Você está na página 1de 5

O Mal da Pornografia e da Masturbação

- Objetivo: A discussão não tem um fundo meramente moralista, não é somente por se
tratar de um pecado, a finalidade principal não é o foco do pecado, mas compreendermos
que nós fomos feitos para amar. E a pornografia e a masturbação estão raptando,
capturando, a capacidade de amar do ser humano, de se relacionar com os outros, de criar
verdadeiros vínculos afetivos e o próprio amor para com Deus.

- Aula 1: Um novo tipo de droga


Bibliografia: “Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain” –
William M. Struthers; “Your Brain on Porn: Internet Pornography and the Emerging
Science of Addiction” – Gary Wilson

Há uma série de novas descobertas nos últimos 10 anos entre os neurocientistas


mostrando que a pornografia e a masturbação estão criando um novo tipo de adicção, um
novo vício ou dependência, da mesma maneira que a cocaína e outras drogas causam ao
organismo. Trata-se de uma realidade onde a pornografia e masturbação alteram o cérebro.
Até então era difícil se detectar os males da pornografia e da masturbação, pois as
alterações que elas causam no cérebro são sutis e só passaram a ser notadas recentemente
com o advento da internet em alta velocidade. Ela proporcionou o acesso a cenas de sexo
em uma quantidade muito maior do que nossos antepassados possuíam em toda sua vida.
O grande problema é que o cérebro não foi criado para isso. O sexo é algo bom,
criado por Deus, mas a pornografia e a masturbação não são sexo de fato e o ser humano
não foi criado para esta enorme quantidade de estímulos e um pequeno espaço de tempo.
Foi então que se descobriu que o cérebro, diante do excesso de cenas de sexo, reage como
o cérebro de uma pessoa viciada em drogas através de tomografias computadorizadas.
O cérebro humano é basicamente o mesmo de nossos ancestrais, é feito para se
adaptar e sobreviver. E, embora tenhamos o lado espiritual, o ser humano é uma
combinação de corpo, alma e espírito, um ser triuno, por isso a importância de também
se conhecer o corpo humano e seu funcionamento.
Existe no cérebro algo chamado Circuito de Recompensa. Este circuito tem uma
área que produz um neurotransmissor chamado Dopamina e é ele o responsável pela
busca do prazer, a movimentação e foco. Qualquer estímulo externo altera nosso cérebro
e o grande problema não é essa alteração, mas a intensidade em que ela acontece. Quando
lançamos em nosso organismo algo que o cérebro entende como bom, ele libera uma
quantidade, ainda que pequena, de dopamina e é ela a responsável pela sensação de algo
agradável, gostoso e de querer mais. Mas a pornografia e a masturbação libera uma carga
muito maior do que o cérebro é capaz de suportar. Deus fez o cérebro humano capaz de
usufruir do sexo como algo bom, mas não na quantidade de cenas de sexo desenfreado
que se vê atualmente na internet, filmes novelas e seriados.
Com essa enorme quantidade de cenas, há uma quantidade muito maior de
dopamina despejada no cérebro. Completando o circuito de recompensa, a dopamina é
transmitida e captada criando assim o estímulo, a excitação sexual, e por isso o indivíduo
vai de clique em clique buscando cada vez mais prazer. É exatamente o mesmo que ocorre
quando uma pessoa faz uso, por exemplo, de cocaína. O que faz a pessoa ter a sensação
de prazer é exatamente o círculo de recompensa com uma quantidade extremamente
grande de dopamina. Mas o que acontece nas drogas é que os ciclos de pico são cada vez
menores e as depressões cada vez maiores, desenvolvendo assim o chamado Ciclo de
Compulsão e Desespero. E tudo isso não passa do próprio cérebro se defendendo.
O que ocorre é que na sinapse entre dois neurônios há os chamados transmissões
e receptores de hormônios. Suponhamos que temos uma quantidade de dez dopaminas
sendo transmitidas, onde o normal pelo estímulo sexual seria de apenas três, e do outro
lado temos outros dez receptores disponíveis, isso faz com que a pessoa sinta uma enorme
quantidade de prazer e o cérebro se sente satisfeito. Ao repetir a dose, o cérebro tentando
se defender e adaptado a sobrevivência, entende que aquela nova dose é quase como uma
tentativa de envenenamento e onde haviam dez receptores, agora o cérebro busca se
defender e fecha parte dos receptores, deixando apenas cinco deles disponíveis. A reação
é que jogando a mesma quantidade de dopamina e encontrando os receptores fechados,
menos dopamina é absorvida, fazendo com que a sensação de prazer seja menor. É por
causa desse fenômeno que o indivíduo nunca conseguirá a mesma sensação de prazer do
primeiro pico de dopamina. E numa tentativa de ter a mesma sensação de antes, o
indivíduo aumenta a dose afim de ter uma maior quantidade de dopamina sendo liberada
e o cérebro em reação a isso vai diminuindo cada vez mais a quantidade de receptores.
Com o passar do tempo, isso faz com que qualquer sensação de prazer ativado
pelo circuito de recompensa, como encontrar um amigo, comer algo gostoso, assistir a
um filme, ler um livro, sair com familiares e até mesmo relacionamentos com outras
pessoas e com o próprio Deus, que liberam uma pequena quantidade de dopamina que é
saudável, já não tem qualquer efeito. Dando assim a sensação da vida chata, nada mais
tem graça, um verdadeiro tédio, levando assim a depressão. Podemos assim perceber que
pornografia e masturbação podem causar adicção, ou seja, causar dependência.
Outra descoberta recente é a Plasticidade Neuronal, ou seja, o fato de nosso
cérebro se adaptar. Significa que quando se recebe estímulos que vão em uma mesma
direção, o cérebro cria uma espécie de trilha para facilitar o recebimento. Por exemplo,
uma pessoa passeando sempre pelo mesmo caminho em uma floresta, com o tempo ali se
forma uma trilha. Se mais pessoas passarem pelo mesmo caminho, logo se tornará uma
estrada. E quando uma multidão estiver passando pelo mesmo local, naquele local
teremos o surgimento de uma autoestrada.
Por causa deste fenômeno, o indivíduo começa a ver a vida através daquela trilha
que foi criada, ou seja, seu cérebro aprende caminhos que vão se repetindo e isto altera a
forma de se olhar para outros indivíduos, levando a vê-los todos de uma maneira sexual,
tendo a vista traída para as partes sexuais todo o tempo. O indivíduo é capaz de se excitar
com situações que pessoas normais não se excitariam e até mesmo não se excitar mais
com situações que pessoas normais se excitariam, causando assim uma Disfunção Erétil.
Após assistir a tantas cenas de sexo, no momento de uma relação sexual real, muitos não
conseguem uma ereção, pois agora o cérebro se acostumou a ser estimulado visualmente,
enquanto o sexo real envolve outros estímulos que não o visual. Até pode ocorrer em um
primeiro momento, na hora da sedução, mas não há o visual no restante da relação sexual.
Este é o principal motivo de alguns indivíduos não conseguirem ter uma relação sexual
com suas esposas sem ter um vídeo pornográfico auxiliando, pois precisam de um
estímulo visual.
Os estudos recentes também mostram que os indivíduos estão se expondo a
pornografia cada vez mais cedo. A média de exposição a pornografia nos EUA, por
exemplo, é de 11 anos de idade. E o principal risco nestes casos é o fato de o cérebro de
um adolescente ser extremamente maleável, tem uma plasticidade neuronal muito maior
que o de um adulto. Isso quer dizer que para se retirar os efeitos do cérebro de um jovem
que foi exposto desde os 11 anos de idade a pornografia se leva muito mais tempo que o
de um adulto que teve uma exposição mais velho. E ainda pior, o adolescente pode
começar a acreditar que aquelas cenas expostas nos vídeos é sexo real.
Segundo Gary Wilson em seu livro, em razão da dependência, muitos jovens
atualmente tem sofrido de impotência sexual, depressão, síndrome do pânico, déficit de
atenção, entre outras coisas, chegando até mesmo a pensamentos suicidas.
Mas como saber se um indivíduo já está em um quadro de adicção?
Há três sintomas básicos:
1- Inúmeras tentativas de parar com o vício, seguido de falha.
2- Dificuldades causadas pelo vício como perda da concentração, vontade de
fazer as coisas, afastamento de amigos e familiares, isolamento, depressão,
irritabilidade, podendo chegar na perda de um emprego ou repetição de ano
escolar.
3- Gastar muito tempo com pornografia e masturbação.
A vida para um adicto se torna um verdadeiro tédio, o indivíduo não tem mais
alegria nas coisas básicas da vida, mas como a vida também traz más notícias, isso o leva
cada vez mais para baixo, indo assim em busca de um novo pico para se aliviar, levando
a se destruir aos poucos.
Outro problema é a sociedade achar a pornografia e a masturbação algo normal,
afinal de contas é uma maneira do indivíduo se conhecer sexualmente, todos fazem isso,
eles vão dizer. O que é real, pois um grupo de neurocientistas canadenses buscaram
estudar os efeitos da pornografia em jovens em universitários, mas para isso precisavam
de um Grupo de Controle, ou seja, um grupo de jovens universitários que nunca tiveram
acesso a pornografia ou praticaram masturbação. No fim das contas, não puderam
prosseguir com a pesquisa, pois não conseguiram encontrar um jovem sequer. Por sorte,
atualmente há indivíduos abandonando o vício e graças a neuroplasticidade estão
voltando ao seu estado de normalidade, permitindo assim o surgimento de um grupo de
controle e o avanço nos estudos e pesquisas.
Então, podemos ter uma boa notícia, a de que a neuroplasticidade tem se mostrado
reversível nestes casos, mas leva tempo. O protocolo é o mesmo utilizado com um viciado
em algum tipo de drogas e é importante salientar que haverá momentos de Síndromes de
Abstinência. Mas para sair do vício, o primeiro passo é reconhecer a própria dependência.
William Struthers, um neurocientista cristão, mostra em seu livro que vários
hormônios estão presentes durante o ato sexual: a testosterona, a dopamina, a
noradrenalina, a serotonina, a endorfina e etc. Mas há um hormônio, criado pelo próprio
corpo, chamado oxitocina, responsável por nos unir a outras pessoas. O ser humano foi
criado para estar com outros seres humanos e ter vínculos, e o sexo foi feito para gerar
vidas e não morte, mas atualmente tem gerado a incapacidade de amar.
No fim das contas, para entendermos onde está o problema da pornografia e da
masturbação devemos levar em conta que ela leva a adicção, uma dependência, em
indivíduos que não sabem administrar seu tempo sozinhos. É necessário uma mudança de
vida, sobretudo mudar o estilo de estar sozinho, criar hábitos saudáveis que promovam a
desintoxicação. Haverá momentos de abstinência, mas entender e reconhecer o próprio
vício e buscar ajuda.
Entenda que você não foi feito para isso, você foi feito para amar. Você não sente
saudade de si mesmo? Procure uma foto sua de quando você ainda não conhecia o sexo
viciado e olhe bem para ela. Você não sente saudade de você? De quem você era na época,
de como via as coisas, seus sonhos, seus desejos. Você não é mais livre, foi raptado, foi
abduzido, e agora vive como escravo sendo arrastado por grilhões indo a lugares onde
você não queria ir.

- Aula 2: A pornografia mata o amor


mimimi

- Aula 3: Os efeitos da pornografia na alma


mimimi

- Aula 4: Restauração
mimimi