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Anotações sobre Ética Cristã

1 – Definição da Ética Cristã

Nós somos e agimos de acordo com o que cremos ou acreditamos.


Tomamos decisões todos os dias, desenvolvendo e resolvendo coisas
que tem a ver com nós mesmos e com nosso semelhante, e estas coisas
não podem ser feitas sem uma regra básica.

Temos sempre que saber decidir entre o que é certo e o que errado.
Todavia, muitas vezes, o que é certo para mim pode não o ser para o
meu semelhante e vice-versa. Como, então, decidir?

O termo “ética” vem do grego ethos (ἦθος, ἔθος) e quer dizer ‘ modo de
ser, caráter; ‘costumes ou práticas que são aprovadas por uma cultura’.
Originalmente, o termo ethos ‘lugar acostumado’. A Ética é uma ciência
normativa, mas é uma ciência. Ela é diferente das ciências, chamadas
exatas, tais como: matemática, biologia, física, mas é uma ciência. Ela
tem a ver com as normas sob as quais vive o ser humano e a sociedade
de um modo geral.

Ética Cristã é a “ciência que trata das origens, princípios e práticas do


que é certo e do que errado à luz das Sagradas Escrituras em adição à
luz da razão da natureza” ( J. S. Keyser). É o “estudo sistemático do
modo de viver exemplificado e ensinado por Jesus, aplicado aos
múltiplos problemas e decisões da existência humana” (Geórgia
Harkness). É a “explanação sistemática do exemplo e ensino morais de
Jesus aplicados à vida total do indivíduo na sociedade e realizados com
o auxílio do Espírito Santo”. (H.H.Barnette). É, ainda a “Ciência da
conduta humana, determinada pela conduta divina” (Emil Brunner).

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Depois de mencionar as definições de éticas do parágrafo acima, Hans
Ulrich Reifler, define Ética Cristã como: “o estudo sistemático e prático
da vida moral do homem determinado por seu valor e sua norma cristã,
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como revelado nas Sagradas Escrituras”.

A palavra ethos aparece 12 vezes no novo Testamento (Lc 1.9; 2.42;


22.39; Jo 19.40; At 6.14; 15.1; 16.21; 21.2; 25.16; 26.3; 28.17; Hb 10.25)
e significa estilo de vida, conduta, costumes ou prática.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


J. E Giles, em seu livro “Bases Biblicas de la Etica”, menciona Eugenia
Nida a respeito da moral que é diferente em várias culturas, falando
sobre algo ocorrido no Congo, África: Ele diz que “os missionários
estavam tentando convencer os nacionais de que suas mulheres deviam
usar blusas para cobrirem seu seios, mas os cristãos africanos resistiam
à idéia sugerida dizendo que não queriam que suas esposas se
vestissem como as prostitutas”. Eis aí o problema entre decidir o que é
certo e errado. O que era errado para os missionários era certo para os
irmãos do Congo, e o que para eles parecia tremendamente errado para
os missionários era, exatamente, correto. Suas esposas eram mulheres
decentes e, por isso, não deveriam ter vergonha em mostrar os seios.

Muitas vezes queremos medir os outros através daquilo que pensamos


ou vivemos. Achamo-nos mais santos que os outros porque nos
comportamos desta ou daquela maneira e não procuramos compreender
que fomos criados e vivemos em uma cultura ética diferente daquele
irmão ou daquela irmã.

A regra de ouro de Jesus dada em Mateus 7.12 diz “Portanto tudo o que
vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque
esta é a lei e os profetas” Nem sempre é fácil fazer isto. Nós queremos
fazer com que as pessoas sejam como nós e não queremos entender as
suas diferenças. Achamos que elas devem fazer como nós e não nós
fazermos a eles o que queremos que elas nos façam.

Quando tratamos da ética cristã devemos ter em mente que estaremos


lidando com a revelação de Deus na sua Palavra. Ela é quem estabelece
a regra básica da ética dos filhos de Deus. Devemos tomar os
ensinamentos de Jesus, de Paulo e dos demais homens de Deus do Novo
Testamento, mas não devemos nos esquecer que é necessário
compreender todos esses ensinamentos no contexto de uma revelação
anterior que nos é dado a conhecer no Antigo Testamento. Por isso
precisamos entender algo sobre o conteúdo ético do Antigo Testamento
e a forma com a qual isso se relaciona com o Novo Testamento. Isto
veremos durante a ministração desta matéria.
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2 – O Valor da ética Cristã


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A Ética Cristã é necessária porque ela nos ajuda a colocar os valores e


deveres em sua perspectiva correta, pois sem, essa compreensão
poderemos nos equivocar e firmarmo-nos sobre assuntos de menos
importância. Exemplo: Podemos insistir que uma irmã em Cristo não
pode usar brincos, anéis, pulseiras e outros adereços e não colocarmos
ênfase sobre o não odiar, não falar mal dos outros, e pecados
semelhantes.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


A Ética Cristã procura resolver a questões fundamentais sobre: Qual o
verdadeiro significado e propósito da vida? Quem é o ser humano e qual
é a sua natureza? Como deve ser o homem? O que significa verdade,
justiça e retidão? O que, moralmente, é certo e errado? Qual a posição
do homem quanto ao seu Criador e seu Salvador? Em fim, como um ser
racional que é, o homem precisa ser ético nas suas decisões
fundamentais.

Portanto a ética Cristã tem como finalidades básicas a de conseguir uma


visão correta, em abri as principais perspectivas e em apresentar as
verdades e valores que podem influir sobre todas as decisões que
devemos assumir diante de nosso Deus.

3 – A Ética Cristã como Ensino Teológico

Ética Cristã é teologia, já que ela tem a ver com o que Deus deseja que
sejamos. Nossos valores, nossas decisões e nosso modo de viver devem
estar centrados em Deus, Isto quer dizer que na Ética temos o ensino de
Deus, a vontade de Deus e a Ação de Deus, por isso, Ética Cristã é
Teologia. Ela deveria ser, e para muitos estudiosos o é, parte da
Teologia Sistemática. Um desses estudiosos é Karl Barth

4 – Sistemas Éticos

Os sistemas éticos são:

• A ética legalista: A prioridade que se dá a um conjunto de leis e


regras pré-fabricadas que é, supostamente, capaz de orientar
através da letra morta da sua formulação, pela conduta mecânica
e pela obediência cega do homem, a invés de ser orienta pelo
espírito. Isto significa ser dirigido pelo que não se deve fazer e não
pelo que se deve fazer. É o lado negativo. Isto traz problemas Página
sérios porque pode tornar a vida cristã numa vida triste, limitada,
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condicionada a limites não compreendidos, negativa e proibitiva. A
pessoa fica condicionada à observância de regras, leis, códigos e
normas estabelecidas, e não lhe permite a criatividade. Ela sabe o
que não deve fazer, mas desconhece o que deve fazer. Jesus disse
aos escribas e fariseus: “Bem sabeis rejeitar o mandamento
de Deus, para guardardes a vossa tradição”. (Mc 7.9). Este
sistema leva a pessoa a cumprir, muitas vezes a sua
tradição em detrimento ao guardar o mandamento de
Deus.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


• A Ética Antinômica (falta de lei). Este sistema, ao contrário do
anterior, leva o homem a fazer a sua própria diretriz e norma,
fazendo-o tomar decisões sem ter em conta qualquer tipo de
princípio. Não há normas. Isto é libertinismo.
• A Ética Teonômica – Esta tem a ver com o Deus da Bíblia, o Deus
verdadeiro, é o centro das decisões. Tem a ver com o
relacionamento do homem com Deus e vice-versa. Não é uma
obediência cega aos preceitos e normas. “Todas as coisas me são
lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas,
mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (I Co 6.12)
era assim que pensava o apóstolo Paulo. A teonomia obedece a
Deus, tendo uma noção de resposta, de relacionamento, de
comunhão.

5 – Relações Básicas da ética Cristã


A Ética Cristã tem a ver com o senhorio de Cristo e não pode abrir mão
disso, mas a nossa vida sob esse senhorio de Cristo nos leva a viver uma
vida e relacionamentos interpessoais, ou seja, nós temos
relacionamento com o nosso próximo. Ver o caso do bom samaritano e o
de Zaqueu (Lc 10.30-37; Lc 19.2-9).

O triângulo abaixo, do Livro “A Ética dos Dez Mandamentos”, de Hans


Ulrich Reifler, nos mostra as relações básicas da Ética Cristã:

Assim podemos entender a ética Cristã como:

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Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


1. Ética

Individual (ego-ego): Auto-conservação, cultura própria, direção


própria;
2. Ética Social: (ego-próximo) – deveres para com a família e a
sociedade.
3. Ética Teísta (ego-Deus) – Devoção do intelecto e do coração a
Deus. (I Ts 5.23 – “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo;
e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e
irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”

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Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Capítulo I

A Ética do Antigo Testamento

O Antigo Testamento não é a nossa principal regra de fé e prática, mas é


nele que começamos a conhecer a vontade de Deus para com o seu
povo, primeiramente para com a humanidade de um modo geral, depois
para com Israel e mais tarde, chegando à igreja, já no Novo Testamento.

Portanto, é imprescindível conhecermos o caráter ético de Deus


revelado no Antigo Testamento para entendermos o que nos é revelado
no Novo Testamento.

1 - O Caráter Ético de Deus


Comparado com os deuses de outras religiões entendemos
claramente como o Deus do Antigo Testamento é dotado de
caráter moral elevado, enquanto os deuses das nações eram
desprovidos tal caráter.

Exemplo: O deus do amonitas,


Moloc, era adorado através de
sacrifícios humanos seu
oferecimento em holocaustos.
“Os rabinos descrevem este
deus da seguinte maneira:
era fabricado de bronze,
sentado sobre um trono do
mesmo metal, em formato de
pessoa, com cabeça de
bezerro, enfeitado com coroa
real e os braços estendidos
como que desejando abraçar
alguém. Quando se ofereciam
filhos a Moloque, a estátua Página
era aquecida por um grande
fogo aceso dentro dela. A
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vítima era posta nos braç os


da estátua e consumida ali.
Outros contam que o ídolo
oco era dividido internamente
em sete compartimentos.
Num deles, punha-se farinha;
no segundo, pardais; no
terceiro, um cordeiro; no quarto, um bode; no quinto, um

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


bezerro; no sexto, um boi; e no sétimo, uma criança. Tudo
isso era queimado pelo aquecimento interno da estátua. O
relato de Deodoro (l. xx) a respeito da estátua de Saturno a
quem
os cartagineses, descendentes dos cananeus, sacrificavam,
é muito semelhante.
Eles tinham uma estátua de bronze de Saturno, o qual
estendia suas mãos em direção ao chão de maneira tal, que
as crianças postas entre as mesmas, se precipitavam numa
cova cheia de fogo. Milton menciona este relato na obra O
Paraíso Perdido, B. 1. 392.” (Bíblia Online da SBB)

Deus proibia esse tipo de adoração, Lv 20.22, e os casos de


sacrifícios humanos do Antigo Testamento tais como o caso
de Jefté (Jz 11.30,42), do filho de Manasses (II Rs 21.6), não
podemos afirmar terem sido a vontade de Deus. No caso de
Jefté, ele fez o voto a Deus, mas Deus não exigiu o seu
cumprimento. Tanto que sua filha que foi a primeira pessoa
a sair-lhe ao encontro o que a fez ser a pessoa que ele
deveria sacrificar, sofreu apenas o prejuízo de se manter
virgem por toda a vida.(Jz 11.39). No caso do filho de
Manasses, foi um ato pecaminoso como tantos outros que
ele havia cometido (II Rs 21.1ss).

Podemos ver o caráter ético de Deus nos seus nomes:

Elohim – Nome plural que demonstra poder ou força. Tem a ver com a
sua fidelidade em cumprir tudo o que Ele promete ao seu povo. Sendo
Elohim ele tem poder sem limite e se torna um Deus de confiança. (Sl
91.2 – “Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza,
o meu Deus, em quem confio.”).
Jeová – É a palavra mais usada no AT, só ao em combinação com outros
nomes, e designa a Deus como “eterno, imutável, que nunca poderá ser
outra coisa”. “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de
Jacó, não sois consumidos”. (Malaquias 3:6). A palavra Jeová é utilizada
no relacionamento de Deus com o homem, um relacionamento moral e Página
espiritual. Jeová é o Deus que tem interesse pessoal no homem. Joevá é
reto e exige a retidão do homem. “Pois Jeová é justo; ele ama a justiça;
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Os retos verão a seu rosto.” (Sl 11.7 TB).


Adonai – Implica na obediência absoluta que o homem deve prestar a
Deus. Ele é o SENHOR. Não implica num relacionamento Senhor-escravo
no sentido da responsabilidade do escravo para com o seu senhor, mas
num relacionamento no qual o senhor também tem a responsabilidade
de proteger, cuidar e suprir suas necessidades.
El Shaddai – É o Deus todo-poderoso e todo suficiente para suprir todas
as nossas necessidades. (Gn 35.11 - Disse-lhe mais: Eu sou Deus Todo-

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de
nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos).

2 - A Natureza Moral do Homem


Sendo Deus um Deus que possui um caracter ético, seria de esperar
que a sua principal criatura também o tivesse. Sendo assim,
evidentemente, entendemos que o ser humano herdou de Deus o seu
Criador, um caráter ético não presente nas outras criaturas.
Hoje se pergunta: Quem é o homem? De onde veio? Para onde vai?
ele é mortal ou imortal? A Bíblia tem a resposta:

2.1 – O Homem Veio de Deus e foi criado à sua Imagem – Gn


1.26,27; 2.7; Sl 8; 139.13; Jó 10.8-11). A imagem de Deus no
homem o distingue de todos os outros animais. Esta imagem de
Deus no homem, certamente, nada tem a ver com o aspecto
físico, mas com a “idéia da perfeição moral do homem antes do
pecado. A imagem pode identificar-se também com o senhorio do
homem sobre a natureza, a capacidade de entrar em comunhão
com Deus, à personalidade do homem, e de sua imortalidade”.
Ainda que esta imagem de Deus tenha sido ofuscada pelo pecado,
o homem continua em condições de responder ao apelo de Deus,
quanto a se voltar para Ele, através do crer no sacrifício de Seu
próprio Filho.
2.2 - A Liberdade do Homem – Apesar de ter sido criado à imagem
e semelhança de Deus e como conseqüência maravilhosa ter
herdado os valores éticos de Deus, o homem é um ser que possui
a liberdade no sentido mais amplo possível. Ele tem a
possibilidade de escolher o seu caminho e escolher o seu futuro.
Essa liberdade o permite obedecer ou desobedecer a Deus.
Todavia, essa liberdade é dada com responsabilidade. Ela é
condicionada. Obedecendo a Deus temos os Seus benefícios, não
O obedecendo, o homem fica sujeito a pagar com as
conseqüências inerentes ao seu ato. No Éden ao homem foi dada a
liberdade de comer ou não do fruto da árvore do conhecimento do
bem e do mal, porque Deus lhe disse para não comer, pois no dia Página
em que dela comesse, certamente morreria. Deus não queria que
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o homem comesse daquele fruto, mas não tirou dele a liberdade.
Disse, apenas, o que poderia lhe acontecer se ele comesse, mas
ele preferiu desobedecer a Deus e comer.
A liberdade do homem tem a ver com o seu relacionamento ético
com Deus. Ele é livre, mas tem deveres. Ele é livre, mas deve ser
responsável.

2.3 – A Constituição Familiar.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Deus criou o ser humano como macho e fêmea. Nem mais nem
menos. Criou o homem (macho) e depois criou a mulher (fêmea)
por causa do homem, ou para completá-lo. O homem sabia que a
vaca não era como ele. Nenhuma outra fêmea poderia atender às
suas necessidades, por isso, não se encontrou para o homem uma
adjutora ou uma auxiliadora. Deus criou a mulher e a levou
imediatamente para Adão. Deus criou limites. O homem deveria
ter a sua mulher e formar a sua família. (Gn 1.26-31; 2.7,18, 21-
25).

2.4 – O Homem em suas Relações com Deus e o Próximo.


O decálogo, ou a Lei mosaica, é uma codificação do
relacionamento do homem com Deus e com o seu semelhante.
Nenhuma outra lei supera essa lei de Deus e todas as boas leis de
alguma maneira devem ter algo dessa lei de Deus. (Ex 20.1-17).
Jesus resumiu essa lei em dois grandes mandamento:
“Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu
coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é
o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este,
é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois
mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.37-40)

3 – A Ética dos Profetas


A Lei mosaica havia servido para orientar o povo de Deus em todo o
seu envolvimento social na nova terra que o Senhor lhes havia dado.
Eles necessitavam dela porque teriam que estar envolvidos em um
relacionamento completamente diferente dos relacionamentos
anteriores, ou seja, no Egito e na caminhada pelo deserto.
Agora, já no período dos juízes, mais que nunca eles precisavam da
lei de Deus, porque estavam cercados de povos que cultuavam seus
próprios deuses, tais como os canaeus, que cultuavam a Baal e que
foram sempre uma ameaça para os israelitas. Os israelitas eram
sempre tentados à idolatria. O período dos juízes foi um período
muito conturbado e manter-se fiel a Deus foi uma das dificuldades
para o povo. Quando o povo era fiel, Deus o abençoava, quando o Página
povo voltava para a idolatria e outros pecados Deus o castigava.
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Um grave problema começa a acontecer. O povo, dividido em tribos,
começa a pedir um rei. Aparentemente nada há de errado nisto e,
parece-nos politicamente correto, mas não era esta a vontade de
Deus. Mas Deus atendeu o pedido do povo e lhe deu um rei.

A partir daí, Deus começa a relacionar-se com o povo através do


ministério profético. Deus escolheu profetas para revelar ao povo a
sua vontade.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


1. A Função dos Profetas

A função dos profetas não era apenas predizer o futuro, ou vaticinar,


mas muitas profecias tinham a ver com a índole moral do povo. Os
profetas podem ser considerados como os preservadores dos valores
morais e religiosos do povo, e servem como um chamado de Deus ao
povo para voltar-se para Ele.

2. A Mensagem do Profetas

As mensagens dos profetas era baseadas em princípios teológicos e


morais, frutos das revelações anteriores de Deus e de sua revelação
pessoal a eles. Ao povo, necessitava-se lembrar sempre que Deus é
Criador (Jr 27.5; Is 40.12-24), que Deus é soberano e Onipotente (Jr
23.23-24; Am 9.7; Is 43.1). Eles, os profetas, insistiram sempre sobre
o Dia do Senhor, ou o dia do juízo, quando Jeová iria castigar o sue
povo por causa da sua maldade (Is 2.12; 13.6; Ez 30.6; Jl 1.15. Ob 15;
Sf 1.7,14). Além de verem o Dia do Senhor, como o dia de juízo, eles
viram, também o dia maravilhoso quando o reino messiânico viria por
meio do Messias o qual Deus enviaria. (Is 9.6,7).

Além da mensagem teológica os profetas pronunciaram mensagens


que tinha a ver com a vida moral do povo. Eles clamaram por justiça.
Amor, santidade e misericórdia. Oséas, insistiu em relação ao amor,
pois ele, vivendo nos dias finais da história de Israel, estava vendo o
colapso da lei a da ordem. Amós preocupa-se com a justiça; Isaias
com a santidade; Jeremias e Ezequiel com a responsabilidade
individual; Miquéias faz um resumo do que é uma religião ética
quanto a “fazer justiça, amar a misericórdia, e a humilhar-se perante
Deus”.

3 – Corrupção e Injustiças nos Tempos dos Profetas


O desenvolvimento econômico da nação levou o povo a viver uma Página
vida onde a ética divina começou a ser colocada de lado.
Deixaram de viver em tribos onde tinham todas as coisas em
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comum e começaram a viver em aldeias cada um cuidando da sua
própria vida. Com isto começaram os problemas, pois no afã de se
enriquecerem muitos começaram a cometer injustiças e outros
tipos de pecados morais e espirituais, como avareza, cobiça e
engano. Muitos que se tornaram mais ricos começaram a
beneficiar-se dos mais pobres.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Os profetas não poderiam ver isto e ficar calados. Amós criticou os
negociantes do seu tempo severamente:
Amós 8. “4 Ouvi isto, vós que pisais os necessitados, e destruís os
miseráveis da terra,
5 dizendo: Quando passará a lua nova, para vendermos o grão?
e o sábado, para expormos o trigo, diminuindo a medida, e
aumentando o preço, e procedendo dolosamente com balanças
enganadoras,
6 para comprarmos os pobres por dinheiro, e os necessitados por um par
de sapatos, e para vendermos o refugo do trigo?
7 Jurou o Senhor pela glória de Jacó: Certamente nunca me esquecerei
de nenhuma das suas obras.
8 Por causa disso não estremecerá a terra? e não chorará todo aquele
que nela habita? Certamente se levantará ela toda como o Nilo, e será
agitada, e diminuirá como o Nilo do Egito.
9 E sucederá, naquele dia, diz o Senhor Deus, que farei que o sol se
ponha ao meio dia, e em pleno dia cobrirei a terra de trevas.
10 E tornarei as vossas festas em luto, e todos os vossos cânticos em
lamentações; porei saco sobre todos os lombos, e calva sobre toda
cabeça; e farei que isso seja como o luto por um filho único, e o seu fim
como dia de amarguras.
11 Eis que vêm os dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre
a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras
do Senhor.
12 Andarão errantes de mar a mar, e do norte até o oriente; correrão por
toda parte, buscando a palavra do Senhor, e não a acharão”.

4 – A Ética nos Livros Poéticos


A poesia é sempre uma forma agradável de falar coisas sérias de
uma maneira alegre e suave. Isto nos dá, de fato, a certeza de que
o Deus ético do Antigo Testamento deve ter inserido nos livros
poéticos parte do que Ele queria que seu povo vivesse.

Assim o conteúdo dos Poéticos revelam conceitos teológicos, tais


como: Deus é o Criador e o que domina a Natureza (Pv 3.19ss; Jó
9.4-10; Ec 3.11). Deus é Onipotente, justo e misericordioso,
protetor e guia (Pv 15.3; Ec 7.13ss; Pv 16.11; 3.6). Deus, por sua Página
vez ru]equer do homem “confiança, a reverência, a paciência, a
retidão e a consagração das suas riquezas e serviço”. ( Pv 3.5ss;
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9.10; 3.11-12).

4.1– Jó e suas Perguntas


Por que o Homem serve a Deus? Por que servir a Deus? Qual o
motivo que o homem tem para servir a Deus?

Muitas pessoas hoje estão servindo a Cristo, não por causa dos
benefícios espirituais, mas por causa dos bens materiais. A leitura

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


de Jó nos mostra que servir a Deus deve estar acima de nossas
ansiedades fisicas ou materiais. Satanás perguntou a Deus se Jó o
servia em vão, ao mesmo tempo afirmando que a sua fidelidade
tinha a ver com a sua prosperidade. Satanás sempre pensa na
barganha. Eu te dou isto e você me dá aquilo. Assim, muitos
movimentos estão vivendo e ensinado o povo em nosso tempo.
Você serve a Deus e prospera, assim e assim.

Jó apesar das suas queixas, pode provar que o seu temor a Deus
sobrepujava às coisas que ele recebera do Senhor. O seu amor a
Deus estava acima das suas riquezas, dos seus servos e dos seus
filhos. Estava acima da sua dor. Ele sabia que Deus era o seu
Redentor e que estava vivo. (Jó 19.25).

É muito difícil o homem servir a Deus sem interesses pessoais. Ele


serve a Deus por temor (medo), por um voto feito em determinada
situação da vida; outros pensam que é uma boa política servir a
Deus. Ouros servem a Deus porque esperam receber dele todas as
bênçãos prometidas em sua Palavra. Jó, todavia, nos dá uma bom
exemplo do servir a Deus de forma espontânea, (Jó 2.10).

Sem dúvida, descobrimos que o sofrimento faz parte da vida do


homem, e que este procura saber os seus motivos. Barnette
fornece quatro explicações sobre o sofrimento com base no livor
de Jó: a) O mal vem como uma prova do caráter do homem
(1.11ss; 2.4ss) b) 0 mal é um castigo pelos pecados do homem
(4.7-9; 5.17ss; 9.22; 10.1-15; 12.5ss). c) O mal é uma maneira de
advertir o homem de que ele está vacilando em seu serviço a
Deus (33.14-30). D) O mal é uma meio de alcançar uma relação
mais pessoal com Deus e uma compreensão de si mesmo por
parte do homem (42.5,6).

O capítulo 31 de Jó nos mostra uma ética tremendamente boa e


avançada que alguns dizem ser mais alta que os próprios 10
mandamentos. Aqui Jó afirma que
a) Não era mentiroso (v 5) Página
b) Não havia roubado ( vv 7,8)
c) Não havia praticado a luxúria ( vv 9-12)
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d) Era benevolente até para com os escravos ( vv 13-15).


Reconheceu que se não fosse justo para com os escravos
não poderiam esperar a justiça de Deus.
e) Não era cobicioso ( vv 24,25)
f) Não havia participado da idolatria ( vv 26-28)
g) Não tinha espírito vingativo (vv29,30)

4.2 - Os Salmos e o Carater do Homem

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Evidentemente que por serem poesias os salmos devem ser
entendidos levando-se em cointa o tipo de literatura que é. Os
salmos apresentam as qualidades do homem que agrada a Deus.
Ver (1; 15; 24; 50; 82; 75; 101; 112; 127; 128; 131 e 133). Estes
capítulos nos respondeà pergunta ‘O que é um homem bom?’

Apresentam também o sentido ético do arrependimento, como o Sl


6 que é um pedido de perdão; O salmo 25 fala da necessidade de
proteção e perdão e mostra o carter de Deus que é bom e reto; O
Salmo 51 é um clamor a Deus quando o salmista reconheceu seu
pecado e sua miserabilidade.

4.3– Ensinos Práticos em Provérbios


O Livro dos Provérbios apresenta uma aplicação prática da Lei,
deixando de lado os pontos teológicos. Seu ponto fundamental é a
sabedoria que tem cunho intelectual, mas não deixa de lado o
aspecto religioso. A sabedoria é o temo do Senhor (Pv 1.7 – “ O
temor do Senhor é o princípio do conhecimento; mas os insensatos
desprezam a sabedoria e a instrução”).
Nos Livro de Provérbios a preguiça é apresentada como algo mau
e nos convida ao trabalho (Pv 6.6-10; 9. 10.4-5,26; 15.19; 18.9;
19.24; 22.13). O mau uso da língua é tomado a serio pelo autor
(6.12-19; 18.8; 14.29). Fala sobre o orgulho e a jactância (16.18;
25.14; 26.12; 27.1,2).

Fala ainda sobre as virtudes pessoais e princípios para as famílias.


Os jovens são instruídos a não seguirem atrás das mulheres
perversas (5.6,7; 9.13-18; 15.17; 17.1). Fala sobre a mulher
virtuosa (31.10-31). Dos deveres nas relações entre pais e filhos
(1.8; 4. 2-4; 10.1; 13.24; 20.11; 22.6; 15; 30.17).

Assim o livro de Provérbios continua a derramar seus sábios


conselhos éticos que, sem dúvida, são conselhos divinos para a
nossa vida.

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4.4 - Eclesiastes
“Vaidade de vaidades, tudo é vaidade” afirma o pregador (1.2).
1
Isto por suas perguntas: Por que vive o homem? Há algo de valor
na vida? O que o homem deve fazer com os seus talentos? A vida
sem sentido é uma vaidade: o prazer pode parecer apropriado
para dar sentido à vida, mas mesmo quem o encontra acaba
descobrindo a vaidade. (2.1,2). Quem sabe as riquezas poderão
das a felicidade e o sentido da vida? Não, isto também é vaidade
(2.1-19; 6.12; 4.8). A fama? Também é vaidade (7.1; 11.8).

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


A conclusão, então, é uma só: Temer a Deus, quem nos criou e
guardar os seus mandamentos (12.13).

Página
1

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Capítulo 2
A Ética no Novo Testamento

Introdução:

O Novo Testamento inaugura um novo período na história do mundo


com a chegada de Jesus. Começa pelos judeus em primeiro lugar e
depois se estende ao mundo inteiro. A Ética Divina nunca encontrou um
caminho tão vasto aberto pelo próprio Deus para afetar positivamente a
história do homem. Os valores cristãos são sentidos em sua
profundidade e transformam indivíduos, povos e nações.

I – Á Ética de Jesus
A Ética de Jesus baseia-se, principalmente, nos seus ensinos para os
cidadãos do reino de Deus. Não adianta tentar, como alguns, fazer de
Jesus apenas um mestre da ética, mas é importante saber que seus
ensinamentos estão eivados de cultura ética e religiosa. O papel
fundamental de Jesus é salvar o homem e colocar no seu coração a
vontade soberana do Pai. A ética de Jesus não é chamada de ética
formal, mas ética escatológica porque ela tem a ver com o
estabelecimento do reino de Deus.

A presença de Jesus no mundo e o estabelecimento do Reino de Deus,


não é um acerto de uma situação existente, mas é uma “volta de 180
graus: adesão total ao reinado de Deus, aceitação incondicional,
obediência radical” (Heinz Dietrich Wendland). A vinda de Jesus e a sua
proclamação do Reino é a inauguração de um novo tempo, o tempo da
salvação (kairós) que começa, fazendo uma exigência de “meia-volta”.
(Mc 1:15; Mt 3:2; Mt 4:17)

O Reino de Deus se define como um “reinado reto e soberano de Deus Página


na sociedade redimida”. É um reino espiritual. Isto não era fácil ser
entendido nos dias de Jesus, já que eles esperavam um reino material,
1

visível e local. Mas, Jesus frisou: “mo meu reino não é deste mundo” (Jo
18.26).

Esse Reino é interno no homem, ou seja, o Reino de Deus é “um poder


divino, poderoso e quieto no coração do homem”. J. E. Giles cita Marshall
dizendo:

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


“Neste conceito o reino de Deus no coração, a religião e a
ética se unem. Deus toma a iniciativa e vem à alma do
homem com uma demanda transcendente e moral. Quando
o homem reconhece esta condição, e se rende
voluntariamente, ele tem chegado a estar sob o reino de
Deus, e assim o reino de Deus está estabelecido dentro
dele... É nesta forma que o Deus vivente entra na
experiência viva do homem, porque o homem assim
experimenta Deus como a luz da mente, e encontra na
comunhão de obediência com Deus a força e a inspiração
para a vida”.

O Reino de Deus é presente e futuro. O Reino de Deus é o


estabelecimento da Sua vontade entre nós.

A Ética de Jesus é, portanto, a maneira através da qual Ele quer que


vivamos para sermos bons cidadãos do Seu Reino. Ao contrário do que
muita gente pensa, não se pode viver o Reino de Deus da mesma forma
que vivíamos ou que se vive no reino secular. O mundo ser Cristo não
prepara cidadãos para o Reino de Deus. Somente Jesus nos prepara para
o Reino de Deus.

1. A Ética de Jesus e a sua Relação com a Religião.


O Ministério de Jesus é estabelecido com a chamada de seguidores
aos quais Ele disse: “Vinde após mim”. Isto significa que Jesus não
queria apenas discípulos, mas pessoas que estivessem dispostas a
seguí-lo. Segui-lo sem questionamentos. Seguir Jesus significa
estar envolvido por completo na sua vida.
Jesus condenou a religião que não leva o homem dar fruto ético na
vida e colocou que o homem precisa ter uma relação íntima com
Deus, para ser digno de ser chamado seu Filho.

1. Posicionamentos Éticos de Jesus


2.1 – Jesus não criou um ensinamento sistemático da Ética. “Em
vez de fazer leis, ele deu princípios, e os fez tão poucos, tão
amplos e tão simples, que ninguém pode passar por cima deles” Página
(Scott). O âmago do ensino de Jesus é: Amar a Deus e ao Próximo.
2.2 – Ensinamentos Positivos – Quem ensinaria que o homem
2

ofendido deveria tomar a iniciativa da reconciliação? (Mt 5.23-25).


Os judeus ensinavam assim: “O que lhe aborrece não o faças a
ninguém”. Jesus ensinou a andar duas milhas quando alguém lhe
exigir que ande uma (Mt 5.41). Jesus ensina-nos que nossa justiça
tem que exceder em muito à justiça dos escribas e dos fariseus,
para entrarmos no Reino dos Céus. (Mt 5.20).
2. O Ensino Ético de Jesus tem Elemento Presente e Futuro

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Fazer a vontade de Deus nesta vida implica em receber
recompensa no futuro. Ou seja, somos fies ao Senhor, fazemos o
bem, amamos a Deus e ao próximo, teremos recompensa no juízo
final. (Mt 25.31s).
3. Jesus e o Pecado – Jesus se referia ao pecado na forma plural,
admitindo que o pecador não se contenta com um pecado apenas.
São várias as formas com as quais o pecado se concentra na vida
do ser humano. Mas, nas três vezes que Jesus trata do assunto
utilizando a palavra ‘pecados’ Ele o faz para perdão. Lc 11:4
“perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o
que nos deve; e não nos deixes cair em tentação”; Lc 7.47-49 “Por isso,
te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito
amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. Então, disse à
mulher: Perdoados são os teus pecados. Os que estavam com ele à
mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa
pecados?”.; Mt 9.2-6 “E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num
leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho;
estão perdoados os teus pecados. Mas alguns escribas diziam consigo:
Este blasfema. Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse:
Por que cogitais o mal no vosso coração? Pois qual é mais fácil? Dizer:
Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda? Ora,
para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade
para perdoar pecados—disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o
teu leito e vai para tua casa”;

4. O amor Próprio – o pecado, apesar de seus vários ramos, tem um


só tronco – o egoísmo ou o amor próprio. Os vícios sociais, tais
como a escravidão, a injustiça, a avareza, e todos os outros tipos
de pecados sociais, são produzidos por pessoas que desejam tudo
para si e nunca pensam no bem estar do seu próximo. O “rico
insensato”, é uma parábola de Jesus que reflete muito bem isto,
em Lucas 12.13-21: O campo desse homem havia produzido mais
do que seus celeiros poderiam suportar, por isso, ele resolveu
derrubar os celeiros, e construir outros maiores. Nada de errado
até aqui. O erro estava no fato de estribar-se nos seus bens como
se os bens materiais fossem a solução para todos os problemas da
vida. Ele faria melhor se tivesse guardado o suficiente para ele e Página
sua família e tivesse dado parte dos seus bens aos necessitados.
Servir ao próximo é o inverso do egoísmo.
1

5. Os pecados da carne e do espírito – Jesus sabia muito bem que o


problema do homem tem a ver com a atitude do seu coração. Os
pecados podem ser carnais e espirituais, mas são consumados
pelas intenções do coração do homem. Jesus disse (Mt 5.)

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


28 Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma
mulher com intenção impura, no coração, já adulterou
com ela.
29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o
de ti; pois te convém que se perca um dos teus
membros, e não seja todo o teu corpo lançado no
inferno.
30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a
de ti; pois te convém que se perca um dos teus
membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
O pecado, para Jesus, não era apenas fazer o mal, o errado. Era,
também, não fazer o que era certo. Era olhar e condenar o
próximo antes de ver o seu próprio erro. (Mt 7.5). Na parábola dos
talento o homem que não fez nada com o seu talento, nem bom,
nem mal, apenas o enterrou e o devolveu depois, foi condenado
pelo seu senhor. (Mt 25.24-27).

O jovem rico havia agido corretamente dentro da Lei de Deus


desde a sua mocidade, mas faltava-lhe o mais certo segundo a
nova lei de Jesus: Ele devia ter o privilégio de compartilhar o tinha
com quem nada possuía. (Mt 25.41-46).
6. A Vontade de Deus como Valor Supremo na vida do Homem
A vontade de Deus para com o homem é que ele tenha uma vida
boa, mas existe uma base religiosa que o homem deve buscar
para compreender esta vontade de Deus. O homem precisa
entender em primeiro lugar que a sua vida é preciosa diante de
Deus, e que Deus o quer redimir dos seus pecado. Deus pode fazer
isto porque Ele enviou seu filho Jesus para morrer e com seu
sangue cobrir todos os pecados do homem. Quando o homem
reconhece isto e recebe Jesus Cristo através da sua fé pessoal ele
passa a viver o tipo de vida que Deus deseja. Uma vida nova, uma
nova criatura (II Co 5.17).
O que acontece posteriormente é que o homem agradecido pela
sua salvação obedece com amor os ensinamentos de Cristo para
se tornar um bom servo de Deus. Ele reconhece que não pode ser
bom ser Cristo Jesus.
Página
7. O Caráter e Comportamento do seguidor de Jesus.
2
Pelos ensinamentos de Jesus, não adianta somente o homem fazer
boas obras como uma demonstração externa do que ele é, mas
fazer boas obras refletindo o seu interior. O importante, então,
para Jesus são as atitudes retas que produzem atos bons ( Mt 23.3,
4, 14, 24, 25, 25). “por seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16). O
que Jesus deseja é que isto seja o ideal na vida do crente por toda
a vida e não apenas atos isolados em si mesmos.

8. Jesus como Exemplo

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


O amor que Jesus demonstrou para com o Pai e para com o
próximo é o melhor exemplo que temos dele. A vida toda de Jesus
foi de obediência ao pai e trabalho incansável para o bem estar do
ser humano. No seu caráter ele foi exemplo de humildade, perdão,
amor para com os inimigos, justo, puro e se compadecia dos
necessitados.

II – A Ética de Paulo

Os escritos de Paulo são profundos no Novo Testamento, e alguns até o


têm criticado dizendo que ele fez dos simples ensinamentos de Jesus
declarações teológicas profundas e complicadas. Outras tomam os
ensinos de Paulo e os coloca acima dos de Jesus. Todavia, o que é
verdade é que Paulo foi o melhor intérprete de Jesus e demonstra uma
experiência profunda com Ele. Assim seus ensinamentos éticos são de
profunda valia para nós.

1 – A Base da sua Mensagem

Paulo, em sua mensagem, utilizou-se de muito termos que demonstram


sua experiência religiosa. Dentre esses termos temos: justificação,
reconciliação, salvação, redenção, adoção e santificação. Isto nos
mostra que Paulo sabia da real condição do homem, ou seja, sabia que o
homem deve reconhecer que é um pecador e que precisa de Jesus.
Somente isto poderá colocar o homem numa relação com Deus e com o
ser humano, de acordo com o plano de Deus para com a sua vida.
“paulo viu a experiência religiosas mais dinâmica na frase
“em Cristo”. Interpretou a experiência da salvação e o
caminha do cristão como “estar em Cristo”, e “viver em
Cristo” (Rm 16.3, 9; I Co 1.30; II Co 5.17; Gl 2.20; 3.28; Cl
4.7; Fp 4.1; I Ts 3.8). Paulo esclareceu que sem Cristo o
homem está sem esperança (Rm 10.8-10). Assim Paulo
reconheceu que a necessidade básica desta necessidade foi
apresentada quando Cristo morreu no Calvário para pagar
pelos pecados dos homens”. (J. E. Giles). Página
1
2 – A Natureza da Ética de Paulo
2.1 – Não foi Sistemática – Não obstante o fato de que Paulo
conhecia bem a filosofia moral de sua época, melhor que
qualquer outro escritor do Novo Testamento, ele não teve a
intenção de utilizar esses conceitos em seus escritos, nem se
preocupou e criar um código sistemático de ética Cristã. Sua
preocupação era escrever para os cristãos que viviam em
diversos lugares e culturas diferentes, esclarecendo-lhes o
ensino de Cristo e o que ele entendia ser necessário para

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


fazer um cristão em condições de viver em um mundo que
oferecia-lhe todas as oportunidades de viver uma vida
depravada e imoral. Ele tratava de problemas definidos e às
vezes aplicáveis apenas nas áreas para onde ele estava
escrevendo. Todavia esses seus ensinos eram
fundamentados em Cristo Jesus e numa vida de pureza
diante de Deus, mesmo em um meio tão adverso. Paulo era
claro em seus ensinamentos.
2.2 – Escatológica – Paulo viveu, principalmente, os primeiros
tempos da sua vida Cristã, certo de a vida de Cristo estava
às portas. Daí, crêem alguns, os seus ensinos
aparentemente tão radicais. Ele não esperava que a Igreja
teria tanto tempo no mundo como está tendo.
2.3 – Não legalista – Paulo reconheceu que o cristão não está
debaixo da lei, mas debaixo de Cristo. A Lei havia servido
para dar ao homem um ideal quanto ao seu comportamento.
Em Rm 7.6 lemos que “agora fomos libertos da lei, havendo
morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos
em novidade de espírito, e não na velhice da letra.” Diz Paulo
ainda que “a letra mata, mas o espírito vivifica” (II Co 3.6).
Paulo não estava preso ao que dizia a lei, mas à obediência a
Cristo. Para ele “é muito mais fácil obedecer ao espírito de
um ensino do que se preocupar em obedecer as regras
legalistas”.
3. Apelações de Paulo com respeito à ética do cristão.

– Temor – Em Efésios 5.5-7 o apóstolo Paulo nos fala de homens que não
entrarão no reino de Deus: “nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o
qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus”. Sobre estas
coisas vem a ira de Deus, por esta razão o crente tem de fugir com
muito temor. Leia ainda: Rm 8.15 “Porque não recebestes o espírito de
escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de
adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!”; II Co 5. 11 “Portanto, conhecendo o
temor do Senhor, procuramos persuadir os homens; mas, a Deus já somos
manifestos, e espero que também nas vossas consciências sejamos

Página
manifestos.” II Co 7. 1 “Ora, amados, visto que temos tais promessas,
purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a
santidade no temor de Deus.”
2
- Imortalidade – A preocupação ética do cristão é, também, importante
porque não cremos somente numa vida passageira, mas em uma vida
eterna. Cremos na imortalidade, porque cremos na ressurreição. Não
fora essa expectativa, Paulo afirma “comamos e bebamos porque
amanhã morremos”. Mas a certeza de Paulo era que os mortos, sim,
ressuscitarão e os vivos serão arrebatados. ( I Co 15.32; 51-58).
Precisamos ter uma vida moral elevada, sejamos crentes ou não, mas o

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


crente em Cristo Jesus tem necessidade de procurar cada dia mais viver
esta vida abençoada porque ele é cidadão do céu.

– Imitação de Cristo – Paulo apela, também, para o motivo sublime de


sermos imitadores de Cristo: “Ora, o Deus de constância e de consolação
vos dê o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus.”
(Rm 15.5). Em Gálatas 2.20 ele testifica sua própria experiência de
identificação com Cristo, sob a figura de ser crucificado com Ele: “Já
estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e
a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me
amou, e se entregou a si mesmo por mim.” Em Filipenses 2.5 ele diz:
“Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus”.

- Amor – O amor, para Paulo, é o cumprimento da lei.” Tende em vós


aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Rm 13.8). O amor é
o motivo mais alto para viver. Henleee H. Barnette afirma: “A vida, no
vível do amor é inclusiva e se levanta por cima dos melhores requisitos
éticos da comunidade”, e Paulo continua a dizer: “O amor seja não
fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos
outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros;” (Rm
12.9,10).

A passagem mais famosa do apóstolo Paulo quanto ao amor está em


I Co 13.
– O Dever – O que Deus fez em nosso favor deve ser o motivo suficiente
para prestarmos a Ele nosso trabalho com gratidão e amor. Devemos
saber que temos o dever de glorificá-lo com o nosso corpo. (I Co
6.19,20).

Capítulo 3
A Ética Cristã em nossos Dias

Neste capítulo veremos a Ética Cristã presente na vida da igreja. Hoje


em dia enfrentamos muitos problemas e desafios aos quais precisamos Página
dar uma resposta dentro da ética da Palavra de Deus. Muitas vezes a
igreja é tentada a dar esta resposta de acordo com os princípios do
2
mundo, todavia, precisamos entender que, apesar de sabermos que
muitos dos princípios que norteiam o mundo são bons, nem sempre eles
estão de acordo com a Palavra de Deus.

1. Quem é o Homem
Como o mundo sem Cristo responde a esta questão? Como a Igreja
a responde?

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Carlos Darwin afirmou que o homem faz parte do processo de
evolução das espécies, desprezando, portanto, sua criação divina.
Karl Marx cria que o homem é o que come e nada mais. A
responsabilidade da Igreja é mostrar ao mundo as verdades
quanto ao homem e seu relacionamento com Deus.

– O Homem é criação de Deus – Pela fé na Palavra de Deus a Igreja crê


que o homem é muito mais do que o próprio homem pensa de si. O
Homem é a coroa da criação de Deus. Tem dentro de si o sopro de Deus.
È criado à imagem e semelhança de Deus. Gn 1.26,27; Gn 2.7. Porque
criado à imagem e semelhança de Deus é que o homem tem dentro de
si o discernimento ético que o distingue dos animais. O homem é mais
que corpo e carne, ele é carne (corpo) e espírito.
– O homem e sua queda – Apesar de criado à imagem e semelhança de
Deus o homem pecou desobedecendo a sua ordem, o que resultou na
sua queda. A queda trouxe todo o tipo de problemas que o homem tem,
porque ela o limitou espiritual e fisicamente. O homem no seu estado
natural não quer e rejeita a obedecer e submeter-se a Deus. A razão de
o homem preferir ser originário do mundo animal é exatamente para o
preservar desse relacionamento com Deus, por causa do seu
subjugador, Satanás.

2. A família
2.1 – O matrimônio – Depois da criação do homem, Deus
providenciou o meio pelo qual o homem deveria procriar-se.
Criou a mulher e levou-a ao homem. Ali estava instituído o
matrimônio, que é a base que sustenta os bons princípios, ou os
princípios éticos de uma sociedade. O Diabo vem tentando
fazer o homem entender que o casamento é desnecessário. A
sociedade, de um modo geral, já não faz mais caso de um
casamento propriamente dito. Vale tudo. Mas a Igreja sustenta
que o casamento é uma instituição divina e que sua existência
será sempre preservada. Ler:

Página
Gn 1.21 Então, o SENHOR Deus fez cair pesado
sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou
uma das suas costelas e fechou o lugar com
carne.
2
22. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao
homem, transformou-a numa mulher e lha
trouxe.
23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus
ossos e carne da minha carne; chamar-se-á
varoa, porquanto do varão foi tomada.
24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à
sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.
25 Ora, um e outro, o homem e sua mulher,
estavam nus e não se envergonhavam.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


2.2 - O Divórcio - Como cristãos entendemos que o casamento
deve ser indissolúvel e, apenas, em casos extremos o divórcio
pode acontecer. A Bíblia diz que o que Deus ajuntou, não o
separe o homem. A pergunta, muitas vezes feitas em nossos
dias é, mas como saber que Deus ajuntou? Muitos casamentos
foram feitos sem Deus, dizem outros. Todavia, como Deus é o
autor da instituição família, podemos entender que todos os
casamentos foram instituídos por Deus. A escolhe depende da
sociedade, da cultura e dos indivíduos, mas a união foi prevista
por Deus quando instituiu o casamento.

O divórcio torna nula a validade do casamento, ou desfaz esta


união, e é, por isso, que ele não é validado pela Bíblia.
Tolerado, sim, validado, não. Jesus disse que foi a dureza do
coração do homem que fez com que Moisés deixasse o
mandamento do divórcio: (Mc 10.5) –“Mas Jesus lhes disse: Por
causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse
mandamento”. Foi, por esta razão que Jesus colocou um parâmetro
nesta situação não querendo Ele que o divórcio fosse algo que
poderia acontecer por qualquer motivo. Veja o que Ele ensinou: “Eu,
porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso
de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele
que casar com a repudiada comete adultério”. (Mt 5.32).

O apóstolo Paulo deixa outro assunto sobre a mesa em relação


à pessoa que se converte e seu cônjuge não consente em viver
com ele, pois ele diz que nesse caso ele fica livre. “ Mas, se o
descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica
sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado
à paz”. (I Co 7.15). É claro que o “não fica sujeito à servidão” indica
que esse crente de quem o incrédulo se separou fica livre. Mas, note
bem, antes Paulo disse: “Aos mais digo eu, não o Senhor: se algum
irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não
a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente
em viver com ela, não deixe o marido. Porque o marido descrente é
santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada pelo
Página
marido. Doutra sorte, os vossos filhos seriam imundos; mas, agora,
são santos”. (I Co 7.12-14)
2

2.3– Os filhos – Um dos grandes problemas em nossos dias é a


criação de filhos. È uma coisa que está destruindo a sociedade
sem que esta se dê conta, porque é um plano diabólico. Os
chamados “direitos humanos”, em muitos casos são os direitos
ou a legalidade que o homem tem dado a Satanás para a
destruição das famílias e da sociedade. O grande responsável
pela violência e pelas desgraças que estamos vendo em nossos
dias é falha da família na educação dos filhos.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Isto porque os sábios de nossos dias estão ensinando que você
não deve bater em seu filho, porque é uma violência. Você não
deve dizer não ao seu filho, porque ele aprenderá a dizer não.
E, por aí a fora, eles estão “ensinando” os pais a “criarem”
seus filhos. Como: Enfrentando os pais, batendo nos pais,
matando os pais, fazendo o que querem na casa dos pais.
Tornam-se viciados, marginais, bandidos odiados pela própria
sociedade que os formou com os “seus direitos”.

O ensino bíblico sobre a criação dos filhos: “Ensina a criança no


caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se
desviará dele”. (Pv 22.6); “O que retém a sua vara aborrece a seu
filho, mas o que o ama, a seu tempo, o castiga”. (Pv 23.24); “Castiga
a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de
matá-lo”. (Pv 19.18); “A estultícia está ligada ao coração da criança,
mas a vara da disciplina a afastará dela.”. (Pv 22.15); “Não retires da
criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu
a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno. A vara e a
disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a
envergonhar a sua mãe.... Corrige o teu filho, e te dará descanso,
dará delícias à tua alma”. (Pv 23.13-15,17); “porque o Senhor corrige
a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina
que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o
pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm
tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos. (Hb 12.6-8);
“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo”. (Ef 6.1);
“Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante
do Senhor. (Cl 3.20).

Os pais são responsáveis perante o Senhor pela criação dos seus


filhos. A razão de muitos crentes estarem enfrentando problemas
com seus filhos está na criação. Os pais precisam educar os seus
filhos em toda a área da vida, mas, principalmente, no tocante à
religião, ou seja, aos princípios bíblicos. Tem pais que estão
aceitando as regras ditadas pela sociedade, de que seus filhos devem
ter o direito de escolherem a religião que querem seguir. Isto é
verdade, depois que eles saem do convívio do lar, mas enquanto Página
estiverem com os pais, e, principalmente, quando crianças eles dever
ser levados à igreja, sim. Muitas vezes eles não vão querer ir, mas os
3
pais têm a obrigação de levá-los. Eles não vão para a escola,
querendo ou não? A sociedade não ensina que isto é correto? Por que
em relação a Deus a coisa tem que ser diferente?

Quer ter um filho fora da igreja? Não o leve à Escola Dominical,


porque pode ser estressante para ele; Não o leve ao culto, “porque
nada tem a ver com ele”; conte para ele todas as histórias que você
conhece, mas nenhuma história bíblica; critique outros crentes e os
seus líderes na sua frente; brigue com o seu cônjuge na sua frente;

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


deixe-o ver você assistir um programa de TV, mas não o deixe ver
você lendo a Bíblia.

Quer ter um filho na igreja? Leve-o para a Escola Dominical, mesmo


que o tenha de acordar cedo e você fica com muita ‘peninha’ dele;
Leve-o ao culto, mesmo que ele tenha sono, e às vezes, até acabe
dormindo; conte-lhe as histórias da bíblia; leia a Bíblia com ele; fale
bem das pessoas na sua frente; compre para ele bons filmes bíblicos;
dê o exemplo de um pai e de uma mãe abençoados pelo Senhor. Este
filho não será incrédulo, não será um marginal. Será um bom filho e,
sobretudo, um filho de Deus.

3 – A Sexualidade
O Sexo, criado por Deus para a procriação e prazer do ser humano, tem
se tornado um dos problemas mais graves no mundo, a ponto de mexer
com a política mundial. Nada há de errado no sexo, nada de pecado,
nada que possa dizer que uma pessoa não é santa se ela tem uma vida
sexual ativa. Deus é o criador do sexo. Foi Ele quem fez o ser humano
como macho e fêmea, isto é, homem e mulher. Foi Ele quem mandou o
homem se multiplicar (procriar) e encher a terra. O único problema é
que Ele criou parâmetros específicos para o sexo, a fim de evitar o seu
mau uso como hoje se vê.

3.1 – O Sexo é Santo


Pelo exposto acima devemos entender que se o homem foi
criado à imagem e semelhança de Deus; se Deus o mandou procriar
e se Deus viu a sua obra e disse que era muito bom, então o sexo é
santo, desde que obedecidas as ordenanças de Deus sobre ele.

Gen1.26-28
26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;
tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais
domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.

Página
27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher
os criou.

28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-
2
a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja
pela terra.

31 Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.

3.2 – O Sexo é para procriação, mas também para alegria e prazer


a) Provérbios 5:18 Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com
a mulher da tua mocidade,

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


b) Provérbios 5:19 corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te
os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as
suas carícias.
c) Eclesiastes 9:9 Goza a vida com a mulher que amas, todos os
dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol;
porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te
afadigaste debaixo do sol.
d) Isaías 62:5 Porque, como o jovem desposa a donzela, assim
teus filhos te desposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva,
assim de ti se alegrará o teu Deus.
e) Gênesis 26:8 Ora, tendo Isaque permanecido ali por muito
tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhando da janela, viu que
Isaque acariciava a Rebeca, sua mulher. (Acariciava: divertir-
se, brincar, fazer troça, brincar com, fazer pilhéria de) Essa
brincadeira de Isaque com Rebeca a identificou como sua
esposa. Que brincadeira seria essa?...
f) Cantares 2:9 O meu amado é semelhante ao gamo ou ao filho
da gazela; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas
janelas, espreitando pelas grades. (O gamo é o masculino da
corça. mamífero artiodáctilo da fam. dos cervídeos (Dama
dama), encontrado na Ásia, Sul da Europa e Norte da África,
com cerca de 1,75 m de comprimento, chifres em forma de
galhada plana com várias pontas e pelagem manchada de
branco. A gazela é design. comum a diversos pequenos
antílopes africanos e asiáticos, esp. aqueles do gên. Gazella, de
corpo esbelto, pernas longas e chifres espiralados, presentes
em ambos os sexos).
g) I Coríntios 7. 9 Caso, porém, não se dominem, que se casem;
porque é melhor casar do que viver abrasado.

3.3 - O relacionamento sexual deve ser entre pessoas de sexo


diferente:

a) Deus criou macho e fêmea.


Gênesis 1:27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem
de Deus o criou; macho e fêmea os criou. (RC) na versão (RA)
diz homem e mulher. A Palavra no hebraico é ‘zacar’ que
Página
significa: ‘ homem, macho’

Mc 10.6 porém, desde o princípio da criação, Deus os fez


1
homem e mulher.
7 Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á
a sua mulher,
8 8 e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De
modo que já não são dois, mas uma só carne.

No grego do Novo Testamento, a palavra traduzida como


homem em Mc 10.6 é ‘arrhen’ que significa ‘macho, varão’.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


O Dicionário diz que macho é aquilo: “com características
próprias do homem, como energia, força, virilidade; másculo”.

a) Na arca entrou um casal de cada animal. Um macho e uma


fêmea.
• Gênesis 6:19 De tudo o que vive, de toda carne, dois de
cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para
os conservares vivos contigo.

a) Uma das ordens de Deus para o seu povo em relação à pureza


é que o homem não se ‘deitasse’ com outro homem.
• Lv 18:22 - Com varão te não deitarás, como se fosse
mulher: abominação é;
• Levítico 20:13 Quando também um homem se deitar
com outro homem como com mulher, ambos fizeram
abominação; certamente morrerão; o seu sangue é sobre
eles.
• Romanos 1:27 E, semelhantemente, também os varões,
deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua
sensualidade uns para com os outros, varão com varão,
cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a
recompensa que convinha ao seu erro.

3.4 - O Relacionamento sexual é para pessoas casadas.

A Bíblia encara como adultério o sexo relacionamento que


envolver uma ou mais pessoas casadas com outra que não
seja aquela com quem se está tendo relacionamento. E
como fornicação o relacionamento que envolve pessoas
solteiras. Em ambos os casos a Bíblia chama isto de pecado
e os condena severamente.

• Atos 15:20 mas escrever-lhes que se abstenham das


viandas oferecidas aos ídolos, da fornicação, dos animais
sufocados e do sangue. Página
• Atos 15:29 que vos abstenhais de coisas sacrificadas aos
ídolos, de sangue, de animais sufocados e de fornicação;
3
destas coisas fareis bem de vos guardar. Saúde.
• Atos 21:25 Mas quanto aos gentios que têm crido, já
escrevemos, ordenando que se abstenham do que é
sacrificado aos ídolos, de sangue, de animais sufocados e
de fornicação.
• 1 Coríntios 5:9 Na minha carta vos escrevi que não vos
comunicásseis com os fornicários,

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


• 1 Coríntios 6:9 Acaso não sabeis que os injustos não
herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis; nem
fornicários, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados,
• 1 Coríntios 6:18 Fugi da fornicação. Todo o outro pecado,
qualquer que o homem cometer, é fora do corpo; mas
aquele que comete fornicação, peca contra o seu próprio
corpo.
• 1 Coríntios 7:2 mas por causa das fornicações, cada um
tenha sua mulher, e cada uma seu marido.
• Gálatas 5:19 Ora as obras da carne são manifestas, as
quais são: a fornicação, a impureza, a lascívia,
• Efésios 5:5 Pois isto sabeis com certeza que nenhum
fornicário, nem impuro, nem avarento, o qual é idólatra,
tem herança no reino de Cristo e Deus.
• Hebreus 13:4 Seja honrado o matrimônio por todos, e seja
o leito sem mácula; pois aos fornicários e adúlteros, Deus os
julgará.

• Êxodo 20:14 Não adulterarás.


• Levítico 20:10 Se um homem cometer adultério com
mulher casada, isto é, se cometer adultério com a mulher
do seu próximo, certamente serão mortos o adúltero e a
adúltera.
• Deuteronômio 5:18 Não adulterarás.
• Provérbios 6:32 Quem comete adultério é falto de
entendimento; Destrói-se a si mesmo, quem assim procede.
• Romanos 13:9 Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não
furtarás, não cobiçarás, e se algum outro mandamento há,
nestas palavras se resume: Amarás ao teu próximo como a
ti mesmo.
• 2 Pedro 2:14 Eles têm os olhos cheios de adultério, e não
cessam de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo
um coração exercitado na avareza, filhos de maldição.

Os limites do Relacionamento Sexual.

Há limites e dentro do casamento eles devem ser estabelecidos


pelo casal em oração e comunhão com o Senhor. Esses limites
devem levar em conta além da experiência cristã de ambos, a Página
normalidade prática, higiênica e moral. Um exemplo: Apesar de
muitos afirmarem que o ato sexual anal não é pecado, deve-se
1
pensar para que serve o ânus. Alguém disse que o ânus é o esgoto
do corpo, e é realidade. Portanto, no mínimo, o sexo anal é
imundo e impraticável por qualquer pessoa que gosta de higiene.
Considerando o fato de Deus ter determinado que o homem não
deve se deitar com outro homem, no sentido de relacionamento
sexual, é prudente entender que o que Deus não queria era um
relacionamento anal entre as suas criaturas.

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


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Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


Pr. Eli Januário dos Reis
Dez.2004Preparada para o Curso de Jd. Leal

ETICA
DO DEVER
CONSEQÜENCIALISTA
DA VIRTUDE

DO DEVER – dos mandamentos cristã, tem uma regra.

DOS UTILITARISTAS – Conseqüencialista – evita um princípio geral, evita um mandamento – parte do estudo de um

ÉTICIA DA VIRTUDE – de Aristóteles – não tem mandamento nem conseqüência – a virtude está no meio termo, ela é
Eudaimonia – a ética da felicidade

Epoché
cética
A suspensão do juízo caracterizava a atitude dos céticos gregos, especialmente Pirro. Para Página
os céticos, a epoché era a única atitude capaz de levar à imperturbabilidade. Eles afirmavam
que duvidar do caráter bom ou mau de todas as coisas leva o indivíduo a não querer nem
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rejeitar coisa alguma, tornando-se imperturbável.[1]

[editar] Epoché fenomenológica


Na Filosofia moderna, especialmente na obra de Edmund Husserl e outros
fenomenologistas, o termo epoché adquire um significado diferente. Ao invés de
efetivamente chegar a negar a existência, a epoché fenomenológica implica na
"contemplação desinteressada" de quaisquer interesses naturais na existência. Em outras

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


palavras, a suspensão de juízo fenomenológica não põe em dúvida a existência, mas se
abstem de emitir juízos sobre ela.[1]
Husserl conclui que os fenômenos são incompreensíveis. A forma como ele resolve esse
problema foi afirmar que os fenômenos podem ser intuídos, ou seja, a essência fica somente
no campo sensorial. Sendo assim, ela é pré-reflexiva e se dá no irracional. Portanto para
compreendê-los temos que fazer “epoché”, que nada mais é do que deixar de lado o
racional, os julgamentos e os pré-conceitos. Com isso, ele reafirma que a realidade é
subjetiva

AFASIA (Sócrates)
A afasia é uma deterioração da função da linguagem, depois de ter sido adquirida de
maneira normal e sem déficit intelectual correlativo. Caracteriza-se por dificuldade em
nomear pessoas e objectos. Podem levar a um discurso vago ou vazio caracterizado por
longos circunlóquios e pelo uso excessivo de referências indefinidas como "coisa" ou
"aquilo". Pode evoluir para um comprometimento grave da linguagem escrita e falada e da
repetição da linguagem. No extremo pode levar a mudez ou a um padrão deteriorado com
discurso com ecolália ou palilália. As causas principais são:
• tumores
• AVC (ou derrame);
• doenças infecciosas (como a meningite);
• doenças degenerativas (como a esclerose múltipla ou as demências);
• acidentes com traumatismo cranioencefálico;
• tensão metabólica (intoxicações);
• epilepsia
Há vários tipos de afasia. Elas podem ocasionar lesões em aspectos muito específicos da
linguagem: no nível fonético, sintático, semântico ou pragmático. O clínico especialista no
terapia com pacientes afásicos é o fonoaudiólogo

ATARAXIA
Ataraxia é um termo ligado às correntes filosóficas gregas do Ceticismo, Estoicismo e Página
Epicurismo, o qual é sinônimo para:
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• Paz e imperturbabilidade de espírito;
• Ausência de ansiedade;
• Tranquilidade e impassibilidade da alma;
• Felicidade derivada da virtude;
• A experiência do ótimo, a qual leva ao prazer natural, ético e estável.
Segundo tais correntes, a ataraxia é possível de ser alcançada:
• Atendendo-se aos desejos naturais;

Anotações Sobre Ética Cristã – Pr. Eli J. Reis


• Ignorando-se os desejos supérfluos;
• Eliminando-se as paixões;
A ataraxia epicurista é basicamente o triunfo da razão do homem - geralmente a duras
penas - sobre a irracionalidade do ambiente que o circunda. É um estado de espírito onde o
homem deixa de temer o divino, a dor e principalmente, a morte.

Etimologia
Do grego ataraktos, imperturbado: (a, não; tarassein, tarak-, perturbar). Ausência total de
preocupações, e ansiedade

Raizes
O estoicismo, filosofia desenvolvida no perído pós-socrático, preconizava a resignação com
o sofrimento e com a dor. Dizia que a dor e prazer são ilusões de nossa sensibilidade e que
o homem pode superar tais estados através de exercícios de reflexão e ascese espiritual que
eles denominavam de ataraxia.

Adeptos
Os maiores pensadores do estoicismo foram o filósofo grego, Zenon e o escravo de Marco
Aurélio, Sêneca.

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