Você está na página 1de 81

MAT0336 - Geometria Diferencial II

Bacharelado em Matemática - 2013

Jose Antonio Verderesi


Sala: 239A
Tel. 3091-6161
E-mail: verderesi@gmail.com
Página da disciplina: http://www.ime.usp.br/∼javerd/MAT0336-2013

Atendimento aos alunos: quinta-feira, das 16h às 18h.

Objetivo da disciplina: Estudo das formas diferenciais e suas aplicações à geometria


diferencial tanto local como global.

Avaliação: Será feita através de três provas e uma prova substitutiva que substituirá uma
das notas de forma a maximizar a média.

Pontos Data Nota


Prova 1 2 17/09
Prova 2 4 22/10
Prova 3 4 26/11
Substitutiva - 03/12

Bibliografia:

1. Cartan, H. Differential forms, Hermann, 1970.

2. do Carmo, M. P. Differential forms and applications, Springer-Verlag, 1994.

3. Chern, S. Introduction to Differential Geometry, Notas da Universidade de Berkeley,


Math. 140 Notes, 1969.

4. O’Neil, B. Elementary Differential Geometry, Academic Press, 1966.

5. Singer, I. M., Thorpe, J. A. Lecture notes on elementary topology and geometry,


Springer-Verlag, 1967.
Geometria Diferencial II

Jose Antonio Verderesi


Sumário

Introdução 1

Capı́tulo 1. Formas diferenciais 8


1. Formas lineares 8
2. Permutações 9
3. Aplicações multilineares 10
4. Produto exterior de 1-formas 12
5. Produto exterior 13
6. Imagem inversa de k-formas 15
7. O espaço k (V )
V
16
8. Álgebra exterior 17
9. Orientação 17
10. Espaços com produto interno 17
11. Álgebra vetorial clássica 20
12. Formas diferenciais 22
13. Cohomologia de De Rhan 31
14. Análise vetorial clássica 34

Capı́tulo 2. Integral de formas diferenciais 38


1. Integral de formas sobre cadeias 38
2. Teorema de Stokes 42

Capı́tulo 3. Variedades 47

iii
Introdução

Um campo de vetores no R3 é uma função diferenciável e : R3 → R3 . Sua diferencial em


p ∈ R3 é uma aplicação linear dep : R3 → R3 .
Se
e(p) = (a1 (p), a2 (p), a3 (p))
então
dep = (da1 )p e1 + (da2 )p e2 + (da3 )p e3
onde (e1 , e2 , e3 ) é a base canônica do R3 .
Considere agora três campos de vetores

ei : R3 → R3 i = 1, 2, 3

tais que, para cada ponto p, (e1 (p), e2 (p), e3 (p)) seja uma base do R3 . A terna (e1 , e2 , e3 ) é
chamada um referencial movel no R3 .
Seja (θp1 , θp2 , θp3 ) a base dual, isto é

θpi (ej (p)) = δji

Se v ∈ R3 , então
v = θp1 (v)e1 (p) + θp2 (v)e2 (p) + θp3 (v)e3 (p)
Assim, para cada p ∈ R3 , (θp1 (v), θp2 (v), θp3 (v)) são as coordenadas de v na base
(e1 (p), e2 (p), e3 (p)).
Diferenciando os campos ei : R3 → R3 temos

(dei )p = ωi1 (p)e1 (p) + ωi2 (p)e2 (p) + ωi3 (p)e3 (p)

Desta forma, obtemos uma matriz de 1-formas (ωji (p)) para cada p ∈ R3 . Estas são chamadas
de formas de conexão relativas ao referencial (e1 , e2 , e3 ).
Suponhamos, agora, que para cada p, (e1 (p), e2 (p), e3 (p)) seja ortonormal (isto é, que
hei (p), ej (p)i = δij ). Então, para v ∈ R3 ,

||v||2p = θp1 (v)2 + θp2 (v)2 + θp3 (v)2

1
INTRODUÇÃO 2

e o produto interno de u por v é dado por

hu, vip = θp1 (u)θp1 (v) + θp2 (u)θp2 (v) + θp3 (u)θp3 (v)

ou abreviadamente
h , ip = (θp1 )2 + (θp2 )2 + (θp3 )2
Diferenciando hei (p), ej (p)i = δij obtemos

hdei (p), ej (p)i + hei (p), dej (p)i = 0

Substituindo dei (p), obtemos


ωji (p) + ωij (p) = 0
Assim, a matriz (ωji (p)) é anti-simétrica.
Se X : R3 → R3 é um novo campo de vetores, podemos decompô-lo no referencial
(e1 (p), e2 (p), e3 (p)):
X(p) = X 1 (p)e1 (p) + X 2 (p)e2 (p) + X 3 (p)e3 (p)
Sua diferencial é dada por

dXp = (dX 1 )p e1 (p) + (dX 2 )p e2 (p) + (dX 3 )p e3 (p) + Xp1 (de1 )p + Xp2 (de2 )p + Xp3 (de3 )p

Substituindo (dei )p , obtemos


 
3
X 3
X
dXp = (dX i )p + ωji (p)Xpj  ei (p)
i=1 j=1

Concluı́mos que para calcularmos dXp basta conhecer as formas de conexão.


Nos cursos de cálculo, utilizamos em geral os campos constantes

 e1 (p) = e1

e2 (p) = e2

e3 (p) = e3

Para estes, as formas de conexão são nulas (isto é, ωji = 0). Dizemos então que o referencial é
paralelo.
Num referencial paralelo, a diferencial do campo X é a fórmula familiar

dXp = (dX 1 )p e1 + (dX 2 )p e2 + (dX 3 )p e3

Vejamos o que acontece quando trabalhamos com coordenadas cilı́ndricas no R3 . Para


cada ponto p, associamos os números (r(p), θ(p), z(p)) que se relacionam com as coordenadas
INTRODUÇÃO 3

cartesianas da seguinte maneira: 


 x = r cos θ

y = r sin θ

z = z

Os campos cilı́ndricos são



 e1 = (cos θ, sin θ, 0)

e2 = (− sin θ, cos θ, 0)

e3 = (0, 0, 1)

Temos que 
 de1 = ((− sin θ)dθ, (cos θ)dθ, 0) = dθe2

de2 = ((− cos θ)dθ, (− sin θ)dθ, 0) = −dθe1

de3 = 0

Então ω12 (p) = dθp e ω21 = −dθp , as outras sendo nulas.

Considere agora uma superfı́cie S ⊂ R3 e um referencial ortonormal (e1 , e2 , e3 ) tal que e1 (p)
e e2 (p) são tangentes a S no ponto p. Claramente, e3 (p) é um vetor normal a S no ponto p.
Observe que se o referencial é paralelo, então a superfı́cie S é um plano. Assim, para a
geometria, é necessário trabalhar com referenciais não paralelos, ou seja, com campos ei (p) que
variam com p.
Se Tp S é o plano tangente a S no ponto p, então

v ∈ Tp S ⇔ θp3 (v) = 0

A equação geral do plano Tp S é θp3 = 0.


Como o referencial é ortonormal, se v ∈ Tp S, então

||v||2 = θp1 (v)2 + θp2 (v)2

Assim, para calcularmos comprimentos sobre S, basta conhecermos

(θp1 )2 + (θp2 )2

Toda a geometria de S está contida nas formas (θ1 , θ2 ) e nas formas (ω12 , ω13 , ω23 ) obtidas
diferenciando o referencial “adaptado” a S:

 de1 =
 ω12 e2 + ω13 e3
de2 = ω21 e1 + ω23 e3
ω31 e1 + ω32 e2

de3 =

INTRODUÇÃO 4

(Lembre-se de que (ωji ) é anti-simétrica!)


 
0 ω21 ω31
(ωji ) =  ω12 0 ω32  ωji = −ωij
 

ω13 ω23 0
Seja X um campo de vetores tal que X(p) ∈ Tp S para todo p ∈ S. Então

X(p) = X 1 (p)e1 (p) + X 2 (p)e2 (p)

Diferenciando, obtemos

dXp (v) = (dX1 )p (v)e1 (p) + (dX2 )p (v)e2 (p) + X 1 (p)(de1 )p (v) + X 2 (p)(de2 )p (v)

Substituindo (dei )p (v), obtemos:

dXp (v) = (dX1 )p (v)e1 (p) + (dX2 )p (v)e2 (p) + (ω12 )p (v)(−X 2 (p)e1 (p) + X 1 (p)e2 (p)) +
+ ((ω13 )p (v)X 1 (p) + (ω23 )p (v)X 2 (p))e3 (p)
Em geral, vemos que dXp (v) não é tangente a S no ponto p. A componente tangencial de
dXp (v) é chamada a derivada covariante de X em p e é denotada por ∇p X. Assim,

(∇X)p (v) = (dX1 )p (v)e1 (p) + (dX2 )p (v)e2 (p) + (ω12 )p (v)(−X 2 (p)e1 (p) + X 1 (p)e2 (p))

Portanto, (∇X)p (v) pode ser calculada a partir da forma ω = ω12 = −ω21 , a qual é denominada
a forma de conexão de S.
É comum denotar a derivada covariante de X em p na direção v por (∇v X)p . Assim,

(∇X)p (v) = (∇v X)p

Isto é análogo a
∂f
dfp (v) = (p)
∂v
(∇X)p (v) tem duas componentes, a saber

T = (dX1 )p (v)e1 (p) + (dX2 )p (v)e2 (p)

R = ωp (v)(−X 2 (p)e1 (p) + X 1 (p)e2 (p))


A componente T é obtida diferenciando o campo X(p) = X 1 (p)e1 (p) + X 2 (p)e2 (p) como se
e1 (p) e e2 (p) fossem constantes. Assim, T mede a taxa de variação “translacional” do campo
X na direção v a partir do ponto p. A componente R é obtida diferenciando X como se suas
componentes X 1 (p) e X 2 (p) fossem constantes. Observe que o vetor

X(p)⊥ = −X 2 (p)e1 (p) + X 1 (p)e2 (p)


INTRODUÇÃO 5

é ortogonal ao vetor
X(p) = X 1 (p)e1 (p) + X 2 (p)e2 (p)
Assim, R = ωp (v)X(p)⊥ e, portanto, ω é a velocidade de rotação do referencial no ponto p
na direção v. Em particular, se tomarmos X(p) = e1 (p) ou X(p) = e2 (p), obtemos
(
(∇e1 )p (v) = ωp (v)e2 (v)
(∇e2 )p (v) = −ωp (v)e1 (p)
Abreviadamente, !
0 −ω
∇(e1 , e2 ) = (e1 , e2 )
ω 0
ou ainda
∇e = eω
ω é a velocidade angular do referencial e = (e1 , e2 ) sobre a superfı́cie.
A partir da derivada covariante, definimos paralelismo e geodésicas:

• um campo X é paralelo se ∇X = 0;
• uma curva c : I → S é uma geodésica se ∇ċ ċ = 0.

Vamos, a seguir, interpretar as formas ω13 e ω23 .


O campo e3 é normal a S. Assim, a variação deste campo diz como a superfı́cie se curva. Se
e3 for constante, a superfı́cie S é um plano. Portanto, (de3 )p (v) deve, de alguma forma, medir
como S se curva na direção v:

(de3 )p (v) = ω31 (v)e1 (p) + ω32 (v)e2 (p)

Se designarmos por Ap (v) = −(de3 )p (v), então Ap : Tp S → Tp S é uma aplicação linear. Por
exemplo, se S é um plano, então e3 (p) = n é constante. Logo, Ap (v) = −(de3 )p (v) = 0.
Se S é a esfera de raio R, então
p p
e3 (p) = =
||p|| R
Segue que (de3 )p (v) = v/R e, portanto,
v
Ap (v) = −
R
Como veremos, a aplicação linear Ap : Tp S → Tp S é simétrica, isto é,

hAp (u), vi = hu, Ap (v)i

A segunda forma fundamental de S em p é definida por

bp (u, v) = hAp (u), vi = hu, Ap (v)i


INTRODUÇÃO 6

que é bilinear e simétrica. Lembrando que

u = θp1 (u)e1 (p) + θp2 (u)e2 (p)

e
Ap (v) = ω13 (v)e1 (p) + ω23 (v)e2 (p)
temos
b(u, v) = ω13 (u)θ1 (v) + ω23 (u)θ2 (v)
A primeira forma fundamental é o produto interno

hu, vi = θ1 (u)θ1 (v) + θ2 (u)θ2 (v)

O teorema fundamental das superfı́cies no R3 diz que a primeira e a segunda formas


fundamentais determinam S a menos de uma isometria do R3 .
A primeira forma fundamental permite calcular o comprimento de curvas sobre a superfı́cie
S. Já a segunda forma fundamental estabelece a forma da superfı́cie dentro do R3 .
Os aspectos geométricos que dependem apenas da primeira forma são denominados
intrı́nsecos. Aqueles que dependem também da segunda forma são chamados extrı́nsecos.
Por exemplo, o elemento de área
dA = θ1 ∧ θ2
é intrı́nseco à superfı́cie S.
Um outro exemplo é a forma de conexão ω. A forma ω só depende da primeira forma
fundamental.
A aplicação linear Ap : Tp S → Tp S é simétrica e, portanto, diagonalizável. Sejam λ1 e λ2
seus valores próprios. A curvatura gaussiana é definida por

Kp = det Ap = λ1 · λ2

e a curvatura média é definida por


tr Ap λ1 + λ2
Hp = =
2 2
O seguinte teorema relaciona a curvatura gaussiana e a forma de conexão. Ele diz que

dω = KdA

Como dω só depende da primeira forma fundamental, assim como dA, segue que K também só
depende da primeira forma fundamental. Isto foi provado primeiramente por Gauss e deu origem
ao que hoje conhecemos como Geometria Diferencial.
Por outro lado, a curvatura média é um invariante extrı́nseco da superfı́cie S. Por
exemplo, um pedaço de um plano e de um cilindro são isométricos e, portanto, suas curvaturas
INTRODUÇÃO 7

gaussianas são nulas, mas suas curvaturas médias são diferentes. Para o plano, Ap = 0. Logo,
Kp = det Ap = 0 e Hp = (tr Ap )/2 = 0. Para o cilindo, Ap tem valores próprios λ1 = 0 e λ2 6= 0.
Logo, Kp = λ1 · λ2 = 0 e Hp = (λ1 + λ2 )/2 = λ2 /2 6= 0.
CAPı́TULO 1

Formas diferenciais

O objetivo deste capı́tulo é definir formas diferenciais num espaço vetorial real de dimensão
finita.

1. Formas lineares

No que segue V é um espaço vetorial real de dimensão finita n e (e1 , e2 , . . . , en ) uma base de
V . O espaço dual de V será denotado por V ∗ . Este é formado das funções lineares ω : V → R
que serão chamadas de formas lineares sobre V ou simplesmente formas lineares. Se v ∈ V seja
xi (v) a i-ésima coordenada de v na base (e1 , e2 , . . . , en ). Então
n
X
v= xi (v)ei
i=1
(x1 , x2 , . . . xn ) ∗
constitui uma base de V chamada de base dual da base (e1 , e2 , . . . , en ). Note

que se ω ∈ V então
n
X
ω= ω(ei )xi
i=1
A aplicação ϕ : V → Rn dada por ϕ(v) = (x1 (v), x2 (v), . . . xn (v)) constitui um sistema de
coordenadas linear sobre V.

Exemplo 1.1. Sejam V = R3 e (x1 , x2 , x3 ) a base de (R3 )∗ dual da base canônica do R3 . Se


ω ∈ V ∗ , então
ω = ax1 + bx2 + cx3
onde a, b, c ∈ R. Logo,

ker ω = {v ∈ R3 : ax1 (v) + bx2 (v) + cx3 (v) = 0}.

Se ω 6= 0, então ker ω é o plano normal ao vetor (a, b, c) que passa pela origem. Reciprocamente,
se S é um subespaço de R3 cuja dimensão é 2, então existe ω ∈ (R3 )∗ tal que ker ω = S. O
conjunto
S 0 = {ω ∈ (R3 )∗ : ker ω ⊃ S}
8
2. PERMUTAÇÕES 9

é um subespaço de (R3 )∗ de dimensão 1, denominado o anulador de S.

Exemplo 1.2. Seja v ∈ V . A função


ϕv : V ∗ → R
ω 7→ ω(v)
é uma forma linear de V ∗ e a aplicação
V → (V ∗ )∗
v 7→ ϕv
é um isomorfismo entre V e (V ∗ )∗ .

Exemplo 1.3. Seja a ∈ V . Se h , i é um produto interno em V , a função


ωa : V → R
v 7→ ha, vi
é uma forma linear de V e a aplicação
V → V∗
a 7→ ωa
é um isomorfismo.

2. Permutações

Denotaremos por Sn o grupo das permutações (isto é, bijeções) do conjunto In = {1, . . . , n}.
Considere a função polinomial em n variáveis
Y
φ(x1 , . . . , xn ) = (xi − xj )
1≤i<j≤n

Para cada σ ∈ Sn , defina

(σφ)(x1 , . . . , xn ) = φ(xσ(1) , . . . , xσ(n) )

Observe que
σφ = σ φ
onde σ ∈ {−1, 1}. O número σ é denominado o sinal da permutação σ.
Note que  : Sn → {−1, 1} é um homomorfismo de grupos. O núcleo de  é denomindo grupo
alternado e é denotado por An . Note que An um subgrupo normal de Sn .

Exemplo 1.4. Se n = 2, então φ(x1 , x2 ) = x1 − x2 . O grupo S2 tem apenas dois elementos:


a identidade e a transposição (1 2), as quais têm sinais 1 e -1 respectivamente.
3. APLICAÇÕES MULTILINEARES 10

Exemplo 1.5. Se n = 3, então φ(x1 , x2 , x3 ) = (x1 − x2 )(x1 − x3 )(x2 − x3 ). O grupo S3 tem


seis elementos: as transposições (1 2), (1 3), (2 3) com sinais −1 e, também, os 3-ciclos (1 2 3)
e (1 3 2) e a identidade, estes com sinais 1.

3. Aplicações multilineares

Sejam V1 , . . . , Vk e W espaços vetoriais reais de dimensão finita e ϕ : V1 × . . . × Vk → W .


Dizemos que ϕ é uma aplicação k-linear se, para cada i ∈ {1, . . . , k}, as seguintes condições estão
satisfeitas
ϕ(v1 , . . . , λvi , . . . , vk ) = λϕ(v1 , . . . , vi , . . . , vk )
ϕ(v1 , . . . , ui + vi , . . . , vk ) = ϕ(v1 , . . . , ui , . . . , vk ) + ϕ(v1 , . . . , vi , . . . , vk )
quaisquer que sejam v1 ∈ V1 , . . . , vk , ∈ Vk , ui ∈ Vi e λ ∈ R.
Se V1 = . . . = Vk = V , dizemos que ϕ é uma aplicação k-linear de V em W . Se, além disso,
W = R dizemos que ϕ é uma função k-linear de V .
Seja ϕ : V k → W uma aplicação k-linear de V em W . Dizemos que ϕ é alternada
(respectivamente, simétrica) se para cada σ ∈ Sk , ϕ(vσ(1) , . . . , vσ(k) ) = σ ϕ(v1 , . . . , vk )
(respectivamente, ϕ(vσ(1) , . . . , vσ(k) ) = ϕ(v1 , . . . , vk )). Como toda permutação é um produto
de transposições, esta condição é equivalente a

ϕ(v1 , . . . , vi , . . . , vj , . . . , vk ) = −ϕ(v1 , . . . , vj , . . . , vi , . . . , vk )

(respectivamente ϕ(v1 , . . . , vi , . . . , vj , . . . , vk ) = ϕ(v1 , . . . , vj , . . . , vi , . . . , vk ))

Exemplo 1.6. O produto vetorial no R3


R3 × R3 → R3
(v1 , v2 ) 7→ v1 ∧ v2
é uma aplicação bilinear (isto é, 2-linear) alternada de R3 em R3 .

Exemplo 1.7. Um produto interno em V


V ×V → R
(v1 , v2 ) 7→ hv1 , v2 i
é uma função bilinear simétrica de V .

Exemplo 1.8. A função determinante no Rn

det(v1 , . . . , vn ) = det(xi (vj ))


3. APLICAÇÕES MULTILINEARES 11

onde (xi ) é a base dual da base canônica do Rn e


 
x1 (v1 ) . . . x1 (vn )
.. .. ..
(xi (vj )) = 
 
 . . . 

n n
x (v1 ) . . . x (vn )
é uma função n-linear alternada.
Exemplo 1.9. Uma estrutura complexa em V é uma aplicação linear J : V → V tal que
J2= −I, onde I denota o operador identidade de V . Se h , i é um produto interno em V e J é
uma isometria com respeito a este produto interno, então
V ×V → R
(u, v) 7→ hu, J(v)i
é uma função bilinear alternada de V .
Uma função k-linear alternada de V é denominada uma k-forma linear de V ou,
simplesmente, uma k-forma de V . Denotaremos por k (V ∗ ) o espaço das k-formas de V . O
V

conjunto das k-formas de V , munido da soma e da multiplicação por escalar usuais de funções, é
um espaço vetorial. O espaço das funções k-lineares simétricas de V será designado por S k (V ∗ ).
Proposição 1.10. Se ϕ : V k → R é uma k-forma e v1 , . . . , vk ∈ V linearmentes dependentes,
então ϕ(v1 , . . . , vk ) = 0.
Demonstração. Um dos vetores é combinação linear dos demais, por exemplo

vk = α1 v1 + . . . + αk−1 vk−1 .

Como ϕ(v1 , v2 , . . . , vk−1 , v1 ) = ϕ(v1 , v2 , . . . , vk−1 , v2 ) = . . . = ϕ(v1 , . . . , vk−1 , vk−1 ) = 0 então


ϕ(v1 , . . . , vk ) = 0. 
V1 ∗
(V ) = V ∗ . Da proposição anterior vem que k (V ∗ ) = {0} se k > n.
V
Observe que
Exemplo 1.11. Sejam V = R3 e a = (a1 , a2 , a3 ) ∈ R3 . Se

η(u, v) = det(a, u, v)

onde
 
a1 x1 (u) x1 (v)
det(a, u, v) = det  a2 x2 (u) x2 (v) 
 

a3 x3 (u) x3 (v)
V2
então η ∈ (V ∗ ). Veremos adiante que estas esgotam todas as possibilidades de 2-formas
no R3 .
4. PRODUTO EXTERIOR DE 1-FORMAS 12

4. Produto exterior de 1-formas

Sejam ω 1 , . . . , ω k ∈ V ∗ . O produto exterior de ω 1 , . . . , ω k é a função ω 1 ∧ . . . ∧ ω k : V k → R


dada por
(ω 1 ∧ . . . ∧ ω k )(v1 , . . . , vk ) = det(ω i (vj ))

Exemplo 1.12. Sejam V = R3 , k = 2, ω 1 = x1 e ω 2 = x2 . Se v1 , v2 ∈ R3 , então


!
x 1 (v ) x1 (v )
1 2
(x1 ∧ x2 )(v1 , v2 ) = det
x2 (v1 ) x2 (v2 )

Geometricamente, (x1 ∧ x2 )(v1 , v2 ) é a área orientada da projeção do paralelogramo gerado pelos


vetores v1 e v2 no plano x1 x2 .

Proposição 1.13.
(1) ω 1 ∧ . . . ∧ ω k é uma k-forma de V ;
(2) ω σ(1) ∧ . . . ∧ ω σ(k) = σ · ω 1 ∧ . . . ∧ ω k , qualquer que seja σ ∈ Sk ;
(3) se {ω 1 , . . . , ω k } é l.d. então ω 1 ∧ . . . ∧ ω k = 0;
(4) se {ω 1 , . . . , ω k } é l.i. então ω 1 ∧ . . . ∧ ω k 6= 0.

Demonstração. Os três primeiros itens seguem do fato que as formas ωi são lineares e das
proriedades da função determinante.
Se {ω 1 , . . . , ω k } é l.i. então existem ω k+1 , . . . , ω n ∈ V ∗ tais que {ω 1 , . . . , ω k , ω k+1 , . . . , ω n } é
uma base de V ∗ . Seja {v1 , . . . , vn } a base de V da qual {ω 1 , . . . , ω n } é dual. Temos que

(ω 1 ∧ . . . ∧ ω k )(v1 , . . . , vk ) = det(ω i (vj )) = det Ik = 1

onde Ik denota a matriz identidade de dimensão k. Portanto ω 1 ∧ . . . ∧ ω k 6= 0. 

A seguir, vamos determinar uma base de k (V ∗ ) a partir de uma base de V . Comecemos


V

introduzindo algumas definições para facilitar a escrita. Dada uma sequência (i1 , . . . , ik ), onde
0 ≤ ij ≤ n abreviaremos colocando I = (i1 , . . . , ik ) e ω I = ω i1 ∧ . . . ∧ ω ik . Consideremos também
o conjunto Cn,k das sequências tais que (0 ≤ i1 ≤ i2 ≤ . . . , ≤ ik ≤ n). O número de elementos
de Cn,k é nk .


Proposição 1.14. Se (x1 , . . . , xn ) é uma base de V ∗ então

{xI }I∈Cn,k = {xi1 ∧ xi2 . . . ∧ xik }(i1 ,...,ik )∈Cn,k


é uma base de k (V ∗ ). Se ω ∈ k (V ∗ ) então
V V
X
ω= ω(eI )xI
I∈Cn,k
5. PRODUTO EXTERIOR 13

Demonstração. Faremos a demonstração para n = 3. Por hipótese, {x1 , x2 , x3 } é uma


base de V ∗ = 1 (V ∗ ).
V

Mostremos que {x1 ∧ x2 , x1 ∧ x3 , x2 ∧ x3 } é uma base de 2 (V ∗ ). Se


V

a12 x1 ∧ x2 + a13 x1 ∧ x3 + a23 x2 ∧ x3 = 0

calculando em (e1 , e2 ) concluı́mos que a12 = 0. Da mesma forma, concluı́mos que a13 = a23 = 0.
Seja ω ∈ 2 (V ∗ ). Então
V

ω(v1 , v2 ) = ω(e1 , e2 )x1 (v1 )x2 (v2 ) + ω(e2 , e1 )x2 (v1 )x1 (v2 )+
ω(e1 , e3 )x1 (v1 )x3 (v2 ) + ω(e3 , e1 )x3 (v1 )x1 (v2 )+
ω(e2 , e3 )x2 (v1 )x3 (v2 ) + ω(e3 , e2 )x3 (v1 )x2 (v2 )
Assim
ω(v1 , v2 ) = ω(e1 , e2 )(x1 (v1 )x2 (v2 ) − x2 (v1 )x1 (v2 ))+
ω(e1 , e3 )(x1 (v1 )x3 (v2 ) − x3 (v1 )x1 (v2 ))+
ω(e2 , e3 )(x2 (v1 )x3 (v2 ) − x3 (v1 )x2 (v2 ))
pois ω é alternada. Logo,

ω = ω(e1 , e2 )x1 ∧ x2 + ω(e1 , e3 )x1 ∧ x3 + ω(e2 , e3 )x2 ∧ x3 .

De forma semelhante, mostramos que {x1 ∧ x2 ∧ x3 } é uma base de 3 (V ∗ ).


V

Vk n
(V ∗ ) =

Corolário 1.15. Se k ∈ {1, . . . , n}, então dim k .

5. Produto exterior
Vk Vr
Sejam ω ∈ (V ∗ ) e η ∈ (V ∗ ).
O produto exterior de ω por η é a função ω ∧ η : V k+r → R dada por
1 X
(ω ∧ η)(v1 , . . . , vk+r ) = σ ω(vσ(1) , . . . , vσ(k) )η(vσ(k+1) , . . . , vσ(k+r) )
k!r!
σ∈Sk+r

Observação 1.16. Se Sr,k = {σ ∈ Sk+r : σ(1) < . . . < σ(k) e σ(k + 1) < . . . < σ(k + r)}
então X
(ω ∧ η)(v1 , . . . , vk+r ) = σ ω(vσ(1) , . . . , vσ(k) )η(vσ(k+1) , . . . , vσ(k+r) )
σ∈Sk,r

Proposição 1.17. Sejam ω ∈ k (V ∗ ), η ∈ r (V ∗ ) e ϕ ∈ s (V ∗ ).


V V V

(1) ω ∧ η ∈ k+r (V ∗ );
V

(2) (ω + η) ∧ ϕ = (ω ∧ ϕ) + (η ∧ ϕ);
(3) η ∧ ω = (−1)kr ω ∧ η;
5. PRODUTO EXTERIOR 14

(4) se ω = ω 1 ∧ . . . ∧ ω k e η = ω k+1 ∧ . . . ∧ ω k+r onde ω i ∈ V ∗ então ω ∧ η =


ω 1 ∧ . . . ∧ ω k ∧ ω k+1 ∧ . . . ∧ ω k+r (isto é, o produto exterior acima coincide com o
produto exterior de 1-formas anteriormente definido);
(5) (ω ∧ η) ∧ ϕ = ω ∧ (η ∧ ϕ).

Demonstração.

(1) Temos que (ω ∧ η)(vτ (1) , . . . , vτ (k+r) ) é igual a


1 X
σ ω(vτ (σ(1)) , . . . , vτ (σ(k)) )η(vτ (σ(k+1)) , . . . , vτ (σ(k+r)) ).
k!r!
σ∈Sk+r

Fazendo a mudança ϕ = τ ◦ σ, obtemos σ = τ −1 ◦ ϕ e σ = ϕ τ −1 = ϕ τ . Assim:

1 P
(ω ∧ η)(vτ (1) , . . . , vτ (k+r) ) = k!r! σ∈Sk+r τ ϕ ω(vϕ(1) , . . . , vϕ(k) )η(vϕ(k+1) , . . . , vϕ(k+r) )
= τ (ω ∧ η)(v1 , . . . , vk+r )
o que demonstra a primeira parte.
(2) A demonstração é uma consequência da distributividade dos números reais.
(3) Considere a permutação
!
1 ... r r + 1 ... r + k
τ=
k + 1 ... k + r 1 ... k
Observe que τ = (−1)kr . Logo,

1 P
(ω ∧ η)(v1 , . . . , vk+r ) = σ ω(vσ(1) , . . . , vσ(k) )η(vσ(k+1) , . . . , vσ(k+r) )
k!r!
1 Pσ∈Sk+r
= σ η(vσ(k+1) , . . . , vσ(k+r) )ω(vσ(1) , . . . , vσ(k) )
k!r!
1 Pσ∈Sk+r
= k!r! σ∈Sk+r σ η(vσ(τ (1)) , . . . , vσ(τ (r)) )ω(vσ(τ (r+1)) , . . . , vσ(τ (r+k)) )

Fazendo como anteriormente a mudança ϕ = σ ◦ τ obtemos

(ω ∧ η)(v1 , . . . , vk+r ) = τ (η ∧ ω)(v1 , . . . , vk+r ) = (−1)kr (η ∧ ω)(v1 , . . . , vk+r )

(4) Para fixarmos as ideias, tomemos k = 1 e r = 2. Assim, ω = ω 1 e η = ω 2 ∧ ω 3 . Então


(ω 1 ∧ ω 2 ∧ ω 3 )(v1 , v2 , v3 ) = det(ω i (vj )). Desenvolvendo o determinante pela primeira
linha temos:

(ω 1 ∧ ω 2 ∧ ω 3 )(v1 , v2 , v3 ) = ω 1 (v1 )(ω 2 ∧ ω 3 )(v2 , v3 ) − ω 1 (v2 )(ω 2 ∧ ω 3 )(v1 , v3 ) + ω 1 (v3 )(ω 1 ∧ ω 3 )(v2 , v3 )
= ω 1 ∧ (ω 2 ∧ ω 3 )(v1 , v2 , v3 )
= (ω ∧ η)(v1 , v2 , v3 )
6. IMAGEM INVERSA DE k-FORMAS 15

A demonstração no caso geral é uma consequência da fórmula de Laplace para a


expansão do determinante.
(5) É uma consequência dos itens anteriores.


6. Imagem inversa de k-formas

Seja T : W → V uma aplicação linear entre os espaços vetoriais W e V . Recordamos que a


transposta de T é a aplicação linear
T∗ : V ∗ → W∗
ω 7→ T ∗ ω
onde
(T ∗ ω)(w) = ω(T (w))
qualquer que seja w ∈ W .
Se ω é uma k-forma em V , definimos a imagem inversa de ω por T como a função

T ω : W k → R dada por

(T ∗ ω)(w1 , . . . , wk ) = ω(T (w1 ), . . . , T (wk ))

quaisquer que sejam w1 , . . . , wk ∈ W .


Vk
Proposição 1.18. Seja T : W → V uma aplicação linear. Sejam também ω ∈ (V ∗ ),
η ∈ r (V ∗ ). Então:
V

(1) T ∗ : r (V ∗ ) → r (W ∗ ) é uma aplicação linear.


V V

(2) T ∗ (ω ∧ η) = T ∗ (ω) ∧ T ∗ (η).

Demonstração. Exercı́cio. 
Na prática, aplicar T ∗ significa fazer uma mudança de variáveis numa k-forma. Mais
precisamente, fixemos uma base (e1 , . . . , en ) de V e seja (x1 , . . . , xn ) a base dual. Se
X
ω= ω(ei1 , . . . , eik )xi1 ∧ xi2 . . . ∧ xik
I∈Cn,k

e T : W → V é dada por T (w) = ni=1 T i (w)ei então T ∗ (xi ) = T i . Assim temos:


P

T ∗ (ω) = ω(ei1 , . . . , eik )T ∗ (xi1 ) ∧ T ∗ (xi2 ) . . . ∧ T ∗ (xik )


P
PI∈Cn,k i1 i2 ik
= I∈Cn,k ω(ei1 , . . . , eik )T ∧ T . . . ∧ T
Vk
7. O ESPAÇO (V ) 16

Exemplo 1.19. Sejam f : R2 → R3 dada por

T (u, v) = (2u − v, u + v, u + 3v)

e
ω = x1 ∧ x2 + x2 ∧ x3 + x3 ∧ x1
onde (x1 , x2 , x3 ) denota a base de (R3 )∗ dual da base canônica do R3 .

 x = 2u − v

y = u+v

z = u + 3v

Temos que
T ∗ ω = T ∗ (x1 ∧ x2 + x2 ∧ x3 + x3 ∧ x1 )
= T ∗ (x1 ∧ x2 ) + T ∗ (x2 ∧ x3 ) + T ∗ (x3 ∧ x1 )
= T ∗ x1 ∧ T ∗ x2 + T ∗ x2 ∧ T ∗ x3 + T ∗ x3 ∧ T ∗ x1
Se w = (w1 , w2 ) ∈ R2 , então
T ∗ x1 (w) = x1 (T (w)) = 2w1 − w2
T ∗ x2 (w) = x2 (T (w)) = w1 + w2
T ∗ x3 (w) = x3 (T (w)) = w1 + 3w2
Denotando por (x, y) a base de (R2 )∗ dual da base canônica do R2 , obtemos
T ∗ x1 = 2x − y
T ∗ x2 = x + y
T ∗ x3 = x + 3y
Portanto
T ∗ ω = (2x − y) ∧ (x + y) + (x + y) ∧ (x + 3y) + (x + 3y) ∧ (2x − y)
= −2x ∧ y

Vk
7. O espaço (V )

Sabemos que (V ∗ )∗ identifica-se com V através da aplicação


V → (V ∗ )∗
v 7→ ϕv
onde ϕv (ω) = ω(v), qualquer que seja ω ∈ V ∗ . No que segue, passaremos a escrever v para
designar tanto um elemento de V quanto o seu correspondente ϕv em (V ∗ )∗ . Assim, a expressão

v(ω) = ϕv (ω) = ω(v)


10. ESPAÇOS COM PRODUTO INTERNO 17

onde ω ∈ V ∗ passa a fazer sentido. Isto justifica denotar o espaço k ((V ∗ )∗ ) por k (V ) e
V V

escrever
(v1 ∧ . . . ∧ vk )(ω 1 , . . . , ω k ) = det(vi (ω j )) = det(ω j (vi )).

8. Álgebra exterior

Temos definido acima uma operação nas formas lineares:


Vk ∗
(V ) × r (V ∗ ) →
V Vk+r ∗
(V )
(ω, η) 7→ ω∧η
esta induz na soma direta de espaços vetoriais
^ ^0 M^ 1 M M^ n
∗ ∗ ∗
(V ) = (V ) (V ) ... (V ∗ )

uma operação também designada por ∧ e onde convencionamos que 0 (V ∗ ) = R. Com estas
V
V ∗
operações (V ) torna-se uma álgebra associativa denominada álgebra exterior sobre V.

9. Orientação

Sejam (e1 , e2 , . . . , en ) e (f1 , f2 , . . . , fn ) bases de V . Para cada i ∈ {1, . . . , n},


n
aji ej
X
fi =
j=1

onde a1i , . . . , ani ∈ R. Escrevemos


(fi ) ∼ (ei )
se det(aji ) > 0. Observe que ∼ é uma relação de equivalência no conjunto das bases de V .
Uma orientação em V é uma classe de equivalência de ∼ e, portanto, orientar V significa
fixar uma base (ei ) de V . As bases de V que pertencem à mesma classe de equivalência de (ei )
são denominadas positivas; uma base de V que não é positiva é denominada negativa.
Seja agora ∆ ∈ n (V ∗ ) com ∆(e1 , e2 , . . . , en ) > 0. Como
V

∆(f1 , f2 , . . . , fn ) = det(aji )∆(e1 , e2 , . . . , en )

então as bases positivas são aquelas em que a n-forma ∆ é positiva. Assim, fixar uma orientação
é equivalente a fixar uma n-forma não nula em V .

10. Espaços com produto interno

Considere em V um produto interno h , i e além disto fixe uma orientação em V .

Proposição 1.20. Existe uma única ∆ ∈ n (V ∗ ) tal que ∆(e1 , . . . , en ) = 1 qualquer que
V

seja (e1 , . . . , en ) base ortonormal positiva de V .


10. ESPAÇOS COM PRODUTO INTERNO 18

Demonstração. Comecemos escolhendo uma n-forma ω tal que ω(e1 , . . . , en ) = k > 0.


Tomemos então ∆ = k1 ω de forma que ∆(e1 , . . . , en ) = 1. Se (f1 , . . . , fn ) é outra base ortonormal
positiva então det(aji ) = 1. Portanto

∆(f1 , f2 , . . . , fn ) = det(aji )∆(e1 , e2 , . . . , en ) = ∆(e1 , e2 , . . . , en ) = 1

A unicidade segue do fato que uma n-forma fica determinada por seu valor numa base de
V. 

A forma ∆ estabelecida na proposição acima é chamada de forma volume associada ao produto


interno h , i. Dados os vetores v1 , v2 , . . . , vn ∈ V o volume do n-paralelepı́pedo determinado pelos
vetores v1 , v2 , . . . , vn ∈ V é o número

Vol(v1 , v2 , . . . , vn ) = |∆(v1 , v2 , . . . , vn )|
P j
Fixada uma base ortonormal (e1 , . . . , en ) e escrevendo vi = vi ej então ∆(v1 , v2 , . . . , vn ) =
j j t j
det[vi ]. Como [vi ] [vi ] = [hvi , vj i] deduzimos que

Vol(v1 , v2 , . . . , vn )2 = det[hvi , vj i]

Isto motiva definir o volume de um k-paralelepı́pedo em V por

Vol(v1 , v2 , . . . , vk )2 = det[hvi , vj i]

Recordemos que num espaço com produto interno temos um isomorfismo natural entre V e

V que a cada a ∈ V associa a 1-forma ωa definida por ωa (v) = ha, vi.
Seja (a1 , . . . , an−1 ) ∈ V n−1 . Considere a forma linear ω : V → R dada por

ω(v) = ∆(a1 , . . . , an−1 , v)

qualquer que seja v ∈ V , onde ∆ é dada pela Proposição 1.20. Sabemos que existe um único
vetor a ∈ V tal que ω(v) = ωa ou seja, tal que

∆(a1 , . . . , an−1 , v) = ha, vi

qualquer que seja v ∈ V . O vetor a é denominado o produto vetorial de a1 , . . . , an−1 e será


denotado por a1 ∧ . . . ∧ an−1 . Assim temos

∆(a1 , . . . , an−1 , v) = ha1 ∧ . . . ∧ an−1 , vi

Observemos que estamos usando a notação a1 ∧ . . . ∧ an−1 com dois sentidos diferentes a
saber para designar o produto vetorial definido acima e também o produto exterior dos vetores
(a1 , . . . , an−1 ) ∈ V n−1 . Justificaremos isto mais adiante mostrando que o produto vetorial
permite identificar o espaço n−1 (V ) com V .
V
10. ESPAÇOS COM PRODUTO INTERNO 19

Proposição 1.21. Suponha que V esteja orientado, h , i seja um produto interno em V e


que (e1 , e2 , . . . , en ) seja uma base positiva. Valem:
(1) a aplicação ∧ : V n−1 → V dada por ∧(a1 , . . . , an−1 ) = a1 ∧ . . . ∧ an−1 é (n − 1)-linear
alternada;
(2) a1 ∧ . . . ∧ an−1 é ortogonal a ai , qualquer que seja i ∈ {1, . . . , n − 1};
(3) a1 ∧ . . . ∧ an−1 = n−1 n+i Ai e onde Ai é o menor da matriz
P
i=1 (−1) i
 
a11 . . . a1n−1
 . . .. 
A= . ..
 . . 

n n
a1 . . . an−1

obtido mediante a omissão da i-ésima linha de A, onde aji denota a j-ésima coordenada
de ai na base ortonormal positiva (ei );
(4) a1 ∧ . . . ∧ an−1 = 0 se, e somente se, (ai ) é l.d.;
(5) Se (ai ) é l.i então (a1 , . . . , an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 ) é uma base positiva de V .
(6) ||a1 ∧ . . . ∧ an−1 || = Vol(a1 , . . . , an−1 ), onde Vol(a1 , . . . , an−1 ) denota a volume do
paralelepı́pedo gerado pelos vetores a1 , . . . , an−1 de V .

Demonstração.
(1) Segue do fato que ∆ é alternada.
(2) ha1 ∧ . . . ∧ an−1 , ai i = ∆(a1 , . . . ai , . . . an−1 , ai ) = 0.
(3) Basta desenvolver o determinante abaixo pela última coluna:
 
a11 . . . a1n−1 v1
 . . .. .. 
det A =  . ..
 . . . 

an1 . . . ann−1 vn
(4) Os vetores (ai ) é l.d. se e somente se todos os menores Ai são nulos.
(5) Como
∆(a1 , . . . , an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 ) = ha1 ∧ . . . ∧ an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 i > 0 então
(a1 , . . . , an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 ) é uma base positiva.
(6) Como acima temos que ∆(a1 , . . . , an−1 , a1 ∧. . .∧an−1 )2 = ha1 ∧. . .∧an−1 , a1 ∧. . .∧an−1 i2 .
Por outro lado temos ∆(a1 , . . . , an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 )2 é igual a
 
ha1 , a1 i . . . ha1 , an−1 i 0
 ha2 , a1 i . . . ha2 , an−1 i 0
 

det  .. .. .. .. 
. . . .
 
 
0 ... 0 ha1 ∧ . . . ∧ an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 i
11. ÁLGEBRA VETORIAL CLÁSSICA 20

Assim, temos que

ha1 ∧ . . . ∧ an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 i2 = det[hai , aj i]ha1 ∧ . . . ∧ an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 i

ou seja
ha1 ∧ . . . ∧ an−1 , a1 ∧ . . . ∧ an−1 i = det[hai , aj ]
e, portanto,
||a1 ∧ . . . ∧ an−1 || = Vol(a1 , . . . , an−1 ).


11. Álgebra vetorial clássica

Nesta seção assumimos que V é um espaço vetorial real de dimensão 3 orientado e munido
de um produto interno h , i.
O espaço dual V ∗ identifica-se com V através do isomorfismo:
V → V∗
a 7→ ωa
onde ωa é a forma linear

ωa (v) = ha, vi
O espaço das 2-formas também identifica-se com V através do isomorfismo:
V2
V → (V ∗ )
a 7→ ηa
onde ηa é a 2-forma linear

ηa (v1 , v2 ) = ∆(a, v1 , v2 )
Da definição do produto vetorial temos

ηa (v1 , v2 ) = ha, v1 ∧ v2 i
Finalmente podemos identificar as 3-formas com os números reais através da aplicação:
V3
R → (V ∗ )
a 7→ a∆
Sejam u1 , u2 ∈ V . Se ω1 (v) = hu1 , vi e ω2 (v) = hu2 , vi, então (ω1 ∧ ω2 )(v1 , v2 ) coincide com
o determinante de Gramm:
11. ÁLGEBRA VETORIAL CLÁSSICA 21

!
hu1 , v1 i hu1 , v2 i
(ω1 ∧ ω2 )(v1 , v2 ) = det
hu2 , v1 i hu2 , v2 i
Fixados u1 , u2 ∈ V , obtemos a 2-forma
!
hu1 , v1 i hu1 , v2 i
η(v1 , v2 ) = det
hu2 , v1 i hu2 , v2 i
Do isomorfismo acima existe um vetor a ∈ V tal que
!
hu1 , v1 i hu1 , v2 i
ha, v1 ∧ v2 i = ∆(a, v1 , v2 ) = det
hu2 , v1 i hu2 , v2 i

Assim para cada par u1 , u2 associamos um vetor a = Φ(u1 , u2 ). É facil constatar que Φ é
uma aplicação bilinear alternada:

V ×V → V
(u1 , u2 ) 7→ Φ(u1 , u2 )

Proposição 1.22. Se Φ : V × V → V é uma aplicação bilinear alternada então existe uma


aplicação linear L : V → V tal que Φ(u, v) = L(u ∧ v).

Demonstração. Se (e1 , e2 , e3 ) é uma base ortonormal positiva de V então e1 ∧ e2 = e3 ,


e2 ∧ e3 = e1 , e3 ∧ e1 = e2 . Basta definir L(e1 ) = Φ(e2 ∧ e3 ), L(e2 ) = Φ(e3 ∧ e1 ),
L(e3 ) = Φ(e1 ∧ e2 ). 

Substituindo acima obtemos:


!
hu1 , v1 i hu1 , v2 i
hL(u1 ∧ u2 ), v1 ∧ v2 i = det
hu2 , v1 i hu2 , v2 i
Calculando Φ(ei , ej ) = L(ei ∧ ej ) obtemos L = I.
Finalmente:
!
hu1 , v1 i hu1 , v2 i
hu1 ∧ u2 , v1 ∧ v2 i = det
hu2 , v1 i hu2 , v2 i
Seja (x1 , x2 , x3 ) a base dual da base ortonormal (e1 , e2 , e3 ) então
X
(ω1 ∧ ω2 )(v1 , v2 ) = (ω1 ∧ ω2 )(eI )xI (v1 , v2 )
I∈C3,2

Lembrando que ωi (ej ) = hui , ej i = xj (ui )


12. FORMAS DIFERENCIAIS 22

X
(ω1 ∧ ω2 )(v1 , v2 ) = xI (u1 , u2 )xI (v1 , v2 )
I∈C3,2
No nosso caso temos

(ω1 ∧ ω2 )(v1 , v2 ) = (x1 ∧ x2 )(u1 , u2 )(x1 ∧ x2 )(v1 , v2 ) +


(x2 ∧ x3 )(u1 , u2 )(x2 ∧ x3 )(v1 , v2 ) +
(x3 ∧ x1 )(u1 , u2 )(x3 ∧ x1 )(v1 , v2 )
Disto obtemos a identidade de Binet-Cauchy:

hu1 ∧ u2 , v1 ∧ v2 i = (x1 ∧ x2 )(u1 , u2 )(x1 ∧ x2 )(v1 , v2 ) +


(x2 ∧ x3 )(u1 , u2 )(x2 ∧ x3 )(v1 , v2 ) +
(x3 ∧ x1 )(u1 , u2 )(x3 ∧ x1 )(v1 , v2 )
Fazendo ui = vi temos a identidade de Lagrange:

kv1 ∧ v2 k2 = (x1 ∧ x2 )((v1 , v2 )2 +


(x2 ∧ x3 )(v1 , v2 )2 +
(x3 ∧ x1 )(v1 , v2 )2
Esta diz que o quadrado da área do paralelogramo gerado pelos vetores v1 e v2 é igual a soma
dos quadrados das áreas das projeções nos planos coordenados (Teorema de Pitágoras).

12. Formas diferenciais

Recordemos que se U ⊂ Rn , f : U → R é uma função diferenciavel e p ∈ U então a diferencial


de f em p é dada por:
(
dfp : Rn → R
∂f f (p+tv)−f (p)
dfp (v) = ∂v (p) = limt→0 t

Exemplo 1.23. Se f : Rn → R é uma função linear então


f (p + tv) − f (p)
dfp (v) = lim = f (v)
t→0 t
Assim dfp = f ou seja df é constante.

Exemplo 1.24. Seja e1 , . . . , en uma base do Rn . Se x1 , . . . , xn é a base dual então cada


xi : Rn → R é uma função linear e portanto dxip = xi qualquer que seja p ∈ Rn .

Como consequência do exemplo anterior a diferencial de uma função tem a seguinte expressão:
12. FORMAS DIFERENCIAIS 23

dfp ( i=1,...,n xi (v)ei )


P
dfp (v) = =

P ∂f i
i=1,...,n ∂xi (p)x (v) =

P ∂f i
i=1,...,n ∂xi (p)dxp (v)
Abreviadamente:
X ∂f i
df = dx
∂xi
i=1,...,n
Mais geralmente se V, W são espaços vetoriais de dimensão finita, U ⊂ V aberto e F : U → W
diferenciável, a diferencial de F em p é dada por
F (p + tv) − F (p)
dFp (v) = lim
t→0 t
Se (w1 , . . . , wm ) é uma base de W então F (p) = j=1,...,m f j (p)wj e sua diferencial em p é
P

dada por dF (p) = j=1,...,m df j (p)wj . Explicitamente temos:


P

 
X X ∂f j
dFp (v) =  (p)dxip (v) wj
∂xi
j=1,...,m i=1,...,n
ou na forma abreviada:
 
X X ∂f j
dF =  dxi  wj
∂xi
j=1,...,m i=1,...,n

A matriz
∂f j

J(p) = (p)
∂xi
é chamada de matriz jacobiana de F no ponto p. Um caso de particular importância para nós é
quando o espaço vetorial W é o espaço dual V ∗ ou mais geralmente W = k (V ∗ ).
V

Definição 1.25. Uma k-forma diferencial num aberto U ∈ V é uma aplicação diferenciável
k
^
ω:U → (V ∗ )

Fixada uma base x1 , . . . , xn de V ∗ lembrando que dxip = xi e que (dxIp )I∈Cn,k = (xI )I∈Cn,k
constitui uma base de k (V ∗ ) então
V
X
ω(p) = aI (p)dxIp
I∈Cn,k

onde cada aI : U → R é uma função diferenciável.


12. FORMAS DIFERENCIAIS 24

Exemplo 1.26. Para k = 1 temos as 1-formas diferenciáveis no Rn

ω : Rn → (Rn )∗
X
ωp = ai (p)dxip
i=1,...,n
∂f
Rn i
P
Em particular se f : → R então a diferencial de f é uma 1-forma df = i=1,...,n ∂xi dx onde
∂f i
ai (p) = ∂xi dx .

Exemplo 1.27. No R3 temos

1-formas : ω = adx + bdy + cdz


2-formas : η = adx ∧ dy + bdy ∧ dz + cdz ∧ dx
3-formas : ∆ = adx ∧ dy ∧ dz
onde a, b, c são funções diferenciáveis definidas no R3 .

A partir de agora suporemos que todas as funções consideradas tenham pelo menos derivadas
segunda contı́nuas e a diferencial de f em p será denotada por fp0 ao invés de dfp . Em breve
ficará claro porque fizemos esta mudança de notação.
As operações de soma, produto por escalar e produto exterior das formas lineares induzem
as correspondentes operações nas formas diferenciais. Assim, por exemplo

(ω ∧ η)p = ωp ∧ ηp

Definição 1.28. O conjunto das k-formas diferenciais sobre U será designado por E k (U ).

Note que E 0 (U ) é o conjunto das funções diferenciáveis definidas em U . Com as operações


usuais E k (U ) é um espaço vetorial real. Além disto este espaço é um módulo sobre o anel E 0 (U )
das funções diferenciáveis definidas em U . Observamos também que se f ∈ E 0 (U ) e ω ∈ E k (U )
então f ∧ ω = f ω.

Definição 1.29. Sejam V ⊂ Rn um conjunto aberto, ω ∈ E k (V ), U ⊂ Rm e f : U → Rm


tal que f (U ) ⊂ V . Definimos

f ∗ (ω)p (v1 , . . . , vk ) = ωf (p) (dfp (v1 ), . . . , dfp (vk ))

Da proposição 1.18 segue facilmente o seguinte resultado:

Proposição 1.30. Nas condições acima temos:


(1) f ∗ : E k (V ) → E k (U ) é uma aplicação linear.
(2) Se g ∈ E 0 (V ) então f ∗ (g) = g ◦ f
(3) Se ω ∈ E k (V ) η ∈ E r (V ) então f ∗ (ω ∧ η) = f ∗ (ω) ∧ f ∗ (η)
12. FORMAS DIFERENCIAIS 25

Exemplo 1.31. Se f : Rm → Rn é uma aplicação dada por xi = f i (y 1 , . . . , y m ) e


X
ω= ai dxi
i=1,...,n

então
∂f i
f ∗ (ω) = j
P P
i=1,...,n ai ( j=1,...,m ∂y j dy )

∂f i
f ∗ (ω) = j
P
i,j ai ∂y j dy

Como consequência para calcularmos f ∗ (ω) basta substituirmos dxi na expressão de ω por
∂f i
df i = j=1,...,m ∂y j
P
j dy .

A seguir vamos definir a operação mais importante nas formas diferenciais, a diferencial
exterior. Comecemos com as 1-formas. Se f : Rn → R é diferenciável então a sua diferencial
f 0 : Rn → (Rn )∗ é uma 1-forma sobre o Rn (lembre que mudamos a notação!). A diferencial
desta função num ponto p ∈ Rn é a função linear

(f 0 )0p : Rn → (Rn )∗

chamada de diferencial segunda de f no ponto p e denotada abreviadamente por fp00 . Em


coordenadas temos:
X ∂f
fp0 = (p)dxip
∂xi
i=1,...,n

(Lembre que dxip


= é uma função constante igual a um vetor fixo xi ).
xi
Calculando a diferencial de f 0 obtemos:
X X ∂2f
fp00 = ( (p)dxjp dxip )
∂xj ∂xi
i=1,...,n j=1,...,n

A diferencial segunda de f define uma função bilinear h : Rn × Rn → R dada por:

h(u, v) = fp00 (u)(v)

Em coordenadas temos:
X X ∂2f
fp00 (u, v) = ( (p)uj v i )
∂xj ∂xi
i=1,...,n j=1,...,n

∂2f ∂2f
O teorema de Schwarz diz que esta forma bilinear é simétrica ou seja ∂xj ∂xi
(p) = ∂xi ∂xj
(p).
2
A matriz H = ( ∂x∂j ∂x
f
i (p)) é uma matriz simétrica chamada de matriz hessiana de f no ponto

p. Seja agora uma 1-forma X


ωp = ai (p)dxip
i=1,...,n
12. FORMAS DIFERENCIAIS 26

Então a diferencial de ω em p é uma aplicação linear

ωp0 : Rn → (Rn )∗

Esta também define uma aplicação bilinear:

h(u, v) = ωp0 (u)(v)

Assim se existir uma função f tal que ω = df esta forma precisa ser simétrica:

ωp0 (u)(v) = ωp0 (v)(u)

Definição 1.32. Se ω ∈ E 1 (U ) definimos diferencial exterior de ω por

dωp (u, v) = ωp0 (u, v) − ωp0 (v, u)

Assim a diferencial exterior de ω é a parte anti-simétrica da diferencial usual. Ela mede


o quanto uma forma diferencial afasta-se de ser uma diferencial exata, isto é ser a diferencial
de uma função. Analisemos a recı́proca, isto é se dω = 0 quando existe f tal que f 0 = ω?
Considere uma função f : Rn → R e g(t) = f (tx). Então g 0 (t) = ftx 0 (x) = ω (x). Assim
tx
R1
f (x) − f (0) = g(1) − g(0) = 0 ωtx (x)dt. Desta forma se existir uma tal f ela será dada por
Z 1
f (x) = f (0) + ωtx (x)dt
0

Lema 1.33. Sejam ω uma 1-forma definida num aberto U ⊂ Rn , f, g : W → U funções


diferenciáveis definidas em W ⊂ Rm . Então a função

Φ(x) = ωf (x) (g(x))

é diferenciável e sua diferencial é dada por

Φ0x (v) = ωf0 (x) (f 0 (v))(g(x)) + ωf (x) (g 0 (v))


i
P
Demonstração. Escrevemos a forma em coordenadas ωp = i=1,...,n ai (p)dxp . Então
X
Φ(x) = ai (f (x))g i (x)
i=1,...,n

onde g i são as coordenadas de g. Segue da regra da cadeia e do produto que:


X X
Φ0x (v) = (ai )0f (x) (f 0 (v))g i (x) + ai (f (x))(g i )0 (v)
i=1,...,n i=1,...,n

ou seja
Φ0x (v) = ωf (x) (f 0 (v))(g(x)) + ωf (x) (g 0 (v))

12. FORMAS DIFERENCIAIS 27

Proposição 1.34. (Lema de Poincaré para 1-formas) Se ω ∈ E 1 (Rn ) e dω = 0 então a


função Z 1
f (x) = ωtx (x)dt
0
é uma primitiva de ω, isto é f 0 = ω.

Demonstração. Pelo lema anterior e pela regra de Leibniz a diferencial de f é dada por
Z 1
0 0
fx (v) = (ωtx (tv)(x) + ωtx (v))dt
0
Z 1
fx0 (v) = 0
(tωtx (v)(x) + ωtx (v))dt
0
Por hipótese dω = 0. Desta forma
0 0
dωtx (v, x) = ωtx (v, x) − ωtx (x, v) = 0

ou seja:
0 0
ωtx (v, x) = ωtx (x, v)
Substituindo na expressão acima teremos
Z 1
0 0
fx (v) = (tωtx (x)(v) + ωtx (v))dt
0
Z 1
fx0 (v) = 0
(tωtx (x) + ωtx )(v)dt
0
Z 1
d
fx0 (v) = ( (tω(tx))(v)dt
0 dt
fx0 (v) = (tωtx )(v)|10 = ωx )(v)


A seguir vamos estender a diferencial exterior para formas de grau maior que 1.

Definição 1.35. Se ω ∈ E k (U ) definimos


X
dωx (v1 , . . . , vk+1 ) = σ ωx0 (vσ(1) )(vσ(2) , . . . , vσ(k+1) )
σ∈S1k

ou de forma equivalente
k+1
X
dωx (v1 , . . . , vk+1 ) = (−1)i−1 ωx0 (vi )(v1 , . . . , vbi , . . . , v(k+1) )
i=1
12. FORMAS DIFERENCIAIS 28

Em coordenadas teremos: X
ω= aI dxI
I∈Cnk
X
ωx0 (v) = (daI )x (v)dxIx
I∈Cnk
X X
dωx (v1 , . . . , vk+1 ) = σ (daI )x (vσ(1) )dxIx (vσ(2) , . . . , vσ(k+1) )
I∈Cnk σ∈S1k
X
dωx (v1 , . . . , vk+1 ) = ((daI )x ∧ dxIx )((v1 , . . . , vk+1 )
I∈Cnk
ou seja X
dω = ((daI ) ∧ dxI
I∈Cnk

Exemplo 1.36. Se ω ∈ R2 é dada por ω = P dx + Qdy então dω = dP ∧ dx + dQ ∧ dy o que


implica
∂Q ∂P
dω = ( − )dx ∧ dy
∂x ∂y
Exemplo 1.37. Se ω ∈ R3 é dada por ω = P dx + Qdy + Rdz então dω = dP ∧ dx + dQ ∧
dy + dR ∧ dz de onde tiramos
∂Q ∂P ∂R ∂Q ∂R ∂P
dω = ( − )dx ∧ dy + ( − )dy ∧ dz + ( − )dz ∧ dx
∂x ∂y ∂y ∂z ∂z ∂x
Proposição 1.38. O operador d tem as seguintes propriedades:
(1) d : E k (U ) → E k+1 (U )
(2) d é R-linear
(3) df = f 0
(4) Se ω ∈ E k (U ) então d(ω ∧ η) = dω ∧ η + (−1)k (ω ∧ dη)
(5) d2 ω = 0
(6) d(f ∗ ω) = f ∗ (dω)

Demonstração. As propriedades 1,2,3 seguem diretamente das definições.


Se X X
ω= aI dxI e η = bJ dxJ
I∈Cnk I∈Cnk
então X
ω∧η = aI bJ dxI ∧ dxJ
I,J∈Cnk
X
d(ω ∧ η) = d(aI bJ )dxI ∧ dxJ
I,J∈Cnk
12. FORMAS DIFERENCIAIS 29
X
d(ω ∧ η) = (daI bJ + aI dbJ )dxI ∧ dxJ
I,J∈Cnk
X X
d(ω ∧ η) = bJ daI dxI ∧ dxJ + aI dbJ dxI ∧ dxJ
I,J∈Cnk I,J∈Cnk
X X
d(ω ∧ η) = daI dx ∧ bJ dx + (−1)k
I J
aI dxI ∧ dbJ ∧ dxJ
I,J∈Cnk I,J∈Cnk
k
d(ω ∧ η) = dω ∧ η + (−1) (ω ∧ dη)
provando o item 4.
X
ω= aI dxI
I∈Cnk
X
dω = daI ∧ dxI
I∈Cnk
X X ∂aI
dω = ( dxi ) ∧ dxI
∂xi
I∈Cnk i=1,...,n
X X ∂ 2 aI
d(dω) = ( dxj ∧ dxi ) ∧ dxI
∂xj ∂xi
I∈Cnk i,j=1,...,n
X X ∂ 2 aI ∂ 2 aI
d(dω) = ( ( i j dxj − j i )dxi ∧ dxj ∧ dxI = 0
∂x ∂x ∂x ∂x
I∈Cnk i<j
Finalmente se g ∈ então f ∗ (g) = g ◦ f .
E 0 (U )
Assim teremos d(f ∗ (g)) = d(g ◦ f ) = dg ◦ df = (f ∗ (dg). Se
X
ω= aI dxI
I∈Cnk

então X
f ∗ (ω) = f ∗ (aI )f ∗ (dxI )
I∈Cnk
X
d(f ∗ (ω)) = d(f ∗ (aI )) ∧ f ∗ (dxI )
I∈Cnk
X
d(f ∗ (ω)) = (f ∗ (daI )) ∧ f ∗ (dxI )
I∈Cnk
X
d(f ∗ (ω)) = f ∗ (daI ∧ dxI )
I∈Cnk
d(f (ω)) = f ∗ (dω)


12. FORMAS DIFERENCIAIS 30

Proposição 1.39. (Lema de Poincaré)


Se ω ∈ k (V ∗ ) é fechada, isto é dω = 0 então a k − 1-forma definida por
V
Z 1
ηx (v1 , . . . , vk−1 ) = ωtx (x, tv1 , . . . , tvk−1 )dt
0
é uma primitiva de ω ou seja dη = ω.

Demonstração.
k
X
dηx (v1 , . . . , vk ) = (−1)i−1 ηx0 (vi )(v1 , . . . , vbi , . . . , vk )
i=1
Z 1
ηx0 (vi )(v1 , . . . , vbi , . . . , vk ) = 0
(ωtx (tvi )(x, tv1 , . . . , tc
vi , . . . , tvk ) + ωtx (vi , tv1 , . . . , tc
vi , . . . , tvk ))dt
0
Substituindo teremos:
k
X Z 1
0
dηx (v1 , . . . , vk ) = (−1)i−1 (ωtx (tvi )(x, tv1 , . . . , tc
vi , . . . , tvk ) + ωtx (vi , tv1 , . . . , tc
vi , . . . , tvk ))dt
i=1 0

Como ω é alternada temos:

vi , . . . , tvk ) = (−1)i−1 ωtx (v1 , tv2 , . . . , tvi , . . . , tvk ))


ωtx (vi , tv1 , . . . , tc

e como ω é fechada então


dωtx (x, tv1 , . . . , tvk ) = 0
k
X
0 0
(ωtx (x)(tv1 , . . . , tvk ) + (−1)i ωtx (tvi )(x, tv1 , . . . , tc
vi , . . . , tvk ) = 0
i=1
k
X
0 0
(ωtx (x)(tv1 , . . . , tvk ) = (−1)i−1 ωtx (tvi )(x, tv1 , . . . , tc
vi , . . . , tvk )
i=1
Substituindo na expressão de dη
Z 1
0
dηx (v1 , . . . , vk ) = (ωtx (x)(tv1 , . . . , tvk ) + kωtx (v1 , tv2 , . . . , tvk ))dt
0
Z 1
0
dηx (v1 , . . . , vk ) = (tk ωtx (x)(v1 , . . . , vk ) + ktk−1 ωtx (v1 , v2 , . . . , vk ))dt
0
Z 1
0
dηx (v1 , . . . , vk ) = (tk ωtx (x) + ktk−1 ωtx )(v1 , v2 , . . . , vk )dt
0
Z 1
d k
dηx (v1 , . . . , vk ) = (t ωtx (x))(v1 , v2 , . . . , vk )dt
0 dt

13. COHOMOLOGIA DE DE RHAN 31

13. Cohomologia de De Rhan

Definição 1.40. Diremos que uma k-forma ω é fechada ou que é um cobordo se dω = 0 e


que ela é exata ou que é um cociclo se existe uma k − 1-forma η tal que dη = ω.
Os operadores
d : E k−1 (U ) → E k (U )
onde U ⊂ Rn é um aberto definem uma sequência

{0} → E 0 (U ) → E 1 (U ) → . . . E k−1 (U ) → E k (U ) . . . E n (U ) → {0}


Definição 1.41.
B k (U ) = Ker (d : E k (U ) → E k+1 (U ))
Z k (U ) = Im (d : E k−1 (U ) → E k (U ))
Como d2 = d ◦ d = 0 temos que
Z k (U ) ⊂ B k (U )
O k-ésimo grupo de Cohomologia de De Rham do aberto U é por definição o cociente:

H k (U ) = B k (U )/Z k (U )
Exemplo 1.42. (cohomologia de R)

E 0 (R) = {f : R → R : f é diferenciavel}

E 1 (R) = {adx : a é diferenciavel}


Agora
B 0 (R) = {f : R → R : df = 0}
B 1 (R) = E 1 (R) = {adx : a é diferenciavel}
Z 0 (R) = {0}
R
Se ω = adx então tomando-se f = adx temos que df = ω de onde concluimos que

Z 1 (R) = E 1 (R)

Assim temos (
H 0 (R) = R
H 1 (R) = {0}
S
Exemplo 1.43. Seja U ⊂ R um conjunto aberto. Então U = j∈A Ij , reunião disjunta de
intervalos Ij . Então teremos: (
H 0 (U ) = RA
H 1 (U ) = {0}
13. COHOMOLOGIA DE DE RHAN 32

Exemplo 1.44. Seja U ⊂ Rn um conjunto aberto. Então U =


S
j∈A Cj , reunião disjunta de
suas componentes conexas Cj . Então teremos:

H 0 (U ) = RA

Exemplo 1.45. (cohomologia de R2 − {0})


Considere as coodenadas polares no plano
(
x = r cos θ
y = r sen θ
p
Então temos que r = x2 + y 2 . De onde concluimos que
xdx + ydy
dr = p
x2 + y 2
Diferenciando temos que
(
dx = cos θdr − r sen θdθ
dy = sen θdr + r cos θdθ
De onde concluimos que
−ydx + xdy
dθ =
x2 + y 2
Note que apesar da função θ não estar definida em todo R2 − {0} as formas

xdx + ydy
 ω1 =

 p
x2 + y 2
−ydx + xdy
 ω2 =


x2 + y 2
estão globalmente definidas.
Um cálculo simples mostra que dω1 = 0 e dω2 = 0. A forma ω1 é exata: dr = ω1 mas a
forma ω2 não é exata pois se consideramos a curva fechada c(t) = (cos t, sen t) onde 0 ≤ t ≤ 2π
então a integral de linha é diferente de zero:
−ydx + xdy
Z
= 2π
c x2 + y 2
∂a ∂a
Se ω = a(r, θ)dr é uma forma fechada então dω = dθ ∧ dr = 0. Portanto = 0. Assim
R ∂θ ∂θ
a função a só depende de r, a = a(r). Se f (r) = a(r)dr então df = ω ou seja ω é exata. Se
∂b ∂b
ω = b(r, θ)dθ é uma forma fechada então dω = dr ∧ dθ = 0. Portanto = 0. Assim a
∂r ∂r
13. COHOMOLOGIA DE DE RHAN 33

função b só depende de θ, b = b(θ). Assim ω = b(θ)dθ. Seja


Z 2π
1
k= b(θ)dθ
2π 0
Considere a nova forma
η = ω − kdθ = (b(θ) − k)dθ
e seja
Z θ
f (θ) = (b(θ) − k)dθ
0
Então f (2π) = f (0) = 0 e portanto é uma função periódica definida no R2 − {0} e df = θ. Assim
η ∈ Z 1 (R2 − {0}) e temos

ω + Z 1 (R2 − {0}) = (η + kdθ) + Z 1 (R2 − {0}) = kdθ + Z 1 (R2 − {0})

Consideremos o caso geral onde ω = a(r, θ)dr + b(r, θ)dθ é uma forma fechada.
∂b ∂a
Então temos − = 0.
∂r ∂θ
Seja Z 2π
1
k= b(1, θ)dθ
2π 0
e Z θ Z r
f (r, θ) = (b(1, θ) − k)dθ + a(r, θ)dr
0 1
Como acima verifica-se que f esta bem definida no R2 − {0} e temos
∂f
= a(r, θ)
∂r

∂f R r ∂a
= (b(θ) − k) + 1 ∂θ dr
∂θ
Usando o fato que ω é fechada vem
∂f R r ∂b
= (b(1, θ) − k) + 1 ∂r dr
∂θ

∂f
= (b(1, θ) − k) + b(r, θ) − b(1, θ)
∂θ

∂f
= b(r, θ) − k
∂θ
Disto podemos concluir que
ω = df + kdθ
ω + Z 1 (R2 − {0}) = kdθ + Z 1 (R2 − {0})
14. ANÁLISE VETORIAL CLÁSSICA 34

mostrando que
H 1 (R2 − {0}) = R
Como R2 −{0} é conexo temos que H 0 (R2 −{0}). Se η = a(r, θ)dr ∧dθ e f (r, θ) = a(r, θ)dr
R

então a 1-forma ω = f (r, θ)dθ é uma primitiva de η ou seja dω = η. Em resumo a cohomologia


do R2 − {0} é 
0 2
 H (R − {0}) = R

H (R2 − {0}) = R
1
 2 2

H (R − {0}) = {0}

14. Análise vetorial clássica

Recordemos que um campo de vetores num aberto U ⊂ R3 é uma aplicação diferenciável

X : U → R3

Se (e1 , e2 , e3 ) é uma base então

X(p) = a1 e1 + a2 e2 + a3 e3

onde cada ai : U → R é uma função diferenciável e

dX(p) = da1 (p)e1 + da2 (p)e2 + da3 (p)e3

Seja Γ(U ) o conjunto dos campos definidos em U . Com as operações habituais Γ(U ) torna-se
um espaço vetorial sôbre R e um módulo sôbre o anel E 0 (U ) das funções diferenciáveis definidas
em U . Considere a seguir as formas duais dx1 , dx2 , dx3 . Uma 1-forma ω ∈ E 1 (U ) decompõe-se

ω = a1 dx1 + a2 dx2 + a3 dx3

As 2-formas η ∈ E 2 (U ) decompõe-se

η = b1 dx2 ∧ dx3 + b2 dx3 ∧ dx1 + b3 dx1 ∧ dx2

Finalmente as formas de grau tres são dadas por

γ = cdx1 ∧ dx2 ∧ dx3

As diferenciais exteriores, sendo f ∈ E 0 (U ), são dadas por


∂f ∂f ∂f
df = dx1 + 2 dx2 + 3 dx3
∂x1 ∂x ∂x
dω = da1 ∧ dx1 + da2 ∧ dx2 + da3 ∧ dx3
∂a2 ∂a1 ∂a3 ∂a1 ∂a3 ∂a2
dω = ( 1 − 2 )dx1 ∧ dx2 + ( 1 − 3 )dx1 ∧ dx3 + ( 2 − 3 )dx2 ∧ dx3
∂x ∂x ∂x ∂x ∂x ∂x
dη = db1 ∧ dx2 ∧ dx3 + db2 ∧ dx3 ∧ dx1 + db3 ∧ dx1 ∧ dx2
14. ANÁLISE VETORIAL CLÁSSICA 35

∂b1 ∂b2 ∂b3


dη = ( + + )dx1 ∧ dx2 ∧ dx3
∂x1 ∂x2 ∂x3
dγ = 0
Assumamos a partir de agora que (e1 , e2 , e3 ) é uma base ortonormal positiva de forma que o
elemento de volume do R3 é dado por

∆ = dx1 ∧ dx2 ∧ dx3

Para cada X ∈ Γ(U ) defina a 1-forma

(ωX )p (v) = hX(p), iv

e a 2-forma
(ηX )p (u, v) = ∆(X(p), u, v)
Para cada f ∈ E 0 (U ) defina
∆f = f ∆
As aplicações (
Γ(U ) → E 1 (U )
X 7→ ωX
(
Γ(U ) → E 2 (U )
X 7→ ηX
(
E 0 (U ) → E 3 (U )
X 7→ ∆f
são isomorfismos de espaços vetoriais e de módulos.

Definição 1.46. (Gradiente, Rotacional, Divergente)


O Gradiente de uma função f ∈ E 0 (U ) é o campo ∇f tal que

ω∇f = df

O Rotacional de um campo X ∈ Γ(U ) é o campo rot(X) ∈ Γ(U ) tal que

ηrot(X) = dωX

O Divergente de um campo X ∈ Γ(U ) é a função div(X) ∈ E 0 (U ) tal que

∆div(X) = dηX

O Laplaciano de uma função f ∈ E 0 (U ) é a função 4f ∈ E 0 (U ) dada por

4f = div(∇f )
14. ANÁLISE VETORIAL CLÁSSICA 36

Mostramos na secção 11 a seguinte igualdade

ωX ∧ ωY = ηX∧Y

Considere a 3-forma
ωX ∧ η Y
Como ωX ∧ ∆ = 0 fazendo a contração na direção Y temos:

iY ωX ∧ ∆ − ωX ∧ iY ∆ = 0

ou seja
ωX ∧ ηY = hX, Y i∆
Diferenciando
ω∇f = df
temos
dω∇f = 0
de onde concluimos que
rot(∇f ) = 0
De forma semelhante diferenciando

∆div(rot(X)) = dηrot(X)

obtemos
div(rot(X) = 0
Consideremos a seguir o elemento de área 4 no plano R2 . Para cada u ∈ R2 seja Ju o único
vetor tal que
hJu, vi = 4(u, v)

Proposição 1.47. O operador linear J : R2 → R2 tem as seguintes propriedades:


(1) Ju⊥u
(2) hJu, Jvi = hu, vi
(3) hJu, vi = −hu, Jvi
(4) J 2 = −I

Demonstração. Como hJu, ui = 4(u, u) = 0 vem que Ju⊥u. Agora,

hJu, Jui2 = 4(u, Ju)2


!
hu, ui hu, Jui
4(u, Ju)2 = det
hJu, ui hJu, Jui
14. ANÁLISE VETORIAL CLÁSSICA 37

como hJu, ui = 0 temos que hJu, Jui2 = hu, uihJu, Jui. De onde concluimos que hJu, Jui =
hu, ui. Da fórmula de polarização temos que:

hJu, Jvi = hu, vi

Também
hJu, vi = 4(u, v) = − 4 (v, u) = −hJv, ui
Finalmente,
hJ 2 u, vi = −hJu, Jvi = −hu, vi
De onde concluimos que
J 2 = −I

O operador J nada mais é que a estrutura complexa usual do plano. Em coordenadas
J(x, y) = −(y, x).
Como antes para cada X ∈ Γ(U ) onde U é um aberto do plano seja

(ωX )p (u) = hX(p), ui

(ηX )p (u) = 4(X(p), u)

Proposição 1.48. Se X, Y ∈ Γ(U ) então:


(1) ηX = ωJX
(2) ωX ∧ ωY = hJX, Y i 4
(3) ωX ∧ ηY = hX, Y i 4
(4) ηX ∧ ηY = ωX ∧ ωY = hJX, Y i 4

Demonstração.
(1)
(ηX )p (u) = 4(X(p), u) = hJX(p), ui = (ωJX )p (u)
(2)
!
hX, ui hX, vi
(ωX ∧ ωY )(u, v) = det = 4(X, Y ) 4 (u, v) = hJX, Y i 4 (u, v)
hY, ui hY, vi
(3)
ωX ∧ ηY = ωX ∧ ωJY = hJX, JY i 4 = hX, Y i 4
(4)
ηX ∧ ηY = ωJX ∧ ωJY = hJ 2 X, JY i 4 = hJX, Y i 4

CAPı́TULO 2

Integral de formas diferenciais

Neste capı́tulo defiremos a integral de uma k-forma ao longo de um k-caminho no Rn e


provaremos a versão do teorema de Stokes para cadeias.

1. Integral de formas sobre cadeias

Comecemos recordando a fórmula de mudança de variáveis para integrais múltiplas.


Seja g : U → V um difeomorfismo entre os abertos U, V ⊂ Rn , D ⊂ U um domı́nio compacto
Jordan mensurável então
Z Z
1 n
f (y)dy . . . dy = f (g(x)| det g 0 (x)|dx1 . . . dxn
g(D) D
Se a função g é dada em coordenadas por yi = y i (x1 , . . . , xn ) então o determinante jacobiano
de g é dado por:

∂(y 1 . . . y n ) ∂y i
 
= det g 0 (x) = det
∂(x1 . . . xn ) ∂xj
e a fórmula de mudança de variáveis escreve-se como

∂(y 1 . . . y n ) 1
Z Z
1 n 1 n 1 1 n n 1 n dx . . . dxn
f (y , . . . , y )dy . . . dy = f (y (x , . . . , x ), . . . , y (x , . . . , x ))

1 . . . xn )
g(D) D ∂(x

Exemplo 2.1. Considere uma aplicação afim do Rn g : Rn → Rn dada por g(x) = T (x) + b
onde T é linear e b ∈ Rn . Então det g 0 (x) = det T e temos:
Z Z
1 n
f (y)dy . . . dy = |detT | f (T (x) + b)dx1 . . . dxn
T (D)+b D

Em coordenadas
n
X
i
y = aij xj + bi
j=1
Z Z Xn n
X
f (y)dy 1 . . . dy n = |det(aij )| f( a1j xj + b1 , . . . , anj xj + bn )dx1 . . . dxn
T (D)+b D j=1 j=1

38
1. INTEGRAL DE FORMAS SOBRE CADEIAS 39

Consideremos a seguir uma n-forma ω = f dy 1 ∧ . . . ∧ dy n definida no aberto V ⊂ Rn .

Definição 2.2. Z Z
ω= f (y)dy 1 . . . dy n
D D
Sendo g como acima temos que

g ∗ ω = (f ◦ g) det g 0 (x)dx1 ∧ . . . ∧ dxn


 i
∗ ∂y
g ω = (f ◦ g) det dx1 ∧ . . . ∧ dxn
∂xj
 i
∂y
Supondo que g preserva a orientação, isto é det ∂x j > 0 a fórmula de mudança de variaveis
adquire a expressão simplificada: Z Z
ω= g∗ω
g(D) D
Em poucas palavras: a integral de n-formas é invariante por imagem inversa através de
difeomorfismos que preservam a orientação.
Sejam I = [0, 1], I n o n-cubo unitário do Rn e V um espaço vetorial de dimensão finita.
Diremos que uma função f : I n → V é diferenciável se ela for a restrição de uma função
diferencável definida num aberto U que contém I n . Convencionaremos que I 0 = {0}.

Definição 2.3. Um k-caminho no Rn é uma aplicação diferenciável

c : I k → Rn

Assim um 0-caminho é um ponto c(0), um 1-caminho é uma curva c : I → Rn , um 2-caminho


é uma superfı́cie parametrizada com bordo c : I 2 → Rn etc.

Definição 2.4. Sejam ω ∈ E k (U ) onde U ⊂ Rn é aberto e c : I k → U um k-caminho. A


integral de ω sobre c é o número Z Z
ω= c∗ ω
c Ik

Definição 2.5. Uma k-cadeia no aberto U ⊂ Rn é uma soma formal

c = α1 c1 + α2 c2 + . . . + αm cm

onde cada ci : I k → Rn é um k-caminho e os αi são números reais. A integral de ω sobre c é o


número Z Xm Z
ω= αi ω
c i=1 ci

A seguir queremos definir o que entendemos por bordo ou fronteira de uma cadeia.
Começaremos descrevendo as faces de um cubo.
1. INTEGRAL DE FORMAS SOBRE CADEIAS 40

As faces do cubo I k ⊂ Rk são dadas por


k−1
F(j,) = {(x1 , . . . , xj−1 , , . . . , xk ) : xi ∈ [0, 1]}

onde j = 1, . . . , k e  = 0, 1. Assim
k−1
p ∈ F(j,) ⇐⇒ p ∈ I k e xj (p) = 
k−1
Observe que o vetor ej da base canônica é ortogonal à face F(j,) . O vetor normal à face
k−1
F(j,0) que aponta para fora do cubo I k é −ej . Já aquele que aponta para fora e normal à face
k−1 k−1
F(j,1) é ej . Sendo Nj, o vetor normal à face F(j,) então

N(j,) = (−1)(+1) ej
k−1
Orientamos as faces F(j,) escolhendo vetores tangentes (f1 , . . . , fk−1 ) à face de maneira que
(N(j,) , f1 , . . . , fk−1 ) seja uma base positiva do Rk isto é

∆(N(j,) , f1 , . . . , fk−1 ) > 0


Notando que

∆(N(j,) , e1 , . . . , ej−1 , ej+1 , . . . , ek ) = (−1)(+1) ∆(ej , e1 , . . . , ej−1 , ej+1 , . . . , ek )

∆(N(j,) , e1 , . . . , ej−1 , ej+1 , . . . , ek ) = (−1)(+1) (−1)(j−1) ∆(e1 , . . . , ek )


∆(N(j,) , e1 , . . . , ej−1 , ej+1 , . . . , ek ) = (−1)j+
podemos escolher, por exemplo, os vetores

f1 = (−1)j+k e1 , . . . , fj−1 = ej−1 , fj+1 = ej+1 , . . . , fk−1 = ek

Neste caso teremos


∆(N(j,) , f1 , . . . , fk−1 ) = 1
Cada face do cubo pode ser visto como um k − 1-caminho dado por
k
σ(j,) (x1 , . . . , xk−1 ) = (x1 , . . . , xj−1 , , . . . , xk−1 )

Agora
k k
dσ(j,) (e1 ) = e1 . . . dσ(j,) (ej−1 ) = ej−1
k k
dσ(j,) (ej ) = ej+1 . . . dσ(j,) (ek−1 ) = ek
k
Segue que dσ(j,) leva a orientação canônica do Rk na orientação fixada da face se (−1)j+ = 1 e
inverte caso contrário.
1. INTEGRAL DE FORMAS SOBRE CADEIAS 41

Definição 2.6. O Bordo do k-cubo é a (k − 1)-cadeia dada por


 
k
X X
∂I k =  (−1)j+ σ(j,)
k 

j=1 =0,1

Exemplo 2.7.
(1) ∂I 2 = σ(1,1)
2 2
− σ(1,0) 2
+ σ(2,0) 2
− σ(2,1)
(2) ∂I 3 = σ(1,1)
3 3
− σ(1,0) 3
+ σ(2,0) 3
− σ(2,1) 3
+ σ(3,1) 3
− σ(3,0)

Se c : I k → U ⊂ Rn é um k-caminho em U então c ◦ σ(j,)


k é um k − 1-caminho em U .

Definição 2.8. O Bordo de c é a (k − 1)-cadeia dada por


 
Xk X
∂c =  (−1)j+ c ◦ σ(j,)
k 

j=1 =0,1

Se c = α1 c1 + α2 c2 + . . . + αm cm é uma k-cadeia então Bordo de c é (k − 1)-cadeia

∂c = α1 ∂c1 + α2 ∂c2 + . . . + αm ∂cm

Teorema 2.9. Se c é uma k-cadeia então

∂ 2 c = ∂(∂c) = 0

Demonstração. Basta demonstrar o teorema para um k-caminho em U . Pela definição,


 
k
X X
∂c =  (−1)i+δ c ◦ σ(i,δ)
k 

i=1 δ=0,1

Portanto,  
k
X X
∂(∂c) =  (−1)i+δ ∂(c ◦ σ(i,δ)
k
)
i=1 δ=0,1
Agora,  
k−1
X X
k k−1 
∂(c ◦ σ(i,δ) )=  (−1)j+ (c ◦ σ(i,δ)
k
) ◦ σ(j,)
j=1 =0,1
Assim   
k
X X k−1
X X
k−1 
∂(∂c) =  (−1)i+δ  (−1)j+ c ◦ σ(i,δ)
k
◦ σ(j,)
i=1 δ=0,1 j=1 =0,1
Se i ≤ j temos
2. TEOREMA DE STOKES 42

k (σ k−1 (x1 , . . . , xk−2 ))


σ(i,δ) =
(j,)
k (x1 , . . . , xj−1 , , xj , . . . , xk−1 )
σ(i,δ) = (x1 , . . . xi−1 , δ . . . , , xj , . . . , xk−1 ) =
k k−1 1
σ(j+1,) (x1 , . . . xi−1 , δ . . . , xj , xk−1 ) k
= σ(j+1,) (σ(i,δ) (x , . . . , xk−2 ))
Assim para i ≤ j temos
k k−1 k k−1
σ(i,δ) ◦ σ(j,) = σ(j+1,) ◦ σ(i,δ)
Então  
k X
X k−1 X X
k−1 
∂(∂c) =  (−1)i+j++δ c ◦ σ(i,δ)
k
◦ σ(j,)
i=1 j=1 δ=0,1 =0,1

 
X X X
k−1 k−1 
∂(∂c) =  (−1)i+j++δ c ◦ σ(i,δ)
k
◦ σ(j,) + (−1)i+j++δ+1 c ◦ σ(j+1,δ)
k
◦ σ(i,)
1≤i<j≤k−1 δ=0,1 =0,1

Observe que o termo que corresponde a i = k está contemplado na segunda parte fazendo
j = i = k + 1.

 
X X X
k−1 k−1 
∂(∂c) =  (−1)i+j++δ c ◦ σ(j+1,)
k
◦ σ(i,δ) + (−1)i+j++δ+1 c ◦ σ(j+1,δ)
k
◦ σ(i,)
1≤i<j≤k−1 δ=0,1 =0,1

Desenvolvendo a soma:

P P i+j++δ c ◦ σ k k−1 i+j++δ+1 c k k−1


δ=0,1 =0,1 (−1) (j+1,) ◦ σ(i,δ) + (−1) ◦ σ(j+1,δ) ◦ σ(i,) =
k−1 k−1
(−1)i+j c ◦ σ(j+1,0)
k ◦ σ(i,0) − (−1)i+j c ◦ σ(j+1,0)
k ◦ σ(i,0) +
k−1 k−1
(−1)i+j c ◦ σ(j+1,1)
k ◦ σ(i,1) − (−1)i+j c ◦ σ(j+1,1)
k ◦ σ(i,1) −
k−1 k−1
(−1)i+j c ◦ σ(j+1,1)
k ◦ σ(i,0) + (−1)i+j c ◦ σ(j+1,0)
k ◦ σ(i,1) −
k−1 k−1
(−1)i+j c ◦ σ(j+1,0)
k ◦ σ(i,1) + (−1)i+j c ◦ σ(j+1,1)
k ◦ σ(i,0) =0


2. Teorema de Stokes

Comecemos lembrando o que é a diferencial de uma função. Sejam f ∈ E 0 (U ), p ∈ U e


v ∈ Rn . Considere o 1-caminho c∆x (t) = p + t∆xv 0 ≤ t ≤ 1. Então ∂c∆x = c(1) − c(0).
f (p + ∆xv) − f (p)
dfp (v) = lim
∆x→0 ∆x
2. TEOREMA DE STOKES 43

f (c(1)) − f (c(0))
dfp (v) = lim
∆x→0 ∆x
f (∂c∆x )
dfp (v) = lim
∆x→0 ∆x
Consideremos agora uma 1-forma ω ∈ E 1 (U ) e um 2-caminho c : I 2 → U dado por

c∆x (t1 , t2 ) = p + t1 ∆x1 v1 + t2 ∆x2 v2

onde p ∈ U , v1 , v2 ∈ Rn e ∆x = (∆x1 , ∆x2 ).


Mostraremos que a diferencial exterior de ω em p é dada pela variação da integral de linha
de ω no bordo de c com relação a ∆x1 · ∆x2 . Mais precisamente,

Proposição 2.10. Z
1
dωp (v1 , v2 ) = lim ω
∆x→0 ∆x1 · ∆x2 ∂c∆x

Demonstração. O bordo de c é dado por


 
2
X X
∂c =  (−1)j+ c ◦ σ(j,)
2 

j=1 =0,1
Para simplificar a notação coloquemos
2
c1 = c ◦ σ(2,0)
2
c2 = c ◦ σ(1,1)
2
c3 = c ◦ σ(2,1)
2
c4 = c ◦ σ(1,0)
de forma que
∂c = c1 − c3 + c2 − c4
onde
c1 (t1 ) = p + t1 ∆x1 v1
c2 (t2 ) = p + ∆x1 v1 + t2 ∆x2 v2
c3 (t1 ) = p + t1 ∆x1 v1 + ∆x2 v2
c4 (t2 ) = p + t2 ∆x2 v2
Então temos: Z Z Z Z Z
ω = ω− ω+ ω− ω
∂c∆x ∂c1 ∂c3 ∂c2 ∂c4

Z 1 Z 1
= (c∗1 ω − c∗3 ω) + (c∗2 ω − c∗4 ω)
0 0
2. TEOREMA DE STOKES 44

Z Z 1
ω = (ωp+t1 ∆x1 v1 (∆x1 v1 ) − ωp+t1 ∆x1 v1 +∆x2 v2 (∆x1 v1 ))dt1
∂c∆x Z0 1
+ (ωp+∆x1 v1 +t2 ∆x2 v2 (∆x2 v2 ) − ωp+t2 ∆x2 v2 (∆x2 v2 ))dt2
0
Z Z 1
1 1
lim ω = lim (ωp − ωp+∆x2 v2 )(v1 )dt1
∆x→0 ∆x1 · ∆x2 ∂c∆x ∆x2 →0 ∆x2 0
Z 1
1
+ lim (ωp+∆x1 v1 − ωp )(v2 )dt2
∆x1 →0 ∆x1 0
de onde concluı́mos que
Z
1
lim ω = −ωp0 (v2 , v1 ) + ωp0 (v1 , v2 ) = dωp (v1 , v2 )
∆x→0 ∆x1 · ∆x2 ∂c∆x

Em geral temos:

Proposição 2.11. Sejam ω ∈ E k (U ), p, vi ∈ Rn e ∆x = (∆x1 , . . . , ∆xk+1 ).


Se c∆x : I k+1 → Rn é o k + 1-caminho
k+1
X
c∆x (t1 , . . . , tn ) = p + ti ∆xi vi
i=1

então Z
1
dωp (v1 , . . . , vk+1 ) = lim
∆x ∆x1 , . . . , ∆xk+1 ∂c∆x

Teorema 2.12. (Teorema de Stokes)


Seja ω ∈ E k (U ) uma k-forma definida no aberto U do Rn e c uma (k + 1)-cadeia em U .
Então Z Z
ω = dω
∂c c
P P
Demonstração. Se c = αi ci então ∂c = αi ∂ci e
Z X Z
ω= αi ω
∂c ∂ci
Z X Z
dω = αi dω
c ci
Portanto basta demonstrar o teorema para um (k + 1)-caminho c : I k+1 → Rn . Pela definição
temos Z Z Z

dω = c (dω) = dc∗ (ω)
c I k+1 I k+1
2. TEOREMA DE STOKES 45

e Z Z Z
k+1 ∗
(−1)j+ (−1)j+
P P
ω = ω = (c ◦ σ(j,) ) ω
k+1
∂c c◦σ(j,) Ik
Z Z
k+1 ∗ ∗
(−1)j+ (−1)j+ (c∗ ω)
P P
= (σ(j,) ) (c ω) =
k k+1
I σ(j,)

R
= ∂I k+1 (c ω)
Portanto basta demonstrar que se ω ∈ E k (I k+1 ) então
Z Z
dω = ω
I k+1 ∂I k+1
Para fixarmos as idéias suporemos k = 1. O caso geral é semelhante.
Da proposição 2.10 temos que:
Z
1
dωp (e1 , e2 ) = lim ω
∆x,∆y→0 ∆x.∆y ∂R

onde R é o retângulo orientado no sentido anti-horário determinado por p e pelos vetores


∆xe1 , ∆ye2 . Assim dado  > 0 podemos encontrar δ > 0 tal que se |∆x| < δ e |∆y| < δ
então Z

dωp (e1 , e2 ) − 1
ω <
∆x.∆y ∂R
Z

dωp (e1 , e2 )∆x.∆y − ω < ∆x.∆y

∂R
Da continuidade uniforme podemos encontrar uma partição P do retângulo I 2 tal que
Z

dω (e , e )∆x .∆y − ω < ∆xi .∆yj

pij 1 2 i j
∂Rij

desde que |P | < δ sendo P = P1 × P2 , P1 : 0 = x0 < . . . < xn = 1, P2 : 0 = y0 < . . . < ym = 1,


pij = (xi−1 , yj−1 ), ∆xi = xi − xi−1 , ∆yj = yj − yj−1 e finalmente Rij é o retângulo orientado
determinado por pij e pelos vetores ∆xi e1 , ∆yj e2 .Da desigualdade triangular obtemos:

X X Z X Z
X

dω (e , e )∆x .∆y − ω ≤ dω (e , e )∆x .∆y − ω ≤ ∆xi .∆yj = 

p 1 2 i j p 1 2 i j

ij ij
i,j ∂R ij i,j
∂R ij

i,j

Em virtude da orientação as integrais de linha sôbre os lados que são comuns a dois retângulos
da partição cancelam-se e temos:
XZ Z
ω= ω
∂Rij ∂I 2
2. TEOREMA DE STOKES 46

Segue que
Z
X

dωpij (e 1 , e2 )∆x i .∆y j − ω ≤

i,j ∂I 2

Do critério de integrabilidade temos:


Z Z Z
dω = dωp (e1 , e2 )dxdy = ω
I2 I2 ∂I 2

MAT0336 - Geometria Diferencial II
Lista 1 – 08/08/2013

(1) Mostre que as funções coordenadas (xi ) relativas a uma base (ei ) de um espaço vetorial
V de dimensão n formam uma base de V ∗ .

(2) Se S é um subespaço de dimensão n − 1 de um espaço vetorial V de dimensão n, então


o seu anulador S 0 é um subespaço de V ∗ de dimensão 1.

(3) Seja V um espaço vetorial de dimensão finita munido de um produto interno h , i.


Para cada a ∈ V , defina a forma linear ωa por ωa (v) = ha, vi. Mostre que a aplicação

ω: V → V∗
a 7→ ωa

é um isomorfismo.

(4) Seja V um espaço vetorial de dimensão finita munido de um produto interno h , i.


Mostre que:

(a) hωa , ωb i = ha, bi define um produto interno em V ∗ ;


(b) se (ei ) é uma base ortonormal de V , então sua base dual (xi ) é uma base
ortonormal de V ∗ .
Q
(5) Considere a função polinomial φ(X1 , X2 , . . . , Xn ) = i<j (Xi − Xj ).
Se σ ∈ Sn defina σφ por

Y
(σφ)(X1 , X2 , . . . , Xn ) = (Xσ(i) − Xσ(j) )
i<j

e σ por σφ = σ φ. Mostre que:

(a)  : Sn → {1, −1} é um homomorfismo de grupos.


(b) An = {σ ∈ Sn : σ = 1} é um subgrupo normal de Sn .

(6) Seja ϕ : V k → R uma função k-linear. Mostre que:

1
(a) ϕ é alternada se, e só se,

ϕ(v1 , . . . , vi , . . . , vj , . . . , vk ) = −ϕ(v1 , . . . , vj , . . . , vi , . . . , vk );

(b) ϕ é simétrica se, e só se,

ϕ(v1 , . . . , vi , . . . , vj , . . . , vk ) = ϕ(v1 , . . . , vj , . . . , vi , . . . , vk ).

(7) Sejam ∆ a função determinante usual do R3 , (x1 , x2 , x3 ) a base dual da base canônica,
a = (1, 1, 1) e b = (1, −1, 1).

(a) Escreva ω(v) = ∆(a, b, v) na base (x1 , x2 , x3 ).


(b) Escreva η(u, v) = ∆(a, u, v) na base (x1 ∧ x2 , x2 ∧ x3 , x3 ∧ x1 ).
(c) Escreva ∆ na base x1 ∧ x2 ∧ x3 .

(8) Sejam ω, η, ϕ as formas no R3 dadas por ω = −bx1 + ax2 , η = cx1 ∧ x3 + dx2 ∧ x3 e


ϕ = x1 + x2 + x3 . Calcule ω ∧ η, η ∧ η, ω ∧ ϕ.

(9) Sejam ω e η formas de graus pares. Mostre que ω ∧ η = η ∧ ω.

(10) Se ω é uma forma de grau impar então ω ∧ ω = 0.

(11) Seja T : R3 → R3 dada por T (x1 , x2 , x3 ) = (y 1 , y 2 , y 3 ) onde y 1 = x1 + x2 + x3 ,


y 2 = x2 + x3 e y 3 = x3 .

(a) Se ω = y 1 + y 2 calcule T ∗ ω.
(b) Se η = y 1 ∧ y 2 + y 2 ∧ y 3 + y 3 ∧ y 1 calcule T ∗ η.
(c) Se ∆ = y 1 ∧ y 2 ∧ y 3 calcule T ∗ ∆.

(12) Seja T : R2 → R3 dada por T (x1 , x2 ) = (y 1 , y 2 , y 3 ) onde y 1 = x1 + x2 , y 2 = x2 − x1 e


y 3 = x2 + 2x1 .

(a) Se ω = y 1 + y 2 calcule T ∗ ω.
(b) Se η = y 1 ∧ y 2 + y 2 ∧ y 3 + y 3 ∧ y 1 calcule T ∗ η.
(c) Se ∆ = y 1 ∧ y 2 ∧ y 3 calcule T ∗ ∆.

2
(13) Seja T : R → R3 dada por T (x) = (y 1 , y 2 , y 3 ) onde y 1 = ax, y 2 = bx e y 3 = cx.

(a) Se ω = y 1 + y 2 calcule T ∗ ω.
(b) Se η = y 1 ∧ y 2 + y 2 ∧ y 3 + y 3 ∧ y 1 calcule T ∗ η.
(c) Se ∆ = y 1 ∧ y 2 ∧ y 3 calcule T ∗ ∆.
V2
(14) Seja b ∈ ((R3 )∗ ). Mostre que existe uma aplicação linear T : R3 → R tal que
b(u, v) = T (u ∧ v), onde u ∧ v é o produto vetorial usual.

(15) Seja ∆ uma função determinante sobre um espaço vetorial V de dimensão n (isto é,
0 6= ∆ ∈ n (V ∗ )). Mostre que se W é um espaço vetorial e ϕ : V n → W é n-linear
V

alternada, então existe w ∈ W tal que ϕ(v1 , . . . , vn ) = ∆(v1 , . . . , vn )w.

(16) Seja ∆ uma função determinante sobre um espaço vetorial V de dimensão n. Escolha
uma base (ei ) de V tal que ∆(e1 , . . . , en ) = 1. Mostre que existe uma única função
determinante ∆∗ sobre V ∗ tal que ∆∗ (x1 , . . . , xn ) = 1, onde (xi ) é a base dual de (ei )
e que ∆∗ não depende da escolha desta base.
Vk Vk
(17) Mostre que se ω ∈ (V ∗ ), então existe uma única ω̄ : (V ) → R linear tal que
ω(v1 , . . . , vn ) = ω̄(v1 ∧ . . . ∧ vn ). Mostre também que a aplicação
Vk Vk
(V ∗ ) → (V )∗
ω 7→ ω̄

é um isomorfismo.
Vk
(18) Se ω ∈ (V ∗ ), defina a contração de ω na direção a ∈ V por

ia (ω)(v1 , . . . , vk−1 ) = ω(a, v1 , . . . , vk−1 ).


Vk Vk−1
(a) Mostre que ia : (V ∗ ) → (V ∗ ) é linear.
(b) Se (ei ) é uma base de V e (xi ) é sua base dual, calcule iej (xi1 ∧ . . . ∧ xik ) para
I = (i1 , . . . , ik ) ∈ Cn,k .
Vk
(19) Dizemos que ω ∈ (V ∗ ) é decomponı́vel se existem ω 1 , . . . , ω k ∈ V ∗ tais que
ω = ω 1 ∧ . . . ∧ ω k . Dizemos que ω é indecomponı́vel se não for decomponı́vel.

3
(a) Mostre que toda k-forma linear em R3 é decomponı́vel.
(b) Mostre que x1 ∧ x2 + x3 ∧ x4 é uma 2-forma indecomponı́vel do R4 .
Vn
(20) Seja ∆ ∈ (V ∗ ) uma função determinante.
Vn−1
(a) Mostre que a aplicação ϕ : V → (V ∗ ) definida por

ϕa = ϕ(a) = ia (∆)

é um isomorfismo.
(b) Mostre que ϕa (v1 , . . . , vn−1 ) = (−1)n+1 · ωa (v1 ∧ . . . ∧ vn−1 ).

(21) Mostre que toda (n − 1)-forma é decomponı́vel. (Utilize (20.a))

(22) Sejam a1 , a2 , . . . , an−1 , x ∈ V ∗ . Mostre que

(x+a1 )∧(x+a2 )∧. . .∧(x+an−1 ) = x∧a2 ∧. . .∧an−1 +a1 ∧x∧. . .∧an−1 +. . .+a1 ∧. . . an−2 ∧x

+a1 ∧ a2 ∧ . . . ∧ an−1

(23) Utilize (22) para dar outra demonstração de (21).

(24) Considere as coordenadas usuais (y i ) do Rn . Sejam ω 1 , . . . , ω k ∈ V ∗ e T : V → Rk


definida por T (v) = (ω 1 (v), . . . , ω k (v)). Mostre que

(ω 1 ∧ . . . ∧ ω k )(v1 , . . . , vk ) = (y 1 ∧ . . . ∧ y k )(T (v1 ), . . . , T (vk )).

(25) Seja T : V → W linear. Fixe uma base (y j ) de W ∗ . Se T (v) = ω i (v)fi onde fi é


P

dual de (y j ), mostre que T ∗ (y i1 ∧ . . . ∧ y ik ) = ω i1 ∧ . . . ∧ ω ik .

(26) Sejam (ei ) a base canônica do R4 e (xi ) sua base dual. Sejam também v1 = (1, 0, 0, 0),
v2 = (1, 1, 0, 0), v3 = (1, 1, 1, 0) e v4 = (1, 1, 1, 1).

(a) Calcule A(v1 , v2 ) e V (v1 , v2 , v3 ).


(b) Determine as coordenadas (aij ) de v3 ∧ v4 na base (ei ∧ ej )i<j .
(c) Verifique que A(v3 , v4 )2 = i<j a2ij = ||v3 ∧ v4 ||2 .
P

4
(27) Considere no R3 a função determinante usual ∆ e, para cada a ∈ R3 , sejam ωa ∈ (R3 )∗
e ϕa ∈ 2 (R3 )∗ definidas nos exercı́cios (3) e (20), respectivamente. Mostre que:
V

(a) ωa ∧ ωb = ϕa∧b .
(b) ωa ∧ ϕb = ha, bi∆.

(28) Mostre que o quadrado da área de um paralelogramo determinado por dois vetores no
R3 é igual à soma do quadrado das áreas dos paralelogramos projetados nos tres planos
coordenados.

(29) Seja T : R3 → R3 uma aplicação linear anti-simétrica defina a 2-forma η(u, v) =


hT (u), vi. Pelo exercı́cio 20 existe um vetor ω ∈ R3 tal que ϕω = η. Mostre que
T (v) = ω ∧ v. O vetor ω é chamado de vetor de Darboux.

5
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Lista 2 – 02/09/2013

(1) Seja X um campo de vetores no Rn . Defina a contração na direção X

iX : E k (Rn ) → E k−1 (Rn )

por (iX ω)(p) = iX(p) ω(p).


Se ω = dxi1 ∧ dxi2 ∧ . . . ∧ dxik e X = X j ej calcule iX ω e mostre que:
P

(a) iX ◦ iX = 0
(b) iX (ω1 ∧ ω2 ) = iX (ω1 ) ∧ ω2 + (−1)k ω1 ∧ iX (ω2 ) onde ω 1 ∈ E k (Rn )
Note que, em particular temos iX (f ω) = i(f X) ω = f iX ω, onde f ∈ E 0 (Rn )

(2) Considere as formas diferenciais no R3

ω1 = xdy ∧ dz + ydz ∧ dx + zdx ∧ dy


ω2 = dz − xdy + ydx
ω3 = dx ∧ dy ∧ dz

e o campo de vetores X(x, y, z) = (x, y, z) = xe1 + ye2 + ze3 .


Calcule dω1 , dω2 , iX ω2 , iX ω3 , ω1 ∧ ω2 ω2 ∧ dω2 .
P ∂f
(3) Use a definição de gradiente (ω∇f = df ) para mostrar que ∇f = ei
∂xi
ai (p)ei um campo de vetores no Rn . Use a definição de rotacional
P
(4) Seja X(p) =
(ηrotX = d(ωX )) para deduzir uma fórmula do rotacional nas coordenadas usuais.

(5) Deduza a fórmula do div(X) a partir da definição (∆div(X) = d(ηX )).

(6) O laplaciano de uma função f ∈ E 0 (Rn ) é definido por ∆f = div(∇f ). Mostre que
P ∂2f
∆f = .
∂x2i
(7) Mostre que:

(a) div(f X) = h∇f, Xi + f div(X)

1
(b) ∆(f g) = 2h∇f, ∇gi + f ∆g + g∆f
(c) rot(f X) = ∇f ∧ X + f rot(X)

(8) Se F é um campo que tem direção constante, mostre que rot(F ) é ortogonal a F .

(9) Seja S uma superfı́cie fechada orientada pela normal exterior n que limita um sólido
Ω. Se f, g são funções diferenciáveis definidas num aberto que contém Ω, mostre que
valem as Identidades de Green:
RR ∂f RRR
(a) S ∂n dA = Ω 4f dV
RR ∂g RRR
(b) S f
∂n
dA = Ω (f 4g + h∇f, ∇gi) dV
RR ∂g ∂f RRR
(c) S (f − g ) dA = Ω (f 4g − g4f ) dV
∂n ∂n
(10) Mostre que o problema de Dirichlet 4u = f em Ω , u = g em ∂Ω admite no máximo
uma solução.

(11) Mostre que duas soluções para o problema de Neumann 4u = f em Ω , h∇u, ni = g


em ∂Ω diferem por uma constante.

(12) Se X é um campo de vetores no Rn mostre que ωX é fechada se e somente se a matriz


jacobiana J(X) de X é simétrica.

(13) Se X é um campo de vetores no Rn mostre que ηX é fechada se e somente se o traço


da matriz jacobiana J(X) de X é nulo.

(14) Seja T : Rn → Rn uma aplicação linear tal que hT (u), T (v)i = λhu, vi onde λ > 0. Se
U é um subconjunto Jordan mensurável do Rn mostre que vol(T (U )) = λn vol(U ).

(15) Seja ω ∈ E 1 (U ) onde U ∈ (Rn ) é um aberto estrelado com repeito a origem. Dizemos
que ω é homogênea de grau r (r natural) se para todo t > 0 tem-se que ωtx = tr ωx
0
(a) Mostre que ωx (x) = rωx .
(b) Use a primitiva do Lema de Poincaré para mostrar que se ω é fechada então
f (x) = ωx (x)/(r + 1) é uma primitiva de ω.

(16) Verifique se as formas abaixo são homogêneas e fechadas. Determine uma primitiva
caso exista.

2
(a) ω1 = yzdx + zxdy + xydz
yzdx + zxdy + xydz
(b) ω2 = p
x2 + y 2 + z 2
(17) Considere as formas
−ydx + xdy
ω=

p
onde α ∈ R e r = x2 + y 2 . Para quais α a forma ω é homogenea e fechada.

(18) As coordenadas esféricas no espaço são dadas pela aplicação c(r, θ, ϕ) = (x, y, z) onde

 x = r cos θ sin ϕ

y = r sin θ sin ϕ

z = r cos ϕ

sendo r > 0, 0 < ϕ < π, 0 < θ < 2π.

(a) Sendo ∆ = dx ∧ dy ∧ dz o elemento de volume do R3 calcule c∗ ∆.


(b) Sendo V (p) = p/r3 onde p = (x, y, z), mostre que a 2-forma ηV é fechada.
(c) Seja f (θ, ϕ) = (x, y, z) definida no retângulo D =]0, 2π[×]0, π[. Calcule D f ∗ ηV
RR

onde V (p) = p/r3


f ∗ ηN
RR
(d) Sendo N (p) = p/r calcule D

(19) Coordenadas cilı́ndricas no R3 são dadas pela aplicação c(r, θ, z) = (x, y, z) onde
(
x = r cos θ
sendo r > 0 e 0 < θ < 2π
y = r sin θ

(a) Calcule dx, dy, dz em termos das coordenadas r, θ, z.


(b) Seja (er , eθ , ez ) a base dual de (dr, dθ, dz). Use o fato de que v = dx(v)e1 +
dy(v)e2 + dz(v)e3 e v = dr(v)er + dθ(v)eθ + dz(v)ez para determinar as expressões
de er , eθ , ez em termos de e1 , e2 , e3 .
∂c ∂c ∂c
(c) Mostre que er = , eθ = , ez = .
∂r ∂θ ∂z
(d) Se v ∈ R3 então ||v||2 = dx2 (v) + dy 2 (v) + dz 2 (v). Encontre a expressão de ||v||2
em termos de dr, dθ, dz.
(e) Determine a expressão do elemento de volume ∆ do R3 em termos de dr, dθ, dz.

3
(f) A expressão em coordenadas cilı́ndricas de uma função diferenciavel f : U → R
onde U ⊂ R3 é aberto é a função f ◦ c. É usual escrever f (r, θ, z) = (f ◦ c)(r, θ, z).
A diferencial de f em coordenadas cilı́ndricas é dada por

∂f ∂f ∂f
df = dr + dθ + dz
∂r ∂θ ∂z

ou
∂f ∂f ∂f
df = dr + dθ + dz
∂er ∂eθ ∂ez
Dê a expressão em coordenadas cilı́ndricas de f e de sua diferencial nos seguintes
casos:
p
i. f (x, y, z) = x2 + y 2 + z
xy + yz + zx
ii. f (x, y, z) = p
x2 + y 2
(g) Encontre as expressões do gradiente de f , do rotacional de f e do divergente de
f em coordenadas cilı́ndricas.

(20) Seja X um campo de vetores no R3 . Defina:

LX : E k (U ) → E k (U )

por
LX = d ◦ iX + iX ◦ d

LX (ω) é chamada a derivada de Lie de ω na direção X.

(a) Mostre que LX ◦ d = d ◦ LX e LX ◦ iX = iX ◦ LX


(b) Mostre que LX (ω ∧ η) = LX (ω) ∧ η + ω ∧ LX (η)
(c) Se ω = f dxi1 ∧ dxi2 ∧ . . . dxik e X =
P i
X ei mostre que

k
X
LX (ω) = df (X)dxi1 ∧ dxi2 ∧ . . . dxik + f dxi1 ∧ . . . ∧ dX ij ∧ . . . dxik
j=1

(21) Considere o campo identidade I(x) = x no Rn .

(a) Mostre que LI (f dx1 ∧ . . . ∧ dxk ) = (dfx (x) + kf (x))dx1 ∧ . . . ∧ dxk

4
(b) Se η = adx1 ∧ dx2 ∧ . . . ∧ dxk então

LI (ω) = η ⇔ dfx (x) + kf (x) = a(x)

isto é LI é bijetora se e só se a equação a derivadas parciais dfx (x) + kf (x) = a(x)
tem soluçao única.
(c) Comecemos analisando o caso unidimensional (n = 1). Tomando k = 1, temos que
LI : E 1 (R) → E 1 (R) e LI (f (x)dx) = (xf 0 (x) + f (x))dx. Mostre que a equação
Rx
xf 0 (x) + f (x) = a(x) tem como solução xf (x) = 0 a(u)du. Faça a mudança de
R1
variável u = xt e deduza que f (x) = 0 a(xt)dt.
(d) Consideremos agora o caso n-dimensional e k ≥ 1. Na equação dfx (x) + kf (x) =
R1
a(x) substitua x por tx e multiplique por tk−1 . Mostre que f (x) = 0 tk−1 a(tx)dt
é a única solução da equação acima. Conclua que LI é um isomorfismo.
(e) Se K = iI ◦ L−1 k n
I : E (R ) → E
k−1 (Rn ) mostre que d ◦ K + K ◦ d = Id. Desta

forma, se ω é fechada então ela é exata. (Lema de Poincaré)


Pk
(22) Seja βi o número de faces i-dimensional do cubo I k+1 e χ(I k+1 ) = i
i=0 (−1) βi . Mostre
que χ(I k+1 ) = 2 se k é par e χ(I k+1 ) = 0 se k é impar.

(23) O Cone com centro O gerado por um k-caminho c : I k → Rn é o (k+1)-caminho


Ic : I k+1 7→ Rn

(Ic)(s, t) = sc(t)

onde s ∈ I e t ∈ I k . Mostre que ∂(Ic) + I(∂c) = c.

(24) (a) Dado um ponto x e um vetor v no Rn considere o 1-caminho c(t) = x + t∆x · v.


Determine o bordo de Ic.
R R
(b) Seja η uma 2-forma fechada e ω uma 1-forma tais que ∂(Ic) ω = Ic η para todo
1-caminho c como no item anterior.Mostre que
Z 1 Z 1
(ωsx (x) − ωs(x+∆x·v) (x + ∆x · v))ds + ωx+t∆x·v (∆x · v)dt =
0 0
Z 1 Z 1
( ηs(x+t∆x·v) (x + t∆x · v, s∆x · v)ds)dt
0 0

5
(c) Divida a expressão acima por ∆x e tome o limite com ∆x tendendo a 0 para
concluir que Z 1
ωx (v) − dfx (v) = ηtx (x, tv)dt
0
R1
onde f (x) = 0 ωsx (x)ds. Assim se definirmos ω por
Z 1
ωx (v) = ηtx (x, tv)dt
0

obtemos a primitiva do lema de Poincaré.


−ydx + xdy
(25) Considere a 1-forma no R2 dada por ω = e os 1-caminhos
x2 + y 2
c1 (t) = (cos t, sin t), c2 (t) = (a cos t, b sin t). Utilize o teorema de Stokes no plano para
R
mostrar que c2 ω = 2π e então mostre que
Z 2π
1 2π
2 dt = ab
0 a2 cos2 t 2
+ b sin t
.
R
(26) Seja ω = ydx + xdy + 2zdz. Encontre f tal que df = ω e calcule cω onde c é o
segmento indo do ponto p = (1, 0, 0) ao ponto q = (a, b, c).

6
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Lista 3 - 24/10/2013

(1) Seja f : R3 → R diferenciavel e N (x) = x o campo normal a esfera S 2 . Se


h∇x f, N (x)i > 0 mostre que existe p no interior da esfera tal que ∇p f = 0.

(2) Seja S uma superfı́cie compacta orientada por uma 2-forma η.

(a) Se ω é uma 1-forma sôbre S, mostre que existe um ponto p ∈ S tal que dωp = 0.
(b) Conclua que η não é exata e portanto H 2 (S) 6= {0}.

(3) Uma ação (ou operação) de um grupo G sôbre uma variedade M é uma aplicação
µ : G × M → M tal que as aplicações µg : M → M definidas por µg (p) = µ(g, p) são
diferenciaveis e verificam as seguintes propriedades:

(a) µg ◦ µh = µgh
(b) µe = I (e identidade do grupo)
i. Mostre que µg−1 = µ−1
g e portanto µg é um difeomorfismo.
ii. Se G está munido da topologia discreta então µ é continua.

A seguir vamos simplificar a notação colocando g.p = µ(g, p) = µg (p)

(4) Dizemos que G opera descontinuamente em M se todo ponto p de M admite uma


vizinhança V tal que g.V ∩ V = ∅ para todo g 6= e. Uma tal vizinhança será chamada
de Vizinhança Fundamental.

(a) Se Gp = {g : g · p = p é a isotropia em p, mostre que Gp = {e}.


(b) A aplicação G :→ G · p, g → g · p é injetora.
(c) Mostre que G é enumeravel. (Lembre que M tem base enumeravel)

(5) Sejam M̃ e M variedades diferenciáveis conexas. Uma aplicação p : M̃ → M é dita de


recobrimento diferenciável se

(i) é diferenciável e

1
(ii) todo x ∈ M admite uma vizinhança aberta V tal que p−1 (V ) =
S
Ṽi , onde os Ṽi
são abertos dois a dois disjuntos e p : Ṽi → V é um difeomorfismo.

A vizinhança V é chamada de vizinhança distinguida e (M̃ , p) de recobrimento de M .


Mostre que se G opera descontinuamente em M , então π : M → M/G é uma aplicação
de recobrimento.

(6) Considere a aplicação e : R → S 1 ⊂ R2 dada por e(θ) = eiθ = (cos θ, sin θ). Se
c : [a, b] → S 1 é suave por partes e θ0 é tal que e(θ0 ) = c(a), mostre que existe uma
única função diferenciável θ : [a, b] → R com as seguintes propriedades:

(a) θ(a) = θ0
(b) c(t) = (cos θ(t), sin θ(t))

(7) (a) Considere uma ação descontinua de G sobre M . Defina a relação de equivalência:

p ∼ q ⇐⇒ existe g ∈ G tal que q = g · p.

Seja [p] a classe de equivalência de p. Então [p] = G · p é chamada de órbita do


ponto p. Designemos por M/G o espaço quociente munido da topologia quociente
e por π : M → M/G a projeção.
i. Mostre que se V é uma vizinhança fundamental então π|V : V → [V ] é um
homeomorfismo e π −1 ([V ]) = g∈G gV .
S

ii. Sendo Φ o atlas de M defina Φ e como a coleção das aplicações ϕ ◦ (π|V )−1
onde ϕ ∈ Φ e Dom(ϕ) = V é uma vizinhança fundamental. Mostre que Φ e
define um atlas sobre M/G.
(b) Prove que M/G é orientável se e só se M é orientável as aplicações µg preservam
a orientação de M .
(c) O grupo Z opera no R2 pela ação n·(x, y) = (x+n, y). Mostre que R2 /Z = S 1 ×R.
(d) O grupo Z opera no R2 pela ação n · (x, y) = (x + n, (−1n )y). Mostre que R2 /Z =
faixa de Moebius infinita.
(e) O grupo Z2 opera no R3 pela ação 1 · p = p, (−1) · p = −p. Note que a isotropia
na origem é todo o grupo e portanto a ação não é descontinua mas a restrição
da ação a R3 − {0} o é. Seja S ⊂ R3 − {0} uma superfı́cie simétrica em relação

2
a origem, isto é invariante pela ação. Então Z2 opera descontinuamente em S e
podemos considerar a superfı́cie S/Z2 . Vejamos alguns casos:
i. Mostre que S 2 /Z2 = P 2 (R).
ii. Se S = {(x, y, z) : x2 + y 2 = 1 , |z| < 1} é o cilindro então S/Z2 é a faixa de
Moebius.
iii. Se S é o toro obtido girando a circunferência (x − 2)2 + z 2 = 1 , y = 0 em
torno do eixo z então S/Z2 é a garrafa de Klein.

(8) Considere no R3 a folha do hiperboloide H = {(x, y, z) | x2 + y 2 − z 2 = −1, z > 0}.

(a) Dado um ponto p = (x, y, z) ∈ H, seja (u, v, 0) o ponto onde a reta que passa
por p e pelo ponto (0, 0, −1) encontra o plano xy. Defina a função ϕ por
ϕ(u, v) = (x, y, z). Verifique que o domı́nio de ϕ é o disco unitário aberto e
determine em coordenadas a função ϕ(u, v) = (x, y, z).
(b) Considere o espaço R3 munido da métrica de Lorentz g(u, u) = dx(u)2 + dy(u)2 −
dz(u)2 . Calcule h = ϕ∗ g.
(c) A inversão no circulo de centro O e raio R é a transformação σ que a cada ponto P
−−→
do plano diferente de O associa o ponto Q na semireta OP tal que OP · OQ = R2 .
Determine a expressão de σ num sistema de coordenadas com origem no ponto
O.
(d) Sejam C o cı́rculo x2 + y 2 ≤ 4 e σ a inversão neste cı́rculo. Mostre que a imagem
do cı́rculo x2 + (y − 1)2 ≤ 1 é o semiplano y ≥ 2 e calcule σ ∗ h onde h é a métrica
encontrada no item b transladada para o cı́rculo x2 + (y − 1)2 ≤ 1.
(e) Mostre que a equação de uma circunfêrencia ou de uma reta em coordenadas
complexa é azz + bz + bz + c = 0 onde a, c ∈ R e a inversão σ na circunfêrencia
unitária é dada por σ(z) = z1 . Utilize isto para mostrar que a imagem de uma
circunfêrencia ou uma reta por σ é uma circunfêrencia ou uma reta.

(9) Seja S n (r) a esfera de raio r no Rn+1 , N = (0, 0, . . . , 1) e S = (0, 0, . . . , −1) o polo
norte e o polo sul respectivamente.

(a) Determine ϕn e ϕs as projeções estereográficas a partir do polo norte e sul


respectivamente.
(b) Mostre que (ϕs )−1 ◦ ϕn : Rn − {0} → Rn − {0} é a inversão na esfera S n−1 (r).

3
(10) Generalize para P n (R) a estrutura de variedade dada em coordenadas não homogeneas
análogo ao P 2 (R).

(11) Seja S uma superfı́cie compacta triangulada, F o número de faces da triangulação, A


o número de arestas e V o número de vértices. A caracterı́stica de Euler-Poincaré de
S é definida por
χ(S) = V − A + F

(a) Projete o bordo do cubo I 3 sôbre a esfera S 2 para obter uma triangulação e
conclua que χ(S 2 ) = 2.
(b) Determine uma triangulação do toro T 2 = S 1 × S 1 e calcule χ(T 2 ).

4
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Lista 4 - 08/10/2013

(1) Um campo de vetores X ∈ X(M ) onde M é uma variedade diferenciável é uma


derivação no espaço das funções E 0 (M ).

(a) Mostre que se X, Y ∈ X(M ) então X ◦ Y − Y ◦ X é uma derivação e portanto


determina um campo de vetores [X, Y ] tal que

[X, Y ](f ) = X(Y (f )) − Y (X(f ))

[X, Y ] é chamado o O Colchete de Lie de X com Y .


(b) Mostre que o Colchete de Lie tem as seguintes propriedades:
i. [, ] : X(M ) × X(M ) → X(M ) é bilinear e anti-simétrica.
ii. [[X, Y ], Z] + [[Z, X], Y ] + [[Y, Z], X] = 0 (Identidade de Jacobi)
O colchete de Lie com estas propriedades expressam que o conjunto dos
campos de vetores é uma Álgebra de Lie.

(2) Seja ω ∈ E 1 (M ) e X, Y campos de vetores sôbre M . Então

dω(X, Y ) = X(ω(Y )) − Y (ω(X)) − ω([X, Y ])

(3) Utilize o exercı́cio anterior para mostar que

(LX ω)(Y ) = X(ω(Y )) − ω([X, Y ])

(4) Mostre que as isometrias do R3 são dadas por f (x) = A(x) + b onde A ∈ O(3) e b ∈ R3 .

(5) Mostre que as isometrias do R2 são dadas por f (x) = A(x) + b onde A ∈ O(2) e b ∈ R2 .

(6) Mostre que as isometrias da esfera S 2 (R) são obtidas restringindo as isometrias
A ∈ O(3) do R3 à esfera S 2 (R).

1
(7) Seja D2 o disco de Poincaré com a métrica

4
g= (dx2 + dy 2 ).
(1 − x2 − y 2 )2

(a) Mostre que a métrica g é dada em coordenadas complexas por

4
g= (dzdz̄).
(1 − z z̄)2

(b) Mostre que a inversão na circunferência com centro no ponto (a, 0) ortogonal ao
az̄ − 1
bordo do cı́rculo D2 é dada por σ(z) = . Mostre também que σ é uma
z̄ − a
isometria do disco. (Note que |a| > 1).
(c) Substituindo a por 1/a, uma inversão numa circunferência com centro no eixo x
z̄ − a
é dada por σa (z) = onde |a| < 1. Observe que para a = 0 temos a reflexão
az̄ − 1
no eixo y. (1/a = ∞). Mostre que

z+c
σb ◦ σa =
cz + 1

b−a
onde c = .
1 − ab
z+c z+e a+b
(d) Defina τc (z) = para |c| < 1. Mostre que τc ◦ τd = onde e = .
cz + 1 ez + 1 1 + ab
(e) Defina no intervalo I = ] − 1, 1[ a operação

a+b
a∗b= .
1 + ab

Mostre que I com esta operação é um grupo abeliano e que tgh : R → I é um


isomorfismo de grupos.
(f) Mostre que o grupo de isometrias do disco de Poincaré é formado das
transformações da forma

z+c
f (z) = eiθ
cz + 1
onde θ ∈ R e c ∈ D2 .

2
(8) Mostre que o grupo de isometrias do hiperboloide H é o subgrupo G ⊂ O(2, 1) que
fixa H 2 .

3
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Lista 5 - 05/11/2013

(1) (a) Ortonormalize os campos coordenados esféricos para obter um referencial móvel
no aberto U = {(θ, ϕ, r) : θ ∈ R, ϕ ∈ ]0, π[, r > 0} e, a seguir, determine o
referencial dual e as formas de conexão.
(b) Restrinja o referencial esférico à esfera S 2 (r) para obter um referencial móvel
sobre ela. Escreva, neste referencial, a métrica e a segunda forma fundamental e
calcule as curvaturas principais, média e gaussiana.

(2) Mostre que um referencial móvel definido num aberto de uma superfı́cie S ⊂ R3 pode
ser estendido localmente para um referencial do R3 .

(3) Se g1 e g2 são métricas sobre uma superfı́cie S, mostre que ag1 + bg2 onde a, b > 0
também é uma métrica sobre S.

(4) Seja f (θ, ϕ) = (eiθ , eiϕ ) parametrizando o toro T 2 ⊂ R4 . Mostre que a métrica induzida
é dada por g = dθ2 + dϕ2 e calcule sua curvatura.

(5) Calcule a curvatura gaussiana do plano projetivo P 2 (R).

(6) Seja ∆ o elemento de área de uma superficie S orientada. Para cada u ∈ T S seja J(u)
o único vetor tal que
hJu, vi = ∆(u, v)

(a) Mostre que: Ju = 0 então u = 0, Ju ⊥ u, hJu, Jvi = hu, vi, hJu, vi = −hu, Jvi
e J 2 = −I. No plano J nada mais é a multiplicação por i. Na esfera J induz a
estrutura complexa da esfera de Riemann.
(b) Lembrando que ωX (u) = hX, ui e ηX (u) = ∆(X, u) mostre que: ηX = ωJX ,
ωX ∧ ωY = hJX, Y i∆, , ωX ∧ ηY = hX, Y i∆, ηX ∧ ηY = hJX, Y i∆.

(7) Considere no semi-plano S = {(u, v) : u > 0} a métrica

g = du2 + u2 dv 2

1
Mostre que K = 0 e determine coordenadas (x, y) tal que g = dx2 +dy 2 . Voce consegue
identificar esta situação com uma mudança de coordenadas conhecida?

(8) Sejam S uma superfı́cie orientada no R3 e c : I → S parametrizada pelo comprimento


de arco. O referencial de Darboux associado a c é o referencial ao longo de c constituı́do
dc
dos vetores (f1 , f2 , f3 ) onde f1 = , (f1 , f2 ) é uma base positiva de S e f3 = f1 ∧ f2 .
ds
dfi P j
(a) Mostre que = ai fj onde aji = −aij .
ds
(b) Definindo a curvatura geodésica por kg = a21 , a curvatura normal por kn = a31 e a
torção geodésica por τg = a32 temos:

df1


 = kg f2 + kn f3



 ds



df2

= −kg f1 + τg f3


 ds



 df3


= −kn f1 − τg f2

ds
δc0
Conclua que = kg f2 = kg · J(c0 ) e, portanto, c é uma geodésica se e só se
ds
kg = 0.
(c) Fixe um referencial móvel (e1 , e2 , e3 ) onde e3 = f3 e seja ϕ a função angular tal

que c0 = f1 = cos ϕe1 + sin ϕe2 . Mostre que kg = ds − ω(c0 ) onde ω é a forma de
conexão associada ao referencial móvel.
dci
(d) Escolha ci uma curva integral de ei (isto é, tal que ds (s) = ei (c(s)) para i = 1, 2)
e seja kgi a curvatura geodésica de ci . Mostre que:


kg = + cos ϕkg1 + sin ϕkg2 (fórmula de Liouville)
ds
(9) Seja M uma superfı́cie riemanniana e G um grupo de isometrias de M operando
descontinuamente em M . Considere a métrica em S = M/G tal que a projeção
π : M → S = M/G seja uma isometria local. Mostre que se c : I → M é uma
geodésica então γ = π ◦ c é uma geodésica de S.

(10) Mostre que as geodésicas da esfera são os grandes cı́rculos e descreva as geodésicas do
plano projetivo P2 (R).

2
(11) Seja f uma isometria de uma superfı́cie S e p ∈ S. Se f (p) = p e dfp = Id use o fato
que f leva geodésicas em geodésicas para mostrar que f = Id.

(12) Seja S uma superfı́cie riemanniana que admite um sistema de coordenadas (x, y) tal
que a métrica é dada por
g = Edx2 + Gdy 2

onde E, G são funções diferenciáveis e positivas. Mostre que

√  ! √ ! 
1  ( G)x ( E)y 
K=− √ + √
EG E G
x y

(13) Sejam S uma superfı́cie riemanniana orientada e Φ o seu atlas. Seja Φω o sub-atlas
formado das cartas ϕ(p) = (x(p), y(p)) tais que a métrica exprime-se na forma

g = λ2 (dx2 + dy 2 ) (coordenadas conformes)

Mostre que as mudanças de coordenadas são holomorfas, isto é verificam as equações


de Cauchy-Riemann.

(14) Determine a caracterı́stica de Euler-Poincaré da superfı́cie

S = {p ∈ R3 : x2 (p) + y 4 (p) + z 6 (p) = 1}

(15) Seja S uma superfı́cie riemanniana compacta, conexa e orientável. Mostre que:

(a) se K = 0, então S é homeomorfa ao toro T 2 ;


(b) se K > 0, então S é homeomorfa à esfera S 2 .

(16) Seja S uma superfı́cie riemanniana orientada com curvatura K ≤ 0. Mostre que duas
geodésicas c1 e c2 que partem de um ponto p ∈ S não podem se encontrar num outro
ponto q de S de forma que elas limitem uma região cujo bordo é constituı́do por elas.

(17) Uma região poligonal de uma superfı́cie S é um subconjunto P ⊂ S homeomorfo a


uma região poligonal do plano cujo bordo ∂P é uma curva suave por partes. Diremos

3
que P é um polı́gono geodésico se seu bordo é constituı́do por segmentos de geodésicas.
Mostre que se α1 , α2 , . . . , αn são os ângulos internos do polı́gono, então
X Z
αi = (n − 2)π + KdA
P

(18) Seja S uma superfı́cie orientada, conexa e compacta. Se existe sobre S um campo de
vetores que nunca se anula, então χ(S) = 0.

(19) Mostre que as geodésicas do disco de Poincaré (veja lista anterior) são dadas pelos
arcos das circunferências ortogonais ao bordo, os quais estão no interior do disco.

(20) Se T é um triângulo geodésico no disco de Poincaré, então A(T ) = π − Σαi onde A(T )
é a área e αi são os ângulos internos do triângulo.

4
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Prova 1 – 17/09/2013

1. (Curvatura do semi-plano de Poincaré). Considere as formas


1 1
θ1 = dx e θ2 = dy
y y
definidas em H = {(x, y) ∈ R2 : y > 0}.

(a) Determine ω tal que


(
dθ1 = −ω ∧ θ2
dθ2 = ω ∧ θ1

(b) Determine K ∈ E 0 (H) tal que dω = Kθ1 ∧ θ2 .

2. (Formas homogêneas). Seja r um número natural. Dizemos que


ω ∈ E 2 (R3 ) é homogênea de ordem r se ωtx = tr ωx .

(a) Mostre que se ω é fechada e homogênea, então a 1-forma definida


por
ωx (x, v)
ηx (v) =
r+2
é uma primitiva de ω.
(b) Se ω = adx2 ∧ dx3 + bdx3 ∧ dx1 + cdx1 ∧ dx2 onde a, b, c ∈ E 0 (R3 ),
deduza uma fórmula para η.

3. (Teorema de Stokes). Sejam c : I 2 → U ⊂ R3 um 2-caminho e X um


campo em U . Aplique o Teorema de Stokes para formas para mostrar
que Z Z
hX, τ ids = hrot X, nidA
∂c c
onde τ é o campo unitário tangente ao bordo ∂c e n é o campo normal
induzido por c.
4. (Retração do disco). Mostre que não existe uma aplicação diferenciável
f : D2 → S 1 ⊂ R2 tal que f ∂D2 = id. [Sugestão: considere a forma
angular
−ydx + xdy
dθ =
x2 + y 2
R
em R2 − {0} e mostre que S1
dθ = 2π; a seguir, considere a forma
∗ 2
ω = f dθ em D . Aplique o Teorema de Stokes para obter uma
contradição.]
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Prova 2 – 22/10/2013

1. (a) Seja M uma variedade de dimensão n. Mostre que se existe sobre


M uma forma de grau n que nunca se anula, então M é orientável.
(b) Mostre que se S é uma superfı́cie no R3 que admite um campo de
vetores normal unitário, então S é orientável.

2. (a) Sejam M uma variedade riemanniana e G é um grupo que opera


descontinuamente sobre M de forma que as transformações µg são
isometrias. Mostre que existe uma única métrica em M/G tal que
a projeção π : M → M/G é uma isometria local.
(b) Considere a faixa de Moebius como o quociente da ação de Z no
R2 dada por n · (x, y) = (x + n, (−1)n y) e com a métrica induzida
do R2 . Se Ck = {(x, k) ∈ R2 : x ∈ R}, calcule o comprimento da
projeção π(Ck ).

3. (a) Mostre que a inversão σr na circunferência x2 + y 2 = r2 é uma


isometria do semi-plano de Poincaré H.
(b) Mostre também que σr ◦ σs = λ(r/s)2 onde λa é a homotetia de
razão a > 0.

4. (a) Sejam D o disco de Poincaré e p = (a, 0) ∈ D onde a > 0. Calcule


a distância r da origem ao ponto p.
(b) Calcule a área hiperbólica A do cı́rculo x2 + y 2 ≤ a2 .
(c) Mostre que A = 4π senh2 (r/2).
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Prova 3 – 26/11/2013

1. Considere uma superfı́cie de revolução S parametrizada por

f (s, θ) = (r(s) cos θ, r(s) sen θ, h(s))

onde a curva (r(s), h(s)) está parametrizada pelo comprimento de arco


(isto é, ṙ2 + ḣ2 = 1).

(a) Determine a curvatura gaussiana K de S em função de r(s) e h(s).


(b) Determine uma função u = u(s) tal que ∆u = −K.
(c) Determine coordenadas (u, v) e uma função λ > 0 tal que a
métrica de S é dada por

g = λ2 (du2 + dv 2 ).

2. Considere a esfera S 2 parametrizada em coordenadas esféricas


 x = sen ϕ cos θ

y = sen ϕ sen θ

z = cos ϕ

e o cilindro S parametrizado por


 x = cos θ

y = sen θ

z = z

(a) Determine o elemento de área dA da esfera nas coordenadas (ϕ, θ)


e o elemento de área dS do cilindro nas coordenadas (θ, z).
(b) Mostre que a função
!
x y
f (x, y, z) = p ,p ,z
2
x +y 2 x + y2
2

transforma a esfera menos os polos no pedaço do cilindro |z| < 1


preservando área.

3. Seja D2 o disco de Poincaré com a métrica


4
g= (dx2 + dy 2 ).
(1 − x2 − y 2 )2

Considere Dr = {(x, y) : x2 + y 2 ≤ r} onde 0 < r < 1 e cr (t) = reit


para 0 ≤ t ≤ 2π.

(a) Determine o ângulo ϕ(r) do transporte paralelo ao longo de cr .


ϕ(r)
(b) Mostre que limr→0 = −1 onde A(r) é a área de Dr .
A(r)

4. Mostre que não existe uma superfı́cie S ⊂ R3 homeomorfa ao toro T2


que tenha curvatura gaussiana K ≥ 0.
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Prova 1 – 18/09/2012

1. Considere o campo no R3 dado por X = −ye1 + xe2 + e3 .


Calcule dωX , dηX , rotX, divX.

2. Sejam ω1 e ω2 1-formas diferenciais linearmente independentes definidas num aberto


U do R2 . Mostre que existe uma única 1-forma ω também definida em U tal que
(
dω1 = ω ∧ ω2
dω2 = −ω ∧ ω1
(Sugestão: escreva ω = aω1 + bω2 e determine a e b.)

3. Mostre que:

(a) div(X ∧ Y ) = hrotX, Y i − hX, rotY i


(b) rot(f X) = ∇f ∧ X + f · rotX

1
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Prova 2 - 23/10/2012

(1) Se ω é uma forma exata e η é uma forma fechada ambas sobre uma variedade M ,
mostre que ω ∧ η é exata.
R
(2) Calcule cω onde
xdy ∧ dz + ydz ∧ dx + zdx ∧ dy
ω=
x+y+z
e c(s, t) = (s(1 − t), 1 − s, st) definida no retângulo 0 ≤ s, t ≤ 1.

(3) Sejam D ⊂ R3 um domı́nio cujo bordo ∂D é uma superfı́cie compacta (orientável),X


um campo de vetores definido num aberto U contendo D, N o campo unitário normal
exterior ao bordo, dV = dx1 ∧ dx2 ∧ dx3 o elemento de volume do R3 e dA = iN dV o
elemento de área de ∂D. Mostre que
Z Z
div XdV = hX, N idA.
D ∂D

(4) Seja S uma superfı́cie compacta orientada por uma 2-forma η.

(a) Se ω é uma 1-forma sobre S, mostre que existe um ponto p ∈ S tal que dωp = 0.
(b) Conclua que η não é exata e portanto H 2 (S) 6= {0}.
(c) Dê um exemplo para mostrar que a compacidade é essencial.

(5) Sejam f : R3 → R diferenciável e N (x) = x o campo normal à esfera S 2 . Se


h∇x f, N (x)i > 0 para todo x ∈ S2, mostre que existe p no interior da esfera tal
que ∇p f = 0.
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Prova 3 - 04/12/2012

(1) Seja D2 o disco de Poincaré com a métrica

4
g= (dx2 + dy 2 ).
(1 − x2 − y 2 )2

Considere Dr = {(x, y) : x2 + y 2 ≤ r} onde 0 < r < 1 e cr (t) = reit para 0 ≤ t ≤ 2π.

(a) Calcule a área Ar de Dr e o limr→1 Ar .


(b) Determine o ângulo ϕr do transporte paralelo ao longo de cr .
 
ϕr
(c) Mostre que limr→0 = −1.
Ar

(2) Sejam G um grupo que opera descontinuamente numa variedade M e π : M → M/G


a projeção canônica.

(a) Mostre que se M/G está orientada por uma n-forma ω, então ω̃ = π ∗ (ω) determina
uma orientação em M e (µg )∗ (ω̃) = ω̃ onde µg (x) = gx.
(b) Mostre que o plano projetivo P 2 (R) e a faixa de Moebius não são orientáveis.

(3) Se S uma superfı́cie compacta orientável que admite um campo de vetores globalmente
definido que nunca se anula, então χ(S) = 0.

(4) Seja r(x) > 0 uma função diferenciável definida no intervalo ]a, b[. Considere a métrica

g = dx2 + (r(x)dy)2

definida no aberto do plano ]a, b[×R.

(a) Determine λ = λ(x) tal que a nova métrica g̃ = λ2 g seja rasa.


(b) Explique por que este resultado exibe um sistema de coordenadas conformes para
superfı́cies de revolução no R3 .
MAT0336 - Geometria Diferencial II
Prova substitutiva - 11/12/2012

(1) Mostre que não existe uma superfı́cie S ⊂ R3 homeomorfa ao toro T 2 que tenha
curvatura gaussiana K ≥ 0.

(2) Se g = λ2 (dx2 + dy 2 ) é a expressão de uma métrica em coordenadas conformes, mostre


que

∂2f ∂2f
 
1
4f = 2 + .
λ ∂x2 ∂y 2

(3) (Superfı́cies de Liouville) Seja S uma superfı́cie que admite coordenadas locais tal que
a métrica tenha a seguinte expressão:

g = (a(x) + b(y))(dx2 + dy 2 )

onde a e b são funções positivas. Determine a forma de conexão no referencial óbvio e


a expressão da curvatura gaussiana.

(4) Sejam X e Y campos unitários ao longo de uma curva c : [a, b] → S e seja α : [a, b] → R
o ângulo orientado de X a Y . Mostre que

δY δX dα
− = .
dt dt dt