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EXEGESE DE ROMANOS 12.

1-2 – O CULTO RACIONAL A DEUS

INTRODUÇÃO

O texto de Romanos 12.1,2 é um dos textos mais utilizados atualmente para falar sobre como o
cristão deve se comportar no presente século. Sem dúvida esse texto é uma dobradiça que liga tanto
a doutrina quanto a prática do ensino de Paulo em sua epístola aos Romanos. Analisaremos dentro
do contexto tais implicações e traremos para a vida da igreja hoje. Depois de expor sobre a justificação
pela fé, Paulo agora aborda em termos práticos como deve ser o modo de vida do cristão regenerado,
que baseado nas misericórdias de Deus, deve oferecer a Deus um culto racional que é fruto de uma
mente transformada pelo Espírito, que rejeita ser conformada com este século.
Contudo, diante desse texto, precisamos entender o que seria um sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus, uma vez que a Igreja Católica, entende erroneamente que a missa é um sacrifício
oferecido diariamente ao Senhor. Tanto exporemos o que é um culto racional que vai contra as
perspectivas neopentecostais de busca a Deus, sem qualquer compreensão, apenas emoção. Além
disso, é necessário entender as ordens do Apóstolo Paulo em não se conformar com o presente século
mas permitir-se ser transformado em sua mente pelo Espírito. Por fim, abordaremos sobre a vontade
de Deus e como ela pode ser experimentada e provada levando ao cristão a entender que ela é boa,
agradável e perfeita.
O texto será abordado a partir da língua original, partindo da análise gramatical e estrutural.
Para tanto, será feito uso de ferramentas exegéticas, como o Dicionário Internacional de Teologia do
Novo Testamento, Dicionário Teológico do Novo Testamento e outros dicionários afins. O estudo de
variantes será feito com base no The Greek New Testament (4a ed. – UBS/DB) e a análise estrutural
a partir do Nestle-Aland Novum Testamentum Graece (27a ed.). Para uma melhor base exegética
serão utilizados comentários e obras que tratem temática e exegeticamente do pensamento de Paulo.
Além daquelas já citadas, podem ser acrescentadas: Teologia do Apóstolo Paulo (Herman
Ridderbos); A Greek-English Lexicon of the New Testmente (William Arndt e F. Wilbur Gingrich);
Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento (Carson e Beale); Romanos:
Introdução e Comentário (F. F. Bruce); Comentário a la epístola a los romanos (João Calvino);
Comentario de Romanos (Cranfield); Dicionário de Paulo e suas cartas (Hawthorne, Martin e Reid);
Commentary on the Epistle to the Romans (Charles Hodge); The Epistle to the Romans (Moule);
Romanos (John Stott); e Gramática Grega (Daniel Wallace).
O estudo constará de quatro partes, sendo a primeira a presente introdução, a segunda parte é
composta pelo contexto do texto de Romanos 12.1,2 que exporá o contexto histórico, literário e
canônico que são relevantes para o entendimento desse texto. Em seguida, uma análise do texto
grego, com análise de palavra por palavra em grego, seguida de tradução literal e comentário. Ainda
nesta parte será exposto a mensagem para a época e para todos os tempos e as teologia bíblica,
sistemática e pastoral relacionadas ao texto. Por fim, o sermão do texto relacionado e uma breve
conclusão.
1) Estudo Contextual
1.1) Contexto Histórico
A Epístola aos Romanos foi escrita por volta de 57 d.C.[1], em um período de crescimento do alto
império romano. Roma nesta época já tinha por volta de um milhão de habitantes. Uma cidade
cosmopolita que abrigava cidadãos de todo o mundo. Roma era a síntese de poder, riqueza e
cultura. Conforme crescia o império, cresciam as riquezas e os opulentos romanos se entregavam
de mais a mais à promiscuidade. Roma também era o centro das práticas mais pecaminosas e
aviltantes. Charles Erdman comenta sobre a degradação da cidade:
Roma era o empório em que tinham todos os povos despejado suas idolatrias e corrupções, seus
desregramentos e seu pecado; era Roma um espelho do mundo pagão, com sua sordidez, e miséria,
e tremendo pressentimento da ira vindoura.[2]
Na cultura romana, haviam instituído o culto ao deus grego Dionísio, transnominado para Baco, o
deus do vinho.[3] Orgias desenfreadas, embriaguez, prostituição, adultério, homossexualismo e
outras práticas pecaminosas eram deliberadamente executadas nos cultos a Baco. Os romanos
apresentavam seus corpos em sacrifício a esse deus pagão, se entregando completamente à
carnalidade. Para os habitantes de Roma, amoldar-se ao esquema deste mundo significava
participar do sistema religioso pagão da época. O Panteão Romano recebia todo tipo de sacrifícios a
todos os deuses romanos, cujas estátuas ficavam em seu interior.[4] Deus via o perigo que corria a
igreja em Roma[5] e teve compaixão, a mesma compaixão de Deus estava no coração de Paulo, que
também via o risco que a igreja corria. Pelas misericórdias de Deus, o servo do Senhor suplica aos
crentes que se abstivessem dessas práticas. O sacrifício dos romanos a Baco era morto porque
estava debaixo do pecado, e no pecado opera a morte. Assim, Paulo insta aos servos de Deus em
Roma a apresentarem seus corpos em sacrifício vivo, isto é, que não está sob pecado, santo,
totalmente separado da impiedade dos romanos e de todos os demais pecados, e agradável a Deus,
porque Deus, sendo puro, se agrada de coisas puras. Fazendo assim, os cristãos em Roma estariam
apresentando um culto racional ao Senhor Todo-Poderoso. Além disso, o culto aos falsos deuses
romanos eram cultos irracionais, fruto de meros desejos sexuais, orgias, e uma religião com ênfase
naquilo que é exterior. Os cristãos romanos vêm deste contexto e agora são desafiados a prestar um
culto racional a Deus, não se conformando com o culto romano, nem com o padrão deste século,
antes tendo suas mentes transformadas para cultuarem a Deus segundo sua vontade.
1.2) Contexto Literário
1.2.1) Contexto Próximo
Paulo fecha a sessão de Romanos 9.1 a 11.36 com uma doxologia. Termina dizendo que o
conhecimento de Deus é profundo, insondável e maravilhoso. A glória é para ele para todo o
sempre. A salvação, a justificação, a redenção, a santificação, a adoção, tudo isso vem dele, é por
causa dele, e para ele. A partir dessa exaltação a Deus, Paulo agora introduz em Romanos 12.1,2 a
última seção da parte teológica da carta de Paulo aos Romanos, depois de dizer que tudo é para a
glória de Deus, por causa dele e por ele, ele traz implicações práticas, que também não vêm de nós,
mas por causa de sua graça e por sua misericórdia. Agora que eles entenderam o que Deus fez,
Paulo explica como devem viver nesta seção.[6] O apelo inicial de Paulo capta a essência do que
significa viver como cristão. Após conclamar a igreja a oferecer seus corpos como sacrifício vivo e à
renovação de suas mentes, confrontando-os a deixarem-se transformar suas mentes ou se
amoldarem aos padrões deste mundo. Nos versículos subsequentes, Paulo deixa claro que a
vontade de Deus, que é boa, agradável e perfeita, tem implicações em nossos relacionamentos, que
serão transformados pelo evangelho. Então seguem apelos específicos relativos à unidade e aos
dons (12.3-8), o amor aos companheiros tanto fiéis quanto incrédulos (12.9-21), as atitudes para com
as autoridades (13.1-7) e novamente o amor (13.8-10). Em 13.11-14, Paulo retorna para o ponto em
que começou em 12.1,2, com outro lembrete sobre a natureza dos tempos em que agora vivem os
cristãos. Paulo encerra essa seção da carta com uma exortação longa ao forte e ao fraco na igreja
romana (14.1–15.13).[7] É evidente que nessa última seção, Paulo está escrevendo pensando na
situação da igreja romana, frente aos seus desafios naquela época.
Segundo Hodge, a seção de Romanos 12-15 trata de deveres gerais dos cristãos em suas relações:
primeiramente com Deus (cap. 12); em segundo lugar, seus deveres políticos ou relacionamento
com as autoridades civis (cap. 13), e em terceiro lugar, trata sobre os deveres eclesiástivos, ou
aqueles deveres que eles devem ter com outros membros da igreja (caps. 14 e 15).[8]
1.2.2) Contexto Remoto
Depois de expor teologicamente que a justiça de Deus que é recebida pela fé (Rm 1.18-4.25), de
expor o evangelho como poder de Deus para a salvação (Rm 5.1-8.39) e por fim fazer um paralelo
entre o evangelho e o povo de Israel, Paulo fecha essa parte com uma doxologia em Rm 11.33-36 e
agora, a reação correta ao Evangelho da graça que foi revelado nos capítulos anteriores é a entrega
da vida a Deus como “um sacrifício vivo”, apresentado no curso do culto racional, de modo que a
mente seja transformada e conformada à vontade de Deus.

Paulo sempre relaciona doutrina e dever, fé e conduta. A partir do cap. 12, Paulo passa da
exposição para a exortação. O cap. 12 repete os aspectos práticos e básicos da vida santa (cf. caps. 6-
8), agora, no contexto da comunidade cristã.[9]A despeito da nossa nova situação em Cristo
(“mortos para o pecado mas vivos para Deus” Rm 6.11), agora Paulo enfatiza a necessidade de
oferecer nossos corpos para Deus. O restante da última seção da carta, simplesmente, desenvolve e
aplica esses mesmos princípios a situações específicas da igreja romana.
1.2.3) Estrutura de Contexto
1.3) Contexto canônico
Em Romanos 12.1, na Nova Aliança, Paulo traz um novo sentido à linguagem sacrificial. Moisés
aspergiu o sangue sobre o povo de Israel como sinal de que os israelitas aceitavam os termos da
aliança com Yahweh (Êxodo 24.1-8).[10] No Antigo Testemento, sacrifícios de “aroma agradável”,
especialmente o holocausto, proveram a base para o apelo de Paulo para que oferecessem seus
corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. O holocausto, que no hebraico quer dizer
“aquilo que sobe” (Lv. 1.3-17, 6.8-13), e na septuaginta é traduzido como holokaustosis, que quer
dizer “oferta totalmente queimada”, requeria um novilho, um carneiro, um cabrito ou uma ave (Lv
1.3-5,10,14). O ofertante trazia o animal, impunha sua mão sobre ele e o matava no lado norte do
altar (Lv 1.3-5,11). O sacerdote pegava o sangue, apresentava-o diante do Senhor e o aspergia ao
redor do altar. A ênfase do rito muitas vezes era a purificação, que demandavam holocausto assim
como oferta pelo pecado: depois do nascimento (Lv 12.6-8), após o fluxo (Lv 15.14,15) e após
hemorragias (Lv 15.29,30). O holocausto significava então completa entrega a Deus associado a
oferta pelo pecado no processo de expiação.[11] Ou seja, Paulo, depois de falar sobre o sacrifício de
Cristo para expiação pelos nossos pecados, agora exorta a igreja, a continuamente oferecer ao
Senhor seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a ele, uma entrega completa a Deus e
contínua.
A aliança é renovada por meio de Josué, no capítulo 24 e o próprio povo é convocado como
“testemunhas vivas” da aliança. Agora, Paulo, em Romanos 12.1,2, exorta os cristãos a aceitarem os
termos da nova aliança: obedecer a Deus com mente renovada, e isso significa que eles devem ser
sacrifícios vivos. Devem dar testemunho da aliança sendo obedientes a Deus.[12]
O texto de Romanos 12.1 também remonta à figura do sacerdote no Antigo Testamento. No Antigo
Testamento o sacerdócio levítico e o sistema sacrificial estavam em vigor, porém a partir da morte e
ressurreição de Cristo, esse sacerdócio foi extinguido. Agora, Cristo é o sumo sacerdote (Rm 3.25)
que oferece a si mesmo como expiação por nossos pecados, assegurando ao seu povo o acesso
contínuo a Deus (Hb 10.19-25). Além disso, todo o povo de Deus é sacerdote no Novo Testamento
(1 Pe 2.5,9; Hb 13.15 e Rm 12.1).[13]
2) Estudo Textual
2.1) Tradução do Texto
2.1.1) Texto Grego
Romanos 12.1,2

1 Παρακαλῶ οὖν ὑμᾶς, ἀδελφοί, διὰ τῶν οἰκτιρμῶν τοῦ θεοῦ παραστῆσαι τὰ σώματα ὑμῶν θυσίαν ζῶσαν
ἁγίαν εὐάρεστον τῷ θεῷ, τὴν λογικὴν λατρείαν ὑμῶν·

2 καὶ μὴ συσχηματίζεσθε τῷ αἰῶνι τούτῳ, ἀλλὰ μεταμορφοῦσθε τῇ ἀνακαινώσει τοῦ νοός, εἰς τὸ δοκιμάζειν
ὑμᾶς τί τὸ θέλημα τοῦ θεοῦ, τὸ ἀγαθὸν καὶ εὐάρεστον καὶ τέλειον.[14]

Tradução:
Vs 1

Por esta razão, exorto-vos, ó irmãos, pelas misericórdias de Deus, que oferteis o
Tradução vosso corpo em sacrifício, que é vivo, santo, aceitável para Deus, este é o vosso
culto racional.

1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso


ARA
corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

1 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos


ACF
corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

1 Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em


NVI
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.

1. Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos


Católica corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto
espiritual.

A tradução Corrigida Fiel traduz o termo “οἰκτιρμῶν” como “compaixão”, ao


passo que as demais traduziram como “misericórdias”. Quanto ao verbo
“παραστῆσαι” que é um infinitivo aoristo ativo, a NVI traduziu como “se
Comentários
ofereçam” ocultando a palavra corpo. Quanto a palavra “λογικὴν”, todas as
versões traduzem como “racional”, ao passo que a tradução Católica traduz
como “espiritual”.

Vs 2

E não sede conformados com esta geração, mas sede transformados pela
Tradução renovação da vossa mente, para que experimenteis a vontade de Deus que é
boa, aceitável e perfeita.
2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da
ARA vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus.

2 E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela
ACF renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável, e perfeita vontade de Deus.

2 Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação


NVI da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus.

2. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do
Católica vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é
bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.

O verbo “συσχηματίζεσθε” que é um imperativo presente passivo foi traduzido


como “sede conformados” na ACF. Ao passo que a NVI traduziu como “se
amoldem”. Nós traduzimos assim como a ARA: “vos conformeis”.
O termo grego “μεταμορφοῦσθε” que é um verbo imperativo presente passivo,
foi traduzido como “transformem-se” na NVI, como “transformai-vos” na ARA
Comentários
e Católica, e nós traduzimos como a ACF: “sede transformados”.

O termo grego “δοκιμάζειν” que é um verbo infinitivo presente ativo, foi


traduzido como “possais discernir” na Católica, como “sejam capazes de
experimentar” na NVI, e nós traduzimos como a ARA e ACF: “experimenteis”.

2.1.4) Estrutura do Texto


Por esta razão, exorto-vos, ó irmãos, (Oração principal)
pelas misericórdias de Deus, (frase preposicional)
que oferteis o vosso corpo em sacrifício, (oração subordinada objetiva)
que é vivo, santo, aceitável para Deus, (clausula infinitiva)
este é o vosso culto racional. (clausula aposicional)
E não sede conformados com esta geração, (Oração principal)
mas sede transformados (oração subordinada adversativa)
pela renovação da vossa mente, (frase preposicional)
para que experimenteis a vontade de Deus (oração subordinada consecutiva)
que é boa, aceitável e perfeita. (clausula infinitiva).

2.1.5) Comentário
vs 1. Παρακαλῶ οὖν ὑμᾶς, ἀδελφοί, διὰ τῶν οἰκτιρμῶν τοῦ θεοῦ παραστῆσαι τὰ σώματα ὑμῶν
θυσίαν ζῶσαν ἁγίαν εὐάρεστον τῷ θεῷ, τὴν λογικὴν λατρείαν ὑμῶν·

vs 1. Por esta razão, exorto-vos, ó irmãos, pelas misericórdias de Deus, que oferteis o vosso corpo
em sacrifício, que é vivo, santo, aceitável para Deus, este é o vosso culto racional.
A conjunção “portanto” (oún) nos dá a ideia de uma conclusão de tudo aquilo que Paulo já falou
até aqui. O que será dito, baseia-se no que já foi dito e continua falando sobre isso concluindo. É uma
conjunção conclusiva. Depois de discorrer nos primeiros 11 capítulos sobre a Justiça de Deus que é
recebida pela fé, deve levar à santificação e é uma justiça soberana, agora Paulo trata de como os
romanos devem agir frente a essa justiça.
Paulo inicia seu discurso com o verbo “Παρακαλῶ”. Paulo utiliza esse verbo no presente do
indicativo ativo que traz uma ideia de uma súplica constante do Apóstolo Paulo. O verbo parakaleo
denota um senso de urgência com uma nota de autoridade (12.8; 15.30; 16.17).[15] Essa palavra pode
ter muitos significados como “implorar”, “convidar”, “solicitar” ou mesmo “consolar”.[16] Este
termo foi usado no grego clássico para exortar tropas que estavam prestes a entrar em batalha.
Embora o parakaleo seja uma palavra forte, vale a pena notar que a forma substantiva (parakletos) é
usada para descrever o Espírito Santo que conforta, encoraja e exorta. Paulo utiliza esse termo mais
no sentido de “exortar”, denotando um apelo sério, fundamentado no evangelho, aos que já são
cristãos a viverem em conformidade com o evangelho que receberam. Segundo Cranfield, o
termo parakalo passa a ser usado como um termo técnico para uma exortação cristã, exprime
premência e seriedade, mas também denota autoridade, a intimação autoritária à obediência emitida
em nome do evangelho.[17] Enquanto nos capítulos anteriores Paulo faz uma exposição, a partir de
agora, Paulo passa a exortação.[18]
O apóstolo nos exorta a responder às misericórdias de Deus. A exortação de Paulo é com base
nas misericórdias de Deus (διὰ τῶν οἰκτιρμῶν τοῦ θεοῦ), levando em conta aquilo que Deus fez por
nós[19]. A preposição διὰ (diá) está com o artigo no genitivo (τῶν) denotando uma ideia de agência
e meio.[20] Ou seja, Paulo exorta que as misericórdias de Deus são o meio pelo qual o Espírito Santo
age no cristão para que possam oferecer-se como sacrifício em culto racional. Uma vez que somos
justificados, salvos, eleitos, adotados, predestinados, tudo isso por causa das misericórdias de Deus,
seu amor pactual. Por causa da aliança de Deus devemos nos apresentar diante dele. Não parte do
nosso esforço, mas das misericórdias do Senhor. Isso nos mostra que todo esforço moral do cristão é
teocêntrico, tendo a origem não no anseio humano de ter uma superioridade moral e nem na
esperança ilusória do legalista que pensa que pode guardar a lei por si só, mas o cristão tem sua ação
baseada tão somente na ação graciosa de Deus para com ele. A palavra “misericórdias” (οἰκτιρμῶν)
é um substantivo genitivo de meio que indica o meio,[21] ou a instrumentalidade pela qual ele devem
apresentar seus corpos a Deus. É com base nestas misericórdias que o cristão pode tornar-se um
sacrifício a Deus. Esse substantivo no NT sempre está no plural e denota a compaixão de Deus. (cf.
2Co 1.3). É de Deus que procede toda compaixão e então a concede aos eleitos.[22]No Antigo
Testamento, essa palavra traduz a palavra hebraica hesed que tem a ver com a relação de Deus com
seu povo, na qual é proeminente a ideia de graça.[23] A hesed de Deus culmina em sua aliança com
Israel. A misericórdia de Deus se manifesta em seus atos savíficos, que consistem em seu perdão (cf.
Dt 13.17, Sl 25.6, Os 1.6-7), libertação de Israel (Cf. Sl 69.16-18, Is 30.18) e em sua restauração dos
exilados (cf. Dt 30.3, Is 49.10,123, Jr 12.15, Ez 39.25). Essa misericórdia, a qual Paulo se refere do
Antigo Testamento, se estende a todos os povos, e agora, por meio de Jesus, os atos salvíficos de Deus
chegam a todas as nações por meio de sua morte na cruz. É por meio da misericórdia que os eleitos
são salvos, e é com base nas misericórdias de Deus que o cristão deve andar em fidelidade.
O verbo parastesai (apresenteis) é um infinitivo final, que acompanha o verbo principal (rogo).
Neste caso, Paulo roga com o objetivo de que os romanos apresentem seus corpos a Deus. Desta
maneira, esse verbo indica o propósito da exortação de Paulo.[24] O verbo também é um aoristo, que
dá a ideia de uma entrega de uma vez por todas.[25] O apresentar o corpo ao Senhor deve ser uma
resposta à suas misericórdias em um ato e não em um processo de entrega. Assim como os noivos se
entregam um ao outro de uma vez por todas na cerimônia do casamento, devemos entregar-nos ao
Senhor.
Paulo exorta-os a oferecerem “vossos corpos” (τὰ σώματα ὑμῶν). Dentro da antropologia
judaico-cristã, o corpo abrange a pessoa como um todo.[26] É a totalidade da vossa vida concreta,
toda a sua pessoa deve ser oferecida a Deus em sacrifício.[27] O cristão deve oferecer a Deus toda a
sua vida como sacrifício. Quanto a corpos, Calvino declara: “Por corpos ele tem em mente não só
nossa pele e ossos, mas a totalidade daqulo que somos compostos”.[28] O cristão já é de Deus por ser
criação dele, e além disso, torna-se de Deus por meio da redenção em Cristo, agora, ele precisa tornar-
se de Deus em virtude da sua própria entrega livre de si mesmo. Quanto isso, Stott afirma que
nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente interior, abstrato e místico; nossa adoração
deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em nosso corpo.[29] Paulo repete as
palavras de Romanos 6: “apresenteis os vossos corpos a Deus”. Segundo Lopes, glorificamos a Deus
em nosso corpo quando contemplamos o que é santo, quando nossos ouvidos se deleitam no que é
puro, quando nossas mãos praticam o que é reto e quando nossos pés caminham por veredas de
justiça.[30]
O substantivo sacrifício (θυσίαν) está no acusativo de modo,[31] ou seja, seus corpos devem ser
apresentados como um sacrifício a Deus. Apesar de ter um amplo significado, o apelo do apóstolo é
que eles apresentem os seus corpos em “sacrifício” a Deus, relembrando de modo especial os
sacrifícios de ações de graças (cf. Lv 1.1–2.16; Sl 27.6; 50.14,23; 96.8; 107.22; 116.17). Ao usar o termo
sacrifício Paulo usa um meio claro e eficaz de indicar a necessidade de oferenda complete do cristão
a Deus. Os cristãos devem ser totalmente dedicados a Deus.[32] Esse sacrifício não consiste em
apresentar a Deus o que por direito é nosso, e sim a nossa vida corporal em ação de graças a Deus,
que não apenas nos criou e formou, mas também se entregou por nós e para nós em Cristo. Esse
sacrifício é a simples abertura de nossa vida na aceitação do amor de Deus em Cristo. O conceito de
apresentação da vida corporal como sacrifício, que transcende e suplanta qualquer oferta de grãos
ou de animais, tem raízes nos profetas e nos salmos (cf. Sl 40.6-8).[33]
O sacrifício deve ser vivo, em contraste com um sacrifício morto. O particípio ζῶσαν (que é
vivo) é um particípio de maneira[34], ou seja, mostra como deve ser o sacrifício, seguido de dois
adjetivos acusativos. Segundo Bruce, a nova ordem tem seus sacrifícios, que não consistem na vida
de outrem, como os antigos sacrifícios de animais (Hb 13.15s; 1Pe 2.5).[35] Esses sacrifícios devem ser
vivos, ou seja, devem proceder da nova vida do cristão. Paulo indica então que o cristão oferece a si
mesmo para viver na “vida nova”(Rm 6.4).[36] Assim como os sacrifícios do AT devem seguir os
requisitos de Deus, o sacrifício deve ser santo, e agradável a Deus. O sacrifício deve ser santo, produto
da influência santificadora do Espírito. Uma vez que o cristão oferece a si mesmo a Deus, ele não
mais pertence a si próprio, mas a Deus. A palavra santo (ἁγίαν) é um adjetivo acusativo de maneira,
ou seja, mostra como deve ser o sacrifício oferecido. Essa palavra significa algo reservado a Deus,
pertencente a Deus, e uma vez que o cristão se torna um sacrifício vivo e santo, ele também adquire
o conteúdo ético a partir do caráter de Deus, tornando-se santo, como Deus é santo.[37] Ridderbos
afirma que aquilo que é dedicado a Deus deve ser puro e sem defeito. Por isso, “santo” também pode
ser sinônimo de imaculado, inculpável, irrepreensível (cf. Cl 1.22).[38] Além disso, o sacrifício é
agradável (εὐάρεστον), que designa o sacrifício como verdadeiro e próprio, que é desejado por Deus
e este o aceitará. Esse adjetivo também é um acusativo que aponta a maneira que deve ser o sacrifício:
agradável a Deus. Não é um sacrifício oferecido de qualquer maneira, deve ser do modo de Deus, da
forma que agrada a Deus. Segundo Murray, as palavras “santo e agradável a Deus” são contrastadas
com a corrupção que caracteriza o corpo do pecado e a concipiscência sexual. A santidade é o caráter
fundamental, bem como o princípio normativo do crente para que este seja agradável a Deus.[39]
Este é o culto racional de vocês. A palavra culto (λατρείαν)[40] às vezes é associada com o ritual
do templo.[41] Paulo afirma que os cristãos romanos ao ofertarem a si mesmos são o sacerdote, o
sacrifício e o altar.[42] Em duas ocasiões Paulo utiliza o termo latreia em Romanos. Primeiramente
em Romanos 9.4, com uma denotação do culto a Deus no Antigo Testamento, e agora em Romanos
12.1, onde Paulo aplica o termo à vida dos crentes no Novo Testamento. No caso, Paulo não está
aplicando o termo no contexto de reuniões, mas à caminhada diária da igreja. A vida toda é um culto
espiritual a Deus e todo crente é um sacerdote. Dessa maneira, há uma mudança fundamental em
relação ao Antigo Testamento, pois no Novo Testamento não há uma pessoa santa que realiza, de
modo substitutivo, o serviço de Deus para todo o seu povo, e nem lugares, épocas ou atos sagrados
que criam uma distância entre a religião e a vida diária e de todos os lugares. Todos os cristãos tem
igual acesso a Deus, a vida como um todo é serviço a Deus.[43]
O culto deve ser λογικὴν. O adjetivo logikev está na posição atributiva, onde o adjetivo recebe
mais ênfase do que o substantivo “culto”[44]. Ou seja, a ênfase de Paulo não está no culto em si, mas
em como deve ser o culto. Essa palavra também é traduzida como espiritual, porém não é o mesmo
usualmente traduzido por espiritual no Novo Testamento.[45] Para F. F. Bruce, a tradução deveria
ser “culto espiritual” em contraste com as exterioridades do culto do templo de Israel.[46] Da mesma
maneira, Hodge afirma que é um serviço mental e espiritual em oposição a observações
externas.[47] Para Pohl, o culto racional é um culto que responde adequadamente às misericórdias
de Deus.[48] Na filosofia grega e no judaísmo helenístico, esse termo é traduzido como racional, com
o sentido de apropriado ou adequado. Uma tradução mais literal seria “adequado” ou “razoável” ou
“racional”.[49] Sem dúvida, a apresentação do corpo como sacrifício vivo é um serviço espiritual, sob
orientação do Espírito Santo (cf. 1Pe 2.5). Porém, Paulo utiliza um termo distinto, não usado por ele
em nenhum outro de seus escritos e apenas mais uma vez em todo o Novo Testamento (1 Pe 2.2). O
culto que Paulo focalizou é o de adoração a Deus, tendo uma característica racional, porque a
adoração deriva de um caráter santo e agradável diante de Deus.[50] A mudança de mentalidade é o
imperativo que exprime o ponto essencial do que é oferecido em 12.1: sacrifício vivo, santo e
agradável começa com uma transformação de mentalidade. Só isso possibilitará ao cristão a
“experiência” (testada e confirmada) de que a vontade de Deus é “boa, perfeita e agradável”. Ou seja,
a adoração envolve a mente, razão e intelecto do cristão. É algo racional em contraste com aquilo que
é mecânico e automático. Enquanto o sacrifício pagão era morto e mecânico, o sacrifício a Deus deve
ser vivo e racional, fruto de um entendimento sobre aquilo que agrada a Deus vivendo de modo
santo e agradável para ele.

Vs 2. καὶ μὴ συσχηματίζεσθε τῷ αἰῶνι τούτῳ, ἀλλὰ μεταμορφοῦσθε τῇ ἀνακαινώσει τοῦ νοός, εἰς
τὸ δοκιμάζειν ὑμᾶς τί τὸ θέλημα τοῦ θεοῦ, τὸ ἀγαθὸν καὶ εὐάρεστον καὶ τέλειον.

Vs 2. E não sede conformados com esta geração, mas sede transformados pela renovação da
vossa mente, para que experimenteis a vontade de Deus que é boa, aceitável e perfeita.
Ainda que gramaticalmente paralelo ao vs. 1, esse versículo explica de forma mais detalhada
como o oferecimento de nós mesmos como sacrifícios a Deus deve ser realizado.[51] O pensamento
central do versículo 2 é o padrão de conduta do cristão. O que Deus requer de nós é nada menos do
que uma transformação total de nossa visão de mundo.
O verbo συσχηματίζεσθε é um imperativo médio-passivo presente, que dá a ideia de não
permitir que sejam conformados. Primeiramente o verbo é um presente, o que dá a ideia de que eles
constantemente não devem deixar-se amoldar. Em segundo lugar, o verbo é uma voz médio-passiva
permissiva, que sempre acompanha um imperativo e está relacionado a permissão e
desejo.[52] Nesse caso, o verbo dá a ideia de não permitir e nem desejarem serem levados e moldados
por esse mundo. Por fim, é um imperativo que mostra que o cristão deve lutar contra qualquer forma
desse século. A raiz squema significa tomar forma, ser conformado a, ser dirigido por.[53] Desta
maneira, Paulo afirma que eles não devem permitir que sejam conformados, que não tomem a forma
do presente século. Traduzindo o imperativo presente na segunda pessoa do plural seria “deixai de
permitir que vos conformeis”. Segundo Kittel, squema se refere à decência na conduta humana e por
facilmente ter uma referência especial ao vestuário.[54] O squema, deste modo, é um caráter
distintivo, que revela o interior por meio daquilo que é exterior. Paulo traz uma ordem aos romanos:
não se deixem amoldar pela presente era (τῷ αἰῶνι). Há um padrão que deve ser abandonado, e há
um padrão daquilo em que devemos ser transformados.[55] O apóstolo João em 1Jo 2.17 diz: “o
mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele porém, que faz a vontade de Deus, permanece
eternamente”. O padrão do presente século é o padrão do mundo que João afirma em 1Jo 2.15-17,
um mundo que passa, que é temporário. A presente era, para Paulo, tem a conotação de um contexto
de vida dominado e determinado pelo pecado.[56] O presente século (τῷ αἰῶνι), segundo Moule, é o
curso e estado das coisas que seguem o pecado e a morte.[57] Diferentemente, o padrão do cristão é
permanente, eterno, proveniente da era vindoura. Enquanto os sacrifícios pagãos, e mesmo judaicos
eram oferecidos apenas externamente, sem qualquer busca por santidade, Deus exige do cristão que
ele não haja da mesma maneira. O cristão é chamado a não aparentar com aquilo que é deste século.
A busca por prazer, por enriquecimento, a busca por uma religião que satisfaça o ego, a centralidade
do homem, tudo isso são formas desta era. O cristão é chamado a não permitir que a cosmovisão
mundada norteie e molde seus pensamentos, antes, deve negar todas essas coisas. O cristão ainda
vive nesta era, porém se entender o que Deus fez por ele em Cristo, saberá que não pode mais se
permitir ser moldado e ajustado segundo o modelo e valores desta era.[58] Apesar de já ter sido salvo
por Cristo, o cristão terá pressões para se conformar à presente era, sejam externas, sejam internas,
mas pelo Espírito, ele pode e deve resistir. F. F. Bruce afirma que “é pelo poder do Espírito neles,
penhor da sua herança no século vindouro, que podem resistir à tendência de viverem ao nível deste
século”.[59]
O verbo μεταμορφοῦσθε (sede transformados) é um imperativo presente passivo. Traduzindo
seria: “continuai a deixar-vos transformar”. Primeiramente é no tempo presente. Não é algo
meramente pontual, mas uma transformação que deve ser contínua, equivale à santificação
progressiva.[60] Em segundo lugar está na voz passiva permissiva, que é um passivo confinado ao
imperativo que dá indeia de vontade e permissão.[61] Neste caso, o verbo mostra que a
transformação não vem deles mesmos, o agente da transformação é o próprio Deus, porém eles
devem tanto querer quanto permitir essa transformação. Em terceiro lugar, o verbo está no
imperativo, ou seja, é uma ordem ao cristão, é necessário que o cristão não apenas não permita que
seu pensamento e atitudes sejam moldados pelo sistema mundano, mas também é necessário que ele
permita que sua mente seja transformada por Deus. Não é algo meramente passivo, mas uma
responsabilidade do cristão. Seu dever é cooperar ao máximo. Em contrapartida com os padrões
passageiros deste século, agora Paulo exorta os romanos a passarem por uma profunda
transformação que é permanente. A santificação é um processo de transformação na consciência
humana. Paulo está propondo uma transformação na consciência de modo que eles a cada dia sejam
mais parecidos com Jesus, que a cada dia, sua mente esteja mais transformada e conformada com as
Escrituras. Ridderbos afirma que a transformação da mente também deve ter como objetivo e
resultado o fato do homem transformado, desse modo e retirado de dentro do modo de agir do
mundo presente, ser preparado e capacitado para experimentar “qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus”.[62] Deus transforma a mente do cristão para que ele viva a sua vontade. É
impossível andar na lei, sem que haja a transformação dada pelo Espírito da mente humana.[63] À
medida que o Espírito Santo renova a mente decaída, o homem para de pensar egocentricamente e
passa a pensar nas coisas do alto, centrado na vontade de Deus e não na sua própria vontade. F. F.
Bruce afirma ainda que o Espírito Santo transforma o homem para que não apenas aprove sua
vontade, mas a faça.[64] Pelo Espírito o homem cumpre o propósito da lei que é ser santo, como Deus
é santo.
A palavra “renovação” (ἀνακαινώσει) é um substantivo dativo de agência,[65] ou seja, a
transformação da mente do cristão se dá pela renovação aplicada pelo Espírito à mente do eleito.
Essa palavra significa uma “renovação completa”, uma “restauração”, uma “mudança para melhor”.
Desta maneira, o que o Espírito faz, é uma restauração completa na mente do cristão.
A palavra “mente” (τοῦ νοός) é um substantivo genitivo de fonte ou origem.[66]Ou seja, a
renovação deve acontecer a partir da mente do cristão. No caso de mente, Paulo está falando da
racionalidade do cristão, todo seu intelecto sendo restaurado pelo Espírito e transformado para ser
conforme a imagem de Cristo.
A conjunção εἰς nos dá a ideia de propósito, que significa “para que”, “afim de”. O cristão deve
deixar de permitir conformar-se com este século e continuar a permitir ser transformado em sua
mente, com o propósito de experimentar a vontade de Deus em sua vida.
O verbo δοκιμάζειν significa “discernir”, “provar”, “pôr à prova” ou “aprovar” (como
resultado de pôr à prova). Paulo então nos afirma que o discernimento da vontade de Deus será
seguido pela aceitação obediente dela.[67] Desta maneira, Paulo expõe que o cristão é transformado
em sua mente de modo que ele próprio seja capaz de, à luz do evangelho, discernir qual é a vontade
de Deus. Além disso, poderá experimentar e comprovar que a vontade de Deus é boa, não no sentido
de que Deus precise de aprovação, mas para ele próprio viver essa vontade. A vontade de Deus, a
ética da nova aliança, conduz para o caminho correto, caminho de vida, e não legalismo. O cristão
tem sua mente renovada, de modo que tem a restauração de sua mente, antes caída, escravizada e
espiritualmente morta. O homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus, por causa da queda,
tornou-se nulo em seus pensamentos (cf. Rm 1.21), mortos espiritualmente. Contudo, por causa das
misericórdias de Deus, que por meio de Cristo trouxe redenção aos eleitos, agora, o homem é
transformado à imagem de Cristo (cf. Rm 8.29). Neste caso, ser transformado significa compartilhar
novamente da presença de Deus, e agora poder experimentar e cumprir sua vontade.
A palavra vontade (θέλημα) está diretamente relacionada a Deus. A vontade de Deus
que Paulo que refere é a vontade que pode ser comprovada e experimentada, e foi revelada em todo
o livro de Romanos: a vontade salvífica de Deus.[68] Paulo explica em Romanos 2.17ss, que os
mestres judaicos da lei pensam que conhecem a vontade de Deus a partir da lei, porém não passam
de guias de cegos. A vontade de Deus está revelada na lei, mas não na salvação por meio da lei, como
pensavam os escribas e fariseus, mas na salvação pela fé em Cristo. Na revelação da justiça de Deus
proveniente pela fé em Jesus Cristo, que por sua morte na cruz trouxe redenção para os eleitos. A
vontade de Deus que pode ser experimentada pelos eleitos, é a salvação, justificação, adoção e a
santificação por meio dos méritos de Cristo outorgados a eles, e aplicados por meio do Espírito Santo
em suas vidas. Neste caso, Paulo está falando da vontade preceptiva de Deus, ou seja, da vontade
que Deus prescreve segundo sua própria vontade, o que devemos fazer ou deixar de fazer. A vontade
preceptiva de Deus é sua vontade revelada nas Escrituras, seus preceitos como normas do dever para
com suas criaturas racionais.[69] O fato de a vontade ser boa, agradável e perfeita deve levar o crente
ao comportamento apropriado.
A palavra boa (ἀγαθὸν) provém do termo grego que significa “bom”, “prestativo”, que tem um
significado de bem moral.[70] Jesus utiliza essa palavra para dizer: “ninguém é bom senão somente
Deus” (Mt 19.17). Um adjetivo que está diretamente relacionado ao caráter de Deus, que é totalmente
bom, e por causa disso, a sua vontade é boa. Para os cristãos que vieram do paganismo, talvez fosse
possível pensar na religião como uma comunhão mística não-ética e sem restrições morais.[71] Porém
Paulo afirma que o cristão, tendo sua mente renovada, passa a experimentar a vontade de Deus, que
é moralmente boa e não dá espaço para imoralidade em nenhum sentido.
A palavra agradável (εὐάρεστον) ocorre oito vezes nas cartas de paulo e uma vez em Hebreus.
Em Filipenses 4.18 Paulo afirma que a oferta dos filipenses para ele é um sacrifício agradável a Deus.
Em Efésios 5.10, Paulo também exorta aos cristãos a provar, experimentar aquilo que é agradável a
Deus. Na LXX, essa palavra ocorre como algo que apraz a Deus (Nm 23.27), ou agradável a Deus (Ml
3.4).[72] Dessa forma, Paulo se opõe qualquer coisa que seja contrária à bondade de Deus. Com
“agradável”, Paulo enfatiza que a bondade que se trata não é antropocêntrica e sim determinada pela
revelação da vontade de Deus, é uma questão de obediência aos mandamentos de Deus, revelados
na escritura. Não é possível ser agradável e nem bom, se não estiver de acordo com a vontade
revelada de Deus.
Por fim, a vontade de Deus é “perfeita” (τέλειον). Essa palavra significa “completo”, “levado
até o fim”, “íntegra”. Ao olhar para Marcos 12.30s temos: “(…) amarás o Senhor teu Deus de todo teu
coração, de toda tua alma, de todo o entendimento e com todas as tuas forças (…) Amarás o teu
próximo como a ti mesmo”. A vontade de Deus é aquilo que Deus exige de nós e essa vontade é
completa, é perfeita.[73] Uma vez que Deus nos reclama totalmente para si e para nosso próximo,
isso significa que a vontade de Deus não é manejável ou cumprida apenas parcialmente, mas uma
exigência absoluta de Deus, que só Cristo cumpriu, e agora por meio da renovação da mente, o cristão
é capacitado e deve estar inteiramente comprometido em viver essa vontade. Lloyd-Jones afirma que
nós somente encontraremos contentamento quando formos restaurados, quando nossa mente for
transformada e nos tornarmos “participantes da natureza divina” (2Pe 1.4); seremos semelhantes a
Ele, “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante” (Ef 5.27).[74]
2.1.6) Mensagem para a Época da Escrita

À luz de tudo que Paulo havia explicado sobre a justiça de Deus nos capítulos anteriores, agora
ele faz uma transição da parte explicativa para a exortativa. Paulo exorta os romanos que, depois de
entenderem que são justificados, adotados, que devem andar em santidade, depois de
compreenderem as doutrinas da graça na eleição, a persevernança e o cuidado da providência de
Deus, agora ele suplica dizendo que todas estas coisa são as misericórdias de Deus, e é com base
nelas que eles devem oferecer seu corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus em um culto
que é racional, proveniente de uma mente transformada pelo Espírito, diferentemente do culto pagão
e do culto prestado pelos judeus no templo, meramente formal e exterior. Paulo os ordena a se
permitirem terem suas mentes, ou seja, todo seu intelecto, vontade e emoções transformados
internamente pelo Espírito Santo e ao mesmo tempo não se permitirem ser conformados com o
presente século, deixando-se levarem pelo legalismo, hedonismo e cultos idólatras, antes ao serem
transformados, estarão habilitados tanto para aprovar a vontade de Deus, quanto para agir em
conformidade com sua lei, que é boa, perfeita e agradável.
2.1.7) Mensagem para todas as Épocas

A mensagem de Paulo é atual e fala para todas as épocas também. O cristão é desafiado a viver
em santidade, consagrando toda a sua vida a Deus, não vivendo uma dicotomia entre o que é sagrado
e o que é secular, antes deve ter sua vida como um culto a Deus. Buscando agir em conformidade
com a palavra, não andando segundo os costumes dessa época, não flexibilizando a palavra de Deus,
e não buscando moldar o culto a Deus em padrões mundanos. Antes, deve não cultuar a si mesmo
mas, oferecer a si mesmo como culto a Deus. Antes, oferecia seus membros ao pecado, agora, oferece
para honrar e glorificar a Deus. O seu culto não é meramente exterior mas é racional. Ele entende,
aplica e vive a palavra de Deus em adoração ao Senhor. Assim, o cristão luta ativamente para não se
conformar com este mundo, mas se deixa ser transformado pelo Espírito, pois não é controlado pelo
padrão do pensamento do mundo, mas pela Escritura. A transformação exterior é a defesa do cristão
contra a conformidade com o espírito do tempo presente. Quando o corpo é consagrado a Deus, então
a mente é transformada, o culto torna-se racional e ele passa a experimentar a boa, agradável e
perfeita vontade de Deus.

2.1.8) Teologia do Texto


2.1.8.1) Implicações para a Teologia Bíblica
Sacrifícios e o Culto

O apelo do apóstolo a que apresentemos o corpo em “sacrifício” relembra de modo especial os


sacrifícios de ações de graças (cf. Lv 1.1–2.16; Sl 27.6; 50.14,23; 96.8; 107.22; 116.17). Esse sacrifício não
consiste em apresentar a Deus o que por direito é nosso, e sim a nossa vida corporal em ação de
graças a Deus, que não apenas nos criou e formou, mas também se entregou por nós e para nós em
Cristo. Esse sacrifício é a simples abertura de nossa vida na aceitação do amor de Deus em Cristo. O
conceito de apresentação da vida corporal como sacrifício, que transcende e suplanta qualquer oferta
de grãos ou de animais, tem raízes nos profetas e nos salmos (cf. Sl 40.6-8).[75] Enquanto no Antigo
Testamento, tínhamos a figura do Sumo Sacerdote como mediador e líder da comunidade no ensino
e nos sacrifícios, agora, no Novo Testamento, cada crente é um sacerdote, e o sacrifício não é mais
algo visível e exterior, mas uma vida dedicada ao Senhor. No Antigo Testamento o sacerdócio levítico
e o sistema sacrificial estavam em vigor, porém a partir da morte e ressurreição de Cristo, esse
sacerdócio foi extinguido. Agora, Cristo é o sumo sacerdote (Rm 3.25) que oferece a si mesmo como
expiação por nossos pecados, assegurando ao seu povo o acesso contínuo a Deus (Hb 10.19-25). Além
disso, todo o povo de Deus é sacerdote no Novo Testamento (1 Pe 2.5,9; Hb 13.15 e Rm 12.1).[76]
Segundo F. F. Bruce, a nova ordem tem seus sacrifícios, que não consistem na vida de outrem,
como os antigos sacrifícios de animais (Hb 13.15s; 1Pe 2.5).[77]Esses sacrifícios devem ser vivos, ou
seja, devem proceder da nova vida do cristão. Paulo indica então que o cristão oferece a si mesmo
para viver na “vida nova” (Rm 6.4).[78] Assim como os sacrifícios do AT devem seguir os requisitos
de Deus, o sacrifício deve ser santo, e agradável a Deus. O sacrifício deve ser santo, produto da
influência santificadora do Espírito. Uma vez que o cristão oferece a si mesmo a Deus, ele não mais
pertence a si próprio, mas a Deus. O sacrifício é santo pois é algo reservado a Deus, pertencente a
Deus, e uma vez que o cristão se torna um sacrifício vivo e santo, ele também adquire o conteúdo
ético a partir do caráter de Deus, tornando-se santo, como Deus é santo.[79] Por isso, “santo” também
pode ser sinônimo de imaculado, inculpável, irrepreensível (cf. Cl 1.22).[80] Além disso, o sacrifício
é agradável, que designa o sacrifício como verdadeiro e próprio, que é desejado por Deus e este o
aceitará. Não é um sacrifício oferecido de qualquer maneira, deve ser do modo de Deus, da forma
que agrada a Deus. A santidade é o caráter fundamental, bem como o princípio normativo do crente
para que este seja agradável a Deus.

2.1.8.2) Implicações para a Teologia Sistemática


Teologia

Paulo nos ensina sobre a vontade de Deus que pode ser compreendida e experimentada pelo
cristão quando este tem sua mente transformada pelo Espírito. Neste caso, Paulo está falando da
vontade preceptiva de Deus, ou seja, da vontade que Deus prescreve segundo sua própria vontade,
o que devemos fazer ou deixar de fazer. A vontade preceptiva de Deus é sua vontade revelada nas
Escrituras, seus preceitos como normas do dever para com suas criaturas racionais.[81]
Santificação
Paulo utiliza o processo de santificação como uma ordem (imperativo) a partir do indicativo,
ou seja, a santificação é um processo que tem como base as misericórdias de Deus.[82] O significado
específico do conceito de santificação para Paulo é que a nova vida do cristão, como um todo, deve
ser qualificada pela santificação como resposta em pureza à eleição de Deus pela graça, como
dedicação de si mesmo a Deus em caráter irrepreensível como santo sacrifício. O caráter religioso
teocêntrico da nova obediência certamente encontra sua expressão mais cheia de significado no
conceito de santificação, assim como, por outro lado, a base e origem dessa obediência não é
designada em parte alguma de maneira mais clara do que na graça eletiva e gratuita de Deus.[83]
A santificação na vida do cristão é um processo contínuo e é o propósito de Deus para os
romanos. Assim como em 1Coríntios 6.13,14 onde Paulo diz que o corpo do crente deve ser
preservado da imoralidade porque todo cristão é uma pessoa santificada, pertencente a
Cristo.[84] Hodge afirma que o Espírito habita o povo de Deus e é a fonte permanente de todas as
atividades desta vida espiritual que ele implanta na alma.[85]
Antropologia
Por corpo (somata), Paulo traz um significado não apenas de carne ou parte exterior do homem,
mas contribui para uma compreensão do indivíduo como um todo. É uma maneira de referir-se ao
indivíduo demodo concreto em sua existência.[86] Além disso, Paulo utiliza o termo mente (nous)
em um sentido de entendimento, onde normalmente Paulo coloca mente e coração como sinônimos.
Esse entendimento pela renovação faz com que o cristão possa discerner a vontade de
Deus.[87] Desta forma, temos neste texto uma contribuição tanto para corpo, quanto para mente em
Paulo.
2.1.8.3) Implicações para a Teologia Prática

O texto de Romanos 12.1-2 nos mostra o que é muito característico nos ensinos de Paulo: a ética
deve fundamentar-se sobre a obra da redenção. Apresentada de maneira mais específica, essa
afirmação pode assumer que a ética se origina da união com Cristo, e por isso, da participação na
graça pertencente a ele e exercida pore le. Desta maneira, somos chamados à santificação a partir da
redenção por meio de Cristo. A ética não é desvinculada da doutrina, antes se baseia no ensino moral
que vem da doutrina.[88] Não somos espirituais no sentido bíblico, exceto quando o uso de nossos
corpos se caracteriza por uma devoção consciente, inteligente e consagrada ao serviço a Deus. Essa
expressão é dirigida contra o externalismo mecânico e, deste modo, a adoração é contrastada com o
ceremonial externo dos cultos tanto judaicos como dos cultos pagãos.[89]
Crisóstomo diz:
Como pode o corpo tornar-se um sacrifício? Deixe que o olho não veja nada mau, e ele se tornará
um sacrifício; permita que a língua não diga nada vergonhoso, e ela se tornará uma oferta; deixe que
a mão não faça nada illegal, e ela se tornará uma oferta de holocaust. Não, isso não será suficiente,
mas precisamos ter a prática ativa do bem – a mão precisa dar esmola; a boca precisa abençoar em
lugar de amaldiçoar; o ouvido precisa dar atenção sem cessar aos ensinamentos divinos.[90]
Enquanto o sacrifício pagão era morto e mecânico, o sacrifício a Deus deve ser vivo e racional,
fruto de um entendimento sobre aquilo que agrada a Deus vivendo de modo santo e agradável para
ele. o meio e o resultado do compromisso com Cristo. O meio consiste em não amoldar a esta era,
mas ser transformado para a era vindoura pela renovação da mente. Os cristãos devem rejeitar
continuamente a presente era a favor da era vindoura. O resultado é que o cristão faz a vontade de
Deus. Quanto isso, Stott afirma que nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente interior,
abstrato e místico; nossa adoração deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em
nosso corpo.[91] Paulo repete as palavras de Romanos 6: “apresenteis os vossos corpos a Deus”.
Segundo Lopes, glorificamos a Deus em nosso corpo quando contemplamos o que é santo, quando
nossos ouvidos se deleitam no que é puro, quando nossas mãos praticam o que é reto e quando
nossos pés caminham por veredas de justiça.[92]
3) Sermão
Título do Sermão: O culto racional a Deus
Tema: A base, a oferta, o modo e o resultado do culto racional a Deus.
Doutrina: Santificação
Paulo desafia os crentes, com base nas misericórdias de Deus, a oferecerem suas vidas como
sacrifício santo, vivo e agradável a Deus, em um culto que é racional e não meramente externo, não
se conformando com a presente era, mas deixando-se serem transformados pelo Espírito com o
propósito de viverem e experimentarem a vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita.

Necessidade: Fazer com que os cristãos compreendam que devem viver para Deus diariamente.
Que não há dicotomia para o cristão. Que o culto não é meramente externo. Exortá-los a não
seguirem modismos, invencionices que não são baseadas na Escritura e portanto não são
agradáveis a Deus e nem santas. Exortação à santidade cristã, a um modo de viver digno diante da
eleição.
Imagem: Poesia O Altar de George Herbert. Nascido no País de Gales em 1593, esse poeta e escritor
tornou-se um pároco emu ma igreja no interior:
“Senhor, este servo edifice um altar quebrado, feito de um curacao, com pranto cimentado: suas
partes, como tua mão as moldou, instrumento humano nunca o tocou. Somente o coração é essa
formação, pois nada o vai lavrar, só teu poder sem par. E assim cada parte, do duro baluarte se une
neste altar para teu nome louvar: possam estas pedras sempre te louvar. Oh! Faz teu santo sacrifício
meu e santifica esse altar para ser teu.[93]
Objetivo: Causar uma mudança na visão sobre a devoção do cristão, que deve ser racional, em uma
compreensão do que é o evangelho e na prática do mesmo. Rejeitando tudo aquilo que é contrário à
Escritura, e buscando ser transformado pelo Espírito para cumprir a lei do Senhor.
Esboço:
Introdução
Muitas pessoas acham que uma devoção a Deus é um esvaziar-se, perdendo sua pessoalidade,
buscando uma espiritualidade subjetiva, ascética e que tem aparência de espiritualidade, mas que
não leva a uma vida santa, em conformidade com a Escritura. Hoje nas igrejas há muita ênfase em
experiências sobrenaturais e quase nenhuma em viver de modo santo.

Pontos e Subpontos
 A base do culto racional a Deus (12.1a)
A base do culto racional são as misericórdias de Deus.

 A oferta do culto racional a Deus (12.1b)


O cristão deve oferecer a si mesmo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Essa oferta é
diária, consagrada e do modo de Deus.

 O Modo do culto racional a Deus (12.2a)


O culto racional deve levar a rejeitar o padrão do mundo e submeter-se ao Espírito para ter sua
mente transformada para compreender a vontade de Deus.

 O resultado do culto racional a Deus (12.2b)


O resultado do culto racional é que o cristão, depois de ter sua mente transformada pelo Espírito,
ele passa a compreender, aprovar e a cumprir a vontade de Deus, baseado nas Escrituras em uma
vida de santificação.

Conclusão e Aplicação
Uma vez que somos salvos, devemos oferecer a Deus um culto racional:

 Compreendendo que só cultuamos porque o Senhor nos salvou, o amamos porque Ele nos
amou primeiro;
 Tendo uma vida agradável ao Senhor, deixando que nossa mão faça o bem, nossa boca o louve,
nossos ouvidos ouçam sua palavra;
 Rejeitando ao padrão do mundo e sendo transformados pelo Espírito, não seguindo modismos
ou invencionices, antes sendo guiados pela palavra de Deus;
 Experimentando e comprovando a vontade de Deus na prática, vivendo e aplicando a palavra a
cada área de nossa vida.

Conclusão
Podemos perceber, após esse trabalho de Romanos 12.1,2, que Paulo inicia as exortações sobre a
aplicação da doutrina, após toda a exposição teológica do que Cristo fez. Desta maneira, uma vez
que Deus nos chamou, predestinou, justificou, adotou e elegeu em Cristo, devemos, baseados nas
misericórdias de Deus, reveladas a nós por meio de Cristo, que nos redimiu, então devemos ofertar
nossa vida inteira em sacrifício vivo, ou seja, um sacrifício constante, não apenas externo, e que
provém de uma vida dedicada ao Senhor. O sacrifício deve ser santo e agradável a Deus,
consagrado a ele, e da maneira dele. Desta forma, estaremos oferecendo a Deus um culto racional,
fruto da compreensão da graça de Deus que nos leva à obediência e devoção. Uma vez que sua
vida deve ser dedicada a Deus, há dois imperativos presentes passivos aos cristãos: continuai não
deixando vos conformar com este século e continuai tendo vossas mentes transformadas. A
transformação não vem dele mesmo, mas do Espírito e é continua. Depois de ter sua mente
transformada pelo Espírito, o cristão agora, não apenas compreende a vontade de Deus, como é
habilitado a se agradar dela e cumpri-la, experimentando-a na prática e comprovando que a
vontade preceptiva de Deus é boa, agradável e perfeita.

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[24] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São
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[25] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São
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[26] HOEHNER, H. W.; Corpo, conceito bíblico do; in: Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja
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[27] HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; REID, Daniel G.; Dicionário de Paulo e suas
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[28] CALVINO, Juan; Comentario a la epístola a los romanos; Michigan: Libros Desafio, 2005, p.
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[29] STOTT, John; Romanos; São Paulo: Editora ABU; 2008, p. 389.
[30] LOPES, Hernandes Dias; Romanos; São Paulo: Hagnos, 2010, p. 399-400.
[31] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São
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[32] HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, Ralph P.; REID, Daniel G.; Dicionário de Paulo e suas
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[33] BEALE, G. K.; CARSON, D. A.; Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo
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[34] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São
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[35] BRUCE, F. F.; Romanos: Introdução e Comentário; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 182.
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[53] ARNDT, William F.; GINGRICH, F. Wilbur; A Greek-English Lexicon of the New Testment;
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[54] KITTEL, Gerhard; FRIEDRICH, Gerhard; Dicionário Teológico do Novo Testamento; São
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[57] MOULE, H. C. G.; The Epistle to the Romans; London: Pickering & Inglits Ltd.; 1975, p. 327.
[58] CRANFIELD, C. E. B.; Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 269.
[59] BRUCE, F. F.; Romanos – Introdução e Comentário; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 138.
[60] HENDRIKSEN, William; Romanos; São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 508.
[61] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São
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[62] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p.
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[66] WALLACE, Daniel B.; Gramática Grega: Uma Sintaxe Exegética do Novo Testamento; São
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[75] BEALE, G. K.; CARSON, D. A.; Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo
Testamento; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 846s.
[76] FEINBERG, C. L; Sacerdotes e Levitas; in: TENNEY, Merril C.; Enciclopédia da Bíblia; São
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[77] BRUCE, F. F.; Romanos: Introdução e Comentário; São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 182.
[78] CRANFIELD, C. E. B.; Comentário de Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 267-268.
[79] CRANFIELD, C. E. B.; Comentário de Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 268.
[80] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p.
296.
[81] HODGE, Charles; Teologia Sistemática; São Paulo: Hagnos, 2001, p. 303.
[82] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p.
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[83] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p.
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[84] WHITE, R. E. O.; Santidade; in: ELWELL; Walter A.; Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja
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[85] HODGE, Charles; Teologia Sistemática; São Paulo: Hagnos, 2001, p. 1184.
[86] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p.
123.
[87] RIDDERBOS, Herman; Teologia do Apóstolo Paulo; São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013, p.
125s.
[88] MURRAY, John; Romanos; São José dos Campos: Missão Evangélica Literária, 2003, p. 473.
[89] MURRAY, John; Romanos; São José dos Campos: Missão Evangélica Literária, 2003, p. 475.
[90] CRISÓSTOMO, João; apud in: GREATHOUSE, William M.; A epístola aos Romanos; Rio de
Janeiro: CPAD, 2006, p. 159.
[91] STOTT, John; Romanos; São Paulo: Editora ABU; 2008, p. 389.
[92] LOPES, Hernandes Dias; Romanos; São Paulo: Hagnos, 2010, p. 399-400.
[93] PATE, C. Marvin; Romanos; São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 239.