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LIÇÃO 7

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 7ª LIÇÃO DO 3º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 12 DE AGOSTO DE 2018

FOGO ESTRANHO DIANTE DE DEUS

Texto áureo

“E disse Moisés a Arão: Isto é o


que SENHOR falou, dizendo:
Serei santificado naqueles que
se cheguem a mim e serei
glorificado diante de todo o povo.
Porém Arão colou-se” (Lv 10.3)
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – Levítico 10.1-11.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Caros amigos e distintos leitores sintam-se a vontade para ater-se a mais um


estudo sobre os Princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico.

Mais a mais, estudaremos importantes temas extraídos desta presente lição.


Nesse caso, discutiremos os Privilégios de Nadabe e Abiú – filhos do Sumo-
Sacerdote Arão; mostraremos os Perigos de se Colocar Fogo Estranho no Altar do
Senhor; e compreenderemos o Porquê do Luto no Santo Ministério.

Destarte, amados e prezados amigos leitores, tenham uma boa e agradável


leitura.

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I – OS PRIVILÉGIOS DE NADABE E ABIÚ

Mas quem eram estes homens?

Nadabe e Abiú eram filhos de Eliseda, mulher de Arão, e irmãos de Eleazar e


Itamar (Êx 6. 23). Eram, assim, os filhos mais velhos de Arão. Seus nomes
significam, em hebraico, respectivamente: “liberal ou bem disposto” e “meu pai é
Deus ou ele é pai”.

Eles foram os primeiros candidatos a serem sumo sacerdotes após seu pai.
Estavam envolvidos com a consagração do Tabernáculo. Foram elogiados por
fazerem “todas as coisas que o Senhor ordenara” (Lv 8.36). Começaram bem,
contudo, terminaram mal, pois trataram as ordens diretas de Deus de forma
indiferente, como veremos mais adiante.

1. Ascendência levítica.

Em Lv 8. 2, assim está escrito: “Toma a Arão, e a seus filhos com ele...”.


Moisés e Arão eram da tribo de Levi, e, por conseguinte, Nadabe e Abiú
pertenciam a esta tribo. Os levitas deviam tornar-se servos especiais do tabernáculo.
Em Êxodo 13, a redenção do primogênito é descrita.
Todos os primogênitos, tanto de gado como de humanos, pertencenciam a
Deus. Era um modo simbólico (como o sábado e o dízimo) de dizer que tudo
pertence a Deus, que toda renda pertence a Deus e que todas as crianças
pertencem a Deus. Os levitas tomaram oficialmente o lugar do primogênito no
ministério (Nm 3.12; 8.16).
Entre os levitas, uma família foi escolhida para ser sacerdote, essa era a
família de Arão – o Sumo sacerdote de Israel. O Rabino Rashi diz que os eventos
deste capítulo ocorreram sete dias antes da primeira criação do Tabernáculo em
Êxodo. No entanto, por causa do pecado de Arão, deve ter havido um período de
tempo em que o Tabernáculo esteve desocupado.

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2. Ascendência araônica.

O sacerdote não apenas pertencia à tribo de Levi como também era


descendente de Arão, como já vimos, o primeiro sumo sacerdote de Israel.

Com mais responsabilidade que os levitas, os sacerdotes realizavam os


sacrifícios diários, mantinham o Tabernáculo e aconselhavam as pessoas a seguir a
Deus. Eram os representantes do povo diante de Deus e presisavam fazer jus ao
seu cargo.

3. Participantes da glória de Deus.

Deus deu a Moisés orientação quanto à ratificação da aliança, a qual diferia


das ordenanças a serem transmitidas a todo o povo (Êx 24). Arão e seus dois filhos
mais velhos, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos deviam adorar “de longe”,
enquanto Moisés se aproximava do Senhor. O restante do povo não devia subir a
montanha.

Nos versículos 8 a 11 deste capítulo 24, a ceia da aliança foi celebrada por
Israel nos seus representantes. E viram o Deus de Israel (v. 10). Não devemos
ultrapassar os limites do cap. 33.20-23 em nossa concepção do que foi a visão de
Deus; ao mesmo tempo devemos considerá-la uma visão de Deus em alguma forma
de manifestação, que tornou a natureza divina discernível ao olho humano. Nada se
diz da forma na qual Deus se manifestou.

II – FOGO ESTRANHO NO ALTAR

1. Ignoraram a Deus.

Vejamos como eles desprezaram ou ignoraram a Deus. Os nomes dados à


estrutura comumente denominada de Tabernáculo são muitos. Foi chamada de
“tenda”, referindo-se geralmente à cobertura exterior; a “tenda da congregação”,
onde Deus se encontrava com o Seu povo (Êx 27.21); a “tenda do testemunho”
porque continha a arca e o Decálogo (Êx 25.16); a “habitação” e “habitação de
Jeová” (Nm 16.9), ou “habitação do testemunho” (Êx. 38.21); e “o santuário” ou
“lugar santo” (Êx 25.8). Os nomes “casa” ou “templo” (I Sm 1.9; 3.3) também são
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usados, mas referem-se a uma condição mais acanhada do Tabernáculo. O nome
comum é “tenda”, um termo que os tradutores elevaram ao mais altissonante
“tabernáculo”, seguindo o tabernaculum da Vulgata.

Embora nenhum simbolismo seja atribuído ao Tabernáculo no texto, não pode


haver dúvidas de que simbolizava para Israel, como para nós também, grandes
verdades espirituais. Claramente ensinava o fato da presença de Deus no meio do
Seu povo. Ao mesmo tempo indicava que Ele era um Deus santo no meio de um
povo pecador, pois todo o arranjo do Tabernáculo tomava claro que “o caminho para
o mais santo ainda não fora manifesto” (Hb 9.8). Com a arca contendo o
Testemunho, ele era “uma testemunha sempre presente dos direitos de Deus e
deveres do homem” (Cambridge Bible).

Portanto, estes filhos de Arão eram participantes da glória de Deus


simbolizados nas peças do Tabernáculo e nele próprio, mas profanaram o mesmo.

2. Impaciência profana.

Em Êxodo 30. 7-10, assim está escrito: “(v.7) Arão queimará incenso
aromático sobre o altar todas as manhãs, quando vier cuidar das lâmpadas,” “(v.8) e
também quando acendê-las ao entardecer. Será queimado incenso continuamente
perante o Senhor, pelas suas gerações.” “(v.9) Não ofereçam nesse altar nenhum
outro tipo de incenso nem holocausto nem oferta de cereal nem derramem sobre ele
ofertas de bebidas.” “(v.10) Uma vez por ano, Arão fará propiciação sobre as pontas
do altar. Essa propiciação anual será realizada com o sangue da oferta para
propiciação pelo pecado, geração após geração. Esse altar é santíssimo ao Senhor”.

Pois bem, como veremos no próximo tópico, os filhos de Arão não


demonstraram nenhum respeito com o sagrado, antes tomaram as coisas de Deus
de formas leviana e desonrosa, pois ofereceram fogo estranho, o que lhes foi fatal.

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3. Apresentaram fogo estranho ao Senhor.

Eis o que está escrito em Levítico 10.1,2: (v.1) “ Nadabe e Abiú, filhos de
Arão, pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderam fogo,
acrescentaram incenso e trouxeram fogo profano perante o Senhor, sem que
tivessem sido autorizados.” (v.2) “Então saiu fogo da presença do Senhor e os
consumiu. Morreram perante o Senhor”.
Mas qual foi “o fogo profano” (estranho) oferecido por Nadabe e Abiú ao
Senhor? O fogo no altar do holocausto jamais poderia se apagar (Lv 6. 12, 13),
significando que era santo. É possível que Nadabe e Abiú haviam trazido para o
altar brasas de outra fonte, profanando, então, o sacrifício.
Sugere-se, também, que ambos tenham apresentado a oferta em um
momento errado.
Destarte, seja qual for a explicação correta, o ponto é que Nadabe e Abiú
desonraram o ofício sacerdotal em um ato flagrante de desrespeito a Deus, que
acabara de rever com eles como precisamente deveria ser a conduta de adoração.
Como líderes, eles tinham a responsabilidade especial de obedecer a Deus,
pois nesta posição poderiam facilmente desviar outros.
Pois bem, se Deus o chamou, dileto leitor, para conduzir ou ensinar outras
pessoas, não deixe de ficar bem perto dEle e seguir suas instruções.

III – LUTO NO SANTO MINISTÉRIO

1. A morte de Nadabe e Abiú.

Como vemos nestes versículos do capítulo 10 de Levítico, supracitado, os


filhos de Arão foram negligentes quanto às leis para os sacrifícios. Em resposta,
Deus os destruiu com fogo rematador. É muito interessante que a palavra fogo tem
uma conotação muito forte nesta passagem. Lembro-me de um provérbio magiar,
isto é, húngaro, que diz: “mordedura de cão cura-se com pelo de cão”, pois bem,
Nadabe e Abiú introduziram fogo estranho no altar e Deus os puniu com fogo
consumidor.

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Realizar os sacrifícios era um ato de obediência, e executá-los de forma
correta demonstrava respeito a Deus. É fácil se tornar descuidado da obediência a
Deus e viver ao próprio modo, sem considerar o de Deus. Mas se ambos os
caminhos fossem bons, Deus não teria ordenado que seguíssemos a sua direção.

Deus sempre possui boas razões ao dar suas ordens, e nós nos colocamos
em perigo todas as vezes que lhe desobedecemos. Como bem disse Charles
Mackintosh: “O homem tem mostrado sempre má disposição em seguir o caminho
de estrita adesão à Palavra de Deus. Os atalhos parece terem sempre apresentado
encantos irresistíveis para o pobre coração humano. ‘As águas roubadas são doces,
e o pão comido a ocultas é suave’ (Pv 9:17).”

2. A remoção dos cadáveres (Lv 10. 4, 5).

Conforme F. F. Bruce, as provisões do capítulo 21 de Levítico teriam


permitido que Eleazar e Itamar, os irmãos de Nadabe e Abiú, removessem os
corpos, mas aqui havia circunstâncias especiais, e o restante dos membros da
família de Arão não podia dar lugar ao sentimento natural de forma normal.

Depreendendo-se do versículo 5, tem-se que os corpos, ainda vestidos com


as túnicas sacerdotais, foram puxados para fora do acampamento como era feito
com as carcaças das ofertas pelo pecado (Ver a mesma expressão em Lv 4.12).

3. O luto é proibido.

Eis o que nos dizem as Sagradas Escrituras: “E Moisés disse a Arão e a seus
filhos Eleazar e Itamar: Não descobrireis as vossas cabeças, nem rasgareis os
vossos vestes, para que não morrais, nem venha grande indignação sobre toda a
congregação; mas os vossos irmãos, toda a casa de Israel, lamentem este incêndio
que o SENHOR acendeu. Nem saireis da porta da tenda da congregação, para que
não morrais; porque está sobre vós o azeite da unção do SENHOR. E fizeram
conforme à palavra de Moisés” (Lv 10. 6 - 7).

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Pois bem, como nos esclarecem os estudiosos da Palavra de Deus, Arão,
Eleazar e Itamar deviam permanecer impassíveis na sua elevada posição — na sua
santa dignidade — na sua posição de santidade sacerdotal. Nem a falta, nem o seu
consequente julgamento deviam interferir com os que usavam as vestes sacerdotais
e eram ungidos com “o azeite da unção do SENHOR”. Esse azeite havia-os
colocado num sagrado recinto onde as influências do pecado, da morte e do juízo
não podiam atingi-los.

Os que estavam fora, que estavam a uma distância do santuário, que não
estavam na posição de sacerdotes, podiam “lamentar o incêndio”; mas quanto a
Arão e seus filhos deviam continuar no desempenho das suas santas funções, como
se nada tivesse acontecido. Sacerdotes no santuário não deviam lamentar-se, mas
adorar. Não deviam chorar como na presença da morte, mas curvar as cabeças
ungidas na presença da visitação divina. “O fogo do SENHOR” podia agir, e fazer a
sua obra de juízo; mas, a um verdadeiro sacerdote, não interessava o que esse
“fogo” tinha vindo fazer, se vinha para expressar aprovação divina consumindo o
sacrifício, ou o desagrado divino consumindo os que ofereciam “fogo estranho”, ele
só tinha que adorar.

Aquele “fogo” era uma manifestação bem conhecida da presença divina em


Israel, e que atuasse em “misericórdia ou julgamento” a obrigação de todo o
verdadeiro sacerdote era adorar.

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CONCLUSÃO

Atentemos, aqui, ao que o comentarista da lição destacou: “Portanto, sejamos


puros e santos em toda a nossa maneira de ser, pois o Senhor não se deixa
escarnecer”.

Louvemos ao Senhor com este belo coro extraído do hino de número 432 da
nossa Harpa Cristã.

“A minh´alma lava Salvador


No Teu sangue puro, carmezim;
Minha vida toma para ser, Senhor,
Tua para sempre, sim.

[Professor. Teólogo. Tradutor. Jairo Vinicius da Silva Rocha – Presbítero,


Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia de Deus no Pinheiro.]
Maceió, 10 de agosto de 2018.