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NAÇÕES E NACIONALISMO (desde 1780) – Eric Hobsbawm.

Os dois últimos séculos da história humana do planeta terra são incompreensíveis sem o
entendimento do termo nação e os seus derivados. As definições objetivas de nação falharam
porque é possível descobrir exceções à aplicação dos critérios. Também é impossível ajustar
entidades historicamente novas, mutáveis e emergentes, longes de serem universais, a
tais critérios.

Língua, etnicidade, etc. são critérios ambíguos e (por isso) convenientemente utilizados para
propósitos programáticos e propagandísticos. Quase toda classificação de nação com base em tais
critérios é suscetível de objeções.

A alternativa aos critérios seria definir objetivamente, com base no subjetivo: a escolha coletiva
ou individual de uma nacionalidade. Essa alternativa, porém, é passível de críticas, pois fornece um
guia posterior sobre a nação e pode levar ao pensamento de que bastar querer ser uma nação e
assim será. Também não é possível reduzir a nacionalidade a uma dimensão única, seja ela étnica,
política, etc (a menos que seja obrigação estatal).

Posição geral do autor:

A) Nacionalismo é, fundamentalmente, um princípio que sustenta a unidade política e nacional


e que deve ser congruente. O dever político deve ser superior a todos os outros; isso
distingue o nacionalismo moderno de outras formas de identificação grupal ou nacional;

B) A nação não é uma entidade social originária e imutável: ela pertence a um período
particular e historicamente recente. Ela é uma entidade apenas quando relacionada
ao Estado-nação, e não se pode discutir nacionalidade fora desta relação. Os
nacionalismos e os Estados formam as nações, e não o contrário;

C) A questão nacional está situada entre a política, a tecnologia e a transformação social. As


nações surgem no contexto de um estágio particular de desenvolvimento econômico e
tecnológico, e devem ser analisadas dentro destas condições;

D) Por isso, as nações são fenômenos duais, que não podem ser compreendidos sem
serem analisados de baixo, porque: a) as ideologias oficiais dos Estados não são
orientações para o que está na cabeça das pessoas; b) não se pode presumir que para a
maioria a identificação nacional é maior que outras identificações; c) a identificação
nacional e afins podem mudar no tempo;

E) Dois pontos, segundo HROCH: a “consciência nacional” se desenvolve


desigualmente entre grupos e regiões sociais de um país; a História do
nacionalismo (e da nação) se divide em três fases: I) puramente cultural, literária
e folclórica, sem implicações políticas e nacionais (Europa do século XIX); II)
pioneiros da “idéia nacional” e III) sustentação de massa para os programas
nacionalistas. A transição de I pra II é crucial nos movimentos nacionais; na Irlanda, vem
antes da criação de um Estado, ainda que ocorra geralmente depois, e no Terceiro Mundo,
ainda não ocorreu.

A característica básica da nação moderna é a sua modernidade. O governo não foi ligado
ao conceito de nação até 1884. A palavra nação, até então, indicava origem e descendência
(“naissance”), tendo surgido para descrever grupos fechados, como guildas e outras corporações,
que necessitavam ser diferenciados.

A nação moderna difere em tamanho, escala e natureza das reais comunidades com as quais os
seres humanos se identificavam, e que foram sendo perdidas. As nações viriam justamente tentar
preencher o vazio deixado pela perda destas comunidades e mobilizar alguns sentimentos de
vínculo coletivo (protonacionais) em escala macropolítica.
Tipos de vínculos protonacionais: formas supralocais (além dos espaços regionais) de identificação
popular (ex: crença na Virgem Maria); laços e vocabulários políticos de grupos seletos ligados mais
diretamente com Estado e instituições, passíveis de generalização, extensão e popularização, e
mais relacionados com a “nação moderna”. Nenhum destes dois tipos pode ser legitimamente
relacionado com o nacionalismo moderno, porque não há relação necessária com a unidade da
organização político-territorial.

Elementos que podem ser tomados como base do protonacionalismo:

I) A língua: serve como identificador do “outro”. Onde não existem outras línguas, o idioma
não é identificador; com o multilingüismo, porém, o idioma se torna elemento exclusivista. A língua
não é um elemento central no protonacionalismo, e nunca foi um identificador de cunho
político poderoso, mas pôde facilitar a coesão protonacional, porque:

 ainda que seus falantes sejam uma minoria, se possuem peso político e estão em uma área
territorial estatal, pode servir de piloto à formação de uma comunidade maior (italianos
falam italiano);

 uma língua comum adquire fixidez e permanência no tempo, conferindo legitimidade;

 A língua cultural oficial dos dominantes é passada através da educação e da administração,


tornando-se a língua do Estado.

II) A etnicidade: parentesco e sangue são diferenciadores (exclusivistas) de estranhos,


mas a base crucial de um grupo étnico é cultural. Além disso, as populações dos grandes
Estados-nações territoriais são quase invariavelmente tão heterogêneas que fica difícil reivindicar
uma etnicidade comum. As distinções levadas pelo étnico:

 serviram mais comumente para separar extratos sociais do que comunidades inteiras;

 tendem a definir mais o outro do que o próprio grupo (este mesmo, quase sempre
heterogêneo);

 A etnicidade negativa é geralmente pouco importante para o protonacionalismo, a menos


que incorporada por uma tradição estatal (China, Coréia, Japão).

III) A religião: um antigo e experimentado método de estabelecer comunhão, mas que pode
ultrapassar e sobrepujar os limites da nação, derrubando o monopólio da lealdade e,
sendo universais, escamoteando diferenças étnicas, lingüísticas, políticas, etc, apesar de ativos
literários e religiosos poderem contribuir para a formação da nação;

IV) Os ícones (império, rei, etc): mais adequados ao protonacionalismo, já que são associados
ao Estado pré-nacional, com rei ou imperador dotado de poderes divinos;

V) A consciência de STAATVOLK, ou o povo-Estado da nação histórica (russos, ingleses,


castelhanos, etc), ainda que somente uma elite detivesse estas características. O “nacionalismo da
nobreza” possuía três elementos: nacionalidade, lealdade política e comunidade política, dentro de
um determinado grupo, e vai alcançar outras classes, ainda que ligadas não-diretamente ao rei, e
não-identificadas com os interesses da aristocracia. Diversos movimentos populares autônomos na
Europa dos séculos XV e XVI tinham ideologia religiosa e social, mas não nacional.

Na era das revoluções, o conceito de nação fez parte do conceito de unidade, indivisibilidade e
passou a incluir o elemento de cidadania e escolha ou participação de massa. Para John Stuart
Mill, a nação e a nacionalidade encerram conceitos de legitimidade, representatividade e
democracia.

[ NAÇÃO = ESTADO = POVO ] vinculado a um território.


Para os nacionalistas, a inclusão da nação na criação de entidades políticas deriva da existência
anterior de comunidades distintas das outras. Para os revolucionários-democratas, era a
soberania do povo = Estado que constituiria a nação em relação ao restante da raça humana. Para
os governos, o item central da equação Estado = nação = povo era o Estado.

Depois de 1870, a democratização tornaria urgente e agudo o problema da legitimidade e da


mobilização de cidadãos.

1. NAÇÃO NA REVOLUÇÃO

Era caracterizada pelo fato de representar o interesse comum contra os interesses


particulares, e o bem comum contra o privilégio. Não estavam presentes critérios
utilizados pelo Liberalismo, mas os seus elementos existiam, associados à nação ou
contra a sua criação.

Não era o uso da língua que fazia o cidadão, mas a sua disposição em adotar a língua (e outras
características).

2. NAÇÃO NO LIBERALISMO

O desenvolvimento econômico nos séculos XVI a XVIII foi feito com base em Estados territoriais,
cada um dos quais perseguindo as suas próprias políticas mercantilistas. Não existiam entidades
transnacionais. Verificava-se, ainda, a existência de mini-Estados cuja significância econômica
está fora da proporção ao seu tamanho e aos seus recursos (como hoje Cingapura e Hong Kong).
Não havia, portanto, lugar para a nação ou qualquer coletividade maior do que uma empresa
(Adam Smith).

Mas os liberalistas não podiam escapar do reconhecimento de uma nação, porque:


1) Os Estados teriam o monopólio de moeda, finanças públicas e políticas públicas;
2) Na era pós-revolucionária, o Estado-nação garantia a segurança da economia.

Em outros países a teoria liberal não era tão forte. Nos EUA, Alexander Hamilton vinculava a
nação, o Estado e a Economia; na Alemanha, Friedrich List definia como função da economia
realizar o desenvolvimento da nação e preparar a sua entrada na sociedade universal do futuro.

List criou o conceito de GROSSTAATEN: a nação teria de ser de tamanho suficiente para
formar uma unidade viável de desenvolvimento. Daí que:

a) o “princípio da nacionalidade” servia apenas para nacionalidades de um certo tamanho;


KLEINSTAATEREI (sistema de mini-Estados) equivale à expressão “balcanização” hoje em
dia (princípio do ponto crítico);

b) a construção de nações foi inevitavelmente vista como um processo de expansão:


a evolução social era a expansão da tribo para o condado, etc. Na prática, os movimentos
nacionais deveriam ser de expansão ou unificação.

Foi aceita a heterogeneidade dos Estados-nações justamente pela possibilidade de unificação, e


critérios como um só idioma foram abandonados. Três critérios permitiam a um povo ser
classificado como nação: 1) a associação história com um Estado de passado recente e durável; 2)
a existência de uma elite cultural longamente estabelecida; 3) uma provada capacidade para a
conquista (a prova darwiniana da evolução social).

Estes critérios faziam parte da ideologia liberal porque representavam o crescimento da


complexidade social e porque os valores formavam uma nova entidades, oposta aos conservadores
e tradicionalistas. Os Estados-nações não se preocupavam com os demais critérios, dada a
ausência da democracia liberal. As nações são mais conseqüência da demanda de Estados
estabelecidos do que de suas fundações.

3. NAÇÃO PÓS-LIBERALISMO

Com a democratização e a eleitorização da política, o enfraquecimento de “pressupostos” (como o


direito divino, coesão religiosa, dinastia, etc) e o desafio às instituições (pós-1789) tais critérios
foram crescendo em importância na agenda política, e passaram a ser utilizados como
argumentação e elementos de luta de partidos e classes.

Não se poderia mais confiar na lealdade automática e apoio ao Estado. Os interesses estatais
dependiam da participação do povo, e a criação do Estado moderno exigiu o sentimento nacional e
de “nação”, não apenas por legitimidade, mas de manutenção do Estado.

As transformações passadas criaram dois tipos de problemas políticos: a) criar uma nova
forma de governo que ligasse cada habitante do território ao governo estatal; b) criar
uma lealdade e identificação dos cidadãos ao Estado e ao sistema dirigente. O Estado pós-
Liberalismo deveria dominar sobre um “povo” territorialmente definido, como uma agência,
alcançando a maioria dos seus cidadãos.

Para tanto, depois de 1880, seria preciso considerar os sentimentos acerca da nacionalidade para
se difundir o nacionalismo, criando uma “religião cívica” (patriotismo, a lealdade ao Estado, e não à
nação, pois o Estado exerceria a soberania em nome do povo). A tendência patriótica acabou
reforçando (ou criando) a exclusão dos estrangeiros e, portanto, o sentimento nacional.
O nacionalismo seria o componente emocional da aquisição de legitimidade pelos
Estados.

A educação primária e outros meios de comunicação serviriam para criar tradições, muitas vezes
apoiadas em sentimentos nacionalistas não-oficiais já presentes, como a xenofobia e o
chauvinismo (as maiores migrações de massa ocorreram entre 1880 e 1914).

Porém, a fusão do patriotismo (abrangente) com o nacionalismo (exclusivo) foi arriscada,


pois poderia afastar do Estado as comunidades não-detentoras daquela nacionalidade padrão (o
que seria natural, dado a heterogeneidade dos países da Europa). Arriscava-se a criar um contra-
nacionalismo, ainda mais se fosse utilizada como ferramenta a linguagem. Como o Estado era a
máquina a ser manipulada se uma nacionalidade quisesse ser uma nação, a língua deveria ser
adotada e preencher os sistemas comunicacional e administrativo, excluindo os outros idiomas e
seus falantes.

4. NAÇÃO PÓS-1880

A partir de 1880, o nacionalismo mudou:

1) Abandonou-se o “princípio do ponto crítico”: qualquer corpo de pessoas que se considerasse


uma “nação” demandaria o direito à autodeterminação;

2) A etnicidade e a língua se tornaram critérios centrais;

3) Sobrevieram mudanças no direito político para a nação e a bandeira, para qual o termo
“nacionalismo” foi inventado na última década do século XIX.

A maioria dos movimentos destacava o elemento lingüístico e/ou étnico. O nacionalismo étnico
recebeu reforços com a migração massiva e as teses pseudocientíficas de superioridade racial. A
língua foi confundida com raça, para conveniência política, e o seu uso simbólico passou a
prevalecer sobre o uso real, tornando-se mais nacionalístico do que literário ou oral. A política de
massa ajudou a desenvolver tais sentimentos populares.
O nacionalismo lingüístico partiu principalmente do meio “pequeno-burguês”: estratos médios mais
pobres, porém cultos, que ocupavam trabalhos que exigiam escolaridade. O nacionalismo
passou de um conceito liberal e esquerdista para um movimento da direita chauvinista
[CHAUVINISMO: opinião exacerbada, tendenciosa ou agressiva em favor de um país, grupo ou
idéia]. Ainda que bem-vindos pelos Estados (a identificação com o Estado era essencial
para o governo), esses sentimentos eram autóctones.

O nacionalismo de 1880 passou a rejeitar movimentos proletários militantes porque eram


proletários e porque eram internacionalistas (não-nacionalistas), de classe. Este
nacionalismo de massa triunfou contra as ideologias rivais, observando-se a vitória do “princípio da
nacionalidade” nos acordos pós-1918. Mais tarde, as reivindicações sociais e nacionais
provaram ser mais efetivas como mobilizadoras da independência, já que não se limitavam
ao descontentamento das classes médias baixas.

A aquisição de consciência nacional não pode ser separada da aquisição de outras formas de
consciência social e política, nem uma foi realizadas às custas da outra, nem de forma linear.

5. NAÇÃO PÓS-1918

O princípio da nacionalidade triunfou no final da 1ª Guerra Mundial, resultado:

a) Do colapso dos grandes impérios multinacionais da Europa Central e Oriental e da eclosão


Revolução Russa;

b) O triunfo da nação burguesa (nação como “economia nacional”), reforçada a partir da crise
econômica do entre-guerras (os Estados recuaram e se protegeram através de um
isolamento);

c) O fracasso da tentativa de fazer as fronteiras dos Estados e das nações coincidirem, o que
levaria à expulsão maciça ou a exterminação das minorias;

Nos Estados beligerantes derrotados ou semi-derrotados, o colapso levou à revolução


social: o nacionalismo surgiu como uma mobilização contra o comunismo, de ex-oficiais
e civis da classe média e da classe média baixa, resultando no fascismo (o fascismo e
outros movimentos de direita ainda explorarariam o medo da revolução social,
identificada como o internacionalismo militante).

Os principais movimentos nacionalistas surgiram após o Tratado de Versalhes, com o


ressentimento anti-imperialista, contra os conquistadores, exploradores, na África e na Europa. As
unidades territoriais que visavam à independência foram criações da conquista imperial,
baseadas em elementos fornecidos pelos próprios poderes coloniais.

A identificação nacional adquiriu novos meios de ser expressada, e a comunicação de massa


transformou símbolos nacionais em parte da vida dos cidadãos, derrubando as barreiras entre a
esfera pública e privada. Os esportes contribuíram para a simbolização da luta entre os
Estados-nações, expressões das suas comunidades imaginadas.

Comunistas, trabalhadores e intelectuais passaram a lutar contra o fascismo, reforçando, apesar de


ser um movimento internacionalista, os sentimentos nacionais (o fascismo e a guerra estavam
identificados com dois países em particular). A guerra passou a ter elementos de uma guerra entre
Estados, nações e classes, e o nacionalismo adquiriu uma forte associação com as
esquerdas (identificadas com as lutas coloniais).

Todos os movimentos anti-imperialistas de peso foram classificados pelas metrópoles como: a)


elites locais educadas que imitavam a “autodeterminação nacional” européia (Índia); b) a
xenofobia popular anti-ocidental (China) e c) tribos nativas marciais (e temperamentais)
(Marrocos, desertos árabes). Esses movimentos só desenvolveriam o nacionalismo, nos moldes
europeus, após 1945.

A multietnicidade e o multilingüismo podem estar perdendo sua dependência do poder do Estado


nacional. Grupos étnicos e minoritários passaram a encontrar problema em se adaptar ao novo
mundo e têm três possíveis opções: assimilarem-se ou “se passarem” por membros da sociedade
avançada; aceitar um status minoritário e tentar reduzir as descapacitações minoritárias, não
emergindo como sociedade politicamente organizada, e sendo provavelmente assimilados;
enfatizar sua identidade étnica, usando-a para desenvolver novas posições e padrões.

5. NAÇÃO HOJE

Todos os Estados do planeta são nações, pelo menos oficialmente; os apelos por uma comunidade
imaginária da nação parece ter vencido todos os desafios, mas o nacionalismo já não se
apresenta como o principal vetor do desenvolvimento (transformação) histórico e
emancipação política, como o fora nos mundos desenvolvido e dependente. Os movimentos
nacionais característicos do final do século XX são essencialmente negativos, separatistas e
reflexos da fraqueza ou medo contra a modernidade e ameaças reais ou imaginárias.

A emergência de agitações étnicas e separatistas é devida, em parte, à criação de Estados, desde a


2ª Guerra Mundial, baseados na desconolização, revolução e intervenção de poderes externos nas
fronteiras coloniais. Foram Estados baseados na luta contra o imperialismo, e não num movimento
nacionalista.

Mudanças fundamentais por que passa a nação:

A) Ela está perdendo a sua base de economia nacional, com as tecnologias do século
XXI, o livre comércio do século XIX e o renascimento de uma espécie de centros
intersticiais do comércio mundial no período da Idade Média (Cingapura e Hong Kong);

B) Os conflitos políticos básicos têm pouco a ver com Estados-nações, são mais o
reflexo da luta entre as duas superpotências;

C) A eterna aspiração pelo separatismo está sendo diminuída (ou desiludida) pela
necessidade de convivência em bloco, tendo pouca importância a nação e o novo
Estado-nação no sistema político e econômico;

D) A história do mundo não pode mais ser contida dentro dos termos de nação e
nacionalismo: “ser” de uma nacionalidade é apenas mais um “ser”, muitas vezes não o
primeiro. O fenômeno já passou do seu apogeu.

FUNDAMENTALISMO: baseado em fundamentos que aludem a um estágio mais puro, primitivo, e


utilizado para atrair grupos e excluir outros (que não compartilham daquelas idéias),
mantendo uma unidade. Enquanto a língua e a etnia visam a manter um estado presente, o
fundamentalismo apresenta uma verdade universal, teoricamente aplicável a todos, e não a um
grupo, como o nacionalismo. O nacionalismo, porém, é mais aceitável porque não tão
programático, e pode mobilizar mais gente.