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TEOLOGANDO

HAMARTIOLOGIA – DOUTRINA DO PECADO

Um breve introdução a Doutrina do Pecado | Marcelo Berti

IV. A. F. Incapacidade Total Depravação. A. D. DEPRAVAÇÃO HUMANA Depravação Total Negativamente não implica Positivamente indica 12 12 12 13 B. C. Queda como Fato Teológico Definição de Pecado Conceito no Velho Testamento Conceito no Novo Testamento Ato Natureza Culpa 6 7 7 8 9 10 11 III. Incapacidade e a Liberdade Humana CONSEQÜÊNCIAS CÓSMICAS DA QUEDA Separação Espiritual: o homem e o Criador Separação Psico-somática: o homem em si mesmo Separação Sociológica: o homem do homem Separação Antro-ecológica: o homem da natureza Separação Ecológica: a natureza da natureza Separação Final 13 14 16 16 16 17 17 18 18 2 . E. C. INTRODUÇÃO QUEDA Queda como Fato Histórico Jardim literal Adão Histórico-literal Evidências 3 4 4 4 5 6 B. B.I. Introdução 2 Índice I. A. II. C.

subjugada a ela.. pois ocupa-se a ressaltar a condição que o homem está em função do pecado. Introdução 3 Hamartiologia I. à humildade nos prostra. que antes.I. EDWARD OAKES 3 . demonstrar sua impossibilidade em agradar a Deus. Certamente nada nos ofende de forma mais rude do que esta doutrina [o pecado]. sem esse mistério. porém. com o objetivo de demonstrar que o homem está perdido e abismado em relação a Deus. BLAISE PASCAL Tão longe de nós. somos incompreensíveis para nós mesmos. JOÃO CALVINO Em função do pecado nascemos num mundo onde a rebelião contra Deus já tomou espaço e nos arrasta como numa correnteza. sozinho não pode fazer nada para alterar essa realidade. e que. e ainda assim. este reconhecimento [homem com pecado] está de formentarnos a presunção. o mais incompreensível de todos. Introdução A doutrina do pecado é uma das mais importantes doutrinas da teologia crista.

Queda como Fato Histórico Para que a queda tenha qualquer sentido real. e sem ele não há necessidade de salvação.) Tomou.15) Após o ato imediato da criação do homem. como a concepção correta do pecado.2. E o quarto é o Eufrates” (Gn2. Jardim literal Se os acontecimentos narrados em Gênesis são reais.9. (. Este Jardim é assim demonstrado pela literatura bíblica: “E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden. e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. pois apenas assim pode-se notar suas conseqüências danosas na humanidade.) O nome do terceiro rio é Tigre.. não compreender o pecado do ponto de vista do Velho Testamento impossibilita vislumbrar a maravilhosa graça no Novo Testamento. e pôs nele o homem que havia formado. É o momento histórico que explica tanto a origem de todo o mal existente no mundo. Nota-se que Deus é a causa primeira deste Jardim que está localizado na terra. era necessário um ambiente real para que atos reais possam ser executados. o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar” (Gn. bem como em todos seus relacionamentos.. 14) 4 .10. Assim. nota-se o seguinte texto que demonstra claramente a criação do Ambiente do Primeiro homem.. A.8. Da mesma forma. é necessário compreender a queda do ponto de vista teológico. pois. na direção do Oriente. Segue-se a necessidade de um Jardim do Éden geográficohistórico.. Para que a salvação possa ter qualquer validade é necessário que exista uma deficiência que careça ser sanada. que já havia sido criada. Ou seja. Queda A queda é o marco da origem do pecado no mundo e de todas as deficiências que existem nele. A localização descrita pelo autor bíblico sugere que este Jardim estava situado na região da Palestina.II. Queda 4 II. Nos versículos que seguem podemos notar esse fato: E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se dividia. é o que corre pelo oriente da Assíria. sem a queda não se pode reconhecer o pecado. Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento. é necessário que os acontecimentos narrados em Gênesis sejam verdadeiros. repartindo-se em quatro braços (.

é que o Novo Testamento testemunha sobre os fatos relacionados ao Jardim como reais. No entanto.6-9. Norman. esses eventos reais precisam de um Ambiente Real para acontecer. As informações bíblicas são muito bem arranjadas. Fala da criação de Adão e Eva (Mt. e encontrados em uma leitura literal de Gênesis. é importante demonstrar que as evidências dão suporte para a interpretação normal do texto. Observe que o autor sempre demonstra Adão como uma pessoa real. 5 . Se existisse. e isso faz com que alguns teólogos acreditem em uma inserção de informações posteriores.13) e de seu pecado original (1Tm. que neste caso é literal.3.II. O primeiro fato que evidência a condição histórica de Adão é a própria narrativa de Gênesis.2. tanto Adão quanto Eva.2. Outro detalhe que merece atenção é que não existem evidências de que Adão ou Eva tenham se aplicado à produção de artefatos neste Jardim. Embora muita discussão exista neste ponto. Queda 5 Os nomes de rios mencionados neste texto são muito bem conhecidos e Norman Geisler chega a sugerir que a Bíblia situa os rios na Assíria. Contudo. para aqueles que consideram o texto como fonte fidedigna de informações é o ponto de partida. Rm. Adão Histórico-literal A argumentação que proporciona a interpretação mítica ou irreal é a consideração de que o autor utiliza-se de um estilo poético. 6). Assim. com o Dilúvio elas seriam destruídas (Gn. sem tais fatos é impossível que se encontre evidências arqueológicas. Enciclopédia de Apologética. atual Iraque1. Um ponto que merece destaque dentre os mencionados.19.24).13.12) . é necessário que se demonstre que após a queda Deus selou o Jardim (Gn. parece sugerir que o Jardim seja igualmente literal. cf. 1Tm.3. isso impossibilitaria que qualquer evidência arqueológica fosse encontrada.5. 2Pe. A preocupação do autor bíblico em demonstrar os rios deve reportar-se ao fato de que tal Jardim seja também real. para os escritores bíblicos. Normalmente as objeções lançadas sobre a mitologia relacionada com o Jardim do Éden são colocadas em função da inexistência de artefatos arqueológicos que evidenciem tal existência.4. nem mesmo se empenhado a qualquer espécie de construção. um lugar geográfico-histórico. visto não existir informações que sustentem essa opinião.5. Ou seja. ainda. repleto de paralelismo com outros mitos antigos e a suposta contradição entre o relato e a ciência. 1 GEISLER. são personagens históricos. Mas tal informação é especulativa. que são reais. Por causa das especulações teológicas colocadas sobre o texto de Gênesis. A inclusão dos rios Tigre e Eufrates. qualquer evidência.

10.10. Os.1-32.5. Para Timóteo. Lc. 1Cr. Jó.4) e para Adão e Eva e seus descendentes (5. O Novo Testamento testemunha a favor da historicidade de Adão.3. Paulo faz uma comparação entre Cristo e Adão (1Co. 1Tm.10. Ou seja. 19) é usada para o registro da Criação (2.7.1.1-15.1. Em Coríntios.44). as asseverações morais seriam nada mais do que afirmações equivocadas e inválidas. Is.13.3.19. 27. como os autores do Novo Testamento tem por certo de que os acontecimentos narrados em Gênesis são fatos. Fora da narrativa de Gênesis é possível encontrar Adão como personagem histórico.3.9.6. Mas para que esta genealogia tenha valor real é necessário que os personagens envolvidos seja igualmente reais. e na narrativa de Gênesis ele perpetua a espécie humana.22. Rm. Paulo em Romanos declara que a morte foi trazida ao mundo por um homem real (Rm.38 Adão é designado como um ancestral literal de Jesus.6-7. referiu-se a Adão e Eva como os primeiros “homem e mulher” literais.5. Adão encabeça a genealogia mais extensa das escrituras (1.15.1. 14). posteriormente.6. tem por 6 . Queda como Fato Teológico A queda não é observada apenas do escopo histórico.1-32. Paulo afirma que primeiro foi criado o homem e depois a mulher (1Tm.11. é impossível não crer na historicidade de Adão.2.14. Novo Testamento: Mt.45).3. não parece ser esse o caráter que Paulo escreve.19.2.38. 1Co. mas também teológico.1. Entretanto. Tanto ele.4).4-5.1).27. Assim.31. Jd. 5. Ec. por sua vez.33. Mc. 14).43.5. 11. O primeiro visa a demonstração da queda como um fato dentro da história do homem. mesmo fora do relato de Gênesis. apresenta tanto a queda como verdadeira como os resultados desse evento:   Velho Testamento: Gn. ou “são estas as gerações” encontradas para registrar a história do povo hebreu (cf.11. se as comparações e citações paulinas sobre os diversos assuntos que aborda fossem baseadas em mitologia. Em Lc. Na cronologia encontrada em 1Cr. 15. Gn. gerando filhos à sua imagem (Gn.II. 2Co.20. Evidências A queda é considera verdadeira e histórica pelo fato de que a Literatura Bíblica. e este.7.13-14. 25.7-9. 45.12.3).9. B. Queda 6 Se Adão fosse irreal não poderia ter gerado filhos. que demonstra a historicidade das tribos de Israel e a importância da linhagem davídica.1 .12-21.1. fazendo da união deles a base para o casamento (Mt.12. O segundo. 11. Outro detalhe importante dentro da narrativa de Gênesis é que a sentença “Este é o registro”. 10.29.

Queda 7 norte a demonstração das conseqüências evidenciadas pelos resultados observáveis. A morte. tanto física como espiritual . evidencia o pecado muito mais como FATO do que como ATO.12). E como conseqüência. Assim. (Veja Gn. heth’ – erro. (ver detalhes no ponto IV) 2. malogro. C. Conceito no Velho Testamento No Velho Testamento podemos encontrar as seguintes palavras normalmente encontradas com o sentido de pecado: hatah – significa basicamente errar. em função do pecado: 1. 3.II.22 e Rm. A Imagem de Deus foi maculada. 7 . awon – iniqüidade. Isso poder ser observado em Is.passou a reinar no homem. pesha – transgressão.15-17 c/ 1Co. Ou seja. mas não pode ter a mesma.5. Em suma.2. com a intenção de buscar informações que revelem a realidade do pecado.59.15. para que vos não ouça. todos os descendentes de Adão sofrem com esse resultado danoso. Definição de Pecado Antes de uma definição significativa do pecado é válido buscar informações tanto no Velho como no Novo Testamento. tornar-se culpado.2: Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus. a queda do ponto de vista teológico determinou a culpa judicial sobre a humanidade. O homem não deixa de ser Imagem de Deus. mas significa o rompimento de um relacionamento pessoal com Deus. Todos os aspectos do homem foram pervertidos a ponto de deteriorar com o passar do tempo. infração. Nos profetas do Antigo Testamento. o rompimento da comunhão entre Deus e o homem e a deturpação da perfeita e anterior “Imago Dei”. A natureza humana foi corrompida por inteiro. o pecado é muito mais que uma violação de regras. e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós.

Marcos Mendes. pecado.20: Mas. Segue-se que no Novo Testamento podemos perceber que o pecado é não acertar o alvo correto. 8 .II. que envolve ato. qualquer atividade que não tenha como motivo primeiro a Glória de Deus. 2 GRANCONATO. no Velho Testamento é claro que pecado é visto como uma transgressão direta à Lei de Deus. o pecado pode ser observado como a incapacidade de viver em conformidade com o que Deus espera de nós no que diz respeito a ATO. Normalmente visto como atos específicos. natureza e culpa2”. Ou seja. material não publicado. evidenciado por um erro moral que torna culpado diante de Deus. quer comais. o pecado é observado como uma força em si. após observar o uso das palavras. É PECADO! Assim. ou contribui para. hamartia: transgressão. 1Jo.31. fazei tudo para a glória de Deus”. É um mal orientado contra Deus. Teologia Sistemática 3. que opera no homem e o mantém cativo. como em Rm. O que se nota neste texto é que mesmo as atividades mais simples. como comer e beber. uma definição de pecado pode ser assim esboçada: “Tudo aquilo que não redunda em. já não sou eu quem o faz. (cf. não é um ato passivo. podem ser maculadas pela presença de motivos ou propósitos distintos ao padrão estabelecido no referido versículo. NATUREZA e a CULPA. atingir alvo errado. Por vezes o pecado é personificado.4) A abrangência do conceito do pecado pode ser observada pelo texto de 1Co. Conceito no Novo Testamento No Novo Testamento podemos ressaltar as seguintes palavras: hamartano: não acertar o alvo.7. Ou seja. e sim o pecado que habita em mim. Assim. quer bebais ou façais outra coisa qualquer. Especialmente na literatura paulina. Queda 8 Assim.10. mas uma intenção determinada em não se conformar com a Lei preestabelecida. a Glória de Deus. se eu faço o que não quero. que diz: “Portanto.3.

a confissão de pecado nada mais é do que dizer a mesma coisa. pois segundo Tg. de onde procede nossa palavra HOMOLOGAR.17.3.6 2Co.II. ou concordar com o que a Palavra de Deus diz e reconhecer sua falha em arrependimento.2. todo aquele que vive pecando não o viu. ou falar em conformidade. Queda 9 Ato Ações que não se conformam com a vontade de Deus. 3 Neutralização não total. a palavra utilizada é “ovmologe.28. Neutralização3 do poder do pecado na vida do cristão. Ou seja. omitir-se de responsabilidades é PECADO.6 IMPLICAÇÕES O cristão não está livra da prática do pecado. ou estímulo para a prática do pecado: Todo aquele que permanece nele [em Cristo] não vive pecando.) Aquele que pratica o pecado procede do diabo.1. não fazer o que se deve fazer é pecado. Em caso do cristão incorrer na prática do pecado ele pode confessar. porque o diabo vive pecando desde o princípio. 4 9 ..13). A santificação pressupõe a imperfeição moral de crente.9. A idéia presente nesta palavra é a “prática constante” do pecado..18 Ef. Mas. Diante desse fato. mas também deixe o pecado: O que encobre as suas transgressões jamais prosperará. a essa altura é necessário que se diga que a disposição de Deus em perdoar não serve como desculpa. Deve imitar a Cristo em sua vida. O cristão deve abandonar os atos. Em 1Jo. mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia (Pr. nem o 4 conheceu (. é necessário que cristão não apenas confesse o pecado.10 Jo. Ou seja.1.4. ou conformar-se.17-29 1Jo.3. parcial.4. qualquer falta de conformidade ativa com a lei moral de Deus. Essas ações podem ser praticadas ou não. Entretanto. qual é a relação entre o cristão e o pecado como Ato? TEXTOS 1Jo.w” (omologéo).

A expressão “filhos da ira” traz em si a idéia de “merecedor da ira”. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado. Em Rm.II. É o que Paulo afirma em Ef. e afeta o homem como um todo.3: “e éramos. consinto com a lei.5). ora. embora não deixe de existir. O mistério do 7 pecado não é somente o fato da ser perverso e destrutivo. Neste caso. nesse ponto as motivações são tão perniciosas quanto as ações. por natureza. que é boa. mas o pecado que habita em mim 16 Sobre isso R. 5 ERICKSON.. pois. 7.15-17 podemos ler: Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir. quem faz isto já não sou eu. filhos da ira6. Com a conversão a Natureza Pecaminosa recebe um golpe substancial. Essa inclinação herdada é também chamada de “pecaminosidade”. Assim.2. potencialmente presente em todos. dedes Adão. [mas] pecamos por que somos pecadores 5”. SPOUL. 6 7 10 . morrer a vossa natureza terrena” (Cl. mas todo homem.C. “não é simplesmente que somos pecadores por que pecamos.3. mas não anulou a Antiga Natureza pecaminosa.2. pois o que permanece nele é a divina semente. O pecado. para a prática do mal orientado contra Deus. como também os demais”. R. Introdução à Teologia Sistemática. Ou seja. (1Jo. Natureza É uma inclinação herdada. Santidade de Deus. é considerado estúpido. 17 Ora. pois não faço o que prefiro. mas de ser estúpido . e sim o que detesto.. Dessa forma. Sproul diz: Parece estupidez fazermos algo que sabemos que vai roubar-nos a felicidade. Queda 10 Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. todo ser humano possui de maneira completa esta inclinação. Contudo o fazemos. que ainda existe substancialmente: “Fazei. por que não anula a consciência do homem. Mas é importante ressaltar que não atinge apenas o homem como um todo. visto como essa inclinação. porque é nascido de Deus. esse não pode viver pecando. Millard J. O crente possui uma Nova Natureza. se faço o que não quero.7-9).C.

Culpa Queda 11 O conceito de culpa nos dias atuais é visto de uma perspectiva incorreta. mas é o resultado da violação original da Lei Moral de Deus. a Culpa do Pecado provem do ato rebelde de Adão. e atinge judicialmente a todos os descendentes de Adão. de maneira que. a culpa passou a ser vista como um sentimento irracional que não merece atenção. não existe motivo para ter culpa. se ninguém é prejudicado por uma atividade pessoal.II. Portanto. Após o advento dos estudos de Freud. e é imposta a todo o qualquer ser humano. e por esse motivo leva a uma realidade também erronia sobre essa ela. culpa é mais que errar. Assim. Assim. Contudo. pois não prestamos contas a mais ninguém além de nós mesmos e algumas pessoas ao nosso redor. executar algo mau ou sentir-se mal por isso. a perspectiva teológica aborda a questão a partir da isenção de dignidade que o homem sofre diante de Deus. esta redunda diretamente em condenação. Resumo Visual O Ato é Pessoal Agrava a condenação A Natureza é Herdada Viabiliza a execução do Ato A Culpa é Imposta Gera Condenação CONDENAÇÃO 11 .

e isso inclui o estado em que o homem se encontra. todos os aspectos do homem foram corrompidos pelo pecado. Depravação Total A pergunta em pauta exige certa explicação. devemos. a corrupção moral ou inclinação para o mal. e. como demonstrado. portanto requer cuidadosa interpretação. em virtude da sua pecaminosidade inerente. nem tampouco tem uma consciência que discerne entre o bem e o mal. primeiramente. ou que é incapaz de afetos e atos desinteressados em suas relações com o semelhante. ou seja. e. enquanto outro não. se entregarão a todas as formas de pecado: muitas vezes acontece que uma forma de pecado exclui a outra. muitas vezes esta frase é mal compreendida. nessa altura. por um lado. A. o que seria a Depravação Parcial ou Depravação Total. eles ainda existem. fazendo com que a conclusão seja errônea. e. seria incorreto afirmar que um aspecto da constituição imaterial do homem seja maculado pelo pecado. se pode afirmar que a Depravação do Homem é total. Assim o homem é totalmente depravado. um ato de agressão à dignidade e santidade de Deus. (5) que o pecador seja destituído de consciência. é total ou parcial?”. Depravação Humana 12 III. pois é possível que exista uma má compreensão dos termos empregados. Negativamente não implica (1) que todo homem é tão completamente depravado como poderia chegar a ser. mas estão estragados. Depravação Humana O pecado. respectivamente. em outras palavras poderíamos perguntar: “Essa depravação. (3) que o homem pecador raramente admira o caráter e os atos virtuosos dos outros. 12 .III. por outro lado. Com Depravação afirma-se a falta de retidão original. Diante do relato bíblico. nasce uma pergunta: “Qual é a abrangência dessa Natureza Pecaminosa?”. tem grande importância no estudo teológico. notamos que a Natureza Pecaminosa do homem. decompostos. ou seja. bem como a culpa judicial que carrega. não é apenas uma atividade. (4) que todos os homens não regenerados. Dessa forma. o estado em que se encontra. demonstrar o termo teológico que sugere essa abrangência: Depravação. Contudo. Entretanto é válido demonstrar que afirmar que todos os aspectos do homem são corrompidos. Dessa forma. Para responder a essa pergunta. essa Depravação pode corromper parte do homem ou o homem como um todo. não significa que eles são aniquilados. mas é tudo o que não se conforma com a Lei Moral de Deus. Assim. (2) que o pecador não tem nenhum conhecimento inato de Deus. Assim.

mas somente perversão. supremamente determinado em sua preferência do “eu” (egoísta) em relação a Deus. B.1. todas as faculdades e poderes da alma e do corpo. (Rm.2-4).3.3.8. a Depravação Total tem como conseqüência lógica a Incapacidade Total.18.42).4.4). (3) externamente. 2Co. (6) homem. (2) que absolutamente não há no pecador bem espiritual algum com relação a Deus.18. Depravação Humana 13 que o pecador seja desprovido de todas as qualidades agradáveis e úteis aos olhos do Positivamente indica (1) que a corrupção inerente abrange todas as partes da natureza do homem. Hb. Os teólogos Reformados geralmente dizem que ele ainda é capaz de realizar: (1) o bem natural. ou seja.12). (6) (7) possuído de aversão a Deus (Rm.2).7. Tt.15. Admite-se que mesmo o não regenerado possui alguma virtude. não queremos dizer que é impossível fazer o bem em todo e qualquer sentido da palavra. (3) (4) (5) totalmente destituído daquele amor a Deus (Jo. Na atribuição da incapacidade total à natureza do homem.7. 2Tm. Aqui. o bem religioso.1. diante de Deus o homem é incapaz de agradálo. de novo.3. Incapacidade Total Com respeito ao seu efeito sobre os poderes espirituais do homem.3. em muitos atos e sentimentos que merecem a sincera aprovação e gratidão dos seus 13 . interna ou externamente ((2Tm.III.7). a qual se revela nas relações da vida social. desordenado e corrompido em cada faculdade (Ef.5. carregado de desejo que ultrapassa a consideração por Deus e sua Lei (2Tm. é necessário fazer adequada distinção. (2) o bem civil ou a justiça civil.

3. elas acontecem. nem pela consideração de que a vontade de Deus os exige. o que lhe é bonito ou não é bonito.11. Seu defeito fatal é que não são motivados pelo amor a Deus. sem fé é impossível agradar a Deus (Hb. Ef. neste sentido pode-se aplicar o termo livre-arbítrio. mas à sua insuficiência e insignificância diante da Majestade e Soberania de Deus. 15. Entretanto. Não interessa qual seja essa atividade. e pretende significar que o homem é dotado do poder de. Essa questão deve ser respondida tanto positiva como negativamente. 8. Não existe ato absolutamente livre de qualquer inclinação.1.13. livre arbítrio é a habilidade de mover-se em direção a consecução de um ato almejado dentre algumas possibilidades. É válido demonstrar que a incapacidade do homem não tange apenas à sua moralidade. Por mais que se reconheça a possibilidade da consecução de um bem natural. 1Co. Qualquer atividade que tenha por foco distinto da Glória de Deus. cívico. Hb.8.18. queremos dizer duas coisas: (1) que o pecador não regenerado não pode praticar nenhum ato. Contudo. são espontâneas. ou deixar de realizar. 24. vestir essa ou aquela camisa. Ao mesmo tempo. 3. 2Co. decidir o que lhe agrada e o que não lhe agrada. agir sem motivos ou finalidades diferentes da própria ação. Depravação Humana 14 semelhantes.6). que fundamentalmente obtenha a aprovação de Deus e corresponda às exigências da lei Santa de Deus.5. quando considerados em relação a Deus. Segue-se que o livre arbítrio por definição é impossível. Depravação. Rm. 14 . orientados para conceder ou atribuir Glória a Deus.34. são radicalmente defeituosos. a ponto de não sofrer qualquer inclinação distinta do interesse de realizar este ato. pois se refere principalmente às ações e à vontade humana.1. por insignificante que seja. Quando falamos da corrupção do homem em termos de incapacidade total. 8-10. não pode sequer fazer algo que se aproxime de tal mudança. e muito menos. (2) que ele não pode mudar sua preferência fundamental pelo pecado e por si mesmo. 8.6.44. adquirir ou não conhecimento. Se as decisões para executar ou realizar algo não exigem pressupostos racionais.2. interesse ou motivo. Pode-se dizer que o homem inevitavelmente possua liberdade para realizar algo. o livre arbítrio é impossível. não agrada a Deus.2. e por conseqüência as decisões não são tomadas. Há abundante suporte bíblico para essa doutrina: Jo. é inevitável que uma questão seja lançada: “Teria o homem o livre-arbítrio?”. Incapacidade e a Liberdade Humana No que diz respeito a toda essa discussão sobre o pecado.7. afirma-se que esse mesmo ato e sentimentos.5. trocando-a pelo amor a Deus. ele é incapaz de fazer qualquer bem espiritual. sem consideração de motivos ou circunstâncias. todo ato exige motivo ou interesse.14.III. Numa palavra.11.5. por definição.7. C. em determinadas circunstâncias. 6. Ou seja.

. Não haveria motivo. a Confissão de Westminster afirma: “O homem. não pode. devido à sua queda num estado de pecado. que esteja em harmonia com a constituição moral original da sua natureza. não haveria comida. Sem motivo. perdeu completamente toda capacidade para querer algum bem espiritual que acompanhe a salvação. ou desejos iguais em duas direções diferentes.) ela não escolheria nenhuma e passaria fome. por sua própria força converter-se ou preparar-se para isso”. Ele não é capaz de compreender e de amar a excelência espiritual.. Louis. não haveria escolhas. pp. Seu proprietário pôs uma cesta de aveia à sua esquerda e uma cesta de trigo à sua direita. Teologia Sistemática. em algumas situações. ainda passaria fome. Sua disposição igual a deixaria paralisada. uma irresistível inclinação para o mal. de procurar realizar coisas espirituais. ele “perdeu a sua liberdade material. Sobre esse tópico. É assim que. o poder racional de determinar o procedimento.231 15 . que pertencem a salvação8”. Observe o exemplo sugerido por Rc. por natureza. Sem escolhas. O homem tem. Se ela tivesse uma disposição exatamente igual para a aveia e o trigo. Sem comida. logo não haveria mula”. como é reconhecido aqui. as coisas de Deus. insto é.III. Se a mula não tivesse nenhum desejo (. Por mais que o homem tenha liberdade de escolhas. 8 BERKHOF. Sproul: Depravação Humana 15 “A mula não tinha desejos anteriores. como homem natural que está inteiramente oposto ao bem e morto no pecado. rumo ao bem supremo.

o homem está privado de desfrutar dessa bem-aventurança. nem manter comunhão com o pecado. No relato de Gênesis. A. o pecado desestabilizou a harmonia inicial do homem. em função do pecado. o homem a 16 . sofre da falta de unidade no que tange aos aspectos imateriais do homem. e do próprio Deus.IV. Conseqüências Cósmicas da Queda 16 IV.16). tanto o homem como a mulher “esconderam-se”. podemos relevar algumas informações importantes com respeito a realidade da destruição do pecado na humanidade. Isso implica que a comunhão com Deus havia sido quebrada. Conseqüências Cósmicas da Queda Observe o gráfico: De acordo com o gráfico acima demonstrado. pois Deus não pode conviver. Em função da entrada do pecado no mundo. Separação Espiritual: o homem e o Criador A Queda implica diretamente na separação espiritual com Deus. vemos que após cometerem uma infração direta à Lei de Deus. Ou seja. Separação Psico-somática: o homem em si mesmo O homem. e devido a isso. Por essa razão afirma-se não existir mais comunhão direta entre Deus e os homens. não pode portar-se de maneira irrepreensível diante da Lei de Deus. E as conseqüências ainda podem ser claramente observadas: A mulher passa a sofrer as dores do parto (3. B.

12) O primeiro conflito do homem encontra-se no contexto matrimonial. Deus ainda profere punições para esse relacionamento: E à mulher disse: (.. Em Gênesis 3 podemos ler a seguinte declaração: Então disse o homem: A mulher que me deste por esposa. e ele te governará. antes sobressai o conflito existente nessa relação. Entretanto.18-19). agora. Entretanto. esse trabalho é enfadonho agora. pois a terra precisa ser cuidada para que de fruto.(16-17). propendem ao pecado.4 podemos notar o ciúmes e o homicídio de Caim para com Abel. e eu comi (v.19b). Ou seja. Contudo. Separação Antro-ecológica: o homem da natureza O relacionamento do homem para com a natureza é também afetado. sem contar que suas inclinações. o relacionamento homem mulher não é o único prejudicado. à pratica do mal orientado contra Deus. 9 O que se nota é que não existe mais harmonia matrimonial. 9 A idéia da preposição hebraica sugere que o desejo da mulher será contra o marido. ela me deu da árvore... e comeste da árvore que eu te ordenara não comesse. mas em função do pecado o homem está separado do homem. pois em Gn. 17 . Conseqüências Cósmicas da Queda 17 penar em sua labuta diária (3.. mas qualquer espécie de relacionamento.IV. D. pois é necessário que o homem viva em constante trabalho para sua sobrevivência (3. ao erro. como conseqüência do pecado.) o teu desejo será para o teu marido. e harmonia consigo mesmo.19a) e a morte passa a reinar na experiência humana (3. C. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher. entre homem e mulher o conflito já estava anunciado na queda. Separação Sociológica: o homem do homem O homem não perde apenas comunhão com Deus.

Note que agora a “terra é maldita”. A cura total e completa tem dois fatores: # completa erradicação do pecado # completa restauração da criação Ambos os fatores serão completos no futuro.25).15). 18 . a reconciliação com Deus e a cura parcial nos níveis psicológicos e sociais pode ser realizados através da fé.IV. a solução de cada divisão da Queda é providenciada e garantida. Agora. Separação Final No meio do juízo adâmico. o Senhor Deus deu a promessa da vitória sobre Satanás através da semente da mulher (Gn.28) por meio de um filho prometido é a chave da teologia bíblica.Is.8. a cura e a restauração completa (até da natureza) ocorrerão. Conseqüências Cósmicas da Queda 18 E.11. cf. A história ainda vai ver a salvação de Cristo. houve uma divisão catastrófica que pagou o preço de todo pecado e destruiu a base do juízo. F.3. “produzirá cardos e abrolhos” e esta sujeita à vaidade (Rm. eliminada a causa. mas pela intervenção divina. Separação Ecológica: a natureza da natureza Por conseqüência do pecado . A promessa de bênção (1. no futuro. não por meio do esforço humano. Assim.6s. Quando o Deus Pai não pode olhar para o Filho na cruz. cessam as conseqüências. E.20. a natureza passa a sofrer. 65. Na divisão na cruz.

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