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POLÍTICAS REGIONAIS E LOCAIS

PROFESSOR: FRED LIVINO


ESTUDANTE: LUIZ FELIPE MATHIAS CANTARINO
MATRÍCULA: 07/24947 TURMA: 2151

Fichamento do livro: “Cidadania no Brasil. O longo caminho”.

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed.


Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

1500 – 1822 1822 – 1889 (1888) 1889 –


1930
COLONIA IMPÉRIO 1a. REPÚBLICA

Abolição da escravidão

BRASIL COLÔNIA

Características da colonização:

Apesar de a colonização propiciar:


- Unidade Territorial;
- Lingüística;
- Cultura;
- Religião.

O País caracterizava-se:
- População analfabeta;
Fichamento – Cidadania no Brasil

- Sociedade escravocrata;
- Economia Monocultura e Latifundiária;
- Estado Absolutista;
- Não havia cidadãos brasileiros;
- Não havia pátria brasileira.

Efeitos da conquista portuguesa:


- dominação, extermínio, guerra, escravização, doença e morte de
milhões de índios.
- atividades econômicas:
1) Produção de açúcar: exigia grandes capitais(gerando
desigualdade) e muita mão-de-obra(escravização).
2) Mineiração - exploração do ouro: requeria menor volume de
capital e de mão-de-obra, porém de natureza volátil, de poucas
certezas sofreu com a máquina repressiva e fiscal do sistema
colonial.
3) Criação de gado: usava menos mão-de-obra, fugia do controle
das autoridades coloniais, porém gerava isolamento do povo com a
política.

Fator Negativo: Escravidão


- Ineterrupta até 1850(28 anos após a independência)
Toda a sociedade era escravisista
Penetrava em todas as classes
Tentavam ou a fuga ou a revolta (quilombos): a mais importante foi
Palmares porém foi esmagada por particulares a soldo do governo.

A sociedade era assim constituída:


1) Escravos: não eram cidadãos e não tinham direitos civis;
2) População legalmente livre: não tinham condições para exercer o
direito de cidadão, não tinham acesso a educação;
3) Grandes Proprietários: votavam e eram votados, porém não tinham
noção do que é ser cidadão. Eram nomeados juízes.
4) Rei: não tinha autonomia(dependia de Lisboa), tinha alcance
limitado.

Acesso a justiça:
Cidadão Comum: Proteção dos grandes proprietários, arbítrio dos
mais fortes;
Mulheres/Escravos: Jurisdição dos senhores, não tinham acesso a
justiça.

Poder:
Conluio entre Estado e grandes proprietários
Não existia um poder para ser chamado de público, não eram
garantidos igualdade e direitos civis.

Educação:
Fichamento – Cidadania no Brasil

Descaso pela educação primária.Não havia interesse da


administração colonial, nem da igreja para se educar.Na educação
superior , quem quisesse cursar tinha que ir para
Portugal(universidade de Coimbra).

Manifestações Cívicas durante a Colônia:

4 revoltas políticas: 03 lideradas pela elite e a favor da independência


de partes da colônia. Duas em Minas Gerais(uma delas a
Inconfidência Mineira, que não chegou as vias de fato). A mais
popular foi a Revolta dos Alfaiates na Bahia, que envolveu militares
de baixa patente, artesãos e escravos). A mais séria foi a de
Pernambuco(militares de alta patente, comerciantes, senhores de
engenho e padres). Proclamaram a República independente de
Pernambuco, Paraíba e RN, nesta apareceu com mais clareza
consciência de direitos sociais e políticos, porém não tocava no
assunto: escravidão)

Resumo: Não havia cidadania, direitos civis a poucos, direitos


políticos a pouquíssimos e nem se falava em direitos sociais. Não
existia sentido de nacionalidade.

1822 – INDEPENDÊNCIA

Características da independência
- Independência negociada entre Inglaterra, cora portuguesa e elite
nacional (José Bonifácio). Intermediado pela Inglaterra, Portugal
aceitou a independência do Brasil mediante pagamento de uma
indenização de 2 milhões de libras esterlinas.

Solução monárquica: por convicção da elite só a figura de um rei


poderia manter a ordem social e a união das províncias.

O povo só teve papel importante em 1831 quando o primeiro


imperador foi forçado a renunciar.(Verdadeira data da independencia
do Brasil, acontecida no RJ, porém com apoio geral).

Governo: estilo monárquico e não tocou-se na escravidão. Até a


Constituição ignorou a escravidão, trazendo grandes limitações aos
direitos civis.
O Brasil era puxado em duas direções:
- americana – República
- européia – Monárquica
Solução conciliadora: Governo com modelo de “monarquia
constitucional”.

Constitucionalismo:
Fichamento – Cidadania no Brasil

- Voto dos cidadãos e Separação dos Poderes Políticos:


Constituição de 1824:
- Estabeleceu quatro poderes:
Executivo, Judiciário, Legislativo(senado e camara) e Moderador
(privativo do imperador que nomeava os ministros de Estado)
- Regulou direitos políticos: definiu quem teria direito de votar e ser
votado.
***mulheres e escravos não votavam – não eram considerados
cidadãos.
***homens eram limitados por idade e renda.
***permitia que analfabetos votassem.
Eleição indireta em dois turnos:
1º. Turno: escolhiam os eleitores;
2º.Turno os eleitores escolhiam os deputados( mandato de 04 anos) e
senadores(cargo vitalício eleito pelo imperador dentre os candidatos).
Vereadores e juízes eleitos em um só turno pelos votantes.Os
presidentes da província eleitos pelo governo central.

Perfil dos Eleitores:


- Mesmas pessoas da época da colônia;
- Mais de 85% analfabetos;
- Mais de 90% viviam na área rural;
- Nas cidades, eram funcionários públicos, controlados pelo governo.
(pressão dos comandantes)
- Pequena parte da população tinha noção aproximada da natureza e
funcionamento das novas instituições.
- Patriotismo restrito, para muitos não ia além do ódio aos
portugueses.
- Mas votar, todo mundo votava.

Eleição:
- Luta política era intensa e eleição violenta;
- Derrota significa desprestígio e perda de controle dos cargos
públicos;
- Mobilizavam o maior número de dependentes para vencer a eleição.
- Decidida literalmente no grito.
- Existiam especialistas em burlar eleições:
Cabalista: como era necessário comprovar renda, cabia ao cabalista
fornecer provas, o qual contratava o testemunho de alguém para
jurar que o votante tinha renda legal.
Fósforo: se o alistado não podia comparecer, inclusive por ter
morrido, comparecia o fósforo, que se fazia passar pelo verdadeiro
votante. O bom fósforo votava várias vezes em lugares diferentes.
Capanga Eleitoral: protegia os partidários e, sobretudo ameaçava e
amedrontava os adversários, se possível evitando que
comparecessem as eleições.
- No caso de não haver votantes as eleições aconteciam assim
mesmo, a ata era redigida como se tudo tivesse acontecido
Fichamento – Cidadania no Brasil

normalmente, eram as chamadas eleições feitas ä bico e pena”, isto


é, apenas com a caneta.
- O voto era um ato de obediência forçada, ou na melhor das
hipóteses um ato de lealdade e gratidão.
- Os chefes pagavam pelo voto( dinheiro, roupas, alimentos ou
animais.
- A eleição era uma oportunidade e se ganhar um dinheiro fácil.
- O encarecimento do voto e a possibilidade de fraude levaram a
crescente reação contra o voto indireto e a uma campanha pelo voto
direto.
- Interesse de baratear as eleições sem por risco a vitória, reduzindo o
número de votantes e a competitividade.
- 1881 a Câmara dos deputados aprovou a Lei que introduziu o voto
direto e eliminou o primeiro turno das eleições( extinção de votantes
apenas existia eleitores), aumentou a exigência de renda, proibiu o
voto dos analfabetos e o voto tornou-se facultativo.De imediato 80%
da população foi excluída do direito de votar.
- O Brasil caminhou para trás, mesmo com a proclamação da
República este quadro não se alterou.

Outras formas de envolvimento dos cidadãos com o Estado:


1) Serviço de Júri: Exigia alfabetização, se aproximava do poder
público e adquiria uma noção maior do papel da Lei;
2) Guarda Nacional(1831): transmitia um sentido e disciplina e de
exercício de autoridade legal;
3) Serviço Militar no exército e na Marinha: caráter violento no
recrutamento e serviço prolongado, era um tormento que todos
procuravam fugir;

A identidade brasileira ó nasceu na época da guerra contra o


Paraguai: apresentação de milhares de voluntários, valorização do
hino e da bandeira, canções e poesias populares.

1889 – REPÚBLICA

Eleição:
- O Brasil caminhou para trás, mesmo com a proclamação da
República este quadro não se alterou.
- Nenhum coronel aceitava perder as eleições. Eleitorado continuava
a ser coagido, comprado, enganado ou excluído.
- Não havia eleição limpa;
- A Câmara Federal somente reconhecia como legítimos os deputados
que apoiavam o governador e o presidente da República.
- Continuaram a atuar os cabalistas, os capangas, os fósforos e a
acontecer as eleições “bico de pena”;
- O voto feminino acabou sendo introduzido após a revolução de
1930.
- Não havia experiência política prévia que preparasse o cidadão para
exercer suas obrigações cívicas;
Fichamento – Cidadania no Brasil

- Equívocos cometidos pelos críticos da participação popular:


1) População despreparada: Processo de aprendizado democrático
lento e gradual.
2) Membros representativos da política: Recorriam ou eram
coniventes com fraudes
3) Desconhecimento das práticas eleitorais.
4) A única maneira de valorizar o voto era vendê-lo como
mercadoria.

Direitos Civis:
Heranças que comprometeram o exercício da cidadania.

- Escravidão: Em virtude da Guerra do Paraguai, o Brasil tornou-se


objeto de críticas do inimigo e até mesmo dos aliados, por causa da
escravidão no país, até a segurança nacional ficou comprometida,
pois impedia a formação de um exército de cidadãos. Em 1871 foi
aprovada a Lei que libertava os filhos de escravos que nascessem dali
em diante, porém só em 1884 a abolição final começou a ser
discutida no Parlamento. Em 1888, o Brasil era o último país de
tradição cristã e ocidental a libertar seus escravos. Porém, mesmo
após a abolição, não foram dadas nem escolas, nem terras, nem
empregos aos libertos, fazendo com que os mesmos regressassem as
fazendas e trabalhassem por baixos salários. Até hoje esta população
é a parcela menos educada, com empregos menos qualificados, com
os menores salários e os piores índices de ascenção social. As
consequëncias da escravidão atingiram a formação do cidadão. A
libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade, que era
afirmada na Lei mas negada na prática.

- Grandes Proprietários: O coronelismo não era apenas um


obstáculo ao livre exercício dos direitos políticos, impedindo a
participação política, porque antes negava direitos civis. Seus
trabalhadores e dependentes não eram cidadãos do estado Brasileiro
e sim súditos deles. A Lei que deveria ser a garantia de igualdade a
todos, tornava-se apenas instrumento de castigo, arma contra os
inimigos, algo a ser usado em benefício próprio. Não haviam cidadãos
políticos, pelo simples fato de que não tinham condições para o
exercício independente do direito público. A grande propriedade
ainda é uma realidade em várias regiões do país.O grande
proprietário e coronel político ainda age como se estivesse acima da
Lei e mantém controle rígido sobre seus trabalhadores.

- Estado comprometido com o poder privado: A urbarnização


evoluiu lentamente, com imigrantes que acabavam se fixando nas
capitais, empregados na indústria e no comércio. Era classe operária,
pequena de formação recente e que já apresentava diversidade social
e política. Os imigrantes falavam dialetos diferentes e
freqüentemente competiam entre si e estavam mais preocupados de
progredir financeiramente, não envolvendo em movimentos
Fichamento – Cidadania no Brasil

grevistas. Além destes obstáculos os operários enfrentavam a


repressão comandada por patrões e pelo governo.Sob o ponto de
vista de cidadania o movimento operário significou um grande avanço
no que se refere a direitos civis(organização, manifestação, greve,
legislação trabalhista)e a direitos sociais(seguro por acidentes e
aposentadoria). Porém estes poucos direitos civis conquistados não
puderam ser postos a serviço dos direitos políticos. Pois predominava
total rejeição do estado aos anarquistas e de outro, estreita
cooperação dos amarelos (mais próximos do governo).

Direitos Sociais:

Com direitos civis tão precários fica difícil falar em direitos sociais.

1) Assistência social: Estava nas mãos de associações particulares.


Algumas irmandades e associações existiam e funcionavam em base
contratual, isto é, benefícios proporcionais a contribuições dos
membros. Menciona-se ainda a santa casa de misericórdia que dava
atendimento aos pobres. No campo a assistência social estava nas
mão dos coronéis que se responzabilizavam pela saúde de seus
trabalhadores. Em troca de trabalho e lealdade os trabalhadores
recebiam proteção contra a polícia e assistência em momento de
necessidade.

2) Legislação Social: Algumas tímidas medidas adotadas


1919: uma Lei estabeleceu a responsabilidade aos patrões pelos
acidentes de trabalho, com os pedidos tramitando pela justiça
comum, sem interferência do governo.
1923: foi criado o Conselho Nacional de Trabalho, permaneceu
inativo. O que houve de mais importante foi a criação de uma Caixa
de Aposentadoria e Pensão para os ferroviários.
1926: uma Lei regulamentou o direito de férias, porém não na
prática. Criou-se um instituto de previdência para os funcionários da
União.

3) Legislação Trabalhista: O governo pouco cogitava de legislação


trabalhista e de proteção ao trabalhador. Não cabia ao Estado
promover assistência social. A Constituição republicana proibia ao
governo federal interferir na regulamentação do trabalho. Tal
interferência era considerada violação da liberdade do exercício
profissional. Em 1927 a medida mais importante foi o reconhecimento
dos sindicatos rurais e urbanos como legítimos representantes dos
operários. Só em 1926 com a reforma da Constituição é que o
governo foi autorizado a legislar sobre o trabalho, porém fora o
Código de Menores, nada foi feito até 1930. Durante a Primeira
República a presença do governo nas relações trabalhistas se dava
através da ingerência da polícia.

Cidadão em Negativo
Fichamento – Cidadania no Brasil

Não havia no país povo politicamente organizado, opinião


pública ativa, eleitorado amplo e esclarecido, porém o autor faz duas
ponderações: a primeira é que houve movimentos políticos que
indicavam o início de uma cidadania ativa, que brigavam por direito
cívico básico: a liberdade (abolucionista). Ou seja, uma concepção
mais correta da vida política do Brasil exige levar em conta outras
modalidades de participação. Precisa-se verificar em que medida,
mesmo na ausência de um povo politicamente organizado, existiria
um sentimento de identidade nacional, o qual sempre acompanha a
expansão da cidadania. É uma espécie de complemento da cidadania
vista como exercício de direitos.É evidente que a população não se
acostuma da noite para o dia no uso da parafernália dos sistemas de
representação, porém o eleitor do Império e da Primeira República,
dentro de suas limitações agia com racionalidade. Se o povo não era
um eleitor ideal, ele achava outras maneiras de se manifestar.

Algumas rebeliões da regência tiveram caráter nitidamente


popular, e lutavam por valores que lhes eram caros,
independentemente de poderem expressá-los claramente. Havia
neles o ressentimento contra o regime colonial, contra portugueses,
contra brancos e contra ricos em geral. O importante é perceber é
que possuíam valores considerados sagrados, que percebiam formas
de injustiça e que estavam dispostos a lutar até a morte por suas
crenças. Isto era muito mais do que a elite estava disposta a fazer,
que os considerava selvagens, massas-brutas, gentalhas.

No Primeiro Reinado e na Regência, as manifestações se


beneficiavam de conflitos entre as facções das classes dominantes. Já
no Segundo Reinado tiveram natureza diferente. Verifica-se que
apesar de não participar da política oficial, de não votar, ou de não
ter consciência clara do sentido do voto, a população tinha alguma
noção sobre os direitos dos cidadãos e deveres do Estado. O Estado
era aceito por estes cidadãos, desde que não violasse um pacto
implícito de não interferir em sua vida privada, de não desrespeitar
seus valores, sobretudo religiosos. Eram, na verdade movimentos
reativos e não propositivos. Mas havia nesses rebeldes um esboço de
cidadãos, mesmo que em negativo.

Sentimento Nacional:

Se não existia cidadão consciente e apenas percepção intuitiva


e pouco elaborada dos direitos e deveres, que às vezes explodia em
reações violentas, não havia pátria brasileira e sim um arquipélago de
capitanias, sem unidade política e econômica, nas quais seus
capitães-generais não tinham controle sobre seus capitães-mores que
governavam as ilhas. A colônia portuguesa estava preparada para
fragmentar-se em vários países distintos, portanto não havia
sentimento de pátria comum entre os habitantes das colônias. A idéia
Fichamento – Cidadania no Brasil

de pátria manteve-se ambígua até mesmo depois da independência.


Podia ser usada para denotar o Brasil ou as províncias. O patriotismo
permanecia provincial.

O pouco de sentimento nacional que pudesse haver baseava-se


no ódio ao estrangeiro, sobretudo ao português.Foram as lutas contra
os inimigos que criaram alguma identidade(Guerra do Paraguai). Só a
partir daí é que formaram-se batalhões patrióticos, execução do hino
nacional, criação dos primeiros heróis brasileiros. Depois da guerra
poucos acontecimentos tiveram impactos na formação de uma
identidade nacional. Sob certos aspectos a República significou um
fortalecimento das lealdades provinciais em detrimento da lealdade
nacional.

A grade maioria do povo tinha com o governo uma relação de


distância, de suspeita, quandfo não de aberto antagonismo. O povo
não tinha lugar no sistema político, seja no Império, seja na
República. O Brasil era ainda para ele uma realidade abstrata. Aos
grandes acontecimentos políticos nacionais, ele assistia, não como
bestializado, mas como curioso, desconfiado, temeroso, talvez um
tanto divertido.