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VANGUARDAS TARDIAS (ALTO MODERNISMO) E NEOVANGUARDAS

NO PÓS- SEGUNDA GUERRA

Movimentos, grupos, programas e formas de expressão descendentes ou influenciados pela antiarte


dada-surrealista no pós-geurra: Tachismo* (França), Arte Bruta* (França), Grupo COBRA (Europa),
Letrismo (Europa), Situacionismo (Europa), Combine Painting* (Rauschenberg, EUA), Action Painting*
(EUA), Acionismo ou Happening * (EUA) Arte Pop* (Inglaterra/EUA), Nouveau Realism* (França),
Grupo Fluxus* (Europa/EUA), Arte Povera* (Itália), Acionismo Vienense*, Programa Parangolé de
Antiarte Ambiental (Hélio Oiticica, BR), Inserções em Circuitos Ideológicos (Cildo Meirelles).
Movimentos, grupos e formas de expressão descendentes ou influenciados pela tradição construtiva:
Escola de Ulm (Alemanha), Arte Concreta Brasileira (Grupos Frente e Ruptura); Neoconcretismo (BR),
Arte Op*, Arte Cinética*.
Movimentos grupos influenciados pela vertente expressionista: Tachismo* e Arte Bruta* (França),
COBRA (Europa), Expressionismo Abstrato* (EUA).
Ruptura de categorias, desmaterialização, arte extramuros, interrogação ao espaço expositivo:
Neoconcretismo (BR), Land Art (EUA, Inglaterra), Minimalismo* (EUA), expressões multimídia (Nam
June Paik e Fluxus), Acionismo ou Happening (EUA), Arte Conceitual* (EUA)
Identidade: mitologias individuais* (Etienne Martin, Joseph Beuys, Christian Boltansky, Artur Barrio)
Formalismo: Campo de Cor* e Abstração Pós-pictórica* (Nova Abstração EUA)

DEFINIÇÃO E HISTÓRICO
(Fontes: Diccionário del Arte actual, Karin Thomas, Labor, Barcelona: 1978; Dicionário Oxford de
Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2001; Enciclopédia Virtual Itaú.)

Abstração Pós-Pictórica: (Post-painterly abstraction) conceito cunhado por Clement Greenbreg, em


Abstração Pós-Pictórica. Define a terceira fase da Escola de Nova Iorque, representada, nos anos ’60,
pelos artistas Morris Louis, Keneth Noland, Jules Olitsky e Ellsworth Kelly, entre outros. Para
Greenberg, o movimento se diferencia das formas excessivamente expressivas e subjetivo-caligráfica
do expressionismo abstrato, ao qual prefere denominar ‘abstração pictórica’.
Action Painting: tendência pictórica dominante no pós-guerra norte-americano, integrante segundo
Greenberg, do Expressionismo Abstrato que caracterizou a primeira fase da Escola de Nova Iorque,
entre 1945-55. Diferencia-se da arte informal européia por sua ênfase na ação como elemento
essencial da pintura. Para Pollock, um dos principais expoentes, ‘a tela se converte em um campo de
batalha e a pintura se transforma em parte da biografia do artista’. Com os drip paintings surge uma
nova forma de expressão, gerando um conjunto potente (all over), no qual a síntese já não se dá por
meio de processos compositivos tradicionais. A action painting introduz também a grande escala na
pintura do pós-guerra, problematizando a janela renascentista e pré-anunciando os procedimentos
‘ambientais’ na arte dos anos ’60.
Acionismo ou happening: a arte de ação surge como resposta ao gesto espontâneo e automático da
action painting, propondo a retomada da ação como instrumento da crítica e produto da decisão. Allan
Kaprow, integrante do Fluxus, é o primeiro a empregar a designação happening, em seus escritos. Ao
lado de Claes Oldenburg, está na origem das ações em arte nos anos ‘60. “A arte de ação é vista
como uma parte da própria vida, uma dimensão decisiva da realidade passa a integrar essas obras
que se realizam no tempo. (...) Não há público, nem atores, mas todos os envolvidos podem trocar de
papel.”
Acionismo Vienense: happenings rituais produzidos por grupos de artistas em Viena, nos anos ’60,
que procuravam manifestar o componente anárquico e dionisíaco através de happenings orgiásticos.
Reivindicando a liberação do prazer, do desejo e da agressividade, tomam a noção jungiana de
‘inconsciente coletivo’ para apoiar a proposição de seus rituais coletivos, conectados a conhecimentos
e necessidades arcaicas (sacrifícios, etc.). Hermann Nitsch, com seu Orgien-Mysterien-Theater ,
desenvolvido por ele a partir de ’57, está na origem desse movimento, ao lado de Otto Mühl e seus
happenings eróticos.
Arte Bruta: termo cunhado por Jean Dubuffet para designar formas de expressão artística
espontâneas, irreflexivas, próximas do inconsciente, realizadas por crianças, doentes mentais ou
artistas amadores. Ficou associada à pintura informal praticada por Dubuffet, na década de ’40, e foi
enunciada, em manifesto datado de 1948, elaborado em conjunto com André Breton. A concepção da
exposição A Arte Bruta Preferida às Artes Culturais, organizada por Dubuffet, em 1949, evidencia a
concepção do artista. São associados a essa concepção, os artistas Antoni Taàpies, Albert Burri
Arte Conceitual: termo introduzido por Sol LeWitt, em Parágrafos sobre arte conceitual, a arte
conceitual, “diferentemente do minimalismo, não analisa o espaço-aparência ou espaço-experiência”,
(...) mas propõe uma reflexão sobre o problema da visibilidade na arte, desenvolvendo radicalmente
as possibilidades abertas por Duchamp em seus ready-mades. Destaca-se o Grupo Art & Language,
que contou com a participação de Joseph Kosuth, além de artistas como Lawrence Weiner, Robert
Barry e Daniel Buren.
Arte Op: corrente que descende do construtivismo, explorando os efeitos puramente óticos de luz e
cor. Abandonando os efeitos da perspectiva linear e outros recursos de ilusão, a Arte Op vale-se das
distorções perceptivas motivadas pela exposição do olhar a certos contrastes e ambigüidades visuais,
proporcionando uma nova experiência ilusiva. No Brasil Lothar Charoux, Luiz Sacilloto e Abraham
Palatnik; na Europa o húngaro Victor Vasarelly (“o abstrato revelou-se para mim quando dei-me conta
que a pura cor-forma é capaz de significar o mundo”), e na América Latina o venezuelano Carlos
Cruz-Diez e o argentino Julio le Parc.
Arte Cinética: desenvolve-se junto à Arte Op, investigando as possibilidades de uma dinâmica da luz,
cor e movimento. São duas expressões de ‘persistência’ de um caráter ótico advindo da tradição
construtiva.
Arte Pop: retomando do Dada a integração da arte com o contexto sociológico de sua época,, o
movimento Pop nasce simultaneamente, mas de maneira independente nos EUA e Inglaterra. Em um
processo de apropriação, a arte pop traz para o âmbito da arte objetos da vida diária e, com o
distanciamento da contemplação, propõe outra visibilidade para artigos triviais de consumo que
habitualmente só encontram justificativa em sua função. Os pioneiros da arte Pop nos EUA foram
Rauschemberg (combine paintings) e Jasper Johns, que agregaram detritos e elementos
tridimensionais à superfície pintada e, com linguagem direta, não metafórica, construíram uma
antítese irônica ao Expressionismo Abstrato. O movimento Pop inglês caracteriza-se por maior
subjetivismo do que o americano, mas em ambos são apropriados elementos do massmedia e signos
da vida moderna, trazidos através da colagem, assemblage e simulacros de situações cotidianas.
Marcado por vocação objetiva, para Andy Warholl “o Pop busca, sem ilusão alguma, possibilitar que as
coisas falem por si mesmas”. Integram o movimento, entre outros: Claes Oldenburg, Roy
Lichtenstein, James Rosenquist, Edward Rusha (EUA) e David Hockney, Allen Jones, Richard Hamilton
e Jim Dine (Inglaterra). No Brasil: Wesley Duke Lee, Glauco Rodrigues, Rubens Gerschmann e Antônio
Dias, entre outros.
Arte Povera: com a Arte Povera, a produção de objetos na arte é dotada de nova consciência (...) pois
o objeto, aí, não representa uma meta em si, mas serve para trazer à luz complexas percepções do
mundo e das coisas, alterando situações cotidianas e as determinando novamente. (...) A arte Povera
cria um contraponto em relação à estrutura primária e racionalista do Minimalismo, valorizando a
complexidade do aparentemente simples. Entre os expoentes, se encontram os italianos Mario Merz,
Giusepe Penone, Janis Kounellis e os norte-americanos Richard Serra e Lawrence Weiner.
Body art (ou Behaviour art): põe o corpo humano em ação artística em um transcurso real do tempo.
O gesto corporal e a utilização de objetos servem a simples estruturas primárias de comportamento
por uma mímica corporal conscientemente manipulada e liberada de condicionamentos convencionais
(de caráter social, moral, comportamental, etc.). Há a inserção e produção do filme como meios de
registro e/ou participante da concepção central da obra. Alguns artistas ligados à Behaviour art : Vito
Acconci, Marina Abramovic, Dennis Oppenheim, Valie Export e Klaus Rinke.
Campo de Cor: o conceito delimita uma fase intermediária da Escola de Nova Iorque, ocorrida na
segunda metade dos anos ’50, em que os artistas dedicaram-se a buscar resultados compositivos a
partir do uso de grandes superfícies lisas e monocromáticas, reportando à presença dos objetos
industriais e dos anúncios publicitários que começavam a inundar o cotidiano das grandes cidade,
anunciando, assim, os processos de redução formal operados pelo Minimalismo na década seguinte.
Combine Painting: procedimento introduzido pelo norte-americano Robert Rauschenberg nos anos ’50
que consistia da colagem de objetos de consumo ou detritos em suas pinturas, conferindo nova
dimensão estética tanto aos signos pictóricos como aos objetos apropriados pelo artista.
Expressionismo Abstrato: o termo ‘expressionismo abstrato’, ou ‘abstração pictórica, segundo
Greenberg’, define uma das gerações mais expressivas da pintura do pós-guerra norte-americano; o
termo havia sido empregado nos anos ‘20 como referência às obras de Kandinsky. No período
imediato à 2a Guerra, a pintura viveu um apogeu explosivo, tanto nos EUA (com a action painting),
quanto na Europa (com o tachismo, na França). A colecionadora Peggy Guggenheim foi, ao lado do
crítico Clement Greenberg, uma figura importante para o desenvolvimento dessa primeira fase da
Escola de Nova Iorque.
Grupo Fluxus: movimento internacional, liderado por George Manciunas, o Fluxus marca um momento
de revitalização internacional do espírito Dada, nos anos ’60. Eliminando as barreiras que separam as
distintas manifestações, Fluxas funde artes visuais, teatro, música e dança. As primeiras ações fluxus
foram realizadas pelos compositores John Cage e Nam June Paik, estendendo-se com rapidez em
torno das figuras de Yves Klein (França); Allan Kaprow, Claes Oldenburg, Jim Dine e Robert
Rauschenberg (N. Iorque); Wolf Vostell, Bazon Brock e Joseph Beuys (Alemanha); Murakami, Tanaka
e Kanayama (Japão). O movimento alcançou seu auge entre 1958 e 63, teve grande influência sobre
a produção em artes visuais da pós-modernidade, abandonando o planejamento das ações para
dedicar-se às estimuladoras de situações vivenciais improvisadas, envolvendo o público. Como crítica
à condição da obra como mercadoria, o Grupo Fluxus introduziu os ‘múltiplos’, objetos feitos em série
que expressavam repúdio ao valor especulativo das obras de arte e, ao mesmo tempo, ofereciam-se
como obras de arte ao alcance de qualquer bolso. Os múltiplos se tornaram uma fonte de renda para
manutenção das atividades do grupo.
Land Art: marcada pela adoção de procedimentos extramuros (intervenções em paisagens remotas ou
periferias industrializadas), a land art se desenvolve entre a segunda metade dos anos ’60 e primeira
metade dos ’70 como um dos primeiros movimentos artísticos a fazer uso do vídeo como possibilidade
documental, o que incentivou a realização de ações extramuros e efêmeras. Na land art os artistas
não utilizavam a paisagem como plano de fundo para produções escultóricas a céu aberto, mas
faziam do ambiente o verdadeiro objeto de seu trabalho.Com intervenções na paisagem, transformam
a identidade e morfologia dos locais onde atuam; cada gesto de mutação operado sobre a paisagem,
(desde pequenas ações a empreendimentos em escala gigantesca), é potencialmente transfigurador
daquele contexto mediante a colocação em prática de uma ação planejada São associados a Land art
os artistas Walter de Maria, Mike Heizer, Robert Smithson, Robert Morris, Dennis Oppenheim, Carl
Andre (EUA) e Richard Long (Inglaterra).
Minimalismo: desenvolve-se na primeira metade dos anos ‘60, em Nova Iorque, como reação à crítica
Modernista, surgindo, nesse sentido, como uma bifurcação à linguagem direta e realista da arte Pop.
O minimalismo rompe com a compreensão “tradicional de escultura como forma de expressão
encerrada em si mesma, concebendo a necessidade de os objetos assumirem determinadas
configurações como resposta ao entorno onde se inserem”. Os objetos minimalistas são
compreendidos menos como esculturas do que como ‘barreiras’ que desviam a atenção do visitante
projetando sobre aspectos do entorno. “Simplicidade de formas não implica em simplicidade de
vivência artística. As formas unitárias não reduzem as relações, mas as orientam.” (Robert Morris)
Mitologias individuais: tema da V Documenta de Kassel, em 1972, as ‘mitologias individuais’ foram
apresentadas ao público como uma vertente de vanguarda cujos artistas operavam através de
procedimentos individuais, dispondo de elementos, gestos e espaços específicos para gerar signos e
simbologias que indicavam seu universo particular. Foram incluídos nessa vertente os artistas:
Christian Boltansky, Joseph Beuys e Etienne Martin.
Nouveau Realisme: lançado pelo crítico francês Pierre Restany no final dos anos ’50, foi a expressão
francesa de renascimento Dada no pós-guerra. Opondo-se à abstração informal e construtivista, os
novos realistas inclinavam-se para a produção de objetos, happenings, assemblages e
apropriações.Participaram do movimento os artistas Yves Klein, Christo, John Chamberlain, Tinguely,
César e Arman.
Tachismo: termo cunhado pelo artista Michel Seuphor por volta de 1950, ao referir-se à obra de Wols
e Hartung. designa uma corrente na pintura dos ’50 e ’60. Deriva da palavra francesa tache (mancha)
e seu procedimento retoma o modo automático de pintar dos surrealistas.