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LIÇÃO 1

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 1ª LIÇÃO DO 4º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 7 DE OUTUBRO DE 2018

PARÁBOLA: UMA LIÇÃO PARA A VIDA


Texto áureo

“E sem parábolas nunca lhes


falava, porém tudo declarava em
particular” (Mt 4.34)
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – Mateus 13. 10-17

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Prezado e distinto Leitor, chegamos ao último Trimestre deste ano, o quarto
em uma sequência ininterrupta de assuntos que certamente nos edificará
sobremaneira. Eis que iniciamos neste trimestre o tema: As Parábolas de Jesus –
as verdades e princípios divinos para uma vida abundante; lições estas escritas pelo
eminente Pastor, escritor e advogado: Wagner Tadeu dos Santos Gaby.

Nestas Lições, aprenderemos as verdades cristãs baseadas nos


ensinamentos de Cristo através de suas ricas parábolas.

Portanto, diletos leitores e amigos, sintam-se convidados para adentrar com


ousadia nos meandros dos mais extraordinários ensinos de Cristo, através de um de
seus métodos preferidos de ensinar verdades espirituais por meio de narrativas
comparadas – as Parábolas –, encerrando sempre verdades morais e espirituais
convincentes.

Boa leitura, distintos e nobres amigos!

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I – O QUE É PARÁBOLA

1. Conceito.

Etimologicamente falando, a palavra hebraica traduzida por parábola vem da


raiz “m_sh_l”, (sonoramente pronunciado: /mâshâl/), que significa provérbio,
analogia e parábola. Logo, a ideia central de “m_sh_l”, é “ser como” e muitas vezes
refere-se a “frases constituídas em forma de parábola”, característica esta da poesia
hebraica. Por exemplo: Nm 23.7,18; 24.3,15; 1Sm 10.12.

Segundo Salmond, a palavra é usada em referência às máximas de sabedoria


contidas no Livro de Provérbios, tais como Pv 10.2. O termo “m_sh_l”, é traduzido
por provérbios em Pv 1.1; 10.1; 26.7,9; compare com 1Rs 4.32). É usado como frase
de sabedoria ética em Jó 27.1; 29.1. É também usado em referência aos ditados
obscuros, declarações enigmáticas e enigmas: Sl. 49.4; 78.2. É usado ainda como
correspondente de figura ou alegoria: Nm 17.2; 24.3.

C. W. Emmet, em seu Dictionary of the Gospels [Dicionário dos Evangelhos],


organizado por Hastings, apud Herbert Lockyer, observa que “há cinco passagens
no A.T geralmente citadas como a mais próxima representada da ‘parábola’ no
sentido técnico do termo: 1ª) As Parábolas de Natã (2 Sm 12.1-4); 2ª) As Parábolas
de Joab (2 Sm 14.6); 3ª) A Parábola do Profeta Ferido (1 Rs 20.39); 4ª) A Parábola
da Vinha do Senhor (Is 5.1-7); e a 5ª) A Parábola do Lavrador (Is 28. 24-28)”.

No Novo Testamento, “o termo ‘parábola’ assume uma variedade de


significados e formas, sem se restringir às longas narrativas do Evangelho que
conhecemos como parábolas de Cristo”, afirma Lockyer.

Há no grego, portanto, duas palavras traduzidas por “parábola”. A mais


conhecida é paraballo, que deriva das raízes para (“ao lado de”) e Ballô (“lançar uma
coisa ao lado de outra”), de onde se originou em Espanhol o termo “palabra”, em
Italiano “parola” e “parla”, e em Francês “parole”. É interessante também dizer-se
que o vocábulo português “palavra”, provém deste mesmo termo grego paraballo.
Antenor Nascentes afirma que, como tal, “palavra, é uma comparação sob a qual se
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oculta uma verdade importante” (NASCENTES 1955, p. 374 apud KUNZ). Portanto,
o termo sugere uma comparação entre duas coisas que são semelhantes em algum
aspecto, podendo dizer-se que “uma parábola é uma figura de linguagem ilustrativa
para fins de comparação e, especialmente, para o propósito de ensinar uma lição
espiritual, [...] pode ser longa ou curta. Ela pode recorrer a metáforas, comparações,
provérbios ou qualquer outro tipo de imagem verbal. Mas ela sempre faz uma
comparação que se aplica a alguma verdade na esfera espiritual” (MacArthur).

Outra palavra traduzida por “parábola” é paroimia, que significa “adágio,


ditado enigmático, provérbio, apresentação que se distingue dos meios normais de
comunicação”, por exemplo, temos em João 16.6-18,25; 15. 1-18.

2. Distinção entre parábolas e outras figuras de linguagens.

A parábola, como já visto, sugere a ideia de colocar alguma coisa ao lado de


outra para efeito de comparação.

Ela denota um método simbólico de linguagem, no qual uma verdade moral


ou espiritual é ilustrada pela analogia da experiência comum. Mas, embora a
parábola seja essencialmente uma comparação, ela difere de outras figuras de
linguagens conhecidas por nós, pois a parábola se limita ao que é real, mantendo os
lementos comparados distintos como “interno e externo”. Vejamos, portanto,
algumas figuras de linguages que diferem de uma parábola.

a) Metáfora: baseia-se em alguma semelhança entre dois objetos ou fatos,


caracterizando-se um com o que é próprio do outro. (Jo 15.1;10.9; 14.6; 6.51;
Mt 5.13; 14; I Co 3.9; Lc 13.32; Mt 6.22; Gn 49.9; Sl 71.3; 84.11; Obadias 18).

b) Sinédoque: Faz-se uso desta figura quando se toma a parte pelo (no lugar
de) todo ou o todo pela parte, o plural pelo singular, o gênero pela espécie, ou
vice-versa (Sm 16.9; I Co 11.26; At 24.5).

c) Metonímia: Emprega esta figura quando se emprega a causa pelo efeito, ou


o sinal ou símbolo pela realidade que indica o símbolo (Lc 16.29; Jo 13.8).

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d) Prosopopeia: Usa-se esta figura quando se personificam coisas inanimadas,
atribuindo-se-lhes os efeitos a ações das pessoas (I Co 15.55; 1 Pe 4.8; Is
55.12; Sl 85. 10,11).

e) Ironia: Faz-se uso desta figura quando se expressa o contrário do que se


quer dizer, porém sempre de tal modo que se faz ressaltar o sentido
verdadeiro (2 Co 11.5; 12. 11; 11.13; I Rs18.27; Jó 12.2);

f) Hipérbole: É a figura pela qual se representa uma coisa como muito maior ou
menor do que em realidade é, para apresentá-la viva a imaginação. Tanto a
ironia como a hipérbole são pouco usadas nas Escrituras, porém, alguma ou
outra vez ocorrem (Nm 13.33; Dt 1.28;

g) Alegoria: É uma figura retórica que geralmente consta de várias metáforas


unidas, representando cada uma delas realidades correspondentes. (Jo 6. 51-
65; Sl 80. 8-13; Is 5. 1-7).

h) Enigma: O enigma também é um tipo de alegoria, porém sua solução é difícil


e abstrusa (Jz 14.14; Pv 30.24).

i) Símile: O vocábulo Símile, procede da palavra latina “similis” que significa


semelhante ou parecido a outro. A palavra é definida pela Enciclopédia
Brasileira Mérito, como: “Semelhante. Analogia; qualidade do que é
semelhante; comparação de coisas semelhantes. A diferença entre a Símile e
a Metáfora é que na símile se emprega para a comparação a palavra “como”
ou outra similar, enquanto na metáfora se prescinde dela (Sl 1. 3,4;103.11-16;
Is 55 8-11; Is 1.18; Is 57. 20; 58.11;Tg 1.6).

Outras figuras há, mas estas são suficientes para demonstrar as diferenças
básicas entre uma Parábola de outras figuras de linguagens existentes na Bíblia.

3. Aplicação de uma parábola.

O Senhor Jesus tinha um propósito definido, duplo ao usar as parábolas:


revelar os mistérios do Reino de Deus aos seus discípulos e ocultá-los daqueles que
não tinham olhos para as realidades do mundo espiritual (Mt 13. 10-15).

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II – CONTEXTO SOCIAL E LITERÁRIO.

1. Galileia no tempo de Jesus.

O Galileia é o nome da região norte da Palestina, um local que aparece com


destaque no Novo Testamento e onde se desenvolveu boa parte do ministério
terreno de Jesus. Apesar da origem desse nome ser incerta, é amplamente aceito
que Galileia significa “círculo”, “anel”, no sentido de “distrito” ou “região”, do hebraico
galil. A Galileia pode ser dividida em parte norte e parte sul. A parte norte da
Galileia, também chamada de Galileia Superior, é bastante montanhosa, e está
aproximadamente a 1.300 metros acima do nível do mar.

Já a parte sul da Galileia, também chamada de Galileia Inferior, é formada por


planícies, com altitude entre 500 e 700 metros acima do nível do mar, porém caindo
até alcançar, aproximadamente, 200 metros abaixo do nível do mar, nas margens do
Mar da Galileia. Essa parte mais baixa da Galileia era a mais propicia para se morar
e praticar atividades relacionadas à agricultura, pois ficava limitada ao sul pela fértil
planície de Esdrelom e pelo vale do Jordão.

A Galileia era cortada por várias estradas que favoreciam o comércio com a
região da Arábia, Síria e Egito. Havia muitos pomares de frutas e oliveiras nas
colinas, enquanto nos vales se concentravam as pastagens de gados.

No Novo Testamento, a parte norte e mais alta da Galileia era predominante


coberta de florestas e possuía uma população espalhada. Por outro lado, a parte sul
e mais baixa da Galileia era mais densamente povoada, pois contava com muitas
terras férteis regadas por ribeiros que fluíam das montanhas. Essa região exportava
cereais, azeites e pescados. No tempo de Jesus, a província da Galileia formava um
amplo território retangular, com aproximadamente 64 km por 40 km. Quando
Herodes anexou a Galileia ao seu reino, muitos judeus passaram a habitá-la, numa
espécie de recolonização. As principais cidades da Galileia no tempo de Jesus eram
Cafarnaum, Nazaré e Tiberíades. Portanto, essa foi a região em que Jesus Cristo
cresceu.

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Ao contrário do que muitos pensam a Galileia não era exatamente uma
região pouco desenvolvida, mas uma região que articulava intenso comércio de sua
pesca e agricultura. Nas parábolas de Jesus, e em muitos elementos de seu
ensinamento, podemos perceber as características culturais presentes na Galileia
como de pano de fundo. A maior parte do ministério de Jesus, sobretudo seu início,
foi desenvolvida na província da Galileia, próximo ao seu lago, com destaque para a
cidade de Cafarnaum.

2. Jerusalém no tempo de Jesus.

A Jerusalém dos tempos de Jesus, à época, era uma cidade que passava por
uma onda de grandes mudanças, o que dificultava ao cidadão comum fazer uma
correta leitura do que realmente estava acontecendo. Em meio ao judaísmo dos
tempos de Jesus, havia quatro segmentos, cada um com sua leitura particular e com
um ensinamento próprio sobre qual caminho o verdadeiro judeu deveria seguir.

Enquanto os zelotes defendiam a tomada de armas e a instauração de uma


guerra contra a dominação romana, os essênios ensinavam que a melhor coisa a se
fazer era sair das cidades, para que o juízo de Deus não recaísse também sobre
eles. Por outro lado, os fariseus eram zelosos quanto às Escrituras, defendendo, de
forma legalista, o estrito cumprimento da lei mosaica. Mas havia, também, os
saduceus, que relativizavam a religião judaica, propondo uma fusão com a cultura
grega, além de não crerem no sobrenatural.

Aquele contexto era, portanto, de uma vida dura. Além da dominação romana
e da luta diária pelo sustento, o povo ainda se via no meio de debates doutrinários,
sem saber qual era a interpretação correta. Assim como naquela confusão Jesus
encontrou um cenário favorável para a pregação do Evangelho, hoje também temos
uma excelente oportunidade para anunciar a salvação.

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3. Contexto literário: os Evangelhos.

Os evangelhos são um gênero único na literatura universal. Não são meros


relatos, mas também um convite à adesão ao cristianismo. A sua primeira intenção
não é a biográfica. Apresentam Cristo como messias, filho de Deus e salvador da
humanidade. Contém coleções de discursos, de parábolas e relatos, como o da
paixão de Cristo e sua ressurreição.

Os evangelhos sinóticos.
Embora cada evangelho tenha sua ênfase e propósito distintos, os três
primeiros são chamados, às vezes, de Evangelhos Sinóticos por que eles “veem
juntamente”, ou seja, eles têm o mesmo ponto de vista em relação a vida e obra de
Cristo. Além disso, eles também apresentam a vida de Cristo, em uma forma
distinta, mas complementar, da oferecida em João em seu Evangelho.

III – COMO LER UMA PARÁBOLA

1. Entendendo a narrativa como a síntese das experiências cotidianas.

Como bem escreveu John MacArthur: “quando estudarmos as Parábolas de


Jesus comprometa-se a ser um discípulo verdadeiro, que busca a sabedoria com
cuidado e entendimento com um coração obediente. As lições que Cristo incluiu em
suas imagens verbais são verdadeiramente profundas e merecem nossa atenção”.

Só assim, poderemos vislumbrar os nossos próprios dilemas e experiências


vividas, confrontando com as verdades exauridas das lições de cada parábola,

2. Procurar as declarações explícitas e implícitas do agir de Deus no


contexto literário.

Bem sabemos que o estudo do contexto é uma das principais regras de uma
boa interpretação de um texto sagrado, e isso também se aplica ao das parábolas.
Como bem declarou Stadelmann: “o contexto da parábola dá para o intérprete, via
de regra, a chave para a compreensão do significado intencionado; pois nele se
representa a situação, à qual Jesus responde com sua parábola” (apude KUNZ).

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Desta maneira descobriremos qual é de fato o propósito de Deus por trás e além de
cada parábola.

3. Identificar a aplicação prática da parábola.

Segundo Gilhuis (apude Kunz), a atitude das pessoas para com Jesus é outra
chave para se entender as parábolas, assim, eis o que encontraremos estudando-
as:

a) Resposta a perguntas (Mt 9.14; 18.21; L 10.25);

b) Resposta a pedidos (Lc 11. 1, 5-8; 12.13-21;

c) Resposta a críticas (Lc 7. 39. 41- 43; 15. 1-32);

d) Seguidas de exortação ou princípio (Lc 11.5-10; 14.28-33; Mt 20. 1-16);

e) Dentre outras aplicações práticas.

CONCLUSÃO

Destarte, como bem escreveu o comentarista da lição: “Não há como


perceber, nem entrar, no Reino de Deus, sem ter nascido de novo (Jo 3. 3-8) [...] Os
verdadeiros súditos reconhecem a soberania do Rei e submetem-se a ela”. Portanto,
ao término desta 1ª lição de supracitado trimestre, nos prostremos diante do Rei
Jesus, louvando a Ele, através do coro do Hino da Harpa Cristã de número 8.

E nas lutas de cada dia,


Cristo nunca me deixa só;
Pois Ele é meu seguro guia,
Ele só, Ele só.

[Professor. Teólogo. Tradutor. Bibliotecário. Jairo Vinicius da Silva Rocha –


Presbítero, Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia de Deus no
Pinheiro.]
Maceió, 04 de outubro de 2018.
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