princípio para retirar seu salário, está pregando heresia, pois esta era uma aliança de Deus com os levitas (Números 18:8-24), e ninguém poderia usufruir disto, quem o fizesse estaria debaixo de maldição, e além disso, o dízimo não é para os dias de hoje, por tanto, não faz nenhum sentido que algum pastor tire o dízimo dos dízimos como salário.

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CAPÍTULO

12

OS PAIS DA IGREJA E O DÍZIMO

Após a morte do último apóstolo, João em 103 d.C. a igreja foi liderada por homens a quem deram o título de “pais” da igreja, este título foi dado devido ao carinho e respeito que os cristãos lhes prestavam, chamando-os de” pais”, por conta do amor, zelo, e dedicação que tinham pela igreja, esses homens geralmente eram bispos da igreja em algum lugar do mundo.

Apesar de alguns erros que cometeram, no geral foram homens que batalharam pela ortodoxia doutrinaria, foram apologistas, polemistas, defensores da verdade, escritores de obras que ainda hoje contribuem com o doutrinamento dos cristãos em todas as partes do mundo, sistematizaram doutrinas fundamentais do cristianismo para melhor entendimento dos leigos, criaram declarações de fé como síntese das doutrinas mais importantes da igreja; e pelo extremo zelo que tiveram pela palavra de Deus, alguns deles foram mortos por sua fé em Cristo.

Atualmente esses homens são muito respeitados por teólogos de todas as denominações, e em todas as

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nações do mundo, por isso faço questão de mostrar o que alguns deles falaram sobre a doutrina do dízimo, já que viveram num período relativamente tão próximo dos apóstolos, que data do segundo ao sexto século, e em alguns casos, alguns deles até conheceram pessoalmente apóstolos de nosso senhor Jesus Cristo, como por exemplo, Policarpo de Esmirna que viveu de 69-159 d.C. e foi discípulo do apóstolo João, segundo Tertuliano, Policarpo foi consagrado bispo de Esmirna pelas mãos do próprio apóstolo João.

Portanto a importância de analisarmos o que esses homens falaram; vamos ver o que alguns pais da igreja disseram sobre dízimos:

1. Irineu bispo de Lyon (por volta de 130 a 202 d.C.), em sua principal obra intitulada “contra as heresias” escrita por volta do ano 180 d.C. disse:

“ E, em vez da lei que ordena a

entrega dos dízimos, [Ele nos disse] para compartilhar todos os nossos bens com os pobres" (Contra Heresias

IV.13.3).

“E por isso eles (os judeus) tinham de fato os dízimos de seus bens consagrados a Ele, mas aqueles que

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receberam a liberdade, puseram de lado todas as suas posses para os propósitos do Senhor, dando alegremente e livremente não as porções menos valiosas de sua propriedade, uma vez que eles têm a esperança de coisas melhores [futuramente]; como aquela pobre viúva que depositou todo o seu sustento para o tesouro de Deus” (Contra Heresias

IV.18.2).

Irineu não foi o tipo de pastor que ensinava que os cristãos deveriam pagar os dízimos, pelo contrário, ele deixa claro que os dízimos eram práticas dos judeus e não da igreja, que ofertava de forma generosa, espontânea e voluntária, como de fato Jesus e os apóstolos ensinaram.

2. Clemente de Alexandria (c. 150-215 d.C.) em sua obra intitulada: Stromata, disse o seguinte sobre o dízimo:

“Além disso, os dízimos dos frutos e dos rebanhos ensinavam a piedade para com a Divindade, e não agarrar tudo com cobiça, mas comunicar dons da bondade para com os vizinhos. Pois foi por meio destes eu acho, e das primícias que os sacerdotes foram mantidos. E nós agora, portanto, compreendemos que somos instruídos pela lei em piedade, e em liberalidade, e

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humanidade”

(Stromata 2.18).

Claramente Clemente fala do dízimo como prática judaica, que eram dadas dos frutos da terra e dos rebanhos para sustento dos sacerdotes levitas, e deixa claro que agora a igreja é instruída à piedade e liberalidade, ou seja, a igreja não contribui porque é obrigada, pois não há imposição de porcentagem, mas com amor, em justiça e humanidade, referindo-se que as contribuições tinham por objetivo ajudar aos necessitados, e não em dar esperando algo em troca, ou ser um gananciosos, retendo tudo o que possui de forma egoísta.

em

justiça,

e

em

3. Tertuliano de Cartago (c. 150-220 d.C.) em sua obra apologia, escreveu:

“Embora tenhamos nosso cofre, este não é constituído de dinheiro de compra [para comprar a salvação], como no caso de uma religião que tem seu preço. No dia mensal, se desejar, cada um coloca uma pequena doação; mas só se for do seu agrado, e somente se puder, porque não há compulsão; tudo é voluntário. Estes presentes são, por assim dizer, o fundo de depósito de piedade (Apologia 39).

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Tertuliano deixa claro que as contribuições deveriam ser mensais, porém espontâneas, e diz que só se deve contribuir se for do agrado do irmão, e ainda por cima diz que oferte apenas se puder, disse ainda que nada era obrigatório, mas voluntário, deixando claro que não pregava dízimo para a igreja.

4. Justino mártir (100-170) um leigo sem formação teológica, mas que foi considerado o primeiro dos pais apologista. Em Roma, este leigo fundou uma escola de ensino da doutrina cristã, escreveu muitas obras, e em uma delas em relação a contribuições disse:

Aqueles que prosperaram e tem esta vontade, contribuem cada um na quantidade que quiser. Aquilo que é coletado é depositado com o presidente, e ele cuida dos órfãos, das viúvas e dos necessitados…e daqueles que estão presos e dos forasteiros que habitam entre nós “(I Apol. 67; cf. Também Apost. 2.27).

Justino deixa claro que a contribuição é pela boa vontade de cada um, de acordo com a sua prosperidade, daquilo que possuem, e o quanto podem e desejam dar, era isso que ele pregava na igreja e ensinava aos pregadores e cristãos da sua época, e também disse que

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os necessitados deveriam ser os primeiros a serem socorridos com o dinheiro das ofertas.

Dos muitos pais da igreja apenas poucos falaram sobre o assunto diretamente como vimos a acima, outros se quer mencionaram por saberem que o dizimo não se aplica para a igreja, uns apenas mencionaram sobre o tema de forma superficial, mas nunca cobrando como obrigação da igreja.

Você percebe como é explicito, o que esses homens respeitados pela igreja no mundo todo, falaram sobre contribuições, eles mesmos refutam a prática do dízimo, falam de ofertas voluntárias, espontâneas e com amor, não como tem sido ensinado nas igrejas nos dias de hoje, não com essa opressão que pesa sobre os cristãos nos dias de hoje, portanto fica claro que os pais da igreja não ensinaram a igreja a dar o dizimo, muito pelo contrário, eles eram contra todo tipo de oferta dada com interesse pessoal, barganha e apelação.

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CAPÍTULO

13

A REFORMA PROTESTANTE E O DÍZIMO

Martinho Lutero (1483-1546) Argumenta o teólogo João Bosco: o grande reformador, respeitado pela maioria dos estudiosos, pregadores e pastores evangélicos, foi erroneamente interpretado por alguns por haver sugerido e elogiado o modelo de dízimo para ser um imposto do governo da época, pois considerava uma ótima ideia para ser implantada pelo rei, entretanto a observação cuidadosa de seus escritos demonstra que para ele o dízimo não era válido aos cristãos, como se vê em Croteau (2010, p. 28):

Finalmente, ele aplicou este conceito especificamente para a lei do dízimo: “Mas os outros mandamentos de Moisés, que não são [implantado em todos os homens], por natureza, os gentios não mantêm. Nem eles dizem respeito aos gentios, como o dízimo e outros igualmente bons que eu gostaria muito que tivéssemos”. Por tanto, Lutero se referiu explicitamente ao dízimo como não obrigatórias para os gentios e não sendo parte da lei natural. (Tradução nossa). Interessante percebermos a sinceridade de Lutero, pois quando ele diz “que eu gostaria muito que

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tivéssemos”, percebe-se que ele simpatizava com a ideia, entretanto, acima de tudo ele não seguia seus gostos ou opiniões naturais, antes dava prioridade à Palavra de Deus. Esta conduta é condizente com a maior luta de Lutero, que foi contra a enorme quantidade de preceitos oriundos da tradição humana que tinham proeminência sobre a Bíblia na Igreja Católica, tal qual foi explicitado sobre o dízimo por Tomás de Aquino. 1

1 O texto que fala de Martinho Lutero foi extraído do TCC do teólogo João Bosco costa Vieira (4.6 pag. 125).

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CAPÍTULO

14

O PRÍNCIPE DOS PREGADORES E O DÍZIMO

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892) é um grande exemplo sobre o ensino de que não é obrigatório dizimar, ele é um grande expoente da História do Cristianismo, citado por todos os pregadores e pastores como referência de homem de Deus, Spurgeon deixou alguns sermões em que aparentemente os ouvintes poderiam fielmente crer na contemporaneidade do dízimo, mas, assim como nas doutrinas bíblicas, não se pode chegar a uma opinião apenas por aparências. A análise de sua obra como um todo, nos apresenta sermões em que ele explicitamente expõe seu posicionamento, como bem advoga Croteau (2010, p. 43- 44) ao comentar sua obra transcrevendo trechos de seus sermões:

Em 1880, ele notou que Paulo não usava a Lei de Deus no sentido de exortar os santos a serem liberais em suas doações, porque “eles não estão debaixo da lei”. Ele continuou: “É também de salientar, em relação à liberalidade cristã, que não há regras estabelecidas na Palavra de Deus. Eu lembro de ter ouvido alguém dizer: ‘Eu

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gostaria de saber exatamente o que eu deveria dar.’ Sim, caro amigo, sem dúvida você gostaria, mas você não

está sob um sistema semelhante aquele

qual

os judeus eram obrigados a pagar o dízimo aos sacerdotes. Se houvesse alguma regra como está prevista no evangelho, ela iria destruir a beleza de dar espontaneamente, e lançaria fora todo florescer do fruto de sua liberalidade.” Ele também fez os seguintes comentários sobre órfãos que podem diretamente solucionar as questões do dízimo: “Eu tenho lido algumas declarações surpreendentes sobre o direito divino dos dízimos. Parece estar estabelecido nas mentes de alguns que se Deus deu os dízimos a Levi Ele deve,

no

portanto, dá-los aos ministros episcopais: uma dedução que eu não vejo! Eu assim deveria deduzir que Ele os tinhas dados para os ministros batistas, certamente não seria mais ilógico. A ideia dos nossos sacerdotes serem levitas a fim de obterem dízimos obrigatórios seria demasiado abominável para nos distrair por um momento!” (Tradução nossa). 2

2 Sermão na íntegra

<http://www.spurgeongems.org/vols46-48/chs2716.pdf>. A citação de Croteau foi retirada deste sermão publicado pela Pilgrim Publications.

inglês disponível em

em

103

As opiniões de Spurgeon ficam assim claramente explanadas. Croteau (2010, p. 45) finaliza suas observações sobre Spurgeon transcrevendo outro trecho de um sermão² daquele que foi chamado de “O Príncipe dos Pregadores”:

Novamente, se alguém parar de ler aqui mesmo, então a opinião dele já parece óbvia. Mas ele continuou: “Eu não gostaria, porém, de estabelecer as regras para o povo de Deus, pois o Novo Testamento do Senhor não é um grande livro de regras, não é um livro da letra que mata, mas é o livro do Espírito, que nos ensina sobre a alma da liberalidade em vez da aparência exterior dela, e que em vez de escrever leis sobre pedras ou papel, ele escreve leis no coração. Dê, queridos amigos, como você propôs no seu coração, e dê proporcionalmente, como o Senhor prosperou a você, e não faça a sua estimativa do que você deveria dar pelo que aparecerá respeitável a você, ou pelo que se espera de você pelas outras pessoas, mas como aos olhos do Senhor, como Ele ama a quem dá com alegria, e como quem dá com alegria certamente é um doador proporcional, tome cuidado para que você, como um bom mordomo, mantenha contas justas

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diante

do

grande

Rei.”

(Tradução

nossa). 3

Estas palavras de Spurgeon em seus sermões combinam de forma majestosa com todo o conteúdo explanado nos capítulos anteriores. 4

3

Sermão

na

íntegra

em

inglês

disponível

em

<http://www.spurgeongems.org/vols13-15/chs835.pdf>.

4 Todo o texto que fala de Charles Haddon Spurgeon foi extraído do TCC do teólogo João Bosco costa Vieira (4.6 pag. 126,127).

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CAPÍTULO

15

QUANDO SE INICIOU

A COBRANÇA DE DZÍZIMOS NA IGREJA?

Como podemos ver até aqui, a prática dos dízimos não foi exercida pela igreja primitiva nem pelos apóstolos no I século, nem pelos pais da igreja que vieram do segundo ao VI século, nem por pregadores renomados como Charles Spurgeon e outros, e muito menos pelos reformadores no século XVI, porém, uma pergunta precisa ser respondida: onde, e quando se iniciou a prática da cobrança de dízimos na igreja?

De acordo com o estudo da CNBB 8, o livro da pastoral do dízimo da Igreja católica apostólica Romana, liderada hoje pelo seu maioral, Papa Francisco, reconhecem o que é dito por grande parte dos historiadores e estudiosos que o dízimo foi instituído pela própria igreja católica com o apoio de governantes políticos:

A praxe de contribuir para cobrir as necessidades da Igreja ia se difundindo no Ocidente. Havia, porém, exceções da parte dos contribuintes.

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Em vista disto, os Concílios foram intervindo nesse setor. O Sínodo Regional de Tours (Gália), em 567, promulgou, por exemplo, a seguinte determinação: “Instantemente

exortamos os fiéis a que, seguindo o exemplo de Abraão, não hesitem em dar

a Deus a décima parte de tudo aquilo

que possuam, a fim de que não venha a cair na miséria aquele que, por

ganância, se recuse a dar pequenas oferendas… Por conseguinte, se

alguém quer chegar ao seio de Abraão, não contradiga o exemplo do Patriarca,

e ofereça a sua esmola, preparando-se

para reinar com Cristo”. Esta é a primeira recomendação de dízimo feita pelos bispos, já não como pregadores ou doutores, mas como legisladores. Contudo, note-se que não impuseram sanção aos transgressores. A justificativa apresentada pelo referido Concílio de Tours em favor dos dízimos, era a necessidade de expiar os pecados da população, sobre a qual pesavam guerras e calamidades.

Como podemos ver não existe imposição de sanções aos transgressores, porém podemos perceber claramente a apelação e a pressão psicológica nessas palavras.

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A própria igreja reconhece que esta foi a primeira recomendação sobre dízimos da parte dos bispos, pois como temos falado, a doutrina do dízimo não existia na igreja até este momento.

O referido concílio de Tours apresentou a justificativa de que o dízimo tinha que ser dado para expiar os pecados da nação diante das guerras e calamidades em que estavam vivendo.

Continuemos vendo o que o livro 8 da pastoral do dízimo da igreja católica romana relata:

Mais um passo foi dado no Concílio de Macon (Gália), em 585, quando os padres conciliares houveram por bem impor a excomunhão a quem se furtasse a pagar sua contribuição à comunidade eclesial. O dever moral torna-se também obrigação jurídica. A evolução se explica através das difíceis condições em que se achava o povo cristão (clero e fiéis) na Europa do séc. VI: as invasões bárbaras, a queda do Império Romano havia acarretado o caos e a insegurança entre as populações. Daí a necessidade de que os bispos despertassem mais vivamente os fiéis para participarem dos interesses de subsistência das suas comunidades. Em Macon, notam os historiadores que não houve apenas a

108

recomendação de um costume antigo, mas uma autêntica inovação. A legislação das diversas províncias eclesiásticas nos séculos subsequentes repetiu várias vezes a determinação do Concílio de Macon. O poder civil haveria de apoiar cerca de dois séculos mais tarde, sob Carlos Magno, a legislação eclesiástica, confirmando-a com uma sanção civil. Com efeito, a lei capitular dita “de Heristal”, em 779, manda aos cidadãos franceses pagar o dízimo à Igreja, ficando o bispo encarregado de o administrar; os contraventores sofreriam a sanção imposta aos infratores das leis civis, ou seja, provavelmente a multa de 60 soldos. Em 780 e 801 a ordem foi reiterada.

Como podemos ver acima, neste concílio, a igreja católica romana e o imperado Carlos Magno impõem sob pena de excomunhão e pagamento de multa ao estado, a obrigatoriedade de dizimar. Deste modo os fiéis estavam pressionados, pela igreja e pelo estado, de modo que os que não temessem a excomunhão que segundo eles, tirava da pessoa a graça da salvação, teriam que pagar uma multa ao governo sob pena de prisão aos descumpridores desta lei.

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Levaram o povo a decidir o que seria melhor, dar dinheiro mesmo que por obrigação à igreja, ou pagar multa ao estado?

Podemos imaginar a confusão na mente das pessoas, e obviamente as revoltas da população oprimida por este sistema “anticristo”.

Nos séculos que se seguiram, essas leis foram regulamentadas e ganharam força em várias partes da Europa, e foram adotadas em várias partes do mundo, até mesmo no Brasil; mesmo com o desligamento da igreja com o estado a prática continua até hoje, pois já havia se tornado uma “doutrina” da igreja, já que nos dois primeiros concílios de Latrão que aconteceram em 1123 e 1139, o dízimo foi finalmente incorporado à legislação da igreja de forma definitiva.

De modo que a maioria dos cristãos atuais já se converteram conhecendo que o dízimo é obrigatório, mas

o que eles não sabem é que esta prática como já falamos

e mostramos, foi criada no século VIII pela igreja católica com o apoio do imperador Carlos Magno, todavia fica mais do que claro para nós, o dízimo não é obrigatório, não é ordenança de Deus para a igreja, mas apenas mais uma

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heresia opressora criada pela igreja católica apostólica romana, e adotada pelas igrejas evangélicas, para oprimir e explorar os leigos que não conhecem a verdadeira doutrina da palavra de Deus; portanto é mais do que correto dizer que, para os dias atuais o dízimo não passa de um imposto, uma imposição humana e não de Deus. 5

5 Todo o conteúdo do cap. 19 tem como FONTE:

http://luiztarciso.net/dizimo/dizhist-html/ e foi extraído da CNBB 8, o livro da pastoral do dízimo da Igreja católica apostólica Romana

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CAPÍTULO

16

SE O DÍZIMO NÃO É MAIS OBRIGATÓRIO,

COMO FAÇO PARA CONTRIBUIR COM A IGREJA?

(2 Coríntios 9:7). "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria."

Neste capítulo, gostaria de lhe mostrar a forma correta de contribuir com a obra de Deus.

Não podemos negar que a obra de Deus precisa de

recursos, que precisamos ajudar a obra de Deus, mas não

por medo, nem por obrigação e nem esperando algo em

troca, mas sim como diz o apóstolo Paulo em sua segunda

carta aos Coríntios, com amor e alegria.

Se nós de fato queremos contribuir com a obra de

Deus, que seja feito da forma correta, como a bíblia nos

ensina, e já que aprendemos que nossas contribuições

devem ser feitas com amor e alegria, vamos ver alguns

exemplos de quando o povo ofertava sem obrigação, e

sem medo, e sem esperar algo em troca, mas

simplesmente com voluntariedade e prazer de contribuir:

1º Exemplo: (Êxodo 35:4,5,20-22,29) neste texto Moisés

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estava para construir a tenda da congregação que depois se tornaria no templo de templo de Salomão, ele pediu em nome de Deus, a quem tivesse disposto a ofertar voluntariamente para aquela obra, o texto diz que vieram tantos homens como mulheres, todos aqueles cujo coração se moveu, todo aquele cujo o espírito voluntariamente o excitou.

Em Êxodo 36:3-7 mostra que o povo trazia tantas ofertas, que foi preciso os responsáveis pela obra pedirem a Moisés para falar com o povo que parassem de trazer ofertas, pois estavam trazendo muito mais do que a obra necessitava, e assim o povo foi proibido de continuar trazendo ofertas para a obra, porque sobejava.

É interessante frisar que o povo não estava sendo obrigado e nem ameaçado, mas convidados a ofertar voluntariamente, é assim que os líderes de hoje deveriam pedir ofertas, de forma voluntária e não obrigando e ameaçando as pessoas, e é importante notar que esta passagem é do Antigo Testamento, quando o dízimo ainda era obrigatório, eu apenas estou tomando como exemplo, tanto a ação dos líderes, como a reação do povo, mas não estou impondo como doutrina, mas só para mostrar o que

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é ação voluntária para trazer oferta para a causa da obra do Senhor.

2º Exemplo: (1 Crônicas 29:1-9,14,16,17) agora é o rei Davi quem mostra o seu amor sincero pela obra de Deus,

e dá como oferta voluntariamente do seu tesouro, grandes

quantias, e pergunta ao povo se haveria alguém disposto

a encher a mão voluntariamente para ajudar também na

obra de Deus, e o povo dos mais simples aos mais ricos trazem o que podem, cada um de acordo com a sua condição, e o texto diz que o povo se alegrou com grande

alegria porque contribuiu voluntariamente com um coração perfeito, em seguida Davi faz uma oração e declara que sabe que Deus prova os corações e se alegra das pessoas que ofertam com sinceridade.

Talvez o mais interessante neste texto, seja o fato de Davi em sua oração, dizer para Deus que tudo o que eles estão ofertando vem das mãos do Senhor, e que tudo pertence ao Senhor, e que estão dando a Deus o que já pertence a Ele.

É exatamente este sentimento que devemos ter quando ofertarmos, alegria, prazer, coração sincero, amor, voluntariedade; mas nunca desânimo, medo, ou

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ganância de esperar para receber algo em troca, porque é isso que a doutrina do dízimo obrigatório e do devorador da igreja atual, faz com você, eles tiram de você todo sentimento sincero e de gratidão a Deus quando está ofertando, e coloca dentro de você os piores sentimentos de ganância, ostentação, avareza e egoísmo que Deus condena.

3º Exemplo: (2 Coríntios 8:1-24) aqui Paulo está fazendo uma coleta para os crentes pobres da Judeia que estão sofrendo por conta da seca e das dificuldades que assolavam a nação, ele ensina que:

a) independente da situação financeira eles ajudavam com generosidade.

b) o amor dos irmãos era tão grande que eles ofertavam

acima do que podiam.

c) Paulo ensina que assim como somos fervorosos na fé,

no conhecimento, na palavra e no amor de uns para com os outros, devemos ser fervorosos também nas

contribuições.

d) fala que os irmãos não só ofertaram, como fizeram com

vontade, pois não há proveito em ofertar sem ter vontade,

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só para cumprir uma obrigação religiosa ou porque todo mundo está ofertando você tem que ofertar também, ofertar desta forma não é aceitável diante de Deus.

e) Paulo também ensina que o crente não pode ficar só na vontade de ofertar, ele diz que se houve a vontade, deve haver também a execução, porque muitas vezes temos vontade de ajudar com algo, mas deixamos esfriar esta vontade em nosso coração, ou ficamos colocando desculpas até que a oportunidade passe, e o desejo de ofertar desapareça.

f) ele enfatiza e diz que a oferta só será aceita se houver vontade no coração da pessoa que ofertou, mas se foi feito sem vontade, a igreja na verdade se serviu da oferta, mas Deus não a aceitou.

g) ele diz também que se deve ofertar de acordo com o que cada um tem, e não com o que não tem, por isso eu não tenho a obrigação de dar o mesmo valor que uma pessoa rica está dando, porque eu darei de acordo com a minha condição, e não porque um pastor disse que eu tinha que dar o que ele quer que eu dê, o texto mostra claramente que não somos obrigados a dar 10% ou 20% o texto me deixa livre para dar o quanto eu desejo e posso.

116

4º Exemplo: (2 Coríntios 9:1-13) Paulo continua fazendo a mesma coleta e agora ele nos ensina mais coisas importantes:

a) que cada um deve contribuir de acordo com o que você

mesmo propôs em seu coração, e não com imposição de percentagens, ele mostra que a oferta é algo íntimo entre o ofertante e Deus.

b) ele diz que mesmo que as ofertas sejam arrecadadas

por uma necessidade, o cristão jamais deve dar apenas por causa da necessidade, ou mesmo com tristeza, mas

deve sempre dar com alegria, ele diz que Deus ama a quem dá com alegria.

Eu fico pensando quantas pessoas estão dando ofertas e dízimos sem um mínimo de alegria, mas apenas porque se sentem obrigadas a dar, ode ter certeza que os que assim procedem não estão agradando a Deus.

c) ele também fala que não podemos dar com avareza e

mesquinhez, mas com generosidade de acordo com a sua condição financeira, de modo que você tenha consciência que está ofertando o que você pode fazer de melhor, não importa o valor se é um real ou um milhão de reais, Deus

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não se importa com valores, mas sim com o que está no coração do ofertante.

5º Exemplo: (Atos 4:32-37) nesta passagem vemos exemplos da igreja primitiva ofertando como de fato lhes era ensinado:

a) para começar, nos mostra que os irmãos tinham tudo em comum, ou seja, todos se serviam mutuamente com

os bens que possuíam, o que era de um era de todos, seus

bens eram para servir à igreja, não havia egoísmo, ostentação nem avareza.

b) mostra que os irmãos que tinham propriedades, vendendo-as traziam o valor da venda e depositavam aos pés dos apóstolos; é interessante ver que eles não faziam

o que queriam com o dinheiro dos seus bens, mas

levavam aos líderes fieis que conheciam as necessidades da igreja. Ao vender uma propriedade eles poderiam muito bem sair por aí, levar o dinheiro e fazer qualquer coisa pelos pobres, mas não, eles preferiam trabalhar em conjunto, e entregar esse dinheiro aos seus líderes, pois

confiavam e sabiam que eles fariam o que realmente tinha que ser feito, assim as necessidades eram supridas.

118

c) imediatamente ao receber o dinheiro das ofertas, os lideres saiam e assistiam as necessidades da igreja, de fato davam a cada um de acordo com a sua necessidade, supriam aos pobres e carentes, coisa que muitas igrejas de hoje fazem o contrário; elas fazem cantinas, bazares, almoços, feijoadas, retiros, cantinas e etc., mas vendem para os pobres, exploram os pobres, e se eles não podem pagar ficam sem participar; é uma vergonha.

Este exemplo deve ser imediatamente seguido pela igreja atual, pois muitos já aprenderam que o dízimo não é obrigatório, mas procedem de forma isolada e egoísta, como se quisessem aparecer, ou receber elogios, faça como vimos no exemplo acima, procure uma igreja verdadeira e sincera que zela pela sã doutrina, e contribua nela, ajude-a, junte suas forças financeiras a ela, assim ninguém aparecerá, mas todos verão a verdadeira igreja de Cristo em ação, e apenas o nome do Senhor será glorificado, e seu santo evangelho sairá do opróbrio em que se encontra e será honrado como foi no primeiro século pela igreja primitiva, as igrejas heréticas são poderosas porque unem seu recursos, não deveria a

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verdadeira igreja de Cristo ser ainda mais unida do que as hereges?

com o dinheiro dessas ofertas que a igreja primitiva arrecadava, eles também assistiam a obra missionária que era uma prioridade naquela época, eles queriam alcançar o mundo, desejavam que todos ouvissem a mensagem das boas novas do Evangelho a respeito de Jesus o Messias, mas infelizmente hoje a obra missionária está desprezada, apesar da igreja ter muito dinheiro não querem investir em missões, não querem dar de graça os livros, revistas, cds e dvds, tudo tem um preço, é tudo pago, eu não tenho dúvidas que se os apóstolos tivessem as gráficas e o dinheiro que as igrejas ricas de hoje possuem, eles fariam milhões de cópias das suas cartas e distribuiriam de graça pelo mundo afora, fariam com certeza milhões de cds, dvds, livros, revistas e qualquer outra coisa para propagar gratuitamente a santa palavra de Deus ao mundo, e tornar conhecido as boas novas da salvação na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo.

Quanto ao modo de arrecadação, como já ficou claro para nós, era assim que eles colhiam ofertas, ninguém era forçado a dar o que não queria, ninguém era

120

obrigado a pagar imposto de dez porcento, não haviam

apelações, ameaças de devorador, de estarem roubando

a Deus, de irem para o inferno, não haviam envelopes

ungidos, e promessas de multiplicação, era simplesmente, voluntariamente, espontaneamente, com alegria, com sinceridade, com amor e com prazer.

Era assim que eles investiam as ofertas, em vidas, em ajuda aos necessitados da igreja, em atos de misericórdia e caridade entre eles, em missões.

Estes são os mais claros exemplos de como ofertar

e de como pedir oferta da forma correta à luz da verdadeira palavra de Deus.

O

próprio Jesus nos ensinou como dar esmolas e ofertar

da

forma correta:

Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola,

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não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente. (Mateus 6:1-4).

Jesus também deixou claro que apesar da oferta voluntária ser muito importante, ela não tem o poder de tornar alguém bom diante de Deus, nem de perdoar pecados; muitas pessoas vivem fazendo de tudo o que não agrada a Deus, depois pensam que porque deram uma oferta, vai ficar tudo limpo com Deus, como se Deus fosse um mercenário que se vende, as ofertas precisam ser dadas da forma correta e com as motivações corretas como aprendemos, e ainda continuamos a aprender no texto a seguir:

“Portanto,

se

trouxeres

a

tua oferta ao altar,

e

aí te

lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta. (Mateus 5:23,24).

O coração do ofertante é tão importante quanto a oferta que está dando, se seu coração estiver cheio de ódio, intrigas, inveja e hipocrisia, o melhor a fazer é se

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reconciliar primeiro para que depois ofereça sua oferta que só então será aceita por Deus.

Aprenda a agir corretamente, ofertar corretamente, esqueça o modelo que você aprendeu com a igreja moderna e siga o modelo da palavra de Deus mostrada de forma simples e sistemática neste livro.

Assim Deus se agradará da sua oferta, do contrário, você continuará jogando seu dinheiro no bolso de mercenários, desperdiçando seus recursos e desagradando a Deus, oferte em igrejas sérias, que realmente usam o dinheiro para a gloria de Deus e não para dar luxo a homens, ajude de forma continua e incansável as verdadeiras igrejas que levam o genuíno evangelho de Cristo ao mundo.

123

CONCLUSÃO

Como pudemos ver neste livro através dos textos bíblicos e também dos exemplos, dos próprios apóstolos, dos pais da igreja, dos reformadores, e de pregadores renomados na história da igreja, que de fato o dízimo não é obrigatório, a igreja primitiva não adotou o sistema judaico de dízimos, pois o mesmo fazia parte da lei e a lei havia sido consumada quando Cristo a concluiu na cruz com sua morte (Mt. 5:17; Mt. 26:26-28; Jo. 19:30; Rm.

10:4).

Para as contribuições, a igreja adotou o que Jesus e os apóstolos ensinaram, a voluntariedade, sem imposição de percentagem, sem pressão dos pastores, sem ameaças, sem medo e sem esperar algo em troca, mas, voluntariamente, espontaneamente, de acordo com

a

condição de cada um e simplesmente pelo amor à igreja

e

a obra de Cristo.

É isso que devemos fazer, imitar a igreja primitiva e não o que esses pastores hereges estão implantando atualmente, a nossa doutrina é o que está escrito no Novo Testamento, esta é a doutrina que a igreja deve viver e

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propagar na Nova Aliança, qualquer coisa que passar dela deve ser rejeitado e tido como heresia, pois não podemos acrescentar e nem tirar nada do que os apóstolos ensinaram (Dt. 4:2; Pv. 30:5,6; I Co. 4:6).

O que temos visto nos dias atuais é um sistema de arrecadação explorador e impiedoso que massacra e devora as pessoas que estão presas a ele, os pastores ensinam errado, e o povo paga a conta, e o pior de tudo é que a finalidade do dinheiro arrecadado com exploração é para o beneficio deles mesmos e não das ovelhas e nem das lamas perdidas e muito menos para o avanço do Reino de Deus.

Mas como ficou claro à luz da verdadeira doutrina bíblica, se você não der o dízimo você não estará roubando a Deus, não estará debaixo de maldição e nem vai ser condenado por isso.

Seja livre da escravidão do dízimo por obrigação, ajude a obra com quanto você deseja em seu coração, independente de percentagem, na Nova Aliança aprendemos que é o nosso coração movido pelo Espírito Santo quem diz o quanto devemos dar (II Coríntios 9:7);

125

nunca dê com medo, nem esperando nada em troca, nem por obrigação; é melhor dar com amor e alegria assim a igreja vai se servir do seu dinheiro e Deus vai se agradar da sua oferta, porque se você der por obrigação ou por medo, ou esperando algo em troca o seu dinheiro vai ser útil para a igreja, mas Deus não vai receber com amor e alegria.

Alguns dizem que vão continuar dando o dízimo só que agora com alegria, mas diante do que aprendemos aqui pelas Escrituras Sagradas eu aconselho que você esqueça esta palavra dízimo, isso não existe no vocabulário da igreja, não anule a obra que Cristo fez no calvário pela sua vida, não reerga a doutrina do dízimo, apenas contribua, não precisa chamar de dízimo, chame de oferta, de contribuição, de ajuda, enfim, mas nuca de dízimo, e lembre-se, você não precisa de uma calculadora para calcular a percentagem da sua, apenas ouça a voz do Espírito Santo em seu coração e seja generoso com a obra do Senhor, faça em espírito e em verdade assim Deus se agradará.

126

VALE LEMBRAR QUE:

Não somos judeus e sim gentios.

Não seguimos a Moisés e sim a Jesus Cristo.

Nossa

religião

Cristianismo.

não

é

o

judaísmo

e

sim

o

Não vivemos no tempo da lei e sim da graça.

Não guardamos a Antiga Aliança e sim a Nova.

Não nos convertemos a uma denominação e sim ao Evangelho de Jesus Cristo (Gl. 5:1-10).

Devemos dar ouvidos ao que Cristo e os apóstolos ensinaram e nunca nos mover disto, pois é a única regra de fé e prática da igreja.

Se nós adquirirmos esta prática judaica, estaremos anulando o sacrifício que Cristo fez por nós na Cruz do calvário.

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ME MANDARAM MENTIR SOBRE O DÍZIMO

Alguns pastores estão desesperados por causa desta verdade que está sendo revelada para as ovelhas, a não obrigatoriedade do dízimo, eles têm tentado de todos os modos calar esta pregação, mas não vão conseguir, pois é algo que o próprio Deus quer que o seu povo tome conhecimento.

Alguns pastores quando são questionados pelas ovelhas sobre este assunto, chegam a dizer que sabem que a doutrina do dízimo não existe mais, e que o dízimo não é obrigatório, mas eles tem que cobrar do povo porque devem obediência aos lideres maiorais do seu ministério, pois se não fizerem serão expulsos do cargo eclesiástico que exercem e perderão a congregação que dirigem; como muitos são assalariados e sobrevivem da obra, ficam presos a isso indo contra a sua própria consciência; outros não querem perder a posição que alcançaram tão arduamente dentro da denominação, enfim, a verdade é que muitos sabem que o dízimo não é mais obrigatório e que não deveriam cobrar dízimos do povo, mas mesmo assim continuam cobrando.

128

Alguns até me procuram, me enviam e-mails e tentam me convencer que eu tenho que me calar quanto a isso, já perdi meus amigos antigos por causa desta doutrina verdadeira.

Outro dia um certo líder me disse o seguinte: pastor Jardel eu sei que o dízimo não é obrigatório, mas o senhor não precisa ficar falando sobre isso, deixe as pessoas pensarem que é; claro que ele não me seduziu, e como ele não me convenceu, tentou persuadir um obreiro de minha extrema confiança a me convencer, e me calar, mas graças a Deus que este obreiro anda no mesmo Espírito que eu, apenas me comunicou o ocorrido.

Quando eu fazia um programa de rádio, o líder desta emissora me disse que todos os pastores, sem exceção, estavam furiosos por causa desta doutrina, e estavam ameaçando saírem da emissora se eu continuasse lá, quando eu me encontrava com esses lideres na porta do estúdio eles literalmente rangiam os dentes para mim, me olhavam com ódio, e alguns se quer me dava a paz do senhor, parece que estavam passando pelo seu pior inimigo quando passam por mim.

129

Em dezembro de 2017 eu estava com meu filho em um grande shopping center em Fortaleza, eu usava a camisa com a seguinte frase: “o dízimo não é obrigatório”, foi quando para minha surpresa se aproximou de mim um cidadão e me questionou sobre esta frase, e já foi se identificando como teólogo, disse que na bíblia de fato ensina que as contribuições devem ser de acordo com o coração de cada um, mas não podemos ensinar para as pessoas que o dizimo deixou de ser obrigatório porque senão vai virar bagunça, disse ele; ou seja, esse camarada pode até ser teólogo, mas não passa de um “crente” mentiroso, me mandou mentir e esconder de vocês esta verdade, mas claro que lhe respondi com

convicções teológicas e históricas, foi quando ele se calou

e mudou de assunto.

Certa vez quando eu fui fazer nosso programa de rádio que começava logo após o programa de um

determinando pastor, nos encontramos ainda no estúdio,

e ele gritou comigo dizendo: as pessoas da minha igreja

não estão mais querendo dar o dízimo por causa de você!

Outra vez, em outra emissora que tinha por diretor

o filho de um líder de um grande ministério herege, após

130

ele ouvir meu programa me chamou e disse: se você não

mudar sua pregação, não vai poder ficar nesta emissora!

E me ameaçou, dizendo que eles tinham amizade com

vários empresários do ramo da comunicação e que eles fechariam as portas para eu não poder mais pregar a mensagem que prego, minha resposta foi: eu sirvo ao Deus vivo e todo poderoso, se eu ficar aqui pregarei toda

a verdade de Cristo e não omitirei nada; resultado? fui expulso.

Diante de tudo isso eu me consolo como o que disse nosso Senhor Jesus Cristo:

Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas.” (Lucas 6:22,23).

131

CONSELHO A PASTORES E LÍDERES

Amado pastor, se este livro chegou até ao senhor, saiba que Deus quer te abrir os olhos, é verdade que muitos pregam que o dízimo é obrigatório e que o devorador é demônio por pura ignorância como era o meu caso, mas agora diante desta verdade não tem como refutar, pois é a genuína mensagem da sã doutrina, por

tanto não fuja, aceite a verdade bíblica e pregue-a, ajude

a libertar as almas presas a este sistema corrompido de

igreja que está aí, não se preocupe com seu cargo e sua credencial de ministro, afinal você é ministro de uma denominação ou de Cristo? Sirva a Deus pregando esta verdade aos pequeninos e o Senhor te dará recompensa

naquele grande Dia pode ter certeza disso.

Devemos deixar de lado toda herança que

trouxemos deste sistema religioso caído, e nos voltarmos para o que realmente está escrito e anunciar com ousadia

a genuína palavra do Senhor, sabendo que os que se

fazem mestre receberão mais duro juízo (Tiago 3:1).

132

DIREITOS AUTORAIS

Os

direitos

autorais

desta

obra

Espírito Santo de Deus.

pertencem

ao

Portanto é terminantemente proibido a venda deste livro, quem o fizer saiba que irá prestar contas com Deus o Altíssimo, pois as palavras contidas no mesmo foram reveladas pelo Espírito Santo, e os dons do Espírito Santo não podem ser vendidos (Mateus 10:8).

É permitido a divulgação de partes ou de todo o conteúdo desta obra por todos os meios de comunicação, desde que não seja para obter lucros e que seja para a honra e glória do nosso Deus, para a edificação da sua santa Igreja, e para a libertação de vidas deste sistema corrompido de igreja que se alastra por este mundo.

Em Cristo Jesus; Pastor Jardel Fernandes

Ministério Missão de Fé

133

BIBLIOGRAFIA:

- Bíblia Almeida Corrigida e Revisada Fiel.

- Robson S. Mercuri, Bach. Bacharel em Teologia pelo

Bennett Metodista Flamengo RJ. Professor do STJA:

Seminário Teológico José Alfredo da Assembleia de Deus

do amor em Realengo RJ. Ex-prof. Da universidade bennett metodista R.J.

- JOSEFO, FLAVIO - (Flávio Josefo. Ant. 20,181;20, 206- 7- Jewish Encyclopedia, pág. 599).

- ENCICLOPÉDIA JUDAICA - (Jewish Encyclopedia, XII, 151b domínio publico).

- SPURGEON, CHARLES HADDON.:

¹Sermão na íntegra em inglês disponível em <http://www.spurgeongems.org/vols46 48/chs2716.pdf>. A citação de Croteau foi retirada deste sermão publicado pela Pilgrim Publications.

em

²Sermão

<http://www.spurgeongems.org/vols13-15/chs835.pdf>.

na

íntegra

em

inglês

disponível

- CROTEAU, DAVID, A, O dr. David Croteau é professor do Novo Testamento e do grego BA, Universidade Estadual da Califórnia, Fresno; M.Div, Golden Gate Baptist Theological Seminary; Th.M., Ph.D., Seminário

134

Teológico Batista do Sudeste. O Dr. David Croteau juntou-

se à faculdade do Seminário e Escola de Ministério do CIU

em 2013. Ele ensina cursos do Novo Testamento e da Grécia. Foi professor associado de estudos bíblicos na

Universidade da Liberdade de 2006 a 2013. Ele é membro da Evangelical Theological Society. Ele ensinou na Tanzânia, Coréia do Sul e Índia.

- VIEIRA, JOÃO BOSCO COSTA. TCC para conclusão do

bacharelado em teologia pelo INTA (4.6 pag. 126,127).

O Sr. João Bosco Costa Vieira é Bacharel em Teologia

pelo Instituto Superior de Teologia Aplicada INTA. Especialista em Direito do Consumidor e Responsabilidade Civil, bem como em Direito Processual Civil, é Oficial de Justiça Avaliador do Tribunal de Justiça do Ceará.

- CNBB 8, o livro da pastoral do dízimo da Igreja católica apostólica Romana.

135

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